GAU Vol 06 - Galeria de Arte Urbana

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    06-Apr-2016

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Publicao semestral da Galeria de Arte Urbana da Cmara Municipal de Lisboa

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  • MOSTRA DE ARTE URBANA 2014TAMARA ALVES

    ARTISTA NA CIDADE

    VOL. 2014 06|GALERIA DE ARTE URBANA

    www.facebook.com/galeriadearteurbana http://issuu.com/galeriadearteurbana Google Art Project http://goo.gl/UU8qf4 youtube.com/user/galeriadearteurbana Google+ http://goo.gl/0k5Jbg

  • VOL.06|2014

    GAU |GALERIA DE ARTE URBANA

    NAS PAREDES ...

    A Associao para o Planeamento da Famlia (APF) convidou os artistas Fidel vora e Tamara Alves a criarem um mural dedicado s mulheres, em especial s sobreviventes de Mutilao Genital Feminina (MGF). O resultado pode ser visto no Largo do Intendente em Lisboa onde, no ms de junho, nasceu uma obra que reafirma o muralismo enquanto expresso privilegiada sensibilizao do pblico atravs da arte e o espao urbano como um contexto ideal partilha de causas sociais. A obra, que contou com o apoio da GAU, foi desenvolvida a quatro mos,

    onde distintas linguagens artsticas se intersetam para uma compo-sio plena de energia e sensibilidade, que aborda a MGF como um problema transversal a todos, independentemente do gnero ou na-cionalidade. O mural estende-se pela fachada do edifcio do Sport Clu-be Intendente, onde quatro portas cegas emolduram ou encarceram corpos femininos e hbridos. Uma priso que s interrompida por ramos de rosas do deserto, o elemento que os artistas elegeram para simbolizar a luta das mulheres pela sua emancipao.

    Num armazm localizado na Rua Joo Saraiva, 22, zona industrial do Bairro de Alvalade, realizou-se o CONS Project Lisboa, um proje-to inovador dedicado ao skate e arte, promovido pela marca Con-verse, que este ano chegou a Lisboa, contemplando a colaborao de writers e artistas locais, riders, fotgrafos e msicos, para reunir o melhor da cultura urbana num fim de semana do ms de maio. O edifcio conta com intervenes de arte urbana, tanto na fachada, da

    autoria da dupla Alpinistas Descalos, como no interior, da autoria de diversos artistas do universo do graffiti e da street art, com curado-ria de akaCorleone. Inaugurado como Fbrica 22, no ms de junho, o espao com mais de 2.000 metros quadrados gerido pela empresa nacional 99k, funciona agora todos os dias, das 10h s 24h, com uma diversificada oferta de atividades desportivas, de entretenimento e ainda uma zona de restaurao/bar.

    END FGM

    CONS PROJECT LISBOA E FBRICA 22

  • GAU |GALERIA DE ARTE URBANA

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    A plataforma Underdogs, em parceria com a GAU, continua a povoar a cidade com pe-as de alguns dos mais reconhecidos autores no panorama da arte urbana internacional. Clemens Behr foi o ltimo a visitar-nos, tendo no apenas criado a exposio Samples and Variations, patente na Galeria Underdo-gs, como realizado uma interveno de rua, novamente em variao pictrica a partir de amostras geomtricas. Uma das raras obras de cariz abstrato existentes em Lisboa, esta criao parece ensaiar um certo descons-trutivismo, com planos em alternncia entre quatro cores que os colocam ora na sombra, ora na luz, ora no azul, ora no fer-rugem. Tratam-se de faixas bidimensionais, vertical, horizontal ou diagonalmente ali-nhadas, cuja sobreposio gera profundi-dade e movimento, numa inevitvel iluso ptica. Como um catico castelo de cartas, o trabalho de Clemens Behr pode perder o seu frgil equilbrio e desmoronar-se pas-sagem de uma leve brisa.

