HISTRIA DA FILOSOFIA MODERNA - Revista ? potencializando as habilidades docentes no curso de filosofia

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    Revista Pandora Brasil N 75 - outubro 2016 - ISSN 2175-3318 Aprender fazendo:

    potencializando as habilidades docentes no curso de filosofia

    HISTRIA DA FILOSOFIA MODERNA

    Alexandre Baldasseirine Neto

    Juan Alberto Correa Silva

    Mateus Souza De Melo

    "Podemos facilmente perdoar uma criana que tem medo do escuro; a real tragdia da

    vida quando os homens tm medo da luz" Plato

    http://pensador.uol.com.br/autor/platao/

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    Revista Pandora Brasil N 75 - outubro 2016 - ISSN 2175-3318 Aprender fazendo: potencializando as habilidades docentes no curso de filosofia

    OBJETIVOS PEDAGGICOS

    A filosofia uma disciplina central da vida acadmica, distribudas entre os

    pesquisadores, professores e alunos de qualquer raa. Isso ocorre porque cada pessoa

    enfrenta, com maior ou menor intensidade as questes vitais acerca do eu do outro e do

    mundo. Este curso apresenta mergulhar em alguns correntes filosficos problemas

    contemporneos, no contexto da histria da filosofia, abordando no mundo atual.

    A apostila se baseia em trs atividades:

    A leitura de textos filosficos.

    Reflexo sobre as questes filosficas expostas.

    Dilogo como uma forma de incentivar a reflexo e o pensamento crtico.

    Dilogo entre os alunos sobre as questes levantadas.

    Sumrio

    Descartes, Penso logo existo.....................................................................................4

    Karl Marx, Ideologia................................................................................................10

    Friedrich Nietzsche, e os Extintos............................................................................18

    Sigmund Freud, Id, Super ego e Ego........................................................................25

    Bibliografia...............................................................................................................26

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    potencializando as habilidades docentes no curso de filosofia

    Penso, logo existo! O exerccio da dvida por Descartes

    Aprendendo a duvidar com o filsofo Francs Ren Descartes (1596-1650)

    Nascido perto de Tours, na Frana, Ren Descartes foi educado no Jesuit Collge

    Royale, em La Flche. Devido a sade frgil, permitiam-lhe que permanecessem na

    cama at tarde da manh, e ele criou o hbito de meditar. A partir dos dezesseis anos,

    concentrou-se no estudo da matemtica, interrompendo seus estudos por quatro anos

    para servir como voluntrio na guerra dos trinta anos. Nessa poca descobriu sua

    vocao filosfica. Depois de deixar o exerccio, estabeleceu-se em Paris e, depois, na

    Holanda, onde passou a maior parte do resto da vida. Em 1649 foi convidado pela

    rainha Christina para discutir filosofia na Sucia, onde passou a se levantar bem cedo,

    contrariando sua prtica habitual. Segundo o prprio Descartes, o levaram a contrair

    pneumonia, mal que o mataria um ano depois.

    A duvida metdica cartesiana tornou-se uma referencia importantssima e um clssico

    da filosofia moderna. Trata-se de um exerccio da dvida em relao a tudo o que ele,

    Descartes, conhecia ou pensava at ento ser verdadeiro. Tal exerccio foi conduzido

    pelo filsofo de maneira:

    Metdica: porque a dvida vai se ampliando passo a passo, de maneira ordenada

    e lgica; e

    Radical: porque a dvida vai atingindo tudo e chega a um ponto extremo em que

    no possvel ter certeza de nada, nem de que o mundo existe. Como em um

    jogo, uma brincadeira, Descartes tentou duvidar at da prpria existente.

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    Introduo

    Descartes estava desiludido com o que aprendera at ento nos estudos e na vida, depois

    de perceber que havia muito engano. A virou ele, uma pessoa meio desconfiada, mas

    no ficou s nisso: resolveu construir algo diferente, e uma nova cincia que garantisse

    um conhecimento slido e verdadeiro. Essa era sua ambio. Para cumprir tal propsito,

    no entanto, percebeu que era necessrio desconstruir primeiro todas as suas antigas

    ideias que fossem duvidosas.

    Isso quer dizer que ele j tinha experimentado diversos estranhamento em sua vida com

    relao ao que pensava conhecer e decidiu viver esse processo de estranhar e duvidar

    novamente agora de maneira voluntria e planejada, aplicando-a a todas as suas

    opinies.

    Voc tambm pode faz-lo, e isso que queremos mostrar. Observe o caminho seguido

    por Descartes e procure pensar, sentir e vivenciar com ele cada passo dado em seu,

    Penso, logo Existo!

    Por dentro do Assunto

    A dvida sobre as ideias que nascem dos sentidos

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    potencializando as habilidades docentes no curso de filosofia

    A iluso tica de linhas paralelas acima, feitas para parecerem tortas, podem enganar

    nossos sentidos. Por assim dizer, Descartes julga que no devemos aceitar nada como

    verdadeira ou dado mas, em vez disso, devemos nos despojar das ideias preconcebidas a

    fim de poder chegar a uma posio de entendimento.

