Falco Bauer - Patologia Em Alvenaria Estrutural de Blocos Vazados de Concreto

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    12-Oct-2015

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  • CAPTULO 16

    PATOLOGIA EMALVENARIAESTRUTURAL DEBLOCOSVAZADOS DECONCRETO

    Prof. Eng. ROBERTO JOS FALCO BAUERDiretor Tcnico do Grupo Falco Bauer. Professor nadisciplina de Materiais de Construo Civil no curso deEngenharia Civil da UNITAU Universidade de Taubat So Paulo.

    16.1. RESUMO

    Este trabalho procura analisar as eventuais anomalias que possam vir a ocorrer em alvena-rias estruturais de blocos vazados de concreto, relacionando-as a uma ou mais caractersticas dequalidade eventualmente no atendidas; as causas que as geraram.

    Geralmente decorrem de deficincias de projeto, da especificao de material, da execuo,da utilizao ou da manuteno.

    16.2. INTRODUO16.2.1. Principais caractersticas As facilidades construtivas proporcionadas pelo empre-go de um nico elemento so diversas, podendo-se relacionar como principais vantagens:

    tcnicas de execuo simplificadas; menor diversidade de materiais empregados; reduo do nmero de especializaes da mo-de-obra empregada; reduo de interferncias no cronograma executivo, entre os subsistemas (estrutura e

    alvenaria so executadas conjuntamente).16.2.2. Tcnica Executiva Visando atingir o desempenho tcnico de edificaes, em alve-naria estrutural armada, de blocos vazados de concreto, devero ser tomados cuidados especiaisnas fases de concepo, projeto e execuo.

    Durante a concepo e projeto devem-se tomar os seguintes cuidados: conceituao dos projetos arquitetnico e estrutural; conhecimentos tcnicos adquiridos com base em experincia nacional, visando a ade-

    quao e concepo dos projetos de fundao e estrutural;

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    normalizao tcnica existente quanto especificao dos materiais constituintes e pro-cedimentos de execuo.

    Enquanto na fase de execuo deve-se proporcionar um controle de qualidade efetivo, sejados materiais, com relao ao recebimento e estocagem, seja da execuo.16.3. ANOMALIAS

    Com base no diagrama idealizado pelo professor Ishikawa (diagrama causa e efeito),podemos avaliar as eventuais anomalias que possam ocorrer relacionando-as a uma ou maiscaractersticas da qualidade no atendidas, portanto, os fatores que as geraram.

    Se lembrarmos dos 5 Ms da qualidade representados na Fig. 16.1, veremos que hnecessidade de estimular a economia, diminuir desperdcio e anomalias, melhorandosensivelmente a qualidade e, conseqentemente, a imagem do sistema construtivo.

    Com relao aos 5 Ms da qualidade podem-se relacionar os seguintes cuidados a seremadotados:

    Material

    a. Critrios de qualificao tcnica dos fabricantes de blocos estruturais.b. Qualificao tcnica dos fabricantes.c. Especificao tcnica, mediante Normas Tcnicas e Cadernos de Encargos (acordo-

    prvio). Por exemplo, no caso de blocos vazados de concreto deve-se, com base nanorma brasileira NBR 6136, especificar:

    resistncia compresso; umidade; absoro de gua; caractersticas dimensionais.

    J para argamassa de assentamento e grautes deve-se, com base na normabrasileira NBR 8798, especificar:

    dosagens; reteno de gua (argamassas); resistncia compresso.

    Com relao aos demais materiais utilizados na execuo da alvenaria estruturalde blocos vazados de concreto, deve-se especific-los com base em suas normastcnicas, como, por exemplo:

    Fig. 16.1. Representao dos 5 Ms da qualidade.

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    ao (NBR 7480) cimento cal hidratada (NBR 7175) agregados (NBR 7211) gua aditivos (NBR 11768)

    d. Pedido de compra.

    Dever conter as especificaes tcnicas previamente acordadas entre as partes.

    e. Controle de recebimento e estocagem.

