Geomag - Edio 21

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    03-Aug-2016

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Revista sobre geocaching nacional e internacional, incluindo desportos aventura. Nesta edio trazemo-vos um "dinossauro" do geocaching nacional, o senhor MAntunes! Sim, um senhor, porque a sua histria rica, cheia de aventuras e desventuras, histrias e muitas caches antiga! Convidamos-vos, ento, a conhecer um pouco da histria do Manuel no geocaching nacional, o primeiro (e nico) Charter Member portugus, criador de caches icnicas como a Linha do Douro e o Pulo do Lobo. No percam!

Transcript

  • 1Junho 2016 - EDIo 21

    J u n h o 2 0 1 6 - E D I o 2 1

    E AINDA...

    Cruzilhadas

    Geocoin Victoria Amazonica

    Mini Super Liga 2016

    Ponto Zero

    E muito mais...

    ALM FRONTEIRAS

    Uma viagem at ao outro lado do

    mundo, a Austrlia

    DESCOBERTA DE

    Douro SublimeExplorando o vale do Douro e toda a beleza natural deste lugar nico.

    MANTUNESEx Charter Member, empreendedor, fundador, geocacher dedicado s raizes da actividade. Manuel Antunes em antologia.

  • 2 Junho 2016 - EDIo 21

  • 3Junho 2016 - EDIo 21

    Editorial............................................................. 04..

    Cruzilhadas....................................................... 06

    Mandamentos.-.No.Ofendas.................... 10

    Alm.Fronteiras.-.Austrlia........................ 12

    O.que.levo.na.minha.mochila...................... 18

    .Descoberta.-.Douro.Sublime.................. 24

    Frente.a.Frente............................................... 28

    3.Toneladas.de.Ouro....So.Close!............... 36

    Entrevista.de.Carreira.-.MAntunes.......... 43

    Mini.Super.Liga.GeoPT.2016...................... 70

    Geotour.Aores.-.Grupo.Ocidental.......... 76

    Geocoins.-.Victoria.Amazonica................. 82

    Gadgets.n.Gizmos.-.C:Geo.......................... 86

    Cache.em.Destaque....................................... 88

    From.Geocaching.HQ.with.Love................ 90.

    O.meu.Waymark-.Graffiti............................ 92

    Ponto.Zero.-.Caches.Challenge................. 94.

    Nota sobre Acordo Ortogrfico:Foi deixado ao critrio dos autores dos textos a escolha de escrever de acordo (ou no) com o AO90.

    Annie Love

    Antnio Cruz

    Bruno Gomes

    Bruno Rodrigues

    Filipe Sena

    Filipe Nobre

    Lus Machado

    Nuno Gil

    Pedro Almeida

    Rita Monarca

    Rui de Almeida

    Rui Duarte

    Snia Fernandes

    Tiago Borralho

    Tiago Veloso

    Vtor Srgio

    Com o apoio :

    Crditos

    ndice

  • 4 Junho 2016 - EDIo 21

    Se h coisa que abraar o cargo de Editor da GeoMag me deu foi a opor-tunidade de viver as aventuras e desventuras dos entrevistados (mui-to semelhana com o que se passa quando leio um bom livro). As horas passadas em torno da investigao, as perguntas mais ou menos certei-ras, as respostas muitas vezes acom-panhadas de um Ei! No fazia ideia de que isso tinha acontecido, e muito menos assim! e os sorrisos, certa-mente partilhados, a respeito de uma ou outra situao mais curiosa.No entanto, o ideal seria sempre con-seguir complementar todo o trabalho envolvido na realizao da entrevista com, pelo menos, um dia bem pas-sado na companhia do/a/s ilustre/s visados, coisa que raramente pos-svel. Seria certamente enriquecedor poder ver o K!nder a abordar uma T5, o Sup3rFM a recambiar um geo-cacher para o opencoiso, passear pelas Levadas com o Luisftas ou ver o AJSA a estrumar uma fileira de Al-faces (ser que se estruma o terreno onde se plantam as alfaces?!) mas, o

    oramento (e o tempo disponvel) no o permite e por isso fao (fazemos) questo de agarrar qualquer oportu-nidade que se afigure vivel. Foi o que se passou com o CLCortez numa visita ao Castelo de Leiria, com o Bargo_Henriques num belssimo dia por Ri-bamar e agora com o MAntunes pela Frnea e arredores.Anos a fio a ler sobre abordagens MAntunes e outras caractersticas que de uma forma ou de outra o fo-ram tornando nicos levaram a que durante a entrevista fosse ponto as-sente o facto de que a mesma no se-ria publicada sem uma enriquecedora visita de campo.Os Astros alinharam-se o suficiente para que a sada se proporcionasse no final de Maio, num dia a que nem a chuva quis faltar, e ao final da manh a GeoMag registava ao vivo e com be-lssimas cores a tour um dia inteiro, trs caches by MAntunes e GeoMag.O plano visava fundamentalmente efectuar a manuteno na Soft Water over Hard Stone [Porto de Ms], ca-che originalmente do pcardoso e pas-

    sava (passou) por: - Observar a Frnea l do topoooo, usando como desculpa a caada TF-05 Alto da Cova da Velha do trifais-ca e servindo como aperitivo para o que a vinha, no s relacionado com a paisagem soberba que rodeia toda a zona como tambm como comple-mento entrevista propriamente dita, pormenores mais obscuros e/ou es-quecidos pelo tempo a cachada em si resultou num fabuloso DNF e s nos faltou mesmo gritar Busca Ma-nel para enquadrar a coisa no espri-to. HeheheMas no foi por falta de esforo que a cache ficou por encontrar. Eu j a tinha encontrado noutra altura, o Fotografo no propriamente Geocacher mas o Manuel bem tentou! Provavelmente os ltimos founds sero daqueles que levam tudo a eito a bordo do/s PT/s e fomos ao engano, julgando que a ca-che estaria no GZ.- Despachado o DNF, o melhor e mais saboroso Found it do dia foi found na Chouria assada, na Morcela de Ar-roz, no Entrecosto e Lentrisca grelha-

    EDITORIALpor Rui Duarte

  • 5Junho 2016 - EDIo 21

    dos, nos famosos Queijinhos, Azeito-nas e Broa de Milho... tudo muito bem regado com o tinto da casa! Resumin-do, encontramos a Tasquinha da D. Maria, vulgarmente conhecida como Ti Maria dos Queijinhos! Tudo tem-perado com muita, muita conversa o meu filho que tem razo, Geoca-ching sem almoo (grelhados) no Geocaching!!- Era altura de testar o Sorento e de fazer aquilo a que nos tnhamos real-mente proposto, dar uns miminhos Velha, ou melhor, Cova da Velha, desta feita bem mais hmida do que da primeira vez que a visitei o pas-seio pedestre, mais curto pois leva-mos o jipe at cascata, fez-se sob a ameaa dos cus, que, felizmente, nos desabou na cabea quando nos j encontrvamos quase nas entra-nhas da terra. Realmente, estas coi-sas quando se est acompanhado por quem sabe tem outro sabor no que o que pensei que fosse uma pe-quena lapa na encosta da Frnea, afinal apenas a entrada de uma gruta com lago e tudo? E com uma segun-

    da camara bastante acessvel, a qual visitmos com pouqussimo esforo e onde deu para ver um primeiro lago. Isso e o Manuel a molhar o p at ao joelho.A manuteno da cache como tan-tas outras. O container, em perfeito estado, ter sido deixado mal fechado e estava tudo ensopado. A regra que confirma o que o entrevistado j tinha referido, que a maior parte dos arqui-vamentos das suas caches se deveu falta de cuidado de terceiros. - Para o final estava reservada ou-tra tcnica descrita na entrevista do Manuel. Fomos em busca de uma cache nas imediaes, a terceira e l-tima do programa, Penas do Castelo [Porto de Ms], e fruto de termos en-veredado pelo caminho obviamente mais difcil tive direito a ver in loco o que raio a aproximao MAntu-nes umas vezes por cima da vege-tao, outras por debaixo, com mais ou menos dificuldade e azimutando pelo morro errado l encontrmos um caminho mais normal e fomos dar com o local recomendado (na listing)

    onde deveramos ter deixado o TT. O standart portanto o pessoal novo nisto. O local escolhido para esconder a cache definitivamente um daque-les que dificilmente se encontrar por acaso e onde se aplica o clich se no fosse o geocaching nunca aqui teria vindo.Por tudo o acima confirmo, o ideal era mesmo poder passar um EXCELENTE dia como este, com todos os que de uma forma ou de outra vo enrique-cendo a GeoMag, em especial com os que so alvo de entrevistas (mais ou menos exaustivas), como foi o caso do Manuel aqui.No quero deixar de destacar tambm aqui o nosso passatempo de Junho, em linha com o novo souvenir dos nossos amigos da GS, o National Get Outdoors Day. O desafio era manifes-tamente simples, registar em fotogra-fia um momento passado a cachar durante o dia 11 de Junho e partilha--lo connosco. Algumas dezenas de simpatizantes e amigos responderam ao desafio e o resultado est a no interior da vossa revista!

  • Por Valente Cruz

    para l do geocachingC R U Z I L H A D A S

    Junho 2016 - EDIo 21

    .LAGOA.DOS.CNTAROS

  • 7Junho 2016 - EDIo 21

    Os clichs so comummente aplicados nos mais variados contextos e sujei-tos. Aos poucos, estas atribuies vo conquistando a comunicao e faci-litando o exagero. Por vezes l se es-cuta que O geocaching mais do que um passatempo, uma forma de estar na vida. Sinto alguma desconfiana sempre que escuto clichs, em parti-cular os que terminam desta maneira. O geocaching apenas um passatem-po; quanto s formas de estar na vida, quaisquer que sejam, todas o so de forma intrnseca. No obstante, atra-vs do geocaching e nos mais varia-dos contextos, possvel vivenciar um conjunto de outras atividades que aca-bam por complementar o passatempo e enriquecer as experincias.

    O geocaching no se reduz desco-berta de locais; muitas vezes acaba-mos por nos redescobrir, ou pelo me-nos aprendemos a gostar que coisas que no imaginvamos e redefinimos os nossos limites. Depois da curiosi-dade inicial na procura de recipientes, quais Indianas de um tempo perdido, o xtase vai acalmando lentamente e somos introduzidos em outras ativida-des, mais ou menos relacionadas, que de outra forma poderamos no expe-rienciar. No princpio a cache; depois, a imaginao o limite.

    Por exemplo, sempre torci o nariz a an-dar pendurado em cordas, mas l che-gou o momento em que para encontrar uma cache foi necessrio fazer rapel. Apesar da expetativa e nervosismo iniciais, a experincia revelou-se fan-tstica! Experimentei a escalada atra-vs do geocaching e desde ento ficou a vontade de repetir. O mesmo acon-teceu com o canyoning; j sentia um apelo natural por fazer progresso em

    rio, mas sempre o realizei sem material e com os condicionalismos associados. Por todas as razes, e em particular pelo facto de no me sentir muito -vontade na gua, nunca sonhei que um dia haveria de fazer canyoning. Depois de experimentar fiquei fascinado com o quo prximo poderemos sentir a aventura em segurana.

    De todas as atividades descobertas, a que mais me marcou foi o monta-nhismo. Sempre senti um apelo na-tural pelas montanhas e por espaos de elevada solido. Gosto de reencon-trar-me pelas veredas e subir ao alto de quem gostaria de ser. O geocaching veio exponenciar e concretizar essa paixo. Bastou uma primeira experin-cia de geocaching na montanha para perceber que este era o meu ambien-te preferido para praticar o passatem-po. Depois, com ou sem geocaching, a montanha passou a ser o princpio e o fim de muitas aventuras. Travessias e pernoitas deixaram de ser sonhos adiados e tornaram-se repositrios de grandes memrias!

    Tendo como contexto o geocaching e partindo do fascnio pelas montanhas descobri o trail running. Quando surgiu o primeiro vislumbre desta modalidade estava ainda longe de imaginar o quo esta descoberta seria interessante e me levaria a quebrar mais algumas barreiras. H cerca de quinze quilos atrs esticava-me no sof e limitava-me a exercitar os dedos com o coman-do da televiso, vagamente desinte-ressado no que se estendia para l da janela e do conforto da casa. Depois, difcil transcrever por palavras o quan-to me satisfaz e realiza todo o proces-so de vencer um desafio de ultra trail, desde a escolha da prova, a prepara-

    o, as dvidas, as dificuldades, as es-peranas, a prova propriamente dita, o sofrimento e o momento final, em que todas estas vivncias se transformam num sorriso intemporal de felicidade pura.

    medida que o geocaching foi propor-cionando a descoberta de locais fan-tsticos e insuspeitos, um novo passa-tempo emergiu da sombra: a fotografia. Face ao manancial de oportunidades, comeou a parecer-me que as fotogra-fias no revelavam verdadeiramente a beleza dos locais ou dos momentos, o que me levou a querer aprender mais sobre a arte e o sobre o equipamento. At ento, a fotografia nunca tinha sido um fim. Depois, e tambm boleia do geocaching, passei a acordar a horas improvveis ou a pernoitar em locais insuspeitos para assistir e fotografar o nascer do sol, em momentos que an-tes apenas existiam no meu imagin-rio, mas que entretanto se tornaram obrigatrios e fundamentais, ano aps ano.

    Para l dos locais e atividades que o geocaching permitiu descobrir, falta enunciar o melhor de tudo: os amigos. Este um dos aspetos mais marcantes do passatempo, pela facilidade com que se conhecem pessoas e se criam amizades. Tendo em conta o interes-se comum, parece haver um elo natu-ral entre geocachers. No final, vivncia atrs de vivncia, ficaro sempre os amigos e a certeza de que, se no for por mais nada, s por isso j valeu a pena!

    Texto / Fotos: Antnio Valente

    (Valente Cruz)

  • 8 Junho 2016 - EDIo 21

    SERRA.DO.MARO

    CASTRO.DE.ROMARIZ

  • 9Junho 2016 - EDIo 21

    VALE.DO.VOUGA

    9

  • 10 Junho 2016 - EDIo 21Junho 2016 - EDIo 21

    NO OFENDAS!M A N D A M E N T O S

    p O r T i A g O S g D

  • 11Junho 2016 - EDIo 21

    Andamos h vrios meses a refletir acerca do estilo de vida que um geo-cacher deve aplicar para escapar aos tormentos eternos, onde nem o sinal GPS consegue entrar.

    Sim, caros brothers e sisters, tambm hoje falaremos de um Mandamento, um dos ltimos da lista! Mas, poder-nos-ia passar ao lado o no ofen-das?

    Vivemos tempos complicados. A mal-ta est sedenta de sangue. Vejam s o facebook! Aquilo ataques, contra--ataques e autnticas exploses de dio! Por tudo e por nada! Por nada e por tudo! Escreve-se s porque sim. chamar o PR de @@ de uma [ e o presidente do clube da terra de ^@{?%!. Assim, sem mais nem menos. Atacam-se celebridades que riem e vips que foram de frias para o outro lado do mundo. Algum fala bem? Poucos, muito poucos. Al-gum elogia?

    A sede de uma guerra tanta que se ofende a toda a hora! Prometem-se joelhadas e lambadas. E sangue. Mui-to sangue.

    Ok, certo que, por vezes, podemos estar a ferver por dentro, que nem chaleiras prontas para o ch (imagem to estranha!), mas, neste exemplo to parvo, posso diminuir o lume, no? Claro que posso deixar ferver e verter tudo. Posso irritar-me e dar um pon-tap na cache. Contudo, o mais co-mum ver reaes parvas e ofensivas tanto nos logs como em posteriores comentrios pblicos no facebook/fruns. Quem escreve, sabe, com cer-teza, que o seu texto ser lido e pode ofender outra pessoa que fazer?

    De facto, caros irmos, h pessoas que no sabem/no conseguem/no que-rem construir dias felizes, mesmo nos perodos de tristeza, de DNFs e de ira. H pessoas que se deixam dominar pelo dio, pela raiva, pela fria, pela

    clera e por tantos outros sentimen-tos que tais. Sentem-se bem assim. No podemos ignorar que h pessoas que inventam problemas quando tudo est bem, tal a sua criatividade

    Quem est do outro lado, o owner ou o leitor, pode reagir com a mesma moeda, pode deixar-se ficar ofendido e at perder o sono. Mas pode pensar que o escritor teve um dia mau; que um geocachers frustrado porque foi um DNF no meio de centenas de Fou-nds; ao ver o dio dos outros, o leitor pode reconhecer que no h geoca-chers perfeitos, nem mesmo na lua. O melhor passar frente. Afinal, quem est mal o que deixa explodir a raiva.

    Seria bom que no existissem ofen-sas. Infelizmente, sempre existiro porque h sempre algum que no consegue controlar-se a si mesmo. Esse precisa crescer. E muito.

    Texto: Tiago Veloso (tiagosgd)

    11

  • 12 Junho 2016 - EDIo 21

    POR LARANJA & TMOBA L M F R O N T E I R A S

    Junho 2016 - EDIo 21

  • 13Junho 2016 - EDIo 21

    Do tamanho de um continente, a Aus-trlia um pas com uma admirvel variedade de paisagens, culturas e muitos outros pontos de interesse. De ambientes desrticos de cor ver-melha, a grande barreira de coral, ani-mais exticos, belas praias, at cida-des multiculturais como Sydney ou Melbourne (frequentemente entre as cidades do mundo com melhor quali-dade de vida), fazem da Austrlia um cenrio com amplas escolhas e um destino de eleio para muitos viajan-tes, embora longnquo para o viajante Portugus.

    Relativamente perto de Melbour-ne fica aquela que conhecida como Great Ocean Road. Uma estrada cos-teira, muito cnica, que serpenteia a costa por cerca de 250km, ligando as cidades de Torquay e Allansford. Os planos para o seu desenvolvimen-to surgiram aps a Primeira Guerra Mundial, e na verdade foram os sol-dados Australianos regressados da guerra que iniciaram a sua constru-o, como forma de homenagem aos soldados perdidos, tornando a estra-da num memorial de guerra de di-menses muito considerveis. O de-senvolvimento desta via teve ento uma importncia a tanto nvel turs-tico, como comercial, uma vez que as pequenas povoaes da poca eram na sua maioria acessveis apenas por mar, permitindo o transporte, princi-palmente de madeira.

    O percurso completo, a partir de Mel-bourne, sero cerca de 600 km, por isso ainda que seja possvel fazer todo o percurso num nico dia, o ideal ser

    dedicar-lhe pelo menos dois.

    Quais so ento os atractivos da Great ocean road?

    Trata-se de uma estrada costeira, construda numa costa irregular, para os entusiastas da conduo este sim-ples facto poder garantir uma visita, mas na verdade h muito mais para oferecer. As vistas so excelentes e ao longo do percurso existem vrios mi-radouros onde possvel parar por al-guns minutos para desfrutar do local e tirar algumas fotografias. No caso de uma visita com bastante tempo, possvel fazer vrias caminhadas que partem da estrada em si e se es-tendem at pontos de interesse es-pecficos. Embora o percurso seja na sua maioria costeiro, uma boa parte da estrada cruza o Parque Nacional Great Otway , onde possvel fazer caminhadas atravs da floresta hmi-da e visitar algumas cascatas. Segun-do nos disseram tambm possvel avistar cangurus e coalas, mas ns no tivmos essa sorte. Esta regio produtora de vinho por isso, nas pro-ximidades, possvel visitar algumas vinhas e adegas.

    Ao longo do caminho, e nas suas proxi-midades, existem centenas de caches, de vrios tipos e nveis de dificuldade, no entanto com tantos quilmetros pela frente preciso ser minimamen-te selecto sobre onde parar. Uma vez que as grandes atraces desta rota so os monumentos naturais, fruto da eroso que ao longo de milhares anos tem desenhado a costa, crian-do o cenrio ideal para earthcaches, e boa parte das caches que visitmos

    foram deste tipo.

    A nossa primeira paragem foi j um pouco depois de Torquay, quando co-memos realmente a avistar a costa, na cache Point Roadknight [(GC1T-NW4]), uma cache tradicional, sim-ples, e que potenciou umas belas vis-tas. Alguns quilmetros mais frente deixmos o carro e ccaminhmos at ao Split Point Lighthouse, onde bem perto se situa-se a earthcache The Aireys Inlet Volcano ([GC53CZA]). No muito longe fica a The Gateway [(GCGTGT]), uma cache bem antiga (de 2003), que assinala um ponto de paragem obrigatria. Um prtico co-memorativo, um monumento e vrias placas de homenagem Great Ocean Road, e queles que a construram.

    As vrias vilas que vo sendo atra-vessadas so na sua essncia, anti-gas vilas piscatrias, hoje com uma grande industria ligada ao turismo, com oferta hoteleira e de restaurao. Em Lorne fizemos mais uma paragem junto ao ponto onde encontrmos as duas caches mais prximas (GC69J0Z e GC25GHV).

    A paragem seguinte foi na W.B God-frey Shipwreck [(GC536B0]), no en-contrmos a cache, mas a sua histria bem interessante. Trata-se de uma sepultura, na beira da estrada, per-to do local onde o navio W.B Godfrey ter naufragado; ningum morreu no naufrgio propriamente dito, mas cin-co homens ter-se-o afogado durante as operaes de salvamento. As suas campas tero sido descobertas du-rante a construo da estrada, mas os seus restos mortais no foram remo-vidos, sendo a a estrada construda por cima. Como memorial ao acidente,

  • 14 Junho 2016 - EDIo 21

    foi erigida esta sepultura na berma.

    Apollo Bay um dos pontos de para-gem obrigatria, uma bonita baa, com um extenso areal; a cache Bay Cache Alpha ([GC21DRD)] permite umas vis-tas bem simpticas.

    Nos quilmetros seguintes a estrada afasta-se um pouco da costa e o ce-nrio muda bastante., Qquando volta-mos a ver o mar surgem alguns dos monumentos naturais mais icnicos do percurso. A earthcache But the-res not twelve! [(GC3QDN1]) assinala os doze apstolos, provavelmente o ponto mais turstico deste percurso, estamos a falar de um total de oito rochedos, isolados da costa, e criados pela eroso. Sim, actualmente so oito, em tempos tero sido doze, mas foram desaparecendo graas aco do mar. A beleza natural continua, e a prxima paragem fez-se na ear-thcache An Evolving Coastline [(GC-26G0P)].

    Esta uma das zonas do percurso mais bonitas, e recheada de pontos de interesse criados pela natural eroso da costa; fizmos vrias paragens, nem todas com direito a cache. A ear-thcache London Bridge ([GC1HNP1])

    assinala o local conhecido pelo mes-mo nome, devido aos seus dois arcos. Actualmente apenas um dos arcos de mantm, agora j isolado da costa. O primeiro arco colapsou em 1990, e deixou duas pessoas isoladas na ilha recm criada; apesar de no ter havido feridos, estas tiveram de ser resgatadas de helicptero. Tambm a destacar The grotto ([GC1V530]), um algar ao qual possvel descer por um passadio de madeira, e durante a mar baixa caminhar atravs do seu arco e chegar ao mar.

