Jornal da Fundep - edio n 78 - setembro 2012

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    31-Mar-2016

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Jornal da Fundep - edio n 78 - setembro 2012

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  • Cultura ao seu dispor

    S E T E M B R O - O U T U B R O / 2 0 1 2 N 7 8 A N O I X

    refernCia em Belo Horizonte, projeto arena da Cultura promove atividades para Comunidade e iniCia nova fase rumo instituCionalizao

  • EDITORIAL

    Os Institutos Nacionais de Cincia e Tecnologia (INCTs) constituem um conjunto complexo de iniciativas em prol do avano cientfico de ponta no Brasil. Os INCTs mobi-lizam e agregam grandes grupos de pesquisa em reas de fronteira da cincia e em reas estratgicas para o desenvolvimento susten-tvel do pas e buscam impulsionar a pesquisa bsica para promover a inovao e o esprito empreendedor, em estreita articulao com os parceiros. O Programa INCT rene e conso-lida as diretrizes do Plano de Ao de Cincia, Tecnologia e Inovao (PA CTI) para o Desen-volvimento Nacional. Nesse sentido, os Insti-tutos ocupam posio estratgica no Sistema Nacional de Cincia e Tecnologia.

    A UFMG a instituio de ensino su-perior que abriga o maior nmero de INCTs no Estado: oito das 13 organizaes aprovadas. E a Fundep tambm faz parte desse movimento, atuando como gestora administrativo-finan-ceira da maioria deles. nesse sentido que trazemos, nesta edio do Jornal da Fundep, aes de alguns dos grupos sediados na Uni-versidade e parceiros da Fundao.

    O INCT Medicina Molecular apresenta suas linhas de atuao e as formas como busca trabalhar na investigao de anormalidades moleculares e celulares especficas ligadas ocorrncia de doenas graves. A mobilizao de vrios segmentos da sociedade para um traba-lho de qualificao territorial na regio mineira do Alto Paraopeba o destaque da nova etapa do INCT-Acqua. E o desenvolvimento de uma tecnologia superavanada para diagnstico de bactrias, em articulao com pesquisadores de Cuba, marca a presena do Instituto de Na-nobiofarmacutica (INCT Nanobiofar).

    Confira, ainda nesta edio, o projeto Arena da Cultura, que facilita o acesso da po-pulao de Belo Horizonte a atividades arts-ticas e culturais. O trabalho est se tornando uma referncia na criao de polticas pbli-cas de formao cultural no Estado e no pas.

    Para fechar, o Jornal traz artigo assinado pelo Conselho Diretor da Fundep sobre o cons-tante investimento da Fundao na qualidade de seus servios, de forma que possa continuar contribuindo com as atividades de pesquisa, ensino e extenso de parceiros. At o final do prximo ano, a instituio se lana ao desafio de implantar um Sistema de Gesto da Qualidade apto a receber a certificao ISO 9001.

    Boa leitura!

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    CURTAS

    NIH E FUNDEp: pARCERIA DIRETA

    O National Institute of Health (NIH), um dos mais renomados institutos de pesquisa mdica do mundo, um parceiro de longa data da Fundep. A Fundao gerencia diversos projetos do Instituto, mas, pela primeira vez, a iniciativa na Fundep conta com coordenador de projeto brasileiro.

    Por meio de edital lanado pelo rgo, que um importante financiador vinculado ao Governo dos Estados Unidos, a Fundao Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi contemplada com apoio financeiro para o desenvol-vimento da pesquisa Modeling drug induced resistance in S. mansoni endemic areas, que visa estudar so-bre a infeco do parasita da esquistossomose em populao endmica no Brasil. O pesquisador da Fiocruz Rodrigo Correa Oliveira o principal coordenador chamado Primary Investigator (PI) e elegeu a Fundep como a gestora dos recursos do projeto.

    Para apresentar a dinmica organizacional, as regras e todo o processo do NIH, bem como compre-ender a estrutura da Fundep, representantes do Instituto visitaram o Brasil nos dias 20 e 21 de agosto. O encontro aconteceu em So Paulo e contou com a presena das gerentes Joice Silva, Lvia Andrade, Isabela Lima e a analista Kelly Ferreira.

    Segundo as participantes, os representantes mostraram-se interessados na Fundep. Entre as ques-tes que mais se destacaram foram o Sistema de Gesto da Informao, o Espao do Coordenador e o fato de a Fundep estar se preparando para o processo de certificao ISO 9001:2008 em busca de aprimoramento e mais qualidade dos servios.

