Jamaica, terra que amamos

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    09-Jan-2017

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  • Janeiro / Junho 2008

    Jamaica, terra que amamosNo s de Bob Marley se constri uma nao

    Gabriela Pacheco e Juliana branco

    ilha de 11.425 km das Grandes Antilhas, na Amrica Central, vai alm do Reggae e da cultura Rastafri. Mais do que suas be-lezas naturais, a Jamaica tem a mostrar o resultado das transformaes polticas, econmicas e culturais desde a descoberta de Cristvo Colombo, em 1494. Conhecer o pas de Bob Marley tambm pode gerar surpresas.

    Inflaes altas, cultura de exportao agrcola e explorao de riqueza mineral tornam a histria jamaicana familiar aos brasileiros. Dos colonizado-res espanhis para as mos dos ingleses, em 1670, a Jamaica tornou-se produtora de acar, centro de contrabando, e no sculo XVIII, caminho das rotas do trfico de escravos africanos. A abolio da es-cravatura, em 1833, e o fim dos privilgios aduanei-ros jamaicanos, 13 anos mais tarde, arruinaram os plantadores, o que gerou emigrao para Cuba, e para os EUA. Em 1870, a cultura da banana e gran-des companhias estrangeiras, como a United Fruit, foram implantadas na ilha.

    Na poltica, uma Constituio foi outorgada em 1884, mas nenhuma grande mudana ocorreu, j que o

    poder permaneceu sob controle dos proprietrios brancos. Mas foi justamente um branco, Alexandre Busta-

    mante, em aliana com seu primo Norman W. Man-ley, o primeiro lder poltico jamaicano a propor ver-dadeiras modificaes.

    Em seis de agosto de 1962, aps quase trs scu-los sob domnio ingls, a Jamaica passa oficialmen-te a ser uma nao independente. Contudo, os ja-maicanos no se desvinculam da coroa britnica ao permanecerem membro da Commonwealth, o que significa seguir o modelo poltico de monarquia par-lamentarista, no qual a rainha Elizabeth II a chefe de Estado.

    A ilha chega a 2008 com 27 milhes de habitantes, a subsistncia baseada na produo de caf e a-car e tem a bauxita como principal fonte de receita, mas pouco valorizada pelo mercado internacional. Aposta-se agora no turismo como atividade econ-mica essencial para o pas. E viajar para l no nada to complicado. Segundo o consulado jamai-cano no Rio de Janeiro, no necessrio visto de tu-rismo para at 30 dias de viagem. Para uma estadia maior que um ms, deve-se conseguir o visto agen-

    AAAA

  • Reggae: 40 anos

    dando um encontro com a cnsul Maria Pia, pelo e-mail mariapia@bastostigre.com.br, pagar 60 d-lares e apresentar um comprovante do pacote tursti-co da viagem. As filas no so longas, o visto sai na hora e a cnsul atende na cidade do Rio de Janeiro e So Paulo. Para embarcar s necessrio tomar a vacina contra a febre amarela.

    Para a estudante universitria da PUC-Rio Caroli-na Vaisman, 21 anos, a vontade de visitar o pas vai alm do Reggae, embora goste deste tipo de msica. Tenho vontade de ir porque quando a gente fala so-

    bre a Jamaica, parece um lugar muito distante, mas na verdade prximo. A cultura peculiar e as belas paisagens me atraem, explica Carolina.

    A Jamaica recebe, todos os anos, muitos turistas devido sua diferente e bela biodiversidade (fauna e flora). Montego Bay, uma das praias mais famosas do pas, conhecida pelos resorts luxuosos e pela in-fra-estrutura que tem para receber os visitantes. Em Negril, o turista tem um contato maior com o povo local, artesanato e costumes tpicos. A regio possui 11 km de praias paradisacas e um pr-do-sol dos

    Praia de Negril Praia de Negril

    Praia de Montego Bay

  • mais bonitos, segundo o turista Alessandro Sero-zini: A beleza de Negril no tem precedentes, inimaginvel que aquilo exista. Quero voltar, com certeza.

