Da Grandeza Das Escrituras

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    19-Nov-2015

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Este e-book completamente grtis uma breve exposio do primeiro captulo da Confisso de f de Westminster - este material pode ser usado como uma introduo Bibliologia ou mesmo como um recurso para aulas de Escolas Dominicais.

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  • www.centrodeestudospresbiteriano.blogspot.com

    CENTRO DE ESTUDOS PRESBITERIANO

    2015

    DA GRANDEZA DAS

    ESCRITURS

    Uma Exposio do Primeiro Captulo da Confisso de F de Westminster

    Pr. Joo Ricardo Ferreira de Frana.

    W W W . C E N T R O D E E S T U D O S P E S B I T E R I A N O . B L O G S P O T . C O M

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    2

    CENTRO DE ESTUDOS PRESBITERIANO

    ESTUDOS NA CONFISSO DE F DE WESTMINSTER

    Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana.

    A GRANDEZA DAS

    ESCRITURAS

    Teresina, 2013.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    3

    SUMRIO

    DEDICATRIA. ...................................................................................................................... 9

    APRESENTAO. ................................................................................................................ 10

    Captulo 1 ................................................................................................................................ 11

    A ORIGEM DA CONFISSO DE F DE WESTMINSTER ............................................ 11

    1 ANTECEDENTES HISTRICOS DA CONFISSO DE F DE WESTMINSTER ....... 11

    1.1 A Inglaterra Catlica: ................................................................................................... 11

    1.2 Os Puritanos: Os Pais da Confisso de F de Westminster. ........................................ 12

    2 A ASSEMBLEIA DE WESTMINSTER. .......................................................................... 13

    3 ORGANIZAO TEOLGICA DA CONFISSO DE F DE WESTMINSTER ......... 14

    Concluso: ................................................................................................................................ 16

    Captulo 2 ................................................................................................................................ 17

    TEOLOGIA DA REVELAO ........................................................................................... 17

    1 A REVELAO GERAL. ................................................................................................. 18

    1.1 O Que a Revelao Geral? ....................................................................................... 18

    1.1.1 Revelao Geral Imediata. ........................................................................................ 18

    1.1.2 Revelao Geral Mediata: ........................................................................................ 20

    1.2 A Revelao Geral E O Conhecimento Redentivo. .................................................... 21

    2 REVELAO ESPECIAL. ............................................................................................... 21

    2.1 A Natureza desta Revelao: ...................................................................................... 22

    2.1.1 Ela era Progressiva .................................................................................................. 22

    2.1.2 Ela era Orgnica: ...................................................................................................... 22

    2.2 A Finalidade da Revelao Especial: .......................................................................... 23

    2.2.1 Preservao da Verdade: .......................................................................................... 23

    2.2.2 Propagao da Verdade: ........................................................................................... 23

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    4

    2.2.3 A Santidade da Igreja ............................................................................................... 23

    3 CARACTERSTICAS DA REVELAO. ....................................................................... 24

    3.1 - Uma Revelao Completa: Foi Servido Escrever Toda ........................................ 24

    3.2 - uma Revelao Suficiente: Isto Torna A Escritura Indispensvel, Tendo Cessado As Antigas Formas De Deus Se Comunicar. ...................................................................... 24

    Concluso: ................................................................................................................................ 24

    Captulo 3 ................................................................................................................................ 26

    A NATUREZA DAS ESCRITURAS. ................................................................................... 26

    1. A SACRALIDADE DA PALAVRA. .................................................................................. 26

    1.1 Significa que a palavra santa porque fruto da vontade de deus. ............................ 26

    1.2 Significa que a escritura assim adjetivada porque separada dos demais livros. .... 27

    2. A BBLIA COMO PALAVRA DE DEUS. ......................................................................... 27

    2.1 O Liberalismo Teolgico. ............................................................................................ 27

    2.2 O Barthianismo ou Neo-Ortodoxia.............................................................................. 28

    3. A UNIDADE DA PALAVRA DE DEUS. ........................................................................... 29

    4. A PALAVRA DE DEUS COMO NOSSA REGRA. ........................................................... 31

    4.1 Uma Regra de F. ........................................................................................................ 31

    4.2 Uma Regra de Conduta................................................................................................ 32

    Concluso: ................................................................................................................................ 32

    Captulo 4 ................................................................................................................................ 33

    O CNON DAS SAGRADAS ESCRITURAS. .................................................................... 33

    1. A DOUTRINA DA CANONICIDADE DAS ESCRITURAS. ........................................... 33

    1.1 A Estrutura Cannica do Antigo Testamento .............................................................. 34

    1.2 A Estrutura Cannica do Novo Testamento ................................................................ 36

    2. CRITRIOS PARA A CANONICIDADE. ......................................................................... 37

    2.1 Apostolicidade. ............................................................................................................ 37

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    5

    2.2 Leitura Eclesistica. ..................................................................................................... 37

    2.3 A Harmonia Doutrinria .............................................................................................. 38

    2.4 A Inspirao ................................................................................................................. 38

    2.4.1 - Concepo de Inspirao Dinmica: ......................................................................... 39

    2.4.2 - Concepo de uma Iluminao: ................................................................................ 39

    2.4.3 A Concepo de Inspirao Plenria: ....................................................................... 39

    2.4.4 A Concepo da Inspirao Verbal: ......................................................................... 39

    3. A DOUTRINA DA CANONICIDADE E OS APCRIFOS .............................................. 40

    3.1 - Por no serem Inspirados possuem Autoridade sobre A Igreja. .................................. 40

    3.2 Devem ser empregados como Meros Livros Humanos. .............................................. 40

    Concluso: ................................................................................................................................ 41

    Captulo 5 ................................................................................................................................ 42

    A AUTORIDADE DAS ESCRITURAS SAGRADAS I. ..................................................... 42

    4.1 uma Doutrina atestada por Cristo:............................................................................ 42

    4.2 uma Doutrina atestada Pelos Apstolos: .................................................................. 43

    4.3 A Negao da Autoridade das Escrituras: ................................................................... 44

    4.3.1 - O Dispensacionalismo: ............................................................................................. 44

    4.3.2 - A Neo-Ortodoxia e o Liberalismo Teolgico. ......................................................... 44

    4.3.3 - O Tradicionalismo .................................................................................................... 45

    Captulo 6 ................................................................................................................................ 48

    A AUTORIDADE DAS ESCRITURAS SAGRADAS II. ................................................... 48

    1 O TESTEMUNHO DA IGREJA E A AUTORIDADE DAS ESCRITURAS SAGRADAS. .................................................................................................................................................. 48

    1.1 O Testemunho da Igreja nos move e induz a aceitar a autoridade das Escrituras. ...... 48

    1.1.1 - Na Experincia Apostlica: ....................................................................................... 49

    1.1.2 - Na Suficincia da Palavra de Deus: .......................................................................... 49

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    6

    1.2 O Testemunho da Igreja nos leva a ter um alto conceito a respeito da autoridade das Escrituras. ............................................................................................................................. 49

    2 - AS CARACTERSTICAS INTERNAS APONTAM PARA A AUTORIDADE DIVINA DAS ESCRITURAS. ................................................................................................................ 50

    2.1 A Sublimidade de seu contedo: ................................................................................. 50

    2.2 A Harmonia e a perfeio das Escrituras apontam para a autoridade das mesmas. .... 50

    3 O TESTEMUNHO INTERNO DO ESPRITO SANTO E A AUTORIDADE DIVINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS. ......................................................................................... 52

    Captulo 7 ................................................................................................................................ 54

    A SUFICINCIA DAS ESCRITURAS. ............................................................................... 54

    1 - O QUE O SOLA SCRIPTURA? ..................................................................................... 55

    2 - O SOLA SCRIPTURA O QUANTO AS ESCRITURAS SO SUFICIENTES? ......... 56

    3 - O SOLA SCRIPTURA E A DOUTRINA DA ILUMINAO DO ESPRITO SANTO. 58

    4 - O SOLA SCRIPTURA E AS QUESTES INDIFERENTES. ..................................... 58

    Captulo 8 ................................................................................................................................ 60

    A CLAREZA DAS ESCRITURAS ....................................................................................... 60

    1 NEM TUDO EST CLARO NAS ESCRITURAS. ........................................................... 60

    1.1. Devido natureza do contedo da Bblia. .................................................................. 61

    1.2. Por causa da corrupo do homem. ............................................................................ 61

    1.3. A prpria Bblia reconhece certa dificuldade no seu entendimento. ............................ 61

    2 A ESCRITURA: SUA CLAREZA PARA A SALVAO ............................................. 62

    2.1 Que a Prpria Escritura declara sua prpria clareza. ................................................... 62

    2.2 Que sendo uma revelao escrita destina-se nossa compreenso. ............................ 63

    2.3 Que a Escritura destinada a todos os homens, ou a todos os crentes. ....................... 63

    Captulo 9 ................................................................................................................................ 64

    A PRESERVAO DAS ESCRITURAS ............................................................................ 64

    INTRODUO ........................................................................................................................ 64

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    7

    1 DEFININDO A DOUTRINA ............................................................................................. 65

    2 IMPLICAO DA DOUTRINA ....................................................................................... 66

    1. Envolve a providncia: .................................................................................................... 66

    2. Envolve a convico de que a Escritura um dom de Deus dado Igreja: .................... 66

    3 PROVA BBLICA DA DOUTRINA: ................................................................................ 66

    Captulo 10 .............................................................................................................................. 67

    A INTERPRETAO DAS ESCRITURAS. ...................................................................... 67

    1. DEFINIO DA DOUTRINA: ........................................................................................... 67

    2- A NECESSIDADE DA HERMENUTICA. ...................................................................... 68

    2.1 - As Duas Naturezas da Bblia: ...................................................................................... 69

    2.1.2 - A Bblia como Livro Humano. .................................................................................. 69

    2.1.2.1 - O Problema do contexto Histrico: ....................................................................... 69

    2.1.2.2 - O Problema da cultura: .......................................................................................... 70

    2.1.2.3 - O Problema da Lngua: ......................................................................................... 70

    2.1.3 - A Bblia como livro divino: ...................................................................................... 71

    3 A REGRA UREA DA INTERPRETAO BBLICA: SCRIPTURA, SCRIPTURAE INTERPRES. ............................................................................................................................ 71

    4. OS MTODOS DE INTERPRETAO E O SENTIDO AUTORAL ............................... 72

    4.1 Que devem ser rejeitados todos os mtodos de interpretao de multiplicidade de sentidos: ................................................................................................................................ 72

    4.1.1 Mtodo Alegrico de Interpretao: ......................................................................... 73

    4.1.2 Mtodo de Espiritualizao ..................................................................................... 73

    4.2 A Inteno do Autor afirmada na Confisso de F de Westminster ......................... 74

    CONCLUSO: ......................................................................................................................... 75

    Captulo 11 .............................................................................................................................. 76

    A SUPREMACIA DAS ESCRITURAS. .............................................................................. 76

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    8

    1 A BBLIA COMO JUIZ SUPREMO: ................................................................................ 77

    1.1. Porque ela estabelece o que se deve crer em todas as controvrsias religiosas: ........... 77

    1.2.1 As decises conciliares: ............................................................................................ 79

    1.2.2 As opinies particulares: .......................................................................................... 79

    2 A BBLIA E A SEGURANA DOUTRINRIA DA IGREJA. ....................................... 79

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS: .................................................................................... 81

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    9

    DEDICATRIA.

    Dedico este trabalho minha esposa Gssica Arajo Soares Nascimento

    de Frana que me tem mostrado a importncia das Sagradas Escrituras para o

    nosso casamento.

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    10

    APRESENTAO.

    O texto que o leitor lana os olhos o resultado de alguns anos de estudos

    e meditao sobre a temtica desenvolvida aqui. Falar sobre as Sagradas

    Escrituras em um tempo em que nos parece que a Igreja Evanglica Brasileira

    tem se permitido viver longe das pginas das Escrituras desafiador.

    Esta obra foi desenvolvida e aplicada em lugares diferentes. Ela comeou

    no ano de 2000 na Igreja Presbiteriana do Ibura em Recife PE. Onde

    mantnhamos uma classe de Estudos na Confisso de F de Westminster

    destinada aos que seriam batizados ou professar a f um discipulado sobre as

    doutrinas de nossa Igreja. Naquela ocasio as aulas eram tipo esboos com os

    tpicos seguidos da exposio de professor.

    No segundo momento esta obra tambm foi apresentada Congregao

    Presbiteriana de Prazeres em Jaboato dos Guararapes PE; antes filiada IPB

    (hoje Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil) sendo utilizada com um

    cunho apologtico. Posteriormente aplicamos estes estudos na Congrega

    Presbiteriana de So Raimundo Nonato no Piau. Mas, foi na Congregao

    Presbiteriana de Todos os Santos em Teresina que o trabalho assume a forma

    atual. Sendo aulas da Escola Dominical tendo como objetivo apresentar de

    forma sistmica o pensamento reformada a respeito das Escrituras Sagradas.

    O nosso desejo que Deus utilize este trabalho para a edificao da Igreja

    de Cristo. Ele pode ser usado nas Escolas Dominicais ou reunies doutrinais da

    Igreja, bem como para discipulados e estudos dirigidos, visando sempre a Glria

    de Deus em tudo.

    Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    Presidente do Centro de Estudos Presbiteriano.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    11

    Captulo 1

    A ORIGEM DA CONFISSO DE F DE WESTMINSTER

    Introduo:

    Falar sobre a confessionalidade em nossos dias tornou-se algo ultrapassado, algo de

    um tempo to distante que parece ser totalmente irrelevante. Muitos presbiterianos

    desconhecem sua identidade bblico-teolgica. Boa parte desta ignorncia se d pelo simples

    fator de no conhecer a histria da igreja. Isso abarca todos os crentes e de modo particular os

    presbiterianos. Como algum acertadamente disse:

    Todavia, ocorre que muitos presbiterianos ignoram a sua identidade, no sabem exatamente o que so, como indivduos e como igreja. No conhecendo suas origens histricas, teolgicas, denominacionais [...] muitas vezes quando questionados por outras pessoas quanto as suas convices e prticas, sentem-se frustrados com sua incapacidade de expor de modo coerente e convincente as suas posies1

    Isso percebido na falta de conhecimento que muitas de nossas igrejas tem da

    Confisso de F de Westminster e dos catecismos maior e breve. Este breve estudo visa

    apresentar de modo geral, tambm lacnico, a histria da nossa Confisso de F.

    1 ANTECEDENTES HISTRICOS DA CONFISSO DE F DE

    WESTMINSTER.

    1.1 A Inglaterra Catlica:

    A Inglaterra havia sido catlica Romana at o ano 1534. Mas, o rei Henrique VIII

    rompeu com essa tradio, e assim criou a Igreja Nacional da Inglaterra conhecida como

    Igreja Anglicana. Desta feita o rei passou a ser o lder supremo da Igreja, embora houvesse

    esse rompimento esta igreja nacional ficou com a teologia catlica romana como expresso de

    sua f.

    1 NASCIMENTO, Ado Carlos. & MATOS, Alderir de Sousa. O que todo Presbiteriano Inteligente deve Saber,

    So Paulo: Socep, 2007, p.9

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    12

    No ano de 1547 morre HenriqueVIII, e sobe ao trono o seu filho Eduardo VI que s

    tinha nove anos2. Ele sob a influncia de seu tio o duque de Somerset que era simpatizante

    do protestantismo. Fez com que Eduardo implantasse reformas significativas na Igreja da

    Inglaterra, entre muitas citamos algumas: comeou-se a administrar a Ceia de ambas as

    espcies [ o vinho dado aos leigos, ao povo], permitiu-se o matrimnio do clero, e foram

    retiradas as imagens das igrejas.3No avano da teologia da reforma protestante na Inglaterra

    foi a elaborao, sob a liderana de Thomas Cranmer, dois importantes documentos, ambos

    influenciados pela teologia calvinista: Os Trinta e Nove Artigos e o Livro de Orao

    Comum. Vrias outras reformas foram realizadas, tendo-se a impresso de que a f protestante

    iria triunfar.Todavia, a morte prematura do jovem rei, em 1553, interrompeu bruscamente este

    processo.4

    Aps a morte de Eduardo VI sobe ao poder a sua meia-irm chamada Maria Tudor [

    conhecida como Maria, a sanguinria] catlica romana de devoo desejou levar a Igreja da

    Inglaterra de volta para Igreja Catlica Romana. Muitos lderes religiosos foram mortos,

    incluindo o Cranmer, na fogueira por serem protestantes. E muitos outros foram exilados ou

    expulsos da Inglaterra, uma boa porte destes foram para a cidade de Genebra na Suia, onde

    o reformador Joo Calvino tinha grande influncia e ensinava a Palavra de Deus. E muitos

    destes ingleses absorveram os ensinos da f reformada, depois, de um longo tempo, aps a

    morte de Maria Tudor, sobe ao trono ingls Elizabete para um longo reinado de 45 anos ela

    tinha inclinaes protestantes. Logo aps ela concedeu permisso aos protestantes exilados de

    retornar para a Inglaterra.

    1.2 Os Puritanos: Os Pais da Confisso de F de Westminster.

    Neste processo todo surgiu um movimento que era apegado teologia Calvinista. Eles

    queriam uma igreja pura, um estado puro e um culto puro. Da eles foram pejorativamente

    2 CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Atravs dos Sculos. Traduo: Israel Belo de Azevedo & Valdemar Kroker. So

    Paulo: Vida Nova, 2008, p.299.

    3 GONZLEZ, Justo L. Histria Ilustrada do Cristianismo. Traduo: Itamir Neves de Souza. So Paulo: Vida Nova,

    2011, volume 2, p. 75.

    4 NASCIMENTO, Ado Carlos. & MATOS, Alderir de Sousa. O que todo Presbiteriano Inteligente deve Saber,

    So Paulo: Socep, 2007, p 67-68.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    13

    chamados de puritanos. Um escritor lembra-nos que o Puritano no podia mais ficar

    satisfeito com uma igreja [ a Igreja da Inglaterra] parcialmente reformada, mas desejava uma

    Igreja plenamente Reformada5

    O que o puritanismo? O puritanismo foi parte do movimento da Reforma

    Protestante na Inglaterra [...] comeou especificamente como um movimento especificamente

    eclesistico [...] comeou com uma reforma litrgica, mas desenvolveu-se numa atitude

    distinta em relao vida.6 Lloyd-Jones nos diz o puritanismo verdadeiro, eu sustento, se

    acha ultima e finalmente no presbiterianismo7.

