Formao Tcnica de Enfermagem Na Pediatria

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    04-Oct-2015

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Artigo que demonstra a importncia do acompanhamento dos professores na campo de estgio de alunos de Enfermagem na Pediatria e do saber tcnico-cientifico para a atuao.

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FORMAO TCNICA DE ENFERMAGEM NA PEDIATRIAINTRODUOA internao de uma criana em unidade peditrica provoca sentimentos de medo, angstia e mudanas emocionais que afetam a sua estima e imagem, pois, de modo geral, a percepo da perda da integridade orgnica, da limitao na realizao de atividades e da dependncia, vo, aos poucos, fazendo parte da realidade dos internados, tanto adultos quanto infantis.A unidade peditrica um ambiente que procura proporcionar constante vigilncia e controle sobre os pacientes; para tanto, centraliza recursos humanos e materiais que permitem atendimento eficaz, com base no trabalho de uma equipe multiprofissional, sendo que os profissionais que dela fazem parte devem primar pelo cuidado humanizado. Do contrrio, a modificao das rotinas dirias, os procedimentos realizados pelos profissionais que ali atuam podem criar uma atmosfera emocionalmente comprometedora, causando estresse tanto nas pessoas que trabalham na unidade, como nas crianas, o que pode agravar ainda mais o estado de sade delas.Os alunos do Curso Tcnico de Enfermagem, quando se deparam com o estgio na unidade peditrica, normalmente reagem demonstrando receio de no conseguirem atuar devidamente como profissionais, deixando-se envolver por sentimentos aflitivos em relao criana e a seus familiares. Tal situao decorre do fato de precisarem dominar uma srie de conceitos e prticas, como compreenderem que a criana, ao ser internada, separa-se das pessoas e objetos que so significantes para ela,(os pais, amigos, a casa, os brinquedos), passando a vivenciar outro contexto, com pessoas e objetos desconhecidos, o que pode gerar atitudes de extremo negativismo ou intolerncia e comprometer ainda mais seu tratamento.A criana necessita de condies favorveis ao seu crescimento e desenvolvimento, como a convivncia familiar e comunitria, a nutrio, a sade, a proteo, o resgate, o respeito, a educao e o brincar, os quais devem ser assegurados pela famlia e pela sociedade em geral. Sendo assim, a unidade peditrica procura constituir-se em um ambiente mais agradvel, ajustando-se s necessidades e s caractersticas de cada situao.Diante disso, importante que os profissionais que atuam nessas unidades sejam preparados a atender s necessidades emocionais da criana internada, proporcionando atividades recreativas compatveis com sua idade e condies de tratamento. A equipe de enfermagem deve ser composta por pessoas que gostem de crianas e, principalmente, que tenham capacidade emocional para atender os doentes infantis, compreendendo a importncia dessa atividade e dando nfase a um trabalho humanizado.NO que tange formao do tcnico de enfermagem, a situao de ensino e aprendizagem tambm fragiliza o aluno, pois se trata de um processo suscetvel a variveis intervenientes, de forma que, nessa condio de estgio em unidade peditrica, o aluno e o professor devem dominar universos essencialmente complexos.Por esses motivos, procurou-se investigar quais so as reaes mais freqentes dos alunos do Curso Tcnico de Enfermagem, em campo de estgio peditrico, que podem interferir no cuidado da criana hospitalizada e como atuam os professores desses alunos na orientao e apoio para o alcance dos objetivos no estgio em pediatria.O ENSINO DA ENFERMAGEMCada professor demonstra, na sua atividade docente, uma maneira prpria de ensinar e, quando expressa interesse e amor pelo seu trabalho, tambm est ajudando os alunos em seu processo de motivao para a aprendizagem. A aprendizagem definida por Atkinson e Murray (1989) como um processo resultante da prtica ou da experincia inferida a partir de mudanas do comportamento do aprendiz.No que se refere ao professor, acredita-se que ele deva ser um comunicador capaz de despenar o interesse dos alunos, e que considere, alm dos aspectos cognitivos, tambm os psicolgicos envolvidos no processo de aprendizagem. A linguagem, ento, ocupa um papel central na atividade do professor por carregar, nas suas formas de expresso, a sua cultura, as suas emoes, as suas crenas, os seus preconceitos. O docente no pode, assim, limitar-se apenas em codificar sua mensagem, mas, alm disso, deve decodific-la para os alunos. A preocupao com a reao dos estudantes importante, pois o bom comunicador precisa ter a capacidade de perceber a reao do outro, como bem fala Rogers (1991) ao referir a questo emptica, e ser uma pessoa sensvel nas humanas (BEZERRA, 1996). Nesse processo emptico, esto envolvidos os aspectos no verbais, como a forma de falar, olhar, andar, sentar, interromper, agredir.A relao professor e alunos pode ser considerada como ponto chave num processo em que se percebem pessoas distintas com experincias nicas, aproximando-se com o Objetivo de troca de conhecimentos, em ambientes e momentos especficos. Segundo Rogers (1991), a autenticidade do professor nas relaes facilita a aprendizagem, sendo que o docente deve ser congruente, isto , ser a pessoa que e ter a conscincia plena das atitudes que assume, tornando-se, ento, uma pessoa real nas relaes com os alunos. O estudante deve ser visto com respeito e como sujeito ativo, motivado, com direito ateno e considerao das experincias adquiridas anteriormente, ou seja, a aceitao de que o aluno j possui a construo do conhecimento e senso comum suficientes para entender um contedo.Todas essas consideraes devem ser levadas em conta durante o perodo de estgio, momento delicado no incio da profissionalizao do acadmico. Nesse sentido, o Tcnico em Enfermagem deve ser orientado para perceber as especificidades do ambiente hospitalar, e nele saber atuar de forma eficiente e positiva.

