DIAGNSTICO DA PERCEPO AMBIENTAL DOS ? IV Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Salvador/BA

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    DIAGNSTICO DA PERCEPO AMBIENTAL DOS TRABALHADORES DAS OLARIAS E CERAMISTAS DO PLO CERMICO DO POTI-VELHO- TERESINA-PI E

    O FIM DA ATIVIDADE OLEIRA

    Lvia Cristhina da Costa Cunha (IFPI liviacristhinacosta@outlook.com)

    RESUMO A argila um mineral no-metlico de ocorrncia no Piau, especialmente em Teresina. Apresenta inmeras utilidades, que podemos citar sua utilizao na construo civil e no artesanato. A atividade de extrao de argila gera emprego e renda para na rea norte da cidade, especificamente no Bairro Poti Velho, situados numa paisagem geoambiental caracterizada pela formao de lagoas. Duas categorias de produtores dependem da argila nesse bairro: os trabalhadores das olarias e os ceramistas. Os primeiros fabricam tijolos e retiram argilas para vender; os segundos compram argila e produzem utenslios e objetos de decorao. A pesquisa tem como objetivo geral realizar um diagnstico da percepo ambiental dos oleiros e ceramistas do Plo Cermico do Poti Velho com a interveno do Programa Lagoas do Norte na rea de estudo e o fim da atividade oleira e ceramista na regio. Verificou-se a falta de percepo ambiental do pblico-alvo como agente impactante no ambiente local. Quanto s questes socioeconmicas, foi verificada a baixa renda, baixa escolaridade, moradias precrias e falta de perspectivas com o fim da produo oleira e cermica. PALAVRAS-CHAVE: percepo ambiental, Plo Cermico, Teresina/PI INTRODUO

    As questes relacionadas ao meio ambiente e a qualidade de vida em qualquer rea do planeta envolvem um conjunto de indicaes referentes degradao ou conservao dos habitats, sejam naturais ou artificiais, merecendo destaque vrios problemas como: contaminao do ar e das guas, destruio de florestas, extino da fauna, entre outros. No final da dcada de 60 constataram-se grandes desastres ambientais e a partir deles teve inicio a configurao de uma estratgia poltica para a sustentabilidade ecolgica no processo de globalizao e como condio para a sobrevivncia do ser humano. O homem vem provocando modificaes no meio natural em que vive.

    Logo, a expanso urbana, principalmente, nos grandes centros, passa a ser um fator impactante ao meio, visto que na maioria das vezes, o crescimento desordenado foge aos planejamentos dos rgos competentes. Como exemplo disso pode-se citar a ocupao de mananciais e reas de encosta. Em Teresina, capital do Estado do Piau, pode-se observar que a ocupao no entorno das lagoas da zona norte do municpio de Teresina, cresce em ritmo acelerado. Nesta rea est localizado o Bairro Poti Velho.

    A situao ambiental do local bastante fragilizada, considerando-se que a rea sofreu alteraes ao longo dos anos devido explorao das lagoas para extrao de argila e ocupao populacional de forma irregular. As lagoas encontram-se completamente degradadas, devido ocupao desordenada de suas orlas e por serem desembocaduras de esgotos e de lixo, transformando-as em focos de doenas e desconforto para a populao.

    Devido ao alto nvel de degradao das lagoas e possibilidade de esgotamento da jazida a Prefeitura Municipal de Teresina atravs do Programa Lagoas do Norte - PLN visa melhorar as condies de vida e o desenvolvimento scio-econmico e ambiental da regio das lagoas situadas na zona norte da cidade de Teresina pondo fim a prtica da extrao de argila e conseqentemente a atividade oleira. O objetivo geral dessa pesquisa foi analisar a percepo ambiental dos trabalhadores das olarias e dos ceramistas e o fim da extrao de argila na regio. PERCEPO AMBIENTAL

    Falar de percepo ambiental significa, portanto, verificar como os sentidos do ser vivo apreendem a realidade em que ele est imerso. Como o ambiente compreendido a partir desta apreenso (RIBEIRO, 2003).

    Segundo Ferrara (1999), a linguagem ambiental e a percepo que dela tm os usurios de um local tm sua existncia identificada pela observao que capta e registra as imagens e as associa inferencialmente.

