Mapa Daqui - Sistema Colaborativo de Sinalizao para Pedestres

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    24-Jul-2016

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Trabalho de Concluso de Curso Lucas Neumann de Antonio Orientao : Andr Leme Fleury Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Universidade de So Paulo Dezembro de 2015

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  • TRABALHO DE CONCLUSO DE CURSO

    LUCAS NEUMANN DE ANTONIO

    ORIENTADOR: PROF. DR. ANDR LEME FLEURY

    FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

    UNIVERSIDADE DE SO PAULO

    DEZEMBRO DE 2015

  • Sistema colaborativo

    de sinalizao

    para pedestres

    em espaos pblicos

    MAPA DAQUI

    TRABALHO DE CONCLUSO DE CURSO

    LUCAS NEUMANN DE ANTONIO

    DEZEMBRO DE 2015

    FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

    UNIVERSIDADE DE SO PAULO

    ORIENTADOR: PROF. DR. ANDR LEME FLEURY

  • Agradecimentos

    Agradeo a todos que direta ou indiretamente tocaram

    este projeto, o qual tentei construir da forma mais

    colaborativa e aberta quanto possvel. Em especial, ao

    professor Andr Leme Fleury, pela ateno, confiana, e pela coragem com que tem conduzido os estudos da

    inovao em nossa Universidade. professora Daniela

    Hanns, por todo o apoio, carinho e orientao nesses 6

    anos de tantos projetos que me trouxeram, finalmente, a este. Ao professor Jorge Bassani, pela sua contribuio

    ao curso com reflexes crticas que me influenciaram de forma profunda.

    A Fernanda Basile, pelo companheirismo neste

    empolgante, porm exaustivo ano, em que mais

    precisamos do suporte um do outro. Lucas Pirola, pela

    generosa parceria tcnica sem a qual este projeto

    no teria atingido nem uma frao do caminho que

    percorreu. Rafael Monteiro pelas fotos, e todos os que

    ajudaram com produo de material e favores aqui e ali.

    Tambm sou muito grato a todos os que conheci

    durante o processo, atravs dos seus movimentos

    e iniciativas transformadoras de inovao social,

    economia colaborativa, e direito cidade: obrigado pela

    inspirao, apoio e energia.

    Agradeo tambm minha famlia, pela liberdade

    que sempre deram minha vontade de explorar e

    entender o mundo. todos envolvidos com o curso de

    Design da FAU, que me ajudaram a expandir e lapidar

    essa vontade, dando-lhe forma crtica, estruturada,

    e propositiva. E aos colegas que dia-a-dia me

    acompanham nessa jornada de, pouco a pouco, deixar o

    mundo mais parecido com aquilo que consideramos um

    lugar melhor para se estar.

  • Resumo

    Partindo de uma pesquisa sobre a recente retomada

    das pautas da qualidade do espao pblico urbano,

    sua ocupao, uso e ressignificao, atravs da tica de iniciativas e processos colaborativos, ativistas

    e empreendedores, foi desenvolvido um sistema

    colaborativo de sinalizao para pedestres.

    Para tal, foi utilizado um mtodo misto, composto de

    uma primeira fase de pesquisa (terica, qualitativa, e quantitativa) baseada nos mtodos clssicos de design,

    e um segunda fase de desenvolvimento, baseada

    em modelos contemporneos de construo gil de

    startups. Atravs desse mtodo, 4 ciclos de construo,

    aferio, e aprendizado foram realizados, permitindo

    que a complexidade e efetividade do modelo proposto

    fossem gradualmente certificadas e ampliadas.

    O resultado um website funcional que permite

    a qualquer cidado fazer o download de peas de

    sinalizao de baixo custo, especficas para o espao pblico do seu bairro. Ao serem instaladas, essas peas

    informam os pedestres sobre os arredores, assim como

    abrem espao para intervenes diretas que ajudam a mapear pontos de interesse daquela comunidade

    naquele espao, sejam eles comerciais, culturais, de

    servio ou de importncia subjetiva.

    At o momento de finalizao deste documento, mais de 500 downloads de peas de sinalizao foram

    registradas, em 14 Estados do pas.

  • Ns moldamos nossas ferramentas e, em seguida, somos moldados por elas.

    Marshall McLuhan

  • Apresentao

    Reviso Terica

    Pesquisa de Referncias

    Identificao de Necessidades

    Requisitos de Projeto

    13

    23

    35

    49

    58

    11

    61

    63

    75

    99

    125

    151

    183

    Fase de Pesquisa1

    Gerao das primeiras hipteses

    Ciclo 01

    Ciclo 02

    Ciclo 03

    Ciclo 04

    Concluses

    Fase de Desenvolvimento2

  • fASE DE PESQUISA1

  • Apresentao

  • Apresentao

    16

  • 17

    MapaDaqui

    Nos quatro primeiros anos do curso de Design, morei

    com meus pais em So Bernardo do Campo, em um

    grande edifcio de apartamentos. Eu me deslocava

    usando o carro que ganhei de presente deles, e apesar

    das mais de 4 horas passadas no trnsito diariamente,

    algo me dava a impresso de que aquilo era uma

    vantagem em relao aos meus colegas que utilizavam o

    transporte pblico. Para mim, nessa poca, o transporte

    pblico em So Paulo era uma coisa nebulosa, dificlima de desvendar, e que me intimidou de forma at

    violenta das poucas vezes que tentei experiment-

    lo. Eu simplesmente no conhecia nem entendia (e

    portanto no me sentia atrado) a possibilidade de uma

    vida urbana mais local, com deslocamentos curtos, e

    uma maior conexo com a comunidade ao meu redor.

    Por muito tempo, nem um mapa mental da cidade eu

    tinha formado. Meu carro era minha bolha, e a cidade

    se manifestava em pontos desconexos (apartamento,

    trabalho, faculdade, bares) que eu acessava atravs dele

    com a ajuda do GPS.

    Tudo mudou quando fui morar em Londres para um ano

    de intercmbio, e tive experincias que transformaram

    completamente minha viso de vida urbana. L eu

    passei a ter, nos mais diversos nveis, uma experincia

    de cidade compartilhada e conectada. Primeiramente,

    experimentar a cidade utilizando somente os ps, ou

    o transporte pblico, desfez a bolha que o automvel criava, e me possibilitou uma verdadeira apreenso

    dos detalhes, caminhos, e caractersticas de cada lugar.

    Me impressionou muito como a usabilidade planejada

    da cidade, que facilita esse tipo de uso, d fora para

    a criao de identidades locais, e comunidades que

    se reconhecem tanto geograficamente quanto por interesses e objetivos em comum.

    Na volta, muitos de ns intercambistas (assim como amigos e familiares) temiam ter que nos adequar

    novamente uma cidade que no fosse to gentil

    Motivaes

    Sinalizao para pedestres

    em Londres, parte do projeto

    chamado "Legible London",

    que objetiva melhorar a

    legibilidade da cidade

    quanto a capital inglesa. Decidi, ento, trazer essas

    vivncias e adapt-las minha vida em So Paulo,

    tentando encontrar aqui um modelo que se aproximasse

    do que tivemos por l. Vendi meu carro, me mudei

    para um apartamento em So Paulo , e consegui um

    emprego para onde caminho menos de 500 metros

    todos os dias.

    Fiz isso, aparentemente, em um momento de sorte:

    imediatamente conheci pessoas, iniciativas, e

    comunidades que esto tentando fazer de So Paulo,

    e outras cidades brasileiras, lugares mais equilibrados,

    compartilhados e humanos atravs da ressignificao dos espaos pblicos. um movimento crescente, e

    participar dele aplicando aquilo que aprendi nesses

    ltimos 6 anos tornou-se um objetivo que me traz uma

    enorme satisfao.

  • Apresentao

    18

    Aproximao ao problema

    TCC 1

    Este trabalho foi iniciado no primeiro semestre de 2015

    tendo em mente o seguinte desafio estratgico: Como podemos incentivar comportamentos de comunidade

    e colaborao que levem transformao dos centros

    urbanos em locais mais amigveis e sustentveis?

    Esse questionamento nos levou a uma pesquisa

    sobre as diversas facetas da colaborao e das

    prticas comunitrias, e mais especificamente, sobre a ressurgncia destes valores dentro do movimento

    contemporneo que est sendo chamado de Economia

    Colaborativa. Foram levantadas e analisadas as

    definies, origens, mecanismos, e exemplos de projetos e processos colaborativos, tentando encontrar novos

    canais para que as pessoas pudessem trocar, emprestar,

    e alugar recursos entre si como modo de tornar suas

    vizinhanas mais amigveis e sustentveis. Tambm

    foram feitas entrevistas qualitativas, quantitativas, lista

    de requisitos e gerao de ideias para o produto a ser

    desenvolvido: um sistema de emprstimos, aluguis e

    trocas entre pessoas de uma mesma vizinhana.

    A concluso da pesquisa, no entanto, assim como

    as reflexes trazidas pelos professores orientadores durante a banca, trouxe uma srie de questionamentos

    que colocaram em cheque conceitos fundamentais

    dos sistemas de Economia Colaborativa, assim como

    o enfoque do projeto que estava surgindo. Alguns

    exemplos: Como criar comunidades verdadeiramente

    mais amigveis no contexto de um ambiente urbano que

    j hostil gentileza, diversidade e convivncia? Como

    evitar que plataformas de troca de objetos ou favores

    acelerem o processo de isolamento das comunidades

    em grupos menores, que j tem interesses e perfis similares, e que so cada vez mais auto-suficientes e indiferentes ao contato possibilitado apenas pela

    abertura do espao pblico? Como evitar, tambm,

    que os usurios do sistema no participarem dele

    somente pelas convenincias individuais, como vm

    se observando em diversos exemplos de plataformas

    estrangeiras que perderam sua essncia colaborativa?

    Esse tipo de reflexo deixou claro que era necessrio revisitar a definio original do problema.

    TCC2

    Ao invs, portanto, de continuar o projeto no eixo

    temtico dos emprstimos e troca de favores entre

    vizinhos, resolvemos realizar uma sutil, porm

    importante alterao de tema. Para guiar essa transio,

    buscamos auxlio em alguns autores como Gehl, Harvey,

    Lynch, e Cauduro. Atravs dessas leituras, pudemos

    encontrar o novo enfoque: ao invs de projetar

    para comunidades no ambiente privado, projetar

    para o ambiente pblico. O espao pblico e seus

    equipamentos, aifinal, so fatores fundamentais que geram ou inibem, entre outros comportamentos, as

    gentilezas e processos colaborativos entre os cidados,

    que tnhamos como objetivo inicialmente. Gehl diz:

    Primeiro ns moldamos as cidades e ento elas nos

    moldam. Assim, quanto mais humano for o espao

    urbano que produzirmos, mais valorizada nossa

    dimenso humana estar (Gehl, 2013).

    Se quisermos ento trazer tona qualquer tipo de

    comportamento como a colaborao e a coeso

    comunitria, devemos comear pelo desenho de uma

    cidade que permita encontros, trocas, diversidade e

    gentileza. Com isso, optou-se por deixar de lado o mbito

    da colaborao dentro de edifcios, e adotar as ruas, o

    ambiente pblico, como pano de fundo projetual.

    Qual seria, ento, o novo problema a ser definido? Qual seria um desafio, no campo do design, capaz de alterar o ambiente urbano a ponto de gerar as mudanas

    objetivadas? Nos autores citados anteriormente,

    principalmente em Lynch, encontramos o caminho do

  • 19

    MapaDaqui

    planejamento visual urbano, ou mais especificamente, do planejamento de sistemas de orientao espacial:

    A necessidade de reconhecer e padronizar nosso

    ambiente to crucial e tem razes to profundamente

    arraigadas no passado, que essa imagem de enorme

    importncia prtica e emocional para o indivduo.

    [...] As esperanas, os prazeres e o senso comunitrio

    podem concretizar-se. Acima de tudo, se o ambiente

    for visivelmente organizado e nitidamente identificado, o cidado poder impregn-lo de seus prprios

    significados e relaes. Ento se tornar um verdadeiro lugar, notvel e inconfundvel (Lynch, 2011, p.102).

    Cauduro, em sua tese de doutorado que documenta o

    processo de projeto do sistema visual do Metr de So

    Paulo, concorda:

    Entre as diversas formas de interveno do planejador urbano, vem ganhando merecido destaque o

    planejamento dos aspectos visuais da cidade [...] Devolver a identidade e a legibilidade das cidades

    condio indispensvel na reviso dos agrupamentos

    urbanos (Cauduro, 1979, p.3).

    Entendendo, portanto, o papel fundamental da

    orientao espacial na cidade para a formao de um

    modelo mental que permita s pessoas naveg-la com

    conforto e segurana, tornando ento os espaos mais

    comunitrios, pudemos ento revisitar e redefinir o problema a ser abordado pelo projeto:

    Desenvolver um sistema interativo que auxilie

    a orientao espacial de pedestres em espaos

    pblicos externos a partir da coleta e disponibilizao

    colaborativa de informaes.

    []

    Ilustraes do TCC1, quando ainda era objetivo a criao de um sistema de emprstimos interno

    a edifcios

  • Apresentao

    20

  • 21

    MapaDaqui

    DESAfIO ESTRATGICO

    Desenvolver um sistema interativo que auxilie a orientao espacial de

    pedestres em espaos pblicos externos a partir da coleta e

    disponibilizao colaborativa de informaes.

  • Apresentao

    22

    Metodologia

    O trabalho foi desenvolvido atravs da combinao

    aspectos de dois mtodos de projeto: o design e

    desenvolvimento gil. Isto nos possibilitou, na primeira

    fase, uma slida e ampla compreenso do contexto do desafio a ser abordado, e na segunda, uma velocidade de desenvolvimento, experimentao e validao mais

    adequada ao tipo de soluo proposta.

    Pesquisa

    Busca de dados

    Anlise de dados

    Gerao de ideias

    Refinamento & comunicao

    Desenvolvimento

    Mtodo de Design

    definido por Buchanan como um modelo mental acompanhado por um conjunto de ferramentas que

    possibilitam ao designer posicionar e reposicionar um

    problema de escopo amplo (advindo de qualquer rea

    da experincia humana), de modo a encontrar hipteses teis para sua explorao, entendimento, e soluo

    (Buchanan, 1992). O mtodo nasce, segundo Rittel, da

    uma necessidade de tentar solucionar problemas de alto

    nvel de indeterminncia, complexos (que ele chama

    de "wicked problems") que no seriam passveis de

    entendimento pelo mtodo cientfico clssico (Buchanan, 1992; Rittel, 1972). Este mtodo, documentado por

    autores como Bruce Archer (1965), Bruno Munari (1981),

    e mais recentemente reinterpretado por Brown (2009)

    entendido como um processo linear composto por

    duas fases principais: Pesquisa e Desenvolvimento, cada

    uma composta por uma subfase de anlise (quando se

    decompe um problema, ou ideia em diferentes partes) e sntese (quando essas diferentes partes so unidas em

    um todo como forma de encontrar coeso).

    Ideias

    Construir

    Produto

    Medir

    Dados

    Aprender

    Desenvolvimento gil

    O desenvolvimento gil definido por Ries como um mtodo de inovao para startups,

    ou "qualquer instituio humana que desenvolva

    produtos e servios sob condies de extrema incerteza" (Ries, 2011, p. 8). O mtodo baseado em

    ciclos rpidos de desenvolvimento, aferio,

    e aprendizado que, atravs de contnuos testes de

    hipteses sobre um produto, objetivam encontrar o modelo que melhor atenda s necessidades dos

    seus usurios. Cada rodada de desenvolvimento

    iniciada com uma lista de hipteses que deseja-se testar, as mtricas necessrias para comprov-las, e

    um experimento que possibilite test-las. Este processo

    permite validar o direcionamento da ideia em etapas,

    ao invs de construir o produto inteiro, como forma de

    minimizar o risco.

    1 2

    Mtodo de design

    Desenvolvimento gil

  • 23

    MapaDaqui

    Mtodo proposto

    Os mtodos descritos acima tem caractersticas em

    comum, assim como diferenas fundamentais . Ambos

    so utilizados para solucionar problemas que, no incio,

    no esto completamente definidos, e acabam em solues que no poderiam ser previstas nas primeiras fases. Ambos trabalham sob a tica do usurio final como forma de desenvolver o melhor produto final possvel, e ambos se utilizam de fases de prototipao

    que permitem avaliar as solues propostas nos estgios iniciais, como forma de diminuir o risco de execuo de

    algo que ningum quer.(Mueller e Thoring, 2012)

    No desenvolvimento gil, no entanto, o processo

    iniciado j com uma ideia ou modelo que deseja-se

    validar, enquanto no design, inicialmente, h apenas

    um desafio a ser compreendido. As ideias, no processo de design, s so geradas aps toda a fase inicial de pesquisa (Mueller e Thoring, 2012).

    Mueller e Thoring identificaram que os processos podem aprender e complementar um ao outro. O

    design pode ser aperfeioado com o uso de prottipos logo nos primeiros estgios do desenvolvimento, pela

    implementao de estratgias de aferio de resultados

    via mtricas, e pela considerao do modelo de negcios como parte intrnseca do projeto. O desenvolvimento gil,

    por outro lado, poderia se beneficiar de uma pesquisa

    Pesquisa TCC1 Desenvolvimento TCC2

    Anlise Sntese

    Construir Construir Construir Construir

    Medir Medir Medir Medir

    Aprender AprenderAprender Aprender

    Mtodo proposto

    mais profunda no incio do processo, tomando a anlise

    do contexto e do comportamento humano como parte

    fundamental para a gerao posterior de uma soluo.

    (Mueller e Thoring, 2012)

    Para este projeto, foi identificada a possibilidade de trabalhar com os dois mtodos em conjunto. No

    TCC1, foram utilizadas as primeiras fases do mtodo

    de design (Levantamento de dados e tratamento de

    dados), para realizar uma aproximao ao problema. No

    TCC2, aps a gerao de ideias e a definio daquela que desejvamos desenvolver, passamos para o

    desenvolvimento gil, pois assim poderia ser possvel

    construir e validar a escolha o mais rpido possvel.

    Esta deciso tambm teve como base o que

    gostaramos de ter como produto final. Atravs do mtodo de design, geralmente acaba-se com um

    projeto que comunicado atravs de desenhos,

    imagens, diagramas, e modelos que representam a viso

    ideal daquilo que poderia ser executado pela indstria. A

    metodologia gil nos d a chance de, logo nas primeiras

    fases de desenvolvimento, ter em mos prottipos funcionais, mesmo que de baixa complexidade, e

    observar sua interao com as pessoas no mundo

    real. Para mim sempre foi muito desejvel acabar a

    graduao com algo que existisse em funcionamento no

    mundo real, e portanto optei por essa combinao, que

    se mostrou muito interessante e satisfatria.

    1 2

  • Apresentao

    24

  • 25

    MapaDaqui

    Reviso Terica

  • Reviso Terica

    26

    A Metrpole: um labirinto

    Nas ltimas dcadas passamos por duas viradas muito

    importantes: A populao humana cresceu para alm

    das 7 bilhes de pessoas, e mais de 50% dessas pessoas passaram a viver em centros urbanos.

    Desde a Revoluo Industrial, viemos construindo para

    esta populao um ambiente urbano caracterizado

    pelo seu imenso tamanho, densidade, e pela

    implementao de meios de transporte que possibilitam

    o deslocamento por este territrio to vasto. Esse desenvolvimento, apesar dos seus grandes mritos,

    veio acompanhado de muitos pontos negativos

    quando comparado s cidades pr-industriais (Lynch

    apud Cauduro, 1972, p.2). David Lynch aponta os

    principais defeitos dos nossos centros urbanos:

    A cidade tornou-se uma terrvel fonte de stress

    perceptual: rudos, instabilidade climtica, poluio,

    desordem, etc. perturbam os sentidos e o equilbrio

    emocional dos seus habitantes; Desaparecem as

    referncias, a metrpole carece de uma identidade

    visvel. Impera a monotonia. A cidade fechou-se,

    falta-lhe aberturas. A fundamental interao homem-

    meio ambiente tornou-se impossvel, o espao fsico

    agride e oprime. Por fim, talvez o mais importante problema: a metrpole ilegvel. De quase impossvel

    compreenso, o meio ambiente urbano no mais pode

    ser percebido como um sistema de signos, organizado e

    informativo. A incoerncia e a entropia transformaram-

    na em um labirinto (Lynch apud Cauduro, 1972, p.2).

    A construo dessa metrpole, nas ltimas dcadas, negligenciou o desenvolvimento do espao pblico, to

    presente nas cidades pr-industriais, em favor de uma

    infraestrutura viria para automveis e verticalizao de condomnios. Esse tipo de desenvolvimento contribuiu

    para a criao de um espao urbano no qual as pessoas

    no se sentem mais bem-vindas, precisam manter-se

    encapsuladas. Nesse labirinto que se tornou a metrpole,

    como j apontava Jane Jacobs nos anos 1960, "a vida

    nas ruas deixa de existir (Jacobs, 1961). Esse tipo de

    planejamento, muito baseado nos ideais rodoviaristas do

    modernismo, e do qual a cidade de So Paulo e tantas

    outras so vtimas, tem como resultado espaos livres

    pblicos separados, vazios, e pouco convidativos para a

    vida comum.

    Alm das caractersticas espaciais trazidas pelo

    desenvolvimento da metrpole, h fatores da lgicos e

    tecnolgicos da era industrial que acabam por manter

    as pessoas distantes umas das outras, mesmo estando

    fisicamente mais prximas. Uma delas a busca inesgotvel pela otimizao de atividades e servios,

    substituindo funes que antes eram da comunidade local por objetos ou servies terceirizados (Guallart, 2014).

