Cap 2 Fontes de Poluio Atmosfrica

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  • Henrique de Melo Lisboa

    CAPTULO II

    Montreal

    Primeira verso - Outubro 2007

    Florianpolis

    Reviso do texto Maro 2014

    CONTROLE DA

    POLUIO

    ATMOSFRICA

    FONTES DE

    POLUIO

    ATMOSFRICA

    SUMARIO 2.1 INTRODUO 2 2.2 FONTES NATURAIS 3 2.3 FONTES ANTRPICAS 6 2.4 INVENTRIO DE EMISSES ATMOSFRICAS DE FONTES MVEIS E

    ESTACIONRIAS E SUA CONTRIBUIO PARA A

    POLUIO DO AR NUMA REGIO 13 2.5 BIBLIOGRAFIA BSICA 14

  • Controle da Poluio Atmosfrica Cap. 2 ENS/UFSC

    II - 2

    2.1 INTRODUO

    A atmosfera pode ser considerada como um local onde, permanentemente, ocorrem reaes qumicas. Ela absorve uma grande variedade de slidos, gases e lquidos provenientes de fontes, tanto

    naturais como industriais, que se podem dispersar, reagir entre si, ou com outras substncias j

    presentes na atmosfera.

    O homem foi o responsvel por uma poluio ambiental de formas to variadas que uma

    simples enumerao dos fatores individuais se torna impossvel. As fontes de emisso de poluentes

    primrios e dos componentes secundrios podem ser as mais variadas possveis.

    Pode-se considerar dois tipos bsicos de fontes de poluio (STERN, 1968): as chamadas

    ESPECFICAS e MLTIPLAS.

    Figura 2.1 - Fontes industriais

    As FONTES ESPECFICAS so FIXAS em determinado

    territrio, ocupam na comunidade rea relativamente limitada e

    permitem uma avaliao na base de fonte por fonte. Ex: Indstrias

    Figura 2.1 - (NEFUSSI e GUIMARES, 1976, pg. 10-21).

    As FONTES MLTIPLAS podem ser FIXAS ou MVEIS,

    geralmente se dispersam pela comunidade, oferecendo grande

    dificuldade de serem avaliadas na base de fonte por fonte.

    Ex: casas mltiplas fixas Figura 2.2;

    carros mltiplas mveis Figura 2.3

    Figura 2.2 - Fontes fixas mltiplas: casas

    Segundo a origem do poluente, possvel classificar as fontes de poluio como:

    1 - Fontes naturais;

    2 - Fontes Industriais;

    3 - Queima de combustveis;

    4 - Queima de resduos slidos,

    5 - Evaporao de produtos de petrleo;

    6 - Atividades produtoras de odores;

    7 - Fontes de radiaes;

    8 - Outras atividades.

  • Controle da Poluio Atmosfrica Cap. 2 ENS/UFSC

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    Figura 2.3 - Fontes fixas mveis: carros

    Os agentes causadores da poluio do ar so diversificados : Refinarias de petrleo, fbricas

    de papel e de produtos qumicos, fundies, veculos motorizados, atividades domsticas, queimadas

    de florestas e de lixo, alm de fontes naturais de um sem nmero de gases, vapores e material

    particulado e que vo constituir a atmosfera do planeta Terra, juntamente com o oxignio e nitrognio,

    entre outros.

    Tipos de emisses: poeira ou material particulado (MP)

    fumaa negra

    cheiro ou odor

    vapores gasosos/gases

    2.2 FONTES NATURAIS

    A poluio natural originada por fenmenos biolgicos e geoqumicos. Entre as fontes

    naturais pode-se apontar o solo, a vegetao (polinizao), os oceanos, vulces e fontes naturais de

    lquidos, gases e vapores, descargas eltricas atmosfricas, etc.

    Exemplo: ver artigos : Os trmitas so poluidores- Cincia Ilustrada/83. O fim da natureza- Superinteressante/fev. 90. Vulcanismo : - joga poeira a 20-30 km de altura.

