GNEROS JORNALSTICOS NA ESCOLA: O TELEJORNAL COMO FERRAMENTA DE REFLEXO E CRITICIDADE

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Este Trabalho de Concluso de Curso tem por finalidade apresentar e analisar teoricamente um Projeto Didtico de Ensino, elaborado para alunos do 9 ano do Ensino do Ensino Fundamental e aplicado na EMEF Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, em Campinas. O trabalho enfoca, sob a luz da esfera jornalstica, os gneros reportagem, entrevista e artigo de opinio, sob formato audiovisual de um telejornal. O ensino desses gneros justifica-se devido importncia e propagao de informao e de conhecimento na sociedade atual. No trabalho com tais gneros, em especial sob o formato de um gnero maior, o telejornal, buscou-se enfatizar suas caractersticas - linguagem formal, pesquisas prvias, questes de ordem inferencial, interpretativa, questionadora e dialgica, questes de ordem reflexiva, crtica e intertextual. Objetivou-se tambm, demonstrar como o uso de novas tecnologias pode auxiliar na formao crtica do educando; aproximando o aluno realidade poltica, social e econmica em que est inserido, capacitando-o a exercer sua cidadania e favorecendo a formao de opinies, alm de melhorar sua competncia leitora e escritora, por meio da produo de textos dos gneros jornalsticos ora apresentados.

Transcript

Projeto:

FACULDADE DOTTORI

JULIO CSAR PORTELA CORRAGNEROS JORNALSTICOS NA ESCOLA: O TELEJORNAL COMO FERRAMENTA DE REFLEXO E CRITICIDADESO PAULO, SP

2013

JULIO CSAR PORTELA CORRAGNEROS JORNALSTICOS NA ESCOLA: O TELEJORNAL COMO FERRAMENTA DE REFLEXO E CRITICIDADE

Trabalho de Concluso de Curso apresentado Faculdade Dottori como requisito parcial para a obteno do ttulo de Licenciado em Pedagogia.

Orientadora: Coordenadora Theresa Cristina JorgeSo Paulo 2013AGRADECIMENTOS

Agradeo, em primeiro lugar, a Deus que, por Sua Divina Providncia, me deu inspirao e sabedoria para cada momento de minha vida pessoal, acadmica e profissional.

Aos meus pais, Maria do Carmo Portela Corra e Carlos da Silva Corra (in memoriam) e demais familiares que, embora distantes fisicamente, sempre me apoiaram e confiaram em mim, possibilitando-me a concretizao de mais um grande passo em direo minha realizao profissional.

minha noiva Lvia Garcia, que sempre esteve do meu lado, me incentivando e me apoiando, em todos os momentos deste curso e de minha vida.

minha orientadora e demais professores pela compreenso, sbios conselhos e direcionamentos.

A todos os alunos e professores envolvidos no Projeto, em especial, aos alunos do 9. Ano A de 2009 da EMEF Pres. Humberto de Alencar Castelo Branco, por acreditarem na proposta do trabalho e fazerem o seu melhor para realiz-lo com sucesso.

Enfim, a todos que de alguma maneira contriburam para a realizao deste trabalho, os meus sinceros agradecimentos.

A leitura de mundo precede a leitura da palavra.

Paulo Freire

RESUMO

Este Trabalho de Concluso de Curso tem por finalidade apresentar e analisar teoricamente um Projeto Didtico de Ensino, elaborado para alunos do 9 ano do Ensino do Ensino Fundamental e aplicado na EMEF Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, em Campinas. O trabalho enfoca, sob a luz da esfera jornalstica, os gneros reportagem, entrevista e artigo de opinio, sob formato audiovisual de um telejornal. O ensino desses gneros justifica-se devido importncia e propagao de informao e de conhecimento na sociedade atual. No trabalho com tais gneros, em especial sob o formato de um gnero maior, o telejornal, buscou-se enfatizar suas caractersticas - linguagem formal, pesquisas prvias, questes de ordem inferencial, interpretativa, questionadora e dialgica, questes de ordem reflexiva, crtica e intertextual. Objetivou-se tambm, demonstrar como o uso de novas tecnologias pode auxiliar na formao crtica do educando; aproximando o aluno realidade poltica, social e econmica em que est inserido, capacitando-o a exercer sua cidadania e favorecendo a formao de opinies, alm de melhorar sua competncia leitora e escritora, por meio da produo de textos dos gneros jornalsticos ora apresentados.

Palavras-chave: Esfera Jornalstica; Gnero Telejornal; Gnero Reportagem; Gnero Entrevista; Gnero Artigo de Opinio; Projeto Didtico; Ensino Fundamental.

SUMRIO

1. INTRODUO12. INFORMAES GERAIS SOBRE O PROJETO52.1 Justificativa52.2 Objetivos esperados52.3 Agentes envolvidos62.4 Contedos63. FUNDAMENTAO TERICA73.1 O trabalho com gneros textuais no ensino de lngua portuguesa73.2 A esfera comunicativa jornalstica113.3 Os gneros reportagem, entrevista e artigo de opinio113.4 A relao entre tecnologia, comunicao e educao143.5 O uso do telejornal em sala de aula144. ANLISE COMENTADA DO PROJETO EXECUTADO184.1 Cronograma das atividades (do projeto inicial)194.2 Passo a passo da realizao do projeto194.3 Apresentao do produto final - telejornal215. CONSIDERAES FINAIS22REFERNCIAS231. INTRODUO

O presente Trabalho de Concluso de Curso apresenta uma anlise terico-metodolgica de um projeto didtico de ensino para a rea de Lngua Portuguesa, realizado pelo prprio autor, no ano de 2009. De teorizao e publicao inditas, tal trabalho, que fundamentado sob a tica dos gneros textuais, denomina-se Gneros jornalsticos na escola: o telejornal como ferramenta de reflexo e criticidade e tem por principal objetivo incentivar o uso da tecnologia como ferramenta de auxilio na formao crtica do educando; a aproximao do aluno realidade poltica, social e econmica em que ele vive, capacitando-o a exercer sua cidadania e favorecer a formao de opinies, alm de melhorar sua competncia leitora e escritora, por meio da produo de textos de gneros jornalsticos.