    EXpEDIENTEFundao de Desenvolvimento da Pesquisa. Presidente do Conselho Curador: professor Sergio Costa. Presidente: professor Marco Crocco. Jornalista responsvel: Cristina Guimares - MG09208JP. Redao: Helosa Alvarenga, Jurandira Gonalves, Mariana Conrado e Pedro Pimenta (estagirio). Projeto editorial: Assessoria de Comunicao Social. Projeto grfico: Rodrigo Guimares. Diagramao: Max Barroso e Thiago Rodrigues (estagirio). Capa: Lucas Braga. Reviso: Ftima Campos. Tiragem: 5.500 exemplares. Distribuio dirigida e gratuita.

    Av. Antnio Carlos, 6627 - Unidade Administrativa II - pampulha, Belo Horizonte - MG. Caixa postal 856, CEp 30161-970, Tel.: 55 31 3409-4200 - Fax: 55 31 3409-4253 - jornal@fundep.ufmg.br / www.fundep.ufmg.br

    FOCO NA INOvAO TECNOLGICA

    Com o objetivo de divulgar as condies de apoio a seus projetos, a Embrapii Empresa Brasilei-ra de Pesquisa e Inovao Industrial realizou, em parceria com a Fundep e com o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), um workshop para diversas empresas com potencial e interesse para investir em inova-o tecnolgica. O evento foi realizado na sede da Fundao, sob a organizao da Gerncia de Negcios.

    Estiveram presentes representantes de diversas instituies de Belo Horizonte, regio metro-politana e interior de Minas Gerais. Eles tiveram a oportunidade de entender e sanar dvidas sobre as possibilidades de obteno de recursos para a realizao de projetos por meio da Embrapii. O programa prev, para as ini-ciativas, o aporte global de R$90 milhes, sendo R$30 milhes da Confederao Nacional da Indstria (CNI), R$30 milhes das empresas e o mesmo valor oferecido pelo INT, na forma de contrapartida eco-nmica. A Fundep a gestora administra-tivo-financeira dos recursos que compe-tem ao Instituto para o desenvolvimento das iniciativas.

    Pesquisador e representante da Fiocruz, profissionais do NIH e equipe Fundep

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  • GESTO DE pROJETOS

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    INCT Medicina Molecular busca articular pesquisa e prtica clnica no estudo de anormalidades moleculares ligadas a doenas complexas, seu diagnstico e tratamento

    H muito tempo se ouve que a preveno o melhor remdio para qualquer doena. E tecnolo-gias avanadas de diagnstico tm muito a oferecer para que essa preveno seja uma realidade e que a identificao de doenas, ou mesmo de quadros propcios para o seu desenvolvimento, seja cada vez mais precoce. alinhado a essa viso que o Instituto Nacional de Cincia e Tecnologia em Medicina Mole-cular (INCT MM), sediado na UFMG e coordenado pelo professor da Faculdade de Medicina Marco Aurlio Romano-Silva, foi concebido por grupos de cientistas e mdicos experientes, dedicados a integrar a cincia bsica e tecnolgica prtica clnica. O Instituto tra-balha na investigao de anormalidades moleculares e celulares especficas ligadas ocorrncia de doenas graves e complexas, como diversos tipos de cncer e problemas associados ao sistema nervoso central.

    Um dos principais focos de atuao do Insti-tuto so os trabalhos realizados por meio da tomo-grafia por emisso de psitrons (PET/CT). A Unidade de Pesquisa e Produo de Radiofrmacos (UPPR) do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nucle-ar (CDTN) abriga um moderno acelerador de part-culas, conhecido como cclotron. O equipamento responsvel pela produo de medicamentos mar-cados com partculas radioativas, os radiofrmacos, que so utilizados nos exames PET e garantem diag-nsticos por imagem de alta preciso. Alm de con-tribuir para identificao de doenas em estgios iniciais, a tecnologia permite a realizao de pesqui-sas avanadas para melhorar o conhecimento sobre as enfermidades e desenvolvimento de tratamentos mais efetivos. O INCT MM conta com o mais moder-no equipamento de PET/CT da Amrica Latina, o que permite reduzir expressivamente a dose de radiao qual os pacientes so expostos.

    Atuao

    Entre as linhas de atuao do INCT se desta-ca a tentativa de identificar marcadores moleculares para diagnstico e tratamento de doenas complexas do sistema nervoso central (transtornos do humor, do dficit de ateno e hiperatividade, esquizofrenia e demncia principalmente a doena de Alzheimer).

