Ergonomia Integral - ? A Ergonomia Integral, por abordar a ambincia organizacional, contemplando

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    19-Sep-2018

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  • Ergonomia Integral

    1. Conceito

    a ergonomia com base no estudo do Trabalho integral, ou seja, a avaliao do trabalho objetivando alm da deteco dos riscos* biomecnicos, tambm a deteco dos riscos organizacionais objetivos e subjetivos (dentre eles, os psicossociais), assim como, to importante quanto os riscos, a deteco das chances**, tendo como principal objetivo alcanar um trabalho sustentvel adaptando-o s necessidades do trabalhador, promovendo a segurana, sade, produtividade e qualidade de vida, atravs da sua melhoria contnua.

    * Risco: possibilidade de ocorrncia de algo desfavorvel (dano: acidente do trabalho, doena ocupacional, danos morais), ou ainda, dimenso quantitativa da exposio a um perigo. Obs. Perigo, dimenso qualitativa, uma condio ou um conjunto de circunstncias que tm o potencial de causar dano (acidente do trabalho, doena ocupacional, dono moral).

    **Chance: possibilidade de ocorrncia de algo favorvel (melhorias na sade, qualidade de vida, ascenso pessoal/profissional/familiar, etc.), ou ainda, dimenso quantitativa da exposio a uma oportunidade. Obs. Oportunidade, contrrio ao perigo, tambm uma dimenso qualitativa, diametralmente oposta ao perigo, uma condio ou um conjunto de circunstncias que tm o potencial de causar ganhos (melhorias na sade, qualidade de vida, ascenso pessoal/profissional/familiar, etc.). Exemplificando: Um lquido inflamvel armazenado um perigo (qualitativo), cujo risco de causar um dano (perda) varia (quantitativo) em funo da forma como a ele se expe (distncia, etc.). A loteria federal uma oportunidade (qualitativo), cuja chance de causar um ganho varia (quantitativo) em funo da forma como a ela se expe (nmero de bilhetes comprados, etc).

    2. Importncia da Ergonomia Integral na avaliao ambiental, com base na complexidade crescente da sinistralidade acidentria.

  • A experincia adquirida ao longo destas cinco geraes de sinistros laborais determina uma maior facilidade na abordagem de um sinistro em relao ao outro da gerao seguinte, ou seja, quanto mais recente o sinistro, mais complexa a sua avaliao, dada menor experincia acumulada. Por isto podemos observar a crescente complexidade na avaliao dos sinistros laborais ao longo das cinco geraes, assim como dos seus respectivos riscos ambientais. A abordagem dos sinistros de 1, 2 e 3 geraes, ou seja, o Acidente do Trabalho, PAIR e LER-DORT apresentam algum grau de conforto para o avaliador com boa formao em SST/Ergonomia, tanto para fins prevencionistas, quanto para fins periciais. Porm, para os sinistros de 4 e 5 geraes, ou seja, Transtorno Mental e Assdio Moral os recursos tcnicos de avalio disponveis ainda trazem muita dificuldade, controvrsias, visto que seus principais riscos laborais se encontram na ergonomia, no nvel organizacional/psicossocial, riscos estes ainda no bem abordados pelas ferramentas atuais de avaliao do trabalho.

  • A Ergonomia Integral, por abordar a ambincia organizacional, contemplando 36 fatores organizacionais/ psicossociais atravs da ferramenta Voz do Cliente, facilita a avaliao de tais riscos laborais.

    3. Ergonomia biomecnica versus Ergonomia Organizacional. Os recursos aplicados na deteco dos riscos biomecnicos evoluram muito ao longo dos anos, fato no observvel com as ferramentas aplicadas na deteco dos riscos organizacionais. Ferramentas como NIOSH, OCRA, TOR-TOM, RULA, dentre outras, quando bem utilizadas so capazes de atender satisfatoriamente s nossas necessidades de deteco dos riscos biomecnicos, o que no ocorre na deteco dos riscos organizacionais/ psicossociais relacionados aos Transtornos Mentais e ao Assdio Moral por falta de ferramentas adequadas.

    4. Ergonomia Integral: o nome integral no se justifica somente por estudar o trabalho integral, mas por no excluir as demais metodologias.

