Apostila Ramatis - 02 Deus

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    12-Jun-2015

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2. Deus _______________________________ _________________________ ___________________ 1

GETER Grupo de Estudos e Trabalhos Espiritualistas RamatsINTRODUO AO ESTUDO DAS OBRAS DE RAMATS

DEUS1. DEUS... ns, do lado de c, dispomos de uma viso mais ampla, que no se restringe a fixar apenas as contingncias do presente. Em alguns casos conseguimos ver os horizontes luminosos do amanh. E, por isso, em certas matrias que abordamos nas obras que transmitimos Terra, algumas das nossas divagaes j constituem esclarecimentos fundamentais para o futuro. RAMATS (Elucidaes do Alm)

1.1 A NECESSIDADE DA EXISTNCIA DE DEUSDado que o homem existe, tambm existe um Universo que lhe ampara a vida. Por pura necessidade de lgica, todo efeito observado no Universo deriva-se de uma origem ou causa; no h efeito sem causa. Se o homem existe como efeito de uma realidade endossada pela mente humana, h de existir, tambm, uma Causa primordial que plasmou o Universo, que Deus ! Independentemente da suposio ou da natureza que se atribua essa realidade divina, evidente que Ele existe acima e alm da concepo infantil mitolgica ou da prpria pesquisa cientfica. O homem uma entidade criada, conseqentemente e sob a premissa lgica de que o efeito tem causa, o homem o efeito criado de uma Causa Criante: Deus! O apercebimento da existncia de Deus pura questo de sensibilidade psquica, pois quando a criatura sente que existe como individualidade ou conscincia definida no seio do Cosmo, ela tambm sente no mago de si mesma a natureza divina e criadora do Pai! O homem no um ser esttico e produto de um acaso acidental, que aps comp-lo e cri-lo, o abandonou como efeito de uma causa sem inteligncia e discernimento progressista. Todo efeito inteligente no seio do Cosmo s pode se originar de uma Causa tambm inteligente.

O homem atual fruto de uma incessante atividade de elaborao, cuja linhagem inferior se apura e eleva cada vez mais sobre a prpria espcie animal, que lhe fornece a vestimenta carnal, revelando, como pano de fundo, um processo inteligente de evoluo fsica. O homem o ser mais valioso e inteligente da Criao e rege a maior expresso no planeta Terra, operando e contribuindo para a metamorfose de um mundo primrio, em transformao, para maior perfeio, semelhana de Deus. Mas, vtima da prpria cristalizao personalista, o homem por vezes confunde o potencial criador do Universo, que vibra em si prprio, com a faculdade e a capacidade humana de descobrir o que Deus j criou, confundindo transformao com criao, o que o leva a atribuir sua existncia ao Acaso, guisa de um deusinho que lhe satisfaz a vaidade. Basta ao homem analisar e pesquisar as leis justas e coerentes que regem o Universo para se aperceber da existncia de um Autor inteligente, sbio e amoroso, tradicionalmente aceito por Deus, governando o Cosmo sob o controle de uma Suprema Inteligncia. S a existncia de uma Mente Csmica sbia e justa pode se responsabilizar por todos os fenmenos e acontecimentos que ocorrem no Universo, sob incessante e implacvel aperfeioamento. . GETER - Introduo ao estudo das obras de Ramats

2. Deus _______________________________ _________________________ ___________________ 2 A existncia de Deus , portanto, uma necessidade lgica, dado que as estruturas estveis, perfeitas e complexas, presentes no Universo, obedecendo a leis sensatas, lgicas e sbias, no podem ser explicadas como fruto do acaso ou de um acidente imprevisvel que pudesse produzir fenmenos e fatos inteligentes, como a Vida no Cosmo, demonstrando um plano de inteligncia incomum e superior ao mais avanado ndice de intelecto humano. O homem sem presuno acadmica, ao estudar as leis que regem a natureza, o destino do seu orbe e de si mesmo, sente que Deus existe como causa das prprias leis atuantes, ainda, acima da capacidade e do entendimento humano. Apesar do homem no poder comprovar corretamente a realidade de Deus, ele pode inferir quanto a Sua existncia atravs das leis e dos fenmenos inteligentes da Natureza.

