JOO PAULO II E A TEOLOGIA DA LIBERTAO: VOLTA ...

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    10-Feb-2017

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JOO PAULO II E A TEOLOGIA DA LIBERTAO: VOLTA GRANDE DISCIPLINA? CONTIERO, Tiago Tadeu (UNESP/Franca) A presente comunicao pretende expor as aes de Joo Paulo II contra a corrente teolgica latino-americana, a chamada Teologia da Libertao, tendo como objetivo demonstrar que tais posies servem como indcios de um possvel interesse do Sumo Pontfice Catlico em retornar Grande Disciplina pr-conciliar, denominada Ultramontanismo, que permeou todas as aes da Igreja Catlica desde o sculo XIX at praticamente o Conclio Vaticano II. Faz-se necessrio efetuar um levantamento das origens do pensamento teolgico latino-americano, a fim de obter um melhor entendimento das aes do Papa, bem como o que foi a doutrina que chamamos de Grande Disciplina, alm de efetuar uma analise da formao de Joo Paulo II, bem como seu posicionamento contra a doutrina marxista, tendo sido apontado como um dos principais responsveis pelo declnio do comunismo no leste europeu. 1 necessrio, de incio, estabelecer a concepo que utilizaremos acerca de Teologia Tradicional. Neste sentido concordamos com o pensamento de Roque Frangiotti, presente na obra: Histria da Teologia: Perodo Patrstico. Apesar de tratar da concepo de Teologia no perodo Patrstico, isto , nos primeiros sculos da Igreja, a obra traz, em seu primeiro captulo, uma definio consistente do que se entende por Teologia: Na teologia clssica, tradicional, o termo teologia designa o estudo, a cincia sobre Deus. Contudo, este estudo ou cincia sobre Deus abrangente. (FRANGIOTTI, 1992, p.12) Defini-se ento a concepo do termo tradicional de teologia: um estudo, uma cincia sobre Deus, contudo algo abrangente, o que possibilita uma srie de interpretaes de como efetuar tal estudo ou cincia sobre Deus. Na Amrica Latina, mais precisamente entre os telogos da libertao, foi aplicada uma outra definio para teologia; ela passou a ser concebida como reflexo crtica da prxis histrica luz da Palavra [...]. (GUTIRREZ, 1979, P.26) Nota-se que, a partir de tal definio, teologia j no apenas um estudo sobre Deus e sim uma reflexo crtica da prxis, no algo apenas terico, mas prtico. A Teologia da Libertao desenvolveu-se na Amrica Latina. Porm, sua origem objeto de discusso, no havendo consenso sequer entre seus telogos. Para 2 alguns, o primeiro sinal da existncia e consistncia da Teologia da Libertao encontra-se na obra de Gustavo Gutirrez, Teologia da Libertao, cuja primeira publicao dataria do final dos anos 60. Todavia, outros telogos apontam como provvel data de incio do movimento o ano de 1962 (antes do Concilio Vaticano II), numa reunio em Petrpolis, onde o prprio Gutirrez estava presente e j havia uma discusso sobre a necessidade de uma Teologia que objetivasse a libertao social, uma nova forma de se pensar e fazer teologia (INFORMAO VERBAL)2, mas que, segundo o prprio Gutirrez, no substitui as demais funes clssicas da teologia.3 Gustavo Gutirrez define teologia como algo inerente vida de f e acredita que h um esboo de teologia em toda comunidade crist. Com a inteno de mostrar a nova concepo teolgica latino-americana, Gutirrez vai demarcar as tarefas clssicas da teologia, ou seja, aquilo que ele considera como sendo suas tarefas permanentes, algo que no seria superado: Teologia como sabedoria e como saber racional. A teologia como sabedoria estava relacionada com a vida monstica, prpria de quem vive afastado do mundo e de seus problemas; j como saber racional, ela passa a ser um encontro da f com a razo; mas essa concepo no sobreviveu crise que se inicia no sculo XIV. Todavia, para o autor, essas duas funes no so superadas nem abandonadas pela Teologia da Libertao, pois havia, para ele, a necessidade atual de se realizar um aprofundamento