• AUDIODESCRIÇÃO COMO TECNOLOGIA DE ACESSIBILIDADE PARA HISTÓRIAS EM QUADRINHOS HIPERMIDIÁTICAS AUDIODESCRIPTION AS ACCESSIBILITY’S TECHNOLOGY FOR COMICS HYPERMEDIA Raul Inácio Busarello1, Elton Vergara Nunes2, Vania Ribas Ulbricht3, Tarcísio Vanzin4 (1) Mestre, Universidade Federal de Santa Catarina e-mail: raulbusarello@gmail.com (2) Mestre, Universidade Federal de Santa Catarina/Universidade Federal de Pelotas e-mail: vergaranunes@gmail.com (3) Doutora, Universidade Federal de Santa Catarina e-mail: vrulbricht@gmail.com (4) Doutor, Universidade Federal de Santa Catarina e-mail: tvanzin@gmail.com Histórias em quadrinhos, audiodescrição, aprendizagem Este artigo explicita o processo de produção da audiodescrição de história em quadrinhos hipermídia criada como objeto de aprendizagem. As diretrizes gerais da audiodescrição buscam a neutralidade, evitando a interferência na leitura da imagem. Entretanto, essas normas não contemplam a estruturação de quadrinhos hipermidiáticos, tornando-se campo aberto de pesquisa. Comics, audio description, learning In this paper, we explain the audio description’s production process for comics created as hypermedia learning object. The audio description’s general guidelines indicate to neutrality. It avoids interference in the image's reading. However, these guidelines don't cover the comics hypermedia's structure becoming it an open field of research. 1. Introdução Os princípios da acessibilidade estão fundamentados em garantir a cidadania a toda a população, independentemente das características sensoriais, motoras ou psíquicas de cada indivíduo. Enfatiza-se o direito de acesso aos cidadãos aos mesmos lugares, objetos e conteúdos (BRASIL, 2010a). Ulbricht e Villarouco (2011, p. 43) consideram que investir em ferramentas para a educação inclusiva é um avanço na “independência das pessoas com deficiência, contribuindo ainda para melhoria da autoestima e crescimento da capacidade intelectual da população beneficiada”. Com base nesse conceito, entende-se que a criação e o desenvolvimento de objetos de aprendizagem devem ter foco em um público amplo, por isso exigem adaptações na linguagem e tecnologias que facilitem o acesso de pessoas com ou sem algum tipo de deficiência (VERGARA-NUNES et al., 2011). Nesse aspecto, a pesquisa sobre a utilização ou criação de mídias que facilitem a aprendizagem, sob a ótica da acessibilidade, torna-se essencial para o fortalecimento de uma educação plena. Busarello (2011) propõe a utilização de histórias em quadrinhos, em ambiente hipermídia, como forma alternativa na aprendizagem do indivíduo surdo. Dentro de sua pesquisa, vem buscando evidências sobre a utilização dessa mídia como recurso alternativo no processo de aprendizagem deste público. Conforme Gerde e Foster (2008), as histórias em quadrinhos constituem narrativas modernas e eficazes como meio de aprendizagem de temas sociais complexos. No processo de aprendizagem, os quadrinhos podem ser utilizados como mediadores para que os alunos tratem de assuntos com carga emocional elevada, como preconceito e discriminação, por exemplo. Além
  • disso, possibilitam que alunos possam explorar universos alternativos, estimulando a discussão de temas e termos teóricos, além do incentivo ao pensamento crítico (GERDE, FOSTER, 2008; TUNCEL, AYVA, 2010). Para Gordon (2006), as histórias em quadrinhos são mídias narrativas que exploram experiências humanas. Nesse aspecto, o autor entende que essas experiências são elementos fudamentais para que o indivíduo possa construir sua memória, comunicação e o próprio conhecimento. Além disso, Tatalovic (2009) considera que as histórias em quadrinhos são narrativas envolventes, que podem ser utilizadas como suporte para abordar conceitos de aprendizagem. Segundo Short e Reeves (2009), a utilização de histórias em quadrinhos contribui para que os alunos possam perceber que questões universais estão presentes em contextos diversos. Gerde e Foster (2008) entendem que um dos benefícios da linguagem dos quadrinhos é que várias informações podem ser vistas ao mesmo tempo, independentemente de sua sequencialidade. Isso porque o leitor pode desenvolver o conteúdo da mídia de forma única, através de sua imposição e ritmo de leitura. Essas características atribuem certa independência ao aluno durante a aprendizagem. Mcluhan (1964) entende que, como as histórias em quadrinhos exigem maior interação com o leitor, em virtude de sua estrutura narrativa, também constituem uma mídia com maior proximidade emocional com o leitor (HUGHES, KING, 2010), colaborando para o processo de ensino aprendizagem. Entretanto, as histórias em quadrinhos são mídias prioritariamente visuais (MOYA, 1977; CIRNE, 2000), por isso, sua utilização por Busarello (2011) como alternativa para o aluno surdo. Para que seja uma mídia acessível, os quadrinhos devem também contemplar pessoas com deficiência visual. Quevedo (2011) entende que desenvolvedores devem estar cientes das dificuldades sensoriais dos indivíduos cegos, e por isso precisam focar em projetos que facilitem a inclusão deste público. Da mesma forma, o conteúdo deve ser tratado de maneira a facilitar a recepção do indivíduo cego. Dentro desta ótica, entende-se a necessidade da aplicação e desenvolvimento de tecnologias assistivas que possibilitem o acesso a conteúdos visuais. Com base em Bersch (2010), as tecnologias assistivas permitem que pessoas com deficiência possam executar suas tarefas com autonomia, proporcionando independência, inclusão social, mobilidade e habilidade de aprendizado. Uma das tecnologias assistivas que permitem a leitura de imagens, tanto estáticas como dinâmicas, para pessoas cegas ou com deficiência visual é a audiodescrição. De acordo com a portaria 188/2010 do Ministério das Comunicações, audiodescrição é definida como “a narração, em língua portuguesa, integrada ao som original da obra audiovisual, contendo descrições de sons e elementos visuais e quaisquer informações adicionais que sejam relevantes para possibilitar a melhor compreensão desta por pessoas com deficiência visual e intelectual” (BRASIL, 2010b). Vergara-Nunes e Busarello (2011) apresentaram a aplicação da audiodescrição como recurso assistivo para que pessoas cegas tenham acesso a histórias em quadrinhos. Dessa forma, evidencia-se a necessidade de pesquisa a respeito da utilização de histórias em quadrinhos para aprendizagem também do indivíduo cego, tendo como base as vantagens da utilização dessa mídia. Nesse sentido, o objetivo deste artigo é explicitar o processo de produção da audiodescrição de parte dos quadros que compõem a história em quadrinhos criada por Busarello (2011), como objeto de aprendizagem. Esse objeto, inicialmente criado com foco na acessibilidade para indivíduos surdos e não surdos, apresenta-se como potencial ferramenta de aprendizagem para outros públicos, tendo em vista as características dessa mídia no processo educacional. Neste artigo, não se apresenta a testagem do experimento, apenas o processo de audiodescrição dos quadrinhos citados. 2. Audiodescrição como recurso assistivo A audiodescrição é um recurso assistivo que traduz mensagens visuais em palavras, contribuindo para o acesso de pessoas cegas ou com deficiência visual às imagens estáticas ou dinâmicas. Entende- se este recurso assistivo como fator de inclusão do público desprovido do sentido da visão a conteúdos audiovisuais. Para Alves (2012), sua função é a transposição de um signo visual para um verbal, classificando-se assim como uma