    Muitas tarefas que antes eram realizadas na comunidade

    e vizinhana, por exemplo, agora foram substitudas por

    equipamentos que possibilitam a sua realizao dentro

    do habitculo individual. A mquina de lavar acabou

    com os momentos em que essa atividade era realizada

    em espaos pblicos. A mquina de secar acabou com o

    contato existente quando secvamos as roupas no jardim

    ou nos terraos, e a esteira eltrica com as corridas ao

    redor do quarteiro (Guallart, 2014). O segundo eixo dessa

    transformao a da terceirizao das atividades, que

    as levaram para escalas maiores do que da vizinhana e

    at da cidade. o exemplo de grandes shoppings centers

    e hipermercados, onde passeios, compras e afazeres

    podem ser efetuados de forma menos humana e mais

    annima, reduzindo as chances de troca de crenas,

    ideias, e pensamentos que ocorre naturalmente nos

    espaos pblicos de escalas menores.

    Essas mudanas geram um efeito cclico: a sensao de

    independncia entre as pessoas, que se veem capazes

    de realizar suas atividades de forma automatizada ou

  • MapaDaqui

    27

    terceirizada, causa o afastamento entre os indivduos

    de um local, o consequente no desenvolvimento

    de redes de confiana, e o esvaziamento do espao pblico, que dominado pelo medo.

    O urbanismo parece ter esquecido do seu papel

    como um gerador de habitabilidade e interao,

    e se transformou em um mero mecanismo

    de gerenciamento dos incentivos e custos da

    transformao da ocupao urbana. Um urbanismo informacional, focado em melhorar a qualidade da

    habitao humana deveria promover mais interao

    entre os habitantes, e as atividades que os tornam uma

    comunidade (Guallart, 2014).

    [] Terminal Bandeira, So Paulo

  • Reviso Terica

    28

    Direito cidade e Cidades para Pessoas

    Percebe-se, nos ltimos anos, um retorno da pauta

    sobre os processos de deciso, construo, qualificao e uso do espao pblico s discusses cotidianas, que tm como referncia os conceitos de Direito

    Cidade, introduzido por Henri Lefebvre e Robert Park, e

    revisitado por David Harvey, e o Cidades para Pessoas,

    popularizado pelo urbanista Jan Gehl.

    Para Harvey, Lefebvre e Park, ter direito cidade

    significa muito mais do que ter acesso s estruturas, servios, e espaos urbanos, sendo tambm o direito

    de transformar, modificar a cidade de acordo com os desejos daqueles que a utilizam. Para os autores, o

    modelo de cidade que escolhemos construir acaba

    por nos construir de volta como sociedade, e portanto

    temos todo o direito de escolher que tipo de pessoas

    queremos ser atravs do tipo de cidade que queremos

    construir. Este direito, no entanto, nos furtado a partir

    do momento que o mercado financeiro e a especulao imobiliria passam a comandar os processos decisrios. No modelo de cidade construdo com base no capital

    no h espao para as massas, para a convivncia, e

    para a criao de espaos de tolerncia. Muito pelo

    contrrio, a cidade capitalista contempornea segrega,

    isola, e fragmenta, deixando as massas margem de

    uma cidade imposta pelos desejos das classes mais

    altas (Harvey 2013).

    Londres, Copenhague, Amsterd, Berlim, so

    exemplos de cidades que tm servido de referncia

    para outras que criam cada vez mais projetos para

    recuperar a vida dos seus espaos comuns. Para

    Gehl, o mais importante ponto dessa transformao

    dar de volta s cidades a dimenso humana, ou

    criar "cidades para pessoas" (Gehl, 2013). Isso significa abandonar o paradigma do automvel, e criar espaos urbanos que sejam seguros e convidativos

    ao caminhar, permanncia, convivncia entre

    diferentes grupos e locomoo atravs de transporte

    pblico ou no poluente. A ativao do comrcio e

    equipamentos culturais, melhores caladas, ciclovias,

    melhor iluminao, ruas exclusivas para pedestres,

    praas, e parques so apenas alguns exemplos de

    mudanas que auxiliam essa transformao.

    Estas tem sido as bases das discusses que vemos sendo retomadas atualmente. No Brasil, as

    manifestaes de Junho de 2013 colocaram nas ruas todo um grupo de pessoas que, pela primeira vez, pode

    sentir o poder da ressignificao do espao da cidade atravs do seu uso. Esse novo sentimento parece ter

    potencializado o debate, dando fora a iniciativas j

    existentes e abrindo espao para novos movimentos

    (Wisnick, 2015). Uma delas o festival Baixo Centro, em

    So Paulo, que desde 2012 ocupa as ruas do centro com

    atividades culturais diversas, e se define como:

    Um movimento colaborativo, horizontal, independente e autogestionado, organizado por uma rede aberta de

    produtor@s interessad@s em ressignificar esta regio da capital de So Paulo em torno do Minhoco, que

    compreende os bairros de Santa Ceclia, Vila Buarque,

    Campos Elsios, Barra Funda e Luz. um movimento de ocupao civil que pretende fissurar, hackear e disputar as ruas. (baixocentro.org)

    Movimentos como a Batata Precisa de voc e o

    Parque Minhoco, tambm em So Paulo, e a Praia da

    Estao, em Belo Horizonte, dialogam com esse tipo

    de ocupao do espao pblico atravs de atividades

    ldicas, esportivas, e culturais. Alm desse tipo de

    ocupao atravs de atividades ldicas, h tambm

    exemplos onde o conflito, debate e dissenso so sinais de que o espao pblico est servido o seu propsito (Wisnick, 2015). Lugares como a Praa Roosevelt, o

    Parque Augusta, e o Cais Estelita, no Recife, so os mais

    recentes palcos onde possvel observar o encontro de

    foras e desejos conflitantes dessa natureza.

  • MapaDaqui

    29

    Um passo importante, que demonstra a absoro de

    algumas dessas demandas pelo poder pblico, foi a

    aprovao do Plano Diretor Estratgico em 2014. A

    lei, que foi escrita e revisada atravs de metodologias

    colaborativas e abertas populao, traz diversas

    diretrizes que pretendem transformar a relao do

    paulistano com o espao da cidade.

    Para promover a melhoria da qualidade de vida, o

    Plano Diretor [...] prev a ampliao das reas

    verdes e espaos livres da cidade, alm de definir

    [] Movimento Ocupa Estelita, Recife, 2015

    [] Festival Baixo Centro, So Paulo, 2015 [] Praia da Estao, Belo Horizonte, 2015

    instrumentos de planejamento e projeto urbano de escala local, a serem formulados em conjunto com a sociedade. [...] Qualifica a vida urbana com ampliao das caladas e estmulo ao comrcio,

    servios e equipamentos urbanos e sociais voltados

    para a rua (Plano Diretor Estratgico da Cidade de So Paulo - Lei 16.050/14).

    Tudo isso, portanto, sinaliza a necessidade e desejo de

    discutir e requalificar o espao urbano, processo para o qual este projeto pretende contribuir.

  • Reviso Terica

    30

    Legibilidade, segurana e bem-estar na cidade

    Um dos fatores cruciais para o bem-estar no espao da

    metrpole, e portanto para o convite sua ocupao, a orientao. Essa necessidade humana , na verdade,

    anterior existncia das cidades, e advm da vantagem

    evolutiva de observar, identificar, e situar-se no ambiente ao seu redor. Segundo Lynch:

    A necessidade de reconhecer e padronizar nosso ambiente

    to crucial e tem razes to profundamente arraigadas

    no passado, que essa imagem de enorme importncia

    prtica e emocional para o indivduo (Lynch.2011).

    A importncia da orientao para o bem-estar pode

    tambm ser observada atravs da conhecida pirmide

    de Maslow: Segurana (fsica e emocional) a segunda

    maior necessidade humana, sem a qual as outras

    (pertencimento, autoestima, e realizao pessoal) no

    podem acontecer. Em cidades onde o espao pblico

    no oferece essa segurana, os condomnios fechados,

    shopping centers, e escolas muradas nada mais so

    do que artifcios para que dentro de um ambiente

    controlado, seguro e navegvel, possa-se atingir essas

    necessidades. Dunker diz:

    Ao entrarmos em um desses modernos condomnios,

    projetados com a mais tenra engenharia urbanstica, temos o sentimento pacificador de que enfim encontramos alguma ordem e segurana.[...] Uma regio isolada do resto, na qual se poderia livremente

    exercer a convivncia e partilhar o sentido de uma

    comunidade de destino. Alm de tudo estamos entre

    iguais. Protegidos pelos muros que anunciam: aqui

    vigora um estado especial da lei. (Dunker, 2009)

    Mas por qu nos sentimos agredidos pelas grandes

    cidades, a ponto de querermos nos isolar delas em

    sistemas fechados? Os motivos so diversos, mas aqui

    podemos focar na difcil legibilidade e apreenso desse

    ambiente. Nos condomnios, os muros agem como

    limites claros, mapeveis, que como na cidade pr-

    industrial oferecem uma estrutura linear, organizada,

    onde a prpria arquitetura e sua hierarquia visual j suficiente para a formao de um modelo mental navegvel. A metrpole, por outro lado, apresenta caractersticas labirnticas, caticas, e complexas que desafiam esse mapeamento.

    A cidade se transforma em mdia a cu aberto, onde

    no h mais lugar para a percepo coerente e global.

    [...] A coerncia linear geradora de uma pretendida

    legibilidade est definitivamente comprometida, em prol da simultaneidade de pontos de vista e de

    estmulos contraditrios (Homem de Melo, 1985).

    Essa dificuldade de mapeamento pode trazer, como vimos, extremo desconforto, e apesar das diversas

    ferramentas existentes para nos auxiliar (mapas, placas,

    pontos de nibus, monumentos, etc), perder-se na

    metrpole continua sendo uma situao indesejada.

    Se algum sofrer o contratempo da desorientao,

    o sentimento de angstia e mesmo de terror que

    o acompanha ir mostrar com que intensidade a

    orientao importante para a nossa sensao de

    equilbrio e bem-estar. A propsito, a palavra "perdido"

    remete a muito mais do que simples incerteza

    geogrfica, trazendo consigo implicaes do completo desastre (Lynch, 2011, p.4).

    Como podemos, ento, ajudar na melhoria da

    legibilidade desse espao pblico, a fim de torn-lo mais convidativo? Segundo Lynch, j que se trata de

    um processo bilateral (entre observador e o espao),

    podemos faz-lo de duas formas: Melhorando o prprio espao, atravs de projetos de arquitetura e urbanismo,

    ou utilizando artifcios simblicos para auxiliar leitura da cidade (Lynch, 2011, p.12). Um desses artifcios simblicos so os sistemas de sinalizao urbana.

  • MapaDaqui

    31

    O objetivo , portanto, auxiliar o processo de

    formao de uma imagem para que as pessoas

    possam melhor orientar-se pela cidade. Mas

    como dar legibilidade Metrpole, que, por sua natureza labirntica, recusa-se a ser mapeada?

    Como criar uma imagem ntida de algo com

    identidades mltiplas, cujos limites no

    conseguimos enxergar, muito menos definir?

    No h, como vimos, maneiras de estabelecer

    na Metrpole uma imagem nica, global, esttica, como poderamos talvez ter feito

    nas cidades pr-industriais. Ao mesmo tempo

    que isso um desafio, pode tambm ser visto como uma oportunidade: a sinalizao

    metrpole pode encontrar novo significado se utilizar das caractersticas que a tornam

    sua prpria imagem to desafiadora.

    Atravs de trechos da bibliografia, podemos traar algumas caractersticas dessa linguagem,

    que acabaram por inspirar o projeto, mesmo que

    de uma forma potica, nos prximos passos do desenvolvimento:

    fragmentada

    Nossa percepo no anda mais em linha

    reta. As paisagens se constroem a partir de

    fragmentos de vises que se montam num todo significante (Homem de Melo, 1985)

    Transitria

    O imperativo da transitoriedade da informao

    contrasta com a perenidade da arquitetura.

    Os elementos semi-fixos estruturam as regras do jogo e levam a vantagem. Palavra-chave: rapidez: montagem e desmontagem de novos

    A Linguagem da metrpole

    cenrios a cada instante (Homem de Melo,

    1985).

    Subjetiva

    As imagens ambientais so o resultado de

    um processo bilateral entre o observador e o

    ambiente, este ltimo sugere especificidades e relaes, e o observador com grande capacidade de adaptao e luz de seus

    prprios objetivos seleciona, organiza, e confere significado quilo que v. [...] A imagem de uma determinada realidade pode

    variar significativamente entre observadores diferentes (Lynch, 2011, p.7).

    [...] Identificar e compreender o meio ambiente[...] s poder decorrer de uma relao

    do tipo semitica, isto , entre os sistemas de

    signos do ambiente urbano e seus habitantes

    (Cauduro, 1972, p.4).

    Coletiva

    Cada indivduo cria e assume sua prpria

    imagem, mas parece existir um consenso

    substancial entre membros do mesmo grupo

    (Lynch, 2011, p.8).

    No h uma mimese entre a materialidade

    espacial dos mapas e a percepo imaginria

    sobre o territrio, porqu esta uma construo

    coletiva, moldada a partir das formas subjetivas do habitar, do transitar, do perceber, do criar e

    do transformar (Risler e Ares, 2013).

  • Reviso Terica

    32

    A inovao social e a economia colaborativa

    crescente o cenrio de empreendedores e

    comunidades que, empoderados pelas novas

    tecnologias e acesso informao, questionam o status

    quo da vida nas cidades e procuram oportunidades de

    transformao.

    As pessoas esto procurando por um melhor balano

    entre a prosperidade material e atividades incessantes

    de um lado, e bem-estar pessoal do outro. Estas novas atitudes tm movido parte da sociedade em

    direo a um futuro mais conectado e baseado em

    pessoas, onde h menos preocupao com o consumo

    de bens materiais e mais com o acesso a servios e

    experincias nicas, valores e significados (Green J. in Jgou e Manzini, 2008, p.145).

    Estes indivduos preferem criar as prprias solues para os problemas que enxergam, ao invs de confiar, como no passado, que as mudanas viro de grandes

    empresas e governos. Essa parte da populao tem

    se mobilizado para a criao de um novo universo de

    iniciativas e modelos de negcio que apontam para uma direo mais coerente de futuro. Enzio Manzini,

    professor do Politecnico di Milano, da New School

    em Nova Iorque, e University of the Arts em Londres,

    nomeia essas iniciativas de transio de uma sociedade

    de escassez para uma de sustentabilidade como

    Inovao Social. Ele a define como:

    O processo de mudana que emerge da recombinao

    criativa de recursos j existentes (de capital social herana histrica, de tcnicas tradicionais

    tecnologias avanadas), e que busca novas maneiras

    de alcanar objetivos socialmente reconhecidos e compartilhados. (Ezio Manzini, 2011, p.8)

    Inovadores sociais, segundo Manzini, so parte

    de comunidades criativas que utilizam do capital

    social, recurso abundante no contexto urbano,

    para criar novas dinmicas de utilizao dos outros

    recursos, que so escassos. Ela capaz de alinhar

    interesses individuais com os sociais e ambientais, e

    trabalha para gerar ideais mais sustentveis de bem-

    estar, nas quais grande valor dado qualidade

    do contexto social e fsico, atitudes gentis, a um

    ritmo desacelerado de vida, aes colaborativas, e novos conceitos de comunidade e localidade.

    Esse tipo de iniciativa no dependente da explorao

    de tecnologias de ponta, mas geralmente fazem

    uso daquelas que j so utilizadas pela comunidade

    como um todo. De fato, historicamente notvel a

    intensificao de atividades de inovao social quando dois fatores so contemporneos: a ampla adoo de

    uma certa tecnologia, e pocas de crise com problemas

    de difcil resoluo.

    Essas comunidades sentem-se insatisfeitas com a oferta

    de solues do mercado e do governo, e partem para criar suas prprias solues alternativas para problemas do dia-a-dia. Elas partem de problemas como:

    Como podemos superar o isolamento que o

    individualismo exacerbado tem trazido? Como

    podemos organizar as necessidades do dia-a-dia se

    a famlia e o bairro no mais oferecem o suporte que

    tradicionalmente estava l? Como podemos auxiliar

    a produo local sem ser engolidos pelo aparato

    poderoso do comrcio mundial? (Jgou e Manzini, 2008, p.30).

    Exemplos desse movimento so projetos que mudam

    a atitude das pessoas em relao ao compartilhamento

    de recursos e espaos, que aumenta a preferncia pelo

    consumo orgnicos e regionais, que possibilitam a

    aproximao das pessoas de um determinado local e a

    criao de novos laos sociais, e reduzem a demanda por

    recursos fsicos ou logsticos. Estas novas prticas muitas

  • MapaDaqui

    33

    vezes remetem maneira na qual as coisas eram feitas

    no passado: o mercado de rua, a horta dos avs, e o compartilhamento de ferramentas com vizinhos, prticas

    comuns antes do advento da sociedade de consumo.

    Estes tipos de servio, apesar de baseados em modelos

    antigos, esto sendo cuidadosamente reposicionados

    para a realidade atual, e colocados em funcionamento

    conjunto, de forma a apontar na direo de um modelo

    econmico que faz mais sentido no contexto do planeta

    em que vivemos (Manzini, 2011, p.11).

    Manzini categoriza as iniciativas de inovao social

    de acordo com diversos eixos, mas vamos nos ater

    aqui quela categoria que ele considera a mais

    eficaz. Segundo ele, a iniciativa ter maior potencial de gerar impacto sistmico e a longo prazo quando

    : [1] disruptiva, [2] comunitria, e [3] sustentvel.

    disruptiva quando utiliza novos modelos, tecnologias

    ou pensamentos para encontrar solues inditas. Comunitria quando inclui em seu processo a

    participao de membros diretamente influenciados pelo contexto problemtico, e no somente experts,

    pesquisadores ou rgos governamentais. E sustentvel, quando no foca em resolver emergncias imediatas,

    mas sugere solues compartilhadas a serem trabalhadas no longo prazo, para um problema comum a todos.

    A Economia Colaborativa

    Uma das manifestaes da inovao social a intensa retomada das prticas colaborativas

    compartilhamento tradicional, escambo, emprstimo,

    negociao, locao, doao e troca que esto sendo

    ressignificadas, em formato de produtos e servios, em uma escala numa antes vista. Trata-se de um novo

    mecanismo econmico e social promissor que comea a

    equilibrar as necessidades individuais com as das nossas

    comunidades e as do nosso planeta.(Botsman, 2011,

    p.53). Segundo Rachel Botsman, eles permitem que:

    [...] As pessoas, alm de perceberem os benefcios

    enormes do acesso em detrimento da propriedade,

    economizem dinheiro, espao e tempo, faam novos

    amigos e se tornem cidados ativos novamente

    (Botsman. 2011, p.XIV).

    A Economia Colaborativa formada por servios que

    criam valor a partir do uso e acesso dos recursos fsicos

    e humanos, ao invs da aquisio de sua propriedade.

    Elas utilizam de novas estratgias logsticas, sociais e

    tecnolgicas para ativar um valor antes no percebido, que antes seria descartado ou permaneceria inerte,

    possibilitando que a produo, distribuio, uso e

    reuso de objetos e servios sejam feitos de modo

    compartilhado. Diferentemente da lgica de mercado tradicional, onde uma empresa age como intermedirio,

    vendendo produtos de um produtor para o consumidor

    final (Business to Consumer, ou B2C), na Economia Colaborativa os usurios utilizam ferramentas para

    realizar transaes entre si (Peer to Peer, ou P2P). Essas muitas vezes mostram-se mais eficientes e vantajosas quando comparadas tradicional econmica tradicional.

    Camila Haddad, pesquisadora da FGV e mestre em Meio

    Ambiente e Desenvolvimento Sustentvel pela University

    College London, chama ateno para a distino da

    Economia Colaborativa da Economia Solidria. Para

    ela, a primeira pode ser definida como "uma economia construda sobre redes distribudas de pessoas e

    comunidades conectadas, em oposio a instituies centralizadas", enquanto a segunda composta de

    "Negcios baseados na distribuio justa e equitativa de renda pela cadeia de valor". Na Economia Colaborativa,

    que de fato o objeto de estudo deste trabalho, h ainda

    trs categorias de projetos: [1] Consumo colaborativo,

    formada por "prticas de consumo baseadas no

    compartilhamento, troca, venda ou aluguel de produtos

    e servios de forma a privilegiar o acesso em detrimento

    da posse.". [2] Economia do compartilhamento:

  • Reviso Terica

    34

    Modelo Econmico baseado no compartilhamento

    de ativos subutilizados, por benefcios monetrios ou

    no monetrios. E [3], a Peer Economy, formada por

    mercados de pessoa-a-pessoa que facilitam a troca

    e compartilhamento direto de produtos ou servios,

    baseados na confiana entre os membros da rede." (Haddad, 2014)

    Apesar da grande ateno que esse tipo de servio

    tem atrado, e o crescimento aparentemente

    benfico do uso da palavra "colaborao", Ann Light e Clodagh Miskelly, pesquisadoras da Universidade

    de Northumbria, fazem um contraponto que merece

    ateno. Segundo as autoras, importante que haja

    uma definio mais clara de categorias para estes servios, j que, por exemplo, empresas que oferecem

    venda de objetos usados P2P atravs da internet

    no necessariamente criam o mesmo capital social

    que uma feira de objetos usados em uma rua de

    uma comunidade. Para elas, h uma distino entre

    as organizaes que criam seu projeto a partir da necessidade identificada de uma comunidade, e as que partem de uma pura oportunidade de negcios ou possibilidades tecnolgicas. Elas afirmam que:

    Nos primeiros, visvel a nfase na organizao do grupo

    com o objetivo de incentivar o uso coletivos de recursos, projetos, e locais. J na economia colaborativa, notamos que o foco geralmente a atividade individualizada

    de usurio para usurio, e a propriedade privada de

    um deles, com o objetivo de monetizao dos recursos ao invs do encorajamento da colaborao como um mecanismo de troca e interao social (Light e Miskelly, 2014, p.4).

