Curso de Gado de Corte

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    29-Oct-2015

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  • Manejo Sustentvel de Pastagens: Pastoreio Racional Voisin Pastagem Ecolgica Jurandir Melado

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    Manejo Sustentvel de Pastagens Pastoreio Racional Voisin - Pastagem Ecolgica (*)

    Eng. Agr. Jurandir Melado (**)

    Stio Santa F Ecologia Guarapari ES Situao da pastagem antes e depois da implantao do Manejo Sustentvel de Pastagens

    Para meditar:

    Antes de se tornar um bom produtor de carne ou de leite, o pecuarista precisa se tornar um excelente produtor de capim.

    Jurandir Melado

    Gado na Pastagem Ecolgica da Fazenda Ecolgica Santa F do Moqum Nossa Senhora do Livramento MT Local onde a partir do ano de 1.987 foi desenvolvida a tecnologia Pastagem Ecolgica Propriedade de Jurandir Melado e seus irmos Cludio Mellado e Judismar Clemente Melado.

    (*) Texto bsico do Curso de Manejo Sustentvel de Pastagens.

    (**) Jurandir Melado Eng. Agr., Prof. (aposentado) da UFMT, Consultor e autor de livros sobre Manejo Sustentvel de Pastagens Consultor do Instituto Floresta de Pesquisa e Desenvolvimento Sustentvel e do

    Programa Amaznia sem Fogo - Cooperao Italiana e Ministrio do Meio Ambiente.

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    Contedo

    Assunto Pgina

    Apresentao: .......................................................................................................................................... 01

    Contedo: ................................................................................................................................................ 02

    Introduo: ............................................................................................................................................... 03

    Principal causa da degradao das pastagens: ......................................................................................... 03

    Manejo: diferena entre conservao ou degradao das pastagens: ...................................................... 04 Sistema de Pastoreio Racional Voisin: ................................................................................................... 04

    Interaes SOLO PASTAGEM GADO: ........................................................................................ 04

    O Pastoreio Racional Voisin concorre para melhoria da fertilidade

    e da estrutura fsica do solo: ................................................................................................................... 05

    Princpio Bsico Geral do Sistema de Pastoreio Racional Voisin: ......................................................... 06

    Cerca Eltrica Padro Fazenda Ecolgica: ......................................................................................... 06

    Aplicao do Pastoreio Racional Voisin: .............................................................................................. 11

    Leis Universais do Pastoreio Racional: ................................................................................................. 11

    Curva Sigmide de crescimento do pasto: ........................................................................................... 12

    Manejo do gado no Sistema de Pastoreio Voisin: ................................................................................. 13 rea de Lazer: uma estrutura fundamental: ......................................................................................... 14 gua: Nutriente to importante quanto o capim: ................................................................................ 14 Pastagem Ecolgica (Sistema Voisin Silvipastoril): ........................................................................... 14 Generalizao do conceito de Pastagem Ecolgica: ............................................................................ 14

    Sistema Silvipastoril: ........................................................................................................................... 15

    Como arborizar pastagens: .................................................................................................................... 15

    rvores para associar com pastagens: .................................................................................................. 16 Pastagem Ecolgica: um ideal a ser perseguido: ................................................................................. 16

    Consorciao de forrageiras (gramneas com leguminosas): .............................................................. 16 Sobre o projeto do Sistema Voisin: ..................................................................................................... 17 Diagramao do piqueteamento: ......................................................................................................... 17

    Fichas de controle do Pastoreio Voisin: ................................................................................................ 18

    Dois exemplos clssicos de sucesso na aplicao do Pastoreio Racional Voisin:.............................. 19

    Garantia de sucesso no empreendimento pecurio: ............................................................................ 20

    Concluso: uma alternativa ao uso do fogo nas pastagens: ............................................................... 21

    Bibliografia relacionada: .................................................................................................................... 21

    Contatos da Fazenda Ecolgica Pecuria Sustentvel: ................................................................... 24

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    Introduo:

    Quando falamos em Produo Sustentvel, Agroecologia, Proteo do Meio Ambiente, quase sempre a reao dos ouvintes achar que isto tudo resultar em:

    Aumento dos custos; Diminuio da produtividade; Aumento da Mo de Obra; Processos mais complicados! Felizmente, isso no verdade, principalmente em se tratando da Atividade Pecuria. Muito pelo contrrio: o

    que temos uma associao com uma parceira muito poderosa A MAIS PODEROSA POSSVEL a NATUREZA, que trabalhar a favor do nosso empreendimento, gratuitamente e de forma incansvel, 24 horas por dia, 365 dias por ano.

    Com o Manejo Sustentvel das Pastagens (Pastoreio Racional Voisin e Pastagem Ecolgica) estaremos fazendo uma melhor utilizao para a produo de dois fatores fundamentais, quase sempre relegados ao esquecimento ou a um segundo plano na pecuria convencional, que so a ENERGIA SOLAR, que passamos a utilizar melhor, adequando as pastagens para um mximo aproveitamento da FOTOSSTESE e a BIOCENOSE ou vida do solo, com seu poder de reciclar o solo e os restos vegetais, disponibilizando nutrientes antes indisponveis s plantas. Isto reflete numa maior eficincia produtiva do pasto e numa maior produtividade geral.

    Podemos esperar com o Manejo Sustentvel das Pastagens, entre outras, as seguintes vantagens, cuja comprovao ocorrer no desenvolver deste texto:

    CAPACIDADE DE LOTAO DAS PASTAGENS AT TRS VEZES A MDIA DA REGIO; RECUPERAO DE PASTAGENS DEGRADADAS APENAS COM O MANEJO, SEM NECESSIDADE DE REFORMAS

    CONVENCIONAIS;

    AUMENTO DO EQUILBRIO ECOLGICO, FACILITANDO O CONTROLE BIOLGICO OU NATURAL DAS PRAGAS DO PASTO E DO GADO;

    REDUO DA MO DE OBRA NECESSRIA PARA O MANEJO DO GADO E A MANUTENO DA PASTAGEM; AUMENTO DA MANSIDO DO GADO, FACILITANDO O MANEJO DO GADO NA PASTAGEM, NO CURRAL, NO

    TRANSPORTE E NO MANEJO PR-ABATE; REDUO DOS GASTOS COM MEDICAMENTOS E SUPLEMENTOS; AUMENTO PROGRESSIVO DA FERTILIDADE DO SOLO, DISPENSANDO ADUBAES QUMICAS; POSSIBILIDADE DE SE OBTER FONTE DE RENDA EXTRA COM A ADOO DO SISTEMA VOISIN SILVIPASTORIL

    (Pastagens com rvores); REDUO PROGRESSIVA DOS CUSTOS DE PRODUO; AUMENTO DA RENTABILIDADE LQUIDA DA PROPRIEDADE.

    No manejo convencional, o usual procurar solues para os problemas; no Manejo Sustentvel, o que se procura evitar que os problemas surjam.

    Principal causa da degradao das pastagens A principal causa da degradao das pastagens sistema de Pastejo Contnuo, onde o gado fica sobre

    uma mesma rea de pastagem um perodo indefinido. No pastejo contnuo, quase sempre ocorre uma das duas situaes indesejveis abaixo, s vezes ocorrendo simultaneamente as duas, quando a pastagem muito extensa:

    Superpastoreio: com a pastagem sendo consumida alm do conveniente, o que no permite a renovao das reservas e conduz a pastagem degradao;

    Subpastoreio: originando sobras de pastagens, que muitas vezes funciona como uma justificativa para a comodista e sempre prejudicial queimada das pastagens. Quando a pastagem muito extensa, quase sempre, ocorrem as duas situaes simultaneamente:

    superpastoreio nos locais mais agradveis ao gado e prximos das aguadas e saleiros e, subpastoreio nos extremos da pastagem e locais de acesso mais difcil ao gado.

    Outra grande desvantagem do pastoreio contnuo permitir que o gado realize grandes caminhadas diariamente. O gado de corte, quando em pastagens extensas, chega a caminhar 10 km por dia. Sabendo que o

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    consumo de energia na caminhada , segundo Blaster (1964) e Sorio (2000), de 0,48 cal x Kg de peso vivo x m linear caminhado. Para se ter uma idia do que isto significa, s saber que um novilho de 300 kg pode gastar com a caminhada a energia equivalente ao ganho de peso de 144 g/dia ou 52,5 kg/ano.