  • tradução intersemiótica. Motta e Romeu Filho (2010) consideram a audiodescrição como uma atividade de mediação linguística, que contribui para o acesso de uma parcela da população à cultura e à informação. Dessa forma, contribui para a inclusão tanto social, quanto cultural e educacional. Este recurso tem uma abrangência maior do que pessoas com deficiência visual, pois pode ser utilizado também para que pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos tenham acesso às mídias visuais (NAVARRO, LÓPEZ, 2010; MELO, LIMA, 2010). Vergara-Nunes e Busarello (2011) defendem a máxima da audiodescrição que é a descrição fiel de uma determinada imagem, tendo como princípio descrever aquilo que se vê. Além disso, percebem que o acesso a mídias prioritariamente visuais, como as histórias em quadrinhos, ainda não são exploradas de forma acessível. Entretanto, entendem que é uma tecnologia que possibilita a inclusão de pessoas com deficiência visual, contribuindo para sua cidadania. De acordo com Piety (2010), a audiodescrição surgiu como forma sistemática em 1975, em um trabalho de pós-graduação, na Universidade de San Francisco, Estados Unidos. No Brasil, a tecnologia começou a ser implantada nas redes de televisão em de 01 de julho de 2011, inicialmente com 2 horas semanais de programação no primeiro ano, chegando a 20 horas semanais no prazo de dez anos (BRASIL, 2010b). Do ponto de vista comercial, a audiodescrição tem ganhado espaço em DVDs desde 2005, como por exemplo, a obra “Irmãos de Fé”, do Padre Marcelo Rossi, e o documentário intitulado “Yuka no caminho das setas”, sobre a vida de Marcelo Yuka do Grupo Rappa, lançado em junho de 2013 com audiodescrição e legendas (VIDA MAIS LIVRE, 2013). Como requisitos de descrição de uma imagem para a audiodescrição, recomenda-se (BRASIL, 2012): identificar e localizar o sujeito, objeto ou cena que devem ser descritos; utilizar adjetivos para qualificar o sujeito, objeto ou cena; utilizar verbo para descrever a ação; utilizar advérbios para descrever o contexto e referenciar o tempo da ação; identificar os enquadramentos das imagens; após cada imagem, acrescentar fonte, legenda e descrição; garantir a fidelidade entre imagem e texto; utilizar termos adequados às áreas de conhecimento; evitar deixar elementos descontextualizados; mencionar cores e demais detalhes; utilizar artigos indefinidos quando é a primeira vez que um elemento ou pessoa aparece, em contrapartida, utilizar artigos definidos quando já são conhecidos; adotar sempre o presente como tempo verbal; identificar a fonte, autor e mídia (como história em quadrinhos); no caso de histórias em quadrinhos, considerar a linguagem por faixa etária; descrever elementos de cena e tipografia, assim como formatos de balão; apontar número de quadros presentes e a mudança de uma para outro, marcando-os com Q e o número correspondente; anunciar fala dos personagens por meio de verbos – como: dizer, responder e assim por diante; discriminar as paisagens, contexto onde ocorre a ação. De acordo com Campos (2010), na audiodescrição de histórias em quadrinhos, é preciso que os personagens principais sejam apresentados ao público, além de informações sobre autoria e edição da obra. Além disso, é preciso que o leitor conheça alguns elementos para a navegação na história, como: a letra Q seguida de um número identifica um quadro, onde é descrito o ambiente e os personagens presentes na cena; a letra N identifica o narrador da história; onomatopeias precedidas de um asterisco devem estar em letra maiúscula; o nome do locutor (que lê as audiodescrições) deve ser indicado com o título da história. Schwartz (2010) considera que, para se alcançar o objetivo da audiodescrição, é preciso que se assuma o audiodescritor locutor como o narrador da obra. Dessa forma, um narrador não deve interferir na ação, na sequência e na interpretação dos fatos, mas deve ser sutil e fazer parte do universo audiodescrito. 3. A construção do objeto de aprendizagem As histórias em quadrinhos são mídias que, além de entreter, apresentam-se como um meio de motivação dos leitores. Para Gerde e Foster (2008), os quadrinhos promovem tanto um apelo racional como emocional com o público, isso devido à utilização da imagem e do texto para formar uma única mensagem. Eisner (2008) identifica que o leitor de quadrinhos absorve os significados dessa
  • mídia através a arte contida na mesma. Nesse sentido, tanto o estilo da arte, como o contexto em que essa história em quadrinhos será lida farão parte do entendimento de seus significados. Partindo deste conceito, identificou-se que, para o quadrinho proposto por Busarello (2011), a escolha pelo estilo da arte e história tem como referência trabalhos de quadrinhistas brasileiros, com ênfase em um fluxo narrativo leve e um tom de humor sutil (PATATI, BRAGA, 2006; VERGUEIRO, BARI, 2002; VERGUEIRO, 2007). Isso ocorre tendo em vista o foco de aprendizagem em adolescentes com idade acima dos 15 anos e adultos, de ambos os sexos. Definiu-se também que esta história em quadrinhos é um objeto de aprendizagem, por isto “deve cumprir dois requisitos fundamentais: aprendizagem e reutilização” (MACEDO, 2010, p. 82). Significa que esse objeto deve ter a capacidade de ser reaproveitável por desenvolvedores distintos e contextos instrucionais variados. Objetos de aprendizagem devem possuir três partes: “o objetivo explícito da aprendizagem, o conteúdo propriamente dito, necessário para atingir os objetivos, e a prática ou avaliação de conhecimentos.” (MACEDO, 2010, p. 88). Além disso, esse objeto deve permitir maior interatividade com o aluno, permitindo maior reflexão e culminando na formação de novos conceitos por parte do indivíduo. Para Busarello (2011), cada quadro isolado da história pode ser utilizado por professores no processo de aprendizagem, entretanto isso não forma uma história em quadrinhos. Para isso, é preciso um agrupamento significativo de quadros que formam uma narrativa sequencial lógica (MOYA, 1977; CIRNE, 2000). Identifica-se, desta maneira, que esses conjuntos mínimos de quadros, agrupados de forma lógica, formam a história em quadrinhos proposta em sua totalidade (BUSARELLO, 2011). Por ser uma história em quadrinhos que tem como base a utilização de narrativas em ambientes hipermídia, sua estruturação segue a proposta de Vergara-Nunes et al. (2011), onde a não linearidade está limitada a uma única entrada e saída do objeto de aprendizagem. Entretanto, dentro do objeto, o aluno/usuário encontra uma série de links e caminhos possíveis na história. Além disso, a saída está atrelada a uma avaliação da aprendizagem positiva do indivíduo. Para a construção da narrativa, foi utilizado como base o paradigma de Field (2001), que salienta que um roteiro é formado por uma variedade de peças individuais que, relacionadas entre si, formam uma unidade, constituída de começo, meio de fim. Estes três elementos também são formados por peças isoladas. Dessa forma, Busarello (2011) entende que, na concepção da história, é possível estruturar a mesma de maneira que possa ser lida de forma não linear, desde que respeite certa coerência no propósito da narrativa. Nessa mesma linha, Braga et al. (2006) identificam que uma narrativa hipertextual pode ser estruturada tanto de forma linear como não linear, isso depende da maneira como o narrador/roteirista trabalhará os elementos da linguagem. Além disso, para McCloud (2006), uma série de quadrinhos embutidos em outros cria uma sensação de aprofundamento da história, por isto, links podem ser um recurso que auxilia o leitor a conhecer aspectos que complementam uma narrativa principal. Murray (2003) identifica que a utilização de links corrobora para maior interação do aluno, além de possibilitar que conteúdos possam ser revisados, ou vistos de outra forma. No objeto de aprendizagem proposto por Busarello (2011), apresentado na Figura 1, a história em quadrinhos é formada por uma narrativa principal linear, onde a narrativa ficcional apresenta o conteúdo de projeção cilíndrica ortogonal. Essa narrativa termina em uma avaliação. Além disso, há uma narrativa secundária, com o mesmo conteúdo de aprendizagem, mas com diferente história, que é acessada depois da avaliação. Com base em Field (2001), as duas partes da história foram construídas de forma que possam ser lidas tanto isoladas, como uma única sequência. Nessa estrutura existem links, com conteúdos que retomam determinado assunto. Esse aprofundamento é de ordem pontual, favorecendo que o aluno possa aprofundar-se sobre a ocorrência de alguns fatos na narrativa, principalmente na exemplificação do conteúdo de aprendizagem.
