Demonstrao de Fluxos de Caixa - ?o-de... 1 Demonstrao de Fluxos de Caixa Esquea tudo

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    31-Aug-2018

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    Demonstrao de Fluxos de Caixa

    Esquea tudo o que sabe sobre a Demonstrao de Fluxos de Caixa. Esquea aqueles

    mtodos que lhe ensinaram na faculdade. Faa esse esforo de amnsia seletiva e vamos

    recomear do zero. No se arrepender.

    Em primeiro lugar, devemos ter em mente um conceito muito simples: a demonstrao

    de fluxos de caixa serve para nos informar sobre as entradas e as sadas de dinheiro que

    conduziram ao saldo final de caixa e seus equivalentes, desde um determinado perodo

    de referncia (por norma o incio do exerccio). Este conceito parece-nos primeira

    vista simples. No entanto, por vezes somos confrontados com questes que nos desviam

    deste conceito simples. Por exemplo: os pagamentos que as empresas fazem ao Estado

    das retenes de IRS, Segurana Social (SS) e a prpria SS a cargo da entidade patronal

    um pagamento ao pessoal ou um pagamento ao estado?. Nesta matria, no existe

    nenhum esclarecimento dado pela Comisso de Normalizao Contabilstica (CNC) e as

    opinies divergem largamente. Eu c tenho uma opinio: pagamentos por conta de

    equivalente a pagamentos a. Ou seja: os pagamentos ao estado de retenes efetuadas

    a trabalhadores, ou seja IRS e SS, devem ser considerados pagamentos aos

    trabalhadores. No entanto, a SS a cargo da entidade patronal, no constituindo um

    pagamento ao trabalhador nem por conta deste, meramente um pagamento ao Estado.

    No que ao IVA diz respeito, o IVA liquidado e entregue ao Estado foi recebido de

    clientes e pago ao Estado e o IVA dedutvel, deduzido ao IVA liquidado a pagar ou

    reembolsado pelo Estado, foi pago a fornecedores e recebido do Estado. Estas ideias so

    fundamentais para percebermos claramente algo de que iremos falar mais frente.

    A Demonstrao de Fluxos de Caixa uma das demonstraes financeiras

    obrigatrias para as entidades abrangidas pelo SNC. Segundo o mtodo tradicional que

    ainda ensinado em universidades e politcnicos, (de que certamente j se esqueceram

    como vos pedi), os recebimentos de clientes so iguais ao saldo inicial, mais as vendas,

    menos o saldo final, mais o saldo inicial de acrscimos de proveitos relacionados com

    vendas, menos o saldo final de acrscimos de proveitos relacionados com vendas,

    menos o saldo inicial dos proveitos diferidos relacionados com vendas, mais o saldo

    final dos proveitos diferidos relacionados com vendas, etc., e a meio do clculo j no

    temos bem a noo se havemos de somar ou subtrair o que quer que seja. Impe-se,

    portanto, uma questo: no haver um mtodo mais simples para chegarmos ao valor

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    dos recebimentos de clientes por via de variaes das contas do balancete? H, sim. Mas

    este mtodo nunca foi ensinado em parte alguma.

    Sabemos facilmente identificar que os acrscimos de proveitos relacionados com vendas

    tm impacto na rubrica de recebimentos de clientes, que as variaes das contas de

    existncias tm impacto na rubrica de pagamentos a fornecedores, que os acrscimos de

    gastos com pessoal tm impacto na rubrica de pagamentos ao pessoal e por a em diante.

    Identificar a rubrica onde cada conta do balancete tem impacto relativamente simples.

    Basta pensar na rubrica da Demonstrao de Fluxos de Caixa com a qual ela est

    relacionada. A parte difcil parece estar em identificar se havemos de somar ou subtrair

    uma determinada rubrica. Por exemplo, no clculo dos pagamentos ao pessoal,

    haveremos de somar o saldo inicial dos acrscimos de gastos relacionados com pessoal,

    ou haveremos de subtrair este valor? Com alguma ginstica mental at conseguiramos

    chegar l, mas h um mtodo mais simples.

    O nosso mtodo baseia-se numa derivao matemtica da frmula Ativo = Passivo +

    Capital Prprio. Se considerarmos um balancete com uma coluna com o saldo lquido

    de cada conta (Dbito Crdito), em que as contas do passivo aparecero naturalmente

    com saldo negativo (Credor), a igualdade acima reescrita como Ativo + Passivo +

    Capital Prprio = 0. Assim, temos

    "Ativo n" + "Passivo n" + "CP n" = 0

    "Caixa e equivalentes n" + ("Ativo n" - "Caixa e equivalentes n") + "Passivo n" + "CP n" = 0

    "Caixa e equivalentes n" = [-1] x [("Ativo n" - "Caixa e equivalentes n") + "Passivo n" + "CP n"]

    "Ativo n-1" + "Passivo n-1" + "CP n" = 0

    "Caixa e equivalentes n-1" + ("Ativo n-1" - "Caixa e equivalentes n-1") + "Passivo n-1" + "CP n-1" = 0

    "Caixa e equivalentes n-1" = [-1] x [("Ativo n-1" - "Caixa e equivalentes n-1") + "Passivo n-1" + "CP n-1"]

    "Variao de caixa e equivalentes de caixa" = "Caixa e equivalentes n" - "Caixa e equivalentes n-1"

    = [-1] x [("Ativo n" - "Caixa e equivalentes n") + "Passivo n" + "CP n"] - [-1] x [("Ativo n-1" - "Caixa e

    equivalentes n-1") + "Passivo n-1" + "CP n-1"]

    chegando finalmente seguinte frmula:

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    "Variao de caixa e equivalentes de caixa" = [-1] x [("Ativo n" - "Caixa e equivalentes n") + "Passivo n"

    + "Capital Prprio n"] + [("Ativo n-1" - "Caixa e equivalentes n-1") + "Passivo n-1" + "Capital Prprio n-1"]

    Ou seja, de forma muito simples, a frmula acima diz-nos o seguinte: devemos inverter

    o sinal das contas do balancete do perodo de referncia1, mantendo os sinais do

    balancete comparativo inalterados.