    Metodologia

    necessrio introduzir o uso de normas tcnicas aplicveis na aquisio e no emprego demateriais, na contratao de servios e na construo em geral, uma vez que esta uma exignciaprevista no artigo 39, item VIII do Cdigo de Defesa do Consumidor, que diz: que vedado aofornecedor de produtos ou servios colocar no mercado de consumo qualquer produto ou servioem desacordo com as Normas da ABNT ou de qualquer outra entidade credenciada peloCONMETRO.

    a. ProjetosProjeto arquitetnico contendo detalhes construtivos com relao a medidas

    especficas quanto s condies de habitabilidade (trmica, acstica e de umidade).Projeto estrutural com base em teorias atuais, fundamentadas em base experimental

    slida.

    b. Normas Tcnicas e Cadernos de Encargos, contendo inclusive procedimentos de exe-cuo.

    c. Procedimentos de recebimento de materiais e servios.d. Procedimentos com relao ao recebimento de outras atividades que possam intervir

    na execuo dos trabalhos e no desempenho como um todo (interfaces: lajes, contrapiso,instalaes em geral etc.).

    e. Manual do Proprietrio

    Devero constar os procedimentos relativos ao uso adequado e eventuais restries,cuidados na manuteno e limpeza, e quanto pintura, interna ou externa, especificaros produtos recomendveis, bem como sua periodicidade.

    Mquinas

    indispensvel colocar, imediatamente, mquinas (ferramentas) simples disposio dosoperrios.

    Por quanto tempo ainda nossos pedreiros continuaro a assentar blocos, fazendo 25 mo-vimentos por pea, quando Taylor e Fayol j nos ensinaram que possvel faz-lo com oitomovimentos? Ser que a caixa de argamassa no poderia estar altura de 0,80 m, ergometrica-mente colocada, diminuindo a energia gasta em movimentos inteis e cansativos?

    A mquina humana deve ser cada vez mais inteligentemente utilizada.O emprego de pequenas e eficientes ferramentas ir melhorar a qualidade e a produtivi-

    dade.

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    Os equipamentos utilizados nos processos construtivos, nas verificaes de servios e nosensaios devero estar em conformidade com os procedimentos e devidamente calibrados.

    Mo-de-obra

    A qualidade comea pela educao e acaba na educao. Uma empresa que progride emqualidade empresa que aprende, que aprende a aprender Professor Ishikawa.

    Meio ambiente

    necessrio entendermos, claramente, que o lixo das cidades no pode ser constitudode entulho de obras. Melhor dizendo: desperdcio, que cria, junto com o lixo domiciliar, escon-derijo, alimentao, ambiente propcio para a criao de roedores, insetos e de agentes trans-missores de doenas infecto-contagiosas.

    Os principais fatores de desperdcio podem ser resumidos em:

    perda de material e retrabalho, por falta de qualidade dos materiais, qualificao damo-de-obra com alta rotatividade e falta de projeto especfico;

    perda de cerca de 20% de material utilizado no nivelamento de paredes fora de prumoou em revestimento de paredes que apresentam variaes de espessura;

    armazenamento inadequado de materiais no canteiro de obras.

    Devemos nas fases de projeto e execuo atentar para preservarmos o meio ambiente,sem comprometimento da qualidade de vida do cidado e do mundo.

    16.3.1. Principais Anomalias As anomalias mais comuns que podem ocorrer em alvenari-as estruturais de blocos vazados de concreto so as relacionadas a seguir.

    16.3.1.1. Fissuras. As fissuras ocupam o primeiro lugar na sintomatologia em alvenarias estru-turais de blocos vazados de concreto.

    As causas da fissurao nem sempre so de fcil determinao, entretanto, o conheci-mento das mesmas de vital importncia para a definio do tratamento adequado para a recu-perao.