1.2 A IDIA DE DEUSA idia de Deus, como a certeza de sua existncia, inata no homem por que seu esprito uma centelha de luz divina despertando e se desenvolvendo incessante e conscientemente no seio do Esprito Eterno do Criador: GNESE JESUS SABEDORIA ORIENTAL (Hermes) O homem foi feito imagem de Deus. O reino de Deus est prprio no homem. O homem e Deus so um s. Deus o macrocosmo e o homem o microcosmo; o que est em cima est embaixo.

O homem em seus vrios estgios evolutivos sempre buscou Deus: ALGUNS ESTGIOS EVOLUTIVOS DA IDIA DA DIVINDADE SUPREMA (conforme o progresso, entendimento e cultura humana) POVO / RELIGIO Silvcolas Atlantes / Egpcios / Astecas Hebreus Catlicos Espritas ENTIDADE SUPREMA Tup Sol Jeov Deus Deus CARACTERSTICAS Deus do Raio e do Trovo Centro da Vida Divina do Criador Deus guerreiro e poderoso Vive no Cu, distribui graas aos Seus devotos e condena ao Inferno os pecadores Suprema Inteligncia do Universo / Causa Primria de todas as coisas

Deus no apenas uma idia ou fruto das necessidades psicolgicas do homem; medida que este mais compreende a Vida, mais seu psiquismo se apercebe da Verdade Csmica. A criatura tem uma viso de Deus tanto mais fantasiosa ou mais prxima da realidade quanto maior for sua experincia, sabedoria, sensibilidade e evoluo, mas sem nunca atingir a soluo que lhe ultrapassa a sua capacidade mental. O progresso tcnico e cientfico do mundo, ao contrrio de causar prejuzos e enfraquecer a crena ou idia de Deus, substitundo-a por uma realidade controlada pela prpria cincia do mundo, ajuda o homem a distinguir e a separar o real da fantasia improdutiva, em conseqncia do seu melhor ajuste a uma vivncia cada vez mais autntica, com melhor percepo da realidade exata da Criao. . GETER - Introduo ao estudo das obras de Ramats

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A Verdade definitiva e imutvel expressa pelas prprias leis e princpios irrevogveis do Cosmo ! Buscai a Verdade e ela vos libertar !

medida que o homem se espiritualiza, pelo amadurecimento e amplitude de sua conscincia, ele tambm melhora a sua concepo sobre Deus e abrange maior rea da manifestao Divina. No importam os diversos aspectos da imagem ou idia de Deus elaborados pela humanidade ignorante da Realidade Divina, quando os homens podem sent-lo ou mesmo identific-lo atravs das leis justas e sbias que regem a Criao, pois que imanadas de um nico Criador. O terceiro milnio h de apresentar humanidade terrena uma nova expresso da idia de Deus esposada at o presente, por cujo motivo, mesmo os mais avanados espiritualistas ho de sofrer o choque da mudana para o sentido mais real, e no entanto, sumamente revolucionrio perante toda a tradio conhecida, obrigando a renovaes mentais que traro severo deslocamento psicolgico e filosfico na concepo de Deus. O catlico que s admite Deus como sendo um velhinho de barbas nveas, envolvido pelas nuvens imaculadas do cu, sentir seu corao sangrar, se tiver que substitu-lo pela idia esotrica e sem forma da Fora, Luz, Amor e Sabedoria! A fase de transio para o terceiro milnio, conhecida por fim de tempos, tambm portadora de renovaes mentais que obrigaro a severa deslocao psicolgica e filosfica na concepo de Deus.

3. CONHECIMENTO DA REALIDADE DE DEUSA criatura humana jamais conseguir definir ou identificar racionalmente a Realidade Absoluta do Criador, embora ela seja tambm uma partcula divina, pois, tal como a parte no pode definir o Todo, o criado no tem como definir o Criador. Assim como um neurnio do crebro humano no est em condies de avaliar o equipo psicofsico do seu dono, a criatura, que to somente uma partcula microcsmica do Universo, tambm no est capacitada para julgar e explicar o Cosmo em todos os seus aspectos. Caso o homem pudesse faz-lo, ele ento seria outro Deus para ser descoberto, descrito e identificado, pois s outro Deus, alm ou semelhante ao que se pretende conhecer, que poderia lograr tal intento. Deus, fonte original e incriada da Vida, pr-existe antes de qualquer coisa ou ser; em conseqncia, no pode o homem explicar o que j existe muito antes e independente de sua prpria existncia!

