LUB 33 - envolvidos na elaborao desta obra, ... Os smbolos tm vida ... Uma vida na Maonaria ...

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    06-Feb-2018

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  • LUB 33

  • Histrias Manicas

  • LUB 33

    Histrias ManicasIsrael de Jesus LisboaSebastio Maurcio dos SantosUbaldo Csar Balthasar

    2013

  • Ficha Catalogrfica

  • Este livro dedicado aos familiares dos maons da Aug:. Resp:. Ben:. e Benf:. da Ordem, Loj:. Simb:. Unio Brasileira n 2085.

    s esposas, nossas cunhadas, que mais contribuem com tolerncia e desapego face ausncia de seus consortes nas noites de tera- feira dirigido nosso especial carinho e o reco-nhecimento de seus mritos como fontes impul-sionadoras de nossa fora interior.

  • O mundo talvez no mude, mas voc pode mudar.

  • AgradecimentosNosso especial agradecimento a todos os IIr:. da Loja Unio Bra-sileira que atenderam solicitao do Ven:. M:. Sebastio Mau-rcio dos Santos e esmeraram-se em preparar seus depoimentos para ilustrar este livro inicialmente previsto para a comemora-o dos 30 anos da Loja.

    O M:. I:. Sebastio Maurcio o autor da ideia de se escrever este livro. A ele, nossa maior gratido. Porque revelou-se tam-bm grande colaborador e seu entusiasmo contagiou a todos.

    Aos nossos familiares, com destaque s esposas de cada um dos envolvidos na elaborao desta obra, fica tambm nosso pe-nhor por seu apoio em todos os momentos e por nos terem aju-dado com suas sugestes e incentivo desinteressado e generoso.

  • SumrioApresentao .............................................................................................15Introduo .................................................................................................17

    CAPTULO IOs primrdios da Loja Unio Brasileira n2085 ..................................19

    A fundao .......................................................................................19A histria do Rito Brasileiro ..........................................................21

    Homenagem a Mrio Dezerto da Silva ..................................................27Diplomas e certificados ..................................................................29

    CAPTULO IISobre o rito brasileiro e a maonaria .....................................................31

    A hierarquia dos graus no Rito Brasileiro ....................................31Conflitos a conciliar ........................................................................32Datas festivas no Rito Brasileiro ....................................................32Algumas das perguntas Respostas mais comuns de nefitos e leitores no maons .........................................................................33

    CAPTULO IIIHistrias manicas .................................................................................37

    Os hinos do Rito Brasileiro no gravador pilha .........................37A procura por um templo ..............................................................38ramos doze ................................................................................39A cpsula do tempo .........................................................................41As cadeiras no Templo ....................................................................42O avental histrico de Mestre Instalado .......................................42A criao da APJ Ao Paramanica Juvenil ..........................43A Ordem da Rosa de Saron ............................................................44O Fundo de Beneficncia ...............................................................45

  • CAPTULO IVDepoimentos .............................................................................................47

    Do terrvel ao maravilhoso .............................................................47Tchau no! Vem c! .........................................................................48Trs histrias e uma venerabilidade ..............................................51Como encontrei a Maonaria ........................................................53O Esprito de fraternidade na Loja Unio Brasileira ..................55Os smbolos tm vida ......................................................................56A Iniciao, um marco em minha vida ........................................59Uma Loja de Unio .........................................................................62A Exaltao de um irmo especial ................................................65Famlia e Maonaria ou famlia manica? .................................69Pedra bruta a polir ...........................................................................71Um maom em gestao .................................................................72Como ser mais fraterno e tolerante ...............................................75Uma histria de pescaria ................................................................76Uma vida na Maonaria .................................................................78Obreiro em construo ...................................................................81Uma lembrana do fundo do peito ...............................................85Um novo rumo, a procura e o resgate...........................................87O verdadeiro princpio da Maonaria ..........................................89Um lugar de transformao ...........................................................91Olhar de um Aprendiz ....................................................................92Maonaria o que penso, o que vivo ...........................................93Serenidade e inteligncia ................................................................96Por que me orgulho de ser maom? ..............................................96O segundo nascimento .................................................................100Um convite para evoluo ............................................................102Incidente na Iniciao ...................................................................104Uma Fraternidade Real .................................................................105Uma escola de vida ........................................................................109S pode ser destino! ......................................................................110Uma bela pescaria..........................................................................113

  • Prova de confiana ........................................................................114Viajando juntos e ser do bem .......................................................115

    CAPITULO VO SEGREDO MANICO CAPAZ DE MUDAR O MUNDO ....119

    Entregando a mensagem ..............................................................121Por fim ........................................................................................121Construtores de um mundo melhor ...........................................122

  • ApresentaoPresenciei meu esposo, Israel Lisboa, atravessando madruga-das para concluir este livro. No demonstrava cansao. Recebia energia da fonte inesgotvel que supre aqueles que esto em mo-vimento constante e envoltos num sublime ideal. So como a gua, fonte da vida. Porque a Natureza privilegia o movimento, o trabalho construtivo. O que fica esttico, parado, enfraquece, deteriora-se como a gua estagnada. Mas um rio em movimen-to... Que energia!

    Assim o Israel. Deixa seu esprito fluir. No um reserva-trio esttico, mas um generoso rio em movimento constante.

    Encontre-se com ele e com os cunhados da Loja Unio Bra-sileira atravs de seus escritos neste livro. Depois de ler, nossa vi-so do que seja a Maonaria amplia-se e ilumina-se como se uma janela abrisse para o Sol radiante de uma manh de primavera.

    Voc tem em mos uma preciosa coletnea de relatos ma-nicos. So histrias reais, vividas em face da Loja Manica Unio Brasileira, contadas pelos personagens das situaes descritas.

    Se voc maom, certamente ir emocionar-se com a seme-lhana de alguma situao j vivida em sua Loja.

    Se voc no maom, de duas uma: sendo homem, poder interessar-se em ingressar na companhia de to queridos confi-dentes que se apresentam nessa coletnea; ou, se mulher, de-sejar ter orgulho se j no o tem de que seu consorte use o avental da Ordem Manica.

    Boa leitura! Arizolete de Oliveira Lisboa

    Bacharela em Direito

  • Introduo | 17

    IntroduoSempre desejei ver publicado, um pequeno flash que fosse, da histria da Loja Unio Brasileira. Motivou-me, portanto, a parti-cipar da elaborao deste livro, a determinao do Ir:. Sebastio Maurcio dos Santos quando no cargo de Ven:. M:., em 2010, para que se registrasse em livro a histria de 30 anos da Loja Unio Brasileira n 2085.

    No conseguimos concluir a tarefa no prazo desejado, mal-grado termos na equipe a colaborao de um escritor experiente e nosso grande incentivador, o M;. M;. Ubaldo Csar Balthasar.

    Agora o livro est pronto, porque voc o est lendo. Mas no estamos em 2010. Na verdade, estamos em novembro de 2013.

    Quem sabe a mo oculta do S:.A:.D:.U:. possa ter nos con-duzido deliberadamente para a data do 33 aniversrio da Loja.

    Muitos so os maons que colaboraram. Seus depoimentos, que sero lidos adiante, foram escritos, quase todos, visando a co-memorao dos 30 anos da Loja. Como l se vo 33, alguns depoi-mentos foram adaptados data atual, sem que seu contexto fosse adulterado. A mensagem de cada um dos depoentes foi preservada intacta. E todos mantm uma impressionante unidade de pensa-mento, embora redigidos separadamente e em momentos diversos.

    Ao longo das pginas seguintes voc conhecer os persona-gens e as deliciosas histrias que eles relembram. Leia depoimen-tos corajosos, como o do Ir:. Mauro Oliveira; ria com as estrias fantasmagricas lembradas pelo Ir:. Moacir Marafon; emocione-se com a confisso do Ir:. Comarella e sua coragem em assumir que a lei no pode ser alegada para se deixar de fazer o bem. Considere o convite do Ir:. Mrcio; divirta-se com o susto do Ir:. Ailto; entenda a bronca do Ir:. Ronaldo; conhea o esprito deci-dido do Ir:. Cedrio; entenda os beijos do Ir:. Rui; saiba por que um bode velho como o Ir:. Israel recusou uma linda cabra; e tan-tas outras histrias reais, hilrias, inspiradoras, reconfortantes

  • captulo I | 19

    CAPTULO I

    Os primrdios da Loja Unio Brasileira n2085Israel de Jesus Lisboa

    A fundaoA Augusta e Respeitvel Loja Manica Unio Brasileira 2085 foi fundada em 19 de novembro de 1980, uma quarta-feira. Uma data escolhida a dedo por seu mentor, Mrio Dezerto da Silva, egresso do Rio de Janeiro, onde destacou-se como coronel da Polcia Mi-litar daquele Estado. Em Santa Catarina, residiu inicialmente em Joinville, mudando-se, posteriormente, para Florianpolis. Mora-va em um pequeno apartamento no bairro Kobrasol, em So Jos, cidade vizinha a Florianpolis. Era apaixonado pelo Rito Brasilei-ro. E esse foi o rito adotado pela Loja, fruto de um sonho acalen-tado por aquele que liderou um grupo de maons desprendidos e abnegados para a criao e primeiras reunies da Loja.

    Os fundadores da Loja Unio Brasileira foram Mrio Dezer-to da Silva, da Loja Joaquim Gonalves Ledo, do Rio de Janeiro, Rubens Victor da Silva, Gro-Mestre do GOESC na poca, An-tnio de Lara Ribas, Juclio Costa e Gilbardo de Carvalho Paz de Andrade, da Loja Regenerao Catarinense, Saturnino Eduardo Cardoso e Alcides de Assuno Tavares, da Loja Ordem e Tra-balho, Agostinho Ramos Videira, Alberto Ferreira de Abreu e Eullio Jos Toms, da Loja Lauro Muller e Rui Olmpio de Oli-veira, da Loja Campos Lobo.

    A Loja Unio Brasileira foi desenvolvida por aqueles que seguiram os fundadores na implantao e direo da entidade,

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    desde 1980 at aos dias atuais. A galeria de seus presidentes, a quem denominamos Venervel Mestre, est exposta na sala conhecida como Sala dos Passos Perdidos, logo na entrada do edifcio denominado Templo.

    Dos 23 presidentes que dirigiram a Loja nesses 33 anos, 20 ainda esto conosco, tendo falecido apenas os trs primeiros. So eles, pela ordem de eleio:

    Alberto Ferreira de Abreu + 1980-81, interino; Juclio Costa: + 1981-83; Mrio Dezerto da Silva: + 1983-85-87; Israel de Jesus Lisboa: 1987- 89-91; Joo Jos Victrio Dorigon: 1991-93; Nrio Vicente: 1993-95; Joo Roque Cardoso: 1995-97; Ronaldo Fagundes Monteiro: 1997-99; Ervino Renato Scheidt: 1999-00; Luis Augusto Pereira Martins: 2000-01 Carlos Alfredo Schmidt: 2001-02; Clvis Amaral Jnior: 2002-03; Vitor Jason de Souza Coelho: 2003-04; Guilherme Rodrigues de Lisboa: 2004-05; Daniel Barreto: 2005-06; Luis Cludio Comarella: 2006-07; Antnio Bencz: 2007-08; Itamar Luis de Oliveira: 2008-09; Joo Roberto Wiese: 2009-10; Sebastio Maurcio dos Santos: 2010-11; Juliano Clasen Kremer: 2011-2012; Fernando Zornita Pimentel: 2012-2013, e Ivo Borchardt, atual presidente, que conduz a Loja neste 33 ano, em que as ltimas atualizaes so anotadas nesta obra.

  • captulo I | 21

    A histria do Rito Brasileiro 1822 No dia 17 de junho o GOB Grande Oriente do Bra-sil fundado.

    1864 Em Paris publicada a obra Biblioteca Manica de autoria do maom portugus Ir:. Miguel Antnio Dias. No primeiro volume, pgina 06, constava: ns solicitamos aos OO Lusitano e Brasileiro a fazer um rito novo e inde-pendente que, tendo por base os Graus Simblicos e comuns a todos os ritos, tenha contudo os altos Graus Misteriosos diferentes e nacionais. Esse o fundamento doutrinrio do Rito Brasileiro ainda hoje: graus simblicos comuns a todos os ritos, e altos graus diferentes e nacionais.

    1878 -- Em Recife o IrJos Firmo Xavier cria a Maonaria do Especial Rito Brasileiro. Dois volumes da obras, em peli-ca, encontram-se na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, oferecidos por D. Pedro II. Apresenta a Constituio do Rito e a relao dos primeiros 838 scios. Pretende uma espcie de conciliao entre a Maonaria e a Igreja segundo noticia a Revista Kosmos, ano IV, n 1, de janeiro de 1907. O Rito, como era proposto no poderia prosperar, j que continha irregularidades, tais como: s admitia brasileiros natos (art. 3); colocava-se sob os auspcios do Papa e do Imperador; defendia o catolicismo (art. 4) numa poca em que ainda estava quente a Questo Religiosa com a priso do bispo de Olinda, D. Vital Maria Gonalves de Oliveira, e institua Jos Firmo Xavier o chefe vitalcio (art. 20).

    1914 Nesse ano, em que eclode a primeira Guerra Mundial j havia cinco ritos manicos no Brasil: Escocs, de York, Francs, Schroeder e Adoniramita. Pelo Decreto n 500, de 23 de dezembro de 1914 o general e Ir Lauro Sodr, Gr:. M:. do GOB, institui o Rito Brasileiro. editada uma nova Cons-tituio do Rito e os primeiros rituais so redigidos. Mas o Rito Brasileiro permanece latente at 1940. No obstante, o

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    dia 23 de dezembro comemorado como a data de fundao do Rito Brasileiro de Maons Antigos, Livres e Aceitos.

    1940 Atravs do Ato n 1617, de 03 de agosto de 1940, o Ir:. Rodrigues Neves, ento Gr:. M:. GOB, nomeia sete IIr:. para for-mar o ncleo inicial do Rito Brasileiro. So eles: Antnio de Oli-veira Brito, Otaviano Bastos, lvaro Palmeira, Alexandre Brasil Arajo, Romeu Gibson, Pedro Ramos e Oscar Argollo. S ento so divulgados a Constituio de 1914 e o Ritual de Aprendiz Maom, ainda contendo os bices manicos do patriotismo exagerado no simbolismo, face ao exacerbado clima patriti-co do momento, poca da 2 Guerra Mundial. Destacavam-se: a aclamao Brasil, Ordem e Amor!, a palavra Cruzeiro do Sul, a decorao dos templos em verde-amarelo nas paredes, altares e dossel, e a exigncia de somente admitir brasileiros natos. Como resqucio daquela poca o Rito Brasileiro ainda mantm nos aventais de Mestre Maom o boto verde-amarelo.

    1941 Pelo Ato n 1636, de 06 de fevereiro de 1941, o Ir:. Rodri-gues Neves, ainda Gr:. M:. do GOB, designa a Comisso Regu-larizadora do Rito Brasileiro, assim constituda: presidente, Ota-viano Bastos; membros: Artur Paulino de Souza, Jos Marcello Moreira, Capitulino dos Santos Jnior e Aristides Lopes Vieira. Em 17 de fevereiro de 1941 o Supremo Conclave do Brasil regularmente institudo, mas o Conclave adormece at 1968.

    1950 No dia 12 de abril o GOESC fundado. Hoje se de-nomina-se GOB-SC.

    1963 O Ir:. lvaro Palmeira, antigo componente do ncleo inicial de 1940, eleito Gr:. M:. GOB. Tem incio a reviso doutrinria e a reimplantao do Rito Brasileiro.

    1968 Pelo Decreto n 2080, de 19 de maro de 1968 criada uma comisso de 15 IIr:. para rever a Constituio e colocar o Rito rigorosamente acorde s exigncias manicas de Regu-laridade Internacional, faz-lo de mbito universal, separar o Simbolismo do Filosofismo e constitu-lo em real veculo de re-

  • captulo I | 23

    novao da Ordem, conciliando a Tradio com a Evoluo. Muda a concepo. O Rito brasileiro no por questes patriti-cas, mas pelo aspecto prtico de permitir aos brasileiros praticar a Maonaria segundo sua prpria maneira e cultura. A palavra chave no patriotismo. cultura. Cultura brasileira. O jeito brasileiro, o modo, o rito, embora com toda a observncia do carter universal. Conciliar Tradio com Evoluo, o Nacional com o Universal. manter a fidelidade universal tradio manica do Simbolismo, mas os Altos Graus Filosficos serem formulados sob a influncia do meio histrico e geogrfico da Ptria em que se vive, sob sua ndole, inspirao e pendores. reimplantado o Rito. Em 25.04.1968 fundada a 1 Loja do Rito Brasileiro, a Loja Fraternidade e Civismo, no oriente do Rio de Janeiro. Essa mesma data foi instituda como o Dia Nacional do Rito Brasileiro. fundado o Supremo Conclave do Brasil do Rito Brasileiro de Maons Antigos, Livres e Aceitos. Como sede da administrao do Rito adotada a cidade do Rio de Janeiro/RJ.

    1976 Em 21 de julho publicada a 3 Constituio do Rito Bra-sileiro, que substitui a de 1914, esta que s fora publicada em 1940.

    1980 No dia 19 de novembro ocorre a Fundao da Loja Unio Brasileira n 2085. a implantao do Rito Brasileiro em Santa Catarina.

    1992 Inicia-se a discusso de reforma constitucional do Rito Brasileiro. A Conveno Nacional no Rio de Janeiro vo-tou por grande maioria que o Rito Testa.

    1993 Falece o Ir:. lvaro Palmeira. Ele estruturou o Rito e escreveu todos os rituais, exceo do ritual do Gr:. 33.

    1993 Em 25 de junho ocorrem as primeiras elevaes aos altos graus do Rito Brasileiro em Florianpolis (4 ao 33), nas dependncias do Templo da Loja Unio Brasileira.

    1994 No dia 11 de novembro criado o Sublime Captu-lo 11 de Novembro, em Florianpolis, nas dependncias do Templo da Loja Unio Brasileira.

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    1999 Na data de 13 de agosto ocorre a primeira reunio para a criao do Grande Conselho de Kadosh do Rito Bra-sileiro em Florianpolis.

    2000 No dia 24 de junho, dia do padroeiro dos maons, So Joo Batista, assinada a nova Constituio do Rito Brasilei-ro, vindo a ser publicada em 02 de abril de 2001, e que refor-mava a Constituio de 1976. a Constituio da transio do milnio. Evidencia o carter universal do Rito, permitin-do adaptaes cultura local de cada pas atravs de verso prpria do Regulamento do Rito. Defende a pluralidade de Ritos, incluindo a admisso de irmos de outros ritos nas sesses filosficas do Rito Brasileiro pela simples paridade de graus. Dedica-se ao aperfeioamento dos Maons, con-ciliando Tradio com a Evoluo e adota como atividades: I- o cultivo da Filosofia, Liturgia, Simbologia, Histria e Le-gislao manicas; II- a filantropia, em especial a proteo infncia, na educao da juventude e no amparo velhice; III o incentivo e a prtica do civismo em cada pas; IV- o estu-do de todos os grandes problemas nacionais e internacionais com implicao no futuro da Ptria e da Humanidade, tendo como referncias: a) a prevalncia dos direitos humanos; b) a autodeterminao dos povos; c) a igualdade dos Estados; d) a Justia na distribuio dos fatores de produo e das rique-zas; e) a solidariedade humana; f) a ausncia de preconceitos em qualquer modalidade; g) o Estado-de-direito democrti-co; V- o respeito Natureza, decorrente da convico de que, para preservar o Mistrio da Vida, o homem deve promover medidas capazes de manter a harmonia ambiental.

    2001 Em 13 de novembro criado oficialmente o Grande Con-selho Kadosh Filosfico do Rito Brasileiro em Florianpolis.

    2002 Na data de 12 de fevereiro ocorre a Unificao dos Altos Graus na regio da Grande Florianpolis e Sul, com a criao da Grande Oficina Integrada de Graus Superiores

  • captulo I | 25

    Mrio Dezerto da Silva, exclusividade do Rito Brasileiro, que rene num s corpo a administrao dos graus 4 ao 32, incluindo iniciaes e instrues. Permanecem os Grandes Conselhos Kadosh em Balnerio Cambori e Joinville.

    2008 Em 19 de agosto a atual Constituio do Rito Brasi-leiro reformou a anterior visando cumprir as exigncias de regularidade internacional.

    2010 No dia 05 de maio criado o Sublime Captulo Unio Brasileira n 74, ao qual so associados exclusivamente membros da Loja Unio Brasileira n 2085. Seus fundadores so os maons: Antonio Bencz, Antnio Gouveia de Medei-ros, Carlos Alfredo Schmidt, Clvis Amaral Jnior, Daniel Barreto, Ervino Renato Scheidt, Guilherme Rodrigues de Lisboa, Israel de Jesus Lisboa, Itamar Luiz de Oliveira, Ivo Borchardt, Joo Roberto Wiese, Jorge Ricardo Silva, Jos Ail-to Rosa, Jos Maria Zilli da Silva, Mauro Jos dos Santos, Osny Carmona Garcia, Rodrigo Oliveira, Ruben Luz da Cos-ta, Wagner Sandoval Barbosa e Walmor Backes.

    2011 No dia 13 de maio, pelo Decreto 207, o Soberano Grande Primaz do Rito Brasileiro, Ir:. Nei Inocncio dos San-tos cria a 1DL-SC Delegacia Litrgica da Grande Florian-polis, nomeando seu Delegado o Ir:. Israel de Jesus Lisboa, substitudo 18 meses depois pelo atual Delegado Litrgico, Ir:. Guilherme Rodrigues de Lisboa. E em 25 de outubro o So-berano Grande Primaz do Rito Brasileiro, Ir:. Nei Inocncio dos Santos, visita a Loja Unio Brasileira e o Sublime Captu-lo Unio Brasileira. Na ocasio, declara que resolveu atender o pedido dos IIr:. da Loja e do Sublime Captulo deferindo a Splica de transformao do Sublime Captulo Unio Brasi-leira n 74 em GOIGS Grande Oficina Integrada de Graus Superiores Unio Brasileira. Sua deciso foi aclamada de p por quase uma centena de maons presentes ao ato.

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  • captulo I | 27

    Homenagem a Mrio Dezerto da SilvaIb Silva

    Na comemorao do 33 aniversrio da Loja Unio Brasileira, quero homenagear um de seus fundadores. Conheci o Irmo Mrio Dezerto da Silva em funo de afinidades profissionais. Nos idos de 1981/82 eu chefiava o Setor de Seleo de Pessoal e Incluso na Polcia Militar de Santa Catarina, ento funcionan-do na Rua General Bittencourt, onde hoje est instalada a Odon-toclnica da Corporao, quase em frente ao CEPON.

    Por vezes o Ir. Mrio Dezerto vinha me visitar, aps apresen-tar um candidato ao ingresso no servio policial-militar. Havia chegado do Rio de Janeiro, onde serviu Polcia Militar e passou para a reserva no posto de Coronel. Nasceu em Cambuci, na-quele Estado, em 26 de novembro de 1918.

    Ficvamos conversando sobre temas diversos, principal-mente sobre nossa profisso e sobre a Maonaria. Eu era recm iniciado nos mistrios da Ordem. Figura simptica, de conversa agradvel e grande cultura. Aprendi a admir-lo.

    Sempre que venho Loja Unio Brasileira reverencio o seu nome e o quanto ele contribuiu para o desenvolvimento do Rito Brasileiro em Florianpolis. Segui para outras funes na Polcia Militar e os contatos foram ficando mais raros.

    O Irmo Mrio Dezerto faleceu em 1988, em Niteri/RJ por complicaes ps-operatrias, em funo de uma cirurgia para implantao de ponte de safena.

    Encontrei o seu filho, Mrio Deserto da Silva Jnior, como tcnico do Ministrio Pblico catarinense, atuando na cidade de So Miguel dOeste. Morou no bairro do Kobrasol com a me, at 1996, quando esta veio a falecer vtima de cncer no Hospital Regional de So Jos.

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    Um de meus autores preferidos, Erik Erikson, na sua obra refe-rindo os estgios da vida, apresenta o oitavo estgio, na linha descen-dente da vida, idade avanada, estrutura fsica e orgnica mais frgil.

