Correio Fraterno - O ? 14 Carta de Irmo pg. 16 15 De Quem Seria? pg. 17 16 ... amor genuno

  • Published on
    08-Nov-2018

  • View
    212

  • Download
    0

Transcript

  • Correio Fraterno

    1

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    CCoorrrreeiioo FFrraatteerrnnoo Correio Fraterno, de Francisco Cndido Xavier, por Espritos Diversos

    nnddiiccee 01 A Mania do Rangel pg. 03 02 Agora o Dia pg. 03 03 Ajuda, Perdoa e Passa pg. 04 04 Ajuda Sempre pg. 05 05 Amor pela Dor pg. 06 06 Ao Companheiro Juvenil pg. 06 07 Ao Entardecer pg. 08 08 Ao Servir pg. 09 09 Apelo a Mocidade Esprita Crist pg. 10 10 Aprendamos Servindo pg. 13 11 Auxilia pg. 13 12 Bem Aventurado Annimo pg. 14 13 Caixa Postal pg. 16 14 Carta de Irmo pg. 16 15 De Quem Seria? pg. 17 16 E Ser pg. 18

  • Correio Fraterno

    2

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    17 Ele Vir pg. 18 18 Enriquece-te Sempre pg. 18 19 Fala Contigo pg. 20 20 Hoje Ainda pg. 21 21 Indagaes a Ns Mesmo pg. 21 22 Irmo pg. 22 23 Mos Fortes e Limpas pg. 22 24 Mocidade e Velhice pg. 23 25 Mudana de Plano pg. 23 26 Na Escola pg. 24 27 Na Leira Divina pg. 25 28 No Digas Somente pg. 25 29 No Invejes pg. 26 30 Nas Lies do Mestre pg. 27 31 No Livro da Alma pg. 28 32 O Divino Encontro pg. 29 33 O Po Espiritual pg. 30 34 O Problema pg. 31 35 O Tempo pg. 32 36 Orao pg. 33 37 Orao do Campo Terrestre ao Semeador.. pg. 33 38 Orao Fraternal pg. 34 39 Oramos pg. 34 40 Outra Vez pg. 34 41 Pgina Mocidade pg. 35 42 Pgina aos Jovens pg. 36 43 Pgina do Moo Esprita Cristo pg. 37 44 Pgina Juvenil pg. 37 45 Palavras aos Companheiros pg. 39 46 Poema da Fraternidade pg. 39 47 Programa pg. 40 48 Propriedade Real pg. 41 49 Recuperao pg. 42 50 Renovao pg. 42 51 Rimas da Fraternidade pg. 43 52 Roteiro Juvenil pg. 43 53 Servindo pg. 44 54 Servir Sempre pg. 45 55 Sexo e Disciplina pg. 46 56 Simpatia pg. 47 57 Somente Hoje pg. 48 58 Teu Servio pg. 48 59 Trio de Amor pg. 49 60 Unio e Amizade pg. 50 61 Virtude pg. 51

  • Correio Fraterno

    3

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    01 - A Mania do Rangel Esprito Hilrio Silva

    Aquilo j era mania. Conquanto esprita esclarecido, Alcindo Rangel cultivava a brincadeira de mau gosto. Introduzia boatos na conversao sria ou articulava silvos agudos, amedrontando companheiros desprevenidos. Vez por outra, depois de caoada, a vtima era constrangida medicao, a fim de se refazer. Nas reunies medinicas, Bernardo, o amigo espiritual que o atendia, freqentemente, no se cansava de aconselhar: - Alcindo, meu irmo, alegria e pilhria so assuntos opostos. Alegria sade espiritual, pilhria desequilbrio vibratrio. Gracejo inconveniente dardo invisvel. Evitemos manej-lo. Piada infeliz pode determinar desastre e morte. Imagine voc, dirigindo um carro, sob a tenso de notcia falsa ou levando um choque, de corpo desgastado pela doena. . . Rangel ouvia as admoestaes, respeitoso e calado, mas prosseguia no antigo vezo. Quando no fantasiava gemidos e clamores, hei-lo a fabricar escorpies e cobras de borracha ou papel, pelo simples prazer de intimidar pessoas e fazer anedotas. Certa feita, o diretor de oficinas veio cham-lo no escritrio para registrar a solicitao de um cliente. Dirigindo-se para o local de atendimento, reconheceu um amigo na presena do homem a quem observava pelas costas. Amaciou o passo, aproximou-se, p ante p, e renteando com ele, pespegou-lhe enorme grito aos ouvidos desavisados. O homem tombou de susto e, com ele caiu no piso um objeto que guardava entre as mos, produzindo forte estampido. Era um revlver que o amigo trazia a conserto. Na queda, a arma disparara a ltima bala que se lhe encravava no pente, alvejando Rangel no trax e obrigando-o a receber socorro imediato da cirurgia, com semanas de aflio e meses de hospital.

    02 - Agora o Dia Jos Tatagiba

    Escuta, meu irmo, agora o dia. Em que a Bno Celeste nos coroa, Convidando tarefa clara e boa De espalhar a alegria.

    Desce do altar caseiro a que te elevas E acende sobre a noite de quem chora Uma rstia de aurora, Adelgaando as trevas...

    Assinala, mais perto, De corao fiel, amigo e atento, O dorido lamento Dos que passam clamando no deserto.

    a misria sem lar vagando alm, A ignorncia, torva e envilecida,

  • Correio Fraterno

    4

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    A criana perdida E o doente cansado sem ningum...

    Desce do pedestal nobre e sublime Em que a glria da f te ilustra o nome, Trazendo o po onde se estenda a fome E a luz de Deus onde corveje o crime.

    Sobre o abismo das lgrimas debrua O corao tranqilo e consolado E encontrars Jesus crucificado Em cada peito humano que solua...

    Em ti que trazes, rtilo e fecundo, O braso do Evangelho na alma ardente Recai o privilgio onipresente De revelar o Cristo sobre o mundo!

    Escuta, meu irmo, agora o dia Em que a Bno Celeste nos coroa, Convidando tarefa clara e boa De espalhar a alegria...

    03 - Ajuda, Perdoa e Passa Casimiro Cunha

    Se algum te fere e apedreja, Lanando-te fel taa, No te detenhas na queixa, Ajuda, perdoa e passa.

    Escrnio? Provocao? Disputa, sombra, arruaa? No te canses de servir... Ajuda, perdoa e passa.

    Se o ridculo te expe aleivosia da praa, Cultiva o bem com fervor, Ajuda, perdoa e passa.

    Quando a aflio te visite Na injria que te ameaa, Trabalha e espera o futuro, Ajuda, perdoa e passa.

    Ante as fogueiras que surgem, Quando o dio sai caa,

  • Correio Fraterno

    5

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    No silncio da orao, Ajuda, perdoa e passa.

    Se a calnia te persegue, Na lama com que te enlaa, Desculpa incessantemente, Ajuda, perdoa e passa.

    O culto da caridade a nossa eterna couraa. Vencendo perturbaes, Ajuda, perdoa e passa.

    Aos obreiros de Evangelho A treva nunca embaraa. Quem segue com Jesus - Cristo Ajuda, perdoa e passa.

    04 Ajuda Sempre Emmanuel

    No desesperes, nas trevas da noite, ainda mesmo quando o frio da adversidade te fira o corao. Foge nuvem que te obscurece o entendimento e escuta as aflies a se alongarem, junto de ti... Percebers os que soluam nas grades da dore da morte, os que gemem nas garras do crime, os que foram mutilados no bero, os que jazem no catre do infortnio e os que choram sem esperana ... Aqui, doentes e velhos abandonados estendem-te as mos que a fome aoita, alm, mes infelizes e crianas sem lar te mostram faces lvidas! ... Por que o desnimo e a desero, quando ainda podes auxiliar? Trazes o corao em chagas abertas, mas possuis mente clara e braos livres. Recorda que uma frase de boa vontade e um sorriso fraterna podem fazer o sol e a paz em muitas vidas. Consola e a consolao se far msica em tua alma. Levanta os cados e sers sustentado. Reparte o teu po com amor e o amor dos outros santificar o po que te alimenta. Atravs das prprias lgrimas, inflama a alegria no peito do semelhante e a alegria que acendes te aquecer o peito glido. Ora no altar da coragem, contemplando as estrelas que fulguram, alm da sombra... Todo nevoeiro chega e passa. Em breves horas, raiar outro dia. E as migalhas do bem que tiveres semeado ser-te-o farta e sublime colheita de luz... Ajuda sem perguntar, ajuda e segue, ajuda sempre... Lembra-te de que o Mestre que procuramos passou na terra, amparando e perdoando, auxiliando e servindo, e nas horas derradeiras de seu apostolado de redeno, aceitou o sacrifcio e a morte na cruz, flagelado e oprimido, mas de braos abertos.

  • Correio Fraterno

    6

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    05 Amor Pela Dor Emmanuel

    Em nome do amor, h quem abandone o santurio domstico, relegando os vnculos da sua redeno a temporrio esquecimento... Em nome do amor, h quem se confie a tragdias passionais, investindo contra o objeto da prpria devoo afetiva, atravs da delinqncia e da morte... Em nome do amor, h quem provoque separao e desespero, portas a dentro do lar, convertendo-o em inferno de lgrimas a quatro paredes... Em nome do amor, h quem menospreze o prprio corpo, arrojando-se a despenhadeiros de remorso e sofrimento, pelo desvo do suicdio... Em nome do amor, h crianas desamparadas, velhinhos sem teto, doentes sitiados em rudes privaes, e almas feridas entre pesadelos e aflies irremediveis... Entretanto, semelhantes delitos, em nome da luz que equilibra o Universo, so perpetrados pela violncia e pelo cime, pela cegueira e pela incompreenso do egosmo - o apego desvairado a ns mesmos - , em cuja concha de trevas habitualmente nos ocultamos, fugindo excelsitude do amor genuno pelo amor de sofrer. Aceitemos a luta por instrutora de nossa existncia, como quem sabe que nada existe sem preo. Adquiramos o tesouro do amor pelo aproveitamento da dor. Recebamos as lies da renncia e o prprio sacrifcio por jorros de claridade celeste, nas sombras de nosso "eu", e, aprendendo que mais vale dar que receber, o amor transformar a face de nossos destinos, porque tomar nosso corao por trono de sua glria e, ensinando-nos a entender e ajudar a todos, far de nossa vida o santurio resplandecente e sublime da Vontade Justa e Misericordiosa de Deus.

    06 Ao Companheiro Juvenil Irmo X

    Meu Filho: Integrado numa agremiao juvenil de Espiritismo Cristo, voc, confiadamente, pede esclarecimentos e diretrizes. Sinto-me, contudo, embaraado para faz-lo. Que trabalhador de nossa estirpe estar bastante habilitado para aconselhar com segurana? quem no ter infantilidades no corao? Mas se voc est realmente comungando os ideais da Doutrina que nos preciosa, nela prpria voc encontrar o roteiro de que necessita. O Espiritismo, descerrando a pesada cortina que velava, at agora, os segredos do tmulo, no somente a academia santificante de sbios e heris, mas tambm a escola abenoada de pais e mes, pensadores e artistas, condutores e artfices, formando missionrios do bem e do progresso. Atendendo-lhe aos ensinamentos, poder galgar mltiplos degraus da sublime ascenso. Entretanto, pssaro embriagado de liberdade, ante o horizonte infinito, voc poder comprometer o trabalho do prprio burilamento espiritual, se no souber manejar, simultaneamente, as asas do entusiasmo e da prudncia. Nesse sentido, se algo posso rogar a voc, no menospreze a experincia dos mais velhos. J sei a qualidade de suam objees.

