Edio 17 - GeoMag

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    24-Jul-2016

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  • O u t u b r O 2 0 1 5 - E D I O 1 7

    E AINDA...

    Aldeias Histricas

    Geochurrascada

    Ponto Zero

    Leiriacoinfest 2015

    Alm Fronteiras

    GC6

    Um passeio pelo P de Cabril,

    numa cache totalmente

    natura e cheia de desafios

    EVENTO

    The d3vil is in the detailsUm evento carregado de sentimento e emoes

    SUp3rFM10 anos de geocaching, muitas caches revistas e muitas histrias para contar pelo antigo Revisor! Tudo aqui, na Geomag!

  • GeoFOTO Setembro 2015Vencedor - rjpcordeiro

  • Editorial................................................................. 04..

    Aldeias.histricas.-.Castro.Laboreiro....... 06

    Cruzilhadas.......................................................... 14

    Urbex.-.Tnel.del.Panico................................. 20

    Frente.a.Frente.................................................. 28

    The.D3vil.Is.In.The.Details.............................. 36

    International.Geocaching.Day...................... 44

    Mandamentos..................................................... 48

    Entrevista.de.Carreira..................................... 50

    Waymarking.-.Time.Capsule.......................... 64

    GC6.-.P.de.Cabril............................................. 66

    GeoChurrascada.2015...................................... 74

    Leiriacoinfest.2015........................................... 80

    Alm.Fronteiras.-.Amrica.do.Sul............... 86

    Cerimnia.Prmios.GPS.2014....................... 98

    .Descoberta.de.-.Olhos.de.gua............... 102

    A.a.Z.-.Hugo.Pita................................................ 108

    Ponto.Zero.-.Apagar.Registos.Online....... 112.

    From.Geocaching.HQ.with.Love.................. 114

    Conferncia.Finlndia.-.Aores................... 118

    Nota sobre Acordo Ortogrfico:Foi deixado ao critrio dos autores dos textos a escolha de escrever de acordo (ou no) com o AO90.

    Annie LoveAntnio CruzBruno GomesCarlos M. SilvaCludio CortezFilipe NobreFilipe SenaFlora CardosoGeocaching LeiriaGustavo VidalHugo PitaHugo SilvaIdlio LudovinoJos SampaioJulio GomesLus MachadoMarisa MachadoMiguel Alexandre SalgadoNuno XavierPedro AlmeidaPedro SalazarRui DuarteSnia FernandesTiago VelosoVitor Sergio

    Com o apoio :

    Crditos

    ndice

  • EDITORIALpor Rui Duarte

    4 OutubrO 2015 - EDIO 17

    Crnica de uma morte anunciada?

    Temos vindo a assistir nos ltimos anos ao cada vez mais evidente desinteresse para com aquela que me parecia a mais interessante ini-ciativa nacional relacio-nada com o geocaching, a criao da Portuguese Geocoin anual.No ando nisto h assim tanto tempo e o tema nem me parti-cularmente querido compro, regra geral, as minhas geocoins quan-do algum pretende di-vidir um lote ou quando faltam algumas para fa-zer o nmero necessrio para as encomendas. O meu interesse esgota-se por aqui (ou perto) mas no deixo de ser da opinio de que coisa que no deveramos deixar cair!

    Acho bastante interes-sante que a organiza-o v alternando entre os dois principais fruns de geocaching nacio-nais mas o certo que a vontade da realizao de peas verdadeira-mente interessantes e representativas, quer do pas, quer do panorama geocachiano actual, tem sido, no mnimo, fraca (este ano ento). Con-fesso que at me sinto surpreendido por ter visto sair c para fora peas to bonitas nes-tes ltimos dois anos!S que este ano est pior que nunca pou-qussimo interesse, pouqussimas propos-tas, pouqussima parti-cipao pouqussimo tudo. Ainda nem sequer me parece estar total-mente colocada de par-te a no existncia da GC Portugal 2015.Vejo com apreenso o esforo do Filipe Sena

    (parece-vos familiar o nome?! ahahah) em conseguir uma propos-ta credvel e ao nvel dos anos anteriores mas, 2015 aproxima-se a passos largos do seu fim e, espero estar muito errado, o fim da GC Portugal avizinha-se tambm., pelo menos, curioso o facto de que, em con-tra ciclo, vemos nascer cada vez mais geocoins pessoais, de grupos ou de eventos, geralmente muito bonitas e apete-cveis! Seria de esperar que fosse motivo de orgulho para a comuni-dade em geral participar na criao daquela que pretendia de alguma forma ser a pea aglu-tinadora do esforo e das ideias e que melhor representasse o estado de espirito (ou do geo-caching) do ano e que, mesmo aqueles que como eu no so gran-

    des fs desta vertente do hobbie, tivessem prazer em possuir tal coisa na sua coleo (ou na gaveta das tralhas). Fao votos sinceros para que se consiga avanar com o projecto e que estas primeiras fases sejam esquecidas com a posterior colocao em metal da dita geocoin que venha mais uma daquelas bem bonitas e que gere um brua de satisfao pelos aman-tes/colecionadores.Era deveras uma pena no termos o ano de 2015 registado desta forma to indelvel

    Um muito obrigado a todos os que, de ano para ano, tm contribu-do com as suas ideias e participaes para que existam hoje em dia as Portuguese Geocoins, pensadas e realizadas em Portugus!

  • ALDEIAS HISTRICASCastro LaboreiroPOR LUSITANA PAIXO

  • 8 OutubrO 2015 - EDIO 17

    Bem-vindos a Castro Laboreiro!Nesta edio regressa-mos ao Alto Minho para dar a conhecer uma das Aldeias mais emblem-ticas desta regio: Cas-tro Laboreiro!Uma freguesia onde esto bem vivas as tra-dies, os usos e costu-mes que perduraram ao longo dos tempos, fruto do isolamento de uma zona rural marcada pelo forte esprito comunit-rio.O planalto do Castro Laboreiro situa-se no extremo norte do Alto Minho e de Portugal, pertencendo ao conce-lho de Melgao e inte-grando o Parque Nacio-nal da Peneda-Gers.Banhada pelas guas do rio Laboreiro, a mais de 1000 metros de al-titude, aqui perfilam-se elevadas montanhas, rochedos, penhascos e profundos vales toma-dos por densa vegeta-o.A aldeia situa-se no alto no macio montanho-so, assim os castrejos organizaram a sua vida ao ritmo das estaes do ano num quotidiano ditado pela natureza das condies climatricas e da fertilidade destas terras. As inverneiras e as brandas represen-tam porventura o trao mais genuno deste estranho modo de vi-ver. Com a chegada do ms de dezembro, as temperaturas glidas e os rigorosos neves

    que se abatem sobre a regio, as populaes renem os seus perten-ces, roupas, utenslios, ferramentas de lavoura, mantimentos e gado, abandonando proviso-riamente a branda at prxima primavera. Migram em massa para o fundo dos vales, onde uma segunda casa, uma segunda aldeia e um novo quotidiano os es-pera, no acolhedor clima da inverneira.Um povo que aprendeu a ser nmada, sem re-ceio e sem complexos, e talvez por isso saiba to bem receber quem vem de fora, com um esprito de partilha inigualvel e a mais genuna genero-sidade.Era uma vez um caste-lo, erguido no alto de um monte. Os antigos dizem que se trata de uma obra dos mouros, e os entendidos afirmam que ter sido constru-dos pelos romanos Certo que que o Cas-telo de Castro Laboreiro uma das mais emble-mticas e estratgicas construes militares do pas, devido sua localizao privilegiada, aberta sobre os planal-tos galegos.De planta oval, o Caste-lo de Castro Laboreiro ou Laboredo apresenta dois ncleos principais: na elevao a norte, o centro militar integra a torre de menagem, a praa de armas e a cisterna. Na muralha abrem-se duas portas, a

    leste a mais importante denominada Porta do Sol; a norte a Porta da Traio. A sul e num pa-tamar inferior, o acesso ao ncleo secundrio feito por uma ponte em arco cuja funo princi-pal seria a recolha dos bens e do gado, em caso de ameaa. Um desenho curioso e nico no pas, que denota a importn-cia estratgica desta construo.Muito para alm do valor histrico deste exemplar de patrimnio edificado, acima de tudo a paisa-gem e a atmosfera nica que nos prende a este lugar. Castro Laboreiro uma visita obrigatria, e quem passa por aqui dificilmente deixar de eleger este local como um dos mais belos ce-nrios naturais de Por-tugal.Mas, e caches, pergun-taro os aficionados?So muitas, e de elevada qualidade, as propostas nesta regio. Eventual-mente a coordenada do [GCV3TK] Castelo de Castro Laboreiro acaba-r por ser a referncia absoluta, uma cache de 2006 com a inconfun-dvel assinatura dos Ri-fkindsss e com suporte do Pascoa. Certamente a melhor forma de vi-sitar o Castelo, pois a cache est estrategi-camente colocada no corao da muralha. De passagem, no deixe de visitar [GC5C5T6] Entre o Castro e o Laboreiro de jbcesar, que oferece

    uma bonita perspetiva sobre toda a rea cir-cundante. Para aqueles que do preferncia antigui-dade das caches, no deixem de visitar duas propostas do zoom_bee aqui bem perto: os tra-dicionais moinhos de gua na [GCPPXN] The Green Deep, e as vistas privilegiadas sobre a es-petacular Ponte da Cava da Velha, ex-libris da regio, com a [GCPPXM] Rocky River. O joseceleiro aponta o caminho at ao fotog-nico [GC1P9X5] Bico de Patelo, e tambm aqui no Castro Laboreiro que est assinalado o ponto de partida daquela que pode ser considerada a mais exigente e es-pantosa aventura de Geocaching de Portugal: [GC3C7J6] Montanhas Nebulosas [PNPG], uma multi-cache de 75 km (se o plano correr de fei-o), desenhada pela team Valente Cruz.No faltaro assim bons motivos para vir at Cas-tro Laboreiro: em fam-lia, entre amigos, numa expedio solitria ou procura de paisagens nicas. Em todo o caso, ser seguramente uma viagem proveitosa, um regresso s origens do nosso povo e da nossa cultura.Fica o convite desco-berta!

    Texto / Fotos:Flora Cardoso

  • 9OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 10 OutubrO 2015 - EDIO 1710 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 11OutubrO 2015 - EDIO 17 11OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 12 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 13OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 14 OutubrO 2015 - EDIO 17

    a perceo do riscoe os limites

    C R U Z I L H A D A S

    P O R V A L E N T E C R U Z

    14 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 15OutubrO 2015 - EDIO 17

    Neste artigo irei diva-gar sobre desafios e limites. Fao-o numa perspetiva de refle-xo pessoal e no com a ambio de distribuir conselhos, at porque talvez no seja a pessoa mais indicada para o fazer. Todos temos limites e mais cedo ou mais tarde acabaremos por enfrentar situaes complicadas. certo que este passatempo pode servir para es-pevitar esse encontro. Dependendo do tipo de geocaching que praticamos, inevita-velmente acabaremos por ser confrontados com situaes para as quais no estamos preparados, tanto a nvel fsico como men-tal.Antes de conhecer o geocaching, sempre que passava numa es-trada e olhava para um local aparentemente inacessvel que ficas-se nas imediaes, contentava por v-lo. Nenhuma outra von-tade se insurgia. Com

    o geocaching, me-dida que nos vamos imiscuindo nos seus meandros, somos tentados e levados a passar as nossas barreiras do conforto. Aos poucos, o suor, os riscos e as feridas transformam-se em inevitabilidades, que podem inclusive tor-nar-se em estranhos desejos insuspeitos.Certo dia, ao passar pela Serra da Pene-da, fiz uma paragem natural Miradouro de Tibo para admi-rar a majestosa Fra-ga das Pastorinhas [GC2M30X], suspensa sobre um vale com cerca de 500 metros de profundidade. Quando dei por mim j estava enredado por vontades e nasceu en-to o desejo de alcan-ar o seu topo fazendo a subida desde o Rio Peneda. O encontro ficou marcado para o ano seguinte, numa viagem de propsito nico. Infelizmente, a minha companhia acabou por desmarcar

    no ltimo momento por indisponibilida-de, pelo que passou a ser uma aventura solitria. Deveria ter cancelado a investi-da, mas a vontade foi mais forte. Quando entrei no Parque Na-cional encontrei um nevoeiro sebastinico, pelo que o plano pas-sou a ser vislumbrar a paisagem e lamentar o infortnio. Ao revi-sitar o miradouro no se vislumbrava qual-quer ponta do desafio. Ainda assim, decidi descer at Tibo para ir procurar a Lagoa dos Druidas [GC2E5TY]. Quando cheguei ao rio apercebi-me que o nevoeiro estava con-finado metade su-perior do vale. Assim, resolvi averiguar at onde conseguiria subir em segurana. Acabei por chegar ao topo, com algumas passa-gens mais tcnicas pelo meio. Aos pou-cos, o nevoeiro foi-se tambm dissimulando na minha resilincia e acabou por desapare-

    cer. As vistas ficaram libertas e tive ento uma das melhores sensaes de que te-nho memria. Contu-do, as dificuldades no terminaram com a as-censo. Descer reve-lou-se muito mais exi-gente e no demorei muito a ficar bastante cansado, com assina-lveis dificuldades de progresso. Ao refletir sobre aquele dia, sei que arrisquei dema-siado e no o voltaria a fazer. Foi talvez a minha aventura de su-perao mais insana.Uma das questes mais relevantes com a superao dos limites prende-se precisa-mente com a com-panhia, que nos pode ajudar a ultrapassar as dificuldades ou emprestar um pouco de clarividncia na tomada de decises. Recordo-me de estar a atravessar as Mon-tanhas Nebulosas [GC3C7J6]com o joom e, ao subirmos para a Serra Amarela, j ao anoitecer, comeou a

    Ao refletir sobre aquele dia, sei que arrisquei demasiado e no o voltaria a fazer. Foi talvez a

    minha aventura de superao mais insana.

  • 16 OutubrO 2015 - EDIO 17

    trovejar. De imediato, ele referiu que deve-ramos descer para fi-carmos em segurana. Tnhamos planeado a travessia ao pormenor e a vontade de con-tinuar era muita. Em todos os momentos de preparao jamais tinha considerado a desistncia e aquelas palavras foram to tonitruantes na mi-nha conscincia como os raios da trovoada! Acabmos por descer e ainda bem que o fizemos. A aventura continuou no dia se-guinte, num grande esforo de superao da distncia a percor-rer. Aquela deciso foi um atalho para a se-gurana!Num outro episdio em que a natureza se virou contra a nossa vontade, estava a fa-zer a ascenso Into the Wild [GC3ER8Y]da Serra da Estrela com

    o Sphinx quando, ao chegarmos Lagoa Comprida e j depois de termos suporta-do algumas horas de chuva, comeou a ne-var. A temperatura ti-nha baixado bastante e, ao parar, comecei a entrar em hipotermia. Mesmo sabendo que no estava em condi-es de continuar, dei por mim perdido em consideraes que tal-vez ainda conseguisse andar mais um pouco, tal era a vontade de completar a experin-cia. Valeu-me o dis-cernimento do Sphinx. Quando regressmos a Seia j estvamos a replanear a investida para o fim de semana seguinte. As oportuni-dades no se perdem, apenas se transfigu-ram.Mas nem sempre te-mos uma boa compa-nhia nos ajudar a deci-dir em situaes mais

    complexas. Recordo-me de ter problemas por ter feito uma m avaliao das minhas condies fsicas e da quantidade de gua que levei aquando de um percurso pela Ser-ra do Risco [GCH744]. Acabei por terminar o dia com uma sede do tamanho da falsia e em grande esforo. Nas inmeras para-gens, em cada pedao de sombra, comecei mesmo a ouvir mur-mrios ilusrios; os zumbidos dos mos-quitos pareciam-me vozes de pessoas que me poderiam ajudar. De facto, numa situa-o crtica, muito f-cil sermos enganados pela nossa mente.Mudando de serra e de pas, creio que a cache mais difcil que j encontrei foi a Despedida y Cierre [GC3PR09], situada no Pico Torrecerredo,

    o cume dos Picos de Europa. Curiosamen-te, a avaliao dificul-dade/terreno fica-se pelos 2.5/4.5. Para chegar a este pico, que fica afastado das rotas tursticas, deve fazer-se um percurso de vrios quilmetros (com algumas pas-sagens mais tcnicas pelo meio), mas a verdadeira dificuldade surge quando se che-ga base do desafio. O pico ergue-se de for-ma abrupta a cerca de 250 metros da nossa vontade. No estrei-tamente necessrio fazer escalada, mas a ascenso passa em locais de grande expo-sio e fundamental ter algum domnio das tcnicas. Pode ainda ser complicado per-ceber qual o melhor acesso (numa perspe-tiva de se subir apenas para locais de onde se consegue sair). A meio

    PICOS.DA.EUROPA

  • 17OutubrO 2015 - EDIO 17

    SERRA.DA.ESTRELA

  • 18 OutubrO 2015 - EDIO 17

    SERRA.DO.MARO

    ALDEIA.DA.PENA

  • 19OutubrO 2015 - EDIO 17

    da ascenso em soli-trio, fui surpreendido pelo nevoeiro, o que veio a complicar ainda mais a situao. Para alm das dificuldades do terreno j referidas, j no cume, encontrar o micro recipiente em tanta pedra solta um verdadeiro teste de pacincia. Como seria de esperar nestas cir-cunstncias, a descida tambm no foi fcil, dado que se tem de enfrentar a vertigem de frente.

    O trail running um dos desafios de supe-rao mais marcantes que j vivenciei. Logo que fiquei a conhe-cer a prova Ultra Trail Serra da Freita fiquei fascinado e senti uma necessidade premen-te de fazer o percurso na sua globalidade. Duas semanas depois, na companhia do ma-filll, j estava a fazer o

    percurso [GC3GVZB]. Tnhamos a esperana de o conseguir ter-minar num dia, mas acabmos por atingir o nosso limite (fsico e mental) aps cerca de 45 quilmetros em 16 horas de cami-nhada. A experincia acabou por servir de aprendizagem e um ano depois consegui terminar a prova, com cerca de 70 quilme-tros, em menos de 16 horas. Creio que o que acabou por fazer a diferena foi o facto de, pelo pouco treino prvio e pela perceo da dimenso do desa-fio, ter uma esperana muito reduzida de su-cesso; assim, quando, numa fase avanada da prova, comecei a acreditar que conse-guiria acabar, a parte mental suplantou a dor fsica. Nunca irei esquecer aquela sen-

    sao ao cruzar a meta depois de ter passado por tanta dificuldade. Foi, sem dvida, um limite que muito pra-zer me deu superar. O facto de ter sido realizado durante uma prova oficial deu-me um conforto de segu-rana importante; se algo corresse terrivel-mente mal, sabia que algum me haveria de ajudar.

    Apesar de gostar de montanhas, sempre tive alguma apreen-so em praticar des-portos com cordas. Por incrvel ou ridculo que possa parecer, jul-go at que sentia mais confiana em mim do que numa corda para vencer um desafio. Quando fiz a minha estreia no rapel esta-va numa vertigem de medo. Porm, o receio acabou por se diluir nos ensinamentos de

    quem me acompa-nhou e num aumento natural da confiana. Algum tempo depois estreei-me no canyo-ning, desafio que nunca pensei vencer por no saber nadar. As dvidas iniciais foram ultrapassadas pelo conhecimento e entreajuda dos ami-gos que me acompa-nharam. Foi mais uma experincia incrvel de superao!

    E assim termina esta viagem de reflexo pessoal sobre algu-mas situaes de redescoberta e apren-dizagem, tanto a nvel da perceo do risco de algumas aventuras, como na superao dos limites associa-dos.

    Fotos e texto: Antnio Cruz (Valente Cruz)

    Apesar de gostar de montanhas, sempre tive alguma apreenso

    em praticar desportos com cordas. Por incrvel ou ridculo que

    possa parecer, julgo at que sentia mais confiana em mim do

    que numa corda para vencer um desafio.

  • 20 OutubrO 2015 - EDIO 17

    U R B E X

    P O R M Y S T I Q U E *

    20 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 21OutubrO 2015 - EDIO 17

    Desde 2013, que El Tnel Del Pnico [GC3AMAB] fazia par-te da minha wish list urbexiana. Ela e a sua irm siamesa Medal Of Honor-Bunker 1 [GC44RMQ], ambas localizadas na Bateria de Artilharia Costeira J-4, junto ao cabo Si-leiro e a cerca de 5 Km de Baiona.O fator distncia era principalmente o mais impeditivo, embora o fator companhia fosse tambm determinan-te, que, para um local como este, era obriga-trio.Desde essa altura, iniciei uma leitura ex-tensiva sobre a hist-ria do local, e apesar da curiosidade de ver o abandono do local, queria tambm fazer parte dum local cheio de acontecimentos histricos. Respira-lo com todos os senti-dos.Consegui alinhar os astros, para que o meu desejo se realizasse e o ms de Setembro

    de 2015, foi a data escolhida. A contagem decrescente dos dias, fazia a ansiedade au-mentar.Uma troca de mails com o prestvel Abraham (A3Sound), owner das caches, co-locou-me mais perto de concretizar esta visita, pois com uma simpatia flagrante, disponibilizou contac-tos e se fosse poss-vel, a companhia.Visualizava fotos, devorava todos os vdeos, que surgiam em pesquisas e, es-tranhamente a muitos kms de distncia, pa-recia j l ter estado.Vou tentar sintetizar um pouco a vida desta Bateria, enquanto ati-va at altura do seu abandono total. Todos os documentos que encontrei foram em espanhol, existindo fontes contraditrias.Vulgarmente o local chamado como Ba-teria do Cabo Sileiro, sendo o seu nome correto Bateria de Ar-

    tilharia Costeira J-4, localizando-se a cer-ca de 540 metros do cabo Sileiro, sobran-ceiramente ao mar, e ocupa cerca de 70.000 metros quadrados.

    Com uma localizao estratgica, e uma posio defensiva do porto de Vigo, a Ba-teria nunca chegou a sofrer nenhum ataque inimigo.

    Fontes relatam que ter sido constru-da em 1936, aps o rebentamento da Guerra Civil, pelo exr-cito franquista mas outras dizem, ter sido construda, tal como a conhecemos, aps o trmino da Guerra Civil, no ano de 1943, e operada pelo Regi-mento da Costa por mais de 3 dcadas, como mtodo pre-ventivo de uma nova guerra.

    Existem relatos da tortura at morte de presos republicanos, nos anos ps guerra. Mas no existem do-

    cumentos que susten-tem estes relatos.Com o final do regime de Franco, o Regi-mento da Costa dis-solveu-se em 1979, e a Bateria tornou-se num quartel, onde era prestado o servio mi-litar obrigatrio.A extino do servio militar obrigatrio, trouxe uma morte anunciada ao local. Durante alguns tem-pos, a Bateria era vigiada por um sar-gento e dois cabos, mas a partir de 1998, abandonada defini-tivamente.Ao sairmos da estrada principal e fazendo o desvio, onde vamos passar junto ao fa-rol, se olharmos com ateno, identifica-mos de imediato os 4 canhes, inseridos nas suas estruturas, como se ainda fossem os guardies de algo, ali se mantm firmes. Espetacular Mesmo por cima do farol, existe uma an-tiga instalao militar

    Existem relatos da tortura at morte de presos

    republicanos, nos anos ps guerra.Mas no existem

    documentos que sustentem estes relatos.

  • 22 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 23OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 24 OutubrO 2015 - EDIO 17

    que seria o Posto de Comando, mas que se encontra fora do re-cinto.Continuando a estrada e depois de uma curva apertada, podemos destacar logo pri-meira vista, o edifcio mais elevado, que se-ria a Torre de Teleme-tria. E estendendo um pouco a viso numa cota inferior, vislum-bramos um conjunto generoso de runas que seriam as diversas instalaes militares.Seguindo a estrada e num desvio prximo, encontramos o arco de acesso principal a todo o recinto. Junto a esse arco restam as runas das vivendas do capelo e do sargento.O arco em pedra, ain-da conserva o escudo franquista. Ao tres-passarmos o arco, o que vimos so pouco mais que escombros. Como se a Guerra tivesse sido aps a construo da Bateria.Mas noO que ve-mos mesmo fruto da destruio de pes-soas. Vandalismo puro e duro.Existem alguns ma-pas, que mostram o exterior da bateria e o interior da mesma. Poderemos visuali-

    za-los na listing da letterbox El Tnel Del Pnico. Ajuda-nos imenso a perceber, realmente, o que seria o qu. Principalmen-te o que nos leva nos acessos aos bunkers interiores e seus res-pectivos canhes.Aps o arco, segundo o mapa encontrar-se--ia, nossa esquerda a cantina dos oficiais e nossa direita, as co-zinhas dos mesmos. nossa frente, pas-sando as runas, existe um muro so-branceiro colina, que, para alm de ter a funo de proteger a Bateria de tempes-tades atlnticas, tinha tambm como ainda se consegue ver, uns arcos, embora este-jam emparedados, a comunicao com os passadios.Existe um caminho que permite o acesso escurido total, e onde podemos per-correr cerca de 200 metros em tneis que nos levam, debaixo de terra, aos 4 bunkers, ainda equipados com os canhes Vickers 152,4/50mm, fabri-cados no reino Unido. Deixo como curiosida-de, as caractersticas tcnicas destas peas: Alcance de 21,600

    metros, velocidade de 915 m/seg e peso por projtil disparado de 45 Kg. Os canhes disparavam 4 vezes por minuto e o tubo do canho pesa 8738 Kg.A sala do motor, nes-te momento, o ponto de acesso para tudo o resto. Era onde era efetuada a alimenta-o do sistema de di-reo de tiro compos-to pelo equipamento Alza Directora Vickers e o telmetro Barr-S-tround.Ao passarmos a sala do motor, acede-se a um tnel de servio (de onde tambm se pode aceder Torre de Telemetria). E a partir daqui, temos um labi-rinto, cheio de recan-tos por explorar. Mas muito vandalizados. Se dissesse que o local no sinistro, estaria a mentir com todos os dentinhos po-deroso, silencioso, um fantasma cheio de glamour. Uma explorao urba-na cheia de suspense, pois, o que poderemos encontrar, dentro dos tneis, sempre um sobressalto no cora-o.E o estacionamen-to junto ao arco foi o ponto de partida para

    estas duas senhoras caixinhas Ao passar o arcotive uma pontinha de desi-luso. Achei o espao pequeno. Nos vdeos parecia tudo muito maior. Para ver alique nos enchesse os olhos s mesmo a vista para o mar e as ilhas Cies. O resto eram restos de paredes e instalaes grafitadas, destrudas, aguentando-se ainda as estruturas princi-pais e que, s com o auxlio do mapa, se podia perceber o que tinha sido.Com facilidade, desco-bri a entrada, que nos levaria, aos to alme-jados tneis e seus bunkers.Confesso que foi es-tranho l entrar. Pas-sada a sala do motoreis que a escurido esperava por ns. Para a esquerda ou para a direita? O mapa ajudou-nos a colocar-mo-nos no caminho certo para o bunker 1, o nico com um aces-so diferente de todos os outros. O mais es-petacular Ao fim dos primeiros metros, o meu frontal, ficou sem pilhas, tal como a minha lanter-na.