Deus a prpria Eternidade, e seria demasiada vaidade e estultcia o homem pretender conhec-Lo em to curto lapso da vida humana. Deus incessante e inesgotvel alegria que mais interpenetra na intimidade da criatura quanto mais o homem avana em sua realizao csmica. Deus o Esprito-Uno que sustenta cada forma e energia transcendental do Universo e existe no vazio do incriado, alm de quaisquer fenmenos concebidos pelas criaturas em realizao do autoconhecimento. Considerando-se Deus simbolizado por raios que partem geometricamente de um ponto central e se perdem no infinito, a conscincia do homem pode ser comparada figura de uma esfera limitada sobre o centro desses raios. medida que o homem, aps situar-se no seio da matria, vai aumentando seu grau de conscientizao, realizando em si mesmo seu desenvolvimento espiritual, vai ampliando, sua compreenso de Deus na mesma medida da amplitude da limitao humana. Embora essa conscincia se amplie e se desenvolva incessantemente em todos os sentidos, ela jamais alcanar os raios infinitos. Dessa forma, medida que o ser amplia essa conscincia no contato incessante e educativo com as formas dos mundos planetrios, ele tambm abrange maior poro divina e mais se apercebe de Deus. . GETER - Introduo ao estudo das obras de Ramats

2. Deus _______________________________ _________________________ ___________________ 4 justamente esse desejo incessante do homem de conhecer e sintonizar-se com o Criador que o impele e o estimula para sua mais breve elevao espiritual. Considerando-se Deus, o Esprito Total Csmico, como Chama ou Luz infinita, acima e alm do tempo e do espao, ento os espritos dos homens, os filhos de Deus, podem ser comparados a pequenas centelhas emanadas dessa eterna, infinita e incognoscvel Energia. No atual estgio de desenvolvimento espiritual do homem, de nada adiantaria o conhecimento da forma e da essncia do seu Criador, pois isso no provocaria de per si as modificaes necessrias e louvveis em sua vida, em direo sua senda evolutiva, pela abdicao de interesses subalternos e pela dignificao da experincia das relaes humanas. A criatura que ainda vibra num estgio espiritual primrio no se encontra preparada para entender a natureza real de Deus e sua manifestao csmica; para tanto, precisa emancipar-se do instinto primitivo atravs do cultivo dos valores divinos adormecidos em seu prprio esprito. O esprito humano precisa superar os resqucios da linguagem animal que lhe originou o organismo carnal e adquirir o estado anglico, para se libertar definitivamente da matria e realizar-se como ser espiritual integral. At que isso acontea, deve procurar compreender os desgnios divinos atravs do respeito e do amor a todas as criaturas. No apenas a luta para ser livre da matria que far o homem conhecer Deus, mas o binmio sentir -saber que realmente desvenda o panorama do infinito ! Liberdade sem sabedoria poder ser direo.

O esprito realizado em Deus aquele que j sobrepaira acima de todas as identificaes com os sentidos e permanece consciente, em incessante unio com o Criador. Quando encarnado, vive ao mesmo tempo consciente de sua realidade divina, e entende os motivos de sua prpria existncia e os objetivos de sua eterna ventura, executando sua tarefa educativa no mundo, mas usufruindo sua jubilosa calma interior. Em outras palavras, o esprito realizado aquele que j dominou ou extinguiu em si Maya, a iluso csmica dualista, citada pelos Vedas, ou seja, apercebeu-se da unidade divina do Cosmo, ao verificar que ele no autenticamente o prprio corpo, porm o seu corpo to somente a manifestao exterior, num certo momento e num certo tempo, do Esprito Imortal ! . GETER - Introduo ao estudo das obras de Ramats

2. Deus _______________________________ _________________________ ___________________ 5 A compreenso de Deus exige do homem: UMA REALIZAO ATRAVS DA COMUNHO COM DEUS busca da sabedoria e do equilbrio psquico (harmonia interior) AO POR DEUS ao exterior de renncia e servio fraterno a todos os seres na natureza EXEMPLO estado de xtase (samdhi) atingido pelos iogues prtica da caridade pelos cristos

