Carnaval 2015 - 16 de fevereiro de 2015

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    07-Apr-2016

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Carnaval 2015 - Caderno especial do jornal Amazonas EM TEMPO

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  • CarnavalEspecialMANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2015 redacao@emtempo.com.br 3090-1000

    2015

    Escola desfila pela primeira vez no Grupo Especial contando a histria da luz e de sua falta nos dias atuais

    MRCIA OLIVEIRA*

    Equipe do AGORA Em sua estreia no grupo especial, Imp-rio fez bonito

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    Alegria e con ana no resultado: receita do vigor nas apresentaes

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    Com uma bateria forte e rit-mada, a escola Imprio da Kamlia estreou no grupo especial e abriu os des les na noite de sbado (14) no Centro de Convenes do Amazonas, na Zona Centro-Oeste, iniciando o mo-mento mais esperado do Carnaval amazonense, cujas agremiaes campes de cada grupo sero co-nhecidas hoje, com a apurao que comear s 9h no sambdromo.

    A disputa pelo ttulo no grupo especial est entre A Grande Fa-mlia, Reino Unido, Vitria-Rgia e Unidos do Alvorada, que ganharam a preferncia do pblico no ltimo sbado e foram apontadas como favoritas durante o des le.

    Mesmo com o Centro de Con-venes vazio, a escola Imprio da Kamlia no se intimidou e mostrou a que veio, trasbordando beleza, luxo e muita animao. Ainda na concentrao, os compo-nentes aguardavam ansiosos pela to esperada estreia. Segundo a professora Ariane Oliveira, 28, uma das componentes da escola, o des- le da agremiao foi mais que esperado. Conforme a brincante, o ltimo ensaio teve uma carga mui-to grande de emoo e expectativa. A Kamlia uma escola de bairro, e apesar da tradio de mais de sete dcadas, apenas agora teve o lugar de destaque que merece, conta a professora.

    A escola campe do grupo de acesso iniciou sua apresentao por volta das 19h13 e levou para o sambdromo o tema Luz, energia que move o mundo, contando a histria da evoluo da luz na humanidade, e em sua entrada sur-preendeu quem estava esperando,

    com muitas plumas, pa-ets e brilho, em um Carnaval digno de grupo especial.

    O luxo adornou a escola desde

    a comisso de fren-

    te, que repre-s e n -

    tava o

    surgimento da luz, tanto o divino como o tecnolgico, passando pe-los quatro carros que cruzaram a avenida do samba. J no carro abre-alas, a escola mostrou o tra-balho realizado pelos seus artistas, chamando a ateno do pblico com 14 destaques suspensos.

    As alas da escola representa-ram tanto a luz quanto a falta dela. A primeira, a Ala das tre-vas, simbolizava o perodo escu-ro e sombrio, seguido pela idade da pedra, recontando como o povo da poca descobriu o fogo, tema da terceira da ala. J a quarta ala, O Sol, representava a Grcia Antiga.

    A bateria foi um dos grandes atrativos, ritmada, forte, har-mnica e nervosa, contagian-do os 2,2 mil componentes da agremiao e todos os folies que comearam a preencher

    o sambdromo na metade da apresentao da escola. Es-tou muito emocionada, minha primeira vez como madrinha, contou a apresentadora Norma Arajo, madrinha da bateria, que tambm estreou no Carnaval.

    A apresentao da Kamlia durou aproximadamente 60 minutos. Para a dona de casa Maria Jos Oliveira, 31, que prestigiou a apresentao, a agremiao surpreendeu. Eu venho todos os anos assistir ao desfile, e confesso que me surpreendi. Eu no esperava que uma escola do grupo de acesso pudesse realizar um desfile to rico, contou.

    Para o presidente da escola, Almrio Botelho, o des le teve um saldo positivo. Nossa escola no vem brigar pelo ttulo, porm viemos para car, desabafou.