HospitalizaoLidar com crianas hospitalizadas e seus pais no uma tarefa fcil. A estrutura familiar abalada e o profissional da rea da sade deve primar por um atendimento que vise, alm do cuidado especfico de cada caso, a uma assistncia humana e individualizada tanto com as crianas como com seus significantes.A criana tem sua maneira de sentir, reagir e possui direitos como saber a verdade, ter privacidade, ser compreendida em seus desejos e preferncias, necessitando de condies favorveis ao seu crescimento e desenvolvimento, as quais devem ser asseguradas pela familia e pela sociedade em geral. A doena e a hospitalizao constituem uma forte crise na vida da criana, que passa a enfrentar experincias estressantes. As reaes dos pequenos pacientes so influenciadas diretamente por condies especficas ligadas a seu desenvolvimento, idade, experincias anteriores relacionadas doena, separao, perdas, apoio prestado pela equipe multidisciplinar hospitalar e pela gravidade da doena.O supervisor que acompanha os alunos no hospital deve mostrar a importncia da atuao da equipe para a recuperao da criana doente, pois o ensino dos procedimentos de enfermagem, que consome a maior parte do tempo dispensado disciplina, por envolver a aprendizagem de muitas tcnicas, no uma prtica fragmentada e tampouco separada dos subsdios tericos e sustentadores das aes. O estgio deve ser contemplado com procedimentos didticos que permitam ao aluno situar, observar, aplicar e refletir sem perder de vista a realidade.Motta (1996) afirma que a hospitalizao pode ser uma situao traumtica ao provocar alteraes significativas no crescimento e desenvolvimento da criana, pois seu ritmo de vida interrompido. Esse fato pode ser agravado ou no, dependendo da assistncia intensiva, estressores ambientais e estmulos sensoriais. A maioria das crianas, durante a internao, extremamente manipulada, porm no acariciada, o que influencia de forma negativa a sua recuperao. Desse modo, o planejamento das aes de enfermagem deve ser realizado integralmente, com a interao da criatividade e da ludicidade, por que as crianas precisam de formas adequadas de atendimento, na medida em que no so adultos em miniatura.Esse entendimento conduz individualizao da assistncia de enfermagem, o que exige dos profissionais da sade uma aguada capacidade de observao a fim de identificar e controlar precocemente qualquer instabilidade fisiolgica e emocional. Tais exigncias so, muitas vezes, fontes de ansiedade e insegurana por pane dos alunos dos cursos tcnicos, sendo indispensvel o papel do supervisor que atua junto deles.O professor que acompanha os alunos no estgio em pediatria deve estar ciente de que cuidar compreende a sistematizao de aes especficas de enfermagem, voltadas ao atendimento das necessidades da pessoa, e no apenas resoluo de problemas, adotando uma postura tcnico-cientfica e tica com a finalidade de diminuir o trauma e suas conseqncias para a criana, famlia e alunos. Em nenhuma outra fase da vida, a hospitalizao to marcante como para a criana entre 18 meses e 5 anos, justamente pelas caractersticas e limitaes dessa faixa etria.