  • Figura 1. Estrutura da história em quadrinhos proposta por Busarello (2011) como objeto de aprendizagem hipermídia Por ser um objeto de aprendizagem (MACEDO, 2010), identifica-se na estrutura da Figura 1 que no processo de avaliação, se a resposta for negativa (N), o aluno é remetido a uma continuação da história, revendo o mesmo conteúdo e com a possibilidade de links. Entretanto, se a avaliação for positiva (S), o usuário é remetido à outra narrativa em quadrinhos, que apresenta conteúdo diferente daquele que o aluno já viu. Essa interação, no contexto de Field (2001), pode ser caracterizada como um ponto de virada, já que redireciona a história para determinada continuidade. Quanto à narrativa, Busarello (2011) cria como contexto para que o conteúdo de projeção cilíndrica ortogonal a história de “um adolescente apaixonado por uma colega, que não consegue declarar seu amor, por causa de sua timidez. Toda vez que tenta falar com a menina, fica envergonhado, sem palavras. Para tentar superar esse problema, o jovem utiliza, em um canto de seu quarto, os conceitos do Triedro para desenhar a amada e assim, na sua imaginação, poder viver seu sonho. A narrativa é interrompida quando recebe uma chamada no celular, de sua colega” (BUSARELLO, 2011, p. 102). Após a primeira avaliação, a história continua: “A adolescente, por saber que seu colega é bom em entender projetos, convida-o para ajudá-la a construir a casinha de sua cachorra. O adolescente, que no primeiro momento se sente tímido frente à moça, vai se soltando enquanto constrói a casa de cachorros. No final, a adolescente revela seu afeto pelo amigo, dando-lhe um beijo. O rapaz fica sem ação” (ibidem). Como propósito deste artigo, na próxima seção é apresentada a proposta de audiodescrição para tornar acessível esta história para pessoas cegas. 4. Audiodescrevendo os quadrinhos Nas histórias em quadrinhos, o processo da leitura dos quadros é o que constroi o texto narrativo (EISNER, 2008). Silva (2010) identifica que o significado da narrativa parte da interpretação de cada quadro que compõe os quadrinhos. Para Cirne (2000), o conjunto sequencial de imagens estáticas que formam as histórias em quadrinhos é sempre relacional, o que interfere na significação da história. Nesse sentido, Eisner (2008) entende que a leitura dessa mídia depende da experiência do leitor para que este consiga processar determinada mensagem. Devido à forma como as histórias em quadrinhos são estruturadas, sua leitura requer maior interação do leitor (MCLUHAN, 1964). Para Short e Reeves (2009), as ilustrações que compõem as histórias em quadrinhos não são retratações fieis da realidade. Entretanto, o reconhecimento dos elementos visuais é possível graças à interação do leitor na interpretação das imagens e preenchimento dos espaços entre os quadros. De acordo com Schwartz (2010), a audiodescrição não se caracteriza como um serviço meramente técnico, exigindo envolvimento intenso com o objetivo do projeto. Por isso, é preciso encontrar um vocabulário que seja adequado e um tom de voz para que a audiodescrição esteja integrada à obra visual e audiovisual. O fato de o tom de voz ter que ser neutro não significa que não possa ser expressivo. Entretanto, não pode interferir na obra. Dessa forma, o texto para a audiosdecrição dos quadros da história procura seguir certa neutralidade, focando em aspcetos relevantes da construção das imagens. Os áudios foram gravados com voz masculina. Tanto o roteiro da audiodescrição como a narração foram feitos por Elton Vergara-Nunes. Para a construção da audiodescrição apresentada nos quadrinhos abaixo, salienta-se que o texto correspondente à fala do audiodescritor-narrador é tudo aquilo que vem depois da identificação do quadro, representado pela letra Q. Nessa audiodescrição, o audiodescritor-narrador – denominado "locutor" pelos autores, para diferenciá-lo do narrador da história em quadrinhos – deverá não somente
  • descrever os elementos descritivos do cenário (roupas, elementos etc.) como descrever as ações dos personagens. Como nas histórias em quadrinhos, os textos das falas, tanto dos personagens como do narrador da história, são apresentados em forma de imagem, ou seja, fazem parte do quadrinho desenhado, é necessário que o audiodescritor-locutor (ou simplesmente locutor) diga esse texto também, tornando-o acessível. Porém, deixando claro que se trata de texto. Por isso há a identificação do nome do personagem, antes de suas falas, bem como do narrador da história, quando necessário. Para facilitar a compactação dos dados nesse artigo, os quadros com seus respectivos textos de audiodescrição são apresentados a seguir, seguindo como base a estrutura apresentada na Figura 1. Em virtude do recorte, apresenta-se, neste artigo, o roteiro da audiodescrição de dois segmentos de quadros da narrativa proposta por Busarello (20110). No Quadro 1, apresenta-se o conteúdo da Narrativa Principal, e no Quadro 2 apresenta-se da Narrativa do Link 2. Quadrinho Roteiro da audiodescrição Q1. Um jovem com camiseta verde e um caderno embaixo do braço vem caminhando enquanto assovia. Q2. O jovem avista algo. Coraçõezinhos saem de seus olhos. Gotas caem de sua testa. Deixa cair o caderno. Q3. Uma jovem também segurando um caderno, com cabelo longo, blusa branca e saia vermelha rodada, cumprimenta o rapaz: SUZI: Oi Zeca. Gotas saem da testa de Zeca, sua mão esquerda treme ao comprimentar a menina. Com a direita, ele alarga o colarinho da camiseta. Não consegue dizer palavra: ZECA: Uhhg! Q4. Zeca imediatamente sai correndo e diz: ZECA: É que eu pre.. preciso ir, t.. tchau. Da cabeça de Suzi saem um ponto de exclamação, um ponto de interrogação e um outro ponto de exclamação. Ela fica parada coçando a cabeça enquanto olha para Zeca. Q5. Em seu quarto, Zeca está sentado na cama, segura a cabeça, tendo o cotovelo firmado na perna. Fala sozinho: ZECA: Tenho que superar minha timidez. Tenho que falar com ela, mas como faço isso? Q6. Zeca sorri, acima de sua cabeça aparece uma lâmpada acesa, indicando que teve uma ideia. Com o dedo indicador levantado, ele diz: ZECA: Claro, posso utilizar o conceito de triedro para projetar a imagem de Suzi. Imaginar que estou falando com ela, e acabar com minha timidez. Q7. Mãos seguram uma folha de caderno dobrada no centro, tanto no sentido horizontal como sentido vertical, dividida em quatro partes. A parte do canto inferior direito é retirada, as demais partes estão dobradas para dentro formando ângulos retos entre si, como um canto de uma sala. Em cada uma das faces da figura, aparece a projeção de um desenho de uma menina. Zeca fala: ZECA: É muito fácil, basta eu ter três planos, vertical, perfil e horizontal.
  • Q8. Juntanto as pontas dos dedos polegares, com os demais levantados, formando um ângulo de noventa graus, Zeca olha para um canto do seu quarto, em que as duas paredes se encontram com o piso. Ele comenta: ZECA: Esse canto do meu quarto é um triedro perfeito. Q9. Zeca se aproxima à parede que está a sua frente. Comenta: ZECA: Eu só preciso desenhar ela de frente aqui. Q10. Zeca desenha o corpo de uma garota na parede de frente, e logo começa a desenhá-la na outra parede, enquanto comenta: ZECA: De perfil aqui. Q11. Após desenhar o corpo da garota de perfil, senta-se no piso e começa a desenhar. Ele comenta: ZECA: E aqui como se eu a visse de cima. Q12. Os olhos de Zeca se iluminam. Deixa cair o lápis e sorri largamente. Ele diz: ZECA: É só utilizar a minha imaginação... Q13. Zeca completa a frase: ZECA: ...e juntar os três desenhos. Enquanto a imagem de sua amada se forma a partir das projeções dos três planos em que ele a desenhou. Q14. De boca aberta e com os olhos arregalados, Zeca exclama: ZECA: Uau! Q15. Zeca aproxima-se da imagem de Suzi, da qual saem pequenas estrelinhas por toda volta. O rapaz fecha os olhos. Estica os lábios para perto da boca da garota. N: Bizzzzz! Bizzzz! Q16. Repentinamente a imagem de Suzi desaparece, quando algo vibra no bolso de Zeca. Ele reclama: ZECA: Só me faltava essa agora. Q17. Em um telefone celular vibrando, aparece a foto do rosto de uma garota com o nome Suzi embaixo.
