Cadernos do Aluno - Sade do Adulto, Assistncia cirrgica ...

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    31-Dec-2016

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  • PPPPPnfermagem

    rofissionalizao de

    uxiliares deAAAAA EEEEECadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do Aluno

    ASSISTNCIA CIRRGICA / ATENDIMENTO DE EMERGNCIA

    SADE DO ADULTO: 5

  • PPPPPnfermagem

    rofissionalizao de

    uxiliares deAAAAA EEEEECadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do AlunoCadernos do Aluno

    Ministrio da SadeSecretaria de Gesto do Trabalho e da Educao na Sade

    Departamento de Gesto da Educao na SadeProjeto de Profissionalizao dos Trabalhadores da rea de Enfermagem

    Srie F. Comunicao e Educao em Sade2a Edio

    1a Reimpresso

    Braslia - DF2003

    ASSISTNCIA CIRRGICA / ATENDIMENTO DE EMERGNCIA

    SADE DO ADULTO: 5

  • 2001. Ministrio da Sade. permitida a reproduo total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte.Srie F. Comunicao e Educao em SadeTiragem: 2. edio - 1.a reimpresso - 2003 - 100.000 exemplares

    Elaborao, distribuio e informaes:MINISTRIO DA SADESecretaria de Gesto do Trabalho e da Educao na SadeDepartamento de Gesto da Educao na SadeProjeto de Profissionalizao dos Trabalhadores da rea de EnfermagemEsplanada dos Ministrios, bloco G, edifcio sede, 7. andar, sala 733CEP: 70058-900, Braslia - DFTel.: (61) 315 2993

    Fundao Oswaldo CruzPresidente: Paulo Marchiori BussDiretor da Escola Nacional de Sade Pblica: Jorge Antonio Zepeda BermudezDiretor da Escola Politcnica de Sade Joaquim Venncio: Andr Paulo da Silva Malho

    Curso de Qualificao Profissional de Auxiliar de EnfermagemCoordenao - PROFAE: Leila Bernarda Donato Gttems, Solange BaraldiCoordenao - FIOCRUZ: Antonio Ivo de Carvalho

    Colaboradores: Emilia Emi Kawamoto, Leila Bernarda Donato Gttems, Maria Alice Fortes Gatto, Maria Antonieta Benko, Maria CeciliaRibeiro, Maria Regina Arajo Reicherte Pimentel, Marta de Ftima Lima Barbosa, Ruth Natalia Tereza Turrini, Sandra Ferreira Gesto Bittar,Solange Baraldi

    Capa e projeto grfico: Carlota Rios, Adriana Costa e SilvaEditorao eletrnica: Carlota Rios, Ramon Carlos de MoraesIlustraes: Marcelo Tibrcio, Maurcio VenezaRevisores de portugus e copidesque: Antonio Fernando Bueno Marcello, Napoleo Marcos de AquinoApoio: Abrasco

    Impresso no Brasil/ Printed in Brazil

    Ficha Catalogrfica

    Brasil. Ministrio da Sade. Secretaria de Gesto do Trabalho e da Educao na Sade. Departamento de Gesto daEducao na Sade. Projeto de Profissionalizao dos Trabalhadores da rea de Enfermagem.

    Profissionalizao de auxiliares de enfermagem: cadernos do aluno: sade do adulto, assistncia cirrgica, atendimentode emergncia / Ministrio da Sade, Secretaria de Gesto do Trabalho e da Educao na Sade, Departamento deGesto da Educao na Sade, Projeto de Profissionalizao dos Trabalhadores da rea de Enfermagem. - 2. ed., 1.areimpr. - Braslia: Ministrio da Sade; Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.

    96 p. : il. - (Srie F. Comunicao e Educao em Sade)

    ISBN 85-334-0548-0

    1. Educao Profissionalizante. 2. Auxiliares de Enfermagem. 3. Sade do Adulto. 4. Auxiliares de Emergncia. I.Brasil. Ministrio da Sade. II. Brasil. Secretaria de Gesto do Trabalho e da Educao na Sade. Departamento deGesto da Educao na Sade. Projeto de Profissionalizao dos Trabalhadores da rea de Enfermagem. III. Ttulo.IV. Srie.

    NLM WY 18.8

    Catalogao na fonte - Editora MS

  • SUMRIOSUMRIOSUMRIOSUMRIOSUMRIO

    1 Apresentao pg. 7

    2 Assistncia Cirrgica pg. 9

    3 Atendimento de Emergncia pg 63

  • Parasitologiae

    Microbiologia

    PsicologiaAplicada

    ticaProfissional

    EstudosRegionais

    Nutrioe

    Diettica

    Higienee

    Profilaxia

    Fundamentosde

    Enfermagem

    SadeColetiva

    Sadedo Adulto

    -Assistncia

    Clnica

    Sadedo Adulto

    -Atendimento

    de Emergncia

    Sadedo Adulto

    -AssistnciaCirrgica

    Sadeda Mulher,da Criana

    e doAdolescente

    Disciplinas Inst rumen tai s

    Disciplinas Profissionalizantes

    Anatomia e

    Fisiologia

    SadeMental

  • APRESENTAPRESENTAPRESENTAPRESENTAPRESENTAOAOAOAOAO

    MINISTRIO DA SADE

    SECRETARIA DE GESTO DO TRABALHO E DA EDUCAO NA SADE

    PROJETO DE PROFISSIONALIZAO DOS TRABALHADORES DA REA DEENFERMAGEM

    processo de construo de Sistema nico de Sade (SUS)colocou a rea de gesto de pessoal da sade na ordem das

    prioridades para a configurao do sistema de sade brasileiro.A formao e o desenvolvimento dos profissionais de sade, a regulamentaodo exerccio profissional e a regulao e acompanhamento do mercado detrabalho nessa rea passaram a exigir aes estratgicas e deliberadas dos rgosde gesto do Sistema.

    A descentralizao da gesto do SUS, o fortalecimento do controle social emsade e a organizao de prticas de sade orientadas pela integralidade daateno so tarefas que nos impem esforo e dedicao. Lutamos porconquistar em nosso pas o Sistema nico de Sade, agora lutamos por implant-lo efetivamente.

    Aps a Constituio Federal de 1988, a Unio, os estados e os municpiospassaram a ser parceiros de conduo do SUS, sem relao hierrquica. Demeros executores dos programas centrais, cada esfera de governo passou a terpapel prprio de formulao da poltica de sade em seu mbito, o que requerdesprendimento das velhas formas que seguem arraigadas em nossos modosde pensar e conduzir e coordenao dos processos de gesto e de formao.

    Necessitamos de desenhos organizacionais de ateno sade capazes deprivilegiar, no cotidiano, as aes de promoo e preveno, sem prejuzo docuidado e tratamento requeridos em cada caso. Precisamos de profissionaisque sejam capazes de dar conta dessa tarefa e de participar ativamente daconstruo do SUS. Por isso, a importncia de um "novo perfil" dostrabalhadores passa pela oferta de adequados processos de profissionalizao ede educao permanente, bem como pelo aperfeioamento docente e renovaodas polticas pedaggicas adotadas no ensino de profissionais de sade.

    Visando superar o enfoque tradicional da educao profissional, baseado apenasna preparao do trabalhador para execuo de um determinado conjunto detarefas, e buscando conferir ao trabalhador das profisses tcnicas da sade omerecido lugar de destaque na qualidade da formao e desenvolvimentocontinuado, tornou-se necessrio qualificar a formao pedaggica dos docentes

    O

  • para esse mbito do ensino. O contato, o debate e a reflexo sobre as relaesentre educao e trabalho e entre ensino, servio e gesto do SUS, de ondeemanam efetivamente as necessidades educacionais, so necessrios e devemser estruturantes dos processos pedaggicos a adotar.

    No por outro motivo, o Ministrio da Sade, j no primeiro ano da atualgesto, criou uma Secretaria de Gesto do Trabalho e da Educao na Sade,que passa a abrigar o Projeto de profissionalizao dos Trabalhadores da reade Enfermagem (PROFAE) em seu Departamento de Gesto da Educaona Sade. Dessa forma, o conjunto da Educao Profissional na rea daSade ganha, na estrutura de gesto ministerial, nome, lugar e tempo de reflexo,formulao e interveno. As reformulaes e os desafios a serem enfrentadospela Secretaria repercutiro em breve nas polticas setoriais federais e, paraisso, contamos com a ajuda, colaborao, sugestes e crticas de todos aquelescomprometidos com uma educao e um trabalho de farta qualidade e elevadadignidade no setor da sade.

    O Profae exemplifica a formao e se insere nesta nova proposta de educaopermanente. imprescindvel que as orientaes conceituais relativas aosprogramas e projetos de formao e qualificao profissional na rea da sadetenham suas diretrizes revistas em cada realidade. Essa orientao vale mesmopara os projetos que esto em execuo, como o caso do Profae. O importante que todos estejam comprometidos com uma educao e um trabalho dequalidade. Esta compreenso e direo ganham mxima relevncia nos cursosintegrantes do Profae, sejam eles de nvel tcnico ou superior, pois estoorientadas ao atendimento das necessidades de formao do segmento detrabalhadores que representa o maior quantitativo de pessoal de sade e que,historicamente, ficava merc dos "treinamentos em servio", sem acesso educao profissional de qualidade para o trabalho no SUS. O Profae vemoperando a transformao desta realidade. Precisamos estreitar as relaesentre os servios e a sociedade, os trabalhadores e os usurios, as polticaspblicas e a cidadania e entre formao e empregabilidade.

    Sabe-se que o investimento nos recursos humanos no campo da sade terinfluncia decisiva na melhoria dos servios de sade prestados populao.Por isso, a preparao dos profissionais-alunos fundamental e requer materialdidtico criterioso e de qualidade, ao lado de outras aes e atitudes que causemimpacto na formao profissional desses trabalhadores. Os livros didticospara o Curso de Qualificao Profissional de Auxiliar de Enfermagem, j emsua 3 edio, constituem-se, sem dvida, em forte contribuio no conjuntodas aes que visam a integrao entre educao, servio, gesto do SUS econtrole social no setor de sade.

    Humberto CostaMinistro de Estado da Sade

  • AAAAA ssistnciassistnciassistnciassistnciassistnciaCirrgicaCirrgicaCirrgicaCirrgicaCirrgica

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    NDICENDICENDICENDICENDICE 1 Apresentao

    2 Central de Material Esterilizado (CME)2.1 Fluxo do processamento de

    material esterilizado

    3 Conhecendo a Unidade Cirrgica3.1 Classificao da cirurgia por

    potencial de contaminao3.2 Nomenclatura cirrgica3.3 Estrutura do centro cirrgico (CC)3.4 Materiais e equipamentos da

    sala de operao (SO)

    4 O Cuidado de Enfermagem no Pr-operatrio4.1 Humanizando o preparo do

    cliente para a cirurgia4.2 Atuando na preveno de

    complicaes no pr-operatrio4.3 Encaminhando o cliente ao

    centro cirrgico (CC)

    5 O Cuidado de Enfermagem noTrans-operatrio

    5.1 Montagem da sala cirrgica5.2 Fluxo do cliente no centro cirrgico5.3 Tempo cirrgico5.4 Instrumentais e fios cirrgicos5.5 Tipos de anestesia

    6 O Cuidado de Enfermagem no Ps-operatrio (PO)6.1 Cuidados de enfermagem no ps-

    operatrio imediato (POI)6.2 Anormalidades e complicaes

    do ps-operatrio6.3 Os familiares, o cliente e a alta

    hospitalar7 Referncias Bibliogrficas

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    A A A A A ssssssssssistnciaistnciaistnciaistnciaistnciaCirrgicaCirrgicaCirrgicaCirrgicaCirrgica

    O1- APRESENTAO

    presente trabalho, direcionado ao processo de quali-ficao de auxiliares de enfermagem, abrange os con-

    tedos de enfermagem em centro de material e cirrgi-co, bem como clnica cirrgica e emergncias.

    Em sua concepo, tentou-se contemplar as diferentes realida-des brasileiras nas quais existem desde hospitais de grande comple-xidade, dispondo de recursos tecnolgicos os mais modernos, atinstituies de atendimento bsico que, em seu dia-a-dia, realizamapenas pequenos procedimentos. Tendo em vista tal diversidade, odocente deve, na aplicabilidade do texto, enfatizar as tcnicas regio-nalmente mais utilizadas.

    Considerando-se que no desenvolver da atuao profissional, querseja por excesso de trabalho, quer seja pelas inmeras adversidades en-contradas para o bom desenvolvimento do mesmo, no raramente ob-servamos a ocorrncia de atitudes antiticas, falta de respeito aos direi-tos e valores dos usurios e/ou seus familiares, bem como ausncia daperspiccia necessria para a lide diria com o sofrimento do ser huma-no, achamos conveniente repassar algumas noes sobre os aspectostico-legais implcitos sua profisso - as quais, para melhoraprofundamento, exigem a atenta leitura do Cdigo de tica especfico.

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    6 Assistncia Cirrgica

    Esperamos que nosso empenho em elaborar este material di-dtico no tenha sido vo. Por parte dos educandos, os auxiliares deenfermagem, acreditamos que o esforo de sua participao no cur-so e na absoro do presente material lhes seja gratificante primeira-mente por possibilitar uma profisso digna e efetivamente impor-tante para a comunidade; e conclusivamente por lhes viabilizar maio-res subsdios tecno-operacionais que os qualifiquem a exercer commaior confiabilidade, entendimento e segurana o seu mister: o aux-lio queles que, fragilizados, esto em desfavorvel situao de sade.

    2- CENTRAL DE MATERIALESTERILIZADO (CME)

    Na Central de Material Esterilizado (CME) reali-zado o preparo de todo o material estril a ser utilizado nohospital. Para tanto, composta pelas reas de recepo,limpeza, preparo, esterilizao, guarda e distribuio dosmateriais esterilizados utilizados pela equipe de sade noatendimento ao cliente.

    Na estrutura do estabelecimento de sade, a CME uma unidade importante porque oferece equipe de sademateriais estreis em condies adequadas ao seu desempe-nho tcnico, bem como proporciona ao cliente um atendi-mento com segurana e contribui para que a instituioproporcione uma assistncia com efetiva qualidade.

    Alguns estabelecimentos de sade preparam e acondicionamos materiais que cada unidade utiliza de forma descentralizada; ou-tros, centralizam todo o seu material para preparo na Central deMaterial o qual, geralmente, constitui-se no mtodo maiscomumente encontrado. Uma outra tendncia a terceirizao daesterilizao de materiais, principalmente por xido de etileno, hajavista a necessidade de condies de segurana especiais para sua ins-talao e manuseio.

    Esta centralizao do processo - limpeza, seleo, acondicio-namento, esterilizao e distribuio do material esterilizado para asunidades e centro cirrgico apresenta a vantagem de padroniza-o das tcnicas de processamento de material estril, contribuindopara a qualidade deste e favorecendo a economia de pessoal, materi-al e tempo.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFIdealmente, a CME deve ter sua estrutura fsica projetada de

    forma a permitir o fluxo de materiais da rea de recepo de distri-buio, evitando o cruzamento de material limpo com o contamina-do. A recepo do material sujo e para limpeza separada da rea depreparo do material e esteri l izao, bem como da rea dearmazenamento e distribuio. Esses cuidados na estrutura e fluxoproporcionam condies adequadas de trabalho equipe de sade,diminuindo o risco de preparo inadequado do material, com presen-a de sujidade ou campos com cabelo, linhas, agulhas de sutura eoutras falhas.

    Planta fsica de um CEMAT com o fluxo do material

    Tambm em relao ao ambiente, importante que as pare-des e o piso sejam de cor clara e fcil limpeza; e as janelas amplas,de forma a proporcionar uma iluminao que possibilite o bom tra-balho na unidade.

    Quanto localizao, este servio deve estar situado o maisprximo possvel das unidades que mais utilizam os seus materiais -como o centro cirrgico e obsttrico, o pronto-socorro e a terapiaintensiva -, o que facilita a circulao dos mesmos. A distribuio domaterial estril para o centro cirrgico pode ser realizada por mon-ta-cargas ou carrinhos que propiciem a proteo do material estril.A adoo deste cuidado diminui sobremaneira a possibilidade decontaminao durante o trajeto.

    Todos os cuidados que a equipe da CME tem em relao estrutura fsica e s tcnicas de esterilizao dos materiais visam

    Monta-cargas umminielevador privativo, utiliza-do para a comunicao entreesses setores; em algumasinstituies existe um paratransporte de material conta-minado e outro para o de ma-terial esterilizado.

    Planta fsica de um centro de materialcom o fluxo do material

    Fonte: SENAC

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    diminuir os riscos de infeco, que, alm de outras complicaes,acarretam sofrimento ao cliente, bem como um tempo maior deinternao.

    Atualmente, em decorrncia do avano tecnolgico, grande par-te dos materiais hospitalares esto sendo substitudos por materiaisdescartveis, que apresentam as vantagens de estarem prontos parauso, diminuirem a incidncia de infeco hospitalar - com baixo custopara a instituio - e proporcionarem segurana e conforto tanto aocliente como aos profissionais de sade.

    2.1 Fluxo do processamento dematerial esterilizado

    Os materiais das diferentes unidades chegam ao CME atravsda rea de recepo. De acordo com a rotina da instituio, os mate-riais recebidos so anotados em um caderno ou ficha de controlepertinente a cada unidade. Os que estiverem limpos so encaminha-dos para a rea de acondicionamento, onde sero preparados; ossujos ficam no expurgo, para lavagem.

    No expurgo ocorre o processo de lavagem do material sujoencaminhado ao CME cuja atuao muito importante, pois se omaterial no for lavado de forma correta a esterilizao no se pro-cessa adequadamente; conseqentemente, permanecer contamina-do, oferecendo riscos ao cliente.

    Os materiais sujos de matria orgnica (sangue, pus e outrassecrees corpreas) devem ficar imersos em detergentes enzimticospor cerca de 3 a 5 minutos (ver recomendao do fabricante), tem-po necessrio para desagregar a matria orgnica. Devem ser colo-cados abertos ou desconectados em recipiente no-metlico, tendo-se o cuidado de evitar que materiais diferentes (borracha,instrumenais, vidros) sejam postos no mesmo recipiente.

    Aps esta etapa, a limpeza do material pode ser feita com gua,sabo e escova de cerdas, ou atravs de mquinas de limpeza, j queos abrasivos - como esponja de ao ou saponceo - danificam omaterial. Para cada tipo de material existe uma tcnica de lavagemque assegurar que o mesmo chegue rea de preparo em perfeitascondies de limpeza. Quando da lavagem, deve-se escovar as ra-nhuras, articulaes e dentes de cada pina, bem como injetar assolues no interior das cnulas e sondas.

    Aps o enxage, onde todo o sabo deve ser retirado, os ma-teriais devem ser secos com pano, mquina secadora ou ar compri-mido, e posteriormente encaminhados para a rea de preparo.

    As seringas de vidro e agu-lhas hipodrmicas no foramespecificadas porque o seuuso deve ser abolido e asmesmas substitudas por se-ringas descartveis, procedi-mento mais econmico e se-guro do ponto de vista de con-trole da infeco hospitalar.Idntico cuidado deve serobservado com relao reesterilizao de luvas para as instituies que aindafazem uso desse processorecomenda-se que o local delavagem e preparo seja umambiente separado dos de-mais, e provido de mquinaspara lavagem, secagem,entalcamento, preparo eacondicionamento das luvas.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFNesta rea, indispensvel o uso de equipamento de proteo

    individual (EPI) constitudo por luvas grossas de cano longo, culos deproteo, mscara e avental impermevel longo; alm disso, deve-seproteger o calado com algum tipo de capa, ou utilizar botas de borra-cha, o que favorece a proteo dos ps. Esses cuidados so absoluta-mente necessria pelo fato de que o material a ser lavado consideradocontaminado; assim, deve-se tomar todas as precaues para evitar acontaminao do funcionrio.

    Os funcionrios da rea de preparo de material so respons-veis pela inspeo da limpeza, condies de conservao dos materi-ais e funcionalidade dos instrumentais, bem como o acondiciona-mento e identificao dos pacotes, caixas e bandejas. Entre suas ati-vidades, cabe separar os materiais danificados, para posterior substi-tuio. Durante o desempenho de suas funes recomendvel queos mesmos utilizem gorro ou touca descartvel, para evitar a quedade fios de cabelo nos materiais; alm disso, devem sempre manipu-lar o material com as mos limpas.

    Na rea de preparo os materiais so preferencialmente agru-pados por tipo de material: vidros, tecido (roupas e campos), instru-mental e borrachas.

    Os aventais ou capotes, bem como os campos cirrgicos efenestrados, so recebidos da lavanderia e encaminhados diretamen-te ao setor de preparo para serem inspecionados, dobrados e acon-dicionados. Na inspeo, devem ser observadas sujidades, rasgos eausncia de cadaros ou amarrilhos.

    Os campos cirgicos e fenestrados so dobrados ao meio, nocomprimento; depois, transversalmente (de cima para baixo). Oprocesso deve ser finalizado dobrando-se a ponta superior externaduas vezes na diagonal - as aberturas devem estar voltadas para olado oposto ao do executante, e as dobras para cima.

    Tcnica de dobradurade campo cirrgico

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    6 Assistncia Cirrgica

    Os aventais so dobrados de forma queas mangas fiquem ao longo do corpo do aven-tal; a abertura das costas, para o lado externo ea ponta da gola, com os amarrilhos, para cima.

    Os campos de algodo devem ser duplose, quando novos, lavados para a retirada do ami-do (goma). Os invlucros de papel no devemser reaproveitados, devido ao perigo de se ras-garem.

    As figuras a seguir ilustram os passos datcnica.

    O pacote deve ser feito de forma a en-volver todo o material - evitando-se deix-lofrouxo -, para que este, quando esterilizado, nose contamine ao entrar em contato com o meioambiente. O peso do pacote deve situar-se emtorno de 5 quilos e seu tamanho no deve exce-der as medidas de 50x30x30cm.

    Tcnica de dobradurade campo fenestrado

    Tcnica de dobradura de avental cirrgico

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    Os instrumentais cirrgicos, aps verificao de sua limpeza, conser-vao e funcionamento, sero acondicionados em caixa metlica perfuradaou bandeja de ao inoxidvel, empacotada em campo de algodo.

    Para evitar perfuraes durante o manuseio destes materiais, bemcomo conservar a sua integridade, as tesouras e pinas mais delicadasdevem ser protegidas com gaze ou compressa pequena e postas na par-te superior da caixa ou bandeja. Por sua vez, as agulhas, porta-agulhas,pinas de campo e pinas para antissepsia devem ser organizadas deacordo com o tipo de cirurgia.

    As agulhas metlicas, utilizadas em alguns procedimentosespecializados, so acondicionadas em tubo de ensaio com uma bolade algodo no fundo, para proteger suas pontas e outra na boca dotubo para fecha-lo.

    Os materiais de borracha e cnulas siliconizadas de baixa pres-so so acondicionados individualmente em envelope de poliamidaou papel grau cirrgico. As extenses de borracha devem estar en-roladas e presas com uma tira de gaze, e acondicionadas em campode algodo ou em envelope de poliamida ou papel grau cirrgico.Em algumas instituies, os materiais de corte e as agulhas so acon-dicionados separadamente em bandeja ou caixa.

    O papel grau cirrgico omais adequado para a em-balagem, pois sua composi-o atende uma srie decaractersticas preconizadaspela Associao Brasileira deNormas Tcnicas (ABNT).

    Tcnica de abertura de material estrilTcnica de empacotamento de material

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    6 Assistncia Cirrgica

    Ao empacotar os materiais, o invlucro utilizado deve possibili-tar tanto a penetrao do agente esterilizante como mant-los protegidosat o momento do uso; portanto, faz-se necessrio verificar a adequaodo tipo de invlucro com o processo de esterilizao:

    ! na autoclave so utilizados campos de tecido de algodo, pa-pis (grau cirrgico e kraft), filme poliamida transparente e cai-xa metlica perfurada embalada em campo, para permitir a li-vre circulao do vapor;

    ! na estufa so utilizadas lminas de alumnio, recipiente devidro refratrio e caixa metlica fechada;

    ! no esterilizador de xido de etileno so utilizados filmepoliamida transparente e papel grau cirrgico.