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    Percepo informao na medida em que a informao gera informao: usos e hbitos so signos do lugar informado que s se revela na medida em que submetido a uma operao que expe a sua linguagem. A essa operao d-se o nome de percepo ambiental (FERRARA, 1999, p. 49).

    Por meio dele possvel conhecer a cada um dos grupos envolvidos, facilitando a realizao de um trabalho com bases locais, partindo da realidade do pblico alvo, para conhecer como os indivduos percebem o ambiente em que convivem, suas fontes de satisfao e insatisfao (FAGGIONATO, 2007).

    Assim Percepo Ambiental foi definida por Trigueiro (2003) como sendo uma tomada de conscincia do ambiente pelo homem, ou seja, perceber o ambiente que se est localizado, aprendendo a proteger e cuidar dele da melhor forma possvel.

    J o termo percepo ambiental, segundo OKAMOTO (2003), a viso individual do ambiente, acerca do contexto, que o leva a reagir de forma diferente com o meio a sua volta. Sendo assim, cada indivduo percebe seu entorno de maneira exclusiva. MACEDO (2000) salienta que, por meio da percepo ambiental, pode-se atribuir valores e importncias diferenciadas ao meio ambiente. O autor ainda ressalta que a percepo, inevitavelmente, influencia o comportamento humano. Os hbitos pessoais refletem as propriedades de valor de um individuo, e o tratamento com a considerao para com o ambiente requer nfase nos valores ambientais. MINERAO ARTESANAL

    A minerao classificada como atividade de grande potencial modificador da paisagem e uma de suas conseqncias o impacto ambiental. De acordo com a Resoluo n 001 de 23 de janeiro de 1986, o impacto ambiental pode ser definido:

    [...] qualquer alterao das propriedades fsicas, qumicas e biolgicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: I a sade, a segurana e o bem-estar da populao; II as atividades sociais e econmicas; III a biota; IV as condies estticas e sanitrias do meio ambiente; V a qualidade dos recursos ambientais.

    Segundo a Norma Brasileira (NBR) ISO 14001 (2004), impacto ambiental qualquer modificao do meio ambiente, adversa ou benfica, que resulte, no todo ou em parte, dos aspectos ambientais de uma organizao. Impacto ambiental definido, assim, como sendo uma mudana sensvel, nas condies de sade e bem estar das pessoas e na estabilidade do ecossistema do qual depende a sobrevivncia humana. Essas mudanas podem resultar de aes acidentais ou planejadas, provocando alteraes direta ou indiretamente.

    A mudana da topografia original; do solo; o assoreamento e poluio dos rios; o desmatamento; emisso de poeiras e outros descartes na atmosfera so alguns dos efeitos ambientais decorrentes da minerao. Tambm so gerados conflitos devido ao uso irregular do solo, a depreciao de imveis circunvizinhos e a gerao de reas degradadas.

    Os problemas ambientais originados pela minerao de materiais de uso imediato na construo civil (areia, argila, massar, seixos) e os conflitos com outras formas de uso e ocupao do solo vm conduzindo a uma diminuio crescente de jazidas disponveis para o atendimento da demanda desses materiais

    Segundo Mendona, os impactos socioambientais na regio das lagoas da Zona Norte esto relacionados aos:

    Ecossistemas originais que foram descaracterizados pela supresso da flora e da fauna nativas, modificaes do sistema natural de drenagem (construo de diques, dutos e canais, aterramento e obstruo de canais, e escavaes desordenadas e impermeabilizao generalizada dos solos pela ocupao urbana. Alm disso, a degradao da qualidade da gua ocorre por lanamento de esgotos domsticos e lixo.

    Uma das conseqncias ambientais mais evidentes a perspectiva de vida til da reserva. Considerando que explorao da argila ocorre h 50 anos e consumiu 48% da reserva, a expectativa que a reserva tem a durabilidade de 54 anos aproximadamente (PORTELA, 2005).

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    As lagoas atualmente encontram-se completamente degradadas, devido ocupao desordenada de suas margens e ao lanamento de esgotos e de lixo, o que reduz a capacidade de escoamento do sistema e a transforma em focos de doenas e de desconforto para a populao (VIANA, 2007).

