Artigo - Interaces Entre Escola e Proteco Civil

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    ISSN 1645-0388 Volume 15 n 50

    2010

    R e v i s t a E l e c t r n i c a d e C i n c i a s d a T e r r a G e o s c i e n c e s O n - l i n e J o u r n a l GEOTIC Sociedade Geolgica de Portugal VIII Congresso Nacional de Geologia

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    Interaces entre escola e proteco civil a exposio S.O.S. Riscos Naturais

    Interactions between schools and civil protection the exhibition

    S.O.S. Natural Risks D.J. LOPES joana.lopes@cm-coimbra.pt (Gabinete de Proteco Civil e Segurana Municipal da Cmara Municipal de Coimbra e Centro de Geocincias da Universidade de Coimbra)

    M.H. HENRIQUES hhenriq@dct.uc.pt (Departamento de Cincias da Terra e Centro de Geocincias da Universidade de Coimbra) A.O. TAVARES atavares@ci.uc.pt (Departamento de Cincias da Terra e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra) RESUMO: O presente trabalho apresenta os resultados de uma investigao centrada numa interveno educativa de carcter no-formal, que envolveu a realizao de actividades de sensibilizao em proteco civil, no mbito de uma visita exposio S.O.S. Riscos Naturais, patente na Casa Municipal da Proteco Civil de Coimbra. Tendo como objectivo estimular, nos alunos envolvidos, a adopo, no seu quotidiano, de atitudes e comportamentos adequados para a preveno dos riscos naturais, a interveno registou mudanas nas percepes dos alunos acerca dos riscos a que podem estar expostos. PALAVRAS-CHAVE: Riscos Naturais, Segurana, Proteco Civil, Recursos educativos no-formais, Exposio. ABSTRACT: This work refers to the results of a research based on an educative intervention of non-formal character, which involved the execution of awareness activities in the scope of civil protection, and of a visit to the exhibition S.O.S Naturals Risks, patent on Casa Municipal da Proteco Civil de Coimbra. Having as main propose, stimulate, in the involved students, the adoption, in day/to/day situations, of appropriate attitudes and behaviors in the mood of the prevention of natural risks, this intervention searched to promote interactions, necessary and relevant, between schools and the Civil Protection. KEYWORDS: Natural Risk, Safety, Civil Protection, Non-formal educative resources, Exhibition. 1. INTRODUO

    A proteco dos cidados enfrenta um constante desafio, que emerge dos muitos perigos/riscos inerentes aos desastres e s catstrofes naturais. Os ensinamentos extrados da anlise sistemtica da evoluo dos processos ou eventos danosos e destrutivos, e das circunstncias que contriburam para a sua ocorrncia, so de importncia crucial para a reduo de riscos futuros, e para a definio de prioridades na gesto da vulnerabilidade e na mitigao dos riscos (Lopes, 2009).

    A Declarao de Hyogo (UNISDR, 2005) considera, em matria de aco para reduo dos desastres naturais para o perodo de 2005-2015, ser prioritrio o uso do conhecimento, informao e educao na construo de uma cultura de segurana e de resilincia dos

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    cidados. Esta mesma declarao aponta para a necessidade de promoo e incluso de aces de reduo dos riscos na escola, assim como de realizao de aces educativas e de formao para a comunidade.

    Segundo o Ministrio de Educao, atravs do seu Manual de Utilizao, Manuteno e Segurana nas Escolas (ME, 2003), a segurana nas escolas dever ser uma preocupao comum a todos os membros da comunidade educativa pessoal docente e no-docente, alunos, pais e encarregados de educao , bem como dos representantes autrquicos. Este manual atribui, ainda, a responsabilidade aos rgos de gesto dos estabelecimentos de educao e ensino, pela utilizao, manuteno, higiene e segurana dos mesmos, pela resoluo de questes relacionadas com preveno, planos de emergncia das escolas, bem como pela realizao, com carcter obrigatrio, de simulacros.

    Apesar de todo o esforo desenvolvido neste mbito, que se tem traduzido em melhorias significativas em matria de segurana contra incndios em edifcios escolares, reconhecem-se ainda baixos nveis de cultura nos cidados, no mbito da segurana (Castro & Abrantes, 2009).