    * Com texto de Karine Pantoja, do AGORA

    Das trevas luz, tema da Kamlia marca sua estreia

    GARRAMesmo com o Centro de Convenes ainda vazio, a escola Imp-rio da Kamlia no se intimidou e mostrou a que veio, transbordan-do beleza, luxo e muita animao em sua es-treia no grupo especial

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  • E2 MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2015Carnaval 2015

    Problemas afetam des le da Andanas de CiganosAtrasada em sua entrada, a segunda escola a des lar enfrentou problemas em alegorias, afetando seu desempenho

    Com um atraso de 20 minutos, a G.R.E.S. An-danas de Ciganos foi a segunda escola a des- lar no Centro de Convenes de Manaus, na noite do ltimo sbado (14). A agremiao entrou na avenida com defei-tos no primeiro carro alegrico, problemas no som e com a pri-meira ala em desarmonia com o enredo. Em sua segunda apre-sentao como escola do grupo Especial, a agremiao trouxe o tema No clamor do seu povo desperta o guerreiro esquecido, Ajuricaba, o heri Mana, con-tando a histria de um lendrio guerreiro do sculo 18.

    Ainda na concentrao, os folies j mostravam o samba no p e o sorriso no rosto para ganhar o pblico e os jurados. Estou s na expectativa para nossa entrada, fomos prejudi-cados este ano pela falta de verba, mas mesmo assim ns ensaiamos muito, comentou o intrprete Agnaldo do Samba.

    A escola iniciou seu des le s 20h30, e logo no comeo, o primeiro carro alegrico teve muitos problemas. O guerreiro Ajuricaba representado nele teve a sua cabea virada ao contrrio, as luzes da alegoria no ligaram e os dez brincan-tes que estavam suspensos no pareciam animados e pouco

    danaram, prejudicando assim a beleza da alegoria.

    Os integrantes da primeira ala trouxeram uma dana tipi-camente indgena, mas ainda pareciam um pouco perdidos no compasso da msica. O casal de mestre-sala e porta-bandeira apresentou beleza e luxo em suas vestes dourada e preta mostrando todo samba no p e cumprimentando o pblico.

    A ala das baianas ganhou des-taque trazendo idosas como a aposentada Marluce Gomes,66, que com um grande sorriso se emocionou ao falar que todos os anos ela faz questo de descer a avenida com a agremiao, e que a escola faz parte da vida dela. Toda vez eu co nervosa e animada para danar. Essa animao do pblico que me mantm viva, a rmou.

    Mostrando toda sua euforia, a funcionria pblica Francieli Santos, 37, que cadeirante, veio vestida de baiana e disse que este ano resolveu descer a avenida em sua cadeira de rodas. Todos os anos eu ve-nho suspensa na alegoria, mas resolvi desa ar meus limites, e estou adorando essa adre-nalina de estar aqui pertinho de todos, declarou.

    O terceiro carro alegrico trouxe algumas mulheres com seios mostra, ilustrando as ndias adoradas do lendrio guerreiro Ajuricaba, danado em harmonia umas com as

    outras, mas a alegoria teve problemas em meio ao des- le e deixou a avenida com espao vazio. Todas as alas estavam com fantasias cheias de penas e muito brilho, ilus-trando a riqueza em que vivia aquele povo. Cores vibrantes como o amarelo, vermelho e o verde predominaram.

    O quarto carro alegrico trou-xe o Teatro Amazonas como foco ilustrando os espectado-res que usavam leques luxuosos para aliviar o calor e binculos para assistir o espetculo.

    Um acidente no meio do des- le assustou o Corpo de Bom-beiros e espectadores, quando um drone (cmera mvel) de uma emissora de televiso caiu em cima dos folies e integrantes da corporao. O aparelho acabou ferindo levemente um idoso. Levado para uma das ambulncias do Servio de Atendimento Mvel de Urgncia (Samu), ele foi liberado.