    Ainda nessa perspectiva, o Instituto busca identificar medicamentos com efeitos adjuvantes no tratamen-to do cncer e realiza um estudo de custo-efetivida-de, para demonstrar que a utilizao da tecnologia PET, apesar do alto valor, implica em reduo do custo total de um tratamento. A ideia embasar uma deci-so favorvel do governo pela incorporao do exame pelo Sistema nico de Sade (SUS).

    Tambm ligado oncologia, o INCT tem es-tudos voltados ao cncer de colo e reto, de mama, de prstata, alm de estudo dos tumores de pacientes com neurofibromatose. As pesquisas so realizadas com pacientes voluntrios que devem cumprir um protocolo rigoroso do Hospital das Clnicas da UFMG e encaminhados por mdicos e postos de sade.

    O Instituto tem uma atuao integrada entre pesquisa, extenso e ensino, que se volta tambm para o atendimento comunidade, por meio da dis-ponibilizao dos exames ao pblico. O trabalho realizado no Centro de Imagem Molecular estrutura criada pelo INCT que abriga os equipamentos do Instituto e o Centro de Excelncia em Medicina Mole-cular. No local, so ofertados servios de tomografia por emisso de psitrons e de estimulao magntica transcraniana para a populao. Segundo o professor Marco Aurlio, a prestao de servio ocupa cerca de 10% do tempo disponvel dos equipamentos e a ideia

    que no se ultrapasse 50%, de modo que as pes-quisas possam ser realizadas sem nenhum prejuzo. A estrutura do Centro de Imagem Molecular a mais moderna em termos de arquitetura e funcionalidade.

    parceria

    A Fundep gestora administrativo-financeira dos projetos do INCT MM. Segundo a responsvel na Fundao, Fabiana Barcelos Bonela, o trabalho envol-ve uma grande demanda de contratao de servios especializados para execuo da pesquisa. Temos que fazer um acompanhamento constante dos pedidos, pois o projeto trabalha com atendimento dirio e pre-ciso que os prazos sejam cumpridos risca, para que pacientes e estudos no sejam prejudicados, conta.

    A Fundep foi, ainda, responsvel pela ges-to de toda a construo da UPPR do CDTN e impor-tao do cclotron. Alm disso, viabilizou a compra internacional do equipamento de PET/CT. Por se tra-tar de um aparelho sensvel e pesado, o envio para o Brasil ocorreu de avio, em um nico embarque. A logstica para transporte e entrega na Faculdade de Medicina foi complexa e exigiu articulao com diferentes rgos e empresas. Outro fator importan-te foi o rpido desembarao aduaneiro, evitando o pagamento excessivo de taxa de armazenagem.

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    TECNOLOGIA ALIADA SADE

    Exames realizados por meio da tomografia por emisso de psitrons (PET/CT) possibilitam diagnsticos por imagem de alta preciso

  • projeto Arena da Cultura facilita o acesso s artes ao promover diversas ati-vidades para a populao de Belo Horizonte e inicia nova fase em busca de uma poltica pblica permanente para formao e difuso cultural e artstica

    mao e de difuso cultural. H oficinas de sensi-bilizao, iniciao e continuidade de estudos; de longa durao; cursos de agentes e de produtores culturais; workshops; seminrios; circuitos cultu-rais; ciclos de reflexo; debates e mostras de arte, conta um dos coordenadores do projeto na FMC, Joaquim Elias Costa.

    Atualmente, o projeto conta com um qua-dro tcnico, artstico e pedaggico de cinco coorde-nadores de reas: Wilson de Avellar (Artes Visuais), Marcos Vogel (Teatro e Circo), Marise Dinis (Dan-a), Mrcia Guerra (Msica) e Ailtom Gobira (Pa-trimnio Cultural), responsveis pela orientao a 60 oficineiros. As atividades so realizadas em 15 centros culturais ligados FMC e em 34 ncleos do Programa BH Cidadania, da PBH, espalhados pelas nove regionais de Belo Horizonte.

    O intuito no levar a cultura para as pessoas da periferia da cidade, pois no temos uma cultura central que queremos disseminar. Cada indivduo tem sua prpria cultura e muito importante que ela seja identificada, respeitada e valorizada. O que buscamos facilitar o acesso, ampliar o universo e propor um dilogo para que a populao conhea e tenha autonomia e oportu-nidade para exercer o seu direito cultural, afirma Joaquim.

