Criar e gerir uma horta escolar

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    07-Jan-2017

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  • CRIAR E GERIRUMA HORTA ESCOLARUM MANUAL PARA PROFESSORES, PAIS E COMUNIDADES

  • Capa:Alunos de uma escola na China: R. Faidutti.Horta escolar no Panam: Jess Bulux, Instituto de Nutricin de Centro Amrica y Panam e Pan American Health Organization.Vegetais e fruta: Mel Futter.

    Contracapa: Crianas da Etipia: R. Faidutti.Ilustrao: Mel Futter.

    Design: J. Morgante/R. Magini.

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    CRIAR E GERIR UMA HORTA ESCOLARUM MANUAL PARA PROFESSORES, PAIS E COMUNIDADES

    Publicado por acordo com a Organizao das Naes Unidas para a Alimentao e a Agricultura pela Associao para a Valorizao Ambiental da Alta de Lisboa

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    AVISO LEGAL

    Esta obra foi publicada originalmente pela Organizao das Naes Unidas para a Alimentao e a Agricultura em ingls como Setting up and running a school garden. Esta traduo em portugus foi realizada pela Associao para a Valorizao Ambiental da Alta de Lisboa, que assim responsvel pela qualidade da traduo. Em caso de discrepncias, prevalece o texto en lngua inglesa.

    As designaes empregadas e a apresentao do material neste produto de informao no implicam a expresso de qualquer opinio por parte da Organizao das Naes Unidas para a Alimentao e a Agricultura (FAO) sobre a situao jurdica ou estgio de desenvolvimento de qualquer pas, territrio, cidade ou rea ou de suas autoridades, ou sobre a delimitao de suas fronteiras. A meno de companhias especficas ou produtos de fabricantes, patenteados ou no, no implica que sejam endossados ou recomendados pela FAO em preferncia a outros de natureza similar no mencionados.As opinies aqui expressadas so dos autores e no representam necessariamente as opinies ou polticas da FAO.

    Associao para a Valorizao Ambiental da Alta de Lisboa, 2016 [edio portuguesa] FAO, 2005 [edio inglesa]

    ISBN 92-5-105408-8

    Todos os direitos reservados. A reproduo e/ou distribuio do material contido neste produto de informao para propsitos educacionais ou outros fins no comerciais esto autorizadas sem qualquer permisso prvia por escrito dos detentores dos direitos autorais desde que a fonte seja devidamente citada. A reproduo do material contido neste produto informativo para revenda ou outras finalidades comerciais proibida sem autorizao escrita dos titulares dos direitos autorais.Os pedidos para tal autorizao devem ser dirigidos ao Diretor do Servio de Publicao de Administrao, Diviso de Informao, Organizao das Naes Unidas para a Alimentao e a Agricultura, Viale delle Terme di Caracalla, 00100 Roma, Itlia, ou por e-mail para copyright@fao.org.

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    PREFCIO

    As chaves para o desenvolvimento das crianas e dos seus futuros meios de subsistncia so uma alimentao adequada e a educao. Estas prioridades esto refletidas no primeiro e segundo Objetivos de Desenvolvimento do Milnio. A realidade em que se encontram milhes de crianas, no entanto, revela que essas metas esto longe de serem cumpridas.

    As crianas que vo para a escola com fome no conseguem aprender bem. Apresentam diminuio da atividade fsica, diminuio das capacidades cognitivas e diminuio da resistncia s infees. O seu desempenho escolar muitas vezes deficiente, o que pode fazer com que essas crianas abandonem a escola precocemente. A longo prazo, a subnutrio crnica diminui o potencial individual e tem efeitos adversos sobre a produtividade, o rendimento e o desenvolvimento nacional. Assim, o futuro de um pas recai sobre as suas crianas e jovens.

    Os investimentos na nutrio e na educao so essenciais para quebrar o ciclo da pobreza e da subnutrio. A FAO acredita que as escolas podem dar uma importante contribuio para os esforos dos pases em superarem a fome e a subnutrio, e que as hortas escolares podem ajudar a melhorar a nutrio e a educao das crianas e das suas famlias nas reas rurais e urbanas. Neste sentido, importante salientar que as hortas escolares so uma plataforma para a aprendizagem. No devem ser consideradas como fontes principais de alimentos ou de rendimentos, mas sim como um caminho para uma melhor nutrio e educao.

    A FAO incentiva as escolas a criarem hortas para aprendizagem, de tamanho moderado, que possam ser facilmente geridas por alunos, professores e pais, mas que incluam uma variedade de vegetais e frutas nutritivas, bem como, ocasionalmente, alguns animais de pequeno porte, tais como galinhas e coelhos. Os mtodos de produo so simples, para que possam ser facilmente replicados pelos alunos e pais nas suas casas.

    Os sistemas alimentares so o conceito unificador. Da terra para a panela, os alunos aprendem a cultivar, cuidar, colher e preparar produtos sazonais nutritivos, nos contextos educativos da sala de aula, da horta, da cozinha, do refeitrio da escola e do lar. A experincia promove o bem-estar ambiental, social e fsico da comunidade escolar e promove uma melhor compreenso de como o mundo natural nos sustenta. A ligao com as hortas de casa refora o conceito e abre caminho para a troca de conhecimentos e experincias entre a escola e a comunidade.

    Tais estratgias baseadas nos alimentos tm o mrito da sustentabilidade: criam hbitos alimentares de longo prazo e colocam as escolhas alimentares nas mos do consumidor. Uma forte componente de educao garante s famlias e s futuras famlias das crianas que os efeitos iro alm do tempo e local imediatos.

    As preocupaes nutricionais tambm ligam o mundo desenvolvido ao mundo em desenvolvimento, mundos estes que partilham muitos problemas alimentares. Por exemplo, a necessidade de mudar a perceo sobre as frutas e legumes, e aprender a melhor maneira de os cultivar, preparar e comer comum a muitas comunidades, ricas e pobres, e pode ser crucial na promoo da sade comunitria em ambos. Isto serve de base para esforos conjuntos significativos e para o intercmbio de experincias, ideias e materiais de ensino.

    A FAO preparou este manual para auxiliar professores, pais e comunidades, inspirando-se em experincias e boas prticas de gesto de hortas escolares em todo o mundo. As lies em sala de aula esto ligadas aprendizagem prtica na horta sobre a natureza e o meio ambiente, produo e comercializao dos alimentos, ao processamento e preparao dos alimentos e em fazer escolhas alimentares saudveis.

    Esperamos que este manual seja uma ferramenta til para todos aqueles que desejam iniciar ou melhorar uma horta escolar com o objetivo de ajudar as crianas da escola a crescer na mente e no corpo.

    Kraisid Tontisirin,Diretor,Diviso de Alimentao e Nutrio

    Mahmoud SolhDiretor,Diviso de Produo e Proteo de Plantas

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    AGRADECIMENTOS

    O manual e respetivos materiais de acompanhamento foram preparados pelo Servio de Programas de Nutrio da Diviso de Alimentao e Nutrio, em consultoria com o Servio de Culturas e Pastagens da Diviso de Produo e Proteo de Plantas da FAO.

    Ellen Muehlhoff, da Diviso de Alimentao e Nutrio, teve a responsabilidade global no desenvolvimento e orientao da elaborao desta publicao. Tambm atuou como editora tcnica. Alison Hodder, da Diviso de Produo e Proteo de Plantas, assegurou o aconselhamento sobre as seces hortcolas. Agradecimentos especiais so devidos a Jane Sherman, que a autora principal deste texto. Os seus conhecimentos em educao e aprendizagem emprica, bem como a sua capacidade de escrita, foram bastante apreciados. A ampla experincia de Chris Landon-Lane na horticultura e na abordagem prtica para a jardinagem em pequena escala enriqueceu as seces de horticultura e as fichas tcnicas.

    Foram feitas substanciais contribuies tcnicas por Jennifer Heney, da Diviso de Sistemas de Apoio Agrcola da FAO. Valiosos comentrios e contribuies tambm foram recebidos de: Fiorella Cerruti, do Servio de Alimentao Escolar, Programa Alimentar Mundial (PAM); Lavinia Gasperini, da Diviso de Extenso, Investigao e Formao; Corinna Bothe, Fintan Scanlan e Alberta Mascaretti, da Diviso de Operaes de Campo, e Hitomi Sato, da Diviso de Produo e Proteo de Plantas.

    Gostaramos tambm de expressar o nosso apreo muito especial a todos os diretores das escolas, professores e educadores em diferentes partes do mundo que tornaram possvel esta publicao, em especial:

    Zumbido Bezuidenhout, do Programa BMW SEED (Escola de Educao Ambiental para o Desenvolvimento), frica do Sul.Asha Choday, professor responsvel, Maranda School, Qunia.Jackie Greenhouse, professor responsvel, e Linda Carr, horticultor, Manorbier School, Pas de Gales, Reino Unido.Patrick Lloyd-Lister, educador de grupo para a sade, Harmony Gold Mine, frica do Sul.Mark Miller, coordenador do projeto, Gate Project (Agricultura baseada em hortas para o Meio Ambiente de Toledo), Jamaica.Sylvester Ncube, professor responsvel, Nebiri School, Zimbabu.Claudette Power, professor responsvel, e Miss James, horticultor, Sligoville School, Jamaica.Charles Ssekyewa, professor snior em Agricultura e coordenador de hortas escolares dos projetos Sementes para a frica, Mrtires University, Uganda.Simon Zayo, mestre em horticultura, Negande School, Zimbabu.

    Queremos agradecer comunidade de Komga, na frica do Sul, pelo apoio e contribuies entusisticas para as fotografias e preparao final do livro, especialmente a Errol Muller, do Mercado de Komga, a Ronel Vorster e aos funcionrios da Cooperativa de East Cape, s crianas de Draaibosch, famlia Flannigan e ao Governo de Kobese.

    Mais agradecimentos so devidos a Brett Shapiro e Allison Rosemary pela edio e reviso. Mel Futter foi responsvel pelo design, paginao, e, salvo indicao em contrrio dentro da publicao, por todas as fotografias e ilustraes.

    Tornar realidade a edio portuguesa deste manual foi possvel graas ao apoio da Fundao Calouste Gulbenkian, disponibilidade da FAO em Portugal e aos voluntrios da AVAAL Associao para a Valorizao Ambiental da Alta de Lisboa, a quem coube a traduo do mesmo.

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    NDICE

    INTRODUO

    CAPTULO 1: O QUE ENVOLVE? Executar um projeto de horta escolar

    CAPTULO 2: QUEM NOS VAI AJUDAR? Envolver a famlia e a comunidade

    CAPTULO 3: PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA? Objetivos e princpios

    CAPTULO 4: POR ONDE COMEAR? A sensibilizao ambiental

    CAPTULO 5: DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA? O local da horta

    CAPTULO 6: O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER? Melhorar a nutrio

    CAPTULO 7: O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER? Horticultura de mercado

    CAPTULO 8: COMO CULTIVAR? Mtodos de horticultura

    CAPTULO 9: COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA? Preparar, processar, promover

    CAPTULO 10: QUAL O PLANO?Planeamento do projeto

    CAPTULO 11: COMO VAMOS COMEAR? Organizao do trabalho

    CAPTULO 12: COMO VAMOS MANTER A HORTA? Motivao e sentido de propriedade

    ANEXOS:

    Fichas Informativas de Alimentos

    Fichas Informativas de Nutrio

    Notas de Horticultura

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    Muitos acreditam que a aprendizagem na escola s acontece dentro da sala de aula, mas hoje amplamente reconhecido que todo o ambiente da escola est envolvido no desenvolvimento das crianas. E o ambiente escolar compreende tambm:

    uma fonte de alimentos para melhorar a alimentao e a sade das crianas; uma fonte de influncias saudveis (gua potvel, atividade fsica, casas de banho

    higinicas, lavatrios e merenda escolar); uma rea para a aprendizagem (sobre a natureza, a agricultura e a nutrio); um lugar de prazer e recreao (flores e arbustos, reas de lazer, sombra e zonas para

    comer); uma lio contnua de respeito pelo meio ambiente e orgulho na escola.

    Asfalto, terra seca, lama e campos vazios esto a transformar-se em campos verdes, laboratrios ao ar livre, hortas, hortas de ervas aromticas, espaos de jogos e reas de estudo. E as hortas escolares esto a liderar essa mudana.

    INTRODUO

    A IMPORTNCIA DAS HORTAS ESCOLARES

    A HORTA

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    A IMPORTNCIA DAS HORTAS ESCOLARES

    Horta num pneu Uma horta para crianas pode ser feita cortando um pneu de carro ao meio. Encha-o

    com terra e um pouco de estrume de galinha e plantas. O calor do sol aquece o pneu e ajuda as plantas a crescerem. Cada

    pneu precisa de apenas um litro de gua por dia. Assim,

    as crianas podem proteger dos animais as suas hortas, trazendo-as para perto da casa.

    A horta de MandelaQuando Nelson Mandela estava a cumprir pena de priso na frica do Sul, passava muitas horas por dia a fazer horticultura. Cultivou principalmente legumes, muitas vezes em tambores de leo cortados ao meio. Ao mesmo tempo tomava conta de cerca de 900 plantas. Desta forma, melhorou a sua prpria dieta e a dieta de outros reclusos e tambm a de vrios guardas brancos!

    O MANUAL DA HORTA ESCOLARO Manual da Horta Escolar baseado em experincias de implementao e gesto de hortas escolares em todo o mundo.A quem dirigido?O Manual destina-se a todos os interessados em implementar ou melhorar uma horta escolar, tendo como objetivos o cultivo de alimentos saudveis e a aprendizagem da venda de produtos hortcolas. O pblico do Manual pode assim ser constitudo por um professor, um horticultor, um grupo de professores, os pais ou os membros da comunidade de uma escola ou de vrias escolas diferentes.Qual a faixa etria a que se destina?Pretende-se que a faixa etria dos alunos seja dos nove aos 14 anos. A expresso alunos mais jovens designa os alunos com idades entre os nove e os 11 anos, ao passo que a expresso alunos mais velhos refere-se aos alunos com idades entre os 12 e os 14 anos. Mas isto no quer dizer que as crianas fora desta faixa etria no possam ser envolvidas h sempre algo que as crianas muito jovens podem fazer, ao mesmo tempo que os alunos mais velhos podem ajudar em praticamente todos os tipos de tarefas, incluindo a gesto do trabalho, por exemplo.Em que consiste?O Manual conduz o leitor ao longo de todas as etapas do planeamento de um projeto de horta escolar: decidir para que vai servir a horta / planear como obter ajuda e apoio / aprender a preparar o local.Existem seces sobre organizao do trabalho, enquanto que a motivao est includa num captulo parte. Como complemento, nos anexos esto notas sobre horticultura e fichas informativas sobre nutrio e algumas das culturas mais difundidas do mundo. NB: O Manual no pretende dar conselhos detalhados de horticultura para todas as situaes. Para isso aconselha-se a consulta de especialistas locais e nacionais. Em cada captulo esto tambm includas:

    dicas para atividades, incluindo formas de envolver as crianas, as famlias, outros colaboradores e a comunidade;

    sugestes para avaliar os resultados, sob a forma de relatrios e cartazes, por exemplo.

    (P. Lloyd-Lister, comunicao pessoal, 2003) (Mandela, 1994)

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    A IMPORTNCIA DAS HORTAS ESCOLARES

    Tipos de liesOs captulos trs a dez apresentam-se com as caractersticas de uma lio, sendo assim adequadas para desenvolver em ambiente de turma. Estes captulos visam as idades entre os nove e os 14 anos, e servem de complemento e apoio s atividades de horticultura. Alm disso, concentram-se no s no conhecimento e nas competncias em geral, mas tambm em aes de sensibilizao, competncias para a vida, atitudes e comportamentos de rotina. Estas lies de horticultura tm enorme valor educativo, fazendo a ponte entre a teoria e a prtica, e relacionam a aprendizagem em sala de aula com a experincia emprica e a observao, e vice-versa. Devem por isso assumir um lugar regular no horrio das aulas, alm do tempo que dedicado horticultura em particular.Como usar o Manual?Recomenda-se a seguinte abordagem:

    Ler cada captulo do Manual, tomando nota do que importante para cada situao em particular.

    Observar as sugestes e dicas existentes no final de cada captulo. Elaborar um esboo do programa de horticultura. Analisar as lies relacionadas e selecionar aquelas que as turmas necessitam. Agendar as lies em funo da fase em que se encontrar o programa de horticultura

    em causa os alunos podem estar a preparar-se para o prximo ano letivo, podem estar prestes a iniciar uma horta ou podem andar em busca de formas de melhorar uma horta que j existe, por exemplo.

    HORTAS ESCOLARES EM TODO O MUNDOAs crianas aprendem fazendoSligoville, uma comunidade agrcola, foi a primeira aldeia livre na Jamaica aps a abolio da escravatura. A escola, com crianas de todas as idades, tem sido designada a ambientalmente mais consciente da Jamaica. A professora responsvel incentiva fortemente a horta, porque acredita que as crianas aprendem fazendo. As crianas ganham competncias que podem usar, os professores encontram novas maneiras de ensinar e todos ganham alimentos deliciosos e nutritivos. A maioria dos funcionrios so horticultores experientes e h uma associao de pais e professores muito ativa.

    Cada aluno gere um pequeno talho com algumas culturas, como cenoura, milho e tomilho. Os alunos mais velhos tm um hectare com vrios vegetais e filas de banana para fritar, banana e cacau. H tambm galinhas, coelhos e cabras. A horta biolgica. As crianas comem muitos dos alimentos da horta e levam alguns para casa; alguns so cozinhados na cantina e outros so vendidos na comunidade. Todos os anos h um projeto comum a todas as disciplinas, focado num alimento. Num dos anos pesquisou-se sobre milho, cultivaram-se amostras e produziram-se canes, fantoches e poemas. O livro O Milho na Sala de Aula foi traduzido para 84 idiomas e apresentado na rdio.

    Fotografia cedida por Claudette Power, Escola Sligoville, Jamaica.

    (C. Power, comunicao pessoal, 2003; Bruce, 1998)

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    A IMPORTNCIA DAS HORTAS ESCOLARES

    rfos de SIDA ajudam-se a si prpriosNo municpio de Mansa, no norte da Zmbia, a igreja Adventista do Stimo Dia abriu um pequeno orfanato para rfos de SIDA, com o apoio do Rotary Club e do Governo da Zmbia. Para fornecer alimentos s crianas, estabeleceu uma horta de meio hectare que as crianas cultivam sob a superviso de um horticultor voluntrio qualificado.A FAO providenciou um pequeno apoio, atravs da oferta de sementes, de ferramentas e de um sistema de irrigao gota-a-gota de pequena escala. Agora, sob o cuidado das crianas, a horta est a florescer, produzindo beringelas, ervilhas, milho, pimentos, soja, batata-doce, tomate e galinhas. Eles so completamente autossuficientes nos produtos hortcolas, milho e aves, afirmou Karel Callens, nutricionista da FAO. Esto a produzir excedentes suficientes para vender no mercado e esto a reinvestir os recursos na horta. As crianas tambm esto a aprender a trabalhar em equipa e a adquirir conhecimentos agrcolas, que vo sustent-los para o resto das suas vidas. um retorno impressionante tendo em conta o reduzido investimento efetuado, afirmou Callens.

    (FAO Telefood, 2004a)

    As hortas escolares transferem conhecimento e prtica para os lares das crianasEm Trincomalee, no Sri Lanka, a insegurana alimentar era um problema grave aps os distrbios civis e no perodo ps-guerra. Foram ento formados clubes agrcolas nas escolas, compostos

    por oito alunos e um professor. A formao agrcola de base foi dada pelo Departamento de Agricultura. Foram criados nas instalaes da escola viveiros de vegetais e hortas escolares, e as plntulas so vendidas s famlias.O conhecimento e a prtica so transferidos para casa: os alunos cultivam as suas prprias plntulas em casa e passam informaes sobre como cultiv-las aos amigos e familiares. Os alunos contam que ganharam conhecimentos, competncias prticas e oportunidades de emprego prprio. (Wanasinghe, 2003)

    Variedade de atividades, variedade de aprendizagemA escola Manorbier, no Pas de Gales, no Reino Unido, est numa rea deprimida com elevadas taxas de desemprego. Embora seja uma rea rural, muitas das crianas tm a sua primeira experincia de cultivo na escola. A horta escolar inclui o cultivo de ervas aromticas e flores, uma rea de jogos, uma macieira grande, um pequeno bosque e um lago para estudar a vida selvagem. Produzem feijo, tomate, girassol e alho francs (o emblema nacional de Gales).A escola inteira criou um mosaico de seixos na entrada, com um segmento para cada turma. A ideia transmitida que a horta pertence aos alunos e que devem ser estes a geri-la. Os alunos voluntariam-se para serem monitores de horta por uma semana. Cada turma tem uma responsabilidade por exemplo, a turma pr-escolar cuida das flores, os alunos mais velhos do lago. Um clube da horta rene uma vez por semana aps as aulas. A horta usada para a aprendizagem atravs da experincia direta em cincias e estudos ambientais, matemtica, literatura e arte.

    Greenhouse e L. Carr, comunicao pessoal, 2003)

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    A execuo de uma horta escolar requer no s conhecimentos de horticultura, mas tambm capacidade para lidar com pessoas e senso comum. Outras qualidades teis so o entusiasmo, a capacidade de organizao e de divulgao. necessrio planear e gerir, encontrar recursos, obter ajuda e apoio, manter contacto com as pessoas envolvidas, organizar o trabalho da horta e das aulas, motivar as pessoas e divulgar os resultados da horta.No entanto, os responsveis pela horta no tm que fazer isto tudo sozinhos. Uma boa gesto da horta significa desenvolver as capacidades da escola at a horta poder funcionar sozinha. As crianas mais velhas mostram s mais jovens o que fazer; as tarefas rotineiras so realizadas automaticamente; e os auxiliares veem por si mesmos o que precisa de ser feito.

    Executar um projeto de horta escolarObjetivos Discutir as questes preliminares Analisar os segredos do sucesso

    Trs competncias para as hortas escolaresPrecisa de saber apenas trs coisas para executar uma horta escolar com sucesso:1. Como cultivar as pessoas;2. Como cultivar as plantas;3. Como obter ajuda. (Guy et al., 1996)

    CAPTULO 1

    O QUE ENVOLVE?

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    O QUE ENVOLVE?

    A. PERGUNTAS PRELIMINARESAqui esto algumas perguntas que so mais frequentes.

    1. Quem ser o responsvel pela horta?O responsvel pela horta ou horticultor pode ser o diretor da escola, um professor experiente ou um horticultor da comunidade experiente. Ela ou ele deve ser apoiado por uma pequena equipa que tenha sentido de compromisso, interesse, experincia, autoridade e contactos. Por exemplo, o diretor, alguns pais ou membros da comunidade, alguns alunos, um inspetor de escolas, um trabalhador da rea da sade, o auxiliar da escola. Mais tarde pode ser construda uma ampla rede de colaboradores e auxiliares. O responsvel pela horta deve ter um colega que possa atuar como substituto, quando necessrio. Tambm uma boa ideia estabelecer uma equipa de alunos mais velhos e que sejam capazes de continuar o trabalho sem muita superviso.

    2. De que precisamos?As necessidades iniciais so discutidas no Captulo 5. Para ferramentas e equipamentos, sementes e plntulas, o custo no ser necessariamente elevado. Se se comear com pouco, possvel ir adquirindo o resto ao longo de alguns anos. Muitas vezes, o equipamento pode ser pedido emprestado e, s vezes, podemos reutilizar as sementes. Algumas variedades de plantas locais, adaptadas ao clima local, so mais baratas e garantem resultados mais seguros. As abordagens biolgicas diminuem o gasto em fertilizantes e inseticidas.

    Um abrigo seguro para a horta um item caro. Ainda mais importante, e s vezes caro, so a gua e as vedaes. Devemos ser capazes de irrigar as culturas e proteg-las dos predadores. Pode-se conseguir obter uma doao para este tipo de investimento por parte de instituies sociais, doadores, governos ou organizaes de desenvolvimento. Mas lembre-se que bombas, canos e cercas precisam de manuteno. Se no tiver um financiamento regular, a horta tem de gerar lucro suficiente para cobrir os seus custos.

    3. De que tamanho ser a horta?A sua horta pode ser desde uma caixa de janela a um campo. O tamanho depender do espao disponvel. Se a escola no tem terrenos adequados, pode haver espao numa horta comunitria ou em terrenos baldios ao longo da estrada, por exemplo.O tamanho tambm depende dos objetivos (discutidos no Captulo 3). Se a educao o principal objetivo, no importa se no existe muito espao. Algumas plantas

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    O QUE ENVOLVE?

    so suficientes para observaes experimentais (por exemplo, estudar a germinao). Uma horta com a dimenso de uma cama de solteiro com 1 x 2 metros ir produzir quantidades simblicas de alimentos. Uma horta do tamanho de trs ou quatro camas pequenas podem constituir uma horta modelo para fins de demonstrao. Ser preciso muito mais espao caso queira produzir uma quantidade significativa de alimentos ou fazer uma formao profissional agrcola.Quaisquer que sejam os objetivos, h uma maior possibilidade de sucesso comeando com pouco. Pode sempre expandir a horta mais tarde. Mesmo com uma pequena horta, tambm h uma maior possibilidade de sucesso se houver diversidade de culturas, e no apenas uma ou duas.

    4. Como que vamos decidir o que cultivar?Isso depende dos objetivos (ver Captulo 3). Os principais projetos de hortas neste Manual tm como objetivo produzir alimentos para comer e para vender. Em geral, a escolha das culturas e das rvores tem de ser adaptada s condies locais, facilidade do cultivo e ao encaixe no perodo escolar. As culturas devem estar de acordo com os hbitos alimentares locais, ser fceis de preparar e ter alto valor nutritivo (por exemplo, vegetais de folhas verdes, legumes e frutas cor de laranja e amarelas). Em qualquer caso, os alunos devem sempre estar envolvidos nesta deciso.

    5. Quem vai fazer o trabalho? Grande parte do trabalho ser feito pelos alunos. Estes devem ser ajudados por voluntrios (pais, membros da comunidade, alunos ou ex-alunos da escola) e pelo auxiliar / horticultor / zelador da escola, se existir um, especialmente para o trabalho mais pesado (por exemplo, para tratar da preparao do local).Mas o mais importante que as crianas estejam a aprender e no sejam uma fora de trabalho. Elas devem aproveitar o seu tempo na horta e aprender com ela. No deve ser uma tarefa desagradvel ou um castigo. A horta tambm deve dar aos alunos a oportunidade de assumirem responsabilidades,

    tomarem decises, planearem, organizarem o trabalho, colaborarem, avaliarem e divulgarem. O tempo de aula deve servir para se prepararem para essas responsabilidades.

    6. Quanto tempo vai demorar?Tempo de aula - Idealmente, os tempos de aula e na horta devem ser equivalentes. As aulas so para discutir e explicar, planear e organizar o trabalho, criar experincias e observaes, e documentar as atividades da horticultura e eventos. Para manter uma pequena horta e obter um benefcio educacional completo, uma turma precisa de cerca de uma hora de horticultura e uma hora de aula por semana, com um pequeno trabalho extra de horticultura para os alunos fazerem em casa.

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    O QUE ENVOLVE?

    Tempo do professor - Depende do tamanho da horta. O cargo de horticultor tambm muito elstico! Alm de organizar o trabalho da horta e das aulas, e ainda ajudar os alunos, pode tambm envolver voluntrios, a criao de eventos na horta, o contacto com doadores, a procura de suprimentos, a organizao de passeios, a manuteno das contas, a elaborao de relatrios e a participao em reunies. Um bom gestor da horta delega trabalho nos alunos responsveis e num grupo de apoio horta.

    7. Que tipo de formao necessria?Isso depende dos conhecimentos e experincia que j se tem. Se possvel, deve-se organizar um curso de formao em horticultura bsica, nutrio, mtodos de cultivo biolgicos e planeamento de projetos, dirigido ao professor responsvel e a dois ou trs adjuntos. Pode-se tambm envolver os cozinheiros e auxiliares da escola. A formao pode ser organizada por algum dos servios de agricultura, por um pai experiente, por uma ONG ou pelo servio de educao.Quem receber a formao deve pass-la aos outros por

    exemplo, em reunies informais. Isso vai reforar a formao, disseminar o conhecimento e proteger o programa da horta de perder o seu nico perito.

    8. De que tipo de apoio precisamos? Apoio da escola - Mais importante de tudo ter o apoio de um professor responsvel e o

    interesse de toda a escola professores, pessoal de apoio (por exemplo, auxiliar, cozinheiros, secretariado), conselho escolar, servio de refeies escolares, associao de pais e professores e corpo diretivo.

    Apoio da autoridade educativa local - O apoio ativo da autoridade educativa local muito importante (embora s vezes ele possa aparecer apenas depois de se ter estabelecido a horta!). As autoridades podem coloc-lo em contacto com fundos especiais, organizar competies entre escolas, dar conselhos sobre gesto, recomendar materiais de ensino, dar espao no horrio escolar para as aulas na horta e convocar os setores de sade e de apoio tcnico. Tambm podem inform-lo de quaisquer regras especiais sobre a gesto dos fundos ou a manuteno das instalaes escolares. Convena-os a criar uma rede de escolas com hortas, para facilitar a partilha de experincias entre elas (por exemplo, com visitas e boletins informativos).

    Apoio da comunidade - As hortas escolares tm bastante visibilidade e atraem o interesse local. Funcionam melhor quando tm o apoio e ajuda das famlias e da comunidade. A maioria das escolas tm por perto horticultores experientes.

    Apoio dos Centros de Professores - Os Centros de Professores podem ajudar com recursos materiais (por exemplo, ensino e informao sobre as culturas) e servir de lugar para as escolas se reunirem e trocarem ideias.

    Apoio de outros servios - Finalmente, ser preciso uma boa assistncia tcnica da parte de servios de extenso agrcola, de escolas prticas para agricultores, de servios de sade e de ONG, etc.

    Deve manter-se todas as partes interessadas informadas sobre o que se est a fazer e consult-las com frequncia. A horta escolar deve constar regularmente da agenda das reunies escolares.

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    O QUE ENVOLVE?

    9. Como motivar as pessoas a apoiar a horta escolar?O apoio depende da atitude. Em algumas reas h uma longa tradio de interesse em cultivar hortas nas prprias casas. As pessoas querem que os seus filhos aprendam as competncias necessrias para o cultivo de alimentos, flores e rvores. Se a horticultura tem esta imagem positiva na sua comunidade, pode aproveitar para promov-la.Mas muitas vezes a horticultura vista apenas como um trabalho duro e sujo, no como educao. Na pior das hipteses, as escolas podem ser acusadas de ter como objetivo manter as crianas ligadas a trabalhos agrcolas mal remunerados. Se esta a atitude, ento uma das principais tarefas ser a de mudar essa atitude. H vrias maneiras de dar uma boa divulgao horta e que sero discutidas mais frente neste Manual por exemplo, envolvendo as famlias, focando-se na educao, construindo um sentimento de orgulho e mostrando que a horticultura pode melhorar a nossa sade e rendimento. A principal vantagem destes esforos que as crianas gostam verdadeiramente e acham que cultivar coisas e produzir alimentos deliciosos simultaneamente excitante e gratificante.

    ApoioA horta escolar ir prosperar se tiver o apoio de:

    Autoridade educativa local; Professor responsvel / diretor; Toda a escola; Pais e comunidade.

    Envolvimento e contactosSer til conseguir:

    captar o interesse dos servios locais de agricultura e sade; envolver a comunidade peritos, conselheiros, auxiliares e observadores; captar o interesse do programa de alimentao escolar; criar um grupo de apoio de pessoas interessadas, ativas e teis; manter contacto com outras escolas que tm hortas.

    Sustentabilidade uma boa ideia:

    comear com pouco e expandir mais tarde; estabelecer (e manter) um bom abastecimento de gua e vedaes;

    Suporte e sucesso para crianas deficientesA Divina Misericrdia uma escola para crianas deficientes em Lima, no Peru. A escola tem a sua prpria horta, onde cultiva alfaces, beterraba, cenoura e brcolos. Toda a gente foi envolvida desde o incio: o diretor, os professores, os alunos e alguns pais construram a horta a partir do zero. Quando comearam, no havia nada alm de terra e lama. Limparam, trouxeram terra e instalaram um sistema de irrigao.A diretora da escola, Elvira Pacherres diz que as crianas so apaixonadas pela horta. A horta faz agora parte do currculo e funciona como terapia para estas crianas. Demonstra como elas podem facilmente ter acesso a alimentos se for necessrio, e d-lhes responsabilidades. Muitas vezes, estas crianas so postas de lado pela famlia... Mas aqui elas aprendem a contribuir para o agregado familiar. Algumas tambm cultivam as suas prprias pequenas hortas em casa.

    (FAO Telefood, 2004b)

    B. SEGREDOS PARA O SUCESSO Alguns dos segredos para o sucesso esto definidos na caixa em baixo.

  • 18

    O QUE ENVOLVE?

    saber como a horta vai ser financiada, ou como ela se pode sustentar por si mesma; utilizar abordagens biolgicas para melhorar e conservar o solo; escolher culturas que se adaptem s condies locais, combinem as tradies locais

    e hbitos alimentares, tenham alto valor nutricional, contribuam para a segurana alimentar, sejam fceis de cultivar e adaptadas ao perodo escolar;

    certificar-se que algum responsvel pela horta em caso de emergncia ou doena; ter professores e auxiliares formados, experientes e que transmitam os seus

    conhecimentos.MotivaoO projeto funcionar melhor se:

    estabelecer objetivos claros e em acordo com todos; elogiar, dar recompensas, prmios e outros incentivos s crianas,

    professores e auxiliares; divulgar o sucesso e fazer atividades na horta visveis ao pblico e

    toda a escola; escolher horticultores que saibam como lidar com pessoas, bem

    como com plantas; criar orgulho, estatuto, realizao e prazer em relao horta.

    Valor educacionalTentar:

    explorar as atitudes da comunidade, famlias e crianas, e reconhecer a sua importncia;

    reconhecer plenamente a horta como uma experincia e uma ferramenta de aprendizagem ;

    envolver os alunos no planeamento, tomada de decises, organizao e divulgao;

    coordenar o trabalho na horta com o trabalho na sala de aula; vincular a horta ao currculo escolar geral; incentivar a observao, experincia e registo de resultados.

    Apoio tcnico e pedaggicoFazer o possvel para:

    ter acesso a informaes e bom aconselhamento tcnico/apoio; obter formao em produo biolgica de hortcolas e em gesto de hortas; encontrar / produzir materiais didticos adequados.

    SUGESTES PARA A AO Consultar o professor responsvel sobre a ideia de uma horta escolar. Decidir quem deve ser o responsvel pela horta. Descobrir como as autoridades de educao, servios de sade, servios agrcolas e o

    conselho local podem apoiar a horta escolar, incluindo possibilidades de financiamento. Explorar as possibilidades de formao para funcionrios da escola. Iniciar as discusses informais sobre uma horta escolar com o pessoal da escola, os pais,

    a comunidade e o servio de refeies escolares. Anotar ideias e fazer um relatrio sobre sentimentos e medos em relao ao trabalho na horta. No se comprometer com um determinado objetivo ou plano manter o assunto sempre em aberto.

    Perguntar aos alunos! Descobrir o que pensam sobre horticultura, hortas e seus alimentos.Resultados: Ideias para a horta escolar; notas sobre os problemas, riscos e atitudes.

  • 19

    O QUE ENVOLVE?

    Dicas e ideias Pedir aos estudantes com mais capacidades artsticas para copiarem o cartaz

    Crescer com a Horta, em baixo. Adapt-lo como necessrio para o seu prprio contexto.

    Tirar fotografias de possveis locais para a horta. Visitar hortas de casas nas redondezas em busca de inspirao e ideias. Falar com outras escolas com hortas. Iniciar um arquivo Horta com todos os documentos da horta.

    O cartaz abaixo ilustra o conceito mais amplo de horta:

    CRESCER COM A HORTA

    boa jardinagem

    boa alimentao

    bom ambiente

    mercadoda horta

  • 20

    NOTAS

  • 21

    As hortas escolares so muito mais bem sucedidas quando a comunidade est interessada e envolvida. E uma boa ideia envolv-la desde o incio no planeamento e discusso sobre a horta. Isso vai originar um maior compromisso e uma distribuio da carga de trabalho, bem como ajudar a evitar erros e a estimular o interesse nas atividades da escola.Mas pode ser necessrio convencer as pessoas. Tem de tornar os objetivos e princpios claros para todos, desde o incio. Acima de tudo, as pessoas devem ser capazes de ver claramente que a horta se destina a beneficiar as crianas e a escola como um todo fisicamente, psicologicamente e pedagogicamente.

    CAPTULO 2

    QUEM NOS VAI AJUDAR?

    Envolver a famlia e a comunidadeObjetivos Obter apoio local Estabelecer um Grupo da Horta Manter o apoio e o interesse Selecionar estratgias de divulgao

    Em que que a comunidade pode ajudar?Procurar pessoas que possam contribuir para qualquer um dos seguintes aspetos Financiamento, Conhecimento, Trabalho ou Peso (isto , influncia).

    (Food Works Organization, 2004)

  • 22

    QUEM NOS VAI AJUDAR?

    A. QUEM E COMOAqui esto alguns elementos da comunidade que podem estar interessados na horta escolar. Na sua comunidade, qual deles poderia participar? Como poderiam contribuir?

    Pais e familiaresOs pais e familiares vo interessar-se pelas hortas escolares se conseguirem compreender o seu valor para os seus filhos. Os pais, individualmente, podem atuar como voluntrios, ajudando no trabalho da horta. Os familiares podem servir de mercado para os produtos da escola. Podem ajudar com os trabalhos de casa das crianas sobre a horta, visitar a horta e participar em palestras, demonstraes, feiras de alimentos, festas ou apresentaes.O trabalho na horta pode at mesmo ser levado para casa,

    com o acordo e ajuda das famlias. Por exemplo, se a escola no tem muito espao, as crianas podem aprender sobre horticultura na escola e criar as suas prprias hortas em casa. Ou podem cultivar hortas em casa, seguindo o modelo da horta escolar.

    Arranje tempo para dar a conhecer a horta ao maior nmero de famlias possvel. Convide-as a visitarem a horta e deixe as crianas mostrar-lhes tudo. D-lhes oportunidades para debater sobre a horta e fazer sugestes. Oua-as e faa uso dos seus conhecimentos e experincia.

    Organizar visitas de campo ou um dia de limpeza da horta.Construir um abrigo para a horta, uma vedao ou um muro.Demonstrar tcnicas de horticultura e de preparao de alimentos.Fornecer transporte, sementes, ferramentas e receitas.Ajudar a cozinhar, cavar, retirar ervas daninhas e arbustos.Conversar com as crianas sobre o que esto a fazer na horta.

    O que os voluntrios individuais podem fazer

    Esforos conjuntos

    Na nossa escola os pais algumas vezes oferecem um dia de trabalho ao fim de semana para limpar arbustos e rvores. -lhes oferecido uma refeio na cantina da escola, bem como alguns produtos da horta.

    Quando h trabalho pesado para fazer, o gestor da horta organiza uma refeio partilhada na horta. Toda a gente traz qualquer coisa para comer e, quando o trabalho na horta est pronto, junta-se toda a comida e toda a gente come.

  • 23

    QUEM NOS VAI AJUDAR?

    Mudar atitudesNo Qunia, o trabalho manual comparado a um castigo. Mas este preconceito est a mudar porque a nossa escola fez uma horta bem sucedida. As crianas adoram a horta. Elas comem os alimentos que produzem e esto visivelmente mais saudveis. Os pais felicitam-nos porque conseguem ver a diferena. A horta deu nome escola. O Diretor de Educao do Distrito traz visitantes para v-la.

    (A. Choday, comunicao pessoal, 2003)

    No norte do Mxico, os responsveis de um projeto de horta escolar convidaram horticultores locais de sucesso para atuarem como formadores e educadores na horta escolar. No Bangladesh, um projeto de horta escolar nomeou uma residente da aldeia para gerir a horta e recompensou-a com uma percentagem da produo. (Cederstrom, 2002)

    Alguns pais podem pensar que os seus filhos no devem fazer este tipo de trabalho. melhor lidar com esta atitude com cuidado, a longo prazo, dando a conhecer o estatuto do trabalho hortcola. Participe tambm na horta, traga pessoas conhecidas localmente para apoi-la, torne a escola conhecida pela sua horta e garanta que as crianas gostam do que fazem e tm orgulho nisso.Alguns pais podem no participar porque simplesmente tm muito que fazer, sejam eles executivos muito ocupados ou agricultores cansados. Leve-os a participar na horta de forma muito simples doando algumas sementes ou lixo domstico para efeitos de compostagem, por exemplo. Qualquer contribuio pode funcionar como um compromisso.

    A comunidadeA sua comunidade local, tomada como um todo, certamente tem tambm muitos conhecimentos sobre horticultura. Observe os recursos humanos da sua rea, pois geralmente revelam um manancial considervel de conhecimentos. (Cederstrm, 2002)

    Identificar hortas bem geridas perto da escola e obter a ajuda de horticultores. Estes podem estar dispostos a mostrar s crianas a sua horta, a demonstrar tcnicas ou a doar sementes, plntulas ou estacas.

    Encontrar pessoas locais proeminentes que tenham hortas ou obtenham bons rendimentos da horticultura. Pea-lhes que venham e conversem com os horticultores da escola, ou que convidem um grupo de crianas a visitar as suas hortas. Isso vai elevar o estatuto da sua horta aos olhos das crianas e famlias. Se estas pessoas forem antigos alunos da escola, o efeito ainda maior!

    Persuadir organizaes juvenis como escuteiros e clubes desportivos a contribuirem na limpeza da horta. Oferea um elemento pedaggico e refrescos.

    Pode ser possvel colaborar com outros grupos comunitrios envolvidos em projetos de horticultura. Por exemplo, em alguns locais:

    as escolas oferecem parte do local da horta escolar em troca de ajuda e apoio;

    grupos comunitrios podem organizar projetos com animais de capoeira no terreno da escola ou hortas ao lado da horta das crianas;

    associaes de mulheres que trabalham em hortas podem assumir parte do papel do professor e mostrar s crianas o que fazer;

    a horta escolar uma extenso de uma horta comunitria; num projeto o centro comunitrio providenciou um terreno, um responsvel pela horta escolar e assistncia tcnica para a escola.

    Espera-se que a comunidade possa aprender algo com a escola sobre a produo de bons alimentos, produo biolgica ou venda de produtos. Se as crianas levarem os seus conhecimentos para casa, todos beneficiam. Mas seja cauteloso na tentativa de ensinar. Considere a comunidade como uma fonte de conhecimento e reconhea as prticas locais que resistem ao teste do tempo.

  • 24

    QUEM NOS VAI AJUDAR?

    Os funcionrios da escolaNas hortas escolares mais bem-sucedidas, todos os funcionrios da escola esto interessados e ajudam. Tanto docentes como no-docentes podem contribuir.

    O professor de Economia Domstica pode aconselhar sobre nutrio, higiene alimentar, preparao de alimentos e conservao de alimentos.

    Professores de Estudos de Negcios podem dar conselhos sobre vendas, comercializao e manuteno de contas.

    Outro pessoal docente pode usar a horta na sua disciplina. As hortas so observatrios com especial valor para a cincia, matemtica, estudos ambientais e tecnologia, tal como constituem um bom estmulo para a escrita.

    Os auxiliares, o pessoal da limpeza ou os jardineiros da escola devem ser envolvidos desde o incio. Eles conhecem bem o ambiente escolar, tm conhecimentos prticos e esto sempre no local.

    Os cozinheiros devem naturalmente ser consultados (ver O servio de refeies escolares, em baixo).

    Quando os alimentos so escassos, todos os funcionrios da escola ficaro contentes por terem direito a uma parte dos alimentos produzidos. No entanto, pode ser necessrio estabelecer algumas regras bsicas por exemplo, aqueles que mais contribuem devem ter direito a fatias maiores.

    A indstria alimentar localOs agricultores, os mercados e os centros hortcolas esto muitas vezes disponveis para dar informaes, conselhos e demonstraes de tcnicas de horticultura, venda, armazenamento e conservao de alimentos; para contribuir com sementes ou emprestar as ferramentas; ou permitir que as crianas os visitem e observem. Se o servio de refeies da escola utiliza produtos locais, entre em contacto com os produtores, convide-os para inspecionar a sua horta e aguarde pela retribuio do convite. As lojas ou mercados locais podem proporcionar stios para a venda de produtos e aconselhar sobre vendas e comercializao. Os vendedores locais podem estar disponveis para venderem os alimentos da horta.

    O servio de refeies da escolaSe houver um programa de alimentao escolar, o servio de refeies da escola deve ser envolvido na discusso de quais os alimentos que podem ser cultivados para melhorar a dieta das crianas. Pode haver orientaes nutricionais ou normas nacionais para as refeies escolares fornecidas pelo Ministrio da Educao ou pelo Ministrio da Sade. Se assim for, consulte-as.Os cozinheiros da escola devem ser consultados sobre quais os alimentos fceis de cozinhar e o que necessrio para melhorar as refeies escolares. Eles sabem bem aquilo que as

    A horta pode contribuir para a educao e para a equidade, bem como para a agricultura.

  • 25

    QUEM NOS VAI AJUDAR?

    crianas esto dispostas a comer, o que muitas vezes um problema quando se est a tentar mudar os hbitos alimentares. Tambm podem fornecer cascas, fruta podre ou ossos para efeitos de compostagem. Se tiverem uma licena para a preparao de alimentos, podem mostrar s crianas e respetivas famlias os cuidados a ter com a higiene e preparao dos alimentos. Deve tentar inclu-los em qualquer formao disponvel.

    Outros servios pblicos locaisTrabalhadores agrcolas locais, escolas prticas de agricultores ou agncias ambientais podem dar informaes e conselhos tcnicos e, possivelmente, formao sobre temas especficos. Deve procurar envolver o servio de sade, que pode aconselhar sobre os valores dos alimentos, as necessidades nutricionais das crianas e as orientaes nutricionais para as refeies escolares. do seu interesse que as crianas sejam bem alimentadas e saudveis! As autoridades locais ou responsveis pela gua podem ajudar a construir um poo, instalar gua corrente, aconselhar sobre sistemas de irrigao ou ajudar a recolher as guas da chuva.

    Juntar todos os setoresONG, agncias de ajuda ao desenvolvimento, patrocinadores, instituies sociais e grupos religiosos

    Algumas ONG podem ser capazes de ajudar com recursos, materiais, informao, aconselhamento e formao.

    Patrocinadores individuais (por exemplo, empresas locais) esto muitas vezes disponveis para fazer uma doao, se forem abordados com cortesia, entendam o projeto e obtenham um pouco de publicidade favorvel.

    As instituies sociais locais e grupos religiosos chegam a um vasto pblico. Pode-se recorrer a eles para trabalho voluntrio ou donativos (por exemplo, garrafas para armazenamento, placas para sinais na horta e serradura para caminhos). So um bom pblico para apresentaes sobre a horta escolar e podem espalhar a boa reputao da escola.

    Meios de comunicao e publicidadeIsto inclui jornais locais, rdio e televiso. Tambm inclui lugares onde os cartazes podem ser exibidos ou possam ser feitas apresentaes por exemplo, a sala de professores, a clnica local, o mercado, o cinema e os grupos locais. Eventos regulares podem ser aproveitados para divulgar os resultados da horta escolar (feiras de cincia, eventos desportivos ou dias de entregas de diplomas nas universidades).

    As escolas primrias da regio participam num concurso para escolher a melhor horta e o melhor canteiro da horta. Os prmios so anunciados no dia da entrega de diplomas da nossa universidade local. As crianas sobem ao palco para receber os prmios, vestem as suas melhores roupas e ficam muito contentes. um grande evento.

    (C. Ssekyewa, comunicao pessoal, 2003)

  • 26

    QUEM NOS VAI AJUDAR?

    Apoio da comunidadeAs ligaes com as famlias e com a comunidade so apresentadas na tabela abaixo. Use-a para refletir sobre o que a sua prpria comunidade tem para oferecer.

    APOIO E COLABORAO DA COMUNIDADEAconselhamento

    especializado / colaborao, informao, entrevistas e

    demonstraes

    Financiamento, patrocnio de

    prmios e elevar o estatuto

    Ajuda, instalaes,

    ferramentas, lojas, equipamento e

    publicidade

    Alcanado atravs de artigos, trabalhos de casa, demonstraes,

    feiras de produtos e visitas guiadas

    Pais e familiares

    Comunidade e pblico em geral

    Funcionrios da escola

    Industria alimentar local (ex. cozinheiros, agricultores, lojas, restaurao e comerciantes)

    Cantinas escolares

    Servios pblicos (agricultura, sade, ambiente, autoridades locais e hdricas, etc.)

    ONG, agncias de desenvolvimento, instituies sociais e grupos religiosos

    Meios de comunicao e publicidade

    B. GRUPO DA HORTAQue tipo de grupo pode reunir pessoas para apoiar a horta? Isso depende das dinmicas locais, da relao da escola com a comunidade, de como as pessoas preferem trabalhar (por exemplo, em grupo ou sozinhas), dos grupos j existentes (por exemplo, associaes de pais e de professores, conselho escolar) e de como trabalham, e das preferncias pessoais do prprio lder da horta.Aqui esto algumas das possibilidades. Qual seria melhor para a sua situao?

    Redes informais em que os responsveis pela horta e as crianas mantm contacto pessoal com as pessoas que ajudam e so ativas. Isto funciona bem para os horticultores que gostam de socializar.

    Um grupo Amigos da Horta que visita regularmente a horta, convidado para eventos na horta e rene-se formalmente uma vez ou duas vezes por ano com as crianas e professores para discutir como podem ajudar.

    Um Clube da Horta envolvendo crianas, professores e voluntrios que se renem uma vez por semana para trabalhar, para trocar ideias e socializar.

    Um grupo dos pais por turma que ajuda com as atividades da turma das crianas.

    Como envolver a comunidade

    Grupos

  • 27

    QUEM NOS VAI AJUDAR?

    Um comit formal, que se rene uma vez por ms ou a cada dois meses, e inclui crianas, pais e representantes da escola, comunidade, autoridades locais, servios pblicos (sade, agricultura e educao) e o servio de refeies escolares.

    Relaes especiais de trabalho com grupos locais, como um grupo de jovens agricultores, um grupo de jovens, uma associao de agricultores ou um clube hortcola.

    Depois de ter encontrado o apoio da comunidade, o segredo conseguir mant-lo. Os apoiantes da horta precisam de ser motivados tal como os alunos e os professores (e os horticultores). Consulte algumas dicas na nossa seo sobre motivao (Captulo 12).

    C. QUO CONHECIDA A HORTA?Torne a horta conhecida fazendo alguma publicidade. Assim est a disseminar a boa horticultura e a boa nutrio pela comunidade, a promover uma sensao de orgulho e a mostrar que a escola est ativa e que se preocupa. As hortas so fceis de ser divulgadas, porque:

    podem ser vistas (em visitas guiadas e demonstraes); tm produtos visveis e comestveis (que podem ser exibidos e dados a provar); so decorativas e do origem a boas imagens (fotografias, desenhos, mapas e planos); so fceis de compreender, tanto para crianas como para adultos.

    Quando se der a conhecer a horta no se deve exagerar sobre aquilo que se pretende fazer, mas tambm no deve esconder o que se est a fazer.

    Junto de quem se deve divulgar? As famlias devem conhecer o plano da horta em geral, as atividades em curso, os produtos

    e o lucro. O pblico em geral deve ver e ouvir o que est a ser feito na escola. O servio de educao deve ser mantido informado. Os patrocinadores devem conhecer os resultados das suas doaes.

    No faa todo o trabalho sozinho! Uma grande parte do trabalho de publicidade pode ser realizado por crianas e ajudantes. As crianas em especial devem ser envolvidas na promoo da horta.

    Use esta lista para decidir qual das estratgias de visibilidade poderia funcionar na sua situao.Identidade da horta

    Deixar os alunos escolher o nome da horta e revel-lo. Adotar um logtipo simples para a horta ou fazer um concurso para

    escolher um. Ensinar as crianas a desenh-lo. Coloc-lo num cartaz, nas agendas das reunies, nos livros escolares, nos trabalhos de casa das crianas, nas embalagens da comida. Exibi-lo em eventos da horta.

    Tentar garantir que a horta tem boa aparncia vista de todos os ngulos e no fica escondida num canto.

  • 28

    QUEM NOS VAI AJUDAR?

    Registos e exposies Garantir que existem fotografias ou desenhos de todos os eventos da horta. Designar uma pessoa para a tarefa de colocar todos os meses uma fotografia/cartaz/

    notcia sobre a horta na escola ou em locais bem visveis. Colocar cartazes sobre a horta na escola e em locais pblicos com um apelo a voluntrios. Conseguir o apoio dos jornais e das rdios locais para a divulgao da horta, dos eventos

    realizados e das suas imagens (por exemplo, dando a conhecer os resultados de concursos). Mostrar os recursos angariados para a horta escolar atravs de um termmetro de

    recursos. Organizar um arquivo ou anurio sobre a horta

    para documentar a sua evoluo. Este pode ser mostrado aos visitantes e patrocinadores, bem como s crianas e funcionrios da escola. Incluir:

    - Contextualizao em relao escola; os terrenos escolares, os alunos e os seus hbitos alimentares;

    - A histria da horta como foi criada e como foi a participao da comunidade;

    - Aquilo que produzido pela horta e como isso tem sido desenvolvido;

    - Textos feitos pelas crianas;- Muitos desenhos e fotografias.

    Visitantes Convidar o pblico para alguns eventos na horta por exemplo, demonstraes sobre

    como preparar os alimentos produzidos. Encorajar visitas horta. Exibir um mapa da horta resistente ao tempo, que mostre s

    pessoas onde devem ir e tambm um calendrio da horta indicando atividades e culturas. Convidar pessoas importantes locais para visitar a horta e divulgar o evento. Pedir s enfermeiras e mdicos da clnica que recomendem os produtos saudveis da

    horta.Contactos

    Enviar para casa amostras de alimentos, bem acondicionadas e com rtulos descritivos feitos pelas crianas.

    Pedir aos pais que contribuam com algo simblico, para que se sintam envolvidos (sementes, um balde ou uma planta?).

    Falar com bons horticultores locais. Explicar o projeto da horta e convid-los a visit-la. Pedir-lhes que contribuam com conselhos durante o ano.

    Lembre-se que os alunos podem fazer muito do trabalho de divulgaoTodos aprendem melhor ensinando!Por exemplo, os alunos podem:

    partilhar os trabalhos de casa sobre a horta com as suas famlias e mant-las informadas sobre os eventos da horta;

    desenhar cartazes e preparar exposies e apresentaes;

    Quanto dinheiro j angarimos?

  • 29

    QUEM NOS VAI AJUDAR?

    Dicas para reunies bem sucedidas

    Ter quem ajude a organizar a reunio. Encontrar um local confortvel (na

    horta, se possvel). Reunir regularmente, mas no com

    demasiada frequncia. Fazer reunies com poucas pessoas. Incluir as crianas e certificar que

    participam. Dispor os participantes em crculo. Ter um quadro onde as ideias possam ser vistas por todos. Disponibilizar refrescos (vindos de fruta da horta, se possvel). Ter qualquer coisa da horta em exposio. Tomar nota das decises e aes acordadas. Ler as notas no final da reunio. Estabelecer redes pedir a um participante regular que se mantenha em contacto

    com um ou dois participantes. Terminar a reunio com uma nota de agradecimento e com a marcao de data

    para a prxima reunio.

    fazer registos pictricos e escritos dos eventos (com desenhos, fotografias, planos e mapas) e contribuir para o arquivo da horta;

    fazer letreiros e etiquetar as diversas partes da horta; ajudar nas demonstraes sobre a preparao de alimentos; conduzir visitas guiadas aos visitantes; manter o termmetro de recursos; escrever cartas para as escolas ou patrocinadores sobre a evoluo da horta.

    SUGESTES PARA A AO Pensar em contactos teis no seio da comunidade. Quem estaria interessado? Como

    poderiam ajudar? Fazer uma lista e contactar as pessoas. Decidir que tipo de grupo de apoio iria funcionar no seu caso, e configur-lo. Ter um primeiro encontro com o grupo de apoio para discutir a importncia de uma

    horta escolar, os possveis objetivos, o mbito e o tamanho da mesma. Manter um breve registo no arquivo da horta.

