Apostila Manuel - Ergonomia Eng Prod 2010

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    12-Oct-2015

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  • CCuurrssoo ddee EEnnggeennhhaarriiaa ddee PPrroodduuoo CCEEUUNNEESS // UUFFEESS

    EERRGGOONNOOMMIIAA

    nnoo pprroojjeettoo ee nnaa pprroodduuoo

    Prof. Manuel Salomon Salazar Jarufe, Eng Dr.

  • ERGONOMIA

    CONTEDOS DA APSTILA

    1. Fundamentos da ergonomia: Conceitos e aplicaes 2. Abordagem sistmica em ergonomia 3. Metodologia de anlise ergonmica 4. Antropometria. 5. Atividade real. 6. Fatores ambientais 7. Manejos 8. Listas de avaliao Check lists 9. Aspectos gerais e Diagnstico 10. Ergonomia de produto 11. Tcnica do percentil 12. Anexos.

  • EERRGGOONNOOMMIIAA

    Unidade 1- FUNDAMENTOS DA ERGONOMIA

    1.1- Origem e evoluo da ergonomia

    O que ergonomia ? Homem, Caractersticas, Sade, Meios, Objetos, Segurana Adaptao Fsica e Mental, Objetos, Segurana, Sistemas,Conforto e Ambiente

    A ergonomia: um breve histrico

    O termo ergonomia foi utilizado pela primeira vez, em 1857, pelo polons W. Jastrzebowski, que publicou um artigo intitulado Ensaio de ergonomia ou cincia do trabalho baseada nas leis objetivas da cincia da natureza.

    Quase cem anos mais tarde, em 1949, um engenheiro ingls chamado Murrel criou na Inglaterra a primeira sociedade nacional de ergonomia, a Ergonomic Research Society. Posteriormente, a ergonomia desenvolveu-se em numerosos pases industrializados, como a Frana, Estados Unidos, Alemanha, Japo e pases escandinavos.

    Em 1959 foi fundada a International Ergonomics Association.Em 31 de agosto de 1983 foi criada a Associao Brasileira de Ergonomia. Em 1989 foi implantado o primeiro mestrado do pas no PPGEP/UFSC.

    1.2 - Conceitos de ergonomia

    Conceito da Ergonomics Research Society (U.K.): A ergonomia o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamento e ambiente, e particularmente a aplicao dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na soluo surgida neste relacionamento. Conceito da International Ergonomics Association (IEA): A ergonomia o estudo cientfico da relao entre o homem e seus meios, mtodos e espaos de trabalho. Seu objetivo elaborar, mediante a contribuio de diversas disciplinas cientficas que a compem, um corpo de conhecimentos que, dentro de uma perspectiva de aplicao, deve resultar em uma melhor adaptao ao homem dos meios tecnolgicos e dos ambientes de trabalho e de vida. Conceito da Associao Brasileira de Ergonomia (ABERGO): A ergonomia o estudo da adaptao do trabalho s caractersticas fisiolgicas e psicolgicas do ser humano. Conceito com enfoque em Design (IIDA): Adequao de objetos, ambientes e meios s caractersticas fsicas e mentais do homem, visando conforto, segurana, usabilidade, sade e o bem-estar em geral, e conseqentemente desenvolver suas atividades com eficincia.

    Nem sempre o confortvel o ergonmico. s vezes o corpo se acostuma com posturas e movimentos errados e, portanto pode sentir desconforto quando da utilizao de produtos ou realizao de movimentos ergonomicamente corretos.

  • 1.3 - Abordagens da ergonomia

    Quanto abrangncia: Ergonomia do objeto: abordagem microergonmica Ergonomia de sistemas: abordagem macroergonmica Quanto aplicao: Ergonomia de concepo: normas e especificaes de projeto Ergonomia de correo: modificaes de situaes existentes Ergonomia de arranjo fsico: melhoria de leiautes e fluxos de produo Ergonomia de conscientizao: capacitao em ergonomia Quanto interdisciplinaridade: Engenharia: projeto e produo ergonomicamente seguros Design: metodologia de projeto e design do produto Psicologia: treinamento e motivao do pessoal Medicina e enfermagem: preveno de acidentes e doenas do trabalho Administrao: projetos organizacionais e gesto de R.H.

    1.4 - A ergonomia aplicada em todas as reas da atuao humana

    Ela est (ou deveria estar) presente em nossa residncia, definindo a altura da bancada da cozinha, definindo a altura da fechadura do armrio de roupas, no desenho dos sofs e poltronas, no desenho das camas, beros e outros utenslios prprios para se lidar com bebs, na altura do tanque e de outras posies de trabalho, na definio de distncias e espaos mnimos em quartos, etc...

    A Ergonomia tambm deve ser parte fundamental do automvel que dirigimos, do conforto para os demais passageiros, do nibus e do transporte coletivo que tomamos, etc...

    Enfim, onde houver gente, ali deveria haver uma base slida de ergonomia, a fim de que a interao do ser humano com os objetos e ambientes fosse a mais confortvel e adequada possvel.

    Mas sem dvida no trabalho que a ergonomia apresenta a sua maior contribuio, contribuio esta implcita na origem da palavra ergonomia (ergo = trabalho; nomos = regras), ou seja, ergonomia significa no fundo "as regras para se organizar o trabalho",

    Neste caso, a ergonomia tem cinco grandes reas aplicadas ao trabalho ou produo, que tambm so aplicadas na vida diria:

    rea -Adequao ergonmica geral dos postos de trabalho e sistemas de produo.

    A adequao ergonmica de postos de trabalho est baseada principalmente na antropometria e biomecnica. Atravs principalmente da "antropometria", pode-se medir as dimenses humanas e seus ngulos de conforto/desconforto, e com base nisso, planejar postos de trabalho corretos, tanto para se trabalhar sentado quanto para se trabalhar de p e semi-sentado, tanto para o trabalho leve como para o trabalho pesado, etc... Como regra bsica, a ergonomia se contenta quando se consegue planejar um posto de trabalho/ condio de trabalho que atenda a 90% da populao, e para isso, o conhecimento do padro antropomtrico da populao trabalhadora se constitui em item fundamental.

    A biomecnica tem um papel importante na concepo ergonmica de postos de trabalho, alm da preveno da fadiga e doenas. "Biomecnica" significa o estudo dos movimentos e esforos humanos sob a luz da mecnica; esta , sem dvida, a rea de maior aplicao prtica da ergonomia em relao ao trabalho; nesta rea, estudamos a coluna vertebral humana e a preveno das

  • lombalgias; estudamos as diversas posturas e esforos no trabalho e a preveno da fadiga e outras complicaes; estudamos a mecnica dos membros superiores e as causas de tenossinovites e outras leses por traumas cumulativos nas "ferramentas de trabalho" do ser humano; e ainda, estudamos o que acontece com o ser humano quando trabalha na posio sentada; naturalmente, deduz-se as principais regras para se organizar o posto de trabalho sentado.

    rea -Preveno da fadiga fsica e mental no trabalho. Em geral, a ergonomia trata da preveno da fadiga fsica, e as demais atividades de recursos humanos nas organizaes tratam de prevenir a fadiga psquica; neste caso, procura-se entender a fundo por qu o trabalhador entra em fadiga, e a ergonomia prope regras capazes de diminuir ou compensar os fatores de tal sobrecarga.

    rea -Preveno do erro humano. Esta uma rea relativamente nova da ergonomia, que procura fundamentalmente adotar as medidas necessrias para que o indivduo acerte no seu trabalho; naturalmente, nem toda forma de erro humano devida a condies, ergonmicas adversas, porm elas se constituem em causa relativamente freqente de erro humano; e conhecer as regras norteadoras para aumentar a confiabilidade humana no desenho de painis e de demais elementos do posto de trabalho se constitui mandatrio, principalmente quando a ocorrncia de erro humano pode originar tragdias, por exemplo, na conduo de aeronaves ou mesmo na superviso do funcionamento de uma planta qumica perigosa.

    rea- Ergonomia nos mtodos e Organizao do Trabalho Trata-se de planejar o sistema de trabalho em atividades fisicamente pesadas, ou seja, atividades de alto dispndio energtico, no sentido de que no sejam fatigantes; a fadiga decorrente da atividade fisicamente pesada aquela que vem com acmulo de cido ltico no sangue, com a possibilidade de acidose metablica; nesta rea da ergonomia, tambm estudamos o trabalho em ambientes de altas temperaturas, devido enorme freqncia com que o trabalho pesado complicado pelas condies adversas de temperatura do ambiente.

    rea Adequao de produtos

    1.5 - Os diferentes tipos de ergonomia Ergonomia de projeto: a ergonomia preventiva no estgio de projeto Ergonomia industrial: a ergonomia corretiva de situaes existentes Ergonomia do produto: a ergonomia de concepo de um dado objeto Ergonomia da produo: a ergonomia de cho de fbrica Ergonomia de laboratrio: a pesquisa em ergonomia realizada em situao controlada de laboratrio; Ergonomia de campo: a pesquisa em ergonomia realizada em situao real de trabalho.

    1.6 - Disciplinas de base da ergonomia As disciplinas que trabalham com a Ergonomia so: Cincias Humanas, Biolgicas, Fsicas e Matemticas.

  • 1.7 Ergonomia e Produtividade

    Dentre as principais solicitaes das empresas quando contratam um Economista esto: aumentar a produtividade e diminuir os custos. Verifica-se, no entanto que este problema na maioria das vezes no Econmico e sim Ergonmico. Segundo os conceitos da Economia temos que produo o processo que combina e transforma os fatores de produo no intuito de criar bens ou servios para serem oferecidos ao mercado. Enquanto que Produtividade: o grau de aproveitamento integral dos fatores de produo disponveis. Portanto o aumento de produtividade significa elevar quantidades produzidas sem se alterarem os fatores de produo, ou seja, a quantidade produzida dever aumentar utilizando-se o mesmo tipo de matria-prima, os mesmos equipamentos, a mesma jornada de trabalho, o mesmo operador, etc. As caractersticas do produto no podem ser alteradas, devem ser mantidas a uniformidade, qualidade, etc. O que ento pode ser modificado para que haja este aumento de produtividade a maneira como se executa o trabalho. neste ponto que a Ergonomia se faz presente. Excetuando-se a produo totalmente automatizada, onde o homem no tem participao marcante, verifica-se constantemente que para se alterar a maneira de execuo do trabalho de modo a que esta surta resultados satisfatrios, deparamo-nos com barreiras que necessitam tambm de modificao tais como: ferramentas inadequadas, ambientes imprprios, postos de trabalho sacrificantes, chefes intolerantes e intolerveis, entre outros. Quanto ao Custo de Produo este considerado o dispndio dos fatores de produo. Lembrando-se que neste dispndio tambm esto includos refugos, desperdcios, absentesmo, rotatividade de mo-de-obra. Nos dias de hoje o funcionrio da empresa exige um alto valor de investimento passando de descartvel para patrimnio da empresa. Sendo considerada a produo um resultado da ao humana tem-se que este esforo humano influencia de maneira peculiar o custo de produo. Mais uma vez se constata a imensa importncia da ao humana no processo produtivo e sua marcante influncia.

  • Sada Entrada

    Unidade 2 - A ABORDAGEM SISTMICA EM ERGONOMIA

    2.1 Teoria de Sistemas: A Teoria de Sistemas surgiu com os trabalhos do bilogo alemo Ludwig Von Bertalanffy, publicados entre 1950 e 1968. Em 1951, publicou A Teoria Geral de Sistemas, que posteriormente foi reformulada por Kenneth Boulding.

    2.2 Definio e partes de um sistema: Sistema um conjunto de componentes (do determinado sistema) que se inter-relacionam onde tm um objetivo em comum, buscando as condies ergonmicas desejadas.

    Ex: Trabalhadores/Couro ----> Processo --------------> Sapato

    - No sentido geral, sistema uma coleo ou arranjo de entidades, ou coisas, relacionadas de tal modo que formam uma unidade ou um todo. - Em sistemas controlados por pessoas, um sistema um conjunto de entidades ou elementos interdependentes e interatuantes que tm uma finalidade comum.

    Partes

    - Componentes Disposio dos componentes - Estrutura do sistema Relaes de interao - Entradas - Processos / procedimentos - Sadas

    2.3 Modelo geral de um sistema

    Pode-se definir, ento, Sistema como um conjunto de componentes (partes ou rgos do sistema), dinamicamente inter-relacionados entre si em uma rede de comunicaes (em decorrncia da interao dos diversos componentes), desenvolvendo uma atividade (comportamento ou processamento do sistema), para atingir um determinado objetivo comum (finalidade do sistema), agindo sobre sinais, energias e materiais (insumos ou entradas a serem processadas pelo sistema), para fornecer informaes, energias ou produtos (sadas do sistema).

    Dados Energias Materiais

    Processamento Informaes Energias Produtos

    ENTRADA Dados Energias Materiais

    PROCESSA-MENTO

    SADA Informaes Energias Produtos

  • - Com relao organizao, a abordagem sistmica tem nfase no ambiente e considera a organizao como um sistema aberto; - As organizaes so parte de um sistema maior e so constitudas, pela sua vez, de subsistemas. Portanto a interao entre os elementos produz um todo que no pode ser compreendido pela investigao de partes isoladas. A interdependncia das partes, isto , uma mudana em uma das partes provoca um impacto sobre as outras; - As funes de um sistema dependem de sua estrutura; - Morfognese significa que o sistema organizacional modifica a si prprio; - O efeito sinrgico das organizaes. Existe sinergia quando duas ou mais causas produzem, atuando conjuntamente, um efeito maior do que a soma dos efeitos que produziram atuando individualmente.

    2.4 Conceitos da Teoria de Sistemas

    Conceito de Entrada (input): entrada o que o sistema importa do meio ambiente para ser processado. Podem ser: Dados: permitem planejar e programar o comportamento do sistema; Energias de entrada: permitem movimentar e dinamizar o sistema; Materiais: so os recursos a serem utilizados pelo sistema para produzir a sada. Conceito de Sada (output): sada o resultado final do processamento de um sistema. Podem ser: Informaes: so os dados tratados pelo sistema; Energias de sada: a energia processada pelo sistema; Produtos: so os objetivos do sistema (bens, servios, lucros, resduos,...). Conceito de caixa-preta (black box):Um sistema complexo cujo interior no pode ser desvendado (impenetrvel) denominado caixa preta.

    Conceito de Retroao (feedback): a retroao um mecanismo de comunicao entre a sada e a entrada do sistema.

    As principais funes da retroao so controlar a sada do sistema, manter o equilbrio do sistema e melhorar/otimizar o sistema.

    ENTRADA SADA

    Ao Estmulo Causa

    Reao Resposta Efeito

  • Sistemas fechados: so sistemas cujo comportamento totalmente determinstico e programvel e que operam com pouco intercmbio com o meio ambiente;

    Sistemas abertos: so sistemas cujo comportamento probabilstico e no programvel e que mantm uma forte interao com o meio ambiente.

    ENTRADA SADA

    RETROAO

  • Unidade 3 - METODOLOGIA DE ANLISE ERGONMICA

    Cabe partindo-se desta premissa a Anlise da Tarefa do ponto de vista Ergonmico, onde constata-se que h:

    O Trabalho Prescrito (conceito terico) que segundo a empresa, a maneira como o trabalho deve ser executado, como se utilizam as mquinas, ferramentas, equipamentos, etc. Pode ser representado pelo tempo para cada operao, modos operatrios, regras a respeitar, etc. E, o Trabalho Real que o realmente executado pelo trabalhador e que jamais corresponde exatamente ao prescrito.A metodologia ergonmica aparece como instrumento de medida de distncia entre o Trabalho Prescrito e o Trabalho Real.

    Cada ser humano nico e torna-se difcil estipular padres. Ele capaz de criar mtodos, modificar atitudes, adaptar instrumentos de trabalho, postos de trabalho, enfim, pode alterar conforme sua criatividade, vontade ou necessidade seu mtodo de trabalho. No existindo apenas um modelo de pessoa da mesma forma no existir uma nica forma de se realizar uma tarefa.

    Sendo o homem o principal agente de modificaes do processo produtivo primordial a anlise da execuo de sua tarefa segundo sua prpria viso, partindo-se posteriormente para alteraes do processo verificando-se os pontos positivos e negativos em busca de maior produtividade.

    A Ergonomia visa a enriquecer o conceito de produtividade em conjunto com os conceitos de eficcia, bem estar e qualidade, reduzindo o sofrimento do ser humano, atravs da do trabalho e racionalizao do sistema produtivo.Surgindo ento naturalmente como conseqncia de todo este processo a to almejada: produtividade.

    3.1 Roteiro da metodologia de anlise ergonmica Compreende as seguintes fases: Anlise da demanda, Anlise ergonmica da tarefa, Anlise ergonmica da atividade real, O diagnstico em ergonomia, O caderno de encargos de recomendaes ergonmicas

    1 Anlise da demanda Anlise geral da Situao Problema; - Breve descrio; - Levantar possveis problemas (abordagem ergonmica); - Formulao de hipteses (opcional). Delimitar o sistema (elaborar diagrama sistmico).

    2 Anlise da Tarefa (Condies e Recursos do Sistema) Coletar dados referentes a Servio ou produto do sistema delimitado; Homem (sexo, idade, formao, principais medidas antropomtricas, etc); Organizao do Trabalho: principais funes e elaborao do organograma; Descrio da Tarefa (elaborar diagrama(s) de anlise de operaes DAO); Espao de trabalho (Leiaute Atual); Condies tcnicas (descrever e explicar a funo principal dos componentes do sistema mquinas, mobilirio, ferramentas, etc);

  • Identificar problemas e elaborar hipteses.

    3. Anlise da Atividade Real Atravs do uso de observao, entrevistas, questionrios, registro de imagens verbalizaes, etc. levantar problemas e hipteses de soluo relacionados a:

    Usabilidade; Fisiologia do trabalho e condies ambientais (iluminao, cores, rudo, umidade, temperatura, etc); Antropometria esttica e dinmica (avaliar dimenses do mobilirio, mquinas, ferramentas); Biomecnica: Posturas, esforos e movimentos; Comunicaes / Informaes/ sinais Traos; Deslocamentos / Circulao (anlise do LEIAUTE); Riscos; Organizao e mtodos de trabalho. Aspectos cognitivos e psico-sociais: comportamentos, desempenho, tomada de deciso. Diagrama de Anlise do Processo DAP.

    4 Diagnstico Avaliao geral dos problemas, das causas e das hipteses visando estabelecer os respectivos requisitos da situao proposta de trabalho.

    5 Caderno de Encargos (projeto da NOVA SITUAO) Apresentao das recomendaes e propostas de soluo de forma detalhada (explicaes, desenhos, leiaute proposto, DAO proposto, concepo de produtos, posturas adequadas, diagramas propostos, etc).

    NOTA.- FAZER USO DE IMAGENS, PRINCIPALMENTE NA ANLISE DAS ATIVIDADES E CADERNO DE ENCARGOS. BIBLIOGRAFIA; ANEXOS (OPCIONAL)

    Tcnicas utilizadas na anlise ergonmica

    Pode-se agrupar as tcnicas utilizadas em Ergonomia em tcnicas diretas ou objetivas e subjetivas ou indiretas.

    Tcnicas subjetivas ou indiretas: - Tcnicas que tratam do discurso do operador, so os questionrios, os check-lists e as entrevistas. Deve-se evitar a subjetividade. Entretanto, esses podem fornecer uma gama de dados que favoream uma anlise preliminar.

    Deve-se considerar que essas tcnicas so aplicadas segundo um plano preestabelecido de interveno em campo, com um dimensionamento da amostra a ser considerado em funo dos problemas abordados.

  • As tcnicas diretas- Registro das atividades ao longo de um perodo, por exemplo, atravs de observao, de um registro em video. Essas tcnicas impem uma etapa importante de tratamento de dados.

    Observao o mtodo mais utilizado em Ergonomia, pois permite abordar de maneira global a atividade no trabalho. A partir da estruturao das grandes classes de problemas a serem observados, o Ergonomista dirige suas observaes e faz uma filtragem seletiva das informaes disponveis. Observao assistida Inicialmente considera-se uma ficha de observao, construda a partir de uma primeira fase de observao "aberta". A utilizao de uma ficha de registro permite tratar estatisticamente os dados recolhidos; as freqncias de utilizao, as transies entre atividades, a evoluo temporal das atividades.

    Registros automticos Em um segundo nvel utiliza-se os meios automticos de registro, fotografia, udio e video. O registro em video interessante medida que libera o pesquisador da tomada incessante de dados, que so, inevitavelmente, incompletos, e permite a fuso entre os comportamentos verbais, posturais e outros. O video pode ser um elemento importante na anlise do trabalho, mas os registros devem poder ser sempre explicados pelos resultados da observao paralela dos pesquisadores. Os registros em vdeo permitem recuperar inmeras informaes interessantes nos processos de validao dos dados pelos operadores. Essa tcnica, entretanto, est relacionada a uma etapa importante de tratamento de dados, assim como de toda preparao inicial para a coleta de dados (ambientao dos operadores), e uma filtragem dos perodos observveis e dos operadores que participaro dos registros. Alguns indicadores podem ser observados para melhor estudo da situao de trabalho (postura, explorao visual, deslocamentos etc).

    Tabelas de avaliao Esse tipo de questionrio permite aos operadores avaliarem, eles mesmos, o sistema que utilizam. O objetivo apontar os pontos fracos e fortes dos produtos. No caso de avaliao de programas, uma tabela de avaliao deve cobrir os aspectos funcionais e conversacionais.