    Descartes comeou submetendo suas crenas a uma srie de argumentos cticos cada

    vez mais rigorosos, questionando como podemos ter certeza da existncia de qualquer

    coisa. O mundo que conhecemos pode ser apenas uma iluso? No podemos confiar em

    nossos sentidos como base segura para o conhecimento, porque todos j fomos

    "enganados" por eles uma vez ou outra. Ele dizia que talvez estivssemos sonhado, e o

    mundo aparentemente real no fosse mais que um mundo de sonho. Ele percebeu que

    isso seria possvel, pois no h indcios certos entre estar acordado ou dormindo. Mas,

    mesmo assim, essa situao deixaria aberta a possibilidade que de algumas verdades,

    como os axiomas matemticos, podem ser conhecidas embora no por meio dos

    sentidos. E at essas "verdades" podem, de fato, no ser verdadeiras, porque Deus, que

    todo- poderoso, pode nos enganar at mesmo nesse nvel.

    Por dentro do Assunto

    A dvida generalizada

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    Imagem do filme Matrix (1999, EUA, direo de Andy Wachowski e Larry

    Wachowski)

    Trata-se do argumento do gnio maligno, um ser que no teria a perfeio e a bondade

    de um Deus, como defendem os telogos, mas que seria muito poderoso e cheio de

    estratgias para fazer com quer qualquer pessoa se iluda e se engane sobre tudo. a

    generalizao da dvida: o mundo foi colocado entre parnteses. O gnio maligno

    cartesiano pode ser entendido como um artificio psicolgico, bem como uma figura

    simblica de qualquer outra coisa, pessoa ou ideia que seja capaz de nos levar ao erro.

    Superei, pois, que h no um verdadeiro Deus, que a soberania

    fonte de verdade, mas certo genio maligno, no menos ardiloso

    e enganador do que poderoso, que empregou toda sua industria

    em enganar-me. Pensarei que o ceu, o ar, a terra, as cores, as

    figuras, os sons e todas as coisas exteriores que vemos so

    apenas iluses e enganos de que ele se serve para surpreedente

    minha mesmo absolutamente desprovido de mo, de olhos, de

    carne, de sangue, desprovido de quais quer sentidos, mas dotado

    da falsa crena de ter todas essas coisas. DESCARTES,

    Meditaes, p 19

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    Reflexo Filosfica

    " Se a realidade em grande parte uma iluso, por que nos iludimos? Por obra de um

    agente externo a ns ou pelas caractersticas de nossa prpria natureza biolgica e

    social?

    Reflexo Filosfica

    Imagine que um Deus enganador ou um gnio maligno esteja colocando a todo instante

    um monte de ideias em sua cabea (como faziam as mquinas do filme matrix, que

    criavam a realidade virtual vivida por toda a humanidade). Pense que tudo que parece

    mais bvio e lgico (como 3 + 3 = 6) no passa de uma iluso. Voc conseguiria

    sustentar algumas de suas certezas nesse contexto imaginrio? Qual? Com que

    argumentos?

    Reflexo Filosfica

    Descarte concluiu que pensava e que, portanto, era "pelo menos" uma coisa que tinha

    essa caracterstica de pensar. No entanto, essa concluso no lhe permitia deduzir que

    existissem outras mentes, outras coisas pensantes como eles. Foi um momento solipsista

    de sua meditao. Solipsismo esse estado de no saber com certeza se existe outra

    mente (ou sujeito pensante) alm de si mesmo, alm do eu.

    Reflita sobre essa concepo. Voc consegue imaginar-se como uma mente sozinha,

    sendo que todo o resto, coisas e pessoas, mera iluso?

    Produo de Pesquisa

    Procure saber mais sobre outros pensadores que tambm trabalharam assim com

    Descartes, como se concebe o conhecimento luz do eu, do mundo e do outro, e

    compare-os.

    Sugesto de filmes:

    Descartes (1974, Itlia, direo de Roberto Rossellini)

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    Obra sobre a vide de Descartes e de sua busca pelo conhecimento.

    Matrix (1999, EUA, direo de Andy Wachowski e Larry Wachowski)

    Fico cientfica em que o mundo dominado por maquinas que se alimentam da

    energia dos seres humanos, em quanto esses vivem em uma realidade virtual (matrix),

    um mundo ilusrio criado por essas inteligncias artificiais.

    Biografia

    UBALDO, Nicola; ANTOLOGIA ILUSTRADA DA FILOSOFIA: da origens idade

    moderna; So Paulo: Globo editora, 2005.

    COTRIN, Gilberto; FERNANDES, Mirna; FUNDAMENTOS de filosofia 1. ed. - So

    Paulo: Saraiva, 2010.