  • Correio Fraterno

    7

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    "Nem sempre os maduros so os melhores - dir em suas reflexes sem palavras - ; tenho visto velhos desprezveis, viciados e portadores de maus exemplos." No julguemos apressadamente. Considere que os pioneiros da luta, encontrados por voc, no grande caminho da vida, talvez no tenham recebido as oportunidades que brilham em suas mos. Ainda que lhe paream inconsistentes ou contraditrios, duros ou exigentes, oua, com respeito e serenidade, o que digam ou ensinem. Que seria de ns, sem o esforo de quem nos antecede? Invariavelmente, aprendemos alguma coisa de til ou de belo, alicerando-nos na lio de quem lutou, antes de ns. Acima de tudo, lembre-se de que fomos chamados para ajudar. Velhos e novos j possuem crticos em excesso. O mundo est repleto de espinheiros e raras criaturas aparecem dispostas ao cultivo do bom gro possvel no possa concordar com os mais velhos em certas particularidades da experincia comum ; no entanto, o silncio o melhor remdio onde no podemos auxiliar. Se voc tambm, vergntea promissora, pretende adquirir os defeitos dos galhos decadentes, confiando-se aos vermes do sarcasmo ou da rebelio, que ser do tronco venervel da vida? Em todos os climas, o nosso concurso ativo, na extenso do bem, o servio mais aprecivel que podemos prestar Humanidade e ao Mundo. E, alm disso, saiba que a existncia na Terra se assemelha a travessia de longa avenida, onde os transeuntes ocupam lugares diferentes, no espao e no tempo. Hoje, voc comea a palmilh-la ; todavia, dentro de algum tempo, atingir a posio dos que j amadureceram na jornada, exibindo alteraes na carne e carregando diferentes impulsos no corao. Cultive a afabilidade com todos e no olvide que a Lei lhe restituir o que voc houver semeado. No inveje a prosperidade dos homens inescrupulosos e indiferentes. A iluso temporria pode ser dos mpios; contudo, a verdadeira paz patrimnio dos simples e dos bons... Estude e trabalhe, incessantemente. O estudo favorece o crescimento espiritual. O trabalho confere grandeza. Conseguir voc ostentar os mais belos ttulos na galeria dos jovens espiritualistas, mas, se foge ao livro e observao e se lhe desagradam o servio e a disciplina, no passar de um menino irrequieto e desarvorado, para quem os dias reservam amargos ensinamentos. Quanto ao mais, se voc deseja partilhar, com sinceridade, a experincia crist, comece a viver, entre as paredes de sua prpria casa, segundo os princpios sublimes que abraou com Jesus. Quem puder fazer a boa vizinhana com os parentes consangneos ou souber merecer o apoio legtimo dos amigos e conhecidos, ter conquistado elogiveis habilitaes, no campo da vida. Mas se voc tambm est conversando no bem, com receio de pratic-lo, gastando o tesouro do tempo, em vo, prepare-se, convenientemente, para receber dos jovens de amanha a mesma desconfiana e a mesma ironia com que so tratados os velhos menos felizes de hoje.

  • Correio Fraterno

    8

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    07 Ao Entardecer Alma Eros

    Mais tarde, servo que descansas, Quando a sombra, envolver-te os olhos fatigados, A noo do tempo crescer em tua alma E o senhor da vinha Dir-te- do monte da conscincia: - Que fizeste da tua luz? Onde guardaste os raios do Sol, As gotas do orvalho, As sementes divinas, O arado amigo e realizador? Que fizeste do meio-dia rutilante Onde deixaste Os rebentos novos, As febres opulentas, Os frutos generosos A ddiva do suor? Contemplars as mos vazias, Suportars o corao tocado de remorso E dirs, em obedincia Ao antigo hbito de enganar a ti mesmo: - O Sol causticante crestou a terra do meu campo, Chuvas copiosas trouxeram imensas inundaes... Vermes invasores destruram a erva tenra, Serpentes venenosas atacavam-me os ps. Aos espinheiros que se erguiam acima do solo Respondiam pedras em baixo, Anulando-me a tarefa... Se surgiam alguns brotos na encosta, A Lama descia clere... Se rebentos humildes vinham plancie, Os detritos da serra Formavam pntanos implacveis Aniquilando-me a sementeira. Que poderia fazer, ento, Se todas os perigos da Natureza congregavam-se contra mim? O Senhor da Vinha, porm, Ouvir complacente E, antes de tornar Ao seu prprio trabalho, No campo universal e infinito dos sculos, Responder:

  • Correio Fraterno

    9

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    - No te queixes. O Sol causticante, A chuva torrencial os vermes e as serpentes, OS espinhos e as pedras, A Lama e o pntano, Eram as ferramentas que te dei... Mas... espera! Outro dia vir!... Tentars justificar-te, inda uma vez; Todavia, O ltimo raio de Sol desperdir-se- do cu E o rosto do Senhor Desaparecer no grande silncio. E ento errars de vale em vale, de montanha em montanha, Sangrando o corao sob rspido aoite, Angustiado e sozinho, Porque no teu caminho Reinar, longo tempo, enorme e espessa noite!...

    08 Ao Servir Casimiro Cunha

    Na sementeira do bem, Nas linhas da compaixo, No te limites a dar Remdio, agasalho e po. Ergue a mensagem fraterna Da bondade e da esperana E espalha primeiramente As bnos da confiana. Ajuda com discrio, No te comportes a esmo. A chaga dos semelhantes Podia estar em ti mesmo. Recolhe a criana em sombra, Relegada ao desalinho, Qual se tivesse nos braos O corpo do teu filhinho. Escuta os velhos da estrada

  • Correio Fraterno

    10

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Que, por tristes, sofrem mais, Como se ouvisses pulsando O corao de seus pais. Junto a qualquer sofredor, Em vez de lamentao, Estende amor e alegria, Que ele sempre nosso irmo. Todos somos uns dos outros, Toda Terra nosso lar. S como o raio de sol Que ajuda sem perguntar. No ampares reprovando... Toda a malcia cruel. Socorro com reprimenda po recheado a fel. Semeia luz no teu campo... No durmas em teu arado... Seguimos, perante Deis, Todos juntos, lado a lado. Se atendes caridade, No te esqueas, cada dia, Que preciso servir sempre Como Jesus serviria.

    09 Apelo a Mocidade Esprita Crist Castro Alves

    Mocidade, o Espiritismo Mensagem de luz ao povo Descortina um mundo novo, Guardado na tua mo. Combate as sombras do abismo, Exala o amor que te eleva, Desata os grilhes de treva Da moderna escravido. Ausculta o horror do orbe aflito! Nos campos de toda a Terra, Vagueia o drago da guerra Em tremenda saturnal... Vem das angstias do Egito,

  • Correio Fraterno

    11

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Dos tormentos da Caldeia, Empanando o sol da Idia, Brandindo clava infernal. Ergueu sobre a Assria forte O chamejante estandarte, Espalhando em toda a parte Incndio devastador. Trouxe Prsia - runa e morte, Da Grcia - extinguiu a vida, Deixando Roma cada Num lago de sangue e dor. Mas, alm do monstro hirsuto Que nos recorda a caverna, A ignorncia governa Prostbulos e canhes. A preguia vive em luto, dio torvo prevalece Nos males de toda espcie, Enlouquecendo milhes. Negro vicio multiforme Que de prpura se veste, Atormenta, mais que a peste, Mendigos, ministros, reis... Mas a verdade no dorme E abrindo sulco profundo, Desdobrar sobre o mundo Novos tempos, novas leis. Juventude, a nova era J resplende no horizonte, Move os braos, ergue a fronte No servio varonil!... Ama, cr, trabalha e espera, Proclama a f que te invade, Cantando a Fraternidade Ao claro cu do Brasil. Soldados do Cristo augusto, Tercemos armas da crena, Detendo por recompensa O divino dom de amar. O Salvador, brando e justo, Para as glrias do porvir,

  • Correio Fraterno

    12

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Elege a senha - servir! E manda a vida - marchar! Sigamos, vanguarda afora, De corao descoberto, Contemplando de mais perto A Fonte da Eterna Luz. Acendamos nova aurora Na noite que envolve o Templo, Seguindo o sublime exemplo Do Mestre Sbio da Cruz. Choraram trezentos anos, Nos circos da f crist. Combatem ao nosso lado, Sem fuzis conquistadores, Espritos benfeitores Buscando a paz de amanh... Ei-los! - voltam do passado! So mil gnios sobre-humanos, Trazem flgidas bandeiras, Entoam hinos felizes, Bendizendo cicatrizes - Santificados heris!... Atravessaram fogueiras, Serviram a Deus, de rastros, Volvem, hoje, de outros astros - Sis brilhando noutros sis! Mocidade, o Espiritismo - Mensagem de luz ao povo - Descortina um mundo novo Guardado na tua mo. Combate as sombras do abismo, Exala o amor que te eleva, Desata os grilhes de treva Da moderna escravido.

  • Correio Fraterno

    13

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    10 Aprendamos Servindo Emmanuel

    Onde estiveres, faze claridade em ti mesmo, para que a treva desa de nvel. S a luz desintegrar na Terra as cristalizaes da sombra, em que a ignorncia e a penria tecem ninho inquietao e ao sofrimento. No te encarceres, porm, na feio unilateral do grande problema. Educao, em boa sntese, luz que circula vitoriosa do sentimento ao raciocnio, sustentando o equilbrio entre o crebro e o corao. A cincia constri a medicina. A compreenso humana faz o mdico As letras erguem o magistrio. A consagrao ao ensino gera o professor. A tcnica estende os patrimnios da indstria. O devotamento ao trabalho levanta os missionrios do progresso. A teologia plasma a religio. As virtudes da f realmente vividas erigem o pastor. A universidade lavra diplomas. A escola do exemplo, nos testemunhos de elevao dentro da luta cotidiana, forma os verdadeiros servidores do mundo. No prescindimos da instruo. Mas no honraremos o pensamento claro e nobre sem o acrisolamento espiritual. A idia esclarece. O sentimento cria. A palavra edifica. O exemplo arrasta. por isso que Jesus, exalando a sabedoria, no olvidou a prtica do amor. Aprendamos servindo. Essa a nica frmula capaz de reunir-nos ao Mestre que procuramos. Muitos possuem ouro e prata... Muitos detm a cultura... Muitos guardam a bondade... Muitos dispem do poder... Mas se no sabem acender a luz em si prprios, riqueza e inteligncia, afetividade e dominao, no lhes servem, por vezes, seno por vasto pedregulho no campo da experincia. Entesoura no crebro a cincia que te ilumine, mas inflama de amor o corao que te pulsa no peito, porque somente assim fars da prpria vida a estrela de servio e de f, guiando-te a alma em triunfo para alm das sombras que enxameiam nos vales da provao e da morte.

