gesto do lixo eletrnico nos municipios de abrangncia das sdr do ...

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  • UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA CAMPUS DE SO MIGUEL DO OESTE

    CURSO DE PS-GRADUAO EM NIVEL DE ESPECIALIZAO MBA GESTO AMBIENTAL E PROJETOS SUSTENTVEIS

    CLAUDIA MICHELE RIGOTTI

    GESTO DO LIXO ELETRNICO NOS MUNICIPIOS DE ABRANGNCIA DAS SDR DO EXTREMO OESTE DE SANTA CATARINA

    So Miguel do Oeste, SC

    2011

  • 2

    CLAUDIA MICHELE RIGOTTI

    GESTO DO LIXO ELETRNICO NOS MUNICIPIOS DE ABRANGNCIA DAS SDR DO EXTREMO OESTE DE SANTA CATARINA

    Monografia apresentada a Universidade do Oeste de Santa Catarina Campus de So Miguel do Oeste curso de ps-graduao em nvel de especializao MBA Gesto Ambiental e Projetos Sustentveis Orientador: Alceu Cericato

    So Miguel do Oeste, SC 2011

  • 3

    Dedico este trabalho com carinho

    minha famlia, em especial aos meus pais Celson e Celita pela vida

    e pelos ensinamentos mais preciosos.

    Ao meus irmos, Andria e Arlei , que deram sua parcela para que eu

    chegasse at aqui, sem perder a esperana

    de que o mundo seria melhor;

    Aos meus sobrinhos Matheus e Paula pelo carinho,

    pelo sorriso amigo;

    Ao meu companheiro Ricardo pela fora e compreenso de minha

    ausncia e que me ensinou a arte de amar.

    Da arte que vida.

    Da vida que vocs me ensinaram a viver acreditando ser uma arte.

  • 4

    AGRADECIMENTOS

    Deus pelo dom da vida e sua presena que nos acompanha, d fora e nos impulsiona em todos os momentos de nossas vidas.

    Ao orientador, professor e amigo Alceu, pela ateno, fora, coragem e

    desafios lanados com os seus sbios conhecimentos.

    Aos professores que de uma maneira ou outra contriburam para construo do nosso conhecimento, com estmulos, apoio e amizade permanente.

    Aos nossos colegas pela alegria e busca conjunta no decorrer do curso.

    todos que de uma forma ou outra contriburam neste perodo para a

    chegada deste dia.

  • 5

    Homens de todos os tempos, Homens do passado, do presente

    e do futuro. Todos tiveram, tem e tero uma viso de mundo e da

    natureza concebida de acordo com

    sua liberdade na sociedade, com certeza.

    Mas ns, homens do presente, faamos do agora a maior corrente

    em defesa do meio-ambiente.

    (SPENASSATTO, 2003)

  • 6

    RESUMO

    medida que a nossa sociedade progride, a economia da permanncia vai sendo substituda pela economia da transitoriedade. A tecnologia em pleno progresso tende a fazer baixar os custos dos produtos manufaturados muito mais rapidamente do que os custos dos consertos destes mesmos produtos. Diante disso, esse estudo teve como objetivo geral diagnosticar como vem sendo feito o gerenciamento dos resduos eletrnicos na regio de abrangncia das secretarias de desenvolvimento do extremo oeste de Santa Catarina. Os procedimentos metodolgicos adotados na elaborao desse estudo foram a pesquisa descritiva, de campo e bibliogrfica. Para a coleta de dados realizou-se uma parceria entre as Secretarias de Desenvolvimento Regional de Palmitos, Maravilha, So Miguel do Oeste, Dionsio Cerqueira, com o apoio do SENAI para uma campanha de coleta, separao, anlise do material coletado e posterior destinao correta para esse material. O projeto teve tambm como objetivo verificar a importncia da educao ambiental, para a formao de novos hbitos que levem ao desenvolvimento sustentvel, buscando-se dessa forma atingir o maior numero da populao dos municpios de abrangncia do projeto, sendo usado para isso os meios de informao locais, como rdio e jornal, alm do trabalho de conscientizao feitos nas escolas, atravs de cartazes divulgando os dias de recebimento do lixo eletrnico e palestras desenvolvidas pelos professores j orientados em cada Secretaria de Desenvolvimento Regional sobre a importncia de levar ao conhecimento dos alunos do ensino fundamental e mdio sobre a campanha de coleta e a problemtica envolvendo o tema. Objetivou-se ainda estimar a quantidade de resduos eletrnicos que vem sendo produzido na regio de estudo, e obtemos esse ndice pela quantidade de material recolhida nos pontos depois da campanha, do trabalho e conscientizao e da divulgao da campanha em todos os municpios de abrangncia do projeto. Neste estudo constatamos que, com exceo de alguns municpios de abrangncia das quatro regionais, o gerenciamento do lixo eletrnico no est sendo feito por parte do poder municipal. Atravs da quantidade de material recolhido constata-se ainda que esse lixo eletrnico est sendo armazenado nas casas dos usurios, ou sendo depositado no lixo comum. Diante do exposto conclui-se que a problemtica do lixo eletrnico tende a se agravar com o surgimento de novas tecnologias e a obsolescncia cada vez mais rpida. Para tanto se faz necessrio que o poder pblico dispense um tratamento diferenciado ao lixo eletrnico separando-o dos resduos slidos, proporcionando a populao um modo seguro e ecolgico do descarte do mesmo, e paralelamente a isso, incentivando a educao ambiental nas escolas e campanhas de recolhimento desse lixo. Palavras-chave: Lixo eletrnico. Reciclar. Conscientizar.

  • 7

    LISTA DE ILUSTRAES

    Quadro 1 Metais pesados e os principais danos causados sade humana.................. 22 Quadro 2 Elementos Qumicos que esto sendo removidos dos novos produtos da

    empresa APPLE e como sero reciclados os produtos antigos......................

    26 Quadro 3 Diferenas entre logstica direta e logstica reversa.................................... 36 Grfico 1 Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao,

    na Regional de Dionsio Cerqueira................................................................ 50

    Grfico 2 Percentual de alunos num comparativo com a populao total na Regional de Dionsio Cerqueira ....................................................................................

    51

    Grfico 3 Resultados da recolha do lixo eletrnico na Regional de Dionsio Cerqueira (em Kg) .........................................................................................

    51

    Grfico 4 Recolha do lixo eletrnico X populao total Regional de Dionsio Cerqueira .......................................................................................................

    52

    Grfico 5 Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao, na Regional de Maravilha .............................................................................

    53

    Grfico 6 Percentual de alunos num comparativo com a populao total na Regional de Maravilha ..................................................................................................

    55

    Grfico 7 Resultados da recolha do lixo eletrnico na Regional de Maravilha (em Kg) .................................................................................................................

    55

    Grfico 8 Recolha do lixo eletrnico X populao total Regional de Maravilha ......... 56 Grfico 9 Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao,

    na Regional de So Miguel do Oeste ............................................................

    57 Grfico 10 Percentual de alunos em um comparativo com a populao total na

    Regional de So Miguel do Oeste .................................................................

    59 Grfico 11 Resultados da recolha do lixo eletrnico na Regional de So Miguel do

    Oeste (em Kg) ...............................................................................................

    59 Grfico 12 Recolha do lixo eletrnico X populao total Regional de So Miguel do

    Oeste ..............................................................................................................

    60 Grfico 13 Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao,

    na Regional de Palmitos ................................................................................

    61 Grfico 14 Percentual de alunos em um comparativo com a populao total na

    Regional de Palmitos .....................................................................................

    62 Grfico 15 Resultados da recolha do lixo eletrnico na Regional de Palmitos (em Kg). 63 Grfico 16 Recolha do lixo eletrnico X populao total Regional de Palmitos ............ 64 Grfico 17 Total de alunos atingidos atravs de palestras e trabalho de conscientizao

    nas quatro regionais. Realizada e estimada....................................................

    65 Grfico 18 Totalizao do lixo eletrnico recolhido nas quatro regionais (em kg) ........ 65

  • 8

    LISTA DE TABELAS

    Tabela 1 Metais pesados, partes do computador onde so encontrados, porcentagem desses metais no computador e a porcentagem reciclvel...............................

    20

    Tabela 2 Lista de matrias e seus valores monetrios em reais (aproximados).............. 37 Tabela 3 Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao,

    na Regional de Dionsio Cerqueira..................................................................

    50 Tabela 4 Recolha do Lixo eletrnico em kg na Regional de Dionsio Cerqueira,

    proporo em kg por habitante e proporo por aluno.....................................

    53 Tabela 5 Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao,

    na Regional de Maravilha ...............................................................................

    54 Tabela 6 Recolha do Lixo eletrnico em kg na Regional de Maravilha, proporo em

    kg por habitante e proporo por aluno............................................................

    57 Tabela 7 Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao,

    na Regional de So Miguel do Oeste ..............................................................

    58 Tabela 8 Recolha do Lixo eletrnico em kg na Regional de So Miguel do Oeste,

    proporo em kg por habitante e proporo por aluno ....................................

    60 Tabela 9 Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao,

    na Regional de Palmitos ..................................................................................

    62 Tabela 10 Recolha do Lixo eletrnico em kg na Regional de Palmitos, proporo em

    kg por habitante e proporo por aluno ...........................................................

    64

  • 9

    LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

    EPA Environment Protection Agency

    TI Tecnologia da informao

    CRT Cathodic Ray Tube

    LCD Liquid Cristal Dusplay

    CFC Clorofluorcarboneto

    PVC Polietileno de vinila

    Cd Cdmio

    PB Chumbo

    SNC Sistema nervoso central

    UFMG Universidade Federal de Minas Gerais

    UFPR Universidade Federal do Paran

    MIT Instituto de Tecnologia de Massachusetts

    THz Radiao Terahertz

    ZrW2O8 Zircnio

    CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente

    SENAI Servio Nacional de Aprendizagem Industrial

    SDR Secretaria de Desenvolvimento Regional

  • 10

    SUMRIO

    1 INTRODUO ...........................................................................................................

    1.1 TEMA E PROBLEMA ...............................................................................................

    1.2 JUSTIFICATIVA ........................................................................................................

    1.3 OBJETIVOS................................................................................................................

    1.3.1 Objetivo geral..........................................................................................................

    1.3.2 Objetivos especficos...............................................................................................

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    2 REVISO BIBLIOGRFICA ....................................................................................

    2.1 LIXO ELETRNICO..................................................................................................

    2.2 E-LIXO A PROBLEMTICA ................................................................................

    2.3 RESDUOS DE EQUIPAMENTOS ELETRNICOS E SUA COMPOSIO ......

    2.4 METAIS PESADOS E DANOS CAUSADOS SADE PBLICA........................

    2.5 NOVOS MATERIAIS..................................................................................................

    2.6 RECICLAGEM DE MATERIAIS DE SUCATA DE COMPUTADORES................

    2.7 TI VERDE ...................................................................................................................

    2.8 TRS RS....................................................................................................................

    2.8.1 Reduo ...................................................................................................................

    2.8.2 Reutilizao..............................................................................................................

    2.8.3 Reciclagem................................................................................................................

    2.9 PROPRIEDADES DA SUCATA ELETRNICA.......................................................

    2.9.1 Tratamento legislativo............................................................................................

    2.9.2 De quem o resduo eletrnico?............................................................................

    2.10 LOGSTICA REVERSA...........................................................................................

    2.10.1 Determinantes da logstica reversa....................................................................

    2.10.2 Comrcio mundial de produtos eletrnicos: efeitos de uma logstica reversa

    falha....................................................................................................................................

    2.11 EDUCAO AMBIENTAL.....................................................................................

    2.12 E QUE VENHA O FUTURO.....................................................................................

    15

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    3 METODOLOGIA..........................................................................................................

    3.1 DELIMITAO ..........................................................................................................

    3.2 DELINEAMENTO.......................................................................................................

    3.3 TECNICA DE COLETA DE DADOS ........................................................................

    46

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  • 11

    3.4 TCNICAS DE ANLISE E INTERPRETAO DOS DADOS.............................

    4 ANLISE E INTEPRETAO DOS DADOS..........................................................

    4.1 REGIONAL DE DIONISO CERQUEIRA..................................................................

    4. 2 REGIONAL DE MARAVILHA.................................................................................

    4.3 REGIONAL DE SO MIGUEL DO OESTE.............................................................

    4.4 REGIONAL DE PALMITOS......................................................................................

    5 CONCLUSO E CONSIDERACES FINAIS .........................................................

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    49

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    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ........................................................................... 70

  • 12

    1 INTRODUO

    1.1 TEMA E PROBLEMA

    A situao do lixo eletrnico no Brasil ainda uma questo que requer muita ateno

    de iniciativas pblicas, privadas e da prpria comunidade, principalmente no que concerne ao

    manejo seguro e disponibilizao de informaes sobre essa categoria de resduos. Fatores

    crticos na situao dos resduos eletro-eletrnicos a rpida obsolescncia tecnolgica; a

    reduo planejada, por parte dos fabricantes, do tempo de vida til dos produtos; os altos

    custos para a manuteno e conserto de equipamentos usados e diante desses fatores as

    vendas de produtos eletrnicos no varejo vm explodindo nos ltimos anos. Percebe-se que

    no h interesse para recolher os restos, reciclar contedos txicos e convert-los em

    materiais valiosos.

    A populao na sua grande maioria desconhece a quantidade de lixo eletrnico

    produzido, os impactos que este resduo causa nos ecossistemas por no possuir um destino

    adequado aps o uso, o que na grande maioria das vezes jogados em lixes, produzindo

    srios danos ao meio ambiente.

    O descarte descuidado de equipamentos eletrnicos gera problemas sociais e

    ambientais, pois grande parte destes possuem materiais qumicos nocivos a sade das pessoas

    e ao meio ambiente.

    Estudos a respeito do assunto fazem-se necessrio justamente para se quantificar e

    tipificar o lixo eletrnico e com os dados equacionar a gesto desse lixo de uma forma

    sustentvel, que possa gerar emprego e renda e ao mesmo tempo impedir o descarte no meio

    ambiente.

    O foco principal desse estudo fazer uma anlise da quantidade de lixo que se pode

    recolher em cada municpio de abrangncia desse projeto aps palestras educativas sobre o

    tema, realizadas em todas as escolas da rede estadual com alunos de ensino mdio e

    fundamental e a campanha para o descarte adequado desse material. Com isso poderemos

    levar at os formadores de opinio a real situao desse problema fazendo-os se perguntar

    para onde vai o lixo eletronico que descartamos todos os dias?

    Os danos ambientais e para a sade do descarte indiscriminado do lixo eletrnico so

    conhecidos? A quantificao desse lixo de conhecimento da populao? O que podemos

    fazer para amenizar os impactos causados por esse lixo?

  • 13

    1.2 JUSTIFICATIVA

    As crescentes mudanas climticas que ocorrem no planeta trazem a tona um

    problema mundial. A falta de preocupao com o esgotamento dos recursos naturais

    renovveis, somadas s prticas ambientais sem conscincia, contribuem para que impacto

    ambiental tome propores cada vez maiores. O consumismo exagerado faz com que seja

    gerada uma imensa quantidade de resduos e que, na maioria das vezes no possuem um

    descarte adequado.

    Na sociedade atual, o consumo elevado, o ritmo acelerado da inovao e a chamada

    obsolncia programada fazem com que os equipamentos eletrnicos se transformem em

    sucata tecnolgica em pouco tempo. Nos ltimos anos a exportao desse tipo de resduo dos

    pases desenvolvidos para o terceiro mundo aumentou de forma considervel. Isso ocorreu

    devido a diversas razes, entre elas os custos elevados para o descarte adequado ou para a

    desmontagem com fins de reciclagem.

    Considerando-se que o lixo um problema mundial, fundamental que as empresas

    de informtica, como organizaes preocupadas com o desempenho ambiental e

    comprometidas com questes sociais relacionadas preservao do meio ambiente, tomem

    iniciativas que venham a combater a poluio causada pelo descarte inconseqente de

    material eletrnico, estabelecendo diretrizes que possam ser seguidas por outras entidades no

    sentido de proteger o meio ambiente das montanhas de produtos eletroeletrnicos que so

    rejeitados.

    O lixo eletrnico possui em seus componentes inmeras substncias nocivas sade

    humana e ao meio ambiente tais como: chumbo, mercrio, cdmio, berlio e quando em

    contato com esses elementos podem causar danos a sade humana e ao meio ambiente.

    De acordo com dados da ONU (2010), o Brasil o mercado emergente que gera o

    maior volume de lixo eletrnico per capita a cada ano. O Brasil abandona 96,8 mil toneladas

    mtricas de PCs por ano. O volume s inferior ao da China, com 300 mil toneladas. Mas,

    per capita, o Brasil o lder. Por ano, cada brasileiro descarta o equivalente a meio quilo

    desse lixo eletrnico. Na China, com uma populao bem maior, a taxa per capita de 0,23

    quilo, contra 0,1 quilo na ndia

    Diante disso faz-se necessrio o estudo e pesquisas aprofundadas sobre a gesto do

    lixo eletrnico em Santa Catarina, para analisar, quantificar, tipificar, e a partir de estudos e

    da coleta de dados, propor formas de logstica de recolha e de gerenciamento final deste

  • 14

    resduo, alm de levar ao conhecimento da populao a problemtica em torno do tema

    buscando a sensibilizao e o engajamento em campanhas.

