Filosofia - Medieval e Moderna

  • Published on
    24-Jul-2015

  • View
    356

  • Download
    21

DESCRIPTION

Estudo para a prova multidisciplinar - ETHOS, SANTO AGOSTINHO - SO TOMS DE AQUINO, RENASCIMENTO, EMPIRISMO (Hume e Locke), RACIONALISMO (Descartes), EXISTENCIALISMO (Kierkegaard, Sartre e Camus), HANNA ARENDT (Poder, Liberdade e Direitos Humanos).

Transcript

REVISO FILOSOFIA Prova Multi

REVISO FILOSOFIA Prova Multiethos. Ora, a essa obra coletiva, a essa ao criadora de objetos, signos e formas pelas quais um determinado grupo humano se reconhece como coletividade, damos o nome de "cultura". Nesse sentido, como j afirmara Vaz (1993, p. 36), "o ethos co-extensivo cultura. No interior da tradio, o ethos vivido e concebido como um processo dialtico a partir do qual se constitui o que podemos chamar de uma unidade fundamental de sentido desde sempre existente, a qual se reproduz como inteiridade, isto , como totalidade. Esta inteiridade corresponde efetivamente ao que se chamar aqui de ordem social herdada, ou simplesmente, de moral herdada. tica como questionamento da moral na cultura: O ponto a partir do qual pensamos a questo tica contempornea supe uma compreenso de homem cujo pensamento e atividade redefinem, permanentemente, o sen do do mundo e do seu mundo par cular , sem que isso indique, de per si, uma "deteriorao" dos valores herdados da tradio, isto , supe a considerao dos agentes sociais como criadores, instituintes, do sentido do seu ethos Toda sociedade, para existir, precisa, como vimos anteriormente, de regras morais que a regulam, sejam estas regras escritas ou presentes na subjetividade de cada sujeito. Sem regras morais, no h sociedade. Contudo, s as regras morais no bastam, pois elas representam somente o momento em que a sociedade vive. a capacidade humana de questionar estas regras morais que possibilita a transformao da sociedade. A este questionamento que chamamos de "tica. A tica Filosfica de Plato Plato foi o primeiro a enfrentar filosoficamente, isto , com rigor de mtodo e profundidade de reflexo, a questo do "Bem". A interrogao platnica visar questo do "Bem em si mesmo" e de como este Bem se apresenta como bem-para-ns, ou seja, como bem na vida humana. Plato, para explicar sua concepo de tica, inventou o Mundo Ideal, lugar abstrato onde existe o Bem, a Verdade, a Justia, o Belo e todas as noes perfeitas que existem. Em nosso mundo real, s percebemos a sombra deste mundo ideal, onde existe a luz plena. Para alcanar o mundo ideal, segundo Plato, precisamos de um mtodo, a que ele chama de dialtica A Moral Asctica de Plato - Para Plato, o que nos destri a injustia, a desmedida e a desrazo. A justia , na polis, reflexo da ordem e da harmonia do universo; pela justia nos assemelhamos ao que invisvel, divino, imortal e sbio. No peo que me mostres o exemplo de um ato justo, mas peo que me faas ver a essncia por fora da qual todas as condutas so justas. A tica platnica no pode ser pensada sem se considerar o mtodo que sua filosofia institui, isto , a dialtica. Em Plato a dialtica a busca do ser-em-si de todo ente, ou seja, a Ideia: o ser na sua imutabilidade. Agostinho e sua tica do amor como caminho para a felicidade Agostinho (354 a 430) nunca escreveu um tratado sobre tica, mas esteve sempre atento a todas as grandes questes de seu tempo. Dentre elas, destaca-se o fato de que o cristianismo pouco-a-pouco foi deixando de ser uma religio marginal, e muitos no prprio estado romano passaram a ver possibilidades de instrumentao ideolgica desta religio. O imperador Teodsio em 380 torna o cristianismo uma religio lcita, sendo ele prprio um de seus adeptos. Por todo o imprio ocorrem converses boa parte delas motivadas apenas pela nova conjuntura de um imperador cristo, mas tambm o prprio cristianismo est profundamente marcado por divises internas, comumente chamadas de heresias. na relao entre a realidade, sempre precria e parcial, e o princpio para o qual tendem todas as criaturas, isto para seu Criador, que Agostinho faz sua aplicao da dialtica platnica. O que vivemos em nossa realidade cotidiana um arremedo do que verdadeiramente existe. A cidade dos homens em sua permanente incompletude e erros da a importncia da noo de pecado original -, nos remete em nossa busca espiritual pelo bem e a felicidade, ao encontro com Deus.

Etica - O que significa Ethos?thos - Essa noo primitiva do ethos remete, assim, ideia de um espao constitudo e ordenado pelo homem segundo sua razo. O ethos indicar, nesta primeira expresso, um espao construdo e permanentemente reconstrudo pelo homem, espao no qual sero inscritos os costumes, hbitos, valores, normas e aes. Esta ordem geral qual se refere o ethos denominada costume, maneira de ser habitual, comum a um determinado grupo humano. Ethos como costume: modo de ser que procede da vivncia comum dos princpios, valores, normas, leis e hbitos que expressam a ideia de BEM (universal) partilhada pelos membros de uma coletividade (comunidade, povo, etnia, civilizao etc.). Ethos como hbito: constncia no agir de um indivduo por meio do qual este incorpora sua personalidade aquele ideal de BEM (virtude) e o efetiva por meio de aes, sempre perguntando pelo sentido delas. A questo tica surge, portanto, no momento em que feito um apelo iniciativa do ser humano, pressuposto que sua ao no condicionada (inteiramente) pelo curso natural das coisas. Importa, pois, determinarmos o "lugar" da tica na atividade do ser humano. A dimenso tica da ao inscreve-se na temporalidade prpria do existir: capacidade de iniciativa para forjar, por si mesmo, seu ser futuro: poder de agir, deciso fundada na deliberao. consenso geral de que, quando falamos em moral e tica estamos falando, ainda que sem mencionar, nos conceitos de certo/errado. A maior parte do tempo em que ns falamos nesses conceitos, no est apenas descrevendo que uns acham algo certo, outros acham algo errado, estamos na verdade buscando uma base para dizer por que tal coisa deve ser considerada certa e porque tal coisa deve ser considerada errada (digamos, uma norma), o que implica em que tal coisa deve ser feita, e tal coisa no deve ser feita (a norma prescreveria algumas aes ou no-aes). Nesse sentido, a tica trata ento do que deve ser, e no do que . A tica est relacionada opo, ao desejo de realizar a vida, mantendo com os outros relaes justas e aceitveis. Via de regra est fundamentada nas ideias do bem e virtude, enquanto valores perseguidos por todo ser humano e cujo alcance se traduz numa existncia plena e feliz. A tica envolve um processo avaliativo especial sobre o modo como os seres humanos intervm no mundo ao seu redor, principalmente quando se relacionam com os seus semelhantes. Esse processo avaliativo diz respeito ao mrito ou demrito do agir humano. So as atribuies de mrito ou demrito que impregnam esse agir com um tipo de valor: o valor moral.

tica e moraltica" a condio humano que possibilita questionar a "Moral" instituda na sociedade, visando a sua transformao. Uma distino "acabada" entre tica e moral implica, antes de tudo, seguir o caminho que o pensamento filosfico fez at o momento em que esses conceitos adquiriram sentido prprio e, posteriormente, distinto. O primeiro passo a passagem do ethos, como modo de vida centrado na ideia de Bem e impresso na cultura como costume, tica, como inteligibilidade da ao virtuosa, como reflexo sobre a vida concreta dos homens que constroem a si mesmos como existncia para o Bem. Esse passo foi preparado por Plato e consumado por Aristteles, com o qual a tica adquiriu estatuto de disciplina autnoma (cincia da prxis). Ethos e Cultura - ao humana, enquanto portadora de significao, a medida (mtron) das coisas, no sen do de que toda ao seja como agir (prxis), seja como fazer (poisis) cons tui um universo simblico que , a um s tempo, obra (ergon) dos homens e referncia para sua prpria ao, ou seja, seuThas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 1

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

2

REVISO FILOSOFIA Prova MultiA tica Normativa de Kant: reformula a questo tica de tal forma que a tradio de especulao moral posterior a ele no pode mais deixar de se reportar ao seu pensamento. Em verdade, sua teoria tica o resultado do empreendimento intelectual de Kant para equacionar a questo do conhecimento. A tica Comunicativa e a tica da Responsabilidade - Hans Jonas discute a tica, a partir da preocupao com a tecnologia e com as questes que envolvem a ao do homem sobre a natureza. Nenhuma tica anterior levou em conta as condies globais da vida humana, nem o futuro remoto, mais ainda, a existncia mesma da espcie. O fato de que precisamente hoje esto em jogo essas coisas exige, em uma palavra, uma concepo nova de direitos e deveres, algo para o que nenhuma tica, nem metafsica anterior proporciona os princpios e menos ainda uma doutrina j pronta. (JONAS, 1995, p. 34). Por Uma tica da Emancipao Social: Rawls, Lvinas e Dussel: Rawls deixa claro que seu interesse fundamental no o conceito de justia em geral, mas o problema mais especfico da justia social, ou seja, o problema da justificao da desigualdade que inevitavelmente existe em qualquer organizao, inclusive na organizao social. Que haja desigualdade inescapvel: em qualquer organizao, haver, por exemplo, distribuio de papis e funes; haver tambm uma distribuio do produto do esforo coletivo, segundo algum critrio. Pe-se, assim, o problema da justia na distribuio de encargos, benefcios, autoridade, direitos e deveres. Lvinas em seu discurso tico-religioso, procurando um certo personalismo e a efetivao da paz no mundo. Desse modo, h o anncio de uma escatologia. Seu pensamento tem uma inspirao bblica; procura fazer uma filosofia que pense a unidade do ser, ainda que no possa ser negada a multiplicidade ontolgica. H uma espcie de nostalgia do mesmo, da circularidade do ser, onde tudo se reencontra no Todo. Dussel, nega a negao presente no sistema de Hegel, o qual, segundo sua viso, no contempla a alteridade, mas, apenas, a identidade. Sistematiza sua proposio, demonstrando que as ticas formais baseiam-se numa perspectiva da identidade, que v o mesmo, o nico, como uma espcie de fechamento de totalidade. Prope, pois, uma perspectiva da alteridade, quando ocorre o olhar para o outro, superando o mesmo, o idntico, possibilitando uma abertura compreensiva para a diferena, para o reconhecimento da diferena, permitindo aes que possibilitem a libertao dos que se encontram na situao de opresso. Dissociao entre o mundo real e os valores ticos Plato contrape a necessidade de uma reconstruo da sociedade segundo estes valores, por mais radical que ela possa parecer. No pensamento de Plato, o reencontro da tica e da realidade se d atravs de uma grande reforma social, poltica e econmica que torne a cidade mais simples, mais desligada dos valores materiais, mais igualitria. A preservao desta nova cidade s poderia ser feita se o poder fosse centralizado neste estrato dominante dos guardies para os quais a simplicidade e a privao bem como a educao deveriam ser ainda mais rgidos. A tica como elemento de harmonia social em Santo Agostinho, procura demonstrar que o amor o sinal distintivo dos cidados da Cidade Celeste e o fundamento da moral tanto individual como da sociedade humana e tem por meta a busca da felicidade do homem. O amor gera a concrdia que num plano social a base de uma sociedade justa. Dessa forma, Agostinho faz da ordem social um prolongamento da ordem moral interior, sendo que a organizao dos homens em sociedade, fundamentada no amor, no tem outra finalidade seno garantir a paz ou felicidade temporal dos homens, com vista paz eterna ou verdadeira felicidade. Ethos mundial. Trata-se de uma tica que possa ser aceita pela maioria da populao ou at mesmo pela sua totalidade. A busca de um ethos mundial vem sendo justificada por vrias razes, entre elas, o aumento da pobreza, a degradao ambiental, a intensificao de situaes que provocam verdadeiras injustias sociais, oThas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 3