    11 Auxilia Andr Luiz

    No olvides a lei da cooperao, a fim de que a caridade, por estrela de amor, fulgure nos cus de teu destino. Auxilia a terra seca e amanh no te faltar o celeiro farto. Auxilia a fonte amiga e a gua pura te regenerara a sade orgnica. Auxilia a criana e clarears o futuro.

  • Correio Fraterno

    14

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Auxilia o ancio desamparado e colhers um tesouro de bnos. Auxilia o aflito e a esperana te coroar a viso da justia. Auxilia o faminto e acrescentars o prprio reconforto. Auxilia o companheiro da peregrinao em que te encontras e a fraternidade te proteger, generosa. Dispes do consolo das horas... Dispes da palavra fcil... Dispes de mos diligentes... Dispes de movimentos livres... E, sobretudo, dispes do conhecimento evanglico a enriquecer-te a inteligncia... No te percas, assim, na provncia torturada dos momentos perdidos. Recorda que o relgio humano, agora ou depois, dir das oportunidades preciosas que recebeste... Auxilia, pois, enquanto tempo, ajudando, compreendendo, servindo, perdoando, construindo para o bem e amando, cada vez mais, na certeza de que o auxlio prestado desinteressadamente aos outros, nas lutas da Terra, investimento de paz e vitria, felicidade e luz, para a glria do Cu.

    12 Bem Aventurado Annimo Alma Eros

    Bem-aventurado annimo Ningum, te viu a mo vigilante e sbia Quando semeavas a leira escura Para que todos tivessem po, Nem te observou o esforo enorme, Quando abrias caminho gua distante Para que a sede no aniquilasse os homens da Terra! Olhos humanos no te fixaram, Quando levantaste o companheiro abatido, Quando suportastes os espinhos dos maus, Chorando em silncio para, que outrem no chorasse. Gastaste muitos anos, Tecendo ninhos para as alheias asas, Levantando palcios fulgurantes Que jamais te acolheriam... De mos votadas Ao labor mais humilde, Traastes roteiros Dentro dia Natureza agreste, Ergueste cidades e parques Para a alegria de todos.

  • Correio Fraterno

    15

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Ningum te conheceu, nem louvou... E quase todos Que se rejubilaram nos benefcios, Atravs de teu amor, Acreditaram que te bastavam As moedas que lhes sobravam na bolsa E esqueceram-te para sempre. Entretanto, Observas, mudo, Que os grandes arautos do morticnio Eram anunciados com rudo No caminho das naes... Muitos dos que destruram as obras do bem E os que falsearam a verdade Eram incensados no galarim de fama, Por milho de vozes sedentas de poder!... Bem aventurado annimo! Bem aventurado annimo, E quando a morte chegou A gratido terrestre no veio socorrer-te, Ningum apareceu para enxugar-te o pranto. Para os irmos que te deviam No passava teu nome de palavra sem eco... Somente a caridade Envolveu-te em seu manto... Mas, trabalhador desconhecido! Para teus ouvidos venturosos, Soou, na imensido dos cus, A frase inesquecvel : - Vem a mim servo bom e fiel! Num transporte de jbilo indizvel, Reconheceste, ento, A grandeza das vidas pequeninas, A glria das tarefas obscuras, Descobriste a ti mesmo nas alturas,e, atravessando as amplides divinas, Abenoastes os dias teus, A luz do Grande Annimo que Deus.

  • Correio Fraterno

    16

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    13 Caixa Postal Emmanuel

    Da passagem do tempo, este livro despretensioso surge feio de caixa postal no correio fraterno da Espiritualidade. Escritas nas mais diferentes ocasies, aqui se renem mensagens de esperana e consolo, instruo e paz, com indicao seguram e rumo certo. Apelos mocidade. Avisos madureza. Apontamentos dedicados a grupos de servio. Anotaes para o lar. Temas de reconforto. Convites ao bom nimo. Pensamentos de apoio. Exortaes coragem. Diretrizes de elevao. Roteiros de atividade. Palavras de f. Notcias da Vida Maior. Textos de Alegria. Missivas de entendimento. Idias calmantes. Concluses renovadoras. Legenda socorreu. Oferecendo estas pginas aos leitores amigos, com endereo exato - j que alimentamos a aspirao de distribu-las com os irmos de boa-vontade -, formulamos votos para que o nosso correio de fraternidade possa converter-se, para ns, os companheiros desencarnados, numa bno de trabalho, a expressar-se, na Seara do Cristo de Deus, em boas-novas de amor e luz.

    14 Carta de Irmo Casimiro Cunha

    Meu amigo, se procuras A Nova Revelao, No menosprezes na Terra, A prpria renovao. Curiosidade caminho, Mas a f que permanece construo luminosa Que s o trabalho oferece. A dvida honesta e nobre Tem a sua recompensa, Mas, sem auxlio a ti mesmo, No ters a luz da crena.

  • Correio Fraterno

    17

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Conheo-te as aflies, As ansiedades, as dores... E reconheo-te a fuga Nos planos exteriores.

    15 De Quem Seria? Manoel Monteiro

    Afinal, meus irmos, de quem seria o crime? Daquele, cujo brao imps a morte Ao corao de algum? Ou desse mesmo corao cado, Que inerte e mudo agora se mantm?

    A quem se atiraria a mancha em rosto? vtima tombada? Ao verdugo suposto? Ou ser que outro algum o verdadeiro autor dessa agonia alheia, Escondido na sombra, feio de uma aranha em sua prpria teia?

    Compreendido, porm, Que o crime sempre nasce De uma idia feroz, Quem teria pensado nele antes? Os outros? Talvez ns?

    Que lhe teria dado a forma de comeo Na roupagem de alguma frase louca? O inimigo, o vizinho, o companheiro Ou ns mesmos com a nossa prpria boca?

    De permeio incerteza e insegurana, Sem que se saiba, ao certo, onde a culpa nascida, Transformemos o amor numa fonte perene Que dissipe na Terra as angstias da vida.

    E se algum surge em falta, Recordemos Jesus, onde a censura medra: - Aquele que estiver sem sombra de pecado, Lance a primeira pedra.

  • Correio Fraterno

    18

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    16 Ser Casimiro Cunha

    Meu amigo, em cada golpe Da luta que nos reclama, A divisa em toda parte sempre: "perdoa e ama".

    Perante qualquer assunto Do mundo que nos magoa, A legenda, cada dia, Ser sempre: "ama e perdoa".

    frente de toda injria, Em forma de pedra e lama, A frmula do caminho sempre: "perdoa e ama".

    Em toda dificuldade Na f que nos abenoa, A senha, no amor de Cristo, Ser sempre: "perdoa e ama".

    17 Ele Vir Alma Eros

    Espere, meu irmo! No profiras, ainda, A palavra suprema De revolta e de dor... Ruge a, tormenta, em fria? Troveja a clera a peonha envenena, a maldade fulmina.? Conserva a tua bssola divina De otimismo e de amor. frente dos impulsos tumulturios, Paralisa teus ps, Recolhe tuas mos, Pe e serenidade nos teus olhos, Cerra teus lbios no silncio E espera no Senhor!... Ele vir mos prximos instantes E falar, por ti se souberes calar... E onde tua mo inquieta no houver perturbado Far reparaes amorosas e justas.

  • Correio Fraterno

    19

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Converter tua, serenidade No espelho cristalino da verdade, Em que o perseguidor ver-se- tal qual , Em que a calnia, o mal e a ingratido Reconhecer-se-o Para tornar treva de onde vs". Ters alegremente a vitria do bem! Ouve, pois, meu, amigo, Se o momento de dor e de perigo, De negros temporais, Espera! Espera mais! "No recalcitres contra os aguilhes!" O Divino Senhor dos Coraes Tudo sabe na Luz em que governa No Grande Amor da, Majestade Eterna. Ansiedades, angstias, amargores, Cilada dos caminhos tentadores? Oh! tudo passar... No te percas na noite de aflio, Foge revoltou e desesperao, Espera, espera a"da!... Ele vir!

    18 Enriquece-te Sempre Emmanuel

    A, vida no foi criada para a mendicncia. Em toda a parte, a Natureza uma lio viva de magnificncia divina. O rio o tesouro das fontes acumuladas. A colheita o feixe de bnos da fartura. O Sol a riqueza da luz. Mas a fonte cresce para servir sem distino, a espiga incorpora os gros valiosos para sustento da mesa e a claridade solar foco de vida e esplendor para nutrir todas as formas de existncia. Foge da usura, mas no temas a prosperidade. Sabemos que preciso amealhar recursos que se coloquem a servio de nosso aperfeioamento. Enriquece-te de sabedoria, estudando e aprendendo; enriquece-te de amor, praticando a boa vontade para com os que te cercam ; enriquece-te de pacincia, tolerando, com calma, as pedras e os espinhos da estrada, e enriquece-te de qualidades preciosas, aceitando o trabalho de cada dia, que o mundo te impe. Dinheiro que domina sombra congelante das nossas melhores oportunidades de aprimoramento, mas dinheiro dirigido pelo servio e pela caridade veculo de progresso a ascenso.

  • Correio Fraterno

    20

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Imita, pois, a rvore que se enriquece de flores e frutos, para distribuir abastana e alegria, e, cumprindo os nossos deveres de cada hora, no nos esqueamos de que Jesus exemplificou a fraternidade e a cooperao, dando sempre de si mesmo, sem mendigar.

    19 Fala Contigo Eros

    Quando as nuvens do sofrimento Invadirem teu cu mental, No desfaas a sombra em troves e coriscos, Fulminando coraes em derredor... Poderias aniquilar Muitos germes da f, Muitas flores tenras da esperana.

    Buscar o refgio do silncio e medita... E quando a serenidade acolher-te em seu manto. Fala contigo mesmo, Conversa com a tua prpria ira, Pes diante dos olhos sua figura sombria, Dize-lhe que talvez teu irmo Sinta fome de po ou sede de carinho Sem que ningum lhe conhea o herosmo obscuro! Talvez esteja exausto procura das oportunidades que te sorriem desde muito. Incapaz de suportar, por mais tempo, as lutas que lhe parecem interminveis...

    Possivelmente, No iniciou a existncia com os recursos felizes de teu comeo E viver revoltado, entre os espinhos da ignorncia.

    Quem sabe? Dize tua clera. Que o pobrezinho desfavorecido e infeliz, Provavelmente, nunca recebeu Um beijo de me, um carinho de esposa, a ternura de um filho, Um abrao de irmo, o afeto de um amigo, Talvez Esteja perseguido em si mesmo Pelos demnios da inconformao!

    Comunica-lhe tuas impresses fraternais no grande silncio... Tua clera ouvir, chorando de dor E as lgrimas benditas Lavar-lhe-o a tnica negra Que resplandecer de alvura e de beleza...