  • 25OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 26 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 27OutubrO 2015 - EDIO 17

    Restava-nos um fron-tale sangue frio. No via nada a centmetros de mim, e a minha claustrofobia, come-ava a querer domi-nar-me. O poder da sugesto comeou a toldar-me os sentidos. O frontal existente passou para a minha posse e as coisas me-lhoraram.

    Num instante estva-mos no acesso para o Bunker 1, aps duas ou trs tentativas goradas. Procura-va a porta de metal, existente nalguns relatosmas no a vi. Para aceder-mos a este bunker, temos de subir 4 lances de escadas, ele encontra-se numa cota superior. o canho mais bem conservado de todos os 4.

    O primeiro lance de escadas j no existe. Existe uma pedra a servir de ajuda, mas para o primeiro nvel, precisamos mesmo

    de dois braos que nos puxem.

    Do segundo ao ltimo lance de escada, o co-rao salta-nos pela boca, a cada investida. As escadas esto po-dres e soltas da pare-de em alguns pontos.

    L em cimatemos alguma claridade. Para aceder ao canho, um poo na porta de entrada requer muito cuidado, pela profun-didade que apresenta.

    Aqui temos o cenrio da cache mistrio Me-dal Of Honor-Bunker 1 [GC44RMQ]. Est muito bem escondida e o container adequa-dssimo ao tema.

    O regresso ao tnel me fez-se com todo o cuidado, e a partir daqui continua-se a recolher pistas para a letter El Tnel Del Pnico, que nos obri-ga a explorar todas aquelas catacumbas misteriosas e cheias de histria.

    A explorao aos res-tantes bunkers, surge por instinto. Chega-mos a um local, em que nos so apresen-tados dois caminhos. Ora primeiro por um, depois por outro.

    Muitas escadas des-cemos, e fez-me al-guma confuso, como toda extenso do ta-pete que transporta-ria as munies, est totalmente destrudo em ambos os pata-mares.

    Estes 3 canhes, bem mais acessveis, en-contram-se sobeja-mente garatujados, tais como os corre-dores de acesso aos mesmos.

    Era tempo de regres-sar ao exterior. Samos pelo acesso que nos permite sair na Torre de Telemetria e ter a perceo que estas toupeiras iam a todo o lado sem ter que vir ao exterior.

    Faltava ainda encon-trar o container da letter, que tem um final muito apropriado e embora totalmente inserido no tema, inesperado.

    Foi uma das explo-raes urbanas que mais mexeu comigo. A adrenalina, o medo do que poderia encon-trar, o fascnio por ter a possibilidade de cir-cular ali, o suspense, a alegria, a escurido total, o ar que se res-pirava que era estril. Muito respeito.

    Recomendo a quem l quiser ir, no v s fazer geocaching!

    O geocaching ir to-mar outra dimenso, se entendermos as histrias das coisas e percebermos outras tantas.

    Texto / Fotos:

    Snia Fernandes

    (Mystique*)

    Foi uma das exploraes urbanas que mais mexeu comigo.

    A adrenalina, o medo do que poderia encontrar, o fascnio

    por ter a possibilidade de circular ali

  • 28 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 29OutubrO 2015 - EDIO 17

    GeoPT e Geocaching@PT, so claramente dois nomes conhecidos de qualquer geocacher internauta a nvel na-cional. Pelo menos um destes dois sites de re-ferncia sobre geoca-ching em Portugal, faz parte da vida de todos os geocachers que pas-seiam pela Internet em busca de informaes sobre o seu hobbie, ou mesmo com vista partilha das suas expe-rincias ou discusso de assuntos relacionados com o mundo do Geoca-ching.Sendo a GeoMag uma revista de publicao online, faria sentido que, numa das suas edies, o Frente a Frente viajas-se at ao mundo virtual, promovendo esta reu-nio entre os dois prin-cipais fruns nacionais geocachianos.

    E assim foi. Endereados e aceites os convites, teremos nesta edio um moderador do f-rum Geopt frente a fren-te com um moderador do frum Geocaching@PT, que iro responder s nossas perguntas, ajudando-nos a perce-ber um pouco melhor o trabalho destes cola-boradores que despen-dem do seu tempo livre (e muitas vezes da sua pacincia!) para ajudar a

    manter estes dois locais virtuais de convvio e discusso sobre geoca-ching em portugus.Assumindo o seu papel de moderador do frum Geopt, teremos Idlio Ludovino, geocacher com o nickname de IDI-LIO49, 33 anos de ida-de, natural do Cercal do Alentejo, casado e com dois filhos, residente em Setbal h 16 anos. Re-gistado no Geopt desde Dezembro de 2010, as-sumiu oficialmente as funes de moderador em Novembro de 2011, embora j tivesse an-teriormente funes de administrador na rea de Badges, nalgumas reas do IAAN e de tes-tes na APP GeoptTools, bem como nos convites para a Geopt.tv.Frente a Frente, estar Nuno Xavier, mais co-nhecido na comunidade como Alieri. Geocacher algarvio, j festejou 43 primaveras e reside em Faro. Define-se como algum que gosta de caches que envolvam caminhadas em plena natureza, de prefern-cia em grupos pequenos (com alguns bons amigos que fez graas ao geoca-ching). Acrescenta ainda que detesta powertrails e raramente resolve mis-trios e que muitas ve-zes as melhores cachadas so feitas sem sair do

    restaurante. Actualmen-te pouco activo na pro-cura de caches, utili-zador do Geocaching@PT desde 2007, tendo passado a fazer parte do grupo de moderado-res no inicio do ano de 2009.

    Como que estes dois utilizadores se tornaram moderadores de cada um dos fruns? Como veem o frum no qual exercem funes de moderao? Que quali-dades e competncias tem de ter um modera-dor? Nuno Xavier e Idlio Lu-dovino respondem-nos a estas e muitas outras questes, frente a fren-te!

    1. Idlio e Nuno, gosta-ria de comear por vos agradecer terem acei-tado o convite para este Frente a Frente. E j que falamos de convites, impe-se como primei-ra questo: Como sur-giu o convite para faze-rem parte de cada uma das equipas do frum e assumir o papel de mo-derador?

    Idlio: Comeando um pouco mais atrs, des-de o incio do Geopt que acompanhei o site, a evoluo do mesmo, as funcionalidades e as

    trocas de informao que aconteciam, mas inicialmente apenas de uma forma passiva sem qualquer interveno. Apenas quando numa viagem de trabalho ao estrangeiro o resultado foi quase mais caches enterradas na neve do que founds e, tal curio-so facto veio baila nas conversas do frum, senti necessidade de participar activamente e da em diante nunca mais parei.Tendo em conta que uma plataforma como esta apenas vive do resulta-do final da conjuno de esforos de todos, e no apenas dos Administra-dores ou Moderadores, e com algum tempo livre que tinha na altura foi de forma voluntria que ofereci os meus servi-os para ajudar, e assim foi durante algum tem-po onde no background fazia andar tarefas tra-balhosas que ningum acreditava virem a ser possveis. Talvez como reconhecimento desse trabalho que j vinha a acontecer, ou quem sabe como estratgia da Administrao preferin-do ter-me do lado de-les do que contra eles , foi-me endereado o convite. Foi aceite de forma natural, pois no me estava a ser pedido nada mais do que j fa-

  • 30 OutubrO 2015 - EDIO 17

    zia, por outro lado havia o reconhecimento pbli-co desse trabalho, que no sendo essencial, mal tambm no faria.

    Nuno: No meu caso, comecei a participar no frum do geocaching--pt.net a meio de 2007. Nessa altura este era o nico site sobre geoca-ching a nvel nacional, com excepo de um grupo no yahoogroups, que alis ainda existe, e que viria a evoluir para o site que hoje temos. No havia grupos de fa-cebook (nem facebook!) e o ncleo de jogadores portugueses era relati-vamente reduzido. Mui-to pouca gente sabia o que era o geocaching, no nosso pas. Quem chegava ao geocaching vinha aqui parar mais cedo ou mais tarde, e de alguma forma todos se conheciam e parti-cipavam. Havia um es-prito de comunidade muito forte no frum, boa disposio e mui-ta entre-ajuda, e estou seguro que essa era uma das razes porque algumas pessoas fica-vam no geocaching. Falo por mim. A maior parte das amizades que fiz no geocaching e que man-tenho, vm desse tem-po.A determinada altura de 2008 o nmero de

    participantes era cada vez maior, comearam a haver quezlias e ata-ques pessoais entre os utilizadores, a seco de classificados era uma confuso e havia neces-sidade de regular tudo isso. Eu participava bas-tante no frum e j tinha conhecido pessoalmen-te alguns dos ento ad-ministradores do site.No incio de 2009 o MAntunes contactou-me, explicou os ob-jectivos e as ideias da equipa do site e fez-me o convite para integrar a equipa. Entrei para o grupo de moderadores juntamente com a Sil-vana, uma geocacher do Norte.

    2. Falemos agora um pouco do frum no qual so moderadores. Como o definem?

    Idlio: O Geopt muito mais que um frum, uma panplia de funcio-nalidades que esto ao dispor da comunidade onde o frum apenas mais uma, uma peque-na parte, onde existe uma maior interaco entre os elementos da comunidade. Tem como principal objectivo o es-clarecimento da comu-nidade e a inter-ajuda entre elementos, assim como disponibilizar num s local, de fcil acesso,

    informao que ajude e possa tirar dvidas comunidade. S deixan-do a comunidade com livre participao pode haver ajuda mtua, fa-zendo assim com que os participantes se sintam em casa, claro que isso tem tambm o reverso da medalha levando a acesas discusses, mas isso no nada mais nada menos que o viver em sociedade onde cada cabea sua sentena. O moderador apenas tem como papel garantir que isso no descamba de vez.Nuno: Tal como disse antes, um frum sobre geocaching, mas onde tambm so debatidos vrios temas relacio-nados, como fotogra-fia, viagens, tecnologia, BTT, entre outros. Acho que at de todo-o-ter-reno e astronomia se chegou a falar. Temos diversos tutoriais dispo-nveis para geocachers novatos e experientes, destaques para os logs mais interessantes, concursos de fotos. Pro-curamos que tenha uti-lidade quer para j tem muita experincia quer para quem se inicia nes-te hobbie, para quem quer escolher o equipa-mento ideal, e at para quem s queira saber se h caches em Lagos (piada muito velha). Teve

    alturas de muita partici-pao com dezenas de utilizadores activos em simultneo. J no tem a participao de ou-tros tempos, verdade, mas data que escrevo estas linhas tem mais de 11500 membros re-gistados desde 2007. obra! H muita informa-o til acumulada nes-tes oito anos. E muito off-topic tambm. :)Aparentemente existe hoje uma procura muito grande pelas primeiras edies das geocoins portuguesas. Pois a apresentao das pro-postas dos primeiros desenhos, as votaes para os decidir, as enco-mendas em grupo, tudo isso teve lugar neste frum. Assim como as primeiras grandes ca-chadas em grupo.

    3. Cada um dos fruns est inserido num site de geocaching, que para alm do prprio frum, oferece outros recursos e ferramentas a quem o visita, tais como ar-tigos, estatsticas, ma-pas, etc... Se tivessem de destacar uma mais valia do site a que o vosso frum perten-ce, qual seria?

    Idlio: So todas uma mais valia, diferentes e com importncias maio-res ou menores confor-

  • 31OutubrO 2015 - EDIO 17

    me a forma de encarar o geocaching de cada um. No entanto ao ter de destacar uma penso que ser sem sombra de dvidas o IAAN pela revoluo que foi e pela forma nica de propor-cionar dados no exis-tentes em mais lugar nenhum. Dentro disto um especial destaque para as Badges que per-mitem agrupar caches com caractersticas se-melhantes que no se-riam possveis agrupar de outra forma, permi-tindo assim a comuni-dade ter uma ferramen-ta para cachar de acordo com os seus gostos e preferncias.

    Nuno: O geocaching--pt.net engloba um site com diversos artigos, uma geowiki, um f-rum e uma seco de estatsticas, com mapas

    e diversas ferramentas. Penso que esta seco, a par do frum, ao ter informao dos primr-dios do geocaching em Portugal e da sua evo-luo, seja um dos gran-des trunfos do site. In-felizmente a seco das estatsticas no tem o grafismo mais apelativo ou intuitivo que encon-tramos hoje em muitos sites mais modernos, mas qualquer pessoa habituada a mexer num computador chegar ao que pretende.

    4. Muitos dos utiliza-dores desconhecem a infraestrutura huma-na e material por trs de cada um dos fruns. Quantas pessoas e que hardware preciso para manter actualizado o vosso frum?

    Idlio: A infraestrutura

    humana que mantm a actualizao do frum toda a comunidade. S com a participao de todos possvel man-ter uma plataforma ac-tualizada e fazer a coisa andar para a frente. O staff apenas a equi-pa das limpezas que vai arrumando os can-tos casa. Lembrando que ningum vive disto, e que a vida pessoal e profissional sempre mais importante, o fun-damental que umas vezes uns outras vezes outros, quem vai tendo um tempinho livre vai dando o que pode e mais no se lhes pode pedir, portanto o essencial a contribuio de quem pode, quando pode. Quanto infraestrutura material, tudo gerido pela Administrao.

    Nuno: Em relao ao

    hardware no posso responder, pois o ser-vio est alojado em servidores contrata-dos a uma empresa, tal como qualquer um de ns pode ter. Neste mo-mento somos 4 mode-radores e dois adminis-tradores, que o nome pomposo que damos a uns duendes fechados numa cave a marte-lar cdigo num teclado. Volta e meia o site fica mais lento, ento vamos cave e damos umas chibatadas no duende de servio e a coisa volta ao normal. No assim em todo o lado?

    5. Falemos da vossa ex-perincia. Existe algum momento ou situao especial, que vos tenha marcado enquanto mo-derador, seja pela posi-tiva ou pela negativa?

  • 32 OutubrO 2015 - EDIO 17

    Idlio: Penso que todos os momentos em que sentimos que fizemos algo que ajudou real-mente algum nos dei-xa sempre uma marca bastante positiva. De resto, nenhum momen-to demasiado marcante, talvez pela minha aco praticamente desperce-bida como Moderador.

    Nuno: Positivamente, marcou-me, desde logo, o convite para fazer par-te da equipa do geoca-ching-pt, onde passava tanto tempo e que me dizia tanto, por isso foi uma coisa que me or-gulhou muito, foi algo especial. Como utiliza-dor, todas as ajudas que recebi desde o primei-ro momento, de gente que no conhecia mas que se disponibilizava a explicar todas aquelas

    coisas que o geocaching tem para apreenderes quando comeas, cria-ram em mim a ideia de pertencer a um grupo especial de pessoas. Isso foi maravilhoso e no sei se hoje seria possvel. Para teres uma ideia, em determinada altura - muito antes de ser moderador - disse no frum que ia em via-gem para o Gers, e que o meu GPS se tinha ava-riado. Houve logo quem, sem me conhecer de outro lado que no do frum, simpaticamente se oferecesse para me emprestar o seu. S tive que fazer um pequeno desvio na minha rota para o ir buscar. Isto foi completamente ines-perado! um gesto ex-traordinrio!!Voltando pergunta, no posso dizer que

    tenha havido alguma coisa que me marcas-se negativamente, em-bora admita que hou-ve um tempo, durante uma fase conturbada do frum, em que havia provocaes constan-tes entre utilizadores e em que tnhamos que intervir frequentemen-te como moderadores para pr gua na fervu-ra. Havia abusos de tal ordem que chegmos a ser contactados, por via privada, por pessoas que diziam que j no suportavam frequentar o frum e que o aban-donavam. Tnhamos que fazer alguma coisa acerca disso, e fizemos, e ento chegmos a ser acusados de censura e sei l que mais. Fomos muitas vezes postos em causa por uns e elogia-dos por outros. A verda-

    de que, apesar de todo o teu esforo, de dares o teu melhor, no pos-svel agradar a todos. Alm disso, se gostas do que fazes, vais ficar a pensar se a tua conduta foi a melhor face que-la situao concreta. E tendo em conta que houve situaes com pessoas que conhecia pessoalmente, houve algum desgaste, obvia-mente. Se tivesse que destacar algo negativo, seria o fim da participa-o no frum de muitas pessoas que aportavam um valor muito grande aos contedos e aos te-mas debatidos.

    6. A verdade que, como se costuma di-zer, isto no a vossa vida!. De quanto tempo pessoal despende um moderador?

  • 33OutubrO 2015 - EDIO 17

    Idlio: Penso que essa expresso resume bem o papel do Moderador. H que haver um pou-co de Moderador em cada um de ns. difcil quantificar o tempo pes-soal que se despende visto que isso mesmo, tempo livre que rea-proveitado em usufruto da comunidade, quando h mais tempo inves-te-se mais, quando o tempo no surge tem de se aguentar apenas as pontas esperando que haja algum com maior disponibilidade naquele momento.

    Nuno: Acho que varia muito com a tua dispo-nibilidade momentnea, com as funes que te-nhas e tambm depen-de do que se passa em determinado momento no frum, assim como das polticas de ges-to do mesmo e do teu estilo de participao. Se trabalhas frente ao computador e conse-gues ir acompanhando o frum, nem sentes que ests a gastar tempo li-vre.

    7. Na vossa opinio, que qualidades e competn-cias tem de ter um mo-derador de um frum?

    Idlio: O Moderador de um frum tem de man-

    ter a serenidade, res-peitar opinies e fazer respeitar, mantendo um papel de iseno do que ao Moderador diz respeito, lembrando no entanto que qualquer Moderador tem tam-bm o direito sua par-ticipao e opinio como vulgar utilizador.

    Nuno: Um moderador uma espcie de rbitro. Tal como no futebol, de-ver saber quando deve intervir e quando deve deixar a participao dos utilizadores correr livremente. Se no se der por ele, tanto me-lhor, sinal que o sis-tema est bem oleado, os temas debatidos tm participao, os novos utilizadores so bem encaminhados nas suas dvidas, etc., etc.

    8. A vida de um frum depende em grande parte da actividade dos seus utilizadores. Nos tempos que correm, so inmeros os grupos na-cionais de geocaching que se podem encon-trar no Facebook. De que forma as redes so-ciais vierem modificar os fruns?

    Idlio: H que diferenciar actividades que trazem mais-valias de activida-des que apenas fazem a coisa mexer. Para um

    frum o essencial so as actividades que trazem mais valias no momento mas essencialmente de consulta futura a longo termo e em relao a isso no houve grande alterao. No Facebook a actividade mais ef-mera, discutem-se coi-sas do momento e com relevncia mnima, no-meadamente ao fim de pouco tempo. Essas dis-cusses caram portan-to um pouco nos fruns deixando de atrair visi-tantes em massa para discusses calorosas, no entanto em termos teis nada se perde. Os grupos e grupinhos no Facebook so mais que muitos e sobrepem-se uns aos outros sem qualquer objectivo con-creto resultando em as-suntos iguais discutidos simultaneamente em vrios locais, culminan-do com informao re-petitiva e falta de aglu-tinao para ouvir todas as partes e onde no existe um local centrali-zado onde seja possvel pesquisar por informa-o relevante a pequeno ou longo termo.

    Nuno: No sei se vie-ram modificar. Pen-so que vieram diluir os participantes por todas essas reas. Acho que os novos jogadores tal-vez nem se lembrem de

    ir ao Google pesquisar por fruns. Entram no facebook, pesquisam e encontram logo deze-nas de geo-grupos , que alis so usados como mini-fruns. A pos-svel a um novato obter algum apoio, at de pes-soas geograficamen-te mais prximas de si. Isso pode ser () impor-tante, mas ao mesmo tempo acho que da de-corre que vai haver uma tendncia para limitao do mbito geogrfico do que os jogadores co-nhecem e as zonas onde se movem. Quero dizer, se s frequento o grupo da zona y, s conheo os nomes (nem so os nicks) dos geocachers dessa zona e as caches dessa e das zonas mais prximas. a regionali-zao do geocaching.J nos fruns normal-mente usam-se os mesmos nicks do geo-caching e rapidamente ganhas uma percepo mais abrangente quer do jogo quer da sua rea-lidade nacional. (Sendo certo que, como sabe-mos, h centenas de jo-gadores que no esto nem no facebook nem nos fruns)Por outro lado, acho que assistimos hoje a uma perda de qualidade quer da informao, que fica assim dispersa, quer dos prprios partici-

  • 34 OutubrO 2015 - EDIO 17

    pantes. Nos fruns tens contedos muito ricos, sistematizados e fa-cilmente pesquisveis, tudo num mesmo espa-o. No facebook muito mais complicado fazer essa pesquisa e a dada altura o jogador ter que ir onde as suas dvidas encontrem respostas. Por essa razo acho que os fruns e sites de geo-caching vo continuar a ter o seu lugar e a sua importncia.

    9. Um mesmo hobbie, dois sites, dois fruns, duas equipas. Conside-ram que a existncia de dois fruns nacionais de geocaching divide a co-munidade ou cada um tem o seu pblico alvo?

    Idlio: Tal como em qual-

    quer sociedade actual a prpria comunidade que se divide e em fun-o disso necessrio existirem alternativas. Dessa forma os fruns respondem s necessi-dades da comunidade. Se o ideal? No. Mas o ideal para a comu-nidade que temos! Claro que no faz sentido ter funes replicadas em locais distintos, mais valia conjugar esforos e torn-las melhores em vez do esforo du-plicado para as manter; funes diferentes em locais diferentes s por si valem o que valem, mas se se integrassem em conjunto poderiam ser mais valias com um melhor aproveitamen-to. Mas deixemo-nos de idealismos, nem todos

    remam com os mesmos objectivos e h que dei-xar caminho para os v-rios rumos.

    Nuno: Acho que divi-de, tal como decorre da questo anterior. Havendo mais polos de interesse, o pblico ir diluir-se por eles. natural que um frum onde exista mais parti-cipao e actualizao cative mais pessoas do que outro que aparente ser menos movimenta-do. Mas noto que mes-mo no geopt frequen-te fazerem referncias aos contedos do geo-caching-pt.net. Muitas vezes reportam-se a temas do nosso histri-co, que muito anterior ao surgimento do outro frum. No iria to longe

    como dizer que cada um tem o seu pblico, mas um facto que o nosso por vezes procurado por pessoas em busca de informao muito es-pecfica.

    10. Existe alguma no-vidade ou iniciativa do GeoPT ou do Geoca-ching@PT que possam partilhar com os nos-sos leitores em primeira mo?Idlio: Novidades? San-tos da casa no fazem milagresNuno: Nota do Editor No sabe / no respon-de

    Texto: Bruno Gomes / Idlio Ludovino / Nuno

    XavierFotos: Idlio Ludovino /

    Nuno Xavier

  • 35OutubrO 2015 - EDIO 17 35OutubrO 2015 - EDIO 17

  • GEOMAG.

