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    Como se tornar arquelogo no Brasil (1)

    Pedro Paulo A. Funari

    1. Introduo

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    Para que se possa tratar da formao do arquelogo, necessrio, antes, definir aidentidade do arquelogo. Em um contexto mais amplo, pode afirmar-se que o estudo daArqueologia varia muito, em diferentes tradies universitrias. Nos Estados Unidos, amaioria dos arquelogos constituda de antroplogos, j que a Antropologia, normalmente,ali incorpora reas como a Lingstica e a Arqueologia. Isto significa uma formao bsica emAntropologia, voltada para o estudo do outro, os antroplogos estudando os ndios vivos e osarquelogos os mortos. Nos prprios Estados Unidos, contudo, h tambm arquelogos comoutras formaes, como o caso dos arquelogos clssicos, que estudam as civilizaesgrega e romana, cujo estudo liga-se s letras clssicas, Histria e Histria da Arte, emmedidas variadas, segundo a tradio de cada instituio. H, ainda, os arquelogos oriundosda orientalstica (egiptlogos, assirilogos), dos estudos bblicos (a chamada ArqueologiaBblica) ou das mais variadas disciplinas, como a Biologia ou a Geologia (cf. TAYLOR, 1948,p.11). A outra grande vertente produtora de arquelogos, a escola europia, ainda maismultifacetada. Em termos gerais, os arquelogos europeus, pr-historiadores, classicistas oumedievalistas formam-se na tradio histrico-filolgica de origem alem. Em alguns centros,a Arqueologia parte da Histria da Arte, em outras relaciona-se Histria ou s lnguas,raramente fazem parte da Antropologia. Os britnicos foram os que levaram mais adiante aindependncia epistemolgica da disciplina, criando diversos cursos de graduao emArqueologia, exceo tanto mais notvel quanto, tanto na Europa como nos Estados Unidos,costuma-se reservar-se formao em Arqueologia o carter de uma especializao, apsuma educao universitria mais genrica.

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    A formao do arquelogo no Brasil insere-se, pois, no contexto mais amplo esboado.No h uma nica tradio acadmica universal e tampouco, no Brasil, haveria que buscaruma unidade que alhures inexiste. No se pode, entretanto, fazer um balano da formaodo arquelogo no pas sem analisar, ainda que brevemente, a Histria da disciplina em nossomeio e o ambiente acadmico no qual ela se desenvolve (FUNARI, 1997). A Arqueologiaacadmica brasileira recentssima, o nmero de arquelogos profissionais reduzidssimo eos centros de formao pouco numerosos. Alm de descrever as vicissitudes da formao dearquelogos no Brasil, hoje, pretende-se contribuir para a discusso do seu aprimoramento,visando inserir a Arqueologia brasileira no mbito mais amplo da Arqueologia mundial.

    Notas(1) Texto publicado na Revista USP, 44, 74-85, 2000; e Tornar-se arquelogo no Brasil,Trabalhos de Antropologia e Etnologia, Porto, Portugal, 40, 3-4, 2000,117-131.

    Ensaios - Como se tornar arquelogo no Brasil.

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    Como se tornar arquelogo no Brasil

    Pedro Paulo A. Funari

    2. A Arqueologia no quadro da academia brasileira

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    A sociedade brasileira, patriarcal, dominada por uma estrutura social hierrquicasecular, produziu muito tardiamente a universidade, sculos depois das primeiras congnereshispano-americanas. A universidade brasileira, desenvolvendo-se a partir da dcada de 1930,viria a ter algumas caractersticas estruturais, derivadas do prprio carter restritivo liberdade intelectual da sociedade nacional, ainda presentes entre ns. Florestan Fernandes,um dos nossos primeiros acadmicos, advertia, antes do golpe militar de 1964, que ointelectual se torna, literalmente, um escravo do poder. Se ele tentar o contrrio, corre orisco de sofrer presses muito violentas e de ser eliminado da arena intelectual(FERNANDES, 1975, p.85). Segundo outro decano da cincia nacional, Milton Santos, buscaro novo perigoso, resultado da falta de valorizao do mrito intelectual propriamente dito:Eu acho que o meio intelectual no Brasil , at certo ponto, opaco, no sentido de que a vidaacadmica no se caracteriza pela existncia de um mercado acadmico. As pessoas nascem,crescem, evoluem e morrem no mesmo universo. Ento, a idia de competio secompromete e o sistema de referncias igualmente domstico. muito autocentrado efunciona, com freqncia, em detrimento de uma emulao mais ampla (SANTOS, 1998,p.6).

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    O compadrio, generalizado, chega aos editoriais dos jornais (FOLHA DE SO PAULO,1997a), levando a que as pesquisas confirmem o discurso do poder, tanto das autoridadespolticas como acadmicas, perpetuando, de forma acrtica, aquilo que Pierre Bourdieu (1988,p.777) chama de senso comum acadmico. Predomina um sistema universitrio dominadopor um mandarinato autocrtico e medocre, a busca desenfreada pelo micropoder doscargos por parte daqueles que nada sabem, como se expressava Theo Santiago (1990). Apalavra corporao aparece em quase todas as anlises crticas da academia brasileira (e.g.COMPARATO, 1993; MICELI, 1995, p.3) e criam-se neologismos para descrever essarealidade: os buroprofessores, quer dizer, aqueles indivduos que, sai um, entra outro, mas o mesmo grupo, que so pessoas inteis porque esses pr-reitores, quase todos, sopessoas inteis, um estorvo produo intelectual (SANTOS 1999a, p.25). A dissociaoentre progresso na carreira e a competncia, que inclui titulao, mas no se limita a ela(GOLDEMBERG, 1992), compe um quadro pouco alentador de uma poca hostil crtica eao dissenso (BARROS E SILVA, 1997). Neste contexto, quando mais da metade das bolsasconcedidas pelo CNPq no resultam em defesas de tese, no h surpresa (FOLHA DE SOPAULO, 1997b).

