Apostila Mdulo I Conceitos de Sistema e Ergonomia

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    11-Nov-2015

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  • SADE DO

    TRABALHADOR E

    ERGONOMIA

  • 2

    INSTRUTORES:

    Dr. Rodrigo Filus Fisioterapeuta do Trabalho Cel. (41) 9112-5411

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    Instrutores:......................................................................................................... 2

    A Ergonomia........................................................................................................ 4

    1.1 Definies da Ergonomia ................................................................................. 4

    1.2 Breve Histrico................................................................................................ 5

    1.2.1 Os Primrdios .............................................................................................. 5

    1.2.2 A Revoluo Industrial .................................................................................. 5

    1.2.3 As Guerras................................................................................................... 6

    1.2.4 A Formalizao............................................................................................. 6

    1.2.5 A Ridicularizao .......................................................................................... 7

    1.2.6 O Reconhecimento ....................................................................................... 7

    1.3 O Taylorismo e a Ergonomia ............................................................................ 8

    1.3.1 A resistncia dos trabalhadores ao Taylorismo ............................................... 9

    1.3.2 As transformaes do taylorismo................................................................... 9

    1.4 Benefcios da Ergonomia................................................................................ 11

    1.5 Situao Atual............................................................................................... 11

    A Abordagem Ergonmica de Sistemas ............................................................ 13

    2.1 Conceito de Sistema...................................................................................... 13

    2.2 Ciclo de vida do Produto................................................................................ 17

    2.3 Descrio dos Elementos do Sistema.............................................................. 18

    2.4 Mtodo da Funo Sntese............................................................................. 19

    Bibliografia........................................................................................................ 25

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    A ERGONOMIA

    1.1 Definies da Ergonomia

    A nica e especfica tecnologia da Ergonomia a tecnologia da interface homem-sistema. A Ergonomia como cincia trata de desenvolver conhecimentos sobre as capacidades, limites e outras caractersticas do desempenho humano e que se relacionam com o projeto de interfaces, entre indivduos e outros componentes do sistema. Como prtica, a Ergonomia compreende a aplicao de tecnologia da interface homem-sistema a projeto ou modificaes de sistemas para aumentar a segurana, conforto e eficincia do sistema e da qualidade de vida.

    No momento, esta tecnologia nica e especial possui pelo menos quatro componentes principais e identificveis que, do mais antigo ao mais recente, so os seguintes: Tecnologia da interface homem-mquina ou Ergonomia de hardware; Tecnologia da interface homem-ambiente ou Ergonomia ambiental; Tecnologia da interface usurio-sistema ou Ergonomia de software e Tecnologia da interface organizao-mquina ou Macroergonomia (Hendrick, 1991).

    A Ergonomia, tambm conhecida como human factors, uma disciplina cientfica que trata da interao entre os homens e a tecnologia. A Ergonomia integra o conhecimento proveniente das cincias humanas para adaptar tarefas, sistemas, produtos e ambientes s habilidade e limitaes fsicas e mentais das pessoas (Karwowski, 1996).

    Ergonomia o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamento e ambiente, e particularmente a aplicao dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na soluo de problemas surgidos desse relacionamento (Ergonomics Research Society, Inglaterra). Em outras palavras, a adaptao dos meios ao homem.

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    1.2 Breve Histrico

    1.2.1 Os Primrdios

    Desde civilizaes antigas, o homem sempre buscou melhorar as ferramentas, os instrumentos e os utenslios que usa na sua vida cotidiana. Existem exemplos de empunhaduras de foices, datadas de sculos atrs, que demonstram a preocupao em adequar a forma da pega s caractersticas da mo humana, de modo a propiciar mais conforto durante sua utilizao.

