ESTUDO COMPARATIVO SOBRE VERBOS REGULARES, IRREGULARES ... ? Presente Perfeito ... Verbos irregulares

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    25-Sep-2018

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  • DEPARTAMENTO DE LETRAS E ARTES

    LICENCIATURA EM LETRAS COM A LNGUA INGLESA LINGUA PORTUGUESA III

    PROFESSORA: ANDRIA GALLO

    JOO BOSCO DA SILVA (prof.bosco.uefs@gmail.com)

    ESTUDO COMPARATIVO SOBRE VERBOS

    REGULARES, IRREGULARES, ANMALOS, DEFECTIVOS E ABUNDANTES.

    FEIRA DE SANTANA - BAHIA

    2008

  • 1

    O que veremos a seguir um estudo comparativo entre a Gramtica Tradicional, os Livros didticos e a Lingustica, em relao ao tratamento dado aos verbos irregulares, tratar tambm dos chamados verbos anmalos, defectivos e abundantes.

    Para iniciar, de bom alvitre saber que a Gramtica prescritiva (tradicional ou

    normativa), um termo usado para se referir ao estudo gramatical anterior cincia lingustica, tentando estabelecer uma ordem de normas que determinam o uso apropriado do idioma, como se existisse uma forma certa ou errada. Esta teoria vem desde o sculo XVIII e ainda encontrada no currculo de muitas escolas hoje.

    A partir da teoria estruturalista lingustica de Ferdinand de Saussure, na Europa, e

    Leonard Bloomfield, nos EUA, nas dcadas de 1920 e 1930, passou-se a questionar essa viso prescritiva, priorizando a observar o fenmeno da linguagem e descrev-lo passou a ser mais importante.

    Com o trabalho de Noam Chomsky, nos anos 60, a teoria gerativa trouxe a constatao

    de que a linguagem humana criativa, e que um nativo tem a capacidade de produzir um nmero ilimitado de frases, em oposio ao estruturalismo, mas ambos se opem radicalmente rgida teoria da lingustica prescritiva.

    Por isso o estudo da funcionalidade da gramtica deve ser descritiva, para no

    engessar a dinmica da lngua, acompanhando as transformaes que ocorrem a partir dos fenmenos sociais, culturais, econmicos, etc.

    A linguagem e a sociedade so realidades indissociveis, j que de um lado, a

    linguagem que possibilita ao homem apreender o mundo e posicionar-se criticamente perante s outras pessoas.

    Por outro lado, so as atividades sociais e histricas dos homens que geram a

    linguagem, sua dinmica e sua atualizao. no espao social que a linguagem garante sua prpria existncia e significao.

    Nessa perspectiva, a lngua concebida como um sistema de regras histricas, sociais

    que permitem ao homem a re-construo da realidade, registrando os seus significados culturais. A concepo de linguagem sob uma tica apenas normativa antes de tudo preconceituosa, porque diminui a possibilidade de aceitao da manifestao dessa lngua fora dos chamados padres gramaticais.

    A gramtica internalizada parte da idia de que todo falante nativo sabe a estrutura

    gramatical da sua lngua, para melhor adapt-la sua comunicao, numa aprendizagem e conhecimento produzidos inconscientemente, a partir das relaes sociais. Nesse contexto, seria de bom alvitre que os professores pautassem suas atividades direcionando-as uma perspectiva de que os alunos utilizem esses conhecimentos adquiridos para reflexo do uso adequado da linguagem que melhor convenha na compreenso e expresso na sua comunicao, quer seja escrita ou falada.

  • O professor de Lngua Portuguesa nas escolas tem a responsabilidade de levar ao aluno todos os dados novos, sabendo que sero internalizados, na construo de sua competncia, pela exposio e informaes lingusticas variadas.