A escolha da esfera jornalstica se deu pelo fato de o jornal (em especial o televisivo) ser uma ferramenta de transformao da realidade e colabora para que a sociedade reflita sobre as matrias que ali so veiculadas. Alm de se buscar no alunado uma postura crtica que promova reinterpretaes e reavaliaes de determinados acontecimentos sociais.

O tema escolhido violncia surgiu durante as prprias aulas de lngua portuguesa, diante de tantos questionamentos e reflexes a respeito das situaes de vulnerabilidade social pelos quais os cidados (em especial os adolescentes) passam todos os dias. Entendemos tambm que a leitura e a escrita, aliadas utilizao da tecnologia, desenvolvem habilidades e/ou competncias muito importantes para a formao integral do educando.

importante frisar o quo fundamental a linguagem escrita/verbal dos alunos para interao e socializao com os professores, colegas, familiares, etc., em diferentes situaes de comunicao, e o espao privilegiado para fundamentar e solidificar esta relao, sem dvida, a escola.

Muito mais que informar, os gneros textuais jornalsticos esto presentes cotidianamente na vida dos jovens como novas formas de acesso, interao e dilogo com aparatos tecnolgicos, bem como novas maneiras de produo do conhecimento e expanso das fronteiras do olhar do leitor.

Cabe informar tambm que este estudo se apresenta como um mosaico de configuraes textuais, devido escolha dos gneros que sero abordados (reportagem, entrevista e artigo de opinio), apresentados no formato de um projeto didtico, realizado em 2009, com alunos do 9 ano do Ensino Fundamental, numa atmosfera de conhecimento, crtica e de autoafirmao.

Consoante Rojo (2004, p. 6),

Ler um texto coloc-lo em relao com outros textos j conhecidos, que esto tramados a este texto, outros textos que podero dele resultar como rplicas ou respostas. Quando esta relao se estabelece pelos temas ou contedos abordados nos diversos textos, chamamos a isso intertextualidade.

Desse modo, a leitura um ato que ocorre em situaes prticas e cotidianas em sala de aula e vai se construindo de maneira social por relacionar professor e aluno; aluno e aluno ao interagir com os textos que, por sua vez, se co-relacionam e dialogam com outros textos ao se unirem por uma teia que se denomina intertextualidade.

Para oferecer ao aluno a possibilidade de ativar seus conhecimentos sobre textos jornalsticos, o primeiro gnero a ser abordado neste projeto didtico a reportagem. Prope-se apresentar atividades de leitura que tenham propsitos voltados para a observao e anlise de caractersticas do gnero, o estudo dos aspectos discursivos e aspectos notacionais da reportagem, bem como outras atividades que possibilitem ao aluno refletir sobre o ato de escrever e produzir textos de acordo com a norma padro.

Depois do trabalho esmiuado com o gnero reportagem, o avano para os demais (entrevista e artigo de opinio) se faz necessrio, e a atividade desenvolver o mesmo trabalho voltado para a leitura e a escrita. Para isso, foram realizadas diversas atividades com o objetivo de direcionar ateno aos gneros em estudo e as caractersticas que os mesmos apresentam com a finalidade de enraizar a compreenso e o posicionamento crtico dos educandos por meio da cultura miditica.

Segundo Marcuschi (2008, p.193-4)

[...] os textos situam-se em domnios discursivos que produzem contextos e situaes para as prticas sociodiscursivas caractersticas. [...] entendemos como domnio discursivo uma esfera da vida social ou institucional [...] na qual se do prticas que organizam formas de comunicao e respectivas estratgias de compreenso. Assim, os domnios discursivos produzem modelos de ao comunicativa que se estabilizam e se transmitem de gerao para gerao com propsitos e efeitos definidos e claros.

Assim, observa-se que os gneros textuais em estudo refletem situaes sociais de carter comunicativo e esto repletos de valores ao direcionar novas prticas de ensino de leitura e produo de texto bem como pelo fato de estabilizar sentidos, estilos, contexto, domnio, funo social que resulta numa natureza dinmica.

Considerando as palavras de Bakhtin (2003, p. 294-5),

a experincia discursiva forma-se e desenvolve-se pela interao entre enunciados em um processo de assimilao do outro. Todo enunciado pleno de palavras de outros em graus diversos de alteridade, de assimilabilidade, de aperceptibilidade e de relevncia. Esse outro empresta ao enunciado o seu tom valorativo que assimilado e reelaborado. Assim, a expresso de um enunciado ser sempre reflexo da expresso alheia.

Um enunciado (...) assume diversos posicionamentos responsivos com relao a outros, podendo confirm-los, complet-los, rejeit-los etc.

A partir da leitura e estudo dos gneros reportagem, entrevista e artigos de opinio, espera-se oportunizar ao aluno construir seu texto de maneira autoral, seja sob a natureza informativa reportagem, seja pela natureza crtica de artigo de opinio, buscando conscientiz-los de que o dilogo entre os textos um fator preponderante para a sua aprendizagem. Tambm objetiva-se que o alunado possa estabelecer relaes, saber discernir os fundamentos, entender, concordar, discordar, alm de posicionar-se diante das leituras e produes realizadasComo produto final das situaes de aprendizagem, os alunos foram divididos em grupo e, aps momentos de pesquisa e produo de texto, gravaram em vdeo o telejornal, que teve sua edio final feita pelo professor.

