Formao do Sistema Internacional ? Mdulo 1: Aula 4 Mdulo I: Formao do sistema internacional

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    07-Sep-2018

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Formao do Sistema Internacional BHO1335-15 (4-0-4) Professor Dr. Demtrio G. C. de Toledo BRI demetrio.toledo@ufabc.edu.br UFABC - 2015.III Aula 5 4-feira, 13 de outubro Mdulo 1: Aula 4 Blog da disciplina: https://fsiufabc.wordpress.com/ No blog voc encontrar todos os materiais do curso: Programa Textos obrigatrios e complementares ppt das aulas Links para sites, blogs, vdeos, podcasts, artigos e outros materiais de interesse 2 https://fsiufabc.wordpress.com/Mdulo 1: Aula 5 Estratgias de estudo: I. Preparar a aula: leitura prvia do texto e reflexo mais ou menos sistemtica sobre as questes abordadas no texto; anotao de perguntas II. Trabalho do texto: grifar, anotar, organizar, verificar significado de palavras e conceitos, sistematizar o que foi lido e compreendido III. Pomodoro: mtodo de organizao do tempo de estudo IV. Learning how to learn (Coursera): estratgias de aprendizagem, memorizao e enfrentamento de procrastinao 3 Mdulo 1: Aula 5 Perguntas sobre seus hbitos de estudo: i. Quantas horas voc dedica aos estudos relativos disciplina Formao do Sistema Internacional? ii. Quantas horas voc dedica aos estudos relativos UFABC? iii. Quantas horas voc dedica aos estudos relativos a atividades extra-UFABC? iv. Quantas horas voc deveria estudar por dia alm das horas em sala de aula? 4 Mdulo 1: Aula 5 Pelo menos 6h por dia 5 Mdulo 1: Aula 5 A Paz de Vestflia e a consolidao dos Estados modernos na Europa 6 Mdulo 1: Aula 4 Mdulo I: Formao do sistema internacional e do capitalismo Modernos Aula 5 (4-feira, 14 de outubro): A Paz de Vestflia e a consolidao dos Estados modernos na Europa Texto obrigatrio: ARRIGHI, G. (2000) As trs hegemonias do capitalismo histrico, p. 27-47. DUNAWAY, W. (2001) The Double Register of History: Situating the Forgotten Woman and Her Household in Capitalist Commodity Chains, 2-29. Textos complementares: KENNEDY, P. (1989) A tentativa de domnio dos Habsburgos, 1519- 1659, p. 39-82. 7 Mdulo 1: Aula 5 At este momento, tratamos de situar nosso problema central a ascenso do capitalismo mundial e do moderno sistema interestatal e a hegemonia europeia nesses sistemas em 1. uma escala global que 2. remonta aos sculos anteriores conquista e colonizao da Amrica Vimos que antes da idade moderna europeia (sculo XV) a Eurasia e a frica estavam conectadas entre si por redes de comrcio de longa distncia em que se trocavam no apenas mercadorias mas tambm cultura, instituies, genes humanos, fauna, flora e at mesmo doenas. Poderamos at falar em uma primeira globalizao! 8 Mdulo 1: Aula 5 Ainda que atribuindo peso diferente ao episdio, o fato que todos os autores vistos aqui do (alguma) importncia conquista e colonizao da Amrica pelos nascentes Estados-nao europeus no final do sculo XV e ao longo dos sculos XVI-XVIII A diferena na explicao da importncia da conquista e colonizao da Amrica para a ascenso do capitalismo mundial e do moderno sistema interestatal e a hegemonia europeia nesses sistemas uma diferena sobretudo de grau 9 Mdulo 1: Aula 5 10 Explicao predominantemente intraeuropeia Explicao predominantemente extraeuropeia Blaut Abu-Lughod Dussel Kennedy Arrighi Mdulo 1: Aula 5 A conquista e colonizao da Amrica do o impulso diferenciador dos processos de ascenso do capitalismo mundial e do moderno sistema interestatal e a hegemonia europeia nesses sistemas No se pode, no entanto, apontar o erro de reduzir a importncia dos eventos extraeuropeus na explicao a ascenso europeia e cair no erro oposto: excluir das explicaes as dinmicas intraeuropeias Afinal, a ascenso e domnio da Europa a partir do sculo XVI e a imposio de um modo de produo (capitalista em escala mundial) e de um determinado arranjo interestatal so um fato histrico incontestvel! 