    A minerao artesanal pode ser considerada como estgio mais rudimentar da minerao em pequena escala. Podendo ser caracterizada por operaes a cu aberto ou prximas a superfcie, mas confinadas pequenas aberturas ou acessos para trabalhos subterrneos (Figura 1). So atividades conduzidas de um modo geral em bases intermitentes por indivduos, famlias ou cooperativas realizadas freqentemente em nvel de subsistncia No seu aspecto ambiental o manejo sem a orientao correta dos recursos minerais, como a falta de planejamento e reparao dos danos leva ao desgaste da jazida.

    Figura 1 Escavao manual de argila. Fonte: Wagner Santos.

    Destacando-se as seguintes caractersticas: intensidade no uso da mo-de-obra; ausncia ou reduzido nvel de mecanizao (Figura 2); padres inexistentes ou notoriamente insatisfatrios de segurana; baixos nveis de produtividade e recuperao; e reduzido ou inexistente preocupao com a questo ambiental.

    Figura 2 Pea cermica sendo moldada por arteso. Fonte: Autor do Trabalho.

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    O PROGRAMA LAGOAS DO NORTE E O FIM DA ATIVIDADE OLEIRA

    Devido ao alto nvel de degradao das lagoas e possibilidade de esgotamento da jazida a Prefeitura Municipal de Teresina atravs do Programa Lagoas do Norte - PLN visa melhorar as condies de vida e o desenvolvimento scio-econmico e ambiental da regio das lagoas situadas na zona norte da cidade de Teresina. Os recursos so provenientes de acordo de emprstimo entre a Prefeitura Municipal e o Banco Mundial - BIRD, com garantia e apoio financeiro de contrapartida do Governo Federal. As aes incluem desde a transformao favorvel de infra-estrutura fsica da regio, com aes de desenvolvimento social e da economia local, preservao e valorizao do meio ambiente.

    Pelas perdas que adviro em conseqncia das obras a serem realizadas pelo poder pblico municipal a Prefeitura Municipal de Teresina (PMT) com o Projeto de Reassentamento Econmico e Social dos Oleiros do Poti Velho prev um conjunto de aes como medidas atenuantes para a situao de pessoas e famlias que involuntariamente so reassentadas em razo da interveno do poder pblico em reas na qual residem ou trabalham. Cerca de 400 famlias que viviam beira das lagoas foram transferidas para um conjunto habitacional prximo.

    O Projeto de Reassentamento Econmico e Social dos Oleiros do Poti Velho pretendem: assegurar a possibilidade de manuteno da renda atravs de compensaes que permitem a reconstruo da vida dos oleiros seja em atividades similares ou em outras e proporcionar a compensao financeira pelas perdas atravs do pagamento das indenizaes e da bolsa desemprego.

    A rea de atuao do Programa compreende 13 bairros (Acarape, Matadouro, Parque Alvorada, So Joaquim, Nova Braslia, Mafrense, Olarias, Poti Velho, Itaperu, Alto Alegre, Aeroporto, So Francisco e Mocambinho) onde residem mais de 100 mil pessoas

    A populao afetada pela interveno PLN nas duas categorias de oleiros a seguinte: Posseiros das olarias (59 pessoas) e Trabalhadores das Olarias (189 pessoas). A Indenizao: Se aplica apenas ao grupo de oleiro/ posseiro. Dentre o grupo dos oleiros somente os que se denominam posseiros tero direito a indenizao. Embora estes no sejam proprietrios legalizados dos espaos que ocupam para a produo do tijolo artesanal, durante muitos anos eles exercem esta atividade. A Bolsa desemprego: Se aplica apenas aos oleiros trabalhadores. Para os 189 oleiros trabalhadores que perdero o posto de trabalho, seguindo a poltica de emprego do Governo Federal, ser destinada uma bolsa desemprego cujo valor corresponde ao salrio mnimo atual. O perodo para pagamento desse benefcio ser de 04 meses, perodo que se pressupe necessrio para a insero dos mesmos em outras atividades. REA DE ESTUDO

    A extrao de recursos naturais faz parte da histria humana. De forma que seria impensvel nosso dia-a-dia sem eles. Contudo, muito tem se discutido sobre como conciliar a crescente necessidade humana de obter recursos, com a possibilidade de esgotamento dos mesmos. Esta situao no diferente em Teresina que est localizada na regio Nordeste do Brasil, na latitude sul ao equador a 50512 e na longitude W Gr - 42 4842 e com rea total de 1.679,8 Km. a capital do Piau e faz parte da bacia sedimentar do Parnaba o que lhe confere uma variedade de recursos naturais, como a areia, o massar, o seixo, a brita e argila. A explorao econmica desses recursos tem garantido emprego e renda a centenas de pessoas. Isto notrio quando tratamos do recurso natural argila