    O fechamento do pacote, bandeja ou caixa depende do invlu-cro e do processo de esterilizao a que ser submetido. Nos pacotesembalados com filme poliamida e papel grau cirrgico o fechamento des-te feito por seladora. Os demais, com fita crepe simples, evitando-sedeixar aberturas - esta mesma fita utilizada para identificar o pacote ecolocar a assinatura do responsvel pelo fechamento.

    Existe uma outra fita crepe especial que deve ser colocada nopacote a qual apresenta listras que, quando submetidas ao docalor, ficam escuras, identificando que o material foi submetido a pro-cesso de esterilizao.

    A rea de esterilizao, como o prprio nome diz, o local destinado esterilizao dos materiais, pois nela se encontram instalados os equipa-mentos necessrios a este processo. Aos funcionrios que trabalham nestarea recomendado o uso de roupa privativa ao setor, bem como luva deamianto para manuseio do equipamento e material - quando os mesmosestiverem quentes, para evitar queimaduras.

    As principais formas de esterilizao so:

    !!!!! Por vapor saturado sob pressoO aparelho utilizado para este processo a autoclave, composto

    por uma cmara - onde se acondiciona o material, por uma vlvula naporta - que mantm a presso interna mediante instrumentos que me-dem a presso e a temperatura. Seu funcionamento combina a ao docalor, presso e umidade na destruio de microrganismos, por agiremna estrutura gentica da clula.

    A autoclave funciona sob presso de 1 a 18 atmosferas, depen-dendo do equipamento. O tempo de exposio do material ao vaporvaria de acordo com o seu tipo, temperatura e presso atmosfrica. Deforma geral, para o material de superfcie, o tempo necessrio de 30minutos em temperatura de 121oC ou 15 minutos em temperatura de134oC; para o material de densidade, 30 minutos em temperatura de121oC ou 25 minutos em temperatura de 134oC.

    Presso atmosfrica - pressoque a atmosfera exerce sobrea superfcie da Terra, devidoao peso do ar.

    Material de superfcie - mate-rial em que o vapor tem con-tato apenas com a sua super-fcie, como vidro, borracha,inox.

    Material de densidade -aquele em que o vapor pene-tra internamente, como paco-tes, caixas e bandejas.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFEste tipo de esterilizao est indicado para todo material resis-

    tente ao calor mido, como tecidos (aventais, campos cirrgicos, cam-pos fenestrados), materiais de borracha e de metal. contra-indicadopara materiais termossensveis, como cateteres e materiais de terapiarespiratria.

    Aps o material ser colocado na autoclave, inicia-se a drenagemdo ar dentro da cmara e do ar residual dentro dos pacotes, para que ovapor possa entrar em contato com os materiais neles contidos.

    Para assegurar a correta esterilizao dos materiais, faz-se ne-cessria a adoo de alguns cuidados que facilitam a circulao e pe-netrao do vapor no material, tais como: utilizar somente 80% dacapacidade de armazenamento da cmara, com materiais que requei-ram o mesmo tempo de esterilizao; evitar que os pacotes encos-tem nas paredes do aparelho e entre eles; colocar os pacotes maioresna parte inferior e os menores na parte superior do aparelho, dis-pondo os jarros, bacias e frascos com a boca para baixo, para facili-tar a remoo do ar e do vapor.

    Para se verificar se a esterilizao dos materiais est realmenteocorrendo, deve-se observar se a presso e a temperatura esto nosnveis programados, durante todo o ciclo. Caso isto no ocorra, oprocesso deve ser interrompido e a manuteno do aparelho deve sersolicitada.

    Ao trmino do ciclo deve-se entreabrir a porta do aparelhopor um perodo de 5 a 10 minutos, para a completa secagem dospacotes e materiais pelo calor das paredes da cmara.

    Finalmente, os pacotes devem ser retirados e s colocados emsuperfcies frias aps perderem completamente o calor, para evitar aformao de umidade ao contato. Complementando o processo, ospacotes devem ser datados e encaminhados para a sala dearmazenamento.

    !!!!! Por calor secoEste processo realizado atravs de um aparelho denominado

    estufa, no qual o calor seco irradiado das paredes laterais e de suabase para destruir os microrganismos. A estufa possui uma cmarapara acondicionamento do material e equipamentos para medir atemperatura e controlar o tempo. Seu uso limitado, porque o ca-lor seco no to penetrante como o calor mido e a sua distribui-o dentro da cmara no se realiza de modo uniforme.

    Como existem vrias controvrsias em relao ao tempo ne-cessrio e a eficcia deste mtodo, o seu uso recomendado apenaspara ps, leos e graxas (vaselina lquida ou gaze vaselinada). Naimpossibilidade de proceder a esterilizao pelo mtodo de vapor

    Voc j presenciou auxiliaresde enfermagem colocandosobre superfcie fria os paco-tes ainda quentes ou secandoos pacotes midos na estufa,ou colocando na autoclave ascaixas de instrumental com atampa semi-aberta? Vocacreditaria que esses materi-ais esto esterilizados?

    Materiais termossensveis -materiais que se danificamsob ao do calor.

    Os leos e ps tm seu tempode exposio e temperaturavariveis em funo do volume.

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    saturado sob presso o uso do calor seco (estufa) pode ser uma possibi-lidade atentando para os cuidados especficos. A temperatura pode va-riar de 120oC a 2000C, dependendo do material a ser esterilizado e tem-po de exposio.

    Para garantir a eficcia da esterilizao e integridade dos materi-ais, recomenda-se colocar pequena quantidade de instrumental nascaixas e utilizar apenas 80% da capacidade da estufa, com materiaisque requeiram o mesmo tempo de exposio; as caixas maiores de-vem ser colocadas sobre as menores, o que melhora a conduo docalor. Jamais deve-se encostar as caixas nas paredes da estufa oudispor os materiais no centro da mesma - por ser um local de con-centrao de pontos frios -, bem como abrir a estufa durante o pro-cesso de esterilizao.

    Decorrido o tempo programado para a esterilizao, o apare-lho deve ser desligado e o material esfriado com a estufa fechada.Aps o que, deve ser retirado e as bordas das caixas e vidros vedadascom fita adesiva.

    Aps a ltima esterilizao do dia, limpar com pano mido acmara interna da autoclave e estufa e enxugar, repetindo o mesmoprocedimento na superfcie externa.

    ! Esterilizao por xido de etilenoOs materiais indicados para este tipo de esterilizao so os

    termossensveis, tais como os marca-passos, prteses, instrumen-tais de hemodinmica, acessrios de respiradores, materiais comfibras ticas, cnulas siliconizadas de baixa presso e materiais deborracha.

    O ciclo de esterilizao compreende o vcuo inicial, a pr-umidificao, a entrada do gs na cmara, o tempo de exposio, aexausto do gs e a aerao mecnica, que tem por objetivo remo-ver os resduos de gs pela circulao de ar filtrado por todo o mate-rial esterilizado

    Os materiais a serem esterilizados devem estar totalmente se-cos e dispostos de forma a manter um espao entre cada um. Apsfechar o aparelho, aguarda-se que o mesmo atinja os valores ade-quados de concentrao do gs, temperatura e umidade; somenteento inicia-se a contagem do tempo de exposio. Complementandoo processo, ajusta-se o tempo de aerao de acordo com as orienta-es do fabricante.

    Como o xido de etileno um gs txico e carcinognico, ooperador responsvel pela remoo do material da cmara deve obri-gatoriamente fazer uso de avental, gorro, mscara e luvas de prote-o - o que o proteger do contato com o gs.

    A portaria interministerialn4, de 31 de julho de 1991estabelece normas tcnicaspara o uso do gs xido deetileno como processo deesterilizao

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF! Esterilizao por plasma de perxido de hidrognio

    Geralmente, o plasma de perxido de hidrognio utiliza-do em clnicas de pequeno porte, em vista de sua fcil instala-o, ter um tempo de esterilizao de 1 hora e ocupar menorrea fsica.

    O aparelho realiza a esterilizao em 5 fases consecutivas: v-cuo, injeo, difuso, plasma e exausto. O cassete de perxido dehidrognio introduzido no aparelho e, aps o trmino do proces-so, automaticamente descartado em recipiente prprio.

    Os materiais esterilizados por este processo so os metais, vi-dros, acrlicos, borrachas e plsticos, que devem estar acondiciona-dos em embalagem isenta de compostos de celulose.

    !!!!! Esterilizao por agentes qumicos lquidosEsta esterilizao recomendada apenas quando da impossibili-

    dade de uso dos demais mtodos, pois estes produtos exigem um tem-po de exposio muito longo, enxage em soluo estril (gua destilaestril), secagem em campos estreis e uso imediato. Durante o proces-so, a manipulao exige tcnica assptica.

    O material precisa estar limpo e seco para evitar alterao na con-centrao da soluo, a qual deve ser renovada sempre que houver alte-rao da colorao, presena de depsito ou vencimento da validade dadiluio do produto, conforme as especificaes do fabricante.

    Recomenda-se, tambm, evitar colocar no mesmo recipien-te materiais de composio diferente, em vista da possibilidadede corroso.

    Este mtodo de esterilizao requer alguns cuidados simples,que mesmo assim muitas vezes no so seguidos. importanteque seja selecionado um recipiente de vidro ou plstico com tam-pa e de tamanho adequado quantidade de material; em seguida,aps a colicao do material para esterilizao, o recipiente deveser tampado e iniciada a contagem do tempo de exposio, confor-me as especificaes do fabricante. Ao trmino do processo, reti-rar os materiais da soluo com tcnica assptica e enxag-losabundantemente, inclusive o interior dos tubos e cateteres;complementando o processo, enxugar com compressas esteriliza-das, acondicionar os materiais em invlucros estreis e encaminh-los para uso imediato.

    Ao trmino de todos os processos de esterilizao, com exceodo efetuado por agentes qumicos lquidos, os materiais vo para a salade armazenagem e distribuio. Dependendo da estrutura da institui-o, ficam estocados na CME, sendo distribudos de acordo com a so-licitao, ou nas prprias unidades de internao.

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    A sala de armazenagem e distribuio destina-se obviamen-te apenas para o armazenamento e distribuio de material esteri-lizado; portanto, deve-se ter o cuidado de em nenhum momentoreceber material contaminado nesta rea. importante que a mes-ma esteja equipada com armrios fechados para guardar os mate-riais de maior permanncia e suportes com cestos ou prateleiraspara os de distribuio diria. Os que possuem prazo de validademais prximo do vencimento devem ficar colocados na parte decima ou na frente, a fim de que se promova a rotatividade dospacotes, evitando-se a armazenagem de material com prazo de va-lidade vencido.

    Quando a esterilizao realizada por autoclave e estufa, o pra-zo de validade dos materiais esterilizados de 7 dias; por xido deetileno, de 1 ano. Estes prazos variam conforme as condies de guar-da do material, observando-se alteraes da integridade do invlucro(rasgo, no presena da fita de identificao de esterilizao, presenade umidade, violao do lacre). Nestas condies e/ou vencido o pra-zo de validade, os materiais so retirados da embalagem e novamenteacondicionados e esterilizados.

    3- CONHECENDO A UNIDADE CIRRGICA

    Cirurgia ou operao o tratamento de doena,leso ou deformidade externa e/ou interna com o objetivo dereparar, corrigir ou aliviar um problema fsico. realizada nasala de cirurgia do hospital e em ambulatrio ou consultrio,quando o procedimento for considerado simples1 .

    Dependendo do risco de vida, a cirurgia pode ser deemergncia, urgncia, programada ou opcional. Por exemplo:nos casos de hemorragia interna, a cirurgia sempre de emer-gncia pois deve ser realizada sem demora; no abdome agudo,o tratamento cirrgico de urgncia, por requerer pronta aten-o, podendo-se, entretanto, aguardar algumas horas para me-lhor avaliao do cliente; as cirurgias programadas ou eletivas,como no caso de varizes de membros inferiores, so realizadas

    com data pr-fixada, enquanto que a maioria das cirurgias plsticas sooptativas por serem de preferncia pessoal do cliente.

    A cirurgia tambm classificada de acordo com a finalidade:diagnstica ou exploratria, quando utilizada para se visualizar as par-tes internas e/ou realizar bipsias (laparotomia exploradora); curativa,quando se corrige alteraes orgnicas (retirada da amgdala inflamada);1 KAWAMOTO, 1999, p. 35

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFreparadora, quando da reparao de mltiplos ferimentos (enxerto de pele);reconstrutora ou cosmtica, quando se processa uma reconstituio (pls-tica para modelar o nariz, por exemplo); e paliativa, quando se necessitacorrigir algum problema, aliviando os sintomas da enfermidade, no ha-vendo cura (abertura de orifcio artificial para a sada de fezes sem ressecodo tumor intestinal, por exemplo).

    As cirurgias provocam alteraes estruturais e funcionais noorganismo do cliente, que precisar de algum tempo para se adaptars mesmas. comum o tratamento cirrgico trazer benefcios qua-lidade de vida da pessoa, mas importante compreendermos que otratamento cirrgico sempre traz um impacto (positivo ou negativo)tanto no aspecto fsico como nos aspectos psicoemocionais e sociais.Com esta compreenso, temos maior chance de realizar uma comu-nicao interpessoal mais individualizada e prestar ao cliente orienta-es mais adequadas.

    As reaes emocionais guardam relao direta com o signifi-cado que o cliente e familiares atribuem cirurgia, sendo a ansieda-de pr-operatria a mais freqente. Por isso, a cirurgia e os procedi-mentos diagnsticos podem representar uma invaso fsica, emoci-onal e psicolgica - e em algumas cirurgias (amputao da perna)uma invaso social, obrigando mudanas no estilo de vida.

    A aceitao ao tratamento cirrgico, apesar do medo daanestesia, da dor, da morte, do desconhecido e da alterao da ima-gem corporal, est geralmente relacionada confiana que o clientedeposita na equipe profissional e na estrutura hospitalar, da a im-portncia de estarmos atentos ao tipo de relao interpessoal queespecificamente temos com este cliente.

    O atendimento do cliente cirrgico feito por um conjuntode setores interligados, como o pronto-socorro, ambulatrio, enfer-maria clnica ou cirrgica, centro cirrgico (CC) e a recuperaops-anestsica (RPA). Todos estes setores devem ter um objetivocomum: proporcionar uma experincia menos traumtica possvele promover uma recuperao rpida e segura ao cliente.

    O ambulatrio ou pronto-socorro realiza a anamnese, o exa-me fsico, a prescrio do tratamento clnico ou cirrgico e os exa-mes diagnsticos. A deciso pela cirurgia, muitas vezes, tomadaquando o tratamento clnico no surtiu o efeito desejado.

    O cliente pode ser internado um ou dois dias antes da cirurgia,ou no mesmo dia, dependendo do tipo de preparo que a mesmarequer. O cliente do pronto-socorro diretamente encaminhado aocentro cirrgico, devido ao carter, geralmente, de emergncia doato cirrgico. O centro cirrgico o setor destinado s intervenescirrgicas e deve possuir a recuperao ps-anestsica para prestar aassistncia ps-operatria imediata.

    No sculo XX, as cirurgias sedesenvolveram graas aoavano tecnolgico que per-mitiu um diagnstico pr-ope-ratrio mais preciso e melhordomnio da tcnica cirrgica.Na dcada de 90, asmicrocirurgias ou as cirurgiasa laser surgem com grandeimpacto por serem menosagressivas e diminurem otempo de cirurgia e deinternao - no substituindototalmente as cirurgiastradicionais.

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    6 Assistncia Cirrgica

    Aps a recuperao anestsica, o cliente encaminhado unida-de de internao, onde receber os cuidados ps-operatrios que visamprevenir a ocorrncia de complicaes.

    3.1 Classificao da cirurgia porpotencial de contaminao

    O nmero de microrganismos presentes no tecido a ser operadodeterminar o potencial de contaminao da ferida cirrgica. De acor-do com a Portaria n 2.616/98, de 12/5/98, do Ministrio da Sade, ascirurgias so classificadas em:

    ! limpas: realizadas em tecidos estreis ou de fcildescontaminao, na ausncia de processo infeccioso local,sem penetrao nos tratos digestrio, respiratrio ouurinrio, em condies ideais de sala de cirurgia. Exemplo:cirurgia de ovrio;

    ! potencialmente contaminadas: realizadas em tecidos de dif-cil descontaminao, na ausncia de supurao local, compenetrao nos tratos digestrio, respiratrio ou urinriosem contaminao significativa. Exemplo: reduo de fratu-ra exposta;

    ! contaminadas: realizadas em tecidos recentementetraumatizados e abertos, de difcil descontaminao, comprocesso inflamatrio mas sem supurao. Exemplo: apen-dicite supurada;

    ! infectadas: realizadas em tecido com supurao local, tecidonecrtico, feridas traumticas sujas. Exemplo: cirurgia do retoe nus com pus.

    3.2 Nomenclatura cirrgica

    A nomenclatura ou terminologia cirrgica o conjunto determos usados para indicar o procedimento cirrgico.

    O nome da cirurgia composto pela raiz que identifica aparte do corpo a ser submetida cirurgia, somada ao prefixo ouao sufixo.

    Alguns exemplos de raiz: angio (vasos sangneos), flebo(veia), traqueo (traquia), rino (nariz), oto (ouvido), oftalmo(olhos), hister(o) (tero), laparo (parede abdominal), orqui (tes-tculo), etc.

    Prefixo o elemento colocadoantes da raiz; sufixo o ele-mento colocado depois daraiz.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF

    Os sufixos mais utilizados na composio da terminologia cirr-gica so:

    Prefixos/raiz Nome Significado

    Ex (externo, fora) +oftalmo (olho)

    Exoftalmia: Projeo acentuada do globoocular

    Circun (ao redor) +ciso (separao)

    Circunciso ou postectomia Exciso do prepcio

    Sufixos Significado do sufixo Significado da palavraTomia Inciso, corte Laparotom ia: abertura da

    cavidade abdominalStomia Comunicar um rgo

    tubular ou oco com oexterior, atravs de umaboca

    Colostom ia: aberturacirrgica na paredeabdominal paracomunicar uma poro doclon com o exterior

    Ectomia Retirar parcial outotalmente um rgo

    Esplenec tom ia: retirada dobao

    Plastia Reparao plstica Rinoplastia: correo donariz

    Rfia Sutura Hernior rafia: sutura paracorreo da hrnia

    Pexia Fixao Nefropexia: elevao efixao do rim

    Scopia Visualizao da cavidadeatravs de aparelhosespeciais

    Laparosc opia: visualizaoda cavidade abdominal

    Alm desses termos, existem as denominaes com o nome docirurgio que introduziu a tcnica cirrgica (Billroth: tipo de cirurgiagstrica) ou, ainda, o uso de alguns termos especficos (exerese: remo-o de um rgo ou tecido).

    3.3 Estrutura do centro cirrgico (CC)

    A unidade de centro cirrgico destina-se s atividades cirrgi-cas e de recuperao anestsica, sendo considerada rea critica nohospital por ser um ambiente onde se realizam procedimentos derisco e que possue clientes com sistema de defesa deficiente e maiorrisco de infeco.

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    6 Assistncia Cirrgica

    A equipe do CC composta por diversos profissionais:anestesistas, cirurgies, instrumentador cirrgico, enfermeiro, tcnicoe auxiliar de enfermagem, podendo ou no integrar a equipe oinstrumentador cirrgico e o auxiliar administrativo.

    Para prevenir a infeco e propiciar conforto e segurana ao cli-ente e equipe cirrgica, a planta fsica e a dinmica de funcionamentopossuem caractersticas especiais. Assim, o CC deve estar localizadoem rea livre de trnsito de pessoas e de materiais.

    Devido ao seu risco, esta unidade dividida em reas:! No-restrita - as reas de circulao livre so consideradas re-

    as no-restritas e compreendem os vestirios, corredor de en-trada para os clientes e funcionrios e sala de espera de acom-panhantes. O vestirio, localizado na entrada do CC, a reaonde todos devem colocar o uniforme privativo: cala compri-da, tnica, gorro, mscara e props.

    ! Semi-restritas - nestas reas pode haver circulao tanto dopessoal como de equipamentos, sem contudo provocareminterferncia nas rotinas de controle e manuteno daassepsia. Como exemplos temos as salas de guarda de mate-rial, administrativa, de estar para os funcionrios, copa eexpurgo. A rea de expurgo pode ser a mesma da Central deMaterial Esterilizado, e destina-se a receber e lavar os mate-riais utilizados na cirurgia.

    ! Restrita - o corredor interno, as reas de escovao das mos ea sala de operao (SO) so consideradas reas restritas dentrodo CC; para evitar infeco operatria, limita-se a circulaode pessoal, equipamentos e materiais.

    A sala de cirurgia ou operao deve ter cantos arredondados parafacilitar a limpeza; as parede, o piso e as portas devem ser lavveis e decor neutra e fosca. O piso, particularmente, deve ser de materialcondutivo, ou seja, de proteo contra descarga de eletricidade estti-ca; as tomadas devem possuir sistema de aterramento para prevenirchoque eltrico e estar situadas a 1,5m do piso. As portas devem tervisor e tamanho que permita a passagem de macas, camas e equipa-mentos cirrgicos. As janelas devem ser de vidro fosco, teladas efechadas quando houver sistema de ar condicionado. A iluminaodo campo operatrio ocorre atravs do foco central ou fixo e, quan-do necessrio, tambm pelo foco mvel auxiliar.

    O lavabo localiza-se em uma rea ao lado da SO e o localonde a equipe cirrgica faz a degermao das mos e antebraoscom o uso de substncias degermantes antisspticas, com a aomecnica da escovao. As torneiras do lavabo devem abrir e fe-char automaticamente ou atravs do uso de pedais, para evitar o

    A qualidade do ar no centrocirrgico motivo de muitoestudo, sendo que o ar condi-cionado muitas vezes fontede contaminao caso nohaja rigoroso controle dosfiltros e de sua instalao.

    Props so os protetores dossapatos, para serem usadosem ambientes semi-restritos erestritos, que podem ser detecido ou descartveis.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFcontato das mos j degermadas. Acima do lavabo localizam-se osrecipientes contendo a soluo degermante e um outro, contendoescova esterilizada.

    Aps a passagem pelo SO, o cliente encaminhado sala deRPA a qual deve estar localizada de modo a facilitar o transportedo cliente sob efeito anestsico da SO para a RPA, e desta para aSO, na necessidade de uma reinterveno cirrgica; deve possibi-litar, ainda, o fcil acesso dos componentes da equipe que operouo cliente.

    Considerando-se a necessidade de se ter materiais em condi-es para pronto uso bem como evitar a circulao desnecessria depessoal e equipamentos dentro e fora da rea do CC, recomenda-se aexistncia de salas especficas para a guarda de medicamentos, mate-riais descartveis, esterilizados, de anestesia e de limpeza, aparelhose equipamentos e roupa privativa. Dependendo do tamanho do CC, tambm recomendvel que haja uma sala administrativa, sala de es-pera para familiares e/ou acompanhantes, sala de estar para funcio-nrios e copa.

    3.4 Materiais e equipamentosda sala de operao (SO)

    Para que o processo cirrgico transcorra semintercorrncias e de forma planejada, as salas cirrgicasso equipadas com foco central, negatoscpio, sistema decanalizao de ar e gases, prateleiras (podem estar ou nopresentes), mesa cirrgica manual ou automtica comcolchonete de espuma, perneiras metlicas, suporte deombros e braos, arco para narcose, coxins e talas paraauxiliar no posicionamento do cliente.

    Para controlar os dados fisiolgicos do cliente e evitar compli-caes anestsicas, a sala de cirurgia deve ser equipada comesfigmomanmetro, monitor de eletrocardiograma, material paraentubao traqueal, equipamentos para ventilao e oxigenao, as-pirador de secrees, oxmetro de pulso e outros aparelhosespecializados.