    1.3 OBJETIVOS

    1.3.1 Objetivo geral

    Diagnosticar como vem sendo feito o gerenciamento dos resduos eletrnicos na

    regio de abrangncia das secretarias de desenvolvimento regional do extremo Oeste de SC

    1.3.2 Objetivos especficos

    Verificar a importncia da educao ambiental, para a formao de novos hbitos

    que levem ao desenvolvimento sustentvel;

    Verificar de que forma esta se dando a coleta e o gerenciamento deste lixo eletrnico

    produzido na regio em estudo;

    Estimar a quantidade de resduo eletrnico que vem sendo produzida na regio em

    estudo;

  • 15

    2 REVISO BIBLIOGRFICA

    2.1 LIXO ELETRNICO

    A preocupao com as aes e os conseqentes impactos da atividade humana ao meio

    ambiente pode ser considerada recente. As discusses sobre o tema aconteceram nas ltimas

    dcadas devido gravidade da situao. O principal fator talvez seja o modelo de produo

    urbano industrial que tem provocado poluio ambiental das guas, do solo, e do ar. A

    concentrao de milhes de pessoas nos centros urbanos tem mostrado a populao uma

    pssima perspectiva de atendimento s necessidades mais elementares, como alimentao,

    moradia, abastecimento de gua, tratamento sanitrio entre outros.

    Diante desse cenrio de acordo com Rocha et al (2010), um dos principais desafios a

    busca de estratgias para administrar o processo de degradao da qualidade ambiental, em

    conseqncia do aumento expressivo da poluio associada ao esgotamento dos recursos

    naturais e a gerao de resduos domsticos e industriais. Nesta busca pela eficcia no uso dos

    recursos naturais, a sociedade necessita de prticas inovadoras de gesto, principalmente para

    amenizar os problemas causados pelo consumo elevado, o ritmo acelerado da inovao

    tecnolgica e a chamada obsolescncia programada fazem com que grande parte dos

    equipamentos eletrnicos transforme-se em sucatas tecnolgicas em um curto espao de

    tempo.

    Essa mesma sociedade gera um apelo muito intenso para que a populao se mantenha

    sempre atualizada e adquiram produtos novos. Tal fato leva o nome de consumismo, o qual

    proporciona ciclo de substituio de equipamentos cada vez mais acelerados e uma relao

    direta com o aumento da produo de lixo eletrnico. (ROCHA et al, 2010).

    A sociedade moderna vive produzindo novidades tecnolgicas que motivam as

    pessoas a darem seus antigos aparelhos como desatualizados.

    O principal fator que pode motivar a desatualizao destes equipamentos e a sua

    transformao em lixo eletrnico que, em geral, a aquisio de um a aparelho novo

    monetria e tecnologicamente mais vantajosa que o reparo de um usado. Os impactos scio-

    ambientais associados ao rpido crescimento desses resduos, a conseqente incapacidade de

    metabolizao dos mesmos, tem sido mundialmente reconhecidos como um risco emergente

    para o meio ambiente e a sade pblica, devido aos crescentes volumes de sucatas geradas e

    as substncias txicas presentes em sua composio, (ROCHA et al, 2010).

  • 16

    Para Acosta, et al (2008), a rpida evoluo tecnolgica, com constantes inovaes,

    novas verses, melhoras de rendimento e uso, faz com que os produtos de informtica

    (computadores, impressoras, software e perifricos) tenham um ciclo de vida cada vez mais

    curto. Mesmo que a vida til estimada de computadores, seja de dez anos, na prtica nos

    primeiros trs ou quatro anos de utilizao tornam-se obsoletos devido s exigncias de novos

    programas ou novas verses dos sistemas operativos.

    Os fabricantes de produtos de informtica tm melhorado seus processos ao longo dos

    anos, com a finalidade de aumentar sua produo e reduzir custos, ou seja, aumentar sua

    eficincia para que os computadores cheguem ao mercado com preos mais baixos e

    possibilitando que um nmero maior de pessoas possa adquiri-los. Outra forma de reduo de

    custos neste mercado a produo e montagem de computadores genricos, os denominados

    clones, que concorrem com as marcas j estabelecidas no mercado a um preo menor.

    (ACOSTA et al, 2008).

    Inovaes com produtos de informtica ocorrem todos os dias; um computador que

    comprado hoje, em pouco tempo j tem uma nova verso, seja de tamanho, desenho, peso,

    capacidade, novos materiais e preos. Isso faz com que a vida til deste tipo de produto seja

    extremamente curta, o que incentiva a aquisio de novas verses.

    Kang e Shoenung (2005) apud Acosta et al (2008) argumentam que o perodo de vida

    til dos computadores pessoais nos Estados Unidos caiu de 4,5 anos em 1992 para somente

    dois anos em 2006, acelerando a obsolescncia dos equipamentos e seu conseqente descarte.

    Alm disso, os prprios fabricantes de produtos de informtica utilizam estratgias de venda

    em que aceitam o computador ou impressora usada como parte do pagamento, para que o

    cliente compre a ltima verso do produto.

    Ainda de acordo com Acosta, et al (2008), como conseqncia desse alto ndice de

    inovao do setor, a cada ano se descarta milhes de produtos de informtica em todas as

    partes do mundo, para serem substitudos por novos modelos. Estimativas da Environment

    Protection Agency EPA, rgo governamental dos Estados Unidos, indicam que 30 a 40

    milhes de computadores sero descartados em cada um dos prximos anos, resultado da

    desatualizao dos equipamentos.

    Carrol (2008) apud Acosta et al (2008) destaca tambm dados das Naes Unidas que

    estimam o total mundial de lixo eletrnico em 45 milhes de toneladas anuais. O percentual

    de reciclagem desse tipo de lixo inferior a 20% nos Estados Unidos e uma grande parcela

    enviada para pases subdesenvolvidos para extrao de peas ou para reaproveitamento local.

  • 17

    2.2 E-LIXO A PROBLEMTICA

    A evoluo da tecnologia uma das molas mestre das naes consideradas de

    primeiro mundo. Seu domnio um dos grandes pontos-chave que diferenciam um pas rico

    de um pobre, pois dentre outros benefcios, torna essa nao uma referncia para o restante do

    mundo. Vrios pases esto nesse patamar, tais como os Estados Unidos, Japo, Alemanha,

    Inglaterra. O abismo entre essas duas categorias de pases aumentou significativamente no

    sculo XX. Sempre sobre a gide de benefcios voltados para a humanidade, nem sempre o

    progresso da tecnologia atendia s questes em prol da civilizao. Se de um lado seu

    desenvolvimento favorecia algumas reas, tais como a medicina, as telecomunicaes,

    transporte, do outro alimentava as pesquisas e investimentos voltadas indstria da guerra.

    (TAVARES et al, 2009).

    Ainda segundo Tavares et al (2009) dentre essa enorme gama de possibilidades de

    atuao da tecnologia, a informtica a rea que mais se aproxima do cotidiano da

    civilizao, sendo a que podemos considerar a mais democrtica de todas. Desde o incio da

    informtica nos anos 1970, mais de um bilho de computadores foram comercializados. Nota-

    se que a indstria de computadores cresce num ritmo alucinante, principalmente com a

    chegada da internet. Com a popularizao desse fruto da tecnologia, uma quantidade enorme

    de pessoas passou a utilizar o computador pessoal.

    Quando se pesquisa sobre e-lixo, muito se encontra sobre lixo digital, aquele que

    enche a caixa de e-mail e chamado de SPAM (e-mail no solicitado ou no desejado) mas o

    e-lixo enfocado neste trabalho so os resduos fsicos dos equipamentos de informtica,

    principalmente aqueles gerados pelos desenvolvedores de softwares.

    De acordo com Souza (2010) em referncia a esse tipo de lixo, so usados os termos

    lixo eletrnico e e-lixo, que designam os entulhos de computadores que se encontram

    espalhados pelo mundo, atingindo a casa de 20 milhes de toneladas, com tendncia a

    aumentar. Alm disso, suas peas so altamente txicas, pois possuem em sua composio,

    chumbo, nquel, arsnico e mercrio, que, sem controle, podem contaminar o solo, a gua e o

    ar.

    Torres (2009) apud Darruiz et al (2009) afirma que o lado perigoso do avano das

    tecnologias seu considervel impacto ambiental. A indstria de computadores e seus

    perifricos uma das que proporcionalmente ao peso de seus produtos, mais consome

    recursos naturais. Tanto na forma de matria prima, como em termos de gua e energia.

  • 18

    O lixo eletrnico um dos tipos de lixo que mais crescem, devido, principalmente,

    viabilidade econmica e social dos aparelhos eletrnicos. Apesar do crescimento na venda dos

    mesmos, no h uma legislao nacional que estabelea seu destino final ou que

    responsabilize os fabricantes por seu descarte.

    Os descartes dos equipamentos eletroeletrnicos considerados inadequados ao uso ou

    sucateados, na maioria das vezes no recebem o tratamento adequado, sendo que alguns,

    dependendo do estado de conservao, poderiam ser reaproveitados, atravs de um processo

    de reciclagem, devendo as empresas fabricantes estar propensas a recepcionarem esse lixo

    para reaproveitarem parte em outros equipamentos novos ou efetuarem campanhas de

    recuperao dessas mquinas para posterior doao (FERREIRA et al 2008).

    Ainda segundo Ferreira et al (2008), os resduos dos lixos eletrnicos, ao serem

    encaminhados para os grandes lixes a cu aberto, podem causar danos sade. A

    contaminao atravs desses resduos pode ser por contato direto na manipulao das placas

    eletrnicas e seus componentes, como pode tambm ocorrer de forma acidental com aparelhos

    que vo para o aterro sanitrio, existindo assim, uma grande possibilidade de que os

    componentes txicos contaminem o solo chegando aos lenis freticos.

    A tecnologia de Informao, denominada como TI, tem um passivo ambiental grave.

    Haja vista que seus resduos so jogados sem controle ao ambiente, o lixo eletrnico no s

    leva milhares de anos para decompor-se como tambm um problema ambiental e de sade

    pblica por conta das substncias txicas utilizadas em sua fabricao, como chumbo e

    mercrio, que podem contaminar o solo ou os lenis freticos e causar doenas como o

    cncer.

    De acordo com CDI (2009) apud Weber et al (2009), no Brasil, dez milhes de

    equipamentos novos chegam s lojas todos os anos e, sem leis que regulamentem o destino do

    lixo tecnolgico, cerca de um milho de computadores so jogados fora anualmente sem o

    devido cuidado. Os mais antigos contm altas taxas de produtos qumicos venenosos ou

    metais pesados, como o mercrio, o cdmio e o chumbo. Quando incinerados, lanam gases

    txicos no meio ambiente e o risco dessas toxinas e metais pesados no solo e nos lenis

    freticos altssimo. Apesar de uma parte desses resduos ser aproveitada no mercado de

    segunda mo, o resto terminar nos lixes e esse o maior perigo. Alm das substncias

    txicas, o lixo eletrnico tambm contm quantias significativas de prata, ouro e outros metais

    com valor de mercado.

    A produo destes equipamentos faz uso de plsticos termo-fixos (os termo-fixos ao

    contrrio dos termo-plsticos, constituem matria plstica no passvel de novos ciclos de

  • 19

    processamento visto que no fundem novamente, impedindo nova modelagem. Na

    perspectiva da reciclagem, constituem, pois materiais complicadores), cidos, gases txicos e

    solventes, alm de amplo leque de princpios qumicos cancergenos. Assim sendo um micro

    gera metade do seu peso em materiais txicos, principalmente chumbo do monitores,

    mercrio e cromo das unidades centrais de processamento, arsnico e substncias orgnicas

    halogenadas que constituem ameaas sade humana e ao meio ambiente. (WALDMAN,

    2009).

    Ainda segundo Waldman (2009), no sendo adequadamente tratado o lixo digital gera

    graves transtornos ambientais, seja descartado em aterros, incinerados, ou pior ainda,

    reciclados sem maiores preocupaes por uma legio de excludos nos pases do terceiro

    mundo.

    Os resduos eletrnicos j representam 5% de todo o lixo produzido pela humanidade.

    O Brasil produz 2,6 kg de lixo eletrnico por habitante, o equivalente a menos de 1% da

    produo mundial de resduos do mundo, porm, a indstria eletrnica continua em expanso.

    At 2012 espera-se que o nmero de computadores existentes no pas dobre e chegue a 100

    milhes de unidades. Baseado na vida til dos eletroeletrnicos no prazo de 3 a 5 anos tudo

    isso se transformar em lixo tecnolgico. Entraro no mercado anualmente mais de 80

    milhes de celulares, mas somente 2% sero descartados de forma correta. Os outros 98%

    sero simplesmente guardados em casa ou despejados no lixo comum. (FERREIRA et al,

    2010).

    A problemtica ambiental gerada pelo gerenciamento inadequado de resduos em geral

    de difcil soluo. A maioria das cidades brasileiras apresenta um servio de coleta que no

    prev a segregao dos resduos, pois comum ser observado hbitos de disposio final

    inadequados. (SILVA, 2010)

    2.3 RESDUOS DE EQUIPAMENTOS ELETRNICOS E SUA COMPOSIO

    Os equipamentos eletrnicos de forma geral so compostos por vrios mdulos

    bsicos que geralmente constituem-se de placas e circuitos impressos, cabos, plsticos

    antichamas, comutadores e disjuntores de mercrio, equipamentos de visualizao, como telas

    de CRT (cathodic Ray Tube) e de LCD (liquid Cristal Dusplay), pilhas, baterias, meios de

    armazenamento de dados, dispositivos luminosos, condensadores, resistncias, rels, sensores

    e conectores. As substncias presentes nos resduos considerados mais problemticos do

    ponto de vista ambiental e da sade humana so os metais pesados, gases de efeito estufa,

  • 20

    como os CFC, as substncias halogenadas, bifenilas, policloradas, bromatos e ainda o

    arsnico. (ROCHA et al, 2010).

    No lixo eletrnico esto presentes vrios metais pesados. Abaixo segue uma relao

    dos materiais txicos encontrados em computadores. Estes materiais tambm so encontrados

    em outros eletroeletrnicos em diferentes propores e associaes. Na tabela 1, so

    apresentados os metais pesados, as partes onde so encontrados, a porcentagem desses metais

    no computador e a porcentagem que pode ser reciclada,

    Tabela 1: Metais pesados, partes do computador onde so encontrados, porcentagem desses metais no computador e a porcentagem reciclvel.

    Metal Pesado

    Parte do computador onde encontrado Porcentagem no computador

    Porcentagem reciclvel

    Alumnio Estruturas e conexes 14,1723 80

    Brio Vlvulas eletrnicas 0,0315 00

    Berlio Condutivo trmico, conectores 0,0157 00

    Cdmio Bateria, chips. Semicondutores, estabilizadores 0,0094 00

    Chumbo Circuito integrado, soldas, bateria 6,2988 5

    Cobalto Estrutura 0,0157 85

    Cobre Condutivo 6,9287 90

    Cromo Decorao, proteo contra corroso 0,0063 00

    Estanho Circuito integrado 1,0078 70

    Ferro Estrutura, encaixes 20,4712 80

    Glio Semicondutor 0,0013 00

    Germnio Semicondutor 0,0016 60

    ndio Transistor, retificador 0,0016 60

    Mangans Estrutura, encaixes 0,0315 00

    Mercrio Bateria, ligamentos, termostato, sensores 0,0022 00

    Nquel Estrutura, encaixes 0,8503 80

    Ouro Conexes, condutivo 0,0016 99

    Prata Condutivo 0,0189 98

    Slica Vidro 24,8803 00

    Tntalo Condensador 0,0157 00

    Titnio Pigmentos 0,0157 00

    Vandio Emissor de fsforo vermelho 0,0002 00

    Zinco Bateria 2,2046 60

    Fonte: MCC -Microeletronics and Computer Technology Corporation, 2007 (apud SILVA, et al 2007)

  • 21

    De acordo com Rosa (2007 apud Rocha et al (2010), foi constatado que

    aproximadamente 1,8 toneladas de materiais dos mais diversos tipos so utilizados na

    produo de um nico computador. O clculo foi realizado tomando-se como base um

    computador de mesa com um monitor CRT 17 polegadas. Somente em combustveis fsseis,

    o processo de fabricao de um computador consome mais de 10 vezes o seu prprio peso. A

    fabricao de um computador mais intensiva, em termos de peso, que a fabricao de

    eletrodomsticos da linha branca, como refrigeradores e foges, a at mesmo do que a

    fabricao de automveis.

