Apostila de Ergonomia 02

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    04-Nov-2015

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Ergonomia

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AULA 01

AULA 01

INTRODUO :O que Ergonomia?Histrico e Fases da ErgonomiaAbrangncia da Ergonomia

Desde os tempos do Homem das Cavernas, a Ergonomia j existia e era aplicada. Quando descobriu-se que uma pedra poderia ser afiada at ficar pontiaguada e transformar-se numa lana ou num machado, ali estava se aplicando a Ergonomia. Quando posicionavam-se galhos ou troncos de rvores sob rochas ou outros obstculos, como alavancas, ali estava a Ergonomia.

A Ergonomia, pois, a cincia aplicada a facilitar o trabalho executado pelo homem, sendo que interpreta-se aqui a palavra trabalho como algo muito abrangente, em todos os ramos e reas de atuao.

O nome Ergonomia deriva-se de duas palavras gregas: ERGOS (trabalho) e NOMOS (leis, normas e regras). portanto uma cincia que pesquisa, estuda, desenvolve e aplica regras e normas a fim de organizar o trabalho, tornando este ltimo compatvel com as caractersticas fsicas e psquicas do ser humano.

Para que isto seja possvel, uma infinidade de outras cincias so usadas pela Ergonomia, para que o profissional que desenvolve projetos Ergonmicos obtenha os conhecimentos necessrios e suficientes e resolva uma srie de problemas identificados num ambiente de trabalho, ou no modo como o trabalho organizado e executado.

Exemplos: FISIOLOGIA E ANATOMIA ANTROPOMETRIA E BIOMECNICA HIGIENE DO TRABALHO E TOXICOLOGIA DOENAS OCUPACIONAIS FSICA Oficialmente, a Ergonomia nasceu em 1.949, derivada da poca da 2 Guerra Mundial. Durante a guerra, centenas de avies, tanques, submarinos e armas foram rapidamente desenvolvidas, bem como sistemas de comunicao mais avanados e radares. Ocorre que muitos destes equipamentos no estavam adaptados s caractersticas perceptivas daqueles que os operavam, provocando erros, acidentes e mortes.

Como cada soldado ou piloto morto representava problemas serssimos para as Foras Armadas, estudos e pesquisas foram iniciados por Engenheiros, Mdicos e Cientistas, a fim de que projetos fossem desenvolvidos para modificar comandos (alavancas, botes, pedais, etc.) e painis, alm do campo visual das mquinas de guerra. Iniciava-se, assim, a adaptao de tais equipamentos aos soldados que tinham que utiliz-los em condies crticas, ou seja, em combate.

Aps a guerra, diversos profissionais envolvidos em tais projetos reuniram-se na Inglaterra, para trocar idias sobre o assunto. Na mesma poca, a Marinha e a Fora Area dos Estados Unidos montam laboratrios de pesquisa de Ergonomia (l conhecida por Human Factors, ou Fatores Humanos), com os mesmos objetivos.

01Posteriormente, com o Programa de Corrida Espacial e a Guerra Fria entre URSS e os EUA, a Ergonomia ganha impressionante avano junto NASA. Com o enorme desenvolvimento tecnolgico divulgado por esta, a Ergonomia rapidamente se disseminou pelas indstrias de toda a Amrica do Norte e Europa.

Assim, percebe-se uma Primeira Fase da Ergonomia, referente s dimenses de objetos, ferramentas, painis de controle dos postos de trabalho usados por operrios. O objetivo dos cientistas, nesta fase, concetrava-se mais ao redimensionamento dos postos de trabalho, possibilitando um melhor alcance motor e visual aos trabalhadores.

Numa Segunda Fase, a Ergonomia passa a ampliar sua rea de atuao, confundindo-se com outras cincias, eis que fazendo uso destas. Assim, passa o Ergonomista a projetar postos de trabalho que isolam os trabalhadores do ambiente industrial agressivo, seja por agentes fsicos ( calor, frio, rudo, etc.), seja pela intoxicao por agentes qumicos (vapores, gases, particulado slido, etc.). O que se percebe uma abrangncia maior do Ergonomista nesta fase, adequando o ambiente e as dimenses do trabalho ao homem.

Em uma fase mais recente (Terceira Fase), poca da dcada de 80, a Ergonomia passa a atuar em outro ramo cientfico, mais relacionado com o processo COGNITIVO do ser humano, ou seja, estudando e elaborando sistemas de transmisso de informaes mais adequadas s capacidades mentais do homem, muito comuns junto informtica e ao controle automtico de processos industriais, atravs de SDCDs (Sistema Digital de Controle de Dados) . Tal fase intensificou sua atuao mais na regio da Europa, disseminando-se a seguir pelo resto do mundo.

Por fim, na atualidade, pesquisas mais recentes esto se desenvolvendo em relao PSICOPATOLOGIA DO TRABALHO e na ANLISE COLETIVA DO TRABALHO. Especificamente a Escola Francesa de Ergonomia interessou-se por tais cincias e as vem divulgando pelo mundo, inclusive no Brasil.