A avaliao foi realizada continuamente, revendo os objetivos e aes propostos favorecendo a aprendizagem e a construo do conhecimento dos alunos mediante a produo dos textos escritos por eles: seja notcia, reportagem, charge, bem como a reescrita, ao retomar as produes realizadas e observar que ajustes precisam ser feitos.

Com relao organizao deste trabalho de concluso de curso, salientamos que, alm da introduo apresentada e das consideraes finais, constaro como captulos: a fundamentao terica e a anlise comentada do projeto realizado sobre os gneros em estudo.

Por fim, com esse trabalho, visa-se buscar uma nova abertura de horizontes, atuando diretamente na formao dos discentes e objetivando despertar a leitura do mundo e o mundo da leitura, escrita e produo miditica.

2 INFORMAES GERAIS SOBRE O PROJETOO projeto didtico aqui apresentado consistiu na produo de um telejornal sob responsabilidade dos prprios alunos, com a mediao e apoio dos professores das disciplinas de Lngua Portuguesa e Histria. O objetivo principal do projeto foi a reflexo crtica a respeito das causas e efeitos da violncia humana (especialmente no mbito dos adolescentes), bem como a conscincia de que os atos realizados hoje produzem consequncias no futuro, alm da utilizao prtica e consciente dos mecanismos de textualidade na produo de enunciados em diversos gneros discursivos.2.1 JustificativaO projeto se justifica pela necessidade de constante reflexo sobre as aes humanas e suas consequncias futuras. O formato telejornal permite ao aluno o contato com mltiplas linguagens, possibilitando que ele desenvolva diversas formas de expresso, em situaes de comunicao real. uma possibilidade de trabalhar, ao mesmo tempo, a escrita, a oralidade e a expresso corporal, destacando a autonomia dos alunos na busca por solues. O tema geral (violncia) tambm fez aluso rememorao dos setenta anos de incio da Segunda Guerra Mundial.

2.2 Agentes envolvidos.Alunos do 9 ano do ensino fundamental (ciclo IV), professores de Lngua Portuguesa e Histria da EMEF Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, no ano de 2009.

2.3 Objetivos esperadosComo objetivos elencados para a execuo do projeto em questo, elencamos:

a) refletir sobre a causa e os efeitos da violncia entre seres humanos (com foco especial na idade adolescente) desde a Segunda Grande Guerra (1939);

b) proporcionar aos alunos autonomia da construo de conhecimentos, atravs de pesquisas e busca de solues, sendo os protagonistas do processo de ensino-aprendizagem;

c) incentivar o uso da lngua materna e da tecnologia em situaes reais de leitura e escrita, possibilitando a prtica das habilidades adquiridas durante o ano a respeito dos gneros textuais trabalhados em sala, bem como a prtica da argumentao consciente e consistente;

d) possibilitar o trabalho em grupo, valorizando a observao, a troca de ideias e o empenho de cada componente;

e) refletir os mecanismos gramaticais e textuais da lngua materna, por meio de sua prtica.

2.4 Contedosa) Lngua Portuguesa:

- Leitura e escrita na tipologia textual argumentativa, os gneros da esfera jornalstica reportagem, entrevista e artigo de opinio.

- utilizao dos mecanismos de coeso e coerncia nos textos produzidos.

- aplicao prtica de conceitos de frase, perodo, oraes coordenadas, subordinadas, concordncia e regncia nominais e verbais.

b) Histria:

- Segunda Guerra Mundial (1939-1945): principais causas, desenvolvimento e consequncias.

3. FUNDAMENTAO TERICA

3.1 O trabalho com gneros textuais no ensino de lngua portuguesa

O presente trabalho se teoriza a partir de uma projeto didtico, baseado em uma sequncia didtica (SD), que um processo metodolgico de planejamento para o educador, podendo ser entendida como um conjunto de aulas esquematizadas, cuja finalidade se faz em trabalhar um contedo, permitindo assim, a construo do conhecimento. Essa construo pode convir como subsdio ao professor, no desempenho das suas aes planejadas em aula.

Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004, p. 97) conceituam sequncia didtica como um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemtica, em torno de um gnero textual oral ou escrito.

Segundo estes pesquisadores, a atividade com a sequncia didtica de gneros na escola permite o domnio do educando em relao ao gnero estudado, devido leitura de vrios textos, produzidos em diversas condies, porm com caractersticas regulares.

O trabalho escolar ser realizado, evidentemente, sobre os gneros que o aluno no domina ou o faz de maneira insuficiente; sobre aqueles dificilmente acessveis, espontaneamente, pela maioria dos alunos; e sobre gneros pblicos e no privados. As sequncias didticas servem, portanto, para dar acesso aos alunos a prticas de linguagem novas ou dificilmente dominveis (DOLZ, NOVERRAZ & SCHNEUWLY, 2004, p. 97).

Os pesquisadores propuseram um modelo de sequncia didtica para o ensino de gneros a partir de uma estrutura de base, enfatizando mdulos de atividades para que, assim, os alunos pudessem sanar suas dificuldades e aprender gneros.

Nesse modelo, na exposio da situao, o aluno apresentado ao projeto de produo que engloba questes referentes ao gnero que ser abordado, quem so os possveis destinatrios da produo, a forma adotada pela produo, quem participa desta produo, etc.

evidente que preciso deixar esclarecido ao aluno a importncia do gnero trabalhado, como vai ser discutido em sala e suas caractersticas.

