Artigo 2015 - Interaces - Publicado

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Artigo 2015 - Interaces - Publicado

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  • INTERACES NO. 34, PP. 201-221 (2015)

    http://www.eses.pt/interaccoes

    A CONTRIBUIO DA CONSTRUO SOCIAL DA TECNOLOGIA PARA A ABORDAGEM CTS: DESAFIOS A

    PARTIR DOS RESULTADOS PIEARCTS

    Marco Aurelio Ferreira Brasil da Silva Doutorando do Programa de Ps-graduao em Cincia, Tecnologia e Educao do

    CEFET/RJ, professor do SENAI Servio Nacional de Aprendizagem Industrial e da FDC Faculdade de Duque de Caxias marcobrasil2508@gmail.com

    Thiago Braas de Melo

    Doutorando do Programa de Ps-graduao em Cincia, Tecnologia e Educao do CEFET/RJ, professor do IFRJ Instituto Federal do Rio de Janeiro

    thiago.branas@ifrj.edu.br

    Bruno Stefoni Bock mestrando do Programa de Mestrado em Tecnologia do CEFET/RJ,

    Administrador da UFF Universidade Federal Fluminense brunostefoni@gmail.com

    Alvaro Chrispino

    Doutor em Educao pela UFRJ, Professor dos Programas de Ps-graduao do CEFET/RJ alvaro.chrispino@gmail.com

    Resumo

    Este artigo pretende oferecer subsdios para futuras intervenes na educao e

    no ensino, a partir dos resultados do projeto da investigao PIEARCTS de alunos e

    professores da educao tecnolgica do Rio de Janeiro, prosseguindo com um

    mapeamento de rede onde apresenta as referncias mais citadas na produo CTS

    no Brasil, identificando os autores representantes da Construo Social da Tecnologia

    e indicando seu grau de participao nesta rede. Ao final, percebe-se a pequena

    participao de autores e temas de Tecnologia na rea de Ensino do Brasil, o que

    pode justificar os resultados obtidos nas questes PIEARCTS em torno deste tema.

    Palavras-chave: PIEARCTS; CTS; Rede CTS; Redes Sociais; Educao Tecnolgica.

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    Abstract

    This article aims to provide a basis for future interventions in education and

    teaching from the results of research project PIERCTSs students and teacher of

    technical education of Rio de Janeiro. The research continues with a network map,

    which shows the most cited sources in the production of STS in Brazil and provides a

    list of representatives authors of Social Construction of Technology, indicating their

    degree of participation in this network. In the end, the article shows the small

    participation of authors and themes on Technology in the area of Teaching in Brazil,

    which may explain the results obtained in PIEARCTS issues about these topics.

    Keywords: PIEARCTS; STS; STS network; Social networks; Technological Education.

    Introduo

    inegvel que vivemos numa sociedade de base tecnolgica, que traz consigo

    uma viso de mundo e uma concepo filosfica, que em muitos momentos usa os

    produtos da Tecnologia como marcadores sociais. Mas so os produtores, e no os

    produtos, que podem explicar o arranjo social, constitudo a partir de decises

    baseadas em critrios econmicos, polticos e sociais. Para compreender sociedades

    cada vez mais complexas, abertas, e com fronteiras no definidas, torna-se

    necessrio abordar as dimenses sociais da Cincia e Tecnologia, principalmente

    porque, tanto no mercado produtivo, quanto no meio acadmico, ainda se percebe

    uma viso tradicional desta relao, marcada principalmente pela ideia de que ambas

    so autnomas e neutras, alm de uma concepo de desenvolvimento linear,

    essencialista e triunfalista.

    Desde j vamos definir a educao tecnolgica no Brasil como foco de nosso

    trabalho. Com o desafio de formar profissionais para atuarem neste ambiente

    complexo, ela deve se questionar sobre sua capacidade de ir alm dos padres

    cannicos de Cincia e Tecnologia, vencendo as vises bvias, simplistas e

    reducionistas. Este trabalho pretende estabelecer uma base para ancorar futuras

    intervenes na educao e no ensino baseadas nos estudos CTS (Cincia,

    Tecnologia e Sociedade), que, conforme defende Lpez Cerezo (1998), se constituem

    de uma diversidade de programas de colaborao multidisciplinar, que enfatizam a

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    dimenso social da cincia e da tecnologia, e tm viso compartilhada acerca da

    rejeio da imagem da cincia como atividade pura, da crtica da concepo de

    tecnologia como cincia aplicada e neutra, e posio contrria tecnocracia. Dentro

    deste campo, o enfoque ser na construo social da tecnologia, que conforme

    afirmam Pinch e Bijker (2008), faz mais do que descrever o desenvolvimento

    tecnolgico, ele ilumina seu carter multidirecional. Isso exige uma flexibilidade

    interpretativa no modo como se pensa e interpreta os artefatos, e tambm no modo

    como so desenhados. O questionamento do modelo de desenvolvimento linear, e a

    adoo da construo social dos artefatos, considerando-se a inter-relao entre

    diversos grupos relevantes, quebra a lgica de poder dominante tecnocrtico, e ser o

    ponto de partida das reflexes sobre as relaes CTS.

