Bezerra - Filosofia e Histria Da Cincia Moderna - Introduo

  • Published on
    03-Feb-2016

  • View
    15

  • Download
    0

DESCRIPTION

USP, FILOSOFIA DA CINCIA, Professor Valter Alnis Bezerra

Transcript

  • Introduo disciplina

  • Filosofia e Histria da Cincia Moderna

    1 Filosofia e (Histria da Cincia Moderna) =

    Modelos metacientficos dirigidos para a Histria da Cincia

    2 (Filosofia e Histria da) Cincia Moderna =

    A Cincia Moderna vista sob os ngulos da Filosofia da Cincia e da Histria da Cincia

    3 Cincia Moderna = No sculo XVII, tratava-se, mais propriamente, de Filosofia Natural => Filosofia e Histria da Filosofia Natural...

  • (1) Para compreender que o conhecimento cientfico (em particular o nosso conhecimento cientfico) nunca surge num vcuo. (2) Para compreender que o presente (das nossas tcnicas, hipteses, teorias, modelos) fugaz. (3) Para compreender que o conhecimento cientfico falvel e tem seus limites. (4) Para compreender que o sistema do conhecimento intrinsecamente dinmico. (5) Para apreciar o fato de que a cincia est sempre inconclusa, em processo de construo. (6) Para compreender que, por outro lado, o conhecimento tambm apresenta certos invariantes.

  • (7) Para compreender como as disciplinas cientficas surgiram.

    (8) Para apreciar o fato de que os conceitos de progresso cientfico, racionalidade cientfica e mtodo cientfico so mais complexos do

    que parecem.

    (9) Para se poder ter uma atitude crtica (leia-se: analtica, reflexiva) em relao cincia porm com conhecimento de causa.

    (10) Para se compreender e julgar a inovao (mantra do nosso

    tempo), preciso compreender a mudana, que est relacionada com o tempo, e objeto da histria.

    (11) Para confrontar com a prtica as nossas concepes filosficas

    acerca do conhecimento Elas so aplicveis? Do conta das vicissitudes da prtica? So boas ferramentas interpretativas?

  • Toda histria envolve interpretao No existe histria neutra Nunca podemos apagar por completo a nossa condio de habitantes do sculo XXI O problema do anacronismo Projetar conceitos, categorias e enfoques prprios de uma poca sobre outra poca diferente. Um desafio triplo: (1) Olhar / analisar / interpretar / compreender o passado em seus prprios termos (2) A interpretao inevitvel, porm no se trata de qualquer interpretao! (3) Fazer uma interpretao coerente / inteligvel sem cometer anacronismos O projeto de uma Histria fundamentalmente conceitual no cronolgica, biogrfica, nem anedtica e em parte tambm social.

  • O clebre dito de Hanson, parafraseando Kant, depois retomado por Lakatos,

    A Filosofia da Cincia sem a Histria da Cincia vazia, e a Histria da Cincia sem a Filosofia da Cincia cega

    sugere que: (a) para que a Filosofia da Cincia no seja vazia, ela precisa atuar de algum modo com a Histria da Cincia; (b) para que a Histria da Cincia no seja cega, ela precisa atuar com a Filosofia da Cincia. Porm, o que significa precisamente esse com? Qual a natureza dessa relao?

  • HUMANIDADES

    CLSSICO (Antiguidade) At sc. V

    MEDIEVAL RENASCIMENTO Sc.XIVXV

    MODERNO Sc. XVIXVIII (Barroco, Iluminismo, etc)

    CONTEMPORNEO Sc. XIXXXI (Romantismo, vanguardas, ps-moderno, etc)

    CINCIAS

    CLSSICA

    MODERNA

  • Temas de carter epistemolgico / metodolgico / axiolgico: Noo de mtodo Matematizao, particularmente como quantificao Crescente

    formalizao e abstrao O repensar da relao entre teoria e experincia Separao entre as esferas do fato e do valor Idia de progresso (Uso do termo novo | noo de revoluo | Viso

    que a Modernidade tem do Medievo) Acelerao e fragmentao do conhecimento (Rpido surgimento e

    consolidao de disciplinas e subdisciplinas) Redefinio de relao entre cincia, tcnica e tecnologia (diferente

    daquela da Antiguidade) Mudanas na relao entre cincia e filosofia | Pretenso de

    naturalizao do conhecimento | Atitude crtica da Filosofia e das Humanidades em relao cincia moderna

    Obsesso com a classificao

  • Temas macrotericos referentes s linhas mestras definidoras das agendas de problemas: Questo da existncia do vcuo / vazio Problema do movimento e, em geral, da mudana Problema da estrutura e estabilidade da matria Debate atomismo X plenismo Finitude / infinitude / continuidade / descontinuidade O repensar da noo de causa | Adeso ao determinismo Mecanicismo, em diversas variantes (e sua crise) Debate Epignese x Preformismo (origem da vida e dos organismos) Debate Uniformitarismo x Catastrofismo (histria da Terra) Debate Fixismo x Transformismo (espcies) Controvrsia sobre teleologia e finalismo Cadeia do Ser / Hierarquia da Natureza Perspectivas evolucionrias Conceito de vida Natureza da percepo e da conscincia

