Fabricao digital e sua aplicao no corte de frmas de concreto

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    31-Dec-2016

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  • NUTAU 2010.

    8 Seminrio Internacional. Design e Inovao: Mensagens e Produtos

    para Ambientes Sustentveis

    Fabricao Digital e sua aplicao no corte de frmas de concreto: um

    exerccio de produo

    Danilo Higa da Rocha

    Aluno de 5 ano de graduao em Engenharia Civil pela Unicamp

    Prof Dra Gabriela Celani

    Professora Livre-docente da FEC Unicamp e coordenadora do LAPAC

    Prof Dra Regiane Pupo

    Professora ps-doutoranda do LAPAC

    Unicamp, Universidade Estadual de Campinas FEC, Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e

    Urbanismo

    Resumo

    Com o objetivo de estudar a produo de frmas para concreto com formas complexas

    diretamente a partir de modelos geomtricos digitais com o uso de tcnicas de fabricao controladas

    por computador, realizou-se um exerccio de produo desenvolvendo uma frma para uma escultura

    em concreto, com o uso de uma fresadora de controle numrico (CNC) para madeira no Laboratrio de

    Automao e Prototipagem para Arquitetura e Construo (LAPAC) da FEC. Experimentando esse

    novo equipamento, analisaram-se vantagens e desvantagens, definindo uma metodologia e alguns

    parmetros para os futuros usurios. No exerccio, produziu-se uma frma para concreto com formas

    complexas, impossvel de ser obtida sem a tecnologia em estudo. A pea foi concretada no Laboratrio

    de Materiais de Construo da FEC. O estudo demonstrou, por um lado, a viabilidade da utilizao do

    conceito "file-to-factory" na construo civil, salientando a economia de material que essa tecnologia

    pode trazer, e por outro, a necessidade da realizao de estudos mais aprofundados no que se refere

    a questes tcnicas relacionadas produo de formas livres em concreto, por exemplo, a estrutura

    de contraventamento dessas frmas, a anlise de custo e o impacto dessa tecnologia na gesto da

    obra.

    Abstract

    In order to study the manufacturing of free form concrete forms directly from digital 3D models

    using a computer-controlled machine, a fabrication exercise for a concrete sculpture was developed

    using a CNC router for wood at the Automation and Prototyping for Architecture and Construction

    Laboratory (LAPAC) at FEC. In this experiment, advantages and disadvantages were analyzed and a

    methodology and some parameters for future users were defined. A free form concrete form,

    impossible to be obtained without the technology under study, was fabricated. The prototype was cast

  • at the Construction Materials Laboratory of FEC. The study showed the feasibility of the concept "file-to-

    factory" in construction, emphasizing the economy of materials that this technology achieves, but also

    the need to develop further studies related to technical issues in the production of free forms in

    concrete, for example, the design of formwork for these forms, the analysis of cost and the impact of

    this technology in project management.

    Objetivos do Trabalho

    O objetivo central deste trabalho foi estudar a aplicao de uma nova tecnologia de fabricao

    digital para a execuo do edifcio: produo de frmas1 para concreto com formas complexas

    diretamente a partir de modelos geomtricos digitais.

    Experimentando o novo equipamento o trabalho focou em desenvolver um exerccio de

    produo digital de frmas para concreto para formas complexas, impossveis de serem obtidas sem a

    tecnologia em estudo, com a fresadora de controle numrico (CNC) para madeira do Laboratrio de

    Automao e Prototipagem para Arquitetura e Construo (LAPAC) da Faculdade de Engenharia Civil,

    Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP (FEC). Durante o exerccio procurou-se observar limitaes,

    vantagens e desvantagens em relao a tempo, dificuldade de produo, nvel de preciso e qualidade

    do produto final, levantando uma srie de dificuldades e alguns parmetros para os futuros usurios.

    Introduo

    Em termos de evoluo tecnolgica e satisfao das expectativas do usurio final, a

    construo est dcadas atrs das indstrias automobilstica, naval e aeroespacial. Os princpios

    fundamentais da construo continuam os mesmos de centenas de anos atrs. Os romanos

    inventaram o concreto por volta de 100 anos Antes de Cristo e ainda o usamos como matria prima

    principal (BUSWELL et al, 2007). Ainda assentamos os blocos manualmente como os egpcios o

    fizeram para construir as pirmides milhares de anos atrs.

