condio de saude dos idosos 2009

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  • Sobre a condio de sade dos idosos: indicadores selecionados

    IntroduoEm novembro de 2004, foi criado o Comit Temtico Interdisci-

    plinar Sade do Idoso, da Rede Interagencial de Informaes para a Sade - RIPSA1, com o objetivo de formular indicadores que permitam verifi car e avaliar os agravos e a capacidade funcional dos idosos.

    As seguintes atividades foram defi nidas para o Comit: (i) identi-fi cao e apreciao das fontes de informao aplicveis aos principais problemas e agravos que acometem a populao idosa brasileira e que demandam aes de controle desenvolvidas em mbito nacional; e (ii) anlise dos diversos sistemas de informao e bases de dados nacionais, identifi cando suas difi culdades e potencialidades para o estudo do tema2.

    Tomando por base os indicadores propostos pelo Comit, foram selecionados alguns para compor este captulo sobre as condies de sade da populao idosa brasileira. O estudo tem por objetivo descrever a demanda por atendimento, o uso do servio e as condies de sade desse contingente populacional, atravs da anlise de diferenciais sociodemogrfi cos, tais como: sexo, grupos de idade e rendimento mdio mensal familiar per capita.

    1 A RIPSA foi criada, em 1995, como iniciativa de cooperao entre a Organizao Pan-Americana da Sade - OPAS e o Ministrio da Sade, congregando instituies responsveis por informao em sade no Brasil, com o objetivo de produzir subsdios para polticas pblicas nesse setor.2 O Comit Temtico Interdisciplinar Sade do Idoso foi coordenado pela rea Tcnica de Sade do Idoso, da Secretaria de Ateno Sade do Ministrio da Sade, sendo integrado por representantes das seguintes instituies: Associao Brasileira de Ps-Graduao em Sade Coletiva - ABRASCO; Fa-culdade de Sade Pblica da Universidade de So Paulo - FSP/USP; Fundao Oswaldo Cruz - FIOCRUZ; Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatstica - IBGE; Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada - IPEA; Organizao Pan-Americana da Sade - OPAS; Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul - PUC/RS; Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG; Universidade de Braslia - UnB; Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ; Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG; Universidade Federal de So Paulo - UNIFESP; e Universidade Federal do Cear - UFCE.

  • ______________________________________________ Indicadores Sociodemogrfi cos e de Sade no Brasil 2009

    Notas tcnicasAs fontes de informao utilizadas foram os resultados da amostra do Censo

    Demogrfi co 2000 e do Suplemento Sade da Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios - PNAD 2003, ambos do IBGE, bem como os dados das Autorizaes de Internaes Hospitalares - AIH 2006, processados pelo Departamento de Informtica do SUS - DATASUS, do Ministrio da Sade.

    A PNAD envolveu uma amostra representativa da populao residente no Pas, em setembro de 2003, excluindo a rea rural da Regio Norte, que passou a ser in-vestigada a partir de 2004. Foram coletadas informaes sobre demografi a, emprego/ocupao, sade, educao, rendimento, migrao e condies do domiclio.

    Os dados provenientes do IBGE foram processados e analisados atravs do Banco Multidimensional de Estatsticas - BME3. As informaes esto expandidas e so representativas para o total da populao idosa, apresentando coefi cientes de variao para algumas das estimativas.

    Os dados sobre as internaes hospitalares, provenientes do Ministrio da Sade, foram processados atravs dos sistemas de informaes do DATASUS, disponveis no endereo: http://www.datasus.gov.br.

    O nvel de agregao das informaes apresentadas no Quadro 1 variou de acordo com a fonte utilizada: os dados da PNAD 2003 representam o Pas como um todo, exceto, como j frisado anteriormente, a rea rural da Regio Norte; os dados do Censo Demogrfi co 2000 esto agrupados para representar as mesorregies do Pas e os municpios das capitais; e os dados provenientes das AIH 2006 representam o conjunto das internaes hospitalares do Sistema nico de Sade - SUS, no Pas como um todo, para as pessoas de 60 anos ou mais de idade.

    3 O BME permite o acesso aos microdados das pesquisas estatsticas efetuadas pelo IBGE bem como descrio das informaes associadas sua produo. Os microdados consistem no menor nvel de desagregao de uma pesquisa, retratando, na forma de cdigos numricos, o contedo dos questionrios, preservado o sigilo das informaes.

    IndicadoresPNAD2003

    CD2000

    AIH2006

    Morbidade e incapacidade funcional

    Autoavaliao da sade x

    Doenas crnicas x

    Taxa de prevalncia de incapacidade funcional em mobilidade fsica x

    Uso de servios de sade

    Nmero de consultas mdicas x

    Filiao a plano privado de sade x

    Taxas de hospitalizaes no mbito do SUS x

    Custo mdio das hospitalizaes no mbito do SUS x

    Custo por habitante das hospitalizaes no mbito do SUS x

    Quadro 1 - Indicadores de sade selecionados

  • Sobre a condio de sade dos idosos: indicadores selecionados _____________________________________________

    O indicador de incapacidade funcional selecionado diferente daquele proposto pelo Comit Temtico Interdisciplinar Sade do Idoso. Optou-se por utilizar as infor-maes do Censo Demogrfi co 2000 para avaliao da incapacidade funcional, o que permitiria anlise indita para municpios, mesorregies e microrreges do Pas.