REVISO FILOSOFIA Prova Multiaumento de conflitos tnicos, formas explcitas e disfaradas de atentados contra a democracia real e o agravamento da crise espiritual e da prpria tica. Esse ethos mundial tem a ver com a totalidade do mundo e at do cosmos. Diz respeito no s vida humana, mas a toda vida no planeta. Tem a ver com valores fundamentais que respeitam as diferentes vises de mundo e podem contribuir para solucionar os atuais problemas graves da humanidade. Gira em torno de quatro eixos fundamentais: 1.cultura da no-violncia; 2.cultura da solidariedade; 3.cultura da tolerncia; 4.cultura dos direitos iguais Dar centralidade ao cuidado no significa deixar de trabalhar e de modificar o mundo. Significa renunciar vontade de poder que reduz tudo e todos a objetos, desconectados da subjetividade humana. Significa recusar-se a toda forma de dominao. Significa abandonar a ditadura da racionalidade fria e abstrata para dar lugar ao cuidado. tica e Meio Ambiente: Quando chegam as imagens de grandes incndios em florestas temperadas, h um grande destaque aos prejuzos materiais - manses, carros de luxo e outros. Raramente, os textos da mdia se referem aos "outros" danos. Perda da qualidade do ar, emisses de gases-estufa, emisses de gases cancergenos e indutores de problemas pulmonares, cardiovasculares, psicolgicos, alergnicos e outros. Tampouco se consideram os danos vegetao, ao solo, fauna, gua. Nessa escala de considerao, a perda de valores estticos no sequer citada. tica e Juventude: A dinmica do mundo contemporneo pode ser percebida por uma diversidade de foras sociais, que atuam de forma interconectada, objetivando desenvolver projetos pessoais ou grupais. Dentre as distintas energias, no pode ser desconsiderada a capacidade dinamizadora da juventude. Por isso, a compreenso do fenmeno juvenil, vinculado ao tema da tica, exige uma reflexo que considera, ao menos, o perfil das juventudes, os grandes desafios dos jovens e as potencialidades inerentes juventude para colaborar com a construo de uma humanidade mais tica. Ao tratar do tema da juventude e das juventudes oportuno, inicialmente, considerar que no existe um conceito uniforme para definir esse processo existencial e relacional. Por isso, mais do que compreender a juventude como um perodo da vida biolgica, um fenmeno cultural ou um agrupamento social, necessrio ter conscincia de que as juventudes so manifestaes extremamente diversificadas, extrapolando qualquer tentativa de enquadramento conceitual. Portanto, em vez de referendar um conceito mais interessante compreender a juventude como um movimento, como uma energia ou como uma potencialidade social. tica e Universidade Um dos temas importantes que demandam uma pergunta tica sobre o conhecimento e, sem dvida, a Universidade tem um papel privilegiado no seu tratamento, tendo em vista que poucas instituies tm a liberdade de lidar com o conhecimento de forma crtica como ela. tica e Etnia tica e etnia so termos carregados de significao que podem provocar discusses instigantes no contexto da realidade brasileira, bem como na realidade de outras naes no mundo atual. Assim, essa aula tem como pretenso desafiar o leitor universitrio a refletir sobre esta questo to atual e, geralmente, to mal compreendida, especialmente em nossa sociedade. O ponto de vista aqui defendido o de que a etnia deve ser vista como uma diferena que reala a dignidade e a cidadania na pessoa humana e no como um elemento que avalia o ser humano por meio de uma escala de valores preconceituosa e superficial, com base em dicotomias como bem x mal, superior x inferior, feio x bonito e tantas outras formas.Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 4

REVISO FILOSOFIA Prova MultiA tica em seu processo de individualidade do sujeito clama por uma postura do ser honesto, do ter coragem para assumir, do ser ntegro, humilde, flexvel, transparente. Mas, encontra pela frente a Internet que tem modificado sobremaneira o comportamento humano. Ao se navegar na Internet, torna-se fcil verificar desejos obsessivos; o ter mais que o ser, a posse, o poder e o prazer desregrados. O comrcio eletrnico (e-commerce) que tem levado, at devido facilidade dos processos de uso, bem como a quantidade de boas ofertas, ao desejo na obteno de bens que de forma abrangente, tornou-se prestgio social. Quem muito tem, mais prestgio adquire Os gregos tinham conscincia de que os homens so desiguais por natureza. Ora, se os homens so desiguais, preciso "igual-los". A conscincia da desigualdade natural entre os homens pe o problema de que o que o melhor para todos no acontece naturalmente, mas tem que ser decidido coletivamente. Portanto, o que justo, no o por natureza, nem dado por Deus. A justia, o bem comum, deve ser institudo pela sociedade (e cada sociedade deve encontrar os meios para faz-lo). De todo modo, esta ideia importante: fazer justia estabelecer a igualdade poltica entre os membros da sociedade. A poltica implica o governo, como vimos, mas no se reduz a ele. O governo, no caso de uma Repblica, concerne o poder executivo, encarregado justamente de executar as aes que presumidamente realizam o bem pblico. Mas este apenas um aspecto da coisa, e nem mesmo o essencial. O risco, na verdade, o de reduzirmos a atividade poltica quilo que compe a "poltica" tal qual ela feita em nossos dias, ou de confundi-la com os seus "desvios" (luta pelo poder, fofocas de bastidor, intrigas, corrupo, eleio, etc.). Ethos mundial prope uma reflexo sobre o significado e a urgncia de um novo ethos mundial que garanta a preservao e a possibilidade da vida humana sobre a Terra, assegurando um mundo habitvel no apenas para ns, mas tambm para as futuras geraes. A relevncia dessa problemtica filosfica envolvendo o tema da tica vem ocupando destaque no pensamento contemporneo. Esta tica exige refletir com seriedade e responsabilidade sobre trs problemas que suscitam a urgncia de uma tica mundial: a crise social, provocada pelo agravamento da pobreza, gerada pela acumulao de riquezas, que contraditoriamente aprofunda o fosso entre ricos e pobres; a crise do sistema de trabalho, deflagrada pelo desemprego estrutural, fruto das mudanas tecnolgicas que gera um imenso exrcito de excludos em todas as sociedades mundiais; e a crise ecolgica, provocada pela atividade humana irresponsvel, que ameaa a sustentabilidade do planeta com o desequilbrio ecolgico, criando "o principio de autodestruio". Da a crescente importncia das questes ticas e ecolgicas envolvendo a relao homem-natureza.

REVISO FILOSOFIA Prova Multi

Filosofia Patrstica e Santo AgostinhoO rompimento causado pela crena judaico-crist levar formao de um novo perodo na histria da filosofia: a Patrstica. Durante os sculos I ao IX, a influncia dos primeiros padres cristos na cultura Ocidental foi das mais intensas. Inicialmente, lutam para disseminar o cristianismo enquanto religio, explicando seus dogmas fundamentais populao em geral. Nesse momento, muitas vezes, recorrem filosofia, adaptando-a f religiosa, como forma de converter os pagos, acostumados s reflexes racionais. O conjunto de pensamentos desses padres, um tanto heterogneo, recebe o nome genrico de Filosofia Patrstica. O primeiro perodo dessa filosofia marcado, sobretudo, pela consolidao do cristianismo. Trata-se de um momento de combate. H a necessidade de lutar contra a clandestinidade inicial da crena, num momento de afirmao religiosa. H tambm a necessidade de ampliar o nmero de fieis. Alguns padres, sobretudo os romanos, simplesmente desprezam a cultura grega pr-crist, qualificando-a como pag. Outros, todavia, formados nessa cultura, sobretudo aqueles em Alexandria, j empregam os primeiros esforos para adaptar o pensamento clssico ao cristianismo. A partir do sculo IV, o cristianismo deixa de ser clandestino no Imprio Romano, sendo reconhecido e tolerado, e, em seguida, tornando-se a religio oficial de Roma. As lutas do perodo anterior renderam frutos e a filosofia patrstica vive o momento de apogeu. O grande nome do perodo Santo Agostinho (354-430). Nascido em Tagasta, na Numdia (atual Arglia), sua vida divide-se em dois perodos: o perodo de sua formao, ocorrido antes da converso, e o perodo de sua converso ao cristianismo e da produo de suas obras filosficas. Aps educar-se em colgios pagos, no obstante o fervor cristo de Santa Mnica, sua me, Agostinho vai a Cartago, onde se envolve em aventuras juvenis e tem um filho. Ingressa em uma seita maniquesta e torna-se professor de retrica em Tagasta e, depois, em Cartago. Depois de passar, como professor, por Roma e Milo, e de sofrer desiluses espirituais com o maniquesmo, converte-se ao cristianismo catlico, aceitando a verdade divinamente revelada e a sabedoria da Igreja. Mas essa converso no o satisfaz por completo: h uma lacuna filosfica que somente ser preenchida com a descoberta de Plato, por meio de filsofos neoplatnicos, como Plotino, Porfrio, Jmblico e Apuleio. Realiza, ento, uma sntese do pensamento platnico com o pensamento cristo, que reinar absoluta nas concepes catlicas por quase mil anos. Em 386 ouve o chamado de Deus, deixa-se batizar, vende seu patrimnio e volta ao norte da frica, onde abre um mosteiro a fim de aprofundar suas especulaes e entregar-se, por inteiro, f. Torna-se padre, em 391, e bispo, em 395. Segundo Agostinho, Deus a causa perfeita, explicativa de todo o ser em suas diversas naturezas e aes. Suas demonstraes levam existncia divina e a suas caractersticas bsicas, como unidade, imutabilidade e eternidade.

RETIRADO DE: http://www.webartigos.com/artigos/etica-o-que-significa-ethos/28870/#ixzz1yuFZhMI3 EM: 26/06/2012.

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

5

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

6

REVISO FILOSOFIA Prova MultiUm dos problemas que atormenta Agostinho o da existncia do mal. Como justificar que Deus, a suprema bondade e perfeio, tenha criado o mal? A justificativa agostiniana bastante interessante: no existiria o mal em si, que nunca fora criado propriamente. Quando Deus cria algo, esse novo ser passa a ter existncia autnoma em relao a Ele, afastando-se de Sua perfeio. Se Deus criasse coisas que compartilhem, na plenitude, de sua perfeio, ento criaria novos deuses, o que, em termos lgicos, seria impossvel, posto Deus ser nico. Assim, toda a obra de Deus padece de um grau de imperfeio. Ora, Agostinho reinterpreta o mal, no como criao em si, mas como ausncia de plenitude da bondade. Deus a bondade plena; as coisas criadas, afastam-se dessa plenitude, tornando-se imperfeitas em bondade e, logo, adquirindo a maldade. Com essa explicao, Agostinho refuta a tese, tambm, de que Deus teria dado ao ser humano a opo de escolher entre o bem e o mal, como coisas equivalentes. Afirma duvidar que fosse desgnio divino dotar as pessoas da capacidade plena de fazer coisas ruins, disseminando, assim, a maldade. Na verdade, os seres humanos estariam no nvel mais distante da criao divina, situando-se entre os seres que padecem do maior grau de imperfeio. Com isso, tornam-se incapazes de agir de modo plenamente correto ou de fazer o bem movidos pela razo. Dada a imperfeio humana, torna-se suscetvel de praticar o mal. O pensamento agostiniano desvaloriza de modo excessivo o ser humano e sua razo. Visto como um ser imperfeito, a salvao independe de seus atos racionais. Deus escolhe previamente aqueles que vai salvar, no instante da criao, pois onisciente, e sabe quais os caminhos que sero seguidos por cada ser humano. Mas, da perspectiva de cada um, a salvao obtida no cotidiano. Ento, as pessoas devem manifestar f em seus atos, demonstrando, em vida, que esto em contato com Deus e podem ser salvas. A tica, assim, consiste na busca da f como critrio que norteia a ao humana, pois a razo no demonstra que a pessoa est em contato com Deus. Em concreto, isso significa respeitar as autoridades que representam a vontade divina, como a Igreja, independentemente do valor racional de suas ordens, mas em decorrncia da f. Essa perspectiva est na raiz do medievo, das imagens negativas e escuras da vida e na perspectiva de que o ser humano falho e limitado. H uma inegvel matriz platnica: Deus a ideia mxima (plena, perfeita, eterna) e os objetos correspondem ao concreto real (limitado, imperfeito, mortal). Politicamente, Agostinho estabelece uma distino marcante: a Cidade dos Homens e a Cidade de Deus. A primeira real, construda por homens, marcada por instituies imperfeitas, incompletas e injustas. Seus moradores so pessoas pecadoras, viciosas, que amam mais a si do que a Deus. Os atos coletivos, como as leis e os julgamentos, padecem das mesmas imperfeies humanas, sendo injustos e no levando ao bem comum. A Cidade de Deus a obra do Criador mais prxima de si. Nela esto os santos e as pessoas salvas, que, durante suas vidas, amaram mais Deus do que a si. As instituies possuem o grau mximo de perfeio, dada a proximidade do Criador, sendo suas leis justas e imutveis.Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 7