  • Q18. Zeca segura o celular. Olhos arregalados, boca torcida. Parece engolir em seco: ZECA: Glup! Quadro 2. Roteiro de audiodescrição da Narrativa Principal do objeto de aprendizagem em histórias em quadrinhos proposto por Busarello (2011) Quadrinho Roteiro da audiodescrição Q28. Uma folha de caderno, no sentido vertical. LEGENDA: Para montar o triedro, você pode ter um objeto plano como esta folha de papel. Q29. Duas setas nas pontas das folha indicam a dobra horizontal no meio da folha. LEGENDA: Você deve dobrar o papel uma vez na horizontal. Q30. Com a folha aberta, as setas saem dos lados, indicando uma dobra na vertical, dividindo a folha ao meio. LEGENDA: Depois dobre na vertical. Q31. A folha novamente aberta, dividida em quatro partes retangulares, pelas marcas das dobras na horizontal e na vertical. LEGENDA: O resultado será quatro partes iguais. Q32. Uma tesoura corta o retângulo inferior direito nas dobras. LEGENDA: Corte uma das partes. Q33. As três partes restantes da folha são unidas, formando ângulos retos, como um canto de uma sala em que se encontram duas paredes e o piso. LEGENDA: E dobre as outras duas formando ângulos de noventa graus em relação as outras partes. Q34. A folha de papel formando três faces, uma na horizontal, uma no lado direito e uma no fundo. Sobre a face horizontal está colocada a peça do jogo de xadrez chamada cavalo. LEGENDA: Você pode ter qualquer elemento nele, como essa peça de xadrez. Q35. A peça de xadrez aparece projetada em cada uma das faces da folha denominadas planos. Os planos são identificados por letras: PV para plano vertical, que coincide com a parede do fundo; PP para plano perfil, representado pela parede da direita; e PH para plano horizontal, identificado como piso de uma sala. No plano vertical, a imagem do cavalo do xadrez aparece como visto de frente. No plano perfil, a imagem da peça de xadrez, aparece como vista de lado, de perfil. A projeção da imagem no piso é a imagem do cavalo vista de cima. LEGENDA: Em cada plano de projeção, você terá a representação de uma das vistas do objeto.
  • Q36. A folha de caderno com os três planos aparece agora aberta, em que a parte inferior direita foi recortada. Nos planos vertical, horizontal e perfil, aparecem as projeções do cavalo visto de frente, de lado, e de cima. LEGENDA: Desdobrando a folha de papel teremos a projeção planificada do triedro. Quadro 2. Roteiro de audiodescrição da Narrativa do Link 2 do objeto de aprendizagem em histórias em quadrinhos proposto por Busarello (2011) 5. Considerações Finais Entende-se que a busca por ferramentas que auxiliem no processo de aprendizagem é um fator desafiador tanto para pesquisadores como para desenvolvedores das mais variadas áreas. Esse desafio intensifica-se quando esses objetos de aprendizagem têm caráter acessível. Isso implica um aprofundamento em realidades específicas, tendo como base os sentidos de captação de informação de cada indivíduo. Ao mesmo tempo é necessário encontrar pontos em comum para que uma única mídia possa servir a um grupo heterogênico de pessoas. Nesse sentido, as tecnologias assistivas contribuem para que determinadas mídias possam servir a públicos distintos. Percebe-se que as histórias em quadrinhos são mídias eficientes para o aprendizado. Entretanto, encontra-se pouca aplicação dessa mídia sob o aspecto acessível. Nesse contexto, criou-se um objeto de aprendizagem com base em histórias em quadrinhos que pudessem servir tanto ao público surdo, como não surdo. Essa aplicação ainda se encontra em pesquisa, mas vem demonstrando resultados eficientes. Entretanto, por partir-se de um viés acessível, a questão é como esta mesma mídia pode adaptar-se para um público desprovido do sentido da visão. Dessa forma, entende-se que tecnologias assistivas, como a audiodescrição, podem contribuir para o acesso a mídias prioritariamente visuais, por parte do público cego. Nesse sentido, este artigo apresentou a primeira abordagem sobre a audiodescrição de uma história em quadrinhos com foco na aprendizagem acessível. Não se pretendeu aqui mostrar resultados de aplicações do objeto com o público, mas apenas explicitar o processo de transposição da mídia visual para textual. A partir disso, salienta-se que o processo de tradução da imagem para o texto é um procedimento complexo. A audiodescrição se baseia em normas que favorecem a neutralidade do narrador, para que não haja interferência na leitura da imagem. Da mesma forma, quando se trata de uma mídia como as histórias em quadrinhos, algumas diretrizes são apontadas. Percebe-se que pela complexidade das informações visuais em cada quadro, deve-se fazer uma escolha quanto aos itens recomendados para se audiodescrever, uma vez que o texto pode ficar muito longo e isso pode prejudicar o entendimento por parte do aluno. Entretanto, esta hipótese só poderá ser fundamentada a partir das aplicações do objeto com alunos cegos. De forma análoga, muito do que é apontado como recomendações para audiodescrição não é contemplado na estruturação de quadrinhos quando aplicados no ambiente hipermídia. Através dessa mudança de ambiente, as histórias em quadrinhos podem ser configuradas das mais variadas formas, onde as possibilidades são mais complexas do que a linearidade da mídia tradicional. Conclui-se que são necessárias mais pesquisas sobre este tópico, já que englobam áreas pertinentes da contemporaneidade, além de terem um forte apelo sócio-cultural. O exposto faz parte de um primeiro experimento onde são apresentadas apenas soluções dadas à leitura dos quadros. Entretanto, ainda há uma série de outros fatores que devem ser considerados, como, por exemplo, o próprio teste com alunos cegos. Uma das hipóteses é que o desenvolvimento de objetos de aprendizagem, como o proposto, deve ser visto como uma atividade interdisciplinar, em que o processo de construção de um objeto deve partir das necessidades e especificidades de um amplo contingente de indivíduos, para soluções que se adaptem a cada realidade. 6. Referências Bibliográficas Alves, Soraya Ferreira. 2012. Tradução intersemiótica: interfaces, ressignificações e crítica das adaptações da literatura para o cinema. Disponível em
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Audiodescrição como tecnologia de acessibilidade para histórias em quadrinhos hipermidiáticas

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Este artigo explicita o processo de produção da audiodescrição de história em quadrinhos hipermídia criada como objeto de aprendizagem. As diretrizes gerais da audiodescrição buscam a neutralidade, evitando a interferência na leitura da imagem. Entretanto, essas normas não contemplam a estruturação de quadrinhos hipermidiáticos, tornando-se campo aberto de pesquisa.