  • MMeettooddoollooggiiaa ddaa AAnnaalliissee EErrggoonnmmiiccaa::

    PPrriimmeeiirraa EEttaappaa:: AAnnlliissee ddaa ddeemmaannddaa

    A demanda, entendida como uma solicitao, necessidade, problema, objetivo, etc., o ponto de partida de qualquer pesquisa em ergonomia. De fato, sem uma demanda formulada, no h possibilidade de se realizar nenhum estudo de natureza ergonmica. Por outro lado, a formulao da demanda no precisa estar explicitamente caracterizada para configurar a necessidade de uma interveno ergonmica. Em geral, cabe ao analista a responsabilidade de identificar situaes de trabalho, potencialmente crticas do ponto de vista ergonmico. A anlise da demanda envolve as seguintes aes:

    Uma descrio / caracterizao geral da situao de estudo, sem entrar em maiores detalhes. Posteriormente deve-se identificar possveis problemas, inicialmente (nesta etapa) s os mais explcitos ou bvios. A partir destes contatos iniciais com a situao em estudo deve-se delimitar o sistema, considerando os componentes e relacionamentos do sistema que mais influenciam nas condies ergonmicas. A delimitao da situao de estudo pode ser representada pelo denominadoDiagrama Sistmico que facilita a anlise e visualizao desta delimitao

    Exemplo de uma Anlise Ergonmica do Posto de Trabalho (Serra Circular) Anlise da demanda.

    Anlise geral da situao geral Breve descrio: quantas pessoas trabalham no posto; funo principal, entradas e sadas. Levantar possveis problemas ergonmicos: risco elevado de acidentes (cortes, leses);

    postura inadequada, esforo excessivo; estrutura da mquina dificulta o seu caso; barulho demasiado; falta de equipamento de proteo individual (E.P.I); leiaute (layout)( disposio das mquinas) inadequado; iluminao deficiente; serragem (respirao, viso).

    Hipteses: iluminao direcionada; conscientizao sobre o uso de E.P.I; sistema para apoio ao corte; capa para evitar a disperso da serragem; sistema para regulagem de altura e inclinao; sinalizao adequada para manuseio; capa protetora de ao; melhorar a distribuio de espao (novo layout); organizao do trabalho; aspirador embaixo da serra para evitar disperso de fuligem.

  • Sada

    Condies ergonmicas de Trabalho

    Delimitar o sistema sistmico

    madeira

    Relacionamento Forte

    Relacionamento Fraco Sistema Homem-Serra

    SSeegguunnddaa EEttaappaa:: AAnnlliissee eerrggoonnmmiiccaa ddaa ttaarreeffaa

    Coletar dados referentes a: Servio ou produto do sistema delimitado; Homem (sexo, idade, formao, principais medidas antropomtricas, etc); Organizao do Trabalho: principais funes e elaborao do organograma; Descrio da Tarefa (elaborar diagrama(s) de anlise de operaes DAO); Espao de trabalho (Leiaute Atual); Condies tcnicas (descrever e explicar a funo principal dos componentes do sistema mquinas, mobilirio, ferramentas, etc); Elaborar hipteses.

    Entrada

    ILUMINAO ENERGIA

    E.P.I. ESPAO HOMEM MADEIRA

    SERRA CIRCULAR

  • NNMMEERROO DIAGRAMA DE ANLISE DE OPERAES (DAO) 1 DE 1

    RREEAA//LLOOCCAALL DDAATTAA RREEFFEERRNNCCIIAA ATUAL PROPOSTO

    ____/____/____ FL. N _________

    OPE

    RA

    O

    TRA

    NSP

    OR

    TE

    INSP

    EO

    DEM

    OR

    A

    AR

    QUIV

    O

    TEM

    PO

    DIS

    TN

    CIA

    EXECUTOR

    DESCRIO DAS ATIVIDADES

    ELIM

    INA

    R

    COM

    BIN

    AR

    PER

    MU

    TAR

    MEL

    HO

    RA

    R

    D D D D D D D D D D D D D D D D D D D D

    RREESSUUMMOO OOBBSSEERRVVAAEESS D NMERO

    1. O TEMPO REFERE-SE EM HORAS 2. A DISTNCIA REFERE-SE EM METROS

    TEMPO

    DISTNCIA

    REALIZADO POR:_________________________________________ CONFERIDO POR:__________________________________________

  • CCOONNCCEEIITTOOSS BBSSIICCOOSS DDEE AANNTTRROOPPOOMMEETTRRIIAA

    2.1 A MEDIDA DO HOMEM

    Cada um de ns nico. Temos semelhantes na forma e tamanho de nossos corpos, jamais iguais.

    Na era artesanal, cada instrumento de trabalho e objeto de uso cotidiano era conformado para as medidas do usurio. A industrializao rompeu esta prtica. A produo industrial exige a uniformidade das formas e medidas na seriao, e busca a sntese de poucos padres dimensionais para conter toda a gama de variaes individuais.

    Cada pessoa se torna um usurio annimo na multido; assim, como conciliar as necessidades da produo em larga escala com as exigncias da individualidade?

    A antropometria a tecnologia que trouxe a soluo para esse impasse. Ela trata da medio do corpo humano, ponto de partida para o correto dimensionamento de um produto bem de capital ou consumo.

    A falta de adequao entre produto e usurio favorece a ocorrncia de acidentes de trabalho, bem como danos sade, decorrentes de posturas imprprias.

    Por meio de pesquisas antropomtricas, pode-se obter o perfil dimensional de uma determinada populao. Cada indivduo estar representado na amostra da pesquisa, permitindo assim que, nos valores dimensionais obtidos, sua participao seja garantida. Atravs do uso dos valores dimensionais tabelas antropomtricas que o produto se tornar adequado s variaes individuais dentro da populao usuria.

    No entanto, ao se consultar tabelas antropomtricas, deve-se saber como utiliza-las, pois o uso incorreto da antropometria induz a erros de projeto to graves quanto a inexistncia de dados da populao usuria.

    A proposta deste manual orientar a correta utilizao de dados antropomtricos, atravs de uma metodologia de aplicao destes dados em projetos de produto e postos de trabalho.

    2.2 DIFERENAS ENTRE POPULAES E DIFERENAS INTRAPOPULAES

    De um ponto de vista abrangente, todos os homens so semelhantes, constitudos de acordo com um mesmo modelo e dotados das mesmas faculdades, pois pertencem mesma espcie.

    As diferenas que existem entre indivduos e grupos humanos so de pouca importncia em relao s suas semelhanas. Todavia so essas diferenas que permitem contar as particularidades de cada indivduo e cada grupo humano.

    O interesse no estudo dessas diferenas est na mensurao de uma srie de dados fsicos que permitem distinguir dimensionalmente as populaes, a fim de que, com o registro destes dados, seja possvel adequar qualquer produto populao usuria.

    As distines entre caractersticas fsicas se fazem entre populaes e intrapopulaes, no entre indivduos. (FERREIRA [10])

  • Estudos relacionando a disperso das mdias da estatura observadas em amostras da frica e da Europa verificaram que a variao no tamanho total do corpo entre populaes menor que aquela encontrada intrapopulaes.(ROBERTS [25]) Entre indivduos de uma mesma nacionalidade, pode existir uma grande variao na estatura e nas propores do corpo, devido a fatores como diferenas climticas, imigrao, miscigenao, nutrio, etc.

    Um aumento significativo na mdia da altura foi constatado entre geraes de pais e filhos que cursaram a mesma universidade (Bowles, 1932), bem com entre geraes de soldados americanos que lutaram na I e II Guerras Mundiais (Davenport e Love, 1921); (Newman e White, 1951). (VAN COTT [29]).

    2.3 BASE GENTICA PARA ALGUMAS CARACTERSTICAS FSICAS

    Em uma pesquisa realizada com militares do sexo masculino de vrios pases, WHITE [30] observou que a altura-sentado ilustra uma interessante variao na proporo do corpo humano. Uma grande parte da variao na estatura humana est no comprimento das pernas; o torso relativamente constante em comprimento.

    Se a altura-sentado for expressa como percentagem da altura, a razo resultante ou ndice de cerca de 52% para os americanos e a maioria dos europeus. Assim, o comprimento das pernas; o torso relativamente constante em comprimento.

    Entretanto, no caso dos pilotos coreanos e japoneses, a altura-sentado cerca de 54% da estatura, resultando que o comprimento da perna somente 46% da estatura. Percebe-se, ento, que a proporo entre estatura e altura-sentado est ligada herana gentica. Segundo ROBERTS[25], a contribuio gentica, no caso da estatura, est em 85% das populaes da Europa Ocidental e frica. (FERREIRA [10]).

    Estudos realizados nos Estados Unidos demonstraram que existem diferenas entre as propores do corpo de brancos e negros que vivem sob condies climticas similares, sendo eu os mestios apresentaram valores intermedirios (FERREIRA[10]).

    Japoneses e outros povos orientais tm em geral a mesma altura-sentado que os brancos, mas suas pernas tendem a ser menores; no caso dos negros, as pernas so mais longas em proporo a seus troncos do que nos brancos. (DIFFRIENT [6])

    2.4 BASE AMBIENTAL PARA AS CARACTERSTICAS FSICAS

    Segundo ROBERTS [25], as variaes na forma do corpo facilitam a manuteno do balano trmico corporal em climas diversos; observou-se que os povos que habitam regies de clima quente tendem a ter o tronco mais fino, e os membros superiores e inferiores relativamente mais longos.

    Enquanto isso, os povos que habitam regies de clima frio tm o tronco mais cheio, so mais volumosos e arredondados, e os membros inferiores e superiores so relativamente mais curtos.

    A explicao mais razovel para estas diferenas a seleo natural, ou seja, as bases genticas desses traos mantiveram-se, em detrimento de outras, ao longo das geraes, pois os corpos mais

  • finos facilitam a troca de calor com o ambiente, enquanto aqueles mais cheios tm mais facilidade de conservar o calor do corpo.

    2.5 INFLUNCIA DE OUTROS FATORES NAS CARACTERSTICAS FSICAS

    Nutrio Relacionada com o Nvel Scio-Econmico e Educacional

    A nutrio outro fator determinante na constituio corporal. A Primeira Pesquisa Nacional de Nutrio e Sade, realizada nos EUA (1971-74), apresentou valores de estatura e peso de indivduos entre 18 e 74 anos relacionados ao nvel scio-econmico e educacional.

    Esta pesquisa demonstrou que as diferenas de estatura existentes entre brancos e negros de renda alta eram menores do que as verificadas entre nutricionais desiguais geram diferenas na estatura e peso dos indivduos da mesma origem tnica. (FERREIRA [10]).

    A mdia de peso para os homens de 18 a 74 anos, com 13 anos ou mais de escolaridade, 4,08 kg, maior do que para aqueles com menos de 9 anos de educao. (FULWOOD [11]).

    Na Pesquisa Antropomtrica e Biomecnica dos Operrios da Indstria de Transformao do Rio de Janeiro realizada pelo INT em 1986 [17], constatou-se que medida que aumenta o nvel de escolaridade, cresce a estatura, sendo que a diferena entre os extremos (sem escolaridade 2ograu/nvel superior) mais acentuada entre os brancos (6 cm) que entre negros (3,5 cm) e mestios (4,8 cm).

    Quanto ao peso, observou-se que este aumenta com o nvel de escolaridade independentemente da raa. Verificou-se que a variao de peso dentro de um mesmo grupo racial mais acentuada entre os negros (10,4 kg) que entre os mestios (9,8 kg) e brancos (9,4 kg).

    Tabela 1 Medidas antropomtricas de diferentes etnias.

    Condicionamento Fsico

    Outro fator que pode influir no crescimento do corpo o treinamento fsico, pois no s os indivduos que praticam exerccios fsicos regularmente e com intensidade desde a infncia tendem a crescer mais em relao aos que no os praticam, como o desenvolvimento do corpo orientado de acordo com a categoria de msculos requisitados para o esporte.

  • Entretanto, qualquer mudana a nvel corporal no modifica a proporo existente entre os membros superiores/inferiores e o tronco, devido herana gentica recebida.

    Na figura 3, verifica-se a extraordinria semelhana na modelagem muscular entre dois atletas da mesma modalidade esportiva (salto trplice), mas de origem tnica diversa (australiano e japons) que concorrem aos Jogos Olmpicos de Roma em 1960.

    Pode-se verificar que a estrutura do corpo dos dois atletas bastante diferente. A relao entre a altura do tronco e comprimento das pernas/braos nos dois indivduos bem diversa. O comprimento do tronco nos dois atletas relativamente do mesmo tamanho; contudo seus braos e pernas, em relao ao tronco, tm propores bem distintas. (FERREIRA [10])

    Sexo

    Em relao s diferenas formais existentes entre homens e mulheres, podemos observar que essas se caracterizam tanto pela aparncia externa com, tambm, ao nvel do prprio esqueleto.

    No que se refere estrutura ssea, as seguintes diferenas so as mais marcantes: O homem, em geral, apresenta ombros e trax mais largos e a plvis relativamente estreita;

    os braos e pernas so mais compridos com mos e ps maiores; Quanto ao crnio masculino, todas as salincias so mais angulosas e prximas aos 90 do

    que o feminino, a no ser pelas proeminncias temporais, mais aparentes na mulher que no homem;

    A mulher apresenta ombros estreitos com um trax mais leve e arredondado; a plvis mais larga e inclinada para frente; braos e pernas so mais curtos, sendo as mos e os ps menores;

    Acrescenta-se que a diferena mdia entre as alturas de homens e mulheres em torno de 6 ou 7%;

    Quanto s diferenas na constituio fsica, observa-se que na forma masculina predomina o tecido muscular sobre o adiposo, enquanto na feminina acontece o inverso. Isto se verifica em todas as idades, desde o nascimento;

    Geralmente, o homem apresenta uma proporo de 6:3 de msculo em relao gordura; a mulher, uma proporo de 5:4.

    Homens constumam ser mais altos ( 25% em mdia ) e mais magros, com braos mais compridos (devido ao tamanho do antebrao). Possuem tambm mais msculos esquelticos do que as mulheres.

    Idade

    O crescimento total em altura culmina, para os homens, com o fim da adolescncia e incio dos vinte anos; para as mulheres, este crescimento atingido alguns anos mais cedo.

    Entretanto, com o passar dos anos, ocorre uma perda gradativa de estatura em ambos os sexos. No estudo, tambm se observou a diminuio do alcance superior das pessoas idosas.

    O envelhecimento um processo gradual de mudanas degenerativas nos sistemas morfolgicos, sendo impossvel determinar com preciso a progresso cronolgica mdia dessas mudanas.

  • Assim como o processo de desenvolvimento do corpo, os processos degenerativos no ocorrem necessariamente com a mesma velocidade.

    Algumas mudanas na estrutura precedem outras, como, por exemplo, a calcificao das cartilagens, que com a idade avanada se torna mais pronunciada, prejudicando sua elasticidade.

    Devido calcificao dos discos invertebrais ocorre, tambm, perda de estatura e de capacidade para movimentao do tronco.

    Estudos realizados na Inglaterra demonstraram que a altura de mulheres idosas era inferior altura de mulheres jovens.

    A pesquisa demonstrou que a diferena era devida ao prprio processo de envelhecimento e no apenas ao fato de que a amostra de mulheres idosas fora obtida de uma gerao anterior. (PANERO [22])

    Com a idade, a atrofia muscular e a crescente fragilidade do esqueleto tambm se processam. Os ossos tornam-se gradualmente mais finos e porosos.

    Todas essas mudanas, somadas diminuio da eficincia do processo respiratrio e da atividade de bombeamento do corao, reduzem ainda mais o movimento corporal.

    Esses fatores ligados ao envelhecimento devero ser considerados, sempre que o projeto venha abranger uma populao de idosos.

    Somatotipia

    Em todas as populaes humanas possvel observar-se a variedade de tipos fsicos (bitipos) encontrada entre os indivduos.

    Cada forma corporal adulta desenvolvida a partir de determinados aspectos morfolgicos, os quais variam de indivduo para indivduo do mesmo sexo.

    Pequenas diferenas nas propores corporais, quase imperceptveis na poca do nascimento, tendem a se acentuar durante o crescimento at que o bitipo de cada um esteja formado.

    Em 1940, William Sheldon, um psiclogo americano, desenvolveu um mtodo para determinao da constituio fsica dos indivduos.

    A pesquisa de Sheldon baseou-se no registro fotogrfico do perfil, frente e costas de 4000 estudantes da Universidade de Harvard.

    Cada fotografia foi cuidadosamente analisada em conjunto com medidas e ndices antropomtricos, o que levou Sheldon a determinar trs tipos extremos da forma corporal, denominados de endomorfo, mesomorfo e ectomorfo.

  • Endomorfo: forma fsica arredondada e macia, com grande depsito de gordura. O abdmen cheio e extenso e o trax parece pequeno. Os membros so curtos e delicados. Os ombros so cheios e, como a cabea, de formato arredondado. Os ossos so pequenos.

    Mesomorfo: forma fsica vigorosa, com ngulos bem marcados e msculos aparentes. Os ombros predominam, o trax largo e o abdmen pequeno. Os membros so largos e fortes e a cabea cbica. Os ossos so pesados.

    Ectomorfo: forma fsica frgil e esguia com um mnimo de gordura e definio muscular. O tronco geralmente parece curto, sendo o trax estreito e recuado em relao ao abdmen. Os ombros so largos mas cados, e os membros, compridos e finos. O crnio geralmente grande, o rosto magro e o pescoo longo.

    Figura 6 Os trs tipos bsicos do corpo humano (Sheldon, 1940)

    Para a realizao da medio antropomtrica

    OBJETIVO: definir ONDE e PARA QUE sero utilizadas as medidas. TIPOS: ESTTICA (corpo parado, proj. de mveis, etc)

    DINMICA (alcance dos movimentos, proj. de mquinas) DEFINIO: estabelecer os dois pontos onde sero tomadas as medidas MTODO: DIRETOS (com instrumentos - lineares, angulares, etc)

    INDIRETOS (fotos, filmes) AMOSTRA: sexo, idade, biotipo, deficincias fsicas.Geralmente, de 30 a 50

    indivduos so suficientes. ANLISE ESTATSTICA: distribuio de gauss, desvio padro.

  • Figura 7 - Modelos Matemticos

    Na maioria dos indivduos estes componentes no se apresentam caracterizados de forma extrema, mas sim, moderadamente combinados.

    2.6 MEDIDAS ANTROPOMTRICAS - ESTRUTURAIS E FUNCIONAIS

    Basicamente, distinguem-se dois tipos de medidas antropomtricas que interferem diretamente no projeto: medidas estruturais (tambm denominadas estticas) e funcionais (tambm denominadas dinmicas). De acordo com VAN COTT e KINKADE [29] os termos, estrutural e funcional descrevem da melhor maneira o corpo e sua ao. Estes termos seguem as recomendaes da Conferncia de Normalizao.

    As medidas estruturais so aquelas obtidas com o corpo do sujeito em posies estandartizadas. A maior parte dos levantamentos antropomtricos realizados apresenta valores de medidas estruturais, pois estas so mais acuradamente obtidas.

    O uso destas medidas, entretanto, deve restrigir-se ao projeto de equipamentos que demandem poucos movimentos corporais para oper-los.

    Medidas funcionais se referem s medidas obtidas com o corpo do sujeito nas diversas posturas do trabalho. Estas posturas resultam dos movimentos necessrios para a execuo de tarefas especficas.

    O uso destas medidas, entretanto, deve restrigir-se ao projeto de equipamentos que demandem poucos movimentos corporais para oper-los.

    Medidas funcionais se referem s medidas obtidas com o corpo do sujeito nas diversas posturas de trabalho.Estas posturas resultam dos movimentos necessrios para a execuo de tarefas especficas.

    Medidas funcionais, por serem caracteristicamente tridimensionais, consomem maior tempo e so de mais difcil obteno, no existindo, portanto, muitos dados disponveis.

    Em geral, as medidas funcionais para projetos de equipamentos se referem mais prpria adequao das medidas corporais para tal procedimento.

  • TTeerrcceeiirraa EEttaappaa:: AAnnlliissee eerrggoonnmmiiccaa ddaa aattiivviiddaaddee rreeaall

    Aes e usabilidade Problemas no ato de trabalho, principalmente em relao facilidade de uso.

    Comunicaes/informaes sinais. A troca de informao entre indivduos no trabalho podem ter diversas formas: verbais, por intermdio de telefones, documentos e atravs de gestos. O contedo das informaes trocadas tem se revelado como grande fonte entre operadores, esclarecedora da aprendizagem no trabalho, da competncia das pessoas, da importncia e contribuio do conhecimento diferenciado de cada um na resoluo de incidentes. O registro do contedo das comunicaes em um estudo de caso no Setor Petroqumico da Refinaria Alberto Pasqualini, Canoas - RS, mostrou a importncia da checagem das informaes fornecidas pelos automatismos e pelas pessoas envolvidas no trabalho, atravs de inmeras confirmaes solicitadas pelos operadores do painel de controle. O contedo das comunicaes pode, alm de permitir uma quantificao de fontes de informaes e interlocutores privilegiados, revelar os aspectos coletivos do trabalho.

    Antropometria Consiste na avaliao da adequao do ambiente e produtos s medidas do homem.

    Posturas As posturas constituem um reflexo de uma srie de imposies da atividade a ser realizada. A postura um suporte atividade gestual do trabalho e um suporte s informaes obtidas visualmente. A postura influenciada pelas caractersticas antropomtricas do operador e caractersticas formais e dimensionais dos postos de trabalho. Em perodos montonos a alternncia postural servir como escape monotonia e reduzir a fadiga do operador. Em perodos perturbados a postura ser condicionada pela explorao visual que passa a ser o piv da atividade. Os segmentos corporais acompanharo a explorao visual e executaro os gestos.

    Estudo de traos So as pistas, efeitos e outros resultados aps o desenvolvimento da atividade. Os dados levantados em diferentes fases do trabalho podem dar indicao sobre os custos humanos no trabalho mas, entretanto, no conseguem explicar o processo cognitivo necessrio execuo da atividade. O estudo de traos pode ser considerado como complemento e usado, com freqncia, nas primeiras fases da anlise do trabalho. O estudo de traos pode ser fundamental no quadro metodolgico para anlise dos erros.

    Deslocamentos / Circulao (anlise do LEIAUTE). Os deslocamentos podem ser registrados a partir do acompanhamento dos percursos realizados pelo operador em sua jornada de trabalho. O registro do deslocamento pode explicar a importncia de outras reas de trabalho e zonas adjacentes. Exemplo; em uma sala de controle o deslocamento dos operadores at os painis de controle est relacionado explorao de certas informaes visuais que so fundamentais para o controle de processo; o deslocamento at outros colegas pode esclarecer as trocas de comunicaes necessrias ao trabalho.