    Art that sings, that hurts, that remem-bers, that spells truth, that summons shivers E a lista continua por 10 frases que Tim Etchells concebeu originalmente para Lisboa, no contexto do projeto Ar-tista na Cidade, promovido pela EGEAC. Em colaborao com a GAU e com execu-o das rigorosas mos de Daniel Teixei-ra e Jos Carvalho, as palavras daquele criador desceram literalmente para a rua, ocupando muros e edifcios. Sou um coleccionador de linguagem (), como Tim Etchells afirma em entrevista publicada no site do evento (www.artis-tanacidade.com), sendo a palavra o lugar central da sua obra que se distende por campos como a perfomance, as artes vi-suais, a literatura. Neste ncleo de evo-caes agora patente em Lisboa, o autor elenca as reaes e os efeitos provocados pela condio artstica, explorando a re-lao emocional, cognitiva e sensitiva do observador perante essa criao. Para um artista que se quer na cidade, a arte urba-na pode trazer um valioso contributo, ao inscrev-lo diretamente na esfera pbli-ca, no caos citadino, no olhar indiferente de quem passa, nos significados produzi-dos por cada um, na memria das paredes que permanecem. O artista est assim na cidade e essa cidade est em todos ns.

    UNDERDOGS

    ARTISTA NA CIDADE 2014

  • VOL.06|2014

    GAU |GALERIA DE ARTE URBANA

    NAS PAREDES...

    Francisco Correia, Gustavo So Pedro, Francisco Camilo, Maat, Nicolae Negura, Francisco Ponto, Margarida Esteves, Skran, Smile e Spek, foram os autores dos projetos selecionados para a oita-va edio do projeto Rostos do Muro Azul, pelo jri composto por representantes do Departamento de Patrimnio de Cultural da Cmara Municipal de Lisboa, do Centro Hospitalar Psiquitrico de Lisboa, atravs da Associao Cultural P28, e da editora Zest- books for life. No passado ms de julho, realizaram as suas obras dedicadas temtica do rosto, sob o azul profundo que cobre este longo muro, no lado norte da Rua das Murtas. J em setembro e do lado poente, podemos agora contemplar a pea executada pelo artista nacional Mojojojo (ainda no mbito da 8 edio) e pelo criador austraco David Leitner, que aqui quis deixar a sua marca. Fiquem atentos, pois at ao final do ano, novas obras iro surgir nas reas do muro que ainda se encontram por intervencionar, concluindo-se assim este percurso pleno de azul.

    ROSTOS DO MURO AZUL

    SpekSkran

    Francisco Correia Margarida Esteves

    Gustavo So PedroFrancisco Ponto

  • GAU |GALERIA DE ARTE URBANA

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    Smile

    Nicolae Negura

    Francisco Camilo

    Spek

    Margarida Esteves David Leitner

    MojojojoMaat

  • VOL.06|2014

    GAU |GALERIA DE ARTE URBANA

    NAS PAREDES...

    No mbito da estratgia municipal definida para a arte urbana da cidade, que procura a partilha da gesto da criatividade em espao pblico, a GAU, em conjunto com artistas locais, tem vindo a imple-mentar projetos-piloto em bairros especficos da cidade, onde so disponibilizados muros dedicados prtica de graffiti e street art, implicando a respetiva e natural rotatividade de peas deste universo artstico. Desde 2011 em Telheiras com TelheirasGraffiti e mais re-centemente, desde 2014 em Benfica, com Sweet n Eight, possvel pintar nos muitos metros quadrados de superfcie disponveis.

    Para alm da promoo da criao artstica, estes projetos tm como objetivo a revitalizao e valorizao do espao pblico, bem como do quotidiano de residentes e comerciantes destas zonas da cidade. Estes muros encontram-se abertos colaborao tanto de artistas na-cionais, como internacionais, pelo que aqui partilhamos imagens de algumas das peas executadas, na expectativa de motivar todos os in-teressados a enviarem as suas propostas. Inscries on-line dispon-veis em: http://telheirasgraffiti.blogspot.pt e em http://sweetneight.blogspot.pt.

