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  • Documentos 92

    Gil Mario Ferreira GomesAntnio Silvio do EgitoHvila Oliveira SallesEduardo Luiz de Oliveirangela Maria de Vasconcelos

    Seleo dos Animais e CuidadosPr, Durante e Ps-Cirrgicos naFistulao Ruminal em Caprinose Ovinos

    Embrapa Caprinos e Ovinos

    Sobral, CE

    2009

    ISSN 1676-7959

    Dezembro, 2009

    Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEmbrapa Caprinos e OvinosMinistrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

    On line

  • Exemplares desta publicao podem ser adquiridos na:

    Embrapa Caprinos e OvinosEndereo: Estrada Sobral/Groaras, Km 04 - Caixa Postal 145CEP: 62010-970 - Sobral-CEFone: (0xx88) 3112-7400 - Fax: (0xx88) 3112-7455Home page: www.cnpc.embrapa.brSAC: http://www.cnpc.embrapa.br/sac.htm

    Comit de Publicaes da UnidadePresidente: Lcia Helena SiderSecretrio-Executivo: Dines Oliveira SantosMembros: Alexandre Csar Silva Marinho, Carlos Jos MendesVasconcelos, Tnia Maria Chaves Campelo, Vernica MariaVasconcelos Freire, Fernando Henrique M. A. R. Albuquerque,Jorge Lus de Sales Farias, Mnica Matoso Campanha e LeandroSilva Oliveira.

    Supervisor editorial: Alexandre Csar Silva MarinhoRevisor de texto: Carlos Jos Mendes VasconcelosNormalizao bibliogrfica: Tnia Maria Chaves CampeloEditorao eletrnica: Cpias & Cores

    1a edio on line (2009)

    Todos os direitos reservadosA reproduo no-autorizada desta publicao, no todo ou em parte, constitui violao

    dos direitos autorais (Lei n 9.610).

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)Embrapa Caprinos e Ovinos

    Embrapa 2009

    Gomes, Gil Mrio Ferreira

    Seleo dos animais e cuidados pr, durante e ps-cirrgicos na

    fistulao ruminal em caprinos e ovinos / Gil Mrio Ferreira Gomes ... [et

    al.]. Sobral: Embrapa Caprinos e Ovinos, 2009.

    24 p. (Documentos / Embrapa Caprinos, ISSN 1676-7659 ; 92).

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    1. Fstula. 2. Caprino. 3. Ovino. Cirurgia. I. Vasconcelos, Antnio Silvio

    do Egito. II. Salles, Hvila Oliveira. III. Oliveira, Eduardo Luiz de. IV. Vascon-

    celos, ngela Maria de. V. Embrapa Caprinos e Ovinos. VI. Ttulo. VII. Srie.

    CDD 636.0897

  • Autores

    Gil Mario Ferreira Gomes

    Zootecnista, Mestrando em ZootecniaUniversidade Estadual Vale do Acara-UVAE-mail: gilmariofg@yahoo.com.br

    Antnio Silvio do Egito

    Md. Vet., D. Sc. em BioqumicaEmbrapa Caprinos e OvinosE-mail: egito@cnpc.embrapa.br

    Hvila Oliveira Salles

    Md. Vet., D. Sc. em BioqumicaEmbrapa Caprinos e OvinosE-mail: hevila@cnpc.embrapa.br

    Eduardo Luiz de Oliveira

    Md. Vet., M. Sc. em ParasitologiaEmbrapa Caprinos e OvinosE-mail: eduardo@cnpc.embrapa.br

    ngela Maria de Vasconcelos

    Zootecnista, D. Sc. em ZootecniaUniversidade Estadual Vale do Acara-UVAE-mail: angv06@hotmail.com

  • Apresentao

    Estudos experimentais em nutrio animal freqentemente demandam uso deanimais canulados para ter acesso ao contedo gastrointestinal sendo assim,so submetidos a procedimentos cirrgicos para criao de uma fstula. Estatcnica experimental trouxe considerveis avanos para nutrio de ruminantes,pois, foi possvel, por exemplo, definir ou mensurar a frao do alimento quesofre degradao ruminal. A determinao desta frao dos alimentos importante uma vez que atende com mais eficincia os requerimentos dosmicrorganismos ruminais melhorando a fermentao e conseqentementerepercutindo positivamente no desempenho animal. O uso de animais emensaios experimentais para gerar tais informaes requer cuidados antes,durantes e aps o procedimento cirrgico e observaes constantes a campo.Os resultados obtidos e a longevidade desses animais dependem de taiscuidados. Neste contexto o presente artigo aponta parmetros adequadospara seleo de animais que sero destinados a fistulao do rmen alm decuidados pr, durante e ps-cirrgicos.