A primeira estuda as reaes PSICOSSOMTICAS dos trabalhadores e seu sofrimento frente situaes problemticas da rotina do trabalho, principalmente levando em considerao que muitas destas situaes no so previstas pela empresa, e muito menos aceitas por estas. J a Anlise Coletiva do Trabalho estabeleceu um importante dilogo entre o Ergonomista e grupos de trabalhadores, que passam a explicar livremente suas crticas, idias e sugestes relacionadas aos problemas que os fazem sofrer em seu trabalho, sem sofrer presses por parte das chefias, o que essencial .

Com o objetivo de resumir o que estudamos at aqui, vejamos um exemplo no qual possamos identificar as formas de atuao do Ergonomista, seus objetivos e as cincias das quais ele faz uso para identificar problemas e apontar solues. Lembramos, de incio, que o OBJETIVO PRINCIPAL do Ergonomista o de ADEQUAR O TRABALHO AO HOMEM, seja este trabalho de qualquer caracterstica, em qualquer rea de atuao. Portanto, qualquer agresso fsica ou psquica dever ser isolada ou eliminada em relao ao trabalhador.

Exemplo: Uma operria trabalha numa fbrica de rdios e toca-fitas para automveis, desenvolvendo seu trabalho numa linha de montagem, na qual uma srie de componentes eletro-eletrnicos deve ser posionada em um pequeno painel.

Seu trabalho feito na postura sentada, defronte uma bancada, na qual h caixas de diferentes tamanhos posicionadas esquerda da cadeira, em alturas variveis. Uma das caixas est frente da banqueta, servindo de apoio para os ps da operria.

02Numa anlise ergonmica preliminar, o profissional observa a operria desenvolvendo suas atividades em seu posto de trabalho e constata que a altura do tampo da bancada muito elevada, que h falta de espao para as pernas da operria, pois abaixo do tampo h cantoneiras de ao obstruindo a passagem das pernas, o que a faz girar as pernas para a direita, em relao ao tronco. Como h caixas com componentes sua esquerda, acentua-se a rotao da coluna vertebral da operria, quando esta deve alcanar alguma pea que ali se encontra.

Mas no s. Aps a montagem das peas num painel, este dever ser expedido por uma correia transportadora que se encontra ao fundo da bancada, o que obriga a operria a debruar-se sobre o tampo e retificar sua coluna vertebral, alm de estender por completo o brao e antebrao, passando estes por sobre as caixas com componentes.

Toda a situao acima agravada pelo fato da operria estar sentada numa banqueta industrial, cujo assento foi confeccionado em madeira e que no recebeu qualquer revestimento (espuma, por exemplo). Como a operria trabalha com as pernas fletidas e rotacionadas para a direita, sente uma forte presso na regio das ndegas, os ps ficam dormentes vrias vezes ao dia, h fortes dores na altura do pescoo, estendida at os braos. A dor nas costas considerada insuportvel.

Mas no acabaram os problemas! As bordas da bancada foram revestidas com perfilados de alumnio em L, de canto vivo, local onde a operria apoia os cotovelos, antebraos ou at mesmos os punhos, enquanto encaixa peas no painel.

Por fim, dada a inviabilidade de trabalhar sentada, a operria acaba por ver-se obrigada a ficar em postura de p, sentindo mais dores nas costas, pernas e ps.

Uma breve entrevista efetuada junto operria pelo Ergonomista, que est acompanhado pelo chefe do setor. A operria parece confusa, amendontrada e responde por monosslabos. Pergunta-se a respeito de uma ferida que claramente aparece na testa, pouco acima do superclio direito. Explica que, ao abaixar a cabea para apanhar um componente que estava numa caixa, que estava apoiada no piso da rea, bateu fortemente a cabea de encontro uma quina de uma das catoneiras que fazem parte da estrutura da bancada. O Chefe do Setor fz questo de comentar que a operria foi advertida para que trabalhasse com mais ateno, evitando acidentes.

Algumas medidas da bancada so tiradas, bem como algumas fotografias do local. O modelo da banqueta anotado. Vrias observaes so efetuadas com outras operrias do mesmo setor, constatando-se, basicamente, os mesmos problemas.

Pois bem, se o Ergonomista leva em considerao as caractersticas da 1 Fase da Ergonomia, o desenvolvimento de seu projeto teria como objetivo redimensionar o posto, eliminando a adoo de posturas inadequadas, possibilitando que a operria trabalhasse sentada em uma banqueta mais confortvel, com o devido espao para suas pernas, os ps apoiados numa altura compatvel, as caixas de componentes todas em altura de modo a facilitar o alcance motor, bem como a correia transportadora em igual situao.

Se levasse em considerao as caractersticas projetuais da 2 Fase da Ergonomia, j ampliaria a anlise Ergonmica para o ambiente no qual se encontra a operria, diagnosticando situaes crticas como a temperatura, o nvel de iluminamento, rudos, vibrao, entre outros.

