INCLUSO ESCOLAR O QUE ? POR QU? COMO FAZER?

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    08-Jan-2017

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  • INCLUSO ESCOLARO QUE ? POR QU?

    COMO FAZER?

    MARIA TERESA EGLR MANTOAN

  • INCLUSO ESCOLARO que ? Por qu? Como fazer?

    Copyright 2004, 2015 by Maria Teresa Eglr MantoanDireitos desta edio reservados por Summus Editorial

    Editora executiva: Soraia Bini CuryAssistente editorial: Michelle Neris

    Coordenao da Coleo Novas Arquiteturas Pedaggicas: Ulisses F. Arajo

    Capa: Alberto MateusProjeto grfico e diagramao: Crayon Editorial

    Impresso: Sumago Grfica Editorial

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    Impresso no Brasil

  • SUMRIO

    PREFCIO 9

    APRESENTAO 13

    1 O QUE INCLUSO ESCOLAR 19

    Integrao ou incluso? 24

    2 POR QUE EFETIVAR A INCLUSO ESCOLAR 31

    A questo da identidade versus diferena 33A questo legal 37A questo das mudanas 53

  • 3 COMO FAZER A INCLUSO ESCOLAR 61

    Recriar o modelo educativo 64Reorganizar as escolas: aspectos pedaggicos e administrativos 67Ensinar a turma toda, sem excees nem excluses 71E a atuao do professor? 78Preparar se para ser um professor inclusivo 79Diferenciar para incluir ou diferenciar para excluir? 83Uma pedagogia da diferena 87

    CONSIDERAES FINAIS 89

    REFERNCIAS 91

    NOTAS FINAIS/AGRADECIMENTOS 95

  • 9

    PREFCIOO QUE , POR QUE E COMO FAZER A INCLUSO ESCOLAR so alguns dos questionamentos feitos por Maria Teresa Eglr Mantoan para manifestar seu entendimento sobre o direito inalienvel de todos educao e para alicerar uma concepo de educao inclusiva que atue na transformao da escola para que no se exclua nenhum estudante

    A ideia de educao inclusiva, que, nas ltimas dcadas, impulsionou mudanas significativas na educao em mbito internacional, fundamentou a elaborao da Poltica Nacional de Educao Especial na Perspectiva da Educao Inclusiva* (Brasil, 2008) e orientou a transformao dos sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos, registrando uma evoluo sem precedentes no acesso de pessoas com deficincia escola comum

    Afirmar que o Brasil mudou sua poltica de educao especial e melhorou em todos os aspectos com a garantia da matr

    * Brasil Ministrio da Educao Poltica Nacional de Educao Especial na Perspectiva da Educao Inclusiva Braslia: MEC, 2008

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    cula, do financiamento pblico e dos recursos de acessibilidade na escola comum no significa, contudo, dizer que os nossos problemas histricos quanto garantia do direito educao aos estudantes com deficincia foram resolvidos

    No podemos esquecer que nosso passado recente revela uma histria de excluso escolar das pessoas com deficincia Por muitas dcadas, alegando se incapacidade dos estudantes com deficincia de acompanhar os demais alunos, manteve se a prtica de segregao, reforada pelo paradigma da normalizao Tal estado de coisas perpetuou se tambm no perodo da integrao, que nada mais fora que um anncio da possibilidade de incluso escolar para aqueles estudantes que conseguissem adequar se escola comum, sem que esta devesse revisar seus pressupostos

    Nesta obra, questionam se a concepo e as prticas homogeneizadoras da escola que marcaram estruturalmente a educao do pas, produzindo o preconceito e as distintas formas de discriminao

    A edio revista que ora se apresenta analisa o contexto de mudanas que comea a abalar as bases estruturantes do modelo segregacionista de educao no Brasil Constatando os avanos ocorridos em relao aos marcos legais, polticos e educacionais que fundamentam a atual poltica nacional de educao especial, so discutidos os desafios da incluso escolar, propostas e possibilidades efetivas de superao de problemas enfrentados na escola