    O trabalho possui trs etapas bem definidas. A primeira visa compreender o

    cenrio e apresentar o problema. Faz isso buscando entender o que pensam, alunos e

    professores, sobre temas da Natureza da Cincia e Tecnologia. Para tanto, nos

    apoiamos na pesquisa do PIEARCTS - Projeto Ibero-americano de Avaliao de

    Atitudes Relacionadas com a Cincia, a Tecnologia e a Sociedade uma ampla

    amostra internacional que identifica as crenas, valores e atitudes de professores e

    alunos de sete pases (Brasil, Espanha, Portugal, Mxico, Colmbia, Argentina e

    Panam) em torno do tema Cincia, Tecnologia e Sociedade.

    Na segunda etapa vamos buscar referncias que sirvam de base para o debate

    sobre esse tema. Utilizaremos a Anlise de Redes Sociais sobre uma rede de citaes

    formada por artigos da rea CTS no Brasil, para descobrir quais as principais fontes

    para os que produzem na rea.

    Na terceira etapa, nossa pesquisa procura estabelecer uma lista preliminar com

    os autores fundantes e contemporneos da Tecnologia, para depois submet-la a rede

    desenvolvida na segunda etapa. Com isso, esperamos entender qual a participao

    destes autores na produo CTS nacional, alm de ampliar os espaos de discusso

    dos grupos que se utilizam do enfoque CTS em pesquisas e atividades de ensino.

    A Pesquisa do PIEARCTS Definindo o Problema

    O PIEARCTS-Projeto Ibero-americano de Avaliao de Atitudes Relacionadas

    com a Cincia, a Tecnologia e a Sociedade, um projeto de avaliao cooperativa

    internacional em torno de temas de Natureza da Cincia e da Tecnologia (NCeT) ou

    Cincia, Tecnologia e Sociedade (CTS) que envolve pesquisadores de diferentes

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    pases ibero-americanos (Espanha, Portugal, Brasil, Argentina, Mxico, Colmbia

    alm dos pesquisadores associados). Sua base remonta aos questionrios Views on

    Science, Technology and SocietyVOSTS (Aikenhead e Ryan, 1992; Aikenhead, Ryan

    e Fleming, 1989) e Teacher's Belief about Science-Technology-Society/TBA-STS

    (Rubba e Harkness, 1993; Rubba, Schoneweg e Harkness, 1996), que foram

    desenvolvidos empiricamente, a partir de entrevistas, pesquisas e respostas abertas

    dadas por alunos e professores, que resultaram nas frases que formam as questes

    de pesquisa. Com esta base foi possvel avanar at o Cuestionario de Opiniones

    sobre Ciencia, Tecnologa y Sociedad COCTS, que um banco de 100 questes

    CTS que foi construdo, e tem sido melhorado, sucessivamente em vrias etapas

    (Manassero e Vzquez, 1998; Vzquez e Manassero, 1999; Manassero, Vzquez e

    Acevedo, 2001, 2003). Das 100 questes do COCTS, o PIEARCTS utiliza 30,

    divididas em dois formulrios de 15. Seus resultados gerais foram apresentados

    comunidade cientifica internacional por meio do livro coordenado por Bennssar et al

    (2011), patrocinado pelo Centro de Altos Estudios Universitarios da Organizao dos

    Estados Iberoamericanos-OEI.

    Metodologia

    A pesquisa composta de 30 perguntas divididas em dois instrumentos de

    15 (F1 e F2) que compem o questionrio base. Todas as questes possuem um

    formato semelhante, que se inicia com a apresentao de um problema baseado na

    relao CTS, sobre o qual se deseja conhecer a atitude ou a opinio do respondente,

    seguida de algumas frases onde o respondente deve indicar um valor numrico de 1 a

    9, sendo que 1 corresponde total discordncia, e 9 total concordncia com a frase.

    Estas frases-respostas so escalonadas em trs categorias (adequadas, plausveis e

    ingnuas) por um grupo de 16 juzes-peritos que:

    cumprem a condio de compartilhar, em maior ou menor grau, certa especialidade na

    natureza da Cincia, alm de terem outras ocupaes principais como assessores ou

    formadores de professores de cincias (5), filsofos (4), pesquisadores em didtica das

    cincias (4) e professores de cincias (3). A amostragem composta por 5 mulheres e

    11 homens. Quatro juzes so formados em filosofia, sendo que um deles tambm

    formado em cincias, enquanto que os outros 12 so formados em cincias (fsica,

    qumica, biologia e geologia). Os juzes trabalham como professores de Ensino Mdio

    (5), assessores em cincias em centros de formao de professores (4) e professores

    universitrios e pesquisadores (7). A maioria (12) tem uma atividade de pesquisa

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    reconhecida no mbito da didtica das cincias ou na educao em Cincia-Tecnologia-

    Sociedade. (Vzquez et al., 2008).

    Ao final, considerando-se a classificao de cada resposta, so atribudos

    valores de forma a expressar o resultado no ndice atitudinal, que est em um intervalo

    entre -1 e +1, sendo que o esperado a partir da mtrica dos juzes-peritos que a

    mdia da questo se aproxime o mais possvel de +1.

    Pblico Alvo

    Nosso ambiente emprico o CEFET/RJ, que um centro de referencia em

    Educao Tecnolgica. A aplicao da pesquisa, realizada em 2008 e 2009, alcanou

    uma amostra de 915 respondentes, composta de alunos do ltimo ano dos diversos

    cursos do ensino mdio e alunos e professores do ensino superior dos seguintes

    cursos: Administrao Industrial, Engenharia Civil, Engenharia de Controle de

    Automao Industrial, Engenharia Eltrica Eletrnica, Engenharia Eltrica

    Eletrotcnica, Engenharia Eltrica Telecomunicaes, Engenharia de Produo,

    Engenharia Mecnica, Tecnlogo em Controle Ambiental e Tecnlogo em Sistemas

    para Internet.