    Segundo a diretora de Ao Cultural da FMC, Simone Arajo, o Arena aberto e democr-tico. O projeto trabalha com grupos segmentados e tambm com a participao de cidados de di-ferentes geraes, sexos, motivaes, nveis de conhecimento, iniciados ou no no universo das artes. O Arena abrangente e livre, vem como um arrasto, no bom sentido da palavra, comea nos arredores da cidade e chega at o centro, oportuni-

    Em todos os seus amplos conceitos, a cul-tura uma questo inerente e relevante na forma-o das pessoas. A somatria dos costumes e va-lores que nos so transmitidos e que aprendemos no contexto social reflete no nosso jeito prprio de ser, estar e compreender o mundo; e influi no sen-tido que damos vida, interferindo assim na nossa forma de pensar e agir.

    Desse modo, a cultura, nos seus variados aspectos tanto de criao artstica, quanto de divulgao ou mesmo admirao , fator impul-sionador do fortalecimento da identidade de um indivduo e do desenvolvimento social. Por toda essa importncia, to fundamental como o direito vida e liberdade, o acesso cultura passou a ser uma garantia aos cidados brasileiros declarada em lei. Est na Constituio Federal de 1988 que o Estado tem o dever de oferecer populao o pleno exerccio dos direitos culturais. Portanto, o acesso cultura no um privilgio para alguns, e sim um direito de todos.

    Em vistas de dar efetividade aos preceitos legais de que as pessoas tm direito de participar da vida cultural da comunidade e de fruir das artes, a capital mineira conta, desde 1998, com o projeto Arena da Cultura. Realizado pela Fundao Muni-cipal de Cultura (FMC), o Arena foi implementado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para cum-prir metas de descentralizao cultural na cidade.

    Cultura, arte e comunidade

    O Arena proporciona a ampliao e di-

    versificao da oferta de servios culturais co-munidade belo-horizontina ao

    promover atividades nas reas das Artes Plsti-

    cas, Dana, Teatro e Circo, Patrimnio, Arte-Educao e Msica. As aes so estruturadas

    nas linhas de for-

    zando que a comunidade veja, experimente, faa e consuma cultura.

    Uma possvel Escola Livre de Arte

    O Arena da Cultura considerado um dos projetos mais importantes e significativos da FMC e est se tornando uma referncia no desenvolvi-mento de polticas pblicas de formao cultural no Estado e no pas. Segundo uma das coordena-doras na FMC, Snia Augusto, o Arena j amadu-receu e precisa partir agora para a sua institucio-nalizao, sendo esse o grande desejo e desafio dos seus realizadores e participantes.

    Para o presidente da FMC, Mauro Guimares Werkema, a importncia pedaggica cultural e ar-tstica do Arena que leva a Fundao a buscar uma formatao mais adequada com relao s deman-das, aos contedos programticos e mesmo ao apoio que o projeto precisa para desempenhar muito bem suas funes. De acordo com o presidente, a expec-tativa de avanar na elaborao e implantao de uma Escola Livre de Artes para Belo Horizonte.

    parcerias para a consolidao Alm da FMC, o Arena conta com a exe-

    cuo da Fundep, que a responsvel pela gesto administrativo-financeira do projeto. Viabilizamos os materiais pedaggicos e de apoio necessrios realizao das oficinas; a contratao, por meio de edital e seleo, e o pagamento dos oficineiros e

    O UNIvERSO DA CULTURA EM CENAESpECIALLu

    cas B

    raga

  • e todos os envolvidos desde os executores, coor-denadores, oficineiros at para a equipe da UFMG. Foi uma boa oportunidade para os nossos pro-fessores e alunos vivenciarem as artes em contato direto com a populao, conta, ressaltando que a UFMG pode contribuir ainda mais para o projeto. A consultoria tcnica das equipes da Universidade para o Arena foi renovada por meio da Fundep e ser realizada at julho de 2013. Uma das consi-deraes mais claras que j temos que a popula-o quer e gosta do projeto, que merece ter conti-nuidade e investimento, aponta o professor Luiz.

    Nova fase

    Em uma nova fase, marcada pela meta da institucionalizao, para 2012/2013, a PBH deve investir mais de R$ 4 milhes para o funcionamen-to do Arena da Cultura e para a realizao de apro-ximadamente 300 atividades.