  • Correio Fraterno

    21

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Em seguida, Voltar ao teu corao, Plenamente transformada. Deixar seus ttulos, seus direitos e honrarias, Esquecer toda ofensa, toda injria, toda dor... Mudar o prprio nome E chamar-se- Compreenso, Compreenso gloriosa e sublime, Filha de Deus, Irm da Humanidade e Serva da Natureza, Para a Vida Imortal...

    20 Hoje Ainda Emmanuel

    No esperes a morte para escolher uma nova existncia. Experimenta agora a renovao. Hoje ainda o problema. Lembra o milagre das horas e ajuda a ti mesmo. H sementeiras de resposta imediata. Hoje ainda, o dever bem cumprido transforma-se em competncia e dignidade, gentileza converte-se em alheia cooperao, bondade conquista melhoria e respeito, renncia atrai simpatia e segurana, silncio ante a leviandade traz a beno da estima, esforo prprio no estudo acumula a riqueza indestrutvel, e disciplina dos impulsos inferiores capitalizao de valores morais... No te prendas idia do futuro. O Cristo, que prometeu amparar-nos at o fim dos sculos, permanece conosco onde surge o trabalho do amor e da educao. Lembra, pois, as virtudes do agora e aprendamos a comear. No olvides que se esperas por Jesus, no socorro daqueles que vm do Cu, Jesus espera por ns na pessoa dos mais necessitados da Terra!... E j que sabes discernir na escolha da luz, afeioa-te ao melhor, desde hoje, para que, amanh, no digas desalentado: - Passei pela presena do Senhor; contudo eu estava cego e no sabia......

    21 Indagaes a Ns Mesmos Andr Luiz

    Que seremos na casa de nossa f, em companhia daqueles que comungam conosco o mesmo ideal e a mesma esperana? Uma fonte cristalina ou um charco pestilento? Um sorriso que ampara ou um soluo que desanima? Uma abelha laboriosa ou um verme roedor? Um raio de luz ou uma nuvem de preocupaes? Um ramo de flores ou um galho de espinhos?

  • Correio Fraterno

    22

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Um manancial de bnos ou um poo de guas estagnadas? Um amigo que compreende e perdoa ou um inquisidor que condena e destri? Um auxiliar devotado ou um expectador inoperante? Um companheiro que estimula as particularidades elogiveis do servio ou um censor contumaz que somente repara imperfeies e defeitos? Um pessimista inveterado ou um irmo da alegria? Um cooperador sincero e abnegado ou um doente espiritual, entrevado no catre dos preconceitos humanos, que deva ser transportado em alheios ombros, feio de problema insolvel? Indaguemos de ns mesmos, quanto nossa atitude na comunidade a que nos ajustamos, e roguemos ao Senhor para que o vaso de nossa alma possa refletir-lhe a Divina Luz.

    22 Irmo Joo de Deus

    Irmo todo aquele que perdoa Setenta vezes sete a dor da ofensa, Para quem no h mal que o bem no vena, Pelas mos da humildade atenta e boa. aquele que de espinhos se coroa Por servir com Jesus sem recompensa, Que tormentos e lgrimas condensa, Por ajudar quem fere e amaldioa. Irmo todo aquele que semeia Consolao e paz na estrada alheia, Espalhando a bondade que ilumina; aquele que na vida transitria Procura, sem descanso, a excelsa glria Da eterna luz na Redeno Divina.

    23 - Mos Fortes e Limpas Andr Luiz

    Meu irmo, minha irm, Ilumina o corao para que o amor seja o lao do cu, a irmanar-te com todas as criaturas. Purifica teus olhos para que os males da peregrinao terrestre no te perturbem a mente. Defende os ouvidos contra as sugestes da ignorncia e da sombra, a fim de que a paz interior no te abandone. Clareia e adoa tua palavra para que teu verbo no acuse e nem fira, ainda mesmo na hora da consagrao da verdade. Conduze teu pensamento a grande compreenso do prximo, ajudando aos que te cercam, tanto quanto desejes ser por eles auxiliados.

  • Correio Fraterno

    23

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Equilibra teus ps no caminho reto sem te precipitares aos abismos que tantas vezes surgem margem de nossa vida, induzindo-nos queda e ao desespero. E, desse modo, ters contigo o tesouro das mos fortes e limpas para abenoar e servir, conduzir e curar, em nome do Senhor.

    24 Mocidade e Velhice Andr Luiz

    Infncia, juventude, madureza e velhice so simples fases da experincia material. A vida essncia divina e a juventude seiva eterna do esprito imperecvel. Mocidade da alma condio de todas as criaturas que receberam com a existncia o aprendizado sublime, em favor da iluminao de si mesmas e que acolheram no trabalho incessante do bem o melhor programa de engrandecimento e ascenso da personalidade. A velhice, pois, como ndice de senilidade improdutiva ou enfermia, constitui, portanto, apenas um estado provisrio da mente que desistiu de aprender e de progredir nos quadros de luta redentora e santificante que o mundo nos oferece. Nesse sentido, h jovens no corpo fsico que revelam avanadas caractersticas de senectude, pela ociosidade e rebeldia a que se confinam, e velhos na indumentria carnal que ressurgem sempre maneira de moos invulnerveis, clareando as tarefas de todos pelo entusiasmo e bondade, valor e alegria com que sabem fortalecer os semelhantes na jornada para a frente. Se a individualidade e o carter no dependem da roupa com que o homem se apresenta na vida social, a varonilidade juvenil e o bom nimo no se acham escravizados roupagem transitria. O jovem de hoje, pelas determinaes biolgicas do Planeta, ser o velho de amanh; e o ancio de agora, pela lei sublime da reencarnao, ser o moo do futuro. Lembramo-nos, porm, de que a Vida imortal, de que o Espiritismo escola ascendente de progresso e sublimao, de que o Evangelho luz eterna, em torno da qual nos cabe dever de estruturar as nossas asas de Sabedoria e de Amor e, num abrao compreensivo de verdadeira fraternidade, no crculo das esperanas, dificuldades e aspiraes que nos identificam uns com os outros, continuemos trabalhando.

    25 Mudana de Plano Emmanuel

    No esperes pela morte do corpo fsico para realizares o servio da prpria elevao. Cada dia oportunidade de ascenso ao melhor. Cada tarefa edificante degrau com que podemos subir s esferas superiores. Todos respiramos em planos distintos e todos podemos alcanar horizontes mais altos. Se te habituaste irritao, cultiva o silncio e a tolerncia, com os quais te desvencilhars dos laos sombrios da clera, penetrando os domnios da luz. Se tens a infelicidade de comprar inimigos, atravs de atitudes impensadas, detm-te na serenidade e aprende a servir aos teus desafetos, alcanando, assim, o reino brilhante da simpatia. Se ainda te debates nos desvos da ignorncia, no te esqueas do esforo na leitura sadia e edificante para a aquisio do conhecimento e da sabedoria.

  • Correio Fraterno

    24

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Se respiras no resvaladouro da queixa, esquece a ociosidade e o desnimo, e, erguendo-te para o trabalho digno, consagra-te ao suor enobrecente, a fim de incorporares ao teu patrimnio espiritual o otimismo, a paz, o bom nimo e a alegria. H milhes de "crculos de vida", dentro de nossa residncia planetria. O verme agarra-se escurido do subsolo. O batrquio mora no charco. A ave plana e canta na altura. A chama envolve-se nas emanaes da luz que irradia. Assim, tambm, cada alma reside na esfera de ideal e pensamento que forma para si mesma. Quem deseje, pois, um mundo melhor pode avanar, pelo trabalho e pela boa-vontade, no roteiro da ascenso, desde hoje.

    26 Na Escola Emmanuel

    A Terra uma grande e abenoada escola, em cujas classes e cursos nos matriculamos, solicitando - quando j possumos a graa do conhecimento - As lies necessrias nossa sublimao. Todas as matrias que constituem o patrimnio do educandrio, se aproveitadas por nossa alma, podem conduzir-nos aos resultados que nos propomos atingir. No existe, porm, ensinamento gratuito para a comunidade dos aprendizes. Cada aquisio tem o preo que lhe corresponde. A provao da riqueza sedutora, mas repleta de perigos cruis. A passagem na pobreza simples e enternecedora; contudo, oferece tentao permanente ao extremo desespero. O estgio na beleza fsica fascinante; entretanto, mostra escuros abismos ao corao desavisado. A demora no poder expressiva; todavia, atrai dificuldades infernais, que podem comprometer-nos o futuro. O ingresso na cultura da inteligncia favorece a posse de verdadeiros tesouros; no entanto, nesse setor, o orgulho e a vaidade representam impertinentes verdugos da alma. A estao de calmaria na vida familiar tempo doce e agradvel ao esprito, mas, a dentro, no osis do carinho, o monstro do egosmo pode enganar-nos o corao. Em qualquer parte onde estiverdes, acordai para o bem!... Recordai que o ouro e a intelectualidade, os ttulos e as honras, as aflies e os sofrimentos, as posses e os privilgios so meros acidentes no longo e abenoado caminho evolutivo. Lembrai-vos de que a vida a eternidade em ascenso e no vos esqueais de que, em qualquer condio, s no cultivo do amor puro conseguireis edificar para a vitoriosa imortalidade.

  • Correio Fraterno

    25

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    27 Na Leira Divina Emmanuel

    No templo do Evangelho, surgem obreiros de variada expresso... Os oportunistas que se fazem negociantes. Os ociosos que se fazem discutidores. Os revoltados que se fazem azedos. Os tristes que se fazem inoperantes. Os maledicentes que se fazem inteis. Os orgulhosos que se fazem negativistas. Os desanimados que se fazem estreis. Os rebeldes que se fazem doentes. Os crticos que se fazem inquisidores. Os vaidosos que se fazem ingratos Todavia, o Celeste Semeador, no santurio de sua bno, conta com os servos infatigveis do amor puro que, a distncia da discrdia e da sombra, se consagram construo da mente melhor para a Vida Melhor. So esses os obreiros que no se fazem isso ou aquilo, mas que fazem a Vontade Divina, para que o Senhor se faa em todos, plasmando a verdadeira felicidade de cada um.

    28 No Digas Somente Emmanuel

    No digas somente que Jesus o Senhor. Aprendamos a obedecer-lhe na conjugao do verbo servir. No proclames apenas que o Senhor o nosso Mestre. Enverguemos por dentro a tnica do discpulo fiel, a fim de segui-lo com humildade. No te limites a pregar que o Mestre o nosso Salvador. Procuremos retribuir, de alguma sorte, o sacrifcio com que nos redimiu, transformando a nossa vida em fraternidade e abnegao. No digas somente que o Evangelho o sol do caminho. Busquemos orientar os prprios passos sua claridade santificante, para que no venhamos a descer novamente ao fundo precipcio de nossos erros. No te circunscrevas a ensinar. Faamos o melhor, ao nosso alcance. No te reduzas a simples veculo das guas vivas da verdade. Sejamos o reservatrio de compreenso e de amor, aptos a estender os dons do Divino Amigo onde estivermos. No afirmes apenas que a bondade deve reger a vida. Sejamos bons, no crculo de experincia a que o presente nos convocou. No basta que a lmpada esteja limpa e bem provida, nem basta que a reserva de combustvel seja farta... indispensvel fazer luz e seguir para a frente, ajudando aos outros no servio a ns mesmos. Jesus no se restringiu aos primores interpretativos da Boa Nova, nem se confinou excelncia verbalista da Lei. Estendeu a prpria alma ao encontro da necessidade humana e fez brilhar a misericrdia divina. No nos detenhamos nas belas palavras.