    ANLISE DO LEIAUTE( LAY-OUT): ORGANIZAO ERGONMICA

  • Dentro do quadro geral de uma empresa, qualquer que seja o seu tamanho ou o seu tipo de negcio, um papel importante est reservado ao layout. Qualquer dirigente sabe que toda vez que uma empresa se prope a modificar sua oferta de produtos, quando lana um produto novo ou at mesmo quando simplesmente muda a sua estrutura organizacional, quase certo que o layout da mesma passar por uma reestruturao.

    Em portugus, layout quer dizer planta - baixa. Fazer o layout de uma rea qualquer planejar e integrar os caminhos dos componentes de um produto ou servio, a fim de obter o relacionamento mais eficiente e econmico entre o pessoal, equipamentos e materiais que se movimentam. Logo, layout o resultado final de um estudo sistemtico que procura uma combinao tima de todas as instalaes, materiais e pessoas que concorrem para a fabricao de um produto ou para a execuo de um servio, dentro de um espao disponvel. Nesse sentido, o layout se constitui num dos elementos a serem trabalhados obrigatoriamente dentro das tcnicas modernas de administrao.

    A falta desta combinao tima costuma resultar numa srie de prejuzos.

    O primeiro deles est relacionado aos acidentes; qualquer estudo estatstico encontra as ms condies do layout como um fator importante para um nmero significativo de sinistros. O segundo est relacionado perda de produtividade, com um nmero excessivo de movimentos e deslocamentos (que no agregam valor ao produto final) e com a conseqente perda de competitividade. O terceiro tipo de prejuzo est relacionado ao desconforto e eventuais leses musculoligamentares. Sabe-se que as pessoas necessitam de um certo conforto no trabalho, e que este conforto componente fundamental para a produtividade e para se trabalhar com prazer. No nosso objetivo ensinar a fazer layout. Nosso grande objetivo neste captulo apresentar alguns conceitos importantes de Ergonomia que tero grande utilidade para o profissional que se dedicar elaborao do layout de uma fbrica, empresa de servios, almoxarifado ou mesmo do escritrio, conceitos estes fundamentais para evitar os 3 tipos de prejuzos acima citados.

    CONCEITOS BSICOS RELACIONADOS AO SER HUMANO E AO LAYOUT DE SEU LOCAL DE TRABALHO

    1. O ser humano necessita de espao mnimo para trabalhar.

    Por mais bvia que possa parecer esta afirmativa, necessrio que ela seja colocada, devido alta freqncia com que desconsiderada.

    O espao mnimo necessrio determinado por diversos fatores:

    Pela rea necessria para a movimentao do prprio corpo; Pela rea necessria para movimentao em volta da mquina / equipamento; Pela necessidade de segurana, para se evitar o choque do corpo contra partes do

    equipamento ou do mobilirio. Para no se sentir constrito bem conhecido que todo ser humano tem o seu espao

    pessoal, uma rea em torno da qual no se deve ter ningum (no se esbarra, no se sente o cheiro ou perfume do outro, no se sente proximidade exagerada).

  • 2. No entanto, o ser humano necessita de uma certa proximidade de outras pessoas.

    Estudos psicofsicos indicam que, se por um lado a excessiva proximidade de outras pessoas traz desconforto, a distncia excessiva tambm desconfortvel. claro, existem pessoas que preferem trabalhar sozinhas, que se concentram melhor nestas circunstancias, mas para trabalhos de pouca exigncia intelectual beneficia-se com a presena de outras pessoas num raio alm da rea de espao pessoal, mas prxima o suficiente para que se converse em altura normal.

    3. Trabalho mental no combina com rudo alto, nem com calor, nem com odores. As pessoas tm grandes prejuzos em atividades intelectuais quando o ambiente est acima do nvel de conforto j definido no captulo 7 deste livro (volume I).

    4. Trabalho com empenho visual no combina com ambiente escuro e nem com reflexos nos olhos.

    Nestas circunstancias sero acionados os mecanismos de adaptao visual, que resultaro em fadiga.

    5. desejvel que exista uma certa flexibilidade postural, porm movimentao excessiva gera fadiga.

    Grandes distncias cansam. Mesmo pequenas distancias, mas percorridas muitas vezes durante o dia, podem cansar e levar fadiga.

    6. As pessoas se beneficiaro da racionalidade na organizao da tarefa, de modo a economizar movimentos e energia para as atividades produtivas.

    As pessoas no se adaptam bem a trabalharem sendo observadas pelas costas.

    A superviso pelas costas costuma ser acompanhada de ansiedade e tenso; o mesmo se aplica superviso oculta (por exemplo, telefonistas tendo sua orientao ao usurio sendo ouvida pelo supervisor sem que isso possa ser percebido). Os estudos psicofsicos costumam evidenciar que nesses casos, alm da ansiedade, o pessoal costuma criar cdigos prprios de sinalizao uns para os outros quanto aos movimentos da superviso.

    7. Trabalhos com empenho intelectual so prejudicados por movimentao excessiva em frente pessoa, ou por conversa excessiva.

    Muitas pessoas tm dificuldade de concentrao quando h movimentado de pessoas prximas de si. O mesmo se aplica a rudo, especialmente o da conversao. Este um problema importante nos tempos atuais de escritrios de concepo baseada em espaos abertos, onde deve-se garantir um mnimo de privacidade para que estas pessoas possam se concentrar adequadamente. Igualmente, deve-se orientar as pessoas para evitar conversas excessivas e em voz alta nesses ambientes.

  • AAnnlliissee ddoo LLeeiiaauuttee:: FFlluuxxoo,, ddeessllooccaammeennttooss ee cciirrccuullaaoo

    Atendimento A Criao C Desenvolvimento D Representao Grfica R Modelos M Gerencia G

  • Esforos; Minimizar fadiga, elevao e transporte de cargas, foras estticas, etc.

    Trabalho e condies ambientais Avaliar as condies do ambiente em relao ao ser humano: iluminao, cores, rudo, umidade, temperatura, etc;

    Riscos; Probabilidade de acontecer acidentes.

    Aspectos cognitivos e psico-sociais: So comportamentos, desempenho, tomada de deciso (elaborar DAP); As atividades cognitivas so: sensao; Percepo; Memorizao; Tomada de deciso.

    Organizao e mtodos de trabalho.

  • TCNICAS UTILIZADAS NA ANLISE DO TRABALHO (ANLISE DA ATIVIDADE REAL)

    A anlise do trabalho baseia-se principalmente em: - Anlise do trabalho real - Hipteses - Diferenas inter e intra individuais. - Participao dos envolvidos.

    Observao direta (posturas / esforos / deslocamentos / comportamentos, etc) Mtodos diretos Direo do olhar Registro do trabalho Listas/tabelas de verificao (check list)

    Questionrios Entrevistas Mtodos subjetivos Verbalizaes provocadas Verbalizaes espontneas

    Anlise da atividade real : Fundamentos tericos

    Consideraes gerais sobre atividade

    Segundo FAVERGE (1992), trabalhar consiste em: Realizar aes, gestos, etc.; Detectar informaes sobre o objeto de trabalho (ou atravs de uma interface), tratar estas

    informaes e responder sobre o objeto de trabalho (ou atravs de uma interface), isto , assegurar uma comunicao entre as partes do objeto (ou sobre a interface);

    Manter uma varivel em um valor normal ou vigiar para que ela no se desvie; Colocar em ao formas de pensamento, utilizar algoritmos ou heursticas, empregar tticas

    e estratgias, resolver problemas, tomar decises. De fato, a atividade de trabalho a mobilizao total do indivduo, em termos de

    comportamentos, para realizar uma tarefa que prescrita;

  • Trata-se, ento, da mobilizao das funes fisiolgicas e psicolgicas de um determinado indivduo, em um determinado momento;

    A parte observvel da atividade (sensrio-motora) pode ser evidenciada pelo conjunto de aes de trabalho que caracteriza os modos operativos;

    A parte no observvel (mental) pode ser caracterizada pelos processos cognitivos: sensao, percepo, memorizao, tratamento de informao e tomada de deciso.

    Os objetivos da anlise ergonmica das atividades:

    Elaborar um melhor conhecimento do trabalho formal e do trabalho real; Compreender como se d o envolvimento dos trabalhadores nos sistemas de produo; Fornecer um meio de apoio deciso organizacional.

    Figura 1 Controle das tomadas de informaes e das aes

    3.3 - Planificao da anlise das atividades

    O modo operativo sempre um compromisso que leva em considerao os seguintes aspectos: Os objetivos do trabalho; Sistemas de produo; Os resultados obtidos; O estado do indivduo.

    3.4 - Modelos de representao das atividades

  • Sistema de transformao de energia: atividades motoras de trabalho, que permitem transformar energia fsico-muscular em energia mecnica de realizao de gestos, posturas, levantamento e transportes de cargas,..

    Sistema de recepo e tratamento de informao: atividades cognitivas de trabalho, que permitem a sensao, a percepo e o tratamento das informaes recebidas.

    3.5 - Mtodos de anlise das atividades

    Conjunto dos meios e procedimentos prticos que permitem dar um contedo um modelo; Um mtodo um procedimento de busca de soluo problemas tericos; Cada mtodo de anlise corresponde a um modelo pr-concebido de representao das

    atividades de trabalho.

    Mtodos de anlise utilizados em ergonomia: Mtodo de anlise das atividades motoras; Mtodo de anlise das atividades mentais; A escolha do mtodo.

    3.5.1 - Mtodo de anlise das atividades motoras:

    Gestos de trabalho; Posturas de trabalho; Movimentao e elevao de cargas.

    Os gestos de trabalho: Tarefas manuais e movimentos das mos; Classificao dos gestos de trabalho; Fatores que influenciam os gestos.

    TAREFAS MANUAIS E MOVIMENTOS DAS MOS 1) Atividade da mo e tarefa manual:

    Importncia da mo nos gestos de trabalho: grande plasticidade mecnica, importante mobilidade dos dedos em relao a multiplicidade de ossos, msculos e articulaes e, em relao a fineza da inervao motora e sensitiva (tato);

    A mo um instrumento de pega e de manipulao delicada, pois nela que se observa uma convergncia dos efeitos resultantes da mobilizao, mais ou menos generalizada, dos membros, do tronco,...

    2) Os movimentos manuais: Os movimentos especificamente manuais: Envolvem atividades de manipulao com

    imobilizao do tronco, dos braos, dos antebraos. Esses movimentos so encontrados em tarefas finas e delicadas como micro-soldagem, desenho decorativo em cermica, relojoaria, micro-eletrnica.

    Os movimentos no especificamente manuais: Envolvem um certo nmero de segmentos corporais: mobilizao do antebrao, do brao e, s vezes, de movimentos de acompanhamento do tronco. Esta mobilizao necessria aplicao de fora e a

  • realizao eficaz do gesto de trabalho, como por exemplo, em tarefas de aperto de parafusos de maiores dimenses.

    3) A anlise das atividades manuais: Uma atividade manual pode ser definida como sendo constituda de uma ou mais

    seqncias de movimentos, especficos e no especficos comportando exigncias cumulativas de preciso, velocidade e/ou fora;

    Diversos estudos foram realizados com o objetivo de racionalizar e quantificar as atividades gestuais, dando origem vrios mtodos de anlise e de medida dos tempos e movimentos.

    4) Os movimentos gestuais dirigidos:Hierarquia muscular e gestos: segundo as caractersticas da atividade manual, a musculatura utilizada ser totalmente diversa: Os movimentos delicados (atividades especficas de pequenas manipulaes, por exemplo)

    mobilizam a musculatura fina; Em contrapartida, as atividades no especificamente manuais, mobilizam uma musculatura

    mais robusta (necessidade de mobilizao de segmento de membro mais pesado); A boa coordenao desses dois tipos de musculatura faz do gesto de trabalho um

    movimento dirigido.

    CLASSIFICAO DOS GESTOS DE TRABALHO: 1) Tipos de gestos em funo dos circuitos empregados:

    Os gestos voluntrios: o Os gestos subentendidos o Os gestos balsticos

    Os gestos automticos ou automtico-voluntrios Os gestos reflexos

    2) A classificao dos gestos em funo da tarefa: A tarefa de ajustamento contnuo A tarefa de ajustamento descontnuo

    3) Classificao em funo da cinemtica do gesto: Cadeia articulada aberta Cadeia articulada fechada

    OS FATORES QUE INFLUENCIAM OS GESTOS: 1) A aprendizagem:

    o Processo central o Processo perifrico

    2) Os esteretipos mentais: o Definio o Os esteretipos universais

    Noo qualitativa Noo quantitativa

    o Os esteretipos culturais 3) Tremor

  • Figura 2 - Esteritipos universais: noo qualitativa relacionada ao motora

    Figura 3 - Esteritipos universais: noo quantitativa

    Posturas de trabalho:

    A postura a organizao no espao dos diferentes segmentos corporais; Ela o suporte da busca e das tomadas de informaes para a ao do sujeito; Nenhuma postura de trabalho neutra; Nenhuma m postura adotada livremente pelo sujeito, mas resultado de um

    compromisso entre diversos aspectos. A postura , ento, determinada:

    Pelas caractersticas e exigncias da tarefa; Pelas solicitaes: formas fisiolgicas e biomecnicas de manuteno do equilbrio; Pelas caractersticas do ambiente de W.

    Figura 4 Esforo postural

    A coluna vertebral constituda de 33 vrtebras: Vrtebras cervicais (7); Vrtebras torcicas ou dorsais (12); Vrtebras lombares (5); Vrtebras sacrococcigenas (9): (5) esto fundidas e formam o sacro e as (4) da

    extremidade inferior so pouco desenvolvidas e formam o cccix. Formas fisiolgicas e biomecnicas da manuteno postural:

    Condio da manuteno do equilbrio: - A manuteno do equilbrio implica que uma certa parte da massa muscular estabiliza o corpo numa postura lhe permitindo evitar a queda;

  • - Um sujeito em p, e sem outro ponto de apoio, est em equilbrio se a projeo vertical do seu centro de gravidade estiver dentro de seu polgono de sustentao; - No caso do sujeito utilizar um apoio (por exemplo, uma cadeira), os pontos de apoio entram na determinao deste polgono de sustentao.

    Manuteno do equilbrio: -- Todo desvio do CG dos segmentos corporais, em relao linha de gravidade e ao polgono de sustentao, necessita o emprego de foras musculares de manuteno da posio. A posio da projeo do CG no , ento, em postura em p fixa, mas varia em funo do estado do sujeito (idade, sexo, fadiga, lcool,...); - A manuteno do equilbrio assegurada principalmente pela contrao dos msculos posturais sob o controle de estruturas nervosas que recebem informaes diversas (labirnticas, visuais e tteis...).

    Modificao do equilbrio: Manuteno postural esttica: - Na criana, a manuteno do equilbrio instvel. Com a aprendizagem ela se estabiliza at prximo dos 60 anos. A partir da ocorre uma degradao; - A amplitude dos reajustamentos posturais pode ser evidenciada por esttico-fisiometria; - A manuteno do equilbrio utiliza, de forma preponderante, as informaes de origem visual. No caso de variao da vertical subjetiva ou do deslocamento de uma parte do campo visual, a manuteno postural sofre modificaes e o risco de queda aumenta. Perturbao postural: - Em caso de desequilbrio do corpo, as mesmas modalidades sensoriais so utilizadas, com prioridade para as informaes visuais em relao s vestibulares e s cinestsicas. Com os cegos a situao diferente porque a hierarquia sensorial modificada; - O envelhecimento diminui a adaptao da resposta muscular que permite evitar a queda; - O tipo de tarefa e o treinamento modificam a performance do sujeito; - Em situao real, as estratgias usadas pelos sujeitos, graas experincia, tambm melhoram a performance.

    Caractersticas das principais posturas de trabalho:

    - Existe uma variedade considervel de posturas de trabalho (72 segundo mtodo OWAS); - Tentativas de classificao em vista de uma avaliao; Limites posturais: - Um deslocamento, mesmo fraco, de um segmento corporal, pode modificar a estabilidade da postura e as contraes musculares estticas do equilbrio; - A durao da manuteno de uma postura imvel um fator essencial de avaliao do constrangimento postural. Os principais mtodos de avaliao postural: Medida do custo energtico: - A contrao esttica dos msculos no leva um considervel aumento do consumo de oxignio; - Os efeitos hemodinmicos e biomecnicos no aparecem em termos de custo energtico.

    Medida da frequncia cardaca: - A FC globaliza os efeitos circulatrios da contrao muscular esttica e os efeitos hemodinmicos correspondentes;

  • - A FC no tem relao direta com os efeitos biomecnicos (estiramento dos tendes, articulaes,...).

    Eletromiografia: -- A eletromigrafia permite conhecer apenas a atividade muscular de alguns msculos; - A eletromiografia limitada aos efeitos musculares da manuteno da postura.

    Impresso subjetiva: - A IS relativa e exige uma escala comparativa; - necessrio utilizar esses diferentes meios de avaliao levando-se em conta seus limites. Variaes importantes em funo da idade e do estado de sade.

    Anlise visual da postura: A observao das posturas assumidas por um sujeito nos informa sobre as exigncias do trabalho: - ngulo de inclinao do corpo em relao a vertical; - Variao da postura em relao uma postura ideal terica; - Nmero de pontos de apoio; - Modificao da postura em funo do tempo.

    As relaes entre trabalho e postura:O espao de trabalho deve ser adaptado s caractersticas das informaes e das aes: - Localizao e caractersticas fsicas dos detalhes a serem percebidos (dimenses, iluminao,...); - Concepo dos comandos relacionados com a direo da fora e de seu ponto de aplicao; - Uma fora elevada s poder ser exercida se o corpo estiver em equilbrio (com apoio); - As condicionantes temporais tm influncia sobre a postura. Existe uma relao entre a preciso da tarefa, cadncia de trabalho, distncia olho-tarefa, rigidez postural e durao do trabalho.

    Movimentao e elevao de cargas: - Na movimentao de cargas pesadas , sobretudo o tronco que envolvido; - Persistncia da movimentao de cargas pesadas, apesar da considervel automao da produo; - Importncia para os trabalhadores com capacidade fsica limitada: jovens, pessoas idosas, mulheres, pessoas portadoras de deficincia fsica; - Este problema agravado em um pas tropical como o Brasil, devido a m nutrio, mo de obra desqualificada, tcnicas inadaptadas e formao inadequada.

    Elevao manual de cargas pesadas: O tipo de elevao: -- A elevao suportada pelos joelhos mais potente do que a elevao suportada pela coluna vertebral para cargas pesadas; - Para cargas leves e mdias eles se equivalem; - A fora mxima de elevao dobra quando os ps esto 30 cm do objeto ao invs de 50 cm; - A elevao de cargas suportadas pelos joelhos ou pela coluna no tem as mesmas conseqncias para o sujeito. Biomecnica da elevao de cargas: -- Na elevao de cargas pesadas, necessrio que o esforo se produza quando a coluna vertebral estiver reta, isto , quando as vrtebras exercerem uma presso uniforme sobre os discos intervertebrais;

  • - Com a idade e segundo o peso das cargas, assim como do seu modo de movimentao e elevao, o disco intervertebral se deforma e sua estrutura se altera; - Se realizarmos um esforo em posio curvada, a presso que se exerce sobre o disco no mais distribuda de forma homognea, o que pode provocar uma hrnia do disco intervertebral com conseqente compresso dolorosa da medula espinhal na sada da coluna vertebral; - Um homem de 80 Kgf, cujo tronco flexionado 60o sobre a vertical, exerce uma fora de compresso de 200 Kgf sobre a L5 (5a vrtebra lombar); - O mesmo homem, na mesma posio, mas tendo um peso de 25 Kgf na extremidade do brao, exerce uma fora de compresso de 400 Kgf sobre a L5; -- A fora de trao dos msculos extensores deve ser cada vez maior, na medida em que a massa mais elevada e que a inclinao mais acentuada, podendo provocar: - Risco para os discos intervertebrais; - Ultrapassagem da fora mxima dos msculos extensores.

    Biomecnica do rendimento energtico: -- Baixo rendimento da elevao manual quando a carga leve, porque a energia serve para movimentar as massas corporais. Para a elevao de carga a partir do solo, o melhor rendimento se obtm com peso de 30 Kgf (8%); - Ocorre uma melhoria considervel do rendimento se o plano de apoio estiver numa altura de 0,50 m e, sobretudo 1 m. A altura de 1,50 m baixa o rendimento. Para a elevao a partir de uma altura de 1 m, o peso timo deve ser reduzido 15 Kgf e a cadncia se eleva sensivelmente; - Quando a altura de trabalho mal definida e que preciso adotar um peso padro para as cargas, deve-se utilizar as recomendaes normativas existentes; - Recomenda-se uma boa concepo dos planos de movimentao, dos locais de armazenagem e dos beros de carregamento, assim como das cargas que devem ser manipuladas numa postura correta; - Influncia do nmero de pessoas envolvidas na movimentao de cargas volumosas sobre a postura adotada quando da elevao.

    Movimentao de cargas: Fatores limitantes: -- Aumento do gasto energtico com a movimentao de cargas, evidenciado pelo estudo das variaes da FC; - Fadiga muscular local: m pega, desequilbrio corporal com contraes musculares inteis; - Excesso de carga, apesar de uma boa pega: - Ocorre crescimento excessivo da energia consumida e da necessidade de pausas; - Evidencia-se a uma confirmao das recomendaes relativas aos valores mximos de carga a serem manipuladas. -- Crescimento da gravidade desses problemas energticos quando de uma movimentao de carga em subida de escadaria: - Para uma ascenso de 100 degraus em 1 minuto (17 m), o consumo de energia de: 57,3 KJ sem carga 78 KJ com carga de 29 Kgf 110 KJ com carga de 50 Kgf - Um consumo de 105 KJ corresponde ao trabalho mximo de um homem jovem, adulto, em boas condies fsicas.