    Pensar em algumas formas de promover a horta na comunidade. Para referncia futura, analisar os meios de comunicao locais para saber o que

    imprimem/transmitem.Resultados: - Lista de possveis contactos na comunidade e patrocinadores; - Grupo de apoio horta; - Ideias para a sensibilizao da comunidade; - Registos de reunies.

  • 30

    NOTAS

  • 31

    As hortas escolares podem ter vrios usos e abordagens distintas, algumas prticas e outras educativas.

    Objetivos e princpiosObjetivos Rever princpios e prioridades Definir objetivos Definir uma misso

    CAPTULO 3

    PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA?

    Competncias de sobrevivnciaAs hortas so boas para as escolas porque ensinam s crianas competncias de sobrevivncia.

    (S. Ncube, personal communication, 2004)

    Aprender sobre horta e nutrio

    marketing e receitas

    atitudes positivas

    crianas saudveis

    diverso e jogos

    competncias sociais

    educao relaxamento

    sensibilizao ambiental

    benefcios para a escola e comunidade

  • 32

    PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA?

    A tabela em baixo separa os objetivos prticos dos objetivos educativos. primeira vista, quais destes objetivos so prioritrios e mais interessantes?

    OBJETIVOS PRTICOSOs objetivos prticos da escola so:

    OBJETIVOS EDUCATIVOSAs crianas aprendem a:

    HORTICULTURA

    Criar uma horta bem sucedida e sustentvel, atravs da utilizao de

    mtodos de produo biolgicos.

    Produzir plantas de forma segura e sustentvel, e a saber gerir as suas

    prprias hortas.

    Apreciar a horticultura e a ter atitudes positivas para com a agricultura.

    Fornecer um modelo de horta comunidade.

    Falar com as famlias e membros da comunidade sobre as prticas de

    horticultura.

    NUTRIO

    Produzir comida para a escola. Produzir comida para si prprios. Melhorar a dieta das crianas

    recorrendo aos produtos da horta. Melhorar a dieta e preparar refeies saudveis com os produtos da horta.

    Melhorar os hbitos alimentares das crianas.

    Apreciar alimentos saudveis e mudar os seus prprios hbitos alimentares.

    MARKETING Vender os produtos hortcolas e obter receitas para a escola.

    Adquirir competncias de negcio e empreendedorismo.

    AMBIENTE

    Melhorar o ambiente da escola (rvores, flores e caminhos, etc.)

    Respeitar e ter interesse pelas questes ambientais da escola.

    Recolher gua da chuva e guas residuais; promover a ocupao do

    espao por insetos benficos; prevenir a eroso, etc.

    Adquirir sensibilidade ambiental e

    respeito pela natureza e pela gesto de recursos naturais.

    CURRCULO ESCOLAR

    Reforar algumas reas do currculo escolar (cincias, cincias do ambiente

    e economia familiar, por exemplo). Perceber temas especficos atravs de uma aprendizagem experiencial.

    COMPETNCIAS PARA A VIDA

    Ajudar as crianas a sobreviverem e a prosperarem no mundo.

    Planear, tomar decises, colaborar, adquirir responsabilidades, explicar,

    persuadir, etc.

    ESCOLA E COMUNIDADE

    Juntar a escola, as crianas, as famlias e a comunidade num desafio

    comum.

    Relacionarem-se com adultos de diferentes formas e estar consciente das

    prticas hortcolas na comunidade

    As hortas do origem a receitas monetrias, alimentos e lies de marketing, cincias e trabalho em equipaA escola Nebiri uma reserva de caa no vale do Zambeze, no Zimbabu. A horta tem mangueiras, papaias, um limoeiro e reas com tomateiros, couves e outros vegetais. Um pequeno donativo permitiu a instalao de uma cerca eltrica alimentada a energia solar, para manter o gado de grande porte fora da horta (apesar de no impedir os macacos). As crianas trazem estrume de elefante e de bfalo para o compostor.A horta permite a obteno de dinheiro para a compra de equipamento escolar: a escola vende os produtos no mercado local e s famlias a metade do preo. Os alunos mais velhos preparam os alimentos e mantm as contas. O professor principal responsvel pela horta, mas o trabalho organizado pela equipa da horta composta por quatro alunos, que muda todos os meses. Os professores usam a horta como um recurso de aprendizagem para a matemtica, a biologia e as cincias do ambiente.

    (S. Ncube and L. Chinanzvavana, personal communication, 2004)

  • 33

    PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA?

    1 - Colgios internos ou residncias de estudantes isto , outros nveis de ensino e formao de professores podem produzir mais do que escolas normais. Algumas universidades agrcolas so virtualmente autossuficientes em alimentos.

    A. AS LIES DA EXPERINCIAOs objetivos da horta escolar podem mudar e desenvolver-se ao longo do tempo. O que importante que os objetivos:

    sejam realistas; consigam um bom equilbrio entre educao e produo; apelem a todos (crianas, famlias, professores,

    colaboradores da escola e servio de refeies da escola); sejam discutidos e acordados pelos principais participantes; respeitem e protejam os direitos das crianas.

    Algumas lies da experincia so:Os objetivos so bem sucedidos se forem ao encontro do que as pessoas querem.Evitar impor objetivos. Procurar saber o que as pessoas querem e tomar decises a partir dessas ideias.A horta deve ser benfica para as crianas e ser vista como tal.A comida produzida pela horta ser para as crianas, para a escola, e a educao deve ser uma prioridade.

    As hortas escolares podem fazer diferena na sade das crianas.Podem:

    fornecer s crianas fruta e vegetais ricos em nutrientes que fazem falta na sua dieta;

    mostrar s crianas como se produzem, se preparam e se comem os alimentos;

    encorajar as famlias a produzi-los tambm; ajudar as crianas a perceberem o que

    compe uma boa dieta; ajudar as crianas a gostarem de comida

    nutritiva, que se produz em casa; mostrar s crianas a ligao entre o que

    produzem, o que comem e como se sentem.As hortas escolares podem acrescentar valor nutricional e variedade s refeies na escola, mas no podem alimentar toda a escola!Para produzir comida suficiente para tal, as crianas teriam de trabalhar muitas horas. O que no tico nem educativo e certamente seria mal visto quer pelas crianas quer pelos seus pais. 1

    O orgulho na escola em primeiro lugar.Os projetos de hortas escolares mais robustos so aqueles que tm em especial ateno toda a escola e o seu ambiente, bem como a prpria horta.Proporcionar receitas para a escola no suficiente.Gerar receitas pode ser uma funo indispensvel da horta, mas deve ser balanceada pelos objetivos educativos. Vender a produo para ganhar dinheiro deve ter uma dimenso educativa.

    Fotografia: Roberto Faidutti

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    PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA?

    As hortas escolares tm vrios papis na vida da escola e da comunidade.Deveriam ser espaos onde:

    bom brincar, trabalhar e estudar; muitos projetos so desenvolvidos por exemplo, estudar

    insetos, construir mesas e medir a precipitao; as pessoas se conhecem por exemplo, membros da

    comunidade, pais, crianas, professores e cozinheiros; se realizam eventos por exemplo, vender lanches,

    encenar peas de teatro, ter demonstraes ou feiras gastronmicas;

    o trabalho exposto por exemplo, arte, fotografias, desenhos, mapas ou textos sobre a horta;

    todos aprendem, incluindo visitantes e professores.Pode haver atitudes negativas em relao horta.A agricultura como ocupao e a jardinagem como atividade podem ser vistas como trabalhos aborrecidos e de baixo estatuto. A escola pode trabalhar no sentido de alterar essas atitudes e pode comear por discutir percees e objetivos com todos os envolvidos.Tentar relacionar visivelmente o trabalho na horta com o desempenho escolar atravs do trabalho realizado na escola e nos trabalhos de casa: no se deve deixar a leitura e a escrita fora do programa da horta!Usar a horta ao longo do currculo escolar depende da situao.At que ponto pode a horta ser integrada no currculo escolar? Depende do tipo de temas abordados (por exemplo, agricultura, cincias do ambiente, nutrio, estudos de negcio e economia domstica), de quo livres so os professores para estabelecerem os objetivos e se os projetos inter-curriculares so habituais, etc. Os professores podem usar a horta de forma independente para reforar a ideia de que esto a trabalhar com os alunos, e a escola pode incluir isto no seu programa de formao de professores.

    Educar a comunidade requer cuidadoA escola deve-se certificar que sabe o suficiente para ensinar a comunidade e de que comunidade est preparada para aprender. At l, a escola deve considerar consult-la ao invs de educa-la por exemplo, as escolas encorajam as crianas a relatarem em casa o que fazem na escola, convidam as famlias a visitar a horta, criam um modelo de horta e distribuem plntulas.As escolas tambm devem aprender com a comunidade e deixar claro que o esto a fazer.

    B. OBJETIVOS PRIORITRIOSEste manual baseia-se na experincia e promove um amplo conceito de hortas escolares. As hortas escolares devem ser vistas principalmente como uma forma de promoo de hbitos de alimentao saudvel e boa aprendizagem. No devem ser vistas como principais fontes de alimentos ou receitas financeiras, e especialmente como um substituto do programa de refeies.

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    PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA?

    Este manual d prioridade a: cultivar para uma boa nutrio e educao

    nutricional; cultivar e aproveitar para aprender conceitos

    relacionados com o negcio e com variveis de marketing;

    melhorar o ambiente escolar; envolver a famlia e a comunidade; praticar o modo de cultivo biolgico; desenvolver competncias para a vida.

    Apresentam-se de seguida as razes pelas quais estes objetivos so to importantes

    1. As hortas nas escolas so boas para a sade e educao das crianasUma boa dieta essencial para a educao. As crianas que no comem bem no crescem nem aprendem bem. Esto frequentemente doentes, faltam s aulas e podem deixar de frequentar a escola mais cedo. Tm menos oportunidades de conseguirem um emprego.As hortas escolares no so apenas para alimentar, mas para promover uma melhor alimentao. As hortas escolares podem melhorar direta e imediatamente a dieta das crianas. Podem fornecer frutas e vegetais ricos em vitaminas e minerais, adicionar valor nutricional s refeies escolares, aumentar a variedade (que to importante para a sade e crescimento) e ajudar as crianas a apreciarem e a desfrutarem desta variedade. Tambm podem aumentar a disponibilidade de alimentos na poca da fome. Melhorar a dieta desta forma pode criar alteraes de longo prazo nas prticas e atitudes, e dar origem independncia face a fontes externas. Mas as crianas no devem apenas comer melhor; precisam de saber como comer melhor. A escola um cenrio importante para aprender sobre alimentao e nutrio. Isto acontece em contacto estreito com as famlias (que fornecem a maioria dos alimentos que as crianas comem). Se a escola fornece refeies, est a ajudar a estabelecer hbitos alimentares. Pode fornecer gua limpa, saneamento e boa higiene e outras intervenes de sade relacionadas com a nutrio, como desparasitar e fornecer suplementos de vitamina A. As hortas escolares completam este quadro ao ensinarem a criana a produzir comida, a colh-la, a armazen-la e a process-la. A vossa horta ir colocar os alimentos em primeiro lugar? Vai colocar o nfase na nutrio e na educao para a nutrio?

    2. As hortas escolares so boas para a aprendizagemAs hortas escolares so boas para aprender: so uma forma altamente prtica e direta de educao, onde as crianas podem ver os resultados das suas decises e aes.Aprender a produzir alimentos no s melhora a sade, como tambm pode fornecer uma forma de vida e um aumento da autossuficincia. Nos locais onde existam muitos rfos a horta escolar pode ajudar a dar s crianas competncias agrcolas e valores que os pais j no lhes podem passar. Alm de competncias prticas na agricultura e horticultura, as

    hortas so um laboratrio vivo para o estudo dos temas ambientais e cincias da vida.Para as crianas a horta um local excitante, repleto de coisas para ver, descobertas para fazer e sucessos para celebrar. A Horticultura educativa acompanha o ano escolar, atrativa para alunos e professores e no precisa de muito espao ou dinheiro. No entanto, precisa de tempo! A vossa horta vai fazer da aprendizagem uma prioridade?

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    PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA?

    3. As hortas escolares ensinam competncias de negcioMuitas escolas usam as suas hortas e o trabalho das crianas para gerar receitas para a escola. Este um objetivo prtico com valor e por vezes vital para a escola e para as crianas. Mas o beneficio multiplicado se a atividade comercial tambm for tratada como um exerccio educativo. Alguns estudantes de reas rurais iro fazer a sua vida a partir da agricultura. Muitos outros esperam complementar o seu rendimento de outras ocupaes, cultivando por dinheiro. Outros vo iniciar um pequeno negcio no relacionado com agricultura. Todos eles precisam de conhecimentos de base de negcio, competncias de negcio e, acima de tudo,

    experincia prtica. Estas competncias podem ser adquiridas de forma indolor e com pouca despesa atravs da horta escolar, que uma excelente introduo prtica atividade comercial para os alunos mais velhos. O estudo de atividades de negcio faz parte do currculo? A horta pode ser usada para criar competncias prticas de negcio?

    4. As hortas escolares melhoram o ambienteO respeito pelo ambiente comea em casa e tambm na escola. A escola tem elementos do ambiente natural, do ambiente construdo e do ambiente social: terra, plantas e rvores, insetos e vida selvagem, sol e sombra, abastecimento e saneamento de gua, caminhos e vedaes, edifcios e abrigos, stios para recreao e estudo, vida social e contactos com o mundo exterior. A conscincia das crianas em relao aos vrios ambientes e a forma como aprendem a trat-lo vai ajud-las a crescerem como adultos responsveis. Projetos que melhorem o espao da escola criam conscincia e orgulho, e aumentam a reputao da escola junto da comunidade. Mesmo pequenas melhorias devem ser uma parte do currculo da horta em cada ano letivo. H espao de melhoria na escola? Pode ser parte do programa da horta escolar? Ser dada prioridade?

    Comunidade e escola trabalham juntasNo Burkina Faso, um projeto de horta escolar teve uma forte influncia na comunidade e vice-versa. Uma comunidade de mulheres trabalhadoras ajudou as escolas a estabelecerem as hortas escolares para produzirem alimentos ricos em vitamina A. Alguns destes (por exemplo, cenouras e batata doce laranja) eram alimentos novos no local foram primeiro consumidos pelas crianas e depois levados para casa e experimentados. Muitas hortas caseiras comearam por imitao e agora as pessoas esto a produzir e a comer muito mais vegetais. Com o aumento do consumo de vitamina A, existem menos casos de cegueira noturna. Em algumas hortas caseiras esto a experimentar alimentos (por exemplo, folhas de tomateiro) que no foram promovidos pelos trabalhadores comunitrios.

    (Sifri et al., 2003)

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    PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA?

    5. A hortas escolares ajudam e so ajudadas pela famlia e comunidade.A famlia e a comunidade podem ser envolvidas no planeamento, aconselhamento, diverso e aprendizagem dos projetos da horta escolar, bem como a dar ajuda prtica, percia, apoio e patrocnios. O valor educativo da horta extensvel comunidade sob a forma de espaos de demonstrao, visitas, produtos, trabalhos de casa das crianas, exposies, dias abertos e alguma cobertura meditica. A escola ir envolver-se com as famlias e a comunidade? Como?

    6. As hortas escolares so boas para a sadeAs hortas biolgicas conservam o solo, protegem o ambiente e trabalham com a natureza e no contra ela. um mtodo de produzir alimentos que depende dos recursos naturais da terra, como o solo, o sol, o ar, a chuva, as plantas, os animais e as pessoas. Usa mtodos naturais para manter o solo frtil e saudvel e controlar insetos, pestes e doenas. Pode produzir resultados menos rpidos do que na agricultura convencional, que usa fertilizantes e pesticidas artificiais, mas a longo prazo mais saudvel, mais econmico e mais

    sustentvel. Os mtodos biolgicos ajudam a manter os recursos hdricos limpos e livres de qumicos. So tambm mais saudveis para as crianas, pois no h o perigo da ingesto de qumicos. Ao nvel comercial tendencialmente mais rentvel, j que cada vez mais pessoas procuram produtos biolgicos. Os mtodos biolgicos que aconselhamos:

    ter canteiros elevados permanentes, que praticamente no precisam de ser cavados; fazer a rotao de culturas; usar fertilizantes naturais como composto, adubo verde e estrume animal; alimentar os animais com produtos da horta; usar variedades locais de plantas e tantas variedades quanto possvel; conservar gua cobrindo o solo, utilizando rega gota-a-gota e as guas residuais; usar mtodos naturais de controlo de pragas que evitam o uso de inseticidas e pesticidas

    artificiais.No anexo Notas de Horticultura encontra mais informao sobre agricultura biolgica. A escola pode adotar prticas de agricultura biolgica? Vai ao encontro das expectativas da comunidade? Como vo ser explicadas s crianas?

    7. As hortas escolares promovem competncias para a vida: as crianas crescem com a hortaAs competncias para a vida so capacidades pessoais e sociais como a gesto de tarefas, planeamento e organizao, responsabilidade, trabalho em equipa, compreender o que se est a fazer, explic-lo, ter orgulho e aprender com a experincia. Incluir as competncias para a vida no currculo da horta significa dar tanta ateno ao crescimento das crianas como ao crescimento das plantas. Afeta todas as atividades e abordagens. Por exemplo:

    Cobrir o solo

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    PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA?

    Se o que se pretende apenas produzir, ento mais eficiente simplesmente dizer s crianas o que tm de fazer. Mas, se o que se pretende que as crianas decidam o que vo produzir e compreendam o que esto a fazer, ser despendido muito tempo em discusses, explicaes, observao e tomada de decises.

    A forma mais rpida de produzir composto fazer uma grande pilha de compostagem. Mas se suposto as crianas aprenderem a faz-lo e terem um sentimento de orgulho no que esto a fazer, melhor criar pequenas pilhas, uma para cada grupo.

    Caso esteja interessado na produo, ento os erros e as discusses das crianas sero vistos como atrasos no plano de ao. Se, contudo, est interessado no fomento de competncias para a vida, estas so oportunidades para discusso e fazem parte do processo de aprendizagem no desenvolvimento social e pessoal.

    As competncias para a vida sero um dos grandes objetivos da horta?

    C. MISSOQuando existir uma ideia dos principais objetivos da horta escolar, esta deve ser registada como uma misso geral. Isto pode ser discutido pelos representantes da escola, pais, crianas, grupo da horta e patrocinadores, entre outros. H exemplos na caixa que se segue.

    H limites naturais para todas as ambies! necessrio pedir conselhos e discutir o que vivel. Deve comear em pequena escala e melhorar a horta passo a passo. Todos os anos pode ser adicionado um novo elemento. E as ambies podem crescer com a horta.

    MISSOOBJETIVOS DE UM PROJETO DE HORTA ESCOLAR PARA CINCO ESCOLAS NO EQUADOR RURAL:

    Desenvolver a compreenso das crianas em relao produo de vegetais;

    Aumentar o interesse das crianas por uma dieta mais variada;

    Ajudar as crianas a aprenderem a produzir vegetais; Produzir alimentos apreciados pela comunidade e

    adaptados ao clima local; Dar oportunidade s crianas de consumirem os vegetais que produziram (ao

    pequeno almoo na escola); Encorajar as crianas a adquirirem atitudes de cooperao, responsabilidade,

    autoestima e autoconfiana, motivao e valor do trabalho. (Fonte: Chauliac et al., 1996) OBJETIVOS DA INICIATIVA URBANA DE NUTRIO em Filadlfia Oeste (EUA)As nossas hortas escolares promovem a educao em nutrio, a agricultura biolgica sustentvel, o empreendedorismo e o embelezamento do bairro. Os nossos objetivos so:

    Criar e manter um currculo interdisciplinar que se concentra em melhorar a sade da comunidade;

    Melhorar o estado nutricional e de sade, aumentando o consumo de frutas e vegetais em comunidades de baixos rendimentos;

    Melhorar o ambiente urbano atravs de hortas escolares; Facilitar projetos de promoo da sade da comunidade com base na escola.

    Promover o desenvolvimento socioeconmico atravs de um currculo empresarial que inclui atividades de desenvolvimento de negcios. (UNI, 2001)

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    PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA?

    NA SALA DE AULAComear pelo incioMuitas aulas podem ser dadas antes do trabalho na horta comear. Podem ser iniciadas discusses com os alunos sobre os objetivos e usos da horta, dar informao bsica sobre as plantas, solo e jardinagem, apresentar ideias sobre boa jardinagem e ajudar as crianas a manter registos das atividades na horta.

    1. Devemos ter uma horta? Os alunos discutem sobre a possibilidade de terem uma horta na escola.Objetivos Os alunos tornam-se conscientes das utilizaes da horta e dos aspetos positivos, reconhecem o seu potencial papel, discutem as razes para ter uma horta na escola e sentem-se motivados para comear.Atividades Os alunos discutem as hortas que conhecem, apresentando palavras e imagens do que est a ser discutido: o que produzem, o que acontece s colheitas, que outras coisas existem nas hortas (torneiras e vedaes, por exemplo) e para que servem. Descrevem trabalhos de horticultura que conhecem e discutem o que gostariam de fazer na horta, registam as suas ideias e mostram as palavras e imagens.

    2. Do que gostam as plantas? Uma lio fundamental para todos os aspetos do estudo da horticultura e da natureza.

    Objetivos Os alunos tornam-se conscientes das necessidades das plantas e identificam as necessidades de algumas plantas em particular.Atividades Os alunos encontram plantas doentes e saudveis, descrevem-nas e registam as diferenas. Depois imaginam que so plantas, com razes (pernas) e folhas (dedos) e respondem s questes:

    Do que gostam as tuas razes? De muito espao? De estarem muito apertadas? De estarem bem fixas? Molhadas? Secas?

    Dicas e ideias Ensinar as crianas a explicar o cartaz Crescer com a horta a outras crianas,

    pais e visitantes no final do Capitulo 1. As crianas podem ilustrar a declarao de misso e exibi-la na escola.

    SUGESTES PARA A AO Decidir os objetivos prioritrios da horta escolar provisoriamente. Elaborar uma declarao de misso para a horta escolar, mostrando os objetivos e

    interesses principais. Discutir essa declarao com alunos, pais, diretor e colaboradores da escola, grupo da

    horta, alunos e pessoas externas interessadas. De seguida, rev-la e torn-la pblica. Descobrir como os mtodos biolgicos so tidos em considerao no local. Tomar uma deciso preliminar sobre o tamanho e abrangncia da horta (ateno: comear

    pequeno!).Resultados: Uma declarao de misso.

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    PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA?

    Do que que gostam as tuas folhas? Escuro? Luz? Ar livre? De abanar ao vento? Do que que a tua planta gosta? Muito espao? Ervas daninhas grandes perto de si? Boa

    comida todos os dias? Bichos e insetos (alguns so amigos outros inimigos)?As crianas especulam sobre as razes pelas quais as plantas esto doentes e no saudveis, e depois encenam uma mmica em que as jovens plantas so ameaadas por perigos e so salvas por crianas.

    3. Comear pelo solo As crianas olham o solo de perto.Objetivos Os alunos distinguem solo superficial e subsolo, reconhecem bom solo atravs do toque e do aspeto, e tornam-se conscientes de todas as componentes do solo.Atividades No espao exterior da escola, os alunos cavam um buraco para observarem o solo superficial e o subsolo, depois observam amostras de solo rico e pobre, respondem a perguntas sobre ambos e aprendem o lema o bom solo hmido, escuro, frivel e cheio de vida. Em folhas de papel dividem a amostra de

    solo nas diferentes componentes, em quatro partes: o que proveniente de plantas, o que de animais, o que est vivo e outros E aprendem a verificar a existncia de matria orgnica. Tambm fazem experincias no sentido de perceberem que o solo contm ar (colocando a amostra de solo dentro de gua) e gua (cobrem a amostra com um prato e deixam ao sol).

    4. Qualidade do solo Experincias simples para investigar a qualidade e a capacidade de drenagem do solo.Objetivos Os alunos compreendem a estrutura do solo e a sua importncia.Atividades Os alunos discutem sobre que componentes do solo contribuem para: permitir a entrada de ar, gua e razes no solo, manter a superfcie macia, providenciar alimentos essenciais para as plantas, dissolver nutrientes, manter o solo no stio, manter as plantas firmes, permitir que animais e bactrias estejam vivos, reter gua e ajudar sua drenagem. Identificam o tipo de solo que tm na horta da escola (argila, limo ou areia) atravs dos sentidos. A qualidade de solo testada: fazem um batido com o solo e com gua e deixam em repouso durante dois dias at que a areia, o limo e a matria orgnica sedimentem (as propores ideias so quatro doses de argila, quatro de limo, duas de areia e cerca de 5 % de matria orgnica). Testam a drenagem cavando um buraco, enchendo-o com gua e deixando que drene, enchendo novamente e cronometrando quo rpido a gua drenada com um pau indicador de medida (o ideal dever ser de 6 a 10 cm por hora). Finalmente, reconhecem que adicionar composto a forma de melhorar a drenagem do solo. (Experincias sugeridas por Guy et al., 1996.)

    5. Sementes e germinao Esta aula combina cincia com um lanche saudvel.Objetivos Os alunos compreendem a natureza das sementes e como germinam, aprendem a fazer germinar rebentos comestveis, a com-los e a apreci-los.Atividades Os alunos observam sementes e discutem a que plantas correspondem. Para fazerem germinados, colocam as sementes (por exemplo, alfafa, centeio, brcolos, aipo, lentilhas,

    gua

    argilalimoareia

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    PARA QUE SERVE A NOSSA HORTA?

    feijes, abbora, girassol e trigo) de molho durante um dia, retiram a gua, colocam tudo numa jarra de vidro, cobrem com um pano e colocam-nas num local escuro e quente da sala de aula. Os alunos preveem assim o que ir acontecer. Duas vezes por dia enxaguam as sementes com gua fria, observam o que est a acontecer e comparam com as previses. Depois das sementes germinarem, expem-nas luz durante um dia ou dois at ficarem verdes, e de seguida comem-nas com cerimnia! Os alunos repetem a experincia em casa e explicam-na s suas famlias.

    6. O cultivo de plantas Esta lio fornece uma viso geral do ciclo de vida das plantas, em particular das hortcolas.Objetivos Os alunos tornam-se mais conscientes de como as plantas so cultivadas e reforam a sua relao com o ciclo de vida das plantas.Atividades Os alunos especulam sobre o que acontece depois das sementes germinarem. Observam plantas em diferentes estgios de desenvolvimento (plntulas, planta em crescimento, planta em florao, planta a frutificar e planta com semente), colocam-nas por ordem e procuram outros alunos na escola para

    que identifiquem cada categoria. Depois aplicam estas categorias aos produtos que conhecem bem, aqueles que esto a planear cultivar, decidindo em cada caso o que se vai colher: folhas, razes, fruto ou semente.

    7. Agricultura biolgica A agricultura biolgica mais saudvel para as crianas, para as plantas e para o ambiente.Objetivos Os alunos aprendem a melhorar as condies de crescimento das plantas atravs de mtodos naturais.Atividades Os alunos encontram uma planta triste, do-lhe um nome e discutem como podem melhorar a vida da planta em relao s seguintes questes: Tem espao e luz suficiente? O solo est demasiado duro/seco/hmido? Tem solo rico para se alimentar? Est a ser atacada ou comida? Como que podemos continuar a ajud-la a crescer? Adotam a resposta mais apropriada, criam uma etiqueta onde colocam nome, data, diagnstico e ao curativa, e monitorizam-na durante as duas semanas seguintes. As crianas mais velhas continuam o processo conhecendo abordagens biolgicas (por exemplo: o que cobertura do solo e qual o objetivo? bom usar fertilizante? De que tipo? Que vermes e insetos so benficos para o jardim? (ver Agricultura Biolgica no anexo Notas de Horticultura).

    8. O arquivo da horta Registar a vida da horta refora a aprendizagem e aumenta a motivao.Objetivos Os alunos so motivados a manter registos dos eventos e atividades da horta, aprendem como fazer um registo documental e ganham conscincia da sua importncia.Atividades O professor indica alguns documentos da horta conhecidos (por exemplo: fotografias, mapa, desenhos). Os alunos organizam-nos por ordem cronolgica, sugerem ttulos, legendas e datas para cada um deles e nomeiam alunos para rotular os documentos. O professor mostra como arquivar os documentos no Arquivo da Horta e pede aos alunos para os arquivarem um a um. Os alunos discutem o que vo colocar no arquivo (o melhor trabalho? Fotografias? Comentrios dos visitantes?) e onde o guardar para que fique seguro. Finalmente discutem o que deve estar na capa e na primeira pgina e nomeiam colegas da turma para fazerem a caligrafia, a imagem para capa, etc. So identificados voluntrios que se comprometem a explicar e a mostrar o arquivo a alunos ausentes.

    A flor da alface

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    NOTAS

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    H imenso que fazer antes de iniciar a horta. Aqui esto quatro atividades de sensibilizao ambiental. aconselhvel realiz-las como ponto de partida:

    Cartografar o terreno da escola e o local da horta uma ao que promove a observao e ajuda ao posterior planeamento.

    Lanar um projeto ambiental melhora o terreno da escola e chama a ateno sobre ele.

    Olhar para os espaos verdes existentes, animais e plantas aumenta a conscincia das crianas para o ecossistema.

    Comear uma pilha de composto refora o entendimento sobre o solo e a reciclagem, e prepara o solo em tempo til para a temporada de horticultura que se seguir.

    A sensibilizao ambientalObjetivos Mapear as instalaes da escola e o local da horta Sensibilizar para o ecossistema Planear melhorias para as instalaes da escola

    CAPTULO 4

    POR ONDE COMEAR?

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    POR ONDE COMEAR?

    A. FAZER MAPAS

    1. Mapear o terrenoPode comear por pedir aos alunos que faam mapas esquemticos de todo o terreno da escola, dentro do que for possvel e de acordo com a idade. As crianas mais novas podem fazer desenhos a olho, ao passo que os alunos mais velhos podem tirar medidas e fazer uma abordagem realista (talvez como parte da aula de matemtica). O professor tambm deve fazer um esquema. Um bom mapa

    ou imagem desperta a ateno de quem o faz, ir ajudar nas apresentaes do projeto, palestras ou pedidos de apoio. Pode ser apresentado s crianas, aos pais, a patrocinadores, ao grupo da horta e s autoridades locais. Serve como uma base de discusso sobre o que necessrio fazer e quanto ir custar. E tambm aumenta a moral quando possvel comparar as imagens do antes e do depois no fim de um ano de trabalho.O mapa deve mostrar as principais caractersticas do terreno por exemplo, edifcios escolares e instalaes, rvores e arbustos, vasos, caminhos, estradas principais, portes, caixotes do lixo, abastecimento de gua e linhas eltricas. Deve-se etiquetar tudo: um bom exerccio de aprendizagem para os alunos e ajuda outras pessoas a entenderem o mapa. Ser bom pedir s crianas para selecionarem os mapas a expor e colocar cpias no Arquivo da Horta.O local da hortaSe existem vrias localizaes possveis para a horta, devem ser marcados todos os locais e usar o mapa para discutir e decidir onde dever ficar. Idealmente a horta deve ser:

    Ao nvel do solo; Longe das principais estradas; Visvel das salas de aula (e prxima, se possvel); Facilmente vista por visitantes.

    Ser que tudo isto possvel? Se existirem alternativas, deve abrir o debate sobre onde colocar a horta. Consultar as crianas, os colaboradores, os pais e alguns horticultores experientes.

    2. Mapear e descrever a hortaAntes de iniciar os trabalhos de maior importncia, tambm boa ideia fazer uma descrio completa do local proposto para a horta, com uma fotografia, desenho ou mapa esquemtico (os alunos conseguem habitualmente fazer isto), como sugerido para a totalidade do terreno no Captulo 4. O mapa deve mostrar os pontos cardeais e estar legendado com a informao apropriada, como no esquema ao lado.

    torneira

    caixote do lixo

    vedao

    recreio

    estr

    ada

    berm

    a

    porto

    ptio

    caminho

    horta

    linhas eltricas

    jardim

    casa de ferramentas

    casas de banhoentrada

    escola

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    POR ONDE COMEAR?

    O mapa deve mostrar: Terreno (pedras, rochas, declives, montes, buracos, etc); Vegetao (rvores, arbustos, plantas, ervas) e qualquer outro elemento (lixo, por exemplo); Vedaes, sebes, caminhos; Animais existentes na vizinhana; Fontes de gua; Outras estruturas (abrigos para as ferramentas, por exemplo).

    Os alunos que tenham efetuado as lies Comear com o solo e qualidade do solo (Captulo 3) podero adicionar notas sobre o solo.

    B. ESCOLA VERDEEnquanto a equipa da horta est a pensar no local e nos apoios, pode assumir a liderana no sentido de incentivar a escola a olhar para o terreno como um todo. Para melhorar o local no ser necessrio muito trabalho e pode promover a sensibilizao ambiental, melhorar os equipamentos, motivar, envolver a comunidade e dar escola boa reputao. Uma abordagem positiva de toda a escola s questes ambientais cria uma atmosfera favorvel para o desenvolvimento da horta.

    Esboo do local para a horta em .................... (rea rural) Tamanho ........... (grande)

    Notas sobre o local da horta: As cabras comem as plantas. O solo frtil, mas nunca foi cultivado: muito duro. Precisa de muita matria orgnica. Existe muita gua, mas tem de ser carregada para um ponto mais alto.

    Principais tarefas necessrias: Limpar o terreno de pedras guardar as pedras para muros. Cavar o solo e incorporar adubo verde. Trazer gua do rio (bomba manual e cano?). Vedar por causa das cabras.

    Esboo do local para a horta em ................... (rea urbana) Tamanho ........... (pequeno)

    Notas: O solo argiloso, precisa de arejamento/drenagem/hmus. Existe apenas gua para beber e lavar as mos necessrio gua extra para a horta.

    Principais tarefas necessrias: Manter os arbustos para haver sombra tarde. Encontrar abastecimento alternativo de gua (recolha do telhado?). Lavrar e enriquecer o solo.

    Dois locais para a horta

    caixote do lixo

    caixote do lixo

    torneira

    vedao

    riacho

    estr

    ada

    estrada

    caminho

    arbus

    tos

    N

    S

    EO

    casas de banho

    casas

    casas de banho

    escola

    escola

    N

    S

    EO

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    POR ONDE COMEAR?

    Pode ser sugerido escola e associao de pais e professores que pensem em projetos prioritrios para a escola em termos ambientais. As questes que se seguem podem ser discutidas com os alunos, colaboradores da escola e pais, usando o mapa da escola para referncia e complementado com a aula Ideias para a Escola (ver o fim deste captulo).

    Os espaos verdes da escola tm bom aspeto? Como se poderiam melhorar? (rvores, entrada, flores, arbustos, sebes, erva, diviso das reas, arte exterior, limpar ou esconder lixo)?

    Existem todas as estruturas necessrias para a sade e uma alimentao saudvel (por exemplo, casas de banho, lavatrios, caixotes do lixo, cozinha, gua potvel, mesas para as refeies, caminhos, cadeiras, abrigos para a chuva, um local para a venda dos produtos da horta)?

    um bom stio para brincar, descansar, conversar e estudar? De que que precisa (cadeiras, sombra, reas para refeies, um ptio, baloios, zona para eventos, rvores para subir, uma casa de brincar, uma casa na rvore, um ptio para reunies ou eventos)?

    Existe lugar para animais selvagens (habitats para animais selvagens, um lago ou uma casa para pssaros, por exemplo)?

    Qual destas questes a mais prioritria? Qual ou quais podem ser abordadas pelos alunos?

    Algumas ideias para projetos verdes possveis:

    Criar zonas para brincar, zonas de estudo, zonas de lazer;

    Plantar rvores de sombra; Plantar sebes; Plantar relva ou cobertura de solo; Fazer bancos e mesas para as refeies,

    para plantar em vasos, para escrever os registos da horta;

    Criar um forno de exterior; Plantar e manter plantas ornamentais,

    arbustos aromticos, arbustos perenes; Fazer esculturas com lixo;

    Fazer hortas/jardins especiais (jardim de aromticas e jardim seco, por exemplo); Cultivar plantas que tm vrias funes (melhorar o solo, produzir comida, medicamentos

    ou madeira para combustvel ou construo); Fazer sinaltica prova de gua para todos os projetos da horta.

    Escola Cintura VerdeGangadhar Bidyaniketan uma escola secundria rodeada de campos alagados na ndia. Durante a estao das chuvas () estudantes e professores tinham de andar dois quilmetros na lama e na gua para chegar escola. No vero no havia gua e as crianas tinham de levar garrafas para a escola. No havia uma nica rvore na zona. A escola decidiu fazer alteraes. Cada aluno concordou em plantar e cuidar de uma rvore. Ao escolherem cuidadosamente a localizao, criaram uma cintura verde volta da escola. Com a ajuda de uma ONG local, as pessoas da aldeia construram uma estrada e um tanque para gua no local da escola. Agora a escola tem bastante gua potvel e usa a restante para regar vegetais e flores A terra que era barrenta e salobra agora verde e colorida.

    (Pattanaik, 1998)

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    POR ONDE COMEAR?

    Nota: Comear a sensibilizar a escola para pensar em melhorar o seu ambiente. Mas preciso deixar os projetos ambiciosos para a escola para outros funcionrios da mesma. A horta j bastante exigente!

    C. TER UMA VISO VERDEAntes de iniciar grandes obras na horta, preciso ter em mente que as atividades que iro decorrer vo interromper um padro de vida existente. A natureza estava instalada e a trabalhar no local. Antes de serem efetuadas alteraes ao que j existe para criar a horta, pode pedir-se s crianas para observarem atentamente (ver principais notas das lies Auditoria Ecolgica, Cidados da Horta, Insetos e outros no final deste captulo).Esta atividade ir iniciar os alunos na ideia de ecossistema e interdependncia dos sistemas vivos, e ir ajud-los a entenderem a abordagem produo biolgica na horta. Iro valorizar o hbito de observar insetos, plantas e solo, o que poder mais tarde ser usado na patrulha da horta. Os resultados destas inspees podem ser adicionadas ao Arquivo da Horta.

    D. INICIAR PILHAS DE COMPOSTOCaso se planeie usar composto na horta, necessrio preparar as respetivas pilhas com antecedncia (ver Composto no anexo Notas de Horticultura e as duas lies sobre composto no final deste captulo). Preparar o composto refora o entendimento das crianas sobre o solo e os ciclos naturais da vegetao, introduz a ideia de reciclagem de resduos e pode ajudar a iniciar a participao das famlias com contributos para a horta. necessrio tomar as seguintes decises: ser uma grande pilha de composto ou vrias pilhas pequenas, onde sero colocadas? O que ser utilizado para composto? As famlias podem ajudar...?

    As rvores de Neem so bonitas, do sombra durante o ano inteiro e fornecem um inseticida natural. Que mais podamos querer?

    As figueiras da ndia so timas sebes vivas. As suas razes seguram o solo, produzem timos frutos e tm um ar atrativo.

    Melhorar os espaos verdes

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    POR ONDE COMEAR?

    NA SALA DE AULAPontos iniciais Estas aulas tm o objetivo de aumentar a conscincia ambiental das crianas. As crianas observam de forma muito prxima o ecossistema existente e o papel dos insetos. introduzido o tema da compostagem e a ideia de reciclagem de resduos, e as crianas sugerem ideias para melhorar o terreno da escola.

    1. Auditoria ecolgica Observar o jardim da natureza.Objetivos Os alunos tornam-se conscientes do ecossistema existente, da sua diversidade e interdependncia e reconhecem que um habitat para muitas formas de vida.Atividades Na sala de aula, os alunos abordam a horta de diferentes pontos de vista: (1) Voar. Esto a voar devagarinho sobre o stio o que que veem? Que tipo de terreno? (2) Aterrar. Esto a aterrar numa planta. O que ? De que que vive? O que que vive nela? O que que produz? D abrigo? (3) Rastejar. Encolhem para o tamanho de um escaravelho. O que que existe sua volta? O que que se passa? O que vive aqui? Que comida existe? (4) Esburacar. Fazem uma toca no solo como as minhocas. O que que sentem? Quem vive l? Quem come o qu?Depois, os alunos vo para a horta, repetem o exerccio e relatam as suas observaes.

    (Adaptado de Kiefer & Kemple, 1998)

    Dicas e ideias Fazer uma exposio dos mapas, desenhos e

    fotografias do terreno (tudo efetuado pelos alunos). Fazer uma maqueta de barro do terreno, no local,

    e deixar secar sombra. Para inspirao, consultar catlogos de sementes (de

    empresas de sementes). Visitar jardins e hortas com os alunos.

    Pedir contributos (materiais e mo de obra) para a pilha de composto e organizar as crianas de forma a que tragam material de casa num determinado dia da semana.

    Organizar grupos para adotarem a sua pilha de composto e fazerem uma sinalizao ou bandeiras para cada uma das pilhas.

    SUGESTES PARA A AO Fazer e mostrar um mapa do terreno da escola. Abrir o debate sobre onde deve ser a horta (caso haja escolha). Desenhar o local da horta. Sugerir que a escola discuta as necessidades prioritrias e vontades para o terreno da

    escola com os colaboradores, o grupo da horta, as crianas e os pais. Antes de criarem a horta, as crianas sero encorajadas a estudar o ecossistema existente. Trabalhar com os alunos para dar incio s pilhas de composto.

    Resultados: Mapa do terreno da escola e horta, pilhas de composto.

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    POR ONDE COMEAR?

    2. Cidados da horta A agricultura depende dos insetos. Objetivos Os alunos reconhecem que a maioria dos seres vivos que habitam a horta so amigveis e iniciam o hbito de observar insetos e outras criaturas da horta.Atividades Os alunos encontram e observam criaturas da horta e na aula descrevem o que viram. O professor acrescenta exemplos e imagem de habituais cidados da horta. Os alunos dizem o que sentem sobre cada um e porqu. Grupos da turma

    imitam insetos, outros animais, plantas e solo, e dizem como se ligam a outros grupos (por exemplo, Somos pssaros e comemos insetos). Os insetos depois morrem e a turma discute o que aconteceria se no existissem insetos (os pssaros teriam fome, no haveria fruta, o solo ficaria empobrecido). Discutem como podero ter insetos amigos na horta (por exemplo, plantas que do flor, incluindo um caminho de ervas e no usando inseticidas). Investigar atravs de uma anlise lupa dos insetos ou estudar um ninho de ovos de inseto numa folha, na sala de aula.

    3. Insetos e outros Menos de 1% dos insetos so perigosos para as culturas e muitos so benficos.Objetivos Os alunos identificam determinados insetos benficos e pragas comuns. Atividades Usando espcimes reais ou imagens, os alunos identificam criaturas comuns do jardim, dizem o que sabem sobre elas e especulam sobre quais so benficas, inofensivas ou prejudiciais. O professor apresenta dois inimigos da horta (por exemplo, lesmas e pulges), discute o que fazem (comem ou sugam folhas e razes) e como que podemos confirmar estas situaes (buracos nas folhas, plantas que murcham); depois dois amigos da horta (por exemplo, minhocas e joaninhas) que fertilizam as flores, alimentam-se de pragas, transformam resduos da horta em nutrientes e arejam o solo. O processo continua com uma volta na horta, identificando os amigos e os inimigos da horta ou os sinais da sua presena; todos fazem um cartaz dos amigos da horta ou um livro de bichos baseado nas observaes. (ver Criaturas Benficas da Horta, Pragas, no anexo Notas de Horticultura).

    4. Composto Fazer esta aula na horta antes de iniciar a pilha de composto.Objetivos Os alunos aprendem a reconhecer composto e a apreciar o seu valor.Atividades O professor apresenta o composto como a comida preferida das plantas e distribui uma mo cheia de composto por um pequeno grupo de alunos. Os alunos observam, cheiram, sentem, apertam e dizem o que observaram (castanho, quebradio, hmido, terroso, leve). O professor demonstra a plantao de uma planta saudvel, mostrando como o composto adicionado em vrios estgios a vrios nveis. No final, os alunos dizem em coro as respostas a estas perguntas:

    Esta uma planta saudvel? (Sim!) O que a faz crescer? (COMPOSTO!) O que mantm o solo arejado? (COMPOSTO!) O que lhe d comida? (COMPOSTO!) O que o mantm hmido? (COMPOSTO!).

    O professor l em voz alta uma lista de ingredientes do composto e os alunos comprometem-se a trazer alguns de casa para a pilha de compostagem (ver anexo Composto no anexo Notas de Horticultura.)

    Exemplos de Amigos da horta

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    POR ONDE COMEAR?

    5. Cozinhar composto Esta aula prepara para a produo de composto.Objetivos Os alunos apreciam o valor do composto, aprendem a faz-lo e comeam a us-lo.Atividades Os alunos relembram as vantagens do composto (fornece nutrientes; torna o solo adequado e arejado, para que as razes possam respirar e as bactrias trabalhar; segura a gua, mas tambm facilita a drenagem; natural e barato). O professor refere que produzir composto como cozinhar: preciso que haja alimentos, calor, ar, gua e um recipiente. O professor

    demonstra-o fazendo composto num pequeno balde, explicando ao longo do processo e fazendo perguntas sobre o que se deve fazer a seguir e porqu (ver Fazer Composto no anexo Notas de Horticultura). A turma monitoriza o composto experimental, que estar pronto em duas semanas. Marcar uma data para fazer a pilha de composto e pedir aos alunos para trazerem os seus contributos.

    6. Ideias para o terreno da escola Uma lio prtica em sensibilizao ambiental.Objetivos Os alunos fazem propostas prticas para melhorar o terreno da escola e iniciam a ao.Atividades O professor apresenta vrias ideias turma (ver Seco D atrs), com imagens e desenhos, se possvel. Os alunos mais velhos acrescentam as suas prprias ideias. A turma vai para o terreno verificar as suas possibilidades (os alunos mais velhos trabalham em grupos, um para cada ideia e depois fazem um relatrio). Para cada ideia os alunos identificam questes relevantes. Por exemplo: onde que ser? Quo grande? De que que vai ser feita? A turma toma a deciso final e sugere os primeiros passos prticos e quem fica responsvel por eles.

    NOTAS

    Material do composto (folhas, relva, ervas, etc)

    Um pouco de gua para o

    manter hmido

    relva para o manter hmido

    ramos para drenagem

    buraco para o ar

    camadas de terra

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    Se ainda no existe uma horta, preparar o local ser a parte mais dispendiosa do projeto. Aps identificado e mapeado o local, necessrio decidir quais as tarefas, estimar o equipamento e recursos necessrios, discutir como planear e criar a horta, e organizar a preparao do local. Este o momento em que vai ser necessria ajuda de voluntrios!

    O local da hortaObjetivos Preparar e melhorar o solo Identificar necessidades Planear e fazer a horta

    CAPTULO 5

    DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA?

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    DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA?

    A. MELHORAR O LOCAL

    1. O que j existe e o que necessrio?V ao local da horta com os colegas. Leve um mapa do local para ajudar discusso e ao registo de observaes. Comee a listar o que j existe e o que necessrio. Procure saber mais sobre prticas e recursos locais e consulte as Notas de Horticultura quando apropriado.Alguns pontos a considerar:Proteo contra predadoresEsta questo crtica. A safra intil se for comida por cabras de vizinhos. Quais so os predadores naturais na zona? Galinhas? Porcos? Animais selvagens? Como que os habitantes locais cercam as hortas ou protegem uma determinada cultura? J existem boas vedaes, sebes, cercas ou muros para proteger a horta (ver Proteger a horta no anexo Notas de Horticultura)? Se no, possvel criar barreiras efetivas? Quanto que vai custar em tempo e/ou dinheiro? Vai precisar de manuteno? O tamanho da horta vai ficar limitado pela rea que possvel cercar? Vai ser necessrio um vigilante noturno para prevenir o roubo?Abastecimento de guaO abastecimento de gua extremamente importante. Os vegetais em particular precisam de muita gua. Uma boa gesto da gua permite liberdade para decidir quando plantar e quando colher. Esta deve ser fivel, limpa, barata e acessvel. De onde que vem a gua? de confiana? Est disponvel no vero? Vai ser necessrio oramentar a renovao de tubos, bombas, cisternas ou tanques? Quem responsvel pela manuteno deste equipamento?

    Se a gua escassa ou cara, possvel melhorar o abastecimento? Por exemplo, possvel recolher gua da chuva a partir dos telhados? possvel conservar gua ao utilizar as guas residuais de lavar pratos e roupa? Que tipo de canteiros sero melhores? Que culturas se desenvolvem em condies secas? Que sistema de rega ser utilizado? Como que se ir manter a gua no solo?

    Se existe risco de inundao, que tipo de drenagem vai ser necessrio? Que tipo de canteiros sero feitos? Que tipo de culturas gostam de gua? Como que se vo proteger as colheitas de chuvas fortes?

    Para estas questes pode ser necessrio verificar os conselhos em Gesto da gua, nas Notas de Horticultura, descobrir as estratgias adotadas no local onde a horta est localizada e consultar peritos em agricultura.

    Proteger do solAs plantas precisam de muita luz solar (pelo menos oito horas por dia). Mas em climas quentes ajuda que haja sombra a meio da tarde. Onde que podem ser colocadas as plantas mais delicadas? O que pode ser utilizado para fazer sombra (rvores, muros, cercas, plantas altas, telas)?

    Foto FAO/INCAP, 2005

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    DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA?

    Terreno mais conveniente que o terreno seja plano. Se for em declive, pode ser necessrio fazer terraos, o que implica muito trabalho.

    Se a terra j foi cultivada, que culturas foram produzidas? No dever ser plantada a mesma cultura nos prximos tempos (ver Rotao de culturas, nas Notas de Horticultura)?

    Se a terra virgem, ser que necessrio remover lixo, razes, pedras ou ervas?O que que existe no local que possa ser utilizado? Por exemplo:

    Flores e arbustos perenes que demonstram sobreviver no local. Podem ser utilizadas para sebes, para fruta, para estudo da natureza, para atrarem insetos benficos, ou apenas pelo efeito visual.

    As rvores que j existem podem dar sombra para pessoas, plantas e composto; as folhas cadas servem para composto ou cobertura de solo; abrigam da chuva e fixam o solo.

    Se as rvores tm de ser cortadas, pode-se utilizar os troncos para bancos ou para delimitar os canteiros.

    Valas naturais podem ser transformadas em lagos ou em canais de irrigao.

    Um pequeno monte pode ser um ponto de encontro, uma rea de exposio ou um palco natural.

    Os caminhos que existem esto l por alguma razo. Devem manter-se e planear a horta ao seu redor.

    As pedras podem ser utilizadas para construir os muros, marcar ou decorar canteiros e caminhos, criar sinaltica resistente gua, revestir valas de drenagem e fazer bancos naturais.

    Algum lixo tem utilizaes por exemplo, pneus velhos podem ser um bom recipiente para a horta, para baloio ou at para muros; garrafas de plstico podem ser recipientes para armazenar gua; pedaos de casca, ramos e plstico podem ser utilizados para fazer sinais para a horta.

    Solo e drenagemQue tipo de solo tem o local da horta? Deve ser realizada uma anlise ao solo pelo servio local de agricultura. Pedir aos alunos mais velhos para repetirem a anlise e verificarem se obtm as mesmas concluses. A anlise vai indicar a acidez, composio e qumicos.

    Acidez Se o colo demasiado cido, necessrio adicionar cal; se no suficientemente cido, adicionar serradura, folhas em decomposio, pedaos de madeira e musgo.

    Composio (as propores de areia, barro, limo e matria orgnica). Geralmente necessrio adicionar matria orgnica para ajudar na drenagem.

    Qumicos Se houver falta de azoto, potssio ou fosfato, podem ser restaurados com fertilizantes naturais (ver Nutrientes e fertilizantes no anexo Notas de Horticultura).

    Instalaes de armazenagemVai ser necessrio dispor de um espao para guardar ferramentas e equipamento. Um armazm para ferramentas ser o ideal. Ou ser que possvel usar uma sala de arrumos na escola?

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    DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA?

    2. O que que necessrio fazer?Depois deste questionrio, ficar mais evidente o que precisa de uma ateno especial.Aqui ficam algumas aes que pode ser necessrio tomar:

    Se existem trabalhos de maior monta para executar, estes devem ser listados, priorizados e os seus custos devem ser estimados, em dinheiro e trabalho. Refletir como os pais e a comunidade podem ajudar. Verificar quaisquer aspetos legais relacionados com o investimento na vedao, irrigao e drenagem. Por exemplo, o pagamento de emprstimos, direitos de utilizao e propriedade, e obrigaes de manuteno).

    B. EQUIPAMENTO BSICO E MATERIAISQue equipamento e materiais que existem, o que necessrio e como obt-los? EquipamentoPara decidir que equipamento ser utilizado, necessrio estimar quantas pessoas esto a trabalhar na horta em simultneo. As crianas tambm podem trazer ferramentas de casa. De facto, algumas escolas nem necessitam de ter ferramentas prprias. Algumas ferramentas e equipamento podem ser feitas se for o caso, necessrio assegurar que so suficientemente leves para utilizao por parte dos mais novos.A lista que se segue mostra o equipamento e material bsico para cerca de 30 utilizadores. A lista pode ser utilizada para identificar as necessidades imediatas e discutir o equipamento com os alunos, famlias e conselheiros da horta.

    Melhorias no local- decidir o que manter;- retirar pedras/razes/arbustos;- remover ervas;- nivelar o solo;- criar vedaes/sebes/muros;- cavar valas de drenagem;- encontrar um local para arrumar ferramentas e materiais.

    Abastecimento de gua, poltica para a gua & sistema de irrigao- melhorar e assegurar o abastecimento de gua;- desenvolver uma poltica para gesto da gua;- estabelecer um sistema de irrigao.

    Melhoria do solo - realizar uma anlise ao solo;- adicionar fertilizantes naturais;- cavar o solo;- cavar e integrar o composto/estrume;- iniciar pilha(s) de composto.

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    DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA?

    MateriaisSementes, plantas jovens, estacas e fertilizante biolgico. Pode guardar-se sementes de plantas saudveis. Algumas plantas (batatas doces e espinafres, por exemplo) podem ser propagadas por estaca: isto pode tambm dar aso a aulas interessantes, bem como a reduo de despesas. Caso contrrio, recomenda-se o uso de sementes produzidas comercialmente. O Ministrio da Agricultura pode ajudar com materiais, ou pode-se tentar que produtores de sementes, viveiros ou comerciantes faam donativos em gneros.

    C. PLANEAR E ESBOAR A HORTAPlanear e esboar a horta das tarefas mais interessantes. As crianas devem ser totalmente envolvidas no processo (ver a lio Desenho da Horta no fim do captulo).

    1. Canteiros e outros elementos essenciais.Os principais elementos da horta so os canteiros, os caminhos, os viveiros, as pilhas de composto e o armazm de ferramentas, se for possvel que este exista.CanteirosQue tipo de canteiro que se pretende? Para a maioria das situaes recomenda-se canteiros elevados permanentes. Para cri-los necessrio cavar o solo e adicionar composto, retirar a primeira camada de solo dos caminhos e colocar em cima do canteiro (ver Canteiros, nas Notas de Horticultura). A regra com os canteiros elevados permanente : NUNCA andar ou ajoelhar em cima, e compactar o solo. Se o solo for deixado em paz, este mantm a sua estrutura, cumpre melhor a sua funo e (melhor de tudo) precisa de pouco amanho. Os canteiros elevados requerem muito trabalho inicial, mas muito pouco mais tarde. So fceis de manter e de trabalhar, so altamente produtivos e excelentes para melhorar o solo.

    Onde? Tentar que todas as partes da horta tenham fcil acesso gua. Se existe um declive, os canteiros devem ser desenhados de forma a captarem a gua e prevenirem eroso. Se possvel, colocar os talhes dos alunos mais perto das janelas da sala de aula. Isto ajuda a manter a ateno sobre as culturas, melhora as aulas e assusta predadores.

    O melhor e mais barato fertilizante de longo prazo o composto

    2 carros de mo 6 enxadas 2 ps 2 catanas 3 regadores 1 mangueira 1 barril de gua 10 tabuleiros multi-compartimentados

    para viveiro

    2 ancinhos 2 esptulas 2 baldes 2 cestos 2 ps 2 tesouras de poda 1 pulverizador estacas, paus, fio

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    DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA?