Contudo, h muitos outros fatores presentes nas atividades e no local de trabalho da operria, que lhe tornam o trabalho mais cansativo e irritante. Observe na folha seguinte:

03- a cadncia na qual cada painel deve ser montado, ou seja, a velocidade com a qual a operria produz cada painel completo e sua produo no final de uma hora de atividade. Tal situao pr-determinada pela chefia do setor, que reporta-se direo da fbrica. Esta ltima define um nmero X de rdios a serem fabricados por dia. A operria que no conseguir adequar-se s exigncias da empresa demitida;

- o ritmo de trabalho. No exemplo, observa-se que o rtmo imposto pela empresa, determinando quantos rdios devem ser produzidos, o que resulta numa velocidade de produo. A situao claramente foge ao controle da operria, que apavora-se perante perspectiva de no corresponder ao rtmo que lhe imposto (ameaa de demisso);

- cobranas e exigncias absurdas feitas pela chefia do setor. O nmero de vezes que a operria vai ao banheiro documentado, por exemplo, bem como o nmero em que se desloca at o bebedouro. Sabe-se que as operrias procuram desesperadamente fugir ao rtmo alucinado que lhes imposto, adotando medidas paleativas como as acima exemplificadas. A operria que mais foge ser perseguida e advertida;

- quando a linha de montagem dos rdios foi projetada, muitos dados tcnicos no foram levados em considerao. Contudo, as operrias so obrigadas a trabalhar efetuando uma srie de improvisos. Veja:

Exemplos:

1) A quantidade de componentes inicialmente projetada para os rdios era uma, mas o modelo sofre modificaes tecnolgicas que alteram tal nmero. Assim, caixas e mais caixas vo sendo adicionadas cada bancada de trabalho, dificultando cada vez mais o alcance motor e visual das operrias.

2) Um grande nmero de fornecedores diferentes, que fabricam componentes do rdio diferentes uns dos outros, causam verdadeiro desespero s operrias, pois uma determinada pea (XKL-71C, por exemplo), que DEVERIA ser sempre igual (mesmo tamanho, mesma cor, etc.), apresenta discretas diferenas. Assim, o fornecedor A fabrica a pea XKL-71C na cor azul e o fornecedor B fabrica a mesma pea numa tonalidade de verde. Acostumadas a pegar sempre uma pea azul num determinado instante, as operrias ficam confusas ao no encontrar peas desta cor nas caixas, atrapalhando-se. Pior, podem pegar outra pea que tem a cor azul e tentar encaix-la no painel, quebrando seus contatos.

3) O tamanho das letras impressas no corpo das peas tambm varia, conforme o fornecedor. Assim, algumas tm a identificao facilitada, outras, dificultada.

- cada operria tem os segmentos corporais com dimenses particulares ( umas so mais baixas, outras so mais altas e uma pode estar grvida, etc.) . Contudo, a altura das bancadas fixa e o ritmo de trabalho o mesmo para todas, o que representa diversas incompatibilidades para as trabalhadoras;

- em reunies mensais efetuadas no Setor, o encarregado de cada equipe faz questo de apresentar um demonstrativo de produtividade, na qual detalha que Fulana de Tal a pior operria (ou a mais lenta, ou a que mais faltou naquele ms, etc.), humilhando a mesma perante suas colegas. Igualmente, caso uma das operrias tenha alcanado alguma marca melhor em relao sua performance anterior, ser elogiada e colocada como ... um exemplo a ser seguido ... pelas outras. Estas situaes produzem revolta e mdo nas trabalhadoras, o que as induz competio entre si e ausncia de amizade.

04- determinadas ferramentas ou equipamentos presentes no setor (motores, redutores, roletes, mancais, eixos, etc.) quebram antes do perodo de parada programada pela empresa, na qual a manuteno se daria. Nestas situaes, a produo interrompida, momento em que as operrias tambm interrompem por alguns minutos o trabalho. Contudo, quanto mais tempo ficar parada a linha de montagem, pior ser o retrno linha de produo, pois esta ter a sua velocidade aumentada para superar o atrazo.

Muitos outros exemplos ainda podem ser mencionados, levando-se em considerao apenas o caso desta operria e seu posto de trabalho. Como se pode observar, a anlise Ergonmica no restrita, mas muito ampla. No apenas devem ser levados em considerao os dados dimensionais do posto de trabalho e do ambiente sua volta, mas tambm como o trabalho organizado pela empresa. A relao que existe entre os diversos segmentos hierrquicos, o treinamento dos trabalhadores, preparando-os ao tipo de trabalho que devem enfrentar, a previso de falhas que podem ocorrer no sistema produtivo que independem da atuao dos trabalhadores, etc, tudo deve ser analisado.

PERGUNTAS SIMULADAS PARA A PROVA:

a - Qual o principal objetivo da Ergonomia ?b - Qual a importncia da Escola Francesa de Ergonomia ?c - Quais so as trs fases que mostram a evoluo da Ergonomia ?

GLOSSRIO:

PSICOSSOMTICA, Reao : reao apresentada no corpo (parte fsica do indivduo), derivada de distrbios em seu meio psquico. Normalmente as manifestaes se traduzem por gastrite, lcera, insnia e crises nervosas, tais como choro e irritao fcil. Palavra derivada de PSICO + SOMTICO.

COGNITIVO, Processo : processo no qual se d a aquisio de um conhecimento. Est diretamente relacionado transmisso de informaes e como estas chegam at o ser humano.