    2 A ASSEMBLEIA DE WESTMINSTER.

    Aps a morte de Elisabete, Tiago VI da Esccia, filho de Maria Stuart, educado como

    presbiteriano na Esccia, tornara-se Tiago I da Inglaterra todavia, queria manter um sistema

    episcopal eclesistico, e assim, decepcionando os puritanos. Tiago foi sucedido por seu filho

    Carlos I.

    Carlos I era um catlico romano decidido. Ele desejava tornar a Igreja da Esccia e da

    Inglaterra a se tornar uma igreja governada pelos bispos [ e assim destruir a noo

    presbiteriana da Esccia]. Carlos I se tornou alvo dos escoceses que se uniram aos Ingleses e

    derrotaram o rei.

    O Parlamento Ingls decidiu convocar uma Assembleia para tratar das questes

    pertinentes ao culto, teologia, e ao governo da Igreja da Inglaterra. Foram convocados 121

    telogos. As pessoas destinadas a constituir essa Assembleia eram citadas na convocao, e

    compreendiam a flor da Igreja naquela poca.8

    5 LLOYD-JONES, David Martyn. O Puritanismo e suas origens. So Paulo: PES, p.30

    6 RYKEN, Leland. Santos no Mundo Os Puritanos como Realmente Eram. So Paulo: FIEL, 1992, p.22.

    7 LLOYD-JONES, David Martyn. O Puritanismo e suas origens. So Paulo: PES, p.33

    8 HODGE, Alexander A. Confisso de F de Westminster Comentada. Traduo: Valter Graciano Martins. So

    Paulo: Os Puritanos, 2010, p.41.

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    14

    bom lembrar que inicialmente a assembleia recebeu a incumbncia de revisar os

    Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra a fim de remover quaisquer vestgios de

    arminianismo ou catolicismo romano.9

    A Assembleia de Westminster iniciou seus trabalhos na majestosa abadia com esse

    nome, em Londres, no dia 1 de julho de 1643, e continuou em atividade durante cinco anos e

    meio.10

    Os documentos produzidos nesta distinta Assembleia foram os seguintes: 1. A

    Confisso de F; 2. O Catecismo Maior & Breve 3. O Diretrio de Culto; 4. Forma de

    Governo Eclesistico e ordenao; 5. O Saltrio. Esses documentos molduram para ns o

    pensamento, a teologia e a piedade presbiteriana.

    3 ORGANIZAO TEOLGICA DA CONFISSO DE F DE

    WESTMINSTER.

    A forma como a Confisso de F de Westminster foi escrita e organizada, mostra a

    mente sistematizadora dos puritanos para com as doutrinas bblicas da palavra de Deus.

    Seguindo um todo harmnico eles colocaram de forma ordeira e sistemtica toda a doutrina

    bblica na confisso. Esse sistema, sumarizado em captulos, pode se colocado de modo

    prtico como segue abaixo:11

    Como posso saber com certeza qual a verdade suprema?

    Das Sagradas Escrituras

    Existe uma Fonte suprema da verdade?

    De Deus e da Santssima Trindade

    H Algum no Controle do Mundo?

    Dos Decretos Eternos de Deus

    Da Criao 9 LUCAS, Sean Michael. O Cristo Presbiteriano Convices, Prticas e Histrias. Traduo: Elizabeth Gomes.

    So Paulo: Cultura Crist, 2011, p. 126.

    10 NASCIMENTO, Ado Carlos. & MATOS, Alderir de Sousa. O que todo Presbiteriano Inteligente deve Saber,

    So Paulo: Socep, 2007, p 67-68.

    11 KENNEDY, D. James. Como Deus Verdades Transformadoras sobre um Deus Imutvel. Traduo: Josu

    Ribeiro. So Paulo: Cultura Crist, 2000,23-24.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    15

    Da Providncia divina

    Se existe um Deus, ento por que...?

    Da queda do homem, do pecado e do seu castigo

    Existe alguma esperana?

    Do pacto de Deus com o homem

    De Cristo, o Mediador

    Do livre-arbtrio

    Da Vocao Eficaz

    Da Justificao

    Da Adoo

    Da Santificao

    Da f salvadora

    Do arrependimento para a vida

    Das boas Obras

    Da perseverana dos Santos

    Da certeza da graa e da salvao

    Ento como devo viver?

    Da lei de Deus

    Da liberdade crist e da liberdade de conscincia

    Do culto religioso e do domingo

    Dos juramentos e votos legais

    Qual deve se a minha relao com os outros?

    Do magistrado civil

    Do matrimnio e do divrcio

    Da Igreja

    Da comunho dos santos

    Como Deus lidera seu povo hoje?

    Dos sacramentos

    Do batismo

    Da Ceia do Senhor

    Das censuras eclesisticas

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    16

    Dos snodos e conclios

    Para onde estou indo?

    Do estado do homem depois da morte e da ressurreio dos mortos

    Do juzo final.

    Concluso:

    Este breve histrico uma introduo primria identidade presbiteriana ligada a

    confessionalidade da nossa Igreja. Esta srie de estudos tem como objetivo traze lume estas

    verdades sistematizadas pela Confisso de F de Westminster, mostrando assim, os laos de

    unidade doutrinria que temos com o presbiterianismo mundial.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    17

    Captulo 2

    TEOLOGIA DA REVELAO

    SEO I

    I. Ainda que a luz da natureza e as obras da criao e da providncia de tal modo

    manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusveis,

    contudo no so suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade

    necessrio para a salvao; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes

    modos, revelar-se e declarar sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor

    preservao e propagao da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da

    Igreja contra a corrupo da carne e malcia de Satans e do mundo, foi igualmente

    servido faz-la escrever toda. Isto torna indispensvel a Escritura Sagrada, tendo cessado

    aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.

    Ref. - Sal. 19: 1-4; Rom. 1: 32, e 2: 1, e 1: 19-20, e 2: 14-15; I Cor. 1:21, e 2:13-14; Heb. 1:1-

    2; Luc. 1:3-4; Rom. 15:4; Mat. 4:4, 7, 10; Isa. 8: 20; I Tim. 3: I5; II Pedro 1: 19.

    Estamos diante de uma grande declarao de f. Chama-nos a ateno o fato de que a

    Confisso de F de Westminster no comece sua declarao doutrina com o estudo do ser de

    Deus. Por qu? Qual a razo dos telogos puritanos no iniciarem sua confessionalidade com

    o ser de Deus? As teologias sistemticas de nossos dias comeam com esta noo em primeiro

    plano, mas a nossa Confisso de F no segue este caminho.

    A resposta para esta posio est no fato de que ns no podemos conhecer a Deus

    sem que primeiro ele se revele a ns. de fundamental importncia reconhecermos que o

    estudo da Teologia no em primeiro plano o estudo do ser de Deus, mas o estudo de sua

    revelao, ou como coloca-nos Gordon Clarck: A Escritura fala-nos de Deus; por isso,

    deveramos estud-la 12 Esta a razo principal pela qual devemos sempre estudar a Bblia.

    12

    CLARCK, Gordon. H. Em Defesa da Teologia. Tradutor: Marcos Jos Soares de Vasconcelos. Braslia: Editora Monergismo, 2010, p.21.

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    18

    A Bblia em sua totalidade fala-nos de um ser Soberano governador de todas as coisas

    isso pressuposto por todos aqueles que acr18editam ser a Bblia uma fonte confivel da

    verdade. O que podemos aprender desta primeira seo da Confisso de F de Westminster?

    1 A REVELAO GERAL.

    A primeira questo a ser entendida deve ser o conceito fundamental do que venha a ser

    revelao. O que revelao? James I. Packer nos apresenta o seguinte conceito mostrando

    que o termo procede do latim revelare e significa tirar o vu ou descobrir 13 Este o

    conceito mais bsico que podemos ter a respeito deste vocbulo.

    1.1 O Que a Revelao Geral?

    Podemos apresentar a questo da revelao sob a seguinte definio como aquela

    forma de Deus se revelar por meio das coisas que foram criadas a revelao geral tem dois

    aspectos: (1) Revelao Geral Imediata (2) Revelao Geral Mediada.

    1.1.1 Revelao Geral Imediata.

    A Confisso de F de Westminster comea a sua declara em termos interessantes e

    importantes para a vida da Igreja: Ainda que a luz da natureza [ no homem]14 Este aspecto

    da revelao de Deus diz respeito aquela revelao que Deus faz de si mesmo ao homem sem

    precisar de meios para faz-lo, por exemplo, quando a Lei de Deus foi implantada no corao

    de todos os homens, conforme aprendemos na Escritura conforme vemos em Romanos 2.14-

    16:

    Quando, pois, os gentios, que no tm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, no tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu corao, testemunhando-lhes tambm a conscincia e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho.

    13

    PACKER, James I. Vocbulos de Deus. So Paulo: FIEL, 2002, p.15

    14 Devemos entender que a CFW [Confisso de F de Westminster] tem o entendimento que a frase luz da

    natureza diz respeito a semente da religio implantada no ser humano

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    19

    Observe a expresso "norma da lei gravada no corao; 15 a palavra norma no grego =

    ergon no grego que significa trabalho de onde vem a nossa palavra energia o trabalho da lei.

    A segunda palavra que aparece no texto de romanos "gravada" a palavra grega aqui

    grapton = esculpir, registrar, entalhar a obra da lei foi esculpida ou trabalhada em nossos

    coraes; a isto ns chamamos de Revelao Geral Imediata. O quadro abaixo nos ajuda a

    visualizar este ensino16:

    Calvino chama isso de semente da religio ou senso da divindade:

    Ns, inquestionavelmente, afirmamos que os homens tm em si mesmos certo senso da divindade; e isto, por um instinto natural. ...Deus mesmo dotou todos os homens com certo conhecimento de sua divindade, cuja memria ele constantemente renova

    e ocasionalmente amplia.17

    15

    to. e;rgon tou/ no,mou grapto.n evn tai/j kardi,aij auvtw/n to ergon tou nomou grapton en tais kardiais autn Literalmente: a obra da lei esculpida nos coraes deles.

    16 SPROUL, R.C. Verdades Essenciais da F Crist Caderno 1. So Paulo: Cultura Crist, 1999, p.10

    17 CALVINO, Joo. Institutas da Religio Crist. So Paulo: Cultura Crist, 2009 Livro II, I,43

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    20

    uma revelao direta de Deus sem meios ao homem, por isso, se chama de

    revelao geral imediata. Isso implica no fato de que ningum nasce ateu neste mundo criado,

    pois, todos os homens nascem com o senso de Deus implantado dentro deles; e mais, que isso

    o homem um ser moral porque a lei foi colocada em seu corao.

    1.1.2 Revelao Geral Mediata:

    Ainda lemos na Confisso de F de Westminster o seguinte: [...]e as obras da

    criao e da providncia de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de

    Deus[...]. Podemos definir este aspecto da revelao geral consiste no fato de Deus d-se a

    conhecer por meio das coisas que foram criadas. Paulo Anglada nos lembra que o universo

    fsico uma pregao 18 ao declarar isso tem em mente textos das Escrituras como Salmo

    19.1-4:

    Os cus proclamam a glria de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. No h linguagem, nem h palavras, e deles no se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, at aos confins do mundo. A, ps uma tenda para o sol.

    Aqui vislumbramos a noo de que a revelao de Deus para ser comunicada necessita

    de meios. O texto que temos diante de ns nos apresenta essa verdade.

    O que faz os cus? proclamam a glria de Deus, o verbo proclamar no hebraico

    mesaperim ~yriPe.s;)me. este verbo tem o sentido de narrar, contar com exatido, revelar, pregar, ser selecionado e destinado para contar algo. A criao o canal no

    qual Deus se apresenta diante dos homens como sendo o criador de tudo o que existe. Neste

    sentido podemos dizer, sem sombra de dvida, que a criao puramente revelacional. Ela

    no est vinculada a uma crena peculiar do judasmo sobre a origem de todas as coisas.

    Antes de tudo a prpria revelao de Deus.

    Paulo vai ecoar esta mesma tnica sobre a Revelao geral de Deus na criao

    conforme vemos em Romanos 1.18-20:

    A ira de Deus se revela do cu contra toda impiedade e perverso dos homens que detm a verdade pela injustia; porquanto o que de Deus se pode conhecer

    18

    ANGLADA, Paulo R. B. Sola Scriptura A doutrina Reformada das Escrituras. So Paulo: Os Puritanos, 1998, p.26

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    21

    manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisveis de Deus, assim o seu eterno poder, como tambm a sua prpria divindade, claramente se reconhecem, desde o princpio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens so, por isso, indesculpveis;

    Tudo o que homem pode conhecer sobre Deus como criador de tudo o que existe est

    ligado criao. Isso bem ilustrado no texto que acabamos de citar. Paulo reconhece que a

    criao revelacional, ela nos apresenta Deus.

    Os atributos de Deus so manifestados neste aspecto da Revelao Geral. A bondade

    de Deus; a sabedoria e o poder. Isto implica que toda a criao que vemos mostra-nos Deus

    nestas trs facetas: ele bom poque decidiu criar-nos, ele sbio poque sabe porque nos

    trouxe existncia e poderoso porque do nada criou todo o universo que conhecemos.

    1.2 A Revelao Geral E O Conhecimento Redentivo.

    Na revelao geral o homem no tem um conhecimento redentivo. Ou seja, ele no

    salvo porque contempla o v as obras da criao e da providncia; a Confisso de F

    enftica neste aspecto, ao declarar que os homens ficam inescusveis, contudo no so

    suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessrio para a

    salvao;.

    A revelao geral torna o homem mais cupvel diante de Deus; eles ficam

    indesculpveis diante de Yahweh conforme lemos em Romanos 1.20: Porque os atributos

    invisveis de Deus, assim o seu eterno poder, como tambm a sua prpria divindade,

    claramente se reconhecem, desde o princpio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas

    que foram criadas. Tais homens so, por isso, indesculpveis;. Ainda que o homem tenha

    esse conhecimento de Deus que fica indesculpvel, pois, este conhecimento no pode

    promover o conhecimento de Deus como redentor, apenas mostra-nos Yahweh como o

    Criador de tudo o que h.

    2 REVELAO ESPECIAL.

    Isto posto somos agora introduzidos ao segundo aspecto da revelao de Deus. Deus ele

    se revela redentoramente ao homem de uma forma especial; esta forma chamada pela

    teologia de Revelao Especial. Poderamos dizer que a Revelao Especial de Deus uma

    forma de revelao mediada, pois, ela significa que Deus revelou-se nas pginas das

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    22

    Escrituras. Ou seja, toda a Bblia a revelao de Deus. Na Bblia Deus se revela como

    criador e redentor do homem.

    A Confisso de F nos apresenta uma definio mpar deste aspecto da Revelao de Deus:

    [...]por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservao e propagao da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupo da carne e malcia de Satans e do mundo, foi igualmente servido faz-la escrever toda. [...]

    Aqui so importantes aspectos que precisam ser estudados com mais parcimnia. Esta

    declarao dos telogos de Westminster. Pois, nesta declarao temos conceitos importantes

    para compreendermos a Revelao de Deus nas Escrituras.

    2.1 A Natureza desta Revelao:

    Aqui temos a caracterizao desta revelao de Deus dada ao homem, isto pode nos

    ajudar a entender a supremacia da Palavra de Deus para o homem.

    2.1.1 Ela era Progressiva

    A Confisso reconhece o conceito de progressividade da revelao ao dizer: por isso

    foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se aqui ns temos o conceito de

    progressividade diversos tempos e diferentes modos, revelar-se, ou seja, Deus revelou sua

    palavra em diferentes locais. O autor da carta aos hebreus nos lembra esta grande verdade:

    Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,

    nestes ltimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo

    qual tambm fez o universo.(Hebreus 1.1-2)

    2.1.2 Ela era Orgnica:

    A revelao especial orgnica ela a mesma mensagem tem o mesmo contedo

    desde o seu inicio; o conceito de orgnica pode ser exemplificado do seguinte modo

    imaginemos que temos um caroo de manga que plantamos naquela semente temos a

    mangueira de forma potencial, quando ele germina e cresce, assim, temos a mangueira que o

    caroo de manga plantado.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    23

    2.2 A Finalidade da Revelao Especial:

    Aprendemos pela Confisso de F de Westminster que a Revelao Especial tem

    objetivos especficos na vida do povo de Deus, eis o que diz a nossa declarao de f:

    [...] e depois, para melhor preservao e propagao da verdade, para o mais seguro

    estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupo da carne e malcia de Satans e do

    mundo, [...]

    2.2.1 Preservao da Verdade:

    Deus em sua santa e sbia sabedoria decidiu que a sua revelao tinha que ser

    preservada; a verdade preservada por Deus, por meio da revelao especial a doutrina da

    preservao traz paz ao corao da Igreja em saber que a mensagem redentora de Deus no se

    perdeu no tempo. A Escritura nos mostra isso de forma bem clara: Para que a tua confiana

    esteja no SENHOR, quero dar-te hoje a instruo, a ti mesmo. Porventura, no te escrevi

    excelentes coisas acerca de conselhos e conhecimentos, para mostrar-te a certeza das

    palavras da verdade, a fim de que possas responder claramente aos que te

    enviarem?(Provrbios 22.19-21)

    Ns temos a certeza de que as palavras que lemos na Bblia verdade de Deus porque

    ele assim o quis.