    1.2.2 A Revoluo Industrial

    Entretanto, a revoluo industrial, ocorrida a partir do sculo 18, dramatizou as condies de trabalho. As primeiras fbricas surgidas no tinham nenhuma semelhana com uma fbrica moderna. Eram sujas, barulhentas, perigosas e escuras, as jornadas de trabalho chegavam a at 16 horas dirias, sem frias, em regime de semi-escravido, imposto por empresrios autoritrios.

    Estudos mais sistemticos do trabalho comearam a ser realizados a partir do final do sculo passado. Nessa poca surge nos EUA, o movimento da administrao cientfica, que ficou conhecido como taylorismo.

    Na Europa, principalmente na Alemanha, Frana e pases escandinavos, por volta de 1900, comearam a surgir pesquisas na rea de fisiologia do trabalho, na tentativa de transferir para o terreno prtico os conhecimentos de fisiologia gerados em laboratrios. Em 1913, Max Ruber cria dentro do Instituto Rei Guilherme, um centro dedicado aos estudos de fisiologia do trabalho que evolui mais tarde para o atual Instituto Max Plank de Fisiologia do Trabalho, situado em Dortmund, Repblica Federal Alem. Esse instituto responsvel por notveis contribuies para o avano da fisiologia do trabalho, principalmente com pesquisas sobre gastos energticos no trabalho, tendo desenvolvido metodologias e instrumentos para a medida dos mesmos.

    Na Escandinvia, em Estocolmo e Copenhagem, foram criados laboratrios para estudar os problemas de treinamento e coordenao muscular para desenvolvimento de aptido fsica.

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    1.2.3 As Guerras

    Na Inglaterra, durante a I Guerra Mundial (1914-1917), fisiologistas e psiclogos foram chamados para colaborarem no esforo de aumentar a produo de armamentos, com a criao da Comisso de Sade dos Trabalhadores na Indstria de Munies, em 1915. Com o fim da guerra, a mesma foi transformada no instituto de Pesquisa da Fadiga Industrial, que realizou diversas pesquisas sobre o problema da fadiga na indstria.

    Este instituto foi reformulado em 1929 para transformar-se no Instituto de Pesquisa sobre Sade no Trabalho. Tendo o seu campo de atuao ampliado, realizou pesquisas sobre posturas no trabalho, carga manual, seleo, treinamento, iluminao, ventilao e outras. Entretanto, o maior mrito desse instituto foi o de ter introduzido trabalhos interdisciplinares, agregando novos conhecimentos de fisiologia e psicologia ao estudo do trabalho.

    Com a ecloso da II Guerra Mundial (1939-1945), foram utilizados conhecimentos cientficos e tecnolgicos disponveis, para construir instrumentos blicos relativamente complexos como submarinos, tanques, radares, sistemas contra incndio e avies. Estes exigiam muitas habilidades do operador, em condies ambientais bastante desfavorveis e tensas, no campo de batalha. Os erros e acidentes, muitos com conseqncias fatais, eram freqentes. Tudo isso fez redobrar o esforo de pesquisa para adaptar esses instrumentos blicos s caractersticas e capacidade do operador, melhorando o desempenho e reduzindo a fadiga e os acidentes.

    1.2.4 A Formalizao

    Ao contrrio de muitas outras cincias cujas origens se perdem no tempo e no espao, a ergonomia tem uma data oficial de nascimento: 12 de julho de 1949. Nesse dia, reuniram-se, pela primeira vez, na Inglaterra, um grupo de cientistas e pesquisadores interessados em discutir e formalizar a existncia desse novo ramo de aplicao interdisciplinar da cincia. Na segunda reunio desse mesmo grupo, ocorrida em 16 de fevereiro de 1950, foi proposto o neologismo ergonomia, formado dos termos gregos ergo, que significa trabalho e nomos, que significa regras, leis naturais.

    Esse termo j tinha sido anteriormente usado pelo polons Woitej Yastembowsky (1857) que publicou um artigo intitulado Ensaios de ergonomia ou cincia do trabalho, baseada nas leis objetivas da cincia sobre a natureza, mas foi s a partir da fundao,

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    no incio da dcada de 50, da Ergonomics Research Society, na Inglaterra, que a ergonomia se expandiu no mundo industrializado.