    No Pastoreio Racional Voisin, onde o gado caminha apenas cerca de 2 km por dia, esta energia , em maior proporo, canalizada para o processo produtivo.

    Manejo: diferena entre conservao ou degradao das pastagens:

    Todos sabem, intuitivamente, que para a recuperao de uma pastagem castigada pelo uso excessivo, o melhor remdio a vedao, ou seja, deixar a pastagem descansando at que se recupere. Mas como fazer isto, se no temos nossas pastagens convenientemente divididas? Se existe apenas uma rea de pastagem, no temos alternativa que no seja deixar o gado permanentemente

    sobre a mesma rea, cuja pastagem mais cedo ou mais tarde apresentar os sintomas de degradao; Se dividirmos a pastagem em duas parcelas, poderemos manter o gado em uma parcela enquanto a outra

    permanece em repouso. o que se denomina pastejo alternado. J uma pequena evoluo em relao ao primeiro caso;

    Dividindo a pastagem agora em 4 parcelas, teremos possibilidade de usar uma, por exemplo, por 10 dias, enquanto as outras 3 podero ter um repouso de 30 dias cada. Esta situao exemplifica um pastejo rotacionado incipiente, longe de atender as necessidades do gado e do pasto!;

    Dividindo novamente a pastagem, agora em 16 parcelas, teremos uma situao conhecida como pastejo rotacionado, onde o gado mantido em um piquete por trs dias e o restante poder descansar por at 45 dias. Muitos acreditam que esta a opo ideal, quando na realidade ainda est longe de s-lo. Neste sistema no h garantias de poder atender indefinidamente as necessidades do pasto e do gado. Os adeptos do pastejo rotacionado, geralmente compensam esta deficincia com aplicaes macias de adubos solveis.

    Agora, se dividirmos a rea em 64 piquetes, com certeza poderemos manejar a pastagem de uma forma sustentvel, com maximizao do seu aproveitamento, e com maior facilidade para a compensao das variaes estacionais. Poderemos por exemplo usar um piquete por dia e obter um repouso de at 63 dias para cada piquete. Esta situao, dependendo ainda do atendimento de algumas condies especiais, poder ser o que chamamos de Pastoreio Racional Voisin.

    Muitos podero pensar que um exagero manter o gado por apenas um dia em cada piquete. Porm todos acham razovel preparar diversas refeies dirias para sua famlia. No usual nem racional fazer a comida para diversos dias, colocando tudo numa mesa disposio de todos. Isto significaria desperdcio de alimentos e refeies menos nutritivas e saborosas! Se providenciamos para nossa famlia uma refeio de cada vez, por uma questo de racionalidade, economia e para que se possa dispor de uma alimentao mais fresca e nutritiva e saborosa. Por que no usar a mesma racionalidade na alimentao do gado, que alm do mais, dorme, caminha, urina e defeca sobre a mesa, onde ofertado o seu alimento, destruindo com o pisoteio ou contaminando com os dejetos hoje, o alimento que consumir nos prximos dias! Uma refeio nova (entrada em um novo piquete ou parcela, com o capim no ponto e livre de contaminaes pelos dejetos) estimula o apetite do gado induzindo-o a ingerir mais alimentos, o quer resulta numa maior produo.

    Sistema de Pastoreio Racional Voisin:

    Este sistema de manejo, que tem este nome em homenagem ao Pecuarista, Professor e Cientista Francs ANDR VOISIN, que enunciou publicou em seu principal livro Produtividade do Pasto (Edio francesa em 1957 e brasileira em 1975) as 4 Leis Universais do Pastoreio Racional, que so hoje reconhecidas mundialmente como a base para o manejo sustentvel das pastagens. O Pastoreio Racional Voisin, um sistema de produo que se encaixa na categoria das prticas AGROECOLGICAS, e que se caracteriza por propiciar um equilbrio entre os trs elementos SOLO PASTAGEM GADO, onde cada um tem um efeito positivo sobre os outros dois. Na prtica, realizado, com uma diviso adequada das pastagens, de forma a possibilitar um manejo em que se atenda tanto as necessidades do capim, como as do gado. Como acrscimo, as necessidades do solo tambm so tambm atendidas.

    Interaes SOLO PASTAGEM GADO:

    Interao Solo Pastagem: O solo fornece pastagem o suporte e os nutrientes necessrios ao seu desenvolvimento e atendimento do

    seu objetivo produtivo;

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    A pastagem fornece ao solo a cobertura que o protege da eroso pela gua da chuva e o vento e do excesso de insolao, alm do aporte de nutrientes e matria orgnica.

    Interao Gado Pasto:

    O gado fornece ao pasto, com o pastejo no momento oportuno, o estmulo brotao, atravs do efeito poda e do efeito saliva;

    O pasto fornece ao gado, alm da alimentao, o ambiente adequado ao atendimento de suas necessidades de proteo e socializao;

    Por uma coincidncia favorvel, o que bom para o pasto tambm bom para o gado: o gado necessita de um alimento nutritivo, em quantidade adequada e facilmente colhvel; o pasto, quando colhido (pastejado) no momento adequado do seu ciclo de crescimento, quando j armazenou nas razes e partes baixas do caule as reservas nutritivas necessrias a um incio vigoroso de rebrote, tem o seu desenvolvimento e perfilhamento tremendamente estimulado. Alm disso, segundo Pinheiro Machado (2004), atravs do efeito saliva, plantas pastoreadas por bovinos, ovinos e caprinos tem o rendimento do rebrote aumentado em at 44 %. O agente causador desse aumento de produo a tiamina da saliva.

    Interao Gado Solo:

    O solo fornece ao gado, atravs das forrageiras, os nutrientes necessrios ao seu desenvolvimento e atendimento do objetivo produtivo;

    O gado fertiliza o solo diretamente atravs dos dejetos (bosta e urina), que tambm (o mais importante!) tem o efeito de um fermento com o poder de desenvolver a biocenose (vida do solo), favorecendo a disponibilizao nutrientes antes indisponveis.

    Na realidade, os bovinos no se alimentam de capim. Quem se alimenta do capim so os microorganismos existentes no rumem. Os bovinos se alimentam do caldo de bactrias, resultante do processo ali desenvolvido. Assim, a bosta do gado um verdadeiro fermento que, quando usado na medida certa, tem um grande poder de transformao do solo e dos restos vegetais do pasto. No pastoreio contnuo, os dejetos ficam espalhados por uma grande rea, de uma forma diluda e o efeito fermento no potencializado. J com o Pastoreio Racional Voisin, a concentrao de todos os dejetos de um dia em uma rea reduzida, tem sobre o solo e os restos vegetais, o mesmo efeito que teria sobre o leite, o coalho especfico na quantidade recomendada, para se obter o queijo desejado.

    O Pastoreio Racional Voisin concorre para melhoria da fertilidade e da estrutura fsica do solo:

    Com a adoo do Sistema de Pastoreio Racional Voisin estabelece-se um Crculo Virtuoso, com interao de diversos fatores, que entre outras vantagens, tende a aumentar a disponibilizao de nutrientes para as plantas, dispensando em geral a adubao qumica. Vamos analisar os efeitos de alguns destes fatores: Os dejetos do gado, que no pastoreio contnuo so em grande parte desperdiados, pelo fato de ficarem muito

    espalhados ou acumulados nos locais de concentrao do gado (proximidade dos saleiros e malhadouros), , com o Pastoreio Voisin, homogeneamente distribudos por toda a rea da pastagem. Cada bovino adulto (UA = unidade animal) excreta por dia cerca de 24 kg de fezes e 14 kg de urina (38 kg no total). Supondo uma capacidade de lotao de 2 UA/ha, coisa fcil de ser conseguido, teremos 76 Kg/dia ou 27,7 toneladas/ano. Esta macia adubao orgnica de primeira qualidade, automaticamente distribuda pelos prprios animais, em 6 a 8 aplicaes anuais (6 a 8 passagens do gado pelo piquete), equivale em termos de adubos qumicos formulados a 340 kg de uria, 199 kg de superfosfato simples e 227 kg de cloreto de Potssio.