    Utilizo sempre este contedo em minhas palestras.O autor coloca sempre duas situaes conflitantes, conforme

    a vivncia de cada um durante os perodos de sua existncia. Nesse ltimo estgio, o indivduo se apresenta com um ego

    ntegro, monoltico, forte, inquebrantvel ou desgosto e desespe-ro por ter passado pela vida sem realizaes, sem proveito, sem ter dado a ela um sentido de frutificao, de santificao.

    Chega ao final da existncia tendo aprendido a confiar nas pessoas, a exercer concomitantemente sua liberdade, a criar, a produzir, a viver socialmente uma vida rica e profcua ou, ao contrrio, ter vivido em permanente estado de desconfiana e descrdito dos outros, com vergonha e dvida, vivendo suas cul-pas, sentindo-se inferior ou inferiorizado, sem saber para onde ir ou o que fazer.

    Em cada estgio, Erik Erikson coloca a sntese da identida-de, respondendo pergunta: Quem sou eu? No ltimo estgio, a resposta : Eu sou o que sobrevive de mim.

    O importante chegar ao final da vida, olhar para trs e po-der dizer: valeu a pena. Cada um de ns o que pode realizar e deixar, de si, para os outros. Assim foi com Mrio Dezerto da Silva. Deixou um legado de lies de vida, exemplos de postura, como depositrio da ideologia manica.

    Seu filho manifestou orgulho e admirao pelo pai e por tudo o que ele contribuiu para seu encaminhamento na vida.

    Fica meu agradecimento pelo que o Ir\ Mrio Dezerto tam-bm auxiliou a contribuir para minha melhor compreenso das coisas, das obrigaes que devo cumprir para me realizar como pessoa e pelo que tambm vou poder deixar para as demais pes-soas que convivem ou conviveram comigo. Com certeza, muitos ensinamentos dele sobrevivem em ns.

  • captulo I | 29

    Diplomas e certificadosSegue a relao de alguns diplomas e certificados do Ir Mrio Dezerto da Silva, pertencente ao acervo da famlia, repassados por seu filho, Mrio Dezerto da Silva Jnior.

    Diploma do Gr 3 expedido pela Aug e Resp Loja Ordem e Trabalho II, em nome e sob os auspcios do Grande Oriente do Brasil e do Muito Poderoso e Sublime Grande Captulo do Rito Moderno para o Brasil, em 03 de agosto de 1966;

    Diploma de participao no Seminrio Geral de Mestres Maons, no perodo de agosto a novembro de 1966 e mar-o a junho de 1967, organizado pelo Gro-Mestre Geral, Ir lvaro Palmeira;

    Diploma da Medalha comemorativa ao 45 aniversrio da Aug e Resp Loja Simblica Cruzeiro Fluminense ao Or de So Gonalo, RJ em 15 de novembro de 1970;

    Medalha de Vermeil do Sesquicentenrio de fundao do Grande Oriente do Brasil, concedida pelo Gro-Mestre Ge-ral, Ir Moacyr Arbex Dinamarco, pelo Ato 3514 do Poder Central, em 17 de junho de 1972;

    Diploma de elevao ao Grau de Servidor da Ordem e da Ptria, Gr:. 33, expedido pelo Supremo Conclave do Brasil para o Rito Brasileiro, como membro da Aug e Resp Loja Simblica Monte Castelo, ao Or do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, e membro efetivo da Oficina Chefe do Rito, sendo Soberano Grande Primaz do Rito o Ir Cndido Tei-xeira de Almeida, em 19 de outubro de 1974;

    Ato n 22, de 19 de outubro de 1974, transferindo o Ir M-rio Dezerto da Silva do Quadro de Membros Extranumer-rios para o Quadro de Membros Efetivos do Supremo Con-clave do Brasil do Rito Brasileiro de Maons Antigos, Livres e Aceitos, expedido pelo Soberano Grande Primaz do Rito, o Ir Cndido Teixeira de Almeida;

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    Diploma de elevao ao Grau 31 em 15 de setembro de 1975, expedido pelo Supremo Conselho do Brasil para o Rito Es-cocs Antigo e Aceito, como integrante do Sublime Captulo Cruzeiro Fluminense, sendo Soberano Grande Comendador o Ir Ariovaldo Vulcano, datado de 23 de setembro de 1975;

    Diploma de elevao ao Grau 32 em 16 de novembro de 1976, expedido pelo Supremo Conselho do Brasil para o Rito Escocs Antigo e Aceito, como integrante do Mui Poderoso Consistrio de Prncipes do Real Segredo n 1, sendo Sobe-rano Grande Comendador o Ir Ariovaldo Vulcano, datado de 21 de dezembro de 1976;

    Diploma de elevao ao Grau 33 em 05 de outubro de 1978, expedido pelo Supremo Conselho do Brasil para o Rito Es-cocs Antigo e Aceito, como integrante do Mui Poderoso Consistrio de Prncipes do Real Segredo n 1, sendo Sobe-rano Grande Comendador o Ir Moacyr Arbex Dinamarco, datado de 06 de outubro de 1978;

    Medalha de Destaque Da Maonaria Catarinense, concedi-da pelo Gro-Mestre do Grande Oriente do Estado de Santa Catarina, IrRubens Victor da Silva, pelo Decreto 077/86, de 20 de agosto de 1986.

  • captulo II | 31

    CAPTULO II

    Sobre o rito brasileiro e a maonariaIsrael de Jesus Lisboa

    A hierarquia dos graus no Rito BrasileiroO Rito Brasileiro no um sistema isolado na Maonaria. Cele-bra tratado com um grande corpo da Maonaria Simblica. No Brasil optou pelo GOB para o exerccio dos trs primeiros graus.

    O Supremo Conclave do Brasil tem como Grande Primaz o Sob:. Ir:. Nei Inocncio dos Santos. O Soberano Gro-Mestre da Maonaria do GOB - Grande Oriente do Brasil - o maom Marcos Jos da Silva.

    O Rito Brasileiro contempla uma hierarquia de 33 graus, subdivididos em dois grandes segmentos: Simblico e Filosfico.

    O segmento Simblico, de trs graus, subdivide-se em:

    1 Aprendiz Maom, dedicado ao cultivo da fraternidade hu-mana;

    2 Companheiro Maom, dedicado exaltao do trabalho que dignifica, ou seja, o servio; e

    3 Mestre Maom, dedicado ao desenvolvimento do conceito de renascimento.

    O segmento Filosfico, de 30 graus, compreende os graus:

    4 a 14 Mestria Superior, dedicados ao aprimoramento do carter;15 a 18 Cavalaria, dedicados aos ideais manicos, s virtudes

    e aos valores morais individuais;19 a 30 Missionrio, dedicando-se ao valor social do homem e apri-

    moramento moral, artstico, cientfico, tecnolgico e filosfico;

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    31 e 32 Guardio, no Alto Colgio. Alia cultura e Civismo com o conhecimento dos grandes Mistrios;

    33 Servidor da Ordem, da Ptria e da Humanidade. o Sumo Grau. Realiza a sntese do humanismo manico e zela pelos arcanos do Rito Brasileiro, inclusive quanto aos Grandes Mistrios.

    Conflitos a conciliarO Rito Brasileiro testa. Mas h os que entendem que a rela-

    o do homem com o Ser Supremo assunto ntimo, no deven-do integrar o quadro das confisses obrigatrias de um obreiro maom. A atual gerao confirma, em sua esmagadora maioria que o Rito testa. Afirma a existncia de um nico Ser Criador e a possibilidade de o Supremo Arquiteto do Universo revelar-se a cada um de ns Revelao Divina e de Ele interferir em nossas vidas Providncia Divina. Sendo testas, cabe-nos combater a idolatria e a superstio em contraponto com outras legtimas manifestaes de foras espirituais interiores. Como discernir? um tema difcil e uma tarefa que fica para as novas geraes e repercutir na consolidao dos rituais tanto simbli-cos quanto filosficos do Rito Brasileiro.

    Conciliar a Razo com a F - essa a difcil e nobre misso que deixamos para as novas geraes!

    Datas festivas no Rito Brasileiro19 de maro festeja-se a reimplantao do Supremo Conclave

    do Brasil.25 de abril comemora-se a fundao, no ano de 1968, da primeira

    Loja Simblica do Rito Brasileiro, a Loja Fraternidade e Civismo, do Rio de Janeiro. Essa data tambm considerada o Dia Nacional do Rito, aprovada na Constituio de 1968.

    27.07 a data da implantao e incorporao do Rito ao GOB;23.12 comemora-se a fundao do Rito Brasileiro em 1914.

  • captulo II | 33

    A cor universal do Rito violeta.Os smbolos do Rito so o Estandarte, o Hino e o Braso.

    Algumas das perguntas Respostas mais comuns de nefi-tos e leitores no maons

    O que Maonaria?A Maonaria uma instituio filosfica, filantrpica e educativa. Estuda as leis da natureza bem como as bases da moral e da tica, pugnando pela elevao espiritual e a prtica das virtudes. Defende a liberdade dos indivduos e dos grupos humanos; a igualdade de direitos e obrigaes entre todos sem distino de religio, raa ou nacionalidade, e a fraternidade de todos os fi-lhos do mesmo Criador.

    Por que tanto segredo?A Maonaria no uma entidade secreta. A Loja Unio Brasi-leira n 2085 tem sede na rua Gama Rosa, 36, Trindade, Floria-npolis/SC. Mas tem segredos (toda sociedade tem, at marido e mulher tm segredos entre si!). O nicos segredos que so res-tritos aos que ingressam na Ordem a forma de reconhecimento mtuo em qualquer parte do mundo, assim como o modo de interpretao dos smbolos manicos e os respectivos ensina-mentos neles contidos.

    A Maonaria uma religio? uma instituio filosfica e filantrpica, sem fins lucrativos e os recursos que arrecada se destinam ao bem estar do ser hu-mano indistintamente; busca a verdade com base na razo e na cincia partindo do princpio da imortalidade e da crena em um princpio criador. Seus fins supremos so a busca incessante da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade entre os seres hu-manos. A prtica da disciplina manica aperfeioa o homem, que aprimora a famlia, que melhora a sociedade.

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    Qual o Deus dos maons?A Maonaria no uma religio, mas admite em seu meio to-dos os credos religiosos porque reconhece a existncia de um nico Princpio Criador, que denomina Supremo Arquiteto do Universo.

    Por que a Maonaria s admite homens entre seus associados? Na origem a Maonaria foi composta por pedreiros livres, anti-gos construtores de catedrais e edificaes assemelhadas. Seus princpios bsicos so internacionais. No podemos decidir sozinhos eventuais alteraes que desejarmos nos princpios basilares da Ordem. O tradicionalismo muito forte e uma das tradies a fidelidade origem composta unicamente de homens.

    No obstante, a Loja Unio Brasileira possui um organismo constitudo de mulheres, a Fraternidade Feminina Ordem da Rosa de Saron, integrada pelas esposas e filhas maiores solteiras de seus scios. Ainda mantm outra entidade, composta por jo-vens de ambos os sexos, na idade entre 12 e 21 anos, denomina-da APJ Associao Paramanica Juvenil.

    Qual a origem da Maonaria?Os primeiros documentos em arquivo manico remontam ao sculo XVIII, mais precisamente ao ano de 1724. Quase 300 anos de histria documentada j um bom currculo. O termo maom de origem francesa e traduz-se como pedreiro, porque os primeiros maons eram antigos construtores, membros das corporaes de ofcio. Os materiais e ferramentas da construo civil so facilmente identificados por qualquer pessoa e a Mao-naria os utiliza de forma simblica atualmente, em seu trabalho de construo de um mundo melhor.

  • captulo II | 35

    Por que a Maonaria permanece atuante e qual o objetivo de continuar a existir?

    O homem admitido na Maonaria tem a possibilidade de aperfei-oar-se intelectual, moral e socialmente; de disciplinar-se na pr-tica das virtudes; de encontrar e conviver com afetos fraternais em qualquer lugar, dentro ou fora do pas, e de poder contribuir para a grande obra edificadora da moral da sociedade em que vive, preparando um mundo melhor para as geraes futuras. Esse o ideal manico e coincide com o ideal da civilizao humana.

    O que Loja Manica?O termo engloba dois significados: Loja, como pessoa jurdica, a Loja Unio Brasileira n 2085, pessoa jurdica de direito privado, e Loja, de alojamento, reunio, os maons reunidos.

    O que Templo?Originariamente templum designava a parte visvel do hori-zonte, que os observadores escolhiam para contemplar o cu, ti-rar pressgios. Na concepo manica tem duplo significado: o edifcio dos maons, envolvendo a sala da recepo, da secreta-ria e outros ambientes, e em sentido estrito designa a rea consa-grada da edificao, destinada s reunies formais e ritualsticas dos maons.

    Por que os termos Oriente, Norte e Sul so usados pelos maons?

    O Templo representa o Universo. Simbolicamente o Templo Ma-nico estende-se da terra ao cu, do Norte ao Sul, do Nascente ao Poente. E porque o maom um ser humano, seu templo exterior o planeta terra.

    Como estrutura-se a Maonaria?A Maonaria apresenta uma estrutura administrativa hierrqui-

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    ca: o GOB Grande Oriente do Brasil, ao qual esto subordi-nados os governos estaduais; no caso dos maons catarinenses, o GOB-SC, e a este esto subordinadas as Lojas. H diferena de denominao em outros pases. A Grande Loja da Inglaterra, por exemplo, que tem reconhecimento mundial, inclusive com ramificaes no Brasil. Os trs poderes conhecidos: Poder Exe-cutivo, Poder Legislativo e Poder Judicirio tambm na Maona-ria so independentes e harmnicos entre si.

    Quem so os principais lderes manicos em relao Loja Unio Brasileira n 2085?

    So, atualmente, o Gro-Mestre do GOB, Sob:. Ir:. Marcos Jos da Silva; o Gro-Mestre do GOB-SC, Eminente Ir:. Wagner San-doval Barbosa, e o Venervel Mestre da Loja Unio Brasileira n 2085, o Mestre Inst:. Ivo Borchardt. Todos esses nominados so dirigentes do Poder Executivo Manico.

    H lderes ocultos?Muitos de ns acreditamos em entidades espirituais, tais como os santos, e toda a hierarquia celestial: Anjos, Arcanjos, Prin-cipados, Potestades, Virtudes, Dominaes, Tronos, Querubins, Serafins, Glrias e Espritos Virginais, todos sob a regncia do Supremo Arquiteto do Universo. Mas no um dogma ma-nico. A Maonaria contempla apenas a crena no Supremo Ar-quiteto do Universo e no Esprito Humano, como entidades no carnais. No entanto h o paradoxo de termos como padroeiros dos maons So Joo Batista e So Joo Evangelista, em face de que seus festejos coincidem com as datas dos solstcios de inver-no e de vero.

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    CAPTULO III

    Histrias manicasIsrael de Jesus Lisboa

    Os hinos do Rito Brasileiro no gravador pilhaNos primeiros anos da dcada de 1980, a Loja Unio Brasileira n 2085 no possua o prprio templo para realizar suas sesses. Muitas de nossas reunies foram realizadas no centro da cidade de Florianpolis, inicialmente na Rua dos Ilhus, no edifcio da Aplub, no templo da Loja Ordem e trabalho. L reunamo-nos s teras-feiras, no por escolha, mas porque era o dia em que o templo estava disponvel. Posteriormente passamos a nos re-unir no templo da Loja Regenerao Catarinense, localizado na Rua Vidal Ramos, tambm no centro da Capital catarinense. A mudana forou-nos a alterar o dia das sesses para as quintas-feiras, haja vista que a centenria Loja Regenerao Catarinense rene-se sempre s teras-feiras.

    O retorno das reunies para as teras-feiras tornou-se poss-vel com a construo do templo da FAR Fraternidade da Arte Real, localizado no bairro da Trindade, em Florianpolis e devi-damente equipado para as necessidades ritualsticas das quatro lojas coproprietrias.

    No incio dos anos 80, porm, a maioria dos templos ma-nicos no dispunha de alguns equipamentos, tais como apa-relhagem de som instalada. Acontece que o Rito Brasileiro tem uma peculiaridade: seu ritual, que sempre seguimos risca, exi-ge que sejam entoados os cnticos de abertura e de encerramen-to nas sesses ordinrias e magnas.

    A soluo encontrada pelo saudoso Ir:. Mrio Dezerto da

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    Silva foi providenciar um pequeno gravador pilha, similar a um walkman, onde reproduzia os cnticos gravados em uma fita K-7. Assim tornou-se possvel a todos os membros da Loja aprender a melodia e -- num arremedo de karaok, numa poca em que essa palavra nem era conhecida no Brasil cantvamos no tempo de reproduo da fita. No havia caixas de som ou qualquer recurso de amplificao, de modo que tnhamos que apurar os ouvidos para poder acompanhar a reproduo grava-da. Qual a imagem clssica de um missionrio que ostenta a cruz na mo direita e a Bblia na mo esquerda, assim nossa melhor lembrana da imagem fsica do Irmo Mrio Dezerto na poca em que foi nosso Venervel Mestre: em sua mo direita a mensa-gem representada pelo gravador, e na mo esquerda a lei inscrita no livreto ritualstico.

    A procura por um templo verdade que todos os ritos manicos so bons. Melhor: so timos! Porque treinam a disciplina do esprito. As diferenas de um rito para outro so mais cosmticas do que essenciais. Mas h questes prticas a resolver. Uma delas era a necessidade de som amplificado hoje uma banalidade, mas na poca uma dificuldade. H outras diferenas de posicionamento de ornamentos simblicos no templo manico cujo exame no cabe nesse livro. Por estas e outras razes a Loja Unio Brasileira, a partir de 1985, comeou a sonhar com a construo de seu prprio templo. A iniciao, na Loja, durante a dcada de 80, de profissionais da rea imobiliria como Israel Lisboa, Jos Ailto Rosa, Joo Roque Cardoso e Nrio Vicente s contribuiu para solidificar a idia.

    Em 1987 a Loja chegou a iniciar tratativas para a compra de um terreno no Bairro do Estreito, na Rua Marcelino Simas. O endereo muito prximo de onde, anos mais tarde, passaria a reunir-se a Loja Unio Catarinense, primeira filha da Loja Unio

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    Brasileira. ramos doze irmos associados em Loja e o valor do imvel, traduzido para o preo atual, girava em torno de R$ 40 mil. A Loja no tinha dinheiro em caixa, mas alguns irmos es-tavam dispostos a adiantar o valor. Nascia ali uma ideia fraterna, anos mais tarde renascida sob a denominao de FUCON, um fundo para construo de templos de grande sucesso atualmen-te e bancado por recursos financeiros acumulados no GOB-SC. Durante muitos anos o corretor de imveis Jos Ailto Rosa foi o responsvel pela administrao e aplicao dos recursos do re-ferido Fundo.

    E como iramos pagar aos irmos financiadores? Pagaramos da forma semelhante a que pagamos nossa parte no atual condo-mnio do templo da FAR Fraternidade da Arte Real. Continue lendo e entender que um sonho bem sonhado est realizado pela metade. Aquela primeira aquisio no se concretizou em face de problemas intransponveis colocados pelos vendedores, mas tornou-se a semente da qual germinou e brotou uma rvore de melhor fruto.

    ramos doze Bilogos e engenheiros aeronuticos, ao que parece, esto de acordo que um besouro, por sua constituio fsica e posio das asas, pela lei da aerodinmica estaria impossibilitado de voar. Mas como ningum jamais conseguiu dizer isso ao besouro, ele voa. Da mesma forma, na histrica deciso para a construo do atual templo da FAR, como ningum nos disse que no podera-mos arcar com dos custos de uma construo, ns a custeamos, partindo de um grupo formado inicialmente por doze irmos.

    Passamos anos sem poder ouvir falar do delicioso prato ar-roz de carreteiro, de tanto carreteiro que preparamos, vendemos e comemos para obter verbas para ajudar a cobrir as despesas concernentes nossa cota-parte na construo do templo atual em condomnio com as Augustas e Respeitveis Lojas Simbli-

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    cas Campos Lobo, Lauro Muller e Mncio da Costa. Para refor-ar o caixa apresentvamos aos irmos chamadas extraordin-rias de numerrio, fazendo passar de mo em mo uma sacola de coleta pr-construo que era oferecida generosidade dos irmos a cada sesso.

    Realizvamos ainda as indefectveis rifas disfaradas de ao entre amigos. Lembro que numa tarde, em meu escritrio, recebi um telefonema do Irmo Paulo Alberto Machado Osseyram. Ele era, na poca, gerente de um grande Banco sediado em Florian-polis, exercia o cargo de tesoureiro de nossa Loja e era o encarrega-do de controlar os sorteios das tais aes entre amigos. Quando atendi ao telefone, do outro lado da linha o Irmo Paulo foi direto:

    Irmo Israel, onde que voc quer que eu mande entregar a cabra? De repente lembrei-me que em bem humorada resposta ao fato de que os maons so tambm denominados bodes, eu que comprava e ainda compro tudo quanto me oferecem em prol da beneficncia adquirira alguns bilhetes para mais um sorteio. Poderia ter sido o sorteio de uma bici-cleta. Mas era o de uma cabra.

    Ir:. Paulo, por favor, deixe em algum freezer e futuramente faremos um assado.

    Ir:. Israel, a cabra est viva. A ordem que recebi do Ir:. Walmor Backes foi de entreg-la em teu escritrio. O Irmo Paulo um grande gozador e eu sabia que o Ir:. Walmor Backes, Gro-Mestre Adjunto na poca e superintendente da cons-truo do templo da FAR, jamais daria tal instruo. Mas era verdade que a cabra estava viva. Socorreu-me o grande amigo e maom Walmor Backes enviando o animal para o stio de algum irmo. Nunca mais tive notcias de minha cabra.

    Agora, em novembro de 2013, a administrao da Loja Unio Brasileira estuda a proposta do GOB-SC para construirmos um

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    novo templo s margens da rodovia SC 401, no Norte da Ilha de Santa Catarina. Fala-se at mesmo que poderamos angariar fundos, entre tantas opes, com a realizao da festa que vem se repetindo anualmente com grande sucesso e promovida pelo Irmo Moacir Antnio Marafon juntamente com outros valoro-sos irmos da Loja. Trata-se do j famoso Porco-no-rolete. Pelo menos, nesse projeto, no h o risco de comprarmos o bilhete sorteado de um porco em p

    A cpsula do tempoDeixar uma notcia para as longnquas geraes futuras a respei-to dos construtores do templo onde nos reunimos hoje foi, por deciso unnime, um simptico ato de retribuio aos nobres obreiros. Assim que, sob o Oriente, h uma cpsula concretada nos alicerces do Templo da FAR, contendo o nome dos irmos membros das quatro Lojas Manicas construtoras. Aqueles maons, cujos nomes esto ali inscritos, so os que lanaram as bases da edificao atual. Muitos j no esto mais entre ns, fisicamente. Mas legaram-nos sua obra, seu sonho tornado rea-lidade. Sonho de uma nova era manica e, por extenso, de re-novao e progresso.

    A cpsula concretada permanecer sob o Templo espera das geraes vindouras, como um ensinamento de que se cons-tri hoje o mundo que nossos filhos, netos, bisnetos e tambm seus descendentes vivero depois de ns. Trapaceamos contra a morte e permanecemos vivos na memria das geraes vindou-ras atravs da lembrana perpetuada em nossas boas obras.

    Com inspirao naquela cpsula oculta desejamos que este livro se torne uma outra cpsula do tempo. Esta, aberta para ins-pirar a todos, ante esse novo Brasil que est renascendo e que deve conservar-se unido em torno do sentimento de constante renovao nacional e justia social.

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    As cadeiras no TemploOutra lembrana, esta bastante visvel e palpvel do carinho dos maons por seus pares o fato de que, por ocasio da concluso de nosso templo, cada irmo das lojas coligadas Fraternidade da Arte Real comprou uma das atuais cadeiras que guarnecem o setor consagrado. Anos mais tarde a mesma estratgia foi tam-bm adotada pelo Grande Oriente do Brasil, num chamado s Lojas, para mobiliar o novo templo da sede principal da Ma-onaria. No Templo do GOB, em Braslia, um das cadeiras traz gravado o nome da Loja Unio Brasileira n 2085.