    De que tamanho? As crianas devem conseguir chegar a qualquer parte dos canteiros sem que tenham de pisar o solo. Uma largura de cerca de 0,6 metros boa para crianas mais pequenas, 1 metro para as maiores. O comprimento depende da rea de terreno, de quantos talhes so necessrios e de quanto se planeia produzir. O comprimento de 1 metro bom para as crianas mais pequenas e 1,5 metros suficientemente grande para a aprendizagem, enquanto que 10 metros um comprimento standard para a produo comercial.

    Que forma? Os canteiros retangulares so mais fceis de gerir, mas no h qualquer problema com os canteiros com outras formas crculos, tringulos, letras desde que as crianas consigam alcanar as plantas sem pisar o canteiro. Podem ter os canteiros retangulares convencionais para a produo principal e depois outros com outras configuraes pela diverso ou para decorao. As crianas devero ser consultadas.

    Quantos? O nmero de canteiros depende de como se organiza o trabalho (ver Captulo 10). necessrio ter pelo menos um canteiro por cada turma. Do ponto de vista motivacional, melhor ter um canteiro para cada grupo pequeno, com alguns talhes individuais para experincias, demonstraes ou recompensas.

    CaminhosPlanear caminhos volta dos canteiros, com 1 metro de largura, para permitir a passagem de carrinhos de mo e das crianas existe muito trnsito quando uma turma est a trabalhar. Deixar que os outros caminhos se faam com o uso. Se existir muito trnsito, os caminhos de terra ou relva iro manter-se.ViveiroOs canteiros para sementes precisam de sombra e proteo (ver Captulo 8). Uma forma de proteger as plntulas passa por cultiv-las em cima de uma mesa, que pode ser sombreada com ajuda de folhagem. A mesa tambm til para envasar, secar sementes e escrever as etiquetas, etc.

    Pilha de compostoColocar as pilhas de composto em locais diferentes, relativamente prximo dos canteiros ( conveniente ser debaixo de rvores), e deixar algum espao para guardar material para cobertura de solo. Os contentores prprios para o composto so teis, mas no essenciais (ver Composto, em Notas de Horticultura).

    2. Extras opcionaisEnquanto planeiam, podem discutir que outros elementos podero vir a querer na horta. Por exemplo:Para o trabalho na horta:

    - um talho experimental ou para demonstrao;- uma rea para processamento ou secagem da colheita;- um espantalho ou outro tipo de objeto que afaste os pssaros;- uma rea para arbustos e rvores2.

    Em algumas escolas rurais do Uganda usam os locais para o lixo para fazer composto adicionando um pouco de solo. As crianas trazem estrume de vacas, galinhas e outros animais para adicionar ao composto.

    (C. Ssekyewa, personal communication, 2003)

    2 - Um pequeno bosque pode providenciar proteo do vento, sombra, lenha, forragem, ramos, cobertura para o solo, cestos e at medicamentos (rvores versteis so por exemplo bambus, bananeiras, neem, accia e salgueiro).

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    DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA?

    Para a vivncia social, estudo e brincadeira:- um ptio central para reunies, espetculos, com lugares para as pessoas se sentarem;- mesas, bancos, troncos, pedras para sentar, comer, ler e escrever o dirio da horta;- uma zona com relva para que estejam sentados, a brincar, a ter aulas ou reunies ao ar livre;- baloios, balancs e outros jogos.

    Para cozinhar:- uma zona para cozinhar e um forno exterior.

    Para as vendas:- um stand ou uma bancada para servir ou vender os produtos da horta.

    Para informao:- um quadro prova de gua;- uma estao meteorolgica (termmetro, barmetro, etc.);- um mapa ou desenho da horta em exposio;- etiquetas e sinaltica.

    Para decorao:- arte ao ar livre;- uma entrada em arco;- flores e arbustos ornamentais.

    Para estudos ambientais:- um habitat para vida selvagem;- uma casa para pssaros;- um lago.

    3. Desenhos especiais para a hortaOs planos especiais para a horta no requerem trabalho adicional. Podem ser decorativos e estimulantes, podem ter mensagens simblicas e permitir a interao com aspetos matemticos e de medio. Alguns exemplos:

    O canteiro 3 por dia consiste, por exemplo, numa rvore de papaia com couves e cenouras volta. Pode encorajar as crianas a comerem trs frutas ou legumes todos os dias.

    A horta vitamina A inclui abbora, cenouras, batatas doces, vegetais de folha verde e uma rvore de papaia. Com o objetivo de sensibilizar as crianas para fruta e vegetais ricos em vitamina A. (Adaptado de Kiefer e Kemple, 1998)

    A horta metro quadrado: quando o espao limitado, divide-se um metro quadrado em nove quadrados, cada um com um tipo de cultura. (Guy et al., 1996)

    A horta seca consiste em canteiros enterrados para conservar a gua, protegidos com quebra-ventos, vedaes e com plantas que sejam resistentes falta de gua por exemplo, feijes pretos e verdes, quiabo-roxo, amaranto, manga, uvas, jujuba.

    Alimentos da horta da vitamina A

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    DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA?

    4. Sinais e etiquetasFazer sinais e etiquetas para a horta deve fazer parte do trabalho dos alunos durante todo o ano. Podem conter nomes, direes, informao sobre as plantas, valores nutricionais, patrocinadores, etc. Ajudam a rever o que aprenderam, exercitam a leitura e a escrita, e mantm todos os que frequentam a horta informados. Pode dar esta tarefas aos alunos com capacidades mais artsticas, aos que se pretende recompensar ou a um grupo como responsabilidade especial. No fim da estao, a maioria dos sinais devem ser removidos e renovados para a prxima estao na horta.

    Os sinais da horta devem ter uma durabilidade razovel, mas no precisam de durar mais do que uma estao. Podem ser reutilizados materiais que resistam s condies meteorolgicas madeira, pedras/rochas, corda, fio, canas, pneus velhos, etc. Tambm ser necessrio martelo e pregos, cola forte, tinta, parafina e um pequeno pincel. Um pequeno maarico pode ser til para pirogravar letras na madeira.Para as ocasies especiais, os alunos podem colocar etiquetas temporrias com informao sobre o valor dos alimentos, histria, projetos, envolvimento da turma, etc. Usar papel e canetas coloridas.

    D. ENVOLVIMENTO DOS ALUNOSOs alunos da escola podem no conseguir fazer todo o trabalho necessrio para construir a horta, mas devem ser envolvidos tanto quanto possvel. Podem participar a:

    Mapear e estudar o local; Discutir e investigar materiais e equipamento

    necessrios; Observar e registar o trabalho na horta; Guiar visitantes no local e manter as famlias

    informadas; Estudar o desenho do jardim e os canteiros; Etiquetar e sinalizar a horta.

    Tudo isto proporciona aulas interessantes. A preparao do local um bom momento para dar aulas sobre o solo e gua, ferramentas e equipamento, e verificar o progresso das pilhas de composto.

    Fotografia cortesia de C. Power, Escola Sligoville, Jamaica.

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    DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA?

    Dicas e ideias Preparar um pedido de ajuda: utilizar as melhores imagens, o logtipo da horta e a

    sua misso. Por baixo escrever: NS PRECISAMOS, listando as necessidades, e terminar com PODES AJUDAR?. Colocar o pedido na escola e pedir aos alunos para fazerem cpias. Us-lo na aula para exerccios de leitura e pedir s crianas para o levarem para casa e contarem aos pais.

    Organizar um evento de angariao de fundos para a horta. Cada turma fica responsvel por um item (mangueira ou carrinho de mo, por exemplo). Desenhar cada item num tamanho grande e que vai sendo colorido medida que o dinheiro angariado. Os alunos colocam os registos no Arquivo da Horta.

    Deixar que os grupos de alunos escolham os talhes em que gostavam de cultivar. Dar nomes aos talhes.

    Estabelecer um Termmetro de fundos. Escrever os nomes dos doadores.

    Para realizar um grande nmero de tarefas, lanar uma Festa da Horta. Convidar os ajudantes e perguntar se podem trazer comida para partilhar. Comear tarde, trabalhar durante duas horas e depois partilhar a comida entre todos.

    Pedir aos alunos para etiquetarem e sinalizarem todos os elementos da horta. Depois organizar um teste sobre a horta para os outros alunos.

    SUGESTES PARA A AO Fazer e mostrar um mapa do terreno da escola. Pedir aos alunos que desenhem, fotografem e descrevam a horta. Listar o que necessrio fazer e estimar custos. Fazer um inventrio do equipamento existente e a lista do equipamento necessrio, sem

    esquecer os custos. Pedir aos alunos que ajudem a encontrar os preos dos equipamentos necessrios.

    Procurar saber a situao legal no que respeita a propriedade e manuteno do equipamento da horta.

    Consultar o Grupo da Horta para saber quem pode ajudar com o trabalho e equipamento necessrio.

    Explicar aos alunos mais velhos o que o local precisa. Prepar-los para guiarem visitas ao local por parte de patrocinadores, voluntrios, pais, Grupo da Horta e outras crianas, quer individuais, quer em grupo.

    Consultar os horticultores locais sobre o desenho da horta, discutir e decidir o que vivel na escola com os colaboradores, alunos e famlias. Planear a horta com os alunos.

    Expor o desenho da horta e colocar uma cpia no Arquivo da Horta.Resultados: - Imagens e descrio do local; - Lista das principais tarefas a realizar e estimativa de custos; - Lista do equipamentos e materiais essenciais e estimativa de custos; - Desenho da horta; - Uma equipa de alunos guias.

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    DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA?

    NA SALA DE AULAPreparar o terrenoAs crianas devem ser envolvidas na escolha, planeamento e preparao do local, apesar de no realizarem o trabalho pesado. Estas aulas encorajam-nos a avaliarem os recursos da horta, a perceberem as atividades de preparao do local, a planearem o desenho da horta e a comearem a criar os canteiros.

    1. Ferramentas e equipamento As crianas precisam de boas rotinas para a utilizao e armazenamento do equipamento.Objetivos Os alunos reconhecem as ferramentas da horta e aprendem a utiliz-las e a trat-las devidamente. Podem dizer aos outros o que podem fazer e decidir como implementar as regras da horta. Os alunos mais velhos podem ajudar com a pesquisa de mercado e na compra de ferramentas de qualidade ao melhor preo.Atividades Os alunos trabalham com as ferramentas, dizem para que servem e demonstram saber us-las, caso o consigam. Para cada ferramenta, o professor pede ideias sobre (a) como a pousar sem que seja perigoso (no caso de uma enxada, por exemplo), (b) como prevenir que enferrujem (baldes virados para baixo, ps enterradas em baldes com areia), (c) o que fazer depois de utilizar o equipamento (limpar e voltar a colocar no local devido). A turma discute o cdigo de conduta para o equipamento exemplos: Voltar a arrumar tudo no local devido! Ancinhos em p! e decide se todos se vo ter de lembrar das regras ou se necessrio escrev-las. Haver voluntrios para explicar aos alunos que estejam ausentes.

    2. Gesto da gua Para as reas em que a gua um problema Objetivos Os alunos conhecem as fontes de gua para a horta, reconhecem a necessidade de poupar gua e pensam em algumas ideias sobre como faz-lo.Atividades Os alunos respondem s seguintes questes:

    De onde vem a gua para a nossa horta? Como que chega escola?

    Poderamos obter gua de outro stio? (gua da chuva, fazer lagos, usar as guas cinzentas, das lavagens e da cozinha?);

    Como que podemos usar menos gua (cobrindo o solo, atravs da compostagem ou usando rega gota-a-gota)?;

    Como que levamos a gua at s plantas (mangueira, regador, balde)?

    Os alunos mais velhos explicam e elaboram as suas sugestes. De seguida fazem um mapa do fornecimento de gua e do sistema de irrigao, e fazem (e depois replicam) uma visita guiada ao sistema escolar de gua.

    3. Preparar o local Envolver as crianas na preparao do local e planeamento das atividades.Objetivos Os alunos obtm uma imagem clara do local da horta, reconhecem as tarefas necessrias e so capazes de interpretar as atividades de preparao.Atividades Os alunos andam volta do local da horta, observam e descrevem as suas principais caratersticas, plantas existentes, contornos (montes e covas) e estruturas (torneiras, abrigos, etc).

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    DE QUE PRECISA A NOSSA HORTA?

    Discutem o que fazer com lixo, rvores, arbustos, ervas, montes, cavidades, declives, rochas e pedras, se necessrio uma sebe/vedao, do que que o solo necessita, o que fazer em relao ao fornecimento de gua e onde devem ser os canteiros. Os alunos mais velhos fazem um mapa da horta onde incorporam as propostas e preparam-se para apresentar as ideias s outras turmas ou visitantes. De seguida, os alunos explicam s suas famlias o que necessrio fazer e registam as atividades de preparao do local em desenhos e composies escritas.

    4. Proteger a horta A batalhas contras os animais predadores uma atividade excitante.Objetivos Os alunos reconhecem os principais predadores e sabem como proteger a horta contra eles.Atividades O professor conta uma histria sobre uma criana horticultora e como frustrou predadores, ou desenha/mostra um predador e uma planta e pede aos alunos para explicarem o perigo e como preveni-lo. A turma recolhe mais exemplos de predadores locais atravs das suas famlias e agricultores locais (ver Proteger a Horta, no anexo Notas de Horticultura) e regista o que comem, o que fazem (sobem, voam, esgravatam) e como impedi-los. Encontram sinais e ameaas de predadores na horta e implementam medidas prticas contra os predadores como sebes, muros e vedaes. Usam as suas descobertas para encenar uma pea sobre a batalha pelas culturas, ou fazem um cartaz.

    5. Desenho da horta As crianas devem estar envolvidas no planeamento dos canteiros e caminhos da horta.Objetivos Os alunos reconhecem os elementos essenciais do desenho da horta e contribuem para o planeamento.Atividades A turma discute o que necessrio na horta (talhes, caminhos, sinais, flores, abrigo, torneiras). Inspecionam a horta, discutem e decidem:

    Quantos canteiros so necessrios (um para cada turma/grupo)? Onde devem estar (perto das salas de aula, perpendiculares ao declive)? Que tamanho devem ter (suficientemente largos para que se chegue ao centro sem os

    pisar os alunos podem experimentar)? Onde que os caminhos devem ser ( volta dos canteiros, ao longo dos j existentes)? Que largura devem ter (suficiente para que passe um carro de mo ou para carregar

    baldes os alunos devem experimentar)? Os alunos mais velhos marcam o stio com paus e fio e fazem o desenho escala. Os alunos mais novos podem fazer um desenho do mapa da horta (ver Parte 4).

    6. Canteiros Os canteiros permanentes elevados so produtivos, convenientes e bons para o solo.Objetivos Os alunos entendem como que os canteiros providenciam o que as plantas precisam, aprendem a no caminhar em cima deles, conseguem descrever o tipo de canteiros que foram adotados pela escola e sabem como faz-los.Atividades Os alunos relembram o que as plantas gostam no haver competio, solo bom (rico, hmido, arejado, firme e cheio de vida) e relembram o que sabem sobre a primeira camada de solo e o subsolo. Usando uma poro de solo, o professor demonstra como sero os canteiros elevados, em miniatura. Separa o canteiro do caminho, cava o canteiro, adiciona composto, rega e retira a primeira camada de solo do caminho para o canteiro. Os alunos discutem como estes canteiros estaro cheios de ar e vida e no devem ser pisados. De seguida, os alunos ajudam a preparar os canteiros e a explicar as suas vantagens a visitantes.

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    NOTAS

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    O tema deste captulo decidir o que produzir. Decidir o que fazer ao que se produz depois da colheira tratado no captulo 9. Antes da deciso final sobre o que se vai plantar, deve consultar o Captulo 9.O propsito prtico de produzir alimentos melhorar a dieta das crianas. Os objetivos educativos esto relacionados com a demonstrao de como que isto pode ser feito e com o aumento da sensibilidade para as questes da nutrio.

    Melhorar a nutrioObjetivos Decidir o que plantar atravs: da identificao das necessidades nutricionais e de dieta da descoberta do valor nutricional dos alimentos locais da escolha de alimentos que melhorem a dieta

    CAPTULO 6

    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    Uma horta escolar no consegue normalmente fornecer uma grande parte da dieta da criana. Uma das razes que as crianas no esto na escola todo o ano. Outra que no dispem de tempo suficiente para produzir em quantidade. Mas a horta pode ter uma forte influncia na dieta das crianas:

    Pode aumentar a variedade na dieta, adicionar vitaminas e minerais essenciais, com a fruta e os vegetais, e protena extra (por exemplo, atravs dos feijes e ovos). A ingesto de pequenas quantidades de carne importante para adicionar minerais como ferro e zinco, que so essenciais para o crescimento e desenvolvimento intelectual da criana.

    Pode contribuir para criar um gosto por diferentes alimentos nutritivos, de forma a que as crianas e as suas famlias plantem e cozinhem uma maior variedade de alimentos nutritivos.

    Pode alargar e equilibrar as refeies da escola. Muitas escolas recebem apenas alimentos bsicos secos para as refeies. A fruta fresca ou os vegetais da horta podem contribuir para a criao de refeies variadas e equilibradas.

    Pode fornecer lanches s crianas. O pequeno-almoo e lanche a meio da manh so especialmente importantes, uma vez que do energia s crianas para toda a manh. As crianas podem aprender como fazer os seus prprios lanches a partir dos alimentos da horta ou alimentos produzidos em casa.

    Pode sensibilizar as crianas e as suas famlias sobre o que constitui uma dieta saudvel. Pode promover alimentos que so negligenciados e desvalorizados, ou que podem ser

    armazenados/preservados.Todas estas influncias so mais eficazes quando as hortas escolares so encaradas como um modelo e imitadas pelas crianas e famlias na sua horta. Desta forma, a horta da escola mostra o que pode ser feito e a sua influncia multiplicada.

    Crimos uma horta que proporciona comida para lanches, com a ajuda de um agricultor local. As crianas produzem e conservam feijes e pepino, fazem bolo de cenoura e sopa de cenoura, abbora assada e sementes de abbora, e comem pimentos, tomates e ervilhas frescas. Parte dos alimentos so consumidos, outra parte vendida nos intervalos a outras crianas. Os lanches do muita protena vegetal e vitamina A, e promovem o apetite das crianas face aos alimentos frescos vindos da horta. (www.kidsgardening.com)

    As escolas falam sobre hortas e alimentos

    A nossa horta aromtica famosa! Foi anunciada na rdio e televiso. Fornece todos os temperos para todas as refeies da escola. Tambm encorajamos as crianas a encontrarem ervas selvagens e a traz-las para a escola, e procurar receitas tradicionais em que sejam utilizadas.

    Fotografia: @ Microsoft Clipart

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    Pode existir de antemo uma ideia sobre quais os alimentos que sero cultivados. Caso no exista, importante obter informao e conselhos dos pais, crianas, nutricionistas e profissionais de sade, horticultores, agricultores locais, professores de economia domstica, e consultar o programa das refeies escolares. Devem ser discutidas as seguintes questes:

    As crianas sofrem de desnutrio? As crianas esto doentes frequentemente, cansadas ou com pouca

    concentrao nas aulas? O que que as crianas comem? De que tipo de dieta que as crianas precisam? O que pode ser produzido para melhorar a dieta das crianas? Como que iro comer (e ser que vo comer)?

    Na nossa escola existem duas trabalhadoras comunitrias que trabalham com o objetivo de produzir alimentos que ajudem a aumentar a vitamina A e ferro nas dietas das crianas, especialmente na estao seca. Produzimos cenouras, batata doce, courgette, quiabo e vegetais de folha verde, e estamos a experimentar rvores de fruta manga, papaia, ner, morengo e goiaba, que so ricos em vitamina C. Os produtos da horta so utilizados nos almoos das crianas.

    A cozinha da nossa escola compra todos os alimentos que a horta produz. Falamos com os cozinheiros para decidir o que devemos produzir. Mas precisamos de maior coordenao. Por vezes, os cozinheiros no sabem cozinhar o que a horta produz e por vezes as crianas no comem o que eles cozinham.

    A cozinha da escola usa cerca de metade do que produzido pela escola. s sextas-feiras, quando no existe refeio na escola, as crianas tm aulas sobre planeamento de refeies, preparam e cozinham os alimentos da horta na cozinha da escola. Metade da turma regista, a outra metade cozinha e todos limpam. No Natal comemos habitualmente uma das nossas cabras.

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    A. DESNUTRIO: EXISTE UM PROBLEMA?Muitas crianas e comunidades em pases pobres tm dietas desadequadas e desequilibradas, cujo resultado a desnutrio. O crescimento e comportamento das crianas so bons indicadores da sua sade. Se forem baixas de mais para a sua idade, se estiverem cansadas ou com falta de concentrao e ficarem doentes com frequncia, podem estar desnutridas. As trs principais razes para a desnutrio so:

    Subnutrio Quando as crianas no ingerem as doses adequadas de alimentos ficam cansadas, adoecem com facilidade e no crescem em conformidade. Tambm podem ter problemas de aprendizagem na escola.

    Sobrenutrio Se as crianas comerem demasiado, no ingerirem as doses certas de alimentos e no fizerem exerccio fsico, podem ficar com excesso de peso. O que pode conduzir a um adulto com excesso de peso ou obeso e a muitos problemas de sade.

    Desnutrio de micronutrientes Muitas crianas no obtm as vitaminas e minerais suficientes. Estes micronutrientes levam a cabo tarefas vitais que fazem com que o corpo funcione bem. Proporcionam boa viso e pele limpa, protegem o corpo contra doenas, ajudam a libertar a energia dos alimentos, permitem que o crebro e o corpo se desenvolvam corretamente, e assim sucessivamente. estimado, por exemplo, que um milho de crianas morrem todos os anos por falta de vitamina A. A maioria das vitaminas e minerais esto disponveis nos alimentos que podem ser facilmente produzidos em casa ou nas hortas escolares. Muitas vezes as pessoas simplesmente no sabem que estes alimentos so essenciais sua sade...

    Para mais informao sobre os problemas, efeitos e sintomas, ver as Fichas de Nutrio: Fome e subnutrio e Necessidades de energia e nutrientes. Estes so problemas srios na sua zona? Existe sub/desnutrio de micronutrientes? Devem ser consultados os servios de sade, enfermarias locais ou assistentes sociais.

    B. DE QUE TIPO DE DIETA QUE AS CRIANAS PRECISAM?Uma dieta no apenas o que se come, mas tambm como se come, quantos alimentos diferentes, com que frequncia e quando.

    1. Que alimentos devem as crianas comer? Para crescerem e serem adultos inteligentes, as crianas precisam de comer todos estes alimentos regularmente:

    Cereais (milho, milho mido, sorgo, arroz, trigo) do muita energia, protena e (se forem comidos integrais) quantidades substanciais de vitamina B e E. Para obter todo o seu valor alimentar devem ser ingeridos com outros alimentos.

    Razes e tubrculos (mandioca, taro, inhame, batata doce, batata) tambm so boas fontes de energia e de algumas vitaminas, mas tm menos protena que os cereais. Devem ser ingeridos com outros alimentos.

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    Legumes (ervilhas, gro de bico, feijo, soja) so fontes ricas em protena. Alguns tambm tm gordura, vitamina E, clcio, e outros tm o ferro e o zinco de que as crianas precisam para crescer e desenvolver os seus crebros.

    Sementes, frutos secos, gorduras e leos so as fontes mais concentradas de energia. Mesmo em pequenas quantidades podem fazer uma grande diferena na dieta de crianas fisicamente ativas. Aquelas que tm origem em plantas (amendoins, sementes de girassol, soja, ssamo, azeitonas, colza) so as mais saudveis. Algumas providenciam protena e vitamina E. O leo de palma vermelho tambm muito rico em vitamina A. Os amendoins so um excelente lanche para as crianas, mas no devem ser muito salgados.

    Vegetais e fruta so ricos em muitas vitaminas e minerais diferentes e outras substncias que protegem a sade, especialmente os vegetais de folhas verde escura e os frutos amarelos e laranja e vegetais (abbora, batatas doces amarelas ou laranja, papaia, manga, cenouras). Os vegetais com folhas verde escuras libertam todo o seu valor nutritivo quando so acompanhados por outros alimentos. As crianas devem comer vegetais e fruta de cinco tipos e cores diferentes todos os dias (verde escuro, amarelo/laranja, vermelho, citrinos e legumes).

    Alimentos animais so ricos em protena e minerais de alta qualidade, como o ferro e zinco. O leite e o queijo do clcio para ossos fortes, enquanto os ovos de galinha do vitaminas A e D, bem como protena. Os peixes pequenos, se comidos com o fgado, so ricos em vitamina A e D e ferro. A menos que as crianas comam peixe e marisco diariamente, deve sempre ser usado sal fortificado com iodo.

    A gua aproximadamente 80% do corpo e essencial ao seu funcionamento. Permite eliminar desperdcios, mantm o volume do sangue e mantm os sais do corpo com a concentrao certa. Todos precisam de ingerir muita gua todos os dias, especialmente as pessoas que vivem em climas quentes e que sejam fisicamente ativas.

    Durante a maior parte da minha vida eu no sabia que muitas partes das plantas, como as sementes de abbora e folhas de feijo, eram boas fontes de nutrientes, por isso a nossa famlia deitava-os fora. Ao ajudar a preparar este livro, aprendi que temos bons alimentos nossa volta, e que com o conhecimento certo mesmo as crianas mais pobres podem ter todos os nutrientes de que precisam para viverem bem.

    A Ficha de Nutrio Nutrientes nos Alimentos mostra alguns alimentos que so ricos em vrios nutrientes necessrios ao crescimento, energia e sade. Os alunos esto a ingerir todos os tipos de alimentos? De que que precisam em particular?

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    3. VariedadeNo suficiente para as crianas que tenham muita comida. No suficiente mesmo que tenham todas as suas refeies bem equilibradas. Para dar ao corpo tudo o que necessrio, precisamos de variedade: muitos cereais diferentes, razes e tubrculos, vegetais, frutas, legumes e sementes, e alimentos animais. As crianas precisam desta variedade todos os dias, durante todo o ano.H muitas razes pelas quais as pessoas no tm variedade nas suas dietas. Podem no conseguir adquirir os alimentos. E muitas vezes no existem alimentos disponveis no mercado ou supermercado local, ou pode existir escassez sazonal.

    O Guia da Refeio Variada da Famlia

    2. Boas refeiesUma refeio equilibrada habitualmente baseada num acompanhamento um cereal, raiz ou tubrculo (por exemplo, arroz, batata, po, mandioca e milho). Que acompanham habitualmente peixe, carne ou legumes, e vegetais. Os vegetais de folha verde escura e vegetais cor de laranja so particularmente bons. Um pouco de gordura ou leo ajuda a absorver os nutrientes nos vegetais. E o tempero muito importante para tornar a refeio saborosa. Finalmente, todas as refeies devem terminar com uma pea de fruta. As crianas tm refeies equilibradas? Na escola e em casa?

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    Vegetais adicionam variedadeNo distrito de Toledo, no Belize, a agricultura de corte e queima est a empobrecer o solo. A dieta local principalmente milho, arroz e feijo. Os vegetais no so bem vistos, so tidos como comida difcil. A desnutrio generalizada.Os programas de hortas e refeies escolares pretendem melhorar esta situao. So apoiados pela ONG Plenty Belize, com a ajuda da UNICEF, da Organizao Pan Americana da Sade (PAHO), da universidade local e dos comits regionais de educao. As hortas escolares produzem mandioca, couve, pimentos, pepinos, tomates, cenouras, papaia, manga e banana-da-terra. As sebes de hibisco mantm afastados os principais ladres, que so os porcos domsticos; uma das escolas conseguiu angariar dinheiro para uma vedao metlica. As escolas usam mtodos naturais para controlar pragas: apanha de insetos, culturas mistas e spray para insetos, feito com cebolas, alho e pimentos. Os produtos so vendidos principalmente para as cozinhas da escola. As escolas neste esquema encontram-se uma vez por ms para trocarem ideias e colaborarem na procura de financiadores. As famlias, inicialmente desconfiadas, agora apoiam as hortas, porque, como o coordenador do projeto diz, a agricultura realmente a melhor aposta para viver.

    (M. Miller, personal communication, 2004)

    Crianas do Belize mostram parte da sua colheita. Fotografia Plenty International*

    As pessoas podem ficar sem os alimentos de que precisam em momentos de maior stress no inverno, por exemplo, quando precisam de comida extra para se manterem quentes, ou quando esto a desenvolver trabalho pesado na terra e necessitam de energia e nutrientes extra. Muitas vezes, as pessoas acham que a variedade no importante, por isso escolhem comer sempre os mesmos alimentos. Podem achar que no vale a pena comerem fruta e vegetais ou simplesmente no gostam de determinados alimentos, porque no esto habituados a ingeri-los. Muitas crianas, por exemplo, crescem a comer pouca fruta e vegetais, o que cria hbitos e preferncias que so difceis de alterar mais tarde. As crianas tm a variedade necessria na sua dieta? Algo diferente todos os dias? Diferentes alimentos ao longo do ano?

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    C. O QUE PODEMOS PRODUZIR PARA MELHORAR A SUA DIETA?1. Como pode a horta ajudar?Para recapitular, aqui fica de que forma a horta pode ajudar na dieta das crianas:

    As questes Como pode a horta ajudar?

    Existem alguns micronutrientes em particular que estejam em falta na dieta das crianas?

    A horta pode contribuir com fruta e vegetais ricos em vitamina A e ferro.

    As crianas esto a comer todos os tipos de alimentos? Do que que precisam em particular?

    A horta pode dar fruta e vegetais ricos em vitaminas, legumes e sementes para aumentar a gordura e protena na dieta, e talvez at galinhas e ovos para garantir a ingesto protena animal.

    As crianas tm refeies equilibradas em casa? E na escola?

    A horta pode adicionar vegetais frescos ou fruta s refeies das crianas.

    A dieta das crianas precisa de mais variedade?

    A horta pode dar variedade, por exemplo, ao produzir diferentes tipos de vegetais de folha verde escura e uma boa variedade de fruta durante o ano.

    As crianas fazem as refeies suficientes durante o dia?

    Mesmo uma horta pequena pode dar lanches e bebidas, e ajudar no pequeno almoo.

    As crianas apreciam a comida? As crianas podem aprender a apreciar a aparncia, cheiro e textura da fruta e dos vegetais frescos da horta.

    4. FrequnciaMuitas crianas tm apenas uma refeio por dia. No suficiente. As crianas em crescimento precisam de comer muitas vezes, at cinco vezes por dia. Precisam de comer antes de ir para a escola, para terem energia para estudarem: crianas com fome no aprendem bem. Um lanche a meio da manh d-lhes o que precisam at hora do almoo. Depois precisam de uma refeio a meio do dia, que seja equilibrada, um lanche tarde e uma refeio noite. Quantas vezes que as crianas da escola comem durante o dia? E quando?

    5. Cultura e diversoA comida no s o combustvel que o corpo precisa para funcionar. Comer pode ser uma fonte pessoal de prazer, uma forma de criar laos sociais e uma prtica cultural ligada identidade pessoal e social. As crianas da escola comem comida apetitosa e apreciam comer?

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    2. Que alimentos podemos produzir para ir ao encontro das necessidades das crianas? Em geral, se queremos adicionar valor e variedade dieta das crianas, no muito til produzir alimentos bsicos que as crianas j estejam a comer, exceto talvez milho ou arroz para os lanches. Em vez disso, bom escolher diferentes tipos de fruta e vegetais. Se houver escassez sazonal, podem ser escolhidos alguns alimentos que podem ser processados e armazenados (vegetais de folha verde, amendoins, sementes oleaginosas, feijes e ervilhas, milho, manga, banana, batata doce e tomates, por exemplo).Geralmente, melhor produzir alimentos locais. As plantas locais esto adaptadas ao ambiente local por exemplo, podem estar preparados para crescer em condies secas. Tambm pode ser possvel utilizar mais plantas que cresam de forma selvagem. A ideia no necessariamente ter novos alimentos, mas maior variedade, melhor preparao, novas combinaes e uma maior quantidade destes bons alimentos locais.Deve ser feita uma lista preliminar dos alimentos locais que vo ao encontro das necessidades da dieta das crianas. Podem ser consultadas as Fichas Nutrio e Alimentos e consultar os peritos locais e professores de economia domstica. Deve ser feita uma lista longa para haver muita escolha, que ir realmente dar variedade dieta. Pensar em frutas, sementes, amendoins e oleaginosas, trepadeiras, vegetais com folhas, vegetais com razes, ervilhas e feijes e aromticas. Deve pedir sugestes e discutir a questo com as crianas e pais (ver a aula O que devemos produzir para comer? no final deste captulo).

    3. As crianas gostam do alimento? fcil de produzir? O seu calendrio de produo ir encaixar no horrio escolar? Estas questes prticas vo afetar o que se decide produzir. A maioria das crianas, por exemplo, gosta de batata doce, abbora, papaia, amendoins tostados e outros alimentos que podem ser comidos como lanche. Pipocas feitas de milho ou sorgo so igualmente deliciosas.As culturas devem ser fiveis, robustas e fceis de produzir. No deve ser necessrio muito trabalho e devem estar bem-adaptadas ao clima e solo locais. O momento da colheita deve idealmente acontecer algumas semanas antes do fim do ano escolar, para permitir o armazenamento, preservao e consumo, e para que se possa avaliar o projeto. Consultar o anexo Fichas de Alimentos e falar com os agricultores e peritos locais.Se existe mais do que uma variedade local, todas devem ser experimentadas. E deve pedir-se aos alunos para que observem as diferenas. Pode-se descobrir que algumas variedades funcionam melhor dos que outras num determinado local. De qualquer forma, bom para promover a diversidade! Que alimentos da lista apelam mais s crianas e de que forma? As culturas selecionadas so fceis de produzir? Que variedades sero plantadas?

    O que que a horta produz?Numa rea rural da frica do Sul, um inqurito sobre dieta alimentar mostrou que os alunos precisavam de mais vitamina A e ferro, protena, refeies mais frequentes, comer de manh e mais variedade de uma forma geral. O inqurito abrangeu dez escolas com hortas.Naquele ano, as hortas escolares estavam a produzir batatas doces (7 escolas), feijes (5), amendoins (4), milho (4), leo de palma (2), mandioca (2), abbora (1), manga (1), galinhas (1), ervilhas (1) e cabras (1). Em mdia, as escolas produziam trs culturas cada. A maioria vendia um tero das suas colheitas no mercado e um tero a professores, e dava o restante para as crianas levarem para casa.Estas escolas poderiam melhorar a dietas das crianas se alterassem as culturas produzidas nas hortas? H algumas ideias na prxima pgina.

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    4. Que mais podemos produzir?Alm de fornecer energia e nutrientes vitais, as plantas do muitas outras coisas.

    Para sabor e interesse plantar tomate e cebola, pimenta e mostarda, pimentos vermelhos, slvia limo, menta e coentros. Fixar o objetivo de fornecer todas as ervas e especiarias de que a cozinha da escola precisa.

    Para eventos produzir algo para fazer bebidas e lanches para as crianas, visitantes e ajudantes (ver Bebidas e Lanches na Horta, no anexo Notas de Horticultura).

    Para acrescentar valor procurar plantas que do algo extra flores bonitas, folhagem, aromas, sombra, composto, combustvel, alimentos para animais, sebes, remdios e repelentes naturais para pragas.

    A Ficha de Alimentos sugere como usar algumas plantas destas formas. Algumas culturas permanentes de baixa manuteno (rvores de fruta, arbustos, ervas aromticas) podem melhorar o ambiente.

    5. Como que produzimos estes alimentos? Quanto que conseguimos produzir? Onde que devem ser plantados?Deve-se obter informao em como produzir as culturas escolhidas, em conjunto com os alunos, quanto que possvel produzir, quanto espao necessrio, quando plantar e quando colher (ver a aula Peritos em Culturas no final deste captulo). Consultar de forma ampla. Tambm pode ser til para saber que culturas so adequadas para que os alunos de diferentes faixas etrias possam acompanh-las.Para cada cultura necessrio considerar onde plantar, como que iro combinar com outras. O que quer dizer que pode ser necessrio pensar em rotao de culturas, plantao misturada e em vrias camadas, entre outras metodologias (como discutido no Captulo 8 e nas Notas de Horticultura).

    D. TOMAR A DECISO FINALAntes de ser tomada a deciso final sobre o que se vai produzir, necessrio assegurar que professor e alunos consultaram as suas famlias, os servios de sade, professores de economia, os servios de agricultura, o servio de refeies da escola e o servio de sade ambiental. Isto vai permitir que se tomem decises adequadas e tambm que todos conheam as escolhas e as razes para as mesmas.Para ajudar neste processo, os alunos podem fazer fichas para cada alimento que decidam produzir. Podem ser utilizadas as questes da aula Peritos em Culturas, mais abaixo. Deve incluir informao local por exemplo, como que as pessoas encaram um determinado alimento, e quanto custa.

    Plantas versteisA menta e a erva prncipe so usadas como plantas de companhia para controlar pragas. Tambm so boas bebidas e uma infuso de erva prncipe alivia os sintomas da gripe. As bebidas frescas podem ser feitas de manga, goiaba, abbora, papaia, banana, laranjas, limes, cenouras e tomates. Misturar diferentes frutos pode melhorar o sabor experimentar cenoura com laranja, abbora com limo, laranja e um pouco de acar.

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    SUGESTES PARA A AO Descrever a dieta das crianas em resposta s questes A e B colocadas em cima. Obter

    algumas ideias sobre como a horta pode ajudar. Explorar algumas ideias das crianas e das famlias sobre uma boa dieta e alimentos. Consultar os servios agrcolas, os servios de sade, professores de economia domstica e

    o servio de refeies da escola sobre as necessidades da dieta das crianas e que alimentos so importantes.

    Selecionar vrias culturas adequadas para melhorar a dieta das crianas. Ajudar os alunos a fazerem fichas para cada um dos alimentos.

    No deve ser tomada uma deciso final sobre o que produzir at se ter decidido o que fazer aos alimentos quando so colhidos (ver Captulo 9).

    NA SALA DE AULAPreparar o terrenoEstas aulas so sobre dietas saudveis e quais os alimentos que podem contribuir para elas, culturas especficas e decidir o que produzir.Devem estimular o interesse das crianas em

    produzir alimentos em casa como uma experincia agradvel, uma fonte de sade e concretizao pessoal, e fazer da alimentao saudvel um tema de conversa em casa.N.B. Pode ser til ter um conjunto de fichas de alimentos com imagens de alimentos locais, feitos pelo professor ou pelos alunos.

    1. O que comemos Esta aula pretende sensibilizar para a importncia da variedade numa dieta.Objetivos As crianas descrevem a sua dieta, tomam conscincia de quantos frutos e vegetais diferentes comem normalmente e reconhecem a ideia da variedade numa dieta. O professor pode usar as Aulas 1 3 para saber mais sobre a dieta das crianas, a sua relao com a comida e as suas ideias sobre boa comida.Atividades Na aula, os alunos fazem um prato de alimentos com desenhos e pores de alimentos (cereais, por exemplo): o alimento base no meio, alimentos animais esquerda e vegetais direita. Contam os alimentos e dizem quantos alimentos diferentes comem durante o dia. Como trabalho de casa, mantm o registo do que comem durante um dia ou uma semana, e contam o nmero de tipos de alimentos.

    Os nossos alimentos.

    O que deve ser produzido na horta?Algumas sugestes para as escolas: Em geral, ter muita variedade, para uma melhor dieta e experincia hortcola mais

    abrangente. Ter batatas doces, feijes e amendoins (para energia, protena e vitaminas). Talvez reduzir o milho e mandioca. Aumentar a fruta (mais mangas, goiaba, banana, maas laranjas peras, etc.) e palmeiras

    para leo de palma. Ter mais vegetais e diferentes (tomates, cebolas, cenouras, abboras). Ter mais vegetais de folhas verde escuras de diferentes tipos.

    Alm disso, alguns alimentos podem ser dados s crianas de manh, na escola.

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    2. Boa alimentao (1) Crianas e famlias precisam de uma atitude positiva em relao fruta e vegetais Objetivos As crianas apercebem-se que a fruta e vegetais so alimentos importantes, podem expressar a sua preferncia por frutas e vegetais especficos e aprender a apreciar o seu cheiro, sabor e textura.Atividades Todos os alunos lavam as mos antes da aula. O professor mostra alguns exemplos atrativos de fruta e vegetais frescos, imagens e poemas sobre eles. As crianas dizem de quais gostam mais. O professor elogia respostas positivas e promove um

    sentimento de prazer. Com os olhos fechados, as crianas mexem em diferentes alimentos e dizem o que sentem, cheiram e adivinham quais so, ouvem (abanam ou partem), observam com ateno e descrevem-nos, depois saboreiam e comem-nos devagar e descrevem o seu sabor. Como trabalho de casa, desenham ou descrevem os seus frutos e vegetais preferidos, ou adivinham frutos ou vegetais atravs de descries que lhes so fornecidas.

    3. Boa alimentao (2) As crianas agem como missionrios de alimentos para as suas famlias.Objetivos Os alunos devem reconhecer que a fruta e os vegetais so essenciais sade, devem reconhecer o valor especial dos vegetais de folhas verde escuras e os frutos e vegetais vermelhos/laranja, e devem ser capazes de explicar como podem melhorar a sua dieta.Atividades Usando imagens ou amostras de alimentos, as crianas colocam alimentos locais comuns na escada dos bons alimentos e explicam as razes. O professor ajuda as crianas a ajustarem estes valores visveis dos alimentos, explicando que todos os alimentos so bons, mas que alguns so particularmente melhores. Os alunos escolhem todos os vegetais de folha verde escura e frutas e vegetais vermelhos/laranjas e elevam-nos dois degraus, na escada. As crianas mais velhas usam as tabelas na Ficha Nutrio 3 para indicarem que benefcios trazem determinados alimentos. De seguida, as crianas desenham mensagens de alimentos para levarem para casa baseadas nas aulas at agora, ou fazem uma bandeira dos bons alimentos com imagens de alimentos adequados, em faixas verdes ou laranjas).

    4. Plantas alimentcias As crianas estabelecem ligaes entre plantas e alimentos.Objetivos Os alunos tomam conscincia da variedade de plantas que podem ser comidas, so capazes de reconhecer e saber o nome de diferentes partes de plantas, e conseguem classificar alimentos de acordo com a parte da planta de onde so originrios.Atividades O professor compe um saco cheio de alimentos provenientes de diferentes partes da planta (razes e tubrculos, caules, folhas, botes, flores, fruta, sementes) e estabelece na sala

    locais etiquetados para as diferentes partes das plantas (canto da raiz, mesa da folha, etc.). Os alunos classificam uma imagem com as diferentes

    partes da planta e depois trabalham em conjunto na classificao dos alimentos que esto no saco, colocando-os no local certo. De seguida fazem um cartaz onde classificam uma planta com os nomes ou imagens dos alimentos que pertencem a cada uma das partes. (Food bag idea adaptado de Kiefer and Kemple, 1998)

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA COMER?

    5. O que vamos produzir para comer? As crianas devem ser consultadas sobre o que vo produzir para comer.Objetivos Os alunos tomam decises/sugestes sobre que alimentos vo produzir baseando-se nas preferncias e entendimento sobre o seu valor nutricional, e so capazes de justificar as suas escolhas.Atividades As sugestes das crianas sobre o que vo produzir para comer so escritas ou desenhadas em cartes. Para cada carto a turma discute quatro questes: Gostamos? bom para ns? Conseguimos produzir? Como que vamos com-lo saboroso e fcil de preparar? Se todas as respostas forem favorveis, o carto exposto e a deciso final tomada tendo em conta os cartes selecionados. Os alunos mais velhos verificam que a seleo inclui alimentos variados, os ingredientes necessrios para alguns bons pratos e alimentos para lanches e bebidas (ver Bebidas e Lanches, no anexo Notas de Horticultura). De seguida, os alunos dizem s suas famlias que alimentos selecionaram e porqu, compilam um livro de lanches ou preparam cartazes para publicitar os alimentos selecionados.

    6. Peritos em culturas Tornar-se peritos em culturas d s crianas motivao e cria memria de turma.Objetivos As crianas investigam as culturas que escolheram produzir, usando diferentes fontes.Atividades Os alunos relembram as culturas que querem plantar e discutem o que precisam de saber sobre elas. A turma em conjunto compila uma ficha para uma cultura (utilizando as questes abaixo). Em grupo selecionam que cultura querem estudar, discutem o que j sabem e planeiam o que vo descobrir junto das famlias, vizinhos e horticultores locais, etc. Os alunos depois relatam e completam as fichas. Os alunos mais velhos preparam uma apresentao ou uma campanha de publicidade.

    Questes para a ficha de cultura(para as crianas mais novas, usar apenas as questes sublinhadas).

    Fotografia: Plenty International

    Onde que produzido localmente? produzida para vender ou para

    consumir? Existem variedades diferentes? boa para ns? / Qual o seu valor

    alimentar? As pessoas gostam e valorizam? Quanto custa comprar? Qual a melhor forma de cozinhar

    e comer (para o sabor, para o valor alimentar)?

    fcil de produzir? Quanto tempo demora?

    Durante quanto tempo que continua a produzir?

    Que quantidade produz? Quando que se deve plantar? Como que se planta e onde? Precisa de desbaste ou transplante? Como que deve ser cuidada (gua/

    sombra/tutor)? O que a ataca? Como que colhida e armazenada? Pode ser preservada de alguma forma? Precisa de ser promovida, se sim, como?

    (Adaptado de Burgess et al., 1998)

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    NOTAS

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    Um projeto de mercado hortcola adequado aos alunos mais velhos, uma vez que implica sair da escola e lidar com dinheiro. J as crianas mais novas podem preparar os alimentos para atividades de angariao de fundos como vendas de trazer-e-vender, feiras de alimentos ou rifas de produtos. Ou podem fazer parte das equipas de projeto.

    Mercado hortcolaObjetivos Pesquisar o mercado Decidir o que produzir e quanto Decidir que recursos so necessrios Gesto financeira e oramental; planear a utilizao das receitas Manter registos e contabilidade Armazenar/preservar/processar o produto Embalar e promover o produto Publicitar o projeto

    CAPTULO 7

    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    O propsito prtico de um mercado hortcola gerar receitas. Uma das razes para valorizar a horta escolar os recursos financeiros da escola serem escassos. Mas um mercado hortcola tambm uma excelente oportunidade educativa para desenvolver competncias de negcio. O simples facto de levar bens para vender e manter registo desses bens desenvolve o sentido de responsabilidade. Fazer pesquisa de mercado, oramentar, antecipar riscos, desenhar um plano de negcio e, acima de tudo, adotar um pensamento de negcio educao para a vida. Pode fazer a diferena entre sucesso e fracasso

    em pequenas empresas agrcolas, de que muitas famlias dependem. Estas atividades tambm iro ajudar os estudantes a concorrerem a crditos, eventualmente, e a saberem geri-los. Os gestores bancrios ficam sempre impressionados com um plano de negcio bem preparado.No entanto, as crianas no devem trabalhar muitas horas na horta, por isso a horta no dar muito dinheiro. Num projeto de mercado hortcola, o lucro mais um smbolo do que um objetivo. necessrio para manter a horta autossuficiente e ajudar a financiar a escola. importante para a motivao, como um sinal de empresa bem-sucedida. Outros incentivos poderosos so a oportunidade para as crianas ganharem elas prprias algum dinheiro e terem voz nas decises de aplicao do lucro. essencial que o projeto tenha a imagem certa. As famlias e a comunidade tm de constatar que a escola est a ajudar as crianas a aprenderem competncias teis e no a explor-las para o lucro da escola, ou (pior) para benefcio dos professores. A transparncia na gesto do dinheiro crucial. Os alunos devem manter as contas e serem capazes de explic-las. A contabilidade deve ser de consulta pblica e toda a escola e os pais devem saber como usado o lucro.

    A. O QUE IMPLICAO projeto do mercado hortcola deve ser muito bem pensado do princpio ao fim. E isto ir envolver: Explorar possveis mercados e reconhecer as possibilidades

    comerciais; Decidir o que produzir; Planear o oramento e desenhar um plano de negcios; Produzir e processar as colheitas; Embalar, fazer marketing, transportar e vender as colheitas; Manter contas e registos; Decidir o que fazer com o lucro. Seja qual for a escola, o processo sempre o mesmo.

    Na sala de aulaO projeto envolve reunies, discusses e aulas que podem ser diretamente aplicadas numa empresa. As escolas deveriam discutir com professores de Estudos de Negcio sobre como pode um projeto hortcola ser integrado num currculo normal. Se no existirem esses especialistas, pode pedir ajuda a amadores com boas capacidades e instintos para o negcio.

    A escola Nebiri, no Zimbabu, vendeu as suas mangas, com desconto, aos membros da comunidade. Mas comerciantes sem escrpulos comearam a comprar mangas em grande quantidade e a revend-las para fazerem lucro. Agora a escola tem uma regra: ningum pode comprar mais do que quatro mangas de uma vez.

    (S. Ncube, personal communication, 2003)

    Velho aldeo: Quando eu era um mido na escola, costumvamos perguntar porque que estvamos a produzir alimentos para os professores comerem. Agora a escola est novamente a produzir alimentos, mas para as crianas comerem.

    (M. Miller, personal communication, 2003)

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    Gesto do projetoQuem ir gerir o projeto? Os alunos devem ser envolvidos em todo o processo e em control-lo em grande parte. A equipa de projeto constituda pelos alunos, apoiados pelos professores. E os alunos devem ser encorajados a pedir conselhos s famlias. As equipas tero de partilhar tarefas e planear a estratgia. Devem saber partida que trabalhar em conjunto no fcil e que trabalhar em equipa faz parte do projeto. Devem avaliar e utilizar os talentos de cada um. Por exemplo, todas estas qualidades so teis:

    Um pensador analtico, para a pesquisa de mercado; Algum que seja bom com nmeros, para a

    contabilidade; Um aluno extrovertido, para as vendas; Um trabalhador responsvel e consciencioso, para

    organizar a horta; Talentos imaginativos e artsticos, para as embalagens

    e promoo de ideias; Um bom coordenador, que ir encorajar todos os

    membros.Quando o produto ficar decidido, a equipa dever criar um dossi para o projeto, para registar as atividades e decises. Este ser usado para avaliao, motivao, publicidade e evitar erros futuros.

    TamanhoA equipa do projeto deve decidir no incio a escala e durao aproximada do projeto isto , quanto tempo ir durar e quanto tempo lhe podem dispensar.

    B. DECIDIR SOBRE PRODUTOS ADEQUADOSA equipa deve comear por refletir sobre os diversos produtos possveis, depois fazer uma pesquisa de mercado, obter informao sobre os produtos e desenhar propostas de produto.

    1. Pesquisa de mercadoPara cada ideia de produto promissora, a equipa de projeto deve identificar, de uma forma prtica, se existe procura, quem vai comprar e onde, quanto estaro dispostos a pagar e qual a melhor altura para vender (ver a aula Pesquisa de Mercado). Para obter esta informao podem visitar mercados, perguntar s famlias, falar com proprietrios de estabelecimentos e entrevistar produtores.Que tipo de produto podemos vender?Os alunos procuram descobrir sua volta:

    que alimentos so comprados para as suas casas; que alimentos so produzidos localmente para obter

    dinheiro; que alimentos so necessrios para restaurantes locais,

    hotis, vendedores de rua, cozinha da escola, etc.; que alimentos muito procurados esto raramente disponveis; que alimentos altamente nutritivos existem em pequena quantidade.

    Podem considerar ervas aromticas, sementes ou plntulas, fruta ou vegetais (crus ou processados), comida pronta a comer, conservas ou bebidas e culturas que podem ser transformadas em artefactos por exemplo, cabaas podem ser transformadas em recipientes, taas e ornamentos.

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    Qual o seu valor acrescentado ou aspeto de venda?Os novos produtos so difceis de comercializar. Um produto j conhecido e com um novo aspeto tem maiores hipteses de venda. A equipa deve perguntar o que especial em relao ao seu produto, o que o torna diferente. Por exemplo, as pessoas podem querer comprar um produto porque este :

    de alta qualidade; atrativo e delicioso; altamente nutritivo; disponvel fora da estao (fruta seca ao sol, por exemplo); barato; conveniente (levado para casa pelos alunos, por exemplo); biolgico; produzido pela escola.

    Se o valor nutricional um incentivo venda, a equipa vai precisar de conselhos em termos de necessidades locais de nutrientes e do valor nutricional de vrios alimentos (ver Ficha de Nutrio, Nutrientes nos Alimentos). Podem, por exemplo, consultar o professor de economia domstica ou uma clnica local.Quem vai comprar e onde?A equipa de projeto deve decidir quais os melhores locais de venda:

    a populao local, atravs de lojas locais, mercados ou bancas beira da estrada; a populao da escola, atravs de bancas de lanches geridas pelos alunos, atravs de

    vendedores, na aula; pas e famlias, atravs dos alunos, ou em eventos nas escolas, como feiras de alimentos,

    por exemplo; a escola como um todo, atravs do servio de refeies do estabelecimento.

    muito mais educativo se os alunos forem envolvidos nas vendas, em vez de delegar a um profissional de bancas de venda ou lojistas. No entanto, podem ser feitos acordos com lojas locais. Por exemplo, produtores locais podem estar interessados em contribuir para uma banca semanal na escola, se esta atrair muitas pessoas. Os restaurantes e bares podem estar prontos a comprar um produto especfico durante um certo perodo; nestes casos aconselhvel serem os professores a fazerem a primeira abordagem, e depois pedirem aos alunos que negoceiem se lhes parecer que sero bem-vindos.Quanto que vo pagar?

    Quando que se deve vender? A equipa tem de descobrir que preos so competitivos, qual a variao de preos e como variam sazonalmente. Podem decidir por um produto fora de poca que atinge preos elevados, como o caso da manga desidratada (ver caixa da pgina 68).Como que se promove?Todos os produtos precisam de um nome. Um produto pode ser promovido com um cartaz, de boca em boca, num lema, numa conversa ao balco. Se os argumentos de venda so novos para os compradores, ser necessrio promover. Por exemplo, se o

    Quando se calcu-lar o preo de ven-da de um produto, importante con-siderar os custos relacionados com a produo. Mes-mo algo to bsico como a taxa de germinao das se-mentes pode afetar o preo final das plntulas ou das compotas.

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    produto altamente nutritivo, ento os clientes devem ser convencidos do seu valor nutricional. No se deve negligenciar outras virtudes o produto tambm pode ser delicioso e barato. Os argumentos de venda costumam ser trs, normalmente!As ideias para comercializar so importantes. A promoo faz normalmente a diferena. No entanto, precisa de ser planeada e organizada, e tambm acarreta custos. A equipa de projeto deve ter algumas ideias no incio e desenvolv-las enquanto as culturas esto a crescer.

    2. Informao sobre o produtoA equipa tambm vai precisar de discutir algumas questes tcnicas e de marketing, de forma a desenvolver uma proposta completa para o produto e identificar os contributos necessrios (ver o esquema da aula em Informao sobre o produto). A discusso pode levantar questes sobre princpios importantes por exemplo, alimentos seguros, respeito pelo ambiente, investimento em infraestruturas, verdade na publicidade.Conseguimos produzir? Como que produzimos?Ser que as culturas so fceis de cultivar, resistentes e fiveis? Comeamos com sementes ou com plntulas? Quanto trabalho ser necessrio? Ser que as culturas sero colhidas e embaladas a tempo de serem vendidas antes do final do ano letivo?Ser necessrio aconselhamento tcnico para saber como obter os melhores resultados quando plantar, como cultivar, a que pragas e doenas se deve estar atento e como lidar com elas, quando e como colher, como armazenar a colheita (ver Captulo 8: Como que produzimos alimentos?).A equipa deve decidir se ir adotar outro princpio alm do lucro a curto prazo. Por exemplo, ser que vo insistir que o projeto devolva ao solo o que retirou? Ser que devem ser feitas melhorias na infraestrutura da horta?Como que processado?Se o produto precisa de processamento, que equipamento ser necessrio? Como que os alunos vo aprender a processar? Que regras de higiene devem ser observadas? Se o produto deve ser armazenado, que tipos de recipiente so necessrios para protege-los? A equipa do projeto deve abordar todas estas questes. Os tcnicos de ambiente, os professores de economia domstica, os inspetores de segurana alimentar ou o ministrio da sade podero ser fontes de aconselhamento.Como que ser acondicionado e rotulado?