    As rvores na pastagem tm um papel muito importante, pois alm de amenizar os efeito do excesso de insolao, do vento e da chuva, melhorando equilbrio ecolgico e o micro clima da pastagem, constituem verdadeiras bombas de adubao, canalizando nutrientes das camadas mais profundas do solo para a superfcie, atravs dos galhos e folhas. Tanto melhor se forem leguminosas, com capacidade de fixar o nitrognio atmosfrico! As razes das rvores tm um efeito de descompactao e de fragmentao de rochas do solo, sendo tambm uma importante fonte de matria orgnica, por ocasio da decomposio;

    O fator mais importante, porm, a ativao da micro e meso vida do solo (bactrias, fungos, minhocas, besouros etc, etc...). Estes micros e mesos organismos que vivem no solo ou sobre ele, utilizam a farta alimentao proveniente dos dejetos do gado e dos restos vegetais, reciclando todo este material e parte do solo, promovendo uma contnua disponibilizao de nutrientes antes indisponveis s plantas. Como exemplo, analisemos o caso das minhocas: uma minhoca capaz de ingerir por dia um volume de solo e matria orgnica

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    equivalente ao seu peso. O dejeto desta minhoca, aps passar pelas transformaes bioqumicas da digesto, torna-se tremendamente mais rico nas fraes assimilveis pelas plantas dos principais nutrientes: Os dejetos de uma minhoca so mais ricos que o solo circundante:

    2,5 vezes em Clcio e Magnsio trocvel; 5 vezes em Nitrognio, como nitrato; 7 vezes em Fsforo assimilvel e 11 vezes em Potssio assimilvel.

    Alm de melhorar a composio qumica do solo, as minhocas (da mesma forma que os besouros), promovem continuamente uma melhoria da estrutura fsica do solo, cavando pequenos canais, que favorecem a sua aerao e permeabilidade evitando a indesejvel compactao.

    Princpio Bsico Geral do Sistema de Pastoreio Racional Voisin:

    O princpio bsico do Pastoreio Voisin muito simples: o capim deve ser colhido (pastoreado) no ponto certo do seu desenvolvimento (no final do perodo de crescimento mximo) e a colheita deve ser feita no menor perodo de tempo possvel. Aps a colheita, o capim deve ser deixado em repouso para mais um ciclo de crescimento. Como o capim uma planta perene, este ciclo (pastoreio repouso) pode se repetir diversas vezes durante o ano, numa mdia de 6 a 8 ciclos anuais. Neste princpio esto implcitas as duas primeiras das Leis Universais do Pastoreio Racional, que veremos mais adiante.

    Procedimento Bsico:

    O procedimento bsico a diviso das pastagens em um nmero suficiente de piquetes, de forma a permitir que o capim seja sempre colhido no momento mais adequado. conveniente que se tenha pelo menos 40 piquetes. Sendo que quanto mais piquetes tivermos, com mais facilidade gerenciaremos o sistema. A entra em campo a tecnologia das cercas eltricas, que viabilizam tcnica e economicamente a construo de to grande nmero de piquetes.

    Cerca Eltrica Padro Fazenda Ecolgica:

    Ao perceber que sem o domnio da tecnologia das cercas eltricas era invivel a construo e manuteno eficiente e econmica de um Sistema de Pastoreio com inmeros piquetes, resolvemos pesquisar e desenvolver na Fazenda Ecolgica, alternativas prticas e caseiras para os principais elementos da cerca eltrica disponvel no comrcio, buscando reduzir o custo dos projetos, sem perda da qualidade.

    Com isto conseguimos desenvolver equipamentos, ferramentas e elementos, como porteiras e chaves interruptoras, usadas em nossos projetos, que alm da reduo drsticas do custo, acabaram se revelando mais eficientes que os modelos industrializados. No caso da chave interruptora Fazenda Ecolgica, o custo de apenas R$ 1,50 e substitui com vantagem uma chave industrializada que chega a ser vendida por R$ 40,00 no comrcio. Com o barateamento das chaves interruptoras, tornou-se vivel economicamente o uso de uma chave para cada lance de cerca, o que permite que se eletrifique apenas o piquete usado pelo gado, facilitando o manejo e permitindo o uso de aparelhos eletrificadores menos potentes (mais baratos).

    Procurando viabilizar economicamente pequenos projetos, principalmente para a pecuria leiteira, desenvolvemos um prtico sistema de cercas eltricas mveis, que reduziu drasticamente o custo, viabilizando projetos com reas a partir de 1 hectare de pasto. A transferncia da tecnologia da cerca eltrica Padro Fazenda Ecolgica geralmente feita na prtica, pelo consultor, por ocasio do treinamento da equipe de construo, no incio da implantao dos projetos ou em oficinas de manejo sustentvel de pastagens, destinadas a produtores e tcnicos. As cercas eltricas para bovinos, podem ser construdas com 1, 2 ou trs fios. Em nossos primeiros trabalhos, sempre usamos a cerca de segurana mxima ou de 3 fios, que consiste em dois fios eletrificados e um terra. Porm, a experincia adquirida ao longo dos anos, somada necessidade de projetos mais acessveis, nos levou a alterar o padro da Cerca Eltrica Fazenda Ecolgica, incorporando dois outros nveis de segurana, ou seja, cercas de 1 e 2 fios, a serem usadas onde forem suficientes.

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    Com isto, passamos a usar a cerca com 3 fios apenas nos corredores e locais de uso dirio como as reas de lazer; nas cercas laterais, que comeam nos corredores, e na dos fundos, usamos 2 fios, ambos com isoladores, o que permite que o fio de baixo possa ser usado com choque ou como terra, de acordo com a necessidade; j nas divises de piquetes, na mesma faixa, usamos apenas um fio, que pode ser fixo ou mvel.

    A seguir apresentamos diagramas explicativos da cerca eltrica padro Fazenda Ecolgica:

    1): Esquema de piqueteamento com Cerca Eltrica padro Fazenda Ecolgica, em trs nveis de segurana: Pode se usar faixas de at trs piquetes ou fatias, com uma nica sada para o corredor; A diviso dos piquetes ou fatias em uma mesma faixa, pode ser feita com cerca fixa (com porteira) ou mvel.

    ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

    2): Esquema da cerca de 3 fios:

    1 2 3

    C O R R E D O R

    1 DIA

    2 DIA

    3 DIA

    CERCA DOS CORREDORES E REAS DE LAZER: 3 F I O S

    CERCA DAS FAIXAS 2 F I O S

    CERCA DAS FATIAS 1 F I O

    F A I X A

    1 FATIA

    2 FATIA

    3 FATIA

    REA DE LAZER

    1 CERCA DOS CORREDORES E REAS DE LAZER : 3 FIOS

    CHOQUE

    CHOQUE

    TERRA

    90 cm

    ISOLADOR DE PARTIDA - CASTANHA ISOLADOR DE LINHA - TUBO

    20 m 20 m 20 m 20 m

    ------------------------------------ AT 300 m -------------------------------------- SOLO

    Chave

    Ponte 130 cm

    50 cm

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    3): Esquema da cerca de 2 fios:

    ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

    4): Esquema da cerca com 1 fio:

    2 CERCA DAS FAIXAS: 2 FIOS

    CHOQUE

    TERRA / CHOQUE

    REVERSVEL

    60 cm

    ISOLADOR DE PARTIDA - ISOLADOR DE LINHA - TUBO

    20 m 20 m 20 m 20 m

    ---------------------------- AT 300 m -----------------------------------

    Chave

    Chave

    110 cm

    SOLO

    3 CERCA DAS FATIAS: 1 FIO

    CHOQUE 80 cm

    ISOLADOR DE PARTIDA - ISOLADOR DE LINHA - TUBO

    20 m 20 m 20 m 20 m

    ---------------------------------------- AT 300 m ------------------------------ SOLO

    Chave

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    Detalhes da cerca eltrica padro Fazenda Ecolgica:

    Principais marcas de aparelhos eletrificadores para cercas eltricas

    Multipec - Nelore Panther - Speedrite Walmur Terko (com placa solar)

    Principais materiais industrializados

    Arame de 2,1 mm Isolador - Castanha Isolador tipo tubo Cabo subterrneo

    Kit Pra raios Carretilha para cerca mvel Isolador tipo W Isolador tipo parafuso

    Voltmetro digital Mquina de esticar arame Placa de advertncia Voltmetro de luzes

    Elementos de sustentao da cerca:

    Estaca de lasca comum Estaca serrada Poste de vergalho Poste de eucalipto tratado

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    Ferramentas e equipamentos:

    Bate-estaca para estaca serrada (Fazenda Ecolgica) Bate-estaca para poste de ferro (Fazenda Ecolgica)

    Alicate de Fazendeiro e alicate de eletricista

    Conjunto de chaves para emendar e enrolar arame

    Mquina de fazer molas modelo Fazenda Ecolgica

    Elementos da cerca mvel padro Fazenda Ecolgica

    Terminal com mola e gancho Terminal com chave e corrente Terminal com gancho

    Poste intermedirio para cerca mvel

    Empunhadura para porteira

    Porteira de corredor (3 fios) Detalhe do engate da porteira

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    Chave curta - desligada Chave curta - ligada Chave longa

    Manuteno da cerca livre de contatos com o capim (limpeza feita pelo gado):

    Com o fio debaixo no eletrificado (terra) o gado aprende a comer debaixo da cerca.