    O avental histrico de Mestre InstaladoEm junho de 1987, tendo sido eleito para presidir a Loja Unio Brasileira, deparei-me com uma questo inesperada. que o Mestre Instalado deve receber um novo avental com os orna-mentos que caracterizam seu ttulo. Acontece que o nico avental de Mestre Instalado disponvel era o usado pelo meu antecessor, o Ir:. Mrio Dezerto da Silva. O mesmo avental j vestira os dois presidentes anteriores, os Mestres Instalados Alberto Ferreira de Abreu e Juclio Costa. Estes no freqentavam mais as nossas reunies. Haviam contribudo desinteressadamente, apenas por amor fraterno, com seu precioso tempo e esforo para sustentar os primeiros passos da nova Loja que surgira e para a qual foram convocados como fundadores. Mas frequentavam suas respec-tivas Lojas-me e vestiam, como de costume, os aventais do seu Rito Escocs.

    O Irmo Mrio Dezerto, em sua infinita generosidade ofe-receu-me o avental da Loja, que ento usava. No sabia ele que eu j contatara antecipadamente nosso Irmo Henk Konik. Este era alfaiate, confeccionava nossos balandraus um arremedo de beca com a qual nos cobrimos em Loja quando no estamos vestidos com traje social e gravata. A pequena alfaiataria do Ir-mo Konik transformou-se, aps sua passagem para o Oriente

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    Eterno, num prspero ateli manico administrado desde en-to por sua filha Dris.

    Nosso alfaiate havia confeccionado, a meu pedido, um novo avental de M:.I:. Dessa forma, ante a inesperada oferta do Ir-mo Mrio, aceitei e imediatamente retribu, entregando-lhe o meu avental, ainda na embalagem. A cerimnia oficial de troca dos aventais deu-se numa sesso magna de Instalao, ritualiza-da para tal fim. O antigo avental, punhos e estola tornaram-se relquias histricas da Loja Unio Brasileira. Anos mais tarde a mesma vestimenta foi usada para revestir meu filho, Guilherme Rodrigues de Lisboa, escolhido para Venervel Mestre, na ceri-mnia em que tive a honra de ter sido o presidente da Comisso Instaladora.

    Naquele ano de 1987 ainda havia poucos Mestres Instalados em Santa Catarina, o que levou o GOB-SC a realizar uma ni-ca sesso em Florianpolis para instalar simultaneamente todos os novos mestres eleitos. Dessa forma, na mesma cerimnia foi tambm instalado o novo Gro-Mestre do GOB-SC, Irmo Elmo Bittencourt.

    inegvel que o fato inusitado de que ns - o novo Gro-Mestre Elmo Bittencourt e o novo Venervel Mestre Israel Lis-boa - por termos sido instalados juntos na mesma cerimnia criamos uma sinergia e uma confiana mtua produtora de bons frutos manicos, dentre eles a criao da APJ em Santa Catari-na, como veremos adiante.

    A criao da APJ Ao Paramanica JuvenilO maom Elmo Bittencourt foi um dos Gro-Mestres que mais se destacou pela simpatia ao Rito Brasileiro e a f no sucesso de nossa Loja. Sucedeu ao Gro-Mestre Rubens Vitor Silva, um dos fundadores da Loja Unio Brasileira. Na mesma sintonia, seus sucessores, os Gro- Mestres Antnio Gouveia de Medeiros, Joo Jos Amorim, Walmor Backes, Ib Silva e o atual, Eminente

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    Irmo Wagner Sandoval Barbosa souberam fraternamente refle-tir o mesmo carinho e proteo ao Rito, Loja Unio Brasileira e somos testemunhas a todas as demais lojas manicas.

    Foi durante o gro-mestrado do Ir:. Elmo Bittencourt, no entanto, que na condio de Venervel Mestre, tive a honra de receb-lo em visita oficial para um crculo de debates em Loja de Aprendiz, visando aprimorar as aes do GOB na jurisdio ca-tarinense. Na ocasio um dos membros da Loja, o Irmo Bene-dito, sugeriu que fosse criada em Santa Catarina, exemplo do que j ocorria em alguns outros Estados da Federao, a Asso-ciao Paramanica Juvenil. Homem de deciso e confiante na Loja Unio Brasileira, o Irmo Elmo Bittencourt imediatamente aceitou a sugesto e ameaou nomear o autor da proposta para o cargo de Preceptor. Ante o declnio da honraria decorada com polidas desculpas, restou nomeado, ali mesmo, o Irmo Vitor Jason de Sousa Coelho como primeiro Preceptor da APJ.

    O maom Vitor Jason e sua esposa Lisbete revelaram-se va-liosos impulsionadores da APJ, transformando-se em grandes credores de nossa gratido.

    Dentre os jovens associados APJ, a jovem Waleska, filha de Lisbete e Vitor Jason, assim como meus filhos, Augusto e Gui-lherme Lisboa, foram iniciados como apejotistas e transforma-ram-se, depois, em Preceptores. Mais tarde, Waleska casou-se com um maom. No foi a nica. Jovens apejotistas tambm ca-saram-se entre si. Guilherme Mestre Instalado na Loja Unio Brasileira e Delegado Litrgico do Rito Brasileiro. Augusto o atual 2 Vigilante em nossa Loja. No Quadro de Obreiros da Loja Unio Brasileira tambm encontram-se outros maons oriun-dos da APJ, tais como os Irmos Alberto Gonalves de Souza Jnior, Leonardo Borchardt e Leonardo Brognoli Lopes e Silva.

    A Ordem da Rosa de SaronAlm da APJ, uma entidade mista integrada por jovens de am-

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    bos os sexos, cujo Ncleo Alfa Cruzeiro do Sul tutelado pela Loja Unio Brasileira, h outra entidade mantida pela Loja, esta eminentemente feminina: a Ordem da Rosa de Saron.

    Composta pelas esposas e filhas de maons, foi criada em 1987, com o objetivo de permitir a incluso manica de nossas cunhadas e sobrinhas.

    A Ordem da Rosa de Saron, ao longo dos anos, tem contri-budo de forma inestimvel para o sucesso das sesses magnas e festivas da Loja, promovendo a melhor recepo de nossos convidados, a incluso das novas cunhadas, belas e emocio-nantes homenagens aos aniversariantes do ms, a organizao de palestras enriquecedoras, o apoio beneficncia e, alm de tantas outras contribuies, a contagiante alegria da presena feminina em nossas sesses abertas e em outros encontros da famlia manica.

    O Fundo de BeneficnciaO apoio s obras caridosas da Ordem da Rosa de Saron tem sido, muitas vezes, subvencionado pela Loja. um hbito dos maons no apenas em nossa Loja, mas em todo o orbe em cada reunio recolher, de forma annima, em prol da beneficncia, alguma quantia em dinheiro, sem valor mnimo estipulado. O montante apurado deve ser usado exclusivamente para auxlio aos necessitados. Se, eventualmente no houver pessoa ou en-tidade indicada para receber o donativo, o resultado da coleta depositado em conta bancria, separada dos valores da Loja.

    Por deciso dos obreiros da Loja Unio Brasileira, o somat-rio dos depsitos oriundos das coletas sem destinao imediata passam a integrar o Fundo de Beneficncia mantido pela Loja, cujas normas para saque so severamente controladas e rigida-mente insculpidas em protocolo detalhado, face sua destinao especfica beneficncia Manica.

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    CAPTULO IV

    Depoimentos

    Do terrvel ao maravilhosoJos Ailto Rosa

    L pelos idos de 1985, fui agraciado com o convite do nosso grande Irmo Israel Lisboa para fazer parte da Maonaria. At ento no tinha conhecimento algum sobre a mesma. Levado um pouco pelo esprito de curiosidade e atendendo ao pedido do nosso irmo, aceitei.

    Comearam os preparativos para a Iniciao. Naquela poca, eram bem mais rpidos os trmites. Apresentei os documentos solicitados, fui sindicado e logo foi marcada a data da iniciao.

    Chegou o to esperado dia! Com muita ansiedade e o cora-o batendo muito forte, cheguei no Edifcio Aplub, na rua dos Ilhus (lembram, o prdio do guarda chuva no centro de Flo-rianpolis ), bem na hora marcada. Dois senhores me espera-vam. Identifiquei-me, em seguida no vi mais nada. Sei que me levaram para o elevador e comeamos a subir. Que eternidade! No chegava mais.

    De repente o elevador parou, a porta se abriu lentamente, fo-ram me conduzindo no sei para onde, tudo era muito estranho. Uma pequena sala, tipo cmara, ficava num mezanino aonde se chegava por uma escada em caracol, a qual tinha uma janela de vidro e se podia ouvir o barulho dos carros passando l em baixo na rua. Ali permaneci por mais de quatro horas, sendo levado para l e para c. Eu j nem podia mais imaginar onde estava, s escutava o barulho dos carros l em baixo. Aquela escada eu

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    j imaginava ter subido e descido umas cinquenta vezes. O tem-po parecia ter parado. Suava frio, sofria com clicas e em vrios momentos deu-me vontade de desistir. Meu maior medo que, pelo barulho dos carros, sentia que estava muito alto e s pensa-va no que poderia me acontecer.

    De repente fui conduzido para dentro da Loja onde comeou a Iniciao. Sei que fiz muitas viagens, j nem tinha mais noo de onde estava. Pouco depois me fizeram subir numa rampa e me pediram que pulasse. A foi o desespero total, o barulho dos carros l embaixo quase me deixava maluco. S sei que me pedi-ram para confiar e pular. Foi o pulo mais longo da minha vida! No chegava mais l embaixo, em cima dos carros, eu pensava! Foi quando senti os ps tocarem o cho e senti-me protegido por amigos que me conduziram pela Loja. Lembro que da para frente foi tudo maravilhoso. Senti que renasci para uma nova vida. Passei a fazer parte desta Loja maravilhosa na qual estou at hoje, comungando com estes irmos fantsticos que engran-decem nossa ordem.

    Tchau no! Vem c! Jorge Ricardo Silva

    Nos idos de 1991, ento como aprendiz, tnhamos a necessidade de termos sete Mestres Maons revestidos de suas insgnias para iniciar os trabalhos da Loja. Como normalmente faltava um, co-locvamo-nos na frente do templo, quando a Loja ento reunia-se na rua Vidal Ramos, no centro de Florianpolis, e esperva-mos at que viesse um Mestre Maom, de qualquer Potncia ou Rito, e conversvamos com ele sobre amenidades e, na hora da despedida, tal Mestre era surpreendido com a convocao para participar dos trabalhos e completar o grupo, recebendo, para

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    revestir-se, um balandrau e o avental especfico e ento realizar-mos a sesso da jovem Loja Unio Brasileira, n 2085, na qual, ainda Aprendiz, fui designado como 1 Dicono. Saudades

    A experincia da IniciaoAlmir Elci Manoel

    Na seo do dia 21 de setembro de 2010, ns, novos Aprendi-zes, fomos desafiados a escrever algo para ser colocado no li-vro comemorativo aos 30 anos de histria de nossa Loja e que concludo s agora, no 33 aniversrio. Fiquei pensando de que forma poderia contribuir para esta histria visto que a seo do dia 21 foi minha primeira dentro da Loja.

    Lembrei-me ento de que uma caminhada sempre tem ini-cio no primeiro passo, e desta forma passo a tentar transmitir meus sentimentos e impresses deste o convite que recebi de meu padrinho Ir Ivo Borchardt at este momento.

    Conheo meu padrinho h aproximadamente vinte e cinco anos, desde a poca em que trabalhvamos juntos, atuando na rea de administrao de condomnios. Aps oito anos juntos continuamos a ter contato profissional com alguns clientes em comum e mantendo nossa amizade.

    Pois bem! Recebi o convite, discuti o assunto no mbito de minha famlia e obtive todo o apoio por parte de minha esposa e filhos. Preenchi o cadastro e fiquei aguardando a sindicncia. Aps a realizao desta, fui informado que meu nome seria sub-metido aprovao ou no. Confesso que fiquei ansioso e aguar-dando uma comunicao de meu padrinho.

    A confirmao veio atravs de telefonema, quando fui infor-mado que a Iniciao se daria do dia 14 de setembro de 2010 e que eu receberia as informaes com relao a horrio, traje etc.

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    E o dia 14 chegou. Foi um dia diferente sob todos os as-pectos.

    Sa para o trabalho, como todos os dias, e no inicio da tarde percebi que estava contando os minutos para a hora marcada, 17h30min. Lembro que cheguei ao Templo por volta das quatro da tarde e me dei conta de que ainda teria que aguardar por uma hora e meia. Resolvi ir at o Shopping e caminhar um pouco. Re-tornei s cinco horas e fiquei aguardando a chegada de algum para me orientar.

    Aps a chegada dos primeiros IIr entrei pelo porto onde me foi dito para aguardar. Neste momento me perguntei o que estaria eu aguardando.

    Fui o primeiro a entrar no Templo, momento em que tudo ficou escuro. Mas, mesmo sem saber o que me aguardava, estava tranquilo. Aquela tranquilidade veio das palavras de meu padri-nho no dia anterior, que me dissera: Fique tranqilo, confie no seu padrinho.

    Ao comear a caminhada totalmente na escurido, algum sussurrou ao ouvido, Fique tranquilo, voc est entre irmos. Mantive meus ouvidos muito atentos. Curiosamente continuava extremamente calmo e sereno.

    Aps descer degraus, sentar-me e ficar aguardando, fui le-vado a um local onde respondi a algumas perguntas. Nesse mo-mento me dei conta que durante todo o trajeto estava pensan-do em toda a minha vida, em todos aqueles que me cercam. Os pensamentos atropelavam-se. E mesmo em completa desordem, que ia desde minha infncia e adolescncia, pais e filhos, esposa, trabalho, ptria, Deus, eles estavam em harmonia. Dei-me con-ta que nunca antes em minha vida tinha refletido tanto sobre tantas coisas em to curto lapso de tempo. Descobri que minha tranquilidade baseava-se na confiana de estar entre irmos, no amor das pessoas que fazem parte de minha vida e, sobretudo, por estar ouvindo meu corao.

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    Todos os outros passos, as perguntas feitas, enfim tudo foi saindo naturalmente e ao final comecei a ver! Senti uma das mais fortes emoes de minha vida ao ter a viso dos irmos, o Templo iluminado. Bem, faltam-me palavras para descrever esse momento.

    O que se deu a seguir em toda a sesso foi algo que nunca havia imaginado.

    Meus irmos, estes foram alguns dos sentimentos que tive durante minha Iniciao, no inicio de uma caminhada de apren-dizado. Espero que este humilde texto possa contribuir de algu-ma forma com a festa dos 33 anos de nossa Loja.

    Trs histrias e uma venerabilidadeCarlos Schmidt

    Instado pelos organizadores deste livro, e com a boa colabora-o do Ir.. Alcides Neves Jnior, resolvi escrever algumas coisas pitorescas e interessantes que lembro sobre a histria da nossa Loja. A primeira ocorreu durante o perodo em que exerci a ve-nerabilidade, sendo um incidente pitoresco bem lembrado pelo mano Cidinho.

    Em uma das trs iniciaes que realizamos, tivemos um can-didato chamado Geraldo. Este, durante a cerimnia de iniciao, quando o Venervel questionou:

    Quem vem l?

    O mesmo respondeu de imediato, sem pestanejar e em voz alta:

    o Geraaaldo!!!

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    Pois a vontade dele em ingressar na Maonaria era tanta, que o ato comoveu a todos pela sua disposio e ao mesmo tempo suscitou inmeras risadas durante a sesso. Essa vai ficar entre as histrias engraadas da Loja e nas boas recordaes, minha e do nosso dedicado Irmo Alcides.

    Outra, ocorrida em outro perodo, tambm merece regis-tro. Durante uma sesso de instruo no grau de companheiro, quando os irmos respondem ao questionamento feito pelo Ve-nervel Mestre, um, ao ser perguntado se tinha visto a Estrela Flamejante e, talvez ainda tomado pela grande emoo que tive-ra pela sua Iniciao, na qual diversos sons so tocados, barulhos estrondeantes e tudo que sempre ouvimos naqueles momentos, saiu-se com essa:

    Sim, eu vi a Estrela Trovejante

    O Irmo Cidinho lembra ainda de outro incidente pitores-co, ocorrido em Loja, na Venerabilidade do Irmo Joo Rober-to Wiese. Estvamos num gape Festivo. E a um determinado cidado, no maom, que por vezes prestava servios nossa fraternidade, foi-lhe solicitado que ajudasse na cozinha. Tudo correu bem, o cidado trabalhou corretamente. Com o gape muito bem servido e j adiantado o horrio, eis que um irmo aproximou-se do profano e perguntou-lhe a que Loja ele perten-cia. Recebeu prontamente a resposta: - Lojas Americanas!

    Gostaria, por outro lado, de destacar e dividir com todos os irmos da Loja, sem distino, alguns fatos administrativos e ou-tros eventos ocorridos durante minha gesto. Todos os irmos ajudaram muito durante a minha venerabilidade a frente da Loja Unio Brasileira, que ocorreu de 10 de junho de 2001 a 10 de junho de 2002. Ficarei para sempre profundamente agradecido, sensibilizado mesmo, do fundo do meu corao, pela fora que me deram no desenvolvimento de inmeras atividades. Sem o en-

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    gajamento dos dedicados irmos e cunhadas, junto tambm dos nossos sobrinhos e sobrinhas, seria impossvel realiz-las. Em es-pecial destaco algumas dessas atividades que transcrevo abaixo:

    dinamizao das atividades da Fraternidade Feminina da Loja;

    inscrio da Loja no cadastro da Receita Federal (CNPJ); abertura de conta bancria com carn de cobrana das men-salidades;

    realizao de diversos cafs beneficentes para entidades fi-lantrpicas;

    viagem Gramado com praticamente todos os membros da Loja.

    Todos esses fatos me marcaram muito e com certeza absolu-ta faro parte definitiva da memria e dos bons momentos que convivemos juntos, tanto em Loja, como viajando ou ajudando outras pessoas menos favorecidas.

    Como encontrei a MaonariaDaniel Sonaglio

    Fui convidado pelo Carlinhos Schmidt num belo dia de sol, quando estava atendendo clientes no ptio do Posto de Combus-tveis onde trabalhava. Como ele era cliente habitual do Posto, nossa amizade nasceu pelo convvio extremamente harmonioso e agradvel com sua pessoa.

    Nesse dia ele chegou e disse que queria me ver na Loja dele. Achei que estivesse recebendo uma proposta de trabalho, apesar de saber que ele trabalhava na Celesc. Quando questionei que loja era, ele calmamente me explicou que era uma Loja Simbli-ca Manica, que era maom e que gostaria que eu tambm fos-

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    se iniciado. Explicou detalhadamente (preciso como sempre!) como era o processo para afiliar um novo irmo.

    Como o que eu conhecia sobre a Maonaria era pouco, pro-curei mais informaes para validar minha deciso. Uma vez de-cidido, providenciei o cadastro e entreguei-o ao meu padrinho. Esperei a visita dos sindicantes, que foram os queridos IIr.. Anto-nio Bencz, Itamar de Oliveira e Fernando Zornitta Pimentel, os quais reforaram minha deciso. Sabia que estava em excelente companhia.

    Chegou o dia da iniciao 30 de maio de 2006! O que me esperava? Alm do meu padrinho, conhecia somente os meus sindicantes. Pontualmente as 18h bat porta do templo confor-me instrues recebidas e de pronto fui bem recebido pelo Ir.. Terrvel! Comeava a vida manica, pelos caminhos da inicia-o e todo seu simbolismo. Foram algumas horas de ansiedade, expectativas, curiosidade e, apesar do desconhecido, a sensao de conforto era grande. Um fato que marcou muito durante a sesso foi a oratria do querido Ir:. Daniel Barreto, Venervel Mestre naquela ocasio. Quando a luz nos foi dada, fomos muito bem acolhidos pelos IIr.. presentes. O Templo estava lotado, foi muito emocionante!

    A partir desse momento tambm conheci meus queridos ma-nos Ubaldo Cesar Balthazar, Moacir Antonio Marafon e Jlio Ce-sar Frainer, dos quais tenho muito orgulho em ser irmo gmeo.

    No ano seguinte tivemos aumento salarial duas vezes, che-gando juntos ao Grau 3. Por motivos profissionais tive que afas-tar-me das atividades da Loja durante um bom perodo, durante o qual senti muita falta do convvio entre os irmos, tanto em Loja quanto no nosso sempre acalorado gape.

    Resumindo, muito bom estar entre irmos! E que venham os prximos 33 anos da Loja Unio Brasileira!

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    O Esprito de fraternidade na Loja Unio BrasileiraEdson P. Ribeiro

    Fazer parte da Maonaria realmente uma honra! Principal-mente quando relembro fatos histricos cujos fundamentos fo-ram dados em Lojas Manicas, quando comeamos a estudar a histria da Arte Real e nos deparamos com figuras ilustres que hoje emprestam seus nomes a ruas, edifcios, monumentos etc., sobretudo em nossa cidade e Estado.

    Alm de espritos honestos e ntegros, a passagem por esta escola de mistrios os fez mais dignos, confiantes, corajosos e intuitivos s necessidades suas, de suas famlias e comunidade. este esprito que nos une e que a simbologia explica. Gota a gota vem ao nosso entendimento e como brisa suave nos esclarece sobre as leis da vida.

    Inicialmente a simbologia nos parece surreal e sem sentido, porm em anlise com os fatos da vida e observao mais apu-rada, podemos perceber que o caminho est escrito. Quem tem olhos para ver que o veja! Olhos para ver, cabea para pensar, corao para sentir, liberdade para agir. Sim, definitivamente somos homens livres e de bons costumes, com humildade para reconhecer os sublimes ensinamentos que h muito foram rece-bidos, testados e eternizados.

    a sabedoria cingindo a cincia, pois muitos assuntos hoje estudados pela cincia h muito esto contidos nos detalhes dos templos da Sublime Ordem. Isto nos faz diferentes, pois esse conhecimento nos traz a responsabilidade do bom uso; alegar ignorncia agora j no cabe. Cavar masmorras aos vcios e er-guer templos s virtudes pode ser comparado a Lei do Carma, Semeadura livre, colheita obrigatria, Lei de Causa e Efeito, Fundamentos da Fsica Quntica, etc.

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    A prtica da Liberdade, Igualdade, Fraternidade no seio do templo, singelos gestos de ateno e cuidado com os IIr, orgu-lho e alegria com o sucesso de qualquer um de nossos IIr, seja na esfera pessoal, quanto profissional, demonstram que o esprito de Fraternidade reina entre os obreiros da Loja Unio Brasileira,

    esse esprito de fraternidade e lealdade, levado com serie-dade, que nos remete a ideia de como somos iguais (na reali-dade todos somos um), e reala dentro de ns o sentimento de Liberdade para agir e criar com Justia e Coragem um mundo melhor!

    A Maonaria nos quer como exemplo a ser seguido. Estude-mos, coloquemos em prtica toda essa riqueza de ensinamen-to que nos dada e seremos homens melhores em um mundo melhor!

    Deixo aqui meus agradecimentos aos que aqui estiveram antes de mim e, que por mais humilde que tenha sido sua con-tribuio, foi fundamental para que a Loja Unio Brasileira seja forte e reconhecida como hoje, sobretudo aos IIrque corajo-samente decidiram fundar o Ilustre e Sublime Capitulo Unio Brasileira, hoje transformado em Grande Oficina Integrada de Graus Superiores e que, pela prpria humildade, no tm noo do bem que fizeram ao Rito Brasileiro e aos que por essa escola hoje passam e futuramente outros passaro.

    A todos os meus IIr s tenho que agradecer pela feliz con-vivncia dos ltimos quatro anos de minha vida.

    Os smbolos tm vidaEmilio Federico Aceval Arriola

    Desde pequeno assistia ao meu pai vestir-se, todas as segundas-feiras, com um terno preto. Numa bolsa guardava um tipo de

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    avental estranho com muitos smbolos. Isso fazia para ir s suas reunies como ele dizia. Sempre fiquei intrigado, interessado sobre aquela vestimenta e aqueles smbolos. Comecei a notar no quarto dele alguns pingentes triangulares com um olho no meio, relgios com o smbolo do esquadro e o compasso e a letra G no meio e alguns livros que falavam sobre Maonaria.