11 Mdulo 1: Aula 5 Quais so, portanto, os efeitos da ascenso do capitalismo mundial e do moderno sistema interestatal sobre a Europa, e em que medida eles contribuiriam para a hegemonia europeia nesses sistemas? Perguntas que devemos responder: De que espcie de capitalismo estamos falando De que espcie de Estados-nao estamos falando De que espcie de sistema interestatal estamos falando 12 Mdulo 1: Aula 5 De que espcie de capitalismo estamos falando? Mercantilismo (sculos XVI-XVIII) nfase nas relaes comerciais (mercantis) entre os Estados-naes Origem: pensamento sobre as causas da grandeza ou da decadncia de um reino. Interveno do Estado na economia : manufaturas, companhias comerciais, balana comercial favorvel Metalismo (ouro e prata americanos) Medidas protecionistas Ascenso da burguesia mercantil 13 Mdulo 1: Aula 5 De que espcie de Estados-nao estamos falando Nascimento dos Estados-nao Centralizao do poder no monarca (em alguns casos, no prncipe e mesmo na burguesia mercantil) Reforma e Contra-reforma: cuius regio, eius religio (a religio de quem possui a regio), fundiu a autoridade civil e religiosa, estenendo aassim o secularismo em bases nacionais Formao de burocracias nacionais Abandono do latim por lnguas vernculas 14 Mdulo 1: Aula 5 Mas era a guerra, e as consequncias da guerra, que criavam uma presso muito mais premente e contnua no sentido da construo da nao (...). O poder militar permitiu a muitas dinastias europeias manter-se acima dos grandes magnatas de suas terras e assegurar a uniformidade e a autoridade polticas. (...) Os fatores militares ou melhor, os fatores geoestratgicos ajudaram a fixar os limites territoriais desses novos estados-naes (...) Acima de tudo, foi a guerra (...) que levou os beligerantes a gastar mais dinheiro do que nunca, e a buscar uma soma correspondente em receitas. (Kennedy 1989: 75) 15 Mdulo 1: Aula 5 De que espcie de sistema interestatal estamos falando Em contraste com o sistema medieval, o moderno sistema de governo consiste na institucionalizao da autoridade pblica em domnios jurisdicionais mutuamente excludentes (Ruggie, 1983, p. 275). Os direitos de propriedade privada e os direitos de governo pblico tornam-se absolutos e distintos; as jurisdies polticas tornam-se exclusivas e so claramente demarcadas por fronteiras (...). (Arrighi 1996: 31). 16 Mdulo 1: Aula 5 De que espcie de sistema interestatal estamos falando (...) A mobilidade das elites dominantes pelas jurisdies polticas se torna mais lenta e acaba por ser suspensa; a lei, a religio e os costumes tornam-se nacionais, ou seja, no sujeitos a nenhuma outra autoridade poltica seno a do soberano. (Arrighi 1996: 31). 17 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) O conceito de hegemonia mundial (...) refere-se especificamente capacidade de um Estado exercer funes de liderana e governo sobre um sistema de naes soberanas. (...) O governo de um sistema de Estados soberanos sempre implicou algum tipo de ao transformadora, que alterou fundamentalmente o modo de funcionamento do sistema. (...) Esse poder algo maior e diferente da dominao pura e simples. o poder associado dominao, ampliada pelo exerccio da liderana intelectual e moral. (Arrighi 1996: 27-28) 18 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) A dominao ser concebida como primordialmente fundamentada na coero; a hegemonia, por sua vez, ser entendida como o poder adicional que conquistado por um grupo dominante, em virtude de sua capacidade de colocar num plano universal todas as questes que geral conflito. (Arrighi 1996: 28) Um Estado dominante exerce uma funo hegemnica quando lidera o sistema de Estados numa direo desejada e, com isso, percebido como buscando o interesse geral. (Arrighi 1996: 29) 19 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) A anarquia designa a ausncia de um governo central. Nesse sentido, o moderno sistema de naes soberanas e o sistema de governo da Europa medieval, de que ele emergiu, classificam-se como sistemas anrquicos. Todavia, cada um desses dois sistemas teve ou tem seus prprios princpios, normas, regras e procedimentos implcitos e explcitos, que justificam nossa referncia a eles como anarquias ordenadas oi ordens anrquicas. (Arrighi 1996: 30) 20 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) O caos e o