    Embrapa Caprinos e Ovinos

  • Sumrio

    Introduo ................................................................... 09

    Relato de Experimento .................................................. 10

    Medidas e Cuidados Pr-Cirrgicos ................................ 12Seleo dos animais a serem fistulados .......................................... 12Escolha das cnulas ....................................................................... 14Preparo dos animais ...................................................................... 15Preparo do material ....................................................................... 17

    Medidas e Cuidados Durante a Cirurgia .......................... 17

    Medidas e Cuidados Ps-Cirrgicos ................................ 20

    Referncias ................................................................. 22

  • Introduo

    Fistulao consiste num procedimento cirrgico para colocao de cnulasem animais destinados a estudos digestivos. A fistula pode ser ruminal(THYFAULT et al., 1975; STEDILE et al., 2008), abomasal (HARMON;RICHARDS, 1997), esofagiana (YARNS et al., 1964) e intestinal(HARMON; RICHARDS, 1997).

    Bertechini (2006) reporta que os primeiros trabalhos sobre digesto foramrealizados por um francs, William Beaumont (1785-1853), em 1833,quando seu paciente Alexis St. Martin teve seu estmago perfurado poruma bala e lhe foi colocada uma fstula. Este acontecimento permitiuBeaumont descrever o suco gstrico, identificar o HCl, notar os movimentosdo estmago e verificar o efeito da emoo sobre a secreo e motilidadegstrica. Este fato provavelmente contribuiu para o uso de fstulas emanimais para avaliao de alimentos. A primeira discusso sobre o assuntofoi feita em 1938 por Quin e colaboradores, os quais sugeriram que

    Seleo dos Animais e Cui-dados Pr, Durante e Ps-Cirrgicos na FistulaoRuminal em Caprinos e Ovinos

    Gil Mario Ferreira Gomes

    Antnio Silvio do Egito

    Hvila Oliveira Salles

    Eduardo Luiz de Oliveira

    ngela Maria de Vasconcelos

  • 10 Seleo dos Animais...

    amostras de alimentos poderiam ser colocadas em sacos e suspensos normen de ovinos, via cnula ruminal (HUNTINGTON; GIVENS, 1995).

    Uma das formas disponveis para se determinar a qualidade de um alimentopara ruminantes pelo estudo da sua degradabilidade no rmen, o principalstio de degradao de alimentos fibrosos. A fistulao do rmen tornoupossvel essa anlise em laboratrio, ao permitir a coleta de contedoruminal para estudos de digestibilidade in vitro, bem como a anlise in vivode pequenas amostras atravs da degradabilidade in situ. Esta ltimabaseia-se na inoculao de alimentos em sacos de nilon diretamente normen e apresenta grande vantagem, uma vez que o processo da degradaoocorre em condies reais no ambiente ruminal, alm de permitir a anliseconcomitante de diferentes alimentos em um mesmo animal. Essa tcnica,hoje, a base para os estudos de digestibilidade de vrias fontes dealimentos (VAZANT et al., 1998; BERCHIELLI et al., 2005).

    A fstula tambm permite a anlise de alimentos com baixa palatabilidadecomo, por exemplo, plantas txicas. Pinheiro e Santa Rosa (1996a; 1996b)avaliaram a toxicidade da Ipomoea asarifolia aps administrao, viafstula ruminal, de 0,5% de matria seca por quilo de peso vivo.

    Vrios procedimentos cirrgicos para colocao de cnulas em ruminantestm sido descritos (HECKER, 1974; DOUGHERTY, 1981; MCGILLIARD,1982; SILVA FILHO; BECK, 1990; HARRISON, 1995; RAISER et al., 1997;STEDILE et al., 2008). No entanto, o sucesso da tcnica no dependeunicamente da etapa cirrgica.

    Relato de experimento

    Para realizao de experimento de digestibilidade na Embrapa Caprinos eOvinos, foram utilizados oito animais, sendo cinco ovinos da raa MoradaNova e trs caprinos da raa Moxot, raas nativas do Nordeste do Brasil.Os ovinos e caprinos apresentavam mdia de peso e idade de 20,68 Kg enove meses e 21,16 Kg e 16 meses, respectivamente, todos mantidos nomesmo manejo alimentar com concentrado, capim elefante triturado egua a vontade.