    A liberao de metais pesados para o meio ambiente causas diversas alteraes na

    fisiologia dos diversos componentes da cadeia alimentar, no raro levando tambm ao

    fenmeno de bioacumulao na mesma. Assim, os consumidores finais, como o homem,

    podem estar ingerindo quantidades muito maiores de metais pesados do que aqueles presentes

    nos organismos produtores (algas, plncton etc.) Isso significa que esses metais pesados so

    uma ameaa em curto, mdio e longo prazo sade humana e ao ambiente em geral.

    (CNDIDO E SILVA, 2007).

    Os plsticos podem constituir at 6,3 kg de um PC mdio, sendo que o PVC

    (polietileno de vinila) corresponde a 26% do total de plsticos usados na rea eletroeletrnica.

    O PVC primariamente encontrado em cabos e gabinetes de computadores, apesar das

    verses mais recentes empregarem plstico do tipo ABS, menos agressivo. (SILVA, 2010).

    Em termos tcnicos, a degradao de uma placa eletrnica pode gerar 22 mg/litro de

    Cd (cdmio) e 133 mg/litro de Pb (chumbo), enquanto que o homem suporta,

    respectivamente, 05 mg/litro e 5 mg/litro desses elementos. O lixo eletrnico acumulado

    cresce trs vezes mais rpido que o urbano convencional, e um monitor de computador levam

    300 anos para se degradar. (FERREIRA, FERREIRA, 2008).

    A contaminao atravs de produtos informticos, comea desde seu processo de

    fabricao, pelo uso de produtos qumicos que geram gases poluentes e pela alta quantidade

    de gua e energia que o processo consome. Trs so os problemas ambientais relacionados

    com a fabricao de computadores: a utilizao de muitas substncias txicas no processo de

    produo, um consumo elevado de gua e energia e a grande quantidade de resduos txicos

    que geram. 0s produtos qumicos utilizados em maior quantidade na fabricao de

    computadores so acetona, amonaco, diclorometano, ter de glicol, metanol, metil etil cetona,

    freon 113, cido sulfrico, tolueno, tricloroetileno e xileno. Os materiais mais abundantes em

    um computador so plstico, ao, silcio e alumnio, mas tambm se utilizam metais pesados

    como o chumbo, cdmio e mercrio, principalmente na fabricao de chips e placas, onde se

  • 22

    utiliza elevado nmero de substncias qumicas e com efeito cancergeno. (OPCIONS, 2003,

    apud ACOSTA et al, 2008).

    Segundo Acosta et al (2008), para produzir um chip de memria (32 MB DRAM) de

    duas gramas se utilizam 1600 gramas de combustvel, 72 gramas de substncias qumicas e 32

    litros de gua. Para se produzir um computador com monitor CRT, se utiliza 290 kg de

    combustvel, 22 kg de substncias qumicas e 1500 litros de gua.

    A gua gasta em grandes quantidades na construo dos chips, porque cada etapa de

    produo de um circuito integrado, que vai da pastilha de silcio ao microprocessador

    propriamente dito, exige diversas e contnuas lavagens com gua pura. (DARRUIZ E

    CATANEO, 2009).

    Durante sua vida til, os produtos de informtica continuam gerando gases txicos

    pela sua utilizao. Mesmo assim, at este estgio o impacto ambiental no percebido de

    forma considervel. no fim de sua vida til que este problema fica mais evidente, visto que

    as empresas tentam por diferentes meios eliminar esses produtos obsoletos e no encontram a

    forma mais eficiente de fazer isso.

    2.4 METAIS PESADOS E DANOS CAUSADOS SADE PBLICA

    So muitos os efeitos gerados pelo contato direto ou indireto com os metais pesados,

    que podem causar danos a toda e qualquer atividade biolgica. Algumas respostas so

    predominantes, s vezes agudas outras crnicas. Muitas vezes as respostas so tardias, o que

    dificulta o diagnstico da patognese por perder a relao direta. (SILVA, et al, 2007).

    No quadro a seguir apresentada a relao de alguns metais pesados e os principais

    danos causados sade humana.

    Metal pesado

    Principais danos causados sade do homem

    Alumnio Solos ricos em alumnio so cidos e as planas adaptadas nestes solos armazenam uma certa quantidade deste metal, como no Ecossistema do Cerrado; algumas plantas podem ter suas funes vitais afetadas (absoro pela raiz). Alguns autores sugerem existir relao da contaminao crnica do alumnio como um dos fatores ambientais da ocorrncia de mal de Alzheimer.

    Arsnio Pode ser acumulados no fgado, rins, trato gastrointestinal, bao, pulmes, ossos, unhas; dentre os efeitos crnicos: cncer de pele e dos pulmes, anormalidades cromossmicas e efeitos teratognicos.

    (continua)

  • 23

    (concluso) Cdmio Acumula-se nos rins, fgado, pulmes, pncreas, testculos e corao; possui

    meia vida de 30 anos nos rins; em intoxicao crnica pode geral descalcificao ssea, leso renal, enfisema pulmonar, alm de efeitos teratognicos (deformao fetal) e carcinognicos (cncer).

    Brio No possui efeito cumulativo, provoca efeitos no corao, constrio dos vasos sanguneos, elevao da presso arterial e efeitos no sistema nervoso central (SNC).

    Cobre Intoxicao como leses no fgado Chumbo o mais txico dos elementos; acumulam-se nos ossos, cabelos, unhas,

    crebro, fgado e rins, em baixas concentraes causa dores de cabea e anemia. Exerce ao txica na biossntese do sangue, no sistema nervoso, no sistema renal e no fgado, constitui-se veneno cumulativo de intoxicaes crnicas que provocam alteraes gastrintestinais, neuromusculares, hematolgicas podendo levar morte.

    Mercrio Atravessa facilmente as membranas celulares, sendo prontamente absorvidos pelos pulmes, possui propriedades de precipitao de protenas (modifica as configuraes das protenas) sendo grave o suficiente para causar um colapso circulatrio no paciente, levando morte. altamente txico ao homem, sendo que doses de 3 g a 30 g so fatais, apresentando efeito acumulativo e provocando leses cerebrais, alm de efeitos de envenenamento no sistema nervoso central e teratognicos.

    Cromo Armazena-se nos pulmes, pele, msculos e tecido adiposo, podem provocar anemia, alteraes hepticas e renais, alm de cncer do pulmo.

    Nquel Carcinognico (atua diretamente na mutao gentica) Zinco Efeito mais txico sobre os peixes e algas (conhecido); experincias com

    outros organismos so escassas. Prata 10 mg como nitrato de prata letal ao homem

    Quadro 1: Metais pesados e os principais danos causados sade humana Fontes: Ambiente Brasil, 2007, Greenpeace, 2007, (apud Silva et al 2007).

    2.5 NOVOS MATERIAIS

    Diante do avano da tecnologia, novas maneiras e materiais para a fabricao dos

    equipamentos, vem sendo pesquisados diariamente. No que o silcio, abundante na natureza,

    v faltar em alguma ocasio. Porm h a preocupao de reduzir a utilizao de matrias

    primas e o tamanho dos equipamentos, uma vez que quanto maior o objeto, maior o lixo

    gerado por ele. H muito tempo, tem-se falado dos nanotubos de carbono, que, por sua vez,

    possuem propriedades mecnicas, eltricas e eletrnicas.

    Os nanotubos de carbono so 100 mil vezes mais finos que um fio de cabelo e

    invisveis at para microscpios pticos. Apesar disso, possuem a maior resistncia mecnica

    dentre todos os materiais conhecidos no quebram nem deformam quando dobrados ou

  • 24

    submetidos alta presso. Destacam-se tambm como dos melhores condutores de calor que

    existem e, para completar, podem ser capazes de transportar eletricidade. A reunio de tais

    propriedades em uma nica estrutura (e to pequena!) ativa a imaginao de cientistas e

    homens de negcios: adicionados a plsticos, os nanotubos podem endurec-los ou torn-los

    condutores de eletricidade; a tecidos, poderiam torn-los invulnerveis; por serem

    extremamente pequenos e leves, podem chegar ao interior de uma clula e serem usados como

    sensores para diagnsticos mdicos. (BUENO, 2004)

    Ainda segundo Bueno (2004), para que os nanotubos cheguem a se incorporar a

    materiais de uso comum, h um obstculo a ser vencido: desenvolver uma tecnologia barata e

    confivel para produzir o material em quantidade, e segundo especificaes pr-determinadas

    requisitos imprescindveis para seu uso industrial. Os processos conhecidos de sntese

    dessas estruturas no do conta de uma produo em larga escala. Luiz Orlando Ladeira,

    professor que pesquisa estes processos no Departamento de Fsica da UFMG, diz que a

    dificuldade deriva do fato de a descoberta dos nanotubos ter acontecido recentemente o

    primeiro artigo cientifico foi publicado em 1991. "A cincia ainda est aprendendo a dar uma

    funo para eles", diz. Aldo Zarbin, do Departamento de Qumica da UFPR, acrescenta que os

    estudos bsicos na rea tambm esto longe de serem concludos. Dentre os pontos que ainda

    precisam ser explorados, ele cita o desenvolvimento de mtodos adequados para retirar

    impurezas das amostras, o estudo da variao das propriedades dos nanotubos quando

    combinados a outros materiais, e o desenvolvimento de mtodos de sntese que possam ser

    transformados depois em processo industrial.

    Segundo a Revista INFO (2009) Outro Material em alta o Grafeno (Graphene

    Nanoribbons, GNR). Consiste em uma folha de carbono com espessura de apenas um tomo.

    Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) acreditam que os processadores

    feitos com grafeno podem atingir a frequncia de 1 THz. Para se ter uma ideia, os chips atuais

    chegam a, no mximo, 5 GHz. Segundo os pesquisadores que esto trabalhando com o

    componente, possvel que a nova tecnologia v para o mercado nos prximos dois anos. O

    grafeno um composto de tomos de carbono unidos em pedaos que se parecem colmias.

    Identificado em 2004, o material tem capacidade de conduzir muita eletricidade e gerar um

    nvel de calor praticamente desprezvel. Sua espessura no maior que a de um tomo. Os

    cientistas explicam que a multiplicao de clocks dos processadores atuais gera rudo de sinal.

    Por isso, necessrio usar filtros que acabam limitando a velocidade do chip. O grafeno usa

    apenas um transistor com sada limpa, eliminando a necessidade de filtros.

  • 25

    O tugstato de zircnio (ZrW2O8) um material que se contrai quando a temperatura

    elevada, diferentemente da maioria dos materiais e recursos disponveis na natureza, que tem

    a tendncia a aumentar o tamanho. (PINTO, 2009).

    O tugstato de zircnio pode ser utilizado em cabeotes de gravao de disco rgido de

    microcomputadores com a finalidade de reduzir a protruso trmica que ocorre nos plos

    deste, quando em gravao magntica, oriunda de sua variao trmica. Para registrar dados

    no disco rgido de um microcomputador, utiliza-se uma cabea dupla que consiste em uma

    cabea de gravao e outra para leitura, muito prximo entre si. (CATAFESTA, 2007, apud

    PINTO 2009).

    2.6 RECICLAGEM DE MATERIAIS DE SUCATA DE COMPUTADORES

    Reciclar a alternativa mais vivel hoje para o e-lixo. A reciclagem consiste em

    separar os materiais que compe um objeto e prepar-los para serem usados novamente como

    matria prima dentro do processo industrial. Nem sempre a reciclagem se destina reinsero

    dentro do mesmo ciclo produtivo: um computador reciclado pode gerar materiais que vo ser

    utilizados em outras indstrias. (FERREIRA et al, 2010).

    Ainda segundo Ferreira et al (id) esse o paradigma econmico-industrial: o processo

    conhecido como manufatura reversa de eletrnicos no se paga com a venda dos produtos da

    reciclagem (sais e xidos de metais e uma infinidade de plsticos e polmeros), ele s vivel

    quando contratado o servio de reciclar e/ou neutralizar substncias txicas juntamente com

    a distino adequada de resduos, alm do alto custo esses processos tambm exigem uma

    tecnologia muito avanada, impedindo que paises mais pobres se utilizem de tal recurso. No

    Brasil as empresas de reciclagem deste lixo apenas o descaracterizam e mandam para o

    exterior.

    Uma maneira encontrada por pases ricos de se livrar do e-lixo a falsa doao,

    realizando doaes de e-lixo para paises pobres com a desculpa de implantar a incluso

    digital, sabendo que esses produtos tm pouco ou nenhum tempo de vida. (FERREIRA, et al,

    2010).

    Ao jogar aparelhos eletrnicos velho no lixo, esses aparelhos no s estaro ocupando

    um espao cada vez, mas escasso nos aterros sanitrios, como recursos valiosos como

    plstico, metal e vidro, que poderiam ser transformados em novos aparelhos, usando menos

    recursos naturais. Mas tambm estaro sendo jogados materiais potencialmente txicos no

  • 26

    solo, como chumbo, mercrio e outras substncias que podem vazar de monitores e placas

    velhas e passar para o ar e para a gua. (SILVA, 2010)

    De acordo com Rosa (2009) apud Darruiz e Cataneo (2009), diversos metais

    preciosos, como ouro, prata e paldio, e outros metais menos nobres como cobre, estanho,

    glio, ndio esto presentes na sucata de computadores. Tambm esto presentes o bismuto e

    o rutnio. O ndio essencial na fabricao de monitores LCD e telefones celulares,

    alcanando timos preos, hoje superiores aos da prata.

    O maior problema que o Brasil vem enfrentando encontrar um lugar que receba e

    trate o lixo eletrnico de maneira adequada, o que no tarefa fcil para o usurio brasileiro

    de informtica. O nmero de estabelecimentos que recebe esses tipos de equipamentos usados

    no cresce na mesma proporo que o aumento da venda de PCs. (WEBER et al 2010)

    Ainda segundo Weber et al (2010) um dos principais motivos para essa escassez de

    lugares para a reciclagem ou depsito de hardwares a deficincia no ordenamento jurdico,

    pois no existem leis que disciplinem tal situao de como e onde deve ser feito o descarte. A

    nica lei que est em vigor estabelece que os fabricantes de pilhas e baterias devem

    responsabilizar-se pela reciclagem desses itens.

    Weber et al (id.) afirma que embora os metais contidos nos circuitos eletrnicos, como

    cobre, alumnio e at ouro, j sejam reciclados, a maioria dos materiais no metlicos

    continua sendo jogada em aterros sanitrios. S as placas de circuito impresso respondem por

    cerca de 3% de todo o lixo eletrnico, em termos de peso.

    Vrias empresas do ramo de informtica esto tentando mudar sua imagem de

    poluidoras, dizendo que no utilizaro substncias txicas nos equipamentos que produzem a

    partir de 2009, alm de dizer que passaro a plantar uma rvore a cada equipamento vendido.

    Outra alternativa j desenvolvida a substituio das partes no biodegradveis por materiais

    menos poluentes, o que ainda no vivel com a tecnologia atual, pelo alto custo, alm de o

    consumidor ainda optar pelo computador de custo mais baixo. (SOUZA, 2010)

    A empresa APPLE divulgou em seu site (ver referencias) uma notcia: Removendo

    Qumicos Txicos, onde esto listados os elementos qumicos que esto sendo removidos dos

    seus novos produtos e como sero reciclados mais agressivamente os produtos antigos.

    Chumbo A Unio Europia est, geralmente, frente dos Estados Unidos na restrio de substncias txicas em produtos eletrnicos. Suas

    (continua)

  • 27

    (continuao) Cdmio Cromo Hexavalente ter Decabromodifilnio

    ltimas restries, conhecidas como RoHS, entraram em vigor em julho de 2006. Todos os produtos da Apple vendidos ao redor do mundo esto de acordo com o RoHS (Restriction of Certain Hazardous Substances, Restrio de Certas Substncias Perigosas). Nossas polticas de fabricao j restringiram ou baniram muitos dos elementos qumicos cobertos pela RoHS, e a Apple comeou a introduzir produtos totalmente de acordo com o padro RoHS um ano antes do prazo final europeu. Quase um ano depois, porm, algumas empresas de eletrnicos s podem dizer que seus produtos esto de acordo com a RoHS por causa de certas excees pouco conhecidas concedidas pela Unio Europia. Apesar das restries severas da RoHS, essas excees permitem que empresas vendam produtos eletrnicos que ainda contm alta concentrao de duas substncias perigosas - crmio hexavalente, o elemento cancergeno contra o qual Erin Brockovich realizou suas famosas campanhas, e o ter decabromodifilnio (DecaBDE), o retardador de chamas que contm bromato, que tambm temido por causar danos sade. A Apple deixou de usar estes e muitos outros produtos qumicos h vrios anos, por meio de inovaes no design e uso de metais e plsticos de alta qualidade. Os produtos da Apple esto de acordo com o esprito e as leis das restries da RoHS em relao ao cdmio, crmio hexavalente e retardadores de chama com bromato anos antes da RoHS entrar em vigor. Um comentrio comparativo Algumas empresas de produtos eletrnicos, cujos nomes vocs conhecem, ainda se valem das excees permitidas pela RoHS e usam essas substncias qumicas txicas em seus produtos at hoje.