    Os equipamentos auxiliares so aqueles que podem ser movi-mentados pela sala, de acordo com a necessidade: suporte de hampere bacia, mesas auxiliares, bisturi eltrico, foco auxiliar, banco girat-rio, escada, estrado, balde inoxidvel com rodinhas ou rodzios, car-ros ou prateleiras para materiais estreis, de consumo e soluesantisspticas.

    Negatoscpio - aparelho utili-zado para a visualizao dosraios X, composto por lmpa-da fluorescente e placa deacrlico.

    Oxmetro de pulso aparelhoque permite a monitorizaoconstante da saturao deoxignio do sangue arterial,alertando sobre problemasna troca gasosa.

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    6 Assistncia Cirrgica

    Tambm so necessrios diversos pacotes esterilizados con-tendo aventais, opa (avental com abertura para a frente), lu-vas de diferentes tamanhos, campos duplos, campos simples,compressas grandes e pequenas, gazes, impermevel (para forrara mesa do instrumentador), cpulas grandes e pequenas, cuba-rim, bacia, sondas e drenos diversos, cabo com borracha paraaspirador e cabo de bisturi eltrico (pode vir acondicionado emcaixas).

    Outros materiais esterilizados so as caixas de instrumentais, oestojo de material cortante (pode estar acondicionado dentro da caixade instrumentais), bandeja de material para anestesia e fios de suturade diferentes nmeros e tipos.

    Como materiais complementares: a balana para pesar com-pressas e gazes, as solues antisspticas, esparadrapo, ataduras,pomada anestsica, medicamentos anestsicos e de emergncia, so-lues endovenosas do tipo glicosada, fisiolgica, bicarbonato desdio, soluo de lcool hexa-hdrico (Manitol), de Ringer e deRinger Lactato.

    Como no CC existem materiais inflamveis e explosivos, aequipe do CC deve tomar todas as precaues contra acidentes quepossam gerar exploses e incndio. Para preveni-los, recomenda-seevitar que alguns agentes anestsicos (xido nitroso) e solues comoter e/ou benzina entrem em contato com descargas eltricas; darpreferncia ao uso de tecidos de algodo ao invs de sintticos, queacumulam carga eltrica; e testar diariamente todos os equipamen-tos eltricos, bem como conferir a aterragem dos aparelhos eltri-cos atravs de fio-terra.

    4- O CUIDADO DE ENFERMAGEMNO PR-OPERATRIO

    O cliente cirrgico recebe assistncia da enfermagem nosperodos pr, trans e ps-operatrio. O perodo pr-operatrioabrange desde o momento pela deciso cirrgica at a transfern-cia do cliente para a mesa cirrgica; a partir desse momento ini-cia-se o trans e intra- operatrio, que termina com a sada do cli-ente do centro cirrgico; o ps-operatrio vai desde o momentoda recepo do cliente que retornou da cirurgia at a alta mdica.

    O perodo pr-operatrio divide-se em mediato e imediato:

    Dependendo do tipo de cirur-gia, faz-se necessrio acres-centar equipamentos ou ma-teriais especficos.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF! no pr-operatrio mediato o cliente submetido a exames que

    auxiliam na confirmao do diagnstico e que auxiliaro o pla-nejamento cirrgico, o tratamento clnico para diminuir os sin-tomas e as precaues necessrias para evitar complicaesps-operatrias, ou seja, abrange o perodo desde a indicaopara a cirurgia at o dia anterior mesma;

    ! o perodo imediato corresponde s 24 horas anteriores cirur-gia e tem por objetivo preparar o cliente para o ato cirrgicomediante os seguintes procedimentos: jejum, limpeza intesti-nal, esvaziamento vesical, preparo da pele e aplicao de medi-cao pr-anestsica.

    O preparo pr-operatrio, mediante utilizao dos instrumen-tos de observao e avaliao das necessidades individuais, objetivaidentificar tanto as alteraes fsicas (hipertenso arterial, presena deferidas infectadas, etc.) como as emocionais (ansiedade, expectativa dacirurgia, condies afetadas com a internao, etc.) do cliente, poisinterferem nas condies para o ato cirrgico, podendo comprome-ter o bom xito da cirurgia ou at mesmo provocar sua suspenso.

    Os fatores fsicos que aumentam o risco operatrio so taba-gismo, desnutrio, obesidade, faixa etria elevada, hipertenso arte-rial e outras doenas concomitantes. Assim, durante a cirurgia, ocirurgio ter maior dificuldade em conter o sangramento, aps adirese, de um cliente hipertenso; assim como o cliente tabagistater maior acmulo de secreo pulmonar, com provvel desenvol-vimento de broncopneumonia no ps-operatrio.

    Portanto, sob o ponto de vista tico e tcnico, todas as condutasde enfermagem devem proporcionar conforto, segurana e o menorrisco de infeco ao cliente; devendo o mesmo ser esclarecido sobre oque est sendo realizado, porque o simples fato de no saber o que vaiser feito pode torn-lo inseguro, inquieto e no-cooperativo.

    Quando o cliente tiver experincia cirrgica anterior negativa,a enfermagem deve respeitar este fato estimulando-o a identificaraspectos que favoream a nova interveno.

    Mesmo aps todas as orientaes e apoio oferecido pela en-fermagem, o cliente pode apresentar-se receoso, recusar-se a fazer acirurgia, indispor-se contra a equipe de sade, familiares e outrosclientes. importante que a equipe entenda este comportamentocomo provavelmente ocasionado pela ansiedade pr-cirrgica, e nocomo afronta equipe.

    Tanto o cliente quanto a famlia tm direitos orientao cla-ra e precisa sobre o diagnstico clnico, cirurgia proposta e possvelprognstico. Somente aps o esclarecimento e o entendimento des-ses dados o cliente ou responsvel ter reais condies para assinar otermo de consentimento para a cirurgia (termo de responsabilidade).

    Direse o corte dos tecidos.

    Outro aspecto que pode inter-ferir no xito cirrgico a polti-ca de organizao da institui-o, muitas vezes refletida nafalta de pessoal e materiais.

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    6 Assistncia Cirrgica

    4.1 Humanizando o preparo docliente para a cirurgia

    Como o estado emocional pode interferir direta-mente na evoluo ps-operatria, importante que ocliente receba orientaes sobre os exames, a cirurgia,como retornar da mesma e os procedimentos do ps-operatrio, bem como esclarecimentos sobre a impor-tncia de sua cooperao.

    Para transmitir uma sensao de calma e confiana,a equipe de enfermagem deve manter uma relao de

    empatia, ou seja, colocar-se na posio do outro, sem crticasou julgamentos o que muitas vezes ajuda a compreender

    seus medos e inseguranas, possibilitando uma relaointerpessoal de respeito e no de autoridade. Alm disso, possibi-

    lita uma certa tranqilidade, favorecendo o entrosamento do cliente efamlia com o ambiente hospitalar, o que interfere beneficamente nas suascondies para a cirurgia. Com relao ao cliente, importante lembrar quea comunicao no-verbal (o olhar, a voz, a postura do cliente) tambmcomunica suas necessidades; portanto, ao buscamos entender estes sinaisteremos maiores condies de melhor compreend-lo.

    Ao prestar orientaes pr-operatrias, a equipe de enfermagemdeve estar atenta ao fato de que as necessidades de um cliente sodiferentes das de outro. O momento mais adequado para o cliente efamlia receberem as orientaes e participarem do processo de apren-dizagem quando demonstram interesse pelas informaes, reveladamuitas vezes atravs de perguntas ou busca da ateno da equipe deenfermagem.

    Quanto ao aspecto de f, a equipe de enfermagem pode provi-denciar assistncia religiosa, desde que solicitada pelo cliente e/ou fa-mlia. Alm disso, possvel conceder ao cliente a permisso para usode figuras religiosas, por exemplo presas ao lenol da maca, sem queisso prejudique os cuidados durante o intra ou ps-operatrio.

    4.2 Atuando na preveno decomplicaes no pr-operatrio

    O preparo fsico do cliente importante para o bom andamentodo ato cirrgico, bem como para evitar complicaes posteriores aomesmo. Evitar estas complicaes requer alguns cuidados de enferma-gem especficos relacionados com o preparo intestinal, vesical e da pele,alm de uma avaliao da equipe, do ambiente e do cliente para preve-nir a ocorrncia de infeces.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF! Prevenindo infeco

    Em vista da maior incidncia de infeces hospitalares nos clien-tes cirrgicos, o pessoal de enfermagem pode contribuir para sua pre-veno utilizando uniformes limpos e unhas curtas e limpas, lavandoas mos antes e aps cada procedimento, respeitando as tcnicasasspticas na execuo dos cuidados, oferecendo ambiente limpo eobservando os sinais iniciais de infeco.

    A ocorrncia ou no de infeco no ps-operatrio depende devrios fatores, mas principalmente da quantidade e virulncia dos mi-crorganismos e da capacidade de defesa do cliente.

    O uso de esterides, desnutrio, neoplasias com alteraesimunolgicas e clientes idosos ou crianas pequenas so fatores derisco de infeco no ps-operatrio devido reduo na capacidadeimunolgica. Outros fatores so o diabetes mellitus, que dificulta oprocesso de cicatrizao; a obesidade, em vista da menor irrigaosangnea do tecido gorduroso; o perodo pr-operatrio prolonga-do, que faz com que o cliente entre em contato maior com a florahospitalar; e infeces no local ou fora da regio cirrgica, que po-dem causar contaminao da ferida operatria.

    O risco de infeco cirrgica pode ser diminudo quando setrata ou compensa as doenas e os agravos que favorecem a infec-o, tais como a obesidade, focos infecciosos, presena de febre eoutros. Tambm no pr-operatrio imediato alguns cuidados soimplementados, tais como o banho com antisspticos especficos(clorexidine ou soluo de iodo PVPI) na noite anterior e no dia dacirurgia, tricotomia, lavagem intestinal, retirada de objetos pessoais,prteses e outros.a) Esvaziamento intestinal

    O esvaziamento intestinal no pr-operatrio diminui o riscode liberao do contedo intestinal durante a cirurgia, provocadopelo efeito de medicamento relaxante muscular. Existem controvr-sias quanto importncia desse procedimento pr-operatrio. De-pendendo do cliente, da cirurgia e da equipe que o assiste, o preparointestinal pode ser realizado mediante a utilizaco de laxativos, lava-gem intestinal ou ambos. Geralmente, este preparo ocorre entre 8 e12 horas antes do ato cirrgico.

    A soluo pode vir pronta para uso individual (enemas) ouser preparada pela enfermagem de acordo com a prescrio mdica,mas antes de ser aplicada no cliente deve ser aquecida, para ficarmorna.

    As solues mais prescritas so a soluo fisiolgica ou guaacrescida ou no de glicerina ou vaselina, cloreto de potssio (parano ocorrer hipopotassemia nas lavagens freqentes) e neomicina

    Lembra-se da importnciadas tcnicas asspticas nocontrole das infeces?

    Nas cirurgias abdominais, ono-esvaziamento ou suarealizao de forma inade-quada pode favorecer a rup-tura de alas intestinais e cau-sar dificuldades para avisualizao do campo ope-ratrio.

    Lavagem intestinal ouenteroclisma a introduode lquido (volume mximode 2000ml) no intestino, atra-vs do nus ou da boca dacolostomia, com o objetivo depromover o esvaziamentointestinal.

    Colostomia o orifcio artifi-cial feito para exteriorizaode uma ala intestinal fixadana parede abdominal, crian-do uma abertura temporriaou permanente para a sadadas fezes.

    Enema a aplicao de nomximo 500ml de substncia(contraste radiolgico, medi-camento, etc.) pelo reto.

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    6 Assistncia Cirrgica

    (para destruir os microrganismos entricos). Em algumas instituies,a soluo preparada pela enfermagem colocada em um recipientechamado irrigador.

    ! Realizando a lavagem intestinalA numerao das sondas retais deve ser selecionada de acor-

    do com a idade e sexo do cliente, sendo de 14 a 20 para crianas eadolescentes, de 22 a 24 para as mulheres e 24 a 26 para os homens.Caso a sonda apresente dimetro maior do que o do nus do clientee/ou seja introduzida sem lubrificante, poder provocar dor e le-ses durante a sua passagem. Os frascos com soluo pronta parauso dispensam a utilizao da sonda retal, dependendo das orienta-es do fabricante.

    O procedimento pode ser realizado no prprio quarto do clienteou em sala apropriada, mas a equipe de enfermagem deve estar atentaem promover a privacidade do cliente.

    Antes de iniciar o procedimento, a cama deve ser forrada comimpermevel e lenol mvel. Para facilitar a entrada e o trajeto a serpercorrido pelo lquido do enteroclisma, o mesmo dever ser introdu-zido seguindo os contornos anatmicos do intestino. Por esse motivo,o cliente deitado em decbito lateral esquerdo, com o corpo ligeira-mente inclinado para a frente e apoiado sobre o trax, tendo sua pernadireita flexionada e apoiada ligeiramente na esquerda (posio de SIMS).Antes da introduo da sonda, o cliente deve ser orientado para relaxara musculatura anal, inspirando e prendendo a respirao.

    Entrico relativo ao intestino.

    Caso haja dificuldade para a introduo da sonda, deve-se verifi-car as provveis causas: contrao retal involuntria perante a introdu-o de um corpo estranho, medo da dor, dobra da sonda e outrasintercorrncias. Para que a lavagem intestinal tenha melhor efeito, re-comenda-se que o cliente tente reter o lquido da lavagem por cerca de15 minutos.

    Posio de SIMS

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFb) Esvaziamento da bexiga

    Recomenda-se seu esvaziamento espontneo antes do pr-anes-tsico. Em cirurgias em que a mesma necessite ser mantida vazia, ounaquelas de longa durao, faz-se necessrio passar a sonda vesical dedemora, o que feito, geralmente, no centro cirrgico.

    c) Preparo da peleO banho e a rigorosa limpeza da regio onde ser feita a inciso

    cirrgica devem ser realizados para diminuir a possibilidade de conta-minao. De acordo com o tipo de cirurgia, o cliente pode necessitarser encaminhado para a cirurgia sem plos na regio operatria, sendoento necessria uma tricotomia da regio.

    Existem controvrsias se a tricotomia aumenta ou diminui opotencial de infeco da ferida operatria. Por esse motivo, reco-menda-se que sua realizao ocorra o mais prximo possvel domomento da cirurgia (no mximo 2 horas antes) ou no prprio cen-tro cirrgico, em menor rea possvel e com mtodo o menos agres-sivo. Tambm h controvrsia em relao s reas da tricotomia,que variam conforme as tcnicas e tecnologias usadas no processocirurgico. Entretanto, existem cirurgias nas quais a tricotomia ab-solutamente necessria, como as cranianas. Para exemplificar,listamos as reas de tricotomia segundo a regio da cirurgia:

    ! Cirurgia craniana raspa-se o couro cabeludo total ou par-cialmente, e o pescoo. Nas cirurgias de pescoo, deve-seincluir o colo e as axilas;

    ! Cirurgia torcica - raspa-se os plos do trax anterior e pos-terior at a cicatriz umbilical, podendo-se estender tal pro-cesso at a axila e regio inginal;

    ! Cirurgia cardaca - as reas a serem raspadas so o trax, me-tade do dorso, punhos, dobras dos cotovelos e regioinginal, acrescentando-se a face interna das coxas quandodas cirurgias de revascularizao do miocrdio;

    ! Cirurgia abdominal - recomenda-se a tricotomia da regiomamria at a regio pubiana anterior (posterior no caso dascirurgias renais); nas cesreas e cirurgia abdominal via baixa,raspa-se a regio pubiana;

    ! Cirurgia dos membros raspa-se o membro a ser operado,acrescentando-se ou no as regies axilar e pubiana.

    ! Realizando a tricotomia (rever marcador das cirurgias anteri-ores para no ficar igual)

    Antes de iniciar a tricotomia em reas de grande pilosidade,recomenda-se cortar o excesso de plo com uma tesoura.

    Nas cirurgias ginecolgicas, abexiga, se distendida, podeser lesada.

    Tricotomia - consiste na retira-da dos plos atravs da ras-pagem da pele ou do courocabeludo, com o objetivo dediminuir os riscos de infecoe facilitar o manuseio evisualizao da rea a sertrabalhada.

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    6 Assistncia Cirrgica

    Quando realizada com barbeador, deve-se esticar a pele e reali-zar a raspagem dos plos no sentido do crescimento dos mesmos, ten-do-se o cuidado de no provocar arranhaduras na pele.

    O uso de depilatrios tem sido utilizado em algumas institui-es, mas apresenta a desvantagem de, em algumas pessoas, provocarreaes alrgicas e deixar a pele avermelhada. A forma de utilizaovaria de acordo com as orientaes do fabricante.

    Existem ainda aparelhos que ao invs de rasparem os plos cor-tam os mesmos rente pele, evitando escoriaes e diminuindo o riscode infeco.

    ! Prevenindo complicaes anestsicasA manuteno do jejum de 6 a 12 horas antes da cirurgia obje-

    tiva evitar vmitos e prevenir a aspirao de resduos alimentarespor ocasio da anestesia. importante que tanto o cliente comoseus familiares tenham conhecimento deste cuidado, para que pos-sam entender o motivo e efetivamente cumpr-lo.

    O medicamento pr-anestsico (MPA) prescrito pelo anestesistacom os objetivos de reduzir a ansiedade do cliente, facilitar a induoanestsica e a manuteno da anestesia, bem como diminuir tanto adose dos agentes anestsicos como as secrees do trato respiratrio,sempre lembrando a necessidade de verificao da existncia de alergia.Na noite que antecede cirurgia, visando evitar a insnia do cliente,pode ser administrado um medicamento tranqilizante.

    Administra-se o MPA cerca de 45 a 60 minutos antes do incioda anestesia. Todos os cuidados pr-operatrios devem ser realiza-dos antes de sua aplicao, porque aps sua administrao o clientepermanecer na maca de transporte, devido ao estado de sonoln-cia. Os MPA mais comuns so os:

    ! Opiceos - que provocam analgesia e sonolncia, sendo nor-malmente prescritos para clientes que apresentam dor antesda cirurgia. O principal medicamento a meperidina(Dolantina, Demerol);

    ! Benzodiazepnicos - apresentam ao ansioltica e tranqili-zante, bem como efeitos sedativo, miorelaxante eanticonvulsivante. Os principais medicamentos so odiazepan (Dienpax, Vallium) e o midazolan (Dormonid).O diazepan injetvel no pode ser administrado com outrosmedicamentos em vista da possibilidade de ocorrer precipi-tao;

    ! Hipnticos - provocam sono ou sedao, porm sem aoanalgsica, sendo os principais o fenobarbital (Luminal,Gardenal) e o midazolan (Dormonid);

    Induo anestsica a faseinicial da anestesia, na qual ocliente passa do estado deconscincia para o de incons-cincia.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF! Neurolpticos - diminuem a ansiedade, a agitao e a

    agressividade. Os principais medicamentos so a clorpromazina(Amplictil) e a prometazina (Fenergan).

    Os medicamentos hipnticos, neurolpticos, benzodiazepnicose opiceos, utilizados como pr-anestsicos, so de uso controlado,da a necessidade de se guardar as ampolas vazias, para posterior re-posio pela farmcia.

    4.3 Encaminhando o cliente ao centrocirrgico (CC)

    No momento de encaminhar o cliente ao CC, deve-se obser-var e comunicar quaisquer anormalidades em relao aos preparosprescritos no dia anterior, tais como manuteno do jejum, realiza-o da higiene oral e corporal e administrao de medicao pr-anestsica. E ainda verificar e anotar os sinais vitais, vestir-lhe a rou-pa hospitalar (avental, touca e props), certificar-se da remoo deprteses dentrias (visando evitar seu deslizamento para as vias are-as inferiores durante a anestesia) e oculares (visando evitar leses nacrnea), jias e adornos. Aps essa seqncia de preparos, o clientedeve ser deitado na maca e encaminhado ao CC com a documenta-o completa: exames e pronturio.

    O transporte do cliente executado pelo pessoal da unidadede internao ou do CC, a critrio de cada instituio. O transportepode ser realizado em maca ou cadeira de rodas, mas para preveniracidentes, como quedas, recomenda-se que para o cliente sonolentodevido ao de MPA e/ou aps a cirurgia. no seja feito em cadeirade rodas.

    O centro cirrgico deve dispor de elevador privativo, oque diminui os riscos de contaminao e infeco cirrgica,agiliza o transporte e propicia conforto, segurana e privacida-de ao cliente.

    ! Transportando o clienteA maca ou cadeira de rodas deve estar forrada com

    lenol e situada prxima cama, para facilitar a transfe-rncia do cliente e evitar acidentes. Aps deix-lo con-fortvel, deve ser coberto com lenol e cobertor (nosdias frios).

    Os responsveis pelo transporte do cliente para oCC devem empurrar a maca ou cadeira de rodas comcuidado, e estar atentos para observar alguma anorma-

    muito comum que o clientesem horrio de cirurgia pre-determinado receba o MPAmomentos antes de ser enca-minhado para o CC. Isto evitaque fique sonolento e sofraqueda acidental, e que o efeitodo MPA acabe antes da cha-mada para o CC, perdendoassim sua verdadeira funo.

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    lidade com o cliente (palidez, sudorese, dificuldade respiratria, etc.),alm disso verificar se o soro, sondas, drenos e outros equipamentosque se fizerem necessrios esto livres de trao. recomendvel queo cliente seja transportado de modo a visualizar o trajeto de frente,para evitar desconforto.

    importante observar o alinhamento correto das partes do cor-po durante o transporte e, nos casos de clientes com venclise ou trans-fuso sangnea, deve-se adaptar maca ou cadeira de rodas o supor-te apropriado, posicionando corretamente o frasco de soluo venosa,cateteres, drenos e equipamentos. Durante o trajeto, conversar e enco-rajar o cliente, ou respeitar o seu silncio.

    5- O CUIDADO DE ENFERMAGEMNO TRANS-OPERATRIO

    O perodo trans-operatrio compreende o momento de re-cepo do cliente no CC e o intra-operatrio realizado na SO.

    Nesse perodo, as aes de enfermagem devem assegurar a inte-gridade fsica do cliente, tanto pelas agresses do ato cirrgico comopelos riscos que o ambiente do CC oferece ao mesmo, j submetidoa um estresse fsico e exposio dos rgos e tecidos ao meio externo;da a importncia do uso de tcnicas asspticas rigorosas.

    5.1 Montagem da sala cirrgica

    O auxiliar de enfermagem desempenha a funo de circulanteda sala cirrgica, que tambm pode ser exercida pelo tcnico emenfermagem, quando necessrio.

    Ao receber a lista de cirurgia, o circulante da sala verifica osmateriais, aparelhos ou solicitaes especiais mesma. Para preve-nir a contaminao e infeco cirrgica, importante manter a salaem boas condies de limpeza, observar se o lavabo est equipadopara uso e lavar as mos. Portanto, antes de equipar a sala, ocirculante limpa os equipamentos com lcool etlico a 70% ou ou-tro desinfetante recomendado, deixando-os prontos para a recep-o do cliente e equipe cirrgica.

    Para evitar problemas durante o ato operatrio, o circulantedeve testar o funcionamento dos aparelhos sob sua responsabilida-de, verificando suas perfeitas condies de uso, bem como revisar o

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFmaterial esterilizado e providenciar os materiais especficos em quanti-dade suficiente para a cirurgia, dispondo-os de forma a facilitar o uso.Com o anestesista, checar a necessidade de material para o carrinho deanestesia.

    Deve-se tambm preparar a infuso endovenosa e a bandeja deantissepsia, e dispor os pacotes de aventais, campos, luvas e a caixa deinstrumentais em local limpo e acessvel.

    Quando do processo de abertura do pacote, tomar o cuidado demanusear somente a parte externa do campo, para evitar contaminarsua parte interna. Se o pacote for grande, deve ser aberto sobre umasuperfcie; se pequeno, pode ser aberto afastado do corpo e seu conte-do oferecido ao profissional que dele far uso.