PARA SABER MAIS, LEIA:

LIVROS:

- ERGONOMIA NO BRASIL E NO MUNDO;Um quadro, uma fotografiaAutores: Anamaria de Moraes Marcelo Mrcio SoaresEditora : ABERGO - Associao Brasileira de Ergonomia

-ERGONOMIA - Projeto e ProduoAutor: Itiro IidaEditora : Edgard Blucher LtdaDisponvel na Livraria Cultura, tel. (011) 285-4033

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-TPICOS DE SADE DO TRABALHADORAutores: Frida Marina Fischer e colaboradoresEditora : HucitecDisponvel na Livraria Cultura, tel. (011) 285-4033

-PROGRAMA DE SADE DOS TRABALHADORESAutor: Danilo Fernandes Costa e outrosEditora: Hucitec

-POR DENTRO DO TRABALHO -ERGONOMIA, MTODO E TCNICAAutor: Wisner.A.Editora: FTD/OborDisponvel na Livraria Cultura, tel. (011) 285-4033

REVISTAS TCNICAS - ARTIGOS:

- Fico e Realidade do Trabalho Operrio- Revista Brasileira de Sade Ocupacional - RBSO n 68 disponvel na FUNDACENTRO

- Quando Homem e Mquina se Afinam Revista Sade Ocupacional e Segurana - Volume 18 - n 0l

- Artigos da RBSO n 29, que trata exclusivamente sobre a Ergonomia

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AULA 02

Noes Bsicas de Anatomia e FisiologiaIdentificao das Limitaes do Organismo Humano

Sabendo-se que a Ergonomia tem por objetivo adequar o trabalho s caractersticas do Homem, sejam fsicas, sejam psquicas, necessrio que o Ergonomista tenha conhecimentos mnimos de como nosso organismo funciona e quais so as limitaes do nosso corpo, para que possa desenvolver projetos que correspondam a tais caractersticas.

Na aula passada, verificamos um exemplo de como importante para o profissional de Segurana e Higiene do Trabalho conhecer as limitaes do corpo humano e como este pode se sobrecarregar, com o intuito de buscar solues para os problemas diagnosticados.

Naquele exemplo, verificamos que a operria, apesar de trabalhar numa postura sentada, sentia fortes dores nas costas, ombros, punho esquerdo, bem como sentia dormncia na parte inferior das pernas e ps. Feridas na altura dos joelhos e da cabea tambm foram constatadas. Comentou-se que as dimenses do posto de trabalho encontravam-se inadequadas, bem como a especificao do mobilirio, dentre outros problemas.

Atravs de conhecimentos de Anatomia e Fisiologia, compreenderemos o por que de algumas das reaes adversas no organismo da operria. A Anatomia estuda a localizao dos rgos de nosso corpo, bem como lhes d uma terminologia adequada, conforme tal localizao. J a Fisiologia estuda como funcionam os rgos e qual a relao de interdependncia de cada rgo com os sistemas que compem o organismo humano.

O Ergonomista possui conhecimentos mais voltados aos Sistemas Locomotor (ossos, msculos, tendes, tecidos), Sanguneo (artrias, veias e capilares) e Respiratrio. Os rgos dos sentidos tambm so estudados, co-relacionando conhecimentos j adquiridos em Higiene do Trabalho.

SISTEMA LOCOMOTOR

Sub-dividiremos o estudo de tal sistema em Esqueltico e Msculo-Ligamentar. O primeiro representa a estrutura de sustentao de todo o corpo, tanto como base movimentao, quanto para proteger rgos vitais. O segundo possibilita justamente os movimentos do corpo e a fora aplicada nos diversos segmentos, bem como a velocidade e preciso de tais movimentos.

Sistema Esqueltico

A ttulo de organizao do estudo deste sistema, o mesmo pode ser dividido em 3 partes fundamentais: Cabea, Tronco e Membros. Observando-se a Prancha n 0l no ANEXO DE ILUSTRAES desta Apostila, verifica-se que as localizaes compreendem:

- a cabea, na extremidade superior do esqueleto, sustentada pela coluna vertebral;- o tronco, na regio central do corpo, abrangendo a coluna vertebral e as costelas;- os membros, superiores e inferiores, compreendendo, acima, os braos, antebraos, punhos e mos e, abaixo, as pernas e ps;- as cinturas, escapular (acima) e plvica (abaixo).

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Das partes acima descritas, algumas merecem destaque para o estudo e aplicao da Ergonomia, em funo das posturas adotadas por nosso organismo, quando em atividade.

1) COLUNA VERTEBRAL

A coluna vertebral uma estrutura flexvel composta por 33 vrtebras, localizadas em quatro regies distintas, a saber (de cima p/baixo): Regio Cervical, Regio Torxica ou Dorsal, Regio Lombar e Regio Sacro-coccigeana. Veja a Prancha n 02. Tambm atravs desta prancha, verificam-se as curvaturas que a coluna vertebral apresenta, quando vista lateralmente: A Lordose Cervical, a Cifose Dorsal e a Lordose Lombar.

J a Prancha n 03 apresenta uma vista superior de uma das vrtebras da coluna, sub-dividida em corpo e asas. O primeiro serve como base de apoio entre uma vrtebra e a outra. As asas, possibilitam movimentos mltiplos do conjunto de vrtebras, tais como a flexo, extenso e rotao, limitando tais movimentos em ngulos-limite, para nossa segurana. Uma vista lateral, em desenho esquemtico, mostrada tambm na Prancha n 03, na qual so observadas duas vrtebras, uma sobre a outra.