    Ergonomia Integral, assim por ns chamada, no integral apenas por estudar o trabalho integral (atravs do estudo do produto integral), como pode ser estudado no texto abaixo (Introduo Ergonomia Integral), mas tambm por no ser uma metodologia excludente de outras metodologias, ou seja, uma metodologia que aceita a aplicao de qualquer outra ferramenta, com o diferencial de que alm da abordagem dos riscos biomecnicos, aborda tambm os riscos organizacionais. Assim, as ferramentas mais usadas (RULA, NIOSH, TOR-TOR, OCRA, etc.) se somam metodologia Ergonomia Integral na fase de determinao do risco ambiental. Lenz Cabral

  • Introduo Ergonomia Integral

    1. Conceito: Ergonomia integral o estudo do Trabalho Integral.

    2. Objetivo: Alcanar o trabalho sustentvel, adaptando-o s necessidades do trabalhador, promovendo a sua segurana, sade e motivao, atravs da melhoria contnua de seu Produto Integral.

    3. Trabalho Integral: trabalho, trabalho e trabalho, no-trabalho.

    a predominncia (polarizao) de um trabalho, seja no polo trabalho, seja no polo no-trabalho.

    Polo Trabalho: o Trabalho, Trabalho: Predominncia do atendimento s necessidades externas ao trabalhador. Exemplo: trabalho escravo.

    Polo No-Trabalho: o Trabalho, No-Trabalho: Predominncia do atendimento s necessidades internas do trabalhador. Exemplo: lazer, trabalho voluntrio, etc.

    3.1. O que o trabalho? O que trabalhar?

    O trabalho o atendimento necessidade humana, portanto:

    Trabalhar atender a uma necessidade humana.

    Tradicionalmente, um trabalhador remunerado com um valor previamente combinado para executar uma tarefa, tambm previamente combinada, com base em condies gerais, regras, prazos, padres de qualidade, etc. Em outras palavras, trabalhar como se fosse o conjunto de atividades para o cumprimento de uma tarefa prescrita em troca de um ganho tambm prescrito,

  • portanto a troca do salrio pela realizao de uma tarefa, ambos, salrio e tarefa, previamente combinados. Portanto o produto de um acordo. Ou ainda, o trabalhador trabalha para receber o salrio e o contratante/empregador para ter sua tarefa concluda, atravs de um produto que pode ser um bem ou um servio. Portanto, uma troca entre um produto e um valor, tudo objetivamente prescrito (acordo). Mas, ser que o objetivo de trabalhar, assim como o de uma caminhada diria , respectivamente o de receber um salrio com valor definido ou percorrer uma distncia definida? Ou seria o salrio a ser recebido assim como a distncia a ser percorrida, apenas uma referncia objetiva, como que escondendo toda uma imensa dimenso subjetiva? Afinal, o objetivo de caminhar, assim como o de trabalhar tem como referncia objetiva um valor definido: tantos quilmetros em tanto tempo e tantos reais por ms. Porm, ao interrogar sobre a dimenso subjetiva da caminhada, provavelmente a resposta no ser alcanar tantos quilmetros, mas sim outros vrios objetivos como melhorar a sade, viver melhor, perder peso, lazer, etc. Assim como a dimenso subjetiva do trabalho ser garantir a dignidade, segurana, moradia, atendimento s necessidades interiores, etc. Por outro lado, no seria considerado como sendo trabalho a realizao de tarefas realizadas pela tradicional dona-de-casa, assim como o trabalho voluntrio o at mesmo o trabalho escravo, pela falta do salrio, referncia objetiva. Pode-se ento perceber que o conceito de trabalho bem mais complexo do que esta viso reducionista de troca de um ganho pecunirio pelo cumprimento de uma tarefa, conceito este que, embora tendo evoludo ao longo da histria, ainda no atende s necessidades atuais da completa compreenso do que vem a ser trabalho/trabalhar, conforme quadro abaixo:

    Conceitos gerais de trabalho

    ...aplicao de foras e faculdades humanas, talentos e habilidades, para alcanar um determinado fim...

    ... Neste Sculo XXI, trabalhar benefcio pessoal e social. Por meio do exerccio profissional tico, as pessoas obtm recursos para subsistncia e ajudam os familiares. Alm do mais, a tarefa traz benefcios sociedade...

    ... Em Julho de 2006, em artigo publicado pelo jornal Gazeta do Povo, o psiclogo e consultor de empresas Tonio Dorrenbach Luna, diz: produzir algo uma necessidade bsica do ser humano, d sentido vida. S que quase toda essa produo ficou ligada ao trabalho. No mesmo artigo, o socilogo Alexsandro Eugnio Pereira, professor do UnicenP, diz que a cultura do trabalho to forte, que traz sensao de culpa aos momentos de lazer...

  • ... trabalho o esforo humano dotado de um propsito e envolve a transformao da natureza atravs do dispndio de capacidades fsicas e mentais...

    ... trabalho como qualquer atividade fsica ou intelectual, realizada por ser humano, cujo objetivo fazer, transformar ou obter algo...

    ... Exerccio material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa...

    ... Aplicao da atividade humana a qualquer exerccio de carter fsico ou intelectual...

