Ergonomia Montmollin Vocabulario de Ergonomia

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    13-Jun-2015

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Texto traduzido para uso acadmico do Grupo de Pesquisa Actividade (coord. por Milton Athayde), vedado seu uso comercial O texto uma composio. Baseou-se em ltima instncia no texto original (neste caso trata-se dos verbetes Ergonomia e Ergonomias) presente no Vocabulaire de lErgonomie, org. por M. de MONTMOLLIN, publicado em 1995 pela ed. Octars de Toulouse (consideramos aqui a 2 edio revista e ampliada, de 1997, pp. 135-142). Em 1998 o mesmo texto (relativo apenas ao verbete Ergonomias) foi publicado em espanhol como captulo do livro Ergonoma: conceptos y mtodos, org. por J. J. Castilho & J. Vilhena, pela ed. Complutense de Madri (pp. 69-77). Optamos por iniciar a traduo pela edio espanhola (mais recente), trabalho realizado pelos psiclogos Ilana Teixeira Zenaide e Vladimir Athayde. Em seguida o texto foi cotejado com o francs para dirimir dvidas, trabalho realizado por Vladimir Athayde/ENSP-Fiocruz. Conclumos com reviso tcnica e notas de Milton Athayde/UERJ.

__________________________________________________________________ Ergonomia Maurice de Montmollin O termo Ergonomia, em francs, foi inicialmente uma traduo do vocbulo ingls ergonomics (fundao da Ergonomic Research Society, Oxford, 1949). O vocbulo foi forjado a partir do grego ergon (trabalho) e nomos (lei). No possvel dar em algumas palavras a definio de um termo que remete a diferentes abordagens, s vezes opostas. Da a preferncia pelo vocbulo Ergonomias (no plural). neste sentido que o conjunto deste Vocabulrio constitui-se em uma tentativa de definio da ergonomia, cujos problemas de fronteira so discutidos no Prefcio.

Ergonomias Maurice de Montmollin O plural aqui caracteriza a abordagem prtica: parece impossvel definir Ergonomia no singular, como se pode ao que parece fazer com disciplinas cuja histria se estabilizou dentro de fronteiras reconhecidas, de forma majoritria, como a Fsica, a Psicologia ou a Sociologia. Ainda que seja cmodo e necessrio, por necessidades editoriais, dar como ttulo A Ergonomia no caso das obras comuns e Ergonomia no caso das enciclopdias, aqui o termo as Ergonomias se impe, no sentido descritivo e no normativo. O plural, aqui, contudo, modesto: propomos distinguir tanto na histria como nos conceitos e prticas dois principais conjuntos de Ergonomias, referindo-se a dois grandes modelos ou quadros tericos gerais. O primeiro corresponde Ergonomia