  • 11Seleo dos Animais...

    Na primeira etapa experimental, trs animais de cada espcie foramselecionados para realizao de procedimento cirrgico de fistulaoruminal. Todos foram submetidos avaliao de risco clnico pr-cirrgicoe apresentaram bom estado de sade.

    Antes da realizao do procedimento cirrgico, todos foram mantidos emjejum alimentar por 24 horas. No primeiro momento, foram utilizadascnulas de borracha com dimetro de disco externo de 12,5 cm, discointerno de 10,5 cm e abertura til de 5,5 cm que, posteriormente, foramsubstitudas por cnulas maiores e suas adaptaes, de acordo com asituao vigente.

    Os animais, por no pertencerem a um rebanho no previamente imunizadocom toxide tetnico (vacina), ao trmino das cirurgias foi administrado viaintramuscular (IM) penicilina de depsito (benzilpenicilina procana,benzilpenicilina potssica, benzilpenicilina benzatina e estreptomicina), nadosagem mdia de 20.000 UI/kg de peso corporal a cada 24 horas porsete dias, uma forma preventiva para minimizar a ocorrncia de casos dettano ps-cirrgico, como descrito na literatura para bovinos, eqinos,sunos, caprinos e ovinos.

    Tambm de forma preventiva, manteve-se diariamente a limpeza e aplicaotpica de spray cicatrizante e repelente na borda externa da ferida cirrgica.Todas as instalaes permaneceram com a limpeza e higienizao diriasdurante os cuidados ps-cirrgicos dos animais fistulados.

    No decorrer do ps-operatrio, os caprinos apresentaram total recupera-o fsica e orgnica em aproximadamente 15 dias. Todavia, no dcimo edcimo terceiro dias aps as intervenes cirrgicas, dois ovinos da raaMorada Nova apresentaram sinais clnicos que, reunidos aos dadosepidemiolgicos, foram caractersticos de ttano. O quadro clnico dosanimais teve incio com rigidez da musculatura do trem posterior evoluindopara o espasmo generalizado, acompanhado de hiperexcitabilidade,prolapso da terceira plpebra, trismo mandibular, orelhas eretas,opisttomo, rigidez da cauda, constipao e reteno urinria seguido de

  • 12 Seleo dos Animais...

    bito. Stedile et al. (2008) relataram tambm o bito de um animal porttano ao fistularem 14 ovinos machos adultos inteiros.

    Em uma segunda etapa, foram realizadas novas intervenes em doisoutros ovinos da raa Morada Nova, agora previamente tratados com soroantitetnico veterinrio na dosagem de 5 ml (5.000 UI) por viaintramuscular (IM), 24 horas antes da cirurgia. No entanto, sabe-se que aproteo conferida pela inoculao do soro passageira, no se prolongandoalm de dez dias. Nesse sentido, considerando tambm a probabilidade dapresena de lquido ruminal sob as bordas da ferida cirrgica, o prolongarde sua cicatrizao e potencial infeco, desenvolvimento do microrganismoe produo de toxina tetnica, foi administrada a estes animais umasegunda dose de soro no dcimo dia ps-operatrio. Esses, por sua vez,apresentaram sinais moderados de espasmos musculares, dificuldaderespiratria e salivao excessiva logo aps a cirurgia, e foram tratadoscom sulfato de atropina (1,25%), 1ml/dose nica, via intramuscular. Aotrmino das cirurgias foi administrado via intramuscular (IM) penicilina dedepsito, na dosagem mdia de 20.000 UI/kg de P.V./dia, por sete diasconsecutivos. A recuperao ps-operatria desses animais procedeu-sede forma satisfatria em cerca de 15 dias, tendo incio a fase experimentalcom utilizao da rea til da cnula ruminal por volta de 30 dias ps-cirurgia.

    Tendo em vista tais aspectos, e diante da carncia na literatura de trabalhosque enfoquem os pontos relevantes para seleo de animais a seremfistulados e dos cuidados pr e ps-cirrgicos necessrios para o xito datcnica de fistulao ruminal em pequenos ruminantes, o presente trabalhose prope a relacionar esses aspectos e descrever as medidas e cuidadosnas etapas pr, durante e ps-operatrias.