    A escola fechou o des le com 61 minutos e 59 segun-dos de durao e teve mui-tas crticas do pblico. A dona de casa Maria Rosa Sena, 43, disse que gostou da animao dos brincantes, mas achou a bateria fraca e sem ritmo.

    Ao sair da avenida, o presiden-te da escola, Wilson Benayon, ressaltou que a agremiao deu o mximo de si , mas a rmou no ter gostado do desempenho.

    ANA SENA

    Equipe do AGORA

    Focada na sade e no exotismo

    O Grmio Recreativo Escola de Samba (G.R.E.S.) Unidos da Alvorada foi a terceira escola a des lar no Carnaval 2015, aps a Andanas de Ciganos, na noite de sbado (14). De modo geral, a apre-sentao foi tranquila e os tor-cedores na arquibancada do sambdromo vibraram com agremiao. A escola saiu da avenida com o tempo de uma hora e trs minutos, dentro do prazo estabelecido.

    A agremiao levou para avenida o tema de enredo Sade, alegria e paz o resto a gente corre atrs. O enredo surgiu de uma sugesto do presidente da agremiao, Heroldo Linhares. De acordo com o carnavalesco, a sa-de vem sendo discutida em todo o pas com descaso. Nossa ideia levar so-ciedade e ao poder pblico

    que a sade deve ter mais ateno de todos a cada dia. E que a sade bem cuidada signi ca vida prolongada, explicou o presidente.

    Os 3,5 mil brincantes da escola de samba foram divi-

    didos em 26 alas que mos-traram, cada uma, desde o nascimento do homem at os cuidados com a sade. Nas alegorias, muitas fi-guras de rosto, alguns ex-ticos, alm da beleza da

    mulher da amaznica com traos exuberantes, mas sempre reforando a ideia proposta pela agremiao de que a sade deve ser tratada com seriedade por todos ns, independente de classe social.

    Um dos principais des-taques foi a comisso de frente, que trouxe a ma-gia do surgimento da vida, com integrantes vestidos de mdicos e enfermeiros, alm de monges que repre-sentavam a vida. O carro abre-alas tambm chamou ateno do pblico, trazendo a gura da era Egito.

    A escola desceu a passa-rela do samba com quatro alegorias e 26 alas. Ao todo, 80 baianas se apresentaram no segundo setor do des le. A bateria fez estremecer o corao dos brincantes e dos torcedores na arquibancada. O samba-enredo foi interpre-tado por Auzier do Samba.

    MENSAGEMOs 3,5 mil brincantes da escola de samba Unidos da Alvorada foram divididos em 26 alas que mostraram, cada uma, desde o nascimento do homem at os cuidados com a sade

    UNIDOS DA ALVORADA

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    JOSEMAR ANTUNES

    Especial EM TEMPO ONLINE

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  • E3MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2015 Carnaval 2015

    A Grande Famlia revela in uncia da cultura afro Contando a histria do candombl desde os pores dos navios negreiros, escola entrou rme para conquistar o ttulo

    A gigante da Zona Leste, A Grande Famlia, ini-ciou seu des le s 23h de sbado (14) e levou para a passarela do samba 21 alas, cinco carros alegricos, 3,6 mil brincantes e 250 rit-mistas com o enredo Orixs: a fora que vem da natureza, composta por Alan Vasconcelos, Gueivy Garcia, Gleison Garcia, Val Fernandes, Andr do Banjo e Jnior Feijo. A agremiao apresentou uma surpresa logo na primeira alegoria, que fazia parte da coreogra a da co-misso de frente, com efeitos especiais que davam iluso do lanamento de um foguete.

    Esse foi o primeiro ano de participao de Luiz Gilberto An-drade Lima, o Luizinho, lho do patrono da escola, Luiz Gilberto, que foi por mais de 20 anos presidente da agremiao.

    Um dos pontos cruciais e o mais importantes do des- le foi a alegoria viva, com os integrantes da comisso de frente executando uma coreo-gra a bem sincronizada, har-moniosa, que interpretava a histria dos orixs.