    Segundo elas, algumas empresas tem usado do termo

    economia colaborativa de forma oportunista, para atrair

    popularidade a servios que na realidade so somente

    novas formas de monetizar capacidade em excesso,

    mas que nada tem de sociais ou colaborativos. Elas

    "Utilizam a atratividade do destino final ao qual queremos chegar, mas pouco contribuem para alcan-lo" (Light e

    Miskelly, 2014, p.4.).

    A Zipcar, por exemplo, que se considera um servio

    de compartilhamento de veculos, no passaria de

    uma empresa de aluguel de veculos convencional.

    A diferena que, graas s tecnologias de

    geolocalizao, sua frota de carros no precisa ficar em um estacionamento nico fixo, mas pode distribuir-se pela cidade e ser acessada em pontos distribudos. O

    servio pode ser mais conveniente e prtico para o

    usurio, aumentando o nmero de pessoas interessadas

    em questionar a posse individual de veculos, mas no

    necessariamente mais colaborativo que o aluguel

    tradicional. Encontrar um mercado distribudo para

    recursos que esto sobrando no necessariamente os

    compartilhar (Light e Miskelly, 2014, p. 10).

    As autoras afirmam que as trocas sociais "verdadeiras" so cheias de riqueza e nuances que so podadas

    em relaes pr estabelecidas por plataformas que funcionam em uma lgica estritamente de mercado. O compartilhamento verdadeiro promove o sentimento

    de compromisso, e exige interpretao e conhecimento

    tcito que alguns servios da economia colaborativa

    evitam. Seus objetivos incluem, mas vo alm, de

    aumentar a eficincia das comunidades e residncias, reduzindo a demanda por recursos e os distribuindo

    de forma mais homognica. O compartilhamento

    gera conexo social e cultural, troca de conhecimento,

    amizade, e redes resilientes. Nessas redes, nas quais os

    membros se sentem conectados, oportunidades para

    compartilhar recursos aparecem naturalmente. Em uma

    conversa, um encontro, ou mesmo em grupos nas redes

    sociais, comum nos depararmos com, por exemplo,

    pessoas que precisam de objetos emprestados. Uma

    plataforma online na qual um usurio tem que cadastrar

  • MapaDaqui

    35

    os itens que tem inteno de emprestar, para ento

    encontrar pessoas que os desejam, considera que essas

    interaes naturais no mais acontecem, e propem na verdade uma soluo mais complexa para substitu-las

    (Light e Miskelly, 2014, p.43).

    Carla Cipolla (2007), pesquisadora do Politecnico di

    Milano, ajuda a ilustrar essa comparao. Segundo ela,

    no modelo mercadolgico de prestao de servios existem dois tipos de ator: um agente e um cliente,

    que exercitam papeis pr-definidos, sendo o cliente sempre servido pelo agente. Nos modelos realmente

    colaborativos de servios, por outro lado, os papeis

    de cada ator no so definidos to claramente. Neles, o cliente e o prestador podem se ajudar para que a

    atividade acontea da forma mais fluida, e os benefcios do resultado sejam compartilhados. Essa diferena

    tambm ocorre pois os servios convencionais muitas

    vezes funcionam para atingir um fim da forma mais eficiente possvel, sem que no entanto seja considerada, qualitativamente, o valor da experincia gerada. Suas

    mtricas so quantitativas. J nos novos modelos

    de servio, o foco est no "porqu" da atividade, no

    dilogo, e nas qualidades sociais da atividade gerada.

    Muitas das empresas que se dizem encaixar no universo

    da economia colaborativa (como ZipCar, Airbnb,

    TaskRabbit, etc) pertencem, claramente, categoria de

    prestao servios convencionais.

    Light e Miskelly criticam em ainda mais um ponto

    os servios mais populares que se consideram

    colaborativos: A premissa do uso de tecnologias

    avanadas como base para sua criao. As iniciativas

    podem sim ser auxiliadas pelas tecnologias, mas a

    existncia de servios colaborativos no dependente

    delas. Uma biblioteca, por exemplo, um servio

    comunitrio que pode ter ferramentas digitais para

    aumentar a eficincia do seu funcionamento, mas no depende delas para funcionar. Uma reunio de

    condomnio pode obter maior alcance atravs das redes

    sociais, mas a reunio em si no depende da ferramenta

    escolhida para organiz-la. Um dos grandes erros das

    plataformas digitais de compartilhamento, segundo as

    autoras, que muitas vezes ignoram ferramentas mais

    simples, mas que muitas pessoas j utilizam, enquanto

    impem a participao em uma outra qual os usurios devem se afiliar e se dedicar. Afinal, muitas das pessoas interessadas pelo desenvolvimento social e bem-estar

    de suas comunidades (principalmente os mais velhos)

    no necessariamente se mantm a par das ferramentas

    digitais que aparecem a cada dia, pois costumam confiar naquelas que j utilizam no dia-a-dia (Light e Miskelly,

    2014, p.55). Ao tentar incentivar a colaborao em

    uma comunidade local exclusivamente atravs dessas

    plataformas tecnolgicas, acabamos por torn-la menos inclusiva, pois no levamos em conta aquelas pessoas

    que no podem ou preferem no acess-la. Devemos,

    portanto, deixar que o contexto social informe a escolha

    das tecnologias, e no o contrrio. Se no o fizermos, e continuarmos partindo da tecnologia pra a criao dos

    servios, cometeremos um erro muito comum: criar

    solues para problemas no identificados, inexistentes (Light e Miskelly, 2014, p.63).

  • Pesquisade referncias

  • Pesquisa de Referncias

    38

    Wayfinding na cidade do Rio de Janeiro Mapa iluminado instalado no bairro do Soho, em Londres

    Totem do projeto Legible London

    Totem do projeto Walk NYCTotem de sinalizao da cidade de Bath, na Inglaterra

  • 39

    MapaDaqui

    Wayfinding em espaos pblicos

    Segundo Berger, wayfinding , em uma definio curta, o ato de encontrar o caminho para um destino.

    Wayfinding design, por extenso, a prtica de ajudar pessoas a encontrar seus caminhos, atravs de

    suportes com a fala, toque, materiais impressos, placas,

    arquitetura e paisagem (Berger, 2009, p.7).

    A disciplina, como tal, comea a se estruturar aps a virada do sculo XX, quando as cidades comearam a

    ganhar caractersticas que, como vimos anteriormente,

    dificultaram sua legibilidade. Alm do puro aumento da escala e complexidade das cidades e seus espaos

    (mercados cresceram para hipermercados, estdios se

    tornam complexos esportivos, hospitais se tornaram

    centros mdicos, etc.), Berger argumenta que,

    mais recentemente (a partir da dcada de 1960) a

    padronizao dos espaos proposta pela arquitetura

    moderna enfraqueceu a memria coletiva que ajudava as pessoas a identificar e navegar os espaos com os quais j estavam acostumadas. Essa perda de identidade

    refletida, por exemplo, na capacidade de um edifcio de adotar diversas funes em um curto perodo de tempo (uma igreja que se torna uma escola, e em

    seguida uma compartiro pblica), por consequncia

    deixando de servir como referncia simblica para a navegao do espao da cidade. (Berger, 2009, p.21)

    Dessa padronizao, segundo Gibson, nasceu a urgncia

    em profissionais de design, crticos e acadmicos de encontrar maneiras de humanizar os espaos urbanos,

    sejam eles pblicos ou privados, atravs de uma

    sinalizao que facilitasse sua compreenso (Gibson,

    2009, p.13). Wayfinding aplicvel a um grande universo de espaos, que vo de hospitais, a escolas, mercados

    e at websites. Vamos, no entanto, nos ater aos casos

    do ambiente pblico urbano, com foco no pedestre.

    Cada vez mais cidades do mundo vm implementando

    competentes sistemas de orientao para pedestres,

    compreendendo que este tipo de interveno pode

    resultar em uma infinidade de benefcios para a cidade, como o incentivo ao exerccio fsico, diminuio do

    trfego de carros e presso no transporte pblico,

    poluio atmosfrica e sonora, segurana nas ruas, e

    o aumento do consumo em lojas de rua (Transport for

    London, 2007).

    Londres, uma dessas cidades, criou em 2006 o

    programa chamado Legible London, que desde ento

    pesquisou, prototipou, e implementou um sistema de

    wayfinding padronizado composto por mais de 1900 totens informativos de diferentes formatos, e 6 milhes de unidades de mapas de papel. Pessoas entrevistadas

    aps a instalao do sistema indicaram aumento na pr-disposio para caminhar, e demonstraram

    capacidade de gerar um mapa mental mais preciso da

    cidade comparado com entrevistas realizadas antes da

    instalao (Transport for London, 2014). Mesmo Nova

    Iorque, uma cidade conhecida por seu grid regular

    de quarteires, considerada de fcil navegabilidade e onde 60% das pessoas tem smartphones e os utiliza para navegar o espao, aprovou em 2013 um plano de

    instalao de um sistema de wayfinding fsico. O estudo pr-instalao revelou que em qualquer dado momento,

    10% dos e pedestres na cidade encontram-se perdidos (Miller, 2012). Na cidade, 30% dos deslocamentos j so realizados a p, e um dos objetivos do programa

    que outros 22%, hoje referentes deslocamentos de automvel com menos de 1km, (distncia que se pode caminhar em mdia, em 15 minutos), convertam-se

    tambm caminhada (Miller, 2012).

    Durante a redao deste trabalho, a cidade do Rio de

    Janeiro tambm comeou a implementar seu sistema

    de wayfinding, preparando-se para as olimpadas. O projeto, orado em R$ 13,7 milhes, contempla a instalao de 500 unidades de sinalizao at o fim de 2015, com algumas unidades piloto j instaladas.

  • Pesquisa de Referncias

    40

    design tm se tornado cada vez mais sistmicos, ou

    seja, no so mais como os produtos industriais do

    passado, singulares e auto-suficientes, mas cada vez mais conectados a um sistema sem o qual no possuem

    valor ou no resolvem o problema a que se propem.

    Alm disso, Manzini tambm identifica novas reas de interesse ou frentes de atuao nas quais

    anteriormente o design no possua um papel to forte:

    Design em Placemaking

    o designer que se une a planejadores urbanos,

    instituies locais, ou comunidades para criar novas dinmicas espaciais, buscando equilibrar a

    cultura, servios e produo locais com a escala da

    conexo global, alm de encontrar solues para os problemas locais atravs do uso dos prprios recursos (tangveis e intangveis) ali presentes.

    Design como ativismo

    o design que participa de iniciativas que no tm

    como propsito oferecer uma soluo imediata para um problema, mas oferecer novos olhares sobre

    uma questo e aumentar o interesse na busca por

    solues inovadoras para os problemas do cotidiano.

    Com esse novo paradigma em vista, iremos investigar

    maneiras de projetar uma sinalizao pblica que no

    passe pelo processo tradicional de implementao,

    que utiliza suportes, recursos, e dinmicas j existentes

    no ambiente urbano, e que emerja de maneira

    colaborativa, experimental, empreendedora, e ativista.

    Um exemplo muito interessante deste tipo de

    abordagem, que dialoga com o tema deste projeto,

    o Walk Your City (ilustrado direita). um projeto

    americano que visa promover a caminhada como

    Como vimos nos exemplos de wayfinding nas pginas anteriores, o problema de legibilidade da cidade poderia

    ser resolvida com um projeto de sinalizao pblica

    "oficial", desenvolvida por um escritrio de design e implementado pelo poder pblico, como verdade

    em diversas cidades pelo mundo. Este , inclusive, um

    programa frequente de projetos no curso de design

    desta Faculdade. Neste projeto, no entanto, um dos

    objetivos flertar com os processos colaborativos de significao do espao, que no seriam compatveis com um sistema to rgido . Alm disso, a ausncia de

    um sistema de sinalizao pblico satisfatrio na maioria das cidades brasileiras nos faz questionar o interesse

    ou a eficincia deste processo na nossa realidade, e indagar se, atravs de maneiras alternativas, poderamos

    solucionar o problema, mesmo que parcialmente sem

    ter que passar pela vontade do poder pblico.

    Manzini, em seu estudo "Design in a Changing,

    connected world", identifica mudanas de paradigma no papel do design para com a sociedade que podem nos

    ajudar a encontrar essas novas maneiras de atuao.

    Primeiramente, o autor identifica que o mtodo, ou seja, a maneira utilizada por designers para desenvolver

    uma soluo tm passado por alteraes. Se antes, para desenvolver um produto industrial o designer

    tinha o papel de "expert", que considera o olhar do

    usurio no seu processo, mas na prtica define ele mesmo todos os detalhes do projeto, hoje cada

    vez mais comum que este desenvolvimento seja

    feito colaborativamente durante toda sua extenso,

    sendo o designer responsvel por administrar e

    traduzir os diversos pontos de vista das partes

    envolvidas para encontrar a coeso da soluo final.

    Manzini tambm identifica mudanas na natureza das solues encontradas por estes processos. Ele conclui que os objetos resultantes do processo do

    Abordagem ativista

  • 41

    MapaDaqui

    forma de deslocamento de curtas distncias nas

    cidades, atravs de uma plataforma que permite a

    criao personalizada de placas direcionais, a serem

    instaladas pelos prprios cidados. Ele nasceu de uma iniciativa popular, que no primeiro momento,

    foi inclusive ilegal. O grupo espalhou algumas placas

    pela cidade, e estas foram rapidamente retiradas pela

    prefeitura. Em um segundo momento, no entanto,

    a prefeitura voltou atrs e decidiu adotar o projeto

    oficialmente. Desde ento, mais de 100 comunidades encomendaram placas como esta atravs do website,

    diversas prefeituras abordaram a organizao para

    instalar placas customizadas em suas cidades, e

    o projeto recebeu aporte de $180,000 da Knight

    Foundation para o seu contnuo desenvolvimento.

  • Pesquisa de Referncias

    42

    Mapa resultante de um workshop de

    mapeamento coletivo realizado

    pelo grupo Iconoclasistas no Peru.

  • 43

    MapaDaqui

    Alm da abordagem, tambm pode ser interessante

    discutir a linguagem e o processo com os quais o

    mapeamento e a sinalizao realizada. A imagem

    da cidade, como vimos, algo subjetivo, coletivo, e

    fragmentado. Se o objetivo abrir caminhos para os

    fluxos de coletividade, colaborao e gentileza nos espaos urbanos, h espao para que o processo de

    criao desse sistema seja feito de forma a envolver

    essa subjetividade. Segundo os iconoclasistas, grupo

    argentino que trabalha com mapeamentos coletivos, a

    cartografia oficial:

    Os mapeamentos que habitualmente circulam so o

    resultado do olhar que o poder dominante recria sobre

    o territrio, produzindo representaes hegemnicas funcionais nos termos do desenvolvimento do modelo

    capitalista, descodificando o territrio de maneira racional para enumerar e caracterizar os recursos

    naturais, as suas caractersticas populacionais e o tipo

    de produo (Risler e Ares, 2013).

    Muito mais interessante, portanto, seria uma cartografia subjetiva, ldica, que no define ou cria um programa rgido para o espao, mas identifica valores afetivos do espao e convida sua explorao, como aquelas

    realizadas pelos grupos situacionistas dos anos 1950

    e 1960. O grupo argentino Iconoclasistas responde

    essa demanda realizando workshops de mapeamento

    coletivo em comunidades, onde todos so convidados

    a depositar suas percepes individuais sobre determinado territrio, obtendo-se no final um mapa representativo do consenso de imagem coletiva que h

    sobre ele (como na imagem esquerda que representa

    o resultado de um taller de mapeamento colectivo

    realizado pelo grupo no Peru).

    O mapeamento coletivo um modo de elaborao

    e de criao que subverte as narrativas dominantes

    sobre os territrios para transformar a invisibilidade

    de saberes, situaes e comunidades em narrativas colectivas crticas. Os mapas [...] transmitem antes

    uma determinada concepo colectiva sobre um

    territrio sempre dinmico e em permanente mudana,

    onde as fronteiras (reais e simblicas) adquirem um

    carcter relacional e fluido e so continuamente alteradas pela ativao de corpos e subjetividades. Por isso, a elaborao de mapas deve fazer parte de

    um processo maior[...] de organizao colectiva, ser

    um meio para a reflexo, a socializao de saberes e de prticas, o impulso participao colectiva (Risler

    e Ares, 2013).

    Sob essa tica, o processo de mapeamento e sinalizao no somente um fim em si como objeto informacional, mas um ponto de partida para

    a apreciao, crtica, e desenvolvimento do prprio territrio fsico e das relaes humanas que nele acontecem. com este direcionamento em mente

    que seguimos para o desenvolvimento de um sistema

    colaborativo de orientao no espao pblico.

    Mapeamento coletivo

  • Pesquisa de Referncias

    44

    Intervenes urbanas

    Que nibus passa aqui

    Http://shoottheshit.com.br

    2014 | Brasil

    O projeto distribuiu adesivos que, ao serem

    colados pelos participantes nos pontos de nibus

    prximos s suas casas, podem ser preenchidos por qualquer cidado com as linhas de nibus que

    passam naquele ponto. A iniciativa, alm de gerar

    um senso de responsabilidade e cuidado para

    com a cidade em cidados que tradicionalmente

    esperam que as solues venham do governo, melhora a experincia do uso do transporte

    pblico, atraindo mais pessoas para esse modal.

    O projeto foi financiado colaborativamente duas vezes atravs da plataforma Catarse,

    levantando mais de R$4.000 de colaboradores.

    Como resultado, cerca de 20.000 adesivos foram

    espalhados em mais de 30 cidades do Brasil.

    Recentemente, tm-se notado diversas iniciativas que intervm no espao pblico de

    forma inovadora, como forma de resolver um problema especfico, criar discusso sobre um assunto, ou evidenciar uma urgncia da cidade. Elas so interessantes por seus

    aspectos materiais, simplicidade de execuo e aplicao, alm dos aspectos colaborativos

    e coletivos envolvidos. Escolhemos aqui algumas que relacionam-se com os temas da

    colaborao, coletividade, e legibilidade da cidade.

    Cidade Azul

    http://cidadeazul.org

    2015 | Brasil

    um movimento, composto por diversas

    ferramentas e intervenes urbanas, que visa retomar a memria dos rios de So Paulo que foram enterrados, e, consequentemente,

    esquecidos pela populao. Nas ruas que tm rios

    subterrneos canalizados, o grupo realizou aes que vo de pinturas no cho representando o

    fluxo da gua, at a instalao de uma sinalizao que permite s pessoas realizarem caminhadas

    guiadas por udio, acompanhando os rios

    enquanto aprendem mais sobre sua histria. Alm disso, no seu website o grupo disponibiliza

    diversas informaes teis sobre a geografia e histria dos rios de So Paulo e as consequncias da sua canalizao.

  • 45

    MapaDaqui

    I wish this was

    www.candychang.com/i-wish-this-was/

    2010 | Estados Unidos

    O projeto disponibilizou milhares de adesivos

    com os dizeres "I wish this was" (Gostaria

    que isso fosse, na traduo livre) para que

    pessoas de um bairro possam intervir em

    locais abandonados e comunicar seus desejos

    em relao ao que sentem falta em sua

    comunidade. Ao mesmo tempo que abre

    um canal e facilita a comunicao com os

    tomadores de deciso, chamando ateno

    para causas locais, o projeto permite a criao

    de um senso de pertencimento e de objetivos

    em comum daquela comunidade. O projeto

    ficou mundialmente famoso e verses desses adesivos podem ser encontrados em cidades do

    mundo todo.

    Porto Alegre precisa de mais

    http://shoottheshit.com.br

    2011 | Brasil

    Inspirados pelo trabalho da americana Candy

    Chang, a equipe da agncia de comunicao

    Shoot the shit criou gabaritos estncil que

    possibilitam a aplicao de uma mensagem

    incompleta pelas ruas de Porto Alegre,

    convidando os moradores a preench-la com

    seus desejos para a cidade. Intervenes como esta j so muito populares no mundo

    inteiro, e podem ser encontradas em diversos

    formatos e tcnicas de aplicao. O objetivo ,

    novamente, dar maior visibilidade demandas

    da comunidade e criar entre seus membros um

    sentimento de pertencimento e objetivos em

    comum.

  • Pesquisa de Referncias

    4646

    Os dois projetos abaixo so exemplos da economia colaborativa: inciativas que promovem

    um modelo de consumo baseado na troca, emprstimo, aluguel, onde o acesso aos

    objetos mais importante que a sua posse. Para que isso acontea, a criao de uma

    comunidade que se entende como tal, e que permeada por um sentimento de

    identidade comum e confiana mtua fundamental. Os dois exemplos so relevantes pois atacam o problema do compartilhamento de objetos entre vizinhos de formas

    diferentes: um foca nas comunidades em rede online, enquanto o segundo, offline.

    TemAucar

    http://temacucar.com.br

    Brasil, 2014

    TemAucar uma comunidade online de

    emprstimos entre vizinhos. Toda vez que

    algum do seu bairro precisa de alguma coisa

    emprestada, pode emitir um pedido que

    enviado para todos do bairro, e pode ser

    respondido por aqueles que possurem o objeto

    e estiverem dispostos a emprest-lo. O projeto

    foi lanado em 2014, e j conta com mais de 25

    mil usurios que emitem e recebem pedidos de

    emprstimo diariamente. Baseado em modelos

    de plataformas americanas, mas sendo adaptado

    realidade brasileira, o projeto ganhou boa

    ateno da mdia nacional, foi apresentado

    internacionalmente no OuiShare, o maior evento

    de economia colaborativa do mundo,.

    Compartilhamentoe Vizinhana

    Pumpipumpe

    pumpipumpe.ch

    2012 | Sua

    O website disponibiliza cartelas de adesivos com

    cones representando objetos e equipamentos.