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  • AUDIODESCRIÇÃO COMO TECNOLOGIA DE ACESSIBILIDADE PARA HISTÓRIAS EM QUADRINHOS HIPERMIDIÁTICAS AUDIODESCRIPTION AS ACCESSIBILITY’S TECHNOLOGY FOR COMICS HYPERMEDIA Raul Inácio Busarello1, Elton Vergara Nunes2, Vania Ribas Ulbricht3, Tarcísio Vanzin4 (1) Mestre, Universidade Federal de Santa Catarina e-mail: raulbusarello@gmail.com (2) Mestre, Universidade Federal de Santa Catarina/Universidade Federal de Pelotas e-mail: vergaranunes@gmail.com (3) Doutora, Universidade Federal de Santa Catarina e-mail: vrulbricht@gmail.com (4) Doutor, Universidade Federal de Santa Catarina e-mail: tvanzin@gmail.com Histórias em quadrinhos, audiodescrição, aprendizagem Este artigo explicita o processo de produção da audiodescrição de história em quadrinhos hipermídia criada como objeto de aprendizagem. As diretrizes gerais da audiodescrição buscam a neutralidade, evitando a interferência na leitura da imagem. Entretanto, essas normas não contemplam a estruturação de quadrinhos hipermidiáticos, tornando-se campo aberto de pesquisa. Comics, audio description, learning In this paper, we explain the audio description’s production process for comics created as hypermedia learning object. The audio description’s general guidelines indicate to neutrality. It avoids interference in the image's reading. However, these guidelines don't cover the comics hypermedia's structure becoming it an open field of research. 1. Introdução Os princípios da acessibilidade estão fundamentados em garantir a cidadania a toda a população, independentemente das características sensoriais, motoras ou psíquicas de cada indivíduo. Enfatiza-se o direito de acesso aos cidadãos aos mesmos lugares, objetos e conteúdos (BRASIL, 2010a). Ulbricht e Villarouco (2011, p. 43) consideram que investir em ferramentas para a educação inclusiva é um avanço na “independência das pessoas com deficiência, contribuindo ainda para melhoria da autoestima e crescimento da capacidade intelectual da população beneficiada”. Com base nesse conceito, entende-se que a criação e o desenvolvimento de objetos de aprendizagem devem ter foco em um público amplo, por isso exigem adaptações na linguagem e tecnologias que facilitem o acesso de pessoas com ou sem algum tipo de deficiência (VERGARA-NUNES et al., 2011). Nesse aspecto, a pesquisa sobre a utilização ou criação de mídias que facilitem a aprendizagem, sob a ótica da acessibilidade, torna-se essencial para o fortalecimento de uma educação plena. Busarello (2011) propõe a utilização de histórias em quadrinhos, em ambiente hipermídia, como forma alternativa na aprendizagem do indivíduo surdo. Dentro de sua pesquisa, vem buscando evidências sobre a utilização dessa mídia como recurso alternativo no processo de aprendizagem deste público. Conforme Gerde e Foster (2008), as histórias em quadrinhos constituem narrativas modernas e eficazes como meio de aprendizagem de temas sociais complexos. No processo de aprendizagem, os quadrinhos podem ser utilizados como mediadores para que os alunos tratem de assuntos com carga emocional elevada, como preconceito e discriminação, por exemplo. Além
  • disso, possibilitam que alunos possam explorar universos alternativos, estimulando a discussão de temas e termos teóricos, além do incentivo ao pensamento crítico (GERDE, FOSTER, 2008; TUNCEL, AYVA, 2010). Para Gordon (2006), as histórias em quadrinhos são mídias narrativas que exploram experiências humanas. Nesse aspecto, o autor entende que essas experiências são elementos fudamentais para que o indivíduo possa construir sua memória, comunicação e o próprio conhecimento. Além disso, Tatalovic (2009) considera que as histórias em quadrinhos são narrativas envolventes, que podem ser utilizadas como suporte para abordar conceitos de aprendizagem. Segundo Short e Reeves (2009), a utilização de histórias em quadrinhos contribui para que os alunos possam perceber que questões universais estão presentes em contextos diversos. Gerde e Foster (2008) entendem que um dos benefícios da linguagem dos quadrinhos é que várias informações podem ser vistas ao mesmo tempo, independentemente de sua sequencialidade. Isso porque o leitor pode desenvolver o conteúdo da mídia de forma única, através de sua imposição e ritmo de leitura. Essas características atribuem certa independência ao aluno durante a aprendizagem. Mcluhan (1964) entende que, como as histórias em quadrinhos exigem maior interação com o leitor, em virtude de sua estrutura narrativa, também constituem uma mídia com maior proximidade emocional com o leitor (HUGHES, KING, 2010), colaborando para o processo de ensino aprendizagem. Entretanto, as histórias em quadrinhos são mídias prioritariamente visuais (MOYA, 1977; CIRNE, 2000), por isso, sua utilização por Busarello (2011) como alternativa para o aluno surdo. Para que seja uma mídia acessível, os quadrinhos devem também contemplar pessoas com deficiência visual. Quevedo (2011) entende que desenvolvedores devem estar cientes das dificuldades sensoriais dos indivíduos cegos, e por isso precisam focar em projetos que facilitem a inclusão deste público. Da mesma forma, o conteúdo deve ser tratado de maneira a facilitar a recepção do indivíduo cego. Dentro desta ótica, entende-se a necessidade da aplicação e desenvolvimento de tecnologias assistivas que possibilitem o acesso a conteúdos visuais. Com base em Bersch (2010), as tecnologias assistivas permitem que pessoas com deficiência possam executar suas tarefas com autonomia, proporcionando independência, inclusão social, mobilidade e habilidade de aprendizado. Uma das tecnologias assistivas que permitem a leitura de imagens, tanto estáticas como dinâmicas, para pessoas cegas ou com deficiência visual é a audiodescrição. De acordo com a portaria 188/2010 do Ministério das Comunicações, audiodescrição é definida como “a narração, em língua portuguesa, integrada ao som original da obra audiovisual, contendo descrições de sons e elementos visuais e quaisquer informações adicionais que sejam relevantes para possibilitar a melhor compreensão desta por pessoas com deficiência visual e intelectual” (BRASIL, 2010b). Vergara-Nunes e Busarello (2011) apresentaram a aplicação da audiodescrição como recurso assistivo para que pessoas cegas tenham acesso a histórias em quadrinhos. Dessa forma, evidencia-se a necessidade de pesquisa a respeito da utilização de histórias em quadrinhos para aprendizagem também do indivíduo cego, tendo como base as vantagens da utilização dessa mídia. Nesse sentido, o objetivo deste artigo é explicitar o processo de produção da audiodescrição de parte dos quadros que compõem a história em quadrinhos criada por Busarello (2011), como objeto de aprendizagem. Esse objeto, inicialmente criado com foco na acessibilidade para indivíduos surdos e não surdos, apresenta-se como potencial ferramenta de aprendizagem para outros públicos, tendo em vista as características dessa mídia no processo educacional. Neste artigo, não se apresenta a testagem do experimento, apenas o processo de audiodescrição dos quadrinhos citados. 2. Audiodescrição como recurso assistivo A audiodescrição é um recurso assistivo que traduz mensagens visuais em palavras, contribuindo para o acesso de pessoas cegas ou com deficiência visual às imagens estáticas ou dinâmicas. Entende- se este recurso assistivo como fator de inclusão do público desprovido do sentido da visão a conteúdos audiovisuais. Para Alves (2012), sua função é a transposição de um signo visual para um verbal, classificando-se assim como uma