clssica mundialmente majoritria, sob domnio americano e britnico que qualificaremos como centrada no componente humano dos sistemas HomemMquina*1 (SHM). O segundo, hoje presente sobretudo nos pases francfonos (Frana, Blgica, Quebec) , ainda que afortunadamente tenda a se universalizar qualificamos como centrado na atividade humana, e mais precisamente, na atividade situada. Estas duas grandes correntes no esto em oposio (ainda que s vezes os ergonomistas que as represente estejam...), mas se complementam. Esta dicotomia entre as duas principais famlias de Ergonomias reside em modelos, marcos tericos e mtodos diferentes. Ela transversal com relao s Ergonomias, quando identificadas em funo dos diferentes mbitos de interveno*. Pode se distinguir entre Ergonomias de aviao, de hospitais, de salas de controle em processos contnuos, de escritrios, de minerao, de computao, de deficientes... Estas distines so necessrias quando os especialistas destes diferentes domnios querem confrontar seus resultados e seus mtodos, como se faz em colquios e publicaes especializadas. Mas, no seio de cada um destes mbitos, encontramos uma linha de separao entre a Ergonomia do componente humano2 e a Ergonomia da atividade humana. Para citar um exemplo, podemos dizer que o clssico estudo acerca das dores de coluna das enfermeiras est mais prximo ao estudo acerca das dores de coluna dos agricultores que da anlise da atividade da equipe de enfermeiras, a qual recorre a modelos anlogos anlise da atividade da equipe de turno de trabalhadores embarcados em um navio. 1. A Ergonomia do componente humano Componente humano aqui a traduo proposta para Human Factors*, como a Associao americana e a revista de mesmo nome. Sim, pois fator humano seria uma denominao ambgua, pois se refere sobretudo, em francs, s correntes de orientao humanista da Psicossociologia das Organizaes, concernindo s relaes humanas. Nas empresas esta abordagem o oposto da corrente denominada Fatores Humanos, bem mais mecanicista, incorporando nos anos cinqenta e sessenta a Engineering Psychology, denominao que caiu um pouco em desuso atualmente, mas que representativa de uma orientao tecnicista dura, sempre muito apreciada.O asterisco aponta para a presena destes conceitos como verbetes no Vocabulrio. [Nota dos tradutores NTs]. 2 Vamos aqui alterar na forma o texto original, colocando em itlico algumas palavras, como o objetivo didtico. [Nota de reviso tcnica de M. Athayde - NRT].1

Os componentes humanos dos sistemas industriais, militares e, mais recentemente, administrativos, no so tanto os homens, mas certas funes destes homens. Funes isoladas por uma dmarche3 analtica voluntria, permitindo assim respeitar as duas maiores exigncias de toda dmarche cientfica (segundo as normas sempre em vigor nos centros de investigao e universidades): a generalizao* e a medida quantitativa. O trabalhador (ou operador*, como hoje se diz) ento descrito em suas relaes com seu ambiente de trabalho (sua mquina no vocabulrio de origem dos Sistemas Homem-Mquina), segundo as funes elementares que compartilha com a grande famlia humana qual pertence: s vezes todo o gnero humano (certas funes implicadas nas sensaes visuais, por exemplo), mas freqentemente limitada aos adultos jovens e com boa sade; uma distino se operando, todavia, entre os dois sexos. A generalizao dos resultados assim obtida desde o incio pela eliminao de todas as variveis estranhas s funes consideradas. Este mesmo mtodo de anlise autoriza a medida quantitativa, permitindo a interpretao dos resultados por comparao das variaes obtidas. Os ergonomistas do componente humano acumularam, desta maneira, uma impressionante quantidade de dados, valorada por sua grande generalidade, pertinentes s principais funes elementares utilizadas no trabalho. Durante muito tempo deu-se prioridade s funes que se referiam ao motor humano (temos que assinalar aqui a importncia histrica da Fisiologia do Trabalho francesa), estudado, por exemplo, quando se pede a algum que levante cargas pesadas (lifting), ou quando se o submete a horrios altamente exigentes4 (trabalho por turnos*). No entanto, muito rapidamente os estudos das funes elementares, relacionados sobretudo sensao e percepo visuais (particularmente nas tarefas ditas de vigilncia) ocuparam um lugar importante, seguindo nisto a evoluo das prprias tarefas, mesmo as que exigiam a deteco e a discriminao de sinais*, mesmo no caso dos trabalhadores considerados manuais. S muito recentemente as funes ditas cognitivas* (ou de interpretao de sinal) foram levadas em conta, para responder s exigncias de tratamento da informao (information processing). Entretanto, no essencial, a Ergonomia do Componente Humano no mais evolui, como o demonstra, por exemplo, a 7 edio da obraMantivemos o vocbulo em francs, conforme frequentemente se faz. Em espanhol foi traduzido por processo. Preferiramos traduzir por perspectiva. (NRT). 4 Horaires contraignants, em francs. O vocbulo transformou-se em um conceito da Ergonomia e vem sendo traduzido por presso, exigncia, etc. H quem tenha preferido criar um neologismo (contrante) ou manter o vocbulo em francs (como se fez com input/output), como muitas vezes venho fazendo. [NRT].3