METODOLOGIAA metodologia empregada consistiu na pesquisa de campo, exploratria e descritiva. Os sujeitos escolhidos foram 80 alunos em estgio na unidade peditrica, do Curso Tcnico de Enfermagem de uma instituio de ensino do municpio de Santa Maria - RS. Os estgios desse Curso so realizados em um hospital de porte mdio que atende a clientes do Sistema Unico de Sade - SUS. A investigao foi realizada nos meses de setembro, outubro e novembro do ano de 2002. Os sujeitos foram convidados a participar da pesquisa respondendo a um questionrio, aplicado pelas autoras, composto de quatro perguntas abertas, envolvendo o tipo de vivncia diria com crianas, as expectativas em relao ao estgio em pediatria e a capacidade de desvincular problemas pessoais de atividades acadmicas. Ao receberem o instrumento, os sujeitos da pesquisa foram informados sobre a natureza, os objetivos da investigao e a garantia do sigilo. A anlise dos dados foi realizada de maneira qualitativa, com a transcrio dos discursos dos alunos e a excluso dos argumentos que se repetiram, pautando-se pelos requisitos necessrios de realidade, relevncia, clareza, profundidade e extenso (LAKATOS; MARCONI, 1995).

DISCUSSO DOS DADOSCom idade mdia entre 21 e 30 anos, os alunos investigados eram, em sua maioria, do sexo feminino. Em grande parte, a amostra apresenta sujeitos que possuem contato dirio com crianas: alguns, os prprios filhos, ou os filhos de parentes e amigos. Esse dado permite verificar como os alunos conhecem o universo infantil, de modo geral.Constatou-se que a maior parte dos estudantes, com relao aos sentimentos vivenciados no estgio de pediatria, sentem medo devido grande responsabilidade que trabalhar com crianas. A anlise qualitativa dos relatos dos sujeitos registrados nas perguntas abertas demonstrou, por um lado, que, para eles, se criana devem ser dadas as garantias de uma vida saudvel, que inclui o universo ldico, os estagirios devem saber intercalar cuidado e recreao, favorecendo criana hospitalizada um ambiente que lhe proporcione sentir-se vontade. Dessa forma, a equipe de sade quem dever favorecer e proporcionar esse elo durante a hospitalizao. Por ou-tro, muitos associam o universo infantil a bem-estar, tranqilidade e alegria, o que dificulta o olhar para a criana hospitalizada de forma objetiva, pois so associados sentimentos de piedade, que no so compatveis com o cuidado necessrio ao pequeno paciente.Vivenciar, assim, situaes desconhecidas, no presenciadas anteriormente, provoca insegurana, principalmente para os alunos que esto iniciando seus estgios, bem como sentimentos de impotncia e ansiedade. Cabe ao professor demonstrar confiana, explicar corretamente todos os passos das aulas prticas, salientando que todos so capazes e que esto ali para aprenderem juntos a cuidar de seres humanos especiais, criando-se um elo de confiana entre professor/aluno/paciente.Ao considerar a hospitalizao como um sofrimento para a criana e seus familiares, o cuidado de enfermagem deve ser qualificado e voltado a um atendimento que facilite essa adaptao, favorecendo uma melhora rpida e tornando o ambiente mais familiar. sobre esse cuidado que o aluno deve ser orientado e acompanhado pelo professor, primando por condies que o faam aprender e pr em prtica uma assistncia humanizada. Marcondes (2002) diz que vrios so os fatores que interferem na adaptao da criana ao hospital e os profissionais que atuam com criana devem realizar um cuidado que atenda a suas necessidades, respeitando as diferenas individuais de cada ser humano.Embora metade dos respondentes tenham afirmado que conseguem separar o aspecto pessoal do profissional em relao a suas atitudes com a criana doente, muitos admitiram que alternam o comportamento dependendo de cada caso, nem sempre conseguindo essa separao. Outros afirmaram que no conseguem