    Nessa estreia como presidente, Luizinho fa-lou da importncia de estar com essa respon-sabilidade este ano e dos desa os que o esperam. uma emoo muito grande estar como presi-dente da escola, descre-vendo em cada ala e no prprio enredo o verda-deiro amor pela escola. Nessa nova fase vamos mostrar quem faz o ver-dadeiro Carnaval e quem a melhor, a rmou.

    A agremiao contou, por meio de suas alego-rias, a histria de

    navios negreiros que chegaram entre os sculos 16 e 19 trazen-do centenas de africanos para trabalharem como escravos no Brasil Colnia. Em seus pores, viajava tambm uma religio estranha aos portugueses, con-siderada feitiaria pelos colo-nizadores, surgindo assim uma das religies mais populares do pas: o candombl.

    O candombl, com seus ba-tuques e danas, uma festa para os adeptos e, com suas divindades geniosas, a religio afro-brasileira mais in uente do pas. Por isso, para levar os ma-nauenses ao mundo do candom-bl, a agremiao trouxe para a avenida do samba o enredo Orixs: a fora que vem da natu-reza, que mostrou a origem dos orixs e sua importncia para o destino da humanidade.

    Com essa proposta de mos-trar o que a cultura afro tem de mais in uente na cultura brasileira, a agremiao trouxe uma ala representando os ori-xs coordenada pelo babalorix Alberto Jorge, principal articu-lador nacional de luta contra o preconceito e dio religioso no Estado.

    A escola apresentou ainda, durante o des le, problemas mecnicos em dois dos car-ros alegricos, rapidamen-te solucionados pela equi-pe de harmonia coordenada por Arleson Mota.

    A agremiao trouxe ainda personalidades conhecidas do cenrio artstico da cidade, como as cantoras Mrcia Si-queira e Lucilene Castro, o ator e diretor teatral Michel Guerreiro e os comediantes Rosa Mala-gueta e Raimundo.

    MAIRKON CASTRO

    Especial EM TEMPO ONLINE

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    drade Lima, o Luizinho, lho do patrono da escola, Luiz Gilberto, que foi por mais de 20 anos presidente da agremiao.

    Um dos pontos cruciais e o mais importantes do des- le foi a alegoria viva, com os integrantes da comisso de frente executando uma coreo-gra a bem sincronizada, har-moniosa, que interpretava a histria dos orixs.

    Nessa estreia como presidente, Luizinho fa-lou da importncia de estar com essa respon-sabilidade este ano e dos desa os que o esperam. uma emoo muito desa os que o esperam. uma emoo muito desa os que o esperam.

    grande estar como presi-dente da escola, descre-vendo em cada ala e no prprio enredo o verda-deiro amor pela escola. Nessa nova fase vamos mostrar quem faz o ver-dadeiro Carnaval e quem a melhor, a rmou.

    A agremiao contou, por meio de suas alego-rias, a histria de

    gueta e Raimundo.

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    Escola resgatou a histria das religies de matriz africana

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  • E4 MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2015Carnaval 2015

    Lutas e muito luxo na escola Sem CompromissoDos gladiadores romanos ao UFC, escola mostrou a relao do homem de vrias pocas com a luta

    Com muita criatividade, o Gr-mio Recreativo Escola de Sam-ba (G.R.E.S) Sem Compromisso transformou a avenida do samba em um ringue a cu aberto seguindo o enredo Lutar sempre, vencer talvez, desistir jamais.

    Em exatos 59 minutos de apresenta-o, a quinta escola da noite narrou a relao do homem de diferentes civili-zaes e pocas com a luta. Desde os primrdios at a criao do Ultimate Fighting Championship (UFC), os trs mil brincantes, distribudos em 25 alas, passearam pela fora dos ho-mens de neanderthal, a agilidade dos gladiadores romanos e dos guerreiros espartanos, a organizao das tropas medievais, a sutileza dos samurais japoneses e a mistura moderna das tcnicas do M.M.A.