nas reflexes sobre a espiritualidade dos leigos, o que seria um indcio de uma teologia espiritual, porm renovada. Quanto teologia vista como um saber racional, Gutirrez v sua permanncia, pois suas reflexes teolgicas seguiram pistas deixadas pelas cincias sociais, sendo que estas seriam de fundamental importncia para a teologia latino-americana. Gutirrez, ainda na obra Teologia da Libertao, aponta que a noo de libertao se relaciona com a transformao do homem, que conquista sua liberdade ao longo de sua existncia e, a partir disso, torna-se capaz de construir uma sociedade justa e fraterna. Hinkelammert concorda com Gutirrez quando considera que qualquer reflexo atual, que se pautasse apenas em verdades pr-estabelecidas seria estreo e falsa A existncia de Deus, seu carter trinitrio, a redeno etc., em sendo professados como atos de f independentes de sua insero histrica e concreta, no passam de abstraes vazias, que compem uma dogmtica sem contedo. O problema da TdL no negar essas verdades, mas perguntar: Qual o sentido que tm? (HINKELAMMERT, 1996, p. 46) 3 Assim sendo, a teologia, como j foi dito, deveria ser uma reflexo ligada diretamente prxis e, ao realizar uma leitura dos acontecimentos histricos tendo como objetivo descobrir seu sentido, teria tambm uma funo proftica, que faria do telogo algum comprometido com fatos histricos e, conseqentemente, teria o compromisso com a libertao social do individuo, mas tudo isso sem deixar de lado as funes clssicas da teologia. Tal reflexo, tendo como ponto de partida a prxis histrico-libertadora, uma reflexo que busca uma ao transformadora da realidade, dessa maneira, torna-se ela mesma libertadora. A partir de tal premissa, a Teologia da Libertao considerava que no estaria propondo apenas um novo tema para a reflexo teolgica, mas sim um novo modo de produzir a prpria teologia, que se torna um meio de transformao do mundo e de sua conseqente abertura ao Reino de Deus.4 Ainda sobre a Teologia da Libertao, Hinkelammert (1996, p. 45) considera que ela se insere na histria concreta da Amrica Latina, desenvolvendo-se em lugares considerados pontos-chave como as Comunidades de Base e movimentos populares e, a partir da, desenvolve sua teologia. Segundo o mesmo autor: Inserindo-se na histria concreta da AL, situa-se em lugares concretos dessa histria. No fala somente nesses lugares concretos, mas reflete a situao histrica a partir dali, para desenvolver-se como teologia. Por isso, suas anlises esto estreitamente vinculadas s teorias das cincias sociais. (HINKELAMMERT, 1996, p. 45-46) Isto posto, torna-se cada vez mais evidente que a Teologia da Libertao era uma nova forma de se pensar a Teologia, a criao de uma nova corrente teolgica nascida na Amrica Latina e que discordava, em muitos aspectos, dos pressupostos da teologia clssica, bem como da viso da hierarquia da Igreja, principalmente no tocante questo social em que o povo estava inserido. Nesse aspecto, deve-se retornar opo pelos pobres feita pela Teologia da Libertao. Hinkelammert considera que a opo pelos pobres ocorre quando h um reconhecimento mtuo entre os indivduos, mas para que isso seja possvel faz-se necessrio que eles se reconheam como tendo necessidades corporais e naturais. A existncia da pobreza a prova da inexistncia desse reconhecimento e, para a Teologia da Libertao, um sinal de uma sociedade onde Deus est ausente.5 Assim sendo, Deus teria vontade de libertar os pobres, contudo a libertao s seria possvel a partir da anlise da realidade, sendo que esse estudo necessitaria do auxilio das cincias sociais. Essa postura, adotada pelos Telogos da Libertao, 4 diferia do pensamento do que Hinkelammert chama de Teologia da Ortodoxia, ou ento Teologia oficial. Essa teologia detinha-se em afirmaes dogmticas, porm no buscava para essas afirmaes um lugar concreto e histrico, dessa forma acabava por