    Marx e as relaes materiais de produo: alienao e

    ideologia

    A natureza humana essncia e sua constituio ao longo da histria ocorre a partir de

    necessidades humanas, o ser humano para sobreviver precisa satisfazer necessidades

    bsicas tais como: comer, beber, dormir, etc... E o meio para que se possam realizar tais

    necessidades se da por meio do trabalho e a cooperao, que se tornam necessidades

    humanas e sua essncia.

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    O trabalho como objetivao prtica, um trabalho consciente no qual o ser humano

    demonstra todo o seu potencial, a associao para a realizao do trabalho torna-se ela

    mesma uma necessidade humana. Porm, com o surgimento da sociedade de classes(

    criada pelo modelo capitalista), o trabalho torna-se alienado dirigido por outro, o

    trabalhador e a associao se tornam a relao de explorao e dominao. A sociedade

    de classes torna-se a negao da natureza humana.

    IDEOLOGIA

    O que ideologia ?

    Um conjunto de idias, pensamentos, doutrinas ou vises de mundo, sejam elas de um

    determinado individuo ou de um determinado grupo social e at mesmo de uma

    sociedade. comum ouvir que determinado individuo ou partido poltico tenha uma

    ideologia com relao a vrios assuntos que vo de poltica a economia, etc...

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    Em seu sentido mais restrito, podemos dizer que ideologia significa : o estudo, ou a

    cincia das idias.

    No entanto, em Karl Marx a palavra ideologia assume um outro sentido: segundo Marx,

    ideologia um instrumento de dominao de uma classe social sobre outra, ainda

    segundo ele, ideologia um conjunto de crenas falsas, ilusrias que fazem com que o

    individuo no perceba a sua prpria realidade, e por sua vez no o permite tomar

    conscincia de sua prpria condio social, esse sistema de crenas que domina a

    sociedade no fora construdo por toda a sociedade, e sim um sistema imposto por uma

    classe( uma parcela da sociedade ) sobre outra, sendo que essa classe que impe os seus

    valores a classe dominante, e a classe que recebe esses valores e que toma tais valores

    como seus a classe dominada.

    ALIENAO

    O que ento alienao ?

    Alienao que vem do latim ( alienare ).

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    potencializando as habilidades docentes no curso de filosofia

    Quer dizer, tornar algo alheio a algum, tirar algo da propriedade de algum, em seu

    primeiro significado temos uma acepo jurdica ( do direito ), ou seja : quando um

    jurista ou um advogado diz que algum alienou um bem, ele quer dizer que a pessoa

    vendeu este bem ou simplesmente transferiu sua propriedade.

    Ex : Jos vendeu sua casa para Joo. Neste caso Jos alienou sua casa para Joo.

    Um outro significado da palavra ( alienao ) nos dado pela psicologia. Um sujeito

    alienado para a psicologia um sujeito que se encontra fora de si, fora da realidade, que

    no esta de posse de suas faculdades mentais e no tem conscincia de si, no tem

    conscincia do mundo ao seu redor, ( um louco ).

    J na filosofia moderna e contempornea ( que o que realmente nos interessa ), Karl

    Marx vai atribuir um novo sentido a essa palavra.

    o processo pelo qual os atos de uma pessoa so dirigidos e influenciados por outros

    e se transformam em uma fora estranha colocada em posio superior e contrria a

    quem produziu .``

    Desta forma, aquilo que o individuo pensa e faz no aquilo que ele realmente quer,

    mais aquilo que algum quer que ele pense, e que ele faa.

    Segundo Karl Marx a alienao a condio onde o trabalho, ao invs de ser um

    instrumento para a realizao plena do homem e de sua condio humana, torna-se, pelo

    contrrio, um instrumento de escravizao, acabando por desumaniz-lo, tendo sua vida

    e seu prprio valor medidos pelo seu poder de acumular e possuir.

    O termo, ou o conceito de (alienao), como j foi dito, entrou no vocabulrio

    contemporneo graas a Marx que retirou a ideia de suas leituras de um outro filsofo

    (Hegel), e a revestiu com um carter inovador e muito mais crtico. Tanto em Marx

    quanto em Hegel, a palavra alienao esta ligada ao trabalho, porm para Marx em

    sentido negativo em que o trabalho, ao invs de realizar o homem o escraviza, ao invs

    de humaniza - lo , desumaniza.

    Neste contexto, o homem troca o verbo SER por TER, e sua vida passa a medir-se pelos

    bens que possui e no pelo que ele , fazendo com que ele se detenha no trabalho, numa

    tentativa intil de conquistar cada vez mais e mais

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    Marx concebeu diferentes formas de alienao, como por exemplo: religio e estado,

    onde o homem, longe de tornar-se livre cada vez mais se aprisiona. Mais uma alienao

    bsica segundo Marx, a alienao econmica, que pode ser descrita de duas formas, o

    trabalho como uma atividade fragmentada e como produto apropriado por outros.

