Levantamento Scio-Ambiental do Aventureiro

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Governo do Estado do Rio de Janeiro Fundao Estadual de Engenharia do Meio AmbienteLEVANTAMENTO SCIO-AMBIENTAL DA COMUNIDADE DO AVENTUREIRO, RESERVA BIOLGICA ESTADUAL DA PRAIA DO SUL E PARQUE MARINHO ESTADUAL DO AVENTUREIRO (verso preliminar).Autora: Deise Cristina L. C. S. e Benevides Chefe de Servio da Reserva Biolgica da Praia do Sul e Parque MarinhoEste documento descreve sucintamente informaes scio-ambientais sobre a comunidade do Aventureiro, a Reserva Biolgica Estadual da

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Governo do Estado do Rio de Janeiro Fundao Estadual de Engenharia do Meio Ambiente

LEVANTAMENTO SCIO-AMBIENTAL DA COMUNIDADE DO AVENTUREIRO, RESERVA BIOLGICA ESTADUAL DA PRAIA DO SUL E PARQUE MARINHO ESTADUAL DO AVENTUREIRO (verso preliminar).

Autora: Deise Cristina L. C. S. e Benevides Chefe de Servio da Reserva Biolgica da Praia do Sul e Parque Marinho

Este documento descreve sucintamente informaes scio-ambientais sobre a comunidade do Aventureiro, a Reserva Biolgica Estadual da Praia do Sul (RBPS) e o Parque Marinho Estadual do Aventureiro (PEMA), na Ilha Grande, Estado do Rio de Janeiro. Foi elaborado a partir do trabalho cotidiano da autora junto comunidade, como chefe de servio da Feema na REBIO Praia do Sul e PEM Aventureiro nos ltimos dois anos e, como moradora da comunidade, desde 2003. Este estudo expedito foi realizado em campo e levanta a realidade scio-ambiental da comunidade local e apreendeu parte do conhecimento acumulado pelos moradores sobre os ecossistemas e sobre suas expresses sociais, culturais e econmicas. Espera-se que este documento permita tanto a orientao dos moradores e gestores na conduo das prticas cotidianas da nova unidade, quanto ao planejamento, em mdio e longo prazo, das atividades de preservao e conservao ambiental e de promoo da qualidade de vida da comunidade local. Este primeiro esforo de elaborao participativa pode permitir a redao de uma primeira verso formal e a identificao de lacunas de conhecimento, assim como a indicao de aes para preench-las. Deve, portanto ter carter dinmico, sendo a ele incorporadas, periodicamente, novas informaes e recomendaes a partir do desenvolvimento de pesquisas tcnicas e cientficas, identificadas como prioritrias, e do monitoramento sistemtico das atividades e das decises tomadas pelas instncias gestoras da nova Unidade de Conservao. A organizao deste levantamento foi orientada por um estudo publicado pela WWF, sobre a implementao de Reservas de Desenvolvimento Sustentvel no Brasil.

LEVANTAMENTO DE INFORMAOES SCIO AMBIENTAIS DISPONVEIS SOBRE A REA Ao longo de geraes e a mais de dois sculos comprovadamente habitam famlias que possuem intensa relao de dependncia e adaptao com as condies ecolgicas locais e as formas de explorao dos recursos naturais so variadas e pouco impactantes, o que confirmado atravs da baixa densidade demogrfica. A utilizao de meios de produo simples, a ocorrncia de ecossistemas em bom estado de conservao e em condies que permitam uma oferta significativa de gua e das espcies utilizadas e a presena de traos culturais que refletem o conhecimento prtico dos ecossistemas

