Boas prticas agrcolas para aumento da produtividade e qualidade ...

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  • Boas prticas agrcolas para aumento da produtividade e qualidade da pimenta-do-reino no Estado do Par

    Oriel Filgueira de LemosClia Regina TremacoldiMarli Costa PoltronieriEditores Tcnicos

  • Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEmbrapa Amaznia Oriental

    Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

    EmbrapaBraslia, DF

    2014

  • Exemplares desta publicao podem ser adquiridos na:

    Embrapa Amaznia OrientalTv. Dr. Enas Pinheiro, s/n. Caixa Postal 48.CEP 66017-970 - Belm, PA.Fone: (91) 3204-1000Fax: (91) 3276-9845www.cpatu.embrapa.brcpatu.sac@ embrapa.br

    Unidade responsvel pelo contedo e pela edioEmbrapa Amaznia Oriental

    Comit Local de PublicaoPresidente: Silvio Brienza JniorSecretrio-Executivo: Moacyr Bernardino Dias-FilhoMembros: Jos Edmar Urano de Carvalho Mrcia Mascarenhas Grise Orlando dos Santos Watrin Regina Alves Rodrigues Rosana Cavalcante de Oliveira

    Reviso TcnicaAlfredo Kingo Oyama Homma Embrapa Amaznia OrientalJoo Elias Lopes Fernandes Rodrigues Embrapa Amaznia Oriental

    Superviso editorial e copidesqueLuciane Chedid Melo Borges

    Reviso de textoNarjara de Ftima Galiza da Silva Pastana

    Normalizao bibliogrficaLuiza de Marillac P. Braga Gonalves

    Projeto grfico, tratamento de imagens, capa e editorao eletrnicaVitor Trindade Lbo

    1 edio1 impresso (2014): 5.000 exemplares

    Todos os direitos reservados.A reproduo no autorizada desta publicao, no todo ou em parte,

    constitui violao dos direitos autorais (Lei n 9.610).

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)Embrapa Amaznia Oriental

    Boas prticas agrcolas para aumento da produtividade e qualidade da pimenta-do-reino no Estado do Par / editores tcnicos, Oriel Filgueira de Lemos, Clia Regina Tremacoldi, Marli Costa Poltronieri. Braslia, DF : Embrapa, 2014.52 p. : il. color. ; 15 cm x 21 cm.

    ISBN 978-85-7035-305-4

    1. Pimenta-do-reino. 2. Produo. 3. Qualidade. I. Lemos, Oriel Filgueira de. II. Tremacoldi, Clia Regina. III. Poltronieri, Marli Costa. IV. Embrapa Amaznia Oriental.

    CDD 21. ed. 633.848115

    Embrapa 2014

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    Alessandra de Jesus BoariEngenheira-agrnoma, doutora em Fitopatologia, pesquisadora

    da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.

    alessandra.boari@embrapa.br

    Alysson Roberto Baizi e SilvaEngenheiro-agrnomo, doutor em Produo Vegetal, pesquisador

    da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.

    alysson.silva@embrapa.br

    Antnio Jos Elias Amorim de MenezesEngenheiro-agrnomo, doutor em Sistemas de Produo Agrcola

    Familiar, analista da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.

    antonio.menezes@embrapa.br

    Clia Regina TremacoldiEngenheira-agrnoma, doutora em Fitopatologia, pesquisadora

    da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.

    celia.tremacoldi@embrapa.br

    Marli Costa PoltronieriEngenheira-agrnoma, mestre em Gentica e Melhoramento de

    Plantas, pesquisadora da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.

    marli.poltronieri@embrapa.br

    Oriel Filgueira de LemosEngenheiro-agrnomo, doutor em Gentica e Melhoramento de

    Plantas, pesquisador da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.

    oriel.lemos@embrapa.br

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    Snia Maria BotelhoEngenheira-agrnoma, mestre em Cincia do Solo, pesquisadora

    da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.

    sonia.botelho@embrapa.br

    Vincius Ide FranziniEngenheiro-agrnomo, doutor em Solos e Nutrio de Plantas,

    pesquisador da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.

    vinicius.franzini@embrapa.br

    Walkymrio de Paulo LemosEngenheiro-agrnomo, doutor em Entomologia, pesquisador da

    Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.

    walkymario.lemos@embrapa.br

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    No mundo globalizado da agricultura, a pimenta- -do-reino tem ocupado lugar de destaque como a principal especiaria comercializada para atender a indstria alimentcia, medicinal, perfumaria e cosmtica.

    O Brasil se destaca como um dos principais pases produtor e exportador dentro do grupo dos pases asiticos, tais como ndia, Indonsia, Malsia, Vietn e Sri Lanka. O Par o maior produtor dentre os estados brasileiros, com cerca de 90% da produo, cuja produtividade e longevidade das plantas tem sido reduzidas pelo ataque da fusariose e de viroses (CMV e PYMoV).

    A competitividade do produto brasileiro no mercado internacional est relacionada qualidade da pimenta-do-reino produzida, livres de contaminantes fsicos, qumicos e biolgicos, e aos custos de produo compatveis para que tenha viabilidade econmica. uma cultura tpica de pequenos produtores, com a maioria das reas de cultivo inferior a 3 ha.

    Considerando a exigncia do mercado internacional quanto qualidade do produto e para aumentar a produtividade e a longevidade, a Embrapa Amaznia Oriental preparou essa cartilha com as boas prticas agrcolas para o cultivo da pimenteira-do-reino contemplando as principais tecnologias disponibilizadas, como o uso de tutor vivo, principais cultivares, escolha e preparo de rea, preparo de mudas, nutrio e adubao das plantas, identificao e controle de doenas causadas por fungos, controle da fusariose com nim indiano,

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    identificao de doenas causada por vrus, ataque de insetos-praga e controle, prticas e cuidados na colheita e ps-colheita.

    Todas essas prticas e cuidados adotados pelos produtores permitiro o aumento da produtividade para acima de 2 kg de pimenta--preta por planta, uma longevidade acima de 6 anos de ciclo econmico produtivo, associada a um produto disponibilizado pelo Brasil no mercado internacional livres de contaminantes, tornando o Brasil mais competitivo, gerando mais divisas, o que garantir o emprego direto de pelo menos 20 mil pessoas no campo durante o ano todo e mais de 60 mil durante o perodo da colheita, e causando grande impacto econmico e social na cadeia produtiva da pimenta-do-reino, considerada o produto de maior liquidez dentre todos os produtos agrcolas e o principal da pauta de exportao do Estado do Par.

    Portanto, essa cartilha vem atender de uma forma simples e objetiva as principais prticas agrcolas a serem adotadas para implantao de um pimental e o manejo da cultura para elevar a produtividade das plantas associada ao aumento da longevidade. Ressaltam-se os cuidados e higiene na colheita, manipulao do produto e armazenamento, para que o Brasil oferea um produto de elevada qualidade e conquiste novos mercados.

    Adriano VenturieriChefe-Geral da Embrapa Amaznia Oriental

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    Cultivares

    Produo de mudas

    rea de plantio, calagem e adubao

    Tutor vivo com gliricdia

    Doenas causadas por fungos

    Controle da fusariose com nim indiano

    Viroses

    Insetos associados a cultivos de pimenta-

    -do-reino

    Colheita e beneficiamento

    Ps-colheita e armazenamento

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    Embora as cultivares de pimenta-do-reino no apresentem resistncia a doenas, importante diversificar no campo, evitando a uniformidade gentica com a utilizao de uma nica cultivar.

    Apra Apresenta folhas largas com 8,88 cm de largura e comprimento mdio de 13,8 cm, espigas longas com comprimento mdio de 12 cm, contendo vrias fileiras de frutos grados (0,53 cm de dimetro). No terceiro ano, quando cultivada a pleno sol, a planta apresenta forma cilndrica, com ramos de crescimento contendo razes adventcias bem desenvolvidas que saem da regio dos ns. Os brotos jovens apresentam colorao violeta. As inflorescncias apresentam floretas 100% hermafroditas.

