Demonstrao dos Fluxos de Caixa - 20DFC%20como%20instrumento%2 Demonstrao dos Fluxos de Caixa

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    31-Aug-2018

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  • Demonstrao dos Fluxos de Caixa como instrumento da Governana ANTECEDENTES Na dcada de 80, no ambiente empresarial-societrio dos Estados Unidos, uma das questes mais discutidas foi a da governana corporativa e o problema da motivao e controle dos gestores na busca pela maximizao do valor para os acionistas. Do ponto de vista tcnico e de mtricas para medir os resultados do aumento de valor das organizaes, o desempenho avaliado pelos lucros foi fortemente questionado. Danny DeVito, no filme Other Peoples Money, retrata muito bem esta questo quando, numa assemblia de acionistas, afirma: a menos que eu esteja enganado, a razo pela qual vocs se tornaram acionistas foi para ganhar dinheiro. Assim, uma pergunta fundamental foi levantada pelos acionistas aos gestores contratados: afinal de contas, o que vocs esto fazendo com o nosso dinheiro? Em 1988, o Federal Accounting Standards Board, rgo mximo na determinao dos procedimentos contbeis naquele pas, passou a exigir, a partir de 15.07.88, a emisso, junto com as demais demonstraes financeiras, da demonstrao dos fluxos de caixa. Cabe lembrar, que a demonstrao dos fluxos de caixa uma ferramenta gerencial tradicional na rea financeira. Ela apresentada no texto Administrao Financeira, de Robert W. Johnson, de 1.962. Na poca, a denominao era fluxo de fundos ao invs de fluxo de caixa. No Brasil, desde 1989, as entidades ligadas ao mercado de capitais a APIMECAssociao dos Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais uma delas - so defensoras da substituio da Demonstrao das Origens e Aplicaes de Recursos pela Demonstrao dos Fluxos de Caixa. No entanto, somente com o advento da Lei 11.638/07, a referida pea contbil se tornou obrigatria para as empresas de grande porte. A DEMONSTRAO DOS FLUXOS DE CAIXA - DFC A forma de apresentao foi disciplinada pelo Pronunciamento Tcnico CPC 3, de 13 de junho de 2008, e integra o conjunto dos procedimentos contbeis que esto caminhando para

    A Demonstrao dos Fluxos de Caixa passou a fazer parte do conjunto das demonstraes financeiras obrigatrias, para ser um instrumento de controle para os acionistas, podendo ser considerada, desta forma, uma das ferramentas da Governana Corporativa

    O CPC Comit de Pronunciamentos foi criado em 2005, com o objetivo de realizar a convergncia da contabilidade brasileira s normas internacionais de contabilidade

  • convergncia da contabilidade brasileira s normas internacionais de contabilidade. Para responder a pergunta chave - afinal de contas, o que vocs (gestores) esto fazendo com o nosso dinheiro ? a DFC apresenta trs fluxos que impactam o caixa:

    Das operaes Dos investimentos Dos financiamentos

    O resultado dos trs fluxos impacta o saldo de caixa e equivalentes da empresa. Vejamos o caso de uma grande empresa do setor de embutidos, a partir de suas demonstraes financeiras de 31.12.08, encaminhadas CVM Comisso de Valores Mobilirios: ------------------------------------------------------------------------------------- Saldo de caixa e equivalentes em 31.12.07 R$ 1.108.028 mil Saldo de caixa e equivalentes em 31.12.08 R$ 1.233.445 mil ------------------------------------------------------------------------------------- Neste caso, a DFC vai demonstrar, por intermdio dos trs fluxos acima mencionados, de onde vieram os recursos para que o saldo de caixa da empresa aumentasse em R$ 125.417 mil. Fluxo de Caixa das Operaes O fluxo de caixa das operaes responde a uma das grandes perguntas levantadas pelos acionistas: se a empresa est apresentando lucros, qual a razo do nosso fluxo de caixa operacional estar negativo ? Ou, se a empresa est gerando prejuzos, como nosso fluxo de caixa operacional pode ser positivo ? Para demonstrar esta situao, o lucro ou prejuzo lquido apresentado na DRE - Demonstrao do Resultado do Exerccio ajustado por dois fatores:

    Receitas, custos e despesas que foram registradas na DRE, mas no movimentam recursos de caixa; e,

    Variao de contas do ativo e passivo que expressam

    modificaes nas polticas financeiras de curto prazo praticadas empresa, bem como alteraes no nvel de atividades.