REVISO FILOSOFIA Prova MultiAlgumas questes surgem dessas concepes. As pessoas que vivem em meio s calamidades da Cidade dos Homens deveriam fazer algo? Sabendo que a imperfeio da humanidade a impede de fazer coisas realmente boas, haveria a necessidade de uma ao poltica? Agostinho considera a f fundamental na vida humana. Somente aqueles que norteiam seus atos pela f podem ser salvos. Assim, a resposta s questes acima passa por ela. Ainda que os humanos sejam incapazes e seus atos sempre imperfeitos, Deus escolheria alguns para governar. O objetivo dessa escolha garantir um mnimo de segurana para os escolhidos poderem viver com f. Desse modo, caberia a todos respeitarem integralmente essa autoridade que, claro, passaria pela Igreja Catlica. Aqueles escolhidos por Deus para exercerem o poder poltico deveriam elaborar leis inspirados naquelas existentes na Cidade de Deus. O modelo de legislao e tambm de justia torna-se transcendente, devendo ser encontrado pela f. Mas, dada a falibilidade humana, essas leis sempre seriam imperfeitas, por maior que fosse o esforo dessas autoridades. Mesmo nesse caso, em nome da segurana, as pessoas deveriam curvar-se, pois no podem compreender e julgar a escolha inicial, de Deus. Somente uma ampla obedincia autoridade traria o grau de segurana necessrio para uma vida repleta de f na Cidade dos Homens. Independentemente das crticas que podem ser apresentadas, sob o ponto de vista racional, sntese empreendida por Agostinho, no se pode negar mritos a seu esforo. Mesmo se admitindo que no explica os motivos pelos quais Deus, onipotente, cria coisas imperfeitas, h de se convir que sua filosofia torna-se um sistema coerente, ainda que com o predomnio da f. Tambm devemos ressaltar o flego que adquire, sobrevivendo por muitos sculos e inspirando a consolidao da Igreja Catlica e da Filosofia Medieval. RETIRADO DE: http://filosofiadodireito.info/wpfd/?p=194 EM: 26/06/2012.

Filosofia Medieval e So Toms de AquinoA filosofia patrstica consolida o cristianismo e luta pela sua conservao aps as invases brbaras. Pacificada a sociedade europeia, as atividades culturais, presas aos mosteiros, florescem em outros espaos. Alm das escolas monsticas, surgem escolas criadas pelas corporaes de ofcio e pelas municipalidades, sempre amparadas pela Igreja. A fuso dessas escolas leva formao das universidades, maior criao da Idade Mdia. Durante os sculos IX ao XII forma-se a filosofia medieval. Formulam-se grandes questes filosficas, genricas e cosmolgicas (como a questo dos universais). A grande inspirao vem de doutrinas agostinianas e de doutrinas derivadas do platonismo. O espao dessas discusses ainda a escola eclesistica. O sculo XIII pode ser considerado de apogeu da filosofia medieval e de grande brilho na histria filosfica. Alguns fatores explicam essa situao:Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 8

REVISO FILOSOFIA Prova Multi1. O desenvolvimento cada vez maior das escolas monsticas e a criao das universidades. A reunio de escolas leva, entre os sculos XII e XIII, formao das primeiras universidades, como Paris, Bolonha, Tolouse, Salamanca, Oxford e Montpellier; 2. A introduo das obras completas de Aristteles, traduzidas para o latim diretamente do grego; 3. A fundao das ordens mendicantes dos franciscanos e dominicanos, que cultivaram a filosofia, as cincias e as letras. Diversos filsofos de renome consagram-se no momento: Santo Alberto Magno (1206-1280), S. Boaventura (1221-1274), R. Bacon (1210-1292), J. Duns Scot (1266-1308). O principal deles foi S. Toms de Aquino (1225-1274). Filho de nobres italianos, Toms estudou na Universidade de Npoles, em Paris e em Colnia, orientado por Alberto Magno. Em Paris, ainda, torna-se Mestre em 1257 e passa a lecionar em diversos centros europeus. Desde o incio admirado pelos alunos, que apontavam suas qualidades: brevidade, clareza, preciso e profundidade. Seu pensamento reflete um contexto de gradativa revalorizao do ser humano, depois de sculos em que a viso agostiniana predominara. Santo Agostinho situou o ser humano no patamar mais distante da criao divina, padecendo de um grau de imperfeio excessivo. Com isso, desvalorizou sua capacidade de agir e de construir coisas boas. Mas o momento histrico, que levar ao Humanismo, no admite mais tal postura. So Toms elabora um pensamento que possibilita a reabilitao da capacidade humana e de seus atos, reintroduzindo a razo como fundamento para a tica, ao lado da f. Sua obra sistematiza o conhecimento cristo, elaborando uma cincia teolgica. Alm disso, realiza uma adaptao da filosofia aristotlica ao cristianismo, reabilitando definitivamente seu pensamento na cultura ocidental. Entre 1259 e 1264, redige a Suma contra Gentilis, conhecida tambm como Suma Filosfica, dividida em quatro livros, nos quais trata de Deus, das criaturas, do fim da criao e dos mistrios. Toms apresenta duas verdades: as verdades naturais, conhecidas pela razo, e as verdades sobrenaturais, dependentes da f. Em 1265 comea a redigir sua obra mxima, inacabada at sua morte, a Suma Teolgica, na qual apresenta Deus como princpio e fim das criaturas e do homem. Um ponto interessante no pensamento tomista a relao que estabelece entre a razo e a f. Ambas originam-se de Deus, mas referem-se a um campo existencial prprio: razo pertencem as verdades naturais, conhecidas por experincia ou por demonstrao; f pertencem as verdades decorrentes da autoridade divina revelada. Embora autnomas, f e razo no se podem contradizer, pois, como dito, derivam de Deus, que no se contradiz. O grande mrito de So Toms foi afirmar o pleno acordo da verdade natural com as doutrinas reveladas pela f. Com isso, a razo poderia e deveria ser utilizada de modo extremo, pois o pensamento racional pleno levaria confirmao da verdade revelada pela f. Podemos exemplificar com um raciocnio: todo efeito natural depende de uma causa que o gera; essa causa, por seu turno, efeito de outra causa, pois no pode surgir do nada. Ora, a primeira causa, a causa inicial de todas as causas, precisa existir, sob

REVISO FILOSOFIA Prova Multipena de o raciocnio prolongar-se ao infinito. A explicao racional dessa primeira causa, por seu turno, confirma a f: trata-se de Deus, causa das causas naturais. Conforme So Toms, portanto, o recurso razo, de modo ilimitado, nunca entrar em conflito com a f. Caso haja tal conflito, como bom filsofo cristo, considerar que a razo foi mal utilizada. Podemos perceber, assim, que o raciocnio atinge o mximo dentro das fronteiras do cristianismo; no ultrapassa, todavia, tais fronteiras. A f surge no incio do raciocnio e ressurge no seu fim. Comparando-se com a postura de Agostinho, porm, trata-se de uma evoluo considervel. O ser humano pode e deve conhecer a verdade natural; esta, por seu turno, depende do uso integral da razo, que est ao alcance da humanidade. Esse uso levaria f. Se o ser humano visto, agora, de modo positivo, seus atos tambm o sero. Uma das essncias da filosofia tomista a crena na liberdade humana e em sua capacidade de fazer as escolhas corretas. As pessoas conseguiriam, pela razo, apreender a universalidade natural do bem e desej-la, repudiando o mal. A partir de ento, seriam livres para escolherem os meios que levariam ao fim desejado. E perceberiam que a suprema perfeio do bem e a total ausncia do mal Deus, que passaria a ser desejado e buscado, por meio da prtica de atos bons. Ao usar a razo de modo livre, todavia, os seres humanos perceberiam que alguns atos tornam-se essenciais para levar a Deus e ao bem pleno, pois correspondem Sua vontade no momento da criao. Tornam-se, portanto, obrigatrios e ganham a fora de leis. No sentido mais amplo, consistem nas leis divinas ou eternas, correspondentes vontade pura de Deus e inacessveis nossa razo. Essas leis, por seu lado, podem ser demonstradas pela razo na forma de leis naturais, que correspondem s essncias criadas por Deus, numa adaptao das leis divinas natureza. Existiriam, conforme exposto, criadas por Deus, duas ordens do direito: a divina, inacessvel aos homens, e a natural, racionalmente demonstrvel e, portanto, acessvel aos homens. A ordem natural corresponde s leis que governam a natureza e, entre elas, as que governam o ser humano. A criatura humana, por escolha de Deus ao estruturar a natureza, seria deficiente se vivesse de modo individual; , assim, um ser naturalmente social. Com isso, as leis naturais passam a conter regras gerais que delimitam as condutas humanas em sociedade, de um modo abstrato (o direito natural). As pessoas, por seu turno, deveriam criar leis humanas ou positivas, adaptando tais leis naturais s sociedades concretas. Haveria uma autoridade natural, em cada sociedade, com essa incumbncia, instaurando uma terceira ordem do direito. Enquanto Agostinho termina por desvalorizar o Estado da Cidade dos Homens, considerando-o uma imperfeio cujo fim mximo deveria ser propiciar a segurana, Toms modifica essa perspectiva. A autoridade acima exercida pelo Estado e deve conduzir sua sociedade a Deus, concretizando a justia distributiva por meio da adaptao da lei natural lei humana. O Estado, pois, no cuida apenas da segurana; , tambm, um promotor do bem e do aperfeioamento da sociedade, aproximando-a do Criador. So Toms constri uma filosofia que devolve ao ser humano o ofcio de criar boas leis. Graas sua capacidade racional, conseguiria compreender as leis do direito natural e perceber a necessidade de, prudentemente, adapt-las s sociedades concretas. Tudo isso sem recorrer diretamente f.Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 10

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

9

REVISO FILOSOFIA Prova MultiDeus limitar-se-ia a revelar, para a razo, as leis naturais, semelhantes a princpios gerais. Cada sociedade precisaria completar a criao, especificando os atos que levariam a Deus, transformando o direito natural no direito positivo. Tambm no direito, constatemos, o uso da razo terminaria por consagrar a f em Deus: a boa lei positiva corresponde racionalmente lei natural que, acredita-se (por meio da f), corresponde lei divina. RETIRADO DE: http://filosofiadodireito.info/wpfd/?p=202 em: 26/06/2012

REVISO FILOSOFIA Prova MultiAlguns movimentos no sculo XII recebem o nome de Renascimento: ressurgimento das cidades, do comrcio e da cultura clssica. Relativamente a este ltimo aspecto, destacamos as universidades, formadas no perodo, que retomam estudos cientficos da antiguidade, entre os quais o estudo do direito romano; O movimento filosfico cristo do sculo XIII pode ser visto como outro Renascimento, propiciando o ressurgimento de Aristteles e sua filosofia, especialmente graas a So Toms; O Pr-Renascimento do sculo XIV, marcado pelas obras de Dante Alighieri, Boccaccio e Petrarca, retomando modelos artsticos latinos e concebendo a Antiguidade como uma civilizao autnoma. Nos sculos XV e XVI o resgate da cultura antiga atinge seu pice, considerando-se seus agentes no apenas seus reprodutores, mas verdadeiros continuadores de seus ideais. Esse o ltimo grande Renascimento e talvez aquele mais destacado pela histria. o momento de consagrao de trs cones da arte mundial, Leonardo da Vinci, Rafael e Michelngelo e de expanso do movimento, inicialmente restrito Itlia, pela Europa. Esse movimento leva a e refora outro, chamado humanismo. Consiste na exaltao do ser humano enquanto indivduo, desconectado de laos naturais ou transcendentais. O indivduo no visto como apenas mais um ser da natureza ou como mais uma das criaturas de Deus; agora, torna-se o nico ser natural livre, capaz de alterar os condicionamentos da natureza, ou a mais perfeita criao divina, feita a sua imagem e semelhana. H uma alterao fundamental na postura do ser humano em relao ao mundo e natureza. Se o homem antigo busca compreender as leis naturais para encontrar seu espao, entrando em profunda harmonia com elas, e o cristo espera encontr-lo a partir da vontade divina, o indivduo moderno, livre, espera construir esse espao, modificando e aperfeioando a natureza. A grande ambio humana da modernidade libertar-se dos determinismos naturais e no simplesmente construir um espao que prolongue a natureza. Podemos dizer, assim, que o homem antigo e o cristo so meros espectadores contemplativos do mundo fsico e universal, buscam a compreenso de suas leis para construir as leis humanas em consonncia com elas. J o homem moderno, porm, deseja decifrar as leis fsicas e universais para controlar essas esferas, para emancipar-se e organizar sua sociedade, a civilizao. Essa busca de controle pode ser detectada na disseminao do relgio, que modifica a viso das pessoas a respeito do tempo. O tempo da modernidade deixa de relacionar-se a divindades e a fenmenos naturais, como a alternncia dia-noite, estaes do ano, fases da lua. O tempo moderno esvazia-se, transformandose na mera sucesso abstrata dos segundos, materializada nos ponteiros do relgio. Em si, deixa de ter qualquer significado. Porm, por outro lado, esse tempo desconectado pode ser controlado e manipulado pelos seres humanos, conforme sua vontade. Tambm podemos vislumbrar essa postura ativa noutros aspectos, como a descoberta da perspectiva, permitindo aos arquitetos e aos artistas representarem o infinito, propiciando um controle maior sobre o espao, e a disseminao das frmulas matemticas em ramos cientficos como a astronomia e a fsica terica, propiciando uma previsibilidade total de fenmenos.