    - partculas que chegam aos nveis mais altos tem dimetro de aproximadamente 1 m.

    As partculas emitidas pelos vulces demoram de 2 a 12 anos na estratosfera antes de cair na

    troposfera, onde so rapidamente lavadas. Um vulco emite xidos de nitrognio e de enxofre, H2S,

    HCl, HF, SCO (sulfeto de carbonila), cinzas e partculas slidas.

    O vulco El Chichon, Mxico (28.03.1982) - Figura 2.4, lanou 1/3 km de poeiras pulverizadas na atmosfera, sendo que a nuvem de gs e p alcanou a estratosfera. Em agosto de

    1983, 1/3 do Globo na faixa equador-latitude da Gergia estava coberta por aerossis de at 0,1

    microns (permanncia de meses no ar) - Figura 2. 5. O efeito desta catstrofe no pode ser desprezado

    ao se estudar o clima da Terra nos anos 80.

    Em 1991 o monte Pinatubo (Filipinas) entrou em tremenda erupo lanando cinzas e gases,

    de tal forma que a pluma do vulco penetrou a estratosfera. Estima-se que foram lanados 15 milhes

    de ton. de SO2, que formaram aerosois cidos. Nos dois anos seguintes os ventos espalharam estes

    aerosis e partculas ao redor do globo. Como na estratosfera no existem nuvens ou outros

    mecanismos de limpeza, os poluentes permanecero na estratosfera por anos. Com isto verificou-se

  • Controle da Poluio Atmosfrica Cap. 2 ENS/UFSC

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    um resfriamento da superfcie terrestre nos primeiros 15 meses. Cientistas mediram uma queda da

    temperatura mdia global de aproximadamente 10 F (0,6 oC).

    Em 1815, ocorreu a erupo do Tambora (Indonsia), um dos maiores vulces j registrados:

    ano sem vero com neve em junho na Nova Inglaterra.

    Figura 2.4 Vulco El Chichon, Mxico, 1983.

    Figura 2. 4 - Kilauea

    O KILAUEA, no Hava, est em atividade desde 1983.

    Estima-se uma emisso de emisso de 2500 toneladas de enxofre

    por dia - Figura 2. 4.

    Figura 2.6 - Kilauea

    A vegetao emite muitos compostos orgnicos, entre eles o

    plem1, causa de alergias. Um estudo realizado por cientistas

    nacionais do Ipen - Instituto de Pesquisas Energticas e Nucleares e

    americanos do NOAA - National Oceanic and Atmospheric

    Administration mostrou que a Floresta Amaznica uma grande

    emissora de metano, um dos principais gases causadores do efeito

    estufa2.

    O solo emite N2O (desnitrificao), NH3 (processos aerbicos) e gases redutores, como CH4,

    NO, H2S (fermentao anaerbica em zonas midas, como pntanos, arrozais, bosques midos, etc)

    Os oceanos so armazns qumicos, importantes fontes de emisso de componentes

    atmosfricos. Variaes de temperatura na superfcie do mar modificam as concentraes de uma 1 China inibe produo de plen para reduzir asma na populao. Revista Eletrnica Ambiente Brasil.

    24/04/2007 2 Amaznia emite gs causador do efeito estufa Revista Eletrnica Ambiente Brasil. 31/05/2007

    Figura 2. 5 - Poeira em suspenso na

    extratosfera, dectada por satlites.

  • Controle da Poluio Atmosfrica Cap. 2 ENS/UFSC

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    grande diversidade de gases dissolvidos : CO, CO2, CH4, N2O, CS2 (dissulfeto de carbono) SCO,

    ClCH3 (cloreto de metila), etc.

    Em geral, a contaminao proveniente de fenmenos naturais assimilada pela natureza, a

    qual possui mecanismos fsicos e qumicos suficientes para degradar os contaminantes emitidos.

    Emisses de gases aprisionados em lago: 1800 mortes por asfixia pelo CO2 e CO - Lago da

    Paz repblica dos Camares (21/08/1986) - Figura 2.7.