    Aplicao do Pastoreio Racional Voisin:

    Muitos acham que fazer rotao do pasto simplesmente implantar piquetes com cercas eltricas. Isto pode ser verdade no caso do Pastejo Rotacionado. No Pastoreio Voisin, o que faz a diferena um respeito ao ciclo de desenvolvimento do capim, sem perder de vista as necessidades do gado e do solo. Na realidade, a diferena entre o pastejo rotativo simples e o Pastoreio Racional Voisin que neste, ocorre uma obedincia estrita s quatro Leis Universais do Pastoreio Racional, formuladas por Andr Voisin e que representa um novo paradigma no manejo das pastagens, baseado em critrios cientficos.

    Leis Universais do Pastoreio Racional:

    Andr Voisin, mostrando a sabedoria com que desenvolveu os estudos em torno do Pastoreio Racional, conseguiu condensar em 4 instrues bsicas, que chamou de Leis Universais do Pastoreio Racional o cerne dos ensinamentos que desenvolveu ao longo de milhares de pginas de sua obra monumental. O que nos empolgam a todos que seguimos a filosofia do Mestre do Manejo das Pastagens, que estas leis tm funcionado sempre, em quaisquer condies de clima, tipo de solo ou situao geogrfica.

    PRIMEIRA LEI - LEI DO REPOUSO OU PRIMEIRA LEI DOS PASTOS:

    Para que o pasto cortado pelo dente do animal possa dar a sua mxima produtividade, necessrio que entre dois cortes consecutivos haja passado um tempo que permita ao pasto: a) armazenar em suas razes as reservas necessrias para um comeo de rebrote vigoroso; b) realizar sua labareda de crescimento ou grande produo diria de massa verde. (O perodo de repouso necessrio varia com a estao do ano, as condies climtica e a fertilidade do solo e demais condies ambientais).

    Os tempos de repouso no so iguais durante todo o ano, havendo perodos de crescimento acelerado e outros de crescimento lento ou quase nulo. No sul do pas, o que mais causa o baixo crescimento das pastagens so as baixas temperaturas registradas no outono e inverno. J na regio Centro-Oeste, a causa reside no longo perodo de estiagem, e no conseqente dficit hdrico. Em mdia, os piquetes de um sistema de Pastoreio Racional Voisin so ocupados de seis a oito vezes, durante o ano, em qualquer das regies do Brasil. Nos perodos mais favorveis do ano, os piquetes chegam a ser usados com intervalos entre pastejos, de 28 a 35 dias. Por outro lado, nos perodos

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    crticos, esse intervalo pode chegar a 120 dias. A boa conduo do Pastoreio Racional vai depender de decises acertadas no gerenciamento dessas variveis. O desenvolvimento do capim pode ser mais bem compreendido observando-se a sua curva sigmide de crescimento abaixo apresentada: a figura representa o que acontece com o pasto durante o seu perodo de repouso, aps cada corte (pastejo).

    Inicialmente o desenvolvimento lento (e muito dependente das reservas das plantas), atingindo apenas 10 % do ideal ao completar 1/3 do tempo timo de repouso.

    Em seguida vem um perodo de crescimento semi-lento, quando as plantas passam a contar mais com o processo da fotossntese, chegando a 33% do desenvolvimento ideal ao completar 1/2 do tempo timo de repouso.

    A fase mais importante vem a seguir, com um crescimento acelerado (labareda de crescimento, como disse o Mestre Andr Voisin). Nesta fase, que corresponde segunda metade do tempo timo de repouso, o processo fotossinttico exercido na sua plenitude e o pasto tem um desenvolvimento maior que o dobro do ocorrido na primeira metade (67%), alm de armazenar as reservas de nutrientes que necessitar para iniciar vigorosamente nova brotao aps o prximo perodo de pastejo.

    Na fase final, aps a ultrapassagem do tempo timo de repouso, o pasto tende a diminuir o seu ritmo de crescimento, se preparando para formao das sementes.

    Conclui-se ento, que muito mais vantajoso colher o capim (introduzir o gado no pasto) aps o capim completar o seu tempo timo de repouso. Por outro lado, no compensa estender o perodo de repouso, pois o crescimento se torna lento, acrescentando apenas mais 20 % do desenvolvimento ideal num perodo de tempo equivalente metade do timo.

    SEGUNDA LEI - LEI DA OCUPAO OU SEGUNDA LEI DOS PASTOS:

    O tempo global de ocupao de uma parcela ou piquete deve ser suficientemente curto de modo a no permitir que uma planta cortada pelos animais no incio da ocupao, seja novamente cortada antes que os animais deixem o piquete.

    A finalidade fundamental dessa lei no permitir que os animais comam sucessivamente os rebrotes do capim, provocando o esgotamento de suas reservas e a conseqente degradao das pastagens. Um erro comum ao se implantar um sistema de rotao de pastagens, usar um nmero reduzido de piquetes, prolongando a permanncia do gado nos piquetes, pressupondo que basta um tempo adequado de repouso para o sucesso do manejo. A realidade, porm, outra, bastando poucos dias em perodos de chuvas intensas para que a brotao do capim j possa ser colhida novamente pelos animais, na mesma passagem pela parcela.

    CURVA SIGMIDE DE CRESCIMENTO DO PASTO

    T = TEMPO TIMO DE REPOUSO

    Faixa de pastoreio no Sistema de Pastoreio Racional Voisin: 100 % de aproveitamento;

    Faixa de pastoreio no sistema de Pastoreio Contnuo: em torno de 33 % de aproveitamento.

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    o atendimento dessas duas primeiras leis que propicia a to grande diferena de rendimento ou produtividade do pasto do Pastoreio Racional Voisin em relao ao Pastoreio Contnuo.

    TERCEIRA LEI LEI DA AJUDA OU PRIMEIRA LEI DOS ANIMAIS:

    preciso ajudar os animais que possuam exigncias alimentares mais elevadas a colherem a maior quantidade de pasto e que este pasto seja da melhor qualidade possvel

    Quanto menos trabalho de rapagem (ou terminao do pastoreio) se imponha ao animal, mais pasto ele colher.

    Dois grupos: desnate e repasse: Uma maneira eficaz de melhor atender s necessidades dos animais mais exigentes a diviso dos animais

    que vo participar do pastoreio, em dois grupos, sendo um grupo menor, composto dos animais que se pretende beneficiar e o outro grupo com os animais restantes. No pastoreio de cada piquete, o primeiro grupo (menor) entra na frente, durante a metade do tempo de ocupao do piquete, fazendo apenas o desnate, ou seja, colhendo com maior facilidade a melhor parte do alimento. Na segunda metade do perodo de pastoreio, entra o segundo grupo (maior), fazendo o repasse e consumindo o pasto at a altura adequada. Para que esse esquema surta os melhores efeitos, o primeiro grupo dever ser bem pequeno em relao ao total de animais, de modo que lhe seja fcil colher a melhor parte do alimento, em quantidade e qualidade. Uma sugesto 30% dos animais no primeiro e 70% no segundo grupo)

    QUARTA LEI LEI DOS RENDIMENTOS REGULARES OU SEGUNDA LEI DOS ANIMAIS:

    Para que o animal (bovino) produza rendimentos regulares, ele no deve permanecer mais que trs dias em uma mesma parcela. Os rendimentos sero mximos, se o animal no permanecer no piquete mais que um dia.

