Jornal de Teatro Edio Nr.06

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Jornal de Teatro

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ENTREVISTAVera Zimmermann fala sobre TV, teatro, vida, carreira, Nelson Rodrigues...Uma publicao da Aver Editora - 1 a 15 de Julho de 2009 - Ano I N 6 R$ 5,00Pg. 7Dada a largada para o perodo de festivaisCelia Aguiar / Divulgao DivulgaoMARKETING CULTURALAgentes: t-los ou no t-los, eis a questoEm um mercado cada vez mais fechado, presena do agente tem se tornado fundamental, embora nem todos pensem assimPg. 8INTERNACIONALDivulgaoTeatro Maipo, o smbolo de uma poca na ArgentinaConhea a histria de um lugar mtico, considerado a catedral do Teatro de Revista Portenha, em meio a comediantes e vedetes.Pg. 23Vtima de cncer, Pina morreu dia 30DANAHOMENAGEMEmoo flor da pele no Festival Ballace Bahia, em CamaariPgs. 10 e 11Teatro-dana perde sua criadora: Pina Bausch, aos 68 anosPg. 20Canela (RS), Florianpolis (SC), Londrina (PR), So Jos do Rio Preto (SP) e Joinville (SC). Estes so os endereos dos principais festivais de teatro, de dana e de inmeras outras formas de arte que acontecem nos meses de junho e julho. Motivo de alegria no s para os artistas, mas, principalmente, para a plateia (de todos os gostos e exigncias), que poder acompanhar bem de perto o talento de gente apaixonada pelo que faz e que se esmera para agradar e emocionar este respeitvel pblico.Pags. 12 a 18Divulgao Anderson EspinosaCarlos Roberto / DivulgaoAcrobacias no Festival de Londrina (PR)Espetculos de rua em So Jos do Rio PretoJos Wilker, Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Paulo Gracindo, Orlando Miranda e Maria Pompeo debatem a criao da Lei n 6.533, em 1978HISTRIAA arte de uma lei que d voz para os artistasDecreto publicado h mais de 30 anos garante respeito classe artstica, que faz valer a sua dignidade, sua honra e seus direitos.Pg. 22As muitas faces do dramaturgo Tom StoppardFigura emblemtica, Sir Tom Sttopard, um dos mais importantes nomes do teatro mundial, ter nova pea encenada no Brasil.Pg. 21VIDA E OBRAInovao na capital catarinenseCaras e bocas para agitar Canela (RS)21 a 15 de Julho de 2009Jornal de TeatroNunca foi to barato viajar em julho, agosto e setembro. A CVC d descontos incrveis, de at 50%, para quem quer viajar pelo Brasil, para o exterior ou fazer um cruzeiro martimo. Consulte seu agente de viagem ou v loja CVC mais prxima. Confie nos 37 anos da maior operadora de turismo das Amricas. Quer viajar barato nos meses de julho, agosto e setembro? Viaje com a CVC. Acesse nosso site e saiba qual a loja ou agente de viagem mais prximo de voc.www.cvc.com.br/brasilPromoo vlida para compras realizadas entre 27/junho e 3/julho/09 e embarques em julho, agosto e setembro. Vlida para pacotes determinados e no para todos. Consulte a relao de ofertas em nossas lojas ou no seu agente de viagem. Crdito sujeito a aprovao.Quer garantir sua viagem de frias pagando muito pouco? A hora agora.Jornal de Teatro1 a 15 de Julho de 2009Celia Aguiar / DivulgaoFESTIVAISJunho e julho marcam o perodo dos festivais de teatro, de dana e de todas as artes que emocionam o pblico em cinco cidade brasileiras Pgs.: 12 a 18Encontra a luz, arruma o cenrio..Editorial3ndiceBASTIDORES.............................................................. 5Teatro do OprimidoAugusto Boal ser homenageado em conferncia internacional que acontece em julho no Rio de JaneiroEDITAIS..................................................................... 9FunarteFundao Nacional de Artes lana trs editais para viabilizar 86 projetos no setor artsticoFESTIVAIS...............................................................14FILOFestival Internacional de Londrina discute Acessibilidade Para a Democratizao da Cultura hora de aproveitar esse espao nobre do jornal para agradecer as pessoas que encontramos at aqui. Uso o verbo encontrar no com o sentido de achar ou descobrir, mas com o signicado de tornar prximo. Encontros internos de uma equipe localizada em seis cidades diferentes e com experincias e formaes variadas. Encontros de ideias artsticas espalhadas pelo Brasil. Encontros de referncias e problemas brasileiros que tambm podem ser percebidos em outros palcos. Encontro de paixo e trabalho para um espetculo que no se encerra com o aplauso. Enm, o encontro nunca esteve to presente em uma edio do Jornal de Teatro, e isso acontece, em grande parte, pela presena marcante das matrias de Festivais. Para mim, este um reencontro com estes eventos que sempre me fascinaram pela experincia oferecida de conferir espetculos s vezes to diferentes nos mesmos palcos. O principal dos Festivais so as pessoas que o formam, que deixam suas cidades (ora vencem diculdades) para divulgar ou projetar seus trabalhos para novos pblicos. Essa edio vem tambm com essa proposta de encontrar agora no sentido de descobrir e mais ainda, de redescobrir novos pblicos que tragam as ideias para novos trabalhos. Para isso, nada melhor que dedicar grande parte de nossas pginas aos maiores incentivadores do intercmbio teatral brasileiro: os festivais, que fervilham pelo Pas principalmente nos meses de junho e julho; e as companhias que no tem os ps grudados no mesmo palco e se jogam atrs de novos encontros. Encontra a luz, arruma o cenrio, embala os gurinos e cuida da caixa de maquiagem. Depois do jantar senta na cama do hotel, passa o texto ou ensaia mais uma vez a coreograa e faz as contas para ver como est a verba da produo. No dia seguinte, divulga o espetculo e pensa na prxima turn. Onde est a arte na rotina destes empreendedores culturais? Me atrevo a uma resposta: nos encontros que acontecem nesses intervalos, sejam fora ou dentro do palco.Rodrigoh Bueno Editor do Jornal de TeatroTCNICA .................................................................19Theo WerneckO multiartista fala de sua experincia com sonoplastia teatral. O msico est em cartaz com A Vida Que Pedi, AdeusCartasPARABNS PELA EDIO DE 16 A 30 DE JUNHO toda equipe de colaboradores do Jornal de Teatro, Parabns pela edio que est linda e de excelente nvel cultural e artstico. Em especial ao reprter Felipe Sil pela matria sobre a Tnia Carrero que est incrvel, um excelente texto. Atenciosamente Cia de Teatro Contemporneo Rua Conde de Iraj 253 Botafogo - tels.: 21 25375204 ou 31832391 www.ciadeteatrocontemporaneo.com.brEmail Redao: redacao@jornaldeteatro.com.br Arte: Ana Canto, Bruno Pacheco, Danilo Braga, Gabriela de Freitas e Keila Casarin. Marketing: Bruno Rangel (brunorangel@avereditora.com.br) e Diego Silva Costa Comercial: Washington Ramalho (ramalho@avereditora.com.br) Administrao: Elisngela Delabilia (elis@avereditora.com.br) Colaboradores: Adriano Fanti e Luciana Chama Correspondncia e Assinaturas: Redao So Paulo: Rua da Consolao, 1992 - 10 andar - CEP: 01302-000 - So Paulo (SP) Fone/FAX: (11) 3257.0577Impresso: F. Cmara Grfica e EditoraINTERNACIONAL.................................................... 23Teatro MaipoHistrias e curiosidades da catedral da Revista, a centenria casa de espetculos de Buenos AiresRedao Rio de Janeiro: Rua General Padilha, 134 - So Cristvo - Rio de Janeiro (RJ). CEP: 20920-390 - Fone/Fax: (21) 2509-1675 Redao Braslia: SCN QD 01 BL F America Office Tower - Sala: 1209 - Asa Norte Braslia (DF) - CEP: 70711-905. Tel.: (61) 3327-1449 Redao Porto Alegre: Rua Jos de Alencar, 386 - sala 802/803 - Menino Deus - Porto Alegre (RS). CEP: 90880-480. Tel.: (51) 3231-3745 / 3231-3734 Redao Florianpolis: Av. Osmar Cunha, 251 - sala 503, Ed. Prola Negra, Centro Florianpolis (SC). CEP: 88015-200. Tel.: (48) 3224-2388 Redao Salvador: Rua Jos Peroba, 275, sala 401 - Ed. Metrpolis, Costa Azul, Salvador / BA. CEP: 41770-235 Tel.: (71) 3017-1938Presidente: Cludio Magnavita Castro magnavita@avereditora.com.br Vice-presidentes: Helcio Estrella helcio@avereditora.com.br Anderson Espinosa a.espinosa@avereditora.com.brPresidente: Cludio Magnavita Diretores: Jarbas Homem de Mello, Anderson Espinosa e Fernando Nogueira Redao: Rodrigo Figueiredo (editor-chefe), Rodrigoh Bueno (editor) e Fernando Pratti (chefe de reportagem) Rio de Janeiro - Alysson Cardinali Neto, Daniel Pinton, Douglas de Barros e Felipe Sil So Paulo - Danilo Braga, Ive Andrade e Pablo Ribera Barbery Braslia - Alexandre Gonzaga, Dominique Belbenoit, Renata Hermeto e Srgio Nery Porto Alegre - Adriana Machado e Felipe Prestes Florianpolis - Adoniran Peres Salvador - Paloma Jacobinawww.avereditora.com.brPublicaes da Aver Editora: Jornal de Turismo - Aviao em Revista - JT Magazine - Jornal Informe do Empresriow w w. j o r n a l d e t e a t r o . c o m . b r41 a 15 de Julho de 2009Jornal de TeatroCONSTRUO DO TEATRO MUNICIPAL GERA POLMICA EM BALNERIO CAMBORI Depois de conseguir passar por um abaixo-assinado feito pela prpria populao pedindo o m do projeto, o Teatro Municipal de Balnerio Cambori motivo de nova polmica: a obra no deve ser entregue dentro do prazo previsto. O prazo de concluso, apresentado pela Prefeitura, foi para novembro deste ano, mas, segundo fontes da cidade, a obra est bastante atrasada e a empresa que venceu a licitao para o empreendimento requer um valor maior que os R$ 3,1 milhes liberados. Essa confuso retoma uma discusso que j havia entre os moradores e a Prefeitura. O teatro est localizado na antiga praa Bruno Nitz, que, segundo os moradores, era um dos poucos espaos pblicos ainda existentes na cidade e, segundo o projeto, o Teatro no contaria com estacionamento para o pblico. FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE DOURADOS SELECIONA ESPETCULOS A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e o Instituto para o Desenvolvimento da Arte e da Cultura (IDAC) publicaram o edital para seleo de espetculos da edio 2009 do Festival Internacional de Teatro de Dourados/Mato Grosso do Sul (FIT - Dourados). O festival acontece de 8 a 16 de setembro e homenagear o diretor e dramaturgo Augusto Boal. O evento conta com quatro mostras: regional, universitria, nacional e internacional, sendo os espetculos para as mostras regional e universitrio selecionados por meio de edital, enquanto que para as mostras nacional e internacional sero convidados pela organizao. Os grupos interessados podero fazer suas inscries pelo site www. ufgd.edu.br/proex/coc at o dia 15 de julho. A divulgao dos selecionados acontece at o dia 3 de agosto. OPINIO DE GENTE GRANDE NO RECIFE Um novo espetculo de Ana Elizabeth Japi Motta j est sendo produzido em Recife. E, para ajudar na dramaturgia da pea, a diretora foi a campo para saber o que as crianas pensam da cidade ideal. Contemplada com uma bolsa de estmulo criao artstica da Funarte, a pesquisadora coletou depoimentos de crianas de 8 a 10 anos de seis escolas do Recife, entre instituies pblicas e privadas. No processo, convidava alunos para manipularem um jogo que contm pequenos blocos de madeira para construo de edicaes em miniatura. Os jogos e as impresses de Ana Elizabeth e de seu grupo, o Marco Zero, resultaro em um espetculo com estreia prevista para outubro.BastidoresEstreia dia 4 de julho, no Teatro Coletivo Fbrica, em So Paulo, a pea Contos de Mulheres Sbias, baseada em contos de tradio oral reunidos pela escritora Regina Machado no livro O Violino Cigano e outros contos de mulheres sbias.Flvio MoraesFotos: DivulgaoCONTAO DE HISTRIA PARA MULHERES SBIASA montagem da Cia. P na Porta e rene quatro histrias que tm como tema central a mulher como arqutipo de qualidades e possibilidades humanas. Contos de Mulheres Sbias encenado por trs jovens atores (Andr Martins, Daniela Mota e Patrcia Sinhorini), e tem a direo de Simone Grande e Kika Antunes famosas no gnero da Contao de Histrias. PORTO ALEGRE EM CENA SELECIONADO COMO EVENTO GERADOR DE FLUXO TURSTICO O Festival Internacional de Teatro Porto Alegre em Cena, realizado na capital gacha h 16 anos, est entre os 25 projetos selecionados no Pas pelo Ministrio do Turismo, como Eventos Geradores de Fluxo Turstico. Em 2009, dez estados brasileiros inscreveram projetos: Bahia, Cear, Gois, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, So Paulo e Rio Grande do Sul. A 16 edio do Porto Alegre em Cena acontece em setembro, entre os dias 8 e 21.ZORRO O MUSICAL A famosa marca da espada de Zorro estar nos palcos brasileiros com Zorro O Musical, espetculo ainda sem previso de estreia, mas que j contou com audies no nal de junho, em So Paulo. O texto uma verso da montagem londrina, que estreou com grande sucesso em maro de 2009, na Inglaterra, baseado no livro de Isabel Allende. O ritmo cigano estar presente nas danas amencas e na trilha sonora composta por canes novas e clssicas do grupo Gipsy Kings, como Bambeleo, Baila Me e Djobi Djoba.Pea mostra folclore do Vale do ParabaMARIA PEREGRINA ENCERRA TEMPORADA NA FUNARTE SO PAULO O premiado espetculo Maria Peregrina, de Lus Alberto de Abreu, segue com a temporada at o dia 19 de julho, no Teatro de Arena Eugnio Kusnet. No palco, sob direo de Claudio Mendel, esto os atores Adriana Barja, Vander Palma, Conceio de Castro, Caren Ruaro, Andr Ravasco e Tamara Cardoso. O enredo, transitando entre o drama e a comdia, apresenta trs histrias distintas que narram o universo da santa popular Maria Peregrina. Conhecida como Nega do Saco ou Maria do Saco, ela viveu mais de 20 anos nas ruas de Santana, um dos bairros mais antigos de So Jos dos Campos (SP). Aps a sua morte, em 1964, passou a ser considerada santa popular, integrando o universo folclrico do Vale do Paraba. A pea Maria Peregrina tem uma histria de nove anos em cartaz e, aps sua estreia, em junho de 2000, registra uma trajetria com 40 prmios, 200 apresentaes e um pblico estimado de 70 mil espectadores. Entre as premiaes, destaque para o autor, que ganhou o Prmio Shell 2003, e no 30 Festival Nacional de Teatro de Ponta Grossa (PR) 2002 como Melhor Espetculo, Melhor Direo, Melhor Atriz (Andria Barros), Melhor Atriz Coadjuvante (Conceio de Castro), Melhor Cenrio, Melhor Figurino e Melhor Autor Nacional. A pea viajou pelo interior de So Paulo e pela Capital com o sucesso de pblico e crtica, participando tambm de festivais importantes por todo o Brasil.Festival realizado h 16 anos no RSMan Gostoso tem msicas de Luiz Gonzaga em seu repertrioBALLET STAGIUM DE UM JEITINHO GOSTOSO Entre os dias 9 e 12 de julho possvel conferir, no Teatro Dana, em So Paulo, o espetculo Man Gostoso, produo do Ballet Stagium. O ttulo Man Gostoso uma aluso ao boneco feito em madeira brinquedo infantil facilmente encontrado nas feiras nordestinas e que tem pernas e braos movimentados por meio de cordes. A coreograa de Decio Otero uma leitura moderna da cultura popular nordestina, com trilha sonora assinada pelo grupo Quinteto Violado. Com direo teatral de Marika Gidali, a obra homenageia o pernambucano Luiz Gonzaga, com msicas como Asa Branca, Assum Preto e Forr de Man Vito na trilha sonora. Confira a programao completa do Teatro Dana em www.apaacultural.org.brJornal de Teatro1 a 15 de Julho de 2009BastidoresDivulgao5AL-MANK COMPANHIA TEATRAL ESTREIA ESTRIAS ORDINRIASEst em cartaz no teatro anexo da Ocina Cultural Oswald de Andrade, em So Paulo, a pea Estrias Ordinrias, sob direo de Jair Assumpo. A montagem uma livre adaptao de trs contos de A Vida Como Ela , de Nelson Rodrigues: Mausolu, Diablica e Selvageria. A pea ca em cartaz at 9 de agosto, no bairro do Bom Retiro, em So Paulo.DivulgaoCia da Comdia: seis meses em SPEm cartaz, no Teatro anexo da Ocina Cultural Oswald de Andrade, clssicos de Nelson Rodrigues como: A Vida Como Ela COMO PASSAR EM CONCURSO PBLICO PRORROGA A TEMPORADA NO TEATRO GAZETA, EM SO PAULO Como Passar em Concurso Pblico prorroga