    No caso da empresa que estamos acompanhando temos a seguinte situao:

    Os equivalentes de caixa so mantidos com a finalidade de atender a compromissos de caixa de curto prazo e no para investimento ou outros fins. Para ser considerada equivalente de caixa, uma aplicao financeira deve ter conversibilidade imediata em um montante conhecido de caixa e estar sujeita a um insignificante risco de mudana de valor.

  • ---------------------------------------------------------------------------------- Resultado Lquido do Exerccio 2008 R$ 54.372 mil Caixa Lquido das Atividades Operacionais R$ 634.610 mil ---------------------------------------------------------------------------------- Neste caso a questo a ser respondida : como a empresa apresentou um lucro lquido, na ltima linha, de R$ 54.372 mil, e pode ter gerado um fluxo de caixa decorrente das atividades operacionais da ordem de R$ 634.610 mil ? Vejamos a resposta na Demonstrao dos Fluxos de Caixa apresentada CVM pela empresa, no que se refere ao Caixa Lquido das Atividades Operacionais: Quadro 1 Demonstrao dos Fluxos de Caixa (2008 R$ mil) Caixa Lquido das Atividades Operacionais 4.01 Caixa Lquido Atividades Operacionais 634.6104.01.01 Resultado Lquido do Exerccio 54.3724.01.02 Variaes nos Ativos e Passivos (748.021)4.01.02.01 Contas a Receber de Clientes (194.932)4.01.02.02 Estoques (464.528)4.01.02.03 Fornecedores 255.7714.01.02.04 Pagamento de Contingencias (26.993)4.01.02.05 Salarios/Obrigaes Sociais/Outros (317.339)4.01.03 Outros 1.328.2594.01.03.01 Participaes de Acionistas no Control. 3854.01.03.02 Depreciao/Amortizao/Exausto 448.5654.01.03.03 Amortizao de gio 152.9964.01.03.04 Resultado na Alienao do Permanente 35.6584.01.03.05 Imposto sobre a Renda Diferidos (291.084)4.01.03.06 Proviso/Reverso de Contingencias (34.071)4.01.03.07 Outras Provises 7.7634.01.03.08 Juros e Variaes Cambiais 998.4004.01.03.09 Reconhecimento do Efeito do Plano Vero 04.01.03.10 Efeito da lei 11.638/07 9.647 Como pode ser observado, o Resultado Lquido do Exerccio foi ajustado por dois valores: ----------------------------------------------------------------------------- Resultado Lquido do Exerccio R$ 54.372 mil Variao de Ativos e Passivos (R$ 748.021) mil Outros R$ 1.328.259 mil

    ------------------------ Caixa Lquido das Ativ.Operacionais R$ 634.610 mil -----------------------------------------------------------------------------

  • A variao nos ativos e passivos representa o impacto no fluxo de caixa decorrente das modificaes nas polticas financeiras de curto prazo, dentre elas, as polticas de crdito, as polticas de manuteno de nveis de estoques e as polticas pagamento das compras. No caso acima, representou um impacto negativo no fluxo de caixa da empresa, sendo os principais o aumento nos investimentos em estoques e a reduo substancial provocada na linha de salrios/obrigaes sociais e outros. As perguntas relevantes seriam:

    Quais as alteraes na poltica de estoques ? Quais as causas da reduo da linha salrios/obrigaes ?