    MUROS DE GESTO PARTILHADA

    Edis One & Dems & Pariz One

    Zoer & Pariz One

    Psyk & Edis One & Alme ( Edis One)

  • HagaieL

    Sofia Pidwell

    Isa Silva

  • Tamara Alves

  • Tamara Alves

    Murta & Uivo

    Godmess

    Klit

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    GAU |GALERIA DE ARTE URBANA

    MOSTRA DE ARTE URBANA

    Foram muitas as propostas rececionadas e a escolha do jri foi difcil. Mas so 7 os painis da GAU, na Calada da Glria e Largo da Oliveiri-nha, pelo que foram 7 os projetos selecionados para a Mostra Anual de Arte Urbana deste ano da autoria de: Godmess, HagaieL, Isa Silva, KLIT, MURTA e UIVO, Sofia Pidwell e Tamara Alves, pelo jri composto nesta edio por representantes da C.M.Lisboa, FUEL TV e do Festival WOOL, a quem muito agradecemos a colaborao. As novas intervenes deste conjunto heterogneo de autores, agora patentes nos painis da Galeria, ilustram a multiplicidade de linguagens artsticas praticadas no univer-so da arte urbana, a distinta experincia dos participantes - os que j tm anos de trabalho na rua e os que querem comear a pintar nesta escala bem como a diversidade da sua provenincia: desde o graffiti, ilustrao, ao design, passando pela pintura ou pela street art.A abrir esta exposio de tema livre, Tamara Alves apresenta-nos mais uma das suas reconhecveis criaes, onde o lado selvagem a par de uma delicada emotividade, so presena constante. Um corao polvo pul-sa no topo da Calada da Glria, na senda das figuras animais que costu-ma desenhar e que evocam a fora e audcia dos seres predadores, aqui numa vertente martima, homenageando o passado do povo portugus e em particular da famlia da artista: O facto de ser tema livre, deu--me liberdade para pegar nas imagens que costumo trabalhar: como o corao. E ultimamente tenho andado volta dos temas martimos que para o Ser portugus so importantes e eu como algarvia, de famlia de pescadores para quem o mar importante (), decidi retomar um tema que no trabalhava h muito tempo. E estou muito contente. Mais info sobre a artista em: www.tamaraalves.comMURTA e UIVO, jovem dupla de criadores, preenchem na ntegra o se-gundo painel, dando continuidade temtica da natureza, aqui utili-zada como pano de fundo para a contemplao da figura humana, da criao do Homem, no seu estado mais genuno. Numa fuso entre os seus estilos artsticos distintos e organizada em extratos e momentos, tal como na natureza, a pea pode ler-se de cima para baixo, como ex-plicam os artistas: O homem est nu e vulnervel () Esta personagem est inserida na terra, vai nascer. E nesta parede dissecmos isto em dois momentos diferentes: a parte debaixo do painel como se fosse um rio subterrneo, num plano macro. E a parte de cima do painel o terreno. Mais info sobre os artistas em: MURTA - https://www.facebook.com/pa-ges/MURTA/273744602832984?sk=timeline e UIVO - https://www.face-book.com/uivo.goncalofialhoNo terceiro painel e ainda numa atmosfera aquosa, o artista Godmess celebra a natureza humana, representando um delicado e singular uni-verso de amor, habitado pelo beijo entre duas figuras, instante to bem ilustrado pela ltima estrofe do soneto O Beijo da autoria de Alexandre ONeill que inspirou o autor nesta interveno: E a fora sem fim de duas bocas,\De duas bocas que se juntam, loucas!\De inveja as gaivotas a gritar... E agora nas palavras de Godmess - Pareceu-me que este poe-ma e esta obra se enquadravam. Tenho trabalhado a temtica do beijo, pesquisando exemplos na escultura, na pintura, na poesia. E as minhas obras andam em torno das pessoas, do amor, por vezes mais erotizado. Surgem num ambiente surrealista e as personagens so concretas, re-lacionadas com coisas que ouo, pois tm sempre uma histria por trs, mas no gosto de revelar muito mais Info sobre o artista em: www.godmess.com.J no quarto painel, continuamos a poder apreciar a temtica da natu-reza, na obra realizada por KLIT, um dos mais reconhecidos writers das primeiras geraes que comearam a produzir graffiti em Portugal. Por