    Essa lei tem a finalidade de evitar uma variao na produo animal, seja na quantidade de leite produzida, ou no crescimento ou no ganho de peso dos animais em engorda. Quando um animal colocado a pastar em um piquete, ele atinge o seu rendimento mximo logo aps o primeiro dia. O rendimento decresce, medida que o tempo de permanncia no piquete se prolonga. Esse fato uma conseqncia direta da terceira lei, pois, medida que o pasto fica mais rapado, o animal colher quantidades cada vez menores de um pasto de qualidade cada vez mais inferior (maior proporo de talos, em relao s folhas). Com uma permanncia de trs dias ou menos, esse decrscimo no rendimento menos sensvel, devido a mecanismos compensatrios prprios do metabolismo dos animais. Porm, com uma permanncia de mais de trs dias, a dificuldade crescente na colheita somada qualidade decrescente do alimento resultar num decrescente rendimento na nutrio do animal, o que refletir numa menor produo leiteira, ou num crescimento ou ganho de peso mais lento.

    UM PRINCPIO GERAL DOMINA AS QUATRO LEIS:

    Devemos proteger e auxiliar o pasto no seu crescimento, e devemos auxiliar o animal em sua colheita de Pasto.

    Manejo do gado no Sistema de Pastoreio Voisin

    A SISTEMA LIVRE: O gado fica em um piquete por um perodo de 1 a 3 dias, com acesso livre, atravs de corredores, rea de lazer, onde dispe de sombra, gua e sal;

    B SISTEMA CONDUZIDO: O gado fica confinado em um piquete por um perodo de 1 a 3 dias, sendo diariamente conduzido rea de lazer, onde permanece confinado por 4 horas do perodo mais quente do dia. Aps as 4 horas, o gado conduzido ao piquete ou a novo piquete. Este o esquema mais aconselhado, pois encerra diversas vantagens em relao ao sistema livre, alm de ter se mostrado mais produtivo.

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    rea de lazer: uma estrutura fundamental:

    O uso da rea de lazer fator de grande economia para o projeto. Com ela, no necessitamos de instalaes hidrulicas e cochos em cada piquete. A rea de lazer um piquete, onde ser colocado disposio do gado, gua, mistura mineral e SOMBRA. J foi demonstrado por pesquisas (Sorio, 2003), que, em situaes favorveis, uma permanncia de quatro horas na rea de lazer suficiente para que os animais se abasteam de gua e sal. Geralmente a rea de lazer tem a mesma dimenso dos piquetes de pastoreio, mas poder ser menor, caso os piquetes do sistema sejam muito grandes.

    gua: Nutriente to importante quanto o capim:

    A gua tambm um nutriente, (e o mais indispensvel de todos!) A gua requerida pelos bovinos pode vir de trs fontes: a gua bebida diretamente, a gua contida nos alimentos e a gua proveniente do metabolismo dos alimentos. Desta forma, de acordo com a temperatura ambiente o tipo de alimento e a concentrao de gua nos alimentos, a quantidade e gua requerida ser menor ou maior. Em nmeros mdios, um bovino adulto chega a ingerir 50 litros de gua por dia; vacas leiterias de alta produo, podem beber bem mais que isto.

    Em situaes de muito calor ou secura das pastagens, a permanncia dos animais durante quatro horas por dia na rea de lazer, poder no ser suficiente para que eles se satisfaam de gua. Neste caso a permanncia do gado na rea de lazer poder se realizar em dois perodos dirios de 2 a 3 horas.

    Uma maneira prtica de se saber se os animais esto bebendo gua suficiente, observar as placas de bosta. A bosta de um bovino que no est bebendo gua suficiente se apresenta segmentada e mais slida que o usual. J a bosta de um bovino bem provido de gua, deve se apresentar volumosa, pastosa, mida, brilhante e no segmentada.

    Pastagem Ecolgica (Sistema Voisin Silvipastoril):

    Esta foi a terminologia que usada para melhor designar a pastagem obtida na Fazenda Ecolgica Santa F do Moqum, no cerrado da Baixada Cuiabana em MT, com utilizao do Sistema de Pastoreio Racional Voisin, e sem a utilizao dos procedimentos convencionais, como desmatamento, queimadas e arao do solo. A pastagem obtida se revelou superior s pastagens obtidas em reas semelhantes, pelo mtodo convencional, e com um custo de implantao de apenas 25% deste. A manuteno do ecossistema do cerrado com um mnimo de alterao resultou num Sistema Silvipastoril Natural, com as rvores protegendo o gado e a pastagem dos rigores das intempries e do excesso de insolao, alm de ser abrigo natural de pssaros, pequenos animais e insetos, que contribuem para o equilbrio ambiental, fundamental no controle biolgico ou natural das principais pragas do pasto e do gado. Para se ter um idia, tem mais de 10 anos que no so aplicados nos animais da Fazenda Ecolgica nenhum produto para controlar pragas ou vermes.

    Com o aumento do interesse pela Pastagem Ecolgica, principalmente aps a publicao do Videocurso Formao e Manejo de Pastagem Ecolgica (1.999) e do livro Manejo de Pastagem Ecolgica Um Conceito para o Terceiro Milnio (2000), ambos publicados pelo CPT de Viosa MG (www.cpt.com.br), o nosso trabalho passou a ser requerido tambm em outras regies fora do cerrado, principalmente na parte Amaznica de Mato Grosso. Desta forma, surgiu a necessidade de generalizar o conceito de pastagem ecolgica, de modo que fosse vlido em qualquer regio ou bioma.

    Generalizao do conceito de Pastagem Ecolgica:

    No meu conceito, uma pastagem ecolgica deve congregar os seguintes fatores: Diversidade de forrageiras; Arborizao adequada ao desenvolvimento das forrageiras e ao conforto do gado; Ser manejada segundo os conceitos do sistema de Pastoreio Racional Voisin; Excluso de manejos tradicionais, como:

    Uso de adubos altamente solveis; Uso do fogo; Uso de herbicidas; Uso de roadas sistemticas.

    O atendimento a estas condies possibilita uma pastagem auto-sustentvel e com uma produtividade de at trs vezes a alcanada com uso dos mtodos tradicionais (monocultura de capim e pastoreio contnuo) na mesma rea. Na realidade ser uma Pastagem Ecolgica deveria ser o sonho de todas as pastagens. E isto pode ser mais

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    fcil do que se pode imaginar: qualquer pastagem pode ser convertida em uma Pastagem Ecolgica, no curso de poucos anos de aplicao de um manejo voltado para este objetivo, ou seja: a diversificao das forrageiras (gramneas e leguminosas); uma adequada arborizao, (dando preferncia s espcies arbreas nativas) e a indispensvel aplicao do sistema de Pastoreio Racional Voisin.

    Sistema Silvipastoril:

    Os sistemas silvipastoris, so associaes de pastagens com espcies arbreas. Estas associaes podem ser planejadas ou naturais e as espcies arbreas podem ser essncias florestais, fruteiras, leguminosas (forrageiras ou no) e at espcies de interesse industrial. A existncia de rvores em uma pastagem tem inmeras vantagens para os animais, as forrageiras e o solo. Os animais encontram nas rvores a proteo contra o excesso de insolao, a chuva e o vento, proporcionando um maior conforto que ir finalmente refletir numa melhoria da produo do animal. As plantas forrageiras, principalmente nas regies tropicais, tm seu desenvolvimento prejudicado pelo excesso de insolao nas horas mais quentes do dia. Na sombra das rvores, entretanto, estas forrageiras permanecem viosas quando as que se encontram a pleno sol j se apresentam murchas. As rvores tm tambm um, efeito benfico na manuteno da umidade do ambiente, favorecendo as forrageiras sob a sua influncia. O solo muito favorecido pelas rvores que, alm de se constiturem em verdadeiras "bombas de adubao", retirando nutrientes de camadas mais profundas do solo e os depositando na superfcie atravs das folhas e galhos que caem, protegem com sua sombra a micro e meso vida do solo, que por sua vez, usando como alimento os restos vegetais e os dejetos do gado, contribuem para a disponibilizao de nutrientes antes indisponveis s plantas, promovendo um verdadeiro "crculo virtuoso" que tende a aumentar a fertilidade do solo e a produtividade da pastagem.