A Filosofia Moderna Transio e Marcos (Renascimento)O pensamento de So Toms de Aquino permite uma revalorizao mxima, dentro dos limites da perspectiva crist, da capacidade racional humana. O ser humano visto como capaz de decidir e realizar coisas boas, desde que agindo sob inspirao de sua razo. Seus atos racionais confirmam a f, levando a Deus. Uma valorizao ainda maior do ser humano, todavia, estava por se iniciar com a inaugurao do pensamento moderno. Se podemos representar o pensamento antigo sob o prisma de trs esferas (universo, natureza e cidade cosmologia) e o pensamento cristo acrescentando uma quarta esfera (Deus teologia), a filosofia moderna subverter essa perspectiva, colocando o ser humano individual em seu ponto de partida. A esse fenmeno chamamos antropologizao da filosofia. Enquanto os antigos, por exemplo, partem das leis universais para explicar a natureza e, ento, delimitar o espao do ser humano em suas cidades, e os cristos partem, por seu lado, de Deus, os pensadores modernos adotaro o indivduo como cerne de suas reflexes. Assim, por exemplo, o direito natural antigo derivar da natureza (fsica), o direito natural cristo derivar do direito divino e o direito natural moderno derivar de outra natureza, a individual. Para os antigos, o homem um ser natural, dotado de um espao prprio na natureza; para os cristo, o homem uma criatura de Deus, devendo descobrir suas leis e viver conforme as mesmas; j para os modernos, porm, o homem um ser dotado de vontade, que deve construir sua sociedade para sair da natureza, respeitando os direitos dos demais, que derivam da mera essncia humana de cada um. Trs movimentos somam-se na transformao do pensamento, permitindo um rompimento com a teologia crist e a instaurao de uma filosofia antropolgica: Renascimento, Absolutismo e Iluminismo. A palavra renascimento indica o ressurgimento de algo que j existira. No caso dos movimentos que recebem esse nome, renasce a cultura clssica (grega e romana), por algumas razes considerada superior cultura medieval, associada s trevas. Durante a histria, podemos constatar a existncia de vrios renascimentos: No sculo VIII, Carlos Magno busca restaurar o Imprio Romano, retomando valores da cultura clssica, implementando uma reforma educacional que leva proliferao das escolas dos mosteiros e ao ressurgimento da arte romana;Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 11

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

12

REVISO FILOSOFIA Prova MultiDo ponto de vista humano, o humanismo leva constatao de que a vontade do indivduo isolado a fonte de todo poder social. Assim, todas as pessoas possuem poder, podendo aument-lo ou perd-lo conforme seus mritos ou a falta desses. Abre-se espao para uma fundamentao moderna da poltica. Nicolau Maquiavel (1469-1527) costuma ser apontado como o responsvel por trazer, pela primeira vez, essa fundamentao. Ao escrever seu clebre livro O Prncipe (ou O Governante), registra logo no incio que toda sociedade possui homens que querem mandar e homens que no querem obedecer. Ora, se compararmos com Aristteles, por exemplo, o fundamento do poder modificou-se completamente: para o filsofo grego, os homens nascem para mandar ou para obedecer. Note-se: o fundamento do poder est num fato natural, o mero nascimento; portanto, o poder deriva de uma causa natural. So Toms escreve que Deus criou o ser humano para viver em sociedade e respeitar as autoridades. Aqui, o fundamento da poltica deriva de Deus. Ao afirmar que os homens querem mandar e no querem obedecer, Maquiavel funda o poder em atos voluntrios humanos. A poltica passa a ser apenas a aquisio do poder e sua manuteno. O bom poltico no aquele que realiza valores superiores como a Justia ou o Bem Comum, mas aquele que mantm o poder em suas mos por longo tempo. Para conquistar o poder e mant-lo, todos os meios podem ser teis e so justificveis (os fins justificam os meios). Maquiavel desmascara a poltica e deixa claro seu objeto exclusivo: o poder. Um bom governante deve ter em mente que se deparar com homens que no querem obedecer. Conforme seus mritos, dever convenc-los a obedecer. Esse convencimento pode dar-se pela prtica de atos bons ou maus, conforme as circunstncias. Se for necessrio realizar obras pblicas para convencer as pessoas obedincia, que sejam realizadas; se for necessrio praticar atos de violncia, que sejam praticados. Num sentido quase oposto, podemos citar Thomas Morus (1478-1535), que escreve seu famoso livro Utopia, descrevendo uma ilha imaginria na qual predomina a igualdade entre os homens, a poltica racional e no existe a propriedade privada. Note-se que u-topia, do grego, significa sem-lugar, ou seja, a ilha no possui um lugar no mundo real, apenas no imaginrio. A obra de Morus transforma-se numa crtica ao contexto poltico da Inglaterra e do restante da Europa e a palavra dissemina-se como sinnimo de um novo mundo e de novas esperanas de construo de uma sociedade melhor. O ser humano, individual, pode aperfeioar sua sociedade, desde que assim o deseje e d um lugar concreto para a ilha imaginria. Outro aspecto importante na transio para a modernidade o rompimento da unidade crist. Durante sculos a igreja catlica monopolizou o imaginrio cristo, determinando sua leitura da bblia e seus dogmas a respeito de Deus. No contexto dos sculos XV e XVI surgem algumas contestaes que abalam esse monoplio e culminam no surgimento de seitas crists no catlicas. Um movimento que poderia parecer desconectado de implicaes mais profundas termina por trazer srios abalos ordem catlica: o heliocentrismo, ou a defesa de que o sol o centro do sistema planetrio. Sob o ponto de vista catlico, a Terra fora criada por Deus para ocupar o centro do universo, estando nela Suas criaturas mais importantes. Ao redor da Terra girariam os astros do cu, presos em esferas que se movimentariam como uma grande mquina. Coprnico (1473-1543), Johannes Kepler (1571-1630) e Galileu Galilei (1564-1642) desenvolvem teorias que fundamentam uma nova viso da disposio do sol e dos planetas, defendendo que a estrela solar est no centro do sistema, e os planetas orbitam em torno dela. Essa viso deslegitima a tese de que a Terra Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 13

REVISO FILOSOFIA Prova Multia criao mais importante de Deus, pois trata-se apenas do terceiro planeta do sistema solar, de tamanho mdio a pequeno. As repercusses dessas teses foram as mais diversas. O grande fundamento para as desigualdades sociais era religioso: Deus criara ordens na sociedade para serem ocupadas por diferentes tipos de homens: trabalhadores (servos), guerreiros (nobres) e religiosos (clrigos). O nascimento de uma pessoa em uma dessas ordens era escolha do Criador, determinando todos os aspectos da vida do indivduo. Assim, as desigualdades e as injustias terrenas derivam da vontade divina, no podendo ser questionadas pelos homens. Depois da vida terrena, Deus, que observava atentamente sua grande criao, recompensaria aqueles que aceitaram e cumpriram seus papis. Por outro lado, a partir do momento em que a Terra deslocada para uma zona perifrica e insignificante do universo, no possvel defender a tese de que tenha sido uma criao especial de Deus. Trata-se apenas de mais um planeta, em nada diferente dos demais. Talvez as injustias que ocorram em seu interior no derivem da vontade divina, que sequer prestaria sua ateno a planeta to reles. Eclodem revoltas sociais. A Igreja passa a perseguir os adeptos do heliocentrismo. Tais ideias resultam no pensamento de Giordano Bruno (1548-1600), que defende a tese de que o universo infinito e repleto de astros como o Sol e os planetas. Alm disso, sua tese mais polmica para a poca foi a da imanncia de Deus, ou seja, o ser divino no existe fora do universo, mas a soma de tudo o que existe. Em virtude dessas ideias, foi condenado pela Igreja Catlica e morreu queimado na fogueira da Inquisio. Em termos religiosos, devemos destacar a Reforma, assim denominada uma srie de revoltas religiosas que terminam com a fundao de novas igrejas protestantes. Na Inglaterra, o resultado dessas insatisfaes reflete em Henrique VIII, que cria a Igreja Anglicana em 1534. Na Alemanha, podemos citar os protestos de Lutero (1517), que funda sua seita, e de Thomas Mnzer (1489-1525), resultando em alguns movimentos sociais. Na Sua, Calvino (1509-1564) estabelece os dogmas de sua f, criando tambm sua igreja. Todos esses protestos contribuem para uma crise inigualvel na Igreja Catlica. Como reao, seus dogmas so reforados pelo Conclio de Trento (1545). Recorrendo fora, os catlicos tentam recuperar o poderio perdido criando o Tribunal do Santo Ofcio (a Inquisio) e declarando o ndice dos livros proibidos. No obstante a reao catlica, o mundo religioso da Idade Mdia est definitivamente desmoronado. Associando a essa runa o movimento humanista, podemos compreender algumas condies culturais que propiciaram a consolidao da modernidade. Ao mesmo tempo, os estados nacionais esto se unificando na Europa. O poder dos reis aumenta gradativamente, at chegarmos ao Absolutismo. Num primeiro momento, graas a Jean Bodin, no sculo XVI, volta-se a justificar o poder poltico na vontade de Deus. O pensador francs defendeu a tese de que o poder dos reis deriva diretamente de Deus, sendo seu reflexo no mundo terreno. Ora, se o poder real deriva da vontade divina, torna-se superior ao poder de qualquer ser humano, derivado apenas da vontade individual. Os atos do rei legitimam-se pela origem divina, no se submetendo a juzos de valor feitos pelos homens.Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 14

REVISO FILOSOFIA Prova MultiConvm destacar que essa fundamentao divina do poder real no significou um fortalecimento da Igreja Catlica. O prprio Jean Bodin foi acusado de ser protestante e perseguido na Frana. Muitos reis julgaram que seu poder divino fosse idntico ou superior ao do papa, opondo-se a sua vontade e entrando em conflitos com ele. Nos sculos XVII e XVIII forma-se um movimento que ainda mais contribui para o delineamento da modernidade: o Iluminismo. Podemos catalogar sob essa conceituao pensadores muito diversos, unidos pela preocupao de recolocar a razo no centro do pensamento ocidental. Afirmando que as crenas religiosas (a f), as tradies costumeiras e os preconceitos levavam a humanidade s trevas e escurido da ignorncia, propem-se a iluminar a sabedoria da humanidade com as luzes da razo. Assim, consideram que a razo universal, imutvel e nica fonte do verdadeiro conhecimento. Consolidando essa perspectiva, Isaac Newton (1642-1727) desenvolve teorias que explicam o movimento de corpos em qualquer lugar do universo. Ora, tais teorias so racionais, demonstrando que a razo inerente matria, estando presente em todos os corpos. Sua teoria da gravitao universal explica a atrao dos corpos e as trs leis do movimento explicam o comportamento desses. So essas leis a lei da inrcia, da mudana do movimento e da ao e reao. Na vertente puramente filosfica, os iluministas franceses (Les Philosophes), como Voltaire (1694-1778), Diderot (1713-1784) e Montesquieu (1689-1755) destacam-se, criando condies intelectuais que levaro Revoluo Francesa. Uma postura tpica do iluminismo a de conceber o universo como uma grande mquina, repleta de mecanismos e engrenagens que explicariam todas as coisas. O homem poderia identificar, racionalmente, o modo pelo qual essa mquina funciona e passar a oper-la conforme sua vontade. Assim, o ser humano seria capaz de modificar seu destino e imprimir a ele o curso de sua vontade. Em termos sociais, isso significaria a criao de leis racionais que governassem os estados. Devemos considerar, por fim, que esses movimentos conduzem a filosofia a novos paradigmas: seu ponto de partida o indivduo, a f desvalorizada e a razo volta a reinar soberana. A vontade individual a nada se submete e tudo pode transformar. RETIRADO DE: http://filosofiadodireito.info/wpfd/?p=216 EM: 26/06/2012.