  • tradução intersemiótica. Motta e Romeu Filho (2010) consideram a audiodescrição como uma atividade de mediação linguística, que contribui para o acesso de uma parcela da população à cultura e à informação. Dessa forma, contribui para a inclusão tanto social, quanto cultural e educacional. Este recurso tem uma abrangência maior do que pessoas com deficiência visual, pois pode ser utilizado também para que pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos tenham acesso às mídias visuais (NAVARRO, LÓPEZ, 2010; MELO, LIMA, 2010). Vergara-Nunes e Busarello (2011) defendem a máxima da audiodescrição que é a descrição fiel de uma determinada imagem, tendo como princípio descrever aquilo que se vê. Além disso, percebem que o acesso a mídias prioritariamente visuais, como as histórias em quadrinhos, ainda não são exploradas de forma acessível. Entretanto, entendem que é uma tecnologia que possibilita a inclusão de pessoas com deficiência visual, contribuindo para sua cidadania. De acordo com Piety (2010), a audiodescrição surgiu como forma sistemática em 1975, em um trabalho de pós-graduação, na Universidade de San Francisco, Estados Unidos. No Brasil, a tecnologia começou a ser implantada nas redes de televisão em de 01 de julho de 2011, inicialmente com 2 horas semanais de programação no primeiro ano, chegando a 20 horas semanais no prazo de dez anos (BRASIL, 2010b). Do ponto de vista comercial, a audiodescrição tem ganhado espaço em DVDs desde 2005, como por exemplo, a obra “Irmãos de Fé”, do Padre Marcelo Rossi, e o documentário intitulado “Yuka no caminho das setas”, sobre a vida de Marcelo Yuka do Grupo Rappa, lançado em junho de 2013 com audiodescrição e legendas (VIDA MAIS LIVRE, 2013). Como requisitos de descrição de uma imagem para a audiodescrição, recomenda-se (BRASIL, 2012): identificar e localizar o sujeito, objeto ou cena que devem ser descritos; utilizar adjetivos para qualificar o sujeito, objeto ou cena; utilizar verbo para descrever a ação; utilizar advérbios para descrever o contexto e referenciar o tempo da ação; identificar os enquadramentos das imagens; após cada imagem, acrescentar fonte, legenda e descrição; garantir a fidelidade entre imagem e texto; utilizar termos adequados às áreas de conhecimento; evitar deixar elementos descontextualizados; mencionar cores e demais detalhes; utilizar artigos indefinidos quando é a primeira vez que um elemento ou pessoa aparece, em contrapartida, utilizar artigos definidos quando já são conhecidos; adotar sempre o presente como tempo verbal; identificar a fonte, autor e mídia (como história em quadrinhos); no caso de histórias em quadrinhos, considerar a linguagem por faixa etária; descrever elementos de cena e tipografia, assim como formatos de balão; apontar número de quadros presentes e a mudança de uma para outro, marcando-os com Q e o número correspondente; anunciar fala dos personagens por meio de verbos – como: dizer, responder e assim por diante; discriminar as paisagens, contexto onde ocorre a ação. De acordo com Campos (2010), na audiodescrição de histórias em quadrinhos, é preciso que os personagens principais sejam apresentados ao público, além de informações sobre autoria e edição da obra. Além disso, é preciso que o leitor conheça alguns elementos para a navegação na história, como: a letra Q seguida de um número identifica um quadro, onde é descrito o ambiente e os personagens presentes na cena; a letra N identifica o narrador da história; onomatopeias precedidas de um asterisco devem estar em letra maiúscula; o nome do locutor (que lê as audiodescrições) deve ser indicado com o título da história. Schwartz (2010) considera que, para se alcançar o objetivo da audiodescrição, é preciso que se assuma o audiodescritor locutor como o narrador da obra. Dessa forma, um narrador não deve interferir na ação, na sequência e na interpretação dos fatos, mas deve ser sutil e fazer parte do universo audiodescrito. 3. A construção do objeto de aprendizagem As histórias em quadrinhos são mídias que, além de entreter, apresentam-se como um meio de motivação dos leitores. Para Gerde e Foster (2008), os quadrinhos promovem tanto um apelo racional como emocional com o público, isso devido à utilização da imagem e do texto para formar uma única mensagem. Eisner (2008) identifica que o leitor de quadrinhos absorve os significados dessa
  • mídia através a arte contida na mesma. Nesse sentido, tanto o estilo da arte, como o contexto em que essa história em quadrinhos será lida farão parte do entendimento de seus significados. Partindo deste conceito, identificou-se que, para o quadrinho proposto por Busarello (2011), a escolha pelo estilo da arte e história tem como referência trabalhos de quadrinhistas brasileiros, com ênfase em um fluxo narrativo leve e um tom de humor sutil (PATATI, BRAGA, 2006; VERGUEIRO, BARI, 2002; VERGUEIRO, 2007). Isso ocorre tendo em vista o foco de aprendizagem em adolescentes com idade acima dos 15 anos e adultos, de ambos os sexos. Definiu-se também que esta história em quadrinhos é um objeto de aprendizagem, por isto “deve cumprir dois requisitos fundamentais: aprendizagem e reutilização” (MACEDO, 2010, p. 82). Significa que esse objeto deve ter a capacidade de ser reaproveitável por desenvolvedores distintos e contextos instrucionais variados. Objetos de aprendizagem devem possuir três partes: “o objetivo explícito da aprendizagem, o conteúdo propriamente dito, necessário para atingir os objetivos, e a prática ou avaliação de conhecimentos.” (MACEDO, 2010, p. 88). Além disso, esse objeto deve permitir maior interatividade com o aluno, permitindo maior reflexão e culminando na formação de novos conceitos por parte do indivíduo. Para Busarello (2011), cada quadro isolado da história pode ser utilizado por professores no processo de aprendizagem, entretanto isso não forma uma história em quadrinhos. Para isso, é preciso um agrupamento significativo de quadros que formam uma narrativa sequencial lógica (MOYA, 1977; CIRNE, 2000). Identifica-se, desta maneira, que esses conjuntos mínimos de quadros, agrupados de forma lógica, formam a história em quadrinhos proposta em sua totalidade (BUSARELLO, 2011). Por ser uma história em quadrinhos que tem como base a utilização de narrativas em ambientes hipermídia, sua estruturação segue a proposta de Vergara-Nunes et al. (2011), onde a não linearidade está limitada a uma única entrada e saída do objeto de aprendizagem. Entretanto, dentro do objeto, o aluno/usuário encontra uma série de links e caminhos possíveis na história. Além disso, a saída está atrelada a uma avaliação da aprendizagem positiva do indivíduo. Para a construção da narrativa, foi utilizado como base o paradigma de Field (2001), que salienta que um roteiro é formado por uma variedade de peças individuais que, relacionadas entre si, formam uma unidade, constituída de começo, meio de fim. Estes três elementos também são formados por peças isoladas. Dessa forma, Busarello (2011) entende que, na concepção da história, é possível estruturar a mesma de maneira que possa ser lida de forma não linear, desde que respeite certa coerência no propósito da narrativa. Nessa mesma linha, Braga et al. (2006) identificam que uma narrativa hipertextual pode ser estruturada tanto de forma linear como não linear, isso depende da maneira como o narrador/roteirista trabalhará os elementos da linguagem. Além disso, para McCloud (2006), uma série de quadrinhos embutidos em outros cria uma sensação de aprofundamento da história, por isto, links podem ser um recurso que auxilia o leitor a conhecer aspectos que complementam uma narrativa principal. Murray (2003) identifica que a utilização de links corrobora para maior interação do aluno, além de possibilitar que conteúdos possam ser revisados, ou vistos de outra forma. No objeto de aprendizagem proposto por Busarello (2011), apresentado na Figura 1, a história em quadrinhos é formada por uma narrativa principal linear, onde a narrativa ficcional apresenta o conteúdo de projeção cilíndrica ortogonal. Essa narrativa termina em uma avaliação. Além disso, há uma narrativa secundária, com o mesmo conteúdo de aprendizagem, mas com diferente história, que é acessada depois da avaliação. Com base em Field (2001), as duas partes da história foram construídas de forma que possam ser lidas tanto isoladas, como uma única sequência. Nessa estrutura existem links, com conteúdos que retomam determinado assunto. Esse aprofundamento é de ordem pontual, favorecendo que o aluno possa aprofundar-se sobre a ocorrência de alguns fatos na narrativa, principalmente na exemplificação do conteúdo de aprendizagem.