    Recorte da pesquisa

    Nossa abordagem expande os resultados apresentados e discutidos por Silva e

    Chrispino (2014) e tambm por Bock e Chrispino (2014). Das 30 questes da

    pesquisa, selecionamos 19 que esto mais diretamente ligadas a Sociologia Interna e

    Externa da Cincia e da Tecnologia.

    Considerando a escala de -1 a +1, o resultado do conjunto das questes nos

    apresenta um ndice Atitudinal mdio de 0,103, com desvio padro de 0,299, o que

    indica uma atitude global apenas moderadamente informado por parte dos

    respondentes. Muito pouco, em se tratando de alunos e professores de um Centro de

    Educao Tecnolgica.

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    Tabela I As 19 questes selecionadas

    No caberia aqui detalhar cada uma das frases-respostas (adequadas,

    plausveis e ingnuas), onde, conforme colocado na metodologia, se pretende verificar

    o nvel de adeso dos respondentes. Contudo, a ttulo de exposio de possibilidades

    do material de pesquisa, apresentaremos a anlise detalhada da frase-resposta A da

    questo 80131 (o dcimo pior ndice de nossa pesquisa), que explora a deciso de se

    usar uma nova tecnologia por parte da sociedade. Embora a questo como um todo

    tenha obtido um ndice considerado neutro: 0,0109, a frase-resposta A, considerada

    ingnua pelos juzes, possui ndice Atitudinal dos respondentes de - 0,3541. Segue a

    questo:

    80131- Quando se desenvolve uma nova tecnologia (por exemplo, um computador novo, um reator nuclear, um mssil ou um medicamento novo para curar o cncer), esta pode

    ser posta em prtica ou no. A deciso de usar a nova tecnologia depende das

    vantagens para a sociedade compensarem a desvantagens.

    Resposta A: A deciso de usar uma nova tecnologia depende principalmente dos

    benefcios para a sociedade, porque se h demasiadas desvantagens, a sociedade no

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    a aceitar e esta pode travar o seu desenvolvimento posterior.

    Tabela II ndices atitudinais divididos entre grupos de cincias e humanas

    Cincias Humanas

    nvel quantitativo ndice atitud. nvel quantitativo ndice atitud.

    Pr-universitrio 151 -0,3493 Pr-universitrio 21 -0,0714

    Inic. Universidade 101 -0,3193 Inic. Universidade 18 -0,2639

    Term. Universidade 49 -0,3776 Term.Universidade 8 -0,5938

    Professor 38 -0,4211 Professor 68 -0,4449

    Total 339 -0,3525 Total 115 -0,3587

    Embora de forma global, nenhum nvel percebeu a ingenuidade da frase,

    professores obtiveram ndices inferiores aos dos alunos (Salvo alunos que esto

    terminando a universidade na rea de humanas). Por que o formador de opinio,

    responsvel pela transmisso do saber, no consegue alcanar camadas mais

    crticas? Alunos que esto terminando a graduao no obtiveram melhores ndices

    do que os pr-universitrios e do que aqueles que esto iniciando a graduao. Por

    que as crenas, atitudes e valores sobre a NCeT no foram fortalecidas e

    enriquecidas durante o perodo da graduao, possibilitando o progressivo abandono

    das concepes ingnuas?

    A anlise desta frase-resposta reflete algo tambm percebido em muitas das

    outras frases, conforme podemos perceber na tabela abaixo:

    Tabela III 15 frases com ndices Atitudinais mais baixos (negativos)

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    Das 15 frases com menor ndice atitudinal, 7 delas pertencem ao grupo que se

    refere ao tema Caractersticas dos Cientistas (60111, 60521 e 60611).

    Demonstrando claramente que Alunos, e tambm os Professores, tm dificuldades em

    definir, entender e posicionar a atividade do Cientista.

    Algumas frases com ndices muito negativos pertencem s mesmas questes:

    60521: Igualdade entre mulheres e homens (5 vezes) evidencia problemas de

    gnero, reforando um conceito arcaico, mas infelizmente muito disseminado,

    inclusive entre as respondentes do sexo feminino, de uma Cincia fortemente

    masculina.

    40421: Resoluo em sua vida diria (3 vezes) fortalece a ideia de evoluo

    linear e a neutra, alm de evidenciar a distncia da cincia do mundo real,

    reforando a dificuldade da comunidade cientifica de vencer suas prprias barreiras,

    para difundir a cincia de forma eficaz, com estratgias de comunicao para o

    pblico em geral.

    Percebe-se que professores e alunos partilham crenas, atitudes e valores

    muitas vezes ingnuos, sobre o conceito de Tecnologia e a Natureza da Cincia e

    Tecnologia. A pesquisa permite identificar um posicionamento distante de uma

    abordagem crtica e contempornea, culminando com respostas contraditrias e

    ambivalentes, que demonstram certa desorientao sobre o tema.