    Arsnico Mercrio

    Arsnico e mercrio so materiais padro na indstria usados em monitores de cristal lquido (LCD). O arsnico adicionado durante a manufatura do vidro de alta performance usado nas telas LCD para prevenir a formao de defeitos, e as lmpadas fluorescentes usadas para iluminar as telas LCD contm pequenas quantidades de mercrio. A Apple est se preparando para introduzir nossa primeira tela que utiliza vidro sem arsnico em 2007. Uma pequena quantidade de circuitos integrados de alta performance (IC) continuaro contendo uma minscula quantidade de arsnico como elemento do substrato no semicondutor. Para eliminar o mercrio de nossas telas, precisamos fazer uma transio das lmpadas fluorescentes para os diodos com emisso de luz (LED) para iluminar as telas. Felizmente, todas as telas dos iPods j usam LED para iluminao e, por conseqncia, no contm mercrio. Planejamos introduzir nossos primeiros Macs com tecnologia de iluminao por LED em 2007. Nossa habilidade de eliminar completamente as lmpadas fluorescentes de todas as nossas telas depende de quo rpido a indstria do LCD poder fazer a transio para iluminao por LED para telas grandes.

    (continua)

  • 28

    (concluso) A Apple planeja eliminar completamente o uso de arsnico de todas as

    telas que fabrica at o final de 2008. A Apple planeja reduzir, at eliminar, o uso de mercrio, na transio para iluminao por LED em todas as suas telas, quando isso for tecnicamente e economicamente vivel.

    Cloridato de Polivil Retardadores de chamas baseados em bromato

    Algumas empresas fizeram promessas de abandonar produtos qumicos txicos, como o cloridrato de polivinil (PVC), um tipo de plstico usado principalmente na indstria de construo, mas tambm encontrado em peas do computador e cabos, e retardadores de chamas baseados em bromato, ou BFR, que reduzem o risco de incndio. A Apple comeou a abandonar o PVC h 12 anos e comeou a restringir o BFR em 2001. Nos ltimos anos, temos desenvolvido materiais alternativos que podem substituir esses produtos qumicos sem comprometer a segurana e a qualidade de nossos produtos. Hoje, eliminamos com sucesso a maior parte das aplicaes do PVC e do BFR em nossos produtos, e estamos quase eliminando essas substncias qumicas. Por exemplo, mais de trs milhes de iPods foram vendidos sem uso do BFR em suas placas lgicas. A Dell e a Lenovo afirmaram publicamente que eles planejam eliminar o uso de PVC e BFR em seus produtos at 2009. A Hewlett Packard ainda no afirmou publicamente quando ela ir eliminar o uso de PVC e BFR de seus produtos, mas j anunciou que publicar um plano at o final de 2007, que anunciar quando no futuro eles iro eliminar o uso dessas substncias qumicas txicas de seus produtos. A Apple planeja eliminar completamente o uso de PVC e BFR de seus produtos at o final de 2008. Um comentrio comparativo Em 2007, a HP afirmou que iria remover o PVC de todas as suas embalagens. A Apple fez isso h 12 anos. No ano passado, a Dell comeou o processo de eliminar os retardadores de chama baseados em bromato em grandes partes de plstico para os gabinetes. Os gabinetes de plstico da Apple no contm bromato desde 2002.

    Quadro 2: Elementos Qumicos que esto sendo removidos dos novos produtos da empresa APPLE e como sero reciclados os produtos antigos. Fonte: APPLE, 2010

    Alm dessas iniciativas, faz-se necessrio que haja tambm o desenvolvimento tanto

    de hardwares quanto de softwares em escala sustentvel, ou seja, os produtos devem estar

    preparados para receberem suas evolues, seus upgrades, utilizando/aproveitando suas

    estruturas, suas bases. Para isso necessrio que os fabricantes de mquinas e perifricos,

    estejam, em seus projetos, focados em preservar a estrutura inicial do seu produto. E quando

    se fizer necessria uma melhoria para atender processos mais robustos, ou softwares mais

    exigentes, que os equipamentos estejam preparados para receber novos processadores ou

  • 29

    novos controladores, melhorando seu desempenho e qualidade, a partir da estrutura inicial.

    (SOUZA, 2010)

    O Greenpeace (2010) divulgou em seu site o Ranking das empresas de eletrnicos que

    prometem aparelhos livres de substancias perigosas, com reciclagem e descarte seguro. A

    cada empresa atribuda uma nota e quanto mais a melhor a posio da empresa. Segue a

    lista: Nokia nota obtida de 7,3 Permanece em 1 lugar, perdendo pontos em relao ltima edio por no apoiar uma legislao mais severa para a Restrio a Substncias Perigosas (Restriction of Hazardous Substances RoHS, do ingls). Ganha pontos por baixo uso de txicos e perde no quesito reduo de energia. Sony Ericsson nota obtida de 6.9 Entra no 2 lugar do ranking graas boa conduta com txicos: a primeira empresa a obter pontuao mxima em todos os critrios qumicos avaliados. Toshiba nota obtida de 5.3 Traz progressos na eliminao de txicos, mas falha em apresentar metas consistentes para maiores diminuies no futuro e por no apoiar novas diretrizes para o acordo de Restrio a Substncias Perigosas (RoHS). Corre o risco de cair mais caso no cumpra o prazo prometido de apresentar modelos livres de PVC e BRF at abril de 2010. Philips nota obtida de 5.3 O fraco apoio reviso de RoHS mantm a Philips no 4 lugar, apesar de sua boa pontuao nos quesitos qumicos e energticos. Apple nota obtida de 5.1 A subida continua para a Apple, que em trs edies passou do 11 ao 5 lugar. Sua melhor pontuao ficou no critrio de qumicos: todos os seus produtos esto livres de PVC e BFR. LG Electronics nota obtida de 5.1 Promessas no cumpridas impediram a empresa de subir no ranking. Ter todos os produtos livres de toxinas at o fim de 2010 j no factvel. O novo acordo define que celulares cumpriro a meta. Monitores de TV e computadores tero de esperar at 2012 e aparelhos domsticos, at 2014. Sony nota obtida de 5.1 Boa atuao em cortes e compensaes de emisso de gases de efeito estufa. 75% da linha de laptops Sony Vaio j preenche os principais requisitos de uso energtico. Motorola nota obtida de 5.1 Pequena queda no ranking, graas ao fraco apoio a uma legislao mais rigorosa no acordo de Restrio a Substncias Perigosas (RoHS) e ao posicionamento pouco definido sobre a completa eliminao de PVC, CRF e BFR no prazo de trs a cinco anos. Samsung nota obtida de 5.1 Queda drstica para a Samsung, que passou de um glorioso 2 para o 7 lugar, penalizada recentemente pelo no cumprimento dos acordos firmados. A empresa prometera eliminar BFR at janeiro de 2010, o que no foi realizado. A nova data janeiro de 2011, mas somente para computadores estilo notebook. TV e equipamentos domsticos ainda no tm data definida. Panasonic nota obtida de 4.9 Nada muda para a Panasonic, empresa com boa pontuao em energia, mas fraca em lixo e reciclagem. HP nota obtida de 4.7 Melhorou de posio graas ao apoio global reduo de emisses de gases do efeito estufa, mas peca pela falta de suporte nova legislao sobre txicos (RoHS). Acer nota obtida de 4.5 Nada muda para a Acer, que se fortaleceu no apoio nova legislao de substncias perigosas. Sharp nota obtida de 4.5 Perde pontos por no deixar claro seu posicionamento sobre eliminao de txicos e nova legislao de qumicos.

  • 30

    Dell nota obtida de 3.9 Fraca no critrio de energia, a empresa teve pontos retirados tambm por no cumprir o prazo de fim de 2009 para a eliminao de PVC e BFR. A nova data agora fim de 2011. Fujitsu nota obtida 3.5 A empresa melhorou no ranking por apoiar medidas de reduo global de emisses de gases do efeito estufa e por aes mais concretas dentro de casa. Todos os notebooks e tablets lanados atingiram os ltimos padres requisitados de eficincia energtica. Lenovo nota obtida de 2.5 A posio da empresa permanece a mesma, com pontos perdidos graas ao no cumprimento das metas de eliminao de PVC e BFR at o fim de 2009. Microsoft nota obtida de 2.4 Perdeu pontos pela falta de adeso a uma nova legislao para o uso de substncias perigosas. Nintendo nota obtida de 1.4 A empresa segue no mau exemplo, com nenhum ganho de pontos.

    Diante dessa problemtica, o mnimo que se poderia propor seria uma moratria dos

    processos de obsolecncia precoce, qual seja, das metodologias que tornam um produto

    premeditadamente intil num prazo muito curto de tempo. Nesta seqncia: colocar um ponto

    final na guerra comercial que torna um equipamento incompatvel com o outro; avanar na

    reutilizao de modelos ditos ultrapassados passveis, por exemplo, de incorporao nas

    estratgias de incluso digital; apoiar o green computing (equipamentos dotados de maior

    reciclabilidade) e degradabilidade; certificao das atividades do e-waste; adotar medidas

    mais duro de gerenciamento de impactos ambientais no meio industrial e por que no,

    favorecimento do uso coletivo desses equipamentos. (WALDMAN, 2009)

    2.7 TI VERDE

    TI verde um conjunto de prticas para tornar mais sustentvel e menos prejudicial o

    nosso uso da computao. As prticas da TI verde buscam reduzir o desperdcio e aumentar a

    eficincia de todos os processos e fenmenos relacionados operao desses computadores.

    (HESS, 2009, apud PINTO 2009).

    Segundo Pinto (2009), durante muito tempo, pouco se falou sobre o futuro do planeta

    e dos recursos naturais que ainda restam. Mas a realidade que encaramos hoje fez com que

    governantes e cidados acordassem para a escassez de gua, poluio do ar, e outros

    elementos vitais para a sobrevivncia humana e para a gerao de energia. Aliado a isso, o

    setor de tecnologia vem buscando formas e iniciativas para controlar o uso desenfreado de

    matrias primas, conter o gasto de energia e conservar o meio ambiente.

    Ainda segundo o autor, Pinto (2009) independente do ambiente a que tais tecnologias

    se destinem, a sua forma primitiva requer critrios na sua elaborao. Novos materiais j esto

    sendo elaborados e novos processos de fabricao faro com que a natureza seja menos

  • 31

    agredida. Os novos equipamentos, fabricados a partir de tecnologias denominadas verdes ou

    ecologicamente corretas, visam, principalmente, e economia de energia.

    Somando preocupao com o meio ambiente, falta s empresas enxergarem a grande

    vantagem competitiva que TI verde traz. Atualmente, muitos consumidores preocupam-se

    com a degradao do meio ambiente e buscam empresas que possuam polticas de reduo de

    resduos e preservao da natureza. Alguns mais radicais, nem mesmo compram produtos que

    no estejam comprovadamente alinhadas com as polticas de preservao do meio ambiente.

    (PINTO, 2009)

    2.8 TRS RS

    Para Pinto, (2009), ultimamente, muito se tem falado no conceito (ou regra) dos 3 Rs:

    Reduo, Reutilizao e Reciclagem.

    De acordo com Risso (2007) apud Pinto (2009), o conceito dos 3 Rs, deveria estar

    presente no currculo escolar de todos os alunos. Educar as crianas mais eficaz, elas se

    sensibilizam quando aprendem e criam um ambiente prtico em suas casas. A teoria, a criana

    v na escola e coloca em prtica em suas casas.

    2.8.1 Reduo

    Muitas pessoas adquirem produtos que sero pouco utilizados ou, ainda, muitas vezes

    nem utilizados sero. Consumistas compulsivos so indivduos cada vez mais comuns em

    nossa sociedade.

    O principio da reduo diz respeito diminuio na aquisio de bens de consumo,

    pra que haja menos desperdcio, gerando menos lixo. O setor de informtica, por possuir

    constantes atualizaes, um dos que mais colaboram com o aumento do consumo de

    equipamentos. Com o avano da tecnologia, a cada dia, novos produtos so lanados no

    mercado, instigando o consumidor a adquirir, sem que seus equipamentos existentes tenham

    cado na obsolescncia. (PINTO, 2009).

    Muitas pessoas trocam de computador e perifricos anualmente, mas sem a

    necessidade de tal realizao. Muitos dos recursos dos novos equipamentos nem mesmo so

    utilizados. Alguns compram pelo simples prazer de ter o que h de mais novo no mercado e

    isso acaba gerando uma pilha ainda maior de lixo eletrnico.

  • 32

    2.8.2 Reutilizao

    Partindo do princpio de reduo, a reutilizao remete ao reaproveitamento de

    materiais e produtos que no mais esto em uso. Seja com outra funo ou mesmo por outra

    pessoa. Partindo para o lado da informtica, considerando que muitos dos componentes

    eletrnicos utilizados na fabricao dos computadores so nocivos ao meio ambiente,

    reutilizao e o reaproveitamento de pacas e circuitos fazem-se extremamente necessrios.

    Juntando-se a reutilizao das peas e dos circuitos, a doao um outro caminho bastante

    eficaz e politicamente correto, tema bastante discutido nos dias de hoje, recebendo o nome de

    responsabilidade social. (PINTO, 2009)

    2.8.3 Reciclagem

    Uma das palavras mais empregadas no mundo atualmente a reciclagem. Diversos

    materiais so, hoje em dia, remanufaturados e utilizados para outros fins. Existem,

    atualmente, vrios postos de coleta, principalmente, de latas de alumnio, garrafas pet

    (polietileno), vidro. Algumas cidades brasileiras j aderiram coleta seletiva de lixo, mas

    muitas delas ainda dependem da conscientizao da populao. (PINTO, 2009)

    Diz Bullara apud (Pinto 2009) que boa parte do que jogamos fora (cerca de 30%)

    poderia ser reaproveitado pela reciclagem, economizando os recursos do planeta,

    principalmente aqueles que no se renovam. A coleta de papelo e entulhos realizada por

    trabalhadores informais, que observada atualmente na maioria das cidades brasileiras,

    tornou-se uma forma de renda para aqueles menos favorecidos e que possuem disposio para

    a realizao de tal trabalho. Devido falta de capacitao profissional, muitas pessoas

    resolvem aderir a tal servio, colaborando, de certa forma, para evitar mais a degradao

    ambiental.

    O processo de reciclagem pode acontecer atravs do reuso recuperao de resduos ou

    de seus constituintes que apresentam algum valor econmico, que tambm parece ser uma das

    formas mais atraentes para solucionar os problemas de gesto desses resduos, tanto do ponto

    de vista econmico como dos rgos de proteo ambiental. Esta reciclagem pode ocorrer

    atravs da recuperao de matria prima, produto final, subproduto, energia e embalagem

    (ANDRADE apud ROCHA 2010).

    Quanto a polticas pblicas, o governo federal iniciou a implantao de um projeto

    visando reciclagem de computadores, chamada Computadores para Incluso, onde envolve a

  • 33

    construo de centros de recondicionamento e reciclagem de computadores, idealizado para

    dar escala a captao de componentes e mquinas descartadas, formar e capacitar pessoal de

    baixa renda para trabalhar com hardware e software, e para servir de fonte fornecedora de

    equipamentos para programas de incluso digital. (CORNILS, 2005 apud ROCHA 2010).

    2.9 PROPRIEDADES DA SUCATA ELETRNICA

    Propriedade o direito real por excelncia que d ao proprietrio a faculdade de usar,

    gozar e dispor da coisa, alm do direito de reav-la de que injustamente a possua ou detenha.

    um conceito central do direito das coisas. Cuida da propriedade o art. 1228 do Cdigo Civil

    Brasileiro de 2002, que num resumo, o direito de usar, gozar e livremente dispor dos bens.

    Nessa tica, o proprietrio de um bem seria absolutamente para utilizar seus bens de maneira

    que melhor lhe aprouvesse, desde que ao viesse a caracterizar abuso do direito, nos moldes do

    disposto no art. 187 do Cdigo Civil, pois a estaria caracterizado o abuso do direito e,

    portanto, o ato ilcito. (COUTINHO E ANDRADE, 2010).

    Sucata um bem que perdeu sua finalidade primria, ou seja, perdeu as qualidades que

    demandaram sua criao e introduo no mercado econmico, podendo, a depender das

    caractersticas do bem, ser transformado em outro bem ou mesmo ser refundido, voltando a

    ter a mesma caracterstica do bem original. Esse processo atualmente conhecido como

    reciclagem, pois o bem passa a ter um novo ciclo e, a depender do material essa reciclagem

    pode ser feita por infinitas vezes. (COUTINHO E ANDRADE, 2010).

    Ainda segundo os autores, dessa forma, embora seja comum, no se pode confundir

    sucata com lixo, pois enquanto o primeiro pode ser reutilizado e muitas vezes refundido sua

    forma original, o segundo torna-se imprestvel e intil para a finalidade para a qual foi criado,

    muito embora possa ter utilidade econmica.