  • Disposio dos locais: -- A topografia e as delimitaes das reas de circulao podem provocar a dificuldade da movimentao de cargas se isto levar ao abandono das posturas retas e equilibradas, ou a perda de uma referncia visual particular (solo delimitado ou no plano, incmodo visual pela delimitao da carga).

    3.4.2 - Mtodo de anlise das atividades mentais: Sensao; Percepo; Memorizao; Tomada de deciso.

    Atividades cognitivas de trabalho Pode-se distinguir, nas atividades cognitivas de um sujeito operando um dispositivo tcnico, trs funes distintas:

    Uma funo de deteco (sensao): constatar se existe ou no um sinal. O sujeito, detectando o sinal, far uma confrontao com as informaes memorizadas para dar uma resposta;

    Uma funo de discriminao (percepo): classificar as informaes em categorias. Esta funo s possvel se anteriormente houve a deteco e se as categorias foram tambm memorizadas;

    Uma funo de interpretao (tratamento das informaes): dar um significado s informaes. Esta funo s possvel se anteriormente houve a deteco, a discriminao e a aquisio de conhecimentos (memorizao).

    Distinguem-se: - As atividades ligadas percepo: da deteco discriminao da informao; - As atividades ligadas ao tratamento das informaes: da percepo ao.

    LINDSAY & NORMAN (1980), distinguem, no pensamento humano, trs tipos de tratamento das informaes: - Tratamento dirigido por conceitos; - Tratamento dirigido por regras; - Tratamento dirigido por programas.

    As comunicaes de trabalho: Informao: qualquer dado que, por sua pertinncia, atraia nossa ateno; Interao: ocorre quando o homem ou a mquina, devido a informao recebida, altera o

    seu comportamento; Comunicao: ocorre quando a interao se d por meio de cdigos previamente

    elaborados.

    Comunicaes homem-mquina ou homem-homem: Em princpio, o interesse da ergonomia foi pela comunicao homem-mquina; Estudos sobre o carter fsico dos cdigos: legibilidade, acessibilidade e limiar de

    percepo. Poucos estudos sobre os problemas de inteligibilidade e de interpretao dos cdigos;

  • Com o desenvolvimento da informtica, os cdigos tcnicos esto obsoletos e esto sendo substitudos por linguagens naturais;

    O interesse hoje saber em que condies a linguagem natural pode substituir as linguagens tcnicas, ou melhor, como uma linguagem natural torna-se uma linguagem tcnica?

    A funo das comunicaes: As comunicaes preenchem dois grandes tipos de funo no trabalho: - Motivacional: permite a melhoria das relaes sociais na organizao e o surgimento de solues tcnicas; - Operacional: assegurar o fluxo das informaes necessrias para que se estabeleam a interao das operaes necessrias produo.

    Sistemas de sinais: - sinais formais ou informais; - sinais proprioceptivos ou exteroceptivos; - sinais oficiais ou oficiosos; - sinais explcitos ou implcitos; - sinais concretos ou abstratos; - sistemas de sinalizao simples, redundantes ou complexos;3sinais mais ou menos provveis; - sinais seqenciais.

    As diferentes fases do tratamento da informao Fase de anlise da situao:

    Ativao: um sinal chama a ateno provocando o estado de alerta; Observao: permite a coleta de um conjunto de dados sobre o ambiente; Categorizao: decodificao dos dados para representar o estado do sistema; Interpretao: permite o estabelecimento de um diagnstico da situao.

    Fase de planificao da ao: Avaliao da tarefa: permite a avaliao das solues e a escolha de uma estratgia; Definio da tarefa: permite a fixao de objetivos e dos meios (tarefa); Definio dos procedimentos: seqncia ordenada de operaes (procedimentos); Execuo: a planificao termina com a execuo dos procedimentos, isto , a ao.

    Os diferentes tipos de comportamento Os comportamentos baseados em habilidades (skills); Os comportamentos baseados em regras (rules); Os comportamentos baseados em conhecimentos (knowledge).

    Os diferentes tipos de informaes: As habilidades so ativadas por sinais;

    o As regras so ativadas por signos; o Os conhecimentos so ativados por smbolos

    Trs tipos de abordagens so possveis: ABORDAGEM SEMIOLGICA

  • O signo uma conveno que liga o significante ao significado. Os signos so categorizados em funo do grau de arbitrariedade: - Os signos: no lembram nenhuma das caractersticas do significado; - Os cones: apresentam uma semelhana fsica com o significado; - Os ndices: so sinais coletados diretamente do significado.

    ABORDAGEM FUNCIONAL Pode-se categorizar os sinais utilizados em funo da atividade de trabalho realizada:3Os sinais: habilidades; - Os signos: regras; - Os smbolos: conhecimentos.

    ABORDAGEM EM FUNO DA EXPERINCIA - Substituio gradativa dos sinais oficialmente concebidos pela organizao, por sinais informais e oficiosos; - No incio da aprendizagem, o sujeito utiliza informaes verbais que so repetidas mentalmente que so prejudicadas quando ele for interrompido; - Num segundo momento, o sujeito capaz de verbalizar, mas no pode trabalhar de olhos vendados, porque ele se utiliza de informaes visuais; - Na ltima fase, o sujeito pode agir de olhos vendados porque ele se utiliza de informaes proprioceptivas.

    Segundo PIAGET (1967), regulao o controle de reao que mantm o equilbrio relativo de uma estrutura organizada ou de uma organizao em via de construo. Desta definio, pode-se evidenciar: - A natureza das regulaes; - A dimenso temporal das regulaes; - Os processos e mecanismos cognitivos das regulaes.

    A natureza das regulaes: - O desvio e a norma: a funo comparador a que permite ao homem avaliar o desvio entre o estado esperado (prescrito) e o estado obtido (realizado); - O intensivo e o cognitivo: a funo regulador pode se dar em dois nveis: do sistema scio-tcnico e de sua prpria atividade: - Circuito cognitivo:

    regulao funcional: pequenos desvios regulao estrutural: grandes desvios

    - Circuito intensivo: relativo carga de trabalho

    - A preveno ou produo: em um sistema de produo, o homem preenche uma dupla tarefa: a primeira assegurar a regularidade da produo (regulao da produo) e a segunda manter a segurana das instalaes.

    A dimenso temporal das regulaes: - intimao ou parada: nas regulaes por intimao o sujeito mantm a produo (ou a preveno) prximo da norma, por micro-ajustamentos. Nas regulaes por parada, os desvios em relao norma atingem um valor tal que s so corrigidos por macro-ajustamentos;

  • A coluna vertebral possui algumas curvaturas que so fisiolgicas, o aumento, acentuao ou diminuio destas curvaturas representam patologia e precisam ser tratadas. As curvaturas fisiolgicas so quatro: lordose cervical, cifose torcica, lordose lombar e cifose coccgea (sacro e cccix) estas curvaturas podem ser encontradas em vista lateral, j numa vista posterior no existem curvaturas fisiolgicas, caso as encontrarmos temos uma patologia chamada de escoliose.

    - assncrona ou sncrona: a regulao assncrona consiste numa distribuio desigual da produo numa jornada de trabalho. A regulao sncrona baseada na pluralidade de estratgias, que pode dispor um sujeito, num determinado instante, para atingir a norma de produo, mantendo um nvel aceitvel de carga de trabalho;

    CCUUIIDDAADDOOSS CCOOMM AA CCOOLLUUNNAA VVEERRTTEEBBRRAALL

    Estamos aqui neste momento para falar um pouco sobre a nossa coluna vertebral, sua anatomia, a biomecnica, as lombalgias e relao com as condies ergonmicas de trabalho ou do dia-a-dia que acabam por agravar os problemas com a coluna.

    Dentre vrios motivos para digitarmos este texto selecionamos alguns: as dores nas costas acontecem com alta incidncia, alguns autores relatam que entre 70 a 80% da populao mundial (tm, teve ou ter) algum tipo de dor nas costas; as condies de trabalho so um dos maiores agravantes; o manuseio, levantamento e carregamento de cargas excessivamente pesadas so grandes coadjuvantes; a manuteno de posturas incorretas por muito tempo; alguns fatores que ainda necessitam de maiores estudos tambm contribuem para as dores nas costas uma deles a converso psicossomtica e por fim destacamos a fadiga da musculatura.

    Antes de continuarmos as descries e as recomendaes de cuidados com a coluna vertebral vamos mostrar um pouco da sua anatomia para que possamos ter alguns parmetros:

    Vale dizer tambm que a coluna vertebral formada por um nmero varivel de vrtebras entre 33 e 34 ossos (vrtebras), que so separadas uma das outras por um disco intervertebral, este

    disco responsvel pela mobilidade da coluna. Esta parte da anatomia bastante interessante e poderemos ver no desenho seguir.

  • Acima podemos ver a vrtebra que a parte ssea da coluna, o orifcio de conjugao, que o espao por onde passam os nervos (existem dois tipos de nervos um responsvel pelas sensaes e outro responsvel pelos movimentos). Entre as vrtebras vemos o disco intervertebral e mais ao centro do disco encontramos o ncleo pulposo. Quando nos movimentamos para frente, para traz ou para os lados o ncleo pulposo se movimenta tambm porm em sentido contrrio ou seja quando fletimos o tronco para frente o ncleo vai para traz em direo ao nervo. O ncleo pulposo muito mais rgido do que o disco e tm a tendncia de tentar fugir, quem impede esta fuga so os anis fibrosos, quando estes anis so danificados o ncleo fica instvel e pode conseguir a fuga, a sada do ncleo chamada de hrnia de disco. A hrnia de disco pode acontecer entre qualquer uma das vrtebras, porm a maior incidncia se d na regio lombar. Os nervos so divididos em troncos, o tronco cervical inerva principalmente os membros superiores (braos) e o tronco lombar inerva principalmente os membros inferiores (pernas). Quando dizemos inervar queremos dizer que estes nervos so responsveis pelas sensaes e movimentos destas regies. Portanto quando acontece uma hrnia na regio lombar pode ser sentido reflexo (dor ou formigamento) nas pernas ou perna, como na ilustrao abaixo.

    Figura Regio de dor e ou formigamento. Algumas situaes do dia-a-dia no trabalho ou em casa que contribuem para as leses

    na coluna ou nos discos: o trabalhador escorrega enquanto caminha; um objeto vai cair ao cho e abruptamente tenta-se peg-lo; a trabalhador vai pegar uma carga e o local est inacessvel; o trabalhador vai pegar uma carga de conformao assimtrica; o trabalhador portador de desvios posturais; o trabalhador que suporta peso com o corpo; pegar ou manusear, cargas mais pesadas com o tronco em flexo, flexo lateral ou toro; pegar ou manusear cargas longe do corpo, pegar ou manusear cargas muito altas ou muito baixas.

    Dependendo da regio, localizao ou gravidade da compresso no nervo que ser definido o tipo de irradiao, ela pode atingir uma rea contnua ou parcialmente. Alm da dor irradiada podemos encontrar tambm casos onde a dor ocorre apenas localizada, ou seja, a dor se d no mesmo local da leso.

  • Todos os dias cometemos alguns ou vrios erros com a nossa postura, estes erros um dia podem ser fatais, pois com j comentamos em outros textos as doenas de um modo geral no acontecem da noite para o dia, elas so cumulativas e progressivas isto se aplica em gnero, nmero e grau no caso da coluna. Veremos a seguir algumas situaes que contribuem e muito para as leses, dos anis fibrosos e conseqentemente dos discos: Figura - Posies perigosos para uma postura saudvel

    Acabamos de assistir ao vdeo cassetadas da postura, infelizmente no poderemos rir, pois teremos que socorrer o indivduo que passou por todas estas cenas... Em resumo todas as vezes que aumentamos ou eliminamos as curvaturas fisiolgicas da nossa coluna estamos nos pr dispondo aos riscos de dor nas costas, a dor pode ou no ser associada a uma leso no disco, pois quando no ocorre uma leso no disco pode estar havendo

  • apenas uma contratura muscular que explicaremos em outro texto. Vamos descrever algumas situaes boas para a movimentao de cargas e outras ruins e voc pode escolher qual deve seguir ou proporcionar ao seu corpo durante o seu dia: Ruins! Carga longe do corpo; carga muito baixa, carga elevada; movimentao freqente de carga; carga assimtrica; carga com pega ruim (mala sem ala); Boas! Perto do corpo; elevadas a 75 cm do piso; pequenas distncias a percorrer; leves pesos leves; ocasionalmente; simetricamente e sem rotao do tronco; com uma pega adequada.

    Consideraes finais: - No h problema em manipularmos cargas (desde que sejam observados os cuidados com a

    coluna) - No caso de cargas volumosas (utilizar a posio semi fletida joelho/coluna) - Peas que possam ser pegas com apenas uma das mos no interior de caixas ou caambas (deve-

    se apoiar um dos braos na borda da caamba e levantar com o outro).

    MMaanntteerr aa bbooaa ffoorrmmaa ffssiiccaa ee ssaabbeerr aapprroovveeiittaarr ooss eevveennttuuaaiiss iinntteerrvvaallooss ppaarraa uumm eexxeerrcccciioo ddee rreessppiirraaoo ee ddee rreellaaxxaammeennttoo iinneeggaavveellmmeennttee uummaa bbooaa mmaanneeiirraa ddee ssee mmiinniimmiizzaarr rriissccooss ee eevviittaarr pprroobblleemmaass

  • Figura - Atividades para manter a sade da coluna.

    Agora voc tem um material eficiente na manuteno da sade de sua coluna no esquea, utilize estas informaes todos os dias.

    Dormir: dicas ergonmicas

    - O ser humano passa um tero da vida em repouso mdio de 220.000 horas, mais tempo que no sof, na mesa, em frente da televiso ou no carro, porm a maioria pensa que ao dormir nosso corpo comporta-se como um carro estacionado noite na garagem, imvel com o motor e faris desligados. No h nada mais incorreto, pois, durante o sono os msculos do corpo tencionam-se e relaxam, a pulsao, a temperatura e a presso sangunea aumentam e diminuem constantemente.

    Atravs do sistema nervoso so produzidas infinitas trocas qumicas, cruciais para nosso bem estar. Como um produtor de cinema, o crebro cria histrias fantsticas, com os mais variados temas.

    O sono sem repouso responsvel por inmeras situaes negativas na vida do ser humano, a primeira a sensao de que j se acorda cansado; em seguida, vem um dia de baixo astral, sonolento, improdutivo, mau humorado, pssimo relacionamento social e sujeito a ser o causador de algum tipo de acidente principalmente o de trnsito.

    Pesquisas feitas nos Estados Unidos apontam que um tero dos acidentes de trnsito so causados por motoristas que adormeceram ao volante, maior nmero que os causados por motoristas alcoolizados.

    Para se desfrutar de uma boa noite de sono com repouso, siga algumas dicas importantes para manter hbitos saudveis

    Informaes contidas no Livro "Como vai o seu sono" do Dr.Denis Martinez, Editora AGE.

    -Crie um ritual agradvel antes de dormir (meditao, relaxamento, orao, leitura sem relacionamento com trabalho); -No olhe o relgio cada vez que acordar;

  • -Durma em ambiente silencioso, se o rudo for inevitvel use tampes auriculares; -Durma em ambiente escuro, se a luz for inevitvel, use mscaras especiais para dormir; -Evite frio ou calor excessivo, temperaturas abaixo de 17 graus ou acima de 29 graus; -No durma com fome, o valor de um copo de leite morno, antes de dormir tem valor cientfico; -Faa refeies leves noite; -Quando acorda, sentir-se recuperado, saia da cama, o hbito de ficar um pouco mais na cama pode criar dificuldade para adormecer na noite seguinte; -Cochile, se necessrio, pequenos cochilos de 10 a 15 minutos, nos momentos de maior sonolncia podem ser benficos; -Tenha horrio regular para levantar sete dias por semana; -No se exponha a luz forte se acordar no meio da noite, isso pode fazer o crebro pensar que dia e prejudicar a retomada do sono; -No tome bebida com cafena noite; -Pare de fumar ou no fume noite, a nicotina tem diversos efeitos sobre o sistema nervoso; -No tome bebidas alcolicas noite, o lcool um inimigo, no aliado do sono; -Se usar hipnticos, faa-o raramente, os comprimidos para dormir, no produzem um sono normal, viciam e perdem o efeito rapidamente; -Atividades fsicas, programadas contribuem para um bom sono; -Repouse em uma cama que lhe proporcione o mximo de conforto; -Com um simples toque de boto, voc ajusta a posio mais confortvel para suas costas e pernas, que alivia as tenses na coluna vertebral, dispensando o uso de travesseiros nas costas, que alm do desconforto pode causar leses irreparveis a coluna vertebral. Ativa a circulao sangunea proporcionando um timo descanso s pernas.

  • LER/DORT

    O que LER/DORT?

    Leses por esforos repetitivos so inflamaes dos msculos, tendes e nervos causados por atividades que exigem fora, repetitividade e posturas erradas. Quando estas leses tm relao com o trabalho. Adota-se o termo D.O.R.T (Distrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho)

    Alm da repetitividade:

    A sobrecarga esttica (que o uso da musculatura, ficando parado, segurando muito peso por perodos de tempo prolongados);

    O excesso de fora para execuo de tarefas; Os trabalhos sob temperaturas extremas (muito frio e muito calor); O uso prolongado de instrumentos com vibrao excessiva. Todos estes fatores podem contribuir para o aparecimento de problemas

    musculoesquelticos.

    Quais so as fases das LER/DORT ?

    SINTOMAS COMUNS do aparecimento das LER (DORTs):

    1 Fase: A dor aparece durante os movimentos e difusa, ou seja, no possvel definir exatamente que parte do corpo est doendo. 2 Fase: Nesse estgio a dor mais persistente, mas o quadro ainda leve. Se as condies de trabalho forem alteradas ainda possvel reverter o caso. 3 Fase: A partir desse estgio a doena crnica, sendo, portanto, irreversvel. H perturbao durante o sono, em razo das dores, e as inflamaes se tornam um processo degenerativo, que pode afetar os nervos e os vasos sangneos de maneira prejudicial. Nessa fase a dor sentida em pontos definidos e no cede mesmo durante perodos de relaxamento e repouso. A dor aparece sobre a forma de pontadas e choques. 4 Fase: Entre o penltimo estgio e esse, os processos infecciosos podem causar deformidades, como cistos, inchaos e perda de potncia (fora). A dor pode ser tornar insuportvel, e at atividades comuns da vida diria, como escovar dentes e cabelos, tornam-se impraticveis. Nessa ltima fase, muitos pacientes recebem injeo de morfina para aliviar a dor e alguns chegam at a passar por cirurgias.

    FATORES RELACIONADOS ao ambiente de trabalho que podem levar a uma leso de origem ocupacional:

    Equipamentos, ferramentas, acessrios e mobilirios inadequados; Desrespeito aos posicionamentos, angulaes e distncias dos mesmos; Tcnicas incorretas para execuo de tarefas;

  • Posturas de trabalho erradas; Falta de intervalos; Excesso de fora na realizao de tarefas; Excesso de peso suportado pelo corpo parado, em movimento ou em repetio; Uso demorado de instrumentos que transmitem vibrao excessiva; Temperatura, ventilao e umidade inapropriadas no ambiente de trabalho.

    Portanto, um ambiente de trabalho organizado, com pessoas bem treinadas, que respeitam os fatores ergonmicos (ideais para a postura no trabalho) e os limites do corpo humano, certamente diminuem o risco de aparecimento das chamadas LER ou DORT.

    O que um Programa de Ginstica Laboral?

    O Programa de Ginstica Laboral consiste em sries de exerccios variados, elaborados para trabalha-dores de atividades profissionais diversas.

    E qual o seu objetivo? Tem como objetivo, desenvolver atividades fsicas dentro da prpria empresa, proporcionando melhoria da qualidade de vida dos funcionrios, preveno de doenas ocupacionais, com ganhos de produtividade e diminuio de gastos com despesas mdicas. Alm disso, torna o trabalhador fisicamente apto para suas tarefas, compensa os seus esforos despendidos no processo produtivo.

    Msculos mais exigidos na atividade:

    Trabalho em p: regio lombar e membros inferiores; Transporte de cargas: todo o corpo; Trabalho na posio sentada: regio do pescoo, membros superiores e regio lombar, com

    problemas circulatrios nos membros inferiores.

    COMO PREVENIR?

    Adaptar o ambiente de trabalho para o conforto do seu corpo; Adaptar posturas corretas; Levantar-se em tempos e tempos, espreguiar-se, andar um pouco, fazer movimentos

    contrrios queles da tarefa; Fazer regularmente exerccios de alongamento e relaxamento; Melhorar sua qualidade de vida criando hbitos saudveis (realizar atividades fsicas); Se voc j apresenta um ou mais sintomas, procure orientao mdica.

    CUIDADOS NO TRABALHO PARA EVITAR A LER Os mveis e equipamento s devem ser adaptados s caractersticas fsicas do trabalhador;

    Ferramentas e equipamentos de trabalho devem ser adequados ao seu operador; A melhor postura aquela que permite mudana; Aumentar o grau de liberdade para a realizao da tarefa, reduzindo a fragmentao e a

    repetio;

  • Estabelecer pausas, durante a jornada de trabalho para relaxar, distencionar e permitir a livre movimentao.

    ALGUMAS ATIVIDADES ATINGIDAS PELA LER

    Caixas de banco e de supermercados; Telefonistas; Digitadores; Trabalhos de linha de montagem e produo; Trabalho em escritrio.

    O gerenciamento das LER/DORT hoje um dos maiores desafios para os profissionais de sade que atuam direta ou indiretamente em empresas. Isto ocorre devido a diversos fatores que acabam levando a existncia de um ciclo vicioso que apresentamos a seguir :

    Figura 7 - Ciclo Vicioso das LER/DORT na Empresa

    Como vimos no diagrama apresentado o indivduo procura o servio mdico com queixa de dor, aps avaliado encaminhado para tratamento ( medicao, imobilizao, fisioterapia, etc...), quando retorna ao mdico com regresso dos sintomas encaminhado de volta ao seu posto de trabalho.