    Os artistas da comisso de frente, fantasiados de lutadores, surgiram de dentro do carro abre-alas em formato de tucano, o smbolo da escola.

    Foram cinco carros alegricos e um dos mais criativos representou a arte da luta milenar do povo japons. A es-trutura trazia um guerreiro em posio de combate, cercado de drages e atrs de um palcio de estilo oriental. De branco com detalhes em prateado, a fantasia das baianas fez referncia cultura africana, que tambm desen-volveu diferentes tcnicas de luta.

    A luta moderna foi representada pelos folies preparados para entrar no ringue, trajando roupo, short e, claro, o famoso cinturo dos vence-dores. Contudo, uma das alas mais

    irreverentes foi sem dvida a dos su-per-heris mascarados, com direito capa e balezinhos de onomatopias sobre a cabea.

    Cada cultura foi representada por uma combinao de nuances que co-loriu a avenida.

    O ltimo carro alegrico trouxe ima-gens de lutadores famosos, como Mike Tyson, John Jones e do amazonense Jos Aldo, que no participou do desfile.

    0h09 de domingo, a escola tomou toda a avenida. Oito minutos depois foi a vez de a bateria ocupar o recuo, sem deixar buracos e sem prejudicar sua evoluo.

    Antes de deixar a passarela, a bateria - sempre coreografada - parou prximo sada e tocou para a arquibancada.

    A Sem Compromisso driblou o atraso na liberao do patrocnio do Estado feito somente um dia antes do des-file, na sexta-feira (13) e o aumento significativo dos preos dos materiais como ferragens e plumas, com trocas inteligentes mas sem perder o brilho. Em algumas alas, por exemplo, as pe-nas foram produzidas com um material emborrachado e nos ps os brincantes usaram meias sobre os calados. Tive-mos que abortar 40% do nosso projeto inicial. O certo era nos repassarem o dinheiro pelo menos com trs meses de antecedncia. Mas deu certo, viemos com um samba bonito e a comunidade da Zona Norte nos abraou. A escola estava linda, veio com garra e vamos para as cabeas, afirmou o carnava-lesco Augusto Maciel, que trabalha no Carnaval desde 1981.

    Cantores amazonenses participaram do desfile da escola. Gosto de todas, mas por esta tenho mais apreo desde quando tive a honra de ser homena-geado e receber o ttulo benemrito, afirmou o cantor Chico da Silva.

    O enredo foi entoado tambm pelo cantor e atual apresentador do boi Caprichoso, Arlindo Jnior, que desde 2000 desfila pela Sem Compromisso. Eu vim do samba. minha raiz. Nosso enredo est muito bom, para cima, agitado, com tons altos, bom para a galera cantar, disse.

    Emocionado aps a apresentao, o vice- presidente da escola, Ba-tista Lima, acredita na vitria. A Sem Compromisso foi linda, o p-blico esteve com a gente todo o tempo pulsando, foi muita alegria. Vamos chegar l, afirmou.

    IVE RYLO

    Equipe EM TEMPO

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    claro, o famoso cinturo dos vence-Mes

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  • E5MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2015 Carnaval 2015

    Mocidade de Aparecida homenageia o vizinho AcreHistria do Estado foi a inspirao para a sexta escola do grupo especial a se apresentar no sambdromo ontem

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    Mantendo a tradio de levar para a ave-nida um des le lu-xuoso, a G.R.E.S. Mocidade Independente de Aparecida mostrou as bele-zas e a histria do Acre com o enredo Aquiri Orgulho do Brasil na madrugada de on-tem. Durante 63 minutos de apresentao, a sexta escola do Grupo Especial a se apresen-tar levou alegria e animao para o Centro de Convenes, com destaque para o carro abre-alas um jacar de 30 metros com movimentos e com acabamento impecveis e os efeitos especiais das outras alegorias.