a temporada no Teatro Gazeta, em So Paulo. Depois das temporadas em Braslia e no Rio de Janeiro, a Cia. de Comdia G7 completa seis meses na capital paulista, com o espetculo que j soma mais de dois anos em cartaz e 250 mil espectadores. No palco esto os atores Benetti Mendes, Felipe Gracindo, Frederico Braga e Rodolfo Cordn, responsveis tambm pela autoria do texto e da direo. CURSO GRATUITO DO CRTICA TEATRAL Esto abertas as inscries para o Curso de Crtica Teatral do Ncleo de Estudos do Teatro Contemporneo da Escola Livre de Teatro (ELT). O curso tem coordenao do crtico Kil Abreu e vai de agosto a dezembro, s teras-feiras, das 14 s 18h. Programa: A prtica da crtica teatral sua funo social, modos, questes e impasses. A histria da crtica no teatro brasileiro moderno. A cena contempornea, seus materiais e os mtodos de anlise. As inscries vo at o dia 17 de julho, de segunda a sexta-feira, das 9 s 12h e das 13 s 17h, na ELT. Documentos necessrios: cpia do RG e uma foto 3 x 4. Seleo: dia 4 de agosto, das 14 s 18h. Entrevista com o coordenador do Ncleo. Mais informaes: (11) 49962164. Local: Escola Livre de Teatro de Santo Andr Praa Rui Barbosa, 12. Bairro Santa Terezinha. As inscries e o curso, assim como todas as atividades da ELT, so gratuitos. FESTIVAL DE TEATRO DE CUIAB Foram prorrogadas at o dia 4 de julho as inscries para a 3 Miti Mostra Internacional de Teatro Infantil de Cuiab. A mostra acontecer de 28 de setembro a 4 de outubro e tem sua programao composta por espetculos nacionais e internacionais, seminrios, ocinas, show musical e exposies. Mais informaes: (65) 3028-6285 ou contato@mostrainfantil.com.br.RIO DE JANEIRO APRESENTA A CONFERNCIA INTERNACIONAL DE TEATRO DO OPRIMIDOEvento, que acontece de 20 at 26 de julho, na capital carioca, ser um tributo a Augusto Boal e um marco histrico para a continuidade de sua obra A Conferncia Internacional de Teatro do Oprimido uma realizao do Centro do Teatro de Oprimido e contar com a participao de ativistas da Austrlia, de Israel, da Palestina, do Nepal, do Paquisto, da ndia, da Sucia, da Holanda, da ustria, da Alemanha, da Inglaterra, da Frana, da Itlia, da Espanha, de Portugal, do Senegal, de Guin-Bissau, do Sudo, de Moambique, de Angola, do Canad, dos EUA, de Porto Rico, da Argentina, do Uruguai e do Brasil. Ao final da Conferncia, esses ativistas realizaro um encontro para discutir os desafios para o desenvolvimento de projetos locais e planejar aes de cooperao internacional. Com entrada franca, a reunio, que acontece na Caixa Cultural Teatro Nelson Rodrigues, ter, ainda, painis de discusso (poltica, pedagogia, educao, opresso contra a mulher, sade mental, direitos humanos, zonas de conflito etc) sobre o impacto do Teatro do Oprimido em diferentes reas temticas e regies do mundo; mostra internacional de vdeos (Alemanha, Paquisto, Canad, Espanha, Moambique e ndia). Na CaixaDivulgaoConferncia vai homenagear Augusto BoalCultural Teatro de Arena, acontece apresentaes de espetculos (nacionais e internacionais) de Teatro-Frum com sesses de Teatro Legislativo, a preos populares. Na sede do Centro de Teatro do Oprimido, acontece o Encontro Internacional de Praticantes do Teatro do Oprimido, exclusivo para grupos, projetos e instituies com reconhecida atividade com o mtodo do Teatro do Oprimido em suas regies e pases. Nos trs espaos haver exposies de produes da Esttica do Oprimido, ltima pesquisa realizada por Boal. A programao completa est disponibilizada no site ww.ctorio.org.br.NOVA DATA PARA O PRMIO CAREQUINHA Foi prorrogado para o dia 10 de julho o prazo para as inscries no Prmio Funarte Carequinha de Estmulo ao Circo, premiao criada pela Fundao Nacional de Artes (Funarte). O objetivo apoiar companhias, empresas, associaes, trupes ou grupos circenses que queiram adquirir equipamentos, produzir espetculos, realizar pesquisas, promover mostras e festivais ou homenagear artistas que tenham contribudo para o desenvolvimento do circo. Os interessados devem enviar seus projetos, via Correios, para a Coordenao de Circo da Funarte. Mais informaes: circo@funarte.gov. br ou (21) 2279-8034.FORMANDOS DA UFRGS APRESENTAM TRABALHOSComeou no dia 29 de junho, a Mostra de Teatro Dad 2009/1, com o espetculo O Pas de Helena, inspirado na obra do escritor uruguaio Eduardo Galeano. Ao fim de cada semestre os formandos do Departamento de Arte Dramtica da Ufrgs apresentam trabalhos que foram realizados no perodo, caso desta obra que ainda ser apresentada, nos dias 6 e 7 de julho, e tem no elenco e direo estudantes do departamento. Elisa Volpatto e Priscila Colombi, por exemplo, cursaram a cadeira de Estgio de Atuao II e agora formam o elenco de O Pas de Helena. A direo de Ana Paula Zanandra, que cursou Estgio de Montagem II. A orientao da professora Ins Alcaraz Marocco. Alm desta produo, haver montagens como Fragmentos Lorquianos, cujo objetivo encontrar e levar cena as mulheres que povoam a poesia do autor; e Fina Flor, que tem roteiro e atuao dos alunos Letcia Pinheiro e Thiago Pirajira. Na obra, duas senhoras se encontram e falam de lembranas, confuses entre realidade e fantasia, passado e presente. Haver, ainda, o painel Expresso Dramtica na Educao Infantil: longa jornada O Pas de Helena escola a dentro, de Eduardo Galeano apresentao do trabalho de concluso de curso da formanda em Licenciatura, Daiane Frigo, orientada pela professora Vera Lcia Bertoni dos Santos. Alm disso, acontece a mostra paralela de alunos que no esto concluindo o curso. As peas ocorrem nas salas Qorpo Santo (Av Paulo Gama, s/n, Campus Central da Ufrgs) e Alziro Azevedo (Av Salgado Filho, 340 Centro). A entrada sempre franca. Informaes completas sobre a programao em http:// mostradad.blogspot.com. Felipe PrestesDivulgao4 FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO DE JUIZ DE FORA Esto abertas as inscries para o 4 Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora, que acontecer entre 31 de agosto e 7 de setembro. As inscries podero ser feitas de 22 de junho a 17 de julho, via Correios, no endereo: 4 Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora/ Av. Baro do Rio Branco, 2.234 Centro, Juiz de Fora, Minas Gerais. CEP: 36016-310. Os grupos e companhias teatrais podero inscrever espetculos nas seguintes categorias: Adulto, Infantil e Espetculo de Rua. Mais informaes: (32)3690-7033 ou www.pjf.mg.gov.br.Divulgaoi Nis Aqui Traveiz na Serra GachaCena do espetculo O Amargo Santo da Puricao, da Tribo de Atuadores i Nis Aqui Traveiz que estar nas cidade gacha de Viamo, dia 5 de julho, e em Bom Jesus, dia 18.6PrmioPor Douglas de Barros Com 60 anos de carreira, a atriz Tonia Carrero ser a homenageada da noite, durante a terceira edio do Prmio APTR de Teatro. A festa, que promete ser uma das principais atraes do teatro nacional este ano, est marcada para o dia 6 de julho, s 21h, no Teatro Fashion Mall, em So Conrado, e contar com a apresentao dos atores Thiago Lacerda e Zez Polessa, alm de roteiro e direo do autor Flvio Marinho. O Prmio da Associao dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro estreia, em 2009, nova categoria, a de Melhor Espetculo. Outra novidade a categoria de Melhor Produo que, a partir deste ano, passa a ser escolhida pelos prprios associados da APTR. Ano passado, j foram criadas as categorias Homenagem Especial, alm dos ttulos de Melhor Ator e Melhor Atriz em papis de coadjuvantes. Ao todo, so 12 catego-1 a 15 de Julho de 2009Jornal de TeatroPrmio APTR de Teatro completa trs anos com novidadesFesta da Associao dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro far homenagem atriz Tnia Carrero, que completa 60 anos de carreirarias, com 48 indicaes de espetculos estrelados durante a temporada de 2008. Entre os jurados, nomes consagrados da crtica teatral, como Barbara Heliodora, Macksen Luiz, Lionel Fischer, Debora Ghivelder, Andr Gomes, Tnia Brando e Mauro Ferreira. Os premiados recebero das mos de colegas da ribalta uma estatueta idealizada pelo produtor Fernando Libonati. Os espetculos Ensina-me a Viver e Novia Rebelde receberam o maior nmero de indicaes, sete cada um. J Traio, dirigido por Ary Coslov, e Clandestinos, escrito e dirigido por Joo Falco, concorrem em quatro categorias. Mesmo sendo realizado mais uma vez sem patrocnio (apoiado apenas pela seguradora Porto Seguro), a premiao, atualmente, um dos principais eventos teatrais da cidade, segundo conta Flvio Marinho. O Prmio APTR surgiu da necessidade de se preencher um vazio. Historicamente, o teatro tinha vrios prmios importantes, como Molire, Mambembe, Ibeu de Teatro, Coca-Cola. No entanto, dos anos 1990 para c, isso foi mudando e s restou o Shell. As empresas privadas e as esferas do governo se desinteressaram pela cultura, em geral, e pelo teatro, em particular, lamenta. Marinho explica ainda que nunca existiu um prmio cujo corpo de jurados fosse formado pelos crticos, os nicos que vem todas as produes. Criamos o Prmio APTR de Teatro para celebrar e festejar o nosso meio de vida, dentro das nossas possibilidades. Ser uma festa la Oscar, com muita emoo, humor e glamour, revela. Para cada categoria, um grande nome para a entrega do prmio. Feras como Nathlia Thimberg, Aderbal Freire Filho, Lcio Mauro, Jlia Lemmertz, Alcione Arajo, Kalma Murtinho e Amir Haddad, entre outros. uma festa eminentemente teatral, rica em animao e amor pelo teatro, completa Flvio Marinho.A Novia Rebelde, com Saulo Vasconcelos e Kiara SassoA LISTA COMPLETA COM TODOS OS INDICADOS VOC CONFERE NO SITE DO JORNAL DE TEATRO (WWW.JORNALDETEATRO.COM.BR)Jornal de Teatro1 a 15 de Julho de 20097EntrevistaVera Zimmermann atrizVeraz![ve.raz - adj m+f (lat verace) 1 Que diz a verdade. 2 Em que h verdade; verdico. sup abs sint: veracssimo] Dicionrio MichaelisPor Rodrigoh Bueno e Jarbas Homem de Mello Depois de 28 anos de trabalho no teatro, no cinema e na televiso, Vera Zimmermann reencontra nos palcos Nelson Rodrigues, o autor de sua primeira atuao. Em entrevista ao Jornal de Teatro, a atriz revela o que pensa sobre cada meio onde trabalha. E dispara: No h papel para mim no cinema brasileiro. Jornal de Teatro H alguma diferena na sua viso de Nelson Rodrigues da primeira vez que voc interpretou uma obra dele para agora, em cartaz com Vestido de Noiva? Vera Zimmermann Muita diferena. Quando eu comecei com Nelson eu no sabia nada de teatro e ca de praquedas naquela companhia maravilhosa (Espetculo Nelson Rodrigues O Eterno Reencontro, com direo de Antunes Filho). Aprendi coisas absolutamente incrveis. Eu era praticamente uma adolescente, mas, mesmo naquela poca, j tinha alguma compreenso e curiosidade sobre o trabalho dele. Hoje tenho um aprofundamento maior do trabalho dele e do meu. Existe uma diferena imensa entre 1981 e 2009, e, claro, que eu j tinha visto vrias coisas de Nelson, mas diferente quando voc vai fazer mais um espetculo. Voc estuda Nelson de outra maneira, principalmente junto com o Gabriel (Vilella) e toda nossa equipe, porque um autor genial. JT Seu trabalho teatral conta com grandes autores. Voc acha importante fazer os clssicos? VZ Acho fundamental. Graas a Deus, z vrios espetculos de autores clssicos, principalmente junto com o Gabriel. Ele tem essa necessidade de trabalhar com os gnios da dramaturgia universal. um privilgio poder estudar um Fausto, Becket. Eu acho muito importante poder circular por todos esses tipos de cabeas que escrevem essas loucuras maravilhosas, que s acrescentam. JT Como comeou a parceria de trabalho com o Gabriel Vilella? VZ Vestido de Noiva o sexto espetculo que fao com ele. Comeou em 2000, quando a gente fez Replay. Ele me chamou atravs de um amigo, Lo Pacheco, que trabalhava com ele e logo a gente se apegou. O Gabriel tem um pouco esse hbito de trabalhar novamente com os atores que ele tem anidade. E eu tirei a sorte grande porque o Gabriel um gnio, o tipo de teatro dele me interessa, a gente fala uma lngua parecida. JT Voc tem uma maneira particular de conduzir sua carreira, toma as rdeas das negociaes.. VZ Eu acho que no Brasil, infelizmente, a gente no tem agente que ca brigando por ns, o melhor agente somos ns mesmos. Agora, bvio que quando voc est em evidncia, precisa de um agente. Evidncia que eu quero dizer que voc est na novela das oito na Rede Globo, porque da todo mundo quer voc e voc precisa de algum para atender seu telefone e suprir em tudo que as pessoas querem oferecer, convidar e no sei o qu. Agora, comigo, eu realmente que falo. Tenho muitas amizades, vendo meu peixe. No que eu no tenha agente e co em casa parada, eu vou luta, mostro minha disponibilidade, meu tempo e minha vontade de trabalhar com as pessoas. Se tem uma coisa que eu z, fao e vou fazer cada vez mais estar em contato com esses prossionais. A gente tem que estar esperto nesse mercado competitivo. JT Qual sua relao com o cinema? VZ Acho cinema uma coisa meio complicada para fazer no Brasil para uma pessoa que tem meus traos fsicos. A maioria dos lmes nacionais conta muita histria do Pas, fala da pobreza, da favela, essas coisas. E eu, loira de olho azul, mesmo brasileira, acho que tenho um mercado restrito. No h muito papel para mim no cinema brasileiro. Eu acho o cinema nacional maravilhoso, mas eu no tenho muito essa iluso porque eu sei que no tenho cara de brasileira. JT Mesmo j atuando no teatro sua projeo no incio da carreira veio mesmo da televiso? VZ Televiso nosso ganha-po e um aprendizado de improviso. No h tempo para se aprofundar no texto, a gente vai l e faz. Ao mesmo tempo um exerccio muito difcil porque imediato. Isso torna o trabalho muito legal, um desao instigante e um ganha-po porque se a gente for depender s de teatro para sobreviver complicado. A televiso me ajudou muito. Fazer a Divina Magda (na novela Meu Bem, Meu Mal, da Rede Globo) foi um empurro na minha vida, mas eu nunca deixei de ter a conscincia de que eu precisava manter o trabalho no teatro, que eu no podia fazer s televiso. Na poca da novela eu era muito jovem, tinha que aprender muita coisa. o que eu tenho feito e vou fazer para o resto da vida: estudar e aprender. JT Ao falar de Vera Zimmermann difcil esquecer a msica Vera Gata, do Caetano Veloso.. VZ As pessoas falam como voc conheceu o Caetano? e essa pergunta me arrepia, porque eu j a respondi milho de vezes. Mas uma honra eterna, no tem uma pessoa que no queria ter uma msica feita pelo Caetano, um dos nossos melhores cantores, artistas e compositores.Joo CaldasVera Ziemmermann em cena no espetculo rodrigueano Vestido de Noivawww.jornaldeteatro.com.brTodo o universo do teatro em um s jornal8Por Ive Andrade Para ser ator, talento fundamental... Mas no o suciente. A prosso, h tempos, exige no somente os requisitos de formao cnica, mas envolve muita burocracia atravs de contratos, testes e indicaes de conhecidos o que torna essenciais os famosos contatos. Para facilitar esses caminhos e deixar que o artista preocupe-se somente em mostrar a sua arte, existe o agente de ator. O agente a gura que faz a intermediao entre diretores de elenco e atores, conduz a carreira do artista (marca testes, envia material e promove seu casting). Para isso, consenso no mercado que esse prossional precisa ter amplo conhecimento cultural e no necessita ser artista para isso. muita responsabilidade ter a carreira de algum nas mos. O agente precisa ter uma viso de business, uma cabea diferente da do artista, agendar os trabalhos certos para poder fazer seu trabalho bem feito, explica o gestor cultural do grupo TMB, Oliver Callegali. Hoje, o agente um prossional necessrio, avalia Marcos Montenegro, da agncia Montenegro e Raman, que tem um casting de 180 artistas e recebe cerca