INTERNA

EXTERNA

Jamais a criatura poder equacionar o Universo e assimilar a natureza divina do Criador, confiando to somente nos seus sentidos, mesmo que amparado pela mais perfeita tcnica instrumental do mundo transitrio e limitado da matria. mais fcil ao homem aperceber-se da Realidade Divina atravs da intuio, cuja sensibilidade aumenta quanto mais ele aufere e ausculta o mundo espiritual, do que atravs da inteligncia, que, em realidade, conseqncia da energia espiritual oculta que aciona a mente humana. O homem poderia encontrar satisfatria soluo da Realidade Divina atravs da prpria Cincia, transformada em filosofia transcendental, porm, com mais sucesso e preciso, se guiado nessa busca pelo sentimento intuitivo, que seu mais ntimo vnculo com a Mente Csmica. O destino glorioso do homem a angelitude, e a luz que o guia queima no prprio combustvel de sua centelha interna. Em face da prpria centelha divina existente no mago do homem, medida que este amplia a compreenso mental tambm dinamiza o vnculo ntimo e intuitivo que liga a criatura ao Criador, a saber: o seu sentimento religioso! A incessante conscientizao espiritual liberta-o das frmulas, ritos, smbolos e dogmas interpostos pelas religies convencionais no seu contato ntimo com Deus, e que o isolam da pureza inicitica religiosa de vibrar mais prximo da freqncia divina, pois, quanto maior for a amplitude de unio eletiva entre os homens, tambm mais lhes favorecida a penetrao de maior rea de Deus e, conseqentemente, maior absoro de vibrao divina. Deus pode ser apercebido atravs das prprias leis imutveis, sbias e criativas que agem corretamente em todos os nveis de vida e nas mais longnquas latitudes csmicas.

Atravs dessas leis e princpios, cuja finalidade o equilbrio e a ordem, e que visa sempre o aperfeioamento da criatura, que Deus opera sobre todos os seres e as coisas; so leis impecveis, sensatas e disciplinadas, que regem os fenmenos do mundo material e comprovam Sua presena oculta no Universo! a Vontade que preside todos os fenmenos do Cosmo e comunica a todos o anelo de perfeio e ascenso, pois o Universo perfeito em sua criao infinita e eterna, porque perfeita a Entidade nica que o criou! Jamais essas leis causaram surpresas, equvocos ou alienao, cuja existncia s pode ser creditada m interpretao ou ignorncia humana. As prprias aberraes da Natureza, que poderiam despertar a censura dos homens contra um Criador imperfeito, no passam de importantes pesquisas e ensaios na busca de maior perfeio. H perfeita ordem e coerncia em todos os fenmenos ocorridos na Natureza fsica de nosso planeta, os quais atestam o efeito inteligente, progressista e sensato, sob inflexvel lgica que aperfeioa todas as formas e seres. Tudo harmonioso, sensato e coerente pois no h excentricidade ou qualquer aberrao injustificvel. . GETER - Introduo ao estudo das obras de Ramats

2. Deus _______________________________ _________________________ ___________________ 6 Basta a criatura sensvel e sem premeditao perscrutar a intimidade dos acontecimentos desagradveis ou trgicos, considerados inteis e onerosos, para descobrir, sob o vu do que asqueroso ou daninho, a mensagem de uma inteligncia oculta que atua no mundo espiritual modelando na matria as futuras formas de estesia anglica. H sempre indcios benficos no mago das coisas e dos seres bons ou maus, belos ou feios, sadios ou enfermos e que se pode evidenciar, aos poucos, medida que se investiga e se conclui sobre os fenmenos da prpria vida. As almas argutas podem perceber que essa ao oculta mais sbia do que instintiva, mais previsvel do que simples acaso, mais ao do que passividade, disciplinando os mnimos acontecimentos sucedidos no Universo.

1.4 CRENA EM DEUSSomente a crena em Deus no basta para a elevao do homem em Sua direo, mas sim o desenvolvimento em si mesmo dos atributos divinos, ou seja, a ampliao da miniatura divina que todo ser possui dentro de si prprio. Somente crer em Deus no a vivncia em Deus; no propriamente ach-Lo !

A crena, de per si, no uma auto-realizao, no proporciona o autntico encontro de Deus, mas apenas uma simples projeo do prprio indivduo no desconhecido. A simples crena traz em si uma recompensa extramaterial, constituindo um verdadeiro mercado de redeno espiritual, onde os crentes investem na expectativa dos dividendos da Divindade, pois tm na crena um motivo para viverem mais confiantes e esperanosos, pretensamente garantindo a salvao, caso exista alguma coisa alm e aps a morte do corpo fsico. As religies organizadas ficam repletas de crentes que cultuam certos postulados afins a uma idia especfica de Deus, condicionados a uma crena sistemtica e padronizada, sem entretanto, modificarem o seu eu interior e sem incorporarem os valores incomuns do EU superior divino, que conquista individual atravs do estudo, pela abnegao, servio ao prximo e, sobretudo, ao independente de qualquer interesse egosta. Pouco adianta o homem crer em Deus e no desenvolver em si mesmo os atributos divinos que possui latentes no mago do seu prprio esprito, pois somente a ativao em si mesmo dos princpios que sintetizam o Amor, a Sabedoria e o Equilbrio infinitos que far a criatura conseguir maior proximidade com o Criador. A crena puramente intelectual e especulativa torna-se atributo dispensvel, caso no modifique a maneira de agir e sentir do homem !