    Esses adesivos podem ser pedidos gratuitamente

    (para moradores da Sua e Alemanha, pagos

    para outros pases) atravs do site, de acordo

    com o objetos que o usurio possue em sua

    casa, e colados na sua porta da frente para que

    vizinhos saibam quais objetos possuem e estariam

    dispostos a emprestar. relevante para o projeto

    porque incentiva a prtica de compartilhamento

    atravs de um meio offline, e que apesar de realizar sua venda em um website, abre o canal de

    comunicao no nvel da rua, para qualquer vizinho

    que passe por ali, mesmo aqueles que no faam

    parte de uma determinada plataforma online.

  • 47

    MapaDaqui

    Os dois exemplos abaixo so projetos que se utilizam do espao pblico como plataforma

    para levantar o debate sobre um determinado local. Eles tambm utilizam de ferramentas

    digitais e redes sociais para articular, registrar, e organizar essas discusses e eventos, transformando as opinies e vontades das comunidades em aes reais e propositivas de mudana.

    Comunidades de melhoria local

    47

    Mapa Daqui

    Neighborland

    https://neighborland.com/

    2011 | Estados Unidos

    Neighborland uma plataforma hbrida online

    e offline para colaborao cvica e melhoria dos bairros. O projeto composto de uma srie de

    murais nos quais as pessoas de uma comunidade

    podem expressar sua opinio sobre uma pergunta

    feita sobre aquele espao. Essas opinies so refletidas em uma verso digital online do mesmo painel, onde podem ser colhidas pelos tomadores

    de deciso para que as mudanas mais solicitadas

    sejam realizadas. O projeto foi uma iniciativa

    popular, liderada pela artista e designer Candy

    Chang, porm seu grande sucesso fez com que

    fosse adotado por diversas prefeituras dos Estados

    Unidos como uma plataforma oficial de dilogo entre a populao e as prefeituras.

    A batata precisa de voc

    https://www.facebook.com/groups/largodabatata/

    Brasil, 2014

    Esta inciativa, que acontece no Largo da Batata

    em So Paulo, promove atravs das redes sociais

    e uma agenda digital centenas de atividades

    diferentes no espao da praa como forma

    de ativao da comunidade local e melhoria

    pr-ativa do espao pblico. A praa, que foi entregue aps uma reforma de 11 anos sem nenhum mobilirio, rvore, ou equipamento

    para a permanncia, tem hoje, graas ao grupo,

    dezenas de bancos, mesas, cadeiras, abrigos,

    alm de uma agenda constante de atividades

    como festas, palestras, projees de filmes, debates, e oficinas criativas.

  • Pesquisa de Referncias

    48

    Onde fui Roubado

    http://ondefuiroubado.com.br

    O projeto, de grande sucesso, chama as pessoas

    a registrarem no seu mapa online (de forma

    annima) locais onde foram roubadas. J foram

    registradas ocorrncias em mais de 990 cidades

    brasileiras, cada uma composta por detalhes

    como o local exato, dia, hora, objetos levados e

    sexo da pessoa. Alm disso, os roubos podem

    ser categorizados em grupos como assalto, furto,

    furto de residncia, sequestro relmpago, etc.

    A grande quantidade de dados pode ento

    ser utilizada pelo poder pblico para tomar

    providncias em reas crticas.

    Conjunto Vazio

    http://conjuntovazio.org

    O projeto pede ajuda das pessoas para mapear

    edifcios desocupados no centro de So Paulo,

    como forma de discutir as polticas pblicas e a

    questo da moradia na cidade. Esto registrados

    mais de 20 prdios, e na descrio de cada

    um h informaes como o valor do aluguel, situao de conservao, tamanho das unidades

    e tipo de uso permitido.

    O grupo, aps o mapeamento, tambm faz esporadicamente intervenes com projees luminosas para marcar os edifcios com o

    smbolo matemtico de Conjunto Vazio,

    chamando ateno de quem passa pela regio

    causa.

    Mapeamentos

    colaborativos

    Com o avano das tecnologias de georreferenciamento, tornou-se comum a criao de

    projetos de mapeamento onde um grande nmero de pessoas chamado contribuir

    com algum tipo informao em um mapa online. Esse acmulo de informaes cria visualizaes, imagens, e bancos de dados teis para trazer tona demandas, problemas, e ideias sobre locais especficos.

  • 49

    MapaDaqui

    Memria USP

    200.144.182.66/memoria/por/sobre

    O projeto rene acervos fotogrficos e documentais referentes histria e memria institucional de cada unidade da Universidade de

    So Paulo, e as disponibiliza em uma interface

    que mistura um mapa e uma linha do tempo, que

    pode ser ajustada para dar o recorde desejado s

    informaes. Esto registrados eventos dos mais variados tipos, como congressos, seminrios,

    apresentaes artsticas e acadmicas, concursos, etc, em mais de 35 unidades da

    universidade.

    Gesto Urbana SP

    http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/

    A plataforma foi lanada pela prefeitura de So

    Paulo durante a reviso participativa do Plano

    Diretor Estratgico. Ela permitia que cidados

    apontassem problemas (pontos vermelhos) ou

    ideias (pontos verdes) na cidade. Milhares de

    sugestes foram feitas, e a lista foi integrada no processo de elaborao e redao do Plano

    Diretor. muito interessante, nesse processo,

    como o olhar e experincia particulares de

    cada pessoa podem ajudar a criar diretrizes

    que transformam a cidade como um todo. A

    expectativa era que as pessoas indicassem

    mais problemas que ideias, como forma de

    demonstrar rejeio gesto. O contrrio, no

    entanto, aconteceu.

  • Identificao de necessidades

  • Identificao de Necessidades

    52

    Como dito na Apresentao deste projeto, na transio

    do TCC1 para o TCC2 houve uma alterao no enfoque

    do desafio estratgico que acabou por tornar parte da pesquisa realizada irrelevante para o desenvolvimento

    aqui descrito, j que ela teve foco em comunidades no

    mbito de condomnio, e no no espao pblico. Ainda

    assim, vale resgatar da pesquisa anterior as informaes coletadas que continuaram importantes para o

    embasamento do trabalho.

    Em Junho de 2015, foi realizado um questionrio online,

    distribudo atravs das redes sociais, respondido por

    104 pessoas. Os resultados desse questionrio foram

    validados e investigados atravs de uma srie de 7

    entrevistas em profundidade com habitantes de So

    Paulo, com diferentes perfis. Segundo os resultados, a maioria dos 104 respondentes tem at 35 anos (88%), e mora no mesmo apartamento (72%) com a famlia (65%) h mais de 5 anos (57%). Descobrimos, por exemplo, que poucos consideram lugares do bairro uma extenso

    da sua prpria casa, sendo lugares de maior destaque os relacionados educao (35%) e alimentao (29%). Mais da metade das pessoas (59%) afirma s ter conversado com alguns vizinhos, ou que s os conhece de vista. A maioria (55%) s lembra o nome de at 5 vizinhos, s conhecem a profisso de at 2 deles (62%), e no conhecem os horrios nem percursos dirios de

    nenhum(59%). Essa relao de afastamento traduzida na resposta pergunta sobre o nvel percebido de

    comunidade, que para a maioria das pessoas baixo,

    ficando entre 1 e 2 numa escala de 1 a 6.

    A maior parte das pessoas acredita que as barreiras

    para a colaborao entre os vizinhos so a falta de

    comunicao (54%) e diferenas de estilo de vida (53%). A maioria tambm diz nunca frequentar reunies de vizinhana ou condomnio (63%), e as poucas que foram avaliaram a experincia nessas reunies como sendo mediana ou ruim. Os motivos mais citados para a m

    experincia com estes momentos foram a diferena

    de idade, estilo de vida, e a falta de sentimento de

    comunidade, j que muitas pessoas parecem ir aos

    encontros com objetivos individualistas. Por fim, a maioria das pessoas diz desejar se aproximar mais das

    suas vizinhanas (60%).

    Da combinao desses resultados e da anlise das

    entrevistas, foi possvel extrair uma lista de problemas

    e oportunidades, relacionadas comunicao e

    colaborao das pessoas com suas vizinhanas.

    Utilizamos, no primeiro semestre, estas concluses como base para redigir os requisitos de projeto

    para um sistema de comunicao e colaborao em

    comunidades locais (edifcios, condomnios, e vilas).

    Com a reflexo ps-banca e a alterao no escopo do projeto, no entanto, decidimos por revisitar parte da

    pesquisa realizada (incluindo a reviso terica), para que tivssemos uma base mais focada no mbito da

    sinalizao de espaos pblicos, e no privados.

    Problemas

    No-comunidades

    A maioria das pessoas no se sente parte de uma

    comunidade local. Isso impede que uma srie de relaes e trocas aconteam, mesmo que a vontade exista. Muitas

    pessoas, quando precisam de algo, nem se lembram

    da possibilidade de pedir ao vizinho, pois a ideia de

    colaborao no faz parte daquele contexto.

    Pouca informao

    Tudo o que se sabe sobre a vizinhana aquilo que foi

    observado ao longo do tempo, uma imagem que se cria

    Levantamento Qualitativo e Quantitativo

  • 53

    MapaDaqui

    juntando "pistas" sobre a vida do outro. Essa falta de

    informao dificulta o encontro de interesses em comum e assunto para interao. Muitas pessoas conhecem os

    animais da comunidade pelo nome, mas no os donos.

    falta de empoderamento

    As pessoas falam de condomnios da mesma forma que

    falam da "cidade" e do "sistema", como algo dado, que

    tem suas regras, que "permite" ou no certas coisas e que

    dificilmente pode ser transformado pela ao do indivduo

    falta de comunicao

    As formas de comunicao existentes (cartas, quadro

    de avisos, elevador) so consideradas impessoais,

    tem tom "oficial", muitas vezes so mal escritas e no incentivam o dilogo entre os membros. Formas digitais

    raramente so utilizadas.

    difcil "quebrar o gelo"

    Por mais que desejem se aproximar dos vizinhos,

    conversar com eles considerado quase um tabu,

    principalmente em viagens de elevador, que um

    momento considerado muito desconfortvel por muitos.

    Privacidade

    Apesar de abertas ideia de colaborao e aproximao,

    fica claro que vizinhos no so necessariamente amigos. tnue a linha entre informaes que podem ajudar a aproximar as pessoas ou deix-las se sentindo

    vulnerveis e expostas. No ambiente domstico, as

    pessoas tendem a se proteger mais dos outros do que

    na rua, por exemplo, onde a aceitao por contato com

    o outro parece ser maior.

    Falta de confiana

    No ambiente domstico, em muitos casos, parece

    haver um fator que deixa todos os moradores prontos

    para entrarem em conflito uns com os outros. Isso pode ser observado pelas reunies de condomnio, que dificilmente so usadas para a construo de laos, mas sim para a resoluo desses conflitos.

    [] Registro do processo de anlise e sntese das informaes coletadas com a pesquisa quantitativa e qualitativa

  • Identificao de Necessidades

    54

    Interesses em comum

    Na internet, cada vez mais fcil encontrar pessoas

    que compartilham dos seus interesses. Em ambientes

    locais, onde a comunicao feita de modo offline, esta descoberta e encontro so bem mais difceis.

    Rotina

    Nas cidades, o tempo visto como algo que no pode

    ser "perdido", As pessoas chegam em casa j pensando

    na prxima atividade, e o tempo no elevador, por exemplo, visto como um "no tempo", que deve passar

    rpido. O momento presente, assim como o contexto ao

    redor muitas vezes no percebido ou aproveitado.

    Oportunidades

    O "gelo" pode ser quebrado

    Muitas histrias apontam coisas simples, como a presena de uma criana ou um animal no elevador,

    como facilitadores da interao entre as pessoas. Coisas

    simples, mas que alteram a lgica da rotina e quebram com expectativas parecem ter um papel fundamental na

    abertura comunicao.

    Aproximar til e desejvel

    Apesar de no tentarem ativamente criar laos com

    a vizinhana, h um entendimento que faz-lo pode

    trazer diversos benefcios como economia, praticidade

    e segurana. H nas pessoas a vontade da aproximao,

    e em muitas uma nostalgia pela maneira como as coisas

    eram "antigamente" ou "no interior"

    Experincia positiva

    A barreira de entrada para uma relao mais prxima parece ser muito grande, pois a maioria das pessoas

    nunca tentou. Aquelas que o fizeram, no entanto, demonstram ter sido uma experincia positiva e at

    mesmo transformadora.

    Abundncia no percebida

    As comunidades tm, de fato, pessoas, recursos

    tangveis e intangveis que atualmente se mantm

    no revelados. A simples exposio desse tipo de

    informao pode fazer emergir a colaborao.

    Conexo gera colaborao

    Um fator muito apontado como essencial nos casos

    em que a colaborao ocorre a "primeira conversa",

    ou a "primeira abertura". Aparentemente, facilitar este

    momento pode desencadear, por si s, um ambiente mais aberto interao.

    Preferncia pelo local

    H um perceptvel interesse na adoo de prticas

    que utilizem de recursos locais, assim como a maior

    explorao e conhecimento dos servios, recursos,

    pessoas, e pontos de interesse das vizinhanas

  • 55

    MapaDaqui

    [] Pessoas entrevistadas no TCC1

  • Identificao de Necessidades

    56

    Uma jornada em So Paulo

    No objetivo deste projeto sinalizar uma cidade ou

    local especfico, pois estamos partindo do princpio da instalao e manuteno colaborativa do sistema

    por qualquer pessoa em cidades brasileiras. Podemos,

    porm, tomar So Paulo como exemplo ao tentar

    identificar os pontos de contato j existentes de sinalizao, e aqueles que ainda faltam.

    So Paulo tem uma diviso modal onde 38,42% dos deslocamentos so coletivos (transportes pblicos),

    30,78% individuais (carros e motos) e 30,80% no motorizados (a p e de bicicleta) (Pesquisa Origem e

    Destino, 2007). Mesmo sendo ento uma minoria,

    notvel que o deslocamento por transporte motorizado

    individual recebe maior cuidado de sinalizao do

    que os demais modais. A sinalizao para pedestres

    e usurios do transporte pblico, conforme podemos

    observar no registro a seguir, ainda bastante

    incipiente, o que torna o deslocamento dependente de

    referncias externas e pessoais.

    A sinalizao existe de forma sistemtica apenas em

    ambientes internos e controlados, como metrs e

    terminais de nibus. No ambiente da rua, depara-se

    com pouqussimo auxlio para orientao. Alm das

    placas que nomeiam as ruas em si, presentes na maioria

    das esquinas, foram encontradas apenas dois outros

    tipos de suporte: placas direcionais, que indicam o

    sentido das rotas tursticas, e totens interpretativos

    da regio, ambos instalados pela SPTuris. Segundo a

    empresa municipal, h 254 placas direcionais, 50 placas

    interpretativas de monumento (que contextualizam

    monumentos histricos), e 19 totens da regio com mapas dos arredores. Este nmero bastante pequeno

    quando leva-se em conta a dimenso da capital.

    A seguir, um mapeamento dos diversos pontos de

    contato com algum tipo de orientao, do momento de

    planejamento do deslocamento at a chegada ao destino.

    1. Uma prtica cada vez mais comum, antes de sair

    de casa, a consulta a mapas online que permitem

    planejar a rota a ser tomada

    2. Placas direcionais na republica. Bastante teis, mas

    a presena na cidade ainda baixa.

    3. Identificao de monumentos histricos

    4. Placas de rua, que servem tanto aos pedestres

    quanto motoristas e ciclistas

    5. Totem de identificao da localidade, uma das 19 unidades instaladas como preparativo para a Copa.

    6. Bancas de jornal, frequentemente utilizadas

    como ponto de informao por causa da falta de

    sinalizao

    7. As estaes de emprstimo de bicicletas do Ita contm um mapa bastante til no s para quem quer utilizar o sistema, mas tambm se orientar

    pelos arredores

    8. Mapa da proximidade dentro de uma estao de

    trem, tem como objetivo sinalizar a relao entre

    cada sada da estao e o nvel da rua, porm peca

    na usabilidade e deixa de ser til.

    9. Totens do metr se tornaram um meio se orientar

    pela cidade, pois correspondem ao mapa mental

    formado pelos usurios frequentes do sistema.

    10. Pouqussimos pontos de nibus da cidade possuem

    um mapa, como este da foto. Muitos nem mesmo

    possuem uma lista com as linhas que passam por ali.

    11. Prdios icnicos como o Copan acabam se tornando

    referncias teis, mesmo em So Paulo, onde

    dificilmente se capaz de localizar prdios altos no horizonte.

    12. Sem outro tipo de apoio no ambiente construdo,

    cada vez mais pessoas recorrem ao smartphone

    como ferramenta de localizao.

  • 57

    MapaDaqui

    smartphone

    1

    4

    7

    10

    2

    5

    8

    11

    3

    6

    9

    12

  • Identificao de Necessidades

    58

    Situaes de uso

    Banheiro Pblico

    Cristina est na rua

    resolvendo problemas

    do dia-a-dia, fazendo

    compras e imprimindo

    alguns documentos

    para levar ao banco.

    De repente precisa

    usar o banheiro, mas

    no sabe se h algum

    pblico ao redor.

    Um sistema de sinalizao pblica para pedestres deve ser

    capaz de atender s mais diferentes necessidades daqueles que

    esto nas ruas caminhando pela cidade. Cada pessoa tem uma

    origem, um destino, um objetivo, um horrio, e uma maneira

    de pensar distintos. O sistema deve ser inclusivo a ponto de

    abarcar o mximo dessas necessidades. Deve levar em conta que

    pessoas no operam apenas de modo lgico, estando sujeitas imprevistos, mudanas de planos, esquecimentos, necessidades

    fisiolgicas, e nessas situaes o ambiente ao seu redor deve prover os suportes necessrios, informaes esquecidas, e respostas s perguntas que o usurio possa ter. Aqui, trazemos

    algumas situaes hipotticas que ilustram estas necessidades, como forma de dar incio ao entendimento dos requisitos para o

    projeto de um sistema de sinalizao

    Any interesting stuff

    around here?

    Jeremy est no Brasil

    sozinho a negcios, e no seu tempo livre

    decidiu explorar um

    pouco os arredores

    do seu hotel. Ele est

    na Faria Lima, mas

    quer sair da rota das

    empresas, conhecer

    aquilo que os locais

    realmente curtem.

    Novo na cidade.

    Ricardo veio de longe

    tentar a vida em So

    Paulo. Ele ainda no

    conhece os arredores

    do bairro de periferia

    onde se instalou, nem

    os melhores caminhos

    para chegar nos

    lugares onde precisa ir

    para trabalhar.

    Acabou a bateria

    Bruno confia muito em seu celular para

    navegar a cidade.

    Marcou com amigos

    para estudar em uma

    biblioteca pblica, mas

    no meio do percurso

    o celular apagou. E

    agora?

  • 59

    MapaDaqui

    Pra onde fica o metr?

    Fernanda foi ao centro

    de So Paulo fazer

    fotografias. Ficou sozinha na volta,

    e como no havia

    prestado ateno na

    ida, no o caminho at

    o metr. Sabe que se

    perdeu, mas no quer

    consultar o GPS pois

    utilizar o celular na rua

    a esta hora perigoso.

    Pra onde fica a rua Mourato Coelho?

    Gervsio veio de metr

    at Pinheiros, pela

    nova linha amarela,

    encontrar um amigo de

    longa data em um bar.

    Saindo da estao, no

    sabe pra qual lado fica a rua Mourato Coelho,

    na qual combinaram de

    se encontrar.

    Onde o Mercado

    Municipal de So

    Paulo?

    Maria e Gisele saram

    com seus filhos para conhecer o Mercado

    Municipal de So Paulo.

    Saram pela estao da

    Luz, e apesar de terem

    pedido informao

    para um comerciante

    local, se perderam no

    caminho.

    Ser que d pra ir de

    bicicleta?

    Ana est no Paraso

    e ficou sabendo de uma apresentao

    gratuita no Parque

    do Ibirapuera. Ela no

    tem carro, no sabe

    qual nibus vai pra l, e

    no quer arriscar ir de

    bicicleta ao menos que

    o caminho seja seguro.

    Qual o melhor jeito de

    chegar?

    Tadeu est atrasado

    para uma entrevista

    de emprego na Rua

    Major Sertrio, e est esperando um nibus

    h mais de 20 minutos.

    Ser que caminhando

    ele no chega tempo?

    Consolao ou Paraso?

    Ana e Camila esto

    caminhando pela

    Avenida Paulista,

    tentando encontrar o

    Ita Cultural, quando

    de repente se do

    conta que no tem

    certeza de que lado

    esto da avenida. Vale

    a pena continuar mais

    um quarteiro, ou pro

    outro lado?

  • Identificao de Necessidades

    60

    Requisitos de projeto

    Requisitos gerais

    Auxiliar a orientao espacial dos pedestres de um local

    Auxiliar o desenvolvimento de prticas comunitrias locais

    Possibilitar a troca de informaes sobre um local da cidade

    Auxiliar o crescimento do sentimento de pertencimento

    Permitir que a informao local seja coletada colaborativamente

    Sistema no deve se ater a um local especfico, mas sim ser genrico e compatvel com qualquer cidade brasileira

    A instalao deve ser feita de forma colaborativa: por diversas pessoas

    Os prprios usurios devem ter acesso aos meios de produo e instalao

    No deve restringir o tipo de informao coletada um tema ou critrio especfico

    Deve possibilitar a coleta de informaes de carter afetivo, alm das utilitrias.

    Deve balancear o uso de tecnologia de modo a envolver usurios com diferentes nveis de expertise

    Deve ter aparncia amigvel, no institucional

    Deve compor um sistema, no sendo um objeto nico isolado

    Deve manter-se aberto sugestes e melhorias propostos pelas comunidades

    Deve ser de cdigo livre e licena aberta para replicao

    Deve permitir a interao offline e online

    Deve promover o deslocamento a p, de transporte no poluente, ou pblico

    A anlise de toda a pesquisa anterior, a saber: reviso

    terica, pesquisa de referncias, e identificao de usurio e necessidades, faz possvel a elaborao

    de uma lista de requisitos de projeto que guiaro o

    desenvolvimento e refinamento das propostas. Eles so como balizas, que definem o limite e caractersticas da soluo final, sem, no entanto, defini-la por completo.