reduzir os contedos teolgicos em verdades eternas e vazias.6 Os Telogos da Libertao consideravam que a teologia deveria ser uma reflexo crtica da sociedade a partir da prxis, e que seus telogos se inseriram em meio a movimentos de massas populares, mas ao analisar a situao de misria em que a Amrica Latina estava inserida, os telogos da libertao acabaram encontrando como culpado por esta situao o prprio sistema capitalista. Assim sendo, no de se estranhar que suas posies possuam uma dura critica ao capitalismo. Ao assumir tal postura, os telogos da libertao acabam tendo, como disse Lwy (1991) [...] uma atrao irresistvel [...] pelos ideais marxistas (to arduamente confrontados pela Igreja), e passaram a utilizar a dialtica marxista para explicar suas posies. Na doutrina da Teologia da Libertao, encontravam-se variaes de pensamentos e formulaes entre seus telogos, mas em geral h um consenso em alguns pontos centrais. Na obra de Michael Lwy: Marxismo e Teologia da Libertao, o autor aponta oito pontos doutrinais, entre os quais merece especial destaque o ponto em que a doutrina condena o capitalismo; que prega a utilizao do marxismo para a compreenso da pobreza e que critica o dualismo tradicional, que dizia que a histria humana se diferenciava da histria divina, porm ao mesmo tempo eram inseparveis.7 Durante os anos 70, devido situao social em que estava inserida e aos seus discursos que apontavam para a libertao social, a Teologia da Libertao ganhou grande numero de adeptos e uma grande influencia na Amrica Latina, possuindo, em suas fileiras, inmeras pessoas que seguiam seus fundamentos, incluindo padres e bispos. Mas como agiria a hierarquia da Igreja frente a um movimento esquerdista, que se aproximava perigosamente dos ideais que a Igreja sempre repeliu? Para que se adentre nessa questo, fundamental compreender alguns pontos da doutrina desenvolvida pela Igreja no sculo XIX. Para compreender tal doutrina, faz-se necessrio que se tenha conscincia de que a Igreja no foi a mesma em dois mil anos de sua existncia, ou seja, durante os sculos passou por vrias modificaes, atribuindo-se, em cada momento histrico, tarefas e obrigaes diferentes, bem como papis sociais especficos.8 Desde 1800 (Pontificado de Pio VII) a Igreja Catlica formulou a sua teoria de repdio ao mundo moderno, repelindo em conjunto todas as suas caractersticas. Essa teoria ficou 5 conhecida como Catolicismo Ultramontano, ou Ultramontanismo, cuja caracterstica era combater a modernidade tendo como parmetro o mundo medieval.9 A doutrina Ultramontana norteou as aes da Igreja Catlica desde 1800 at por volta do Conclio Vaticano II, em 1963, quando, segundo Ivan Manoel, foram criadas condies para o surgimento de uma nova autocompreenso, a partir das propostas de renovao da Igreja. Segundo Ivan Manoel: Nesse longo perodo de mais de um sculo, as caractersticas fundamentais da reao antimoderna catlica permaneceram mais ou menos as mesmas: na esfera intelectual, a rejeio filosofia racionalista e cincia moderna; na poltica externa, a condenao liberal democracia burguesa e o concomitante reforo da idia monrquica; na poltica interna, o centralismo em Roma e na pessoa do Papa e o reforo do episcopado; na esfera socioeconmica, a condenao ao capitalismo e ao comunismo e um indisfarvel saudosismo da Idade Mdia[...] (MANOEL, 2004, p. 11) O excerto acima apresenta as principais caractersticas do Catolicismo Ultramontano, caractersticas essas que, durante 160 anos, permeou as aes da Igreja. Todavia, poder-se-ia pensar que a doutrina Ultramontana possuiu uma estrutura rgida, o que de fato no ocorreu, como aponta Ivan Manoel. O exame da histria da Igreja demonstra essa atitude: de Pio VII (1800 1823) a Pio IX (1846 1878), houve um esforo da doutrina e das prticas devocionais; com Leo XIII (1878 1903), continuou o reforo do devocional, mas j havia indcios de