    A incapacidade funcional um conceito particularmente til para avaliar as con-dies de sade dos idosos, j que muitos desenvolvem doenas crnicas que variam em impacto sobre a vida cotidiana. A Organizao Mundial da Sade - OMS defi niu incapacidade funcional como a difi culdade, devido a uma defi cincia, para realizar as atividades tpicas e pessoalmente desejadas na sociedade (CIF..., 2003).

    A incapacidade funcional avaliada, frequentemente, atravs de declarao indicativa de difi culdade em atividades bsicas da vida diria (cuidado pessoal) e em atividades instrumentais da vida diria, mais complexas, necessrias para viver de forma independente na comunidade. As medidas de mobilidade fazem parte, tambm, da avaliao do declnio funcional. Guralnik e outros (1995), em estudo com idosos nos Estados Unidos, mostrou que resultados utilizando as medidas de mobilidade tm provado serem valiosos no estudo da relao do status funcional com caractersticas demogrfi cas, condies crnicas e comportamentos relacionados sade.

    Em mbito nacional, os estudos sobre a incapacidade funcional tm utilizado as informaes dos Suplementos de Sade da PNAD, de 1998 e 2003, cuja menor desa-gregao a regio metropolitana. O Censo Demogrfi co 2000, entretanto, levantou informaes sobre a difi culdade para caminhar e subir escadas, que podem ser utilizadas como proxy de incapacidade funcional em mobilidade fsica. Neste estudo, foi utilizada esta varivel e as respostas incluram as categorias incapaz, grande difi culdade, alguma difi culdade ou nenhuma difi culdade. As trs primeiras categorias, para efeito de apresentao dos resultados, foram agrupadas em somen-te uma: incapaz e com algum grau de difi culdade. A importncia da anlise mais desagregada a possibilidade de avaliar o declnio funcional dos idosos em reas menores do que as metropolitanas, mostrando que a desigualdade est presente tambm no nvel municipal e permitindo a implementao de aes de preveno focalizadas nestas reas, o que pode ser muito til para a reduo da carga de inca-pacidade funcional dos idosos.

    As medidas de status sociodemogrfi co incluram sexo, grupos de idade e ren-dimento mdio mensal familiar per capita. A populao idosa se constitui como um grupo bastante diferenciado, entre si e em relao aos demais grupos etrios, tanto do ponto de vista das condies sociais quanto dos aspectos demogrfi cos.

    A escolha da varivel rendimento mdio mensal familiar per capita, como indicador de condio socioeconmica, justifi ca-se pela importncia da renda para a reproduo social no Brasil. Razes para isso esto relacionadas extrema desi-gualdade socioeconmica e ausncia, ou insufi cincia, de suporte institucional, situaes presentes na sociedade brasileira. Na ausncia/insufi cncia de suportes, tais como educao de boa qualidade, oferta adequada de atendimento de sade, de moradia e de transporte, a renda assume um papel primordial para a aquisio de bens e servios necessrios para a reproduo social, mesmo entre aqueles que ultrapassaram os limites da renda necessria para satisfao das necessidades bsicas (PARAHYBA, 2009).

  • ______________________________________________ Indicadores Sociodemogrfi cos e de Sade no Brasil 2009

    Consideraes iniciaisEm 2003, segundo as informaes da PNAD, a populao de 60 anos ou mais

    era de cerca de 17 milhes de pessoas, representando cerca de 10% da populao

    total do Pas. A PNAD 2006, ltima pesquisa divulgada quando da elaborao deste

    captulo (mas que no incluiu informaes sobre a sade da populao), apontava

    que os idosos alcanavam, aproximadamente, 19 milhes de pessoas, evidenciando

    o acelerado processo de envelhecimento da sociedade brasileira.

    As diferenas de gnero so importantes para descrever as pessoas idosas e, da

    mesma forma como tem ocorrido em todo o mundo, o nmero de mulheres idosas,

    no Brasil, maior do que o de homens: as informaes da PNAD mostraram que, em

    2003, essa proporo era de 55,9% e 44,1%, respectivamente.

    A expectativa de vida a partir dos 60 anos aumentou, no perodo de 1999 a

    2003, em todas as faixas de idade, tanto para homens quanto para mulheres (Grfi -

    co1), entretanto, a expectativa de vida das mulheres excede a dos homens e este fato

    explica, em parte, a maior proporo de mulheres idosas em relao aos homens.

    Em 2006, no Pas como um todo, a expectativa de vida das pessoas de 60 anos era

    de 19,3 anos para os homens e de 22,4 anos para as mulheres. Entre os idosos de 80

    anos ou mais, a expectativa de vida das mulheres excede, tambm, a dos homens:

    9,8 anos e 8,9 anos, respectivamente (TBUAS..., 2008).

    A tendncia das mulheres sobreviverem aos homens, exibindo uma mortali-

    dade menor que a masculina, ocorre em todo o mundo, mas isso no signifi ca que

    desfrutem de melhor condio de sade. A mortalidade constitui somente um refl exo

    %

    1999 Mulheres 2003 Mulheres2003 Homens1999 Homens

    Fonte: Tbuas completas de mortalidade. Rio de Janeiro: IBGE, 2008. Disponvel em: . Acesso em: jun. 2009.