    Assim, de acordo com Coutinho e Andrade (2010), sucata eletrnica todo hardware

    que perdeu sua finalidade e seus acessrios, incluindo bens perifricos (impressoras, scanners,

    aparelhos de fax etc.), pilhas, baterias ou qualquer outro acumulador de eletricidade.

    sem dvida que o proprietrio do hardware tambm o proprietrio da sucata, de

    maneira que em princpio livre para dela dispor da forma que quiser, inclusive abandonando

    a propriedade. Todavia, no se trata de bem que possa simplesmente ser abandonado em

    qualquer local, sem qualquer tratamento, pois muitos deles afetam sobremaneira o meio

    ambiente e o simples abandono poder acarretar srios danos diretamente ao homem a ao

    meio ambiente. (COUTINHO E ANDRADE, 2010).

  • 34

    Embora haja distino entre lixo e sucata, as normas administrativas no se refere a

    essa evidente distino, tratando a sucata como resduo slido. Neste sentido a partir do

    decreto n, 28.687/82 do Estado da Bahia, que definem resduos slidos como: qualquer lixo,

    refugo, lodos, lamas e borras resultantes de atividades humanas de origem domstica,

    profissional, agrcola, industrial, nuclear ou de servio, que neles se depositam, com a

    denominao genrica de lixo, o que se agrava constantemente em decorrncia do

    crescimento populacional dos ncleos urbanos e especialmente das reas urbanas

    (COUTINHO E ANDRADE, 2010).

    2.9.1 Tratamento legislativo

    De acordo com Coutinho e Andrade, (2010) o maior problema do direito ambiental a

    ausncia de normas adequadas para regular as matrias que se mostram relevantes. No h um

    tratamento legislativo adequado destinado aos resduos slidos, por conseguinte, o problema

    da sucata eletrnica tambm no possui regulamentao em legislao especfica.

    Ainda de acordo com os autores, a competncia legislativa em matria ambiental, nos

    termos do art. 23, inc VI da Constituio Federal, comum Unio, aos Estados e aos

    Municpios, nas esferas de seus respectivos interesses, observando-se o princpio de

    subsidiariedade, de maneira que os entes maiores devem atuar de forma mais genrica,

    competindo aos municpios atuarem na esfera de seus peculiares interesses, de maneira que

    esses podem atuar de forma mais especfica e pronta.

    Diante dessa realidade, o CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) passou a

    regular a matria atravs d resolues. Talvez seja a melhor forma de regulamentao da

    matria, pois exige uma atuao rpida e, como so cedio, as leis demoram a serem

    elaboradas e entrar em vigor, de maneira que se toda a regulamentao em matria de meio

    ambiente dependesse da edio de uma lei, certamente meio ambiente sofreria muitas

    degradaes, antes de vir a lume a lei regulamentadora. (COUTINHO E ANDRADE, 2010).

    2.9.2 De quem o resduo eletrnico?

    A sucata decorre do direito de propriedade sobre a coisa, logo, a propriedade da sucata

    do proprietrio da coisa que dela derivou, segundo Coutinho e Andrade (2010). Vale

    salientar que a sucata nada mais do que a coisa em estado alterado, quer seja pela natural

    deteriorao ou pela superao da tecnologia.

  • 35

    Evidentemente que a questo da sucata eletrnica no atinge somente ao interesse do

    seu proprietrio, mas tambm a toda sociedade de uma maneira geral, pois todos sofrem os

    efeitos da contaminao e degradao do meio ambiente, de maneira que a soluo poltica,

    social, ambiental e jurdica no atine ao direito de propriedade, que como j vimos, e do

    proprietrio da sucata, mas de responsabilidade quanto ao tratamento desse lixo especial.

    Nesse passo, a responsabilidade deve ser dividida entre Estado, a quem compete legislar sobre

    a matria, ao fornecedor que exploram o mercado de consumo e de fato so os criadores da

    sucata eletrnica e os consumidores que so os proprietrios e utilizadores dos produtos

    eletrnicos produzidos e colocados no mercado de consumo (COUTINHO E ANDRADE,

    2010).

    Nesse sistema de atuao e responsabilidade conjunta, o Estado deve criar o sistema e

    definir as responsabilidades cada qual dos atores. O consumidor deve levar a sucata aos

    pontos de coleta e os fornecedores devem se responsabilizar por recolher a sucata (logstica

    reversa) e dar a destinao final. Em nosso sistema pelo conjunto de normas em vigncia no

    pas, exceto no caso das pilhas e baterias, ou no caso de legislao estadual ou municipal

    especifica, no possvel responsabilizar as empresas pelo recolhimento da sucata eletrnica.

    (idem)

    Dessa forma, deve recair no Poder Pblico Municipal a responsabilidade de recolher

    os resduos slidos concernentes sucata eletrnica, pois nos termos do art. 30 da

    Constituio Federal, trata-se de interesse local. A toda evidncia que ao cumprir essa

    obrigao o Poder Pblico dever velar para um correto tratamento dessa sucata, com fito de

    evitar contaminao e danos ao meio ambiente e a todos os seres que nela vivem. (idem)

    2.10 LOGSTICA REVERSA

    Segundo Acosta et al (2008), a logstica reversa um processo de planejamento,

    implementao e controle da eficincia e custo efetivo do fluxo de matrias-pirma, produtos

    em processo e produtos prontos e informaes relacionadas ao produto, do ponto de consumo

    para o ponto de origem do produto, com a finalidade de recuperar o valor ou destinar

    apropriada disposio, com um enfoque ambientalmente correto.

    Ainda segundo os autores no setor de fabricao e comercializao de produtos

    informticos os sistemas de logstica reversa so implementados cada vez mais com a

    finalidade de reaproveitar os produtos depois do fim da vida til, como uma via rentvel de

  • 36

    reduo de custos, maximizando o uso de matrias-primas que impactam diretamente na

    reduo de lixo informtico.

    A logstica direta, ou simplesmente logstica, trata da compra de matria-prima, do seu

    armazenamento, da movimentao dentro da empresa e do transporte at o cliente. Para

    Ballou (1998) apud Miguez (2010), a logstica pode ser definida como a maneira de se obter

    melhor nvel de rentabilidade nos servios de distribuio aos clientes e consumidores, por

    intermdio de planejamento, organizao e controle efetivo para as atividades de

    movimentao e armazenamento visando facilitar o fluxo de produtos.

    A logstica direta pode ser entendida como um processo divergente, onde o produto sai

    de um produtor e chega a diversos clientes. J a logstica reversa pode ser abordada como um

    processo convergente, onde os produtos saem dos diversos clientes chegando a uma ou

    poucas empresas receptoras. (MIGUEZ, 2010). No quadro a seguir esto elencadas as

    diferenas entre logstica direta e logstica reversa.

    Logstica Direta Logstica Reversa

    Previso relativamente direta Previso muito difcil

    De um para vrios pontos de distribuio Muitos para um ponto de distribuio

    Qualidade do produto uniforme Qualidade do produto no uniforme

    Embalagem do produto uniforme Embalagem do produto geralmente danificada

    Destinao/rota clara Destinao/rota no clara

    Opo de descartes claros Descarte no claro

    Preo relativamente uniforme Preo depende de vrios fatores

    Importncia da velocidade reconhecida A velocidade, geralmente, no considerada

    uma prioridade

    Custos de distribuio direta facilmente

    visvel

    Custos reversos so menos visveis claramente

    Gerenciamento de inventrio consistente Gerenciamento de inventrio no consistente

    Ciclo de vida do produto gerencivel Questes referentes ao ciclo de vida do

    produto so mais complexas

    Negociao direta entre as partes

    envolvidas

    Negociaes complicadas por diversos fatores

    Mtodos de marketing bem conhecidos Marketing complicado por diversos fatores

    Visibilidade do processo mais transparente Visibilidade do processo menos transparente Quadro 3: Diferenas entre logstica direta e logstica reversa Fonte: MIGUEZ, (2010, p. 06)

  • 37

    A busca por estratgias competitivas sustentveis, por parte das empresas, j pode ser

    percebida no ambiente organizacional, Mais do que obter os lucros possveis, a qualquer

    custo, as organizaes tem se preocupado em estabelecer estratgias que incluam a

    sustentabilidade ambiental e social, alm da econmica. A viso estratgica tradicional na

    qual o fluxo de bens em uma cadeia de suprimentos termina com o consumidor, est mudando

    rapidamente. De maneira crescente, indstrias e fornecedores comeam a ser

    responsabilizados pelos resduos gerados pelo uso de seus produtos por parte dos

    consumidores finais.

    Mais do que um custo, Merien (1998) apud Acosta (2010), afirma que muitas

    empresas tm olhado para a sustentabilidade de suas aes a para logstica reversa como uma

    recuperao de investimento, tanto atravs do reaproveitamento de materiais como pela

    gerao de uma imagem positiva da organizao perante o mercado. Elas podem obter

    vantagem competitiva real rejeitando a noo convencional de que, uma vez que o produto

    esteja fora da porta da empresa, a gesto dos resduos torna-se problema dos outros.

    Na tabela 2 esto listado os materiais para reciclagem e seus valores monetrios em

    reais (nmero aproximado, porm no correspondente realidade).

    Tabela 2 Lista de matrias e seus valores monetrios em reais (aproximados)

    Valor Unitrio (R$/ kg Material

    R$ 0,01 Adaptadores

    R$ 0,21 Alumnio

    R$ 0,001 Bateria s Chumbo cido

    R$ 0,44 Bateria seca

    R$ 0,11 Cabos

    R$ 0,48 Circuitos integrados soltos

    R$ 0,24 Circuitos integrados mistos

    R$ 0,68 Cobre

    R$ 0,02 Ferro

    R$ 0,02 Fontes de alimentao

    R$ 0,18 HD

    R$ 0,22 LCD Ruins (sucata)

    R$ 0,02 Placas lisas (no rebarbas)

    (continua)

  • 38

    (continuao)

    Tabela 2 Lista de matrias e seus valores monetrios em reais (aproximados)

    Valor Unitrio (R$/ kg Material

    R$ 0,16 Placas lisas com ponteiras de ouro

    R$ 0,32 Placas com conectores dourados

    R$ 0,00 Teclados

    R$ 0,01 Ventoinhas

    R$ 0,00 Vidros

    R$ 0,01 Drivers p/ disquetes e CDs

    R$ 0,46 LCD Bons

    R$ 0,75 Monitores funcionando

    R$ 0,15 Monitores quebrados

    R$ 0,17 HD (quando for p/ revenda)

    Fonte: MIGUEZ, (2010, p. 86).

    Nos canais de distribuio reversa de ps consumo destacam-se trs subsistemas:

    reuso, reciclagem de materiais e incinerao. Sistemas de reciclagem agregam valor

    econmico, ecolgico e logstico aos bens de ps consumo, criando condies para que o

    material seja reintegrado ao ciclo produtivo e substituindo as matrias primas novas. De

    acordo com Leite (2006) apud Acosta (2010), o sistema de reuso agrega valor de reutilizao

    ao bem de ps consumo. E o sistema de incinerao agrega valor econmico, pela

    transformao dos resduos em energia eltrica.

    De acordo com Acosta (2010), o objetivo da implementao da logstica reversa de

    ps consumo a obteno de resultados financeiros por meio de economias obtidas nas

    operaes industriais, principalmente pelo aproveitamento de matrias-primas secundrias,

    provenientes de canais reversos de reciclagem, ou de revalorizao nos canais reversos de

    reuso e manufatura

    Mollenkopf e Closs (2005) apud Acosta (2010) argumentam que muitas companhias

    tem visto a logstica reversa como uma atividade estratgica que pode, inclusive, ampliar a

    competitividade da empresa e da cadeia ao longo do tempo. De uma perspectiva

    mercadolgica, a adoo de polticas de recolhimento de produtos obsoletos pode aumentar a

    percepo dos consumidores sobre a qualidade dos produtos e melhorar a imagem da

    empresa.

  • 39

    2.10.1 Determinantes da logstica reversa

    Quatro so as determinantes que devem ser considerados para a implementao de um

    sistema de logstica reversa: os fatores econmicos, a legislao, conscincia social e meio

    ambiente e pensamento verde (ACOSTA, 2010).

    a) Fatores econmicos Os recursos econmicos so escassos nas organizaes, fazer

    uso eficiente deles um problema que todas as empresas tentam resolver. Como parte desse

    processo, a logstica reversa desenvolve diferentes opes de recuperao do produto obsoleto

    para remanufatura, reparao, reconfigurao e reciclagem que podem resultar em

    oportunidades de negcio lucrativo. A logstica reversa agora percebida como um

    investimento que gera retorno e no simplesmente como um custo que minimiza a

    administrao do desperdcio.

    b) Legislao A legislao determinar leis que obriguem as empresas a recuperar

    seus produtos ou aceitar de volta uma vez finalizada sua vida til. Estas leis deveriam incluir a

    recuperao e reuso de produtos obsoletos, reduo do volume de desperdcio gerado e o

    aumento de uso de materiais reciclados.

    c) Conscincia social - Conjunto de valores e princpios que so implantados em

    empresas, organizaes e na comunidade, com a finalidade de que os indivduos incorporem

    responsavelmente atividades de logstica reversa.

    d) Meio ambiente e pensamento verde O foco da logstica reversa est direcionado

    a atingir benefcios ambientais, proporcionando uma vantagem competitiva para as empresas

    que proativamente incorporam objetivos ambientais em suas prticas de negcio e planos

    estratgicos.

    Para Murphy e Poist (2000) apud Acosta (2010) a logstica reversa forma parte das

    estratgias de logstica verde que tem como foco reciclar materiais, reduzir o consumo e

    reutilizar materiais. Para Leite (2005) Apud Acosta (2010), as firmas justificam a

    implementao dos sistemas de logstica reversa examinando cinco fatores estratgicos chave:

    Custos estratgicos, qualidade global, atendimento ao consumidor, preocupaes ambientais,

    preocupaes legais e imagem corporativa.

    Para Shih (2001) Apud Acosta (2010) quatro so os fatores integrados num sistema de

    logstica reversa para computadores no fim da vida til: (1) Pontos de coleta, constitudo

    pelos prprios atacadistas e pelo canal de distribuio varejista; (2) Locais de armazenagem,

    que atuam como uma ponte entre os pontos de coleta e as plantas de desmanche e reciclagem.

    (3) Desmanche e reciclagem, que so plantas onde se desmancham, desmontam, trituram e

  • 40

    classificam os principais componentes do computador e (4) mercado de materiais de segunda

    mo, tratamento final e aterro de lixo.

    Conforme afirmam Brito et al (2003) apud Miguez (2010), na logstica reversa a

    maior dificuldade que se encontra, e talvez esteja a a maior diferena entre ela o fluxo

    direto, e o fato de se ter pouca informao sobre a quantidade de produtos retornados. O

    retorno de mercadorias no constante, o que causa grande dificuldade para as empresas

    preverem o quanto devem se preparar para coletaram os produtos que possam retornar (por

    exemplo, o quanto gastar com logstica, com a triagem dos produtos e com o espao para

    armazenamento). O fato de no se ter uma constncia na quantidade de produtos retornados

    gera outro problema, que a possibilidade de no se ter produtos suficientes, tornando-se

    assim itens que no sejam economicamente atrativos para serem coletados.

    2.10.2 Comrcio mundial de produtos eletrnicos: efeitos de uma logstica reversa falha

    A logstica reversa no pode ser encarada apenas como o recolhimento dos produtos,

    mas sim como o gerenciamento de todo o caminho que esse produto percorre at o descarte

    adequado do mesmo.

    Segundo Miguez (2010) o que acontece atualmente que diversas empresas,

    principalmente americanas e europias, esto recolhendo os produtos eletrnicos e enviando-

    os para pases em desenvolvimento, com a alegao de que estes equipamentos faro com que

    os pases pobres tenham acesso informtica e outros produtos de tecnologia mais avanada.

    O problema que estes produtos esto gerando graves passivos ambientais nos pases em

    desenvolvimento que os recebem.

    A exportao de produtos eletrnicos sem ser realizado um teste prvio pode gerar

    apenas um pretexto para se descartar produtos inservveis em pases em desenvolvimento, ao

    invs de ajud-los com equipamentos que possam ser reaproveitados. (MIGUEZ, 2010)

    Ainda segundo o autor a exportao de produtos que precisem ser reparados pode

    gerar uma necessidade imediata de descarte de substncias perigosas, dependendo da pea ou

    componente que precise ser trocado.