    No final ficou a memria de um ex-celente passeio, recheado de belas paisagens com muita diversidade, e que gostaramos de ter mais tempo para explorar. A, afinal o percurso bastante extenso. Ainda que a cos-ta portuguesa esconda recantos to ou mais belos, a grande diferena a inexistncia de uma estrada costeira que permita percorr-los a todos de seguida, e muito provavelmente - ainda bem.

    Texto / Fotos:

    Rita Monarca /

    Tiago Borralho (Laranja / Tmob)

    No final ficou a memria de um excelente passeio, recheado de belas paisagens com muita diversidade, e que

    gostaramos de ter mais tempo para explorar.

  • 15Junho 2016 - EDIo 21

    GC1HNP1

  • 16 Junho 2016 - EDIo 21Junho 2016 - EDIo 21

    GC536B0

  • 17Junho 2016 - EDIo 21

    GC3QDN1

    GC69J0Z

  • 18 Junho 2016 - EDIo 21

    por BTRODRIGUES

  • 19Junho 2016 - EDIo 21

    O que levo na minha mochila uma rbrica da geomag, que pre-tende partilhar com todos os nos-sos leitores um pouco do que os nossos convidados levam consigo nas suas cachadas mais organiza-das. No deixem de partilhar con-nosco as vossas mochilas, atravs do nosso facebook em http://fb.me/geomagpt

    A CASA S COSTAS

    Caminhar durante 10 dias, ao longo de mais de 250Km, impli-ca levar tudo o que possamos precisar durante esse perodo de tempo sempre connosco. H que fazer sacrifcios. O primeiro factor a ter em conta a prpria mochila.Os critrios a ter em conta na aquisio de um item destes passam no s pela capacida-de da mesma mas tambm pelo apoio e suporte que oferecem, a resistncia chuva e a quan-tidade de compartimentos que detm, j que o conforto ao lon-go de vrias horas de uso e o acesso fcil ao que temos den-tro dela muito importante.

  • 20 Junho 2016 - EDIo 21

    J tinha h algum tempo uma mochila bastante prtica, com uma capacidade de 30 litros mas que no oferecia qual-quer tipo de suporte lombar. Encaixar tudo o que tinha l dentro seria outro desafio, portanto acabei por comprar uma Decathlon Forclaz 50 com uma capacidade superior (50 litros), com mltiplas regulaes, que me oferecia maior apoio lombar e conforto. Como nico ponto negativo, saliento a no resistncia chuva facto que levou aquisio de uma capa externa de pro-teco.Para as deslocaes mais pequenas (dentro das localidades onde pernoi-taramos), optei por uma mochila de 10 litros (Decathlon Quechua Arpenaz 10) que pode ser facilmente fecha-da sobre si e facilmente transportvel num bolso das calas. Esta permite o transporte de uma pea ou duas de roupa adicionais, o poncho, a mquina fotogrfica, o GPS, o telefone e os do-cumentos. QUILMETROS A DAR COM UM PAUCaminhar com o auxlio de um basto (ou mais) ajuda a aliviar a presso so-bre os membros inferiores e as suas articulaes, transmitindo algum do esforo para os membros superiores. O basto til tambm para auxiliar nas subidas e descidas, como apoio adi-cional, ou para a transposio de pisos mais lamacentos (ou inundados) para avaliar para onde dar o prximo pas-so. Um bom basto servir tambm de estendal ou de ferramenta de defe-sa. Para esta caminhada, optei por um basto de madeira Brazos Backpacker Oak Walking Stick, que composto de 3 peas e que facilmente transport-vel dentro da mochila. consideravel-mente mais pesado que os bastes de

    alumnio, mas oferece maior amorteci-mento no impacto.

    UMA NOITE DE SONHO

    A totalidade dos albergues em que fi-quei alojado oferecia um colcho onde dormir e uma almofada (em Es-panha, um forro descartvel para o colcho e para a almofada fazem parte do kit de boas vindas a cada albergue). Nem sempre haviam mantas dispon-veis. Por uma questo de conforto, o saco cama recomendvel a todos, j que um bom sono possibilita uma me-lhor recuperao do esforo e do can-sao. Optei com um saco cama para temperaturas de conforto de 15 com cerca de 700 gramas de peso (Forclaz 15 light) com uma grande capacida-de de compresso e que consegue ser armazenado num volume muito redu-zido. A almofada de viagem que me acompanhou (que pode ser comprimi-da numa pequena bola e ocupa um vo-lume muito reduzido) serviu essencial-mente para apoio cervical nas viagens de comboio.

    APRECIAR O SILNCIO

    Diz-se que parte do encanto do cami-nho so os longos silncios e a intros-peco que nos permitem. Mas o des-canso nocturno tambm serve para isso. Os tampes para os ouvidos per-mitem lutar contra uma das maiores pragas que existem para quem dorme em albergues: os terroristas notur-nos (ou o nome carinhoso como todos aqueles que ressonam durante o sono so tratados). Servem para ns pr-prios e (no meu caso) para oferecer aos

    outros desgraados. SEJAMOS FRONTAIS EM RELAO ILUMINAONos albergues, depois do horrio de recolher e quando as luzes gerais so apagadas, ter uma pequena lanter-na ajuda imenso quando necessrio procurar alguma coisa na mochila ou mesmo movimentarmo-nos por entre as camas. Para os mais madrugadores, a organizao da mochila para o dia de caminhada tem que ser feita em siln-cio e s escuras convm ter as mos livres, da a escolha de um frontal. UMA LIMPEZAO mnimo possvel do kit de higiene pessoal consistir de uma escova de dentes, um pequeno tubo de dentfri-co, um desodorizante, um gel de ba-nho e um shampoo. Eu optei por levar miniaturas (podem-se adquirir nos supermercados, so cada vez mais habituais devido s restries de volu-mes de lquidos no transporte areo) e adicionei ainda um rolo de fio dental e um alicate corta unhas, tudo dentro de uma bolsa estanque e hermtica, para evitar acidentes e para poder trans-portar vontade onde quer que fosse. Uma pequena bolsa de papel higinico humedecido complementava a minha lista de material para esta categoria. Para o duche, inclu tambm uns chi-nelos e uma toalha de micro-fibras (ou toalha de natao) que seca muito rapidamente e tem um poder de ab-soro elevado, ocupando um volume muito reduzido. PEREGRINO PREVENIDO VALE POR DOIS sempre boa ideia transportar uma bolsa de primeiros socorros neste tipo

  • 21Junho 2016 - EDIo 21

  • 22 Junho 2016 - EDIo 21

  • 23Junho 2016 - EDIo 21

    de actividade. O seu contedo permite fazer pequenos curativos, desinfectar pequenas feridas e lidar com pequenos acidentes no caminho. Nesta peque-na bolsa adicionei ainda um protector solar, um pequeno boio de vaselina (para amaciar a pele mais seca e evitar a formao de bolhas), um rolo de fita de proteco contra bolhas (que pro-tege a pele da frico, minimizando o desconforto e a evoluo das bolhas) uma manta de sobrevivncia (uma pe-lcula de plstico metalizado que serve para manter a temperatura do corpo e proteger dos elementos) e um canivete multifunes. IVE GOT THE POWERA dependncia dos aparelhos electr-nicos tem destas coisas. Embora exis-tam tomadas em todos os albergues e seja cada vez mais socialmente bem aceite pedir para deixar um telefone a carregar enquanto se toma uma pe-quena refeio num estabelecimento qualquer, sempre bom estarmos pre-parados para os restantes momentos. por isso que, para alm dos carre-gadores e dos respectivos cabos, levo este power bank, que depois de total-mente carregado, permite 3 ou 4 car-

    gas completas ao meu smartphone. SEM METER GUAFace s previses de aguaceiros, tive que considerar um conjunto adicio-nal de peas de roupa para me prote-ger. Aprendi da pior forma possvel (h uns anos) que existe um compromisso grande entre o peso e o volume de um impermevel e a capacidade do mes-mo de resistir a algumas chuvadas mais violentas. Casacos acolchoados e impermeveis podem ser confortveis e oferecem proteco em temperatu-ras mais frias, mas ocupam um volume considervel. Uma capa plstica pode facilmente ser transportada num bol-so mas no oferece a impermeabilida-de necessria e nem sempre joga bem com uma enorme mochila s costas. Optei naturalmente por um poncho su-ficientemente grande para ser vestido por cima da mochila e que podia facil-mente ser dobrado em si e transporta-do na mochila nos dias mais secos. LAST BUT NOT LEAST, LAVAR A ROU-PA SUJAA escolha da indumentria variar ao gosto de cada um e ao espao dispo-nvel. Optei por uma camisola de ma-

    lha polar (para proteger do frio), trs t-shirts tcnicas (dissipam a transpi-rao facilmente), trs pares de cal-es de lycra (podem ser usados como roupa interior e protegem eficazmente da frico entre as coxas enquanto se caminha), quatro pares de meias (con-vm ter sempre os ps secos ao longo do dia para evitar complicaes), uns cales (ou cargo pants) com bolsos com fartura e um chapu com abas largas. H quem goste de levar roupa e calado mais confortvel para vestir nos intervalos das caminhadas e ao fim do dia. Optei por arriscar e suprimir essa componente. Limitar o nmero de peas de roupa transportadas no significa sacrificar o conforto e a higie-ne: todos os albergues tem stios onde lavar (e secar) a roupa gratuitamente no esquecer meia dzia de molas e uma pequena barra de sabo, nesse caso. Felizmente, na maior parte dos albergues, e por um punhado de moe-das, pode-se partilhar uma mquina de lavar e secar com os companheiros de caminho.

    Texto / Fotos:

    Bruno Rodrigues (btrodrigues)

  • Junho 2016 - EDIo 21Junho 2016 - EDIo 21

    p O r V A l E N T E C r u z

  • 25Junho 2016 - EDIo 21

    Nem sempre a magia est nos olhos de quem v; existem locais que so mgi-cos por si e no dependem de perspe-tivas ou ambiguidades. As encostas do rio Douro encerram uma magia qua-se inefvel e esta uma viagem por este reino maravilhoso. encantador deambular esquecido do mundo pe-las encostas engrandecidas do Dou-ro, onde a paisagem foi transformada pela vontade indomvel do Homem. Um mundo de acidentes naturais ver-gados por instintos primevos ao longo de infindas geraes. A dureza da vida enraizada nas unhas das suas gentes e concretizada em paisagens domesti-cadas pela arte.

    Nem sempre fcil definir o que re-presenta a identidade portuguesa. No Douro, essa definio torna-se ime-diata e intuitiva. No precisamos de a tentar explicar ou compreender; ape-nas basta abrir os olhos e contemplar esta essncia secular que nos vai mol-dando a alma, mesmo que nem sem-pre o saibamos merecer.

    Esta viagem comea na Rgua e se-gue a montante da vida. As pontes antigas (GC3BHRR) que ligam as mar-gens emolduram tambm quadros e enfeitam cenrios. Prosseguindo por estradas inventadas em vertentes n-gremes, torneando o tempo, chega-se primeira paragem, So Leonardo de Galafura (GC4YTJJ). Miguel Torga, o poeta que melhor soube descrever estas encostas sublimes, recebe-nos com palavras de inspirao e confor-to. A paisagem de facto um abuso da Natureza e ler aqueles versos fants-ticos um assombro de beleza. A cada olhar, em cada perspetiva, tenta-se perpetuar as imagens na memria. E, ainda assim, cada revisita diferente e

    especial.

    L em baixo, acompanhando fielmente a margem do rio, segue aquela que al-guns consideram a melhor estrada do mundo (GC5T7J6). Opinies e algorit-mos parte, indubitvel que ser uma das mais bonitas. Descendo a encosta e cruzando a ponte, encontram-se in-meras quintas engalanadas que mere-cem uma visita demorada (GC5HEXH). Depois, contemplao aps vislumbre, chega-se ao Pinho (GC1X76Q). Na es-tao, enquanto se aguarda pelo com-boio, possvel revisitar a histria do Douro pela arte dos azulejos. Ali tudo parece parado num tempo buclico e despreocupado.

    O rio como a prpria vida. Nem sempre calmo, cristalino e fcil; muitas vezes torna-se colrico e inesperado. Apesar de domado por sucessivas barragens, ocasionalmente sobe s arribas e con-some as margens. As guas arrastam tudo, adquirindo uma tonalidade terra-tumultuosa. Longe vo os dias em que os barcos rabelos deslizavam a vida pelo rio em viagens imprevisveis; ago-ra, do conforto dos passeios tursticos, tudo parece mais simples e controlado.

    Deixando para trs outros miradouros, seguindo por estradas e atalhos mean-drosos, encontra-se o Tua. A barragem (GC37Q9X) surge como uma crosta na paisagem, que supostamente deveria ser protegida. Como uma ferida aberta, continua-se a escarafunchar as encos-tas do rio para construir algo que meio mundo julga desnecessrio. Mesmo em termos objetivos, considerando o impacto negativo provocado pelo de-saproveitamento turstico, presente e futuro, so muito discutveis os bene-fcios desta construo. Algumas bar-ragens, ainda que nos tragam energia,

    levam-nos a alma.

    Em cada instante surgem motivos para parar e contemplar. A paisagem vai-se tornando mais selvagem e me-nos geomtrica. A mistura dos espa-os domesticados em vinhas e olivais com reas de natureza conferem s encostas do Douro um equilbrio inspi-rador (GC4XK93). Nada parece impos-to ou falso. Ao longe, So Salvador do Mundo um gigante adormecido, em-prestado a este mundo para deleite de quem o alcana (GC1284Q). A encosta escarpada desce em penedia e arvo-redo at encontrar o rio. Apetece ficar por ali indefinidamente.

    O Douro paisagem e vinho. Ambos fermentados ao longo de sculos pelo lavor das suas gentes. A paisagem fica, mas o vinho parte. Todo este trabalho de arte e tradio segue a jusante do rio at foz. L chegado, delonga-se algum tempo por Gaia, que o vai en-velhecendo nas caves. O Porto mete-lhe depois um rtulo e envia-o para o mundo. No querendo discutir a impor-tncia das etapas, parece injusto ne-gligenciar pelo nome a terra-me em favor do local de batismo. Este vinho deveria ser do Douro, e no do Porto.

    As viagens pelo Douro despertam fre-quentemente uma vontade instinti-va: procura-se em cada encosta o s-tio perfeito para morar. Aos poucos, e quase sem o notarmos, vamos cons-truindo de facto uma morada imagin-ria de memrias no Douro, sempre dis-ponvel para nos albergar de qualquer despejo fortuito do mundo.

    Texto e fotos:

    Antnio Cruz (Valente Cruz)25

  • Junho 2016 - EDIo 21

    BARCO.RABELO

  • 27Junho 2016 - EDIo 21

    FOZ.DO.TEDO

    RGUA

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  • 28 Junho 2016 - EDIo 21

  • 29Junho 2016 - EDIo 21

    Existem vrios tipos de geocache: as tradicionais, as multicaches, as ear-thcaches, entre muitas outras Mas a verdade que embora todas estas possam ser procuradas e encontra-das em grupo, existe um tipo de ca-ches cuja experincia s faz sentido vivida com outros geocachers: refiro-me aos eventos. Como nos descreve a prpria Groundspeak, um Evento uma reunio de geocachers locais ou de organizaes de geocaching. Ora, uma definio to lata permite mltiplas interpretaes: uma reunio de geo-cachers pode ir de um simples caf, a uma demonstrao de coleces de geocoins, uma recolha de lixo, um acampamento, ou a um acontecimen-to de vrios dias onde se vivem diver-sas actividades com outros colegas geocachers. Mesmo em termos de n-mero de participantes, tanto pode ser uma reunio entre 4 ou 5 geocachers, como uma actividade em que partici-pem vrias dezenas ou mesmo cente-nas de participantes. Qualquer razo boa para estar com outro geocacher e trocar dois dedos de conversa.

    Esta edio do Frente a Frente ir ter como tema central um tipo de even-to muito especial: os Mega-Eventos, eventos definidos pela Groundspeak como eventos em que participam mais de 500 pessoas. Em Portugal, o primeiro aconteceu j em 2010, na Malveira, e este ano temos o prazer de ter dois Mega-Eventos programa-dos a nvel nacional, ambos de 3 dias, que acontecero no Vero mas com mais de um ms e 250 quilmetros de distncia entre si.

    Sabendo que a prxima GeoMag s sair em Agosto, aps a realizao dos mesmos, fez-nos todo o sentido

    colocar frente a frente, nesta edio de Junho, os organizadores de to au-daciosos acontecimentos no panora-ma do geocaching nacional.

    Assim, de um lado estaro os 100es-pinhos, organizadores dos eventos Love, Love, que j vo na sua terceira odisseia, todas elas Mega-Eventos, sendo que desta feita o Love viaja at Braga, e ir acontecer entre os dias 12 e 15 de Agosto.

    Do outro, estar o Geo-Cadaval, como rosto da equipa organizadora do Cam-ping Party Montejunto, que este ano, na sua terceira edio, ganha tam-bm o selo de Mega-Evento, e que ir acontecer nos primeiros trs dias do ms de Julho.

    Dois Mega-eventos, dois programas diferentes, duas zonas diferentes. Como ter surgido a ideia de criar es-tes Mega-Eventos? E ser que nasce-ram j com a inteno de se tornarem Mega-Eventos? Que surpresas tero os organizadores para ns? Conhe-am as respostas a estas e outras per-guntas, pelas palavras dos prprios Mega-organizadores, aqui, Frente a Frente!

    1. Como surgiu a ideia de criar este evento?100espinhos: Este Mega Evento o terceiro da trilogia Love Love.

    Tudo comeou h 4 anos regressa-mos ao dia 28 de abril de 2013, em plena cidade de Santa Maria da Feira, a cerca de 50 metros da atual GC5B-B8G.

    Nesse dia, nesse local, um geocacher de Lisboa desafiou um geocacher da Feira a criar um Mega Evento Medie-val. E esse geocacher da Feira tentou

    convencer a Groundspeak. Sem suces-so. Havia muita ligao com o Even-to Medieval organizado pela Cmara Municipal.

    Avanamos at ao dia 27 de outubro de 2013, agora para Carregal do Sal. Trs geocachers desafiam o primei-ro a relanar a ideia do Mega Evento a norte de Portugal. Garantem que conseguem um espao em Espinho com capacidade de acolher um Evento nunca visto.

    6 de novembro de 2013, num caf prximo do futuro local do Love Love Espinho, a Equipa rene-se. H necessidade de criar uma Team nascem os 100espinhos depois de uma brincadeira de um dos elemen-tos. Nasce a conta de email e nasce a conta no Geocaching.com. Nasce um primeiro esboo do que poderia ser o programa, o site comeam a lanar-se ideias para chegar a Mega Evento. Comeam os contactos com a Grou-ndspeak. A misso no ser nada fcil. As guidelines so muito apertadas.

    Lanam-se filmes mistrio. Organi-zam-se eventos simultneos em to-dos os distritos de Portugal e vrios espalhados pelos continentes deste planeta. A Groundspeak est atenta e acompanha tudo com interesse. Os 100espinhos recebem contactos de podcasts americanos. Comeam a sair notcias em jornais portugueses. Va-mos rdio nacional e temos 1 hora de programa dedicado ao Mega Even-to.

    Por fim, a Groundspeak d luz verde e o Love Love Espinho torna-se num Mega Evento. O primeiro do norte.

    Aps o Evento, temos conscincia que crimos algo nunca visto em Portugal,

  • 30 Junho 2016 - EDIo 21

    por puro Love Love. Tornamo-nos o maior Mega de sempre.

    No conseguimos parar. Avanamos para Aveiro. Outro Mega, superando todas as expetativas. A TSF e o Pbli-co dedicam-nos reportagens.

    Nesse Mega, com um pblico fants-tico e internacional, anunciamos Bra-ga como prximo destino.

    Estes Mega Eventos apenas preten-dem levar o Geocaching mais longe, sem fins lucrativos, com muito Love Love. S isso nos move, apesar das dificuldades econmicas e logsticas que enfrentamos ao longo da cons-truo de cada Mega.

    GeoCadaval: A ideia deste evento surgiu quando fui pela primeira vez a um evento MEGA, onde achei que se conseguia fazer algo diferente. Algo onde todos estivessem sempre em convvio e se conhecessem melhor.

    2. No momento em que idealizaram dar forma a este evento, alguma vez vos passou pela cabea que este evento se pudesse tornar um mega evento?100espinhos: Crimos o Love Love Espinho com intenes de chegar a Mega. Sabamos que era complica-do. Arregamos as mangas e espa-lhmo-nos por todo o mundo para divulgar o Evento. Contactmos or-ganizadores de eventos de vrios pa-

    ses, crimos eventos em todo o pas e estrangeiro, lanmos caches em v-rios locais e o boca-a-boca funcionou bem. A Groundspeak viu que tinha uma equipa sem segundas intenes e ra-zoavelmente bem organizada para le-var os Mega mais longe.

    GeoCadaval: Sim... desde o incio que foi um sonho conseguir um MEGA aqui no Montejunto, por isso come-mos logo a trabalhar nesse sentido. No foi fcil... mas conseguimos.

    3. Organizar um evento para mais de 500 pessoas no claramente o mesmo que organizar um evento para algumas dezenas de pessoas. Existem vrias fases ao longo de todo o processo: planeamento, angariao de recursos, montagem fsica do pr-prio evento. Conseguem dar-nos uma ideia de todo o trabalho que existe desde o primeiro momento em que a ideia ganha forma at abertura de portas de um Love, Love ou de uma Camping Party?100espinhos: O primeiro passo de-cidir o local. Aceitamos sugestes!

    Depois, contactamos geocachers lo-cais, que faro parte do staff. Eles tero a misso de encontrar patro-cinadores locais, estabelecer con-tactos com empresas que podero trazer mais-valias ao Mega Evento, dedicam-se plantao organiza-

    da/com sentido de caches, colaboram na divulgao e montagem do espao do Mega Evento, etc. No fundo, sem o staff local o Mega seria impossvel. A Equipa base comeou sediada nos arredores de Espinho. Atualmente, em Espinho esto 2 elementos. Ou-tro est em Braga e outro no Barreiro (ser l o prximo Mega?!).

    Todo o staff 100espinhos. Todos somos importantes e todos comuni-camos para que o Mega seja de facto de todos ns, e no de um grupo de 4 cromos. Alis, ns os 4 nunca conse-guiramos aguentar com um Mega em cima. H, de facto, muita coisa para gerir simultaneamente.