Para Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004, p. 100), A fase inicial de apresentao da situao permite, portanto, fornecer aos alunos todas as informaes necessrias para que conheam o projeto comunicativo visado e a aprendizagem de linguagem a que est relacionado.

Neste momento, o educador pode identificar os problemas lingusticos relacionados ao gnero, para dar continuidade sequncia trabalhada e observar se o aluno entendeu a situao comunicativa proposta.

Para o trabalho com os mdulos de ensino, Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004, p.103) propem que sejam realizadas questes a respeito das dificuldades da expresso oral ou escrita; a construo do mdulo para trabalhar um problema particular; como tirar proveito e aprender efetivamente o que adquirido nos mdulos.

Como a produo de textos uma atividade complexa, vrios nveis de conhecimento do indivduo so intensificados, para que os problemas especficos de cada gnero textual possam ser resolvidos. Por isso, a sequncia didtica deve abordar esses vrios nveis de funcionamento.

Para os autores Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004, p.103), os nveis para a produo de texto so: representao da situao de comunicao (o aluno deve saber o destinatrio do texto, a inteno do texto, a sua posio como autor ou locutor); a elaborao dos contedos (tcnicas para pesquisar e criar contedos); o momento de planejamento do texto (usar a estrutura mais ou menos convencional do texto); e o momento de realizao do texto (escolha da linguagem e do vocabulrio adequado, organizadores textuais e argumentos).

Ao final da produo escrita, sua correo e reescrita so de grande importncia para aprendizagem do alunado e construo do conhecimento. No caso do presente trabalho, a produo final foi alm do texto escrito, mas configurou-se como gnero intermiditico, j que se props a produo de um telejornal.Segundo os autores genebrinos Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004, p.105), tambm necessrio que se variem as atividades e exerccios nos mdulos, importante propor atividades as mais diferenciadas possveis, dando a cada aluno, a possibilidade de ter acesso, por diferentes vias, s noes e aos instrumentos, aumentando, desse modo, suas chances de aprendizagem significativa.

Ao observar a importncia da sequncia didtica e o trabalho com gneros textuais, nota-se que esta mudana nas prticas educativas de ensino e aprendizagem na sala de aula se deve globalizao que mudou a vida das pessoas em relao ao acesso informao e s novas tecnologias. Como efetivou a diminuio da distncia no mundo e como se desconstruiu identidades se tornando cada dia mais importante o multiculturalismo e o plurilinguismo, trazendo para o ato da leitura no s o texto escrito, mas imagens, movimentos, sons, msicas. O aluno que pratica o internets no mundo virtual e que se apropria desta nova linguagem se adqua a esta nova forma de comunicao nesta esfera de socializao luz da globalizao. (ROJO, 2009, p.108).

Desta forma, pode-se dizer que a responsabilidade e o compromisso em se formar alunos-cidados ticos, crticos e democrticos - tornou-se bem maior nos dias atuais, pois os jovens esto em contato crescente com uma variedade de informaes e tecnologias. Cabe aos educadores norte-los de forma correta e responsiva para fazer o uso devido das informaes recebidas.

No trabalho de leitura e escrita, deve-se valorizar e trabalhar com as leituras e letramentos mltiplos, os letramentos multissemiticos, a leitura na vida, na escola, os conceitos de gneros discursivos e suas esferas de circulao, abordar produtos culturais tanto da cultura escolar quanto da dominante, como das diferentes culturas locais e populares, cujos alunos e professores esto inseridos. (ROJO, 2009, p.102).

Os gneros textuais e as diversas mdias e culturas devem ser abordadas de tal forma que desvelem suas finalidades, intenes e ideologias de forma discursiva localizando o texto em seu momento histrico-ideolgico e de forma dialgica.

Os gneros textuais so formas culturais e cognitivas de ao social, so totalmente flexveis e sensveis s mudanas, situaes sociais e cotidianas, e espera-se que haja uma reflexo sobre os temas dos gneros trabalhados na escola quanto s marcas lingusticas (estilo) e a forma de composio, na busca de efeitos de sentido. Eles mudam, fundem-se, misturam-se para manter sua identidade funcional com inovao organizacional. (MARCUSCHI, 2008, p.155)

Viver em sociedade hoje demanda uma multiplicidade de prticas de letramento sobre linguagens, suportes, mdias e esferas extremamente variadas e complexas que enquanto formadores de opinio, o trabalho com os alunos deve ser voltado a convoc-los s competncias e habilidades de compreenso, produo e anlise diferenciadas, de forma que os educandos sejam protagonistas de suas prprias vidas e aprendizagens. Assim, os gneros textuais so objetos extremamente flexveis e heterogneos, podendo se apresentar em diferentes domnios sociais de comunicao. O domnio da produo da linguagem se d atravs dos mesmos que so importantes instrumentos nas aes de textualizao tais como nomear/referenciar objetos, fenmenos e so organizados em uma progresso especfica.

Ao trabalhar com agrupamentos de gneros nas aulas de Lngua Portuguesa importante o educador evidenciar formas de apresentar aos educandos como estes gneros esto razoavelmente organizados bem como o interior de diferentes gneros so produzidos. Apresentar as marcas textuais semelhantes e diferentes entre os gneros. Mostrar as diferentes sequncias textuais que compe a recepo e a produo dos gneros textuais.