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    A academia brasileira padece, portanto, de deficincias estruturais, de origem histricaclara. Um sistema universitrio surgido no seio de uma sociedade to hierarquizadora einfensa liberdade de oportunidades no poderia deixar de refletir essas caractersticasdominantes (FUNARI, 1997a, com literatura). Durante o perodo de jugo militar, emparticular, os aspectos mais deletrios de uma academia servil ao poder produziramresultados que ainda nos atormentam. O compadrio, associado a um poder discricionrio,pde levar o controle discursivo ao paroxismo, instituindo, em algumas reas, uma limitaosevera ao desenvolvimento da cincia. Com a abertura e, em especial, com orestabelecimento dos civis ao poder, a liberdade acadmica rediviva logo comeou a produzirreflexes crticas e menos acomodadas (BATISTA, 1997).

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    Este pano de fundo permite, agora, refletir sobre o desenvolvimento da Arqueologia,em nosso meio. A Arqueologia pr-acadmica tem longa trajetria no Brasil, desde seusprimrdios no Instituto Histrico e Geogrfico Brasileiro, no sculo XIX. Contudo, apenas nops-Segunda Guerra ensaia-se o incio da Arqueologia acadmica, graas s iniciativas dePaulo Duarte, fundador da Universidade de So Paulo, poltico, intelectual e humanista, sobcuja gide surge a Comisso de Pr-Histria que se transformaria no Instituto dePr-Histria, imitao do IPH de Paris. Assim, ab initio, a Arqueologia comea a penetrar oespao universitrio como atividade de ps-graduao, ao menos no sentido de que setrataria de atividade a ser desenvolvida pelo pesquisador aps sua formao universitria,em rea, de algum modo, ligada Arqueologia. Nesse primeiro momento, com a chegada dosfranceses, com Madame Emperaire frente, enfatizavam-se as tcnicas de campo elaboratrio, como se a Arqueologia fosse pouco mais do que uma tekhn, maneira francesa,muito distante, pois, das Wissenschaften que compunham o saber (Wissen) acadmico. Umprimeira conseqncia dessa formao inicial foi a dissociao entre pesquisa emprica einterpretao. Assim, ainda que bem intencionada, a Arqueologia humanista ressentia-se dafalta de ambies epistemolgicas que lhe dessem espessura acadmica no interior tanto dauniversidade brasileira como, principalmente, internacional.

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    Estes primeiros arquelogos acadmicos formados no Brasil foram logo acompanhadospor uma nova leva, resultado da incurso, ps-golpe militar de 1964, de Betty Meggers eClifford Evans e a constituio de um programa nacional de pesquisas arqueolgicas(PRONAPA). No seria o caso, nesta ocasio, de retomar as discusses sobre o imbricamentodo esquema pronapiano com o regime de fora (cf. FUNARI, 1995; FUNARI, 1998), mas deressaltar o tipo de formao arqueolgica que estava sendo introduzido no pas.(2) Osclssicos da literatura arqueolgica norte-americana no eram conhecidos, assim como osdesenvolvimentos mais recentes. Walter W. Taylor (1948, p.44) e sua busca da autonomia daArqueologia havia sido ignorado, como tinha sido o apelo, ento recente, de Binford (1962),em direo a uma Arqueologia processual. Prevalecia, na formao desses arquelogos, aconstatao devastadora de Binford (1984, p.15) de que o arquelogo de campo escavadorfica a discutir o teor alcolico da pinga nos bares das redondezas (cf. FUNARI, 1987), o quefoi interpretado pelos seus epgonos como treinamento orgnico, fomentador de centros depesquisa, um perodo de ouro da Arqueologia nacional (e.g. DIAS, 1995, p.35; LIMA, 1998,p.25; SCHMITZ, 1989, p.47).(3) A formao intelectual propugnada pela equipe de Meggersno bebia do imenso manancial americano,(4) que poderia ter aberto os horizontes daquelesque seriam considerados, s expensas dos arquelogos formados pelos franceses, osfundadores da Arqueologia universitria nacional. Os resultados dessa formao forammuitos, da falta de autocrtica (PROUS, 1994, p.11) despreocupao com publicaes(NEVES, 1998, p.628),(5) da ausncia de corpora (cf. WHEELER, 1956, p.211)(6) execuo de levantamentos oportunsticos e escavaes injustificadas, sem planejamento(NEVES, 1988, p.204).

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    Uma terceira vertente arqueolgica surgia, quela poca. A Arqueologia clssica,surgida por iniciativa do professor Eurpides Simes de Paula (DUARTE, 1994, p.163-164),diretor da Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras da Universidade de So Paulo, no quadrode um plano mais amplo de expanso da Faculdade, em geral, e das lnguas clssicas emparticular. De incio encarada como mera cincia auxiliar da Histria, longe, bem longe deser um fim um si mesmo, parte da Histria da Arte (MENESES, 1965, p.22), a ArqueologiaClssica assumiu uma importncia insuspeitada de incio. A insero da Arqueologia Clssicabrasileira na cincia universal significou uma formao intelectual abrangente. A formao dequadros nesse campo da Arqueologia permitiu que, pela primeira vez, arquelogos brasileirosdirigissem projetos de pesquisa internacionais, publicassem livros e artigos no exterior,dando uma visibilidade internacional Arqueologia brasileira (cf. FUNARI, 1997). A formaomenos restrita desses arquelogos acabou por resultar em que a prpria Arqueologia detemas americanos fosse desenvolvida por arquelogos de formao clssica, cujo melhorexemplo, ao menos em termos de divulgao cientfica da Arqueologia, talvez seja o volumede Norberto Luiz Guarinello (1994), o livro mais vendido sobre Arqueologia Pr-Histrica, emtoda a Histria (cf. FUNARI, 1996; FAVERSANI, 1997).