    GeoCadaval: O trabalho imenso, bem como as coisas a pensar e a delinear. Mas com a ajuda de grandes AMIGOS tudo se torna mais fcil e no final so-mos recompensados com a satisfao de todos os que nos tm visitado

    4.Vrias actividades, caches novas, mais um icone diferente no perfil... Para vocs, quais so as razes que trazem tanta gente a eventos deste gnero? A oferta de actividades para alm do geocaching um atractivo para a maioria dos participantes?100espinhos: Os Mega Evento Love Love so exclusivos para pessoas que amem realmente o Geocaching e os eventos. Por isso, criamos programas

    o Love Love Espinho torna-se num Mega Evento. O primeiro do norte.

    Aps o Evento, temos conscincia que crimos algo nunca visto em Portugal

  • 31Junho 2016 - EDIo 21

    LOVE.LOVE...

    CAMPING.PARTY.MONTEJUNTO

  • 32 Junho 2016 - EDIo 21

    com vrias atividades diferentes, para agradar ao maior nmero possvel de pessoas. Sentimos que a adeso s diversas atividades do Mega est a aumentar. certo que ainda encon-tramos pessoas que procuram subir nas estatsticas. Mas, o nmero dos que vo pelo convvio e atividades muito significativo.

    Para agradar ao maior nmero pos-svel de pessoas, lanamos caches relacionadas com o Mega (j tra-dicional o corao criado com caches ou a palavra Love Love). Tentamos que essas caches tenham qualidade e uma listing completa, com sentido, com histria, com curiosidades, com bons enigmas. Evitamos plantar por plantar. Queremos chegar a todos os geocachers e famlias.

    Acreditamos que as pessoas movem-se centenas de quilmetros para (re-)descobrir uma nova cidade, conhecer caras por trs dos nicks e divertirem-se.

    GeoCadaval: Ns trabalhamos com muita dedicao para que todos saiam daqui satisfeitos e com vontade de voltar no ano seguinte. Esse tem sido o nosso sucesso.

    Relativamente a actividades, temos algumas onde os no-geocachers po-dem participar, mas sendo este um evento de geocaching: porque no co-mearem tambm eles a fazer geoca-ching? :)

    5.Olhando para os vossos eventos, uma das coisas que saltam vista que os mesmos no acontecem ape-nas durante um dia. Consideram que o facto de um evento ter a durao de vrios dias tambm um factor pro-

    motor para transformar um evento em mega evento?100espinhos: Os locais onde os Love Love so realizados tm segredos fantsticos para serem descobertos. Em Espinho havia a arte xvega, o surf, as ruas paralelas Em Aveiro os ovos moles, a beleza da ria, da praia Em Braga.. quantos mais dias, melhor. Mais oportunidade para descobrir as ruas todas e seus segredos. Pensam que 4 dias chegam para Bracara Au-gusta? Nem pensar!

    Com mais dias, conseguimos incluir mais atividades, para todos os gostos.

    Por outro lado, ao termos vrios dias, conseguimos chegar a um maior n-mero de pessoas. Vamos imaginar que o Mega era somente no sbado. Quantos ficariam de fora? Ora porque trabalham, ora porque nem compen-saria as horas de viagem (vir dos EUA para 12 horas de Evento? Quem se aventuraria nisso?). Com vrios dias de Mega Evento, possibilitamos a vin-da de mais gente.

    Para quem aproveita o maior nmero de dias, permitimos que as pessoas possam disfrutar mais da cidade aco-lhedora, criar laos de amizade

    Isto no significa que no possamos criar um Love Love 1 day para o ano? Quem sabe!?

    GeoCadaval: Sim... s com vrios dias se conseguem cativar muitos partici-pantes, no faltando as caches e mui-tas outras surpresas.

    6. Analisando os vrios Mega Even-tos que j ocorreram em Portugal, fcil fazer uma anlise geogrfica da sua distribuio. Todos eles ocorre-ram junto a Lisboa ou Porto, no lito-

    ral do pas... Porque que acham que isto acontece? Na vossa opinio, se-ria possvel organizar um Mega Even-to no interior do nosso pas?100espinhos: Comemos em Es-pinho. Essa bela cidade no uma mega cidade. pequena. No tem aeroporto. Tem pouca opo hote-leira. Corremos o risco. E acertmos! Vieram centenas de pessoas de Por-tugal e estrangeiro!

    Aveiro era diferente. mais conheci-da. Melhores vias de acesso. Tambm longe de um aeroporto para os es-trangeiros. Acertmos, novamente.

    Sim, de facto sempre no litoral.

    Quanto a Braga reparem que j esta-mos a caminhar para o interior. certo que as vias de acesso continuam a ser impecveis! Est a 1 hora do Porto. Para no falar dos comboios que ligam a cidade a Lisboa em poucas horas. J agora, sabiam que h descontos para quem vier de comboio, na CP? Est prxima de Espanha. Mas, a cami-nhar para o interior! Encontramos Mega Eventos em interiores profun-dos, no estrangeiro. Podemos tentar, no futuro, um Love Love Guarda?... Love Love Vila Real?... Love Love Lamego? claro que podemos! Apa-rea o staff, aparea um local xpto e avanamos sem hesitar!

    GeoCadaval: O nosso evento, mes-mo sendo no litoral, distanciado dos grandes centros urbanos, o que nos tem dificultado um pouco. Por isso andamos pelos distritos do pas a fa-zer a promoo do Camping Party.

    Penso que a organizao de um Me-ga-Evento possvel noutras zonas do pas, mas com muito trabalho de divulgao.

  • Junho 2016 - EDIo 21Junho 2016 - EDIo 21Junho 2016 - EDIo 21

    LOVE.LOVE...

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  • 34 Junho 2016 - EDIo 2134

    7. Temos estado a falar dos vossos Mega Eventos, mas j tivemos vrios no nosso pas Pensemos agora ain-da em algo ainda maior! Consideram possvel a ideia da concretizao de um Giga Evento em Portugal?100espinhos: Ainda estamos longe da Europa. Teramos de convencer muito geocacher a vir at c. E alcan-ar uns bons milhares de attends num Mega Evento para, no ano seguir, po-dermos tentar o estatuto de Giga. Ou, ento, conseguir convencer a Grou-ndspeak.

    GeoCadaval: No ser fcil fazer um GIGA em Portugal, porque o nmero de jogadores no suficientemen-te grande para tal... Mas se todos os amantes do geocaching se unissem nesse projecto, talvez fosse possvel... quem sabe um dia

    8. Podem desvendar alguma surpre-sa acerca das edies deste ano dos vossos eventos?100espinhos: Foi com surpresa que recebemos um mail da Groundspeak a informar-nos que viria uma simptica

    Lackey visitar o Mega. Se formos bons (entenda-se, se oferecermos boa comida e bom acolhimento), talvez consigamos o Giga no futuro eheheh (brincadeira).

    Esta uma boa surpresa.

    Tambm podemos anunciar que o Mega ter piscina gratuita. uma grande novidade em relao aos anos anteriores.

    O Signal The Frog tambm estar en-tre ns.

    Mas, a maior novidade ser, realmen-te, a presena de mais de 1 milhar de pessoas sorridentes numa cidade verdadeiramente extraordinria e his-trica. E isso o mais importante para ns.

    GeoCadaval: Temos vrias surpresas mas isso fica guardado para os que nos visitarem!

    9. Para terminar o nosso frente a frente no poderia deixar de vos per-guntar. Qual o melhor conselho que podero deixar para quem queira criar um evento com expectativa de

    se tornar num mega evento?

    100espinhos: No vale a pena enviar cheques em branco para a Grounds-peak. Eles no se deixam vender por cunhas.

    O melhor conselho que se dediquem a criar um bom Evento, com o obje-tivo que os geocachers passem boas horas de convvio e amizade. Utilizem o boca-a-boca. Se o Evento parece bom e a malta adere, torna-se Mega. Se no for este ano, no prximo.

    O Mega, se tiver de acontecer, aconte-cer. Lembrem-se, o mais importan-te que seja um timo Evento. Seja Mega Evento, Giga Evento ou Nor-mal.

    Como resumo de todo este terrvel frente a frente, desafiamos os leito-res a darem um pulinho a Braga. Sem esquecer o protetor solar. Nunca se sabe

    GeoCadaval: Muito amor, trabalho e dedicao ao que fazem.

    Texto:Bruno Gomes (Team Marretas)

  • 36 Junho 2016 - EDIo 21Junho 2016 - EDIo 21

    3 toneladas de Ouro...So Close!

    p O r M y S T i q u E *

  • 37Junho 2016 - EDIo 21

    3 toneladas de OuroNum vale da margem esquerda do Tejo, a jusante das Portas de Rdo encontra-se a Mina de Ouro Romana do Conhal do Arneiro, uma extensa escombreira formada por gigantescos amontoados de seixos, testemunhos da extrao de ouro que ter decorri-do nas pocas romana e medieval.

    Esta gigantesca mina a cu aberto ter resultado do desmonte gravtico dos depsitos sedimentares do Vale do Tejo por ao hidrulica. A gua utilizada na lavagem dos sedimentos seria transportada desde a Serra de S. Miguel e da Ribeira de Nisa at ao local da explorao, atravs de canais escavados para o efeito (a Vala dos Mouros). Os seixos maiores eram retirados dos canais de evacuao de sedimentos por triagem manual e empilhados ao longo das margens do canal, em amontoados cnicos ou rectilneos que particularizam a paisa-gem desta regio.

    Subsiste ainda, prximo do extremo norte do conhal, o Castelejo, um re-levo de quinze metros de altura que ocuparia uma posio central entre os canais de evacuao.

    Calcula-se que se tenham removido 10.000.000m2 de seixos para extrair cerca de 3 toneladas de ouro.

    A realizao do percurso pedestre PR4 Trilhos do Conhal, ajuda-nos a compreender o contexto paisagstico e a magnitude do esforo humano na transformao do espao natural, h quase dois mil anos.

    Diz a histria que para provar a qua-lidade do minrio alentejano, D.Joo III ter mandado fazer um ceptro em ouro extrado deste rio, e Vasco da

    Gama uma cruz, mostrando aos vene-zianos que em Portugal havia metal mais precioso que o do Oriente.

    A rea arqueolgica do Conhal do Ar-neiro um dos geosstios do Geopar-que Naturtejo da Meseta Meridional.

    E neste cenrio cheio de histria que vive a cache 3 Toneladas de Ouro / 3 Tons of Gold (Nisa) GC12TRR.

    Com uma listing muito apelativa, cheia de informao sobre toda a histria do Conhal do Arneiro, ficou a curiosidade de visitar este local, do qual nunca ti-nha ouvido falar.

    Existem vrias formas de l chegar.

    Uma delas, e na minha opinio ser a mais interessante, iniciar o PR4 Trilhos do Conhal (9,8 Km, percurso circular) na povoao do Arneiro, sa-da na N18, que liga Nisa a Vila Velha de Rodo.

    Durante este percurso, temos a opor-tunidade de passar pelo Buraco da Faiopa, local conhecido pela lenda onde uma tal D. Urraca se perdeu de amores por um mouro. Este, para se encontrar com a amada, atravessava o rio por debaixo do seu leito atravs de um imenso tnel que ligava a Faio-pa ao Castelo. O marido de D. Urraca, quando descobriu a traio da esposa, atou-lhe uma m ao pescoo e atirou--a a um poo ou ao Tejo.

    A existncia de fraturas preenchidas com limonite e a abundncia de fratu-ras no interior deste tnel leva a pen-sar que o mesmo ter sido uma mina de ferro. No local existe a cache Bu-raco da Faiopa GC3WV5H.

    Caso o tempo seja escasso, ou no gostem mesmo de andar a p, existe a possibilidade de levar a viatura mui-to perto do Conhal do Arneiro. Entre

    muitas estradas de terra batida (um rasteirinho atrevido vai at l) basta seguir as indicaes de Tejo/Pego das Portas (cais fluvial). Junto entrada da mina existe um placard informativo.

    O local diferente. Milhares de sei-xos rolados em montinhos rodeiam-nos. D-nos a sensao que durante muito tempo, andou por ali algum a fazer montinhos de pedras. Para onde quer que olhemos, elas esto ali. Por isso importante perceber o contex-to, do porqu de aquilo ali estar.

    Olhando para a seta do GPS, percebe-mos que ainda temos que andar um pouco. O objetivo o Castelejo, o tal pedao de terreno intocado, com cer-ca de 15 metros de altura em rela-o rea envolvente. Do topo desta elevao podemos ter a perceo do volume de terras explorado. A sua po-sio central estratgica e, por esse motivo, serviria provavelmente para controlar a mina e trfego fluvial. Do local tem-se um panorama fantsti-co para as Portas de Rodo. Vale sem dvida uma visita.

    Far away, so close

    E por falar em Portas de Rodo devo dizer que um dos locais mais fan-tsticos onde j estive, embora tenha sido na verso azimute, o que levou a sangue, suor e lgrimas Mas um bom geocacher gosta de desafios. Alis, descoberto o trilho certo, afi-nal um passeio na avenida.

    Portas de Rodo uma imponente crista quartztica que irrompe entre dois imensos blocos de pedra e que resulta do atravessamento da Serra

  • 38 Junho 2016 - EDIo 21

    das Talhadas pelo rio.

    H milhares de anos as guas do Tejo cobriam uma vasta regio. A sua ao erosiva deu origem a esta gargan-ta, onde o rio atinge uma das suas maiores profundidades. Este estrei-tamento marcava o anterior limite de navegabilidade do Tejo, quando este era um canal de comunicao entre o interior e o litoral do pas. Aqui o Tejo corre entre duas paredes escarpadas, que atingem cerca de 170 m de altura, fazendo lembrar duas portas, uma a norte no distrito de Castelo Branco, e outra a sul no concelho de Nisa, distri-to de Portalegre.

    No topo da porta norte, que facil-mente acessvel por estrada, situa-se o pequeno castelo do Rei Wamba. Deste local vislumbra-se um vasto panorama sobre o vale do Tejo a ju-sante das Portas, com o Conhal do

    Arneiro na margem esquerda, e o po-voado paleoltico de Vilas Ruivas na margem direita.

    Os amantes de observao de avifau-na podero deliciar-se com este local privilegiado de observao da maior colnia de grifos de Portugal, assim como da cegonha-preta ou o milha-fre-real.

    As Portas so tambm um dos geos-stios do Geoparque Naturtejo da Me-seta Meridional, tendo sido classifica-das como Monumento Natural, a 20 de Maio de 2009.

    Na Porta do lado Norte, poderemos encontrar a mtica cache Far Away, So Close dos GreenShades, GCF508 e a Castelo de Rodo, Castelo do rei Wamba, GC1NRAR.

    Na Porta do lado Sul a no menos importante Just Get There do MAn-

    tunes, GC27FGF, que s se encontra

    disponvel entre Agosto e Novembro,

    devido nidificao da colnia de gri-

    fos. Por esse motivo, ainda no tive a

    possibilidade de a visitar, mas est na

    lista

    Far Away, So Close uma expe-

    rincia inigualvel. O GZ deixa-nos

    beira daquele brutal penhasco, com a

    outra porta pela frente, e onde sobre-

    voam sob as nossas cabeas dezenas

    de grifos.

    So estes grandes tesouros, que

    fazem com que acredite que o nosso

    geocaching sempre nos trar lugares

    fantsticos de arregalar os olhos.

    Texto e fotos:

    Snia Fernandes (Mystique*)

    CONHAL

  • 39Junho 2016 - EDIo 21

    ARNEIRO

    PORTAS.DE.RODO

    39

  • Junho 2016 - EDIo 21

    Se pensas que a aventura perigosa, sugi-ro que experimentes a rotina mortal!!

    Paulo Coelho

  • 41Junho 2016 - EDIo 21

  • Junho 2016 - EDIo 2142

  • Junho 2016 - EDIo 21

  • 44 Junho 2016 - EDIo 214444

    Bem-vindo Manuel, ao papel princi-pal deste nmero da GeoMag! Sem dvida o mesmo papel que assu-miste durante muito tempo perante todo o Geocaching, na minha mo-desta opinio e certamente na de um grande leque de outros companhei-ros. com grande prazer que assumo a responsabilidade de te trazer, a ti e s tuas estrias, (mais uma vez) para as pginas da revista.GeoMag - Foste um dos grandes im-pulsionadores do geocaching c no burgo, ou no estivesses registado no Geocaching.com desde Abril de 2002. O que te trouxe afinal para este nosso hobbie? Como deste com isto? Em 2002 no deveriam haver assim muitas formas de se trope-ar no geocaching.Manuel Antunes - No haveria muitas formas de tropear no Geocaching mas existiu uma que foi determi-nante: a revista Semana Informtica apresentou, algures em Fev/2002, um quadrado na ltima pgina a falar de Geocaching. Eu li, achei interes-sante, investiguei na net, li todas as FAQs (literalmente) do Geocaching.com na altura, li os fruns deles e co-mecei a melgar o pregalla (que era o que tinha mais caches colocadas na altura e, por isso, pareceu-me o mais experiente) com algumas perguntas e, essencialmente, com a escolha do GPSr. Foi muito importante para mim a ajuda dele, porque no exis-

    tia qualquer mtodo dos geocachers se contactarem como existem hoje os fruns ou a mailing list do Yahoo. Por isso sempre o considerei o meu mentor (ou, o meu adoptante, porque ele praticamente me adoptou e res-pondeu aos variados emails que lhe enviei a esclarecer dvidas).GM - Eia! Uma revista portuguesa j saber o que era (ou que existia) o geocaching em 2002?! Estou deve-ras surpreendido! Tambm o estou com algum ter mais caches coloca-das... [risos] Consegues quantificar esse nmero? Acaba por ser muito complicado obter esse tipo de dados passado tanto tempo. Basta dar uma cache para adopo para se ter meio caminho andado para desaparecer qualquer registo do owner original (eu prprio acabei por ficar com uma do Pedro Regalla minha guarda).MA - Se fores a http://geostats.geo-caching-pt.net/ no menu lateral, tens a listing das caches (sai em Excel) e ordenares por HiddenDate, tens vi-svel a coluna do owner onde se l o autor original e quem a adoptou.Eu comecei no dia 11/4/2002 e j an-dava a visitar o site h um ms, mas mesmo assim, o Pedro Regalla tinha a maioria, 7 em 19 (ignora as das li-nhas 2,3, 4 e 7 porque no existiam no terreno quando comecei, embora tenham data de colocao da altura): GM - Sempre tive os primeiros geo-cachers como geeks da informtica

    que j teriam acesso a GPSr, por mo-tivos profissionais... no ter sido portanto o teu caso. Acabaste por seguir a orientao dele? Que mode-los haviam disponveis em 2002?! J era aquela rivalidade, Garmin vs Ma-gellan?MA - Sim, segui todas as indicaes dele (comprei o Magellan Meridien Platinum). No havia rivalidade por-que no havia comunicao de todos com todos - apenas havia comunica-o individual, por email. A listing do Yahoo s apareceu em Setembro e s a comeamos a falar todos juntos.Na altura a Magellan tinha a linha SporTrack e os Meridien. A Garmin ainda no estava a usar os satlites de correco de sinal e, por isso, a Magellan tinha vantagem. Uns anos mais tarde, a Garmin apostou mais no Software e nas funcionalidades enquanto a Magellan continuou a apostar no hardware e perdeu cota de mercado, tal como aconteceu en-tre a IBM e a Microsoft. Mas isto j off-topic. :)GM Portanto, um ms a recolher informao antes de te inscreveres, e depois mais um ms antes de te lanares efectivamente aventura? Confirmas a Pela Pr-Histria do Alentejo [GC25BB] como a tua pri-meira busca? Conta-nos tudo!MA - Sim, documentei-me bem an-tes de comear a praticar geocaching de forma efectiva. Desconfiava que

    Desconfiava que fosse algum andar aos gambuzinos e agi com desconfiana e cuidado. Era algo completamente novo!