    Medidas e Cuidados Pr-Cirrgicos

    Seleo dos animais a serem fistuladosA seleo dos animais a serem fistulados est na dependncia do experi-mento a que esses animais sero submetidos, podendo o sistema demanejo, a idade e a raa interferir nos resultados. De forma geral, selecionar

  • 13Seleo dos Animais...

    aqueles que so manejados em sistema de produo intensivo ou semi-intensivo, animais dceis e que apresentam menor possibilidade de causarproblemas no momento da coleta de material ruminal. Tambm prefervelutilizar machos castrados, no sujeitos a variaes hormonais, o queminimiza alteraes de comportamento e dificuldade de manejo.

    importante selecionar um nmero maior de animais do que o necessriopara realizar os experimentos, em virtude do comprometimento da pesquisaem funo da perda de animais ou queda de cnulas. Alm disso, deve-sedar preferncia a animais adultos, ou seja, animais que j tenham atingidoo seu crescimento mximo, com o intuito de se evitar a perda de cnulaspelo aumento e distenso de fibras musculares da borda fistular.

    Todavia, tanto para animais jovens quanto para animais adultos, reco-mendado utilizar, primeiramente, um padro de cnula flexvel menor (discoexterno de 12,5 cm, disco interno de 10,5 cm e abertura til de 5,5 cm)que pode ser futuramente adaptada ou substituda com o decorrer doexperimento e assim prolongar a vida til dos animais. Neste caso, geral-mente aps um ano, aproximadamente, uma alternativa vivel para evitar aqueda de cnulas seria confeccionar manualmente um suporte de PVCelptico com disco central interno de 7 cm, bordas internas e externaspolidas e comprimento maior que o dimetro da cnula (Fig. 1). Essematerial ento inserido na abertura fistular de modo a permanecer naface interna do rmen e logo ento, acoplado parte lateral do discoexterno da cnula, possibilitando sua fixao contra a parede do rmen eimpedindo sua queda. Outro fato relevante que a presena do suporte nointerior do rgo no proporciona stress fsico, digestivo oucomportamental perceptvel aos animais. Tal recurso tambm colaborapara minimizar o extravasamento de lquido ruminal e minimiza provveiscomplicaes na digesto e fermentao de alimentos.

  • 14 Seleo dos Animais...

    Fig. 1. Suporte de PVC para adaptar cnula ruminal. a) PVC com forma elptica de

    16 cm de comprimento, 9 cm de largura e 7 cm de disco interno, b e c) forma de

    colocao da cnula no suporte.

    Com a adaptao deste suporte pode-se diminuir a ocorrncia de complica-es com perda de cnulas, todavia, com o passar do tempo, existe aindaa possibilidade de queda por distenso das fibras musculares da bordafistular. Neste ltimo caso, a soluo seria a substituio por cnulas comdimenses de disco externo de 15 cm, disco interno de 13 cm e aberturatil de 7,5 cm, maior modelo de cnula de borracha flexvel encontrado nomercado e vivel para utilizao em pequenos ruminantes. Essa abertura suficiente para inserir a mo e manipular o contedo no momento da coletade material ruminal.

    Esta ltima substituio, por uma cnula flexvel de maior dimetro, praticamente definitiva. Primeiramente, em funo do porte encontrado namaioria das raas ovinas e caprinas que limita o espao necessrio nafossa paralombar esquerda para fistulao com cnulas de dimetro aindamaiores. E o outro ponto seria a predisposio ao stress fsico ecomportamental dos animais com o uso de cnulas de maior dimetro,volume e peso com maior risco de perda por queda.

    Escolha das cnulasNa literatura h uma grande variedade de materiais que podem ser utilizadospara a confeco de cnulas rgidas ou flexveis. O policloreto de vinila(PVC) o material mais comumente utilizado em cnulas rgidas(HARMON; RICHARDS, 1997). No entanto, alguns tipos como, por exemplo,

  • 15Seleo dos Animais...

    o PVC colorido pode ser txico para algumas espcies animais (RAISER etal., 1997). O ao inoxidvel outro material que pode ser utilizado paracnulas rgidas, mas devido a seu elevado peso pode causar necrose dentrodo lmen intestinal (HARMON; RICHARDS, 1997), alm do alto preo.