REVISO FILOSOFIA Prova MultiO homem europeu descobre que h ideias bem diversas das que vinha aceitando como nicas verdadeiras, e passa a ter descrenas e dvidas quanto ao conhecimento da verdade, expressando um clima de ceticismo (doutrina que nega toda forma de conhecimento da verdade). Entretanto, era necessrio que se encontrasse o caminho certo. E essa era a preocupao que se generalizou a partir do final do sculo XVI e que ir caracterizar a investigao filosfica do sculo XVII e XVIII. Duas grandes orientaes metodolgicas surgem, ento, abrindo as principais vertentes do pensamento moderno: de um lado, a perspectiva empirista proposta por Francis Bacon, a preconizar uma cincia sustentada pela observao e pela experimentao, e que formularia indutivamente as suas leis, partindo da considerao dos casos ou eventos particulares para chegar a generalizaes, por outro, inaugurando o racionalismo moderno, Descartes busca na razo os recursos para a recuperao da certeza cientfica. Explicando melhor as duas correntes: O termo EMPIRISMO tem sua origem no grego empeiria, que significa experincia sensorial. O empirismo considerado uma doutrina relativa natureza do conhecimento. Restringiu-se amide o termo empirismo filosofia clssica moderna, contrastando-se o empirismo ingls (Francis Bacon, Hobbes, Locke, Berkeley, Hume) com o racionalismo continental (Descartes, Malebranche, Spinoza, Leibniz, Wolff). Indicou-se por muitas vezes que para os empiristas modernos a mente como que uma espcie de receptculo no qual se gravam as impresses do mundo externo. Quando se comparam entre si as filosofias dos grandes empiristas ingleses verifica-se que isto uma simplificao excessiva. Entretanto, h algo comum a todos esses pensadores, que a tendncia de proporcionar uma explicao gentica do conhecimento e a usar termos como sensao, impresso, ideia, etc.. De um modo geral, o empirismo defende que todas as nossas ideias so provenientes de nossas percepes sensoriais (viso, audio, tato, paladar, olfato). Em outras palavras, ditas por Locke: nada vem mente sem ter passado pelos sentidos. O filsofo empirista John Locke afirmava tambm que, ao nascermos, nossa mente como um papel em branco, completamente desprovida de ideias. De onde provm, ento, o vasto conjunto de ideias que existe na mente humana? A isso, Locke responde com uma s palavra: da experincia, que resulta da observao dos dados sensoriais. Todo nosso conhecimento est nela fundado. Empregada tanto nos objetos sensveis externos como nas operaes internas de nossas mentes, que so por ns percebidas e refletidas, nossa observao supre nossos entendimentos com todos os materiais do pensamento. Assim, toda ideia uma cpia de alguma impresso. Essa cpia possui diferentes graus de fidelidade. Para ele toda a realidade deve reduzir-se s relaes com que se unem entre si as impresses e as ideias. Um filsofo que ganhou destaque por seu empirismo total Hume que recorreu a um princpio de que se servir largamente em todas as suas anlises: o hbito (ou costume), pois quando descobrimos uma certa semelhana entre ideias que por outros aspectos so diferentes, empregamos um nico nome para indicar. Forma-se assim em ns o hbito de considerar unidas de alguma maneira entre si as ideias designadas por um nico nome; assim o prprio nome suscitar em ns no uma s daquelas ideias, nemThas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 16

Racionalismo X EmpirismoO sculo XVI foi uma poca de profundas transformaes na viso do homem ocidental, poca marcada por verdadeira paixo pelas descobertas. Essa efervescncia, que caracteriza a atmosfera intelectual do Renascimento, trouxe consigo, a rejeio das ideias at ento vigentes (o prestgio da Igreja e do Estado foi abalado pelo movimento da Reforma).

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

15

REVISO FILOSOFIA Prova Multitodas, mas o hbito que temos de consider-las juntas e, por conseguinte, uma ou outra, segundo a ocasio. Dessa maneira, ele um empirista, no sentido que a percepo repetida e habitual de uma determinada impresso ou fato nos leva a elaborar ideias sobre os fenmenos naturais, atravs de generalizaes indutivas. As concluses indutivas so percepes repetidas que nos chegam da experincia sensorial, saltamos para uma concluso geral, da qual no temos experincia sensorial. A certeza das proposies que se relacionam com fatos no , portanto, fundada sobre o princpio de contradio. O contrrio de um fato sempre possvel. O sol no se levantar amanh uma proposio no menos inteligvel nem mais contraditria do que a outra o sol levantar-se- amanh. Por isso impossvel demonstrar a sua falsidade. Todos os raciocnios que se referem realidade ou fatos fundamse na relao de causa e efeito. Ora, a tese fundamental de Hume que a relao de causa e efeito nunca pode ser conhecida a priori, isto , com o puro raciocnio, mas por experincia. Porm, a experincia no nos ensina mais que sobre os fatos que experimentamos no passado e nada nos diz acerca dos fatos futuros. E dado que, mesmo depois de feita a experincia, a conexo entre a causa e o efeito permanece arbitrria, esta conexo no poderia ser tomada como fundamento em nenhuma previso, em nenhum raciocnio para o futuro. Pois, o curso da natureza pode mudar, os laos causais que nos testemunhou podem no ser verificados no futuro. Desse modo, a experincia diz respeito sempre ao passado, nunca ao futuro. o hbito (repetio de um ato qualquer) que nos leva a crer que o sol se levantar como sempre se levantou; o hbito que nos faz prever os efeitos da gua ou do fogo ou de qualquer outro fato ou acontecimento natural ou humano; o hbito que sustem e guia toda nossa vida cotidiana, dando-nos segurana de que o curso da natureza no mudamas se mantm igual e constante, donde possvel regular-se com vista para o futuro. O hbito, como o instinto dos animais, um guia infalvel para a prtica da vida, mas no um princpio de justificao racional ou filosfico. Assim, partindo do hbito e da associao de ideias que Hume acredita na causalidade. Mas, por que ser que espero ver a gua ferver quando a aqueo? porque, responde Hume, aquecimento e ebulio sempre estiveram associados em minha experincia e essa associao determinou hbito em mim. Aparento antecipar a experincia quando, na verdade, cedo a uma tendncia criada pelo hbito. Assim, ele afirma que a concluso indutiva, por maior que seja o nmero de percepes repetidas, no possui fundamento lgico. Ser sempre um salto do raciocnio impulsionado pela crena. Questionando a validade lgica do raciocnio indutivo, o grande valor da obra de Hume foi ter deixado um importante problema para os tericos do conhecimento (epistemologistas). Afinal, ou no possvel partirmos de experincia particulares para chegarmos a concluses gerais, representadas pelas leis cientficas? Hume sustenta que a repetio de um fato no nos permite concluir, em termos lgicos, que ele continuar a repetir-se da mesma forma, indefinidamente.

REVISO FILOSOFIA Prova MultiAssim, revela o seu ceticismo terico. Recomenda que os cientistas apresentem suas teses como probabilidades lgicas e no como certezas irrefutveis. Assim sendo, todo conhecimento da realidade carece de necessidade racional e entra no domnio da probabilidade, no do conhecimento cientfico. Em oposio a essa corrente filosfica temos o RACIONALISMO. A palavra racionalismo deriva do latim ratio, que significa razo. O termo racionalismo empregado, na filosofia, de muitas maneiras. Aqui, o termo est sendo empregado para designar a doutrina que deposita total e exclusiva confiana na razo humana como instrumento capaz de conhecer a verdade. Ou, como recomendou o filsofo racionalista Descartes: nunca nos devemos deixar persuadir seno pela evidncia de nossa razo. Os racionalistas afirmam que a experincia sensorial uma fonte permanente de erros e confuses sobre a complexa realidade do mundo. Somente a razo humana, trabalhando com os princpios lgicos, pode atingir o conhecimento verdadeiro, capaz de ser universalmente aceito. Para o racionalismo, os princpios lgicos seriam inatos na mente do homem. Da por que a razo deve ser considerada como a fonte bsica do conhecimento. O texto mais famoso de Descartes, Discurso do Mtodo, alm de uma sumria exposio do mtodo, ou das principais regras do mtodo , tambm, uma autobiografia de Descartes. Nesse texto no nos diz como devemos proceder para alcanar a verdade, mas como ele, Descartes, procedeu para alcana-la. Descartes parte da dvida chamada metdica, porque ela proposta como uma via para se chegar certeza e no dvida sistemtica, sem outro fim que o prprio duvidar, como para os cticos. Argumenta que tais ideias em geral so incertas e instveis, sujeitas imperfeio dos sentidos. Algumas, porm, se apresentam ao esprito com nitidez e estabilidade, e ocorrem a todas as pessoas da mesma maneira, independentes das experincias dos sentidos, e isto significa que residem na mente de todas as pessoas e so inatas. Na segunda parte do Discurso fica patente a preveno, a desconfiana, em relao a tudo o que nos foi ensinado e que aprendemos nossa revelia, antes de dispor do pleno uso de nossa razo. Suposio que j revela a essncia do cartesianismo, a crena em uma razo intemporal, que seria possvel restaurar em sua pureza e integridade, desde que dela fosse excludo tudo o que se deve ao ensino, leitura, educao. Confiando apenas na razo, na sua razo, individual e intemporal, Descartes acrescenta que, em relao a todas as opinies que at ento admitira o melhor que podia fazer era rejeit-las, embora viesse a readmiti-las posteriormente, ou outras melhores, ou as mesmas, desde que ajustadas ao nvel da razo. Descartes foi levado a verificar que o costume e o exemplo nos persuadem mais do que um conhecimento certo. Mtodo, como o leitor deve saber, significa, etimologicamente, caminho. Seguir um mtodo corresponde, pois, a caminhar em direo determinada, quer dizer, com a conscincia do fim a que se quer chegar. Com tais preocupaes procurou um mtodo que, incluindo as vantagens da lgica, da geometria e da lgebra, evitasse, ao mesmo tempo, os seus inconvenientes. Formula, ento, as famosas quatro regras fundamentais, que devero desdobrar-se e multiplicar-se nas Regras para a direo do Engenho.