    2.2.2 Propagao da Verdade:

    A verdade no deveria apenas ser preservada, mas tambm ser propagada, anunciada,

    dita e proclamada. Deus preservou as suas palavras para que a partilhemos com os outros,

    uma vez que ns precisamos da verdade para nos orientar, nos guiar na tomada de decises de

    igual modo ela deve ser propagada aos homens. Foi o que Lucas fez: igualmente a mim me

    pareceu bem, depois de acurada investigao de tudo desde sua origem, dar-te por escrito,

    excelentssimo Tefilo, uma exposio em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades

    em que foste instrudo. (Lucas 1.3-4)

    2.2.3 A Santidade da Igreja:

    A Escritura como revelao de Deus dada para o mais seguro estabelecimento e

    conforto da Igreja contra a corrupo da carne e malcia de Satans e do mundo

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    24

    Ou seja, a igreja no enganada quando tem a Escritura como centro de sua vida, e se

    h hoje enganos na Igreja porque se est negligenciado a Escritura. Isto porque a Igreja tem

    trs grandes inimigos: a corrupo da carne, a malcia do acusador e acusao do mundo. Por

    isso, com a Escritura a Igreja santificada. Sem ela os homens no podem ser consolados e

    santificados: Rom. 15:4; Mat. 4:4, 7, 10; Isa. 8: 20.

    3 CARACTERSTICAS DA REVELAO.

    A nossa Confisso de F, com base na Palavra de Deus, apresenta-nos duas

    caractersticas importantes a respeito da revelao especial, quando afirma: [Deus] foi

    igualmente servido faz-la escrever toda. Isto torna indispensvel a Escritura Sagrada,

    tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.

    3.1 - Uma Revelao Completa: Foi Servido Escrever Toda

    Aqui ns aprendemos que Escritura nada a falta est completa para aquilo que ela se

    destina revelar ao homem. O apstolo Paulo j d mostra desta verdade em Romanos 15.4:

    Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela

    pacincia e pela consolao das Escrituras, tenhamos esperana.

    3.2 - uma Revelao Suficiente: Isto Torna A Escritura Indispensvel, Tendo

    Cessado As Antigas Formas De Deus Se Comunicar.

    O registro da verdade gera a infalibilidade e a suficincia da Palavra de Deus. Os

    telogos chamam esta verdade de Sola Scriptura Somente as Escrituras, indicando assim,

    que aquelas antigas formas de Deus se comunicar, como sonhos, profecias, vises e lnguas j

    cessaram a muito tempo [discutiremos isso com mais propriedade em outro estudo]. A palavra

    de Deus nos suficiente conforme lemos na Bblia Sagrada em 2 Timteo 3.15-17:

    e que, desde a infncia, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sbio para a salvao pela f em Cristo Jesus. Toda a Escritura inspirada por Deus e til para o ensino, para a repreenso, para a correo, para a educao na justia, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.

    Concluso:

    Temos visto que o estudo da Revelao de Deus nos ajuda a compreender mais sobre ele e a

    sua palavra que ns foi manifestada; as implicaes disso so importantes e severas para ns.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    25

    Precisamos estudar a Palavra de Deus para que assim possamos saber como ador-lo como

    convm e am-lo com todo o nosso entendimento.

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    26

    Captulo 3

    A NATUREZA DAS ESCRITURAS.

    SEO II Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se

    agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que so os seguintes, todos dados por

    inspirao de Deus para serem a regra de f e de prtica:

    O Velho Testamento: Gnesis, xodo, Levtico, Nmeros, Deuteronmio, Josu, Juzes,

    Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crnicas, Esdras, Neemias, Ester, J, Salmos, Provr-

    bios, Eclesiastes, Cantares; Isaas, Jeremias, Lamentaes, Ezequiel, Daniel, Osias, Joel,

    Ams, Obadias, Jonas, Miquias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e

    Malaquias.

    O Novo Testamento: Mateus, Marcos, Lucas, Joo, Atos dos Apstolos, Romanos, 1 e 2

    Corntios, Glatas, Efsios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timteo,

    Tito, Filemon, Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 Joo, Judas e Apocalipse.

    Ref. Ef. 2:20; Apoc. 22:18-19: II Tim. 3:16; Mat. 11:27.

    Vivemos em um tempo no qual a natureza da Bblia Sagrada no mais levada em

    considerao. Neste segundo estudos estaremos nos concentrando na Natureza das Escrituras;

    pois, somente assim poderemos perceber e viver a grandeza da Palavra de Deus. O que ns

    podemos aprender desta segunda seo da Confisso de F de Westminster? Vejamos:

    1. A SACRALIDADE DA PALAVRA.

    A primeira considerao a ser feita a questo da sacralidade da Palavra de Deus. Os

    telogos puritanos pensaram muito neste tema a ponto de iniciarem esta seo com a seguinte

    declarao: Sob o nome de Escritura Sagrada O que significa esta declarao?

    1.1 Significa que a palavra santa porque fruto da vontade de deus.

    A santidade da Palavra de Deus notada e percebida porque a mesma fruto da

    vontade de um ser que sumamente santo esta vontade perfeita nos conclama a uma vida de

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    27

    obedincia isto tem implicaes significativas,pois, requer de ns que reconheamos esta

    vontade boa e perfeita: E no vos conformeis com este sculo, mas transformai-vos pela

    renovao da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradvel e perfeita

    vontade de Deus.( Romano 12:2 )

    1.2 Significa que a escritura assim adjetivada porque separada dos demais livros.

    As religies pelo mundo a fora possuem seus livros. Todavia, apenas a Bblia capaz

    de libertar o homem, de torn-lo sbio para a salvao. O apstolo nos lembra: que, desde

    a infncia, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sbio para a salvao pela f em

    Cristo Jesus.( 2 Timteo 3.15).

    Chama-nos ateno aqui neste texto o termo:sagradas letras -iera. gra,mmata- hyer

    gramata. O termo usado para sagrada de uma raiz que apenas o sacerdote dignificando

    assim a natureza da Bblia Sagrada. Ento, a Bblia continua sendo a Palavra de Deus.

    2. A BBLIA COMO PALAVRA DE DEUS.

    Em nossos dias existe uma tentativa de fazer uma distino entre a Palavra de Deus e

    as Escrituras, ou melhor, entre a Bblia e a Palavra de Deus; e muitos, pensam que tal

    distino algo novo; todavia, to antigo quanto qualquer outro ensinamento. Nesta seo

    que estamos analisando temos uma resposta sobre a questo da Bblia como palavra de Deus.

    Os autores da Confisso de F declaram: sob o nome de Sagrada Escritura, ou

    Palavra de Deus escrita. Aqui claramente se condenam diversos ensinos que surgiram na

    histria da Igreja e que continuam atuando na mente de muitas pessoas na atualidade, eis os

    ensinos que so rejeitados:

    2.1 O Liberalismo Teolgico.

    No sculo XVIII e XIX surgiu um movimento conhecido na histria como

    Liberalismo Teolgico que em hiptese alguma considerava a Bblia como Palavra

    autoritativa de Deus. Eles ensinavam que a Escritura era cheia de mitos. Podemos definir o

    Liberalismo Teolgico como o esforo por interpretar, reformular e explicar a f crist dentro

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    28

    de uma perspectiva iluminista.19 Ou seja, tudo aquilo que a razo no pudesse explicar

    entrava na categoria de mito.

    O Liberalismo aflora em 1920 e encontra um opositor chamado John Gresham

    Machen, pastor presbiteriano, que ecoa sua trombeta declarando ser o Liberalismo Teolgico

    um inimigo da f crist e sendo outra religio.20 Um dos grandes expoentes do pensamento

    liberal foi o Rodolph Bultmann que ensinava a Bblia na Universidade propondo que a mesma

    estivesse cheia de mitos, sendo assim, necessrio tirar os mitos fundantes da Palavra de

    Deus e assim, nasce o processo hermenutico chamado de desmitologizao das

    Escrituras.

    Para o Liberal os milagres, as curas e a ressurreio de Cristo no foram reais. Um

    exemplo clssico disso a multiplicao dos pes e peixes realizada por Jesus, onde uma

    criana traz estes elementos. Bultmann ensina que aquilo no aconteceu milagrosamente, mas

    que as pessoas viram a atitude do menino e decidiram partilhar tudo o que tinham com o

    prximo este o ensino moral da passagem segundo os liberais.

    2.2 O Barthianismo ou Neo-Ortodoxia.

    Neste conflito entre os liberais e os conservadores surgiu um homem chamado Karl

    Barth que desenvolveu um mtodo para responder as criticas liberais sobre as Escrituras. O

    mtodo Barthiano ficou conhecido como dialtica ou neo-ortodoxia. Para Barth a revelao

    de Deus se dava em trs esferas: na criao, no querygma [pregao] da igreja e na Escritura

    segundo ele Deus fala-nos por meio de uma Bblia cheia de erros e contradies.

    A fragmentao da revelao pela neo-ortodoxia gerou muitos problemas, porque na

    concepo barthiana havia parte nas Escrituras que eram palavra de Deus e outras no;

    todavia, o ponto culminante desta concepo de Barth era que para ele a Bblia se tornava a

    Palavra de Deus na pregao quando era sentida no corao do ouvinte, em outras palavras o

    mtodo de Barth era empirista [o conhecimento por meio da experincia] a medida

    19

    COSTA, Herminstem Maia Pereira da. Razes da Teologia Contempornea. So Paulo: Editora Cultura Crist, 2004, p.287

    20 Para um estudo profundo deste assunto recomenda-se a leitura de: MACHEN, J. Gresham. Cristianismo e

    Liberalismo. Traduo: Denise Pereira Meister. So Paulo: Editora os Puritanos, 2011.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    29

    avaliadora se a Bblia era Palavra de Deus estava na experincia do individuo que a recebesse

    como tal.

    Todos estes dois ensinos no so bblicos, pois, sabemos que a Bblia a Palavra de

    Deus escrita. Ela no se torna e nem se transforma quando a lemos ou a sentimos no corao.

    Ela aberta Palavra de Deus e fechada continua sendo a mesma verdade divina. Nenhuma

    experincia pode aprovar ou desaprovar a Palavra de Deus. Foi exatamente isso que o Senhor

    Jesus nos ensinou em Lucas 16.29-31:

    Respondeu Abrao: Eles tm Moiss e os Profetas; ouam-nos. Mas ele insistiu: No, pai Abrao; se algum dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-o. Abrao, porm, lhe respondeu: Se no ouvem a Moiss e aos Profetas, tampouco se deixaro persuadir, ainda que ressuscite algum dentre os mortos.

    Esta passagem importante para ns. Pois, aqui temos uma histria de dois homens

    um rico e um personagem chamado Lzaro, ambos morrem um vai para o cu e outro para o

    inferno; todavia, o que est no inferno [o rico] pede para que o Pai Abrao enviasse Lzaro

    de volta para mostrar aos seus irmos que se eles morressem iriam para um lugar de

    tormentos; mas, tal pedido lhe negado. E por qu? O texto nos informa porque se eles no

    escutam a Lei de Deus [Moiss e os Profetas] no importa os milagres que se faa, no

    importa a experincia que tenham; a simples recusa em acreditar no que est escrito na Bblia

    declara-os rus do juzo de Deus.

    3. A UNIDADE DA PALAVRA DE DEUS.

    O terceiro aspecto a ser considerado nesta declarao da Confisso de F diz respeito a

    unidade das Escrituras; pois, nos nossos dias ouvimos pessoas declararem que vivem no

    tempo da graa [ ou do Novo Testamento ] e que o tempo da Lei [ Antigo Testamento ]

    passou.

    A Confisso de F de Westminster nos ensina de forma clara e inquestionvel a

    unidade das Sagradas Escrituras sob a seguinte declarao: Sob o nome de Escritura

    Sagrada [...] incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento. Aqui temos

    uma resposta ao Dispensacionalismo que tem ensinado uma ruptura entre o Antigo e Novo

    Testamento. E que nada do Antigo Testamento se relaciona com o cristo do Novo

    Testamento. A proposta enunciada por este princpio que Deus tem dois povos. Esta postura

    levanta um dos grandes problemas para os pregadores de nossos dias: a quem deve ser

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    30

    dirigido o Antigo Testamento? A Bblia de Scofield acentua essa distino nos seguintes

    temos:

    Que o cristo herda agora as promessas caractersticas dos judeus no foi ensinado nas Escrituras. O cristo da semente celestial de Abrao e participa das bnos espirituais da Aliana Abramica; mas Israel como nao sempre ter o seu prprio lugar e ainda receber a maior exaltao como o povo de Deus na terra.21

    Tal declarao coloca na berlinda os pregadores que lidam com o Antigo Testamento,

    pois, eles so desafiados a entender que a mensagem do Antigo Testamento direcionada

    apenas ao povo judeu. Esta distino que apresentada pelo Dispensacionalismo prejudicial

    exatamente aqui.

    Como olhar para o texto do Antigo Pacto e abord-lo para a igreja neotestamentria?

    No h nada no Antigo Testamento destinado Igreja? Fecharemos de fato a primeira parte

    do livro sagrado e iremos ensinar uma doutrina apenas no Novo Testamento? Mas, o que o

    Novo Testamento? a interpretao legtima do Antigo.

    A pregao afetada diretamente porque sem o Antigo no se pode entender o Novo

    Testamento dentro da estrutura querigmtica do reino e da redeno. A igreja no vista

    como povo de Deus, logo a Bblia no Antigo Testamento no possui uma nica passagem

    para confortar os crentes, e nem para ensin-los; isso implica que se adotarmos a leitura do

    Dispensacionalismo estaremos contradizendo o apstolo Paulo em Romanos 15.4 Pois tudo

    quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela pacincia e

    pela consolao das Escrituras, tenhamos esperana.

    Ento, tudo que est escrito no Antigo Testamento tambm destinado para a Igreja

    de Cristo e deve ser base para as nossas pregaes; as Escrituras do Antigo Testamento so,

    segundo Paulo, a base para a catequizao da igreja gerando assim consolo e esperana. Sem

    isso o antigo povo de Deus no poderia sobreviver e de igual modo a igreja que o Israel de

    Deus subsistir.

    21

    Apud, SANTOS, Valdeci S. Anotaes da Bblia de Scofield sob uma tica Reformada. In: FIDES REFORMATA, janeiro junho, 2000, vol. V, n. 1, pp. 135 148.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    31

    O que nos chama ateno na argumentao paulina que ele diz tudo (o[sa- hosa)

    nada deixado de fora; o que foi escrito antecipadamente (proegra,fh proegrf) tem por

    objetivo o ensino da Igreja. E assim a igreja neotestamentria confortada e consolada.

    A viso interpretativa do Dispensacionalismo ignora substancialmente o ensino de

    Romanos 11.17 fomos enxertados na oliveira nos alimentamos da mesma raz; isto indica

    que existe uma unidade basilar e necessria, pois, Deus no tem dois povos, Greidanus

    comenta o seguinte:

    J que os antigos israelitas e ns somos um povo da aliana por meio de Cristo, o Deus deles o nosso Deus, os antepassados deles so nossos antepassados, a histria deles a nossa histria, e a esperana deles a nossa esperana. Do mesmo modo, os livros deles so os nossos livros, pois os livros que Deus tinha pretendido, antes de tudo para eles so teis tambm para ns (2 Tm.3.16)22.

    Ento, devemos rejeitar toda e qualquer noo de ruptura entre o Antigo e Novo

    Testamento no autorizado pela Palavra de Deus; existem descontinuidades sim entre o

    Antigo Testamento no autorizado pela Palavra de Deus; existem descontinuidades sim entre

    o Antigo e o Novo Testamentos, mas nada que seja para descartar a totalidade da revelao

    veterotestamentria.

    4. A PALAVRA DE DEUS COMO NOSSA REGRA.

    Os puritanos confessionais declararam: todos dados por inspirao de Deus para

    serem a regra de f e de prtica. O que a Escritura sagrada para ns?

    4.1 Uma Regra de F.

    O que significa dizer que a Bblia a nossa regra de f? que tudo o que ns fazemos

    em matria de adorao e culto deve est fundamentado na Palavra de Deus; ou seja, tudo o

    que ns cremos deve ter base bblica. Devemos estar fundamentados na doutrina dos

    apstolos e profetas: edificados sobre o fundamento dos apstolos e profetas, sendo ele

    mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular;(Efsios 2.20).

    22

    GREIDANUS, Sidney. O Pregador Contemporneo e o Texto Antigo Interpretando e Pregando Literatura Bblica. Tradutor: Edmilson Francisco Ribeiro. So Paulo: Cultura Crist, 2006, p.211.

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    32

    Tudo aquilo que ns realizamos em matria de f deve ser aprovado pelas Escrituras,

    qualquer crena ou ensinamento deve ser proposto apartir das Escrituras, seguindo os

    mtodos coerentes de interpretao Bblica, por meio da anlise contextual da passagem, a

    inteno do autor e a gramtica exegtica do texto. Este o ponto que precisamos considerar

    sempre que desejamos aplicar um ensino na vida da igreja a partir das Escrituras.

    4.2 Uma Regra de Conduta.

    O segundo aspecto que precisamos analisar nesta declarao confessional que a

    Bblia tambm a nossa regra de prtica ou conduta. Durante muito tempo se perguntou se os

    cristos deveriam ter um manual de tica e a resposta um ressonante no! Isto porque a

    Bblia j a nossa regra de conduta.

    Isto significa que a nossa tica e moralidade deve ser baseado naquilo que as

    Escrituras determinam que faamos; pois, toda conduta que esteja em desarmonia com as

    Escrituras deve ser corrigida, tratada e modificada. A Escritura no nos foi dada apenas para

    questes doutrinrias, mas tambm para questes prticas: Toda a Escritura inspirada por

    Deus e til para o ensino, para a repreenso, para a correo, para a educao na justia, a

    fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. (2

    Timteo.3.16-17 ).

    Todo o nosso comportamento e vida crist devem ser baseados e alicerados pela

    Palavra inerrante de Deus ortodoxia e ortopraxia devem ser sempre andar jutos na nossa

    vida crist.

    Concluso:

    A natureza das Escrituras nos mostra a grandeza de Deus em se comunicar com o seu

    povo. Revelando a santidade de sua mensagem, mostrando-nos que ela de fato a sua palavra

    revelacional e por causa disso, vemos a coerncia e harmonia entre os dois testamentos que

    nos conduz para uma vida prtica na aplicao de nossa doutrina.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    33

    Captulo 4

    O CNON DAS SAGRADAS ESCRITURAS.