    Notas

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  • (2) Recentemente, Cristiana Barreto (1999) considerou falsa qualquer tentativa decaracterizar uma politizao da disciplina para este perodo como o faz Funari (1992b). Acassao de Paulo Duarte e seu afastamento da direo do Instituto de Pr-Histria, em1969, as sucessivas reunies de Betty Meggers e Clifford Evans e as autoridades polticas,no s acadmicas, impostos pela ditadura, o apoio oficial de rgos do Estado, como oCNPq, a ascenso acadmica, com destaque na Arqueologia, de personagens cuja vinculaocom altos hierarcas do regime militar era explcita, at mesmo por laos matrimoniais,mostram que no houve politizao da disciplina, mas uma explcita relao, em nadacientfica, entre arquelogos e o poder poltico discricionrio. Neste sentido, no se podeentender o uso de um adjetivo como falsa seno como uma tentativa de impor, apenas comrecursos discursivos apodticos, um ponto de vista que serve para livrar a cara daquelesque estiveram profundamente envolvidos com o arbtrio. Sobre o poder do esprit de corps deintelectuais que participaram de regimes de fora, veja-se o caso de Vichy, estudado porSonia Combe (1996), em diversos aspectos similar situao brasileira. Suas palavrasconclusivas merecem ser citadas, referindo-se aos intelectuais: unless they are careful, runthe risk of letting themselves be guided by functional imperatives serving both theproduction of consensus and social integration. This was Jrgen Habermas warning warningto German historians. He was a non-historian, as his opponents never stopped emphasizing,whose vigilance had launched the Historikerstreit and who, on that occasion, was surprised todiscover among scientists the attitudes of political men engaged in conflict (HABERMAS,1988, p.57).(3) Cf. Schmitz (1989, p.47): Faz pouco mais de vinte anos que a Arqueologia brasileiracomeou a receber verbas pblicas e a desenvolver ambiciosos programas exploratrios,acompanhados de um treinamento mais orgnico do pessoal; Dias (1995, p.35): Aimplantao do Programa representou um salto quantitativo e qualitativo para a ArqueologiaBrasileira. Sua implementao possibilitou que, em apenas cinco anos, fossem levantadosmais de 1500 novos stios arqueolgicos, enquadrados em um modelo cronolgico e espacialde que carecia a Pr-Histria brasileira... O Pronapa tambm foi responsvel por fomentar amultiplicao de centros de pesquisa arqueolgica no pas, que passaram a formar umnmero cada vez maior de pesquisadores qualificados; compare-se com Lewgoy (1997,p.248), Noelli (1999), neste artigo. Diversos arquelogos engajaram-se no discurso do poder,saudando o regime militar e seu desenvolvimentismo; cf. (MENESES, 1968, p.43) aimportncia que se vem atribuindo (sc. nos anos imediatamente anteriores a 1968) Universidade como fator de desenvolvimento. (4) Cf. Lewgoy (1997: 248): Pelos depoimentos de nossos informantes, percebemos que osensinamentos passados pelos representantes do Smithsonian resumiram-se a tcnicas decoleta e interpretao de dados, tendo sido desprezados deste intercmbio a oferta global deorientaes terico-metodolgicas, bem como o espectro de problemticas de pesquisadisponveis nos Estados Unidos poca.(5) Neves (1998: 628): no excavation profiles, or the actual artefact composition of eachleve are presented. One has to wait the full publication of the Pronapaba reports. Note-seque as pesquisas na Amaznia, referidas por Neves, esto completando trinta anos!(6) A importncia da compilao de corpora era j bastante conhecida na Arqueologiaeuropia, como ressalta Wheeler (1956, p.211): The advantages of a scholarly corpus oryardstick need no further emphasis and the extension of the corpus-system is certainly noless urgent now than it was in Petries day. Haiganuch Sarian, h anos, tem propugnado anecessidade de se publicarem corpora tambm para o material arqueolgico pr-histricobrasileiro (sobre o papel de Sarian na formao de arquelogos brasileiros, cf. FUNARI,1997b).

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    Como se tornar arquelogo no Brasil

    Pedro Paulo A. Funari

    3. A Arqueologia no quadro da academia brasileira (Continuao)

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    Aps essa fase inicial, que abrange o perodo dos anos 1950 e 1960, a Arqueologiabrasileira insere-se na reforma universitria implantada pelos militares. A ps-graduaobrasileira passou a seguir o sistema americano, com mestrados e doutorados e a formaoem Arqueologia continuou a ser um especializao posterior graduao, com a exceo docurso, nunca reconhecido pelo MEC, na Estcio de S, no Rio de Janeiro. Os arquelogos quesurgiram nas trs vertentes apontadas, acrescidos de alguns estudiosos estrangeiros, comoAndr Prous e Gabriela Martn, constituram os quadros que estabeleceriam a formao emArqueologia nas dcadas de 1970 e 1980. Enquanto nas Cincias Humanas, em geral,buscava-se uma formao intelectual menos descritiva e mais crtico-analtica (JANOTTI;MESGRAVIS, 1980, p.9), a Arqueologia empirista, nico discurso associado ao poder,impunha, por mecanismos hierrquicos comuns s sociedades patriarcais (cf. COLLIS, 1997,p.11), mas aqui levados ao paroxismo pelo regime de arbtrio, uma formao infensa aleituras interpretativas. Sempre houve quem lesse, quem buscasse sair desse marasmo, mass podia faz-lo por sua conta e risco (NOELLI, 1999). No se pode subestimar osufocamento das vocaes, pois as hierarquias permitiam que se expulsassem dauniversidade aqueles que no se conformassem, como ocorreu com o notvel caso de WalterNeves e Solange Caldarelli (reportado em PROUS, 1994, p.12; FUNARI, 1999), nem ainstitucionalizao de uma hierarquia infensa ao mrito facilitou a formao de novosarquelogos.(7) Na maioria dos casos, bastava algo muito mais insidioso, a internalizao dasubmisso, pois se sabia que volta de um grande e frondoso carvalho, nada cresce, naspalavras de Norberto Luiz Guarinello (1999), a respeito de um dos mandarins da Arqueologia.No se buscou criar massa crtica, formando novos estudiosos, o que explica, em parte, quemuitos dos pais fundadores pronapianos tenham tido to poucos alunos, sendo que, aindahoje, na maioria das instituies brasileiras h um processo de sufocamento de novasvocaes, nas palavras de Francisco Noelli (1999).(8)

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    As duas ltimas dcadas testemunharam transformaes radicais em um quadro queparecia pouco promissor para a Arqueologia brasileira. Warwick Bray (1994, p.6), quandodiscursou ao assumir a ctedra de Arqueologia Americana no Instituto de Arqueologia deLondres, ressaltou que os melhores resultados acadmicos derivam do incentivo variedadede linhas de pesquisa e no aceitao do discurso da autoridade do intelectual sem obra e,no caso brasileiro, a multiplicidade resultante da democracia s teve resultados positivos(LAFER, 1996, p.9).(9) Os centros de formao de arquelogos multiplicaram-se pelo pas,entendendo-se formao em seu sentido pleno, como Bildung. De fato, o empirismo queesteve subjacente primeira leva de arquelogos acadmicos fez com que se igualasseArqueologia e escavao. Entenda-se escavao no sentido de trabalho de campo, no todo oprocesso que comea com um problema, que se desenvolve em um projeto de intervenono campo, que gera artefatos a serem estudados, que implica em publicaes, que, enfim,produz conhecimento. Este sentido de escavao, como parte de um processo deconhecimento (Welterkentniss), no pode prescindir de aspiraes interpretativas. Por outrolado, como ressaltaram, recentemente, dois grandes arquelogos da atualidade, MichaelShanks e Randal McGuire (1996, p.79), Gordon Willey e V. Gordon Childe, dois dos maisinfluentes arquelogos de todos os tempos, rarissimamente escavaram, o que est ademonstrar que a formao do arquelogo no pode descuidar da reflexo.