    Grfico 1 - Expectativa de vida dos idosos de 60, 70 e 80 anos ou mais de idade,segundo o sexo - Brasil - 1999/2003

    0,0

    5,0

    10,0

    15,0

    20,0

    25,0

    60 anos de idade 70 anos de idade 80 anos ou mais de idade

  • Sobre a condio de sade dos idosos: indicadores selecionados _____________________________________________

    da deteriorao extrema da sade, que no d conta das profundas variaes que se

    registram no estado de bem-estar daqueles que sobrevivem. H evidncia de que as

    mulheres idosas suportam uma maior carga de doena e de declnio funcional do que

    os homens, o que est associado a diversos fatores (PARAHYBA, 2006).

    Indicadores de morbidade e de incapacidade funcional

    Autoavaliao da sadeA percepo da sade tem sido descrita como um importante preditor de so-

    brevivncia entre idosos. Os estudos confi rmam que diferenas de gnero e idade, na

    percepo da sade, so importantes determinantes do comportamento em relao

    procura por atendimento de sade (MEN..., 2001).

    A percepo de um estado de sade ruim acarreta um maior uso dos servios de

    sade entre os idosos. Em 2003, as mulheres idosas declararam um estado de sade

    pior do que os homens, exceto entre os idosos de 80 anos ou mais, onde a tendncia

    se inverte, passando os homens a declarar um estado de sade pior do que aquele

    declarado pelas mulheres (Grfi co 2).

    %

    Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios 2003.

    Grfico 2 - Proporo de idosos que declararam sade ruim e muito ruim,por grupos de idade, segundo o sexo - Brasil - 2003

    0,0

    5,0

    10,0

    15,0

    20,0

    25,0

    30,0

    De 60 a 64 anosde idade

    De 65 a 69 anosde idade

    De 70 a 74 anosde idade

    De 75 a 79 anosde idade

    De 80 a 84 anosde idade

    De 85 anos oumais de idade

    Homens Mulheres

    H diferenciais na autopercepo da sade dos idosos em relao ao rendimento

    mdio mensal familiar per capita: os idosos mais pobres (at 1 salrio-mnimo per

    capita) declararam sade ruim/muito ruim em maior proporo do que os idosos dos

    estratos de rendimentos mais elevados (Grfi co 3).

  • ______________________________________________ Indicadores Sociodemogrfi cos e de Sade no Brasil 2009

    Doenas crnicasO Brasil envelhece rapidamente. A expectativa mdia de vida se amplia de tal

    forma que grande parte da populao atual ir alcanar a velhice. Os grandes centros

    urbanos, embora j apresentem um perfi l demogrfi co semelhante ao dos pases mais

    desenvolvidos, ainda no dispem de uma infraestrutura de servios que d conta

    das demandas decorrentes das transformaes demogrfi cas vigentes.

    Alm das modifi caes populacionais, o Brasil tem experimentado uma transi-

    o epidemiolgica, com alteraes relevantes no quadro de morbi-mortalidade. As

    doenas infecto-contagiosas, que representavam 40% das mortes registradas no Pas

    em 1950, hoje so responsveis por menos de 10%. O oposto ocorreu em relao s

    doenas cardiovasculares: em 1950, eram causa de 12% das mortes e, atualmente,

    representam mais de 40%. Em menos de 40 anos, o Brasil passou de um perfi l de

    mortalidade tpico de uma populao jovem para um desenho caracterizado por en-

    fermidades complexas e mais onerosas, prprias das faixas etrias mais avanadas

    (GORDILHO et al, 2000).

    Em 2003, segundo as informaes da PNAD, 29,9% da populao brasileira

    reportou ser portadora de, pelo menos, uma doena crnica4. O fato marcante em

    relao s doenas crnicas que elas crescem de forma muito importante com o

    passar dos anos: entre as pessoas de 0 a 14 anos, foram reportados apenas 9,3% de

    doenas crnicas, mas entre os idosos este valor atinge 75,5% do grupo, sendo 69,3%

    entre os homens e 80,2% entre as mulheres (VERAS; PARAHYBA, 2007).

    4 Doena que acompanha a pessoa por um longo perodo de tempo, podendo ter fases agudas, momentos de piora ou melhora sensvel. Foram investigadas pela PNAD, as seguintes: doena de coluna ou costas, artrite ou reumatismo; cn-cer; diabetes (ou hiperglicemia); bronquite ou asma; hipertenso (presso alta); doena do corao; doena renal crnica; depresso; tuberculose; tendinite ou tenossinovite; e cirrose.

    %

    Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios 2003.

    Grfico 3 - Proporo de idosos que declaram sade ruim e muito ruim,por classes de rendimento mdio mensal familiar per capita,

    em salrios-mnimos, segundo o sexo - Brasil - 2003

    0

    5

    10

    15

    20

    25

    At 1 salrio-mnimoper capita

    Mais de 1 a 3 salrios-mnimosper capita

    Mais de 3 salrios-mnimosper capita

    Homen Mulher

  • Sobre a condio de sade dos idosos: indicadores selecionados _____________________________________________

    Embora a proporo de idosos que declararam doena crnica tenha diminu-

    do, j que era 78,7%, em 1998, e, em 2003, passou para 75,5%, fi ca evidenciada a

    caracterstica de mltiplas patologias entre aqueles que declararam alguma doena

    crnica: 64,4% tinham mais de uma patologia.

    A associao entre sade e pobreza tem sido relatada em diversos estu-

    dos, entretanto, a prevalncia de doena crnica na populao idosa, segundo

    os percentis de rendimento mdio mensal familiar per capita, apresentou distri-

    buio diferente daquela encontrada utilizando-se outros indicadores de sade

    (Grfico 4).