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

17

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

18

REVISO FILOSOFIA Prova MultiPrimeira regra: evitar a preveno e a precipitao, s aceitando como verdadeiras as coisas conhecidas de modo evidente como tais e no admitir no juzo seno o que se apresentasse clara e distintamente, excluindo qualquer dvida. Segunda: dividir cada dificuldade em tantas parcelas quanto seja possvel e quantas sejam necessrias para resolv-las. Terceira: Conduzir em ordem os pensamentos, comeando pelos mais simples e mais fceis de conhecer, a fim de ascender, pouco a pouco, por degraus, at o conhecimento dos mais compostos, supondo uma ordem mesmo entre aqueles que no precedem naturalmente uns aos outros. Quarta: fazer sempre inventrios to completos e revistas to gerais que se fique certo de nada ter omitido. Aqui ele constitui o preceito metodolgico bsico que s se considere verdadeiro o que for evidente, ou seja, o que for intuvel com clareza e preciso. Mas a ampliao da rea do conhecimento nem sempre oferece um panorama permevel intuio, e, consequentemente, adequado pronta aplicao do preceito da evidncia. Eis por que Descartes propem outros preceitos metodolgicos complementares ou preparatrios da evidncia: o preceito da anlise (dividir cada uma das dificuldades que se apresentem em tantas parcelas quantas sejam necessrias para serem resolvidas), o da sntese (conduzir com ordem os pensamentos, comeando dos objetos mais simples e mais fceis de serem conhecidos, para depois tentar gradativamente o conhecimento dos mais complexos) e o da enumerao ( realizar enumeraes de modo a verificar que nada foi omitido ). Tais preceitos representam a submisso a exigncias estritamente racionais. E justamente o que Descartes prescreve como recurso para a construo da cincia e tambm para a sabedoria de vida seguir os imperativos da razo, que, a exemplo de sua manifestao matemtica, opera por intuies e por anlises. Enfim, o importante e o que constitui o preceito metodolgico bsico apontado no Discurso do Mtodo que s se considere verdadeiro o que for evidente, ou seja, o que for intuvel com clareza e preciso. Aps toda essa explanao podemos perceber as diferenas entre as duas correntes filosficas: empirismo e racionalismo, duas vertentes em busca do conhecimento da verdade, cada qual por seu meio. RETIRADO DE: 26/06/2012. http://www.jornalfilosofiavirtual.jex.com.br/filosofia/racionalismo+x+empirismo EM:Origem das Ideias

REVISO FILOSOFIA Prova Multi

EmpirismoA origem das Ideias o processo de abstrao que se inicia com a percepo que temos das coisas atravs dos nossos sentidos. No preocupado com a coisa em si, estritamente objetivista; nem tampouco com a ideia que fazemos da coisa atribuda pela Razo; mas puramente como percebemos esta coisa, ou melhor dizendo, como esta coisa chega at ns atravs dos sentidos.

RacionalismoAs do mundo exterior formadas atravs da captao da Realidade externa por ns mesmos internamente; As inventadas pela Imaginao, fruto do processo criativo da nossa mente; As ideias inatas, aquelas que j nascem com o sujeito, concedidas por Deus como uma ddiva, e que so a base da Razo. Com estas ideias podemos conhecer as leis da Natureza. As relaes de causa e efeito so obedientes ao Mecanicismo. As relaes que o homem observa so inerentes aos objetos em si e Mecnica da Natureza, espcie de engrenagens que obedecem a uma ordem preestabelecida.

Concepo da Razo

Para o Empirismo a relao de causa e efeito nada mais do que resultado de nossa forma habitual de perceber fenmenos e relacion-los como causa e consequncia atravs de uma repetio constante. Ou seja, as leis da Natureza s seriam leis porque observaram-se repetidamente pelos homens. O contedo de nossa conscincia varia de um momento para outro de tal forma que ao longo do tempo essa conscincia teria, em momentos diferentes, contedos diferentes. A conscincia, como sendo um conjunto de representaes, dependeria das impresses que temos das coisas, e sendo impresses, estariam sujeiras a variaes. A razo dependente da experincia sensvel, logo no v dualidade entre esprito e extenso, de tal forma que ambos so extremidades de um mesmo objeto. O mtodo matemtico no aceito. A experincia o ponto de partida de nosso conhecimento, logo no h necessidade de fazer hipteses. Assim caracteriza-se o mtodo indutivo que parte do particular (experincias) para a elaborao de princpios gerais.

Relao de Causa e Efeito

Autonomia do Sujeito

Para os racionalistas, a liberdade da conscincia do indivduo tem um fim: uma justa apreciao dos bens, dizendo ainda que haveria uma identidade permanente da conscincia individual.

EmpirismoA experincia a base do conhecimento cientfico, ou seja, adquire-se sabedoria atravs da percepo do mundo externo, ou ento, do exame da atividade da nossa mente, que abstrai a realidade que nos exterior e as modifica internamente. de carter individualista, pois tal conhecimento varia da percepo, que diferente de um indivduo para o outro.

RacionalismoA obteno do conhecimento cientfico se d pelas ideias inatas, que seriam pensamentos existentes no homem desde sua origem, que o tornariam capazes de intuir (deduzir) as demais coisas do mundo. Tais ideias seriam o fundamento da Cincia.

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

Conhecimento Cientfico

Razo capacidade de bem julgar e de discernir o verdadeiro do falso. A razo independente da experincia sensvel, e que pertence ao Esprito que diverso da Extenso. Deve-se utilizar do mtodo de conhecimento inspirado no rigor da Matemtica. Vale dizer, completo e inteiramente dominado pela Razo: "os princpios conhecidos por intuio desempenham o papel de axiomas". o mtodo dedutivo que parte do geral para o particular, primeiro elaboram-se as suposies e depois so feitas as comprovaes ou no.

19

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

Matemtica como Linguagem

20

REVISO FILOSOFIA Prova Multi

REVISO FILOSOFIA Prova Multiformulada por Sigmund Freud (1856-1939), era considerada um exemplo de m-f. Podemos dizer que, para os existencialistas, a m-f representava uma forma do ser humano de mentir para si prprio. Para assumir sua completa conscincia e a autntica responsabilidade por suas escolhas, indispensvel, portanto, renunciar m-f. Ao fazer isso, invariavelmente o homem passa a viver num estado de angstia, mas em compensao retoma, no sentido mais pleno, a condio de senhor de sua liberdade. Da forma pela qual entendido pelo pensamento existencialista, o ser humano, se no admite seu enquadramento em qualquer definio porque inicialmente ele ainda no nada. Somente vir a ser num estgio posterior.

Existencialismo - A Filosofia da LiberdadeIdeias e reflexes tericas sobre a existncia do homem, frequentemente tomada como sinnimo de ser, apesar da diferena sugerida pela etimologia, so encontradas na obra de diversos filsofos e pensadores ao longo da Histria, desde a Antiguidade Grega clssica, como, por exemplo, em Scrates (470 a.C.-399 a.C.), os esticos, Santo Agostinho (354- 430), Blaise Pascal (1623-1662), Nietzsche (1844-1900) e at, j no sculo 20, Henri Bergson (1859-1941), que nem por isso chegam a ser relacionados entre os filsofos existencialistas. Alis, muitos dos filsofos e artistas identificados por crticos e historiadores como existencialistas no necessariamente concordavam com essa classificao Albert Camus, por exemplo, seria um existencialista ou um absurdista? Mas essas divergncias, crticas e ponderaes fazem parte do seu prprio processo de elaborao filosfica e criativa. A propsito, o rtulo de existencialista foi aplicado, no Brasil da dcada de 1940, personagem-ttulo da marchinha Chiquita Bacana, aquela l da Martinica, que se vestia com uma casca de banana-nanica (...). Foi a frmula bem-humorada (e consagrada no Carnaval de 1949), que os autores acharam para falar do tema mais abordado pela imprensa da poca: o existencialismo, que era moda na capital francesa, onde, desde as vsperas da ecloso da Segunda Guerra Mundial, grupos de jovens bomios - os existencialistas - costumavam se reunir para discutir, ouvir jazz e danar nos cafs e boates do bairro parisiense de Saint-Germain-des-Prs. Em geral considera-se como precursor do movimento, ainda no sculo 19, o filsofo dinamarqus Sren Kierkegaard (1813-1855), alinhado ao chamado existencialismo cristo. Tambm foram relevantes, como fontes de inspirao para o desenvolvimento do pensamento existencialista, os trabalhos de Arthur Schopenhauer (1788-1860), Fidor Dostoivslci (1821-1881) e Edmund Husserl (1859-1938). O existencialismo foi difundido, em especial a partir das dcadas de 1940 e 1950, pelas obras filosficas e literrias de Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Albert Camus. Ao lado destes, costumam ser classificados como autores existencialistas (embora Camus, por exemplo, discordasse de sua incluso no grupo), entre outros, Gabriel Marcel (francs, 1889-1973), Karl Jaspers (alemo, 1883-1969), Martin Heidegger (alemo, 1889-1976), Martin Buber (1878-1965), Jean Wahl (1888-1974), Maurice MerleauPonty (1908- 1961), Jose de Ortega y Gasset (1883-1955), Miguel de Unamuno (1864- 1936), Nikolai Berdyaev (1874- 1948) e Lev Shestov (1866-1938).

Sren Kierkegaard

Sren Aabye Kierkegaard nasceu na Dinamarca. Aos 17 anos matriculou-se na Universidade de Copenhague, onde, durante seus estudos de teologia, concentrou-se mais em matrias como literatura e filosofia. Embora tenha publicado diversos artigos em sua juventude e nos tempos universitrios, at 1841, considera-se que sua obra-prima Temor e Tremor, de 1843, escrito em sua estadia na Alemanha. Sua vida e obra foram marcadas por conflitos e angstias decorrentes, nos primeiros tempos, de seu difcil relacionamento com o pai austero e devoto (falecido em 1838) e do rompimento do noivado. Essa inquietao o levou a desenvolver uma intensiva meditao acerca da existncia humana como caminho para transform-la. Defendia que a verdade a subjetividade, concepo que fez com que avaliasse as relaes entre criatura e Criador, a partir de sua prpria experincia. Segundo ele, a existncia humana passa pelas etapas esttica, tica e religiosa, sendo esta ltima (associada ao Cristianismo) a mais elevada. Dentre seus outros livros, pode-se mencionar O Alternativo e Repetio (ambos de 1843), Migalhas Filosficas e O Conceito de Angstia (1844), As Etapas no Caminho da Vida (1845) e O Desespero Humano (1849). A real natureza do desespero no saber que desespero uma mxima de sua angustiada filosofia. Kierkegaard morreu na capital dinamarquesa em 1855. O existencialismo ateu, que eu represento, mais coerente. Afirma que, se Deus no existe, h pelo menos um ser no qual a existncia precede a essncia, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito: este ser o homem, ou, como diz Heidegger, a realidade humana. O que significa, aqui, dizer que a existncia precede a essncia? Significa que, em primeira instncia, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e s posteriormente se define. O homem, tal como o existencialista o concebe, s no passvel de uma definio porque, de incio, no nada: s posteriormente ser alguma coisa e ser aquilo que ele fizer de si mesmo. Assim, no existe natureza humana, j que no existe um Deus para conceb-la. O homem to somente, no apenas como ele se concebe, mas tambm como ele se quer, como ele se concebe aps a existncia, como ele se quer aps esse impulso para a existncia. O homem nada mais do que aquilo que ele faz de si mesmo: esse o primeiro princpio do existencialismo. tambm a isso que chamamos de subjetividade: a subjetividade de que nos acusam. Porm, nada mais queremos dizer seno que a dignidade do homem maior do que a da pedra ou da mesa. Jean Paul Sartre, O Existencialismo um Humanismo (Traduo: Rita Correia Guedes). De acordo com o pensamento existencialista, a existncia tem prioridade sobre a essncia, conceito que se materializa na famosa afirmao de Sartre de que a existncia precede a essncia. Essa definio instaura precisamente valores fundamentais como a liberdade e a responsabilidade do ser humano, j mencionadas. (Lembram-se da Chiquita Bacana e da epgrafe, que s faz o que manda seu corao?) Ou seja, quer dizer que o homem no possui uma essncia antes de tudo, preexistente e da qual ele seriaThas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 22

Fundamentos do existencialismoO existencialismo pode ser conceituado como uma corrente de pensamento filosfica e literria que tem suas origens no sculo 19, com o pensamento de Kierkegaard e sua expresso mxima nas dcadas de 1940 e 50, com a anlise de Jean-Paul Sartre sobre a filosofia heideggeriana. Considerando cada ser humano como nico, e senhor absoluto de seu destino e de suas atitudes, o existencialismo salienta a subjetividade, a responsabilidade e a liberdade individual do homem, que este s pode esquecer por m-f. Para Sartre, esse um mecanismo (a m-f) pelo qual o homem procura se defender da angstia que a conscincia da liberdade provoca. Todavia, por meio dessa defesa equivocada, nos distanciamos de nosso projeto pessoal, incorrendo no equvoco de explicar nossos fracassos pela interferncia de fatores externos como Deus, o destino, os astros ou a sorte. Nesse contexto, inclusive a teoria do inconsciente,Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 21