caos sistmico, em contraste, referem-se a uma situao de falta total, aparentemente irremedivel, de organizao. (...) medida que aumenta o caos sistmico, a demanda de ordem a velha ordem, uma nova ordem, qualquer ordem! tende a se generalizar cada vez mais entre os governantes, os governados, ou ambos. Portanto, qualquer Estado ou grupo de Estados que esteja em condies de atender a essa demanda sistmica de ordem tem a oportunidade de se tornar mudialmente hegemnico. (Arrighi 1996: 30) 21 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) Esse devir do moderno sistema de governo esteve estreitamente associado ao desenvolvimento do capitalismo como sistema de acumulao em escala mundial, como foi frisado na conceituao de Wallerstein sobre o moderno sistema mundial como uma economia mundial capitalista. (arrighi 1996: 32) 22 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) Capitalismo e territorialismo representam estratgias alternativas de formao do Estado. Na estratgia territorialista, o controle do territrio e da populao o objetivo da gesto do Estado e da guerra, enquanto oo controle do capital circulante o meio. Na estratgia capitalista, a relao entre os meios e os fins se inverte: o controle do capital circulante o objetivo, enquanto o controle do territrio e da populao o meio. (arrighi 1996: 34) 23 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) Um parntesis sobre nosso plano de estudos e o quanto acumulamos at aqui (em 4 aulas + 1 introduo): Em dois pargrafos que ocupam pouco menos de uma pgina (p. 34-35), Arrighi cita Paul Kennedy, Janet Abu-Lughod e Eric Wolf discutindo um ponto tratado em nossas aulas: a comparao entre a Europa do sculo XV e a China dos Ming. Vejam como a questo vai sendo construda em cima de trabalhos clssicos. Vejam como em pouco tempo j estamos dominando uma parte muito relevante da bibliografia sobre a formao do sistema internacional. 24 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) As origens do moderno sistema interestatal: O aspecto crucial desse sistema foi a oposio constante entre as lgicas capitalista e territorialista do poder, bem como a recorrente resoluo de suas contradies atravs da reorganizao do espao poltico-econmico mundial pelo principal Estado capitalista de cada poca. (Arrighi 1996: 36) 25 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) 1 Hegemonia do capitalismo histrico: cidades-Estado italianas (Veneza, Florena, Gnova e Milo), sculos XIV-XVI (Arrighi 1996: 36-39) Principais caractersticas: Sistema essencialmente capitalista de gesto do Estado e da guerra Equilbrio de poder Indstria de produo da proteo Desenvolvimento de densas e vastas redes de diplomacia com sedes permanentes 26 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) A acumulao de capital proveniente do comrcio a longa distncia e das altas finanas, a administrao do equilbrio de poder, a comercializao da guerra e o desenvolvimento da diplomacia residente complementaram-se mutuamente e, durante um sculo ou mais, promoveram uma extraordinria concentrao de riqueza e poder nas mos das oligarquias que dominavam as cidades-Estados do norte da Itlia. (...) Com isso, elas mostraram que at os pequenos territrios podiam transformar-se em imensos continentes de poder, buscando acumular apenas riqueza, em vez de adquirir mais territrios e sditos. (Arrighi 1996: 39) 27 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) A intensificao e a expanso global da luta europeia pelo poder alimentaram-se mutuamente (...) Inicialmente, o Estado que mais se beneficiou foi a Espanha, o nico a ser protagoonista simultneo da luta pelo poder nas frentes europeias e extra-europeias. (....) Esse poder, contudo, ao invs de ser usado para supervisionar uma transio suave para o moderno sistema de governo, tornou-se um instrumento da Casa Imperial dos Habsburgo e do papado para salvar o que pudesse ser salvo do sistema de governo medieval, ento em processo de desintegrao. (Arrighi 1996: 40-41) 28 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) O salto qualitativo havido na luta europeia pelo poder desde meados do sculo XV