    A eructao, arrotos dos bois, responsvel pela

    liberao de gs metano Figura 2.. O alimento consumido,

    gramneas, forma um caldo onde esto presentes bactrias.

    Quando o animal respira, o gs liberado juntamente com o gs

    carbnico. Considerando cerca de 165 milhes de animais,

    somente no rebanho bovino brasileiro, produzindo anualmente

    uma mdia de 60 quilos de metano cada, pode-se imaginar as

    propores mundiais da questo3.

    O metano possui um poder de aquecimento global vinte e uma vezes maior que o gs

    carbnico (CO2).

    As tempestades de areia, levantando imensas quantidades de poeira na atmosfera so

    importantes fontes de poluio, sobretudo no norte da China4.

    3 Gases emitidos pelo gado esto associados ao aquecimento da superfcie terrestre. Revista Eletrnica Ambiente

    Brasil. 07/11/2005

    4 Meteorologia vai informar nvel de poeira no ambiente na China. Revista Eletrnica Ambiente Brasil. 03/05/2006

    Figura 2.8 - Liberao de gs

    metano pelo gado.

    Figura 2. 7 - Lago da Paz repblica dos Camares

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    2.3 FONTES ANTRPICAS

    O ser humano atravs da atividade industrial e urbana, joga resduos atmosfera, de forma

    incontrolada e constante, em amplas zonas do planeta. Aproximadamente 65 mil produtos qumicos,

    provenientes de uma variedade de atividades industriais, encontram-se na atmosfera Figura 2.9.

    Figura 2.9 Fontes antrpicas.

    O Quadro 2.1 apresenta, de forma simplificada, os principais poluentes atmosfricos

    produzidos pelos diversos tipos de fontes de emisso.

    Quadro 2.1 - Principais fontes de poluio do ar e principais poluentes

    Fonte: CETESB - Relatrio de qualidade do ar na regio metropolitana de So Paulo (RMSP)

    e em Cubato, 1988.

    Poluentes secundrios - 03, Aldedos, cidos

    orgnicos, Nitratos orgnicos, Aerosol

    fotoqumico, etc.

    REAES QUMICAS NA ATMOSFERA. EX:

    Hidrocarbonetos + xidos de nitrognio (luz solar)

    Material particulados - poeiras

    Gases: SO2 - H2S - CO - NO2, Hidrocarbon

    FONTES NATURAIS

    Material particulado, Monxido Carbono, xidos

    de Nitrognio, Hidrocarbonetos. Aldedos, cidos

    Orgnicos.

    Veculos: Gasolina,

    Diesel, lcool, Avies,

    Moto, Barcos, Trens

    FONTES MVEIS

    Hidrocarbonetos, Material particulado OUTRAS

    Material particulados

    Gases: SO2 - SO3 - Nox - HCl

    QUEIMA RESDUOS

    SLIDOS

    ESTACIONRIAS

    Mat. particulados (fumos, poeiras, nvoas)

    Gases: - SO2- SO3 - Hcl, Hidrocarbonetos

    PROCESSO

    INDUSTRIAL

    FONTES

    Material particulado. Dixido de enxofre;

    Trixido de enxofre, Monxido de carbono,

    Hidrocarbonetos e xidos de nitrognio

    COMBUSTO

    POLUENTES FONTES

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    O Quadro 2. 2 apresenta os principais poluentes que provocam poluio atmosfrica e suas

    fontes caractersticas.

    Quadro 2. 2 - Fontes de poluio atmosfrica

    DENOMINAO CARACTERSTICAS FONTES PRINCIPAIS SO2

    Dixido de

    enxofre(anidrido

    sulfuroso)

    Poluente mais caracterstico dos aglomerados

    industriais. proveniente essencialmente da

    combusto dos fluidos-leos e do carvo; quando

    queimado estes combustveis liberam o enxofre que

    eles contem, o qual se combina com oxignio do ar na

    forma de SO2

    Atividades industriais

    Queima de leos

    combustveis

    Veculos automotores

    Nox

    xidos

    Gas emitido principalmente por motores de veculos

    automobilsticos, as instalaes de combusto e nas

    fbricas de cido ntrico.