    Apesar do atraso, a tecnologia digital que vem sendo cada vez mais aprimorada, tem alterado

    a maneira de produzir arquitetura (PUPO 2009), a maneira de conceber e, tambm, a maneira de

    representar. Espera-se que, em breve, a tecnologia digital tambm entre na rotina de execuo das

    obras, trazendo a indstria da construo civil para uma realidade semelhante das indstrias de

    automao.

    Uma tecnologia que veio da mecnica e j foi amplamente incorporada pela construo a

    tecnologia CAD (Computer Aided Design), que traz maior liberdade para os projetistas criarem e

    desenvolverem formas livres, como se tem visto na arquitetura contempornea. Com os avanos do

    CAD veio a necessidade de se aprimorar as tcnicas de modelagem fsica que perderam espao para

    os modelos digitais, mas que possuem srias limitaes com relao manipulao fsica dos

    modelos.

    A soluo para preencher essa lacuna seria o uso de equipamentos de produo controlados

    por computador, que podem ser utilizados tanto para confeccionar modelos e prottipos como para

    fabricar peas para uso final (MITCHELL e McCULLOUGH 1995),.. Uma vez que os termos

    1 Neste trabalho, ser usado o acento diferencial para que no haja confuso entre frma (sentido de molde) e forma (sentido de formato).

  • Prototipagem Rpida, e Fabricao Digital no so definidos de forma clara na literatura, e que no

    parece haver muito consenso sobre seu uso, tal como levanta PUPO (2009), utilizaremos neste

    trabalho apenas o termo CNC, que designa genericamente as mquinas de controle numrico. Para

    MITCHELL e McCULLOUGH (1995), o uso de equipamentos de produo controlados por computador

    encurta o ciclo de produo e permite ao projetista realizar experimentos antes de tomar a deciso

    final, ajudando a minimizar os erros no projeto e, muito mais alm, os erros na construo do produto

    final.

    Com a tecnologia CNC, j comum em escolas como MIT e Harvard (PINHEIRO, 2007),

    possvel, por exemplo, realizar a produo automatizada de componentes construtivos ou definio

    direta de seu posicionamento no canteiro de obras a partir de modelos geomtricos digitais

    (BONALDO, 2008). Isso facilita o desenvolvimento de formas que gerariam dificuldades de produo e

    posicionamento no canteiro de obras, por exemplo, obter frmas de concreto com forma complexa. O

    desenvolvimento de pesquisas como essas so especialmente importantes para que a adaptao

    dessas tecnologias para a indstria da construo seja otimizada.

    J possvel observar casos ao redor do mundo de aplicaes bem sucedidas das tecnologias

    de fabricao automatizada, em obras que usaram mquinas de controle numrico por computador

    (Computer Numeric Control CNC). As aplicaes mais comuns de manufatura usando CNC na

    construo so o corte de elementos estruturais metlicos e o desbaste de grandes peas de

    poliestireno para frma de concreto ou moldar vidro. As torres Zollhoff (Dusseldorf, Alemanha), de

    Frank Gehry, foram construdas usando as tecnologias CNC para obter a maioria dos componentes

    estruturais. Compostas por trs blocos de escritrio, um de metal, um pintado e outro de tijolo

    aparente, cada um com tores ou deformaes de modo que todos os painis que formam as

    paredes so curvados (Figura 1). Usou-se a CNC Plasma-arc para cortar chapas de ao que serviram

    de suporte para a alvenaria. As paredes externas, curvadas e estruturais foram produzidas usando

    blocos leves de poliestireno trabalhados em CNC, que formaram centenas de diferentes frmas para o

    concreto armado (BUSWELL et al, 2009). Os arquivos digitais alm de irem para a manufatura,

    tambm ajudaram na rotina de clculo e na locao dos elementos. Os projetistas e os construtores

    compartilharam o material digital para separar a estrutura da edificao inteira, formando vrios

    elementos que, devido complexidade da forma, eram nicos e, por isso, tratados individualmente

    apesar de usar a mesma forma de execuo (SCHMAL, 2001).