    O texto que segue abaixo uma anlise sobre a questo das exportaes de produtos

    eletrnicos dos pases desenvolvidos para os pases em desenvolvimento. O texto se baseia

    em um relatrio do Grupo de Ao de Basel (The Bases Action Network BAN) de 2005 e foi

    citado por Miguez (2010):

  • 41

    Segundo o relatrio, 75% dos equipamentos de informtica exportados para os pases africanos lixo, ou seja, no economicamente vivel seu reaproveitamento (seja por reuso ou por remanufatura). Segundo o estudo, estimado que 500 contineres de restos de equipamentos de informtica, em diversas condies de uso, entrem na Nigria a cada ms. Cada continer contm cerca de 800 computadores ou monitores, representando assim, cerca de 400.000 chegando mensalmente. Os pases africanos no possuem qualquer sistema de estrutura de tratamento de lixo eletrnico. O que existem so lixes formais e informais, onde as toxinas so facilmente infiltradas nos lenis freticos e, tambm, so rotineiramente despejados no ar, devido a queimadas, emitindo substncias txicas. A reciclagem e descarte do lixo eletrnico encontrado na China, ndia, Paquisto e pases africanos so extremamente poluentes e muito perigosos para a sade humana[...] Estima-se que 50% a 80% do lixo eletrnico coletado nos Estados Unidos so exportadas. Esta exportao se d em funo da mo de obra barata e falta de padres ambientais na sia e na frica Os seguintes pases esto envolvidos com a exportao de produtos eletrnicos para a Nigria: Blgica, Finlndia, Alemanha, Israel, Itlia, Japo, Coria, Holanda, Cingapura, Reino Unido e Estados Unidos, numa proporo de 45% Europa, 45% EUA e 10% de outros pases. Atualmente os pases que mais recebem estas exportaes so: China, ndia, Malsia, Indonsia, Filipinas, Vietnam e o Continente Africano

    2.11 EDUCAO AMBIENTAL

    A Educao ambiental uma prxis educativa e social que tem por finalidade a

    construo de valores, conceitos, habilidades e atitudes que possibilitem o entendimento da

    realidade de vida e a atuao lcida e responsvel de atores sociais individuais e coletivos no

    ambiente. Nesse sentido, contribui para a tentativa de implementao de um padro

    civilizacional e societrio distinto do vigente, pautando numa nova tica da relao sociedade

    natureza. Dessa forma, para a real transformao do quadro de crise estrutural e conjuntural

    em que vivemos, a educao ambiental, por definio, e elemento estratgico na formao de

    ampla conscincia crtica das relaes sociais e de produo que situam a insero humana na

    natureza (LOUREIRO, LAYRARGUES, CASTRO, orgs, 2002)

    A Educao Ambiental um exemplo tpico de uma sociedade de risco; de uma

    sociedade que inventa o futuro e, na seqncia, obrigada a confrontar-se com as

    conseqncias e com os limites de suas aes. As discusses sobre Educao Ambiental que

    h quatro dcadas vem acontecendo em todo o mundo refletem e condensam as angstias que

    nossa civilizao tem em relao ao futuro do planeta e ao futuro em si. (TREVISOL, 2003).

  • 42

    Ainda segundo Trevisol (2003), numa sociedade de risco, a educao ambiental

    convocada a conscientizar sobre os riscos socioambientais que decorrem da relao

    homem/natureza; ela chamada, enfim, a construir um futuro que no seja ameaador, tanto

    ao planeta terra, quando espcie humana. Ao propor a educao ambiental, acreditamos que

    ela seja capaz de levar os indivduos a reverem suas concepes e seus hbitos.

    A primeira grande tarefa que a problemtica ambiental apresenta educao

    desenvolver a conscincia dos riscos, que significa, em outras palavras, estimular os

    indivduos processo que pode-se dar tanto no mbito do ensino formal, quando do no

    formal a reconhecerem a crise real que os envolve. O reconhecimento dos dilemas, riscos e

    incertezas que a crise ecolgica coloca o primeiro e imprescindvel passo de um processo

    que podemos denominar de alfabetizao ecolgica. (TREVISOL, 2003)

    Ainda de acordo com o autor, dito de outro modo, a alfabetizao ecolgica implica a

    apropriao de uma srie de saberes, percepes, valores e atitudes; implica a construo de

    um modo especfico de ler o mundo e agir no seu interior.

    O processo de alfabetizao ecolgica, assim como todo e qualquer aprendizado,

    sobremaneira lento porque ele implica uma mudana paradigmtica substantiva. No se trata

    de mudar uma ou duas opinies; refere-se a um movimento mais profundo de ressignificao

    do mundo, que implica mudanas tanto de carter cognitivo, quanto atitudinais. Ser

    ecologicamente alfabetizado, afirma Capra (2000) apud Trevisol (2003), significa olhar o

    mundo de outra forma; implica um modo de pensar que considera a complexidade, a

    interdependncia e a multicausalidade que perpassa todos os fennemos e os processos da

    realidade.

    A questo do lixo vem sendo apontada pelos ambientalistas como um dos mais graves

    problemas ambientais urbanos da atualidade, a ponto de ter-se tornado objeto de proposies

    tcnicas para seu enfrentamento e alvo privilegiado de programas de educao ambiental nas

    escolas brasileiras. A compreenso da necessidade do gerenciamento integrado dos resduos

    slidos propiciou a formulao da chamada Poltica Pedaggica dos 3 Rs que inspira tcnica

    e pedagogicamente os meios de enfrentamento da questo do lixo (LOUREIRO,

    LAYRARGUES, CASTRO, orgs, 2002).

    No entanto segundo os autores (idem) apesar da complexidade do tema, muitos

    programas de educao ambiental na escola so implementados de modo reducionista, j que,

    em funo da reciclagem, desenvolvem apenas a coleta seletiva de lixo, em detrimento de

    uma reflexo crtica e abrangente a respeito dos valores culturais da sociedade de consumo,

    do consumismo, do industrialismo, do modo de produo capitalista e dos aspectos polticos e

  • 43

    econmicos da questo do lixo. E a despeito dessa tendncia pragmtica, pouco esforo tem

    sido dedicado anlise do significado ideolgico da reciclagem, e suas implicaes para a

    educao ambiental reducionista, mais preocupada com a promoo de uma mudana

    comportamental sobre a tcnica da disposio do lixo domiciliar, do que com a reflexo sobre

    a mudana dos valores culturais que sustentam o estilo de produo e consumo da sociedade

    moderna. (LOUREIRO, LAYRARGUES, CASTRO, orgs, 2002).

    Analisando-se a literatura, de acordo com Loureiro, Layrargues e Castro, orgs (2002) a

    respeito da interface entre a educao ambiental e a questo do lixo, observa-se uma excessiva

    predominncia da discusso a respeito dos aspectos tcnicos, psicolgicos e comportamentais

    da gesto do lixo, em detrimento de seus aspectos polticos. A discusso conduzida pela

    educao ambiental est consideravelmente deslocada do eixo da formao da cidadania

    como atuao coletiva na esfera pblica, j que h um expressivo silncio no que se refere

    implementao de alternativas para o tratamento do lixo por intermdio da regulao estatal

    ou dos mecanismos de mercado.

    A educao ambiental nutre-se, portanto, de uma postura crtica, reflexiva e contra

    hegemnica. Diferentemente de uma educao centrada em contedos e em aprendizagem, ela

    projeta-se tendo em vista uma perspectiva mais ampla e sistmica. Tanto formula uma crtica

    ao modelo de sociedade e de desenvolvimento predador, quanto apresenta alternativas

    sustentveis, ancoradas em propostas concretas de mudanas de mentalidade, valores e

    atitudes. (TREVISOL, 2003)

    A educao ambiental aponta a existncia dos riscos socioembientais e chama a

    ateno para o fato de que eles saram da gaiola de ao (grifos de autor), esto em todos os

    lugares e ameaam suplantar a todos. possvel continuar indo adiante, porm, antes de faz-

    lo, fundamental avaliar suas conseqncias. (TREVISOL, 2003)

    2.12 QUE VENHA O FUTURO

    Mundo sem fio Novas tecnologias de sistemas wireless prometem comunicao

    muito mais veloz. O mundo caminha cada vez mais para o wireless, a comunicao feita sem

    a necessidade de fios. O maior expoente disso o telefone celular. Com o avano das

    tecnologias de conexo sem fio, qualquer um poder se conectar com a internet e com outras

    pessoas a todo o momento, em qualquer lugar, de qualquer aparelho. Equipamentos portteis

    esto acumulando cada vez um maior nmero de funes. A partir do celular ou do PDA,

    possvel controlar equipamentos domsticos, e de qualquer lugar j se pode assistir a

  • 44

    programas de TV na tela do celular. at difcil conseguir listar todas as funes que so

    possveis a um aparelho de celular: cmera fotogrfica, videogame, rdio, transmisso de

    vdeos, localizao de pessoas, envio e recebimento de e-mails so apenas alguns exemplos.

    A cada dia, surgem novas funes. A velocidade das mudanas torna-se explcita quando

    consideramos que h cerca de trs anos atrs, o celular era usado apenas para fazer ligaes.

    Aps o sucesso da telefonia celular, que hoje possui 50% a mais de linhas em comparao

    com a telefonia fixa, a aposta das empresas est na transmisso de dados sem fio. De acordo

    com Jos Geraldo de Almeida, gerente de Estrutura da Motorola (poca, 27 dez. 2004),

    Daqui a dois anos, o usurio s vai carregar um aparelho. Se estiver em casa, ele vai

    funcionar como telefone fixo. Na rua, serve como celular. No trabalho, assume o nmero de

    seu ramal. Quando estiver perto de uma conexo sem fio com a internet, passa a trafegar voz

    pela web. (GRANADO E ABREU, 2010).

    Ainda segundo Granado e Abreu (2010) as tendncias parecem indicar que, no futuro,

    fios e cabos iro desaparecer. Dentro do universo wireless, existem vrias tecnologias que

    prometem revolucionar essa rea, mas como prometemos anteriormente, no vamos detalh-

    las. Dentre as vantagens destas tecnologias esto a melhora de transmitir dados pesados

    atravs do celular (til para celulares com internet), tecnologias 40 vezes mais rpidas que as

    tecnologias usadas pelos celulares da terceira gerao, e formas inovadoras de conexo com a

    internet que iro baratear o custo de acesso e ampliar a rede, sem perder velocidade. Mais do

    que enviar mensagens publicitrias para dispositivos mveis como possvel nos dias de hoje,

    no futuro, tecnologias permitiro que sejam mostradas propagandas de acordo com sua

    localizao geogrfica.

    O Computador Invisvel As mquinas do futuro sero to integradas ao cotidiano

    que ningum vai reparar nelas. O computador deixar de ser um objeto fixo, num cmodo da

    residncia, para se tornar um equipamento quase invisvel, integrado a casa e ao usurio. O

    computador ser mvel e verstil, enviando e recebendo informaes at mesmo de locais

    remotos. Os computadores de casa e do trabalho sero substitudos por um nico computador

    personalizado. O objetivo deste futuro prximo descomplicar totalmente o computador, para

    que seja usado por qualquer um, em qualquer lugar. Para comear, os fios e os cabos vo

    acabar. A miniaturizao vai unir o computador domstico, o notebook e o palmtop numa

    coisa s. Tudo se reduzir ao tamanho da tela. E no sero os trambolhos que so os

    monitores de vdeo de hoje. Sero telas finas e leves, ainda melhores que as de cristal lquido

    que comeam vingar no mercado. Tero espessura inferior de uma moeda, alm de serem

  • 45

    flexveis, podendo ser dobradas e guardadas em um bolso. E para finalizar, tero definio de

    imagem ainda melhor que a dos monitores de vdeo atuais. (GRANADO E ABREU, 2010).

    E o teclado, aonde vai? No vai. A tecnologia do reconhecimento de voz ser

    dominante. A digitao ser substituda por sistemas sofisticadssimos de anlise de

    caligrafia. Os computadores substituiro desde os cadernos dos estudantes at as pranchetas

    utilizadas pelos mdicos no hospital. O micro do futuro ser bem mais que um instrumento de

    trabalho e diverso. Ele tende a se tornar um eletrodomstico integrado a casa.

    Nanotecnologia promete produzir mquinas do tamanho de um tomo. um desafio e

    tanto. O mundo nanomtrico infinitamente pequeno. O prefixo grego nano, que significa

    ano, refere-se bilionsima parte do metro. Difcil de imaginar no? Ento vamos tentar de

    outra forma. Se voc colocar uma nanocoisinha qualquer ao lado de uma rgua de 1 m e

    ampliar os dois sucessivamente, de forma que a rgua atinja 3 mil km de comprimento (a

    distncia entre So Paulo e Fortaleza), a nanocoisinha ser um pouco maior que uma formiga.

    (GRANADO E ABREU, 2010).

  • 46

    3 METODOLOGIA

    A cincia utiliza-se de mtodos para consecuo do seu objetivo. Mtodo, de acordo

    com Lakatos e Lakatos (2002, p. 46) o conjunto das atividades sistemticas e racionais que,

    com maior segurana e economia, permite alcanar o objetivo [...] traando o caminho a ser

    seguido, detectando erros e auxiliando as decises do cientista.

    A seguir encontra-se exposta a metodologia utilizada para desenvolvimento deste

    estudo monogrfico.

    O desenvolvimento do projeto foi realizado atravs de pesquisa de campo e pesquisa

    bibliogrfica.

    A pesquisa de campo segundo Vergara (2004, p.48) a investigao emprica

    realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenmeno ou que dispe de elementos para

    explica-lo.

    Para Gil (2000) a pesquisa bibliogrfica desenvolvida com base em material j

    elaborado, constitudo principalmente de livros e artigos cientficos, com a principal vantagem

    de permitir ao investigador, a cobertura de uma gama de fenmenos mais ampla do que

    poderia pesquisar.

    Assim o estudo foi desenvolvido tomando como base a literatura apresentada, e a

    anlise do estudo de campo realizou-se atravs da parceria entre as Secretarias de

    Desenvolvimento Regional de Palmitos, Maravilha, So Miguel do Oeste, Dionsio Cerqueira,

    com o apoio do SENAI para uma campanha de coleta, separao, anlise do material coletado

    e posterior destinao correta para esse material.

    O projeto iniciou com a conscientizao e divulgao da coleta do lixo eletrnico em

    todas as escolas estaduais que abrangem as SDRs dessa regio.

    Para atingir os objetivos desse estudo descrevem-se abaixo os mtodos utilizados na

    pesquisa.

    3.1 DELIMITAO

    Segundo Cervo e Bervian (1996, p. 65) delimitar o assunto selecionar um tpico ou

    parte a ser selecionada. Dentre o universo do tema a ser estudado faz-se necessrio delimitar

    o tempo e lugar em que sero desenvolvidos os estudos, bem com o os instrumentos utilizados

    para a sua realizao e apresentao dos resultados.

  • 47

    O desenvolvimento do estudo teve como passo inicial uma reunio com os Gerentes

    de Desenvolvimento Econmico Sustentvel, Gerentes de Educao das respectivas SDRs,

    Prefeituras e coordenadores do SENAI - So Miguel do Oeste para apresentao do

    projeto,definio de competncia de cada parte envolvida e cronograma de datas para inicio e

    termino das atividades.Agendou-se em seguida uma reunio em cada SDR com os

    professores de informtica ou de educao ambiental(Cincias e Biologia) para apresentar a

    forma como ser desenvolvido o projeto ,os de prazo de inicio e termino e socializao do

    material e da palestra que ser ministrado por eles nas suas respectivas escolas.

    Municpios de abrangncia do projeto:

    Secretaria de Desenvolvimento Regional de Maravilha: Bom Jesus do Oeste, Flor do

    Serto, Iraceminha, Maravilha, Modelo, Pinhalzinho, Romelndia, So Miguel da Boa

    Vista,Santa Terezinha do Progresso, Saudades, Saltinho e Tigrinhos.

    Secretaria de Desenvolvimento Regional de So Miguel do Oeste: Bandeirante, Barra

    Bonita, Descanso, Guaraciaba, Paraso e So Miguel do Oeste.

    Secretaria de Desenvolvimento Regional de Palmitos: Palmitos, So Carlos, guas de

    Chapec, Cunhata, Cunha Por, Caibi, Riqueza e Mondai.

    Secretaria de Desenvolvimento Regional de Dionsio Cerqueira: Anchieta, Dionsio

    Cerqueira, Guaruj do Sul, Palma Sola, Princesa e So Jos do Cedro.

    Os materiais para as palestras foram desenvolvidos em parceria com o SENAI/SC -

    So Miguel do Oeste. Os pontos de coleta, armazenamento foram em cada Escola pertencente

    ao projeto e o encaminhamento do lixo eletrnico nos municpios ficaram sob

    responsabilidade das Prefeituras.

    Aps o armazenamento nos municpios todo o material recebido nas escolas, foi

    coletado por caminhes das prefeituras e encaminhado para um ECOPONTO em So Miguel

    do Oeste onde a equipe do SENAI recebeu esse material e encaminhou os caminhes para

    pesagem com e sem a carga numa balana em empresa prxima ao local para controle do

    volume e posterior encaminhamento para empresa gerenciadora de lixo eletrnico.

    3.2 DELINEAMENTO

    O projeto teve como finalidade atingir o maior numero da populao dos municpios

    de abrangncia do projeto,sendo usado para isso os meios de informao locais,como rdio e

    jornal,alm do trabalho de conscientizao feitos nas escolas,atravs de cartazes divulgando

    os dias de recebimento do lixo eletrnico e palestras desenvolvidas pelos professores j

  • 48

    orientados em cada Secretaria de Desenvolvimento Regional sobre a importncia de levar ao

    conhecimento dos alunos do ensino fundamental e mdio sobre a campanha de coleta e a

    problemtica envolvendo o tema.