  • Correio Fraterno

    26

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Faamos da vida o livro ureo do trabalho cristo. Doemos nossos prprios recursos exaltao do bem de todos, sob a inspirao do Mestre que procuramos. Somente assim ser possvel erguer o facho vivo de nossa f, acima do velador de nossas prprias convenincias, atendendo aos padres do Cristo, na conquista de nossa prpria felicidade.

    29 No Invejes Casimiro Cunha

    Perante os quadros do mundo Se a tentao te salteia, No invejes no caminho O fausto da vida alheia. Banquetes, festas, prazeres, E mundanas evidncias So ligeiros artifcios No jogo das aparncias. Registra o velho rifo Na luta que te apoquenta: "Quanto mais amplo o navio Mais ampla surge a tormenta." Comumente, orquestra e flores, Com seda e brilho a granel, Escondem grandes feridas Rasgadas em lodo e fel. A mulher muito enfeitada Muita vez guarda aflio De todo um Vesvio ardendo Nas fibras do corao. O homem que administra No poder a que se eleva Quase sempre traz consigo Tristeza, amargura e treva. Recorda que a vaidade Hoje bela, altiva e forte, Amanh ser jungida Ao frio grilho da morte. No guardes fome de ouro,

  • Correio Fraterno

    27

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    No te esqueas de que a usura Acaba desesperada No gele da sepultura. No acalentes a inveja, Chaga em lama horrenda e informe. Trabalha e serve, lembrando Que a justia nunca dorme Conserva a simplicidade E ajuda sem distino. A glria da caridade filha da compaixo. Suporta com pacincia As dores da prpria cruz. A dor bem aproveitada senda para Jesus.

    30 Nas Lies Do Mestre Alma Eros

    Da aflio de encontrar Todos os lares cerrados, Retirou o Senhor A Luz Divina Da Manjedoura Gloriosa Para a Humanidade inteira; Das dificuldades de Nazar Extraiu a lio do trabalho, Santificadora para todos os homens, Na carpintaria singela; Do dissabor de no ser ouvido Por juzes e sacerdotes, filsofos e doutores, Instruiu pescadores rudes e pobres, Exaltando a humildade em jbilos eternos; Da ausncia de recursos materiais, Com desprezo dos poderosos, Fez o templo da natureza Entre rvores verdes e guas acolhedoras, Ensinando o Evangelho da renovao do mundo; Da angstia dos enfermos,

  • Correio Fraterno

    28

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Dos cegos e paralticos, Que lhe ensopavam o caminho de lgrimas, Comps cnticos de bondade e f, Revelando a compaixo infinita Da ingratido dos beneficirios, Da desero dos companheiros, Articulou ensinamentos de amor Para todos os tempos; Da perseguio e calnia, Da ironia e do apodo, Com que lhe enchiam a solido angustiada e terrvel, Formou testemunhos da confiana completa Na perfeita fidelidade ao Supremo Senhor; Dos insultos e golpes, Das vergastadas e pedradas, Gravou hinos de vitria Com o perdo e a piedade; Por fim, fez da cruz, Oprobriosa e infamante, O caminho da ressurreio para a vida eterna, Iluminando as geraes de todos os sculos!... Se procuras o Cristo soberano, O Mestre e o Salvador, Ouve, aprendiz da redeno divina: - Que fazes da tua dor?

    31 No Livro DAlma Auta de Souza

    Se tens f, no te aflija a noite escura. Ao corao que a lgrima domina, Ele estende, amoroso, a mo divina E abre as portas da paz, risonha e pura.

    Alivia a aspereza da amargura E sobre as trevas de misria e runa Acende nova estrela matutina, Na esperana sublime que perdura.

    Se a crena viva te dirige os passos, Sob a carcia de celestes braos

  • Correio Fraterno

    29

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Recebers o po, a luz, o abrigo...

    Ama a cruz que te ampara e regenera E, envolvendo-te em santa primavera, O Mestre Amado seguir contigo.

    32 O Divino Encontro Alma Eros

    Viajor!... viajor!... No oceano da vida,muita vez tua voz, Misturada de pranto, Clama a Presena Divina... Entretanto, Basta que surja uma ilha sedutora Para que te detenhas muitos anos, No cipoal das sensaes efmeras, De bssola abandonada, De leme esquecido,de navio ancorado em sombras... Descuidado e feliz, Observas, no longe, Terremotos de dor compelindo-te volta ao mar Lembras-te ento de novo, E imploras, angustiado, a Presena Divina... Todavia, Basta que um companheiro te provoque disputa infeliz Para que te projetes na gua turva, Fora da embarcao. Torturado, bracejas, Entre os monstros do abismo, No podes repousar, Seno momentos breves Entre braos de rocha A emergirem do fundo... E aps dias de dor, De sede, fome e sono, Ganhas a praia extensa, - Um deserto areal... Nem rvores, nem fontes, Apenas ervanais Onde a serpente mora,

  • Correio Fraterno

    30

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Aguardando-te os ps. Foges espavorido, Esfarrapado e s, E, quando a ventania Improvisa o sepulcro Que te espera, por fim, De corpo verminado, Apodrecido e nu, Sem bssola, sem nau, Sem ncoras no porto, Sem a voz de ningum Que te console ou guie, Agarras-te f viva E gritas para o Cu: - Senhor! Senhor! Senhor! Ento, e s ento, Sentes no corao Que solua e que ri A Voz, a Grande Voz que te renova o "eu": - No temas, filho meu, Espera!... Estou aqui.

    33 O Po Espiritual Andr Luiz

    O po espiritual, amassado em luz invisvel, alimento do corao constante e durvel. Dado embora em migalhas valor infinito... Semente de sabedoria tornar-se- celeiro farto, Minuto de esclarecimento rasga horizontes eternos, Verbo silencioso criar mundos novos, Toque de f salvar muitas vidas, Bno de amor renovar o estmulo apagado, Gota de consolao amenizar muitas dores, gua da vida fecundar campos mortos, Dom divino sustenta milhares de criaturas, Rstia de esperana erguer desesperados, Ptala da paz elimina incndios da discrdia, Raio de luz descerra caminhos ocultos, Ddiva de compreenso extingue as sombras da ignorncia e do dio. Abenoadas sejam as mos que cooperam Mesa Imperceptvel de Deus, Acrescentando esse po sublime e imperecvel... Distribui-o, em torno de teus passos,

  • Correio Fraterno

    31

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    E semears gloriosos destinos, Desfazendo as trevas em derredor, Arando o cho duro dos coraes cristalizados no mal, Restituindo a viso aos cegos dos vales da morte, Devolvendo alegria aos tristes, Levantando os que tombaram, Socorrendo nufragos, Enriquecendo os pobres de luz, Abrindo portas redentoras, Rompendo muralhas e fronteiras E unindo almas no Grande Amor... Segue, mundo afora, espalhando-lhe as graas, Na certeza de que o Cristo o Po que desceu do Cu!

    34 O Problema Emmanuel

    Em todos os desajustes humanos e em todas as calamidades sociais que atormentam o mundo, imperioso no esquecer que o problema essencial somos ainda ns mesmos. O lar, em verdade, sublime organizao que assegura as bnos da vida, mas se os cnjuges responsveis por seus fundamentos no abraam o sacrifcio, na edificao dos prprios filhos, o instituto domstico ser to somente um asilo de corpos em trnsito para a incessante renovao. O templo obra celeste no cho planetrio objetivando a elevao da criatura; entretanto, se o sacerdote chamado a conduzi-lo no sabe renunciar, a favor dos outros, em vo se erguem altares e se improvisam sermes. O educandrio uma casa de luz nas sombras da Terra; contudo, se o professor trazido a valoriz-lo no sabe sofrer pela felicidade dos aprendizes, debalde enfileirar-se-o monumentos e programas de ensino. O tribunal um santurio para a manifestao da justia; no entanto, se o magistrado que lhe preside as aes no se honra no culto da reta conscincia, inutilmente surgiro leis e processos para a exaltao do equilbrio. O hospital refgio santo destinado ao socorro da Humanidade enfermia, mas se o mdico responsvel por sua manuteno foge ao esprito de servio, sem qualquer proveito aparecero remdios e tratamentos. O campo o celeiro vivo do po que sustenta a mesa; todavia, se o lavrador chamado a sulc-lo deserta do suor e da enxada, com que lhe cabe nutri-lo, em vo o milagre das sementes se repetir sob a inspirao da Divina Bondade, em favor da carncia humana. Em todo problema aflitivo da Terra, portanto, lembremo-nos de que a soluo do progresso e da paz principia em ns, de vez que realmente a ordem de todos e a felicidade felicidade geral, quando a ordem e a felicidade comeam em cada um.

  • Correio Fraterno

    32

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    35 O Tempo Andr Luiz

    Todas as criaturas gozam o tempo - raras aproveitam-no. Corre a oportunidade - espalhando bnos. Arrasta-se o homem - estragando as ddivas recebidas. Cada dia um pas - de vinte e quatro provncias. Cada hora uma provncia - de sessenta unidades. O homem, contudo.o, o semeador - que no despertou ainda. Distrado cultivador - pergunta : "que farei"? E o tempo silencioso responde - com ensejos benditos : De servir - ganhando autoridade. De obedecer - conquistando o mundo. De lutar - escalando os cus. O homem, todavia, - voluntariamente cego, roga sempre mais tempo - para zombar da vida, Porque, se obedece - revolta-se, orgulhoso, Se sofre - injuria e blasfema, Se chamado.o a contas - lavra reclamaes descabidas. Cientistas - fogem da verdadeira cincia. Filsofos - ausentam-se dos prprios ensinos. Religiosos - negam a religio. Administradores - - retiram-se da responsabilidade. Mdicos - subtraem-se Medicina. Literatos - furtam-se divina verdade. Estadistas - centralizam a dominao. Servidores do povo - buscam interesses privados. Lavradores - abandonam a terra. Trabalhadores - escapam do servio. Gozadores temporrios - entronizam iluses. Ao invs de suar no trabalho - apanham borboletas da fantasia. Desfrutam a existncia - assassinando-a em si prprios. Possuem os bens da Terra - acabando possudos. Reclamam liberdade - submetendo-se escravido. Mas chega um dia - porque h sempre um dia mais claro que os outros, Em que a morte - surge - reclamando trapos velhos... O tempo recolhe, ento - apressado - as oportunidades que pareciam sem fim... E o homem reconhece - tardiamente preocupado - Que a Eternidade Infinita - pede conta do minuto.