    No primeiro caso a separao do trabalho em suas instncias aliena o trabalhador, que

    no se reconhece mais em uma atividade, ou seja : no todo. Isso porque ele faz apenas

    uma pea de um carro em uma linha de produo, em uma escala produtiva e no tem a

    viso do conjunto (carro) por exemplo, desenvolvendo dessa forma apenas uma de suas

    habilidades, seja ela braal ou intelectual provocando com isso tambm uma diviso

    social, tal exemplo pode ser visto no filme Tempos modernos estrelado por Charles

    Chaplin.

    J no segundo caso, o trabalhador tem a riqueza gerada pelo seu trabalho, tomada pelos

    proprietrios dos meios de produo ele levado a gerar acumulao de capital e lucro

    para uma minoria enquanto vive na pobreza, o trabalhador j no reconhece mais o

    produto de seu trabalho e no se da conta da explorao a qual esta submetido, o que se

    exterioriza no a sua essncia, mais algo estranho a ele mesmo.

    Diviso de trabalho e acumulao, que juntos formam a base de uma sociedade

    capitalista so tambm as fontes desta alienao moderna, segundo Marx, por meio das

    quais se constituem um sistema de dominao.

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    Marx dizia que o trabalho alienado e alvo de explorao, no realizando o homem e

    sim fazendo dele um escravo, assim como j foi dito, o homem passa a ser valorizado

    pelo que tem e no por suas verdadeiras qualidades cada vez mais se aprisionando esse

    trabalhador levado a gerar lucro para os maiores enquanto que ele mesmo vive na

    misria, para Marx a culpa disso tudo do sistema capitalista, e em sua viso, a nica

    soluo seria o predomnio de uma sociedade comunista, pois nesta sociedade.

    UBALDO, Nicola; ANTOLOGIA ILUSTRADA DA FILOSOFIA: da origens idade

    moderna; So Paulo: Globo editora, 2005.

    Nietzsche e os instintos

    O filsofo Nietzsche, nasceu na Prssia, por

    volta de 1844, em uma famlia de cunho

    religioso: avs, pai e tio eram ministros

    luteranos. Quando criana perdeu o pai e seu

    irmo mais novo, Nietzsche foi criado ao lado

    de duas tias, de sua av e de sua me.

    Nietzsche estudou grego, latim, filologia e

    teologia. Em Bonn formou se em Filologia

    clssica e aos 24 anos,tornou se professor de

    filologia na Universidade de Basileia, nesse

    perodo a credibilidade ao hegelianismo era

    O antissemitismo do msico leva Nietzsche

    abandonar a amizade. No ano de 1870, Nietzsche

    contrai difteria e disenteria, depois disso sua

    sade nunca mais seria a mesma. Devido ao

    agravo da doena, em 1879, Nietzsche deixa o

    cargo de professor.

    Apos deixar a Ctedra de Basileia Nietzsche

    passa a maior parte de seu tempo viajando, pela

    Europa, Frana, Sua e Itlia. No ano de 1889

    em Turim, foi acometido de por uma crise de

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    hegemnico no contexto alemo.

    A Universidade de Basileia proporcionou ao

    filsofo uma clebre amizade com o

    compositor Richard Wagner. Wagner vai

    exercer uma grande influncia sobre

    Nietzsche.

    loucura da qual nunca se recuperou. Viveu sua

    ltima dcada sob os cuidados da me e da irm.

    No ano de 1900, aos 56 anos o filsofo morre,

    deixando um legado para a posteridade.

    DOMESTIFICAO

    De acordo com Nietzsche, a habilidade de fazer promessas levou o homem a ser

    domesticado, com isso o convvio humano em sociedade tem por base fundamental as

    promessas. A faculdade que leva o homem a fazer promessas deve estar interiorizada

    na natureza humana, mas Nietzsche, afirma que h uma fora contraria essa faculdade,

    uma fora inibidora ativa.

    PENSE E RESPONDA

    O QUE LEVOU O HOMEM A SER DOMESTICADO?

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    potencializando as habilidades docentes no curso de filosofia

    Voc conseguiu responder a questo acima? Se a resposta no, releia o texto est

    fcil, voc consegue.

    Eu sabia que voc conseguiria. Juntos somos fortes.

    Esquecimento

    De acordo com Nietzsche, a fora inibidora e que atua de modo contrario a promessa

    o esquecimento. O enfraquecimento da promessa por meio do esquecimento, fez com

    que houvesse a necessidade de criar no homem uma faculdade capaz de suplantar o

    esquecimento.

    Ei, voc sabe que fora inibe a promessa?

    HAHAHAHA, Estamos indo bem, parabns.

    Memria E LEMBRANAS:

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    O homem passa a assumir uma nova faculdade, a de lembrar, ou seja, a memria da

    vontade. Essa faculdade no foi estabelecida de forma calma, pacifica e branda, mas seu

    processo foi marrento e com traos de crueldade, a dor, o martrio do corpo fez nascer a

    mnemotcnica.