    Figura 1. Zollhof towers, Westphalia, Alemanha, Gehry. (SCHMAL, 2001)

    Utilizando a mquina fresadora CNC adquirida pelo LAPAC foi possvel estudar as adaptaes

    de implementao desse tipo de tecnologia para o padro de construo do Brasil. Esse foi o intuito

  • principal deste trabalho, as dificuldades ajudaram a aprimorar o uso da mquina e facilitar o trabalho

    de futuros usurios. Alm disso, as limitaes percebidas promoveram o amadurecimento dos projetos

    para a CNC e at abriram caminho para novas idias de uso.

    Descrio do Experimento

    O exerccio de produo de frma, a experimentao da mquina e todo o estudo necessrio

    para o desenvolvimento da pesquisa se deram no LAPAC. O laboratrio conta com uma cortadora a

    laser Universal Laser Cutter, que capaz de executar cortes e gravaes em diferentes tipos e

    espessuras de papel, papelo e acrlico; com a fresadora CNC da MTC Robtica, que capaz de

    perfilar e esculpir materiais relativamente macios, como madeira, compensado, isopor e acrlico, e com

    computadores equipados com software CAD e outros que fazem a comunicao com as mquinas.

    Todos esses recursos foram usados durante o processo de desenvolvimento das frmas.

    Para a concepo do modelo digital que serviu como base para o exerccio de produo foi

    utilizado o software AutoCAD. Alm do modelo 3D, o desenho planificado da frma tambm foi obtido

    por meio desse software. Para a determinao do G-code da CNC, quer dizer, para a programao do

    processo de corte de frma e o percurso da fresa foi utilizado o software artCAM, que recebe o

    desenho do CAD e determina o corte de acordo com a fresa, o material e outros parmetros

    determinados pelo usurio. Com o G-code pronto, usou-se o software Mach3 que se comunica

    diretamente com a mquina, usando comandos nesse programa posiciona-se a pea e monitora-se o

    percurso da fresa e o andamento do corte.

    Para o corte da frma foram usados dois tipos de fresa, materiais de ao prprios para perfurar,

    cortar e marcar madeira: uma fresa de 3mm de topo reto, para gravar, e outra de 6mm de topo reto,

    para cortar. As frmas foram feitas em compensado de madeira plastificado, que d acabamento

    melhor em concreto aparente, como uma forma de testar o propsito deste estudo. Antes de montar o

    prottipo na CNC, um mock-up foi cortado em papelo ondulado.

    O processo todo pode ser entendido e dividido nas seguintes etapas:

    1. Modelagem da escultura. A modelagem digital se deu com a criao de um slido regular usando o comando poliline.

    Esse slido tem rea total de mais de 1500 cm e ele poderia ser contido em um retngulo de

    aproximadamente 49x96. Depois da criao da rea definida pela polyline foi extrudida e a escultura

    foi definida pelo comando slice. No fim, o slido ficou com cerca de 45 cm de altura. O resultado final

    mostrado na Figura 2.

    Figura 2. Slido obtido em software CAD

  • Cada face do slido obtido representaria uma pea plana de madeira que deve ser fixada

    perfeitamente. Para garantir a preciso dos ngulos entre os planos das peas de madeira foi feita

    uma pea chamada gabarito de ngulo, que no poderia ficar do lado de dentro da pea, pois isso no

    se encaixaria na proposta de compor uma frma para concreto. Alm disso, optou-se por usar, para o

    gabarito de ngulo o mesmo material em que os planos das faces seriam cortados, ou melhor, a

    mesma madeira das faces. Para garantir a fixao dos gabaritos de ngulo foram usados perfis de

    cantoneira de alumino (abas iguais de 1 polegada, espessura de 3 mm).

    Para obter cada gabarito de ngulo, foi usado o modelo do CAD simplesmente extrudando uma

    circunferncia de 3 cm de raio. O pequeno cilindro foi ento colocado nas arestas como indica a Figura

    3. Para garantir que o ngulo indicado pelo gabarito fosse perfeito, observava-se se ambos centros

    das circunferncias do pequeno cilindro pertenciam reta da aresta do objeto.