    A partir da Poltica de Educao Especial na Perspectiva da Educao Inclusiva, verifica se a quebra da hegemonia do modelo de segregao absoluto nas normas educacionais Os documentos legais e as aes institucionais subsequentes reforaram a perspectiva inclusiva e, cada vez mais, fortaleceram o novo rumo da modalidade de educao especial que passa a ser responsvel

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    pela organizao e oferta de atendimento educacional especializado (AEE), apoiando assim a incluso escolar do seu pblico alvo

    Neste livro, Maria Teresa Mantoan registra e analisa o caminho percorrido no ltimo decnio e aponta os desafios para consolidar os avanos obtidos, assim como as perspectivas de continuidade da luta por uma educao de todos e de todas

    A professora alertanos para a necessidade de profundas mudanas na escola, por meio do questionamento organizao curricular e ao trabalho pedaggico, objetivando uma restruturao que possibilite eliminar os diversos fatores que produzem a excluso escolar e promovendo, assim, o desenvolvimento inclusivo dos sistemas de ensino

    Nessa perspectiva, a emergncia de propostas educacionais avanadas em sistemas de ensino que comeam a se modificar e a investir na qualidade da oferta educacional para todos significa a possibilidade de concretizar o desafio da incluso escolar

    Conhecendo o potencial terico da educao inclusiva e sua implicao no campo da mobilizao social, a coordenadora do Laboratrio de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferena (Leped), da Unicamp, afirma a importncia da anlise do nosso contexto, no apenas para entender as dificuldades da escola de atender estudantes com deficincia e outros como para apontar o propsito da incluso como objetivo primordial dos sistemas de ensino

    Uma das mximas da autora a de que incluir no deixar ningum de fora da escola comum, ou seja, ensinar a todas as crianas, indistintamente Ela prope um deslocamento da viso educacional que se sente ameaada pela incluso para uma perspectiva que se abre para os novos saberes, os novos estudantes e as outras formas de ensinar e avaliar a aprendizagem

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    Assim, encontramos, nesta obra, um chamamento capacidade que as escolas tm de romper com tudo que descaracteriza a forma de ser educador e de fazer a educao e possibilidade que tm de se transformar em ambientes educacionais inclusivos, assegurando o acesso e o prosseguimento da escolaridade a todos os estudantes, considerando as caractersticas individuais de aprendizagem

    O caminho de uma escola aberta para todos o que se vislumbra atualmente com a institucionalizao e a expanso de polticas pblicas educacionais que superam a segregao e a discriminao e assumem o compromisso com a identificao e a eliminao das diversas barreiras incluso

    Tais polticas visam induzir inovao pedaggica, alterando o cerne da formao inicial e continuada de professores, promovendo a adequao dos ambientes escolares, a institucionalizao de servios e a disponibilizao de recursos para acessibilidade Tudo isso assume significado quando entendemos as vrias facetas da ruptura com o velho modelo de segregao e sentimo nos revigorados com as mudanas trazidas pelo novo paradigma da incluso

    No h receita para mudar a escola!Reinventar nossas prticas e mentalidades parte da tarefa

    do nosso tempo Tempo de incluso!

    Claudia Pereira DutraSecretria Nacional de Educao Especial do Ministrio

    da Educao entre 2003 e 2013

    Martinha Clarete Dutra dos SantosDiretora de Polticas de Educao Inclusiva do

    Ministrio da Educao

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    APRESENTAO CARO COLEGA,

    minha vida de professora comeou cedo aos 17 anos , e j faz um bom tempo! Passei por inmeras experincias escolares Dei aulas para crianas, jovens, adultos, em escolas regulares e especiais Hoje, estou no ensino universitrio, como docente da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Lecionei at 2013 no curso de Pedagogia e continuo como professora plena, ministrando disciplinas e orientando alunos nos cursos de mestrado, doutorado e ps doutorado em Educao Desde 1996, coordeno um grupo de pesquisa na Unicamp, o Laboratrio de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferena (Leped), no qual oriento e desenvolvo trabalhos cientficos