Entre as vrtebras, observa-se uma articulao cartilaginosa, conhecida como DISCO INTERVERTEBRAL. A Prancha n 04, representada por uma perspectiva, nos d uma viso do disco sobre uma vrtebra, sub-dividido em duas partes: Um ANEL FIBROSO e um NCLEO PULPOSO. Este ltimo cumpre uma importante funo, a de amortecimento das presses que incidem sobre a coluna, sendo auxiliado pelo anel, que lhe d uma sustentao flexvel, cujas fibras se deslocam lateralmente conforme as necessidades posturais adotadas pelo indivduo.

Assim, percebemos que a COLUNA VERTEBRAL, no ser humano, cumpre 3 finalidades:

- sustentao da parte superior do corpo;- amortecimento de foras que incidem sobre o esqueleto;- mobilidade da parte superior do corpo, a partir da cintura plvica.

As duas ltimas caractersticas merecem destaque, em funo de uma srie de reaes apresentadas pelo sistema em questo e de algumas limitaes apresentadas por alguns elementos anatmicos que fazem parte deste sistema.

AMORTECIMENTO DE FORAS

Tal finalidade desempenhada pelos DISCOS INTERVERTEBRAIS, que j conhecemos. Os discos promovem uma proteo essencial s vrtebras, na medida que impedem que estas sofram fraturas. So tambm os discos que promovem a ligao fibrosa entre todas as vrtebras, uma uma, auxiliando que a coluna se torne uma estrutura rgida, quando assim o desejamos, ou flexvel, quando necessrio.

O amortecimento das presses exercidas sobre o conjunto desempenhado essencialmente pelos ncleos pulposos (NPs), que distribuem radialmente a presso recebida. Isto equivale a dizer que o ncleo, que se encontra dentro dos anis, tende sempre a aumentar seu dimetro quando recebe a carga de cima para baixo, fazendo presso sobre as paredes dos anis que o envolvem, enquanto diminui de altura.

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Ocorre que o disco intervertebral apresenta uma degenerao natural que se acentua a partir dos 20 anos de idade, poca em que as artrias que alimentam a regio da coluna vertebral comeam a se fechar, interrompendo a vaso-irrigao e, claro, sua alimentao.

Assim, o disco passa a receber alimentao de lquidos nutrientes que se encontram na regio, principalmente aqueles que permanecem no tecido esponjoso que reveste as faces superiores e inferiores dos corpos vertebrais. Contudo, claro est que quando a coluna recebe uma carga sobre o conjunto de vrtebras, o lquido ser expulso da regio na qual se encontra naturalmente, dada a presso ali concentrada. O comportamento similar a uma esponja.

Tal fato muito importante, vez que podemos concluir que, pressionada, a coluna vertebral no se alimenta e que tal situao facilita ainda mais a degenerao dos discos intervertebrais. Sem alimentao, a caracterstica fibro-elstica destes tende a diminuir, o que inicia um processo de rompimento das paredes dos anis que envolvem o NP, toda vez que este tenta se deslocar de sua origem.

A funo de amortecimento, pois, vai diminuindo medida em que a idade do indivduo aumenta. Situaes agudas, que promovem rompimento repentino de grande nmero de anis fibrosos, causam leses que sero comentadas mais adiante.

MOBILIDADE DA COLUNA VERTEBRAL

Como j vimos, a coluna composta por 33 vrtebras, cada uma apoiada sobre um disco que est sobre a vrtebra imediatamente abaixo da 1 . Esta caracterstica possibilita a todo o conjunto uma mobilidade extraordinria, dentro de limites impostos pela prpria estrutura anatmica de cada regio da coluna.

Assim que a regio cervical apresenta a maior mobilidade (flexibilidade) de todo o sistema, seguida pela regio lombar e dorsal, at atingirmos a regio sacro-coccigeana, que apenas rotaciona sobre o eixo da cintura plvica.

A mobilidade do conjunto, entretanto, representa no apenas flexibilidade til para o desenvolver de inmeras tarefas efetuadas pelo ser humano, mas alguns riscos regio da coluna vertebral, como agora observaremos.

Como se viu, os discos degeneram com o passar do tempo, perdendo a elasticidade necessria. Com isto, a capacidade de amortecer presses diminui e h uma tendncia do NP extravazar-se da regio central que originalmente ocupa. Tal situao agravada ainda mais quando a coluna vertebral sai da posio em que suas curvaturas naturais so mantidas (como mostra a Prancha n 05).

Nesta prancha, de incio, percebe-se que a lordose lombar desaparece, possibilitando que a coluna tome o formato de um C. Tal mobilidade torna a regio lombar particularmente propensa leses nos discos intervertebrais, justamente pela disposio agora adotada entre as vrtebras e os discos que as interligam. Vamos considerar, a ttulo de exemplo, que a pessoa inclinou o tronco para baixo com o objetivo de erguer uma caixa que pesa uns 30 quilos, mantendo as pernas eretas (sem flexo).

No momento em que, nesta postura, a pessoa levanta a caixa, a presso equivalente carga de 30 quilos ser transmitida para a coluna, principalmente na regio lombar, que est servindo como ponto de apoio alavanca necessria operao (erguer a caixa).