    Com o passar do tempo, aquilo foi ficando comum na mi-nha casa. Fui acostumando-me a tais smbolos, participava com a minha famlia de jantares, almoos num templo muito estra-nho e ao mesmo tempo muito bonito para mim, pela quantidade de smbolos, pinturas, esculturas que havia l. Ficava brincando dentro do templo com os meus primos, como o meu pai me di-zia, de cavalheiros com as espadas que ali encontrvamos detrs das cadeiras da Loja.

    Um dia, um primo descobriu uma escada que levava a uma sala subterrnea na qual as paredes eram todas pretas e onde encontramos um crnio que nos fez sair correndo assustados. Desde a minha infncia, esse mundo de smbolos e fraternidade j se fazia habitual na minha vida.

    O tempo passou assim como a infncia. Na adolescncia in-gressei no Captulo DeMolay, sendo iniciado na cidade de Foz do Iguau. Como no Paraguai no existia ainda um Captulo deste, fomos os primeiros a levar para o nosso pas esta Sublime Ordem, sendo orientados e patrocinados pelos nossos ilustres tios maons.

    Decidi estudar fora do meu pas, escolhendo o lugar onde passaria a fase de desenvolvimento que todos passamos, na ci-dade de Florianpolis deste maravilhoso pas. Ingressei na fa-culdade de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina movido por fome e sede de conhecimento que provinham de inquietaes muito fortes sobre tudo o que concerne ao conhe-cimento essencial e simbologia.

    Segundo Carl Gustav Jung, o smbolo uma forma extrema-mente complexa. Nela se renem opostos numa sntese que vai

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    alm das capacidades de compreenso disponveis no presente e que ainda no pode ser formulada dentro de conceitos. Incons-ciente e consciente aproximam-se. Assim, o smbolo no racio-nal nem irracional, porm as duas coisas ao mesmo tempo. Se de uma parte acessvel razo, de outra parte lhe escapa para vir fazer vibrar cordas ocultas no inconsciente. Um smbolo no traz explicaes; impulsiona para alm de si mesmo na direo de um sentido ainda distante, inapreensvel, obscuramente pres-sentido e que nenhuma palavra de lngua falada poderia expri-mir de maneira satisfatria.

    Em 2007, recebi o convite para ingressar na Benemrita Augusta e Respeitvel Loja Simblica Unio Brasileira n 2085 atravs do meu ilustre padrinho Ir:. Daniel Barreto. A ele sou profundamente grato por ter me proporcionado esta oportuni-dade nica de fazer parte desta Sublime Ordem e desta Magn-fica Loja e poder beber da fonte desta maravilhosa Instituio e de seus Smbolos.

    Fui iniciado no dia 27 de maio de 2008 na venerabilida-de 2007 2008, exercida pelo Ir.: Antonio Bencz. Aquele dia foi especial, pois nasci para o mundo manico e vi a Luz do S.:A.:D.:U.: pela primeira vez com os olhos de um iniciado, um aprendiz que tendo procurado muito, agora o tinha encontrado. Na ocasio no podia faltar aquele que me apresentou a esta Su-blime Ordem desde a minha infncia, o meu pai, Federico Ace-val Paniagua, dia em que, alm de pai, tornou-se o meu Irmo, representando a Aug.: Resp.: Log.: Simb.: Fraternidad n 121 do Vall.: Ciudad del Este Or.: Paraguay.

    Os irmos que fazem parte desta Loja Unio Brasileira no mediram esforos para me acolher como a um novo Ir.: Recebe-ram-me de braos abertos e com um T.:F.:A.: selaram assim o res-peito e carinho que tenho por todos os Obreiros do Quadro da nossa Loja. Eles so a minha segunda famlia, a minha famlia bra-sileira. Tenho orgulho de estar em unio com todos esses irmos.

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    Presto minha homenagem a todos os IIr.: que tornaram rea-lidade esse sonho no dia em que esta Loja foi fundada; a todos os seus primeiros obreiros e a todos os atuais, que se dedicaram e ainda se dedicam de corpo e alma a levantar cada tijolo para que hoje estejamos comemorando os 33 anos desta Sublime Loja Unio Brasileira.

    Os smbolos tm vida. Atuam. Alcanam dimenses que o conhecimento racional no pode atingir. Transmitem intui-es altamente estimulantes prenunciadoras de fenmenos ainda desconhecidos. Mas desde que seu contedo misterioso venha a ser apreendido pelo pensamento lgico, esvaziam-se e morrem.

    Que todos os IIr. da Loja Unio Brasileira n 2085 levem em seus coraes esses valiosos smbolos.

    A Iniciao, um marco em minha vidaEnrique A. M. Medina

    No fim da dcada de 60 foi a primeira vez que ouvi falar em Ma-onaria. Estudava no Liceu Eduardo de La Barra, escola pblica n 1 da cidade de Valparaso, no Chile (era de primeiro e segun-do grau). Essa escola foi o bero de estudos de homens como Pablo Neruda, Salvador Allende e outros grandes polticos com longa atuao no Senado e na Cmara de Deputados, nas Muni-cipalidades e nos campos da sade, tecnologia, letras e cincias sociais e econmicas.

    Acontece que eu fiquei sabendo que meu professor da sex-ta srie do primeiro grau era maom. Descobri atravs da me de um amigo do bairro onde morava. Ela falava da Maonaria como uma organizao oculta, proibida e sinistra. Essa era a for-ma dessa mulher se referir Ordem Manica.

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    Passaram os anos e eu sempre tive dvida acerca do que era essa sociedade to misteriosa, da qual ningum sabia nada e to-dos tratavam de evitar qualquer comentrio ou opinio. Assim foi passando o tempo e eu continuava com a minha dvida e desconhecimento.

    Veio a poca universitria no Chile, onde as preocupaes acadmicas e polticas ocupavam toda a ateno da vida de es-tudante de nvel superior. O golpe militar do Pinochet ocorreu justamente no ano em que terminaria meus estudos universit-rios. Dois anos aps a instalao da ditadura militar, decidi com muita mgoa e sentimento de impotncia ir embora, por no poder fazer nada contra aquela situao, alm do que as possibi-lidades de trabalho, estudo e realizao eram totalmente nulas.

    Decidi refazer minha vida no exterior. Tomando informa-es sobre pases onde poderia ir, escolhi o Brasil, sendo So Paulo a minha grande escola de vida, de aprendizagem profis-sional e onde me senti cidado do mundo. Foi difcil o comeo, como para todo imigrante, mas consegui dar a volta por cima e conquistei meu espao profissional na construo civil, especifi-camente na rea de pr-moldados de grande porte.

    Em So Paulo j tive um pouco mais de contato com a Mao-naria. Conheci muitas pessoas que pertenciam nossa Ordem, mas como eu no era maom, nunca tive a oportunidade de per-guntar ou saber dos mesmos maons aquilo que tanto queria saber desde a minha infncia. Dessa forma, at ali nada tinha avanado em relao aos meus conhecimentos sobre a Ordem Manica.

    Quando cheguei pela primeira vez a Florianpolis, sofri a flechada do amor primeira vista por essa linda cidade. Tomei a deciso de vir morar aqui e a partir de minhas novas ativida-des na cidade tive a grande felicidade de ter amigos maons, os quais contriburam para dar resposta aos meus questionamentos que ficaram adormecidos durante quase a maior parte de minha vida. Com a atividade de restaurante fizemos muitos jantares

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    para grandes mestres do Tribunal de Contas do Estado e da As-sembleia Legislativa do Estado.

    Fiquei sabendo ento que a Maonaria era uma entidade de carter filantrpico e que era mantenedora de vrias obras sociais. Isso foi contribuindo para que o meu conceito sobre a Ordem passasse de uma situao obscura para palavras como solidariedade e fraternidade, assuntos que me chamaram muito a ateno. Procurei durante muitos anos a maneira de ingressar nesse grupo de pessoas misteriosas que faziam o bem para os mais desprotegidos.

    Como nada acontece por acaso, terminando meu mestrado na UFSC, fui convidado para abrir uma faculdade de adminis-trao em Realeza, no Paran. Naquela cidade conheci o Rotary, oportunidade em que me convidaram para afiliar-me. Naquele clube descobri que muitos membros do Rotary eram maons. Continuei pesquisando e tentando algum dia fazer parte desse grupo que cada dia admirava mais, at que certa vez, numa reu-nio festiva do Rotary Club ao qual pertencia aqui em Florian-polis, o meu padrinho, tambm rotariano, Ir Antonio Bencz, me fez o to esperado convite para ingressar na Sublime Ordem. No pensei duas vezes para dizer que sim.

    O dia da minha Iniciao foi uma data que vai ficar marcada pelo resto da minha vida, pois aconteceram trs fatos que jamais sairo da minha memria:

    No dia 27 de maio de 2008 fui iniciado na Maonaria na Loja Unio Brasileira. A cerimnia foi at depois de meia noite e, com a festa e tudo, cheguei em casa aps uma hora da madrugada;

    Estava com passagem marcada para s seis horas da manh de 28 de maio, no Aeroporto de Florianpolis, com conexo em So Paulo para Santiago do Chile s sete horas. Iria ver meu pai que estava hospitalizado com srios problemas de sade. S consegui chegar casa dos meus pais s dez da

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    noite do mesmo dia, mas nesse horrio no podia entrar no hospital. Tive que me resignar a esperar o dia seguinte, mas meia noite e meia ligaram do hospital informando que meu pai tinha falecido.

    No dia 29 de maio mandei um e-mail para minha Loja di-zendo que meu pai falecera e que teria que ficar por algu-mas semanas no Chile e no poderia assistir as reunies seguintes. A resposta a essa mensagem foi o terceiro fato que no vou esquecer nunca. Nosso Ir KiKo, ocupando o cargo de Chanceler, respondeu dando-me as condolncias e dizendo que eu tinha perdido meu pai, mas tambm tinha acabado de ganhar mais de cem irmos que sempre estaro zelando por ti.

    Estes trs fatos, acontecidos de forma sequencial, foram de suma relevncia na minha vida. por esta razo que tenho uma especial gratido a todos os meus irmos pela acolhida e pela amizade que entre ns cultivamos com muito carinho.

    Uma Loja de UnioFernando Antonio Marinho

    Frequento a Augusta e Respeitvel Loja Simblica Unio Brasi-leira desde a poca da Venerabilidade do Ir Antonio Bencz, na condio de visitante por convite do IrJuliano Kremer, quando da nossa identificao como maons, mesmo sendo conhecidos de muitos anos atrs. Nasci e fao parte do Quadro da Augusta e Respeitvel Loja Simblica Zohar n 2948, do Rito Adonhira-mita, que na poca enfrentava dificuldades com a quantidade de obreiros, muitas vezes sem quorum para realizar suas sesses. Minha Loja tambm tinha problemas pela falta de estrutura orga-

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    nizacional e de planejamento, realidade de muitas Lojas jurisdi-cionadas ao GOB e certamente por outras potncias manicas.

    Visitando a Loja Unio Brasileira pela primeira vez, con-fesso que fiquei impressionado e pude sentir o verdadeiro es-prito manico j na recepo na sala do PP, pela calorosa acolhida dos IIr mesmo para um simples Aprendiz de outra Loja. Senti-me valorizado e realmente entre irmos, sentindo a energia que unia os obreiros dessa Augusta Oficina e do be-lssimo Rito Brasileiro. Outra caracterstica que marcou muito foi o nmero expressivo de obreiros, ocupando todos os cargos em Loja de maneira mpar e impecvel, bem como na execu-o perfeita da ritualstica e com um nmero considervel de irmos visitantes.

    Vrios aspectos chamavam-me a ateno. Um deles era a constante apresentao de trabalhos, tanto de Aprendizes como Companheiros e Mestres, sejam eles de instruo, com apresen-taes de irmos de outras lojas, ou do quadro Quem sou eu, no qual o obreiro expunha quem ele era no mundo profano e no mundo manico, falando sobre sua vida, sua famlia, seu trabalho e seus anseios, fazendo com que as sesses se tornassem muito mais interessantes e instrutivas.

    Continuei visitando a Loja como Aprendiz, depois como Companheiro e como Mestre Maom, nas Venerabilidades dos IIr Itamar Oliveira e Joo Roberto Wiese, sempre percebendo que egrgora da Loja se fortalecia com o passar do tempo, justa-mente pelo planejamento e pela correta conduo dos trabalhos. Participei de sesses de Iniciao, Elevao, Exaltao, Banquete Ritualstico e de Instalao de Venervel Mestre, alm de vrias sesses ordinrias que sempre agregavam algum conhecimento para meu crescimento pessoal no mundo manico como tam-bm no mundo profano, mas sempre na condio de visitante, mesmo recebendo inmeros convites dos IIr Juliano Kremer e Joo Wiese para filiar-me Loja.

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    Nesse perodo tive a oportunidade de relacionar-me com v-rios irmos da Loja, seja no campo profissional como no campo pessoal e pude observar que a energia que nos unia no Templo era a mesma que nos unia fora do Templo de maneira atemporal. Para mim, notvel como se estabelece laos de fraternidade que so presentes em minha vida para sempre e que de certa maneira fortalece-me para que eu tenha condies de pensar sempre no polimento da pedra cbica.

    Em 18 de maio de 2010, filiei-me oficialmente Loja Unio Brasileira e desde ento fao parte do Quadro dessa Oficina, bem como da Grande Oficina Integrada de Graus Superiores, que est me proporcionando condies para alcanar avanos na Maona-ria e de ter contato com o ideal manico sob outra perspectiva.

    As caractersticas da Loja realmente exaltam a unio, a igual-dade e a fraternidade, pelo seu exemplo de planejamento e orga-nizao, seja pela qualidade dos obreiros do Quadro, pelo grau de comprometimento e de doao para com as atividades da Loja, ou ainda pela dedicao aos princpios que norteiam a Maona-ria. Fazer parte deste ncleo de fraternidade, onde encontro pos-sibilidades concretas de estudar e de evoluir no pensamento em busca de maior sabedoria e de conseguir desenvolver minhas po-tencialidades, faz sentir-me privilegiado de conviver com irmos to especiais e to presentes na minha vida e na de minha famlia.

    Esses 33 anos de histria so um marco para a histria da Ma-onaria Catarinense e qui da Maonaria Brasileira, pois uma Loja com tantas qualidades, que ao longo do tempo pde evoluir, enfrentando dificuldades como tantas outras, mas persistindo e agregando qualidade ao Quadro de Obreiros, respeitando os ideais manicos na ntegra e preservando sua ritualstica e seus conhecimentos de tantos anos de forma harmnica, torna-se re-ferncia. Parabns aos irmos que contriburam e que ainda con-tribuem para que esse trabalho seja realizado, fazendo da Loja Unio Brasileira o que ela hoje e o que ela ser daqui a mais 33

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    anos. Que o S:.A:.D:.U:. nos ilumine para que possamos avanar na nossa caminhada e que a harmonia, a paz e a concrdia sejam a trplice argamassa com que se liguem as nossas obras.

    A Exaltao de um irmo especialFernando Zornitta Pimentel

    H tempos esperava para relatar essa histria e acredito que so-mente no a tenha escrito antes devido falta de um motivo especial. Eis que surge ento, verdadeiramente, uma excelente oportunidade para por em prtica, ou seja, colocar no papel, esse que a meu ver foi um dos grandes momentos que vivi nos nove anos de convvio na Loja Unio Brasileira.

    Foi a que me vi resgatando os detalhes de uma sesso inesquecvel, que veio ao encontro de um dos preceitos mais importantes impressos em nosso ritual: fazer novos progressos na Maonaria. Contudo, s consegui perceber a dimenso da dificuldade em realizar tal feito quando comecei a escrever a primeira linha deste singelo, porm sincero, relato. Alis, es-crevi e reescrevi vrias vezes desde o dia em que o nosso atual Venervel Mestre, o amoroso irmo Maurcio, lanou a ideia de publicar este livro em comemorao aos 30 anos de funda-o da Loja Unio Brasileira e que se materializa agora no 33 aniversrio.

    Evidentemente que no foi uma tarefa fcil elaborar este de-poimento, pois descrever sentimentos vai muito mais alm do que reproduzir um texto repleto de palavras bonitas ou compli-cadas. preciso criar uma atmosfera carregada de emoes, em uma narrativa capaz de transformar o imaginrio em realidade e que se possa fazer enxergar, mesmo que por poucos instantes, os intuitos de quem abre o seu corao.

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    Quatro anos aps o evento testemunhado, importante di-zer que os pargrafos que se seguem no tm a menor pretenso de convencer o leitor sobre quaisquer fundamentos acerca da vida (ou da morte) nem tampouco estabelecer critrios para se definir o que correto ou no em nossa Instituio. Eles apenas refletem a minha viso pessoal, que acredito ser compatvel com a da maioria dos irmos, se no da totalidade, que participaram deste formidvel acontecimento.

    Sala dos Passos Perdidos, Condomnio da Fraternidade da Arte Real, casa da Augusta e Respeitvel Loja Simblica Unio Brasileira. Comea aqui a nossa aventura, ou melhor, a nossa misso, quando presencio dois ou trs Mestres tra-tando sobre a melhor forma de conduzir a Sesso Magna de Exaltao de um irmo especial

    Cabe fazer um reflexo, pois quem Mestre sabe que a ses-so de colao ao terceiro Grau uma das mais emocionantes e emblemticas da Maonaria Simblica e no por acaso o pice da mesma. Dali em diante, o maom para continuar evoluindo na Sublime Ordem, deve ingressar nos Graus Superiores, ini-ciando uma nova jornada na vida manica.

    Neste momento eu percebi que estaria diante de uma ses-so diferente de todas que eu j participara nos meus poucos anos de Maonaria, pois tratava-se propriamente da Exal-tao ao Grau de Mestre do Respeitvel Irmo Claudomiro Montagnini

    Talvez algumas pessoas possam estranhar o fato de eu es-tar escrevendo sobre a trajetria de um irmo com o qual tive, lamentavelmente, pouco contato. No entanto, a inteno deste relato justamente a de expressar sobre a minha vida e o que

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    eu aprendi com as atitudes do Irmo Montagnini, mesmo no que parecia ser os seus ltimos momentos de permanncia aqui neste plano. Longe de ser um texto melanclico, muito pelo con-trrio, o que pretendo realizar uma celebrao vida. A vida de um irmo que passou por nossa Loja e ali deixou a sua marca, o seu legado e a sua vontade de continuar evoluindo na Ordem. Por isso, peo permisso para continuar.

    claro que a iniciativa de realizar tal sesso ocorreu al-gum tempo antes, por meio do admirvel Irmo Antnio Bencz, o nosso Toninho, pois alm de 1 Vigilante, era o pa-drinho e o mais prximo do mesmo naquele delicado mo-mento. Sabia-se que seria imprescindvel um cuidado espe-cial, por tratar-se de um irmo um tanto quanto debilitado devido ao tratamento de um cncer em estgio avanado. O fato que de imediato o Venervel Mestre a poca, o Ir-mo Luiz Cludio Comarella, dotado de uma sabedoria que lhe bastante peculiar a de lidar com as pessoas no s aceitou a idia, mas passou a planejar a realizao da mesma com alguns Mestres Instalados e outras lideranas da Loja, recebendo o apoio de todos para o cumprimento de to bela homenagem

    Penso que o poder da mente humana algo surpreendente, ca-paz de atingir coisas inimaginveis. Coisas que nem a cincia em determinadas circunstncias conseguiria explicar. Mas e o corpo humano? At onde capaz de chegar? Somente fora de vontade seria capaz de mover um corpo bastante debilitado? Ou seria a so-matria de vrios pensamentos voltados para a mesma finalidade que impulsionaria algum para o alcance de seus objetivos?

    Devo admitir ter, erroneamente, pensado que no seria fcil vivenciar a Lenda de Hiram naquela noite de primavera

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    de 2006. Em todas as iniciaes ou colaes de graus na Ma-onaria, h de se realizar uma cerimnia, e o candidato tem de estar tanto fsica, quanto mentalmente preparado. Lem-bro-me muito bem do Irmo Montagnini chegando Loja para aquela sesso, que, diga-se de passagem, foi ltima de que participou. Corpo franzino, bengala em punho, respira-o cadenciada, mas inacreditavelmente sereno e focado no seu objetivo de tornar-se Mestre Maom da Loja Unio Bra-sileira. Atento a tudo o que acontecia ao seu redor. E como se fosse uma situao visivelmente normal, sob o comando do generoso Irmo Comarella, os Mestres da Loja fizeram com que a egrgora, predominantemente presente em nossa Loja, brilhasse cada vez mais forte, minimizando qualquer dificul-dade que pudesse existir em virtude das condies fsicas do nosso irmo

    Na realidade, meus irmos, este depoimento tem por objeti-vo prestar uma homenagem no s ao Irmo Montagnini, mas especialmente a todos aqueles que participaram desse aconteci-mento, que faz parte da histria recente da Loja, e que de fato me possibilitou vivenciar um momento de intensa fraternidade e dedicao ao prximo. Cumprimos a misso de exaltar ao Grau de Mestre Maom um irmo que no somente merecia, mas, so-bretudo, queria atingir esta condio. Realizamos, quem sabe, um de seus ltimos desejos aqui na terra. Alguns meses depois, coincidentemente em uma tera-feira, aps uma sesso ordin-ria, recebemos a triste notcia que o nosso irmo havia acabado de passar para o oriente eterno. Atravs da assinatura no livro de presenas, com a letra quase que inelegvel devido falta de firmeza nas mos, s vezes eu reflito sobre a sua passagem em nossas vidas, o que me permite extrair algumas lies, dentre as quais eu destaco: vontade de querer mais; evoluir, compartilhar, perseverar; ou simplesmente, conviver com os irmos!

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    Um fraterno abrao do Irmo Fernando Zornitta Pimentel a todos os irmos da Loja Unio Brasileira e em cada um em particular. Parabns, a ns, pelos 33 anos.

    E se fez a glria que tomou conta de todos ao final da-quela sesso.

    Famlia e Maonaria ou famlia manica?Gabriel Mouro Kazapi

    O desafio de escrever sobre uma passagem especfica na A..R..L..S.. Unio Brasileira ou de uma experincia em minha vida ma-nica, me fez passar por um turbilho de ideias e sentimentos, uma vez que a Sublime Instituio envolveu minha vida de uma forma to perene e indelvel que acabo por ter dificuldades em eleger um episdio isolado para aqui narrar.

    Dessa mistura incandescente que permeou minha alma, aca-bei deparando-me com o ttulo deste rascunho. olhos nus, h quase uma certeza de que as expresses cunhadas detm conceitos distintos e facilmente separveis, ex vi de suas particularidades.

    Porm, quando parei para questionar-me, em um processo maiutico, acabei por compreender que as expresses se confun-dem, pois a Instituio Maonaria, quando deixamos que seus conceitos de fato permeiem nossos atos, acaba por se incorporar nossa famlia strictu sensu.

    Para melhor expor meu ponto de vista, discorrerei acerca de duas passagens recentes de minha vida.

    muito comum em Nossa Ordem que os pais indiquem seus filhos Iniciao, como um processo de reconhecimento de sua maturidade como homens livres e de bons costumes, bem como por entenderem que o ambiente que se vive em Loja lhes propor-

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    cionar um aperfeioamento sem fim do carter e das relaes humanas interpessoais.

    Ocorre que, em novembro de 2009, tive a especial ventura de, por intermdio de minha indicao, ver meu pai vislumbrar o alvorecer de um novo horizonte atravs da luz que lhe foi con-cedida em nossa Loja.

    A iniciao manica de um pai por indicao de seu filho acabou, por motivos bvios, chamando a ateno de todos os presentes, bem como marcou aquela sesso magna de Iniciao.

    Nesse momento singelo, apesar das naturais emoes que to-mariam conta do corao de qualquer homem, pude compreen-der o porqu de minha indicao e certeza de que aquele era o lugar certo para levar meu pai.

    Meu pai, expresso carregada de significados de per si, que para mim significa, de forma resumida, meu exemplo de ho-mem. Portanto, naquele novembro, pude presenciar meu mode-lo de bom homem ser integrado ao meu modelo de Instituio. A imbricao desses conceitos me deu a certeza de que devo en-carar a Instituio como minha famlia.