    Na Fazenda Ecolgica, os efeitos do sombreamento tm sido permanentemente observados: Os efeitos da seca demoram mais a se apresentar e terminam mais cedo, sob as rvores que em campo aberto; Com um sombreamento adequado e o manejo racional, tem-se observado que o perodo da seca (quanto aos

    efeitos) fica reduzido de pelo menos um ms. Quando se processa a "formao ecolgica de pastagens no cerrado", sob as rvores que o capim se estabelece

    primeiro. Isto ocorre tanto pelos efeitos benficos da sombra, como pela maior fertilidade do solo sob as rvores.

    O gado demonstra um estado de muito conforto, parecendo mais um animal silvestre, totalmente integrado ao meio ambiente acolhedor.

    A existncia de rvores nas pastagens, que durante muito tempo foi considerado um aspecto negativo, por dificultar a mecanizao e por supostamente concorrer com as forrageiras na captao de nutrientes, hoje considerada de extrema importncia pelos produtores que j descobriram as suas inmeras vantagens. As vantagens das rvores em sistemas pastoris tm sido tambm reconhecidas por inmeros pesquisadores, entre os quais se destaca a Dra. Margarida Mesquita de Carvalho, da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora - MG), hoje j aposentada, que apresenta em uma de suas publicaes, as principais vantagens dos sistemas silvipastoris: Diversificao da produo: energia, alimentos, forragem, material de construo, etc; Maior resistncia das espcies cultivadas no sub-bosque s adversidades climticas (precipitao, temperatura e

    ventos); Favorecimento da reciclagem de nutrientes e consequentemente da sustentabilidade do sistema; Melhoria da estrutura do solo e sua conservao; Melhor equilbrio ecolgico, resultante da biodiversidade, o que favorece o controle biolgico das pragas do

    pasto e do gado; Menor proliferao de plantas invasoras e consequentemente reduo dos custos para o seu controle; Produo de "mulche", minimizando a evaporao de gua do solo e aumentando o seu teor de matria

    orgnica, alm dos efeitos benficos da pastagem sobre a melhoria da infiltrao de gua no solo; Maior diversidade biolgica e a possibilidade de fixao biolgica de nitrognio atmosfrico, por meio de

    bactrias do gnero Rhizobium e (ou) da utilizao de nutrientes antes indisponveis, por meio de micorrizas; As rvores constituem uma reserva de capital, passvel de utilizao quando necessrio; Reduo dos custos de implantao dos povoamentos florestais, por meio da receita advinda da explorao

    pecuria; Melhoria na distribuio da demanda de mo de obra ao longo do ano.

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    Como arborizar pastagens:

    Na formao das pastagens, seja em reas de floresta ou cerrado, o recomendvel deixar o maior nmero possvel de rvores, priorizando as que apresentam caractersticas mais desejveis para a associao com pastagens. No cerrado, pode-se inicialmente deixar todas as rvores, desde que seja feita a "formao ecolgica". Caso o sombreamento j seja inicialmente ou se torne com o tempo superior ao desejvel, deve-se fazer um raleamento seletivo, buscando obter ilhas ou faixas de insolao, de forma a permitir o adequado desenvolvimento das forrageiras. Em pastagens de formao recente, o aconselhvel deixar de roar o pasto, permitindo a regenerao natural das arbreas, realizando o desbaste seletivo, aps algum tempo, para adequar convenientemente a arborizao. Em pastagens antigas, onde a regenerao natural no seja mais eficiente, torna-se necessrio a introduo de rvores atravs de mudas, que devem ser protegidas para evitar sejam destrudas pelo gado. A proteo de mudas isoladas pode ser feita com arame farpado em espiral, fixado em uma ou trs estacas. Quando se usa piquetes pequenos (Pastoreio Racional) e cercas eltricas, as rvores podem ser plantadas em faixas ao longo das cercas, com a proteo de uma cerca eltrica provisria. Estas faixas podero ser de 4 a 6 m de largura, com uma ou duas linhas de rvores.

    rvores para associar com pastagens:

    Ao escolher as espcies arbreas para associao com pastagens, devemos buscar as que renam o maior nmero de caractersticas desejveis, que so: a) facilidade de estabelecimento, com crescimento rpido; b) adaptao ao ambiente; c) capacidade de fornecer forragem palatvel; d) ausncia de efeitos alelopticos negativos sobre as forrageiras do sub-bosque; e) tolerncia a ataques de pragas e doenas; f) ausncia de efeitos txicos para os animais; j) capacidade de fornecer sombra e abrigo para os animais. Alm destas qualidades, as espcies arbreas devem ser perenes, resistentes ao vento, terem razes profundas, possuir capacidade de rebrote e apresentar uma arquitetura que permita a penetrao da luz do sol at o estrato herbceo.

    Espcies de rvores mais adequadas:

    Em publicaes editadas pela Embrapa Gado de Leite, a Dra. Margarida Mesquita de Carvalho cita as principais espcies usadas em algumas regies do Brasil: Nordeste: Sabi (Mimosa caesalpiniaefolia); Juazeiro (Zyziphus juazeiro); Angico branco (Piptadenia sp);

    Algaroba (Prosopis juliflora); Leucena (Leucaena leucocephala); Gliricdia (Gliricidia sepium) Regio Sul: Pinheiro brasileiro (Araucria angustifolia); Erva mate (Ilex paraguaiensis); Pinus elliottii;

    Accia negra (Acacia mearnsii). Regio Sudeste: Acacia mangium; Acacia angustssima; Acacia auriculiformis; Albizia lebbek; Gliricidia

    sepium, alm de espcies dos gneros Eucaliptus e Pinus, mais usadas onde priorizado o aspecto madereiro do sistema silvipastoril.

    Regio Norte e Parte amaznica da Regio Centro Oeste: Paric (Schyzolobium amazonicum), Tatajuba (Bagassa guianensis), Seringueira (Hevea brasiliensis), Freij (Cordia goeldiana) e espcies dos gneros Eucaliptus e Pinus.

    Cerrado da Regio Centro Oeste: as informaes que dispomos se referem mais Fazenda Ecolgica, com a preservao de praticamente todas as rvores do cerrado original, onde esto se destacando o Baru (Dipteryx alata), o Jatob (Hymenae stigonocarpa) a Mangaba (Hancornia speciosa) e a Lixeira (Curatella americana). Esta ltima, principalmente pela grande quantidade de folhas que derruba no solo todos os anos, contribuindo para o aumento da matria orgnica e a fertilidade do solo.

    Pastagem Ecolgica: um ideal a ser perseguido:

    Os sistemas agroflorestais, tm demonstrado ser a modalidade mais sustentvel entre os diversos usos da terra. Da mesma forma, os Sistemas Silvipastoris, que so sistemas agroflorestais que incluem o pasto e animais herbvoros, considerado a melhor forma de manter a sustentabilidade de uma pastagem, sob qualquer tipo de manejo. Por outro lado, o Sistema de Pastoreio Racional Voisin tambm considerado o mais perfeito sistema de manejo de animais herbvoros a campo. Quando manejamos um sistema silvipastoril atendendo os preceitos do Pastoreio Voisin e procuramos tambm aumentar a biodiversidade das forrageiras e das arbreas, teremos uma situao ideal que pode ser chamada de Pastagem Ecolgica. O alto grau de equilbrio ecolgico que pode ser alcanado com a Pastagem Ecolgica ao longo do tempo facilita sobremaneira o controle natural das principais pragas do pasto e do gado, dispensando ou minimizando a necessidade dos tratamentos convencionais. A interao de todos estes fatores positivos torna a Pastagem Ecolgica

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    extremamente atraente para todos aqueles que pretendem voltar seus esforos para produo orgnica de carne ou leite, que hoje sem dvida o ideal de produo, pois concilia, entre outras vantagens, produtos isentos de resduos, com um menor custo de produo e a necessria proteo meio ambiente.