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Na mesma ilustrao da Prancha n 05, percebe-se que o brao da alavanca entre o ponto A e a caixa muito maior que o brao formado entre o mesmo ponto A e os msculos que recobrem a regio lombar. Esta situao representa uma sobrecarga para a qual tal musculatura no est preparada, causando-lhe leses. Isto se deve, basicamente, ao fato de que os msculos da regio lombar se encontram inseridos nas asas da coluna vertebral por meio de tecidos ligamentares chamadas de FSCIAS. As Fscias so apenas uma fina camada de tecido, muito diferente de outros ligamentos presentes no corpo humano, como os TENDES, que possuem maior resistncia quando estimulados pela movimentao do organismo (a serem estudados em outra aula). Assim, quando sobrecarregadas, as Fscias tendem a inflamar e provocar fortes dores na regio em estudo. Outros problemas relacionados tal postura sero discutidos a seguir.

A. PROTUSO DO NP

A protuso intradiscal um problema grave. Ocorre quando a postura acima detalhada se repete com freqncia nas atividades rotineiras de um trabalhador ou, quando eventuais, mas nos indivduos que j apresentam degenerao nos discos inter-vertebrais.

Caracteriza-se pelo fato do ncleo pulposo arremessar-se para trs, rompendo os anis fibrosos que o envolvem, at chegar na regio perifrica do disco. Esta regio passa a apresentar um volume mais acentuado, pressionando um ligamento que corre de cima baixo a coluna, o Ligamento Posterior. Terminaes nervosas neste localizadas provocam fortes dores no indivduo, acompanhadas de espasmos musculares.

B. HRNIA DE DISCO

A hrnia de disco um problema ainda mais grave que a protuso intradiscal. Na hrnia, o NP consegue extravazar-se de dentro do anel e sai do disco intervertebral, empurrando os tecidos da regio, pressionando-os. Esta leso se verifica mais na regio lombar, principalmente quando o indivduo flexiona o tronco para erguer cargas e o rotaciona lateralmente, movimentando a carga da direita para a esquerda, por exemplo.

A ilustrao da Prancha n 06-A (esquemtica) nos d a explicao do fenmeno. O ligamento longitudional posterior que reveste a coluna vertebral vai diminuindo de largura medida que passa pela regio lombar, at chegar ao osso SACRO. Deste modo, permite que regies laterais ao local por onde passa no sejam sustentadas. No caso da sobrecarga imposta regio lombar, quando o trabalhador deve erguer a carga, a regio encontra-se desprotegida, facilitando a expulso do NP do interior do disco, provocando o problema.

C. BICO DE PAPAGAIO (OSTEFITOS)

uma leso conseqnte, geralmente, dos problemas observados anteriormente, principalmente derivada da hrnia de disco. Caracteriza-se pela formao de protuberncias sseas nas paredes externas do corpo da vrtebra, mais precisamente em locais onde h contato de um corpo de vrtebra com outro, ocasio em que os dois entram em atrito.

O tecido sseo possui uma interessante caracterstica. Quando submetido a presses concentradas em determinados pontos, o tecido inicia um processo de multiplicao de suas clulas, formando um CALO SSEO. Tal processo verifica-se quando h uma fratura num osso, o que possibilita que as duas partes separadas sejam reunidas. Contudo, tal reao de defesa do tecido sseo traz o inconveniente de produzir, quando no controlada, a calcificao indesejada de protuberncias conhecidas como OSTEFITOS, resultando em problemas graves de coluna.

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Conhecidos popularmente como BICO DE PAPAGAIO, os OSTEFITOS pressionam e at mesmo podem perfurar rgos e tecidos vizinhos coluna vertebral, produzindo inflamao e muita dor. Veja a Prancha n 06-B.

Quando um NP hernia-se do interior do disco intervertebral, h um esmagamento do anel fibroso existente entre as duas vrtebras, diminuindo-se a distncia entre estas. Com o passar do tempo, uma vrtebra comea a encostar na outra, entrando em atrito e produzindo a reao acima detalhada.

2) CINTURA ESCAPULAR

Localiza-se na parte superior do tronco, representando o conjunto de elementos anatmicos que formam o OMBRO. Como algumas leses originadas por problemas de inadequao ergonmica aparecem na regio, a Ergonomia a estuda.

constituda pelas vrtebras do trax, costelas, esterno, clavcula, escpula e pela parte superior do mero (osso do brao). Uma articulao bastante estudada, presente na regio, a gleno-umeral. A Prancha n 07 ilustra os elementos anatmicos acima apontados.

3) CINTURA PLVICA

Localiza-se na parte inferior do tronco, representando o conjunto de elementos que formam a BACIA ou PELVE. constituda por dois amplos ossos coxais, cujas regies subdividem-se em ILACO, SQUIO e PBIS, alm da regio central, na qual localizam-se o SACRO e o CCCIX. A rea da articulao coxo-femoral, formada pela cabea do fmur com a cavidade cotilide bastante pequisada pela Ergonomia, assim como a regio inferior do squio. A Prancha n 08 ilustra a cintura plvica.

4) MEMBROS SUPERIORES

So formados pelo conjunto, de cima para abaixo, dos principais ossos, ou seja, o MERO, o RDIO e o ULNA, o CARPO e os DEDOS das mos. As articulaes so bastante estudadas pela Ergonomia, principalmente a nvel da regio do EPICNDILO (cotovelo) e CARPO (punho). A Prancha n 09 ilustra o membro superior.