    Embora os 20% dos idosos mais pobres tenham apresentado prevalncia

    estatisticamente significativa menos elevada (69,9%), os demais declararam pro-

    pores semelhantes (aproximadamente 75%), o que significa que o rendimento

    no parece ter efeito importante no aumento ou na diminuio da carga de do-

    ena crnica na populao idosa. Isso no ocorre quando se analisa o indicador

    de capacidade funcional.

    Taxa de prevalncia de incapacidade funcional em mobilidade fsica

    A prevalncia de incapacidade funcional em mobilidade fsica, entre os idosos,

    avaliada atravs das informaes do Censo Demogrfi co 2000, nas mesorregies

    do Brasil, apresenta padres semelhantes aos da PNAD 2003, embora seja possvel

    obter, com as informaes do Censo Demogrfi co, um retrato bem mais detalhado

    da condio funcional dos idosos (Cartograma 1).

    %

    Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios 2003.

    Grfico 4 - Prevalncia de doena crnica das pessoas de 60 anos ou mais de idade, por percentis de rendimento mdio mensal familiar per capita

    Brasil - 2003

    66,0

    68,0

    70,0

    72,0

    74,0

    76,0

    78,0

    At 20 Mais de 20 a 40 Mais de 40 a 60 Mais de 60 a 80 Mais de 80 a 100

  • ______________________________________________ Indicadores Sociodemogrfi cos e de Sade no Brasil 2009

    Cartograma 01 - Prevalncia de incapacidade funcional em mobilidade fsica das pessoas de

    60 anos ou mais de idade, segundo as mesorregies de residncia - Brasil - 2000

    Fonte: IBGE, Censo Demogrfi co 2000.

  • Sobre a condio de sade dos idosos: indicadores selecionados _____________________________________________

    O que chama a ateno a desigualdade, mostrando que os idosos mora-

    dores da Regio Nordeste do Pas encontram-se em sria desvantagem quanto

    condio funcional, quando comparados com os demais. Por outro lado, os

    idosos do Rio Grande do Sul, Unidade da Federao que apresenta a segunda

    maior expectativa de vida do Pas, apresentam prevalncia de incapacidade bas-

    tante diferenciada.

    Outro fato importante a relativa vantagem dos idosos em muitas reas das

    Regies Norte e Centro-Oeste, onde h predominncia de atividades agrcolas e

    menores taxas de urbanizao. Melzer e Parahyba (2004) mostraram, em estudo

    sobre a associao entre fatores sociodemogrficos e declnio funcional em idosos

    brasileiros, que o risco de incapacidade funcional em mobilidade era maior entre

    os idosos nas reas urbanas do que nas reas rurais.

    Estudos especficos sero necessrios para avaliar esta situao, mas

    algumas hipteses podem ser levantadas, como: a) longevidade mais baixa nestas

    reas levaria a uma menor possibilidade de sobrevivncia com incapacidade; e

    b) diferentes estilos de vida entre idosos nas reas rural e urbana. Uma outra

    hiptese, descartada em parte, seria a de que a menor frequncia de idosos nas

    Regies Norte e Centro-Oeste do Pas poderia acarretar variaes amostrais e erro

    nas estimativas (os coeficientes de variao das estimativas nos Municpios das

    Capitais no so superiores a 5% - em Cuiab, por exemplo, 3,1%).

    O Cartograma 2 mostra as taxas de prevalncia de incapacidade funcional

    em mobilidade fsica para os idosos segundo o rendimento mdio mensal familiar

    per capita.

    As taxas de prevalncia de incapacidade funcional dos idosos mais pobres

    (at 1 salrio-mnimo per capita) so maiores do que as dos idosos com rendimento

    mais elevado (mais de 5 salrios mnimos per capita), variando de 20,4% a 39,3%

    e de 5,8% a 32,9%, respectivamente, nas mesorregies. Isso compatvel com os

    resultados dos estudos sobre o tema, que mostram que a renda est associada

    com a incapacidade funcional de forma inversa aumento da renda e diminuio

    da incapacidade funcional entretanto, mesmo entre os idosos com nvel de

    rendimento mais elevado, essa taxa de prevalncia alcana 32% em algumas reas,

    indicando que aes preventivas de sade, nestes grupos, podem contribuir para

    reduo de declnio funcional.

  • ______________________________________________ Indicadores Sociodemogrfi cos e de Sade no Brasil 2009

    Cartograma 2 - Prevalncia de incapacidade funcional em mobilidade fsica das pessoas de 60 anos ou mais de idade, por rendimento mdio mensal familiar per capita, segundo as mesorregies de residncia - Brasil - 2000

    (continua)At 1 salrio-mnimo

  • Sobre a condio de sade dos idosos: indicadores selecionados _____________________________________________

    Fonte: IBGE, Censo Demogrfi co 2000.