    este motivo, quem est familiarizado com o universo da arte urbana, imediatamente reconhece a autoria da pea, marcada por uma pecu-liar figura animal e pela fuso dos elementos orgnicos com os caligr-ficos, algo que caracteriza o percurso artstico que o autor tem vindo a desenvolver h mais de 15 anos. Letters not flowers uma das suas frases mais emblemticas.Eu em geral consigo misturar as letras com animais, com formas orgnicas. At h pessoas que quando olham para os meus letterings veem animais, veem plantas, veem tudo! Mas para mim so letras. Aqui tambm tentei juntar as duas coisas num painel - a parte orgnica animal e a arte orgnica dos meus letterings. Mais info sobre o artista em: www.facebook.com/Klitone.Reflexo da (simpli)cidade real o ttulo da obra patente no quinto painel, da autoria da dupla HagaieL, constituda por Hilde e Leah, dois jovens apaixonados no s entre si, como tambm pelo universo da arte, cujo processo criativo um duelo de aes e de vises que culmina num s. Somos um s, quando UM TUDO o que se v, como referem na sua biografia. Neste painel vertical, podemos agora contemplar uma pea inspirada no azulejo tradicional - atravs da sua simetria e reflexo mltiplo - que pretende mostrar um reflexo simples mas real da cida-de. Quando vimos esta oportunidade de concorrer, pensmos que seria interessante criar uma coisa que fizesse a ligao entre a arte urbana e o azulejo tradicional. E ento lembrmo-nos de criar um azulejo urbano em que o motivo principal a cidade. a primeira vez que temos uma oportunidade destas nunca fizemos nada nesta escala. Estou com a ex-petativa que corra bem e acima de tudo que conhea outros artistas. E que se as pessoas gostarem do nosso trabalho, tenhamos mais oportuni-dades. Mais info sobre os artistas em: www.facebook.com/artodidacta.J no Largo da Oliveirinha, surge-nos o melhor de dois mundos: entre o minimalismo da obra de Sofia Pidwell e a profuso figurativa da pea de Isa Silva. Desta forma, no sexto painel, Sofia traou a sua proposta, quase como um bordado: delicada e pacientemente com marcadores de diferentes espessuras mas de uma s cor. Formas orgnicas cujo contor-no a negro evolui com a inspirao da artista e se destacam na superfcie branca, possibilitam diversas leituras e convidam-nos a imaginar ainda mais desenhos e caminhos. Isto muito os meus desenhos, so os de-senhos que me saem naturalmente, sem esforo. Rapidamente tenho as propores de um painel ou de um stio onde quero expor e o desenho surge intuitivamente. () E depois adapto-me: porque rapidamente, consigo esticar ou encolher o desenho, porque muito malevel. um bocadinho essa liberdade e flexibilidade de produzir. Chegar a um stio e fazer. Mais info sobre a artista em: www.sofiapidwell.com.Em perfeito contraste, Isa Silva preenche o stimo painel, com as suas mltiplas e coloridas figuras, que esto gravadas da memria coletiva tanto do pblico portugus, como internacional, proporcionando a criao desta vibrante e animada pea, que no deixa indiferente quem agora passa pelo Largo da Oliveirinha. Este painel baseado num pro-jeto chamado Square Faces que criei h cerca de um ano, em que pin-to caras muito coloridas, com cores muito fortes, sempre num formato quadrado, o qual acabei por adaptar para o painel, onde fui escolher algumas figuras que eu gosto e que so facilmente identificveis (). Como neste stio passam muitos estrangeiros e muitos portugueses tambm, achei que devia juntar um grupo, entre figuras que existiram e figuras de cinema. Eu tenho trs sries: caras que eu criei, caras co-nhecidas e depois caras de fico. E aqui est um bocadinho de tudo. Mais info sobre a artista em: www.isasilva.com/squarefaces.html.