    Como sub-produto desse esforo de guerra surgiram as reunies na Inglaterra, j mencionadas, e que marcaram o incio da ergonomia, agora em tempo de paz, para aplicar os seus conhecimentos na produo civil e melhorar a produtividade e as condies de vida da populao em geral, e dos trabalhadores, em particular.

    1.2.5 A Ridicularizao

    Nos EUA do ps-guerra, os profissionais da rea registram que as suas propostas eram recebidas freqentemente com ceticismo e dvida, e eram geralmente ridicularizados. Foram taxados de homem dos botes, por terem realizado diversos estudos sobre a forma e a funcionalidade dos Knobst.

    1.2.6 O Reconhecimento

    Esse panorama mudou quando o Departamento de Defesa dos EUA comeou a apoiar pesquisas na rea. Da, a conotao militarista adquirida pelo human factors que, de certa forma, persiste at hoje. Muitos conhecimentos foram desenvolvidos para o aperfeioamento de aeronaves, submarinos e para a pesquisa espacial. S recentemente a human factors comeou a ser aplicada, em maior grau, na indstria no blica.

    Enquanto a produo se dava de modo artesanal, era possvel obter formas teis, funcionais e ergonmicas sem excessivos requisitos projetuais. No entanto, a produo em srie em larga escala ou mesmo em poucas unidades impossibilita tcnica e economicamente a adequao de produtos a partir do uso e adaptaes sucessivas.

    Paradoxalmente, a evoluo tecnolgica, com suas maravilhosas mquinas voadoras, informacionais e inteligentes, exigiu e enfatizou a necessidade de conhecer o homem. Depois de contnuos avanos em engenharia, onde o homem se adaptou, mal ou bem, s condies impostas pelos maquinismos, evidenciou-se que os fatores humanos so primordiais. Mais ainda, em sistemas complexos, onde parte das funes classicamente executadas pelos homens podem ser alocadas s mquinas, uma incorreta adaptao s capacidades humanas pode invalidar a confiabilidade de todo o sistema. Assim, faz-se necessrio conhecer a priori os fatores determinantes da melhor adaptao de produtos, mquinas, equipamentos, trabalho e ambiente, a todos aqueles indivduos que em algum momento iro interagir com tal sistema.

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    A Ergonomia se constitui a partir da reunio de psiclogos, fisilogos e engenheiros. A psicologia e a fisiologia so as duas principais cincias que fornecem aos ergonomistas e engenheiros referncias sobre o funcionamento fsico, psquico e cognitivo do homem. O desempenho do homem no trabalho cada vez mais complexo e a Ergonomia ampliou progressivamente o campo de seus fundamentos cientficos. A inteligncia artificial, a semitica, a antropologia e a sociologia passaram a fazer parte do acervo de conhecimentos do ergonomista.

    Hoje, a ergonomia difundiu-se em praticamente todos os pases do mundo. Existem muitas instituies de ensino e pesquisa atuando na rea e anualmente se realizam muitos eventos de carter nacional ou internacional para a apresentao e a discusso dos resultados da pesquisas. Essas pesquisas devero continuar, pois muitas perguntas ainda no tem respostas ou tem somente respostas parciais. Contudo, o acervo de conhecimentos j disponveis em ergonomia, se fossem dominados e aplicados pela sociedade, certamente daria uma contribuio importante para reduzir o sofrimento dos trabalhadores e melhorar a produtividade e as condies de vida em geral.