  • Figura 1. Estrutura da história em quadrinhos proposta por Busarello (2011) como objeto de aprendizagem hipermídia Por ser um objeto de aprendizagem (MACEDO, 2010), identifica-se na estrutura da Figura 1 que no processo de avaliação, se a resposta for negativa (N), o aluno é remetido a uma continuação da história, revendo o mesmo conteúdo e com a possibilidade de links. Entretanto, se a avaliação for positiva (S), o usuário é remetido à outra narrativa em quadrinhos, que apresenta conteúdo diferente daquele que o aluno já viu. Essa interação, no contexto de Field (2001), pode ser caracterizada como um ponto de virada, já que redireciona a história para determinada continuidade. Quanto à narrativa, Busarello (2011) cria como contexto para que o conteúdo de projeção cilíndrica ortogonal a história de “um adolescente apaixonado por uma colega, que não consegue declarar seu amor, por causa de sua timidez. Toda vez que tenta falar com a menina, fica envergonhado, sem palavras. Para tentar superar esse problema, o jovem utiliza, em um canto de seu quarto, os conceitos do Triedro para desenhar a amada e assim, na sua imaginação, poder viver seu sonho. A narrativa é interrompida quando recebe uma chamada no celular, de sua colega” (BUSARELLO, 2011, p. 102). Após a primeira avaliação, a história continua: “A adolescente, por saber que seu colega é bom em entender projetos, convida-o para ajudá-la a construir a casinha de sua cachorra. O adolescente, que no primeiro momento se sente tímido frente à moça, vai se soltando enquanto constrói a casa de cachorros. No final, a adolescente revela seu afeto pelo amigo, dando-lhe um beijo. O rapaz fica sem ação” (ibidem). Como propósito deste artigo, na próxima seção é apresentada a proposta de audiodescrição para tornar acessível esta história para pessoas cegas. 4. Audiodescrevendo os quadrinhos Nas histórias em quadrinhos, o processo da leitura dos quadros é o que constroi o texto narrativo (EISNER, 2008). Silva (2010) identifica que o significado da narrativa parte da interpretação de cada quadro que compõe os quadrinhos. Para Cirne (2000), o conjunto sequencial de imagens estáticas que formam as histórias em quadrinhos é sempre relacional, o que interfere na significação da história. Nesse sentido, Eisner (2008) entende que a leitura dessa mídia depende da experiência do leitor para que este consiga processar determinada mensagem. Devido à forma como as histórias em quadrinhos são estruturadas, sua leitura requer maior interação do leitor (MCLUHAN, 1964). Para Short e Reeves (2009), as ilustrações que compõem as histórias em quadrinhos não são retratações fieis da realidade. Entretanto, o reconhecimento dos elementos visuais é possível graças à interação do leitor na interpretação das imagens e preenchimento dos espaços entre os quadros. De acordo com Schwartz (2010), a audiodescrição não se caracteriza como um serviço meramente técnico, exigindo envolvimento intenso com o objetivo do projeto. Por isso, é preciso encontrar um vocabulário que seja adequado e um tom de voz para que a audiodescrição esteja integrada à obra visual e audiovisual. O fato de o tom de voz ter que ser neutro não significa que não possa ser expressivo. Entretanto, não pode interferir na obra. Dessa forma, o texto para a audiosdecrição dos quadros da história procura seguir certa neutralidade, focando em aspcetos relevantes da construção das imagens. Os áudios foram gravados com voz masculina. Tanto o roteiro da audiodescrição como a narração foram feitos por Elton Vergara-Nunes. Para a construção da audiodescrição apresentada nos quadrinhos abaixo, salienta-se que o texto correspondente à fala do audiodescritor-narrador é tudo aquilo que vem depois da identificação do quadro, representado pela letra Q. Nessa audiodescrição, o audiodescritor-narrador – denominado "locutor" pelos autores, para diferenciá-lo do narrador da história em quadrinhos – deverá não somente
  • descrever os elementos descritivos do cenário (roupas, elementos etc.) como descrever as ações dos personagens. Como nas histórias em quadrinhos, os textos das falas, tanto dos personagens como do narrador da história, são apresentados em forma de imagem, ou seja, fazem parte do quadrinho desenhado, é necessário que o audiodescritor-locutor (ou simplesmente locutor) diga esse texto também, tornando-o acessível. Porém, deixando claro que se trata de texto. Por isso há a identificação do nome do personagem, antes de suas falas, bem como do narrador da história, quando necessário. Para facilitar a compactação dos dados nesse artigo, os quadros com seus respectivos textos de audiodescrição são apresentados a seguir, seguindo como base a estrutura apresentada na Figura 1. Em virtude do recorte, apresenta-se, neste artigo, o roteiro da audiodescrição de dois segmentos de quadros da narrativa proposta por Busarello (20110). No Quadro 1, apresenta-se o conteúdo da Narrativa Principal, e no Quadro 2 apresenta-se da Narrativa do Link 2. Quadrinho Roteiro da audiodescrição Q1. Um jovem com camiseta verde e um caderno embaixo do braço vem caminhando enquanto assovia. Q2. O jovem avista algo. Coraçõezinhos saem de seus olhos. Gotas caem de sua testa. Deixa cair o caderno. Q3. Uma jovem também segurando um caderno, com cabelo longo, blusa branca e saia vermelha rodada, cumprimenta o rapaz: SUZI: Oi Zeca. Gotas saem da testa de Zeca, sua mão esquerda treme ao comprimentar a menina. Com a direita, ele alarga o colarinho da camiseta. Não consegue dizer palavra: ZECA: Uhhg! Q4. Zeca imediatamente sai correndo e diz: ZECA: É que eu pre.. preciso ir, t.. tchau. Da cabeça de Suzi saem um ponto de exclamação, um ponto de interrogação e um outro ponto de exclamação. Ela fica parada coçando a cabeça enquanto olha para Zeca. Q5. Em seu quarto, Zeca está sentado na cama, segura a cabeça, tendo o cotovelo firmado na perna. Fala sozinho: ZECA: Tenho que superar minha timidez. Tenho que falar com ela, mas como faço isso? Q6. Zeca sorri, acima de sua cabeça aparece uma lâmpada acesa, indicando que teve uma ideia. Com o dedo indicador levantado, ele diz: ZECA: Claro, posso utilizar o conceito de triedro para projetar a imagem de Suzi. Imaginar que estou falando com ela, e acabar com minha timidez. Q7. Mãos seguram uma folha de caderno dobrada no centro, tanto no sentido horizontal como sentido vertical, dividida em quatro partes. A parte do canto inferior direito é retirada, as demais partes estão dobradas para dentro formando ângulos retos entre si, como um canto de uma sala. Em cada uma das faces da figura, aparece a projeção de um desenho de uma menina. Zeca fala: ZECA: É muito fácil, basta eu ter três planos, vertical, perfil e horizontal.
  • Q8. Juntanto as pontas dos dedos polegares, com os demais levantados, formando um ângulo de noventa graus, Zeca olha para um canto do seu quarto, em que as duas paredes se encontram com o piso. Ele comenta: ZECA: Esse canto do meu quarto é um triedro perfeito. Q9. Zeca se aproxima à parede que está a sua frente. Comenta: ZECA: Eu só preciso desenhar ela de frente aqui. Q10. Zeca desenha o corpo de uma garota na parede de frente, e logo começa a desenhá-la na outra parede, enquanto comenta: ZECA: De perfil aqui. Q11. Após desenhar o corpo da garota de perfil, senta-se no piso e começa a desenhar. Ele comenta: ZECA: E aqui como se eu a visse de cima. Q12. Os olhos de Zeca se iluminam. Deixa cair o lápis e sorri largamente. Ele diz: ZECA: É só utilizar a minha imaginação... Q13. Zeca completa a frase: ZECA: ...e juntar os três desenhos. Enquanto a imagem de sua amada se forma a partir das projeções dos três planos em que ele a desenhou. Q14. De boca aberta e com os olhos arregalados, Zeca exclama: ZECA: Uau! Q15. Zeca aproxima-se da imagem de Suzi, da qual saem pequenas estrelinhas por toda volta. O rapaz fecha os olhos. Estica os lábios para perto da boca da garota. N: Bizzzzz! Bizzzz! Q16. Repentinamente a imagem de Suzi desaparece, quando algo vibra no bolso de Zeca. Ele reclama: ZECA: Só me faltava essa agora. Q17. Em um telefone celular vibrando, aparece a foto do rosto de uma garota com o nome Suzi embaixo.
  • Q18. Zeca segura o celular. Olhos arregalados, boca torcida. Parece engolir em seco: ZECA: Glup! Quadro 2. Roteiro de audiodescrição da Narrativa Principal do objeto de aprendizagem em histórias em quadrinhos proposto por Busarello (2011) Quadrinho Roteiro da audiodescrição Q28. Uma folha de caderno, no sentido vertical. LEGENDA: Para montar o triedro, você pode ter um objeto plano como esta folha de papel. Q29. Duas setas nas pontas das folha indicam a dobra horizontal no meio da folha. LEGENDA: Você deve dobrar o papel uma vez na horizontal. Q30. Com a folha aberta, as setas saem dos lados, indicando uma dobra na vertical, dividindo a folha ao meio. LEGENDA: Depois dobre na vertical. Q31. A folha novamente aberta, dividida em quatro partes retangulares, pelas marcas das dobras na horizontal e na vertical. LEGENDA: O resultado será quatro partes iguais. Q32. Uma tesoura corta o retângulo inferior direito nas dobras. LEGENDA: Corte uma das partes. Q33. As três partes restantes da folha são unidas, formando ângulos retos, como um canto de uma sala em que se encontram duas paredes e o piso. LEGENDA: E dobre as outras duas formando ângulos de noventa graus em relação as outras partes. Q34. A folha de papel formando três faces, uma na horizontal, uma no lado direito e uma no fundo. Sobre a face horizontal está colocada a peça do jogo de xadrez chamada cavalo. LEGENDA: Você pode ter qualquer elemento nele, como essa peça de xadrez. Q35. A peça de xadrez aparece projetada em cada uma das faces da folha denominadas planos. Os planos são identificados por letras: PV para plano vertical, que coincide com a parede do fundo; PP para plano perfil, representado pela parede da direita; e PH para plano horizontal, identificado como piso de uma sala. No plano vertical, a imagem do cavalo do xadrez aparece como visto de frente. No plano perfil, a imagem da peça de xadrez, aparece como vista de lado, de perfil. A projeção da imagem no piso é a imagem do cavalo vista de cima. LEGENDA: Em cada plano de projeção, você terá a representação de uma das vistas do objeto.