  • 61

    MapaDaqui

    Requisitos especficos

    Deve ter complexidade compatvel com a execuo em um semestre de TCC

    Deve ser compatvel com diferentes materiais e mtodos de instalao

    Instalao deve considerar aspectos ergonmicos de leitura e escrita em p

    Deve ser compatvel com os diferentes suportes urbanos j existentes

    Pea de sinalizao deve ser de fcil envio por correio

    Deve possuir pelo menos uma verso de baixssimo custo

    Sistema deve ser reconhecvel distncia

    Deve resistir s intempries

    Deve possuir clara hierarquia de informao

    Deve possuir 2 mapas em diferentes escalas para diferentes leituras

    Legibilidade das informaes do mapa deve ser clara

    O contraste deve permitir a escrita diretamente sobre a pea

    O contraste deve permitir boa legibilidade

    Mapa deve conter posio do usurio em destaque

    Mapa deve conter nome das ruas

    Mapa deve conter estaes de metr

    Mapa deve conter pontos de interesse de alta relevncia

    Mapa deve conter localizao e nome de parques

    Mapa deve conter localizao e nome de equipamentos culturais pblicos

    Mapa deve distinguir ruas de calades para pedestres

    Mapa deve estar orientado na direo da caminhada do pedestre

    A escala do mapa deve possibilitar a investigao na escala do bairro

    O cdigo do software final deve estar aberto ao pblico para uso livre

  • DESENVOLVIMENTO2

  • Gerao das primeiras hipteses

  • Primeiras Hipteses

    66

    Ideao

    A ideao deste projeto consistiu em explorar maneiras

    nas quais as qualidades desejveis identificadas em outros projetos, as necessidades de usurio levantadas e os requisitos

    gerados poderiam ser sintetizados em um s sistema.

    Foram geradas alternativas relativas ao formato

    da sinalizao, materiais a serem utilizados na sua

    aplicao, tecnologias, fluxos e modos de interao com o usurio e partes do modelo de negcios.

    Aqui est apenas um registro de algumas das ideias

    colocadas em papel durante o processo, que na verdade

    foi composto de uma srie de conversas informais com

    colegas, observaes do cotidiano, e reflexes sobre a melhor forma de construir a primeira verso do sistema.

  • 67

    MapaDaqui

  • Primeiras Hipteses

    68

    Sistematizao das ideias

    Ao fim do processo de ideao, tnhamos diversas maneiras com as quais os componentes desejveis poderiam se manifestar.

    Atravs de um exerccio de sntese, foram identificadas aquelas que poderiam compor uma primeira verso do sistema, para

    que pudssemos entender melhor como ele seria.

    As cartelas desta pgina representam as ideias e componentes

    escolhidos para o primeiro escopo do projeto. As ideias

    deixadas de lado no foram, de forma nenhuma, descartadas

    definitivamente. Como o processo de desenvolvimento ser feito em etapas, as ideias despriorizadas, como aquelas de alta

    complexidade, podero ser incorporadas em verses futuras.

    Um sistema de

    sinalizao que

    qualquer pessoa possa

    imprimir em casa

    Estabelecimentos

    privados podem adotar

    a sinalizao em troca

    de destaque em forma

    de propaganda no mapa

    O mapa contm

    uma lista de

    estabelecimentos

    parceiros, assim como

    uma lista de indicaes

    feitas por pessoas locais

    Contedo estaria

    acessvel via um QR

    code em cada mapa

    O impresso poderia

    ficar dentro de algum tipo de moldura para proteg-lo da chuva, ao mesmo tempo que permite escrever por

    cima dele.

    Os mapas teriam um

    nmero nico utilizado

    para identific-lo no website, e ento

    ter acesso a mais

    informaes especficas daquele local

    O prprio

    georreferenciamento do

    celular pode dizer perto

    de qual mapa o usurio

    est, sem necessidade

    de QR code ou cdigo

    nico

    Realidade aumentada

    poderia permitir que

    usurios explorem as

    informaes do mapa

    e ao redor do bairro

    atravs do smartphone

  • 69

    MapaDaqui

    Um sistema de sinalizao modular

    em folhas A4

    Utilizar lambe-

    lambes como suporte

    dessa sinalizao

    caseira

    O sistema gera um

    arquivo PDF com

    as informaes

    especficas do local

    O mapa impresso a

    partir de um sistema

    digital, que pode

    agregar todas as

    indicaes feitas via

    online

    Indicaes poderiam

    ser feitas rabiscando

    diretamente sobre

    o mapa, ou no

    website atravs

    de comentrios,

    gravaes em udio e

    vdeo

    A criao da

    plataforma poderia

    ser financiada por uma campanha de

    crowdfunding

    Mapas poderiam ter

    diferentes verses:

    grtis e pagas,

    dependendo do

    material e de como

    sero produzidos

    Testar a produo

    em materiais como

    lambe-lambe, lona,

    placa de , papelo,

    adesivo

    A cada impresso, a

    sinalizao j viria

    atualizada com

    informaes novas que

    foram colocadas no

    sistema

    As anotaes feitas

    mo poderiam

    ser registradas por

    fotografias para no se perderem com o

    tempo

    Uma das verses

    do mapa poderia

    servir tambm de

    iluminao pblica,

    utilizando algum tipo

    de backlight

    Recomendaes

    do mapa em lista,

    ordenadas pelo

    nmero de pessoas

    que votaram naquela

    recomendao

  • Primeiras Hipteses

    70

    Storyboards

    Para melhor visualizar, comunicar e compreender as

    ideias do sistema a ser desenvolvido, foi utilizada a

    ferramenta de storyboarding. Ela consiste em mais um

    exerccio de sntese, onde a experincia do usurio

    segmentada em pequenas histrias ilustradas (Stickdorn e Schneider, 2011). A partir delas, possvel identificar os personagens envolvidos na interao com o sistema,

    os pontos de contato para cada um deles, os fluxos de interao em cada momento da experincia, os

    contextos de uso, assim como as relaes entre os diferentes componentes.

    A seguir, esto reproduzidas as storyboards das ideias

    que foram selecionadas para a fase de prototipao.

  • 71

    MapaDaqui

    V o mapa no poste

    enquanto caminha pela

    cidade

    V o mapa no poste

    enquanto caminha pela

    cidade

    V o mapa no poste

    enquanto caminha pela

    cidade

    Usurio descobre mapa e interage com rabisco mo

    Usurio descobre mapa e interage com mapa online via cdigo nico

    Usurio descobre mapa e interage com mapa online via QR code

    L mapa e entende que

    pode intervir rabiscando

    Entende que h informao

    online acessvel via uma URL.

    Entra e digita cdigo nico.

    L mapa e instrues

    L mapa e entende que h

    mais informao online,

    acessvel via QR code

    Pega o celular e escaneia

    o cdigo

    Deixa alguma

    recomendao no mapa

    Tira foto e compartilha nas

    redes sociais

    Acessa mapa online e

    explora as recomendaes locais registradas no sistema

    Entra no mapa online e

    explora as recomendaes registradas no sistema

  • Primeiras Hipteses

    72

    Usurio adiciona sua recomendao ao mapa online

    Usurio explora gravaes de udio locais pelo smartphone

    Usurio envia sua gravao de udio pelo smartphone

    V o mapa no poste

    enquanto caminha

    pela cidade

    V o mapa no poste

    enquanto caminha

    pela cidade

    V o mapa no poste

    enquanto caminha

    pela cidade

    L mapa e entende

    que pode adicionar

    recomendaes locais

    L mapa e entende que

    pode explorar gravaes de udio

    L mapa e entende que

    pode explorar gravaes de udio

    Adiciona local com

    endereo, nome e

    comentrio

    Adiciona local com

    endereo, nome

    e comentrio

    Entra no mapa online

    para adicionar sua

    gravao

    Recomendao

    adicionada ao banco

    de dados

    Recomendao

    adicionada ao banco

    de dados

    Grava seu udio pelo

    celular e a adiciona

    ao mapa

  • 73

    MapaDaqui

    Ativista descobre projeto e imprime mapas para seu bairro

    Dono de estabelecimento quer se tornar um parceiro do projeto

    Ativista encomenda kit de instalao de mapas

    Descobre o projeto

    atravs do Facebook

    Descobre o projeto

    atravs do Facebook ou

    mdia

    Descobre o projeto

    atravs do Facebook ou

    mdia

    Entra no site e decide

    gerar mapas para

    seu bairro

    Entra no site e se

    inscreve para ser um

    estabelecimento parceiro

    Entra no site e encomenda

    um kit para instalar mapas

    no seu bairro

    Imprime os arquivos

    utilizando sua prpria impressora

    Recebe por correio um kit

    para instalar mapas na em

    postes prximos

    Recebe por correio um kit

    para instalar mapas com

    todos os materiais

    Sai pelo bairro colando

    os mapas nos postes

    Seu estabelecimento

    colocado em todos os

    mapas com destaque

    Sai para a rua instalando

    mapas

  • Primeiras Hipteses

    74

    Modelo de Negcios

    Tendo mapeadas experincias do usurio para os

    primeiros prottipos, foi possvel rascunhar tambm uma primeira hiptese de modelo de negcios. Um modelo de negcios, segundo Osterwalder e Pigneur, descreve a lgica da criao, entrega, e captura de valor por parte de uma organizao (Osterwalder e Pigneur, 2011).

    O quadro na pgina ao lado uma representao

    deste modelo chamada de Business Model Canvas,

    ferramenta criada por Osterwalder e Pigneur para

    descrever, analisar, e projetar modelos de negcios, atravs da sntese dos seus principais componentes

    (Osterwalder e Pigneur, 2011). O quadro composto por

    nove elementos diferentes:

    Segmentos de clientes

    So os clientes servidos pela organizao. No caso

    deste projeto, os dividimos em dois grandes grupos: Os

    usurios finais, que utilizam a sinalizao gratuitamente ao caminhar pela cidade (pedestres, turistas), assim

    como aqueles que utilizam o website para gerar as

    placas e instal-las nos seus bairros. No segundo

    grupo, esto os financiadores, como estabelecimentos comerciais, prefeituras, que apoiam o projeto atravs

    de parcerias, e possveis apoiadores de campanhas de

    crowdfunding.

    Proposta de Valor

    Descreve um pacote de produtos ou servios que criam

    valor para os clientes, atravs da resoluo de um

    problema ou satisfao de uma necessidade. No nosso

    caso, oferecemos ao pedestre uma melhor experincia

    ao caminhar na cidade, alm de informaes curadas por pessoas locais; Para os estabelecimentos,

    oferecemos destaque nos mapas e na comunicao em

    geral; E para os apoiadores, oferecemos as recompensas

    e a chance de fazer parte da mudana da cidade.

    Canais

    So os meios que a organizao utiliza para comunicar,

    apresentar, e entregar sua proposta de valor aos

    clientes. Podemos faz-lo, aqui, atravs das redes

    sociais, um site prprio, campanhas de crowdfunding, e embaixadores de bairros e cidades.

    fontes de Receita

    So as maneiras de gerar dinheiro atravs da proposta

    de valor. Nossa hiptese que, apesar do servio estar disponvel no website gratuitamente, seria possvel

    vender kits completos de instalao com uma margem

    de lucro. Alm disso, estabelecimentos pagariam uma

    taxa de adeso para tornarem-se parceiros, o website

    contaria com uma loja online de materiais, e haveria

    margem de lucro nas campanhas de financiamento coletivo realizadas.

    Recursos principais

    o que a organizao deve possuir para entregar a

    proposta de valor. No nosso caso, so ferramentas

    digitais e infra estrutura de tecnologia.

    Atividades-chave

    So as aes desempenhadas pela organizao. Neste caso, so a manuteno da plataforma, comunicao

    atravs das redes sociais, venda e entrega de kits, e

    adaptao para projetos especiais.

    Parcerias Principais

    a rede de fornecedores e parceiros da organizao.

    Aqui, so os estabelecimentos comerciais, Prefeituras e

    rgos pblicos, outros projetos de ocupao da cidade, e embaixadores do projeto em bairros e comunidades.

    Estrutura de Custo

    So os gastos que a organizao ter que pagar para

    sobreviver. Neste caso, est atrelada manuteno

    da plataforma, e logstica de produo, entrega e

    instalao dos paineis.

  • 75

    MapaDaqui

    Donosde

    estab

    elecimento

    Prefeiturase

    subprefeituras

    Outrosprojetosde

    ocu

    pao

    eusoda

    cidad

    e

    Embaixadoresde

    cidad

    e/bairro

    Administrao

    da

    pla

    tafo

    rma

    C

    om

    un

    ica

    o

    Vendaeentregade

    kits

    Adap

    taodo

    produtoparacasos

    esp

    eciaisco

    mo

    parce

    riascom

    pre

    feit

    ura

    s

    Ban

    codedad

    os

    Map

    adigitalcom

    estilo

    preparad

    o

    paraim

    presso

    Plataform

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    paraim

    presso

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    de

    stre

    Wayfinding

    Inform

    aes

    sobrepontos

    dein

    teresse

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    ospor

    pessoaslo

    cais.

    Est

    abe

    leci

    me

    nto

    Visibilidad

    eem

    todososmap

    as

    Associao

    da

    marcacomo

    projeto

    Mo

    bili

    zad

    o

    Fa

    zer"parteda

    mudan

    a"

    Reco

    mpensas

    Crowdfunding

    C

    om

    un

    idad

    e

    C

    o-c

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    o

    A

    uto

    -ate

    nd

    ime

    nto

    RedesSociais

    Email/Fa

    cebook

    Crowdfunding

    Plataform

    a

    Embaixadoresde

    cidad

    e

    Fin

    anci

    ado

    res

    Mobilizadosno

    crowdfunding

    Donosde

    estab

    elecimentos

    comerciais

    Embaixadoresde

    cidad

    esebairros

    Prefeiturase

    subprefeituras

    Usu

    rio

    s F

    inai

    s

    Pedestres

    Tu

    ristas

    Ativistas

    Can

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    Re

    curs

    os

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    sto

    sR

    ece

    ita

    Margemdelu

    cronospaineisenco

    mendad

    os

    Adesodosestab

    elecimentosao

    sistema

    Programasdein

    centivo

    dogove

    rno

    Crowdfunding

    Lo

    jinhadem

    ateriaiscartogrfico

    snosite(m

    apadebolso,

    cadernos,etc)

    Man

    ufaturadosmap

    asprodutos

    Preparao

    dasenco

    mendas

    Enviodosmap

    as

    Infrae

    struturadigital

    Man

    utenodaplataform

    a

    SE

    GM

    EN

    TOS

    DE

    CO

    NS

    UM

    IDO

    R

    RE

    LAC

    ION

    AM

    EN

    TO

    CO

    M C

    ON

    SU

    MID

    OR

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    RE

    CE

    ITA

  • Ciclo 01

  • Ciclo 01

    78

    A partir deste momento no projeto, foi utilizado o

    mtodo gil de desenvolvimento, que como vimos

    sugere a implementao da ideia etapas, para que seja

    possvel validar cada hiptese que a compe em busca de validaes e/ou correes. Esta primeira etapa de desenvolvimento resulta no que chamado de

    MVP (Mnimo Produto vivel), definido como a verso mais simples de um produto que pode ser lanada

    com uma quantidade mnima de esforo e tempo de

    desenvolvimento (Eric Ries, 2011).

    O objetivo do MVP ter algo, mesmo que muito

    simples, em mos para mostrar aos possveis usurios

    e analisar suas impresses, para entender se o valor proposto realmente percebido. Essa abordagem

    chamada de get out of the building, (saia do edifcio),

    j que o que importa colocar a proposta na frente

    de outras pessoas o mais rpido possvel. Esta etapa

    tambm chamada de Costumer Development

    (Desenvolvimento de cliente), pois o momento em

    que as hipteses sobre as necessidades do cliente so validadas e corrigidas.

    Para isso, escolhemos duas das storyboards (jornadas

    de usurio) criadas na etapa anterior, que julgamos

    essenciais para o funcionamento do projeto: aquelas em

    que o usurio descobre o projeto na rua atravs de um

    painel de sinalizao, interagindo com o servio pela

    primeira vez; e quando um usurio descobre o projeto

    atravs da divulgao orgnica em redes sociais.

    Essas histrias foram ento divididas em todos os seus sub-passos, sob o ponto de vista dos 2 personagens

    envolvidos: o pedestre, que encontra o projeto na rua,

    e um usurio que descobre o projeto via redes sociais.

    Aps essa esquematizao, foram escolhidos os sub-passos que deveriam ser testados na primeira rodada

    (destacados em azul). O critrio de escolha foi dar

    Mnimo Produto Vivel

    preferncia quelas hipteses que so fundamentais ao projeto, mas que tambm poderiam ser testadas com

    o mnimo investimento de tempo e recursos.

    Escolhemos, assim, testar o interesse de pedestres

    atravs da instalao de um nmero reduzido paineis

    na rua, e de usurios online atravs da criao de um

    website provisrio e pginas nas redes sociais. Alm disso, decidimos testar a durabilidade dos paineis,

    e se o tipo de interao das pessoas com eles seria

    participativa ( ao adicionar informaes) ou destrutiva ( ao arrancar ou pichar os paineis, por exemplo).

    Para cada um desses testes, foram criadas mtricas

    de sucesso para que pudssemos analisar os

    resultados. Para o interesse dos pedestres, por

    exemplo, basta verificar se houve interaes nos mapas, se houve acessos no site sem qualquer

    divulgao via outros meios, se esses acessos

    levaram os usurios a se inscreverem em uma

    lista de recebimento de novidades, e se houve

    compartilhamentos de fotos do projeto no Instagram

    ou Facebook, atravs de uma hashtag rastrevel.

    Por fim, a aferio de cada uma dessas mtricas depende de uma lista de coisas que

    precisam ser executadas. essa lista que guia

    o escopo de desenvolvimento do MVP.

  • 79

    MapaDaqui

    Premissas escolhidas para teste

    As pessoas sentem necessidade de wayfinding nas ruas

    As pessoas se interessariam por um sistema colaborativo de

    wayfinding

    Os mapas em um poste duram tempo adequado para uso

    Mtricas de validao

    Ningum vai arrancar

    No vai estragar sozinho

    Algum vai indicar um lugar

    Algum vai tirar uma foto e compartilhar

    Algum se orientou pelo mapa

    Algum entrou no site

    Algum quer mais informao

    Aes necessrias

    Criao de nome e marca

    Criao de website provisrio

    Desenvolvimento do painel

    Aplicao do painel

    Observao

    Anlise de acessos do site

    Campo de inscrio no site

    Buscar fotos com # do projeto

    Interao contemplada no prottipoUsurio Interao fora do escopo do prottipo 1

    Histrias de usurio escolhidas para teste

    Detalhamento da interao

    V mapa

    em um

    poste

    V mapa na

    rua ou post

    nas redes

    Pedestre

    Ativista

    Escreve

    um ponto

    favorito no

    mapa

    Entra no site

    Entra no

    site atravs

    do celular

    Digita

    endereo

    que quer

    adotar

    Digita

    cdigo do

    mapa em

    questo

    Imprime

    mapa

    Adiciona

    ponto de

    interesse

    lista online

    V

    instrues

    de como

    colar o

    mapa

    Curte os

    pontos que

    j esto na

    lista

    Leva mapa

    para a rua

    e cola no

    poste

    Compartilha

    Projeto no

    facebook

    avisado

    quando

    algum

    adiciona

    algo no seu

    mapa

    Tira foto e

    compartilha

    nas redes

    Recebe

    e-mail

    lembrando

    de atualizar

    mapa no

    ponto

    adotado

  • Ciclo 01

    80

    Aps a escolha do nome, foi desenvolvida uma marca inicial, a ser utilizada nos desdobramentos do primeiro

    prottipo. Assim como para o nome, foi definida uma lista de requisitos que a marca desenvolvida deveria

    cumprir para esta etapa, e aps uma sesso de desenho, as propostas foram filtradas de acordo com os mesmos.

    Critrios para a criao da marca

    Tipografia legvel distncia na escala do pedestre (10 metros)

    Ser simples na sua forma

    Funcionar em aplicao colorida e monocromtica

    Funcionar em aplicao horizontal e vertical

    Funcionar em verso positiva e negativa

    Evocar o conceito de Mapa

    Evocar o conceito de Aqui.

    Apresentar-se de forma simptica, prxima, gentil, pessoal, no institucional

    No evocar a imagem de um projeto de rgos oficiais como prefeituras ou grandes empresas

    Criao do Nome e Marca

    Como seria necessrio, logo de incio, colocar o projeto

    no mundo em forma de website e paineis fsicos,

    foi necessrio desenvolver um nome e marca para o

    mesmo. O processo foi criterioso, porm gil, pois a

    marca tambm pode ser encarada como um dos pontos

    de contato a serem testados desde o incio, e que pode

    ser evoludo com o tempo.

    Foram, ento, definidos critrios bsicos que o nome deveria obedecer, e em seguida foi feita uma sesso de

    ideao de nomes. Os resultados dessa ideao foram

    filtrados segundo os critrios, e o nome final escolhido foi Mapa Daqui.

    O nome evoca a ideia de valores locais, coletividade, e

    tambm servir como ttulo da prpria sinalizao, que , ela mesma, um "mapa daqui" de onde for instalada.

    Critrios para a criao do nome

    Ser em portugus

    Ser descritivo, no abstrato

    Ser simptico, convidativo

    Ser curto, no mximo trs palavras

    Servir como parte da sinalizao, no s uma assinatura.