    1.3 O Taylorismo e a Ergonomia

    Taylorismo um termo que deriva de Frederick Winslow Taylor (1856-1915), um engenheiro americano que iniciou, no final do sculo passado, o movimento de Administrao Cientfica do trabalho e se notabilizou pela sua obra de Princpios de Administrao Cientfica, publicada originalmente em 1912 (edio em portugus da Ed. Atlas S. A., 1976). Taylor defendia que o trabalho deveria ser cientificamente observado de modo que, para cada tarefa, fosse estabelecido o mtodo correto de se execut-la, com um tempo determinado, usando as ferramentas corretas. Haveria uma diviso de responsabilidades entre os trabalhadores e a gerncia da fbrica, cabendo a esta determinar os mtodos e os tempos, de modo que o trabalhador pudesse se concentrar unicamente na sua tarefa produtiva. Os trabalhadores deveriam ser controlados, medindo-se a produtividade de cada um e pagando-se incentivos salariais queles mais produtivos. Ele explica, dizendo que at um simples trabalho como o carregamento de uma p deve ser cuidadosamente estudado de modo a determinar o seu tamanho adequado para cada tipo de material (antes se utilizava a mesma p para carregar tanto o carvo como a cinza) e descobrir o melhor mtodo de realizar o trabalho, de modo que nada fosse deixado ao livre arbtrio do operrio. As idias de Taylor se difundiram rapidamente nos EUA. Em praticamente todas as fbricas foram criados departamentos de anlise do trabalho para fazer cronometragens e desenvolver mtodos racionais de

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    trabalho, e isso provavelmente contribui para a hegemonia norte americana na produo massificada de bens.

    1.3.1 A resistncia dos trabalhadores ao Taylorismo

    Pelo Lado dos trabalhadores, houve, desde o incio, uma certa resistncia a aceitao da cronometragem e dos mtodos definidos pela gerncia. Os trabalhadores acham que isto os oprimem e reagem, descumprindo regras estabelecidas, desregulando mquinas e prejudicando intencionalmente a qualidade. Partindo do nvel de resistncia individual, chegam-se aos movimentos coletivos e sindicais que questionam, em menor ou maior grau, o poder gerencial dentro das fbricas, para determinar-lhes o que deve ser feito, nos mnimos detalhes, sem dar-lhes a menor satisfao. Dessa forma, os trabalhadores sentem-se moralmente desobrigados a seguir estes padres, dos quais no participaram em nenhuma etapa de sua elaborao.

    Evidentemente, decorrido quase um sculo a partir das idias iniciais do Taylorismo, muita coisa modificou-se. Os trabalhadores hoje so mais instrudos, mais bem informados e mais bem organizados e no aceitam to passivamente as determinaes da gerncia.

    1.3.2 As transformaes do Taylorismo

    O Taylorismo surgiu de dentro das fbricas atravs das observaes empricas do trabalho. Como j vimos, os estudos cientficos, relacionados com a fisiologia do trabalho, continuaram a desenvolver-se em laboratrios, acumulando conhecimentos sobre a natureza do trabalho humano. Estes conhecimentos contribuiram para transformar, gradativamente, os conceitos tayloristas.

    O Taylorismo atribua a baixa produtividade tendncia de vadiagem dos trabalhadores, e os acidentes de trabalho negligncia dos mesmos. Hoje j se sabe que s coisas no so to simples assim. H uma srie de fatores ligados ao projeto de mquinas e equipamentos, ao ambiente fsico (iluminao, temperatura, rudo, vibraes), ao relacionamento humano e a diversos fatores organizacionais, que podem ter uma forte influncia sobre o desempenho do trabalho humano.

    Outro conceito taylorista cada vez mais questionado o homem econmico. Segundo ele, o homem seria motivado a produzir simplesmente para ganhar dinheiro e, ento, cada trabalhador deveria ser pago de acordo com a sua produo. Hoje se admite que isso nem sempre verdadeiro. H, de fato, certas pessoas que se motivam mais pelo dinheiro. Mas estas se incluem entre os trabalhadores de menor renda e

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    aqueles de temperamento individualista, que so mal vistos e isolados pelos prprios colegas.