    Para o carnavalesco da Apa-recida, Saulo Borges, a escola levou ao sambdromo uma his-tria que merece ser contada. Falamos de Acre, Acre e Acre. Independente de qualquer coi-sa, a nossa homenagem a um povo guerreiro, que lutou, sobretudo, para ser brasilei-ro. Um povo que enfrentou todos os inimigos e at hoje enfrenta, por conta das di -culdades pelas quais o povo passa, declarou.

    Para Borges, escrever o en-redo sobre a histria do Es-tado vizinho no foi a tarefa mais fcil. Ns percebemos a di culdade quando come-amos a escrever a sinopse e notamos que se tratava de um assunto que no dominamos e, por isso, buscamos ajuda de historiadores. Apesar disso, conseguimos contar magni- camente a trajetria desse Estado, desse povo que, alm das lutas, se misturou e ainda se mistura, criando multifa-ces, completa.

    A bateria foi um show parte. Para o mestre Lucas, a animao dos folies foi a pea-chave para fazer um bom des le. Este ano trouxe-mos muitas novidades, com a

    bateria, como sempre, muito ousada. Fizemos vrias bossas, e o momento mais especial foi quando estvamos prximos da nossa galera. Trouxemos alegria, antes de tudo, co-memorou.

    Amor verde e brancoDo recuo da bateria at a sa-

    da do Centro de Convenes, a Aparecida contou com um folio para l de animado: o senador Omar Aziz torcedor de carteirinha e presidente de honra da escola , ao lado de sua esposa Nejmi Jomaa, que zeram questo de ir do camarote at o carro de som onde cam os intrpretes para pular e cantar junto com os componentes da escola.

    Para a empresria Maria Cristina Silva, 47, que des -la pela escola h 10 anos, a emoo de estar mais uma vez colaborando para dar vida ao enredo da agremiao no tem preo. Amo essa escola e fao tudo para ajud-la a brilhar na avenida. At trago meus lhos e minha famlia, porque somos todos apaixonados por Carnaval. uma delcia poder ver minha escola to linda e estar ao lado de quem a gente ama, disse a animada foli.

    Os primeiros acordes do samba-enredo aconteceram 0h53. O primeiro carro a sair pela disperso saiu 1h35, o que gerou certa correria entre os componentes da harmo-nia. No entanto, a situao foi contornada e a Aparecida terminou o des le aps 63 minutos, sem grandes percal-os, de acordo com a equipe responsvel por cronometrar a passagem da escola pela avenida.

    Ao nal do des le, houve um incio de confuso na rea da disperso entre membros da diretoria da escola, mas a situao foi controlada e a passagem da Aparecida pelo sambdromo acabou sem maiores problemas.

    Fantasias mostravam o luxo e a criativida-de da escola

    Sem limites para brincar, folies ze-

    ram a alegria

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    O cantor Zezinho Corra, um dos parti-cipantes do des le da Mocidade

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    Jacar de 30 metros levou espanto ao pblico que assistiu ao des le da Aparecida

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  • E6 MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2015Carnaval 2015

    Balaku-Blaku revela os encantos da PrincesinhaManacapuru, a terra das cirandas, foi o tema da agremiao, que se mostra otimista na disputa do campeonato

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    Nem mesmo as di -culdades encontra-das antes e durante o des le consegui-ram tirar o brilho, a garra, a determinao e a superao do Grmio Recreativo Escola de Samba (G.R.E.S.) Balaku-Blaku, que se apresentou nas primeiras horas de ontem na passarela do samba. A Ver-melha e Branca do Centro levou o pblico, durante 60 minutos, a uma viagem que contou a histria do municpio de Manacapuru.

    A guia de ouro, que teve como enredo este ano Canta, alto ci-randeiro, com orgulho e amor, conta a histria de Manacapuru, o sonho que se realizou, mos-trou e exaltou em quatro ale-gorias e 32 alas os encantos da Princesinha do Solimes.