de 10.000 propostas por ms de gente que deseja ser1 a 15 de Julho de 2009Jornal de TeatroMarketing CulturalAgentes de ator se tornam fundamentaisEm um mercado cada vez mais fechado, o artista precisa ter algum para gerenciar a sua carreira e orient-lo profissionalmenteagenciada. Grandes agncias como essas tem amplo portflio no s de atores, mas de cantores, atletas e at mesmo de jornalistas, o que prova o valor desse prossional em diversos mbitos da mdia. Para ser um bom agente, ter os contatos certos decisivo, alm de saber fazer abordagens na hora certa, sem ser inconveniente, diz Marcos. Apesar da relevncia do agente na carreira do ator, o mercado no est em ampla expanso. A demanda por agenciamento muito grande, o mercado, ento, cresce, mas no muito, frisa Oliver. Para Montenegro, isso acontece porque o mercado j no grande de maneira geral. Mas como o ator pode saber se seu agente faz o trabalho certo? Primeiro, importante identicar o foco do agente, se ele trabalha com o tipo de rea que o ator deseja. Depois, analisar quais so as pessoas que trabalham com ele, se h identicao com seus trabalhos passados. Cobrar o agente de forma excessiva, exigindo trabalhos, nunca a opo certa. O ator que comea a pentelhar (sic) o agente pode ser queimado no mercado, que uma rea pequena, na qual todos se conhecem, avisa Oliver Callegali, para quem fundamental construir uma relao de conana com quemDivulgaoRelao de conana: o agente Marcos Montenegro com os atores Irene Ravache e Cacau Hyginovai gerenciar sua carreira. O prossionalismo fundamental. Tratar com seriedade, mas depois de um tempo voc se torna amigo, como uma famlia, explica Montenegro. Entre atores de teatro, de televiso e de cinema, para o gestor Callegali a funo do agente mais ou menos relevante. Em teatro menos vlido, porque o artista precisa passar pelocasting, no tem errou/voltou. Portanto, ca mais difcil o artista conseguir o trabalho apenas porque foi indicado, arma. Mas essa opinio pode divergir. Um agente fundamental para qualquer ator hoje em dia, observa Montenegro, acrescentando que o que de fato varia a porcentagem do agente nos contratos para as diferentes reas. Existem nmeros padropara contratos publicitrios, de teatro, de televiso ou de cinema. Mas isso pode variar de agente para agente e contrato para contrato, diz um dos donos da Montenegro e Raman.Servio Montenegro e Raman www.montenegroeraman.com.br Grupo TMB Telefone: (11) 3656 7672Poltica CulturalRio Branco tem lei de incentivo cultura, mas ainda no suficientePor Renata Hermeto A criao de uma poltica pblica voltada Cultura em Rio Branco (AC) comeou em 2005, com o I Frum Municipal de Cultura, proposto pela FGB (Fundao Municipal de Cultura Garibaldi Brasil). A idia era traar um diagnstico da situao dos setores ligados cultura no municpio e fazer um levantamento dos principais problemas estruturais e sociais enfrentados e relacionar suas principais expectativas em curto, mdio e longo prazo. A capital do Acre contava apenas com a Lei Municipal de Incentivo Cultura, criada em 1993 e alterada em 1999. Em 2006, o trabalho cou pela coleta de referncias bibliogrcas e estudos sobre as polticas culturais propostas pelo Governo Federal, bem como sobre experincias de outros estados e municpios brasileiros. A partir destes estudos, a FGB montou um documento que propunha a criao de quatro novos instrumentos de gesto: Conselho Municipal de Polticas Culturais, Fundo Municipal de Cultura, Cadastro Cultural de Rio Branco e Lei Municipal de Patrimnio Cultural. O documento foi levado, em primeira mo, para o Concultura (Conselho Estadual de Cultura) e para a Fundao Estadual de Cultura. Ambos rmaram parceria para trabalhar na criao da lei. O pblico foi o primeiro a ter contato com o projeto. Por meio do site da prefeitura e do blog de cultura, o documento pde ser analisado pelos interessados. De acordo com dados da prefeitura, foram realizados cerca de 300 downloads. Depois de trs meses de anlise, o municpio conseguiu, enm, a alterao da lei. O documento foi, ento, encaminhado ao PROJURI (Procuradoria Jurdica do municpio), que aconselhou o desmembramento da nova lei. No m do processo, dois projetos de lei foram apresentados e aprovados pela Cmara dos Vereadores: a lei 1.676/2007, que institui o Sistema Municipal de Cultura de Rio Branco, e a lei 1.677, a Lei Municipal de Patrimnio Cultural, ambas de 20 de dezembro de 2007, aprovadas, sem alterao, pela Cmara Municipal de Vereadores. LEI DE INCENTIVO CULTURA H uma orientao do Conselho Municipal de Polticas Culturais para reviso desta lei, uma das deliberaes da I Conferncia Municipal de Cultura, realizada em 2007. Na ocasio, foi formada uma Comisso de Reviso, vericando-se, mais tarde, a ausncia de condies, naquele momento, de empreender tal ao. Inclusive das Artes Cnicas, no sentido de termos mecanismos de nanciamento mais adequados realidade local e mais signicativos para os produtores culturais locais, informa Flavia Bularqui, responsvel pelo setor de Informao. No que se refere aos mecanismos de nanciamento, a Lei Municipal de Incentivo Cultura disponibilizou, em 2008, a quantia de R$ 566.678,74, concedendo recursos a 80 projetos culturais. A inovao do SMC foi o funcionamento do FMC (Fundo Municipal de Cultura). Ainda em 2008, o FMC trabalhou com a importncia de R$ 300.000, distribudos em quatro editais, trs deles temticos: Edital 1: Formao; Edital 2: Produo e Circulao; Edital 3: Intercmbio. O ltimo se encontra aberto at o dia 17 de outubro, unicado, ou seja, contemplando diversas naturezas de projetos. De acordo com Flavia Bularqui e Eurilinda Figueredo, chefe do departamento de Articulao, a lei no atende com ecincia, j que contamos com poucos recursos disponveis para o nanciamento de projetos. Em 2009, por exemplo, foram R$ 780.000 para atender projetos nas reas de arte (incluindo as artes cnicas), esporte e patrimnio cultural. Ela acrescenta: Em 2009, tivemos 13 projetos de Artes Cnicas apresentados e, desses, somente seis foram aprovados.Jornal de Teatro1 a 15 de Julho de 2009EditaisFunarte lana editais para viabilizar 86 projetos do setor artsticoFundao apresenta trs novos projetos de incentivo arte e oferece prmios de at R$ 50 mil para potencializar cada vez mais a reaPor Pablo Ribera A Funarte (Fundao Nacional de Artes) apresentou mais um apoio cultura brasileira ao lanar, no ltimo dia 30, os editais de trs projetos de incentivo arte: o do Prmio Interaes Estticas - Residncias Artsticas em Pontos de Cultura, o do Bolsa Funarte de Produo Crtica sobre Contedos Artsticos em Mdias Digitais/Internet e o da Bolsa Funarte de Criao Literria. O objetivo da fundao com esses projetos impulsionar e potencializar a produo e difuso artstica, a capacitao prossional e o debate de ideias no setor de cultura. Para cumprir essas expectativas, a Funarte viabilizar 86 projetos, atravs desses editais. Para o Prmio Interaes Estticas, sero investidos R$ 2 milhes do oramento da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministrio da Cultura nas propostas vencedoras. Promovido em parceria com a Secretaria de Cidadania Cultural do MinC, o Prmio, que vai para sua segunda edio, oferece a possibilidade de desenvolver projetos integrados aes de Pontos de Cultura de todo o Pas, sendo que artistas de diversos segmentos podem concorrer. Sero concedidos 71 prmios: 66 deles, com valores entre R$ 15 mil e R$ 50 mil, sero divididos entre as cinco regies brasileiras; os outros cinco, de R$ 90 mil cada, esto destinados a projetos de Abrangncia Nacional. A Bolsa Funarte de Produo Crtica sobre Contedos Artsticos em Mdias Digitais/Internet tambm chega segunda edio e oferece condies para que pesquisadores, tericos, artistas e estudantes possam criar, estudar e se dedicar produo de conhecimento crti-9Fundao pretende, com os trs editais, impulsionar e promover a integrao cultural no Brasilco sobre a arte brasileira na atualidade e sua relao com as tecnologias digitais. Sero distribudas cinco bolsas de R$ 30 mil, uma para cada regio do Brasil. As propostas de trabalho devem estar relacionadas anlise de contedos artsticos das reas de artes visuais, de dana, de circo, de teatro, de performance, de fotograa, de msica, do audiovisual e da literatura que tenham sido criadosou estejam expostos em websites, CDs, DVDs e celulares, entre outros. J a Bolsa Funarte de Criao Literria tem como principal objetivo fomentar a produo de textos literrios inditos nos gneros lrico e narrativo. A Funarte contemplar, por meio deste programa, dez autores brasileiros, dois de cada regio. Cada um receber uma bolsa de R$ 30 mil. Os prmios e as bolsas daro viabilidade aprojetos de todas as regies do Pas. Dessa forma, a Funarte cria integrao cultural em todo o Brasil, valoriza a diversidade cultural brasileira e democratiza o acesso dos prossionais aos meios de produo artstica e intelectual, colocando ao alcance do pblico trabalhos que nem sempre encontram espao na grande indstria do entretenimento. As inscries se encerram no dia 13 de agosto.OpinioQual deve ser o envolvimento de um dramaturgo na encenao de um espetculo? A pea ganha mais com a interferncia do criador do texto, ou somente com a explorao do diretor e dos atores sobre o texto?Srgio RoveriTivesse eu o objetivo de atrair a ira de boa parte dos diretores brasileiros, eu comearia este pequeno artigo criando uma nova mxima: autor bom autor vivo. Mas como respeito profundamente a classe dos diretores e tive o privilgio de me tornar amigo ntimo de quase todos com quem j trabalhei, me permito aqui uma pequena alterao nesta mxima recm-criada: autor bom tambm pode ser autor vivo. Ou vice-versa. Difcil fazer com que alguns profissionais acreditem nisso. Muito estranha a figura do autor. Ela parece incomodar no somente durante os ensaios, mas tambm ao longo da temporada. Como se ns, autores, fssemos uma espcie de inspetor geral interessado no livro-caixa da companhia. Quando, na verdade, acredito eu, queremos ver apenas como a voz, o corpo, a emoo e, principalmente, como se equilibram em p todas aquelas personagens que, ao escaparem do nosso computador e da nossa impressora, no passavam de figuras chapadas em branco e preto. Se somos mesmos os pais biolgicos de tantas histrias, penso que nosso acesso ao berrio deveria ser irrestrito. Porm, respeito as barreiras. Assumo aqui que no sei dirigir. No tenho uma viso cnica aprimorada, meu conhecimento de luz primrio, tenho uma queda, pequena, verdade, mas ainda assim incontrolada para o melodrama e sinceramente no sei se conseguiria controlar um grupo de atores. Mais que isso: talvez eu j me sentisse satisfeito com a primeira viso do personagem que cada um deles me apresentasse. Por isso, minha admirao ao profissional que entende daquilo que eu no entendo: o diretor. Mas existe uma sutileza que se encontra mais em poder do autor do que nas mos do diretor e do elenco: a sutileza da inteno, aquela filigrana de emoo que parecia concentrada unicamente naquela palavra que o diretor resolveu cortar, o silncio entre uma frase e outra que, num primeiro momento, somente o autor capaz de ouvir. E ento eu me pergunto: se possvel contar com esta ferramenta valiosssima, que a observao do autor, qual o sentido em desprez-la? No pareceria muito mais lgico e produtivo se, durante as leituras de mesa e, mais adiante, nos ensaios propriamente ditos, o elenco pudesse ter a chance de solicitar ao autor um hemograma completo dos seus personagens ainda que os elementos oferecidos por ele fossem desprezados ao longo do processo? Imagino o imenso deleite que seria poder perguntar a Shakespeare se Hamlet mais vtima de loucura ou de caprichos. Talvez no estejamos criando Hamlet, alguns podem argumentar, mas sabemos o que estamos criando. E andamos cada vez mais loucos para compartilhar este saber. Entendo que o processo de direo pode ser to solitrio quanto o , na maioria das vezes, o processo de escrita de um texto. Mas, o que eu defendo aqui, a possibilidade de uma democratizao nestas relaes. Que cada um tenha o direito de mostrar o que sabe e o que tem de melhor. Quem ganha com isso no sou eu, os diretores ou o elenco. Quem ganha com isso aquela pessoa desconhecida, que sai de casa, enfrenta filas e deixa alguns reais na bilheteria como um crdito de confiana em nosso trabalho. A ela, devemos tudo. O resto a gente resolve nas coxias. Srgio Roveri jornalista e dramaturgo. autor das peas Andaime, prmio Funarte de Dramaturgia, e Abre as Asas Sobre Ns, prmio Shell de autor. Duas peas de sua autoria esto em cartaz em So Paulo at o fim de julho: Dueto da Solido, no Sesc Vila Mariana, e A Vida que eu Pedi, Adeus, no Teatro CosipaBalletrepresentaram empecilho para quem tem vontade de vencer. Anal, estudar no Bolshoi do Brasil pode ser a oportunidade de mudar para melhor todo o percurso de vida. Na plateia, os sonhos dos participantes eram multiplicados pelos dos pais e familiares. Eles acompanharam, ansiosos, cada apresentao. Este ano, o evento que teve apresentaes paralelas includas ao festival, devido grande demanda de pblico registrou pblico recorde de 3.500 expectadores no Teatro Cidade do Saber. As audies foram acompanhadas pela coordenadora, Sylvana Albuquerque, e pela coordenadora artstica do Bolshoi no Brasil, Maria Antonieta Spadari. A meta era selecionar os dois melhores danarinos do Festival Ballace e mais uma criana que estude no complexo artstico, Cidade do Saber, para integrar o corpo do Bol-Por Carla Costa Apresentaes de dana moderna, de salo, popular e bal clssico encheram o calendrio cultural da cidade de Camaari (BA). Para a populao local, o Festival Ballace Bahia a oportunidade de ver de perto a beleza de coreograas cuidadosamente desenhadas para emocionar, e que tem como pano de fundo a histria de vida dos integrantes das seletivas que nomeiam os trs indicados para as vagas da Escola de Ballet Bolshoi para 2009. Este ano, 1200 bailarinos de todo o Pas se inscreveram na disputa, realizada entre 11 e 14 de junho, pelo terceiro ano consecutivo, na cidade baiana. Em meio a coreograas e passos precisos, eles mostravam a excelncia do trabalho desenvolvido em classes sem muita estrutura, mas que nuncada vidashoi no Brasil. Para Sylvana Albuquerque, todos os participantes foram vencedores, pois muitas vezes eles no tm espao adequado para ensaiar, nem condies nanceiras para investir at mesmo nos prprios vesturios. A importncia desse trabalho j fala por si s, pois tudo o que fomenta a cultura e a dana deve ser considerado primordial para o desenvolvimento de qualquer ser humano, arma. Segundo ela, os bailarinos baianos mostram que sabem o valor da arte e se destacam em exibilidade, bravura e vontade de vencer. Temos muito prazer em assisti-los, conclui. Apesar do nervosismo e ansiedade dos participantes, eles no negaram a felicidade em poder participar de um evento to importante e que lhes abre portas. Alm de, tambm, terem oportunidade de fazer um intercmbio de experincias comBailarina Mariana Gomes pretende um dia ser jri do FestivalCristiano Castaldi101 a 15 de Julho de 2009Jornal de TeatroDanaprossionais e praticantes da dana de outros cantos do Pas. Quando chegada a hora de conhecer os dois escolhidos pelos coordenadores, a Bahia sede do festival nomeada, pelo segundo ano consecutivo, a grande vencedora (ca com as duas vagas do Bolshoi). As bailarinas Lara Pithon e Anelice Souza ganharam bolsas integrais, mas, para fazer o curso, tero que mudar radicalmenteo estilo de vida. Isso signica, inclusive, morar em outro estado, pois a instituio se localiza em Santa Catarina, na cidade de Joinville. O curso, que tem durao de oito