    Figura 3. Gabaritos de ngulo em software CAD

    2. Planificao O slido foi, ento, planificado junto com os gabaritos. Bastou usar o comando align depois

    de explodir o modelo. Como trata-se de um objeto complexo com muitas faces diferentes que formam

    ngulos diferentes entre si, criou-se um cdigo para auxiliar na montagem. Nas faces, o nmero do

    meio indica o nmero da face, o nmero perto das arestas indica o nmero da face que faz interface

    com essa aresta. Os nmeros dos gabaritos de ngulo indicam os nmeros das faces que o gabarito

    confere o encontro.

    Figura 4. Cdigo numrico usado para a montagem

  • 3. Mock-up em papelo Para testar se o processo de montagem iria funcionar, decidiu-se montar inicialmente um

    mockup em papelo cortado pela cortadora laser e em escala real (1:1). Como mostrado pelas figuras,

    percebeu-se que a montagem simples, mas que os gabaritos precisavam ser aumentados, sobretudo

    porque na pea de madeira foram usados parafusos para a fixao. Aps a execuo do mockup, o

    raio dos os gabaritos de ngulo foi ampliado para 5 cm.

    Figura 5. Prottipo cortado a laser

    4. Execuo do prottipo da frma Para o corte do prottipo da frma (escala em 1:1) foram criados, no software artCAM, dois

    percursos: um somente para os nmeros a serem gravados, que foi feito ela fresa de 3mm e outro

    para o corte, que foi feito pela maior fresa disponvel, a de 6mm.

    Figura 6. Planejamento no artCAM e produo no Mach3

    Como a madeira compensada era bem robusta optou-se por fazer o corte em duas passadas.

    A montagem no foi complicada e no houve grande dificuldade. O fato de j se ter montado o mockup

    em papelo facilitou muito a produo do prottipo em madeira. Os gabaritos de ngulo foram fixados,

    com uma mquina parafusadeira, nos perfis de alumnio e em seguida nas faces.

    Figura 7. Frma

  • 5. Concretagem do prottipo Era preciso minimizar o peso final da pea, portanto usou-se argila expandida, tambm

    conhecida como Cinasita, como agregado grado do concreto. O uso desse material reduz o peso do

    concreto, porm esse material hidrfilo, o que significa que ele pode absorver a gua de hidratao

    do cimento. Portanto, dois dias antes da concretagem, a Cinasita foi imersa em gua.

    Quanto ao preparo da frma, os pequenos vos entre uma face e outra foram fechados com

    cera de abelha. Esse material impermevel, evitando que o concreto escape da frma, e garantiu

    que as arestas ficassem perfeitas. Alm disso, as faces foram cobertas com leo mineral, que exerceu

    funo de desmoldante.

    A concretagem se deu no Laboratrio de Materiais de Construo da FEC (LMC). Os materiais

    foram separados de acordo com o volume do slido fornecido pelo AutoCAD com o comando

    massprop. Foi usado um concreto de alta resistncia inicial para reduzir o tempo de espera para

    desmolde. Para tanto foram usados os seguintes materiais: Cimento Portland CP-V ARI (alta

    resistncia inicial), areia comum, argila expandida, aditivo redutor de gua e microslica.

    O aditivo ajuda a melhorar a trabalhabilidade do concreto sem ter que adicionar mais gua para

    isso, portanto oferecendo maior resistncia final e menor tempo de cura. A microsilica um material

    fino que aumenta a resistncia do concreto e, por ocupar os vazios, aumenta a durabilidade. As

    quantidades de cada material foram determinadas de forma emprica, de acordo com a experincia do

    tcnico do LMC que executou a contretagem, portanto o concreto no possuiu trao determinado.

    Na tarde do dia da concretagem o concreto j tinha consistncia para que a regularizao e

    acabamento da superfcie que no recebe contato da frma. No dia seguinte, no momento da

    monitorao o concreto j aparentava poder ser desenformado, mas como ainda era possvel sentir o

    calor de hidratao pelo contato com a superfcie, preferiu-se deixar na frma por mais um dia. No

    terceiro dia a pea foi desenformada.