fundadora de McCormick, cuja primeira edio remonta a 1957 (Sanders & McCormick, 1993), ou ainda a 3 edio (1995) do manual do britnico Oborne. Uma lista significativa dos componentes humanos tradicionalmente estudados est dada no sumrio da obra de vulgarizao de Dul e Weerdmeester (9 edio revisada de 1993): Posturas e movimentos Bases biomecnicas, fisiolgicas e antropomtricas Posturas: deitado, sentado, de p, mos e braos, mudanas de postura Movimentos: levantar, transportar, empurrar, estirar Informaes e operaes Informaes visuais: caracteres, diagramas, percepo de informaes visuais Informaes oriundas de outros sentidos: audio... Comandos: teclados, distines entre teclas, teclas que do informaes, dilogo homem-mquina, diferentes formas de dilogo Fatores do meio ambiente Rudos Vibraes Luminosidade Clima Substncias qumicas As exigncias de generalizao e de medida quantitativa quanto aos componentes humanos elementares (fala-se tambm de mecanismos de base*, ou at primitivos) tm conseqncias metodolgicas imediatas: s a experimentao em laboratrio permite um controle suficiente das variveis independentes e dependentes selecionadas pelo plano experimental. Alm disto, dado que as funes estudadas no so especficas de situaes* naturais de trabalho, no h outras exigncias para a escolha dos sujeitos experimentais seno ser representativo da espcie humana, eventualmente restrito aos jovens adultos de boa sade. por isso que a grande maioria dos sujeitos das experincias publicadas so estudantes, mais disponveis e menos custosos que os prprios trabalhadores. A Ergonomia do Componente Humano no necessita, em absoluto, de uma anlise do trabalho. Ela substituda pela construo de uma lista de exigncias da tarefa, em geral estabelecida atravs de perguntas realizadas aos chefes, a partir de questionrios pr-elaborados, com bases de dados sobre as caractersticas humanas supostamente presentes nas tarefas em foco. Experimentaes mais especficas so conduzidas quando

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os dados padres so insuficientemente precisos; mas se trata sempre de funes isoladas. Cincia em primeiro lugar (mas uma cincia a-terica), aplicaes em seguida. O contraste com a abordagem anterior claro. Atividade, nesta Ergonomia, significa que no so mais funes gerais que so levadas em conta, de forma isolada, mas comportamentos* (gestos, olhares, palavras) e raciocnios*..., tais como se apresentam nas situaes naturais de trabalho, atuais ou por conceber. Situaes e no somente postos de trabalho*, ou dispositivos tcnicos (como mquinas, ferramentas, software). No s o usurio* destes dispositivos que levado em conta, como antes, mas sua utilizao pelo operador. A dimenso temporal (ver o verbete Tempo*) fundamental nesta abordagem (enquanto ela est ausente nas taxonomias clssicas). Da a importncia dada anlise da atividade e anlise de campo, sempre que possvel. Uma anlise do trabalho que no se contente apenas com o estatuto dos mtodos, mas que busque a construo de modelos especficos, resultantes de marcos tericos especficos; no se confundindo ao menos no sempre com os modelos das cincias-mes (como a Psicologia, por exemplo). Tal orientao permite chegar a resultados de grande riqueza e de grande pertinncia para a ao, mas, freqentemente, tm um dbil poder de generalizao. Temos que destacar, no entanto, que esta importncia dada anlise da atividade no significa que a Ergonomia a se identifique inteiramente. A Ergonomia uma tecnologia, cujo objetivo final a melhoria do trabalho. Ela pode, em certos casos, alcanar este objetivo sem passar por uma minuciosa anlise da atividade. E certas generalizaes so possveis, portanto, a partir dos resultados anteriores. Alm do mais, a anlise da atividade pode ser utilizada em outros domnios que no o trabalho por exemplo, a psicoterapia e levar em conta outras variveis por exemplo, do mbito do afetivo, da vivncia, etc. , variveis at aqui descartadas pela Ergonomia.