    O acondicionamento no tem de ser dispendioso, mas deve ser atrativo e seguro. Se o produto para conservar, o acondicionamento deve ser estanque e prova de pragas. A rotulagem um aspeto importante para a comercializao. E tambm uma atividade educativa que introduz aos alunos obrigaes legais e estratgias de comunicao tais como desenhos de alto impacto e textos atrativos. Haver inscries nos recipientes ou na embalagem? A equipa de projeto deve considerar como que isto pode ser feito mo, impresso ou fotocopiado?

    Quanto tempo ir demorar?Quando a equipa de projeto tiver reunido a informao, deve estimar o tempo necessrio ao projeto, tanto regularmente como nos perodos de ponta da atividade (colheita, processamento, acondicionamento e venda, por exemplo). Isto pode afetar a escala e o cronograma da operao (por exemplo, evitar os perodos de testes ou exames).

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    (Adaptado de FAO (sem data) Rural Processing and Preserving Techniques)

    3. Propostas de produtosAo ser realizada a pesquisa anterior, podem ser eliminadas algumas ideias demasiado ambiciosas ou pouco realistas. Para os produtos mais prometedores, a informao recolhida pode ser sintetizada como na tabela abaixo. Este documento para os empreendedores, no para o pblico.

    Nome do produto Manga desidratada

    Produto Fatias de manga secas ao sol.

    Tipo de produto Lanches para crianas comerem na escola ou em casa.

    Valor nutricional Rico em vitamina A e energtico, muito bom para a sade.

    Valor acrescentado/ aspetos de venda

    Pode ser comido fora da estao e dura muito tempo. Delicioso. D energia para estudar.

    Quem vai comprar e onde? Estudantes e famlias. Os estudantes levam para casa e sero vendidos na banca da escola nos intervalos.

    Quanto vo pagar? Ser pago o mesmo valor que est estabelecido para bolos e pezinhos do vendedor de rua 20 cntimos.

    Quando deve ser vendido? Comear a vender duas semanas depois das mangas frescas terem terminado.

    Consegue-se produzir? Como que produzimos?

    As rvores j existem na escola no necessrio plantar, cultivar ou podar.

    Como que colhido?As mangas sero apanhadas quando estiverem semi-maduras e no cheias de fibra. Sero apanhadas mo para proteger o fruto. Devem ser escolhidos os frutos perfeitos.

    Como processado? Ser utilizado um secador solar, que ter de ser construdo. a) lavar e descascar a fruta (com uma faca limpa e mos limpas) e cortar s fatias. A casca e a semente vo para o composto. b) fazer uma soluo de 1 litro de gua, 700 g de acar, 3 g de meta bissulfito de potssio e 2 colheres de sumo de limo para cada 2 quilos de fruta. c) embeber as fatias durante 18 horas, e depois escorr-las. d) colocar em tabuleiros untados no secador solar durante trs a quatro dias. e) verificar a qualidade e pesar pores de 200 g.

    Como acondicionado? A fruta colocada em sacos de plstico selados com um rtulo com o nome, peso, ingredientes, origem, data de processamento e data de validade.

    Como promovido?

    a) mantm-se toda a escola informada do projeto e promove-se um concurso para o melhor logtipo.b) enquanto as mangas esto frescas faz-se sumo de manga para os alunos e recorda-se que podem ter mangas durante todo o ano se assim quiserem.c) pede-se aos alunos para transmitirem s famlias o lema: A manga desidratada mantm-nos saudveis todo o ano.d) oferece-se amostras nas primeiras duas semanas de vendas.

    Quantotempodemora?

    Sero necessrias dez horas de preparao por semana durante um ms, 20 horas por semana durante o ms de frutificao, cinco horas por semana, durante seis semanas, durante o perodo de vendas. Tudo isto soma 150 horas (isto , 30 horas para cinco pessoas, 15 horas para dez pessoas).

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    C. DEFINIO DE UM PLANO DE NEGCIOO plano de negcio um documento definido pelo empreendedor e revisto por organizaes que fornecem emprstimos ou pelos gestores bancrios. O seu propsito decidir se a proposta ir funcionar financeiramente isto , se haver lucro. O plano:

    define a ideia do projeto e a estratgia de marketing; apresenta os nmeros para as receitas previstas, os

    custos e os lucros; explica como ser distribudo o lucro; discute riscos e verifica como ser possvel evit-los.

    Para definir o plano de negcio, a equipa de projeto deve encontrar resposta a estas questes:Quanto que se prev produzir?Estimar quantidades um bom teste ao sentido de realismo da equipa e ajuda a calcular os recursos necessrios. Devem decidir:

    quanta terra conseguem facilmente cultivar; quanto conseguem plantar na terra; que rendimento esperam da colheita; que quantidade de produto final a colheita ir fornecer.

    Quais sero os custos?Que meios de produo sero necessrios? Onde sero adquiridos? Quanto custam? importante que os custos sejam trabalhados seguindo a mesma forma que num negcio, como se fosse uma microempresa num mundo exterior. Vai ajudar os alunos a pensarem melhor sobre finanas. Por exemplo:

    O custo relacionado com o trabalho da equipa de projeto no deve ser includo como um custo. Em vez disso, a equipa partilha os lucros.

    A renda da terra seria provavelmente muito baixa mesmo que a escola resolvesse cobr-la. Mas, se a escola est a emprestar ferramentas, transporte e equipamento, se fornece gua ou se paga as sementes, por exemplo, estes custos devem ser includos para serem pagos com futuras receitas.

    Depois dos alunos estarem habituados a analisar custos, pode-lhes ser apresentada a ideia de custos variveis e fixos, e o efeito de escala nos proveitos. Se produzirem mais, ir isto aumentar a taxa de lucro?

    Como se ir utilizar o lucro?Assim que houver uma estimativa de lucro, a equipa deve discutir o que fazer com o lucro. Estas so algumas possibilidades:

    Reinvestir na horta; Contribuir para um projeto de melhoria da escola; Financiar uma festa final; Partilhar o lucro entre a equipa do projeto; Pagar a alunos para acompanharem a horta durante as frias.

    Se a equipa de projeto decidir contribuir para o Fundo da Escola, ser boa ideia assegurar que ser destinado a um projeto especfico e no simplesmente perdido nas despesas gerais. Todos devem saber com quanto contribuiu o grupo da horta e do mercado e em que que foi gasta essa contribuio.Quais so os riscos e como evit-los?Para abordar esta questo, o projeto deve ser dividido em fases e deve pensar-se no que pode correr mal em cada fase e como resolver. Por exemplo:

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    Fase 1: obter os recursos (no esto disponveis, demasiado caros, fraca qualidade);

    Fase 2: cultivar a cultura (falta de gua, pragas e doenas, problemas de trabalho);

    Fase 3: colheita e processamento (quebra no equipamento, demasiado trabalho);

    Fase 4: acondicionamento e transporte (indisponibilidade das embalagens, transporte demasiado caro);

    Fase 5: vendas (tempo errado, lugar errado, pessoas erradas). Depois de investigar e discutir estas questes, definir o plano de negcio (para exemplo, ver a aula Plano de Negcio). Arquivar no dossi do projeto.

    D. IMPLEMENTAR O PROJETOFinalmente, o projeto precisa de um plano de ao (ver Captulo 10). Este ir mostrar todas as

    atividades do projeto e coloc-las num calendrio. Aspetos importantes para os empreendedores jovens:

    Objetivos claros que incorporem os princpios discutidos; Manter registos um bom hbito que nem sempre surge naturalmente; Publicidade, uma vez que a autoapresentao chave para o sucesso

    do negcio; Avaliao, que dir equipa se a empresa bem-sucedida.

    1. ObjetivosUma empresa mede habitualmente o seu sucesso pelo lucro. A equipa de projeto deve discutir se este o seu nico critrio. Pode tambm querer adotar outros objetivos ou princpios para guiar as suas aes isto , comunicao honesta, respeito pelo ambiente, investimento em infraestrutura e reputao da escola. Que tambm sero objetivos do projeto.

    2. Manter registosO dossi do projeto deve ter um registo completo do projeto, incluindo:

    os objetivos; toda a informao sobre os produtos; o plano de negcio; o plano de ao; a contabilidade; o dirio do projeto; registos fotogrficos, se existirem.

    ContabilidadeA equipa de projeto deve aprender a manter as contas atravs de um sistema de rotatividade (ver aula Contabilidade). Contas pequenas e simples podem ser expostas e a equipa de projeto pode explic-las.O dirio do projetoDeve ser mantido um dirio regular do projeto, que inclua:

    as tarefas realizadas e o tempo que demoraram; problemas, incidentes, aes tomadas por exemplo, notas sobre os tratamentos usados

    para as pragas, conselhos que foram dados, meteorologia, condies de mercado, discusses entre a equipa de projeto, etc.;

    registos da produo data de colheita, quantidade, etc. Se o projeto vai ser avaliado, a equipa pode compilar um portflio do projeto.

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    Registo fotogrficoTirar fotografias boas e atrativas do processo e do produto.

    3. Publicitar o projetoA comercializao do produto j publicidade. Mas se o produto for bem-sucedido, bom fazer mais barulho! Os alunos e os professores podem falar sobre o projeto a organizaes, a toda a escola, a grupos de jovens, a associaes de pais ou direo da escola. Isto ir promover a boa alimentao, dar ideias de negcio aos mais novos, aumentar a reputao da escola, fazer com que a equipa se sinta bem, permitir ganhar prtica em fazer apresentaes e atrair novos patrocinadores.Todos os registos so teis para publicitar o projeto, especialmente imagens, fotografias, testemunhos e histrias. Para os jornais locais ou programas, deve-se preparar uma pgina com os pontos importantes e incluir uma imagem que fique bem a preto e branco.

    4. AvaliaoA avaliao deve confirmar as projees do plano de negcio (ver aula Avaliao, no Captulo 10). Algumas questes so:

    O lucro compensou o trabalho realizado? O que que no foi previsto? Os custos e preos estavam certos? Foram atingidos os objetivos? Atingiu-se o lucro dentro do intervalo definido? O lucro foi utilizado como previsto? Que lies foram aprendidas?

    SUGESTES PARA A AO Realizar encontros peridicos com professores de estudos de negcio para discutir sobre

    como incorporar o projeto no currculo. Pedir aos alunos para se organizarem em equipas de projeto e pensarem em produtos

    que so comercializveis. Conduzi-los por todas as fases vistas anteriormente, terminar o plano de negcio e o plano de ao.

    Apresentar o plano de negcio ao Grupo da Horta e discutir necessidades.Resultados: - Ideias de produtos adequados; - Planos de negcio; - Lista de necessidades.

    Dicas e ideias Para promover o esprito empreendedor, a equipa de produto pode concorrer a um

    prmio ou a um ttulo (p.e. Empreendedores do Ano) ou submeter propostas rivais para projetos.

    Realizar um concurso para o nome do produto, o logtipo e o design da embalagem. Ensinar os alunos a fazer apresentaes de planos de negcio, com cartazes, para

    o Grupo da Horta/Associao de Pais. Incentivar os alunos a cultivarem talhes individuais para conseguirem obter

    algum dinheiro no final do ano. Organizar uma competio para o melhor talho ou para o mais lucrativo.

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    NA SALA DE AULAMercado hortcola Nestas aulas, os alunos mais velhos tm de planear e implementar um projeto de mercado hortcola.

    1. Pesquisa de mercado Esta introduo pesquisa de mercado implica uma aula dupla.Objetivos Os alunos reconhecem a importncia da pesquisa de mercado, discutem ideias de produto e fazem uma pesquisa de mercado simples.Atividades Os alunos preparam-se atravs da procura das culturas comerciais locais, preos e descontos, e pensam em oportunidades de mercado. Na sala, ouvem histrias de jovens empreendedores que no fizeram a sua pesquisa de mercado e analisam porque que falharam. Depois discutem ideias de produtos, considerando uma srie de produtos e lojas (ver em baixo), escrevem as ideias em cartes e penduram-nos. Escolhem um papel ideia de produto (PIP) e discutem cinco questes: a) o que ser especial em relao ao produto? Quem ir compr-lo e onde? C) que mercados so melhores? D) quanto que os clientes vo pagar? E) qual a melhor altura para vender? Como trabalho de casa, cada grupo escolhe outro PIP prometedor e investiga as mesmas cinco questes.

    Possveis sadas: lojas, mercado, vendas de rua, entrega em casa, eventos na escola, eventos na igreja, grupos de jovens, bancadas na escola, refeies da escola, restaurantes locais, cafs ou bares.

    Produtos possveis: ervas aromticas e medicinais; plntulas; sementes ou vasos com plantas; comida crua; comida processada ou conservada; pratos pronto a comer, bebidas e lanches; sacos de composto; lenha; outros produtos para a horta (por exemplo: sprays caseiros para pragas, flores, cestos, esponjas vegetais); ovos, vassouras e escovas.

    2. Propostas de produtos Convidar consultores com experincia real do mundo dos negcios.Objetivos Os alunos aprendem a consultar peritos e a apresentar as suas propostas de produtos.Atividades Os alunos relatam a sua pesquisa de mercado, falam dos seus PIP e explicam porque que acham que as ideias so bem-sucedidas. A turma divide-se em equipas, cada equipa com uma responsabilidade especfica (produo, contabilidade, vendas ou publicidade). Quem responsvel pelo registo das ideias de projeto e nomes dos membros da equipa? Como trabalho

    Estabelecer uma moeda prpria. Os alunos vendem os produtos loja da escola e compram outros produtos com a moeda que ganharam por trabalharem na horta.

    Pagar em gneros as crianas recebem fruta e vegetais por uma monda extra, fazer entregas na vila, levar alimentos para o mercado, etc.

    Convidar empreendedores locais, vendedores do mercado, pessoas de negcios para discutir os seus problemas e sucessos, e comentar as ideias de produtos e planos de negcio dos alunos.

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    de casa, os alunos pesquisam as culturas selecionadas usando a Ficha Cultura e consultando os peritos apropriados (horticultores, pequenos agricultores e professores de economia domstica).

    A ficha de cultura deve seguir as questes do esquema da aula para Peritos de Culturas (Captulo 6), com estas questes extra: que embalagem/etiqueta ir precisar o produto? Existiro subprodutos que se possam usar ou vender? Que recursos sero necessrios para produzir e vender este produto (transporte, ferramentas, equipamento, sementes, gua, embalagens, ingredientes para cozinhar/preservar ou publicidade)? Quanto iro custar? Onde podem ser adquiridos?

    3. Informao sobre o produto Os alunos recolhem informao necessria para o plano de negcio.Objetivos Os alunos recolhem informao essencial sobre o produto e os recursos necessrios; reconhecem os processos envolvidos no desenvolvimento de um produto e o que implicam.Atividades So apresentadas aos alunos as dez questes que devem ser respondidas no mbito do plano de negcio (em baixo), para que identifiquem aquelas que j responderam (1.3). Fazem um relatrio com a informao que j recolheram sobre o produto e arquivam no dossi do projeto. A turma dedica-se depois s perguntas 4-6. Discutem a escala de produo (rea do terreno que necessria, quanto tempo, que quantidades) e fazem estimativas quantitativas. Listam os recursos necessrios, onde que os iro obter e fazem uma estimativa de quanto iro custar; esta informao ser registada pela Equipa de Registos. Os alunos discutem e decidem quem responsvel por obter informao sobre cada um dos recursos. Questes para o plano de negcios

    1. O que vamos produzir?2. Como que o vamos fazer?3. Como e onde iremos vender os nossos

    produtos?4. Quanto que planeamos produzir?5. Onde sero obtidos os meios de produo?6. Quais sero os nossos custos?7. Quais vo ser as nossos receitas?8. Que lucro esperamos obter?9. Quais so os riscos e como podemos evit-los?10. O que vamos fazer ao lucro?

    4. Oramentao Esta aula diz respeito s questes relacionadas com dinheiro (7 e 8, em cima).Objetivos Os alunos estimam o lucro dos possveis produtos.Atividades Os alunos usam a tabela em baixo para aprenderem a estimar os custos e as receitas, e a calcular o potencial lucro. Usam a sua lista de insumos necessrios e fazem uma anlise de custos para os seus projetos. E j podem considerar as questes 7 e 8, j respondidas. Como trabalho de casa, refletem sobre os riscos que o projeto pode enfrentar e o que pode ser feito com o lucro obtido (questes 9 e 10).

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    RECEITASProduto Quantidade

    Preo de venda por unidade

    Valor total

    Tomates 50 kg 2 por kg 100TOTAL 100

    CUSTOS

    Item Quantidade necessria Preo por unidadeTotal custos

    Sementes 5 pacotes 2 10Fertilizante 5 sacos 5 25Sacos de papel 100 10 per 100 10Licena para o mercado 1 5 5Transporte 4 viagens ao mercado 3 12Ferramentas 4TOTAL 66

    LUCRO ESPERADO 34

    Anlise de custo para o projeto Tomate

    5. Plano de negcio Esta aula para preparar o plano de negcio, de forma a que possa ser apresentado ao pblico.Objetivos Os alunos antecipam riscos, discutem o que fazer com o lucro, desenham o plano de negcio e apresentam-no.Atividades Os alunos descrevem os riscos que identificaram, sugerem formas de evit-los e anotam as ideias. Discutem tambm o que gostariam de fazer com o lucro. As ideias so registadas, mas a deciso final deixada para mais tarde no projeto. A ficha do Plano de Negcio (em baixo) apresentada aos alunos. Estes escrevem o seu plano de negcio e praticam a sua apresentao. As equipas depois definem as aes prioritrias e registam o que deve ser feito e quem responsvel. De seguida, os alunos fazem apresentaes (para a associao de pais e alunos, ao Grupo da Horta e a outras turmas, por exemplo).

    (Adaptado de Heney, 2000)

    A ficha do plano de negcioNome do grupo ................................................................................... Turma ...................................................Nome do projeto e produto .................................................................................................................................................Descrio do projeto .............................................................................................................................................................Perodo do projeto: de ....................................................... (ms, ano) a ....................................................... (ms, ano)1. Estimam a rentabilidade da empresa (anexam a anlise de custos)2. Onde sero adquiridos os recursos necessrios? .......................................................................................................3. Como e onde sero vendidos os produtos? .................................................................................................................4. O que ser feito com o lucro? .........................................................................................................................................5. Quais so os principais riscos e como que sero reduzidos? .....................................................................................................................................................................................................................................................................................

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    O QUE VAMOS CULTIVAR PARA VENDER?

    6. Marketing e publicidade Promover o produto muito educativo para os promotores!Objetivos Os alunos tomam conscincia do valor da comercializao e promoo, estudam e selecionam estratgias de comercializao e implementam-nas com um programa de comercializao coerente.Atividades Os alunos estudam produtos que j conhecem e as suas estratgias de comercializao, e debatem ideias para os seus produtos (ver em baixo). Depois selecionam algumas abordagens que consideram que podero ter impacto para o seu contexto. De seguida, a equipa de publicidade prepara e apresenta o plano de comercializao.Pensar em estratgias de comercializao Pensar nos principais pontos de venda do produto:

    Decidir a abordagem de comercializao geral (servio especial, entrega personalizada, publicidade porta a porta, boca-a-boca, campanhas com cartazes, embalagem, ofertas especiais).

    Inventar um nome para o produto, logtipo, lema e decidir como sero utilizados.

    Desenhar a embalagem e o rtulo (lembrar que existe informao de segurana alimentar que obrigatria no rtulo).

    Pensar na publicidade e em promoes (folhetos, bandeiras, exposies). Equipa de vendas.

    7. Contabilidade e registos Manter as contas til mesmo que haja pouco fluxo de dinheiro.Objetivos Os alunos monitorizam diariamente as receitas e as despesas, reconhecem a necessidade de transparncia na contabilidade.Atividades Os alunos discutem a importncia de manter o registo das contas (como lembrete, transparncia, para avaliar o lucro). Acompanham os registos de um dia de um vendedor no mercado, receitas e despesas (ver em baixo), e percebem que se adiciona a diferena entre receitas e despesas direita (assim os dois lados do o mesmo resultado, para verificarem que no se enganaram). Depois praticam fazendo entradas para outros cenrios fictcios. Finalmente, recebem um livro para o seu prprio projeto e decidem quem o vai usar e como.

    Livro da ElisabeteA Elisabete vende tomate, cebola e quiabo no mercado. Esta uma pgina do seu livro.

    A Elisabete comea com 8,000 em dinheiro.De manh ela compra:

    - 2 cestos de tomate a 2.000 cada - 1 saco de cebolas a 2.500 - 1 cesto de quiabos a 1.200 Durante o dia ela vende: - tomates a 1.000 - cebolas a 600 - quiabos a 400

    Ela fica com 600 para comprar comida para casa.No fim do dia, sobram 1.700. Por isso, no dia seguinte, ela comea com 1.700 em dinheiro.

    (Adaptado de Heney, 2000)

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    NOTAS

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    CAPTULO 8

    COMO CULTIVAR?

    Como que produzimos alimentos? O que que as crianas devem aprender sobre produzir alimentos? O Currculo hortcola responde a questes como Como podemos manter o solo rico? Como que semeamos sementes? O que fazemos em relao s pragas? Algumas das respostas diferem de acordo com as circunstncias locais, prticas e ideias. necessrio decidir que mtodos sero usados na horta da escola, o que tambm ir afetar o que vo decidir produzir.Algumas das tcnicas mais conhecidas e bem-sucedidas esto explicadas nas Notas de Horticultura. Muitas delas so abordagens biolgicas, defendidas por este Manual (ver Horticultura biolgica, nas Notas de Horticultura). Estas abordagens devem ser comparadas com as experincias pessoais, com os recursos que esto disponveis, com as prticas locais e com o que as crianas conseguem fazer.

    Mtodo HortcolaObjetivos Decidir estratgias e necessidades de aprendizagem em relao a: Plantar o qu, como, quando e onde; Manter o solo; Usar ferramentas; Obter boas sementes e plntulas;

    Cuidar das plantas: regar, alimentar, mondar; Cuidar das plantas: gesto de pragas; Colheita, armazenamento e preservao.

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    COMO CULTIVAR?

    As seguintes perguntas devem ser colocadas: Estamos familiarizados com esta abordagem? assim que feito c? Queremos fazer isto desta forma? Se sim, ser que precisamos de convencer outras

    pessoas? Ser que os alunos conseguem gerir a horta? O

    que que vo precisar de aprender? Se algumas abordagens forem novidade, devem aconselhar-se com peritos locais. Ao discutirem estas questes, devem chegar a um currculo de horticultura que seja adequado s circunstncias locais.

    A. ATIVIDADES NA HORTA

    1. Como que se mantm o solo frtil?As plantas, ao crescerem, retiram nutrientes ao solo. Na natureza, as plantas normalmente morrem depois de crescerem e devolvem ao solo os nutrientes que retiraram. Mas, quando as culturas so colhidas, retiramos ao solo o que ele produziu, para comer ou usar. Ao fazermos isto, retiramos a riqueza do solo e devemos devolver de alguma forma. Este um ponto que as crianas precisam de entender.Existem vrias boas formas de manter o solo frtil:Composto e cobertura de soloO estrume, o composto e a cobertura do solo devolvem ao solo muita matria orgnica. Deve consultar o anexo Notas de Horticultura sobre composto, rega e cobertura do solo.

    Estas prticas so normais do ponto de vista local? possvel faz-las na escola?

    Se o plano fazer composto, quando se deve comear (demora cerca de trs meses a ficar pronto)?

    As crianas e as suas famlias podem contribuir para o composto. Como que isto pode ser organizado a longo prazo? Como que se podero tornar entusiastas em relao ao composto?

    Lavoura mnimaSe for decidido ter canteiros elevados permanentes, a melhor poltica a lavoura mnima (ver Canteiros, no anexo Notas de Horticultura) isto , no mexer no solo

    e deixar a natureza fazer o cultivo. Razes, composto, minhocas e bactrias vo fazer o seu trabalho para a construo de uma boa estrutura do solo. Depois de o canteiro estar pronto, deve-se evitar a lavoura profunda ou cavar, uma vez que isto poder destruir a estrutura viva do solo. A lavoura mnima uma prtica local? Vai ser necessrio convencer outras pessoas? Rotao de culturasCulturas diferentes consomem nutrientes do solo diferentes e em quantidades diferentes. Os nutrientes so retirados a diferentes nveis do solo. Para manter o solo frtil, essencial fazer uma rotao de culturas isto , ter uma cultura diferente, de uma famlia de plantas diferentes, em cada canteiro, em cada estao. O ciclo de mudana das culturas deve durar pelo menos quatro anos. Alternar culturas de razes profundas e razes superficiais tambm permite que diferentes nveis do solo possam ter um perodo de descanso (consultar Rotao de culturas e culturas mistas, no anexo Notas de Horticultura).

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    COMO CULTIVAR?

    Se for decidido que os alunos devem aprender a fazer rotao de culturas, ser necessrio que faam um mapa das culturas plantadas em cada estao. Tambm ajuda se a turma mantiver o mesmo talho ao longo dos vrios anos letivos, para que os alunos possam controlar o local das culturas todos os anos.

    A rotao de culturas norma local? Pode ser usada na horta da escola? Vai ser includa na aprendizagem?

    Culturas sob coberto (associadas)Pode-se produzir plantas de alturas e hbitos diferentes em conjunto, o que permite retirar o melhor uso do solo (ver Culturas Mistas, no anexo Notas de Horticultura). Normalmente, a planta mais alta perene, como a papaia ou o maracuj, por exemplo, enquanto as culturas pequenas anuais podem estar em rotao.

    Existe espao para algumas perenes altas entre as outras culturas? O que se poderia plantar?

    Vai ensinar-se s crianas como fazer culturas mistas?

    Rotao de culturas nas hortas escolaresNas hortas escolares necessrio estabelecer compromissos entre prticas agrcolas boas, por um lado, e necessidades nutritivas, educativas e motivacionais, por outro. Ningum quer estar todo o ano a estudar e a comer apenas cenouras! Por sorte, o espao que se d a cada cultura no faz muita diferena para a rotao de culturas. As doenas no se propagam no solo, por isso pode haver rotao quer em reas pequenas quer em grandes. Por exemplo, um produtor comercial pode ter um campo com couves, outro com feijes, um com cenouras e um quarto com acelgas, e fazer a rotao de quatro culturas a cada cinco estaes, com um intervalo de poisio. A turma pode ter as mesmas quatro culturas numa horta pequena, com uma faixa vazia e uma cultura para adubo-verde, como girassol ou alfafa:

    3 linhas de feijo verde

    4 linhas de acelgas

    4 linhas de cenouras 5 couves Faixa vazia

    Girassol ou alfafa

    (Adaptado de Valley Trust Nutrition Education Programme, 1995)

    Ainda possvel fazer rotao de culturas num quadrado muito pequeno de 1 x 1 metro, como na horta de um metro quadrado. Estes desenhos tornam a rotao de culturas mais visvel e ao mesmo tempo enfatizam a importncia da variedade, para uma boa nutrio.

    2. Como podem ser utilizadas as ferramentas?Que ferramentas so utilizadas localmente e como? As crianas conhecem as ferramentas e sabem como us-las (ver Captulo 5)?A segurana com as ferramentas particularmente importante com crianas. Que precaues devem ser tomadas e que procedimentos devem ser estabelecidos?Que regras devem ser estabelecidas para manter as ferramentas sem ferrugem, para as partilharem de forma responsvel e, acima de tudo, para as guardarem depois de serem usadas?

    Existe algum ponto que precise de ser especialmente enfatizado junto dos alunos? O seguro da escola cobre acidentes na horta, com as ferramentas e o equipamento?

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    COMO CULTIVAR?

    3. Como que se obtm boas sementes?Vo ser necessrias sementes que sejam fortes e que no tenham doenas. As variedades locais so as melhores. As opes so:Sementes e estacas da comunidadeEstas estaro provavelmente bem adaptadas ao clima. Contudo no se pode ter a certeza que sero fortes ou que no tenham doenas. Devem ser plantadas separadamente, rotuladas, e deve pedir-se s crianas para monitorizarem e perceberem como esto a crescer as plantas.Comprar sementesEstas so mais dispendiosas, mas geralmente aconselhvel comprar sementes comerciais e us-las no perodo especificado. Pode-se tentar obter as sementes de um retalhista de sementes, mas deve-se verificar se esto dentro do prazo: sementes de vegetais deterioram rapidamente (cereais e legumes duram mais tempo).Sementes prpriasPor vezes pode retirar sementes das prprias plantas, se no forem hbridas. Esta a soluo mais barata e pode ajudar a melhorar o stock de plantas. Tambm muito educativo: aprender como selecionar, colher e armazenar as sementes e fazer estacas so lies valiosas para as crianas.

    Deve-se selecionar as melhores plantas e as mais fortes; evitar o erro comum da seleo negativa (ficar com as sementes das plantas fracas e doentes).

    Haver algum que possa doar sementes e estacas para a horta da escola?

    Ser que possvel obter sementes mais baratas por encomenda postal em vez de num fornecedor local?

    Ser que possvel guardar sementes das prprias plantas?

    4. Como, quando e onde plantar?ComoAs sementes grandes podem ser plantadas diretamente no solo. As sementes pequenas requerem uma cama para as sementes ou um viveiro. Pode ser numa caixa, tabuleiro ou saco; um viveiro protegido; um tabuleiro de sementes (reutilizar tabuleiros de plstico pode ser uma soluo econmica); um viveiro de sementes na sala de aula. As sementes vo precisar de germinar e crescer antes de serem transplantadas. Alguns procedimentos standard so descritos nas Notas de Horticultura, em Plantar, transplantar e semear sementes.

    Como que se planeia faz-lo?QuandoObter aconselhamento local sobre quando plantar, uma vez que o clima da regio habitualmente dita o melhor momento. Tambm necessrio encaixar a plantao no perodo escolar e continuar a plantar caso se queira obter colheitas contnuas.

    Quais so as prticas locais? O que gostariam de experimentar?

    Antes tarde.Um professor na Gambia plantou cebolas na horta da escola. Seguiu as instrues do pacote. Uma mulher mais velha passou na estrada e avisou-o que era muito cedo, mas ele ignorou porque achou que ela no percebia do que estava a falar. No final, as cebolas falharam, enquanto as cebolas da mulher mais velha (plantadas mais tarde) floresceram. O facto de terem sido plantadas mais tarde evitaram os piores efeitos da estao seca. (Cederstrom, 2002)

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    COMO CULTIVAR?

    Onde?Algumas das possibilidades so descritas nas Notas de Horticultura, em Rotao de culturas, culturas mistas e culturas associadas.

    Iro colocar uma cultura em cada talho, ou vrias no mesmo talho? Iro usar o mtodo de culturas mistas para controlar pragas?

    5. Como cuidar das plantas?As tarefas regulares da horta so regar, cobrir o solo e mondar. Estas tarefas so relativamente repetitivas e podem-se tornar mais interessantes se as crianas aprendem a melhor forma de o fazerem. Melhor: se o fizerem em grupo, mostram umas s outras como o fazem e veem os efeitos do seu trabalho.RegaA rega regular essencial para a maioria das plantas. E h formas mais ou menos eficazes de faz-lo. Todos os principiantes devem aprender a reconhecer quando necessrio regar, saber quanto suficiente e a regar o solo, no as folhas (ver Regar as plantas, no anexo Notas de Horticultura)!

    Quais so as prticas de rega locais? O que que as crianas precisam de aprender?

    Cobertura de soloCobrir o solo volta das plantas com material orgnico seco timo para impedir o crescimento de ervas e manter a humidade no solo. Lentamente, aumenta o contedo orgnico do solo e previne o solo de formar uma crosta dura. Existem conselhos sobre cobertura do solo nas Notas de Horticultura. A cobertura do solo uma prtica local? Que material local adequado para cobrir o solo? algo que os alunos precisam de aprender?

    MondarTambm existe arte na monda. necessrio apanhar as ervas antes de produzirem semente e ter a certeza que se retiram as razes ou se corta a erva abaixo da superfcie do solo. Mondar pode ser uma atividade satisfatria, uma vez que os efeitos so visveis e as ervas so um estudo interessante sobre a competio entre as plantas. Algumas atraem insetos benficos, outras do uma boa contribuio para a pilha de composto. Pode verificar conselhos sobre monda nas Notas de Horticultura.

    O que que os alunos precisam de aprender sobre mondar?

    6. Como combater as pragas e doenas?Com a Gesto Integrada de Pragas (GIP) pode-se evitar muitas despesas enquanto se protege o ambiente (ver Plantas saudveis, no anexo Notas de Horticultura). A GIP preserva os insetos benficos, protege as aves selvagens, poupa dinheiro e protege o solo. Tambm encoraja as crianas a observar e ajuda-as a compreender todo o ecossistema. Aqui ficam as principais estratgias GIP. Plantas saudveisA primeira forma de combater doenas e pragas ajudar as plantas a manterem-se saudveis.

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    COMO CULTIVAR?

    Algumas formas de alcanar este objetivo so: Escolher sementes e plntulas sem doenas; Plant-las em canteiros elevados; Alimentar o solo com composto; Regar regularmente; Deitar fora plantas com doenas e pragas; Cobrir o solo para reduzir a competio,

    manter a humidade e alimentar o solo; Associao de culturas (plantar algumas

    culturas juntas, por exemplo).Rotao de culturasA rotao de culturas no s mantm o solo como tambm reduz doenas (ver Rotao de culturas, no anexo Notas de Horticultura). Cada cultura tem as suas doenas e pragas especficas. Algumas destas ficam no solo depois da colheita e aguardam a prxima colheita. O mesmo tipo de cultura no mesmo local vai provavelmente ter a mesma doena. O risco muito menor se se cultivarem diferentes tipos de planta.

    Associao de culturasPlantar algumas culturas em conjunto ajuda a controlar as pragas. As ervas com aromas fortes podem afastar insetos que tm efeitos nocivos nos vegetais. Algumas destroem organismos nocivos que esto no solo, outras plantas com flor atraem insetos benficos que destroem os nocivos. Para mais detalhes, ver Plantas de Companhia, no anexo Notas de Horticultura.Atitude em relao aos insetosAlguns insetos so bons para as plantas e outros so nocivos. Borboletas e abelhas, por exemplo, devem ser encorajadas, uma vez que polinizam as plantas;

    j louva-a-deus e joaninhas caam insetos nocivos. As crianas precisam de aprender a distinguir os amigos da horta dos inimigos da horta (ver Criaturas benficas da horta e Pragas, no anexo Notas de Horticultura).A maioria dos pesticidas mata todos os insetos, o que nocivo para as plantas. As crianas devem saber que existem outras formas, ambientalmente amigveis, para lidar com as pragas. Algumas pragas podem ser eliminadas simplesmente apanhando-as quando aparecem inicialmente. Outras podem ser controladas usando um spray de sabo e gua ver Sprays caseiros, no anexo Notas de Horticultura. Consultar Problemas de Plantas, no anexo Notas de Horticultura, para ver que abordagens alternativas que as crianas podem aprender.

    Quais so as prticas locais habituais para controlo de pragas e doenas? Existe uso forte de pesticidas e fungicidas?

    Planeiam usar uma prtica integrada para gesto de pragas? Se sim, como o vo explicar s crianas e comunidade? Como que sero organizadas as crianas para monitorizar e encontrar solues para os problemas?

    A nossa escola pratica a rotao de culturas por exemplo: couve, ervilhas, milho e inhame, sucessivamente. Tambm temos plantas com cheiros fortes para afastar os insetos calndulas, hortel e alhos. Um agricultor local copiou a horta escolar e plantou calndulas em todo o talho de couves. As crianas disseram que parecia um campo a arder!

    (C. Power, personal communication, 2003)

    Demasiado de uma coisa boaUm agricultor na Tanznia recebeu um apoio para instalar um sistema de irrigao. No primeiro ano plantou couves. Eram grandes e venderam-se bem, por isso voltou a plant-las na estao seguinte e no mesmo terreno. E na estao seguinte. E na seguinte. No final do segundo ano, o sistema de irrigao estava timo, mas as couves eram pequenas e doentes.

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    COMO CULTIVAR?

    7. Como que se colhe, armazena e preserva as colheitas?O que que as crianas precisam de saber sobre colheita? (ver Colheitas, no anexo Notas de Horticultura.) Est a ser planeado o armazenamento e a preservao de colheitas? importante se esto a ser produzir alimentos para manter durante o ano. A conservao e preservao nas Notas de Horticultura mostram algumas formas de armazenar de forma segura e algumas formas de preservar a comida por exemplo: secar, enfrascar e fazer picles. Ver tambm o Captulo 9 D, em baixo. Esto familiarizados com formas de preservao de comida? Que

    mtodos so praticados localmente? As crianas conhecem-nos bem? Planeiam usar estes mtodos?

    8. E se algo corre mal?H sempre alguma coisa que corre mal! Mesmo que sejam peritos a gerir a horta, est a trabalhar com aprendizes os alunos! Tambm pode estar a experimentar novas plantas ou mtodos. Mas tudo o que corre mal uma oportunidade para comunicao, observao, experimentao e aprendizagem. Como possvel ver na caixa em baixo, as questes mais interessantes resultam de problemas.

    B. REGISTAR AS ESTRATGIASAntes de tomar decises finais sobre os mtodos hortcolas, devem-se consultar horteles e conselhos de peritos. Pode considerar til listar as abordagens que sero adotadas para discusso com o Grupo da Horta, crianas, pais, etc. Pode utilizar a tabela em baixo.

    ABORDAGEM A ADOTAR

    Manter o solo

    Uso de ferramentas

    Obter boas sementes/plntulas/estacas

    Plantar e transplantar - como, quando, onde

    Cuidar das plantas regar, cobrir o solo, mondar

    Gesto de pragas e doenas

    Colher, armazenar e preservar

    Uma exposio de cincias no ZimbabuAlguns projetos vencedores na exposio interprovincial de cincias:

    Excesso de resduos de cenoura na escola primria de Gaza. As crianas descobriram que estavam a deitar fora muitas plntulas de cenoura antes de transplantar. Porqu?

    Tomates doentes na Escola Amaswazi. Qual era a causa? Qual era a cura? As crianas experimentaram diferentes tipos de composto para aumentar o rendimento.

    A alta taxa de folhas encaracoladas em vegetais folhosos na escola Dyaramiti. Ser que causado por demasiado fertilizante qumico?

    Ser que a urina como fertilizante melhora o rendimento do milho numa escola em Chimanimani?

    (L.Chinanzvavana, personal communication, 2003)

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    COMO CULTIVAR?

    Dicas e ideias Se esto confiantes que possvel que a abordagem biolgica funciona, podem

    persuadir a escola a adotar algumas Boas Resolues por exemplo. Na nossa hortaVAMOS PROTEGER O SOLO E POUPAR GUAVAMOS USAR MUITO COMPOSTO E COBERTURA DE SOLOVAMOS FAZER A ROTAO DE CULTURASNO VAMOS USAR FERTILIZANTES ARTIFICIAISVAMOS TRAZER MATRIA ORGNICA PARA O COMPOSTOVAMOS TER UMA PATRULHA PARA PESTES TODAS AS MANHS...

    Mostrar as resolues perto da horta e discuti-las com as crianas. Mostr-las a visitantes e pedir s crianas que as expliquem.

    Iniciar um quadro de insetos em que se exibem as pragas, com nomes, informao e tratamento recomendado.

    Ateno: se o mtodo de produo biolgica inovador no local onde a escola est inserida, pode ser promovido atravs do exemplo em vez de publicidade e ter a certeza que bem-sucedido antes de ser recomendado a outros!

    SUGESTES PARA A AO Consultar horteles locais e peritos tcnicos, e

    utilizar a prpria experincia para decidir que abordagens sero mais adequadas ao contexto.

    Discutir, em particular, os mtodos biolgicos utilizados localmente (usar Horticultura biolgica, nas Notas de Horticultura, para ajudar discusso).

    Decidir quo longe a escola pode ir na adoo destas abordagens.

    Caso o plano passe pela rotao de culturas, deve-se fazer um mapa das culturas existentes, ou pedir aos alunos para o fazerem.

    Decidir que pontos de aprendizagem em particular ser necessrio enfatizar com os alunos.

    Resultados: - Deciso sobre mtodos e tcnicas; - Mapa das culturas existentes; - Identificar lies teis para uso pessoal.

    NA SALA DE AULAProduzir plantas Estas aulas preparam as crianas diretamente para as tarefas da horta e devem ser realizadas durante o perodo em que as plantas crescem.

    1. Semear A sementeira de sementes grandes diretamente na horta fcil para as crianas mais novas.Objetivos Os alunos obtm conselhos locais sobre semear, sobre sementeiras diretas e sobre como cuidar das sementes e plntulas de forma correta.

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    COMO CULTIVAR?

    Atividades Os alunos relembram-se do que as plantas gostam solo frtil, espao, no haver competio, calor, humidade, luz. Olham para as sementes que tm para semear e apercebem-se dos perigos que correm (por exemplo, ficarem por baixo de pedras, serem levadas pela gua, ficarem submersas, serem comidas por pssaros e lesmas, crescerem demais ou serem queimadas pelo sol). Decidem sobre o espaamento apropriado para as sementes, baseado numa estimativa do tamanho final da planta medir o dimetro da semente e multiplicar por trs para dar uma estimativa da profundidade a que deve ser plantada, e depois comparar a deciso com as instrues do pacote de sementes (se existir). No local, observam uma demonstrao de como semear e depois fazem-no eles prprios (ver Plantar e transplantar, nas Notas de Horticultura). Finalmente, discutem e decidem como proteger as plntulas quando germinam. Mais tarde acompanham o aparecimento das plantas, das primeiras folhas verdadeiras, da primeira planta a alcanar 5 cm, etc.

    2. Plantar e transplantar Esta aula encena todo o processo de plantao e transplantao.Objetivos Os alunos compreendem o processo da plantao e transplantao.Atividades Alguns alunos representam sementes, outros o sol, chuva, vento e alguns os horteles. A mesa do professor o viveiro de plantas e o resto da sala a horta. Os alunos percorrem todo o processo. As sementes so semeadas no viveiro (os alunos sentam-se no rebordo da mesa), so regados regularmente pelos horteles e protegidos do vento, chuva e sol por uma barreira de horteles. As plntulas aparecem (as sementes levantam-se),

    verifica-se que esto muito prximas umas das outras e so desbastadas. Os horteles continuam a cobrir o solo e a regar, e as sementes esticam-se e expandem. O sol, chuva e vento aparecem vez para ajudar as plntulas a crescer. Para os habituar ao sol, chuva e vento, os horteles levantam a barreira aos poucos. Quando as plntulas esto suficientemente fortes, os horteles gentilmente levam-nas para a horta e plantam-nas nas suas carteiras. Enquanto os alunos passam por todas as fases do processo na horta real, esta histria recapitulada e mais tarde pode voltar a ser encenada. Os alunos mais velhos fazem calendrios de produo para as culturas.

    3. Cobertura do solo econmica e eficaz, e uma ferramenta essencial para a horticultura biolgica.Objetivos Os alunos reconhecem a importncia de cobrir o solo e aprendem qual a quantidade que devem colocar e quando.Atividades Os alunos relembram-se do que as plantas gostam. Observam algumas plantas murchas, doentes ou com muitas ervas em seu redor e identificam os seus problemas (falta de gua, competio e solo pobre, por exemplo) e fazem sugestes sobre como ajudar. O professor prope cobrir o solo em redor da planta (o cobertor do solo) e explica como se faz. Os alunos distinguem uma boa cobertura para o solo (se possvel, palha clara) de m (ervas com sementes), depois colocam a palha volta das plantas at esta ter 6 cm de espessura. Discutem como a cobertura do solo ajuda com cada um dos problemas (ver Cobertura do Solo, nas Notas de Horticultura). Mais tarde, os alunos fazem demonstraes de como cobrir o solo a visitantes, famlias e outros alunos (anunciam-se como Mgicos da Cobertura do Solo), estabelecem uma rotina para colher e utilizar materiais para cobrir o solo ou praticam um cntico da cobertura do solo com um tom de marcha. Os alunos mais velhos fazem talhes experimentais na horta, com e sem cobertura do solo, e fazem contagens de ervas daninhas. (Sugesto de Guy et al., 1996)

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    COMO CULTIVAR?

    4. Regar (1) Regar (1) e Regar (2) devem ser lies consecutivas.Objetivos Os alunos apercebem-se das necessidades de gua das plantas.Atividades Os alunos relembram o que as plantas gostam e focam-se na gua. Discutem se as plantas podem ter acesso a muita ou pouca gua (as plantas so como as pessoas podem afogar-

    se ou morrer de sede). Especulam sobre as questes: onde que existe gua/humidade na horta? De onde que as plantas obtm gua? Onde est a gua nas plantas? Como que a gua chega planta? E depois vo para a horta procurar respostas s perguntas nas folhas, caules, fruta, razes e solo. O retorno ir revelar que a humidade est principalmente no solo e nos caules, e chega s plantas atravs das razes (e no atravs das folhas). Os alunos adivinham quanto da planta gua (cerca de 90 %) e testam esse facto pesando um jarro com ervas, secando as mesmas ervas durante uma semana e depois pesando novamente.

    5. Regar (2) Existem sete regras de ouro para a boa irrigao.Objetivos Os alunos aprendem sobre quando e como regar as plantas.Atividades Os alunos relembram como importante regar as plantas. Leem as Sete Regras de Ouro (ver em baixo) uma a uma e explicam-nas, e depois tentam recit-las cor. A turma faz uma visita horta, as crianas sentem o solo e avaliam a necessidade de gua com um pau para medir (3 cm de colo seco significa que precisa de gua). Nos locais onde necessrio regar, eles sugerem o que se deve fazer e fazem turnos para cada rega que necessria. Mais tarde, os alunos fazem eles prprios medies de humidade e mostram a outros como se faz. Os alunos mais velhos experimentam atravs do registo dos efeitos numa linha de plantas com rega em excesso e outra com pouca gua, em relao sua sade e crescimento.Regras de ouro para uma boa irrigao (ver Irrigao de plantas, nas Notas de Horticultura)

    Medir a humidade todos os dias. Regar noite ou de manh. Regar o solo e no as plantas. Levar a gua s razes. Ser gentil. No regar em excesso ou inundar. As razes profundas no precisam de mais gua. Cobrir o solo!

    6. Mondar O esprito de batalha bom mas nem todas as ervas so nocivas.Objetivos Os alunos reconhecem as ervas locais mais comuns e as suas caractersticas, e aprendem sobre como as que podem controlar facilmente, sem custos e de forma ecolgica.Atividades Cada grupo fica com uma das perguntas abaixo e pesquisa a resposta na horta. Depois os alunos de cada grupo respondem, trazendo amostras de ervas para ilustrar as suas respostas. Os alunos mais velhos discutem estratgias de sobrevivncia para as ervas da amostra (por exemplo: muitas sementes, razes profundas, altura, ciclo de vida longo). Os alunos devem reconhecer que as ervas podem ser teis ou, pelo contrrio, nocivas. A turma discute estratgias para lidar com as ervas (ver Ervas, nas Notas de Horticultura) e estabelece uma rotina para a monda. Pode-se tentar aliviar o eventual aborrecimento da tarefa de mondar com festas da monda, concursos, uma poltica para a monda, um estudo sobre ervas, uma encenao da batalha e experincias com talhes que so mondados e outros que no o so.

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    COMO CULTIVAR?

    Questes:1. Quantos tipos de ervas diferentes que possvel encontrar na horta? Sabem os nomes?2. Qual a erva mais comum? Sabem o nome?3. Onde que as ervas esto a crescer? Existem outras culturas nesse local?4. Onde que as ervas esto a ficar mais grossas? Porqu?5. Qual a erva maior? De que tamanho ? Onde est?6. Qual a erva que tem a raiz mais profunda?7. Alguma das culturas est em risco por causa das ervas?

    Qual?8. Onde que no existem ervas? Porqu?9. Existem insetos nas ervas ou sua volta? Alguma das

    ervas est doente?10. Alguma das ervas tem flores ou sementes? Como que

    se disseminam/propagam?

    7. Manter a horta saudvel Uma planta saudvel pode resistir aos ataques de uma praga ou doena.Objetivos Os alunos praticam a horticultura saudvel como base para a gesto integrada de pragas.Atividades Os alunos relembram as lies anteriores discutindo a melhor forma de manter as plantas fortes e saudveis, escrevendo palavras-chave (canteiros, solo frtil, luz e sombra, composto, cobertura de solo, rega, insetos benficos, proteo contra predadores, por exemplo). A turma faz uma patrulha horta com a lista de verificao da Patrulha de Plantas (ver Plantas Saudveis, nas Notas de Horticultura) e reporta com observaes e sugestes para a ao. A patrulhas podem ser semanais e a responsabilidade vai passando de equipa para equipa.

    8. Mdicos de plantas Introduz a ideia de tratamento para problemas especficos das plantas.Objetivos Os alunos fazem um diagnstico do problema da planta, escolhem a ao mais adequada, levam-na a cabo e monitorizam os efeitos.Atividades Os alunos identificam as plantas da horta que esto doentes aquelas que aparentemente tm pragas, doenas ou problemas de falta de nutrientes. Descrevem cada caso e do-lhe um nome (por exemplo, folhas rendilhadas). Os alunos mais velhos podem tentar identificar o problema de forma mais precisa (ver Problemas das Plantas, nas Notas de Horticultura) e devem reconhecer que um sintoma (a murchido, por exemplo) pode significar vrias coisas. Se for uma praga, os alunos procuram encontrar o fator responsvel. Depois discutem como podem resolver o problema. Com o apoio do professor, escolhem as mensagens-chave (Doena: Destruir. Dieta: Alimentar. Praga: Apanhar, pulverizar, armadilhar, trazer a patrulha das pragas) e preparar-se para levar a cabo o tratamento imediato. Mais tarde, os alunos mais velhos acompanham o progresso de plantas especficas, ou aprendem a fazer tratamentos caseiros (ver Sprays caseiros, nas Notas de Horticultura).

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    COMO CULTIVAR?

    9. Colheita A colheita aprende-se a fazer e a praticar na poca das colheitas. Esta aula enfatiza simplesmente os princpios e refora as atitudes.Objetivos Os alunos sabem que as culturas decaem rapidamente, percebem a necessidade de colher com cuidado, transportar rapidamente e fazer uma boa embalagem, e sabem o que fazer com resduos vegetais.Atividades So apresentados aos alunos alguns vegetais e frutas podres e secas, os alunos discutem porque que os alimentos secam (demasiada exposio ao sol, vento, peles finas), porque que apodrecem (bactrias/fungos), quando que apodrecem (se forem cortados, porque esto demasiado maduros, molhados, quentes) e que alimentos apodrecem mais rapidamente (aqueles que esto maduros, que so moles ou cheios de gua). Ouvem uma entrevista (fictcia) com um produtor de tomate e

    procuram identificar todos os erros (fazer a colheita quando est calor, apanhar os que tm cortes, atir-los para o cesto e deix-los ao sol). Mais tarde, discutem o que se deve e no deve fazer numa colheita, e fazem uma entrevista semelhante assinalando os erros na colheita.

    NOTAS

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    Para ter xito, um projeto de cultivos alimentares deve desenhar-se at ao final: da horta ao prato. Por exemplo, quando se cultiva espinafres, temos que ter em conta o produto final (a empada de espinafres, a salada de espinafres, espinafres com ovos mexidos). Convm pensar como se ir preparar, provar e comer os espinafres, como que os alunos iro aprender acerca dos alimentos e como que os pais e familiares podero participar. Deve tomar-se a deciso final sobre o que se ir cultivar s quando houver uma ideia precisa do que ir acontecer com o produto final.

    CAPTULO 9

    COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA?

    Preparar, confecionar e promover os alimentosObjetivos Preparar e conservar os alimentos da horta

    - Preparar os alimentos de forma segura e limpa - Preparar comida saborosa utilizando alimentos da horta - Conservar hortalias e frutas

    Promover com xito os alimentos e pratos tradicionais

    Da horta ao pratoA nossa investigao sobre o consumo de hortalias mostra que... deveramos levar as crianas at horta, mas que tambm deveramos ensinar a cultivar, a cozinhar os alimentos e darmos a provar para que percebam como so saborosos. E isto deveria ser feito repetidamente. Um pepino no suficiente para que o comprovem.

    (Michael Murphy, professor of psychology, Harvard Medical School in Orenstein, 2004)

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    COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA?

    A. O QUE FAREMOS PARA COMER?Pratos familiaresOs pratos que tenham sido escolhidos para realizar tm que ser atrativos, conhecidos das crianas e de fcil preparao. Se forem necessrios outros ingredientes (por exemplo: farinha, ovos, condimentos), convm ter a certeza que estes esto disponveis no momento de confecionar a comida. Alguns pratos muito nutritivos baseiam-se em certas combinaes j generalizadas:

    Feijo com vegetais frescos (por exemplo, salada de feijo, milho e feijo com tomate);

    Peixe ou carne no forno ou assados com vegetais;

    Vegetais com ovos (por exemplo, omeletes e ovos mexidos); Vegetais salteados, ou molho de vegetais, com arroz, milho ou mandioca; Sopa de verduras.

    Pensar em exemplos locais

    CombinaesAlguns alimentos devem ser combinados com outros alimentos para que o organismo absorva os nutrientes. Por exemplo:

    Vegetais que contm vitamina A (por exemplo, hortalias verdes, cenouras, batatas)

    Devem ser comidos com

    Alimentos que contm pouco leo ou gordura (por exemplo, manteiga

    de amendoim, nozes, sementes oleaginosas, abacate, leo vegetal,

    leo de palma).

    Vegetais que contm ferro (por exemplo, hortalias verdes,

    legumes, frutos secos)Devem ser comidos com

    Alimentos ricos em vitamina C (por exemplo, citrinos, manga, mamo,

    couve, goiaba, abacaxi, tomate).

    Algumas combinaes tpicas: Hortalias de folhas verdes com pasta de amendoim, leite de coco ou azeite e um pouco

    de sumo de limo; Batatas doces amarelas/alaranjadas com amendoins ou leo; Legumes de folha verde escuro com tomates e cebola e um pouco de leo. A cada refeio, uma pea de fruta ou com copo de gua com sumo de limo recm

    espremido. Pense em pratos tradicionais da sua prpria comunidade com estas combinaes.

    LanchesPense em:

    Lanches reforados (como milho assado e batata doce); Lanches vitaminados (como cenoura, abbora e manga); Lanches que so divertidos de fazer (como pipoca e rebentos

    de feijes); Bebidas (sumos de frutas, chs de ervas e leite de feijo).

    Ver Lanches e bebidas do jardim, nas Notas de horticultura. Quais os lanches populares e nutritivos na sua localidade?

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    COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA?

    Hora das RefeiesSe as crianas no tomam o pequeno-almoo de forma adequada e regular antes de irem para a escola, deve dar-se-lhes um pequeno-almoo adequado, para que tenham energia para o dia escolar. Tambm se lhes pode dar uma merenda a meio da manh, quando o acar no sangue diminui. Costuma ser mais fcil conseguir que as crianas provem novas merendas do que novos pratos. Pode a horta ajudar a providenciar s crianas um reforo alimentar a meio da manh ou aos pequenos-almoos?

    Sobre estes pontos, consultar o servio de alimentao escolar, a autoridade de sade local, os professores de economia domstica, as crianas, os pais e usar o bom senso.

    B. COMO SE PREPARAM OS ALIMENTOS? QUEM OS PREPARA?Para a preparao dos alimentos, h quatro regras fundamentais. Estes tm de ser nutritivos, saborosos, saudveis e econmicos. Os alimentos devem ser preparados de forma a no perderem o seu valor nutritivo. Tambm devem ser saborosos e ter uma aparncia atrativa, para que todos os queiram provar. Devem ser confecionados de forma limpa para que no provoquem doenas e ser o mais econmicos possvel. Estas so algumas das formas de conseguir uma preparao completa.Valor nutritivoPara se tirar o mximo valor nutritivo dos alimentos, recomenda-se:

    No cozinhar demais, s o necessrio. De preferncia, cozinhar a vapor em vez de ferver. Cozinhar de forma conservadora, usando pouca gua. Usar a gua de cozer as hortalias para fazer sopa. Preparar pratos, como sopas ou estufados, em que a gua da

    cozedura faa parte do prato. Usar a casca das frutas e das hortalias para a compostagem.