    O aluno no deveria ficar decorando o que gramtica, e sim fazendo uso atravs de

    um contato mais intimo com ela, como seu instrumento de reflexo da lngua falada e escrita, pois as palavras so basicamente uma combinao e repetio de elementos (radicais, morfemas e afixos) em diversas significaes. O lxico aumenta sem precisar de radicais novos.

    1. A GRAMTICA TRADICIONAL (NORMATIVA): Faz opo clara pela abordagem a partir da perspectiva da palavra, tanto que a

    morfologia tradicional centrada no estudo das classes de palavras, ao mesmo tempo em que tenta estabelecer as regras gramaticais de uma lngua, posicionando as suas prescries como a nica "forma correta" de sua realizao, determinando como erradas as outras formas possveis. Frequentemente se baseiam nos dialetos de prestgio de uma comunidade linguistica e condenam especificamente as formas adotadas por grupos socio-economicos mais baixos.

    Como a lngua est sempre sofrendo mudanas, muito do que exigido na gramtica normativa j no mais usado pelos falantes de uma lngua.

    2. OS LIVROS DIDTICOS: Trazem as informaes na forma da Gramtica tradicional, para impor aos estudantes

    uma forma dita correta de regras a serem seguidas, numa linguagem tcnica e prescritiva. O uso do Livro de gramtica no ensino da Lngua Portuguesa nas escolas, em geral, vem gerando polmica no decorrer dos anos.

    "A gramtica deve conter uma boa quantidade de atividades de pesquisa, que possibilitem ao aluno a produo de seu prprio conhecimento lingustico, como uma arma eficaz contra a reproduo irrefletida e acrtica da doutrina gramatical normativa" (BAGNO, 2000, p. 87)

    J Luft, diz que a "lngua deve ser vista, analisada e ensinada como entidade viva." Ou

    seja, a todo momento a lngua est se modificando. Um dos grandes problemas dos livros didticos que precisam ser dinmicos,

    empregando mecanismos de atualizao, com muita criatividade, anexando novos termos e retirando outros que caem em desuso ou no esquecimento.

    Sempre que os alunos entendem que as regras cultas so variveis e que o emprego de uma forma pode ser normal numa determinada modalidade lingustica, o seu rendimento escolar poder melhorar.

    Ainda hoje, boa parte do trabalho do corpo docente, com base em nossos livros didticos aprovados pelo MEC, leva os alunos a desaprenderem a pensar sobre a lngua, e a no mais acreditarem na gramtica. Os Parmetros Curriculares Nacionais (PCN), no entanto, preconizam que o domnio da leitura e da escrita por parte dos alunos de fundamental importncia para o desenvolvimento e melhoria da qualidade do ensino.

    Os livros didticos so importantes e s vezes nicos agentes no processo de educao da maioria dos brasileiros, por isso necessrio que sejam adotados os que

  • enriqueam o cotidiano da sala de aula e o desenvolvimento do aluno, enquanto usurio da lngua. Nossa concepo metodolgica, orientada pelos PCN (1999: 19), enfatiza que:

    O domnio da linguagem, como atividade discursiva e cognitiva, e o domnio da lngua, como sistema simblico utilizado por uma comunidade lingustica, so condies de possibilidade de plena participao social. Pela linguagem os homens e as mulheres se comunicam, tm acesso informao, expressam e defendem pontos de vista, partilham ou constroem vises de mundo, produzem cultura.

    3. OS LINGUISTAS: J os linguistas sugerem que a abordagem a partir dos morfemas mais sensata,

    dadas as dificuldades encontradas para delimitar o conceito de palavra. Embora as gramticas normativas sejam comuns no ensino formal de uma lngua, a sociolingustica vem favorecendo o estudo da lngua como ela realmente falada, e no como ela "deveria" ser falada.

    A gramtica defendida pelos linguisticas prope descrever as regras de como uma lngua realmente falada, contrariando o que determina a gramtica normativa. A gramtica descritiva est ligada a uma comunidade linguistica, reunindo formas gramaticais por ela aceita e no tem o objetivo de apontar erros, e sim identificar todas as formas de expresso existentes, alm de verificar quando e por quem so produzidas, numa tica puramente descritiva.