    Porm, existe um ponto comum em todo o trabalho. O ser humano um ser incompleto, ou segundo Aristteles, o homem por natureza um ser social. Viver em sociedade uma necessidade comum. To comum que, em todo tipo de trabalho pode ser claramente identificado um ponto comum: o atendimento a uma necessidade humana. Assim, todo o trabalho tem como resultado um produto, que pode ser um bem ou servio, destinado a atender a uma necessidade humana. Assim, pode-se concluir:

    O trabalho o atendimento necessidade humana, portanto:

    Trabalhar atender a uma necessidade humana.

    Vrios so os conceitos de trabalho, porm aps uma criteriosa anlise, todos remetem a um s objetivo, ou seja, o atendimento s necessidades humanas, fato que pode ser facilmente identificado em alguns conceitos:

    ... gerar benefcio pessoal e social... ... obter recursos para subsistncia e ajudar os familiares... ... trazer benefcios sociedade... ... dar sentido vida...

    Assim, mesmo que a necessidade atendida, a princpio parea ser outra, diferente da necessidade humana, ao final perceberemos a presena humana implcita, ou seja, sempre resulta no atendimento a uma necessidade humana. Mesmo quando a necessidade atendida, em uma primeira anlise, seja a de um animal, como no trabalho de um veterinrio ou o tratador (rebanho para abate, animais expostos em um zoolgico ou mesmo animais de estimao), ou ainda de uma mquina ou uma linha de produo que precisa ser abastecida por um trabalhador, ao final de toda a cadeia de produo l estar

  • imprescindivelmente o cliente ser humano a ser atendido, portanto, eis o trabalho atendendo s necessidades humanas. Eis aqui o elo perdido entre o conceito de trabalho e a clebre frase: eu trabalho por necessidade. Sim, tanto suas, quantos de outros, sendo a sociedade humana uma complexa malha, onde os ns so as necessidades unidos entre si pelos fios que so o trabalho.

    3.2. Tipos de necessidades humanas

    As necessidades podem ser classificadas em internas e externas, sendo as internas, aquelas do prprio trabalhador e as necessidades externas, aquelas alheias ao trabalhador, podendo ser de outra pessoa, empresa, mquina, linha de produo, etc.

    3.2.1. Necessidades internas (do prprio trabalhador).

    3.2.2. Necessidades externas (alheias ao trabalhador).

    3.3. Concluso sobre Trabalho Integral

  • Assim, podemos concluir que Trabalho Integral a predominncia (polarizao) de um trabalho, seja no polo trabalho, seja no polo no-trabalho. Podemos emitir uma opinio sobre um trabalho, quanto sua polaridade, se trabalho ou no-trabalho de acordo com sua polarizao, respectivamente no polo trabalho, atendendo predominante as necessidades externas, ou no polo no-trabalho, predominando assim o atendimento s necessidades internas. Por exemplo, o trabalho escravo tem como Trabalho Integral o polo trabalho devido ntida predominncia do atendimento s necessidades externas, por razes bvias, visto ter sido resultado de ordem inquestionvel, imposta pela escravido. Por outro lado, vamos a uma atividade de lazer, como jogar uma partida de futebol no final de semana, que tem como Trabalho Integral o polo no-trabalho, onde as necessidades atendidas so iminentemente internas, ou seja, o prazer em jogar o futebol no final de semana. Ambos atendem s necessidades humanas, sendo assim, trabalho (inclusive, ambos gerando fadiga), porm identificamos em um extremo o no-trabalho representado pela partida de futebol e em outro extremo o trabalho, representado pelo trabalho escravo. Assim, como os polos norte e o sul, temos o trabalho e o no-trabalho representando duas grandezas antagnicas, porm complementares e totalmente dependentes, ou seja, uma no existe sem a outra. Em outras palavras, uma localizao norte assim entendida como norte somente quando comparada outra de localizao, sul. Ou seja, o hemisfrio norte assim identificado como norte, em relao ao outro hemisfrio, o sul. Tal dependncia se torna mais evidente quando tomamos por referncia um pas do hemisfrio sul, como exemplo o Brasil que mesmo se encontrando no hemisfrio sul, traz dentro de si tambm dois polos, os estados do norte e os do sul e, cada estado trazendo dentro de si as cidades do norte e as do sul, ainda cada cidade apresentando o setor norte e sul, assim sucessivamente... Assim, uma cidade localizada no norte do Brasil, identificada como sendo do sul em relao ao hemisfrio norte. Concluindo, para cada posio norte, existe uma posio sul e vice-versa, assim como para cada trabalho existe um no-trabalho. Em outras palavras, o atendimento a uma necessidade interna gera o atendimento a uma necessidade externa e vice-versa como ao jogar bola no final de semana posto que, embora as necessidades atendidas sejam predominantemente internas, porm os recursos consumidos utilizados (produtos e servios) para tal atendem s necessidades externas, como a aquisio da prpria bola e os uniformes, o transporte utilizado, o combustvel gasto, o aluguel do espao utilizado, aqui entendidos como produtos e servios produzidos por outros trabalhadores, portanto externos. Da mesma forma, na escravido, embora o trabalho atenda aos interesses predominantemente externos ao trabalhador, ainda assim interesses internos podem ser identificados, como a prpria autopreservao do escravo no