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locais, que no valorizam o excessivo acmulo de bens e capital. As atividades econmicas envolvem o turismo, artesanato, sistemas agroflorestais, pequena agricultura familiar diversificada, pesca e ciclagem de resduos orgnicos que j so conhecidas e praticadas pela comunidade e apresentam grande potencial de sustentabilidade para o local. Inicialmente, uma interao scio-ambiental que permite a sobrevivncia da comunidade caiara do Aventureiro est ligada a utilizao de gua doce que tem o seu abastecimento feito por quatro principais rios que podem ser considerados crregos e desembocam na praia do Aventureiro,e o rio do Simo Dias que desemboca no costo rochoso, prximo a Ponta da Resingueira. A utilizao da gua feita atravs de redes de abastecimento de mangueiras ou canos que chegam as caixas de gua, na maioria dos casos ocorre quebra das bias de conteno, que causada pela fora da gua em dias de chuva e bem comum as torneiras ficarem abertas constantemente ou terem suas caixas vazando por um ladro. Existem barragens feitas de pedras e cimento para o abastecimento particular, feitas nos leitos dos crregos e o SAAE construiu uma represa e instalou uma caixa de gua de 10000l para o abastecimento comunitrio que utilizada por poucas casas. Um fator que a comunidade e suas formas de utilizao da gua doce interferem no meio ambiente a eliminao de resduos domsticos diludos em gua. As fossas entram em contato direto com o solo, normalmente sem suspiro para gases e tm tamanhos entre dois e dez metros cbicos, muitas casas e estabelecimentos possuem at quatro fossas, devido ao enchimento dos sistemas de reteno de esgoto. A gua residual da maioria das residncias e estabelecimentos eliminada nos crregos, na praia ou em alguma encosta, sem que sofram nenhum tipo de tratamento. Entre as benfeitorias e moradias existe estreita dependncia dos recursos naturais procedentes de extrao e em todas as construes sem exceo, foram utilizadas rochas de crregos ou de algum lugar prximo da edificao, que so quebradas por tcnicas primitivas, a areia grossa das praias ou crregos e a argila proveniente de encostas. Isso est ligado qualidade de vida, quanto praticidade de se erguer residncias e seus anexos. Ao longo de vinte anos, muitos materiais de construo foram substitudos, como o revestimento dos telhados, que era feito de sap, as paredes eram erguidas com base de tramas de bambu, colunas de uma palmeira conhecida como Issara, e o preenchimento das paredes era de uma massa de argila com sap, o piso das casas eram de argila batida com a bainha das folhas de coqueiro e as paredes eram revestidas de um tipo de solo esbranquiado, com consistncia argilosa ; tabatinga, o que d um aspecto de massa corrida, estas construes, feitas artesanalmente so conhecidas como casas de estuque. Existem caractersticas semelhantes entre a arquitetura dos caiaras, casas de estuque, com janelas e portas pequenas feitas manualmente, so geralmente casas baixas e os com banheiros e cozinhas de fogo a lenha externos. Uma caracterstica peculiar so os foges de antigamente conhecidos como tacunduba e eram feitos com trs pedras em circulo, onde era encaixada a panela e a lenha queimava ao redor aquecendo as pedras e o alimento. Esta denominao dada ao fogo, identificada por mera semelhana com a pedra da Tacunduba, que est localizada entre a Reserva Biolgica da Praia do Sul, Parque Marinho do Aventureiro e Parque Estadual da Ilha Grande. As condies martimas apresentam um papel importante no comportamento social desta comunidade que est intimamente adaptada, tanto as intempries provindas do oceano quanto a utilizao de recursos naturais variados ao longo do ano, as variaes climticas tm influncia direta nas manifestaes sociais. O deslocamento pelo mar muito representativo diante de aspectos importantes como a escolaridade acima do sexto ano, os tratamentos e consultas mdicas, compras de leo diesel; fonte principal de energia para abastecer os barcos e geradores de energia eltrica, gs, alimentos, produtos e servios oferecidos no Continente. Conforme as estaes do ano as condies martimas se alteram e a comunidade se prepara para ressacas e2