    Depois, s temos de seguir os seguintes passos:

    - Classificar cada conta dos dois balancetes (o balancete do perodo de referncia e o

    balancete do perodo comparativo) com a devida rubrica da Demonstrao de Fluxos de

    Caixa. Refira-se que as contas de resultados do perodo comparativo devem ser

    classificadas numa nica rubrica, que poder chamar Dividendos. Se no houver

    qualquer distribuio de dividendos, a variao das contas de resultados transitados ou

    de reservas corresponder ao valor do resultado do perodo comparativo, e o valor de

    dividendos ser nulo. Caso tenha havido distribuio de dividendos, esta corresponder

    diferena entre o resultado do perodo comparativo e a variao de resultados

    transitados e reservas.

    1 Nota: invertemos tambm o saldo das contas de caixa e equivalentes, muito embora este volte ao seu sinal inicial na Demonstrao de Fluxos de Caixa. O sinal das contas do balancete do perodo comparativo mantem-se inalterado.

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    - Depois, ser necessrio agregar os saldos das contas dos balancetes2 por cada rubrica

    da Demonstrao de Fluxos de Caixa. Isto poder ser efetuado recorrendo a uma tabela

    dinmica (Pivot table), colocando em Rtulos de Linha (Row Labels) as rubricas da

    Demonstrao de Fluxos de Caixa e em Valores (Sum Values) a coluna que contem o

    valor a considerar2.

    Aps esta agregao, dever efetuar os seguintes ajustamentos:

    1. Ao valor dos recebimentos de clientes, adicionar o valor do IVA liquidado aos

    clientes durante o perodo, uma vez que as vendas anteriormente consideradas se

    encontram lquidas de IVA e os saldos de clientes, pelo contrrio, contm IVA a

    receber, e retirar esse mesmo valor aos outros pagamentos/recebimentos, dado

    se tratar de um recebimento (ou abatimento ao valor a pagar) do Estado.

    2. Ao valor dos pagamentos a fornecedores, adicionar o valor do IVA dedutvel,

    uma vez que o valor das compras anteriormente considerado se encontra lquido

    de IVA e os saldos de fornecedores, pelo contrrio, contm IVA a pagar, e

    retirar esse mesmo valor aos outros pagamentos/recebimentos, dado se tratar

    de um pagamento ao Estado.

    3. Ao valor dos pagamentos aos trabalhadores, retirar o valor da contribuio da

    entidade empregadora para a Segurana Social, e acrescentar ao valor dos

    outros pagamentos/recebimentos, dado se tratar de um pagamento ao Estado.

    4. Segregar o valor de financiamentos obtidos entre recebimentos e pagamentos,

    uma vez que o valor obtido o agregado entre recebimentos e pagamentos.

    5. Segregar o valor de pagamentos e recebimentos de activos fixos tangveis,

    intangveis, bem como de outros investimentos, uma vez que o valor obtido o

    agregado entre recebimentos e pagamentos.

    2 No caso do balancete do perodo de referncia deve aparecer com os saldos invertidos e no caso do balancete do perodo comparativo devem aparecer com saldos no invertidos.

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    Elaborar uma Demonstrao de Fluxos de Caixa utilizando o

    PowerTools, da L.A.INNOVATIS.

    Exemplo:

    1. Dispor o balancete do perodo de referncia e o balancete do perodo comparativo

    em coluna. Indicar numa coluna, se se trata do balancete do perodo de referncia com o

    nome Final ou se se tratar do balancete do perodo comparativo com o nome Inicial.

    2. Inverter o saldo das contas do balancete Final numa nova coluna (chamemos a

    essa coluna Sinal, tal como indicado na figura abaixo).

    3. Classificar as rubricas do TB com a ajuda da funo RUBRICADFCAIXA(

    INICIAL/FINAL ; CONTA ), tal como indicado abaixo. Note-se que os saldos do

    balancete final est com o sinal invertido.

    4. Fazer uma tabela dinmica (pivot table) numa nova folha com as colunas "Rubrica"

    e "Sinal". A tabela dinmica dever comear na clula A1.

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    5. Posicionar-se na clula D1 ou D2, por exemplo, e carregar no boto "Automate DF

    Caixa":

    6. Alocar manualmente as rubricas indicadas com "#Alocar manualmente devida

    rubrica", como feito para as 3 primeiras linhas abaixo.

    7. Se tudo foi feito corretamente, a variao de caixa deve estar justificada pelos

    movimentos indicados na Pivot e a diferena abaixo assinalada dever ser nula.

    8. Efetuar os ajustamentos identificados na pgina 4 nas colunas A e B, tal como pode

    ser visto na imagem abaixo.

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    9. Rever criticamente a Demonstrao de Fluxos de Caixa. Verificar se todas as linhas

    dos dois balancetes esto corretamente classificadas.

    Nota final: O mtodo acima explicado um mtodo indireto de construo da

    Demonstrao de Fluxos de Caixa pelo mtodo direto. [Leu bem: um mtodo indireto

    de fazer pelo mtodo direto.] De referir que o mtodo teoricamente mais indicado o

    mtodo direto de construo da Demonstrao de Fluxos de Caixa pelo mtodo direto, o

    qual passa pela classificao integral de todos os movimentos de Caixa e seus

    equivalentes.

    Bom trabalho!

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