    36 OutubrO 2015 - EDIO 17

    Por Valente Cruz

  • 37OutubrO 2015 - EDIO 17

    Pelo seu contexto, este foi o evento ao qual ningum dese-jaria ter vindo. Con-tudo, paradoxalmen-te, sendo certo que no se pode alterar o passado, este foi tambm o evento ao qual todos os que se sentiram tocados pela partida prematura do Roberto d3vil Costa gostariam de ter ido. O local escolhido para o evento/homenagem foi as Velas Brancas, prximo das Fichinhas [GC1MB2Y], no cora-o do Gers. A esco-lha prendeu-se com o facto de este ser um dos prximos locais a ser visitado pelo Ro-berto.Os participantes se-guiram risca a hora de chegada ao local de estacionamento, perto da Cascata do Arado [GC110G4], de onde sairia a ca-minhada. Ningum queria ficar para trs, tanto por respeito ao Gers como home-nagem. Aps algumas indicaes iniciais dadas pelo Dragao88,

    os mais de 60 parti-cipantes dividiram-se em vrios grupos e iniciaram o percur-so. A passagem pela cascata serviu para um primeiro deleite das vistas. Subindo pelo trilho, alguns participantes fizeram um pequeno desvio para aceder ao prado [GC5Q3FH] e lagoa [GC3TRVT] do Arado, local onde decorreu o primeiro banho do dia na tentativa para al-canar a cache. Pros-seguindo pelo vale, os geocachers apro-veitaram a chegada ao curral da Teixeira [GC1BR8X] para des-cansar e reagrupar. Ao redor, as encostas iam-se agigantando. Para quem desconhe-cia o percurso, tudo era novidade. Os que j sabiam do esforo que teriam pela frente iam resfriando o ni-mo com a viso das dificuldades.Logo de seguida, a subida para a desco-berta dO Santo Graal [GC1HZYT] marcou o primeiro teste fsi-

    co do dia. Contudo, o verdadeiro desafio estava um pouco mais frente, com a as-censo para a base da Roca Negra. Como se-ria de esperar, o grupo acabou por se esticar de forma natural. Do alto da encosta, os ca-minhantes formavam uma fila de intenes na imensido geresia-na. Pareciam formigas num rumo determina-do. Entretanto, alguns participantes resol-veram fazer um pe-queno desvio ao Bor-rageiro e ao seu arco [GC49VTX]. Subiu-se depois Roca Negra para completar a m-tica Heart of Darkness [GC1471Q], numa ascenso ao pncaro geresiano. Este um dos locais mais fan-tsticos desta serra! Talvez seja mesmo o mais fantstico. A vis-ta para o vale e para a Rocalva, o rochedo mais icnico do Gers, memorvel! Contu-do, uma imagem no vale meia contem-plao. necessrio estar l para se per-

    ceber de facto o quo incrvel conquistar a Roca Negra.Depois de uma pas-sagem pelo vale da Rocalva, o grupo se-guiu para as Velas Brancas. Esta parte do percurso fez-se sem grandes sobres-saltos. Chegados ao local, impossvel fi-car indiferente s vis-tas para as Fichinhas [GC1MB2Y], Porta Ruivas [GC487F4], Sombrosas [GC1W-GQ5] e para o vale do rio Toua [GC4FD0J]. Parece que se est no cu geresiano, com um mundo aos nossos ps. Enquanto o gru-po aproveitava para descansar e reforar o estmago, juntaram-se os restantes parti-cipantes que tinham sado da Portela de Leonte [GCWDDE] e/ou que tinham vindo por outros percursos. A conversa e as me-mrias iam deambu-lando no alto da serra, enquanto o cansao se ia esfumando na vivncia de um mo-mento especial.

    Com um sorriso no rosto, restam as lembranas e os bons momentos, multiplicados pela memria em

    homenagens como esta.

  • 38 OutubrO 2015 - EDIO 17

    As Velas Brancas er-guem-se de forma abrupta das Fichinhas e o rio Toua fura pelo vale assombroso numa pressa cristali-na. Existe por ali algo que ficou perdido no tempo; uma natu-reza primeva que se manteve fiel a um compromisso ind-mito e pouco dado a humanismos. Parece um castelo de sonhos protegido pelas fra-gas, que o muralha-ram de pretenses inaturais.Surgiu ento a sur-presa de uma nova cache a ser colocada na Serra do Gers, Wish You Were Here [GC631HC]. Para alm de se tratar de um recipiente individuali-zado e de ter tambm e um logbook per-sonalizado, a cache contm ainda o arti-go escrito por alguns amigos do Roberto e publicado na GeoMa-gazine #15, aquando da homenagem pres-tada. Por certo, todos aqueles que vierem a descobrir esta cache ficaro mais perto de saber quem foi o d3vil e algumas das aventuras que viveu. Depois de uma foto de grupo seguiu-se a co-locao do recipiente. A escolha acabou por

    ser mais ou menos evidente, com uma vista triunfante sobre o vale do rio Toua. Houve ainda tempo para construir uma mariola de memrias perto do esconderijo.O grupo seguiu depois na direo da Rocalva [GC1DC15], com um desvio para aceder ao Couco [GC484V7]. J no prado da Rocalva, os diferentes grupos criados voltaram a juntar-se e a dividir-se posteriormente. Uns seguiram para o Cute-lo de Pias em busca dO Regresso do Rei [GC49ZBF] e outros para o prado do Vi-doeirinho [GC53B14]. Acabariam por se en-contrar mais abaixo, descendo ento o vale do rio Conho. Pelo meio fez-se mais uma paragem estratgica e inevitvel no fants-tico Poo Azul [GC-3Q6AE], onde os mais intrpidos e caloren-tos aproveitaram para tomar um banho. A caminhada at ao final do percurso tambm no levantou grandes problemas, com mais algumas paragens/desvios para aceder cache My Blue Lagoon [GC1D9PG], Cabana do Velho [GC5EED7], no Curral da Malha-doura, e Fonte das

    Letras [GC1WFRW]. Para alm do inevi-tvel cansao, foi ex-traordinrio notar o sorriso de superao nos rostos dos parti-cipantes. ainda de realar a satisfao e o espanto daqueles que estiveram pela primeira vez no Gers profundo! Certamen-te, muitos regres-saro. Para o final, alguns participantes trouxeram bebidas para saciar a sede de todos. Com a chega-da do grupo restante ficmos a saber que havia mais uma sur-presa: a Clamie e o SurFreeMan tinham trazido um bolo para a comemorao de milestones. Os mais de 23 quilmetros (incluindo os desvios) concluram-se em cerca de 12 horas. Este sem dvida um dos percursos mais emblemticos do Ge-rs. O track pode ser consultado na pgina do evento [GC5YX0K] ou aqui (http://pt.wiki-loc.com/wikiloc/view.do?id=4698093).Gers rima com soli-tude. Normalmente, os grupos que por l deambulam so pou-co numerosos. Contu-do, esta no foi uma caminhada normal. Neste dia, mais de 60

    caminheiros, a custo de um longo e duro percurso, desloca-ram-se ao Gers pro-fundo para celebrar a vida e a memria do Roberto, que, atravs de todos, tambm l esteve! No fcil en-contrar palavras sobre a sua partida prema-tura. Foi naturalmente um choque que abalou a comunidade de geo-caching, os amigos e sobretudo os familia-res. Uma lembrana atroz da Natureza que, de um momen-to para o outro, tudo pode mudar. Podemos levantar perguntas e tentar perceber o fio da meada, largando gritos ao vento, mas ficaremos na mesma. A vida, j se sabe, no se compraz com o nosso ideal de jus-tia. Com um sorriso no rosto, restam as lembranas e os bons momentos, multipli-cados pela mem-ria em homenagens como esta. Foi um prazer reencontr-lo em todos ns no co-rao do Gers!

    Texto e fotos:Antnio Cruz

    (Valente Cruz)

  • 39OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 40 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 41OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 42 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 43OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 44 OutubrO 2015 - EDIO 17

    International Earthcache Dayou A Arte De Bem Receber..

    another event cache by DanielOliveira!p o r r u i j s d u a r t e

    44 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 45OutubrO 2015 - EDIO 17

    Este passeio/evento, The Guincho-Oitavos Dune Field [GC5TMHC], estava prometido desde Janeiro de 2013, aquan-do da comemorao dos 10 anos das ECs, num outro evento e, desde que a oportunidade se proporcionasse, no po-dia de maneira nenhu-ma faltar!

    Chegado ao ponto de encontro com meros dez minutinhos de atraso e j nem estacionamento arranjei... no h muitos Owners que, mesmo debaixo da promessa de muita chuva e at de um furaco/tempestade (o tal de Joaquim), consi-gam arrancar do con-forto do lar tanta gente como a que se reuniu no alpendre da Dona Cres-mina esta manh.

    A explicao? H vrias, parece-me... o sorriso desarmante do Daniel; a paixo despretensio-sa que coloca nas suas explicaes; a disponibi-

    lidade para partilhar um pouco de si e dos seus locais preferidos com a comunidade, etc..

    A verdade que, do que fui apurando durante as duas horas que durou o evento, vrios (muitos?) j tinham inclusive en-contrado a grande maio-ria das caches da zona e no eram, portanto, o motivo da deslocao matinal at ao Litoral do Guincho.

    Uns breves minutos de briefing iniciais (Bilin-gues!!! Fruto da com-parncia de um compa-nheiro estrangeiro que teve desta forma direito s respectivas explica-es, ao longo de todo o percurso, no idioma de Sua Majestade!) e iniciou-se a caminhada! Passadio abaixo, pas-sadio acima... Parando aqui e acol para beber mais um pouco de co-nhecimentos geolgicos e ir-se tirando as medi-das ao enorme volume

    de areia que se vai des-locando das praias para os oitavos (e de volta ao mar).

    O creme de la creme das explicaes e da visita estava reservado para prximo do local onde nasceu a nova The Wentworth Scale - DP/EC78 [GC62XBQ], bem a propsito para mais um souvenir (e onde o Jasa-fara foi colocado prova pelo Prof., passando com distino, primei-ra e sem espinhas). Ora, nesta zona o corpo dunar atinge uma altura verdadeiramente digna de registo e fez desa-parecer debaixo de si o passadio! Desaparecer por completo! No h como cumprir o tal de Proibida a circulao (...) fora dos passadi-os! J por ali andei um par de vezes em busca das caches residentes e a diferena impres-siona... os responsveis pelo espao fazem o que podem para manter

    o caminho visvel, uti-lizando algumas canas laia de cerca improvi-sada e tentando que os utentes no se afastem muito do trilho previsto.

    A restante caminhada fez-se a bom ritmo, com algumas paragens para observao dos fen-menos que do nome e vida a outras das ECs residentes (a visita s amigas Orbitulinas no podia faltar!), e para constatar uma e outra vez as pssimas opes tomadas pelas auto-ridades, ditas compe-tentes, para lidar com o dinamismo da massa de areia.

    Mais um Evento com letra grande, a provar, mais que tudo, que o EarthCaching goza de muita sade e tem uma boa franja de adeptos (Hoje presentes cerca de cinquenta!)...

    Texto / Fotos: Rui Duarte (RuiJSDuarte)

  • 46 OutubrO 2015 - EDIO 1746 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 47OutubrO 2015 - EDIO 17 47OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 48 OutubrO 2015 - EDIO 17

    Faz o trabalho de casa

    M a N d a M e N t o s

    p o r t i a g o V e l o s o

    48 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • As disciplinas mais chatas eram as que mandavam TPC com-plicados que rouba-vam preciosos minu-tos ao Batatoon... e atrasavam as com-plexas construes de Lego... Professores maus!!! Muito maus!E quem que nunca teve uma falta de pre-sena porque o co comeu o caderno? A averso aos trabalhos para casa, trabalhos para tots, tortura para crianas, todos para casa, universal e vem desde sempre.Digam l, quem que nunca copiou pelas solues aqueles exerccios indecifr-veis de matemtica? E depois o professor

    chamava-nos ao qua-dro e no sabamos resolver nada?! Bons velhos tempos...

    Mais tarde, muito mais tarde, aprendi que os TPC at tinham a sua importncia no mundo dos estudos... e do Geocaching.

    Quantas vezes dedi-quei preciosos minu-tos a procurar uma cache que no estava l? (e essa informao era clara pelo elevado nmero de DNF...).

    Quantas vezes che-guei a uma cache complexa que no pude logar, por faltar algum instrumento? (e havia referencia nos atributos...).

    E aquele ribeiro cheio

    de gua? E eu sem calado adequado...Ou a luz UV em falta...Ou as coordenadas que mudaram h 4 dias, mas a minha pocket era da semana passada...E aquele owner que nunca cria caches acessveis? Se eu ti-vesse visto que era dele, tinha tirado uma folga de mais dias...Quantos metros de abrir mato fiz para chegar a uma ca-che que at estava num trilho? Porque no olhei para os waypoints?E se eu tivesse lido os logs que referem um erro de 38 metros?E quanto podia ter

    poupado se tivesse reparado que a lis-ting dizia que o nico acesso era num TT? Agora tenho o tubo de escape ao penduro, maldito buraco!Fiquei mal habituado pelos TPC escolares... mas estes geocachia-nos raramente me es-capam. Os 4 minutos de leitura da listing e de visualizao dos atributos, pode ajudar a poupar uns euros e alguns minutos de buscas.Agora, obrigo os meus midos a fazer os TPC todos os dias. Os es-colares.

    Texto / Fotos:Tiago Veloso

    49OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 50 OutubrO 2015 - EDIO 17

    ENTREVISTA DE CARREIRA

    SUP3RFMPor Rui Duarte

  • 51OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 52 OutubrO 2015 - EDIO 17

    Ol Hugo! S (final-mente) muito bem-vindo s pginas da GeoMag... H j imen-so tempo que tens o teu espao aqui re-servado e para mim um enorme prazer poder ser mesmo eu a abordar-te para esta entrevista!Vamos l revisitar es-tes teus dez anos de geocaching, neste que foi o teu ltimo ano enquanto Revisor! E sim, j l vo dez anos! :)Ups...sim, j no s Revisor... ...calma caros leitores, calma...j l iremos!! :)

    GM - Ento, onde an-davas tu nos idos anos de 2005 e qual o papel do Geocaching nesse teu Vero? Onde co-mea a histria dos SUp3rFM & Cruella?SP - A histria comea um pouco antes, em 2004. Na altura, um amigo contava-nos que andava procura de caixas com a ajuda de um GPS.Falava-se disso no IRC e gozava-se com a situao nos almo-os entre amigos. A oportunidade de ex-perimentar, de nos mostrar como era, s surgiu no incio de 2005. Foi nessa al-tura que procurmos as primeiras caches.

    Procurmos, mas no as encontrmos. Fo-ram dois DNFs, uma no Pego do Inferno e outra junto praia do Barril, em Tavira. Apesar de no as en-contramos, o bichinho ficou. Encontrei um GPS porreiro, um Ma-gellan Sportrak Pro no eBay que nos chega no vero de 2005. Aps algumas sema-nas, surge a oportu-nidade para encontrar as primeiras caches com o novo username. A partir da, a histria continua, agora no tanto no geocaching, mas felizmente conti-nua fora dele.GM - Hum... A minha pesquisa no conse-guiu alcanar esse hiato temporal, pr SUp3rFM & Cruella... Registaste de alguma maneira esses pri-meiros DNFs ou na altura no te pareceu ser necessrio? Cal-culo que te estejas a referir (j arquivada) Multicache Pego do Inferno [GCKRCB]do ppinheiro e Armao do Barril [GCGTWC] do NCarvalho, cer-to? Esta ltima onde acabaste por vingar o DNF, j em finais de 2005. Est correcto?SP - Desse perodo no h registo online. Foi apenas uma intro-duo, para vermos como era. E, sim, fo-ram essas as caches.

    No as encontrmos, mas a emoo da procura motivou-nos a continuar. Afinal, a coisa tinha piada, mesmo quando se fica de mos a abanar. O convvio, a descoberta, as piadas, acabam por ofuscar a frustrao. O registo no geocaching.com s surge aps a chegada do GPS. A partir da, est tudo online.GM - Ok, voltemos ento aos meus apon-tamentos [risos]! Es-tavam em Setembro de 2005 quando, j de Magellan em punho, encontraram o boni-to Jardim da Estrela e a cache alusiva ao mesmo, uma criao do Bargao_Henriques (curiosamente entre-vistado para o nmero anterior da GeoMag), de nome BH06 Es-trela Garden [Lisboa] [GCKH20]. Tiveram mais sorte que muitos outros geocachers... Esperamos o dia em que requalifiquem o miradouro para que a dita seja finalmente reactivada (e j l vo muitos, muitos me-ses)! Conta-nos um pouco dessa desco-berta...foi um Olha, afinal verdade! ou mais para o A culpa foi do GPS (ou me-lhor, da falta dele)?SP - J no me recor-do muito bem. O GPS apontava para o local,

    tinha lido a pgina da cache, no vi a dica (na altura dava direito a ser excomungado). Apareceu e assim re-descobri o jardim. Foi uma procura prag-mtica. Apontava, procurei, encontrei. Sorte, talvez. Fiquei contente, claro! Des-cobri a cache e um local interessante. Sei que o espao ao redor j foi melhorado, mas o local onde a cache est, parece condena-do. GM - Vemos tambm pelo vosso perfil que foram uns dias cheios decaches encontradas, esses da recta final de Setembro! Relem-bras alguma dessas buscas como algo de realmente especial ou andavas/am numa de revisitar Lisboa e ar-redores?SP - Foi um escape. O meu av havia fa-lecido nos dias ante-riores e precisava de espairecer. Inclusive a Ana (Cruella) esta-va a trabalhar e eu tirei uns dias para ir apanhar umas ondas e umas caches. Com as crianas na escola, estava sozinho com a prancha e com o GPS. Ganhou o GPS/Geocaching. Foi uma excelente alternativa, como quase sempre o . Ficamos com a ca-

  • 53OutubrO 2015 - EDIO 17

    bea preenchida das possibilidades onde possa estar a cache e no nos sobra espa-o para outras coisas menos positivas. Foi tambm uma redes-coberta. O geocaching revela-nos novos lo-cais, possam ser eles no topo de um monte ou no fim da nossa rua, sem que nunca tenhamos passado por l.GM - Tens toda a ra-zo... consegue mes-mo ser um excelente escape! Ainda h pou-cos dias o usei como desculpa para uma voltinha de bike e dois Found It! Estava a sofrer da sndrome Filho de frias com os Sogros e precisa-va de pensar noutra coisa! E, mesmo a propsito, falemos de Famlia!

    Tens uma Team Fa-miliar, certo? /era costume as vossas sadasconjuntas ou nem por isso? Aproveitam/avam para fazer al-gum tipo especial de caches e passeios quando todos juntos (Jardins, etc.)?SP - Sim, o nick da famlia. As crianas acharam piada, mas nunca ficaram parti-cularmente motiva-das para encontrar caches. Se fosse pelo caminho, numa sa-da para um jardim, eram capazes de falar no assunto, apenas nessas ocasies. No se criou o hbito, por uma razo ou outra, de vamos passar um dia inteiro a fazer geo-caching. Entre mim e a Ana, sim, j houve.

    GM - Ora a est algo que, at ver, nunca consegui fazer, um diainteiro dedicado ao Geocaching, nem com a minha mulher nem com o meu filho (ele ainda pequeno, te-nho esperana). Tm algum desses priplos geocachianos como referncia especial de Olha que dia bem passado!? Onde?SP - Uma das primei-ras aventuras conjun-tas foi a ida ao buraco da agulha, na Arrbida, Six Feet Under [Arr-bida][GCH618]. Para alm da cache, do de-safio para se l chegar, o grupo acabou por se juntar mesa, ou seja, foi um dia bem passado! Tenho ainda como referncia as idas em conjunto a Sintra noite, no Dia das Bruxas, tambm

    conhecido como o dia que o Vtor Srgioencontra croquetes numa cache, a volti-nha 4x4 na regio de Tomar, a ida Serra da Estrela, dias de praia que depois acabam com toda a gente a procurar caches, etc. So muitos e difceis de isolar, j que cada um teve sempre algo especial que o torna diferente, de uma for-ma positiva.No digo que s em conjunto que se vi-vem momentos ni-cos. Tenho tambm aventuras sozinho ou com a minha mulher com muito boas recor-daes!GM Ok, falemos dos Amigos! Acabaste, obviamente, por criar laos de amizade com outros praticantes... Cachadas conjuntas

  • 54 OutubrO 2015 - EDIO 17

    so/eram um habitu do teu lxico ou nem por isso?SP - Se me pedissem para encontrar, numa s palavra, aquilo que o geocaching me deu, diria: Amigos. Sem dvida alguma. Sim, estive (estarei?) em muitas aventuras, caches picas, conv-vio, grupos, locais do alm, mas os amigos que encontrei foram a melhor coisa que o geocaching me deu. Com eles e no s, j tivemos cachadas fantsticas, muitas histrias para contar...GM - Conta...conta! Podes comear por esse Meetup na Ar-rbida (como lhe cha-maram os Rifkindsss) e que foi bem concor-rido como podemos atestar numa foto de grupo disponibilizada

    pelo btrodrigues num dos seus logs!Como se junta tan-to Geocacher em 2005?!? Eram j teus conhecidosmuitos dos compa-nheiros desse dia?SP - Honestamente, no me recordo com exactido como tudo foi organizado. Teria sido num dos meetups em Lisboa? No frum do geoca-ching-pt? J no me lembro. Sei que era uma turma de pes-soal boa onda que estava ali para se di-vertir. Como era acon-selhado o uso de um capacete, lembro-me de ter ido na noite an-terior procura de um Decathlon. Achei en-graado algum estar a fazer exatamente a mesma pergunta ao

    empregado da seco. No dia seguinte, des-fez-se o mistrio. Era o Pscoa, do Porto! No o conhecia, nem dos logs, nem das fotografias. Quais as probabilidades daquilo acontecer em 2005? No comprei um capa-cete, fui com um das obras e sobrevivi. J conhecia algumas das pessoas, no todas. Perdi o contacto com alguns, outros ficaram para a vida.GM - Falemos agora um pouco da tua face-ta de Owner. Alguma investigao revela que te iniciaste com um par de Multica-ches, ainda em 2005. As Lets Play! [Lisboa] [GCR8WX] e A walk in the Park [Lisboa] [GCRH8W]. Duas boas caches (na minha opi-nio) em duas zonas

    bem emblemticas da cidade de Lisboa (a localizada no Parque das Naes goza por estes dias de nova roupagem! Leia-se novos instrumen-tos). Porqu este tipo, tens um especial apreo por Multica-ches? Julgo que seria/ser mais habitual co-mear-se pelas sim-ples Tradicionais.SP - No tenho qual-quer preferncia sobre determinado tipo de cache. Lembro-me de discutirmos como seriam as caches e a ideia comum: Mostrar os locais. Levar os geocachers do ponto A para o ponto B. um conceito relativamen-te simples. Na Lets Play mostra-se os instrumentos musi-cais, na Walk in the Park, uma parte do

  • 55OutubrO 2015 - EDIO 17

    Parque Eduardo VII e o Pavilho Carlos Lopes. Depois dessas surgi-ram as tradicionais e outras, apenas porqueachmos que se ajus-tavam melhor. A colo-cao das primeiras, fruto da nossa inexpe-rincia, criou algumas dores de cabeas aos geocachers e algum impacto negativo nos locais onde estavam. Soubesse o que sei hoje e seriam diferen-tes. Sempre a apren-der... GM - No tens prefe-rncias sobre o tipo de cache em si...ento e sobre as tuas cria-es propriamente ditas? Colocaste duas dezenas de caches...reconheo, pessoal-mente, pelo menos meia dzia delas como muito boas ca-ches e entre elas um trio que est no meu TOP! Destaco sem d-vida as duas Navarone e a do Museu do Traje. Todas muito perto dos 40% de Favoritos, no obstante irem a cami-nho dos dez anos de existncia.Tens algumas preferi-das entre aquelas que colocaste?SP - A escolher uma, seria a Guns of Nava-rone [Trafaria] [GCR-QT1]. Conheo aquele local desde criana, j

    abandonado, e acho toda aquela envolven-te totalmente fora da realidade. Artilharia pesada, s portas de Lisboa, com uma vis-ta fantstica sobre a costa. Achmos que seria o local perfeito para uma cache. No era preciso complicar. Coordenadas e cai-xa. O resto deixmos p ro p o s i tad am ent e para descobrirem. A Dress Code [Lisboa] [GCTYTF] foi uma ca-che que nos deu mui-to prazer em colocar e acompanhar o seu dia-a-dia. Foi uma preparao by the book. Contactmos a direo do espao, propusemos o percur-so, os locais e fomos muito bem recebidos. Em pouco tempo con-seguimos o apoio do arquitecto respons-vel pelo espao e pela equipa de jardineiros. Aliados de fora que se riam com as buscas infrutferas de alguns geocachers.Outra, por ser com-pletamente diferente das outras, que apre-ciamos bastante, foi a eMula. O desafio, o local, a pgina. Tudo bate certo, acredita-mos ns.GM - A eMula... essa maldita... [risos]! Ainda est na To Do List, hei-de perceber o que para fazer! Outra cache vossa

    que me parecia bas-tante diferente era a Stargate P38009 TB Cache [GC13TRB], uma das mais interes-santes de Monsanto, j arquivada. O que podes contar sobre a sua idealizao e con-ceito?SP - As caches Star-gate so um conceito nico. Um conjunto degeocachers, um pouco por todo o mundo, en-carregava-se de fazer passar os trackables depositados e envia-vam-nos por correio para outras caches da rede, as melhores ajudavam a cumprir os seus objetivos. H quem no goste, na-turalmente, da ideia, j que os trackables no circulam de forma legtima. Creio ter visto a ideia a ser dis-cutida nos fruns da Groundpseak e propus a criao de uma em Portugal. Foi interes-sante, mas algo dis-pendioso. Funcionou durante algum tempo e depois teve o seufim.Estava localizada no Parque do Monsanto por trs razes: Ser razoavelmente perto da cidade, estar num local seguro, pelo que no meio da mata pareceu-nos o locar indicado e ter um ta-manho razovel, uma Ammo Box.