    Veja a lio Preparar os Alimentos no fim deste captulo.Bom saborAs hortalias e a frutas frescas cultivadas de forma biolgica tm um sabor agradvel. Muitas podem comer-se cruas por exemplo, cenouras, pimentos, ervilhas, alface, espinafres e tomates. Um pouco de azeite e sal reala o sabor, e acrescentam valor nutritivo. Contudo, s vezes, a forma de se cozinhar e uma combinao correta de alimentos podem melhorar o sabor. Distribuir s crianas a tarefa de encontrarem novas combinaes de alimentos de que elas gostem e lembrar-lhes que a forma de preparao reala o sabor. Pedir s crianas que proponham ideias de apresentao de pratos atrativos.

    Segurana alimentarRegra geral, a preparao dos alimentos deve ser supervisionada por pessoas capacitadas para preparar de forma limpa e higinica os alimentos. As autoridades de educao local talvez possam dispensar um tcnico de sade ou de ambiente que possa dar formao sobre a higiene dos alimentos e condies do recinto escolar. Se quer dar aulas prticas de cozinha, pea apoio, consulte os professores de economia domstica e os cozinheiros da escola, e d uma aula s crianas sobre

    Segurana e Higiene alimentar (veja o resumo da lio Higiene Alimentar, no final do captulo). Deve ensinar-se s crianas como tratar os desperdcios e os restos de comida de forma segura.

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    COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA?

    Ter a certeza que h acesso a gua potvel para lavar os alimentos e sabo para lavar as mos, recipientes e bancada de trabalho. Em alternativa, pode fazer-se demonstraes e deixar que as crianas tentem confecionar os pratos em casa.

    Cozinhar de forma econmicaPode criar uma rea exterior para a cozinha sem grandes custos, usando um fogo que poupe combustvel. As panelas de presso so caras, mas cozinham muito rapidamente, usam pouco combustvel e podem cozinhar quase tudo, at pastelaria e po. Os fornos de barro so excelentes para assar e guisar. Fabric-los requer muito trabalho, mas o custo com os materiais muito baixo. As cozinhas solares so muito fceis e baratas de fazer, podem cozinhar qualquer coisa, mas necessitam de uma ateno constante. As cozinhas bruxas (que so descritas no resumo da lio Cozinha na Horta, mais frente) so boas para cozer grandes refeies lentamente. No precisam de grande ateno, so muito baratas e fceis de fazer. Alm disso, tm um grande valor educativo, respeitando o meio ambiente, e so muito divertidas para as crianas.

    Como se preparam os alimentos de forma nutritiva, saborosa e econmica?

    C. COMO DISTRIBUIR OS ALIMENTOS?Isso ir depender das circunstncias e dos objetivos. Seguidamente enumeram-se algumas das formas de distribuio realizadas nas escolas:

    Distribuir alimentos crus (por exemplo, as crianas recolhem frutas das rvores e levam-nas para casa), com uma demonstrao ou sugesto de como se podem preparar esses alimentos.

    Preparar refeies nas escolas por exemplo, um pequeno-almoo para melhorar a concentrao, uma merenda a meio da manh para aumentar a energia, frutas e hortalias para acompanhar o almoo.

    Confecionar pequenas quantidades de conservas e pedir s crianas que levem amostras para casa.

    Fornecer vegetais, legumes, ovos e fruta cantina para acompanhar os alimentos bsicos (arroz, mandioca, milho) nas refeies escolares.

    Abrir um armazm ou loja que seja gerido e divulgado pelas crianas do projeto ou voluntrios.

    Vender alimentos a metade do preo s famlias durante os intervalos ou depois dos horrios escolares.

    Distribuir os excedentes alimentares s famlias locais com necessidades ou nos orfanatos. Se se alimentar um grande nmero de crianas, pedir-lhes que tragam os seus prprios recipientes ou pratos de casa, para poupar gua e reduzir o trabalho e tempo despendido a lavar os pratos.

    Como se distribuem os alimentos cultivados?

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    COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA?

    D. OS ALIMENTOS SERO ARMAZENADOS, CONSERVADOS OU CONFECIONADOS?As escolas devem pensar em conservar e armazenar os produtos da horta. Esta a resposta tradicional aos perodos de escassez e evita a perda de alimentos depois da colheita, devido s pragas de insetos, roedores ou deteriorao dos alimentos. As crianas gostam muito de frutos secos, que so ricos em nutrientes. Alguns produtos secos podem tambm encontrar mercado. Pode despertar o interesse por parte das famlias caso as crianas levem para casa alguns dos alimentos conservados, nutritivos e saborosos (por exemplo, pequenos frascos de sumo de tomate ou de frutas, um pacote de manga desidratada ou folhas secas para sopa). As donas de casa muito ocupadas podem imitar estes mtodos, tambm.

    A conservao dos alimentos muito educativa. No mostra apenas como podemos proteger os alimentos de bactrias, fungos, insetos e roedores de forma prtica, como tambm ilustra os princpios cientficos que regem estes processos.

    Alguns mtodos para preservar e conservar fruta e vegetais esto explicados no seguinte quadro:

    Preservao de frutas e vegetaisCurado - Por exemplo, cebolas, batata doce, abbora e inhame. Alguns vegetais conservam-se mais tempo se forem espalhados num terreno sombra durante uns quantos dias depois da sua colheita. Isso engrossa a pele e protege a parte interior do vegetal.

    Secagem simples e armazenamento - Por exemplo, feijo, ervilhas, sementes de abbora, sementes de girassol e gros. Legumes e sementes oleaginosas so secas na prpria planta ou em caixas e depois armazenam-se num lugar frio, seco e protegido.

    Secagem sombra ou ao sol - Fruta (manga, banana e goiaba) e vegetais (cenouras, tomates e vegetais de folhe verde) so secos s tiras ou s rodelas sombra ou com um secador solar. Alguns frutos branqueiam-se antes em gua a ferver ou a vapor para prolongar a sua validade, o sabor e o aspeto. Alguns frutos (por exemplo, manga, sementes e abbora) so cozidos e faz-se pur, depois deixa-se secar para fazer frutas cristalizadas.

    Preparao de farinhas - Por exemplo, abbora, banana, batata doce e fruta-po). Primeiro secam-se os alimentos e depois este so modos e peneirados.

    Picles - Por exemplo, repolho e pepino. Muitos vegetais podem ser fermentados, com ou sem sal, e de seguida armazenados em gua salgada (salmoura), vinagre ou leo.

    Enlatado ou engarrafado - Por exemplo, polpa de tomate, sumo de fruta, frutos inteiros, marmeladas e geleias. A fruta cozida e metida em frascos enquanto est quente. Ou metida em frascos ou latas, que depois so fervidos em gua para esterilizao. Geralmente, acrescenta-se acar fruta para conserv-la.

    Congelados - Por exemplo, alguns frutos e vegetais, sopas e estufados.

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    COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA?

    Se for realizada algum tipo de conservao, convm optar por alimentos de que todos gostem, e por um processo simples e que no falhe. No captulo Conservar os alimentos da horta, das Notas de Horticultura, do-se alguns exemplos de projetos escolares. preciso descobrir o que se faz tradicionalmente no local. Algumas tcnicas locais podem praticar-se na escola, ou talvez melhorar as tcnicas locais (por exemplo, usando um secador solar em vez da colocao ao sol). Se o processo novo para si, planeie como se fosse uma experincia. Quando tiver a certeza de que funciona, envie amostras para casa dos alunos e pea opinio s famlias. Que alimentos se armazenam ou conservam?

    E. NECESSRIO PROMOVER OS ALIMENTOS?

    1. Que ideia tm as pessoas de uma boa dieta alimentar?Normalmente, os alimentos que as crianas precisam para se manter saudveis esto disponveis, mas no so valorizados. E as crianas no os consomem nas quantidades necessrias. Talvez no se d grande valor a alimentos locais nutritivos em comparao com alimentos mais caros, importados, alimentos que enchem. Em particular, as pessoas podem considerar as hortalias e a fruta como comida de pobre. Em alguns locais, as frutas podem alcanar um preo elevado no mercado e so vendidas para gerar lucro em vez de serem consumidas em casa.

    Deve ter-se uma ideia do que a comunidade acha que uma boa dieta alimentar. As sua ideias influenciam o projeto, porque o que se pretende conseguir uma influncia positiva na mentalidade da comunidade. H alguma crena especial em relao aos alimentos da comunidade?; Que alimentos se consideram bons e porqu?; O que considera a comunidade que os seus filhos deveriam comer diariamente?; Quando acham que as crianas devem comer e com que frequncia?; Se os alimentos que so dados na cantina da escola se limitam a cereais e feijo,

    o que pensa a comunidade que ser necessrio acrescentar s refeies?. Estas perguntas podem ser discutidas na sala de aula, atravs dos trabalhos de casa ou nas reunies da Associao de Pais e professores (veja Uma dieta saudvel para os alunos, nas Fichas de Nutrio). A escola deve analisar claramente estas perguntas, evitando contradizer as pessoas ou dizer-lhes o que devem pensar.Esta discusso pode revelar que todos esto de acordo sobre a melhor dieta para as crianas. Por outro lado, talvez devssemos ser ns a convencer as crianas e as suas famlias do valor de alguns alimentos que queremos cultivar. Alguns alimentos podem ser menosprezados. Talvez compitam tambm pelo interesse das crianas, com os vendedores de rua que vendem bolos, batatas fritas e tortas. As crianas so conservadoras nos seus gostos e apreciam o que j conhecem. Talvez se tenha que incentivar as crianas a provar o que ainda no conhecem, novos pratos, e dar-lhes constantemente a oportunidade de provarem novos alimentos ou novas combinaes de alimentos. Se for este o caso, o projeto dever tambm promover os alimentos alm de os cultivar.

    Fotografia: FAO. Rural processing and preserving techniques for fruits and vegetables, Food and Agriculture Organization of the United Nations (s. d.

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    COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA?

    Conseguir que as crianas comam boa comidaNas reas rurais de frica, os agricultores cultivam feijo, mandioca, abbora e batata doce, mas deitam fora as folhas (ricas em vitaminas e minerais). A escola tambm produz estas plantas e deu as folhas ao cozinheiro para que preparasse pratos com elas. No incio no foi muito satisfatrio, porque as crianas passaram todo o tempo do almoo a retirar dos pratos os bocadinhos verdes. A escola respondeu de trs formas:

    1. Deu aulas sobre folhas verdes;2. Convidou os pais para uma jornada de trabalho, intitulada

    de Folhas Verdes.3. O cozinheiro fez um pur com folhas verdes e feijo (que

    as crianas adoraram).* * *

    Na Amrica Latina, algumas escolas tinham problemas porque as crianas raramente comiam vegetais e no os consideravam comida de verdade. Os cozinheiros da escola tentaram vrias experincias. Os vegetais salteados no foram apreciados, mas o arroz frito com vegetais foi um sucesso. As folhas verdes foram acrescentadas tradicional sopa de frango, qual as crianas j estavam acostumadas. (Miller, 2003)

    * * *Numa ilha tropical frtil, oferecida fruta local a todas as refeies. Mas as crianas s consomem fruta importada, principalmente por snobismo. Numa escola, um professor apercebeu-se que as crianas mandavam laranjas por baixo das secretrias em direo a uma criana que gostava de as comer. O professor levou escola o clube de karat local para que fizessem uma demonstrao s crianas e lhes falassem da dieta alimentar do clube. Deram assim boa fama s frutas locais e passou a ser moda beber gua em vez de bebidas com gs.

    2. Como podemos convencer crianas e famlias para que o consumo destes alimentos se transforme num hbito?

    Torn-los atrativos; Realizar provas com frequncia; Envolver as crianas na sua promoo; Envolver os pais e a escola no servio das refeies; Criar boa publicidade; Chamar pessoas (modelos e exemplos locais) que as crianas considerem uma referncia.

    No quadro dos Conselhos so dadas algumas ideias para promover os alimentos.

    Quais so as ideias que se adequam sua escola, sua comunidade e aos alimentos que est a pensar cultivar?

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    COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA?

    Dicas para promover os alimentosTorn-los atrativos

    Tornar os alimentos saborosos. Organizar provas de comida para provar sabores,

    texturas, cores e cheiros diferentes dos alimentos. Empratar a comida de forma atrativa (por exemplo,

    uma embalagem atraente: enrolar uma batata assada doce numa folha verde, colocar um sumo de fruta numa caneca de bambu, fazer placas de palha entranada ou folhas costuradas.

    Criar lanches diferentes, como pipocas, sementes de abbora germinadas e cenouras em formato de flores.

    Decorar a comida da mesa com folhas e flores do jardim. Fazer um ritual especial hora do lanche com alimentos da horta. Chamar exemplos (heris desportivos locais, professores populares ou pessoas conhecidas)

    para falar sobre o quanto gostam da comida e como a comem. Se necessrio, disfarar os alimentos em sopas, guisados ou fritos.

    Fazer uma boa divulgao Criar um lema, por exemplo Queremos vegetais frescos todos os dias. Fazer um cartaz com um prato que se queira promover, para que toda a gente o recorde. Criar um pequeno livro sobre os alimentos, com desenhos, informaes e receitas. Fazer cartazes junto dos alimentos da horta, com uma imagem e informao adicional

    sobre o seu valor nutritivo. Fazer dos alimentos da horta os protagonistas da alimentao escolar. Expor o menu semanal,

    ressaltando quais os alimentos que so da horta e felicitar as turmas que participaram na sua conceo.

    Inventar nomes novos para os pratos com alimentos das hortas. Convidar familiares e colaboradores deste projeto a um almoo escolar especial, onde se

    destaquem os produtos da horta.Envolver as crianas e as famlias

    Permitir que as crianas decidam o que se deve cultivar. Pedir s crianas que faam uma rplica da horta nas suas casas, com as mesmos plantas,

    processos, calendrios e produtos. Envolver os alunos no planeamento dos menus escolares, que incluam os alimentos da

    horta. Explicar o projeto da horta aos pais e tutores, pedindo-lhes conselhos. Pedir aos alunos que

    informem os pais que no estiveram nestas reunies. Envolver os pais no cultivo, preparao, apresentao, distribuio e promoo dos alimentos.

    SUGESTES PARA A AO Planeie o processo completo da horta ao prato e faa uma lista de necessidades. Estude os mtodos locais para produzir e conservar frutas e hortalias. Considere experimentar o armazenamento e a conservao das culturas. Discuta a escolha dos alimentos a cultivar com os pais, com o Grupo da Horta, com o

    servio de alimentao escolar e com as crianas. Pea conselhos e apoio, e discuta formas de promover os alimentos.

    Resultados: - Lista de pratos conhecidos e merendas que se podem preparar com os alimentos da horta;

    - Lista de ideias sobre a preparao, distribuio e promoo dos alimentos.

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    COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA?

    NA SALA DE AULAPreparar os alimentos Nesta aula, os alunos aprendem a guardar e a conservar os alimentos, conceitos de higiene alimentar e como se cozinham os alimentos para conservar o seu valor nutritivo.

    1. Guardar os alimentos Nesta aula, os alunos experimentam os princpios da decomposio e da conservao dos alimentos.Objetivos Os alunos partilharem os seus conhecimentos sobre a manuteno dos alimentos frescos, reconhecendo as causas da sua decomposio e observando o prprio processo.Atividades Os alunos lavam as mos. O professor lava algumas peas de fruta e vegetais recm-colhidos em frente dos alunos; corta-as ao meio, colocando uma metade de lado e cortando a outra metade em bocados mais pequenos, dando a cada um dos alunos um bocado para provar. Essa a melhor forma de consumir os alimentos: recm-colhidos e limpos, para comer no prprio dia. Mas o que fazer se quiserem comer o restante no dia seguinte? Os alunos sugerem formas de manter os alimentos frescos (por exemplo, no frio, protegidos do sol, em recipientes fechados, secos e no escuro). Descrevem o que acontece quando a comida fresca no protegida (fica seca, estraga-se, apodrece e cheira mal). Os restos de comida que estavam parte so usados para o caminho do apodrecimento: os alunos pem os restos num papel e fazem uma previso do que ir suceder. Depois, acompanham a evoluo dos alimentos durante uma semana, observam o que acontece e fazem a descrio detalhada.

    2. Higiene alimentar Esta aula realiza-se melhor na cozinha, com utenslios reais.Objetivos Os alunos aprendem os perigos da sujidade invisvel (bactrias) e como evit-los, e comeam a praticar atividades dirias de higiene alimentar.Atividades Os alunos observam um copo de gua turva e outro com gua limpa, e discutem qual dos dois tem gua boa e limpa para beber. O propsito desta experincia provar que at o copo com gua limpa pode ter sujidade invisvel (bactrias) que pode provocar doenas. Os alunos tero que procurar na cozinha, ou num desenho de uma cozinha, o lugar onde as

    bactrias podem estar escondidas (qualquer lugar com humidade, calor e restos de comida). Para combater as bactrias, a regra limpo, frio e tapado. O professor faz uma demonstrao de uma atividade de preparao e cozedura de alimentos de forma higinica (por exemplo, ralar cenouras), fazendo pausas frequentes para que os alunos proponham e expliquem os seguintes passos:

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    COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA?

    a) Comprovar que h gua limpa e equipamento de limpeza (detergente, esfrego e balde).b) Comprovar que no h insetos perto.c) Lavar as mos e unhas com detergente e gua da torneira.d) Ter os utenslios e comprovar que estes e a superfcie de trabalho esto limpos.e) Lavar os alimentos com gua limpa. Preparar os alimentos (os restos vo para o compostor).

    Cozer, se for necessrio.f) Cobrir os alimentos preparados e coloc-los num local fresco. Quando se voltar a usar,

    reaquecer at ao ponto de ebulio.g) Limpar e lavar os pratos e utenslios depois de comer.

    Os grupos de alunos praticam este exerccio preparando outros alimentos da mesma forma. Para continuar, os alunos fazem uma demonstrao dos sete passos anteriores em casa.

    3. Preparar os alimentos Esta aula ser para compreender como se obtm o mximo valor nutritivo dos alimentos. Deve realizar-se numa cozinha, se for possvel.Objetivos Os alunos descrevem mtodos locais para preparar e cozinhar os alimentos, apreciam o valor nutritivo dos alimentos crus, compreendem como se cozinha para conservar o seu valor nutritivo e ensaiam mtodos de cozedura saudveis.

    Atividades Os alunos lavam as mos, depois comeam a observar exemplos de alimentos crus e cozinhados e descrevem as diferenas de sabor. Dizem quais os alimentos crus que gostam e explicam como se preparam (por exemplo, ralados, triturados, etc.). O professor mostra a sua aprovao sobre os alimentos crus e explica que geralmente so mais saudveis. As hortalias cozinhadas devem estar estaladias e no devem ser aquecidas mais do que uma vez. Os alunos dizem o que sabem cozinhar e descrevem como se preparam algumas hortalias em particular. O professor ensina aos alunos mais velhos mtodos diferentes para cozinhar (ferver, cozer a vapor, saltear e guisar). Os alunos discutem qual o melhor mtodo para conservar os nutrientes dos vegetais (com a fervura perdem-se muitos nutrientes, porque se dissolvem na gua). Depois, os alunos observam a gua depois de cozer as cenouras, espinafres e abbora a vapor ou fervidas (a cor da gua demonstra que parte dos nutrientes se perde com a cozedura). Experimentam cozinhar a vapor, fritar na frigideira ou saltear em casa e contam a experincia turma toda.(Experincia cenoura-gua de Kiefer and Kemple, 1998).

    4. Cozinhar na horta Esta aula um acontecimento social que d uma ateno especial aos produtos da horta.Objetivos Os alunos aprendem quais os principais combustveis para cozinhar (os alunos mais velhos comparam os custos) e utilizam um mtodo de cozedura ao ar livre que poupe combustvel (os alunos mais velhos podem explicar como funciona).

    Espinafres cozidos em gua

    Espinafres cozidos a vapor

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    COMO VAMOS COMER OS ALIMENTOS DA NOSSA HORTA?

    NB: O fogo bruxa utilizado nesta lio uma panela com uma tampa que se encaixa numa outra caixa ou saco grande cheio com material isolante. Por exemplo, feno, palha, folhas de bananeira ou chips de poliestireno. A panela aquecida at ao ponto de ebulio e em seguida colocada na caixa/saco. E a fica vrias horas para cozinhar no seu prprio calor.Atividades Os alunos descrevem e desenham as cozinhas da sua casa e dizem qual os combustveis que usam; os alunos mais velhos decidem qual o combustvel mais caro. O professor faz uma demonstrao de como se cozinha num fogo com lume aberto; os alunos sentem e experimentam o calor e reconhecem que se desperdia combustvel. O professor prepara um prato na caixa de palha e fecha-a; de novo, os alunos aproximam-se e comprovam com as mos que este mtodo conserva o calor e usa-o para cozer. Os alunos mais velhos discutem como se mantm o calor (por isolamento). A turma fixa uma hora (vrias horas depois) para abrir a caixa de forma solene. Os alunos fazem depois uma demonstrao desta caixa de palha a familiares e visitantes.

    5. Conservao Fazer conservas interessante, educativo e uma boa publicidade para os produtos.Objetivos Ensinar aos alunos alguns princpios do modo de conservao de alimentos, descrever as prticas locais de conservao, ajudar a conservar os alimentos e explicar o processo (tarefa desempenhada pelos alunos mais velhos).Atividades Os alunos iro recordar-se de pratos recentes, pratos realizados com alimentos frescos e pratos realizados com alimentos conservados; depois comentam exemplos de alimentos conservados e mtodos de conservao tendo em conta as suas experincias. Observam amostras

    de alimentos conservados ou processados (veja-se o anexo D) e determinam os processos para cada um. Os alunos mais velhos iro discutir como se para a decomposio dos alimentos (por exemplo, retirando a gua do alimento, acrescentando conservantes, aquecendo-o at matar as bactrias, engrossando a pele, diminuindo a temperatura). O melhor ser realizar um projeto de conservao de alimentos em pequena escala, utilizando os alimentos da horta (veja-se algumas propostas em Conservar os Alimentos da Horta, nas Notas de Horticultura).

    Tampa isoladora

    panela

    caixa de madeira ou carto, etc.

    material isolador: palha,

    jornais, etc.

  • 114

    NOTAS

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    J estudmos muitos aspetos do planeamento da horta escolar. Mas h algumas questes que no devemos desprezar. Nomeadamente:

    O que que pretendemos atingir? Como que acompanhamos a evoluo? Como que vamos decidir o que correu bem e como melhorar? Como que vamos celebrar? Quando que as atividades tero lugar e quanto tempo duraro? Como que devemos apresentar todo o projeto?

    CAPTULO 10

    QUAL O PLANO?

    Envolver a famlia e a comunidadeObjetivos Estabelecer identidade Decidir os objetivos Monitorizar e registar Avaliar Publicitar Celebrar Decidir o calendrio Fazer um sumrio e um plano visual

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    QUAL O PLANO?

    Mas antes de pensar em qualquer destas questes preciso definir a identidade do projeto. Os alunos devem procurar:

    Um nome para o projeto que seja memorvel e cativante por exemplo Folhas verdes, Cenouras de cabelo encaracolado, Feijes grandes;

    Um lema por exemplo: Quatro frutas por dia ou Os vegetais mantm-te saudvel; Um logtipo ou emblema.

    Junte-os num cartaz, por exemplo:

    A. OBJETIVOSO projeto ir refletir os principais objetivos, prticos e educativos. Vamos ver primeiro os objetivos prticos.1. Objetivos prticosProcurar ser especfico no que se pretende atingir um exerccio de realismo e pensamento prtico. Pergunte a si mesmo e ao grupo que ir trabalhar na horta o seguinte:

    O que queremos produzir e quanto? Porque que estamos a cultivar (isto , como que vamos utilizar os produtos)? Que mais vamos fazer para melhorar a horta durante este perodo? Como que vamos envolver toda a escola, famlia e comunidade? Quais so os nossos planos para o futuro?

    Registe as respostas, como na tabela ao lado, para que possam ser comparadas com o que realmente acontece.Os alunos mais velhos tambm podem fazer este exerccio. Devem ser encorajados a estimar os rendimentos das colheitas nmero de couves, peso de cenouras... Os alunos mais novos podem designar as culturas e alimentos que o projeto se prope a cultivar, mas no se deve esperar que consigam quantificar.

    Gro de bico

    Boa forma com vegetais frescos! Pepino

    Composto

    Cenouras

    Couve

    ProjetoOs Cinco

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    QUAL O PLANO?

    Objetivos e metas para o projeto Os Cinco

    Objetivo geral Metas especficas (1 ano)

    O que vai ser produzido no primeiro ano?

    Fruta/vegetais ricos em vitaminas e minerais.

    1 canteiro de couves, 2 de cenouras, 4 de feijo-frade, 2 de pepino e 1 de abbora. Alguns tomates, cebolas e pimentos. Hortel para bebidas e para afastar as pragas.

    Porque que estamos a cultivar?

    Como complemento refeio da escola.

    Um prato de vegetais por semana para todos, durante dez semanas, incluindo folhas de feijo-frade, folhas de abbora, quiabo e amaranto. Merendas/bebidas da manh (abbora, cenoura, bebida de hortel, leite de feijo e sumo de tomate).

    O que vai ser feito para melhorar a horta neste perodo?

    Iniciar uma vedao viva contra as cabras, fazer composto.

    20 metros de iucas plantadas ao longo da estrada. Pilhas de composto criadas para cada turma.

    Como que vamos envolver toda a gente?

    Envolver as famlias e a comunidade no programa da horta.

    3 eventos da horta: a) limpeza do espao da horta (com merenda), b) sesso de degustao dos lanches escolares, c) teatro sobre os insetos amigos e inimigos.

    Qual o nosso plano para os prximos dois anos?

    Plantar rvores de fruto (mamo, maracuj) e de sombra. Criar mais canteiros. Comear um jardim de aromticas. Construir uma cozinha ao ar livre.

    Pratos do projeto Os CincoVamos cultivar feijo frade, cenouras, couves, pepinos e abboras, e apanhar quiabo e amaranto. Estes so os pratos que vamos preparar.

    PratosCaril de feijo frade, com tomate, cebola, cenoura e abbora.Feijo frade com quiabo selvagem, tomate e cebola.Prato de amaranto, com molho de cenouras e tomates.Pepino cozido a vapor com leo e cebola.Molho de folhas de feijo-frade com tomate, cebola e amendoim.Sopa de couve com cenoura, cebola e tomate.Feijo-frade assado com tomate, cebola, folhas de abbora e arroz.Molho de pepino com folhas de abbora, amendoim e tomate.Salada de couve couve crua com cenoura ralada, cebola, leo e sal.

    LanchesAbbora assada Cenoura crua e paus de pepino

    BebidasCh de hortelSumo de tomateLeite de soja

    necessrio ter em mente que a horta escolar no um projeto que esteja dependente de se atingir ou no as metas de produo. uma experincia de aprendizagem, por isso o processo to importante quanto o produto. O sucesso bom para a motivao, mas os pequenos contratempos so interessantes e instrutivos. Os objetivos de produo no so estticos. Podemos ter de deixar cair alguns devido s circunstncias, ou substitui-los por outros mais interessantes. De igual modo, pode ser necessrio abandonar algumas ambies hortcolas, se as necessidades educativas forem mais importantes. Fazer uma reviso a meio do processo dos objetivos e do progresso sempre uma boa ideia.

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    QUAL O PLANO?

    2. Objetivos educativosOs objetivos educativos devem ter tanta ateno como os objetivos prticos, ou mais. necessrio colocar estas questes:

    O que vo as crianas aprender (competncias especficas, comportamentais)?

    Que informao especfica, conceitos e atitudes vo aprender sobre:

    - nutrio?- negcio?- ambiente?- outros assuntos?

    Que competncias para a vida? Que atitudes e comportamentos?

    Aqui ficam algumas respostas do projeto Os Cinco:

    Objetivos gerais

    As crianas iro aprender:

    Metas especficas(informao, conceitos, atitudes, competncias

    e comportamento).As crianas iro aprender:

    O que vo as crianas aprender durante o projeto?

    A cultivar cenouras, feijo frade, couves e pepino.

    A transplantar e desbastar; conservar sementes; regar de forma adequada; plantar; podar; e fazer estacas.

    A encontrar e utilizar quiabo e amaranto para comerem.

    A saber encontrar e preparar quiabo e amaranto.

    A usar mtodos biolgicos. A fazer e usar composto; rotao de colheitas; controlo de pestes; cobrir o solo.

    A preparar e servir pratos, lanches e bebidas.

    A cozinhar ao vapor; higiene na preparao de alimentos; lanches decorativos.

    A conservar alimentos. A secar e armazenar feijes frade; fazer picles de pepino.

    Que outras coisas que as crianas vo aprender? (nutrio, negcio, ambiente, outros)

    O valor nutricional de alguns frutos, vegetais, refeies.

    O valor das cenouras, feijo frade e couve.A utilizar frutos secos com cenouras, abbora e folhas verdes.

    A apreciar e degustar as refeies confecionadas.

    A saborear cenouras cruas, couve e pepino, temperadas com leo e sal.

    O custo das refeies.O custo de determinados ingredientes (por exemplo frutos secos, leo e arroz) e determinar o custo por aluno por prato.

    A importncia de manter e enriquecer o solo.

    A conhecer os nutrientes do solo e como so utilizados pelas plantas e substitudos.

    Biologia: partes das plantas. As razes, folhas, caules, frutas e semente.

    Que competncias para a vida vo aprender?

    A tomarem conta de si/ a colaborarem/ a registarem eventos/ a falarem do que fazem/ a trabalhar com adultos/ a agirem sobre a sua sade e a dos outros.

    A terem responsabilidade pelos seus talhes; a organizarem o trabalho em equipa; a manter atualizada a informao sobre a horta; a manter os pais informados; a fazer prendas para os ajudantes; a decidir como melhorar a sua prpria dieta.

  • 119

    QUAL O PLANO?

    A palavra-chave flexibilidade. Podemos ter apenas uma ideia do que vai ser aprendido. Os alunos podem aprender menos do que o esperado, ou mais, ou (quase de certeza) outras coisas. O resultado, na melhor das hipteses, ser um programa individualizado de aprendizagem dinmico e evolutivo, conduzido em parte pelo professor, pelo aluno e pelas atividades, experincia e ambiente. A tarefa do professor manter-se a par do que est a acontecer, seguir o fluxo dos acontecimentos e encorajar o que for de valor.

    B. MONITORIZAR E MANTER REGISTOSMonitorizar verificar que estamos a fazer o que pretendamos. Cada gestor acompanha o progresso. Por exemplo, podem reparar que um canteiro de plantas no est bem porque tem demasiadas ervas, ou que a Equipa Verde arranjou a vedao de forma a que as galinhas j no conseguem sair, que existe uma rvore de fruto que est a produzir mais do que as outras, ou que os membros da Equipa Azul do 3 ano j no falam uns com os outros.Pode ser pedido aos gestores da horta que mantenham um arquivo de informao sobre a mesma ou enviem relatrio regulares. Pode

    ser apenas um dirio da horta, pois este til caso um professor seja substitudo, ou para preparar relatrios, aulas, conversas.Manter registos um aspeto educativo importante para os alunos. Adquirem o hbito de fazer balanos, de acompanhar e manter o controlo, que so aes-chave nas empresas de sucesso. Ajuda-os a observar atentamente, a recordar o que j fizeram, a perceber o que tm de fazer, e no futuro podem recuperar informao. Refora a aprendizagem e torna-os conscientes do significado dos vrios momentos. Por ltimo, produz algo que se pode mostrar aos pais, visitantes, alunos e escola em geral.Existem diversas evolues que podem ser monitorizadas. Por exemplo:

    O crescimento das plantas, a meteorologia, precipitao, etc.; O estado do composto; O estado da infraestrutura da horta (caminhos, sebes, sistemas de irrigao, equipamento,

    etc.); A presena de insetos benficos e prejudiciais e os seus efeitos; A quantidade de fruta e vegetais produzidos (por planta, por metro quadrado, por talho,

    no total); A quantidade e tipos de ervas daninhas; O trabalho e tempo despendido; O dinheiro gasto e recebido.

    Com idades diferentes e de formas diferentes, os alunos podem fazer todas estas coisas. Os instrumentos de monitorizao podem ser:

    Medies e controlo fsico (precipitao e crescimento, por exemplo);

    Contagens (ervas daninhas arrancadas e plntulas, por exemplo);

    Diagramas (planos do projeto, por exemplo); Grficos (do crescimento, por exemplo); Clculos (da produo); Desenhos e fotografias; Dirios de trabalho; Relatrios escritos e orais; Livros de balano financeiro; Listas de tarefas do trabalho realizado.

  • 120

    QUAL O PLANO?

    O Livro da Horta ou um dirio de parede pode ser um projeto da turma, com entradas semanais e com os melhores trabalhos de casa das crianas publicados. Um jornal da horta, realizado por um grupo ou uma s pessoa, pode ser valorizado na sua avaliao. Algumas das atividades de registo podem ser feitas na horta, outras como trabalho de casa.

    C. AVALIARPorqu avaliar?A avaliao conduz ao planeamento (o que vamos fazer a seguir?) e por isso completa o ciclo do projeto. Tambm tem um grande valor educativo e psicolgico, uma vez que, do ponto de vista da aprendizagem, o insucesso to instrutivo como o sucesso. No ciclo da aprendizagem experimental, a avaliao parte do processo de reflexo.

    O que avaliar?A avaliao olha retrospetivamente para o projeto luz dos seus objetivos prticos e educativos (o que queramos fazer? Fizemo-lo? O que espervamos aprender? Aprendemos?). Outra questo que deveria ser colocada frequentemente E gostmos?. Contudo, no final do ano as pessoas no tm uma viso clara de tudo o que aconteceu. Por isso, a primeira questo a colocar na avaliao O que aconteceu?. Pode revelar resultados que no constavam nos objetivos originais alguns deles errados, mas que vale a pena reconhecer retrospetivamente em relao ao esperado.Quem deve avaliar?A avaliao deve ser uma responsabilidade partilhada. Um dos seus objetivos incrementar o sentido de pertena, sendo que todos os que contribuem devem por isso dar o seu contributo: crianas, pessoal da escola, pais, ajudantes, cozinheiros... Todos devem conhecer os objetivos desde o incio e manterem-se atentos ao seu progresso ao longo do ano. E ningum, pessoa ou grupo, deve ser culpado se os resultados no forem os esperados.Como avaliar?A avaliao pode ser feita atravs de discusso na sala de aula, atravs de grupos de discusso focal, num frum alargado, atravs de uma caixa de comentrios, de conversas informais, ou de uma combinao destes. No relevante se grupos diferentes o fazem em alturas diferentes, mas importante manter o registo do que dito. Normalmente prefervel faz-la em grupos pequenos, com um membro do grupo a tomar nota do que dito. Tambm til ter um facilitador para os grupos de discusso focal que no est diretamente envolvido no projeto por exemplo, um professor que todos respeitam.

    D. DIVULGAR preciso divulgar! Se estamos a fazer algo bom, devemos torn-lo do conhecimento de todos. preciso pensar em quem que gostaria de ser informado: os locais, os patrocinadores e as instituies. E como que gostavam de ser informados. As crianas devem ser envolvidas nesta partilha de informao. A frmula simples:

    Dizer-lhes o que ir ser feito. Dizer-lhes o que est a ser feito. Dizer-lhes o que foi feito. Convid-los para a festa!

  • 121

    QUAL O PLANO?

    E. CELEBRARCelebrar essencial, tanto psicologicamente como socialmente. Deve-se tentar terminar com uma comemorao, provavelmente na altura das colheitas. Pode ser uma feira de comida, um festival das colheiras, uma festa, um servio religioso, uma venda, uma refeio especial, uma atuao ou apresentao, uma distribuio de presentes, etc. Todos os que contriburam devem ser convidados.

    F. DECIDIR O CALENDRIOQual o calendrio quando que o trabalho na horta comea e termina? Quais os tempos de cada atividade? As culturas devem ser plantadas de forma a serem colhidas em alturas diferentes? Quanto tempo se deve deixar no final para avaliao e celebrao? necessrio planear antecipadamente.

    Se estamos a fornecer alimentos da horta: Temos de saber quando devemos plantar

    cada variedade em particular; Temos de nos assegurar que no vamos

    colher tudo no mesmo momento; Temos que planear os tempos certos, pois

    queremos os alimentos para serem usados na poca de carncia alimentar.

    Passar esta informao para um formato visual torna-a mais fcil de utilizar como ferramenta de planeamento, ponto de referncia, ajuda apresentao, forma de relembrar os objetivos ou pedido de ajuda. As possibilidades so um diagrama de fluxos, um cartaz ou um calendrio, com ilustraes das atividades propostas e com a indicao dos participantes.

    G. SUMRIO DO PROJETOQuando todos os aspetos do projeto tiverem sido discutidos, devem ser registadas as concluses num sumrio do projeto. Deve ser um trabalho feito em conjunto com os alunos, bem como com o grupo da horta e colegas. As questes so:Misso Quais so os objetivos gerais? Qual a misso?Projeto Que projeto em particular ser realizado este ano? Qual o seu nome?Objetivos Quais so os objetivos prticos e metas? O que queremos produzir?Metas Quais so os objetivos de aprendizagem e metas? O que queremos aprender?Parceiros Quem vai ajudar e como? Como que vamos envolver a famlia e a comunidade (trabalho/conhecimentos/

    contribuies/visitas)? Quem mais que vamos envolver e como?Inputs Que inputs sero necessrios e de onde viro (sementes, ferramentas, etc.)? Quanto tempo dos professores e alunos ser necessrio utilizar?Atividades O que vamos fazer na horta (trabalho e brincadeira)? Quem que o vai fazer? O que vamos plantar, quanto e onde? Que eventos haver na horta? Quem vamos convidar?

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    QUAL O PLANO?

    Calendrio Como vamos calendarizar as atividades? Monitorizao O que vamos monitorizar e como? Que registos vamos manter? Informao Como que o projeto vai manter as pessoas informadas (especialmente pais,

    ajudantes, o professor, o diretor e a escola)?Publicidade Como que sero divulgadas as atividades da horta e criadas atitudes positivas?Avaliao Quando que fazemos a avaliao? Quem que envolvemos? Em que formato? Celebrao Quando e como vamos celebrar?

    SUGESTES PARA A AO Utilizar a declarao de misso da horta para encabear

    os documentos. Encontrar um nome, lema e emblema para o projeto. Discutir e decidir os objetivos prticos e os objetivos

    educativos. Simplificar os principais objetivos e divulg-los de

    forma atrativa por exemplo, num cartaz ou numa apresentao aos alunos do grupo da horta. Deve-se colocar a declarao de misso no topo.

    Certificar-se que todos os participantes conhecem os principais objetivos. Pedir-lhes que os recordem para que possam avaliar o projeto no final. Lembr-los a meio do ano.

    Discutir e decidir que registos devem ser mantidos das atividades na horta e quem que os deve manter. Se os registos so feitos pelos alunos, deve-se planear e discutir esses registos nas aulas da horta.

    Discutir e decidir como feita a avaliao. Produzir um pequeno sumrio do projeto (encabeado pela declarao de misso),

    colocar uma cpia do dossi da horta e distribuir pelo conselho diretivo, associao de pais, autoridade local, etc.

    Resultados: - Nome do projeto, lema e logtipo; - Apresentao dos objetivos e atividade num formato visual interessante; - Sumrio do projeto.

    Dicas e ideias

    Organizar um concurso para escolher o melhor nome para o projeto. Pedir s crianas que copiem os principais objetivos para o seu caderno, levem

    para casa e expliquem s respetivas famlias. Com os alunos mais velhos, criar um plano visual do projeto em conjunto, discutir

    as aes necessrias e coloc-las num diagrama de fluxo, calendrio ou cartaz. Colocar cada parte do plano do projeto numa folha de papel separada e pedir a

    grupos de alunos diferentes que a ilustrem. Unir as diferentes partes num diagrama de fluxo e colocar setas feitas de papel ou paus, e colocar na parede.

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    QUAL O PLANO?

    NA SALA DE AULAPontos iniciais Estas quatro lies devem ser distribudas ao longo do ano letivo. O plano do projeto desenhado quando o projeto comea, o trabalho de divulgao pode ser feito em qualquer altura, a avaliao e a celebrao so realizadas no final do projeto.

    1. Plano do projeto Deve ser feito depois de tomadas as principais decises.Objetivos Os alunos devem tomar conscincia das suas expectativas, os alunos mais velhos criam um sumrio do plano do projeto para partilhar com o mundo exterior.

    Atividades Os alunos souberam que o Sr/Sra X quer ter informao sobre o projeto. Esta aula deve servir para preparar o sumrio. Os alunos discutem uma srie de questes sobre o projeto e registam as respostas. Os alunos mais velhos, em grupo, nomeiam um secretrio e esboam uma resposta. A verso final lida para aprovao de toda a turma. A informao entregue ao Sr/Sra X, que deve responder por escrito ou pessoalmente. Para dar seguimento, os estudantes mais velhos usam a informao para criar um sumrio visual na forma de diagrama de fluxos, calendrio de culturas ou plano de trabalho.

    2. Mostrar e contar Aproxima a escola da comunidade e as crianas aprendem ao falar.Objetivos Os alunos gostam de contar s pessoas sobre a horta e escolhem contedos e canais para as suas mensagens. (N.B. O professor deve preparar o ambiente investigando quem na escola ou na comunidade estar disposto a ouvir os alunos).Atividades Os alunos explicam o que acontece na horta e discutem quem gostaria de ter esta informao e porqu (pais, famlia, pessoas da escola, ajudantes da horta, media local, outras escolas, o pblico em geral e organizaes locais, por exemplo). Penduram figuras em papel com os nomes e discutem o que vo dizer e mostrar a cada uma.

    Planear Preparar Plantar

    Cuidar

    ColherComer/usarCelebrar

    Avaliar

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    QUAL O PLANO?

    3. A avaliao Ajuda a diagnosticar os problemas, a planear o futuro e a envolver a comunidade.Objetivos Os alunos relembram-se das atividades ao longo do ano e refletem sobre elas. Reconhecem a ajuda uns dos outros e felicitam-se pelo trabalho realizado (o professor deve assegurar que todos os registos esto disponveis e que todos contribuem para a avaliaes e partilham as suas impresses).

    Atividades Os alunos relembram-se dos eventos ao longo do ano e das atividades, triunfos e desastres, e expressam a sua satisfao ou insatisfao. Os alunos mais velhos relembram-se dos objetivos e metas do plano, e se foram ou no cumpridos, porqu e dizem quais as lies aprendidas. Os alunos relembram todos os que ajudaram e decidem como agradecer. A turma elege os melhores trs horteles e d-lhes um prmio. Finalmente, premeiam de acordo com Excelente, Muito bom, Satisfatrio.

    4. Celebraes Deve haver sempre uma celebrao e as crianas devem ajudar na organizao.Objetivos Os alunos devem estar conscientes da necessidade de celebrar, de pensar em quem deve participar e ajudar a planear e organizar o evento.Atividades O professor anuncia a celebrao e data, local e hora respetivos. A turma pensa num nome para o evento, lista os participantes e decide como convid-los. Planeia o programa, discute bebidas, presentes, decoraes e mostras. E organiza o trabalho a realizar. Algumas formas de celebrar so feiras de alimentos, dia aberto, festival de colheitas, refeio especial e uma festa. Algumas formas de celebrao so competies, decoraes, demonstraes, exposies, bandeiras, visitas guiadas, apresentaes, cartazes, canes e danas, etc.

    Hortelodo Ano!

    NOTAS

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    A organizao do trabalho na horta depende dos seus objetivos, das regras da prpria escola, da idade das crianas, de quantos professores e turmas esto envolvidas, de quanto tempo poder ser dispensado para a horta e das suas prprias preferncias. A maioria das escolas com hortas solicitam a cada turma que dispense uma a duas horas por semana, e os alunos podero ter responsabilidades extra, ocasionais, que lhes ocupam meia a uma hora por semana, numa base de voluntariado ou por rotatividade. A maioria tambm organiza sesses especiais quando est prevista uma maior carga de trabalho, como limpezas do terreno, por exemplo, e convida voluntrios e ajudantes, das famlias e tambm da comunidade.Seja como for, na organizao importante envolver os alunos, pois esta uma oportunidade para desenvolver o seu sentido de responsabilidade, independncia e capacidade para colaborao e organizao.

    CAPTULO 11

    COMO QUE COMEAMOS?

    Organizar o trabalhoObjetivos Distribuir o trabalho pela escola Organizar equipas e grupos Calendarizar o trabalho Estabelecer as regras Lidar com a segurana Assegurar as frias

  • 126

    COMO QUE COMEAMOS?

    A. COMO QUE ORGANIZAMOS O TRABALHO? necessrio ter presente que o papel da escola proteger, respeitar e facilitar o direito das crianas educao. As crianas esto na horta para aprender, no para serem mo de obra barata, e o trabalho na horta deve ser visto como uma experincia de aprendizagem. H muitas maneiras de distribuir o trabalho da horta pela escola, mas necessrio avali-lo luz do que foi referido anteriormente. Aqui ficam algumas possibilidades:

    1. Todos na escola tomam conta da hortaAs turmas vo rodando pelos diferentes talhes e diferentes tarefas (por exemplo, esta semana a turma 1 toma conta das couves, ou fica responsvel pela rega). Os registos da horta dizem respeito a todos os envolvidos no projeto e as turmas contribuem de acordo com as tarefas distribudas.Esta programao faz com que seja mais fcil organizar as tarefas comuns (por exemplo, as turmas tm turnos para misturar o composto) e tambm permite que todas as turmas adquiram experincia em todo o tipo de colheitas. Funciona bem quando existe um forte sentido de responsabilidade partilhada. As desvantagens so:

    No existe responsabilidade pessoal ou de pequenos grupos e por isso menos espao para um sentimento de pertena e orgulho pessoal;

    No existe uma grande variedade de trabalho para cada criana e por isso menos para aprender, e menos interesse;

    No possvel ter competies entre turmas, grupos ou indivduos; necessrio a coordenao de toda a escola.

    2. Cada turma tem a sua hortaCada turma trabalha separadamente, com alguma coordenao para evitar a sobreposio. Cada turma pode ser dividida em equipas ou grupos que podem trabalhar os seus canteiros e tambm contribuir para as tarefas comuns. feito um dirio da horta para cada turma.Esta forma de organizao pode promover o orgulho da turma. Hortas separadas facilitam a distribuio do trabalho de acordo com a idade das crianas e dificuldade do projeto. Por exemplo, uma turma jnior pode fazer vasos de flores, enquanto uma turma com alunos mais velhos pode produzir, embalar e vender fruta. Isto faz com que seja possvel desenvolver um projeto hortcola mais complexo e que abranja todos os anos letivos.

    3. Grupos/equipas tm os seus prprios talhes Pequenos grupos de alunos tm os seus prprios talhes. Escolhem o nome para o seu grupo (por exemplo, os dedos verdes). Um grupo pode produzir apenas uma colheita (fcil de organizar) ou vrias (mais interessante e educativo). Cada grupo mantm os seus prprios registos um dossi, um dirio, etc. As tarefas comuns da horta so partilhadas entre os grupos.

  • 127

    COMO QUE COMEAMOS?

    Esta forma de organizao tem vrias vantagens: D um sentido de pertena e continuidade; Encoraja a responsabilidade individual e de grupo; Facilita a avaliao do trabalho; Torna possvel ter experincias de controlo; flexvel os talhes podem adequar-se ao tamanho do grupo; Encoraja a competitividade a maioria dos agricultores aprende a ver o que o seu vizinho

    faz!

    4. Talhes individuaisSe o espao o permite, um ou dois alunos podem experimentar as suas prprias colheitas e mtodos. O que d lugar a vrias possibilidades. Por exemplo, dar talhes individuais a bons horticultores, selecionados pelo professor ou pela turma. Ou separar alguns talhes e todos os anos solicitar aos alunos para se candidatarem apresentando uma proposta de projeto bem desenvolvida.

    5. Designar gestores e monitores Delegar algum do trabalho de gesto a alunos mais velhos. Uma equipa de dois rapazes e duas raparigas pode ajudar a organizar e a supervisionar as atividades. Este trabalho deve ser visto como uma honra: crachs podero ajudar. Todos os meses a equipa faz um resumo dos resultados e passa a gesto a outra equipa.Um s aluno ou pequenas equipas especializam-se em determinadas tarefas comuns, com nomes apelativos como engenheiro de bombas, gestor de ferramentas, equipa de segurana e rei do composto. Os alunos podero recorrer a estes especialistas em vez de recorrerem sempre aos professores para informaes e conselhos. Estes especialistas devero preparar a formao dos seus sucessores.

    6. Criar o Clube da HortaOs alunos mais entusiastas podem participar num Clube da Horta, encontrando-se uma vez por semana como atividade extracurricular. Os pais e voluntrios tambm podem participar e acompanhar os alunos mais novos. A desvantagem que o grupo pode ser pequeno, a vantagem que todos estaro empenhados e haver muita partilha de experincias.As crianas menores de seis ou sete anos podem ficar com as tarefas mais simples, como levar ervas para o composto, regar e lavar os

    vegetais. Mas eles tambm devem ter as suas responsabilidades para que se preparem para tarefas mais exigentes quando forem mais velhos. Para isso devem-lhes ser dados projetos pequenos, mas completos por exemplo, ficar responsveis por trs vasos de flores e dois arbustos de bagas, acompanhar o crescimento de uma couve ou seis cenouras que crescem ao lado das principais culturas.

    Qual destas possibilidades seria a mais adequada?

  • 128

    COMO QUE COMEAMOS?

    B. EQUIPAS E GRUPOSPara organizar o trabalho, devem ser criadas equipas ou grupos de cinco a sete alunos. H vrias maneiras de organizar equipas, mais ou menos flexveis e mais ou menos autnomas.Por exemplo:

    Cada equipa tem um lder. As equipas e lderes elegem-se a si

    prprios. Os lderes de equipa so permanentes. As equipas mantm-se por uma

    estao. As equipas escolhem os seus talhes. As equipas escolhem os seus nomes,

    cores e emblemas. Os professores informam os lderes de

    equipa, que por sua vez informam as equipas.

    Os voluntrios adultos trabalham com as equipas como ajudantes e conselheiros.

    As equipas trabalham sem lder. As equipas so selecionadas pelo

    professor. Os lderes de equipa so rotativos no

    grupo. As equipas mudam a meio da estao. As equipas vo rodando por diferentes

    talhes. Os nomes das equipas so dados pelos

    professores. Os professores informam toda a turma. As equipas trabalham sem a ajuda de

    adultos.

    Qual destas opes seria mais indicada para si e para os alunos?

    C. PROGRAMAO DAS ATIVIDADESA programao das atividades pode incluir viagens, entrevistas, pesquisa de mercado, venda de produtos, cozinhar, demonstraes, festas, feiras e receber visitantes.Mas na maioria das sesses as crianas estaro a fazer:

    trabalho de horticultura de rotina (retirar ervas daninhas, regar e controlar as pragas, por exemplo);

    tarefas comuns (manuteno das ferramentas, compostagem, vedaes); monitorizar, registar, documentar (manter registos, medir e escrever dirios, por exemplo); recreao, atividades criativas e socializao.

    1. Trabalho de rotina e tarefas comunsTentar manter a horta a funcionar sozinha.Uma estrutura regularEsta ir ajudar a dividir as sesses por segmentos e a ter uma estrutura organizada por exemplo:

    Uma ronda de planeamento para comear (com uma pergunta por semana);

    Atividades de rotina trabalhar na horta, observar, escrever dirios, etc;

    Um intervalo para um jogo, cantiga, etc; Mais atividades de rotina; Arrumar; Fechar ronda (discutir e congratular). (Adaptado de Kiefer and Kemple, 1998)

    Quando as crianas tm uma ideia sobre o que fazer, pergunte-lhes que tarefas so necessrias (em vez de mand-las cumprir as tarefas) e encoraje-as a dar sugestes.

  • 129

    COMO QUE COMEAMOS?

    Tarefas rotativasSe uma tarefa requer a presena de um professor, organize as atividades de forma a que cada grupo venha ter com o professor separadamente. Por exemplo, podem existir blocos de 20 minutos a) escrever os jornais de campo, b) retirar as ervas/regar, c) trabalhar com o professor sobre como lidar com determinado problema, com blocos com ordens diferentes para cada grupo. Da mesma forma, se o equipamento ou as instalaes tm de ser partilhadas, organizar os grupos de forma a que enquanto um usa o equipamento os outros esto a fazer outra coisa.Planear a semana de trabalhoSe a semana de trabalho precisar de ser programada, ponha as crianas a faz-lo. Para tal necessrio mostrar a lista ou roda de tarefas (ver caixa em baixo) e discutir quais que ser necessrio fazer esta semana, quantas pessoas sero necessrias para cada uma e quanto tempo levaro. As equipas escolhem as tarefas, organizam o seu calendrio e decidem como partilham o trabalho. Se as rotaes de trabalho no podem ser evitadas, ento necessrio envolver toda a gente, para que o entendam.

    O que necessrio fazer esta semana? Os grupos escolhem as tarefas colocando uma identificao da sua equipa no segmento apropriado.

    Roda de tarefas na hortaPreparao do

    solo/Lavrar Regar

    Plantar/Transplantar

    Mondar; Cobrir o solo e

    Composto

    Caminhos e Vedaes

    Insetos e Pragas

    Observar e RegistarColher

    Preparar/Cozinhar/Preservar

    Embalar e Rotular

    Entregar/Distribuir

    Eventos/Divulgao

    da Horta

  • 130

    COMO QUE COMEAMOS?

    Programao do trabalho de equipaOs alunos mais velhos podem usar uma lista proforma, dat-la, indicar as tarefas realizadas e colocar essa informao no dossi da horta. As equipas podem estabelecer a sua prpria programao (ver caixa em baixo).

    Programao do trabalho da Equipa ATrs alunos, J, K e P, tm o seu talho. Trabalham duas meias horas por semana na horta com a turma, meia hora de uma aula e meia hora do seu tempo. Esta semana eles querem regar o talho, medir o crescimento, verificar se existem pestes e pulverizar com o spray caseiro se necessrio.As suas tarefas comuns sero misturar o composto e ajudar a reparar a vedao. P e K planeiam ficar na sexta-feira depois das aulas para regar, para que as plantas no sequem durante o fim de semana. J, que vive perto da escola, vai l passar no Sbado para ver se a pulverizao teve efeito. Ele tambm vai escrever o relatrio da semana. Na aula de quinta-feira, o grupo ir preparar uma mostra de insetos e pragas encontrados na horta.Este o calendrio que eles fizeram para a semana:

    INCIO DA SEMANA

    2F 3F 4F 5F 6F Sb. Dom.

    Trabalho na horta

    Regar K

    Regar & pulverizar

    PJ

    Regar & retirar

    ervas PK

    Observar e registar

    Medir o crescimen-

    to JProcurar pragas J

    Escrever o relatrio J

    Tarefas comuns

    Misturar o composto

    P

    Reparar a vedao

    K

    Trabalho na aula

    Mostra de insetosJKP

    2. Monitorizar, registar e documentarAs crianas devem supervisionar as suas culturas todos os dias a caminho das aulas, durante os intervalos e quando vo para casa. necessrio estabelecer o hbito no incio do ano levando horta toda a turma durante cinco minutos todas as manhs, at os alunos perceberem a ideia. Nessa altura, estas visitas devero ser feitas de forma independente e o relatrio de retorno dever ser dado turma pelo grupo ou individualmente. Os alunos mais novos podem observar e fazer o relato oralmente, os alunos mais velhos podem registar medidas, informao e produzir relatrios semanais que devem ser guardados no dossi da horta (ver caixa da prxima pgina). Deve-se manter o interesse da turma no tema, questionando sobre a sade de determinadas plantas, usando o nome das mesmas e pedindo sugestes.

  • 131

    COMO QUE COMEAMOS?

    Algumas Regras da Horta Caminhar nos caminhos e no nos canteiros; Manter as ferramentas fora dos caminhos; Limpar as ferramentas antes de arrum-las; Lavar as mos depois de trabalhar na horta; Lavar fruta ou vegetais antes de com-los; Perguntar antes de colher qualquer coisa; Colocar as partes afiadas das ferramentas a

    apontar para o cho.