  • 45Junho 2016 - EDIo 21

    fosse algum andar aos gambuzinos e agi com desconfiana e cuidado. Era algo completamente novo! Mas, conforme ia lendo e ia absorvendo os princpios bsicos do geocaching, ia ganhando confiana, e a certa altura o foco estava no fazer bem as coisas e por isso demorei ainda mais umas semanas antes de procurar a primei-ra cache depois de ter criado conta. E sim, foi a Pela Pr-Histria do Alentejo - I , porque: a) era uma cache que levava aven-tura ao longo de vrios locais. Por-tanto, prometia um primeiro orgas-mo duradouro. :)b) era uma forma de agradecimento ao pregalla, comear com uma ca-che dele, por me ter ajudado.c) era uma cache fsica longe de Lis-boa mas no demasiado longe. Quanto procura, convidei o meu colega de trabalho, com o qual tinha comentado a descoberta do novo hobbie, e o mesmo que, depois, de-senhou o primeiro logotipo de Geo-caching-pt, e l fomos com as nos-

    sas mulheres e o meu filho procurar a cache. Imprimi o mapa MapQuest (que era o nico disponvel na altura e apenas nos dava o ponto inicial com a sua posio relativa s estradas na-cionais e ao Norte mas sem curvas de nvel ou estradas secundrias e de terra batida, nada).Nesta primeira procura, dei duas barracas: 1) fiz o percurso ao contrrio (come-cei pela cache final e pelos pontos de referncia a visitar e s no fim fui pro-curar o ponto inicial - na altura ainda no era multicache como hoje).2) a outra barraca foi meter-se-me na cabea que tinha de conseguir ter no ecr do GPSr as exactas coorde-nadas publicadas! Ento ali andei eu a danar com o GPSr na mo, a ten-tar que os dgitos no ecr fossem os mesmos que estavam publicados. Ests a ver a dificuldade? Agora sa-bemos que 2 GPSrs podem no che-gar exactamente s mesmas coor-denadas no mesmo exacto ponto, por causa do factor de erro dos dois

    aparelhos (o que esconde a cache e o que procura a cache) e pelas con-dies meteorolgicas que afectem a visibilidade dos satlites. Ento... foi confrangedor e ainda hoje me rio de mim mesmo por causa desta cena. GM Depois desse primeiro Fou-nd it, e pelo que se pode ver pelo teu perfil, o Geocaching como que passou a ser a tua ocupao de fim de semana, certo? Mesmo com to poucas caches disponveis como nos disseste, no primeiro ms deste conta logo de mais meia dzia delas. O facto de ser praticamente vero, e de serem todas relativamente perto de Lisboa, tambm deve ter ajuda-do, aposto. Alguma histria que re-cordes como verdadeiramente espe-cial dessas primeiras semanas? Tens como segunda descoberta a Last Home of Gertrude [Mafra], uma ca-che que eu gostei bastante (e onde j regressei um par de vezes).MA - Certo, o geocaching, depois de toda aquela preparao terica, passou a ser o meu hobbie principal

    PEDRA.DE.ALVIDRAR

  • 46 Junho 2016 - EDIo 21

  • 47Junho 2016 - EDIo 21

    porque se ligava a vrias facetas da minha personalidade e experincia de vida - basta dizer que nasci em Lisboa mas aprendi a falar e a andar em Castelo Novo, na Serra da Gardu-nha, a guardar rebanhos de ovelhas e cabras. Por isso o meu desembarao fora das cidades, no meio rural. A segunda cache, foi realmente a Last Home of Gertrudes (meu log), porque j com a certeza de que isto no era uma caa aos gambuzinos l me arrisquei a levar mais membros da famlia, especialmente os jovens. Adoraram, como era de esperar. :)Depois continuei a procurar as caches que existiam na altura mas, entre-tanto, dei mais uma barraca no geo-caching: no reparei que a A Great View of Lisbon (log) era virtual, en-contrei um lpis partido, pensei que a cache tinha desaparecido e loguei um DNF... Mas o orebelo enviou-me um email a dizer que era virtual e voltei l para obter os dados que per-mitissem validar o Found it da cache - eu tinha lido sobre caches virtuais

    mas na altura no me apercebi.As outras caches que fui procurando, todas elas foram desafiantes, espe-cialmente a Pequena Gruta e assim fui ganhando experincia e ficando cada vez mais aficionado do Geoca-ching.GM [risos] Essas pzadas so sempre engraadas de recordar! De vez em quando leio sobre pessoal que procura imenso tempo pelos containers das EarthCaches! Numa altura em que se fala sobre a longe-vidade vs efemeridade das caches com genuno prazer que vejo que a maior parte das tuas primeiras en-contradas esto bem e recomen-dam-se (algumas com a tua mo, outras com a minha, com a do BTro-drigues, Felinos, etc.). Olhando para a primeira pgina dos teus Founds, que apresenta oito caches, s a Cabo da Roca [GC7A2D] que foi arquiva-da por ter sido vandalizada. As outras duas arquivadas foram-no devidos a questes com os locais onde foram colocadas. A Visit to Frei Agostinho

    da Cruz [Setbal] [GC45D6] foi mes-mo resgatada pelo Joaquim Safara em 2013 (relato publicado no N8 da Geomagazine) e a da A Pequena Gruta [Mafra] [GC26C3] salva em 2011 por alguns ilustres membros do Gang da Pata Negra. E sobre esta ltima que recai a prxima pergunta j que tu prprio a destacas como espe-cialmente desafiante! Para ns ou-tros, que no tivemos o prazer de a procurar, com que podamos contar?MA - A A Pequena Gruta era a mi-nha segunda cache de eleio para procurar na altura - aquela que, da anlise inicial da oferta mais desafia-va a minha procura - mas optei por algumas outras caches antes para ganhar confiana e experincia e s depois enfrentar esta. O motivo era a descrio da cache, o facto de se ir entrar numa gruta, a entrada/acesso pelo tnel que parecia complicada... tudo pormenores que desenvolviam um Adamastor no meu ntimo. Quando l fui, mais uma barraca-da... Chegmos a andar com os ps

  • 48 Junho 2016 - EDIo 21

    no topo do monte por cima da Pe-quena Gruta. Enfim, era uma festa, cada caada, cada aventura nem que eu tivesse que inventar a aventura. :)O que devia esperar quem l no foi? O log do Fonsecada-Portucalense ilustra bem o local da gruta, e por onde eu andei. Alm do acesso a de-safiar a aventura, dava-se de caras com um local onde havia uma gale-ria de pequenas grutas interligadas e com janelas naturais para o exterior e para o Rio Lisandro que desenha, na zona, um serpentear engraado. Nos mais recnditos recantos, teste-munhavam-se formaes geolgicas em bom estado, frgeis estalactites e estalagmites como se pode tes-temunhar no log do MCA, a quem acompanhei mais ao PH, numa al-tura em que fui l fazer manuteno.J agora, e em jeito de estria lateral, esta visita em conjunto talvez tenha sido a primeira em que geocachers, que se conheceram apenas no geo-caching, se juntaram para ir procu-rar uma cache sozinhos, sem ser em passeio de familiares e/ou amigos. Foi nesta caada conjunta que nas-ceu aquilo que viria a ser Os Expedi-cionrios. :)GM Os Expedicionrios j l iremos! Muito mais difcil do que in-vestigar as tuas primeiras aventuras com sucesso rastrear os malo-grados DNFs! Que recordaes guar-

    das do(s) teu(s) primeiro(s)? No daquele no Castelo de Lisboa, claro, mas de um DNF a srio!MA - O 1 DNF foi na Cold Spring e foi devido dificuldade de obteno de um sinal GPS de jeito porque an-dei a procurar muito longe da cache (soube depois quando a encontrei mais tarde).A recordao mais traumatizante foi a Uma Aventura Na Lagoa II (a ori-ginal, do pregalla). Como era lon-ge... uma hora a procurar e nada. Depois desta, mais alguns DNFs se seguiram mas o mais complicado de digerir, a seguir, por ser muito longe e por o local ser muito especial, foi a Fraga da Pena. Aqui o problema fo-ram as coordenadas publicadas que estava mal e foram corrigidas mais tarde.Sempre loguei os DNFs e em vrias chegava a procura de forma muito insistente no incio (agora j no pro-curo uma cache durante 1 hora como ento). Enfim, nada de especial com os DNFs para alm do tempo extra a procurar porque, o passeio, as vistas e a des-coberta do local esses ficam.GM - Aproveito este momento para te agradecer! Obrigado! Confuso?! [risos] No devias estar... isto o que se pode encontrar no site Geo-caching.com quando se pesquisa por Charter Member. l pedido

    que lhes agradeamos visto ser res-ponsabilidade deles o facto de o site existir. Durante muito tempo foste o nosso Charter Member... O que te levou a apostar/apoiar o geocaching logo no seu incio? Houve algum tipo de apelo ao registo como membro pagante? Como se processou a coi-sa? E no menos importante, porque que deixaste de o ser? Foi algo re-cente, se no me engano.MA - Os Charters Members so os Pre-mium Member que surgiram no incio e que constituram o primeiro dinhei-ro que o Jeremy conseguiu para co-mear a evoluir o Geocaching.com. O titulo de Charter foi uma distino honorfica prometida a quem aderis-se. Houve um apelo feito por email que recebi algures entre junho e se-tembro de 2002, altura em que de-cidi contribuir com 30$usd anuais. Inicialmente, estava previsto que se-riam Charter os primeiros 1000 que aderissem (fiquei entre os primeiros 850) mas a iniciativa teve tanto su-cesso que alargaram aos que aderi-ram durante o primeiro ano e che-gou-se a um nmero a rondar os 3000. Todos estes nmeros circula-ram nos fruns da Groundspeak, que eu acompanhava diariamente.Deixei de ser Premium Member em 2014 por no concordar com a di-ferena de tratamento entre os que pagam em $usd e os que pagam em uros, no preo pela subscrio de

    Deixei de ser Premium Member em 2014 por no concordar com a diferena de tratamento entre os que pagam em $usd e os que

    pagam em uros, no preo pela subscrio de Premium Member

  • 49Junho 2016 - EDIo 21

    1808.-.Batalha.de.Rolia.[Bombarral]

    Uma.Aventura.Na.Lagoa.

  • 50 Junho 2016 - EDIo 21

    Premium Member. GM um tema mais ou menos re-corrente esse da diferena cambial entre as duas moedas de vez em quando leio num dos fruns que al-gum tem de renovar a assinatura e que no faz sentido esse tratamento diferenciado. De qualquer modo di-go-te que fiquei com pena de perder o nosso CM! O que nem sequer faz muito sentido, o de perderes o es-tatuto de Charter Member, se esse titulo foi atribudo aos primeiros que contriburam. A nica diferena que agora seria CM Basic Member e no CM Premium Member. Debrucemo-nos agora um pouco so-bre a tua faceta de Owner! Setembro de 2002 a data que consta naquela que a tua primeira (excelente, di-ga-se) cache! Castelo dos Mouros [GC88D3] como na altura no havia log de publicao, confirmas essa como a data real de colocao? que a primeira tentativa para a encontrar foi feita apenas em Janeiro de 2003. Porque ali? Era() um daqueles lo-cais que tem mesmo de ter uma cache? No fao esta pergunta ten-do em conta o panorama actual das coisas fao mesmo no contexto em que a colocaste, meados de 2002.MA - Sim, confirmo a data de coloca-o da Castelo dos Mouros. Ao fim de vrias caches encontradas, sen-ti que estava pronto para colocar a minha primeira. J tinha visto vrios tipos de container e de esconderijo e comecei a planear a minha contribui-o. O local? Simples. Estava-se na poca em que o heri dos filmes era o Indiana Jones e eu tinha, na famlia, 2 Lobitos (iniciantes nos Escuteiros) e ento desafiei-os a irem comigo, para as redondezas do Castelo dos Mouros procurar um local para es-

    conder uma cache. A zona e o tema escolhi eu, o local exacto da cache escolheram eles! Mas... h uma histria secreta por trs desta cache. Ou quase secreta. Como j havia uma cache na Serra de Sintra (a O Lugar dos Mortos) eu senti certo desconforto em colocar l outra cache porque a que l esta-va, considerando a densidade e dis-tribuio de caches em Portugal, j mostrava Sintra. Ento, enviei um email ao pregalla a perguntar se ele no se importava que eu colocasse outra cache... na outra ponta da Ser-ra de Sintra (a mais de 500m). Argu-mentei, algo comprometido e sem vontade, que a cache estava longe da dele e tinha outro tema e, do que co-nhecia, aquele era o local certo para o meu tema, aventura tipo indiana Jo-nes, pela floresta densa e tenebrosa (na altura no havia limpeza de ma-tas como vai havendo agora).GM No era () uma cache fcil! Tem j 185 DNFs! Eu prprio demo-rei bastante tempo at me decidir a ir procur-la e no dia demorei bas-tante tempo a dar com ela. Estva-mos j em finais de Maio quando o Pedro(OCoyote) l deu com ela. Che-garam mesmo a dizer que a cache se arriscava a ter mais visitas tuas do que de outros geocachers. [risos] Ti-veste essa percepo? (era) mesmo um found que cobra(va) o esforo? Provavelmente, a cache mais difcil de encontrar do seu tempo?MA - Na pgina da cache escrevi: Procurei este local com o meu filho (Filipe, 10 anos) e o meu sobrinho (Joo, 8 anos) e eles adoraram andar a fazer de Indiana Jones.Eles foram terrivelmente sdicos... Como disse, eu escolhi a zona e o tema e eles escolheram o local exac-

    to (spot). Dei-lhes corda e eles s pa-raram quando viram que no podiam subir a muralha. :)

    Penso que era a cache mais difcil na altura, embora eu no tenha visitado todas as que existiam mas pelos co-mentrios que fui recebendo... ficava com as orelhas quentes. :)

    785 found, 185 dnfs e 10 visitas de manuteno. Acho que o saldo po-sitivo e nem todas as caches tm que ser fceis e rpidas de encontrar. Quem se desiludiu com esta cache porque no leu bem a descrio e/ou no viu bem os atributos da mesma.

    GM Agradece-lhes l por mim!!! A mim deu-me muito trabalho [risos] A tua segunda colocao encontra-se arquivada e lembro-me de (mais ou menos) recentemente ter lido al-gumas coisas sobre ela, pela escrita do Joaquim Safara. Temos no registo dele sobre a Lisbons Monsanto - A Paleovolcano? [Lisboa] [GC9ACE] uma boa histria para ler mas o que me chamou mais a ateno foi o teu registo com a indicao dos pedidos de colocao de caches em Monsan-to aos responsveis pelo espao... Fala-nos um pouco dessa Semi--Earthcache e desses contactos. J agora, sabes quantas caches por l existem hoje em dia?MA - A segunda cache foi ainda mais pensada e planeada do que a primei-ra. Num dos semforos da Praa de Espanha, recebi uma publicao da Cais das mos de uma das pessoas que so ajudadas por essa institui-o. O tema era os vestgios paleo-volcnicos da Serra de Monsanto. Interessei-me pelo assunto e decidi colocar uma multicache que levasse a visitar os pontos assinalados nessa

  • Junho 2016 - EDIo 21

  • 52 Junho 2016 - EDIo 2152

    revista.No meu planeamento, fiquei a sa-ber, pela minha irm, que trabalhava nas Estufas de Monsanto, que havia um Dr. Paulo Lopes no EPEM que era muito acessvel, aberto e focado em novidades. Telefonei-lhe e marcmos uma reunio. Eu tinha a noo de que Monsanto no era um terreno baldio, abandonado, e sabia que tem insti-tuies a tratar dele. No dia marca-do, l fui falar com o Dr. Paulo Lopes, expliquei-lhe o Geocaching, levei o porttil j com paginas html e mapas abertas (no tinha internet fora do escritrio/casa) e, pedi-lhe autoriza-o para colocar uma cache dedicada aos vestgios vulcnicos de Monsan-to. Ele autorizou e at fez mais; pu-blicou um banner publicitrio na p-gina da CML do EPEM sobre a minha cache e pediu aos guardas/vigilantes de Monsanto que verificassem de vez em quando se estava tudo bem. O Dr. Paulo Lopes, a quem eu apre-sentei o Geocaching em Setembro de 2002, hoje o geocacher plnauta. Depois desta cache, ele ainda auto-rizou uma outra The (Imprisioned)

    Squirrel [GCGD9A] que tambm no resistiu aos maus tratos e vandalis-mos.Quantas caches existem em Mon-santo? Bem, com a Mistrios... de-vem totalizar algumas 300...Ainda sobre o pedido de autorizao para colocar a cache em Monsanto, aqui est o que fui partilhando com a comunidade geocacher da altura - sim, a partir de Agosto/Setembro de 2002 j comeou a constituir-se uma comunidade por iniciativa do Ricardo Bordeira Silva ao criar o grupo geoca-ching_portugal no YahooGroups:(se no tiveres acesso a estes links, diz que eu envio copy&paste ou crias conta no YahooGroups e aderes ao geocaching_portugal)(repara nos avisos Brisa e aos Guardas Florestais sobre a presena da minha cache :) )https://groups.yahoo.com/neo/groups/geocaching_portugal/con-versations/messages/167e o resultado da reunio com o pl-nauta, perdo, Dr. Paulo Lopes :)https://groups.yahoo.com/neo/groups/geocaching_portugal/con-

    versations/messages/172e foi pena no ter feito um prints-creen desta pgina web porque es-tava l a referencia ao geocaching e minha cache (agora a pgina j no existe...) https://groups.yahoo.com/neo/groups/geocaching_portugal/conversations/messages/178GM Eia! O que se descobre ao per-guntar as coisas s pessoas certas! Tenho pena por ele andar algo afas-tado do geocaching por estes dias (anos) passei bons momentos a procurar as caches dele c pelo dis-trito de Lisboa. Colocaste mais meia dzia de caches durante o ano de 2002, trs delas arquivadas e trs activas (presente-mente). As trs que subsistem so-mam perto de 240 favoritos, o que demonstra o apreo que a restan-te comunidade vai tendo para com elas mas a minha curiosidade vai para a Ancient Aqueduts [GCA9CE] visto que s a primeira pessoa que entrevisto que teve uma Geocache Locationless (reverse). Explicas-me um pouco do que era esse tipo de cache, hoje grandfathered e a his-

    PORTO.FURADO

  • 53Junho 2016 - EDIo 21

    tria por detrs da tua?MA - As LocationLess caches eram um tipo de caches vir-tuais, sem contentor fsico e sem os aspectos negativos de uma procura fsica (degrada-o do meio, perigo para a ca-che, etc.) mas com os aspectos nega-tivos de uma cache virtual (tentativa de batota).Como funcionavam? Algum criava uma cache virtual em algum local, de-dicada a um tema, e depois desafiava os outros geocachers a procurar um local/tema semelhante em qualquer parte do Mundo. Para logar esse tipo de cache virtual, o criador especifica-va um conjunto de regras que, nor-malmente, inclua um foto do local/tema logado a validar a sua seme-lhana com o original.No meu caso escolhi o tema do Aque-dutos Antigos, ou da antiguidade, e recebi logs de aquedutos espanto-sos, antiqussimos (Incas, por exem-plo) e remotos, por todo o planeta (inclusive, Austrlia). Deliciei-me a ler muitos dos registos que ia recebendo. O Orlando Rebelo criou uma sobre Pontes Romanas e o Ricardo Bordeira Silva, sobre Monu-mentos ao Vasco da Gama - impres-sionante a diversidade de locais onde foram erigidos monumentos a esta figura da nossa Histria!Depois, mais tarde, quando as Loca-tionLess caches foram transformadas em Waymarks Categories, abri a pos-sibilidade aos canais de irrigao, a coisa abandalhou-se e desisti.GM Conhecendo a tua reputa-o, no duvido que cada uma das tuas outras colocaes que referi (de 2002) tenham muitos motivos de interesse por detrs das mesmas

    algum em especial que queiras des-tacar?MA - Sobre as caches que coloquei na fase inicial, tentei focar-me em temas - os vestgios vulcnicos da Serra de Monsanto, os vestgios e di-nossauros na zona do Cabo Espichel, os aquedutos antigos - e em locais especiais - a Gruta de Santa Marga-rida na Arrbida, o Pulo do Lobo no Rio Guadiana ou a Furna que Sopra em Peniche com o seu curioso so-pro do Mar. Talvez que me deu mais prazer a colocar, dessa primeira meia dzia, tenha sido mesmo a dos vest-gios vulcnicos de Monsanto e a dos vestgios de dinossauros no Cabo Es-pichel. Foram duas caches que me le-varam a bastante investigao e pre-parao. Tambm gostei da maneira como encontrei a Gruta de Santa Margarida: comecei a vasculhar os livros todos que tinha c em casa e encontrei o Viagens na Minha Ter-ra de Almeida Garrett que falava da Gruta de Santa Margarida. :)GM Sobre os primeiros arquiva-mentos, queres desvendar os mo-tivos por detrs deles? Falo da The Aqueduct [GCA3E6] e da Centro Geodsico de Portugal [Vila de Rei] [GCA6CC].MA - Os arquivamentos... a grande maioria deles foram, e sero, devi-do a falta de cuidado e/ou desleixo dos visitantes das caches e que as deixam em risco, seja de serem des-cobertas por no geocachers, seja o risco de sofrerem os efeitos das in-

    tempries. As caches virtuais e a multicache mais elabora-da que criei [GCVYJQ] foi por constante tentativa, e em al-guns casos prtica mesmo, de batota de chico-espertos. No fora isso, e praticamente ainda estariam todas activas

    hoje. s consultar os logs de arqui-vamento para confirmar isso mesmo.GM A minha inteno no fazer uma retrospectiva total e exausti-va das tuas aventuras/caches/etc. mas a verdade que foste um dos primeiros (se no o primeiro) numa srie de iniciativas e inovaes! Interrompe-me sempre que achares necessrio para falares de assuntos pertinente e interessantes que es-teja inadvertidamente a ignorar [ri-sos]. Chegamos a maio de 2003 e ao teu primeiro evento como organiza-dor (a meias com o Lobo Astuto), o 2nd Geocachers Meeting in Por-tugal [Lisboa]. No rescaldo do pri-meiro meeting (seis meses antes) podemos encontrar esta curiosa re-ferencia na listing Somos os nicos malucos por aqui! Era o que acha-vam? Apareceram to poucos no 1 meeting (trs attends feitos) neste vosso quase que quadruplicaram os presentes.MA - Deixa l, por esta altura j de-ves ter perdido metade dos leitores! [gargalhada] Lembra-te que eu, o clcortez, o zoom_bee, etc.... somos corpos estranhos no Geocaching vigente. Somos assim, uma espcie de homens das cavernas que so muito giros para ver numa montra, num museu mas nada mais do que isso. ;) Continuando, porque tenho prazer e orgulho no nosso percurso no Geocaching. Porque, para mim,

    Lembra-te que eu, o clcortez, o zoom_bee, etc....

    somos corpos estranhos no Geocaching vigente

  • 54 Junho 2016 - EDIo 21

    esta entrevista como criar uma cache; respondo com o prazer que criei as caches. Se depois as pessoas apreciam a entrevista ou as minhas caches, no relevante. Eu fiz o me-lhor que podia. E h sempre gostos para tudoSomos os nicos malucos por aqui?. Repara que se tratava de uma per-gunta e significava que queramos saber se, alm dos que j se tinham apresentado no Geocaching_Portu-gal, havia mais. Mas, por outro lado, agora existem dezenas de milhares de Geocachers. Na altura conheciam-se, entre os que criaram caches e os que as pro-curaram, uns 20 ou 30. Mesmo que fossem o dobro (e no soubssemos por no terem criado caches ou fei-to logs nas que existiam) seriam uns 60 ou, v l, uns 100 Geocachers em Portugal. Por isso, sim, na altura sen-tamo-nos algo nicos, especiais. O 2 encontro de Geocachers foi um impulso e uma necessidade natural, at devido meia desiluso que tinha sido o primeiro encontro, por terem ido to poucos e at o organizador no pode ir.Assim, para a organizao deste se-gundo encontro nacional, esmer-mo-nos e, alm do local muito bem escolhido (tnhamos a percepo que Lisboa era a zona com mais geoca-chers e Monsanto um local natural-mente atractivo para um picnic com a famlia), crimos um programa bem composto que inclua jogos (com pr-mio), distribuio de t-shirts, troca de prendas, actividades acessrias (a subida da parede de escalada que ali existe e que depois motivou caches, acompanhada por monitores do Parque de Monsanto e que eram os ajudantes do Dr. Paulo Lopes) e pre-

    lees por especialistas em GPS (O Afonso Loureiro, recentemente for-mado e o js-sms, Professor na Facul-dade de Cincias) que nos ensinaram os conceitos por detrs do sistema GPS, com a ajuda de equipamento profissional.GM - Um Evento com E grande portanto! Monsanto deveras um local TOP para a prtica deste nos-so hobbie, especialmente em famlia (j o fiz algumas vezes). Entretanto e pelo que se depreende pelos es-cassos dias que mediaram entre o meeting e a tua seguinte publica-o, andavas bem activo! Um even-to bem organizado seguido de uma interessantssimo projecto, onde foste, novamente, pioneirssimo! Falo, obviamente das famosas IMCs, European IMC No.1 P - P - Castelo de Bode e European IMC No.1 S - P - Tide Mills [Almada]. Qual a gnese da coisa? Como surgiu esta ideia?MA - As IMCs foi ideia do Hendrik Woelper, um geocacher alemo. Est tudo contado aqui http://fo-rum.geocaching-pt.net/viewtopic.php?p=9495#p9495 e a pgina ini-cial do projecto esta http://www.woelper.net/gc/imc-ec-no1.phpUm conjunto de multicaches, cons-titudo pela cache primria e pela cache secundria em cada pas em que, para se encontrar a secund-ria era necessrio visitar a primria e depois trocar dicas com os outros geocachers estrangeiros. O projec-to evoluiu at verso 4, tendo eu representado Portugal nas verses 1 (gua) e 2 (vento), o lynxpardinus (Ricardo Silva) na verso 3(terra) e o mtrevas (Miguel Trevas) na verso 4 (fogo).GM Uma pesquisa rpida revela 14 destas primeiras IMCs ainda activas,

    sendo que apenas trs delas so tra-dicionais. Parece-me que apenas na Hungria subsistem ainda as duas, Tradicional e Multi. Parece-te que faz sentido existir a Multi sem a ou-tra? No teu caso, uma dependia em parte da outra (era) assim para todas?MA - Foi um conjunto de projectos interessante mas foi-se degradando e quando comea a falhar em vrios pases, todo o conjunto vem abaixo.GM uma pena. So estas coisas que do (ainda) mais interesse ao Geocaching. Lembro-me de ter en-contrado uma tua, na Serra de Sin-tra agora chama-se apenas Feel The Wind [GCKJ9A] mas quando a encontrei julgo que faria parte da verso 2 (at pelo nome).MA - Sim, a Feel The Wind era an-teriormente a IMC No. 2 P - PT - Feel the Wind.GM- Outra das coisas que (me) d bastante gozo procurar caches an-tigas (como quase todas as tuas) e caches descontinuadas no h como ignorar as trs Virtuais no teu perfil, todas arquivadas. Referiste h pouco que o fizeste por causa dos Chico-espertos e Batoteiros mas, nem sei bem como colocar a pergun-ta, o que se sente ao arquivar uma cache de um gnero que no voltar a ter novos exemplares? A fazer f na nota do Joaquim Safara, colocada na Memories of Stone and Water [Lis-boa] [GL448JCB], esta tua ter sido mesmo a ltima virtual publicada.MA - O que senti quando arquivava as minhas caches... Uma grande sen-sao de perda e revolta mas eu no sou de dar a outra face ou de dei-xar andar. Se no respeitam alguma das minhas caches, ento porque j