    A eMula simples. Est tudo, ou melhor estava, no eMule/a!GM - A outra ver-tente de ser Owner, promover eventos...olhando para o teu historial vemos que no coisa em que tenhas sido muito profcuo.No /era a tua praia? J como participante, mais de seis dezenas de attends... activos participantes mas no como organizadores, certo?SP - No consigo iso-lar uma razo para tal. Acho que nunca nos moveu verdadei-ramente a criao de eventos, sem conse-guir explicar o porqu.No entanto, no dei-xamos de aparecer, e agradecer, em even-tos organizados pela comunidade.GM -Por falar em co-munidade, fala-nos um pouco sobre uma clebrereportagem para SIC, em Maio de 2007. Revela-nos os bas-tidores de uma coi-sa destas! Como se viram confrontados com tal mediatismo, o que acharam, como correu, etc.. Tudo, v.SP - A reportagem j foi h alguns quilos atrs. Ainda tinha ca-belo!

  • 56 OutubrO 2015 - EDIO 1756 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 57OutubrO 2015 - EDIO 17

    Creio que foi um con-tacto encaminhado por um geocacher, no me lembro de quem. A SIC gostava de mos-trar o que era o geoca-ching e ns aceitmos o desafio.Reunimos os mais pequenos e fomos para Monsanto. Mos-trmos uma cache do Regalla que havamos adotado. semelhan-a de outras, creio que foi um bom retrato do que o geocaching. Hoje serve para no s mostrar como o geocaching, mas tam-bm para os midos brincarem uns com os outros pelas figuras que fizeram. Na rea-lidade, no h nada a apontar-lhes, estive-ram muito bem.GM - E as participa-es na rdio? Confir-ma-me, duas? Ante-na3 e TSF? A da TSF julgo que tambm de Maio de 2007 mas em relao outra no sei. Que tal?SP - Na TSF, o assun-to parecia ser mais srio. A rdio tinha um programa sobre curiosidades depois do almoo, durante a semana, e gostavam

    de saber mais sobre geocaching. Aceitei o convite. um mundo que me familiar, mas a responsabilidade de representar algo to fervorosamente aca-rinhado por muitos, num programa em direto, para uma lar-ga audincia, fez-me pensar vrias vezes sobre ir ou no ir. L estive e no fui ape-drejado sada. Pare-ce que correu bem.A reportagem na An-tena 3 foi uma peque-na participao. O Joo Lopes (Lopesco) e o Afonso Loureiro que foram os responsveis pelos contactos.Tambm foi em direto e, curiosamente, em duas caches nossas, na Guns of Navarone [Trafaria] [GCRQT1] e na Log it! [Pela Falsia Lagoa #1] [GCY008]. Alis, esse contacto acabou depois por ori-ginar uma reportagem na RTP1 com o Joo Lopes, tambm. Mais outro bom veculo de divulgao da ativi-dade, mesmo com o Lopesco a aparecer.GM - Entretanto foram dando as vossas ca-ches para adopo.

    Uma opo natural com o abrandar da ac-tividade?SP - Sim, natural. J o deveramos ter feito mais cedo. No cor-reto deixar as caches abandonadas, sem a ateno devida, no obstante haver outras razes, como a vida fora do geocaching, que por vezes se in-tromete neste nosso passatempo. Por essa razo, as nossas des-culpas. Agora esto todas com novos do-nos, algumas arqui-vadas, prontamente substitudas por me-lhores experincias, certamente.GM - Hahaha [ups] Desculpa. Saiu-me uma gargalhada sem querer! Vou aprovei-tar esta tua primeira piada custica para fazer a transio para o SUp3rFM, o temvel (ex)Revisor! Pode ser?SP - Temvel? No trn-sito chamam-me, por vezes, coisas piores. Vou tomar temvel como um elogio. Obri-gado.GM -E era, e era! [Ri-sos]

    Ora, sensivelmente um ano depois do vosso registo no Geo-caching.com aparece o Reviewer SUp3r-FM... como que isso aconteceu? Como que se passa do joga-dor para o revisor! Tenho presente que antes de ti as caches eram revistas pelo re-visor Garri, espanhol, certo?SP - Sim, quando comemos, a revi-so estava a cargo do Garri, catalo, boa gente, genuinamente interessado em Por-tugal. Tanto que ficou motivado a aprender a falar e a escrever portugus! Eu estava interessado em saber mais e por isso fre-quentava o frum da Groundspeak. Na altu-ra, Portugal no tinha um frum dedicado, os poucos assuntos eram tratados num grupo genrico. Pedi a criao do espao e em agosto de 2006, l apareceu. O meu nick aparece assim ligado funo de moderador, partilhada com o Bru-no Rodrigues. S em junho 2009 que a Groundspeak me con-

    Se me pedissem para encontrar, numa s palavra, aquilo que o geocaching me deu, diria:

    Amigos. Sem dvida alguma.

  • 58 OutubrO 2015 - EDIO 17

    siderou como revisor. Creio que esse convite surge da ligao que j tinha com a Grounds-peak e com os laos que mantinha com o Lus Garrido (Garri).Era necessrio algum local, mais presente, mais disponvel, para fazer a reviso das caches em Portugal, Brasil, Cabo Verde e So Tom. Aceitei, por muito avassalador que a funo parecia ser nessa altura (e ainda o ).Por consequncia, Espanha ia tambm perder o nico revi-sor, pelo que durante muito tempo tambm assegurava a reviso das caches em Espa-nha, com a ajuda de um revisor americano. Tempos engraados.GM - No fazia mes-mo ideia! Pensava que tnhamos revisor de-dicado h bastante mais tempo... Por pouco no entrei no Geocaching.com ain-da no tempo do Garri.Tempos engraa-dos., acredito! Um revisor Americano a publicar caches em Portugus e Espanhol devia ser bem inte-ressante de ver! Des-ses primeiros tempos, de que te recordas?!Lembras-te da pri-meira cache publicada

    por ti? Do primeiro evento? SP - Antes do Garri, as caches em Portu-gal caiam numa pool de revisores que se ocupavam com ou-tros territrios, ou seja, pases ainda sem grande expresso e

    que facilmente, ape-sar da barreira da ln-gua, conseguiam rever e publicar caches. uma estratgia que ainda hoje faz senti-do com pases onde o geocaching ainda est pouco ativo. Com o alargar da equipa de reviso numa escala mais global, procu-ravam-se encontrar pessoas que ficassem com territrios com mais afinidade, Por-tugal e Brasil so um exemplo disso. Calhou ser eu.Recordo-me do receio. Principalmente isso, do receio, das dvidas. Conversmos muito sobre essa responsa-bilidade, se aceitava ou no o convite. Era e continua a ser uma responsabilidade con-sidervel, apesar de

    estarmos a falar de um passatempo. Lembro-me da quantidade de informao que foi ne-cessrio absorver, dos passos a tomar. Prin-cipalmente isso, sem contundo esquecer as boas reaes que tive da esmagadora maio-ria da comunidade.

    A primeira cache que publiquei foi a do Fi-lipe MightyReek, D-me asas... (Sesimbra) [GC1V1FX]. Calhou, mas creio que foi um excelente comeo. O primeiro evento no me lembro, mas a res-posta est no IAAN, certamente.GM - E da primeira confuso? [risos]SP - Que confuso? No me lembro de nenhuma. Lembro-me das dezenas (posso dizer centenas?) de emails, de cumpri-mentos, de abraos, de telefonemas, de at postais de para-bns e votos de fora (no confundir com forca) para a funo que desempenhava. As confuses, das quais no me recordo,

    so todas esquecidas. As atitudes positi-vas, um obrigado, um cumprimento, acabam por fazer esquecer qualquer tipo de si-tuao mais desagra-dvel que possa ter eventualmente acon-tecido...GM - Olha, olha... o po-liticamente correcto! [risos]! No me lem-bro bem do SUp3rFM assim... recordo-me mais de ver refern-cias ao Opencaching (que me parece ter fechado portas), site usualmente citado como alternativa para os descontentes com os servios da GS! Lembro-me de al-gum mais ao gnero do btrodrigues do que do vsergios! J agora, qual o elemento da equipa actual achas que herdou o teu estilo (o que quer que isto queira dizer)? Mesmo na mxima todos diferentes to-dos iguais h alguns mais iguais do que outros!SP - Mau feitio, no creio. Pragmtico, sim. Muito. As referncias ao Opencaching ou a outro qualquer pas-satempo fora do geo-caching.com surgiam quando algum dizia que era a ltima vez que fazia uma cache por qualquer razo. Nesses casos, ajudava a pessoa no sentido

    A primeira cache que publiquei foi a do Filipe

    MightyReek, D-me asas... (Sesimbra) [GC1V1FX]

  • 59OutubrO 2015 - EDIO 17 59OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 60 OutubrO 2015 - EDIO 17

    de eliminar essa frus-trao e encontrar uma alternativa. No faz sentido insistir em algo de que no se gosta. No somos todos iguais, mas ne-nhum custico por natureza. Como j re-feri inmeras vezes, nenhum revisor, em Portugal e no mundo, quer bloquear uma ca-che ou um geocacher porque sim. So de-masiadas caches, de-masiados geocachers para conseguirmos de forma racional, fria, calculista, dizer que A no vai publicar mais nenhuma cache, ou que no local Y no va-mos publicar nenhu-ma, s porque sim. Todas as questes levantadas no proces-so de reviso de uma cache visam a publica-o de uma cache de

    acordo com as linhas de orientao. O pro-cesso falvel e bom todos tomarem cons-cincia disso mesmo. No partam do prin-cpio que o revisor, que todos os dias passa, pelo menos, uma hora a olhar para as caches do outro, vos esco-lheu para atormentar os vossos planos. absurdo! Colaborem. Mesmo se acharem que a pergunta es-tranha, ridcula, parva, colaborem. E, se por algum motivo aque-le vosso projeto no pode serpublicado, utilizem o que aprenderam com isso, a fazer um ainda melhor. Se o revisor est errado, ajudem-no a perceber o erro.No acho que tenha um estilo particular e muito menos que

    algum dos revisores tenha herdado algo. semelhana do que acontece com os no-vos que entram, her-dam conhecimento, mas isso desasso-ciado da personalida-de.Todos trabalham para que as vossas caches sejam publicadas. To-dos.GM - V, damos o benefcio da dvida e no insistimos muito no teu mau feitio...at porque, ningum duvidar de que tens uma grande cota parte no desenvolvi-mento do geocaching por c. Lembro-me perfeitamente de ler o teu nome vezes sem conta aquando da iniciativa da GS em eleger o Geocacher da Dcada, e respec-tivo paralelismo em

    Portugal! Lembro-me tambm de ter visto a tua recusa em partici-par e/ou ser proposto.Lembraste disso? Podes partilhar as tuas opinies sobre o assunto, a eleio em si e o porqu de no quereres ser envolvi-do?SP - J disse que no tenho mau feito, se voltas a insistir, lem-bra-te que sei onde moras. Creio que a iniciativa foi do GeoPT. Gosto de actos pbli-cos de reconhecimen-to. Acho que assim que se motivam as pessoas a fazer mais e melhor, seja num pas-satempo, seja na vida profissional, etc.Recusei participar por achar que o processo de nomeao e par-ticipao no foi im-

  • 61OutubrO 2015 - EDIO 17

    parcial, nem objetivo. Apenas por isso. Agra-deci as referncias e nomeaes de todos que o fizeram, mas achei melhor sair do processo. Mas, mais uma vez, reforo que iniciativas como os Prmios GPS, Geoca-cher do ms/ano/d-cada so importantes. Motivam quem ganha, quem nomeado, quem nomeia. No fi-nal, ganha a comuni-dade.GM - Vamos ento grande questo! Essa de seres o pri-meiro EX-Revisor Nacional... O que nos podes revelar sobre o assunto? Renuncias-te? Foste arquivado [muhahaha]? Deixas-te de ter a disponibili-dade necessria para essa tal hora despen-dida a tentar levar a bom porto a publica-o de caches e afins?SP - Tirei uma espcie de ano sabtico. Tinha muita coisa a aconte-cer ao mesmo tempo na vida profissional e j sobrava pouco tempo para a vida familiar. Por conse-quncia, menos ainda para o geocaching e para a reviso. Deixei de ter disponibilidade e desfez-se a ligao. Amigos como sempre. apenas mais um ca-ptulo da minha vida. Nesta altura, s tenho que louvar, agrade-

    cer, erguer esttuas equipa de reviso que teve queaguentar com a so-brecarga de trabalho. uma equipa feno-menal, que d muito para que milhares se possam divertir. Estou com uma dvida difcil de pagar para com todos. S gente boa que podia aguentar a situao sem pesta-nejar.GM - E nesse quebrar de laos, tiveste tem-po ou discernimento para dizer Vou pu-blicar esta ltima ca-che!? Lembras-te do ltimo Publish? Foi ponderado/escolhi-do?SP - No me lembro. Nem sequer foi sim-blico. Curiosamen-te, esse um mal de praticamente todos os revisores. Como pas-samos os olhos por centenas, milhares de submisses, acaba-mos por esquec-las rapidamente. Um dos meus receios era de passar a saber onde e como estavam escon-didas as caches.Assim, o geocaching perderia interesse rapidamente, porque, afinal, j sabia onde elas estavam. No podia estar mais en-ganado. Em minutos, j no me recordava onde era a cache X ou Y, se estava escondida

    nos arbustos ou pen-durada numa rvore. mais fcil de com-preender este fen-meno se pensarem que os geocachers s esto a ver parte do trabalho de um revi-sor. As caches que so publicadas so a parte visvel. O que no se v ou sabe, e que por isso difcil de contabilizar, so a quantidade de projetos que por uma razo ou outra noso publicadas.Naquele dia noite em que recebemos uma Reviewer Note ou a publicao, pen-sem que esse s um acto, das dezenas que o revisor j fez e far de seguida. No fcil.GM - E estamos a falar de que altura? Quando cessaste es-sas funes? Como te sentes agora, que j tiveste algum tempo para respirar?SP - Creio que foi no final de 2013, incio de 2014. Fui deixando e acabou-se a ligao. Esse momento, o de respirar comea assim que parei. No entanto, esse espao acabou por ser ocu-pado pela vida profis-sional e familiar. So tempos vividos com outro prazer.GM - Do que consigo depreender, a visita (e praxadela minha

    pessoa) minha de-funta Letter de Lou-res foi um dos teus ltimos actos oficiais como Reviewer [ri-sos]! Digam-me l o que vos passou na cabea e que despole-tou essa brincadeira! Lembro-me que es-tvamos numa altura em que se discutia muito as guidelines e algumas alteraes (como sempre) e vo-cs venderam-me que tinham de rever in loco a cache, deri-vado de ser diferente do habitual. Algo at arriscado j que no conhecia nenhum de vs (SUp3rFM, Lopes-co e Btrodrigues).SP - Essa, entre outras, foi um dos momentos mais picos da minha vida como revisor. A ideia surgiu numa das vrias conversas que vamos tendo ao longo do dia sobre as caches em reviso. Achmos que era a partida ideal.Foi pico. A prepara-o, a chegada ao lo-cal, a tua reao, tudo. Foi particularmente interessante quando a partilhmos com a restante comunidade de revisores e com a Groundspeak. Ficaram todos espantados pela forma como mont-mos a partida.Serve tambm esta histria para sustentar a ideia de, apesar de

  • 62 OutubrO 2015 - EDIO 17

    parecer contraditrio, os revisores so aque-les que mais relevam e que menos levam a atividade a srio, de forma sisuda, zanga-da. Encontramos, em qualquer situao, sempre algo para nos fazer rir, mesmo na-quelas mais crticas.H quem goste dema-siado de geocaching, tanto que turvam a vi-so e a capacidade de anlise. Relaxem, s um passatempo.GM - pico mesmo! Ainda mais com a chegada daquele gru-po armado, liderado por um Superinten-dente de uma das foras policias (que no chegou a tempo de nos ver)! Aprovei-to para te agradecer no teres passado cartucho ao Bruno, que queria arquivar a cache on the spot por causa dos tro-pas e teres servido de interlocutor entre a comunidade geo-cachiana, que ali era eu, e os responsveis pelo espao. Entrada de leo no campo das Letters, naquela que me parecia ser uma excelente cache (mo-dstia parte). [risos]S mais uma pergun-ta relacionada com os tempos de reviso...como foste vendo a entradas dos restan-tes elementos? Podes

    revelar alguma coisa do processo que adi-ciona novos elemen-tos equipa? So vo-cs, voluntrios, que pedem reforos com o evoluir da actividade ou so os patres que notando o incre-mento de publicaes se chegam frente?SP - Onde que j se viu um grupo de adul-tos a brincarem com rplicas de armas ver-dadeiras que disparam bolinhas de plstico? Que criancice Se ao menos usassem equi-pamentos GPS para encontrarem caixas de plstico!A entrada de novas pessoas sempre positiva. Para alm da capacidade aumentar, sempre mais uma pessoa para ajudar no processo de deci-so. Os revisores no sabem tudo na ponta dos dedos. por vezes necessrio debater as ideias apresentadas, at porque muito do fascnio da atividade nasce da imaginao dos participantes, sempre na procura de novos conceitos. Quanto ao processo, no posso revelar. um procedimento in-terno da Groundspeak. Eles aparecem quan-do se acha necessrio aparecerem.GM - Afinal eram duas perguntas. E o au-

    mento exponencial de caches para rever?Chegavas ao PC e *%&%&&$! Mais du-zentas?!?!? Alguma vez houve um dia em que no casse qual-quer coisa na queue?SP - Exactamente: *%&%&&$! Ainda h uma hora se limpou a fila de entrada e j l esto mais 50?!. Sim, aconteceu muitas ve-zes. Nunca houve um dia sem uma cache nova para rever, nem um email ou Reviewer Note para responder. um emprego a tempo inteiro, todos os dias. uma atividade que no respeita qualquer feriado.GM - Hum... Esqueci-me de perguntar pela origem do teu avatar! Na Geochurrascada do ano passado fui apresentado a um gigantesco cone (com chapa de TB e lo-gbook), igual ao que te serve de chapu no avatar de revisor...est relacionado?SP - Na primeira Geo-churrascada que fui, o travel bug [TBK3T0] do Bruno Rodrigues andava a circular de cabea em cabea. Modstia parte, achei que a foto me favorecia. Adotei-a como meu avatar. Curiosamente, no princpio da carrei-ra, houve muitos ar-

    quivamentos devido a situaes que se prolongaram durante muito tempo. Achei uma coincidncia inte-ressante.Assim ficou.GM - Do que depreen-do pelo vosso perfil, a ltima grande jornadageocachiana foi por terras do Tio Sam, uma barrigada de ca-ches antigas (virtuais) em Fevereiro de 2012.Confirmas ou tens uma daquelas pginas de notas de campo carregada de Founds (ou DNFs) por regis-tar? Foi propositado ou atravessam-se no teu caminho, como usual dizer por estes dias?SP - Quando viajamos, e porque o interesse principal no o geo-caching, selecciono caches que esto ao longo do caminho de dificuldade baixa, acesso rpido, tradi-cionais, virtuais, we-bcams e earthcaches. Tudo o resto ignora-do. Tenho field notes desde ento, entre as quais um found na GC23. Ainda no as registei, mas vou fa-z-lo um dia.GM - Tens acompa-nhado, neste ltimo ano e meio, de alguma maneira a evoluo do panorama geoca-chiano ou esse ano

  • 63OutubrO 2015 - EDIO 17

    sabtico ainda no terminou?

    SP - Tenho acompa-nhado de longe. No sei como est, mas imagino que tenha melhorado. O balano geral sempre para melhor numa ativi-dade que depende da imaginao dos seus participantes. As ms ideias sero sempre ofuscadas por novas e brilhantes ideias.

    GM - E agora? pro-vvel encontrarmos em breve assinatu-ras dos SUp3rFM & Cruella por a ou ser mais simples darmos contigo mesa de um qualquer estabele-cimento, em amena cavaqueira com um

    grupo de incgnitos geocachers?

    SP - possvel. Cos-tumo frequentemen-te estar mesa com geocachers, grandes amigos que so Incgnitos, relati-vamente frequente encontrar alguns pela cidade quando cami-nho, quando corro, etc. H sempre algo que nos denuncia entre ns. A partir da, f-cil meter conversa. O gelo quebra-se assim que se diz Precisam de uma dica?.

    GM - Muito obrigado Hugo pela disponibi-lidade e simpatia com que

    abraaste mais este desafio na tua j lon-

    ga carreira de geo-cacher!

    Aqui, nos bastidores da GeoMag, espera-mos sinceramente que tenhas (pelo me-nos) outros tantos anos envolvido neste nosso hobbie! Um ltimo pedido, para darmos por encerra-das as hostilidades... Recomenda-nos um par de caches que te encham as medidas para que possamos aguentar melhor este intervalo que nos separa da prxima re-vista!

    SP - Por natureza, sempre achei mui-to difcil encontrar o top absoluto entre as coisas que gostamos

    como a melhor m-sica, o melhor livro, melhor filme. Aconte-ce o mesmo com as caches. Que caches recomendo? Difcil, muito difcil. Alis, no o consigo fazer. Descubram-nas vo-cs. Pode ser uma no fundo da vossa rua ou no topo de uma serra. Nunca se sabe. a beleza da coisa. Divirtam-se, sozinhos ou com amigos, no levem isto demasiado a srio. Agradeam a todos, owners e revi-sores.

    Texto: Rui Duarte / Hugo Silva

    Fotos: Hugo Silva

  • Time capsulew a y M a r k i N g

    p o r r a z a l a s

    64 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 65OutubrO 2015 - EDIO 17

    Nesta edio da Geo-Mag decidi destacar um Waymark da categoria Time Capsules, a Caixa do Tempo [WMN980] que se encontra em Ma-tosinhos, no jardim do Palacete do Visconde de Treves (nas traseiras da Cmara Municipal). Encontrei-a por acaso durante o percurso de uma Wherigo cache que existe na zona.

    Uma Time capsule , como diz a descrio da categoria, uma forma de enviar informao acer-ca de uma determinada poca para o futuro. A forma como isso se processa colocando mensagens e/ou obje-tos representativos do esprito desse tempo dentro de um contentor, sel-lo da melhor forma

    possvel e assinalar a sua localizao com um pequeno monumento ou placa (com as indica-es de quando foi colo-cada e de quando deve ser reaberta).

    A razo pela qual des-taco esta categoria porque considero as Time Capsule uma forma rudimentar das to desejadas viagens no tempo, uma vez que pem em contacto pessoas de diferentes pocas. Deve ser incrvel abrir uma destas coisas, pois como se algum de uma poca passada, com a qual nunca terias oportunidade de te cru-zares, te descrevesse as certezas e incertezas do seu tempo.

    H cerca de um ano atrs foram abertas duas nos

    Estados Unidos. Tinham sido seladas h mais de duzentos anos e den-tro das mesmas foram encontradas moedas, jornais do dia em que foram seladas, livros, mensagens, entre ou-tras coisas.

    Contudo, a que consi-dero mais fascinante, a Detroit Century Box, que, apesar de ter es-tado fechada apenas 100 anos (de 1900 a 2000), continha 100 cartas de personali-dades relevantes da poca com comentrios e dados acerca da vida em 1900, bem como as suas curiosas previses de como a cidade seria em 2000. Um exemplo dessas previses a dos Comissrios da Polcia de Detroit que previam

    que no futuro os prisio-neiros fossem transpor-tados para a esquadra da polcia por meio de tubos pneumticos.

    Infelizmente a criao de time capsules ain-da uma prtica muito americana e em Portu-gal no tinha conheci-mento da existncia de nenhuma, at me cruzar com a do Waymark re-ferido no incio do texto, selada e enterrada em 2010 e que ser aberta em 2035. Segundo os seus criadores, esta contm previses de como ser a Europa nesse ano e, apesar de ser uma curta viagem no tempo, gostaria de estar presente aquando da sua abertura.

    Texto / Fotos: Pedro Salazar (Razalas)

    cone da categoria Time Capsules

    Caixa do Tempo [WMN980] http://tinyurl.com/otzy7yp

    Detroit Century Boxhttp://tinyurl.com/pd526uo

    Time capsule com 220 anoshttp://tiny.cc/10oc4x

  • 66 OutubrO 2015 - EDIO 1766 OutubrO 2015 - EDIO 17

    GC6

    P DE CABRILGCZBTH

    Por ZSampa

  • 67OutubrO 2015 - EDIO 17

    O Gers ou o Parque Na-cional da Peneda-Gers, na sua expresso mais lata, permanecer para todo o sempre asso-ciado prosa e poesia de Miguel Torga, exmio mestre alquimista, hbil no acto de transformar em palavras a inefvel beleza das imensas serranias destas monta-nhas. O encantamento e deslumbre no ser dif-cil de entender, pois todo aquele que, tal como o mestre, ouse cirandar pelos seus intemporais trilhos, certamente per-der-se- em palavras de arrebatadoras vises e indiscritveis sensaes.

    Divagando pelas suas entranhas, deixando-nos levar pela brisa do vento, a alma parece reencontrar o corpo simples e despido por entre o nu da rocha cal-

    va caracterstica destes granitos. Na dureza das suas quase que in-findveis expresses, dominando a linha do horizonte erguem-se ca-prichosas formas da ero-so, afirmando-se em incontveis picos, entre os quais, a 1238 metros de altitude, eleva-se o imponente P de Cabril, a ptrea majestade de Torga.