que a Igreja iria intervir fortemente no scio-poltico; de Pio X (1903 1914) a Pio XII (1939 1958), a ao concreta foi explicitada atravs dos programas da Ao Catlica. (MANOEL, 2004, p.21) Como demonstrado, o Ultramontanismo passou por trs fases distintas, possuindo permanncias e mudanas de uma fase para outra. Aqui, merece um destaque especial a Encclica Rerum Novarum do Papa Leo XIII que, para muitos, marca o incio do que conhecemos como sendo a Doutrina Social da Igreja. Com a Rerum Novarum, Leo XIII traa as diretrizes para que a sociedade capitalista seja reconduzida ordem e a equidade. Nessa Encclica o Pontfice, no apenas repudia o capitalismo, como tambm, ao contrrio de seus antecessores, passa a dialogar com ele, todavia, o Sumo Pontfice evidencia, em seus escritos, a recusa completa doutrina socialista, considerando que est era injusta, e tende a subverter todo edifcio social.10 Ildefonso Camacho, na obra: Doutrina Social da Igreja: abordagem histrica, aponta que o adversrio explicito da Rerum Novarum seria o socialismo e que a polmica com a doutrina socialista est vinculada principalmente com a questo da 6 propriedade privada,11 e acrescido a isso a concepo atesta contida no socialismo, que posteriormente Joo Paulo II tanto criticou.12 No terceiro momento, vivido pela doutrina Ultramontana, aps o Pontificado de Leo XIII, a Igreja assume a tarefa de agir na sociedade, a ao concreta, que tinha como sustentao os projetos da Ao Catlica. A Ao Catlica era um movimento de leigos que funcionou como uma espcie de extenso da hierarquia eclesistica, e que teve a funo de recristanizar a sociedade em que estava inserida. Entre os seus objetivos, ela previa uma maior participao dos leigos na Igreja. Nota-se, porm, que a Ao Catlica enveredou para a esquerda, algo no previsto nem desejado pela Igreja. No inicio dos anos 60, o Papa Joo XXIII convocou o Concilio Vaticano II que, segundo Bernstein e Politi, pode ser considerado uma revoluo, por ter proposto uma ruptura com o passado, alm de propor uma abertura da comunidade catlica ao mundo moderno, antes to duramente criticada pela Hierarquia.13 A Igreja buscou no Concilio uma atualizao, um aggiornamento como disse o prprio Sumo Pontfice, uma renovao das suas estruturas. Foi no Conclio que comeou a despontar a figura de um jovem bispo polons: Karol Wojtyla, que se dizia emocionado por poder participar desse evento.14 Uma das mudanas do Vaticano II est na Constituio Gaudium et Spes, que ditou o novo relacionamento da Igreja com o mundo, dentro da histria.15 Outro ponto fundamental a declarao de que a preferncia da Igreja deveria ser pelos pobres. Porm, mesmo com as mudanas ocorridas na Igreja a partir do Conclio, a hierarquia catlica no mudou sua concepo acerca da doutrina socialista. Considera-se que, de fato, o Concilio Vaticano II transformou grande parte das estruturas da Igreja e buscou uma maior abertura sociedade moderna, porm, o modelo de sociedade que os padres conciliares tinham em mente era a sociedade europia; sendo assim, os Bispos latino-americanos, ao retornar de Roma, convocaram a primeira reunio do episcopado latino-americano para propor a implantao das reformas, evidentemente, com as devidas adaptaes sociedade latino-americana. A Teologia da Libertao encontrou no Concilio e, posteriormente, em Medelln os elementos que a aproximaram da Igreja, principalmente a opo pelos pobres que passou a ser apontado como a opo de toda a Igreja a partir desse acontecimento eclesial. J no Pontificado de Paulo VI, e com o apoio do Pontfice, as Comunidades Eclesiais de Base e a prpria Teologia da Libertao se unem definitivamente Igreja. (INFORMAO VERBAL)16 7 Paulo VI foi o encarregado de guiar e concluir os trabalhos conciliares. Com sua morte em 1978, os Cardeais elegeram como Papa o italiano Albino Luciani, que adotou o nome de Joo Paulo I em homenagem aos seus