anos, oferece aulas tericas, tcnicas de dana, curso de ingls, aulas de literatura, de piano e de pilates. Ao trmino desse perodo, os bailarinos sempre voltam ao Bolshoi para novos aperfeioamentos.AUDIO APENAS A PRIMEIRA BARREIRA ENFRENTADA PELOS DANARINOSAlm dos cursos de aperfeioamento, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil oferece a todos os bolsistas ensino regular gratuito, uniformes, plano de sade, transporte e alimentao. Mas no d moradia aos bailarinos. O que, para muitos, como a bailarina Anelice Souza, de 11 anos, um grande obstculo para seguir em frente. Rezo todos os dias para que Deus me d a graa de conseguir ir para l, pois tenho certeza que a grande chance da minha vida, de seguir o meu sonho e ainda ajudar a minha famlia, desabafa. A menina, agora, precisa vencer mais uma etapa: conseguir patrocnio para manter uma moradia durante todo o perodo que precisar car em Joinville para completar o curso. Criana humilde, que mora em uma regio de classe baixa de Salvador, Anelice vive com os pais, garons, e com sua irm. Todos vivem em uma casa simples, com a renda de dois salrios mnimos. A me, Mrcia Souza, conta que, desde criana, Anelice dava sinais do quanto tinha vocao para o bal. Ela sempre andou na ponta do p e se destacava nas festas devido a forma de danar, revela Mrcia. Mrcia conta, ainda, que a boneca Barbie sempre foi a inspirao da sua lha, que tentava imitar os passos que a personagem fazia em comerciais e lmes. Ela me pedia para entrar em uma escola de dana, mas, infelizmente, minha falta de condies nanceiras no permitia. Doa muito ver a minha lha cheia de potencial, mas sem oportunidades, diz Mrcia. Quando Anelice completou Vera Monteiro, percebeu que estava diante de uma excelente bailarina. Ela tem grande potencial. S precisamos lapid-la para que ela se torne uma prola preciosssima. Anelice uma criana que dana com emoo e muito carinhosa, avalia Monteiro. Anelice, que j ganhou diversos prmios, diz que no esperava ser escolhida pelo Bolshoi, apesar de ter a conscincia de que dana bem. Ela conta que, quando soube do resultado do concurso, cou muito feliz e s pensou que era chegado o momento de dar melhores condies de vida para sua famlia. Quando questionada sobre a saudade que sentir dos familiares, Anelice responde que seria muito bom se todos pudessem se mudar para Santa Catarina com ela, mas, como j est sendo difcil a sua prpria ida, a menina arma que ir segurar a emoo e seguir em frente. Sei que deve ser difcil car to longe, mas no vou me abater. Quero ir e aproveitar essa grande chance. Peo a ajuda de todos que possam me apoiar a conquistar o meu sonho, frisa Anelice. O desempenho de Anelice fez com que os auditores adiantassem o incio do curso da garota, que s deveria ingressar no Bolshoi em fevereiro de 2010. Assim, caso consiga patrocnio para comprar as passagens e pagar por moradia, a menina comear o curso no segundo semestre deste ano. Apoio: Quem quiser ajudar Anelice deve entrar em contato com a professora Vera Monteiro atravs do telefone (71) 8816-9028DivulgaoAnelice, de 11 anos: patrocnio para mudar para Joinville9 anos, a me dela conseguiu coloc-la na academia de dana do bairro. Foi l que a garota teve apoio para seguir em frente. Assim que comearam as aulas, sua professora de dana,Jornal de TeatroHISTRIA DO FESTIVAL MOSTRA QUE A PARTICIPAO POPULAR O MAIOR RESPONSVEL PELO SEU CRESCIMENTO Esta foi a quarta edio do Ballace, realizado na Bahia desde o ano de 2006. A primeira sede do festival foi Salvador. No entanto, depois da inaugurao da Cidade do Saber, instituio pblica que oferece aulas de dana para a comunidade carente da regio, surgiu a viabilidade da transferncia para um municpio da Regio Metropolitana. A Cidade do Saber no oferece apenas espao fsico para a realizao do festival. Dela saem, tambm, os danarinos que, anualmente, emocionam e brigam com garra por uma vaga na seletiva. Este ano, 300 alunos da Cidade do Saber concorreram a apenas uma vaga. No entanto, de acordo com a coordenadora da seletiva na Bahia, Sylvana Albuquerque, aps as audies, quatro estudantes foram selecionados. As crianas escolhidas Dbora Leal Santos de Carvalho, Elisa Bonfim Menezes, Pmela dos Santos Silva e Yasmin Ribas Ferreira participaro da seletiva, nos dias 17 e 18 de outubro, em Joinville. Elas disputaro as 40 vagas com bailarinos de todo o mundo. No entanto, segundo as coordenadoras do festival realizado na Bahia, o nmero pode ser alterado pelo desempenho dos concorrentes e das performances. Eles j so vencedores. Desejo aos selecionados muita garra e determinao. E que consigam vencer mais essa etapa, mas que, principalmente, no se frustrem se no conseguirem passar. Existem vrios caminhos e o Bolshoi apenas um deles, finalizou Sylvana. Em 2008, o Ballace trouxe o diretor Pavel Kasarian, da Escola do Teatro Bolshoi , para selecionar alunos da comunidade, oferecendo-lhes duas bolsas de estudo completas. A expectativa inicial dos representantes do Bolshoi era a de selecionar crianas para a etapa nacional. No entanto, eles foram surpreendidos pela aptido dos participantes e decidiram, de forma indita, aumentar o nmero de vagas para aquele ano. Assim, oito alunos foram classificados e concorreram com mais 500 candidatos de todo Brasil. Finalmente, quatro crianas foram contempladas com as bolsas de estudo. Nmeros que tem crescido com a realizao de cada uma das novas edies. Para se ter uma ideia, de 2008 para 2009, o nmero de inscritos cresceu de 1000 para 1500, firmando o Ballace no calendrio artstico nacional. Junto com os nmeros, o festival chama a ateno de nomes de peso da dana, que se envolvem com o projeto. Assim, bailarinos brasileiros de destaque que participam de companhias e eventos consagrados nacional e internacionalmente, alm de estudantes e praticantes da dana do Brasil, tm se reunido no palco e plateia do TCS. Isso contribui para inserir o Complexo de arte-educao camaariense como parte importante do cenrio da dana mundial.Divulgao1 a 15 de Julho de 200911Festival realizado pelo Bolshoi movimenta calendrio cultural de cidade baiana e alimenta sonho de prossionalizao de bailarinos de todo o NordesteBAIANA REPRESENTA BRASIL NO BALDe frias na Bahia, a baiana Mariana Gomes, nica brasileira que compe o corpo de dana do Ballet Bolshoi na Rssia, conta sua histria, fala da saudade e sobre a vontade que tem de compor o corpo de jurados do Festival Ballace. A companhia da qual Mariana faz parte considerada a mais tradicional do mundo, fundada em 1776, e conhecida mundialmente devido aos rigorosos critrios para a seleo, perfeio e preciso de todos os passos dos seus bailarinos. preciso muita coragem e determinao, alm de tcnica, muito carter e inteligncia, explica Mariana. Com apenas 21 anos, ela o exemplo de determinao e superao que inspira a maioria dos danarinos brasileiros. A sua trajetria na dana foi iniciada aos 7 anos, quando comeou a estudar na Escola de Ballet Adalgisa Rolim, na cidade de Lauro de Freitas (BA). Aos 14 anos, ela foi incentivada por sua professora de dana para fazer um teste na Escola de Teatro do Bolshoi, de Joinville, e acabou selecionada entre os 4.700 currculos enviados. Mariana passou a integrar o corpo de baile e a viajar por todo o Brasil, sempre com medalhas de honra como melhor aluna. Em 2005, nas avaliaes anuais, feitas por professores de Moscou, foiCristiano CastaldiDA RSSIAeu sabia, porque sempre estudei tudo. Assim ganhei meu espao, diz. A bailarina admite que o caminho at o Bolshoi da Rssia rduo, e, infelizmente, nem todos que estudam no Bolshoi do Brasil tero a mesma oportunidade. Infelizmente no fcil conseguir chegar l e mostrar suas qualidades, mas, com certeza, a maioria dos bailarinos ter chance em outras companhias do mundo, avalia Mariana. Ela conta que conhece e j ouviu falar muito do Festival Ballace. Para Mariana, muito importante saber que, atravs deste evento, vrios baianos so selecionados para o Bolshoi. Eu ainda no participei, mas, assim que receber um convite, terei o maior prazer em realizar uma apresentao e de ser jurada tambm. Mariana naliza a entrevista deixando para todos os bailarinos brasileiros uma mensagem de incentivo. Sejam muito mais que bailarinos, muito mais que estagirios, muito mais que contratados, faam a diferena. Usem a inteligncia e nunca percam a humildade. Dancem quando estiverem tristes e com saudades, quando estiverem de folga e at mesmo de frias. Dancem pra curar todas as dores, mas que seja sempre com amor, nalizou a bailarina.Mariana Gomes, a baiana de 21 anos que conquistou a Rssiaselecionada para o estgio remunerado e se mudou para a capital Russa. Mariana conta que teve problemas de adaptao e sofreu discriminao por ser brasileira, mas soube vencer os obstculos, inclusive, o mais difcil deles: a saudade que sentia da sua famlia e dos amigos. Aprendi a conviver com a saudade, e aprendi que tudo uma questo de costu-me, conta. Com uma rotina intensa, ensaios dirios, das 8h s 22h30, e intervalos de trs horas com folgas somente na segunda-feira, Mariana teve sua grande chance ao substituir uma bailarina russa, 15 minutos antes da estreia do espetculo Bolt. Era uma apresentao difcil e nem todo mundo sabia fazer tudo, masJornal de Teatro1 a 15 de Julho de 2009FestivaisFotos: Divulgao13A proposta experimental do FIT ser mantida em 2009Em 1969, o Festival de Teatro de So Jos do Rio Preto surgiu com carter competitivosentaes, confraternizao e troca de ideias, formando um dos ambientes mais esperados do festival. A extensa programao tem alguns destaques, como a interveno do grupo mineiro As Obscnicas, com Baby Dolls Uma Exposio de Bonecas e Bolha Luminosa Experimento Transapiens, da Cia Teatro Lumbra e o Clube da Sombra. As artes plsticas tambm tero espao com a instalao do artista Carlos Bachi rvorearbretreearbol. Entre os espetculos musicais esto o show de Karine Alexandrino, msicos argentinos apresentando uma fuso de ritmos latinoamericanos em La Cartelera y sus Limones Domingueros e o ingls Tetine apresentando seu ltimo lbum. A variedade de estilos musicais est garantida durante as noites do espao, com apresentao do DJ Bocka, do DJ Mabel, do DJ Cludio Gorayeb, do DJ Fbio Lopes e do DJ Jefferson DMelo. APRESENTAES NAS RUAS O FIT ter dois espetculos gratuitos ao pblico nas ruas de So Jos do Rio Preto. A Oigal Cooperativa de Artistas Teatrais apresenta Misria, Servidor de Dois Estancieiros, adaptada livremente da commedia dellarte Arlequim, Servidor de Dois Amos, de Carlo Goldoni. A principal histria trata de um anti-heri que no conseguiu entrar nem no cu nem no inferno e decide arranjar um emprego. A segunda atrao de rua do Teatro que Roda. a Das Saborosas Aventuras de D. Quixote de La Mancha e seu Escudeiro Sancho Pana - Um Captulo que Poderia ter Sido, que fala sobre um executivo que se cansa de sua vida e mergulha em um mundo imaginrio, imaginando sero famoso personagem de Miguel de Cervantes. COMPANHIAS INTERNACIONAIS Companhias internacionais tero espao no festival deste ano. Frana, Chile, Estados Unidos, Espanha e Argentina esto entre os que podero apresentar suas obras na cidade de So Jos do Rio Preto. O espetculo francs Arcane que far a estreia, dia 16, trazendo uma relao acrobtica entre homem e objeto. O grupo chileno Teatro en El Blanco apresenta Neva, pea ambientada em So Petesburgo, na Rssia, que trata sobre manifestaes dos operrios por melhores condies de vida. O norte-americano Avner Eisenberg mostra, atravs da comdia, sua simplicidade potica com um de seus grandes sucessos na Broadway, Avner, the Eccentric. Da Espanha, vem o grupo Los Cordelos.sc com a Crnica de Jos Agarrotado (Menudo Hijo de Puta) e Sienta La Cabeza, onde o pblico o protagonista. Ainda com o idioma espanhol, os argentinos trazem o espetculo Tercer Cuerpo, onde cinco personagens se unem atravs da solido que os assola e a necessidade de amar. ATIVIDADES FORMATIVAS A organizao do festival traz, nesta edio, diversas atividades de formao para os interessados nas artes cnicas com o objetivo de oferecer um espao para o aprimoramento desses prossionais. Entre as atividades esto palestras, debates, ocinas, lanamentos editoriais, lmes e encontros de prossionais da rea. O Painel Crtico funciona como uma forma de compreender melhor o trabalho dos crticos de teatro e contarcom o trabalho de seis leitores crticos, que publicaro seus textos no jornal do festival e no site ocial. So eles: Walter Lima Torres, da UFP, Curitiba (PR); Kil Abreu, da Escola Livre de Teatro, Santo Andr (SP); Bia Medeiros, da UNB, Braslia (DF); Lcio Agra, da PUC So Paulo (SP); Clvis Massa, da UFRSG, Porto Alegre (RS); e Luiz Marfuz, da UFBA, Salvador (BA). No Open Space, o tema do FIT, a subjetividade, ser colocado em pauta em duas atividades. Primeiro a subjetividade contida nos processos de criao coletiva e depois a fruio subjetiva e leitura crtica, com a participao dos leitores crticos, dos alunos do Atelier de Crtica Teatral e dos crticos dos jornais, TVs e sites convidados pelo festival. DO DRAMA COMDIA Companhias consagradas e inovadoras se apresentam em diversos espaos do FIT. O Grupo Macunama um deles, com o espetculo A Falecida Vapt Vupt, de Nelson Rodrigues. Outro texto do dramaturgo brasileiro, Senhora dos Afogados, ganha nova produo no festival, feita pelo Ncleo Experimental. Os baianos da companhia Dimenti Produes Culturais tambm tero Rodrigues como fonte de inspirao na pea Batata!. Isabel Teixeira, vencedora do prmio Shell 2009 de melhor atriz, apresentar o espetculo que lhe concedeu o prmio, Rainha[(s)] - Duas Atrizes em Busca de um Corao, dirigido por Cibele Forjaz, com Georgete Fadel no elenco. Tambm merece destaque o monlogo Eldorado, de Eduardo Okamoto; O Cantil, da companhia cearense Teatro Mquina; e o espetculo A Margem, da Companhia do Gesto, do Rio de Janeiro.Sero quatro atividades para atores, diretores, bailarinos e at jornalistas A programao de Atividades Formativas no FIT incluir diversas oficinas, debates, palestras e encontros, todos gratuitos e abertos ao pblico. As inscries comearam no dia 1 de julho e seguem at o fim das vagas, que so limitadas. Os espaos, segundo os organizadores, sero dedicados aprendizagem e aprimoramento no s de atores, mas de bailarinos, de diretores e at de jornalistas de arte. Sero quatro oficinas teatrais: A Teatro do Oprimido, nos dias 17 e 18 de julho, apresentar princpios bsicos da teoria do teatro e experimentao prtica atravs de jogos, exerccios e uma encenao. O diferencial que crianas a partir de 13 anos j podem participar dessa oficina. O grupo argentino Los Corderos coordenar a oficina O Corpo Criativo no Teatro, no terceiro dia de festival. O foco ficar nas ferramentas do que o ator dispe, como o preparo de sua voz, de seu fsico e de sua composio espacial, fornecendo um treinamento no qual o ator poder descobrir suas limitaes. A oficina Princpios Excntricos acontecer no dia 25 e tambm ter presena internacional, graas ao norte-americano Avner Eisenberg, que ir explorar maneiras de encontrar personagens e criar materiais, abrangendo trs reas: balanceamento e controle do espao, encontro e estabelecimento de cumplicidade com o pblico e parceiros e resoluo de problemas como um mtodo de trabalhar no palco. Voltada aos jornalistas e a quem gosta de escrever, o Atelier de Crtica Teatral ter a presena de Kil Abreu, hoje colaborador da revista Bravo! e com vasto currculo na rea cultural. a oficina mais longa, com quatro dias de durao, de 21 a 24. Para se inscrever em uma das atividades, basta comparecer secretaria do FIT, no primeiro andar do Centro Cultural Daud Jorge Simo, localizado na praa