    Alguns nomes selecionados

    Mapa Daqui

    Mapaqui

    Mapa da gente daqui

    Comunicidade

    Comunikit

    Colabmap

    Colaboraqui

  • 81

    MapaDaqui

  • Ciclo 01

    82

    Registro da produo do MVP

    Prottipo fsico

    Durante a gerao da proposta, tentei manter os olhos

    abertos, ao caminhar pela cidade, para oportunidades

    de suportes e materiais para o MVP. Logo percebi como

    rico o repertrio de tcnicas que as pessoas j tem para se comunicar informalmente na cidade: adesivos,

    lambe-lambes, banners, placas de PVC, graffiti, e muitos outros. O lambe-lambe (tcnica de colagem em que o

    papel e o suporte so cobertos com cola branca ou cola

    caseira) me chamou ateno tanto pela quantidade, pois

    est presente em quase todas as esquinas da cidade,

    quanto pelo seu baixo custo de produo.

    Como forma de testar o interesse das pessoas por [

    1 ] indicar nomes em um mapa coletivo, [ 2 ] tirar e

    compartilhar fotos do projeto, [ 3 ] entrar no website

    para mais informaes, e tambm [ 4 ] a durabilidade de um mapa simples de papel no ambiente externo, foi

    desenvolvido um painel vertical, baseado nos totens

    de wayfinding de Londres, Nova Iorque, e Rio, mas composto por 3 folhas A4. Na primeira, h um espao

    para a indicao de direes de lugares prximos. Na segunda, o mapa em si, e na terceira, um texto de

    explicao, divulgao da marca, e espaos para a

    legenda de indicao de lugares favoritos.

    A4A4

    A4

  • 83

    MapaDaqui

    Marca horizontal pode ser

    vista h metros de distncia

    "Beta" indica que o projeto

    ainda est em fase de testes

    Endereo do website est

    presente em todas as folhas

    em caso de deteriorao

    Escala do mapa 1:8000

    escolhida para alcanar o

    espao de uma caminhada

    de 2.5km (30minutos)

    20 espaos para legendas

    que indiquem um ponto

    marcado no mapa. O

    primeiro utilizado para

    demarcar "Voc est aqui",

    com uma estrela

    Parte inferior com picote

    para que pessoas possam

    levar o endereo do website

    consigo

    Faixas direcionais para

    preenchimento pelos

    usurios

    Mapa retirado diretamente

    do software Mapbox, sem

    nenhuma alterao de estilo

    cartogrfico

    Contraste baixo permite

    que informaes sejam escritas por cima mo

    Instrues para que as pessoas sintam-se

    vontade para intervir

    #Mapadaqui uma hashtag

    que permite localizarmos

    fotos e mensagens postadas

    nas redes sociais

  • Ciclo 01

    84

    O primeiro website desenvolvido apenas uma landing

    page, ou seja, uma pgina esttica cujo nico objetivo

    divulgar e medir o interesse pelo projeto.

    Ele composto apenas de uma apresentao breve, um

    campo de inscrio para receber novidades por e-mail,

    um link para contato, e um boto de compartilhamento

    via Facebook.

    Website

    Website desenvolvido de

    forma responsiva, para ser

    acessado por equipamentos

    de diferentes formatos

  • 85

    MapaDaqui

    Histrias de usurio do primeiro website

    Funo implementada

    Funo no implementada

    Inscrever

    para receber

    novidades via

    e-mail

    Enviar

    mensagem de

    contato

    Seguir no

    facebook

    Incio

    Ver

    confirmao

    de cadastro

    Esta representao no segue a lgica de um sitemap tradicional. Os retngulos no so pginas, mas sim um

    modo de representar Histrias de Usurio, ou Funes que o usurio deve ser capaz de executar, e as relaes de encadeamento entre elas.

  • Ciclo 01

    86

    Para a aplicao do primeiro prottipo, foram escolhidos 5 reas na cidade de So Paulo. Os

    locais deveriam apresentar perfis diferentes para captar a reao de diferentes pblicos, e serem

    logisticamente acessveis para que a aplicao

    e monitoramento constantes fossem possveis.

    Foram escolhidos: Repblica, Pinheiros, Cidade

    Universitria, Rua Augusta, e Barra Funda.

    Ao sair para a primeira aplicao, no bairro de Pinheiros,

    o processo mostrou-se mais trabalhoso e cansativo

    do que esperado, e a lista original teve que ser

    reduzida a apenas dois lugares: Pinheiros e Repblica.

    Essas duas aplicaes, no entanto, foram suficientes para testar e validar as premissas estabelecidas.

    No bairro de Pinheiros, foram instalados 20 paineis,

    e na Repblica, 15. Eles foram colados todos em

    postes de iluminao, preferencialmente em frente

    um estabelecimento comercial, cultural, locais

    de passeio como a feira da praa da repblica, ou

    lugares de permanncia como pontos de nibus e

    esquinas com semforos para pedestres. Ao colar

    os mapas, tentamos ao mximo no "atropelar", ou

    seja, cobrir o que j estava l, j antecipando que esta

    ao poderia resultar na mesma reposta por parte de

    outras pessoas que utilizam os postes como suporte.

    Ao colar os paineis, fizemos tambm algumas primeiras intervenes caneta, tanto nas setas direcionais, quanto no mapa e na lista de pontos de

    interesse, como forma de demonstrar s pessoas

    como o projeto funciona. Este passo se mostrou

    essencial para aumentar o nmero de interaes.

    Estratgia de Aplicao

  • 87

    MapaDaqui

    Pontos de aplicao dos paineis

    Pinheiros

    Repblica

  • Ciclo 01

    88

  • 89

    MapaDaqui

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    MapaDaqui

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    MapaDaqui

  • Ciclo 01

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  • 95

    MapaDaqui

  • Ciclo 01

    96

    Reao no Instagram

    Logo aps os primeiros dias da instalao, duas pessoas fotografaram os mapas de

    pinheiros e compartilharam no instagram,

    utilizando a hashtag #mapadaqui e comentando

    positivamente sobre a iniciativa.

    Gabriel Gomes, o idealizador de um dos projetos

    que levantamos como referncia (Que nibus

    Passa Aqui?) foi um dos primeiros a postar uma

    foto do projeto no Instagram.

    O usurio marcelo_dias_s ( direita, superior)

    associou o projeto ao Foursquare, um aplicativo

    bastante popular de recomendao de

    estabelecimentos comerciais e culturais na

    cidade. Ele tambm fez uma relao com atos de

    gentileza e compartilhamento, e com sentimentos

    afetivos em relao cidade.

  • 97

    MapaDaqui

  • Ciclo 01

    98

    Material e suporte

    O lambe lambe, ao mesmo tempo que permite

    uma instalao de alta capilaridade, rpida e barata,

    apresentou alguns pontos negativos. Muitos dos mapas

    apresentaram sinais de depredao, como rasgos e

    sujeira. Outros foram cobertos por novas propagandas.

    A parte inferior, com picotes, parece ter incentivado

    grande parte da depredao, pois facilitam que ele

    seja arrancado. Alm disso, no centro da cidade,

    muitos postes no so de concreto, mas de metal em

    estilo colonial. Nestes, a tcnica de lambe-lambe no

    funcionou

    A experincia de colocar no mundo a primeira verso

    de uma ideia mesmo que incompleta, feita da forma

    mais barata e rpida possvel como forma de validao

    foi altamente satisfatria. Aps quatro semanas da aplicao inicial, foi possvel coletar resultados que

    validaram a ideia de forma geral, porm que tambm

    identificaram diversos ajustes para a prxima iterao.

    Estado de conservao

    Na conferncia final dos mapas, foi encontrado todo tipo de situao: havia mapas com muitas indicaes escritas, outros com nenhuma, alguns mapas esto

    limpos e intactos, outros muito sujos, rasgados, ou

    escondidos por outros cartazes. Observamos diversos

    fatores responsveis pelas boas interao,em especial a

    localizao: locais de permanncia como esquinas com

    semforo, e em frente restaurantes, escolas e bares

    tiveram maior aceitao.

    Resultados

    Interao

    Cerca de 70% dos mapas apresentaram informaes escritas, a maioria com caneta esferogrfica. Os espaos de preenchimento foram bem compreendidos, e

    as pessoas utilizaram tanto nmeros quanto cones

    (desenhados por elas mesmas) para simbolizar os

    pontos de interesse no mapa. A parte superior (das

    setas) apresentou poucas interaes espontneas, e fica a dvida se o motivo a pouca relevncia da informao, ou se ela relevante, porm no h

    interesse no preenchimento colaborativo dela.

    Cor

    Logo na instalao, foi possvel observar que o papel

    branco com informaes monocromticas no foi muito bem sucedido, pois ficou com pouco contraste de leitura, pouca visibilidade distncia e tambm se

    confundiu com os materiais grficos j presentes nos suportes.

    Visitas ao website

    Com apenas 35 mapas espalhados, foi possvel trazer

    um nmero satisfatrio (63) de visitas ao website, 10 das quais resultaram em uma inscrio para receber

    novidades. (15.8%). Vale lembrar que o projeto foi mantido em segredo para que as nicas impresses coletadas fossem de pessoas que conheceram o projeto

    atravs do mapa na rua. Amigos e conhecidos que

    acessaram o site ou escreveram em um mapa foram

    desconsiderados do resultado.

    Concluses gerais

    A experincia de colocar os paineis na rua o mais

    rapidamente possvel nos permitiu tirar diversas

    concluses quanto proposta e mtodo de execuo. A ideia parece ter sido bem compreendida, aceita, e

    desejada pelas pessoas, devido s diversas interaes, acessos ao site, inscries via e-mail e comentrios positivos nas redes sociais

    A materialidade do lambe-lambe apresentou pontos

    fortes e fracos, pois barata, acessvel, rpida e fcil de

    executar, porm sua durabilidade de apenas algumas

    semanas ficou abaixo do desejado.

  • 99

    MapaDaqui

    Diretrizes para a segunda verso:

    Refinamento grfico (do painel)

    Refinamento cartogrfico (do mapa)

    Remover picote da parte inferior

    Estudar composio com cores, a fim de dar mais destaque ao painel

    Estudar outros possveis suportes na cidade

    Estudar outros materiais para impresso, visando aumentar a durabilidade do painel

    Desenvolver proposta de modelos de negcios para teste

    Expandir o escopo incluindo outros momentos da interao

    Criao de pgina no Facebook para dilogo e coleta de feedback direto com as pessoas

    Testar interesse por adicionar pontos no mapa via online

    50% dos mapas foram arrancados e/ou cobertos

    80% dos mapas foram parcialmente danificados

    70% dos mapas tiveram anotaes manuais

    02 fotos compartilhadas com a hashtag

    Difcil de monitorar

    98 visitas diretas no site

    10 inscries por e-mail

    Mtricas de validao

    Resultados

    Testar interesse de estabelecimentos em instalar

    paineis na fachada

    Testar interesse de usurios pela encomenda de kits de instalao

    Ningum vai arrancar

    No vai estragar sozinho

    Algum vai indicar um lugar

    Algum vai tirar uma foto e compartilhar

    Algum se orientou pelo mapa

    Algum entrou no site

    Algum quer mais informao

  • Ciclo 02

  • Ciclo 02

    102

    Registro do estudo de novas possibilidades para o pster

    O prottipo 2 focou em responder apenas aos problemas materiais e grficos levantados pelos primeiros testes. Deixamos, para uma outra rodada,

    as questes de modelos de negcios e interao com pontos de contato digitais. Primeiramente, ficou clara a necessidade de uma reviso grfica que trouxesse mais impacto visual da pea no ambiente, para que possa

    ser melhor identificada distncia. O desenho do mapa em si (cartografia) tambm foi refinado, abandonando o mapa padro da ferramenta Mapbox e criando do

    zero um estilo completamente novo, somente com as

    camadas de informao necessrias para o usurio e

    com uma hierarquia visual e paleta de cores indita.

    O tamanho da pea e sua modulao equivalente a 3

    folhas A4 deitadas foi mantida, pois mostrou-se uma

    proporo adequada para o painel.

    Este novo modelo, representado ao lado, foi impresso

    em trs novos materiais: papel sulfite colorido, lona vinlica, e placa de PVC. Todos tem propriedades

    diferentes, modos de instalao distintos, e

    principalmente custos de produo variveis, e foram

    instalados simultaneamente para a coleta de um

    resultado comparativo

    Segundo prottipo

    Melhorias grficas

    Dessa vez, foram utilizadas cores para trazer o contraste

    e visibilidade que ficaram perdidas na primeira rodada. O tero inferior foi o que sofreu o maior nmero de

    alteraes, como a retirada dos picotes de divulgao (que possivelmente causaram grande parte dos danos

    aos primeiros mapas), a adio de um segundo mapa

    de escala mais abrangente, a melhoria da legenda

    de pontos de interesse, e a incluso de uma faixa

    explicativa do sistema na parte mais inferior.

    Para decidir a escala exata dos mapas em si, foram

    feitas diversas impresses-teste, nos nveis de zoom disponveis, e escolhidas as duas que, em conjunto,

    possibilitam tanto a compreenso do entorno imediato

    (1km de dimetro), e sua relao com a escala dos

    bairros ao redor (2,5km de raio).

    Um requisito importante, mas que no foi possvel atender

    de orientar o mapa na mesma direo da caminhada

    do usurio. Para isso, seria necessrio saber, a priori, onde

    e em que direo seria instalado o mapa, o que adiciona

    uma complexidade muito maior experincia.

  • 103

    MapaDaqui

    Cor vermelha na faixa

    superior d destaque e

    legibilidade distncia

    Fundo branco nas

    faixas de interao

    do mais contraste

    informao escrita

    Mapa em escala ainda

    mais prxima, para permitir maior detalhe

    e preciso tanto nas

    informaes impressas quanto nas indicaes escritas pelos usuriosCrculo indica um

    raio de 5 minutos

    de caminhada,

    que incentiva a

    caminhada at os

    pontos de interesse

    cone de Voc Est

    Aqui foi trocado,

    e outros dois

    adicionados legenda:

    Recomendao

    de Moradores, e

    Estabelecimentos

    Parceiros

    Mapa em escala mais

    distante permite

    a visualizao de

    caminhos mais

    longos.

    Aqui, o crculo indica

    uma caminhada de

    15 minutos

    Barra inferior foi

    populada com

    informaes de divulgao e

    explicao do sistema

  • Ciclo 02

    104

    Viadutos e

    pontes

    Estaes de

    metr

    Banheiros

    pblicos

    Ruas reservadas

    pedestres

    Parques e

    praas

    Ciclovias Aluguel de

    bicicletas

    Bairros

    Diferena entre

    vias principais e

    secundrias

    Melhorias cartogrficas

    Detalhes cartogrficos

    O prottipo 1 utilizou como mapa base um estilo padro de mapa, muito utilizado em aplicativos e

    websites. Para o prottipo 2, julgou-se necessrio o desenho de um estilo especfico para o projeto, j que foram identificadas diversas necessidades para o mapa impresso que no eram condizentes com o estilo

    desenhado para o suporte digital.

    O mapa digital, por exemplo, permite uma explorao

    completa em diferentes nveis de zoom e vrias maneiras

    de realizar uma filtragem de informaes. Para o impresso, foi necessrio elencar aquelas que fossem

    pertinentes para o usurio naquele momento, e esconder

    as demais. Para isso, foi utilizada uma tecnologia

    chamada CartoCSS, que permite utilizar bancos de dados

    georreferenciados como base para criar visualizaes grficas com estilos completamente customizveis.

    Para este projeto, foram criados dois estilos diferentes

    para dois nveis de zoom distintos. O primeiro, que

    mais prximo e portanto pode ser mais detalhado,

    possui legenda em todas as ruas, assim como cones

    e legendas para pontos de interesse relevantes. No

    segundo mapa, de visualizao mais abrangente, os

    nicos pontos de interesse mostrados so estaes de metr, banheiros pblicos, e aluguel de bicicletas, e

    somente avenidas principais possuem nome impresso.

    A paleta de cores do mapa foi um dos maiores desafios desse desenho, pois ela deveria atender dois requisitos

    conflitantes: ter contraste o suficiente para dar legibilidade informao, porm possibilitar a escrita

    mo e a posterior leitura dessa informao adicionada.

    Se tivssemos dado prioridade ao primeiro requisito,

    acabaramos com um mapa similar aos dos exemplos de

    Nova Iorque e Londres, que tem o fundo muito escuro

    e as ruas claras. Essa caracterstica facilita a leitura

    principalmente noite. Tendo como base a importncia

    do preenchimento colaborativo do mapa, no entanto,

    optamos por dar prioridade escrita mo, mesmo

    sabendo que a legibilidade em momentos de pouca

    iluminao poder ficar parcialmente comprometida.

  • 105

    MapaDaqui

    Estilo de mapa primrio, com maior nvel de detalhes e pontos de interesse

    Estilo de mapa secundrio, com viso mais abrangente porm menor nvel de detalhe

  • Ciclo 02

    106

    Material 01 : Papel Colorido

    Como resposta falta de contraste visual que o

    primeiro prottipo teve com o entorno, foram

    realizados testes de impresso em papel colorido.

    Este tipo de papel sulfite muito comum e de custo bastante baixo, assim como o papel branco

    utilizado anteriormente. Essa opo interessante pois ela democratiza o acesso instalao das

    peas do sistema colaborativo, permitindo que mais

    pessoas possam imprimir seus paineis (que, nesse

    formato, so compatveis com qualquer impressora

    domstica) e instal-los onde quiserem.

  • 107

    MapaDaqui

  • Ciclo 02

    108

    A lona vinlica muito utilizada para propagandas

    e paineis informativos na cidade, por ter impresso

    relativamente barata, ser porttil, e bastante

    resistente s intempries. Na impresso de poucas

    unidades, o custo individual ficou em torno de R$20,00, mais as abraadeiras de nylon que custam

    em mdia R$0,90 cada.

    Por padro, essas lonas impressas j vm com um

    acabamento que permite a colocao de um basto

    utilizado para pendur-las como banners. Aqui,

    removemos os bastes e utilizamos as mesmas

    cavidades para passar uma abraadeira de nylon de

    9x1200mm, que permite prender a pea ao poste sem

    danific-lo. Foram impressos e instalados 10 paineis.

    Material 02: Lona Vinlica

  • 109

    MapaDaqui

  • Ciclo 02

    110

  • 111

    MapaDaqui

  • Ciclo 02

    112

    A placa de PVC outro material muito utilizado

    para peas de comunicao externa. Existem

    diversas espessuras, cada uma tendo flexibilidade, durabilidade, e resistncia toro diferentes. Diferentemente dos lambe-lambes e lona vinlica, que foram instaladas em postes de concreto, por necessitarem de um apoio total na superfcie de contato, as placas de PVC tm uma estrutura prpria (assemelhando-se s placas de trnsito), e podem ser presas em postes metlicos, muito mais finos, utilizando tambm abraadeiras de nylon.

    Foram impressas e instaladas 10 placas

    Material 03: Placa de PVC

  • 113

    MapaDaqui

  • Ciclo 02

    114

  • 115

    MapaDaqui

  • Ciclo 02

    116

    Registro dos resultados

  • 117

    MapaDaqui

  • Ciclo 02

    118

  • 119

    MapaDaqui

  • Ciclo 02

    120

    Caneta

    A caneta, que pareceu essencial para que as primeiras

    pessoas pudessem facilmente fazer suas intervenes, no entanto, no estava mais l aps duas semanas.

    Novos cones na legenda

    O objetivo dos cones de Corao e Estrela era indicar

    a possibilidade futura de adio de estabelecimentos

    atravs de parcerias comerciais e interao com o

    mapa online. As pessoas, no entanto, entenderam que

    eram cones para serem utilizados na interao mo,

    e portanto desenharam diversos coraes e estrelas no mapa.

    Impresso em papel colorido

    Mostrou-se uma boa melhoria em relao ao lambe-

    lambe original. O papel amarelo foi o que chamou mais

    ateno distncia, tornando possvel a identificao do painel a pelo menos um quarteiro de distncia.

    O nvel de respeito e nmero de intervenes danosas ao painel, no entanto, no parece ser influenciada pela sua cor. O poste rapidamente coberto por novas

    propagandas, independente do contedo ou qualidade

    daquilo que estava ali antes.

    Banner

    A lona se mostrou um material com diversas vantagens

    em relao ao lambe-lambe. O uso de abraadeiras de

    nylon mostrou-se mais complicado que o esperado,

    sendo ento substitudo por fitilho plstico, que tambm muito mais acessvel. Alm disso, por ser

    enrolvel, o mapa poderia facilmente ser enviadas por

    correio em embalagens compactas para os apoiadores

    do projeto.

    Aps semanas da instalao, o prottipo manteve-se intacto, resistindo a um perodo de chuvas fortes.

    Diversas intervenes foram feitas no prottipo, todas utilizando uma caneta permanente especfica que deixamos pendurada junto ao mapa.

    Placa de PVC

    A placa tambm foi validada como um material a

    continuar sendo explorado. Ela tem pontos negativos

    em relao ao banner, como a menor portabilidade e

    maior custo e complexidade de produo. No entanto,

    ela permite a aplicao em diversos ambientes onde

    o banner no funcionaria. No centro da cidade, ela

    se torna ideal para aplicao nos postes de textura

    irregular, assim como em postes finos, grades, e mesmo aplicada diretamente sobre uma parede.

    Ao invs de escolher um candidato vencedor,

    podemos admitir que cada um deles pode servir a

    uma necessidade especfica de um usurio diferente, e portanto podemos continuar explorando as trs

    alternativas. No futuro, quando o sistema estiver

    disponvel para outras pessoas instalarem, mtricas

    mais precisas de demanda de cada uma das alternativas

    podero nos informar uma possvel priorizao.