    Atividades industriais

    Veculos automotores

    P FN

    Poeiras

    Fumaas negras

    Partculas slidas em suspenso no ar provenientes da

    combusto ou de certos processos industrias

    (cimentos, adubos...). Na zona urbana, a circulao de

    automveis representa um importante emissor de

    poeiras. Os veculos diesel respondem pela emisso

    da fumaa negra

    Atividades industriais

    Veculos automotores

    HC

    Hidrocarbonetos

    A combusto incompleta dos carburetos dos motores

    dos veculos a origem de emisses de vapores de

    hidrocarbonetos. Rejeitos importantes so igualmente

    devido a estocagem de petrleo (refinarias, postos de

    servios)

    Postos de gasolina

    Veculos automotores

    CO

    Monxido de carbono

    proveniente essencialmente do funcionamento de

    veculos motores exploso.

    Veculos automotores

    HCL

    cido clordrico

    Resulta da combusto por parte das usinas de

    incinerao de materiais plsticos contidos nos

    dejetos domiciliares (PVC)

    Incinerao do lixo

    Pb

    Chumbo

    Metal txico emitido principalmente pela circulao

    de automveis: o chumbo entra em ao na

    composio de um aditivo para a gasolina.

    Veculos automotores

    F

    Fluor

    Emitido essencialmente pela indstria de alumnio,

    mas tambm durante a fabricao de adubos, de vidro

    e da combusto de carvo.

    Atividades industriais

    H2S

    (gs sulfdrico)

    Mercaptana

    Gs mal cheiroso, cujas emisses so relacionadas

    certas atividades industriais: fabricao de pasta de

    papel, refinamento de petrleo, graxarias, rejeitos de

    carvo mineral, etc..

    Atividades industriais

    Odores Este vocbulo designa a percepo de substncias

    muito variadas emitidas por numerosas indstrias e

    por estaes de tratamento de efluentes. Fortemente

    percebidas pela populao, estas substncias

    correspondem raramente emisses txicas

    Atividades industriais

  • Controle da Poluio Atmosfrica Cap. 2 ENS/UFSC

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    Queimadas

    Pesquisa divulgada em 20055 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica)

    derruba o mito de que no Brasil a poluio do ar esteja relacionada principalmente existncia de

    fbricas, indstrias e ao excesso de veculos nas ruas. Para a maioria dos gestores brasileiros de meio

    ambiente, as queimadas e a poeira das vias no-pavimentadas so os principais fatores responsveis

    pela poluio do ar no pas. Mesmo regies no industrializadas, tais como o Acre, Rondnia, Mato

    Grosso, o Sul do Amazonas cobrem-se de fumaa proveniente de queimadas, com srias implicaes

    para a sade e meio ambiente6.

    O problema das queimadas no exclusivo do Brasil,

    acontecendo em diversos pases do mundo. Em outubro de

    2006, por exemplo, vos foram cancelados e os motoristas

    eram obrigados a dirigir com o farol alto aceso durante o dia

    por causa de uma espessa nuvem de poluio que encobria o

    sudeste da sia. A espessa neblina na regio foi atribuda a

    incndios ilegais nas florestas da Indonsia7 - Figura 2.10.

    Cada hectare de floresta primria consumida pelo

    fogo libera na atmosfera aproximadamente 50 a 200

    toneladas de Dixido de Carbono (CO2)8.

    Fontes industriais:

    Quanto s fontes industriais - Figura 2.11, a quantidade e qualidade do poluente emitido por

    este tipo de fonte dependem de vrios fatores interdependentes da fabricao. Influem no tipo e

    concentrao do poluente expelido, em razo do processo industrial, as matrias primas e

    combustveis envolvidos no processo, o produto fabricado o prprio processo e as suas operaes, a

    eficincia dos trabalhos de processamento e o grau das medidas acauteladoras contra a poluio. Ex:

    Indstrias de petrleo; materiais no metlicos, metalrgicas; mecnicas; txteis, madeira e

    mobilirio; papel; produtos alimentares, etc.