5) MEMBROS INFERIORES

So formados pelo conjunto, de cima para baixo, dos principais ossos, ou seja, do FMUR, da TBIA e da FBULA, alm do TARSO e dos dedos dos ps. Tambm as principais articulaes so estudadas, ou seja, o JOELHO e o TORNOZELO. A Prancha n 10 ilustra o membro inferior.

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6) ARTICULAES

So a unio entre dois ossos, possibilitando maior gama de movimentos ao segmento corporal destes. No ponto de unio, o tecido sseo externo revestido por uma cartilagem que apresenta caractersticas especficas, a CARTILAGEM HIALINA, compacta, extremamente lisa e, geralmente, arredondada, a fim de facilitar ao mximo que as superfcieis que entram em contato deslizem uma sobre a outra, diminuindo o atrito.

Entre os dois ossos que formam uma articulao, encontra-se uma membrana protetora fibrosa que se estende para cada osso. Ao redor desta membrana temos uma cpsula articular externa, que protege todo o conjunto interno.

Dentro da cpsula h uma pequena quantidade de lquido sinovial, que serve como lubrificante da articulao. Maiores detalhes sobre este lquido sero apresentados na AULA 03.

A Prancha n l l ilustra uma parte da cintura escapular em seu lado direito, vista de frente, na qual detalhada a articulao existente entre o MERO e a ESCPULA. J a Prancha n 12 d a terminologia aplicada aos diversos movimentos possibilitados pelas articulaes, usando como exemplo a articulao do CARPO.

PERGUNTAS SIMULADAS PARA A PROVA:

a- Qual a diferena entre Anatomia e Fisiologia ?b- Qual a funo do CORPO da Vrtebra ?c- Qual a funo do DISCO INTERVERTEBRAL ?d- Como se d a alimentao da COLUNA VERTEBRAL ?e- O que ocorre com o Ncleo Pulposo quando submetido presses ?f- O que implica uma postura que confere coluna vertebral o formato de uma letra C ?g- Qual a relao entre o LIGAMENTO LONGITUDIONAL POSTERIOR e o aparecimento da HRNIA DE DISCO ?h- Como se inicia um BICO DE PAPAGAIO ?i- Para que serve a CARTILAGEM HIALINA ?

GLOSSRIO:

ESPASMO MUSCULAR - contrao sbita e involuntria do msculo, geralmente acompanhada por dor e aumento da temperatura local.

PARA SABER MAIS, LEIA:

LIVROS: - Temas de Sade OcupacionalAutor: Hudson de Arajo CoutoEditora: ERGO Ltda - Belo HorizonteDisponvel na Biblioteca da UNICEB - Campus Santa Ceclia

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Viva Bem com a coluna que voc temAutor: Jos KnoplickEditora: Ibrasa - 24 edioDisponvel praticamente em todas as livrarias

Fisiologia Articular - Volume 3Autor: I.A. KapandjiEditora Manole LtdaDisponvel na Biblioteca da UNICEB - Campus Santa Ceclia

Infortunstica no TrabalhoCaptulo: A Coluna Vertebral e o TrabalhoAutor: Jos FinocchiaroDisponvel na Biblioteca da FUNDACENTRO/SPRua Capote Valente, 710 - piso trreo

Anatomia Humana BsicaAutores: Jos Geraldo Dangelo e Carlo Amrico FattiniEditora Livraria Atheneu - SPRua Jesuno Pascoal, 30

Biomecnica - Noes GeraisAutor: Luiz Irineu SettineriEditora Livraria Atheneu (vide endereo acima)Disponvel sob encomenda na Faculdade de Medicina de Santos

REVISTAS TCNICAS - ARTIGOS:

Um Enfoque Ergonmico para as Posturas de TrabalhoAutora: Thais Helena de Carvalho BarreiraRevista RBSO n 67 - FUNDACENTRO

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AULA 03

Noes Bsicas de Anatomia e FisiologiaIdentificao das Limitaes do Organismo Humano

SISTEMA MSCULO - LIGAMENTAR

o responsvel pela movimentao do corpo humano, sendo formado pelo conjunto de MSCULOS e suas inseres nos ossos, atravs de TENDES E FSCIAS.

MSCULOS

Os msculos so tecidos que se caracterizam por ampla flexibilidade, por contrao e alongamento de suas clulas, conhecidas por MIOFIBRILAS. Estas, so especialistas em retirar energia qumica, proveniente dos alimentos que ingerimos e transportada pelo sangue, em energia mecnica. O trabalho produzido pelos msculos possibilitado pela vasta vaso-irrigao que lhes garante a devida alimentao, dentro de determinadas condies.

A contrao dos msculos recebe duas classificaes bsicas:

- contrao Isotnica ou DINMICA: o tamanho do msculo alterado, mas no h aumento de tenso em sua parte interna. Exemplo: Fletir o antebrao sobre o brao.

- Contrao Isomtrica ou ESTTICA: ocorre o contrrio, ou seja, no alterado o tamanho do msculo, mas h um aumento de sua tenso interna. Exemplo: Sustentar uma carga com a mo, enquanto o brao permanece estendido.

Tal classificao muito importante, pois as diferentes contraes implicam num consumo diferenciado de oxigncio pelo msculo.