    O emblemtico rochedo desde h muito que se assume como local de peregrinao de vultos de renome da cultura nacional, arrogando des-taque na literatura de Torga ou na pintura natu-ralista de Artur Loureiro. O desejo de dominar as suas formas desde sem-pre seduziu o homem que na sua insignificante e efmera existncia al-mejava conquistar o seu

    topo. Assim, no de estranhar que este te-nha sido um dos beros da escalada em Portu-gal, modalidade que nos anos 30 deu alguns dos seus primeiros passos na parede oriental deste icnico colosso.

    Inevitavelmente o fas-cnio da indelvel obra da natureza, prorrogar-se-ia at ao nosso dias, clamando por contnuas conquistas, mais que no fosse pelo alcanar dum cobiado plstico, simples contentor de ex-perincias e superaes plantado num cenrio de transcendente beleza. Todavia, no seria antes do agora longnquo Ou-tubro de 2006 que, pelas mos da lendria equipa dOs Cacheiros Viajantes (Cache-a-lote, Cacha-pim, Ourios Cacheiros e Robin da Mata), surgiria

    o tesouro que assinalaria no panorama do Geoca-ching nacional o domo grantico do P de Cabril.

    A equipa, muito antes de se estrear no Geo-caching, cedo deu incio ao contacto prximo com a montanha. No caso do Cache-a-lote e do Cachapim, principais responsveis pela colo-cao da cache, a prtica da caminhada e do cam-pismo selvagem teve incio no seu tempo de estudantes algures na Serra da Freita e Arouca, a sua praia inicitica de montanha. Todavia, no obstante o grupo ter feito anteriormente uma ou outra incurso pelo PNPG, como foi o caso da Fenda da Calcednia [GCGZCK], foi s com a descoberta de vrios locais dados a conhecer pelo Geocaching entre

  • 68 OutubrO 2015 - EDIO 17

    H stios do Mundo que so como certas existncias humanas: tudo se conjuga para que nada falte sua grandeza e perfeio. Este Gers um deles. Acumulam-

    se e harmonizam-se aqui tais foras e contraste, to

    variados elementos de beleza e de expresso, que

    o resultado lembra-me sempre uma espcie de

    genialidade da natureza.

    Miguel Torga, Dirio VII

  • 69OutubrO 2015 - EDIO 17

    os quais se destaca a ca-che Stairway to Heaven [GC640F] dos GreenSha-des que surgiria a ideia de assinalarem a sua presena na imensido geresiana.

    E assim, tendo como misso primordial a () partilha de lugares que podamos fazer chegar a outros, na exacta medi-da em que tambm ns ambos (Cache-a-lote e Cachapim), recm-che-gados a essa actividade, nos vamos a agradecer por alguns lugares que outros nos deram a ver (), nascia a ideia de assinalar o topo do P de Cabril.

    O local seria descober-to pelo Cachapim cuja () primeira referncia surgiu numa pesquisa que referia os poucos degraus metlicos cra-vados na parede como exemplo de via ferrata em Portugal (). Depois, naturalmente, surgiram as demais referncias escalada e ao fascnio que o afloramento ro-choso exercera sobre al-guns artistas nacionais, circunstncias a que se aliava um irresistvel

    chamamento de con-quista.

    Porm, a demanda, tal como qualquer grande aventura por entre vales e encostas montanho-sas, comea bem antes de se alcanar o alme-jado topo, sendo que as alternativas para a se chegar so diversas.

    Assim, de entre as vrias opes, possivelmente a forma mais fcil e directa de aceder base do gi-gante aquela que parte desde a Portela de Leon-te [GC4W2EP], seguindo o trilho que sobe em direco encosta, com incio junto antiga casa do guarda. O percurso com cerca de 2,5 quil-metros marcado por al-gumas mariolas, apesar do declive acumulado, no apresenta dificul-dades de maior e em pouco mais de uma hora conduz-nos ao incio da ascenso propriamen-te dita. Em alternativa, poder iniciar-se a cami-nhada na casa do guarda da Junceda, num per-curso cujos quilmetros iniciais acompanham de perto a pequena rota do Trilho Interpretativo

    das Silhas dos Ursos [GCYHJ1], seguindo depois em direco ao apelidado planalto do Planeta dos Macacos at atingir o Covelo, num total aproximado de cer-ca de 5 quilmetros.

    Foi precisamente este ltimo trajecto o esco-lhido pela equipa (repre-sentada pelo Cachapim e o Cache-a-lote) para, numa primeira aborda-gem, visitarem o local. Visita que apesar de lon-gnqua no foi esqueci-da, permanecendo bem gravada na mente des-tes expedicionrios. Tal como refere o Cache-a--lote: ainda lembro que para a colocarmos, eu e o Miguel/Cachapim, que no conhecamos o local, tomamos o caminho que no mais repetimos, o caminho no qual se v o P de Cabril, no de frente mas por trs, sen-do difcil imaginar aquilo que da estrada se v ao longe, cuja lenta apro-ximao foi sendo um lento deslumbramento pela geologia e paisagem daquela zona.

    De qualquer modo, in-dependentemente do

    caminho que se escolha, esse deslumbramento estar sempre presente nestes trilhos. Percor-r-los , qui, o maior dos encantos destas pa-ragens. Aqui cada passo significa muito mais do que simples centme-tros, metros ou quil-metros. Cada passada uma deciso! Uma mani-festao do livre arbtrio. Um encontro rumo liberdade apenas alcan-vel na natureza bruta destas paisagens.

    Ainda assim, no obstan-te cada recanto reservar uma infindvel panplia de vises e sentimentos, a experincia, tal como a paisagem, ver-se- para sempre dominada pelas formas austeras daquele pico. Este, na sua eterna perenidade, quebrando a serenidade daquelas encostas, assume-se como rei e senhor do ho-rizonte, alto e imponente como que gritando: Es-tou aqui! Venerem-me! Curvem-se a meus ps em submissa glria!. Mandamentos que, aps a chegada s razes do seu corpo, ganham uma nova expresso. A, a

    Porm, a demanda, tal como qualquer grande aventura

    por entre vales e encostas montanhosas, comea bem antes

    de se alcanar o almejado topo, sendo que as alternativas

    para a se chegar so diversas.

  • 70 OutubrO 2015 - EDIO 17

    submisso, perante a imensa verticalidade da sua figura, ser imedia-ta, esmagando-nos em dvidas e incertezas, le-vando-nos a questionar se existir forma poss-vel de domar o seu ego. Felizmente, seguindo o rasto das pisadas indi-cadas pelos owners, eis que se revela o sinuoso trilho, abrindo caminho rumo conquista da (quase) impenetrvel fortaleza.

    Passo a passo, percor-rendo as acidentadas rugas da criatura, com alguma determinao, rapidamente chegamos profundeza das suas entranhas. A, eis che-gada a hora da devida vnia, rastejando pelo mago da sua robustez disforme em busca da tnue luz que do outro lado espera sombra do moribundo carvalho. Ultrapassada a escura fenda, seguindo pela ro-cha, o caminho torna-se cada vez mais evidente conduzindo-nos com

    relativa segurana at outra margem, onde, num s golpe, esten-dendo-se em inmeros vales ofuscados pelo cintilante espelho dgua da albufeira da Caniada [GC31B13], a magnitude da paisagem anuncia-se em todo o seu esplendor.

    Neste ponto, com o topo distncia de trs delicados e vertiginosos passos, o ferrugento metal cravado na rocha, assume-se como o ob-jectivo final da ascenso, la pice de rsistance da sublime obra (cfr. log do prodrive). Porm, ainda que os singelos passos rodeados pelo abismo abrupto no se avizinhem fceis, o hip-notizante apelo de con-quista falar mais alto, seduzindo--nos num inexplicvel assomo de fora e coragem que, tal qual chamamento abso-luto, rasgar os cus em odes de glria, clamando a herclea conquista do incrvel colosso!

    Chegados ao topo, na transcendncia ine-briante do momento, a sensao de conquista, emoldurada pelo singu-lar quadro natural, com-pensar todo e qualquer receio. Desde o cume, contemplando o hori-zonte, na vastido de al-tos e baixos da paisagem possvel avistar outros emblemticos picos destas paragens. Assim, entre os relevos, tendo como pano de fundo o casario de Covide e do Campo do Gers, ergue-se a Calcednia e o Tonel [GC4TYKJ], isto enquan-to, na outra encosta, acima do verdejante vale dominado pela Mata de Albergaria [GC1Q4DP], assoma-se o Borrageiro [GC1471Q], senhor do corao geresiano. Como se tal no bastasse, como que desafiando a esguia figura da albufeira da Caniada, e por entre as formaes rochosas, dum inconfundvel azul, irrompem os contornos da albufeira de Vilarinho

    das Furnas [GC34ZRP] delimitada pelas encos-tas da Serra Amarela, eterna guardi da aldeia subaqutica [GC1220J].

    No fundo, a sublime viso aliada ao senti-mento de conquista e superao, ser o gran-de tesouro deste caixo-te, cuja lenda perdurar no tempo, lado a lado, com a intemporal beleza destas montanhas, rei-no mgico de mil e uma formas granticas. Cir-cunstncias que tornam o secular tesouro num dos mais carismticos deste Parque, ao qual a comunidade atribuiu o privilgio de figurar entre as caches nomeadas aos Prmios GPS da Dcada. Agora, desafiem-se e deixem-se levar at ao topo desta desmedida necessidade de ir mais alm, conquistando o imenso colosso de pedra que, na margem de l, () solene, parece espe-rar () o abrao duma ascenso. (Miguel Torga, Portugal)

  • 71OutubrO 2015 - EDIO 17 71OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 72 OutubrO 2015 - EDIO 17

    1 - Como descobriram o P de Cabril?

    Todos ns, os membros dOs Cacheiros Viajantes, conhecamos j zonas do PNPG, mas no muito. No meu caso e do Miguel/Cachapim a nossa praia inicitica de montanha em tempos de estudante, e falo de caminhada e de campismo selvagem (mas j cumprindo, na altura, a regra de nada deixar para trs, lixo includo) no fora o Gers, antes a Serra da Freita e Arouca. Claro que j fizramos uma ou outra incurso e falo dos anos 80, no tempo comum a todos ns, da faculdade como foi o caso da Fenda da Calcednia, mas sem-pre em modo de caminha-da para piquenique, e um ou outro passeio de carro que depois e em conjunto fizmos.

    Efectivamente foi s de-pois do Miguel nos/me iniciar no Geocaching, em 2005 que retommos quase em conjunto o pra-zer da caminhada, que todos, creio, ainda man-temos, algumas vezes em conjunto, e para as quais, ocasionalmente, nos de-safiamos mutuamente.

    O caso do P de Cabril e confesso: tive de abrir o site para saber que talvez tenha sido a nossa 2 ou 3 cache a ideia foi do Miguel, quando aps colo-carmos a nossa 1 na Ser-ra dArga nos desafiou a colocarmos uma no Gers que j nos chamava sem que soubessemos ainda como.

    De facto mal lembro mas ainda lembro que para a colocarmos, eu e o Miguel, que no conhecamos o local, tomamos o caminho que no mais repetimos, o caminho no qual se v o P-de-Cabril, no de fren-te mas por trs, sendo di-fcil imaginar aquilo que da Estrada se v ao longe. Te-nho algumas fotos, poucas certo, dessa caminhada, e de facto, a lenta apro-ximao que fizmos foi sendo um lento deslum-bramento pelo geologia e paisagem daquela zona, incluindo algumas que as poucas fotos que ilustram a cache mostram.

    Portanto e indo directo tua pergunta, penso que o Miguel quando pensou no local, respondeu a um chamamento, e que eu, com ele, partilhei, de partilha de lugares que podamos fazer chegar a outros, na exacta medida em que tambm ns am-bos, recentes chegados a essa actividade, nos vamos a agradecer por alguns lugares que outros nos deram a ver; e aqui te-nho de facto, de referir, as primeiras caches que eu e ele fizeramos na Peneda-Gers, nesse mesmo ano, da autoria de uns senho-res chamados GreenSha-des, como sucedeu com a Stairway-to-Heaven. Concluso: h sempre al-gum, atrs, que motivou outros, frente, a promo-ver esse tipo de partilha. Ainda bem que assim .

    2 - De que mais gostas no local e que recordaes te traz o momento em que esconderam a cache?

    Comeo por dizer uma coisa: decerto quase todos ns temos um pouco de celta, povo que por c ha-bitou e construu, na maio-ria dos casos, uns castros, visveis e alguns ainda em bom estado, no topo de montes como sucede tan-to no litoral como at no Douro, nas arribas.

    Sucede que agora ns (ns no sentido geral, de pessoas) no estamos propriamente virados para a construo; mais para o lazer, mas mesmo assim, parece que sina, querer-se chegar ao topo, a qualquer topo, olhar, e talvez vigiar a aproxima-o de quem quer se apro-xime sem amizade. Claro que brinco com isto mas no deixa de ser engraa-do e curioso este vcio de conseguirmos ultrapassar as limitaes que essa maldita senhora de nome gravidade impe

    Mais a srio: quem viajar em direco ao Gers, por Pvoa de Lanhoso e vilas/aldeias seguintes, depressa repara naquele promontrio, vigiando essa entrada para a Vila. Na altura em que a colo-cmos no existia nenhum azulejo com o que agora est, desde o ano seguinte sua colocao. Para ns a ascenso sempre foi e de outro tipo. Mas colo-c-la l, zona que na altura nem sabamos j ter sido usada para escalada, no posso dizer que tenhamos sofrido da bebedeira de altitude, no, o caso, que ambos no sofremos de vertigens, mas sempre o chegar ao topo, mesmo

    que haja outros topos mais altos. No entanto lembro uma coisa: dessa ascenso a dois, e j de-pois de subir as escadas, creio que, na altura um pouco mais elegante, ten-tei e acho ter conseguido passar por uma fenda e imaginaro os outros o que sempre passar por uma fenda!!! (sorrisos, e no falo da fenda-gruta, na base), para chegar ao plano onde decidimos coloc-la. E confesso: agora, e contra todas as expectativas, legtimas, que o tempo permite, a dita fenda que na nossa ltima incurso voltei a tentar, parece estar mais aconchegada, sinal que os tempos so definitiva-mente outros e parecem no perdoar. Mas aceita-se que o tempo corra con-tra ns; mas tambm ns contra ele.

    3 - H algum log que te/vos tenha marcado de al-guma forma diferente ou especial?

    Confesso que embora re-ceba notificaes no abro o log da cache para ler a maioria, embora de vez em quando v l espreitar. Sei que foi sempre nosso objectivo recolher fisica-mente o logbook quando necessrio substitu-lo por outro.

    No recordo nenhum es-pecial, excepto aqueles primeiros, antes de viso assombrosa (que l em cima se tem) se espalhar. Esse deslumbramento passado a palavras por muitos desses primeiros que l foram e decerto muitos que ainda agora l

  • 73OutubrO 2015 - EDIO 17

    vo pela 1 vez com a re-petio desse deslumbra-mento palavras desses que ascenderam, todos, que exigiram bem mais que meros fenomenal, maravilhoso, que espan-to, a esses posso dizer e ser comum a todos os membros do grupo, que conseguimos que falas-sem e se maravilhassem pelo que o espao em volta permite ver. Esses e so bastantes, recordarei e recordaremos.

    Talvez um ou outro log, no sei se nesta ou nou-tra, em que um pai e uma me, inicia um filho/a de poucos anos a calcorrear em descoberta. Se nesta cache h algum assim, certamente um daqueles que devolve um pouco de emoo a todos ns que a colocamos.

    Uma nota final: em todas as caches, poucas, que colocmos, nunca fizmos questo de lhe dar um esconderijo difcil de en-contrar. O objectivo nunca foi esse ultimo passo mas antes o percurso de che-gar l, e chegando l, dar a satisfao minima de a encontrar. Sei que a alguns chatear percorrer um tri-lho e nada encontrar, mas o nosso objectivo, mesmo que no seja encontrada, mas estando l, foi pri-mordialmente cumprido: levar as pessoas at l; foi assim com esta como com todas as outras.

    4 - Algum dia pensaste que a cache pudesse so-breviver durante tantos anos aps a sua coloca-o?

    Confesso (e aqui repito-me mas no estou em contrio) que no; julgo que nenhum de ns dir que esperava que tal su-cedesse, embora o seu desaparecimento pontual no seja algo a menospre-zar.

    No fao ideia se h ainda caches activas dos pri-mrdios do Geocaching (e esta nem das primeiras), e activas pelos mesmos que as colocaram. Decerto que haver, e decerto at bas-tantes. Mas permanecer l e servir de iman para que outros gozem o espao que a caminhada e o local permitem, tenho de reco-nhecer que tambm isso d um gozo e uma satis-fao especiais pela pere-nidade das poucas caches que colocamos, e poucas porque a cada uma demos um especial significado.

    Portanto, a resposta no e no deixa de ser in-teressante perguntar at quando, mesmo que no imaginemos a resposta.

    5 - Como encaras o suces-so da cache aps quase 10 anos de existncia?

    Eu pessoalmente no encaro as coisas, estas coisas, nesse prisma de sucesso, embora entenda o sentido da pergunta. E no prisma com que a fa-zes, s tenho a resposta que atrs dei: algo, e algo definido, no ser huma-no, chama pela natureza bruta, mesmo que seja apenas ao fim de semana. E a natureza bruta coloca sempre desafios a que o Homem se entrega e, pelo menos, achar que ven-

    ceu. Decerto haver logs em que alguns desses caminhantes pensaram no conseguir, mas tendo conseguido, deu-lhes algo que queriam mas talvez no esperassem, Mais uma vez, se tal sucedeu com algum dos que l foi, s podemos dizer: pti-mo. Bem vindo. Olha daqui ..e tent aver mais alm..

    6 - Como foi revisitar recentemente a cache e ver pela primeira vez um dos elementos da equipa conquistar o topo da for-mao rochosa (refiro-me nota de 24/06/2015)?

    Foi ptimo, at porque foi um percurso novo que fizemos, escolhido pelOs Ourios Cacheiros. No meu caso, at foi a 3 vez que l fui, duas delas com o Miguel/Cachapim, e das trs vezes, sempre por percurso diferente. E interessante at porque, sendo o PNPG uma zona natural mas humaniza-da, e isso bom ningum esquecer - no propria-mente um Wild Noroeste percorremos zonas onde encontrei bem mais orqu-deas, entre outras plantas do que foi possvel das outras vezes e nos outros percursos, sinal que, vas-to que aquele espao, e apesar disso bastante visitado, h ainda muito por calcorrear e descobrir e com isso encontrar o tal deslumbramento pai-sagstico com tudo o que uma zona semi-selvagem pode dar.

    Quanto ao facto do Fer-no/Ourio Cacheiro Alfa ter ascendido e pela 1 vez, ao topo, ul-

    trapassando o mal dos planos inclinados e da profundidade do que est l em baixo, confesso que ter sido algo que ele(s) ter decidido fazer, mes-mo no sabendo se o faria, e sem que ns soubesse-mos antecipadamente.

    No lhe perguntamos se-quer quanto tempo ter durado o processo de deciso: aconteceu e de certeza ele, bem mais que qualquer um de ns, ter dito: Ora bem: assunto fe-chado, pese embora saiba que no dir: Ora bolas: se era s isto ..j o podia ter feito antes; Isso, sei, ele no dir.

    Se alguns de ns, por mera questo de oportunidade, tem uma ou outra cache, das que colocamos, e que nunca visitamos, no caso desta e s desta, ele es-tava em falta. O facto de j crescidos Os Ourios juvenis serem capazes de fazer a ascenso sem problema algum ter dado uma contribuio mas no o empurro, pelo que s podemos, todos ns, estarmos satisfeitos. E satisfeitos, e mais uma vez me repito, como se houvesse uma lacuna na nossa existncia (exage-ro!) sendo certo que a vida de cada um de ns est empedrada de lacunas.

    Mais uma vez obrigado pela colaborao!

    Texto: Jos Sampaio (ZSampa), Carlos M. Silva

    (Cache-a-lote) e Miguel Alexandre Salgado (Cacha-

    pim)

    Fotografia: Jos Sampaio (ZSampa)

  • GEOCHURRASCADA 2015e V e N t o

    p o r r u i j s d u a r t e & H o M e N s d a l u t a

    74 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 75OutubrO 2015 - EDIO 17

    O objectivo inicial da presena na GeoChur-rascada deste ano era comemorar o seu dci-mo aniversrio fazendo uma retrospectiva das suas j 11 edies

    Afinal no h assim tan-tos eventos regulares que consigam perdurar no tempo, de forma ininterrupta, de modo a poderem comemorar os dez anos de existn-cia (so to poucos que este mesmo o nico). Acontece que essa re-trospectiva j foi feita!

    Na extinta Gz Portugal saiu uma pea do g-nero pelo que no nos pareceu relevante vol-tar a fazer tal coisa... O foco mudou ento para: primeiro, uma reporta-gem in loco, ver com os nossos prprios olhos o que continua a fazer da GeoChurrascada um dos eventos de referncia do Geocaching Nacional e que, como apregoam os seus organizadores, marca a rentre anual deste nosso hobbie e, segundo, saber da boca dos seus actuais or-ganizadores, os HdLG, algumas opinies sobre a histria, passada e presente do Evento (his-tria e estrias).

    Foi com isto em mente que ainda antes das dez da manh j me encon-

    trava no interior do fa-moso Parque Municipal do Cabeo de Montachi-que, em busca daquele que, segundo me disse-ram, foi o local onde se realizou a primeira das edies... E no foi fcil! Tive mesmo de recorrer app da GS para localizar o gz, tal a forma como est escondido aquele pedao do parque. No desfazendo do restante espao, ali , parece-me, o stio ideal para a realizao deste evento! Calmo, recndito, acon-chegante, ntimo... Ad-jectivos que certamente passaram pelas mentes dos que puderam estar ali presentes a 20 de Setembro.

    nossa chegada apenas dois companheiros j l estavam, dois Homens da verdadeira Luta: o Vsergios e o Jinunes! E o grosso do trabalho j estava feito... No sei a que horas que o co-nhecido por Homem da grelha Nunes ter che-gado mas uma pilha da melhor lenha j se ali-nhava para proporcionar calor muita carninha que marcou presena neste dia. O homem em si, deixou tudo prepa-rado e depois de uma breve sesso fotogrfi-ca com o seu pequeno discpulo (meu filho), ru-mou a outras comezai-

    nas, deixando atrs de si um rol de queixumes de quem ia chegando e no o encontrava!

    Os companheiros de luta iam chegando aos pou-cos... Primeiro aqueles que no podendo ficar para o almoo vinham dizer ol e trocar uns de-dos de conversa (desta-que aqui para a chegada triunfal do geo_duarte e buxahs que apareceram literalmente do meio do bosque, verdadeira-mente Geocacher!) e, j mais a horas de utili-zar o braseiro, o grosso do pessoal!

    Desenganem-se aque-les que, olhando aos attends do evento, jul-guem que tero sido pouco mais de um par de dzias os que deci-diram dizer Presente a mais uma jornada dos Homens da Luta! Contei cerca de 70 a 80 partici-pantes, entre singulares, teams, filhos e enteados entre outros, que vieram antes, durante e depois da Churrascada propria-mente dita! :)

    Para um evento que vive apenas do salutar convvio, sem adereos ou maquiagem, Obra. Ainda por cima, povoado de verdadeiros dinos-sauros do Geocaching Nacional!

    Tenho o prazer de

    acompanhar um pouco da preparao deste evento h j quatro ve-res, as primeiras duas vezes na qualidade de tipo que manda bitaites e no aparece e no ano passado com uma fugaz presena depois do dil-vio que se abateu. Este ano estava apostado em tomar verdadeira-mente o pulso mstica da coisa e acompanhar a chegada dos comensais ao recinto! Confesso que a explicao do tal sucesso do evento por demais simples... o que nos foi dado a assistir foi a um rol de sorrisos, abraos e beijinhos de amigos que se reencon-traram depois de um ano afastados!

    A chegada de mais um companheiro vinha, in-variavelmente acompa-nhada de um Olha ali o no sei quem! ou um O coise j chegou e etc., sempre com um rasgado sorriso e a promessa de mais um valente cum-primento! E claro, com isto chegava tambm o rol de peas carnudas que iriam ao longo de vrias horas parar em cima das grelhas! Coisa bonita p!, como diriam os Camaradas!

    Neste particular, o do almoo propriamente dito, no se pode deixar em claro o momento em

  • 76 OutubrO 2015 - EDIO 17

    que a shalmai e o para-grama tiram do interior da sua geleira uma gar-rafinha de tinto e um par de copos a preceito! Piquenique mas com estilo (ou algo parecido) foi a desculpa que de-ram para tais preparos! :) Mais uma prova (se ainda fosse necessrio) de que este verdadei-ramente um Evento Caseiro.

    As horas passaram depressa, demasiado depressa, parece-me...quase mesma veloci-dade com que o Costa (Lamas) debitava, para deleite dos que iam ficando para o fim, as suas GeoEstrias, e, en-tre os At para o Ano o recinto ficou vazio... acabmos por sermos ns a apagar a luz j que tinha prometido ao meu pequeno geocacher que iriamos procurar uma caixinha e apro-veitei para revisitar a Passeio pelo Parque de Montachique [ Loures ] [GCXB38], praticamente pelas 19:30.

    Ser isto O Geoca-ching?! Fazer amigos e poder almoar juntos uma vez por ano, num espao que tambm deles, partilhando his-trias, passadas e pre-sentes, ver o quanto a descendncia cresceu (em nmero e tamanho) e ao fim do dia partir

    com a certeza que para o ano h mais?! Pelo que pude assistir, SIM, sem dvida! Um obrigado a todos os Homens da Luta que, de uma forma ou de outra, permitem manter a chama acesa e marcam assim o incio de mais um ano caa aos Tupperwares!