    O grau faz parte da flexo, quando ela feita nos substantivos e nos adjetivos (flexes em gnero; nmero e grau). Mattozo contesta, pois flexo obrigatria e o grau no um mecanismo gramatical obrigatrio.

    As caractersticas dos verbos, na sua utilizao prtica, tem os tempos e os modos verbais.

    Segundo a Gramtica Tradicional, os verbos da lngua portuguesa so classificados em

    Regulares, Irregulares, Anmalos, Defectivos e Abundantes. Faremos um breve estudo sobre cada um deles.

    1. VERBOS REGULARES: So aqueles em que o radical permanece o mesmo em toda a conjugao. Ex: cantar.

    Presente Perfeito Radical VT DMT DNP Radical VT DMT DNP Cant O Cant e- i Cant a- S Cant a- ste Cant a Cant o- u

    2. VERBOS IRREGULARES: Segundo Zannoto, so os que no seguem o mesmo padro estrutural dos verbos

    regulares, e cujos radicais, tema ou desinncias se alteram ou no seguem o modelo da conjugao a que pertence. Essas irregularidades podem ocorrer desde uma simples alternncia voclica at a ocorrncia de radicais supletivos para o mesmo verbo, nos

  • chamados anmalos. So agrupados em conjuntos que, de certa forma, passam a apresentar um grupo de regularidade interna nesse mesmo grupo.

    Sofrem algumas modificaes em relao aos paradigmas da conjugao a que pertencem. Exemplos: resfolegar, caber, medir ("eu resfolgo", "eu caibo", "eu meo", e no "eu resfolego", "eu cabo", "eu medo").

    Zannoto apresenta vrios tipos de irregularidades dos verbos: Inicialmente no radical, que ocorre na P1 IdPr e na P2 Idt2. Dessas duas pessoas originam-se vrios tempos que apresentam a mesma estrutura das formas que lhe deram origem.

    Irregularidade na P1 IdPr: apresenta as particularidades como: ditongao pelo acrscimo de uma semivogal (caibo) ou acrscimo de consoante (vejo) ou troca de consoante do radical (digo) ou troca de vogal do radical (durmo) ou travamento nasal do radical (ponho).

    Em todos esses casos, a irregularidade constatada no P1 e IdPr estende-se aos tempos e pessoas dela derivadas.

    a) Verbos irregulares terminados em "iar": Mediar, Ansiar, Remediar, Incendiar, Odiar e Intermediar.

    b) Para o presente do indicativo, as terminaes so: -eio,-eias,-eia,-iamos,-iais,-eiam. Exemplos: i) Eu incendeio, tu incendeias, ele incendeia, ns incendiamos, vs incendiais, eles

    incendeiam. ii) Eu anseio, tu anseias, ele anseia, ns ansiamos, vs ansiais, eles anseiam. c) No presente do subjuntivo, as terminaes so: -eie, -eies, -eie, -iemos, -ieis, -eiem. Exemplos: i) Ela quer que eu incendeie tudo. ii) Espero que voc medeie a discusso. iii) Fao questo de que eles remedeiem o mal causado. iv) Ser necessrio que algum intermedeie a negociao. d) H trs espcies de verbos irregulares: i) Quando a irregularidade se d no radical (ou tema = irregularidade temtica) Ex.: perder/ perco (o radical perd se transformou em perc. Ferir: firo (o radical fer

    transformou-se em fir). ii) Quando se d na desinncia (irregularidade flexional): Ex.: dar/ dou (a desinncia

    regular da 1 p.s. do indicativo da 1 conjugao -o). iii) Quando ocorre ao mesmo tempo no tema e na desinncia (irregularidade temtico-

    flexional): Ex.: caber/ coube (houve alterao no radical, que de cab passou para coub, e, ao mesmo tempo, na desinncia, que no paradigma -i).