  • sentido de no ser chicoteado, ou mesmo de no ser punido com a perda da prpria vida, como tambm a garantia de alimentao e abrigo. Ou seja, a posio sul da Amrica do Sul (por se posicionar no hemisfrio Sul), poderia se transformar em posio norte, se tomado como referncia um ponto mais abaixo (mais ao sul). Da mesma forma, um trabalho escravo predominantemente trabalho poderia se transformar em no-trabalho quando comparado a outro com algumas regalias, como maior perodo de descanso, concesses de algum lazer, como ocorria em algumas raras situaes no perodo da escravido. Assim, como os polos norte e sul, trabalho e no-trabalho so grandezas antagnicas, porm complementares, estando a existncia de uma, dependente da existncia de outra.

    Tal comparao relativista de fundamental importncia para a compreenso do conceito seguinte, ou seja do Ponto de Equilbrio.

    4. Produto Integral

    4.1. Conceito

    o resultado total do trabalho, considerando as dimenses objetivas e subjetivas de seu produto final, a que denominaremos de coproduto e antiproduto:

    Coproduto: resultados desejveis do trabalho, que atendem necessidades do trabalhador como por exemplo a prpria dignidade em estar empregado, segurana individual e da famlia, acesso ao consumo, reconhecimento, etc.

  • Antiproduto: resultados indesejveis do trabalho, que criam necessidades para o trabalhador, como por exemplo, cansao/fadiga, dores musculares, doenas, limitaes, criando necessidades como repouso, consultas mdicas, medicamentos, fisioterapias, procedimentos cirrgicos, reabilitaes, outros...

    Trabalhar atender a uma necessidade humana atravs de um produto ou servio (resultado objetivo do trabalho), podendo ser este um produto alimentcio, do vesturio, uma informao, um servio, etc. Portanto, o Produto Integral alm do produto do trabalho, bem ou servio (dimenso objetiva do resultado do trabalho), considera tambm a dimenso subjetiva de seu resultado, nas formas de coproduto e antiproduto, da o nome integral.

    4.2. Estudo do coproduto e antiproduto

    O produto citado nos remete a uma dimenso objetiva (resultado prescrito), mensurvel, ou seja, camisa, pizza, informao, atendimento mdico, etc. Porm, juntamente com o produto, como resultado objetivo do trabalho, outros tambm produtos so produzidos pelo trabalho, porm nem to objetivos. Assim, o trabalho para produzir a camisa gera outros resultados alm do produto camisa como, por exemplo, o cansao/fadiga, algumas dores musculares, segurana na vida, garantia de alimentao, moradia, tranquilidade, etc. Como se pode ver, o produto camisa, assim como os vrios outros, comida, informao, atendimentos, etc. podem ser avaliados na dimenso objetiva, podendo ser medidos diretamente: quantas camisas por dia, quantos atendimentos, etc. Porm, estes outros produtos da dimenso subjetiva, embora inseparveis do produto da dimenso objetiva, so de medies mais complexas. Tendo como referncia o trabalhador, podemos classificar estes produtos da dimenso subjetiva em co-produto, quando trouxerem satisfao (efeito desejvel) para o trabalhador, assim atendendo a uma necessidade (tendendo assim deslocar o trabalho para o Polo no-trabalho) e, de modo contrrio, em anti-produto, quando trouxerem insatisfao (efeito indesejvel), por gerar necessidade para o trabalhador, deslocando assim o equilbrio para o polo de Produto Integral indesejvel(Polo trabalho). H que se ressaltar que existe tambm elementos produzidos pelo trabalho que so indiferentes ao trabalhador, ou seja, que no so por ele percebidos como coproduto (favorvel) nem como antiproduto (desfavorvel) por no atender necessidade, assim como no criar nenhuma necessidade. Assim, quando referimos ao Produto integral de um trabalho, estamos considerando as suas dimenses objetiva e subjetiva, podendo assim concluir: determinado trabalho apresenta um Produto Integral favorvel, quando o co-produto supera o

  • anti-produto ou, caso contrrio, Produto Integral desfavorvel, quando o anti-produto supera o co-produto.

