CONCEITUAO DO POTICO para os alunos

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    02-Jul-2015

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Caractersticas da fico literria Conotao Novidade Estruturao Ficcionalidade Verossimilhana

1. Conotao O termo conotao deve ser reservado para sentidos de uma palavra ou de uma expresso que podem existir virtualmente na experincia que temos da coisa designada por essa palavra, ou nas associaes que nascem do uso que se faz dessa palavra na linguagem em geral, mas que s se atualizam por seu emprego particular num certo discurso. A conotao um sentido que s advm palavra numa dada situao e por referncia a um certo contexto. Cf. Poemas Satlitee Serenata Sinttica.

2. Novidade A novidade do significante lingstico causa no leitor um efeito de estranhamento, que o obriga a refletir na formulao da mensagem. A linguagem potica se caracteriza pelo poder de singularizao, pois usa o mtodo da representao inslita: os objetos so descritos como se desconhecidos, como se vistos pela primeira vez, deformados de suas propores habituais. A novidade do plano de expresso est quase sempre relacionada com uma novidade imaginada no plano do contedo. Se o material do poeta a palavra, s atravs do uso invulgar desta que ele pode chamar a ateno dos destinatrios para a realidade mais profunda da condio humana.

3. Estruturao O poeta no cria a lngua, pois esta um cdigo comunitrio, mas apenas dela se serve de uma forma diferente. Ao desvio criado pela funo metafrica da linguagem literria deve corresponder a possibilidade de correo desse desvio, sob pena de o texto ser incompreensvel. A literariedade de um texto reside no no fato de ser estruturado, mas na especificidade de sua estrutura, ou no processo pelo qual os materiais lingsticos, culturais e ideolgicos so organizados e adquirem forma de arte. Cf. poema concreto, de Augusto de Campos.

4. Ficcionalidade A literatura cria o seu prprio universo, semanticamente autnomo em relao ao mundo em que vive o autor, com seus seres ficcionais, seu ambiente imaginrio, seu cdigo ideolgico, sua prpria verdade. Essa realidade nova no deixa de ter uma relao significativa com o real objetivo. Ningum pode criar do nada: as estruturas lingusticas, sociais e ideolgicas fornecem ao artista o material sobre o qual ele constri o seu mundo de imaginao.

4. Verossimilhana A obra de arte, por no ser relacionada diretamente com um referente do mundo exterior, no verdadeira, mas possui a equivalncia da verdade, a verossimilhana, que a caracterstica indicadora do poder ser, do poder acontecer. Verossimilhana Interna: refere-se coerncia estrutural da obra. Verossimilhana Externa, que confere ao imaginrio a cauo formal do real pelo respeito s regras do bom senso e da opinio comum.

Funes da Literatura Horcio indica duas funes possveis para a arte: o til ou o agradvel. Destas duas funes foram propostas duas teorias: a formal (ou hedonista) e a teoria moral (ou utilitarista). No primeiro caso, a arte no tem outra finalidade a no ser o prazer esttico, relacionado com a escolha e o modo particular da organizao do material lingustico e ideolgico; isto , literatura como artefato. No segundo caso, a literatura possui uma finalidade pedaggica e educativa; contribuir para a tomada de conscincia do homem perante seus problemas, quer individuais, quer coletivos. As duas teorias so, no entanto, complementares. J que o signo literrio um compositum, em que no podemos isolar o significante do significado, o plano da expresso do plano do contedo. Cf. erro de portugus, de O. de Andrade.

Funes da Literatura Preocupar-se apenas com a significao da obra literria, sem analisar-lhe a feio artstica, seria no considerar o objeto artstico como tal e, portanto, negar a especificidade de sua natureza. Alm da funo esttica (arte da palavra e expresso do belo), uma obra literria pode possuir, concomitantemente, a funo ldica (provocar prazer), a funo cognitiva (forma de conhecimento de uma realidade objetiva ou psicolgica), a funo catrtica (purificadora dos sentimentos) e funo pragmtica (pregao de uma ideologia).