    2.1 - VERBOS ANMALOS: So anmalos por causa de grandes irregularidades nos seus radicais, que so

    formados a partir de diferentes verbos. No seguem os paradigmas da conjugao a que pertence, sendo que muitas vezes o radical diferente em cada conjugao. Exemplos: ir, ser, ter ("eu vou", "ele foi"; "eu sou", "tu s", "ele tinha", "eu tivesse", e no "eu io", "ele iu", "eu sejo", "tu ss", "ele tia", "eu tesse").

    O verbo "pr" pertence segunda conjugao e anmalo a comear do prprio infinitivo).

  • Desses verbos existem dois com irregularidades mais profundas no R. IR e SER, com radicais totalmente distintos.

    O verbo anmalo pr (nico com o tema em o), com seus compostos, tambm considerado da segunda conjugao devido sua forma antiga (poer).

    Exemplos: a) Verbo SER (originrio das formas latinas "sedere" e "esse"): sou, s, , somos, sois,

    so. b) Verbo IR (originrio das formas latinas "ire", "vadere" e "fugere"): vou, vais, v... irei,

    irs, ir... fui, foste, foi... Caractersticas: i) Eles so iguais nos pretritos Perfeito e Mais-que-Perfeito do Indicativo; no Imperfeito

    e no Futuro do Subjuntivo. ii) Suas conjugaes incluem mais de um radical. Exemplos: a) Verbo SER: sede era b) Verbo IR: vou, fui, irei. iii) Sofrem profundas alteraes em seus radicais. Exemplos: a) Verbo SER ocorrem radicais diferentes: Exemplo: sede, era. b) Verbo IR: da mesma forma. Exemplo: vou, fui, irei. 2.2 - VERBOS DEFECTIVOS: aquele de conjugao incompleta, ou seja, aquele que no tem todas as formas e

    no possuem a conjugao completa, no podendo ser usados em certos modos, tempos ou pessoas. A maioria desses verbos no faz parte do vocabulrio corrente. O conhecimento da sua existncia, em geral, obtivo nas gramticas tradicionais. Exemplos: reaver, precaver - no existem as formas "reavejo", "precavenha" etc.

    Segundo Zannoto, os defectivos no possuem a P1 IdPr, falta-lhe os tempos derivados. A defectividade verbal se explica mais pela falta de uso de determinados verbos (em

    determinados modos, tempos ou pessoas), que pela irregularidade fontica. Vejamos dois exemplos de verbos que s so conjugados nas formas em que ao

    radical segue "i", ou seja, nas formas arrizotnicas. A defectividade s se verifica no presente do indicativo, presente do subjuntivo e

    imperativo, seno vejamos: i) Verbo ABOLIR: O presente do indicativo comea na segunda pessoa do singular: ii)Verbos FALIR: No presente do indicativo, s conjugado em duas formas:

    PRONOMES PESSOAIS

    PRESENTE INDICATIVO

    IMPERATIVO AFIRMATIVO

    PRONOMES PESSOAIS

    PRESENTE INDICATIVO

    IMPERATIVO AFIRMATIVO

    Eu - - eu - - Tu aboles abole tu - - Ele abole - ele - - Ns abolimos - ns falimos Vs abolis aboli vs falis fali Eles abolem - eles - -

  • Sempre que o usurio da lngua se v diante de uma forma inexistente de um verbo

    defectivo ele o substitui ou por um verbo sinnimo (verbo recuperar no lugar do verbo reaver) ou usa uma construo perifrstica (estou colorindo ao invs de coloro).

    iii) Verbo reaver: Um dos verbos mais difceis de usar o verbo "reaver", que significa

    possuir outra vez, recuperar. O verbo "reaver" defectivo, sua conjugao absolutamente irregular.

    O presente do indicativo desse verbo incompleto, havendo apenas duas formas: ns

    reavemos, vs reaveis. Como as demais formas no existem, aconselhvel usar sinnimos como o verbo "recuperar".