    O brasileiro ainda co-nheceu a capital Kings-ton, Montego Bay, Negril, Ocho Rios y Nine Miles. As cidades trazem o calor do povo jamaicano por meio de sua msica e cultura. A populao da Jamaica muito receptiva e alegre, quero voltar l mais ve-zes, afirma Alexandre.

    Uma salada tnica bem temperada

    Para apreciar qualquer paisagem, no se pode es-tar com fome. E a comida jamaicana uma experi-ncia turstica por si s.

    Geralmente muito api-mentada, a culinria ja-maicana uma mistura de muitas tradies tnicas, influenciadas pela cultura indgena, espanhola, chine-sa e inglesa. O prato mais tradicional o arroz com feijo ou arroz com ervilhas, ambos cozidos em leite de coco. No cardpio, no pode faltar ackee, uma fruta regional que, quando cozida parece com ovos mexidos. O bammy frito, uma espcie de massa de mandioca em formato de panqueca, tambm no pode ficar de

    Julho / Dezembro 2007

    fora. Um tpico almoo ja-maicano tem que ter patty, um tipo de pastel cozido feito com massa de carne e po. As refeies costumam durar aproximadamente uma hora, nas reas rurais. As famlias se renem para cear por volta das seis da tarde.

    O prato mais conheci-do e popular entre os ja-maicanos o jerk, termo usado para descrever o processo de cozimento da carne que marinada e cozinhada lentamente em uma churrasqueira. Esta, por sua vez, feita com uma madeira especial, deixando a carne com um sabor diferente. Depois da refeio, a sobremesa no poderia faltar. Banana grelhada, pudim de bata-ta doce e goiabada com queijo so as preferidas da populao.

    Na Jamaica, ch qual-quer bebida quente ou fer-

    mentada. Pode ser de ervas, misturada com rum, leite e at peixe. Dentre as bebidas geladas muito populares est o Sky Juice, feito de gelo raspado tem-perado com xarope, alm da gua de coco (direto da fruta). Cerveja e rum so as bebidas alcolicas mais procuradas e o caf jamaicano das Montanhas Azuis est entre os mais saborosos do mundo.

    Ackee, fruta regional

    O n na Lngua A Jamaica a terceira nao mais populosa das Amricas a ter o ingls como idioma oficial, superada apenas pelos Estados Unidos e o Canad. Mas, h tambm o patu, dialeto que mis-tura o ingls com termos africanos, portugueses e espanhis.

    Meu amigo Mi frenPequeno Likkle

    Me madaPerguntar ax

    Pai fadaMenino bwoyComer NyamMenina Gal

  • Agenda 2008

    As cores da Jamaica Em vez de vermelho, verde e amarelo, as cores da Jamaica so verde, amarelo e preto.

    As cores da cultura Rastafri, por ser difundida mundialmente, por vezes se confundem com as cores que representam o pas.

    Rastafri

    Vermelho - a igreja dos Rastas e o sangue dos mrtires negros;

    Verde - vegetao da Etipia;

    Amarelo - abundncia da terra natal.

    Jamaica divina Pai eterno, abenoe nossa terra/ guie-nos com tua poderosa mo (trecho do hino Land we love, (Terra que amamos, da Jamaica).A letra do hino da Jamaica, escrita por Hugh Sherlock, j indica que o povo jamaicano acredita em um ser maior e be-nvolo. Os jamaicanos tm completa liberdade religiosa em seu pas. Muito comentado sobre a crena Rastafri, mas cerca de 60,9% da populao jamaicana crist, sendo a maioria protestante. Por ter tantas religies em um territrio pequeno, a Jamaica conhecida com o lugar com mais igrejas por quilmetro quadrado. Apesar dessa diversidade de crenas, os jamaicanos convivem pacificamente, os lderes costumam concordar sobre os assuntos mais variados e esto sempre juntos em atos ecumnicos.

    Amarelo

    Bandeira nacional

    Preto - a fora e criatividade do povo jamaicano;

    Verde - esperana para o futuro e riqueza agrcola;

    Ouro - a luz solar e a riqueza natural do pas.Ouro

    Rastafri