    Para o presidente da FMC, Mauro Guima-res Werkema, nessa etapa, o intuito aprofundar as relaes com outras instituies de ensino arts-tico, proporcionar encaminhamento profissional aos alunos e ainda incentivar a criao de grupos artsticos e culturais experimentais. Essas aes do Arena so fundamentais para o cenrio cultural de Belo Horizonte.

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    projeto Arena da Cultura facilita o acesso s artes ao promover diversas ati-vidades para a populao de Belo Horizonte e inicia nova fase em busca de uma poltica pblica permanente para formao e difuso cultural e artstica

    coordenadores de rea; entre outras aes, diz o co-ordenador na Fundep, o analista de projetos Thiago Abreu. Segundo ele, a iniciativa perpassa por outros setores da Fundao, como a Assessoria Jurdica e as gerncias de Pessoal, de Compras e de Negcios.

    No esforo conjunto de atingir a meta de institucionalizao do Arena, a FMC, juntamente com a Fundep, por meio da sua gerente de Neg-cios, Anna Sophia Candiotto, est trabalhando com a estratgia de envolver as escolas de Msica e de Belas Artes da UFMG. Recomendamos o envolvi-mento das unidades acadmicas, desenhamos sua atuao com o objetivo de acompanharem o proje-to e avaliarem a metodologia artstica e pedaggi-ca das atividades, conta Anna Sophia. Segundo a analista de Negcios Magali Oliveira, o acordo para a atuao dos professores no projeto foi efetivado em 2011. Articulamos a proposta da participao e envolvemos os professores da Universidade, mon-tamos as equipes de docentes e alunos e realiza-mos a interface com a FMC, conta a analista.

    Olhares externos A consultoria tcnica da UFMG para o Arena

    da Cultura visa indicar elementos para a consolida-o de um programa municipal de formao artsti-ca e cultural permanente para a capital mineira. Um primeiro ciclo avaliativo j foi realizado pelo grupo da UFMG, de novembro de 2011 a maio de 2012.

    A equipe da Escola de Belas Artes, coor-denada pelo professor Luiz Souza, analisou as

    oficinas de Artes Plsticas, Dana, Teatro e Circo, Patrimnio e Arte-Educao; e as oficinas de M-sica foram observadas pela equipe da Escola de Msica, coordenada pelo professor Flavio Terrigno Barbeitas. Para o acompanhamento e avaliao, os grupos fizeram visitas s oficinas e entrevistas aos envolvidos no programa.

    De acordo com o professor Flavio Barbei-tas, a consultoria foi promovida no sentido de oferecer uma anlise externa para que o prprio Arena da Cultura construa suas bases para a for-malizao. A ideia no era aplicar autoridade de academia no projeto que j tem sua propos-ta e histria, mas sim avali-lo de modo crtico e sempre em dilogo com a equipe gestora e os coordenadores de reas artsticas, para fazermos recomendaes de ajustes rumo consolidao, diz. Concluda a primeira avaliao, Barbeitas afirma que o trabalho do Arena tem alcanado resultados positivos e diferenciado. O progra-ma tem uma diversidade de participantes em todos os nveis e descentralizado geografica-mente. Essas caractersticas so interessantes, produtivas e bem aproveitadas.

    O professor Luiz Souza observou que vrios alunos do Arena j buscaram a Universidade para estudar Artes. Alm de oferecer o acesso cultura, o projeto contribui para a capacitao tcnica e in-centiva a profissionalizao do artista. E essa pos-sibilidade importante para o mercado de Belo Horizonte, que tem poucos profissionais e muitas demandas em certas reas culturais.

    Segundo ele, a avaliao explicitou ainda mais a relevncia do projeto para a comunidade

    O UNIvERSO DA CULTURA EM CENA

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  • GESTO DE pROJETOS

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    INCT-Acqua promove parcerias para o desen-volvimento da regio do Alto paraopeba e incluso da comunidade no debate por um futuro sustentvel

    QUALIFICAO TERRITORIAL

    Segundo o presidente do comit gestor do Geopark Quadriltero Ferrfero e presidente do Conselho Consultivo do INCT-Acqua, Renato Cimi-nelli, a articulao entre esses parceiros e o esta-belecimento do Cesup fazem parte dos esforos de uma nova fase do Instituto, na qual a questo da territorialidade foi expandida.

    Capacitao como estratgia

    O setor mineral e metalrgico sempre foi a linha de atuao industrial do INCT-Acqua, por meio de pesquisas e desenvolvimento de tecno-logias voltadas para o tema. A primeira fase de implementao do Instituto esteve focada no setor de no ferrosos. Os novos projetos do INCT adotaram uma estratgia inovadora de pesquisa ao contemplar o minrio de ferro pelo estudo das interfaces de suas atividades de produo com os ativos territoriais ambientais, culturais e sociais.