Ao pensar em uma abordagem de gneros textuais que colocasse em grupos ou agrupamentos determinados por um conjunto amplo e criterioso, os autores genebrinos Schneuwly e Dolz (2004) assim responderam a uma solicitao da Rede Pblica Estadual de Genebra:

preciso que os agrupamentos:

1. correspondam s grandes finalidades sociais legadas ao ensino, respondendo s necessidades de linguagem em expresso escrita e oral, em domnios essenciais da comunicao em nossa sociedade ( inclusive a escola);

2. retomem, de modo flexvel, certas distines tipolgicas que j figuram em numerosos manuais e guias curriculares;

3. sejam relativamente homogneos quanto s capacidades de linguagem dominantes implicadas na mestria dos gneros agrupados.

Os agrupamentos assim definidos no so estanques uns com relao aos outros; no possvel classificar cada gnero de maneira absoluta em um dos agrupamentos propostos. (2004, p.58)

Desta forma observa-se que os agrupamentos correspondem s grandes finalidades sociais relacionadas educao que se devem construir ao longo dos anos de ensino.

O importante que cada educador trabalhe com a construo e diversidade de gneros at mesmo de forma interdisciplinar, pois desta maneira a competncia leitora e escritora bem como a produo oral podem ser construdas evolutivamente ao passo que cada vez mais complexa e at mesmo numa construo em espiral, a diversidade de aprendizagem ter seu lugar e os discentes vo construindo e adquirindo conhecimentos paulatinamente.

Efetivar a construo do ensino baseado no estudo de diversos gneros textuais uma possibilidade de edificar e confrontar diferentes gneros e tipos na comparao de textos a servio da aprendizagem e das competncias leitora, escritora e verbal dos alunos bem como na reflexo sobre a relao do homem/sociedade/mundo.

3.2 A esfera comunicativa jornalstica

Da maneira pela qual os gneros correspondem s grandes finalidades sociais relacionadas ao ensino, respondendo s necessidades de linguagem em expresso escrita e oral em domnio sociocomunicativo, a esfera a ser abordada na presente pesquisa a esfera jornalstica.

Conforme Bakhtin (1997, p. 279), todas as esferas da atividade humana (...) esto sempre relacionadas com a utilizao da lngua, a riqueza e a variedade dos gneros. E uma vez constitudos, os gneros exercem coeres sociais em relao s interaes verbais.

O conceito de esferas est, ainda, relacionado diviso, proposta por Bakhtin (1997), entre gneros primrios e secundrios, cujo critrio de classificao seria a noo de espontneo/natural.

Na ao didtica dos gneros discursivos, encontra-se tambm o conceito de esferas de atividade humana. Para alguns tericos, contudo, o conceito foi ampliado como domnio social de comunicao, da Escola de Genebra (2004), e domnio discursivo, de Marcuschi (2005; 2008).

Para Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004) o domnio social de comunicao corresponde ao fator social herdado ao ensino, respondendo preciso de linguagem em expresso escrita e oral, em domnios essenciais da comunicao e em nossa sociedade e na escola.

Para Marcuschi (2005; 2008) encontra-se a referncia domnio discursivo: so as grandes esferas da atividade humana em que os textos circulam (2005 p. 24-25). O autor (2008, p. 155) afirma que o domnio discursivo constitui muito mais uma esfera da atividade humana.

O funcionamento desta esfera em estudo que agora se solidifica mediante este trabalho bem conhecido. Devido sociedade controladora, tal esfera colabora para que a sociedade possa, pelo domnio da informao, garantir pleno exerccio da cidadania mediante a reflexo, o dilogo e o valor da diversidade.

O jornal, seja ele impresso ou televisivo, um veculo de comunicao de informaes que alm de estimular uma leitura crtica do contexto social e poltico, promove redimensionamentos, reavaliaes e reinterpretaes dos fatos.

As condies pelas quais os textos desta esfera so produzidas so muitas, contudo em especial as que tangem o conhecimento, a crtica, a possibilidade de posicionamento, de informao, de aprendizagem dos fenmenos do mundo com novos olhares, novas formas de produo do conhecimento sob a natureza tecnolgica.

So produzidos pelos jornalistas, reprteres, cronistas, chargistas, redatores, enfim, com a inteno de que a sociedade leia, interaja com os assuntos que movem e mobilizam a sociedade e o mundo com o intuito de informar e de levar a sociedade -em sua grande maioria- a um posicionamento crtico diante dos acontecimentos vivenciados nela.

Circula nas mdias eletrnicas, impressas, televisivas nas modalidades oral (televiso e rdio), escrita (impressa e eletrnica) e multimodal (internet), com a finalidade de informar, nortear a uma reflexo e um posicionamento crtico.

3.3 Os gneros textuais jornalsticos: reportagem, entrevista e artigo de opinio.Diante da explanao sobre SD apresentada pelos estudiosos genebrinos, o foco do trabalho da leitura e produo de textos aos alunos do 9 ano do Ensino Fundamental se d com textos da ordem do relatar/noticiar/argumentar, envolvendo a capacidade de linguagem de representao pelo discurso das experincias vividas, situadas no tempo, de modo a documentar ou preservar a memria das aes humanasOs gneros escolhidos como produtos finais (a serem apresentados em vdeo, j que se trata de um telejornal), foram trabalhados em sala com cada grupo de alunos separadamente. Assim, foram apresentados exemplares dos gneros, a fim de serem analisados e estudados pelos grupos, sob orientao do professor. Esboos de produo foram realizados, corrigidos e devolvidos aos alunos, assim como houve a necessidade de diversas refaces.

Para a elaborao da reportagem, cujo subtema escolhido foi a Segunda Guerra, houve a colaborao da professora de histria e intensa pesquisa na Internet, ficando a cargo do grupo a produo do texto final (a ser lido frente s cmeras e em off), alm da pesquisa de imagens que ilustrariam a apresentao do texto.