    Lembre-se:

    Para qualquer cultivar, as mudas devem ser provenientes de plantas matrizes bem formadas, vigorosas e livres de pragas e doenas.

    Composio qumica: 5,41% de leos essenciais, 14,8% de oleorresina, 8,97% de resina, 55,06% de piperina e 15,76% de outros compostos.

    Maturao: tardia, entre os meses de setembro a novembro, podendo se estender at dezembro.

    Produo mdia: 3,5 kg de pimenta-preta/planta.

    Indicada para cultivo em sistemas consorciados principalmente com frutferas (cacau, cupuau), espcies arbreas (ing) e algumas essncias florestais (mogno).

    Bragantina Conhecida tambm como Panniyur, denominao da cultivar original na ndia, apresenta plantas com folhas largas, em forma de corao, espigas muito longas, com comprimento mdio de 14 cm, flores 100% hermafroditas, que favorecem o enchimento das espigas, frutos grados e colorao verde-clara dos brotos novos dos ramos de crescimento.

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    Cingapura Aps 3 anos, apresenta plantas com formato cilndrico, folhas pequenas e estreitas, espigas curtas, comprimento mdio de 7 cm, frutos de tamanho mdio. Nos dois primeiros anos, apresenta bom desenvolvimento de ramos de crescimento, que se caracterizam por apresentar brotaes de cor roxa.

    Guajarina conhecida na ndia como cultivar Arkulam Munda. As plantas adultas apresentam formato cilndrico, folhas alongadas e de tamanho mdio, espigas longas, comprimento mdio de 12 cm, com 90% de flores hermafroditas, bom enchimento de frutos nas espigas, frutos esfricos e grados. Nos ramos ortotrpicos, apresenta broto de colorao violeta.

    Composio qumica: 4,75% de leos essenciais, 14,01% de oleorresina, 10,06% de resina, 41,56% de piperina e 29,62% de outros compostos.

    Maturao: final do ms de julho at outubro.

    Produo mdia: 3 kg de pimenta-preta/planta.

    Recomendada para locais mais chuvosos e solos ricos com maior reteno de umidade.

    Composio qumica: 2,37% de leos essenciais, 8,37% de oleorresina, 6,00% de resina, 69,09% de piperina e 14,17% de outros compostos.

    Maturao: julho a outubro.

    Produo mdia: em torno de 2,5 kg de pimenta-preta/planta a partir do terceiro ano.

    Recomendada para condies de solos de textura mdia com boa drenagem.

    Composio qumica: 4,22% de leos essenciais, 11,28% de oleorresina, 7,06% de resina, 39,37% de piperina e 38,07% de outros compostos.

    Maturao: julho a outubro.

    Produo mdia: 3 kg de pimenta-preta/planta.

    Indicada para locais com perodos de estiagem definidos e solos bem drenados, sem ocorrncia de murcha-amarela, para a qual apresenta alta susceptibilidade. Fo

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    IaarAos 3 anos aps o plantio, as plantas bem formadas apresentam formato cilndrico. As brotaes dos ramos ortotrpicos so de tonalidade violeta. As folhas so estreitas, de tamanho mdio. As flores so hermafroditas em sua maioria. As espigas apresentam comprimento mdio de 9 cm, repletas de frutos quando cultivada em condies ambientais favorveis. Apresenta casca dos frutos espessa.

    Kottanadan Aos 3 anos de idade, em cultivo a pleno sol, apresenta formato cilndrico e ramos ortotrpicos vigorosos, emitindo razes de sustentao bem desenvolvidas. As plantas adultas, aps sofrerem podas nos ramos ortotrpicos, demoram a lanar novas brotaes. As brotaes apresentam tonalidade violeta. As folhas so largas, de tamanho mdio. As espigas apresentam comprimento mdio de 13 cm, com boa formao de frutos e enchimento de espiga. Os frutos apresentam-se em forma esfrica de tamanho mdio.

    Composio qumica: 3,48% de leos essenciais, 10,03% de oleorresina, 6,85% de resina, 45,09% de piperina e 34,55% de outros compostos.

    Maturao: agosto a outubro.

    Produo mdia: 2,6 kg de pimenta-preta/planta.

    Recomendada para cultivos em rea de solo de textura mdia de boa drenagem.

    Composio qumica: 5,33% de leos essenciais, 12,70% de oleorresina, 7,37% de resina, 56,16% de piperina e 28,44% de outros compostos.

    Maturao: agosto a novembro.

    Produo mdia: 3,2 kg de pimenta-preta/planta.

    Recomendada para reas de solo de textura mdia com boa drenagem.

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    Kuthiravally Apresenta folhas largas e compridas, espigas longas, com comprimento mdio de 12 cm e extremidade recurvada repleta de frutos grados (0,49 mm de dimetro). Em cultivo a pleno sol, a partir do terceiro ano, a planta apresenta arquitetura em formato cilndrico, com ramos de crescimento contendo razes adventcias bem desenvolvidas saindo da regio dos ns. Os brotos dos ramos de crescimento so de colorao violeta.

    Composio qumica: 5,7% de leos essenciais, 11,65% de oleorresina, 5,98% de resina, 56,39% de piperina e 20,28% de outros compostos.

    Maturao: setembro a novembro.

    Produo mdia: 3,2 kg de pimenta-preta/planta.

    Pode ser cultivada em solos de textura mdia, drenados, podendo ser utilizada em sistemas de consrcio com frutferas, espcies arbreas e algumas essncias florestais. Responde com boa produo em sombreamentos de 50% a 60%.

    Principais caractersticas das cultivares

    Cultivares

    EspigasRendimento

    mdio pimenta-

    -preta(kg/ha)

    Ciclo dematurao

    Resistncia murcha- -amarelaTamanho

    (cm)Peso (g)

    N de frutos

    Apra 12 14 78 3.100 Setembro/novembro Alta

    Bragantina 14 14 77 2.700 Junho/outubro Mdia

    Cingapura 8 6 27 2.300 Junho/outubro Alta

    Guajarina 12 12 68 2.900 Junho/outubroSem

    resistncia

    Iaar 10 8 40 2.500 Setembro/novembro Alta

    Kottanadan 11 12 54 2.800 Setembro/novembro Alta

    Kuthiravally 12 13 75 2.700 Setembro/novembro Alta

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    Para a produo de mudas de pimenteira-do-reino com qualidade, muito importante escolher plantas livres de pragas e doenas e com bom desenvolvimento vegetativo. A rea para instalao do matrizeiro geralmente a pleno sol, devendo o solo ser bem drenado, ligeiramente inclinado, prximo de fonte de gua localizada na propriedade.

    A produo de mudas de pimenteira-do-reino para comercializao deve obedecer s normas e padres estabelecidos pelo Ministrio da Agricultura, da Pecuria e Abastecimento (Mapa).

    Seleo e obteno de plantas matrizes

    Figura 1. Plantas matrizes doadoras de material para propagao via estaquia.

    Lembre-se:

    O uso de estacas semilenhosas no recomendado, pois resulta na desuniformidade e perda das plantas no primeiro ano de cultivo.

    Uma forma muito eficiente de produo de plantas matrizes vigorosas e com controle sanitrio por meio da conduo das plantas em espaldeiras, utilizando miniestaces (1,5 m a 2 m) em ambiente protegido contra pragas, coberto com plstico. Se possvel, utilizar tela antiofdica. As estacas produzidas nessas condies so do tipo herbceas, para produo das mudas.

    As plantas matrizes (Figura 1) que iro fornecer material vegetativo para a produo de mudas podem ser originadas de estacas semilenhosas contendo 3 a 5 ns ou herbceas com 2 a 3 ns, previamente enraizadas.