    O bairro integrante do Estudo do estudo, Poti Velho, possui uma rea de (41,02 h), com populao estimada em 4.208 pessoas, sendo deste total 2.023 homens e 2.185 mulheres, nmero de domiclios: 885; densidade populacional de 102,58; com densidade por domicilio de 4,75 pessoas;; domiclios com instalao sanitria: 75,48%, domiclios ligados rede: 97%; domiclios ligados rede de gua: 98,76%, domiclios atendidos com servio de coleta de lixo: 92,65%; uma praa, um parque Ambiental, uma associao de moradores, uma quadra de esportes, um campo de futebol, um centro de sade, trs escolas pblicas (Teresina, 2004).

    A cidade de Teresina, banhada pelos rios Parnaba e Poti, apresenta na zona Norte as reas mais baixas da cidade, onde ocorre a confluncia desses rios. Neste local, esto localizadas 34 lagoas, naturais e artificiais, que compem um sistema natural de acumulao de gua da regio (Lopes & Moura 2006).

    O relevo dessa rea identificado como uma plancie fluvial que se alarga com a proximidade do encontro do Rio Poti no Parnaba - a barra do Poti, pontilhada de muitas lagoas naturais de dimenses considerveis. Nas ltimas dcadas, essas lagoas foram sendo aterradas e ampliadas, algumas para construes habitacionais, em funo da retirada de

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    minerais (seixos, areias e argilas), destinados, principalmente, intensa atividade oleira, embora essa atividade se desenvolva de forma artesanal.

    A disponibilidade de matria-prima mineral, sua relativa abundncia, proximidade dos locais de consumo e, em alguns casos, a necessidade de sobrevivncia faz com que essa atividade de extrao alcance nveis diferenciados, ou seja, h reas que so exploradas em escala industrial e reas que so exploradas em pequena escala, responsvel por conservar os que ainda trabalham de forma artesanal (Figura 3). O Poti Velho se destaca pela extrao de argila em Teresina h mais de 50 anos por moradores do lugar, os quais assumem a profisso de oleiros, fabricam tijolos, ou ceramistas, produzem artefatos cermicos.

    Figura 3 Peas cermicas moldadas em processo de secagem. Fonte: Autor do Trabalho.

    Os principais problemas enfrentados pelos artesos so: deficincia no processo de produo; a falta de padronizao e qualidade da matria-prima; o negocio visto como cultura de subsistncia; durante a fase de preparao da matria-prima, a grande dificuldade dos ceramistas que no possuem local para estoc-la; durante o processo de finalizao com o produto cermico j acabado no h disponibilidade de espao para exposio das peas, sendo estocados no prprio local de produo (Figura 4); problema de impacto negativo sobre o meio ambiente, provocado pelo processo de queima de lenha como fonte de energia, e impacto no local onde se extrai a argila

    Figura 4 Exposio peas cermicas. Fonte: Autor do Trabalho.

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    RESULTADOS E DISCUSSO

    Para o levantamento dos dados referentes percepo ambiental dos atores da comunidade do Plo Cermico do Poti Velho (trabalhadores das olarias e ceramistas), utilizou-se um questionrio. Com a anlise destes dados, ser possvel analisarmos o nvel de conscientizao ambiental destes atores O questionrio serviu de base para o aprofundamento das questes de interesse deste estudo. Ao todo dos 2 grupos so 189 trabalhadores das olarias e 90 ceramistas, foram aplicados 30 questionrios.

    Tabela 1 - Faixa de renda dos trabalhadores do Plo Cermico do Poti Velho. Teresina, abril/2013.

    ENTREVISTADOS RENDA MENSAL 1 0 a 0,25 SM 8 0,25 a 0,5 SM

    20 0,5 a 1 SM 1 1 a 2 SM

    Fonte Direta.

    Os trabalhadores das olarias dependem da atividade oleira, seu nvel de renda baixo. De acordo com a tabela verifica-se que os trabalhadores que ganham acima de 1 salrio mnimo irrisrio.