    SEO III Os livros geralmente chamados Apcrifos, no sendo de inspirao divina,

    no fazem parte do cnon da Escritura; no so, portanto, de autoridade na Igreja de

    Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados seno como escritos

    humanos.

    Ref. Luc. 24:27,44; Rom. 3:2; II Pedro 1:21.

    Esta mais uma daquelas estupendas declaraes da Confisso de F de Westminster.

    Aqui nesta seo vamos trabalhar vrios conceitos do tipo: o que um livro apcrifo? O que

    se refere a doutrina da canonicidade? Quais os critrios usados pela igreja para se chegar ao

    cnon que possumos?

    Estas e outras questes ns abordaremos aqui neste estudo. Pois, de suma

    importncia para a Igreja entender adequadamente a doutrina aqui enunciada.

    1. A DOUTRINA DA CANONICIDADE DAS ESCRITURAS.

    O que significa o termo cnon? Geralmente se entende que a Escritura o Cnon

    de nossa f. A formao e a estrutura da Bblia para ns requer que procuremos uma definio

    simples, todavia, clara e profunda do que o conceito encerra.

    A palavra cnon uma mera transliterao do termo grego kanw,n kann que

    significa vara reta, rgua, regra. uma palavra usada com referncia para indicar a

    autoridade suprema da Bblia sobre a vida dos cristos. Ou seja, refere-se aos livros que

    compem a Bblia conforme conhecemos.23

    Uma definio mais lexical nos informa que a origem da palavra cnon derivada

    23

    ANGLADA, Paulo R. B. Sola Scriptura A doutrina Reformada das Escrituras. So Paulo: Os Puritanos, 1998, p.33-34.

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    34

    de uma de uma raiz semtica [assrio Qan; ugartico:Qn; hebraico: hn

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    35

    1. Josu 2. Juzes 3. Rute 4. 1Samuel 5. 2Samuel 6. 1Reis 7. 2Reis 8. 1Crnicas 9. 2Crnicas 10. Esdras 11. Neemias 12. Ester

    A. Maiores

    1. Isaas 2. Jeremias 3. Lamentaes 4. Ezequiel 5. Daniel

    B. Menores

    1. Osias 2. Joel 3. Ams 4. Obadias 5. Jonas 6. Miquias 7. Naum 8. Habacuque 9. Sofonias 10. Ageu 11. Zacarias 12. Malaquias

    A tabela apresentada acima mostra a disposio dos livros conforme aparecem em

    nossa Bblia, esta a atual estrutura cannica das Escrituras conforme temos na Escritura

    Protestante (evanglica. Esta diviso foi ocasionada devido a influncia da verso grega do

    Antigo Testamento conhecida como Septuaginta (LXX), conforme nos diz dois estudiosos:

    A diviso do Antigo Testamento em quatro sees baseia-se na disposio dos livros por tpicos, com origem na traduo das Escrituras Sagradas para o grego. Essa traduo, conhecida como a Verso dos septuaginta (LXX), iniciara-se no sculo III a.C. A Bblia hebraica no segue essa diviso tpica dos livros, em quatro partes. Antes, emprega-se uma diviso de trs partes, talvez baseada na posio oficial de seu autor. Os cinco livros de Moiss, que outorgou a lei, aparecem em primeiro lugar. Seguem-se os livros dos homens que desempenharam a funo de profetas Por fim, a terceira parte contm livros escritos por homens que, segundo se cria, tinham o dom da profecia, sem serem profetas oficiais..26

    Paulo Anglada chama a nossa ateno exatamente para isso quando diz: Embora o

    contedo cannico protestante seja o mesmo do cnon hebraico, a diviso e a ordem dos

    livros so diferentes27 conforme vemos no quadro abaixo:

    26 GEISLER, Norman L. & NIX, William E. Introduo Bblica - Como a Bblia chegou at ns. Tradutor: Oswaldo Ramos. So Paulo: Vida, 1997, p. 8

    27 ANGLADA, Paulo R. B. Sola Scriptura A doutrina Reformada das Escrituras. So Paulo: Os Puritanos, 1998,

    p.35.

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    36

    DISPOSIO DOS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO HEBRAICO

    A lei

    (Tora)

    Os profetas

    (Nebhiim)

    Os escritos

    (Kethubhim)

    1. Gnesis 2. xodo 3. Levtico 4. Nmeros 5. Deuteronmio

    A. Profetas anteriores

    1. Josu 2. Juzes 3. Samuel 4. Reis

    B. Profetas posteriores

    1. Isaas 2. Jeremias 3. Ezequiel 4. Os Doze

    A. Livros poticos

    1. Salmos 2. Provrbios 3. J B. Cinco rolos (Megilloth)

    1. O Cntico dos Cnticos 2. Rute 3. Lamentaes 4. Ester 5. Eclesiastes C. Livros histricos

    1. Daniel 2. Esdras-Neemias 3. Crnicas

    Essa disposio confirmada no Novo Testamento pelo prprio Senhor Jesus em

    Lucas 24.44

    1.2 A Estrutura Cannica do Novo Testamento

    Podemos dizer que a estrutura e organizao do Novo Testamento so simples.

    Conforme podemos ver no quadro abaixo:

    LIVROS DO NOVO TESTAMENTO

    Evangelhos Histria

    1. Mateus 2. Marcos 3. Lucas 4. Joo

    1. Atos dos Apstolos

    Epstolas

    1. Romanos 2. 1Corntios 3. 2Corntios 4. Glatas

    12. Tito 13. Filemom 14. Hebreus 15. Tiago

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    37

    5. Efsios 6. Filipenses 7. Colossenses 8. 1Tessalonicenses 9. 2Tessalonicenses 10. 1Timteo 11. 2Timteo

    16. 1Pedro 17. 2Pedro 18. 1Joo 19. 2Joo 20. 3Joo 21. Judas

    Profecia

    1. Apocalipse

    2. CRITRIOS PARA A CANONICIDADE.

    A questo de se ter um cnon : como saber se os livros do Novo Testamento que

    temos so os verdadeiros? Eis ai a nossa questo.

    Quando no inicio do primeiro sculo comeou a surgir uma variedade de livros

    arrogando-se serem os livros verdadeiros do cristianismo. A igreja se viu na obrigao de

    dizer quais livros eram divinos ou no; e por isso, se estabeleceu critrios pertinentes para se

    avaliar tais livros.

    2.1 Apostolicidade.

    Este o primeiro critrio estabelecido. Um livro para ser reconhecido como regra na

    vida da Igreja deveria ter sido escrito por um apstolo ou por alguma pessoa ligada ao mesmo.

    Por exemplo, Joo Marcos (autor do evangelho de Marcos) no fora apstolo, mas a tradio

    informa que Marcos fora o intrprete de Pedro28; esse critrio era pertinente para evitar

    grotescos abusos que estavam sendo feito pelos inimigos da verdade.

    2.2 Leitura Eclesistica.

    O segundo critrio aponta para o fato de que os livros cannicos seriam reconhecidos

    tambm, por meio da leitura litrgica de tais livros. Se a igreja sempre usou aquele referido o

    28

    Eusbio de Cesrea, Apud, COSTA, Herminstem Maia Pereira da. Inspirao e Inerrncia das Escrituras. So Paulo: Cultura Crist, 1998, p.39.

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    38

    mesmo este deveria ser coloca na lista cannica. Este critrio pode ser encontrado na prpria

    escritura em Colossenses 4.16 e em 1 Timteo 4.13.

    Um exemplo deste fato pode ser visto na apologia de Justino ao descrever o que

    ocorria em culto eucarstico:

    E no dia chamado Domingo, todos quantos moram nas cidades ou no interior renem-se juntos num s lugar, so lidas as memrias dos apstolos ou os escritos dos profetas, por tanto tempo quanto possvel; depois, tendo terminado o leitor, o presidente instrui verbalmente, e exorta imitao dessas coisas virtuosas. Em seguida, todos nos colocamos de p e oramos e, conforme dissemos antes, ao terminarem as nossas oraes so trazidos po, vinho e gua, e o presidente, de modo semelhante, oferece oraes e aes de graas, segundo a sua capacidade, e o povo concorda dizendo amm.

    29

    2.3 A Harmonia Doutrinria

    Um livro para se cannico deveria ensinar fundamentado no que j havia sido

    estabelecido; ou seja, se um livro ensinasse algo contrrio aquilo que os apstolo e a

    sabedoria da Igreja sempre ensinou deveria se rejeitado como sendo um livro no-cannico.

    Estes so os trs fundamentais critrios para a questo do Cnon do Novo Testamento,

    e sem eles nada podemos ensinar pregar, ou mesmo defender o evangelho.

    2.4 A Inspirao

    O que significa Inspirao? O termo imprprio para aquilo que visa designar. Isto

    porque o termo no seria inspirao (soprar para dentro), mas expirao (soprar para fora);

    pois, foi isso que Deus fez conosco.

    O que entendemos por inspirao como sendo a influncia sobrenatural do Esprito

    de Deus sobre os homens separados por ele mesmo, a fim de registrarem de forma inerrante e

    suficiente toda vontade de Deus, constituindo esse registro na nica fonte e norma de todo o

    conhecimento cristo 30

    29

    MRTIR, Justino. Primeira Apologia, Cap. 67, In: Ante-nicene Fathers, p.69. [nfase nossa]

    30 COSTA, Herminstem Maia Pereira da. Inspirao e Inerrncia das Escrituras. So Paulo: Cultura Crist, 1998,

    p.98.

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    39

    De acordo com o Novo Testamento a doutrina da inspirao diz respeito a Deus soprar

    a sua revelao nas pginas das Escrituras (2 Timteo 3.16). O leitror deve tambm saber que

    existem vrias teorias a respeito da inspirao.

    2.4.1 - Concepo de Inspirao Dinmica:

    Algumas pessoas acham que a doutrina da Inspirao consiste em um ditado. Onde

    Deus dinamicamente falou ao escritor sagrado palavra por palavra, ponto por ponto de toda a

    Bblia.

    Essa concepo ignora a existncia de estilos variados nas Escrituras que negam a

    possibilidade de um ditado. E a Escritura clara quanto a existncia de estilos literrios de

    cada escritor da mesmo, e, ns vemos isso na em 2 Pedro 3.13-16. Pedro reconhece que Paulo

    tem um estilo prprio ao escrever suas cartas.

    2.4.2 - Concepo de uma Iluminao:

    Outra ideia equivocada que geralmente ouvimos que inspirao a mesma coisa que

    iluminao. Sendo apresentado a ideia de que os autores humanos das Escrituras fossem

    apenas homens iluminados e nada mais do que isto.

    2.4.3 A Concepo de Inspirao Plenria:

    Devemos acreditar que a inspirao das Escrituras est em toda a Bblia, no so

    algumas partes que so inspiradas e outra no. O conceito de Inspirao Plenria. Desde o

    Gnesis at o apocalipse, tudo o que foi registrado, foi por vontade de Deus (2 Timteo 3.16;

    2 Pedro 1.20-21).31

    2.4.4 A Concepo da Inspirao Verbal:

    Esta concepo deve ser aceita como verdadeira, pois, entendemos que Deus falou sua

    palavra por meio dos autgrafos originais a sua mensagem. (2 Samuel 23.2; Jeremias 1.9;

    Mateus 5.18; 1 Corntios 2.13).

    31

    COSTA, Herminstem Maia Pereira da. Inspirao e Inerrncia das Escrituras. So Paulo: Cultura Crist, 1998, p.99.

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    40

    3. A DOUTRINA DA CANONICIDADE E OS APCRIFOS

    A doutrina do Cnon inevitavelmente nos levar para a questo dos livros chamados

    de Apocrifos. O que um livro apcrifo? Na concepo popular um livro duvidoso. O

    termo vem do grego e significa sem assinatura, ou seja, no possui assinatura de Deus.

    Tambm o termo pode ser entendido como oculto. Indicando a no identificao de sua

    autoria.32

    Por que eles so classificados nesta categoria de livros sem assinatura? A resposta

    pode ser apresentada em duas nagativas consistentes conforme aprendemos aqui nesta seo

    da Confisso de F Os livros geralmente chamados Apcrifos, no sendo de inspirao

    divina, no fazem parte do cnon da Escritura.

    3.1 - Por no serem Inspirados no possuem Autoridade sobre A Igreja.

    Aqui ns aprendemos que somente os livros cannicos podem ter autoridade de

    governo e doutrina sobre a vida da Igreja, toda doutrina fundamentada em um livro no

    autorizado canonicamente uma heresia. Eles no devem ser usados como livros autoritativos

    na vida do povo pactual de Deus.

    3.2 Devem ser empregados como Meros Livros Humanos.

    O segundo aspecto que devemos levar em considerao o fato de que tais livros

    podem ser teis pelo conhecimento que transmitem. A Confisso de F de Westminster diz

    que tais livros no so, portanto, de autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum

    podem ser aprovados ou empregados seno como escritos humanos. .

    Ns devemos ler estes livros apcrifos, estud-los buscar compreend-los, mas

    meramente como livros humanos. Paulo Anglada nos traz uma palavra positiva sobre este

    tema:

    32

    O surgimento dos livros apcrifos deve-se ao perodo intertestamentrio, onde houve um silencio proftico de 400 anos a.C, o homem na ansiedade de ouvir uma voz proftica decidiu escrever obras nas quais tencionava dizer que Deus estava se revelando ao seu povo. O silncio proftico compreende de Malaquias at Mateus.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    41

    Alguns dos apcrifos so realmente teis como fontes de informao a respeito de uma poca importante da histria do povo de Deus: o perodo inter-testamentrio. Os protestantes reconhecem o valor histrico dele. Seguindo a prtica dos primeiros cristos, as edies modernas protestantes da Septuaginta normalmente incluem os apcrifos , e at algumas bblias protestantes antigas os incluam, no final, apenas como livros histricos.33

    Concluso:

    O cnon das Escrituras nos foi dado para ser a nossa nica regra de obedincia e

    prtica; isto implica no fato de que as Escrituras conforme temos no fruto da tradio dos

    homens, mas da vontade de Deus que deseja orientar-nos por meio de suas palavras

    registradas de forma clara e compreensvel aos homens.

    33

    ANGLADA, Paulo R. B. Sola Scriptura A doutrina Reformada das Escrituras. So Paulo: Os Puritanos, 1998, p.41.

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    42

    Captulo 5

    A AUTORIDADE DAS ESCRITURAS SAGRADAS I.

    Seo IV A autoridade da Escritura Sagrada, razo pela qual deve ser crida e

    obedecida, no depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende

    somente de Deus (a mesma verdade) que o seu autor; tem, portanto, de ser recebida,

    porque a palavra de Deus.

    Ref. II Tim. 3:16; I Joo 5:9, I Tess. 2:13.

    O que significa a doutrina da Autoridade das Escrituras? O que este vocbulo quer nos

    dizer? Packer vai nos dizer que a autoridade das Escrituras repousa na inspirao34 mas, o

    que significa essa autoridade? Esta a questo que precisamos responder.

    A declarao da Confisso de F de Westminster clara em nos oferecer uma

    definio precisa do que seja a Autoridade das Escrituras. Notemos que se figura aqui a ideia

    de que esta autoridade no derivada de homem algum ou de qualquer igreja; mas, de Deus ser

    a prpria verdade.

    Significa que toda a Palavra de Deus conforme est registrada inerrante, e, no

    possuem erros em nada do que se prope dizer e ensinar, por isso, deve ser aceita como

    autoridade suprema na vida e no culto do povo de Deus.

    4.1 uma Doutrina atestada por Cristo:

    No Novo Testamento temos Cristo falando a favor desta doutrina da autoridade das

    Escrituras. Cristo sempre apelou para as Escrituras como a um tribunal supremo.

    Em qualquer controvrsia ele usava a expresso est escrito indicando que a palavra

    final deve ser dada a Palavra inspirada por Deus. Vejamos isso detalhadamente em Mateus

    4.4,6,710:

    34

    PACKER, James I. Vocbulos de Deus. So Paulo: FIEL, 2002, p.33.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    43

    Jesus, porm, respondeu: Est escrito: No s de po viver o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus e lhe disse: Se s Filho de Deus, atira-te abaixo, porque est escrito: Aos seus anjos ordenar a teu respeito que te guardem; e: Eles te sustero nas suas mos, para no tropeares nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: Tambm est escrito: No tentars o Senhor, teu Deus. Ento, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satans, porque est escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorars, e s a ele dars culto.

    Cristo ao usar a expresso est escrito usa um verbo grego ge,graptai ggraptai

    um verbo no perfeito que indica uma ao contnua, significando permanece escrito,

    ento, o Senhor Jesus est apelando para a autoridade da Bblia como fonte autorizada da

    verdade; Satans utiliza a mesma expresso reconhecendo tal autoridade, todavia, vale-se de

    uma interpretao distorcida para tentar enganar o Cristo, mas o Jesus novamente diz

    permanece escrito que no se deve tentar a Deus.

    Outro texto onde contemplamos Cristo fazendo defesa desta autoridade das Escrituras

    quando ele busca corrigir os erros dos escribas e fariseus de seu tempo em Mateus 22.29:

    Errais, no conhecendo as Escrituras; todavia, o texto que podemos ver claramente a defesa

    da autoridade bblica provinda dos lbios de Cristo aquele de Joo 10.35: E a Escritura no

    pode falhar.

    No texto de Joo 10. 35 nos chama a ateno o verbo falhar no grego temos

    luqh/nai- lythnai um verbo usado para descrever a quebra do sbado (Lucas 13.16), a

    ideia de quebrar, ser quebrada, ou mesmo de ser diminuda a sua importncia e valor. Cristo

    diz que toda a Escritura a autoridade na vida da Igreja.35

    4.2 uma Doutrina atestada Pelos Apstolos:

    O Apstolo Paulo atesta sobre a autoridade da Palavra de Deus ao declarar que os

    crentes de Tessalonicenses acataram a verdade por ele pregada, no como palavras de

    homens, mas como palavra de Deus( 1 Tessalonicenses 2.13).