    5.2 Fluxo do cliente no centrocirrgico

    Na recepo, importante atender ao cliente com cordialida-de, transmitindo-lhe tranqilidade e confiana, bem como propor-cionar-lhe privacidade fsica e conforto.

    fundamental identific-lo, chamando-o pelo nome, checan-do a pulseira de identificao ou conferindo seus dados com quem otransportou; alm disso, deve-se verificar se o pronturio est com-pleto, se os cuidados pr-operatrios foram realizados, se h anota-es sobre problemas alrgicos e condies fsicas e emocionais es-tes cuidados so absolutamente necessrios para evitar erros, ou rea-lizao de cirurgias em clientes inadequadamente preparados. Aps achecagem de todos esses dados pode-se fazer a tricotomia, se esta for arotina do hospital, e encaminhar o cliente para a sala de operao.

    Atravs do corredor interno do CC, o cliente transportadoem maca - sempre as grades levantadas para evitar quedas acidentais- at a sala de cirurgia.

    Na sala de operao, o circulante recebe o cliente de forma atentar diminuir sua ansiedade, transmitindo-lhe confiana, seguran-a e tranqilidade. Para evitar erros, repete os mesmos cuidados deconferncia de dados prvios entrada no CC.

    Aps conferir os dados do pronturio, o cliente deve ser trans-ferido da maca para a mesa cirrgica, tendo-se o cuidado de posicionarcorretamente os frascos de soluo, drenos e sondas, caso existam.

    Ao posicionar o suporte de brao (para a infuso endovenosa)sob o colchonete da mesa cirrgica, deve-se ter o cuidado de colocaro brao do cliente num ngulo inferior a 90o em relao ao corpo,para evitar dores musculares e articulares no ps-operatrio.

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    6 Assistncia Cirrgica

    Em vista da probabilidade de ocorrer hipotenso arterialprovocada pela anestesia e/ou perdas sangneas durante o ato opera-trio, necessrio controlar a presso arterial pelo monitor ou aparelhode presso arterial.

    O cliente pode apresentar hipotermia devido baixa tempera-tura da SO, administrao de lquidos gelados, feridas ou cavidadesabertas e diminuio da atividade muscular. Para corrigir essaintercorrncia, administrar solues mornas e trocar os campos mo-lhados por outros secos, j que os tecidos molhados promovem aperda de calor.

    Como o cliente est anestesiado e, portanto, incapacitado parase defender de qualquer tipo de agresso fsica, dever da equipe m-dica e de enfermagem assegurar-lhe um ato operatrio seguro, prestan-do alguns cuidados especficos, entre outros: anestsico administradona dosagem certa para evitar a dor; manter os olhos do cliente ocludos,para evitar lceras de crnea; atentar para o posicionamento do clien-te, de modo a evitar escaras e dor no ps-operatrio; evitarextravasamento de soluo para fora da veia.

    O circulante, alm de auxiliar o anestesista no posicionamento docliente, tambm auxilia, quando necessrio, a suprir material - e durante

    a cirurgia comunica e registra as alteraes do queobservou.

    Compete ao cirurgio ou assistente posicionarcorretamente o cliente para o ato cirrgico, cabendoao circulante da sala auxili-los no procedimento ourealiz-lo sob orientao mdica. O cliente deve es-tar posicionado de forma anatmica, possibilitandoboas condies de respirao e evitando distensesmusculares, compresso de vasos, nervos e salinci-as sseas.

    Tambm atribuio do circulante ajudar osintegrantes da equipe cirrgica a se paramentarem.Para tanto, no momento de vestir o avental, ocirculante deve posicionar-se de frente para as cos-tas do membro da equipe que est se paramentando,introduzir as mos nas mangas - pela parte internado avental - e puxar at que os punhos cheguem nospulsos; amarrar as tiras ou amarilhos do decote doavental, receber os cintos pela ponta e amarrar; pos-teriormente, apresentar as luvas.

    Aps auxiliar a equipe a se paramentar, abrir opacote com o impermevel sobre a mesa doinstrumentador e a caixa de instrumentais sobre amesa auxiliar, fornecer ao instrumentador os mate-

    importante lembrar o respei-to com o cliente anestesiado,que se apresenta inconscientemas continua sendo um serhumano e, portanto, tem odireito de receber um trata-mento tcnico e tico pelaequipe cirrgica. lamentvela ocorrncia de desrespeito figura humana anestesiadaou sedada, mediante comen-trios indevidos, manipulaogrosseira do corpo, falta derespeito ao pudor natural eoutros.

    Tcnica de paramentao

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFriais esterilizados (gaze, compressas, fios, cpulas, etc.) e oferecer aocirurgio a bandeja de material para antissepsia. Auxiliar o anestesista aajustar o arco de narcose e o suporte de soro de cada lado da mesacirrgica, fixar as pontas dos campos esterilizados - recebidos do assis-tente - no arco e suportes, formando uma tenda de separao entre ocampo operatrio e o anestesista.

    Posteriormente, aproximar da equipe cirrgica o hamper co-berto com campo esterilizado e o balde de lixo; conectar a extremi-dade de borracha recebida do assistente ou instrumentador ao aspi-rador, e lig-lo.

    Se for utilizado o bisturi eltrico, faz-se necessrio aplicar gelcondutor na placa neutra, para neutralizar a carga eltrica quando docontato da mesma com o corpo do cliente, conforme orientao do fabri-cante. A seguir, colocar a placa neutra sob a panturrilha ou outra regio degrande massa muscular, evitando reas que dificultem o seu contato com ocorpo do cliente, como salincias sseas, pele escarificada, reas de grandepilosidade, pele mida. Ao movimentar o cliente, observar se ocorre deslo-camento da placa, reposicionando-a se necessrio. Qualquer que seja aposio escolhida para colocar a placa, ela deve permitir o funcionamen-to correto dos eletrodos dos aparelhos, equipos de soluo e de sangue,drenos, sondas e cateteres.

    Jamais se deve deixar nenhuma parte do corpo do cliente emcontato com a superfcie metlica da mesa cirrgica, pois isto, almde desconfortvel, pode ocasionar queimaduras devido ao uso dobisturi eltrico.

    Quando no for mais utilizado material estril dos pacotes, osmesmos devem estar sempre cobertos para possibilitar o seu even-tual uso durante a cirurgia, com segurana.

    No transcorrer da cirurgia, alguns cuidados se fazem necess-rios, dentre eles:

    ! ajustar o foco de luz sempre que solicitado, de forma a pro-porcionar iluminao adequada no campo cirrgico, sem pro-jeo de sombras e reflexos;

    ! observar o gotejamento dos soros e sangue, lquidos drena-dos e sinais de intercorrncias;

    ! controlar a quantidade e peso das compressas cirrgicas egazes, para evitar esquecimento acidental desses materiais nocampo operatrio;

    ! avaliar a perda sangnea e de lquidos pelas sondas e do san-gue aspirado no frasco do aspirador.

    Quando for necessrio mudar a posio do cliente durante acirurgia, deve-se evitar movimentos rpidos e bruscos, porque amudana repentina de posio pode ocasionar hipotenso arterial.

    Arco de narcose - suporte me-tlico curvo, utilizado paraseparar o campo operatriodas atividades do anestesista.

    importante notificar o cirur-gio se o cliente faz uso demarca-passo, em vista dorisco de interferncias nofuncionamento.

    freqente a ocorrncia dequeimaduras porposicionamento inadequadoda placa de bisturi no ato ci-rrgico. Este fato pode ser con-siderado negligncia, o quevoc acha disto? Discuta esseassunto com o seu instrutor.

    No caso de retirada de umapea anatmica, a mesmadeve ser identificada e enca-minhada de acordo com arotina da instituio.

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    6 Assistncia Cirrgica

    Os registros so feitos em impresso prprio, anotando-se os me-dicamentos, solues, sangue, equipamentos usados, intercorrnciascom o cliente, nome da operao e da equipe cirrgica, bem como in-cio e trmino da cirurgia.

    Ao final da cirurgia, desliga-se o foco e aparelhos, afasta-se osequipamentos e aparelhos da mesa cirrgica, remove-se os campos,pinas e outros materiais sobre o cliente.

    At que o cliente seja transportado para a recuperao ps-anestsica ou unidade cirrgica, o mesmo no pode ser deixado sozi-nho devido ao risco de quedas acidentais ou intercorrncias ps-cirr-gicas.

    Durante a transferncia da SO para a RPA, UTI ou unidade deinternao, deve-se ser cuidadoso durante a mudana do cliente da mesacirrgica para a maca, observando a necessidade de agasalh-lo, a ma-nuteno do gotejamento das infuses venosas, as condies do cura-tivo e o funcionamento de sondas e drenos.

    O encaminhamento do cliente RPA normalmente feito pelocirculante da sala, junto com o anestesista.

    Antes de providenciar a limpeza da sala cirrgica, o circulantedeve separar a roupa usada na cirurgia e encaminh-la ao expurgoaps verificar se no h instrumentais misturados. Os materiais devidro, borracha, cortantes, instrumentais e outros devem ser sepa-rados e encaminhados para limpeza e esterilizao, ou jogados nosaco de lixo, encaminhando-os, lacrados, para o devido setor, sem-pre respeitando-se as medidas de preveno de acidentes com prfuro-cortantes.

    Com relao a impressos, ampolas ou frascos vazios de medi-camentos controlados, os mesmos devem ser encaminhados paraos setores determinados.

    Ao final da cirurgia, normalmente o cirurgio ou outroprofissional que tenha participado de sua realizao informa osfamiliares sobre o ato cirrgico e o estado geral do cliente.

    5.3 Tempo cirrgico

    Abrange, de modo geral, a seqncia dos quatro procedi-mentos realizados pelo cirurgio durante o ato operatrio.

    Inicia-se pela direse, que significa dividir, separar oucortar os tecidos atravs do bisturi, bisturi eltrico, tesoura,serra ou laser; em seguida, se faz a hemostasia, atravs decompresso direta com os dedos, uso de pinas, bisturi eltri-co (termocautrio) ou sutura para prevenir, deter ou impedir

    A transferncia do cliente damesa cirrgica para a macarequer ateno, tendo em vis-ta que h risco de queda, mo-vimentao de drenos, sondae cateteres, bem como quei-xas de dor. Para minimizarestes riscos voc deve solicitaro auxlio de outros membrosda equipe, realizando movi-mentos firmes, sincronizadose que proporcionem o mxi-mo de conforto e seguranaao cliente.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFo sangramento. Ao se atingir a rea comprometida, faz-se a exrese,que a cirurgia propriamente dita. A etapa final a sntese cirrgica,com a aproximao das bordas da ferida operatria atravs de sutura,adesivos e/ou ataduras.

    5.4 Instrumentais e fios cirrgicos

    Auxiliam a equipe cirrgica durante a operao, mas para isso necessrio que a equipe de enfermagem oferea-os em perfeitas condi-es de uso e no tamanho correto.

    O instrumentador cirrgico o profissional responsvel por pre-ver os materiais necessrios cirurgia, bem como preparar a mesa comos instrumentais, fios cirrgicos e outros materiais necessrios, ajudarna colocao de campos operatrios, fornecer os instrumentais e mate-riais equipe cirrgica e manter a limpeza e proteo dos instrumentaise materiais contra a contaminao.

    Os instrumentais cirrgicos so classificados de acordo comsua funo:

    ! direse - utilizados para cortar, tais como o bisturi, tesouras,trpano;

    ! hemostticos - auxiliam a estancar o sangramento, tais comoas pinas de Kelly, Kocher, Rochester;

    ! sntese cirrgica - geralmente utilizados para fechamento decavidades e incises, sendo o mais comum a agulha de suturapresa no porta-agulha;

    ! apoio ou auxiliares - destinam-se a auxiliar o uso de outrosgrupos de instrumentais, destacando-se o afastador Farabeufpara afastar os tecidos e permitir uma melhor visualizaodo campo operatrio e a pina anatmica para auxiliar nadisseco do tecido;

    ! especiais - aqueles especficos para cada tipo de cirurgia, como,por exemplo, a pina gmea de Abadie, utilizada nas cirurgi-as do trato digestivo.

    Os fios cirrgicos apresentam-se com ou sem agulhas, e suanumerao varia de 1 a 5 e de 0-0 a 12-0 (doze-zero). So classifica-dos em absorvveis e no-absorvveis.

    Os fios absorvveis, como o prprio nome indica, so absor-vidos pelo organismo aps determinado perodo. O catgut de ori-gem animal (do intestino delgado dos bovinos), podendo ser sim-ples ou cromado. O catgut simples indicado para os tecidos derpida cicatrizao, com absoro total em 2 a 3 semanas; o catgut

    Disseco - separao, atra-vs de instrumento cirrgico,das partes de um corpo ourgo.

    Quanto maior o nmero, menora espessura do fio cirrgico.

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    cromado, devido impregnao com sais de cido crmico, total-mente absorvido em 6 meses.

    Os fios no-absorvveis permanecem encapsulados (envolvidospor tecido fibroso) nas estruturas internas e nas suturas de pele; devemser removidos entre o 7 e o 10 dia de ps-operatrio. Podem ser deorigem animal, como a seda; de origem vegetal, como o algodo e li-nho; de origem sinttica, como o nylon, perlon, polister; ou de origemmineral, como o fio de ao.

    Para suturar as estruturas internas (tecidos internos e rgos),utilizam-se os fios absorvveis, enquanto que o algodo est indica-do para ligar vasos sangneos e aponeurose, o fio de ao para suturarossos e os fios de origem sinttica para a sutura de pele. A seda geralmente utilizada nas pessoas que provavelmente tero dificul-dade no processo de cicatrizao (obesos, desnutridos, diabticosou aqueles com abdome volumoso), onde a sutura realizada compontos subtotais.

    O sangramento de capilares pode ser estancado pela aplicaode substncia hemosttica no local. Podemos citar, como exemplo,a cera para osso - utilizada para estancar o sangramento sseo nascirurgias ortopdicas e neurocirurgias.

    Outro recurso o bisturi eltrico, que pode ser utilizado coma funo de coagulao e seco (corte) dos tecidos, atravs da apli-cao local de descargas eltricas.

    5.5 Tipos de anestesia

    A anestesia um estado de relaxamento, perda da sensibilida-de e dos reflexos, de forma parcial ou total, provocada pela ao dedrogas anestsicas. Seu objetivo evitar a dor e facilitar o ato opera-trio pela equipe cirrgica. Na anestesia geral ocorre, tambm, umestado de inconscincia.

    O anestesista o mdico responsvel em avaliar o cliente nopr-operatrio, prescrever a medicao pr-anestsica, administrara anestesia, controlar as condies do cliente durante a cirurgia eassistir o cliente na sala de recuperao ps-anestsica.

    As drogas anestsicas podem produzir anestesia em todo ocorpo (anestesia geral) ou em partes do mesmo (anestesias local,raquiana e peridural).

    Na anestesia geral administra-se o anestsico por via inalatria,endovenosa ou combinado (inalatria e endovenosa), com o objeti-vo de promover um estado reversvel de ausncia de sensibilidade,relaxamento muscular, perda de reflexos e inconscincia devido ao de uma ou mais drogas no sistema nervoso.

    Aponeurose membranafibrosa que reveste ou envolveos msculos, podendo chegarao tendo.

    Pontos subtotais tcnica quefaz a sutura desde o tecidosubcutneo, finalizando napele com os pontos lateraisligados atravs de um peque-no tubo de plstico.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFA raquianestesia indicada para as cirurgias na regio abdominal

    e de membros inferiores, porque o anestsico depositado no espaosubaracnide da regio lombar, produzindo insensibilidade aos estmu-los dolorosos por bloqueio da conduo nervosa.

    Na anestesia peridural o anestsico depositado no espaoperidural, ou seja, o anestesista no perfura a duramater. O anestsicose difunde nesse espao, fixa-se no tecido nervoso e bloqueia as razesnervosas.

    No momento da puno lom-bar para introduzir o anestsi-co, comum oextravasamento de lqor ealgumas pessoas podemapresentar cefalia intensa nops-operatrio. Nesta circuns-tncia, devem ser orientadasquanto importncia de al-guns cuidados no ps-opera-trio, tais como uma boahidratao e evitar levantar-sebruscamente do leito.

    Na anestesia local infiltra-se o anestsico nos tecidos prximosao local da inciso cirrgica. Utilizam-se anestsicos associados com aadrenalina, com o objetivo de aumentar a ao do bloqueio porvasoconstrio e prevenir sua rpida absoro para a corrente circula-tria. A anestesia tpica est indicada para alvio da dor da pele lesadapor feridas, lceras e traumatismos, ou de mucosas das vias areas esistema geniturinrio.

    O ato anestsico requer ateno do circulante de sala, especi-almente no momento de posicionamento do cliente, transmitindo-lhe conforto e segurana, bem como facilitando o procedimentopara a equipe cirrgica. O posicionamento do cliente relaciona-se como tipo de anestesia a ser aplicada:

    Duramater

    Anestesia peridural

    Raquianestesia

    Regi

    o lo

    mba

    r

    L1

    L2

    L3

    L4

    L5

    Cccix

    Regio sacral

    Corte sagital da regio lombar e sacraldemonstrando a puno no espaosubaracnide e peridural

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    6 Assistncia Cirrgica

    ! Durante a anestesia peridural ou raquianestesia ocirculante auxilia na colocao e manuteno do cliente emposio especial, com o objetivo de facilitar a puno com aabertura mxima dos espaos intervertebrais. Uma dessas po-sies o decbito lateral fetal, com os joelhos prximos doabdome e o queixo encostado no trax. O circulante da salamantm o cliente nessa posio, colocando uma das mos naregio cervical e a outra na dobra posterior do joelho. Du-rante a puno, outra posio o cliente sentado com aspernas pendendo lateralmente para fora da mesa cirrgica eo queixo apoiado no trax. Para mant-lo assim imobilizado,o circulante de sala deve colocar-se frente, com as mosem sua nuca.

    ! Durante a anestesia geral, o cliente deve ser postoem decbito dorsal: deitado de costas, pernas estendidas ouligeiramente flexionadas, um dos braos estendido ao longodo corpo e o outro apoiado no suporte de brao. Para facili-tar a visualizao das vias areas no momento da entubao, necessrio hiperestender o seu pescoo.

    Atualmente, muitas instituies possuem o Servio deApoio Tcnico Anestesiologia, com pessoal treinado e comconhecimento de preparo e montagem de aparelhos utiliza-dos em anestesia. Tambm funo desse servio promovera limpeza e esterilizao dos componentes dos monitores,bem como repor os materiais de consumo, encaminhar parareparo os aparelhos danificados e fazer a manuteno pre-ventiva dos mesmos.

    6- O CUIDADO DE ENFERMAGEMNO PS-OPERATRIO (PO)

    O ps-operatrio inicia-se a partir da sada do cliente da salade operao e perdura at sua total recuperao. Subdivide-se em ps-operatrio imediato (POI), at s 24 horas posteriores cirurgia;mediato, aps as 24 horas e at 7 dias depois; e tardio, aps 7 dias dorecebimento da alta.

    Nesta fase, os objetivos do atendimento ao cliente so identifi-car, prevenir e tratar os problemas comuns aos procedimentos anest-sicos e cirrgicos, tais como dor, laringite ps- entubao traqueal, n-useas, vmitos, reteno urinria, flebite ps-venclise e outros, com afinalidade de restabelecer o seu equilbrio.

    Posicionamento para facilitar a puno da regiolombar com abertura mxima dos espaosintervertebrais.

  • 47

    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFIdealmente, todos os clientes em situao de POI devem ser en-

    caminhados da SO para a RPA e sua transferncia para a enfermaria oupara a UTI s deve ocorrer quando o anestesista considerar sua condi-o clnica satisfatria.

    A RPA a rea destinada permanncia preferencial do clienteimediatamente aps o trmino do ato cirrgico e anestsico, onde fica-r por um perodo de uma a seis horas para preveno ou tratamento depossveis complicaes. Neste local aliviar a dor ps-operatria e serassistido at a volta dos seus reflexos, normalizao dos sinais vitais erecuperao da conscincia.

    Considerando tais circunstncias, este setor deve possuir equipa-mentos, medicamentos e materiais que atendam a qualquer situao deemergncia, tais como:

    ! equipamentos bsicos: cama/maca com grades laterais de se-gurana e encaixes para suporte de soluo, suporte de soluofixo ou mvel, duas sadas de oxignio, uma de ar comprimido,aspirador a vcuo, foco de luz, tomadas eltricas, monitor car-daco, oxmetro de pulso, esfigmomanmetro, ventiladores me-cnicos, carrinho com material e medicamentos de emergncia;

    ! Materiais diversos: mscaras e cateteres de oxignio, sondas deaspirao, luvas esterilizadas, luvas de procedimentos, medica-mentos, frascos de soluo, equipos de soluo e de transfusosangnea, equipos de PVC (presso venosa central), materialpara sondagem vesical, pacote de curativo, bolsas coletoras, ter-mmetro, material de coleta para exames e outros porventuranecessrios.

    6.1 Cuidados de enfermagem no ps-operatrio imediato (POI)

    Este perodo considerado crtico, considerando-se que o cli-ente estar, inicialmente, sob efeito da anestesia geral, raquianestesia,peridural ou local. Nessa circunstncia, apresenta-se bastante vul-nervel s complicaes. Assim, fundamental que a equipede enfermagem atue de forma a restabelecer-lhe as funesvitais, aliviar-lhe a dor e os desconfortos ps-operatrio (nu-seas, vmitos e distenso abdominal), manter-lhe a integrida-de da pele e prevenir a ocorrncia de infeces.

    Ao receber o cliente na RPA, UTI ou enfermaria, a equi-pe deve tranqiliz-lo, inform-lo onde se encontra e pergun-tar-lhe se sente alguma anormalidade e/ou desconforto. Se ocliente estiver sonolento ou aparentemente inconsciente, no

    Atualmente, alguns clientesem situao de POI passamas primeiras horas na UTI,no por apresentarem com-plicaes, mas para evit-las,especialmente os idosos, dia-bticos e/ou cardiopatas,dentre outros.

  • 48

    6 Assistncia Cirrgica

    devem ser feitos comentrios indevidos, pois sua audio pode estarpresente.

    Deve-se ler atentamente o seu pronturio, o qual dever conterinformaes sobre o tipo de anestesia, anestsico recebido, cirurgiarealizada, intercorrncias e recomendaes especiais.

    Os frascos de soluo, sangue e derivados devem ser postosno suporte e realizados o controle de gotejamento e dos lquidosinfundidos e eliminados pelas sondas, drenos e cateteres - os quaisdevero estar conectados s extenses e fixados no leito ou outrolocal adequado.

    Para os clientes submetidos anestesia geral, recomenda-se odecbito dorsal horizontal sem travesseiro, com a cabea lateralizadapara evitar aspirao de vmito (caso ocorra). Para os clientes comsonda nasogstrica (SNG), indica-se a posio semifowler, para preve-nir a ocorrncia de esofagite de refluxo. Visando evitar a queda dosclientes sonolentos, confusos e/ou agitados devido ao dos anest-sicos, as grades da cama devem ser mantidas elevadas.

    Normalmente, o cliente apresenta-se hipotrmico ao retornar daSO, em vista da ao depressora do sistema nervoso - provocada peloanestsico. A primeira conduta aquec-lo com cobertores, fechar asjanelas, ligar o aquecedor de ambiente e controlar sua temperatura commaior freqncia. absolutamente contra-indicada a aplicao de bol-sa de gua quente, pelo risco de surgirem queimaduras causadas peladiminuio da sensibilidade dolorosa.

    Na RPA, na primeira hora o controle dos sinais vitais reali-zado de 15 em 15 minutos; se estiver regular, de 30 em 30 minutos.Mantida a regularidade do quadro, o tempo de verificao do con-trole deve ser espaado para 1/1h, 2/2h, e assim por diante.

    Nos cuidados com o curativo, observar se o mesmo est aper-tado demais ou provocando edema no local; se est frouxo demaisou se desprendendo da pele; ou se apresenta-se sujo de sangue, oque indica sangramento ou hemorragia. Nestas situaes, a equipede enfermagem solicita avaliao mdica ou refaz o curativo, man-tendo uma maior vigi lncia sobre o cl iente que apresentasangramento.