    J a produo de estacas herbceas melhor porque reduz a perda de material vegetativo no campo, permite a formao de pimentais mais uniformes e elimina a necessidade de capao (eliminao da primeira florao) e de poda de formao.

    As estacas devem ser retiradas de pimentais sadios, vigorosos, livres de sintomas de deficincias nutricionais.

    Foto: Oriel Filgueira de Lemos.

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    No recomendado o corte de plantas em fase de florao e frutificao, pois no h emisso de razes ou, quando ocorre, as plantas resultantes so muito fracas pela falta de reserva das estacas nesse estdio da planta. As estacas herbceas so obtidas de plantas a partir de 8 meses, com o corte a 50 cm acima do solo. As estacas devem ser cortadas deixando uma folha presa ao n em sua extremidade. As plantas matrizes devem ser renovadas a cada 3 anos.

    Enraizamento das estacas / viveirosAs estacas so enraizadas em propagadores em forma de canteiros, utilizando substrato de areia branca, casca de arroz carbonizada ou vermiculita (Figura 2). Os propagadores devem ser cobertos com folhas de palmeiras e regados diariamente, sempre evitando o encharcamento do substrato, para no provocar o apodrecimento das razes e a morte das estacas. As estacas so colocadas ligeiramente inclinadas ou na horizontal, enterrando-se os dois ns e deixando-se a folha de fora (Figura 3). Se a folha for grande, recomendado reduzir o tamanho pela metade, para diminuir a transpirao. As mudas devem permanecer durante 20 a 30 dias nos propagadores e, quando as estacas comearem a brotar, feito o transplantio para sacolas, nas quais devem permanecer por aproximadamente 30 dias (Figura 4). Em viveiros comerciais, as estacas herbceas permanecem apenas 15 dias nas cmaras de enraizamento, tempo suficiente para a emisso de novas razes na regio nodal. Aps esse perodo, as estacas enraizadas so transplantadas para sacos plsticos pretos perfurados (27 cm x 17 cm x 0,10 cm), cheios com terra da mata e matria orgnica na proporo de 3:1.

    Figura 2. Cmara mida. Substrato: a) vermiculita; b) areia lavada; c) casca de arroz carbonizada.

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    Foto: Oriel Filgueira de Lemos.

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    Figura 3. Experimento em blocos ao acaso. Estacas de sete cultivares de pimenteira-do-reino.

    Figura 4. Razes formadas em diferentes substratos aps 30 dias de cultivo em cmara mida. a) vermiculita; b) areia lavada; c) casca de arroz carbonizada.

    Os viveiros so construdos com moires de madeira, cobertos e protegidos lateralmente com sombrite com 50% de luminosidade. Recomenda-se utilizar sistema de irrigao por microasperso. As plantas permanecem nos viveiros durante 2 a 6 meses antes de serem entregues aos produtores.

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    Foto: Oriel Filgueira de Lemos.

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    Manuteno das mudasPara manter o vigor e o bom estado sanitrio das mudas, so necessrios tratos culturais, como capina, rega diria, uso de adubao foliar, controle de doenas, como antracnose e mofo-branco, e de pragas, principalmente pulges e cochonilhas, que so transmissores de vrus.

    Corte das plantas matrizes para produo de mudasQuando as plantas atingem 1,20 m de altura, so cortadas 50 cm acima do solo. Os ramos retirados so cortados em estacas contendo 2 ns e uma folha, seguindo-se todo o processo para produo de mudas, que o mesmo para plantio comercial.

    No primeiro ano de cultivo, cada planta matriz produz 20 estacas e, a partir do segundo ano, 30 a 40 estacas. Nas plantas, so efetuadas apenas trs cortes, ou seja, aps cada perodo de 3 anos deve ser instalado um novo matrizeiro.

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    Para o cultivo da pimenteira-do-reino, fundamental a escolha de uma rea adequada, pois a plantao dever permanecer no campo por muito tempo, geralmente mais de 5 anos. Outro aspecto relevante que a pimenteira-do-reino necessita de grandes quantidades de nutrientes para crescer e obter altas produtividades, por isso os solos cidos e pobres em nutrientes precisam de calagem e adubao, que devem ser baseadas na anlise de solo.

    rea de plantioO terreno precisa ser plano a levemente inclinado, pois favorece a conservao do solo, facilita a demarcao das linhas de plantio, os tratos culturais e a colheita, alm de propiciar um trnsito seguro de tratores e implementos nos carreadores (Figura 1).

    Figura 1. Terreno levemente inclinado para plantio de pimenteira-do-reino.

    Foto: Vincius Ide Franzini

    Solos de textura mdia so os mais indicados, pois no secam to rpido quanto os arenosos e no encharcam to facilmente quanto os argilosos, mantendo a umidade razoavelmente uniforme por mais tempo. Os solos tambm devem ser bem drenados, evitando-se reas de baixada ou com lenol fretico prximo da superfcie. No recomendado instalar a plantao em solos pedregosos, principalmente naqueles com muita piarra.

    Se possvel, a deciso final pela escolha da rea deve ser apoiada na anlise de solo, que vai determinar a textura do solo e a viabilidade inicial do investimento, com base na necessidade de recursos financeiros para aquisio de calcrio e adubos.

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    CalagemA calagem deve ser realizada de modo a elevar a saturao por bases a 60%. A dose de calcrio pode ser calculada utilizando-se esta frmula:

    em que DC a dose de calcrio a ser aplicada, expressa em t ha-1; V a saturao por bases indicada na anlise de solo, expressa em %; CTC a capacidade de troca de ctions a pH 7 indicada na anlise de solo, expressa em cmolc dm

    -3; e PRNT o poder relativo de neutralizao total do calcrio, expresso em %. Se o teor de magnsio (Mg) do solo estiver abaixo de 0,7 cmolc dm

    -3, deve-se utilizar calcrio com teor de MgO superior a 12 %. Aplicar o calcrio na superfcie do terreno e incorpor-lo ao solo a 20 cm de profundidade.

    AdubaoAs adubaes de plantio, formao e produo devem ser realizadas com o auxlio da Tabela 1.

    Tabela1. Recomendao de adubao para a pimenteira-do-reino.

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    P no solo (mg dm-3)(1) K no solo (mg dm-3)(1)

    0-10 11-20 >20 0-40 41-90 >90

    (g planta-1) P2O5 (g planta-1) K2O (g planta

    -1)

    1 ano 25 20 10 5 25 15 10

    2 ano 50 40 20 10 50 30 15

    3 ano 75 60 30 15 75 45 25

    4 ano ou mais 90 80 40 20 90 60 30

    (1) Extrator Mehlich 1.Fonte: Oliveira e Nakayama (2010)

    Em solos com teor de Mg menor que 0,7 cmolc dm-3, aplicar sulfato de

    magnsio na dose correspondente a um tero da dose de cloreto de potssio (KCl).

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    recomendado aplicar um adubo nitrogenado ou fosfatado contendo enxofre (S), que pode ser o sulfato de amnio ou superfosfato simples, respectivamente.

    Adubao de plantioAplicar por cova:

    Misturar os adubos com a terra da camada superficial para preencher a cova e esperar no mnimo 10 dias para proceder ao plantio.

    Adubao de formao

    Primeiro anoAplicar a dose de N e K2O recomendada na Tabela 1. Dividir em trs partes iguais as doses de N e K2O e aplic-las, respectivamente, aos 30, 60 e 90 dias aps o plantio das mudas. Aplicar os adubos em meio crculo na frente do tronco da planta, a cerca de 25 cm (Figura 2), cobrindo-se a mistura dos adubos com terra.

    Figura 2. Local de aplicao do adubo.