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    J se disse que os arquelogos so pouco numerosos no Brasil, talvez trezentos, parauma pas de dimenses continentais, de populao elevada, com centenas de milhares deestudantes universitrios. Isto se explica, em parte, pelo fato de a Arqueologia no ser umcurso oferecido na graduao, com uma nica exceo. O graduao em Arqueologia ofereceas vantagens de uma especializao precoce mas pode ser uma armadilha, caso o curso noesteja bem articulado a reas de conhecimento afins, em particular a Histria, aAntropologia, mas tambm a Geografia, a Biologia ou, at mesmo, a Literatura, a Fotografia(e.g. OLIVIER, 1999a), o Jornalismo (e.g. COTTER, 1999, p.8), para mencionar apenasalgumas. Os bons cursos de graduao em Arqueologia no exterior no deixam de inserir-senas cincias afins e o mesmo princpio vlido para o Brasil. Em geral, no entanto, aformao do arquelogo d-se na ps-graduao. Neste caso, h duas grandes vertentes, amajoritria inclui a Arqueologia em um curso de Histria, de Antropologia ou de outra cincia.Na tradio europia, predomina a ligao com a Histria, em direta ligao com a heranade Childe (cf. TRIGGER, 1984, p.295; FUNARI, 1997c).(10) Desta forma, o arquelogo,seguindo a tradio dominante, tanto na Europa como nos Estados Unidos, toma contato comuma pletora de reas, j que a prpria Arqueologia multidisciplinar (UCKO 1994, p. xiv). Aoutra vertente, minoritria, forma arquelogos em programa de ps-graduao prprio.

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    Os programas de ps-graduao majoritrios, que acolhem a formao emArqueologia, permitem que os arquelogos tomem contato direto com a epistemologia deuma outra cincia, o que pode revelar-se muito produtivo. H, naturalmente, duasdeficincias estruturais: uma tendncia a incorporar a Arqueologia como cincia auxiliar deoutra, o que lhe tira a especificidade, e a falta de um estudo mais direcionado para avariedade de reas com as quais a Arqueologia se relaciona (FUNARI, 1998). Assim, corre-seo risco de termos arquelogos que nunca deixaram de serem gelogos ou historiadores, riscotanto maior quanto, s vezes, as nicas leituras e prticas do educando se restringiram,desde a graduao, quela rea de estudo. Perde-se, assim, a necessria conscincia de quea Arqueologia , em sua essncia, multidisciplinar (SILVA; NOELLI, 1996). A ps-graduaoem Arqueologia, por sua parte, possui a virtude de apresentar um programa coerente dedisciplinas voltadas para essa rea. No entanto, uma deficincia estrutural consiste na faltade nfase no carter multidisciplinar da Arqueologia, pois esse seu aspecto deveria implicarem um currculo que enfatizasse o conhecimento, em primeira mo, das grandes teoriassobre o funcionamento e a transformao das sociedades, das formas de expresso, mastambm do mundo fsico e biolgico. Na verdade, a prpria compartimentao doconhecimento divide, de forma burocrtica, unidades de conhecimento (McGUIRE, 1992, p.4)e poder-se-ia propugnar, como se tem feito, que o estudo da cultura material outro nomepara a Arqueologia - seja, eo ipso, multidisciplinar (MILLER; TILLEY, 1996; e.g. NOELLI,1996a, 1996b).

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    Os educandos no so vasos vazios a serem preenchidos com dados, mas comopensadores e agentes sociais (SHOR, 1986, p.422) devem ser capazes de decifrar o mundo sua volta (TRAGTEMBERG, 1985, p.43) e, a fortiori, na Universidade deve-se, mais doestudar, estudar para aprender a estudar, nas palavras de Antonio Gramsci (1979, p.154).Como disse, recentemente, o veterano arquelogo norte-americano, John L Cotter (1999,p.39), os fatos qualquer um pode adquirir e aprendi que as pessoas podem ter acesso aosfatos elas mesmas, caso se interessarem o suficiente. O que se deveria fazer tentarajud-las a organizar sua prpria conceituao dos dados e o que faro com suas prpriasvidas e carreiras, bem como abrir novas vias de pensamento. H pouco, Michael Shanks propunha sete objetivos para a formao dos estudiosos da Arqueologia e vale a penatranscrev-los na ntegra: a) enfatizar a importncia das ligaes interdisciplinares; b)construo e debate tericos, acompanhados de um compromisso com a prticaarqueolgica; c) um interesse no carter peculiar das fontes arqueolgicas; d) um interesseem algumas questes mais amplas da teoria social; e) pragmatismo e ecletismo maisvalorizado do que uma suposta pureza terica e ideolgica; f) um aceitao do pluralismo; g)um forte senso de criatividade da atividade arqueolgica (1997, p.395).