    5 Queimadas e vias no-pavimentadas poluem mais que carros e fbricas. Folha Online 01/06/2005 6 Estado do Acre est coberto por fumaa de queimadas. Revista Eletrnica Ambiente Brasil . 04/08/2005 7 Espessa nuvem de poluio cobre o sudeste da sia. Revista Eletrnica Ambiente Brasil. 09/10/2006

    8 Queimadas liberam toneladas de CO2 na atmosfera. Revista Eletrnica Ambiente Brasil. 03/07/2007

    Figura 2.10 Efeitos dos incndios na Indonsia

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    Figura 2.11 - Fontes industriais.

    Combusto:

    Os poluentes do ar originam-se principalmente da combusto incompleta de combustveis

    fsseis, para fins de transporte, aquecimento e produo industrial. Aproximadamente 80% dos

    contaminantes gasosos na atmosfera so formados durante a queima de combustveis fsseis Quadro 2.3.

    Quadro 2.3: Principais fontes de poluio do ar na regio metropolitana de So Paulo

    (RMSP) em 1988.

    Fonte: CETESB - Relatrio de qualidade do ar na regio metropolitana de So Paulo(RMSP)

    e em Cubato, 1988

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    A fonte emissora poder ser ESTACIONRIA ou MVEL. Ambas utilizam como matria

    prima, o carvo, leos minerais, gases liquefeitos de petrleo, lcool, etc.

    A poluio depende da eficincia da combusto e do percentual de enxofre S no combustvel. O carvo mineral apresenta poluio elevada. Em comparao com o leo combustvel

    apresenta +370% de CO; +68% de SO2; +1500% de material particulado (utilizando multiciclone -

    80% de eficincia) (NEFUSSI e GUIMARES, 1976 - pg. 11).

    Alm de CO2 + H2O so formados produtos orgnicos parcialmente oxidados, como

    consequncia da combusto ineficiente dos motores. Os combustveis podem conter impurezas

    inorgnicas que originam ainda outros contaminantes.

    Poluio do ar no meio urbano : Dentre as piores questes ambientais urbanas no Brasil e no

    mundo destaca-se a poluio atmosfrica - Figura 2.. Os problemas ambientais gerados pela poluio

    do ar nas grandes cidades tm duas fontes: as fontes industriais e as fontes veiculares. Mas a principal

    componente da poluio atmosfrica ainda o monxido de carbono produzido pela frota de veculos,

    cujo crescimento resultou do desenvolvimento da indstria automobilstica, do baixo preo do

    petrleo e da expanso da malha rodoviria e da malha urbana. No Brasil, tais fatores levaram a

    opes equivocadas com relao ao transporte individual em detrimento do transporte coletivo e da

    prioridade aos sistemas rodovirios (nibus), em detrimento dos transportes ferrovirios e

    hidrovirios nas grandes cidades.

    Figura 2.12 Principais poluentes atmosfricos em ambientes urbanos.

    Um caso contundente o de So Paulo, no final do anos 90. A rea mais urbanizada da Regio

    Metropolitana de So Paulo, representada principalmente pelo municpio de So Paulo, apresenta-se

    saturada pelos 4,5 milhes de veculos que circulam diariamente. Este fato provoca uma diminuio

    da velocidade mdia de percurso, o que acarreta um aumento das emisses para a mesma

    quilometragem percorrida. Em conseqncia, as concentraes de monxido de carbono excedem

    rotineiramente o padro de qualidade do ar, sendo que, em 1994, foram decretados 43 estados de

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    ateno por monxido de carbono e por poeira (partculas inalveis). O monxido de carbono emitido

    por veculos leves responsvel por 68,4% do total desta fonte. Os veculos pesados contribuem com

    28,6%, os processos industriais com 2,2% e a queima de lixo com 2,6%. Esses dados demonstram a

    necessidade urgente e inadivel de controle das emisses por veculos.