    Outro episdio que gostaria de compartilhar, a fim de expor meu ponto de vista sobre a sinonmia das expresses que com-pem o ttulo, foi ainda mais pessoal.

    Em fevereiro de 2010, fui acometido por um processo infec-cioso que acabou por alastrar-se por meu corpo e instalou-se de maneira insidiosa nos meus pulmes e no meu corao.

    Como diria Nelson Rodrigues, bvio ululante que aquele foi um momento deveras delicado de minha existncia munda-na, pois acabei impotente em um leito de hospital. Na ocasio, o apoio da Instituio, em especial dos irmos do Quadro da Loja Unio Brasileira, a mim e aos meus, foi algo inestimvel.

    Recebi, naqueles mais de 40 dias de internao hospitalar, mais de uma centena de visitas dos irmos e cunhadas, que levavam ener-gia positiva em prol de minha pronta recuperao, bem como oferta-

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    vam tudo o que tinham a sua disposio para a resoluo da molstia que me acometia. O tudo aqui exatamente isso: a completude, os meios fsicos, financeiros e espirituais que se fizessem necessrios.

    Minha esposa, minha filha (tesouro especial para mim) e meus pais, que mais me amparavam naquele momento, relatam que acabaram por serem reforados por um time que embarcou naquela incessante luta, sem qualquer vaidade, despidos da neces-sidade de mrito, com o nico fito de colaborar com um dos seus.

    Recebi no hospital, assim como em minha casa posterior-mente, desde o mais antigo dos Mestres Instalados da Loja ao mais recm iniciado dos Aprendizes. Durante todo o episdio me senti amado por todos os irmos, sendo que como produto desse carinho me senti amparado, numa verdadeira famlia. Fa-lando em famlia, nesse caso minha famlia tambm restou am-parada pela Instituio Manica.

    Dessas breves palavras, gostaria que restasse ao leitor cuida-doso deste livro comemorativo, no o simples relato, mas sim o meu mais profundo e sincero agradecimento aos milhes de irmos espalhados pela superfcie da Terra por cultivarem os princpios milenares da Sublime Instituio.

    Em corolrio, digo que tenho a certeza de que entreguei em confiana o homem que me moldou nossa Ordem, bem como nossa Ordem entregou-me o conforto necessrio no momento de maior necessidade, transformando, para mim, todos os seus membros em parte da minha famlia!

    Pedra bruta a polirGiani Lee Geremias

    A Maonaria proporciona-me a oportunidade de rever e desen-volver conceitos com relao ao comportamento do ser humano.

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    Entendo que temos vrios desafios durante nossa rotina diria no mundo profano, como vencer nossas paixes, submeter nossas von-tades, cavar masmorras aos vcios e levantar templos s virtudes.

    Se conseguirmos realizar estas premissas bsicas da Mao-naria, podemos transformar o nosso comportamento perante a sociedade. Lembro que temos uma eterna pedra bruta dentro de ns e trabalhamos incessantemente para poli-la.

    Alm do que j foi citado, temos um timo convvio com os irmos da Loja Unio Brasileira e isso tambm pode ser aprovei-tado para o nosso dia a dia.

    Um maom em gestaoIsrael de Jesus Lisboa

    No ano de 1981, recm formado em Direito, resolvi conciliar minha profisso de corretor de imveis, que exercia desde 1969, com a atividade jurdica. Estabeleci, ento, meu escritrio de consultoria de negcios imobilirios na Rua dos Ilhus, n 10, na galeria do edifcio Adolfo Zigelli, no centro de Florianpo-lis, numa loja que adquirira recentemente da Construtora A. Gonzaga S.A, minha antiga empregadora. Naquela empresa j ouvira seu presidente, Admar Gonzaga -- de quem me tornei tambm amigo e elegi um de meus modelos profissionais fa-lar sobre um de seus filhos que era mdico no Rio de Janeiro, Augusto Gonzaga.

    Em meu escritrio passei a receber antigos clientes e a fazer novos. Tambm fazia parceira de negcios com alguns correto-res autnomos dentre eles o amigo Joo Roque Cardoso - e aconselhava outros. Nessa poca ainda me envolvia com a ad-ministrao do Conselho Regional de Corretores de Imveis, do qual fui fundador, tesoureiro e posteriormente secretrio. Den-

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    tre os conselheiros do CRECI/SC havia um, Saturnino Eduar-do Cardoso, que aproximou-se de mim e de meu escritrio de forma especial. Ele gostava de visitar-me ao final da tarde para conversarmos. Chegou mesmo a tomar a liberdade de trazer uma garrafa de vinho que guardava na geladeira de minha sala. Concedi-lhe a liberalidade e ele passava em meu escritrio para beber uma taa, sempre que podia, s escondidas da famlia, e renovava a garrafa minha revelia. Chamou-me ateno, no en-tanto, o fato de que certo dia da semana Saturnino Cardoso veio ao meu escritrio trajando um elegante smoking. Eu logo quis saber que festa black tie era aquela e por qu ele no me convi-dara. Meu amigo desconversou, disse ser uma festa de um grupo ao qual um dia me apresentaria, bebeu sua taa e saiu.

    Algumas semanas se passaram. Certo dia, ao final do expe-diente, Saturnino apareceu e convidou-me para comermos uma pizza num dos bares da Avenida Beira Mar Norte, que costeia o centro de Floripa. Aceitei. Durante todo o tempo meu amigo no disse uma palavra sobre a tal festa a que fora em traje de gala. Nem eu arrisquei-me a perguntar. Ao final do jantar, no entanto, perguntou-me se eu j ouvira falar em Maonaria e se tinha alguma opinio formada sobre tal assunto. Respondi-lhe que no sabia praticamente nada, exceto que ouvira falar que se tratava de uma sociedade fechada de apoio mtuo. Meu amigo deu-se por satisfeito e disse-me que poderia levar-me algum ma-terial de leitura sobre o tema. Concordei.

    Dias aps Saturnino retornava ao meu escritrio. Dessa vez trazia um envelope contendo um questionrio manico e um texto explicativo sobre Maonaria. Senti-me honrado ao saber que meu amigo era maom e orgulhoso por receber o convite. Dias depois devolvi-lhe o material com o questionrio preen-chido e assinado. Saturnino voltou poucas vezes ao meu escrit-rio. Adoecera. Visitei-o em sua casa. Recebeu-me no que viria a ser seu leito de morte pouco tempo depois. Brincou que sentia

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    saudades daquilo que guardava na geladeira de meu escritrio. Trocamos um sorriso de cumplicidade e os familiares presentes no entenderam. Com o falecimento de meu amigo dei por can-celado meu ingresso na Maonaria.

    Dois anos transcorreram. Nessa poca eu j era pai de dois garotos: Guilherme Rodrigues de Lisboa, nascido em 1978 e Augusto Rodrigues de Lisboa, nascido em 1981. Em maio de 1983 vendi meu escritrio e adquiri uma imobiliria sediada no Estreito, um bairro de Floripa, localizado na rea continental. Antnio Imveis era uma grande corretora e administradora predial cujo proprietrio encontrava-se endividado e com uma doena incurvel, mantida em segredo. Assumi o negcio com as dvidas, a equipe de funcionrios e de corretores e os contra-tos de corretagem e administrao e criei a empresa Predial Lis-boa Ltda. Jos Maria Zilli da Silva era um dos gerentes de vendas e Jos Ailto Rosa um dos corretores.

    No segundo semestre de 1983 fui procurado em meu gabi-nete na Predial Lisboa Ltda. por um senhor que se apresentou secretria como coronel PM reformado. Era o maom Mrio Dezerto da Silva, que acabara de ser eleito Venervel Mestre da Loja Unio Brasileira e estava organizando a entidade. Explicou-me que encontrara em uma das gavetas o meu requerimento e desejava saber se eu ainda mantinha interesse em ser admitido. Apesar do grande lapso temporal fiquei encantado com o inte-resse daquele maom em dar continuidade ao projeto de meu falecido amigo. Reconfirmei o aceite em homenagem a ambos.

    Em 21 de abril de 1984 via-me iniciado maom com dois padrinhos: Mrio Dezerto da Silva, que me adotara e Saturnino Eduardo Cardoso, in memoriam. E iniciado na companhia tambm de dois outros nefitos: Joo Jos Victrio Dorigon e Roberto Zierm. Dentre os maons presentes nas primeiras ses-ses de que participei encontrava-se um antigo colega da Facul-dade de Direito: Antnio Gouveia de Medeiros.

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    Na Maonaria encontrei meu renascimento e fundei novas e valiosas amizades. Os nomes de alguns desses amigos esto grafados ao longo deste livro e outros so autores de valiosos depoimentos aqui inseridos.

    Nessas trs dcadas de convvio na Ordem vi abrir-se diante de mim um novo mundo espiritual, social, familiar e profissio-nal. Entendi como tantos humanos puderam encontrar nesta vida novas dimenses com as quais sonharam e tornaram reais. Compreendi, afinal, que se o mundo redondo, a vida um cr-culo. E no fim do crculo est o incio. O tempo passa 33 anos se vo. E tudo recomea, tudo renasce.

    Como ser mais fraterno e toleranteIvan Robson Flores

    Para aqueles que procuram uma leitura dessa ordem, porque pretendem conhecer, intimamente, a Histria da Loja Unio Brasileira e de seus membros. Nada melhor para conhec-la do que de forma fragmentada no depoimento de cada um dos participantes dessa Augusta Loja e reunidos nesse livro com a participao de todos.Pois bem! Recebi um convite de meu con-sogro Jos Ailto Rosa para ser iniciadp na Ordem, convite esse feito sem muita orientao, alm das mnimas obrigatrias para um nefito, que de pronto aceitei e aguardei por todos aqueles procedimentos que antecipam a Iniciao, o que aconteceu em 26 de outubro de 2004. A Elevao ocorreu em 04 de outubro de 2005 e a Exaltao em 25 de abril de 2006. Os Graus Filosficos estou fazendo conforme a vida me permite. Com a ajuda de to-dos e do Supremo Arquiteto do Universo, conseguirei.

    Tenho um afilhado, que correspondeu plenamente s mi-nhas expectativas, o meu querido Marcelo Bohrer. O meu filho

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    de sangue Davi Robson Flores foi iniciado no Rito York pelo Eminente Irmo Ib Silva, perdendo eu de inici-lo na Loja Unio Brasileira e no Rito Brasileiro. O mais importante que a convi-vncia com todos, em Loja e fora dela, faz a diferena, pois revi meus conceitos em relao sociedade, religio e famlia, tornando-me um homem mais fraterno, mais tolerante e menos agressivo, vivendo melhor com minha conscincia.

    As confraternizaes manicas tambm mostram o lado mais descontrado de todos, pois surgem os verdadeiros gour-mets, os humoristas, os bons de garfo (que comem bem), os mais novos aproveitando o momento para conversar com os mais velhos e aprender, pensando que os mais velhos tambm no aprendem. Enfim, estar participando da comemorao dos 33 anos de Loja Unio Brasileira uma emoo indescritvel. Que o Supremo Arquiteto do Universo me permita passar para o Oriente Eterno como um verdadeiro maom.

    Uma histria de pescariaIvo Borchardt

    Os Irmos Carlos Tadeu Tavares (Grandes Lojas), Jos Carlos Toro (Perfeio de Bigua) e eu resolvemos fazer uma viajem para pescar no Mato Grosso do Sul. Para a empreitada convi-damos tambm Geraldo Gregrio Jernimo, na poca profano. Decidida a data (agosto de 2001), comeamos a preparar o tra-jeto. Todos ho de convir que o melhor da pescaria a prepa-rao. E com essa no foi diferente. Sairamos meia noite, em direo a Curitiba, norte do Paran, Sul de So Paulo e Mato Grosso do Sul. A primeira parada foi programada no Mato Grosso do Sul, na cidade de Salobra, depois em Miranda e por ltimo Corumb.

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    Combinou-se, que no haveria outras paradas, exceto aque-las necessrias para refeio e esticar as pernas, bem como, al-guns cafs convenientes. O volante seria revezado a cada duas horas, vez que assim ningum se cansaria, ficando acordados o piloto e co-piloto e os demais poderiam relaxar. A viagem foi, de fato, uma tranquilidade s, tirando o fato do ento profano Ge-raldo j demonstrar seus dotes de s no volante, vez que apesar de sua segurana, quando ele dirigia o ponteiro no baixava dos trs dgitos

    Tivemos um inconveniente no norte do Paran, quando nos perdemos e fomos parar na porta de uma usina de acar, onde gentilmente fomos recebidos pelos guardas de armas em pu-nho e nos convidando para dar meia volta imediatamente, de preferncia sem olhar para trs. Porm, tudo festa. Seguimos o rumo e sabamos que estvamos para chegar na primeira parada da pescaria, em Salobra. Os mapas e o horrio assim indicavam.

    Os marcos de estrada anteriormente indicados declinavam que aps a passagem de uma ponte estreita de madeira, ao lado direito, encontrar-se-ia a pousada de pescadores a pousada da Cida. Enfim, passamos a ponte e quem se encontrava no volan-te era o hoje Irmo Geraldo Gregrio Jernimo. Obviamente, pela sua disposio no volante, passou direto da entrada. Porm, verificamos logo o erro, passados apenas uns duzentos metros. E assim, constatado, decidiu, o Geraldo, dar a meia volta. Entre-tanto, as estradas, ao menos naquela poca, apesar de asfaltadas no tinham nenhum acostamento. Assim, a volta pretendida no foi possvel fazer em um nico movimento, implicando na necessidade de engatar a marcha r, para completar o retorno.

    E quem disse que o Geraldo achava a marcha r? No queria engatar de nenhuma forma. E, nesse instante vem na estrada um enorme caminho, carregado de madeira. O Irmo Tadeu, preo-cupado, desceu imediatamente da camionete, acenando para que o veculo parasse. Efetivamente parou. Agora imaginem,

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    no meio da mata daquele Estado, uma camionete parada atra-vessada no meio da estrada, e ainda com algum pedindo para que o caminho parasse. At hoje no sabemos o que o coitado do motorista do caminho pensou, uma vez que ele no abriu a porta de seu veculo. Depois de alguma insistncia, finalmente o Geraldo conseguiu engatar a marcha r e conseguimos fazer o retorno e entrar, adiante, na pousada da Cida.

    Aps meditar sobre o ocorrido, chegamos a concluso bvia que nos deve servir de lio: jamais poderamos ter confiado o nosso destino a um profano.

    Face ao episdio, a lio em tom de brincadeira resultou em bom fruto porque pouco tempo depois nosso companheiro de pescaria, Geraldo Gregrio tornou-se um dos valorosos maons da Loja Unio Brasileira.

    Uma vida na MaonariaJoo Roberto Wiese

    Fui convidado para iniciar em nossa Sublime Ordem pelo meu padrinho Jos Ailto Rosa, de quem sou amigo h mais de 50 anos. Somos conterrneos da mesma cidade: Ituporanga.

    Minha sindicncia foi realizada pelo nosso Irmo Mestre Instalado Carlos Alfredo Schmidt, juntamente com sua esposa e duas filhas. Minha sindicncia foi esclarecedora e tive a confir-mao de que estaria pronto para iniciar nessa Instituio.

    No dia 01 de Setembro de 2001 fui iniciado nos Augustos Mistrios. O Venervel Mestre da Loja Unio Brasileira era o meu sindicante, Irmo Carlos Alfredo Schmidt. Minha Inicia-o foi marcante, loja cheia, os irmos mostrando a forte egr-gora que une nossa Loja. Nesta Loja pude me fortalecer como homem e como ser humano. Enalteci minhas virtudes e aprendi

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    a cavar masmorras aos meus vcios. Procurei desbastar minha pedra bruta. Vivenciei o sentido exato da palavra fraternidade.

    No dia 29 de Outubro de 2002 fui elevado ao Grau de Com-panheiro Maom, na venerabilidade do Irmo Clvis Amaral Jnior, novamente um momento extremamente especial em minha vida.

    No dia 29 de Abril de 2003 fui exaltado ao Grau de Mestre Maom, ainda na venerabilidade do Irmo Clvis Amaral Jnior.

    A partir desse momento aprendi a crescer dentro desta Ins-tituio. Freqentei o Sublime Captulo 11 de Novembro, depois transformado em Grande Oficina Integrada de Graus Superio-res, na nsia de aprofundar meus conhecimentos e fazer novos progressos na Maonaria, onde cheguei ao Grau 18 Cavaleiro Rosa-Cruz. Depois iniciei no Grande Conselho desta ordem, indo do Grau 19 ao 30 e recebendo na sequncia os Graus 31 e 32 de Guardio no Alto Colgio. Hoje sou Servidor da Ordem, da Ptria e da Humanidade, Grau 33.

    Vivenciei dentro da Loja Unio Brasileira, momentos indes-critveis e especiais. Aprendi a conhecer os irmos com nossos trabalhos Quem sou Eu onde apresentvamos quem somos no mundo fora dos templos bem como no mundo manico. Cresci em conhecimentos com as palestras proferidas por vrios irmos dotados de grande sabedoria.

    Tive tambm momentos muito emocionantes, como quando da homenagem prestada minha esposa Ftima pelo Irmo Car-los Schmidt, Venervel da Loja na poca, em virtude dela sempre frequentar a Loja mesmo estando seis meses em uma cadeira de rodas, em consequncia de um acidente automobilstico.

    Outro momento tambm muito especial foi quando de uma homenagem que meu filho Joo Roberto Jnior prestou aos pais, em especial ao seu pai, convidado pela Presidente da Fraterni-dade Feminina, a cunhada Marli Bencz. Naquele dia tive que chorar, e muito.

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    Em novembro de 2005 vivi outra grande alegria, a de ser padrinho na Iniciao de meu filho Fbio Medeiros Wiese. Ele ingressou em nossa Sublime Ordem.

    Porm o pice de minha vida manica se deu quando assumi o Trono de Salomo e constatei a Loja repleta de irmos, cunhadas, sobrinhos, sobrinhas e convidados. Tivemos dificuldade em alojar tantas pessoas. Foi uma emoo sem tamanho. Fui Instalado com muita honra pelo nosso Gro-Mestre poca, Eminente Irmo Ib Silva. Desfrutei tambm o prazer de ter em minha Comisso Instaladora a participao efetiva dos valorosos Irmos e Mestres Instalados Israel de Jesus Lisboa e Carlos Alfredo Schmidt.

    Todas essas conquistas que obtive no mundo manico de-vem-se nica e exclusivamente ao apoio incessante que recebi dos membros dessa Augusta e Respeitvel Loja Simblica.

    Outro grande orgulho que senti nesse Sagrado Templo Ma-nico foi o fato de ter sido o Presidente da Comisso Instalado-ra de meu afilhado e cunhado de sangue, Sebastio Maurcio dos Santos, o Venervel Mestre de nossa Loja e proponente da ideia de se escrever este livro em comemorao aos 30 anos da Loja Unio Brasileira e que concretiza-se agora no 33 aniversrio.

    Pude conduzi-lo ao Trono de Salomo com o mesmo or-gulho que alguns anos atrs, esse cunhado conduziu sua irm, minha esposa, a tambm um Altar Sagrado, para que nos uns-semos em matrimnio.

    Espero ter podido retribuir essa grande emoo conduzindo-o ao Trono de Salomo.

    Tenho grande orgulho em pertencer ao Quadro de Obreiros da Loja Unio Brasileira, pois essa Loja demonstra o grande po-tencial de seus obreiros, vivenciando fielmente os preceitos que norteiam nossa Instituio. Nossa Loja forte, pois os membros que a compem so fortes. Fortes nos ensinamentos que apren-demos e propagamos a todos os irmos. Fortes nos laos que nos unem, pois vivenciamos intensamente a fraternidade.

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    h quo bom e suave que os irmos vivam em Unio este verdadeiramente nosso Lema.

    Esses 33 anos que estamos comemorando devero ser um marco para a Maonaria Catarinense, pois evolumos com o passar dos anos e fortalecemos os laos que unem nossos obrei-ros. Nosso Quadro repleto de grandes homens. Homens que lutam pelos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

    Parabns Loja Unio Brasileira por esses 33 anos de Maonaria.

    Obreiro em construoLeonardo Brognolli

    O derradeiro ano do milnio que se encerrou foi marcante a mim em um aspecto. Aos 16 anos, pela primeira vez, as portas do Templo se abriram diante de meus olhos. Um mundo novo e completamente desconhecido se descortinou. Trata-se de meu ingresso na Ao Paramanica juvenil do Grande Oriente do Brasil, como membro do Ncleo Alfa Cruzeiro do Sul, mantido pela Loja Simblica Unio Brasileira II.

    Algo que tinha conhecimento somente pelos livros escolares de Histria, e de uma forma quase secundria para no dizer despercebida, passou ao meu cotidiano no auge da juventude. Convidado por um grande amigo dos tempos de colgio, Leo-nardo Borchardt, resolvi aceitar o convite e participar das reu-nies desse grupo aos sbados tarde. No sem antes passar por uma entrevista de outros membros do Ncleo apejotista e por uma cerimnia de ingresso muito marcante.

    Sem qualquer parentesco com a milenar Ordem Manica, passei a integrar essa grande famlia, onde o tratamento aos no-vos colegas era por primos, tios, tias o que me despertou certa curiosidade. Por que essa distino? Mais tarde vim a entender

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    que a resposta encontrava-se justamente em um dos pilares que sustenta a Maonaria Universal, a Fraternidade. O Templo, de-nominado pelos apejotistas de Sala Arqutipa um captulo a parte, por todos os smbolos, dos quais muitos ainda no deci-frei, por sua arquitetura peculiar e o respeito devoto de quem o frequenta, mostrava-me claramente que no se tratava de um lugar qualquer.

    Confesso que demorei a compreender a importncia desse grupo e a interferncia que teria nas minhas escolhas dali pra diante. Mas o certo que as pessoas que frequentavam eram agradveis, interessantes, jovens de esprito sadio; bem como os chamados tios, por quem aprendi a admir-los e utiliz-los como espelho de conduta. Aos poucos fui familiarizando-me, com essas reunies de sbado, a busc-las para meu engrande-cimento. Aumentaram tambm as afinidades com os membros do grupo, e foi como encontrei meu espao e algumas formas de contribuir.

    O passar do tempo me proporcionou as amizades das quais tenho imenso orgulho de nutri-las at hoje. Vieram tambm as responsabilidades, inclusive com os cargos desenvolvidos com muito zelo, onde absorvi aprendizados especficos e enriquece-dores ao meu carter. Ocorreram os Encontros Nacionais que de-monstraram a amplitude de nossa organizao, com primos espa-lhados por todo o pas, bem como pude perceber o quo grande a famlia manica e o Grande Oriente do Brasil, imbudos do mesmo esprito apejotista que nesse tempo eu j havia adquirido.

    Os amigos, simplesmente posso trat-los como os verdadei-ros. a APJ me trouxe as referncias com que pude partilhar as incertezas da transio da juventude para a vida adulta. o G7, como era lembrada determinada diretoria do Ncleo Alfa Cru-zeiro do Sul, marcou uma era na APJ e ficou conhecido nacio-nalmente pelos apejotistas desse perodo. Laka, Borchardt, Al-berto, Eduardo Lisboa, Collao, Edson e eu imprimimos nosso

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    ritmo e perspectiva ao Ncleo, bem como debruamo-nos em discusses importantes para as causas apejotistas em nvel na-cional. Desses, tenho amigos de conversa fiada, colegas de traba-lho, confidentes e conselheiros.

    Ficou para mim o modelo de excelncia do trabalho em equipe. Um grupo altamente dedicado, que no media esforos para motivar todos sua volta, Quantas foram as madrugadas de preparao, para os trabalhos em sesso? Quantos sbados chegvamos FAR pela manh, sendo que nosso compromis-so oficial era somente s 18h? Quantas discusses infindveis? Isso tudo refletia o empenho e o valor que cada um deu a esse marcante momento. No sem contar com a experincia dos que antes passaram pelo Ncleo, e ainda mais com a colaborao daqueles que de certa forma se espelhavam em nosso trabalho.