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    As implicaes de cada um desses itens para os nossos cursos de ps-graduao soclaras e diretas. Os cursos devem incentivar a interdisciplinaridade, oferecendo um currculoque abranja disciplinas ligadas s diversas disciplinas formais. Os crditos obtidos no interiordo curso devem ser complementados com boa porcentagem de crditos externos. No sepode dissociar a prtica arqueolgica da formao terica, pelo que a prtica de campo ou delaboratrio nunca deveria preceder a formao mais abrangente. Os debates tericosabrangem tanto as correntes da Arqueologia, do antiquarianismo ao ps-processualismo,passando pelos modelos histrico-culturiais e processual, esquemas de interpretao sempreligados a momentos histricos especficos.(11) No que se refere Arqueologia, a Histria dadisciplina (FUNARI; PODGORNY, 1998, p.420), no mundo e no Brasil, assim como dascorrentes interpretativas, deve estar no centro da preocupao (cf. TRIGGER, 1990, p.4 etpassim). A especificidade das fontes materiais est a exigir um estudo prprio que, noentanto, no pode deixar de lado as reflexes de diversas cincias sobre o mundo material,da Semitica(12) Fsica (cf. FUNARI, 1999b). A teoria social,(13) entendida como oimenso universo de reflexes da Sociologia, Antropologia, Histria, Filosofia e Lingstica,

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  • encontra-se no mago mesmo da Arqueologia, cincia que estuda, afinal, a sociedade. Nose chega a compreender que estudiosos da sociedade nunca tenham lido Levi Strauss,Weber, Durkheim, Braudel, Foucault ou Saussure, para citar alguns pensadores apenas.

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    Pragmatismo e ecletismo, palavras to temidas entre aqueles que encaram a cinciacomo profisso de f e formao de squitos de cartilhas, constam, com destaque, na lista deShanks. A cincia no se confunde com a religio, nem, menos ainda, com o partido polticoe, por isso mesmo, os cursos e suas linhas de pesquisa mais do que homogneos,coerentes e uniformes, devem abranger um grande espectro de concepes (Funari,1999c). No caso da Arqueologia, pragmatismo e ecletismo implicam, tambm, adotarterminologias vigentes, j que esto em uso, sem reific-las, como se refletissem algumarealidade inefvel, reconhecendo as crticas e limites dos rtulos classificatrios. Purezaideolgica no condiz com cincia. O pluralismo parte da aceitao da diversidade de prticase teorias (cf. NEVES, 1991; FUNARI, 1992), de campos de investigao e especializao, devocaes (FUNARI, 1996b). A criatividade do educando expressa-se, assim, em suacapacidade de criar sua prpria trajetria intelectual, pelo que a formao no umaprendizado ou adestramento (Unterrichtung), mas uma verdadeira educao (Erziehung),desenvolvimento de uma capacidade interior de reflexo e ao crticas (cf. FUNARI, 1996).Esse abrangente programa, proposto por Shanks, insere-se na sua constatao anterior deque a Arqueologia , alm do estudo do antigo (este o sentido primevo da palavra), deve ser,tambm, o estudo do poder, recuperando o sentido original da palavra arkh, em grego(Shanks; Tilley 1987; cf. Funari 1990).

    Notas(7) Prous (1994, p.20) descreve a Sociedade de Arqueologia Brasileira com palavras fortes:SAB, dont la structure hirarchise a permis de contrler les destines de larchologie dupays. Um tal domnio no se entenderei fora do contexto de uma sociedade hierarquizada,sob jugo de uma ditadura; cf. Pereira (1998. p.64).(8) Cf. Neves (1988, p.209): evidente que, nesse caso, os centros de formaodomsticos acabam funcionando justamente ao contrrio, ou seja, acabam funcionando comoum instrumento vil de perpetuao do modelo epistemolgico hoje vigente na Arqueologiabrasileira; sobre os limites da liberdade acadmica no Brasil, em geral, consulte-se Funari(1999a, 1999b); cf. Funari 1988c.(9) Cf. Milton Santos (1999): A institucionalizao crescente da vida universitria acaba porforjar uma teia, cada dia mais slida e visvel, em que o trabalho rasteiro deixado a algunsassessores, que recrutam subservincias no baixo e mdio clero, editando medidas ditassaneadoras da administrao e das finanas, cujo resultado final a limitao liberdade dopensar e do dizer, enquanto, espertamente, autoridades superiores, cada vez maiscomprometidas com os meios e mais descompromissadas com as finalidades da educao,inundam o mercado com discursos eloqentes, mas vazios.(10) Cf. Wolfram (1986, p.9): Der Begriff historierende Archologie zur Beziechnung derArchologue jener Jarhzehnte (1920 bis 1968) wurde gewhlte, da V. G. Childe unde seineGeneration die Ansicht vertraten, die Archologie sei Teil der Geschichtswissenschaften umIhr Ziel die Interpretation bzw. Rekonstruktion einzelner Ereignisse in der Vergangenheit.(11) Cf. Erich Fromm (1969, p.15): Ideas have their roots in the real life of society.(12) Um exemplo bastar: a Arqueologia espacial, iniciada, com este nome, na dcada de1960 e hoje travestida de Arqueologia da paisagem muito tem a interagir com a Semitica doespao (cf. LAGOPOULOS, 1998).(13) Entenda-se teoria, maneira dos gregos, em seu sentido amplo, englobando tantograndes quadros interpretativos, como mais prosaicas explicaes, como as middle rangetheories; cf. crtica a estas ltimas, em Wehler (1979a, p.17): Jedermann wird vermutlich derMeinung beipflichten knnen, dass das Wort Theorie in den letzten Jahren eine inflationreAufblhung erlebt hat. Nicht selten ist es an die Stelle von plausibler Interpretation getreten,hat manchmal sogar nur These gemeint oder genau das bezeichnet, was bei Droysen einemehr oder minder gute Fragestellung geheissen htte.

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    Como se tornar arquelogo no Brasil