3. Ergonomias complementares, embora com ambigidades As duas abordagens acima descritas podem ser consideradas complementares ou, mais exatamente, hierarquizadas. A Ergonomia dos componentes humanos permite conceber dispositivos tecnolgicos (da escova de dentes cabine espacial, para citar dois exemplos reais) adaptados s caractersticas e limites dos seres humanos (uma das definies da Ergonomia clssica). Isto considerando funo por funo, dentro da

grande tradio da Psicologia Geral (ou da Fisiologia Geral), antes mesmo que se saiba exatamente quais operadores e em quais contextos integraro estas funes para atuar. possvel assim estabelecer normas*. Poderamos dizer que se trata de uma Ergonomia de primeiros socorros que evita as dificuldades e erros devidos, por exemplo, a assentos muito baixos, calor excessivo, rudos insuportveis, legendas ilegveis, telas deslumbrantes e, mais recentemente, interfaces insuficientemente amigveis. Todos eles elementos de um posto de trabalho individual, abstrado de seu contexto.Pode-se dizer que a Ergonomia centrada sobre a atividade vai adiante, uma vez asseguradas estas bases indispensveis. Ela considera um operador bem sentado, bem iluminado, que dispe de informaes acessveis e legveis, podendo ento se interessar por sua atividade real, temporal, complexa, inesperada, bizarra, aparentemente inventiva e s vezes imperfeita...Tal como ela aparece na anlise de campo, ou tal como pode ser antecipada quando da concepo* de situaes futuras. Hoje so, sobretudo ainda que no exclusivamente as atividades ditas cognitivas que so estudadas (a Ergonomia Cognitiva constituindo assim uma certa autonomia). Ou seja, para ser breve, as atividades em que o essencial constitudo pela compreenso*, por parte do operador, de situaes s quais ele d uma significao. Situaes que comportam quase sempre uma dimenso coletiva*. aqui onde a complementaridade entre as duas Ergonomias pode, s vezes, levar a um conflito. Pois os ergonomistas que analisam as atividades cognitivas complexas (por exemplo, os diagnsticos* de incidentes por parte da equipe de turno em uma sala de controle de processo contnuo, para dar um exemplo conhecido) aceitam, claro, a necessidade preliminar de que as informaes sejam apresentadas de maneira legvel. Em compensao, no aceitam pois contraria a evidncia de campo que a soluo de problema* que constitui o diagnstico de disfuncionamento da instalao possa se reduzir a alguns mecanismos de base, tal como certos psiclogos cognitivistas o descreveram, a partir de experincias simplificadas de soluo de problemas, como a Torre de Hani. Este reducionismo ilusrio foi batizado por alguns como metfora de Lego, por analogia com o jogo de montagem que permite a partir de um nmero finito de peas tiradas de um pote construir qualquer objeto, mas com a condio de renunciar ao realismo que a vida industrial exige. preciso entretanto reconhecer que, com muita freqncia, os ergonomistas do componente humano renunciam prudentemente a aventurar-se sobre reas de grande complexidade.