    Obviamente, como esta dimenso subjetiva tem como referncia o prprio trabalhador, em um mesmo grupo de trabalhadores, o mesmo trabalho pode gerar resultados coincidentes, indiferentes ou contrrios, ou seja, apresentar para uns, resultados tidos como co-produtos(favorveis), para outros, resultados indiferentes, ainda para alguns como anti-produto (desfavorveis).

    Por exemplo, o fator transporte disponibilizado pela empresa para buscar na prpria casa pode ser um co-produto para um trabalhador que mora longe do trabalho, indiferente para outro que mora ao lado da empresa, ainda um anti-produto para outro que preferia o vale-transporte (este substitudo pelo transporte prprio da empresa) para ser negociado em abastecimento de seu prprio carro, podendo assim transportar simultaneamente a esposa para o trabalho e os filhos para a escola, por ser tudo prximo ao seu local de trabalho, trazendo conforto e economia para a famlia.

    4.3. Assim, para conhecer um pouco acerca da dimenso subjetiva do trabalho, a melhor maneira perguntar ao trabalhador, listando os itens por ele considerados positivos e os negativos, ou seja, respectivamente os co-produtos e os anti-produtos, assim teremos o produto integral. Como se pode ver, para conhecer realmente o trabalho, indispensvel a opinio da sua majestade, o trabalhador.

    Assim, da anlise objetiva do trabalho, teremos o produto, em sua dimenso objetiva. Porm, da anlise subjetiva teremos o produto integral, este traduzindo a percepo subjetiva do trabalhador (co-produto e antiproduto), assim, considerando o binmio trabalho-trabalhador como uma unidade indissolvel, inseparvel.

    H que se destacar aqui que o prprio produto da esfera objetiva (produto bruto) interfere no Produto Integral (co-produto e antiproduto), visto que fabricar de armas de fogo ou medicamentos imprescindveis na cura de doenas graves, so duas situaes que podem produzir resultados diferentes na dimenso subjetiva, ou seja, os produtos armas de fogo e medicamentos imprescindveis influenciando assim o Produto Integral.

    Como se pode ver, o produto e o produto integral, embora inseparveis, representam duas dimenses absolutamente diferentes para dois

    Produto integral

    Co-produto

    anti-produto

  • trabalhadores, visto que o produto o resultado da tarefa prescrita e o produto integral resultado da interao de um determinado indivduo (trabalhador) com o seu trabalho (atividades de trabalho), sendo assim moldado merc de suas particularidades individuais.

    4.4. Co-Produto: atende necessidade do trabalhador.

    o resultado desejvel do trabalho.

    4.5. Anti-Produto: gera necessidade para o trabalhador.

    o resultado indesejvel do trabalho. Para melhor compreenso do conceito de co-produto e anti-produto, vamos avaliar um exemplo, considerando o trabalho prescrito e o trabalho real. Trabalho Prescrito (tarefa) Tudo j pr-determinado: a jornada de 8 horas, o padro operacional, as pausas (refeio, caf, ginstica, etc), a ambincia (temperatura, ferramental, etc), o resultado esperado, de 280 pernis sunos desossados por dia dentro de padres tambm pr-determinados. Trabalho Real (atividade de trabalho) Inicialmente, a jornada de 8 horas nem sempre cumprida, seja por atraso do horrio "real" de incio do trabalho, causado pelo trabalhador ou pela empresa, como horrio de chegada ao trabalho, tempo de deslocamento at o posto de trabalho, ou o horrio real do final da jornada (horas extras, sobrejornadas), descumprimento dos horrios das pausas, seja por condies laborais mensurveis como temperatura ambiente ou fatores padronizados, como as ferramentas e a altura do posto de trabalho gerando para um, sensao de conforto e para outro, desconforto decorrente de particulares diferenas antropomtricas as percepes individuais de cada trabalhador (nas mesmas condies, enquanto um se sente bem, o outro se sente desconfortvel, com frio ou calor). Ainda, os mesmos 280 pernis desossados com padres determinados, como um nmero confortvel para um veterano, porm inatingvel para um novato, ou seja, ou no alcana o nmero de 280 peas, ou se o faz, sem alcanar os padres determinados... Ainda, como um trabalho vindo do cu para um desempregado recm-chegado da zona rural com a famlia, sem qualquer qualificao, sonhando com um trabalho de "carteira assinada", porm podendo chegar at depreciativo para outro com qualificao muito alm das exigidas.