    A borracha, por sua vez, o material mais comum na confeco decnulas flexveis (Fig. 2). Stedile et al. (2008) afirmaram que o uso decnula flexvel de borracha em ovinos proporcionou um melhor ajusteanatmico, boa adaptao, foi efetiva na coleta de material, no compro-meteu a vida do animal e nem ocasionou necrose tecidual ou peritonite.Fato observado tambm nesse experimento onde as cnulas de borrachasubstituram as de PVC.

    Preparo dos animaisOs animais a serem submetidos s intervenes cirrgicas devem estarem bom estado clnico sanitrio e em boa condio corporal, de forma acanalizar toda sua energia para recuperao ps-cirrgica.

    Um ms antes das intervenes:

    Submeter os animais a exame clnico geral e de risco cirrgico;

    Realizar a aplicao de anti-helmintico (vermifugao);

    Fig. 2. Cnula de borracha.

  • 16 Seleo dos Animais...

    Verificar procedncia dos animais e histrico clnico de vacinao dorebanho contra clostridioses, incluindo toxide tetnico, caso negativoavaliar possibilidade de vacinao e reforo pr-cirrgico;

    Aferir e determinar a condio corporal a partir de comparao emtabela de escala de 1 a 5, caso seja inferior a 3, recomenda-se submeteros animais a suplementao alimentar para que, por ocasio das intervenes,apresentem condio corporal 3 de acordo com a metodologia descrita porCartaxo et al. (2008);

    Adaptar os animais s baias ou gaiolas onde sero manejados aps acirurgia, bem como alimentao e ao manejador responsvel pela coletade material ruminal.

    Vinte e quatro horas antes das intervenes:

    Submeter os animais a jejum hidro-alimentar, objetivando reduzir ovolume do contedo ruminal e facilitar a realizao de procedimentocirrgico (Fig. 3);

    Animais procedentes de rebanhos no previamente vacinados comvacina antitetnica, administrar soro antitetnico, para prevenir eventuaisquadros de ttano ps-cirurgico (Fig. 4).

    Fig. 3. Animal em jejum. Fig. 4. Aplicao de vacina

    antitetnica.

  • 17Seleo dos Animais...

    Fig. 5. Desinfeco da antitetnico. Fig. 6. Aplicao de soro cnula.

    Preparo do material Realizar esterilizao de todo o material cirrgico;

    Desinfeco da cnula com hipoclorito de sdio a 5% por trinta minutos (Fig. 5);

    Uso de vestimentas adequadas;

    Providenciar medicao pr e ps-cirrgica;

    Medidas e Cuidados Durante aCirurgia

    A primeira fase do procedimento cirrgico a escolha e preparao doprotocolo anestsico. No qual se pode utilizar medicao de efeito sedativocom ao analgsica e miorrelaxante (cloridrato de xilazina 2%) emassociao com agentes de anestesia geral (cloridrato de ketamina 5%) elocal (cloridrato de lidocana 1%), tendo cuidado de manter a dosagem evia de administrao orientadas conforme bula medicamentosa.

    Na literatura encontra-se ainda outros protocolos que consideram apropriadoo uso de acepromazina (0,1mg/kg - via intramuscular) como medicaosedativa e aplicao de lidocana 1% injetvel (sem vasoconstritor) nobloqueio paravertebral associado infiltrao local na linha de inciso einstilao sobre o peritnio e na camada serosa do rmen (STEDILE et al., 2008).

  • 18 Seleo dos Animais...

    De forma geral, ainda durante o incio do perodo de sedao, coloca-se oanimal sobre a mesa cirrgica em decbito lateral direito para realizao detricotomia extensa na regio da fossa paralombar esquerda de modo afacilitar a limpeza e desinfeco local (Fig. 7).

    Posteriormente, realiza-se infiltrao subcutnea e muscular de lidocana1% injetvel, em padro L invertido, na rea da inciso cirrgica (Fig. 8).Em seguida, posiciona-se a cnula sobre a fossa paralombar esquerda, emrea intermediria entre a ltima costela, processo espinhal lateral e aponta do osso squio e, com a ponta do bisturi realiza-se a medio longitu-dinal da inciso na pele. Tal procedimento tem como intuito prevenir apermanncia da borda lateral externa da cnula sobre esses corpossseos, bem como permite direcionar com preciso a fistula na alturamdia do saco dorsal do rmen (Fig. 9). Na sequncia realiza-se a incisoda pele, instilao de lidocana 1% e divulso dos msculos oblquo externo,oblquo interno e transverso do abdome com tesoura e pina de dissecaoat visualizar o peritnio e a parede do rmen (Fig. 10).