    Temas herdados de pocas anteriores, e ressignifica-dos na modernidade

  • Temas conceituais micro: Distino entre qualidades primrias e qualidades secundrias ter / fluidos sutis (calrico, flogisto, fluidos eltricos) Natureza da eletricidade e do magnetismo Conceito de fora Conceito de campo Conceito de energia Controvrsia sobre a medida do movimento ptica e viso Natureza da luz: corpuscular X ondulatria Conceito de inrcia Redefinies dos conceitos de espao e tempo Princpios de conservao Noo de equilbrio dinmico nos sistemas

  • Uma ilustrao: Transformaes

    nos conceitos de espao

  • O universo segundo a Divina Comdia de Dante.

    Pietro Lorenzetti, Entrada de Cristo em Jerusalm, c. 1320

  • Sistema geo-heliocntrico de Tycho Brahe.

    Matre de l'chevinage (sc. XV), Reconstruo do templo de Jerusalm. In: William of Tyre,

    Histoire d'Outremer (Bibl. Nat. France)

  • This orbe of starres fixed infinitely vp extendeth hit self in altitvde sphericallye, and therefore immovable. The pallace of foelicitye, garnished with perpetvall shininge gloriovs lightes innvmerable, farr excellinge our Sonne both in qvantitye and qvalitye, the very covrt of coelestiall angelles, devoyd of greefe and replenished with perfite endlesse ioye, the habitacle of the elect.

    Andrea Mantegna A agonia no jardim (1455)

    Thomas Digges (1576), A Perfit Description of the Coelestiall Orbes

  • Os novos espaos da filosofia natural O espao geometrizado agora visto como homogneo, isotrpico e ilimitado corresponde a um novo cosmos, infinito e ilimitado, no mais hierarquizado, e que dispensa a distino entre as regies celeste / terrestre e, em algum sentido, tambm reverbera na renovao operada na representao do espao atravs da perspectiva. A perspectiva representa uma das maiores revolues conceituais e estticas na histria da arte. A dimenso das figuras deixa de ser proporcional sua importncia, como era at meados do Trecento, e passa a ser uma funo da sua posio em cena. Para criar regies na tela, indicar a importncia de determinadas figuras, o artista dever lanar mo de outros meios. Surge a noo de ponto de fuga. A finitude do espao aristotlico /ptolomaico / medieval exclua a possibilidade de se pensar a infinitude do movimento, a existncia do vazio, bem como o conceito de inrcia. Num cosmos finito (e que contm uma regio sublunar bem delimitada e tambm finita), no h lugar para um movimento que se prolonga indefinidamente.

  • Pietro Perugino (1481-82) - Cristo entregando as chaves a So Pedro. Fresco, 335 x 550 cm, Capela Sistina, Vaticano

  • Van der Weyden, Trptico da Crucificao, c. 1445. Kunsthistorisches Museum, Viena.

  • Luciano Testoni Perspectiva de uma escadaria (1995)

  • Galileu, Discursos e demonstraes matemticas sobre duas novas cincias

  • Algumas questes e controvrsias conceituais presentes na evoluo dos conceitos de espao ao longo da Modernidade: Relao entre matria e extenso (Descartes) Projeto de aplicao da geometria e da matemtica cincia do

    movimento (Galileu, Benedetti, Tartaglia) Debate sobre a possibilidade do vazio (Descartes, Boyle, Hobbes) Finitude ou infinitude (Bradwardine, Bruno, Nicolau de Cusa, Henry

    More) Absoluto, relativo, relacional (Newton, Leibniz) Relao com o debate sobre o atomismo, corpuscularismo,

    infinitesimais e indivisveis (Gassendi, Boyle, Borelli, Cavalieri) Estatuto da noo de espao como a priori ou a posteriori (Kant,

    Helmholtz, Mach, Poincar) Espao e divindade (Bradwardine, More, Malebranche, Berkeley,

    Newton) Relao entre o espao dado aos sentidos e representado pela

    imaginao, e o espao da geometria, concebido pelo entendimento.

  • O mesmo ponto localizado segundo dois sistemas de coordenadas diferentes: retangular e esfrica

    Fonte: Wikimedia Commons

  • O movimento de um pndulo simples (abaixo) descrito no espao de fase ngulo-momento (acima). A noo de espao de fase tornou-se corrente na Mecnica Analtica a partir do sculo XIX.

    Fonte: Wikimedia Commons

  • O movimento de um pndulo simples descrito no espao ngulo-momento.

    Fonte: James Meiss, Hamiltonian systems, Scholarpedia

  • Oscilaes acopladas representadas no espao de fase. Acima, comensurveis. Abaixo, incomensurveis. Surgem regies caticas.

    Fonte: James Meiss, Hamiltonian systems, Scholarpedia

  • O espao de representao dos objetos sonoros, segundo o compositor pioneiro da msica concreta Pierre Schaeffer (c. 1948).