maresias freqentes. As mars, os ventos, as formas das nuvens e muitos conhecimentos prticos sobre o meio facilitam a previso do tempo pelos caiaras. A pesca artesanal da tainha, historicamente ligada ao povo do Aventureiro ocorre no Parque Marinho do Aventureiro nas pocas da corrida da tainha. Antes da criao da Reserva, nas lagoas do Sul e Leste, cercados e redes de pesca que eram montados no brao que liga as lagoas, com madeira e pedaos de redes, como mecanismo de permitir a entrada e impedir a sada das tainhas na lagoa do Sul e assim era controlado o tamanho dos peixes extrados, as pocas de reproduo eram acompanhadas, essa atividade acontecia na forma de manejo e a utilizao dessa espcie, que exercia uma funo de subsistncia muito importante, devido a tainha ser grande fonte de energia, a gordura extrada dos peixes era combustvel para lamparinas, os peixes e ovas em demasia que no eram consumidos em poucos dias, eram salgados e os seus prazos de consumo so estendidos por mais de trs meses, a ova da tainha um complemento nutricional de imenso valor, mas o consumo de peixes das lagoas pela comunidade caiara do Aventureiro muito pequeno e a atividade de pesca de tainha atualmente se restringe a rea do Parque Marinho e no corresponde as expectativas, pois a pesca predatria reduziu muito o tamanho dos cardumes. H cerca de 100 anos atrs muitos conhecimentos sobre pesca artesanal ainda persistem e pescadores locais utilizavam de anzis e lanas de madeira, as fibras das razes de plantas como o imb, imberana, e timumpeba, o bambu e o cip-batata so utilizadas para o feitio de artefatos de pesca como o sambur, canios e cestarias e a confeco de redes de pesca por algumas famlias que so feitas em diferentes moldes e tamanhos para cada modalidade de pesca como: corvineiras, traineiras, arraste, cercada, cerco de espera, rede de espera e tarrafa. Estas modalidades de pesca so praticadas de acordo com cada poca do ano e a incidncia de especficos peixes. A pesca em traineiras de grande porte que trabalham na costa brasileira trouxe durante muitos anos renda para muitas famlias do Aventureiro, mas com a queda da produo pesqueira da sardinha, os homens desistiram e hoje pescam pelas proximidades do Parque Marinho do Aventureiro com suas redes, barcos e canoas. E quando as condies martimas permitem sempre tem algum morador pescando nos costes rochosos, ou de canoa, ou de barco, ou na areia. O conhecimento da fauna e a utilizao da coleta para alimentao, ou comercializao como o caso de peixes rico e diversificado, alm da pesca existem outras formas de explorao dos recursos faunsticos que esto adaptados a um sistema de coleta de alimentos voltados para a pesca, animais que so largamente utilizados por pescadores para se fazer isca, o camaro de gua doce; pitu, coletado nos crregos do Aventureiro e do Demo e o tatu coletado nas areias das praias do Aventureiro, Demo, Sul e Leste. Os crustceos como siris e caranguejos, moluscos bivalves como mexilhes e ostras so coletados para alimentao, nas pedras e costes rochosos. Entre o conhecimento prtico sobre fauna observado um a rpida identificao por moradores adultos, das pegadas, rastros, rudos, sons emitidos, ninhos, tocas, pocas de reproduo e locais estratgicos onde certos animais possam ser encontrados. No passado os animais caados poderiam ser considerados a base alimentar e poderiam ser consumidos mais de trs vezes na semana, dentre os animais caados, espcies de mamferos,rpteis e aves, com maior preferncia a lagartos, paca, cutia, tatu, pre, com peso corporal acima de dois quilos. Atualmente a caa praticada como forma de lazer, e muito reprimida, devido ao fato da existncia da lei dos crimes contra a fauna, ser de conhecimento dos moradores. Existe a extrao de diferentes tipos de madeira para : sustento de telhados ( jequitirao madeira, guapeba, guarana), colunas (casca- preta, guapeba, issara e varas de mangue), moinhos de mandioca, piles, gamelas (araarana e muutaba), cabos para enxadas e machados (murta, murici, guareta, remos (cubat de remo, cubitinga, caxeta) , canoas ( ing- flecha, cedro e guapuruvu), objetos domsticos (guaran e esporo de galo), artesanatos, rolos de canoas, lenha e no passado os caules de determinadas leguminosas eram utilizados para tingir tecidos.