    Muitos dos perigos que actualmente enfrentamos decorrem de processos naturais e induzidos que, para a sua compreenso, requerem conhecimento cientfico e tecnolgico, necessrio para a adopo de comportamentos e atitudes adequados face a situaes de risco, designadamente de auto-proteco (Lopes, 2009). A escola, atravs da promoo de uma educao cientfica centrada em temticas adequadas compreenso dos perigos (naturais e tecnolgicos), desempenha, assim, um papel fundamental para concretizar tais propsitos de formao e desenvolvimento dos alunos e da populao em geral (Pedrosa & Henriques, 2003).

    O presente trabalho refere-se a uma investigao, centrada numa interveno, que envolveu alunos do ensino bsico de Coimbra em actividades educativas, de carcter no-formal, no mbito de uma visita a uma exposio, expressamente concebida para o efeito, e que se realizou na Casa Municipal da Proteco Civil de Coimbra. Constitui, por isso, um exemplo de interaco escola - proteco civil, desejvel e necessria para a promoo de uma cultura de segurana junto de todos os cidados. 2. OBJECTIVOS, ENQUADRAMENTO TERICO E ORGANIZAO DA INVESTIGAO

    A investigao tinha como objectivo avaliar o conhecimento prvio de alunos do ensino bsico de escolas do concelho de Coimbra acerca de riscos naturais que intersectam o seu quotidiano como cidados e que condicionam comportamentos e atitudes, quer ao nvel da preveno, quer ao nvel da resposta perante situaes de emergncia.

    semelhana de outras investigaes anlogas, centradas na interaco entre contextos formais e no-formais (e.g., Melo et al., 2006) pretendia-se, igualmente, avaliar o potencial da visita exposio S.O.S. Riscos Naturais Uma experincia interactiva em proteco civil, como actividade estimuladora de curiosidade e interesse pelas temticas nela abordadas, designadamente acerca de riscos naturais reconhecidos no concelho de Coimbra (incndios florestais, sismos, cheias e inundaes), relativamente aos quais se pretendia promover a adopo de comportamentos de auto-proteco e segurana.

    A concepo, planificao e realizao da exposio, bem como das actividades inerentes sua visita, foi da responsabilidade dos autores do presente trabalho, enquanto participantes num projecto de investigao da Universidade de Coimbra, em articulao com o Servio Municipal de Proteco Civil de Coimbra. No mbito dessa investigao, nas actividades desenvolvidas aquando da visita exposio, participaram 55 alunos, com idades compreendidas entre os 11 e os 16 anos. Estes alunos estavam integrados em 4 turmas do Ensino Bsico (2 turmas do 6 ano e 2 turmas do 7 ano de escolaridade) do ano lectivo de 2007/8, e eram oriundos de escolas

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    localizadas no concelho de Coimbra. A exposio esteve aberta ao pblico em geral, de 29 de Fevereiro a 14 de Maro de 2008, integrando o Programa de Divulgao das comemoraes em Portugal do Ano Internacional do Planeta Terra, tendo sido visitada por cerca de 2000 pessoas (CPAIPT, 2010).

    A organizao da investigao incluiu a concepo e validao de vrios instrumentos de avaliao, nomeadamente:

    Um questionrio de diagnstico, utilizado num estudo-piloto, essencial para a concepo dos questionrios de avaliao da interveno, administrado aos alunos na escola;

    Questionrios de diagnstico e de avaliao da interveno, administrados aos alunos na escola, antes e aps a visita exposio;

    Um questionrio-guia da exposio, administrado aos alunos durante a visita exposio.

