Captulo I Automao residencial: histrico, definies e conceitos

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    07-Jan-2017

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    Iniciamos nesta edio o fascculo sobre automao

    residencial que deve abordar em seus captulos os

    seguintes assuntos (sujeitos a alteraes no decorrer

    das publicaes):

    Automao residencial histrico, definies e

    conceitos;

    Cabeamento residencial para comunicao (dados,

    voz e imagem);

    Automao da instalao eltrica;

    Solues em automao residencial;

    Principais subsistemas;

    Projeto integrado de infraestrutura;

    Interfaces para usurio servios especiais;

    Gesto de energia;

    Automao em reas comuns de condomnios

    residenciais;

    Projees o futuro da automao residencial.

    Definio de automao residencial o conjunto de servios proporcionados por sistemas

    tecnolgicos integrados como o melhor meio de satisfazer

    as necessidades bsicas de segurana, comunicao,

    gesto energtica e conforto de uma habitao.

    Nesse contexto, costumamos achar mais adequado

    o termo domtica, largamente empregado na

    Europa, pois mais abrangente. No entanto, no Brasil,

    optamos pela traduo literal de home automation,

    denominao americana mais restrita, uma vez

    que, conceitualmente, o termo automao no

    englobaria, por exemplo, sistemas de comunicao ou

    sonorizao.

    Uma definio bastante completa obtida nas

    publicaes da Asociacin Espaola de Domtica

    (Cedom):

    Por Jos Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal B*

    Captulo I

    Automao residencial: histrico, definies e conceitos

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    Domtica a automatizao e o controle aplicados

    residncia. Esta automatizao e controle se realizam

    mediante o uso de equipamentos que dispem de

    capacidade para se comunicar interativamente entre

    eles e com capacidade de seguir as instrues de

    um programa previamente estabelecido pelo usurio

    da residncia e com possibilidades de alteraes

    conforme seus interesses. Em consequncia, a

    domtica permite maior qualidade de vida, reduz

    o trabalho domstico, aumenta o bem-estar e a

    segurana, racionaliza o consumo de energia e, alm

    disso, sua evoluo permite oferecer continuamente

    novas aplicaes.

    Como se percebe, o principal fator que define

    uma instalao residencial automatizada a

    integrao entre os sistemas aliada capacidade de

    executar funes e comandos mediante instrues

    programveis. A integrao deve abranger todos os

    sistemas tecnolgicos da residncia, a saber:

    Instalao eltrica, que compreende: iluminao,

    persianas e cortinas, gesto de energia e outros;

    Sistema de segurana: alarmes de intruso,

    alarmes tcnicos (fumaa, vazamento de gs,

    inundao), circuito fechado de TV, monitoramento,

    controle de acesso;

    Sistemas multimdia: udio e vdeo, som ambiente,

    jogos eletrnicos, alm de vdeos, imagens e sons

    sob demanda;

    Sistemas de comunicaes: telefonia e interfonia,

    redes domsticas, TV por assinatura;

    Utilidades: irrigao, aspirao central, climatizao,

    aquecimento de gua, bombas e outros.

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    Histrico e situao atual no Brasil e no mundo Com o mercado economicamente ativo, a automao

    residencial ainda muito nova, traduzindo-se em um

    processo ainda em emergncia. As primeiras incurses

    nestas tecnologias datam do final da dcada de 1970,

    quando surgiram nos Estados Unidos os primeiros mdulos

    inteligentes, cujos comandos eram enviados pela prpria

    rede eltrica da residncia, no conceito de PLC (Power Line

    Carrier). Tratava-se de solues simples, praticamente no

    integradas e que resolviam situaes pontuais, como ligar

    remotamente algum equipamento ou luzes.

    Com o advento dos computadores pessoais e da internet,

    a exploso da telefonia mvel e outras tecnologias que

    ingressaram no mundo pessoal dos consumidores, a aceitao

    das tecnologias residenciais passou a ter um forte apelo.