    Talvez nada exista de mais terrvel e inquietante na pr- historia do homem do que sua

    mnemotcnica. ,,Grava se algo ao fogo, para que fique na memria: apenas o que no

    cessa de causar dor fica na Memria ,, _ eis um axioma da mais antiga ( e infelizmente

    mais duradoura) psicologia da terra. (.....) Jamais deixou de haver sangue, martrio e

    sacrifcio, quando o homem sentiu a necessidade de criar em si uma memria

    MNEMOTCNICa

    A mnemotcnica uma tcnica de estimulao da memria.

    Mnemotcnica

    De acordo com Nietzsche, a mnemotcnica o mtodo utilizado atravs da dor para

    construir na memria do homem as promessas e as lembranas; a partir desse processo

    surge o conceito de responsabilidade. O conceito de responsabilidade veio para trazer ao

    homem a conscincia, e com essa, as condies de viver em sociedade. O ato de lembrar

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Mem%C3%B3ria

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    potencializando as habilidades docentes no curso de filosofia

    e ter conscincia fez do homem um ser til, necessrio e confivel, capaz de cumprir os

    contratos sociais.

    Voc entendeu o que mnemotcnica? Que bom isso mostra

    que voc inteligente.

    Castigo

    O homem pertencente sociedade deve cumprir as promessas, se isso no ocorrer, esse

    devera ser responsabilizado por isso. O castigo a reparao pela promessa no

    cumprida. De acordo com Nietzsche, o castigo no est vinculado a responsabilizar

    algum pelas aes exercidas, mas na reparao pelo dano sofrido.

    Reparao pelo dano sofrido

    Segundo Nietzsche, o desenvolvimento do castigo surge, com a relao contratual entre

    credor e devedor, que por sua vez esto relacionadas a formas bsicas de compra, venda

    e comrcio. O devedor precisa ser sincero e apresentar confiana, para com o credor.

    Caso esse d por penhor o corpo, a liberdade, a mulher ou at mesmo a vida, o credor

    far a reparao do dano sofrido, infligindo o corpo do devedor a toda possibilidade de

    torturas.

    O devedor deve pagar a sua promessa ao credo

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    O corpo do devedor a garantia, base para que a palavra seja cumprida, a promessa

    deve ser preservada, no importa o custo imposto sobre o devedor. O castigo de acordo

    com Nietzsche, no ficou apenas na reparao de um dano, as relaes contratuais

    primitivas entre credor e devedor expandiram-se. O desenvolvimento contratual entre as

    comunidades e seus membros, no se restringiu apenas ao privado, mas se tornou

    pblico, poltico, jurdico, evoluiu para pena.

    Embora essa ideia de reparao no defina castigo para Nietzsche, tem uma importncia

    significativa, trouxe o sentimento de culpa, m conscincia, remorso. Nietzsche tem

    uma forma de ver a m conscincia:

    Para Pensar:

    Vejo a m conscincia como a mais profunda doena que o homem teve de

    contrair sob a presso da mais radical das mudanas a mudana que sobreveio

    quando ele se viu definitivamente encerrado no mbito da sociedade de paz (

    Nietzsche, 1998, p. 72).

    O desenvolvimento social, culminou na formao do estado que por sua vez se tornou o

    principal responsvel na construo inibidora dos instintos do homem. O homem foi

    impedido de exteriorizar os extintos, estes voltaram para si, Nietzsche vai chamar esse

    processo de interiorizao do homem.

    Continue pensando:

    Segundo Nietzsche, a m conscincia, separa o homem de seu passado animal,

    exterminando os seus velhos instintos, nos quais at ento se baseava sua fora, seu

    prazer e o temor que o inspirava ( Nietzsche, 1998, p.73).

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    potencializando as habilidades docentes no curso de filosofia

    O instinto a manifestao da pureza da autenticidade da espcie.

    O ato de conter os instintos levou o homem a interioriza-los, enfraquecendo a sua ao

    sobre o outro. Esse processo de interiorizao dos instintos fez do homem um animal

    doente e fraco. Esse processo fez nascer no homem novos valores, o individualismo

    cede lugar para o convvio em sociedade, surge o homem moral pertencente ao estado.

    O adestramento do homem no se deu unicamente atravs do castigo, existe um

    construtor que de forma magnfica fez o adestramento do animal homem. Segundo

    Nietzsche, o advento do Deus Cristo, o deus mximo, at agora alcanado, trouxe

    tambm ao mundo o mximo de sentimento de culpa. O sentimento de culpa

    desenvolveu se no entrelaamento da m conscincia com a noo de Deus.

    Deus assume a divida do devedor:

    Deus o credor e o homem o devedor, o ato de Deus em se sacrificar para salvar o

    homem de seus pecados fez do homem um eterno devedor. O credor por amor ao

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    devedor paga a si mesmo, assume a culpa do devedor, que por sua vez ira desenvolver o

    sentimento de culpa, esse resultar na m conscincia que culminara na domesticao.