  • Correio Fraterno

    33

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    36 Orao Albino Teixeira

    Deus de Misericrdia! No nos permitas pedir para fazer aquilo que ainda no podemos, mas fortalece-nos para fazermos todo o bem de que sejamos capazes, principalmente em auxlio dos que ainda no podem compreender e trabalhar tanto quanto ns. E, sobretudo, Pai de Infinita Sabedoria, quando viermos a sentir dificuldade para fazer o que podemos, faze-nos reconhecer que no nos confias tarefa superior s nossas foras e renovamos a certeza de que, se buscarmos estar contigo, nenhuma insuficincia nos abater, de vez que em teu amor tudo possvel.

    37 Orao do Campo Terrestre ao Semeador Juvenil

    Emmanuel Sou a Terra fecunda que o Senhor te confiou esperana... Muitos guerreiam, disputando-me a posse, encharcando-me de sangue e pranto, quando no me transformam em ossurios perdidos nas trevas, enquanto muitos outros, ainda, adormecem, desprevenidos, sobre o meu seio, afirmando-se necessitados e desditosos, quando bastaria me revolvessem com ateno para senhorearem os tesouros que lhes reservo. Sou o campo de trabalho, em que Deus te situou o bero e o lar, o templo e a escola. Guardo comigo as lgrima dos lavradores que me buscaram antes de ti e amealharei teu suor em forma de bnos. No me relegues ao abandono, para que o tempo no escarnea de tua passagem. Agora que o dia alvorece para as tuas mos juvenis, lembra-te de que a glria solar comea ao amanhecer... D-me, assim, teu corao para que eu te d minha vida. No me firas debalde com a lmina do verbo vazio e inoperante. Confia-me as sementes do ideal superior, na tarefa digna a que fomos chamados, e retribuir-te-ei o devotamento com o ouro da experincia e com o valor da lio. Compadece-te do trabalhador que treme na velhice, porque o inverno da carne, amanh, te bater igualmente porta, e ajuda aos companheiros humildes da retaguarda, sem olvidar que o Celeste Semeador, mensageiro das verdades eternas, nasceu na Manjedoura e avanou para a ressurreio, atravs da Cruz. Guia teu arado no bem dos semelhantes e milagres de amor colhers de meu sulco. Livra-me dos vermes da ociosidade e sustentar-te-ei na extino das pragas da misria e da ignorncia. No me condenes erva sufocante da vaidade e do orgulho e dar-te-ei as riquezas da vida simples. Auxilia-me com boa vontade para que eu te sirva sem descanso. Recorda que o esplendor do dia, no mundo, invariavelmente, e cede lugar sombra... Mas, se te consagras ao plantio da luz, a noite surgir para, teus olhos, resplendente de estrelas, anunciando-te o Excelso Despertar.

  • Correio Fraterno

    34

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    38 - Orao Fraternal Emmanuel

    Irmo nosso, que ests na Terra, Glorificada seja tua vontade, em favor do Infinito bem. Trabalha incessantemente pelo Reino Divino, com tua cooperao espontnea. Seja atendida a tua aspirao elevada, com esquecimento de todos os caprichos inferiores. Tanto no lar da Carne, quanto no Templo do Universo. O po nosso de cada dia, que vem do Celeste Celeiro, usa com respeito e divide santamente. Desculpa nossas faltas para contigo, assim como o Eterno Pai tem perdoado nossa dividas em comum. No permitas que a tua existncia se perca pela tentao dos maus pensamentos. Livra-te dos males que procedem do prprio corao. Porque te pertence, agora, a gloriosa oportunidade de elevao para o reino do poder, da justia, da paz da glria e do amor para sempre.

    39 Oramos Emmanuel

    Senhor! No te pedimos a iseno das provas necessrias, mas apelamos para sua misericrdia, a fim de que as nossas foras consigam super-las. No te rogamos a supresso dos problemas que nos afligem a estrada; no entanto, esperamos o apoio do teu amor, para que lhes confiramos a devida soluo com base em nosso prprio esforo. No te solicitamos o afastamento dos adversrios que nos entravam os passos e obscurecem o caminho; todavia, contamos com o teu amparo de modo que aprendamos a acat-los, aproveitando-lhes o concurso. No te imploramos imunidades contra as desiluses que porventura nos firam, mas exortamos o teu auxlio a fim de que lhes aceitemos sem rebeldia a funo edificante e libertadora, No te suplicamos para que se nos livre o corao de penas e lgrimas; contudo, rogamos tua benevolncia para que venhamos a sobre estar-lhes o amargor, assimilando-lhes as lies! Senhor, que saibamos agradecer a tua proteo e a tua bondade nas horas de alegria e de triunfo; entretanto, que nos dias de aflio e de fracasso, possamos sentir conosco a luz de tua vigilncia e de tua beno!..

    40 Outra Vez Casimiro Cunha

    Desculpaste, edificando, Mas, se atreva e a insensatez Voltam de novo a ferir-te, Perdoa e ajuda outra vez.

    Ouviste em prece os agravos doutrina em que mais crs; No entanto, se h mais ofensa,

  • Correio Fraterno

    35

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Perdoa e ajuda outra vez.

    Esqueceste duros golpes Da injria e da rispidez... Todavia, se ressurgem, Perdoa e ajuda outra vez.

    Viste mos das mais queridas, No sonho que se desfez; Contudo, segue adiante... Perdoa e ajuda outra vez.

    Ao lamaal da calnia Em dia algum no te ds. Bendizendo os detratores, Perdoa e ajuda outra vez.

    Se teus pedidos mais justos Somente encontram surdez, Esperando sem revolta, Perdoa e ajuda outra vez.

    Recolhes por teu sorriso Gesto rude e descorts? O tempo tudo transforma; Perdoa e ajuda outra vez.

    Se queres guardar contigo A bno da intrepidez, frente de todo mal, Perdoa e ajuda outra vez.

    Injustiado, no guardes Nem mgoas e nem porqus; Trabalhando alegremente, Perdoa e ajuda outra vez.

    Se almejas fazer migalha Do muito que o Mestre fez, Mesmo entregue cruz da morte Perdoa e ajuda outra vez.

    41 Pgina Mocidade

    Emmanuel Meu filho, guarda o facho resplendente da f por tesouro ntimo, honrando o suor e as lgrimas, a viglia e o sofrimento de quantos passaram no mundo, antes de ti, para que pudesses receber semelhante depsito.

  • Correio Fraterno

    36

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Lembra-te dos que choraram esquecidos no silncio e dos que sangraram de dor, para que ostentasses a tua flama de esperana, e dispe-te a defend-la ainda mesmo com sacrifcio, para que a Terra de amanh surja melhor. A disciplina guardi de tua riqueza interior, como o ideal a chama que te revela o caminho. Nada amarga tanto ao corao que perder a confiana em si prprio, como algum que se arroja s trevas depois de haver possudo a garantia da luz. Segue aprendendo, amando e servindo... Compadece-te dos que se recolheram vala do pessimismo, proferindo maldies contra a vida, que doao e bno de Deus; socorre os que se consideram vencidos margem da estrada, ensinando-lhes que possvel levantar para o recomeo da luta, e respeita, nos cabelos brancos que te precedem, a branda claridade que a experincia acendeu para os lidadores da frente. Dignifica, sobretudo, a responsabilidade em ti mesmo, reconhecendo que o dever a cumprir a Vontade do Senhor que situa, nas criaturas e circunstncias mais prximas de nosso esprito, o servio mais importante que nos compete realizar. No olvides que todos os valores da luz tm adversrios na sombra e que s o trabalho incessante no bem alimenta em nossa alma o gnio da vigilncia, invisvel sentinela de nossa segurana e vitria. Atravessa o dia da existncia, no ingente esforo de fazer o melhor, e, construindo o bem de todos, que ser sempre o nosso maior bem, sentirs na cintilao das estrelas, quando vier a noite, o enternecido beijo do Cu, preparando-te o despertar.

    42 Pgina Aos Jovens Amaral Ornellas

    Filho, recorda o Cristo, em cujas mos a glria Brilha por soberana e imortal cidadela, Para atingir o Amor que a Luz se constela, Alm das aflies da sombra transitria Lembra-Lhe o bero hostil sobre a palha singela, A vida que alterou a Humanidade e a Histria E a morte sobre a cruz transformada em vitria Para a ressurreio renovadora e bela. Estendendo a misso que enaltece e domina, Ei-lo - servo fiel Vontade Divina - Na sublime ascenso, sereno, grande e forte!... Faze , pois, da Humanidade o teu celeste escudo E guardars contigo, a proteger-te em tudo, A fora do Senhor que vence a treva e a morte.

  • Correio Fraterno

    37

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    43 Pgina do Moo Esprita Cristo Emmanuel

    "Ningum despreze a tua mocidade; mas s o exemplo dos fiis na palavra, no trato, na caridade, no esprito, na f e na pureza". Paulo (I Timteo, 4:12) Meu amigo da cristandade juvenil, que ningum te despreze a mocidade. Este conselho no nosso. Foi lanado por Paulo de Tarso, o grande convertido, h dezenove sculos. O apstolo da gentilidade conhecia o teu soberano potencial de grandeza. A sua ltima carta, escrita com as lgrimas quentes do corao angustiado, foi tambm endereada a Timteo, o jovem discpulo que permaneceria no crculo dos testemunhos de sacrifcio pessoal por herdeiro de seus padecimentos e renunciaes. Paulo sabia que o moo o depositrio e realizador do futuro. Em razo disso confiava ao aprendiz a coroa da luta edificante. Que ningum, portanto, te menoscabe a juventude, mas no te esqueas de que o direito, sem o dever, vocbulo vazio. Ningum exija sem dar ajudando e sem ensinar aprendendo sempre. S, pois, em tua escalada do porvir, o exemplo dos mais jovens e dos mais velhos que procuram no Cristo o alvo de suas aspiraes, ideais e sofrimentos. Consagra-te palavra elevada e consoladora. Guarda a bondade e a compreenso no trato com todos os companheiros e situaes que te cercam. Atende caridade que te pede estmulo e paz, harmonia e auxlio para todos. Sublima o teu esprito na glria de servir. Santifica a f viva, confiando no Senhor e em ti mesmo, na lavoura do bem, que deve ser cultivada todos os dias. Conserva a pureza dos teus sentimentos a fim de que o teu amor seja invariavelmente puro, na verdadeira comunho com a Humanidade. Abre as portas de tua alma a tudo o que seja til, nobre, belo e santificante e, de braos devotados ao servio da Boa-Nova,pela Terra regenerada e feliz, sigamos com a vanguarda dos nossos benfeitores ao encontro do Divino Amanh.