    Pedro Paulo A. Funari

    4. A Arqueologia no quadro da academia brasileira (Continuao)

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    Tornar-se arquelogo no Brasil possui, no entanto, particularidades que no forammencionadas nos sete pontos tratados por Shanks. As especificidades da vida universitriaem nosso meio, j acenadas, bem como a conturbada Histria recente do pas e daArqueologia, em especial, fazem com que haja aspectos ainda a serem discutidos. Talveztudo se possa resumir constatao de Ovdio (Heroid. 2, 85), que exitus acta probat,transformado na quintessncia do mundo anglo-saxo: the proof of the pudding is in theeating.(14) Aqui, cabe uma digresso. Em um mundo social e acadmico to caracterizadopelas relaes hierrquicas e to infenso ao mrito, como o nosso, todo tipo de distoro possvel. J se mencionou, alhures, que o poder burocrtico se concentra nas mos dos quemenos publicam (cf. Santos, 1999b, em nota), que, em nossa universidade, possvel obterttulos acadmicos por decreto, em triste herana dos tempos da ctedra. Neste contexto,torna-se compreensvel a referncia prova dos fatos. Tornar-se arquelogo, neste artigo,significa tornar-se arquelogo de verdade, no sentido forte da palavra, acadmico, nopoderoso, brilhante, admirado e temido, por falar (e pouco publicar) ex auctoritate. Emoutras palavras, tornar-se um acadmico requer desligar-se do poder paroquial e inserir-sena cincia universal. Para tanto, o primeiro requisito instrumentalizar-se lingisticamente,em particular dominando a lngua franca hodierna, o ingls.(15) Alguns propugnariam que,devido aos vcios, ao compadrio e ao paroquialismo local, melhor seria enviar os interessadosa estudar no exterior e apresentam como argumento exemplos de jovens PhDs cuja obracientfica notabilizou-se desde cedo. De fato, no faltam exemplos de arquelogos nestasituao, mas h que se considerar, em primeiro lugar, que nem todos aqueles queobtiveram ttulo no exterior se notabilizaram por publicarem e formarem pesquisadores,quando voltaram ao Brasil, quando mais no fosse porque o sistema burocrtico noincentivava que o fizessem (cf. exemplos em Funari, 1997b). No se trata, pois, de obter umttulo no exterior, algo no to difcil, mas ser capaz de produzir e interagir com a cinciauniversal e isto poucos que foram ao exterior o fizeram.

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    Em segundo lugar, titular-se no Brasil no exclui a preocupao em atuar na cinciainternacional, como diversos exemplos em nosso meio arqueolgico esto a demonstrar.Ademais, a soluo dos ttulos obtidos no exterior, estratgia ainda adotada em diversospases, que mandam seus melhores arquelogos para cursarem a ps fora do pas, no podeabranger um grande nmero de estudiosos, o que dificulta a formao de massa crtica,indispensvel para que a cincia, de nvel internacional, possa ser produzida em nossoprprio meio. Como quer que seja, objetivo primeiro dos cursos de ps-graduao queformaro arquelogos s pode ser inserir seus quadros profissionais e seus alunos na cinciauniversal, utilizando-se, entre outros recursos, das chamadas bolsas sanduche (estgios dealguns meses no exterior), dos convnios de cooperao internacional, do patrocnio da vindade professores estrangeiros. Neste sentido, a Arqueologia nacional avanou de formasignificativa, pois no poucos arquelogos estrangeiros tm estado em nosso pas, ensinandograas ao apoio de rgos brasileiros, como o CNPq e a FAPESP(16) e rgos internacionais.Muitos jovens arquelogos tm tido a oportunidade de estagiar no exterior e a insero daArqueologia brasileira no contexto internacional, em poucos anos, aumentousignificativamente.(17)

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    http://www.nethistoria.com/cgi/imprimir/pf.cgihttp://www.nethistoria.com/cgi/notifica/aaf.plhttp://www.nethistoria.com/cgi/comensaios/stars2.pl?39http://www.nethistoria.com/cgi/comensaios/stars.plfile:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/NetHistria/nethistoria/autores/cre45.shtml

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    Aps esta longa digresso, pode voltar-se quintessncia anglo-saxnica: the proof ofthe pudding is in the eating. Tornar-se arquelogo, como, de resto, tornar-se um verdadeirointelectual, em geral, depende da conscincia de que nada substitui o conhecimento e queeste no se confunde com poder burocrtico. Os cursos de formao de arquelogos, cadavez mais, tm tido que se adequar aos critrios de mrito, universais, como o caso dapublicao das pesquisas, seu debate nas revistas arbitradas estrangeiras. Exemplos naArqueologia brasileira no faltam. Tornar-se arquelogo tambm implica em reconhecer queesta cincia tem sido reacionria, cultuando explicitamente as elites, explorando, muitasvezes, as maiorias e minorias oprimidas em benefcio nada cientfico e puramente monetrio,como o caso, em muitas ocasies, de bem pagas atividades de campo financiadas porgrandes empresas.(18) Contudo, no h pesquisa, nem mesmo pr-histrica, que esteja forados interesses da sociedade (VEIT, 1989, p.50) e a Arqueologia pode ser profundamentehumanista (HECKENBERGER; NEVES; PETERSON, 1998, p.83), particularmente relevantepara uma sociedade multicultural (GIULIANI, 1995, p.91), sempre que atue com o povo(McGUIRE, 1994, p.830). O engajamento do intelectual no lhe subtrai qualquerconhecimento, como alerta Pierre Bourdieu (1989, p.59; cf. MEYER, 1990, p.135-136), aocontrrio, pois conhecer saber com os outros.(19) Tornar-se arquelogo inclui, assim,saber que no h trabalho arqueolgico que no implique em patrimnio e em socializao dopatrimnio e do conhecimento (TAMANINI, 1998). Tornar-se arquelogo consiste em saberque qualquer escavao deve tornar-se uma publicao, acessvel comunidade cientfica.Significa saber que os artefatos no podem ficar abarrotando os depsitos, inditos. Paratanto, em diversos pases, h regulamentos pblicos que apenas permitem que osarquelogos desenvolvam novos projetos se publicarem, tanto o relato da escavao, quantoo material arqueolgico recolhido. Tornar-se arquelogo implica em considerar que apatrimonializao dos objetos faz parte integrante do ofcio arqueolgico.(20) Neste sentido,a formao do arquelogo, em nosso meio, ainda muito deficitria, pois pouca ateno setem dado, em termos estruturais, a esses aspectos, considerados, s vezes, estranhos prpria disciplina, enquanto, mundo afora, a Arqueologia pblica se encontra em expanso ea Arqueologia e a Educao no so mais dissociveis (cf. FUNARI, 1994; FUNARI, 1996,ambos com extensa literatura).