    O automvel, apesar de alimentar grande segmento da economia, tem-se mostrado um

    elemento perturbador da vida urbana, seja pelo desperdcio de recursos no renovveis, seja por

    constituir um agente ativo da poluio atmosfrica e acstica, e deve ser substitudo como forma

    principal de transporte urbano. A continuidade do modelo de desenvolvimento urbano que privilegia

    o transporte individual, atravs da difuso do automvel, alm de agredir o meio ambiente, reduz a

    acessibilidade dos cidados aos centros de emprego e moradia, principalmente das camadas mais

    pobres.

    Em algumas cidades, os problemas da qualidade do ar esto diretamente relacionados com a

    proximidade de reas industriais e outros tipos de fontes de contaminao do ar (mineradoras,

    pedreiras, usinas de compostagem e de incinerao de lixo, etc.). Os problemas ambientais gerados

    pela atividade industrial decorrem principalmente da falta de controle dos seus efeitos poluentes.

    Poucas so as instituies existentes para detectar a presena de poluio no ar e na gua das maiores

    cidades brasileiras. Apesar de representar 41% da atividade industrial nacional, a Regio Sudeste

    concentra 55% do total de estabelecimentos industriais com alto potencial poluidor do ar, dos quais

    57% em So Paulo, 26% em Minas Gerais e 14% no Rio de Janeiro. Isto mostra a incidncia do

    problema de forma bastante localizada em termos geogrfico-territoriais. Na regio Nordeste,

    localizam-se 19% e na regio Sul, 17%.

    Nos EUA, desde 1963, quando o sistema de ventilao positiva do crter foi instalado, os

    automveis tem sido projetados com equipamentos de controle da poluio do ar, o que proporcionou

    uma diminuio das emisses dos tanques de gasolina, carburadores, alvios do crter e do cano de

    escapamento. Para estes controles trabalharem efetivamente, necessrio que o motor seja regulado

    e o carburador esteja ajustado adequadamente. De um motor regulado inadequadamente resultar

    altas emisses de monxido de carbono e de hidrocarbonetos, alm de uma baixa economia de

    combustvel do veculo. Se a relao ar/combustvel for muito alta, quantidades maiores de xido de

    nitrognio sero emitidas, enquanto uma relao ar/combustvel baixa aumentar a quantidade de

    monxido de carbono e de hidrocarbonetos, bem como o consumo de combustvel. Carros mal

    mantidos significam alto consumo de combustvel, desperdcio de dinheiro e maior emisso de

    poluentes.

    Incinerao de resduos slidos: Quanto queima de resduos slidos, encontra-se incinerao

    ao ar livre, em dispositivos prediais e em equipamentos centrais. A incinerao ao ar livre provoca,

    inevitavelmente, poluio do ar (gases e partculas lanadas livremente). A utilizao de

    incineradores prediais sob o ponto de vista de poluio tende a agradar a qualidade do ar, por esta

    razo foram proibidos no mundo inteiro. Os incineradores de grandes centrais, devido ao seu

    tamanho, tem maiores possibilidades de produzirem uma menor poluio.

    Compostos orgnicos volteis: Uma outra fonte de poluio proveniente da evaporao de

    produtos de petrleo. Durante o manuseio do petrleo e seus derivados h emisses por evaporao.

    visvel este fenmeno ao se encher o tanque de um automvel.

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    O uso em grande escala de etanol hidratado e gasolina (mistura de etanol-gasolina e etanol-

    gasolina-metanol) reduziu as emisses de CO na atmosfera, em que pese o aumento da emisso de

    aldedos9.

    Odores: As atividades produtoras de odores causam poluio desagradvel. Ex.1: fbricas que

    liberam gs sulfdrico; mercaptanas; tiis e outros gases mal cheirosos; torrefadoras; oficinas de

    pintura, odores de esgotos e da decomposio de resduos; matadouros; granjas; etc.