Embora o intelecto planeje atravs do poder mental, o centro psquico que sublima e sensibiliza o ser a afetividade, que vitaliza o crescimento divino atravs do Amor! A crena em Deus de pouca significao no homem que no desenvolve em si prprio os valores crticos, mesmo que venha contribuindo financeiramente com obras religiosas e caritativas, geralmente por medo de perder o Cu! Muitos so aqueles que crem veementemente em Deus, freqentam instituies religiosas, mas vivem de maneira to censurvel que desmentem frontalmente a posse dos atributos do mesmo Criador em que eles crem acreditar. . GETER - Introduo ao estudo das obras de Ramats

2. Deus _______________________________ _________________________ ___________________ 7 A descrena em Deus no atestado de inteligncia incomum, mas apenas fruto da excessiva escravido aos sentidos fsicos do homem transitrio, e conseqncia da ignorncia humana de no saber que o Criador permanece integrado na sua obra, podendo ser sentido pelas suas criaturas. Isso ocorre quando o intelecto orgulhoso da personalidade humana transitria se sobrepe intuio do esprito imortal, dinamizado pelo cientificismo querelante, sentindo-se humilhado em fazer concesses a uma Realidade Divina, alm de si mesmo. O estgio nos mundos fsicos tem somente a funo restrita de despertar os valores psquicos do cidado espiritual, mas impossvel de lhe comunicar a Realidade Divina. O homem que ainda no se conhece a si prprio, infeliz vtima dos vcios e das paixes da coao animal, jamais deve se orgulhar de negar Deus, que criou o Universo. A crena em Deus pode ser enfermia e devastadora, quando contraria e desmente os prprios atributos da Divindade, pelos crentes que ainda cultuam o dio, a ignorncia, a maldade e a injustia, que so opostos aos valores divinos do Amor, Sabedoria, Bondade e Justia, ou seja, ainda cultuam as manifestaes normais da natureza inferior humana, em face de ignorarem a existncia das leis divinas que regem o Cosmo e que so emanadas do Ser Supremo. O crente que age de modo censurvel e repelente nega a sua assimilao a qualquer postulado religioso de aspecto divino, e com isso demonstra o seu atraso espiritual. necessrio que o homem creia para se renovar, para se higienizar espiritualmente, para se aperceber do divino e para atender ao impulso ntimo de comunho com Deus na busca de ascese anglica, mas ignomnia toda crena que divide os homens, e se transforma em atos censurveis que desmentem frontalmente os valores autnticos da espiritualidade ante o predomnio dos instintos inferiores da animalidade. No se pode louvar qualquer crena em Deus que leve o homem a se desgraar em lutas antifraternas e religiosas.

A crena em Deus leva o indivduo a demonstrar certa humildade, uma vez que confia em algo superior a si prprio, ao admitir a existncia de um Criador alm de sua reconhecida incapacidade humana. Essa humildade traduz um eficiente estado de apercebimento da prpria vida superior, ou faculdade de auscultao psquica que favorece o fluxo de intuio e, enquanto manifestao transcendental, requer uma certa eletividade do homem, uma espcie de encontro simptico no limiar de ambos os mundos espiritual e material. Assim a crena em Deus, e a admisso da sobrevivncia do esprito, j uma comprovao de uma sensibilidade mais incomum, embora possa ser rotulada de superstio, misticismo ou ingenuidade. Por outro lado, todo aquele que tiver de provar, pela matemtica e lgica do mundo, todo fenmeno ou previso do futuro, para s ento crer em Deus, ser lamentado pela infelicidade de nunca poder crer em Deus, porque, alm de no poder analisa-lo e descreve-lo, Ele incomprovvel! A simples premissa de que para crer preciso provar, torna o homem eternamente atesta, pois o maior e o mais importante fenmeno, que Deus, nunca poder ser provado!