    Alm disso, em proporo menor, a empresa obteve um aumento do financiamento de fornecedores (negociao ou prorrogaes ?) e um aumento no investimento em contas a receber de clientes (alterao de prazos, inadimplncia ou aumento nas vendas ?). Note-se que este impacto de R$ 748.021 mil negativos relevante para uma empresa que faturou, no ano, R$ 13,1 bilhes: representa aproximadamente 6% do faturamento. O segundo ajuste outros (que expressam valores que foram lanados como despesa e receita na DRE e no movimentam caixa) foi positivo. Ou seja, foram registradas despesas de carter econmico e contbil, mas que no saram do caixa. Como pode ser observado, duas delas representam a maior parte do valor: ------------------------------------------------------------------------- Depreciao/amortizao/exausto R$ 448.565 mil Juros e variaes cambiais R$ 998.400 mil ------------------------------------------------------------------------- A depreciao representa a recuperao dos investimentos no ativo permanente que a empresa est realizando na precificao dos produtos e os juros e variaes cambiais foram capitalizados nos saldos dos emprstimos e financiamentos. Fluxo de Caixa dos Investimentos Na DFC da empresa que estamos acompanhando, o Caixa Lquido das Atividades de Investimentos foi um investimento de R$ 1.627.560 mil. O quadro 2 abaixo apresenta este segundo grupo da DFC da referida empresa:

  • Quadro 2 Demonstrao dos Fluxos de Caixa (2008 R$ mil) Caixa Lquido das Atividades de Investimentos 4.02 Caixa Lquido Atividades de Investimento (1.627.560)4.02.01 Aplicaes Financeiras (2.733.029)4.02.02 Resgate de Aplicaes Financeiras 2.829.8994.02.03 Aplicaes no Imobilizado (634.511)4.02.04 Aquisies /Formao de Matrizes (208.334)4.02.05 Alienao do Imobilizado 13.0474.02.06 Aquisio de empresas, Liquido do Caixa (796.132)4.02.07 Aplicaes no Diferido (98.493)4.02.08 Outros Investimentos Liquidos (7) Pelo quadro podem ser identificados os principais investimentos (ou desinvestimentos). O valor de R$ 1.617.560 mil, investido pela empresa, foi principalmente em: ------------------------------------------------------------------------- No imobilizado R$ 634.511 mil Aquisio e formao de matrizes R$ 208.334 mil Aquisio de empresas R$ 795.132 mil ------------------------------------------------------------------------- So valores expressivos (estamos sempre pensando no faturamento da empresa, no valor de R$ 13,1 bilhes no referido ano) e que refletem a poltica de investimentos da empresa. Fluxo de Caixa dos Financiamentos Na DFC da empresa que estamos acompanhando, o Caixa Lquido das Atividades de Financiamentos indica um fluxo positivo de R$ 1.118.377 mil. O quadro 3 abaixo apresenta este terceiro grupo da DFC encaminhada CVM pela referida empresa: Quadro 3 Demonstrao dos Fluxos de Caixa (2008 R$ mil) Caixa Lquido das Atividades de Financiamentos 4.03 Caixa Lquido Atividades Financiamento 1.118.3774.03.01 Tomada de Financiamento 3.247.9704.03.02 Pagamento de Financiamento (2.048.750)4.03.03 Aumento de Capital 33.4894.03.04 Dividendos/Juros do Capital Prprio pgto (114.332)

  • Pelo quadro acima, podemos observar que o impacto positivo no fluxo de caixa da empresa, decorrente das atividades de financiamentos, foi causado da tomada lquida de financiamentos no valor de R$ 1.199.220 mil. Infelizmente, a DFC, neste grupo, no indica se os financiamentos tomados so de longo ou de curto prazos. Se quisermos identificar o prazo, precisamos recorrer aos dados do Balano. CONSIDERAES FINAIS Nesta breve apresentao, o objetivo foi levantar os principais fatores de gesto expressos na Demonstrao dos Fluxos de Caixa das empresas. Todas as consideraes feitas, partiram da leitura da referida demonstrao, sem a preocupao de anlise. Seja como membro do conselho de administrao, seja como participante do conselho fiscal, o exame das demonstraes financeiras deve ser feito sempre em conjunto, levando em conta o Relatrio da Administrao, o Balano, a Demonstrao de Resultados do Exerccio, a Demonstrao dos Fluxos de Caixa, a Demonstrao das Mutaes Patrimoniais, as Notas Explicativas e o Parecer dos Auditores. AUTOR: Armando de Santi Filho, membro suplente do Conselho Fiscal da JEREISSATI PARTICIPAES S.A. Foi Superintende Adjunto do Banco do Brasil no estado de So Paulo e Diretor Executivo da Trevisan Escola de Negcios. consultor financeiro e coordenador de cursos de ps-graduao.

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