    Segundo Renato Ciminelli, o Alto Paraope-ba, como uma regio do Quadriltero, foi escolhido, em especfico, pelo volume previsto de investimen-tos privados, o maior do pas, e pelo nvel de orga-nizao do local, que j contava com instituies estruturadas e um importante debate sobre susten-tabilidade. O INCT pretende atuar como o grande mobilizador para capacitar a regio, de modo que sejam identificadas as demandas da comunidade e buscadas conjuntamente solues, com vistas a no-

    O Instituto Nacional de Cincia e Tecnolo-gia em Recursos Minerais, gua e Biodiversidade (INCT-Acqua) tem como objetivo promover inicia-tivas que tenham a gua como fio condutor e que, de forma integrada aos temas mineral, recursos hdricos e biodiversidade, sejam voltadas inova-o, ao desenvolvimento cientfico, integrao entre empresas, sociedade e conhecimento, e ao desenvolvimento regional sustentvel. Coordena-do pelos professores da UFMG Virgnia Ciminelli e Francisco Barbosa, o Instituto composto por pes-quisadores e grupos de pesquisas de renomadas instituies nacionais e internacionais e conta com colaborao de empresas e rgos estratgicos.

    Alinhado s suas intenes, firmou, em julho, parceria com o Consrcio Pblico para o Desenvolvi-mento do Alto Paraopeba (Codap) e com o Geopark Quadriltero Ferrfero para a qualificao do territrio, desenvolvimento econmico da regio e melhoria da qualidade de vida. Na ocasio, foram lanados o Cen-tro de Referncia e Qualificao para Sustentabilida-de na Regio do Alto Paraopeba (Cesup), criado pelo INCT-Acqua; a Rede do Alto Paraopeba, proposta pelo Geopark Quadriltero Ferrfero para tornar-se uma rede cientfica, educacional e profissional de apoio a programas e projetos de desenvolvimento sustent-vel na regio; o Fundo de Inovao, Desenvolvimento e Sustentabilidade do Alto Paraopeba; e o Conselho Regional de Cincia, Tecnologia, Inovao, Desenvol-vimento e Sustentabilidade, criados pelo Codap.

    vas oportunidades de desenvolvimento econmico, menor impacto ambiental da principal atividade produtiva da regio (a minerao) e gerao de modelos de futuro. um dos maiores movimentos cientficos de apoio ao desenvolvimento territorial j realizado no Brasil, afirma o presidente.

    Para tanto, o Instituto conta com o Cesup como o carro-chefe de suas iniciativas. A grande preocupao deve ser qualificar a comunidade com conhecimentos de vanguarda, promover uma aproximao amigvel entre a cincia de ponta desenvolvida pelo Instituto e as necessidades da regio, alm de abrir espao para a realizao de novas pesquisas e desenvolvimento de tecnologias pelo INCT. Outra preocupao promover o enten-dimento entre os principais segmentos atuantes no local: poder pblico, entidades sociais, setores produtivos e trabalhadores.

    O Cesup j est em funcionamento e visa promoo de oficinas, treinamentos, reunies, de forma a capacitar a populao. A sociedade no quer ser apenas observadora passiva, e sim participar do debate sobre a construo do futuro, em especial de sua regio. E o Centro se consolida como uma ferramenta estratgica para essa ges-to participativa, completa Ciminelli.

    Fundep

    A Fundep gestora administrativo-finan-ceira dos recursos que compem o INCT-Acqua. Segundo o analista Lus Felinto Xavier Nascimento, responsvel pelo acompanhamento dos trabalhos na Fundao, trata-se de um projeto complexo, com vrios ncleos de atuao e que demanda to-dos os servios ofertados pela instituio: desde a realizao de compras, importaes, pagamento de pessoal e despesas, at um esforo de articulao entre diferentes unidades acadmicas da UFMG e instituies de ensino e pesquisa de todo o pas. Um dos diferenciais da iniciativa a administrao por meio do Sistema de Convnios do Governo Federal, o Siconv. Para tanto, a Fundep realiza periodicamen-te treinamentos para a utilizao da ferramenta.

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  • GESTO DE pROJETOS

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    parceria entre pesquisadores brasileiros e cubanos na rea de nanotecnologia contribui para o diagnstico precoce de bactrias

    de micro-organismo desenvolvida uma matriz exclusiva, e o resultado obtido nos testes permite estabelecer o tratamento adequado em cada caso.