    Figura 8. Pea de concreto em processo de cura

    6. Produto Final Como se pode ver pelas figuras, o resultado final foi excelente, o concreto no apresentou

    nenhuma irregularidade, as chamadas bicheiras no jargo popular. Para tirar um pouco de cera de

    abelha e de leo que estava na superfcie do concreto, a pea foi lixada levemente. As faces internas

    da frma tambm foram lixadas, dessa forma ela poder ser reaproveitada. Para melhorar a

    apresentao e dispor durabilidade, a pea foi pintada com verniz para concreto aparente.

  • Figura 9. Pea de concreto e frma

    Discusso

    As vantagens que a literatura j mostrava com relao ao uso de mtodos de produo

    controlados por computador foram mais que comprovadas neste trabalho. O conceito file-to-factory

    pode ser implementado neste estudo. No houve desenho impresso das frmas. No houve nenhuma

    forma intermediria entre o projeto no software CAD e a fabricao final, o mesmo arquivo que o slido

    foi projetado e planificado foi aberto no artCAM, que gerou o G-code lido e passado para o

    equipamento CNC pelo Mach 3, portanto no houve perda de dados. Cada ngulo de cada gabarito

    estava correto. No houve erro no corte das frmas. Se isso fosse aplicado em larga escala, a

    preciso oferecida pela mquina CNC garantiria economia de tempo, dinheiro e material. Alm disso,

    sem este tipo de fabricao no seria possvel executar a frma. Ainda que se desse o desenho

    plotado e planificado a um marceneiro experiente, dificilmente ele obteria a mesma preciso da

    mquina CNC com serra tico-tico. Numa das conversas com Haroldo e Sebastio, marceneiros do

    LAPAC, eles comentaram as dificuldades que teriam. Segundo eles, a frma certamente teria erros

    que comprometeriam a montagem. O consumo de madeira seria maior, j que o gabarito de ngulo

    daria lugar a sarrafos comuns. Alm disso, a CNC corta o percurso todo (uma passada para a

    gravao dos nmeros e duas passadas para o corte) em menos de 40 minutos. Os marceneiros

    disseram que levariam cerca de 4 horas para deixar as frmas prontas para montagem.

    Transportando esse mtodo para a construo civil, pode-se imaginar as possibilidades de

    frmas com formatos no convencionais com preciso e rapidez. A criao dos gabaritos de ngulo

    para fixao dos cantos em ngulos no retos pode perfeitamente ser aplicada em qualquer situao

    de obra. Um exemplo de edifcio em concreto com formas no convencionais o Edifcio Mac Gregor

    da Pontfice Universidade Catlica do Peru. O Arquiteto Pedro Belande usou planos no ortogonais

    para a concepo do edifcio. Os gabaritos de ngulo e as faces, cortadas por uma CNC viabilizariam

    o processo de produo deste edifcio, garantindo a fidelidade ao original do arquiteto.

    Figura 10. Edifcio Mac Gregor

  • Em termos de produo de frma, deve-se lembrar que diferentes situaes geram diferentes

    solues e, portanto, diferentes materiais de frma. A indstria do concreto utiliza atualmente frmas

    de pltico e ao, que permitem um reaproveitamento muito maior do que o da madeira. Contudo, essas

    formas so empregadas na produo em larga escala de elementos idnticos. Nesse caso o uso de

    tcnicas de produo automatizadas no se aplicaria. Esta tcnica s apresenta vantagens quando

    existe a necessidade de execuo de elementos especficos e personalizados, um conceito conhecido

    como customizao em massa.

    Contudo, a implantao da tecnologia de produo automatizada traz alguns problemas. Em

    primeiro lugar, a construo civil no Brasil reconhecidamente a maior empregadora de mo de obra

    no especializada no pas, portanto existe uma questo social a ser resolvida. No se pode

    simplesmente descartar os trabalhadores que no possuem qualificao para operar mquinas CNC.

    Prope-se que a implementao desta tecnologia comece na base: no treinamento. Antes de

    adotarmos a tecnologia no canteiro de obra, deve-se montar e planejar o treinamento correto para ser

    lecionado em instituies como o SENAI, que so reconhecidas pelo ensino tcnico e

    profissionalizante. O processo todo de implementao deve comear com isso.