    Outros sero motivados por fatores diversos como a auto-estima e o reconhecimento do trabalho que realizam. Um psiclogo norte-americano que estudou o comportamento dos trabalhadores, convivendo com eles, chegou a concluso de que muitos preferem manter a cabea erguida do que o estmago cheio, referindo-se questo do dinheiro, que nem sempre era considerado a mais importante.

    Portanto, essas duas vertentes, de um lado, a resistncia dos prprios trabalhadores e, de outro, o enriquecimento dos conhecimentos cientficos sobre a natureza do trabalho, influenciaram a gerncia empresarial a rever as suas posies.

    Hoje h um respeito maior s necessidades do trabalhador e as normas de grupo e, na medida do possvel, procura-se envolver os prprios trabalhadores nas decises sobre o seu trabalho. Uma das conseqncias dessa nova postura gerencial foi a gradativa eliminao das linhas de montagem, onde cada trabalhador deveria realizar tarefas simples e altamente repetitivas, definidas pela gerncia. Essas linhas, consideradas, at pouco tempo atrs, como supra-sumo do Taylorismo, mais flexveis, chamadas clulas de produo. Cada clula se encarrega de fazer um produto completo e a distribuio das tarefas a cada trabalhador feita pelos prprios elementos da equipe. Portanto, h mais liberdade para cada um escolher as suas tarefas, podendo haver rodzios peridicos dentro da equipe para combater a monotonia e a fadiga. O ritmo de trabalho resultado pela prpria equipe, no sendo imposta de cima para baixo, pela regulagem mecnica de uma esteira transportadora.

    Evidentemente, no se trata de cair no extremo oposto do laisses faire. Os controles continuam existindo. Mas, em vez de controlar individualmente, cada trabalhador, eles foram direcionados para aspectos mais globais da produo e qualidade. Essa mudana trouxe mais liberdade e responsabilidade aos trabalhadores, dando maiores oportunidades aos talentos pessoais de cada um. Assim, os resultados globais podem ser melhores do que no caso anterior, onde todos os detalhes eram rigorosamente controlados.

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    1.4 Benefcios da Ergonomia

    O maior benefcio que a Ergonomia trs a adequao do sistema ao homem, e a partir do momento em que esto adequaes ocorrem, vrias conseqncias so desencadeadas. Entre elas: Aumento de produtividade, pois como o sistema deve possuir uma melhor interao

    com o homem devem existir menores perdas; Aumento de qualidade, devido a maior aproximao do homem ao sistema, uma vez

    que a sua compreenso do sistema maior ele capta melhor a sua inferncia no mesmo;

    Reduo de refugos e retrabalhos; Aumento da sade dos trabalhadores, devido a adequao do sistema

    compreendendo as limitaes do homem; Reduo do absentesmo; Reduo de despesas mdicas e litgios judiciais, devido ao aumento de sade dos

    trabalhadores; Reduo de tempo para treinamentos operatrios, pois o sistema se torna adequado

    ao homem, facilitando assim o entendimento e utilizao; Reduo na rotatividade dos trabalhadores, pois como o sistema est adequado ao

    homem, tem-se como conseqncia maior prazer na execuo das tarefas; Reduo na manuteno de mquinas e ferramentas.

    1.5 Situao Atual

    Com base em dados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e do Centro de Estudos e sade do Trabalhador (CESAT/Bahia), estima-se que a LER hoje responsvel por pelo menos 2/3 das doenas profissionais diagnosticadas no Brasil e na Bahia. (Fonte: Revista CIPA ANO XX 236 1999)

    Algumas das concluses do IX Cobrasemt (Congresso Brasileiro de Segurana e Medicina no Trabalho realizado em agosto de 2000): O gerenciamento ergonmico deve atingir os postos de trabalho e o trabalhador em

    um processo de segurana integral, pois segundo a Universidade de Cornell USA, se evitar 300 mil casos/ano de DORT, com economia de U$ 22,5 milhes, pois na situao atual se tem 2 milhes de trabalhadores/ano atingidos, com uma perda de U$ 18 bilhes;