    Nas economias mais desenvolvidas, o cenrio para as

    chamadas casas inteligentes tem evoludo de maneira

    muito positiva nos ltimos anos. Tem contribudo para isso

    a crescente popularizao de diversas tecnologias, seja

    pelo aspecto educativo do consumidor, seja pelos preos

    decrescentes.

    Soma-se a isso a oferta abundante e barata de servios

    de comunicao, como acesso em banda larga, diversas

    modalidades de contedo digital, downloads de msicas e

    filmes, etc. Alm disso, temos um ambiente muito propcio

    para o desenvolvimento dos chamados sistemas domticos.

    A partir de recentes pesquisas feitas nos Estados Unidos,

    podemos extrair alguns dados importantes:

    - 84% dos construtores entendem que incorporar tecnologia

    s residncias que constroem um importante diferencial

    mercadolgico;

    - Existe a constatao de que os consumidores na faixa etria

    que esto entrando no mercado, adquirindo seu primeiro

    imvel, j convivem com naturalidade com a tecnologia e,

    portanto, esto sendo exigentes com relao ao seu uso nas

    residncias que lhes so oferecidas;

    - Sistemas automatizados que contenham apelo pela

    sustentabilidade, economia de energia e preservao de

    recursos naturais esto sendo cada vez mais requisitados;

    - Entre as tecnologias emergentes que devem alcanar

    elevados patamares de crescimento nos prximos anos, esto

    os media centers, o monitoramento a distncia, o controle de

    iluminao e o home care.

    A seguir, a Tabela 1 mostra a evoluo na adoo de

    algumas das tecnologias mais consolidadas para casas

    inteligentes (em porcentagem nos imveis residenciais novos):

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    l Tabela 1 evoluo da adoo de algumas TecnologiasTecnologia

    Cabeamento estruturado

    Monitoramento de segurana

    Multiroom audio

    Home Theater

    Controle de iluminao

    Automao integrada

    Gerenciamento de energia

    2003

    42%

    18%

    9%

    9%

    1%

    0

    1%

    2006

    53%

    32%

    16%

    12%

    8%

    6%

    11%

    2005

    49%

    29%

    15%

    11%

    6%

    6%

    11%

    2004

    61%

    28%

    12%

    8%

    2%

    2%

    5%

    2015(*)

    80%

    81%

    86%

    86%

    75%

    70%

    62%

    Fonte: NAHB Research Centre, CEA(*) Previso

    Nota: para pesquisas mais atualizadas, sugerimos consultar o site da National Association of Home Builders (NAHB) http://www.nahb.org/.

    De acordo com a revista PC World, a previso de

    que o uso de sistemas de automao residencial triplique

    nos prximos dois anos. Para embasar esta estatstica, a

    publicao menciona a sinergia entre as principais solues

    de momento que devem concorrer para este crescimento,

    como segurana residencial, gerenciamento de energia,

    cuidados domsticos com a sade e aumento do uso de

    mdia centers.

    No Brasil tambm se observa uma rpida absoro das

    novas tecnologias pelos usurios na sua vida diria. No

    entanto, esta tendncia ainda no se transferiu para o mercado

    de construo civil na mesma intensidade. Guardada a escala,

    nossos automveis detm muito mais eletrnica embarcada do

    que nossas residncias, embora estas ltimas tenham preos

    dezenas de vezes mais elevados.

    Nos indicadores industriais, nota-se que a indstria

    da construo civil tem sido uma das mais lentas no ato de

    incorporar novas tecnologias, seja pelo seu tempo prprio

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    de operao (empreendimentos podem levar anos para

    serem projetados, construdos e entregues aos seus usurios),

    seja pela viso conservadora de seus lderes e consequente

    dificuldade em vencer paradigmas (comerciais, tcnicos e

    mercadolgicos).