    Ex.2: Os curtumes - tanques (H2S + mercaptanas*)

    - caldeira de fora (gases + MP) Papel e celulose - digestor (mercaptanas)

    - caldeiras de recuperao (H2S)

    - forno de cal (gases + MP)

    OBS*: Tio-fenis ou Aril-mercaptanos: a nomenclaltura dada atribuindo a palavra

    MERCAPTANO antecedida pelo nome do radical ligado ao grupamento SH

    Radiaes:

    Existem tambm as fontes de radiaes, sendo que o sol a maior fonte produtora de

    radiaes e tem pouca influncia no cmputo geral da poluio ao ar livre. Os tipos de radiaes

    emitidas pelas indstrias fica restrita aos locais de produo, geralmente em ambientes fechados

    (raios infravermelhos, ultravioletas, etc.). So utilizados radiaes ionizantes em vrios setores

    industriais e na medicina.

    Fontes diversas: Muitas so as atividades humanas que podem provocar poluio atmosfrica, entre elas a

    aplicao de inseticidas na lavoura (por via area); as fontes de poeira fugitiva originada de ruas sujas

    ou no pavimentadas, demolies, etc. A construo civil constitui uma das grandes fontes de MP.

    9 MIGUEL A. M. et alli - Characterization of indoor air quality in the cities of So Paulo and Rio de Janeiro,

    Brazil. Environ. Sci. Technol., 1995, 29, 338-345

    SH

    Fenilmercaptano - naftilmercaptano

    SH

    CH3

    SH

    o - toluilmercaptano

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    II - 13

    2.4 INVENTRIO DE EMISSES ATMOSFRICAS DE FONTES

    MVEIS E ESTACIONRIAS E SUA CONTRIBUIO PARA A POLUIO

    DO AR NUMA REGIO

    O desenvolvimento do inventrio de emisses um dos componentes mais importantes do

    processo de avaliao de impacto ambiental. O inventrio fornece informaes detalhadas sobre todas

    as fontes de a poluio do ar em um local. As emisses das indstrias devem estar em conformidade

    com os requisitos legais, caso contrrio deve-se progredir atravs das outras etapas da avaliao do

    impacto da qualidade do ar (DEC, 2005).

    O inventrio de emisses a base da avaliao do impacto da qualidade do ar. O

    desenvolvimento de um inventrio de emisses deve ser uma tarefa prioritria e exige o agrupamento

    de uma quantidade significativa de dados. Um inventrio de emisses atmosfricas completa para um

    estabelecimento identifica todas as fontes de poluio do ar, os poluentes do ar emitidos a partir de

    cada fonte, e calcula a concentrao de emisses e taxa de todos os poluentes atmosfricos emitidos

    (DEC, 2005).

    O Emission Inventory Improvement Program da US-EPA (United States Environmental

    Protection Agency) recomenda metodologia para inventrio de fontes estacionrias.

    Um bom exemplo o INVENTRIO DE FONTES EMISSORAS DEPOLUENTES

    ATMOSFRICOS DA REGIO METROPOLITANA DO RIO DE JANEIRO, FEEMA (2004). O

    processo de desenvolvimento deste inventrio teve como base a metodologia recomendada pelo

    Emission Inventory Improvement Program da US-EPA (United States Environmental Protection

    Agency) para fontes estacionrias. Aps a identificao e respectiva classificao, cada fonte foi

    avaliada segundo os mtodos de estimativas de emisses constantes na metodologia EPA:

    monitoramento contnuo de emisses, medio expedita de fontes, balano de massa, fatores de

    emisso, anlise de combustvel, modelos de estimativa de emisses e julgamento de engenharia.

    Para as fontes fixas, as taxas de emisso de cada poluente atmosfrico inventariado foram obtidas

    prioritariamente utilizando dados de medies histricas disponveis nos arquivos do PROCON-Ar.