    Foto: Alysson Roberto Baizi e Silva

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    Segundo ano No incio do perodo chuvoso, aplicar por planta a dose total de P2O5 e um tero das doses de N e de K2O, como indicado na Tabela 1, e 10 L de esterco de curral curtido ou 5 L de cama de avirio curtida ou 2 L de torta de mamona. Aplicar os adubos em cobertura ao redor das plantas, no limite das razes, cobrindo-os com terra. Aplicar os dois teros restantes de N e de K2O aos 45 e 90 dias aps a primeira adubao de modo semelhante.

    Adubao de produo

    A partir do terceiro anoRepetir a dose de adubo orgnico (esterco de curral curtido, cama de avirio curtida ou torta de mamona) do segundo ano e aplicar as doses de N, P2O5 e K2O, de acordo com a Tabela 1, repetindo-se o parcelamento e modo de aplicao do segundo ano.

    muito importante monitorar a fertilidade do solo e a nutrio das plantas pela realizao peridica de anlises de solo e de planta. Caso seja detectada alguma deficincia nutricional, uma nova adubao dever ser realizada. Se a deficincia for de micronutrientes, recomendada a adubao foliar.

    RefernciaOLIVEIRA, R. F. de; NAKAYAMA, L. H. I. Pimenta-do-reino. In: CRAVO, M. da S.; VIGAS, I. de J. M.; BRASIL, E. C. (Ed.). Recomendaes de adubao e calagem para o Estado do Par. Belm, PA: Embrapa Amaznia Oriental, 2010, pt. 3, cap. 4, p.175-177.

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    A pimenta-do-reino uma cultura de grande expresso econmica e social na regio Norte, principalmente no Estado do Par. Na dcada de 1980, alguns sistemas de produo foram propostos de forma a atender as principais demandas das regies produtoras at o ano 2000.

    Ao longo desse perodo, diversas tecnologias foram geradas pelas instituies de pesquisas, transferidas e adotadas pelos produtores. Uma das tecnologias geradas e desenvolvidas pela Embrapa Amaznia Oriental, j utilizada por agricultores da regio, o plantio de pimenteira-do-reino em tutor vivo com o uso de gliricdia Gliricidia sepium L. (Figura 1).

    Apresentamos aqui alguns pontos prticos para implantao dessa tecnologia.

    Para o plantio de pimenta--do-reino com tutor vivo, o agricultor deve escolher a rea e o tipo de solo com as seguintes caractersticas:

    Terreno plano com suave declividade, entre 3 e 10 graus (Figura 2).

    Textura do solo franco-argilosa ou franco-arenosa.

    pH do solo de 5,0 a 6,5. Boa drenagem, sem ocorrncia de encharcamento.

    Para melhorar o local onde o solo franco-argiloso e encharcado, pode-se fazer drenos antes no incio da poca chuvosa.

    Figura 1. Plantio de pimenteira-do-reino em tutor vivo com o uso de gliricdia.

    Figura 2. Terreno plano com suave declividade para plantio de pimenta-do-reino.

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    Figura 3. a) rea matriz de gliricdia;b) Abertura de cova para plantio de pimenta- -do-reino com tutor vivo de gliricdia.

    Figura 4. Utilizao de serra de poda fixada em vara longa de madeira para retirada de

    galhos altos.

    Tutor VivoEstabelecimento da matrizPara conseguir as estacas eretas e compridas do tutor vivo, recomenda--se estabelecer uma rea matriz de gliricdia (Figura 3A).

    A estaca de gliricdia para a produo de mudas deve ter de 1,0 m a 1,5 m de comprimento. As covas devem ter 50 cm de profundidade e espaamento no campo das matrizes de 2 m x 2 m (Figura 3B). Esse trabalho tambm deve ser feito antes do incio da

    Fotos: Antnio Jos de Menezes

    Foto: Eduardo Kodama

    poca chuvosa (novembro).

    Manejo adequado dos galhos para formao do tutor vivoSe tiver muito galhos altos no tutor vivo, a gliricdia tende a inclinar-se e, com isso, ocorre o tombamento dos galhos. Para evitar esse problema, preciso manejar o tutor vivo com poda peridica na poca chuvosa.

    Quando no houver galho ereto, deve-se amarrar e podar at o tutor vivo ficar no ponto ideal. Se a estaca quando crescer continuar inclinada ou tombar com frequncia, ela deve ser substituda.

    As ferramentas utilizadas para realizar a limpeza e retirar os galhos mais altos so serra de poda ou terado, com auxlio de um cavalete. Outra opo colocar uma serra de poda em uma vara longa de madeira para facilitar a retirada dos galhos, evitando o uso da escada (Figura 4).

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    Manejo no primeiro anoAps o plantio das estacas de gliricdia, no incio do perodo chuvoso, no se deve retirar os brotos at completar 40 dias, para que enraze e engrosse bem o tronco. Aps esse perodo, retirar os galhos e brotos, deixando trs ou quatro galhos acima do tronco (Figura 5). Se os brotos estiverem herbceos, use as mos; se estiverem semilenhosos, utilize a tesoura de poda ou faca.

    Manejo no segundo anoNo final de dezembro ou incio de janeiro, quando comear a poca chuvosa, deve-se cortar todos os galhos do tutor vivo, deixando-o mais ereto, para aumentar a altura do tutor (Figura 6). Os galhos grossos podados podero ser utilizados como tutor vivo para outros plantios.

    Deve-se podar o tutor no ponto de 2,5 m a 3 m de altura, sendo a primeira poda e retirada de galhos e brotos realizada nos meses de fevereiro e maro (quando comear a sombrear a pimenteira-do-reino), e a segunda, nos meses de abril ou maio (na poca chuvosa).

    Figura 5. Estacas de gliricdia aps limpeza e retirada de galhos e brotos.

    Figura 6. Tutor vivo aps poda.

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    Plantio das mudas de pimenteira-do-reino e adubao bsicaO plantio deve ser realizado no incio do perodo chuvoso, correspondente aos meses de janeiro e fevereiro, em covas abertas com dimenses de 40 cm x 40 cm x 40 cm, com 10 cm de distncia do tutor (Figura 7), 30 dias aps a adubao bsica, que consiste na mistura da terra preta superficial do solo, com 200 g de Yoorin e 500 g de torta de mamona. As mudas para o processo de aclimatao inicial necessitam ser cobertas temporariamente com folhas de palmeiras e conduzidas ao tutor por meio de amarrio.

    Amarrio da muda de pimenteira-do-reino ao tutor vivoO primeiro amarrio deve ser realizado logo aps o plantio da muda ou 1 ms depois. Essa prtica deve continuar at que a planta atinja a estaca. Aps 6 meses do amarrio, quando o tutor vivo engrossar e o fio apertar o tronco, deve-se cortar o fio e amarrar novamente.

    O ramo de crescimento deve ser amarrado ao tutor com + 45 de inclinao. Se estiver com menos de 45de inclinao, colocar um suporte para manter a posio (Figura 8).

    Figura 7. Covas abertas para plantio de pimenteira-do-reino com tutor vivo de gliricdia.

    Figura 8. Terreno plano com suave declividade para plantio de pimenta-do-reino.

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    As doenas mais comuns em pimenta-do-reino so:

    podrido-das-razes ou fusariose murcha-amarela queima-do-fio antracnose

    A fusariose a principal doena, embora avance mais lentamente no plantio, principalmente por diminuir a produo e a vida til dos pimentais. A murcha-amarela, embora ocorra apenas em algumas cultivares, pode levar um pimental morte em pouco tempo, por disseminar-se rapidamente entre as plantas.

    J a queima-do-fio e a antracnose no chegam a causar perdas significativas de produo, mas a antracnose ainda pode causar desfolha acentuada e consequente perda de plantas em viveiros de mudas.

    Podrido-das-razesMais conhecida como fusariose, a podrido-das-razes uma doena grave, que pode trazer muitos danos para um pimental, com reduo anual de 3% da rea cultivada e da produo.