    Quando o cliente est com os reflexos presentes, sinais vitaisestabilizados, drenos e sondas funcionantes, recebe alta mdica daRPA e encaminhado para a unidade de internao.

    No tocante ansiedade e agitao apresentada por alguns cli-entes, a equipe de enfermagem pode diminuir seus receios dizendo-lhes onde se encontram, perguntando-lhes o que os est incomo-dando ou tranqilizando-os mediante aplicao de analgsicos outranqilizantes.

  • 49

    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFCom relao aos clientes agitados, a conteno dos mesmos ao leito

    s deve ocorrer aps terem sido realizadas vrias tentativas para acalm-los (orientao, mudana de posicionamento, oferecer culos e/ou apare-lho de audio, dentre outras estratgias). Quando da conteno, algunscuidados de enfermagem devem ser realizados visando evitar a ocorrnciade complicaes circulatria e respiratria: evitar o garroteamento e prote-ger a rea com algodo em rama (ortopdico), camadas de algodo ou com-pressa; manter vigilncia da rea restrita; massagear o local e refazer a res-trio duas vezes ao dia e sempre que houver cianose e edema; alm disso,verificar queixas de dor ou formigamento.

    A deciso pela restrio deve basear-se na real necessidade docliente, e no por ser a medida que diminuir o trabalho da equipede enfermagem. Aps a sua adoo, no se deve esquecer que ocliente sob restrio permanece sendo um ser humano que necessitaser confortado, tranqilizado e receber os adequados cuidados deenfermagem, incluindo avaliao constante da necessidade de ma-nuteno da restrio.

    Aps os cuidados recebidos, devem ser registrados, pela enfer-magem, dados como o tipo de anestesia, a cirurgia realizada, o hor-rio de chegada, as condies gerais do cliente, a presena de drenos,solues venosas, sondas, cateteres e a assistncia prestada.

    6.2 Anormalidades e complicaes dops-operatrio

    A ocorrncia de complicaes no ps-operatrio implica pio-ra do quadro clnico do cliente, aumento do perodo de recuperaocirrgica e, em alguns casos, at mesmo o bito. Por isso, vital quea preveno, identificao e imediata interveno sejam realizadas omais precocemente possvel.

    Geralmente, as complicaes mais comuns so:

    ! Alterao dos sinais vitais (TPR-PA) importante que a temperatura corporal seja controlada com

    maior freqncia, bem como atentar para a instalao de quadroconvulsivo, principalmente em crianas. Como as alteraes trmi-cas levam a alteraes nos sistemas cardiovascular e respiratrio,recomenda-se que os sinais vitais tambm recebam idntica freqn-cia de controle o qual possibilita a identificao precoce do cho-que, que a intercorrncia mais grave, muitas vezes fatal. Assim,estes controles devem ser realizados at que o cliente estabilize suascondies fsicas.

    Em alguns casos, o clientedeseja seus objetos pessoais,tais como culos, aparelho deaudio, etc., cuja oferta podesanar necessidades bsicaspessoais e, assim, acalm-los.

    Nos casos em que se faz ne-cessria a restrio do cliente,os familiares devem ser infor-mados - de preferncia - an-tes de entrarem em contatocom o mesmo, o que lhesminimizar o sofrimento hajavista que, em geral, no acei-tam muito bem esta condio,mas a equipe deve fazer-lhesentender que tal circunstnciadeve-se a questes de segu-rana e proteo para o pr-prio cliente.

    Muitas vezes o cliente passadias sob conteno porqueagitou-se num nico perodo.Voc j viu isso acontecer al-guma vez?

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    6 Assistncia Cirrgica

    No tocante respirao, esta pode estar alterada por efeito doanestsico que deprime o sistema nervoso ou por obstruo das viasareas devido aspirao de vmitos ou secrees.

    A cirurgia provoca no cliente um perodo de instabilidade org-nica que pode se manifestar pela alterao de temperatura (hipertermiaou hipotermia). Na hipertermia, a equipe de enfermagem pode retiraros cobertores, resfriar o ambiente, aplicar compressas frias nas regiesda fronte, axilar e inginal e medicar antitrmico, de acordo com aprescrio; na hipotermia, o cliente deve ser agasalhado e sua tempera-tura monitorada.

    A diminuio da presso arterial e pulso ocasionada pela perdade sangue durante a cirurgia, efeito do anestsico ou, mesmo, mudanabrusca de posio. A hipotenso arterial a complicao precoce maisfreqentemente encontrada nas pessoas submetidas raquianestesia,devendo ser corrigida com hidratao rigorosa pela via EV, mantendo-se ocliente na posio de Trendelemburg - para melhorar o retorno venoso - eadministrando-lhe oxignio. A administrao de medicamentosvasopressores est indicada apenas quando outras medidas no conse-guiram normalizaram a presso arterial.

    ! Alteraes neurolgicasa) Dor

    O estado neurolgico do cliente pode ser afetado pela ao doanestsico, do ato cirrgico ou de um posicionamento inadequadona mesa cirrgica. Por isso, a equipe de enfermagem deve observaro nvel de conscincia e as funes motora e sensitiva. Quando ocliente apresentar quadro de confuso mental ou agitao, pesquisarse isto no est sendo provocado pela dor que surge na medida emque a ao do anestsico vai sendo eliminada pelo organismo. Con-firmando-se a dor, medic-lo conforme prescrio mdica.

    A dor mais comum a que ocorre na regio alvo da cirurgia, aqual diminui gradativamente com o passar do tempo. Por ser a doruma experincia subjetiva e pessoal, ou seja, s o cliente sabeidentific-la e avaliar sua intensidade, no devemos menosprez-lamas, sim, providenciar o medicamento prescrito para a analgesia deforma a no permitir que se torne mais intensa. Muitas vezes, naprescrio mdica h analgsicos que devem ser administrados a in-tervalos regulares e sempre que necessrio. Mesmo que o clienteno relate dor intensa, a administrao da medicao importantepara prevenir a sensao dolorosa mais intensa e contnua.

    A dor pode variar quanto localizao, intensidade, durao etipo (em pontadas, compressiva, constante, intermitente) - caracters-ticas que podem ser obtidas pelas informaes dadas pelo cliente.

    Analgesia reduo da sen-sibilidade dolorosa atravs demedicamento.

    Atualmente, todo cliente cirr-gico deve ter prescrio deanalgesia, o que integra osucesso da operao e possi-bilita sua melhor reabilitao.

  • 51

    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFOutras manobras/estratgias podem auxiliar no alvio da dor, tais

    como, respeitadas as devidas contra-indicaes: afrouxar e/ou trocaros curativos, aliviar a reteno de urina e fezes, fazer a mudana dedecbito, apoiar segmentos do corpo em coxins e aplicar compressasfrias ou quentes, escurecer o ambiente e diminuir os barulhos, estimu-lando o cliente a repousar e/ou proporcionar-lhe algo que o distraia,por exemplo, televiso, msica, revistas, etc. As aes a seremimplementadas devem considerar a necessidade e o tipo de cliente, bemcomo os recursos disponveis na unidade.

    Realizadas estas medidas, se a dor ainda persistir, deve-se verifi-car junto ao enfermeiro e/ou mdico a possibilidade de administraroutros medicamentos2 .

    A equipe de enfermagem deve acompanhar a evoluo da dor,pois s assim saber se o medicamento est fazendo efeito, comunican-do enfermeira ou mdico a sua persistncia, para reavaliao da causae/ou seu tratamento.

    importante lembrar que a analgesia precoce ajuda o cliente a semovimentar sem grandes restries, o que auxilia e agiliza sua efetivarecuperao.

    Outra dor bastante comum a cefalia ps-raquianestesia, causadapela sada de lqor durante a puno lombar realizada para a introduodo anestsico. O cliente, ao elevar a cabea, pode apresentar cefalia inten-sa o que tambm pode ocorrer mais tardiamente, entre o 2 e 7 dias apsa puno. Nessas circunstncias, recomenda-se coloca-lo em decbito bai-xo, em posio supina, e dar-lhe hidratao adequada por VO e/ou EV,bem como os analgsicos prescritos.

    b) SonolnciaA sonolncia uma caracterstica muito freqente no cliente ci-

    rrgico. Assim, a certificao do seu nvel de conscincia deve ser sem-pre verificada mediante alguns estmulos (perguntas, estmulo ttil) e asalteraes comunicadas o mais rapidamente possvel, pois podem indi-car complicaes graves como, por exemplo, hemorragia interna.

    c) SoluoOs soluos so espasmos intermitentes do diafragma, provo-

    cados pela irritao do nervo frnico. No ps-operatrio, suas causasmais comuns so a distenso abdominal e a hipotermia.

    No mais das vezes, os soluos terminam espontaneamente oupor condutas simples. Uma delas eliminar as causas pela aspiraoou lavagem gstrica (na distenso abdominal), deambulao, aqueci-mento do cliente hipotrmico e mudana de decbito. Outras, ori-entar o cliente para inspirar e expirar em um saco de papel, porqueo dixido de carbono diminui a irritao nervosa; ou administrar-lhe metoclopramida (Plasil) de acordo com a prescrio mdica. 2 PIMENTA; KOIZUMI, p.34-5, 1993.

    Nervo frnico inerva o dia-fragma juntamente com o 3o,4o e 5o segmentos cervicais,sendo responsvel pelo refle-xo do soluo.

  • 52

    6 Assistncia Cirrgica

    ! Complicaes pulmonaresSo as complicaes mais srias e freqentes no ps-operatrio,

    principalmente nos clientes obesos, fumantes, idosos e naqueles comoutros agravos clnicos.

    As aes da equipe de enfermagem priorizam a preveno dascomplicaes pulmonares pelo reconhecimento precoce dos sinais esintomas (cianose, dispnia, tiragem intercostal, batimentos de asa denariz, agitao), movimentao e deambulao precoces, lateralizaoda cabea do cliente com vmito e no infuso de solues endovenosaspelos membros inferiores - para evitar a formao de trombos e emboliapulmonar.

    Normalmente, a causa dessas complicaes o acmulo de se-crees brnquicas, cuja remoo pode ser favorecida pela fluidificao.A expectorao o meio natural de expeli-las, o que ocorre pela tosse.Assim, o cliente deve ser estimulado a hidratar-se, realizar os exercci-os respiratrios e no inibir a tosse.

    Ao tossir, o cliente pode referir medo e dor. Para minimizar estasensao, deve ser orientado a colocar as mos, com os dedos entrela-ados, sobre a inciso cirrgica; ou utilizar-se de um travesseiro, abra-ando-o e expectorando no leno de papel.

    Quando o cliente sente dor,mesmo que no a relate, na-turalmente se negar a fazeros exerccios respiratrios, ou,se os fizer, no sero eficazes,uma vez que a tenso inibira adequada expanso pul-monar.

    Posies que minimizam desconfortodurante exerccios respiratrios e/ou tosse

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFA broncopneumonia (BCP) a principal complicao e acontece

    devido aspirao de vmitos ou alimentos, estase pulmonar, infecoe irritao por produtos qumicos. Alm dessa, podem ocorrer aatelectasia, que o colabamento dos alvolos pulmonares pela obstru-o dos brnquios por tampo mucoso, e a embolia pulmonar, que con-siste na obstruo da artria pulmonar ou de seus ramos por mbolos.

    O cliente pode apresentar, ainda, hipertermia, alteraes na fre-qncia e profundidade da respirao, dispnia e dor torcica.

    Como algumas complicaes instalam-se bruscamente, faz-se necessrio que a equipe de enfermagem mantenha material deoxigenao pronto para o uso emergencial: material de aspiraode secreo, nebulizadores, cateter de oxignio, balo auto-inflveltipo amb com intermedirios, mscaras de diversos tamanhos ematerial de intubao (laringoscpio, sondas endotraqueais de di-versos calibres, mandril).

    ! Complicaes urinriasAs mais freqentes so a infeco urinria e a reteno urinria

    (bexigoma). A infeco urinria geralmente causada por falhas natcnica de sondagem vesical e refluxo da urina. Como sintomatologiao cliente apresenta hipertermia, disria e alteraes nas caractersti-cas da urina.

    Visando minimizar a ocorrncia de infeco urinria, deve-semanter a higiene ntima adequada do cliente, bem como obedecer tcnica assptica quando da passagem da sonda e sempre utilizarextenses, conectores e coletores esterilizados com sistema fechadode drenagem.

    No caso de reteno urinria, a equipe de enfermagem deveeliminar suas provveis causas: medicando o cliente contra a dor,promovendo sua privacidade, mudando-lhe de posio (se nohouver contra-indicao) e avaliando a presena de dobraduras egrumos nas extenses das sondas e drenos nas proximidades dabexiga.

    Se essas medidas no surtirem efeito, realizar higiene nti-ma com gua morna, aquecer e relaxar o abdome pela aplicaode calor local e realizar estimulao pelo rudo de uma torneiraaberta prxima ao leito. Caso o cliente no consiga urinar apstentados estes mtodos, deve-se comunicar tal fato enfermeirae/ou mdico, e discutir a possibilidade da passagem de uma son-da de alvio.

    Disria mico difcil e dolo-rosa.

    bastante comum a ocorrn-cia de reteno urinria(bexigoma) causada por son-das fechadas ou torcidas.

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    6 Assistncia Cirrgica

    ! Complicaes gastrintestinaisa) Nuseas e vmito

    Os efeitos colaterais dos anestsicos e a diminuio doperistaltismo ocasionam distenso abdominal, acmulo de lquidos erestos alimentares no trato digestrio; em conseqncia, o cliente podeapresentar nuseas e vmito.

    Na presena de nuseas, os clientes sem sonda nasogstrica de-vem ser colocados em decbito lateral ou com a cabea lateralizadapara facilitar a drenagem do vmito pela boca. Nos clientes com sondanasogstrica, abrir a sonda e, mantendo-a aberta, proceder aspiraopara esvaziar a cavidade gstrica.

    Para proporcionar conforto ao cliente, o vmito deve ser apara-do em uma cuba-rim ou lenol/toalha; a seguir, trocar as roupas decama e proceder higiene oral o mais rpido possvel. Geralmente, faz-senecessrio medic-lo com antiemticos, passar a sonda nasogstrica (man-tendo-a aberta) e aspirar mais freqentemente o contedo gstrico, de acor-do com as orientaes da enfermeira e/ou mdico. Posteriormente, anotara intercorrncia e as providncias adotadas.

    A dieta introduzida de forma gradativa nos clientes, desde queno apresentem nuseas, vmitos ou distenso abdominal, ou de acor-do com as condies de aceitao. A equipe de enfermagem deve estaratenta quanto ingesto de lquidos, por ser esta uma das formas dereposio das perdas lquidas ocorridas na cirurgia, devidas principal-mente ao sangramento.

    b) Constipao intestinalA constipao intestinal ocorre quando h diminuio do

    peristaltismo provocada pelo efeito colateral do anestsico, imobili-dade prolongada no leito, quadro inflamatrio, exposio e mani-pulao do intestino durante as cirurgias abdominais e o medo dador. Como resultado, ocorre reteno de fezes acompanhada ouno de dor, desconforto abdominal e flatulncia.

    O objetivo principal do cuidado facilitar a sada dos gases efezes retidos, o que pode ser obtido mediante movimentao noleito, deambulao precoce, ingesto de lquidos e aceitao de ali-mentos ricos em celulose. A nutricionista deve ser notificada paraque possa rever a dieta. A aplicao de calor na regio abdominal ea orientao, ao cliente, para que degluta menos ar ao beber ouingerir alimentos pode ajudar no retorno do movimento peristlticoe diminuir o acmulo de gases. Deve-se preferencialmente promo-ver sua privacidade para que possa eliminar os gases.

    Nos casos em que o cliente no consegue evacuar de formasatisfatria, o mdico pode prescrever laxante no perodo noturnoe/ou lavagem intestinal.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFc) Sede

    Provocada pela ao inibidora da atropina, perdas sangneas ede lquidos pela cavidade exposta durante o ato operatrio, sudorese ehipertermia. A equipe de enfermagem deve observar a presena de si-nais de desidratao (alterao no turgor da pele e da PA e diminuioda diurese), manter a hidratao por via oral e, nos clientes impossibili-tados de hidratar-se por via oral, umidificar os lbios e a boca, realizarhigiene oral e manter hidratao endovenosa.

    ! Complicaes vascularesA permanncia prolongada no leito, associada imobilidade aps

    a cirurgia, provoca estase venosa, predispondo o aparecimento de trom-bose, tromboflebite e embolia.

    Quando o cliente muda de decbito isto estimula sua circulaoe a respirao mais profunda, aliviando-lhe tambm as reas de pres-so. Portanto, para melhorar a circulao dos membros inferiores (MMII)o cliente deve, s ou com ajuda, deitar-se em decbito dorsal, dobrar ojoelho e levantar o p; um outro bom exerccio fazer com que movi-mente as articulaes.

    Estase venosa estagnaodo sangue em qualquer partedo corpo.

    A mudana de decbito a cada 2 ou 4 horas, com ou sem auxlioda equipe de enfermagem, bem como a movimentao, realizao deexerccios ativos no leito e incio da deambulao o mais precocementepossvel so os cuidados recomendados para evitar a ocorrncia de com-plicaes vasculares.

    Sentar em posio confortvelpara realizao dos exerccios

    Movimentao dos ps que estimula acirculao dos membros inferiores ealivia as reas de presso

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    6 Assistncia Cirrgica

    No havendo contra-indicao, a partir do primeiro PO inicia-sea deambulao precoce. Para prevenir a hipotenso postural, deve-seorientar o cliente para que no se levante bruscamente do leito. Casoseja este seu desejo, deve, primeiramente, sentar-se no leito com aspernas para baixo e, em seguida, ficar em p, sempre com o auxlio deoutra pessoa. Deve ainda ser orientado para solicitar medicao anal-gsica caso a dor dificulte-lhe a movimentao, desestimulando-o alevantar-se do leito.

    ! Complicaes na ferida operatriaa) Hemorragia

    A hemorragia pode ser externa, quando o sangramento visvel,ou interna, quando o sangramento no visvel circunstncia maisdifcil de imediata identificao.

    A hemorragia acontece mais freqentemente nas primeiras 24horas aps a cirurgia. Dependendo da intensidade, o cliente apre-sentar sensao de desconforto, palidez intensa, mucosa descora-da, taquicardia, dispnia e choque hipovolmico. No caso de he-morragia interna, pode tambm referir dor.

    As aes de enfermagem consistem em observar a presenade sangramento no curativo e/ou roupas de cama. Qualquer sinalde aumento no sangramento deve ser comunicado com urgncia enfermeira ou mdico, para que sejam tomadas as devidas providn-cias pois, conforme o caso, o cliente dever ser preparado para umapossvel reviso cirrgica. Na ocorrncia de sangramento aumenta-do, a verificao dos sinais vitais importante, pois pode indicarpossvel choque hemorrgico.

    b) Infeco da ferida cirrgicaA infeco da ferida operatria caracteriza-se pela presena de

    secreo purulenta que varia de clara inodora a pus espesso comodor ftido, com a presena ou no de necrose nas bordas da ferida.Quando ocorre um processo inflamatrio, normalmente os sinto-mas se manifestam entre 36 e 48 horas aps a cirurgia, mas podempassar desapercebidos devido antibioticoterapia.

    A equipe de enfermagem pode prevenir a infeco atravs deum preparo pr-operatrio adequado, utilizao de tcnicasasspticas, observao dos princpios da tcnica de curativo e alertaaos sinais que caracterizam a infeco.

    Os clientes devem ser orientados quanto aos cuidados, duran-te o banho, com o curativo fechado. Nas instituies que tm porrotina trocar o curativo somente aps o 2o dia ps-operatrio(DPO), o mesmo deve ser coberto com plstico, como proteo

    Lembra-se dos sinais queindicam infeco?

  • 57

    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFgua do chuveiro - caso molhe-se acidentalmente, isto deve ser notifi-cado. Nas instituies onde os curativos so trocados diariamente, ocurativo pode ser retirado antes do banho, para que o cliente possalavar o local com gua e sabo, e refeito logo aps.

    c) DeiscnciaA deiscncia a abertura total ou parcial da inciso cirrgica

    provocada por infeco, rompimento da sutura, distenso abdominal,ascite e estado nutricional precrio do cliente.

    O tratamento da deiscncia realiza-se mediante lavagem ou irri-gao do local com soluo fisiolgica, podendo haver a necessidadede o cliente revisar os pontos cirrgicos.

    A troca do curativo pode ou no ser atribuio da equipe deenfermagem e o tempo de permanncia dos curativos fechados de-pende da rotina da instituio ou da equipe mdica. Todos os curati-vos com sada de secrees (purulenta, sanginolenta) devem ser dotipo fechado; nos casos de sangramento, indica-se o curativocompressivo.

    ! ChoqueNo quadro de choque ocorre suprimento inadequado de san-

    gue para os tecidos, provocando alteraes nos rgos essenciais.Por ser uma ocorrncia grave, o prognstico depender da rapidezno atendimento.

    No PO imediato o choque hipovolmico o mais comum,provocado pela perda sangnea excessiva ou reposio hdrica ousangnea inadequada durante ou aps a cirurgia.

    Outro tipo freqente o choque sptico decorrente de cirur-gias infectadas, infeces crnicas ou adquiridas durante ou aps oato cirrgico.

    Os sinais e sintomas mais freqentes so pulso taquicrdico efiliforme, hipotenso arterial, dispnia, palidez, sudorese fria, hipotermia,cianose de extremidades, agitao, oligria ou anria, valores de PVCabaixo do normal.

    Como o choque se instala rapidamente, fundamental detec-tar e notificar precocemente seus sinais indicativos e a variao nonvel de conscincia, bem como controlar freqentemente a pres-so venosa central, temperatura, presso arterial e freqncia respi-ratria, principalmente o pulso e a presso arterial, e observar focoshemorrgicos fazendo, se necessrio, curativo compressivo.

    Considerando os sinais e sintomas e a possibilidade de o clien-te entrar em choque, recomenda-se a puno de uma veia o mais

    Os clientes que apresentampredisposio a desenvolverdeiscncia (obesos, desnutri-dos ou que realizaram cirurgi-as abdominais extensas, etc.)devem ser orientados quanto importncia da alimenta-o hiperprotica e rica emvitamina C, pois esses ele-mentos nutricionais aceleramo processo de cicatrizao eestimulam os mecanismos dedefesa do organismo.

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    6 Assistncia Cirrgica

    precocemente possvel, haja vista que aps a instalao do choque ha-ver dificuldade para a visualizao da mesma. A venclise deve sermantida enquanto se aguarda a conduta mdica.

    O material de emergncia deve estar pronto para uso: tbua demassagem cardaca, aspirador, sondas de aspirao de diversos cali-bres, luvas esterilizadas, balo auto-inflvel tipo amb com intermedi-rio, mscaras de diversos tamanhos, material de intubao(laringoscpio, sondas endotraqueais de diversos calibres e mandril),cateter de oxignio, nebulizador, cnulas de Guedell, medicamentosutilizados na parada cardaca e solues diversas.

    ! Drenos: cuidados necessriosAlgumas cirurgias exigem a necessidade da colocao de

    drenos para facilitar o esvaziamento do ar e lquidos (sangue, secre-es) acumulados na cavidade. Assim, para que exera corretamen-te sua funo o profissional deve ter a compreenso do que vem aser dreno, bem como suas formas e localizaes. Dreno pode serdefinido como um objeto de forma variada, produzido em materiaisdiversos, cuja finalidade manter a sada de lquido de uma cavida-de para o exterior.

    De maneira geral, os cuidados de enfermagem so: manter apermeabilidade, visando garantir uma drenagem eficiente; realizar oadequado posicionamento do dreno, evitando que ocorra trao eposterior deslocamento; realizar o curativo conforme a necessidadee com o material determinado para a preveno de infeces; con-trolar a drenagem, atentando para a quantidade e aspecto da secre-o drenada, e registrar corretamente todos estes dados.