    Resultados

  • 121

    MapaDaqui

    Nenhum mapa foi danificado fisicamente

    Banner foi ideal para a aplicao no poste

    Impresso no banner d mais legibilidade

    Cores tornam o banner muito mais atrativo

    Nenhum banner foi arrancado ou rasgado

    Um simples fitilho (barbante plstico) necessrio para a

    aplicao. A fita Hellerman, escolha inicial, no se mostrou

    adequada para todos os postes testados.

    Todas as 10 canetas foram roubadas

    A legenda com cones foi mal compreendida

    Banner : Premissas

    Material ser mais resistente

    Material ser adequado superfcie

    Ter melhor legibilidade

    Ter melhor visibilidade

    Ser menos depredado que o lambe-lambe

    Instalao ser mais prtica

    Caneta disponibilizada no ser roubada

    A nova legenda ser compreendida

    Resultados

    Nenhum dos 10 paineis sofreu danos fsicos

    Material adequado para postes finos, grades e paredes

    Idem ao Banner

    Idem ao Banner

    Idem ao Banner

    Idem ao banner

    01 placa foi pichada

    Premissas : Placa de PVC

    Material ser mais resistente

    Material ser adequado superfcie

    Ter melhor legibilidade

    Ter melhor visibilidade

    Ser menos depredado que o lambe-lambe

    Caneta disponvel no ser roubada

    Instalao ser mais prtica

    Resultados

    distncia, o painel colorido chama mais ateno

    Resultados similares verso preto-e-branco

    Premissas : Lambe-Lambe Colorido

    Papel colorido dar mais visibilidade

    Ser menos depredado que o anterior

    Resultados

  • Ciclo 02

    122

    Redbull Basement

    Nesta etapa do projeto, entre o segundo e terceiro ciclo

    de desenvolvimento, fui convidado a participar com o

    projeto Mapa Daqui de uma residncia de trs meses

    chamada RedBull Basement, promovida pela Redbull

    no centro da cidade, ao lado do Terminal Bandeira.

    A residncia, com curadoria de Gisela Domschke,

    teve edital aberto a designers, programadores,

    hackers e desenvolvedores de software com

    projetos que tenham como foco temtico o centro

    de So Paulo. A propostas deveriam envolver o uso

    da tecnologia digital para a melhoria do espao

    urbano em termos de experincia, funcionalidade

    e mobilidade, ou ainda para o empoderamento

    dos cidados no redesign do centro da cidade.

    Por trs meses, trabalhei junto com Paloma

    Oliveira, Pedro Belasco, Rodrigo Guerra, Mateus

    Knelsen, e VJ Pixel no mesmo espao, onde

    tivemos disposio equipamentos de fabricao

    digital de alta tecnologia, apoio financeiro para desenvolvimento do projeto e uma programao

    de palestras, mentorias, workshops, e vivncias.

    Considero essa experincia fundamental para a

    potencializao do projeto, principalmente por duas

    razes: primeiramente, a localizao da residncia. Estar diariamente no Centro da cidade possibilitou uma

    maior explorao do entorno e feedback constante de

    uma maior variedade de usurios, como por exemplo

    os integrantes da ocupao do prdio do Ouvidor, com

    os quais tive contato prximo. O segundo destaque seriam as visitas e sesses de mentoria com diversas pessoas e coletivos que esto pensando e atuando

    em temas relacionados, como Paulo Saldiva, do

    Instituto de Estudos Avanados da USP, Marcus Bastos,

    Vincius Russo do Ncleo Digital, Tiago Avancini do

    Google, O Gangorra, Cdigo Urbano, InfoAmaznia, Bueiros Conectados, Baixo Ribeiro, e outros.

    Fotos: Marcelo Maragni

    Red Bull Content Pool

  • 123

    MapaDaqui

  • Ciclo 02

    124

  • 125

    MapaDaqui

  • Ciclo 03

  • Ciclo 03

    128

    Pgina do Facebook

    Assim que o projeto j tinha uma forma mais definida, e j havamos coletado resultados sem a interferncia

    de pessoas conhecidas, foi iniciado o processo de

    comunicao e divulgao ativo via as redes sociais,

    com o objetivo de preparar uma base de seguidores

    para um eventual lanamento do site. A partir dos perfis Mapa Daqui no Facebook e Instagram, que j haviam

    sido criados, porm no divulgados amplamente,

    foram postadas continuamente imagens do processo,

    resultados, artigos relacionados, e outros materiais

    (como os exemplos ao lado).

    Esse trabalho foi essencial para diversos acontecimentos

    futuros do projeto. A partir dessas pginas recebemos

    mensagens de apoio, feedback, dvidas, pedidos de

    entrevista, chamados para reunies, cafs, e diversas propostas de parceria ao longo do semestre. Em

    especial, o primeiro deles foi um convite feito, via

    Facebook, pela organizao do Festival CoCidade

    para que o projeto integrasse a segunda "expofeira de

    projetos colaborativos" na Praa das Artes.

  • 129

    MapaDaqui

    Exemplos de postagens feitas no Facebook

  • Ciclo 03

    130

    Website para lanamento durante o Festival CoCidade

    O festival CoCidade um evento que acontece

    anualmente na cidade de So Paulo, composto

    por diversas atividades relacionadas economia

    colaborativa, sustentabilidade, e mobilidade. O convite

    feito para o projeto foi de compor a expofeira de

    projetos, um espao na Praa das Artes onde mais de

    100 iniciativas teriam, cada uma, um espao para se

    apresentar e interagir com os visitantes do evento.

    Imediatamente, ficou claro que deveramos no apenas expor o projeto no evento, mas tambm aproveitar

    esta oportunidade para realizar mais uma rodada de

    testes de hipteses. Mais especificamente, testar a hiptese fundamental que as pessoas se interessariam por baixar, imprimir e instalar paineis em seus bairros e

    comunidades.

    Para isso, seria necessrio ter at o dia do evento um

    prottipo funcional do software que gera os arquivos para impresso, pois seria invivel se cada painel

    tivesse que ser feito como aqueles at agora: gerando

    a imagem de um mapa por vez, e colocando-as na

    posio certa no leiaute do cartaz para impresso.

    Consegui uma parceria com o desenvolvedor e amigo

    Lucas Pirola, que topou ajudar na programao da

    pgina. Elencamos juntos as funes que o website novo deveria cumprir, mantendo somente os fluxos de interao que permitissem a impresso dos lambe-

    lambes. As outras funes foram somente comunicadas, com um aviso de "em breve", para que os visitantes

    pudessem ter uma compreenso da proposta como um

    todo.

  • 131

    MapaDaqui

    Premissas escolhidas para teste

    As pessoas compreendem a proposta

    As pessoas se interessam pela proposta

    As pessoas se interessam em "adotar" um mapa

    Estabelecimentos se interessam por parcerias

    O fluxo de gerao e impresso de mapas funciona

    Mtricas de validao

    Facilidade de comunicao com as pessoas

    Engajamento das pessoas com contedo exposto

    Nmero de pessoas que levaram um mapa impresso

    Nmero de estabelecimentos parceiros

    Nmero de erros e problemas durante o fluxo

    Histrias de usurio do segundo website

    Funo implementada

    Funo no implementada

    Incio Adotar um mapa

    Ver proposta de parceria comercial

    Compartilhar nas redes sociais

    Ver mural com fotos #MapaDaqui

    Cadastrar e-mail para novidades

    Ler guia de instalao de paineis

    Enviar e-mail de parceria comercial

    Ver opes de formatos

    Escolher lambe-lambe

    Escolher placa de PVC

    Escolher Banner

    Adicionar pontos no mapa

    Ver mapa de paineis j adotados

    Ver nmero de mapas j adotados

    Ver pontos j adicionados ao mapa

    Ver mapa online

    Escolher endereo do mapa

    Ver mensagem de sucesso

    Inscrever-se por e-mail para receber novidades

    Baixar arquivo PDF

    Compartilhar nas redes sociais

    Ler guia de instalao

  • Ciclo 03

    132

    Pgina inicial

    A pgina inicial composta por diversas faixas de

    contedo. A primeira contm a marca, uma breve

    explicao, e um "chamado para ao", que convida as

    pessoas a adotarem seu mapa.

    Na faixa 02, uma explicao em trs passos de como

    funciona o projeto, sendo o terceiro a interao com

    o mapa online que ainda no estava implementada,

    portanto marcada como "em breve.

  • 133

    MapaDaqui

    A terceira faixa repete o chamado de "Adote um mapa,

    porm agora explicando de forma mais detalhada o que

    o usurio deve esperar ao clicar no boto. uma forma

    de tentar fazer interagir aqueles que no o fizeram na primeira faixa.

    A quarta faixa anuncia a funcionalidade do mapa

    online, a explica em maior detalhe, e indica que estar

    disponvel em breve.

  • Ciclo 03

    134

    Pgina inicial

    Na quinta faixa, mostramos em maior detalhe o que o

    mapa a "ser adotado, com uma foto do objeto in loco, e

    um diagrama das suas funcionalidades

    A sexta faixa descreve os trs tipos de download que

    existentes, dando acesso ferramenta de gerao de

    lambe-lambes, e anunciando as outras duas como

    funcionalidades a serem lanadas em breve.

  • 135

    MapaDaqui

    A stima faixa faz o convite de parceria a

    estabelecimentos e outras organizaes, permitindo que os interessados enviem um e-mail para fazer uma

    consulta sobre as possibilidades.

    A oitava faixa o mapa que exibe todos os endereos

    para onde foram gerados paineis atravs do site, assim

    como um contador. Essa faixa no foi implementada

    tempo do festival.

  • Ciclo 03

    136

    Pgina de escolha do endereo

    Ao clicar em "Adote um mapa, os usurios so levados

    ferramenta que gera os paineis, e so convidados

    a escolherem o endereo onde desejam instalar seu

    painel.

    Assim que o endereo encontrado, o mapa

    atualizado para que o usurio possa confirmar visualmente o local, e ento clicar em "Confirmar.

  • 137

    MapaDaqui

    Pgina de sucesso

    Na ltima pgina da interao, o usurio recebe uma

    mensagem de sucesso, enquanto o navegador faz o

    download do seu painel em PDF.

    Enquanto isso, tambm lhe oferecida a oportunidade

    de se cadastrar na lista de e-mails para receber

    novidades.

  • Ciclo 03

    138

    Festival CoCidade

    Com a ferramenta pronta, pudemos seguir com o

    planejamento e execuo do Festival. Alm de levar os

    paineis nos trs formatos desenvolvidos como exemplos,

    e ainda permitir que as pessoas imprimissem seus

    prprios lambe-lambes, fizemos tambm adesivos que foram distribudos como um carto de visita. Eles foram

    desenhados como uma verso em miniatura do painel,

    a fim de capturar a ateno de pessoas que estivessem no nvel mais baixo da curva de engajamento, por sua

    portabilidade e facilidade de aplicao.

    O festival aconteceu no dia 26 de Setembro de 2015,

    na Praa das Artes, no Centro de So Paulo. Por ele

    passaram mais de 4000 pessoas, em uma exposio

    de 100 projetos, cada um com um espao expositivo

    de 1x1m, alm de apresentaes musicais, palestras, e workshops diversos.

  • 139

    MapaDaqui

  • Ciclo 03

    140

  • 141

    MapaDaqui

  • Ciclo 03

    142

  • 143

    MapaDaqui

  • Ciclo 03

    144

    Foi fcil explicar o projeto para os visitantes

    A maioria dos observadores levou pelo menos, um adesivo

    Mais de 40 mapas foram impressos

    No houve contato com representantes comerciais

    Alguns ajustes se mostraram necessrios na interao

    Premissas

    As pessoas compreendem a proposta

    As pessoas se interessam pela proposta

    As pessoas se interessam em "adotar um mapa

    Estabelecimentos se interessam por parcerias

    O fluxo de gerao e impresso de mapas

    Resultados

    Resultados do Festival

  • 145

    MapaDaqui

    Diretrizes para a prxima verso

    Durante o evento, anotamos algumas observaes sobre a interao dos usurios com a ferramenta.

    Na pgina de busca de endereos, muitas pessoas

    tentaram ajustar a escala do mapa para ter certeza

    se ele estava centralizado no local certo.

    Na pgina de sucesso, ao tentar se cadastrar para

    receber novidades por e-mail, muitas pessoas

    foram interrompidas pelo sistema, que estava

    carregando o PDF no plano de fundo, e quando

    havia concludo a tarefa, trocava de janela tirando

    o usurio da tarefa que estava tentando executar.

    Assim, ficaram duas diretrizes de ajuste:

    Reviso geral da linguagem de explicao da proposta no site, que no estava clara o

    suficiente para todos os usurios.

    Utilizar um zoom mais prximo do mapa na tela de busca.

    Abrir o PDF gerado em uma aba atrs do navegador, e no na frente do usurio.

    Incluir o adesivo como material disponvel para download, devido ao seu grande sucesso com

    as pessoas.

    A experincia

    O festival foi uma grande festa, e uma tima oportunidade de conhecer outros projetos e

    pessoas. Conversamos, no total, com mais de

    uma centena de visitantes (dos mais de 4.000

    presentes), distribumos todos as 1.000 unidades

    de adesivos, e mais de 40 pessoas levaram lambe-

    lambes impressos para seus bairros, no s em So Paulo mas tambm para diversos outros lugares

    do Brasil.

    Foi incrvel ver a empolgao nos olhos dos

    visitantes ao compreender projeto, assim como

    experimentar e comprovar a importncia dos

    testes de prottipos funcionais recomendados pelo mtodo do desenvolvimento gil.

    Contatos estabelecidos

    Logo aps o lanamento e participao no Festival, diversas pessoas entraram em contato para

    entender mais sobre o projeto e verificar que tipo de parcerias poderiam ser estabelecidas.

    A Sava, produtora de eventos, logo nos enviou

    um e-mail para que participssemos de uma

    outra expofeira de projetos colaborativos, dessa

    vez com enfoque em Mobilidade Urbana, a ser

    realizada no Shopping Villa Lobos, juntamente

    com o Greenpeace, Ciclocidade, e um aplicativo de

    caronas corporativas.

    A Rede Minha Campinas, que organiza o Festival

    da Cidadania h 12 anos, nos convidou para fazer

    uma apresentao do projeto na Unicamp.

    Um rapaz de Taubat nos enviou um e-mail

    perguntando como poderamos espalhar "essa

    ideia nas cidades do interior.

    A empresa Coleticidade enviou um e-mail,

    marcando uma reunio sobre uma possvel

    parceria para espalhar o projeto atravs da

    instalao nos parklets que eles constroem em

    diversas cidades.

    Duas pessoas annimas comearam a contribuir

    com a programao do website, que desde o

    princpio esteve aberto no GitHub, sugerindo

    melhorias e apontando defeitos.

    Gabriel Gomes, do projeto Que nibus Passa

    Aqui, sugeriu uma parceria na qual enviaramos

    130 paineis para apoiadores de um projeto de

    crowdfunding.

  • Ciclo 03

    146

    Um outro caso bastante interessante: a usuria

    mozana_amorim decidiu utilizar apenas duas partes

    do painel, a superior e inferior, deixando de lado o

    mapa principal. Quando interrogada via mensagens

    do aplicativo, respondeu: No vi necessidade de

    colocar a folha do meio. J tem um mapa na parte

    de baixo!.

    Usos curiosos

    Logo aps o lanamento, comeamos a receber fotos de pessoas que, ou levaram os lambe-

    lambes gerados no evento (em papel amarelo), ou

    entraram no site e imprimiram em casa. Trs casos,

    em especial, chamaram a nossa ateno:

    Este usurio, CoffeeShop18, de Florianpolis, baixou o PDF, mas ao invs de imprimir o arquivo

    no formato original, o editou para caber em uma

    folha A4. Alm disso, Ao invs de usar a tcnica

    de lambe-lambe para colar o painel no poste, ele

    foi colocado dentro de um saco plstico, e amarrado

    com barbantes no suporte.

  • 147

    MapaDaqui

    Neste outro caso, foi utilizada a impresso original,

    feita no Festival, porm ao invs de colado em um

    poste, o usurio decidiu empranch-lo em um outro

    material rgido, para ento poder ser aplicado em

    uma grade da praa Nova Lapa.

    Diretrizes tomadas para a prxima verso

    Foi muito enriquecedora a experincia de ter os

    paineis aplicados no mundo por outras pessoas, sem

    nenhuma interveno. A partir de observaes como essa, possvel mapear mais uma srie de mudanas

    a serem feitas no prottipo:

    Disponibilizao de mais formatos para imprimir em casa, incluindo um A4 simples

    Reflexo sobre a necessidade do mapa no painel inferior. Talvez fosse melhor utilizar todo o

    espao para a legenda colaborativa?

    Disponibilizao imediata dos downloads dos outros formatos. No caso da Praa Nova Lapa,

    ficou clara a necessidade da verso em placa de PVC

    Criao de guias de instalao para todos os formatos, a serem disponibilizados na pgina

    inicial do site, assim como na pgina de sucesso

    de cada um dos downloads.

  • Ciclo 03

    148

    Mdia

    Logo aps o festival, o nmero de seguidores do projeto nas redes sociais comeou a crescer, assim

    como a circulao de comentrios sobre o mesmo.

    Logo, foram recebidos pedidos de entrevistas para

    alguns blogs.

    As duas pautas mais significativas foram no UOL, que colocou uma foto do projeto na pgina inicial,

    na seo notcias, e uma entrevista com a Rdio

    Bandeirantes, que no mesmo dia causaram um

    pico de acessos no website, totalizando 800 visitas

    nicas.

    Este registro no , de forma alguma, uma maneira

    de vangloriar um suporto sucesso do projeto, mas

    sim de validar a hiptese da necessidade dessa pauta, e o interesse recproco da sociedade por ela.

    Entrevista Rdio

    Bandeirantes

    Para ouvir a entrevista,

    acesse o link abaixo.

    A seo comea aos

    1:23:00 de udio.

    http://bit.ly/1LrH8Be

    Acesso: http://bit.ly/1R4lCEg

  • 149

    MapaDaqui

    Acesso: http://bit.ly/1R4lJj8

    Acesso: http://bit.ly/1MLcII5

  • Ciclo 03

    150

    Acesso: ekonomio.com.br/mapa-daqui/

    Acesso: http://bit.ly/1i492sv

  • 151

    MapaDaqui

    Acesso: http://bit.ly/204X18C

    Acesso: http://bit.ly/1XqoPC1

  • Ciclo 04

  • Ciclo 04

    154

    VOC EST AQUI

    LISTA DE LUGARES PRXIMOS DAQUI

    #MapaDaqui

    ADOTE UM MAPABaixe gratuitamente o arquivo para imprimir e espalhar por a

    PODE RABISCAR!Indique lugares do bairro que voc queira compartilhar

    Verso em folha A4 simples

    A primeira atitude tomada com

    base nos feedbacks do ciclo 03 foi

    a criao de uma verso menor,

    simplificada, mais fcil de imprimir e instalar, alternativa verso original

    composta por 3 folhas.

    Alm da maior facilidade de

    manuseio, o novo tamanho permite

    sua aplicao em suportes que

    tenham menos rea disponvel

    que postes de iluminao, como

    por exemplo totens de pontos de

    nibus, onde a informao aplicada

    oficialmente pela prefeitura (linhas de nibus) um adesivo exatamente

    deste formato.

    A introduo deste novo formato fez

    necessria a adio de um passo no

    fluxo de gerao do arquivo no site. Aps indicar que deseja o formato lambe-lambe, o usurio deve

    escolher entre o painel tradicional,

    com 3 folhas, ou o novo formato em

    uma folha A4 simples.

  • 155

    MapaDaqui

  • Ciclo 04

    156

    Buscador de endereos

    Ao analisar o registro de mapas baixados pelos usurios,

    identificamos que haviam mltiplos downloads de endereos bastante prximos. Esse padro indicou que usurios estariam baixando o arquivo mltiplas

    vezes e realizando pequenos ajustes at que o mapa

    viesse centralizado exatamente onde eles desejavam.

    Para facilitar o processo, alteramos a escala do mapa

    mostrado no buscador e adicionamos um marcador que

    indica exatamente onde o mapa ser centralizado.

    Novo footer

    Com o aumento do nmero de funes e pginas do website, tambm foi necessrio um redesenho da parte

    inferior que se repete em todas as pginas. Adicionamos

    links para outras partes do site, para pginas com

    informaes teis, contato, e um campo para assinatura do feed de novidades.

    Melhorias no Website

  • 157

    MapaDaqui

    Instrues de aplicao

    Para cada pgina de sucesso, foi adicionado um guia

    passo-a-passo de aplicao, para auxiliar as pessoas

    na correta utilizao de cada tipo de painel. Sua forma

    ainda bastante simples e longe da ideal, porm a lista

    numerada foi uma forma extremamente rpida e prtica

    de sanar esta necessidade momentaneamente.

  • Ciclo 04

    158

    Perguntas frequentes

    Foi desenhada uma pgina para a publicao contnua

    de artigos explicativos com as dvidas mais levantadas

    pelos usurios, como modos de aplicao e questes legais associadas ao projeto.

    Melhorias no Website

  • 159

    MapaDaqui

    Torne-se um parceiro

    Como forma de simplificar a pgina principal, que comeou a ficar bastante extensa, alguns contedos foram movidos para pginas separadas, como a

    chamada para parcerias comerciais.