REVISO FILOSOFIA Prova Multirefm, e sim que ele existe primeiro, antes de poder ser enquadrado em qualquer conceito, e somente ser aquilo que ele prprio decidir ser, quando, no dizer do filsofo Andr Comte-Sponville, puder falar de sua essncia no passado. Em outras palavras, o ser humano absolutamente livre, primeiro existe, aparece no mundo, encontra a si mesmo e s depois vai se definir. Dessa maneira, da forma pela qual entendido pelo pensamento existencialista, o ser humano, se no admite seu enquadramento em qualquer definio, porque inicialmente ele ainda no nada. Somente vir a ser num estgio posterior. De acordo com Sartre, na conferncia de 1946 no Club Maintenant em Paris, em que props o existencialismo como um humanismo, assim, no h natureza humana, pois que no h Deus para conceb-la. (...) O homem no nada alm do que ele se faz. Tem-se, portanto, que o existencialismo , no sentido metafsico do termo, uma filosofia da liberdade, das mais radicais que j houve. Diante da liberdade completa (que inclui a de ao, da vontade e de esprito), o homem tende a se angustiar, pois significa que s ele responsvel por suas escolhas. No raro, sobrevm uma paralisia, a absteno de fazer as opes necessrias. Mas esse no fazer, que evita os riscos e a culpa e adia a existncia, j uma escolha, infelizmente comum em nossa sociedade. Correr riscos em busca da autenticidade uma tarefa difcil, que exige coragem. uma jornada pessoal e intransfervel, que o homem deve empreender para encontrar a si prprio. Sartre escreveu: Toda pessoa uma escolha absoluta de si. No se deve encarar o existencialismo como sendo uma escola de pensamento sem nenhuma ligao com toda e qualquer forma de f, at porque diversos de seus principais representantes foram, de fato, pessoas religiosas, como Kierkegaard, que era um protestante radical caracterizado por um severo antagonismo contra a igreja luterana.Jean- Paul Sartre

REVISO FILOSOFIA Prova MultiJean Paul Charles Aymard Sartre nasceu em Paris em 21 de junho de 1905, rfo de pai com menos de dois anos de idade, passou a morar com o av materno, em cuja biblioteca teve acesso, j na infncia, a obras clssicas francesas e alems. Assim, desde cedo, pde desenvolver sua inclinao pela literatura. Por volta dos 17 anos, comeou a manifestar interesse por filosofia, ingressando na Escola Normal Superior em 1924. Quatro anos mais tarde conheceu Simone de Beauvoir, que, embora no tenha se casado com ele, se tornou sua grande companheira de vida e trabalho. Como bolsista, passou o ano de 1933 em Berlim, onde teve contato com as ideias de Husserl, Heidegger e Jaspers. Tambm naquela ocasio, j tendo publicado alguns contos, Sartre trabalhou no ensaio A Transcendncia do Ego e em sua primeira novela, A Nusea, que seriam editados, respectivamente, em 1936 e 1938. Sartre lecionou filosofia por oito anos, at 1944. Em 1940, na guerra, foi preso pelos alemes, enviado a um campo de concentrao e libertado no ano seguinte. De volta a Paris, conheceu Albert Camus, com o qual viveu uma grande amizade de cerca de dez anos, terminada por divergncias polticas. Em 1943, Sartre publicou O Ser e o Nada, sntese de princpios filosficos e literrios. Em 1945, fundou, com Merleau-Ponty, a revista Tempos Modernos. Em 1952, entrou para o Partido Comunista Francs, com o qual rompeu em 1956. Em 1964 recusou o Prmio Nobel de Literatura, dizendo que um escritor no deveria ser convertido em instituio. Alm dos ttulos mencionados, sua vasta obra inclui As Mos Sujas (1946), A Prostituta Respeitosa (1946), O Diabo e o Bom Deus (1948), Crtica da Razo Dialtica (1960) e As Palavras (1964). Faleceu em Paris aos 74 anos, em 15 de abril de 1980. Tudo isso permite-nos compreender o que subjaz a palavras um tanto grandiloquentes como angstia, desamparo, desespero. Como vocs podero constatar, extremamente simples. Em primeiro lugar, como devemos entender a angstia? O existencialista declara frequentemente que o homem angstia. Tal afirmao significa o seguinte: o homem que se engaja e que se d conta de que ele no apenas aquele que escolheu ser, mas tambm um legislador que escolhe simultaneamente a si mesmo e a humanidade inteira, no consegue escapar ao sentimento de sua total e profunda responsabilidade. fato que muitas pessoas no sentem ansiedade, porm ns estamos convictos de que essas pessoas mascaram a ansiedade perante si mesmas, evitam encar-la; certamente muitos pensam que, ao agir, esto apenas engajando a si prprios e, quando se lhes pergunta: mas se todos fizessem o mesmo? Eles encolhem os ombros e respondem: nem todos fazem o mesmo. (Jean-Paul Sartre, O Existencialismo um Humanismo, Traduo: Rita Correia Guedes) J os ateus destacam a contradio de que a deteriorao e a morte so sempre os resultados finais, no importando o esforo que se faa para melhorar a si ou aos outros. Muitos existencialistas creem que a grande vitria do indivduo consiste em perceber e aceitar o absurdo e a misria da vida. Por essa vitria, o homem pode ou no ser recompensado, ao fim, por uma fora superior. Se essa fora existe, o que explica o sofrimento humano? Se no existe, e a vida mesmo absurda e miservel, por que no abreviar o sofrimento, por meio do suicdio? Tais questes servem apenas como introduo complexidade do pensamento existencialista. Para Sartre, Se Deus no existe, h pelo menos um ser, (...) que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito, e que este ser o homem ou, como diz Heidegger, a realidade humana. Martin Heidegger, filsofo nascido na Alemanha em 1889, considerado um dos mais importantes pensadores ocidentais do sculo 20, tendo influenciado a obra de vrios outros. Estudou na Universidade de Freiburg junto com o tambm filsofo Husserl, de quem se tomaria assistente. Filiou-se ao partido nazista em 1933 e foi nomeado reitor da Universidade, cargo de que viria a demitir-se em poucos meses.Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG 24

Filosofia e religioNo que diz respeito s relaes com a religio, embora vrios, seno a maior parte, dos pensadores existencialistas tenham sido atestas, como Sartre, alguns filsofos ligados ao movimento adotaram um enfoque, digamos, teolgico do mesmo. Como exemplos desse ponto de vista, pode-se citar, alm de Kierkegaard; Jaspers e Marcel. O russo Nikolai Berdyaev, ex-adepto do marxismo, apresentou a fundamentao terica de um cristianismo existencialista, primeiro em seu pas de origem, e posteriormente na Frana, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Nikolai Alexandrovitch Berdyaev foi um filsofo russo, nascido em Kiev, na Ucrnia, em 1874. Na dcada de 1930, aps formular crticas ao racionalismo e uma vez rompida sua vinculao ideologia pregada por Karl Marx (1818- 1883), props a volta ao misticismo, frente s modernas formas do pensamento materialista. Foi banido da ento Unio Sovitica, refugiando-se na Frana, onde veio a falecer na cidade de Clamart, em 1948. Deixou os livros A Filosofia da Liberdade (1911) e Cristianismo e Revolta Social (1934). Assim, no se deve encarar o existencialismo como sendo uma escola de pensamento sem nenhuma ligao com toda e qualquer forma de f, at porque diversos de seus principais representantes foram, de fato, pessoas religiosas, como o mencionado Kierkegaard, que era um protestante radical caracterizado por um severo antagonismo contra a igreja luterana. Dentre os inspiradores do movimento, tem-se Dostoievski, que professava a f ortodoxo-grega. Quanto a Sartre, embora no tenha sido criado sem religio, efetivamente no acreditava em fora divina. No entender dos existencialistas cristos, a f funciona como defesa individual, orientando as aes humanas e as decises a serem tomadas com um conjunto de normas religiosas.

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

23

REVISO FILOSOFIA Prova MultiDestacou-se em seus estudos sobre ontologia, tendo como obra fundamental O Ser e o Tempo, publicada quando ele tinha apenas 28 anos. Escreveu ainda Que Metafsica? (1929) e Introduo Metafsica (1953). Faleceu em 1976. Em sntese, para esse existencialista, no h desculpas: se no existe Deus ou natureza a quem se possa atribuir eventuais erros, a liberdade incondicional e isso que Sartre quer dizer quando fala dela como uma sentena a que o homem no pode escapar: Condenado porque no se criou a si prprio; e, no entanto, livre, porque uma vez lanado ao mundo, responsvel por tudo quanto fizer.

REVISO FILOSOFIA Prova MultiSartre estuda tambm as relaes humanas, o estar em presena de outros, que representa um dos atributos bsicos do ser para-si. Nesse panorama, destacam-se novamente as angustias e os conflitos, porque o ser humano est condenado a coexistir com seus semelhantes, cuja liberdade acaba constituindo uma limitao e, de certa forma, uma ameaa sua prpria. Reafirmando a prevalncia da existncia sobre a essncia, o existencialismo volta a propor que cada ser para-si tem a liberdade de fazer de si mesmo o que ele bem entenda.

A vida e o homem livreEm A Nusea (1938), sua primeira novela, Sartre conclui eticamente sobre seus estudos de fenomenologia: se a vida isso que est a, se como a percebemos, ela no passa de um caos impossvel de apreender pela nossa inteligncia, monstruosa, repulsiva e completamente aleatria: tudo absurdo e desprovido de sentido. Nesse livro, e nos volumes A Transcendncia do Ego (1936), A Imaginao (1936), Esboo de uma Teoria das Emoes (1939), O Imaginrio (1940) - todos de ensaios - e em O Muro (contos, 1939), pode-se identificar essencialmente o mesmo raciocnio, que iria desaguar na obraprima O Ser e o Nada (O livro, iniciado em 1939 nas frentes de batalha da Segunda Guerra Mundial, em que Sartre serviu como meteorologista do exrcito francs, foi interrompido por um ano em decorrncia de o autor ter sido aprisionado pelas tropas alems e enviado a um campo de concentrao nazista. Finalmente concludo, foi lanado em 1943 pela editora Gallimard em um volume de mais de 700 pginas, (1943), com o subttulo Ensaio de Ontologia Fenomenolgica, e converteu-se num grande bestseller da histria da filosofia: em 15 anos, esgotou nada menos de 55 edies). O livro, resumindo o pensamento do autor quela poca, foi praticamente responsvel pela divulgao dos conceitos fundamentais do existencialismo, que iriam dominar a intelectualidade francesa no ps-guerra. Nesse trabalho, o prprio Sartre admitiu ter estudado a existncia de um ponto de vista inteiramente novo, recorrendo ao mtodo de Husserl para uma anlise minuciosa da realidade humana, tal como ela se manifesta. J na introduo, Sartre estabelece os princpios husserlianos que ir utilizar, dividindo a existncia em duas regies: o mundo das coisas materiais (seres em-si), compreendendo quaisquer objetos existentes com uma essncia definida e que povoam o mundo; e o mundo da conscincia (seres para-si), a nica aventura possvel de ser. O ser em-si no tem conscincia de si ou do mundo, nem tem potencialidades. algo que somente est a, apenas , de modo inerte e frouxo, fechado em si mesmo. Os objetos do mundo se apresentam conscincia do homem por meio de suas manifestaes fsicas, os fenmenos. J a conscincia humana um ser de outro tipo, o para-si ( um ser que conhece a si prprio e ao mundo. Constri um sentido para seu mundo medida que estabelece as relaes funcionais e temporais - entre os seres em-si. O para-si no s mais uma coisa entre as coisas do mundo, pois, contrariando a escola fisiologista, a conscincia no apenas uma espcie de fluido produzido pelo crebro, porm possui outra natureza. um puro ponto de vista, sem substncia sobre o mundo do em-si. A conscincia transcende o mundo. Assim, o para-si no tem essncia definida, nem resulta de uma ideia preexistente). O existencialismo sartreano desconsidera um Criador que tenha predeterminado a essncia e os fins individuais. A existncia do para-si necessria e ele quem define sua essncia, a cada instante daquela. O que uma pessoa j viveu, seu ser passado, constitui sua essncia: um em-si, porque possui uma essncia conhecida, embora no predeterminada, que s existe no passado.