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    Para se adquirir o sentimento ergonmico necessrio que a segurana e sade no trabalho faam parte do negcio da empresa, com comprometimento legal e pessoal. O sentimento ergonmico reforado atravs de reunies no prprio posto de trabalho, efetuando registro grfico, fotogrfico e relatrio gerencial mensal;

    Adotar critrios objetivos para medir os custos e benefcios, para que se possa mensurar quantitativamente as aes ergonmicas de forma justificada e comprovada;

    Conhecer a Ergonomia a fundo e as suas reais possibilidades de contribuio para melhoria de qualidade de vida, qualidade do produto fabricado ou do servio prestado, para que o profissional de segurana e medicina do trabalho possa convencer os gerentes e executivos da empresa e investir em aes ergonmicas. (Fonte: Revista CIPA ANO XXI 252 - 2000)

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    A ABORDAGEM ERGONMICA DE SISTEMAS

    2.1 Conceito de Sistema

    A palavra sistema muito usada atualmente com diversos sentidos. No nosso caso ser adotado um conceito que vem da biologia: Sistema um conjunto de elementos ou subsistemas que interagem entre si, com um objetivo comum e que evoluem no tempo. Um sistema composto dos seguintes elementos: Fronteira: so os limites do sistema, que podem tanto ter uma existncia fsica, como

    a membrana de uma clula, ou a parede de uma fbrica como pode ser apenas uma delimitao imaginria para efeito de estudo, como a fronteira de um posto de trabalho;

    Tarefa de trabalho (o qu): uma exigncia dirigida ao homem para realizar atividades, visando alcanar o objetivo. Ela caracteriza a finalidade do sistema de trabalho.

    Processo de trabalho (como): a interao, no espao fsico e no tempo, do homem e do meio de produo, atravs do qual a entrada transformada em sada, de acordo com a tarefa de trabalho.

    Homem (quem): este o elemento ativo mais importante do sistema de trabalho. Est em condies de entrar em atividade por si mesmo e de por em movimento, tambm outros elementos inativos do sistema. Os aspectos que devem ser observados nele so: caractersticas fsicas, fisiolgicas, psicolgicas, sociais; sexo, idade, treinamento e motivao.

    Meios de produo: instalaes, equipamentos, mquinas e ferramentas. Entradas (inputs): consiste, em geral, de objetos de trabalho, informaes e

    energia, que so modificados de acordo com a tarefa de trabalho ou usados no sistema, ou so variveis independentes do sistema;

    Sadas (outputs): consiste, em geral, de objetos de trabalho, informaes e energia, que foram modificados, usados ou elaborados, de acordo com a tarefa de trabalho, ou so variveis dependentes do sistema;

    Influncias do meio ambiente: so os fatores fsicos, qumicos, biolgicos, organizacionais e sociais, que afetam o comportamento do sistema e as caractersticas dos elementos, especialmente dos homens e meios de produo, respectivamente. As influncias fsicas, qumicas e biolgicas do meio ambiente so denominadas de influncias ambientais. Entre as influncias ambientais esto a

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    iluminao, o clima, o rudo, as vibraes mecnicas, os gases, ps e vapores. As influncias do meio ambiente organizacional e social, muitas vezes, no so exatamente diferenciveis entre si. Entre elas esto a regulamentao da jornada e intervalos de trabalho, o fornecimento de materiais e informaes, as bases de remunerao varivel e o pagamento, o estilo de liderana, assim como a realidade econmica global. Um exemplo de um sistema poderia ser uma fbrica onde entra matria-prima