J na realizao das entrevistas, os alunos tiveram muitas dificuldades em escolher e colocar no papel perguntas que fossem, ao mesmo tempo, interessantes e que suscitassem respostas complexas, alm do simples sim ou no. Tambm no faltaram dificuldades em gravar, posteriormente as entrevistas, tarefa que acabou sendo realizada, em duas situaes, pelo prprio professor, em razo da falta de disponibilidade dos alunos em permanecer na escola aps o horrio.Quanto produo do artigo de opinio, no houve grandes problemas. A princpio, os alunos compreenderam bem o gnero e realizaram uma interessante pesquisa para foratalecer seus argumentos. A exposio do artigo (apresentao frente cmera) e a ilustrao por imagens (quando o texto foi lido em off) tambm transcorreu de forma mais tranquila.3.4 A relao entre tecnologia, comunicao e educaoO mundo tem passado por grandes transformaes tecnolgicas, que aliadas ideia de globalizao possibilitaram o surgimento da era em que tudo gira em torno da comunicao e da informao. Acredita-se que essas transformaes ocorridas tm sido rpidas, intensas e profundas, que as pessoas no tm parado para refletir sobre os reflexos causados pela enxurrada de potencialidades que elas oferecem. Nesse contexto, as Tecnologias da Informao e da Comunicao, conhecidas como TIC, assumem cada vez mais um papel destacado na sociedade atual.

Todos os dias, a indstria da informao oferece uma gama de novidades, que atraem crianas, adolescentes, jovens, adultos e at os idosos. Cada vez mais, os produtos, que na maioria integra som e imagem, fazem parte do cotidiano das pessoas. A disponibilidade de recursos das novas tecnologias aliada necessidade da educao em utilizar esses recursos garante a aproximao cada vez mais estreita entre a educao e comunicao.

Fonseca (2004) afirma que existe uma relao entre os paradigmas transmissivos entre das reas da Comunicao e Educao, principalmente no sentido de serem linear, unidirecional e orientado para obteno de efeitos. Na tabela 1, Fonseca (2004, p.40) apresenta a correlao entre os paradigmas entre as duas reas citadas.

3.5 O uso do telejornal em sala de aula

Questiona-se aqui o papel da escola em desenvolver dentro de suas aes pedaggicas ou, pelo menos de forma paralela, aes em sala de aula que visem s linguagens no institucionais escolar, como por exemplo, a utilizao dos meios de comunicao. Citelli et. al. (2002) critica a falta de discusso sobre os meios de comunicao nas instituies escolares, apesar da forte presena na sociedade. O autor afirma ainda que o primeiro obstculo vem da prpria instituio escolar que no v o campo da comunicao de massa como objeto de reflexo no universo da escola, mesmo que este campo esteja presente no cotidiano dos alunos e professores.

Ele defende uma abordagem pedaggica dos veculos de massa, como objetos de estudo na escola, no sentido em que os educadores mostrem como a mdia opera as linguagens visual e verbal.A participao dos programas infantis na formao do pr-adolescente ou adolescente no reconhecida pela escola, visto que pouco ou nada se discute na sala de aula sobre eles. No entanto, uma leitura dialogada poderia indicar o modo como o aluno se posiciona diante da produo televisiva, isto , como ele opera as mensagens do ponto de vista da construo do imaginrio e da sua relao com o mundo que o cerca. (CITELLI et. al, 2002, p. 50).

Os telejornais tambm so objetos de estudo importantes para o uso em sala de aula. J que, os noticirios televisivos ocupam um espao considervel na vida dos telespectadores brasileiros. Os assuntos em pauta muitas vezes fazem parte das conversas no dia a dia das pessoas. Abordando assuntos de poltica, economia, esportes, cultura, entre outros, os telejornais geralmente so transmitidos em horrios de grande audincia e abrangem no s o pblico adulto, como tambm osmais jovens.

Acredita-se que o telejornal apresente fragmentos da realidade para os telespectadores, e por esta razo, necessria a reflexo sobre vrios aspectos, entre eles, citados por Citelli el.al. (2002), causa, conseqncia e at mesmo o grau de veracidade do acontecimento. Dessa forma, destaca-se que as instituies escolares devem ajudar os educandos a decifrar os contedos dos noticirios televisivos, ou seja, o aluno deve ser estimulado a realizar uma leitura crtica dos telejornais, buscando formas de reflexo sobre as causas, consequncias e veracidade da realidade fragmentada, apresentada na telinha. Para Citelli el.al. (2002), o educador deve ensinar que por trs do fascnio e encantamento exercido pela TV, est o mito da credibilidade, competncia e eficincia do mundo da televiso.

Ao analisar o processo de produo do telejornal e descobrir a quantidade de pessoas, dinheiro e tecnologia envolvidos, o professor comea a entender o xito que os telejornais, com apenas alguns minutos dirios, tm junto aos seus alunos. Ao perceber o quanto so manipulados pelas manhas e artimanhas da telinha, a tendncia neg-la. Assim, a escola vem fazendo ao longo dos anos, e tentando manter suas portas fechadas para este tipo de discurso, resistindo em vo, pois o telejornal assistido por grande parte dos alunos. (Citelli el. al., 2002, p.71).

Apesar de considerar um processo de grande importncia no contexto educacional, Citelli et. al. (2002) afirma que o uso o telejornal na educao no tarefa fcil, e sim complexa. Por isso defende que os educadores devem estar preparados para estimular a percepo do aluno no sentido de desenvolver o interesse pelas notcias, para que o educando faa crticas e tire suas concluses.

Para Citelli (2002), o mais interessante seria o professor gravar e passar o telejornal para o grupo de alunos. Mas, no caso da possibilidade no dar certo, a turma pode assistir em casa no dia anterior aula de discusso.