    44 Pgina Juvenil Casimiro Cunha

    Mocidade Espiritista, Ergamos a nossa voz. O mundo clama pr Cristo E o Cristo clama pr ns. Sigamos desassombrados, luz do consolado. A luta de cada dia a nossa vinha de amor. Na companhia (companhia) sublime Do amigo Excelso e Imortal,

  • Correio Fraterno

    38

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Ns somos semeadores Da terra espiritual. Marginando-nos a estrada De f risonha e segura, H coraes afogados No pntano da amargura Ao lado das nossas flores De doce deslumbramento, H soluos desvairados De angstia e de sofrimento. Em toda parte, aparecem Deserto, charco, espinheiro... Sejamos braos ativos Do divino Jardineiro. Plantemos alegremente, Sob a f que ns descansa, Bondade, paz, otimismo, Consolao e esperana. Aguardam-nos, vigilantes, Para a glria do trabalho, A imprensa, a tribuna e o livro, A enxada, o tijolo e o malho. Ns desdenhemos servir. Em todas as condies. Espiritismo aplicado sol para os coraes. Estendamos sobre a terra A beno que nos invade, Multiplicando os domnios Da santa fraternidade. Amor que salva e levanta a ordem que nos governa. Na lide em favor de todos, Teremos a vida eterna.

    Mocidade espiritista, Ergamos a nossa voz. O mundo clama pr Cristo E o Cristo clama pr ns.

  • Correio Fraterno

    39

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    45 Palavras Aos Companheiros Emmanuel

    Meu amigo, aprende a semear a luz no solo dos coraes, conduzindo o arado milagroso do amor, para que as sombras da ignorncia abandonem a Terra para sempre. Quando o pntano e o espinheiro te ameaarem a marcha, quando a pedrada infeliz da discrdia ou o golpe imprevisto da incompreenso te ferirem o devotamento, usa a bondade que Jesus te concedeu e avana, trabalhando... Algum projetou o fel da calnia sobre o teu nome? Esquece e caminha. Muitas vezes, o corao do amigo ainda frgil e cede ao primeiro impulso da arrasadora ventania do mal. Algum escarnece de teu esforo? Despreocupa-te e age fraternalmente. No possvel improvisar em alguns minutos o entendimento justo com respeito s coisas sagradas que nos felicitam o esprito. Algum comeou a cooperar contigo e desertou da sementeira? Silencia e adianta-te. Nem todos sabem perseverar no sacrifcio pessoal pela vitria do bem, dia a dia, na esteira dos anos incessantes. Algum te menoscaba a tarefa, subestimando-te o desinteresse pelas posses humanas e o carinho pela divina revelao? Olvida e segue. preciso aprender e sofrer com a luta terrestre para reconhecer o contedo de iluso que transborda das fantasias da carne que passa breve. Algum te acusa gratuitamente? Perdoa e movimenta-te na direo do porvir. H muito dio e muita discrdia envenenando as almas, e a maldade lana trevas sobre a fronte dos melhores colaboradores do progresso. Em todas as aflies da romagem, se souberes ver, enxergars a ignorncia oprimindo, vergastando, destruindo... necessrio acender a lmpada sublime da piedade, avanando sempre. Repara o cho lodacento e inculto, provocando a inquietao e o pavor, quando observado precipcio a dentro... Mas se arremessares a semente pequenina no leito tenebroso, em breve a terra endurecida e nua se cobrir de verdura e perfume, flores e frutos. Assim o campo humano. Em toda parte h eroso da misria e charcos de dor. No te detenhas, porm. Lana a tua semente de fraternidade e sabedoria, auxlio e compreenso, e a ignorncia ceder terreno ao teu ideal de ajudar e servir, multiplicando-se as bnos de tua lavoura de amor, a beneficio da Humanidade inteira.

    46 Poema Da Fraternidade Crmen Cinira

    A vida sempre a iluminada escola. Compadece-te e ajuda no caminho. Por toda parte, h dor que desconsola E toda gente aguarda a leve esmola Do sorriso, da prece, do carinho...

  • Correio Fraterno

    40

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Nem sempre vs quem chora e necessita. H muita treva, muita sede e fome Escondidas em laos de ouro e fita, E, em tudo, h muita mscara bonita Ocultando a misria que consome. Quanta cabea se ergue luz dourada Na multido festiva que fulgura! E, a ss, pende tristonha e desvairada, Aturdida no horror da prpria estrada, Chorando de aflio e de amargura!... Quanto sonho padece ao desabrigo! Quanta mgoa contida, vida a fora!... Auxilia, do prncipe ao mendigo, No atrases o abrao doce e amigo, Que o companheiro espera, desde agora. Que a boa luta te no desagrade. S mais amplo no esforo da harmonia... Semeia a glria da Fraternidade! Sem a luz da Unio e da Amizade, No h bnos da Paz e da Alegria

    47 Programa Casimiro Cunha

    Se queres sair da noite Para a luz do amanhecer, Por mais triste, por mais rude, Atende ao prprio dever. Se aspiras paz divina, A nossa estrada real o culto do bem constante No olvido de todo o mal. Se pretendes respirar Os dons da eterna alegria, Ajuda, perdoa e serve Na bno de cada dia. Se desejas atingir O Lar do Celeste Amor, Usa a bondade incessante

  • Correio Fraterno

    41

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Com quem for, seja onde for. Se sonhas felicidade, Segue amando a prpria cruz, Que a nossa cruz o caminho Para a ascenso com Jesus.

    48 Propriedade Real Emmanuel

    O ouro que retns Voltar para as arcas Das quais te veio s mos. A casa em que resides Abrigar, mais tarde, Moradores diversos. A roupa que te asila Dirige-se ao monturo De onde ressurgir, Renovada de todo, Acolhendo outras formas. O po de que te nutres Alimenta-te e passa...

    As afeies queridas Que te enfeitam as horas De beleza e ternura So jias de carinho Do tesouro de Deus.

    Ajudar ajudar-se. Trabalhar aprender. Servir entesourar.

    No olvides, portanto, Que possus to somente O que ds ,e ti mesmo No amparo dos semelhantes, Porque o bem que oferendas Aos irmos de jornada crdito de luz A enriquecer-te e, a vida, Nos caminhos da Terra, E nas bno do Cu.

  • Correio Fraterno

    42

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    49 Recuperao Emmanuel

    No bastar desculpar os que nos ofendem, simplesmente com os lbios. R imprescindvel que o nosso corao participe de semelhante atitude. No bastar, porm, que o consentimento se associe ao trabalho do perdo. preciso esquecer todo o mal. Contudo, no basta, ainda, que olvidemos o assalto, a pedrada, a calnia, o golpe, a incompreenso ou a ingratido. necessrio agir com o bem, auxiliando direta ou indiretamente os que nos feriram... Atravs da prece que ajuda em silncio... Por intermdio de nova sementeira de fraternidade e simpatia... Pelas referncias amigas ou pelo estmulo edificante... Atravs da compreenso. Por intermdio da boa vontade. Pela demonstrao de entendimento e confiana. O inimigo, em qualquer caso, terreno que precisamos recuperar para o plantio de nossa felicidade porvindoura. A discrdia espinheiro. A desarmonia perturbao. O dio veneno. A antipatia delituosa displicncia. No basta, pois, que nos desvencilhemos daqueles que nos incomodam, atravs da caridade fcil ou da palavra brilhante. indispensvel saibamos caminhar com eles, incentivando-lhes o soerguimento ou a elevao, a fim de que estejamos efetivamente no desempenho da Vontade do Senhor, onde estivermos.

    50 Renovao Rodrigues de Abreu

    Quando o espinho buscar-te o corao E puderes dizer bendito sejas! Quando a pedrada visitar-te o peito E exclamares bendita sejas tu! Quando a prova amargosa e redentora Requisitar-te a casa ao pranto escuro E lembrares que h sombras Mais terrveis que a tua em muita gente; Quando inclinares teus ouvidos calmos irritao e clera dos outros, Perdoando as ofensas e esquecendo-as;

  • Correio Fraterno

    43

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Quando a dor inspirar-te O canto excelso e doce da esperana; Ento tua alma iada luz Celeste, Sob a glria da vida superior, Viver luminosa e preparada Para o Reino do Amor...

    51 Rimas da Fraternidade Crmen Cinira

    Guarda contigo o Amor Puro por senha No roteiro cristo, Ainda mesmo quando a amargura venha Sangrar-te o corao. Quem procura no Cristo, cada dia, A bno de viver Sacrifica-se, ama e renuncia, No perdo por dever. Que importam desventuras no caminho, No fel que nos invade, Se procurarmos no Celeste Ninho A luz da eternidade? Tudo passa na Terra e a nossa glria, Na alegria ou na dor, E refletir na luta transitria A sublime vontade do Senhor. S aquele que ajuda, vida afora, Vence as trevas do mal, Marchando em busca da Divina Aurora Para a Vida Imortal.

    52 Roteiro Juvenil Emmanuel

    Meu jovem amigo. A mocidade crist primavera bendita de luz, anunciando o aperfeioamento da Terra. Aceita, com nimo firme, o roteiro que o Mestre Divino nos oferece. Corao terno.

  • Correio Fraterno

    44

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Conscincia limpa. Mente pura. Sentimento nobre. Conduta reta. Atitude valorosa. Disposio fraternal. O corao aberto s sugestes do bem aclara a conscincia, dilatando-lhe a grandeza. A conscincia sem mancha ilumina a mente, renovando-lhe o poder. A mente purificada sublima o sentimento, elevando-lhe as manifestaes. O sentimento enobrecido orienta a conduta, mantendo-a nos caminhos retos. A conduta irrepreensvel determina a atitude valorosa no desempenho do prprio dever e no trabalho edificante. O gesto louvvel conduz fraternidade, em cujo clima conquistamos a compreenso, o progresso e o mrito. Corao aberto influncia de Jesus para enriquecer a vida... Disposio fraternal de servir incessantemente s criaturas, para que o amor reine, soberano... Eis, meu amigo, em suma, o roteiro juvenil com que a mocidade crist colaborar no aprimoramento do mundo. Que o Senhor nos abenoe.

    53 Servindo Casimiro Cunha

    O trabalho lei da vida. Auxiliar dever. A alegria de servir a glria de cada ser. Observa a Natureza, Servindo constantemente. O mundo uma sinfonia De doao permanente. O Sol, gerando energia, - Luz do Senhor a brilhar - a fora da Criao Servindo sem descansar. O mar, gigante a agitar-se Em, primitivos lamentos, o servidor do equilbrio Dos terrestres elementos. A rvore generosa, Que auxilia a todo instante, Nasce, cresce, vive e morre

  • Correio Fraterno

    45

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Em servio edificante. Deslize a fonte a cantar Em, contnua servido, Alheia o lodo que a tisna, Servindo sem distino. O verme no subsolo, Pequeno e desgracioso, Garante a gleba fecunda, Mourejando sem repouso. A vida por toda a parte tolo um hino de amor, Serve a nuvem, serva o vale, Serve o te, serve a flor. No te queimes no caminho, No te prendas amargura, A quem te ofenda e apedreje Ampla com mais ternura. Abenoa a prpria luta, No sonho de cu e paz. Guarda a bondade por norma, Serve sempre e vencers. Se quisermos a,alcanar A exaltao do porvir, A nossa, senha "marchar" E o nosso lema "servir". Servido vive a semente, Servindo resplende a luz, Servindo o po te socorre, Setembro passou Jesus.