    Gosto e sempre gostei do que fao Minha carreira fruto do meu encanto pela educao

    Neste livro, quero lhe falar de minhas ideias sobre o ensinar e o aprender, compartilhando o que vivi em minha caminhada

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    educacional Minha inteno no simplesmente expor o que penso, mas dialogar comigo mesma e com voc, leitor, sobre problemas, questes, dvidas que carrego no dia a dia de trabalho, alm de compartilhar bons momentos, sucessos e tambm os meus sonhos So muitos os percalos e as alegrias que vivemos nessa lida de escola A gente deixa passar, mas no devia

    Sempre existe a possibilidade de as pessoas perceberem que podemos enxergar de outros ngulos o mesmo objeto/situao, que conseguimos ultrapassar obstculos que julgamos intransponveis, que somos capazes de realizar o que tanto tememos de incio, vencer nossas inseguranas, de nos deixar levar por novas paixes As transformaes movem o mundo, modificando o, tornando o sempre diferente, porque passamos a entend lo e a viv lo de outros modos

    Como esto hoje as nossas escolas? Houve mudanas aps a primeira edio deste livro? J se passaram dez anos

    Todos sabemos que as transformaes da escola dependem de um compromisso coletivo de professores, gestores, pais e da sociedade em geral difcil o dia a dia da sala de aula Esse desafio que enfrentamos tem limite o da crise educacional que vivemos, tanto pessoal como coletivamente, deste ofcio que exercemos

    Em que nos apegamos para nos sustentar nessa crise? Ser que todos temos conscincia de sua gravidade e complexidade? E do nosso papel para mant la ou revert la? O que nos tem guiado para no perdermos o norte de nossa trajetria profissional?

    Ideias e verdades no nos tiram inteiramente das dificuldades e muito menos so definitivas Temos de nos habituar a reaprender constantemente com as nossas aes, individuais ou coletivas: essa uma atitude que funciona bem

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    E o que fazemos de nossos encontros formais e informais nas escolas para esse fim? Lamentamos o nosso destino, o destino de nossos alunos, ou aproveitamos esse tempo para saber para onde queremos ir? Que novas medidas temos de adotar para romper o cerco do pessimismo e da incerteza, do fracasso e da mesmice de nossa atividade profissional?

    Quantas questes j de incio! Seria essa a melhor maneira de se iniciar um livro? E por que no, se minha vontade sair em busca de respostas sempre inconclusas, sem dvida, mas que nos orientam, quando vamos ao encontro de melhores condies de ensinar

    Estou convicta de que, na maioria das vezes, remo contra a mar educacional Mas j estou habituada, pois faz tempo que ensino E do meu jeito!

    Reluto em admitir certas medidas adotadas pela escola para reagir diferena de todos ns De fato, elas existem, persistem, insistem em se manter, apesar de todo o esforo despendido para se demonstrar que as pessoas so seres singulares, que esto sempre se diferenciando, interna e externamente e, portanto, no cabem, nem cabero, em categorizaes, modelos, padres

    Mais do que demonstrar, tenho procurado reconstruir, tijolo por tijolo, como uma obra de restaurao minuciosa e ciosa de sua importncia, a organizao do trabalho pedaggico, das grandes linhas aos seus menores detalhes ou seja, dos princpios, dos valores e da estrutura macroeducacional s atividades e iniciativas que brotam do cotidiano escolar

    Precisamos ressignificar o papel da escola com professores, pais e comunidades interessadas e instalar, no seu cotidiano, formas mais solidrias e plurais de convivncia So as escolas que tm de mudar e no os alunos, para que estes tenham assegura

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    do o direito de aprender, de estudar nelas! O direito educao indisponvel e natural, no admitindo barganhas No h o que negociar quando nos propomos a lutar por uma escola para todos, sem discriminaes, sem ensino parte, diferenciado para os mais e os menos privilegiados Meu objetivo, em uma palavra, que as escolas sejam instituies abertas incondicionalmente a todos os alunos e, portanto, inclusivas