    (input) que aps uma srie de transformaes (processamento) em diversas operaes (subsistemas) resulta no produto final (output). As fronteiras deste sistema coincidem com as paredes da prpria fbrica. Se desejarmos estudar uma operao em particular, por exemplo, a solda, podemos restringir o sistema, colocando a fronteira em torno desta operao. Assim, esse novo sistema seria composto dos subsistemas soldador e o aparelho de solda. As entradas desse novo sistema seria as peas a serem soldadas e as sadas, as peas j soldadas. O processamento seria representado pela operao de soldagem. Inversamente, se desejarmos estudar mais amplamente as atividades da fbrica, podemos ampliar a fronteira do sistema a ser considerado, por exemplo, incluindo dentro da fronteira as operaes de transporte para a entrada de materiais e as operaes de sada para a distribuio dos produtos.

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    Quando o objeto de estudo da Ergonomia o sistema elementar constitudo pelo posto de trabalho diz-se que esta anlise microergonmica, porm quando trata-se do estudo da interao de dois ou mais sistemas elementares a anlise dita macroergonmica.

    Examinemos melhor o funcionamento de um sistema homem-mquina. O homem, para agir, precisa das informaes que so fornecidas pela prpria mquina, alm do estado (situao) do trabalho, ambiente e de instrues sobre o trabalho. Essas informaes chegam atravs dos rgos sensoriais, principalmente a viso, audio, tato e senso cinestsico (movimento das juntas do corpo), e so processados no sistema nervoso central (crebro e medula espinhal), gerando uma deciso. Esta se converte em movimentos musculares, que agem sobre a mquina atravs dos dispositivos de controle.

    Figura 1 - Exemplo de um sistema produtivo. Qualquer parte desse sistema constitui um subsistema.

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    Figura 2 - Representao esquemtica das interaes entre os elementos de um sistema homem-mquina

    Vamos considerar o sistema homem-automvel como exemplo. O homem recebe informaes do automvel atravs dos instrumentos, rudo do motor e outros. O campo de trabalho constitudo pela rua ou estrada, que tambm fornece diversas informaes ao homem. As informaes sobre o ambiente so representadas pela paisagem, sinalizao da estrada, temperatura, iluminao externa e outras. Alm disto, o homem pode receber instrues, como o trajeto que deve executar, a velocidade mxima permitida, e assim por diante. Com todas estas informaes, ele dirige o automvel atuando nos dispositivos de controle representado pelos pedais, volante, cmbio, botes e outros comandos. Finalmente, a sada ou resultado do sistema o deslocamento do automvel.

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    2.2 Ciclo de vida do Produto

    Quando se deseja criar um produto ergonomicamente adequado, deve existir uma preocupao com a sua ergonomia desde a fase de concepo, o que interessante, pois segundo Downey, 80% do custo do produto fica comprometido com 20% da fase de projeto, ou seja, at a concluso da fase conceitual. Para tal deve-se observar as seguintes etapas do ciclo de vida do produto: Produo; Montagem; Instalao; Uso; Manuteno e Descarte;

    Portanto em cada etapa citada deve-se delimitar, para estudo, o sistema homem-tarefa com o objetivo de identificar a ergonomia de tal sistema. Alm de observar estas etapas isoladamente, necessrio analisar a interao entre elas, por exemplo como ocorre o transporte intermedirio entre cada uma.

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    2.3 Descrio dos Elementos do Sistema

    Descrever o sistema de trabalho do exerccio proposto:

    Elementos do Sistema: Sistema de Trabalho:

    Fronteira:

    Tarefa de Trabalho:

    Processo de Trabalho:

    Homem:

    Meios de Produo:

    Entradas:

    Sadas:

    Influncias do meio

    ambiente:

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    2.4 Mtodo da Funo Sntese

    O primeiro passo do mtodo a definio da funo global do objeto para o qual se procura uma soluo.