    Os cargos, desempenhei-os com afinco e aprendi o que me caracterstico nos dias atuais, sendo eles: Porta-bandeira, Mestre de Cerimnias (Arauto), Secretrio (Escriba) e Presidente (Duc-tor). Cada um apresentou-me uma perspectiva de trabalho no Ncleo, onde recebi lies de liturgia cerimonial e a importncia de execut-la com retido e corretamente, o louvor aos smbolos da ptria com o devido respeito, a organizao dos trabalhos e o exerccio da liderana. Aspectos que se transferiram para o meu dia-dia e apontaram novos rumos para minhas escolhas, inclu-sive profissionais.

    Os Encontros Nacionais, alm de me permitirem conhecer um pouco mais sobre realidade dos jovens de todo o Brasil, com os quais, mantenho amizades at os dias de hoje, nos lanaram sobre a perspectiva da APJ como uma instituio nacional. Isso , detinha como qualquer organizao, necessidade de eleger suas prioridades e discutir suas formas de atuao. Assim, ini-ciou um trabalho de fomentar uma reestruturao da APJ desde 2002, o que culminou nos encontros de Braslia em 2010. Tenho orgulho de ter participado da germinao dessa semente e de

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    alguma forma ter conduzido a planta da accia, um dos nossos smbolos, para a gerao apejotista subsequente. Prova disso incurso de mais jovens cientes da necessidade de uma maior organicidade da APJ, dentro da instituio, onde lanamos os alicerces para que as prximas geraes possam aprimorar o lema Res Non Verba, expresso agraciada pelo diletssimo Adi-son do Amaral, idealizador da obra apejotista no seio do Grande Oriente do Brasil. Maom valoroso do qual tenho a honra de ter como mentor em assuntos pertinentes APJ.

    Certo que a APJ de alguma forma determinou a minha orientao para o estudo das cincias sociais aplicadas, mais precisamente do plano jurdico, vindo a cursar Direito. Tambm definiu minha influncia ao participar do movimento estudantil, no centro acadmico, DCE, UCE e UNE.

    To firme quanto foi a certeza de que sempre estive am-parado pela Maonaria por todos esses anos, seja pelos tios, que de forma brilhante nos acompanhavam aos sbados, como Preceptores, seja pela Loja Unio Brasileira que sempre es-teve ordem para as necessidades do Ncleo. O fato que ao longo desse tempo, mesmo de forma inconsciente, incorporei os ensinamentos manicos basilares por meio da APJ, quais sejam: a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.

    incrvel como um ambiente to familiar para mim, pode proporcionar-me experincias ainda no provadas, como foi o meu ritual de Iniciao. algo de que procurei me apropriar e compreender no breve tempo integrando a coluna dos Apren-dizes: a escurido, os aromas, as sensaes, as palavras e os mo-mentos em silncio at a chegada da Luz.

    Quanto minha Iniciao, tenho muito particularmente, de um lado como uma confirmao dos votos que fiz h cerca de 13 anos de uma forma juvenil pouco compreendendo seus sig-nificados, o que de outro modo, hoje me fora a uma reflexo de tudo que j vivi, reciclando-me ao desprender-me de certos

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    valores viciados do mundo profano e abrindo espao para o ver-dadeiro incio da lapidao da pedra bruta.

    Outro fato curioso a sensao de uma espcie de promo-o, onde o tratamento por sobrinho fora substitudo, inclusive entre os que por muitos anos assim fui tratado, bem como os primos que antes de mim se fizeram tios, hoje somos todos IIr:.!

    Assim, senti uma mistura de sensaes nas primeiras expe-rincias como Apr:. M:., onde o novo a ser descoberto funde-se ao que h tempos me foi proporcionado pela APJ, fazendo essa caminhada muito mais interessante e enriquecedora. Certo que as vsperas da Augusta Loja Simblica Unio Brasileira II completar seus 33 anos de existncia, sinto-me privilegiado ao compartilhar dos IIr:. a convivncia entre colunas. E que a expe-rincia junto famlia manica anterior iniciao me permite hoje ser um Obreiro em Construo!

    Uma lembrana do fundo do peitoMarcelo Bohrer

    Creio que era outubro, a data exata no lembro, mas o fato claro como o dia de hoje em minha cabea, quando em con-versa descontrada e alegre com o hoje Irmo e padrinho Ivan, fui convidado para ser seu primeiro afilhado maom. De pronto aceitei, pois eu sempre ouvia falar em Maonaria e pelo pouco que sempre soube j tinha lcido que eu gostaria de fazer par-te desta Sublime Ordem, pois minha ideia inicial era de que se tratava de um grupo de homens que se reuniam para conversar sobre coisas boas e ajudar o prximo.

    Desta pequena e singela ideia que tinha da Ordem, fui para minha primeira sindicncia com o Irmo Fernando Pimentel e na ocasio disse eu: Creio ser uma reunio de homens de

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    boa ndole que discutem coisas boas em prol das outras pes-soas. Talvez a redao exata no seja esta, mas a mensagem assim o foi.

    Como foi meu primeiro contato, de fato, com a Maonaria, no tenham dvida de que foi o mais marcante de todos e o que me deixou mais nervoso. Alguns meses passaram-se at que a notcia veio atravs de meu padrinho Ivan: foste admiti-do para entrar na Maonaria. Minha felicidade foi exuberante e radiante, afinal de contas era mais um objetivo que eu estava alcanando.

    Pois a Iniciao veio, cheguei s 16h no templo e, como to-dos, fui de um lado para outro, subi, desci, agachei, etc At que me convidaram para sentar e l fiquei fiquei fiquei E, deveras, fiquei sentado, pensando e refletindo sobre a vida, as coisas que estava enfrentando e tentando imaginar o que estava por vir. Certamente nada do que imaginei que iria acontecer foi parecido com o ocorrido, pois, desde que senti que comearia a sesso de Iniciao, um forte e inexplicvel bem estar envolveu meu esprito e me acompanha at hoje e se engrandece a cada tera-feira que convivo com os irmos, confirmando o versculo, Quo bom e suave que os irmos vivam em unio!

    Passada a iniciao vieram as instrues na pedra bruta e a meta a ser sempre perseguida pelo maom, alcanar a pedra polida. Este irmo que escreve emocionado e no se cansa de agradecer ao Supremo pelos irmos que ganhou, pela fora que rene a cada sesso, pelos amigos que fez, pelas maravilhosas pessoas que vem conhecendo, segue em busca dessa meta. Sem sombra de dvida o caminho ainda longo, rduo e gratificante. Entretanto, mais gratificante reconhecer e perceber a evoluo moral, tica, cvica e espiritual que conquistei e que no tenho dvida que a cada dia mais irei melhorar e buscar.

    Pois bem, talvez o texto no seja grande, mas certamente verdadeiro, emocionado e partiu do fundo do peito deste

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    pequeno irmo, que ama cada vez mais a sua famlia, profana e manica.

    Que o S:.A:.D:.U:. siga nos Iluminando e dando foras para que faamos sempre bem a sociedade, ao pas em que vivemos e, principalmente, para aqueles que convivem entre ns.

    Um novo rumo, a procura e o resgateGuilherme Lisboa

    Um novo rumoEm 2004, enquanto estava na direo dos trabalhos, decidi em conjunto com a diretoria daquela poca de darmos novos rumos Loja Unio Brasileira. Foi um ano de grandes mudanas, nos demos frias de dezembro a fevereiro com uma confraterniza-o em janeiro, todos os membros passaram a pagar sua quota para a Loja sem distino nem favores, a Fraternidade Feminina compareceu Loja somente nas Sesses Magnas, os valores das mensalidades foram adequados, obras prediais se concretiza-ram, nossa Fundao foi transformada em Condomnio intitu-lado Fraternidade da Arte Real, os jantares aps as sesses foram restitudos e reformulados ao modelo que perdura at hoje, o antigo coral do BESC cantou para comemorar nosso aniversrio e estava claro que era necessrio fazer algo especial para co-roar as vrias mudanas de paradigma assumidas pela Loja na-quele semestre, de modo que nossa ultima sesso do ano foi um banquete ritualstico. Alis, foi um banquete inesquecvel: vinho de primeira qualidade; carne farta, deliciosa e macia; auxlio dos irmos para montar e desmontar tudo e, claro, o trabalho impe-cvel de um dos melhores mestres de banquetes que j conheci, o Irmo Alcides Neves Junior. Est a uma receita de sucesso repetida at hoje.

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    Procura-se um Venervel MestreAs vsperas do prazo final para entrega da chapa para o mandato 2005-2006, estava na direo dos trabalhos quando fui surpreen-dido pelas palavras do Irmo Comarella, que aps ouvir sua fam-lia tomou a deciso de declinar do cargo de Venervel Mestre para o qual certamente seria eleito por unanimidade. Ainda estvamos surpresos quando o Irmo Israel Lisboa sabiamente props que o Irmo Daniel Barreto assumisse a funo, pois j era irmo anti-go e em plenas condies de assumir a direo dos trabalhos. O Irmo Daniel por sua vez, muito lisonjeado com a lembrana de seu nome, agradeceu mas afirmou que s aceitaria o encargo se o Irmo Comarella continuasse como 1 Vigilante. Pedi, ento, que o Irmo Comarella respondesse, e todos nos alegramos ao ouvir o sim. Naquela oportunidade estava ao meu lado direito o Irmo Walmor Backes, ento Gro-Mestre do GOESC, que se pronun-ciou atestando a capacidade de gesto do Irmo Daniel Barreto, sua maestria na conduo da Poderosa Assembleia Legislativa Manica do Estado de Santa Catarina, e do quanto nossa Loja ganharia tendo-o como nosso lder. Sbias palavras, pois eu tive o prazer de entregar o malhete ao grande impulsionador do cresci-mento da Loja Unio Brasileira, o Irmo Daniel Barreto.

    Um resgate bem sucedidoCerto dia recebi uma ligao de um irmo informando que o Venervel Mestre, que j havia faltado algumas sesses no iria mais Loja Ato contnuo, liguei para o Irmo Comarella com o fim de saber qual era o real problema. Era um quadro depres-sivo e propus fazer-lhe uma visita pessoal em sua casa tarde. Liguei para toda a diretoria da Loja, expliquei o problema e for-mulei o convite para aquela importante reunio. Todos compa-receram e somente l souberam que no eram aguardados pelo Irmo Comarella, e este tampouco sabia que algum alm de mim l estaria. Toquei a campainha e fomos todos recebidos

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    com surpresa e alegria pela famlia do Irmo Comarella. As car-tas foram colocadas na mesa, a diretoria declarou-se unida e fir-me no propsito de ajudar, e no final de tudo o Irmo Comarella e sua diretoria concluram seu mandato com louvor.

    O verdadeiro princpio da MaonariaLuiz Claudio Comarella

    Entrei na Sublime Ordem Manica, convidado por meu ami-go e colega de profisso Ary Rosa Jr. A sindicncia foi realizada pelos Irmos Mestres Maons Carlos Laitano e Osni Carmona. Foi esclarecedora e tive a confirmao de que estaria pronto para principiar nessa Instituio.

    No dia 30 de setembro de 2000 fui iniciado. O Venervel Mes-tre da Loja Unio Brasileira era o Irmo Luiz Augusto Martins. Minha Iniciao foi marcante, Loja cheia. Nessa Loja pude me fortalecer como homem e como ser humano. Aprendi a enaltecer minhas virtudes, a vencer minhas paixes, submeter minhas von-tades e a cavar masmorras aos meus vcios. Procurei desbastar mi-nha pedra bruta. Vivenciei o sentido exato da palavra fraternidade.

    No dia 02 de outubro de 2001 fui elevado ao Grau de Compa-nheiro Maom, na venerabilidade do Irmo Carlos Alfredo Sch-midt, novamente momento extremamente especial em minha vida. No dia 09 de Abril de 2002 fui exaltado ao Grau de Mestre Maom, na venerabilidade do Irmo Clvis Amaral Jnior. No dia 03 de Junho de 2006 fui instalado na venerabilidade da Loja. Os Irmos Instaladores foram os Mestres Instalados Guilherme Lisboa, Carlos Alfredo Schmidt e Ruben Luz da Costa.

    Na minha venerabilidade houve muitos acontecimentos marcantes. Vou relatar um que muito me emocionou. Trata-se do ocorrido com nosso saudoso Irmo Valdomiro Montagnini.

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    Logo aps assumir a venerabilidade da Loja, o 1 Vigilante, na poca Antonio Bencz, procurou-me e relatou que o Irmo Valdomiro Montagnini passava por problemas graves de sade e tambm financeiros. Assim, no podia apresentar seu trabalho e, em consequncia, no fora sabatinado para ser exaltado para Mestre. Estava afastado do convvio da Loja, no tinha presena, mas sonhava em ser Mestre Maom.

    Diante dos fatos, reunimos a diretoria e decidimos fazer com urgncia a Exaltao do Irmo Montagnini, sem despesas para ele. No dia da Exaltao o mano Montagnini estava bem debili-tado. Tivemos que fazer uma sesso bem simplificada, mas que chegou ao final com muita emoo.

    Tive o privilgio e a honra, algum tempo depois, de colocar a Medalha de Mestre na lapela no Irmo Montagnini. Ele estava bem fraquinho, quase no dava para abra-lo devido fragili-dade, acredito mesmo que o cncer j tinha tomado conta dos ossos. Na sesso seguinte o Irmo Carlos Schmidt recebeu um telefonema no qual a famlia informava que nosso Ir.. Valdomiro Montagnini havia falecido.

    Ficamos muito tristes, mas ao mesmo tempo certos de ter-mos cumprido com o verdadeiro principio da Maonaria, que ajudar nossos irmos mesmo que para isso tenhamos tangencia-do algumas regras do Ritual.

    Quero fazer meu agradecimento a todos os membros da Loja Unio Brasileira, em especial minha diretoria. Sem o apoio de todos no teria conseguido uma venerabilidade tranquila e com a certeza de ter cumprido com todos os meus objetivos. Obrigado ao S:.A:.D:.U:., por ter dirigido meus passos e minhas decises, em todos os momentos. Ei os componentes da direto-ria 2006 - 2007: Venervel Mestre Luiz Cludio Comarella, 1 Vigilante Antonio Bencz, 2 Vigilante Itamar Luiz de Olivei-ra, Orador Guilherme Rodrigues de Lisboa, Secretrio Joo

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    Roberto Wiese, Tesoureiro Oldemar Jose Filipini, Chanceler Fernando Zornitta Pimentel, Mestre de Cerimnia Jair Zanet-te, Cobridor Jos Ailto Rosa, Hospitaleiro Mario Matias, 1 Dicono Djalma M. Jardin Neto, 2 Dicono Rudney Medei-ros da Silva, Mestre de Harmonia Sebastio M. da Silva, Mes-tre de Banquete Maikel de Jesus Silva, Porta Bandeira Jorge Ricardo da Silva, Arquiteto Paulo Sanches Ricardi, 1 Esperto Carlos Alfredo Schmidt, 2 Esperto Luiz Augusto Martins, Deputado Estadual Rodrigo T. Martins, Deputado Federal - Israel de Jesus Lisboa.

    Deus nos concede, a cada dia, uma pgina de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta (Autor desconhecido).

    Um lugar de transformaoMrcio Maienberger Coelho

    A relao do homem com a vida bastante curiosa. A maioria trabalha, tem seus momentos de lazer, pensamentos, intimida-des etc. Tudo, na maioria das vezes, de maneira bastante frag-mentada, isolando todos esses momentos.

    Um modo de vida que possa reunir tudo isto, simultanea-mente, no mesmo espao, concatenando todas estas circunstn-cias, ser possvel?

    E agregar ainda mais, proporcionando uma disciplina, estilo de viver, filosofia de vida, doao, realizao, prosperidade, hu-mildade, educao e evoluo?

    Sim, possvel! Existe um lugar que pode transformar voc e propiciar tudo

    num s tempo. Chama-se Maonaria.

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    Olhar de um AprendizMarcos Fantazzini Lima

    H muito tempo fui convidado por um amigo a ingressar na Maonaria, mas naquela poca minha vida era muita agitada, viajava muito e entendi que no conseguiria participar de forma integral e optei em no ingressar. Ao receber novamente o con-vite, percebi que era hora de participar de forma integral. Ini-cialmente como Aprendiz, depois como Companheiro e agora, como M:. M:., tenho observado, escutado, estudado e principal-mente percebido as diferenas entre os iguais.

    Minha iniciao foi realizada no dia 1 de junho de 2010 e a partir deste dia passei a observar, l da ltima fila da coluna do Sul, um novo mundo. Um mundo repleto de seres iguais aos existentes no mundo profano, mas estes seres so mais iguais.

    A fraternidade entre os IIr me encantou imediatamente. Tenho alguns amigos e nos tratamos de forma bastante frater-nal. Mas esses amigos eu conto nos dedos de uma mo. Na Loja a fraternidade geral, sem preconceito, sem reprimendas, sem censura, sem julgamentos.

    Comecei a perceber esta fraternidade no dia de minha Ini-ciao. Durante todo o ritual, sempre havia uma voz que sus-surrava ao meu ouvido palavras de cuidado e preocupao com meu bem estar. Sesso aps sesso fui apurando minha observa-o: a chegada dos IIr Loja e a forma como se cumprimen-tam, as conversas durante o gape, o frum na internet e outros encontros informais dos quais pude participar.

    Compartilhar do preparo do gape, dos eventos e da prepa-rao da Loja, propiciou-me uma viso que me fez perceber que a organizao e o ritual em Loja se transformavam em um anar-quismo (regime de governo sem governantes) durante o jantar.

    Comeo a entender e a incorporar os segredos da Maonaria.

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    Maonaria o que penso, o que vivoMauro Luiz de Oliveira

    O que penso A Maonaria no uma sociedade secreta, ela no esconde sua existncia, tanto que suas constituies e estatutos so registrados em cartrio de ttulos e documentos, bem como publicados em dirio oficial, quer dizer, podem ser de conhecimento pblico. secreta no que diz respeito forma de seus membros reconhecerem-se entre si, e na sua metodologia de ensino, que lhe peculiar. Os princpios manicos tm resistido atravs das eras e so validos ainda hoje, como o era sculos atrs. No , portanto, uma sociedade secreta, mas uma sociedade com se-gredos, onde seus membros atravs de rituais e de muito estudo conseguem ir entendendo e descobrindo o sentido dos smbo-los, palavras e gestos.

    Tudo passa a ser uma representao, que aparenta um senti-do secreto, e essa descoberta da evoluo atravs do aperfeioa-mento e no galgar dos graus que motiva ainda mais a conti-nuar, tornando mais rico o aprendizado pessoal e espiritual. Por isso ela simblica, mas no esconde sua existncia aos olhos do pblico. Os edifcios, chamados templos onde as Lojas fun-cionam so visveis sociedade em geral. Alm de existir farto material escrito, muitos livros editados em livrarias e bibliotecas podem ser consultados por quem pelo assunto tiver interesse.

    importante registrar que o ingresso do profano na ordem requer algumas exigncias. No simplesmente fazer solicitao de inscrio. O candidato necessita que seu nome seja apresen-tado Loja por um irmo que tenha galgado no mnimo o grau de Mestre Maom. Passar, o indicado, por uma sindicncia em que pelo menos outros trs Mestres mantero contatos e visita-ro o candidato, um de cada vez para fazer entrevistas buscando

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    melhor conhecer o seu perfil, saber sobre sua famlia, trabalho, como vive em sociedade, do interesse pela Ordem, que estudos realizou, bem como de sua condio para assiduidade, com-prometimento e cumprimento das obrigaes. As informaes levantadas sero ainda debatidas em Loja na qual frequenta o padrinho do candidato iniciao na ordem.

    O registro acima proposital para expressar responsabili-dade civil e moral que os adeptos da Maonaria devem possuir; da a relevncia e o bom-senso que se requer para indicao de um interessado e tambm de quem realiza a sindicncia.

    Sendo a Maonaria uma instituio milenar, cujos princ-pios e propsitos ainda hoje permanecem, mostra sua tradio universal, a histria de conquistas de liberdade, soberania, do compromisso com a tica e a moralidade. Temos, portanto, a obrigao de continuar fazendo valer os princpios e propsitos da Ordem, precisamos demonstrar nosso sentimento cvico.

    verdade que a Maonaria j h algum tempo vem procu-rando fazer a sua parte em aspectos de grande relevncia como o movimento contra desmatamento da Amaznia, e com mais destaque no campo poltico, no partidrio, mas, sobretudo em temas suprapartidrios como o combate corrupo, e o Ficha Limpa, porque infelizmente tivemos que admitir at a existncia dessas malignidades em elementos filiados Ordem que pode-riam estar contaminando a Instituio.

    Temos periodicamente em nosso pas uma oportunidade de melhor escolha para nossos governantes, na poca das elei-es. Penso que a Maonaria poderia estar mais presente nesse embate, fazendo valer a defesa da sociedade e do Estado, com-bater com coragem e entusiasmo todas as foras e os poderes que ameaam destruir a liberdade, incluindo o despotismo e a tirania poltica. Temos voz para afirmar a dignidade humana, a justia e a responsabilidade civil e moral que esto escassos h algum tempo.

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    O que vivo A Augusta e Respeitvel Loja Simblica Unio Brasileira II n 2085, oficina da qual tenho o maior orgulho de fazer parte de seu Quadro de Obreiros, completa no ms de novembro de 2013 seus 33 anos de fundao. A Loja Unio Brasileira II n 2085, Federada ao GOB e Jurisdicionada ao GOB/SC, atuando no Rito Brasileiro de Maons Antigos Livres e Aceitos com funciona-mento no Oriente de Florianpolis Santa Catarina.

    Apesar de me considerar ainda novo na sublime Ordem, pois que fui Iniciado h pouco mais de seis anos, certamente posso afirmar que hoje sou um cidado com outra concepo do mundo. O enriquecimento moral, intelectual e espiritual pelos modos de interpretar os smbolos me faz entender que verdadei-ramente a Maonaria se prope a ajudar para que os princpios de liberdade, igualdade e fraternidade possam ser alcanados.

    Sinto que estou harmonicamente mais bem temperado, com esprito de tolerncia, com melhor conhecimento de mim mesmo. Sou, sem dvida, melhor pessoa que quando iniciei na Ordem. Entre tantos outros, a Oficina me fez entender a forma simblica do polimento da pedra bruta, porque somos ns que estamos sendo lapidados.

    Procuramos desenvolver valores, de modo a que nossos atos pessoais sejam lgicos e teis, no somente para ns, mas tam-bm para nossa famlia, a comunidade em que vivemos e a p-tria que defendemos.

    Tenho hoje a sensao de duas conscincias: o conhecimento profano e o sagrado. A Ordem, esta para ser vivida, e no para ser dita, e a que est o segredo. Isto nos leva a melhor estrutu-rar nossa personalidade, em manter uma diferena de uma vida mais interiorizada, no tanto pelas palavras e mais pelos gestos entre os irmos iniciados. Coloco pensamentos manicos no mundo profano, pois entendo que como a Ordem est nos qua-tro cantos do mundo, o aprendizado um caminho do conheci-

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    mento de si mesmo e do mundo, caminho da virtude e no vcio. Adquiri, sim, nova dimenso de viver.

    Quero por fim, registrar meu mais profundo agradecimen-to a querida Loja Unio Brasileira n 2085, pela acolhida que tem me dado, felicitar a todos os Mestres Instalados que fo-ram Venerveis desta Loja pelo zelo que tiveram em mant-la forte e firme, bem como sua atual diretoria, que certamente dar continuidade obra manica para o engrandecimento de nossa Oficina.

    Aos Irmos que ganhei, obrigado meu S:.A:.D:.U:.!

    Serenidade e intelignciaMauro dos Santos

    Uma coisa aprendi na vida: serenidade. E mais importante que inteligncia. A primeira leva sabedoria, em qualquer situao, manter a razo. A segunda, perde para o emocional se no do-minada pela outra, contexto em que de nada serve.

    Por que me orgulho de ser maom?Moacir Antonio Marafon

    Embora eu tenha sido iniciado h mais de sete anos e tenha de-dicado-me aos estudos manicos na proporo possvel, no me considero um expert em Maonaria. Portanto, no quero aqui convencer ningum a ser ou no ser maom e tambm lon-ge de pretender esgotar o assunto. Apenas quero expressar o que me faz permanecer e evoluir na Maonaria.