  • Q36. A folha de caderno com os três planos aparece agora aberta, em que a parte inferior direita foi recortada. Nos planos vertical, horizontal e perfil, aparecem as projeções do cavalo visto de frente, de lado, e de cima. LEGENDA: Desdobrando a folha de papel teremos a projeção planificada do triedro. Quadro 2. Roteiro de audiodescrição da Narrativa do Link 2 do objeto de aprendizagem em histórias em quadrinhos proposto por Busarello (2011) 5. Considerações Finais Entende-se que a busca por ferramentas que auxiliem no processo de aprendizagem é um fator desafiador tanto para pesquisadores como para desenvolvedores das mais variadas áreas. Esse desafio intensifica-se quando esses objetos de aprendizagem têm caráter acessível. Isso implica um aprofundamento em realidades específicas, tendo como base os sentidos de captação de informação de cada indivíduo. Ao mesmo tempo é necessário encontrar pontos em comum para que uma única mídia possa servir a um grupo heterogênico de pessoas. Nesse sentido, as tecnologias assistivas contribuem para que determinadas mídias possam servir a públicos distintos. Percebe-se que as histórias em quadrinhos são mídias eficientes para o aprendizado. Entretanto, encontra-se pouca aplicação dessa mídia sob o aspecto acessível. Nesse contexto, criou-se um objeto de aprendizagem com base em histórias em quadrinhos que pudessem servir tanto ao público surdo, como não surdo. Essa aplicação ainda se encontra em pesquisa, mas vem demonstrando resultados eficientes. Entretanto, por partir-se de um viés acessível, a questão é como esta mesma mídia pode adaptar-se para um público desprovido do sentido da visão. Dessa forma, entende-se que tecnologias assistivas, como a audiodescrição, podem contribuir para o acesso a mídias prioritariamente visuais, por parte do público cego. Nesse sentido, este artigo apresentou a primeira abordagem sobre a audiodescrição de uma história em quadrinhos com foco na aprendizagem acessível. Não se pretendeu aqui mostrar resultados de aplicações do objeto com o público, mas apenas explicitar o processo de transposição da mídia visual para textual. A partir disso, salienta-se que o processo de tradução da imagem para o texto é um procedimento complexo. A audiodescrição se baseia em normas que favorecem a neutralidade do narrador, para que não haja interferência na leitura da imagem. Da mesma forma, quando se trata de uma mídia como as histórias em quadrinhos, algumas diretrizes são apontadas. Percebe-se que pela complexidade das informações visuais em cada quadro, deve-se fazer uma escolha quanto aos itens recomendados para se audiodescrever, uma vez que o texto pode ficar muito longo e isso pode prejudicar o entendimento por parte do aluno. Entretanto, esta hipótese só poderá ser fundamentada a partir das aplicações do objeto com alunos cegos. De forma análoga, muito do que é apontado como recomendações para audiodescrição não é contemplado na estruturação de quadrinhos quando aplicados no ambiente hipermídia. Através dessa mudança de ambiente, as histórias em quadrinhos podem ser configuradas das mais variadas formas, onde as possibilidades são mais complexas do que a linearidade da mídia tradicional. Conclui-se que são necessárias mais pesquisas sobre este tópico, já que englobam áreas pertinentes da contemporaneidade, além de terem um forte apelo sócio-cultural. O exposto faz parte de um primeiro experimento onde são apresentadas apenas soluções dadas à leitura dos quadros. Entretanto, ainda há uma série de outros fatores que devem ser considerados, como, por exemplo, o próprio teste com alunos cegos. Uma das hipóteses é que o desenvolvimento de objetos de aprendizagem, como o proposto, deve ser visto como uma atividade interdisciplinar, em que o processo de construção de um objeto deve partir das necessidades e especificidades de um amplo contingente de indivíduos, para soluções que se adaptem a cada realidade. 6. Referências Bibliográficas Alves, Soraya Ferreira. 2012. Tradução intersemiótica: interfaces, ressignificações e crítica das adaptações da literatura para o cinema. Disponível em
  • . Acesso em: 11 dez. 2012. Audio Description. 2010. Disponível em: . Acesso em: 08 mai. 2010. Bersch, Rita. 2010. Curso de tecnologia assistiva. Disponível em: . Acesso em: 20 set. 2010. Braga, M. C. G et al. T. 2006. Hipermídia: uma jornada entre narrativas e roteiros. Congresso Nacional de Ambientes Hipermídia para Aprendizagem – CONAHPA. Florianópolis de 09 a 13 de abril de 2006. Brasil. Ministério das Comunicações. 2010a. Decreto 5.296 – de 02 de dezembro de 2004. Disponível em: . Acesso em: 23 abr. 2010a. Brasil. Ministério das Comunicações. 2010b. Portaria 188 – de 24 de março de 2010. Disponível em: . Acesso em: 23 de abr. 2010b. Brasil. Ministério da Educação. Orientações para descrição de imagem na geração de material digital acessível – Mecdaisy. Nota Técnica Nº 21 / 2012 / MEC / SECADI /DPEE. Acesso em: 10 abr. 2012. Busarello, Raul Inácio.2011. Geração de conhecimento para usuário surdo baseada em histórias em quadrinhos hipermidiáticas. Dissertação apresentada para a obtenção ao título de Mestre no Programa de Pós-graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento, área Mídia e Conhecimento, da Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, SC, 2011. Campos, Luiz. 2010. HQ para DV Ler. Blog com histórias em quadrinhos audiodescritas. Disponível em: . Acesso em: 27 nov. 2010. Cirne, Moacy. 2000. Quadrinhos, sedução e paixão. Petrópolis, RJ : Vozes, 2000. Eisner, Will. 2008. Narrativas gráficas: princípios e práticas da lenda dos quadrinhos. Tradução de Leandro Luigi. 2ª. Ed, Devir, São Paulo. Field, Syd. 2001. Manual do roteiro: os fundamento do texto cinematográfico. Objetiva, Rio de Janeiro. Gerde, Virginia W.; Foster, R. Spencer Foster. X- Men Ethics: Using Comic Books to Teach Business Ethics. DOI 10.1007/s10551-006-9347-3. Journal of Business Ethics (2008) 77:245–258. Gordon, Andrew S. 2006. Fourth Frame Forums: Interactive Comics for Collaborative Learning. ACM 1-59593-447-2/06/0010. MM’06, October 23–27, 2006, Santa Barbara, California, USA. Hughes, Janette; King Alyson E. 2010. Dual Pathways to Expression and Understanding: Canadian Coming-of-Age Graphic Novels. DOI 10.1007/s10583-009-9098-8. Children’s Literature in Education. 41:64–84. Inclusão: ampla, geral e irrestrita. 2010. Corde e a audiodescrição. Disponível em: . Acesso em: 20 nov. 2010. Macedo, C. M. S. 2010. Diretrizes para criação de objetos de aprendizagem acessíveis. Tese para obtenção do título de Doutor no programa Pós Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento – PPEGC, da Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis. McCloud, Scott. 2006. Reinventando os Quadrinhos: como a imaginação e a tecnologia vêm revolucionando essa forma de arte. M. Books do Brasil Editora Ltda, São Paulo. Mcluhan, Marshall. 1964. Os meios de comunicação como extensões do homem. Tradução de Décio Pignatari. Cultrix, São Paulo. Melo, Vieira Paulo André de; Lima, Francisco José de. 2010. A teoria na prática: áudio-descrição, uma inovação no material didático. Disponível em
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