    Texto: Rui Duarte (Rui-JSDuarte)

    Fotos: Rui Duarte (RuiJSDuarte)/Bruno

    Rodrigues(BTRodrigues)

    A Geochurrascada vista pelos organizadores, Homens da Luta do Geocaching

    A Geochurrascada o evento de Geocaching regular (anual) mais an-tigo do nosso pas, vai na 11 edio! Desde 2005 que se realiza inin-terruptamente, sempre no final do Vero, e considerado por muitos como a reentr oficial da poca de Geocaching, depois da maioria de ns ter gozado umas merecidas frias.

    Comeou por se realizar no parque de Montemor (entretanto desativado) em Loures, local esco-lhido pela qualidade dos equipamentos, pela vis-ta, mas essencialmente porque tinha duas ca-ches dos 2Cotas, o que

    permitia fazer TRS ca-ches de uma vez s. Sim, fazer trs caches numa tarde era algo que na altura era uma rarida-de, dada a escassez das ditas. A organizao foi iniciativa do geocacher PPinheiro que de uma forma completamente altrusta se lembrou de juntar uma larga fatia dos geocachers activos na altura volta de um grelhador em amena ca-vaqueira e convvio.

    No ano seguinte a es-colha do local recaiu no Parque do Cabeo de Montachique (onde se realiza desde ento), tambm no concelho de Loures, porque oferecia melhores condies, nomeadamente som-bras, e mais espao para todos. Mais uma vez foi iniciativa do PPinheiro, impulsionado pelo fee-dback do ano anterior e pela ajuda dos restan-tes geocachers. Dessa edio fica a memria da presena do revisor ibrico da altura, o garri (sim, nessa altura s ha-via um revisor que tinha Portugal e Espanha). Nessa edio houve um aumento substancial de participantes, quer porque o Geocaching aumentava de forma exponencial quer pela publicidade feita atra-vs do (nico) frum de Geocaching que havia na

    altura, local onde a larga maioria dos geocachers nacionais se encontrava. Passou de 18 Attends em 2005 para 32 em 2006, o que era um fe-nmeno na altura.

    Em 2007 o n de geo-cachers presentes pra-ticamente duplicou, e tornou-se evidente que era o evento do ano, o momento em que geocachers de todo o pas se juntavam para confraternizar e at se conhecer pessoalmente. Estvamos na poca de ouro do Geocaching em Portugal, quando se registou o maior cres-cimento e com mais caches (e geocachers) de qualidade. Mais um evento organizado pelo PPinheiro.

    Para 2008 a fasquia foi aumentada: a pedido de vrias famlias ten-tou-se o primeiro Mega em Portugal! A fasquia ficou 208 geocachers abaixo, mas ainda as-sim responderam em massa e estiveram em Montachique quase 300 geocachers, algo impen-svel at ento. T-shirts, autocolantes, cartazes, jipes carregados at ao teto, uma logstica sem igual que teve neste ano a ajuda de mais alguns geocachers (Rifkinds-ss, BTRodrigues, Kelux, Playmobil, entre outros) pois o PPinheiro j no

  • 77OutubrO 2015 - EDIO 17 77OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 78 OutubrO 2015 - EDIO 17

    conseguia gerir sozinho a mquina que se tinha tornado este evento.

    Em 2009 mais um ano a tentar chegar ao Mega e agora foram quase 400 geocachers, j sem o PPinheiro na organiza-o (substitudo pelos Riffkindsss), mas infe-lizmente no se chegou marca esperada. Mas imaginem 400 pessoas volta de um churrasco gigantesco, e imaginem toda a logstica!

    Em 2010, mais uma Geochurrascada e outra tentativa de chegar ao Mega. Desta vez foram 431 geocachers no Par-que Municipal do Cabe-o de Montachique e foi o ltimo ano em que os Rifkindsss estiveram frente a organizao, tal como foi o ltimo ano em que se contabi-lizaram os presentes (e que se tentou chegar ao Mega). 2010 foi ano de mudana no geopano-rama nacional, algumas cises ditaram a aber-tura de um novo Portal de Geocaching e termi-nava a unidade entre os geocachers. Aumentava

    o fosso entre o Geoca-ching dito de qualidade e o geocaching de beira da estrada, e isso tam-bm se sentiu aqui. Com a falta de motivao de alguns surgiu o empe-nhamento de outros e em 2011 com a ameaa de no se realizar este evento foram os Ho-mens da Luta do Geo-caching que pegaram na organizao do mesmo e (com a ajuda de outros) tudo fizeram para que o mesmo no sucumbisse e continuasse a ser o evento de referncia na-cional.

    2011 marca assim a viragem na Geochurras-cada, mudando os orga-nizadores e os moldes da mesma. Deixou de ser pay & eat e cada um passou a levar as suas prprias febras e bebidas, deixou de se tentar chegar ao Mega e deixou de ser o evento mais participado a nvel nacional, com outros eventos a chegarem ao Mega logo na sua primeira edio (os 10 Anos de Geocaching, na Malveira, em 2010) e a

    superarem os Attends da Geochurrascada.

    desde 2011 portanto que os Homens da Luta do Geocaching orga-nizam e mantm vivo este evento, que tem amadurecido em cada ano que passa e se re-fina, tornando-o quase como um evento de elites, onde possvel encontrar os geocachers mais antigos, onde h uma identidade e uma sequncia. Aqui, o Geo-caching at passa para 2 plano, e valoriza-se a amizade e a cama-radagem. O feedback recebido cada edio que passa faz com que no se esmorea e no se pense em terminar o que j considerado uma tradio e que continua a ser para muitos a tal reentr oficial no novo ano Geocachiano.

    5 Edies volvidas desde que os HdLG pegaram no evento e penso que o balano francamente positivo. No existe pa-ralelo no panorama de eventos a nvel nacio-nal (apesar dos muitos eventos que pegaram e

    adaptaram este modelo para si) e no est nos planos deixar de o reali-zar. muitas vezes difcil de conciliar a vida pes-soal com o Geocaching mas tudo faremos para que continue a ser este o evento, no deixan-do vagas aquelas mesas do Parque Municipal do Cabeo de Montachique que todos os 3s domin-gos de Setembro est nossa espera!

    Gostaramos de conti-nuar a contar convosco e com todos os geo-cachers que se revm neste modelo de evento, sem PTs de 100 caches mistura, sem pressa para ir fazer caches, sem fanatismos nem rivalidades, sem medi-o de comprimentos de aparelhos reprodu-tores masculinos mas sim com camaradagem, amizade, boa disposio e alegria.

    Contamos convosco em 2016! At l!

    Kirikiri kiri kirikiriki!

    Texto: Homens da Luta

    No existe paralelo no panorama de eventos a nvel nacional (apesar dos muitos eventos que pegaram e

    adaptaram este modelo para si) e no est nos planos deixar de o realizar.

  • 79OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 80 OutubrO 2015 - EDIO 17

    EVENTO

    LE IR IACOINFEST2015

    Por Geocaching Leiria

  • 81OutubrO 2015 - EDIO 17

    Realizou-se no passado ms de Setembro (fim de semana de 11 a 13) o Leiriacoinfest 2015 [GC5QWV4], um evento de mostra de Geocoins (e outras actividades/eventos pararelos) des-tinada partilha de ex-perincias e da paixo que estas bonitas peas despertam em muitos geocachers. Foi este o mote que levou a Geo-Mag ao contacto com os Geocaching Leiria para sabermos mais, no apenas sobre o evento mas tambm sobre a prpria team e os seus planos para o futuro de geocaching nO tal dis-trito....

    A Equipa

    Este foi um projecto idealizado e criado em 2012 pelos Romeu&-Dina. Actualmente est a ser coordenado por uma equipa composta por sete geocachers, designadamente pelos: capitao77, Let_LRA (2), Nocturnosbike, Reis &Reis (2) e SmirMan.

    Desde h cerca de um ano que a equipa Geoca-ching Leiria tem tentado dinamizar o geocaching no distrito atravs de vrias iniciativas, no-meadamente o Geocon-celhos, com o intuito de dar a conhecer um pou-co mais dos concelhos do distrito bem como o

    de aproximar os geoca-chers.

    Estes eventos, apesar de criados/preparados pelo Geocaching Leiria, contam sempre com o apoio e colaborao de geocachers locais, que se tornam os anfitries destes eventos. So iniciativas com uma ver-tente mais cultural, ou seja, cada evento tem como principal objec-tivo conhecer locais de interesse, quer a nvel cultural, ambiental ou at gastronmico.

    Neste mbito, j visi-tmos os mosteiros da Batalha e de Alcobaa, assim como a zona his-trica de Peniche. Em Junho realizmos uma caminhada na zona das Fragas de S. Simo, acompanhada de um jantar gastronmico em Alvaizere, considerada a Capital do Chcharo.

    Aos dias 22 de cada ms, realizamos os nos-sos Meetups. Eventos que tm como finalida-de o convvio e a troca de experincias entre geocachers. Tentamos ainda estar atentos a datas comemorativas, tanto para o mundo do geocaching como para a sociedade em geral, de forma a no s pro-mover o convvio (ex: o magusto, o natal, etc.) como tambm propor-

    cionar a hiptese de se receber alguns souve-nirs (o dia internacional relativo s Earthcaches ou ao CITO).

    Em 2014 organizmos ainda um fim de sema-na com vrios eventos, dos quais destacamos alguns pequenos wor-kshops, que serviram para trocar opinies no que diz respeito a al-gumas aplicaes gra-tuitas para Android ou pequenos truques para facilitar a gesto de ca-chadas.

    Recentemente, e a con-vite do jornal Regio de Leiria, o Geocaching Leiria esteve presente na festa do despor-to, tendo com vista a promoo desta nossa actividade. Esta iniciati-va estava direccionada essencialmente para no praticantes de geo-caching mas no entanto contou com a presena de muito iniciantes na modalidade. Estiveram presentes aproximada-mente 35 pessoas.

    Em Dezembro 2014 surgiu um novo sm-bolo, necessrio para que fosse autorizado pela Groundspeak para futuro merchandising. Comeou a ser utilizado tambm o slogan, Leiria O tal distrito. Algo que comeou em tom de brincadeira mas que

    tem vindo a permanecer e serve j para identi-ficar os geocachers do distrito.

    Os meios de comuni-cao utilizados pelo grupo so o site (www.geocachingleiria.pt) e o facebook (grupo e p-gina).

    O Evento

    O LeiriaCoinFest [GC5Q-WV4] foi o maior evento organizado pela nossa team a ideia surgiu num evento com um dos maiores coleciona-dores de geocoins de Portugal, o nosso colega paulohercules.

    A ideia foi amadurecen-do e na altura, com uma equipa de 5 pessoas, colocmos mos obra. Procurar um local, pro-gramar actividades e contactar os colecciona-dores (alguns dos quais se mostraram logo disponveis para expo-rem as suas coleces), deram-nos a motivao necessria para a con-cretizao deste evento.

    Depois do projecto de-lineado apresentmo-lo Cmara Municipal de Leiria, que se prontificou de imediato em cola-borar com esta nossa iniciativa, propondo desde logo a utilizao do estdio municipal (com excelentes condi-es). Foi uma parceria

  • 82 OutubrO 2015 - EDIO 1782 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 83OutubrO 2015 - EDIO 17

    fundamental para que este evento tivesse o sucesso que teve. Apro-veitamos assim para fazer um agradecimento especial CMLeiria por toda a colaborao.

    Resumo do programa:

    Leiria Photopapper [GC5RXYQ] (6 feira, dia 11)

    Este evento teve como objectivo levar os par-ticipantes a visitar 10 dos locais emblemti-cos da cidade de Leiria. Sortemos as equipas e propusemos em cada ponto um pequeno de-safio. Por exemplo, num dos locais escolhidos, a fonte luminosa, o desa-fio era entrarem dentro da fonte e tirarem uma fotografia com o castelo como tema de fundo.

    As fotos foram expostas durante o dia de sbado e votadas pelos geoca-chers que iam visitando a exposio das geo-coins.

    LeriaCoinFest [GC5Q-WV4] (sbado, dia 12)

    Durante a tarde de sbado tivemos 13 ex-positores com cerca de 950 coins expostas e a presena de 3 lojas rela-cionadas. Foi um espao onde se promoveu a exposio, o convvio e a partilha do gosto por geocoins.

    Para terminar este evento contmos com a parceria do Geopt, que organizou a 4th Traveller Race, de onde partiram 56 TBs.

    Geocaminhada [GC5R-XX0] (domingo, dia 13)

    A manh de Domin-go foi dedicada a uma caminhada pela Mata dos Marrazes, onde se promoveu o contacto com a natureza, o con-vvio e a diverso, no esquecendo de procurar umas caches ao longo do percurso e com um picnic para terminar em beleza.

    Durante todo o fim de semana, foi possvel visitar os museus de Leiria de forma gratuita. Mais uma das parcerias que a CMLeiria nos pro-porcionou.

    Ao longo dos trs dias registou-se a passagem de 126 nicks, perfazen-do um total de 180 pes-soas, incluindo alguns muggles.

    A Geocoin

    A ideia de criar uma geocoin alusiva cidade de Leiria j era h muito falada entre a comuni-dade de geocacheres locais. Decidimos pois avanar com a ideia...

    Desde logo ficou deci-dido que uma das faces

    seria o smbolo do Geo-caching Leiria. Em rela-o outra face e aps ouvir vrias opinies (unnimes), optou-se por colocar o ex-libris da cidade, ou seja, o Caste-lo. Com a ideia definida e com a ajuda de um geocacher (Felipe Whi-te) chegmos ento ao resultado final!

    Demos seguimento abertura da fase de pr-venda, com a edio re-gular (Nickel) e a edio limitada (1Gold+2 Nic-kel), superando as nos-sas expectativas! A edi-o limitada esgotou em apenas 4 dias pelo que se entendeu criar uma nova verso (Copper). Desta forma, a edio limitada passou a ser constituda por 1 Gold + 1 Copper + 1 Nickel. Continuamos ( data do artigo) a ter disponveis para venda as verses Nickel e Copper.

    Gostaramos de agra-decer a alguns geoca-chers colecionadores pelas suas sugestes e opinies no decorrer do processo de elaborao deste projeto.

    O futuro

    Na continuidade dos projectos delineado pelo grupo Geocaching Leiria temos em vista: o Geoconcelhos , embora

    sem uma periodicidade definida (os prximos que esto programa-dos so os concelhos de Caldas da Rainha, Pombal e Porto de Ms); continuar a pro-mover o convvio entre os geocachers que j se conhecem e integrar novos membros atravs dos nossos meetups (uma das mais-valias destes eventos que para alm da partilha de experincias e conheci-mento se criam novas amizades); organizar mais workshops, com a colaborao de geoca-chers mais experientes, nomeadamente em al-gumas aplicaes (para optimizar a forma como nos preparamos para as nossas aventuras no terreno).

    E claro, a segunda edio do LeiriaCoinFest no ser esquecida, apro-veitando a experincia adquirida na primeira e trabalhando ainda mais no sentido de se propor-cionar um Evento com maior sucesso, de forma a conquistar a vontade de todos os geocachers em visitarem Leiria!

    Texto: Geocaching Leiria

    Fotos: Geocaching Leiria / Matrixamp

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  • 85OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 86 OutubrO 2015 - EDIO 17

    A m r i c a d o S u lA L M F R O N T E I R A S

    P O R J L I O G O M E S

    86 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 87OutubrO 2015 - EDIO 17

    Quando 12 portugueses se juntam para uma via-gem de 3 semanas pela Amrica do Sul, o resul-tado s podia ser uma Tour Tuga!Originalmente (e isto quer dizer em Setem-bro de 2014, quase um ano antes da viagem propriamente dita) o objetivo era visitar o Peru. Mas rapidamente se concluiu que era um desperdcio fazer tantos quilmetros para visitar apenas um pas, e logo se acrescentaram o Equador e Bolvia como destinos. Para satisfazer o vcio do geocaching, ainda deu para marcar passagem (rpida) pela Venezuela e Brasil, e at pelos EUA (por Miami e as suas beaches)!Verdade seja dita, e pese embora o vcio em comum, as caches s foram aparecendo no programa da viagem de acordo com o percurso que (lentamente) se foi desenhando ao longo de quase um ano de planeamento, ou seja, nunca foram a priorida-de. Optamos, e foi sem dvida uma excelente deciso, por sermos ns prprios a tratar de toda a logstica relaciona-da com a marcao de voos, estadias, trans-portes nos vrios locais, etc. No foi tarefa fcil e requereu muito esforo e tempo mas, compen-sou muito em termos financeiros e na flexibili-dade que naturalmente resulta de no estarmos presos a um qualquer

    programa de uma agn-cia de viagens.As palavras-chave fo-ram mesmo planear e antecipar! Inmeras vezes, durante as frias, comprovamos as van-tagens de ter estudado bem os locais e trajetos por onde amos passar, os constrangimentos de horrios de comboios, autocarros, custos de estadias e alimentao, e at os requisitos para visitar locais como as icnicas runas de Ma-chu Picchu. Ter estes as-petos bem tratados foi um enorme passo para que, apesar de algumas surpresas que natural-mente vo aparecendo em viagens deste g-nero, as frias tenham sucedido de forma bas-tante positiva. Claro que o ADN portugus foi muito til (leia-se Arte do Desenrasque Nacio-nal).A viagem decorreu du-rante as 3 primeiras semanas de Agosto de 2015, e no grupo es-tavam elementos bem conhecidos (ou no!) da comunidade geoca-chiana: Silvana (enorme contributo para a orga-nizao e sucesso da viagem, e fotgrafa de servio), MitoriGeikos (Lusa e Z, os nossos geis desportistas), OverdoseNesquik (Pau-la e Carlos, msica e boa disposio sempre pre-sentes), btt (Ana e Au-rlio, os nossos mdicos sem fronteiras), N-mada (Miguel, o nosso chef de servio), Nandini

    (Fernando R., o nosso flautista, no de Pan, mas de costela de lama), Helena C. e Fernando C. (os nossos geocachers annimos, rpidos nas caminhadas e no gati-lho fotogrfico), e Weed Hunter (Jlio, o tipo que escreveu este texto).Nos pargrafos que se seguem, vo ler uma descrio muito sumria (e ver algumas fotos) de alguns dos principais lo-cais por onde passamos, no necessariamente na ordem cronolgica por que foram visitados, e claro das caches que fizemos (ou tentamos fazer!). Uma narrao mais pormenorizada da viagem, tipo dirio, fica para um livro a editar no futuro Not!Agora a srio: espero que se um dia visitarem estes pases, para geo-caching ou apenas para turismo, vos possa ser til a informao que se segue. Caso contr-rio, ao menos que vos entretenha durante uns minutos!O PeruO Peru uma repblica, cuja capital a cidade de Lima, e conta com cerca de 30 milhes de ha-bitantes. Os principais idiomas so o espanhol e o quchua (no, no tem nada a ver com a Decathlon).Este pas abrigou o anti-go Imprio Inca, e ainda hoje possvel observar vestgios dessa civiliza-o, quer atravs dos imensos monumentos

    arqueolgicos, quer nos costumes dos habitan-tes, principalmente em zonas menos citadinas. Desertos, montanhas, florestas, mar, a Amaz-nia, paisagens deslum-brantes e uma enorme variedade de flora e fau-na, tudo isto possvel observar neste pas.Em relao gastrono-mia, tivemos algumas experincias interes-santes. De uma forma geral, todos gostamos da comida peruana, muito base de milho e batata, mas h alguns pratos para os quais preciso algum est-mago. Desde logo o cuy (ou porquinho da ndia, sim, aqueles fofinhos) uma prova de fogo, pelo aspeto a la ratazana que apresenta aps ser cozinhado. Depois o ceviche (ou cebiche), que uma marinada de peixe cru, com um sabor fortemente ctrico. Algo que nos deixou mara-vilhados foi a enorme variedade de frutos que possvel encontrar por todo o lado.Uma das dificuldades que sentimos no pas foi a adaptao altitude. Cansao, falta de flego, tontura e dor de cabea, foram apenas alguns dos sintomas que todos sentimos, uns mais que outros. Valeu-nos a sa-bedoria local, j que em quase todo o lado era possvel encontrar com grande facilidade umas folhas de coca para mascar, ou ento tomar um retemperante ch

  • 88 OutubrO 2015 - EDIO 17

    (mate) daquela planta. Fazia milagres!Em termos de geoca-ching, este e na verdade tambm os restantes pases, deixam algo a desejar, mas talvez fos-se de esperar que assim fosse. Como h poucas caches ( volta de 300 no conjunto dos princi-pais pases que visita-mos), haver com cer-teza poucos geocachers. E sendo assim, significa que grande parte das poucas caches foram co-locadas por geocachers viajantes que tentaram de alguma forma assi-nalar pontos marcantes das suas expedies. O que acontece que no h quem faa manu-teno, e desta forma elas vo lentamente desaparecendo. Ainda conseguimos ajudar sobrevivncia de algu-mas, pelo menos por mais algum tempo, mas noutras tivemos mes-mo de deixar um DNF, e no foram poucos Tambm ns deixamos

    algumas caches para os geocachers seguintes, e assim tentar ajudar a di-namizar a atividade por aquelas bandas, tarefa que no se vislumbra nada fcil.Lima e PachacmacCapital e maior cidade do Peru, cujo centro histrico foi reconhecido como Patrimnio da Hu-manidade pela UNESCO. A Praa de Armas, a Catedral, o Convento de So Francisco ou o Pa-lcio do Governo so al-guns dos muitos cones desta cidade.Tal como noutras cida-des de maior dimenso do Peru, o trnsito absolutamente catico e barulhento (no se passam 6 segundos sem que algum dos con-dutores nossa volta buzine, acreditem, ns testamos!). Para viajar dentro do Peru, opta-mos por alugar carros, e digo-vos, no fcil conduzir nas cidades! No h qualquer respei-

    to pelas regras mais b-sicas de trnsito, como nos disse um taxista, quem tem prioridade quem mais vivo. E sobre os txis, basta colocar uns autocolan-tes no carro, e siga, j s taxista! E quando digo carro, tambm pode ser uma moto-txi, uma espcie de tuk-tuk l do stio, verdadeiros en-xames destas coisas circulam pelas estradas atravessando-se cons-tantemente no nosso caminho.E, j que menciono o trnsito, nunca vimos pas com tantas lombas como o Peru, um ver-dadeiro osis para as oficinas especializadas em suspenses (quando alguns de ns se encon-traram j em Portugal, e passamos por uma lomba, estas passaram a ser carinhosamente apelidadas de perua-nas). De PMR - interco-municadores - na mo, para manter o contato entre os vrios carros da

    nossa caravana, no raras vezes vinha o grito de alerta LOMBA!Prximo da cidade de Lima visitamos o fan-tstico local arqueo-lgico de Pachacmac (ou Pacha Kamaq, que em quchua significa alma da terra). Este era um santurio visi-tado anualmente por milhares de peregrinos, e cujo incio de constru-o ocorreu entre 1300 e 1400 d.C.. Um local fantstico, cheio de pi-rmides ainda num im-pressionante estado de conservao.Reserva Nacional de ParacasA reserva uma rea nacional protegida, com quase 3.500km2, onde existem muitos pontos de interesse. Os prin-cipais sero provavel-mente o Candelabro (um geoglifo com uma ex-tenso de 120m, tam-bm conhecido como Tridente, e que se cr ter ligao com os geoglifos