    Fonte: https:// artodisiac.wordpress.com/

  • O movimento de um pndulo simples descrito no espao de fase

  • James Clerk Maxwell (c. 1875) Modelo original em gesso, representando algumas curvas notveis como isotermas, isbaras, transies de fase, etc em uma superfcie termodinmica para uma substncia arbitrria no espao de fase Entropia-Energia-Volume.

  • O espao da relatividade: espao-tempo de Minkowski.

    Fonte: esq.: John D. Norton, Spacetime, DHPS, Univ. Pittsburgh. dir.: R. Penrose & F. Hadrovich Twistor theory, URL: http://users.ox.ac.uk/~tweb/00006/ (Oxford University)

  • Fonte: Wikimedia Commons

  • From this hour on, space by itself and time by itself are to sink fully into the shadows and only a kind of union of the two should yet preserve autonomy. -- Hermann Minkowski, 1909. Fo

    nte:

    Sco

    tt W

    alte

    r M

    inko

    wsk

    i, M

    athe

    mat

    icia

    ns a

    nd th

    e M

    athe

    mat

    ical

    The

    ory

    of R

    elat

    ivity

    . In

    : G

    oenn

    er, J

    . et a

    l (ed

    s.),

    The

    Exp

    andi

    ng W

    orld

    s of

    Gen

    eral

    Rel

    ativ

    ity, B

    irkh

    user

    , 199

    9, p

    p. 4

    5-86

  • Na geometria diferencial, todo um

    espao pode ser tangente a todo um

    outro espao -- assim como, no espao

    tridimensional usual, um plano pode ser

    tangente a uma esfera.

    Fonte: Wikimedia Commons

  • Espaos com nmero infinito de dimenses!

  • O zoolgico de espaos da matemtica contempornea.

  • Fonte: Jean-Franois Colonna, CMAP, cole Polytechnique, http://www.lactamme.polytechnique.fr/descripteurs/Galerie_NumberTheory.FV.html

    Quatro estgios na construo da curva de Hilbert, que preenche o espao

  • Essas transformaes conceituais profundas nos permitem apreciar vrios aspectos: Temos um tema o espao... ...que se manifesta sob a forma de diferentes conceitos (alis muito diferentes entre si)... ...os quais, por sua vez, existem no contexto de determinadas teorias... ...formuladas com o objetivo de solucionar certos problemas (suscitados por fatores diversos, intra-cientficos e extra-cientficos)... ...que se sucedem (as teorias e os problemas) ao longo do tempo histrico...

  • ...e que podem estar (teorias e problemas) imbricados dentro de estruturas ainda maiores (paradigmas, programas de pesquisa, tradies, de pesquisa, matrizes disciplinares -- macroteorias, enfim... ...sujeitas a uma dinmica complexa, mas que se pode investigar, e pode apresentar certos padres... ...e que supe-se apresenta certas caractersticas como racionalidade (que pode ter um componente contingente e um invariante) e algum sentido (talvez bastante acidentado) de progresso... ...mas podem apresentar rupturas, descontinuidades, no-cumulatividades e no-linearidades.

  • Assim como a cincia procura, em certo sentido, interpretar a realidade (conferindo-lhe inteligibilidade), tambm a histria da cincia procura interpretar a prpria cincia em seu desenvolvimento temporal, buscando uma inteligibilidade. A postulao dos temas, das macroteorias, a periodizao histrica, a reconstruo das teorias, a modelagem da dinmica do conhecimento, a identificao das normas de racionalidade operantes tudo isso decorre de atos interpretativos do filsofo e do historiador, num estudo metacientfico.

  • Alexandre Koyr Histria terica interna Paulo Abrantes Imagens de natureza, imagens de cincia Gerald Holton Themata no pensamento cientfico Larry Laudan Modelo simbitico e no-hierrquico Bernard Cohen Historiografia das revolues cientficas

  • http://filosofiadacienciausp.wordpress.com http://sites.google.com/site/filosofiadacienciausp/

    Filosofia e histria da cincia modernaUma ambiguidade frutferaPara que Histria da Cincia?Para que Histria da Cincia?Para que Histria da Cincia?Para que Histria da Cincia?Moderno e modernidadeAlguns Temas na cincia modernaAlguns Temas na cincia modernaAlguns Temas na cincia modernaFilosofia e histria da cincia modernanovos espaos representativosNovos espaos representativosNovos espaos representativosNovos espaos representativosNovos espaos - perspectivaNovos espaos - perspectivaNovos espaos - perspectivaConcepes modernas de espaoConcepes modernas de espaoA Matematizao do espaoA Matematizao do espaoESPAOS ABSTRATOS para fenmenos reaisEspaos abstratos para fenmenos reaisEspaos abstratos para fenmenos reaisEspaos abstratos para fenmenos reaisEspaos abstratosEspaos abstratos para fenmenos reaisEspaos abstratosEspaos abstratosEspaos abstratosEspaos abstratosEspaos abstratosEspaos abstratosEspaos abstratosHistria conceitual da cinciaHistria conceitual da cinciaHistria conceitual da cinciaAlguns referenciais para uma Histria conceitual da cinciaEndereos