Jornalista Leonardo Gomes, s/n (Praa Cvica). Mais informaes pelo telefone (17) 3215-1770.OFICINAS DE FORMAO FOMENTAM A EDUCAO DURANTE O FESTIVALFIT TRAZ LANAMENTOS DE LIVROS E EXPOSIO FOTOGRFICA Dentro da programao de Atividades Formativas, o FIT traz o lanamento de produes editoriais que abordam a temtica teatral. Um dos destaques o livro Fotografia de Palco, da fotgrafa Lenise Pinheiro. Para realizao desta obra, Lenise inspirou-se no trabalho de Fredi Kleemann (1927-1974), fotgrafo que registrou as produes do Teatro Brasileiro de Comdia (TBC) e da Companhia Cacilda Becker. O diferencial de Lenise a busca pelo instantneo no elaborado e no apenas o retrato. O lanamento do livro acompanhado de uma exposio fotogrfica com as imagens presentes no livro. Na mesma noite, dia 17 de julho, tambm acontece o lanamento das obras: O Teatro da Morte, de Tadeuz Kantor; Revista Sala Preta n 8.SERVIO: Festival Internacional de So Jos do Rio Preto Quando e onde? Entre os dias 16 e 25 de julho, em So Jos do Rio Preto, SP Quanto? Entre R$ 10 e R$ 2,50 Mais informaes: www.festivalriopreto.com.brFestivais121 a 15 de Julho de 2009Jornal de TeatroDivulgada a programao do40. Festival de Teatro de So Jos do Rio PretoCom o tema Subjetividade, evento se divide em mdulos por reas temticas SubjetPor Ive Andrade O Festival Internacional de Internacio Teatro de So Jos do Rio Preto chega a sua 40 edio, em 2009, com mais de cem apresen apresentaes de grupos nacionais, in internacionais e regionais em su prosua gramao. Este ano, o F ter FIT como tema a subjetivi subjetividade e manter o carter expe experimental e no-competitivo que o caracteriza desde 20 2001. Os ingressos comeam a ser vendidos, virtualmen no virtualmente, dia 7 de julho, atra atravs do site ocial do festiva (www. festival festivalriopreto.com.br). A parr tir do dia 11 de julh ser julho possvel tambm a adquirir as entradas pesso pessoalmente no Sesc Rio Pr Preto ou em 27 outras un unidades do Sesc no Esta Estado de So Paulo. Os pre das preos apresentaes vari envariam tre R$ 2,50 e R$ 1 10. MDULO TEA TEATRO E CINCI CINCIA Em 2009, o Festival Internacional de Teatro de So Jos do R PreRio to trar uma comb combinao inusitada em um de seus mdulos: a unio do teatro com o tema cincia, apresentado pelo grupo paulistano Ncle Arte Ncleo e Cincia no Palc com Palco dois espetculos. O primeiro Einstein que Einstein, j passou por m de mais 350 cidades pelo Pas e completa dez anos O enanos. redo apresenta um viso uma humanizada do g gnio da fsica, com nuances de sua personalidade capta captadas no palco. Em So Jos do Rio Preto, a estria da pe aconpea tecer no dia 21 de jul julho. Outra aprese apresentao que une o mundo c cientco ao teatral Afte DaAfter rwin, que trata dos conitos de Charles Darwin com o capito Robert Fitzroy. O espetculo aproxima a teoria do u o p xim ima petculo aproxima teo cientista ao contexto co contemporneo. No FIT, sua estreia acontecer no dia 24. MDULO OCUPAO No Mdulo Ocupao, todos os anos um grupo de destaque nas artes cnicas ganha espao exclusivo e pode trazer de volta suas criaes e as melhores obras. No aniversrio de 40 anos de criao do festival, o carioca Companhia dos Atores o convidado. Com 20 anos de carreira, os artistas cariocas apresentaro em So Jos do Rio Preto quatro espetculos, entre os dias 20 e 25 de julho. Talvez um deles, onde um homem marcado pela introspeco e esquizofrenia tranca-se em seu apartamento e inicia uma relao curiosa com os espectadores. Nos dias 20 e 21, Apropriao discutir temas como livre arbtrio, autoria e impotncia do homem perante seu criador, atravs de trechos de obras, declaraes e entrevistas do dramaturgo Harold Pinter. Situada nos anos 40, a pea Esta Propriedade est Condenada traz como pano de fundo o encontro de dois adolescentes no sul dos Estados Unidos e, a partir da, desenrola uma seo de lembranas de clssicos cinematogrcos e trechos de populares canes norte-americanas. Com direo de Gerald Thomas, o ltimo espetculo a ser apresentado pela companhia ser Bate Man, onde a personagem torturada e, durante a pea, constroi uma profunda anlise do homem contemporneo. ALDEIA FIT No mdulo Aldeia FIT, dez grupos teatrais de So Jos do Rio Preto marcam presena no festival. Os artistas foram escolhidos atravs de uma seleo que tinha 21 candidatos, na qual foi levado em conta a qualidade tcnica, o texto e a interpretao, entre outros aspectos. Entre os selecionados esto a Cia Teatral S Riso, com o espetculo Liz, eu e o Pssaro Encantado, onde a imaginao de uma menina e sua relao com um pssaro levam ao pblico referncias de mundos diferentes. J o Bal de Rio Preto apresenta Alma Aprisionada, onde o grupo se arrisca em uma performance entre a lucidez e a loucura, tratando da personalidade de Stela do Patrocnio. Dentro de um contexto popular, a Cia Forrobod de Teatro apresenta Poesia Popular, que conta a histria de um casal de retirantes que chega cidade grande em busca de uma vida melhor, mas seguem pelo Brasil cantando cordis. O trabalho da Cia Palhaos Noturnos ser Melodrama, onde o humor e o deboche se misturam em diversas pequenas histrias. Interpretando o clssico literrio Memrias de um Sargento de Milcias, a Cia Fbrica dos Sonhos mostra com humor a conhecida histria de Leonardo Filho, enquanto a Trupe Gato e Sapato conta a histria de dois artistas de circo: o palhao Pirueta e a bailarina Penlope, que perdem seus empregos e agora tentam montar o prprio show. As diculdades dessa empreitada tecem a histria da pea. O espetculo As Noivas, da Cia Livre de Teatro, uma adaptao livre de trs contos de Nelson Rodrigues, com um toque contemporneo. Na pea, trs mulheres com personalidades distintas, mas com o mesmo sonho: usar um vestido de noiva. Em O Girassol, a histria a do menino Brs no gosta de sua vida e quando adulto deixa o interior em busca de seus sonhos. O espetculo da Cia da Boca e trata da terra e sua relao com os seres humanos. Trs empregadas domsticas acreditam ter matado sua patroa em Trs D+, da Curta Produes Artsticas. O espetculo promete arrancar risos da plateia enquanto as mulheres tentam provar sua inocncia. NO-LUGAR O espao noturno NoLugar reservado para apre-O espetculo francs Arcane traz a relao acrobtica entre homem e objeto141 a 15 de Julho de 2009/D ivu lg a oJornal de TeatroFestivaisFo to s: C el iaAg ui ardemocracia realPor Michel Fernandes* especial para o Jornal de Teatro A 41 edio do FILO (Festival Internacional de Londrina), que acabou no nal de junho, entra para a histria das artes brasileiras graas redao de uma carta oriunda do debate Acessibilidade Para a Democratizao da Cultura, em que o foco para a Arte Inclusiva, ou seja, aquela preocupada com a participao de todos os indivduos de nossa sociedade na feitura e recebimento dos objetos artsticos, teve pioneiro destaque. J havia participado de festivais nacionais realizados pelo Movimento Arte Sem Barreiras, como jornalista e ocineiro, como tambm do alemo Dancing Crossing Festival, como bailarino, e com o grupo portugus Danando Com a Diferena, como pesquisador em dana inclusiva (que chamo de dana das diferenas), mas em todos esses eventos citados, a segmentao segregava os ditos inclusos do meio artstico a ser includos. J o FILO 2009 agregou a sua seleta pauta de fomento artstico, de merecido reconhecimento no curso desses anos, a questo da chamada Arte Inclusiva. Mas, voltemos carta: ela endereada a todos os festivais, sejam nacionais ou internacionais, para que estes reconheam artistas decientes com igualdade de possibilidades de participao, desde que a arte a que se dedicam esteja dentro dos critrios de excelncia artstica exigidos por tais festivais. Outro quesito da carta, que exige uma reformulao mais complexa dos meios, diz respeito acessibilidade da recepo dos espetculos apresentados em festivais, ou seja, que atravs da tecnologia e de outros meios como um intrprete em LIBRAS seja possvel a recepo por decientes visuais, auditivos etc. O DEBATE Quem participou das mais de quatro horas de durao do debate Acessibilidade Para a Democratizao da Cultura, mediado por Paulo Braz membro da Comisso Organizadora do FILO , sabe que os apontamentos ali nascidos so apenas rebentos prematuros de discusses que ocuparo enorme parcela de nosso porvir, mas, na contramo de tantos projetos capazes de nos engravidar de questes para, na sequncia, nos abandonar rfos de espaos para a continuao das discusses, o FILO 2009, na pessoa do prprio Braz, se comprometeu com a continuidade do projeto nas prximas edies do evento. Desde o princpio, o FILO um festival preocupado com o processo, ento, natural a continuidade do projeto de Arte Inclusiva nas prximas edies do Festival, completou Paulo Braz. A jornalista, empreendedora social, escritora, fundadora da Escola de Gente Educao Para Incluso e do grupo de teatro Os Inclusos e Os Sisos armou categoricamente: sem se pensar na questo da acessibilidade no h evoluo democrtica. Em midos, a palavra democracia caracterizada pela participao de todos os cidados do povo, em que, por meio do voto, escolhemos nossos representantes, cuja misso debater e legislar assuntos de relevncia social s atinge seu pleno signicado quando representantes de cada segmento social, preocupados em solucionar os problemas de forma comunitria, tiverem efetiva participao no debate social. O problema disso, tambm apontado por Werneck, que os segmentos acabam por buscar solues muito especcas e geram uma espcie de excluso dentro da prpria idia de incluso. Citou como exemplo as reivindicaes de grupos de surdos com capacidade de leitura labial, batalhando por direitos especcos a sua classe, desconsiderando aqueles decientes auditivos sem a capacidade de leitura labial. Virou lugar-comum o discurso individualista em todas as instncias. Nada a fazer, ento? No. Continuemos tentando interpretar o que nos dizem nossos representantes para assegurarmos um futuro mais comunitrio, votando em quem nos parecer melhor representar. O debate Acessibilidade Para a Democratizao da Cultura, como se pode perceber, alcanou escalas alm do sentido objetivo da questo acessibilidade. Mas a apresentao do grupo carioca Os Inclusos e Os Sisos referncia objetiva no quesito recepo acessvel (as representaes do grupo procuram destinarem-se aos mais diferentes pblicos, contando, para isso, com uma intrprete de LIBRAS, posicionada numa das laterais do palco de modo a car iluminada sem que isso interra na iluminao do espetculo, fones de ouvido com udio descries, para que os decientes visuais possam acompanhar os detalhes da encenao, e um sistema de legendagem instantnea, na outra lateral do palco, destinado aos decientes auditivos alfabetizados). Segundo armou Cludia Werneck, esse o modelo do teatro do futuro, cuja recepo ser pautada pela acessibilidade geral. ARTISTAS HERICOS POR SEREM DEFICIENTES OU, SIMPLESMENTE, ARTISTAS? Como deciente que j deu a cara a tapa nos palcos, danando em Via Sem Regra, de Gerda Knig, com a alem Din a 13 Tanzcompany comungo com a inquietao que preocupa sobremaneira o bailarino Edu O, que apresentou o interessante Judite Quer Chorar, Mas No Consegue, no FILO 2009: o reconheci-mento de nosso trabalho est atrelado ao fato de nos-Participao artstica como arma parasa decincia nos colocar num pedestal cerzidos com mulas hericas daquele que consegue uma vitria apesar de enfrentar todas as adversidades ou somos reconhecidos pelo nosso real valor artstico (nica vitria que nos interessa obter)? Guardo uma lio de Henrique Amoedo, diretor-artstico do grupo portugus Danando Com a Diferena: O resultado artstico pode ser bom ou ruim independentemente da condio fsica de quem o apresenta. Posto isso, devemos ater nosso foco de ateno no gesto, na fala, na melodia, na poesia, enm, no objeto artstico em si e no em quem o produziu para medirmos sua relevncia e/ ou qualidade artstica. Edu O., por exemplo, apresenta em Judite Quer Chorar, Mas No Consegue uma bela obra de danateatro sobre as dores e os sabores vindos com a transformao. *Michel Fernandes jornalista cultural, crtico e pesquisador de teatro. Editor do www.aplausobrasil.com.br.Bailarino Edu O durante o espetculo Judite Quer Chorar, Mas No ConsegueJornal de Teatro1 a 15 de Julho de 2009Festivais15Teatro de animao estimula cultura catarinenseTerceira edio do Fita Floripa bate recorde de pblico e 20 mil pessoas vibram com as apresentaes de 19 companhias de teatro e animaoPor Adoniran Peres Durante uma semana, visitantes que vieram contemplar as belezas naturais de Florianpolis, estudantes e a populao em geral da regio catarinense tiveram dias culturalmente animados. Representantes do teatro de animao do Peru, da Itlia, da Espanha, da Frana e de vrias localidades brasileiras estiveram na capital e zeram das ruas, das praas e dos espaos pblicos da cidade grandes palcos de importantes espetculos. O motivo de tanta manifestao cultural foi a terceira edio do Fita Floripa (Festival Internacional de Teatro de Animao de Florianpolis), que ocorreu entre os dias 14 e 20 de junho. O evento teve a participao de 19 companhias de teatro e animao e arrebanhou um pblico estimado em 20 mil pessoas, um recorde para os organizadores, cinco mil a mais que em 2008. Isso signica a realizao de um quarto FitaFloripa, armou a coordenadora geral do festival, Sass Moretti, que assina a coordenao executiva do evento junto com Zlia Sabino. No total, 41 apresentaes nacionais e internacionais foram realizadas em 13 espaos da capital, gratuitamente ou a preos populares (de R$ 4 e R$ 8). O sucesso foi to grande que houve necessidade de uma segunda sesso em um dos espetculos, como o caso da pea o Hagnbeck, da Cia. Experimentus Teatrais, de Itaja. Os ingressos j haviam se esgotado quatro horas antes do incio da apresentao. Entre os espetculos mais esperados estavam os internacionais. A abertura do evento, dia 14, contou com a participao de grande pblico, que assistiu a companhia peruana Teatro Hugo & Ins, com Cuentos Pequeos, que se utiliza de partes do corpo para dar vida a personagens. Receberam muitosTeatro Hugo & Ins, do Peru, em Cuentos Pequeos, durante a abertura do festival: partes do corpo do vida aos personagensaplausos a magia das sombras da Cia. Gioco Vita, da Itlia, com Pp e Stella. Outro destaque foi Passage Dsembot, da companhia francesa Les Apostrophs. O espetculo invadiu as ruas do centro de Florianpolis e prendeu ateno dos transeuntes e curiosos. Quem parou para assistir, deu boas risadas. Homens de terno e gravata manipulavam objetos simples, fazendo deles personagens que ditavam o ritmo das aes dos quatros atores, com o sanfoneiro que conduzia o pblico entre as vrias histrias. O encerramento, dia 18, cou por conta da Cia. Jordi Bertran, da Espanha, no Centro de Cultura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com Antologia. Mas no foi s isso: a magiado teatro oresceu em outros pontos da cidade, com companhias nacionais, com destaque para os catarinenses. Os brasileiros mostraram igualmente ao que vieram, como a Cia. Circo de Bonecos, com o espetculo Circus A nova turne, que encantou e lotou o auditrio principal da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). J o espetculo Socorro, do Ronda Grupo de Dana e Teatro, de Florianpolis, lotou o teatro da Ubro, entre outros que entraram em cena, como as companhias Cirquinho do Revirado, com O Sonho de Natanael, o Anima Sonho com a Bonecrnicas e Circus A Nova Turne, da Cia. Circus de Bonecos, e o Menino Maluquinho, da Cia. Andante. Mais informaes em www.taoripa.com.brPassage Desembote, do Grupo Frances Les Apostrofes, invadiu, com muito bom humor, as ruas da CapitalFotos: DivulgaoDesle