    E, ainda o Apstolo Pedro reconhece os escritos de Paulo como escritos cheios da

    autoridade do prprio Deus, ao colocar as cartas de Paulo no mesmo patamar das demais

    Escrituras (2 Pedro 3.15-16) Pedro reconhece a autoridade do Antigo e do Novo Testamento.

    35

    SCHWERTLEY, Braian. O Modernismo e a Inerrncia Bblica. Tradutora: Denise Meister. Recife: Os Puritanos, 2000, p.30-31

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    44

    4.3 A Negao da Autoridade das Escrituras:

    A autoridade das Escrituras tem sido solapada de diversas formas. E, sendo assim

    precisamos identificar essas formas para que possamos fazer uma apologtica segura da

    Bblia como nossa autoridade suprema. Ns s podemos identificar tais perigos se

    oferecermos a resposta correta velha pergunta: O que a Palavra de Deus?

    E a resposta deve ser: As Escrituras Sagradas o Velho e o Novo Testamento so

    a Palavra de Deus, a nica regra de f e prtica36

    Diante desta definio podemos podemos ver a presena de quatro inimigos da

    Autoridade Bblica na igreja em nosso presente sculo.

    4.3.1 - O Dispensacionalismo:

    A primeira negao da autoridade bblica, o Dispensacionalismo ou como foi

    conhecido nos anos anteriores, e ainda em tempos atuais, o Antinomianismo que sustenata a

    ideia de que o Antigo Testamento passou e que agora s temos o Novo Testamento para

    basear a nossa f.

    O catecismo, na citao que fizemos acima, nos mostra que tal idia no tem

    fundamentao teolgica, pois o catecismo nos informa que o Antigo e o Novo Testamento

    , ou seja, ambos so a Palavra de Deus; o Novo no mais Palavra de Deus que o Antigo, e

    nem o Antigo menos Palavra de Deus que o Novo, mas que ambos, formando uma unidade

    na mensagem crist, so a Palavra de Deus.

    Quando se nega a unidade das Escituras se lhe diminui autoridade , e mais se coloca

    em contraposio o Antigo e o Novo Testamento levando toda a Escritura se contradizer.

    4.3.2 - A Neo-Ortodoxia e o Liberalismo Teolgico.

    A autoridade das Escrituras solapada pela , Neo-ortodoxia, e pelo Liberalismo

    teolgico. O primeiro sistema ensina que a Bblia no a Palavra infalvel de Deus, mas que

    36

    Catecismo Maior de Westminster, resposta pergunta 3.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    45

    apensa contm a Palavra de Deus, ela se transforma em Palavra quando leio, ou quando

    escutamos algum sermo a ns dirigido com base na Bblia.

    No segundo sistema a Bblia no de modo algum a Palavra infalvel de Deus, pois,

    segundo pensam, est cheia de mitos e contos que no condiz com a razo do homem, e por

    isso, no pode ser autoridade final e deve ser apenas usado como um livro de tica e moral

    nada mais do que isso. Todavia, o Catecismo diz:...o Velho e o Novo Testamentos so a

    Palavra de Deus... no existe espao para a noo de que a Bblia venha a se tornar a Palavra

    de Deus. (2 Timteo 3.16-17).

    Paulo declara que toda a Escritura divinamente inspirada, ela no se torna e nem

    contm, ela toda a revelao proposicional de Deus aos homens.37

    4.3.3 - O Tradicionalismo

    O terceiro ataque autorida bblica vem do Tradicionalismo catlico Romano que

    entende que a tradio eclesistica superior a Bblia. Negando assim, a autoridade final das

    Escrituras e a sua suficincia.

    O Senhor Jesus falou muito bem contra tal ataque, pois, quando a tradio est acima

    da Palavra de Deus o que resta a transgresso Lei de Deus conforme vemos em Marcos

    7.7-13:

    E em vo me adoram, ensinando doutrinas que so preceitos de homens. Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradio dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa prpria tradio. Pois Moiss disse: Honra a teu pai e a tua me; e: Quem maldisser a seu pai ou a sua me seja punido de morte. Vs, porm, dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua me: Aquilo que poderias aproveitar de mim Corb, isto , oferta para o Senhor, ento, o dispensais de fazer qualquer coisa em favor de seu pai ou de sua me, invalidando a palavra de Deus pela vossa prpria tradio, que vs mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes.

    A tradio quando contrria a Lei de Deus ela nos leva pra longe dele. Precisamos

    entender que

    As tradies, antigas, que foram testadas pelo tempo e que carregam consigo a sabedoria de uma raa, trazem profundidade e perspectiva para os dias em que a vida, frequentemente, se mostra sem razes, superficial e banal

    38 37

    SCHAEFFER, Francis A. O Deus que se Revela. Tradutora: Gabrielle Greggersen. So Paulo: Cultura Crist, 2008, p.129-135.

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    46

    disso que estamos tratando, a Bblia e a tradio (vista como o testemunho da Igreja)

    devem andar juntas, ns precisamos ouvir a ambas ou como coloca sabiamente um autor

    reformado presbiteriano:

    A Bblia sozinha seria a religio dos protestantes. O problema que a Bblia nunca est sozinha. O prprio Calvino, que falou da autoridade da Bblia nos termos mais elevados, sempre leu-a e ouviu-a segundo as tradies. Sua reviso litrgica foi feita de acordo com as prticas da Igreja Antiga, o mesmo sucedendo com a organizao eclesistica por ele desenvolvida39 ().

    Ento, podemos ler a Bblia com as tradies, o problema encontra-se quando as

    tradies esto se opondo Bblia. A Igreja a coluna e baluarte da verdade (1 Tm.3.15). E

    vivemos uma poca em que a histria da igreja (que funciona como testemunho para ns) tem

    sido negligenciada, mais uma vez Leith nos adverte para isso:

    Os protestantes tm sido sempre tentado a crer que, de alguma forma, podem ignorar todos os sculos da histria crist, estudando a Bblia sem ajuda e os embaraos dos que os antecederam. Na verdade, porm, aqueles que se recusam a ler a Bblia luz das tradies da Igreja acabam sendo dominados pelas suas prprias tradies histricas e culturais40

    4.3.4 - O Pentecostalismo

    O quarto e ltimo perigo autoridade da Bblia , o conhecido sistema Pentecostal

    que nega a autoridade da Bblia e a sua suficincia, quando sustenta a crena de existncia de

    novas revelaes supostamente produzidas pelo Esprito Santo; a isso o catecismo responde

    da seguinte forma, resposta esta que vale para os dois ltimos sistemas acima mencionados:

    As Escrituras Sagradas...so a nica regra de f e prtica. Ou seja, a vida crist no

    regida por tradicionalismo, nem pelo misticismo que aflora no pentecostalismo.

    A definio do Catecismo prioriza a questo da autoridade final quando afirma que as

    Escritura suprema em todas as coisas. Na vida, na igreja, na sociedade, na cincia nela no

    existe erro ou contradio.

    38

    LEITH, John. A Tradio Reformada Uma Maneira de ser a Comunidade Crist. Traduo: Eduardo Galasso Faria; Gerson Correia de Lacerda. So Paulo: Pendo Real, 1999, p.7

    39 LEITH, John. A Tradio Reformada Uma Maneira de ser a Comunidade Crist. Traduo: Eduardo Galasso

    Faria; Gerson Correia de Lacerda. So Paulo: Pendo Real, 1999, p. 20

    40 Idem

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    47

    Ento, o que h de errado em nossa cultura ps-moderna? H um grande afastamento

    dos padres de Deus em nossa sociedade atual, a Bblia tem sido questionada em nossos dias.

    Na histria da igreja entendemos que a igreja sempre aceitou os 66 livros como cannicos41.

    41

    COSTA, Herminstem Maia Pereira da. Inspirao e Inerrncia das Escrituras. So Paulo: Cultura Crist, 1998, p.65.

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    48

    Captulo 6

    A AUTORIDADE DAS ESCRITURAS SAGRADAS II.

    Seo V - Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e induzidos a um elevado e

    reverente apreo pela Sagrada Escritura, e pela sublimidade da matria, a eficcia da

    doutrina, a Majestade do estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo de seu todo

    (que dar a Deus toda a glria), a plena descoberta que faz do nico meio de salvao para

    o homem, as muitas outras excelncias incomparveis e a plena perfeio so argumentos

    pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a Palavra de Deus; no obstante, nossa

    plena persuaso e certeza da infalvel verdade e divina autoridade provm da obra interna

    do Esprito Santo que, pela Palavra e com a Palavra, testifica em nossos coraes.

    Ref. I Tim. 3:15; I Joo 2:20,27; Joo 16:13-14; I Cor. 2:10-12.; Is 59.21. 2 Pedro 1.19-21.

    Ainda estudando a questo da autoridade da Palavra de Deus a Confisso de f de

    Westminster tem uma das declaraes mais estupenda a respeito deste assunto!

    1 O TESTEMUNHO DA IGREJA E A AUTORIDADE DAS

    ESCRITURAS SAGRADAS.

    Vimos no captulo anterior que a Bblia no precisa da autoridade de homem algum ou

    igreja para ser reconhecida como sendo de autoridade divina! Agora, algum poderia pensar:

    Ora, porque os Puritanos fizeram uma declarao como essa? Se a igreja no pode d um

    testemunho a respeito da autoridade de Bblia, ento por que ainda se prega a Bblia na

    igreja?

    1.1 O Testemunho da Igreja nos move e induz a aceitar a autoridade das Escrituras.

    O testemunho que a igreja tem nos dado, sobre a Palavra de Deus pode nos conduzir

    satisfatoriamente para a doutrina da autoridade bblica. Aquilo que a tradio, o estudo e

    ensino apostlico indica devemos ter como testemunho seguro a respeito da autoridade das

    Escrituras. Como este testemunho da igreja pode ser evidenciado?

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    49

    1.1.1 - Na Experincia Apostlica:

    O apstolo Pedro fala-nos disso em seu 2 epstola no captulo 1.19-21. Ele no comeo

    do texto nos informa que teve uma experincia com o Cristo ressurreto no monte da

    transfigurao. E termina incitado igreja que se apegue palavra proftica. E assim, ratifica

    o conceito autoritativo das Escrituras na vida da Igreja.

    1.1.2 - Na Suficincia da Palavra de Deus:

    A crena na autoridade das Escrituras pode ser motivada pela Igreja quando esta

    ensina que a Bblia plenamente suficiente para tudo o que ns precisamos! Isto claro no

    texto de 2 Timteo 3.16. A Escritura til para:

    1. Ensinar = [didaskalian] a escritura a nossa escola.

    2. Repreender = {elegmon} indica que a escritura nos capacita para refutar o

    erro.

    3. Corrigir = [epanorthosin] aponta para a ideia de colocar na linha,

    deixar reto.

    4. Educar = [paideian] Treinamento, instruo e disciplina

    Todos estes critrios a igreja prega e ensina quando fala da doutrina da suficincia da

    Palavra de Deus, e tem como finalidade gerar na comunidade dos fiis a f na autoridade das

    Escrituras Sagradas.

    1.2 O Testemunho da Igreja nos leva a ter um alto conceito a respeito da autoridade das

    Escrituras.

    O segundo aspecto que precisa ser considerado que a Igreja nos leva a termos um

    grane apreo pelas Escrituras, e assim, nos inclinando a crer na autoridade da Bblia como

    palavra de Deus.

    O texto de Paulo em 1 Timteo 3.15 refora este conceito, mostrando que a igreja

    em si mesma a coluna e o escudo da verdade. A igreja como tal deve sustentar a verdade e

    defend-la, por isso, ela tem o dever de buscar impregnar na mente o no corao dos crentes a

    crena na autoridade das Escrituras.

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    50

    2 - AS CARACTERSTICAS INTERNAS APONTAM PARA A

    AUTORIDADE DIVINA DAS ESCRITURAS.

    A Confisso de f de Westminster reconhece que as evidncias internas das Escrituras

    apontam para a certeza da autoridade das Escrituras. E como isso percebido na Palavra de

    Deus?

    2.1 A Sublimidade de seu contedo:

    O contedo que encontramos nas Escrituras algo impressionante. O contedo bblico

    busca apresentar um plano de redeno, no qual o homem no pode produzir e garantir, a

    menos que Deus intervenha na histria dos homens. Uma vez que mais de 40 autores os

    quais escreveram ao longo de dezesseis sculos.42 Isso descreve as caractersticas da origem

    divina da Palavra de Deus, e consequentemente, apontam para a sua autoridade.

    2.2 A Harmonia e a perfeio das Escrituras apontam para a autoridade das mesmas.

    A perfeio da Escritura motiva-nos crer na autoridade divina palavra. E, levando isso

    em considerao devemos regatar, pois o salmista declara isso de forma inconfundvel, no

    texto do Salmos 19.7-14.

    Aqui neste Salmo temos as caractersticas e os efeitos da Palavra de Deus. Isto

    pertinente, porque s vezes esquecemo-nos de enfatizar aquilo que a Palavra de Deus opera

    em ns.

    1. Primeira Caracterstica da Palavra de Deus sua perfeio: No versculo 7 o salmista diz:

    A lei do SENHOR. Considera um momento este vocbulo lei no hebraico temos a palavra

    Thorh. O termo significa instruo, ensino, ensino para a vida. Agora note que o

    salmista diz que a lei do SENHOR no hebraico Yahweh aqui aprendemos que a Lei

    procede de Deus o SENHOR pactual aquele que entra em aliana com seu povo; ento,

    uma vez que esta Palavra procede de Deus ela necessariamente perfeita. O adjetivo

    perfeito que aparece aqui no texto themimah que signfica completa, sem falhas, sem

    42

    HODGE, A.A. A Confisso de F Comentada, Traduo: Valter Graciano Martins. So Paulo: Os Puritanos, 2010 p.63

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    51

    defeitos ou seja, a Palavra de Deus suficiente, por isso, devemos ecoar com a Reforma

    somente as Escrituras.

    2. A segunda Caracterstica da Palavra de Deus a Fidelidade: observe tambm que o

    salmista declara que o testemunho do SENHOR fiel (vs.7.b) notemos que o autor usa a

    palavra testemunhoeduth como sinnimo para a palavra Lei; mas ele fala da fidelidade

    deste testemunho, aqui este vocbulo fiel no hebraico neemanah que pode ser traduzido

    por verdadeiros, e o sentido aqui dignos de confiana, implica na fidedignidade da Palavra

    de Deus como ela se revela.

    3. A terceira Caracterstica da Palavra de Deus a retido: o salmista diz que a Lei de

    Deus reta (vs.8). Ou seja, ausentes de erros, isto implica na inerrncia da Lei de Deus.

    4. A quarta caracterstica da Palavra de Deus a Pureza: A lei de Deus pura. No h

    nela a mistura de erro e verdade, as Escrituras do Antigo e Novo Testamento possuem uma

    pureza intrnseca barah aqui indica sem manchas.

    Mas, estas caractersticas vem acompanhadas de resultados significativos que a

    Palavra de Deus produz na vida do povo do pacto. Note como isso colocado para ns:

    1 A Lei de Deus restaura a alma - meshibath- indicando aqui a regenerao, a produo

    de uma nova vida. A Palavra de Deus modifica vidas, modifica pessoas. Ela realmente

    restaura a alma, a palavra nephesh aqui indica pessoa completa toda a alma, todo o ser,

    toda a vida apenas a palavra e somente a palavra com a ao do Esprito Santo quem pode

    modificar as vidas.

    2 A lei de Deus d sabedoria aos simplices(vs.7b) - mahikimath esta uma palavra

    que deriva do vocbulo hokemah indica que a Palavra de Deus no visa produzir

    conhecimento especulativo, o uso desta palavra aqui aponta para o fato de um conhecimento

    prtico, experimental, vivencial com Deus. A Escritura deve produzir um conhecimento que

    nos leve a cairmos em humilhao diante de Deus; este o verdadeiro sentido da sabedoria

    que a Lei produz. Por isso, que esta sabedoria destinada os smplices = aos humildes.

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    52

    3. Lei de Deus Alegra o corao (vs.8b) - meshamehi-lev aqui uma palavra s. E indica

    que a Palavra de Deus provoca uma grande e exultante alegria ao nosso corao. Somente a

    Escritura pode operar em ns a alegria que precisamos para viver como povo pactual.

    4. A Lei de Deus ilumina os olhos (vs.8b) - irath inaim traz luz aos olhos que estavam

    em trevas. exatamente isto que a Escritura traz aos homens.

    3 O TESTEMUNHO INTERNO DO ESPRITO SANTO E A

    AUTORIDADE DIVINA DAS ESCRITURAS SAGRADAS.

    A confisso de f reconhece que apesar de termos todas estas evidncias a nosso favor

    pra se provar que a Bblia a palavra de Deus; todavia, ela nos alerta para o fato de que

    apenas o Esprito santo pode persuadir uma pessoa de que a Bblia a verdade de Deus para

    governar a vida do homem. Os termos usados pela Confisso de f so: no obstante, nossa

    plena persuaso e certeza da infalvel verdade e divina autoridade provm da obra interna

    do Esprito Santo que, pela Palavra e com a Palavra, testifica em nossos coraes. Um dos

    grandes defensores desta verdade foi John Owen, telogo puritano, que pressupunha uma

    afinidade e correspondncia diretas entre a mente divina e a mente humana, de forma tal que

    Deus capaz de falar conosco por meio de palavras, e ns, dentro dos limites de sua prpria

    auto-revelao, podemos compreend-lo em nossos pensamentos.43

    O Esprito Santo quem guia a Igreja na verdade e pela verdade isso ns aprendemos

    na Palavra de Deus em Joo 16.13-14. O papel do Esprito Santo no deixar a Igreja na

    ignorncia mas gui-la pra a luz da verdade do evangelho de Deus. Ele nos capacita a crermos

    nas Escrituras. Como nos diz Packer citando John Owen: O Esprito Santo iluminou nossas

    mentes, produziu em ns a f, capacitando-nos a crer nas Escrituras44

    Essa mesma tnica apresenta por Paulo em 1 Corntios 2.10-12, um dos objetivos do

    Esprito Santo que nos foi outorgado [dado] que venhamos conhecer mais e mais a

    43

    PACKER, J.I. Entre os Gicantes de Deus Uma Viso Puritana da Vida Crist. So Paulo: Editora fiel,1996, p.88.