  • 55Junho 2016 - EDIo 21

  • 56 Junho 2016 - EDIo 21

    TRILHOS.&&.CARVO.-.TV01

    SOFT.WATER.OVER.HARD.STONE.[PORTO.DE.MS]

  • 57Junho 2016 - EDIo 21

    esto a mais. As caches que criei, os projectos em que me envolvi custa-ram-me tempo, dedicao, dinheiro, privaes... Foram feitas de acordo com as guidelines da GroundSpeak, foram aprovadas pelos Revisores e eram para ser visitadas ou logadas da forma como foram idealizadas. Quem no concordasse, passasse frente e fosse procurar outra cache.No incio, este conceito era perfeita-mente aceite a respeitado. Por exem-plo, existe um Geocacher que no procura caches onde no consegue chegar fisicamente devido sua pe-quena estatura e est no seu direito. Ele acha que o Geocaching no deve ser uma prova ou mostra de aptido fsica. Est no seu direito, ele ignora essas caches e procura outras.Nas minhas caches virtuais e na mul-ticache mais elaborada que criei, apareceram demasiados casos de contornar a cache na forma como foi elaborada e decidi acabar com elas. Quem as procurou e encontrou de acordo com o idealizado para a ca-che, no perdeu nada. A histria das caches tambm no se perdeu - pelo menos enquanto ainda for relevante em termos de tempo histrico, quem no as encontrou por j no existi-rem... parece evidente que tem mui-to por onde procurar e os spots fica-ram livres para outras criaes iguais ou melhores que as minhas. S fica mesmo irremediavelmente perdido as badges e as GC6... agradeam aos batoteiros. Eu, pelo meu lado, nunca perdi a capacidade e dedicao para ir mantendo as minhas caches. Por outro lado, se elas no tivessem sido arquivadas pelos motivos que foram, ser que ainda existiam tal como eu as criei? No tenho a cer-teza. A GroundSpeak parece que est

    apostada em mudar tudo o que foi o seu incio e o seu esprito inicial em favor de uma cada vez maior moneti-zao do Geocaching...

    GM () a capacidade e dedicao para ir mantendo as minhas caches. Aqui est o mote para introduzir umas questes sobre as caches que adoptaste. As duas mais antigas do teu perfil, dos idos anos de 2001, vieram da pena do Pedro Regalla. O que aconteceu? Como se proporcio-nou a continuidade destas caches, pelas tuas mos?MA - O Pedro estava a desligar-se do Geocaching no terreno porque ia para Paris (onde ter estado uns tempos) e procurou adoptantes para as sua caches.

    As trs caches que aceitei diziam-me algo; uma porque foi a minha primei-ra (Pela Pr-histria do Alentejo), as outras duas porque era um tema que me agradava (aventura na Lagoa) e estavam perto de locais onde eu ti-nha ligaes, seja porque tinha ou-tras caches na regio (Mrtola), seja porque passava frequentemente na zona e tinha sentimentos fortes por aquela cache, pelo que provocou nas minhas procuras.

    Senti tambm que eu, na altura, era o que tinha mais capacidade para adoptar caches distantes da zona de residncia e, por isso, quando o Pedro colocou as suas caches para adopo, no me candidatei s ca-ches mais perto, porque sabia que haveria candidatos para elas, como aconteceu.

    GM Se falarmos no Regalla, no podemos deixar de fora outro di-naussauro, o Pedro Cardoso. O que disseste para o outro Pedro aplica-

    se tambm ao pcardoso?MA - Aplica-se tudo relativamente considerao por ser mais antigo e experiente que eu e ser uma pessoal muito afvel e acessvel. Existiram diversos episdios que nos puseram em contacto (as caches dele na zona de Mrtola) e que nos levou a ir visi-t-los na Ilha Terceira, fazer uma ca-minhada guiada por ele e jantar com ele e famlia e fazer a manuteno da Atlantis [GCK1JY].GM No seguimento destas per-guntas, destas caches adoptadas, impe-se um pequeno interldio so-bre os teus planos de manuteno! [risos] No tenho dvidas de que a tua postura no que refere este ponto (ter as caches em excelentes condi-es) UMA das razes pelas quais s um dos chamados Geocachers de Referncia. O que te apraz dizer so-bre este assunto? MA - Eu aprendi o Geocaching em 2002. Com as virtudes e defeitos que tinha. No esprito do Geocaching original estava implcita a manuten-o das caches, o no colocar caches que no se pudessem manter, etc... Eu mantive-me fiel a esse esprito. s. Para mim, uma coisa natural e pena que eu me distinga por isso. Eu devia ser apenas um na multido dos geocachers conscienciosos e que medem bem as consequncias de colocar caches. O facto de eu ser de referncia por esse motivo, s me preocupa em vez de me agradar.GM - Julgo que havero mais (muitos mais, espero) geocachers conscien-ciosos como referes. [Risos] Agora, conseguir manter essa postura ao longo de 15 anos no para todos, disso no tenho dvidas. Mas como disse, essa apenas UMA das coisas em que te distingues! Tenho aqui

  • 58 Junho 2016 - EDIo 21

    uma pequena lista delas [Risos]Ora vejamos, aproximao MAn-tunes! uma expresso muito ouvi-da por esses montes e vales... haha, uma pesquisa no Google por essa frase (+geocaching) devolve mesmo um quer dizer que d para fazer a aproximao MAntunes? vindo do ba do @PT. Desvenda l esta est-ria, s.f.f.! MA - A estria da aproximao MAntunes nasceu neste log e nesta foto. Depois de um CITO em Monsanto/Estdio Nacional, fomos separada-mente a esta cache (no me lembro se combinmos ou se calhou porque na altura havia muito poucas caches para procurar).Como abordmos a cache de maneira diferente, ele chegou primeiro e ficou ali a observar aqui o artista e a rir-se enquanto me tirava fotos. A par-tir daqui, pegou a expresso e como eu sou mesmo assim, directo e sim-ples, tanto na abordagem das caches como na abordagem das pessoas, a fama ficou. :)GM O bom do Cortez tem o con-do de lanar essas modas! [Risos]Para terminar este priplo pelas coisas que distinguem sobremanei-ra o Geocacher MAntunes [Garga-lhada], falemos um pouco daquela, para muitos, digamos, mais estra-nha. Parece-me que sers mesmo o nico adepto desta. Falo obvia-mente do Found It como o enten-des e aplicas. Diz-se, e l-se, que, para ti, o found s conta se fores mesmo tu a encontrar a cache. En-quadra-nos l essa tua faceta s.f.f..MA - muito fcil. Tem duas origens: - uma, o tempo em que eu aderi e a prtica/esprito que se evidenciava

    na altura.- outra, a minha maneira de ser.Quanto ao tempo, estava-se no in-cio e a maioria das pessoas bebia os conceitos dos Geocaching directa-mente da fonte oficial. No havia in-termedirios e a informao era sim-ples e directa. Encontrou = Found, no encontrou = Not found, outras situaes = Note. No havia outros tipos de logs.Eu comecei a praticar Geocaching com amigos, e famlia e depois con-tinuei sozinho. Habituei-me a que o mrito ou demrito era meu (e/ou da minha equipa, famlia, que eu levei a passear) e esse hbito ficou assimi-lado desde o incio.A outra razo, porque no sou o ni-co Geocacher ainda activo que apren-deu a actividade naquela altura, tem a ver com a minha personalidade. Se verdade que sou simples e directo com as pessoas e no me coibo de ir directamente falar com elas - seja para o bem, seja para o... menos bem, tambm verdade que sou algo res-tritivo e marco fronteiras que no ul-trapasso. Eu no acho bem estar a registar como encontrada uma cache que eu no encontrei e assim proce-do. Para mim simples e bvio mas aceito perfeitamente que os outros encarem esse aspecto de forma mais aberta e descontrada.GM Ento e quando essas duas formas de encararem os founds se cruzam?! Nunca ouviste um Ei! Onde para o Manuel? ou Ento? No vens?? Lembro-me de ler algu-ma coisa sobre um episdio des-ses numa excelente cache na zona da Maceira, salvo erro. Por episdio refiro-me a teres ido procurar uma cache a solo enquanto o pessoal se

    dedicava a rapellar para dentro de uma gruta, claro.MA - Sim, evito que a minha maneira de procurar caches provoque cons-trangimentos aos outros compa-nheiros de caadas. Normalmente, coordena-se as coisa de forma a que: ou vou antes deles ou vou depois. Depende da situao. Era comum a expresso Busca Manel! entre os Expedicionrios, para me dizerem que j podia ir procurar a cache. :). Nessa situao que relatas, como o pessoal estava entretido a enfiar-se no buraco, e o tempo de espera na fila era alargado, aproveitei e fui pro-curar a cache.

    O buraco onde nos metemos numa iniciativa do BTC , foi A Fenda e a vi-zinha foi a Lapa da Columbeira.GM Columbeira!!! Era isso! Esta-va a embirrar com Maceira e nunca mais chegava a bem podia procu-rar. Isto mesmo como as cerejas [risos] fui ver o meu registo e es-crevi um brilhante log later, ainda em 2013, o que me fez lembrar de algumas questes relacionadas com SmartPhones. A mim, pessoalmen-te, d-me muito jeito a possibilidade de criar e mandar para o site field notes (ainda no gz) principalmen-te porque ficam em hold no nos-so perfil, evitando registo do tipo que referi atrs. Mas, parece-me, das poucas vantagens que tambm beneficiam os Owners das caches. O que te parece? Julgo que tambm sers algo crtico da utilizao dos ditos telefones inteligentes no Geo-caching. MA - De modo nenhum! Como in-formtico que sou, adoro gadgets e brinquedos electrnicos que nos fa-

  • 59Junho 2016 - EDIo 21

    cilitem a vida.Fui um dos primeiros a ter uma so-luo PocketPC + gpsr + cartas ca-libradas a funcionar e, uma vez, no Geocaching-pt, sonhei com um apa-relho que combinasse gpsr + gsm + mapas e caches online. Ainda s ha-via pocket pc sem GPS integrado (era adicionado com um adaptador CF ou via bluetooth) nem gsm. Hoje em dia, depois do meu velhinho GPSr Magellan Platinum ter morrido de vez, uso apenas um smartphone com c:geo. No costumo fazer field notes ou logs de off-line. Quando encontro uma cache fao imediatamente o registo resumido e depois, em casa, completo e coloco fotos. O que me parece? Acho que uma soluo mais equilibrada porque d a informao bsica e essencial ao dono/autor da cache (encontrei/no encontrei e as impresses mais for-tes da visita). GM Hum estava a referir-me a aspectos como os de se poder regis-tar a visita sem na realidade se es-tar sequer registado no site oficial e por conseguinte no se ter maneira

    de contactar o geocacher, caso ne-cessrio. Julgo que tiveste alguns problemas relacionados, h alguns meses.MA - Ah, esse tema... sim, infeliz-mente a GroundSpeak tem vindo, gra-dualmente, a afastar-se do espirito inicial do Geocaching, que ela pr-pria criou, e tem alterado as regras e guidelines de forma a beneficiar os procuradores das caches/Visitan-tes em prejuzo dos colocadores das caches/Responsveis. As ferramen-tas dos primeiros tm aumentado e as obrigaes dos segundos tm-se mantido, o que est correcto, mas as ferramentas que tinham sua dispo-sio para exercerem o seu papel de responsveis tm vindo a diminuir.Existem vrios exemplos que, ao longo dos tempos, me levaram aos foruns oficiais da GroundSpeak argu-mentar, sem resultado, pela defesa do papel do Responsvel pela cache.A sensao que tenho, j h vrios anos, a de que uma cache um Ser-vio ou Produto disponibilizado pela GroundSpeak ao Visitante que tem o direito de a registar como encontra-da a seu belo prazer, e o Responsvel

    pela cache, o apenas o encarregado da manuteno da mesma que tem a obrigao de manter esse produto em boas condies para os Visitan-tes.Como disse, h vrios episdios que se espalham ao longo dos anos e co-meou, para mim, com a possibilida-de de os visitantes bsicos poderem logar caches Premium (pmoc) se ace-derem ao formulrio do log pelo link directo (um porta deixada proposita-damente aberta?) porque de modo prprio, pela listing, com a sua conta, no o podiam fazer porque as pmoc eram s para Premium Members, tal como foi noticiado quando foi anun-ciado o aparecimento das pmoc, a que eu assisti. Depois, foi a proibio indiscrimina-da das ALR (Aditional Logging Require-ments) facilitando a bandalheira em que se tornou o registar como en-contradas as caches, no caso mais usual, virtuais.Esse ltimo(?) aspecto da aplicao oficial do Geocaching para dispositi-vos mveis, foi outra machadada no nimo de quem tem que manter as caches de forma a respeitar as Gui-

  • 60 Junho 2016 - EDIo 21

  • 61Junho 2016 - EDIo 21

    delines, na parte da manuteno. que, ao disponibilizar a BD das ca-ches em dispositivos mveis sem os obrigar a criar conta com email vali-dado, provoca que, caso necessrio, o responsvel pela cache no possa contactar o visitante para esclarecer alguma dvida, pedir a eliminao de um log duplicado ou indevido, etc... Eu, depois de vrias tentativas frus-tradas de contacto e de ter lutado nos foruns da GroundSpeak, outra vez sem sucesso, passei a apagar os logs de visitantes sem email valida-do, quando esses logs tenham algu-ma caracterstica que os invalidem (duplicado, sem correspondncia no logbook).GM Esse outro aspecto em que me parece que te destacas de gran-de parte da comunidade sempre tive a impresso de que s um dos mais atentos dos nossos geoca-chers ao que se vai passando com a GS e sobre os assuntos discutidos nos fruns deles. Dizes mesmo que tens argumentado por l, invariavel-mente sem grandes resultados, cer-to? Parecem-te discusses em que pura e simplesmente so ignoradas as opinies dos jogadores porque as decises esto tomadas? Julgo que at a forma como isto se pro-cessa se tem vindo a alterar, certo? O Frum em si no uma coisa at recente?MA - Sim, sempre estive atento aos fruns da GroundSpeak, especial-mente nos primeiros 10 anos da mi-nha actividade. Mais uma vez, por razes histricas; no incio no ha-via fruns em Portugal (a mailing list do Yahoo aparece mais de 6 meses depois de eu saber da existncia do Geocaching) e eu estava vido de in-

    formao.

    Aps a ajuda inicial dada pelo Pedro, eu precisa de saber mais. Os fruns da GS eram a minha nica fonte de informao. Acompanhava quase tudo que se passava l.

    Os fruns da GS, algures entre 2006 e 2008 mudaram de plataforma e de orientao. At a, era usual ver-se o Jeremy contribuir ou responder nos fruns ou, em resultado dos fruns, responder directamente por email.Sentamos o Jeremy como um de ns. Depois dessa mudana tecnolgica e de gesto, os fruns tornaram-se maiores, mais organizados, mais for-mais e... mais distantes.

    Durante alguns tempos, o conte-do dos antigos fruns ainda esteve disponvel para consulta na seco arquivo - tpico bloqueados a novos posts mas consultveis. Agora j no esto acedveis da primeira pgi-na (cheguei ao link acima atravs da lista dos meus posts). Praticamente deixmos de sentir a presena do Je-remy e passou a haver um conjunto de pessoas a servir de tampo entre a comunidade e a estrutura dirigente do Geocaching mundial.

    Os foruns da GS, actualmente so uma ferramenta que, acredito, os TPTB (The Power That Be, ex-presso usada l) consultam mas j no lhe d a importncia que lhes da-vam nos primeiros anos. Basicamen-te, so uma vlvula de escape da co-munidade que eles tentam ignorar e apenas em casos mais importantes, intervm e l aparece um dirigente a responder - no estou a falar dos moderadores, esses so o tal tampo que foi colocado entre a comunidade e a GS, para alm do papel principal

    de moderao. Mais uma vez o Torgut teve razo neste caso ao dizer que no valia a pena argumentar nos fruns da GS, quando eu ia l tentar lutar por cau-sas em que acredito. O outro assun-to foi quando disse que eu fazia mal em promover a divulgao do Geoca-ching.GM Estes assuntos, mais do foro informtico, mais do backoffice do que actividade maioritariamente de ar livre que o Geocaching, cha-mam pelo teu lado profissional? Re-feriste h pouco que s informtico. H uma relao directa entre a tua actividade profissional e a ldica? MA - Descobri o Geocaching atravs de uma publicao relacionada com a minha profisso e, no incio, era necessrio, no digo bagagem mas predisposio para entrar na tecno-logia e nos gadgets. Sem essa for-a e curiosidade interior, as pessoas no entravam neste jogo de malu-quinhos da informtica - no havia mapas online, os GPSrs nem todos tinham mapas base e era mais difcil do que agora, em que um nico apa-relho faz tudo e actualiza-se quase automaticamente com as caches.Devido minha profisso, que me deu um certo vontade na parte tecnol-gica e o facto de ter aprendido a falar e andar na provncia - apesar de ter nascido em Lisboa -, consegui entrar bem, tanto na parte tcnica como na parte ldica e tenho mantido a minha capacidade e postura em ambas.GM Pois foi descobriste o geo-caching num meio de comunicao e depois foste estrela em pelo me-nos um outro! Lembro-me de ter vis-to uma pequena pea de telejornal onde promovias o Geocaching, julgo

  • 62 Junho 2016 - EDIo 21

    que de 2005. Era a isso que o Torgut se referia? Como te viste envolvido em mais essa aventura?MA - Sim, era a essa entrevista na RPT2, programa Magazine 2010, que ele se devia referir mas tambm a outras entrevistas que dei a jornais e revistas. Acreditava eu, na altura, que o Geocaching devia ser mais divulga-do e partilhado por um maior pblico. Magazine 2010 - 13/Ago/05 // P-blica (Revista semanal do Jornal o Pblico, n 457, 27/2/2005)Depois, ainda houve outra em que eu e o Cludio fomos cachar de bicicleta em volta do Rio Tranco e combin-mos encontro com umas jornalistas para nos entrevistarem em calas de lycra (ns). Mas no tenho o link da reportagem publicada. Como me envolvi nessas aventuras? Basicamente era contactado por al-gum a pedir uma entrevista ou re-portagem. Penso que os jornalistas me encontravam pela minha activi-dade, tanto no Geocaching.com como no Geocachig-pt e me contactava. Foi isso.GM H que agradecer aos cus por no teres dado com esse link!!! [risos] Se bem que teria ferramentas para gozar com o Cortez durante muito tempo! Aproveitemos esta nova re-ferncia ao Cludio para falarmos ento de amigos e dOs Expedicio-

    nrios. Comearam por seres Tu, o MCA e o BH, certo, como disseste no incio da nossa conversa? Quando que aparece a designao?MA - H que agradecer aos cus por no teres dado com esse link!!! [risos] No encontrei a reportagem mas en-contrei o log da ganda bosta de ca-che que encontrmos aps a entre-vista. ;)Designao dos Expedicionrios? Acho que foi durante a primeira sa-da, em 2004, ao Gers onde fomos s os primeiros trs. :)GM - Primeira sada a trs no Gers... Conta! No bem a mesma coisa que combinar ir ali Ericeira procurar uma cache! Quero(mos) saber tudo!MA - Depois da caada A Peque-na Gruta ficou a vontade de repetir a experincia e o Gers desafiava a nossa imaginao e esprito de aven-tura. Ento, passmos uns tempos a tentar conciliar agendas familiares at que decidimos ir s os trs. Con-tactmos o Roberto rob300_tdi e combinmos encontro na Portela do Homem, onde ele nos esperaria para depois nos acompanhar na caada cache dele, A fronteira de Baixo aproveitando para ir frente fazer manuteno. At l procurmos a Fenda da Calcednia, baseados na histria do meu DNF encharcado. A histria engraada, foi quando nos

    encontrmos com o Roberto e o MCA viu que ele conduzia o LR serie II, de 1900 e troca o passo... cau de quei-xos no cho e fez logo por continuar a viagem no LR descapotvel, mesmo com vento e frio nas estradas gale-gas, por onde fomos para ligar Por-tela do Homem com a zona do Rio Laboreiro.No fim, foi 1 (um) dia com sada e regresso a Lisboa em que fomos ao Gers, atravessmos um niquinho da Galiza, fomos a Castro Laboreiro, algumas pontes romanas, e termin-mos numa cache na zona de Arcos de Valdevez, a 56411m de altura. Os Geocachers deve estar doidos!, pen-sei eu na altura. :) GM Essa foi a primeira de muitas! J vi algumas fotos com bem mais de trs aventureiros foi a evoluo natural do grupo? Crescer e adicio-nar mais e mais amigos? Se no me engano, numa das minhas viagens com o Cludio, ele ter-me- dito que o objectivo nunca foi ser uma verda-deira excursoMA - O objectivo dos Expedicion-rios... inicialmente era apenas fazer umas caadas em locais longe da ro-tina e da rea de residncia. Gers era o local que primeiro aparecia nas nossas intenes. Depois, foram-se criando hbitos, pequenos pormeno-res que davam sabor nico s nossas