de abertura do Fita Floripa 2009 pelas ruas de Florianpolis161 a 15 de Julho de 2009Jornal de TeatroFestivaisPor Adriana Machado Fotos Anderson Espinosa Criana ou adulto, no importa a idade, o olhar de encantamento o mesmo. E este brilho nos olhos um fenmeno que acontece h mais de duas dcadas, em uma pequena e buclica cidade serrana do Rio Grande do Sul. Todo ano assim. O 21 Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Canela no traz, apenas, os melhores espetculos do mundo, as mais novas tcnicas de manipulao e o talento dramtico de atores responsveis a dar vida s suas mais incrveis criaes. O evento o mais duradouro do gnero no Pas e tambm um dos mais longevos das artes cnicas movimenta o municpio de inmeras maneiras. Turistas vindos de vrias partes do Estado lotam hoteis, restaurantes e o comrcio local, que por sua vez, se enfeita para receber o pblico e os consumidores. Este colorido especial, capaz de remeter s travessuras da infncia, est presente em todos os cantos: nas esquinas, nos bancos das praas, nas vitrines das lojas e nas janelas das casas. Vinda de Caxias do Sul, Simone Pellenz e sua lha, Amanda, de 9 anos, se deslocaram para o municpio especialmente para prestigiar o festival. difcil encontrar espetculos como este durante o ano. Estou achando bem bacana, principalmente porque podemos escolher entre as programaes fechadas e as de rua tambm, diz Simone. Ou seja, tm atraes para todos os gostos e em duas verses, o que demonstra a boa organizao do festival, completa.FORMAS INOVADORAS O Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Canela contou com um pblico de mais de 30 mil pessoas durante os quatro dias de realizao (de 18 a 21 de junho). Bonequeiros do Brasil, da Finlndia, da Espanha, da Argentina e da Itlia, em um total de 120 artistas, apresentaram 50 espetculos (a metade atraes de rua). As tcnicas foram as mais variadas: sombras, os, luvas, varas, com bonecos grandes e pequenos, representando bebs, homens, mulheres, idosos e animais. Espetculos ldicos, nostlgicos ou simplesmente irreverentes e que nunca se repetem. Com exceo de um ou outro sucesso do passado. Existe uma preocupao em trazer uma programao de vanguarda, alguns mais fceis de serem aceitos pelo pblico, caracterizando-se por ser o mais puro entretenimento, outros mais densos e investigativos, arma a diretora artstica do festival, h 21 anos, Marina Meimes Gil, responsvel pela curadoria em conjunto com os bonequeiros Nelson Haas e Beth Bado. Destes, existem grupos que preferem a improvisao e o contato direto com o pblico. Na praa, dezenas de crianas se acotovelavam para ver de perto os imaginrios Malry e Halry, do Circo de Pulgas, do catarinense Marcio Correa, integrante do grupo Legio de Palhaos. Utilizando a tcnica de manipulao e ilusionismo, o domador-clown divertiu pela simplicidade caractersticas da obra. Este espetculo existe desde 1998 e h muito tempo no fao apresentaes em teatros fechados, diz o artista.Canela, na Serra Gacha, se enfeita todos os anos para receber os bonecos e fantochesOs gachos Jeffersonn Silveira e Ccero Pereira, do grupo Giba, Gibo, Gibia seguem a mesma linha. As aventuras de pantaleo, o mgico trapalho existe h 15 anos e j foi apresentado em colgios, comunidades carentes, para menores in-fratores, crianas portadoras de HIV e vegetativas. Procuramos envolver o pblico e gostamos de levar alegria. Para ns, artistas, ver o sorriso desta garotada traz uma realizao pessoal muito forte, sem querer ser demagogo, confessa Silveira.Jornal de Teatro1 a 15 de Julho de 2009Festivais17Marcio Correa, da Legio de Palhaos, apresenta Circo de Pulgas no meio da rua para crianas de todas as idadesEspetculos se notabilizaram pela irrevernciaO melhor no mundo em teatro de formas animadasO Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Canela contou com uma programao equilibrada, para atender a todas as idades e a todas as tendncias da arte bonequeira. Foram 18 peas apresentadas nos teatros e nos espaos pblicos. Alm disso, o festival veste toda a cidade com bonecos, incluindo os inveis, e at mesmo uma cobra de 40 metros. Outra atrao foi a exposio dos bonecos do grupo Cia O Navegante, locados para a minissrie Hoje Dia de Maria. Quem subiu a serra teve a oportunidade de assistir novidades recm-estreadas na Europa, espetculos de vanguarda e encenaes de grande porte, que exigiram 17 horas de montagem de cenrio e infraestrutura. Casos de Pinocchio, do grupo Giramundo, de Belo Horizonte, e de Katoamispiste (Vanish Point), a atrao ps-dramtica da vez, vinda da Finlndia. Todos os espetculos internacionais vieram ao Brasil pela primeira vez. Com direo e adaptao de Marcos Malafaia, Beatriz Apocalypse e Ulisses Tavares, os mineiros trouxeram a insero do vdeo como elemento cnico, a composio da trilha sonora no sistema quadrifnico, o uso de madeira e objetos de demolies, a aproximao entre manipulao e dana e o uso simultneo das tcnicas tradicionais do teatro de bonecos. Tudo para reetir sobre a formao do ser humano atravs da restrio da liberdade e do prazer. J a representante da Finlndia apresentou uma proposta ps-dramtica, que misturou animao com muita tecnologia e elementos do cinema novo, circo e dana. O cenrio foi formado por trs teles que exibiam imagens urbanas e da natureza durante a en-GRUPOS PARTICIPANTES: ESPETCULOS INTERNACIONAISValria Guglietti No Toquen Mis Manos, Espanha. Tcnica de manipulao: sombras chinesas WHS Katoamispiste, Finlndia. Tcnica de manipulao: objetos Pelmnec Teatre Don Juan, Memoria Amarga de Mi, Espanha. Tcnica de manipulao: direta Gioco Vita Pepe e Estrella, Itlia. Tcnica de manipulao: sombras chinesas ESPETCULOS NACIONAIS Contadores de histrias Em concerto, Paraty (RJ). Tcnica de manipulao: direta Giramundo Teatro de Bonecos Pedro e o Lobo, Belo Horizonte (MG). Tcnica de manipulao: marionete Giramundo Teatro de Bonecos Pinocchio, Belo Horizonte (MG). Tcnica de manipulao: marionete/balco/luva/sombra Bonecos Canela Cultura Viva Sonho de uma noite de vero, Canela (RS). Tcnica de manipulao: luva APRESENTAES DE RUA Kossa Nostra Kruvikas , Argentina. Tcnica de manipulao: luva/vara/direta e mista Pia Fraus Bichos do Brasil, So Paulo. Tcnica de manipulao: direta de inflveis gigantes Legio de Palhaos Circo de Pulgas, Rio do Sul (SC). Tcnica de manipulao: ilusionismo Giba Gibo Jibia As Aventuras de Pantaleo, Porto Alegre (RS). Tcnica de manipulao: luva/gatilhos/vara Cia. O Navegante Musicircus, Mariana (MG). Tcnica de manipulao: marionetes Cia. Bonecos da Gente Afro-descendentes, Alvorada (RS). Tcnica de manipulao: direta PREGANDO PEA O MACACO SIMO, GRAVATA (RS). TCNICA DE MANIPULAO: MAROTE COM VARA CALADA DI VERSO TRAPIZONGA, CURITIBA (PR). TCNICA DE MANIPULAO: DIRETA E MARIONETES BANDO NON EXPERINCIA CNICA TEATRO DE LAMBE-LAMBE, JOINVILE (SC). TCNICA DE MANIPULAO: DIRETA DE CANELA: TEATRO DE BONECOS PADRE FRANCO A VIAGEM DE UM BARQUINHO. TCNICA DE MANIPULAO: DIRETA BONEQUEIROS MIRINS INSTALAO GRUPO P GRANDE BONECOS GIGANTES. TCNICA DE MANIPULAO: DIRETA GRUPO S RINDO. TCNICA DE MANIPULAO: DIRETA EXTRAS: MOSTRA DE FILMES, DESCENTRALIZAO, CAIXA LAMBE-LAMBE E CINEMA 3DBoneco gigante imita gestos humanoscenao. Algumas performances apresentadas no palco tambm apareceram ecoadas nas projees. Entre os efeitos, o ator animou um pssaro com as mos, que saiu voando, surgindo num mergulho em imagens pr-gravadas. A programao, segundo a diretora artstica Marina Meimes Gil, luxuosa. Esttica parte, com certeza um bom resumo do que acontece de melhor no mundo em teatro de formas animadas. Exemplo disso o espanhol Don Juan, Memria Amarga de Mi, que estreou no festival Titirimundo 2009, na Segvia, onde se consagrou como o melhor espetculo. Tambm recebeu o prmio do jri popular do 10 Festival de Teatro de Bonecos de Belo Horizonte.OS PREMIADOS DA NOITE DE ENCERRAMENTO, NA OPINIO DO PBLICO:MELHOR ESPETCULO APRESENTADO NOS TEATROS: NO TOQUEN MIS MANOS, DE VALRIA GUGLIETTI, DA ESPANHA MELHOR ESPETCULO DE RUA DO BONECOS DO CHAPU, BICHOS DO BRASIL, DO PIA FRAUS, DE SO PAULO181 a 15 de Julho de 2009Jornal de TeatroFestivaisCerca de 2.800 vagas so oferecidas para os seminrios, cursos e workshops. A integrao entre a professora e a aluna, durante a aula de bal clssico, contagia as demais bailarinasFestival de Dana de Joinville investe na troca de experinciasAlm das apresentaes e mostras de dana, a aposta dos organizadores so os Cursos, Oficinas, Workshops e Seminrios de DanaFotos: DivulgaoPor Adoniran Peres No exagero se afirmar que a 27 edio do Festival de Dana de Joinville promete ser um sucesso, com muitas atraes de (rara) beleza e qualidade. Afinal, entre os dias 15 e 25 de julho, cinco mil participantes, entre bailarinos, coregrafos, professores e pesquisadores da dana colocaro a cidade catarinense sob os holofotes do mundo da arte. Se, anteriormente, a mostra competitiva era a parte mais evidente do evento, hoje tudo importante e cada atrao ganha a sua projeo. A programao didtica/pedaggica, por exemplo, uma das apostas dos organizadores que, a cada ano, atrai milhares de estudantes e profissionais da dana que vem nos cursos e oficinas, workshops coreogrficos e seminrios de dana oportunidades mpares de se aperfeioarem. Cerca de 2.800 vagas so oferecidas para a reflexo e aprimoramento, um aumento de 39% em relao ao ano passado. Apenas nos cursos e oficinas so 2.040 vagas, em 59 turmas de 44 cursos, que englobam de bal clssico ao jazz contemporneo, sapateado e dana de rua. Voltado ao meio acadmico (universitrios, mestre e doutores em dana), os seminrios chegam terceira edio e provocam uma reexo sobre o tema Dana e educao - como o danarino aprende, com quem aprende e onde ensina. Com o ttulo Algumas perguntas sobre dana e educao, as conferncias e exerccios contaro com 17 prossionais convidados todos pesquisadores renomados na rea que abordaro questes instigantes e polmicas como Artes-educaes: as abordagens so mesmo plurais?, Quem pode mesmo ensinar bal?, Grandes mestres podemos duvidar deles? e Onde se produz o artista de dana?, Centros de formao o que h para alm das academias?, entre outros. Ainda nesta 21 edio, os seminrios ganham um dia a mais e sero rea-das tradicionais batalhas de MCs FreeStyle, Popping, Locking e Hip Hop FreeStyle, com a incluso de um novo estilo, o House Dance. A seleo dos participantes tambm mudou: os candidatos se inscreveram no processo seletivo postando vdeos com suas performances no YouTube. PROGRAMAO A programao ocial traz, ainda, a tradicional noite de abertura que contar, no dia 15 de julho, no Centreventos Cau Hansen, com a energia da companhia francesa Spoart e da companhia brasileira Discpulos do Ritmo. Em 11 dias, o Festival ter, ainda, Noite de Gala e dos Campees Mostra Competitiva, as apresentaes do Meia Ponta ou Palcos Abertos, alm da Feira da Sapatilha, a maior do setor no Brasil, que apresenta produtos, artigos e acessrios de dana e rene mais de 70 expositores. Mais informaes em www.festivaldedanca.com.br.PRINCIPAIS ATRAES:Noites especiais de Abertura, de Gala e dos Campees Mostra Contempornea de Dana Mostra Competitiva bal clssico, clssico de repertrio, dana contempornea, danas populares, jazz, sapateado e dana de rua Meia Ponta apresentaes infantis Feira da SapatilhaAs inmeras ocinas acontecem em auditrios, no palco e em salas de ensaiolizados de 22 a 25 de julho. As palestras sero realizadas nos trs primeiros dias do evento. No quarto dia o espao se abre para a prtica, com a apresentao de estudos produzidos nas universidades. Ao todo, 500 vagas foram abertas para os interessados. Durante o evento, tambm ser lanado o livro Seminrios de Dana 2 O que quer e o que pode a tcnica, resultados das discusses desenvolvidas em 2008.ENCONTRO DAS RUAS Alm das apresentaes e mostras de danas, que j so referncias consagradas mundialmente, outra aposta o Encontro das Ruas. Voltado para a cultura urbana, a atrao chega quarta edio repleta de inovaes. Neste ano, abre espao para novas linguagens e estilos, amplia a Mostra de Grate, ganha uma comisso tcnica composta por expoentes da cultura hip hop no Pas e no mundo e avana na organizaoPalcos Abertos apresentaes gratuitas em centros comerciais, praas, fbricas e na Feira da Sapatilha Cursos e oficinas Seminrios de dana Workshops coreogrficos Encontro das Ruas Rua da Dana Visitando os BastidoresJornal de Teatro1 a 15 de Julho de 2009Tcnica19Tudo msica para TheoArtista multimdia, em cartaz com a pea A Vida Que Pedi, Adeus fala sobre o som dos palcos e das mesas, e de como caiu no mundo da coxiaTheo Werneck um artista multimdia. No s porque trabalha com udio, mas, sim, por que um multiartista: ator, sonoplasta, DJ, msico, pesquisador musical. Hoje atua no Theo Werneck Blues Trio e est em cartaz com A Vida Que Pedi, Adeus no Teatro Cosipa, onde responsvel pela trilha sonora inovadora com uma s composio, a sonoplastia se d atravs de texturas sonoras captadas no mundo real, ruidagens urbanas e sons verdadeiros das grandes cidades. O Jornal de Teatro subiu at a ilha de som e escutou o que Tho tem a tocar ou melhor, a dizer. Jornal de Teatro Se voc tivesse que explicar para algum sobre o que se trata o seu trabalho como sonoplasta no teatro, como voc o faria? Theo Werneck Comecei minha carreira no teatro aos 17 anos. Fui tcnico, cenotcnico, assistente de cenograa, contraregra e operei bonecos. Um dia, trabalhando como contrarregra na pea infantil Esqueci a porta da cabea aberta, um ator no foi avisado de uma mudana de horrio e como eu sabia todos os textos fui chamado para substitu-lo. Na montagem seguinte do grupo, ganhei um personagem e passei da coxia para o palco. A msica sempre caminhou lado a lado com a experincia no teatro, ento, fazer a msica de um espetculo parte natural da minha experincia. JT Onde voc busca suas referncias para a criao da trilha teatral? TW Em tudo. No cinema, nos shows, na televiso, nas artes plsticas, na moda, nos discos antigos (sou pesquisador de mJoo Caldas DivulgaoPor Danilo BragaTheo Werneck: Fazer barulho a premissa para ser ouvido no universo A Vida Que Pedi, Adeus usa gravaes urbanas em sua trilha sonorasica para cinema, z a pesquisa musical de Carandiru, o lme). JT Na pea que est em cartaz, A vida que Pedi, Adeus, voc usou recursos da vida real, gravaes de sons urbanos e ruidagem para compor a trilha da montagem. Porque trazer o real como opo uma criao articial? TW A idia fugir do bvio e trazer o ambiente urbano para dentro do teatro usando a trilha como textura sonora. JT Que tipo de equipamento voc utilizou? Quanto e como isso inuenciou no seu trabalho? TW Trabalhei com muita gente que me inuenciou e me ensinou a fuar nas coisas e obter sons do que aparecesse. Trabalhei com o Andr Abujamra no grupo Boi Voador, com Ulisses Cruz e tambm fui diretor musical. Pude, ento, entender que a msica no nenhum monstro de sete cabeas, mas algo que est no cotidiano das pessoas, dentro da cabea delas (todo mundo, ou quase todomundo, cria uma trilha quando caminha ou quando est dentro do metr, do nibus...). Para as gravaes usei um gravador e microfone digitais. JT Qual a principal diferena, em se tratando do processo criativo, na concepo de A Vida que Pedi, Adeus e A Alma Boa de Setsuan? TW So trabalhos completamente diferentes, na Alma Boa... usei mais a composio e criao musical no sentido de trilha sonora mesmo, com temas para cada cena. Na A Vida Que Eu Pedi... a pesquisa foi mais conceitual, no sentido de criar ambientes dentro das situaes. JT Na coletiva de A vida, voc mencionou que s h uma composio musical na pea toda, o que se entende por msica. O que a msica para voc? TW Aprendi com o meu irmo Andr Abujamra