Histria de Ponte Nova

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    01-Oct-2015

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O inicio da construo da Princesinha do Vale

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HISTRIA DE PONTE NOVADocumentos indicam que, em abril de 1768, o padre Joo do Monte de Medeiros j havia instalado sua Fazenda do Vau-Au, dotando-a de uma "Casa Sede", uma senzala, um depsito e um curral de porcos.Essa "casa sede", uma das primeiras edificaes de toda regio, existe ainda hoje, servindo de sede propriedade denominada Fazenda Vau-Au ou Usina Santa Helena, no Km 07 da rodovia que liga Ponte Nova a Viosa.Como o Padre Joo do Monte de Medeiros haviam vindo tambm sua me, D. Maria da Costa Camargo, e sua irm Catharina do Monte. Ambas eram portadoras de cartas de sesmaria e, apesar de vivas, conseguiram formar, com arrojo e dedicao, as Fazendas Santa Rita e Mata-Ces, respectivamente.Outros sesmeiros iam tambm se instalando: Antnio Gonalves Torres, que denomina Fazenda do Pontal sua propriedade; Sebastio Marques, que constri a Fazenda dos Oratrios de Baixo; Jos do Valle Cunha, que funda a Fazenda dos Oratrios de Cima; Aleixo Alvez Coura, que instala a Fazenda do Pombal; Domingos Alves Torres, que se estabelece na Fazenda do Engenho; etc.O padre Joo do Monte Medeiros era um exemplo do homem dinmico e trabalhador. Logo sua fazenda passou a produzir em abundncia, e seus produtos passaram a ser comercializados, tambm, em Furquim e Mariana, conforme documentos datados de 1772.A Fazenda do Vau-Au tornou-se, em pouco tempo, prspera e rica. passando a ser citada como exemplo de desenvolvimento da regio.A famlia Monte Medeiros integrou-se regio. Seus membros, muito ligados entre si, mantinham um sistema de cooperao, de forma que pelo menos as quatro fazendas da famlia, situadas a margem direita do rio Piranga, funcionaram interligadas, desprezando, inclusive, as divisas entre elas.Essa idia cooperativista deixa-se transparecer em carta assinada por Sebastio do Monte, datada de 1762, quando se dispe a reformar uma ponte sobre o no Piranga que, afirma ele, iria no s beneficiar o caminho para Mariana, como serviria para facilitar as viagens s terras de Catharina, sua irm, na outra margem do Piranga.O prprio sistema de concesso de sesmarias exigia que o sesmeiro, em quatro anos, procedesse demarcao oficial de suas terras e requeresse a confirmao da carta.De acordo Com as demarcaes das terras dos Monte Medeiros, oficializadas em 17 de setembro de 1758, a primeira, mais prxima do rio, compreendendo inclusive o local onde se acham construdas hoje a Matriz, a Prefeitura, a Praa Getlio Vargas etc., era a Fazenda Santa Rita, de D. Maria. A seguir, no sentido leste, achava-se a Vargem Alegre, de Miguel. Depois vinha a Fazenda do Vau-Au, do Padre Joo, e, por ultimo, a do Crrego das Almas, de propriedade de Sebastio do Monte.Na dcada de 60 daquele sculo, falecendo D. Maria da Costa Camargo, matriarca dos Monte Medeiros, sua fazenda passa, por herana, a seus filhos.Dotado de esprito empreendedor, o padre Joo Medeiros sonhou com o surgimento, ali, naquele serto, de uma cidade, que pudesse acolher homens de bem e gerar filhos dedicados, que, como ele,"amassem aquela terra dadivosa".Tratou logo de solicitar uma autorizao ao bispo de Mariana para construir uma capela, onde pudessem ser administrados aos santos sacramentos. A seu pedido de 1. De julho de 1970 atende uma autorizao passada no dia 06 do mesmo ms, por Vicente Gonalves Jorge de Almeida.Desenho da Capela construda pelo Padre Joo do Monte MedeirosDe posse da autorizao eclesistica, foi iniciada, imediatamente, a construo da Capela, posto que, em menos de seis meses, j se encontrava pronta. Foi construda s expensas do Padre Joo do Monte Medeiros, que, para tanto, dispendeu soma significativa de dinheiro. A localizao da capela, a mesma onde se encontra a Matriz de So Sebastio de Ponte Nova, no foi escolhida ao acaso. No alto do espigo, que servia de limite para as terras do Padre, tudo se avistava: o caminho para Mariana, as colinas em volta, o rio Piranga serpenteando pelo vale, a pequenina ponte de madeira...Segundo consta, a ltima parede da sacristia dessa capela corria junto uma linha divisria das propriedades que o Padre Joo do Monte havia herdado de sua me e dos sucessores de Domingos Gonalves Torres.A primeira Capela de Ponte Nova j estava pronta em dezembro de 1770, sendo constitudo seu padroeiro, por concesso episcopal, o prprio Padre Joo do Monte Medeiros e, para seu orago, So Sebastio.O Cnego Trindade defende a teoria de que a escolha de So Sebastio para orago da capela teria sido uma homenagem a Sebastio do Monte Medeiros, irmo do Padre."Nestas terras, na paragem chamada Ponte Nova, fundou o Padre Monte uma capela e dedicou-a a So Sebastio e Almas; So Sebastio em homenagem ao seu irmo, aquele a quem devia em grande parte seu patrimnio, Sebastio do Monte."Para construir o patrimnio cannico da Capela de So Sebastio e Almas de Ponte Nova, o Padre Monte doou parte de suas terras, em 15 de dezembro de 1770.Por intermdio de uma procurao passada aos padres Caetano Pinto da Mota e Francisco Soares de Arajo, o padre Joo do Monte doou, em cartrio de Mariana, as terras que iam da barra do ribeiro Vau-Au ao alto do espigo, onde se situava a capela.As cidades coloniais brasileiras, geralmente, nasciam s margens de um rio. Dentre as primeiras providncias tomadas, era a construo da capela que com seu arogo e devidamente benzida, se tornava o ponto vital de toda comunidade.A origem e a fundao de Ponte Nova no fugiram regra. Se um pequeno ncleo surgiu s margens do rio Piranga, antes mesmo da chegada dos primeiros sesmeiros colonizadores, o arraial s adquiriu personalidade cannica poca da construo de sua primeira capela, pelo padre Joo do Monte e, naquela poca, a personalidade cannica determinava, jurdica e administrativamente, a situao do lugar.O Padre no se limitou em erigir e paramentar o templo. Dotou-o tambm de um cemitrio e doou Igreja"uma poro de terras", desmembrada de sua fazenda, no dia 15 de dezembro de 1770, atitude que permitiu o surgimento de Ponte Nova, dentro dos padres da poca, inserida no contexto da Provncia.Este dia , portanto, a data correta da fundao de Ponte Nova e deveria ser comemorado, reverenciado aquele que, com seu despreendimento e idealismo, a fundou.