    44 Ibid, p.100.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    53

    revelao de Deus nas Escrituras.. Este o ensino cristalino da Palavra de Deus sobre a

    Autoridade da Sagrada Escritura e relao com o Esprito Santo.

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    54

    Captulo 7

    A SUFICINCIA DAS ESCRITURAS.

    Seo VI. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessrias para a

    glria dele e para a salvao, f e vida do homem, ou expressamente declarado na

    Escritura ou pode ser lgica e claramente deduzido dela. Escritura nada se acrescentar

    em tempo algum, nem por novas revelaes do Esprito, nem por tradies dos homens;

    reconhecemos, entretanto, ser necessria a ntima iluminao do Esprito de Deus para a

    salvadora compreenso das coisas reveladas na palavra, e que h algumas circunstncias,

    quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum s aes e sociedades humanas, as

    quais tm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudncia crist, segundo as regras

    gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.

    Ref. II Tim. 3:15-17; Gal. 1:8; II Tess. 2:2; Joo 6:45; I Cor. 2:9, 10, l2; I Cor. 11:13-14.

    Introduo:

    Vamos estudar esta seo 6 que trata da suficincia das Escrituras. Ou seja, vamos

    meditar da ideia de somente a Bblia. A f Reformada afirma que as Escrituras Sagradas

    constituem-se numa regra completa de f e prtica. Num manual completo de doutrina,

    prticas eclesisticas e vida crist.45

    No evangelicalismo moderno temos visto a Escritura ser solapada, trocada e

    substituda por supostas revelaes do Esprito Santo, ou por outras vezes, pelas tradies

    humanas. No que a Bblia suficiente?

    A doutrina do Sola Scriptura tem sido desconhecida pala maioria dos cristo. A Bblia

    e somente a Bblia no mais o padro na vida das pessoas. Os crentes vivem buscando novas

    revelaes, e coisas desse gnero. Mas o que vamos estudar nesta aula vai nos conduzir a um

    entendimento bblico.

    45

    ANGLADA, Paulo. Sola Scriptura A Doutrina Reformada das Escrituras. So Paulo: Os Puritanos, 1998, p.73.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    55

    1 - O QUE O SOLA SCRIPTURA?

    o ensino de que tudo em matria de f e prtica deve ser derivado das Escrituras,

    seja por um mandamento claro, exemplo bblico-histrico e por uma inferncia lgica. Ou

    seja, que ns fazemos no culto deve ser nica e exclusivamente derivado das Escrituras

    (principio regulador do culto o que a Escritura ordena). Nenhuma doutrina pode ser aditada

    ou ensinada na Igreja, se esta no originada nas Escrituras.

    A resposta mais simples e clara que podemos oferecer a esta pergunta que o Sola

    Scriptura ensina que a Bblia regula a vida em sua totalidade46 O Dr. Paulo Anglada nos diz

    que com a redescoberta da doutrina da suficincia das Escrituras, os reformadores libertaram

    o povo de Deus das doutrinas e prticas impostas s conscincias por autoridade meramente

    humana47.

    Ou seja, o conceito que a doutrina encerra a de que somente as escrituras podem ser

    senhora da conscincia dos homens! Todavia, uma definio ampla e clara do que a doutrina

    significa apresentada por Brain M. Schwertley quando diz:

    Dito resumidamente, a doutrina protestante do sola scriptura ensina que a Bblia (os 66 livros do Velho e do Novo Testamento) a divina Palavra inspirada de Deus, e, portanto, infalvel e absolutamente autoritativa para todos os assuntos referentes f e vida. Como palavra escrita de Deus contm tudo o que existe da revelao sobrenatural de Deus, e porque cessaram todas as formas de revelao direta (com a morte dos apstolos e o fechamento do cnon), apenas e somente a Bblia a autoridade da igreja. Porquanto a Escritura clara (i.e., todo ensino necessrio salvao, f e vida, so facilmente compreendidos pelas pessoas comuns) no h necessidade de quaisquer fontes adicionais de autoridade para interpretar a Bblia infalivelmente para a igreja. A igreja (sejam ou no papas, cardeais, bispos, pais da igreja, conclios eclesisticos, snodos ou congregaes) no tem autoridade sobre a Bblia, mas a Escritura autoautenticada tem autoridade absoluta sobre a igreja e sobre todos os homens. Por ser o que a Bblia (como j visto), o mister da igreja puramente ministerial e proclamador. Todos os homens so proibidos de acrescentar ou subtrair algo das Sagradas Escrituras, seja pelas tradies humanas, ou pelas assim chamadas novas revelaes do Esprito, ou pelos decretos de conclios e snodos. A Bblia suficiente e perfeita e no necessita de quaisquer

    46

    SCHWERTLEY, Braian. M. Sola Scriptura e o Princpio Regulador do Culto. Tradutor: Marcos Vasconcelos. So Paulo: Editora os Puritanos, 2001, p.12

    47 ANGLADA, Paulo R. B. Sola Scriptura A Doutrina Reformada das Escrituras. So Paulo: Editora Os

    Puritanos, 1998, p.73.

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    56

    acrscimos humanos. Alm do que, apenas aquilo que ensinado na Escritura pode ser usado para tornar cativas as conscincias dos homens. 48

    Tudo que visa a glria de Deus e salvao dos pecadores est claramente declarado

    nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento. (2 Timteo 3.15-17) Ela (a Escritura)

    suficiente para nos corrigir, educar na prtica da justia, nos exortar (aconselhamento) para

    nos habilitar. Ento as Escrituras devem ser o padro norteador para as nossas vidas e crenas.

    2 - O SOLA SCRIPTURA O QUANTO AS ESCRITURAS SO

    SUFICIENTES?

    Esta pergunta de capital importncia para uma compreenso adequada da doutrina

    reformada da suficincia da Palavra de Deus. Uma clssica declarao de f pode nos ajudar a

    responder esta questo:

    Na primeira linha a Confisso de f fala-nos do quanto as Escrituras so realmente

    suficientes para a igreja. Os telogos puritanos declaram: Todo o conselho de Deus

    concernente a todas as coisas necessrias para a glria dele e para a salvao, f e vida do

    homem, ou expressamente declarado na Escritura ou pode ser lgica e claramente

    deduzido dela.

    Aqui ns temos um conceito subjacente ao Sola Scriptura [Somente a Escritura] que

    o de Toda Scriptura [ Toda Escritura], tambm desenvolvido na reforma protestante; e, de

    Acordo com Fred Klooster, este ponto de vista a respeito da Escritura como nica e

    completa (sola e tota Scriptura) exclusivamente reformado49

    Toda a Escritura tanto do Antigo Testamento como do Novo Testamento so

    suficientes para conduzir o homem vida e a piedade. Pois, elas constituem-se nossa nica

    regra de f e prtica50. Ao declarar a completude das Escrituras no se quer dizer que ela

    exaustiva; ou seja, as Escrituras no contm todas as informaes a respeito da criao, da

    48

    SCHWERTLEY, Braian. M. Sola Scriptura e o Princpio Regulador do Culto. Tradutor: Marcos Vasconcelos. So Paulo: Editora os Puritanos, 2001, p.1.

    49 Apud BEEKE, Joel. R. Vivendo para a Glria de Deus Uma Introduo F Reformada. Tradutor: Francisco

    Wellignton Ferreira. So Paulo: Editora Fiel, 2010, p. 150

    50 CATECISMO MAIOR DE WESTMINSTER, Resposta a questo 3.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    57

    natureza, do universo, ou mesmo da histria.51, mas o que realmente a doutrina significa

    que naquilo que necessrio para levar ao homem vida de piedade est expressamente

    declarado na Escritura ou pode ser lgica e claramente deduzido dela, isto no se restringe

    a algumas coisas, mas a todas as coisas necessrias ao homem conhecer.

    Paulo escrevendo a Timteo declara esta verdade de forma mpar quando declara:

    Toda a Escritura inspirada por Deus e til para o ensino, para a repreenso, para a

    correo, para a educao na justia, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e

    perfeitamente habilitado para toda boa obra. (2 Timteo 3.16-17 ARA)

    Olhando para este texto, bastante conhecido de ns, vemos que Paulo exalta a

    suficincia da Palavra de Deus. Ele diz que toda a Escritura inspirada por Deus, primeiro

    devemos ter a nossa ateno voltada para a palavra inspirada, pois, uma traduo que no

    capta com clareza aquilo que est no grego [Theopneustos] que significa

    soprado por Deus; ento, o apstolo nos assegura que toda a Escritura [Gr. -

    psa graf] o sopro de Deus para conduzir o povo da aliana vida de piedade e

    crescimento por meio da palavra; Calvino diz que Paulo aqui ao usar a expresso toda a

    Escritura est fazendo referncia a totalidade da Escritura.52 Logo, ela toda suficiente

    para a vida da igreja.

    a) - Deve-se rejeitar toda e qualquer suposta revelao do Esprito: Se pessoas

    sustentam que recebem novas revelaes elas esto se colocando contra a suficincia

    das Escrituras Sagradas. Paulo bem enftico ao falar sobre isso em Glatas 1.8-9.

    b) - Deve-se rejeitar tradies que se colocam contra a Bblia e at superior a ela: O

    nosso Senhor Jesus ensinou isso em Marcos 7.4-9. Os homens tentam invalidar a

    palavra de Deus pela tradio que sustentam. Isso atentar contra a doutrina da

    suficincia das Escrituras.

    51

    ANGLADA, Paulo. R.B. Sola Scriputura - A Doutrina Reformada das Escrituras. So Paulo: Editora os

    Puritanos, 1998, p.74.

    52 CALVINO, Joo. As Pastorais. Traduo: Valter Graciano Martins. So Paulo: Editora Paracletos, 1998, p.262.

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    58

    3 - O SOLA SCRIPTURA E A DOUTRINA DA ILUMINAO DO

    ESPRITO SANTO.

    Os puritanos negavam toda e qualquer manifestao dita por espiritual que tivesse a

    pretenso de trazer uma nova revelao; todavia, eles compreendiam profundamente que

    havia uma necessidade da ao iluminadora do Esprito Santo para uma correta compreenso

    da mensagem redentora das Escrituras. O homem precisa da iluminao do Esprito para uma

    salvadora compreenso, notem que eles no esto dizendo que a hermenutica tem que ser

    espiritual; o que se estar declarando que para o homem ser salvo faz-se necessria a ao do

    Esprito Santo para que este possa compreender a mensagem das Escrituras. (Joo 6.45).

    4 - O SOLA SCRIPTURA E AS QUESTES INDIFERENTES.

    Outro aspecto da doutrina da Suficincia das Escrituras o papel das Escrituras em

    relao s questes indiferentes. A Confisso declara: [...] e que h algumas

    circunstncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum s aes e

    sociedades humanas, as quais tm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudncia

    crist, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.

    A primeira questo que a confisso se detm a questo do culto, sustenta-se aqui

    que h:

    1. Circunstncias de culto: ou seja, que h coisas que precisam ser observadas pela luz da

    natureza e prudncia crist que devem regular as circunstncias: P.e. Pode-se fazer um

    culto debaixo de um p de rvore, mas prudente?

    2. Que o Governo da Igreja: deve ser orientado pela palavra - qual exemplo de governo a

    Bblia apresenta para a Igreja?

    No primeiro caso, muitos telogos tem confundido as circunstncias do culto com os

    elementos, estes elementos so:

    1) Leitura da Palavra;

    2) Pregao da Palavra;

    3) orao;

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    59

    4) os sacramentos;

    5) Cntico de salmos com alegria no corao (CFW 21.5)

    Quanto ao segundo caso, h igrejas e telogos que dizem que a Palavra no nos

    autoriza a defender um sistema de governo para a Igreja e que para eles pode ser:

    1 - Episcopal: O bispo Governa

    2 - O Congregacionalismo: Todos governam sobre todos.

    3 - O representativo: Alguns governam sobre todos como representantes.

    A confisso de F reconhece que deve-se se haver uma busca pela prudncia crist e

    que as regras gerais da Palavra devem ser sempre observadas at nisso as Escrituras

    devem ser suficientes. Bem, quanto a este assunto do governo eclesistico investiguemos um

    pouco. Atos 6.1-4 - fala da escolha dos diconos como sendo a escolha do povo efetivada ( o

    povo escolhe os seus oficiais - isso anula o sistema episcopal) Atos 14. 21-23 confirma isso.

    Quanto aos oficiais na igreja a Bblia diz que so apenas dois: Presbtero e Dicono. Os

    termos pastor, bispo e presbtero so sinnimos nas Escrituras: Atos 20.17,28; sendo assim, a

    escolha do bispo ou presbtero da Igreja deve ter isso em mente: 1 Tm.3.1-11; Tito.1.1-5 - os

    ofcios devem ser visto igualitariamente 1 pedro 5.1-2.

    Concluso: A suficincia das Escrituras deve ser a base primordial para o governo e a vida da

    Igreja de Cristo.

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    60

    Captulo 8

    A CLAREZA DAS ESCRITURAS

    Seo VII. Na Escritura no so todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo

    modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e

    observadas para a salvao, em um ou outro passo da Escritura so to claramente

    expostas e explicadas, que no s os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos

    meios ordinrios, podem alcanar uma suficiente compreenso delas.

    Ref. II Pedro 3:16; Sal. 119:105, 130; Atos 17:11.

    Introduo: Um dos temas mais importantes para a Teologia Protestante certamente a

    questo da Perspecuidade da Sagrada Escritura. Um tema negligenciado pela maioria das

    Igrejas Evanglicas de nossos dias. Parece-nos que as Escrituras se tornaram em nosso tempo,

    um livro misterioso, e de difcil compreenso! Na idade Mdia este era o principal slogan da

    Igreja Catlica Romana: As Escrituras so obscuras de mais para o homem simples entender,

    para o homem estudar e ler.

    A interpretao das Escrituras neste tempo estava condicionada a interpretao papal.

    A questo da clareza das Escrituras era passada de largo nos estudos da poca; foi o com

    brado dos reformadores de que Bblia clara de modo singular, especificamente, naquilo que

    se refere a salvao, vida e obedincia do homem em relao a Deus e a sua palavra. O que

    podemos aprender nesta seo aqui da nossa Confisso de F de Westminster?

    1 NEM TUDO EST CLARO NAS ESCRITURAS.

    O primeiro aspecto a ser considerado neste estudo o fato de que nem tudo nas

    Escrituras claro. A Bblia reconhece isto, pois, todos ns sabemos que existem textos na

    Bblia que de difcil compreenso. H Textos que nos deixam com n na cabea, e sem

    sabermos a sua significao. Este o aspecto negativo da declarao. Mas, por qu?

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    61

    1.1. Devido natureza do contedo da Bblia.

    Muito da Bblia continua oculto a ns, porque a palavra de Deus nos apresenta o

    prprio Deus e seus mistrios. Deus inigualvel, a nossa mente no pode conter tanto

    conhecimento sobre a Sua Pessoa, Atributos e aes. Ele est alm do mais alto e elevado

    nvel que a mente humana pode conceber veja-se 1 Tm 6:16 .

    1.2. Por causa da corrupo do homem.

    A queda de nossos primeiros pais afetou todo o entendimento do homem. O estado de

    depravao do homem apresentado na Bblia da seguinte forma:

    a) Foi concebido em pecado. Sl 51:5 Gerado pelo pecado o homem nasce

    propenso a interpretar o mundo que lhe cerca pelas lentes de sua prpria pecaminosidade que

    se insere e instala desde a sua concepo.

    b) Nasceram desviados. Sl 58:3 Ao nascer o homem uma mentira

    completa, pois, vive desviado e mergulhado em mentiras, logo, obscurece toda a verdade de

    Deus.

    c) So escravos do pecado. Jo 8:33,34 Escravizado pelo pecado o homem

    no tem condies de compreender a mensagem redentiva de Deus nas pginas das Sagradas

    Escrituras.

    d) So obscurecidos de entendimento. Ef 4:18 E por fim, o homem pecado

    tem os olhos de seu corao mergulhados em trevas profundas, por isso, as Escrituras no lhe

    so realmente claras.

    1.3. A prpria Bblia reconhece certa dificuldade no seu entendimento.

    A Escritura admite que h certa dificuldade no entendimento de verdades que foram

    reveladas e que esto registradas. II Pedro 3:15,16 aqui h um reconhecimento por parte de

    um apstolo de que existem textos de extrema complexidade para o entendimento, e que

    muitos distorcem para sua prpria condenao, fazem isso trazendo sobre certa destruio e

    prejuzo para a alma deles e de seus ouvintes.

    Da surge necessidade do ministrio pastoral e do ensino dentro da Igreja de Cristo.

    Pois, o magistrio da Igreja Crist serve para auxiliar os crentes na compreenso da verdade

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    62

    do Evangelho de Deus; pastores com sabedoria e entendimento (Jr.3.15). Isso muito bem

    retratado no episdio de Atos 8:29-35. Vemos no Texto um homem lendo as Sagradas

    Escrituras, mas que no compreendeu o sentido daquilo que estava lendo, ento, o evangelista

    se aproxima dele e explica as verdades a respeito de Cristo que estava na passagem lida, ou

    seja, ele esclarece as Sagradas Escrituras para o leitor do texto.

    2 A ESCRITURA: SUA CLAREZA PARA A SALVAO

    A despeito disso tudo a Confisso de F reconhece que aquilo que fundamental e

    essencial para a salvao e vida piedosa do homem claramente revelado nas Escrituras.

    [...], contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvao,

    em um ou outro passo da Escritura so to claramente expostas e explicadas, que no s os

    doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordinrios, podem alcanar uma

    suficiente compreenso delas.