    Um pimental sadio tem uma vida til de 12 anos ou mais. Com fusariose, essa vida til no passa de 5 ou 6 anos. Isso dificulta muito a manuteno do pimental, principalmente para os pequenos produtores ou agricultores familiares, que no tem o retorno devido pelo alto investimento feito no plantio, pois no h cultivares comerciais resistentes nem controle qumico eficaz para a doena.

    Fungo causador: Fusarium solani f. sp. piperis.

    Tambm conhecida como fusariose.

    Prejuzo anual: 10 milhes de dlares e reduo de 3% da rea cultivada.

    Diminui a vida til do pimental de 12 para 5 ou 6 anos.

    No h cultivares comerciais resistentes, nem controle qumico eficaz.

    O perodo chuvoso favorece a multiplicao do fungo e a contaminao de plantas vizinhas.

    SintomasA infeco da fusariose geralmente comea pelas razes mais jovens e secundrias de plantas com mais de 2 anos de idade. Com o apodrecimento

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    das razes, comeam a aparecer os sintomas mais visveis, como o amarelecimento e a murcha das folhas, que caem no solo ou necrosam e ficam aderidas ao estaco (Figura 1).

    Como o perodo chuvoso favorece a fusariose, nas condies paraenses de cultivo comum as plantas morrerem depois de 2 ou 3 anos com a doena.

    No estgio avanado, a podrido alcana o colo da planta, ficando visvel o escurecimento dos tecidos internos do caule (Figura 2).

    Preveno e controleNo existe controle qumico eficiente para a fusariose no campo e tambm no h cultivares resistentes doena. Por isso, muito importante adotar algumas medidas no plantio dos pimentais, como:

    Figura 1. Pimenteira-do-reino exibindo sintomas de desfolha e necrose das folhas, decorrentes da podrido das razes causada por Fusarium solani

    f. sp. piperis.

    Figura 2. Sintoma de podrido do colo em pimenteiras-do-reino, observado quando a podrido--das-razes (Fusarium solani f. sp. piperis) est em estgio avanado.

    Utilizar estacas ou mudas de plantas comprovadamente sadias ou vindas de viveiros credenciados pelo Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa). Se as mudas estiverem contaminadas, a perda poder ser total ainda no primeiro ano aps o plantio, pois a infeco em razes jovens muito mais agressiva.

    Em terrenos planos ou em baixadas, deve ser evitado o encharcamento do solo, que, por si s, causa o apodrecimento das razes e pode agravar a infeco pelo patgeno.

    Durante as capinas e outros tratos culturais, preciso evitar ao mximo o ferimento das razes localizadas nas camadas mais superficiais de solo, para que o processo de infeco no seja acelerado, sendo recomendvel a manuteno da cobertura vegetal, viva ou morta, nas entrelinhas.

    No existe tratamento para recuperar uma pimenteira com podrido-das-razes. Uma vez doente, a planta deve ser retirada e queimada fora do pimental, para diminuir a disseminao do patgeno na rea.

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    Figura 3. Sintomas observados na parte area de pimenteira--do-reino, cultivar Guajarina, como desfolha, murcha e amarelecimento das folhas, tpicos da murcha-amarela, causada por Fusarium oxysporum.

    Figura 4. Sintomatologia tpica da murcha-amarela (Fusarium oxysporum) nos ramos da cultivar Guajarina, que mostram-se metade verdes e metade enegrecidos, pela necrose dos tecidos.

    Murcha-amarelaA murcha-amarela tambm pode causar srios prejuzos produo de pimenta-do-reino, principalmente para os produtores de pimenta-branca que utilizam a cultivar Guajarina, que no resistente doena.

    Fungo causador: Fusarium oxysporum.

    Pode causar srios danos produo.

    Ocorre em qualquer poca do ano.

    No Par, ocorre apenas nas cultivares Guajarina e Bento.

    SintomasOs principais sintomas da murcha-amarela so a descolorao do caule e dos ramos e o amarelecimento e a queda das folhas (Figura 3). Isso acontece porque o fungo penetra na planta pelas razes e chega aos vasos condutores, obstruindo a passagem de gua e nutrientes.

    Tambm aparecem leses triangulares nos ramos, na regio dos ns, necrosando apenas um lado da haste, ficando metade verde e metade enegrecida (Figura 4).

    Esses sintomas so observados, normalmente, em plantas com mais de 2 anos de idade, em qualquer poca do ano, e as plantas severamente atacadas chegam a morrer. No Par, essa doena ocorre apenas em plantios das cultivares Guajarina e Bento.

    Preveno e controleO primeiro passo para a preveno da murcha-amarela o plantio de mudas sadias. Evitar o encharcamento na base das plantas tambm muito importante, durante todo o ciclo da cultura. Como apenas as cultivares Guajarina e Bento tm

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    apresentado a doena no campo, pode ser dada preferncia para as outras cultivares disponveis para plantio. Em reas onde a murcha-amarela ocorrer, deve-se eliminar as pimenteiras afetadas, queim-las fora do pimental e, se a incidncia for alta, substituir as cultivares Guajarina ou Bento por outra.

    Queima-do-fio uma doena que tem menor impacto sobre a produo de pimenta- -do-reino. Se o controle for realizado logo no incio do aparecimento dos sintomas, no ocorrer perda significativa da cultura. Sua ocorrncia e disseminao concentram-se apenas no perodo chuvoso. Assim, no um problema nos meses mais secos.

    Fungo causador: Koleroga noxia.

    J existe tratamento de controle, por isso no causa perda significativa.

    Ocorre no perodo chuvoso e no um problema nos meses mais secos.

    SintomasO sintoma tpico da queima-do-fio a formao de cordo micelial (aglomerado de hifas do fungo), a partir das gemas nos ramos em direo s folhas. Esse cordo, no incio, branco/prateado e, depois, escuro.

    Esse cordo se ramifica em forma de teia, cobrindo a superfcie das folhas e espigas, que secam, necrosam, soltam-se dos ramos e ficam penduradas pelo fio micelial. Da o nome da doena (Figura 5).

    Infeces severas causam queda de muitas folhas e morte de vrias hastes das plantas, o que leva diminuio da produo. Os sintomas observados na parte area da plantao se parecem com os causados pela fusariose, ou podrido-das-razes, mas, de

    Figura 5. Cordo micelial caracterstico da queima-do-fio (Koleroga noxia) sobre hastes de pimenteira-do-reino e recobrindo parte da face inferior da folha.

    perto, pode ser visto o cordo micelial nos ramos e folhas necrosadas, o que no se observa na fusariose. A doena aparece mais nos meses chuvosos, pois o patgeno se beneficia da alta umidade e dos perodos de temperaturas mais amenas para se reproduzir e causar infeces.

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    Fungo causador: Colletotrichum gloeosporioides.

    No causa perda significativa em plantas adultas.

    Pode ser importante em viveiros de mudas.

    Comum nos meses mais secos do ano.

    Ocorrncia associada deficincia de potssio.

    Figura 6. Necrose do tecido foliar, tpica da antracnose causada por Colletotrichum gloeosporioides, em pimenteira-do-reino.

    Preveno e controleComo a doena prevalece no perodo chuvoso, importante fazer inspees peridicas no pimental e, sempre que for encontrado um ramo com sintomas, este deve ser podado e queimado fora do pimental. Depois, deve-se fazer um curativo no ramo com uma calda bordalesa e pulverizar as plantas tratadas e as vizinhas com fungicida base de cobre (3 a 5 g/L). Se esse controle inicial for eficiente, a doena se manter a nveis muito baixos no pimental ou at deixar de ocorrer aps a eliminao dos primeiros focos.

    AntracnoseA antracnose normalmente no causa perdas de produo em plantas adultas. uma doena comum em pimentais, especialmente nos meses mais secos.