    Alm disso, observou-se que devido manuteno da mquina CNC, o usurio acaba tendo

    uma certa dependncia com o fabricante. difcil encontrar as peas certas de reposio, apesar de a

    mquina parecer ter montagem simples. Para que isso no ocorra no canteiro e para diminuir o custo

    de mobilizao da mquina, deve-se estudar a montagem da mquina na obra: os componentes

    necessrios, os passos a serem seguidos e quais os cuidados. Sabe-se que as grandes obras da

    Europa, como as torres Zollhoff, que incorporaram tecnologia CNC, tinham mquinas montadas no

    canteiro.

    Por fim, baseado no curso de Engenharia Civil da Unicamp e comentrios dos estudantes que

    tiveram contato com este estudo, o ensino de Engenharia Civil muitas vezes no prepara os alunos

    suficientemente para modelagem em software CAD, tendo em vista a possibilidade de produo

    automatizada de peas para a construo. So poucos os alunos que conseguem realizar uma

    modelagem 3D com bom grau de detalhe, exceo daqueles que fizeram alguma monitoria ou

    Iniciao Cientfica na rea. Alguns professores ainda comentam que essa deficincia comum at

    mesmo nos cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Design. Em outras palavras, o mercado no conta

    com engenheiros prontos para absorver e dominar a tecnologia em estudo.

    Trabalhos Futuros

    Neste trabalho s se analisaram questes relativas geometria e montagem de formas

    produzidas em madeira, com equipamento CNC. Ainda h muito a estudar. Primeiramente, em

    projetos de frma de madeira h contraventamentos, travamentos e tirantes para evitar que a frma

    deforme e para que a frma resista aos esforos da vibrao na fase de concretagem. Isso no foi feito

    ou calculado neste trabalho. A espessura madeira tambm no foi dimensionada por mtodos

    cinetficos. Deve-se aprimorar a tcnica de projeto de frma para que formas complexas possam ser

    desenvolvidas.

    Sabe-se que o uso de processos de produo automatizados reduz desperdcios de material e

    de tempo, melhorando o processo de produo, mas no se sabe quanto. necessrio desenvolver

  • uma metodologia de implementao dessa tecnologia no cronograma e no oramento da obra. Deve-

    se desenvolver mtodos de estimativa de custo baseados nos insumos da mquina e na sua

    depreciao, assim como o processo de montagem da mquina no canteiro, quais atividades devero

    ser feitas para promover isso e quanto tempo a mobilizao do pessoal para a montagem da mquina

    levaria. Enfim, h ainda vrios testes e estudos a serem feitos; este trabalho constitui-se apenas em

    um primeiro passo nessa direo.

    Agradecimentos

    Os autores agradecem ao professor Ariovaldo Denis Granja por suas sugestes e comentrios sobre o

    trabalho; aos funcionrios do Laboratrio de Materiais de Construo da FEC; aos funcionrios do

    LAPAC; e FAPESP pela concesso de bolsa de iniciao cientfica ao primeiro autor.

    Referncias Bibliogrficas

    [1] BUSWELL, R. A.; SOAR, R. C; GIBB, A. G. F.; THORPE, A.; Freeform Construction: Mega-scale

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    desafio para o ensino da arquitetura. 2009. 259f. Dissertao. (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo)

    Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas,

    Campinas, SP.

    [3] MITCHELL, W. J.; MCCULLOUGH, M. Digital design media. 2 ed. New York, 1995. 280 p.

    [4] PINHEIRO, E. Produo digital de maquetes arquitetnicas: um estudo exploratrio. 2007. 128f.

    Dissertao (Mestrado em Engenharia Civil) Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e

    Urbanismo, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP.

    [5] BONALDO, T. Prototipagem Rpida no Processo de Produo Digita de Edificaes. In:

    WORKSHOP BRASILEIRO GESTO DO PROCESSO DE PROJETOS NA CONSTRUO DE

    EDIFCIOS, 8, 2008, So Paulo, SP. Anais... Campinas, Unicamp, 3 e 4 de novembro 2008. p. 8.

    [6] BUSWELL, R. A.; THORPE, A.; SOAR, R. C; GIBB, A. G. F.; Design, data and process issues for

    mega-scale rapid manufacturing machines used for construition. IN: Automation in Construction, v 17 p.

    923-929. 2009.

    [7] SCHMAL, P. Digital Real. Basel: Birkhauser, 2001.

    ROCHA, Danilo Higa da

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