    Notas(14) Cf. Wehler (1979b, p.60): Das in der historischen Erzhlung wenigstens zum Teilmiteingebaute Erklrungsangebot finde ich im Vergleich mit expliziter, diskussionsfhigerhistorischer Theoriebildung wit unterlegen. In der Tat: the proof of the pie is in the eating.(15) Cf. Olivier (1999a): En ce qui me concerne, jutilize lAnglais comme lingua francaquelle est dsormais; o jornal da ADUSP, em seu nmero de julho de 1998, p. 56,reproduziu uma sintomtica notcia da Nature (9/4/98), que seria bastante pertinente aocaso brasileiro e que, por isso, merece ser transcrita: Novo sistema de avaliao reduz opoder dos bares da cincia na Itlia. O novo sistema institudo na Itlia tem privilegiado aqualidade dos projetos e reduziu bastante a pulverizao de recursos que gerava umadistribuio ampla e, conseqentemente, escassa de recursos por grupo de pesquisa. Algunsnomes bem conhecidos no conseguiram, pela primeira vez, renovar seus auxlios por faltade mrito cientfico. Os pedidos de auxlio devem ser apresentados tanto em ingls como emitaliano, de maneira a permitir a participao de consultores externos (grifo acrescentado).(16) Um bom exemplo, recente e entre outros, refere-se vinda de Sin Jones, com apoioda FAPESP e da British Academy, tendo ensinado na ps-graduao da UNICAMP, cujosalunos puderam tomar contato com obras suas inditas, como seu livro, publicado em 1997,ano em que esteve aqui. Desta forma, pde discutir-se uma obra cujas qualidades fariamcom que fosse, em menos de dois anos, resenhada nas principais revistas internacionais ebrasileiras.(17) Em 1991, terminava artigo constatando que trs passos se faziam necessrios: 1. Toknow, debate, exchange ideas and integrate archaeology with other social sciences; 2. Tointegrate Brazilian archaeology with archaeology as practised everywhere else in the world;3. To adopt a Code of Ethics...to prevent archaeology being used against indigenousminorities and other oppressed people, and to prevent the return of political persecutionwithin or outside academic life (FUNARI,1991, p.128; cf. em castelhano, FUNARI 1992,p.64-65).

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  • (18) Trata-se de algo universal, como assinalaram McGuire e Walker (1999), mas cujoscontornos, em uma sociedade to desigual como a brasileira, tornam-se dramticos.Recentemente, Noelli (e.g. 1994, 1995, 1996c) tem produzido diversos estudos contundentesa respeito. Em um artigo sobre a formao do arquelogo no Brasil, no caberia desenvolvereste tema, que merece uma reflexo especfica. Registre-se, no entanto, que o nico critriouniversalmente aceito para a chamada Arqueologia de Contrato consiste na produocientfica que deve resultar de qualquer atividade contratada por uma empresa, o que nemsempre ocorre no Brasil. A formao de iniciantes na Arqueologia nesse ambiente pode ser,portanto, bastante inadequada, pois o que se tem que aprender a produzir cincia, o quenem sempre o caso na Arqueologia de Contrato.(19) Conscientia, saber com, implica na interao social.(20) Um dos motivos de se desconsiderar o aspecto patrimonial da Arqueologia advm danoo estreita, defendida por alguns, de que a Arqueologia no o estudo de objetos, decoisas (MENESES, 1980, p.6), o que descaracteriza a inevitvel ligao entre a Arqueologiae a apropriao dos artefatos pela sociedade.

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    Como se tornar arquelogo no Brasil

    Pedro Paulo A. Funari

    5. A Arqueologia no quadro da academia brasileira (Continuao)

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    Tornar-se arquelogo no Brasil hoje, portanto, apresenta diversos caminhos possveis(abaixo). Para o jovem iniciante, as perspectivas so muito variadas, de acordo com asescolhas que venha a efetuar. Tornar-se arquelogo acadmico, objeto primeiro deste artigo,no promete uma remunerao fabulosa, mas oferece oportunidades excepcionais pararefletir sobre a sociedade, para agir com a comunidade em prol tanto da preservao dopassado como para a transformao do presente (e.g. TOMAZELA, 1999). Permite que seintervenha na Educao, fazendo com que milhes de brasileiros tenham um contato maisprofundo e menos parcial com sua prpria Histria. Incentiva os futuros arquelogos aintegrarem-se cincia mundial, tornando seus contatos com o exterior uma experinciadinmica. Assim, apesar dos percalos e das dificuldades, pode concluir-se que, em aceitandoos seus desafios, tornar-se arquelogo acadmico, no Brasil, abre horizontes e ofereceoportunidades nicas.

    Como tornar-se arquelogo profissional no Brasil em 1999

    I. PR-UNIVERSITRIO:

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    1. Voluntariado em projetos de pesquisa

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    2. Voluntariado em museus e outras instituies

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    - Vantagens e desvantagens: despertar o gosto pelo estudo da cultura material,mas possibilidade de se decepcionar por deficincia na formao acadmica.

    II. UNIVERSITRIO:

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    1. Graduao

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    a. Em arqueologia (curso no reconhecido pelo MEC)

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    - Vantagens e desvantagens: especializao precoce, pouco contato com reasafins.

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    b. Em disciplina universitria relacionada (Histria, Antropologia, Biologia,Sociologia, Geografia, Letras, entre outras)

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    - Vantagens e desvantagens: contato com reas relevantes da cincia,especializao mais tardia.

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    2. Ps-graduao

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    a. Em Arqueologia

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    - Vantagens e desvantagens: especializao, menor nfase nas cincias afins.

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    b. Em programa de rea relacionada

    gif.gif (49- Vantagens e desvantagens: contato com reas relevantes da cincia,

    especializao mais tardia

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    III. PERSPECTIVAS PROFISSIONAIS

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    1. Na academia

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    - Vantagens e desvantagens: produo de conhecimento, possibilidade dedesenvolvimento de projetos de mbito internacional, mas os salrios no so elevados.

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    2. Em museus, instituies patrimnio e outras

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    - Vantagens e desvantagens: importncia social da atividade do arquelogo,mas pouco incentivo produo de conhecimento e baixos salrios.

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    3. Na consultoria (Arqueologia de contrato)

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    - Vantagens e desvantagens: renda elevada, mas pouco incentivo produo deconhecimento e restries crtica social.

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  • Textos relacionados

    Como se tornar arquelogo no Brasil

    Pedro Paulo A. Funari

    6. Bibliografia

    BARRETO, C. Arqueologia Brasileira: uma perspectiva histrica e comparada. In: FUNARIP.P.A.; Neves E.G.; PODGORNY, I. (Org.). Teoria Arqueolgica na Amrica do Sul. SoPaulo: Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de So Pauo/Fapesp, 1999. Noprelo.BARROS e SILVA, F. J vira a vaca sagrada das elites. Folha de So Paulo, 9 mar. 1997.Folha TV, p.2.BATISTA, P.N. Um cidado anacrnico. Folha de So Paulo, 16 jan. 1997, 2, p.2.BINFORD, L.R. In pursuit of the past. Nova Iorque: Academic Press, 1984.BOURDIEU, P. Vive la crise! For heterodoxy in social sciences. Theory and Society 17, p.773-787, 1988.