    A configurao da fissura, abertura, espaamento e, se possvel, a poca em que a mesmaocorreu (aps anos, semanas ou mesmo algumas horas da execuo) podem servir como ele-mentos para diagnosticar a causa ou causas que as produziram.

    Considerando-se as diferentes propriedades mecnicas e elsticas dos constituintes daalvenaria e em funo das solicitaes atuantes, as fissuras podero ocorrer nas juntas de assen-tamento (argamassa de assentamento vertical ou horizontal) ou seccionar os componentesda alvenaria (blocos vazados de concreto).

    Relacionamos a seguir outros fatores que podem influenciar o comportamento dasalvenarias:

    bloco vazado: dimenses, aspecto com relao porosidade e ao acabamento super-ficial;

    argamassa de assentamento: consumo de aglomerantes, reteno de gua e retrao; alvenarias: geometria do edifcio, esbeltez, eventual presena de armaduras, existn-

    cia de paredes de contraventamento; fundaes: recalques diferenciais; movimentaes: higroscpicas e trmicas.

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    As Tabelas 16.1, 16.2 e 16.3 apresentam um resumo das diferentes configuraes das fissurasocorridas em alvenaria estrutural e as provveis causas geradoras de cada uma destas tipologias.

    16.3.1.2. Eflorescncias. A eflorescncia decorrente de depsitos salinos, principalmente de saisde metais alcalinos (sdio e potssio) e alcalino-terrosos (clcio e magnsio) na superfcie de al-venarias, provenientes da migrao de sais solveis nos materiais e componentes da alvenaria.

    As eflorescncias podem alterar a aparncia da superfcie sobre a qual se depositam e,em determinados casos, seus sais constituintes podem ser agressivos, causando desagregaoprofunda, como no caso dos compostos expansivos.

    Tabela 16.1. Fissuras Verticais Principais Tipologias e Provveis Causas

    Configurao Provveisda Fissura Ilustrao Causas

    Resistncia trao do blocovazado de concreto superior resistncia trao daargamassa.

    Resistncia trao do blocovazado de concreto igual ouinferior resistncia trao da argamassa.

    Sob ao de cargasuniformemente distribudas,em funo principalmenteda deformao transversalda argamassa de assentamentoe da eventual fissurao deblocos ou tijolos por flexolocal, as paredes em trechoscontnuos apresentarofissuras tipicamente verticais.

    Sendo constituda de materiaisporosos, o comportamento dasalvenarias ser influenciadopelas movimentaeshigroscpicas desses materiais.A expanso das alvenarias porhigroscopicidade ocorrer commaior intensidade nas regiesda obra mais sujeitas ao daumidade, como, por exemplo,cantos desabrigados,platibandas, base dasparedes, etc.

    FISSURASVERTICAIS

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    Tabela 16.2. Fissuras Inclinadas Principais Tipologias e Provveis Causas

    Configurao Provveisda Fissura Ilustrao Causas

    Em trechos com a presena deaberturas haver considervelconcentrao de tenses nocontorno dos vos. No casoda inexistncia ousubdimensionamento de vergase contravergas, as fissuras sedesenvolvero a partir dosvrtices das aberturas.

    Devido a cargas verticaisconcentradas, sempre que nohouver uma correta distribuiodos esforos atravs de coxinsou outros elementos, poderoocorrer esmagamentoslocalizados e formao defissuras a partir do ponto detransmisso da carga.

    Recalques diferenciados,provenientes, por exemplo,de falhas de projeto,rebaixamento do lenol, faltade homogeneidade do soloao longo da construo,compactao diferenciadasde aterros e influncia defundaes vizinhasprovocaro fissuras inclinadasem direo ao ponto ondeocorreu o maior recalque.

    FISSURASINCLINADAS

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    Tabela 16.3. Fissuras Horizontais Principais Tipologias e Provveis Causas

    Configurao Provveisda Fissura Ilustrao Causas

    As fissuras horizontais nasalvenarias, causadas porsobrecargas verticais atuandoaxialmente no plano da parede,no so freqentes; poderoocorrer, entretanto, peloesmagamento da argamassadas juntas de assentamento.Tais fissuras, contudo, no somuito raras em paredessubmetidas flexocompresso.