    No caso da inexistncia das medies, as informaes foram obtidas dos processos de licenciamento

    ou diretamente do empreendedor, por meio do envio de questionrios, para a aplicao de mtodos

    recomendados pela EPA para o clculo das emisses pretendido.

    Ver tambm INVENTRIO DE EMISSES ATMOSFRICAS DE FONTES

    ESTACIONRIAS E SUA CONTRIBUIO PARA A POLUIO DO AR NA REGIO

    METROPOLITANA DO RIO DE JANEIRO tese de doutorado de Dilson Ojeda Pires, COOPPE-UFRJ, 2005.

    Dados do relatrio de qualidade do ar no Estado que a Cetesb - Companhia de Tecnologia de

    Saneamento Ambiental, revelam que, no ano de 200610, os milhes de veculos que circulam na

    grande So Paulo foram a fonte mais significativa de poluio do ar. Eles representaram 97% das

    emisses de monxido de carbono e 40% de material particulado. Esses poluentes excederam os

    limites mximos estabelecidos por lei. Conforme a Tabela 2.1 os veculos automotores,

    principalmente os movidos gasolina e leo diesel, so os maiores responsveis pela poluio do ar

    na RMSP, o que bem representativo das grandes aglomeraes urbanas.

    10 Inverno de 2006 teve recorde de concentrao de poluentes em So Paulo. Revista Eletrnica Ambiente Brasil

    16/05/2007

  • Controle da Poluio Atmosfrica Cap. 2 ENS/UFSC

    II - 14

    Tabela 2.1: Estimativa da emisso das fontes de poluio do ar na regio metropolitana de

    So Paulo (RMSP) em 1996 (1000 ton/ano).

    Fonte: CETESB - Relatrio anual da qualidade do ar. So Paulo, 1996.

    * Gassol: gasolina contendo 22% de lcool

    ( ) nmero de indstrias inventariadas

    1 - 1990 2 - 1996

    2.5 BIBLIOGRAFIA BSICA

    Department of Environment and Conservation. Approved Methods for the Modelling and

    Assessment of Air Pollutants in New South Wales, Sydney NSW, 63 pg., ISBN 1 74137 488 X,

    2005.

    Fundao Estadual de Engenharia do Meio AmbienteDepartamento (FEEMA) - INVENTRIO DE

    FONTES EMISSORAS DEPOLUENTES ATMOSFRICOS DA REGIO METROPOLITANA

    DO RIO DE JANEIRO. 19 pgs., Maio 2004

    NEFUSSI N. e GUIMARES, F.A. - Curso de poluio do Ar e da gua. Instituto Brasileiro do

    Petrleo, 116 pgs., 1976.

    STERN, A. Air pollution. Volume III, Academic Press, EUA - Part VII : Sources of air pollution, 1968.

    AGRADECIMENTOS

    Este captulo foi possvel graas ao apoio do CNPQ na forma de bolsa ps-doutoral do

    autor principal.

    48,6 41,9 284,8 368,7 1605,6 Total

    25,92

    (305)

    16,32

    (400)

    14,01

    (740)

    12,01

    (800)

    38,61

    (750)

    Operao de processos industriais

    F

    I

    X

    A

    - - - 5,1 - Alcool

    - - - 24,4 - Gasool * OPERAES DE TRANSFERNCIA DE

    COMBUSTVEL

    6,0 - - - - Todos os tipos PNEUS

    - - - 2,6 - Motocicletas e similares

    - - - 31,0 - Alcool

    - - - 128,7 - Gasool * Crter

    e

    Evaporativa

    0,1 0,3 0,3 4,8 36,4 Motocicletas e similares

    0,4 0,4 2,3 3,6 41,0 Txi

    12,4 17,2 189,3 44,2 271,5 Diesel

    - - 19,0 30,9 266,0 Alcool

    3,8 7,7 50,9 81,4 952,1 Gasool *

    TUBO DE

    ESCAPAMENTO DE

    VECULOS

    M

    V

    E

    I

    S

    MP SO2 NOX HC CO

    EMISSO (1000 t/ano) FONTE DE EMISSO