    Cartograma 2 - Prevalncia de incapacidade funcional em mobilidade fsica das pessoas de 60 anos ou mais de idade, por rendimento mdio mensal familiar per capita, segundo as mesorregies de residncia - Brasil - 2000

    (concluso)Mais de 5 salrios-mnimos

  • ______________________________________________ Indicadores Sociodemogrfi cos e de Sade no Brasil 2009

    A comparao espacial das taxas de prevalncia de incapacidade funcional deve levar em conta as diferenas na composio etria dos idosos. O declnio fun-cional um processo progressivo, que est associado com o crescimento da carga de morbidade, e que aumenta com a idade, componente intrnseco do processo de envelhecimento. Uma populao mais envelhecida, com maior predominncia de pessoas com 80 anos ou mais, tem probabilidade de desenvolver comorbidade e incapacidade em maior proporo do que a verifi cada em reas cuja concentrao de idosos se situa numa faixa etria mais jovem. A composio por sexo , tambm, importante, pois h diferenciais bastante expressivos entre homens e mulheres. Para apresentar esta anlise, avaliou-se a prevalncia de incapacidade funcional dos idosos nos municpios das capitais (Tabela 1).

    Os resultados do Censo Demogrfi co 2000, para os municpios das capitais, apresentam padres de incapacidade funcional em mobilidade fsica compatveis com aqueles apontados pelas informaes da PNAD 2003 para as reas metropolitanas. As mulheres declaram incapacidade funcional em maior proporo do que os homens (Tabela 1), observando-se, tambm, o carter progressivo da incapacidade funcional entre os idosos em relao ao aumento da idade (Tabela 2).

    Prevalncia de incapacidadefuncional em mobilidade

    dos idosos de 60 anosou mais de idade, por sexo,

    em ordem crescente (%)

    Prevalncia de incapacidadefuncional em mobilidade

    dos idosos de 60 anosou mais de idade, por sexo,

    em ordem crescente (%)

    Mulheres Homens

    So Paulo 20,1 So Paulo 15,8Curitiba 24,9 Rio de Janeiro 19,0Florianpolis 25,4 Florianpolis 19,3Cuiab 26,6 Belo Horizonte 19,5Rio de Janeiro 26,7 Curitiba 20,0Porto Velho 27,2 Palmas 20,1Campo Grande 27,3 Vitria 20,4Belo Horizonte 27,4 Porto Alegre 20,6Porto Alegre 28,2 Braslia 20,9Vitria 28,2 Porto Velho 21,1Braslia 29,1 Salvador 21,4Boa Vista 29,1 Campo Grande 21,8Goinia 29,3 Goinia 22,4So Lus 29,6 Belm 22,7Fortaleza 30,5 So Lus 22,7Belm 30,5 Fortaleza 22,7Manaus 31,9 Boa Vista 23,0Salvador 32,4 Recife 23,3Natal 33,3 Cuiab 23,5Recife 33,9 Aracaju 23,8Joo Pessoa 34,7 Macap 25,2Rio Branco 35,2 Natal 25,8Macap 35,7 Joo Pessoa 25,9Teresina 36,2 Manaus 25,9Aracaju 37,3 Rio Branco 26,4Macei 37,3 Teresina 27,2Palmas 38,5 Macei 28,2

    Fonte: IBGE, Censo Demogrfico 2000.

    Tabela 1 - Prevalncia de incapacidade funcional em mobilidade dos idosos de 60 anos ou mais de idade, por sexo, em ordem crescente,

    Municpios das capitais Municpios das capitais

    segundo os municpios das capitais - 2000

  • Sobre a condio de sade dos idosos: indicadores selecionados _____________________________________________

    O Municpio de So Paulo apresenta as mais baixas taxas de prevalncia de incapacidade funcional, por sexo: 20,1% para mulheres e 15,8% para os homens. As taxas so menores, tambm, segundo os grupos de idade: 12,3%, para os idosos de 60 a 69 anos; 21,5%, para os de 70 a 79 anos; e 38,4%, para os de 80 anos ou mais. Os Municpios de Palmas, entre as mulheres (38,5%), e Macei (28,2%), entre os homens, apresentam as mais altas taxas de incapacidade funcional. Os idosos nos municpios das capitais das Regies Sul e Sudeste apresentam uma melhor condio funcional, embora Cuiab (26,6%), Porto Velho (27,2%) e Campo Grande (27,3%), entre as mu-lheres, e Palmas (20,1%), entre os homens, apaream entre os sete primeiros, acima de Porto Alegre. Observando somente os idosos de 70 a 79 anos, o que restringe o efeito das diferenas etrias, aparecem, com as mais baixas taxas de incapacidade funcional (21,5% a 29%), todos os municpios das capitais do Sul e Sudeste. Campo Grande (30,1%) o oitavo no ranking, seguido de Belm (30,5%). Os municpios das capitais do Nordeste do Pas apresentam sempre as taxas mais elevadas, da mesma forma como ocorreu nas mesorregies.

    Prevaln-cia de in-capaci-

    dade fun-cional em

    mobilidade dos idosos, por grupos de idade,

    em ordem crescente

    (%)

    Prevaln-cia de in-capaci-

    dade fun-cional em

    mobilidade dos idosos, por grupos de idade,

    em ordem crescente

    (%)

    Prevaln-cia de in-capaci-

    dade fun-cional em

    mobilidade dos idosos, por grupos de idade,

    em ordem crescente

    (%)