    Geocaching, sim, sempre, mas de uma forma moderada e no ao ritmo e

    envolvimento que tinha antes

  • 63Junho 2016 - EDIo 21

  • 64 Junho 2016 - EDIo 21

    caminhadas; o chourio do PH, os textos de Torga, os nomes mais ou menos pomposos de cada Expedio, inventados em resultado de ocorrn-cias das mesmas... e sempre o con-vvio e a enorme satisfao pelas ca-minhadas em locais de eleio.Em 2006, em resultado de conversas e/ou comentrios, surgiu a possibi-lidade de dois geocachers do Norte se juntarem a ns e a comeou a ex-panso do grupo, que tinha comea-do com 3 em 2004, passou a 4 em 2005 com a juno do clcortez e, depois, evoluiu gradualmente at um ponto em que se tornou difcil faze-rem-se caminhadas com todos pre-sentes porque, quanto mais pessoas, mais realidades de vida, calendrios, compromissos, etc... se misturavam tornando impossvel o pleno, regra que nos primeiros 3 anos foi nossa pedra angular - s amos quando to-dos pudessem ir.Quanto expanso, nunca houve uma estratgia definida. As situa-es evoluram ao sabor do acaso. Algum dos membros sugeria outro geocacher e era aceite. S se come-ou a fechar a porta a partir dos 20 e poucos membros.GM Este ano j houve alguma sa-da? Para onde foi a ltima passeata? Regra geral tentam organizar a coisa em torno da(s) cache(s) ou j mais ao contrrio? Primeiro o Destino e depois logo se v a(s) cache(s) que se enquadram?MA - Este ano (considerando os lti-mos 12 meses) no houve qualquer sada. A ltima sada foi a Montesi-nho e assim que funciona(va): Pri-meiro, o destino e depois as caches que podero haver sendo que tnha-mos sempre cuidado em haver algu-mas caches para procurar durante a

    caminhada - somos geocachers, cer-to?GM Como participante activo dos dois principais fruns, e em diver-sas redes sociais, acabei por trope-ar vrias vezes em posts onde re-ferias a pouca disponibilidade para o Geocaching devido aos estudos Foi tambm por causa dessa valorizao pessoal que, pelo menos at ver, no voltou a haver excurso? E agora? Julgo saber que a escolinha j ter-minou voltaste em fora a estas lides? [sorriso]MA - verdade que a Licenciatura me tirou disponibilidade para o Geo-caching em geral mas os programas especiais sempre foram sendo rea-lizados e as Expedies mais con-corridas, em que eu participei, at decorreram quando eu j estava a frequentar o curso.Eu no voltei s lides, pelo menos por agora, de certa maneira porque perdi um pouco el que tinha de pu-xar pelos outros e de organizar coi-sas. Estou disponvel para participar no que for aparecendo (recentemen-te participei num evento de CITO, em Tomar) mas j no sinto aquele vcio que tinha de colocar todas as moe-das (do meu tempo disponvel) no mesmo pote (Geocaching), e vou distraindo-me com outros hobbies - passeios TT e comecei a correr regu-larmente em Agosto e estou a correr semanalmente, >15km por corrida, o que para mim, com a idade que tenho e tendo comeado a correr h cer-ca de 8 meses, muito estimulante e tenho como objectivo fazer uma meia maratona oficial, antes do final deste ano. Por isso, Geocaching, sim, sempre, mas de uma forma moderada e no ao ritmo e envolvimento que tinha

    antes do meu Curso ter entrado na fase decisiva, porque existem outros hobbies para aplicar o meu tempo li-vre.GM Consigo relacionar-me com isso. No meu caso tentei sempre in-cluir um ou mais dos meus hobbies quando me dedicava(co) ao geoca-ching. Primeiro a bicicleta, depois as caminhadas maiores, agora a foto-grafia de aves. A massificao e pro-liferao de caches em tudo o que stio tambm ajuda na perda desse el de que falas. Parto desse teu envolvimento para o prximo lote de questes come-o pelo 1 Geomeetup, organizado por ti, certo? Consegui dar com a ata (http://geocaching-pt.net/64) mas queria saber como nasceu a ideia e qual a tua impresso de mais uma barraca das tuas (ser pioneiro d muitas vezes nestas coisas, ao des-bravar o terreno para os seguintes).MA - O GeoMeetup nasceu do esprito de que estvamos imbudos, ns, os pioneiros, de procura do convvio, da partilha de algo de que gostvamos e do esprito de divulgao da activi-dade e entreajuda dos novos que iam aparecendo. Era o esprito da altura.A ideia surgiu do site Meetup.com que de destina a organizar convvios entre praticantes de hobbies / activi-dades. Eu inscrevi o Geocaching em Portugal, l no Meetup.com e tentei, por trs vezes, organizar um Mee-tup. Era necessrio um mnimo de 5 confirmaes (will attends) para o Meetup ter aceitao e ser publica-do no site Meetup.com. terceira vez foi possvel (conseguiu-se os 5 WAs) e o evento ou publicado no Meetup.com. O local escolhido, pelo site, foi a Livraria Barata e a barraca ocor-reu porque a Barata no tinha mesas

  • 65Junho 2016 - EDIo 21

  • 66 Junho 2016 - EDIo 21

    para um caf nem servio de cafeta-ria. Ento, recorrendo ao cartaz que o site me aconselhou a imprimir, no local e rapidamente, encontrou-se um local opcional para onde o pes-soal foi e eu fiquei porta da Barata com o cartaz mostra para o pes-soal vir ter comigo e eu indicar-lhes o novo local de encontro do Meetup. A minha impresso sobre o aconte-cimento? Foi engraado. O pessoal andou a rir-se de mim durante uns tempos mas eu sei que foi a melhor opo a tomar naquele momento, visto que estvamos a encontrar-nos pessoalmente pela primeira vez e s assim era possvel estabelecer o en-contro/dilogo. GM At eu estou a sorrir s de te imaginar de cartaz na mo, porta da Livraria! S me consigo lembrar de publicidades tipicamente ame-ricanas, com tipos a segurar setas,

    vestidos a rigor, de galinha e afins. [Risos] Thumbs Up mais uma vez pelo espirito empreendedor! A prxima questo sublinha, mais uma vez, esta tua faceta. Refiro-me ao 1 CITO em solo nacional, a meias com o Paulo Henriques, certo? Como se proporcionou este miminho Natureza (que cada vez necessita mais)? MA - Tal como a Groundspeak con-tinua a fazer anualmente, eles de-cidiram dar um passo em frente no esprito do CITO e incitaram a comu-nidade a organizar eventos destina-dos a esta actividade de preservao da Natureza. E ns decidimos aceitar o desafio em Portugal.At quela data, o CITO era sugerido e promovido como uma actividade que se fazia durante a procura das caches, depois, passou a ser tambm uma actividade com eventos espec-

    ficos e peridicos.Nota-se que, agora, os CITOS se re-sumem apenas aos praticados nos eventos logveis mas que ao menos continuem assim. A prtica do CITO durante a procura de caches descon-fio que se foi perdendo e muita gente imaginaria que os CITOS nasceram da actividade paralela procura de ca-ches. Faz-me lembrar aquelas pes-soas que pensam que o leite vem do supermercado. ;)GM Sinceramente acho que o grande problema e a mudana de mentalidades se deve muito ao fac-to de que por estes dias h caches em todo o lado no meio do lixo in-clusive. Quem rege o seu geocaching numa vertente mais natural, fora das zonas urbanas manter mais fa-cilmente o hbito de praticar CITO do que aqueles que se vo acostu-mando a ver lixarada no dia-a-dia. E

  • 67Junho 2016 - EDIo 21

    por mim falo. -me mais frequente arrastar um saco cheio durante meia dzia de km no meio de uma serra, em que vim pelos trilhos a apanhar alguns plsticos e afins, do que fazer o mesmo quando ando por Lisboa, apesar de haver muitos mais locais onde o depositar e no ter de andar com os sacos horas a fio.Esta ltima pergunta, relacionada com o teu envolvimento e dedicao causa geocachiana, prende-se com uma iniciativa, da GS e depois migra-da para o seio do GeoPt, sobre aquilo que acabou por se chamar de Geo-cacher da Dcada. Julgo saber que no foi uma inicia-tiva que te agradasse por a alm, tal como se pode ler neste link onde referes que sinto-me honrado que algum tenha sugerido o meu nome para os nomeados mas peo a essas pessoas que no me levem a mal por no me sentir especialmente entusias-mado com tal votao, que prefiro ig-norar. por no dares valor a este g-nero de iniciativas (que destaquem desta forma o indivduo).No obstante a tua opinio (e passa-res a bola para o campo do Cortez ;) ), a verdade que muita gente acha efectivamente que tiveste (e tens) um papel incontornvel no desenvol-vimento do Geocaching (com Gu grande) em Portugal e acabaste na-turalmente para ficar no lote dos 10 finalistas (ao lado dos GreenSha-des, rifkindsss, btrodrigues, clcor-tez, danieloliveira, hulkman, prodri-ve, eterlusitano e OverdoseNesquik).Olhando hoje para tuuudoooo isto que escrevi, o que te apraz dizer? MA - No muito. Sempre fui apolo-gista de que o importante a Obra e no o obreiro. At porque, os feitos

    importantes, os que realmente mar-cam, so, normalmente, obra de um conjunto de pessoas. Por isso, nessa fase da pessoalizao e individualiza-o, no liguei muito. Prefiro receber logs agradveis nas minhas caches e sentir que elas trouxeram alguma experincia nova a este ou aquele Geocacher do que ser, eu, distingui-do por as ter colocado. Distingam as minhas caches com visitas em que apreciem mais o tema e a cache do que os nmeros e com respeito pela manuteno da mesma e esqueam-me a mim. A no ser que me queriam convidar para uma jantarada, ou um passeio TT, com misses fotogrficas pelo meio, etc... isso, sim aprecio. ;)GM Olha, fizeste-me lembrar de mais uma coisa em que foste o im-pulsionador e que, de certo modo, um pouco antagnico com esta lti-ma resposta e at com a postura da grande maioria (se no com todos) o que participaram no debate na al-tura. Foste tu o primeiro a sugerir o aparecimento de estatsticas (no @pt.net em 2004) relacionadas com geocaching c no nosso cantinho. De onde te veio a ideia, e porqu?Hoje em dia, as estatsticas esto muito conotadas com [estatsticas] = [concorrncia e luta pelos p-dios] tens esta percepo? No foi certamente com esta ideia em men-te que te lembraste deste assunto.MA - Essa fcil de responder. No, no tinha a competio em mente mas uma coisa que se chama Estatis-tica Descritiva com o intuito de saber factos e realidades sobre o Geoca-ching em Portugal. Quantos somos, quantas caches, como se distribuem as caches pelo Pas, as caches mais visitadas, os geocachers mais acti-

    vos, etc...Repara que na altura no havia nada que nos dissesse isso, alm do site da GroundSpeak e do Buxleys. Se vi-res o tpico Stats? no Geocaching--pt, vers o historial de crescimento da ideia das Stats em Portugal.GM Sim. Foi exatamente a que fui dar uma olhadela. Como geocacher histrico-curioso que sou mantenho atento a este tipo de coisas, em es-pecial aquelas que o Joaquim Safara vai desenterrando com grande ha-bilidade algures no tempo lembro-me de ler alguma coisa escrita por ele sobre o assunto, provavelmente relacionada com a tua nomeao de que falmos h pouco.Estamos a chegar ao final deste p-riplo sobre a tua viso, aventuras e desventuras, neste nosso hobbie mas ainda quero saber mais algumas coisas sobre as tuas colocaes, no-meadamente sobre a Just get there! [GC27FGF], em que a minha curiosi-dade recai, claro, sobre o facto de ser a nica que eu conheo com o Atri-buto Seasonal Access. Houve uma altura em que julgava que esse atri-buto no era possvel em Portugal tens noo de ser assim? Tiveste al-gum problema com isso, ao subme-ter a dita para reviso ou o atributo apareceu mais tarde?MA - O Atributo veio depois. Quando a cache foi colocada, era para estar sempre disponvel como esteve nos primeiros anos. Depois, quando l fui fazer uma manuteno, conheci um dos barqueiros dos passeios no Tejo, que tambm o representante ou contacto da Quercus e, ainda, tam-bm Geocacher e ele disse-me que era conveniente a cache ficar desac-tivada durante vrios meses no ano por causa dos ninhos de abutres que

  • 68 Junho 2016 - EDIo 21

    precisam de muito sossego - em al-ternativa, seria melhor remover a ca-che. Expliquei-lhe que tinha tido essa preocupao ao preparar a colocao da cache mas no tinha encontrado uma posio oficial da Quercus so-bre aquele local. De qualquer manei-ra, ambos achmos que seria melhor comear por desactivar a cache sa-zonalmente e ver se era suficiente. Entrei em contacto com um dos Re-visores e obtive o acordo para a man-ter desactivada durante oito meses por ano. O atributo veio depois.GM A outra colocao, a meias com o clcortez uma das caches realmen-te mticas portuguesas, colocada a par com a sua irm, as Na Linha do Douro [GC1BRPH] e La Ruta de Los Tneles - Barca dAlva [GC1C1W9]. Vocs fizerem este passeio de uma assentada! Tens noo de mais al-gum o ter feito como vocs? Algu-ma vez olhaste com ateno para as vossas duas listings e viste o quo diferentes acabam por ser? A tua, mais concisa e com gaitinhas e a dele, com citaes de Ea de Queirs e com vrios containers. Isto estava pensado? Parecidas mas nem tanto?MA - Foram pensadas assim. Os per-cursos so diferentes e as caches embora parecidas, porque o tema o mesmo, no precisavam de ser c-pias uma da outra. Na Linha do Dou-ro, era para ter apenas 2 pontos mas a colocao inicial no correu to bem como espervamos e ento decidi-mos alterar um pouco a multicache. Fui l sozinho fazer a manuteno, partindo do Pocinho pelas 18h00 e pernoitando numa das estaes abandonadas, numa das mais inte-ressantes aventuras que tive - Est aqui a estria toda dessa manuten-

    o (inclui link para a reportagem fotogrfica). Houve muitos grupos que fizeram os dois percursos, Pocinho Barca dAlva La Fregeneda, num fim de semana. Inclusive, os Expedicion-rios foram l algumas vezes. Aqui, a primeira delas (tambm com repor-tagem fotogrfica).GM Estamos a entrar na recta fi-nal desta nossa belssima conversa. Mas ainda tenho umas pequenas curiosidades para ver satisfeitas impresso minha ou no decorrer da entrevista alteraste o teu nome de utilizador no Geocaching.com?MA - Mudei mas no teve a ver com a entrevista - espero que no tenha causado transtorno. A mudana que notaste foi o repor do meu nick ori-ginal. Tinha-o mudado para experi-mentar o efeito na mudana do cdi-go de formatao dos logs.GM Ahaa, Ok, primeira no dava com o teu username, MAntunes depois deixei de encontrar o _Man-tunes_. Pensei que era para me ba-ralhares. Depois, h outra marca MAntunes, a do aviador no topo dos VGs! De onde nasceu esta? MA - Foto no VG, em posio de voa-dor que tenho no meu perfil? Foi ti-rada nesta caada, TT Grande Rio do Sul, na companhia destes compa-nheiros. Quem tirou a foto foi o Alie-ri, com a minha mquina fotogrfica. No dava para fazer selfie. ;)GM Hehe. Era mais difcil! Vamos ento encerrar as hostilidades! Para terminar peo-te apenas que nos deixes um par de sugestes geoca-chianas. Um par de caches e/ou pas-seios que, enchendo-te as medidas,

    queiras recomendar aos nossos lei-tores para este Vero.MA - Sobre o par de sugestes de passeios/caches a recomendar... Felizmente, apesar de ter apenas

  • 69Junho 2016 - EDIo 21

  • Junho 2016 - EDIo 21

  • 71Junho 2016 - EDIo 21

    Realizou-se no passado dia 28 de Maio a 5 edio do torneio de fute-bol conhecido como Mini Super Liga GeoPt que se destinou a descobrir qual a melhor equipa de futsal de en-tre a comunidade geocachiana nacio-nal, este ano em moldes um pouco diferentes dos anteriores e que talvez por isso tenha levado a que menos equipas conseguissem participar.

    A GeoMag veio trocar uns dedos de conversa com o Nuno Gil, geocacher que acabou por ser a cara mais visvel da organizao do Evento [GC6FNCD].

    GM - Boa tarde Nuno, obrigado pela tua disponibilidade! Parece que esta edio foi tirada a ferros! Os mais atentos notaram com certeza que a coisa ter estado muito perto de no se realizar este ano, fazes ideia por-qu? Falta de disponibilidade de lo-cal? De datas?

    NG - A ltima Mini Super Liga Geopt realizou-se em 2014, no haven-

    do nenhuma edio no ano de 2015.

    Felizmente foi possvel voltar a esta

    competio que tantos gostam.

    Penso que a no realizao no ano

    passado e a dificuldade em continuar

    com esta iniciativa prende-se mais

    com a disponibilidade dos meios hu-

    manos do que outros factores.

    GM - E tu? Como apareces como figu-

    ra central neste(s) evento(s)?

    NG - O futebol entrou na vida desde

    que me lembro e o geocaching h uma

    mo cheia de anos. Desta forma a pos-

    sibilidade de juntar estas duas coisas

    um prazer e privilgio para mim. No

    queria que esta iniciativa morresse

    e decidi abordar o Geopt para a possi-

    bilidade de me movimentar e tentar

    ir avante. Atravs de um contacto do

    Peter! conseguimos que fosse poss-

    vel a integrao desta Mini Super Liga

    num fim-de-semana saloio.

    GM - Agora, no rescaldo dos jogos, o que achas? A participao ficou aqum das tuas espectativas (quatro equipas) ou calculavas que com to pouco tempo no seria fcil juntar um grande nmero de equipas?NG - Estava, confesso, espera de mais participaes e ficou decepcio-nado com o facto de haver apenas quatro equipas em competio. Espe-remos que para a prxima haja uma maior mobilizao dos interessados em participar.

    GM - O torneio acabou por realizar-se no Pavilho Desportivo Liga dos ami-gos de Covas de Ferro... Que tal a ex-perincia? Um local apropriado a que se repita a experincia?NG - A malta da Liga dos Amigos de Covas de Ferro desde cedo se mos-trou empenhada e orgulhosa de nos ter por l. A oportunidade de nos jun-

    G..D..Fractura.Exposta

  • 72 Junho 2016 - EDIo 21

    tarmos a este local num fim-de-se-mana recheado de outras actividades tornou-se ainda mais apetitoso. No conhecia Covas de Ferro e fiquei com a certeza de que voltarei vrias vezes.

    GM - Um torneio a quatro que aca-bou ao fim da manh com a vitria da equipa de Leiria, os GC Leiria Fu-tebol Clube, sobre a de Setbal, os GeoMoscatel, depois da marcao de grandes penalidades (desempate). Tendo tu feito parte de uma das ou-tras duas equipas (Team Drive In), a outra eram os G. D. Fractura Exposta, achas que foram uns justos vencedo-res? A taa ficou bem entregue?NG - Penso que foi a Liga mais equi-librada de sempre em que todas as equipas mostraram as suas armas. Para se ter uma noo do equilbrio nos 7 jogos disputados houve 3 em-

    pates e 3 vitrias pela margem mni-ma (diferena de um golo). A equipa de Leiria esteve bem e teve a sorte na lotaria das grandes penalidades, mas todas as equipas merecem o louvor pelos dotes futebolsticos, pelo fair--play e pela boa disposio demons-trada durante toda a manh.

    GM - Olhando essa manh... algo a repetir? Podemos esperar encontrar-te novamente frente da Mini Liga em 2017?NG - Foi uma experincia agradvel em que se juntaram este pessoal com dois hobbies em comum e onde, aci-ma de tudo, nos divertimos. Estarei, claro, disponvel para qualquer outra iniciativa mas penso que seria positivo haver um grupo de outra zona do pas a chegar-se frente e propr a pr-xima edio da Mini Super Liga (que

    no tem que ser necessariamente em 2017 - Edio de Outono de 2016?) - fica o desafio ;)

    Obrigado mais uma vez Nuno, por es-tes minutos dedicados ao rescaldo do Torneio!

    Nota do editor - A Mini Super Liga foi um dos quatro eventos Geopt.org realizados por Por Terras Saloias de Sintra no fim de semana de 28/29 de Maio. Os outros foram Convvio Sa-loio, Caminhada Saloia e o CITO por terras saloias (onde a GeoMag esteve discretamente presente, a limpar e a preparar o recinto da escola primria para futuras actividades).

    Texto / Fotos:

    Nuno Gil (NunoGil) / GeoMag

    GEOMOSCATEL

  • 73Junho 2016 - EDIo 21

    Os.campees.GC.Leiria.Futebol.Clube

    Team.Drive.In

    73

  • Junho 2016 - EDIo 21Junho 2016 - EDIo 21

    CAMINHADA.POR.TERRAS.SALOIAS

    74

  • 75Junho 2016 - EDIo 21

    CITO.POR.TERRAS.SALOIAS

    CAMINHADA.POR.TERRAS.SALOIAS

    75

  • 76 Junho 2016 - EDIo 21Junho 2016 - EDIo 20

    Grupo Ocidentalg E O T O u r A O r E S

    p O r p A l h O C O S M A C h A D O & p E D r O . B . A l M E i D A

  • 77Junho 2016 - EDIo 21

    A GeoTour Azores, a maior geotour do

    mundo e a nica existente atualmente

    em Portugal, comeou a funcionar no

    dia 7 de Abril de 2016, e conta com 170

    caches (com o prefixo AZGT ou AZGTJ

    no nome, das quais 20 so caches Jo-

    ker (com o prefixo AZGTJ) e com perto

    de 900 favoritos no total das caches.

    A forma mais fcil e rpida de con-

    cluir esta geotour, ser, para quem

    no tiver j caches encontradas deste

    projecto, viajar at ao Grupo Ociden-

    tal do arquiplago aoriano e conhe-

    cer as maravilhosas ilhas das Flores e

    do Corvo. Nas Flores localizam-se 10

    caches desta geotour, mais 2 caches

    Joker. Por sua vez, o Corvo conta com

    5 geocaches, mais 2 caches Joker.

    Nesta edio da geomagazine vamos

    apresentar duas caches de cada uma

    das ilhas, sendo as duas caches das

    Flores, ambas caches nomeadas para

    os prmios GPS 2015.

    A ILHA DAS FLORES

    De forma quase elptica e orientada

    segundo a direo N-S a Ilha das Flo-

    res mede, aproximadamente, 16.5km

    por 11,5km e a sua rea de cerca de

    143km2.

    O Morro Alto, com 915m, a maior al-

    titude da ilha.