    Ensaios - Como se tornar arquelogo no Brasil.

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    http://www.nethistoria.com/cgi/imprimir/pf.cgihttp://www.nethistoria.com/cgi/notifica/aaf.plhttp://www.nethistoria.com/cgi/comensaios/stars2.pl?39http://www.nethistoria.com/cgi/comensaios/stars.plfile:///C|/Meus documentos/Minhas Webs/NetHistria/nethistoria/autores/cre45.shtml

  • ______. The corporativism of the universal: the role of intellectuals in the modern world.Telos 81, p.99-110, 1989.BRAY, W. Why study ancient America. Bulletin of the Institute of Archaeology 31, p.5-24,1994.COLLIS, J. Ravenna was all very nice, but... The European Archaeologist 8, p.2-4, 1997.COMBE, S. Reason and Unreason in todays French Historical Research. Telos 108,p.149-164, 1996.COMPARATO, F.K. As nulidades triunfantes. Folha de So Paulo, 19 set. 1993, 1, p.3.COTTER, J.L. A conversation with John L. Cotter (interview to Daniel G. Roberts). HistoricalArchaeology 33, 2: p.6-50, 1999.DIAS, A.S. Um projeto para a Arqueologia Brasileira: breve histrico da implantao doPRONAPA. Revista do CEPA 22, p. 25-39, 1995.DUARTE, P. Pela Dignidade Universitria. Idias 1, p.159-179, 1994.FAVERSANI, F. Resenha de Guarinello. Idias 4, p.305-308, 1997.FERNANDES, F. Entrevista. Trans/form/ao 2, p.5-86, 1975.FOLHA DE SO PAULO. USP, teses e compadrio. Folha de So Paulo, 13 out. 1997, 1, p.2,1997a.FOLHA DE SO PAULO. O pacote na universidade. Folha de So Paulo, 17 nov. 97, 1, p.2,1997b.FROMM, E. You shall be as gods. A radical interpretation of the Old Testament and itstradition. Nova Iorque: Fawcett, 1969.FUNARI, P.P.A. Arqueologia. So Paulo: tica, 1987.______. Poder, posio e imposio no ensino de Histria antiga: da passividade forada produo de conhecimento. Revista Brasileira de Histria 15, p.257-264, 1988c.______. Reflexes sobre a mais recente teoria arqueolgica, Revista de Pr-Histria 7,p.203-209, 1990.______. Archaeology in Brazil: politics and scholarship at a crossroads. World ArchaeologicalBulletin 5, p.122-132, 1991.______. Resenha de W. A. Neves (org.), Origens, adaptaes e diversidade do homem nativoda Amaznia. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de So Paulo 2,p.150-151, 1992a.______. La Arqueologa en Brasil: poltica y academia en una encrucijada. In: POLITIS, G(Org.). Arqueologa en Amrica Latina Hoy. Bogot: Banco Popular, 1992b. p.70-87.______. Rescuing ordinary people's culture: museums, material culture and education inBrazil. In: STONE, Peter G.; MOLINEAUX, Brian L. (Org.). The Presented Past, Heritage,museums and education. Londres: Routledge, 1994. p.120-136. ______. Mixed features of archaeological theory in Brazil. In: UCKO, P.J. (Ed.) Theory inArchaeology, A world perspective. Londres: Routledge, 1995. p.236-250.______. Consideraes em torno das Teses sobre Filosofia da Histria, de Walter Benjamin.Crtica Marxista 1,3, p.45-53, 1996.______. Resenha de Guarinello. Revista da Sociedade Brasileira de Pesquisa Histrica 11,p.139, 1996a.______. La educacin vocacional y la enseanza de la historia en Brasil. Revista FormacinDocente Continua 2,2, p.88-96, 1996c.______. Cidadania, erudio e pesquisas sobre a Antigidade Clssica no Brasil. Boletim doCPA 3, p.83-97, 1997.______. Ps-Graduao: encruzilhadas atuais. Campinas: IFCH-UNICAMP, 1997a.______. European archaeology and two Brazilian offspring: classical archaeology and arthistory. Journal of European Archaeology 5, 2, p.137-148, 1997b.______. Archaeology, History, and Historical Archaeology in South America. InternationalJournal of Historical Archaeology 1, p.189-206, 1997c.______. Teoria Arqueolgica na Amrica do Sul. Campinas: IFCH-UNICAMP, 1998a.______. Arqueologia, Histria e Arqueologia Histrica no contexto sul-americano. In:FUNARI, P.P.A. (Org.) Cultura Material e Arqueologia Histrica, Campinas: IFCH-UNICAMP,1998b. p.7-34.______. Academic freedom in Brazil in a global perspective. Academe July, 1999a.______. Academic freedom in Brazil in a global perspective. Academe, 1999a. No prelo.______. Liberdade acadmica no Brasil. Jornal da Cincia Hoje, 25 jun. 1999, p. 10, 1999b. ______. Lingstica e Arqueologia. DELTA, Revista de Documentao de Estudos emLingistica Terica e Aplicada 15, p.161-176, 1999b. ______. Por uma graduao em Histria crtica e pluralista. Histria e Ensino, 1999c. Noprelo.______. Pluralism and divisions in European archaeology. Journal of European Archaeology 4,p.384-385, 1996b.FUNARI. P.P.A.; PODGORNY, I. Is archaeology only ideologically biased rhetoric? EuropeanJournal of Archaeology 1, 3, p.416-424, 1998.

    Ensaios - Como se tornar arquelogo no Brasil.

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    Agradecimentos:

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    Agradeo aos seguintes colegas: Warwick Bray, Adriana Schimdt Dias, Fbio Faversani,Norberto Luiz Guarinello, Sin Jones, Alexandros-Phaidon Lagopoulos, Randall McGuire,Daniel Miller, Walter Alves Neves, Francisco Noelli, Nanci Vieira Oliveira, Laurent Olivier,Andr Prous, Michael Shanks, Elizabete Tamanini, Cristopher Tilley, Bruce G. Trigger. Aresponsabilidade pelas idias, naturalmente, restringe-se ao autor.

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