  • Assim, o Trabalho Prescrito (tarefa) possvel ser mensurado por ser o resultado de "condies pr-definidas" e "resultado esperado, o produto, na dimenso objetiva, seja um bem ou um servio. Porm, o Trabalho Real (atividade de trabalho) de impossvel preciso, sendo possvel apenas tentar aproximar do real, mas sem jamais atingi-lo, por ser o resultado da interao do indissolvel binmio trabalho-trabalhador, ambos com apenas algumas faces visveis e definidas, sendo o restante variando de indefinidas, passando por distorcidas, ocultas, desconhecidas e outras at mesmo de divulgao proibida. Assim, um mesmo agente laboral, seja do ambiente fsico ou organizacional, como o exemplo uma temperatura ambiente, ou a maneira como um supervisor determina uma ordem, pode resultar para diferentes trabalhadores em conforto, desconforto ou indiferena. A mesma temperatura percebida por um como confortvel, para outro pode ser de extremo desconforto. Assim, a mesma entonao da voz de um supervisor ao emitir uma ordem pode ser recebida por diferentes trabalhadores como indiferente, motivao, provocao, arrogncia, petulncia, menosprezo, etc. Tais percepes decorrentes do trabalhador podem ser por ele exteriorizadas, porm podem tambm ser omitidas por causas ora por ele conhecidas, ora desconhecidas, outras que, embora conhecidas, so de exteriorizao proibidas... Embora de impossvel abordagem em sua totalidade, o trabalho real pode ser avaliado considerando as exteriorizaes das percepes dos trabalhadores, avaliando de modo binrio as condies laborais como favorveis e desfavorveis, respectivamente como as que produzem sensaes positivas e aquelas que produzem sensaes negativas, aqui respectivamente denominadas de "co-produto" e "anti-produto". Completando, podemos afirmar que o trabalho apresenta dois acordos, sendo o primeiro, explcito (salrio e condies de trabalho), onde as regras so definidas e o segundo, implcito (co-produto e anti-produto), em que embora no explicitadas, encontram-se presentes e facilmente observadas. Assim, o Produto Integral o resultado tanto do trabalho prescrito, quanto do real, ou seja, a dimenso objetiva (o produto, bem ou servio) e a dimenso subjetiva (coproduto e antiproduto), portanto a Ergonomia Integral aquela que avalia simultaneamente estas duas dimenses do trabalho.

    4.6. Tipos de Produto Integral

    O produto integral de um trabalho pode ser favorvel ou desfavorvel, com base no resultado da relao entre coproduto (resultados desejveis do trabalho) e antiproduto (resultados indesejveis do trabalho).

  • 4.6.1. Produto Integral favorvel:

    Quando o coproduto supera o antiproduto.

    4.6.2. Produto Integral desfavorvel

    Quando o antiproduto supera o coproduto.

    5. Ponto de Equilbrio

    a presena da sensao de conforto/bem-estar do trabalhador em relao ao seu trabalho.

    Entre os dois polos, trabalho e no-trabalho existe um ponto a que denominamos de Ponto de Equilbrio (PE), assim caracterizado como sendo o ponto em que h um equilbrio (dinmico) entre trabalho e no-trabalho, ou seja, um equilbrio entre o atendimento das necessidades internas e as externas, traduzido em um bem-estar experimentado pelo trabalhador. A determinao de tal ponto (Ponto de Equilbrio) tem como referncia a sensao de conforto, bem estar, que poderia ser confirmado com a simples pergunta: nas condies atuais, o senhor est satisfeito com o seu trabalho? Se sim, o alcance ao ponto de equilbrio; se no, no atingiu o ponto de equilbrio. Obviamente que, o Ponto de Equilbrio definido em um dado momento, inserido em todo o contexto que o cerca, sendo considerado como uma

    Produto integral

    Co-produto

    anti-produto

    Produto integral

    Co-produto

    anti-produto

  • referncia dinmica, visto que pode ser alterado a qualquer momento, merc das variaes tanto do prprio trabalhador, quanto do cenrio laboral. Diferentemente do Ponto de Equilbrio financeiro, referncia esta onde os custos e despesas de uma organizao (valor mensurvel) se equiparam sua receita (valor tambm mensurvel), sendo, portanto quantitativo, o Ponto de Equilbrio laboral qualitativo, visto que as necessidades humanas so dimenses no mensurveis. Assim, uma mesma necessidade pode ter uma representao (relevncia) completamente diferente dependendo do contexto considerado, com base tanto no trabalhador (interno) como no ambiente (externo). Em outras palavras, uma necessidade pode variar de imprescindvel, passando por indiferente, at indesejvel. Anlise dos contextos:

    Contexto interno, portanto em um mesmo indivduo, ao longo das vrias fases da vida de um ser humano, desde a concepo, nascimento, infncia, adolescncia, fase adulta, velhice, at a sua morte.