A complementaridade das duas Ergonomias est assim assegurada pelas duas partes, mas de uma maneira assimtrica. A Ergonomia clssica ignora amplamente a Ergonomia da atividade, e atribui os domnios que esta reivindica a atividade em sua verdadeira grandeza a outras disciplinas, como as cincias da organizao, ou certas abordagens das cincias da comunicao. O que contestado, claro, pelos ergonomistas centrados na atividade. Com ainda mais energia do que alguns dissidentes dos Human Factors eles tentaram primeiro com referncia na abordagem sistmica, e mais recentemente sob o rtulo de Macroergonomia* elevar a Ergonomia clssica, mas economizando tanto nos rigores de laboratrio quanto nas riquezas da anlise da atividade em situao natural. Na realidade, claro, as partes no esto assim to separadas, e o oportunismo aterico no somente praticado, como tambm s vezes reivindicado. 2. Objetivos diferentes Para complicar um pouco a descrio das Ergonomias, pode ser til introduzir a diversidade de objetivos perseguidos. A Ergonomia clssica, desde suas origens, se define como A adaptao da mquina ao homem (retomando o ttulo de uma das primeiras obras publicadas em francs5). Falou-se, em seguida, de melhoramento das condies de trabalho*. As ideologias tecnicistas americanas a conduzem, tanto quanto as ideologias humanistas francesas, mais preocupadas com a proteo da sade do que com a produo. A Ergonomia centrada na atividade nasceu, tambm ela, deste projeto geral, mas pretende chegar a uma maior eficcia graas a um maior realismo. Recentemente, no entanto, a anlise da atividade levou alguns ergonomistas a introduzirem em seus objetivos no somente a adaptao da mquina ao homem, mas o que seria at ento considerado como sacrilgio a adaptao do homem mquina, no somente concebendo assistncias ao trabalho* (em particular assistncias em linha), como tambm remontando formao6. So, sobretudo, as exigncias cognitivas das tarefas, induzidas pelas novas tecnologias de informao, que levaram a esta ampliao (devido tambm, talvez, s debilidades tericas dos profissionais de formao). A simplificao do trabalho (postura tomada de emprstimo pelos ergonomistas ao taylorismo primitivo) cada vez menos possvel (e desejvel, por outroO autor se refere a Faverge, J. M. ; Leplat, J. & Guiguet, B. L addaptation de la machine a lHomme. Paris: PUF. 1958. (Nota dos editores do livro em espanhol). 6 Em portugus, conforme uma influncia norte-americana utiliza-se geralmente a expresso treinamento e desenvolvimento T&D. [NRT].5

lado), e uma competncia rica, que permita adaptaes mltiplas a situaes complicadas exige que as ferramentas postas disposio dos operadores compreendam tambm suas prprias ferramentas cognitivas. 5. mbitos de interveno que se diversificam Durante muito tempo os domnios de interveno dos ergonomistas situaram-se nas indstrias e nas foras armadas, principalmente nas manufaturas, nas indstrias de processo contnuo e nos transportes (sobretudo aviao). Hoje, particularmente devido aos desenvolvimentos da informtica, as atividades tercirias (os escritrios, os guichs de atendimento ao pblico, o setor de servios em geral, principalmente os hospitais, as escolas...) vieram somar-se. Enfim, alguns ergonomistas comeam a interessar-se, ainda que timidamente, pelas atividades no-assalariadas, principalmente as dos usurios de atividades de utilizadores de produtos* de grande consumo. Seria errneo, no entanto, dar muita importncia diversidade destes mbitos de evoluo da Ergonomia. Ela certamente afeta as prticas de interveno, que exigem uma certa especializao, mas no diretamente os modelos* e mtodos de anlise do trabalho. 6. A Ergonomia nos campos disciplinares necessrio, ainda, distinguir a Ergonomia do componente humano da Ergonomia centrada na atividade. A primeira se quer completamente tributria das disciplinas-me, das quais ela faz a gesto de seus domnios de aplicao. Ela no tem qualquer escrpulo dessa ordem que afete a sua identidade acadmica. As tentativas recentes de abrir para as aplicaes os nveis sistmicos e macro no colocam problemas de princpio, nesta perspectiva. Basta ampliar a biblioteca de base, nas sesses de cincias humanas e cincias da organizao. Os problemas de identidade, portanto, so somente de ordem profissional: como, em particular, tornar reconhecida a especificidade da Ergonomia para os engenheiros, sempre e em qualquer parte persuadidos em poder assumir sozinhos a integrao dos fatores humanos. A Ergonomia centrada na atividade, ao contrrio, tem problemas de identidade frente a diferentes disciplinas, pois no se trata simplesmente de aplicar seus mtodos e seus modelos, mas de integrar alguns de seus modelos e de seus mtodos aos seus prprios. Vai-se falar de transdisciplinaridade mais que de multidisciplinaridade.