    Consorciao de forrageiras (gramneas com leguminosas):

    Consorciar leguminosas com gramneas nas pastagens uma providncia que aumenta muito a produtividade e eficincia alimentar das pastagens. Gramneas e leguminosas so plantas complementares, ou seja, as gramneas, de uma forma geral so pobres em protena; as leguminosas so ricas neste nutriente. As gramneas so grandes consumidoras de nitrognio (o elemento que o maior combustvel, para o crescimento das plantas); j as leguminosas tm capacidade de fornecer este elemento nutritivo, fixando ao solo, dependendo da espcie e condies locais, de 80 a 300 kg por ha. ao ano de nitrognio atmosfrico, atravs de uma simbiose com microorganismos do gnero Rhyzobium,. As principais espcies de leguminosas forrageiras so as arbreas Leucena (Leucaena leucocephala) e Gliricdia (Gliricdia Sepium) e as rasteiras ou trepadeiras Calopognio (Calopogonium mucunoides), Estilosantes (Stylosanthes guianensis) e Amendoim forrageiro (Arachis pintoi). As formas de implantao e o manejo das leguminosas nas pastagens variam de acordo com a espcie e o objetivo. sempre conveniente, alm de atender s recomendaes dos fornecedores das sementes e mudas, procurar orientao tcnica especfica. O Calopognio tem sido usado no enriquecimento de pastagens j formadas, atravs do plantio direto pelos animais. Neste caso as sementes so adicionadas ao sal (1/2 kg de sementes por saco de sal), fornecido ao gado no princpio do perodo chuvoso. O plantio feito automaticamente atravs das fezes do gado. A Leucena e a Gliricdia tm uma dupla funo: forrageira e de sombreamento. A Gliricdia pode tambm ser usada como moiro vivo para as cercas e tem uma vantagem adicional de poder ser multiplicada por estacas. O Amendoim forrageiro, com sementes parecidas com a amendoim comum, pode ser multiplicado por sementes e mudas. Como suas sementes so grandes, perecveis e caras, o usual se fazer um banco de mudas para ento serem transplantadas para o pasto. O amendoim forrageiro atravs de mudas muito adequado para ser plantado nos locais com falhas nos pastos, ajudando na recuperao de pastagens degradadas. Outro uso a cobertura viva do solo de pomares e outras culturas permanentes, beneficiando estas culturas com a proteo do solo, inibio de plantas invasoras e a fixao do nitrognio atmosfrico.

    Sobre o projeto do Sistema Voisin:

    Um bom projeto implantado garantia de tranqilidade no manejo do sistema. Temos que imaginar que o sistema, como uma mquina cujos componentes tm que trabalhar de forma harmnica e que ser usada diariamente. Devemos dar especial ateno localizao e dimensionamento de corredores e reas de lazer, de forma a facilitar o fluxo dirio do gado, tornando-o o mais natural possvel. Os bebedouros e saleiros, tambm devem receber a devida ateno. Os bebedouros devem ser de preferncia, tanques construdos em concreto ou metal e se for necessrio usar cursos dgua naturais como bebedouros, o acesso do gado deve se restringir rea de tomada de gua, nunca permitindo ao gado acesso livre toda extenso do crrego ou lagoa, para evitar sua degradao e contaminao. Os saleiros devem ser dimensionados de forma que no final do perodo de permanncia do gado na rea de lazer, todos os animais tenham tido oportunidade de se satisfazer, no havendo mais competio pelo alimento. Uma cerca eltrica bem construda outro elemento de tranqilidade em um sistema de Pastoreio Voisin: devemos construir uma cerca econmica, mas no precria e pouco funcional. Afinal, devemos ser manejadores de gado e pastagem e no manejadores de uma cerca eltrica que necessita constantes cuidados de reparo.

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    Diagramao do piqueteamento dois exemplos:

    A Esquema terico em rea ideal, de um Sistema Voisin com 64 piquetes com cercas eltricas fixas.

    Observaes: 1. Este esquema pode ser usado em qualquer escala, desde projetos com pequenos piquetes (p.ex.: de 2000 m2, ou

    40 m x 50 m), at projetos com grandes piquetes de no mximo quatro hectares. claro quem numa situao real, o projeto teria formato irregular, para acompanhar as particularidades da propriedade. Por isto, um levantamento pormenorizado da rea condio bsica para o incio dos trabalhos de elaborao de um projeto tcnico;

    2. O tamanho dos piquetes varivel, de acordo com a escala da propriedade. O formato dever ser prximo do quadrado, o que diminui o comprimento das cercas;

    3. O nmero de piquetes, porm deve ser sempre alto, nunca menor que 40, sendo ideal em torno de 80, pois, quanto maior o nmero de piquetes, mais liberdade de ao ter o condutor do sistema;

    4. O corredor poder dar acesso a dois piquetes (ou at trs no mximo) para cada lado. Isto interessante, pois um menor nmero de corredores diminui o custo do projeto e simplifica o esquema eletro tcnico;

    5. As larguras do corredor e das entradas dos piquetes devero ser a mesma, para permitir que se interrompa o corredor com a mesma cancela usada para fechar o piquete;

    6. Costuma-se usar corredor de 10 m para grandes projetos e de 8 m e 6 m para mdios e pequenos; 7. Dois piquetes centrais (no caso os 29 e 31) so reservados para as reas de lazer, que devem ser duas para

    permitir o uso de dois grupos em pastoreio simultneo (DESNATE E REPASSE); 8. As porteiras dos piquetes sero sempre no canto mais prximo da rea de lazer, para facilitar a sada dos

    animais para a rea de lazer. 9. Este esquema prev dois piquetes com uma nica sada para o corredor. Sem problemas, pode-se usar at trs

    piquetes com uma nica sada para o corredor. O gado usa em primeiro lugar o piquete com sada para o corredor e, na seqncia, os outros, usando o primeiro (e tambm o segundo, se for o caso) como corredor virtual, bastando abrir as cancelas que os separam.

    B Esquema terico, em rea ideal, de um sistema de Pastoreio Voisin por faixas, com cercas eltricas fixas formado 24 faixas ou piquetes, prevendo rediviso em fatias com o uso de cercas mveis.

    Observaes: 1. Este esquema ideal para pequenas reas, principalmente para gado leiteiro. O exemplo acima, permite que se

    use at trs fatias por dia, o ideal para vacas de alta lactao; 2. Em situao real, a profundidade das faixas seria varivel para atender s particularidades da rea; porm, a

    largura dever ser sempre a mesma, com as cercas divisrias paralelas entre si, para permitir o uso da cerca

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    mvel padro Fazenda Ecolgica. Com este tipo de cerca mvel (econmica e funcional), as faixas podem ter at 60 m de largura e fatias de at 15 a 20 m;

    3. Caso se use carretilhas com o fio prprio ou cabo de ao, a cerca mvel pode ser de qualquer comprimento, permitindo fornecer ao gado fatias de um piquete de qualquer tamanho;

    4. As linhas contnuas representam cercas eltricas fixas e as pontilhadas, o local de instalao das cercas mveis; 5. Os corredores e porteiras podero ser de seis ou oito metros; 6. Devero existir duas reas de lazer, para possibilitar o uso por dois grupos de animais; 7. Sero usadas por dia, tantas fatias quanto forem necessrias, de acordo com o consumo dos animais; 8. No caso de uso por vacas leiteiras, a rea a ser usada por dia dever ser dividida em duas ou trs parcelas. P.ex.:

    Uma parcela depois da primeira ordenha; uma segunda parcela aps a segunda ordenha e uma terceira no perodo da noite. J foi demonstrado atravs de pesquisas (Sorio, 2003), que este esquema aumenta o consumo de forragem pelas vacas em at 10 %, com correspondente aumento na produo de leite.

    Fichas de controle do Pastoreio Voisin:

    O registro do pastoreio atravs fichas prprias uma tarefa que de forma alguma pode ser relegada ao esquecimento, pois estas anotaes so indispensveis para que se possa acompanhar a evoluo do sistema e levantar os ndices de produtividade.

    Ficha 01: Usada para Anotaes de cada grupo de animais. Caso se use um arquivo informatizado, os dados desta ficha sero transcritos diretamente para o computador, eliminando a necessidade da segunda ficha.

    Fazenda: Prop.: Ficha de controle de Pastoreio Voisin - 01 Perodo: / / a / / N de animais: N UA: OBS.:

    N DO REA DO DATA DATA N DE N ANIMAIS RACES CHUVA PIQUETE PIQUETE ENTRADA SADA DIAS CAB. U. A

    .

    DIAS X UA mm Observaes

    Sugesto: Formato A4, com tantas linhas para anotaes quanto possvel.