    EDIO 2014

    www.isasilva.com/squarefaces.html

  • VOL.06|2014

    GALERIA DE ARTE URBANAGAU |

    ENTREVISTA COM

    - Como iniciaste a tua produo no campo da street art?Desde sempre que adoro graffiti e street art. No meu percurso, enquanto estudei Artes aprofundei e inclu estas reas de interesse no meu trabalho, mas na altura foi difcil porque no era um tipo de arte bem visto. Estudei e tentei relacionar-me com vrios artistas que faziam intervenes na rua para tentar perceber esta minha necessidade e poste-riormente passei prtica.Sempre que tinha oportunidade de fazer uma in-terveno em paredes (em galerias) ou nas ruas aproveitava. Quando no conseguia incorporava o mximo de signos possvel, como posters das ruas, stencil, tags, toda a esttica da rua em tela ou nou-tros suportes mais convencionais.Como exemplo, o festival Se esta rua fosse minha, Porto 2009 (uma pintura gigante colada na rua), Junho das Artes 2010 em bidos (Posters roubados das ruas numa instalao de 10 metros de altura), Festival Rabiscuits em Alcobaa (com um stencil gigante colado no mosteiro de Alcobaa como um convite subversivo j que eu no podia intervir di-retamente), entre outros.Surge um convite da GAU e da P28 em 2010 para pintar um mural em Santa Apolnia com mais 3 ar-tistas e a partir da comecei a pintar cada vez mais. As oportunidades vo surgindo e da o reconheci-mento e a valorizao.

    - Qual a relao entre o teu trabalho de galeria e o de rua?Tento ser fiel minha esttica, apesar dos suportes diferentes e de at onde podemos ir, seja na galeria ou na rua. A tela importante, a portabilidade, o lado no efmero do trabalho e obviamente o lado comer-cial. Tento fazer na rua o que consigo fazer em tela ou em papel, esse o meu objetivo e que mais difcil do que parece.A minha paixo inicial foi o desenho mais do que a pintura, e isso que tento transpor para a parede, a expressividade da tinta com o meu trao detalhado e rgido. Na rua a escala sempre um desafio e ten-do vertigens preciso ter muito amor e desapego ao

    mesmo tempo (nunca sabemos quanto tempo o nosso trabalho pode durar na rua).

    -A figurao omnipresente nas tuas obras. Para ti, o que encerra ainda de mistrio o nosso corpo?Sou uma artista figurativa, adoro retrato e poder transpor os limites do prprio corpo como algo na-tural. Somos animais mas demasiado previsveis nos dias de hoje, gosto de contrariar que assim o seja. Vou continuar a explorar at onde posso per-furar e arrancar c para fora. Gosto de esventrar as minhas personagens e vir-las do avesso.

    - A simbiose entre o corpo feminino e o ani-mal tambm uma constante nas tuas peas. O que transporta esse lado selvagem para a re-presentao da mulher?Gosto de manter uma delicadeza e tranquilidade ao mesmo tempo que a figura possa aparentar ser violenta ou em casos que se possam confun-dir com violentos apesar de serem metforas. So imagens fortes e o corpo feminino representado mais vezes talvez por ser mais fcil de transmitir essa ideia. No sou feminista mas talvez por ser mulher isso acontea mais vezes nos meus tra-balhos, relaciono-me muito com as personagens que crio.

    - Como te parece o panorama feminino da arte urbana atualmente produzida em Portu-gal e no estrangeiro?H alguns anos atrs sentia uma certa desconfian-a na capacidade do meu trabalho por ser mulher aos olhos de outrm, hoje em dia as coisas esto a mudar a cada dia que passa. Temos bastantes mu-lheres a pintar na rua e a fazer trabalhos incrveis e a sua valorizao importante para incentivar outras mulheres e abrir portas para toda a gente. Infelizmente ainda somos poucas, em compara-o, mas com trabalho importante e um cunho di-ferente no meio. um trabalho duro, um tipo de arte que exige um grande esforo fsico mas pode-mos faz-lo to bem como um homem.

    Quase que vimos Tamara Alves nascer nascer para a arte urbana, claro! Alguns dos seus primeiros passos em Lisboa, foram dados com a GAU, nomeadamente num mural conjunto promovido pela Pampero Fundacin. Depois foi v-la crescer, con-sistentemente na temtica que sempre a interessou o corpo humano na relao com o animal; tecnicamente, dominando latas de spray e pincis; em termos de escala, entre os painis da GAU, os pilares da Ponte 25 de Abril e a vasta empena da Assem-bleia Municipal de Lisboa, obra vencedora de um concurso cujo jri foi presidido pelo Mestre Jlio Pomar. A autora insere-se num movimento que ganha expresso em Lisboa e no mundo, e que oferece um crescente destaque ao trabalho feminino no campo da street art. Por tudo isto e muito mais, Tamara Alves a nossa entrevistada para este volume to especial da Revista GAU que comemora os 6 anos de existncia da Galeria.