    Considerando que a necessidade o resultado da sensao individual da necessidade de alguma coisa, podendo assim tal necessidade ser imprescindvel em um dado momento da vida de um indivduo (na juventude, por exemplo), porm totalmente dispensvel em outra (na velhice), como no exemplo que se segue: de que adianta para um moribundo beira da morte um automvel carssimo ou um iate, visto que as suas necessidades so outras to diferentes.

    Contexto externo, com as variaes geogrficas, climticas, culturais,

    etc. A mesma necessidade de uma blusa de frio, imprescindvel em um ambiente de baixa temperatura, transforma-se em algo intolervel, at em pensamento, em ambiente de alta temperatura. Como as necessidades humanas so diferentes de uma para outra pessoa, o ponto de equilbrio de cada um, ainda que no mesmo trabalho, pode ser diferente do outro, variao esta dependente das variveis individuais, sociais, econmicas, polticas, genricas, religiosas, dentre tantas outras. Assim, para dois indivduos que se sentem confortveis em seu trabalho (presena do Ponto de Equilbrio), podemos ter Pontos de Equilbrio em posies completamente diferente um do outro, visto que as necessidades individuais de um so diferentes das do outro, podendo at um se encontrar um no polo trabalho e o outro no polo no-trabalho. Assim reforando, o Ponto de Equilbrio qualitativo e, no quantitativo. Como se pode ver, o ponto de equilbrio no pode ser definido como ponto zero absoluto, ou seja, o mesmo zero resultado da subtrao entre as necessidades internas e as externas, visto que tais necessidades no podem ser quantificadas devido sua complexidade (so qualitativas) por serem

  • subjetivas, considerando que a necessidade produto da sensao pessoal da falta de alguma coisa, como j citado acima, podendo assim a mesma falta de um bem ou produto ser imprescindvel para um indivduo, indiferente, ou at intolervel para outro.

    5.1. Ponto de Equilbrio Corporativo (PEC)

    a relao, em um mesmo momento, entre o nmero de trabalhadores que alcanaram o Ponto de Equilbrio, portanto tendo respondido positivamente pergunta sobre satisfao em seu trabalho e o nmero total de trabalhadores entrevistados, multiplicado por 100.

    6. Relao entre os fatores Trabalho integral (TI), Produto Integral (PI) e Ponto de Equilbrio (PE).

    6.1. Ponto de Equilbrio/Corporativo: Percentual de trabalhadores que alcanaram o Ponto de Equilbrio.

    o ponto de referncia para se determinar o Polo Dominante do Trabalho Integral, se no Polo Trabalho ou Polo No-trabalho.

    Ponto de Equilbrio a presena da sensao de conforto/bem-estar do trabalhador em relao ao seu trabalho, equilbrio (dinmico) entre trabalho e no-trabalho( nas condies atuais, o senhor est satisfeito com o seu trabalho?), ou seja, um equilbrio entre o atendimento das necessidades internas e as necessidades externas ao trabalhador, traduzido em um bem-estar. Entre os dois polos, trabalho e no-trabalho existe um ponto a que denominamos de Ponto de Equilbrio (PE).

    PEC

    N de Trabalhadores

    que alcanaram o ponto

    de equilbrio.

    N de Trabalhadores

    entrevistados.

    X 100

  • 6.2. Trabalho Integral: Polo Trabalho ou Polo No-Trabalho.

    (equilbrio favorvel ou desfavorvel entre o atendimento s necessidades internas e externas ao trabalhador).

    definido pelo Ponto de Equilbrio. Se maior do que 50%, encontra-se no Polo No-Trabalho; o contrrio, se menor do que 50%, encontra-se no Polo Trabalho.

    6.3. Produto Integral: Coprodutos e Antiprodutos.

    A Avaliao dos coprodutos e antiprodutos realizada na forma de

    um protocolo (Voz do Cliente) com perguntas organizacionais sobre o seu trabalho. Aps a realizao da Anlise Ergonmica Integral, j de posse de um diagnstico organizacional da corporao, medida que a melhorias so implantadas e que o Produto Integral tratado, ou seja, os coprodutos estimulados e antiprodutos combatidos, uma nova avaliao do Ponto de Equilbrio realizada, com o seu seguimento evolutivo, acompanhando assim a eficincia das aes implantadas. Destaque se faz ao Produto Integral, por ser o estudo dos fatores favorveis e desfavorveis, portanto do coproduto e antiproduto, sendo estes determinantes do Ponto de Equilbrio, visto que os coprodutos atendem s necessidades internas do trabalhador (Polo Trabalho, com tendncia ao aumento do Ponto de Equilbrio) e os antiproduto geram necessidades no trabalhador (Polo No-Trabalho, com tendncia diminuio do Ponto de Equilbrio).