    O objetivo do grupo disponibilizar um pro-duto novo, mais eficiente e acessvel, que incorpore bio e nanotecnologias, que possa contribuir para o diagnstico e a preveno de contaminaes e in-feces, mas que tambm seja til para o tratamen-to. Por meio desse sistema, quando uma bactria resistente identificada, podemos encontrar um jeito de elimin-la, explica a pesquisadora.

    INCT

    A ideia cubana ganhou fora, num primeiro momento, junto a pesquisadores da Odontologia uma vez que um elevado nmero de infeces atinge a boca que viram no mtodo de diagns-tico uma oportunidade importante para identificar contaminaes em locais de difcil acesso ou nos quais no seja possvel saber se h contaminao de forma precoce, como um canal dentrio.

    Mas foi por meio da participao do INCT Nanobiofar que o projeto tornou-se vi-vel. O Instituto conta com vrias tecnologias para criar superfcies nanoparticuladas, e sua competncia na caracterizao e desenvolvimento das matrizes foi fundamental. Vrios pesquisado-res do INCT esto contribuindo com o conhecimento que j dominam, permitindo que a pesquisa esteja em ple-no andamento e avance, completa a coordenadora do trabalho.

    O projeto comeou este ano e, atualmente, encontra-se na fase de ca-racterizao de materiais e realizao de testes pilotos.

    Socializao do conhecimento

    Alm dos benefcios em termos de sade, o projeto traz con-tribuies significativas para o intercm-

    Tudo ao nosso redor est infestado de micro-organismos. Inclusive ns mesmos. Um dos tipos mais comuns so as bactrias. Apesar de suas vrias utilidades no ambiente, na produo de ali-mentos, de insulina, cosmticos etc., esses seres invisveis, muitas vezes, podem nos causar ma-les, contaminar o sangue, gua e comida, e atra-palhar o bom funcionamento de diversos sistemas. Para possibilitar a identificao precoce e eficiente da presena desses micro-organismos, pesquisa-dores da UFMG, vinculados ao Instituto Nacional de Cincia e Tecnologia em Nanobiofarmacutica (INCT Nanobiofar), em parceria com profissionais do Centro Nacional de Biopreparados (Biocen) de Cuba, esto desenvolvendo uma tecnologia supe-ravanada para diagnstico de bactrias. O produ-to final poder prevenir grandes contaminaes e epidemias e contribuir de forma relevante para a sade e bem-estar das pessoas.

    A coordenadora brasileira do trabalho, a professora da Faculdade de Odontologia da UFMG e integrante do INCT Nanobiofar Maria Esperanza Corts, explica que a ideia nasceu em Cuba, num dos maiores centros de pesquisa em biotecnologia do pas, e chegou ao Brasil em busca de infraestrutura e tecnologias adequadas para seu desenvolvimento. O objetivo desenvolver um teste de bactrias que permita identificar a presena de determinados ti-pos do micro-organismo, como os do gnero E.coli, Enterococcus e Salmonella, de forma muito mais r-pida que os diagnsticos convencionais. O que antes era feito em dias poder ser obtido em poucas horas. Isso graas aos estudos microbiolgicos e aos mto-dos que vm sendo desenvolvidos no pas parceiro associados ao desenvolvimento e aprimoramento de nanotecnologias na UFMG, conta.

    Matrizes

    Maria Esperanza relata que o grupo mi-neiro contribui no projeto por meio da utilizao de matrizes nanoparticuladas, que servem de suporte para o diagnstico microbiolgico. Essas matrizes so estruturas e materiais especficos, espcies de modelos, que permitem observar se um alimento, uma superfcie, a gua, amostras de sangue ou de urina, por exemplo, esto contami-nados por um tipo de bactria. Para cada espcie

    bio de saberes, competncias e tecnologias. importante partilhar nossa cincia, incorporar aquelas que nos so apresentadas e construir, de forma conjunta, novos conhecimentos. Cuba, por exemplo, um pas de alto ndice de desenvolvi-mento biotecnolgico, mas que apresenta outras carncias com as quais podemos contribuir, re-fora Maria Esperanza.

    E a contribuio recproca por parte dos parceiros, que inclusive j estiveram na UFMG para realizao de trabalhos conjuntos, partici-pao em seminrios e palestras. Outro impor-tante resultado dessa interao a formao de recursos humanos capacitados, com a realizao de pesquisas de mestrado e doutorado tanto no Brasil quanto em Cuba.