    Para melhor entendimento, apresentaremos a seguir algunstipos de drenos, seu posicionamento, cuidados especficos e em quetipos de cirurgia podem ser utilizados.

    O sistema para drenagem fechada de feridas realiza a drena-gem com o auxlio de uma leve succo (vcuo), sendo compostopor uma extenso onde uma extremidade fica instalada na cavidadee a outra em uma bolsa com o aspecto de sanfona. Seu manejo con-siste em manter essa sanfona com a presso necessria para que adrenagem ocorra com mais facilidade. Este sistema utilizado prin-cipalmente para a drenagem de secreo sanginolenta, sendo am-plamente utilizado nas cirurgias de osteosntese e drenagem de he-matoma craniano.

    Uma outra forma de drenagem fechada so os drenos comreservatrio de Jackson-Pratt (JP), que funciona com presso nega-tiva e diferencia-se do anterior por possuir a forma de pra - sendocomumente utilizado para cirurgias abdominais. O principal cuida-

    A freqncia do controle dadrenagem depender da roti-na da unidade em que o pro-fissional esteja trabalhandomas, no mnimo, deve ser rea-lizado uma vez por planto.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFdo com esse tipo de dreno a correta manuteno do vcuo, obtidocom a compresso do reservatrio. Caso contrrio, a drenagem no sereficaz, podendo ocorrer acmulo de secreo - o que provocaria nocliente dor, desconforto e alteraes dos seus sinais vitais, entre outrasintercorrncias.

    Existem tambm os sistemas de drenagem aberta, nos quais odreno mais utilizado o de Penrose, constitudo por um tubo macio deborracha, de largura variada, utilizado principalmente para cirurgias emque haja presena de abcesso na cavidade, particularmente nas cirurgi-as abdominais nas quais se posiciona dentro da cavidade, sendoexteriorizado por um orifcio prximo inciso cirrgica.

    Com relao aos cuidados de enfermagem, por se tratar de umsistema aberto - que dever estar sempre protegido por um reservatrio(bolsa) - a manipulao deve ser feita de maneira assptica, pois existea comunicao do meio ambiente com a cavidade, o que possibilita aocorrncia de infeco e o profissional deve estar atento para a possi-bilidade de exteriorizao, o que no incomum.

    Alm dessas, existe uma outra forma de drenagem que pode serrealizada tanto no momento da realizao do ato cirrgico como napresena de algum colapso: a drenagem de trax a qual, em vista desuas particularidades, ser detalhada a seguir.

    ! Dreno de traxSabemos que os pulmes esto envolvidos por um saco seroso,

    completamente fechado, chamado pleura - que possui um espao(cavidade pleural) com pequena quantidade de lquido. Nesta cavi-dade a presso menor que a do ar atmosfrico, o que possibilita a

    Hematoma subdural

    Orifcios

    Seo da poro intracranianado tubo de drenagem

    Tubo de drenagem

    Vlvula anti-refluxo

    100-CC755025

    Reservatrio

    Dreno de aspirao deJackson-Pratt (JP)

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    entrada de ar. Sempre que o pulmo perde essa presso negativa, sejapor abertura do trax devido cirurgia, trauma ou por presena de ar,pus, ou sangue no trax ocorrer o colapso pulmonar.

    Na presena desse colapso faz-se necessria a realizao de dre-nagem torcica para a reexpanso pulmonar pela restaurao da pres-so negativa. Para tal procedimento faz-se necessria a utilizao demscara, aventais e luvas estreis, soluo para a assepsia do local depuno, sistema de drenagem montado, anestsico local e materialpara curativo Durante o procedimento, a equipe de enfermagem deveauxiliar a circulao dos materiais e promover conforto e seguranaao cliente.

    Em relao manuteno do sistema fechado, a equipe de enfer-magem deve observar e realizar algumas aes especficas para impe-dir a entrada de ar no sistema pois, caso isto ocorra, o ar pode entrarnas pleuras (colabamento pulmonar) e comprimir os pulmes, provo-cando dispnia e desconforto respiratrio para o cliente. Como precau-o a esta eventualidade o dreno deve estar corretamente fixado aotrax do paciente com fita adesiva o que impede seu deslocamento.

    Visando evitar o colabamento pulmonar a equipe deve adotar osseguintes cuidados: certificar-se de que as tampas e os intermediriosdo dreno estejam corretamente ajustados e sem presena de escape dear, o que prejudicaria a drenagem; manter o frasco coletor sempre abai-xo do nvel do trax do cliente o qual, durante a deambulao, poderutilizar uma sacola como suporte para o frasco coletor. O cliente deve

    ser orientado para manter o fras-co coletor sempre abaixo do n-vel de seu trax, e atentar paraque no quebre - caso isto ocor-ra, deve imediatamente pinarcom os dedos a extenso entre odreno e o frasco, o que evitar apenetrao de ar na cavidadepleural.

    O dreno originrio do t-rax deve ser mantido mergulha-do em soluo estril contida nofrasco coletor (selo de gua) noqual deve ser colocada uma fitaadesiva em seu exterior, paramarcar o volume de soluo de-positada, possibilitando, assim, oefetivo controle da drenagem. Aintervalos regulares, o auxiliar deenfermagem deve checar o nveldo lquido drenado, comunican-

    Extenso de drenagem

    Respiro

    Soluo estril

    Frasco de drenagem

    Pleura parietal

    Pleura visceral

    Lobo pulmonar

    Origem do dreno

    Sistema de drenagem torcica

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFdo enfermeira e/ou mdico as alteraes (volume drenado, viscosida-de e colorao).

    Observar a oscilao da coluna de lquido no interior do frascocoletor que deve estar de acordo com os movimentos respiratrios docliente. Caso haja a necessidade de seu transporte, o profissional deve-r pinar a extenso apenas no momento da transferncia da cama paraa maca. Nessa circunstncia, o cliente deve ser orientado para no dei-tar ou sentar sobre a extenso e a equipe deve observar se no existemdobras, formao de alas e/ou obstruo da extenso, visando evitaro aumento da presso intrapleural, que pode provocar paradacardiorrespiratria.

    A cada 24 horas, realizar a troca do frasco de drenagem, de manei-ra assptica, cujo pinamento de sua extenso deve durar apenas algunssegundos (o momento da troca), observando-se e anotando-se, nesse pro-cesso, a quantidade e aspecto da secreo desprezada.

    Com relao aos clientes em posio pleural e com drenos o con-trole da dor de extrema importncia, pois lhes diminui a ansiedade edesconforto, alm de evitar a infeco pulmonar - como sabemos, apessoa com dor no realiza corretamente a fisioterapia respiratria, oque aumenta o acmulo de secreo e, conseqentemente, a possibili-dade de infeco pulmonar.

    6.3 Os familiares, o cliente e a altahospitalar

    A alta um momento importante para o cliente e seus famili-ares, pois significa sua volta ao contexto social. uma fase de tran-sio que causa muita ansiedade e preocupao para todos os envol-vidos. Para minimizar esses sentimentos, faz-se importante a corretaorientao quanto aos cuidados a serem prestados e as formas deadapt-los no domiclio; bem como alertar o cliente sobre seu retor-no ao servio de sade, para avaliao da evoluo.

    Para que os familiares efetivamente compreendam a comple-xidade dos cuidados (tcnicas asspticas, manuseio dos curativos,grau de dependncia, uso de medicaes, etc.), as informaes de-vem ser passadas paulatinamente. Esta estratgia evita que o mo-mento da sada no seja conturbado por conta de um acmulo de infor-maes para a continuidade do bem-estar do cliente.

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    6 Assistncia Cirrgica

    7- REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    ASSOCIAO PAULISTA DE ESTUDOS E CONTROLE DE IN-FECO HOSPITALAR. Esterilizao de artigos em unidades de sade. So Pau-lo, 1998. 89p.AUN, F. Manual de cirurgia. So Paulo: EPU, 1995.BRASIL, leis, etc. Ministrio da Sade. Portaria no 2.616 de 12 de maio de1998. Dispe sobre normas destinadas ao controle de infeces hospitalares.Dirio Oficial da Unio, n.89, p. 133-35, 1998 (Seo I).BRUNNER, L.S.; SUDDARTH, D.S.. Tratado de enfermagem mdico-cirrgica.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1994. v.2BUENO, F.S. Dicionrio Escolar da Lngua Portuguesa. Rio de Janeiro: FAE Ministrio da Educao, 1986.COLGIO AMERICANO DE CIRURGIES. SAVT/ATLS. Programapara mdicos. 1993.FLRIO, A. Principais patologias peditricas. In: KAWAMOTO, E. E.(coord.). O neonato, a criana e o adolescente. So Paulo: EPU, 2001.GOMES, A.M. Emergncia. Planejamento e organizao da unidade: assistncia deenfermagem. So Paulo : EPU, 1994GUIA ELABORADO POR ENFERMEIROS BRASILEIROS. Recomenda-es prticas em processos de esterilizao em estabelecimento de sade, parte I: esterilizaoa calor. So Paulo, Komedi, 2000.HOOD,G.H. et al. Fundamentos e prtica da enfermagem. 8a ed. Porto Alegre:Artes Mdicas.1995.HUNGRIA, H. Otorrinolaringologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1995.KAWAMOTO, E.E. Enfermagem em clnica cirrgica. So Paulo: EPU, 1999.KAWAMOTO, E.E.; FORTES, J.I. Fundamentos de enfermagem. So Paulo:EPU, 1997.NETTINA, S.M. Prtica de enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1998.PIMENTA, Cibele Andrucioli de Mattos; Koizumi, Maria Sumie.Subidentificao e subtratamento da dor no ps-operatrio. Ambito Hospita-lar, n.4, p.34-35, 1993.REIBNITZ, K.S.; PRADO, M.L. Contextualizando o auxiliar de enfermagem naassistncia ao adulto e idoso. 2a ed. Florianpolis: NFB/SPB, CCS-UFSC. 1997.v. 4. (Srie Auxiliar de Enfermagem)SO PAULO (ESTADO). Secretaria da Sade. Centro de Apoio ao Desenvolvi-mento das Aes Integradas de Sade. Organizao do centro de material e noes deesterilizao. 1993.SCHULL, P.D. Enfermagem bsica: teoria e prtica. So Paulo: Editora RideelLtda.1996.SILVA, M.A.A. et al. Enfermagem na unidade de centro cirrgico. So Paulo: EPU,1997.

  • A A A A A tetetetetendimentondimentondimentondimentondimentode Emergnciade Emergnciade Emergnciade Emergnciade Emergncia

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    1 Atendimento de Emergncia1.1 Conhecendo o pronto-socorro (PS)1.2 Aspectos tico-legais1.3 Atendimento inicial1.4 Parada cardiorrespiratria (PCR)1.5 Obstruo das vias areas

    superiores1.6 Hemorragias1.7 Choques1.8 Traumatismos1.9 Queimaduras1.10 Intoxicao exgena1.11 Picada por animais peonhentos1.12 Desmaio1.13 Convulses1.14 Insolao

    2 Referncias Bibliogrficas

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    1- ATENDIMENTO DE EMERGNCIA

    1.1 Conhecendo opronto-socorro (PS)

    Acredita-se que as mudanas sociais e no estilode vida tm aumentado o nmero de pessoas que ne-cessitam de atendimento de emergncia provoca-do por acidentes de trnsito, homicdio, ingestoacidental de substncia nociva, problemas carda-cos e outros agravos.

    Considerando a responsabilidade implci-ta em seu desempenho, o atendimento de emer-gncia, quando realizado de forma errada, demo-rada ou aps decorrido um intervalo de temposignificativo para o atendimento, pode represen-tar para a vtima danos irreversveis e at mes-mo a morte.

    Tal circunstncia implica desafios para a reformulao da assis-tncia sade: incentivo disseminao do conhecimento de primei-ros socorros e formao de socorristas junto populao; ampliaodo atendimento pr-hospitalar (servios de resgate) nos centros urba-nos e rodovias; melhoria dos recursos diagnsticos teraputicos dosestabelecimentos assistenciais de sade; e capacitao tcnica dos pro-fissionais.

    Por atenderem clientes com alteraes sbitas em sua condi-o de sade, as unidades de emergncia esto estruturadas pararealizar de imediato as atividades diagnsticas e teraputicas neces-srias para a preservao da vida, alvio do sofrimento e prevenode complicaes.

    importante lembrar que as unidades de atendimento de emer-gncia tambm representam uma porta de entrada ao sistema de sa-de, muito procurada pela populao que no consegue ter acesso aservios de menor complexidade da rede assistencial, tais como asunidades bsicas de sade.

    Dentre as chamadas unidades de emergncia, destacam-se:! o pronto-atendimento (PA) - presta atendimento imediato

    aos usurios, com ou sem risco de vida, dentro do horriode funcionamento do estabelecimento assistencial de sade;

    ! o pronto-socorro (PS) - dispe de leitos de observao e prestaatendimento imediato aos usurios, com ou sem risco de vida,durante as 24 horas do dia.

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    Atendimento de Emergncia

    A planta fsica do pronto-socorro deve propiciar facilidade esegurana ao acesso e fluxo dos clientes, alm de diminuir os riscosde infeco e facilitar o trabalho da equipe. Geralmente, localiza-sena entrada do estabelecimento de sade e constituda pelas seguin-tes reas:

    ! sala para recepo, registro e espera de atendimento aos usuri-os; local para a guarda de maca e cadeiras de rodas; e sanitriospara o pblico;

    ! consultrios mdicos;! sanitrio e sala de higienizao para os clientes;! sala para atendimento de clientes graves (como sala de parada

    cardiorrespiratria) e outras salas para procedimentos especfi-cos (sutura, gesso e outros);

    ! sala de repouso e observao;! salas de enfermagem, guarda de materiais, expurgo, rouparia e

    copa.A unidade deve garantir a circulao interna adequada e livre de

    obstculos, bem como facilitar o acesso dos clientes ao centro cirr-gico, UTI, servio de radiologia e elevadores. Alm disso, deve man-ter estreito entrosamento com outras unidades de apoio tcnico ediagnstico teraputico (laboratrio, banco de sangue e outros).

    1.2 Aspectos tico-legais

    A dinmica de um PS faz com que a equipe de enfermagemenfrente algumas situaes diferenciadas de uma unidade deinternao. Portanto, alguns aspectos tico-legais devem ser consi-derados e observados pela equipe.

    O consentimento ao tratamento assinado pelo prprio cli-ente consciente - e por seus familiares e/ou parentes prximos noscasos em que esteja inconsciente, confuso, com problemas psiqui-tricos e/ou seja menor de idade.

    No caso de iminente perigo de vida ao paciente que no conse-gue dar o seu consentimento e/ou a famlia ou responsvel no se en-contra presente, as normas de tica permitem que os profissionais desade prestem o atendimento de emergncia. Essa conduta considera-da correta porque o valor da vida maior do que a necessidade doconsentimento. Quando o profissional no presta o socorro de urgn-cia, esta situao caracterizada como omisso de socorro.

    A solicitao de alta a pedido deve ser negada nos casos demenores de idade, clientes com histria de tentativa de suicdio, con-

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFfuso e/ou com problemas psiquitricos. Mas pode ser autorizado noscasos de cliente orientado e com poder de deciso - ou por seu respon-svel -, sendo sempre solicitadas as assinaturas de duas testemunhas nodocumento.

    Nos casos em que o cliente recusa o tratamento preconizado,esse direito deve ser respeitado desde que esteja orientado e compoder de deciso sobre sua pessoa, tratamento e bem-estar.

    A violncia contra o menor de difcil comprovao, mas noscasos em que haja suspeita de sua ocorrncia tal fato deve ser comu-nicado enfermeira ou mdicos responsveis - que tomaro asprovidncias legais e a notificao ao Conselho Tutelar ou autori-dade policial ou judicial. Nos casos em que os pais so os respons-veis pela violncia, a instituio no pode lhes entregar o menor,devendo aguardar orientao do Poder Judicirio.

    Quando ocorrer fuga do cliente, tal acontecimento deve serimediatamente notificado s portarias da instituio - para o blo-queio das vias de sada - e ao Servio Social (se houver), para que osfamiliares possam ser avisados.

    Nos casos de doao de rgos, a equipe deve estar especial-mente atenta para que a autorizao seja previamente assinada peloprprio cliente, ou por seu responsvel legal.

    Com relao ao cliente que morre em conseqncia de causacriminosa, duvidosa ou desconhecida, seu corpo deve ser encami-nhado ao Instituto Mdico-Legal (IML), devendo-se orientar os fa-miliares e/ou acompanhantes acerca da necessidade de, para esclare-cer a causa da morte, realizao da autpsia.

    O sigilo profissional um aspecto tico que deve ser absoluta-mente respeitado por todos os profissionais, lembrando que as in-formaes devem ser compartilhadas com a equipe, excludas aspessoas no diretamente envolvidas com a assistncia.

    Um outro fator tico o respeito situao que levou o clien-te a procurar o PS. Independentemente dos valores culturais e mo-rais do profissional, jamais se deve ridicularizar a situao apresenta-da, nem tecer comentrios indevidos.

    Todo cliente deve ser chamado pelo nome, inclusive os in-conscientes, e os procedimentos explicados em linguagem clara. Aorecobrar a conscincia, a equipe de enfermagem deve orient-lo quan-to ao local em que se encontra, tranqiliz-lo e coletar maiores in-formaes pessoais e sobre a doena ou acidente.

    Toda a equipe de emergncia deve estar preparada para ouvir,por parte do cliente e famlia, queixas de remorso e culpa, bem comoexpresses de raiva e/ou lamentaes.

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    Atendimento de Emergncia

    1.3 Atendimento inicial

    O objetivo principal deste atendimento manter a vida do clien-te e prevenir seqelas, estabelecendo prioridades ante os cuidados pres-tados. O atendimento se realiza antes mesmo do estabelecimento dodiagnstico, pois visa minimizar os efeitos dos agravos que colocam ocliente em risco de vida. Exemplificando: as manobras de ressuscitaocardiopulmonar devem ser imediatamente aplicadas, antes da explora-o da causa da parada cardaca.

    Considera-se como atendimento de emergncia as aes empre-gadas para a recuperao do cliente, cujo agravo sade implica risco devida e exige atendimento imediato. Por sua vez, o atendimento de urgn-cia caracteriza-se pelo cliente cujo agravo sade no apresenta risco devida evidente, mas que tambm necessita de assistncia imediata.

    O auxiliar de enfermagem pode ser solicitado a prestar os pri-meiros socorros em locais que no possuem a infra-estrutura exis-tente em um pronto-socorro, como, por exemplo, no veculo detransporte ou de atendimento pr-hospitalar (ambulncia, resgate),no ambulatrio, na visita domiciliar e mesmo na rua. Inserir fig pg05 03 fazer cartoon e algum desmaiando perto de um ponto denibus ou de trem ou na rua ou numa fila

    Para que as clulas se mantenham vivas faz-se necessrio querecebam o oxignio e nutrientes transportados pelo sangue, e elimi-nem os produtos do seu metabolismo, ou seja, as substncias noci-vas. Isto possvel quando a circulao de sangue normal e existeentrada de oxignio nos pulmes pelas vias areas superiores livresde obstruo ou leso. Havendo deficincia de oxignio, ocorre aleso ou morte das clulas, sendo que as clulas nervosas so asprimeiras a se ressentirem da falta de oxignio.

    Por esse motivo, a regra bsica do atendimento, conhecidacomo o ABC da assistncia de emergncia, prioriza trs aes: ava-liar o nvel de conscincia; manter as vias areas desobstrudas; pre-servar a respirao e a circulao.

    Antes de iniciar o atendimento, o auxiliar deve, se estiver sozi-nho, solicitar ajuda; em seguida, tranqilizar o cliente e evitar aglo-meraes e tumultos.

    Em seguida, realizar rpido exame da situao, iniciado pelaavaliao do nvel de conscincia (alerta, resposta a estmulo verbal,resposta dor ou inconsciente) e da permeabilidade das vias areas,mas sem provocar hiperextenso, hiperflexo ou movimentao dopescoo do cliente. Posteriormente, avaliar a respirao (se o clien-te respira, se apresenta dificuldade para respirar e qual a freqncia)e a circulao mediante controle do pulso carotdeo e presena desangramento.

    Visando uniformizar as con-dutas emergenciais, vriasunidades de resgate e deemergncia esto adotando -para melhor capacitao daequipe - as medidas do Su-porte Avanado de Vida, oque proporciona maior segu-rana e eficincia durante oatendimento.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFSomente aps essa avaliao inicial feito o exame fsico geral do

    cliente, incluindo o controle dos seus sinais vitais. Para tanto, ele deve sermantido coberto e deitado em decbito dorsal. Na ausncia de suspeita defratura da coluna cervical, a cabea mantida lateralizada - para prevenir aaspirao de vmito, sangue e/ou outras secrees.

    Faz-se necessrio puncionar uma veia o mais rapidamentepossvel, j que com a diminuio da presso arterial e conseqentepiora do estado geral do cliente ocorre vasoconstrio e o acessovenoso torna-se mais difcil ressalte-se que este acesso permite acoleta de sangue para tipagem sangnea e exames laboratoriais, bemcomo possibilita a reposio volmica imediata e incio da teraputi-ca medicamentosa.

    Por medida de segurana, a maioria dos clientes so mantidosem macas ou camas com grades, identificados por uma pulseira comnome e nmero de registro. O pronturio sempre mantido juntoao leito, e nele sero anotados os cuidados de enfermagem, as con-dutas mdicas e demais dados.

    Como o estado do cliente pode alterar-se de minuto a minuto,a observao contnua; o que, resultantemente, pode trazer modi-ficaes no diagnstico e tratamento.

    fundamental que a equipe da unidade de emergncia trabalhede forma integrada tanto entre si como com as equipes externas de aten-dimento pr-hospitalar o que favorecer tanto a troca de informaessobre o cliente e a situao que gerou a emergncia como a organizaodo trabalho no caso de atendimento de mltiplas vtimas.

    1.4 Parada cardiorrespiratria (PCR)

    A parada cardiorrespiratria (PCR) resulta da cessao dosmovimentos respiratrios e dos batimentos cardacos, impossibili-tando a oxigenao dos rgos vitais. Suas causas mais freqentesso: respiratria (obstruo das vias areas, falncia respiratria);circulatria (arritmias, infarto do miocdio); distrbios metablicos(acidose, alcalose, desequilbrio hidreletroltico); e ao de drogas(anestsicos, cloreto de potssio, intoxicao digitlica).

    Inicialmente, ocorre uma dificuldade respiratria (fadiga, res-pirao agnica), causando na seqncia a parada cardaca que cli-nicamente reflete-se pela ausncia de pulso. Nos adultos, identificada pela ausncia de pulso carotdeo; nos bebs, pela ausn-cia de pulso braquial.

    Com a interrupo do fluxo sangneo cerebral h um qua-dro de hipxia que provoca a perda repentina da conscincia, de 30

    Durante o atendimento deemergncia devem ser sem-pre seguidas as precaues-padro, o que evita risco deinfeco para o cliente e acontaminao acidental dosocorrista. ainda importantefazer uso dos equipamentosde proteo individual (EPI):luvas, mscara facial, culosprotetores e avental.

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    Atendimento de Emergncia

    a 45 segundos aps a PCR. Assim, a parada cardiorrespiratria caracte-riza-se pelo aspecto geral do cliente (imobilidade, palidez e cianose deextremidades), falta de resposta aos estmulos e ausncia de pulso. Nesteprocesso ocorre tambm a midrase, cuja identificao imediata no mais prioritria pois, pela demora de sua percepo, pode vir a prejudi-car o incio do atendimento.

    As manobras de ressuscitao cardiopulmonar (RCP) preci-sam ser rpidas e eficazes, porque aps 4 minutos da interrupo dacirculao cerebral inicia-se o processo de leso irreversvel das c-lulas cerebrais.

    A unidade de emergncia deve estar sempre preparada para oatendimento de RCP, dispondo, para tanto, de ambientes isoladospara os clientes graves e de alguns recursos materiais mnimos, taiscomo tbua de massagem cardaca, medicamentos de atendimentode parada cardaca, material de entubao, sondas de aspirao, ambue mscara, solues endovenosas, seringas, agulhas, equipos de so-luo venosa e sangue, aparelho de desfibrilao.