    TAMARA ALVES

  • GAU |GALERIA DE ARTE URBANA

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    OBSERVATRIO

    Autor desconhecido(GAU)

    Autor desconhecido

    Borondo (GAU) Vanessa Teodoro

    Autor desconhecido Andr

    Tinta CruaWittleTigra (GAU)

  • VOL.06|2014

    GAU |GALERIA DE ARTE URBANA

    A Urban Forms Foundation, sediada em Lodz, na Polnia, realizou em se-tembro, conjuntamente com o Departamento de tica do Instituto de Filo-sofia da Universidade local, a 1st International Conference Aesthetic Ener-gy of the City. A convite da organizao, a GAU no apenas esteve presente no painel dedicado institucionalizao da arte urbana, como desfrutou da visita guiada a um conjunto de excecionais intervenes plsticas que a Fundao tem promovido naquela cidade, envolvendo prestigiados street artists polacos e internacionais.

    No mbito do PLURIS 14, Congresso Luso-Brasileiro para o Planeamento Urbano, Regional, Integrado e Sustentvel, que decorreu em setembro na Fundao Calouste Gulbenkian, a GAU organizou um percurso onde se visitaram algumas das obras mais emblemticas do graffiti e da street art realizadas em Lisboa. O percurso teve incio na Galeria de Arte Urbana e o seu conjunto de 7 painis instalados na Calada da Glria | Largo da Olivei-rinha, passando de seguida por uma das obras de maior escala executadas na cidade, da autoria do street artist espanhol Aryz. Posteriormente, na Av. Fontes Pereira de Melo, foi visitado o conjunto monumental de 5 obras de fachada, de alguns dos mais prestigiados artistas internacionais, como os brasileiros Os Gmeos. Seguiu-se uma paragem para visualizar o muro das Amoreias, o primeiro e mais recorrente espao em Lisboa, vocacionado para a criao de vastos murais. A visita terminou na zona ribeirinha, jun-to de St. Apolnia, onde foi possvel apreciar detalhadamente a magnfica interveno criada pela dupla Vhils / Pixel Pancho.No passado ms de setembro, visitou Lisboa, uma comitiva da Cma-ra Municipal de Copenhaga, ligada ao pelouro do Desporto e da Cul-tura, tendo-se, entre outras atividades, organizado uma visita guiada dedicada arte urbana, num gesto de partilha de experincias e numa

    pequena amostra do ocorrido na cidade, dentro do universo do graffiti e da street art.

    Encerrou recentemente a exposio individual Dissection de Alexandre Farto aka Vhils, decorrida no Museu da Eletricidade. Com mais de 47.000 visitantes, o evento integrou tambm intervenes de rua, como a reali-zada no depsito do Museu, outra nas instalaes da Lisnave, em Alma-da, e ainda num edifcio situado na Av. da ndia, em Lisboa, pea que faz a capa deste 6 volume da Revista GAU.Apesar de ter sido noticiado no nmero anterior desta publicao, no queramos deixar de partilhar uma imagem da pea final executada por Vanessa Teodoro (ver pag.13), na porta da Livraria Ler Devagar, localizada na LxFactory. A pea foi criada por ocasio do lanamento do livro Street Art Lisbon, editado pela Zest books for life, contando com o apoio da GAU.No passado dia 7 de junho, o WALLPEOPLE voltou cidade de Lisboa. No patamar inferior do Miradouro de So Pedro de Alcntara, e com uma vista privilegiada sobre a cidade, realizou-se a edio deste ano, dedica-da Natureza. Este projeto cultural internacional de arte participativa, originrio de Barcelona, pretende promover a criatividade do pblico ao convidar toda a gente para ser parte de exibies coletivas em espa-os urbanos, deixando-se um agradecimento especial a Slvia Dias pela dedicao revelada e pelo empenho na promoo cultural e artstica na nossa Lisboa.A GAU esteve presente no jur da 5 Mostra de Graffiti de Almada que decorreu no parque de estacionamento do Centro Sul (Cova da Pieda-de), nos dias 27 e 28 de setembro. Este projeto tem como lema arte com responsabilidade. Estiveram a concurso 7 peas, ficando os 3 primeiros lugares distribudos por Jaf (1 lugar); Daope (2 lugar) e Jaime Ferraz (3 lugar). Dos artistas convidados destacam-se as peas de Skran, Salu, Tra-fic, Ship, Smile, Rob, Ketam e Klit.