    Nesse momento realiza-se a exposio, fixao e suspenso da parede dormen com linha para facilitar o procedimento de sutura. Os tecidosadjacentes so suturados, que consiste na unio das camadas das bordasde pele, msculos do abdome e peritnio ao rmen (Fig. 11). A sutura realizada com linha nylon zero em padro ponto U separado,subsequente e apertada somente no final de modo a manter um formatoelptico e facilitar o fechamento completo da rea de contato com acavidade abdominal. Esse procedimento evita a entrada de contedoruminal na camada serosa do rmen e complicaes como peritonite.

    Terminado a sutura, a parte do rmen que ser removida fixada comduas pinas hemostticas de ambos os lados (Fig. 12). A remoo realizada a cerca de trs mm da linha de fixao. Por fim, coloca-se acnula que imediatamente fechada com a tampa de vedao conformecitado por Stedile (2008) (Figs. 13 e 14).

  • 19Seleo dos Animais...

    Fig. 7. Tricotomia da regio esquerda. Fig. 8. Anestesia local padro L

    paralombar invertido.

    Fig. 9. Posicionamento da cnula para

    inciso longitudinal da pele.

    Fig. 10. Inciso das camadas

    musculares.

    Fig. 11. Sutura em padro U do

    rmen.

    Fig. 12. Fixao e remoo da parede

    separado.

  • 20 Seleo dos Animais...

    Fig. 14. Animal fistulado.Fig. 13. Cnula flexvel inserida na

    fistula ruminal.

    Medidas e Cuidados Ps-Cirrgicos

    Essa etapa objetiva reduzir o ndice de morbidade, mortalidade e perda dascnulas, bem como evitar infeces secundrias e proporcionar cicatrizaorpida e eficiente.

    Administrar antibitico injetvel durante sete dias a cada 24 horas(Penicilina: Dosagem 20.000 UI/kg via intramuscular);

    Aplicar repelente e cicatrizante imediatamente aps a cirurgia e duranteo perodo de recuperao da ferida at sua cicatrizao;

    Em animais procedentes de rebanhos no imunizados com vacinaantitetnica, administrar soro antitetnico no 10 dia ps-operatrio (5 mlou 5.000 UI via intramuscular);

    Realizar limpeza e higienizao diariamente da fistula e da cnula.

    Com aproximadamente 15 dias de ps-operatrio, os animais devem estarem bom estado de recuperao e aptos para realizao dos experimentos.

    Para evitar a perda das cnulas com o passar do tempo, recomendado omanejo em sistemas semi-intensivo, em que os animais permaneam

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    durante o perodo diurno em reas de pastagens menores e sempre sejamrecolhidos durante a noite ou intensivo, de preferncia em baias coletivasou individuais com fornecimento de alimento, gua, sal mineral, proteode chuva e sol, limpeza diria e a presena de solrios amplos que possibi-litem exerccios regulares e a manuteno do estado de sade dos animais.

    O contado dos animais fistulados com a vegetao, em especial a daCaatinga, pode eventualmente, resultar na perda das cnulas.

    Passado o perodo de recuperao necessrio um cuidado semanalconstante para realizao de limpeza das cnulas com gua e sabo eaplicao de repelente para evitar o aparecimento de miase. Este tipo deacompanhamento deve ser realizado durante toda a vida do animal sendoestes uns dos fatores que contribuem para uma vida til longa. SegundoLobo (1978), animais fistulados apresentam comportamento fisiolgiconormal, no havendo danos reproduo e longevidade.

    Agradecimentos

    Os autores agradecem ao analista Leandro Silva de Oliveira pela orientaona compra das cnulas e ao tcnico Expedito Barbosa pelos cuidadosprestados na recuperao dos animais.

    Fig. 15. Aplicao de anitibitico. Fig. 16. Aplicao de repelente e

    cicatrizante.

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    Referncias

    BERCHIELLI, T. T.; OLIVEIRA, S. G.; GARCIA, A. V. Aplicao de tcnicaspara estudos de ingesto, composio da dieta e digestibilidade. Archivesof Veterinary Science, v. 10, n. 2, p. 29-40, 2005.

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    LOBO, A. O. O estmago do ruminante. Jornal O Estado de So PauloSuplemento Agrcola 1198 Bovinos, So Paulo/SP-17/05/1978. p.1-4.Disponvel em: Acesso em 23 jul. 2009.

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  • 24 Seleo dos Animais...

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