    Rede CTS no Brasil Fontes e Fundamentos

    Esta constatao acerca de professores e alunos de um Centro de referencia em

    Educao Tecnolgica, nos leva a mergulhar na produo acadmica da rea, a fim

    de entender quais so as fontes que tm orientado queles que pretendem, com seus

    trabalhos, modificar a realidade deste cenrio apresentado. Com isso, nesta segunda

    etapa, temos o objetivo de investigar se as pesquisas da rea CTS, que trazem a

    discusso sobre o conceito de tecnologia em seu cerne, se utilizam frequentemente da

    construo social da tecnologia como fonte terica, j que este conhecimento

    especfico tido como integrante da interdisciplinaridade que forma o enfoque CTS

    (Cutcliffe, 2004). Para tanto, utilizaremos a Anlise de Redes Sociais sobre a rede de

    citaes formada por artigos da rea CTS, publicados no campo educacional

    brasileiro, mais, especificamente, na rea denominada de Ensino, pela Coordenao

    de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior (CAPES) do Governo Federal do

  • 209 SILVA, MELO, BOCK & CHRISPINO

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    Brasil.

    Atualizando a listagem de Chrispino, Lima, Albuquerque, Freitas e Silva (2013),

    encontramos 141 artigos, publicados entre os anos de 1996 e 2013, resultantes da

    busca pelas palavras cincia, tecnologia e sociedade, juntas ou separadas, no

    acervo digital de 26 revistas indexadas na rea. As revistas foram as seguintes:

    Alexandria - Revista de Educao em Cincia e Tecnologia; Avaliao - Revista da

    Avaliao da Educao Superior; Biodiversidade; BOLEMA; Caderno Brasileiro de

    Ensino de Fsica; Cincia & Cognio; Cincia & Educao; Cincia e Ensino; Cincia

    em Tela; Educao & Realidade; Educao Matemtica Pesquisa; Educar em Revista;

    Ensaio - Pesquisa em educao em cincias; Experincias em Ensino de Cincias;

    Investigaes em Ensino de Cincias; Pesquisa em Educao Ambiental; Qumica

    Nova; Qumica Nova na Escola; Revista Brasileira de Cincia, Tecnologia e

    Sociedade; Revista Brasileira de Ensino de Fsica; Revista Brasileira de Pesquisa em

    Educao em Cincia; Revista de Ensino de Cincias e Engenharia; Revista de

    Ensino de Cincias e Matemtica RENCIMA; Revista de Ensino de Engenharia;

    Revista Iberoamericana de Ciencia, Tecnologa y Sociedad; e Tecnologia e

    Sociedade.

    Para Streeter e Gillespie (1993), uma rede social pode ser definida como um

    conjunto finito de unidades sociais interligadas. Segundo os autores, esta definio

    proporciona trs desafios imediatos para quem vai trabalhar com redes sociais:

    O estabelecimento dos limites da rede o primeiro passo crtico na

    modelagem de uma rede social. Alguns casos, como um sistema familiar ou

    um grupo de amigos, no causam tanta dificuldade na delimitao das

    fronteiras. Mas, sistemas maiores podem apresentar problemas na distino

    entre a rede e seu contexto social mais amplo.

    Para um membro ser, de fato, parte de uma rede, ele deve de alguma forma

    estar ligado a outro membro ou, pelo menos, ter um potencial para isso.

    Essas ligaes podem at ser indiretas e os membros podem at aparecer

    como perifricos ou quase isolados, mas ter conexes elemento chave

    para a existncia na rede social.

    A caracterizao das unidades sociais outro ponto importante na formao

    da rede. Em uma mesma rede, podem-se ter unidades que so pessoas,

    unidades que so instituies ou unidades que so naes inteiras. A

  • A CONSTRUO SOCIAL DA TECNOLOGIA E A ABORDAGEM CTS 210

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    definio das unidades sociais varia de acordo com o estudo a se quer

    fazer.

    Com o auxlio de uma planilha eletrnica, catalogamos todas as citaes dos

    141 artigos, totalizando 2330 obras e 3465 citaes. Uma rede pode ser entendida,

    matemtica e geometricamente, como um grafo. Neste caso, o grafo que representa a

    rede de citaes composto por obras (artigos, livros, etc.) como vrtices e por

    citaes como arcos. Este tipo de grafo direcionado, pois a citao de uma obra O1

    por uma obra O2 (O2O1) diferente de uma citao de uma obra O2 por uma obra

    O1 (O1O2).

    Optamos pelo software Pajek, verso 3.14, para realizarmos as anlises sobre

    nossa rede, pois ele contm sofisticados mtodos de anlise e variados algoritmos de

    visualizao (Batagelj, & Mrvar, 2002). Para traduzir nossa planilha em um arquivo

    especfico do Pajek, utilizamos a ferramenta disponibilizada no site dos

    desenvolvedores (http://pajek.imfm.si/doku.php?id=download, acessado em

    09/12/2014). Como primeiro passo, aps carregar o arquivo da nossa rede, extramos

    a maior componente conexa1, obtendo uma rede com 2295 obras (vrtices) e 3433

    citaes (arcos).

    Entre as leituras possveis de serem feitas a partir das redes sociais, as medidas

    de centralidade esto presentes na maioria dos casos em que se pretende identificar o

    prestgio de uma unidade. Apesar de no haver uma conceitualizao consensual, a

    centralidade est diretamente ligada importncia da unidade social na rede. Quando

    ela ocupa uma posio central, ela tem uma influncia maior sobre o fluxo de

    informaes.

    Das medidas de centralidade, uma das mais conhecidas a centralidade de

    grau (no caso de um grafo direcionado, h diferena entre grau de entrada e grau de

    sada). A centralidade de grau mede quantas ligaes diretas cada vrtice tem na

    rede.

    Dando continuidade nossa anlise da rede de citaes da rea CTS,

    executamos, no Pajek, o comando para calcular a medida da centralidade de grau de

    1 No Pajek, utiliza-se a sequncia de comandos: - Network Create Partition Components Weak Minimum Size: 200. - Operations Network + Partition Extract SubNetwork.