    A Fundep tambm faz parte da iniciativa. A Fundao responsvel pela gesto administra-tivo-financeira dos recursos do INCT Nanobiofar e atua para permitir que parcerias como a estabele-cida com Cuba sejam viveis em termos financei-ros, de logstica e articulao.

    TECNOLOGIA CONTRA AS BACTRIAS

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  • FOCO pERMANENTEpRIMEIRA pESSOA

    Tais perspectivas so desdobramentos do modelo de gesto colegiada da Fundep, que completa dois anos em 2012 e no se restringe apenas ao Conselho Diretor, sendo disseminado em toda a estrutura da Fundao. Assim, fomen-tamos um ambiente colaborativo e participativo em todas as esferas, o que gera ganhos de gover-nana e transparncia e nos permite inovar com mais agilidade.

    A fim de continuar a contribuir com as ati-vidades de pesquisa, ensino e extenso de nossos parceiros, fundamentais ao crescimento cientfico e tecnolgico nacional, agimos pautados pelo anseio de tornar nossa atuao, cada vez mais, profissionalizada e eficaz. Dessa forma, a Funda-o permite ao pesquisador, professor e cientista focar em suas atribuies, enquanto realiza aes administrativas e financeiras inerentes aos proje-tos, como compras, importaes, contratao de pessoal, contabilidade e prestao de contas.

    importante destacar que esse no o encerramento de um ciclo, mas uma parte do processo de consolidao dos nossos resultados, que proporcionar ganhos imediatos e futuros. Continuamos a trabalhar por uma gesto com se-gurana institucional e alta produtividade. A con-quista da certificao ISO o primeiro passo que nos permitir dar saltos ainda maiores no campo da qualidade.

    Com o intuito de atender bem aos parceiros e aprimorar continuamente seus servios, Fundep se prepara para o processo de certificao ISO

    to, esperamos ter como diferencial a comprovao de peritos externos de que dispomos de processos normatizados, ou seja, cuja execuo segue sem-pre os mesmos critrios, independente de quem os realiza ou em que momento so efetuados.

    primeiro passo

    Esse mais um instrumento de mitiga-o de riscos institucionais que se soma a outras iniciativas que visam reduzir incertezas e evitar condies inseguras. Com foco nesse princpio, a conformidade com a norma ISO estabelece re-quisitos que auxiliam a melhoria e o registro de procedimentos internos, a maior capacitao dos colaboradores, o monitoramento do espao de trabalho, a verificao da satisfao de parceiros, impulsionando um processo ininterrupto de aper-feioamento do Sistema de Gesto da Qualidade.

    Para isso, contamos com a definio de po-lticas e regras internas, a determinao de metas e a implantao de um mtodo de avaliao dos setores e profissionais, que permite o acompanha-mento peridico de nossas atividades. Tambm pea-chave desse trabalho o Planejamento Estra-tgico da Fundao, que contempla questes de carter multidisciplinar e de grande impacto, bem como a definio de objetivos por rea, abarcando as particularidades e necessidades de cada setor.

    Oferecer um servio de qualidade aos seus parceiros sempre foi um objetivo prioritrio para a Fundep. Em uma trajetria que ultrapassa trs dcadas, a instituio mantm-se comprometida com o bom atendimento e, para isso, conta com uma srie de iniciativas inovadoras em seu hist-rico, como os investimentos em informatizao, de carter pioneiro no segmento de fundaes de apoio. Em continuidade s aes de aperfeioa-mento, a Fundep se lana em um novo desafio em 2012, a busca da certificao ISO 9001:2008.

    A deciso de adequar-se a padres reco-nhecidos mundialmente coincide com um perodo de resultados positivos para a Fundao, que, aps trs anos, recuperou-se de um cenrio de dficit. Assim como peculiar s situaes dessa natureza, a crise global e suas consequncias mostraram-se oportunidade de aprendizado e mapeamento de pontos de melhoria. Nesse contexto, fortalecer a eficincia institucional uma estratgia para li-dar com adversidades e ratificar que a qualidade permanece como um pilar indispensvel para a Fundep.

    Durante o prximo ano, nossa equipe dedi-car esforos para adaptar os modelos de trabalho atuais s exigncias dos organismos certificadores. Essa atividade possibilita a anlise mais apurada dos processos, identificao de problemas e, con-sequentemente, de solues. Ao final desse proje-

    Conselho Diretor da Fundep

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