    Em alvenarias pouco carregadas,a expanso diferenciadaentre fiadas de blocos podeprovocar, por exemplo, aocorrncia de fissurashorizontais na base dasparedes.

    Na retrao por secagem degrandes lajes de concretoarmado sujeitas forteinsolao, poder ocorrerfissurao devida aoencurtamento da laje queprovocar uma rotao nasfiadas de blocos prximos laje.

    Devido a movimentaestrmicas, surgiro fissurasidnticas quelas relatadas paraa movimentao higroscpicae retrao por secagem. Estassero mais intensas nas lajesde cobertura que podero serevitadas com um cintamentomuito rgido ou sistema deapoio deslizante.

    FISSURASHORIZONTAIS

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    Para a ocorrncia da eflorescncia devem existir, concomitantemente, trs condies:existncia de teor de sais solveis nos materiais ou componentes, presena de gua e pressohidrosttica necessria para que a soluo migre para a superfcie. Desse modo, para se evitar aocorrncia da eflorescncia deve-se eliminar uma dessas trs condies, sendo, portanto,necessrio identificar a origem de cada uma delas.

    Com relao origem dos sais, a Tabela 16.4 apresenta uma relao da natureza qumicados sais solveis e suas provveis fontes.

    Com relao segunda condio para existncia de eflorescncia, nota-se que a gua podeser proveniente da umidade do solo; da gua de chuva, acumulada antes da cobertura da obra, ouinfiltrada por meio das alvenarias, aberturas ou fissuras; de vazamentos de tubulaes de gua,esgoto, guas pluviais; da gua utilizada na limpeza e de uso constante em determinados locais.

    Por fim, com relao presso hidrosttica, verifica-se que o transporte de gua por meiodos materiais e a conseqente cristalizao dos sais solveis na superfcie ocorrem porcapilaridade, infiltrao em trincas e fissuras, percolao sob o efeito da gravidade, percolaosob presso por vazamentos de tubulaes de gua ou de vapor, pela condensao de vapor degua dentro das paredes, ou pelo efeito combinado de duas ou mais dessas causas.

    Tabela 16.4. Natureza Qumica das EflorescnciasComposio Qumica Fonte Provvel Solubilidade em gua

    Carbonatao da cal lixiviadaCarbonato de Clcio da argamassa ou concreto. Pouco solvel

    Carbonatao da cal lixiviadaCarbonato de Magnsio de argamassa de cal no- Pouco solvel

    carbonatada.

    Carbonatao dos hidrxidosCarbonato de Potssio alcalinos de cimentos com Muito solvel

    elevado teor de lcalis.

    Carbonatao dos hidrxidosCarbonato de Sdio alcalinos de cimentos com Muito solvel

    elevado teor de lcalis.

    Hidrxido de Clcio Cal liberada na hidratao do Solvelcimento.

    Sulfato de Magnsio gua de amassamento. SolvelSulfato de Clcio gua de amassamento. Parcialmente solvel

    Sulfato de Potssio Agregados, gua de Muito solvelamassamento.

    Sulfato de Sdio Agregados, gua de Muito solvelamassamento.

    gua de amassamento, limpezaCloreto de Clcio com cido muritico. Muito solvel

    Cloreto de Magnsio gua de amassamento. Muito solvelCloreto de Alumnio Limpeza com cido muritico. Solvel

    Cloreto de Ferro Limpeza com cido muritico. Solvel

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    Quanto remoo das eflorescncias sobre a superfcie da alvenaria, esta s poder serrealizada aps a eliminao da causa da infiltrao de gua (umidade) e secagem do revesti-mento, sendo ento procedida escovao da superfcie e, se necessrio, reparo de eventual re-gio com pulverulncia.