    As escolas participantes assinaram um termo de compromisso, indicando os

    professores coordenadores do projeto na sua escola e esse coordenador foi o responsvel em

    buscar no seu municpio parceiros em lojas de venda desses materiais para auxiliar na

    divulgao e ser ponto de recebimento. Cada professor recebeu uma planilha para informar e

    turma e a quantidade de alunos presentes em cada palestras.

    A campanha de recebimento ocorreu no ms de julho de 2010 e se estendeu por um

    perodo de 15 dias, feito logo em seguida a recolha por caminhes das prefeituras e o

    deslocamento do material para o ECOPONTO em So Miguel do Oeste onde foi recebido

    ,pesado e depositado em pavilho coberto at a sua retirada pela empresa gerenciadora de lixo

    eletrnico.

    3.3 TECNICA DE COLETA DE DADOS

    A coleta de dados foi feita por meio de planilhas de acompanhamento do nmero de

    alunos participantes das palestras em cada escola,em cada municpio e em cada Secretaria de

    Desenvolvimento Regional tendo assim uma estimativa do nmero de alunos matriculados em

    cada municpio e o numero de alunos que receberam a informao sobre a campanha de

    recolha do material.

    O material recolhido de cada municpio foi pesado no ato do seu recebimento no

    ECOPONTO, tendo-se assim como montar um grfico de comparao entre a quantidade

    coletada ,distribuda pela populao do municpio para comparar quantidade coletada por

    habitante ou pelo numero de alunos das escolas.

    3.4 TCNICAS DE ANLISE E INTERPRETAO DOS DADOS

    Aps coletados os dados foram tabulados em programas Excel,e analisados de forma

    quali-quantitativa,buscando responder o objetivo geral e os objetivos especifico do

    estudo.Cada questo foi tabulada e avaliada individualmente tendo-se ndice de avaliao por

    municpio, por regio de abrangncia das Secretarias de Desenvolvimento Regional e por

    toda regio pertencentes ao projeto.

  • 49

    4 ANLISE E INTEPRETAO DOS DADOS

    Atravs da educao e em especial a educao ambiental poderemos num mdio a

    longo prazo obter resultados na forma de pensar o meio ambiente. A melhor forma de realizar

    essa mudana um trabalho permanente com os alunos do ensino fundamental e mdio da

    rede pblica.

    A conscientizao dos problemas ambientais e em especfico neste trabalho, o lixo

    eletrnico, procurou demonstrar ao maior nmero possvel de alunos a problemtica e aes

    voltadas para a minimizao do problema.

    Desta forma procuramos fazer um trabalho de conscientizao. Essa mobilizao

    atingiu 6.397 alunos junto a Secretaria de Desenvolvimento Regional de Dionsio Cerqueira

    que compreende os municpios de Anchieta, Dionsio Cerqueira, Guaruj, Palma Sola,

    Princesa e So Jos do Cedro (grfico 01). 8.136 alunos junto a Secretaria de

    Desenvolvimento Regional de Maravilha, que compreende os municpio de Bom Jesus do

    Oeste, Flor do Serto, Iraceminha, Maravilha, Modelo, Pinhalzinho, Romelandia, So Miguel

    da Boa Vista, Santa Terezinha do progresso, Saudades, Saltinho e Tigrinhos (grfico 02).

    5.688 alunos nas escolas que compe a Secretaria de Desenvolvimento Regional de Palmitos

    que compreende os municpios de Palmitos, So Carlos, guas de Chapec, Cunhatai, Cunha

    Por, Caibi, Riqueza e Mondai (grfico 03) e 3.564 alunos nas escolas que compe a

    Secretaria de Desenvolvimento Regional de So Miguel do Oeste que compreende os

    municpios de Bandeirante, Barra Bonita, Descanso, Guaraciaba, Paraso, So Miguel do

    Oeste e Belmonte (grfico 04), totalizando 23.785 alunos do ensino fundamental e mdio.

    4.1 REGIONAL DE DIONISO CERQUEIRA

    No grfico a seguir est demonstrado o nmero de alunos das escolas da Regional de

    Dionsio Cerqueira. A Participao estimada nas palestras de conscientizao feitas nas

    escolas e a participao efetiva dos alunos.

    No grfico a seguir est demonstrado o percentual de alunos desta regional num

    comparativo com a populao total da regional.

  • 50

    Grfico 1: Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao, na Regional de Dionsio Cerqueira

    Fonte: SENAI, (2010)

    O grfico demonstra a efetiva participao dos alunos, um pouco acima do estimada

    para essa regional. Na Regional de Dionisio Cerqueira a cidade de Dionisio Cerqueira possui

    uma populao de 15.399 habitantes. Nesta cidade o estimado de alunos que seriam atingidos

    pelo programa era de 1.672 e o efetivamente atingidos ultrapassou esse nmero chegando a

    2.019. Na cidade de Guaruj do Sul o estimado era de 501, realizado 576. Na cidade de Palma

    Sola: Estimado 1.089, realizado 1.167. Princesa: Estimado 287, realizado 290. So Jos do

    Cedro: Estimado 1.459, realizado 1.556. Anchieta: estimado 762, realizado 759. Estes

    resultados esto representados na tabela a seguir.

    Tabela 3: Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao, na Regional de Dionsio Cerqueira

    Municpio Populao N alunos com participao

    estimada

    N de alunos com participao efetiva

    Anchieta 6.683 762 759

    Dionisio Cerqueira 15.399 1.672 2.019

    Guaruj do Sul 4.870 501 576

    Palma Sola 8.145 1.089 1.167

    Princesa 2.687 287 290

    So Jos do Cedro 14.155 1.459 1.556

    Fonte: O autor (2010)

  • 51

    Grfico 2: Percentual de alunos num comparativo com a populao total na Regional de

    Dionsio Cerqueira Fonte: SENAI (2010)

    O trabalho de conscientizao junto aos alunos do ensino fundamental e mdio da

    regional de Dionsio Cerqueira, resultou numa boa recolha de material eletrnico, que estava

    armazenado nas casas dos habitantes, e este total est demonstrado no grfico a seguir

    Grfico 03: Resultados da recolha do lixo eletrnico na Regional de Dionsio Cerqueira (em

    Kg) Fonte: SENAI, (2010)

  • 52

    Os resultados de recolha de lixo eletrnico nessa regional, apesar de Dionsio

    Cerqueira, princesa e So Jos do Cedro no terem participao efetivamente, so bons,

    como demonstra o grfico 04, num comparativo entre a recolha e a populao total da

    regional

    Nesta Regional a recolha em kg ficou assim distribuda: Anchieta: recolha 1.440 kg o

    que representa 0,22 kg por habitante e 1.90 kg por aluno. Dionsio Cerqueira: recolha 80 kg o

    que representa 0,01 kg por habitante e 0.04 kg por aluno. Guaruj do Sul: recolha 1.280 kg o

    que representa 0.26 kg por habitante e 2.22 por aluno. Palma Sola: recolha 1.860 kg o que

    representa 0.23 kg por habitante e 1.59 kg por aluno. A cidade de Princesa no participou do

    projeto, assim como a cidade de So Jos do Cedro.

    O grfico a seguir demonstra o total de lixo eletrnico recolhido nos municpios da

    regional em um comparativo com a populao. Se dividirmos o total de kg recolhido nos

    municpios pela populao teremos uma mdia 0,12 kg por habitante.

    Grfico 4: Recolha do lixo eletrnico X populao total Regional de Dionsio Cerqueira Fonte: SENAI,2010

    O Grfico demonstra que os municpios de Anchieta, Guaruj do Sul e Palma Sola,

    tiveram uma efetiva participao. A recolha do lixo eletrnica em kg se comparada ao total de

    populao obteve bom resultado, mostrando o empenho da populao em resolver o problema

    desse lixo.

  • 53

    Na tabela a seguir est demonstrado os resultados obtidos, de acordo com o grfico, da

    recolha do lixo eletrnico em kg na Regional de Dionsio Cerqueira a proporo em kg por

    habitante e proporo por aluno.

    Tabela 4: Recolha do Lixo eletrnico em kg na Regional de Dionsio Cerqueira, proporo

    em kg por habitante e proporo por aluno Municpio Recolha (em kg) Mdia (em kg) por

    habitante Mdia (kg) por aluno

    Anchieta 1.440 0.22 1,90 Dionisio Cerqueira 80 0.01 0,04 Guaruj do Sul 1.280 0,26 2,22 Palma Sola 1.860 0,23 1,59 Princesa 0 So Jos do Cedro 0 Total 4.660

    Fonte: O autor, 2011

    4.2 REGIONAL DE MARAVILHA

    No grfico 5 est demonstrado o nmero de alunos das escolas da Regional de

    Maravilha. A Participao estimada desses alunos nas palestras de conscientizao

    promovidas nas escolas e a participao efetiva dos alunos nestas mesmas palestras.

    Grfico 5: Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao, na

    Regional de Maravilha Fonte: SENAI ( 2010).

  • 54

    O grfico demonstra a efetiva participao dos alunos, acima do estimada para essa

    regional. O trabalho de conscientizao atingiu 8.136 alunos e em todos os municpios a

    expectativa de participao foi superado. Na regional de Maravilha a cidade de Bom Jesus do

    Oeste possui uma populao de 2.065. O estimado de alunos atingidos pelas palestras e

    conscientizao era de 251 e efetivamente atingidos foram de 238. Flor do Serto: Populao

    1.700 habitantes, estimados 218, realizados 215. Iraceminha: populao 4.328 habitantes,

    estimados 497, realizados 620. Maravilha: populao 23.099 habitantes, estimados 1.923

    alunos, realizado 2.358 alunos. Modelo: populao 3.862, estimados 427, realizados 810.

    Pinhalzinho: populao 15.692, estimados 1.239, realizados 1.569. Romelandia: populao

    5.760 habitantes, estimado 676 alunos, realizado 59 alunos. So Miguel da Boa Vista:

    populao 2.026 habitantes, estimado 247 alunos, realizado 233 alunos. Santa Terezinha do

    Progresso, populao 3.062 habitantes, estimado 418 alunos, realizado 489 alunos. Saudades:

    populao 8.929 habitantes, estimado 1.069 alunos, realizado 889 alunos. Saltinho: populao

    4.178 habitantes, estimado 586 alunos, realizado 498 alunos. Tigrinhos: populao 1.768

    habitantes, estimado 159 alunos, realizado 158 alunos. Esses dados esto representados na

    tabela a seguir.

    Tabela 5 : Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao, na Regional de Maravilha

    Municpio Populao N alunos com participao estimada

    N de alunos com participao efetiva

    Bom Jesus do Oeste 2.065 251 238

    Flor do Serto 1.700 218 215

    Iraceminha 4.328 497 620

    Maravilha 23.099 1.923 2.358

    Modelo 3.862 427 810

    Pinhalzinho 15.682 1.239 1.569

    Romelndia 5.760 676 59

    S. Miguel da Boa Vista 2.026 247 233

    Santa Terezinha do

    Progresso

    3.062 418 489

    Saudades 8.929 1.069 889

    Saltinho 4.178 586 498

    Tigrinho 1.768 159 158

    Fonte: O autor (2011)

  • 55

    No grfico a seguir est demonstrado o percentual de alunos num comparativo com a

    populao total da regional.

    Grfico 06: Percentual de alunos num comparativo com a populao total na Regional de

    Maravilha Fonte: SENAI (2010)

    O trabalho de conscientizao junto aos alunos do ensino fundamental e mdio da

    regional de Maravilha resultou na recolha de lixo eletrnico como est demonstrado no

    grfico a seguir.

    Grfico 07: Resultados da recolha do lixo eletrnico na Regional de Maravilha (em Kg). Fonte: SENAI,2010

  • 56

    Os resultados foram expressivos com exceo dos municpios de Pinhalzinho e

    Saudades. Esses dois municpios j fazem a recolha desse material normalmente. Nesta

    regional a recolha ficou assim distribuda: Bom Jesus do Oeste: recolha 550 kg o que

    representou 0.27 kg por habitante e 2.31 kg por aluno. Flor do Serto: Recolha 40 kg, o que

    representou 0,02 kg por habitante e 0,19 kg por aluno. Iraceminha: recolha 340 kg 0,08 kg por

    habitante e 0.55 kg por aluno. Maravilha: recolha 1.700 kg, 0,07 kg por habitante e 0.72 kg

    por aluno. Modelo: recolha 1.310 kg, 0,34 kg por habitante e 1.62 kg por aluno. Romelandia:

    recolha 90 kg, 0,02 kg por habitante e 1.53 kg por aluno. So Miguel da Boa Vista recolha

    890 kg, 0.44 kg por habitante e 3.82 kg por aluno. Santa Terezinha do Progresso: recolha 560

    kg, 0,18 kg por habitante e 1.15 kg por aluno. Saltinho: Recolha 500 kg, 0,12 kg por habitante

    e 1,00 kg por aluno. Tigrinhos: recolha 510 kg, 0,29 kg por habitante e 3.23 kg por aluno.

    Os resultados da recolha em kg por habitante total est demonstrado no grfico 08.

    Neste grfico est demonstrado que ao dividirmos o total de kg recolhido pela populao total

    da regional a mdia por habitante ficou em 0,15 kg.

    Grfico 08: Recolha do lixo eletrnico X populao total Regional de Maravilha Fonte: SENAI (2010 )

    Na tabela a seguir esto demonstrados os resultados obtidos, de acordo com os

    grficos, da recolha do lixo eletrnico em kg na Regional de Maravilha a proporo em kg por

    habitante e proporo por aluno.

  • 57

    Tabela 6: Recolha do Lixo eletrnico em kg na Regional de Maravilha, proporo em kg por habitante e proporo por aluno.

    Municpio Recolha (em kg)

    Mdia (em kg) por habitante

    Mdia (em kg) por aluno

    Bom Jesus do Oeste 550 0,27 2,31 Flor do Serto 40 0,02 0,19 Iraceminha 340 0,08 0,55 Maravilha 1.700 0,07 0,72 Modelo 1.310 0,34 1,62 Pinhalzinho 0 - - Romelndia 90 0,02 1,53 So Miguel da Boa Vista 890 0,44 3,82 Sta Terezinha do Progresso 560 0,18 1,15 Saudades 0 - - Saltinho 500 0,12 1,00 Tigrinhos 510 0,29 3,23 Total 6.490

    Fonte: O autor, 2011

    4.3 REGIONAL DE SO MIGUEL DO OESTE

    No grfico a seguir est demonstrado o nmero de alunos das escolas da Regional de

    So Miguel do Oeste. A Participao estimada nas palestras de conscientizao e a

    participao efetiva dos alunos.

    Grfico 9: Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao, na

    Regional de So Miguel do Oeste Fonte: SENAI (2010)

    O grfico demonstra uma efetiva participao nos trabalhos de conscientizao. Nesta

    regional o trabalho de conscientizao atingiu 3.564 alunos, distribudos da seguinte forma:

    Bandeirantes: Populao 3.095 habitantes, alunos estimados nos trabalhos de conscientizao

  • 58

    202 e efetivamente realizados 102. Barra Bonita: Populao 2.120, alunos estimados 222,

    alunos realizados 196. Descanso: Populao 8.898 habitantes, alunos estimados 854,

    realizados 115 alunos. Guaraciaba: Populao 10.857 habitantes, alunos estimados 877 e

    realizados 598 alunos. Paraso: Populao 4.200 habitantes, alunos estimados 477 e realizados

    483 alunos. So Miguel do Oeste: Populao 35.249 habitantes, alunos estimados 3.132 e

    realizados 1.778 alunos. Belmonte: Populao 2.790 habitantes, alunos estimados 298 e

    realizados 292 alunos. Estes dados esto representados na tabela a seguir.

    Tabela 7: Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao, na Regional de So Miguel do Oeste

    Municpio Populao N alunos com

    participao

    estimada

    N de alunos com

    participao

    efetiva

    Bandeirante 3.095 202 102

    Barra Bonita 2.120 222 196

    Descanso 8.898 854 115

    Guaraciaba 10.857 877 598

    Paraso 4.200 477 483

    So Miguel do Oeste 35.249 3.132 1.778

    Belmonte 2.790 298 292 Fonte: O autor (2011)

    No grfico a seguir est demonstrado o percentual de alunos num comparativo com a

    populao total.

  • 59

    Grfico 10: Percentual de alunos num comparativo com a populao total. Fonte: SENAI (2010)

    O resultado do trabalho de conscientizao junto aos alunos do ensino fundamental e

    mdio da regional de Maravilha resultou na recolha de lixo eletrnico como est demonstrado

    no grfico a seguir.

    Grfico 11: Resultados da recolha do lixo eletrnico na Regional de So Miguel do Oeste (em

    Kg) Fonte: SENAI (2010).