    LIMA.-.CONVENTO.DE.SO.FRANCISCO

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    LIMA.-.PACHACMAC

    COPACABANA.-.PORTO

  • 90 OutubrO 2015 - EDIO 17

    PAILON.DEL.DIABLO

  • 91OutubrO 2015 - EDIO 17

    de Nazca e Pampas) e a Catedral (uma formao rochosa que por ao erosiva da gua e ven-to assumiu uma forma cncava que lembra as cpulas das catedrais infelizmente, e resulta-do de um sismo ocorrido em 2007, hoje em dia j no possvel observar toda a grandiosidade deste monumento na-tural).A reserva conta ainda com um Museu e um Centro de Interpretao, onde possvel conhe-cer toda a fauna e flora que habitam este local. Grande parte da rea est no entanto inter-dita, para proteo das espcies, o que dificulta um pouco a observao, mas ainda assim vale a pena visitar a reserva.Machu PicchuConhecida como a ci-dade perdida dos Incas (montanha velha em quchua), est locali-zada a cerca de 2400m de altitude, no vale do rio Urubamba, e ape-nas foi descoberta em 1911. Patrimnio da Humanidade e uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo. Para l che-gar h duas hipteses: viagem de comboio desde Cusco at Aguas Calientes (uma localida-de completamente tu-rstica, uma espcie de Ibiza peruana), de onde se pode apanhar um au-tocarro at s runas; ou em alternativa, seguir o caminho Inca, basica-mente uma caminhada pela natureza que dura

    entre 3 a 4 dias, e que te leva s runas pela en-trada da Porta do Sol. A inexistncia de estradas pblicas para o local intencional, para limitar e controlar o acesso de turistas. Alis, existe um nmero limite de visitas dirio, razo pela qual convm comprar os bi-lhetes com antecedn-cia.Em Aguas Calientes fizemos dois DNFs (na GC3JKH8 Aguas Ca-lientes Train Statione na GC41C9D Aquas Ca-lientes Hot Springs Ca-che), o que nos deixou algo desgostosos, pois era a porta de entrada de Machu Picchu, e ado-raramos ter marcado a localidade com um sor-riso no mapaO estado de conserva-o da antiga cidade de Machu Picchu fabu-loso, e foi sem dvida o ponto alto de toda a viagem. Existe a possi-bilidade de subir s duas montanhas que ladeiam a cidade, e foi o que fize-mos, metade do grupo para cada lado (tambm h limitao para o n-mero de pessoas que as podem subir diariamen-te, pelo que novamente melhor reservar antes, o que se consegue fazer em simultneo com a reserva da entrada em Machu Picchu).A subida do Monte Pic-chu difcil por causa da altitude e pela distncia ao topo, a altitude m-xima atinge os 3.000m, so quase 2h para l chegar, mas vale a pena

    pois as vistas so de cortar a respirao. Do outro lado, temos o Hay-na Picchu, uma subida um pouco mais peque-na, mas mais radical e desaconselhada a quem sofre de vertigens.Passamos quase um dia inteiro a visitar as runas e os seus recan-tos, a ouvir os guias que faziam visitas a grupos tursticos e, claro, a fa-zer as caches que foi possvel encontrar (GC-2Q1TG Machu Picchu Fault Line Earthcache e GC19941 Para Emmy--n-Sapphie).Pelo caminho encontra-mos um grupo da Goo-gle a fazer mapeamento dos trilhos para o Street View! Ser que ficamos gravados para a pos-teridade? Este encontro imediato foi perto do In-tipunku, a Porta do Sol, onde havia mais uma cache (GC3JJ56 Inti-punku).De salientar o evento de geocaching que ocorreu no dia em que l estive-mos (GC5YZ3R Lost in Machu Picchu!), marca-do obviamente por ns, com o objetivo de tentar conhecer praticantes desta modalidade, fos-sem eles locais ou es-trangeiros. Infelizmente, apesar de algumas no-tas no evento de outros geocachers, mais nin-gum apareceu, a no ser uns lamas!Pisco (bebida nacional) em Ica e os seus vinhe-dosA cidade de Ica vale mui-

    to pelo osis de Huaca-china, onde se pode ex-perimentar o sandboard (uma espcie de surf em areia), ou fazer passeios nas dunas em veculos em tudo iguais aos do filme Mad Max. E vale muito mais pelo Pisco, uma aguardente de uva, tpica do Peru, e que ti-vemos oportunidade de provar num dos muitos vinhedos que existem nas redondezas. O vi-nhedo que visitamos chama-se Tacama, e foi uma visita muito di-vertida e bem regada com prova de pisco e de vrios vinhos!Perto de Ica registamos mais um DNF, numa cache tradicional (GC-2FY6W Pto. Inca). Uma espcie de cemit-rio antigo, perto do qual foi construdo um resort para turistas.Cemitrio de ChauchillaImpressionante este lugar, onde poss-vel ver uma autntica necrpole. As mmias expostas no local criam uma atmosfera muito mrbida H ossos por todo o lado A famosa mmia de Chauchilla pode aqui ser visitada, num pequeno museu que existe no local.Nazca e as suas linhasOs famosos geoglifos de Nazca so mais uma oferta do Peru para Patrimnio da Humani-dade. No conhecido o propsito destas re-presentaes, que tm

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    mais de dois mil anos, mas cr-se que tinham algum objetivo religioso ou astronmico.No tivemos muita sorte na visita a estas obras de arte, pois quando che-gamos a um miradouro, de onde se podem ver dois dos desenhos, j estava a anoitecer e a visibilidade era reduzida.No dia seguinte, alguns de ns ainda tentaram ir fazer um passeio de avio para sobrevoar e fotografar os principais desenhos, mas alguma neblina matinal impediu a descolagem de todos. Sempre existe o amigo Google para nos ajudar a imaginar como seriaIlha de Amantan e os seus costumesEsta ilha fica no lado pe-ruano do Lago Titicaca. uma verdadeira beleza, e sentimos que imergi-mos na cultura peruana.Fomos brindados com uma festa de casamento que decorria no preciso momento em que visi-tamos a ilha, e tivemos oportunidade de assistir a parte das festividades que decorreram na pra-a principal da povoao. Completamente inespe-rado, e absolutamente delicioso!Aqui encontramos uma das caches mais difceis de fazer, novamente de-vido aos problemas de altitude (GC3VRP0 Pa-chatata). Mas uma vez l em cima, a sensao de comquista dupla-mente fantstica!

    SillustaniMais uma necrpole absolutamente mo-numental, desta vez constituda por torrees circulares de pedras (chullpas), onde eram enterrados os falecidos. Chamam-lhes as casas dos mortos.Do topo da colina onde se situam as chullpas possvel observar a La-goa de Umayo.LlachonA estadia nesta pequena povoao veio a revelar-se uma verdadeira imer-so na vivncia peruana, no que diz respeito s zonas rurais. Ficamos alojados em espaos que seriam extenses autnticas da casa da famlia proprietria, que primava pelo empreen-dedorismo e iniciativa. Nada fcil atrair visitan-tes para o local, dada a distncia a que esta pequena aldeia se situa dos normais trajetos tu-rsticos.Desde as refeies base de tubrculos, com pequenas pores de lomo e trucha, cria-dos ali bem perto junto ao Lago Titicaca, em ter-mos gastronmicos fo-ram vrios os momen-tos em que desafimos os nossos sentidos.Os alojamentos eram do mais modesto que se possa imaginar, e com direito a horrio para dormir. Sim, s 21h30 os geradores desliga-vam-se e tnhamos apenas as estrelas e a

    lua a iluminar os nossos movimentos.Alis, uma das coisas que mais nos maravi-lhou no Peru foram os cus espetacularmente estrelados!Os Condores no Caon del Colca e as aldeias perdidas nas montanhas difcil descrever por palavras algumas das maravilhas que vimos durante a nossa viagem, e talvez a passagem pelo Caon del Colca seja um desses momentos.A espetacularidade das paisagens naturais, a simplicidade das povoa-es e simpatia dos seus habitantes, e o deslum-brante e imponente voo dos condores, fizeram deste dia um marco nas frias.A subida Cruz del Con-dor foi mgica, de onde pudemos observar os condores deslizando sem esforo pelo ar, aproveitando as corren-tes de ar trmicas que sobem desde o fundo do Caon del Colca, o mais profundo do mundo. um cenrio fascinante!Aqui fizemos uma earth-cache (GC1HKWF Colca Canyon) que deixar boas memrias.Arequipa e o Convento de Santa CatalinaMais uma cidade, mais um contributo peruano para o Patrimnio da Humanidade. Tambm conhecida como a Ci-dade Branca, so bem visveis os sinais da passagem espanhola

    por esta lindssima loca-lidade.O Convento de Santa Catalina um dos locais mais importantes da cidade. Localizado bem no centro da cidade, foi fundado no sculo XVI, e era onde as filhas das famlias mais ricas da cidade (nicas capazes de pagar o ingresso no convento) recebiam a educao necessria para se tornarem espo-sas dignas (a partir dos 12 anos de idade j se podiam casar!). O Con-vento foi crescendo ao longo dos anos, e tem hoje mais de 20.000m2. Ainda l habitam algu-mas freiras residentes, cerca de 12, que conti-nuam a viver como anti-gamente.Tambm marcante nes-ta visita a Arequipa foi a Igreja da Companhia de Jesus. Um local to belo quanto discreto, e que visitamos em con-dies verdadeiramente especiais. Chegamos j em cima da hora do en-cerramento do horrio de visita, mas a simpatia da senhora que nos re-cebeu foi tremenda, pelo que tivemos direito a um rpido tour personaliza-do aos pontos mais im-portantes do complexo.A Praa de Armas, o bairro de San Lzaro, ou o mercado de San Cami-lo, so outros locais da cidade que sem dvida merecem uma visita!Em Arequipa fizemos uma cache bastante engraada, situada no

  • 93OutubrO 2015 - EDIO 17 93OutubrO 2015 - EDIO 17

    CANON.DEL.COLCA

    PISAC

  • 94 OutubrO 2015 - EDIO 1794 OutubrO 2015 - EDIO 17

    MITAD.DEL.MUNDO

  • 95OutubrO 2015 - EDIO 17

    jardim privado de uma espcie de ATL para crianas, propriedade do owner da cache. Na lis-ting dizia que podamos entrar no jardim, e as-sim l fomos, conhece-mos o owner (Bjohn, ou algo do gnero, no era peruano!) que nos rece-beu com muita simpatia (GC56GPP El Colibri).Nos arredores de Are-quipa, fizemos duas ou-tras caches tradicionais com sucesso, coisa rara nesta viagem (GC49BHT YARETA- SHORT BOTANICAL STOP e GC54V95 Bosque de Piedra). Mas claro no podia faltar o DNF, pre-sena constante nestas frias (GC2F7KE Pata-pampa).Centro histrico de Cus-co e arredoresA caminho de Cusco ti-vemos a oportunidade de fazer manuteno a uma cache de um geocacher portugus, algo que no foi fcil devido presena de muitos comerciantes no gz (GC5BPX9 La Raya Pass). Um local estranho, basicamente um espao ao lado da estrada, onde comer-ciantes montam os seus expositores. A questo que em volta no h, aparentemente, nada Tambm tivemos opor-tunidade para registar outro DNF (GC5N4ZH Tunupa) por ali perto.H muito para conhecer em Cusco, e uma das primeiras coisas que fizemos foi comprar o

    boleto turstico, que permite acesso a uma dzia de locais tursticos com um grande descon-to. Na cidade obriga-trio visitar: a Praa de Armas, o Museu Inca, o mercado de San Pedro e assistir a um espet-culo de msica e trajes tipicamente peruanos no Centro Qosqo de Arte Nativa.Bem prximo da cidade h muitos locais ar-queolgicos belssimos. A fortificao de Saq-saywaman (GC2Q45T Striated Extrusion of Sacsayhuamn), os labirintos de sangue de Qenqo (GC34J5A Quen-qo Chico), o forte militar de Puka Pukara, os ca-nais de Tambomachay, ou a pitoresca Chinchero (GC2Q3X1 Chincheros-Qoricocha Surface Rup-ture).A imensido de PisacLocalizado no Vale Sa-grado dos Incas, Pisac um dos locais arqueol-gicos mais importantes da zona.O ponto alto de Pisac o Templo do Sol, que servia como observa-trio astronmico, e de onde se podem obser-var os imensos terraos agrcolas que os Incas ali construram. Um dos mais belos locais que visitamos!Ollantaytambo e os ca-nais de guaTambm chamada de Fortaleza, era uma cidade-alojamento que dominava estrategica-

    mente a regio do Vale Sagrado.Ficamos impressiona-dos com os gigantescos monlitos que foram usados para construir esta cidade, muitos de-les colocados bem alto nas encostas. As tc-nicas (ainda no total-mente descobertas) que os incas utilizavam para cortar e encaixar estas gigantescas pedras comprovam ser muito eficientes, ainda hoje, na resistncia aos muitos sismos que assolam o territrio peruano.Alm de um Templo do Sol, tambm ali existe um Templo da gua, e foi impressionante obser-var o intricado sistema de canais que os Incas elaboraram para levar gua a toda a cidade.Os laboratrios agrco-las de MorayO fantstico de Moray so os magnficos ter-raos circulares, e sobre a existncia dos quais h algumas possveis explicaes. A principal finalidade seria a de tes-tar a cultura de diferen-tes tipos de tubrculos e cereais, mas tambm se cr que os terraos, verdadeiros anfiteatros, fossem utilizados para cerimnias de devoo.Ao fazer a letter que l se encontrava (GC5H-KM6 Moray), depara-mo-nos com algumas pessoas em plena medi-tao, o que talvez ates-te da finalidade mstica do local.

    RaqchiRaqchi um imen-so e impressionante parque arqueolgico, onde se destaca a gi-gantesca muralha inca que o protege. Existem aquedutos, tmulos subterrneos e recintos da cultura pr-inca, e sobressaem os restos do que em tempos teria sido o imponente Tem-plo Wiracocha.Sobre o EquadorTambm uma repblica, o principal idioma o espanhol, mas ainda h uma importante parte da populao que fala quchua. A populao ronda os 15 milhes de pessoas, e a capital Quito, cujo centro hist-rico foi tambm decla-rado Patrimnio da Hu-manidade pela UNESCO.Em termos gastron-micos, a parecena com a comida peruana evidente. No notamos diferenas significativas a esse nvel. O que nos impressionou positi-vamente, foi o estado de desenvolvimento do pas, incomparvel face ao Peru. Curiosamente, a moeda adotada o dlar americano.Embora com uma ofer-ta menor, em termos arqueolgicos, quando comparado com o Peru, o Equador tem muito a oferecer em termos de beleza e diversidade natural.Aqui, a atividade de geocaching foi ainda mais reduzida, a falta de

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    oportunidades no dava para mais. Ainda assim, visitamos alguns locais absolutamente extraor-dinrios e icnicos!Centro histrico de Qui-toUma visita pedonal pelo centro histrico obrigatria, tal a beleza dessa zona, o que inclui a Praa de So Francis-co. Ao deambular pelas ruas, facilmente nos apercebemos da gran-diosidade desta cidade. Inmeras igrejas, mos-teiros e at mesmo ca-tedrais fazem parte do roteiro turstico.Esta cidade existe lado a lado com um vulco ativo, o Pichincha, e possvel observar os es-tragos causados pelas recorrentes erupes. Enquanto l estivemos, o vulco insistia em sol-tar fumo e cinzas, e che-gamos a temer o encer-ramento do aeroporto

    Numa das sadas no-turnas para jantar, tentamos fazer uma cache num dos muitos parques da cidade, mas fomos brindados com mais um dnf nesta via-gem (GC591W3 Pista Atltica Parque La Caro-lina [TREADMILL]).Mitad del MundoTirar uma foto com um p no Hemisfrio Norte e o outro no Hemisfrio Sul, no Parque Mitad del Mundo. No podamos falhar!Aqui fizemos uma ca-che virtual de 4 dgitos, que deixar muito boas recordaes (GC934A The Fake Equator).A tradio dos merca-dos como o famoso de OtavaloA caminho de Otavalo, fizemos duas earth-caches (GC2DHJA Co-chasqui Fold, GC20FQZ San Pablo + Imbabu-ra).

    Otavalo uma localida-de no muito longe de Quito, e que merece uma visita pelo seu impres-sionante e diversificado mercado indgena, com dezenas (centenas?) de quiosques e bancas de comerciantes. As cores e odores variados exis-tentes no local so um verdadeiro desafio aos sentidos.Aqui conseguimos encontrar uma cache tradicional (GC1ZP5P Otavalo).Bans - paraso dos desportos radicais e passeio pela rota das cascatasRafting, kayaking, canyoning, escalada, bungee jumping, pas-seios a cavalo, caminha-das ecolgicas, canopy (o nosso slide), ciclismo de montanha, ufa! Uma canseira esta localida-de. Podias fazer tudo o que quisesses e imagi-

    nasses, tal a oferta de desportos radicais que ali existe.Fizemos um passeio pela rota das cascatas (uma das cascatas pa-rece que faz crescer o cabelo, vamos a ver se resulta!), uma rota entre os Andes e a Amaznia. Ainda experimentamos alguns (mas poucos) dos desportos radicais que ofereciam.Entre a passagem pelo Rosto de Cristo (uma salincia, supostamente natural, na encosta da montanha que parecia de facto o rosto que todos conhecemos de Cristo) e a cascata do Vu da Noiva, ficamos maravilhados com a be-leza natural desta zona do Equador.Pelo caminho, tentamos fazer uma cache, mas ti-vemos de registar outro dnf (GC2MW20 Ruta de las Cascadas: Ro Verde,

    MISAHUALLI

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    Devils Cauldron).

    Durante esse passeio visitamos tambm o Pailon del Diablo. No h palavras que des-crevam a grandiosidade deste local, a imponn-cia e fora da natureza. Por muitas fotos que tirssemos, nenhuma substitui a que fica na nossa memria.

    Puerto de Misahualli - a porta para a Amaznia

    Misahualli no tem nada de relevante, a no ser a possibilidade de expe-rimentar um pouco da sensao da Amaznia.

    Fizemos um passeio de barco (uma espcie de canoa, embora mais re-sistente, movida a mo-tor) por um dos afluen-tes do Amazonas, para ir visitar um santurio de proteo animal, bem no corao da selva. Foi uma oportunidade nica de observar a fauna e flora locais, num estado mais selvagem.

    Pelas margens do Rio Napo, foi com frequn-cia que observamos famlias de garimpeiros a tentar a sua sorte. E tambm imensa oferta turstica, na forma de variadssimas formas de hospedagem, o que de alguma forma des-caracteriza a paisagem natural.

    Sobre a BolviaA Repblica da Bolvia tem cerca de 10 mi-lhes de habitantes, e fala-se maioritariamen-te o espanhol. Tem a curiosidade de ser um dos dois nicos pases da Amrica do Sul, sem costa martima. A capital constitucional Sucre, mas a sede do Governo fica em La Paz.A nossa passagem pela Bolvia foi curta, pois o nosso objetivo era ape-nas o de visitar a Isla del Sol. Por isso mesmo, a nossa experincia da gastronomia local foi reduzida, assim como a prtica do geocaching. Embora nos tenhamos esforado (e muito!) para conseguir deixar um sorriso no mapa da Bolvia.Copacabana e Lago Titi-cacaCidade fronteiria, vizi-nha do Peru, e por onde passamos com o obje-tivo de apanhar o barco que nos levaria pelo Lago Titicaca at Isla del Sol, numa viagem de cerca de 1 hora.De assinalar nesta cida-de o curioso ritual da bno de automveis e respetivos proprietrios, que consiste em deco-rar de forma bastante folclrica e colorida os veculos, e lev-los at Catedral de Nossa Se-nhora de Copacabana, onde vrios padres fa-ziam o ritual de bno. A reza que os padres

    dizem durante o ritual a Challa.Outro ponto importan-te da cidade o Cerro Calvrio, onde rumam imensos devotos que percorrem a Via Crucis de 14 estaes, uma subida bem difcil a mais de 4.000m de altitude. Aqui deixamos o nosso sorriso no mapa de geo-caching boliviano (GC-1ZRAZ CALVARIO de COPACABANA), a muito custo, num verdadeiro desafio aos sentidos dos mais aventureiros.Isla del SolEra uma ilha sagrada para os Incas, e nela possvel visitar vrios santurios. A ilha fica a mais de 4.000m de al-titude, e impressiona a beleza natural e a tran-quilidade que ali se vive.Fizemos um trilho que atravessa praticamente toda a ilha, o das Cre-tas, aproveitando para visitar a Roca Sagrada, a Mesa do Sacrifcio, o Templo del Inca, e o Templo Chincana. De-moramos muito tempo, entre 4 e 5 horas (ou talvez mais, perdemos a noo do tempo com o cansao), a completar o trilho, devido s difi-culdades que a altitude provoca, foi talvez a al-tura em toda a viagem em que todos sentimos mais a diferena de estar a estes nveis de altitude.Passamos uma noite nesta ilha, num local

    deslumbrantemente tpico, e foi maravilhoso acordar de manh e, da janela, ver a imensido do Titicaca

    Resta desejar que se tenham divertido pelo menos um pouco a ler esta breve descrio da nossa viagem, e que as fotos vos ajudem a ima-ginar os cenrios que tivemos oportunidade de visitar.

    Em geral, a nossa opi-nio do Peru e da Bolvia foi positiva em relao aos locais arqueolgicos e beleza natural, e sim-patia do povo, a que se contraps a desorgani-zao e pouca limpeza das zonas urbanas. J o Equador, nota-se bem que est num estdio de desenvolvimento mais avanado, com zonas urbanas muito bem tratadas e ordenadas, a que se juntam cenrios naturais deslumbrantes, perdendo na compara-o com o Peru apenas no que diz respeito oferta de locais arqueo-lgicos.

    Se um dia forem a al-guns destes pases, digam-nos o que acha-ram, adoraramos trocar impresses e relembrar as muitas aventuras que vivemos!

    Texto: Jlio Gomes

    Fotos: Jlio Gomes / Silvana

  • 98 OutubrO 2015 - EDIO 17

    CERIMNIA DE ENTREGAPRMIOS GPS 2014

    E V E N T O

    P O R L U S I T A N A P A I X O & P R O D R I V E

    98 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 99OutubrO 2015 - EDIO 17

    A noite de 5 de setem-bro de 2015 foi a data escolhida para cele-brarmos o Geocaching com a quinta edio da Cerimnia dos Pr-mios GPS.

    O Jorge_53 demons-trou o seu interesse em acolher este even-to em terras trans-montanas, avanando com uma candidatura oficial no incio do ano 2014, h mais de um ano e meio, portanto.

    A persistncia, a vontade e o enorme entusiasmo do Jorge fizeram-nos acreditar firmemente que Mi-randela seria o palco de uma edio de ouro, com um slido apoio logstico num cenrio de rara beleza. Expectativas no s alcanadas como lar-gamente superadas, graas dedicao dos Transmontanos e disponibilidade da autarquia que colo-cou ao nosso alcance todos os meios ne-cessrios realizao deste Evento.

    Mas voltemos um pouco atrs na mqui-na do tempo!

    A plataforma de vota-es dos Prmios GPS 2014 foi aberta no dia 20 de fevereiro de

    2015, com 370 caches nomeadas a concurso. Um lote de caches par-ticularmente apete-cveis com propostas arrojadas, divertidas, divulgando paisagens incrveis, patrimnio natural ou edificado, proporcionando ainda aventuras de cortar a respirao.

    Durante cerca de seis meses, os geocachers tiveram oportunidade de programar as suas visitas s caches no-meadas e demonstrar as suas preferncias, utilizando um boletim de voto on-line.

    As votaes encerra-ram meia-noite do dia 24 de Agosto, com 1166 inscritos e 902 votantes, registan-do-se assim a maior participao de sem-pre. As 5 geocaches finalistas de cada dis-trito foram divulgadas na noite do dia 26 de Agosto 2014, encer-rando assim o ciclo de votaes.

    Apurados os finalistas e vencedores nos 20 distritos e nas 3 ca-tegorias a concurso, tempo de operacio-nalizar a realizao da cerimnia, a logstica, os contedos e a pro-duo do Evento. Um contra-relgio desen-

    freado que foi possvel levar a cabo graas energia de uma equi-pa incansvel e boa vontade de todos os intervenientes.

    E por fim, o relgio marca as 20h30 da noite de 5 de Setem-bro de 2015.

    Abrem-se as portas do Auditrio dos Sa-lesianos, e o nosso corao bate um pou-co mais forte ao ver dezenas, centenas de pessoas, vindas dos quatro cantos de Portugal continental e Ilhas, entrarem-nos pela casa dentro, com sorrisos nos l-bios, brilho nos olhos e a expectativa de uma noite um pouco mais especial do que todas as outras dedicadas ao geocaching, ao lon-go do ano.

    E so estes sorrisos, estas palavras de ami-zade, de entusiasmo e de apoio, que fazem tudo valer a pena!

    A Cerimnia de Entre-ga dos Prmios GPS resume-se a 3 horas e meia de emoes fortes, de msica, de risos, de aplausos, de consagrao, de festa, de memrias, de soli-dariedade e de amiza-de.

    este o esprito que nos move e este o combustvel que nos faz acreditar nesta ini-ciativa!

    Mirandela 2015 foi uma escolha fantsti-ca e uma aposta total-mente ganha.

    Devo dizer que me senti em casa, rodea-da de amigos e apoia-da por uma equipa que me enche de orgulho.

    No que respeita aos Prmios, os meus parabns a todas as caches nomeadas, fi-nalistas e vencedoras. Parabns e obrigada aos Owners destas fantsticas caches que nos proporcionam momentos de alegria sem igual.

    Obrigada a todos aqueles que se deslo-caram at Mirandela, e tambm queles que acompanharam a Cerimnia distn-cia, atravs da nossa emisso em directo.

    Ainda com o calor de Mirandela no corao, e j de olhos postos na Figueira da Foz 2016!

    Mal posso esperar por vos reencontrar a to-dos, amigos!

    Texto: Flora Cardoso (Lusitana Paixo)

  • 100 OutubrO 2015 - EDIO 17

    Pelo 5 ano consecu-tivo que se realiza a Cerimnia de Entrega dos Prmios GPS. De-pois de dois anos em Mondim de Basto, um em Esposende e outro em Lagoa (S. Miguel - Aores), foi tempo de regressar ao con-tinente e a Trs-Os-Montes.

    So vrios meses de preparao para que aquelas trs horas e meia decorram de forma fluda, alegre, divertida e entusias-mante. Este ano bate-mos vrios recordes: recorde de votantes (902), de espectado-res na sala (cerca de 300), de espectadores atravs da Geopt.TV e de vencedores pre-senciais que subiram ao palco para levantar o prmio (21 dos 24), sintoma que a inicia-tiva est mais viva do que nunca e que des-perta o interesse de muita gente.

    O maior prazer que po-deremos ter receber, no auditrio, amigos

    dos quatro cantos de Portugal continental e das ilhas dos Aores e da Madeira. Essa uma das maiores virtudes desta inicia-tiva, juntar no mesmo espao, Geocachers de todas as regies, que tm contribudo de forma notvel para o desenvolvimento e para a excelncia des-ta actividade.

    Tudo isto s foi poss-vel com o empenha-mento dos Transmon-tanos, o grupo de elite que o Jorge53 reuniu para montar toda a logstica que nos re-cebeu, desde o audi-trio, ao dormitrio, passando por todas as actividades ldicas que decorreram nos vrios dias de Even-to. Para todos eles, a nossa enorme vnia, pelo esforo e resulta-dos alcanados.