    E como isso se d na prtica da Igreja, como cada um de ns podemos chegar a ter a

    clareza das Escrituras visando a obedincia a Deus, bem como tendo um entendimento a

    respeito da obra da salvao? Compreendendo trs realidades:

    2.1 Que a Prpria Escritura declara sua prpria clareza.

    Este o passo mais importante. Precisamos reconhecer que a prpria Bblia reconhece

    a sua clareza intrnseca naquilo que importante para a salvao e vida piedosa do homem, as

    figuras empregadas em toda a Escritura apontam para isso, vejam:

    a) Uma Lmpada: Salmos 119.105.

    b) Fonte de Revelao: Salmo 119.130.

    c) Um vu removido: 2 Corntios 3.14

    d) Um Lampio: 2 Pedro 1.18-19

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    63

    2.2 Que sendo uma revelao escrita destina-se nossa compreenso.

    O homem incapaz de compreender a mensagem da Bblia salvadoramente; todavia, o

    prprio Deus pode fazer com este homem compreenda as verdades do evangelho e libert-lo,

    pois, se as Escrituras nos foram dadas, isso tem a implicao de que esto nossa disposio

    para a compreenso de sua mensagem redentora. (Mateus 19.26; Efsios 3.20)

    2.3 Que a Escritura destinada a todos os homens, ou a todos os crentes.

    Dt 6:4-7 ; Jo 5:39 ; At 17:11. o chamado ao arrependimento e a converso, bem como a

    obedincia Lei de Deus indica clareza das Escrituras como um todo.

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    64

    Captulo 9

    A PRESERVAO DAS ESCRITURAS

    SEO VIII - O Velho Testamento em Hebraico (lngua vulgar do antigo povo de Deus) e

    o Novo Testamento em Grego (a lngua mais geralmente conhecida entre as naes no

    tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular

    cuidado e providncia conservados puros em todos os sculos, so por isso autnticos e

    assim em todas as controvrsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um

    supremo tribunal; mas, no sendo essas lnguas conhecidas por todo o povo de Deus, que

    tem direito e interesse nas Escrituras e que deve no temor de Deus l-las e estud-las, esses

    livros tm de ser traduzidos nas lnguas vulgares de todas as naes aonde chegarem, a fim

    de que a palavra de Deus, permanecendo nelas abundantemente, adorem a Deus de modo

    aceitvel e possuam a esperana pela pacincia e conforto das escrituras.

    Ref. Mat. 5:18; Isa. 8:20; II Tim. 3:14-15; I Cor. 14; 6, 9, 11, 12, 24, 27-28; Col. 3:16; Rom.

    15:4.

    INTRODUO:

    A doutrina da preservao das escrituras salutar para a Igreja de Cristo.

    Conscientemente uma doutrina que tem apoio na doutrina da providncia. A Doutrina da

    providncia pode ser definida do modo como segue:

    A palavra portuguesa providncia vem do latim providentia, e a palavra prover do latim providere. Etimologicamente, a palavra providncia significa primeiro ver antes ou ver de antemo. Posteriormente, a palavra veio a significar o exerccio de todo o cuidado e controle que a infinita previso de Deus de seus prprios fins e seu conhecimento que seus instrumentos apontados podem sugerir.53

    bom lembrar que a providncia de Deus estende-se tambm as palavras que esto na bblia, pois, foram providencialmente preservadas por Deus de forma escrita. Isso uma verdade que o Dr. Heber Carlos de Campos colocou isso da seguinte forma:

    Portanto, podemos definir a providncia divina como a atividade do Deus trino atravs da qual ele (a) prov as necessidades de suas criaturas, (b) preserva todo o universo criado, (c) dirige todos os caminhos individualmente; (d) governa toda a obra de suas mos (e) retribui todas as obras ms e (f) concorre em todos os atos de

    53

    HODGE, A.A. Evangelical Theology (Edinburgh: Banner of Truth, 1990), p. 31.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    65

    suas criaturas racionais, sejam atos bons ou maus, de modo que nada escapa ao seu controle.54

    Vejamos o que podemos aprender sobre esta verdade:

    1 DEFININDO A DOUTRINA:

    Pode-se definir esta doutrina como sendo o ensino de que cada palavra do Antigo e

    do Novo Testamento fora preservada por Deus ao longo dos sculos, de sorte que, no que

    diz respeito a vida, f e salvao, est clara e incorruptivelmente registrado nas Escrituras.

    Mt 5:18

    Assim: Preserva sua palavra (inspirao)

    Deus Antigo e Novo Testamento (registro)

    Para vida, f e salvao do homem (propsito secundrio)

    Aqui existe um alerta para ns. Os escritores da Confisso de F lembra-nos que os

    textos das Escrituras foram preservados de maneira incorruptvel naquilo que diz respeito f,

    ao modo de vida e a salvao do gnero humano. Pois, existem textos que foram

    acrescentados na Escritura.

    Esses acrscimos esto colocados em nossas Bblias entre os famosos colchetes [ ]

    indicando que no fazem parte dos melhores manuscritos gregos e hebraico. Existe uma

    enorme leitura variada [lies variantes ou leituras variantes], s o Novo Testamento tem

    mais de 5.500 leituras diferentes.

    Por exemplo, a orao do Senhor em Mateus 6.9-13 mostra-nos que a ltima

    expresso no constava na leitura original, era uma leitura variante que foi includa; outro

    texto que nos chama ateno o caso da Mulher adltera do captulo 7 de Joo do verso 53

    at o verso 11 do captulo oito, que foi includo depois. Ou ainda o caso de Marcos 16.9-20

    que o final no consta nos melhores manuscritos gregos usados.

    54

    CAMPOS, Heber Carlos de. O Ser de Deus e as Suas Obras A Providncia e a sua realizao histrica, So Paulo: Editora Cultura Crist, 2001, p.13

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    66

    O dilema nosso ser que realmente as Escrituras foram preservadas da corrupo,

    ser que foi negligenciado o que Apocalipse 22.18-19 diz sobre acrescentar ou diminuir da

    palavra de Deus. Como lidar com este problema.? Estamos lendo de fato as Escrituras, houve

    a preservao? Notemos que os puritanos dizem que aquilo que importante no foi afetado

    na transmisso do texto bblico55

    2 IMPLICAO DA DOUTRINA:

    1. Envolve a providncia:

    Acreditar na doutrina da predestinao aceitar a doutrina da providncia. Deus

    governa sobre tudo; isso deve fazer os nossos coraes descansarem em Deus. Veja-se Jr

    1:12. A palavra velar tem o sentido de cuidar, preservar. A Confisso diz: Pelo seu

    singular cuidado e providncia.

    2. Envolve a convico de que a Escritura um dom de Deus dado Igreja:

    A Bblia no um livro s do domingo, mas o livro para o dia a dia. A Confisso diz

    que Deus preservou a bblia pura ao longo dos anos. Isso significa que quando a inquisio

    romana tentou acabar com a Bblia Deus, agindo providencialmente, usou homens para

    preservar a sua palavra, a inveno da imprensa o exemplo disso. E assim, hoje temos o

    Livro Santo em nossas mos.

    3 PROVA BBLICA DA DOUTRINA:

    a) Pela proibio de acrscimo: A Escritura probe qualquer acrscimo a ela Dt 4:2 ;

    12:32.

    b) Pela exaltao de sua pureza: A Bblia pura em si e reflete o fato da preservao Pv

    30:5,6.

    c) Por sua imutabilidade: A Bblia autentica-se como imutvel Sl 111:7,8 ;

    119:89,152,160 ; Is 40:8 ; Mt 24:35

    55

    PARSOSCHI, Wilson. Origem e Transmisso do Texto do Novo Testamento. So Paulo: Sociedade Bblica do Brasil,2012, p. xv.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    67

    Captulo 10

    A INTERPRETAO DAS ESCRITURAS.

    SEO IX - A regra infalvel de interpretao da Escritura a mesma Escritura;

    portanto, quando houver questo sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da

    Escritura (sentido que no mltiplo, mas nico), esse texto pode ser estudado e

    compreendido por outros textos que falem mais claramente.

    Ref. At. 15: 15; Joo 5:46; II Ped. 1:20-21.

    Introduo: Vivemos em uma poca na qual a Escritura tem sido desprezada; e infelizmente

    interpretaes absurdas tem sido oferecida nos plpitos. As heresias surgem de uma m

    aplicao das passagens das Escrituras. O nosso estudo de hoje ir abordar a questo da

    hermenutica. Como interpretar as Escrituras?

    1. DEFINIO DA DOUTRINA:

    O que hermenutica? Esta pergunta fundamental para que possamos prosseguir em nossa abordagem. A resposta que damos a esta questo nos ajudar no entendimento adequado da problemtica enunciada neste trabalho. Para compreendermos o que significa a hermenutica precisamos analisar lexicamente o termo:

    O termo hermenutica deriva-se do verbo grego ermhneu,w(hermeneuo), eu traduzo, interpreto, significo Ermhneu,w,(hermeneuo), e os termos correlatos ermhnei,a(hermenea) , interpretao; diermhneu,w(diermeneuo), interpreto, significo; meqaermhneu,w / omai (methaermeneuo ou methaermeneuomai), interpreto, significo; e`rmhneuth,j (hermeneutes), intrprete; e dusermh,neutoj

    (dysermeneutos), de difcil interpretao[..]56

    Ento, qual o significado basilar de hermenutica? explicar. Isto curioso, pois, esta a funo bsica do ministro da palavra. Isto significa que a hermenutica no deve ser divorciada do plpito. At meados do sculo XIX, hermenutica era uma disciplina associada pregao. Os pregadores eram intrpretes por excelncia das Escrituras.57

    Outro escritor sumariza para ns uma definio bsica de hermenutica: 56

    ANGLADA, Paulo Roberto Batista. Introduo Hermenutica Reformada Correntes Histricas, pressuposies, Princpios e Mtodos Lingsticos, Ananindeua: Knox Publicaes, 2006, p.21.

    57 Ibid, p.20

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    68

    em seu significado tcnico, muitas vezes se define a hermenutica como a cincia e arte de interpretao bblica. Considera-se a hermenutica como cincia porque ela tem normas, ou regras, e essas podem ser classificadas num sistema ordenado. considerada como arte porque a comunicao flexvel, e, portanto uma aplicao mecnica e rgida das regras s vezes distorcer o verdadeiro sentido de uma comunicao

    58

    A palavra hermenutica significativa. Isto se deve pelo fato de que deriva do vocbulo que significa interpretar. A definio tradicional da palavra cincia que define os princpios ou mtodos para a interpretao do significado dado por um autor especifico.59

    Em sntese pode-se dizer que se trata de uma codificao dos processos que normalmente empregamos em um nvel consciente para entender o significado de uma comunicao.60 Este tem sido o significado do termo hermenutica.

    2- A NECESSIDADE DA HERMENUTICA.

    A pergunta que se tenciona responder : Quem precisa de hermenutica? Diramos que

    apenas os peritos em Bblia. Mas a nossa confisso de f diz que a interpretao necessria,

    visto que nem tudo igualmente claro a todos:

    Todas as coisas, por si mesmas, no so igualmente claras nas Escrituras, nem

    igualmente evidentes a todos; no obstante, aquelas coisas que precisam ser

    conhecidas, cridas e observadas para a salvao so to claramente expostas e

    visveis, em um ou outro lugar da Escritura, que no s os doutos, mas ainda os

    indoutos, no devido uso dos meios ordinrios, podem alcanar um suficiente

    entendimento delas. (CONFISSO DE F DE WESTMINSTER,

    Captulo 1, seo 7)

    Ainda que a nossa confisso reconhea a doutrina da perspecuidade (clareza) das

    Escrituras, pertinente entender que nem tudo o que h na escritura claro igualmente a

    58

    VIRKLER, Hermenutica Princpios e Processos de Interpretao Bblica. [ hoje com o ttulo de Hermenutica Avanada] Tradutor: Luiz Aparecido Caruso, So Paulo: Vida, 1987, p.9.

    59 OSBORNE, Grent R. A Espiral Hermenutica uma nova abordagem interpretao bblica. Traduo: Daniel

    Oliveira, Robinson N. Malkomes, Sueli da Silva Saraiva. So Paulo: Vida Nova, 2009, p.25.

    60 VIRKLER, Hermenutica Princpios e Processos de Interpretao Bblica. [ hoje com o ttulo de

    Hermenutica Avanada] Tradutor: Luiz Aparecido Caruso, So Paulo: Vida, 1987, p.12.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    69

    todos. O que claro a todos so questes que podem conduzir o homem ao caminho da vida e

    da piedade.

    Quando nos aproximamos da Bblia percebemos que sua mensagem em muitas partes

    difcil de compreender; os salmos, os provrbios, Eclesiastes, os profetas menores, crnicas,

    juzes. So livros que nos parecem estar em outro mundo.

    2.1 - As Duas Naturezas da Bblia:

    Ao estudarmos sobre este assunto. Devemos nos concentrar na ideia de que a

    hermenutica se faz necessria por causa da natureza dupla das Escrituras. A Bblia tem sido

    reconhecida como um livro divino e humano. Ou como coloca um biblista Palavra de Deus

    em palavras humanas.61 neste patamar que precisamos estar para compreender a

    mensagem do evangelho de Deus revelado na Bblia.

    2.1.2 - A Bblia como Livro Humano.

    Lidar com essa caracterstica tem sido muito difcil pelos evanglicos de nossos dias.

    Mas antes de tudo queremos dizer que o objetivo dessa parte introdutria levantar alguns

    aspectos da natureza da Bblia que tornam indispensvel um esforo consciente para

    interpret-la.62

    A necessidade de interpretao bblica situa-se no fato de que a Bblia foi escrita por

    pessoas comuns, mas estas pessoas viveram em outra poca, cultura, costumes, polticas

    diferentes dos nossos.

    2.1.2.1 - O Problema do contexto Histrico:

    H passagens nas Escrituras que para ser, devidamente interpretadas,

    precisamos conhecer o contexto no qual cada declarao foi usada e dita. Um exemplo

    clssico quando olhamos o livro do profeta Jonas no qual fica figurada a antipatia

    dele pelos ninivitas - e o contexto histrico nos mostra que o problema estava

    vinculado ao fato de que aquele povo era extremamente cruel.

    61

    SILVA. Cssio Murilo Dias. Metodologia de Exegese Bblica. So Paulo: Editora Paulinas, 2000, p.11.

    62 LOPES, Augustus Nicodemos, A Bblia e Seus Intrpretes, So Paulo: Editora Cultura Crist, 2001, p.23

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    70

    2.1.2.2 - O Problema da cultura:

    A Bblia como livro vindo da lavra humana tem perspectivas culturais significativas. Ler

    o livro de Gnesis e perceber fatos como no captulo 15 - o dividir os animais ao meio - e

    saber que culturalmente era assim que se processava na cultura de ento ao afirmar uma

    aliana; ajuda-nos a entender porque Deus no permitiu que o patriarca passe no meio

    daqueles pedaos partidos. Algum j disse que cada um de ns v a realidade atravs dos

    olhos condicionados pela cultura e por uma variedade de outras experincias.63

    2.1.2.3 - O Problema da Lngua:

    A Bblia foi escrita em outra lngua que no a nossa. As Escrituras foram redigidas

    em trs idiomas diferentes e at desconhecido para a maioria de ns: Texto Grego.

    Joo 1:1-7

    Texto Hebraico64.

    Gnesis 1:1-5

    VEn avrch/| h=n o` lo,goj kai. o` lo,goj h=n

    pro.j to.n qeo,n kai. qeo.j h=n o` lo,goj 2

    ou-toj h=n evn avrch/| pro.j to.n qeo,n 3

    pa,nta di auvtou/ evge,neto kai. cwri.j

    auvtou/ evge,neto ouvde. e[n o] ge,gonen 4 evn

    auvtw/| zwh. h=n kai. h` zwh. h=n to. fw/j

    tw/n avnqrw,pwn\ 5 kai. to. fw/j evn th/|

    skoti,a| fai,nei kai. h` skoti,a auvto. ouv

    kate,laben 6 VEge,neto a;nqrwpoj

    avpestalme,noj para. qeou/ o;noma auvtw/|

    VIwa,nnhj\ 7 ou-toj h=lqen eivj

    marturi,an i[na marturh,sh| peri. tou/

    fwto,j i[na pa,ntej pisteu,swsin di

    auvtou/

    `#r ~yIm:V'h; tae ~yhi_l{a/ ar"B' tyviarEB.

    x:Wrw> ~Ah+t. ynEP.-l[; %v,xow> Whbow" Whto ht'y>h' #r 2

    `~yIM")h; ynEP.-l[; tp,x,r:m. ~yhil{a/

    `rAa*-yhiy>w:) rAa= yhiy> ~yhil{a/ rm,aYOw: 3

    rAah' !yBe ~yhil{a/ lDEb.Y:w: bAj+-yKi rAah'-ta, ~yhil{a/ ar.Y:w: 4

    `%v,xo)h; !ybeW

    brw:) hl'y>l"+ ar"q" %v,xol;w> ~Ay rAal' ~yhil{a/ ar"q.YIw: 5

    p `dx'(a, ~Ay rq,bo-yhiy>w:)

    H uma necessidade de compreendermos essas lnguas para que possamos tem um

    melhor entendimento da mensagem bblica. esse o nosso desafio quando estudamos a

    hermenutica.

    63

    VIRKLER, Henri, Hermenutica Princpios e Processos de Interpretao Bblica. [ hoje com o ttulo de Hermenutica Avanada] Tradutor: Luiz Aparecido Caruso, So Paulo: Vida, 1987, p.12

    64 O texto hebraico se ler da direita para a esquerda.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    71

    2.1.3 - A Bblia como livro divino:

    Se nos aproximamos da Bblia com a conscincia voltada para o fato de que ela o livro de Deus; ento, ela tem relevncia eterna.65 A necessidade de interpretao desse livro se d porque h uma mensagem nele que confronta os nossos pecados; e que por isso, somos em casos especficos incapazes de interpret-lo - a nossa condio e totalmente depravados; isso nos impe limites significativos na hora da interpretao bblica.

    3 A REGRA UREA DA INTERPRETAO BBLICA: SCRIPTURA,

    SCRIPTURAE INTERPRES.

    A Confisso de F de Westminster nos apresenta a regra fundamental de interpretao

    Bblica. E todos aqueles que amam a Palavra de Deus deve buscar seguir este padro

    reformado expresso na Confisso de F que : A regra infalvel de interpretao da

    Escritura a mesma Escritura.