preciso citar aqui as Cincias Cognitivas (e em primeiro lugar a Psicologia Cognitiva), as diversas Cincias da Linguagem, as diversas Sociologias, assim como correntes em fronteiras menos precisas, como a Psicologia do Trabalho, quanto aos domnios de interveno, o behaviorismo e a antropologia* quanto aos modelos e os mtodos7. Problemas de identidade que no so somente cientficos, mas tambm profissionais (os problemas atuais de fronteiras so lembrados no Prefcio do presente Vocabulrio). 7. Clientes diferentes Para compreender as evolues das Ergonomias e, sobretudo, dos ergonomistas, tambm proveitoso falar de suas relaes com seus clientes. As exigncias de ordem industrial produo, qualidade, segurana so moduladas aqui pelo fato de que o essencial da credibilidade, e do crdito, que possuem os que ensinam e pesquisam em Ergonomia, lhes dado primeiramente pelo meio acadmico, defensor da Cincia, e sempre um pouco desconfiado no que concerne s aplicaes, salvo quando h referncia ao menos quanto aos mtodos, ou aos critrios operados pelos avaliadores8 das revistas cientficas. Sem dvida, isto que explica a persistncia, nos estudos publicados, de experimentaes muito bem concebidas, mas sem relao com as demandas da indstria ou do setor de servios. Ao contrrio, os ergonomistas preocupados com modelos e mtodos realmente eficazes, se tm xito como consultores, graas ao sucesso de suas intervenes, so pouco reconhecidos como cientistas no sentido forte pelas instituies acadmicas e cientficas. Estas posies, nos dois casos, so felizmente suscetveis de evolues, que comeam a atenuara a oposio entre a Ergonomia como disciplina e a Ergonomia como profisso. Bibliografia9 1. Relacionada Ergonomia do componente humano DUL, J & WEERDMEESTER, B. 1993. Ergonomics for beginners: A quick reference guide. Londres, Taylor & Francis. OBORBE, D. J. 1995. Ergonomics at work: human factors in Design and Development. Chichester, Jonhn Wiley & Sons.

No texto do Vocabulrio, em francs, aps a referncia Psicologia do Trabalho o autor agrega a Antropologia e encerra. No texto em espanhol o autor se estende, na forma como est no texto traduzido para o portugus, exceto a referncia ao Prefcio. [NTs]. 8 Experts, em francs. [NTs]. 9 O texto do Vocabulrio s faz referncia bibliografia concernente Ergonomia do componente humano. A bibliografia seguinte s est presente no texto contido no livro em espanhol. [NTs].

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SANDERS. M. & MCCORMICK. E. J., 1993. Human Factors in Engineering and Design (7 edio). Nova York, McGraw Hill. 2. Relacionada Ergonomia centrada na atividade (Anlise do Trabalho) AMALBERTI, R.; DE MONTMOLLIN. M.; THEUREAU, J. (Eds.), 1991. Modles en analyse du travail. Bruxelas, Mardaga. LEPLAT, J. (Ed.), 1992. L analyse du travail en psychologie ergonomique. 2 vols. Toulouse: Octares. MONTMOLLIN, M. de, 1967. Les systmes Hommes-Machines. Paris: PUF. OMBREDANE, A & FAVERGE, J. M., 1955. L analyse du travail. Paris: PUF. VATIN. F. (Ed.), 1990. Organisation du Travail et Economie des Entreprises. Paris, Les Editions d Organisation.

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