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    SintomasA ocorrncia da antracnose est, geralmente, associada deficincia de potssio, mas tambm acontece independentemente dela. So observadas leses necrticas nos pices das folhas, na mesma regio em que ocorre a queima do tecido decorrente da falta de potssio, mas tambm em outros locais do limbo foliar. A necrose avana sobre os tecidos em forma de anis concntricos, com a regio limtrofe entre a leso e o tecido sadio apresentando-se amarelada (Figura 6). Pode haver, tambm, infeco da base do pednculo floral, causando a queima das espigas, mas isso raramente tem sido visto nos plantios. Plantas com sintomas de antracnose so facilmente encontradas nos pimentais, principalmente nos meses mais secos do ano.

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    Preveno e controleEm pimentais adultos, no necessrio adotar medidas de controle da antracnose, pois no causa prejuzos produo e, em geral, as plantas afetadas so recuperadas com a correo da deficincia de potssio ou com a chegada do perodo chuvoso.

    Doenas causadas por fungos em mudasEm mudas, a antracnose pode causar grandes perdas do nmero de plantas por provocar desfolha severa.

    A podrido-das-estacas e a podrido-do-colo-da-planta, ainda na fase de pr-enraizamento, causadas pelo fungo Sclerotium rolfsii, tambm podem trazer srios prejuzos, por formar esclerdios que podem permitir a sobrevivncia do patgeno nos solos por longos perodos de tempo.

    A podrido-das-estacas, a podrido-das-razes e a podrido-do-colo-da-planta, causadas pelos fungos Fusarium solani f. sp. piperis e Lasiodiplodia theobromae, podem levar perda total das mudas produzidas no viveiro.

    Controle da sanidade das mudasO nico fungicida registrado pelo Mapa para a cultura da pimenta-do-reino o cprico, que pode funcionar apenas para as doenas da parte area. Independentemente da doena, o mtodo de controle mais eficaz a retirada e a queima das mudas doentes. Outras medidas como evitar o sombreamento excessivo, permitir ventilao constante das mudas nos viveiros e evitar o encharcamento do solo podem diminuir os riscos de ocorrncia dessas doenas.

    Na instalao do pimental, importante plantar mudas comprovadamente sadias ou provenientes de viveiros credenciados pelo Mapa.

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    A podrido-das-razes ou fusariose, causada pelo fungo Fusarium solani f. sp. piperis a principal doena da cultura da pimenta-do-reino (Piper nigrum L.) no Brasil, levando a perdas de produo, de produtividade e diminuio da vida til dos pimentais. Como no h cultivares resistentes ou tratamentos qumicos eficazes disponveis, faz-se necessria a adoo de prticas agrcolas que possam reduzir e retardar a ocorrncia da doena no campo. nesse cenrio que o nim (Azadirachta indica A. Juss.) pode ser utilizado como uma alternativa.

    A tecnologiaConsiste na utilizao de folhas trituradas de nim indiano (Azadirachta indica A. Juss.), na produo de mudas de pimenteira-do-reino. A incorporao ao solo de folhas frescas ou secas de nim trituradas, antes do transplante das mudas pr-enraizadas de pimenteira-do-reino, a partir de 10 g/L, j promove o controle de 100% da fusariose. Mas recomenda-se a incorporao de 50 g/L por promover, alm da proteo doena, um melhor desenvolvimento das mudas.

    Benefcios Proteo doena. Melhor desenvolvimento das mudas. Baixo custo. Fcil obteno da matria-prima (folhas de nim indiano). Plantio livre de resduos de agrotxicos.

    Foto: Everaldo Nascimento

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    No Brasil, dois vrus j foram relatados:

    Cucumber mosaic virus (CMV) relatado pela primeira vez em pimenta-do-reino em lavouras de Tom-Au, no Estado do Par, e atualmente presente em outros estados, como Minas Gerais e Esprito Santo.

    Piper yellow mottle virus (PYMoV) bastante disseminado atualmente em plantios no Estado do Par, Esprito Santo, Minas Gerais e Amazonas.

    Por ser uma planta de propagao vegetativa, provavelmente esses dois vrus ocorrem onde se cultiva pimenta-do-reino.

    Preveno e controle Uso de mudas sadias, provenientes de produtores credenciados pelo Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa).

    Arranquio de plantas doentes. Limpeza da tesoura de poda com soluo de gua sanitria entre cada planta podada.

    O uso de inseticidas no eficiente para controlar a disseminao do CMV, uma vez que, com a picada de prova feita pelo pulgo, j ocorre a aquisio e a transmisso viral.

    Mosaico da pimenta-do-reinoEsta doena causada pelo Cucumber mosaic vrus (CMV), que pertence ao gnero Cucumovirus. constitudo de trs partculas isomtricas com cerca de 30 nm, trs RNAs genmicos e um subgenmico, ambos de fita simples.

    TransmissoEm pimenta-do-reino, verificou-se a transmissibilidade via extrato de folha e pelo pulgo Aphisgossypii.

    SintomasOs sintomas (Figura 1) causados pelo CMV podem variar com a cultivar e com o estado nutricional da planta. Algumas vezes, nota-se a ocorrncia de ramos assintomticos.

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    Clorose. Pontos clorticos. Mosaico. Mosqueado. Deformao e bolhosidade foliar. Folhagem esparsa. Enfezamento da planta. Espigas curtas e falhadas. Queda de produo.

    Figura 2. Planta da cv. Cingapura com nanismo, mosaico e deformao foliar causados por PYMoV.

    Figura 1. Planta de pimenta-do-reino cv. Cingapura com mosaico, deformao foliar. F

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    Mosqueado da pimenta-do-reinoEsta doena causada pelo Piper yellow mottle virus (PYMoV), que pertence ao gnero Badnavirus da famlia Caulimoviridae. constitudo de partculas baciliformes de 125 nm x 30 nm de dimenso, com DNA de fita dupla de cerca de 7 mil pb.

    TransmissoPode ser disseminado pelas cochonilhas Planacoccus citri, P. minor, Diconocoris distanti e Ferrisia virgata, por enxertia, mudas, podas e sementes.

    SintomasOs sintomas (Figura 2) podem variar com a cultivar e o estado nutricional da planta.

    Pontos clorticos brilhantes dispersos na folha ou entre as nervuras.

    Folhas deformadas com bordas onduladas. Folhagem raleada. Reduo no tamanho e nmero de frutos por espiga.

    A severidade dos sintomas pode variar conforme as cultivares.

    O PYMoV j foi detectado em todas as cultivares plantadas no Brasil, mas h indcios de que as cultivares Bragantina, Bento e Guajarina, embora infectadas, mostraram-se tolerantes, no apresentando sintomas caractersticos de virose.

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    Como o cultivo da pimenta-do-reino perene, diferentes insetos podem usar a pimenteira para abrigo, reproduo e alimentao. Esses insetos podem ser benficos ou no, provocando a morte das plantas e, por consequncia, a baixa produo e produtividade.

    Os principais insetos com potencial para comprometer cultivos de pimenta--do-reino no Brasil so apresentados a seguir.

    Caractersticas o principal inseto-praga mastigador em cultivos de pimenteira-do-reino no Brasil. No Par, comum na regio da Transamaznia. Seus adultos so besouros pequenos, com 4 mm a 5 mm de comprimento, e marrom-escuros (Figura 1). Apresenta hbito noturno, mas ainda no sabemos em que perodo ataca mais a plantao.

    Atacam preferencialmente frutos (maduros ou no), flores, extremidades terminais dos ramos e folhas maduras.

    TransmissoPenetram nas hastes e ramos das plantas na regio dos ns, onde depositam seus ovos. Larvas recm-eclodidas tm colorao que varia entre branco e amarelo. Seu ciclo biolgico pode alcanar entre 45 e 60 dias.

    No Brasil, os danos de L. piperis so maiores em pimenteiras cultivadas perto da mata nativa e nos perodos mais secos do ano.