    Apresentamos toda a hist-ria desse municpio to querido que Manacapuru e desse povo to sonhador. Desenvolvemos nosso Carnaval contando a histria desde o incio, quando os ndios mura resistiram aos ataques protegendo a cidade. Mostramos tambm suas be-lezas naturais, sua economia, sua paixo pelo futebol e prin-cipalmente pelas tradicionais cirandas, disse o presidente da escola, Jos Renato Junior.

    Um dos pontos altos do des- le da Balaku-Blaku, que ar-rancou aplausos e levantou a torcida, foi a apresentao da comisso de frente, que este ano veio ousada e inovou na troca dos brincantes dentro da passarela do samba. As ciran-das Flor Matizada, Tradicional e Guerreiros Mura, que vieram de Manacapuru em caravanas para abrilhantar o des le, tam-bm deram um show parte

    com o seu bailado. Emocionado, o presidente

    destacou no nal do des le que mesmo com todos os obst-culos encontrados nos ltimos meses, a Balaku-Blaku se mos-trou uma escola determinada e pronta para continuar no grupo especial no prximo ano.

    Infelizmente, no deu tudo certo. A di culdade nancei-ra foi muito grande este ano e adiou o sonho de conquis-tar o nosso terceiro ttulo no grupo especial, mas a escola veio com o lema superao e conseguimos mostrar essa bela histria, mesmo que no tenha sido 100% como hava-mos planejado. A comunidade se empenhou e deu o seu melhor para que a escola zesse um des le emocionante. S tenho a agradecer e dizer que zemos o nosso trabalho com garra, determinao e superao, nalizou Jos Renato.

    GERSON FREITAS

    Equipe do AGORA

    Cores e brilho na ave-nida: Balaku-Blaku foi para a avenida com superao

    Manacapuru e suas cirandas foi a inspi-rao da escola de samba Balaku-Blaku

    Religiosidade e alegria foram as marcas da agremiao na passa-rela do samba

    Escola se empenhou em mostrar muita har-monia em seu des le de ontem

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    Escola se empenhou em mostrar muita har-monia em seu des le de ontem

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  • E7MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2015 Carnaval 2015

    Reino Unido usa criatividade ao homenagear construesA Torre de Babel, o Coliseu de Roma e o Teatro Amazonas foram algumas das criaes representadas pela escola

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    Construo - Obra prima da humanidade foi o tema escolhido pela Reino Unido

    Com o enredo Construo - Obra Prima da Humani-dade, a Reino Unido da Liberdade homenageou as maiores construes de todos os tempos. Da criao divina, pas-sando pela Torre de Babel e o Coliseu at chegar ao Teatro Ama-zonas, os carros alegricos e as alas mostraram criatividade.

    Por volta das 3h15 de ontem, a escola entrou na avenida do samba j consolidada como uma das favo-ritas do Carnaval 2015. Apesar de problemas na concentrao, a escola completou seu desfile em pouco mais de uma hora de apresentao.

    A arquibancada promoveu um espetculo parte. Vrios bales nas cores verde e branca sau-daram a representante do bair-ro Morro da Liberdade, Zona Sul de Manaus. A Bateria Furiosa, por sua vez, marcou o ritmo de maneira fluente e coesa.

    Enfrentamos algumas dificulda-des, mas considero o desfile um sucesso. um sinal do profissiona-lismo que marca o nosso trabalho, disse Jairo Beira-Mar, presidente da Reino Unido. Ele considera o favoritismo um reflexo do trabalho social feito pelo grupo no Instituto Reino do Amanh. A iniciativa pro-move atividades ldicas e educati-vas a 300 crianas carentes. Gran-de parte dessa turma integrou a ala mirim do desfile.