    Antes de ser convidado para entrar na Ordem, ouvi muitos

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    comentrios fantasmagricos e preconceituosos sobre o que a Maonaria, a natureza de seus ensinamentos e de suas impli-caes, os conflitos com a f e religiosidade e at mesmo com a famlia.

    Cito agora uma das vrias estrias j ouvidas:

    Na Maonaria eles usam avental e um deles possui uma ca-veira desenhada. Esse avental utilizado em noites de sacri-fcios de animais; ele volta sujo de sangue;

    Usam sempre roupas pretas, mas quando a famlia convidada para um evento, fazem uma sesso onde todos vestem branco;

    Quem entra na Maonaria nunca mais pode sair dela e se insistir, morto;

    A Maonaria uma seita em que eles se ajudam mutuamen-te, mas s entre maons. Se algum tenta prejudicar um ma-om, ser perseguido at desaparecer;

    A Maonaria no de Deus, mas do inimigo.

    Obviamente que tudo isso era dito por pessoas que nunca haviam pertencido Organizao Manica, mas tinham sua posio firmada com base nas estrias contadas de geraes em geraes.

    Quando fui convidado a participar da Maonaria, mesmo no acreditando em tais lendas, busquei certificar-me a respeito e cada vez mais percebi que de fato eram apenas lendas. No en-tanto, a maior segurana foi transmitida a mim pela pessoa que me fez o convite, o meu padrinho, por ser uma pessoa do bem e moral ilibada.

    Aps estes anos de vida manica, confesso que cada vez mais amo a Ordem, mas sem paixo cega, procurando conhecer as virtudes e fraquezas dessa organizao. Desta forma, gostaria de contribuir com a minha viso das verdades deste assunto, es-pecialmente para os no maons que lerem este livro.

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    Considero que a principal causa de todo o mito e fantasias que envolvem a Maonaria o fato de ser ela uma instituio es-sencialmente inicitica, em que a realidade dos fatos passa a ser conhecida apenas pelos iniciados e de forma gradativa o novo ir-mo tem acesso aos verdadeiros conceitos, prticas, simbologia, histria e sua filosofia. E sabe-se que tudo o que desconhecido provoca curiosidades e fantasias.

    No entanto, os segredos entre os maons, embora possamos assegurar que nada existe nos dias atuais de extraordinrio em tais segredos, fazem parte dos princpios da Ordem Manica e isso acaba convertendo-se numa qualidade dos irmos, pois uma forma de praticar uma valorosa virtude, que a capacidade de guardar segredos. Dessa forma, pretende-se que todos os ma-ons sejam fieis depositrios das tradies herdadas dos antepas-sados e mantenham-se incorruptveis nos seus princpios e aes.

    O que eu posso dizer a todos e especialmente aos meus fi-lhos, caso leiam este texto, que desde a minha Iniciao fui sendo surpreendido positivamente com os acontecimentos. Te-nho maravilhosas lembranas da minha Iniciao, pois me fez refletir sobre a minha vida, sobre a minha famlia e mesmo sobre o que afinal eu quero deixar de legado para a sociedade.

    Quanto a qualquer conflito com crenas religiosas, impor-tante destacar que esta uma inverdade. A prova disso que nenhuma reunio pode ser iniciada sem antes acontecer a aber-tura ritualstica do Livro da Lei (Bblia, Alcoro, ou outro livro sagrado, dependendo da crena majoritria dos maons reuni-dos), cuja presena em Loja simboliza o Supremo Arquiteto do Universo, isto , a presena de Deus na Loja Manica, e a Ele rogada proteo para que todos os atos praticados ocorram sob sua Luz Divina.

    Alm disso, a Maonaria uma instituio filosfica, fi-lantrpica, progressista e evolucionista. Proclama a prevaln-cia do esprito sobre a matria. Pugna pelo aperfeioamento

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    moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cum-primento inflexvel do dever da prtica desinteressada da be-neficncia e da investigao constante da verdade. Sustenta que os maons tm os seguintes deveres essenciais: amor famlia, fidelidade e devotamento Ptria e obedincia lei conforme nossa Constituio.

    Portanto, em nossa modesta avaliao, isso tudo possvel apenas se cada maom lutar para se tornar uma pessoa cada vez melhor. comum dizer-se que a Maonaria busca na sociedade homens livres e de bons costumes e os deixa ainda melhores. Cada homem pode ter realizado tudo o que desejava em sua vida, profissional e pessoal, no entanto, como ser humano, isso no o suficiente. Todos ns certamente estamos longe de ser perfeitos; na verdade, bem longe disso. No entanto, sempre possvel a cada dia tornar-se uma pessoa melhor e mais feliz do que havia sido antes.

    certamente aqui que a Maonaria pode fazer de melhor para a sociedade: proporcionar a cada maom que ataque cada uma de suas deficincias e que desenvolva as suas virtudes, tais como a solidariedade, a temperana e a tolerncia, as quais te-nho tentado pratic-las sempre que possvel. J me deparei com situaes at de confronto com outras pessoas, muitas vezes por banalidades e que se tal situao tivesse ocorrida h alguns anos, tenho a convico que eu no teria autocontrole para administrar o momento vivido de forma pacifica. Mesmo que muitas vezes o hbito seja mais forte do que a vontade, no en-tanto, quando a razo me faz lembrar que sou maom e como tal tenho o dever de praticar essas virtudes, sou mais forte e sou melhor do que era antes. E nesse momento que eu sinto o que efetivamente ser maom.

    Portanto, ser maom buscar de forma incansvel a perfei-o, desbastar a pedra bruta que est dentro de ns para trans-form-la em pedra polida.

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    Como disse Benjamim Franklin: Esteja em guerra com suas deficincias morais, em paz com seus semelhantes, e que cada ano o encontre uma pessoa melhor.

    E por isso tudo que tenho orgulho de ser maom!

    O segundo nascimentoOsvaldo Cedrio dos Santos Jnior

    Nasci duas vezes. Sim, nasci duas vezes. Como? Vou explicar, meus irmos.

    Minha lembrana do primeiro nascimento no conheci-da, posto encontrar-se em meu subconsciente, nada veio tona. Deve estar guardado no corao; no corao de filho, j que todo beb nascido em uma famlia de amor bem vindo e espe-rado, servindo esse lao sentimental como via do conhecimento das crianas.

    Mas meu assunto no esse nascimento, que todos ns se-res humanos passamos. Meu assunto o segundo nascimento; muitos querem, poucos o tem. Ele est diretamente relacionado com a Maonaria. Meu conhecimento sobre a Maonaria antes da iniciao era nulo. Nada se tinha em mente sobre o ritual, ale-gorias, simbolismos, quer por informaes de amigos maons, quer por especulao pelos vrios caminhos hoje disponveis na comunicao em geral, em especial na internet.

    No se diga que esse desconhecimento significava um des-gosto pela Ordem, pelo contrrio, tratava-se de um profundo respeito pela discrio apresentada por essa sociedade secreta e vontade de um dia participar como membro e, a partir disto, ter o conhecimento necessrio e paulatino. A vontade perdurou por muitos anos, at que um dia fui questionado sobre meu conceito sobre a Maonaria por um grande amigo. Disse-lhe o quase nada

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    que sabia sobre a Ordem e do grande gosto de um dia participar desta fraternidade.

    No foi outra a surpresa, quando aquele meu amigo fez os contatos necessrios para meu ingresso. Fui aprovado. Fiquei eufrico e ansioso para o grande dia. O dia do meu ingresso da Maonaria.

    Hora marcada, hora chegada. Bati na porta do prdio. En-treaberta a porta, nada vi no interior alm de um homem enca-puzado. Entrei e, a partir deste momento, sempre fui guiado por um amigo desconhecido. Amigo porque com ele senti segurana nos caminhos seguidos, mesmo sem nunca t-lo visto, (s aps as apresentaes ao final), j que estava de olhos vendados. Per-corri vrios caminhos ao lado dele, descansei e meditei em uma sala inspita, pouco iluminada; apenas uma vela guiava minha viso. L analisei toda minha vida passada e imaginei toda mi-nha vida futura, principalmente pelo momento que se criava: minha iniciao.

    Sa daquela sala e, guiado novamente por um amigo, fiz algu-mas viagens, sempre com meus olhos vendados; nada via; tudo sentia! A emoo aumentava. Perguntavam-me o que sentia, o que ouvia, o que entendia, o que queria. A dvida no estava em mim. Sabia o que queria e nada me faria voltar. Meu caminho era nico, para frente!

    Aps todo aquele simbolismo, retiraram-me a venda e um claro se formou naquele templo esplendoroso. Meu segundo nascimento, meu vnculo eterno com a Maonaria. Desejo to cobiado, desejo realizado. Tornei-me maom. Aquele amigo a quem confiei minha vida pelos caminhos seguidos, que at en-to era desconhecido, foi-me apresentado, no como um amigo, mas como um irmo.

    A partir dele outros se afirmavam meus irmos. Eu, filho nico, deixei de s-lo. Eu me vi rodeado de irmos. Amorosos, carinhosos e de braos abertos me recebendo naquela famlia.

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    Sim, famlia: a famlia manica, onde todos se ajudam como um irmo deve assistir a outro irmo.

    Entretanto, meu segundo nascimento alm de me trazer a alegria de tornar-me maom, trouxe-me, ainda, a felicidade de pertencer Augusta e Respeitvel Loja Simblica Unio Brasi-leira. A Loja Unio Brasileira uma Loja mpar. No poderia ter maior felicidade em pertencer ao seu Quadro de Irmos. Loja pioneira no Rito Brasileiro no Sul do Brasil. Loja me. Loja exemplo de fraternidade e companheirismo.

    Milhares de outras excelentes Lojas existem, mas no meu caminho no poderia postar-se outra seno a Unio Brasileira.

    Hoje sou mais feliz, por ser maom. Hoje sou mais feliz por ter irmos. Hoje sou mais feliz por pertencer a Augusta e Respei-tvel Loja Simblica Unio Brasileira. Nasci novamente!!!

    Um convite para evoluoRoger Andrade dos Santos

    Os novos aprendizes na sesso de Iniciao do dia 14 de setem-bro de 2010, foram desafiados a escrever um pequeno texto de dois pargrafos para incluso nos anais da Loja Unio Brasileira, em face da comemorao de 30 anos de sua louvvel existncia.

    Aps lanado o desafio prontamente me questionei: O que um recm iniciado poderia escrever a respeito?

    Em breve reflexo, pensei que poderia escrever sobre minha Iniciao, gostaria de faz-lo em forma de crnica para mostrar minha percepo do momento, porm, pela falta de prtica, pre-firo deixar para outra oportunidade.

    Optei ento por relatar as minhas perspectivas sobre esta no-bre confraria.

    Conto, no momento da redao deste texto, to somente

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    com dez dias desde meu novo nascimento, quando me foi opor-tunizada a Luz, sendo apenas um recm-nascido que tem uma vida manica inteira pela frente para crescer, amadurecer, ser-vir e evoluir.

    Confesso que nunca tive o sonho, desejo ou inteno de en-trar para esta grande irmandade, por no ter conhecimento do que realmente se tratava (isso j aprendi que vamos evoluindo aos poucos e com o tempo) e por no ter tido influncia ma-nica desde minha infncia. Soube que meu pai uma vez re-cebeu o convite para ingressar, mas no sei o motivo pelo qual no aceitou. H poucos anos um dos meus irmos de sangue foi iniciado, mas por residir em outra cidade nunca conversamos a fundo sobre isso.

    Certo dia, aps alguns anos de convivncia, meu padrinho, Ir.: Leonardo Borchardt, me chamou e fez o convite para ingres-sar nesta seleta confraria dizendo que eu tinha o perfil de ma-om e que ele ficaria muito honrado caso aceitasse seu convite. A partir daquele momento comecei a pensar sobre o assunto e conversei com meu irmo de sangue, que como bom maom cumpriu com seu juramento de no me dizer nada que no fosse permitido. Aps dois meses aceitei o convite e o desafio de me aperfeioar e evoluir, haja vista que sempre fui voltado a ajudar o prximo, principalmente aos mais necessitados, alm de tra-balhar pelo bem social da coletividade.

    Tive a felicidade de ingressar nesta Loja contando com al-guns amigos de profisso, alm de ter reencontrado o Ir.: Fer-nando, amigo de infncia, dos bons tempos de basquete do Clu-be 12 de Agosto.

    Espero realmente que esta convivncia, ajuda mtua, troca de informaes e conhecimentos sejam duradouras e fortaleci-das diuturnamente. Fico desde j disposio de todos, saben-do que no medirei esforos para fazer sempre o que estiver ao meu alcance.

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    um grande prazer, mesmo sem ainda conhecer pessoalmente a todos os nobres integrantes, poder cham-los de meus irmos. Obrigado pela receptividade com que me acolheram.

    Incidente na IniciaoRonaldo Fagundes Monteiro

    Fui iniciado dia 27 de novembro de 1989, no Templo da Loja Re-generao Catarinense, situado na Rua Vidal Ramos, no Centro de Florianpolis. Um pequeno incidente ocorreu em minha Ini-ciao. Quando estava passando por algumas provas, o Ir.. Terr-vel (Ir.Nrio) me empurrou para que o Ir.. que estava ajudando nas provas me amparasse. Acontece que aquele irmo (Ir. Ailto), estava distrado e deixou que eu casse no cho. Em um primeiro momento pensei que estavam me jogando em alguma piscina, coloquei os braos para frente e deixei acontecer, isso em fraes de segundos. Aps a minha queda, percebi que havia cado em um cho duro de madeira. Machuquei-me um pouco, inclusive cortei os cotovelos e at sangrei. Em seguida dois irmos me le-vantaram, eu ainda de olhos vendados, me perguntaram se estava tudo bem comigo, eu prontamente respondi, sim est tudo bem, e em voz alta perguntei: quem foi o FDP que me empurrou? Depois fiquei sabendo que a Loja estava repleta de irmos

    Fui Venervel Mestre de junho de 1998 setembro de 1999, quando fui trabalhar em Cricima e passei o cargo para o pri-meiro vigilante, meu afilhado, Ir.: Renato Scheidt.

    Aps alguns meses, fui convidado a fundar uma Loja em Ia-ra, regio de Cricima, por um professor da Unisul, que na poca era profano, o Ir.: Sandro Giassi Serafin. Aps vrias reunies e com o apoio do GOB e das Lojas do Rito Brasileiro, fundamos a primeira Loja do Sul do Brasil e do Sul do Estado de Santa Catari-

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    na, a Loja Unio do Sul. Por trs anos fui Venervel daquela Loja, at que a mesma tivesse em seu Quadro irmos Mestres Maons, pelo mnimo de sete. Meu 1 Vigilante era o Ir. Hudson Ferreira Pinto, um grande Ir.: que hoje encontra-se no Oriente Eterno.

    Um fato que marcou a Loja Unio do Sul: o Ir.: Hudson tinha um problema cardaco, que havia surgido de repente. Ele tinha na poca 39 anos. Um dia, em novembro de 2002, eu j esta-va em Florianpolis, e ns como de costume seguamos todas as sextas-feiras em um micro-nibus para a Loja Unio do Sul, pois no podamos deixar a Loja sem os Mestres para abrir os trabalhos. Ocorre que naquele dia eu fiquei sem voz e, como eu iria conduzir os trabalhos, imediatamente passei para o 1 Vigi-lante, o Ir.: Hudson. Na oportunidade, ele alegou que no estava preparado para tal. Mas eu insisti e ele foi o Venervel naquela seo. Ficou muito feliz por eu ter confiado a ele essa misso. Esse valoroso irmo e amigo que sempre me acompanhou nos trabalhos veio a falecer 30 dias depois.

    E o mais interessante que aps a sesso, a minha voz retor-nou ao normal, como se nada tivesse acontecido. Eu conclu e tenho certeza absoluta de que o que houve naquele dia foi obra do S.:A.:D.:U.:, permitindo que aquele Ir.: tivesse a honra de sen-tar-se na Cadeira de Salomo.

    E a alegria dele foi to grande que contagiou a todos os ir-mos, deixando todos muito emocionados. Sentimos muito sua partida.

    Uma Fraternidade RealRui Gabriel Kazapi

    Pois meus irmos, diz-se por a no mundo profano, que famlia no se escolhe, herda-se; boa ou m, com direito a variaes des-

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    de maravilhosa at pssima. Tenho c minhas dvidas quanto a isto, porm admito existir muita coisa entre o cu e a terra que nossa v filosofia desconhece. Por outro lado, dizemos entre ns, que a famlia manica desfruta verdadeiro congraamento fraterno entre todos os irmos e padrinhos e vice-versa, posto que seus membros normalmente escolhem-se dentro e atravs de um determinado perfil.

    Com menos de um ano de convivncia nessa Augusta Loja Unio Brasileira n 2085, devo dizer com imensa satisfao, que j presenciei, senti, pressenti e garimpei inmeras joias precio-sas. Joias estas emanadas da traduo de condutas, posturas, procedimentos e exemplos de grande amor fraterno de alguns de seus frequentadores. Posso afirmar que no uma questo de tempo, pois sou um garimpeiro aprendiz dando os primeiros passos e sim, uma questo de qualidade da jazida, pois todas essas joias saltaram-me aos olhos sem que precisasse muito es-foro para perceb-las.

    Quanto a isto, resta ainda o direito a algumas dvidas oriun-das da maturidade, pois a partir desta, talvez a garimpagem fosse de alguma forma facilitada. Para dirimi-las passo a narrar que na minha origem existiram maons dos quatro costados, ou seja, havia irmos nas famlias dos meus quatro avs. Assim sendo, desde cedo, ao completar minha maior idade, recebi diversos convites de parte de parentes, e depois de alguns irmos de suas respectivas Lojas, provavelmente a pedido deles, para meu in-gresso em nossa Instituio.

    Convites que sistematicamente agradeci e declinei, alegan-do estar em formao o inicio de minha vida profissional e que consequentemente no era dono absoluto de meu tempo, e sen-do assim no poderia assumir compromisso de tal magnitude e talvez por falta de tempo no pudesse honr-lo. Depois de casado o fato repetiu-se, pois meu sogro e seus irmos tambm tentaram comprar meu passe e o desfecho acabou sendo o

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    mesmo. Alm disso, havia tambm outro fator que me fazia as-sim proceder, a minha extrema rebeldia, entre outras coisas, a hierarquias e rituais.

    Essa rebeldia, que nunca foi sem causa, contribuiu em gran-de parte nesse atraso de mais de trinta anos para meu ingresso na Maonaria. Por outro lado, ela tambm muito contribuiu para a percepo de algumas dessas joias por mim j garimpadas. Para exemplificar, citarei da forma mais sucinta possvel, o que resul-tou e ainda est resultando da aparentemente simples utilizao de uma expresso de despedida entre mim e meu filho. Presen-ciada por alguns irmos ainda antes de minha Iniciao e agora por muitos outros aps essa, te cuida, meu filho.

    Bom, cabe aqui colocar que minha iniciao deveu-se meu filho, que assim tornou-se tambm meu irmo e padrinho, a quem carinhosamente agora chamo s vezes de meu Dindo e meu Orador predileto! Quanto meu, que possessivo, mas isto s quem pai entende Fcil deduzir-se que inicialmente, de forma bastante egostica, aceitei enfim minha Iniciao para aumentar o tempo de convvio com meu amado filho e fazer frente aos desencontros impostos pelas obrigaes e afazeres do mundo profano.

    Explicar de forma sucinta a origem da expresso referida, no fcil. Deve-se ela poca em que foi instituda. Minha gerao foi filha da ditadura. E toda vez, aps seu final, que presenciei algum dela falar, ou mesmo eu tentei faz-lo, inexoravelmente h uma tendncia de ficar no ar uma espcie de rano de pare-cer-se heri ou mrtir de forma desmedida. Assim, quase nunca toco no assunto. Por isso mesmo, a revelao mais detalhada dos fatos que criaram a expresso ser efetuada em Loja ao abrigo e conforto da utilizao da prerrogativa de falar entre colunas. Aqui, nestas mal traadas linhas devo dizer que, ainda adoles-cente, aos doze anos de idade, cursando a segunda srie ginasial, e recm-empossado como segundo secretrio para assuntos de

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    esporte (que cargo importante, no?), do grmio estudantil do colgio em que estudava, nem me havia ainda ambientado direi-to ao cargo, eclodiu o golpe militar.

    Meu amado pai imediatamente teve uma longa conversa comigo, pesando prs e contras dos diversos aspectos daquela situao, a maioria dos quais eu realmente ainda no tinha a me-nor noo. E do alto da sua ampla, total e irrestrita postura liber-tria deixou-me livre para decidir como proceder. Encerrando aquela conversa com um olhar intenso de amor e cumplicidade, que s pude sentir, pois entender s consegui depois de tambm me tornar pai; e piscando o olho com um leve sorriso disse-me Te cuida, meu filho! E assim foi at alm da minha chegada faculdade. Toda vez que eu saia de casa, e ele sabia que iria a um encontro ou atividade da poltica estudantil, para no repetir toda aquela conversa, ele apenas dizia te cuida, meu filho.

    Pois bem, quando meu Dindo com oito ou nove anos (ti-rarei esta dvida com o prprio), resolveu candidatar-se sua primeira eleio, para o cargo de representante da turma de fi-losofia no ensino bsico da escola que estudava, constatei que chegara o momento de rever aquele filme guardado a sete cha-ves no armrio da memria. De forma bem mais leve, pois no vivamos mais uma represso armada, conversamos e, naquele momento, foi introduzida ento entre ns a expresso. Porm, pelo fato de no lhe contar o passado e tambm por sua aguada sensibilidade ter percebido algo especial, comeou a retribu-la, instituindo-se assim uma pequena variao, s vezes fica apenas te cuida.

    O fato de tratarmo-nos assim, e na maioria das vezes tro-carmos beijos nas faces, assim traduzindo o mais puro amor fraternal, filial e paternal, suscitou a percepo dos irmos de maior sensibilidade para ler nas entrelinhas, apesar de a maioria no ter vivido os tempos de censura, e puderam perceber que ali havia algo mais que um simples cumprimento ou saudao.

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    E aos poucos tambm comearam a despedir-se de mim com a expresso e com um beijo; hoje j no posso cont-los nos dedos das minhas mos, j passam de uma dzia! Ora meus irmos, sabemos como isto em nossa cultura difcil de acontecer. Dos meus quatro avs, trs eram russos, vindos de um pas onde os beijos entre homens praticamente tm a mesma conotao de um aperto de mos entre ns.

    Posso afirmar que em 61 anos de vida, apesar dessa origem, sempre abracei e beijei, como homens, apenas meu pai e meus irmos; e trs amigos j da poca madura, dos quais apenas de um perdi o contato. E s. Nem primos, nem tios e assim por diante. Assim v-se que estamos vivenciando todo o respeito, carinho e ateno de um verdadeiro amor fraternal.

    Assim explica-se, para no me estender demais, apenas uma das muitas joias que j garimpei, que est contida l no primeiro pargrafo, e chama-se perfil do bom maom.

    Posso dizer com muito orgulho e felicidade que encontrei para conviver e trabalhar uma Fraternidade Real. S resta-me la-mentar o tempo perdido, porm o S:.A:.D:.U:. escreve certo por linhas tortas. E tambm, desejar ardentemente que este convvio fraternal exista em muitas outras Lojas do mundo manico.

    h! Quo bom e suave que os irmos vivam em unio!

    Uma escola de vidaAntonio Bencz

    Uma dos pontos filosficos fundamentais da Maonaria rece-ber e iniciar os homens de bem e torn-los ainda melhor. Esta crena central no aperfeioamento do indivduo tambm per-meia o retorno deles ao meio social para que haja uma melhoria de toda a sociedade. Como tal, a Organizao Manica acredita

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    firmemente no apoio comunidade na qual ela existe, tanto lo-cal, nacional e mesmo internacionalmente. Defendemos e nos dedicamos a uma ampla variedade de instituies de caridade e organizaes de juventude, enfocando aquelas nas quais pode-mos investir e intervir, permitindo a criao de uma via de mo dupla, com a obteno do apoio da comunidade em geral.