    Examinando o bloco central da figura anterior, precisa-se preocupar com a soluo do problema, limitado pelas interfaces, isto , buscar a funo global que transforma as entradas em sadas.. Qualquer funo que atende as condies de restries ou de interfaces uma soluo alternativa para o problema.

    Funo Global do Sistema Entradas Sadas

    Meio Ambiente

    Usurio

    Figura 3 - Formulao da funo global do sistema

    Funo Global do Sistema

    Figura 4 - Funo global do sistema

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    Algumas diretrizes que podem ser seguidas so as seguintes: 1 Decompor a funo global numa estrutura com sub-funes, ou funes parciais,

    identificadas nas especificaes de projeto ou nas interfaces como mostra a figura a seguir. Nesta decomposio, num segundo nvel de complexidade, alm de decompor o bloco, deve-se procurar decompor a declarao da funo global e para isto as sub-declaraes devem ser as mais condensadas, na medida do possvel, limitar ao par verbo e substantivo.

    2 Se o apropriado entendimento, de uma funo parcial do segundo nvel de complexidade, no for alcanado ou no permite identificao de um princpio de soluo da funo, esta deve ser decomposta em nveis de complexidade cada vez menor, se necessrio, at ao nvel de funes elementares.

    Funo Globaldo Sistema

    Funo Parcial1

    Funo Parcial2

    Funo Parcial11

    Funo Parcial12

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    3 As entradas e sadas de cada bloco devem ser identificadas na medida do possvel quanto ao tipo, mas neste estgio no necessrio identific-las quantitativamente.

    4 adequado iniciar o trabalho com ateno no fluxo principal do sistema o qual, em geral, determina a funo do sistema e mais facilmente identificado a partir das especificaes de projeto. Os fluxos auxiliares ajudam na elaborao futura da estrutura. A estrutura completa pode ser obtida por um processo iterativo, ou seja, parte-se do fluxo principal de material e informaes, retornando e complementando a estrutura com fluxos auxiliares.

    5 Nas declaraes de funes parciais e at o nvel de funes elementares, usar o mnimo possvel de diferentes pares de verbo-substantivo para declarao das funes. Ao examinar os sistemas tcnicos em geral, as aes ou funes podem ser descritas com poucos verbos tcnicos.

    6 No desdobramento sucessivo da funo global esquematizado na figura anterior, deve-se considerar os seguintes aspectos. Em cada nvel de complexidade da seqncia de desdobramento, verificar se no existem princpios de soluo ou mdulos j utilizados em outros sistemas, que podem ser adaptados ou empregados para uma dada funo parcial, evitando a necessidade de mais desdobramentos da determinada funo parcial. Por anlise ou analogia de sistemas conhecidos possvel derivar variantes adicionais da estrutura funcional total ou parcial; dividir ou combinar sub-funes; variar o arranjo destas funes e variaras ligaes, em paralelo, em srie ou em ponte.

    7 Como j foi observado existe a possibilidade de obter diversas estruturas funcionais alternativas, ao menos parcialmente. Cada uma destas estruturas uma potencial concepo alternativa do sistema em desenvolvimento, deve-se ento compar-las com as especificaes do projeto, selecionar e otimizar a melhor estrutura.

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    Montar a funo sntese do sistema proposto:

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    BIBLIOGRAFIA

    MORAES, Anamaria de; MONTALVO, ERGONOMIA Conceitos e Aplicaes. Rio de Janeiro : 2AB, 1998

    IIDA, Itiro. Ergonomia Projeto e Produo. So Paulo: Edgard Blcher, 1990

    GRANDJEAN, Etienne; Manual de Ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. Porto

    Alegre: Bookman, 1998

    MONTMOLLIN, Maurice de; A ERGONOMIA. Lisboa: SOCIEDADE E ORGANIZAES,

    1990

    Fundamentos de Organizao. So Paulo: REFA, 1994

    Revista CIPA Ano XX 236 1999

    Revista CIPA Ano XXI 252 - 2000