    O que este princpio quer nos ensinar? O que ele significa? O que os puritanos esto

    querendo nos ensinar aqui? Esta seo mostra-nos primeiramente a importncia das Escrituras

    serem o padro de interpretao infalvel. Nenhuma interpretao pode ignorar outras partes

    das Escrituras. O Dr. Paulo Anglada nos lembra:

    O assunto tratado neste pargrafo diz respeito hermenutica sagrada. Trata-se do princpio reformado fundamental de interpretao bblica, segundo o qual, a regra infalvel de interpretao das Escrituras que a Escritura se auto-interpreta, elucidando, assim, suas passagens mais difceis.

    66

    Os textos mais obscuros devem ser elucidados por textos mais claros. As dificuldades

    na interpretao Bblica certamente encontra-se na negligncia desta regra urea da

    interpretao das Escrituras.

    Um exemplo clssico o texto 1 Pedro 3.19. Quando lemos este texto pensamos que

    Cristo foi ao inferno e pregou aos espritos que estavam trancafiados no inferno; mas, no

    isto que o texto est falando. O verso 20 e 21 deixam claro para ns que o sentido pretendido

    65

    FEE & STUART, 1985, p. 15

    66 ANGLADA, Paulo. Sola Scriptura A Doutrina Reformada das Escrituras. So Paulo: Os Puritanos, 1998, p.

    123.

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    72

    por Pedro que Cristo estava presente na pregao de No que chamado de Pregador da

    Justia em 2 Pedro 2.4.

    O princpio reformado de A Escritura interpreta a si mesma deve ser o nosso

    referencial na arte e na cincia da interpretao. Ignorar esse princpio colocar toda verdade

    de Deus revelada em risco.

    4. OS MTODOS DE INTERPRETAO E O SENTIDO

    AUTORAL.

    Ainda na Confisso de F de Westminster afirma-se o seguinte: [...] portanto,

    quando houver questo sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura

    (sentido que no mltiplo, mas nico), esse texto pode ser estudado e compreendido por

    outros textos que falem mais claramente.

    O que se afirma aqui nesta seo?

    4.1 Que devem ser rejeitados todos os mtodos de interpretao de multiplicidade de

    sentidos:

    De modo mais simples, aqui se afirma que um texto bblico tem apenas um sentido

    pretendido. A busca de sentido na leitura bblica de fundamental importncia, o sentido de

    qualquer texto das Escrituras o que est escrito. Esta forma de interpretao conhecido

    como Mtodo Histrico-Gramatical. Que sustenta que o texto bblico deve ser interpretado

    de forma literal e gramatical dentro de seu contexto histrico.

    Um escritor contemporneo nos alerta para um fato importante ele nos diz que as

    palavras possuem, frequentemente, uma ampla gama de possveis significados, mas o

    significado que exibem em um contexto particular e que tambm partilham do foro pblico

    no pode ser desconsiderado ou arbitrariamente usado de forma intercambivel.67

    A multiplicidade de sentido provocado pelos seguintes mtodos de interpretao:

    67

    KAISER, JR. Walter C. ; SILVA, Moiss. Introduo Hermenutica Bblica Como Ouvir a Palavra de Deus apenas dos rudos de nossa poca. Traduo: Suzana Klassen. So Paulo: Cultura Crist, 2009, p. 27.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    73

    4.1.1 Mtodo Alegrico de Interpretao:

    O mtodo alegrico busca sob o significado literal de uma passagem o significado

    real68 uma inverso daquilo que j temos aprendido at agora. Como coloca outro autor que

    a interpretao alegrica v em cada elemento de um relato um smbolo, como representao

    de um sentido oculto.69

    Uma das mais comuns alegorizao que igreja tem feito com o livro de Cnticos dos

    Cnticos como lembra bem Greidanus: o livro de Cnticos dos cnticos de Salomo pode ser

    entendido como expressando no o amor entre um homem e uma mulher, mas o amor entre

    Cristo e a Igreja70.

    4.1.2 Mtodo de Espiritualizao.

    Quando ocorre a espiritualizao de um texto sagrado? Greidanus nos responde

    ocorre quando o pregador rejeita a realidade histrica, terrena e fsica da qual o texto fala e

    cruza a lacuna com uma analogia espiritual daquela realidade histrica.

    Um dos textos que tem sofrido uma explorao de espiritualizao Gnesis 37.24:

    E, tomando-o, o lanaram na cisterna, vazia, sem gua. A interpretao espiritualizante

    sugere que este ato aponta para o fato de que a alma do homem est em um poo de pecados,

    na verdade o texto fala apenas que os irmos de Jos, em sua maldade, jogaram o seu irmo

    dentro de um poo.

    68

    GREIDANUS, Sindey. O Pregador Contemporneo e o Texto Antigo Interpretando e Pregando Literatura Bblica.Traduo: Edmilson Francisco Ribeiro, So Paulo: Cultura Crist, 2006, p. 197

    69 ARENS, Eduardo. A Bblia sem Mitos Uma Introduo Crtica.Traduo: Celso Mrcio Teixeira. So Paulo:

    Paulus, 2007,

    70 GREIDANUS, Sindey. O Pregador Contemporneo e o Texto Antigo Interpretando e

    Pregando Literatura Bblica.Traduo: Edmilson Francisco Ribeiro, So Paulo: Cultura Crist, 2006, p. 197

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    74

    4.2 A Inteno do Autor afirmada na Confisso de F de Westminster

    Ao defender que o texto sagrado tem um nico sentido, logicamente se pressupe a

    defesa da inteno autoral. O texto o que autor quis dizer. Sabemos que em nossos dias

    existem uma guerra sobre a questo da inteno de autor ao produzir o seu texto, pois, para

    muitos o autor est morto.

    Walter C. Kaiser jr, citando um amigo, diz algo importante sobre esta temtica:

    Bright foi ainda mais contundente ao apresentar uma proposio que despertou uma exploso de protesto, mais uma preposio que eu defendo como sendo a nica sada de nossa complicao atual. Bright declarou: Vamos dizer isto claramente: o texto tem apenas um significado, o significado pretendido pelo seu autor; e h um nico mtodo para descobrir este significado, o mtodo histcio-gramatical.71

    A importncia dessa asseverativa mostra o compromisso que temos com revelao

    proposicional de Deus nas Escrituras. E, vale salientar que isso significa que os critrios para

    o entendimento do significado intencional de um texto esto inseridos nele prprio.72

    A estrutura desta questo sobre a inteno autoral importante, porque esses conceitos

    foram suprimidos nas avaliaes atuais na rea da hermenutica. O sentido pretendido pelo

    autor est expresso no texto sagrado. Em nossos dias pessoas dizem que o autor anulado e o

    ponto de interpretao o texto sendo avaliado, e reinterpretado apartir da resposta que leitor

    oferece ao texto.73

    Mas, a abordagem correta ler o texto apartir da perspectiva de que o seu autor tinha

    um objetivo ao escrever aquele texto; a inteno do autor deve ser perseguida, deve ser

    buscada na interpretao de qualquer passagem Bblica. O sentido autoral dever ser buscado

    na gramtica e no contexto da passagem, pois, h passagens que usam termos que no campo

    semntico podem oferecer uma distino de sentido sentido logicamente pretendido pelo

    autor. Um caso clssico o texto de Tiago 1.2 e Tiago 1.12-13.

    71

    KAISER, JR. Walter C. Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamento Um Guia para a Igreja. Traduo: Degmar Ribas. Rio Janeiro: CPAD, 2009, p. 15.

    72 BRUGGEN, Jacob Van. Para Ler a Bblia. Traduo: Thedoro J. Havinga. So Paulo: Cultura Crist, 1998, p.21.

    73 PATROCNIO, Jorge. Validade na Interpretao Bblica: A inteno Cclica de Autor, texto e Intrprete Uma

    Resposta Reformada para uma Hermenutica Ps-Moderna. IN: Fides Reformata XI, N 2 (2006), p.101-119.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    75

    No texto grego a palavra que aparece no verso 2 [peirasmos] aqui tem

    o sentido de provao, e, no verso 12 ele retoma este tema e refora a ideia com a mesma

    palavra, mas no verso 13 a palavra grega tem o sentido modificado pelo campo semntico,

    onde intencionalmente o autor pretendeu o sentido de tentao para a palavra grega usada

    aqui no trecho de Tiago.

    CONCLUSO:

    Neste estudo vimos a que a interpretao bblica uma arte e uma cincia,

    percebemos logo de imediato a necessidade que temos desta cincia para compreendermos

    melhor as Escrituras Sagradas; percebemos as dificuldades envolvidas no estudo do livro de

    Deus. E, por ltimo, analisamos a questo dos mtodos de interpretao das Escrituras,

    descobrimos algumas abordagens que devem ser rejeitadas como a alegorizao e a

    espiritualizao das Escrituras.

    Ressaltamos a importncia do Mtodo Histrico-Gramatical que sustenta o princpio

    da interpretao reformada que a Escritura interpreta a Escritura. E nesta convico se

    persegue o sentido nico do texto procurando a inteno do autor.

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    76

    Captulo 11

    A SUPREMACIA DAS ESCRITURAS.

    Seo X: O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvrsias religiosas tm de ser

    determinadas e por quem sero examinados todos os decretos de conclios, todas as

    opinies dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opinies particulares, o Juiz

    Supremo em cuja sentena nos devemos firmar no pode ser outro seno o Esprito Santo

    falando na Escritura.

    Ref. Mat. 22:29, 3 1; At. 28:25; Gal. 1: 10.

    Introduo:

    Estamos encerrando o primeiro captulo da nossa Confisso de F de Westminster, que

    tratou da questo da Bblia como nosso alicerce para a vida crist; isto significa que para ns

    s existe uma fonte para tudo o que fazemos e determinamos em nossas vidas. O nosso estudo

    hoje abordar a questo da autoridade suprema e final das Escrituras, trataremos dos seguintes

    aspectos:

    I. A Bblia como Juiz supremo:

    1. Estabelece o que se deve crer em todas as controvrsias religiosas.

    2. o aferidor para se examinar as decises e opinies dos homens

    2.1 sejam decises conciliares.

    2.2 - sejam opinies particulares.

    II. A Bblia e a segurana doutrinria da Igreja.

    1. Devemos nos firmar na Escritura.

    2. O que est escrito na Bblia o Esprito Santo Falando na mesma.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    77

    1 A BBLIA COMO JUIZ SUPREMO:

    Devemos sempre levar em considerao que a Palavra de Deus o nosso Supremo

    Juiz em tudo o que fazemos ou deixamos de fazer; tudo deve ser feito, realizado e produzido

    levando em considerao o que a Bblia nos ensina. Ela a nossa regra superior em tudo. E

    por isso, em qualquer controvrsia religiosa devemos de fato, apelar para ela como o nosso

    supremo juiz. Por qu?

    1.1. Porque ela estabelece o que se deve crer em todas as controvrsias religiosas:

    Um exemplo clssico que encontramos o caso de Atos 15. Nos versculo 1e 2 que os

    judeus estavam ensinando a salvao por meio da circunciso, e que por causa disso houve

    uma grande discusso entre Paulo e Barnab Paulo dizendo que este ensino era danoso e

    feria o ensino da cruz, e Barnab chegou a concordar com os judaizantes.

    O problema no foi resolvido de imediato. Os presbteros de Antioquia sobem a

    Jerusalm para resolver o problema, acontece o primeiro Conclio da Igreja em Jerusalm

    (VS.6). Depois, da defesa de Pedro da converso dos Gentios e dos testemunhos de Paulo.

    Tiago se levanta diante da igreja e cita as Escrituras (VS.15-18). Notamos aqui que a sentena

    do Conclio foi observar e extrair das Escrituras o que se deveria fazer nesta ocasio, ento, a

    Bblia o nosso supremo juiz porque estabelece tudo o que devemos crer nas controvrsias

    religiosas.

    A grande verdade que nenhuma deciso complementar foi utilizada para coagir a

    conscincia dos cristos obedincia, mas nica e exclusivamente s Escrituras. Hoje existe

    uma tendncia de limitar a autoridade das Escrituras, admitindo-se fontes adicionais ou

    suplementares de autoridade74 tais como a tradio ou as supostas novas revelaes do

    Esprito Santo.

    Muitos autores consideram a doutrina da autoridade suprema das Escrituras como algo

    ultrapassado. E sendo at considerado fruto do fundamentalismo. Como coloca Eduardo

    Arens:

    74

    ANGLADA, Paulo. Sola Scriptura A Doutrina Reformada das Escrituras. So Paulo: Os Puritanos, 1998, p. 147.

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    78

    Pode-se afirmar que a Bblia a autoridade ltima e suprema em matria teolgica? Em crculos fundamentalistas, a resposta um taxativo sim. Segundo eles, devemos apegar-nos ao que est afirmado na Bblia, e toda ideia teolgica, tica ou religiosa que no seja expressamente confirmada pela Bblia deve ser rejeitada (por exemplo, em relao aos sacramentos).

    75

    Embora seja verdadeira a ideia de que tudo o que no for expressamente respaldado

    pelas Escrituras, a forma como o autor coloca isso em um tom negativista, como se aqueles

    que aceitam a supremacia das Escrituras estivessem errados. Mas, o prprio senhor Jesus nos

    aponta para a questo da autoridade suprema das Escrituras quando usa um vocbulo grego

    que se traduz por est escrito.

    O termo grego empregado o verbo ge,graptai que ocorre no Novo Testamento 67

    vezes isto nos indica algo que era de uso to comum e indiscutvel a autoridade que, no

    seu conflito mais vibrante, Jesus no precisou de outra arma alm da palavra: Est

    Escrito!(Mt. 4.4,7; Lc. 4.4,8; 24.26). Isto leva a uma considerao de que recebemos o

    Velho Testamento baseados na autoridade de Cristo76.

    Nesta mesma linha de pensamento podemos citar o que os Puritanos compreendiam a

    respeito da autoridade suprema das Escrituras:

    A linha de raciocino dos Puritanos sobre a autoridade bblica

    impecvel: se Deus o autor da Escritura, ela no pode mentir, e se

    ela no engana, deve ser inerrante e infalvel. Os Puritanos no

    hesitaram em aplicar uma ou outra das palavras Bblia. Para manter

    a viso de Lutero de que a Escritura... nunca errou e a convico de

    Calvino de que a Bblia a infalvel regra de...verdade, Samuel

    Rutheford declarou: A Palavra de Deus ... infalvel.77

    75

    ARENS, Eduardo. A Bblia sem Mitos Uma Introduo Crtica.Traduo: Celso Mrcio Teixeira. So Paulo: Paulus, 2007, p.209.

    76 BOETTNER, Loirine. A Autoridade da Escritura. Portugal: Vida Nova, sem data, p.23-24 .

    77 RYKEN, Leland. Santos no Mundo Os Puritanos como Realmente Eram. So Paulo: Fiel, 1992, p.151.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

    79

    1.2. Porque o aferidor para se examinar as decises e opinies dos homens

    Todas as opinies e decises dos homens devem ser analisadas luz das Escrituras

    seja desde um conselho de um amigo, a um sermo ou estudo na igreja, todos devem se deixar

    julgar pelas Escrituras. O que se examina pelas Escrituras?

    1.2.1 As decises conciliares:

    Todas as resolues de conclio devem de fato ser fundamentadas nas Escrituras,

    apenas uma vez fundamentadas nas escrituras que estas decises podem reclamar

    obedincia (Atos 16.4), as decises do conclio em Jerusalm foram dignas de recepo pela

    Igreja porque estavam embasadas e fundamentadas nas Escrituras.

    1.2.2 As opinies particulares:

    Outro fato que devemos considerar que as nossas opinies particulares esto sujeitas

    ao exame das Escrituras; as vezes, nos deparamos com pessoas que dizem: acho que deve ser

    desse jeito; ou bem estou vendo na Bblia, mas no acredito deste modo estas opinies

    particulares devem ser julgadas pelas Escrituras nenhuma opinio pode se colocar acima de

    qualquer doutrina bblica, fundamentada nas Escrituras do Antigo ou do Novo Testamento.

    Isaas nos lembra isso ao dizer que devemos ir at as Escrituras para termos a certeza da

    redeno (Is.8.20). As opinies particulares geralmente esto erradas porque no conhecem s

    Escrituras (Mt.22.29)

    2 A BBLIA E A SEGURANA DOUTRINRIA DA IGREJA.

    A Igreja encontra-se segura quando acredita na supremacia das Escrituras. Isto tem

    duas aplicaes:

    1. Devemos nos firmar na Escritura significa que devemos sempre ler a Bblia para

    termos a certeza do que ela ensina a cada um de ns. Este o ponto que precisamos

    considerar.

    2. O que est escrito na Bblia o Esprito Santo Falando na mesma devemos

    considerar o que est na Bblia porque Deus fala-nos por meio dela somente; no precisamos

    de outro canal de revelao, j temos a Bblia, o Esprito Santo fala-nos por meio das

    Escrituras de forma completa e suficiente, por isso, devemos sempre ler a Palavra de Deus

  • Prof. Rev. Joo Ricardo Ferreira de Frana

    80

    porque ela nos oferece segurana para no sermos enganados pelos falsos mestres. (Gl.1.8-

    10).

    Concluso: A Bblia a Palavra de Deus. Ela suficiente, sendo nossa bssola para tudo o

    que fazemos, e o fundamento seguro de nossa f, sendo a revelao suficiente de Deus para o

    homem.

  • Estudos Na Confisso de F de Westminster Parte I: A Grandeza das Escrituras.

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    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS:

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    85

    INFORMAES SOBRE O AUTOR:

    O autor Ministro da Palavra pela Igreja Presbiteriana

    do Brasil. Formado em Teologia Reformada pelo

    Seminrio Presbiteriano do Norte (SPN) em Recife PE.

    Foi professor de lnguas bblicas (Grego e Hebraico) no

    Seminrio Presbiteriano Fundamentalista do Brasil (SPFB)

    em Recife - PE. o fundador do Centro de Estudos

    Presbiteriano. Atualmente pastor da Primeira Igreja

    Presbiteriana Piripiri PI. casado com Gssica Arajo

    Soares Nascimento de Frana.