Avaliao Histria da Filosofia Medieval

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    24-Jul-2015

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Avaliao Histria da Filosofia Medieval UFSM 2009 Disciplina: Histria da Filosofia Medieval Prof. Dr. Noeli Rossatto Por: Juliano Gustavo Ozga 1- Agostinho pergunta-se: que fazia Deus antes da criao?. a) Que resposta Agostinho oferece a questo e que compreenso do eterno est implcita nessa resposta? Agostinho prefere no opinar com uma soluo para o problema. Sua resposta : no sei. A compreenso do eterno implcita na resposta de Agostinho expressa uma dvida sobre a questo: antes da criao, Deus no poderia estar criando pelo fato de ter que um tempo para a obra ser criada. Esse tempo no pode ser anterior ao tempo de criao. Isso implica a questo de haver um tempo anterior e um tempo posterior a criao divina. Porm, no estado anterior a criao o que prevalece um instante de eternidade, ou seja, um presente contnuo. Esta eternidade no pode ser medida pelo tempo pelo fato de estar fora do limite da criao. Portanto, deste eterno presente que principia a noo de passado e futuro. b) O que conduz Agostinho a essa questo? A dvida de o que o tempo e do que se constitui o tempo. O tempo eterno ou o presente eterno no classificado como futuro e passado. uma instncia imitvel que ausente no passado fsico. Colocar a questo do tempo na pergunta que fazia Deus antes da criao? implica o problema de haver um tempo criado (em um espao fsico) e um tempo eterno e permanente anterior ao processo de criao. 2- Qual a funo argumentativa dos exemplos extrados do movimento celeste e que papel desempenham na formulao da tese que considera o tempo como distenso? A dvida sobre saber se o movimento que constitui o dia, ou se a durao em que se realiza esse movimento, ou se so as duas coisas conjuntamente implica uma diferenciao sobre: - tempo fsico (cosmolgico e astronmico): abordagem cclica de tempo na concepo grega e aristotlica; - tempo psicolgico: abordagem de Agostinho sobre as impresses que este tempo fsico imprime em nossa alma. Isso implica que o tempo uma distenso da alma e por isso o tempo no movimento dos corpos. Aqui h a diferenciao entre tempo psicolgico da alma (distenso), sendo esse tempo subjetivo pelo fato de no se expressar no espao fsico objetivo, com o tempo fsico e astronmico dos planetas e corpos celestes, que possuem extenso fsica. A distenso carece de espao fsico para ser medido e mensurado e isso implica que o tempo da alma um tempo presente, uma sucesso de antes e depois que passa pela alma. Essa sucesso dos movimentos no fsicos que so impressos na alma, no qual sua passividade um estado presente, prope um movimento ativo de percepes no tempo psicolgico. Podemos dividir essas percepes do tempo psicolgico em trs elementos: 1- Expectao: como uma antecipao do futuro; 2- Ateno: momento presente (sem espao e extenso no tempo psicolgico);3- Memria: aspecto do contedo que passou pelo presente e se refere ao passado no tempo psicolgico. Portanto, a distenso da alma seria o contedo do estado presente do tempo psicolgico. 3- Para Paul Ricoeur o conceito de pecado original colabora com a tese do mal como no-ser? Por qu? O conceito de pecado original como no-ser carece de um anti-tipo. O fato de noser implica a questo do ser do objeto criado por Deus. O conceito de pecado original elabora uma prvia punio por questo biolgica (hereditariedade) e de culpabilidade (punio divina) sobre o conceito de Ado e sua representao como progenitor da humanidade na concepo judaico-crist. A questo de no-ser em analogia com o conceito de pecado original expe uma funo simblica do conceito em oposio ao conceito de no-ser. O fato de ser implica o caso de tornar-se pecador, por ser uma criao a partir de Ado, o progenitor e tambm uma culpa por participar da criao. 4- As coisas criadas no podem ser ditas absolutamente nem ser no nem no ser: nec ommnio esse nec ommnio non esse (Plato). O que justifica essa afirmao no contexto da teologia agostiniana e quais as conseqncias dela na compreenso que o filsofo prope acerca do problema do mal? A compreenso do conceito do mal em Agostinho como um tema referente ao conceito de Plato de que as coisas criadas... absolutamente nem ser nem no-ser expe uma afirmao da impossibilidade de Deus ter criado o Homem como substncia integrante do mal. Se o Homem fosse proveniente de uma essncia ou natureza m (um no-ser?) ele no seria uma obra de Deus, e sim uma corrupo da matria do Homem pela substncia do mal. Esta corrupo seria algo externo ao Homem, algo que no de sua essncia interna, porm, pode ser introduzido na essncia do Homem, e nesse fato que reside a corrupo do Homem pelo conceito de mal como no-ser. Se o conceito de no-ser fosse integrante do Homem, esse seria ao mesmo tempo ser e no-ser, onde essa dualidade implica a criao de um ser, no caso o Homem, sendo corruptvel desde sua gnese e isso implicaria a no totalidade de bem no conceito de Deus. Portanto, Deus no seria benfico se criasse algo que comporta em sua natureza o prprio mal. 5- Que alteraes no conceito de tempo no interior da argumentao agostiniana sugerem a mudana de tratamento das noes de passado presente e futuro, no mais como substantivos, mas, como adjetivos? O conceito de tempo em Agostinho como tempo psicolgico apresenta uma nova classificao do tempo, porm, com uma nova tica e perspectiva. Assim, o tempo passa a ser uma distenso da alma que no opera no mundo fsico e no possvel de ser medido ou mensurado como um elemento espacial. Isso possibilita a elaborao dos conceitos: 1- Presente do passado (Memria): que se refere ao passado e expresso pelas figuras e percepes da memria; 2- Presente do presente (Ateno): reflete o tempo como um aspecto da ateno no momento presente. Portanto, seria a distenso da alma em relao aos fatos anteriores e posteriores;3- Presente do futuro (Expectao): expresso de expectao do momento futuro que ainda no se efetivou, e pelo fato de no se efetivar no possvel de ser medido e mensurado (no h espao) ele ainda no existe, em contrapartida do presente do passado que foi algum acontecimento no presente do passado, porm, no passado esse acontecimento tambm de mensurabilidade pelo fato de no ser mais o que era.

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