    O homem passou a ser um animal manso e domvel, seus instintos no pde mais ser

    exteriorizados.

    De acordo com Nietzsche o homem ter eternamente um sentimento de culpa, por esse

    motivo nunca ser Feliz, sua felicidade foi suprimida e com ela os instintos.

    PENSE:

    Os conceitos e os homens, os homens e os conceitos.

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    No se Preocupe, o homem muito mais que um conceito. O Homem o Homem.

    UBALDO, Nicola; ANTOLOGIA ILUSTRADA DA FILOSOFIA: da origens idade

    moderna; So Paulo: Globo editora, 2006.

    http://revistapandorabrasil.com/revista_pandora/nietzsche/genealogia.htm

    NIETZSCHE. GENEALOGIA DA MORAL Ed. Brasiliense, SP, 1998, 2 ed. Trad.

    Paulo Csar Souza.

    Sigmund Freud, ID, SUPER EGO e EGO

    http://revistapandorabrasil.com/revista_pandora/nietzsche/genealogia.htm

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    O Id

    Freud, a partir do paradigma antropolgico do darwinismo, assumiu que as

    motivaes bsicas do homem no poderiam ser diferentes de qualquer outro animal:

    autopreservao, agressividade e reproduo; no entanto, essas motivaes no

    aparecem como tal em nossa vida social, como se aparece em outros animais, mas esto

    escondidos por convenincia cultural, em um nvel inconsciente. O inconsciente que o

    nosso depsito primrio de energia psquica que busca a satisfao dessas unidades

    biolgicas primitivas. Obviamente que os atos motivados pelo princpio do prazer:

    buscar a satisfao de nossos desejos. Pensando em um supermercado uma criana pega

    um pacote de batatas fritas abre e comea comer, pois envergonha sua me; a criana

    est agindo movida pelo princpio do prazer, buscando a mera satisfao de necessidade

    biolgica para o alimento.

    De acordo com Freud o conflito da personalidade humana surge entre o

    nosso conflito tendendo a agressividade e busca do prazer, por um lado, e os

    limites sociais que lhes so impostas por outros impulsos instintivos. A personalidade

    construda como uma tentativa de conciliar estes dois rgos que buscam a

    satisfao dos nossos instintos sem serem vtimas de culpa ou punio. Para explicar

    esse conflito Freud construiu alguns conceitos tericos que interagem uns com os

    outros: o id, ego e superego. Estes conceitos tm que ser considerados como um

    objetivo e como ferramentas teis para compreender a dinmica da nossa verdade

    psique.

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    A dinmica da Thanatos busca a dissoluo de uma unidade em um conjunto de

    elementos menores tambm chamado de pulso de morte. Para Freud esses impulsos

    esto presentes at mesmo em alguns processos inorgnicos da natureza (atrao-

    repulso, cristalizao-dissoluo, etc.). O desejo de formar uma famlia e de pertena a

    um grupo social para construir algo pode exemplificar o impulso de Eros; morte

    impulso.

    importante salientar que Freud faz uma considerao tica destes dois impulsos,

    uma vez que tal considerao no relevante para esses impulsos pertencem a uma

    realidade amoral como ele. Eros Thanatos no bom nem to ruim, essas consideraes

    no tm valor e nem fundamentos. Ser que o desejo de um homem de quarenta anos,

    estar sob a tutela de sua me uma coisa boa? Ser que o desejo de independncia em

    um homem jovem ruim? Vemos que estas consideraes no tm sentido em si

    mesmo e valores morais esto localizadas em um nvel muito diferente do que

    avaliaes psicolgicas.

    Alm de Freud salienta que ambos os impulsos so realimentados e dependem uns

    dos outros. Por exemplo, um leo quer caar presas, ele precisa matar e digerir

    (Thanatos), mas o objetivo desta ao est se destruindo, entretanto talvez manter o

    prprio corpo ou at mesmo alimentar os jovens (Eros).

    O eu (ego).

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    Conforme a criana cresce similarmente descobre que seus desejos colidem com o

    mundo real; isso fora a criana se readaptar aos seus desejos para o mundo real atravs

    do princpio da realidade. Assim, a conscincia construda no primeiro ano de vida do

    sujeito, o eu pensamos que somos. Esta a parte visvel da nossa personalidade, mas as

    razes profundas da nossa identidade permanecem do lado inconsciente da nossa psique.

    Todas as motivaes conscientes so apenas motivaes inconscientes transformadas

    pelo superego para que eu possa manter intacto o seu autoconceito. Um exemplo tpico

    o amor sexual; poesia, arte que exalta, ou os sentimentos nobres que se alimenta, a

    partir de uma perspectiva psicanaltica tem um amor inconsciente do impulso de

    autoperpetuao, que aparece em todos os seres vivos; a criao simblica associada ao

    amor (ternura, carinho, fidelidade) so apenas vus que cobrem a sua principal,

    motivao biolgica e mesmo fisiolgica. Ele tem o prazer de considerar os seus

    sentimentos que so baseadas em princpios nobres e no um mero impulso de

    satisfao instintiva.