    O Municpio de So Miguel do oeste no apresentou resultados nessa recolha, pelo

    fato do municpio j estar trabalhando essa problemtica e fazer recolhas peridicas do lixo

    eletrnico. A recolha nesta regional ficou assim distribuda: Bandeirantes: 330 kg, o que

    representou 0,11 kg por habitante e 3.24 kg por aluno. Descanso: Recolha 810 kg, 0,09 kg por

  • 60

    habitante e 7,04 kg por aluno. Guaraciaba: Recolha 350 kg, 0,03 kg por habitante e 0,59 kg

    por aluno. Paraso: Recolha 1.110 kg, 0,26 kg por habitante e 2.30 kg por aluno.

    O grfico a seguir demonstra a quantidade de lixo eletrnico em kg em comparativo

    com a populao da regional. Nesta regional a mdia em kg da recolha por habitante ficou em

    0,06 kg.

    Grfico 12: Recolha do lixo eletrnico X populao total Regional de So Miguel do Oeste Fonte: SENAI, (2010 )

    Na tabela a seguir esto demonstrados os resultados obtidos, de acordo com os

    grficos, da recolha do lixo eletrnico em kg na Regional de So Miguel do Oeste a proporo

    em kg por habitante e proporo por aluno.

    Tabela 8: Recolha do Lixo eletrnico em kg na Regional de So Miguel do Oeste, proporo

    em kg por habitante e proporo por aluno Municpio Recolha (em kg) Mdia (em kg) por

    habitante Mdia (em kg) por

    aluno Bandeirante 330 0,11 3,24 Barra Bonita 0 - - Descanso 810 0,09 7,04 Guaraciaba 350 0,03 0,59 Paraso 1.110 0,26 2,30 So Miguel do Oeste 0 - - Belmonte 0 - - Total 2.600

    Fonte: O autor (2011)

  • 61

    4.4 REGIONAL DE PALMITOS

    No grfico a seguir est demonstrado os municpios da Regional de Palmitos, e a

    Participao estimada dos alunos nos trabalhos de conscientizao e a participao efetiva dos

    alunos.

    Grfico 13: Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao, na

    Regional de Palmitos Fonte: SENAI (2010)

    O grfico demonstra a efetiva participao do alunos com exceo do municpio de

    Cunhatai. Nesta regional o trabalho de conscientizao atingiu 5.688 alunos, assim distribudos.

    Palmitos: Populao 16.596 habitantes. Populao de alunos estimada na participao do projeto

    1.351 e participao efetiva 1.203. So Carlos: populao 10.938, alunos estimados 823 e

    realizados 738 alunos. guas de Chapec: populao 6.354, alunos estimados 697 e realizados

    666. Cunhata: populao 1.948 habitantes, alunos estimados 241, e realizados 362 alunos. Cunha

    Por: populao 11.079, alunos estimados 920 e realizados 997 alunos. Caibi: Populao 6.392

    habitantes, alunos estimados 697 e realizados 618 alunos. Riqueza: populao 5.126 habitantes,

    alunos estimados 701 e realizados 718 alunos. Monda: populao 9.515 habitantes, alunos

    estimados 817 e realizados 386 alunos. Estes dados esto representados na tabela 09

  • 62

    Tabela 9: Participao estimada e efetiva de alunos nas palestras de conscientizao, na Regional de Palmitos

    Municpio Populao N alunos com participao

    estimada

    N de alunos com participao efetiva

    Palmitos 16.596 1.351 1.203

    So Carlos 10.938 823 738

    guas de Chapec 6.354 697 666

    Cunhatai 1.948 241 362

    Cunha Por 11.079 920 997

    Caibi 6.392 697 618

    Riqueza 5.126 701 718

    Mondai 9.515 817 386

    Fonte: O autor, 2011

    O grfico a seguir demonstra a populao de estudantes em um comparativo com a

    populao total do municpio

    Grfico 14: Percentual de alunos em um comparativo com a populao total na Regional de

    Palmitos. Fonte: SENAI (2010)

  • 63

    O resultado do trabalho de conscientizao junto aos alunos do ensino fundamental e

    mdio da regional de Palmitos est demonstrado no grfico a seguir

    Grfico 15: Resultados da recolha do lixo eletrnico na Regional de Palmitos (em Kg) Fonte: SENAI,2010

    A recolha do material foi feita em todos os municpios da Regional, inclusive no

    municpio de guas de Chapec. Esse municpio no aparece na tabulao pelo fato de ter feito a

    entrega quando os dados j estavam tabulados. Para esta regional a recolha ficou assim

    distribuda: Palmitos: recolha 270 kg o que representa 0,02 kg por habitante e 0,22 kg por aluno.

    So Carlos: recolha 470 kg, 0,04 kg por habitante e 0,64 kg por aluno. Cunhata: Recolha 210 kg,

    0,11 kg por habitante e 0,58 kg por aluno. Cunha Por: recolha 960 kg, 0,09 kg por habitante e

    0,96 kg por aluno. Caibi: Recolha 170 kg, 0,03 kg por habitante e 0,28 kg por aluno. Riqueza:

    recolha 850 kg, 0,17 kg por habitante e 1,18 kg por aluno. Monda: Recolha 1.630 kg, 0,17 kg por

    habitante e 4.22 kg por aluno. No grfico 16 esto os valores em kg recolhidos num comparativo

    com a populao total.

  • 64

    Grfico 16: Recolha do lixo eletrnico X populao total Regional de Palmitos Fonte: SENAI (2010)

    Em um apanhado geral das quatro regionais, objeto desse trabalho, apresentamos no

    grfico 17 o total de alunos atingidos atravs das palestras e do trabalho de conscientizao

    nas escolas, tanto do ensino fundamental como do ensino mdio.

    Na tabela 10 esto demonstrados os resultados obtidos, de acordo com os grficos, da

    recolha do lixo eletrnico em kg na Regional de Palmitos a proporo em kg por habitante e

    proporo por aluno.

    Tabela 10: Recolha do Lixo eletrnico em kg na Regional de Palmitos, proporo em kg por

    habitante e proporo por aluno. Municpio Recolha (em kg) Mdia (em kg) por

    habitante Mdia (em kg) por

    aluno Palmitos 270 0,02 0,22

    So Carlos 470 0,04 0,64

    guas de Chapec 0 0 0

    Cunhata 210 0,11 0,58

    Cunha Por 960 0,09 0,96

    Caibi 170 0,03 0,28

    Riqueza 850 0,17 1,18

    Mondai 1.630 0,17 4,22

    Total 4.560

    Fonte: O autor (2011)

  • 65

    0

    500

    1.000

    1.500

    2.000

    2.500

    3.000

    3.500

    Bom

    Jesu

    s do

    Oes

    te

    Flor

    do

    Sert

    o

    Irac

    emin

    ha

    Mar

    avilh

    a

    Mod

    elo

    Pinh

    alzi

    nho

    Rom

    eln

    dia

    So

    Mig

    uel d

    a Bo

    a Vi

    sta

    Sant

    a Te

    rezi

    nha

    do P

    rogr

    esso

    Saud

    ades

    Salti

    nho

    Tigr

    inho

    s

    Itap

    irang

    a

    Ipor

    do

    Oes

    te

    Sant

    a He

    lena

    So

    Joo

    do

    Oes

    te

    Tun

    polis

    Band

    eira

    nte

    Barr

    a Bo

    nita

    Des

    cans

    o

    Gua

    raci

    aba

    Para

    so

    So

    Mig

    uel d

    o O

    este

    Belm

    onte

    Palm

    itos

    So

    Carl

    os

    gua

    s de

    Cha

    pec

    Cunh

    ata

    Cunh

    a Po

    r

    Caib

    i

    Riqu

    eza

    Mon

    da

    Anch

    ieta

    Dion

    sio

    Cerq

    ueir

    a

    Gua

    ruj

    do

    Sul

    Palm

    a So

    la

    Prin

    cesa

    So

    Jos

    do

    Cedr

    o

    ESTIMADOS

    REALIZADOS

    Grfico 17: Total de alunos atingidos atravs de palestras e trabalho de conscientizao nas

    quatro regionais. Realizada e estimada. Fonte: SENAI (2010)

    A concluso que se chega que baseado nas estimativas de alunos que seriam atingidos com a

    curva dos alunos que efetivamente foram atingidos pelo trabalho de conscientizao, atravs de

    palestras ficou dentro das expectativas e com timos resultados. A estimativa que tnhamos ao

    iniciarmos o trabalho de conscientizao atravs das palestras e do trabalho nas escolas era de 29.884

    alunos e conseguimos atingir nas quatro regionais, totalizando 33 municpios, 23.755 alunos. O

    grfico a seguir demonstra o total recolhido nas quatro regionais.

    0

    200

    400

    600

    800

    1.000

    1.200

    1.400

    1.600

    1.800

    2.000

    Bom

    Jesu

    s do

    Oes

    te

    Flor

    do

    Sert

    o

    Irace

    min

    ha

    Mar

    avilh

    a

    Mod

    elo

    Pinh

    alzi

    nho

    Rom

    eln

    dia

    So

    Mig

    uel d

    a Bo

    a Vi

    sta

    Sant

    a Te

    rezin

    ha d

    o Pr

    ogre

    sso

    Saud

    ades

    Salti

    nho

    Tigr

    inho

    s

    Itapi

    rang

    a

    Ipor

    do

    Oes

    te

    Sant

    a He

    lena

    So

    Joo

    do

    Oes

    te

    Tun

    polis

    Band

    eira

    nte

    Barr

    a Bo

    nita

    Desc

    anso

    Gua

    raci

    aba

    Para

    so

    So

    Mig

    uel d

    o O

    este

    Belm

    onte

    Palm

    itos

    So

    Carlo

    s

    gua

    s de

    Chap

    ec

    Cunh

    ata

    Cunh

    a Po

    r

    Caib

    i

    Riqu

    eza

    Mon

    da

    Anch

    ieta

    Dion

    sio

    Cerq

    ueira

    Guar

    uj

    do S

    ul

    Palm

    a So

    la

    Prin

    cesa

    So

    Jos

    do

    Cedr

    o

    RECOLHA

    RECOLHA

    Grfico 18: Totalizao do lixo eletrnico recolhido nas quatro regionais (em kg) Fonte: SENAI (2010)

  • 66

    A recolha do lixo eletrnico constituiu-se em 40% monitores, 30% CPU e 30% de outros

    materiais (impressoras teclados, mouses etc). O total de lixo eletrnico recolhido nas 4

    regionais foi de 18.310 kg

  • 67

    5 CONCLUSO E CONSIDERACES FINAIS

    Neste estudo constatamos que, com exceo de alguns municpios de abrangncia das

    quatro regionais, o gerenciamento do lixo eletrnico no est sendo feito por parte do poder

    municipal. Atravs da quantidade de material recolhido constata-se que esse lixo eletrnico

    est sendo armazenado nas casas dos usurios, ou sendo depositado no lixo comum.

    O no recolhimento desse lixo pode estar associado ao desconhecimento por parte da

    populao que o lixo eletrnico, de acordo com a legislao brasileira, tratado da mesma

    forma que qualquer resduo slido, sendo dessa forma de competncia do poder pblico o seu

    recolhimento e a correta destinao

    A qualificao desse material, (40% monitores, 30% CPUs e outros 30% de diversos

    materiais eletrnicos) demonstra que a populao est trocando as tecnologias que possui em

    sua casa. O que est de acordo com a literatura, visto que a obsolecncia das tecnologias

    precoce, e o surgimento de novas tecnologias, incentiva o consumo.

    Desta forma o trabalho de educao ambiental, atravs das palestras e da

    conscientizao efetuadas nas escolas do ensino fundamental e mdio, em todas as escolas do

    ensino pblico das regionais resultou numa maior compreenso por parte dos alunos da

    problemtica. Cabe agora as escolas e o poder pblico darem sequencia ao trabalho de

    educao ambiental e a recolha desse material, para que o mesmo no seja depositado em

    aterros sanitrios comuns, poluindo dessa forma a gua superficial e subterrnea.

    A educao ambiental vem ao encontro dessa problemtica, uma vez que na sua base

    programtica estar justamente uma prxis educativa e social que tem por finalidade a

    construo de valores, conceitos, habilidades e atitudes que possibilitem o entendimento da

    realidade de vida e a atuao lcida e responsvel de atores sociais individuais e coletivos no

    ambiente. Nesse sentido, contribui para a tentativa de implementao de um padro

    civilizacional e societrio distinto do vigente, pautando numa nova tica da relao sociedade

    natureza. Dessa forma, para a real transformao do quadro de crise estrutural e conjuntural

    em que vivemos, a educao ambiental, por definio, e elemento estratgico na formao de

    ampla conscincia crtica das relaes sociais e de produo que situam a insero humana na

    natureza (LOUREIRO, LAYRARGUES, CASTRO, orgs, 2002)

    A problemtica ambiental causada pelo descarte dos materiais eletrnicos

    relativamente nova, e a humanidade acordou para o problema s recentemente, quando se

    percebeu da quantidade desse lixo que estava sendo descartado, e da periculosidade que os

  • 68

    componentes txicos presentes nas suas estruturas representam para a sade do homem e para

    a biodiversidade.

    A situao chegou a um ponto tal, que hoje o descarte de lixo eletrnico chega a 3%

    de todo o lixo produzido no mundo, e a tendncia aumentar em virtude de novos produtos

    que chegam ao mercado todos os meses.

    Uma das solues encontrada pelos pases mais desenvolvidos o envio desse

    material para pases do terceiro mundo como forma de doao e incentivo incluso digital.

    O que no deixa de ser uma incongruncia porque s est se transferindo o problema, e uma

    vez que esses paises no possuem tecnologias para a reciclagem, isso se torna mais um

    problema. Pases desenvolvidos enviam para pases em desenvolvimento cerca de 70% a 80%

    do seu lixo eletrnico, no entanto somente 10% desse lixo ainda aproveitvel na incluso

    digital.

    O problema se agrava quando se sabe que a maioria desses pases receptores, no

    possuem nenhuma estrutura para a reciclagem desse material, ficando dessa maneira o lixo

    exposto em lixes, poluindo a gua ou o ar quando so incinerados.

    Por traz disso tudo est o consumismo desacerbado, incentivado pelas indstrias. As

    indstrias premeditadamente tornam seus produtos obsoletos no curto prazo, com o

    lanamento de novos modelos, novos softwares, novas tecnologias. Isso faz com que um

    computador perca a sua utilidade em pouco tempo. O consumidor bombardeado diariamente

    com propagandas de novos lanamentos de computadores, celulares, mquinas fotogrficas e

    toda sorte de produtos. Isso faz com que o consumidor, mesmo tendo um aparelho em bom

    estado, e vida til ainda longa, troque o produto por um novo. O upgrade das empresas de

    informtica foram o consumidor a adquirir novos modelos, porque o que ele est usando no

    roda mais determinados programas, ou determinadas peas no so mais compatveis como o

    modelo em uso.

    No Brasil no existe uma legislao especfica que trate da questo do lixo eletrnico.

    O que existe uma legislao que trata dos resduos slidos. No nosso caso, o lixo eletrnico

    considerado resduo slido. No existe uma legislao que responsabilize a indstria ou que

    a obrigue a recolher e dar um destino correto. Essa mesma legislao apenas estabelece que o

    Estado e o municpio so os responsveis pela coleta e destino do resduo slido. E como lixo

    eletrnico considerado resduo slido, fica a encargo da prefeitura a responsabilidade pela

    coleta e destino correto dos resduos do lixo eletrnico.

  • 69

    Uma soluo que est se mostrando promissora a descoberta de novos materiais,

    como os nanotubos e o grafeno, que iro diminuir substancialmente a utilizao de matria

    prima na confeco de computadores, diminuindo seu tamanho e seu consumo de energia.

    Outra soluo vivel a tecnologia reversa. Leis precisam ser criadas

    responsabilizando as indstrias pelo lixo eletrnico produzido por elas. Um sistema eficiente

    de coleta desse material, e um destino correto, j amenizariam a situao.

    Mas a melhor soluo, a curto mdio prazo o aumento da vida til desses produtos,

    evitando que a cada novo lanamento o antigo precise ser jogado fora por ser incompatvel

    com os novos programas e novas plataformas.

    Isso aliado a uma educao ambiental, principalmente nas escolas do ensino

    fundamental e mdio, conscientizando as pessoas para o problema do consumismo sem

    limites poder trazer algum resultado no futuro.

    Diante do exposto conclui-se que a problemtica do lixo eletrnico tende a se agravar

    com o surgimento de novas tecnologias e a obsolecncia cada vez mais rpida das que esto

    em uso hoje. Para tanto faz-se necessrio que o poder pblico dispense um tratamento

    diferenciado ao lixo eletrnico separando-o dos resduos slidos, proporcionando a populao

    um modo seguro e ecolgico do descarte do mesmo, e paralelamente a isso, incentivando a

    educao ambiental nas escolas e campanhas de recolhimento desse lixo.

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    REFERENCIAS BIBLIOGRFICAS

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