    16.3.1.3. Infiltraes de gua. Entre as manifestaes mais comuns referentes aos problemas deumidade em edificaes encontram-se manchas de umidade, corroso, bolor, fungos, algas, liquens,eflorescncias, descolamentos de revestimentos, friabilidade da argamassa por dissoluo de com-postos com propriedades cimentceas, fissuras e mudana de colorao dos revestimentos.

    H uma srie de mecanismos que podem gerar umidade nos materiais de construo, sendoos mais importantes relacionados a seguir:

    absoro capilar de gua; absoro de gua de infiltrao ou de fluxo superficial de gua; absoro higroscpica de gua; absoro de gua por condensao capilar; absoro de gua por condensao.

    Nos fenmenos de absoro capilar e por infiltrao ou fluxo superficial de gua, a umi-dade chega aos materiais de construo na forma lquida; nos demais casos a umidade absor-vida na fase gasosa.

    A infiltrao de gua pode ser agravada pela ao combinada do vento (presso), da dire-o e da intensidade tanto da chuva como do vento, alm das condies de exposio da alve-naria. Eventuais anomalias, principalmente fissurao da parede, iro contribuir sobremaneirana gravidade das manifestaes patolgicas decorrentes.

    Infiltrao pelos componentes da alvenaria

    Na fase de projeto necessrio analisar os seguintes itens, visando a minimizar os efeitosadvindos da penetrao de umidade:

    orientao das fachadas em relao aos ventos predominantes; detalhes arquitetnicos e tcnicos das fachadas e muros, tais como frisos, pingadeiras,

    rufos e contra-rufos, beirais, platibandas, tipo de cobertura e respectivos detalhes, juntasde movimentao ou de controle em paredes e muros externos e respectivos materiaisde selagem das mesmas;

    intensidade e durao das precipitaes na regio da edificao; conhecimento das propriedades dos materiais constituintes das alvenarias, quanto a

    higroscopicidade, porosidade e absoro de gua.

    Infiltrao pelas juntas de assentamentoA infiltrao de gua pelas juntas de assentamento pode acontecer por falhas na argamassa

    de assentamento, na interface argamassabloco vazado de concreto e pela prpria argamassade assentamento. As diversas causas geradoras constam da Tabela 16.5.

    Infiltraes relacionadas a outros fatoresNa fase de projeto devem ser adotados determinados cuidados de modo a minimizar as

    infiltraes de gua.As chuvas, sob presso do vento ou no, provocam a formao de lminas de gua que

    iro escorrer sobre as fachadas. Portanto, para garantir a estanqueidade e minimizar adeteriorizao do revestimento, devero ser adotados alguns detalhes construtivos, comopingadeiras, molduras, cimalhas, peitoris e frisos, visando a dissipar concentraes de gua.

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    A geometria das fachadas dever ser estudada de modo a evitar que o fluxo de gua sedirija para pontos vulnerveis, como juntas e caixilhos, permitindo que o prprio fluxo de guafaa a limpeza do paramento impedindo a deposio de fuligem e empoamento de gua. Asprumadas externas de guas pluviais, em tubo de PVC, galvanizado ou zinco, em geral so fi-xadas da alvenaria. Caso a superfcie da parede apresente irregularidades, o que normal, aprumada e a alvenaria se tocaro em certos locais, e a sujeira, como p e folhas, se acumularformando deposies que retero na alvenaria a umidade proveniente da chuva.

    Pode ser que no ocorram infiltraes se a alvenaria estiver em uma fachada ensolarada.Porm, no possvel descobrir a tempo as infiltraes, e podem surgir problemas srios antesque se perceba a causa.

    A utilizao de espaadores entre o parafuso de fixao e a prumada evitar possveispontos de contato e, portanto, o acmulo de sujeira e umidade.

    Deve-se evitar que os parafusos de fixao sejam introduzidos diretamente nas argamas-sas de assentamento dos blocos, a fim de impedir que ocorram preferenciais de penetrao deumidade.

    fundamental que se faam verificaes peridicas do estado da tubulao, quanto aeventuais entupimentos, perfuraes, corroso e estado da pintura, se for o caso.