Com capacidade de apontar falhas e meios que as solucionem, o aluno estar criticamente pronto para receber o telejornal como um recurso didtico dos mais acessveis. Neste momento, o professor poder usar e abusar da cotidianidade, da receptividade, da fcil assimilao, da contextualizao atravs da pesquisa, exemplificando, ilustrando, debatendo, analisando e principalmente apostando no desenvolvimento global do aluno. (CITELLI et. al., 2002, p.77).Acredita-se que existem outras formas de convergncia entre o telejornal e a prtica pedaggica. Alm da anlise do contedo, os alunos tambm podem ter contato com a produo do telejornal, ou, como apresentado neste projeto, eles mesmos produzirem materiais televisivos. No se fala aqui em transformar os alunos em jornalistas, muito menos a escola em redao de TV, mas oportunizar a elaborao de notcias e uma aproximao de crianas e adolescentes com o mundo da televiso.O trabalho com estes gneros jornalsticos uma forma de interagir com a pluralidade e a diversidade de informaes concebidas como configuraes diferenciadas de produo de conhecimento, de crtica e de possibilidade de posicionamento. uma maneira de aprendizagem dos feitos do mundo em diferentes ngulos, um incentivo ousadia e criatividade no que se refere produo do saber.

Estes gneros textuais jornalsticos permitem aos alunos entrarem em contato com diferentes formas de conhecimento ao observarem que os acontecimentos cotidianos, experienciados constantemente aproximam-se deles editado. Desta maneira, os objetos do mundo produzem sentidos a eles, fazendo-os refletir que os signos da cultura e seus desafios resumem-se numa busca inesgotvel de sentidos atravs dos textos.

Assim, a experincia com estes gneros jornalsticos permite a cada aluno desenvolver competncias, conhecimentos e capacidades inferenciais dos elementos da narrativa bem como elementos referentes escrita.4 ANLISE COMENTADA DO PROJETO EXECUTADOPara o planejamento, os alunos foram divididos em grupo para a participao e trabalhos efetivos. A presente organizao foi formulada pelos dois professores participantes, em conjunto com os alunos:

Grupo 1 - apresentao do telejornal e auxlio dos demais grupos: 04 alunos

Grupo 2 - tema: histrico da violncia 2 guerra / gnero reportagem: 06 alunos

Grupo 3 - tema: violncia no esporte / gnero entrevista: 04 alunos

Grupo 4 - tema: violncia na escola / gnero reportagem: 06 alunos

Grupo 5 - tema: violncia entre casais / artigo de opinio: 05 alunos

Os alunos do grupo 2 e 4, sob orientao dos professores, desenvolveram um planejamento prvio sobre o formato da reportagem, bem como pesquisa em fontes pr-existentes para sua produo com os temas escolhidos e film-las para a posterior edio. Nessas reportagens, poderiam ser utilizados outros subgneros como breves entrevistas e relatos pessoais, alm do uso adequado de efeitos visuais e sonoros.

J os alunos do grupo 3 deveriam escolher uma ou mais pessoas a serem entrevistadas que bem representem e ilustrem o grave problema da violncia no esporte (o tema anteriormente selecionado violncia domstica fora retificado, a pedido dos alunos), escolheriam o local e formulariam os questionrios da entrevista previamente. Ao realizarem as entrevistas, devem ter cuidado especial com o(s) entrevistado(s), principalmente em relao a situaes de constrangimento.

Os alunos do grupo 4, por sua vez, deveriam realizar uma ampla pesquisa sobre o assunto, comparando opinies, fatos e estatsticas para ento redigirem o artigo de opinio que, de preferncia no seja somente lido frente cmera, mas sim, interpretado.

Por fim, os alunos do grupo 1 seriam os principais responsveis pela organizao do telejornal, produzindo os textos que realizem as conexes entre as matrias, alm de preocuparem-se com os demais aspectos de sua apresentao e gravao.

Alm da apresentao do produto final: o telejornal, foram observados e avaliados, durante a realizao do projeto, os seguintes itens: respeito, solidariedade e preocupao com o meio-ambiente; organizao, participao e interesse; utilizao de linguagem e informaes adequadas; criatividade e senso crtico.4.1 Cronograma das atividades (do projeto inicial)O projeto inicial esperava utilizar 40 h/aula para ser concretizado, conforme distribudas abaixo, no entanto, acabou durando um pouco mais (vide item 4.2 Execuo, passo a passo). 05 h/aula: leitura, pesquisa e socializao dos conhecimentos adquiridos e descobertas;

20 h/aula: discusso e produo de roteiros e materiais para a realizao das gravaes;

10 h/aula: gravaes das matrias

05 h/aula: edio dos materiais, acabamento, avaliao e autoavaliao;

O planejamento inicial imaginava um perodo de 40 dias, em mdia, para a execuo. No entanto, o perodo se estendeu de realizao de 28 de setembro a 23 de novembro de 2009.

4.2 Passo a passo da realizao do projetoAbaixo relacionamos passo a passo, como se deu a realizao do projeto telejornal, com os alunos:

28/09 (02 h/a) O professor de Lngua Portuguesa apresentou aos alunos o projeto, dividiu os grupos, pediu a colaborao e o compromisso de todos, o que nesse momento foi aceito por unanimidade.