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Atualmente no mais ocorre a confeco de canoas, devido a proibio do rgo ambiental, as rvores eram cortadas com machado e devem ter mais de sessenta centmetros de dimetro, no local do corte a rvore moldada com uma ferramenta chamada enx. Algumas famlias preservam a medicina tradicional, que muito utilizada e privilegiada pela distncia do atendimento mdico e so comuns canteiros medicinais prximos s casas e o conhecimento de espcies florestais, onde cascas de rvores, razes e folhas so utilizadas no tratamento de doenas. Ao redor de antigas runas e ao redor das casas facilmente observado pequenos sistemas agroflorestais, onde ao meio de espcies florestais, esto bambuzais, pequenos canaviais, coqueiros, bananeiras, rvores frutferas como fruta - po, cambuc, grumixama, carambola, laranja da terra, tangerina, limo, abacate, jabuticaba, jambo, goiaba, ara, pinha, manga, jaca e devido a caracterizao destes sistemas pode-se indicar a presena daquelas famlias na rea h mais de cem anos no mnimo. A agricultura marcou o passado de todas as famlias caiaras do Aventureiro, e era realizada na vertente leste das montanhas, cujos pontos mximos correspondem aos pontos 3, 4 e 5 do mapa dos limites da Reserva, e h 50 anos para trs era chamado o morro do capim-melado, no qual garantiu a subsistncia dessa populao durante mais de um sculo, o cultivo principal sempre foi o de mandioca, sendo observado em pelo menos oito variedades (mandiocas bravas, que so consumidas apenas na forma de farinha, devido a alta toxicidade, e so dos tipos: vareta, maric, preta e bordo de Santo Antonio e outras variedades, que podem ser consumidas como farinha ou simplesmente cozidas, so as mandiocas dos tipos: manteiga, rosa, roxa e branca), todo o processo de produo de farinha era e feito manualmente em casas de farinha e a produo anual por famlia chegava a mais de trezentos quilos e atualmente no passa dos cinquenta quilos, tambm j existiram cafezais e plantaes de arroz em algumas lavouras familiares, em geral as roas so uni familiares e apresentam uma agricultura diversificada, com a utilizao de aceiros para evitar a extenso das queimadas, as dimenses dos roados variam de cem a mil e duzentos metros quadrados e so plantados feijo, mandioca, milho, batata doce (com as variedades: marambaia, cambadinha, po e roxa), abbora , cana e outros muitos cultivares. Nos arredores do roado, sempre se encontram variedades de banana, que so observadas em quinze tipos: So Tom, flor, veiaco, de cachos, nanica, nanico, maranho, dgua, prata, preta, ouro, ma, porco, casada, da terra e tambm coqueiros, canaviais e bambuzais que so plantados para demarcar o territrio dos roados e das tigeras. Os cuidados dirios com os roados so principalmente para se evitar formigas, ervas daninhas e possveis invasores como mamferos roedores como as capivaras e roedores. Atualmente existem no mximo quinze reas de roados, enquanto outras reas esto em pousio e so denominadas as reas de tigera. A comunidade do Aventureiro e seus servios tursticos oferecidos produzem resduos slidos que so ensacados e acumulados em um ponto prximo ao cais e fazem contato direto com o solo do local. Uma rea vulnervel a inundao martima e estes resduos no sofrem qualquer processo de seleo ou limpeza e a presena de insetos e ratos, indicam a presena de matria orgnica ao meio do lixo domstico. O apelo turstico do local, no citando apenas o Aventureiro, mas a Ilha Grande em geral, leva a uma ligao ou interao do viajante com o meio e isso leva a interao quase que forada destes a conhecer todas as praias e locais de grande beleza cnica a que foram atrados. Entre as classes sociais existem variedades das formas de turismo e devido ao fato da Angra dos Reis ser uma cidade que abriga uma das maiores frotas de lanchas particulares no Brasil e dessa forma a Ilha Grande se torna mais acessvel tanto por lanchas, quanto por helicpteros ou pequenos avies, os turistas praticantes de treking, tambm aparecem com grande freqncia. vindos do Abrao pela trilha da Parnaioca. Neste tipo de turismo de rpido e fcil acesso so realizadas muitas vezes coletas de seres vivos, mergulhos e caa submarina, nos limites da Reserva e Parque Marinho, tais evidencias de irregularidades ambientais so descobertas com peculiar rapidez pelos caiaras do Aventureiro, que so fieis exploradores do local e na maioria das vezes observa de perto muitos tipos de explorao feitas por visitantes.