  • Ciclo 04

    160

    Aspectos Legaise Mudanas no Modelo

    Conforme o projeto foi crescendo e ganhando ateno,

    algumas pessoas comearam nos abordar perguntando

    sobre a Lei Cidade Limpa (Lei n14.223), levantando o

    fato de ser proibido por lei, na cidade de So Paulo,

    colar ou fixar qualquer tipo de cartaz ou placa em postes e outros equipamentos pblicos. De fato, a proibio

    consta nos termos da lei, que prev sanes e a retirada dos cartazes e placas afixadas. A cartilha explicativa afirma que a Lei foi criada com o intuito de:

    "Recuperar certos direitos fundamentais da cidadania

    que haviam se perdido com o tempo. O direito de

    viver em uma cidade que respeita o espao urbano, o

    patrimnio histrico e a integridade da arquitetura das edificaes. O direito a um relacionamento mais livre e seguro com as reas pblicas. A Lei Cidade Limpa

    significa a supremacia do bem comum sobre qualquer interesse corporativo. Sua aplicao permitir a So

    Paulo diminuir a poluio visual que h tantos anos

    prejudica nosso bem-estar e promover uma melhor gesto dos espaos que, por concesso pblica,

    podero ter mobilirio urbano com propaganda. Mais

    do que um texto com proibies, a lei um meio para tornar So Paulo ao mesmo tempo mais estruturada e

    acolhedora." (Prefeitura de So Paulo, Lei n 14.223)

    Entendemos que o projeto no vai contra estes

    objetivos fundamentais, j que tambm visa "recuperar

    certos direitos fundamentais da cidadania que haviam

    se perdido com o tempo. O direito de viver em uma

    cidade que respeita o espao urbano, [] O direito a

    um relacionamento mais livre e seguro com as reas

    pblicas. A Lei Cidade Limpa significa a supremacia do bem comum sobre qualquer interesse corporativo".

    Seguimos, ento, com o projeto, acreditando que uma

    hora ou outra o contato com a Prefeitura seria inevitvel,

    e esperando que este contato seja positivo

    De qualquer modo, decidimos tomar algumas

    precaues, relacionadas ao modelo de negcios, para dar maior segurana ao andamento do projeto:

    Impresso de marcas e nomes de parceiros

    Nas nossas propostas de parceria com estabelecimentos

    comerciais, constava que ao se tornar um parceiro, o

    comrcio poderia ter seu nome e marca impressos no

    mapa. Retiramos essa proposta, para que os painis

    sejam mais dificilmente entendidos como anncios em espao pblico, mantendo apenas a lista de

    estabelecimentos parceiros na verso digital, no website.

    Venda e encomenda de paineis online

    Decidimos retirar tambm, por hora, os planos uma

    vez traados de disponibilizar encomendas de painis

    diretamente no website, para remover o aspecto

    "comercial. Essa funo seria muito til para conseguir

    atingir um nmero maior de pessoas e cidades com o

    projeto, no entanto preferimos remov-la at que as

    condies legais estivessem mais claras. Uma possvel alternativa poder ser criar campanhas de crowdfunding

    que tenha os paineis como "recompensa, qualificando assim os pagamentos como doaes.

    Perguntas frequentes

    Escrevemos tambm uma pgina de "Perguntas

    frequentes, deixando claros os termos da lei em So

    Paulo e o posicionamento do projeto em relao ao

    texto, recomendando s pessoas que informem-se

    das suas leis locais e tentem dialogar com os rgos pblicos. Essa estratgia a mesma utilizada pelo

    projeto "Walk Your City, que enfrenta os mesmos

    problemas legais e no se responsabiliza pelas

    consequncias impostas aos seus usurios.

  • 161

    MapaDaqui

    Donosde

    estab

    elecimento

    Prefeiturase

    subprefeituras

    Outrosprojetosde

    ocu

    pao

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    cidad

    e

    Embaixadoresde

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    Administrao

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    ica

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    Vendaeentregade

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    taodo

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    Crowdfunding

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    RedesSociais

    Crowdfunding

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    Prefeiturase

    subprefeituras

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    Itens removidos do modelo

  • Ciclo 04

    162

    Doe um cafezinho

    Uma das alternativas pensadas para que o projeto

    possa, ao menos, pagar seus prprios custos enquanto a questo legal no est 100% clara, foi a incluso de uma pgina de doao.

    Ela explica que o projeto, no modelo atual, no tem

    fins lucrativos, porm que depende da comunidade para sobreviver desta maneira. H um demonstrativo

    de um valor aproximado de manuteno do projeto, e

    um boto de doao integrado com a plataforma de

    pagamentos Moip.

  • 163

    MapaDaqui

    Histrias de usurio do website

    Funo implementada

    Funo no implementada

    Incio Adotar um mapa

    Ler perguntas frequentes

    Ver proposta de parceria comercial

    Compartilhar nas redes sociais

    Ver mural com fotos #MapaDaqui

    Cadastrar e-mail para novidades

    Ler guia de instalao de paineis

    Fazer uma doao

    Ver quem j parceiro do projeto

    Enviar e-mail de parceria comercial

    Ver opes de formatos

    Escolher lambe-lambe

    Escolher Banner

    Escolher placa de PVC

    Escolher Adesivo

    Adicionar pontos no mapa

    Ver mapa de paineis j adotados

    Ver nmero de mapas j adotados

    Ver pontos j adicionados ao mapa

    Ver mapa online

    Escolher endereo do mapa

    Baixar Adesivo

    Ver mensagem de sucesso

    Inscrever-se por e-mail para receber novidades

    Baixar arquivo PDF

    Compartilhar nas redes sociais

    Ler guia de instalao

  • Ciclo 04

    164

    13 Encontro da Cidadania

    Em Setembro, fui convidado a apresentar o projeto

    Mapa Daqui no Encontro da Cidadania, um evento anual

    organizado pela ONG Minha Campinas e sediado pela

    UNICAMP, que visa potencializar o comportamento

    cidado nos jovens da cidade atravs oficinas, debates, e apresentao de ferramentas digitais.

    No evento, que aconteceu no dia 7 de Setembro,

    tive a oportunidade de compartilhar o projeto com

    aproximadamente 80 jovens e adultos das zonas

    perifricas de Campinas.

    O contato foi muito rico pois alguns deles j

    desenvolvem projetos de mapeamento dos seus

    prprios bairros como forma de dar visibilidade s suas

    causas e demandas locais, como no Jardim Itatiaia,

    onde um grupo de jovens na faixa de 14 anos realizou,

    atravs de uma pesquisa qualitativa, o mapeamento

    da velociade de conexo internet de todo o bairro.

    L, tambm conheci pesquisadores do grupo Revoada,

    envolvidos com o Mapa de Cultura de Campinas,

    projeto que visa evidenciar a riqueza dos equipamentos

    histricos, culturais e artsticos da cidade atravs de ferramentas livres de mapeamento colaborativo.

  • 165

    MapaDaqui

    Villa Cultural

    Um outro convite recebido foi para participar de uma

    feira de projetos chamada Villa Cultural, realizada dentro

    do Shopping Villa Lobos, em um dia cujo evento tinha o

    tema Mobilidade.

    A estrutura do evento foi parecida com o Festival

    CoCidade: cada projeto disps de uma mesa na qual

    poderia apresentar a proposta aos visitantes durante

    todo o dia. Dividindo o espao, estavam representantes

    da plataforma de caronas corporativas Bynd, do

    Greenpeace Brasil com uma oficina ldica chamada Se essa rua fosse nossa, e o grupo Ciclocidade com

    o Manual da Bicicleta e Comrcio, que visa esclarecer

    a donos de estabelecimentos comerciais as melhores

    prticas para tornar seu negcio gentil aos ciclistas.

    Foi uma experincia completamente diferente do

    Festival CoCidade, pois aqui havia o pblico do prprio shopping, composto por pessoas bastante diferentes

    dos visitantes do primeiro evento.

    Houve poucos contatos diretos com visitantes, o fluxo de pessoas no shopping j era baixo, e o interesse por

    investigar o espao da feira de mobilidade, ainda menor.

    As poucas interaes que aconteceram, no entanto, foram positivas, e o contato com os outros integrantes

    da exposio tambm mostrou-se bastante valioso para

    futuros projetos e parcerias.

  • Ciclo 04

    166

    Shoot the Shit

    Shoot the Shit o estdio criativo autor do

    projeto Que nibus Passa Aqui, registrado na

    fase de Pesquisa. Durante o desenvolvimento

    do projeto, naturalmente nos aproximamos, e

    logo surgiu uma oportunidade de parceria.

    O estdio tem uma rede de 120 apoiadores, que

    contribuem mensalmente para que a equipe possa

    elaborar, executar, e enviar para todos uma caixa

    chamada de Action Box, com os materiais para uma

    interveno urbana especfica. Em Novembro, cada Action Box enviada continha uma cpia do painel lambe-lambe com o mapa centralizado no endereo de cada

    apoiador, para que fossem aplicados perto das casas de

    cada um. As caixas foram produzidas em Porto Alegre,

    e enviadas para os assinantes em 11 Estados diferentes.

  • 167

    MapaDaqui

    Preto Caf

    Em 15 de Novembro, o primeiro estabelecimento

    comercial confirmou o interesse por adotar um Mapa Daqui para colocar na fachada da sua loja: o Preto Caf,

    em Pinheiros. O local no uma empresa, mas uma

    associao sem fins lucrativos que tem um modelo de negcios baseado na colaborao: os clientes consomem os produtos, o espao, e a internet, e na

    sada pagam o quanto quiserem pelo servio.

    Por este perfil inovador e altamente consoante com os objetivos do Mapa Daqui, a parceria com o caf

    mostrou-se uma oportunidade muito interessante de

    levar o projeto para mais perto de pessoas que tenham

    interesse em participar. Temos em mente, no entanto,

    que o desafio permanece sendo a aproximao com estabelecimentos convencionais da cidade.

  • Ciclo 04

    168

    Ocupao Artstica do Ouvidor

    Uma das principais auto crticas que surgiram com o

    desenvolvimento do projeto foi o pblico que ele estava

    atingindo. Por ter sido iniciado a partir de experimentaes no bairro de Pinheiros, o projeto naturalmente atraiu

    interesse dos grupos de pessoas que j tinham interesses

    similares, que produzem ou apoiam projetos de natureza

    parecida, e tambm de estabelecimentos comerciais que

    compartilham de uma viso bastante especfica de cidade.

    Felizmente, a vizinhana entre a residncia da Redbull

    Station e a Ocupao Artstica do Ouvidor (edifcio

    tomado por um movimento de moradia independente

    e apartidrio, de artistas no centro da cidade) permitiu

    um contato bastante prximo e trocas riqussimas entre os frequentadores de ambos os edifcios.

    Esse contato culminou em uma ao de instalao

    de placas e mapeamento de pontos de interesse da

    comunidade da Ocupao no centro da cidade, organizada

    com a ajuda do morador Paulo Jorge Prado.

    No dia 15 de Novembro, samos em uma grupo de

    5 pessoas (4 integrantes da ocupao), para instalar

    10 paineis em uma rea que compreende o Terminal

    Bandeira, Teatro Municipal, Biblioteca Mrio de

    Andrade, Largo Paissandu e o Largo do Arouche.

    A experincia foi indescritvel. Ver a cidade sob a tica dos moradores da Ocupao foi muito revelador. Para

    a comunidade, que integrada por pessoas das mais

    diversas origens do Brasil e do mundo, os principais

    pontos de interesse so, por exemplo: Bocas de Rango,

    locais onde possvel conseguir sobras de alimento

    gratuitamente, postos de sade, espaos culturais, outras

    ocupaes, postos de coleta de materiais reciclveis, e diversos outros equipamentos urbanos que no tinham

    sido mapeados em nenhum painel at o momento.

    Alm de ter sido um dia incrvel de trocas e uma experincia

    de vida riqussima, a atividade validou a flexibilidade e utilidade que o Mapa Daqui tem como um sistema de

    sinalizao para os mais diversos pblicos da cidade.

  • 169

    MapaDaqui

  • Ciclo 04

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    MapaDaqui

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    MapaDaqui

    Resultados

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    Nmero de acessos no website

    Nmero de seguidores no facebook

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    Artigo UOL

    Festival

    CoCidade

    Acessos por cidade

    So Paulo

    Rio de Janeiro

    Belo Horizonte

    Curitiba

    Campinas

    Paineis baixados

    Likes no facebook Seguidores no Instagram

    Estados do Pas

    770

    859 491

    14 1067 54

    62

    44

    36

    Nmeros

  • 181

    MapaDaqui

    Localizao dos paineis baixados

  • Ciclo 04

    182

    Contato com referncias

    Um momento muito gratificante do projeto foi entrar em contato com outros projetos que tnhamos como

    referncia. Atravs das redes sociais (Facebook e

    Twitter), recebi mensagens de apoio, mesmo que

    singelas, das pessoas responsveis pelo Walk Your City,

    Neighborland, e at os Iconoclastas.

  • 183

    MapaDaqui

  • Ciclo 04

    184

    Contato com a SP Turismo

    No dia 28 de Outubro, me reuni com uma

    representante da SP Turismo, responsvel pelo projeto

    de sinalizao para pedestres da cidade de So Paulo,

    no caf do recm-inaugurado Mirante Nove de Julho.

    Foi uma conversa informal, na qual ela mostrou

    interesse em explorar formas de aproximao da

    SP Turismo tanto com o projeto MapaDaqui, quanto

    com o curso de Design da USP. Segundo ela, a

    empresa, que funciona de forma mista entre pblica

    e privada, vm h anos tentando implementar um

    sistema de sinalizao para pedestres em So Paulo,

    ( j documentado na fase de pesquisa) mas tem

    enfrentado srios desafios para coloc-lo em prtica da forma desejada.

    Duas tipologias de sinalizao, das quatro propostas

    da empresa para a cidade, j esto em fase avanada

    de implementao : as placas tursticas para carros, e

    as placas direcionais para pedestres. Para outras duas

    tipologias propostas, no entanto, eles no tiveram

    tanto xito, e me procuraram com a inteno de pedir

    auxlio para seu desenvolvimento.

    Uma das peas , justamente, o totem que contm

    um mapa da regio. A empresa chegou a orar o

    projeto com o mesmo fornecedor que est realizando a

    sinalizao do Rio de Janeiro, porm o valor total seria

    muito mais alto que o oramento disponibilizado pelo

    Ministrio do Turismo. A empresa acabou por fazer 15

    prottipos com uma outra empresa, de engenharia, porm o resultado ficou aqum do esperado:, alm de ter sido alvo de vandalismo, alguns dos totens foram

    derrubados ou arrancados do cho pelas pessoas,

    devido fragilidade da sua instalao.

    A outra pea que est em fase de testes so as placas

    de informao sobre monumentos, que contextualizam

    os edifcios e demais lugares histricos para os turistas

    e visitantes. Nesse caso, h diversas restries de proteo aos edifcios, assim como de acessibilidade

    nas caladas, que esto impedindo o projeto de

    continuar.

    A reunio terminou de forma promissora, e o plano

    seguir conversando e verificar possibilidades de auxlio voluntrio ou at prestao de servio para

    melhorar as peas de sinalizao nas suas prximas implementaes. Outra proposta feita durante a conversa foi aproximar os alunos do curso de Design

    da SPTurismo para futuros projetos e parcerias

    acadmico-privadas.

    Considero esse contato com o poder pblico, mesmo

    que de forma indireta, uma das maiores vitrias de todo o desenvolvimento. De certa forma, ele comprova

    a possibilidade de impacto de um projeto acadmico

    na vida da comunidade fora da Universidade, e me

    deixa entusiasmado com os desdobramentos futuros.

  • 185

    MapaDaqui

    Prximos passos

    At aqui, conseguimos validar o interesse pelo projeto

    de forma geral, o interesse em interagir com os pontos

    de contato propostos, tanto no universo digital quanto

    na rua, e o interesse de diversas pessoas em ajudar a

    levar o projeto adiante. Colocamos a ideia no mundo

    e, durante quatro ciclos de desenvolvimento, demos

    as primeiras lapidadas que a tornam mais factvel em

    escala maior. Ainda h, no entanto, muito a ser feito.

    Resta, primeiramente, desenvolver todas as histrias de usurio que no tivemos tempo de executar para

    o website, em especial os downloads de todos os

    formatos de mapas. Todas essas pendncias j esto

    encaminhadas de forma aberta no Github para que

    qualquer pessoa possa ajudar a implementar.

    Resta, tambm, continuar as diversas conversas que

    iniciamos com partes interessadas ao longo do ltimo

    ciclo: com os estabelecimentos comerciais que entraram

    em contato, com a prefeitura, para entender de que

    forma o projeto pode continuar existindo sem que

    seja considerado uma infrao, ou para que dele possa

    nascer algo maior; com outros projetos e empresas,

    como a SPTurismo, Coleticidade, Shoot The Shit,

    Camlia Digital, e outros que se mostraram interessados

    em desenvolver parcerias.

    Alm disso, fica como meta de curto prazo realizar uma campanha de crowdfunding para que um nmero maior

    de pessoas possa ter acesso aos painis durveis sem

    ter que imprimir em uma grfica prxima, mas sem tambm que tenhamos que implementar um sistema

    de vendas online. Dessa forma, podemos distribuir

    o material como recompensa aos apoios daqueles

    que estiverem interessados em construir o projeto

    colaborativamente.

    Tambm h diversas outras hipteses a serem testadas no mbito do modelo de negcios. No h a inteno de

    que ele seja lucrativo, pois j se mostrou um abridor de

    portas que pode gerar valor por outros meios (como

    as parcerias acima citadas). No entanto, mant-lo tem

    um certo custo, e o ideal seria encontrar uma forma de

    amortizar esse valor atravs da prpria comunidade. Uma das opes o crowdfunding recorrente, uma nova modalidade de financiamento coletivo onde as contribuies das pessoas interessadas mensal.

    Alm disso, o projeto ser apresentado em dois

    grandes eventos que podem gerar conexes e oportunidades interessantes: O Seminrio Internacional

    Cidades a P, que ser sediado no Instituto Tomie

    Othake, nos dias 26 e 27 de Novembro, e o Media Day,

    apresentao final dos residentes da RedBull Station, agendado para o dia 10 de Dezembro.

    Ajude a desenvolver o cdigo do projeto acessando o repositrio pblico no GitHub: www.github.com/lpirola/mapa-daqui

    Acompanhe os prximos passos do projeto atravs da nossa pgina do Facebook:

    www.facebook.com/projetomapadaqui

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    MapaDaqui

    Concluses

    Lembro-me da primeira reunio com o Prof. Fleury,

    ainda em 2014, quando coloquei na mesa, nervoso,

    algumas das ideias que tinha para o TCC. Percebendo

    que a minha ansiedade era, na verdade, uma ambio

    de me jogar como nunca em algo que eu acreditava,

    ele me convidou a experimentar uma metodologia

    diferente que ainda no havia sido absorvida

    totalmente pelo curso da FAU. Aps conversar tambm com a professora Daniela Hanns, que sempre

    incentivou o lado empreendedor dos estudantes,

    decidi abraar a proposta. E essa escolha fez toda a

    diferena para o projeto.

    No nosso curso de Design, ao qual sou imensamente

    grato, pouqussimos dos projetos discentes,

    infelizmente, saem do papel dos relatrios finais para acontecer no mundo. Acabamos, em muitos projetos

    acadmicos, com um modelo ou prottipo final, que na verdade sentimos ser apenas um primeiro modelo,

    aquilo que seria o ponto de partida para mais ciclos de

    desenvolvimento, ou ento uma bela imagem que no

    temos certeza se de fato funcionaria ou no.

    Essa maneira de fazer design pode sim ser muito valiosa

    em certos contextos, e a levo com muita confiana para os projetos que me esperam no futuro. Por outro lado,

    acredito que para alguns projetos (que ainda no sei

    ao certo como classificar), a combinao com outras disciplinas e ferramentas, como o desenvolvimento gil,

    pode trazer resultados fantsticos. Foi muito satisfatrio poder ver, desde o comeo, as ideias vivendo no

    mundo real, sendo rabiscadas, arrancadas, comentadas,

    compartilhadas. Um projeto de wayfinding pblico convencional, ou de um aplicativo para incentivar a

    colaborao dentro de uma comunidade, mesmo que

    de altssima qualidade, dificilmente teriam tido outro destino que no uma gaveta, se em nenhum momento

    do seu desenvolvimento prottipos reais tivessem sido colocados para rodar no mundo. Acredito que

    mais alunos do curso, principalmente aqueles de perfil empreendedor, podero usufruir bastante dessa lio.

    Esse processo misto no foi, de forma nenhuma,

    levado com todo o controle, domnio e clareza que eu

    gostaria. Duvidei diversas vezes, quis comear do zero,

    no considero ter sido metdico o suficiente com as mtricas, e a mudana de escopo do TCC1 para o TCC2

    ainda me traz bastante desconforto, pois no aconteceu

    com a fluidez que eu queria. Tambm acredito que a quantidade de energia necessria para colocar o

    projeto no mundo, articular a comunicao e registro

    dos resultados acabou limitando o tempo dedicado ao

    cuidado grfico com os mapas e o painel de modo geral, que ainda esto aqum daquilo que gostaria.

    Mas fui ganhando confiana ao passo que percebi o quanto estava aprendendo com tudo isso, e quando

    comecei a ver o impacto do Mapa Daqui no mundo:

    pessoas de verdade foram atingidas, sorrisos foram

    abertos, conversas foram iniciadas, e esquinas ganharam

    um pouco de vida e ateno. Tambm me aproximei e

    abri canais de dilogo com uma infinidade de pessoas e projetos que antes s admirava de longe.

    No fcil escolher um trabalho para fechar um ciclo de

    6 anos que mudou completamente a minha vida. E seria

    injusto dizer que este projeto representa a totalidade

    dos ideais, experincias e conhecimento que absorvi

    durante todo esse tempo. Mas se pudermos dizer que

    consegui com este projeto utilizar o melhor daquilo que

    aprendi durante estes 6 anos para contribuir com os

    movimentos de retomada dos espaos pblicos, cidades

    para pessoas, mobilidade, e colaborao, mesmo que

    s com um pequeno empurro, abrindo portas para que uma sinalizao de melhor qualidade venha a existir no

    futuro, ou deixando a cidade um pouco mais parecida

    com aquilo que desejamos, tudo ter valido a pena, e o

    projeto ter sido bem-sucedido.

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    MapaDaqui

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    www.mapadaqui.org

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