    Relatrio da semana

    Incio da semana

    ........................................................

    Tarefas cumpridas

    Progresso Problemas

    Outras observaes...........................................................

    (assinado)

    Se os alunos quiserem, podem especializar-se e organizar: a patrulha das pragas (insetos, lagartas, etc.); a patrulha da sade das plantas (crescimento e qualidade); a patrulha da proteo das plantas (humidade do solo, ervas, cobertura do solo, vedao).

    3. Recreao, criatividade e socializaoTornar as sesses no jardim agradveis e sociais. Fazer intervalos para o lanche, um jogo, uma cantiga, um espetculo de marionetas, uma leitura, observar um inseto interessante ou planta, uma atividade de sensibilizao sensorial, trabalho artstico. Que rotinas sero mais adequadas para os alunos e permitiro cumprir o trabalho?

    D. REGRAS/ ETIQUETA DA HORTA

  • 132

    COMO QUE COMEAMOS?

    As regras da horta no so leis para serem aplicadas por polcias, mas necessrio ter um cdigo de prtica, uma cultura de comportamento na horta que todos entendam. Mas a maioria das prticas precisam de treino e os alunos precisam de ser lembrados antes de se tornarem automticas. Com isto em mente, encoraje as crianas a praticarem e a manterem as regras. Por exemplo:

    No incio, leve os alunos para a horta. Pea-lhes para demonstrarem como se faz e porqu. Pea aos alunos mais velhos para treinarem os mais novos, ou aos lderes de equipa para

    explicarem tudo s suas equipas. Pea a determinados alunos para lembrarem outros. Deixe que as crianas tenham turnos enquanto monitores da horta. Deixe emergir novas regras e discuta com os alunos. Pergunte aos alunos se se lembram das regras ou se necessrio escrev-las. Caso se torne necessrio escrever as regras, escolha uma escrita positiva e que inclua as

    crianas por exemplo, ns caminhamos nos caminhos e nunca nos canteiros! em vez de no caminhem nos canteiros.

    Qual a atitude da escola em relao a regras? A que que as crianas esto habituadas?

    E. SEGURANA DA HORTAOs predadores podem ser galinhas, pssaros, cabras, porcos selvagens, bfalos, elefantes e macacos s para nomear alguns. Ou pessoas! Discuta a segurana da horta com todos e decida quais as medidas a tomar e quando podem ser necessrias (ver Proteger a horta, nas Notas Horticultura). Encontrar ou construir o espantalho mais eficaz pode ser um bom jogo.

    Foto Mel Futter

    Criar um restaurante utilizando a sobra de vegetais, fruta velha, etc. pode ajudar a manter os animais fora da horta. Como recompensa eles deixaro estrume valioso. Prestar ateno aos hbitos de outras pestes. Existem muitos pssaros que comem fruta e que preferem a que j est muito madura, a comear a fermentar. No s vo ajudar a terminar com restos de fruta, como tambm os seus dejetos iro dar origem a germinaes, isto porque existem variados tipos de sementes que precisam de passar pelo sistema digestivo para que possam germinar.

    F. FRIASSe os projetos na horta comeam logo no incio do ano, no necessrio mant-los durante as frias grandes. Caso contrrio, discuta com os alunos, pais, ajudantes e cuidadores que manuteno necessria durante as frias. Algumas das precaues so:

  • 133

    COMO QUE COMEAMOS?

    Retirar as ervas antes das frias. Cobrir o solo para o manter hmido. Pedir s famlias voluntrias para ser as guardis, adotando a horta uma semana cada

    uma. Estabelecer um registo das equipas que durante as frias viro duas vezes por semana.

    Algumas das hortas tm verbas para pagar aos estudantes para fazerem estas tarefas, em dinheiro ou gneros.

    Tomar medidas de segurana. Que medidas podem ser tomadas para proteger a horta? Como podem os alunos e as famlias ajudar?

    SUGESTES PARA A AO Discutir e decidir como que o trabalho no jardim pode ser distribudo, organizado e

    programado.Resultado: Planos da organizao, calendrio e documentao do trabalho na horta.

    Dicas e ideias Ter uma cerimnia de inaugurao da horta:

    - Convidar uma celebridade local para inaugurar a horta plantando a primeira planta.

    - Convidar toda a gente, incluindo a imprensa local.- Disponibilizar um refresco.- Mostrar uma imagem ou mapa da horta.- Apresentar o programa anual da horta.

    As crianas mais novas podem cantar as regras da horta. Por exemplo: Ns caminhamos nos caminhos e no nos canteiros. Ns partilhamos as ferramentas e ajudamo-nos. Ns mantemos as ferramentas fora dos caminhos e as partes afiadas para baixo. Ns limpamos as ferramentas e guardamo-las. Ns sabemos o que estamos a fazer; ns jardinamos bem! Ns lavamos as mos e a comida. E agora estamos prontos para comer!

  • 134

    NOTAS

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    Em alguns stios, a horticultura vista como um trabalho que vale a pena e como um passatempo fascinante. Noutros um trabalho manual com pouco reconhecimento. Por vezes, o trabalho agrcola at pode ser associado ao colonialismo e escravatura. Existem casos em que a horta escolar adquiriu m reputao porque as crianas trabalhavam como castigo ou para produzir para o professor.Contudo, a maioria dos pais e encarregados de educao apreciam o valor prtico que tem uma horta escolar. Conseguem perceber que as crianas ganham capacidades prticas, conhecimento e habilidades para a vida, que os podero ajudar a olhar por si e pelas suas famlias no futuro. As escolas tambm esto a reconhecer que as crianas envolvidas na horta escolar tm um melhor desempenho em todas as disciplinas.

    CAPTULO 12

    COMO VAMOS MANTER A HORTA?

    Motivao e sentimento de pertenaObjetivos Motivar os professores, os ajudantes e as crianas Criar um sentimento de pertena

    PerspetivasA horticultura um prazer para alguns, mas para outros lembrar um passado traumtico.

    (Payne, 1998)

  • 136

    COMO VAMOS MANTER A HORTA?

    Aqueles que adoram este trabalho nunca se fartam de ver a germinao das sementes, de provar aquilo que produziram, experimentar novas plantas e mtodos, combater pragas e doenas. A melhor motivao o sentimento de realizao. Contudo, podem ser necessrias outras

    motivaes para vencer o preconceito, para levar os alunos a descobrirem o prazer de acompanhar o crescimento das plantas, ou apenas cumprirem as tarefas menos interessantes.Se existe uma atitude negativa em relao horta na escola ou comunidade, as escolas tero de ser geradoras de motivao. Podem fazer isto demonstrando o valor do que esto a fazer e demonstrando que acreditam nisso. Se por outro lado existe entusiasmo, pode ser necessrio mant-lo, uma vez que estes projetos demoram bastante tempo e envolvem trabalho repetitivo.Estas so algumas das razes pelas quais os bons gestores de hortas mantm as motivaes em mente.

    A. MOTIVAO PARA TODOSToda a gente precisa de motivao. Manter o interesse de todos num programa anual de eventos na horta. Divulgar o programa com um cartaz ou calendrio ilustrado. Por exemplo:

    Realizar uma cerimnia de abertura. Celebrar os principais eventos ao longo do ano

    (plantaes, colheitas) e ter visitantes e dias abertos. Celebrar dias nacionais e internacionais (ver caixa). Propor aos alunos a criao de cartazes sobre alimentos,

    culturas, projetos de horta, insetos, composto, etc. e fazer apresentaes desses cartazes na respetiva turma, outras turmas e para visitantes.

    Ter o dia da Cenoura ou da Couve quanto estas esto no seu pico (ver caixa na prxima pgina).

    Fornecer refrescos em todos os eventos. Nas sesses de trabalho, fazer intervalo para um lanche. Pedir aos ajudantes que tragam comida e bebida para partilharem. Aproveitar para mostrar aos alunos formas agradveis de apresentar comida.

    Dias especiais Dia mundial da gua - 22 Maro Dia Mundial da Sade 7 Abril Dia Mundial do Ambiente 5 Junho Dia internacional da luta contra o trabalho

    infantil 12 Junho Dia Mundial contra a desertificao e a seca

    17 Junho Dia Mundial do Habitat 5 Outubro Dia Mundial da Alimentao 16 Outubro

    Ideias para o dia da Cenoura Cada turma prepara cenouras para serem

    comidas de forma diferente. Realizar um concurso para o melhor prato de

    cenoura, a melhor fotografia de cenouras. Todos os participantes levam cenouras para

    casa. Conversar sobre o valor nutricional das

    cenouras. Criar uma msica e uma dana sobre

    cenouras. Apresentar uma dramatizao sobre como as

    cenouras so plantadas, tratadas, protegidas e colhidas.

    (C. Ssekyewa, personal communication, 2003)

    Organize um Dia da Cenoura ou Dia da Couve (ou Dia da Abbora ou Dia do Feijo) quando as suas colheitas esto no seu auge (ver caixa abaixo).

  • 137

    COMO VAMOS MANTER A HORTA?

    B. MOTIVAO PARA PROFESSORES E GESTORES DA HORTAO que motiva professores, funcionrios da escola e gestores da horta? Para eles, a horta pode ser uma destas coisas:

    Uma responsabilidade especial com uma compensao apropriada em termos de tempo ou remunerao;

    Uma fonte de orgulho e louvor por parte dos diretores da escola ou das autoridades locais de educao;

    Algo que podem colocar no seu CV; Uma forma de dar vida s aulas; Uma forma de ganhar competncias e qualificaes em horticultura, nutrio, etc; Uma forma de ter a escola toda junta num interesse comum; Uma forma de desfrutar comida saudvel.

    Certifique-se que alguns destes so verdade na sua escola. Por exemplo: Fale com a autoridade para a educao sobre cursos de formao certificados em

    horticultura, gesto de hortas, nutrio e trabalho no projeto; Organize formao informal com peritos locais no tema (eles sentir-se-o lisonjeados por

    serem convidados); Entre em contacto com outras escolas com hortas e tente arranjar fundos para seminrios

    sobre hortas; Organize um concurso com outras escolas para o melhor plano de aula sobre a horta; Adote um tema (gua e milho, por exemplo) e discuta como o integrar ao longo do

    currculo.Claro que tambm precisa de ser apreciado. Certifique-se que o seu grupo de horta e o diretor da escola sabem o que est a acontecer. Se a horta um crdito para a escola, a autoridade local ir visit-la e trar visitantes. A sua fama vai crescer, pode at ter de lidar com inveja! Se existirem referncias na imprensa e aparies pblicas, partilhe a sua glria, mas fique com um bocadinho para si. Voc merece!

    C. MOTIVAO PARA AJUDANTES, PAIS E PATROCINADORESCultivar as pessoas to importante como cultivar plantas. Os pais e ajudantes que do apoio podem fazer toda a diferena. Aqui ficam algumas formas de captar e manter o seu interesse.Envolva-os Na discusso e planeamento do projeto da horta, para que eles fiquem comprometidos com o seu sucesso. Apresente o plano para a horta no incio do ano e recolha sugestes. Depois pea para eles explicarem o projeto a outros: as pessoas convencem-se rapidamente se tiverem de convencer outros!Proporcione escolha Os voluntrios tm motivaes e talentos diferentes. Discuta as tarefas que so necessrias realizar, mas d oportunidade para que sejam eles a escolh-las.Receba donativos

    Pea e aceite donativos para as plantas e sementes. Mostre a quem d como ajudam. Se possvel, mostre-lhes a horta, ou pelo menos uma fotografia. Apresente-os s crianas, que podero falar sobre o que esto a fazer. Delegue num aluno a manuteno do registo das sementes e estacas doadas e reporte a quem as deu. Pea aos pais para contriburem com pequenas coisas (por exemplo, cascas de vegetais para o composto e sementes). A frequncia e a regularidade so mais importantes que a quantidade ou valor.

  • 138

    COMO VAMOS MANTER A HORTA?

    Mantenha o contacto Convide as famlias para eventos na horta. Mantenha-os informados sobre o que est a acontecer. A forma mais barata e efetiva de passar informao o chamado boca-a-boca. Pea a cada pessoa que v para falar com mais duas. Consulte pessoas frequentemente e pea o seu conselho.Agradea Reconhea todas as contribuies e conselhos calorosamente. Deve agradecer individualmente a todos os que ajudam e mostram interesse. Algumas formas de mostrar apreo:

    Incluir nomes num quadro de honra (estas foram as pessoas que ajudaram na nossa horta);

    Visitas guiadas personalizadas pelos alunos (ser necessrio praticar previamente);

    Oferecer pequenos presentes da horta, numa embalagem bonita; Colocar placas comemorativas para comemorar ofertas

    importantes; Escrever notcias no jornal da escola ou jornal local, mencionando

    os nomes; Escrever cartas de agradecimento, escritas pelas crianas (ver Mostrar e contar, captulo 10); Convidar para visitar a horta aquando das celebraes: Valorizar pessoalmente e calorosamente, quer em privado quer em pblico.

    D. MOTIVAO PARA AS CRIANASPara as crianas, a horta deve ser um local com muitas associaes positivas, onde podem:

    Produzir algo de que podem ficar orgulhosos; Aprender a fazer coisas e orgulharem-se das suas competncias; Mostrar aos outros o que fizeram e falar sobre isso; Obter algo bom para comer; Fazer as suas prprias observaes e falar sobre elas; Divertirem-se com a terra e gua, jogar e relaxar; Fazer exerccio e socializar com outras crianas.

    Muito poder ser feito para criar e manter essas motivaes. Aqui ficam algumas possibilidades:Criar valor

    Mostre o que pensa sobre a horticultura e como vale a pena produzir os seus prprios alimentos.

    Faa do trabalho na horta uma recompensa. Por exemplo, a turma que apresentar o melhor projeto deve prosseguir com esse projeto. D individualmente pequenos talhes para recompensar o bom trabalho.

    Faa da horta da escola um local atrativo para estar. No deixe que trabalhar numa horta escolar seja uma

    punio. Deixe que as crianas, atravs de histrias e teatro, imaginem

    criaturas da horta inspiradas pelas plantas. D s crianas uma participao material da horta por

    exemplo, parte das colheitas, parte dos lucros, receberem um pagamento por cuidarem da horta durante as frias.

    Reserve alguns projetos de horta para alunos mais velhos, para que estas atividades estejam associadas ao crescimento.

  • 139

    COMO VAMOS MANTER A HORTA?

    Criar variedade Trate o trabalho de cada ano como um projeto individual e altere-o de ano para ano. Planeie eventos interessantes durante o perodo de crescimento, quando o trabalho de

    rotina se pode tornar enfadonho. Plante tanto pelo interesse como pela beleza e utilidade.

    Destaque estgios e eventos Divida o projeto em fases curtas. Marque

    cada uma como realizada medida que isso acontecer.

    Verificar frequentemente os objetivos do projeto e encaminhar para os resultados.

    Dar grande destaque aos primeiros frutos, coloc-los em exposio, fotografa-los, prov-los.

    Marque os resultados atravs de cerimnias (festival da colheita, exposio da horta) com a contribuio dos alunos. Mantenha os alunos a par destes eventos e discuta a sua contribuio.

    Encorajar as crianas a promover a horta As crianas podem colocar sinaltica na horta. Encoraje as crianas a falarem s famlias e amigos sobre

    as atividades. As crianas podero explicar os seus talhes aos visitantes.

    Forme-os para agirem como guias da horta e distinga-os quando terminarem a formao.Recompensar o sucesso

    D recompensas a indivduos e grupos o elogio pessoal, elogios pblicos, prmios, estrelas douradas e boas notas. D notas para o trabalho prtico, registos, dirios, desenhos produzidos por equipas e grupos.

    Tenha um esquema de crditos para a horta. As crianas ganham crditos pelo trabalho na horta ao longo do ano, com um certificado no final.

    Encoraje os alunos a darem os parabns uns aos outros, e os alunos mais velhos a ajudarem e louvarem os mais novos.

    Ter concursos e prmios por exemplo, para a primeira cenoura, para a maior colheita, para as folhas verdes mais saudveis, para as plantas sem pragas, o talho mais bem cuidado, as flores mais bonitas e um prmio de consolao para aqueles com mais ervas daninhas. As crianas podem decidir quem deve ter os prmios e organizar a entrega dos mesmos.

    Concurso da HortaO Clube 4H organizou um concurso nas Carabas para a melhor refeio ou lanche inventado por uma criana com os produtos da horta. Um dos vencedores foi um sumo de kallaloo com gengibre. (C. Power, personal communication, 2003)

  • 140

    COMO VAMOS MANTER A HORTA?

    E. SENTIMENTO DE PERTENAUma das motivaes mais eficazes o sentimento de pertena. Esta tambm uma condio importante para o desenvolvimento pessoal.Ter responsabilidade Lema: a nossa horta, o meu talhoAs crianas devem:

    Ver a horta como delas e sentir que os adultos respeitam esse sentimento;

    Ter sempre acesso aos seus talhes; Ter responsabilidade pessoais e comuns (a minha planta,

    a nossa vez para regar, etc.); Ajudar a proteger a horta face a predadores e ladres.

    Tomar decises e iniciativas Lema: o nosso plano, a minha ideiaOs adultos e professores tero de tomar algumas das principais decises, mas os alunos tambm devem fazer escolhas e decises reais, quer individualmente quer por turma/grupos. Ajud-los nas suas escolhas: por exemplo, certificarem-se que tm informao suficiente, dar-lhes uma seleo de escolhas viveis, encorajar a discusso dos prs e contras.

    Partilhar conhecimento e competncias Lema: Perguntar e dizerOs alunos devem ser encorajados a procurar informao e aconselhar os outros, e a partilhar os seus conhecimentos com a famlia, crianas mais novas e colegas. Isto vai reforar o conhecimento.Saiba o que est a acontecer Lema: Estar por dentro do que aconteceOs alunos mais velhos em particular podem ver o projeto como

    um todo desde o incio. Isso ajuda-os a planear e organizar, a falar sobre o projeto e a avali-lo. Quando as aes no podem ser realizadas pelos alunos sozinhos (instalar o fornecimento de gua, por exemplo), eles devem ser informados, consultados e dar-lhes a oportunidade de observarem e documentarem o evento.

    F. UMA PALAVRA FINALA sade das crianas uma preocupao de toda a escola e comunidade. O currculo escolar, as atividades extracurriculares, a comunidade escolar deve coordenar-se com as famlias e comunidade, para se certificarem que as crianas tm acesso aos seus direitos bsicos de educao e nutrio adequada.O Manual das Hortas Escolares funciona em todas estas frentes o cultivo de alimentos na horta, a aprendizagem na sala de aula, o envolvimento na confeo de refeies e o convite s famlias e comunidade para apoiar o programa. Esta abordagem multifacetada a melhor forma para uma educao bem-sucedida, para uma melhor nutrio e sade a longo prazo. Mais do que isso, pode constituir uma parte importante em promover no s a sade das crianas, mas tambm a sade das suas famlias e do ambiente.

  • 141

    COMO VAMOS MANTER A HORTA?

    Dicas e ideias Apresentar os quatro lemas e discuti-los com os

    alunos, professores, pas e ajudantes de jardim. Discutir o programa da horta com as crianas e

    pedir-lhes para o divulgarem.

    SUGESTES PARA A AO Escolha algumas ideias para construir e manter a motivao de todos os intervenientes. Discuta as questes de motivao com todo o grupo da horta. Obtenha ideias para o programa da horta e eventos ao longo do ano. Inclua motivao (de todas as partes) como um elemento de avaliao do projeto.

    Resultado: Programa da Horta.

    Gostaramos de lhe dar os parabns por ter chegado at aqui e desejamos muita sorte para o seu projeto para a horta.

    Usar as hortas escolares para aprender ter interesse ter boa comida ter prazer

    Dar horta gua proteo bom solo insetos amigveis

    Ver as pessoas como guias e peritos ajudantes amigos do jardim ouvintes atentos s crianas

    Ajudar os alunos a aprender, trabalhar, observar comer bem crescer responsvel e cooperativamente respeitar o ambiente

    MOSTRE AO MUNDO O QUE A SUA HORTA PODE FAZER!

    Foto cortesia de S. Paulick

    Palavras de ordem

    Este manual poder no dar resposta a todas as necessidades e circunstncias, contudo esperamos que tenha informao prtica suficiente para que seja possvel comear a pensar e a planear, e que sirva de inspirao e bons exemplos, para que leve para a frente o projeto. Tambm esperamos que possa usar algumas das palavras de ordem deste manual.

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    NOTAS

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    ANEXO

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    Informao Bsica sobre 15 alimentos

    Abbora

    Anans

    rvores de fruta tropical

    Banana

    Batata doce

    Cebolas e os seus primos

    Cenoura

    Couve e os seus primos

    Ervas aromticas

    Feijes, ervilhas e os seus primos

    Hortalia de folha verde escuro

    Oleaginosas

    Papaia

    Quiabo

    Tomate

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    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    ABBORA(Cucurbita moschata, Cucurbita maxima)

    A abbora uma planta rasteira com fruto nutritivo. Algumas variedades so pequenas, outras grandes. O fruto a parte mais consumida. Tem uma casca verde, laranja, amarela ou riscada. As folhas tenras e as flores grandes so tambm alimentos saudveis, mas muitas pessoas desconhecem tal facto... Sementes de abbora tostadas so um timo aperitivo. A abbora pode ser cultivada na estao quente, ou, nos trpicos, ao longo de todo o ano.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?Outros nomes incluem abbora-amarela, abobrinha, jerimu e jerimum. Variedades como a abbora-menina tm fruto com casca dura e polpa laranja firme e seca. Em climas temperados ou frios, crescem melhor no vero. Algumas variedades tm a polpa plida e uma casca cerosa. Variedades como a curgete tm geralmente a polpa plida e so mais pequenas. Em locais quentes podem crescer todo o ano. Pepino, melo, melancia e chuchu so parentes nutritivos da abbora, mas mais doces e sumarentos. Todos crescem de forma semelhante. As sementes da melancia so alimentos populares nalguns pases.

    Valor nutricional

    Faz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?Faz muito bem! A fruta tem muita vitamina A e fornece energia. Os rebentos folhosos tm protenas, ferro, vitaminas C e A. As sementes so ricas em leos essenciais e protenas. A polpa da abbora boa para bebs, crianas e pessoas doentes porque est repleta de vitaminas e fcil de digerir.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?A abbora pode comer-se assada, cozida a vapor ou fervida. Cozinhar pedaos em sopas, fritos, guisados, ou servir cozinhada com outros alimentos. Tarte doce de abbora uma delcia. Deitar algumas flores nos salteados. Os rebentos folhosos podem ser cozidos a vapor ou ligeiramente cozidos depois de retirar a pele fibrosa da haste. As sementes so melhores secas ou tostadas como aperitivo.

    Facilidade de cultivo

    fcil de cultivar? muito fcil de cultivar. As abboras gostam do calor e do sol. Em lugares tropicais cresce todo o ano, mas em lugares frios apenas no vero. Precisa de chuva regular ou de rega. Cresce melhor em solos drenados e com muito composto ou estrume.

    Calendrio

    Quanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?Depois de plantar, o tempo at primeira colheita de dois a quatro meses. Em stios tropicais, plantar em qualquer altura do ano, mas evitando a poca das mones fortes. Em zonas frias, plantar na primavera e colher durante o vero e outono.

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?As gavinhas trepam e as razes espalham-se amplamente, por isso precisam de estar 1 a 2 metros separadas entre si.

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    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Instrues para propagao/ plantao

    Onde plantar e como?As abboras crescem a partir de sementes. Usar sementes comerciais ou sementes de uma abbora madura. No necessrio transplantar. Plantar duas a trs sementes juntas em camas elevadas na estao chuvosa ou em buracos rasos no clima seco. Desbastar deixando uma ou duas gavinhas em cada stio.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Algumas espcies de abboras pequenas crescem bem em latadas suficientemente fortes para suportar o seu peso. A abbora tropical comum pode ser cultivada em latadas, por cima de um telhado de capim, ou entre o milho. A maioria fica satisfeita espalhando-se pelo cho, e as suas folhas grandes fazem sombra s ervas daninhas. Quando as gavinhas ficam cobertas de flores, os rebentos podem ser colhidos para ajudar a estabelecer o fruto. Regar regularmente no tempo quente para mant-la em crescimento, mas sem afogar as razes. Fazer cobertura vegetal com palha ou folhas em volta do caule, especialmente se a abbora estiver a trepar uma latada. Alimentar as razes espalhando um pouco de estrume ou composto todos os meses.

    O que que o ataca? O que deve ser feito?Diferentes pragas atacam a planta em diferentes locais. As variedades duras so mais resistentes que as macias. Caracis, lesmas, afdios e algumas baratas atacam as plntulas, mas as plantas adultas so mais resistentes. Tal como as crianas, uma planta bem alimentada, regada e com luz solar suficiente pode resistir maioria dos ataques. O mldio ataca as folhas se houver demasiada chuva, sombra ou frio. Retirar as flores velhas e murchas depois de o fruto comear a crescer; por vezes, apodrecem e o apodrecimento pode espalhar-se para a abbora.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?As variedades duras podem produzir quatro a cinco abboras de 5 kg cada, e 100-200 gramas de sementes para aperitivo. As abboras macias produzem frutas em poucos dias. Cada planta pode produzir semanalmente um molho de rebentos folhosos e flores para refeies.

    Durante quanto tempo produz?A maioria das abboras produzem regularmente por 2 ou 3 meses, mas as variedades duras so colhidas uma nica vez, no final da estao de crescimento.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?As flores, sozinhas ou agarradas a abboras bebs, so cortadas ou arrancadas. Colher os rebentos que crescem rapidamente quando tiverem entre 15 e 30 cm de comprimento. Ambos devem ser consumidos em poucos dias. Apanhar as abboras pequenas quando o fruto tem cerca de 10 cm de dimetro. Cortar ou remover o caule da gavinha. A abbora macia seca e murcha, por isso deve ser comida em poucos dias. As abboras mais duras so colhidas quando a gavinha morre. Limpar de sujidade e armazenar num local fresco at quatro meses. Variedades com casca cerosa podem durar seis meses.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?As abboras de variedades mais duras e as sementes secas mantm-se bem se forem mantidas em local fresco e longe de ratos. Polpa de abbora cortada em fatias finas pode tambm ser seca.

    Outros usosQue outros usos lhe podemos dar?Uma boa dose de sementes de abbora vai expelir parasitas intestinais.

    Cultura

    No ocidente, no Halloween, as pessoas retiram a polpa da abbora, esculpem uma face num dos lados e colocam uma vela no interior para fazer uma lmpada festiva. No sul da sia, as abboras so usadas em festivais religiosos. As sementes de melo e abbora, por vezes de cor vermelha, so aperitivos especiais no Novo Ano Lunar Chins.

  • 146

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    ANANS(Ananas comosus)

    Os ananases so frutas saborosas e saudveis. Podem multiplicar-se atravs dos rebentos laterais por muitos anos.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?O anans (tambm chamado abacaxi) veio da Amrica tropical e agora cultivado em muitos pases tropicais. Variedades populares so Smooth Cayenne, Victoria (grande, usado para enlatar, mas bom para as hortas escolares), Queen e Prola.

    Valor nutricionalFaz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?Faz muito bem. O anans maduro tem muitos acares, que do energia, e vitaminas A e C, bem como minerais necessrios.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?Descascar e fatiar o fruto. Comer fresco como snack ou em salada de fruta, ou adicionar fatias ou o sumo para dar sabor a sopas, condimentos ou cozinhados. Para fazer sumo de anans, cortar e triturar fruta madura e pressionar atravs de um coador de rede limpo ou um pano limpo, depois adicionar gua fresca previamente fervida. No adicionar acar.

    Facilidade de cultivo fcil de cultivar?Muito fcil de cultivar no stio adequado. O anans gosta de solos drenantes, chuva e calor moderados.

    CalendrioQuanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?Plantar nos meses mais frescos. As primeiras frutas estaro prontas para a colheita em 15-20 meses.

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?Os ananases crescem menos do que um metro de altura e meio metro quadrado de largura. As razes so superficiais e por isso precisam de solos bem drenados. Plantar num lugar exposto ao sol podem tolerar algum vento e seca. Variedades com picos nas folhas podem no ser adequadas para serem trabalhadas por crianas pequenas.

    Onde plantar e como?O anans no se cultiva a partir de sementes, mas atravs de material vegetativo obtido da planta: a) pequenos rebentos que crescem do caule na base do fruto;b) rebentos laterais (ladres) fortes que crescem perto do solo;c) os topos folhosos do fruto.

  • 147

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Retirar o material vegetativo de plantas com bons frutos e poucos rebentos. Se se usarem rebentos, escolher os maiores. Plantar em camas elevadas com estrume ou composto. Espaar 0,3 metros entre si em duas linhas por cama os ananases gostam de crescer juntos.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Fazer cobertura vegetal nas linhas para manter a humidade e adicionar estrume ou composto a cada dois meses. Se houver pouca chuva, regar moderadamente. Manter limpo de ervas.

    O que que o ataca? O que deve ser feito?Pragas: a cochonilha-algodo a praga mais comum. um pequeno inseto, com uma carapaa viscosa, que se instala sobre as folhas e frutos, e suga a seiva. Controlar com um spray de gua e sabo, ou um spray de leo a 3% leo de vero ou leo de petrleo, que se encontram facilmente numa drogaria. Ou simplesmente usar leo de cozinha. Doenas: as razes podem apodrecer se no houver boa drenagem ou por causa de um pequeno verme chamado nemtodo. A nica coisa a fazer remover as plantas afetadas (e queim-las), compostar muito bem a rea em causa e plantar outra cultura nessa zona.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?Cada planta vai produzir um fruto por ano, algumas na estao fria, outras nos meses mais quentes.

    Durante quanto tempo produz?Cada planta produz muitos ladres e rebentos para replantao. Deve-se replantar atravs dos ladres para ter boa fruta. Desbastar e replantar ladres a cada dois ou trs anos, pelo menos, caso contrrio produziro frutos muito pequenos por alguns anos e depois tornam-se muito fracos.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Colher o fruto quando comea a ficar amarelo ou a cheirar bem ou imediatamente antes de ficar amarelo, se estiver certo que est maduro (se ficar completamente amarelo antes da colheita, o interior vai ficar castanho). Usar uma faca para cortar o p pela base do fruto. Lavar a poeira do fruto.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?A maioria dos ananases so comidos frescos. O fruto desenvolvido de cor verde pode ser guardado num lugar fresco por trs a quatro semanas. Podem ser mergulhadas fatias em xarope forte de acar por um dia e depois secas em folhas de bananeira limpas, em tabuleiros ou num secador solar. Virar as fatias duas a trs vezes por dia. Armazenar num recipiente com pouco ar. Tambm se pode usar anans para fazer doce, chutney ou condimentos.

    Outros usosQue outros usos lhe podemos dar?Plantar ananases como vedao viva ao longo dos limites do jardim, para manter afastados pequenos animais. O sumo de anans bom para o estmago.

    Cultura

    Nalguns pases, o anans cultivado em grandes plantaes para enlatar, secar, fazer sumo ou para fruta fresca, e exportado para todo o mundo. O seu sabor especial leva um toque dos trpicos a pessoas que vivem em pases frios. Juntamente com o coco, este um dos frutos tropicais mais conhecidos e saboreados mas a maioria das pessoas nunca viu um anans a crescer!

  • 148

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    RVORES DE FRUTA

    As rvores de fruto do alimentos saudveis e saborosos por muitos anos. E existem muitos tipos diferentes adequados para uma horta escolar. Elas do sombra e abrigo, e podem ser usadas para definir limites no espao escolar. Uma vez estabelecidas, precisam de poucos cuidados.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?Citrinos (Citrus sp.) toranja, laranja (na imagem), lima, limo e muitas outras variedades pelo mundo. Anona (Annona sp.) anona, pinha e graviola, todas originrias da Amrica Central. Star Apple (Chrysophyllum cainito) da Amrica Central e sia tropical, e de frica (C. alba, C. Magalismontanum).Existem muitas outras rvores adequadas, por exemplo: mangueiras, tamareiras e jujuba; e rvores de frutos secos como coqueiro, nogueira de Iguape (Aleurites sp.) e amendoeira indiana (Terminalia sp.). Em climas temperados pode usar-se ameixeira, macieira, nogueira e castanheiro.

    Valor nutricional

    Faz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?Muito boas para ns. As frutas tm muitos aucares energticos e vitaminas A e C, bem como outras de que as crianas precisam diariamente para proteo perante doenas. Elas deviam consumir trs a quatro peas de fruta por dia.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?Comer fruta fresca ao lanche ou juntamente com a refeio. Cortar diferentes tipos de fruta para uma salada de fruta. Adicionar fatias ou sumo para dar sabor a sopas, cozinhados, ou tornar o peixe e carne mais tenros (ver tambm papaia). Fruta e carne so muitas vezes combinadas: manga e cordeiro, pato e laranja, ma e porco. Um prato tpico do Pacfico peixe cortado e marinado em sumo de lima, servido com leite de coco. Para fazer sumo, pressionar fruta madura num coador de rede limpo ou num pano limpo, depois adicionar gua fresca previamente fervida. No adicionar acar.

    Facilidade de cultivo

    fcil de cultivar?Muito fcil de cultivar no local certo. As frutas tropicais crescem bem em climas quentes, abrigadas do vento quando so novas, com chuva regular ou rega. A maioria cresce bem em solos bem drenados e ricos em matria orgnica.

    CalendrioQuanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?Plantar nos meses mais frescos. Os frutos estaro prontos para colher dentro de dois a trs anos.

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    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?Citrinos, Anona e Star Apple crescem entre dois e seis metros de altura. Plantar pelo menos dois a trs metros afastadas de rvores grandes ou edifcios. Um bom lugar a zona de drenagem de um poo ou furo. Podem incluir-se no desenho de um espao escolar para fornecer sombra e abrigo, ou como delimitantes de zonas.

    Onde plantar e como?As melhores frutas so as de boas variedades enxertadas nos viveiros. Anona e carambola podem facilmente cultivar-se atravs de sementes de um fruto maduro (nem sempre funciona com os citrinos). Semear as sementes em sacos ou vasos com buracos para drenagem. Plantar quando tiverem 15 a 30 cm de altura. Espaar as rvores pequenas como os citrinos 2 a 3 metros afastadas. A carambola e outras rvores grandes devem espaar-se 3 a 5 metros. Em solos pesados, plantar em canteiros elevados para uma boa drenagem.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Proteger as rvores do sol e vento por alguns meses, para que se estabeleam bem. Regar bem durante os meses quentes, mas sem alagar o solo. Fazer cobertura vegetal em torno de cada rvore desde o tronco para fora um metro, para manter o solo fresco e alimentar as razes. Adicionar estrume, se possvel. medida que crescem, podar de forma a deixar a luz solar incidir nos frutos e permitir o arejamento. Cortar os ramos mortos para manter a rvore saudvel.

    O que que o ataca? O que deve ser feito?As pestes incluem caros, escaravelhos, traas e cochonilhas que se introduzem na fruta e sugam o sumo; e larvas da mosca da fruta que eclodem mesmo debaixo da pele da fruta e atacam o fruto quando est quase maduro. Tambm os morcegos da fruta, pssaros e pequenos animais trepadores atacam a fruta quase madura. Numa horta diversificada, as pragas so geralmente controladas por outros insetos. Um spray com 3% de leo de cozinha ou gua com sabo pode reduzir os caros e cochonilhas, mas pode tambm afastar os insetos predadores.Doenas: o apodrecimento da raiz pode surgir devido a excesso de rega ou fraca drenagem. A antracnose provoca manchas pretas nas flores e frutos. Remover e queimar os ramos ou rvores fortemente afetados, para evitar que a infeo se espalhe. Reduzir os espaos onde as pestes e doenas se escondem atravs da poda dos ramos interiores, para permitir uma boa circulao do ar atravs da rvore.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?Uma rvore adulta produz 10 kg ou mais de fruta por ano. Algumas produzem fruta na estao fria, outras nos meses quentes.

    Durante quanto tempo produz?As rvores podem produzir fruta durante dez a 20 anos ou mais.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Quando a fruta passa de verde para amarela, se torna macia ou cheira bem, est madura e pronta para colher. Manusear a fruta madura cuidadosamente, para no danificar. Usar uma vara com um pequeno cesto amarrado na ponta para colher a fruta das rvores mais altas. Elevar a vara para que a borda do cesto toque na fruta e empurr-la para o cesto. Se for fcil de trepar rvore, pode ser que no se veja muita fruta as crianas j tero ido l apanh-la e com-la!

  • 150

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    BANANA (Musa acuminata)

    As bananas so um bom alimento para o lanche das crianas. Crescem e so colhidas durante todo o ano.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?As bananas tm origem nas florestas do sudoeste asitico. Crescem na chamada cintura tropical, entre os 30 de latitude norte e sul. Existem fundamentalmente dois tipos de banana: a de mesa e a de cozinhar. E quase mil variedades.

    Valor nutricionalFaz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?As bananas so um bom alimento, fonte de energia e de vitamina C e B6.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?As bananas podem ser comidas frescas ao pequeno almoo e lanche. Podem ser comidas secas em batidos com leite e mel. Desfeita, um timo alimento para os bebs.

    Facilidade de cultivo fcil de cultivar?Muito fcil no local certo. As bananas gostam de lugares moderadamente quentes e hmidos. Desenvolvem-se melhor em solos ricos e bem drenados.

    CalendrioQuanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?As bananas podem ser plantadas e colhidas todo o ano, sendo o intervalo de crescimento entre oito e dez meses.

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?As bananeiras crescem at 15 metros de altura. A distncia entre plantas pode variar entre 2 2 e 5 5 metros, dependendo da variedade.

    Onde plantar e como?So plantadas usando rebentos da base das plantas-me. Estes rebentos devem ser deixados a secar durante dois dias antes de plantar.

  • 151

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?As hastes no so de madeira, mas sim das prprias folhas enroladas, pelo que podem cair facilmente. Usar corta-ventos para proteger dos ventos fortes.

    O que que o ataca? O que deve ser feito?O gorgulho da banana, um besouro negro cuja larva perfura o tronco, um dos mais srios constrangimentos produo de bananas. As plantas devem ser mantidas limpas e o saneamento do terreno deve ser tido em conta. Usar materiais de plantio apropriados e plantar os rebentos bastante cedo para evitar uma re-infestao de gorgulho.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?Cada caule produz um enorme grupo de flores e depois morre. Cada cacho feito de muitas mos, que do muitos frutos. Cada cacho pode ter centenas de frutos e pesar at 50 kg.

    Durante quanto tempo produz?Pode produzir desde os trs anos at aos 20 anos, em mdia. A planta-me cortada a cada colheita e a planta-filha toma o seu lugar.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?As bananas podem ser colhidas quando cerca de 3/4 dos frutos j atingiram o tamanho final. Para amadurecer penduram-se num lugar arejado.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?As bananas so normalmente consumidas frescas, mas podem ser mantidas por muito tempo se forem secas.

    Outros usosQue outros usos lhe podemos dar?As folhas grandes so usadas como guarda-chuva, pratos, toalhas de mesa, etc.

    CulturaPensa-se que as bananas foram o primeiro fruto no planeta. So um dos mais importantes frutos tropicais e fonte de rendimento nas grandes plantaes para exportao.

  • 152

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    BATATA DOCE (Ipomoea batatas)

    A batata doce uma planta com razes saborosas e folhas verde escuro. A principal parte comestvel so as razes grandes ou os tubrculos. As folhas tenras so um alimento saudvel, mas as pessoas que no sabem disso apenas as do aos animais. A batata doce pode ser cultivada na estao quente ou durante todo o ano nos trpicos.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?Podem-se distinguir diversas variedades pela forma das folhas e cor da polpa, raiz e pednculo. Variedades com polpa laranja crescem melhor em lugares quentes. Variedades com polpa plida e pele roxa podem crescer em climas mais frios. A batata doce parente do espinafre de gua (Ipomoea aquatica), que cresce de forma semelhante mas gosta de zonas com mais gua. Tem folhas verde escuro comestveis. O inhame outro alimento nutritivo. Os inhames so cultivados como a batata doce, plantados um pouco mais afastados e necessitando de uma estaca para treparem.

    Valor nutricionalFaz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?Faz muito bem! Os tubrculos fornecem muita energia, os amarelos e laranja so ricos em vitamina A, e os rebentos tm ferro e vitaminas. So bons para bebs, crianas e pessoas doentes e fceis de digerir.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?Comer os tubrculos assados, cozidos em gua ou a vapor. Podem ser a base de uma refeio ou tambm comidos como aperitivo. Cozinhar pedaos do tubrculo fritos, no caril, em guisados ou em sopas. Cozer os rebentos ou refogar com alho.

    Facilidade de cultivo

    fcil de cultivar?A batata doce veio da Amrica tropical e gosta de calor e sol. Nos trpicos cresce todo o ano, mas em lugares mais frios apenas no vero. Cresce melhor durante o tempo seco, em solos arenosos com suficiente composto ou estrume, mas at cresce em solos pouco frteis. Pode sobreviver seca ou a perodos com muita gua se houver boa drenagem.

    Calendrio

    Quanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?Os tubrculos esto prontos para a colheita quatro a seis meses depois de plantados. Os rebentos folhosos podem ser colhidos a partir das seis a oito semanas. Plantar em qualquer altura do ano no clima tropical, exceto numa forte estao das chuvas. Em lugares frios, plantar na primavera e colher depois do meio do vero. Os tubrculos formam-se melhor quando os dias se tornam menores. Dias longos favorecem a produo de folhas.

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?As gavinhas de cada planta vo crescer para cobrir cerca de meio metro quadrado de solo.Onde plantar e como?Plantar numa cama elevada bem drenada em local com exposio solar. Em stios com sombra vo crescer folhas, mas no bons tubrculos.

  • 153

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Preparar cristas ou camas elevadas afastadas cerca de um metro, em solo hmido, e juntar matria vegetal verde, composto ou estrume. Plantar topos de tubrculos germinados ou gavinhas cortadas meio metro afastadas ao longo das camas elevadas.1) Topos dos tubrculos: cortar peas de 3-4 cm dos topos (pedunculares) de tubrculos armazenados que tenham gemas brotadas. Coloc-los num prato com gua ou solo hmido at brotarem, depois plantar nas camas elevadas. 2) Gavinhas: usar gavinhas de cerca de 30 cm de plantas bem desenvolvidas e que tenham j lanado razes nas junes (ns). Remover as folhas da metade inferior. Plantar as estacas nas camas elevadas inclinando-as para baixo com metade da estaca enterrada. Manter o solo hmido por uma semana at as razes se estabelecerem.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Fazer cobertura das plantas com composto e alimentar com estrume ou composto mensalmente. medida que as gavinhas crescem, levant-las do solo ocasionalmente para evitar que as razes cresam para o solo nas zonas das junes. Manter limpo de ervas daninhas at que a planta se tenha espalhado o suficiente para fazer sombra e assim evitar as ervas daninhas. Regar com pouca quantidade de gua regularmente na estao quente.O que que o ataca? O que deve ser feito?Uma das piores pragas o gorgulho da batata doce. Vive no solo, enterra-se no caule e danifica os tubrculos. muito pequeno e deixa pequenos buracos ou linhas pretas ou castanhas no tubrculo, que geralmente s se detetam depois da colheita. Espalhar cinza volta da planta para o manter afastado. Os ratos tambm escavam no solo arenoso para comer as razes. Protegem-se assegurando que a base da planta est bem coberta com solo, especialmente se o solo abre rachas. No esquecer se as plantas tm doenas, destru-las e plantar outro tipo de planta nesse local.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir? Durante quanto tempo produz?Cada caule produz um enorme grupo de flores e depois morre. Cada cacho Um corte ligeiro dos rebentos pode ser feito regularmente quando a planta est a crescer bem e os dias so longos. Uma boa planta de batata doce produz 2 a 3 kg de tubrculos.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Cortar os topos folhosos tenros das gavinhas com cerca de 10 cm. Eles murcham, por isso devem ser comidos dentro de um ou dois dias. Desenterrar (colher) os tubrculos quando esto suficientemente grandes. Se forem deixados crescer tempo demais. tornam-se fibrosos e duros. Com cuidado, lavar ou escovar o solo que fica agarrado. Armazenar durante trs a cinco meses em covas cobertas com solo arenoso seco e fresco, ou embrulhadas em papel de jornal num lugar fresco e seco. As variedades com a pele mais grossa armazenam-se por mais tempo.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?Fazem-se chips de batata doce fritando ou assando fatias muito finas e polvilhando com um pouco de sal. Conservar em sacos de plstico limpos e selados. Podem durar cinco meses ou mais. Algumas fbricas produzem farinha a partir dos tubrculos ou congelam-nos.

    Outros usosQue outros usos lhe podemos dar?Todas as partes da planta podem ser usadas para alimentao animal.

    Cultura

    A batata doce, como muitas outras plantas de tubrculos, pode ser armazenada, por isso era um dos alimentos que as pessoas levavam quando faziam viagens martimas. Os cientistas pensam que foi assim que se espalharam desde a Amrica do Sul, atravs das Ilhas do Pacfico, para o Sudeste Asitico. Em frica e na Melansia, fazem-se cerimnias importantes quando se plantam e colhem inhames e batata doce. A batata doce foi to importante na Papua Nova Guin que as tribos fizeram guerras pela melhor terra para as plantar! Em alguns pases do Este Asitico, as pessoas costumavam achar que toda a planta s era boa para porcos... Como esses porcos prosperaram!

  • 154

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    CEBOLA E OS SEUS PRIMOS

    (Allium cepa) e outros da famlia Allium

    Enquanto crescem, as cebolas parecem erva, mas tm folhas redondas e ocas. Os bolbos de cebola que esto ao nvel do solo tambm so folhas, espessas e sumarentas, em camadas, com folhas exteriores finas como papel, que protegem o bolbo. Muitos pases consideram a cebola e os seus parentes essenciais para adicionar sabor, sade e um timo sabor s refeies. Contudo, por vezes so esquecidas nas hortas.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?Existem trs variedades principais. A cebola comum, da sia Central, que forma um nico bolbo e pode ficar to grande como a palma da nossa mo. O alho e as chalotas, tambm de climas temperados, formam um conjunto de pequenos bolbos que se encaixam. J o cebolinho originrio da sia Oriental. No caso deste ltimo, comem-se as folhas e no os bolbos, que so pequenos. Se o solo no for barrento, os bolbos crescem mais facilmente nos climas temperados.

    Valor nutricional

    Faz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?As folhas de cebola fresca tm quantidades apreciveis de vitaminas A e C, de que as crianas precisam todos os dias. As cebolas de bolbo maduras no tm muito valor nutritivo, mas adicionam sabor. A cebola pungente e no deve ser dada a bebs.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?Na salada, cortada s fatias. Cozinhada com arroz, feijes e carne, em guisados, sopas e molhos. O alho ou a cebola so timos com tomate e molho de pimentos picantes.

    Facilidade de cultivo

    fcil de cultivar?As cebolas e os alhos crescem facilmente em locais com estaes frescas. E as cebolas frescas crescem mais facilmente em locais quentes. Crescem na maioria dos solos, mas precisam de uma boa drenagem.

    Calendrio

    Quanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?A cebola e o alho demoram quatro a seis meses a estarem prontos para ser colhidos. Devem ser plantados em regies temperadas no inverno e no incio da primavera. Os bolbos formam-se medida que os dias ficam mais compridos: devemos colh-los a meio do vero. O cebolinho pode ser plantado nos trpicos e em qualquer altura. Deixar passar cerca de meses desde a sementeira at primeira apanha de folhas.

  • 155

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?Plantar num local quente e solarengo. So plantas esguias que podem crescer prximas umas das outras, por isso possvel ter muitas num canteiro pequeno.

    Onde plantar e como?No caso das cebolas, melhor comprar sementes. As sementes so pequenas, mas podem ser semeadas diretamente nos canteiros e em filas com 10 a 20 cm de distncia. E deixar 4 a 10 cm entre sementes.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Os germinados so frgeis e precisam de proteo. Crescem mais depressa se lhes dermos fertilizante (estrume, composto ou cinza) e regarmos regularmente. No se deve usar demasiado estrume nem plantar demasiado tarde.

    O que que o ataca? O que deve ser feito?As cebolas no so habitualmente atacadas por pragas ou doenas. Se chover muito e o solo ficar alagado, o bolbo pode apodrecer. Por isso, no se deve cobrir em demasiado o solo em redor das cebolas. No se deve plantar cebolas no mesmo local no ano seguinte, para evitar propagar as doenas para o ano seguinte.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?1 a 5 kg de cebolas por metro quadrado. O alho e a cebola fresca produzem 0.5 a 2 kg por metro quadrado.

    Durante quanto tempo produz?A cebola e o alho so colhidos uma vez, mas o cebolinho produz novas folhas semanalmente durante seis meses.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Os bolbos de cebola e alho podem ser armazenados. Deixam de ser regados quando esto grandes e os topos das folhas comeam a ficar amarelos quando aparecem flores. Nesta fase, simples arrancar as cebolas. No caso do alho, pode ser necessrio soltar o solo com um ancinho antes de puxar. Limpar os bolbos com cuidado para no ferir ou partir as folhas secas exteriores (que protegem o bolbo durante o armazenamento). Secam-se ao sol e esto prontos para o armazenamento. Cortar as folhas mais baixas das cebolas frescas semanalmente, deixar algumas folhas para manter a planta a crescer.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?As cebolas e os alhos podem ser guardados durante seis meses, antes de voltarem a rebentar. Logo aps a colheira, quando o topo folhoso dos bolbos ainda est macio, podem-se formar rstias e pendurar num local seco. Tambm se pode secar as camadas exteriores dos bolbos ao sol, num local arejado. Desde que as camadas exteriores estejam secas, o interior est protegido.

    Outros usosQue outros usos lhe podemos dar?As cebolas pequenas podem ser apanhadas para fazer picles. O alho tem propriedades antibiticas e tomado para curar gripes e infees respiratrias.

    CulturaO alho usado h muito tempo como medicamento. Na Europa antiga, as pessoas usavam fios e colares com dentes de alho para afastar os maus espritos. Provavelmente o cheiro forte afastava toda a gente!

  • 156

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    CENOURA (Daucus carota)

    Estes vegetais so um alimento comum e nutritivo na maioria dos locais temperados e quentes. So estaladias, sumarentas e um bocadinho doces, e podem ser armazenadas at dois meses.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?A cenoura tem uma suculenta raiz laranja ou vermelha. As variedades comuns so Chantenay, Oxheart, Kuroda e Vermelha. A cenoura tem alguns primos apetitosos: cherivia, aipo, salsa e coentros. O nabo e o rabanete so razes da famlia da cenoura e tm folhas nutritivas, bem como razes, igualmente. Todas estas plantas crescem de forma semelhante.

    Valor nutricional

    Faz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?As cenouras so um dos vegetais mais saudveis. Tm vitamina A e outras vitaminas e minerais, so importantes para contribuir para uma boa viso, pele, cabelo e desenvolvimento do crebro. Tambm tm um elevado teor de acar. Deve-se comer uma cenoura todos os dias, para que a vida escolar corra bem!

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?As cenouras so mais nutritivas quando so ingeridas cruas, sozinhas ou em salada. Pauzinhos de cenoura, aipo e pepino crus so lanches refrescantes e estaladios. Cenouras cruas raladas ficam bem misturadas com muitos pratos. As cenouras tambm podem ser cozidas em gua, a vapor, adicionadas em sopas, guisados, refogados e caril. necessrio lav-las bem. Raspar a pele com uma faca se estiver suja ou estragada ou se esteve armazenada h algum tempo. Se fresca, basta lav-la a pele tambm nutritiva.

    Facilidade de cultivo

    fcil de cultivar? muito fcil produzir cenoura, mas necessrio que seja a variedade certa para o clima e solo em questo. As variedades de climas temperados podem no formar a raiz em climas quentes com solos pouco profundos em vez de raiz so os caules que se desenvolvem e geram sementes. Variedades pequenas e gordas so adequadas em solos calcrios, variedades longas precisam de solos profundos.

    Calendrio

    Quanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?As cenouras so plantadas na primavera e colhidas trs a quatro meses mais tarde. As variedades tropicais so plantadas no outono e colhidas no incio da estao quente.

  • 157

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho podem ter? De quanto espao necessita?Precisa de 30 a 50 cm por planta.

    Onde plantar?As cenouras gostam de solo rico e arejado. Devem ser plantadas num local solarengo e bem drenado. Num sistema de rotao de culturas, a cenoura deve ser plantada a seguir a um vegetal de folha.

    Como plantar? Precisa de ser transplantada?Devem ser compradas boas sementes ou devem ser guardadas sementes que a planta gera no segundo ano (as cenouras no primeiro ano do a raiz e no segundo sementes). As sementes devem ser enterradas 1 a 2cm de profundidade em canteiros com 40 a 50cm de largura.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?As cenouras crescem devagar no incio. Deve-se ir colocando composto ou estrume de vez em quando. Regar regularmente. Retirar as ervas daninhas.

    O que que o ataca? O que deve ser feito?a) Os pulges e as cigarras atacam por vezes as folhas e podem fazer adoecer

    as plantas, tornando as suas folhas amarelas e contorcidas. Borrife com gua e sabo se estiverem muito doentes.

    b) As larvas da mosca da ferrugem da cenoura desenvolvem-se nas razes da planta. Os seus ovos chocam em fendas no solo. Para mant-los longe, deve-se cavar melhor o solo e praticar uma boa rotao de culturas.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?Cada caule produz um enorme grupo de flores e depois morre. Cada cacho As cenouras grandes (Chantenay e Kuroda) tm cerca de 0,3 kg, enquanto as variedades mais finas tm 0,1 kg.

    Durante quanto tempo produz?As cenouras devem ser retiradas medida que so necessrias (at dois meses) ou ento todas de uma vez.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Com cuidado, retirar o solo de cada um dos lados da cenoura e puxar pela rama. Lavar e escovar. Armazenar num local fresco, escuro, num saco hmido ou de plstico, para no as deixar secar.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?Se protegidas do calor e da seca, as razes frescas podem durar um a dois meses.

    Outros usosQue outros usos lhe podemos dar?Alimentar os animais com as folhas e caules.

    Cultura

    As cenouras selvagens tm servido de alimento desde tempos imemoriais. Os antigos gregos escreveram que as cenouras so benficas para a vista e tornam as pessoas amigveis. Durante a Segunda Guerra Mundial, soldados e pilotos alimentavam-se de muitas cenouras, que os ajudavam a ver melhor no escuro. Hoje em dia, os cientistas desenvolveram cenouras com 300 vezes mais vitamina A do que as selvagens, para bem da sade. Quem precisa de armas quando temos super cenouras?

  • 158

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    COUVES E OS SEUS PRIMOS

    (espcie Brassica)

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?A couve forma uma cabea apertada de folhas. Outros produtos hortcolas da famlia da couve tm folhas saborosas e caules floridos, entre os quais encontramos a mostarda, os brcolos e a couve chinesa.

    Valor nutricional

    Faz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?Tem vitaminas A e C e minerais de que precisamos todos os dias. E os tipos com caules e folhas verdes tm ainda mais vitaminas. Os vegetais crus tm uma grande quantidade de vitamina C.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?A cabea de couve comida principalmente cortada e cozida, a vapor ou adicionada a sopas e ensopados. Folhas ou pequenos botes das flores de alguns tipos de couve so cortados em pedaos e cozidos, fritos ou adicionados a sopas e caril. Todos os tipos de couves podem ser comidos cortados como salada, crus ou levemente cozidos para torn-los mais macios, mas crocantes.

    Facilidade de cultivo

    fcil de cultivar?Muito fcil de crescerem, mas deve optar por uma variedade adequada ao seu clima local. Couve e brcolos so para lugares mais frios. Mostarda e couve chinesa crescem nos trpicos, por exemplo.

    Calendrio

    Quanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?Plante couve e brcolos aps o calor do vero e a colha dois a trs meses mais tarde, no inverno e na primavera. Plante e colha a mostarda durante todo o ano, mas no cultive a couve chinesa na estao mais quente. Comear a colher as folhas ao fim de cerca de quatro semanas.

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho podem ter? De quanto espao necessita?So precisos 30 a 50 centmetros quadrados por planta.