    Ambientes humanos de convivncia e de aprendizado so plurais pela prpria natureza e, por isso, a educao escolar no pode ser pensada nem realizada seno a partir da ideia de uma formao integral do aluno segundo suas capacidades e seus talentos e de um ensino participativo, solidrio, acolhedor

    A perspectiva de formar uma nova gerao dentro de um projeto educacional inclusivo fruto do exerccio dirio da cooperao, da colaborao, da convivncia, do reconhecimento e do valor das diferenas, que marcam a multiplicidade, a natureza mutante de todos ns

    Aprendemos a ensinar segundo a hegemonia e a primazia dos contedos acadmicos e temos, naturalmente, muita dificuldade de nos desprender desse aprendizado, que nos refreia nos processos de ressignificao de nosso papel de professor seja qual for o nvel de ensino em que atuamos

    Vale perguntar, ento, se estamos, verdadeiramente, certos de que o nosso papel o de transmitir um saber fechado e fragmentado, em tempos e disciplinas escolares que nos aprisionam nas grades curriculares Fomos reduzidos a meros instrutores, que conduzem e norteiam a capacidade de conhecer de nossos alunos, transformando os em seres passivos e acomodados a aprender o que definimos como verdade? J nos consultamos

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    sobre o nosso compromisso educacional maior, seja no nosso ntimo, seja no coletivo de nossas escolas, em nossas organizaes corporativas?

    Essas questes de fundo precisam ser mais expostas e debatidas, porque fundamental que tenhamos bem claro o nosso sonho educacional, ou melhor, o que queremos viver quando dedicamos horas, dias, anos a ensinar

    Estamos todos no mesmo barco e temos de assumir o comando e escolher a rota que mais diretamente nos pode levar ao que pretendemos Essa escolha no solitria e s vai valer se somarmos nossas foras s de outros colegas, pais, educadores cientes de que as solues coletivas so as mais acertadas e eficientes

    No esperemos que as respostas venham de fora dos sistemas educacionais, das organizaes internacionais, dos bancos financiadores de projetos Eles podero tolher nossa liberdade de conduzir o barco, desrespeitando nossa identidade nacional em todas as suas especificidades e, pior, desconhecendo nossa capacidade de estabelecer rotas educacionais prprias, que vo se diferenciando em cada caminho que se traa para que nos aproximemos da escola com a qual sonhamos Que no venham para nos transmitir suas experincias bem sucedidas, e universalizantes, mas que possam trabalhar conosco para concretizar nossos desejos locais, atendendo s caractersticas, vida e ao contexto de cada escola

    Desde criana vislumbrei como seria uma escola em que eu pudesse estudar e ensinar, e em cada etapa de meus estudos fui acrescentando, modificando, aperfeioando o seu esboo Sofri muito nos bancos escolares, pela dificuldade de me adaptar

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    rigidez e s incompreenses dos ambientes de estudo dos quais participei Hoje, reconheo me em muitas crianas, encontrome no olhar de alunos que, como eu, discordam da escola em que estudam e se desencantam com ela Revivo meus tempos de estudante

    Voltando ao tema deste livro, sobre o qual tenho me dedicado nestes ltimos anos de trabalho, ele ser apresentado (didaticamente?) por meio de trs questes que so recorrentes em palestras, encontros e reunies das quais tenho participado do incio dos anos 1990 at os dias de hoje Quanto tempo e tantas dvidas! Pretendo responder, em trs captulos: a) o que incluso escolar; b) quais so as razes pelas quais ela tem sido proposta e quem so seus beneficirios; c) e como faz la acontecer nas salas de aula de todos os nveis de ensino Muita pretenso de minha parte? Quem sabe No sei se conseguirei, mas assim espero

    O fato que no posso perder o foco desta obra e tendo a pegar atalhos, a fazer meus ziguezagues, contornos de pensamento

    No existe o caminho, mas caminhos a escolher, decises a tomar E escolher sempre correr riscos Que seja assim

    Com carinho,

    Maria Teresa Eglr MantoanCampinas, novembro de 2014

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    INCLUSO ESCOLAR

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