    ALM PAREDES

    MEGAFONE

    TODOS 14Dando sequncia ao trabalho desenvolvido em parceria com a Galeria de Arte Urbana, o festival TODOS 14 / Caminhada de Culturas voltou a incluir na sua programao um projeto de arte urbana, que contou com a realizao de diferentes tipos de intervenes artsticas na rea de S. Bento. O pro-jeto seguiu uma linha curatorial de cunho figurativo, relacionado com o tema adotado para esta edio do evento, Povo, um povo de povos. Neste contexto, foi lanado um desafio ao artista Robert Panda, para re-criar o seu trabalho escultrico de natureza efmera, assente em figuras humanoides feitas de pasta de papel coloridas. Os oito estpidos (as-sim se chamam as figuras) instalados no jardim adjacente Assembleia da Repblica (Rua de S. Bento) criaram intensa interao com o pblico do festival e demais utilizadores daquele espao, o que comprova o forte apelo emanado por estes seres. Para uma outra vertente do projeto, foi convidado o criador Drawing Jesus, que concebeu e executou uma pintura de grande escala (um rosto definido por traos multitnicos), na empena do n 204 da Rua de S. Bento, e ainda, uma segunda obra, num grupo de 7 armrios tcnicos situado no topo da Av. D. Carlos I, formada por um con-junto de pernas e ps caratersticos de diferentes grupos raciais humanos, baseado no lema Caminhada de Culturas, que d mote ao TODOS.

    EXPOSIES E EVENTOS

    PALESTRAS

    VISITAS GUIADAS

  • GAU |GALERIA DE ARTE URBANA

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    RECICLAR O OLHARNo passado ms de julho decorreu a 8 fase do projeto Reciclar o Olhar, de que resultaram 15 novas intervenes artsticas em vidres. Os trabalhos executados versaram temas diversos - do monocromtico, ao abstrato e figurativo refletindo pontos de vista, motivaes e interesses muito pessoais, caraterstica habitual desta iniciativa, que continua a pontuar a paisagem lisboeta. Esta atividade promovida pela GAU e pela Direo

    Municipal da Ambiente Urbano, tem vindo a afirmar-se como uma das mais transversais no campo do graffiti e da street art, dispersando-se lar-gamente pela malha urbana da cidade, acolhendo intervenes de au-tores de todas as faixas etrias, revelando-se por vezes como uma opor-tunidade para os criadores interessados em se iniciarem nas lides da arte urbana.

    Alexandra Bodianu

    Ricardo Xavier Antunes

    Guilherme Filipe

    Filipa Reis e Carolina Azeredo

    Aheneah & Galego

    Margarida Esteves

  • VOL.06|2014EDITORIAL CONTINUA ...