    Midrase o aumento dodimetro da pupila.

    Ambu um dispositivo me-cnico manual utilizado paraventilar o cliente.

    O procedimento de RCP inicia-se com os cuidados para adesobstruo das vias areas mediante a retirada de prteses, corposestranhos e secrees. A seguir, so realizados os procedimentos deabertura das vias areas superiores. No caso de o cliente no apre-sentar trauma, devemos hiperextender seu pescoo colocando umadas mos sob sua nuca, levantando-a ligeiramente; com a outra moposicionada sobre sua testa, traciona-se a cabea para trs; ou pode-se colocar um coxim sob seus ombros, de forma a provocar ahiperextenso desejada. Nos casos de suspeita de leso de coluna

    Ressuscitador manual (ambu) Conectando a lmina do laringoscpio ao cabo. A lmina travana posio quando posicionada corretamente

    Lmpada

    Entalhe

    Lmina

    Cabo

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFcervical, a hiperextenso do pescoo contra-indicada porque pode vira lesar a medula espinhal. Neste caso, utiliza-se a tcnica da trao damandbula para a frente.

    A manobra de ventilao artificial inicia-se com a adaptao da ms-cara facial do amb na regio perinasal e bucal do cliente, de modo que noocorra vazamento de ar. Na inexistncia de um amb, podem ser utilizadosoutros recursos, como ventilar diretamente sobre a mscara facial do cliente(ventilao boca-mscara), por exemplo. A ventilao boca-a-boca no sejustifica em instituies de sade, pois estas devem dispor de equipamentospara a proteo dos clientes e funcionrios.

    Abertura da via area - o alvio daobstruo se d pela inclinao dacabea e elevao do queixo

    Ventilao boca-mscaracom valva unidirecional

    Obstruo da via areapela lngua e epiglote

  • 74

    Atendimento de Emergncia

    Ventila-se inicialmente duas vezes, observando-se aexpansibilidade do trax do cliente. Na seqncia, faz-se as compres-ses torcicas ou massagem cardaca externa. Para tanto, o cliente deveestar deitado em uma superfcie rgida e em uma altura que permita aosocorrista manter os braos esticados durante a realizao das com-presses do trax.

    Para a manobra de compresso torcica, o profissional deve esticaros braos e, com uma palma da mo cruzada ou entrelaada sobre a outra,comprimir verticalmente o trax do cliente acima do apndice xifide (de-primir o esterno de 4 a 5 cm); em recm-nascido e/ou lactente, utiliza-sedois dedos de uma das mos ou envolve-se o trax do mesmo com as mose comprime-se o tero mdio do esterno com os polegares.

    Mos entrelaadas

    Apndice xifide

    Compresso rtmica sobre o esterno

    Esterno

    Vrtebra

    Posic

    iona

    men

    to d

    o am

    bu

    Braos esticados

    Mos entrelaadas

    Palma da mo cruzada

    Manobra de compresso torcica

  • 75

    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF

    A RCP realizada continuamente e quando executada por ape-nas um socorrista deve seguir a proporo de duas ventilaes para 15massagens cardacas; quando houver dois socorristas, a proporo deuma ventilao para 5 massagens cardacas. No caso de um socorrista,a seqncia deve ser repetida 5 vezes; no caso de dois socorrista, 10vezes - isto , aproximadamente 1 minuto, interrompendo-se a RCPpara verificao da volta do pulso espontneo.

    conveniente que a entubao traqueal seja realizada o maiscedo possvel, mesmo durante a RCP. Os materiais necessriosso: cnula de entubao com balonete, fio guia, laringoscpiocom pilha, lmina curva e reta, lidocana gelia, gazes, seringa eadesivo ou cadaro.

    Para evitar o deslocamento ou sada da cnula de entubao,ela deve ser fixada por meio de um cadaro ou fita adesiva; visandoevitar que o cliente a morda, indica-se colocar a cnula de Guedel(chupeta). (Ver figura pgina seguinte)

    O cliente que apresenta fibrilao ventricular com batimentodescompensado do corao deve ser prontamente atendido, pois talacontecimento assemelha-se PCR, em vista da diminuio do dbi-to cardaco, que pode levar hipoperfuso cerebral. Uma das for-mas de revert-la para o batimento normal a administrao de cho-que eltrico dado pelo aparelho de desfribilao cardaca.

    A pasta condutora colocada nas duas ps do desfibrilador faci-lita a conduo eltrica e evita a queimadura provocada pelo conta-to direto da parte metlica das ps com a pele do cliente. Para evitarum choque acidental, o profissional deve sempre segurar as ps pelocabo, e nunca pela parte metlica.

    Por questo de segurana, antes da descarga eltrica deve-severificar se todos se afastaram da cama, bem como do contato com

    Durante a realizao daentubao orotraqueal fre-qente a necessidade de as-pirao de secrees das viasareas. Assim, para melhororganizao de seu trabalhodeixe esse material previa-mente preparado (sonda deaspirao, luva estril e siste-ma de vcuo funcionante).

    Criana pequena

    Criana maior/adolescente Lactente

    Prematuro

  • 76

    Atendimento de Emergncia

    metais. Nos casos de aparelho carregado mas no utilizado, o boto deenergia deve ser colocado na escala zero; a seguir, aproximar as super-fcies metlicas e pressionar os botes de descarga.

    O tratamento medicamentoso faz parte da reanimaocardiorrespiratria e depende de protocolos de atendimento adotadosnos servios de emergncia. Os profissionais devem manter-seatualizados e aptos a desenvolver os protocolos do modo mais rpi-do e seguro.

    As funes vitais do cliente so monitoradas durante e aps aRCP; alm disso, deve-se estar atento para os cuidados relacionadoscom drenagens, infuses e curativos.

    Aps a estabilizao do quadro, o cliente deve ser aquecido emantido sob constante observao, haja vista que a hipotermia per-petua as condies de arritmia e instabilidade cardaca.

    O pronturio deve trazer o registro tanto da hora da PCRcomo das manobras de reanimao, condutas teraputicas e drogasadministradas. A equipe de enfermagem deve solicitar a prescriomdica das drogas administradas por solicitao verbal, e anotar oestado geral do cliente aps a PCR.

    Normalmente, o cliente e sua famlia apresentam-se ansiososporque no tiveram um tempo de adaptao a essa situaoemergencial. Alm disso, existe o medo da morte, mutilao e/ouagresses integridade fsica. Considerando tais receios, para aten-der as suas necessidades emocionais a equipe deve manter um con-tato com os mesmos dando informaes simples e objetivas, num

    Posicionamento da cnula orofarngea

    Posicionamento da cnula nasofarngea - a cabea deveestar inclinada para trs, facilitando sua insero

    Obstruo - posio incorreta da cabea

  • 77

    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFtom de voz que lhes transmita tranqilidade - e outras aes que contri-buam para reduzir as tenses.

    1.5 Obstruo das vias areassuperiores

    A introduo acidental de corpos estranhos nas vias respirat-rias provoca crise de tosse, sufocao e engasgamento. Caso o cor-po estranho no seja imediatamente removido, o cliente fatalmentemorrer se ocorrer obstruo total da laringe e traquia.

    O quadro clnico varia conforme a localizao e o grau deobstruo: tosse, respirao difcil e ruidosa, impossibilidade de fa-lar, cianose, inconscincia e at parada respiratria.

    Os casos de engasgamentos podem e devem ser evitados medi-ante medidas simples de preveno: no deixar objetos pequenos aoalcance das crianas; no oferecer alimentos ou guloseimas que es-corregam pela boca e garganta (balas e drops de formato liso); evitarbrincadeiras que facilitam a aspirao (correr com guloseimas na boca,assoprar com canudos gros ou pedrinhas); no colocar objetos entreos dentes durante o trabalho, etc.

    Na ocorrncia de engasgamento as condutas de primeirossocorros devem ser imediatas devido ao perigo de parada respirat-ria, e iniciam-se pela avaliao do grau de obstruo das vias areassuperiores.

    Na obstruo parcial o cliente respira mal e tenta falar, comdificuldade e desconforto. Deve-se pedir para que tussa; caso no seobtenha xito (expulso do corpo estranho), encaminh-lo imedia-tamente ao hospital onde ser sedado para a retirada do corpoestranho pelo broncoscpio, e realizadas manobras de reanimaocardiorrespiratria nos casos de PCR.

    No caso de obstruo total o cliente no consegue respirarou falar, e faz-se necessrio tentar remover o corpo estranho o maisdepressa possvel. A manobra mais utilizada a compresso abdo-minal (Heimlich), que expulsa o corpo estranho pelo aumento s-bito da presso intratorcica. Se o cliente tiver condies de perma-necer em p, o profissional deve posicionar-se atrs da vtima, cer-car sua cintura com os braos, superpor uma mo sobre a outrafechada na altura do epigastro e aplicar uma compresso rpida. Sedeitado, deve ser colocado em decbito dorsal, com a cabealateralizada. O profissional deve posicionar-se lateralmente ou sen-tar sobre suas coxas e aplicar a compresso com as duas mos so-brepostas na altura do epigastro e em direo ao trax.

    Broncoscpio - um aparelhoque permite visualizar osbrnquios.

  • 78

    Atendimento de Emergncia

    1.6 Hemorragias

    Hemorragia a perda macia de sangue conseqente ao rom-pimento de vasos sangneos, provocado por cortes, amputaes,fraturas, ferimento por arma de fogo (FAF), por arma branca (FAB)e outras causas.

    Pode ser externa, quando o sangue exterioriza-se pela ferida,e interna, quando o sangramento decorre do rompimento de umou vrios vasos sangneos dentro do corpo.

    A hemorragia externa facilmente identificada pela manchaou poa de sangue e pode ser classificada como:

    ! hemorragia arterial o sangue jorra de uma artria. A cor vermelho vivo, sai em jato, sincronizado com os batimentoscardacos. Esta situao muito grave, pois h perda de gran-de volume de sangue, e muito rapidamente;

    ! hemorragia venosa o sangue sai por uma veia. A cor vermelho escuro; o fluxo constante e tambm pode sergrande a perda sangnea;

    ! hemorragia capilar o sangue escoa de uma rede capilar, acor vermelho menos vivo que o sangue arterial, o fluxo lento como os que se apresentam nos arranhes e cortessuperficiais.

    O mtodo mais eficaz de controlar os vrios tipos de hemor-ragia a compresso direta do ponto onde est ocorrendo, manten-do-se a compresso por cerca de 6 a 8 minutos, para que haja acoagulao.

    Nos casos de hemorragia externa de membros, a primeira con-duta deitar a vtima (se necessrio), elevar o membro afetado aci-ma do nvel do corao, remover corpos estranhos da ferida (casoexistam), resfriar e fazer compresso direta no local com os dedosou por curativo compressivo. Lembrar que objetos transfixados nodevem ser removidos e precisam ser imobilizados para evitar he-morragia na sua retirada acidental. Nas fraturas de extremidades epessoas com suspeita de fratura de coluna cervical, no se deve fa-zer a elevao do membro afetado.

    No caso destas manobras falharem na conteno da hemorra-gia, pode-se fazer uma compresso indireta, ou seja, a compressorealizada acima do ferimento, em locais onde a artria superficial eest posicionada sobre um osso que serve de apoio para a presso(na perna, pressione a artria femoral; no brao, a artria braquial).

    Algumas leses podem necessitar de sutura para controlar osangramento. No se deve esquecer a importncia do controle doquadro de choque hipovolmico por intermdio da reposio

    Capilar o vaso sangneomicroscpico que une artriase veias e onde acontece atroca de oxignio entre a circu-lao sangnea e os tecidos.

  • 79

    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFvolmica com soluo fisiolgica e/ou hemoderivados. Outros aspec-tos importantes so o uso de tcnica assptica para a limpeza da ferida,a antibioticoterapia para evitar infeces e a aplicao de vacinaantitetnica para os clientes com esquema vacinal incompleto.

    Todos os casos de amputao traumtica, esmagamento oudilacerao de membros devem ser encaminhados para uma unida-de cirrgica em vista da necessidade de reconstituio dos tecidoslesados e controle do choque hipovolmico.

    O cliente pode apresentar-se ansioso ao visualizar umsangramento e ver que ele no cede com as medidas de emergncia.Essa intranqilidade pode manifestar-se na forma de crise histri-ca, vertigem, desmaio e agitao causando taquicardia, o que au-menta ainda mais o sangramento. Assim, fundamental tranqiliz-lo para que o sangramento possa ser melhor controlado.

    Epistaxe um sangramento nasal, com origem diversa: picohipertensivo, traumatismo, tumores, influncia hormonal e outras.

    As medidas de primeiros socorros so: colocar o cliente senta-do e orient-lo para respirar pausadamente pela boca e cuspir o san-gue; pressionar a face lateral da narina sangrante contra o septo na-sal e colocar bolsa de gelo ou compressas frias sobre o nariz. Suacabea no deve estar inclinada para trs, pois isto provoca adeglutio do sangue, ocasionando nuseas, vmitos e piora daepistaxe.

    No ambiente hospitalar podem ser administrados medicamen-tos coagulantes e realizado o tamponamento nasal. Neste caso, ocliente orientado para realizar a higiene oral mais freqentementee lubrificar com vaselina lquida ou similar os lbios ressecados emvirtude da respirao bucal. Durante a alimentao, higiene oral eoutras atividades o cliente deve tomar cuidado para no remover otampo nasal.

    Hemoptise uma hemorragia pulmonar e pode ser sinal detrauma torcico ou edema agudo pulmonar (EAP), dentre outraspatologias.

    Quando de sua ocorrncia, faz-se necessrio agir com rapidez,devido piora rpida. Nessa circunstncia, o cliente deve ser manti-do calmo e orientado para respirar pausadamente, no falar e/ou seagitar. Deve ser mantido em repouso no leito, em posio de Fowlerou sentado, com as pernas pendentes para fora do leito, e receberadministrao de oxignio por cateter nasal. A adoo dessas medi-das melhora sua respirao e oxigenao, diminuindo o retorno ve-noso ao corao.

    importante manter o acesso venoso de grande calibre, bemcomo administrar os medicamentos prescritos e verificar os sinaisvitais, principalmente o pulso e a respirao.

  • 80

    Atendimento de Emergncia

    A hematmese a perda de sangue no vmito e a melena aperda de sangue nas fezes. Suas causas mais provveis so: traumasvasculares, rompimento das varizes esofgicas ou gstricas e lceragstrica perfurada. Nestes casos, deve-se deitar o cliente em decbitodorsal e mant-lo em jejum.

    Se a hemorragia das varizes esofgicas persistir, indica-se a pas-sagem do balo esofgico ou Sengstaken-Blakemore. Se no houveresse tipo especial de sonda para os casos de lcera perfurada, deve-se introduzir uma sonda nasogstrica, para aspirar, e realizar lava-gem gstrica com gua ou soluo fisiolgica gelada. Faz-se necess-ria a reposio de volume e a administrao de medicamentoscoagulantes.

    Aps o controle da hemorragia, manter a SNG aberta paradrenagem de secrees; tambm est indicada a lavagem intestinalpara retirar o sangue acumulado.

    A equipe deve sempre suspeitar da hiptese de hemorragiainterna (que no visvel) nos casos em que o cliente apresente qua-dro de choque hipovolmico, inconscincia, histria de forte com-presso (batida) na cabea, trax e ou abdome, palidez, mucosa des-corada, agitao, sudorese fria, pulso taquicrdico e fino, respiraorpida e superficial, hipotenso arterial, sensao de sede, desmaio,hipotermia.

    A hemorragia interna ocasionada por um trauma fechado,ou seja, causado por um objeto que no penetrou na pele; maspode tambm ser provocada por rompimento de aneurisma (cere-bral, torcico ou abdominal), de rgos (fgado, bao e outros) ouda artria aorta. Em muitos casos h grande perda de quantidade desangue, o que coloca o cliente em risco iminente de vida.. Comono aparecem sinais externos, sempre mais difcil de ser identificada,necessitando de interveno cirrgica na maioria das vezes

    Presta-se o atendimento inicial e encaminha-se o cliente, o maisrapidamente possvel, a um pronto-socorro - onde ser avaliada anecessidade de uma cirurgia de emergncia.

    1.7 Choques

    Caracterizam-se pelo suprimento inadequado de sangue paraos tecidos e pelas mudanas estruturais e funcionais nos rgos es-senciais. uma intercorrncia grave e seus tipos mais freqentes so:

    ! choque hipovolmico causado por sangramento ouhemorrgico, decorrente da perda de sangue (como nas he-morragias), ou por perda de lquido extracelular e plasma(como nos casos de queimaduras e desidratao);

    Balo esofgico - sonda se-melhante SNG, que possuium balonete. Este, quandoinsuflado, realiza presso naparede do esfago, propici-ando a hemostasia.

  • 81

    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF! choque cardiognico - causado pelo baixo rendimento card-

    aco provocado pelo infarto do miocrdio, arritmias, insuficin-cia cardaca, tamponamento cardaco;

    ! choque toxmico (sptico) - decorrente das infecesbacterianas agudas e graves;

    ! choque anafiltico - resultante da hipersensibilidade do orga-nismo a determinadas substncias;

    ! choque neurognico - causado por trauma ou doena no sis-tema nervoso, impossibilitando o controle do dimetro dosvasos sangneos e seu preenchimento sangneo adequado.

    De maneira geral, observa-se: fraqueza, nusea com possvelvmito, sede, hipotenso arterial, pulso taquicrdico, fino e de dif-cil percepo, aumento dos movimentos respiratrios, mucosas des-coradas ou secas, palidez, cianose, extremidades frias, oligria ouanria, hipotermia (hipertermia no choque toxmico), dispnia ealterao do nvel de conscincia.

    Como medidas de primeiros socorros, recomenda-se: retirarprteses ou qualquer outro objeto da boca do cliente, para evitar aobstruo das vias areas; mant-lo deitado com as pernas elevadasde 25 a 35 cm, exceto na presena ou suspeita de traumatismo nacoluna vertebral e nos MMII - nestes casos, realizar a elevao naprancha de transporte e providenciar sua remoo para o PS ouunidade especializada.

    H necessidade de sondagem vesical para um controle maisrigoroso da diurese. Tambm importante aquecer o cliente, pois ahipotermia piora o quadro de vasoconstrio, dificultando ainda maisa circulao sangnea.

    O tratamento medicamentoso varia de acordo com o tipo dechoque: administrao de soluo fisiolgica, hemoderivados e ou-tros para reposio de volume, correo da acidose metablica combicarbonato de sdio e administrao de drogas especficas para con-trolar as causas do choque, tais como dopamina, digitlicos, antibi-ticos e outros.

    1.8 Traumatismos

    ! Traumas de partes moles e rgos internosNas feridas fechadas h um ferimento interno mas a pele se

    mantm ntegra. A maioria dessas feridas apresenta contuses, ouseja, o sangue flui entre os tecidos causando uma colorao azulada(hematoma) ou amarelada (equimose).

  • 82

    Atendimento de Emergncia

    Nas feridas abertas a pele no fica ntegra e pode atingir outrasestruturas anatmicas. So vrias as formas: desde simples arranhes acortes com diferentes caractersticas (bordas regulares), lacerao (cor-tes irregulares), perfuraes (causadas muitas vezes por armas), ampu-taes (perda de parte do corpo), ferimentos por esmagamento e quei-maduras.

    Alguns ferimentos tm menor prioridade de atendimento porno colocarem o cliente em risco de vida, mas devem ser limpos eprotegidos por curativos.

    ! Trauma das extremidadesa) Fratura

    o rompimento parcial ou total de um osso. Pode lesar ou-tras estruturas vizinhas, como nervos, vasos sangneos, msculos,articulaes e tendes.

    Suas causas so diversas e podem estar presentes nas vtimasde acidentes de trnsito, trabalho, esportivos, quedas e esforo fsi-co realizado de forma incorreta. A osteoporose facilita a fratura e,algumas vezes, provocar fratura espontnea.

    Na fratura exposta a superfcie fraturada comunica-se com omeio exterior atravs de um rompimento da pele. A fratura fechada,como no apresenta rompimento da pele sobre o osso fraturado, mais difcil de ser identificada. Em ambas, realizado diagnstico porimagem a radiografia auxilia na confirmao da fratura fechada.

    Osteoporose o distrbiocaracterizado pela reduoda massa ssea.

    Fratura fechada Fratura fechada Fratura exposta

    Tipos de fraturas

  • 83

    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFOs sinais e sintomas caractersticos da fratura so a dor que

    piora com a palpao ou movimentao -, edema, hematoma, perdada funo, deformidade do segmento afetado e sentir, na palpao,o atrito das superfcies fraturadas. A compresso ou leso de nervose artrias pode provocar paralisia, paresia e isquemia do membrofraturado.

    Para o cliente, as medidas de primeiros socorros e os trata-mentos mdicos podem representar a diferena entre sua recupera-o e/ou incapacidade. Como medidas de primeiros socorros, reco-menda-se: movimentar o mnimo possvel o membro afetado; verifi-car a presena de outras leses (exemplo: hemorragia, traumacraniano e outros); no remover o cliente antes de imobilizar a reaafetada e no tentar recolocar a articulao ou o osso para seu localcorreto, pois esse procedimento deve ser realizado por profissionalqualificado.

    Para imobilizar o membro afetado faz-se necessrio reunir o ma-terial especfico: talas prprias ou improvisadas (com jornais, re-vistas, almofadas e tiras de pano). A tcnica de imobilizao varia deacordo com o tipo de fratura.

    Na fratura fechada, apoiar omembro fraturado na tala e fix-locom tiras de pano ou ataduras, semapertar muito. Na fratura exposta,proteger o ferimento com gaze oupano limpo; em seguida, imobilizaro membro, mantendo-o na posioem que se encontra. Antes e aps aimobilizao, observar as extremida-des quanto cor, temperatura e pre-sena de pulso.

    No ambiente hospitalar, oosso fraturado alinhado pela re-duo incruenta ou cruenta e imo-bilizado por aparelho gessado, asso-ciado ou no trao cutnea ouesqueltica.

    As aes de enfermagem naaplicao do aparelho gessadoabrangem o preparo do cliente e domaterial e as orientaes sobre os cui-dados com o gesso. Primeiramente,deve ser realizada a limpeza e seca-gem da pele onde o gesso ser apli-cado pelo profissional responsvel.

    Paresia- a perda da sensibi-lidade.

    Incruenta o procedimentono-cirrgico.

    Imobilizao do membro inferior

    Imobilizao do membrosuperior

  • 84

    Atendimento de Emergncia

    Quando a atadura de gesso imersa na gua parar de borbulhar,estar pronta para ser aplicada; importante lembrar que no devemser preparadas ataduras em excesso, porque no se conservam aps oumedecimento.

    Ao transportar o cliente, alguns cuidados so necessrios paraprevenir acidentes, tais como evitar movimentos bruscos e seguraro membro gessado com as mos espalmadas para evitar depressono gesso, o que pode vir a comprimir e/ou lesar nervos e vasos.

    O cliente deve receber orientaes acerca de como cuidar doaparelho gessado, para mant-lo ntegro e evitar infeco e outrascomplicaes: no molhar o gesso, no colocar bolsa de gua quen-te sobre o mesmo (para evitar queimaduras), no introduzir materi-ais em seu interior do gesso (para que no ocorram leses), manteras extremidades elevadas (para facilitar a circulao de retorno),movimentar as articulaes no-gessadas e, ao fazer a higiene cor-poral, cobrir o gesso com plstico.

    Proteodo gesso

    Posicionamento do membro inferior elevado

  • 85

    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFPara a realizao da trao de pele ou cutnea, verifica-se a pre-

    sena de leses (o que contra-indica o procedimento), procede-se tricotomia do local onde ser aderido o esparadrapo e, aps remover agordura da pele, passar tintura de Benjoim e proteger as salincias sse-as com algodo ortopdico. Terminada a trao, passar a corda peloorifcio da tbua e instalar o peso prescrito.