  • 211 SILVA, MELO, BOCK & CHRISPINO

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    entrada de cada um dos vrtices2. E, assim, geramos o relatrio com os maiores

    valores dessa medida3, como se pode ver na tabela IV.

    Tabela IV Vrtices com maiores valores de grau de entrada.

    Rank Grau Obra

    1 35 Santos, W.L.P., & Mortimer, E.F.(2002). Uma anlise de pressupostos tericos da

    abordagem CTS (Cincia-Tecnologia-Sociedade) no contexto da educao brasileira.

    2 24 Santos, W.L.P., & Schnetzler, R.P. (1997). Educao em qumica: compromisso com a

    cidadania.

    3 22 Brasil (1998). Parmetros Curriculares Nacionais Ensino Mdio

    4 18 Freire, P. (1974). Pedagogia do Oprimido

    5 17 Auler, D., & Delizoicov, D. (2006). Cincia-Tecnologia-Sociedade: relaes estabelecidas

    por professores de cincias.

    6 17 Gonzlez Garca, M. I., Lujn Lpez, J. L., & Lpez Cerezo, J. A. (1996). Ciencia,

    tecnologa y sociedad: una introduccin al estudio social de la ciencia y la tecnologia.

    7 16 Auler, D., & Delizoicov, D. (2001). Alfabetizao cientfico-tecnolgica para qu?

    8 15 Auler, D., & Bazzo, W. A. (2001). Reflexes para a implementao do movimento CTS no

    contexto educacional brasileiro.

    9 15 Bazzo, W. A., Von Linsingen, I., & Pereira, L. T. V. (2003). Introduo aos Estudos CTS

    (Cincia, Tecnologia e Sociedade).

    10 15 Bazzo, W. A. (1998). Cincia, tecnologia e sociedade e o contexto da educao

    tecnolgica.

    Para organizar melhor os dados, dividimos os vrtices em uma distribuio de

    frequncia, de acordo com seus valores do grau de entrada4, conforme se pode ver na

    2 No Pajek, utiliza-se o comando Network Create Vector Centrality Degree Input. 3 Para gerar o relatrio, no Pajek, utiliza-se o comando Vector Info Info Vector: 10. 4 No Pajek, utiliza-se a seguinte sequncia de comandos: - (para criar as parties) Vector Make Partition By Intervals First Threshold and Step First Threshold: 0 Step: 5. - (para gerar o relatrio com a distribuio de frequncia) Partition Info Minimum Frequency: 1 Display: 0.

  • A CONSTRUO SOCIAL DA TECNOLOGIA E A ABORDAGEM CTS 212

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    tabela V. e, na figura 1, temos um possvel grfico da rede de citaes em questo5.

    Tabela V Distribuio de frequncia das parties.

    Partio Grau de Entrada Freq. Absoluta Freq. Relativa Cor no grafo

    1 0 - 5 2215 96,5142%

    2 5 - 10 52 2,2658%

    3 10 - 15 18 0,7843%

    4 15 - 20 7 0,3050%

    5 20 - 25 2 0,0871%

    8 35 - 40 1 0,0436%

    Soma 2295 100,0000%

    Imagem 1 Grafo com as parties oriundas da centralidade de grau.

    5 No Pajek, utiliza-se a seguinte sequncia de comandos: - Draw Network + First Partition. - (na janela grfica) Layout Energy Kamada-Kawai Optimize inside Clusters only.

  • 213 SILVA, MELO, BOCK & CHRISPINO

    http://www.eses.pt/interaccoes

    Nossa rede de citaes atualizada refora as concluses de Chrispino et al.

    (2013), de que: os ditos fundadores da rea CTS e os autores das disciplinas das

    reas fundantes de CTS (filosofia, sociologia, histria, cultura, economia, poltica, meio

    ambiente etc.) no tm destaque nas publicaes brasileiras. Motivados por essa

    afirmao, lanamo-nos, por questo de interesse desta pesquisa, a investigar qual o

    lugar dos autores da construo social da tecnologia nessa rede.

    A Construo Social da Tecnologia Relevncia nas Publicaes Brasileiras

    Essa etapa possui o objetivo de definir quais autores representaro a rea da

    construo social da tecnologia, para que possa ser verificada a relevncia dela para a

    rea CTS em ensino de cincias no Brasil, representada pela rede social

    confeccionada, e assim entender se tais autores, fontes primrias especializadas nos

    estudos sociais da tecnologia, so citadas nas publicaes, ou se h o predomnio das

    fontes de pesquisa secundrias, corroborando os resultados obtidos por Chrispino et

    al. (2013).

    Pinch e Bijker, autores representantes da construo social da tecnologia, a

    conceituam da seguinte maneira:

    Na construo social da tecnologia o processo de desenvolvimento de um artefato

    tecnolgico descrito como uma alternncia entre variedade e seleo. Isso resulta em

    um modelo multidirecional (...). A perspectiva multidirecional essencial para qualquer

    descrio da tecnologia a partir do construtivismo social (PINCH & BIJKER, 2008, p.

    36).

    Podemos observar que a abordagem de Pinch e Bijker (2008) possui um

    enfoque artefatual atravs do qual as diferentes tecnologias para chegar ao atual

    estgio passaram por um processo no linear de desenvolvimento no qual houve

    disputas entre diversos grupos sociais que possuam diferentes interesses e

    demandas que poderiam ser atendidos por diversos artefatos que eram modificados

    no por critrios de eficincia, como entendido pelo senso comum, e sim como formas

    de solucionar os problemas dos grupos sociais dominantes.