    O que temos ento abordagem apenas da conseqncia e no das causas uma vez que no tomada qualquer ao sobre o posto de trabalho, com isso levamos o indivduo a entrar em um ciclo vicioso at ter afastamentos cada vez maiores e finalmente ser substitudo naquela atividade.

    Os principais fatores que levam a este tipo de ocorrncia so:

    -Falta de diagnstico adequado, tanto clnico como exames complementares.

    -Falta de tratamento adequado, principalmente fisioterpico.

    -Falta de conhecimento do mdico do trabalho que falha na anlise das circunstancias que levaram o indivduo a apresentar este quadro.

  • -Falta de atuao, geralmente por desconhecimento, na correo do posto de trabalho.

    -Falta de apoio de nveis superiores para uma atuao adequada na conduo dos casos, tanto em relao ao indivduo quanto ao seu posto de trabalho.

    -Falta de acompanhamento adequado do indivduo durante o tratamento mdico e principalmente na sua readaptao ao trabalho, tanto no aspecto fsico quanto emocional.

    -Falta de um Processo Ergonmico na empresa que proporcionaria melhorias em vrios postos que poderiam ser utilizados para alocar principalmente pessoas que j apresentaram sintomas e/ou afastamentos.

    Podemos perceber que a conduo dos casos na maioria das vezes no feita de maneira adequada e acaba levando as empresas a situaes de desespero por no saberem que rumo tomar.

    O gerenciamento das LER/DORT complexo e no deve ser tratado amadorsticamente, pois necessria a criao de um sistema eficaz com uma atuao global e multidisciplinar.

    Etapa IV DIAGNOSTICO

    Avaliao geral dos problemas, das causas e das hipteses visando estabelecer os respectivos requisitos da situao proposta de trabalho.

  • RELACIONAMENTO

    PROBLEMA

    CAUSA

    REQUISITO

    HIPTESES

    ITEM NR 17

    Homem / Ventilao

    Desconforto, mal estar; problemas

    de sade;

    Ventilao insuficiente;

    Proporcionar maior conforto no ambiente de

    trabalho;

    Instalao de exaustores;

    Aumentar os nmeros de

    ventiladores;

    Lei n 17.5.1 As condies ambientais de

    trabalho devem estar adequadas

    s caractersticas

    psico-fisiolgicas dos trabalhadores e natureza do trabalho a ser

    executado

    Homem / Iluminao

    Forar a viso; ofuscamento,

    reflexos;

    Iluminao mal

    direcionada, lmpadas

    inadequadas ou mal

    dispostas,

    Oferecer melhores

    condies de iluminao;

    Iluminao direcionada; Lmpadas adequadas;

    Aproveitamento da luz natural;

    Lei n 17.5.3.2 A iluminao

    deve ser projetada e instalada de

    forma a evitar ofuscamentos,

    sombras e contrastes

    excessivos.

    Homem / Layout

    Grande nmero de deslocamentos

    por dia; deslocamentos desnecessrios;

    Equipamen-tos muito utilizados

    longe uns dos outros;

    Fazer menor nmero de

    deslocamentos;

    Redesign do layout;

    Aproximar os equipamentos similares e de

    maior uso;

    Lei n 17.6.1 A organizao

    do trabalho deve ser

    adequada s caractersticas

    psico-fisiolgicas dos trabalhadores e natureza do trabalho a ser

    executado.

  • Homem / E.P.I.

    O no uso deixa a pessoa vulnervel

    a acidentes de trabalho e riscos

    sade;

    Esquecimen-to;

    Pouca fiscalizao e sinalizao;

    Proporcionar segurana no

    trabalho;

    Maior fiscalizao;

    Conscientizao dos alunos atravs de

    meios visuais;

    Homem / Maquinrio

    Acidentes; Falta de sinalizao

    quanto a periculosida-

    de;

    Oferecer informaes

    adequadas quanto ao risco do uso;

    Fixao de meios visuais

    em cada mquina alertando

    quanto sua periculosidade

    Lei n 17.4.1 Todos os

    equipamentos que compem um posto de

    trabalho devem estar adequados

    s caractersticas psico-fisiol-

    gicas dos trabalhadores.

    Homem / Bancadas Laterais

    Esforos desnecessrios;

    postura incorreta;

    Altura inadequada

    das bancadas;

    Oferecer uma postura correta;

    Elevao das bancadas

    Colocao de plataforma no

    cho.

    Lei n 17.3.2 Trabalhos manuais

    sentado ou em p, as bancadas

    devem proporcionar ao

    trabalhador boas condies

    de postura;

    Homem / Banquetas

    Desconforto; postura incorreta;

    Baixo apoio das

    banquetas;

    Oferecer uma postura

    confortvel e correta;

    Elevar o apoio dos ps;

    Modificar altura da banqueta

    Lei n 17.3.1 Sempre que o trabalho for executado sentado, o posto de

    trabalho dever ser planejado ou adaptado

    para esta posio.

  • 5. Caderno de encargos / recomendaes ergonmicas ((pprroojjeettoo ddaa NNOOVVAA SSIITTUUAAOO))

    Apresentao das recomendaes e propostas de soluo de forma detalhada (explicaes, desenhos, leiaute proposto, DAO proposto, concepo de produtos, posturas adequadas, diagramas sistmicos e outros propostos, etc).

    Recomendaes ergonmicas: antropometria e biomecnica

    1. Na medida do possvel, o corpo deve trabalhar na vertical;

    2. Os braos devem estar na vertical, e os antebraos na horizontal; com apoio para

    os antebraos e punhos;

    3. Todos os instrumentos de uso freqente devem estar dentro da rea de alcance normal, ou

    seja, no semicrculo descrito pelos antebraos na horizontal, estando os braos na vertical; 4. Todos os instrumentos de uso ocasional devem estar dentro da rea de alcance mximo,

    definida como aquela em que os antebraos estejam na horizontal, os braos na horizontal e nunca acima do nvel dos ombros;

    5. O tronco no deve se encurvar rotineiramente para fazer o trabalho; 6. No caso de se trabalhar sentado, nunca deve ser necessrio afastar as costas do encosto

    da cadeira para atingir o objeto de trabalho,; 7. Os ps devem sempre estar apoiados; 8. No deve existir compresso de qualquer parte do corpo humano pelo vesturio ou

    mobilirio de trabalho, etc;

    9. Os movimentos e a postura devem ser feitos em condio adequada de conforto, sem

    forar excessivamente;

    10. Evitar esforos excessivos ou repetitivos (ex.: ,carregar muito peso, digitar textos muitas horas). 1 1 . 0 assento deve acompanhar as, formas humanas, ter inclinao de assento e encosto

    adequado e regulagens quando necessrio.

    12. 0s ombros devem estar completamente relaxados.

    13. As estantes devem estar adequadas, ou seja, facilitar o acesso aos objetos dispostos nela. 14. A altura dos balces deve estar adequada ao tipo de atividade e o correto posicionamento da coluna.

  • EERRGGOONNOOMMIIAA DDEE PPRROODDUUTTOO

    1. A Ergonomia e o projeto de produto: conceitos

    - Design de Produto:

    Engenheiro de produto Designer Industrial VS dentro para fora fora para dentro

    - Ergonomia

    2. Aplicao da ergonomia ao projeto de produto.

    Objetivo: incorporao dos aspectos ergonmicos Quando: desde o planejamento at a implantao Motivos: - ticos

    - Legislativos - Econmicos - Tcnicos (inadequao de produtos)

    Caractersticas desejveis dos produtos. - Caractersticas tcnicas - Caractersticas econmicas - Caractersticas estticas - Caractersticas ergonmicas (adaptao antropomtrica e biomecnica,

    facilidade de utilizao, conforto, segurana, satisfao de necessidades, etc.)

  • 3.Incorporao da ergonomia no processo de projeto de produto.

    Design de Produto EErrggoonnoommiiaa - Pesquisa da informao - Identificar problemas e necessidades relacionados com

    ergonomia (principalmente com pesquisa de campo)

    - Briefing e Conceituao - Definir requisitos e caractersticas ergonmicas

    - Concepo - Levar em considerao formas e propores ergonomicamente adequadas priorizando a criatividade

    - Seleo de alternativas - Avaliar o nvel de adequao ergonmica

    - Adequao - Utilizar tcnicas como: modelos volumtricos e bonecos antropomtricos

    - Modelagem/prototipagem - Verificar as especificaes e padres ergonmicos

    - Produo - Ergonomia de cho de fbrica

    CCRRIITTRRIIOOSS DDEE AAVVAALLIIAAOO EERRGGOONNMMIICCAA DDEE PPRROODDUUTTOOSS

    - AEP: - O produto a ser projetado deve considerar problemas e necessidades

    identificados no uso de produtos existentes, na situao de projeto, atravs da anlise ergonmica.

    - USABILIDADE: - Facilidade no uso, manipulao, conservao, cuidado, armazenamento e transporte de um produto. Tambm devem ser evitados os acidentes

    - ADEQUAO ANTROPOMTRICA - Adequao do produto s dimenses corporais e tipos fsicos (incluindo o peso) do usurio, tanto quando est quieto (antropometria esttica) como quando est realizando movimentos (antropometria dinmica).

    - ADEQUAO BIOMECNICA - Avaliar as posturas e movimentos do usurio perante o produto. Verificar a

    possibilidade de mudanas de postura. - Avaliar se os esforos necessrios para interagir com o produto esto dentro de

    parmetros tolerveis.

    - ADEQUAO FISIOLGICA/AMBIENTAL

  • - Verificar a adequao do produto ao usurio no que diz respeito a visualizao, leituras, iluminao, rudo, temperatura, umidade relativa, velocidade do ar, poluio, espao, etc.

    - ADEQUAO COGNITIVA - Compreenso do funcionamento/utilizao do produto de forma a facilitar a interao com ele. - Aceitao do produto por parte do usurio.

    (Nota. -aplicar entrevistas)

    Ferramentas para o Projeto Ergonmico de produtos. - Ferramentas e equipamentos - Software - Tcnica estatstica do percentil - Elaborao e utilizao de manequins. (bonecos ergonmicos)

    O que so e para que servem os bonecos ergonmicos? So representaes de humanos em dois dimenses em escala reduzida. Que servem para simular pessoas em seus ambientes de trabalho, facilitando o estudo e diminuindo a margem de erro na anlise ergonmica do local onde trabalha o indivduo. Eles podem e devem ser feitos a partir de vrias vistas diferentes para que possamos estudar todos os erros possveis nos objetos que esto em contato com o usurio e que podem, com o passar do tempo, vir a prejudicar a sade do trabalhador. Todos devem conter articulaes, para dar mais interatividade ao boneco, e poder simular com mais preciso os movimentos de trabalhador. Enfim, com os bonecos ergonmicos podemos estudar com facilidade ambientes variados e dar mais agilidade e anlise ergonmica.

    RECOMENDAES DE ERGONOMIA PARA A POSIO SENTADA:

    1. A cadeira de trabalho deve ser estofada, e de preferncia, com tecido que permita a transpirao. Outros assentos no necessariamente devem seguir esta orientao

    2. A altura da cadeira deve ser adequada maioria dos usurios ou ser regulvel. 3. A dimenso ntero posterior (profundidade ou comprimento ndegas dobra do joelho) do

    assento no pode ser comprida nem muito curta. 4. A borda anterior do assento deve ser arredondada. 5. O assento deve ter uma inclinao de at 5o para trs. Entretanto, o assento deve estar na

    posio horizontal se precisar trabalhar ou realizar atividade inclinado para frente. 6. Os assentos, preferencialmente de trabalho devem ter apoio para o dorso ou apoio lombar.. 7. Os assentos de trabalho devem ter de 90 a 110 e os de lazer/descanso acima de 110. O

    limte para assentos de descanso vai depender do uso do assento. 8. O apoio para o dorso deve ter uma forma que acompanhe as curvaturas da coluna (apoio

    lombar), sem retific-la, mas tambm sem acentuar suas curvaturas.

  • 9. Em assentos de trabalho recomendvel, mas no obrigatrio, que apoio para o dorso tenha regulagem de altura; este apoio pode ser tanto estreito quanto de meio-tamanho; neste caso, a adaptao pessoal que determina a deciso.

    10. Deve haver espao na cadeira para acomodar as ndegas. 11. Quando o posto de trabalho for semicircular ou perpendicular, a cadeira deve ser giratria; e

    quando o trabalho exigir mobilidade, deve ter rodzios adequados. 12. Os ps devem estar sempre apoiados. 13. Deve haver espao suficiente para as pernas debaixo da mesa ou posto de trabalho. 14. O Assento deve ter uma largura mnima de 40 cms. (a largura acomoda o comprimento do

    quadril) 15. Altura mnima de 36 cm. Esta altura utilizada para as pessoas adultas menores, adolescentes e idosos

    16. Nos assentos de descanso obrigatrio que o encosto apie quase a totalidade das costas (no mnimo at o osso omoplata). 17. Os ombros devem estar sempre relaxados. Esta recomendao se aplica principalmente no projeto de apoio de braos e dimensionamento de mesas, balco, etc.

    PROJETO E ADEQUAO ERGONMICA DE ASSENTOS: MODELO DE DESENVOLVIMENTO

    Pesquisa sobre os diversos aspectos envolvidos no projeto de assentos existentes: problemas ergonmicos, pontos positivos e negativos, histrico, referncias estticas/ morfolgicas/ arte; pblico alvo; tecnologia; materiais /processos; sistema de produtos, funes, etc. (escolher um tipo de assento)

    Anlise da pesquisa: levantar problemas/ necessidades/oportunidades e responder a eles com uma lista de pr-requisitos

    Elaborar a lista de requisitos (briefing final) e o painel semntico, sendo que o aspecto morfolgico (forma), ainda no est definido completamente.

    Conceito: definir o produto ressaltando os seus aspectos mais relevantes ao nvel de benefcios, diferencial, inovao.

    Concepo >> elaborar thumbnails (de 5 a 10 cada aluno) Gerar alternativas e selecionar alternativa final Vista lateral e frontal Definir o percentil adequado considerando os seguintes nveis

    Mulher 5% ; Homem 5%; Mulher 95%; Homem 95% Elaborar a vista lateral em escala (pode ser 1/5) utilizando os bonecos antropomtricos

    adequados Adequao ergonmica considerando os usos e/ou tipo de atividade desenvolvida no

    contexto do assento pelos usurios, tempo de uso, manuseio, mudana de postura e percentis adequados, etc. Os principais itens a ser adequados so os seguintes:

    Inclinao do encosto e do assento / Altura do assento / Profundidade e largura do assento / Altura e curvatura do apoio lombar / Dimenses do encosto / Altura e comprimento do apoio do brao / espao para as ndegas.

  • Na adequao ergonmica devem ser verificados os aspectos antropomtricos (estticos e dinmicos), biomecnicos (postura, esforo e movimento), usabilidade (facilidade de manuseio, conservao, transporte, ecologia) e cognitivos (aceitao e compreenso).

    Elaborao e testes com modelos volumtricos (opcional) Desenho tcnico Ambientao Modelo

    Nota.- Os valores mnimos recomendados para largura do assento de 40 cm. e para altura do assento 36 cm.

    Ergonomia no Trabalho Sentado: regio lombar

    Quem desconhece os princpios da Ergonomia pode imaginar, a princpio, que a posio sentada seja a mais indicada para o trabalho, por proporcionar mais conforto e no comprometer o organismo. No entanto, estudos comprovam que essa posio pode acarretar alteraes na circulao sangunea e coluna vertebral, quando a cadeira utilizada no dispuser de algumas caractersticas bsicas:

    1. Apoio lombar com regulagem de altura: A coluna vertebral composta de 33 pequenos ossos articulados (vrtebras), dispostos em 5 regies (cervical, torcica, lombar, sacral e ccix), e apresenta 4 curvaturas naturais que devem ser preservadas, para evitar o desencadeamento de dor (fig. 1).

    A regio lombar (na altura da cintura, acima das ndegas) responsvel pela maioria das queixas devido m postura no trabalho sentado; um assento dotado de apoio nessa regio garante a manuteno da curvatura lombar. Uma pequena elevao na base do assento tambm contribui para essa curvatura Recomenda-se que as cadeiras utilizadas para o trabalho na posio sentada devam ter um espao livre abaixo do apoio lombar, para acomodao das ndegas (fig. 2).

    fig 1 fig2

    2. Assento giratrio, com borda frontal arredondada e regulagem de altura :

    A necessidade de acessar elementos diversos durante o trabalho na posio sentada (telefone, fax, agenda, ferramentas, etc.), pode levar toro da coluna vertebral (fig. 3), com o surgimento de processos dolorosos, o que pode ser evitado com a utilizao de assentos giratrios.

  • A regio posterior das coxas muito vulnervel compresso, por onde passam artrias, nervos e veias. Quando o assento muito alto, ficando os ps suspensos, ocorre dificuldade de retorno sanguneo, propiciando o aparecimento de edema (inchao) nas pernas. A conseqncia natural o agravamento de varizes. Por esse motivo, recomenda-se o uso de assentos com regulagem na altura e borda frontal arredondada, o que evita esse problema (fig. 4).

    LLIISSTTAA DDEE RREEQQUUIISSIITTOOSS PPAARRAA PPRROOJJEETTOO

    Estabelecer os requisitos de projeto, no mnimo, para cada item listado a continuao:

    - PBLICO / USURIO / CONSUMIDOR:

    (Sexo, Faixa etria, Escolaridade, Atividade, Locais de uso, Classe Econmica).

    Percentil a utilizar no projeto

  • - ERGONOMIA - Requisitos relacionados AEP (Anlise Ergonmica de produtos existentes na situao de projeto):

    - Usabilidade, - Adequao Antropomtrica, - Adequao Biomecnica, - Adequao Fisiolgica / Ambiental, - Adequao Cognitiva).

    - PRODUTO:

    - Caractersticas Estticas e Formais - Inovao / Convenincia do Produto - Tecnologia / Materiais / Caractersticas tcnicas - Mercado/ Custo

  • MEDIDAS ANTROPOMTRICAS ESTRUTURAIS E FUNCIONAIS

    Basicamente, distinguem-se dois tipos de medidas antropomtricas que interferem diretamente no projeto: medidas estruturais (tambm denominadas estticas) e funcionais (tambm denominadas dinmicas). De acordo com VAN COTT e KINKADE [29] os termos estrutural e funcional descrevem da melhor maneira o corpo e sua ao. Estes termos seguem as recomendaes da Conferncia de Normalizao. As medidas estruturais so aquelas obtidas com o corpo do sujeito em posies estandartizadas. A maior parte dos levantamentos antropomtricos realizados apresenta valores de medidas estruturais, pois estas so mais acuradamente obtidas.

    O uso destas medidas entretanto, deve restringir-se ao projeto de equipamentos que demandem poucos movimentos corporais para oper-los.

    Medidas funcionais se referem s medidas obtidas com o corpo do sujeito nas diversas posturas de trabalho. Estas posturas resultam dos movimentos necessrios para a execuo de tarefas especficas. Ver figura 8.

    Figura 8 - Envoltrios de alcance em diversas posies (Eastman Kodak Company, 1983)

    Medidas funcionais, por serem caractersticamente tridimensionais, consomem maior tempo e so de mais difcil obteno, no existindo portanto, muitos dados disponveis.

    Em geral, as medidas funcionais para projetos de equipamentos se referem mais performance corporal na realizao de uma determinada tarefa, do que prpria adequao das medidas corporais para tal procedimento. Vide figura 9.

    Figura 9 - Envoltrio dimensional da rea de trabalho (EASTMAN KODAK COMPANY, 1983)

  • 3. A ESTATSTICA NA ANTROPOMETRIA

    3.1. APRESENTAO DOS DADOS ANTROPOMTRICOS

    Geralmente, os dados antropo-mtricos para uso do projetista so apresentados na forma gr-fica ou na forma tabular, exem-plificadas nas figuras 10 e 11.

    Figura 10 - Forma grfica de apresentao de dados antropomtricos (INT, 1988)

    Figura 11 - Forma tabular de apresentao de dados antropomtricos - altura popliteal PEA/RJ (INT, 1988)

    Cada medida antropomtrica coletada e registrada.

    Os valores encontrados para cada varivel antropomtrica so ordenados de modo a indicarem a frequncia da ocorrncia destes valores; ou seja, o nmero de vezes em que tais valores foram observados. Vide figura 12.

  • INTERVALO PONTO MDIO FREQUNCIA62.5 - 63.2 62.85 1 63.3 - 64.0 63.65 3 64.1 - 64.8 64.45 3 64.9 - 65.6 65.25 16 65.7 - 66.4 66.05 29 66.5 - 67.2 66.85 47 67.3 - 68.0 67.65 48 68.1 - 68.8 68.45 64 68.9 - 69.6 69.25 73 69.7 - 70.4 70.05 63 70.5 - 71.2 70.85 48 71.3 - 72.0 71.65 43 72.1 - 72.8 72.45 37 72.9 - 73.6 73.25 14 73.7 - 74.4 74.05 10 74.5 - 75.2 74.85 9 75.3 - 76.0 75.65 1

    Figura 12 - Tabela de Freqncia de Ocorrncia (ROEBUCK, 1975)

    Entretanto, atravs dos diagramas de colunas (histogramas de freqncia) que a distribuio dos dados antropomtricos pode ser mais facilmente entendida. Vide figura 13.

    A altura das colunas varia de modo a indicar a frequncia ou nmero de casos encontrados em cada intervalo.

    Figura 13 - Histograma e polgono de freqncia (ROEBUCK, 1975)

    Tambm possvel representar a distribuio dos dados antropomtricos por meio de uma curva, utilizando-se a interseo da frequncia com o ponto mdio de cada intervalo. Na figura 13, a curva est demonstrada pela linha pontilhada. Esta configurao resultante conhecida como "polgono de frequncia".