    Elementos inconscientes so prejudiciais para o conceito em si por esta razo,

    estes elementos so reprimidos inconscientes e no veem conscincia, em vez de em

    ocasies especficas, como sonhos e atos falhos. Os processos de livre associao ou

    interpretao dos sonhos do paciente so tpicos mtodos teraputicos da psicanlise.

    O superego

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    Mais tarde no processo de desenvolvimento, entre quatro e cinco anos, o

    indivduo comea a desenvolver os ideais de comportamento que nos dizem, no

    somente como devemos agir para satisfazer os impulsos do (princpio da realidade de si

    prprio), mas como tambm devemos nos comportar. Ento o sujeito internalizar e

    criar uma conscincia moral que vai alm da aptido prtica de seu comportamento

    realidade. O superego gera um "ideal de ego" tentar impor eficaz ao prprio.

    O superego nascido de demandas culturais sobre o assunto desde a sua infncia

    sendo a sociedade como um todo, mas especialmente os pais da criana so aqueles que

    constroem dentro de si essa instncia psquica. Sentimentos como culpa ou satisfao

    moral so gerados no superego quando ele est satisfeito em suas demandas.

    As demandas de (princpio do prazer) do id e do superego (ideal moral de si

    mesmo) esto na resoluo de conflitos abertos, destes conflitos a tarefa de auto que

    deve mediar entre as necessidades biolgicas incorporadas por ele e as demandas sociais

    representados pelo superego. Neste conflito cruel a posio do auto est sempre

    ocupada e instvel: por um lado, assedia-me com necessidades urgentes que requerem

    gratificao instantnea, por outro lado, o superego reprime esses impulsos e at mesmo

    as motivaes ocultas por trs do nobre aes. A sade mental o equilbrio

    instvel entre esses dois poderes.

    Quando o inevitvel conflito ocorre entre o id e o superego pode resolver este

    conflito de uma maneira sensata de aceitao do pblico ou no pode. Quando este

    conflito de forma adequada no for resolvido uma patologia mental surge;

    unilateralmente, identifica-se com as exigncias do superego ou, em vez disso, com as

    exigncias do presente.

    O MITO DE DIPO REI

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    dipo cresceu e ao se tornar adulto foi a Delfos para interrogar sobre seu

    futuro. A resposta da Ptia, sacerdotisa de Apolo, em Delfos, assustou o prncipe, que

    lhe disse que dipo mataria seu pai e ainda se casaria com sua me.

    Certos de quem os soberanos de Corinto eram seus pais, dipo nem quis

    retornar ao palcio. Subiu em seu carro e deixou Delfos, em direo de Tebas.

    Numa encruzilhada havia um carro bloqueando a passagem. Era um estrangeiro

    com seus criados. Houve uma briga, um criado matou um dos cavalos de dipo que

    no poderia deixar por menos, ainda mais que, ao passar, o estrangeiro lhe golpeara a

    cabea. O rapaz empunhou a espada e matou viajante e os criados e prosseguiu seu

    caminho.

    A estrada passava por um rochedo de onde surgiu um monstro horrvel, a

    Esfinge, com cabea e peito de mulher e corpo de leo. Com uma voz rouca, a

    Esfinge anunciou o enigma. Se dipo no resolvesse, ela o devoraria.

    O jovem dipo dissimulou o medo e ouviu atentamente a questo: Qual o ser

    que anda com quatro patas de manh, com duas patas ao meio-dia, e com trs

    noite?.

    dipo refletiu e de repente entendeu: - o homem, os humanos. Exclamou.

    Quando pequeno engatinha de quatro; depois, anda com duas pernas, e no fim da

    vida, apoia-se numa bengala, que como uma terceira perna.

    Ao ouvir a resposta correta, a Esfinge soltou um grito de pavor e, caindo do alto

    do rochedo, espatifou-se no cho. O caminho estava livre e, ento, dipo poderia

    passar e chegar a Tebas.

    Na cidade de Tebas fora recebido com gritos de alegria. Ningum sabia quem

    ele era, claro, mas todos sabiam que tinha livrado a cidade daquela Esfinge que

    aterrorizava a populao, devorando quem no conseguia responder ao enigma.

    dipo ficou sabendo ento que o rei Laio acabara de ser morto na estrada de Delfos,

    onde fora consultar o orculo justamente a respeito do monstro.

    dipo no ligou os fatos, nem percebeu que o estrangeiro que matara na estrada

    era Laio, e menos ainda, no sabia que era seu pai. Assim, sem perceber, os

    acontecimentos se encadeavam de acordo com a profecia do orculo.