    60 a 69 70 a 79 80 ou mais

    So Paulo 12,3 So Paulo 21,5 So Paulo 38,4 Florianpolis 16,1 Florianpolis 26,3 Boa Vista 41,3 Curitiba 16,2 Rio de Janeiro 26,8 Cuiab 44,4 Rio de Janeiro 16,3 Vitria 27,0 Florianpolis 45,2 Porto Velho 16,4 Curitiba 27,1 Macap 45,6 Belo Horizonte 17,1 Belo Horizonte 28,2 Curitiba 45,8 Campo Grande 17,1 Porto Alegre 29,0 Porto Velho 46,9 Porto Alegre 17,5 Campo Grande 30,1 Rio de Janeiro 47,0 Vitria 18,1 Belm 30,5 Goinia 47,8 Palmas 18,6 So Lus 31,4 Belo Horizonte 47,8 Cuiab 18,7 Salvador 31,5 Campo Grande 48,9 So Lus 19,0 Braslia 31,5 Manaus 49,3 Braslia 19,2 Cuiab 31,8 Porto Alegre 49,6 Fortaleza 19,4 Fortaleza 31,8 Braslia 50,1 Goinia 19,4 Boa Vista 32,0 So Lus 50,3 Belm 19,6 Porto Velho 32,2 Salvador 50,6 Boa Vista 20,2 Goinia 32,5 Vitria 50,6 Rio Branco 21,1 Recife 33,5 Fortaleza 51,3 Natal 21,2 Natal 34,2 Palmas 52,0 Recife 21,5 Manaus 35,1 Belm 54,1 Joo Pessoa 21,6 Rio Branco 35,2 Natal 55,0 Salvador 21,8 Macap 35,6 Recife 56,0 Manaus 22,4 Aracaju 35,9 Joo Pessoa 56,1 Aracaju 22,9 Joo Pessoa 36,6 Macei 57,3 Teresina 23,2 Teresina 37,2 Aracaju 57,7 Macap 25,5 Macei 38,2 Rio Branco 58,2 Macei 25,9 Palmas 47,1 Teresina 62,6

    Fonte: IBGE, Censo Demogrfico 2000.

    Tabela 2 - Prevalncia de incapacidade funcional em mobilidade dos idosos, por grupos de idade, em ordem crescente,

    Municpios das capitais Municpios das capitais Municpios das capitais

    segundo os municpios das capitais - 2000

  • ______________________________________________ Indicadores Sociodemogrfi cos e de Sade no Brasil 2009

    A anlise em nvel mais desagregado mostrou a heterogeneidade do declnio funcional na populao idosa brasileira, que est associada a diversos fatores e, em grande parte, s desigualdades sociodemogrfi cas presentes na sociedade.

    Os levantamentos de sade existentes no Pas, em mbito nacional, descrevem esta situao at o nvel metropolitano, insufi ciente para avaliao e implementao de aes no nvel municipal, necessrias para acompanhamento das aes de sade implementadas pelo SUS, que tem como proposta a descentralizao da gesto no nvel municipal.

    Indicadores de uso de servios de sade

    Nmero de consultas mdicasComo a populao envelhece e os idosos possuem mais doenas crnicas, o

    nmero de consultas se amplia. Sabe-se que mais consultas levam a maior consumo de medicamentos, mais exames complementares e hospitalizaes. As necessidades em sade tm um padro de distribuio, segundo a idade, em J, ou seja, as pessoas no incio, e particularmente no fi nal da vida, apresentam mais problemas de sade. A grande diferena que as doenas da faixa jovem so agudas e, portanto, de custo menor, enquanto as dos idosos so crnicas e de alto custo.

    Em 2003, segundo informaes da PNAD, a proporo de idosos que consul-taram mdico, nos ltimos 12 meses anteriores data de referncia da pesquisa5 era de 71,2%, para os homens, e de 83,4%, para as mulheres. Os dados da PNAD confi r-mam os resultados de outros estudos, que apontam as mulheres idosas procurando atendimento mdico em maior proporo do que os homens.

    A compreenso deste fato pode estar relacionada a diferentes fatores, que se associam ao sexo de forma distinta. Segundo Guralnik (1997), principalmente devido a diferenas nas doenas associadas aos homens e s mulheres. Conforme o relato de Barbosa e outros (2005), entre os idosos do Municpio de So Paulo avaliados na pesquisa SABE6 (Sade, Bem-estar e Envelhecimento), as mulheres reportam um nmero maior de doenas crnicas do que os homens. Por outro lado, h os aspec-tos comportamentais, que mostram uma maior fi delizao da mulher a programas preventivos e educacionais, participando mais intensamente de atividades de centro de convivncia, alm de demandarem mais os servios ambulatoriais de sade do que os homens, conforme avaliam Veras e Caldas (2004).

    Tomando por base os diferenciais socioeconmicos, verifi ca-se que a proporo de idosos que consultaram mdico semelhante nos trs grupos de rendimento m-dio mensal familiar per capita considerados (Grfi co 5), mas as mulheres procuraram atendimento mdico em maior proporo do que os homens em todos eles, embora os diferenciais diminuam naqueles de rendimento mais elevado.

    5 Corresponde ao ltimo dia da semana de referncia que, para a pesquisa realizada em 2003, o dia 27 de setembro de 2003. 6 Integra o Projeto SABE, coordenado pela Organizao Pan-Americana da Sade - OPAS, que tem como objetivo coletar informaes sobre as condies de vida dos idosos com 60 anos ou mais de idade, visando avaliar o estado de sade, bem como o acesso e a utilizao de cuidados de sade desse contingente populacional. A pesquisa SABE abrange os idosos residentes nas reas urbanas de metrpoles de pases selecionados da Amrica Latina e Caribe, dentre as quais o Municpio de So Paulo.