    Morfologicamente, a ilha das Flores,

    marcada pela existncia de uma zona

    central (Planalto Central) aplanada que

    se desenvolve entre as cotas dos 500

    e 915m. As fajs so aspetos bastante

    marcantes na geomorfologia da ilha que

    ocorrem na base das escarpas interio-

    res. Neste contexto podemos considerar

    dois domnios geomorfolgicos distintos

    na ilha das Flores: O macio central, que

    engloba o planalto central e as zonas

    perifricas adjacentes e a orla perifrica

    que abrange as escarpas e as platafor-

    mas de sop adjacentes.

    AZGT HISTRIA DA BALEAO NAS

    FLORES GC54EXC

    A mais antiga Armao Baleeira que

    sabemos ter existido na Regio dos Ao-

    res e em Portugal, foi na Ilha das Flores

    e remonta ao ano de 1857.

    Esta uma cache letter-box hbri-

    da construda por encomenda pela

    Cmara Municipal de Santa Cruz das

    Flores propositadamente para esta

    geotour, pelos geocachers Palhocos-

    machado e Pedro.b.almeida e que

    contou com a colaborao de vrias

    entidades: Museu/Fbrica Baleeira

    do Boqueiro, Museu de Santa Cruz

    das Flores e Centro Interpretativo do

    Boqueiro/Parque Natural de Ilha das

    Flores. Para encontrar esta geocache

    o geocacher dever visitar, na Vila de

    Santa Cruz, a Fbrica da Baleia, o Cen-

    tro Interpretativo do Boqueiro, bem

    como a Zona dos Fornos da Fbrica no

    Boqueiro. Depois de recolhidas as in-

    formaes pedidas, o geocacher des-

    cobrir que esta cache encontra-se

    em , enfim: noutro local emblem-

    tico desta vila, tendo o container final

    tudo que ver com o tema da cache!

    A propsito do tema desta cache, o

    amigo historiador Jos Vieira Gomes

    escreve na sua obra In Cadernos de

    Sociomuseologia A Baleao e a

    identidade cultural de uma ilha:

    A mais antiga Armao baleeira que sa-

    bemos ter existido na Regio dos Aores,

    foi na Ilha das Flores e remonta ao ano

    de 1857. Ao que se julga s teria entra-

    do em atividade dois ou trs anos mais

    tarde. Importa referir que a partir dos

    finais do sc XVIII, navios das frotas ba-

    leeiras de Nova Inglaterra, comearam a

    procurar os fundeadouros da Ilha para

    fazerem aguada, refrescarem e recruta-

    rem elementos para as suas tripulaes.

    No incio da dcada de 30, o Armador

    Maurcio Antnio de Fraga, da costa sul

    da Ilha das Flores, construiu no Porto

    das Lages das Flores, uma instalao

    designada por Casa da Baleia, que con-

    sistia num espao coberto, em que fo-

    ram montados dois pots de derreter,

    uma cooler, tanque de arrefecimento

    e decantao do azeite e no subsolo, foi

    construda uma enorme cisterna com ca-

    pacidade de armazenagem da produo

    da campanha anual. Ao que sabemos,

    foi a nica construo existente em todo

    o Arquiplago, neste gnero. nitida-

    mente uma tentativa pr-industrial, que

    uma dcada mais tarde, veio a aconte-

    cer na prpria Ilha, e em mais trs ilhas

    da Regio. O marmoto que aconteceu no

    dia 25 de Setembro de 1940, destruiu

    as instalaes artesanais de trs Ar-

    maes Baleeiras da Ilha, bem como de

    todo o equipamento de transformao e

    ainda toda a produo de azeite daque-

    la campanha. O que estava armazenado

    em cisternas, junto orla martima, bem

    como o de duas outras Companhias ba-

    leeiras, que estavam em cascos sobre o

    cais, para exportao aguardando em-

  • 78 Junho 2016 - EDIo 21

  • 79Junho 2016 - EDIo 21

    barque para Lisboa. Foi uma cruel perda

    da justa retribuio dum ano de duras

    canseiras, duma penosa tarefa de riscos

    e de arrepiantes emoes, em que por

    vezes pagavam com a vida a coragem

    de desafiarem o mais poderoso e gigan-

    tesco animal do Reino de Neptuno. Este

    acontecimento funesto, foi um rude gol-

    pe no principal sector da economia, da

    Ilha, naquela poca. Fez mudar a orien-

    tao econmica da baleao. Abreviou,

    e certamente acelerou o surgimento da

    fase industrial.

    Foi projetada a construo duma grande

    fbrica contemplando a especificidade

    da ilha do seu isolamento e da sua voca-

    o baleeira. A rea coberta de 1850

    m2. Concebida nos moldes da arquite-

    tura Industrial dos anos 30, um belo

    exemplar desse perodo de construo e

    de incontestvel beleza, no que toca a li-

    nhas, volumetria e implantao, magni-

    ficamente enquadrado com a paisagem.

    O afastamento geogrfico das Ilhas do

    Grupo Ocidental, que a maior distn-

    cia constatada entre qualquer Ilha do

    Arquiplago, cerca de 140 milhas nu-

    ticas dificultava as comunicaes com

    centros de abastecimentos. Assim, todo

    o empreendimento visava a maior auto-

    nomia e independncia na laborao de

    todos os sectores de apoio indstria.

    Uma espcie de navio fbrica que enca-

    lhasse junto costa da Ilha. Com a crise

    da II Guerra Mundial a procura de leos

    de cetceos foi enorme, resultando no

    aumento do preo deste produto, que

    disparou em flecha, atingindo valores

    da ordem dos 5$00 por kg. Esta fbrica,

    que era de grande modernidade na po-

    ca, pela sua organizao, um exemplar

    nico na Regio certamente no Pas. Di-

    vidindo-se essencialmente em dois gran-

    des sectores: Servios de transformao

    e servios de reparao e manuteno

    da frota de caa, equipamentos de labo-

    rao, incluindo o guincho a vapor, pea

    de grande raridade.

    Assim, em Julho de 1943, entrou em la-

    borao a Fbrica Baleeira do Boquei-

    ro, pertena da Sociedade Reis e Flores

    Lda., que laborou at ao final de 1981,

    data em que foi interrompida a caa

    baleia na ilha. Em 1983 foi adquirida

    pela Cmara Municipal de St Cruz das

    Flores, que pretendia utilizar uma parte

    do seu espao e a restante ser aprovei-

    tada para fins culturais, e como plo de

    atrao turstica.

    Por sua vez e sobre o Centro Interpre-

    tativo do Boqueiro, a tcnica e geoca-

    cher Marlene Noa (aka Mars), diz que:

    O Centro de Interpretao Ambiental do

    Boqueiro inaugurado em Novembro de

    2009, foi concebido nos tanques onde

    se armazenava o leo de baleia que era

    derretido na fbrica. Este centro ocupa

    o espao dos trs tanques que perten-

    ciam fbrica moderna e que deixou

    de laborar em 1981. Neste Centro exis-

    te uma sala dedicada aos Cetceos.... A

    proximidade de uma paisagem associa-

    da memria da baleao na Ilha das

    Flores, de um porto de recreio e tambm

    de vrias piscinas naturais, ainda sem

    qualquer interveno humana so fato-

    res que integram um turismo ambiental

    e de natureza como tambm um turismo

    de cultura e de cincia....

    AZGT - SUSPENSO NO TEMPO... | SUSPENDED IN TIME... - GC61DB5

    Este um dos locais mais espectacu-

    lares (e so tantos) da ilha das Flo-

    res. A earthcache, que tem o inovador

    tema dos vales suspensos, foi cons-

    truda propositadamente para esta

    geotour, pelos geocachers Pedro.b.al-

    meida e Palhocosmachado. Localiza-

    se no Poo da Ribeira do Ferreiro, local

    este que no passado j foi conhecido

    por vrios outros nomes, como por

    exemplo Alagonha.

    Para esta cache se encontrar situada

    num local mgico, o geocacher deve

    ter em ateno que o percurso/trilho

    calcetado moda antiga, pode estar

    bastante escorregadio (em particular

    no inverno) e que se tem que ter al-

    gum cuidado na progresso do terre-

    no.

    O tema desta earthcache relaciona-se

    com os vales em geologia. Explora

    os vrios tipos de vale, a saber: gla-

    cial, fluvial, suspenso

    Um vale uma depresso topogrfica

    alongada, aberta, inclinada em uma

    determinada direo em toda a sua

    extenso. Pode ser ou no ocupada

    por gua. O tamanho deste acidente

    geogrfico pode variar de uns poucos

    quilmetros quadrados a centenas ou

    mesmo milhares de quilmetros qua-

    drados de rea. Entende-se por vale

    suspenso, um pequeno vale que foi

    deixado pendurado acima do vale

    principal em forma de U. O fundo en-

    contra-se situado num nvel superior

  • 80 Junho 2016 - EDIo 21

    a uma depresso adjacente, que pode

    ser outro vale, um lago, ou at mesmo

    o prprio mar. A queda acentuada a

    partir do vale suspenso relativamente

    ao piso principal geralmente cria cas-

    catas.

    A ILHA DO CORVO

    (a Ilha mais isolada da Europa)

    A Ilha do Corvo tem uma rea de cer-

    ca de 17 km2 (cerca de 6 km de com-

    primento e 4 km de largura). a mais

    pequena ilha e tambm a que se situa

    mais a norte do arquiplago dos Ao-

    res. formada por um nico vulco,

    que esteve activo, pela ltima vez, h

    aproximadamente dois milhes de

    anos. Dista da sua ilha vizinha Flores

    (a sul) cerca de 24 km (menos de uma

    hora no barco que efectua a ligao).

    Em 1993, o seu pequeno aeropor-

    to foi construdo, com uma pista que

    apenas mede cerca de 850 metros,

    permitindo o trfico areo entre ilhas.

    AZGT - LAGOA DO CALDEIRO COR-

    VO - GC1YNZE

    Esta cache tradicional foi constru-

    da em 2009, pelo geocacher chico.

    costa, e mais tarde foi adoptada por

    discoverer man (geocaher Rui Pimen-

    tel, responsvel pela GeoTour Azores

    na ilha mais pequena do arquiplago

    aoriano). Esta geocache localiza-se,

    sem dvida, no local mais emblemti-

    co (e mais visitado!) desta ilha.

    LAGOA DO CALDEIRO

    (Lagoa criada na cratera do vulco que

    originou a ilha do Corvo)

    A Lagoa do Caldeiro est formada

    no interior da cratera do vulco que

    deu origem ilha do Corvo, cratera

    essa que tem 3400 metros de per-

    metro e 300 metros de profundidade,

    contados desde o bordo at ao nvel

    de gua. A lagoa encontra-se ocupada

    por pequenas ilhas que praticamente

    a conseguem dividir em lagoas mais

    pequenas, dependendo da pluviosi-

    dade. Encontra-se na Zona de Protec-

    o Especial da Costa e Caldeiro da

    Ilha do Corvo que pretende preservar

    toda a rea envolvente, que extre-

    mamente rica em biodiversidade.

    AZGT- MOINHOS DO CORVO -

    GC1YG35

    Esta cache tradicional tambm foi

    construda em 2009, pelo geocacher

    chico.costa e mais tarde foi adoptada

    por discoverer man. Localiza-se na in-

    teressante Vila do Corvo.

    Moinhos do Corvo

    Traado de inspirao muulmana e

    construo entre os sculos XIX e XX,

    fazem parte do Inventrio do Patri-

    mnio Histrico e Religioso da ilha do

    Corvo.

    Apresentam-se como um conjunto

    de trs moinhos fixos, cujo corpo de

    construo se apresenta tronco-c-

    nico e em alvenaria de pedra. Dois

    dos moinhos so rebocados e caiados

    a cal de cor branca. Estes moinhos

    apresentam-se com uma cobertura

    de forma cnica e giratria, feita de

    madeira. Desta cobertura emerge o

    mastro das varas que d suporte ao

    velame de formato triangular e muito

    raro do seu gnero nos Aores.

    Estes moinhos encontram-se assen-

    tes sobre uma base elevada e de for-

    ma circular, sendo acessveis atravs

    de escadas de lances simtricos e di-

    vergentes.

    O nico vo que se apresenta nestes

    moinhos a porta de entrada, que se

    encontra elevada em relao base.

    Tem-se acesso a esta porta atravs

    de escadas de lances simtricos con-

    vergentes encostadas ao corpo tron-

    co-cnico. Apresentam-se com um

    estado de conservao considerado

    bom.

    Texto / Fotos:

    Lus Machado (PalhocosMachado) e

    Pedro Almeida (pedro.b.almeida)

  • 81Junho 2016 - EDIo 21

  • 82 Junho 2016 - EDIo 21

    VICTORIA AMAZONICAp O r K E l u x

    G E O C O I N S

    Quando comecei a pensar na minha 3 geocoin dedicada ao Brasil, achei que no havia necessidade de me restrin-gir a temtica animal, podendo per-feitamente explorar a riqussima flora brasileira, e em futuros projetos, at mesmo algumas tradies, como as festas juninas, por exemplo.

    Foi com esta nova abordagem e com o vastssimo campo de inspirao que ela proporciona que me lembrei de uma visita margem sul do Rio Negro, onde fiquei fascinado com al-gumas lagoas perenes em Iranduba, repletas de victoria amazonica, ao ponto de quase no se ver a superf-cie da gua, mas sim um imenso ta-pete verde. poca fiquei um pouco receoso de me aproximar demasiado, pois o experiente Seu Z logo lembrou que aquele o ecossistema preferido da anaconda, que se desloca por bai-xo da folhagem, completamente em modo-ninja. Ainda assim, perdi (ou ganhei) um bom bocado a fotografar

    as lagoas.Assim, a victoria amazonica, tornou-se a eleita perfeita para uma geocoin dedicada ao mundo vegetal da Amri-ca do Sul. No sendo uma exclusivida-de brasileira, tanto que o seu anterior nome, victoria regia, se refere a uma antiga monarca britnica, soberana da Guiana. Ora, tendo em considerao a pequenez da Guiana, comparada com os outros pases que partilham a ba-cia amaznica, faz muito mais sentido que o nome da planta tenha perdido o sangue azul. uma planta da famlia Nymphaea-ceae, cujas folhas podem atingir os 3 metros de dimetro e a flor (chama-da lrio-de-gua) chega aos 40cm. As razes e demais ramagem submersa, alcanam os 7 a 8 metros de com-primento. Normalmente de cor ver-de-alface na folha, o lrio branco na primeira noite de florao, passando depois a rosa.Tendo algumas das minhas fotos para iniciar a pesquisa, comecei os primei-

    ros esboos em setembro de 2015 para fazer uma geocoin tradicional, basicamente uma rodela circular com os detalhes pintados. Com o decor-rer do projeto, fui acolhendo algumas boas sugestes de amigos e colabo-radores e surgiu a ideia de ter um re-bordo elevado, mais alto que a base da geocoin.Desde esse ponto comecei a desen-volver duas verses base. Alm da anteriormente descrita, pensei em criar uma geocoin em 3D e 4D no caso do lrio, que assim perderia a cor bran-ca ou rosa.Foi quase amor primeira vista para todos aqueles a quem mostrei os esboos. O problema foi ter rece-bido uma negativa da fbrica, que no conseguiria produzir o que eu queria e com a qualidade que queria. Mais de um ms aps o incio do processo esta resposta era um balde de gua gelada. Just got news from the team that your design is in 4D style. So we cannot make it. Maybe this time only

  • 83Junho 2016 - EDIo 21

    focus on 2D version?

    Costumo ter alguns problemas em

    conseguir passar para os outros a ima-

    gem mental que idealizo, bem concre-

    ta do aspeto final de uma geocoin... e

    esta era muito forte para mim. Depois

    de ter encontrado uma soluo que,

    para alm de ser um objeto de troca e

    de coleo no geocaching, tinha tudo

    para ser uma pea bela por si mesma,

    ser obrigado a contentar-me com a

    verso inicial, soube-me a pouco.

    A partir da, voltei ao Illustrator e de-

    senhei o lrio detalhadamente, visto

    de cima, de baixo e de lado, de modo

    a facilitar o trabalho da fbrica. Tudo o

    que podia fazer estava feito, restava-

    me esperar que a intensa troca de cor-

    respondncia entre Manaus e Hong

    Kong gerasse frutos. Aps alguma

    presso no sentido de que este pro-

    jeto bem concludo seria uma mais-

    valia para o catlogo do produtor e a

    minha sugesto de que se contratas-

    se um escultor externo fbrica, re-

    cebi a to desejada luz verde. Hello!

    Good news. I have tried to discuss with

    our team. Now we want to try to make

    your 4D Lily coin. Foi um dia feliz.

    Com toda a dificuldade tcnica envol-

    vida, apenas no final de novembro tive

    as samples prontas e no me satis-

    faziam. As nervuras da folha estavam

    erradas, afundadas no fundo da geo-

    coin, em vez de ligeiramente erguidas

    como acontece na planta real. Como

    se no bastasse, isso provocava que

    o esmalte no ficasse uniforme por

    no ter reas contidas para ser ver-

    tido. O aspeto das manchas em tons

    de verde era insuportvel, para mim.

    Recusei as samples e expliquei o que

    teria de ser alterado. Infelizmente, tal

    alterao obrigou a novos moldes.

    Aqueles que j lidaram com fabrican-

    tes chineses, talvez saibam o quanto

    difcil que eles reconheam um erro,

    qualquer que seja, por isso h que

    usar a mxima diplomacia nas trocas

    de correspondncia, no sentido de

    que haja um final feliz para o projeto.

    Assim foi e apenas na vspera de Na-

    tal, pude ter novas samples, bem mais

    prximas daquilo que havia mental-

    mente visualizado, meses antes.

    Mas, ainda nem tudo eram rosas. A

    opo encontrada pela fbrica para

    prender o lrio na folha no se mos-

    trou eficaz e a delicada pea soltava-

    se com facilidade. Inaceitvel!

    Nova troca de emails, que no, a cola

    usada era da melhor qualidade e no

    sabiam como era possvel tal aconte-

    cer. Pedi que se usasse algo magn-

    tico, mas tal no seria possvel sem

    novos moldes. Entrmos em novo im-

    passe e a minha sade mental come-

    ava a querer abortar o projeto, para

    evitar males maiores. At que suge-

    ri um parafuso em vez de um rebite,

    para segurar o lrio na base da folha.

    Mas queria novas samples para tes-

    tar antes da produo final... e seria

    a fbrica a suportar os custos da tei-

    mosia em manter o rebite que j se

    tinha concludo no funcionar. No fi-

    nal de janeiro veio a resposta. Hello!

    We have asked factory to send out

    the sample. In order to have good bu-

    siness relationship, this time we will

    bear the courier cost. YES!!!

    Aps estas ltimas samples aprova-

    das, foi pedido que cada geocoin fos-

    se acondicionada em caixas de carto

    com molde de EVA, em vez das habi-

    tuais saquetas de plstico. A produ-

    o ficou concluda na segunda quin-

    zena de maro e a encomenda chegou

    finalmente loja encarregue de a co-

    mercializar, na Esccia.

    Podem imaginar o meu suspiro de al-

    vio.

    A seguir, o tal amor primeira vis-

    ta consumou-se e a geocoin teve

    uma receo fantstica, ao ponto de

    todos os packs terem esgotado no

    primeiro dia, sobrando apenas algu-

    mas geocoins das edies regulares.

    O feedback recebido de quem com-

    prou qualquer verso desta geocoin,

    tem sido muito gratificante para mim.

    OBRIGADO!

    FICHA TCNICA

    Design: Kelux Geocoin Design

    Produo: Kelux Geocoin Design

    Patrocnio: Geocache Land

    Vendas: http://geocacheland.com/

    products/victoria-amazonica

    Com cone e cdigo de rastreamento

    em www.geocaching.com

    Dimenses: +/- 52mm dimetro x

    12mm altura

    Peso: 39g

    Texto / Fotos:

    Rui de Almeida (Kelux)

  • 84 Junho 2016 - EDIo 21

    Foram produzidas um total de 385 geocoins, em onze modelos diferen-tes. Pondera-se a possibilidade de cunhar mais exemplares apenas das edies regulares.

    Edio Regular 1 Folha e lrio em Antique Gold (40 unidades)

    Edio Regular 2 Folha e lrio em Antique Silver (40 unida-des)

    Edio Regular 3 Folha e lrio em Antique Copper (40 unida-des)

    Edio Regular 4 Folha e lrio em Antique Bronze (40 unida-

    des)

    Edio Limitada 1 Folha em Antique Copper e lrio em Satin Silver (35 unidades)

    Edio Limitada 2 Folha em Antique Copper e lrio em Satin Bronze (35 unidades)

    Edio Limitada 3 Folha em Antique Copper e lrio em Satin Gold (35 unidades)

    Edio Limitada 4 Folha em Antique Copper e lrio em Satin Nickel (35 unidades)

    Edio Extra Limitada 1 Folha em Antique Copper e lrio em Antique Gold (30 unidades)

    Edio Extra Limitada 2 Folha em Antique Copper e lrio em

    Antique Silver (30 unidades)

    Edio de Artista Folha em Antique Gold e lrio em Black

    Nickel (25 unidades)

    As vendas so feitas por lotes ou por

    unidade, Conjunto de Colecionador

    (11 peas diferentes), Conjunto Espe-

    cial e Conjunto Regular; finalmente as

    RE e as LE podem ser adquiridas iso-

    ladamente.

    A prxima geocoin desta srie, volta

    a focar-se na fauna brasileira. Fiquem

    atentos!

  • 85Junho 2016 - EDIo 21

  • 86 Junho 2016 - EDIo 21

    GADGETS & GIZMOSp O r r u i J S D u A r T E

    Ahhaaleluuuiiiaaa Ahhaaleaaaaaluuuii-

    iaaa Aaaaaahhaaleluuuiiiaaa (ler

    este artigo ao som de Hallelujah de Jeff

    Buckley)

    Depois de um ano na posse de um Lu-

    mia/Windows Phone (e dos seus mui-

    to limitados recursos no que ao Geoca-

    ching diz respeito) foi com um enorme

    sorriso que voltei a colocar as mos

    num aparelho com Andoid! E, por con-

    seguinte, com permisso para reinsta-

    lar o nosso amigo C:Geo!

    Tambm tenho a nova aplicao oficial

    Groundspeak mas por enquanto pa-

    rece-me estar to atrs do G:Geo como

    o Lumia est deste novo Samsung

    da noite para o dia. Neste Gadgets n

    Gizmos vamo-nos debruar um pouco

    sobre como criar uma base de dados

    offline no nosso smartphone (no meu),

    o vulgarmente conhecido como Im-

    portar GPX.

    Para a actualizao das minhas bases

    de dados utilizo diversas ferramentas

    mas desta vez utilizei apenas uma, a

    Geopt.org Geocaching Tools, que sim-

    plifica, e de que maneira, o processo.