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IDENTIFICAO E SISTEMATIZAO DE LACUNAS DE CONHECIMENTO. No passado, por volta de 60 anos muitos antigos moradores locais efetuaram venda de terrenos com grandes extenses, e existe a possibilidade desses documentos de propriedade ainda estarem sobre juzo, apesar de a populao tradicional residir no local e ocupar a rea em questo, possuindo ttulos de ocupao de terrenos da Unio, anualmente sendo cobrados. Portanto so desconhecidos os detentores de documentos que comprovem a posse de terrenos no local. Possivelmente muitos exemplares da diversidade da Ilha Grande, sendo eles terrestres, ou aquticos, conhecidos por nomes vulgares, localmente conhecidos pela comunidade caiara, possivelmente no possuem identificao cientfica. IDENTIFICAO, EM CAMPO, DOS DIVERSOS SEGMENTOS SOCIOCULTURAIS, ECONMICOS E POLTICOS ENVOLVIDOS COM A REA A SER PROTEGIDA. Os segmentos socioculturais so os mais antigos, devido a cultura , tanto a tradio ligada ao catolicismo, quanto as condies de isolamento do ambiente natural, que no propicia muitas mudanas culturais, a no ser pela atrao de turistas, que alterou o perfil do caiara local, estes que vivem principalmente da oferta de recursos utilizados ao longo de geraes. O que diz respeito pesca e ainda existe, a pescaria da lula que ocorre normalmente na primavera e vero e coincidi com o fenmeno de ressurgncias martimas e muitos moradores cumprem como um ritual e saem todos os dias de madrugada para pescar, podem chegar a trs meses de durao o perodo da pesca da lula e aumenta significativamente a renda familiar,pela venda da lula, o araste de praia, tambm causa comoo de boa parte da comunidade que de canoa ou a p, vo at o local e quando preciso, ajudam a puxar a rede para a areia, ocorre nas praias do Parque Marinho do Aventureiro, outros costumes como a prpria confeco dos artefatos de pesca, caa, agricultura esto presentes em quase todas as casas. A arquitetura primitiva, o conhecimento prtico do meio sobre detalhes da flora, fauna, solos, clima e cultivos de animais e plantaes de forma rstica, est impregnado muitas vezes na linguagem, no olhar, na desconfiana, no isolamento das mulheres e crianas em casa. A igreja local representa uma instituio muito importante culturalmente e h mais de 120 anos acontece uma comemorao festiva acompanhada de missa, onde so batizadas as crianas do local, uma procisso e um leilo para arrecadao de fundos para a igreja, em homenagem a padroeira do local; a Santa Cruz, nessa festa a maioria dos moradores, antigos moradores e seus amigos e familiares participam e colaboram com os preparativos, alm do festeiro oficial e sua equipe que so sempre escolhidos na festa do ano anterior. Dentre os moradores existe um exemplo de solidariedade entre os afins ou familiares que diante situaes em que a ajuda de poucas ou muitas pessoas necessria. Como a construo de casas, carregamentos pesados, fazer colheita de algum cultivar de feijo, milho, mandioca, fazer farinha, fazer canoa ou simples coisas como desmalhar os peixes de uma rede, ajudar num arraste de peixes, cuidados com crianas e dessa forma vo trocando gentilezas e estruturando vnculos. A organizao econmica da comunidade est composta por ncleos familiares que so fechados em uma ou mais famlias com vnculos familiares estreitos, como pais e filhos, apesar dos ncleos familiares poderem ter uma ou mais famlias, cada unidade familiar possui estruturas econmicas individuais de subsistncia, que provem de salrios, ou aposentadorias, ou penses e

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outras fontes de renda, alm dos recursos naturais extrados que so indispensveis e servem de complemento na renda e isso inclui gua doce, frutos do mar, bananas, cocos, frutos, argila, cips e plantas medicinais, que so recursos naturais que possuem ofertas significativas e no exigem grandes esforos para a explorao e utilizao destes no local, o que fornece subsdios para melhorar muito a qualidade de vida dessas pessoas. Dentre os moradores que possuem vinculo empregatcio com um rgo pblico, existem representaes em cargos municipais ( professora, agente comunitrio de sade, merendeira escolar, zelador escolar, 4 garis), estaduais (3 servidores da FEEMA). A rea em questao est sob tutela dos rgos ambientais do Governo do Estado do Rio de Janeiro ( IEF e FEEMA), mas devido algumas instituies municipais beneficiarem os moradores, como escola primria at o quinto ano, limpeza pblica da praia do Aventureiro, recolhimento do lixo no cais uma vez por ms e resgates emergenciais realizados pela Defesa Civil, ocorrem operaes de levantamentos residenciais e topogrficos, alem da cobrana anual do IPTU realizados pela Prefeitura de Angra dos Reis na praia do Aventureiro. A comunidade caiara do Aventureiro vota no municpio de Angra dos Reis, na praia do Provet, Ilha Grande. Diante da regularizao da permanncia dessa comunidade na rea em questo as ongs Sociedade Angrense de Proteo Ecolgica (SAP) e o Comit de Defesa da Ilha Grande (CODIG), so instituies que vm prestado muito apoio e esclarecimentos. LEVANTAMENTO RPIDO, BIOFSICAS DA REA. EM CAMPO, DAS PRINCIPAIS CARACTERISTICAS