    Os motivos que levaram os oleiros a trabalharem nessas atividades so o desemprego e a arte adquirida pelos pais. A jornada de trabalho de 60 horas semanais e ocorre nos meses de junho a novembro em virtude do perodo chuvoso. Durante o perodo chuvoso, os entrevistados desempenham outras atividades como agricultura e venda do que produzido. Na existe diviso de trabalho especializado, o trabalhador exerce varias funes onde cada um trabalha onde est na necessidade. A condio de trabalho nas olarias caracterizada pela m condio de salubridade e segurana, informalidade dos vnculos dos trabalhadores, presena do trabalho infantil e impactos ambientais.

    Tabela 2 Nvel de escolaridade dos trabalhadores do Plo Cermico do Poti Velho. Teresina, abril/2013.

    ENTREVISTADOS ESCOLARIDADE 2 ENSINO MEDIO COMPLETO 2 ENSINO FUNDAMENTAL COMPLETO

    22 ENSINO FUNDAMENTAL INCOMPLETO 4 ANALFABETO

    Fonte Direta.

    A baixa escolaridade contribui para a falta de percepo da idia do limite dos recursos bsicos e como seu desperdcio e degradao afetam diretamente a qualidade de vida dos mesmos.

    Tabela 3 Viso dos trabalhadores das olarias sobre o impacto que atividade de extrao de argila pode gerar

    ao meio ambiente. Teresina, abril/2013.

    ENTREVISTADOS ATIVIDADE PREJUDICA O MEIO AMBIENTE

    24 NO PREJUDICAM 6 PREJUDICAM

    Fonte Direta.

    Quando questionados se atividade deles prejudica o meio ambiente, a grande maioria dos entrevistados respondeu que no e uma pequena parte respondeu que prejudica, mas de forma branda e que a natureza tem capacidade de se recuperar rapidamente.

    Tabela 4 Viso dos trabalhadores das olarias sobre a possibilidade de esgotamento da matria-prima. Teresina,

    abril/2013.

    ENTREVISTADOS ATIVIDADE PREJUDICA O MEIO AMBIENTE

    28 NO EXISTE ESSA POSSIBILIDADE 2 NO SABEM OU NO OPINARAM

    Fonte Direta.

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    Quando questionados sobre a possibilidade de esgotamento da argila, a maioria afirmou que no existe essa possibilidade e caso isso ocorra que desempenhariam as atividades que esto habituadas a fazer durante o perodo chuvoso. No contexto urbano de Teresina, os problemas ambientais tm adquirido dimenses preocupantes, fato relacionado ao crescimento populacional. A presso antrpica e o crescimento das cidades, geralmente, reforam problemas de ordem ambiental. As agresses ao meio ambiente ocorrem devido ao somatrio de fatores, ligados basicamente ao uso e ocupao desordenada do solo, sendo assim reas inadequadas vo sendo ocupadas pela populao de mais baixa renda, o que acarreta o comprometimento dos recursos ambientais, com prejuzo para a sociedade como um todo.

    importante destacarmos os benefcios sociais e econmicos da atividade extrativa mineral desenvolvida pelos trabalhadores das olarias e ceramistas do Poti Velho. Configurados na gerao de empregos e renda e no abastecimento da cidade com materiais essenciais para a construo civil. Mas tambm necessrio, tambm que esteja atento aos impactos ambientais gerados (fsicos, biolgicos e socioeconmicos) negativos, gerados pela retirada de minerais.

    De modo geral, a atividade extrativa na rea ocorreu de forma irregular, desordenada e na explorao de recursos minerais foram utilizadas tcnicas pouco conservacionistas na retirada de argila. A partir desse fato conclui-se que a minerao, importante setor da economia local, propicia muitos benefcios, mas tambm concorre para o esgotamento dos recursos minerais de uma rea em que suas reservas j se encontram esgotadas. CONCLUSO

    O meio ambiente resultado material da ao humana sobre a natureza, a natureza transformada pelo trabalho social, sendo que o ambiente ocupa uma posio vital indispensvel ao funcionamento do sistema econmico, fornecendo os recursos materiais e energticos e recebendo os seus rejeitos. Os processos de industrializao, e a conseqente urbanizao, resultantes das aes humanas realizadas de forma pouco planejada, contriburam para o estabelecimento de impactos ambientais em nvel local, nacional e mundial.