    O panorama tende a se modificar em breve espao de

    tempo. A rpida captao de recursos financeiros obtidos

    pelas grandes construtoras que aqui operam vai forar uma

    competio em outros patamares. A escassez de terrenos

    em locais mais disputados e a necessidade de gerar novos

    produtos rapidamente vo acirrar a disputa pelo consumidor.

    Neste particular, a utilizao de diferenciais nos produtos

    imobilirios ser fator imperativo para atrair uma base maior

    de consumidores.

    Aqui, a automao residencial pode ser um fator

    decisivo para atingir consumidores com necessidades

    especficas, das quais destacamos a segurana, o

    entretenimento, a acessibilidade, o trabalho em casa,

    o conforto, a convenincia e a economia de energia.

    Portanto, pode se esperar uma rpida evoluo dos

    lanamentos imobilirios com forte apelo nos diferenciais

    tecnolgicos, aproximando o mercado domstico aos

    padres internacionais.

    Como o nmero absoluto de lanamentos tem aumentado

    muito no Brasil, tambm a base de referncia para qualquer

    estatstica de evoluo da automao residencial ser

    necessariamente maior.

    Funcionamento do mercado e canais de comercializao

    O mercado de automao residencial no Brasil, aos poucos,

    est adquirindo caractersticas muito prximas aos de mercados

    mais evoludos. A incorporao de um novo profissional no

    mercado, intitulado integrador de sistemas residenciais,

    define uma situao especfica deste mercado: em funo das

    diferentes tecnologias em questo, da sua complexidade de

    projeto, instalao e programao, ainda no existem solues

    plug-and-play, exigindo uma especializao do profissional

    que nele atua.

    No exterior, este profissional (ou pequena empresa)

    recebe o nome de Systems Integrator ou ainda Electronic

    Systems Contractor. Sua caracterstica notria de se tratar

    de um pequeno negcio, quando no de um profissional

    autnomo com equipes de instalao terceirizadas. Este

    padro dominante, uma vez que os projetos de sistemas

    integrados residenciais so extremamente personalizados,

    exigindo uma dedicao que s uma pequena equipe (e no

    um departamento de uma multinacional) pode dispensar ao

    usurio consumidor.

    Assim, o mercado atualmente se posiciona com os seguintes

    players importantes:

    Desenvolvedores / Licenciadores de tecnologia

    Fabricantes / Importadores

    Distribuidores / Revendas

    Projetistas / Integradores / Instaladores

    Cliente final (consumidor ou empresa construtora)

    Entre os desenvolvedores e licenciadores, temos:

    empresas de software, alianas de diversos fabricantes

    em torno de um protocolo comum de interoperabilidade,

    laboratrios de eletrnica, robtica e mecatrnica pblicos

    e privados, universidades e outras entidades afins.

    Os fabricantes e importadores podem ser atualmente

    grandes grupos multinacionais, algumas subsidirias de menor

    porte (sendo que algumas so apenas importadoras) e fbricas

    nacionais de mdio e pequeno porte. Os canais de distribuio

    e revenda, muitas vezes, confundem-se com os importadores

    e at mesmo os integradores podem ser revendedores,

    principalmente, de equipamentos que necessitam especificao

    tcnica mais apurada.

    Para efeito deste estudo, a abrangncia dos fornecedores

    ser de equipamentos tpicos para projetos integrados de

    automao residencial:

    1) Automao da instalao eltrica

    Compreende o fornecimento de controladores, comandos

    especiais e atuadores: softwares de controle e superviso;

    rels, interfaces e temporizadores; sensores diversos, como

    detectores de gs e fumaa, de inundao; e outros.

    2) Controles remotos universais

    Inclui o fornecimento de controles fixos (de parede) tipo

    touchscreen, bem como painis mveis. Interfaces necessrias

    integrao com sistemas domticos e licenas de softwares

    de integrao tambm fazem parte desse grupo, que inclui

    ainda modernas e cada vez mais usuais interfaces homem/

    mquina, como iphones, aparelhos de telefonia celular,

    pocketPCs e outras. Solues de software garantem usabilidade

    e confiabilidades destas aplicaes.