    Vamos l ento. Aberta que temos

    a aplicao, selecionamos o mdulo

    Create GPX (Portugal) [Fig1] e vamos

    parar pgina das definies [Fig2],

    onde podemos escolher os parme-

    tros que ditaro que caches teremos

    disposio mais tarde.

    Neste caso em particular escolhi Pio-

    neiras (toda a gente sabe o que so as

    Pioneiras) como o nome do GPX; de-

    sactivei o Exclude Disabled, j que o

    C:Geo permite que se faa a actualiza-

    o da informao das caches pos-

    teriori e por isso quero t-las a todas

    no aparelho; e aproveitei o facto de a

    tool permitir a filtragem pelas badges

    do Geopt para no ter de afinar datas e

    ir direitinho para as caches que queria,

    selecionando ento a badge Pioneiras.

    Depois basta um simples Submit Re-

    quest e esperar que nos caia no colo o

    e-mail do geocacher GeoPT.org, direc-

    tamente da Groundspeak com o link

    para o download [Fig3].

    Agora entra em aco o Andoid. As saudades que eu tinha disto basta carregar no link que aparece no e-mail para descarregar o GPX. Os ficheiros GPX so automaticamente reconhe-cidos pelo C:Geo [Fig4] que abre de imediato e pergunta logo em que lis-ta queremos colocar [Fig5] as caches respectivas. No meu caso tinha j uma lista com o nome Pioneiras, para onde seleccionei carregar as caches do gpx.

    Passamos ento a ter na nossa base de dados uma bela de uma lista, em modo offline, prontinha para o que der e vier, e sempre mo. [Fig6]

    Simples no?! D c um abrao Bug-droid!

    PS as ferramentas podero ape-nas estar disponveis para Premium members, tanto do Geopt.org como do Geocaching.com.

    Texto:

    Rui Duarte (RuiJSDuarte)

  • 87Junho 2016 - EDIo 21

    FIGURA.1

    FIGURA2

    FIGURA3

    FIGURA.4 FIGURA.5 FIGURA.6

  • 88 Junho 2016 - EDIo 21Junho 2016 - EDIo 21

    Reserva Natural- Dunas de S. Jacinto

    p O r r u i J S D u A r T E

  • 89Junho 2016 - EDIo 21

    Mais uma vez o Geocaching apresen-ta-se como uma excelente desculpa para que nos lancemos numa cami-nhada (e descoberta) de mais uma bonita zona do nosso Pas. Larguem o sof e sigam connosco as pegadas do j.estrela em busca da Reserva Natural - Dunas de S. Jacinto [GC32XTW], ca-che em destaque neste nmero.

    A zona afigura-se merecedora de uma demorada visita, sem dvida, tal como nos dizem os Fofinhos RT, A reserva muito peculiar...num espao to peque-no conseguimos ter floresta densa, uma parte mais ampla composta por dunas... um lugar a visitar! ;) um dos pontos al-tos sem dvida ter a possibilidade de observar uma praia virgem! :) um lugar que permanece quase intocvel! e onde apetece mesmo passear, pelo menos a acreditar no Team_S&U, Numa ida at Aveiro aproveitmos para visitar es-tas bandas e fazer a cache! Grande ca-minhada! Andar por entre a Natureza e ouvir o mar ao fundo e no final culminar com a enorme passadeira e o mar ao longe! Muito bom, belo passeio!.

    A milenajorge destaca a vertente educativa, ecolgica e pacfica, Um

    percurso bastante educativo, com direi-to a msica/sons que a me natureza nos ofereceu ao longo desta caminha-da!, corroborada pela Nini Costa, O container apareceu facilmente e com uma vista linda sobre o mar, com a praia completamente deserta. Aproveitamos a paz do local para fazermos o nosso piquenique, antes de continuar com o trilho..

    Mesmo que no possam fazer-se gua, atentem nas palavras do AR^3, H muito tempo que estava por fazer mas a oportunidade tardava em apare-cer. Hoje foi o dia e l seguimos o cami-nho at ao mar Quando pensvamos que o mar estava perto eis que surge um grande passadio para percorrer. Mais um pouco e chegmos ao GZ. O mar, mesmo estando revolto, apazigua-nos a alma. Sentimo-nos revigorados com uma simples contemplao da nature-za., e relaxem passeiem e relaxem!

    E como estamos em plena poca bal-near, atrevam-se a aceitar o desafio! Bons passeios.

    A Reserva Natural das Dunas de So Jacinto (RNDSJ) uma rea com cer-

    ca de 960 hectares (210 deles corres-pondendo rea martima) localizada na freguesia com o mesmo nome, no concelho de Aveiro.

    A zona foi classificada como Reserva Natural para proteger as formaes dunares, zonas extremamente sens-veis visto serem constitudas maiori-tariamente por areia.

    A sua proteco reveste-se de gran-de importncia visto serem a melhor defesa contra a intensidade dos ventos, das areias e dos avanos do mar.! Des-ta forma, ao conservarmos as Dunas estaremos a impedir o avano do mar e a colocar a salvo tambm as popu-laes.

    Fontes:

    Reserva natural - Dunas de S. Jacinto - http://coord.info/GC32XTW

    ICnF - http://www.icnf.pt/portal/ap/r-nat/rndsj

    Texto:

    Rui Duarte (RuiJSDuarte)

    Fotos:

    Daniel Cox (dpainem) / Antnio Can-deias (amfcgeo)

  • 90 Junho 2016 - EDIo 21

    FROM GEOCACHING HQ

    WITH LOVEEm 2007 soube de um trilho de geo-caching existente ao longo de um fa-moso caminho de peregrinao reli-giosa para/em Espanha. Foi a primeira vez que ouvi falar do Camio de San-tiago, tambm conhecido em ingls como Way of Saint James. Esta via-gem leva-te at Catedral de Santia-go de Compostela, em Espanha, onde se acredita que repousem os restos mortais de So Tiago. Ao tomar co-nhecimento desta peregrinao, sou-be imediatamente que a queria fazer um dia. Sempre achei que a melhor forma para ver o mundo a p, e, por isso, isto adapta-se muito natural-mente a mim. Eu amo em absoluto meu trabalho e sinto-me sortuda por ter a possibili-dade de me sentar na sede do Geoca-ching, a trabalhar com a comunidade geocacher nos aspectos divertidos do jogo. E, embora adore estar aqui

    dia aps dia, sinto-me afortunada por uma das vantagens deste trabalho ser um perodo sabtico de quatro se-manas. Este perodo sabtico ganha-se ao fim de sete anos na empresa, e tens trs anos para o gozar. Assim, como estou a aproximar-me do meu 10 ano na sede do Geocaching, es-tou animada por me afastar para uma aventura nica na vida. Daqui a apenas alguns dias vou estar a descolar para Paris, Frana, e em seguida, a caminho de uma peque-na localidade no sul chamada Sain-t-Jean-Pied-de-Port. A partir da co-meo a minha viagem pelo Camio de Santiago, caminhando 790 km desde St. Jean at Santiago, em Espanha. Os meus nicos pertences sero aque-las que conseguir carregar s minhas costas. Irei caminhar com outros pe-regrinos na mesma viagem, vou ficar em albergues onde irei ouvir outras

    pessoas ressonar noite, irei comer um jantar de peregrina enquanto par-tilho histrias com pessoas de todo o mundo. Provavelmente irei sentir do-res e sofrimentos que nunca pensei possveis. Posso at ficar demasiado familiarizada com percevejos ao lon-go do caminho Havero dias difceis e dias incrveis, mas, no fim, sei que tudo valer a pena. Ento, depois de muita preparao reservas de viagens, guardando PQs, tendo aulas de Espanhol, adquirindo equipamento e caminhando BASTAN-TE parto para percorrer os 790 km desde o sul de Frana, pelas monta-nhas dos Pirenus, e de seguida por toda a Espanha at Santiago. Se o tempo permitir, irei caminhar os dias extra at Finisterra. Embora possa no encontrar todas as geocaches ao longo do caminho, acredito que en-contrar caches, quando possvel, ir

  • 91Junho 2016 - EDIo 21

    tornar a viagem muito mais gratifi-

    cante.

    Tenho tido muitos bons conselhos e

    incentivo de amigos, e desconhecidos,

    que j fizeram o Camio antes. Todos

    o experienciaram de forma diferente,

    quer tenham feito o Camio Francs,

    o Portugus ou uma outra rota. Sin-

    to que neste momento estou pronta

    para enfrentar a mesma viagem.

    Estou sempre procura daquela pr-

    xima aventura ou daquele prximo

    desafio. Sinto-me sortuda por ter um

    hobbie como o geocaching que me

    ajuda a encontrar essas aventuras.

    Percorrer o Caminho de Santiago ir

    ser uma experincia que ir mudar a minha vida.Poders seguir a minha viagem com-pleta, desde a preparao at ao final, no meu blog pessoal: https://adventu-regirlannie.com/.

    Texto: Annie Love / Bruno GomesFotos: Annie Love

  • 92 Junho 2016 - EDIo 21

    GRAFFITIp O r r u i J S D u A r T E

    O M E U WAY M A R K

    Provavelmente todos ns j passamos em alguns locais (principalmente aque-les de ns que residem ou se deslocam nas grandes urbes) adornados e abri-lhantados com magnficos graffitis. No aqueles que se dedicam apenas a sujar e a degradar o nosso vasto patrimnio e os muros que o delimitam, mas os ou-tros, as verdadeiras obras de arte, mui-tas vezes escondidas dos olhares, em becos e vielas ou em prdios devolutos.Nesta edio trago-vos um pouco des-ta StreetArt. Um waymark meu, numa localizao bem turstica de Lisboa, onde quis o destino (e o trabalho) que eu fosse parar de forma totalmente insus-peita foi mesmo um virar de esquina e UAU!!!!! Masoququisto?!.Foi o meu primeiro contacto (e at agora nico, apesar de j saber onde me diri-gir para ver mais coisas destas) com o trabalho de um jovem portugus que d pelo nome de Bordado II (Bordalo Se-gundo) e que se dedica, com grande su-cesso diga-se, a fazer instalaes mui-to para alm do graffiti (categoria onde coloquei este wm), e a que d o nome de trashart. Na sua pgina pessoal

    (http://www.bordaloii.com) podemos ler uma famosa citao one mans trash is another mans treasure que resume de uma forma muito sucinta e objectiva a sua metodologia de trabalho, baseada na utilizao de materiais e objectos em fim de vida para criar as suas obras de arte e atiar a conscincia social daque-les que poem os olhos nas suas fabu-losas criaes. Recomendo mesmo a passagem pela sua pgina e pelo seu FaceBook (https://www.facebook.com/BORDALOII). Esta obra que hoje vos trago foi consi-derada uma das 25 mais populares de 2015 pelo site StreetArtNews.net, onde podemos encontrar uma outra obra em Portugal (do polaco Sainer) e uma do nosso famosssimo Vhils nos Estados Unidos. Portugal e os Portugueses a darem cartas!E o wm referencia o nem mais nem me-nos que o E.X.P.E.C.T.A.C.U.L.A.R. Rac-con, localizado/colocado num pequeno edifcio junto ao CCB em Lisboa (no lado oposto Praa do Imprio). A coisa, muito mais que um simples graffiti, ocupa uma espcie de dois an-

    dares e uma varanda, construda e pin-tada (maioritariamente em tons de cin-za e verde) em trs dimenses, o que lhe d um aspecto muito mais fantstico ao vivo que nas fotografias encontradas pela web. Ainda assim, e na impossibi-lidade de visitar ao vivo o local, aconse-lho uma pesquisa por raccoon bordalo II para uma ideia do que esto a perder (desta e de outras obras do artista).Este presentemente o wm mais re-cente em Portugal, nesta categoria, Graffiti, criada no incio de 2006 e onde habitam presentemente cerca de 600 exemplos desta forma de arte urbana. V, pesquisem na internet pela loca-lizao das obras de artes deste (e de outros) genial artista e aproveitem para incluir nas vossas passeatas a desco-berta destes tesouros.

    Racoon - Lisbon, Portugal (http://www.waymarking.com/waymarks/WMQB-BB_Racoon_Lisbon_Portugal)

    Texto / Fotos:Rui Duarte (RuiJSDuarte)

  • 93Junho 2016 - EDIo 21

  • 94 Junho 2016 - EDIo 21

    CACHES CHALLENGEp O r B T A r O & M i g h T y r E V

    P O N T O Z E R O

    Uma cache challenge requer que os

    geocachers encontrem a cache fsica

    associada, bem como um conjunto

    adicional de geocaches com caracte-

    rsticas definidas pelo owner.

    As caches challenge encorajam os

    geocachers a definirem e atingirem

    objectivos interessantes. Exemplos

    de caches challenge: encontrar uma

    cache em todos os dias do ano, ou

    encontrar uma cache para cada com-

    binao de Terreno/Dificuldade.

    Ora, este tipo de caches vai contra

    uma das regras bsicas: Para geo-

    caches fsicas todos os requisitos

    de registo para alm de encontrar a

    geocache e assinar o log fsico so

    considerados requisitos adicionais

    de registo (RARs) e devem ser opcio-

    nais. Os geocachers procura podem

    escolher se querem ou no tentar

    cumprir as tarefas.

    Assim, as caches challenge foram alvo de uma excepo a esta regra, pois claramente traziam uma mais valia ao jogo.

    E com essa excepo veio a expec-tativa de que os aspectos negativos no superassem os positivos. Mas in-felizmente, uma srie de factores ne-gativos levou, a 21 de Abril de 2015, que a publicao destas caches fosse suspensa.

    O perodo de pouco mais de um ano desta suspenso serviu para que se repensassem os moldes com que as caches challenge deveriam existir, tendo ento em conta as principais desvantagens que se sobrepuseram aos pontos positivos: a Subjetividade dos critrios dos challenges muitas vezes resultava num processo de re-viso difcil; sobrecarga de processos

    de reclamao para a Groundspeak; e os requisitos para registo destas ca-ches eram muitas vezes complicados de perceber.

    Deste modo, e com o envolvimento de muitos membros da comunida-de, bem como a discusso pblica nos fruns oficiais da Groundspeak, chegou-se concluso que algumas regras para a criao de Challenges tinham de ficar mais claras, simples e de melhor entendimento.

    Para alm disso, e talvez tinha sido esta a mudana mais notria, foi cria-da a obrigao da existncia de um checker online para demonstrao da concretizao dos desafios propos-tos pelo challenge. Foi aqui que en-trou ento a colaborao efectiva do Project-GC com o geocaching.com.

    Nos quadros seguintes esto as re-gras atuais, e que entraram em vigor

  • 95Junho 2016 - EDIo 21

    dia 26 de Maio ltimo, para este tipo

    de cache, bem como um conjunto de

    pressupostos aceitveis e no acei-

    tveis para a publicao de uma ca-

    che challenge.

    REQUISITOS DE TODAS AS CACHES CHALLENGE

    1. Tipo e nome: Caches challenge tm que ser publicadas com o tipo

    Mistrio e tm que ter no seu nome a

    palavra inglesa challenge.

    2. Challenge Checker: As caches chal-lenge tm que incluir um link para

    um checker online de challenges. Ver

    este artigo do Centro de Ajuda para

    mais informaes acerca dos requisi-

    tos do challenge. (novo 2016)

    3. Localizao do Recipiente Final:

    - O recipiente final deve estar coloca-

    do nas coordenadas da pgina publi-

    cada ou num Ponto Adicional visvel

    na pgina. (novo 2016)

    - A cache fsica deve ser encontrvel

    sem necessidade de contactar o ow-

    ner.

    4. Fonte dos critrios

    - Critrios de uma cache challenge

    Devem provir de informao

    fornecida em Geocaching.com tal

    como a pgina das estatsticas,

    datas de colocao de geocaches,

    tipos, atributos, souvenirs, etc.

    Tm que ser verificveis atravs

    de informao disponvel em Geo-

    caching.com.

    - Os owners de caches challenge tm

    que demonstrar que existem bastan-

    tes caches que cumpram os requisi-

    tos altura da publicao.

    5. Requisitos dos critrios

    - Os critrios do desafio tm que

    ser positivos e exigirem que um ob-

    jectivo relacionado com geocaching

    seja atingido. Os critrios no podem

    ter como base objectivos negativos,

    como por exemplo registos de DNF.

    - Os requisitos do desafio devero

    ser simples, fceis de explicar, seguir

    e documentar. Extensas listas de re-

    gras e requisitos diferenciados, ou

    restries, sero motivo para a no

    publicao do challenge.

    - Uma cache challenge dever apelar

    e ser alcanvel a um nmero razo-

    vel de geocachers. O revisor poder

    solicitar uma lista de geocachers da

    rea que se qualifiquem para o chal-

    lenge.

    6. Verificao

    - Os owners do challenge devero

    garantir que os geocachers conse-

    guem demonstrar que completam os

    requisites da cache sem que compro-

    metam a sua privacidade.

    - Os owners do challenge devero

    demonstrar que eles prprios conse-

    guiram alcanar o objectivo do chal-

    lenge. (novo em 2016)

    7. Registar fisicamente

    - Os geocachers podem assinar o li-

    vro de registos fsico a qualquer altu-

    ra. No entanto, a cache challenge s

    poder ser registada online como en-

    contrada se o registo fsico tiver sido

    feito e se o desafio tenha sido cum-

    prido e devidamente documentado.

    O QUE FAZ COM QUE UMA CACHE CHALLENGE SEJA ACEITVEL?

    8. Atingvel

    SIM - As caches challenge tm que ser atingveis a qualquer altura.

    NO - Requerer que as caches te-nham sido encontradas em anos transactos, no sendo possvel se-rem atingveis por geocachers mais recentes.

    NO - Desafios que excluam especi-ficamente algum segmento de geo-cachers.

    9. Tempo limitado

    SIM - Manter uma srie de dias se-guidos com registos de Encontrada, pelo menos um por dia, at 365 dias.

    NO - Geocaching limitado no tem-po: tal como uma determinada quan-tidade de caches encontradas num dia, numa semana, num ms, ou ano. Exemplo, dia preenchido, 50 encon-tradas, 500 encontradas num ms, etc. (novo em 2016)

    NO - Manter uma srie de dias se-guidos com caches encontradas to-dos os dias, para alm de um ano. (novo em 2016)

    NO - Especificar tipos de caches ou quantidade de Encontradas (acima de uma por dia) necessrios durante uma sequncia. (novo 2016)

    10. Fonte dos critrios

    SIM Os critrios das caches chal-lenge devero estar associados a informao que esteja disponvel no site geocaching.com e devem ser ve-rificveis atravs da informao do

  • 96 Junho 2016 - EDIo 21

    mesmo site.

    SIM - Os critrios das caches challen-ge devem ser baseados em caches com registos do geocacher: Found it!, Attended, foto tirada em Webcam.

    SIM - Os critrios das caches chal-lenge devem ser baseados no tipo de registos, no no contedo desses re-gistos.

    NO - Trackable, Benchmarking, re-gistos em Waymarking, ou especifi-car registos em Lab Cache. (novo em 2016)

    NO - Nestes elementos das pginas das caches: ttulo da cache, nome do owner, cdigos GC, Revisor que pu-blicou ou texto da pgina. (novo em 2016)

    NO - Requerer que o geocacher seja owner de alguma cache.

    NO - Requerer que os geocachers registem caches que estejam desac-tivadas ou arquivadas.

    11. Listas especficas

    SIM - Uma cache challenge baseada em caches com pelo menos X nme-ro de pontos favoritos pode ser pu-blicada, uma vez que a informao de origem no Geocaching.com.

    NO - Uma cache challenge baseada em elementos que podem ser con-trolados pelo dono da cache no aceitvel. Exemplos: os meus favo-ritos, as minhas caches, caches por este owner, ou por um determinado grupo.

    12. Todas ou uma percentagem de caches

    SIM - Encontrar um nmero razovel de caches de uma determinada rea,

    i.e. um nmero aceitvel de Earthca-ches encontradas em Portugal pode ser publicado.

    NO - Encontrar todas ou uma de-terminada percentagem de caches, ou tipos de cache, rcio de caches, ou outro valor permitido dentro de uma rea especificada; i.e. 80% de Earth-Caches em Portugal no publicvel. (novo em 2016)

    13. Data de Encontrada

    SIM - Geocaches encontradas antes do challenge ter sido publicado po-dem contar para a concretizao do desafio.

    NO - Restries data de registos de Encontrada utilizados para o de-safio no so permitidas.

    14. Critrios positivos

    SIM - Os critrios do challenge devem ser positivos e exigirem que seja al-canado um objetivo de geocaching.

    NO - No encontrar caches: crit-rios que limitem ou punam algum elemento enquanto se procuram ca-ches. Exemplos: challenges que re-queiram rcios de caches encontra-das; tais como 10% de registos de Encontrada devem ser registos de Attended, challenges que requeiram encontrar apenas um tipo particular de caches por um perodo de tempo, como 100 founds consecutivos em caches Mistrio.

    NO - Competio em vez de con-cretizao. Exemplo, um challenge baseado em First to Finds uma competio.

    Para alm disto, no se deve subme-ter uma cache challenge numa rea

    onde um challenge muito simillar ou

    idntico j exista.

    recomendado que o nvel de dificul-

    dade seja baseado no desafo em si,

    e que o nvel de terreno seja basea-

    do na localizao da cache challenge.

    (novo em 2016)

    E das Linhas de Orientao vem ain-

    da que:

    Por favor tome em ateno que no

    existem precedentes para a publicao

    de uma geocache. e Por vezes, uma

    geocache pode estar de acordo com to-

    dos os requisitos para publicao mas

    os revisores, como geocachers expe-

    rientes, podem ter preocupaes adi-

    cionais que no se encontrem nestas

    linhas de orientao e que voc, como

    algum que coloca uma geocache, pode

    no ter reparado. O revisor pode trazer

    estas preocupaes adicionais sua

    ateno e oferecer sugestes para que

    a geocache possa ser publicada.

    Nota: Neste momento, caches chal-

    lenge publicadas antes de 21 de abril

    de 2015 so Tipos de Cache com Di-

    reitos Adquiridos. Tal como acontece

    com qualquer cache deste gnero, o

    QG do Geocaching pode arquivar ca-

    ches que se tornam problemticas.

    Bom geocaching, divertido e positivo.

    Texto:

    Filipe nobre (MigthyRev)

    Vitor Srgio (Bitaro)

  • 97Junho 2016 - EDIo 21

  • 98 Junho 2016 - EDIo 21

    PASSATEMPO#getoutdoorsday

    PARABNS!!

    VENCEDORPOR ESCOLHA DA REDACO

    txinaCristina Ferreira

    Arruda78Andre Filipe Arruda

    VENCEDORPOR SORTEIO

  • txinaCristina Ferreira

    Arruda78Andre Filipe Arruda

    +

    Junta-te a ns!

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