1.5 PRESENA DE DEUS E EVOLUOH uma sabedoria muitssimo alm da capacidade e da ao humana, e da pretensa espontaneidade da Natureza, que regula a procriao dos seres at um limite ou risco sensato, que permite a sadia e inteligente continuidade da vida. A sabedoria e o poder de Deus so perceptveis nos mais singelos fenmenos da Natureza, nas incessantes mutaes das coisas e dos seres orgnicos do mundo, antes da mais sbia interveno humana. . GETER - Introduo ao estudo das obras de Ramats

2. Deus _______________________________ _________________________ ___________________ 8 O psiquismo matriz da vida, de onde provm toda a substncia do mundo, ampara a sobrevivncia dos insetos, rpteis, aves, animais e dos prprios homens em incessante progresso. Todos os esquemas de manifestao da vida, processada atravs das mais variadas formas fsicas, compatveis a cada tipo de orbe pulsante no Universo, so fruto de um planejamento cuidadosamente antecipado. No difcil ao homem verificar as inmeras provas do seu progresso biolgico de estados inferiores para nveis superiores atravs dos milnios, num processo evolutivo e num sentido deliberadamente progressista de harmonia e beleza, cuja constatao se verifica pelo exame e comparao de sua vida desde a idade das cavernas at o conhecido estgio da atualidade. O prprio homem, periodicamente e pessoalmente, intervm na Natureza corrigindo as coisas e melhorando os seres do mundo fsico, dirigindo o seu poder e aplicando a sua inteligncia na fenomenologia da matria, mas sempre em obedincia a uma Sabedoria Divina, que ativa as energias latentes que fluem pela intimidade das formas, no milagre da incessante transformao. Mesmo o modo intuitivo, caracterstico das espcies inferiores, conseqncia desse mesmo princpio inteligente da Conscincia Espiritual de Deus, que mobiliza os recursos adequados sobrevivncia e subsistncia a cada espcie, cujos corpos carnais transitrios de seus indivduos so apenas vestimentas passageiras, em processo de adestramento e aperfeioamento, a fim de servirem mais tarde a exigncias das mentes individualizadas. uma fase de evoluo em que esse psiquismo se ativa pelas experincias vividas no orbe, mesmo as dramticas ou trgicas. Existe, portanto, um cuidado fundamental da Divindade em executar, pela vestimenta carnal mais instintiva, a ao de um futuro psiquismo melhor elaborado. A constatao desse fenmeno, embora no induza a qualquer concluso csmica definitiva acerca da comprovao direta da Divindade, oferece ao homem arguto o ensejo de extrair ilaes corretas e sensatas quanto indiscutvel verdade de uma Inteligncia Superior operando na intimidade de todos os fenmenos da natureza. Tambm ocorrem fenmenos na intimidade do corpo humano para comprovar a presena de uma sabedoria oculta, inata ao prprio homem, que, embora atue de um modo instintivo, demonstra uma faculdade deliberadamente inteligente. O homem se revela um ser racional graas sabedoria do seu psiquismo que lhe opera na intimidade, sob a diretriz de uma potncia oculta superior e poderosa !

A entidade humana, portanto, est submetida a uma srie de leis, princpios e regras que lhe orientam, instante a instante, o seu organismo, obedecendo, entretanto, a um esquema de alta preciso sob o controle da Suprema Inteligncia de Deus, atravs da interferncia oculta da sabedoria do seu psiquismo, no sentido de alongar a vivncia do esprito do homem na matria educativa. A vida no campo denso da matria propositalmente eivada de experincias dificultosas, nas quais o esprito do homem ativado por energias que se atritam, requintam-se e se sublimam, para que ele supere o instinto animal que o protege, mas tambm o escraviza vibraes inferiores. O homem luta sob o impulso energtico das foras primrias da animalidade, sob a energia telrica que eclode da espcie animal instintiva e implacvel, mas seu esprito deve se opor veementemente a essa fora bruta e alcanar os frutos definitivos dos princpios superiores. O corpo carnal , portanto, o veculo em que o esprito se engasta sob a disciplina das regras e das tendncias da vida fsica, mas deve se opor vigorosa tirania do instinto animal, que o ajuda por um lado e que o escraviza por outro, ativando e desenvolvendo o amor e a sabedoria, que so os princpios fundamentais do futuro anjo! O processo evolutivo de transformar e sublimar a conscincia humana at alcanar uma freqncia superior permitir ao homem aperceber-se da essncia do Criador !