    FICHA TCNICA

    A partir de um certo ponto, no h retorno. Este o ponto que preciso alcanar. Fonte - Os Aforismos de Zurau; Autor - Kafka , Franz Apesar desta j no ser uma edio especial, como acon-teceu no nmero anterior da revista GAU, totalmente dedi-cado a projetos, trata-se de um volume muito especial, pois comemoramos os 6 anos da Galeria de Arte Urbana. Foi em outubro de 2008, aquando do programa de reabilitao do Bairro Alto, que a Cmara Municipal de Lisboa decidiu criar uma Galeria, sita na Calada da Glria.Porm esse foi apenas o ponto de partida, pois rapidamen-te o nosso olhar se dirigiu para toda a malha urbana, pon-derando em que zonas de Lisboa e em que tipo de suportes seria pertinente realizarem-se intervenes de graffiti e street art; procurando conhecer e estreitar ligaes com a comunidade artstica associada a estas manifestaes, no s organizando os nossos prprios eventos, como apoian-do eventos de outros agentes a atuarem neste universo; proporcionando-lhes mais oportunidades de trabalho, em tempos e espaos autorizados para o efetuarem; renovando igualmente a interveno plstica em espao pblico; mas acima de tudo, promovendo a salvaguarda do Patrimnio Cultural de Lisboa. Enfim, foi delineada uma estratgia res-peitante arte urbana, com diversas reas de atuao, dada a complexidade e as vrias implicaes deste fenmeno.E no havia melhor forma de celebrar esta data que com uma outra exposio a Mostra de Arte Urbana 2014 pa-tente nos painis originais da GAU. Trata-se de uma inicia-tiva anual, com tema livre, para a qual rene um jri que seleciona as sete peas a serem executadas. Esta edio envolve temticas e discursos estticos bastantes distintos, num grupo ecltico de autores, alguns j reconhecidos neste campo, outros a iniciarem-se agora nesta atividade, contan-do com uma presena feminina significativa.Um dos elementos dessa crescente comunidade de autoras, Tamara Alves, a nossa entrevistada para a sexta edio da revista, ficando bem clara a relevncia que a sua obra tem vindo a conquistar na cidade de Lisboa.Passaram 6 anos, muito est feito, mas muito h para fazer. A experincia vasta, mas muito h ainda para aprender. So apenas 6 anos, mas o percurso parece longo, pelos in-meros projetos concretizados e pela rpida evoluo desta comunidade artstica. Estamos, por isso, convictos que esta-mos muito perto de alcanar o ponto de no retorno.Lisboa atualmente encarada como uma das mais ativas cidades na produo de arte urbana e esse reconhecimen-to, produto dos diversos agentes envolvidos nesta temtica, tem sido o melhor fruto do nosso trabalho.

    Jorge Ramos de Carvalho

    At ao final deste ano e para encerrar a edio de 2014, os Underdogs continuaro a chegar a Lisboa Prev-se a vinda de outros conceituados artistas internacio-nais, cujos nomes ainda no iremos revelar, para que a cidade seja surpreendida pela sua interveno. A excelncia das obras est totalmente garantida!Arrancou entretanto o projeto Lata 65, vocacionado para a aprendizagem de tcnicas de street art por parte de um pblico snior. Eleito em Oramento Par-ticipativo da Cmara Municipal de Lisboa e contando com o apoio da GAU, o workshop procura provar que conceitos como o envelhecimento ativo e a soli-dariedade entre geraes, fazem cada vez mais sentido.Por outro lado, est aberta a votao do Oramento Participativo 2014/2015 da CML, com projetos em inmeras reas de atuao. Se participares, po-des decidir diretamente sobre as intervenes a serem realizadas na cidade. (ver lisboaparticipa.pt/pages/projetos.php)

    GAU vol 06 outubro de 2014 Publicao da Galeria de Arte Urbana Edio da Cmara Municipal de Lisboa Pelouro da Cultura Direo Municipal da Cultura Departamento de Patrimnio CulturalDiretor - Jorge Ramos de CarvalhoCoordenadora - Slvia CmaraRedao - Ins Machado, Miguel Carrelo e Slvia CmaraProjeto Grfico - GAUDesign Tiago Morais | Diviso de Promoo e Comunicao CulturalReviso Sara Simes | Diviso de

    Promoo e Comunicao CulturalSecretariado - Gracinda RibeiroFotografia da capa - Jos Vicente DPC|CML 2014 Vhils Fotografias - JosVicente|DPC| CML|2014 (exceto onde indicado)Impresso - NovagrficaTiragem - 1300 exemplaresFontes - Helvtica|MrsEavesXLSerNar ISSN - 2182 777XDepsito Legal 351671/12Distribuio - GratuitaContactos - Rua do Machadinho, n 20, 1249-150 Lisboa| telef. 21 8171945gau@cm-lisboa.pt

    Color Blind Collective

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