levara a desintegrao do sistema medieval para alm de um ponto de irreversibilidade. (...) A tentativa da Espanha, juntamente com o papado e a Casa Imperial de Habsburgo traduziu-se numa situao de caos sistmico que criou as condies para a ascenso da hegemonia holandesa e a liquidao final do sistema de governo medieval. (Arrighi 1996: 41) 29 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) Foi nessas circunstncias que as Provncias Unidas tornaram-se hegemnicas, conduzindo uma grande e poderosa coalizo de Estados dinsticos liquidao do sistema de governo medieval e ao estabelecimento do moderno sistema interestatal. (Arrighi 1996: 43) 30 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) Com o Tratado de Vestflia, de 1648, emergiu, pois, um novo sistema mundial de governo: A ideia de uma autoridade ou organizao acima dos Estados soberanos deixou de existir. O que veio a tomar seu lugar foi a ideia de que todos os Estados compunham um sistema poltico mundial, ou, pelo menos, de que os Estados da Europa Ocidental formavam um nico sistema poltico. Esse novo sistema fundamentou-se no direito internacional e no equilbrio de poder um direito exercido entre os Estados, e no acima deles, e um poder atuante entre os Estados, e no acima deles. (Arrighi 1996: 43) 31 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) O caos sistmico do incio dosculo XVII, portanto, foi transformado numa nova ordem anrquica. (...) Essa reorganizao do espao poltico a bem da acumulao de capital marcou o nascimento, no s do moderno sistema interestatal, mas tambm do capitalismo como sistema mundial. No so difceis de descobrir as razes de ela haver ocorrido no sclo XVII, sob a liderana holandesa, e no no sculo XV, sob a liderana veneziana. (Arrighi 1996: 44) 32 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) A mais importante, que abrange todas as outras, que, no sculo XV, o caos sistmico no havia atingido a escala e a intensidade que, dois sculos depois, induziriam os governantes europeus a reconhecer como sendo de seu interesse geral a extino do sistema de governo medieval. (...) No comeo do sculo XVII, em contraste, o ressurgimento do caos sistmico criou nos governantes europeus um interesse geral numa grande racionalizao da luta pelo poder Criou tambm uma oligarquia capitalista com as motivaes e as aptides necessrias para assumir a dianteira a servio desse interesse geral. (Arrighi 1996: 44) 33 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) A oligarquia capitalista holandesa (...) tinha um slido interesse comum com os Estados dinsticos emergentes em acabar com as reivindicaes do papa e do imperador, que pretendiam constituir uma autoridade moral e poltica supra-estatal incorporada Pas pretenses imperialistas da Espanha. (Arrighi 1996: 45) 34 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) A oligarquia capitalista holandesa forjara sua capacidade de gerir o Estado numa longa luta pela emancipao do domnio imperial espanhol. Para lograr xito nessa luta, ela teve de fazer uma alinaa e dividir o poder (...) Como consequncia, o poder da oligarquia capitalista dentro do Estado holands foi muito menos absoluto do que tinha sido no Estado veneziano. (...) Assim, as Provncias Unidas tornaram-se hegemnicas em virtude de serem menos, e no mais capitalistas do que que Veneza. (Arrighi 1996: 47) 35 Europa, 1648, entidades nacionais estabelecidas pelo Tratado de Vestflia 36 As trs hegemonias do capitalismo histrico (Arrighi 1996) A terceira hegemonia do capitalismo histrico foi a britnica, que veremos nas aulas seguintes. Bom estudo! 37 Mdulo 0: Aula 1 Para falar com o professor: So Bernardo, sala 322, Bloco Delta, 2as-feiras e 4as-feiras, das 16-17h ( s chegar) Atendimentos fora desses horrios, combinar por email com o professor: demetrio.toledo@ufabc.edu.br 38 mailto:demetrio.toledo@ufabc.edu.brmailto:demetrio.toledo@ufabc.edu.brmailto:demetrio.toledo@ufabc.edu.brmailto:demetrio.toledo@ufabc.edu.brmailto:demetrio.toledo@ufabc.edu.brmailto:demetrio.toledo@ufabc.edu.brmailto:demetrio.toledo@ufabc.edu.br

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