    Um enorme agrade-cimento ao Sr. Padre Manuel Mendes e aos Salesianos de Mirandela pela dispo-nibilidade do auditrio

    que se veio a revelar mesmo medida das nossas necessidades. A capacidade de 300 pessoas foi perfei-ta para termos casa cheia.

    Tambm a Cmara Municipal de Miran-dela presidida pelo Dr. Antnio Almor Branco foi determinante para o sucesso da iniciativa. Todo o apoio prestado quer logstico quer na disponibilizao das infra-estruras de aco-lhimento foram indis-pensveis durante o desenrolar das vrias actividades. Um gran-de abrao para todo o pessoal que sempre nos recebeu de braos abertos e sorriso nos lbios, desde o Sr. Pre-sidente, vereadores e restantes funcion-rios.

    Um obrigado muito especial a todo o Staff da Geopt que volun-tariamente participou na montagem da Ceri-mnia: Cludio Cortez; scar Migueis; Peter; Hulkman; Lusitana

    Paixo; AKTeam (Car-los e Andreia); Limo; T!xa; Pintinho e no menos importante, a Maria!!!

    Muito obrigado a to-dos os finalistas (ven-cedores e no vence-dores) que fizeram um enorme esforo para estarem presentes. Sem eles, no teria tido a mesma aura.

    Muito obrigado tam-bm aos que subiram ao palco para home-nagear os trs Geo-cachers que este ano nos deixaram. Foram momentos de gran-de emoo, de muita partilha e que muito nos honraram a to-dos. Uma comunidade grande e unida, tanto nos bons como nos maus momentos!

    Para o ano h mais, na Figueira da Foz. Fica j o encontro marcado.

    Texto: Gustavo Vidal (Prodrive)

    Fotos: Bravellir

    (...) juntar no mesmo espao, Geocachers de todas as regies, que tm contribudo de forma notvel para o

    desenvolvimento e para a excelncia desta actividade.

  • 101OutubrO 2015 - EDIO 17 101OutubrO 2015 - EDIO 17

  • p o r r u i J s d u a r t e

    D E S C O B E R T A

    P E Q U E N A R O T A

    O L H O S D E G U A D O A LV I E L A( P R 1 - A C N )

    102 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 103OutubrO 2015 - EDIO 17

    J tinha vindo passear e tomar umas banho-cas praia fluvial vizi-nha um par de vezes mas ainda no tinha tido a oportunidade de vir explorar o, diga-se, lindssimo percurso que existe ali na orla do Macio de Porto de Ms, naquela que a regio crsica mais importante do nosso Pas.

    O passeio pretende mostrar-nos uma srie de fenmenos relacionados com a eroso provocada pela passagem de gua ao longo de milhares de anos, e consegue-o na perfeio... Somos guiados ao longo de pouco mais de um quilmetro entre o ar-voredo e as escarpas calcrias, para obser-varmos a forma como a ribeira dos Amiais desaparece (e reapa-rece) no interior das rochas.

    Esta visita guiada tem como grande

    tema aquela que a mais importante nas-cente do nosso pas, a Nascente do Alviela, e mostra-nos a zona de onde sai, desde 1880, a gua para o consumo pblico de Lisboa. Esta nascente alimentada em grande parte pela gua da chuva que se infiltra no Planalto de Santo Antnio e que viaja atravs de um complexo sistema de galerias subterrneas at base da escarpa (local conhecido por Olhos de gua).

    Mas o que nos inte-ressa mesmo a ri-beira dos Amiais, um pequeno afluente do Alviela que palco de um dos mais interes-santes fenmenos fl-vio-crsicos do nosso pas, ao longo do qual se desenrola o PR1 e onde nos dado a ver uma Perda (passagem da ribeira de curso de gua de superfcie para subterrneo) e uma Ressurgncia (o

    inverso, claro), alm de uma enorme Jane-la crsica de permeio (uma depresso pelo abatimento do tecto da gruta, sobre o leito da ribeira) e diversas pequenas grutas.

    Este conjunto local de abrigo de vrias espcies de morcegos (mais de 10 diferen-tes), pelo que est interdito o acesso s grutas. No entanto no vi sinal algum a indicar esta proibio, apenas as vedaes... e estas parecem-me estar implementadas para evitar um descui-do e uma queda feia, no para impedir a passagem.

    O Percurso Pedestre propriamente dito , apesar do desnvel anunciado, acessvel maioria de ns e co-mea junto da estra-da alcatroada que d acesso ao parque de campismo.

    Temos a um placard com as principais

    indicaes do pas-seio e que tem como complemento vrias mesas informativas (cinco se no me en-gano) ao longo do tri-lho, nos pontos mais interessantes e com explicaes dedicadas aos locais, bonitos e apelativos, como se quer! At o meu filho, com apenas cinco anos, se divertiu bas-tante a identificar nos pequenos mapas os locais por onde amos passando! :)

    As autoridades com-petentes dedicaram um bom esforo a criar degraus por grande parte do tri-lho de forma a ajudar a vencer as subidas, mas principalmente as descidas j que, a caminhada, de vero, faz-se realmente bem mas deve cobrar umas boas escorregadelas com o terreno hmi-do, em especial numa zona onde a descida se faz destrepando

    O Percurso Pedestre propriamente dito , apesar do desnvel anunciado, acessvel maioria de ns e comea junto da estrada

    alcatroada que d acesso ao parque de campismo.

  • 104 OutubrO 2015 - EDIO 17

    uma zona de rocha (no muito inclinada mas mesmo assim...).

    Toda a zona atraves-sada lindssima, um misto de vegetao endmica e de (peque-nas) escarpas abrup-tas e com uma mo cheia de paragens obrigatrias! Tais fac-tos, aliados ao troo ser realmente peque-no e se percorrer, nas calmas, num par de horas (ida e regresso), fazem deste PR1 um verdadeiro must para os amantes de pas-seios/caminhadas em famlia (leia-se, com midos pequenos)!

    Este nosso regresso ao local (tinha estado na praia fluvial na se-mana anterior) tinha como grande motivo, alm dos naturais j referidos, uma Earth-cache idealizada pela Salprata em 2009, A Perda [GC1Y1R9], por estes dias a cargo dos Go&Mi Team. Temos na listing desta inte-ressante EC todo o complemento ao aci-ma (d)escrito! Reco-menda-se uma leitura atenta, claro! :)

    Confesso que ia to emerso no passeio e nas respostas s questes da Earth-cache que, apesar do

    meu filho me ter dito VRIAS vezes deve haver aqui uma cai-xinha (ainda no lhe consegui explicar o conceito das ECs), no me lembrei sequer de ver na app da GS se haveriam mais caches na zona... e h mes-mos, vrias at!

    Mesmo sem ter bem a noo dos seus GZ, recomendo sem dvida as duas que ficam em pleno PR, Projecto GeoRibate-jo - Concelho de Al-canena [GC37R7C] e Percurso pedestre dos Olhos dagua do Al-viela. [GC39JKY], alm de uma outra que nos

    apresenta um local de passagem obrigat-ria para quem queira aprender mais sobre a zona, a do Centro Cincia Viva do Alvie-la - CARSOSCPIO [GC45N60].

    Fica o convite a uma pequena caminhada por um lugar bastante bonito e invulgar, pra-ticamente s portas de Lisboa.

    Mais informao em http://www.icnf.pt/portal/turnatur/visit--ap/pn/pnsac/pr1-o-lhos

    Texto / Fotos: Rui Duarte (RuiJSDuarte)

  • 105OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 106 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 107OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 108 OutubrO 2015 - EDIO 17

    p o r t e a M M a r r e t a s

    108 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 109OutubrO 2015 - EDIO 17

    Nesta edio apro-veitmos o que ainda restava das frias e re-solvemos deixar para trs Portugal Conti-nental, viajando pelo Atlntico e escolhendo a bela ilha da Madeira como destino.

    O geocacher insular que nesta edio da GeoMag nos vai dar a conhecer o seu Geo-caching de A a Z Hugo Pita, geocacher de 33 anos cujo nick precisamente Hugo Pita. Dono de vrias caches espalhadas pela ilha de Madeira, conhecido localmente pelos seus containers originais e, a nvel na-cional, pelas caches Halloween Adven-ture [GC5D1YV] e Aventura Nocturna / Night Adventure [GC45ECW], que lhe valeram o Prmios GPS 2014 e 2013, respectivamente, a n-vel do Arquiplago da Madeira.

    Registado desde Ou-

    tubro de 2011, conta com mais de 1400 founds nas suas con-tas, no s em terri-trio madeirense, mas tambm no Arquip-lago dos Aores e em Portugal Continental, s quais se somam as suas 48 caches es-condidas.

    Criativo, disponvel e bem disposto, o que significar o nosso hobbie para este geo-cacher madeirense? Para que esta per-gunta no fique sem resposta, no perca-mos mais tempo e co-nheamos pelas suas prprias palavras, o Geocaching de Hugo Pita, de A a Z.

    A de Amigos - Em todo este tempo de geocaching fiz gran-des amizades que com certeza me vo acompanhar pela vida fora. No por acaso que fundei h 3 anos o grupo Amigos do Geocaching.

    B de Betatester J fui convidado para fazer alguns e com muito gosto que ajudo em tudo o que est ao meu alcance.

    C de Cludia a mi-nha esposa, que tem muita pacincia, pelo tempo que passo au-sente a trabalhar em novos projetos.

    D de DisneyGui Nick name do meu filho que foi criado h pou-co tempo, s tem 4 aninhos mas j vibra com o Geocaching e fica muito feliz com a descoberta de novos tesouros.

    E de Enigmas So as caches que menos gosto de fazer, porque no quero ficar com cabelos brancos.

    F de Found a pa-lavra que mais gosto de ouvir, aps largos minutos de procura.

    G de GeoPT sem dvida uma mais valia para todos os prati-cantes de Geocaching,

    so uma grande equi-pa, que faz um traba-lho incrvel.

    H de Hoje Hoje a minha vida muito diferente, porque um dia algum me falou do Geocaching

    I de Imaginao a capacidade que precisamos para ela-borao de grandes caches.

    J de Jipe o compa-nheiro das cachadas por trilhos mais dif-ceis.

    K de Kit de Geocaching Muitos esquecem, mas na hora H faz sempre muita falta.

    L de Los Cabaneros GeoMfia Grande grupo de amigos, al-guns conheci nos Ao-res, j nos visitaram na Madeira e j foram visitados por ns em Setbal.

    M de Madcreacions Projeto que trar mui-tas surpresas a todos os Geoacachers.

    H de Hoje: Hoje a minha vida muito diferente, porque um dia algum me falou do Geocaching

  • 110 OutubrO 2015 - EDIO 17

    N de Novatos Es-tou sempre pronto a ajudar todos os princi-piantes do Geocaching que me pedem ajuda.

    O de Objectos In-felizmente muitos geocachers esquecem esta regra do Geoca-ching. Se tirar algo da cache, deixe outro ob-jeto de valor igual ou superior.

    P de Pica7 Grande amigo um maluco, conhecemos o Pica7 e a Vanessa quando vie-ram Madeira para a prtica de Geocaching, claro Retribumos a visita e conhecemos

    a pequena MaryJane de quatro patas. De vez em quando rece-bo umas chamadas estranhas de algum que tem saudades do sotaque madeirense.

    Q de Qualidade a palavra de ordem para todos os novos proje-tos.

    R de Reconhecimento Foi ter ganho dois anos consecutivos o prmio de melhor cache do Distrito da Madeira.

    S de Serafim Sau-dade Foi o revisor que publicou a minha

    primeira cache, j o conheci pessoalmen-te no Mega Evento de Mafra 2015.

    T de Trabalho Tra-balhosos so todos os meus projetos, mas quando esto con-cludos do-me muito gozo.

    U de nicos So os momentos que o Geo-caching nos propor-ciona.

    V de Viajar Quando vou de frias, conheo os melhores locais a fazer Geocaching.

    W de Write Note uma ajuda preciosa

    para percebermos se as nossas caches es-to bem de sade.

    X de XPTO So as caches de Ilha da Ma-deira que aguardam a vossa visita.

    Y de Yes expres-so de contentamento quando deciframos mistrios.

    Z de Zarolho Foi como fiquei ao chegar vigsima sexta letra do alfabeto portugus.

    Texto: Bruno Gomes / Hugo Pita

    Foto: Hugo Pita

  • 111OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 112 OutubrO 2015 - EDIO 17

    Apagar registos online

    P O N T O Z E R O- B T A R O & M I G H T Y R E V -

    112 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 113OutubrO 2015 - EDIO 17

    Uma das tarefas dos Ow-ners garantir a qualida-de dos registos na pgina das suas caches, e para tal, tm o poder de apagar registos.

    Essa opo deve ser, con-tudo, utilizada com cuida-do, pois os registos online fazem parte da histria tanto das caches e dos trackables, como dos geo-cachers, e no podem ser apagados sem que para isso haja uma razo bas-tante forte.

    Na maioria das vezes os registos so apagados por questes de spoiler, ou seja, registos que de-nunciam de imediato aos geocachers aquilo que o owner pretende que seja surpresa na sua cache. Mas, para este tipo de si-tuao, existe uma outra opo, a de se encriptar o registo. Ou seja, se o geocacher colocou algum spoiler no registo e se o owner entender que demasiado bvio, pode simplesmente encriptar o registo. Assim os restan-tes geocachers sabero que existe ali algo que lhes pode estragar a surpresa e ao l-lo estaro conscien-tes disso.

    Pode tambm aconte-cer que alguns registos sejam simples erros de principiante ou feitos por distrao. Ser que um geocacher novato e sem experincia e est a co-locar repetidos registos de Found it para conse-quentes visitas cache? Ser que o geocacher est a registar a sua aventura

    na pgina da cache erra-da? O owner tem que ter bom senso ao lidar com estas situaes, preferen-cialmente de uma maneira simptica e cordial.

    Se, efetivamente, por uma razo ou outra, o geoca-cher no foi ao encontro dos requisitos normais dos registos online, o ow-ner dever agir em con-formidade. E ser de bom tom faz-lo de um modo delicado e simptico, en-viando um email atravs do perfil do geocacher a esclarecer o porqu do re-gisto ter sido apagado (ou ir ser apagado).

    Se o registo contem spoilers, ou fotos spoilers, o owner deve pedir ao geocacher que o edite, ou, se o mesmo j foi apaga-do, convida-lo a escrever o registo de novo, desta vez sem os ditos spoilers.

    Claro que no apetece ser muito simptico ou politi-camente correto quando um owner recebe na pgi-na da sua cache um regis-to com linguagem obscena ou ameaadora. E, neste caso, apagar o registo de imediato pode ser mesmo o mais acertado. Estar a responder estar a dar re-levncia e motivao para que a discusso se pro-longue, no local que no o apropriado: a pgina da cache. A pgina de uma cache no um frum de discusso E nestes casos mesmo aconse-lhvel que se submeta um pedido de assistncia Groundspeak (atravs do formulrio www.geoca-

    ching.com/help), uma vez que estas atitudes menos corretas so claramente contra os Termos de Uso do site Geocaching.com.

    Apagar um registo re-move-o do histrico do geocacher e do seu perfil. E nem o geocacher, res-ponsvel original pelo mesmo, o poder voltar a ver ou ter-lhe acesso. A ao irreversvel, no sendo possvel ao owner da cache repor o registo. No entanto, e em casos de erro, o owner pode sempre pedir a um elemento da equipa de reviso local que reponha a normalidade.

    Um geocacher que se sin-ta lesado ao ver os seus registos serem apagados indevidamente tambm pode pedir auxlio a um revisor, se bem que qual-quer ao de reposio desses registos ter que passar obrigatoriamente por um administrador do site Geocaching.com, e o revisor reencaminhar sempre o geocacher para a pgina de ajuda mencio-nada acima.

    Portanto, e antes de qualquer precipitao, h que ponderar muito bem antes de tomar a deciso de apagar registos, at porque apagar uma nota de movimentao de um trackable, apesar de no afetar o histrico do mesmo, pode muito bem afetar a felicidade do geo-cacher que o registou; natural que um geocacher possa valorizar bastante os seus registos de DNF, as notes ou mesmo os

    pedidos de manuteno, portanto o owner de uma cache no dever assumir que estar tudo bem em apagar registos sem mais nem menos.

    Tambm para clarificar, os registos de Needs Archived (requerer arqui-vamento) so automati-camente reencaminhados para os revisores, e no ser a remoo destes das listings que impediro os revisores de os receber.

    Por fim, e porque natural que este tipo de questes sejam sempre controver-sas, desagradveis e in-desejadas (principalmente quando a outra parte envolvida est a mostrar-se menos tolerante), ser sempre melhor pergun-tarmo-nos: Esta disputa vale realmente o meu tempo?. Temos que ser superiores e fazer um es-foro para no sofrer com estas situaes e deit-las para trs das costas Acabaremos por descobrir que nos sentimos melhor ao faz-lo.

    Espero ter ajudado a clarificar este aspeto do geocaching online, e es-pero acima de tudo que tomemos conscincia de que no praticamos geo-caching sozinhos e que nos devemos respeitar mutuamente, tendo assim ateno ao que escreve-mos e contermo-nos um pouco perante os peque-nos poderes que temos sobre as nossas listings.

    Filipe Nobre / Vitor Srgio (MightRev / Btaro)

  • 114 OutubrO 2015 - EDIO 17114 OutubrO 2015 - EDIO 17

    FROM GEOCACHING HQ

    WITH LOVE

  • 115OutubrO 2015 - EDIO 17

    J fiz um monte de caminhadas ao longo da vida e tenho de dizer que, muito raro encontrar locais em que se vendam snacks, gua ou mesmo cerveja a meio

    da caminhada!

    Tinha ouvido que Agosto a pior altu-ra do ano para viajar para o Japo. Ento o que fiz? Marquei as minhas duas sema-nas de frias no Japo para o final de Agosto. Naturalmente, a nica razo pela qual faria algo to tolo seria o geocaching. Tambm queria escalar o Mon-te Fiji e o perodo para faz-lo em segurana termina mais ou me-nos nessa altura. Depois de trocar mi-lhas de voo por um bilhete gratuito para Tquio, comecei a pla-near a minha grande aventura. Sabia que precisaria de ajuda de alguns locais, por isso procurei todos os contactos que conhe-cia no Japo. Depois de alguns meses de planeamento, decidi-me juntar a um grupo de geocachers locais no evento GC5VHCG um evento CITO que teria lugar no Monte Fuji. Todos os anos um grupo de geocachers japoneses fazem a caminhada com o ob-

    jectivo de limpar o lixo na montanha. Embora se possa subir ao topo e voltar num dia de viagem, o grupo queria desfrutar do nascer do sol no topo da montanha, por isso seria uma aventura com direito a pernoita para ns. Deixmos Tquio s 8 da manh e s 11 estvamos no incio do trilho. ramos 11 no total. Embora apenas 3 de ns falassem Ingls e eu conhecesse apenas quatro palavras de Japons, tivemos mui-tos poucos problemas em nos entendermos ao longo do caminho. Comemos a cami-nhada e fomos rece-bidos pela saudao de Konnichiwa de cada montanhista por quem passmos ao longo da caminhada. Como a temporada de subida ao Monte Fuji muito curta, existiam muitos montanhistas a subir e a descer a montanha. As nuvens estavam baixas e caa uma nvoa, e por isso

    no fomos agraciados com grandes vistas nas primeiras horas do passeio.A subida ao Monte Fiji dividida em es-taes, que natural-mente fornecem bons pontos de descanso a cada 45 minutos. Comemos na 5 es-tao (2400 metros) no Trilho Fujinomiya e tinha reservado uma cabana na estao 9,5 para passar a noite. O objectivo era alcanar esta estao cerca das cinco da tarde, jantar e ir para a cama cedo. Tnhamos de nos levantar antes do amanhecer e acabar a ltima meia hora de caminhada at ao cume para ver o nas-cer do sol no topo.J fiz um monte de ca-minhadas ao longo da vida e tenho de dizer que, muito raro en-contrar locais em que se vendam snacks, gua ou mesmo cer-veja a meio da cami-nhada! Cada estao no Monte Fiji tem isso mesmo, bem como

    equipamento de mon-tanhismo, lembranas ou mesmo apenas um lugar quente e seco para descansar. Por 200 ienes (1,50), po-des at usar uma casa de banho. A maior parte da su-bida faz-te sentir como se estivesses a caminhar numa pai-sagem marciana. Para onde quer que olhes, existem belas rochas vulcnicas, bem como solo, vermelhas e ne-gras. Fizemos a rota mais curta e mais n-greme da montanha. Alguns consideram este como sendo o percurso mais fcil pois, como aprendi, as outras rotas tendem a estar cheias de tantas pedras soltas e casca-lho que a cada passo que ds, deslizas pela encosta abaixo. Por volta da 8 esta-o, as nuvens mais altas levantaram e isso revelou uma vista espectacular de um dos lados do Monte Fuji, com um mar in-terminvel de nuvens.

  • 116 OutubrO 2015 - EDIO 17

    Estes so os tipos de vistas que fazem com que tudo valha a pena.

    Chegmos estao 9.5 (elevao 3250 metros) como progra-mado por volta das cinco da tarde. Daqui, conseguamos ver o Torii (porto tradicio-nal japons) no topo. Quase que o conse-guia alcanar e tocar, estvamos to perto! Depois de nos insta-larmos na nossa caba-na e termos um comi-do uma bela refeio quente com cerveja, acomodmo-nos para a noite.

    Acordei a meio da noite com sons de vento e chuva do lado de fora da cabana. Preocupava-me que a tempestade no se fosse embora at al-tura em que fssemos fazer a nossa tentati-va de chegar ao cume.As minhas preocu-paes tornaram-se realidade quando as pesadas rajadas de vento e chuva ainda se mantinham s 5 da manh. Os traba-lhadores na cabana avisaram-nos que as condies estavam ainda piores no topo e que no seria seguro

    para ns tentarmos chegar ao cume. O meu corao afundou. Tnhamo-nos esfora-do tanto e estvamos to perto. Com todo o planeamento e es-foro para fazer esta viagem e subida pos-sveis, ser obrigado a dar meia volta por causa do mau tempo foi difcil de aceitar. Mas a segurana deve estar sempre em pri-meiro lugar.s vezes, numa aven-tura, no ganhas o prmio que tinhas definido originalmen-te, mas isso no um problema. A viagem

    que fazes, bem como os amigos, e as me-mrias que guardas fazem tudo valer a pena. Agora s preci-so de descobrir como poderei voltar e tentar atingir o topo nova-mente. Eu disse aos meus novos amigos geocachers que vol-taria um dia. Afinal, as geocaches no cume ainda l esto minha espera!

    Texto: Annie Love- G Love (Lackey)

    Traduo por Bruno Gomes

    (Team Marretas)

  • OutubrO 2015 - EDIO 17 117

  • 118 OutubrO 2015 - EDIO 17

    GEOCACHING NO GEOPARQUE DOS AORESUma ferramenta para explorar e proteger a

    nossa herana geolgica

    c o N f e r N c i a

    p o r p a l H o c o s M a c H a d o & p e d r o . b . a l M e i d a

    118 OutubrO 2015 - EDIO 17

  • 119OutubrO 2015 - EDIO 17

    Durante a 13 Confe-rncia Europeia de Geo-parques (http://www.egnconference2015.com/), realizada durante o Congresso EGN 2015, entre os dias 3 e 5 de se-tembro, no Rokua Geo-park (Oulu, Finlndia), foi apresentado um artigo cientfico sobre Geoca-ching e os Geoparques. Artigo desenvolvido atravs de uma parce-ria entre os geocachers Dr. Luis Filipe Machado, antigo investigador e docente na Universida-de dos Aores durante mais de uma dcada (aka Palhocosmachado) e o Dr. Pedro Almeida

    (aka Pedro.b.almeida) e o Geoparque dos Aores (sedeado na Universida-de dos Aores), atravs das Dras. Marisa Ma-chado, Eva Lima e Carla Silva.

    A apresentar o dito, neste Congresso In-ternacional, esteve a Dra. Carla Silva, corres-ponsvel pela rea de Educao Ambiental do geoparque, licenciada em Biologia e Biologia-Geologia.

    Durante a exposio foi apresentado um Power-Point sobre Geocaching e a sua vertente de pre-servao de trilhos (que

    nos Aores so muitos e de alta qualidade) e de proteo e respeito pelo meio-ambiente (como provam os, muitos e variados, eventos CITO realizados por todo o Aores e, como apan-gio e caraterstico deste Jogo de Aventuras que o Geocaching).

    Registe-se, muito a pro-psito, que existe uma conexo muito prxima entre o Geocaching (em particular na Regio Au-tnoma dos Aores), os Parques Naturais das vrias ilhas (tutelados pela Secretaria do Am-biente) e o Geoparque dos Aores. Claro que

    este fato relaciona-se com a existncia, nos Aores, de inmeras Zonas Protegidas, bem como de vrias reser-vas. De notar que esta colaborao e trabalho em conjunto tem sido muito profcua para to-das as partes.

    A apresentao deste artigo resulta da par-ceria existente entre a GeoTour Ilha Verde/Green Island e o Geo-parque dos Aores.

    Texto : Luis Filipe Ma-chado, Pedro Almeida e

    Marisa Machado

  • https://www.facebook.com/geomagpt http://geopt.org/geomagazine/