O absurdismoMuitas vezes confundido com o existencialismo e o niilismo, embora essas correntes se filiem a uma certa tradio filosfica em comum, o absurdismo ou filosofia do absurdo tem traos marcantes. Um dos seus precursores foi o filsofo dinamarqus Sren Kierkegaard - no por acaso tambm uma das bases do existencialismo. Uma das definies possveis da palavra absurdo o contra da razo, de modo que a ideia central do absurdismo a impossibilidade do homem de captar os significados da existncia em sua universalidade, e que esses esforos filosficos e cientficos na busca por um sentido naufragaro. O grande divulgador da corrente absurdista no sculo 20 foi o ensasta, romancista e filsofo Albert Camus, cujo livro O Mito de Ssifo, de 1942, demarca uma linha de separao com o movimento existencialista e toca naquela que Camus denominou como a nica questo filosoficamente sria: o suicdio. fundamental lembrar que Camus e Ernil Cioran (outro pensador associado corrente) escreveram suas principais obras em um momento de completa devastao da Europa durante e aps a Segunda Guerra Mundial. O ambiente era de pobreza, destruio, descrena e incertezas. Um terreno propcio para esse tipo de filosofia. No por nosso pessimismo que nos acusam, mas, no fundo, pela dureza de nosso otimismo. Se certas pessoas nos censuram por desenvolvermos seres pusilnimes, fracos, covardes, e, por vezes, francamente maus, em nossas obras de fico, no unicamente porque eles so pusilnimes, fracos, covardes ou maus, pois, se fizssemos como Zola e declarssemos que eles assim so devidos hereditariedade, por influncia do meio, da sociedade, por um determinismo orgnico ou psicolgico, todos se tranquilizariam e diriam: a est, somos assim e ningum pode fazer nada; o existencialista, porm, quando descreve um covarde, afirma que esse covarde responsvel por sua covardia. Ele no assim por ter um corao, um pulmo ou um crebro covardes; ele no assim devido a uma qualquer organizao fisiolgica; mas assim porque se construiu corno covarde mediante seus atos. No existe temperamento covarde; existem temperamentos nervosos, existem pessoas que tm 'sangue fraco' como diz o povo; ou temperamentos ricos; mas o homem que tem sangue fraco nem por isso um covarde, pois o que cria a covardia o ato de renunciar ou de ceder: um temperamento no um ato e o covarde se define pelos atos que pratica. (Jean-Paul Sartre, O Existencialismo um Humanismo, Traduo: Rita Correia Guedes).

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

25

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

26

REVISO FILOSOFIA Prova MultiSartre estuda tambm as relaes humanas, o estar em presena de outros, que representa um dos atributos bsicos do ser para-si. Nesse panorama, destacam-se novamente as angstias e os conflitos, porque o ser humano est condenado a coexistir com seus semelhantes, cuja liberdade acaba constituindo uma limitao e, de certa forma, uma ameaa sua prpria. Enquanto est sozinha, a conscincia do homem pode reinar como senhora absoluta de seu destino e usufruir em plenitude de uma liberdade que desconhece barreiras. Isso se transforma radicalmente na presena do outro, cuja subjetividade passa a ser mais uma entre as coisas do mundo. Ao contrrio da situao anterior, essa nova coisa no apenas mais uma que se oferece passivamente minha apreciao, mas ela, ao mesmo tempo, me identifica, no mais como o sujeito que eu era, mas como objeto de seu inundo. Sou, de certo modo, paralisado pelo meu prprio olhar, como no mito da Medusa. Passo a ser observado e julgado com a liberdade do pensamento alheio, sobre o qual no tenho nenhum poder de influncia. Ou seja, o outro pode pensar qualquer coisa sobre mim, independente da minha vontade ou controle, o que representa uma ameaa permanente. A liberdade alheia um perigo para a minha, que tambm a pe em risco. Da a fala da pea teatral de Sartre, Entre Quatro Paredes (1944): "O inferno so os outros". Embora sofrendo restries, a contribuio do existencialismo formao do pensamento contemporneo no deve ser minimizada. O movimento influenciou e segue inspirando criadores de vrios segmentos. Como fenmeno cultural, o existencialismo demonstra vitalidade, influindo inclusive na msica jovem a partir dos anos 1970, como nos movimentos gticos e, mais recentemente, em diversos autores literrios e criadores de diferentes formas artsticas, como, por exemplo, o cineasta Woody Allen, cujo humor pincelado pelo existencialismo. No artigo A ironia e o absurdo na fico de Woody Allen (2008), o pesquisador Felipe Mansur lembra o apreo do cineasta e escritor por Sartre, Camus e Kierkegaard. De acordo com Allen, todos esses autores tm uma escrita pesada: Uma escrita com peso, angstia, liberdade, sofrimento, vida. Humanismo e existncia. Fonte: Conhecimento prtico Filosofia, Sergio Amaral Silva. RETIRADO DE: http://filosofiamg.blogspot.com.br/2012/06/existencialismo-filosofia-da-liberdade.html EM: 26/06/2012

REVISO FILOSOFIA Prova MultiAnna Harendt Poder, Liberdade e Direitos HumanosPara se manter uma ordem fundamental que haja obedincia. So vrias as formas atravs das quais se consegue esta obedincia, como o poder e at mesmo a violncia. Seja qual for a forma de exigir a obedincia, no pelo fato de obedecer que se perde a liberdade, salvo se a ao, mas quando se obedece para um fim particular que no vise o bem comum.

Do poder O homem s exerce poder quando encontra-se em comunidade, pois uma vez que isolado, renuncia o poder e torna-se impotente. Exercido de forma no violenta, o poder se torna a faculdade de alcanar o bem de todos. Quando ento se usa a fora para obter algum interesse particular, desrespeitando assim a vontade coletiva, no est se produzindo poder, mas sim fora fsica em funo de um interesse. Em uma guerra os homens defendem os interesses de sua nao e combatem at a morte o seu inimigo, essas pessoas muitas vezes so motivadas por uma conversa que um dia j fora discurso. E acham assim que esto utilizando do poder para conquistarem algum ideal, quando na verdade utilizam apenas a fora fsica para legitimar um interesse particular. Assim, a violncia destri o poder, pois ela baseia-se na excluso e no na incluso dos demais indivduos. Quando em uma relao legitima de poder, a obedincia comea a deixar de existir, a tendncia que o governante apele para a violncia, e com isso, continue governando. A violncia sempre pode destruir o poder, como ressalta Arendt: do cano de uma arma emerge o comando mais efetivo, resultando na mais perfeita e instantnea obedincia. O que nunca emergir da o poder. "Max Weber definiu o poder como a possibilidade de impor a prpria vontade ao comportamento alheio. Hannah Arendt, ao contrrio, concebe o poder como a faculdade de alcanar um acordo quanto ao comum, no contexto da comunicao livre de violncia. Ambos vem no poder um potencial que se atualiza em aes, mas cada um baseia-se num modelo de ao distinto."

Da liberdade Exercida de forma natural, a liberdade ocorre quando se toma em conjunto, decises que envolvam o futuro de todos. Na viso de Hannah Arendt: os homens so livres diferentemente de possurem o dom da liberdade enquanto agem, nem antes, nem depois, pois ser livre e agir so a mesma coisa. Hannah no diferencia liberdade de ser livre. Entretanto, leva em conta o agir em benefcio de todos, no de vontades particulares. H uma relao estreita com a relao de poder e violncia, pois assim como no existe poder quando h violncia, no existe liberdade quando as aes so voltadas para vontades particulares. No simplesmente por agir que o homem livre. Ele deve ser conduzido pela tica e pela moral. Apenas assim ele ser um ser plenamente livre, pois suas aes no podero visar um fim especfico, mas sim o desprendimento da ganncia, pois ela que leva o homem a exercitar sua liberdade apenas em benefcio prprio. Para Hannah A liberdade, entendida dessa forma, no funcional, ou seja, seu exerccio no pressupe determinado fim. Sua prtica uma tentativa de busca da verdade, a qual no est predeterminada, mas surge, paulatinamente, durante a prtica.

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

27

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

28

REVISO FILOSOFIA Prova Multi por meio da cidadania que a liberdade exercida. Nos espaos pblicos que podem ser externadas insatisfaes e anseios, e esses espaos deve ser preservados, a destruio deles a queda da liberdade. O exerccio da cidadania o meio criador do espao pblico que torna possvel a liberdade. Essa cidadania chamada por Hannah de o direito a ter direitos.

REVISO FILOSOFIA Prova Multide 25 de novembro de 1941, privou da nacionalidade alem os judeus que residiam fora do territrio da Alemanha. Os judeus perderam sua nacionalidade e consequentemente a possibilidade de exercerem sua cidadania. Ainda que tivessem um vinculo jurdico que os ligasse ao Estado alemo, esse vinculo por no ser respeitado de fato, transformava os judeus em no-cidados tanto na Alemanha quanto nos outros pases. O DIDH vem para impedir esta situao imposta, como por exemplo, aos judeus. Ele veio para garantir aos indivduos os direitos fundamentais pelo simples fato de serem seres-humanos, independente de terem uma nacionalidade ou no, pois como afirma Arendt: todos os homens tem o direito a ter direitos. BIBLIOGRAFIA HABERMAS: Sociologia. Freitag e Rouanet. So Paulo: frica, 1980 BITTAR, Eduardo. Curso de Filosofia do Direito. So Paulo: Atras, 2008 ARENDT, Hannah. Sobre a violncia, 1994. Idem. Entre o passado e o futuro. 3. Ed., 1992 RETIRADO DE: http://www.recantodasletras.com.br/textosjuridicos/2928445 EM: 26/06/2012

Dos direitos humanos Um modelo de Estado que tanto faz uso da violncia ao invs do poder, limitando consequentemente a liberdade dos indivduos, o Estado totalitrio. Tem-se como exemplo clssico o regime nazista, que impossibilitou o exerccio da cidadania de todos os seus habitantes. Segundo Hannah para que o totalitarismo seja impedido de nascer, uma das aes fundamentais a preservao do direito a ter direitos. O primeiro passo para destruir o direito de cidadania o processo de desnacionalizao. Para entendermos esse processo necessrio compreendermos o que nacionalidade; A nacionalidade um vinculo jurdico que une o ser humano a determinado Estado. uma relao estabelecida pelo direito interno, correspondendo a cada Estado determinar o modo de aquisio, perda e reaquisio da nacionalidade. O que ocorreu na Alemanha nazista foi a completa desnacionalizao do seu povo, gerando com isso, a perda dos seus direitos fundamentais. Se buscava qualquer motivo para cometer o extermnio dos judeus, e a desnacionalizao foi um dos principais pontos que tornava at mesmo legal, do ponto de vista jurdico, a no garantia dos direitos fundamentais. Apenas o fato de serem humanos no os dava qualquer garantia. Quando ainda no existia o Direito Internacional dos Direitos Humanos (DHDH), para se ter direitos era imprescindvel possuir a nacionalidade. Dessa forma aos indivduos que no tinham nacionalidade, os aptridas, eram negados at mesmo os direitos fundamentais. E ento com o DIDH que tais indivduos reconhecidos foram inseridos no mundo dos direitos. A Conveno sobre Estatuto dos Aptridas, de 1954, assim os definem: aquele que no considerado como cidado por nenhum Estado na aplicao de suas leis. Passa-se ento a levar em considerao a condio humana como condio prvia para o exerccio de direitos, e no apenas o fato de possuir uma nacionalidade. Aps o DIDH ainda que o aptrida no fosse reconhecido nacionalmente por nenhum Estado, eram lhe garantidos os direitos fundamentais como para qualquer outra pessoa que possua sua nacionalidade. O aptrida passa a ter todos os seus direitos fundamentais assegurados em qualquer Estado que se encontre e em p de igualdade com os nacionais do pas no qual residem. A Declarao Universal dos Direitos Humanos (1948) estabelece: Art XV-1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade 2. Ningum ser arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar sua nacionalidade. Ainda na Alemanha nazista, foi retirado dos judeus o direto a nacionalidade com a Lei de Nuremberg, de 15 de novembro de 1935, que preservou a nacionalidade dos judeus porm retirou-lhes o status de cidado. Com isso, todos os judeus que encontravam-se fora da Alemanha perderam a proteo que tinham do seu Estado, pois eram considerados estrangeiros de segunda categoria, ou seja, eram aptridas de fato. Em outubro de 1938, carteiras de identidade com a impresso da letra J, para comprovar a origem judaica de seu portador, substituram os passaportes dos judeus. A lei de nacionalidade do Reich,

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

29

Thas Bombassaro 1 Perodo B Direito Faculdade Dinmica Ponte Nova/MG

30

Recommended

View more >