    Pinch e Bijker (2008) descrevem a construo social da tecnologia e comprovam

    que sua evoluo atendeu as demandas dos grupos sociais dominantes, descrevendo

    que a bicicleta escolhida para ser produzida no final do Sculo XIX foi a Penny-farthing

    que possua rodas altas, em detrimento dos modelos Macmillan, Boneshaker e

  • A CONSTRUO SOCIAL DA TECNOLOGIA E A ABORDAGEM CTS 214

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    Guilmet que possuam rodas baixas. A bicicleta com rodas altas atendia aos

    interesses do grupo dos homens jovens j que as rodas altas remetiam a ideia de

    superioridade e virilidade. Apenas anos mais tarde com a presso de outros grupos

    que no eram atendidos pela Penny-farthing que houve a desconinuidade deste

    modelo e adoo da Bicicleta de Lawson que possua rodas mais baixas, atendendo

    as mulheres que no poderiam pedalar em rodas altas pela questo moral j que as

    vestimentas predominantes eram saias e vestidos, aos idosos pela questo da

    segurana e at pelos homens que verificaram que a bicicleta com rodas baixas era

    mais adequada a prtica desportiva.

    Em uma abordagem complementar, Feenberg (2009) em sua Teoria Crtica

    sustenta que a democracia deve ser estendida tecnologia com o intuito de

    resguardar a humanidade dos riscos que a tecnologia pode ocasionar. Os valores da

    tecnologia so socialmente especificados, e ela emoldura diferentes estilos possveis

    de vida. As tecnologias so suportes para estilos de vida.

    Crer que a tecnologia neutra negligenciar o atual estado miservel da

    humanidade. Um estado ideal no qual os cidados possam alcanar armas eficientes,

    diferente de medicamentos eficientes, que so diferentes de educao eficiente.

    tica e socialmente no podemos ignorar essas diferenas. As escolhas dos cidados

    deveriam concentrar-se em quais valores necessitariam ser incorporados aos suportes

    tecnolgicos em nossas vidas, submetendo as decises tecnolgicas a um filtro mais

    democrtico (Feenberg, 2010).

    A iluso de transcendncia causada pela tecnologia proporciona a autonomia

    operativa, que a liberdade total de deciso que os gerenciadores dos sistemas

    tecnolgicos possuem em criar novos cdigos tcnicos, sem levar em considerao os

    interesses e pontos de vista dos demais empregados do sistema tecnolgico e da

    comunidade do entorno comunitrio. Replicando esse modelo em uma perspectiva

    ampliada, ocorre a tecnocracia que a submisso das necessidades da sociedade s

    tradies tcnicas (Feenberg, 2005).

    O autor estabelece a noo de cdigo tcnico, similar ao modelo de construo

    social dos artefatos de Pinch e Bijker (2008):

    Um cdigo tcnico a realizao de um interesse sobre a forma de uma soluo

    tecnicamente coerente a um problema. Ali, onde estes cdigos esto reforados pela

    percepo que os indivduos tm sobre o seu prprio interesse e da lei. Seu significado

    poltico geralmente passa despercebido. Isto significa dizer que um certo modo de vida

  • 215 SILVA, MELO, BOCK & CHRISPINO

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    est culturalmente assegurado e que o poder correspondente hegemnico. Assim

    como a filosofia poltica questiona as formaes culturais que criaram razes nelas

    mesmas na lei, a filosofia da tecnologia questiona as formaes que criaram razes em si

    mesmas nos cdigos tcnicos (Feenberg, 2005, p.6).

    Entretanto, para representar a rea no nos restringiremos aos autores da

    corrente de Pinch e Bijker (2008), buscando um enfoque ampliado dos estudos sociais

    da tecnologia. Para a definio da lista de autores que representam a rea de

    Construo Social da Tecnologia foram utilizados os seguintes referenciais: Bazzo et

    al. (2003), Cutcliffe (2004) e Esquirol (2012).

    Em sua obra Bazzo et al. (2003) analisam a trade cincia, tecnologia e

    sociedade e dedicam parte do captulo 2 a Filosofia da Tecnologia, onde citam e

    analisam os autores que a representam em uma perspectiva temporal. Os estudos

    sociais em cincia e tecnologia so definidos por Bazzo et al. (2003) como esforos

    interdisciplinares de trabalho, nos quais reas do conhecimento como sociologia,

    filosofia, histria, economia e educao analisam de modo crtico a cincia e a

    tecnologia em sua dimenso social, focando na influncia de fatores sociais que so

    dominantes no estabelecimento de conceitos cientficos e aparatos tecnolgicos.

    Cutcliffe (2004) retrata CTS em seu aspecto histrico, acadmico, de ensino e

    como polticas pblicas, e no captulo 2 realiza uma contextualizao filosfica,

    sociolgica e histrica da cincia e da tecnologia em que discorre sobre os autores

    representativos da rea. Cutcliffe (2004) aborda a Filosofia, a Sociologia e a Histria

    da Cincia e da Tecnologia, relatando que os autores dos seis diferentes campos de

    conhecimento, de maneira independente passaram a realizar trabalhos

    contextualizados, se afastando dos estudos internalistas e que o denominador comum

    entre as diferentes correntes era a percepo de que a evoluo cientfica e

    tecnolgica eram mediadas pela sociedade, rejeitando assim a concepo de

    objetividade e neutralidade no conhecimento cientfico e tecnolgico.