    Onde plantar e como?Plantar em solo rico. Precisa de chuva ou de rega, mas resistente ao sol, frio e vento. fcil comprar boas sementes. Sementes de mostarda podem ser guardadas de uma planta deixada na horta, para darem flor. Sementes de repolho, brcolos e couve chinesa podem ser semeadas em bandejas de sementes. Transplantar para canteiros em linhas de 30 a 50 cm de distncia quando tiverem as primeiras folhas. A mostarda e as outras variedades tambm podem ser semeadas diretamente em linhas e desbastadas a 25 cm de distncia.

    Estes vegetais so comuns e nutritivos em muitos pases de climas frios ou moderados. So tambm deliciosos! So muito resistentes e podem ser armazenadas durante mais de dois meses.

  • 159

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Adicionar estrume ou composto para a cobertura. Regar regularmente, mas no inundar o solo! Sem ar, as razes apodrecem e a planta morre.

    O que que o ataca? O que deve ser feito?Caracis, lesmas e lagartas da borboleta branca vo roer os rebentos, folhas e pequenos botes de flores. Tir-los com a mo, esfregar as plantas com cinza, usar um spray de sabo ou um pesticida adequado.No se esquea de olhar por baixo das folhas! Afdios podem ser controlados do mesmo modo. Geralmente, para evitar pragas e doenas devemos usar solo limpo, eliminando as ervas daninhas e lavrando o solo para que no fique muito quente. Remover plantas infetadas, para evitar a propagao da infeo. E efetuar rotao de culturas: no plantar qualquer espcie de couve no mesmo lugar no prximo ano.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?Uma cabea de repolho tpico arredondada, pesada e com 40 cm de dimetro. A couve chinesa cresce como um cilindro slido e apertado de folhas e caules carnudos, com cerca de 30 cm de altura e 10 cm de largura. Os brcolos podem produzir uma haste principal com um boto de flor de 15 cm ao todo, numa haste carnuda de 15-20 cm de comprimento. Aps o primeiro broto principal, pequenos botes de flores colaterais podem ser colhidos. Dez a 15 rebentos de mostarda iro produzir folhas suficientes para uma refeio a cada trs ou quatro dias.

    Durante quanto tempo produz?Couve e couve chinesa so colhidas uma vez apenas, mas brcolos e mostarda iro continuar a produzir aps o primeiro corte durante cerca de um ms.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Cortar o caule da couve e as cabeas da couve chinesa perto da terra e lavar a sujidade. Armazenar as couves cobrindo com um saco num local frio at dois meses. Corte o talo central dos brcolos quando este ainda est firme e com aparncia suave: fica fibroso se a cabea comear a abrir. Corte os brotos laterais quando atingirem dois centmetros de dimetro. Couve chinesa e brcolos podem ser armazenados num lugar fresco entre sete a dez dias. Folhas verdes de mostarda podem ser cortadas junto ao caule, ou toda a planta colhida de uma s vez. As folhas murcham aps dois ou trs dias.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?Couve e couve chinesa podem ser fermentados ou conservados. Para fermentar, corte e coloque os vegetais numa panela com um pouco de gua. Cubra com um pano hmido e coloque uma pedra limpa em cima para esmagar a couve. Esta vai amolecer e azedar, e pode ser mantida por um ms. Outra maneira de preserv-la colocar grandes pedaos de folhas em vinagre e guardar em frascos esterilizados (ferver os frascos em gua para esterilizar, primeiro).

    Outros usosQue outros usos lhe podemos dar?Usar os talos e folhas descartadas para alimentar os animais ou colocar tudo na compostagem.

    CulturaCouve fermentada (sauerkraut) e couve chinesa (pak-choi) so comidas tradicionais populares no noroeste europeu e no este asitico. Os antigos romanos gostavam de couve; para os antigos egpcios, era um alimento sagrado.

  • 160

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    ERVAS AROMTICAS

    Hortel (Mentha sp.) e outras

    As ervas aromticas adicionam sabor e nutrientes extra s refeies. Algumas tm propriedades medicinais e outras do bons sumos. Em todos os pases existe uma variedade local muito popular de ervas de cozinha. E a maioria das ervas fcil de cultivar numa pequena horta. Um jardim de ervas aromticas pode at estar num pequeno vaso, o que timo para escolas sem espao para uma horta grande.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?As ervas de aromticas so habitualmente plantas com muitas folhas e que tm sabores e cheiros especiais. As muitas variedades de hortel e ervas cidas (como a erva-prncipe ou a slvia-limo) incluem tambm leo nas folhas. Primas das cenouras, as folhas de coentros, o aipo e a salsa tambm so populares. Outras folhas como as de urtiga e flores como as de jasmim so usadas para fazer ch, usado como refresco ou como recuperador de sade. Algumas ervas como os coentros, o anis e os cominhos do sementes altamente aromticas.

    Valor nutricional

    Faz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?As folhas de todas as ervas aromticas so nutritivas e medicinais. So ricas em vitaminas A, B e C e em minerais, ferro e clcio, especialmente importantes para as crianas e suas mes. A hortel boa para a atividade respiratria, nariz e pulmes. A salsa e as urtigas so ricas em ferro e ajudam a tornar o sangue mais forte.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?Na maioria dos pases, alguns rebentos e folhas so adicionados a saladas, sopas e guisados. Acrescentam sabor e nutrientes. A hortel e outras podem ser utilizadas para ch ou bebidas frias. Colocar hortel e coentros na sopa do pequeno almoo muito comum para os asiticos. Em pases com climas temperados: a hortel cortada e a salsa so adicionadas s batatas cozidas, cominhos e coentros aos feijes. Erva prncipe tambm muito apetitosa com galinha e peixe.

    Facilidade de cultivo fcil de cultivar?Muito fcil. A menta e os coentros precisam de ser regados regularmente, mas a erva prncipe muito mais resistente.

    CalendrioQuanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?Pode-se plantar e colher ao longo do ano. Comear a apanhar folhas aps quatro semanas.

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?Estas plantas so habitualmente pequenas arbusto folhosos, com menos de 0,4 metros de altura e largura.

  • 161

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Instrues para propagao/ plantao

    Onde plantar?Plantam-se num lugar abrigado do jardim ou perto de um rego ou poo, em canteiros elevados. As ervas tambm podem ser plantadas como plantas companheiras noutros locais da horta, para afastar afdios e outras pragas.

    Como plantar?Misturar estrume ou composto antes de plantar no solo. fcil comprar boas sementes. Semear as sementes em caixas e transplantar quando tiverem 5 cm de altura, ou seme-las diretamente a 1 cm de profundidade, com uma distncia de 10 cm. Algumas conseguem propagar-se por estaca, como a hortel e a erva prncipe; necessrio que o solo esteja hmido: regar muitas vezes e as razes iro crescer.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Deve cobrir-se o solo volta das plantas para manter o solo hmido e impedir que cresam outras no mesmo local. Mensalmente, adicionar composto. As plantas devem ser regadas regularmente (no caso da hortel pode mesmo alagar-se).

    O que que o ataca? O que deve ser feito?As ervas no so habitualmente atacadas por pragas ou doenas. De facto, o seu sabor e aroma afastam a maioria dos insetos, por isso bom t-las na horta.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?Dez plantas iro produzir um molho de ervas todos os dias. As ervas no so utilizadas em grande quantidade.

    Durante quanto tempo produz?Muitas ervas aromticas, como a hortel, voltam a crescer, e pode-se apanhar folhas durante vrios anos. Outras, como os coentros, por exemplo, crescem, do semente e morrem passados quatro a cinco meses.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Para colher a planta inteira, cortar o caule junto ao solo. Limpar a terra. Caso contrrio, cortar e apanhar as folhas e rebentos.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?Usar as folhas frescas para obter o melhor valor alimentar. A hortel e muitas outras podem ser secas sombra, penduradas em molhos e depois armazenadas em jarros ou sacos em vcuo.

    Outros usos

    Que outros usos lhe podemos dar?Ervas aromticas como o cravo e a alfazema podem ser utilizadas em casa para aromatizar as divises e afastar insetos de roupas e armrios. Os caules e folhas que no forem utilizadas podem ser dados como alimento aos animais, colocados no compostor ou junto a sementeiras, para afastar pragas.

    Cultura

    No passado, muitas culturas sabiam muito sobre as ervas locais e os seus usos. Atualmente, e em especial nas grandes cidades, as pessoas compram comida embalada, aromatizada artificialmente, e portanto esqueceram. Um bom projeto escolar encontrar histrias locais sobre aromticas e como so utilizadas na alimentao e na medicina. Perguntar s pessoas mais velhas do local onde vivem... Na lenda grega, Hortel era filha de um esprito do rio. Apaixonou-se por Pluto, deus do mundo subterrneo, mas outro esprito ciumento transformou-a em planta. por isso, dizem, que a hortel gosta de crescer em solo alagado, junto a linhas de gua, por exemplo.

  • 162

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    FEIJES, ERVILHAS E OS SEUS PRIMOS(Phaseolus vulgaris)

    Os feijes e as ervilhas crescem em trepadeiras ou em arbustos. As partes comestveis so as sementes e as vagens carnudas. So fceis de crescer na estao quente ou todo o ano, na zona dos trpicos. Alm de darem origem a um alimento saboroso, as leguminosas so boas para o solo.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?Existem vrios tipos de feijes e ervilhas muito nutritivos. a) Do tipo vegetal, apanhados quando as vagens ainda esto macias, para consumo imediato. Estes incluem ervilhas, feijo tipo francs, feijo frade, feijo lablab, feijo-chicote, favas e ervilhas tortas. b) Secos, para guardar, incluindo feijo, lentilha, feijo, feijo mungo, feijo preto, gro, lentilhas, ervilha-de-pombo e ervilha azul. c) Muitas ervilhas e feijes com vagem carnuda e saborosa, podem ser apanhados secos ou frescos por exemplo, feijo verde, ervilha de pombo e feijoca.

    Valor nutricionalFazem-nos bem? Qual o seu valor nutricional?Os feijes e as ervilhas fazem muito bem! Possuem protenas base da constituio do corpo humano, so muito energticas e contm vitamina A, C e ferro.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?Podemos comer feijes e ervilhas e afins fritos, a vapor e cozidos. Estes vegetais mais jovens so deliciosos quando comidos crus ou em saladas. Secos devem ser primeiro demolhados e de seguida cozidos. So perfeitos para caril ou sopa. O feijo cozido pode ser comido frio em saladas, ou em pur com chili moda do Mxico. Secos e fritos so um timo snack. Muitos feijes e ervilhas tm folhas comestveis. A vapor ou fritos com alho podem acompanhar qualquer refeio. Feijo alado ou feijo verde tambm possuem tubrculos comestveis. Alguns feijes, como o de soja, por exemplo, ainda produzem leo alimentar. O feijo-da-china e outros feijes pequenos so germinados e comidos como germinados em saladas.

    Facilidade de cultivo

    fcil de cultivar?Os feijes crescem praticamente em qualquer tipo de solo de horta, dos arenosos aos argilosos. Crescem em locais amenos, com exceo das favas, que crescem no inverno e na primavera, em climas frescos. Variedades secas como as lentilhas necessitam de climas secos na altura da apanha.

    CalendrioQuanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?Demoram dois a seis meses a crescer, so plantados no inicio da estao quente. E colhidos entre 6 a 8 semanas ainda verdes, ou 3 a 4 meses j secos.

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?Feijes e ervilhas do tipo arbustivo precisam de cerca de meio metro quadrado cada. Os trepadores precisam de guias verticais de cerca de 2 metros.

  • 163

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Instrues para propagao/ plantao

    Onde plantar e como?Em terrenos bem drenados, com boa exposio solar e protegidos do vento. Deve-se misturar composto e cinza antes de plantar.Ensopar as sementes por uma hora e semear diretamente. Os arbustivos devem ficar separados cerca de 5 a 10cm em filas separadas por cerca de 50cm. O feijo verde semeado numa fila nica separado por 5cm numa latada. Germinam em cerca de uma a duas semanas. No se deve enterrar a semente demasiado fundo, nem em solos secos e duros, nem regar demasiado.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Esta cultura no precisa de muito composto, pois os alimentos possuem razes que fixam o azoto do ar e que outras plantas utilizam, etc.Para o feijo trepador, colocar uma latada de cerca de 1,5 metros de altura. Regar regularmente no tempo quente, pelo menos 1 ou 2 vezes por semana.

    O que que os ataca? O que deve ser feito?Pode haver doenas de plantas velhas que permanecem no solo. No plantar feijo no mesmo lugar no prximo ano. Se houver plantas infetadas, dever destru-las.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir? Durante quanto tempo produz?Dez feijes verdes ou dez plantas de feijo longo podero produzir cachos de quatro a cinco vagens de feijo fresco. Cerca de um quilo por semana, durante quatro a oito semanas.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?a) Variedades vegetais devem ser colhidas a cada dois dias, para colher as vagens verdes suculentas antes do feijo ficar velho e fibroso. Podem ser armazenados por apenas uma ou duas semanas num local frio e hmido. No devem ser colocados em sacos hermticos, pois vo comear a apodrecer. b) deixe as variedades mais rijas secarem assim que as sementes das vagens esto maduras. Mas certifique-se de as colhe antes das vagens abrirem e de as sementes carem. Aps a colheita, espalhar as vagens numa esteira a secar ao sol, para que as sementes possam cair das vagens. Peneirar as vagens ou remover mo. Secar ao sol por alguns dias para que eles se conservem bem e para ajudar a proteger das pragas. Vir-los diariamente, para que todos eles sequem, e remover os doentes. Armazene em sacos, caixas, urnas ou armazns de gros, e certifique-se que os roedores so mantidos ao largo.

    Conservao/ processamento

    Podem ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?O feijo tem uma durao de dois anos ou mais, se for seco. Mas as cascas podem endurecer no armazenamento e tornar o cozinhar mais difcil. Algumas fbricas congelam feijo fresco e ervilhas.

    Outros usosQue outros usos lhes podemos dar?Feijo ou ervilhas so uma parte essencial do ciclo de rotao de culturas. Fixam azoto no solo.

    Cultura

    O feijo fornece protenas essenciais e ferro para pessoas vegetarianas e para aqueles que no comem muita carne. Na ndia e no Mxico, o feijo um alimento dirio. Na sia, usado para farinha em bolos especiais para festas. Para os indianos, o guandu dahl o prato nacional. A soja transformada em requeijo, em tofu ou num bolo fermentado. E num tipo de leite, bebida popular e nutritiva.

  • 164

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    HORTALIAS DE FOLHAS VERDE ESCURO

    Os vegetais de folhas verdes so importantes para um corpo saudvel. Espinafres, couve e alface so fceis de cultivar. E existe uma grande variedade de folhas verdes comestveis. Algumas crescem em rvores, outras so ervas e plantas, e podem crescer em pntanos ou lagos. No devemos negligenciar este legume! Muitos so semisselvagens, como o ltus e o tamarindo. As rvores nas escolas do sombra e abrigo, mas tambm podem dar alimento.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?Os vegetais com folha verde mais comuns so a couve, os espinafres e a alface. Existem ainda algumas folhas que so boas para comer, como as da mandioca, batata doce, feijo, trigo sarraceno, urtigas, nabo e beterraba, e at algas.

    Valor nutricional

    Faz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?As folhas contm mais protenas do que o rebento, flor, fruta, raiz ou tubrculo. So muito ricas em vitaminas A, B e C (Para saberes o ABC, come folhas verdes!). Tambm so das melhores fontes de ferro e clcio especialmente importante para as crianas e para mes. As folhas verdes escuras so a parte da planta com mais vitaminas e minerais.

    Pratos, combinados,, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?Na maioria dos pases, as folhas verdes so adicionadas a guisados que so acompanhados por arroz, milho, inhame ou batatas. Acrescentam no s nutrientes como sabor! E um bocadinho de leo no cozinhado ajuda a obter mais vitamina A. A alface muito popular enquanto salada temperada com sumo de limo (ou vinagre) e leo vegetal ou azeite.

    Facilidade de cultivo fcil de cultivar?Muito fcil de cultivar. Os espinafres e a alface precisam de ser regularmente regadas.

    CalendrioQuanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?Plantam-se e colhem-se durante todo o ano. Pode comear a apanhar folhas ao fim de quatro semanas.

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?O amaranto um vegetal que se abre e que tem muitas folhas, enquanto a alface forma uma cabea de folhas, como a couve. So baixos e precisam de 10 a 25 cm entre plantas, dependendo da variedade. Os espinafres de gua so rasteiros e cobrem o solo, como a batata doce. Devem ser plantados com 25 cm de distncia uns dos outros.

    Onde plantar?O amaranto e a alface, em canteiros elevados de solo arenoso. Os espinafres gostam de estar perto da gua, de uma torneira ou de um poo.

  • 165

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Instrues para propagao/ plantao

    Como plantar? Precisa de ser transplantado?Antes de plantar, colocar estrume animal ou composto. No caso da alface, fcil comprar boas sementes. As sementes de amaranto podem ser guardadas caso se deixe a planta florescer. Devem ser semeadas em caixas, ou plantadas a 2 cm de profundidade diretamente no canteiro, com 25 cm de distncia. Os espinafres crescem a partir do caule ou podem ser semeados diretamente no canteiro, a 25 cm de distncia uns dos outros.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Em locais solarengos deve-se cobrir o solo junto s alfaces, para arrefecer o ambiente ao seu redor. Deve-se colocar composto junto aos espinafres todos os meses. Estas plantas devem ser regadas regularmente (no caso dos espinafres, pode-se mesmo alagar o local).

    O que que o ataca? O que deve ser feito?Estas plantas no so habitualmente atacadas por doenas ou pragas. Mas as lagartas e os afdios podem atac-las, tal como as lesmas e os caracis podem atacar os rebentos e alfaces j desenvolvidas. Evitar doenas que tm origem no solo, cobrindo para manter o solo frio. No caso dos afdios, borrifar com gua e sabo, ou plantar hortel como planta de companhia para os afastar.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?20 plantas daro um molho de folhas todos os dias. Algumas variedades de alfaces formam uma cabea com 20 cm de dimetro.

    Durante quanto tempo produz?A alface e o amaranto podem ser colhidas uma vez, ou as folhas podem ser apanhadas regularmente durante trs meses ou mais.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Para colher toda a planta, corta-se o caule junto ao solo. Limpa-se a terra. No caso dos espinafres, colhem-se a ponta dos rebentos e deixa-se uma parte do caule com algumas folhas, para que volte a crescer.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?Para obter o melhor valor nutritivo, devem-se comer frescas. Outras, como a beterraba e as urtigas, podem-se secar sombra, prensar e armazenar em vcuo.

    Outros usos

    Que outros usos lhe podemos dar?Os caules e as folhas que no forem usados podem ser dados aos animais ou colocados no compostor. E as sementes do amaranto podem ser utilizadas para fazer po.

    Cultura

    Muitas culturas apresentam histrias sobre o poder nutritivo das folhas verde escuro.Os asiticos contam a lenda do santo Milarepa, que viveu cerca de dez anos numa gruta nas montanhas apenas a comer urtigas. Alm de saudvel, tornou-se sbio. Durante a Depresso no ocidente, quando muitas pessoas eram pobres e passavam fome, criou-se um desenho animado cmico de seu nome Popeye, cuja fora incrvel que possua devia-se ao facto de comer muitos espinafres. At hoje o Popeye popular entre as crianas, ao promover a ideia que comer folhas verdes as fazem fortes.

  • 166

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    OLEAGINOSASAmendoim (Arachis hypogaea), Girassol (Helianthus annuus), Ssamo (Sesamum indicum), Coco (Cocos nucifera)

    As oleaginosas podem ser cozinhadas e comidas, ou processadas para serem utilizadas como leo. H leo de diferentes sementes e frutos.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?Algumas das variedades adequadas para hortas e processamento na cozinha so: amendoim, uma planta baixa e espessa, com sementes subterrneas; girassol, uma planta alta com uma nica e enorme flor cheia de sementes; ssamo, uma pequena planta vertical com muitas vagens; coco, uma palmeira alta com frutos grandes.

    Valor nutricional

    Faz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?As oleaginosas tm leos essenciais nutritivos e energticos, mas tambm protenas e vitaminas valiosas. Por exemplo, as sementes de girassol contm 20 a 40% de leo, e cerca de 40 % de protena facilmente digerida. Por isso, as oleaginosas fazem parte de uma dieta equilibrada. Mas leo em demasia pode tornar as pessoas gordas, ou gerar problemas de corao. Os amendoins podem ser infetados por fungos que os tornam txicos quando so armazenados. No se devem comer se estiverem bolorentos.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?As sementes podem ser comidas frescas, aps a colheita, mas so melhores depois de secas ao sol ou assadas. Os amendoins podem ser cozidos. As sementes podem ser comidas como lanches, colocadas em saladas, arroz, po e panquecas. Ou acrescentadas a sopas, guisados e outros pratos. O leo extrado pode ser utilizado para temperar pratos ou fritar alimentos, e tambm pode ser misturado com vinagre para temperar saladas. O lquido dos cocos ainda novos uma bebida refrescante; j o interior do coco pode ser ralado e pressionado para fazer creme de coco.

    Facilidade de cultivo

    fcil de cultivar?Crescem facilmente em climas temperados. O amendoim e o ssamo crescem em locais tropicais, solos bem drenados. Os coqueiros preferem plancies. Os girassis crescem no vero em locais frescos e tm razes profundas que os ajudam a tolerar secas.

    Calendrio

    Quanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?Os amendoins, ssamo e girassol devem ser plantados no final da poca das chuvas e colhidos trs a quatro meses mais tarde. Os coqueiros, em qualquer altura, pois demoram cinco a sete anos a produzirem cocos. Para obter cocos ricos em leo, deve-se esperar que amaduream e caiam da rvore.

  • 167

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?Devem ser plantadas em locais quentes e solarengos. Os amendoins devem crescer em solo arenosos. Os coqueiros precisam de muito espao para as suas razes e no devem estar muito prximos de edifcios. Os girassis podem crescer sozinhos, em linha ou todos juntos num local onde as crianas possam ver as grandes flores, mas onde no sejam derrubados pelo vento ou brincadeiras.

    Onde plantar e como?Prepare um canteiro para as sementes com composto ou estrume.Amendoim: retirar as cascas. Plantar a 7 cm de profundidade, 20 cm de distncia, em linhas afastadas de 10 cm.Ssamo: semear a 2-5 cm de profundidade, a 20 cm de distncia, em linhas afastadas de 10 cm.Girassol: semear diretamente nos canteiros ou comear por semear em vasos e transplantar quando as primeiras folhas de girassol aparecerem. Plant-los de 50 a 70 cm de distncia.O girassol e o ssamo podem ser misturados com vegetais ou cereais.Cocos: usar apenas os cocos recm-cados. Deit-los com o lado plano para cima em solo arenoso, com sombra, e regar regularmente. Quando tiverem quatro a cinco folhas, plantar num buraco com 40 cm de profundidade, meio cheio com composto. Cobrir o topo do coco com folhas em vez de solo.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Todas as sementes oleaginosas crescem melhor se colocarmos composto ou estrume um ms depois de plantarmos. Devemos retirar outras plantas que cresam junto s oleaginosas. Enquanto os amendoins crescem, amontoar solo junto base das plantas e reg-las bem. O girassol e o ssamo no precisam de tanta gua. No necessrio pr estacas nos girassis.

    O que que o ataca? O que deve ser feito?Os cocos e os girassis no tm pragas. A praga mais importante nos amendoins e no ssamo so os afdios e a lagarta. Apanhe as lagartas; no caso dos afdios, borrifar com gua com sabo ou limpar com cinza. As doenas podem ser um problema se as plantas estiverem muito juntas ou muito hmidas. A melhor forma de controlo a rotao de colheitas: fazer uma cultura diferente no mesmo sitio, no ano seguinte. Se houver muita murchido, o solo precisa de descansar. No caso do amendoim e do ssamo, esse descanso deve durar cinco anos.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?Amendoim: 0,2 a 0,4 kg por metro quadrado.Girassol: 0,2 a 0,3 kg por planta.Ssamo: 0,1 kg por metro quadrado.Coqueiros: cerca de 40 frutos por ano.

    Durante quanto tempo produz?O amendoim, o girassol e o ssamo so anuais.Os coqueiros produzem cocos mensalmente durante cerca de 40 anos.

  • 168

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Os amendoins esto prontos quando os topos comeam a ficar amarelos. Devemos cav-los cuidadosamente. Espalhar os arbustos numa cerca ou em cho seco, ao sol, durante duas a trs semanas, aps as quais podemos remover os frutos.As sementes de girassol e de ssamo devem ser colhidas quando esto duras. As cpsulas das sementes de ssamo comeam por ficar maduras por baixo, por isso deve-se cortar a planta junto base logo que as cpsulas mais baixas comecem a abrir.Deve-se cortar a cabea da flor do girassol e o caule do ssamo e sec-los ao sol. Para retirar as sementes, pode-se abanar, bater ou esfregar para um tapete. Em todos os pases em que h coco, as crianas e os adultos podem facilmente subir e cortar os frutos mais jovens para beber o lquido que est no seu interior. Os cocos maduros caem quando esto prontos e podem ser armazenados.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?As sementes secas podem ser mantidas durante um ano num local seco e protegidas de roedores e insetos.

    Extrao de leo na escolaTorrar as sementes e remover a pele joeirando. Moer ou esmagar as sementes de forma a obter uma pasta macia e misturar gradualmente pequenas quantidades de gua quente. Aquecer e o leo ir subir superfcie. Retirar o leo (as protenas ficam juntas por baixo). O bolo proteico pode ser usado para cozinhar ou dado aos animais.

    Outros usos

    Que outros usos lhe podemos dar?A folhas de amendoim podem ser comidas e o resto da planta pode ser dada aos animais, pois nutritiva. As cascas do coco podem ser transformadas em objetos teis, as folhas de coco podem ser utilizadas para fazer vasos para sementeiras, etc.

    CulturaArquelogos descobriram que os amendoins j eram cultivados h 4.000 anos atrs, no Peru. Ensopado picante de amendoim um prato popular na Nigria e no Senegal, onde as folhas so adicionadas a sopas e ensopados. O coco to importante nas ilhas do Pacfico que considerado smbolo nacional.

  • 169

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    PAPAIA(Carica papaya)

    A papaia uma fruta tropical muito saborosa e saudvel, apreciada em vrias partes do mundo. Pode comer-se a madura, verde ou at as flores macho em saladas. A papaeira fcil de cultivar numa horta escolar e todas as casas deveriam ter vrias papaeiras.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?Existem trs tipos de planta de papaia. Papaeiras fmeas, com flores largas e frutos num curto caule. Estes frutos so comestveis, claro. J as papaeiras macho tm muitas flores pequenas e pequenos frutos em caules longos e pendentes. Podemos comer as flores, mas precisamos delas para fertilizar a papaeira fmea (um macho para cada oito a dez fmeas). Existem tambm papaeiras hermafroditas, com ambas partes florais macho e fmea: neste caso s precisamos de um tipo de rvore. As variedades comerciais so geralmente hermafroditas (exemplos: Hawaian Solo, Thailand Red, Richter Gold e Jamaican Sweetie). Mamo-da-montanha e babaco so parentes da papaia.

    Valor nutricional

    Faz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?Muito bem! Meia fatia de papaia madura fornece 21% da vitamina A e quase 200% da vitamina C dirias necessrias para uma criana. A papaia madura tem a maior quantidade de vitaminas. A papaia muito boa para bebs, crianas e pessoas doentes porque est cheia de vitaminas e fcil de digerir.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?Comer fresca ao pequeno almoo com sumo de lima ou limo. Comer em saladas de fruta, com anans e um pouco de sumo de lima ou limo. Cozinhar a papaia verde com carne ou feijes, ou com caril. Ralar a papaia verde com um pouco de sumo de lima e adicionar salada. Comer cubos ou fatias de papaia seca como snack. Para fazer sumo de papaia, pressionar um pouco de papaia madura atravs de um coador de rede limpo ou de um pano limpo, depois adicionar gua fria previamente fervida. No juntar acar.

    Facilidade de cultivo

    fcil de cultivar?Muito fcil. A papaia cresce bem em climas quentes, abrigada do vento, com chuvas regulares ou rega. Cresce melhor em solos bem drenados e ricos em matria orgnica.

    CalendrioQuanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?Plantar nos meses quentes. No clima quente, as primeiras frutas estaro prontas para a colheita em seis a oito meses.

  • 170

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?Cresce rapidamente entre trs e seis metros. Plantar pelo menos a um metro de rvores ou edifcios.

    Onde plantar e como?Pegar num fruto maduro e separar a polpa das sementes. Semear as sementes em sacos ou numa cama de viveiro. Transplantar as plntulas em grupos de quatro. Depois da primeira florao, desbastar para cerca de 1,5 a 2 metros de distncia. Deixar um macho para cerca de nove fmeas.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Cobrir o solo volta de cada rvore at meio metro de distncia desde o colo. Juntar estrume, se possvel. Regar bem durante os meses de crescimento, mas sem encharcar o solo. rvores com mais de trs anos podem ser cortadas a cerca de 1 metro, para facilitar a colheita.

    O que que o ataca? O que deve ser feito?Entre as pragas incluem-se caros, escaravelhos, traas e cochonilhas, que perfuram ou mancham o fruto para se alimentarem do sumo. Larvas da mosca da fruta eclodem mesmo por baixo da pele da fruta.A maioria das pragas ataca a fruta quando est quase madura. Morcegos da fruta, pssaros e pequenos trepadores atacam a fruta assim que esta comea a ficar amarela. Numa horta diversificada, os caros so geralmente controlados por outros insetos. Um spray com 3% de leo de cozinha em gua pode reduzir caros e cochonilhas, mas pode tambm afastar os predadores. Se cortarmos as folhas e o fruto verde, o sumo esbranquiado (latex) que sai detm os insetos. Mas cuidado, porque tambm irrita a pele humana. Quando o fruto est quase maduro, pode-se atar um saco em torno de cada fruto para manter as pestes afastadas, ou colh-lo e deix-lo continuar a amadurecer dentro de casa, longe das pragas.Doenas: as razes podem ser atacadas por doenas como dumping off (pythium) e pelo apodrecimento de razes. Antracnose ou mldio infetam pontas e folhas, sendo que estas doenas no podem ser controladas de forma efetiva. Remover as rvores fortemente afetadas e compost-las longe de rvores saudveis, para evitar que a infeo se espalhe.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?Uma rvore adulta produz de 15 a 30 frutos por ano. Nos meses quentes, a rvore cresce mais depressa e produz mais fruta do que na estao mais fria.

    Durante quanto tempo produz?A rvore normalmente produz fruta durante cinco a oito anos.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Quando a fruta comea a passar de verde para amarela, est madura e pronta para a colheita. Cortar o p perto do tronco da rvore, para que outras frutas no sejam danificadas pela ponta afiada do coto. A papaia verde pode ser colhida quando a fruta est quase no tamanho mximo, mas a sua polpa ainda dura e branca. Na rvore ou fora dela, o fruto vai amadurecer rapidamente, tornando-se mais amarelo e macio. Manusear a fruta madura cuidadosamente, para que no fique pisada.

  • 171

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?Cortar papaia madura fresca em fatias ou cubos e sec-la em folhas de bananeira limpas em tabuleiros ou num secador solar. Virar os pedaos duas ou trs vezes por dia. Armazenar num recipiente com pouco ar. Comer como snack, usar em doces, chutney ou condimento.

    Outros usos

    Que outros usos lhe podemos dar?As folhas da papaia e as frutas verdes contm papana, que tem muitos usos: - Para tornar a carne mais macia, embrulh-la em folhas de papaia durante a noite.- Para afastar a dor de picadas de insetos, esfregar com o sumo de papaia verde. Mas manter esse sumo afastado dos olhos.- Para indigesto ou parasitas intestinais, misturar colheres de ch do sumo leitoso da papaia verde com a mesma quantidade de mel. Misturar num copo com gua quente e beber.- Usar folhas de papaia jovens em vez de sabo para remover manchas na roupa. Esfregar as roupas com folhas de papaia esmagadas, depois esfregar as roupas umas nas outras enquanto se lavam.

    Cultura

    H muito tempo, os ndios centro-americanos descobriram que podiam tornar a carne mais tenra se a esfregassem com papaia ou a enrolassem em folhas de papaia antes de cozinhar. Tambm descobriram que nas festas podiam comer grandes quantidades de comida e no sofrer de indigesto se tambm comessem papaia!

  • 172

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?O quiabo, tambm chamado de bhindi, gumbo e ladys finger. Alguns dos seus primos tambm so alimentos: uma variedade de mandioca da frica ocidental (A. manihot), as sementes aromticas de outra variedade da Africa Oriental (A. moschatus) e o fruto suculento e as sementes amargas da Roselle (Hibiscus sabdariffa). Crescem todos da mesma forma.

    Valor nutricionalFaz-nos bem? Qual o seu valor nutricional? uma boa fonte da maioria dos nutrientes, incluindo protenas, energia, vitaminas e minerais.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?As vagens podem ser comidas cozidas a vapor ou fervidas, como o vegetal, ou em ensopados e caris. Algumas pessoas cozinham quiabos com um bocadinho de soda, mas isso torna-o menos nutritivo. As sementes das vagens j maduras devem ser cozinhadas para que seja seguro com-las (para remover as toxinas). Depois podem ser esmagadas e transformadas em pasta rica em protenas e leo. As folhas dos quiabos podem ser utilizadas para dar sabor a ensopados e sopas.

    Facilidade de cultivo fcil de cultivar?So muito fceis de cultivar. O quiabo e o quiabo-roxo crescem na maioria dos pases tropicais. Conseguem sobreviver seca e a solo pobres se necessrio.

    Calendrio

    Quanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?O quiabo comea a produzir passadas seis a oito semanas da sua plantao. Deve-se plantar no incio da estao seca (primavera e vero); quando os dias comeam a ficar mais pequenos, a planta floresce e produz vagem no fim do vero e outono.

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?Plantar num local solarengo. O quiabo e o quiabo-roxo crescem com cerca de 1 metro de largura e 1,5 metros de altura.

    Onde plantar e como?Comprar as sementes ou obt-las de outra planta. Guardar semente fcil deve-se retir-las da vagem e sec-las. Antes de semear, deve-se demolhar as sementes previamente e depois seme-las a 1-2 cm de profundidade diretamente nos canteiros, afastadas 0,75 a 1 metros de distncia.

    QUIABO(Abelmoschus esculentus L, Hibiscus esculentus L)

    O quiabo uma planta arbustiva comum em muitos pases tropicais.O principal alimento desta planta a vagem jovem, mas as sementes maduras tambm podem ser comidas. fcil de cultivar numa horta escolar, desde que seja na altura certa do ano.

  • 173

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?O quiabo bastante resistente. Se o solo for pobre, a planta vai-se desenvolver, mas produzir menos vagens do que se estiver num solo rico. Para ter uma boa colheita, adicionar estrume ou composto durante a florao. O quiabo tolerante seca, mas a rega regular melhora a colheita.

    O que que o ataca? O que deve ser feito?Apanhar lagartas, que atacam os frutos e folhas, ou borrifar com gua com sabo. A maioria das doenas resulta de plantar a mesma planta no mesmo stio ano aps ano.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?1 kg de quiabo ou quiabo-roxo por planta.

    Durante quanto tempo produz?Produz durante um a dois meses.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Apanhar os quiabos quando as vagens esto tenras, cerca de 10 cm de comprimento, e com-las durante os trs dias seguintes. O quiabo-roxo pode ser armazenado num local escuro, fresco e arejado durante duas semanas.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?As sementes de quiabos maduros (que se deixaram amadurecer na planta) podem secar-se e ser armazenadas para esmagar mais tarde. O fruto do quiabo-roxo pode ser seco, para um armazenamento mais prolongado.

    Outros usosQue outros usos lhe podemos dar?O quiabo-roxo pode ser usado para geleias e bebidas, para dar uma colorao vermelha.

    Cultura

    O quiabo-roxo muito difundido na frica tropical, sia e Pacfico, onde tem sido encontrado em modo selvagem durante milhares de anos. Algumas variedades especiais tm sido selecionadas para dar sabores cidos e cor vermelho forte. Infelizmente tem-se esquecido o valor destes alimentos. Muitas pessoas compram bebidas com colorao artificial poucas experimentaram a bebida de quiabo-roxo, que muito mais saudvel!

  • 174

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    TOMATE(Lycopersicon esculentum)

    O tomate um fruto muito saboroso e saudvel, apreciado em muitas partes do mundo. O tomate pode ser facilmente cultivado numa horta escolar, na altura certa do ano.

    Nomes, variedades, parentes

    Que alimento este? Existem diferentes variedades?O tomate um fruto vermelho e geralmente arredondado, cheio de sumo e polpa saborosos. Os tomates-cereja so pequenos como bagas, variedades como Grosse Lisse so to grandes como um punho. As variedades para processamento, como a Roma, por exemplo, esto no meio, com mais polpa e menos sumo e acidez. Parentes saborosos e saudveis do tomate so os capsicum (pimento doce e chili) e a beringela. As plantas so mais pequenas e resistentes do que o tomate, mas o seu cultivo semelhante.

    Valor nutricional

    Faz-nos bem? Qual o seu valor nutricional?Tem valiosos minerais e vitaminas A e C, de que as crianas precisam diariamente. O tomate maduro tem mais vitaminas. O tomate bom para bebs, crianas e pessoas doentes.

    Pratos, combinados, lanches, preparao

    Como comido habitualmente? E que outras formas existem?Podem comer-se tomates frescos sozinhos. Colocar tomate fresco ou seco em saladas, sandes, tortilhas, lanches ou refeies. Cozinhar tomate com peixe, carne ou feijes, em caril, guisados, ou como molho. Para fazer sumo de tomate: mergulhar tomates maduros em gua a ferver para separar a pele. Quando arrefecerem, remover a pele. Pressionar a polpa atravs de uma rede metlica limpa ou um pano limpo, depois adicionar um pouco de gua fresca previamente fervida. No necessrio adicionar acar.

    Facilidade de cultivo

    fcil de cultivar?Muito fcil de cultivar. Os tomates vieram da Amrica Central, mas agora cultivam-se em todas as regies tropicais e temperadas. Gostam de dias quentes, noites frias e chuva regular ou rega. Crescem na maioria dos solos, mas preferem solos ricos e bem drenados.

    Calendrio

    Quanto tempo demora a crescer? Quando deve ser plantado e colhido?O fruto comea a estar pronto para a colheita dois a trs meses depois de plantado. A altura da plantao depende do clima. Precisam de calor para crescer, mas de noites frias para dar fruto. Nas reas subtropicais, plantar em qualquer altura do ano, nos trpicos na estao fria, nos climas temperados no vero.

    Instrues para propagao/ plantao

    Que tamanho pode ter? De quanto espao necessita?Plantar num lugar abrigado, quente e solarengo. O tomateiro cresce cerca de meio metro. Algumas variedades crescem menos de meio metro de altura, mas outras trepam um a dois metros quando suportadas por uma estaca.

  • 175

    FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS ANEXO

    Instrues para propagao/ plantao

    Onde plantar e como?Comprar sementes da melhor qualidade. Se no estiverem disponveis, arranjar as suas prprias. Pegar num fruto maduro e separar a polpa das sementes. Plantar as sementes em pequenos sacos ou em camas de viveiro, 2 cm afastadas entre si. Quando as mudas tiverem cerca de 2 cm de altura e a base do caule for roxa, transplantar para canteiros a cerca de um metro de distncia entre si.

    Cuidados/cultivo

    De que cuidados precisa? Precisa de estacas? De muita gua? Sombra?Os tomateiros crescem melhor se os ramos com frutos pesados forem mantidos afastados do cho. At-los a uma estaca de dois metros. Remover alguns ramos, para que as folhas e frutos no fiquem apertados. Colocar cobertura vegetal volta da planta (folhas, palha, papel de jornal ou outro material orgnico), at meio metro da base. Adicionar composto ou estrume. Regar regularmente, mas sem alagar o solo. Sem ar, as razes vo apodrecer e a planta morre.

    O que que o ataca? O que deve ser feito?Muitas doenas (apodrecimento da raiz, gorgulho e apodrecimento do fruto, por exemplo) podem ser evitadas usando solo limpo, mantendo as ervas daninhas afastadas e cobrindo o solo para que no se torne demasiado quente. No plantar tomateiros na mesma rea no ano seguinte. Remover e destruir as plantas afetadas, para evitar que a infeo se espalhe. Quando o fruto estiver quase maduro, a gua pode levar os frutos podres para fendas ou buracos de insetos. Remover os frutos danificados antes que o apodrecimento se espalhe. Caracis, lesmas e algumas lagartas vo comer as plntulas e rebentos, e comer o fruto quando est quase maduro. Remov-los manualmente, vaporizar as plantas com cinza ou usar um pesticida adequado. Numa horta diversificada, a maioria das outras pestes vai ser naturalmente controlada pelos insetos predadores.

    Produtividade

    Quanto que vai produzir?10 a 30 kg de tomates das variedades grandes, como a Grosse Lisse, por exemplo.

    Durante quanto tempo produz?Uma planta pode produzir tomates por dois a trs meses.

    Colheita/ armazenamento

    Como que podemos colher, limpar e armazenar?Colher o fruto quando a maior parte do verde j mudou para vermelho ou laranja. O fruto vai continuar a amadurecer fora da planta. O fruto fresco pode ser armazenado num local com sombra, fresco e arejado at trs semanas.

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?O molho ou pur de tomate so fceis de conservar. Cozinhar ligeiramente tomate cortado em pedaos sozinho ou com cebola, alho e ervas aromticas. Armazenar em frascos ou garrafas esterilizadas (atravs da fervura em gua). Para secar tomate, cortar em fatias, colocar em tabuleiros, polvilhar com sal e secar num local arejado e com exposio solar ou num secador solar. Virar as fatias duas a trs vezes por dia. O tomate tem muita gua e provavelmente no vai secar completamente, por isso colocar as fatias em jarros esterilizados e cobrir com leo alimentar para manter o ar afastado eles tendem a ser afetados por bolores quando colocados em sacos plsticos.

    Outros usosQue outros usos lhe podemos dar?As folhas do tomateiro so venenosas e no devem ser consumidas.

    Cultura

    Os peruanos j tinham tomateiros h 2.500 anos. Quando os ocidentais descobriram os tomateiros na Amrica Central, foram cautelosos devido cor vermelho brilhante e ao odor das folhas pensaram que eram venenosos. Mas o sabor era delicioso e em breve foram chamados ma dourada em Itlia e maa do amor em Inglaterra.

  • 176

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE ALIMENTOS

    NOTAS

    Conservao/ processamento

    Pode ser conservado mantendo o seu valor nutritivo? Como?A maioria da fruta comida fresca. Algumas, como a manga, por exemplo, podem ser fatiadas e secas em folhas de bananeira limpas, em tabuleiros ou secadores solares. Virar as fatias duas a trs vezes por dia. Armazenar num recipiente com pouco ar. Comer como lanche ou usar para fazer doce, chutney ou condimentos. Citrinos e anona no so fceis de secar.

    Outros usosQue outros usos lhe podemos dar?Colocar a fruta danificada na pilha de composto ou dar como alimento aos animais.

    Cultura

    Um tipo especial de citrino, o kumquat, caracteristicamente usado nas festividades de Ano Novo no Este Asitico. No Este de frica, a casca da carambola usada em cerimnias para aplacar os espritos ancestrais. No Ocidente, as laranjas eram cravejadas de cravinho e penduradas nos armrios para dar bom cheiro roupa.

  • 177

    ANEXO

    FICHAS INFORMATIVAS DE NUTRIO

    Informaes importantes sobre uma boa nutrio e nutrientes essenciais

    1. FOME E SUBNUTRIO

    2. DIETA SAUDVEL PARA CRIANAS EM IDADE ESCOLAR

    3. NUTRIENTES NOS ALIMENTOS

    4. NECESSIDADES DE NUTRIENTES E ENERGIA

    178

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  • 178

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE NUTRIO

    Fome a condio de uma pessoa que no tem acesso a suficiente alimento diariamente.Subnutrio causada pela falta de alimentao, pela alimentao em pouca qualidade e pouco variada e pela doena. Apesar de uma pessoa poder estar a ingerir a quantidade correta de quilocalorias (energia) por dia, pode continuar com falta de alguns nutrientes vitais sua dieta.Muitas crianas em comunidades e pases mais pobres tm dietas desadequadas ou desequilibradas que resultam em subnutrio. Para este facto contribuem vrios fatores, tais como a pobreza, a falta de saneamento, doenas e instabilidade poltica e econmica.O crescimento e comportamento das crianas so bons indicadores do seu estado de sade. Se forem pequenas para a sua idade, magras, andarem cansadas e frequentemente doentes, e tiverem dificuldades de concentrao, podem ser crianas subnutridas. Existem trs principais tipos de subnutrio. Estes so:

    DesnutrioAcontece quando as crianas no esto a receber quantidade suficiente de uma mistura adequada de alimentos, mostrando-se cansadas e sem energia suficiente para brincar. O seu sistema imunitrio fica fraco, o que faz com que adoeam facilmente. A desnutrio pode tambm resultar num crescimento mais lento do que o de uma criana normal e causar dificuldades de aprendizagem na escola. As crianas que esto subnutridas so muitas vezes mais baixas do que as crianas saudveis, podendo tambm ter braos e pernas finas. Os seus corpos so fracos.

    Excesso de PesoSe uma criana come demasiado, no recebe a mistura adequada de alimentos e no pratica exerccio suficiente, pode ficar com excesso de peso. Isto pode transform-la mais tarde num adulto com excesso de peso e vrios problemas de sade, tais como doenas cardacas, diabetes e certos tipos de cancro. O excesso de peso um problema crescente em muitos pases desenvolvidos e em desenvolvimento.

    Subnutries em micronutrientesMuitas crianas no recebem a quantidade suficiente de algumas vitaminas e minerais essenciais. As carncias na dieta mais comuns so falta de vitamina A, ferro, iodeto e zinco. Estes micronutrientes so responsveis por tarefas vitais para o correto funcionamento do nosso organismo. Do boa viso, pele saudvel, protegem o organismo de doenas, ajudam a absorver a energia dos alimentos e permitem que o corpo e crebro se desenvolvam corretamente.

    FOME E SUBNUTRIO

    Ficha 1

    gua e alimentos so elementos essenciais, que todos os seres humanos devem ter para poderem sobreviver. O acesso ao mnimo essencial de comida que seja suficiente, adequada nutricionalmente e segura considerado um direito humano. A fome e a subnutrio so problemas globais.

  • 179

    FICHAS INFORMATIVAS DE NUTRIO ANEXO

    QUAIS SO AS PRINCIPAIS CAUSAS DA FOME E SUBNUTRIO?As pessoas que vivem na pobreza tm acesso limitado a comida. Para muitos, a subnutrio resulta da falta de dinheiro para comprar comida em quantidade suficiente. Outros podem no ter terras para produzir os seus prprios alimentos, sendo que, por vezes, as pessoas que tm terras podem no produzir alimentos suficientes para durarem todo o ano. As famlias que no podem produzir ou comprar a sua comida so consideradas em situao de insegurana alimentar. Nestas famlias, muitas vezes, as mulheres e crianas tem menos comida do que os homens.

    A quebra na produo ou na distribuio de comida outra grande causa de fome e subnutrio. Desastres naturais como secas, cheias, tremores de terra e furaces podem interromper a produo, distribuio e comercializao de alimentos. Catstrofes causadas pelo Homem, como a guerra, por exemplo, interrompem o movimento e distribuio regular de alimentos, muitas vezes limitando o acesso a alguns alimentos. Durante alguns conflitos, a comida pode ser usada como uma arma, sendo retirada s populaes civis e causando fome intencionalmente.

    A subnutrio tambm causada, e muitas vezes agravada, pelas ms condies de vida, incluindo falta de gua ou existncia de gua contaminada, falta de saneamento e falta de cuidados dentro de casa. As crianas mais novas so mais suscetveis a doenas infeciosas como diarreia, malria, sarampo e gripes. As crianas que ficam doentes frequentemente no absorvem todos os nutrientes necessrios, fazendo com que o seu organismo se torne mais fraco.

    HIV/SIDA pode ser outra das causas de fome e subnutrio. Quando um adulto fica doente com HIV/SIDA, tem menos capacidade para trabalhar no campo ou ganhar dinheiro para comprar alimentos. Podem tambm ter que vender os seus bens, como ferramentas e gado, de modo a poderem comprar comida e medicamentos. As crianas rfs ficam muitas vezes subnutridas quando um ou ambos os pais ficam doentes ou morrem. Isto pode acontecer por falta de cuidado e comida, ou tambm por comerem menos devido ao sofrimento e depresso.Os efeitos imediatos da HIV/SIDA so tambm causadores de subnutrio. Tal como acontece com outro tipo de doenas, as pessoas infetadas com HIV/SIDA que no comem adequadamente ou no absorvem nutrientes suficientes vo buscar energia e nutrientes aos tecidos do prprio organismo, perdendo peso e tornando-se subnutridos. Uma dieta saudvel e equilibrada, bons cuidados de higiene e saneamento e o tratamento atempado de doenas infeciosas podem prevenir a subnutrio nos doentes de HIV/SIDA, aumentando a sua esperana de vida.

    Foto @ Mel Futter

  • 180

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE NUTRIO

    O QUE ACONTECE SE AS CRIANAS NO SE SENTEM BEM?As crianas que tm fome ou dietas pobres crescem mais devagar que crianas bem nutridas e tm menos energia para brincar, estudar ou para trabalhos fsicos. Estas crianas tendem a ter perodos de ateno curtos e mais dificuldades na aprendizagem. O seu rendimento escolar fraco e tendem a desistir dos estudos precocemente. Uma alimentao pobre durante a infncia no s diminui o potencial individual como, a longo prazo, pode afetar negativamente o desenvolvimento de comunidades e naes.

    O QUE UMA DIETA SAUDVEL?Para crianas de cinco anos e mais velhas, uma dieta saudvel significa uma dieta equilibrada, com muita variedade e energia suficiente para o crescimento e desenvolvimento a cada dia.Isto consiste em:

    Alimentos ricos em fibras e amido, como arroz, milho, po, massas, mandioca e inhame.

    Vegetais, tais como vegetais de folha verde escura e vegetais de cor laranja.

    Feijes, ervilhas e, se possvel, pequenas quantidades de carne e peixe.

    Produtos lcteos, leite, ovos, iogurte e queijo. Um pouco de gordura d sabor aos guisados e sopas, e ajuda a absorver a vitamina A das

    frutas e vegetais. Muita fruta, vrias vezes ao dia, como lanche ou como sobremesa depois das refeies. A

    fruta fornece muitas vitaminas, sendo que a vitamina C ajuda a absorver o ferro de vegetais como espinafres e outros de folha verde escura.

    Doces, comida e bebidas com acar devem ser limitados. Este tipo de comida bastante saboroso e calrico e pode ser consumido apenas em ocasies especiais. Os doces e comida aucarada no so essenciais sade, mas aumentam o prazer de comer.

    DIETA SAUDVEL PARA CRIANAS EM IDADE ESCOLAR

    Ficha 2

    Uma dieta equilibrada e variada importante para promover um crescimento fsico e desenvolvimento mental adequado. A curto prazo, pode ajudar as crianas e jovens a melhorarem a sua concentrao e rendimento escolar, reduzindo riscos de sade como a carncia de vitamina A, a anemia e outros dfices de micronutrientes. Uma dieta saudvel na infncia minimiza tambm o aparecimento de infees e doenas crnicas na idade adulta. Uma alimentao equilibrada especialmente importante no caso das raparigas, para que quando forem adultas estejam bem nutridas e possam gerar bebs saudveis.

    Guia de Refeies variadas

  • 181

    FICHAS INFORMATIVAS DE NUTRIO ANEXO

    QUANTAS REFEIES DEVE TER UMA CRIANA EM IDADE ESCOLAR?As crianas devem ter trs refeies, e pequenos lanches entre as refeies, todos os dias.

    O pequeno-almoo, a primeira refeio sempre importante, especialmente quando uma criana ainda tem que andar bastante at a escola e no come muito a meio do dia. Exemplos de um bom pequeno-almoo so alimentos com amido (po, flocos de aveia, batata doce ou mandioca) com leite, manteiga de amendoim ou feijes cozinhados e fruta.

    Um lanche a meio da manha d energia s crianas para brincarem e estudarem.

    Uma refeio a meio do dia contendo alimentos variados. Se no forem fornecidas refeies nas escolas, os pais devem dar s crianas uma refeio para levarem para a escola (por exemplo: po, tortilha, batata doce ovos e fruta). Se a escola fornecer refeies, estas devem ser as mais ricas em nutrientes possvel. Comida da horta de casa ou da escola aumenta a variedade e o valor nutricional da refeio (ver receitas para refeies escolares com produtos hortcolas, nas Fichas de nutrio 3).

    Uma refeio ao fim do dia muitas vezes a maior refeio para a maioria das crianas e como tal deve ser uma boa mistura de alimentos (ver guia). Os pais devem saber que crianas em crescimento so crianas com muito apetite e no esto apenas a ser gulosas. Dar s crianas os seus prprios pratos ajuda a controlar se esto a receber o suficiente de cada tipo de alimento.

    NECESSIDADES NUTRICIONAIS DE CRIANAS EM IDADE ESCOLARAs crianas em idade escolar precisam de bastantes alimentos, uma vez que as suas necessidades de energia e nutrientes so particularmente elevadas em relao ao seu tamanho. Na sua dieta geral, muitas vezes difcil garantir que ingerem quantidades suficientes de energia vitamina A, clcio, ferro zinco e iodo. Os pais, professores e pessoal responsvel pela cantina escolar devem certificar-se que as crianas recebem alimentos ricos em nutrientes em abundncia.

    O clcio importante para os ossos. Alimentos ricos em ferro so importantes para prevenir a anemia. Particularmente

    as raparigas adolescentes tm bastante necessidade de alimentos ricos em ferro, tais como carne e peixe. Esta necessidade duplica quando comeam a ser menstruadas. Desde ento e at menopausa, as raparigas e mulheres tm maior necessidade de ferro que os rapazes e homens. A fruta e vegetais que contenham vitamina C devem ser comidos todos os dias, especialmente se a dieta for pobre em carne e peixe, uma vez que a vitamina C ajuda a absorver o ferro dos alimentos vegetais.

    Alimentos ricos em vitamina A so importantes para uma boa viso, pele saudvel e um bom sistema imunitrio, que protege o organismo de infees. Vegetais de folha verde escura e frutos de cor alaranjados e amarela so fontes de vitamina A.

    Algum leo ou gordura essencial na dieta pois permite que o organismo utilize a vitamina A presente nos vegetais.

    Alimentos ricos em folato so especialmente importantes para raparigas adolescentes ou jovens mulheres na preparao de futuras gravidezes. Feijes, vegetais de folha verde, sumo de laranja, fgado e amendoins so boas fontes de folato.

  • 182

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE NUTRIO

    Alimentos ricos em zinco, como a carne e o peixe, so importantes para o correto funcionamento do organismo, mas nem todas as crianas ingerem quantidades suficientes de zinco.

    Logo desde a escola primria, as crianas devem ser habituadas a comer bastantes vegetais e fruta.

    Uma lista de alimentos ricos nestes e noutros nutrientes importantes est descrita na Ficha informativa de Nutrio 3: Nutrientes nos Alimentos.

    ORIENTAES E PADRES DE NUTRIO PARA AS REFEIES ESCOLARES Alguns pases tm valores nutricionais mnimos nacionais para as refeies escolares. Estes valores indicam o teor de nutrientes recomendado numa refeio normal para a criana durante o perodo de uma semana. Servem tambm como orientao no tipo e qualidade de alimentos que devem ser servidos. Nalguns desses pases, essas linhas orientadoras so obrigatrias e esto estipuladas na lei. Consulte o Ministrio de Educao ou de sade nacional de forma a perceber quais as indicaes existentes no seu pas. Caso no existam indicaes para as refeies escolares, procure saber se est definida alguma norma para uma dieta nacional. Este tipo de normas so uma boa base para promover as dietas saudveis dentro e fora das escolas. Podem tambm orientar o pessoal da cantina escolar a planear o menu e as refeies escolares.

    RECOMENDAES ADICIONAIS PARA SERVIR COMIDA E BEBIDAS NAS ESCOLAS

    gua potvel deve estar sempre disponvel para todos os alunos.