A praia do Aventureiro, posicionada na parte Sul da Ilha Grande, voltada para a vertente Leste, est dentro de uma enseada, denominada Saco do Aventureiro, rea de Mata Atlntica, com caractersticas de floresta ombrfila mista nas proximidades da praia e costo rochoso. A floresta ombrfila presente nas encostas e matas ciliares, com composies florsticas que indicam reas com idades entre cinco e cem anos de regenerao, apresentando reas acima da cota altimtrica de 250 metros que possuem florestas em bom estado de conservao, possivelmente com idades acima de 70 anos, acima dessa faixa perceptvel uma rea em que foi incendiada acidentalmente h 40 anos atrs, o fogo atravessou pela vertente oposta e abismou a populao com labaredas de mais de 10 metros de altura, que desciam a montanha. A zona de ocupao da comunidade est centralizada abaixo da cota altimtrica de 40m, com pouca declividade, abrange a extenso da praia do Aventureiro e parte de um costo rochoso, possui uma rea com aproximadamente 30 ha., a comunidade abastecida de quatro principais fontes de gua doce (pequenos rios com leitos de at trs metros de largura). Uma rea circundante a esta, que est acima da rea de ocupao e atinge a cota altimtrica 250, possui declividades acima de 40 graus, e so observadas a agricultura diversificada e a retirada de gua em mangueiras. Acima dessa cota observada extrao de madeira em pequena escala e a caa. A pluviosidade marcada por um inverno seco e um vero que chega a chover por at duas semanas, a direo e velocidade dos ventos tambm so determinantes para as mudanas climticas, e so observados pela comunidade com muita ateno. IDENTIFICAO PRELIMINAR DO ESTADO DOS ECOSSISTEMAS ABRANGIDOS E AVALIAO DA POSSIBILIDADE DA RECUPERAAO DE REAS DEGRADADAS. Os ecossistemas do Parque Marinho, que vm sendo sensibilizados pela pesca predatria, desde muito antes de sua criao, sofrendo reduo na diversidade e na quantidade de peixes ao longo de 25 anos, mas a pesca no local ainda garante parte da fonte protica consumida pelos