    A origem da crise ambiental est associada ao atual modelo econmico sem considerar as condies globais do meio ambiente. O desenvolvimento sustentvel, s ser possvel se colocados os limites ao controle ambiental sobre o uso do meio ambiente, atravs de aes de limite ao controle do capital sobre o uso do meio ambiente, atravs de aes predominantemente de natureza poltica A atividade extrativa mineral desenvolvida no Poti Velho em Teresina, para ser consistente e sustentvel, deve mobilizar e explorar as potencialidades locais e contribuir para elevar as oportunidades sociais e a viabilidade e competitividade da economia local, ao mesmo tempo, deve assegurar a conservao dos recursos naturais locais, que so a base mesma das suas potencialidades e condio para qualidade de vida da populao local.

    preciso incorporar a idia de limite dos recursos bsicos, como a gua, o solo e o ar, buscar alternativas para reduzir a sua degradao e desperdcio e, finalmente, trabalhar no sentido da formao de uma nova conscientizao ambiental. A participao do cidado torna-se condio principal para a sustentao e a viabilidade poltica necessrias ao desenvolvimento sustentvel. Nesse caso, o planejamento, como processo tcnico e poltico, considera a participao dos atores envolvidos e comprometidos com a transformao de uma realidade para outro patamar.

    Tambm deve ser considerado que os moradores necessitam de um programa de educao ambiental, a ser realizado em parcerias com as associaes de bairros, no sentido de conscientizar a populao local sobre a importncia de um meio ambiente saudvel. Que devem conter informaes sobre a conservao e respeito aos recursos naturais bem como destacando a importncia e funo das lagoas para a regio.

    Cada vez mais se sabe que a soluo dos problemas ambientais apresentados depende em grande parte de cada cidado. Somente quando cada um internalizar a necessidade de mudana, e fizer sua parte, podem ser alcanadas as mudanas de percepo com o meio ambiente e com ns mesmos.

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    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    1. BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resoluo n. 01 de 25 de janeiro de 1986. Dispe sobre

    diretrizes gerais para uso e implementao da Avaliao do Impacto Ambiental como um dos instrumentos da Poltica Nacional do Meio Ambiente. Braslia, DF.

    2. FAGGIONATO, S. Percepo ambiental. Disponvel em: . Acessado em: 22 de maro de 2013.

    3. FERRARA L. Olhar perifrico: linguagem, percepo ambiental. 2 ed. So Paulo: Editora da USP, 1999.

    4. LOPES, W. G. R.; MOURA, M. G. B. Lagoas da Zona Norte de Teresina e seu Entorno: Uma Anlise Ambiental. 2006. 16 f. Dissertao Centro de Tecnologia Universidade Federal do Piau UFPI, Teresina.

    5. MACEDO, R. L. G. (2000). Percepo e Conscientizao Ambientais. Lavras/MG: UFLA/FAEPE

    6. MENDONA, A. F. Programa Lagoas do Norte. Estudo de recuperao de reas degradadas para regio das Lagoas do Norte. Prefeitura Municipal de Teresina. Secretaria de Planejamento e Coordenao. Teresina, novembro/2005.

    7. PORTELA, Mugiany Oliveira Brito. Extrao de argila e suas implicaes socioeconmicas e ambientais no bairro Olarias, em Teresina. 2005. 116 p. Dissertao (Mestrado) Universidade Federal do Piau Ncleo de Referencia em Cincias Ambientais do Trpico Ecotonal do Nordeste TROPEN, Teresina, 2005.

    8. RIBEIRO, L. M. O papel das representaes sociais na educao ambiental. Dissertao de Mestrado, pela Pontifica Universidade Catlica. Departamento de Educao. Programa de Ps-Graduao em Educao. Rio de Janeiro, 2003. Disponvel em: http://www.nima.puc-rio.br/cursos/pdf/007_luciana.pdf. Acessado em: 22 mar. 2013.

    9. TERESINA. Teresina em dados Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenao Geral. Teresina. SEMPLAM/PMT, 2004.

    10. TRIGUEIRO, A. Meio ambiente no sculo 21: 21 especialistas falam da questo ambiental nas suas nas suas reas de conhecimento. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

    11. VIANA, Bartira Araujo da Silva. Minerao de materiais de construo civil em reas urbanas: impactos socioambientais dessa atividade em Teresina, PI. 2007. 244 p. Dissertao (Mestrado) Universidade Federal do Piau Ncleo de Referencia em Cincias Ambientais do Trpico Ecotonal do Nordeste TROPEN, Teresina, 2007.

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