    A distribuio dos dados antropomtricos, apesar das variaes, aproxima-se muito da distribuio gaussiana; tal distribuio apresenta-se graficamente como uma curva simtrica em forma de sino (Curva de Gauss ou Curva Normal). Esta configurao

  • significa que a maior porcentagem da distribuio est localizada graficamente em torno da rea central da curva, e que esta concentrao diminui medida que se aproxima dos dois extremos da escala. Vide figura 14.

    Figura 14 - Curva normal (PANERO, 1983)

    Na rea central da curva normal esto compreendidas trs medidas de tendncia central: a modal, a mediana e a mdia aritmtica.

    A modal o valor que, em uma srie de medidas tomadas ao acaso, ocorreu com maior frequncia. A modal equivale ao ponto mximo da curva. Dizer que a modal de uma srie de estaturas 1,75 m corresponde a dizer que este o valor da estatura mais freqente.

    A mediana o valor que divide uma srie de medidas em duas partes iguais; ou seja, o nmero de valores ordenados antes e depois da mediana o mesmo (MORAES [19]). A mediana equivale ao percentil 50; portanto abaixo da mediana esto contidos 50% dos menores valores e acima esto contidos 50% dos maiores valores.

    A mdia aritmtica o resultado encontrado depois de somar todos os valores e divid-los pelo nmero total de casos.

    Aos afastamentos dos valores em relao mdia d-se o nome de desvios.

    Separatrizes

    A separatriz determina os pontos de uma srie de valores que dividem esta srie numa dada proporo.

    Os quartis so separatrizes que dividem a srie de valores em quatro partes iguais, cada uma correspondendo a 25% da dis-tribuio; os decis dividem a s-rie de valores

  • em dez partes, ca-da uma correspondendo a 10% da distribuio; e os percentis dividem a srie de valores em cem partes, cada uma corres-pondendo a 1% da distribuio. (MORAES [19])

    Figura 15 - Curva de distribuio de freqncia, peso de homens norte-americanos (DIFFRIENT, 1978)

    Em uma distribuio perfeitamente normal a curva simtrica, sendo os valores da modal, da mediana e da mdia coincidentes; entretanto, podem ocorrer curvas assimtricas e, assim, os valores das trs medidas sero diferentes. Neste caso, o valor mdio no corresponde ao percentil 50. Ver figura 15.

    Desvio Padro

    O desvio padro apresenta o grau de disperso dos dados numricos em relao a um valor mdio.

    Abraham De Moivre calculou uma frao de rea total sob a curva normal a uma distncia de +1 a -1, a partir da linha central da curva.

    O valor encontrado foi 0,682688. Traando-se verticais a +1 e -1 delimita-se uma rea de 68,26% ou 34,13% para cada desvio padro (DP), esquerda ou direita da mdia. (MORAES [19]). Vide figura 16.

    A uma distncia de dois desvios padro (2 DP) esto delimitados 47,73%. Dada a simetria da curva, 95,46% da rea esto compreendidos entre as ordenadas correspondentes a -2 DP e +2 DP. A uma distncia de trs desvios padro (3 DP) delimita-se 49,87%; assim 99,73% da rea esto compreendidos entre -3 DP e +3 DP.

  • Figura 16 - Desvio padro, reas delimitadas

    No dimensionamento de um produto para uso da populao, trabalha-se com os valores das medidas que esto includos nas reas de um ou mais desvios-padro.

    Dois desvios-padro (+ ou -2 DP) contm a extenso de aproximadamente 95% dos valores em torno da mediana, o que significa considerar o intervalo entre o percentil 2,5 e o percentil 97,5.

    Na prtica, trabalha-se com uma proporo menor, + ou -1,5 desvio-padro, o que significa considerar 90% da populao, ou seja, do percentil 5 ao 95 (MORAES [19]). Ver figura 17.

    Figura 17 - Desvio padro (adaptado de CRONEY, 1971)

  • Percentis

    Normalmente, os limites antropomtricos de um projeto so apresentados em termos de percentis. Os percentis simplesmente indicam a porcentagem de indivduos da populao que possuem uma medida antropomtrica de um certo tamanho ou menor que este tamanho. Assim, em relao qualquer uma das medidas antropomtricas levantadas, a populao dividida em 100 categorias percentuais, que so posteriormente ordenadas, da menor para a maior.

    Os percentis mostram a frequncia acumulada (nmero de casos) para os valores encontrados em cada varivel antropomtrica, apresentando-os como porcentagem da populao estudada. Vide figura 18.

    Figura 18 - Grfico de freqncia acumulada da altura da cabea-assento (INT, 1988)

    A utilizao de percentis uma forma de dividir uma distribuio normal desde o valor mnimo at o mximo, segundo uma sequncia ordenada. Os percentis extremos, sejam mximos ou mnimos, apresentam pequena probabilidade de incidncia (MORAES [19]), como se observa na figura 19.

    Figura 19 - Percentis extremos: incidncia

  • O x percentil significa que x% das pessoas do levantamento antropomtrico considerado tem medidas inferiores ou iguais s deste percentil, e que 100 - x% das pessoas tem medidas superiores s deste percentil. Por exemplo, o valor do percentil 25 para estatura indica que 25% da populao possui esta medida com valor menor ou igual ao do percentil 25 e que 75% possui esta medida com valor maior.

    O valor do percentil 95, para comprimento de mo, indica que 95% da populao possui mos menores ou com o comprimento igual ao deste percentil, e que 5% possui mos maiores.

    Da mesma forma, uma medida do percentil 5 indica que 5% da populao possui esta medida com valor menor ou igual a deste percentil, e que 95% possui esta medida com valor maior.

    Geralmente, as medidas dos extremos mximos (percentis 1 e 99) no so consideradas (isto dependendo da natureza do problema projetual; portas, por exemplo, tem que ser altas o suficiente para que 100% da populao passem por debaixo delas), pois se o projeto da mquina ou ambiente de trabalho visasse abranger tambm estes extremos, haveria srias dificuldades na sua execuo. Alm do inevitvel aumento desproporcional de custos em relao aos benefcios obtidos, teramos dificuldades para solucionar os problemas de inter-relacionamento dos vrios requisitos dentro do projeto.

    Um caso tpico do aumento de custo, resultante de se adequar o projeto aos extremos populacionais, o valor do ajuste mecnico para altura de assentos. Verifica-se para um projeto de assentos que, quando o banco se destina a atender 90% da populao, ou seja, do percentil 5 ao 95, necessita-se de 9 cm de ajuste vertical do assento; para atender 95% o ajuste necessrio seria de 11 cm; para atender 98% da populao necessita-se de 13,5 cm de ajuste e para 100%, 20,5 cm de ajuste de altura. Observa-se ento, que para se obter o atendimento de apenas 10% da populao restante, seria necessrio um ajuste da altura do assento 2,3 vezes maior, como demonstrado pela tabela a seguir (figura 20).

    Figura 20 - Abrangncia percentual do ajuste do assento

  • Quando se trabalha com percentis deve-se ter conscincia de dois fatores importantes:

    ### os percentis antropomtricos, relacionados a uma medida, referem-se somente a ela;

    ### no existe o indivduo cujas medidas corporais pertenam a um nico percentil.

    No existe a pessoa percentil 95, ou 90, ou percentil 5. Estas figuras so irreais. Um indivduo que tenha a estatura no percentil 50, pode apresentar o valor para a altura do joelho no percentil 40 e o valor para o comprimento da mo no percentil 60.

    O grfico na figura 21 representa os percentis para vrias medidas antropomtricas de trs indivduos reais. Cada linha grfica representa uma pessoa. Nota-se que o indivduo representado pela linha slida, por exemplo, apresenta percentil 70 para comprimento ndegas-joelho, percentil 15 para altura do joelho sentado e percentil 60 para altura do cotovelo-sentado. Se todas as dimenses corporais de um indivduo estivessem relacionadas com o mesmo percentil, o grfico se apresentaria como trs linhas retas horizontais.

    Figura 21 - Percentis USAF Flying Personal, 1950 (ROEBUCK, 1975)

    Como complementao, deve-se alertar para dois aspectos relacionados incorreta utilizao dos percentis:

    a escala de percentis uma escala ordenada gradualmente que, no entanto, no d nenhuma informao sobre os intervalos entre os pontos de graduao. Observa-se

  • que, em relao uma medida antropomtrica qualquer, o intervalo entre os percentis 70 e 75 pode ser 0,5 cm, enquanto o intervalo entre os percentis 95 e 99 pode ser 5,0 cm;

    ### a soma ou subtrao dos percentis antropomtricos para encontrar o valor de um segmento maior ou menor constitui um erro de procedimento. ROEBUCK [26] cita, como exemplo, a tentativa de obter o valor do percentil 95 do comprimento ombro-cotovelo atravs da diferena entre o valor do percentil 95 da altura do ombro e o valor do percentil 95 da altura do cotovelo e mostra que o erro de 2,79 cm. (MORAES [19]). O clculo dos percentis pode ser feito utilizando-se uma tabela de fatores de correo. Os valores desta tabela esto relacionados a seguir.

    PERCENTIL FRMULA 99,5 M + (2,576 x DP)

    99 M + (2,326 x DP) 97,5 M + (1,960 x DP)

    95 M + (1,645 x DP) 90 M + (1,282 x DP) 85 M + (1,036 x DP) 80 M + (0,842 x DP) 75 M + (0,674 x DP) 70 M + (0,524 x DP) 50 M 30 M (0,524 x DP) 25 M (0,674 x DP) 20 M (0,842 x DP) 15 M (1,036 x DP) 10 M (1,282 x DP) 5 M (1,645 x DP)

    2,5 M (1,960 x DP) 1 M (2,326 x DP)

    0,5 M (2,576 x DP)

    Onde: M = mdia e DP = desvio padro.

    3.2. INEXISTNCIA DE UM HOMEM MDIO

    Um grave erro no uso da antropometria entender que os valores correspondentes ao percentil 50 das variveis antropomtricas apresentadas em uma tabela representam as medidas de um "homem mdio" e, assim, projetar de maneira a acomodar unicamente este percentil.

    Se, no projeto de uma estao de trabalho, fossem utilizados to somente os valores do percentil 50 das variveis antropomtricas implicadas, teramos, certamente, para a maior parte dos usurios deste local, condies insatisfatrias para o trabalho. Por exemplo, um controle posicionado pelo comprimento de brao do percentil 50, estaria localizado demasiadamente longe para grande parte dos usurios cujo comprimento de brao estivesse abaixo deste percentil.

  • Do mesmo modo, o teto de uma empilhadeira, projetado segundo a altura-sentado indicada no percentil 50, seria demasiadamente baixo para grande parte dos usurios em que esta medida ultrapassasse o valor deste percentil.

    O percentil 50 certamente representa um valor muito prximo do valor mdio de determinada medida antropomtrica de um certo grupo, mas sob nenhuma circunstncia deve ser entendido que um homem que apresente idntico valor para esta medida seja considerado um homem mdio.

    Segundo Hertzberg, no existe na realidade um homem mdio. Existem homens que apresentam o valor mdio em peso, ou em estatura, ou em altura-sentado, mas os indivduos que apresentam valores mdios em duas medidas antropomtricas constituem cerca de 7% da populao; aqueles que os apresentam em trs medidas constituem aproximadamente 3% e aqueles que os apresentam em quatro medidas representam menos de 2%. No existem homens que possuam valores mdios em dez dimenses. Por isso, o conceito de "homem mdio" fundamentalmente incorreto, pois tal criatura no existe. (PANERO [22]).

  • 4. CRITRIOS PARA APLICAO DA ANTROPOMETRIA: TCNICA DO PERCENTIL

    4.1. SELEO DOS PERCENTIS: APLICAES PROJETUAIS

    No projeto de um produto, o ideal seria dimension-lo de forma a atender 100% da populao usuria. No entanto, como j vimos, isto representa um tal aumento nos custos da produo para atendimento dos poucos usurios situados nos extremos da curva de distribuio, que uma anlise de custo-benefcio indica que solues de compromisso precisam ser estabelecidas.

    Assim, o instrumento bsico para se estabelecer os critrios antropomtricos a serem adotados a realizao de uma anlise da populao usuria, das funes que o produto dever cumprir e do ambiente e circunstncias em que este ser utilizado.

    Utilizao de Faixas de Valores

    Determinadas situaes de uso, como as superfcies de apoio e assentos em estaes de trabalho, exigem que sejam feitos ajustes, de forma a acomodar a populao usuria, com conforto e segurana.

    Quando o usurio permanece longos perodos nestes postos, a falta de ajustes pode provocar desconforto, causar decrscimos na performance da tarefa e, mais grave, acarretar a ocorrncia de acidentes, quando o desajuste contribui para manipulaes de risco.

    Nesses casos, utilizada uma faixa de valores para estabelecer os limites mnimo e mximo do ajuste, abrangendo desde o percentil 5 ao 95 (ou, em projetos de maior preciso, do percentil 2,5 ao percentil 97,5) da populao usuria. Estes ajustes so feitos de maneira discreta, para no onerar demasiadamente o produto e ao mesmo tempo, permitir que diferentes pessoas usufruam de conforto em maior ou menor grau, segundo suas medidas se aproximem dos valores limites dos mecanismos de ajuste, comuns em produtos industrializados.

    No caso de, ainda assim, existirem diferenas entre os limites da faixa de ajuste selecionada e as exigncias de determinados usurios, alguns recursos podero ser utilizados, como, por exemplo, apoio para os ps.

    Utilizao de Valores Extremos

    H situaes que exigem a adoo de percentis mnimos ou mximos para resolver o problema projetual.

    So circunstncias em que existem fatores de segurana, como no caso de altura de portas, que devem permitir o escoamento rpido de todas as pessoas de um recinto em caso de situaes de emergncia.

  • Normalmente, deve-se tentar atender grande parte da populao (usualmente 95%), considerando-se antecipadamente que a pequena parte da populao no englobada (5%), ter que se adequar de alguma maneira s condies oferecidas. Estas condies, embora no ideais, no apresentaro grandes transtornos para este grupo.

    Para solucionar este tipo de problema necessrio estabelecer a varivel a ser utilizada e selecionar o percentil a ser aplicado. Por exemplo, o acesso a uma prateleira tem como varivel implicada o comprimento do brao; assim, para que esta prateleira atenda a 95% da populao, necessrio que seja colocada a tal altura que permita seu alcance por pessoas que apresentem o valor do percentil 5 para esta varivel. Uma vez que estas pessoas alcancem a prateleira, todas as outras que apresentem valores superiores para a varivel comprimento do brao, tambm conseguiro alcan-la.

    Da mesma maneira, para definirmos o comprimento de uma haste de roleta giratria, utilizamos o percentil 95 para a largura dos quadris. Se uma pessoa com valor do percentil 95 para essa medida transitar satisfatoriamente por esta roleta, as pessoas que apresentarem valores inferiores tambm o faro.

    Utilizao do Valor Mediano

    Como j observamos, o "homem mdio" uma abstrao, isto , no existe uma pessoa que apresente valores mdios em todos seus segmentos corporais. Embora considerando este fato, segundo IIDA [16], h certos tipos de produto nos quais necessria a adoo de uma soluo de compromisso, considerando valores medianos, observados para as variveis necessrias ao seu desenvolvimento.

    o exemplo de determinados projetos de equipamento urbano. Seria invivel, econmica e projetualmente, pensar-se em ajustes para bancos em paradas de nibus, bancos de praa ou de salas de espera. Sendo projetados segundo valores medianos (percentil 50), causaro menos transtornos para a populao em geral do que ocorreria se fossem feitos para pessoas do extremo mnimo, ou, em contrapartida, para o extremo mximo, uma vez que este tipo de equipamento no costuma ser regulvel. Esta opo no significa que o produto final seja o ideal para todos os usurios, mas sim que, para o fim proposto, ao atender a uma coletividade durante perodos de tempo relativamente curtos, causaria menos problemas do que se fosse concebido para pessoas cujas medidas antropomtricas estivessem situadas nos extremos mnimo ou mximo da curva de distribuio.

    4.2. APLICAO DE DADOS ANTROPOMTRICOS EM PROJETOS DE PRODUTOS E POSTOS DE TRABALHO

    Ao se projetar equipamentos adequados s caractersticas humanas utilizando-se tabelas antropomtricas, alguns procedimentos devem ser observados.

    1) Determinar as medidas antropomtricas importantes para o desenvolvimento do projeto, considerando as posturas assumidas.

  • Por exemplo: a altura-sentado uma medida bsica para se determinar a altura do teto de automveis e de cabines de caminhes.

    2) Definir a populao que ir utilizar o produto e selecionar a tabela antropomtrica cuja populao mais se assemelhe ao perfil da populao alvo.

    Por exemplo: militares, civis, homens, mulheres, populaes estrangeiras (no caso de produtos para exportao) etc.

    Na seleo da tabela antropomtrica a ser consultada, deve-se dar preferncia quela que apresente o maior nmero de pessoas amostradas.

    3) Determinar a porcentagem da populao a ser atendida.

    Por exemplo: 90%, 95%, 98% ou 100%.

    4) Retirar da tabela de medidas antropomtricas o(s) valor(es) do(s) percentil(is) selecionado(s) para aplicao.

    importante lembrar que o tipo de vestimenta e o equipamento individual utilizado tambm influem no dimensionamento dos produtos e postos de trabalho.

    A vestimenta um fator fundamental, pois tem efeito sobre a performance e no tamanho corporal dos indivduos.

    Algumas consideraes sobre este assunto seguem abaixo:

    ### roupas pesadas reduzem o intervalo angular entre os membros, limitando o movimento de alcance dos braos em at 5 cm;

    um compartimento projetado para acomodar um operador deve ser estudado para adequar o maior usurio vestindo roupa pesada;

    uniformes pressurizados e cargas pesadas podem reduzir a estatura dos indivduos;

    corredores e portas de emergncia devem prover espao suficiente para a passagem de equipes usando uniformes e equipamentos especiais como capacetes, ferramentas e equipamentos eletrnicos;

    levar em considerao o volume de equipamentos e vestimentas especiais usadas para o desempenho de determinadas tarefas como as de bombeiros, trabalhadores em frigorficos etc;

    quanto aos sapatos, deve-se considerar o acrscimo na estatura devido aos saltos, em geral de 2,5 cm, que influencia na altura de passagens; observar que botas pesadas reduzem a velocidade de ao do p em pedais;

  • o uso de chapus e capacetes tambm influencia na estatura, devendo ser observado para prevenir acidentes com portas, tetos rebaixados ou objetos presos ao teto;

    o ltimo aspecto a ser observado so as luvas. Estas reduzem a sensibilidade das mos e a velocidade de movimento dos dedos. O espao necessrio para a passagem da mo aumenta com o uso de luvas grossas.

    4.3. CONSIDERAES QUANTO AO USO DE TABELAS ANTROPOMTRICAS: CIVIL, MILITAR E ESTRANGEIRAS

    Na seleo dos dados antropomtricos para aplicao projetual fundamental observar as caractersticas das populaes amostradas.

    Tomemos de incio as populaes militar e civil. Considerando que a populao militar passa por um processo seletivo por ocasio da admisso (restries quanto aos limites superiores e inferiores de estatura e peso), normal que a populao civil se diferencie da militar, principalmente nos extremos da distribuio de cada medida antropomtrica.

    A principal diferena entre os dados civis e militares est no intervalo de valores registrado. O intervalo da populao civil frequentemente mais largo, refletindo menos seleo nos extremos das distribuies das medidas.

    Isto significa que os mais altos, baixos, gordos e magros so facilmente encontrados na indstria, o que no ocorre nas Foras Armadas. Esta desigualdade tem como impacto principal a variao do espao que envolve o indivduo.

    Por isso, o projetista deve selecionar os dados antropomtricos com cuidado, e determinar os ajustes dimensionais necessrios para acomodar os usurios em potencial de qualquer produto.

    Como j foi observado, dentro de uma mesma populao podem ocorrer variaes significativas nas medidas corporais.

    Assim, na situao ideal, o projeto deveria ser desenvolvido levando-se em conta os dados antropomtricos da populao de usurios.

    Como estes dados nem sempre esto disponveis, provvel que o projetista tenha que utilizar tabelas antropomtricas estrangeiras.

    Neste caso, preciso considerar que a aplicao de dados de outras populaes, que no a do pas de origem, pode apresentar algumas inadequaes.

  • Para que se possa melhor entender esse fato, so apresentadas duas tabelas, comparando medidas da norma alem DIN 33402 (1981) com as da Pesquisa Antropomtrica e Biomecnica dos Operrios da Indstria de Transformao do Rio de Janeiro - PEA (INT [17]).

    As tabelas apresentam as diferenas percentuais entre os valores dos percentis 5, 50 e 95 para duas variveis antropomtricas: altura do cotovelo-assento e altura do cotovelo, em p.

    ALTURA DO COTOVELO-ASSENTO PERCENTIL DIN/Alemanha PEA/Brasil DIFERENA (cm) DIFERENA (%)

    5 19,3 18,5 0,8 4,1 50 23,0 23,0 - - 95 28,0 27,5 0,5 1,7

    ALTURA DO COTOVELO, EM P PERCENTIL DIN/Alemanha PEA/Brasil DIFERENA (cm) DIFERENA (%)

    5 102,1 96,5 5,6 5,4 50 109,6 104,5 5,1 4,6 95 117,9 112,0 5,9 5,0

    Dessa comparao, verifica-se que a varivel altura do cotovelo-assento no apresenta grandes discrepncias em relao tabela alem.

    Cabe registrar que, na prtica, os erros de at 5% so considerados tolerveis nos projetos de antropometria aplicada.

    J na tabela altura do cotovelo, em p, observa-se que os ndices de discrepncia entre os valores alemes e brasileiros so maiores, principalmente para o percentil 5.

    Verificou-se ento, em um exame mais detalhado desta varivel, que os valores alemes para os percentis 5, 50 e 95 correspondem respectivamente aos percentis 34, 75 e 99 da tabela brasileira. Neste caso, a faixa da populao brasileira compreendida entre os percentis 5 e 34 no estaria sendo considerada.