. GETER - Introduo ao estudo das obras de Ramats

2. Deus _______________________________ _________________________ ___________________ 9 O homem, criado por Deus para ser feliz por toda a eternidade, entretanto, o autor da sua prpria conscientizao, o agente de sua prpria evoluo espiritual atravs dos mundos fsicos transitrios, que lhe proporcionam a aquisio dos valores autnticos de sua felicidade, de seu glorioso destino que a angelitude. O mal e o sofrimento na vida humana so etapas transitrias do mesmo processo evolutivo, que tende sempre a um resultado superior de aperfeioamento espiritual, visando despertar os valores eternos da imortalidade e alcanar sua prpria ventura, sua auto-realizao, quando o esprito aprimora conscientemente os seus poderes criativos e a possibilidade de plasmar nas formas do mundo toda a intuio superior. Em todos os reinos da vida fsica, o sofrimento e a dor so caractersticas fundamentais do aperfeioamento e embelezamento das formas e dos seres, sob a gide da justia divina, que variam conforme a sensibilidade e o poder de comunicao daquilo que sofre, com o mundo exterior: REINO MINERAL AO DEPURATIVA EXEMPLO

sofre silenciosamente a dor produzida o ferro na fundio sofre a fim de lograr a em suas entranhas adormecidas qualidade superior do ao estremece sob a ao externa os gros do trigo e da uva sofrem torturante (registrvel atravs de aparelhos esmagamento a fim de se transformarem em po e eletrnicos sensveis) vinho exterioriza a dor fsica em gemidos sofre na muda, na gestao e na competio lancinantes agressiva pela sobrevivncia emotivo e racional, chega o homem a sofre a dor humana no renascer, na superao dramatizar seu burilamento doloroso de enfermidades para adquirir resistncia, no em obras literrias despertar das sensibilidades superiores

VEGETAL

ANIMAL

HOMINAL

vedado ao homem, em seu atual estgio, recusar-se a sofrer para evoluir em sua conscientizao individual, repudiando sua existncia como criatura eterna no seio da Divindade, pois, mesmo se tratando de uma partcula inerente ao Todo nico, como o esprito humano, s depois de sua emancipao espiritual, que ento poderia manifestar sua deciso pela continuidade de sua existncia, ou por sua desintegrao no Todo Csmico. No entanto, quando tal estgio de desenvolvimento do esprito humano for alcanado, este j ter atingido a angelitude fascinante, autntica e venturosa, custa das etapas prvias da dor e do sofrimento nas existncias ilusrias das vidas fsicas efmeras.

1.6 A VISO MONISTA DA REALIDADE DIVINAO Universo uma entidade que abrange e incorpora tudo o que possvel da criatura conceber por existente. A ordem e a sabedoria que presidem os fenmenos da Vida no Cosmo comprovam a existncia de uma s Vontade criando e governando o Cosmo. Em Deus est toda a sabedoria, a justia, o amor e a realizao, pois sendo a Unidade, Dele mesmo se derivam todos os processos que estabelecem os fenmenos do Universo. Monismo a concepo da existncia de que tudo o que existe resulta de uma nica Fonte!

A conceituao monista desvincula a Divindade de um aspecto antropomrfico, indicando a convergncia da vida, em todas as latitudes csmicas, para um princpio nico ou central do Universo, em que Deus a sua Unidade Autntica e Infinita, o fundamento orgnico e ao mesmo tempo a funo dinmica do Cosmo! . GETER - Introduo ao estudo das obras de Ramats

2. Deus _______________________________ _________________________ ___________________ 10

Deus, a Inteligncia Csmica Incriada e Indestrutvel Uno, o Universo monista; todas as energias se reduzem e convergem para um s comando e fenmeno em movimento!

Em contraposio ao monismo, que assevera que tudo o que existe provm de uma nica origem, e que Deus est inserido em toda a Sua criao, pois ambos constituem uma nica realidade, encontra-se o dualismo, que, de outro lado, prega que a essncia da realidade divina imperscrutvel e de natureza desconhecida, distinta de tudo o que existe no Universo fsico observvel, que pode ser resumido no binmio matria-energia. O Universo UNO: Criador e criatura constituem uma nica e inseparvel realidade. O UNO est nas partes e as partes integradas no UNO: CONCEPO TESTA (DEUS = esprito + matria + energia) O Universo DUAL: O esprito, de origem divina, tem natureza totalmente diversa de tudo o que existe na realidade fsica: CONCEPO DESTA (UNIVERSO FSICO = matria + energia / DEUS = essncia espiritual distinta) A aceitao do princpio de que Deus a Inteligncia Suprema e a Causa Primria de todas as coisas implica em considerar, sem dvida, que o Universo monista, pois Inteligncia Suprema sinnimo de Suprema Lei, que incide na existncia de um s Deus e na idia de um Princpio nico, Eterno e Infinito, que anima, disciplina, movimenta e procria todo o Cosmo. O Cosmo to somente o invlucro exterior e transitrio da Divindade Absoluta, diminuta frao do princpio original e nico que lhe vitaliza a intimidade imodificvel.