    A elaborao de projeto de isolao trmica e impermeabilizao das lajes essencialpara que se obtenha desempenho satisfatrio das alvenarias, evitando dessa maneira a ocorrn-cia de trincas em alvenarias e de infiltraes de gua pelas fissuras do revestimento, ou pordeficincia da impermeabilizao.

    conveniente que sejam evitados detalhes que favoream o acmulo de gua. Assim,no devem ser utilizadas sees em U desprovidas de pontos de drenagem em sistemas decaptao de gua pluvial de coberturas.

    As superfcies horizontais devem ter inclinao de pelo menos 1%. Este caimento serprevisto de modo que a gua verta para o exterior da obra. Alm disso, devero ser tomadoscuidados especiais de manuteno, a fim de que os pontos de drenagem no fiquem obstrudose permitam que a gua de telhados e balces verta distante da obra.

    Os ralos e respectivos condutos de captao de gua devem ser dimensionados correta-mente, evitando vazamentos e encharcamentos de platibandas.

    Tabela 16.5

    Anomalias Causas Geradoras

    Fissuras verticais contnuas na argamassa deassentamento.

    Fissuras horizontais e verticais (tipo escada). As principais causas geradoras foram analisadasno item 16.3.1.1.

    Fissuras horizontais.

    Fissuras na prpria argamassa de Retrao hidrulica da argamassa argamassaassentamento. excessivamente rgida baixa reteno de

    gua da argamassa.

    Deficincia de execuo (espessura elevada daFissuras na interface argamassa de argamassa 1,0 cm blocos excessivamente

    assentamentobloco vazado de concreto. secos ou com contaminao), argamassacom baixa reteno de gua.

    Argamassa preparada com excesso de gua deInfiltrao pela argamassa. amassamento (elevada porosidade e

    permeabilidade gua).

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    Os caixilhos podem constituir um ponto vulnervel s infiltraes de gua, uma vez queapresentam problemas de estanqueidade.

    As janelas devem ser submetidas a ensaio, a fim de se detectar eventuais pontos susceptveis ainfiltraes de gua para que sejam procedidas as devidas correes no projeto, de modo que se obtenhaperfeita vedao e se evite, dessa forma, a penetrao de gua, que poder gerar quadros patolgicos.

    Os ensaios de desempenho quanto estanqueidade ao ar e gua e quanto resistncia carga de vento so realizados conforme metodologias especficas, discriminadas, respectiva-mente, nas normas brasileiras NBR 6485, NBR 6486 e NBR 6487.

    O ensaio visa a simular condies de exposio a chuvas com vento e ao vento simples-mente, com a aplicao de presses equivalentes a velocidades de vento determinadas seguin-do as isopletas de vento, especfica para cada regio.

    16.4. CONSIDERAES FINAISA normalizao exerce papel preponderante no desempenho de pases altamente indus-

    trializados, como Alemanha e Japo. Essas naes, que aps a II Guerra Mundial construram,partindo do nada, todo seu parque industrial e so hoje grandes potncias industriais, utilizandoa tecnologia como fora motriz e tendo como lastro as Normas Tcnicas como forma de garan-tir os graus de capacidade e qualidade requeridos.

    Portanto, devemos incentivar o processo de normalizao do setor, visando a fornecersubsdios tcnicos aos projetistas, engenheiros, arquitetos, construtores e usurios, de modo aobter melhorias de qualidade e, conseqentemente, reduo de anomalias.

    O desenvolvimento e o poder de um pas esto condicionados ao uso adequado da tecnologia.Se no houver educao, no h acesso tecnologia; sem a tecnologia, no se consolida,

    no se legitima, nem se perpetua o poder de uma Nao.

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS1. ABCI Associao Brasileira da Construo Industrializada. Manual Tcnico da Alvenaria. Pro-

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