que tudo pode ser msica, tudo... At o nada musica... JT Voc costuma transpor elementos de outrossentidos (como a viso ou tato) para o seu trabalho? Ou voc s se baseia no innito universo dos sons? TW Cada trabalho um trabalho. Quando trabalhei com o circo dos acrobticos Fratelli tive que me ligar nos tempos coreogrcos dos nmeros do circo e, por vezes, acompanhar o movimentos dos artistas e trapezistas. um pouco de tudo misturado. JT Algumas de suas primeiras discotecagens caram famosas no Teatro Mambembe. Voc acha que o fato de um teatro abrigar, de certa forma, suas origens inuencia o seu trabalho hoje? TW A minha experincia com teatro e performances nos anos 80/90, sem dvida, inuenciou e inuencia o meu trabalho como um todo, seja tocando, cantando, atuando ou discotecando. JT E como ator, o que voc usa dessa formao dramtica para suas criaes audiofnicas? TW Na verdade, acho quetodos os atores poderiam, eu disse poderiam, aprender a desenhar, como exerccio, para se colocar em cena, para entender o campo cnico. O desenho matemtica, assim como a msica, e isso inuencia e modica tudo. Ns, que no somos s matemtica, podemos sentir as coisas e interpret-las. JT Qual o seu som preferido? E o seu rudo? TW Adoro som de troves, adoro sons inusitados e inesperados, bips e sons eletrnicos, batuque em banco de metr ou de nibus, batuques em latas de lixo. Guitarra distorcida. Tudo. JT Voc gosta de fazer barulho (em todo e qualquer sentido)? TW Amo! Fazer barulho ou fazer um som premissa bsica para ser ouvido ou entendido no universo, seja o choro do nen ou o violino do vizinho aprendendo a tocar, o seu lho aprendendo a assobiar, seu sobrinho tocando heavy metal, tudo msica.Acervo do IBTT aberto comunidade para consultaO IBTT (Instituto Brasileiro de Tcnica Teatral) est com novidades. O acervo da biblioteca, em So Paulo, est aberto a qualquer pessoa que queira acesso importante literatura da tcnica teatral mundial: O acervo est disponvel a todos os interessados. um patrimnio cultural que encaramos como pblico, do teatro brasileiro, conta Cludia Gomes, diretora de comunicao do instituto. A biblioteca conta com ttulos importantes da tcnica teatral. A lista completa voc confere no nosso site, www. jornaldeteatro.com.br. Os livros em portugus incluem a obra de Osmar Rodrigues Cruz (O teatro e sua tcnica), Hamilton Saraiva (Eletricidade Bsica para Teatro), Funo Esttica da Luz, de Roberto Gil Camargo e o famoso Antitratado de Cenograa, de Gianni Ratto. O acervo conta, tambm, com programas de teatro (com datas de 1940), um banco de imagens com mais de 4.600 fotos e guras raras e inditas. Tambm esto no acervo mais de dez ttulos de revistas sobre tecnologia teatral, muitas delas fora de circulao e outras datadas da dcada de 1960. possvel encontrar a maioria desses ttulos desde a primeira edio. Tambm a documentao de espetculos internacionais (como Les Miserables, Cats e Chicago entre outras superprodues) esto disponveis para consulta e pesquisa. H, ainda, textos e obras em suas lnguas originais. Entre eles esto o Manual de Iluminao e o Manual de Tcnicas de Palco de Carlos Cabral (Portugal ); Diseo de la Iluminacin Teatral, de Maurcio Rinaldi (Argentina); Les crans sur la Scne, de Btrice Picon-Vallin (Sua) e Trait de Scno Graphie, de Pierre Sonrel (Frana). Em ingls esto disponveis, entre outros ttulos The ABC of Stage Lighting (Francis Reid), Lighting the Stage: Art and Pratice (Willard Bellman), The Art of Stage Lighting (Frederick Bentham), Light Fantastic (Max Keller) e A Syllabus of Stage Lighting (Stanley McCandless). O IBTT est, tambm, construindo um novo site, que deve car pronto na segunda quinzena de julho.201 a 15 de Julho de 2009Jornal de TeatroHomenagemPrecursora do teatro-dana, Pina Bausch morre aos 68 anosDanarina e coregrafa alem sofria de cncer e faleceu cinco dias aps o diagnstico. Circunstncias da morte, porm, no foram divulgadasA danarina e coregrafa alem Pina Bausch faleceu na tera-feira, dia 30, aos 68 anos. Cinco dias antes, Pina havia sido diagnosticada com um cncer, mas as circunstncias de sua morte ainda no foram divulgadas. Pina faleceu em sua residncia, em Wuppertal, onde, poucos dias antes, estava nos palco com sua equipe. Pina Bausch nasceu na cidade de Solingen, oeste da Alemanha, em 27 de julho de 1940. Nasceu Josephine Bausch mas, logo no incio da carreira, mudou seu nome. As primeiras apresentaes ldicas com o bal infantil ocorreram em Wuppertal e Essen. Com 15 anos, iniciou sua formao de dana na Folkwangschule de Essen, fundada pelo clebre coregrafo Kurt Joos, em 1955. Pouco tempo depois, no incio da dcada de 60, ganhou notoriedade na Metropolitan Opera de Nova Iorque e na Juillard School Music, aonde apresentou seus espetculos de dana. Nos anos 70, Pina criou novas formas e estilos no teatro e na dana. Dez anos mais tarde, seu trabalho ganhou, na Alemanha, a mesma importncia que o teatro falado e caracterizou o pas como bero do segmento artstico. Pina Bausch era considerada a grande dama da dana contempornea alem, j que tinha um estilo expressionista nico que, no incio de sua carreira, provocou grandes polmicas, antes de ser reconhecido mundialmente. O teatro-dana, como a maioria denomina, foi a principal contribuio dela. Pina, no entanto, se referia a uma abordagem psicolgica individual. A companhia de Pina Bausch esteve pela ltima vez no Brasil em 2006 e deve voltar para shows em So Paulo, em setembro, quando mostrar duas obras importantes na carreira da coregrafa: Caf Mller, pea de 1978, e A Sagrao da Primavera, de 1975, com msica de Igor Stravinsky. Trata-se do mesmo programa que Bausch e seu grupo de Wuppertal apresentaram no Brasil em 1980, na primeira turn da companhia no Pas.Fotos: DivulgaoA Companhia de Pina Bausch esteve no Brasil pela ltima vez em 2006. O grupo deve voltar a So Paulo em setembro desse anoCada pea um novo apelo para que o espectador cone em si mesmo, se enxergue e se sinta, dizia ela. Cada pea diferente, mas profundamente ligada a mim.Pina criou, nos anos 70, o que chamado hoje de teatro-danaEmocionado, Daniel Granieri fala sobre a personalidade de sua madrinha na danaPor Rodrigoh Bueno Logo no fechamento do jornal tivemos a notcia do falecimento de Pina Bausch e ocorreu falar com o amigo Daniel Granieri, que esteve em dois trabalhos com a coregrafa. A surpresa foi que o ator no sabia do ocorrido e, emocionado, revelou traos desconhecidos da criadora do teatro-dana. Estive em dois trabalhos com a Pina Bausch no Brasil e me impressionou a forma como ela lidava com as pessoas. Para mim, ela mais do que a criadora do teatro-dana, pois seu trabalho em performance tambm nico. Ela renovou a dana contempornea e se tornou uma grande formadora de opinio mundial em artes do corpo, disse. Mas a principal caracterstica que atribuo a ela o poder de unir atravs da dana. Ela fez o que muitos estadistas no conseguiram: unir raas e difundir a cultura de povos to diferentes. Dona de uma humildade impressionante, ela deixava claro para todas pessoas e tratava todos absolutamente da mesma forma que se o trabalho artstico no feito com verdade, no vale a pena fazer. O que importa levar para o palco a essncia do ser-humano e isso ela fazia muito bem. Ela destacava nas pessoas o que elas tinham de melhor, revela. O PROFESSOR DE FORR Daniel relembra uma histria ocorrida em 2002, enquanto estava em cartaz com o espetculo Brasil, no Teatro Alfa. Depois do espetculo, os bailarinos brasileiros resolveram levar os estrangeiros para conhecer a noite brasileira e acabaram em um forr. O entusiasmo do grupo foi tanto, que na noite seguinte Pina Bausch que estava na companhia de Caetano Veloso nesta noite quis conferir a dana e coube a Daniel ensin-la. Caetano foi junto e acabou dando uma canja de `Cajuna. Foi uma noite incrvel e, mais uma vez, Pina Bausch mostrou o respeito e admirao que tem pelos ritmos regionais, sempre segurando seu cigarro inseparvel, conta ele. Daniel Granieri ator e seu trabalho em televiso poder ser conferido no programa Por Toda Minha Vida Cazuza, na Rede Globo, ainda sem previso de exibio.Acervo Daniel GranieriEla destacava nas pessoas o que elas tinham de melhorJornal de Teatro1 a 15 de Julho de 2009Vida & Obra21A dramaturgia atrevida de Sir Tom StoppardNo ms do aniversrio do autor, Jornal de Teatro mostra por que ele considerado um dos mais importantes nomes do teatro mundialPor Daniel Pinton A origem histrica do ttulo de sir remete a quem possua domnio sobre um feudo, sobre o mercado de escravos ou era apenas uma forma de agraciar algumas personalidades da nobreza e da realeza nos tempos medievais. Com a modernidade e o avano social, o ttulo passou a pertencer queles que dominavam um conhecimento especco sobre algum assunto. Foi assim, por exemplo, com o fsico Sir Isaac Newton e com o cineasta Sir Charlie Chaplin. Mas a mesma regra no pode se aplicar a Sir Tom Stoppard. Muito alm do papel de autor e dramaturgo, Stoppard oferece, desde 1958, quando comeou a trabalhar como crtico teatral e colunista no Bristol Evening World (Inglaterra), trabalhos diversicados para reexo histrica e antropolgica, obras que repercutem e elevam o pensamento daqueles que puderam ser atingidos pelo seu furaco de ideias. Para entender Stoppard e seu processo criativo preciso voltar um pouco no tempo, mais precisamente 72 anos, idade completada por Stoppard dia 3 de julho. Nascido em 1937, na ento Tchecoslovquia, presenciou sua terra ser invadida pelos nazistas e se mudou com dois anos de idade para Singapura. Mais uma invaso, mais uma mudana. Por conta da invaso japonesa Singapura, foi com sua famlia para a ndia, onde recebeu educao inglesa e, enm, se estabilizou. Mas logo se desestabilizou. Ainda bem. Aos 17 anos largou os estudos e comeou a trabalhar em jornais, onde se envolveu nalmente com as artes, para sorte do grande pblico. O escritor tcheco naturalizado ingls talvez seja mais conhecido no Brasil pela coautoria, junto com Marc Norman, de Shakespeare Apaixonado, blockbuster de 1998, vencedor de sete estatuetas do Oscar, incluindo melhor lme e melhor roteiro. Mas, muito antes, sua obra j havia encantado plateias em todo o mundo. Sua estreia no teatro foi em Rosencrantz e Guilderstern esto Mortos, de 1966, na qual Stoppard se inspira em dois amigos de infncia de Hamlet, onde o prncipe aparentemente secundrio e toda a histria parece invertida: era o incio da recorrente utilizao de personagens historicamente menores e de metalingustica teatral. Sua consagrao, porm, veio com a montagem da trilogia bastante desaador, explica Pmio. O encontro com Stoppard foi, segundo ele, imprescindvel para que a traduo da pea fosse feita sem tirar o seu sentido original. Para a surpresa do tradutor, o escritor ingls se mostrou inteiramente solcito e aberto a tirar dvidas comuns se tratando de um texto teatral metalingustico. Fui me encontrar com ele em janeiro deste ano. Ele uma criatura adorvel, uma pessoa de simplicidade no convvio. Ele foi dignssimo, solcito, sem qualquer ponta de esnobismo. Fomos ao teatro, tomamos um caf e ele teve total disponibilidade para elucidar, discutir qualquer dvida que eu tivesse no texto. O tempo que ele dedicou a mim foi algo que ele nem precisaria fazer, mas ele cou bastante impressionado com algum de fora da Inglaterra fazendo sua obra considerada a mais difcil, diz. Fica a dica do Jornal de Teatro para aqueles que j conhecem a obra de Sir Tom Stoppard e, principalmente, queles que ainda no tiveram a oportunidade de entrar em contato com o universo de reexo daquele que hoje em dia no apenas um dos maiores dramaturgos ainda vivos, mas tambm um iluminista contemporneo. Um homem que, apesar de no ter um e-mail e sequer ter pacincia para digitar em um computador, desenvolve em suas obras um esprito jovem-contestador incapaz de datar seu trabalho cada vez mais atemporal.BIOGRAFIA TEATRAL (NOMES ORIGINAIS): 1966: Rosencrantz & Guildenstern Are Dead 1968: Enter a Free Man 1968: The Real Inspector Hound 1970: After Magritte 1972: Jumpers 1972: Artist Descending a Staircase 1973: Born Yesterday 1974: Travesties 1976: Dirty Linen and New-Found-Land 1977: Every Good Boy Deserves Favour 1978: Night and Day 1979: Doggs Hamlet, Cahoots Macbeth 1979: 15-Minute Hamlet 1979: Undiscovered Country 1981: On the Razzle 1982: The Real Thing 1984: Rough Crossing 1986: Dalliance 1988: Hapgood 1993: Arcadia 1995: Indian Ink 1997: The Invention of Love 2002: The Coast of Utopia 2004: Enrico IV 2006: Rockn RollArquivo PessoalStoppard ( dir) recebeu Marco Antnio Pmio, em Londres, para uma conversa sobre a sua pea TravestiesA Fronteira da Utopia (The Coast of Utopia), em 2002. A histria, com vrios intelectuais e revolucionrios russos, passa a mensagem que a Histria nada mais do que uma ironia em movimento a pea rendeu a Stoppard sete prmios Tony o Oscar do teatro. No Brasil seu trabalho passou a ser mais conhecido e reconhecido a partir de sua participao na edio de 2008 da Flip (Festa Literria Internacional de Paraty). No evento, onde foi a principal atrao, Stoppard falou, com mediao de Luis Fernando Verssimo, sobre o processo criativo de suas principais peas, principalmente Rockn Roll, de 2006, espetculo que se passa durante a emergncia do movimento democrtico no leste europeu, pouco depois de eclodir a Primavera de Praga, chegando Revoluo de Veludo, sob a perspectiva dos defensores da liberdade e do proletariado. No embalo da vinda do escritor ao Brasil, o diretor Cae-Trazido para o Brasil, Rockn Roll foi tema de debate na Flip de 2008tano Vilella se movimenta para encenar, a partir de outubro, Travesties, obra de 1974 de Stoppard. A pea uma pardia do livro A importncia de ser Prudente, de Oscar Wilde. Eu queria um autor contemporneo que falasse do papel do artista na sociedade e tivesse o vis poltico. A, caiu no Tom Stoppard. Conheci o Travesties e vi que tinha muito sobre o que eu queria falar, ento fui atrs. Ele queria me conhecer para saber qual seria a minha leitura da pea, pois, segundo ele, Travesties o texto dele mais difcil de se traduzir. Tivemos um encontro no Aeroporto de Cumbica e nossa conversa durou quatro horas. Ele gostou e aprovou a minha proposta, falou que eu estava no caminho certo e me deu total liberdade. O medo de Stoppard era de a pea ter um vis mais comercial, ele no quer isso. Ele foi muito acessvel, quei at sem graa. No existe muito isso no teatro de o autor antes de ceder os direitos querer te conhecerolho no olho, ainda mais partindo de um autor do porte dele. Aps isso, trocamos correspondncia por duas ou trs vezes e o meu tradutor, Marco Antnio Pmio, foi a Londres se encontrar com ele para resolver os ltimos detalhes, conta Villela. O tradutor da pea, Marco Antnio Pmio, que tambm ator, destaca o desao que foi traduzir o texto mais difcil de Stoppard. O Travesties muito verborrgico, ele mistura, em uma mesma obra, vrios planos narrativos. Como uma pea que se passa na cabea de um personagem, h ashes de memria num jogo de ida e vinda misturando trs planos histricos reais. Voc tem que ter domnio de assuntos e eventos diversos para tornar vivel a montagem desse quebra-cabea na cabea da plateia. Stoppard coloca tudo isso em um caldero com bastante sentido e lgica, porm, exige bastante ateno da plateia, do leitor, diz. Pmio lembra que teve de interromper seu trabalho diversas vezes para estudar a fundo os assuntos tratados e poder entender o que traduzia. Travesties uma pea muito concentrada em contedo. Geralmente levo um ou dois meses para um trabalho de traduo e acabei levando sete, oito meses porque houve momentos em que tive que parar tudo para estudar. Fui