    54 Servir Sempre Casimiro Cunha

    Se procuras a extino Das dores por onde vais, Mantm a disposio De servir um tanto mais. Sofres crises a granel, Impedimentos gerais,

  • Correio Fraterno

    46

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Para venc-los, no fujas De servir um tanto mais. Pretendes viver acima Das aflies em que cais, No desertes do dever De servir um tanto mais. Carregas lutas em casa, Provaes Descomunais, Por tua paz no desistas De servir um tanto mais. Encontras pedras, injrias, Ofensas, erros brutais... No te afastes do programa De servir um tanto mais. Tua vida necessita De mudanas radicais ? No menosprezes o ensejo De servir um tanto mais. Angstias do corao Em tempestades morais ? Inventa novos recursos De servir em tanto mais. Se quisermos atingir As luzes celestiais, Aprendamos com Jesus Que servir nunca demais.

    55 Sexo e Disciplina Emmanuel

    O sexo, na Terra, muitas vezes apontado conta de poro emotivo. Dele se ocupa a imprensa, nas tragdias passionais, como se esvurmasse uma chaga, e muitos religiosos lhe definem as manifestaes como efeitos do Mal. Entretanto, no sexo que a vida cunha passaporte ao renascimento, acalentando a bno do lar. Atravs dele, retomamos o fio de nossas experincias, recebemos o carinho dos pais, abenoamos a esperana dos filhos e recolhemos precioso estmulo para a luta. Mas igualmente por ele que forjamos perigosas obsesses e abusos inominveis, criando para ns mesmos a sombra da loucura ou a grade da delinqncia. A Bondade Divina no-lo concede como portal de luz. Em muitas circunstncias, contudo, atravessamo-lo, tomados de paixo, qual se densas trevas nos envolvessem. Isso acontece, no entanto, face da ignorncia deliberada com que nos conduzimos no assunto.

  • Correio Fraterno

    47

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Estabelecemos medidas seguras para evitar essa ou aquela calamidade e cultivamos minuciosa ateno nesse ou naquele crculo da existncia. A vacinao preserva a sade fsica. A polcia rodoviria previne desastres. Diques governam cursos dgua. Mquinas poderosas controlam a fora eltrica. Nossos jovens so escrupulosamente examinados em noes de Fsica ou de Matemtica. Tiramos radiografias, relativamente perfeitas, das vsceras e dos ossos. Contamos o nmero de hemcias numa gota de sangue. Sabemos prever com exatido o prximo eclipse do Rol. Todavia, em matria de sexo, quase sempre a impropriedades aparecem de chofre, sem qualquer profilaxia de nossa parte. necessrio, assim, saibamos atender educao do carter, para que o carter no se transvie. Lembremo-nos de que a Natureza, retratando as leis de Deus, no guarda qualquer capricho. As estaes do tempo funcionam, com regularidade, h milnios. A gravitao a mesma para justos e injustos. Tudo na Criao trabalho e ordem, evoluo e obedincia. Reconhecendo-se, desse modo, que os valores emocionais vigem por nossa conta, toda vez que o sexo eclode, sem disciplina, o naufrgio moral surge perto. Cabe, pois, aqui recordar as palavras do Mestre Divino : - "No o que entra pela boca que contamina as criaturas, mas sim o que lhes vem do corao." E, sem dvida, o sexo ser sempre uma das portas mais importantes do sentimento.

    56 Simpatia Emmanuel

    Ningum to indigente que no possa algo oferecer de si prprio, na formao do tesouro da simpatia com que adquirir a vitria na tarefa a que foi chamado no mundo... Um sorriso de bom nimo... Uma frase de carinho... Uma prece espontnea... Uma fatia de po... O servicinho aparentemente sem importncia... Uma pgina confortadora... Um bilhete fraterno... Um olhar de compreenso... Uma visita afetuosa... Uma boa palavra... Uma gota de remdio... Uma flor pobre e humilde... Uma simples conversao... Um copo de gua fria... Um gesto de generosidade silenciosa... Nem sempre possumos a bolsa farta, susceptvel de garantir a longa despesa ; entretanto, a bno d,a amizade que suporta e ajuda, que ampara e incentiva o bem, recurso que sobra invariavelmente no cofre vivo e milagroso da boa vontade...

  • Correio Fraterno

    48

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Esqueamos os pequeninos defeitos do prximo, para que as nossas grandes falhas sejam toleradas e esquecidas. A plantao da simpatia o nico procedo de estimular a colheita da verdadeira fraternidade. Ningum to intensamente mau que te no possa ouvir, de algum modo, a mensagem de amor... Faze, pois, subir a luz do teu corao ao crebro, e a tua palavra conseguir realizar com a simpatia a sementeira de felicidade que nenhum dinheiro do mundo pode outorgar.

    57 Somente Hoje Manoel Monteiro

    Hoje - a luz do presente!... Dia como este dia, em toda a vida Ters este somente. Recorda isso E atende a todo bem Que desejes fazer; Prestao de servio Em socorro de algum, Ateno no dever, Felicidade e paz, esperana e carinho Que aspires a plantar em lances do caminho, Alegria, favor, Ddiva que pretendas ofertar, Relaes que precises recompor, Gentilezas no lar, Trabalho, o mais singelo e aquele que mais custe, Reviso, reajuste, Corrigenda, perdo, Provas de estima e considerao, Apoio espiritual em simples frases Nas tarefas que abraces e abenoes... Que nada disso atrases, Nem deixes que fazeres para depois; Porque o tempo no volta, Contando sempre aquilo que se fez... E dia igual a hoje S ters uma vez.

    58 Teu Servio Emmanuel

    No te afirmes sem o chamado divino para colaborar na Seara do Bem, porquanto o Senhor espera em ti uma bno a mais na construo do Reino de Deus. "Como me certificarei de que isso ocorre?" - provvel perguntes.

  • Correio Fraterno

    49

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Detm-te, todavia, na acstica da aluna, onde se te sensibiliza o esprito ante as dores alheias. O Cu te alcana, atravs da luz com que te clareia o caminho. O Senhor te fala pelo amor com que se te enternece o corao, Dirs talvez que existem milhares de encargos iguais uns aos outros e que os dias so semelhantes entre si. Entretanto, se analisares os valores do trabalho e as surpresas do tempo, para logo descobrires que, com as oportunidades originais de cada dia, tens servio sob tua responsabilidade pessoal que os teus amigos, por mais ntimos e afins, no conseguiriam realizar. Observa cada acontecimento que te envolve e cada irmo que te cruza o caminho e verificars em que lado da questo e em que problema do prximo espera o Senhor venhas a funcionar por pea de luz e consolao, paz e vida. Onde estejas, sers o ouvido que escuta, filtrando os materiais do cotidiano para encontrar o bem, de modo a endere-lo, impoluto, para diante; o apoio dos olhos que enxergam para ajudar e edificar ; a palavra que balsamiza e enobrece ; e o socorro das mos que operam em louvor da fraternidade e do benefcio. possvel que o Senhor te aguarde o concurso ainda hoje para erguer alto pilar, nas realizaes da beneficncia, ou a fim de assumires, por Ele, compromisso importante no auxlio comunidade ; talvez, porm, to-s te pea, ainda agora, para ouvir o companheiro que a provao desconsola, restaurando-lhe as foras, ou para sorrir na direo de algum que te roga apenas um gesto silencioso de simpatia para desvencilhar-se do erro. Ergue-te cada manh para servir e deixa que teu corao compreenda e ampare, reconforte e auxilie... Percebers, desse modo, que o Senhor te chamou como s, com o que tens, onde te encontras e como te encontras para seres uma bno entre Ele e os outros - trao de unio entre a Terra e os Cus.

    59 Trio de Amor Casimiro Cunha

    Queres saber acertar Quando a luta se avizinha... Atende ao trio de amor: Perdoa, serve e caminha. H provao no teu campo, Recordando erva daninha... Replanta o cho que te coube Perdoa, serve e caminha. Ris-te fora, disfarando A dor que te desalinha... Escora-te pacincia Perdoa, serve e caminha A injria fere-te o nome, Envolta em sombras mesquinhas... No chores, nem te defendas, Perdoa serve e caminha.

  • Correio Fraterno

    50

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Padeces inquietaes De alma cansada e sozinha... Trabalha com mais ardor, Perdoa, serve e caminha... Ouviste maledicncia, Denuncia, intriga, picuinha... Detm-te no bem que possas, Perdoa, serve e caminha. Viste quedas, deseres, Amigos perdendo a linha... No lamentes, nem censures, Perdoa, serve e caminha. Suspiras pelo refgio, Onde a paz surge e se aninha... Simplifica a prpria estrada, Perdoa, serve e caminha. Se indagares do Senhor Como honrar-lhe a Glria e a Vinha, Jesus te responder: Perdoa, serve e caminha.

    60 Unio e Amizade Crmen Cinira

    Unio e Amizade, Azas de luz da paz e da alegria, Com que nossa alma voa, cada dia, Ao reino augusto da fraternidade!... Da unio nasce a fonte soberana Do poder que redime Pelo amor milagroso, amplo e sublime, De que todo o universo se engalana. Da amizade provm A santa vibrao Das aleluias de renovao, Das claridades do infinito bem. Sem que a luta nos uma, passo a passo, E sem que nos amemos,

  • Correio Fraterno

    51

    Francisco Cndido Xavier - Espritos Diversos

    Dormiro nossos sonhos nos extremos Da aflio, da amargura e do cansao. Unio e Amizade Fadas celeste da felicidade... Quem ouvi-las submisso, Agindo para honr-las e atend-las, Guarda os braos na Bnos do servio E o corao no brilho das estrelas.

    61 Virtude Emmanuel

    Virtude, quanto acontece pedra preciosa lapidada, no surgir no mostrurio de nossas realizaes sem burilamento e sem sacrifcio. Se desejamos constru-la, em nossos coraes, imprescindvel no nos acovardemos diante das oportunidades que o mundo nos oferece. Sem resistncia deliberada ao desespero, no entesouraremos a pacincia. Sem controle do temperamento impulsivo, no alcanaremos a serenidade. Sem vitria sobre os reptis da dvida ou da suspeita, em nosso campo ntimo, no edificaremos a f. Sem renncia no experimentaremos o amor puro, Sem gentileza no asilaremos a bondade. Sem o silncio bem vivido, no atingiremos a harmonia mental. Sem esprito de servio, em favor dos semelhantes, no criaremos os valores da simpatia. Sem firmeza em nossas atitudes, no chegaremos ao conhecimento da verdade. Sem ateno para com a nossa prpria conscincia, no acenderemos a luz do respeito em torno de ns. Sem tolerncia frente da calnia, no alcanaremos a fortaleza. Sem boa vontade, inutilmente apelaremos para o entendimento e para a unio. Recordemos que o trabalho e a luta so os escultores de Deus, criando em ns as obras-primas da vida. Quem pretende, porm, a fuga e o repouso indbitos, certamente desistir, por tempo indefinido, do esforo de aprimoramento, transformando-se em sombra entre as sombras da estagnao e da morte.

    fim

Recommended

View more >