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    3) Gesto de energia

    Sistemas gerenciadores de consumo de energia: medio de

    consumo de gua e gs e equipamentos para proteo eltrica

    e de gerao de energias alternativas.

    4) Acessrios e complementos

    Incluem-se, nesta classe, diversos itens do universo da

    automao residencial como:

    Motorizao de persianas, toldos e cortinas;

    Pisos aquecidos;

    Aspirao central a vcuo;

    Desembaadores de espelhos;

    Irrigao automatizada;

    Fechaduras eltricas;

    Equipamentos de controle de acesso (leituras

    biomtricas, teclados);

    Media centers;

    Ativos de rede (switches, roteadores);

    Telefonia e interfonia (convencional e IP).

    Os integradores cumprem atividades mltiplas,

    como projeto, especificao, fornecimento, instalao,

    programao e ps-venda dos sistemas de automao

    residencial. Como podemos perceber, representam um elo

    muito importante na cadeia mercadolgica, pois sem eles se

    tornaria muito difcil para a indstria colocar seus produtos

    no mercado consumidor (ver detalhamento a seguir).

    Os clientes, neste mercado, dividem-se em usurios

    finais e construtores. Para os primeiros, exige-se

    atendimento personalizado e total customizao da sua

    instalao residencial. J os construtores so clientes

    institucionais, em que o apelo de fatores subjetivos como

    a segurana ou o maior conforto da famlia so superados

    por uma anlise objetiva de custo-benefcio, na linha j

    citada anteriormente de que a automao residencial

    possa representar um diferencial positivo em seu produto

    imobilirio.

    O integrador de sistemas residenciais Definimos este novo profissional, o integrador de

    sistemas residenciais, como aquele que:

    Elabora o projeto integrado, baseado nas definies do

    empreendimento (caso de condomnios) ou nas necessidades

    de uma famlia especifica (residncia unifamiliar);

    Acompanha a execuo da obra com o intuito de validar

    o seu projeto;

    Especifica fiao, equipamentos, softwares e interfaces

    de integrao;

    Vende os equipamentos ou participa da contratao dos

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    terceiros envolvidos;

    Supervisiona e/ou executa a instalao;

    Supervisiona e/ou executa a programao e os testes

    (start up);

    Garante o desempenho final do sistema integrado.

    O integrador pode ser uma empresa de pequeno porte

    ou um profissional autnomo que atua com parcerias

    *JOS ROBERTO MURATORI engenheiro de produo formado pela Escola

    Politcnica da Universidade de So Paulo, com especializao em administrao

    de empresas pela Fundao Getlio Vargas. Foi

    membro-fundador da Associao Brasileira de Automao Residencial (Aureside),

    a qual dirigiu por cinco anos. consultor na rea de automao e palestrante.

    PAULO HENRIQUE DAL B engenheiro eletrnico pela Universidade

    Mackenzie e ps-graduado em automao industrial pela FEI. professor do

    curso de ps-graduao na Faculdade de Tecnologia de So Paulo (Fatec-SP) e

    diretor tcnico da Associao Brasileira de Automao Residencial (Aureside).

    Figura 1 Diagrama de integrao de sistemas.

    Continua na prxima edioConfira todos os artigos deste fascculo em www.osetoreletrico.com.br

    Dvidas, sugestes e comentrios podem ser encaminhados para o e-mail redacao@atitudeeditorial.com.br

    independentes nas atividades em que no tm capacitao

    especfica.

    Sua formao abrangente e diversificada, no entanto,

    na maioria das vezes de base tecnolgica (engenharia

    eltrica ou eletrnica, redes e informtica, automao

    industrial, mecatrnica e similares). Diversos profissionais

    provm das reas de udio e vdeo, segurana, instalaes

    eltricas ou outras similares, em que possivelmente j

    atuavam anteriormente e passaram a incluir automao

    residencial em sua oferta de servios.

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