elucidando um monte de elementos quase como charadas para aquilo ter sentido na traduo. Stoppard brinca muito com a linguagem, ela muito atrevida. Ele faz um jogo de metforas, sonoridades no ingls, que para o tradutorDivulgao221 a 15 de Julho de 2009Jornal de TeatroHistriaDignidade regulamentada em leiComo um decreto publicado h mais de 30 anos garantiu o respeito a todos os profissionais da arteDignidade, honra, respeito... Direitos conquistados na base de muita luta e perseverana. Enquanto algumas profisses, como a de jornalista, ainda sofrem com processos conturbados de regulamentao, os artistas e tcnicos em espetculos de diverses comemoram, ainda hoje, a Lei n 6.533, de 24 de maio de 1978, regulamentada pelo Decreto n 82.385, de 05 de outubro do mesmo ano, que coordena e d as diretrizes legais para a classe. Parece difcil imaginar, mas trabalhar com a arte, antes desse perodo, era quase como assinar um papel na sociedade de vagabundo ou prostituta. graas luta de dezenas de grandes nomes do teatro no passado que, hoje, aqueles que alegram, animam, do esperanas e tambm fazem chorar tm seus direitos e benefcios garantidos na Constituio. Lei elogiada efusivamente por especialistas e estudiosos, ela respeita o que diferencia os artistas de um trabalhador comum: a capacidade de fazer emocionar. Cada pessoa tem o poder e a capacidade de assumir um personagem e atuar em determinada cena. Carrega dentro de si um sonho de se transformar em outro algum, talvez um melhor indivduo ou um indivduo mais feliz. Para cada profisso, porm, existe a necessidade de uma formao competente e sria. Atuar uma arte, mas sem estudos, cursos tcnicos e faculdades no se pode exercer o trabalho da melhor maneira possvel. Llia Abramo, Paulo Autran, Dercy Gonalves, Nair Bello, Beth Pinho... Quando se iniciou a movimentao pela regularizao e reconhecimento do trabalho de ator, em meados dos anos 1970, alguns dos maiores nomes do teatro brasileiro levantaram a voz para defender a classe. Era de se esperar. Afinal, os artistas no eram vistos pela populao como verdadeiros profissionais e ficavam vulnerveis a presses e decises de cada novo governo autoritrio, que tomava as rdeas do Brasil. Para se ter ideia, as mulheres que decidiam seguir essa carreiraFotos: Arquivo Sated-RJPor Felipe Sil20 anos do decreto: atores encenam a luta pela regulamentaoO ator Otvio Augusto discursa em assembleia no Sated-RJeram geralmente equiparadas s prostitutas. Chegavam a utilizar, inclusive, a mesma carteirinha de identificao. Aps uma luta rdua e inabalvel s assim para explicar o porqu da demora na aprovao da Lei 6533, em 1978 que, finalmente, foram garantidas as habilitaes de ator, de diretor e de cengrafo. Desde ento, para exercer a profisso, obrigatrio o registro profissional na DRT (Delegacia Regional do Trabalho). Paulo Autran, at o final da vida, queixava-se da demora na regularizao, lembrando, inclusive, de outros pases subdesenvolvidos no resto do mundo que tambm passam pelos mesmo problemas. Tornar digna a profisso de artista: este o principal benefcio da lei, segundo Eugnio Santos, diretor da rea de projetos do SatedRJ (Sindicato dos Artistas e Tcnicos em Espetculos de Diverses do Estado do Rio). Embora a classe seja admirada atualmente pela sociedade, em meados da dcada de 1920, quem escolhia essa carreira era tido como homossexual ou prostituta. Lembro que a Dercy Gonalves comentava, a todo momento, que tinha uma carteira de servio que era a mesma usada por garotas de programa. No existia glamour nenhum em ser ator ou atriz. As mes advertiam aos filhos para que nunca esco-lhessem essa profisso, pois era coisa de viado, comenta. O ator Paulo Betti, que participou da luta pela regulamentao, quando ainda fazia parte do EAD-USP (Escola de Arte Dramtica de So Paulo), em 1975, refora os comentrios dados pela saudosa Dercy. Os artistas de teatro no eram reconhecidos como prossionais. O decreto regulamentou uma prosso e isso muito importante, pois legitima e consagra. Anal, o estudo faz do artista um melhor prossional. A preparao do ator no termina nunca. Ele precisa estar sempre pronto e atento. uma prosso muito difcil, j que envolve dois componentes explosivos: vaidade e insegurana, avalia. ASSEMBLEIAS FUNDAMENTAIS As melhorias propiciadas pela Lei n 6.533, alis, no se restringem ao aspecto moral. Pela questo da especificidade do trabalho de um ator, at 1978 os profissionais da classe no se sentiam amparados juridicamente pelas regras trabalhistas vigentes. No temos um horrio comum como o de outros trabalhadores. Precisvamos que as leis dessem ateno a esse fato. Aquele foi um momento especial. Lutvamos no s pela regularizao de nossas carreiras, mas por melhorias polticas, j que estvamos na poca da ditadura. As assembleias dos sindicatos viviam lotadas e todosque tinham uma opinio formada iam l jogar a sua, recorda, com carinho, Eugenio Santos, que tambm ator e diretor de teatro. Rosamaria Murtinho, atriz consagrada e atualmente em cartaz com o musical Isaurinha - Samba, Jazz & Bossa Nova , no Teatro Joo Caetano, foi uma das que mais lutaram pela regularizao da prosso, nos anos 70. amos sempre que podamos a Braslia para realizar reunies e debater o assunto com as autoridades da poca. No apenas eu, mas todos os grandes atores de ento. A regularizao importantssima no s quanto aos direitos trabalhistas, mas porque garante boa formao acadmica, que essencial para quem deseja seguir carreira. No qualquer um que comea a atuar e, sem mais nem menos, autodenomina-se ator. A pessoa precisa passar por uma provao. Uma faculdade ou um curso proporcionam mais conhecimento, diz. Para a atriz, porm, a classe artstica no tem conseguido apoio, atualmente, por parte do governo mesmo aps mais de 30 anos da regulamentao da profisso. No somos bem vistos pelo poder pblico. Sofremos presses de governos autoritrios, mas os dirigentes sempre frequentavam os teatros e entendiam de arte. Hoje ns somos vistos como polemistas por quem tem o poder e isso uma prova deque muitos estigmas do passado ainda no foram superados, observa. Eugenio Santos, por sua vez, ainda v brechas na lei que precisam ser superadas. Toda lei tende a perder sua validade com o passar do tempo. Acho que essa regulamentao de 1978 ainda vlida, mas, hoje, h outros aspectos que precisam ser considerados. O principal em questo ao direito de imagem. Antigamente s tnhamos VHS e o cinema. Hoje possvel ver imagens e filmes em diversos meios, como celular, computador e por a vai. A lei no clara quanto a isso e o sindicato precisa se sentar para debater o assunto, revela. O ator Ricardo Blat foi um dos primeiros a conseguir o registro profissional como ator, mais especificamente o 616, em 25 de maio de 1979. No Brasil, h muita gente se achando muito inspirada e muito ator querendo alcanar sucesso financeiro rpido. importante ter talento, mas ter estudos para entender e saber as ferramentas necessrias para se usar na profisso. A escola um bom lugar para se filtrar e se eliminar aproveitadores. Em uma boa escola, quem for aproveitador entender logo do que realmente trata essa profisso. O ator aquele que liga o cu e a terra, um porta-voz dos seres humanos e um reprter dos sentimentos, declara.Jornal de Teatro1 a 15 de Julho de 200923InternacionalO Grande Teatro Maipo: A Catedral da RevistaEra o centenrio da Revoluo de Maio e a Argentina se preparava para uma grande festa. Buenos Aires, a Paris da Amrica do Sul, se converteu em um grande cenrio, com avenidas iluminadas, esplndidos edifcios pblicos, grandes lojas e palcios. Em maio de 1908, praticamente com o incio dos preparativos do Centenrio, e em uma etapa de grande desenvolvimento artstico e literrio, foram inaugurados dois grandes teatros: o Coln e o Scala. O primeiro seria o templo da msica clssica e o segundo se converteria, com os anos, na Catedral da Revista, o Teatro Maipo. No dia 7 de maio de 1908, comeou o teatro aristocrtico, com a estreia de La Revue de la Scala. o terceiro music-hall em Buenos Aires, depois de Casino e o Royal Music Hall. Os dirios o classicavam como aristocrtico porque se correspondia com uma concorrncia de pblico de alto nvel socioeconmico, tpico da rua Esmeralda. O estilo do Scala foi a cano, o dilogo breve e o cancan. Apresentavam-se operetas, vaudevilles, revistas breves que alternavam com variedades, frente a um pblico masculino para o qual as vedetes insinuavam muito mais do que mostravam. Em 10 de dezembro deFotos: DivulgaoPor Daniela Rodriguez Revista Mutis X El Foro1912, os dirios mais importantes do momento publicaram uma frase que dizia: ltima funo e fechamento do teatro para efetuar com rapidez as obras de ampliao. Hoje, o diretor do espao, Lino Patalano, conta que foram fechados por estarem ligados aos Lombardo, a maior famlia de prostituio daquele momento. Reabriram as portas em outubro de 1915 com outro nome: Teatro Esmeralda, como a rua aonde est localizado. Quiseram fazer uma concorrncia mais familiar e a novidade foi a incorporao de um cinema. Durante esses anos, foi cenrio para o debute de atrao variada da dupla Gardel/Razzano, com um repertrio muito variado. Em 14 de outubro de 1917, estrearam o tango Lita, logo chamado Mi Noche Triste, considerado na histria como o primeiro tango-cano. ABERTURA Apenas em 1922, o teatro recebe o nome de Maipo. Nessa poca, realizou funes a companhia parisiana Ba-ta-clan. Eram quadros breves de baile, canto e dana, com coristas bastante desvestidas para a poca, coroadas de penas e brilhantes falsos. Este espetculo inspirou novas ideias estticas no conceito de Revista portenha. Em 1944, Luis Csar Amadori compra o teatro e Pepe Arias marca como maestro daarte da stira poltica. Realizou seu espetculo no Maipo, at que Pern o fez calar-se. Este ano, se completaram cem anos desde que foi aberto o Scala. Cem anos de penas e lantejoulas, de comediantes e vedetes, de escadarias e teles vermelhos: o Teatro da Revista Portea. O FANTASMA DO MAIPO No ano de 1950, Luis Cceres chegava a Buenos Aires procura de um trabalho e de um lugar para viver. Comeou a trabalhar no Teatro Maipo como maquinista. Lembram seus colegas que ele era muito perfeccionista, chegava pontualmente e comeava seu trabalho sem pausa at o m da jornada. Um sbado de 1985, depois de 35 anos, realizou todas as suas tarefas, cumprimentou ao pessoal e, s 18h, se enforcou no terrao, enquanto no palco o pblico batia palmas para alguma obra. H 15 dias, Cceres havia descoberto que sofria de uma doena terminal. Desde esse dia, ele se transformou no fantasma teatral mais famoso do Maipo. s vezes, o escutam trabalhar na sala de mquinas. Da ocina do quinto andar do teatro, Lino Patalano conta: Quando saio ao corredor para pegar o elevador, eu no aperto o boto para cham-lo. Ele vem sozinho. Ao abrir a porta, eu digo obrigado Cceres. (Traduo: Pablo Ribera)O Maipo o bero do tango-cano e abriga o esprito de Luis CceresAlguns pensamentos insignicantes sobre a BroadwayPor Gerson Steves* No grande coisa: um amontoado de dez ou 12 ruas, cada uma com quatro ou cinco blocos em torno de uma avenida que corta Manhattan. A Broadway a veia por onde circula o sangue daquilo que se conhece como Theater District. E o seu corao a famosa Times Square, que de praa no tem nada. Ali ca a TKTS, onde milhares de pessoas formam diariamente las quilomtricas para tentar um ingressinho mais em conta para um dos tantos musicais concorridos da cidade. Ao chegar ao alto de sua vermelha e iluminada escadaria, o primeiro pensamento que ocorre o que seria daquilo tudo se Gilberto Kassab fosse prefeito de Nova Iorque. Provavelmente, a Lei da Cidade Limpa ceifaria daquela rea o que ela tem de melhor: seus cartazes, painis de LED, luminosos e fachadas de neon um inconfundvel festival de luzes e cores. O casamento da poluio visual com o glamour, da comunicao de massa com o entretenimento. Mas no podemos esquecer que, denitivamente, a Broadway no aqui embora tantos tentem impor a Sampa esse dever quase histrico de colocar em seus palcos os ecos culturais da grande Meca. E, como is seguidores, nos voltamos em sua direo e nos curvamos reverentemente, para o bem e para o mal. O que no de hoje. Desde sempre hospedamos reverentes as grandes companhias de teatro e pera italianas, inglesas ou francesas. cantada em verso e prosa a vinda da Divina Sarah s terras brasileiras. Muito depois, j nos tempos do TBC, aqueles grandes diretores, cengrafos e iluminadores italianos colocaram em nossos palcos espetculos que agradavam burguesia da poca que, por alguma razo, no podia ver os originais na Europa ou nos Estados Unidos. Talvez uma das causas seja o fato de que a burguesia, via de regra, inculta e no domina outras culturas e lnguas. Quem sabe a isso se deva o enorme sucesso dos musicais da Broadway por aqui e a quantidade to pequena de brasileiros nas platias do distrito teatral de Manhattan. Isso no quer dizer que no haja brasileiros em Nova Iorque. Claro que h. Todos procurando outlets e sales uma horda de sacoleiros e sacoleiras loucos pelas griffes do Sex and The City. Nos teatros? Quase nenhum. Mas a Broadway sobrevive, apesar da crise que fez serem cancelados diversos shows e diminuiu as las do TKTS. Sobrevive graas ao turismo local e a um pblico quase careta, que fora produtores e artistas a apostarem cada vez mais as suas chas no conservadorismo. Explico. Os espetculos musicais de maior sucesso hoje so aqueles que investem em terrenos seguros e conhecidos: a diverso em famlia (com uma dose suportvel de sacanagem), os remakes de antigos e garantidos sucessos, ou aquelas que tm por trs um fenmeno cinematogrco anterior. A frmula a do bom e velho entretenimento: uma pitada de romance, uma mensagem crtica ou edicante com baixos teores de violncia ou agressividade, muita cantoria, boas piadas e a preservao dos valores locais. Nessa esteira, esto grandes sucessos como: Avenue Q (Muppet Show pra gente grande, com mensagem edicante), Billy Eliot e Mamma Mia (com canes pra l de manjadas do ABBA); os infantis Shrek, Mary Poppins e A Pequena Sereia (com seus cenrios mirabolantes e efeitos especiais); e nossos velhos conhecidos Hair, Chicago e South Pacic. Claro que h osis nesse deserto. Mas quem, por aqui, se interessaria por peas como The 39 Steps (que une Hitchcock com Monty Pyton), Blythe Spirit (uma saborosa comdia de Nol Coward) ou ainda a comdia de humor negro de Yasmina Reza, God of Carnage? Esto longe de cruzar o oceano e aportarem em terras tupiniquins. Todos so espetculos deliciosos, que cam ainda melhores l, em seu idioma original, com as piadas locais e elencos que dominam no apenas seu ofcio, mas principalmente o contexto cultural em que a obra se insere e os pblicos aos quais dirigida. Por aqui, cabe a ns tentarmos formar plateias para um teatro brasileiro. Claro que no apenas* Gerson Steves tem 25 anos de atividades teatrais na cidade de So Paulo, tendo atuado como diretor, dramaturgo, ator, produtor e professor. Tambm um grande f de teatro musical.de autores ou temas nacionais, mas produzido com brasilidade e olhos voltados no para o prprio umbigo, mas para a prpria realidade cultural. E deixemos a Broadway com seu franchising onde est.241 a 15 de Julho de 2009Jornal de TeatroAproveite as frias e conhea o Brasil.Em qual cidade voc pode passar as frias admirando esta beleza natural?A( B ( C( D( ) Cuiab, MT ) Manaus, AM ) Canela, RS ) Mata de So Joo, BASe voc brasileiro e no sabe a resposta, est na hora de conhecer melhor o Brasil.RESPOSTA: C CACHOEIRA DO CARACOL, CANELA, RSVIAJE NAS FRIAS. BOM PARA VOC. BOM PARA O BRASIL.Consulte seu agente de viagem. www.turismo.gov.br