    Os instrumentos de avaliao foram concebidos expressamente para a interveno. A sua construo e validao tiveram em conta a anlise dos resultados do questionrio de diagnstico realizado no estudo-piloto. 3. RESULTADOS E CONCLUSES

    Apesar de no se terem realizado actividades anteriores e posteriores visita exposio, tal como se requer em investigaes anlogas, designadamente no mbito de visitas a museus (e.g., Prez & Molin, 2004), os resultados obtidos na presente investigao permitem afirmar que a visita exposio S.O.S. Riscos Naturais Uma experincia interactiva em proteco civil e a realizao das actividades nela includas parecem ter contribudo para que os alunos envolvidos na interveno adquirissem percepes mais adequadas acerca do papel da proteco civil na sociedade e no seu prprio quotidiano, enquanto cidados expostos a perigos naturais.

    Aps a interveno, e pela anlise dos resultados obtidos, registaram-se mudanas significativas nas percepes dos alunos acerca dos riscos que podem estar expostos (incndios florestais, sismos, cheias e inundaes), tal como se pode analisar no grfico 1, e que so fundamentais para a promoo de comportamentos de segurana face a tais riscos.

    Grfico 1 Resultados da anlise das respostas dos alunos acerca dos riscos que podem estar sujeitos no seu quotidiano (Lopes, 2009).

    Estes resultados podem constituir referncia a ter em conta na realizao de actividades de sensibilizao em proteco civil, junto do pblico escolar, protagonizadas por instituies

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    com responsabilidades nesta rea que, para as realizarem, pretendam utilizar os seus prprios espaos.

    A proteco civil, atravs dos seus Servios Municipais de Proteco Civil, ao interagir com as escolas, designadamente atravs da implementao de intervenes anlogas que integrou a exposio S.O.S. Riscos Naturais Uma experincia interactiva em proteco civil, pode assim contribuir para o desenvolvimento, necessrio e urgente, de programas de educao em segurana para alunos (Castro & Abrantes, 2009). Referncias Castro, C. F. & Abrantes, J. (2009) Manual de Segurana contra Incndios em Edifcios. Escola Nacional de

    Bombeiros. CPAIPT (2010) - Comit Portugus para o Ano Internacional do Planeta Terra. Disponvel em:

    www.anoplanetaterra.org/ (Acesso: 12/02/2010). Lopes, D. J. (2009) Sensibilizao em Proteco Civil Uma Investigao centrada na Casa Municipal da

    Proteco Civil de Coimbra. Dissertao de Mestrado (no publicada) em Dinmicas Sociais e Riscos Naturais. Universidade de Coimbra.

    Melo, A.; Pedrosa, M. A. & Henriques, M. H. (2006) Problemas Globais e Tempo Geolgico Interrelaes e Impacto em Alunos do Ensino Bsico, In Lopez, . B.; Peinado, V. B.; Lopez, M. . J. & Ruz, M. T. P. (Coords.). Las Relaciones CTS en la Educacin Cientfica, IV Seminrio Ibrico de Cincia, Tecnologia y sociedade n la Educacin Cientfica, rea de Conocimiento de Didctica de Las Cincias Experimentales, Facultad de Cincias de La Educacin, Universidad de Mlaga, 6 pgs. (Edio em CD-ROM).

    Ministrio de Educao (2003) Manual de Utilizao, Manuteno e Segurana nas Escolas, Mem Martins: Editorial do Ministrio da Educao.

    Pedrosa, M. A. & Henriques, M. H. (2003) Encurtando Distncias entre Escolas e Cidados: Enredos Ficcionais e Educao em Cincias, Revista Electrnica de Enseanza de Las Cincias 2 (3). Disponvel em www.saum.uvigo.es/reec/volumenes/volumen2/Numero3.pdf (Acesso: 11/02/2010).

    Prez, C. A. & Molin, A. M. V. (2004) Consideraciones Generales sobre la Alfabetizacin Cientfica en Los Museos de la Ciencia como Espacios Educativos No Formales, Revista Electrnica de Enseanza de las Ciencias, 3 (3). Disponvel em www.saum.uvigo.es/reec/volumenes/volumen3/Numero3/ART6_VOL3_N3.pdf (Acesso: 12/02/2010).

    UNISDR (2005) Hyogo Framework for Action 2005-2015: Building the Resilience of Nations and Communities to Disasters, World Conference on Disaster Reduction. Kobe, Hyogo, Japan. Disponvel em www.unisdr.org (Acesso: 12/02/2010).

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