    Tambm deve haver leite todos os dias.

    As escolas devem oferecer alimentos variados e uma seleo de refeies diferentes no decorrer da semana.

    As escolas devem usar sempre sal iodado na preparao das refeies.

    As escolas devem comprar a maioria dos ingredientes localmente. Isto garante que os vegetais e frutas so frescos e reduz os custos de transporte, bem como contribui para a comunidade local.

    As escolas devem ter uma refeio quente, particularmente nos meses de inverno em climas frios. O almoo no tem obrigatoriamente que ser quente, mas uma refeio cozinhada pode ser mais reconfortante nos meses frios.

    As refeies escolares devem ter em conta os gostos das crianas. As mensagens de alimentao saudvel e as refeies escolares devem complementar-se

    e reforarem-se mutuamente, de modo a criar sinergias e promover prticas alimentares saudveis ao longo da vida.

    Refrigerantes, doces e comidas muito gordas e salgadas, tais como hambrgueres e batatas fritas, no devem existir no ambiente escolar, uma vez que tem pouco valor nutritivo.

  • 183

    FICHAS INFORMATIVAS DE NUTRIO ANEXO

    NUTRIENTES NOS ALIMENTOS

    Ficha 3*

    Um alimento ser ou no uma boa fonte de nutrientes depende de: A quantidade de nutrientes no alimento. Os alimentos que contm grandes quantidades

    de vitaminas e minerais (micronutrientes) em comparao com o seu teor energtico so chamados de alimentos ricos em nutrientes. Estes alimentos so aconselhveis porque ajudam a garantir que a dieta contem todos os nutrientes necessrios. Nesta ficha esto listados alimentos que fornecem quantidades apreciveis de diferentes nutrientes.

    A quantidade desse alimento que se come habitualmente.

    * - A Informao desta ficha foi retirada da publicao da FAO (2004) Family Nutrition Guide (Appendix 1 and 2), por Ann Burgess e Peter Glasauer.

    Tabela 1. Fontes teis de nutrientes

    HIDRATOS DE CARBONO

    Amidos Cereais Razes e tubrculos Frutas ricas em amido Legumes maduros

    Aucares Frutas doces Acar Mel Alimentos doces

    Fibra Cereais integrais e razes Legumes Vegetais Frutas

    GORDURAS

    Ricas em cidos gordos insaturados Maioria dos leos vegetais

    (girassol, milho, amendoim e azeite)

    Cereais integrais Amendoins, soja, sementes de

    girassol sementes de ssamo e outras oleaginosas,

    Peixe gordo Abacate

    Ricas em cidos gordos saturados Manteiga, banha e manteiga

    clarificada Leite gordo (fresco ou azedo) Gordura de aves Coco leo de palma

    Ricas em trans-cidos gordos Margarina e manteiga

    clarificada vegetal Banha

    PROTENAS ZINCO

    Leite materno Leite de animais Ovos Carne e vsceras de animais, aves e peixes Feijes e ervilhas Amendoins e soja Cereais quando ingeridos em grandes

    quantidades

    Carne e vsceras Peixe e aves Insetos

  • 184

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE NUTRIO

    FERRO

    Facilmente absorvido Fgado, sangue e outras vsceras Carne e peixe (quanto mais vermelha a carne,

    mais ferro contem) Leite materno

    Pouco absorvido, exceto quando comido com carne, vsceras, aves ou porco ou alimentos ricos em vitamina C Cereais integrais, particularmente milho-mido

    e sorgo Legumes Amaranto, espinafres e outros vegetais de folha

    verde escura

    VITAMINA A FOLATO

    Fgado e rins Gemas de ovo Leite materno, em particular o colostro Natas, manteiga e queijo Peixe seco (incluindo o fgado) leo de palma cru Vegetais cor de laranja como cenoura e abbora Mangas maduras e papaias Batatas-doces amarelas/laranja Vegetais de folha verde mdio/escuro:

    espinafres, amarantos e couve (quanto mais escura a folha, mais vitamina A contem)

    Milho e bananas, se comidos em grandes quantidades

    Feijes e amendoins Vegetais frescos, particularmente de folha verde Fgado e rins Leite materno Ovos Cereais, se comidos em grandes quantidades

    VITAMINA C

    Fruta fresca Vegetais, folhas verdes, tomate e pimentos Leite materno Leite fresco de animais Frutas e razes com amido, quando comidas em

    grandes quantidades

  • 185

    FICHAS INFORMATIVAS DE NUTRIO ANEXO

    Tabela 2. Contedo energtico, proteico e de gordura em alguns alimentos

    ALIMENTO %EPNuma poro de 100 gramas comestveis de alimentos

    Energia Proteina Gordurakcal MJ gramas gramas

    CEREAISPo branco 100 261 1.09 7.7 2.0Milho

    Farinha integral 100 353 1.48 9.3 3.8Farinha refinada 100 368 1.54 9.4 1.0Papas grossas* 100 105 0.44 2.6 0.3Papas finas* 100 54 0.23 1.4 -

    Millet 100 341 1.43 10.4 4.0Arroz branqueado

    Cru 100 361 1.51 6.5 1.0Cozido* 100 123 0.51 2.2 0.3

    Farinha integral de sorgo 100 345 1.44 10.7 3.2RAZES COM AMIDO E FRUTASMandioca

    Fresca 74 149 0.62 1.2 0.2Seca ou farinha 100 344 1.44 1.6 0.5Cozida* 100 149 0.62 1.2 -

    Banana de cozinhar 66 135 0.56 1.2 0.3Batata irlandesa crua 80 79 0.33 2.1 0.1Batata doce crua 80 105 0.44 1.7 0.3Inhame fresco cru 84 118 0.49 1.5 0.2LEGUMESFeijes e ervilhas secos ou crus 100 333 1.39 22.6 0.8Amendoins secos ou crus 100 567 2.37 25.8 45.0Soja seca ou crua 100 416 1.74 36.5 20.0Sementes de girassol 100 605 2.53 22.5 49.0ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMALLeite materno 100 70 0.29 1.0 4.4Leite de vaca 100 61 0.26 3.3 3.3Ovos 88 158 0.66 12.0 11.2Carne gorda (cabra) 100 161 0.67 19.5 7.9Galinha/aves 67 140 0.59 20.0 7.0Carne e peixe frescos 100 90 0.38 18.4 0.8Carne, peixe secos ou salgados 100 255 1.07 47.0 7.4LEOS GORDURAS E AUCARESleos/banha 100 900 3.76 0 100.0Manteiga/margarina 100 718 3.00 0 82.0Acar 100 400 1.67 0 0

    Fonte: FAO. 1993 Alimentao e nutrio na gesto do grupo de programas de alimentao. Roma.kcal = kilocalorias.

    MJ = megajoules (joules a unidade moderna de medida de energia. 1 000 kcal = 4.18 MJ).%EP = percentagem de poro comestvel = proporo da poro de alimento comprador que pode ser ingerido expresso como percentagem.

    - = vestigial.* = Valor calculado. A quantidade de farinha nas papas grossas ou finas varivel. Estes so apenas valores aproximados.

  • 186

    ANEXO FICHAS INFORMATIVAS DE NUTRIO

    Tabela 3. Nutrientes presentes em alguns alimentos

    ALIMENTO RICO EM: TAMBM CONTEM:

    Cereais Amido, fibraProtenasVitaminas do grupo BAlguns minerais

    Razes com amido e frutas Amido, fibraAlguns mineraisVitamina C quando frescosVitamina A quando so amarelos

    Feijes e ervilhas maduros Amido, protena e fibra Vitaminas do grupo B Alguns minerais

    Oleaginosas Gordura, protena e fibra Vitaminas do grupo B Alguns minerais

    Carne e peixe Protena, ferro e zinco Outros mineraisAlgumas vitaminas

    Fgado

    ProtenaFerroZincoVitamina AFolatoOutras vitaminas

    -----

    Leite e lacticniosGorduraProtenaAlguns mineraisAlgumas vitaminas

    -----

    Leite maternoGorduraProtenaMaioria de vitaminas e minerais exceo do ferro

    Ferro

    Ovos ProtenaVitaminasGorduraMinerais (que no ferro)

    Gorduras e leos Gorduras -----

    Vegetais folha verde mdia/escura

    VitaminasFolato

    ProtenasAlgum ferroFibraVitamina A

    Vegetais cor de laranja Vitamina AVitamina CMineraisFibra

    Frutas laranjasFrutoseVitamina AVitamina C

    Fibra

    Citrinos FrutoseVitamina C -----

    Fonte: adaptado de Burgess et al., Community nutrition for Eastern Africa, AMREF, Nairobi (1994)

  • 187

    FICHAS INFORMATIVAS DE NUTRIO ANEXO

    NECESSIDADES DE NUTRIENTES E ENERGIA

    Ficha 4*

    Use esta tabela para comparar as diferentes necessidades de energia e nutrientes dos vrios membros da famlia.

    * - A Informao desta ficha foi retirada da publicao da FAO (2004) Family Nutrition Guide (Appendix 1 and 2), por Ann Burgess e Peter Glasauer.a - Bebs nascidos no tempo correto tem reservas suficientes de ferro at aos seis mesesb - Quantidades necessrias depois da menstruaoc - Quantidades necessrias depois da menopausad - As necessidades so to elevadas que o suplemento de ferro habitualmente recomendado para mulheres grvidas e adolescentes grvidas

    Dose diria recomendada de energia e nutrientesSEXO/IDADE PESO ENERGIA PROTENAS FERRO ZINCO VIT A VIT C FOLATO

    ANOS kg kcal MJ gramas mg mg mcg RE mg mcg DFEAmbos os sexos

    06 meses 6.0 524 2.19 11.6 0a 1.1 375 25 80611 meses 1.1 375 25 80 9 0.8 400 30 80

    13 8.9 708 2.97 14.1 9 0.8 400 30 8046 12.1 1022 4.28 14.0 6 8.4 400 30 16079 18.2 1352 5.66 22.2 6 10.3 450 30 200

    Raparigas1017 46.7 2326 9.73 42.6 14/32b 15.5 600 40 400

    Rapazes1017 49.7 2824 11.81 47.8 17 19.2 600 40 400

    Mulheres1859 55.0 2408 10.08 41.0 29/11c 9.8 500 45 400

    Grvidas 55.0 +278 +1.17 +6.0 Highd 15.0 800 55 600Durante a

    amamentao 55.0 +450 + 1.90 +17.5 15 16.3 850 70 500

    60 e mais 55.0 2142 8.96 41.0 11 9.8 600 45 400Homens

    1859 65.0 3091 12.93 49.0 14 14.0 600 45 40060 e mais 65.0 2496 10.44- 49.0 14 14.0 600 45 400

    Fontes: Energia- FAO. 2004. Human energy requirements. Report of a Joint FAO/WHO/UNU Expert Consultation. FAO Food and Nutrition Paper No. 1. Rome; Protenas - WHO. 1985. Energy and protein requirements. Technical Report Series 724. Geneva; Micronutrientes - FAO/

    WHO. 2002. Human vitamin and mineral requirements. Report of a Joint FAO/WHO Expert Consultation. Rome.

    NOTASkcal = kilocalorias

    MJ = megajoule (joules so a unidade moderna da medida de energia 1 000 kcal = 4.18 megajouleRE = equivalentes de retinol

    DFE = equivalentes dietticos de folatoEstes valores assumem que:

    As crianas so amamentadas pelo menos no primeiro ano; As crianas mais velhas e adultos comem pequenas doses de alimentos ricos em ferro

    (carne, por exemplo), alimentos ricos em vitamina C e outras protenas animais, e grande quantidade de alimentos bsicos, como milho. Os valores de biodisponibilidade utilizados para ferro correspondem a 10% da biodisponibilidade e os utilizados para o zinco so de baixa biodisponibilidade;

    Os adultos tm uma atividade fsica moderada.

  • 188

    NOTAS

  • 189

    ANEXO

    NOTAS DE HORTICULTURA

    CRIATURAS BENFICAS PARA A HORTA

    PLANTAS COMPANHEIRAS

    COMPOSTO

    CONSERVAR ALIMENTOS DA HORTA

    ROTAO DE COLHEITAS

    CANTEIROS

    COLHEITA

    PLANTAS SAUDVEIS

    PULVERIZADORES CASEIROS

    CULTURA INTERCALAR

    COBRIR O SOLO

    NUTRIENTES E FERTILIZANTES

    AGRICULTURA BIOLGICA

    PRAGAS

    PROBLEMAS DAS PLANTAS

    PLANTAR E TRANSPLANTAR

    PROTEGER A HORTA

    LANCHES E BEBIDAS DO JARDIM

    GESTO DA GUA

    IRRIGAO

    ERVAS DANINHAS

    190

    191

    192

    193

    194

    195

    196

    196

    197

    198

    199

    199

    200

    201

    203

    204

    205

    206

    206

    206

    207

  • 190

    ANEXO NOTAS DE HORTICULTURA

    CRIATURAS BENFICAS PARA A HORTA

    Muitos insetos benficos so predadores ou parasitas que consomem insetos nocivos. Estes so a polcia anti pragas! Alguns so polinizadores que fertilizam as plantas, para que estas possam produzir frutos. Sem eles, no haveria agricultura.

    (Adaptado de Beneficial insects Virginia State Univ., www.ext.vt.edu/departments/entomology).

    1. Toda a gente conhece a joaninha. Algumas joaninhas comem pulges, outras preferem cochonilhas e caros. So muito eficientes em manter afastadas ou livrarem-se de pragas, sendo que as larvas da joaninha tambm atacam os pulges. So muito coloridas e parecem agressivas, por isso as pessoas muitas vezes pensam que devem ser prejudiciais para as plantas. Nada poderia ser menos verdade.

    2. O louva-deus, com as patas pegadas em posio de reza, outro conhecido inseto predador. Tanto os adultos como as crias esto sempre espera de insetos que se desviem da sua rota e se coloquem ao seu alcance, para captur-los com as suas patas da frente.

    3. Os insetos assassinos encontram-se em pases tropicais. A maioria tem corpos delgados e cores sombrias, para que no sejam notados. Tm um bico curvo que usam para furar besouros, gafanhotos e lagartas.

    4. Os escaravelhos (Carabidae) so frequentemente encontrados debaixo de troncos e lixo. Tanto os adultos como as larvas alimentam-se de insetos, lesmas, caracis, ovos de caracol e caros.

    5. As crisopas tem asas de verde filigrana e olhos metlicos. De perto, as larvas parecem monstros em miniatura. Tanto os adultos como as larvas caam pulges, caros e mosca branca. As larvas comem pulges, taxa de 60 pulges por hora, e s vezes usam os corpos vazios das suas vtimas para servirem de camuflagem!

    6. Os besouros soldados ou insetos piratas so magros, vermelhos acastanhados ou amarelados, com longas antenas. So muitas vezes vistos em flores, mas tanto adultos como as larvas so carnvoros. Segregam um material que liquefaz a sua presa. Tm um bico curvado que perfura e suga as suas vtimas at deix-las secas. Cada adulto pode comer cinco a 20 larvas por dia.

    7. As moscas ladras so uma famlia grande e til. Alguns tipos so muito volumosos e com parecenas s abelhas, os outros com a cintura mais fina imitam as vespas. Ficam suspensas no ar antes de tirarem o nctar e o plen s flores. As suas larvas alimentam-se de pulges (uma larva pode comer at 900 pulges). Os adultos so melhores predadores do que as joaninhas.

    8. As centopeias alimentam-se de lesmas, caracis (os seus ovos), caros e insetos. Temos que ter cuidado, podem dar mordidelas dolorosas.

    9. Aranhas e escorpies tambm so caadores dedicados. As aranhas usam seis olhos, oito pernas, prendem em venenosas e pegajosas teias transparentes, para caar no solo ou no ar. Se encontrar teias em seu jardim, deixe-as onde esto!

  • 191

    NOTAS DE HORTICULTURA ANEXO

    PLANTAS COMPANHEIRAS

    O cultivo conjunto de certas variedades de plantas atraem insetos benficos e mantm afastadas as pragas. Geralmente, os cultivos mistos e os aromas intensos repelem os inimigos da horta, e as flores atraem os insetos benficos. As culturas companheiras so uma forma natural de proteger as plantas.

    Fotos: Ken Gray, Oregon State University, www.govlink.org.

    Flores que atraem insetos benficosComo a camomila, cenoura, alho francs, trevo, coentros, margaridas, endro, cana, citrinos, hortel, capuchinhas, salsa, nabo, alecrim, arruda, tomilho e mileflio. Deixar que algumas das suas hortalias floresam.Plantas com cheiros fortesDeixam os insetos zonzos com o seu odor forte so: alo vera, artemsia, manjerico, calndula, camomila, erva-dos-gatos, pimento, cebolinha, citronela, alho, gengibre, marroio, lantana, lavanda, alho em p, capim-limo, hortel, cebola, atansia, tomilho e tabaco.Plantas que repelem as pragas do soloO alho mata alguns fungos do solo. Algumas variedades de calndulas eliminam os nemtodos no solo. Deve-se plantar um tipo adequado. O cheiro a repolho repele pragas do solo.Combinaes especiaisAlgumas pessoas dizem que estas combinaes funcionam bem. Experimente e veja!

    O manjerico repele as lagartas do tomate. As chagas repelem os insetos das abboras. A calndula, a hortel, o tomilho e a camomila afastam as traas. Os nabos apanham escaravelhos que atacam o pepino e a abbora. O tomilho e a alfazema afastam lesmas. A atansia e o poejo afastam as formigas. Os tomates afastam os escaravelhos dos espargos. Os feijes quando plantados com forrageiras sachadas baralham

    as pestes um do outro.

    Fotos: Ken Gray, Oregon State University, www.govlink.org.

    10. Muitas vespas e moscas so pequenos parasitas de outros insetos. E so aliados valiosos. Alguns traquindeos, por exemplo, pem os ovos em lagartas. Quando estes eclodem, as larvas da mosca passam atravs da pele da lagarta e alimentam-se dela.

    11. Polinizadores Muitos insetos polinizam flores: abelhas selvagens, moscas e borboletas. O mais conhecido a abelha, que tambm nos d o mel e a cera de abelha. Sem polinizadores no haveria citrinos, frutos secos, frutas, caf, melo, pepino, abbora ou outras frutas e vegetais. Sem eles, os agricultores no podem cultivar, na verdade.

  • 192

    ANEXO NOTAS DE HORTICULTURA

    COMPOSTO

    Composto, ouro castanho, um ingrediente mgico para uma boa jardinagem. O composto providencia nutrientes para que o solo se torne mais rico e frtil, mantem-no hmido e arejado ao abri-lo, capturando e drenando a gua.

    Ingredientes do compostoA maioria dos materiais orgnicos podem ir para compostagem: palha, relva cortada, resduos orgnicos da cozinha, ervas, plantas, folhas, estrume animal, cinzas de madeira, animais e ossos de peixe, penas, tecido de algodo, pedaos de couro ou de papel, solo. No use alimentos cozidos, pedaos grandes de madeira, plstico, metal, vidro, loua, arame, nylon, tecidos sintticos, cinzas de carvo, ervas com sementes e ervas daninhas muito resistentes.Contentores para o compostoO composto pode fazer-se num cubo de plstico com uma tampa a proteg-lo. melhor termos trs caixas: uma para faz-lo, uma para mov-lo e uma para armazen-lo. Tambm pode ser feito num buraco, numa caixa de carto ou num saco de plstico grande e forte com orifcios para entrar ar. O importante mant-lo a cozinhar, mantendo-o hmido e arejando-o. Fazer o compostoInicie o processo com uma camada de paus de madeira para a drenagem, depois uma camada de relva, folhas e estrume e terra. Misture castanhos secos e molhados, e algum verde. Corte as folhas muito grandes. Adicione uma ltima camada de terra, faa um buraco no meio para deixar entrar o ar e a gua, e cubra com erva ou com um pano para manter a pilha hmida. Depois de passarem cinco dias, a pilha vai aquecer e ter bactrias a trabalhar para degrad-la. Para manter a humidade do composto, ao fim de cerca de seis semanas virar a compostagem tirar o composto e coloc-lo de volta, ou mov-lo para a prxima bandeja, mantendo-o sempre hmido. Vir-lo novamente dentro de poucas semanas. Depois de trs meses, test-lo. Se estiver escuro, frivel, leve e hmido, est pronto a ser usado.Utilizao do compostoUsar o composto assim que estiver pronto. Espalhar antes de plantar e no envasamento, e coloc-lo em torno de plantas que crescem a cada duas semanas. No deixe secar: utilize-o no incio da noite, quando est frio, e cubra-o com palha para mant-lo hmido.

    Composto (folhas, relva, ervas daninhas, restos vegetais, etc)

    Um pouco de gua para o

    manter hmido

    relva para o manter hmido

    ramos para drenagem

    buraco para o ar camadas de solo

  • 193

    NOTAS DE HORTICULTURA ANEXO

    Dez projetos simples para a conservao de alimentos:Pendurar rstias de cebolas, alhos, pimentos, ervas ou tomates cereja num local arejado e sombra.

    Curar batatas doces, inhames e abboras deixando-os num local quente e arejado durante uma semana aps a colheita. A pele vai endurecer e os alimentos duram mais tempo. Armazenar num local escuro e seco.

    Secar fruta e vegetais num local arejado. Colocar fatias de alimentos num tabuleiro/tapete acima do solo e com as pernas dentro de gua para prevenir a subida de insetos. Virar os alimentos todos os dias at estarem secos (vegetais) e tipo couro, no caso da fruta. Os alimentos mais finos (folhas de couve, por exemplo) podem ser secos inteiros. As legumes e frutos secos secam na planta. Armazenar num local seco e protegido.

    Usar um secador solar. Um secador solar basicamente uma caixa ou uma moldura com uma cobertura plstica. fcil de construir. O secador solar mais rpido e conserva melhor os alimentos. Demora cerca de trs dias para fruta/vegetais em fatias e dois dias para folhas. Armazenam-se os alimentos em recipientes hermeticamente fechados.

    Fazer farinha (abbora, banana, batata doce, feijo frade) e usar em bolos, biscoitos, panquecas. Secar os alimentos, moer,

    peneirar e armazenar em recipientes hermeticamente fechados. No caso da farinha de banana, apanhar a banana a de estar madura. Aquecer, descascar, fatiar e depois secar. Moer at obter farinha, peneirar e armazenar. (FAO, 1995)

    Fazer pele de fruta cozinhando-a, fazendo polpa e depois secando-a. Para fazer com abbora deve-se lavar, descascar, cortar e cozinhar, fazer pur, escorrer, adicionar mel e especiarias, espalhar num tabuleiro untado e secar num secador solar. Cortar em quadrados e embrulhar em pelcula aderente.

    Picles de pepino. Lavar 3 kg de pepinos mdios, frescos e rijos. Coloc-los numa taa larga, misturar sal e gua suficiente para cobrir os pepinos. Deixar durante dois dias. Escorrer, enxaguar e fatiar. Colocar dez chvenas de acar, dez chvenas de vinagre branco e especiarias num tacho e, a lume brando, ferver at dissolver o acar. Adicionar os pepinos ao xarope quente durante uns segundos e depois verter para jarros esterilizados e selar. (Cooks Com 2004)

    CONSERVAR ALIMENTOS DA HORTA

    As regras gerais para processar alimentos so: Colher numa altura fresca do dia, por exemplo ao anoitecer. Escolher o que estiver maduro e em boas condies. Retirar qualquer parte que esteja estragada ou podre. Esterilizar o equipamento e lavar as mos.

  • 194

    ANEXO NOTAS DE HORTICULTURA

    Fazer sumo de cenoura. Muito popular na ndia. Lavar 1 kg de cenouras e ralar para um frasco. Adicionar 7 litros de gua, 200 gramas de sal e especiarias picantes (chili ou sementes de mostarda, por exemplo). Fechar bem, deixar uma pequena sada para os gases. Fermentar durante uma a dez dias. Escorrer. Consumir em trs a quatro dias. (Battcock and Azam-Ali, 1998)Fazer sumo de goiabaEscolher goiabas maduras. Lavar, cortar as pontas e fatiar. Cobrir com gua num tacho grande. Ferver at estarem macias (15 a 20 minutos). Verter para um saco de pano cru e deixar coar. Beber de seguida. Para engarrafar preciso esterilizar as garrafas e as tampas, ferver o sumo novamente e verter para as garrafas quentes, e selar. (FAO, 2004 website)Tomates em frascosUtilizar tomates chucha, maduros mas rijos. Lavar bem e retirar o que estiver estragado. Mergulhar em gua a ferver durante 30 segundos e retirar a pele. Encher os frascos com o tomate. Adicionar uma colher de sobremesa de sumo de limo/vinagre a cada frasco. Selar enquanto estiver quente. Cobrir os frascos com gua numa panela grande. Ferver durante 30 minutos (frascos pequenos) e 50 minutos (frascos grandes). Deixar arrefecer e etiquetar. (FAO Rural Processing & Preserving)

    ROTAO DE COLHEITAS

    Quando plantamos as mesmas colheitas regularmente, precisamos de as rodar. Cada colheita precisa de determinados nutrientes do solo e usa-os a um determinado nvel. Em simultneo, cada planta atrai as suas pestes e doenas, que rapidamente se instalaro ao redor da colheita. Se plantamos a mesma colheita poca aps poca, os nutrientes que a planta precisa rapidamente se esgotam, as plantas ficaro mais fracas e sensveis ao ataque de vrias pestes e doenas.

    (Adaptado de Coleman, 1989)

    A rotao de colheitas restaura o solo e afasta pestes e doenas. As principais famlias de colheitas que devem ser rodadas so:

    Legumes leguminosae Feijes e ervilhas

    Solanceas solanaceae Tomates, pimentos, batatas, pimentos picantes, beringelas

    Cucurbitceas cucurbitaceae Pepinos, abboras, melo

    Brssicas brassicaceae Brcolos, couve, couve-flor, nabo

    Cereais gramineae Milho, millet, sorgo, trigo

    Bolbos amaryllidaceae Cebolas, alho-francs, alho, cebolinha

    Umbelferas umbellifereae Cenouras, funcho, chicria, cherivia, salsa, ssamo

    Verduras chenopodiaceae and compositae Beterraba, acelga, espinafre, alface

  • 195

    NOTAS DE HORTICULTURA ANEXO

    CANTEIROS

    Canteiros elevados permanentesNeste manual advogamos os canteiros elevados permanentes, que so fceis de manter, altamente produtivos e excelentes para melhorar o solo.

    Algumas dicas para a rotao:1. Fazer a rotao pelo menos durante trs estaes (cinco ou seis melhor).2. Mudar a famlia da planta de todas as vezes, no apenas a planta individualmente.3. Deixar pelo menos um metro de distncia quando for plantada a mesma colheita.4. Plantar adubo verde como parte da rotao cereais, feijes,

    ervilhaca. Devolver matria orgnica e recuperar o solo. Cort-los antes da florao e deixar como cobertura do solo.

    5. Deixar uma parte do terreno sem culturas (pousio) como parte da rotao, para o solo descansar.

    6. Plantar girassis (ou alfafa) como parte da rotao. As razes so profundas e procuram nutrientes e gua a nveis mais profundos do solo.

    7. Boas combinaes:- Milho depois dos legumes;- Batatas depois do milho;- Couve depois das cebolas.

    As crianas mais velhas, com alguma experincia de horticultura, podem aprender os princpios da rotao de colheitas e aplicar quando tm de tomar decises sobre o que vo cultivar.

    Fazer canteiros elevados

    Proteger a estrutura do solo, no o virando, adicionar composto e

    cobertura do solo

    Marcar os canteiros Cavar os canteiros, cerca de 40 cm de profundidadeAdicionar composto/

    estrume/matria orgnica (30 cm) e regar e colocar o solo por cima

    Adicionar a primeira camada de solo dos

    caminhos aos canteiros

    Aplanar o topo dos canteiros

    No andar por cima, nem pisar o solo

    Plantar densamente: reduz as ervas e

    conserva a humidade

  • 196

    ANEXO NOTAS DE HORTICULTURA

    Usar canteiros elevados Nao andar ou ajoelhar-se em cima dos

    canteiros espezinhando o solo. Poderia danificar a sua estrutura.

    Adicionar composto e cubrir com matria orgnica, mas nunca escavar de novo o canteiro.

    Plantar densamente para evitar ervas daninhas e preservar a humidade do solo.

    Outros tipos de canteirosCanteiros planos so fceis de fazer, mas no muito produtivos.Canteiros fundos para recolher gua so bons em climas secos ou nas estaes secas.Canteiros sulcados so bons para culturas de razes. Os cumes ajudam a chuva a escorrer e a no tornar o solo pesado.Permacultura quando o solo pobre, os canteiros de permacultura so feitos por cima do solo. Vasos/recipientes so mveis, bons para espaos limitados e para demonstrar.

    COLHEITA

    PLANTAS SAUDVEIS

    Os horteles devem saber se o que vo colher deve amadurecer na planta ou se tambm amadurece sem estar na planta.A colheita deve assegurar que os produtos so frescos e no esto estragados. Deve ser feita numa altura fresca do dia. Os produtos devem ser manuseados com cuidado. Deve-se armazenar apenas os alimentos que esto em bom estado, e usar mais rapidamente os que esto danificados. O armazenamento deve ser feito em condies de temperatura baixa e ar seco. A fruta deve ser cuidadosamente embalada para o transporte. As plantas que no so colhidas devem ser deixadas no solo como composto.

    A gesto integrada de pestes implica uma srie de mtodos naturais no sentido de reduzir o controlo necessrio. Deve-se assegurar que as plantas so saudveis, isto como primeira estratgia. As plantas devem ser monitorizadas regularmente e tratadas imediatamente. De seguida, apresenta-se uma lista de tarefas com os principais pontos a verificar

  • 197

    NOTAS DE HORTICULTURA ANEXO

    PULVERIZADORES CASEIROS

    Os pulverizantes indicados de seguida so baratos e eficazes contra uma grande variedade de pestes, e tambm relativamente seguros para as crianas fazerem e usarem.

    Tarefas | Patrulhar as plantas

    1. Crescimento As plantas cresceram? Em que fase esto? H fruta/sementes?

    2. Sade Esto com bom aspeto? Existem sinais de pestes ou doenas? Existem plantas murchas? Existem folhas cadas, folhas comidas, amarelas, com fungos?

    3. Criaturas da horta Que insetos/minhocas/animais que existem? Existem bastantes criaturas benficas (crisopas, joaninhas, sapos, lagartos)?

    4. Solo/gua O solo est seco? Que plantas ou canteiros precisam de gua? H demasiada humidade?

    5. Cobertura do solo A cobertura do solo suficiente? Onde que necessria mais?

    6. Proteo A nossa proteo eficaz contra os predadores (vedaes, muros, espantalhos)?

    7. Vento e sol H demasiado vento, sol ou sombra em alguma zona?

    8. Espao H algum espao superlotado? Alguma planta precisa de ser transplantada?

    9. Ervas Existem muitas ervas perto das plantas?

    10. Apoio H alguma coisa a precisar de apoio?

    11. Higiene Alguma coisa a precisar de ser cortada? Queimada?

    12. Composto Existe composto suficiente? E cobertura de solo?

    Pesticida feito de chiliPara controlar os afdios e outros insetos sugadores. Fatiar uma mo cheia de chilis secos e algumas cebolas ou alhos, misturar num litro de gua. Ralar uma mo cheia de sabo. Deixar durante a noite, coar por um pano e adicionar cinco litros de gua. Escorrer, borrifar ou pulverizar as plantas afetadas, mas sem luz solar direta. No deixar que toque a pele ou os olhos. Se a planta deixar uma queimadura, preciso tornar a mistura mais fraca adicionando gua. Repetir o tratamento as vezes que forem necessrias. (Adaptado da FAO, 2001)gua com saboPara insetos sugadores. Usar uma a duas colheres de sopa de detergente lquido normal para 4,5 litros de gua. Pulverizar as vezes necessrias, especialmente por baixo das folhas. Aumentar a quantidade de sabo, se necessrio. (Guy et al., 1996)

  • 198

    ANEXO NOTAS DE HORTICULTURA

    Farinha ou cinzaEspalhada nas folhas para sufocar as lagartas. A farinha tambm um veneno para os estmagos delas. (Chris Landon-Lane, 2004)Pulverizante de ch ou cafPara afastar os insetos. Diluir caf em p ou folhas de ch em gua e pulverizar as plantas. Pulverizante de leo brancoara sufocar os insetos que sugam e roem. Fazer uma mistura de concentrado com meio litro de leo vegetal e meia chvena de detergente ou sabo dissolvido em gua. Para pulverizar, misturar uma colher de sopa da mistura num litro de gua. Se armazenar a mistura, deve ser agitada antes de usar. (Adaptado de ABC Brisbane, 2004)Sumo de folha de tomate utilizado para controlar afdios e lagartas em muitas plantas. Ferver 500 gramas de folhas de tomate em 5 litros de gua. Coar e dissolver 30 gramas de sabo mistura. Para pulverizar, usar uma parte de mistura para quatro partes de gua. No usar esta mistura em tomateiros ou membros da famlia do tomate. (ABC Brisbane, 2004)Sumo de folhas de calndulaFeito da mesma forma que o sumo de folhas de tomate, um pesticida de espectro largo (at afasta moscas e ces!). A calndula selvagem, que aparece nos prados, na beira da estrada ou em qualquer caminho, muito mais eficaz que uma variedade de jardim.

    DicaOs pulverizadores nem sempre so fceis de encontrar. Um pincel largo, uma vassoura ou um ramo de ervas funciona bem. Mergulhar num balde com a mistura e passar nas plantas.

    CULTURA INTERCALAR

    A cultura intercalar (cultivar diferentes culturas ao p umas das outras) ajuda conservao do solo e protege as plantas. Uma horta multicamada, com plantas em diversos estratos, a diferentes alturas, uma forma de cultura intercalar que aproveita bem o espao disponvel e o sol.

    Juntar plantas com diferentes necessidades elimina a competio entre elas. Nomeadamente: Plantas altas ao p de plantas pequenas,

    por exemplo milho e couve, brcolos e espinafres ou alface, rvores de frutos e vegetais;

    Plantas com razes profundas ao p de plantas com razes superficiais, por exemplo milho, sorgo e ervilha;

    Plantas trepadeiras ao p de plantas rasteiras, por exemplo maracuj, feijes e milho com alface, cebolas, cenouras e abbora;

    Folhas largas ao p de folhas estreitas, por exemplo couve e cenouras.

    Milho, abbora, feijo, milho, abbora, feijo, milho

  • 199

    NOTAS DE HORTICULTURA ANEXO

    NUTRIENTES E FERTILIZANTES

    COBRIR O SOLO

    As plantas precisam de: Potssio para a sade e fora; Azoto para as folhas e crescimento; Fsforo para as razes, flores e fruta.

    Cobrir o solo significa colocar matria orgnica seca (erva, palha, folhas) numa camada de cerca de 6 cm volta da base das plantas. Assim mantm-se a humidade do solo, a superfcie do solo fresca e solta, previne-se o crescimento de ervas junto planta e a decomposio lenta dessa matria orgnica enriquece o solo. particularmente til quando o solo pobre ou onde h pouca gua, em climas quentes e nas estaes quentes. A melhor cobertura do solo clara e reflete a luz. As ervas devem ser usadas antes de produzirem sementes, caso contrrio estaremos a introduzir competio em vez de reduzirmos.

    Os fertilizantes fornecem estes nutrientes. Existem: Fertilizantes inorgnicos (por exemplo, nitrato de amnio, sulfato e fosfato de amnio)

    so bastante caros. Do resultados rpidos, mas no contribuem para a estrutura do solo. Fertilizantes orgnicos (por exemplo, algas, estrume, sangue e osso). Estes so mais baratos

    que os inorgnicos. Melhoram a estrutura do solo enquanto lhe fornecem nutrientes. Fertilizantes biolgicos caseiros (por exemplo, adubo verde, composto e estrume animal).

    Estes so os mais baratos, melhoram a estrutura do solo e tambm lhe fornecem nutrientes.

    Estrume animalDeve-se usar o estrume de animais herbvoros. O estrume fresco de animais fere as razes: ou deixa-se repousar durante seis meses ou adiciona-se ao composto.

    Adubo verde D um solo rico e arejado. Cultiva-se leguminosas que posteriormente se integram no solo ou so usadas para composto.Por exemplo:

    (grandes culturas) feijes e ervilhas, tremoo, ervilhaca. (sebes) leucaena, flemingia sp., gliricidia sp., pigeon pea, erva guin, setaria sp. Podar e deixar os

    ramos no solo.

  • 200

    ANEXO NOTAS DE HORTICULTURA

    AGRICULTURA BIOLGICA

    Os horteles que praticam agricultura biolgica usam mtodos naturais para proteger e melhorar o solo, controlar as pragas e doenas e aumentar a produo. Alguns dos mtodos so a rotao de colheitas, usar composto e estrume, fazer canteiros elevados permanentes, cobrir o solo, retirar as ervas que esto em competio, usar boas sementes, cultivar variedades locais, tratar bem as plantas, ter plantas companheiras, no utilizar pesticidas e inseticidas artificiais, captar gua da chuva e usar rega gota-a-gota. A maioria destes pontos so detalhados nestas notas; vamos sintetizar

    os pontos mais importantes para demonstrar a mais valia das abordagens biolgicas.

    Manter o solo saudvelO solo est cheio de nutrientes, que vo para os alimentos que comemos. Quando colhemos os alimentos estamos a remover esses nutrientes. Se no repusermos no solo o que retiramos, o solo esgota-se e no consegue produzir boas colheitas. Os bons horteles tm de proteger e manter o solo. Como que se pode faz-lo? Os fertilizantes qumicos devolvem nutrientes ao solo, mas so prejudiciais para as minhocas e para outros microrganismos do solo que so benficos; por outro lado, tambm so dispendiosos. Podem queimar as razes, so rapidamente dissolvidos e lixiviados para maior profundidade.

    Materiais orgnicos especficos fornecem nutrientes especficos. Coloque-os no composto.

    Nitrognio N Fsforo P Potssio K

    Ossos

    Cinza de madeira

    Restos de peixe

    Adubo verde

    Folhas e caules de bananeiras

    Estrume de galinha

    Composto e estrume

    Plantas ricas em leo

    Borras de caf

  • 201

    NOTAS DE HORTICULTURA ANEXO

    PRAGAS

    Os horteles biolgicos protegem e mantm o solo de outras formas: Rotao de colheitas cada colheita precisa de diferentes nutrientes do solo. Se fizermos

    rotao de colheitas, estamos a dar ao solo a oportunidade de recuperar. Composto, estrume e cobertura de solo os materiais orgnicos apodrecem devagar no

    solo libertando nutrientes e melhorando a drenagem, mantendo o solo hmido e arejado. Canteiros elevados permanentes o solo no s uma mo cheia de nutrientes.

    uma estrutura e um sistema, cheio de vida e atividade. Uma vez que se comea a criar um solo saudvel, no se deve interferir. Por exemplo, se cavamos profundamente ou se caminhamos por cima dos canteiros, retiramos o ar, tornamos a terra rija, destrumos as minhocas e outros organismos vivos teis para o solo. Por isso importante ter canteiros elevados permanentes e deixar as plantas e o solo cultivarem por ns.

    Manter as plantas saudveis Uma forma conhecida de reduzir as pragas e doenas atravs de pulverizantes qumicos. Mas esta uma forma dispendiosa e que cria outros problemas. Os pesticidas so venenos: matam insetos que polinizam as plantas e tambm pssaros e insetos que se alimentam de pragas. Tambm nos podem envenenar a ns quando pulverizados nos alimentos ou inalados aps a sua aplicao.A forma natural de lutar contras as pragas e doenas tornar as plantas saudveis e resistentes. Escolher boas sementes e variedades locais, adicionar composto, apanhar as ervas e cobrir o solo para reduzir a competio, controlar as pragas e verificar as plantas regularmente.Ter a certeza de que as plantas tm gua suficiente, mas no em demasia. Manter o solo hmido e adicionar composto, o que o ajuda a drenar bem. Quando se trata de um local em que a gua escassa, deve-se recolher gua da chuva ou usar as guas cinzentas por exemplo, usar rega gota a gota para irrigar, cobrir o solo para evitar que a gua evapore. As guas cinzentas ou as guas residuais so aquelas que resultam de lavar as mos e a roupa, etc. Habitualmente tm sabo, por isso so um beneficio extra para ajudar a controlar as pragas.Os horteles biolgicos encorajam os insetos benficos como abelhas, borboletas e joaninhas, tendo plantas que os atraem. Afastam pragas perigosas ao terem plantas companheiras com fortes aromas e apanhando insetos prejudiciais. Usam pulverizantes que no prejudicam pssaros ou abelhas, so inseticidas naturais que desaparecem depois de terem feito o seu trabalho.

    Alguns exemplos de pragas prejudiciais:

    MastigadoresA maioria dos mastigadores so suficientemente grandes para serem vistos com facilidade. Se houver buracos nas folhas e fruta, pontas rasgadas ou bocados que faltam, preciso procurar por lagartas, escaravelhos, gorgulhos, gafanhotos, lesmas e caracis. Se a planta estiver murcha, procurar grilos que comem as razes, escaravelhos e centopeias.

  • 202

    ANEXO NOTAS DE HORTICULTURA

    Fotos: * Ken Gray, Oregon State University, www.govlink.org** Robert Bercha, www.insectsofalberta.com

    1. Lagartas* (Lepidoptera) Exemplo: borboletas e larvas da couve. As lagartas verdes, com riscas plidas nas costas. Encaracolam-se quando andam, formando um pequeno arco. Comem folhas de toda a famlia das couves.

    2. Gorgulhos* (Curculionidae) Exemplo: gorgulho vegetal. Tipicamente com 10 mm de comprimento, cinzento acastanhado. Fazem buracos nas folhas, nas razes de vegetais e nos topos das plantas. Alimentam-se noite e abrigam-se no solo durante o dia.

    3. Lesmas e caracis* (Moluscos Stylommatophora) Escorregadios e de corpo mole. O caracol tem uma concha, a lesma no. Deixam um rasto prateado. Comem as folhas e os rebentos.

    SugadoresSe as plantas estiverem murchas ou atrofiadas, com folhas encaracoladas, amareladas ou destorcidas, ou se houver fumagina nos citrinos, deve-se procurar por afdios, scale, cochinilhas farinhosas, tripes, gafanhotos ou mosca branca.

    4. Afdios* (Aphididae) Insetos pequenos, amarelados ou cinzentos/pretos, com cerca de 2 a 5 mm de comprimento. Sugam a seiva das plantas a partir das folhas, rebentos, caules e vagens de plantas, rvores de fruta e cereais, e deixam uma secreo pegajosa. Atacam as famlias dos feijes e couves.

    5. Mosca branca* (Aleyrodidae) Exemplo: Mosca branca dos citrinos. Insetos minsculos, como afdios com asas. Parecem-se com scale por baixa das folhas e voam em nuvens se perturbados. Sugam a seiva das plantas.

    6. Insetos-escama, cochinilhas-farinhentas* (Coccidae) As escamas ou lapinhas so ovais, azuis/vermelho, encerados. Sugam a seiva das plantas a partir dos seus caules, folhas e razes. As cochinilhas farinhentas so pragas pequenas brancas e felpudas que se encontram por baixo das plantas.

    7. Insetos-de-escudo, percevejos-fedorentos** (Pentatomidae) Exemplo: percevejo-fedorento. Verdes brilhantes, 12 mm, em forma de escudo, produzem mau cheiro quando esmagados ou perturbados. Deixam manchas na fruta e vagens deformadas.

    8. Cigarrinhas** (Cicadellidae) Exemplo: Cigarrinha-verde. Cabea larga, asas transparentes, com 5 mm de comprimento, por vezes com cores brilhantes. Voam em nuvens se perturbadas. Sugam a seiva por baixo das folhas e deixam reas manchadas e branqueadas.

  • 203

    NOTAS DE HORTICULTURA ANEXO

    PROBLEMAS DAS PLANTAS

    Nem sempre fcil dizer se uma planta est a sofrer devido a uma doena, falta de gua ou nutrientes ou pragas, uma vez que um nico sintoma (murchar) pode ser sinal de qualquer um destes fatores. Mas alguns sintomas so mais especficos.

    Sintomas CuraDoena Marcas de mosaico Murchido

    Podrido MurchidoFolhas enroladas Escorrer seivaEstrias amarelas e vermelhasFolhas descoloradas PintasManchas pretas com bordas amarelasP nas folhas

    Destruir Queimar as plantas infetadas e comear de novo.Usar sementes novas.Plantar noutro localDeixar o canteiro secar antes de plantar novamente.

    Dieta Falta de azoto- Veios amarelos nas folhas- Crescimento atrofiado- Folhas plidas- Colorao vermelha- Plantas vizinhas com o mesmo problemaFalta de potssio- As bordas das folhas tm um ar

    chamuscado- Manchas castanhas entre os veios das

    folhasFalta de fsforo- Folhas ou caules roxos

    Nutrir

    Para todos os problemas, adicionar composto, cobrir o solo e fazer rotao das plantas.

    Para o azoto, adicionar composto, adubo verde e leguminosas.

    Para o potssio, adicionar cinza de madeira ou casca de rvores.

    Para o fsforo, adicionar estrume de galinha ou ossos de animais ao composto.

    gua PoucaMurcharPontas das folhas queimadasAtrofiarFolhas amarelas

    DemasiadaMurcharAmarelarApodrecimento das razesApodrecimento dos caules

    Regar ou Drenar

    Regar regularmente ou drenar o canteiro.

    Pragas Insetos sugadores Insetos em folhasSecrees peganhentas Insetos em folhasFolhas ou frutas secas, plidas ou castanhas

    Insetos mastigadoresBuracosArestas danificadas

    Apanhar, limpar, armadilhar, pulverizar!Apanhar mo as lagartas, lesmas, caracis, escaravelhos procurar esconderijos.Limpar mosca branca, escamas e cochinilhas mo.Armadilhar mosca branca com armadilhas pegajosas. Barrar carto amarelo com vaselina. As moscas brancas gostam do amarelo. Para as lesmas a armadilha pode ser um recipiente enterrado at meio com cerveja ou leite ou cinza/serradura volta das plantas.Pulverizar com pesticidas naturais ou p de cinza de madeira ou farinha. Pulverizar por baixo das folhas tambm. Polcia das pragas. Deixar os patos e as galinhas solta. Trazer joaninhas, encorajar os sapos e lagartos.

  • 204

    ANEXO NOTAS DE HORTICULTURA

    PLANTAR E TRANSPLANTAR

    Semear em grandes canteiros ou diretamente no solo Deve-se preparar o solo removendo pedras, buracos e razes. As sementes devem ser semeadas a uma distncia que permita a coexistncia das plantas

    quando tiverem atingido o seu tamanho mximo. Usar fios para marcar as linhas e paus para servirem de medidas para as distncias entre plantas. Fazer sulcos com uma profundidade trs vezes maior que o dimetro da semente.

    Adicionar um bocadinho de composto e colocar as sementes.

    Cobrir as sementes e pressionar. Regar cuidadosamente e manter

    hmido. Proteger as sementes do sol, chuva e

    predadores cobrindo o solo.

    Sementes pequenasPrecisam de ser semeadas em viveiros protegidos desbastadas e depois plantadas. Os viveiros de sementes podem ser:

    Caixas, tabuleiros, sacos com buracos para drenarem. Estes so facilmente movidos. Um canteiro elevado sombreado e com proteo dos predadores. Tabuleiros de sementes com compartimentos reutilizveis. Transplantar os germinados

    com o seu torro de solo protege as sementes.Um tabuleiro de sementes na sala de aula bom para estudar. Pode-se cobrir o tabuleiro com um pano hmido at as sementes germinarem.

    PreparaoPreparar um canteiro de solo rico, sem buracos, paus ou pedras. Retirar as ervas e aplanar com uma tbua. Preparar uma estrutura para sombrear o canteiro e proteg-lo do sol e da chuva. Proteger o canteiro de sementes dos predadores.SemearMisturar as sementes com solo ou areia fino. Fazer sulcos no solo com alguns cm de profundidade e cerca de 15 cm de distncia. Espalhar as sementes e cobrir levemente. Regar bem, mas no inundar. Etiquetar as filas.

    CrescerRegar cuidadosamente duas vezes por dia de manh e noite. Quando as plntulas aparecem, deve-se cobrir o solo para mant-lo fresco e hmido e reduzir a competio.

  • 205

    NOTAS DE HORTICULTURA ANEXO

    PROTEGER A HORTA

    As formas de proteger o jardim devem ter em considerao os predadores animais mais comuns no local, o seu nmero e tamanho, o que que eles vo atacar e como se movem (voam, rastejam, escavam, saltam). Medidas locais so habitualmente as mais econmicas e eficazes porque fazem uso dos materiais disponveis.

    Algumas medidas protetoras so: Paredes feitas de tijolo, beto ou terra so fortes,

    mas requerem muito trabalho. necessrio fazer fundaes para evitar que os animais escavadores consigam passar. Muros de pedra seca precisam de manuteno permanente. Paredes de taipa so fceis de fazer, mas precisam de telhas por cima para a gua no se infiltrar.

    Vedaes feitas de ramos de arbustos, vime ou bambo so leves e fceis de manusear, mas precisam de ser renovados todos os anos. Vedaes mais permanentes, de arame e com postes de cimento, devem ser enterradas meio metro para impedir a passagem dos escavadores. Uma vedao eltrica a energia solar afasta animais grandes.

    Sebes vivas afastam os animais grandes. Pode-se usar plantas com espinhos ou que formem uma estrutura espessa. Algumas tambm do frutos.

    Redes so dispendiosas e tomam algum tempo, mas so eficazes, afastando pssaros, animais e insetos da fruta.

    Espantalhos (metal brilhante ou fitas de plstico) so divertidos para as crianas, que podem assim observar, desenhar e contar histrias sobre eles.

    Ao nvel da raiz, mini-cercas, paus ou espinhos protegem as plantas jovens. Cobrir com ramos secos ou paus afasta galinhas e pssaros. As galinhas so muito benficas para a horta porque raramente destroem as plantas, arejam o solo escavando e ajudam a controlar pragas. As tagetes (cravos pnicos) podem ser plantadas como mini vedaes volta das plntulas.

    Fortalecer e desbastarQuando os rebentos tiverem duas folhas. Fortalecer durante dez dias com sol todos os dias. Quando tiverem cerca de 8 cm, desbastar para ficarem afastados cerca de 5 cm, cortando com uma tesoura ao nvel do solo.Transplantar/plantarTransplantar quando est fresco para canteiros elevados. Marcar as linhas e os buracos. Escolher as plantas fortes, retir-las com um bocadinho de solo e manter as razes intactas. Plant-las em buracos, encher com solo, regar de seguida e cobrir o solo volta das plantas.

  • 206

    ANEXO NOTAS DE HORTICULTURA

    Mtodos de irrigao de plantas Inundar o canteiro em locais secos podem-se fazer canteiros cavados, para que

    mantenham a gua. Irrigao gota a gota usar uma mangueira furada. Regar mo com um regador ou uma garrafa de plstico com furos. Fazer armadilhas para a gua isto , manter a gua num local cavando uma caldeira

    volta da planta. Regar as plantas individualmente com recipientes enterrados, que libertam gua

    lentamente.

    GESTO DA GUA

    IRRIGAO

    LANCHES E BEBIDAS DO JARDIM

    Alguns aperitivosFruta, cana de acar, batata doce, cenouras, aipo, maaroca, bolos e arroz, frutos secos, sementes de girassol, feijes e ervilhas jovens e crus, germinados de alfafa, cevada, trigo, feijes, abbora, pipocas.

    Algumas bebidasSumos de fruta e de vegetais, chs de ervas.

    Para zonas e estaes hmidas: Cavar buracos e canais para drenar a

    gua. Adicionar composto para drenar solos

    calcrios. Plantar plantas que gostam de gua. Proteger as plantas jovens da chuva

    forte. Ter plantas trepadeiras em vasos. No cobrir demasiado o solo.

    Para zonas e estaes secas: Usar guas cinzentas da lavagem. Recolher gua da chuva atravs de

    canais e cisternas. Ter as colheitas prximas da gua. Prevenir o escoamento de gua

    colocar os canteiros ao longo das curvas de nvel e plantar vedaes.

    Conservao de gua usar um sistema de rega gota a gota, e no um aspersor.

    Sombrear as plantas jovens. Remover as ervas que podem competir

    pela gua. Ter culturas apropriadas aos climas

    secos (feijo mongo, beringela, manga, amendoim, quiabo).

  • 207

    NOTAS DE HORTICULTURA ANEXO

    ERVAS DANINHAS

    As ervas s so prejudiciais se ameaarem as colheitas. Algumas ervas atraem pragas como afdios e podem retirar luminosidade s colheitas, gua e nutrientes, mas outras atraem insetos benficos como abelhas e borboletas. E outras tornam o solo mais rico em azoto. Aqui ficam alguns elementos para uma preveno biolgica das ervas:

    Prevenir o crescimento de ervas preenchendo o espao entre plantas com cobertura do solo ou vegetais rastejantes ou rasteiros (por exemplo abboras, batatas doces e outras). Criar sombra atravs de culturas intercaladas.

    Remover ervas quando o solo est hmido. Tentar apanh-las quando so pequenas ou pelo menos antes de darem semente. Evitar o herbicida: pode matar insetos benficos e plantas, envenena o solo e pode fazer mal s crianas.

    Usar as ervas como cobertura do solo ou composto (se no estiverem com sementes).

    Deixar um canteiro com ervas que do flores para atrair os insetos benficos.

    Conselhos para a irrigao Regar cuidadosamente as sementes e

    plntulas. No derrubar plantas ao regar em

    excesso. Se for necessria muita gua, melhor regar por fases.

    Deve-se regar o solo e no as plantas. Fornecer a gua s razes. Regar as folhas pode prejudicar a planta.

    No deve usar um aspersor porque desperdia gua.

    Deve-se medir a humidade todos os dias com um pau de medida. Quando os primeiros 3 cm esto secos, altura de regar.

    Deve-se regar de manh e noite quando est fresco, para que a gua no evapore. As razes profundas no precisam de gua: deve-se deixar as plantas secarem entre regas,

    para promover o crescimento das razes.

  • 208

    NOTAS

  • 209

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    REFERNCIAS

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  • UMA NUTRIO E UMA EDUCAO ADEQUADAS so fundamentais para o desenvolvimento das crianas e para o seu futuro. No entanto, a realidade que estes dois aspetos essenciais no fazem parte da vida de milhes de crianas...

    O futuro de um pas depende da sua juventude. Contudo, as crianas que vo para a escola com fome no aprendem bem. Apresentam uma baixa atividade fsica, capacidades cognitivas reduzidas e baixa resistncia a infees, por exemplo. O seu desempenho escolar muitas vezes fraco e podem at desistir da escola cedo. A longo prazo, a m nutrio crnica diminui o potencial individual e tem efeitos adversos na produtividade, na remunerao e no desenvolvimento nacional.

    As escolas podem dar um contributo importante para os esforos efetuados por um pas no combate fome e m nutrio, sendo que as hortas escolares podem ajudar a melhorar a nutrio e a educao das crianas e das respetivas famlias, quer em meios rurais, quer em meios urbanos.

    A FAO promove as hortas escolares como uma plataforma de aprendizagem, acima de tudo, mas tambm como um veculo que pode dar origem a uma melhor nutrio, por assim dizer. As escolas so encorajadas a criarem hortas para aprendizagem estas devem ser moderadas no tamanho, para que possam ser facilmente geridas pelos alunos, professores e pais, mas tambm devem permitir a produo de uma boa variedade de vegetais e frutos. E deve ser possvel igualmente criar animais de pequeno porte, como galinhas e coelhos. Os mtodos de produo so simples, para que possam ser facilmente replicados pelos alunos e pais em suas casas.

    Na preparao deste manual, com o objetivo de apoiar os professores, os pais e a comunidade em geral, a FAO juntou experincias e as melhores prticas de iniciativas de hortas escolares em todo o mundo. As aulas esto ligadas aprendizagem prtica na horta sobre a natureza e o ambiente, apresentam os conceitos de produo de alimentos e marketing, implicam a preparao e o processamento de alimentos, e ainda ajudam a tomar decises alimentares saudveis.

    Para mais informaes consultar: http://www.fao.org/nutrition/en/

    A0218Pt/1/05.16