antecessores, contudo o novo Papa comandou a Igreja por 33 dias, vindo a falecer ainda em 1978. Um novo Conclave se iniciaria, e no dia 16 de outubro de 1978, Karol Wojtyla eleito Papa. Karol Wojtyla nasceu em Vadovice, na Polnia e toda sua vida fora marcada pelo sofrimento da perda de seus entes queridos e pelas lembranas da ocupao nazista e, posteriormente, do domnio sovitico que no abalou sua vida de intensa orao.17 Em 1946 ordenou-se sacerdote e, em 1958, foi sagrado Bispo. Outro aspecto constante em sua biografia sua intensa vida espiritual e contemplativa. Desde criana dedicava muitas horas por dia orao. Sua eleio ao papado aconteceu quando estava com 58 anos. Sua origem do interior da Cortina de Ferro, do regime comunista, certamente exerceria muita influncia em suas atitudes. Seu emprenho ferrenho contra o comunismo europeu foi notvel, no mediu esforos para derrub-lo. Sua importncia no declnio do comunismo algo indiscutvel, sendo que at mesmo ex-lderes soviticos apontam o Papa polons como um dos (seno o maior) responsvel pela derrocada do sistema na Europa.18 Mas como o novo Papa, representante mximo da hierarquia da Igreja, reagiria diante da Teologia da Libertao na Amrica Latina, com ideais que se aproximavam to perigosamente da doutrina marxista? Karol Wojtyla via que as tradies eram extremamente importantes para a manuteno da f em sua terra natal, da mesma forma, ao ser eleito Papa, ele buscou uma manuteno das tradies da Igreja, mesmo que isso freasse os avanos Conciliares, e isso se deu em vrios setores. Na Amrica Latina, o que se arquiteta ento uma campanha contra a Igreja progressista, que segundo Mermlia Moreira teve seu inicio apenas um ano aps a eleio de Karol Wojtyla19, campanha essa identificada com a postura ideolgica conservadora da Igreja, que se expressa em discursos e atos da hierarquia catlica. Como exemplo das aes tomadas contra a Teologia da Libertao, tem-se a Libertatis Nuntius (Instruo sobre alguns aspectos da Teologia da Libertao) emanada pela Congregao para Doutrina e F, em 1984, onde o antigo Tribunal da Inquisio alertava sobre os perigos e desvios que poderiam ser prejudiciais f da Igreja, principalmente os ligados a pensamentos marxistas.20 A 8 Congregao para Doutrina da f, ao esclarecer qual era a finalidade da Instruo, aponta o receio da Igreja em relao ao movimento teolgico latino-americano: A presente Instruo tem uma finalidade mais precisa e mais limitada: quer chamar a ateno dos Pastores, dos telogos e de todos os fiis para os desvios e perigos de desvios, prejudiciais f e vida crist, inerentes a certas formas de teologia da libertao que usam, de maneira insuficientemente crtica, conceitos assumidos de diversas correntes do pensamento marxista. (CONGREGAO PARA A DOUTRINA DA F, 1984) A Teologia da Libertao passou a sofrer uma srie de ataques contra suas teorias e suas posies. Alguns de seus telogos foram chamados ao Vaticano para prestar esclarecimentos, como ocorreu com Leonardo Boff, condenado ao silncio e, posteriormente, proibido de lecionar e ainda forado a deixar o cargo de editor-chefe da revista Vozes.21 Com o pretexto de minar a influncia dos movimentos de esquerda no interior da Igreja, o ataque da hierarquia eclesistica desferido por Joo Paulo II e pelo prefeito da Congregao para a Doutrina da F, o Cardeal Ratzinger, contra a Teologia da Libertao, inclua ainda a nomeao de bispos conservadores para ocupar cargos em dioceses estratgicas e o deslocamento de Bispos e padres ligados Teologia da Libertao para dioceses sem expresso. Mas o que estaria por detrs das aes do Papa contra a Teologia da Libertao? Joo Paulo II possua um grande carisma que atraia imensas multides por onde passava, mas ao mesmo tempo ele freava os avanos conciliares, abrindo espao para movimentos conservadores como a Opus Dei e a Renovao Carismtica. Mas isso pode ser considerado como um indcio de seu desejo em regressar doutrina conservadora pr-conciliar, que chamamos de Grande Disciplina? 