    A trao esqueltica um procedimento cirrgico, requeren-do cuidados de cirurgia ortopdica. Para o adequado funcionamen-to do sistema de trao, as cordas e polias devem ser colocadas emlinha reta, deixando-se os pesos e cordas penderem livremente. Ospesos no podem ser removidos sem orientao mdica e jamais deve-se balanar ou bater na trao, pois isso provoca dor no cliente.

    Para evitar complicaes ao cliente com trao, a equipe deenfermagem observa evidncias de feridas por compresso, sinais deinfeco no local de aplicao do fio e condies circulatrias dasextremidades. Alm disso, as superfcies pontiagudas do fio ou pinodevem ser protegidas com rolha ou fita adesiva e o cliente orientadoquanto higiene pessoal, exerccios respiratrios e dos membrosno-lesados.

    b) Contuso a leso das partes moles, provocada por batida, sem soluo

    de continuidade da pele. O cliente queixa-se de dor local e observa-se edema, hematoma ou equimose. As medidas de primeiros socor-ros e de tratamento so elevao e no-movimentao da parte afe-tada, aplicao de compressas frias ou bolsa de gelo por 48 horas e,em seguida, aplicao de calor para auxiliar na reabsoro de lqui-dos extravasados. Pode haver a necessidade de ser posta umabandagem compressiva.

    Posicionamento do membro inferior com trao esqueltica

    Roldana

    Extenso

    Peso

  • 86

    Atendimento de Emergncia

    c) Entorse/distensoEntorse o estiramento dos ligamentos adjacentes a uma arti-

    culao e a distenso refere-se ao estiramento dos msculos. Asintomatologia semelhante: dor local, dificuldade de movimenta-o e edema.

    Como medida de primeiros socorros, a parte afetada mantidaelevada e em repouso, aplica-se compressas frias ou bolsa de gelopor 48 horas e, aps, aplicao de calor. Dependendo da extenso egravidade, necessrio imobilizar o membro ou, ainda, encaminharo cliente para cirurgia - como nos casos de ruptura de ligamentos elaceraes.

    d) Luxao o deslocamento das superfcies articulares entre os ossos e

    leso das partes moles. O cliente apresenta dor intensa, perda dasfunes, deformidade e edema progressivo. Como medidas de pri-meiros socorros, faz-se a imobilizao provisria da parte afetada e,a seguir, o tratamento mdico - que inclui reduo da luxao e imo-bilizao com gesso.

    ! Trauma raquimedularAs leses de coluna vertebral so provocadas com maior fre-

    qncia pelos acidentes automobilsticos e/ou quedas e acidentesem piscina. Entretanto, outra causa importante a manipulaoinadequada do cliente com fratura vertebral durante o atendimentode primeiros socorros, remoo e/ou transporte.

    A sintomatologia pode ser provocada pela compresso ouseco da medula. Desta forma, no cliente consciente ocorre dor nolocal do trauma, perda de sensibilidade ou paralisia abaixo do nvelda leso; no cliente inconsciente ocorre perda de reflexo com flacidez(principalmente perda do controle vesical e intestinal), respiraodiafragmtica, hipotenso com bradicardia.

    No atendimento emergencial faz-se a imobilizao e alinha-mento da coluna vertebral e, em especial, do segmento cervical. Ocliente deve ser mantido deitado em decbito dorsal e movimenta-do como um bloco nico quando de seu transporte do local doacidente para a maca.

    As pessoas com suspeita de trauma de coluna vertebral de-vem ser encaminhadas para uma instituio que possua adequadosrecursos de sade, a fim de receber tratamento definitivo: administra-o de solues e medicaes, controle da respirao em vista do peri-go de parada respiratria, trao intracraniana, imobilizao com apa-relho gessado do tipo Minerva e, caso necessrio, cirurgia corretiva.

    Minerva um aparelhogessado que envolve a regiodo trax, abdome, pescoo ecabea.

  • 87

    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFF! Trauma crnio-enceflico (TCE)

    Decorre de quedas, atropelamentos, coliso, ferimentos porarmas de fogo e outros. Os clientes podem apresentar fratura decrnio, leses do crebro, edema cerebral ou hematoma, laceraescerebrais e leses do couro cabeludo.

    A gravidade da leso intracraniana est diretamente relacionadacom a intensidade dos sintomas: alterao da conscincia, rigidez ouflacidez muscular, perturbaes motoras, cefalia, tonturas, vmitos,amnsia, leso facial, convulso, perda de massa enceflica e/ou lquor.

    A conduta de primeiros socorros consiste em imobilizar a co-luna cervical com o colar cervical, no dobrar a coluna vertebral,manter as vias areas permeveis e pesquisar outras leses. Todas aspessoas com suspeita de TCE devem ser encaminhadas ao hospital,para tratamento definitivo: manuteno da funo respiratria comrespirador mecnico ou oxignio mido; tratamento do choque; di-minuio do edema cerebral atravs de medicaes e solueshipertnicas; sutura das leses do couro cabeludo e realizao decraniotomia para descompresso, correo de afundamento ou dre-nagem de hematomas.

    O cliente deve ser constantemente avaliado quanto ao nvel deconscincia, tnus muscular, perturbaes motoras, alteraes pupilarese presena de convulses. Esses dados auxiliam na localizao, diagns-tico, prognstico e avaliao da melhoria do dano cerebral.

    ! Trauma torcico sempre considerado como leso grave, porque normalmen-

    te est associado a outros ferimentos srios da rede vascular, cora-o e pulmes.

    O trauma torcico pode ocasionar obstruo das vias areas,pneumotrax, hemotrax, trax instvel provocado por mltiplasfraturas de costelas, tamponamento cardaco, ruptura da aorta, rup-tura do diafragma e laceraes traqueobrnquicas. Essas leses pro-vocam insuficincia respiratria e cardiocirculatria aguda, obser-vadas mediante dor torcica, dispnia, taquicardia, hipotenso arte-rial, batimentos de asa de nariz, cianose, inquietao, perda da cons-cincia e parada cardiorrespiratria.

    No atendimento emergencial, o auxiliar de enfermagem reali-za a manuteno das vias areas desobstrudas, elevao do decbito(exceto na presena de choque hipovolmico), aspirao de secre-o endotraqueal, administrao de oxignio mido. Deve estar aten-to para auxiliar na drenagem torcica, na pericardiocentese por agu-lha, no tratamento do choque e hemorragia e na entubao e retira-da de corpos estranhos e prteses.

    Pericardiocentese por agulha a introduo de agulha depuno no pericrdio para aretirada de sangue.

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    Atendimento de Emergncia

    ! Trauma abdominalNeste trauma pode haver ou no leso das vsceras abdomi-

    nais e sua gravidade varia de simples leses at rupturas ou laceraesde rgos. Normalmente, quando h leses de vsceras ocas (intesti-no, estmago, bexiga) ocorre desidratao progressiva e peritonite;nas leses de vsceras parenquimatosas (fgado, bao, rins) desen-volve-se quadro de choque hipovolmico.

    Deve-se sempre suspeitar de leso de vsceras quando o clien-te apresenta dor abdominal espontnea ou palpao, rigidez damusculatura abdominal, diminuio de peristaltismo e sinais de cho-que hipovolmico.

    O trauma classificado como fechado quando o revestimen-to cutneo abdominal apresenta-se ntegro - e normalmente con-seqncia de socos, pontaps, coices, quedas, acidentes de trnsito,etc. O quadro clnico varia de acordo com a extenso, intensidade etipo de leso, bem como comprometimento de outros rgos e va-sos sangneos.

    As condutas de emergncia priorizam: manter o cliente deita-do e sem mobilizao desnecessria; manter as vias areas perme-veis e realizar oxigenao, se necessria; avaliar o sangramento eestancar a hemorragia externa pela compresso direta; repor, comsoluo fisiolgica endovenosa e hemoderivados, os lquidos perdi-dos; prestar os cuidados de choque; fazer a sondagem vesical paracontrole da hematria e volume urinrio; passar a sonda nasogstricapara aspirar o contedo gstrico (na presena de fraturas de face,introduzir a sonda por via oral); proteger os rgos eviscerados eencaminhar o cliente para o tratamento cirrgico das leses.

    1.9 Queimaduras

    So leses nos tecidos provocadas pelo calor, eletricidade, ener-gia radiante (raios solares, radioatividade) e substncias qumicas.

    Esses agentes podem provocar pequena queimadura quandoa rea queimada menor ou igual a 10% da rea corporal total; ougrande queimadura quando a rea queimada maior que 10% darea corporal total.

    Quanto profundidade, considerada de 1grau quando a quei-madura superficial atinge a epiderme e ocorre edema, eritema e dor. Ade 2 grau atinge a derme e provoca eritema intenso, edema, bolhas(vescula) e dor intensa. A de 3 grau a queimadura profunda, queatinge o tecido subcutneo, msculos e ossos, provocando necrosedos tecidos e fazendo com que a pele apresente aspecto carbonizado

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFou esbranquiado - no ocorre dor, devido destruio das terminaesnervosas. O cliente pode apresentar, simultaneamente, os trs tipos dequeimaduras. Nesses casos, o atendimento de primeiros socorros diferen-te, variando de acordo com o agente causador.

    Na queimadura trmica, a primeira medida controlar o fogoou afastar o cliente da fonte de calor, e resfriar o local das queimadurascom gua (nunca passando qualquer substncia no local). Na seqn-cia, a rea deve ser protegida com compressa estril ou pano limpo.

    Na queimadura qumica, o procedimento inicial remover asubstncia. Para isso, o cliente deve despir-se e lavar-se sob gua cor-rente, tendo o cuidado de no espalhar o agente causador para reasno-afetadas. Nenhum produto deve ser passado no local.

    A primeira conduta a ser feita com a pessoa que recebe umchoque eltrico afast-la da fonte de eletricidade com o auxlio deuma madeira ou qualquer outro material isolante conforme figura abai-xo; somente aps devem ser iniciadas as manobras de reanimaocardiorrespiratria nos casos de PCR, e a rea protegida com compressaestril ou pano limpo. Todos os clientes que sofrem esse tipo de acidentedevem ser encaminhados para uma instituio que possua adequados re-cursos de sade, para avaliao, mesmo que aparentemente no apresen-tem problemas.

    O tratamento de um grande queimado tem por objetivo promo-ver a oxigenao adequada, restabelecer o volume circulante, prevenire combater a infeco, tratar a rea queimada, prevenir deformidades,administrar vacina antitetnica de acordo com o esquema vacinal, esedao para a dor e agitao.

    O mtodo mais utilizado de tratamento das feridas o OCR(ocluso, compresso e repouso), que permite a absoro de secrees

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    e reduo da dor. Neste mtodo, deve-se, aps a limpeza com soluofisiolgica, cobrir as leses com gazes - embebidas em soro fisiolgico- que no adiram rea queimada (rayon e similares), gaze seca, algo-do hidrfilo e ataduras de crepe. No curativo dos dedos, deve-se ter ocuidado de envolv-los separadamente, para evitar a cicatrizao con-junta.

    Na sala de atendimento de emergncia, as aes de enferma-gem ao grande queimado so: receb-lo, desprovido de roupas eobjetos de uso pessoal, na maca revestida em campo de prefernciaesterilizado; acalm-lo e sed-lo de acordo com a prescrio; atentarpara os sinais de hipoxemia e hipovolemia, que podem ser mascara-dos pelos sedativos; administrar oxignio por mscara facial, cateterde oxignio ou entubao; puncionar uma veia calibrosa para insta-lar venclise; colher material para exame e monitorar os sinais vitaise as eliminaes.

    Nos clientes com nuseas, vmitos e distenso abdominalpode-se passar e manter aberta a sonda nasogstrica. Devido gravi-dade do caso, avaliar freqentemente o nvel de conscincia, sinaisde choque, insuficincia respiratria e cardiovascular.

    A queimadura provoca perda da proteo natural do tecidoepitelial, favorecendo a instalao de infeces e hipotermia. Con-siderando tal fato, o cliente deve ser aquecido para tanto faz-senecessria a colocao de arco de proteo para evitar o peso e ade-rncia dos lenis e cobertores. Em relao infeco, sua proteodecorre da correta utilizao da tcnica assptica e manuteno emisolamento de contato.Na medida do possvel, seu alinhamento cor-poral deve ser mantido, para evitar a cicatrizao com deformidadearticular ou postural.

    1.10 Intoxicao exgena

    Pode ser provocada por ingesto ou inalao de substnciasprejudiciais ao organismo, administrao excessiva de medicamen-tos ou drogas, absoro de substncias pelo tecido epitelial ou pica-das por animais peonhentos nestes casos, absolutamente ne-cessrio administrar o antdoto, a substncia que reverter ou redu-zir os efeitos da toxina (cada toxina tem um antdoto especfico).

    Normalmente, a substncia txica provoca alteraes de vri-os sistemas. As manifestaes neurolgicas so: distrbios mentais,delrio, alucinao, convulso, miose e midrase. No sistemacardiorrespiratrio ocorre dispnia, respirao superficial,bradipnia, taquipnia, apnia, extra-sstole, bradicardia ou taquicardia,hipertenso ou hipotenso arterial. Observa-se, ainda, nuseas, vmi-

    Miose a diminuio dodimetro da pupila.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFtos, alterao no hlito, diarria, sialorria, oligria, anria e, no local,prurido, eritema, edema e necrose.

    A primeira conduta visa impedir ou diminuir a absoro do agen-te txico. Nos casos de ingesto, pode-se administrar carvo vegetalativado - misturado com gua morna - para absorver o veneno, bemcomo induzir o vmito com o xarope de Ipeca, introduzindo-se o dedona garganta e/ou realizando lavagem gstrica pela sonda nasogstrica.

    Na inalao de gases txicos, remover a vtima do local e admi-nistrar oxignio, lavando em gua corrente o local atingido pela absor-o epitelial.

    Concomitantemente, oferecer suporte para as funes vitaismediante a manuteno das vias areas permeveis, oxigenoterapia,observao de comprometimento neurolgico, puno venosa paravenclise, reposio de volume perdido pelas repetidas lavagens gs-tricas e controle da diurese.

    Jamais deve-se provocar o vmito e/ou fazer lavagem gstricanos casos de clientes com diminuio do nvel de conscincia e/ouque ingeriram cidos ou bases fortes (soda custica, limpa-forno,tira-manchas, hipoclorito), hidrocarbonetos (derivados do petr-leo: ter, gasolina, varsol) ou materiais slidos com ponta. Para quais-quer casos de envenenamento absolutamente contra-indicado ofe-recer leite como antdoto.

    Se possvel, deve-se obter informaes sobre o produto txi-co por meio da embalagem ou contato com o Centro de ControleToxicolgico de referncia da rea, para solucionar dvidas. Os cli-entes agitados e confusos devem ficar sob vigilncia, com as gradesda maca ou cama elevadas, e conteno no leito, se necessrio. Acoleta de amostra de sangue e urina para exame toxicolgico deveser realizada de acordo com a prescrio.

    O controle dos sinais vitais e diurese deve ser freqente e vari-ar de acordo com a gravidade do caso. A equipe deve estar atentaaos sinais de choque e, nos casos de PCR, apta a iniciar de imediatoas manobras de reanimao cardiorrespiratria.

    1.11 Picada por animais peonhentos

    Ao picarem, alguns insetos, cobras, aranhas e escorpies ino-culam substncias qumicas que provocam reaes indesejveis.Geralmente, observa-se no local da picada prurido, dor, eritema eedema. Entretanto, nos rgos as reaes so mais graves, gerando re-aes proteoltica (necrose tecidual), hemoltica (destruio dashemcias), anticoagulante (dificuldade na coagulao sangnea),

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    neurotxica (alteraes no sistema nervoso), difusora (favorece a difu-so do veneno) e hipotensora (queda da presso arterial).

    As aes de enfermagem s pessoas acometidas por picadaspor insetos visam diminuir o prurido e a dor e prevenir a instalaode reao anafiltica: edema de glote, dificuldade respiratria, altera-o da conscincia. O ferro desses insetos pode ser removido compina ou raspagem mediante a aplicao de compressas frias no lo-cal e elevao da extremidade afetada. Nos casos mais graves, o cli-ente deve ser encaminhado para atendimento hospitalar onde aequipe de enfermagem administrar a medicao prescrita e prepa-rar o material de emergncia necessrio para os casos de reaoanafiltica.

    No tocante preveno de picadas por animais peonhentos(cobras, aranhas e escorpies), a populao deve ser orientada para,em locais suspeitos, fazer uso de luvas, botas ou sapatos, bem comomanter jardins, quintais e reas prximas limpos e aparados, no in-troduzir as mos em buracos no cho e locais com entulho e ou montesde folhas. Se possvel, o animal causador do acidente deve ser captu-rado e levado junto com o cliente, para correta identificao.

    Logo aps a picada por esses animais, a conduta de primeirossocorros tranqilizar e manter o cliente em repouso, lavar o localferido e encaminh-lo o mais rapidamente possvel a um estabeleci-mento de sade para tratamento adequado.

    A soroterapia especfica o principal tratamento para as pica-das de cobras venenosas e de alguns tipos de aranhas e escorpies.O soro deve ser administrado por via subcutnea, de acordo com asorientaes contidas no rtulo e o grupo a qual pertence o animalpeonhento. Nos casos mais graves, pode ser administrado por viaendovenosa. A administrao de anti-histamnicos pode ser prescri-ta para prevenir reaes alrgicas ao veneno e ao soro.

    No hospital, as caractersticas das reaes devem ser observa-das e monitoradas a freqncia da respirao, os sinais de choque,insuficincia renal aguda e comprometimento neurolgico, prestan-do-se os cuidados especficos para tais intercorrncias.

    1.12 Desmaio

    uma manifestao clnica que ocasiona perda temporria daconscincia. Pode ser causada por hipoglicemia em virtude de jejumprolongado, ambiente pouco ventilado, condies emocionais, al-gumas patologias (arritmia cardaca, por exemplo) ou efeitos colateraisde medicamentos (hipotenso postural provocada por vasodilatadorescoronarianos).

    A maioria das cobras no sovenenosas. No Brasil, existemapenas 4 grupos de cobrasvenenosas: botrpicas (urutu,jararaca, jararacuu),laquticas (surucucu,surucutinga), crotlicas (cas-cavel) e elapdicas (coral ver-dadeira).

    As aranhas e escorpies tam-bm secretam veneno queproduz reaes locais esistmicas. Apesar de a mai-oria da populao acreditarque as aranhascaranguejeiras so as maisperigosas, o seu veneno tempouco efeito sobre o homem.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFOs sinais e sintomas que precedem o desmaio so o

    escurecimento da vista, tontura, palidez, dificuldade para se manterde p ou sentado, desconforto epigstrico, dificuldade respiratria,sudorese fria, pulso fino.

    O quadro clnico caracteriza-se por perda da conscincia, relaxa-mento muscular, palidez, abolio do reflexo palpebral, pulso fino erespirao superficial.

    As condutas de primeiros socorros visam restabelecer aoxigenao cerebral e, desta forma, evitar o desmaio ou amenizarsuas conseqncias. Para evitar o desmaio, o cliente deve ser deitadoem decbito dorsal horizontal, com os MMII ligeiramente elevados;ou sentado em uma cadeira com os braos estendidos entre as per-nas separadas neste caso o profissional deve segurar-lhe a regiooccipital, direcionando-lhe a cabea para baixo e para a frente, confor-me a figura abaixo.

    Quando o cliente apresenta-se desmaiado, a conduta deit-loem local arejado, com a cabea mais baixa em relao ao resto do corpo a qual ser lateralizada para facilitar a respirao e evitar aspirao desecrees; aps o retorno da conscincia, deve ser mantido deitadopor mais um perodo de tempo. Os clientes hipoglicmicos devem seralimentados; os ansiosos, acalmados e os com hipotenso posturalorientados para no se levantarem bruscamente.

    possvel diferenciar o desmaio da histeria a qual manifesta-sepelos mesmos sinais do desmaio: tremor palpebral, respirao profunda

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    Atendimento de Emergncia

    e suspirosa; entretanto, o cliente no melhora com as medidas de pri-meiros socorros, conforme ocorre nos casos de desmaios. sempreconveniente lembrar que estas pessoas, por meio de manifestaes fsi-cas agudas, expressam um sofrimento emocional profundo, requerendocuidados especializados.

    1.13 Convulses

    So alteraes no funcionamento do crebro que provocamcontraes musculares descontroladas. Podem ter vrias causas: fe-bre alta, intoxicao, trauma crnio-enceflico e epilepsia. Antes daconvulso, o cliente pode apresentar alteraes visuais e olfativas;em seguida, h perda da conscincia, enrijecimento do corpo, apnia,contraes musculares violentas e sialorria. Esta fase pode durar atum minuto. Terminada a mesma, ocorre o relaxamento da muscula-tura, podendo ocasionar perda de urina, fezes e um sono reparadornecessrio para o reequilbrio da atividade eltrica cerebral. Ao acor-dar, o cliente pode sentir-se cansado, confuso, com dor de cabea edor em outras partes do corpo machucadas durante a convulso.

    Quando das convulses, o cuidado fundamental proteger ocliente de danos adicionais provocados por quedas e batidas do cor-po em objetos prximos. Durante a crise convulsiva, mantenha ocliente na cama ou no cho, afrouxe suas roupas e afaste ou acol-choe os objetos ao redor. No o segure limitando os movimentosdas contraes musculares; administre as medicaesanticonvulsivantes prescritas e aguarde-o acordar naturalmente. Apso despertar, tranqilize-o e informe-o do ocorrido. Verifique poss-veis leses na lngua ou mesmo quebra de dente.

    Devido ao trismo, no indicada a introduo de qualquerobjeto entre a arcada dentria superior e inferior do cliente visandoproteger-lhe a lngua (tira de pano, por exemplo). Esta prtica pe-rigosa, pois ele pode aspirar o(s) objeto(s) introduzido(s) na boca ecausar danos nos dentes e/ou lngua.

    1.14 Insolao

    Quando a temperatura ambiente igual ou maior que a corpo-ral, o organismo aumenta a transpirao para provocar perda de ca-lor, refrescar a pele. Quando no existe reposio de gua eeletrlitos, perde a capacidade de transpirar, o que provoca exaustotrmica e insolao.

    Sialorria a produo ex-cessiva de saliva.

    Trismo a contrao damusculatura da regiotemporo-mandibular.

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    PPPPP EEEEEAAAAARRRRROOOOOFFFFFGeralmente as principais causas da insolao e exausto pelo ca-

    lor so a exposio prolongada aos raios solares e/ou o trabalho mus-cular excessivo em um ambiente desfavorvel.

    As manifestaes clnicas so vertigem, fadiga, cefalia, cibrasmusculares, nuseas e vmitos, hipertermia, hipotenso arterial; deve-se sempre estar atento, pois a insolao pode evoluir para o choque ecoma.

    As aes de enfermagem na rea preventiva consistem em ori-entar a populao para proteger-se do sol, manter-se em local frescoe arejado, usar roupas leves e ingerir lquidos vontade.

    Ante um quadro de insolao, as condutas de primeiros socor-ros recomendam remover o cliente para local fresco e arejado, dimi-nuir sua temperatura corporal (borrifando-lhe gua na pele, fazendo-lhe compressas frias) e oferecer-lhe lquidos, se estiver consciente.

    No hospital, o cliente deve ser deitado em decbito dorsal,com os MMII ligeiramente elevados. Sua maca ou cama deve ficarposicionada em local arejado; somente aps esses cuidados deve-serealizar a reposio hidroeletroltica por VO e/ou EV (contra-indi-ca-se a VO nos clientes com queixas de nuseas e vmitos), dimi-nuir a temperatura corporal e iniciar oxigenoterapia, se necessria.Deve-se sempre estar atento para prestar cuidados especficos noscasos de choque e coma.

    Existem controvrsias em relao a imergir o cliente em guafria, em vista do perigo de vasoconstrio perifrica e conseqentereduo da perda de calor pelo organismo. Para acelerar a perda decalor, podem ser colocados ventiladores em sua proximidade.

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    Atendimento de Emergncia

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