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    Festejado e exaltado por todos dipo aceitou a recompensa oferecida por

    Creonte, irm da rainha Jocasta, que lhe entregou o trono de Tebas e tambm a mo

    da viva de Laio. Assim, se cumpria a segunda parte da profecia. Com grande

    pompa, casou-se com Jocasta, sua me. E tiveram dois filhos: Etecles e Polinices e

    duas filhas: Antgona e Ismnia.

    Nessa histria terrvel, ningum era culpado de nada. Pois ningum de nada

    sabia. dipo at tinha certeza de que escapara da maldio dos deuses, pois aqueles

    que consideravam como seus pais, estavam em Corinto, protegidos das catstrofes

    prevista.

    Mas o destino estava sempre alerta, inexorvel. Mesmo sem saber dipo

    praticara os crimes abominveis, que os deuses no poderiam deixar impunes.

    Depois de alguns anos de reinado tranquilo, abateu-se sobre Tebas uma peste

    terrvel. E, o bom rei dipo ficou apreensivo. Quis saber qual a origem do mal e se

    dedicou a uma verdadeira investigao.

    Nesse momento, morreu o seu pai adotivo, rei de Corinto, Polbio. Uma

    embaixada chegou at Tebas para propor que dipo, considerado herdeiro do rei,

    ocupasse o trono de Corinto. Um dos pastores, que tempos atrs havia lhe livrado da

    morte e levado ao palcio, revelou que ele era apenas filho adotivo de Polbio e sua

    mulher.

    Ento, dipo eivado de sinistro pressentimento, interrogou a todos os que

    viviam no palcio de Tebas ao tempo do rei Laio e, finalmente obteve a confisso de

    um velho criado que fora encarregado de abandon-lo na montanha.

    A investigao de dipo terminou. Ele conseguiu reconstituir toda a histria e a

    verdade se esclareceu. Seus prprios crimes justificavam a peste que se abateu sobre

    seu reino.

    A verdade era deveras insuportvel. Jocasta se enforcou e dipo se sentindo

    indigno de ver a luz do dia, furou os prprios olhos. Por ordem do orculo de Delfos,

    Creonte e seus filhos homens expulsaram de Tebas. Cego e despojado de seu poder,

    tomou o caminho do exlio, conduzido por sua filha Antgona.

    Nesse momento, morreu o seu pai adotivo, rei de Corinto, Polbio. Uma

    embaixada chegou at Tebas para propor que dipo, considerado herdeiro do rei,

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    ocupasse o trono de Corinto. Um dos pastores, que tempos atrs havia lhe livrado da

    morte e levado ao palcio, revelou que ele era apenas filho adotivo de Polbio e sua

    mulher.

    Ento, dipo eivado de sinistro pressentimento, interrogou a todos os que

    viviam no palcio de Tebas ao tempo do rei Laio e, finalmente obteve a confisso de

    um velho criado que fora encarregado de abandon-lo na montanha.

    A investigao de dipo terminou. Ele conseguiu reconstituir toda a histria e a

    verdade se esclareceu. Seus prprios crimes justificavam a peste que se abateu sobre

    seu reino.

    A verdade era deveras insuportvel. Jocasta se enforcou e dipo se sentindo

    indigno de ver a luz do dia, furou os prprios olhos. Por ordem do orculo de Delfos,

    Creonte e seus filhos homens expulsaram de Tebas. Cego e despojado de seu poder,

    tomou o caminho do exlio, conduzido por sua filha Antgona.

    Graas a Sigmund Freud dipo se tornou uma das mais populares formas de

    mitologia grega. Quem no ouviu falar do famoso complexo de dipo, onde pequenos

    rapazes tambm amam suas mes e sentem cimes de seu pai? Mas a histria do homem

    "com os ps inchados" (este o significado do seu nome) definitivamente menos

    esquemtica.

    Tragdias que foram escritas em Atenas entre 467 e 401 a.C. Eles apresentaram

    diferentes aspectos da personalidade do heri. Uma dessas tragdias principalmente

    cativou os estudiosos, de Sfocles (425 a.C.). O tirano o governante, o "homem forte",

    no a legitimidade dinstica de poder no tirnica em seu sentido presente do rei. Na

    verdade no incio da histria vemos que o povo da cidade de Corntios acreditava que

    dipo era um estranho na cidade.

    Bibliografia

    https://cei1011.files.wordpress.com/2010/04/freud_o_mal_estar_na_civilizacao.pdf

    acessado em 20/04/2016 horas 15h30min.

    https://cei1011.files.wordpress.com/2010/04/freud_o_mal_estar_na_civilizacao.pdf

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    potencializando as habilidades docentes no curso de filosofia

    https://filosofojr.wordpress.com/2008/09/30/o-mito-de-edipo-rei/ acessado em

    01/05/2016 horas: 18h05min.

    https://filosofojr.wordpress.com/2008/09/30/o-mito-de-edipo-rei/

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