1 Cf. BERNSTEIN, C. e POLITI, M. Sua Santidade: Joo Paulo II e a histria oculta de nosso tempo. 7 ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996 2 Entrevista realizada com Svio Desan Scopinho, doutor em Teologia pela Gregoriana de Roma tendo sua formao teolgica toda voltada para a Teologia da Libertao da qual foi membro 3 GUTIRREZ, G. Teologia da Libertao. Vozes: Petrpolis, 1979 p. 26 4 ibid. p. 26-27 5 HINKELAMMERT, F. J. A Teologia da Libertao no contexto econmico-social da Amrica Latina: Economia e teologia ou a irracionalidade do racionalizado. IN Revista Eclesistica Brasileira. Vol. 56, Fasc. 221, 1996 p. 47 6 Ibid. p. 48 e 49 7 LWY, M. Marxismo e Teologia da Libertao. p. 27 e 28. Cortez, So Paulo, 1991 8 MANOEL, I. A. O Pndulo da Histria: tempo e eternidade no pensamento catlico (1800-1960). p. 8 e 9 Maring: Eduem, 2004 9 ibid. p. 10 10 LEO XIII (Papa) Rerum Novarum sobre as condies dos operrios. Paulinas, So Paulo, 2004 11 CAMACHO, Ildefonso. Doutrina Social da Igreja: abordagem histrica. So Paulo: Loyola, 1995 9 12 BERNSTEIN, C. e POLITI, M. Sua Santidade: Joo Paulo II e a histria oculta de nosso Tempo. 7 ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996 13 Ibid. p. 97 14 Ibid. p. 99 15 Ibid. p. 112 16 Entrevista realizada com Svio Desan Scopinho, doutor em Teologia pela Gregoriana de Roma tendo sua formao teolgica toda voltada para a Teologia da Libertao, da qual foi membro 17 Cf. BERNSTEIN, C. e POLITI, M. Sua Santidade: Joo Paulo II e a histria oculta de nosso Tempo. 7 ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996. Parte I e Parte II 18 Ibid 19 MOREIRA, M. O cerco Igreja progressista. IN Cadernos do Terceiro Mundo. Ano XI, n 115 20 Libertatis Nuntius - Instrues sobre alguns aspectos da Teologia da Libertao. acessado em 18/04/2006 no site: www.veritatis.com.br/conteudo.asp?pubid=892 21 BERNSTEIN, C. e POLITI, M. Sua Santidade: Joo Paulo II e a histria oculta de nosso Tempo. 7 ed. p. 416 et seq. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996 Bibliografia BETTO, Frei. A Teologia da Libertao ruiu com o muro de Berlim? In Revista Eclesistica Brasileira. Vol. 50, Fasc. 200, 1990 BERNSTEIN, C. e POLITI, M. Sua Santidade: Joo Paulo II e a histria oculta de nosso Tempo. 7 ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996 BOFF, L. E a Igreja se fez povo. Eclesiognese: a Igreja que nasce da f do povo. 3 ed. Petrpolis: Vozes, 1986 BOFF, L. Igreja: Carisma e poder. So Paulo: Ed. tica, 1994 BOFF, L. O Papa da volta Grande Disciplina. Disponvel em www.e-agora.org.br/conteudo.php?cont=artigos&id=1247_0_3_0_M22, acessado em 28/11/2006 CAMACHO, Ildefonso. Doutrina Social da Igreja: abordagem histrica. So Paulo: Loyola, 1995 CONGREGAO PARA A DOUTRINA DA F. Instruo sobre a liberdade crist e a libertao. 4 ed. So Paulo: Paulinas, 1986 CONGREGAO PARA A DOUTRINA DA F. Libertatis Nuntius. Disponvel em: www.veritatis.com.br/conteudo.asp?pubid=892, acessado no dia 18/04/2006 DUSSEL, E. Histria Liberationis 500 anos de Histria da Igreja na Amrica Latina. So Paulo: Paulinas, 1992. FRANGIOTTI, Roque. Histria da Teologia: perodo patrstico. So Paulo: Paulins, 1992 GUTIRREZ, G. Teologia da Libertao. Petrpolis: Vozes, 1979 10 HINKELAMMENT, F. J. A Teologia da libertao no contexto econmico-social da Amrica Latina: Economia e teologia ou a irracionalidade do racionalizado. In Revista Eclesistica Brasileira. Vol. 56, 1996 HOBSBAWM, E. Era dos extremos o breve sculo XX (1914-1991). So Paulo: Companhia das Letras, 1995 LWY, M. Marxismo e Teologia da Libertao. So Paulo: Cortez, 1991 MANOEL, I. A. O Pndulo da Histria: tempo e eternidade no pensamento catlico (1800-1960). Maring: Eduem, 2004 MOREIRA, M. O cerco Igreja progressista. In Cadernos do terceiro mundo. Ano XI, n 115