    Encerrando a apresentao, o carro alegrico Terreiro do Sam-ba Me Zulmira Gomes d nome nova quadra de ensaios, com inaugurao prevista para abril. A ex-diretora do terreiro Santa Br-bara j foi homenageada no enredo Me Zulmira, O Amanhecer de Uma Raa, de 1989. Naquele ano, a escola faturou seu primeiro ttulo no Carnaval de Manaus.

    DANIEL AMORIM

    Especial para o Em Tempo

    Sensualidade no gurino e tambm na perfomance durante as apresentaes

    O smbolo da escolafoi destaque em uma das alegorias napassarela do samba

    Brincantes de todas as idades entraram em cena em busca do ttulo deste ano

    A Reino Unido apos-tou em coreogra as ousadas para prender a ateno do pblico

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  • E8 MANAUS, SEGUNDA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2015Carnaval 2015

    Vitria-Rgia encerra o Carnaval com muita fDevoo do povo amaznico a Nossa Senhora foi o tema da escola que fechou os des les deste ano do Carnaval amazonense

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    Com 3,5 mil folies divididos em 26 alas e cinco carros alegricos, a esco-la de samba Vitria-Rgia fechou o desfile do grupo especial na manh de on-tem, com o tema F de Nazar Conceio nos Ca-minhos das guas, sobre a devoo a Nossa Senhora na regio amaznica.

    O abre-alas da Vitria-Rgia relembrou a anun-ciao do anjo Gabriel a Maria, me de Jesus Cristo. O desenvolvedor do tema, Adson Garcia, explicou que trouxe na abertura mulhe-res vestidas de verde e rosa as cores da esco-la - que lembraram uma rosa para ser oferecida a Nossa Senhora.

    Para embelezar a aveni-da, os ritmistas trouxeram luzes rosas nos tamborins. O primeiro carro da es-cola trouxe a baslica do Crio de Nazar carrega-da por jacars, lembran-do a devoo e a cultura do povo paraense.

    Para continuar a home-nagem, aps o primeiro carro a escola de samba apresentou suas baia-nas, todas relembrando a imagem de Nossa Senhora de Nazar. Os problemas surgiram no segundo car-ro, com o tema Mstica Paraense. A cabea de um dos animais foi quebrada, mas carregada durante todo o desfile pelo grupo de apoio da escola.

    Como um dos destaques no segundo carro, a esco-

    la de samba Vitria-R-gia trouxe o marinheiro mais antigo da comuni-dade, que tambm tem ra-zes paraenses, conhecido como Delay.

    Uma imagem de Nossa Senhora do Carmo, padro-eira de Parintins, veio no terceiro carro junto os prin-cipais destaques do festival folclrico - azul de um lado e vermelho do outro.

    Continuando a homena-gem s santas, o quarto carro, com anjos e trom-betas, trouxe a imagem de Nossa Senhora da Concei-o, alm de lembrar nos destaques toda a popula-o amaznica.

    Para fechar a apresenta-o, a ltima ala apresen-tou a devoo do paraense. Nele, estavam como desta-ques algumas candidatas do concurso Miss Amazo-nas e a vencedora de 2015. Com uma hora de desfile, a Vitria-Rgia fechou o Carnaval amazonense com o trecho do samba-enre-do: Podem falar o que quiser, eu sou a primeira me do samba.

    O presidente da agre-miao Vitria-Rgia, Ivan Martins, disse que se sentiu satisfeito em poder fazer um desfile mesmo com as dificuldades enfren-tadas por todas as esco-las. Se no tivssemos o apoio da comunidade, o Carnaval de Manaus no existiria. A situao do repasse do dinheiro atra-palha, pois se tudo fos-se conforme o acordado, nosso Carnaval sem dvi-da seria um modelo para o pas, desabafou.

    Religiosidade foi o tema da escola de samba

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    ISABELLE VALOIS

    Equipe EM TEMPO

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    Vitria-Rgia fechou o Carnaval amazonense j no incio da manh de domingo

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    IONE MORENO

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    DIEGO JANAT

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