    Ficha 02: Preenchida a partir da primeira ficha. Usa-se uma ficha por piquete que resume o uso do piquete por qualquer grupo de animais. Um arquivo informatizado poder ser usado para arquivar os registros de uso de cada piquete, em substituio desta ficha, a partir dos dados da ficha 01.

    Fazenda: Prop.: Ficha de controle de Pastoreio Voisin 02 Perodo: / / a / / MDULO: PIQUETE: REA: N DO DATA DATA N DE N ANIMAIS N. de CHUVA CICLO ENTRADA SADA DIAS CAB. U. A . RACES mm Observaes

    Sugesto: Formato A4, com tantas linhas para anotaes quanto possvel.

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    Dois exemplos clssicos de sucesso na aplicao do Pastoreio Racional Voisin:

    1. DADOS DE PRODUO (SISTEMA DE PASTOREIO RACIONAL VOISIN) Granja Santo Isidoro (Coxilha - RS) Proprietrio: Eng. Agr. Fernando Stedile Fonte: Humberto Sorio Jnior (2001)

    QUADRO DE EVOLUO DA PRODUO E DO CUSTO DE PRODUO DE LEITE A PARTIR DA IMPLANTAO DO SISTEMA DE PASTOREIO RACIONAL VOISIN

    ANO VACAS EM LACTAO

    PRODUO DIRIA (kg)

    PRODUO ANUAL (kg)

    RENDIMENTO (Kg/vaca/dia)

    CUSTO (R$/kg)

    FATURAMENTO (R$/ano)

    1996 120 (100) 2.160 (100) 788.409 (100) 18,0 (100) 0,23 (100) 252.290 (100) 1997 177 (148) 3.611 (167) 1.317.942 (167) 20,4 (113) 0,19 (83) 395.383 (157) 1998 205 (171) 4.530 (210) 1.653.633 (210) 22,1 (123) 0,17 (74) 496.090 (197) 1999 227 (189) 5.039 (233) 1.839.381 (233) 22,2 (123) 0,20 (87) 551.814 (219) 2000 235 (196) 5.288 (245) 1.929.938 (245) 22,5 (125) 0,19 (83) 578.981 (229) 2001 242 (202) 5.518 (255) 2.013.924 (255) 22,8 (127) 0,18 (78) 604.177 (239) MDIA 201 4.537 1.314.630 21,3 0,19 479.789 (100) ndice inicial para ter-se, de modo mais fcil, noo da evoluo.

    H produtores que aumentam produo e h produtores que diminuem custos. Produtores que alcanam, concomitantemente, aumento de produo (155%) e diminuio de custos (22%), s os que adotam o Pastoreio Racional Voisin.

    2 - Evoluo da carga animal (bfalos e bovinos) e ganho de peso vivo por cabea e por hectares na Fazenda Redomo , Guaiba RS.

    Ano Carga Animal (UA/ha)

    Ganho Mdio dirio Individual (g)

    Ganho de Peso Vivo (Kg/ha)

    1991 0,27 295 89 1992 0,37 308 121 1993 0,39 295 128 1994 0,19 347 62 1995 0,43 (Voisin) 333 144 1996 0,76 395 250 1997 0,98 588 321 1998 1,00 695 327 1999 1,02 715 334

    2000 (*) 1,12 785 392 (*) Estimativa Fonte: Sorio JR., 2000.

    Garantia de sucesso no empreendimento pecurio;

    Mesmo sabendo que Sistema de Pastoreio Racional Voisin, regido pelas Leis Universais do Pastoreio Racional de Andr Voisin, pode funcionar sempre, em qualquer situao que permita o manejo de herbvoros a campo, uma preocupao saber que alguns projetos no alcanam o sucesso continuado que se espera deles. O Pastoreio Voisin, apesar de ser a mais excelente ferramenta voltada para a sustentabilidade tcnica, ambiental e econmica de um projeto pecurio, no , por si s, suficiente para o completo xito do empreendimento pecurio como um todo. O sucesso dependente tambm, de UMA EFICIENTE ADMINISTRAO, como o qualquer outro empreendimento econmico. Vejamos o que diz abaixo o Andr Macieira Sorio, Eng. Agrnomo e voisinista, especialista em Gesto pela Qualidade Total voltada para a Agropecuria, a respeito do que fundamental para o xito de um projeto pecurio: Para um projeto pecurio ter xito, fundamental uma caracterstica: administrao eficiente. Isto pode ocorrer por envolvimento pessoal do proprietrio, dedicando o tempo adequado que uma empresa merece e necessita para atender todas as suas necessidades. Ou ento, nas propriedades maiores, pela existncia de uma equipe profissional que realiza o processo administrativo de forma eficiente.

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    Nunca se ter os melhores resultados com o mnimo de envolvimento. So caractersticas conflitantes. Portanto, se algum quiser provocar mudanas positivas em seu negcio pecurio dever se envolver, pessoalmente ou atravs de profissionais que se dediquem empresa. Quais so as necessidades administrativas? So inmeras e todas elas devem ser executadas, mais ou menos simultaneamente, em qualquer propriedade, de qualquer tamanho, que queira sobreviver e obter lucro da atividade pecuria. As principais so: 1) Administrao de recursos humanos: a mo-de-obra deve ser bem selecionada e principalmente bem treinada

    para a execuo das funes que forem necessrias; 2) Planejamento: estabelecimento de metas zootcnicas e financeiras, gerenciamento do oramento, planejamento

    alimentar dos animais e organizao dos investimentos, so apenas alguns dos itens importantes que devem ser contemplados nesta rubrica;

    3) Compras e vendas: de animais, de insumos, de servios. O tempo todo, a fazenda est comercializando e negociando com o mercado e deve buscar as melhores oportunidades comerciais;

    4) Auditoria e controles: so fundamentais, para que se possa controlar o processo produtivo. Nada gerenciado se no for medido e comparado com a meta;

    Enfim, quando se quer introduzir uma inovao tecnolgica, no caso o Pastoreio Voisin, no se deve descuidar dos processos que compe a atividade produtiva. Afinal, nada acontece por si s em uma propriedade rural. Ao contrrio, todos os processos so integrados e fundamentais para o sucesso da atividade.

    Concluso: uma alternativa ao uso do fogo nas pastagens:

    O fogo ainda usado como alternativa para a limpeza de pastagens em algumas regies do Brasil. Infelizmente ainda existem pecuaristas que usam esta medida comodista que traz poucas e apenas aparentes vantagens e um grande nmero graves de desvantagens. Em regies de fronteira agrcola, a mais terrvel conseqncia do fogo usado nas pastagens a passagem deste fogo, para reas de florestas por deficincia no controle das queimadas. Estima-se que cerca da metade dos incndios florestais tenham origem em queimadas que fogem do controle. O principal argumento que os pecuaristas usam para justificar esta prtica a necessidade de eliminar as sobras de pasto originadas pelo subpastoreio para, pretensamente, melhorar a pastagem com eliminao das partes mortas e a estimulao de uma rpida brotao que disponibilizaria alimentos para o gado em curto prazo, o que realmente ocorre, porm custa da intensificao do processo de degradao. Com o uso do Manejo Sustentvel de Pastagem, empregando o Pastoreio Voisin, esta justificativa no existe, pois uma das muitas conseqncias benficas deste mtodo exatamente no permitir sobras de pastagens, tornando desnecessrias as queimadas. Conhecendo esta caracterstica do Manejo Sustentvel de Pastagens, o Programa Fogo, da Cooperao Itlia Brasil vem usando o fomento desta tecnologia como uma das suas estratgias de ao no Norte de Mato Grosso, desde o ano 2.000. Os resultados j so evidentes. Praticamente j no se usa o fogo nas pastagens, na rea de abrangncia do programa, que j patrocinou a realizao de inmeras palestras e cursos e a instalao de Unidades Demonstrativas em parceria com produtores locais. Outra conseqncia extremamente positiva da aplicao do Pastoreio Voisin em reas de fronteira agrcola que, com a elevao da produtividade, ocorre uma diminuio da presso por novos desmatamentos para atender a expanso da atividade pecuria. muito mais racional e econmico buscar uma maior produtividade das pastagens j formadas atravs desta tcnica, do que ampliar as pastagens, mantendo o manejo convencional.

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