    Controle e sanidadeA poda e a remoo das partes atacadas eliminam a reinfestao e devem ser realizadas antes de qualquer outra estratgia de controle. No Brasil, no h inseticidas para o controle da praga registrados no Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa), o que impede o uso desses produtos em nossos cultivos.

    Recomenda-se a plantao de flores, como as malvceas, perto dos plantios, pois elas fornecero alimento para os inimigos naturais do L. piperis, como parasitoides, formigas e caros predadores.

    Figura 1. a) Adultos de L. piperis; b) Danos de L. piperis nas hastes da pimenteira-do-reino.

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    Broca-das-hastes ou bicudo--da-pimenta-do-reinoLophobaris piperis Marshall (Coleoptera: Curculionidae)

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    CaractersticasSo pequenos, entre 1 mm e 7 mm de comprimento, tm corpo mole e colorao variada do verde ao preto (Figura 2). As fases jovens e adultas coexistem nas zonas de crescimento das plantas, como brotaes e folhas novas.

    TransmissoInfestam todas as fases de desenvolvimento da pimenteira, especialmente no perodo chuvoso. Sugam a seiva das folhas e das brotaes, causando encarquilhamento e dificuldade de desenvolvimento das plantas, principalmente no incio do crescimento.

    Danos indiretosExcreo de lquido aucarado nas folhas, o que favorece o aparecimento do fungo Capnodium sp (Fumagina), prejudicial para a respirao e fotossntese das folhas.

    Podem inocular vrus causadores de doenas prejudiciais a essa cultura, como, por exemplo, os da espcie A. spiricolae, que tem sido relatada como principal vetor da virose mosaico em pimenteira, cujas principais caractersticas so nanismo, clorose e deformao das folhas e espigas das plantas.

    Controle e sanidadeAlm do monitoramento constante nos viveiros de mudas, as reas recm-plantadas devem ser inspecionadas pelo menos uma vez ao ms. Outras estratgias, como controle cultural e controle biolgico, podem tambm ser utilizadas para o manejo e controle de populaes.

    Figura 2. Adultos e estgios imaturos de pulges pteros e alados em pimenta- -do-reino

    PulgesAphis spirae cola Patch e Aphis gossypii Glover(Hemiptera: Aphididae)

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    CaractersticasPossuem ovos alongados, que so depositados em ovissacos nas razes de mudas em viveiro e nas hastes da planta, prximo s razes adventcias. As formas jovens apresentam colorao alaranjada, corpo ovalado e so recobertas por pulverulncia branca. Os adultos so pequenos (1,2 mm a 2 mm), tm corpo mole e recoberto por cera branca.

    Transmisso favorecida pela alta umidade e pela alta temperatura, infestando razes e hastes de mudas de pimenteira-do-reino.

    Plantas infestadas podem definhar, soltando brotos e folhas, e at morrer. Seus ataques so mais comuns em plantios mal cuidados e com adoo de tratos culturais equivocados.

    Danos indiretosAgem como vetor do Piper yellow mottle virus (PYMoV).

    Esto associadas s formigas-de-fogo (Solenopsis spp.), que se alojam na folhagem da pimenteira, principalmente na regio dos ns de hastes aderidas ao tutor, e atacam os operrios rurais, dificultando os tratos culturais (Figura 3).

    CaractersticasSo ovaladas, piriformes e achatadas. Medem at 3 mm de comprimento, possuem reas marginais do corpo esclerotizadas e ausncia de cobertura evidente de cera. predominantemente avermelhada, porm fmeas mais velhas tornam-se marrons. A presena do ovissaco pode ser constatada por uma rea esbranquiada ao redor do corpo do inseto. Fmeas adultas preferem a superfcie inferior das folhas, sendo os seus ovos depositados abaixo de seu corpo. Quando imaturos, so frequentemente observados na superfcie superior das folhas.

    Figura 3. Danos de adultos e imaturos de P. elisae em razes e hastes de pimenta- -do-reino.

    CochonilhasPseudococcus elisae Borchsenius (Hemiptera: Pseudococcidae)

    Protopulvinaria longivalvata Green (Hemiptera: Coccidae)

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    Figura 4. a) Danos de P. longivalvata em folhas; b) Danos de P. longivalvata em ramos e hastes.

    TransmissoAtacam folhas (Figura 4A), ramos e hastes (Figura 4B) e vivem em simbiose com formigas. Em perodos secos do ano, as folhas muito infestadas por essa praga tornam-se flcidas e murcham. Como consequncia, aparecem fungos causadores de fumagina. Infestaes severas de P. longivalvata podem causar enfezamento e queda de produo do cultivo.

    Outras pragas e insetos Na falta de monitoramento do cultivo e de medidas de controle adequadas, as pimenteiras-do-reino plantadas no Brasil tambm podem ser atacadas, com menor intensidade, por:

    Besouros-desfolhadores (Lytostilus juvencus Coleoptera, Curculionidae). caros fitfagos (Polyphagotarsonemus latus Banks Tarsonemidae e Tetranychus spp. Tetranychidae).

    Moscas-brancas (Aleurodicus sp. e Aleurothrixcis sp. Hemiptera, Aleyrodidae).

    Formigas [Wamannia auropunctata (Roger) e Acromyrmex crassipinus (Forel) (Hymenoptera, Formicidae)].

    Cupins (Isoptera, Termitidae). Lesmas.

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    bFotos:

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    osControle e sanidade (Cochonilhas)No h no Brasil, ainda, nvel de controle determinado para nenhuma espcie de cochonilha. O controle deve ser realizado por meio do monitoramento do pimental. Recomenda-se erradicar plantas hospedeiras de P. elisae e P. longivalvata prximas aos plantios e eliminar os focos de infestao, por meio da destruio das plantas severamente atacadas e sem condio de recuperao.

    Embora ainda no difundidos no Brasil, acredita-se que os mtodos de controle biolgico, empregando-se principalmente parasitoides e predadores nativos, bem como o emprego de inseticidas botnicos (por exemplo, o nim indiano), possuem boas possibilidades de sucesso para o controle de pulges e cochonilhas nos principais polos produtores de pimenteira-do-reino do Pas.

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    A florao da pimenteira-do-reino ocorre no incio do perodo chuvoso, em dezembro, estendendo-se at o final de maro. A maturao das espigas ocorre 6 meses aps a florao. A colheita feita no perodo de julho a novembro, de acordo com a florao.

    As espigas so colhidas de forma manual, uma a uma, e depositadas em sacos de aniagem ou de polipropileno tranado. Para a colheita das espigas formadas na parte superior da planta, utilizam-se escadas de madeira do tipo trip. Aps a colheita, os frutos so debulhados manualmente ou em pequenas mquinas, e em seguida so colocados para secar ao sol ou em secadores movidos a lenha.

    Os cuidados na colheita so fundamentais para a obteno de um produto de qualidade, livre de impurezas e contaminaes. As principais contaminaes so biolgicas, fsicas e qumicas. Deve-se atentar para os cuidados quanto ao uso de fungicidas e pesticidas, quanto secagem, para evitar a contaminao por animais, e durante a manipulao do produto, assim como a contaminao por pedras, talos, areia ou outros agentes fsicos que possam depreciar o produto e torn-lo menos competitivo na comercializao. Assim sendo, o produtor deve evitar todos os riscos que possam interferir na qualidade do produto.

    Procedimentos para colheita e beneficiamento da pimenta-do-reino

    Para a colheita, os frutos devem estar maduros, com predominncia de colorao do amarelo ao vermelho. Para a produo da pimenta-preta, todos os frutos podem ser usados, mas para a produo de pimenta-branca, devem ser usados apenas os frutos com colorao do amarelo ao vermelho (Figura 1).