  • Sobre a condio de sade dos idosos: indicadores selecionados _____________________________________________

    %

    0At 1 salrio-mnimo

    per capitaMais de 1 a 3 salrios-mnimos

    per capitaMais de 3 salrios-mnimos

    per capita

    Homen Mulher

    Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios 2003.

    Grfico 5 - Proporo de idosos que consultaram mdico, nos ltimos 12 meses anterioresa data da pesquisa, por classes de rendimento mdio mensal familiar per capita,

    em salrios-mnimos, segundo o sexo - Brasil - 2003

    10

    20

    30

    40

    50

    60

    70

    80

    90

    100

    Filiao a plano de sadeA cobertura dos planos de sade entre os idosos no Brasil, segundo as infor-

    maes da PNAD 2003, de, aproximadamente, 5 milhes de pessoas de 60 anos ou mais de idade, representando 29,4% do total de idosos.

    A clientela dos planos de sade predominantemente composta de pessoas com rendimento mais alto, ocorrendo o inverso entre os idosos que possuem apenas cobertura pelo SUS. Entre os idosos usurios desse Sistema, apenas 5,8% deles apre-sentavam um rendimento mdio mensal domiciliar de mais de 3 salrios-mnimos per capita, enquanto entre os idosos que possuam planos privados esta proporo alcanava 42,8% (Tabela 3), conforme constatam Veras e Parahyba (2007).

    Possui No possui

    Total 100,0 100,0

    At 1/4 0,5 4,1

    Mais de 1/4 a 1/2 2,2 15,4

    Mais de 1/2 a 1 12,0 40,5

    Mais de 1 a 3 42,4 34,2

    Mais de 3 42,8 5,8

    Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios 2003.

    Tabela 3 - Cobertura dos planos de sade dos idosos, por classes de rendimento mdio mensal domiciliar per capita - Brasil

    Classes de rendimento mensaldomiciliar per capita

    Cobertura dos planos de sade dos idosos (%)

    Taxas de hospitalizaes no mbito do SUSA causa de internao hospitalar mais frequente entre os idosos a insufi cincia

    cardaca, 12,1 para mulheres e 14,7 para os homens (Tabela 4). Pneumonia, bronquite e acidente vascular cerebral esto entre as seis causas de internao mais importantes, tanto para homens quanto para mulheres. Diabetes e hipertenso fi guram entre as seis principais causas somente entre as mulheres, enquanto hrnia inguinal, somente entre os homens.

  • ______________________________________________ Indicadores Sociodemogrfi cos e de Sade no Brasil 2009

    Entre os grupos de idade, a insufi cincia cardaca aparece como a primeira causa

    em todas as faixas etrias consideradas e, entre as mulheres, diabetes e hipertenso

    no aparecem entre as idosas de 80 anos ou mais. Por outro lado, entre os homens

    idosos com 80 anos ou mais, a desnutrio a sexta causa mais frequente de inter-

    nao hospitalar, com uma taxa de 5,3.

    Sexo, grupos de idadee

    causas de internao

    Morbidade hospitalar de

    idosos no SUS ()

    Sexo, grupos de idadee

    causas de internao

    Morbidade hospitalar de

    idosos no SUS ()

    Mulheres Homens

    60 anos ou mais de idade 60 anos ou mais de idade

    Insuficincia cardaca 12,1 Insuficincia cardaca 14,7

    Pneumonia 9,1 Bronquite enfisema e outras doenas pul- monares obstrutivas crnicas 10,4

    Bronquite enfisema e outras doenas pul- monares obstrutivas crnicas 6,5 Pneumonia 10,8

    Diabetes mellitus 4,5 Acidente vascular cerebral no especfico hemorrgico ou isqumico 6,2

    Acidente vascular cerebral no especfico hemorrgico ou isqumico 5,0 Outras doenas isqumicas do corao 6,3

    Hipertenso essencial (primria) 4,2 Hrnia inguinal 4,6

    60 a 69 anos de idade 60 a 69 anos de idade

    Insuficincia cardaca 6,7 Insuficincia cardaca 9,1 Bronquite enfisema e outras doenas pul- monares obstrutivas crnicas 4,0

    Bronquite enfisema e outras doenas pul- monares obstrutivas crnicas 6,3

    Pneumonia 4,7 Pneumonia 5,9

    Diabetes mellitus 3,6 Outras doenas isqumicas do corao 5,9

    Hipertenso essencial (primria) 3,1 Hrnia inguinal 4,5

    Colelitase e colecistite 4,0 Acidente vascular cerebral no especfico hemorrgico ou isqumico 3,9

    70 a 79 anos de idade 70 a 79 anos de idade

    Insuficincia cardaca 14,9 Insuficincia cardaca 18,4 Bronquite enfisema e outras doenas pul- monares obstrutivas crnicas 8,1

    Bronquite enfisema e outras doenas pul- monares obstrutivas crnicas 13,9

    Pneumonia 10,2 Pneumonia 13,1

    Diabetes mellitus 5,6 Acidente vascular cerebral no especfico hemorrgico ou isqumico 7,9

    Acidente vascular cerebral no especfico hemorrgico ou isqumico 6,1 Outras doenas isqumicas do corao 7,2

    Hipertenso essencial (primria) 5,0 Hrnia inguinal 5,1

    80 anos ou mais de idade 80 anos ou mais de idade

    Insuficincia cardaca 27,2 Insuficincia cardaca 33,2

    Pneumonia 24,5 Pneumonia 30,3 Bronquite enfisema e outras doenas pul- monares obstrutivas crnicas 12,3