    J no pretrito perfeito existem todas as formas (alis, no existem verbos sem o pretrito perfeito). Se "reaver" fosse verbo regular, poderamos dizer "eu reavi". Como irregular, apresenta-se assim: Eu reouve, tu reouveste, ele reouve, ns reouvemos, vs reouvestes e eles reouveram.

    A 2 pessoa do singular do pretrito perfeito gera a raiz de todos os tempos derivados.

    Basta tirar as trs ltimas letras (reouveste - "ste" ) para chegar raiz reouve: > reouve + sse = reouvesse (imperfeito do subjuntivo) > reouve + ra = reouvera (Mais-que-perfeito) > reouve + r = reouver (Futuro do Subjuntivo) Obs: Os verbos defectivos no so incompletos nos pretritos e nos futuros. Ex: o

    verbo precaver conjugado em todas as formas: eu me precavi, ele se precaveu, eles se precaveram, se eu me precavesse, se ele se precavesse, se eles se precavessem etc.

    Tambm comportam-se como defectivo os verbos que transmitem a idia de

    fenmenos da natureza, que no sentido prprio so impessoais e na terceira pessoa (chover, venrtar etc.). No possuem a P1 IdPr, faltando, em virtude disso, os tempos derivados.

    O presente do indicativo s conjugado nas trs pessoas do plural, entretanto a gramtica natural, consagrada pelo uso, conjuga-o em todas as pessoas, tempos e modos.

    Outros como precaver-se e reaver s tem a P4 e P5 do IdPr e a P5 do IpAf. Bechara (1982, 107) afirma que a defectividade verbal devida a vrias razes, enrtre

    elas a eufonia e a significao (...). A primeira pessoa do singular do verbo colorir (coloro) no se mostra igualmente exigente com a 1 pessoa do verbo colorar. (...).

    As irregularidades na P2 IdPt2 tambm assumem relevncia, repetindo os tempos

    derivados no IdPt3, SbPt e SbFt. P2 IdPt2 IdPt3 SbPt SbFt

    DISS-E-ste DISS-E-ra DISS-E-sse DISS-E-r DISS-E-ra-s DISS-E-sse-s DISS-E-re-s DISS-E-ra DISS-E-sse DISS-E-r DISS--ra-mos DISS--sse-

    mos DISS-E-r-mos

    DISS--re-is DISS--sse-is DISS-E-r-des DISS-E-ra-m DISS-E-sse-m DISS-E-re-m

  • Outros exemplos: Coubeste, fizeste, puseste, vieste. Alternncia voclica morfema R. a troca de vogal do radical da P1 e da P3 do IdPt2,

    sendo essa a nica marca distintiva das pessoas.. P1: fiz, tive, estive, pude, pus, fui. P3: fez, teve, esteve, pde, ps, foi. H verbos defectivos que so regulares, porque na sua flexo no tm alterao do

    radical e flexionam consoante o modelo (ex.: nevar, chover, banir), e h os irregulares (ex.: haver, na acepo de "existir", convir).

    Observao: Segundo Evanildo Bechara, Muitos verbos apontados outrora como

    defectivos so hoje conjugados integralmente: agir, advir, compelir, desmedir-se, discernir, embair, emergir, imergir, fruir, polir, prazer, submergir. Ressarcir e refulgir [...] tendem a ser empregados como verbos completos.

    2.3 - VERBOS ABUNDANTES: So aqueles que apresentam mais de uma forma para a mesma flexo. Geralmente

    ocorrem no particpio regular e irregular. Exemplos: encher - enchido, cheio; fixar - fixado, fixo, havemos/hemos,

    constri/construi, faze/faz tu etc. A abundncia no verbo notada com maior frequncia no particpio. Alguns verbos

    apresentam, alm do particpio regular (terminao -ado; -ido) outra forma irregular (aceitado / aceito; entregado / entregue).

    i) particpio regular, terminado em - ado, - ido, usado na voz ativa, com o auxiliar ter (tido) ou haver (havido),

    ii) particpio irregular, com outra terminao diferente, usado na voz passiva, com o auxiliar ser ou estar.