29/09 (02 h/a) No segundo dia, o professor levou os alunos para a sala de informtica para assistirem a um vdeo (curta metragem) sobre a produo do Jornal Nacional (disponvel na pgina de Internet YouTube). Esse vdeo apresenta alguns conceitos e tcnicas da linguagem telejornalstica. Ainda nesse dia, os alunos ficaram com a tarefa de pensar no formato de sua matria e fazer esse registro por escrito. 06/10 (02 h/a) No terceiro dia de projeto, o professor trouxe escola um estudante de Pedagogia da Unicamp, participante de um curso de extenso sobre audiovisual e que trabalha com produo de vdeos para ministrar uma palestra sobre a produo audiovisual. Nesta palestra, Felipe apresentou as etapas, funes, cuidados e tcnicas de apresentao e montagem de um vdeo.

13/10 (02 h/a) No quarto dia, os alunos ficaram sob orientao do professor Jlio, para pesquisarem sobre os temas e comearem a produzir os esboos dos textos que seriam seguidos na gravao.

20/10 (02 h/a) No quinto dia, os alunos comearam a trazer os resultados: textos-base, estatsticas e os esboos das idias que pretendiam fazer na filmagem e sob orientao do professor, comearam a escrever seus textos. 27/10 (02 h/a) No sexto dia, o professor Jlio comeou a cobrar maior comprometimento dos grupos no trabalho, visto que, at o momento apenas as perguntas do grupo 3 j estavam prontas e, continuaram a trabalhar nos textos, sendo acompanhados de perto pelo professor.

03/11 - (02 h/a) No stimo dia, os alunos do grupo 2 trouxeram imagens e msicas que seriam usadas em sua reportagem, apresentaram esse material em vdeo para a turma e foram orientadas pelo professor para, a partir de agora, se concentrarem nas produes dos textos. Tambm nesse dia, comearam a ser apresentados os textos iniciais dos grupos 1 e 5, sendo revisados pelo professor.

10/11 - (02 h/a) No oitavo dia, o grupo 3 apresentou, j em vdeo, uma entrevista completa com um participante da torcida organizada Jovem da Ponte Preta, embora no tenha sido esse o combinado (essa entrevista no foi adicionada ao material final por conter imagens inadequadas e formato de vdeo incompatvel). No restante do tempo, os grupos continuaram trabalhando nos textos, sendo auxiliados pelo professor. 16/11 - (02 h/a) No penltimo encontro o professor deu um ultimato nos grupos em razo da falta de comprometimento e advertiu-os que, se no recebesse os textos prontos e digitados no ltimo encontro, desistiria das gravaes e da execuo do projeto. A partir dessa conversa, os alunos pediram mais ateno do professor na correo e orientao de seus trabalhos e este os auxiliou no que foi necessrio. 23/11 - (02 h/a) No ltimo encontro, (visto que a data limite seria 28/11), os textos estavam prontos e aps passarem por uma rpida reviso do professor Jlio, iniciamos as gravaes do grupo 04 e 05, os demais grupos foram convocados em horrios extra-classe para a gravao dos trabalhos. Essas ltimas gravaes acabaram ocorrendo na ltima semana, nos horrios ps-aula (depois das 17h) e de manh, depois das aulas de Educao Fsica. As demais horas do projeto foram utilizadas nas pesquisas dos alunos em casa, nas gravaes da ltima semana e na edio do vdeo, aps o material bruto ser captado.

4.4 Apresentao do produto final - TelejornalA primeira verso do vdeo finalizado e editado foi apresentada durante a Mostra Cultural e Cientfica da EMEF Pres. Humberto de Alencar Castelo Branco, em 29/11/2009. O trabalho foi bastante elogiado pelos participantes da Mostra.O vdeo do telejornal executado encontra-se tambm disponvel na Internet, no site Youtube, hiperlink .

5 CONSIDERAES FINAISComo percebemos, o trabalho no transcorreu exatamente como planejado, visto a oscilao do interesse e comprometimento por parte dos alunos no projeto e algumas dificuldades tcnicas. Os parceiros ajudaram muito, em especial, a professora Cristiane Myiasaka, no obstante suas limitaes profissionais, participou ativamente na construo do projeto inicial e, em suas aulas, discutindo os contedos de sua disciplina.Algumas dificuldades aconteceram, ora por falha de comunicao, ora por falta de recursos. Como exemplo curioso, cito o ocorrido um dia com os alunos do grupo 3. Eles haviam convidado (sem autorizao) integrantes da torcida organizada Fria Independente para entrevistarem, mas no haviam avisado o professor antes. Resultado: a polcia militar desconfiou dos jovens uniformizados e acabou revistando-os na frente da escola. Felizmente, esse episdio foi esclarecido e resolvido com a interveno do professor e da diretora da unidade.Outro problema recorrente foi a sala de informtica ficar sem acesso Internet durante todo o projeto. Os alunos utilizaram os computadores apenas para digitao. Para subsidiar as pesquisas, havia apenas o Notebook da escola, que funcionava via rede sem fio. Por fim, o resultado final no ficou mais bem acabado, por conta dos equipamentos utilizados: cmera fotogrfica digital (7,2 m/pixels) e programa para edio caseira Windows Movie Maker.

Durante a execuo do projeto, dificuldades no faltaram: falta de recursos, escassez do tempo (em virtude da realizao do projeto, paralelamente s aulas tradicionais para o ensino dos contedos planejados durante o ano), falta de apoio e desconfiana de colegas etc. No entanto, aps verificar o trabalho finalizado, podemos perceber que este cumpriu os objetivos propostos, especialmente no que tange produo autnoma de conhecimentos e na utilizao prtica dos contedos aprendidos, Mesmo com algumas falhas pontuais, os textos produzidos foram muito bem feitos e a desenvoltura frente s cmeras tambm nos surpreendeu positivamente.Assim, considero que, mesmo com todos os percalos do caminho, o trabalho atingiu seus objetivos e a experincia adquirida poder servir de base para outros trabalhos futuros.REFERNCIAS

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