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moradores locais. No entanto podese considerar que o estado do ecossistema marinho est muito prejudicado e muitas espcies so encontradas raramente. Dentre possibilidades de recuperao da frao do ecossistema marinho em que a comunidade utiliza, a rea do Parque Marinho compreende a uma boa parte. Dentre avaliaes de possibilidades de recuperao deve-se a respeito da legislao pertinente ao Parque Marinho, mas as pescarias predatrias ocorrem geralmente durante a noite e a fiscalizao prejudicada, dessa forma a implantao de recifes artificiais por toda rea do Parque Marinho inviabilizaria muitas modalidades de pesca e iria criar condies viveis para que se estabeleam novos ambientes protegidos. Tal implantao envolveria segmentos sociais importantes para o desenvolvimento sustentvel da comunidade caiara do Aventureiro. A hidrografia, ou a poro de ecossistemas aquticos de gua doce em que abrangem os contatos freqentes da comunidade caiara est relacionada diretamente aos sistemas lagunares das Praias do Sul e do Leste que sofrem influncia direta das mars e so praticamente monitorados pelos caadores e moradores de muitas praias da Ilha Grande. Num aspecto de preservao, recuperao, defesa e manuteno da diversidade biolgica, a presena de membros da comunidade caiara do Aventureiro que convivem e habitualmente percorrem a grande plancie das lagoas pode ser vista de forma positiva, pois, se fizessem isso com a freqncia que fazem, porm com um carter conservacionista e impedindo formas ilegais de caa e pesca, iriam participar efetivamente da proteo ambiental, sabendo que apenas a comunidade caiara do Aventureiro seria beneficiada pela forma de utilizao sustentvel de recursos naturais, como peixes e moluscos. A rea ocupada possui quatro pequenos leitos de crregos fragilizados, assoreados em boa parte de suas margens e a mata ciliar at a cota 40 est muito comprometida por descaracterizaes na flora, ou devido a cortes providenciais, ou roados, ou so reas de serventia domstica, ou foram substitudos para o plantio de bananais. Dentre maneiras de recuperao dos crregos, seria uma recaracterizao natural das margens, desde a regio prejudicada, onde o leito possui declives e muitas rochas, at a rea de praia sem declives e com caractersticas de um pequeno mangue, realizando a retirada de espcies indesejveis, ou que esteja descaracterizando o ambiente e o plantio de mudas, produzidas atravs de matrizes da rea da Reserva Biolgica . Um detalhe fundamental, a construo de sistemas ecolgicos de saneamento bsico e conscientizar a comunidade em relao ao uso da gua dos crregos, e de como so delicados esses pequenos ecossistemas hidrulicos e de como respondem negativamente a usos inadequados, como a retirada de pedras e areia e o lanamento de resduos domsticos . No que abrange a zona de ocupao que onde a comunidade possui contato direto com o solo, no existe nenhuma rea completamente degradada, a no ser os quintais, roas e tigeras recentes, a vegetao na zona de ocupao bastante descaracterizada por espcies que no so nativas da Mata Atlntica. Acima da cota 40, existe uma vegetao nativa muito mais presente, em desenvolvimento constante, entremeada por roados. Acima a cota 200 sentida a falta de muitas espcies florestais, como maaranduba, muutaba, ing-flecha, palmeira issara, espcies de Ip, entre outras madeiras resistentes, representantes de mata secundria tardia e primria que so raramente encontradas. A possibilidade de marcaes de matrizes das espcies mais raras na rea da Reserva uma forma de manuteno da diversidade e dessa forma fazer a produo de mudas de rvores e de plantas medicinais mais utilizadas para que sejam introduzidas na rea em questo, numa forma de manejo, provocando o regate cultural, e o uso comunitrio dos recursos. SISTEMATIZAO E ANLISE DO TIPODE OCUPAO DA REA. A rea de ocupao, onde se encontram as residncias e seus anexos, atingem seu ponto mximo, entre a cota 40 e 50, composta por construes uni pavimentadas, sem laje e com

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reas inferiores a 100 metros quadrados, nessa zona existem 53 edificaes, sendo duas de patrimnio do rgo ambiental do Estado do Rio de Janeiro, uma escola do Municpio de Angra dos Reis, onze casas de veraneio ( pessoas sem vnculos com o local), trs casas de posse de moradores locais alugadas para terceiros, quatro casas vazias, trs casas de farinha; onde feito o beneficiamento da mandioca, vinte e nove casas habitadas por moradores locais e dezesseis casinhas para geradores de energia. Seis pequenos ranchos que so divididos entre afins, prximos praia, onde so guardadas as canoas e redes. As reas exploradas para camping se encontram nos quintais de vinte residncias de moradores locais. A rea acima da cota 40 e a faixa de areia podem ser consideradas de uso comunitrio, para utilizao de recursos naturais e lazer. O contingente de moradores oscila entre 85 e100 moradores, devido a famlias locais que residem em Angra por motivos particulares e passam feriados e pocas de temporada no Aventureiro. LEVANTAMENTO DO CONTINGENTE DE RECURSOS NATURAIS DA REA. NO MORADORES USURIOS DOS