    O trabalho de Esquirol (2012) dedicado exclusivamente Filosofia da Tcnica

    em que o autor realiza um mapeamento crtico dos autores representativos dos

    estudos sociais da tecnologia. Esquirol (2012) destaca que a tcnica est se tornando

    um tema de importncia nas reflexes filosficas, tendo em vista que os grandes

    temas filosficos so atuais e a tcnica um tema de estudo clssico que apareceu

    contemporaneamente, e a tecnologia o aspecto mais marcante que define o atual

    momento de nossa civilizao, que pode ser entendida como a Era da Tcnica.

  • A CONSTRUO SOCIAL DA TECNOLOGIA E A ABORDAGEM CTS 216

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    Para a elaborao da lista foram considerados os autores que so analisados

    em pelo menos um dos trs materiais de referncia: Bazzo et al. (2003), Cutcliffe

    (2004) e Esquirol (2012) e que so considerados pelos autores como representantes

    de alguma rea dos estudos sociais da tecnologia, independentemente da rea da

    formao. Foram acrescentados a lista alguns autores que no esto citados nas

    obras utilizadas como referncia, mas que produzem na atualidade relevantes

    publicaes e so reconhecidos pelo meio acadmico como representantes

    contemporneos dos estudos sociais da tecnologia. Os critrios utilizados geraram

    uma lista de trinta autores que representam a Construo Social da Tecnologia com

    diferentes vises e em uma perspectiva ampliada. (Tabela VI). Para cada autor foi

    verificado o nmero de vezes em que h citaes nos 141 artigos que compem a

    rede social do presente trabalho, e esse nmero foi dividido por 3433 (nmero total de

    citaes), possibilitando encontrar na rede social a relevncia de cada autor e do

    conjunto deles.

    Na tabela VI, podemos observar uma diversidade temporal que compreende

    autores atuantes no sculo XIX, como Ernst Kapp e Peter Elgelmeier, at autores

    contemporneos que produzem publicaes voltadas para a tecnologia na atualidade,

    como Callon e Echeverra. Os autores da lista possuem em comum o fato de serem

    fontes primrias, mananciais de conhecimento nos estudos sociais da tecnologia e

    que possuem diferentes vises que confluem na crtica a viso dominante de

    tecnologia neutra e dependente da cincia, passando a v-la como ente independente

    capaz de influenciar e ser influenciada pela sociedade e pela cincia.

    A anlise da relevncia dos trinta autores para a rede social revela que tais

    fontes primrias tem uma nfima participao no conjunto total de autores (1,72%), o

    que indica que tais autores no so conhecidos e/ou consultados pela comunidade

    acadmica de ensino de cincias do Brasil. Outro fator de dificuldade o acesso as

    publicaes e a barreira lingustica, considerando-se que a maior parte dos autores

    produz publicaes em ingls e espanhol e nem sempre h a traduo para a Lngua

    Portuguesa. Estudos em andamento analisaro o pequeno universo de 59 citaes,

    indicando os artigos que as citam, os seus autores e instituies a que esto

    vinculados.

    O autor mais citado o argentino Hernn Thomas que possui laos com o Brasil,

    tendo feito doutorado e ps-doutorado na Universidade Estadual de Campinas

    (UNICAMP). As 19 citaes de Hernn Thomas correspondem a doze publicaes do

  • 217 SILVA, MELO, BOCK & CHRISPINO

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    autor, sendo que destas, seis so em portugus, o que pode ter facilitado a leitura dos

    pesquisadores que as citaram, enquanto nove foram elaboradas em parceria com

    Renato Peixoto Dagnino, professor titular da UNICAMP nas reas de Estudos Sociais

    da Cincia e Tecnologia e de Poltica Cientfica e Tecnolgica.

    Tabela VI Lista de autores representantes da Construo Social da Tecnologia

    Autor de CST Fonte (s) N de Citaes Relevncia

    ARENDT, H. Esquirol (2012) 0 0,00% BIJKER, W. Cutcliffe (2004) 1 0,03% CALLON, M. Cutcliffe (2004) 1 0,03% CASTELLS, M. Autor contemporneo 3 0,09% COWAN, R.S. Cutcliffe (2004) 0 0,00% DESSAUER, F. Bazzo et al. (2003) e Cutcliffe (2004) 0 0,00% ECHEVERRA, J. Autor contemporneo 2 0,06% ELLUL, J. Bazzo et al. (2003), Cutcliffe (2004) e Esquirol (2012) 2 0,06% ENGELMEIER, P.K. Bazzo et al. (2003) e Cutcliffe (2004) 0 0,00% FEENBERG, A. Autor contemporneo 2 0,06% FRIEDMANN, G Cutcliffe (2004) 0 0,00% GIEDION, S. Cutcliffe (2004) 0 0,00% HABERMAS, J. Esquirol (2012) 3 0,09% HEIDEGGER, M. Bazzo et al. (2003), Cutcliffe (2004) e Esquirol (2012) 1 0,03% HUGHES, T. Cutcliffe (2004) 0 0,00% ILLICH, I. Cutcliffe (2004) 1 0,03% JONAS, H. Esquirol (2012) 1 0,03% KAPP, E. Bazzo et al. (2003) e Cutcliffe (2004) 0 0,00% LATOUR, B. Cutcliffe (2004) 7 0,20% LAW, J. Cutcliffe (2004) 1 0,03% MACKENZIE, D. Cutcliffe (2004) 0 0,00% MITCHAM, C. Bazzo et al. (2003) 5 0,15% MUMFORD, L. Bazzo et al. (2003) e Cutcliffe (2004) 2 0,06% ORTEGA Y GASSET, J. Bazzo et al. (2003), Cutcliffe (2004) e Esquirol (2012) 1 0,03% PATOCKA, J. Esquirol (2012) 0 0,00% PINCH, T. Cutcliffe (2004) 1 0,03% SLOTERDIJK, P. Esquirol (2012) 0 0,00% THOMAS, H. Autor contemporneo 19 0,55% WAJCMAN, J. Cutcliffe (2004) 0 0,00% WINNER, L. Cutcliffe (2004) 6 0,17%