separar sua vida pessoal da profissional, embora reconheam a importncia de faz-lo, pois muitas vezes essa maneira de agir interfere no cuidado com a criana enferma. Separar o pessoal do profissional compreendido, no mbito da sade, como uma exigncia para que no seja prejudicada a assistncia de enfermagem.O estresse, a culpa e a raiva levam os profissionais da sade e os familiares das crianas doentes a experienciarem sentimentos de tristeza e angstia. Os familiares, muitas vezes, canalizam esses sentimentos para os profissionais que esto trabalhando na unidade peditrica, os quais, por sua vez, no devem julgar nem revidar, pois sua tarefa cuid-los e orient-los nesse momento to delicado, encarado de diferentes maneiras de acordocom crenas e hbitos. O tcnico de enfermagem deve ser preparado para essas situaes e procurar entender cada paciente e familiar por intermdio do conhecimento de sua histria e cultura. O professor tem um Importante papel, pois sem uma orientao adequada, em campo de estgio, que favorea a adaptao desse futuro profissional em relao criana, a seus familiares e a seu prprio perfil e potencialidades, os objetivos ideais de umaboa assistncia peditrica podem no ser alcanados.Assim, importante que a criana e os pais sejam acolhidos na unidade peditrica pelos profissionais que ali atuam, tornando o ambiente humanizado, facilitando a sua adaptao e interao com o novo. Os alunos que realizam estgio nessa unidade precisam aprender a lidar com as crianas de forma que sejam favorecidos esses padres de relacionamento, nos quais s cabem atitudes honestas, pois os pequenos pacientes precisam de respostas francas, claras e simples. Esse clima de relacionamento interpessoal entre equipe, crianas hospitalizadas e familiares importante para uma boa estada e recuperao positiva.O aluno deve ser preparado continuamente, em campo de estgio, para dar assistncia qualificada, sendo sensvel s frustraes que a criana e sua famlia esto enfrentando, bem como a seus anseios pessoais, cabendo ao professor supervisor acompanh-lo, auxiliando-o nas dificuldades que certamente surgiro no decorrer desse perodo. A boa interao da equipe, o equilibrio emocional tanto individual quanto do grupo, so fatores imprescindveis na ateno s situaes de hospitalizao em unidades peditricas.

CONSIDERAES FINAISCom este trabalho foi possvel conhecer alguns dos mais recorrentes sentimentos dos estagirios do Curso Tcnico de Enfermagem em unidade peditrica, bem como a importncia da atuao do professor nessa fase de formao profissional de seus alunos.Conclui-se que, por um lado, os receios e dificuldades demonstradas em campo de estgio podem ser considerados normais, principalmente diante da expectativa dos familiares de crianas doentes e dos outros profissionais da sade que esperam do tcnico de enfermagem uma atuao no cuidado que, muitas vezes, supera sua prpria capacidade. Por outro, os sentimentos de insegurana so minimizados quando os alunos recebem uma boa orientao de seus professores, os quais devem acompanh-los e inseri-los no campo de estgio, favorecendo e criando um vnculo entre paciente/familiar e os estagirios na assistncia. medida que o professor demonstra prazer e carinho pelo seu trabalho assistencial junto s crianas doentes e aos alunos, esses ltimos sentem-se mais acolhidos e menos inseguros para realizar os procedimentos de sade que lhe so incumbidos. Os alunos espelham-se muito no exemplo dos seus mestres, razo pela qual o docente deve especializar-se cada vez mais em seu trabalho didtico. Quando a sua atuao pedaggica ocorre no hospital,pode-se dizer que sua tarefa ainda mais importante, pois abarca em uma s ao os processos de educao e sade. Ensinar enfermagem exige muito daquele que o faz, pois o professor deve conseguir superar suas prprias expectativas em relao vida pessoal e profissional.