Considerando a rea da Reserva Biolgica, os moradores da Praia do Provet, caam, capturam pssaros e pescam no Parque Marinho, em embarcaes com sonda, sonar e redes maiores que 1 km de extenso, havendo excees de pescadores artesanais do local, que colocam redes de espera, pescam garoupa, lula e outros tipos de pescaria. Os moradores das praias da Longa, Araatiba, Vermelha, Tapera e Sitio Forte, caam e pescam nas lagoas indiscriminadamente, na rea da Reserva comum se encontrar armadilhas e as picadas de caadores e restos de fogueiras de seus acampamentos, muitos equipamentos de pesca, como redes e botes esto escondidos entre a vegetao ao redor das lagoas do Sul e do Leste. LEVANTAMENTO DAS FORMAS E GRAUS DE ORGANIZAO SOCIAL E PRODUTIVA. A comunidade caiara do Aventureiro, composta por ncleos familiares bem definidos, as funes de homens e mulheres so divididas, os homens interagem socialmente, entre si e com turistas na praia, enquanto as mulheres so mais caseiras e caladas. As residncias com proximidade so normalmente de pais e filhos, que se casam e constroem suas casas prximas a dos seus pais. A organizao produtiva envolve desde segmentos mais primitivos, como a agricultura familiar diversificada, que no envolvem fertilizantes nem pesticidas, at a mxima organizao, entre os homens, nos momentos em que vo cercar de canoas os cardumes de peixes prximos do costo rochoso, ou na beira da praia. O turismo foi a atividade que mais gerou renda e isso levou a comunidade a um nvel de organizao produtiva mais elevada. A associao de moradores do Aventureiro tem um papel fundamental no aspecto de organizao social, pois alm de incentivar os moradores a se organizarem em aes positivas, tambm realiza a funo de receber os turistas, os encaminharem aos campings, realizando a cobrana de dirias com preos tabelados, registrando cada visitante e distribuindo a renda entre os donos dos campings, essa atitude acabou com a inadimplncia de alguns turistas e evitou a permanncia de pessoas dormindo ou acampando nas praias. Os proprietrios de barco do local possuem uma posio privilegiada, pois realizam pescarias, levam o pescado para vender no Continente, fazem fretes e tm a liberdade de irem e voltarem para Angra quando necessitam ou os convm.

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AVALIAO PRELIMINAR SOBRE O POTENCIAL DE SUSTENTABILIDADE ECNOMICA E AMBIENTAL DAS ATIVIDADES DE EXPLORACAO DE ESPAOS E RECURSOS NATURAIS. Visto que a sustentabilidade econmica se abre em muitas vertentes relativas ao turismo de qualidade. O potencial de sustentabilidade econmica poderia englobar passeios terrestres com guias, martimos em barcos de moradores, o servio de bares e restaurantes, a venda de artesanatos, a reciclagem, reaproveitamento ou venda do lixo produzido, a produo de um viveiro de plantas ornamentais, a construo de um espao comunitrio com quiosques, apicultura, a construo de um museu caiara, com apresentao de vdeos, artesanatos, artefatos culturais e cursos de artesanato local, a criao de um logotipo para produtos produzidos pelos moradores locais. A sustentabilidade ambiental, diante de tantas perspectivas possveis, fica ameaada, sabendo a enorme carncia de informaes e a necessidade de se aplicar um curso intensivo de educao ambiental, voltado para adultos analfabetos e semi-analfabetos, crianas e jovens. Devem ser previstas aes de apoio organizao social e produtiva dessa comunidade, que privilegie o aprimoramento das prticas e formas de atuao j existentes.

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Mapa de Casas e Roas da Praia do Aventureiro (2008)

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LEGENDA MAPA Quadrados cor de abbora : roas Linhas pretas : crregos Crculos brancos: casas 123456789101112131415161718192021222324Eliane / veraneio Manoel/ vazia Manoel/ camping Roberto/ veraneio A. Osrio/ vazia Duas casas/ veraneio Ansio/ veraneio Alexandre/ veraneio Angelina /vazia Zuleica Sidney Lucia Vera/ veraneio Sidney/ casa de farinha/ bar/camping Zuleica/ bar/ camping/ casa de farinha Duas casas FEEMA Escola Ruben/ camping Adriana /alugada Cida Djamil/bar/ camping Mrio/bar/camping Valdomiro/camping Criste

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2526272829303132333435363738394041424344454647-

Flvio Jorge/ camping Amarildo/camping Cludio Adilson/ camping Vagner Neuzeli Roberto/veraneio Larissa/bar/ camping ( no local) Magali/veraneio Clementino/ camping Z/ camping/ casa de farinha Edinaldo/camping Roseno/ bar/ camping Oldair Antonio/ bar/ camping Zeca/ camping Chal Benedito/ camping Luiz/bar/ camping Alexandre/ veraneio Luciano/camping Lucia/vazia

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