    Total Bazzo et al. (2003), Cutcliffe (2004), Esquirol (2012) e autores contemporneos 59 1,72%

    Outro fator que os artigos so referenciais orientadores que podem ser

  • A CONSTRUO SOCIAL DA TECNOLOGIA E A ABORDAGEM CTS 218

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    importantes para pesquisadores que no tenham tanta familiaridade com os estudos

    sociais da tecnologia e cincia. Em Dagnino, Thomas e Davyt (1996) que foi a

    publicao de Hernn Thomas mais citada (4 citaes) h uma explanao dos

    autores acerca do pensamento latinoamericano em CTS em que h uma anlise

    crtica com um corte temporal entre os anos 60 e anos 90. Em Kraimer e Thomas

    (2004) tambm h uma abordagem semelhante na qual os autores analisam a

    evoluo dos estudos sociais da cincia e tecnologia na Amrica Latina ao longo do

    tempo em uma reflexo histrico-sociolgica.

    O segundo autor mais citado na rede foi Bruno Latour, que, embora tenha a

    tecnologia como tema de suas publicaes, possui foco na Sociologia da Cincia, que

    geralmente mais disseminada e conhecida no meio acadmico do que a Sociologia

    da Tecnologia.

    Merece destaque o fato de que autores clssicos da Tecnologia foram pouco

    citados na rede, como Hannah Arendt, que no foi citada nenhuma vez, ou Ortega y

    Gasset que foi uma vez citado. Autores contemporneos, como Trevor Pinch e Wiebe

    Bijker obtiveram juntos duas citaes, sendo uma em trabalho conjunto, mesmo tendo

    sido os autores que criaram o conceito de Construo Social da Tecnologia com

    diversas e relevantes publicaes na rea.

    Os resultados globais revelam que a rea de Construo Social da Tecnologia,

    representada no presente trabalho pelos trinta autores escolhidos, possui muito pouca

    relevncia para a comunidade de pesquisa em CTS no Brasil, que em nossa pesquisa

    foi representada por 26 peridicos de reconhecimento na rea de ensino de cincias,

    o que revela que as fontes primrias, representantes dos estudos sociais da

    tecnologia, so pouco conhecidas por autores que produzem publicaes em

    peridicos de relevncia nacional, o que pode ser extendido, em um exerccio de

    deduo, a maioria da comunidade acadmica em cincias, englobando

    pesquisadores, docentes e discentes.

    Concluso

    O Enfoque CTS (Cincia, Tecnologia e Sociedade), no Brasil, foi recepcionado e

    difundido especialmente pela rea de Ensino de Cincias, ou Educao em Cincias,

    o que permitiu que a trade CTS pudesse ser desdobrada fortemente pelos aspectos

    da didtica das cincias ou, quando muito, observada com mais critrio a partir da

    corrente epistemolgica conhecida como Histria e Filosofia da Cincia. A abordagem

  • 219 SILVA, MELO, BOCK & CHRISPINO

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    ou estudo social da cincia e da tecnologia so, em grande parte, uma lacuna na

    formao de professores de cincia e de tecnologia e, por conseguinte, de seus

    alunos. Alm disso, encontramos uma rea de estudo ainda bastante incipiente no

    Brasil, com programas e produo acadmica ainda muito recente, marcada por

    abordagens bastante heterogneas.

    Os resultados das pesquisas do PIEARCTS reforam esta tese, e a anlise da

    rede social descortina uma rea que no se apropria das fontes primrias, deixando

    de lado, tanto aqueles considerados fundadores da rea, quanto nomes

    contemporneos responsveis por importantes reflexes na rea. A pesquisa em

    andamento que agora caminha para estudar a participao dos autores em

    sociologia da cincia no CTS brasileiro pretende oferecer solues para superar esta

    lacuna, ao desnudar a rea e fornecer subsdios para futuras intervenes na

    educao e no ensino, tais como: a organizao de sequncias didticas, o

    desenvolvimento de disciplinas que tratem da construo social da cincia e da

    tecnologia, e a abertura de novos campos de pesquisa. Tudo isso, com o objetivo de

    ampliar os Estudos Sociais da Cincia e Tecnologia, e difund-los na comunidade de

    alunos e professores, contribuindo para a ideia de construtivismo social da tecnologia,

    alm de abrir espao para uma abordagem multidirecional do seu desenvolvimento,

    em substituio ao modelo linear, determinista e triunfalista, comumente usado.

    Agradecimentos

    El desarrollo de este trabajo ha sido posible gracias al Proyecto de Investigacin

    EDU2010-16553 financiado por una ayuda del Plan Nacional de I+D del Ministerio de

    Ciencia e Innovacin (Espaa).

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