    Uma forma de tentar minimizar esse tipo de inadequao seria abranger o extremo inferior da distribuio da populao estrangeira, aumentando a faixa da populao a ser atendida, considerando-a, por exemplo, a partir do percentil 2,5. De qualquer forma, a realizao de testes com usurios em potencial, durante a fase de projeto, indicar a necessidade ou no de se providenciar algum ajuste.

  • Deve-se acrescentar que, no caso de produtos para exportao, estes devem atender, sempre que possvel, s caractersticas antropomtricas da populao para a qual se destinam.

    4.4. POSTOS DE TRABALHO POSIES PARA A EXECUO DA TAREFA

    Existem trs grandes categorias de postos de trabalho, se considerados segundo a melhor posio para se exercer a tarefa: sentado, em p, e sentado/em p (alternncia de posies durante a tarefa).

    A escolha da posio apropriada depende da tarefa a ser exercida.

    A tabela a seguir apresenta as posturas a serem assumidas no posto de trabalho, considerando-se as exigncias encontradas para a execuo da tarefa. (EASTMAN KODAK COMPANY [8]).

    Escolha da Posio Assumida no Posto de Trabalho Segundo Tarefas Executadas

    Parmetros 1 2 3 4 5 6 7 8 9Levantar peso e/ou exercer fora P P P P P/S P/S P/S P/CTrabalho intermitente P P P P,P/S P,P/S P,P/S P,P/SNecessidade alcance amplo P P P/S P/S P/S P/CTarefas variadas P P/S P/S P/S P/CAltura superfcie trabalho varivel S S S SMovimentos repetitivos S S SAteno visual S STrabalho de preciso SDurao > 4 horas

    S = sentado. P = em p. P/S = em p/sentado (uma alternativa para no se ficar em p durante todo o tempo). P/C = em p, com cadeira disponvel para perodos de descanso.

    Algumas caractersticas para a definio do posto de trabalho segundo a tarefa a ser exercida so especificadas a seguir. (EASTMAN KODAK COMPANY [8]).

    A) A posio sentada melhor nas seguintes situaes: todos os instrumentos para se exercer a tarefa podem ser facilmente alcanados e manipulados dentro do espao disponvel para o trabalho sentado; os instrumentos a serem manipulados no requerem trabalho com as mos, alm de um nvel mdio de 15 cm acima da superfcie de trabalho; no necessrio exercer fora, como suspender pesos alm de 4,5 kg; aes de manejo fino ou escrita so executadas durante a maior parte da tarefa.

    B) A posio em p melhor nas situaes:

  • se o posto de trabalho no tem espao suficiente para acomodar as pernas em uma posio sentada;

    objetos com mais de 4,5 kg so levantados; alcances amplos (para a frente, para cima ou para baixo) so requeridos com frequncia; as operaes esto separadas e requerem movimentos frequentes entre estaes de trabalho; foras exercidas para baixo so requeridas, como em operaes de empacotamento.

    C) A posio sentada/em p (alternncia) deve ser considerada nesses exemplos: operaes repetitivas so feitas com alcances frequentes de mais de 41 cm para diante e/ou mais de 15 cm acima da superfcie de trabalho; tarefas mltiplas so executadas, algumas melhor realizadas na posio sentada, e outras em p. A possibilidade do uso das duas posies, alternando-as, deve ser considerada, segundo o espao disponvel. Vide figura 22.

    Embora o posto de trabalho possa conter dispositivos para ajuste de seus equipamentos, isto no significa que tais dispositivos sero necessariamente utilizados.

    A utilizao dos sistemas de ajuste depende de quanto tempo e esforo sero necessrios para se efetuar as mudanas, e os benefcios notados pelo operador.

    Figura 22 - Possibilidade de alternncia de posies

    Nem todos os usurios tero necessidade de empregar os dispositivos de ajuste. No entanto, se este sistema existir, um maior nmero de pessoas estar melhor acomodado.

    Ser flexvel no o mesmo que ser ajustvel, embora tambm seja uma caracterstica interessante em um posto de trabalho.

  • Um posto de trabalho flexvel aquele que pode ser facilmente modificado, de maneira a permitir uma troca de tarefa ou do tipo de produto fabricado. Uma vez feita a mudana, o posto de trabalho permanece fixo.

    A flexibilidade particularmente til em determinadas reas onde ocorrem freqentes variaes no tipo de produto manufaturado.

    Consideraes Sobre a Postura Sentada em Situao de Trabalho

    Estudos de mbito internacional sobre problemas do sentar foram efetuados atravs dos anos por profissionais de diversas reas, como a Medicina do Trabalho e Ergonomia. O desenvolvimento de projetos de cadeiras apropriadas para o trabalho tem significativa importncia, quando se constata o nmero cada vez maior de pessoas que trabalham na posio sentada.

    Esta constatao justifica os inmeros estudos relacionados com a postura sentada, enfocando, entre outros, aspectos anatmicos, antropomtricos e fisiolgicos.

    Alguns princpios gerais sobre cadeiras de trabalho foram coletados de diversos estudos: SCHERRER [27], TICHAUER [28], GRANDJEAN [14], PANERO [22] e CHAFFIN [2], tais como:

    nenhuma cadeira pode ser considerada tima para toda e qualquer situao de trabalho; somente uma anlise pode indicar as necessidades especficas da tarefa em considerao, j que um assento concebido para uma atividade no ser necessariamente vlido para outra atividade;

    o assento deve ser dimensionado considerando as medidas antropomtricas da populao de usurios;

    um assento demasiadamente alto provoca compresso na parte posterior das coxas, causando problemas circulatrios;

    um assento demasiadamente baixo provoca uma extenso das pernas para a frente, privando-as de estabilidade. A altura do assento no deve ultrapassar a distncia do cho cavidade posterior do joelho, chamada cavidade popliteal. Por essa razo, a altura do assento deve ser ajustvel dentro de um determinado curso e o emprego de um apoio de ps, igualmente regulvel, pode ser indicado;

    para um maior conforto e proteo, ao se definir a profundidade do assento, deve-se deixar uma distncia de cerca de 3 cm entre sua extremidade e a cavidade popliteal, para impedir que a borda do assento comprima a parte posterior da perna;

  • a parte frontal da superfcie do assento deve ser arredondada, evitando assim o contato da parte posterior da coxa com uma borda de canto vivo. Salincias e contornos no assento podem restringir a mudana de postura, causando desconforto;

    o espao para as pernas entre a superfcie inferior da bancada de trabalho e a superfcie do assento deve ser maior do que a espessura da coxa, no seu tero superior; essa distncia evita a compresso da coxa entre o assento e o plano inferior da bancada de trabalho;

    a largura do assento indicada pela largura do quadril-sentado, qual se deve somar uma tolerncia de 25%, para permitir movimentos laterais;

    um apoio que sustente o dorso da pessoa sentada diminui a atividade muscular do tronco; este apoio no deve, entretanto, reduzir a mobilidade da coluna vertebral ou dos membros superiores;

    o encosto da cadeira empregada para trabalho que necessite movimentos constantes para os lados e frente, deve oferecer apoio lombar; a parte superior do encosto deve estar situada abaixo da borda inferior das omoplatas. O encosto bem dimensionado no deve interferir com o movimento dos ombros, devendo oferecer ajuste de altura e tendo sua inclinao entre 95 a 110 em relao ao assento;

    o ajuste apropriado das cadeiras utilizadas no desempenho de determinada tarefa muito importante, e deve ser considerado em conjunto com a mesa e a disposio dos implementos do trabalho: componentes, ferramentas etc. A altura do assento deve permitir que o cotovelo da pessoa sentada fique aproximadamente na altura da superfcie de trabalho.

    Algumas vezes, necessrio permitir que a tarefa seja desempenhada alternativamente na posio sentada, ou de p, de acordo com a necessidade do trabalhador.

    A altura da bancada de trabalho necessita estar condizente com o ngulo de abduo do brao; para manter essa relao em ambas as posturas (em p ou sentada), a cadeira e o apoio de ps devem ser dimensionados adequadamente.

  • O grfico demonstra como a altura do assento determina o ngulo de abduo entre o brao e o tronco, diminuindo o ndice de desempenho da tarefa medida que esse

    ngulo aumenta. (Figura 23).

    Figura 23 - ndice de desempenho da tarefa x ngulo de abduo dos braos (TICHAUER, 1978)

    Consideraes Sobre a Altura de Bancadas para Trabalho em P

    A determinao da altura da bancada depende da altura do cotovelo, com a pessoa em p, e a tarefa que ser executada.

    Geralmente, a superfcie da bancada deve situar-se entre 5 e 10 cm abaixo da altura do cotovelo, porm para tarefas que exijam a aplicao de foras para baixo, como empacotamento, conveniente que esta faixa esteja situada entre 8 e 20 cm (abaixo da altura do cotovelo). Tratando-se de objetos de maior porte, esta faixa pode ser ampliada para valores entre 8 e 30 cm. J para tarefas de preciso, conveniente se ter a superfcie mais alta, at 5 cm acima do cotovelo. (Figura 24)

  • Figura 24

    Havendo possibilidade de regulagem da altura da bancada, os limites da faixa de ajuste devero ser estabelecidos, considerando-se os valores dos percentis 5 e 95 para a altura do cotovelo fletido-solo da populao usuria. Tratando-se de uma bancada fixa, deve-se dimension-la levando em considerao o usurio mais alto, e providenciar um estrado para o usurio mais baixo, quando necessrio.

    reas de Alcance sobre Superfcies de Trabalho

    GRANDJEAN [15] estabelece a rea tima de alcance para trabalho sobre a superfcie de uma mesa. Esta rea limitada por dois arcos, gerados pelo movimento circular dos antebraos flexionados.

    A rea de alcance mximo tambm estabelecida por dois arcos, determinados pelo movimento dos braos esticados com as palmas das mos voltadas para a superfcie da mesa. Estas reas so apresentadas na ilustrao a seguir (figura 25).

    Figura 25 - reas de alcance sobre a mesa (GRANDJEAN, 1983)

    O espao compreendido entre as duas reas deve ser utilizado para o posicionamento de ferramentas e componentes e para executar tarefas de menor preciso e frequncia. Devem ser executadas dentro da rea tima de alcance as tarefas que demandem maior preciso e freqncia.

    Uma extenso eventual dos braos para diante pode ser efetuada dentro do limite de 70-80 cm sem provocar desconforto.

  • 4.5. MANEQUIM ANTROPOMTRICO BIDIMENSIONAL

    O manequim antropomtrico um instrumento til de anlise dimensional entre o produto/posto de trabalho e o homem; atravs dele que so feitos estudos de layout e mobilidade de estaes de trabalho.

    Um conjunto de manequins antropomtricos que represente os percentis mnimo e mximo escolhidos fundamental na reviso de qualquer projeto.

    Normalmente os manequins antropomtricos bidimensionais representam o homem visto de perfil, mas podem representar tambm a vista frontal ou superior, como nos exemplos abaixo. Vide figura 26.

    Figura 26 - Manequins antropomtricos bidimensionais (ROEBUCK, 1975)

  • 5. MANEQUINS ANTROPOMTRICOS.

    5.1. USO DOS MANEQUINS ANTROPOMTRICOS ARTICULADOS

    importante lembrar que o dimensionamento de produtos/postos de trabalho estabelecido atravs do uso de tabelas antropomtricas, sendo o manequim um instrumento de avaliao e reviso.

    Cabe esta lembrana, pois j se sabe que no existe o indivduo cujas medidas corporais pertenam a um nico percentil.

    Os manequins antropomtricos foram construdos atravs dos dados fornecidos pela Pesquisa Antropomtrica e Biomecnica dos Operrios da Indstria de Transformao do Rio de Janeiro (INT [17]) e pela Pesquisa Antropomtrica de Digitadores do SERPRO (INT, 1988).

    Os manequins articulados representam o perfil de homens e mulheres, nos percentis 5 e 95, na escala 1:5, e podem ser utilizados no estabelecimento de critrios para avaliao de projetos j existentes, bem como na elaborao de novos projetos.

    Os comentrios que se seguem visam facilitar o seu emprego.

    Nos manequins, o sistema sseo esquematizado simplificadamente, atravs de linhas de unio entre as articulaes mais importantes.

    Neles, em cada articulao, o centro de rotao fixo, porm preciso considerar que na realidade, no corpo humano, esse ponto sofre algum tipo de deslocamento, dependendo da articulao e dos msculos envolvidos no movimento. Deve-se levar em conta, por exemplo, que o alcance frontal mximo real pode ser um pouco maior ou menor do que o apresentado quando se efetua a rotao do ombro no manequim articulado.

    Isso se deve ao fato de que, na articulao do ombro do manequim, no existe a possibilidade de deslocamento da clavcula e da omoplata.

    Na prtica, a manuteno do centro de rotao fixo nos manequins articulados no apresenta maiores inconvenientes, oferecendo uma margem segura de confiabilidade no seu uso.

    Cada ponto de articulao perfurado, para que se possa marcar sobre o desenho o ponto a partir do qual o eixo (reta que une duas articulaes) muda de direo, quando se deseja mudar a posio do manequim.

    Os ngulos de conforto, isto , os limites em que cada articulao pode ser movimentada e/ou mantida sem causar fadiga muscular e sensao de desconforto, so tambm assinalados.

  • importante esclarecer que normalmente os ngulos de inclinao do brao e da cabea esto estreitamente associados.

    Por isso, o arranjo da estao de trabalho representa, frequentemente, uma correlao entre o direcionamento da cabea e do brao.

    Preparao do Desenho

    Para uma anlise com ajuda dos manequins articulados, os desenhos tcnicos devem ser representados na escala 1:5.

    Informaes importantes, como, por exemplo, o esboo da delimitao do espao para os ps, o posicionamento e dimensionamento dos mecanismos de controle, devem tambm ser colocadas no desenho.

    ngulos de Conforto

    A seguir esto descritos os ngulos de conforto assinalados nos manequins antropomtricos articulados.

    ngulo de Inclinao da Cabea para a Frente (A1/A2)

    GRANDJEAN [15] apresenta os seguintes ngulos de inclinao da cabea: para trabalho em p 8 a 22, para trabalho sentado 17 a 29.

    CHAFFIN [2] recomenda uma inclinao na cabea em relao ao tronco de 20 a 30 (o desconforto aumenta a partir dos 30).

    PHEASANT [24] recomenda uma inclinao de 15.

    Os ngulos adotados para inclinao de cabea nos manequins articulados esto na faixa de 15 (A1) a 25 (A2), segundo a figuras 27A e B.

    ngulo de Inclinao da Cabea para Trs (A3)

    DIFFRIENT [6] recomenda um ngulo de movimentao fcil da cabea de 30.

    O ngulo de conforto adotado nos manequins articulados, para um movimento de cabea para trs, como leituras ocasionais em controles posicionados acima da linha de viso, de 20. Ver figura 28.

  • Figura 27A - ngulo A1

    Figura 27B - ngulo A2

    Figura 28 - ngulo A3

    ngulo de Inclinao do Tronco para Diante (B1)

    GRANDJEAN [15] recomenda, para trabalho em p, de 7 a 9.

    CHAFFIN [2] recomenda uma inclinao mxima aceitvel de 20 (acima desse valor inicia-se o desconforto).

    ngulo de conforto adotado no manequim articulado: 10 (B1). (Figura 29).

  • ngulo de Inclinao do Tronco para Trs (B2/B3/B4)

    Preuschen (GRANDJEAN [14]) cita diversos estudos, de diferentes autores, que consideram a inclinao do tronco variando entre 85 e 135.

    GRANDJEAN [14], PHEASANT [24] e CHAFFIN [2] recomendam 110.

    MURRELL [20] recomenda entre 95 e 110

    DIFFRIENT [6] recomenda 120.

    Os ngulos de conforto adotados no boneco antropomtrico so os de 95 e 110 (B2/B3) bem como o de 120 (B4) para uma posio de descanso. Ver figuras 30 A, B e C.

    Figura 29 - ngulo B1

    Figura 30A - ngulo B2

  • Figura 30B - ngulo B3.

    Figura 30C - ngulo B4

    ngulo de Inclinao Coxa-Perna (C1/C2)

    Preuschen (GRANDJEAN [14]) cita diversos autores, com ngulos recomendados variando entre 95 e 150.

    Rebiff (GRANDJEAN [14]) situa a variao desse ngulo entre 95 e 135.

    WISNER [31] recomenda a faixa entre 95 e 120.

    DIFFRIENT [6] recomenda a variao entre 110 e 120.

    CHAFFIN [2] cita Carlso (1963) que comprovou um aumento de atividade mioeltrica, com um ngulo de flexo do joelho abaixo de 90.

    ngulo adotado para o manequim articulado: faixa entre 95 (C1) e 120 (C2). Ver figuras 31A e B.

  • Figura 31A - ngulo C1

    Figura 31B - ngulo C2

    ngulo de Inclinao do Pulso (Antebrao/Mo) (D1/D2)

    PHEASANT [24] apresenta a flexibilidade mxima possvel em 12 para abduo e 35 para aduo.

    MURRELL [20] apresenta 15 para abduo e 30 para aduo.

    WISNER e REBIFF [31] apresentam 10 para abduo e 10 para aduo. A margem de 10 corresponde s posies de manipulao, a partir da posio mediana, com a mo em prolongamento ao antebrao.

    Os ngulos adotados para flexo do pulso no manequim articulado so de -10 para abduo (D1) e +10 para aduo (D2). Ver figuras 32A e B.

    ngulo de Flexo do Brao em Relao ao Eixo do Tronco (E1)

    CHAFFIN [2] recomenda 25.

    WISNER e REBIFF [31] recomendam 15 a 35.

  • ngulo adotado para o manequim articulado: 25. Ver figura 33.

    Figura 32A - ngulo D1

    Figura 32B - ngulo D2

    Figura 33 - ngulo E1

  • ngulo de Flexo Brao-Antebrao (F1/F2)

    Foram adotados os limites de conforto entre 80 e 120, recomendados por Rebiff (GRANDJEAN [14]. Ver figuras 34A e B.

    Figura 34A - ngulo F1 Figura 34B - ngulo F2

    ngulo de Flexo e Extenso do Tornozelo (G1/G2)

    Os limites de conforto recomendados por GRANDJEAN [15] situam-se entre 25 e 30.

    Foi adotado o limite de 25 (10 para flexo e 15 para extenso). Ver figuras 35A e B.

    Figura 35A - ngulo G1 Figura 35B - ngulo G2

  • 5.2. NGULOS DE VISO CONSIDERAES GERAIS

    Muitas das informaes necessrias para se executar uma tarefa so obtidas atravs da viso.

    O dimensionamento de uma rea onde uma tarefa predominantemente visual realizada, deve ser determinado a partir dos ngulos de viso do operador.

    O ngulo de rotao dos olhos, que determina a linha normal de viso, de 10 abaixo do nvel dos olhos, quando de p, e de 15 abaixo do nvel dos olhos, quando sentado.

    Estes ngulos podem ser mantidos por longos perodos de tempo, quando uma observao constante requerida.

    Se esse ngulo aumentar para 45 ou mais, o tempo de observao constante ir diminuir, devido fadiga muscular (CHAFFIN [2]).

    A observao constante de objetos acima da linha do nvel dos olhos causar rapidamente fadiga nos msculos do pescoo e ombros.

    A disposio de painis e controles nos postos de trabalho, onde necessria uma observao constante para monitorao da tarefa, tem assim uma importncia fundamental. Uma correta localizao desses controles, levando-se em conta os ngulos de viso do operador, permitir um desempenho mais eficiente da tarefa em questo.

    5.3. USO DA PLACA DE NGULOS DE VISO

    A placa apresenta os cones de viso, indicando os ngulos visuais para as posies sentada e em p, e est baseada nos estudos de DIFFRIENT [6]) e recomendaes da Human Factors Section da EASTMAN KODAK COMPANY [8].

    A linha normal de viso para a pessoa em p, com a cabea ereta, de 10 abaixo da linha do nvel dos olhos; para a postura sentada, o ngulo considerado de 15 abaixo da linha do nvel dos olhos.

    A rea tima para leitura em displays est situada dentro de um cone gerado por um ngulo de aproximadamente 30 para a pessoa na posio sentada (15 acima e 15 abaixo da linha normal de viso) e 25 para a pessoa em p (10 acima e 15 abaixo da linha normal de viso).

  • So tambm indicados os ngulos para localizao dos displays primrios e secundrios, assim como o limite visual dos dois cones de viso. Figura 36.

    Figura 36 - Placa de ngulos de viso

  • LLIISSTTAA DDEE VVEERRIIFFIICCAAOO DDEE RREEQQUUIISSIITTOOSS EERRGGOONNMMIICCOOSS Prof. Manuel Salomon Salazar Jarufe, Dr.

    Anlise ergonmica p/ produto (AEP, vlido para avaliao no incio do projeto) 1 Foram definidos os objetivos da anlise? Foram selecionados os aspectos a estudar? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 2 Foi feita reviso de literatura sobre o assunto? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 3 Foi feita reviso de casos-estudo? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 4 Foram estudados dados estatsticos sobre o assunto? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 5 Foi feita observao direta da atividade real? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 6 Os trabalhadores e/ou usurios observados foram deixados vontade? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 7 Foram identificados os problemas de adequao nas diversas reas (usabilidade,

    antropometria, biomecnica, fisiologia, ambiente e cognio)? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 8 Houve aplicao de questionrios e/ou entrevistas com os principais envolvidos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 9 Se sim, as perguntas abordavam pontos importantes obtidos com os outros mtodos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    10 Foram feitos testes e experincias controladas a respeito da situao de estudo? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 11 Foram realizadas medidas da populao estudada? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 12 Foram realizadas medidas do mobilirio estudado? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    Usabilidade: Manejo/operao e Controles ( ) 13 Foram utilizados mecanismos para evitar acionamentos acidentais de dispositivos (controles, mecanismos) importantes?

    ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    14 O uso de pedais se restringe a operaes de grande fora e/ou pouca preciso? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 15 Os dispositivos (controles, mecanismos) antropomrficos esto restritos a operaes de

    muita fora e/ou pouca preciso? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    16 Os dispositivos (controles, mecanismos) seguem (todos, ou em sua maioria) os movimentos naturais do corpo?

    ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    17 Os dispositivos (controles, mecanismos) esto de acordo com os esteretipos populares? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 19 Os dispositivos diferentes so discriminveis, seja por forma, tamanho, cor ou textura? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 20 Os dispositivos consideram, de maneira geral, os graus de preciso e fora? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 21 Os dispositivos consideram, de maneira geral, as posturas do usurio? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 22 H aproveitamento do peso do usurio (gravidade) nos dispositivos que exigem muita fora?

    ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    23 Os dispositivos esto dispostos de acordo com a freqncia, importncia e seqncia de uso?

    ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    24 O equipamento escolhido adequado para atarefa? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 25 As pegas so perpendiculares aos punhos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 26 As ferramentas manuais so leves? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 27 H uma boa manuteno e conservao das ferramentas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 28 As formas das pegas so adequadas ao seu manejo? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 29 As pegas para aplicao de fora so semi-rugosas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 30 O dimetro das pegas considera a populao e o tipo de esforo? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    Usabilidade: Manuteno e Limpeza ( ) 31 Foram eliminados locais de acmulo de sujeira, como cantos vivos internos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 32 Foram utilizados materiais resistentes s intempries do ambiente do produto? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 33 Foram utilizados materiais que evitam o acmulo e aderncia de sujeira? (depende da

    sujeira) ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    34 Foram utilizados materiais de fcil limpeza? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 35 O produto pode ser desmontado e remontado com facilidade? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 36 Os encaixes foram pensados de maneira a s ocorrer na posio certa? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

  • 37 Os botes e outros controles so encapados ou utilizam algum meio para no acumular sujeira?

    ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    38 Os locais de manuteno so facilmente alcanados / acessados? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 39 As dimenses do mvel esto adequadas s dimenses do ambiente em que se encontra? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    Usabilidade: Segurana ( ) 40 Foram evitadas superfcies cortantes? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 41 Foram evitados cantos vivos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 42 Os componentes mecnicos esto devidamente isolados do usurio? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 43 Os componentes eltricos esto devidamente isolados do usurio? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 44 H dispositivos/ mecanismos que evitem o uso incorreto por parte de crianas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 45 So usadas boas tcnicas para o transporte do mobilirio? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 46 O produto resistente, evitando acidentes? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    Antropometria ( ) 46 As tabelas antropomtricas utilizadas correspondiam populao estudada? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 47 So consideradas as diferenas individuais de medidas corporais? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 48 So usadas tabelas antropomtricas adequadas para os usurios do produto ou sistema? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 49 Foram eliminados os alcances verticais acima dos ombros? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 50 Se no, foram ao menos minimizados, deixados para funes secundrias e rpidas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 51 Foram eliminados os alcances horizontais com os braos perpendiculares ao tronco? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 52 Se no, foram ao menos minimizados, deixados para funes secundrias e rpidas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 53 O trabalho com as mos para trs do ombro evitado? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 54 Os dispositivos situam-se dentro das reas de alcance timas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 55 Em uma cadeira, a altura do assento foi determinada pela medida popltea? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 56 A escolha dessa altura, considerou-se a deformao do estofado pelo peso do usurio? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 57 Em uma cadeira, os ps do usurio percentil 5% feminino ficam totalmente apoiados no

    cho? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    58 H regulagens na altura do assento? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 59 Para essas especificaes, foi considerado o uso de calados? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 60 O assento tem profundidade para apoiar suficientemente o comprimento da coxa, e ao

    mesmo tempo permitir que o usurio se recoste? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    61 Em uma cadeira, o encosto proporciona apoio lombar? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 62 H flexibilidade do encosto para mudanas de postura? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 63 H inclinao no encosto? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 64 O reclino do encosto regulvel? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 65 H espao para acomodao das ndegas, no caso de uma cadeira? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 66 H apoio para os braos? (importante no caso de trabalhos sobre superfcies) ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 67 Se sim, os apoios para o brao tm altura regulvel? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 68 A altura da superfcie de trabalho permite que os braos e antebraos fiquem em ngulo

    reto na maior parte do tempo? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    69 H espao sob a superfcie de trabalho para acomodar as pernas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 70 H espao sob a superfcie de trabalho para a altura das coxas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 71 A superfcie de trabalho tem regulagem de altura? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 72 A superfcie de trabalho tem altura recomendvel para o tipo de atividade? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 73 As alturas do encosto ajustvel? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 74 Os comandos de uso freqente esto prximos ao corpo? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 75 Os comandos de uso menos freqente esto ainda dentro da rea de alcance tolervel? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

  • 76 Os dispositivos mais baixos podem ser alcanados sem flexo do tronco? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    Biomecnica: Postura e movimentos ( ) 77 O trabalho permite variaes de posturas e movimentos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 78 A coluna mantida em posio anatmica na maior parte do tempo (corpo ereto)? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 79 As articulaes se mantm, na maior parte do tempo, em posio neutra? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 80 Se no, pelo menos as articulaes no utilizadas ficam em posio neutra? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 81 As articulaes em posio no-neutra so apoiadas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 82 O reclino do encosto (em uma cadeira) considera a atividade (ou no-atividade)

    realizada? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    83 A postura inclinada para frente evitada? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 84 So evitadas tores no tronco? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 85 O uso de plataformas foi evitado? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 86 Os pesos carregados ficam prximos ao corpo (tronco)? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 87 Os ps esto apoiados? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    Biomecnica: Esforos ( ) 88 So evitados esforos repetitivos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 89 So evitados esforos contnuos por longo tempo? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 90 H pequenas pausas distribudas durante toda a durao da tarefa? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 91 O peso do corpo colocado a favor do movimento? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 92 O levantamento do mobilirio realizado em condies adequadas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 93 Foram evitados os esforos estticos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 94 Foram evitados esforos exagerados? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    Aspectos fisiolgicos/ambientais (Viso, audio, tato, vibrao, conforto) ( )

    95 As informaes mais importantes esto colocadas no centro do campo de viso? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 96 Os avisos luminosos esto dentro dos primeiros 40 do ngulo de viso? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 97 Foram evitadas luzes diretas nos olhos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 98 Foram evitadas superfcies reflexivas, que possam causar ofuscamento? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 99 Oscilaes luminosas bruscas esto restritas a avisos importantes? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 100 A luz ambiental combinada com a iluminao localizada na tarefa? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 101 As luzes do produto esto adequados ao nvel de intensidade luminosa? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 102 Os nveis de rudo do produto esto dentro dos limites aceitveis? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 103 Se no, h equipamentos de proteo individual adequados contra rudos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 106 Foi considerado o som ambiente na escolha dos sons do produto, para evitar

    mascaramento? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    107 Os sons de alerta so intermitentes? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 109 Foram evitados rudos contnuos, no caso da realizao de tarefas de ateno? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 110 Sendo os rudos inevitveis, foram eles abafados ou tiveram intensidade e freqncia

    reduzidas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    111 As vibraes incmodas foram evitadas? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 112 Se no, h medidas de proteo contra vibraes? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 113 H estofados nas reas de contato com o corpo? (especialmente em assentos) ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 114 Os estofados se deformam com o peso dentro de um limite aceitvel? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 115 A superfcie de trabalho texturizada? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    Aspectos Cognitivos (esteretipo popular) ( )

  • 116 Havendo teclado, este do tipo QWERTY? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 117 Havendo teclado, h lgica na disposio dos nmeros? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 118 Os dispositivos so agrupados de acordo com a funo? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 119 Foram evitadas ambigidades nos dispositivos (controles, mecanismos)? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 120 H redundncia nas indicaes dos dispositivos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 121 H discriminaes (agrupamentos) por forma, tamanho, textura ou cores? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 122 H letreiros com significado claro nas indicaes de dispositivos? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 123 Os dispositivos respeitam os esteretipos populares? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 124 Foram aproveitados sons para sinais de alerta importantes? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica 125 O uso de sons agradveis e desagradveis est de acordo com os acertos e erros nas

    operaes? ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

    126 Foram combinados sons e sinais luminosos para reforar os alertas?

    ( ) sim ( ) no ( ) no se aplica

  • AANNEEXXOOSS

    NR 17 Ergonomia

    17.1. Esta Norma Regulamentadora visa a estabelecer parmetros que permitam a adaptao das condies de trabalho s caractersticas psicofisiolgicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um mximo de conforto, segurana e desempenho eficiente.

    17.1.1. As condies de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobilirio, aos equipamentos e s condies ambientais do posto de trabalho e prpria organizao do trabalho.

    17.1.2. Para avaliar a adaptao das condies de trabalho s caractersticas psicofisiolgicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a anlise ergonmica do trabalho, devendo a mesma abordar, no mnimo, as condies de trabalho conforme estabelecido nesta Norma Regulamentadora.

    17.2. Levantamento, transporte e descarga individual de materiais.

    17.2.1. Para efeito desta Norma Regulamentadora:

    17.2.1.1. Transporte manual de cargas designa todo transporte no qual o peso da carga suportado inteiramente por um s trabalhador, compreendendo o levantamento e a deposio da carga.

    17.2.1.2. Transporte manual regular de cargas designa toda atividade realizada de maneira contnua ou que inclua, mesmo de forma descontnua, o transporte manual de cargas.

    17.2.1.3. Trabalhador jovem designa todo trabalhador com idade inferior a 18 (dezoito) anos e maior de 14 (quatorze) anos.

    17.2.1.2. Transporte manual regular de cargas designa toda atividade realizada de maneira contnua ou que inclua, mesmo de forma descontnua, o transporte manual de cargas.

    17.2.1.3. Trabalhador jovem designa todo trabalhador com idade inferior a 18 (dezoito) anos e maior de 14 (quatorze) anos.

    17.2.4. Com vistas a limitar ou facilitar o transporte manual de cargas, devero ser usados meios tcnicos apropriados.

  • 17.2.5. Quando mulheres e trabalhadores jovens foram designados para o transporte manual de cargas, o peso mximo destas cargas dever ser nitidamente inferior quele admitido para os homens, para no comprometer a sua sade ou sua segurana. (117.003-1 / I1)

    17.2.6. O transporte e a descarga de materiais feitos por impulso ou trao de vagonetes sobre trilhos, carros de mo ou qualquer outro aparelho mecnico devero ser executados de forma que o esforo fsico realizado pelo trabalhador seja compatvel com sua capacidade de fora e no comprometa a sua sade ou sua segurana. (117.004-0 / I1)

    17.2.7. O trabalho de levantamento de material feito com equipamento mecnico de ao manual dever ser executado de forma que o esforo fsico realizado pelo trabalhador seja compatvel com sua capacidade de fora e no comprometa a sua sade ou sua segurana. (117.005-8 / I1)

    17.3. Mobilirio dos postos de trabalho.

    17.3.1. Sempre que o trabalho puder ser executado na posio sentada, o posto de trabalho deve ser planejado ou adaptado para esta posio. (117.006-6 / I1)

    17.3.2. Para trabalho manual sentado ou que tenha de ser feito em p, as bancadas, mesas, escrivaninhas e os painis devem proporcionar ao trabalhador condies de boa postura, visualizao e operao e devem atender aos seguintes requisitos mnimos:

    a) ter altura e caractersticas da superfcie de trabalho compatveis com o tipo de atividade, com a distncia requerida dos olhos ao campo de trabalho e com a altura do assento; (117.007-4 / I2)

    b) ter rea de trabalho de fcil alcance e visualizao pelo trabalhador; (117.008-2 / I2)

    c) ter caractersticas dimensionais que possibilitem posicionamento e movimentao adequados dos segmentos corporais. (117.009-0 / I2)

    17.3.2.1. Para trabalho que necessite tambm da utilizao dos ps, alm dos requisitos estabelecidos no subitem 17.3.2 os pedais e demais comandos para acionamento pelos ps devem ter posicionamento e dimenses que possibilitem fcil alcance, bem como ngulos adequados entre as diversas partes do corpo do trabalhador em funo das caractersticas e peculiaridades do trabalho a ser executado. (117.010-4 / I2)

    17.3.3. Os assentos utilizados nos postos de trabalho devem atender aos seguintes requisitos mnimos de conforto:

  • a) altura ajustvel estatura do trabalhador e natureza da funo exercida; (117.011-2 / I1)

    b) caractersticas de pouca ou nenhuma conformao na base do assento; (117.012-0 / I1)

    c) borda frontal arredondada; (117.013-9 / I1)

    d) encosto com forma levemente adaptada ao corpo para proteo da regio lombar. (117.014-7 / I1)

    17.3.4. Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados sentados, a partir da anlise ergonmica do trabalho, poder ser exigido suporte para os ps que se adapte ao comprimento da perna do trabalhador. (117.015-5 / I1)

    17.3.5. Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados de p, devem ser colocados assentos para descanso em locais em que possam ser utilizados por todos os trabalhadores durante as pausas. (117.016-3 / I2)

    17.4. Equipamentos dos postos de trabalho.

    17.4.1. Todos os equipamentos que compem um posto de trabalho devem estar adequados s caractersticas psicofisiolgicas dos trabalhadores e natureza do trabalho a ser executado.

    17.4.2. Nas atividades que envolvam leitura de documentos para digitao, datilografia ou mecanografia deve:

    a) ser fornecido suporte adequado para documentos que possa ser ajustado proporcionando boa postura, visualizao e operao, evitando movimentao freqente do pescoo e fadiga visual; (117.017-1 / I1)

    b) ser utilizado documento de fcil legibilidade sempre que possvel, sendo vedada a utilizao do papel brilhante, ou de qualquer outro tipo que provoque ofuscamento. (117.018-0 / I1)

    17.4.3. Os equipamentos utilizados no processamento eletrnico de dados com terminais de vdeo devem observar o seguinte:

    a) condies de mobilidade suficientes para permitir o ajuste da tela do equipamento iluminao do ambiente, protegendo-a contra reflexos, e proporcionar corretos ngulos de visibilidade ao trabalhador; (117.019-8 / I2)

  • b) o teclado deve ser independente e ter mobilidade, permitindo ao trabalhador ajust-lo de acordo com as tarefas a serem executadas; (117.020-1 / I2)

    c) a tela, o teclado e o suporte para documentos devem ser colocados de maneira que as distncias olho-tela, olho-teclado e olho-documento sejam aproximadamente iguais; (117.021-0 / I2)

    d) serem posicionados em superfcies de trabalho com altura ajustvel. (117.022-8 / I2)

    17.4.3.1. Quando os equipamentos de processamento eletrnico de dados com terminais de vdeo forem utilizados eventualmente podero ser dispensadas as exigncias previstas no sub-item 17.4.3 observada a natureza das tarefas executadas e levando-se em conta a anlise ergonmica do trabalho.

    17.5. Condies ambientais de trabalho.

    17.5.1. As condies ambientais de trabalho devem estar adequadas s caractersticas psicofisiolgicas dos trabalhadores e natureza do trabalho a ser executado.

    17.5.2. Nos locais de trabalho onde so executadas atividades que exijam solicitao intelectual e ateno constante, tais como: salas de controle, laboratrios, escritrios, salas de desenvolvimento ou anlise de projetos, dentre outros, so recomendadas as seguintes condies de conforto:

    a) nveis de rudo de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma brasileira registrada no INMETRO; (117.023-6 / I2)

    b) ndice de temperatura efetiva entre 20C (vinte) e 23C (vinte e trs graus centgrados); (117.024-4 / I2)

    c) velocidade do ar no-superior a 0,75m/s; (117.025-2 / I2)

    d) umidade relativa do ar no-inferior a 40 (quarenta) por cento. (117.026-0 / I2)

    17.5.2.1. Para as atividades que possuam as caractersticas definidas no subitem 17.5.2, mas no apresentam equivalncia ou correlao com aquelas relacionadas na NBR 10152, o nvel de rudo aceitvel para efeito de conforto ser de at 65 dB (A) e a curva de avaliao de rudo (NC) de valor no-superior a 60 dB.

  • 17.5.2.2. Os parmetros previstos no subitem 17.5.2 devem ser medidos nos postos de trabalho, sendo os nveis de rudo determinados prximos zona auditiva e as demais variveis na altura do trax do trabalhador.

    17.5.3. Em todos os locais de trabalho deve haver iluminao adequada, natural ou artificial, geral ou suplementar, apropriada natureza da atividade.

    17.5.3.1. A iluminao geral deve ser uniformemente distribuda e difusa.

    17.5.3.2. A iluminao geral ou suplementar deve ser projetada e instalada de forma a evitar ofuscamento, reflexos incmodos, sombras e contrastes excessivos.

    17.5.3.3. Os nveis mnimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho so os valores de iluminncias estabelecidos na NBR 5413, norma brasileira registrada no INMETRO. (117.027-9 / I2)

    17.5.3.4. A medio dos nveis de iluminamento previstos no subitem 17.5.3.3 deve ser feita no campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando-se de luxmetro com fotoclula corrigida para a sensibilidade do olho humano e em funo do ngulo de incidncia. (117.028-7 / I2)

    17.5.3.5. Quando no puder ser definido o campo de trabalho previsto no subitem 17.5.3.4, este ser um plano horizontal a 0,75m (setenta e cinco centmetros) do piso.

    17.6. Organizao do trabalho.

    17.6.1. A organizao do trabalho deve ser adequada s caractersticas psicofisiolgicas dos trabalhadores e natureza do trabalho a ser executado.

    17.6.2. A organizao do trabalho, para efeito desta NR, deve levar em considerao, no mnimo:

    a) as normas de produo;

    b) o modo operatrio;

    c) a exigncia de tempo;

    d) a determinao do contedo de tempo;

    e) o ritmo de trabalho;

  • f) o contedo das tarefas.

    17.6.3. Nas atividades que exijam sobrecarga muscular esttica ou dinmica do pescoo, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da anlise ergonmica do trabalho, deve ser observado o seguinte:

    a) todo e qualquer sistema de avaliao de desempenho para efeito de remunerao e vantagens de qualquer espcie deve levar em considerao as repercusses sobre a sade dos trabalhadores; (117.029-5 / I3)

    b) devem ser includas pausas para descanso; (117.030-9 / I3)

    c) quando do retorno do trabalho, aps qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15 (quinze) dias, a exigncia de produo dever permitir um retorno gradativo aos nveis de produo vigente na poca anterior ao afastamento.(117.031-7 / I3)

    17.6.4. Nas atividades de processamento eletrnico de dados, deve-se, salvo o disposto em convenes e acordos coletivos de trabalho, observar o seguinte:

    a) o empregador no deve promover qualquer sistema de avaliao dos trabalhadores envolvidos nas atividades de digitao, baseado no nmero individual de toques sobre o teclado, inclusive o automatizado, para efeito de remunerao e vantagens de qualquer espcie; (117.032-5 / I3)

    b) o nmero mximo de toques reais exigidos pelo empregador no deve ser superior a 8 (oito) mil por hora trabalhada, sendo considerado toque real, para efeito desta NR, cada movimento de presso sobre o teclado; (117.033-3 / I3)

    c) o tempo efetivo de trabalho de entrada de dados no deve exceder o limite mximo de 5 (cinco) horas, sendo que, no perodo de tempo restante da jornada, o trabalhador poder exercer outras atividades, observado o disposto no art. 468 da Consolidao das Leis do Trabalho, desde que no exijam movimentos repetitivos, nem esforo visual; (117.034-1 / I3)

    d) nas atividades de entrada de dados deve haver, no mnimo, uma pausa de 10 (dez) minutos para cada 50 (cinqenta) minutos trabalhados, no deduzidos da jornada normal de trabalho; (117.035-0 / I3)

  • e) quando do retorno ao trabalho, aps qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15 (quinze) dias, a exigncia de produo em relao ao nmero de toques dever ser iniciado em nveis inferiores do mximo estabelecido na alnea "b" e ser ampliada progressivamente. (117.036-8 / I3)

    Fonte: Ministrio do Trabalho e Emprego

  • LISTA DE LIVROS DE ERGONOMIA

    A Ergonomia/ Maurice de Montmollin; 65.015.11/M768e

    Antropotecnologia A ergonomia dos sistemas de produo/ Nri dos Santos; 65.015.11/A89

    Anais do Segundo Latino Americano e Sexto Seminrio Brasileiro de Ergonomia: 65.015.11 (082) C76a

    Ergonomia Fundamentos da prtica ergonmica/ Rodrigo Pires do Rio, Licinia Pires; 65.015.11/R476e

    Ergonomia Projeto e produo/ Itiro Lida; 65.015.11/ I9e

    Ergonomia Conceitos e aplicao/ Anamaria de Moraes, Claudia Mont Abro; 74.512.2/M792e

    Ergonomia Projeto e produo; 65.015.11/I9e

    Ergonomia; 007/L432e

    Ergonomia Traduo Mrcia Maria Neves Teixeira; 65.015.11/L393e

    Ergonomia Projeto e produo/ Itiro Lida; 65.015.11/ I9e

    Ergonomia A racionalizao humanizada do trabalho; 65.015.11/ A585e

    Ergonomia I A eficincia ou rendimento e a filosofia correta de trabalhos em odontologia/ Olavo Berganaschi; 616.314-004/B278e

    Ergonomia II O ambiente fsico de trabalho, a produtividade e a qualidade de vida em odontologia/ Plavo Berganschi; 616.314-004/B278e

    Ergonomia III Auxiliares em Odontologia ACD-THD-TPD-APD/ Olavo Berganaschi Barros; 616.314-004/B278e

    Ergonomia Aplicada ao trabalho O Manual Tcnico da Mquina Humana; 65.015.11/C837e

    Ergonomia Prtica Jan Dul, Bernard Weerdmeeski; Tradutor: Itiro Lida; 65.015.11/D886e

    Manual de Ergonomia Adaptando o trabalho ao homem/ E. Grandjean; traduo: Joo Pedro; 65.015.11/G764m

    Nrs 7,9 e 17 PCMSO PPRA Ergonomia Mtodos para a elaborao dos programas/ Walter Luiz Pacheco; 349.3/P844n

    Por dentro do trabalho: Ergonomia: Mtodo e Tcnica/ Alain Wisner; Traduo: Flora Maria Gonide; 65.015.11/W762p