    Bronquite enfisema e outras doenas pul- monares obstrutivas crnicas 22,0

    Acidente vascular cerebral no especfico hemorrgico ou isqumico 11,6

    Acidente vascular cerebral no especfico hemorrgico ou isqumico 13,3

    Fratura do fmur 8,9 Outras doenas isqumicas do corao 7,6

    Outras doenas do aparelho respiratrio 6,3 Desnutrio 5,3

    Fonte: Ministrio da Sade, Departamento de Informtica do SUS - DATASUS, Sistema de Informaes Hospitalares do SUS.Nota: As internaes registradas no Sistema de Informaes Hospitalares do Ministrio da Sade (AIH/DATASUS/MS) po-dem ser selecionadas por local de residncia ou de ocorrncia. Nesta tabela os dados esto apresentados por local deresidncia.

    Tabela 4 - Morbidade hospitalar de idosos no SUS, segundo o sexo, os grupos de idade e as causas de internao - Brasil - 2006

  • Sobre a condio de sade dos idosos: indicadores selecionados _____________________________________________

    Custo mdio e custo por habitante das hospitalizaes no mbito do SUS

    O custo mdio da internao no SUS maior entre os idosos (Grfi co 6), o que compatvel com os estudos sobre o tema. A mudana no perfi l demogrfi co e epidemiolgico da populao aumenta as despesas com tratamentos mdico e hos-pitalar. O idoso consome mais os servios de sade, as internaes hospitalares so mais frequentes e o tempo de ocupao do leito maior devido multiplicidade de patologias, quando comparado a outras faixas etrias (VERAS, 1994).

    Entre os idosos, o custo da internao per capita tende, tambm, a crescer medida que a idade aumenta, passando de R$ 93,05 por idoso, na faixa etria de 60 a 69 anos, para R$ 178,95 entre os idosos de 80 anos ou mais (Grfi co 7). Os homens idosos de 60 anos ou mais apresentaram, em 2006, um custo per capita menor do que as mulheres: cerca de R$ 100 e R$ 135, respectivamente.

    0

    R$

    Fonte: Ministrio da Sade, Departamento de Informtica do SUS - DATASUS, Sistema de Informaes Hospitalaresdo SUS.

    Grfico 7 - Custo da internao por habitante, por grupos de idade - Brasil - 2006

    20

    40

    60

    80

    100

    120

    140

    160

    180

    200

    De 60 anos ou maisde idade

    De 60 a 69 anosde idade

    De 70 a 79 anosde idade

    De 80 anos ou maisde idade

    0

    Fonte: Ministrio da Sade, Departamento de Informtica do SUS - DATASUS, Sistema de Informaes Hospitalares do SUS.

    Grfico 6 - Custo mdio da hospitalizao de todas as causas de internao,segundo os grupos de idade - Brasil - 2006

    100

    200

    300

    400

    500

    600

    700

    800

    900

    De 0 a 14 anos de idade De 15 a 59 anos de idade De 60 anos ou mais de idade

    R$

  • ______________________________________________ Indicadores Sociodemogrfi cos e de Sade no Brasil 2009

    Consideraes fi naisEstas informaes devem fazer os formuladores de polticas e aes da rea de

    sade refl etirem sobre as necessidades deste grupo etrio quando da organizao dos servios de sade. As mudanas no perfi l demogrfi co e epidemiolgico da populao acarretam um crescimento das despesas com tratamentos mdico e hospitalar. O custo das internaes hospitalares e o tempo mdio de permanncia na rede hospitalar so expressivamente mais elevados para os idosos, devido multiplicidade e natureza de suas patologias.

    Os dados mostram que os planos de sade atuam no sistema brasileiro de sade introduzindo um elemento de gerao de desigualdade social no acesso e na utilizao dos servios de sade porque cobrem, majoritariamente, uma parcela da populao com predominncia de pessoas com maior rendimento familiar.

    A ampliao do nmero de idosos e a maior utilizao do sistema de sade, con-sequncias do maior tempo de vida e das mltiplas patologias crnicas, confi guram-se como grandes desafi os para o sistema de sade. Um fato relevante, no entanto, a demonstrao de que polticas de promoo e preveno de sade esto provando efi ccia em todo o mundo. Estudos mais recentes confi rmam essas tendncias e indicam reduo do declnio funcional entre os idosos, o que aponta na direo de uma populao mais saudvel (FRIES, 2002; SCHOENI et al, 2005).

    Um fator importante para esse declnio pode estar relacionado maior universalizao do acesso aos servios pblicos de sade e melhoria no tratamento mdico, no que diz respeito tecnologia. Outros fatores, como o aumento dos nveis de escolaridade da populao, que vem ocorrendo h algumas dcadas, e mudanas comportamentais em relao a hbitos alimentares, so, tambm, importantes (PARAHYBA; SIMES , 2006).

    Esta reduo poderia ser mais ampla, caso se inclussem os segmentos que no tm acesso sequer a condies socioeconmicas satisfatrias, quanto mais aos equipamentos necessrios para auxiliar os idosos com difi culdades funcionais. Poder-se-ia ter, nesse caso, um cenrio que aponta na direo de uma populao idosa mais saudvel, a despeito das consequncias que o processo de envelhecimento da populao acarreta no que diz respeito ao aumento das doenas crnicas e maior necessidade de atendimento de sade daqueles que envelhecem e que vivem, cada vez mais, at idades mais avanadas.

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