MONISMO

DUALISMO

Afora do monismo, ter-se-ia de aceitar a existncia de mais de uma Vontade com poderes de criar e comandar o Universo, ou aceitar a concepo de um Acaso inteligente criador, o que implicaria na ocorrncia de conflitos, desarmonia e choques no metabolismo csmico em decorrncia da possvel diferena de capacidade, objetos ou competies por parte das vrias mentes atuantes, ou ento dos acidentes fortuitos, o que, na prtica, no se verifica em absoluto no Cosmo observvel. inegvel e ponto definitivo que o princpio um s, uma s origem e uma s vontade central criadora de todo o Cosmo; a Realidade Monista divina indissolvel! Deus a nica e imodificvel essncia e a substncia da qual os homens descendem como fagulhas, centelhas ou partculas espirituais divinas.

Depois de criadas no seio da Divindade, as mnadas ou centelhas divinas so lanadas em peregrinao pelas formas educativas dos orbes fsicos, no processo incessante de organizar sua prpria conscincia individual e adquirir a noo de existir como entidade parte, mas vinculadas intimamente ao prprio Todo, ou seja, como Esprito Imortal. Deste estgio em diante, passam ento a ampliar essa conscincia espiritual numa esfericidade sem limites, at abranger os fenmenos macro e microcsmicos da Vida. O esprito do homem, como herdeiro dos atributos divinos, nico e indestrutvel, pr-existe materializao ou gestao de um corpo fsico na face dos mundos planetrios, e sobrevive inclume ao desgaste e ao desfazimento de seu organismo provisrio carnal. Por isso se afirma que Deus est no homem, que o homem foi feito imagem de Deus, ou que o Pai e o Filho so um. Com o decorrer do tempo, os espiritualistas adquiriro uma nova concepo de Deus, muito alm de uma Inteligncia Infinita, concepo mais adequada ao processo incessante da criatura humana. . GETER - Introduo ao estudo das obras de Ramats

2. Deus _______________________________ _________________________ ___________________ 11 O excessivo apego aos dolos e a formulas religiosas do mundo terminam por cristalizar a crena humana sob a algema dos dogmas impermeveis a raciocnios novos, para no chocar o sentimentalismo da tradio. As criaturas que estratificam no subconsciente uma crena religiosa, simptica, cmoda ou tradicional, tero de sofrer quando, sob o impulso imperativo do pregresso espiritual, tiverem de substituir sua devoo primitiva e saudosista por outras revelaes mais avanadas sobre a Divindade. Krishnamurti, numa concepo puramente monista, carregando toda a responsabilidade divina sobre os ombros do prprio homem, em exposio rasante e demolidora da velha idia desta (dualista), malgrado sua aparncia hertica, centrada no pensar reto e no autoconhecimento, afirma: preciso o homem matar o velho Deus, limpar a mente das quinquilharias do passado, a fim de evitar a explorao religiosa de outros homens tolos, e encontrar a Divindade no microcosmo de sua prpria alma !

Essa afirmativa, em relao busca de uma nova realidade divina, pode ser ilustrada considerando que assim como um aposento s pode receber moblia nova depois de convenientemente desimpedido da moblia velha, a mente do homem tambm precisa arejar-se dos seus condicionamentos religiosos anacrnicos, para ento assimilar os novos conceitos autnticos da espiritualidade!

Fontes bibliogrficas:1. Maes, Herclio. O Evangelho Luz do Cosmo - Obra medinica ditada pelo esprito Ramats. 3 ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1987. 2. Maes, Herclio. O Sublime Peregrino Obra medinica ditada pelo esprito Ramats. 7 ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1990. 3. Maes, Herclio. Mensagens do Astral Obra medinica ditada pelo esprito Ramats. 9 ed. So Paulo: Freitas Bastos, 1989.

. GETER - Introduo ao estudo das obras de Ramats