    7. Relao com a Ergonomia

    Assim, se ergonomia a adaptao do trabalho ao homem, a ergonomia integral adaptao do trabalho s necessidades(objetivas e subjetivas) do homem.

    8. Aplicabilidade da Ergonomia Integral

    8.1. Reduzir/eliminar os riscos. Que geram necessidades.

    8.2. Reforar/incentivar as chances. Que atendem necessidades.

    Ao conhecer o trabalho integral, atravs dos estudos de seus co-produtos e anti-produtos, o ergonomista poder ter muito mais eficincia em suas aes ergonmicas, que podem ser implementadas atuando tanto nos co-produtos,

  • reforando-os, incrementando-os, quanto nos anti-produtos, eliminando-os, ou mesmo, atenuando-os. Pode assim a ergonomia identificar no somente os riscos laborais, minimizando-os ou neutralizando-os, mas tambm as chances laborais, ampliando-as ou concretizando-as, visto que os riscos so fontes para gerar necessidades e as chances so fontes para atender necessidades, conforme conceito abaixo:

    Risco, forma de exposio ao Perigo; potencial de gerar necessidade (dano). Exemplo: risco rudo gerando doena perda auditiva, provocando incapacidade laboral, tonturas, isolamento social, depresso, enfim gerando necessidades como benefcios previdencirios, uso de medicamentos, uso de aparelhos, dentre outras.

    Chance, forma de exposio oportunidade; potencial de atender necessidade (ganho). Exemplo: chance do trabalhador de realizao de curso de aperfeioamento, com consequente crescimento profissional e pessoal, proporcionando assim o seu acesso ao atendimento de necessidades como crescimento profissional, pessoal, reconhecimento.

    8.3. Aperfeioamento individual: atuando no aperfeioamento pessoal na priorizao de necessidades: Atuao em melhorias como a evoluo humana, educando sobre as reais necessidades, afinal: mais feliz, no aquele que tem mais, mas aquele de que menos necessita. Treinamento em gerenciamento de oramento pessoal/familiar, priorizando necessidades, cuidados com a sade, etc...

    Resumindo

    Ponto de Equilbrio Individual

    Negativo (no satisfeito), ou seja, o trabalhador respondeu que no apresenta a sensao de conforto/bem-estar em relao ao seu trabalho: seu Produto Integral se encontra desfavorvel (antiproduto predominando sobre o coproduto), portanto se encontrando em Trabalho Integral no Polo Trabalho.

    Positivo (satisfeito), ou seja, o trabalhador respondeu que apresenta a sensao de conforto/bem-estar em relao ao seu trabalho: seu

  • Produto Integral se encontra favorvel (coproduto predominando sobre o antiproduto), portanto se encontrando em Trabalho Integral no Polo No-Trabalho.

    Ponto de Equilbrio Corporativo

    Negativo, ou seja, menos de 50% dos trabalhadores alcanam o Ponto de Equilbrio.

    Positivo, mais de 50% dos trabalhadores alcanam o Ponto de Equilbrio.

    Ergonomia Integral a movimentao do Trabalho Integral em direo ao Polo No-trabalho, atravs da melhoria do Produto Integral, com base no reforo/incentivo do Coproduto e a atenuao/eliminao do Antiproduto.

  • Voz do Cliente A Voz do Cliente um questionrio composto de 39 perguntas, abordando os seguintes itens:

    36 perguntas (perguntas de 1 a 36), os fatores organizacionais.

    Uma pergunta (nmero 37, manifestaes gerais, sintomas gerais).

    Uma pergunta (nmero 38, presena e localizao de dor). Uma pergunta (nmero 39, Ponto de Equilbrio),

    satisfao/insatisfao no trabalho. Os fatores organizacionais aqui includos so explicados de forma simples e direta no vdeo Ergonomia Integral, possibilitando que o trabalhador entrevistado compreenda a pergunta com facilidade, garantindo assim a confiabilidade da resposta. A aplicao do questionrio deve ser realizada de preferncia com todos os trabalhadores do mesmo posto de trabalho ou, o mximo possvel de trabalhadores do mesmo posto, sendo simultaneamente respondida por todos; entre uma e outra resposta deve ser procedida a troca de folha de respostas entre os entrevistados de modo aleatrio, de maneira que o entrevistado nem mais saiba qual sua folha de reposta quando do incio, garantindo assim o anonimato. Obs. Obviamente, quando o posto de trabalho apresenta um s trabalhador, no h o que se falar em anonimato. Tabulao dos dados A consolidao dos dados deve ser realizada apenas entre entrevistas de trabalhadores de mesmo posto de trabalho.

  • A planilha Voz do Cliente-tabulao permite que tais dados sejam consolidados, com a apresentao de grficos.

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