    Pessoalmente, posso garantir que minha vida mudou muito com a Iniciao na Maonaria, em 01 de setembro de 2001. Aps isso, percebo que minhas aes me direcionaram ainda mais o bem. Minhas amizades multiplicaram-se, meus relacionamentos familiares e no trabalho aperfeioaram-se, ou seja, os princpios da Instituio Manica revelaram-se de uma importncia in-calculvel para o meu dia a dia e meu crescimento pessoal, tico, moral e espiritual.

    S pode ser destino!Ubaldo Cesar Balthazar

    O primeiro contato que tive com a Maonaria ocorreu de forma indireta. Tinha uns doze anos e ouvi, sem querer, uma conversa de gente grande. Conversavam meu pai e um primo dele. A conversa era um pouco spera e, pelo que pude entender, en-volvia o fato de o primo pertencer a alguma coisa que no seria coisa boa, que meu pai chamava de seita. Durante muito tempo fiquei curioso para saber o que seria a tal coisa, pois o primo de meu pai, a quem chamava de tio, era uma das melhores pessoas que conhecia. Era um homem simples, brincalho com as crian-as, sempre tinha uma palavra amiga, e, l em Cricima, onde morvamos, era querido e amigo de todos. Tanto que quando morreu, ainda novo (no tinha cinquenta anos), presenciei a um dos sepultamentos mais concorridos da histria da cidade.

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    Meu pai era homem extremamente catlico e quando per-guntei, tempos depois, o que era aquela seita a que o tio per-tencia, olhou duro e preferiu no responder. Minha curiosidade ficou mais aguada. Lembro que no enterro do tio havia alguns homens srios, com ternos escuros e todos com a mesma cor de gravata. S fiquei sabendo que eram maons tempos depois, por meio de um amigo, que disse serem aquelas pessoas bons amigos do tio e que pertenciam Maonaria. Nessas alturas, eu com 19 anos, j sabia alguma coisa sobre nossa Ordem, por leituras que fazia. Com a informao, passei a ler mais sobre a Instituio, seus feitos histricos e as crticas que sofria. Descobri que muito do que falavam criticamente era em funo da disputa histrica entre a Ordem e a Igreja Catlica. Verifiquei que a Maonaria era envolta em vus de mistrio para a maioria das pessoas.

    Muitos anos se passaram. Vez por outra ficava sabendo de al-gum amigo ou conhecido que fulano ou beltrano era maom. A boa lembrana que tinha de meu tio dava-me a convico de que a Ordem Manica melhorava os homens. Passava a observar os maons com mais ateno. Ao contrrio do que lia em certa lite-ratura e mesmo em conversas de pessoas desinformadas, havia sedimentado a ideia de que ser maom era algo de bom em si.

    O processo de Iniciao na nossa Sublime Ordem foi curio-so e, num certo sentido, tumultuado. Diria mesmo que houve a mo do destino. Explico: no vero de 2005 meu dileto amigo Eli Cesconetto perguntou-me se queria ser maom. Estvamos con-versando ao final de um almoo. Fiquei surpreso ao saber que ele o era. Respondi que tinha interesse, mas como a Loja a que ele pertencia era de Tijucas, informou-me que um amigo dele da Capital iria fazer um contato comigo. Quatro ou cinco meses depois, outro grande amigo, Samuel Mattos, fez idntico convite. Contei para ele que havia sido convidado pelo Eli, ele respondeu que no havia problema, o importante era que eu tinha interes-se e que seria iniciado. Disse-me que me traria uns papis para

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    preencher. Mas antes que o Samuel trouxesse os formulrios, recebi a visita de Rogrio Bonassis, a pedido do Eli, com os do-cumentos necessrios para iniciar o processo. Disse-me que no tivesse pressa e que voltaria a fazer contato.

    Decorreu certo tempo, eu com os formulrios preenchidos em minha pasta. No incio de 2006, encontro outro querido amigo, Daniel Barreto, fazendo seu Cooper nas proximidades de um su-permercado no bairro Santa Mnica. Conversa vai conversa vem, Daniel me pergunta se eu no gostaria de ser maom. Na hora pensei: que curioso isso, durante anos s li e ouvi sobre a Mao-naria, e agora, em menos de um ano, recebo trs convites! Contei a histria para o Daniel. Ele comentou que isso era destino e disse: deixe que converso com o Bonassis, tu vais para a minha Loja!.

    Fui iniciado em 30 de maio de 2006, tendo como Irmos gmeos Daniel Sonaglio, Moacir Marafon e Julio Cesar Frainer. Este, em funo de suas atividades profanas, afastou-se da Loja. Posso, porm, afirmar tranquilamente que os trs so pessoas formidveis, notveis amigos, assim como os demais irmos que encontrei na Loja. Nesses quase cinco anos de Maonaria, aprendi mais sobre amizade, tolerncia e fraternidade que nos 54 anos anteriores de vida.

    Em nossa Ordem encontramos personalidades dspares, ho-mens com distintas formaes, posies polticas diversas. Mas notvel que todos tenham em comum o discernimento neces-srio para compreender o verdadeiro sentido da fraternidade. Uma coisa repetir o lema (Liberdade, Igualdade e Fraternida-de), outra pratic-lo. Nossa sociedade, discreta, onde encon-tramos homens livres e de bons costumes, prega a liberdade, fraternidade e a igualdade entre todos os seres humanos, tendo como princpios a tolerncia, a filantropia e a justia. Frequen-tamos um ambiente fraterno que nos permite concentrar esfor-os para melhorar nosso carter, nossa vida mental e espiritual e desenvolver um senso maior de responsabilidade. Almejamos

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    justia social, mas dentro de um sentido de irmandade, traba-lhando para que os homens vivam no mais profundo respeito uns pelos outros. Sem fanatismos, atuando de boa f, guiados sempre pelo Supremo Arquiteto do Universo.

    Pertencer a essa Ordem e ainda mais, Loja Unio Brasilei-ra, atuando dentro desses princpios maiores, me faz sempre me-lhor. Aos meus irmos, obrigado por terem me recebido, obri-gado por tudo o que tem me permitido crescer, na tolerncia e na fraternidade.

    Uma bela pescariaWalter (Urso) Reidy Grams Ribas

    Gostaria de dar um pequeno depoimento sobre algo que me aconteceu recentemente. Viajei h pouco tempo com vinte ir-mos durante dezesseis dias at o Amazonas, onde fomos pes-car e conhecer a selva. Todos do grupo eram irmos e entre ns havia um todo poderoso irmo que s fazia intriga, colocando um contra o outro, fazendo com que as conversas sempre ter-minassem em brigas. A todo momento, l estava ele novamente, botando lenha na fogueira, atiando um irmo contra outro.

    Numa das oportunidades, eu o interrompi e perguntei quan-tos anos ele tinha mesmo de maom. Ele prontamente me res-pondeu que tinha 35 anos de Maonaria. Ento falei que ele no tinha entendido nada da nossa Sublime Ordem e que deveria comear tudo de novo, desde o Grau de Aprendiz, para que pu-desse desbastar a pedra bruta realmente. Aps minha fala, o si-lncio reinou na nossa turma.

    Da em diante o irmo mudou de postura e no quis mais saber de intriga. A paz voltou a reinar na nossa turma, e fizemos uma bela pescaria.

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    Prova de confianaAugusto Rodrigues de Lisboa

    Nestes 11 anos de convvio com os irmos da Loja Unio Brasileira, surgiram muitas histrias que poderiam ser contadas, mas separei um caso que ocorreu comigo, envolvendo no dire-tamente a Loja, mas um Irmo especfico.

    No me recordo exatamente em que ano foi, mas na poca eu ainda trabalhava como fotgrafo e fui contratado por um ir-mo da Loja, o Mestre Instalado Ir:. Luiz Augusto para fazer a cobertura fotogrfica da festa de comemorao do aniversrio de 60 anos de sua esposa.

    Tudo correu perfeitamente bem, e no dia combinado fui at o escritrio daquele irmo para entregar-lhe o material fotogr-fico produzido durante a festa e consequentemente receber meu pagamento pelo servio. Levei comigo no s as fotos, mas tam-bm um recibo j preenchido com o valor combinado e assinado por mim.

    Na hora da entrega, o Ir:. recebeu as fotos, conferiu rapida-mente o material, preencheu um cheque no valor que j hava-mos previamente combinado e quando eu lhe mostrei o recibo j pronto, ele me deu uma aula sobre como deve ser o convvio entre irmos, utilizando apenas uma pequena frase - frase esta que me marcou -, e chego a emocionar-me toda vez que lembro da ocasio. A frase foi a seguinte:

    Ir:. Augusto, no dia em que eu precisar de um recibo seu, posso rasgar meu avental.

    Penso que a frase dispensa qualquer explicao e exprime em pouqussimas palavras a grandeza do significado de nos cha-marmos de irmos.

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    Viajando juntos e ser do bemSebastio Maurcio dos Santos

    Viajando juntosIniciei na Loja Unio Brasileira em 26 de outubro de 2004 apadrinhado pelo Irmo Joo Roberto Wise, meu cunhado, a quem sou eternamente agradecido. Foram conversas intermi-nveis, momentos inesquecveis que antecederam a minha en-trada na ordem. Porm inconscientemente a Maonaria j havia entrado na minha vida bem antes, por volta de 1972 quando soube que meu tio av era um maom homem de bem. Vou editar a histria que meu amigo e irmo Carlos Bchele (Car-lo) captou e escreveu; ficou to boa que resolvi transcrever.

    Antes vou relatar como tudo culminou para que o Irmo Carlo tivesse a ideia.

    Estvamos viajando juntos a trabalho e, como todo ma-om que se preza, parte das conversas rolam no mesmo sen-tido, ou seja, sobre a nossa Ordem. Eu contando a minha his-tria e o Carlo a dele.

    O Irmo Carlo conheceu a Maonaria quando seu pai pas-sou para o Oriente Eterno. Aquele momento foi revelador. Sua me disse:

    Filho, espera que os seus tios vem lhe ajudar no que for necessrio para o funeral

    Com a chegada de vrias pessoas, todas prestando-lhe as condolncias e chamando-o de sobrinho, sabendo que s ti-nha dois tios de sangue, indagou sua me:

    Por que esto me chamando de sobrinho? So parentes que no conheo?

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    Ao que ela respondeu:

    Na realidade, filho, so seus tios sim, pois seu pai era um homem de bem, um maom.

    Assim so as coincidncias.Passados anos, veio o convite para o Irmo Carlo ser

    iniciado. E hoje estamos juntos convivendo e trabalhando na obra da Maonaria e contando as nossas histrias.

    Ser do bem Vivemos num mundo de constantes provaes. Precisamos justificar a ns mesmos cada passo que damos ao longo de nossa vida, com responsabilidade em prol de uma existncia dignificante e exemplar. Esta a parte que nos cabe em nossa evoluo. necessrio respeitar para ser respeitado; dignificar para ser digno; amar para ser amado. Isto um exerccio di-rio e constante . Quem, em s conscincia, no quer ser lem-brado no futuro como uma pessoa exemplar nos seus mais altos princpios de moralidade, deixando exemplos de con-duta ilibada, colher os frutos que sempre cultivou nesta nossa passagem neste plano de provaes? Sendo assim, s existe uma maneira para alcanarmos essas glrias: ser do bem.

    Essa postura - ser do bem - conheci profundamente quando era ainda muito jovem. Guardo na lembrana desse perodo quando fui solicitado por minha tia av, Laura Guerreiro Sta-dler, para reorganizar os pertences de seu marido, meu tio, que havia partido para o Oriente Eterno. Aps um longo tra-balho, organizando tudo o que me foi solicitado, eis que, de repente, caiu em minha frente uma das caixas que ainda no haviam sido abertas. Por ser muito jovem e curioso, comecei a identificar todo o material contido na caixa. Recolhi meda-

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    lhas, peas diversas, certificados e, com certo espanto, uma capa preta com capuz. No me contive e perguntei minha tia Laura do que se tratava tudo aquilo. A resposta foi imediata e sem dvidas. Isto que voc est vendo uma prova de que seu tio era uma pessoa do bem. Marcou-me profundamente a resposta que me foi dada, de forma to carinhosa e respeit-vel. Senti que naquele exato momento o corao dela trans-bordava de orgulho pelo seu ente querido. evidente que na poca fiquei sem entender todo aquele significado. Mais tarde, j tendo conhecimentos bem mais formados, entendi do que se tratava ser maom. Hoje estou convencido que ser ma-om ser do bem.

    Tenho aprendido, ao longo desta jornada manica, que tudo o que aqui se pratica uma busca interminvel de co-nhecimentos, de experincias e a prtica do amor fraternal. Aqui somos livres para sermos iguais perante a um Ser Su-premo que nos proporciona tantas maravilhas a todos ns. Aquele gesto carinhoso de minha tia ao confessar que seu es-poso era um homem do bem, com forte dosagem de orgulho, mostrou-me o caminho do desejo de tambm ser do bem, talvez de forma inconsciente. O importante que nos dias de hoje, por j ter passados por tantas provaes manicas, por entender que aqui vivemos em busca de conhecimentos, lapi-dando a cada dia nossa pedra bruta, que tenho a esperana de tornar-me um ser do bem.

    Para concluir, vivenciei momentos maravilhosos dentro da nossa Loja Unio Brasileira, culminando com a Iniciao do meu filho de corao, o Ir:. Rafael.

    A Maonaria escola de lderes e de vida, formadora de homens livres e de bons costumes, dignos de serem chamados de homens de bem.

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    CAPITULO V

    O segredo manico capaz de mudar o mundo Israel de Jesus Lisboa

    Para finalizar, em uma breve sntese, cabe tecer um comentrio sobre o famoso segredo manico, capaz de mudar o mundo, segundo a imprensa periodicamente sugere e sites da Internet desnorteadamente divulgam.

    Foi-nos dado saber que s podemos melhorar o mundo por-que comeamos por melhor-lo a partir de nosso prprio in-terior, cujo princpio de tudo foi o ingresso na Ordem. Porque nosso nico e grande poder s atua dentro de ns mesmos. E s em nosso interior que podemos mudar as pessoas e os aconte-cimentos. Olhamos em nossos coraes, para nossos sentimen-tos e compreendemos nossas crenas, pensamentos e valores nos quais acreditamos e que geram as atitudes que atraem para ns todos os fatos de nossa vida. E equilibrando e controlando nossos pensamentos e melhorando com a prtica manica o nvel de nossos sentimentos, ficamos em condies para ajudar os outros.

    Possumos uma imensa fora que usamos centenas de vezes ao dia: o poder de escolher. Todos os seres humanos so livres para todas as decises que tomam, desde a compra de um objeto at o destino de uma viagem ou a deciso de parar para ler este texto em comemorao aos 33 anos de fundao da Loja Unio Brasileira. Escolhemos dessa ou daquela forma porque assim decidimos. E o resultado de qualquer escolha nossa nica e exclusiva respon-sabilidade. Somos, cada um de ns, individualmente, os nicos

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    responsveis pelo que nos acontece e pela forma como acontece. O Supremo Arquiteto do Universo nos d esse imenso poder de escolher. Porque - lembremo-nos bem disso! - o nico aconteci-mento no mundo que podemos realmente controlar o que pen-samos e sentimos neste exato momento. Eis a o maravilhoso se-gredo da existncia! Somente ns, seja individualmente ou unidos num pensamento nico, temos, alm do Supremo Arquiteto do Universo, o poder de controlar e de direcionar nossas vidas.

    a mente humana que faz o Bem, a Felicidade, a Justia e a Perfeio. Tudo o que o ser humano realiza ou deixa de realizar na vida o resultado direto de seus pensamentos. Os maons, sendo homens que cultivam permanentemente a nobreza de carter e pensamentos sublimes, que so assduos no convvio com seus irmos, que sabem conservar-se limpos e puros e que se empenham no cultivo das virtudes, estes se tornaro - com tanta certeza quanto o a nossa crena na existncia do Supre-mo Arquiteto do Universo - a personificao da beleza, da fora e da sabedoria e sero exaltados e bem-aventurados.

    Quando encontramos um irmo, sabemos que como estar ante um espelho; ns nos projetamos nele e os aspectos positivos que percebemos so, na verdade, os nossos prprios, at porque parte de nossa personalidade s conseguimos visualizar quando refletida, projetada em outra pessoa; nosso relacionamento ga-nha leveza e se expande, porque o encontro de duas persona-lidades que se assemelham no carter e no valor moral. Cria-se um efeito sinergtico, no qual os efeitos combinados excedem a soma dos efeitos individuais e descobrimos que juntos somos muito superiores ao que poderamos ser sozinhos, o que gera alto potencial de sucesso para tudo o que desejarmos.

    O desejo de nosso querido e saudoso Irmo Mrio Dezer-to da Silva impulsionado pela sinergia, pela egrgora manica, pelo sonho bem sonhado tornou-se realidade. Seu ideal na Ma-onaria era propagar o Rito Brasileiro no Sul do Brasil, criando

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    esta Loja Unio Brasileira n 2085. Sua obra suplantou seu so-nho. Desta Loja originaram-se algumas dezenas de outras Lojas manicas do Rito Brasileiro no Estado de Santa Catarina e re-centemente uma no vizinho Estado do Rio Grande do Sul.

    O justo e perfeito ideal manico que renovamos semanal-mente em nossas Lojas infalivelmente alcanado.

    A viso manica de um mundo fraterno; o desejo sincero de servir Ordem Manica, Ptria e Humanidade, aliados incansvel obra de erguer, em nossos espritos, templos s mais puras virtudes do ser humano: com isso edificamos um mundo melhor, justo e perfeito, nele a fraternidade manica habita, e nele que todos os seres um dia iro conviver.

    Entregando a mensagemAo encerrar-se esse trabalho, em meu peito o corao, sino de minha alma, qual 2 Vigilante, martela mais alto, chamando meu esprito para mais um abrao fraterno e uma mensagem final.

    Nossos familiares, amigos fraternos, convidados especiais e simpatizantes da Ordem estiveram conosco ao longo destas pginas. E qual final de sesso magna, com mesas decoradas, arranjos de flores e um esmerado coquetel a ser servido, o gape vir na continuidade. Porque os no maons tambm entendem a mensagem manica de que o alimento do esprito vem pri-meiro. Afinal, quantos de ns se diriam bem alimentados espiri-tualmente? Quantos de ns ousariam pedir a Deus que nos tra-tasse nos prximos 33 anos como tratamos nossos semelhantes nos 33 anos passados?

    Por fimPrestamos mais uma vez nossa reverncia ao Ir:. M:. I:. Sebastio Maurcio dos Santos pela coragem de entregar-nos a misso da redao deste livro. O objetivo inicial, com j foi dito, era anotar o registro dos 30 anos de fundao da Loja Unio Brasileira.

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    Muitos ainda comentam sobre a beleza da sesso magna de aniversrio comemorada numa tera-feira, em 2010, dois dias antes do aniversrio de 19 de novembro, dia da Bandeira Na-cional e dia da fundao da Loja Unio Brasileira n 2085 em 1980. A sesso foi presidida pelo Ven:. M:. da Loja naquele ano manico, o Ir:. Sebastio Maurcio dos Santos. Lder inquestio-nvel, maom amado por todos, o Ir:. Maurcio imprime para sempre sua marca manica em nossos coraes com a edio deste livro, semente plantada e germinada em sua gesto, cuida-da, protegida e alimentada nas gestes dos Venerveis Mestres que o sucederam, Irmos Juliano Kremer e Fernando Zornitta Pimentel, e que agora frutifica

    Sabedores, todos ns, de que muitos outros fatos marcan-tes de nossa histria ainda precisam ser contados, deposito aqui minha sugesto para que novos missionrios empenhem-se em trazer luz aquelas histrias que ainda no foram escritas.

    Por fim, abrao fraternalmente voc, leitor.

    Construtores de um mundo melhorNominata dos membros da Loja Unio Brasileira n 2085, moti-vao maior da elaborao deste livro:

    Scios cotizantes:Adriano Tavares da Silva, 15Agenor Piasseski, 1Alberto Gonalves de Souza Jnior, 9Alcides Neves Jnior, 4Alex Pandolfo, 3Alexandre Vitorino, 4Alfredo Maurcio Neto, 2

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    Almir Elci Manoel, 9Andr Luiz da Silva Pinto, 1Antonio Bencz, 33Antnio da Mata Monteiro, 15Ari Carlos Rachadel, 15Arnaldo Emlio da Silva, 2Ary Rosa Junior, 9Augusto Rodrigues de Lisboa, 22Carlos Alfredo Schmidt, 33Carlos Clvis Becker, 2Carlos Roberto Garcia, 14Clvis Antonio Willimann Nunes, 4Daniel Barreto, 33Daniel Sonaglio, 9Djalma Machado Jardim Neto, 3Douglas Santos Brosse, 4Edson Bibiano de Lima, 1Edson Pinto Ribeiro, 18Eduardo Ferreira de Carvalho, 2Eduardo Ferreira Martins, 4Eduardo Remos Cidreira, 33Enrique Alfonso Muoz Medina, 4Ervino Renato Scheidt, 33Fbio Gomes Braga, 15Fbio Lange Ramos, 1Fernando Antnio Marinho, 22

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    Fernando Zornitta Pimentel, 22Gabriel Mouro Kazapi, 18Gabriel Silveira Platt, 1Giani Lee Geremias, 15Gileno Rodrigo de Mattos Boeira, 1Giovani Nascimento Santana, 1Giovani Surdi Debastiani, 3Guilherme Rodrigues de Lisboa, 33Gustavo da Silva Guesser, 1Haroldo Jos Medeiros da Silveira, 22Humberto Antonio Waltrick Moraes, 2Ismael Hardt de Carvalho, 1Israel de Jesus Lisboa, 33Ivan Robson Flores, 18Ivo Borchardt, 26Joo Carlos Vicente, 22Joo Roberto Wiese, 33Jorge Ricardo Silva, 26Jos Ailto Rosa, 33Jos Maria Zilli da Silva, 33Josu Ledra Leite, 15Juliano Keller do Vale, 3Jlio Garreton Seplveda, 1Julliano Clasen Kremer, 22Leonardo Borchardt, 22Leonardo Brognoli Lopes e Silva, 9

  • captulo IV | 125

    Luciano Soares de Oliveira Jnior, 22Luis Fernando Studer, 1Luiz Augusto Martins, 33Luiz Cludio Comarella, 22Marcelo Bohrer de Almeida, 9Marcio Maienberger Coelho, 22Marcos Fantazzini Lima, 9Marcos Genro de Brum, 3Marcos Paulo Marclio, 9Mrio Matias, 3Mauro Jos dos Santos, 22Mauro Luiz de Oliveira, 18Maykel de Jesus Silva, 19Moacir Antnio Marafon, 22Moacir Bandeira Ribeiro, 22Odair Santos da Cunha, 3Oldemar Jos Filipine, 18Osvaldo Cedrio dos Santos Jnior, 22Paulo Csar Sanches Ricardi, 22Paulo Ernani da Cunha Tatim, 19Radams Tiago Guerreiro Martini, 1Rafael Rodrigues Lopes, 4Raul Natal Garbin, 3Richard Westphal, 9Rodrigo Gondim Lssio, 3Roger Andrade dos Santos, 9

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    Ronaldo Cesar Leal, 4Rui Gabriel Kazapi, 15Sebastio Maurcio dos Santos, 19Sidney Nazareno da S. Cayres Berber, 2Slvio de Freitas Noronha, 18Thiago Silva Schutz, 2Ubaldo Cesar Balthazar, 22Walter Reidy Grams Ribas, 15Wan Yu Chih, 3Willian Westphal, 2

    Scios honorrios:Antnio Gouveia de Medeiros, 33Elmo Bittencourt, 33Ernesto Luiz da Silva Lecey, 33Evandro Bandeira Lecey, 33Ib Silva, 33Joo Jos Amorim, 33Nei Inocncio dos Santos, 33Ricardo Bandeira Lecey, 26Wagner Sandoval Barbosa, 33Walmor Backes, 33

    Saiba mais sobre os componentes da Loja Unio Brasileira e suas atividades acessando http://www.lojauniaobrasileira.com.br

  • Este livro foi composto com a Fonte Minion Pro 11.5/14.5,e impresso na Grfica Elbert

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