    A colheita realizada manualmente, em sacos de aniagem. Os frutos que ficam na parte mais alta da planta podem ser colhidos com o auxlio de um cavalete de madeira (Figura 2).

    Figura 1. Frutos maduros de pimenta-do-reino.

    Figura 2. Colheita com auxlio de cavalete.

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    O transporte das espigas colhidas deve ser feito em sacos de aniagem at o local de debulha (Figura 3).

    Depois de debulhados, os frutos devem ser transferidos para lonas limpas, em terreiro protegido de animais, para secagem a pleno sol. Os frutos devem ficar bem espalhados sobre a lona, sem camadas, para secagem uniforme (Figura 5).

    Os frutos podem ser retirados da espiga por meio de um debulhador mecanizado (Figura 4).

    Cerca de quatro vezes por dia, deve ser feito o revolvimento dos frutos, com auxlio de rodo de madeira, para secagem homognea e tambm para proteo da umidade da chuva e da visita de animais (Figura 6).

    Figura 3. Transporte em sacos de aniagem.

    Figura 5. Secagem dos frutos.

    Figura 4. Debulhador mecanizado.

    Figura 6. Revolvimento dos frutos durante a secagem.

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    Aps 3 a 5 dias, ocorre a secagem completa, da qual resulta a pimenta-preta, com umidade menor que 13%. Nesse momento, os frutos devem ser transferidos para sacos de aniagem ou polipropileno, para comercializao ou armazenamento (Figura 7).

    Figura 7. Pimenta-preta aps secagem completa.

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    Recomendaes geraisPara que o produtor ganhe na qualidade de seu produto, deve seguir as seguintes recomendaes:

    Ao trmino da colheita, lavar, secar e guardar as sacolas de tecido utilizadas durante o perodo, evitando que resduos e sujeiras possam contaminar os frutos da colheita do prximo ano.

    Lavar as lonas, se possvel, com gua sanitria. Em seguida, sec-las ao sol e guard-las em lugar limpo e sem acesso de animais.

    Manter o terreiro de secagem limpo, sem acesso de animais, preferencialmente cercado.

    Proibir comportamentos no higinicos, como comer, fumar, cuspir e mastigar (goma de mascar, fumo, castanha), em toda a rea de manuseio e processamento, para evitar a contaminao da pimenta.

    Lavar as mos antes de comear o trabalho, imediatamente aps o uso do banheiro, aps manusear qualquer material contaminado e sempre que for necessrio.

    O uso de luvas no isenta o trabalhador de manter as mos limpas por meio da lavagem aps usar o banheiro ou aps as refeies.

    Evitar que a pimenta seja molhada pela chuva ou pelo orvalho. Utilizar embalagem apropriada para proteger a pimenta limpa e seca de gua ou umidade do ambiente.

    No permitir que pessoas com cortes ou ferimentos continuem manuseando a pimenta at que recebam tratamento de primeiros socorros.

    No permitir o manuseio e processamento da pimenta por pessoas portadoras de doenas transmissveis.

    No deixar a pimenta exposta ao fim do dia, durante a secagem. Enrolar a lona e deix-la acima do solo, evitando o trnsito dos animais noturnos sobre ela.

    Manter limpas as roupas protetoras, assim como a cobertura para a cabea, luvas, mscaras e botas, que devem ser usadas durante o trabalho.

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    A colheita realizada de acordo com o tipo de produto a ser obtido. Considerando o estdio de maturao dos frutos na espiga, h trs tipos de pimenta-do-reino: verde, preta e branca. O produtor brasileiro produz mais a pimenta-preta, cujos frutos so expostos ao sol para secagem. J para secagem da pimenta-branca, o fruto despolpado e lavado para retirada completa da casca e mucilagem. Esses tipos so ensacados em embalagem de 50 kg e armazenados em lugares secos, ventilados, em estrados acima do piso e empilhados de modo a permitir boa circulao de ar e transporte dos sacos. A pimenta-do-reino pode ser armazenada por vrios anos.

    Pimenta-verdePara produzir a pimenta-verde, as espigas so colhidas quando os frutos ainda esto verdes porm, j bem desenvolvidos (Figura 1) e preparadas por meio de salmoura. O mercado para esse produto a Europa.

    Para produzir a pimenta-preta, as espigas so colhidas quando os frutos esto completamente desenvolvidos, apresentando alguns frutos vermelhos e o restante com colorao verde-clara ou amarelada (Figura 2). As espigas podem ser debulhadas ou no. Neste caso, as espigas so colocadas para secar ao sol e, durante o processo de secagem, os frutos vo se desprendendo do eixo da espiga. Para uniformizao da secagem, a pimenta deve ser revolvida durante o dia, utilizando para isso um pequeno rodo de madeira, que tambm auxilia na retirada do restante da espiga.

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    Figura 1. Frutos ainda verdes, mas j desenvolvidos, para produo de pimenta-verde.

    Figura 2. Frutos completamente desenvolvidos, para produo de pimenta-preta.

    Pimenta-preta

    Pimenta-branca

    Para preparar a pimenta-branca, as espigas so colhidas quando os frutos apresentam colorao amarelada ou vermelha (Figura 3). As espigas inteiras so colocadas diretamente em sacos de plstico tranado para serem maceradas em tanques, porm, tambm podem ser debulhadas antes da macerao. Deve-se evitar a macerao em riachos e igaraps, com o intuito de preserv-los da poluio, assim sendo deve-se utilizar tanques de alvenaria e gua corrente. Por exemplo, se for utilizar um tanque com capacidade

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    Figura 3. Frutos com colorao amarelada ou vermelha, para produo de pimenta-branca.

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    de 20 mil litros, nele sero depositadas 3 t de pimenta. Para evitar o mau cheiro, deve-se adicionar calcrio para elevar o pH da gua. De 3 em 3 dias, a gua deve ser trocada e, a cada troca, deve-se acrescentar 500 g de calcrio dolomtico, utilizando um total de 1,5 kg. Aps 12 dias, os tanques so drenados e lavados para serem utilizados novamente. A pimenta sada da macerao lavada e posta para secar ao sol. Neste processo, a pimenta apresenta colorao branca e cheiro caracterstico, devendo ser classificada e embalada em sacos duplos de polipropileno com capacidade de 50 kg. No recomendada a secagem da pimenta-branca em secadores.

    Durante o manuseio e a secagem, a pimenta-do-reino pode ser contaminada por Salmonella spp. e coliformes fecais, que tornam o produto imprestvel para consumo in natura. A maior contaminao ocorre principalmente durante o processo da secagem ao sol, se a pimenta ficar exposta visitao de animais domsticos (como galinhas, porcos, ces e gatos) e animais silvestres, que podem contaminar por meio da urina, das fezes e das pisadas. As pessoas que trabalham na secagem da pimenta podem tambm ser agentes de contaminao, ao pisarem com chinelos, botas, sapatos e ps sujos, podendo tambm contaminar o produto com coliformes fecais, se no praticarem bons hbitos de higiene, como tomar banho diariamente, usar sempre roupas limpas e lavar as mos depois de usarem o banheiro.

    Depois de seca, a pimenta deve ser ventilada para eliminao de pedras, talos, pedaos de ramos, pimenta chocha e folhas secas. Em seguida, devem ser embaladas em sacos de polipropileno de 50 kg. As sacas devem ser guardadas em armazns preferencialmente construdos de alvenaria, fechados para evitar a entrada de animais como ratos, morcegos e rpteis, com boa ventilao e em boas condies de higiene (Figura 4). Sugere-se que as sacas no fiquem em contato direto com o cho, adequando o uso de estrados de madeira, para que no ocorra a contaminao por Salmonella e outros microrganismos. A pimenta pode permanecer nessas condies por mais de 1 ano.

    Contaminao ps-colheita

    Armazenamento

    Foto: Oriel Lemos

    Figura 4. Armazenamento de pimenta-do-reino.

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