    Verbos que o particpio irregular. abrir, cobrir, dizer, escrever, fazer, pr, ver e vir Obs: Os verbos gastado, ganhado e pagado esto caindo ao desuso, sendo

    substitudos pelos irregulares gasto, ganho e pago. Os verbos Rizotnicos: (do grego riza, raiz) so os vocbulos cujo acento tnico incide

    no radical (Ex.:canto); e os Arrizotnicos: so os vocbulos que tm o acento tnico depois do radical (Ex.:cantei)

    CONCLUSO:

    Neste trabalho constatamos que o fenmeno lingustico anterior e superior sua

    descrio gramatical e quando um linguista descreve e interpreta um idioma para proporcionar uma viso aos estudantes, est criando uma gramtica geral.

    A gramtica comparada no seno a sua comparao e interpretao na tica de

    quem fala e conhece outro idioma. Numa viso da gramtica gerativo-transformacional, os tradicionais conceitos de "certo"

    e "errado", cedem lugar ao que Chomsky denomina de gramtica "usual" e "no-usual", ou "autntica" e "no-autntica", como formas passveis de serem usadas por falantes nativos.

  • A no-usual, que na conceituao tradicional seria considerada "errada", pode cumprir a finalidade principal da sua existncia, que de se comunicar.

    Tambm observamos que quase sempre quando ocorre irregularidade no tempo

    primitivo do verbo, essa irregularidade passa para os respectivos tempos derivados. Interessante perceber que o verbo pode ser irregular apenas em algumas de suas

    flexes, e em outras no. Como por exemplo, o verbo pedir possui no presente do indicativo uma irregularidade que s caracteriza a primeira pessoa do singular (peo, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem).

    Quanto morfologia, os verbos regulares so os que flexionam sempre de acordo com

    os paradigmas da conjugao a que pertencem. Os Irregulares so os que sofrem algumas modificaes em relao aos paradigmas da conjugao a que pertencem. Os Anmalos so os que no seguem os paradigmas da conjugao a que pertence, sendo que, muitas vezes, o radical diferente em cada conjugao. Os Defectivos so os que no tm uma ou mais formas conjugadas. E por fim, os Abundantes, que so os que apresentam mais de uma forma de conjugao.

    Aquilo que o aluno sabe, reflete a sua capacidade de absorver o que a gramtica

    internalizada lhe ofereceu, usando-a sem preconceito e nas formas possveis, para facilitar a sua comunicao, pois sabemos que isso tarefa da gramtica descritiva. J a explicitao da aceitabilidade ou rejeio dessas formas, bem como a exigncia do domnio e adequao do seu uso tarefa da gramtica normativa.

    REFERNCIAS: [01] TERRA, Ernani. Cusrso Prtico de Gramtica. Ed. Scipione, S. Paulo, 1999. [02] SARMENTO, Leila Lauar. Gramtica em textos. Ed. Moderna, S.Paulo, 2001. [03] ERNANI E NICOLA. Prticas de linguagem. Ed. Scipione, S. Paulo, 2001. CMARA JR, Joaquim Mattoso. Dicionrio de Lingustica e gramtica. Ed. Vozes, 26 edio, R.J. 1997. [04] PERINI, Mrio A. Gramtica descritiva do portugus, 2 edio. Edit. rtica, 1996. [05] BAGNO, Marcos. Preconceito lingustico: o que , como se faz. 13 edio. Edit. Loyola, S.Paulo, 1999. [06] TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramtica e interao: uma proposta para o ensino de gramtica no 1 e 2 graus. Editora Cortez, S,. Paulo, 1997. [07] SOARES, Magda. Linguagem e escola: uma perspectiva social. 17 ed. So Paulo: tica, 2001.

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