Assim, a contrao dinmica implica em maior consumo de oxignio, mas possibilita um fluxo sangneo facilitado aos tecidos musculares, pois neste tipo de contrao, h perodos intercalados de contrao e relaxamento dos msculos. J na contrao esttica, h um aumento de presso muscular externa sobre as artrias e vasos capilares, deixando-os parcial ou totalmente fechados, diminuindo muito o fluxo sangneo, sem que haja relaxamento durante a atividade.

Com esta diminuio do fluxo sangneo, a taxa de oxignio nos tecidos cai e, ao mesmo tempo, aumenta a taxa de cido ltico, que responsvel por dores musculares. Dependendo do tempo de durao da contrao, para realizar-se a atividade, haver tambm a presena de tremores musculares, que prejudicam a preciso dos trabalhos.

Outro detalhe muito importante relacionado alimentao dos msculos, seja qualquer a contrao por eles apresentada, refere-se CARGA HEMODINMICA, relacionada coluna a ser vencida pelo fluxo sangneo, quando um membro est elevado. Um timo exemplo o do brao estendido acima do nvel da cabea, abduzido sobre o ombro, desenvolvendo alguma atividade (apertar parafusos com uma chave combinada, muito comum para mecnicos). Com os braos elevados, o fluxo de sangue encontra enorme dificuldade em subir at a extremidade (ponta das mos), resultando em dormncia no brao. Tambm nesta situao haver, portanto, diminuio da taxa de Oxignio nos tecidos (veja slide projetado na sala de aula).

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TENDES -so feixes de fibras colgenas, formadas num tecido conjuntivo denso e modelado, vez que tais fibras encontram-se orientadas em direes bem definidas, de modo a oferecer resistncia alta em relao s foras que atuam sobre o tecido. Os tendes so estruturas anatmicas VISCO-ELSTICAS, ou seja, possuem um certo grau de elasticidade, mas este inferior elasticidade apresentada pelas fibras dos msculos, cuja capacidade de contrao e expanso muito maior.

Uma das caractersticas mais importantes dos tendes, a nvel de fisiologia, refere-se ao TEMPO DE REPOUSO necessrio para que o tecido que forma estes consiga retornar ao seu estado natural, ou seja, VISCO-ELSTICO. Quando sobrecarrega-se um tendo, solicitando-o em demasia, o mesmo tende a sofrer leses nas fibras do tecido conjuntivo, pois o limite de elasticidade facilmente ultrapassado.

Tal problema grave na medida em que um tendo lesionado possui recuperao bastante lenta, pois so estruturas no diretamente vaso-irrigadas, mas de alimentao indireta (alimentam-se de substncias nutritivas presentes em tecidos vizinhos, este ltimos, vaso-irrigados).

Os tendes so responsveis pela transmisso de foras atuantes nos msculos, conferindo movimento aos segmentos corporais, pois servem de elemento de ligao entre o corpo central do msculo e os ossos. Outro detalhe anatmico muito importante relacionado aos tendes se refere ao desenvolvimento e fortalecimento diferenciado entre os primeiros e os msculos. O msculo possui grande facilidade de hipertrofiar-se, o que j no ocorre com o tendo. Assim, deduzimos que o desenvolvimento muscular e seu fortalecimento no so necessariamente seguidos pelos tendes que atuam em conjunto, o que pode produzir leses nos pontos de insero do tendo, quando solicitado.

Determinados grupos musculares, como os que atuam nos membros superiores e inferiores, possuem feixes de tendes que movimentam-se dentro de bainhas (tneis), conhecidas por BAINHAS SINOVIAIS. O nome deriva-se do fato de tais bainhas serem constitudas por TECIDO SINOVIAL, que apresenta duas importantes caractersticas :

1) liso e possui clulas secretoras de um lquido lubrificante, o LQUIDO SINOVIAL. Tal caracterstica facilita a livre movimentao do tendo no interior da bainha;2) possui capacidade fagocitria, ou seja, de eliminar resduos metablicos presentes na regio, limpando-a.

Por fim, de se ressaltar que os tendes podem passar por regies nas quais h um estreitamento natural do organismo, determinado, por exemplo, pela presena de ossos ou msculos.

FSCIAS : So lminas de tecido conjuntivo que envolvem os msculos e possuem trs funes bsicas:

1) como lminas elsticas de conteno, as fscias auxiliam no trabalho de trao muscular, quando da contrao dos msculos, limitando-os num local restrito:2) como possuem uma superfcie lisa, as fscias existentes ao redor dos msculos possibilitam que estes deslizem facilmente entre si;3) algumas fscias musculares possuem uma terminao que serve para prender o msculo ao esqueleto, como no caso da musculatura da regio dorsal e lombar, cujas terminaes se inserem nas asas das vrtebras da coluna, como j comentado na aula anterior.

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SISTEMA SANGNEO OU SISTEMA CIRCULATRIO

Tem como funo principal levar nutrientes e oxignio s clulas do organismo, retirando os resduos produzidos pelo metabolismo e levando-os at os rgos que so responsveis por sua eliminao. O sangue que circula pelos tubos do sistema (artrias, veias e capilares) tambm leva clulas especficas que so organismos de defesa contra substncias estranhas ao corpo humano.

O principal rgo do sistema o CORAO, msculo oco que atua como uma bomba contrtil-propulsora, na qual chega sangue venoso e do qual sai sangue oxigenado, que passou pelo processo de HEMATOSE, ou seja, pela troca de CO2 por O2. O sangue venoso circula pelas VEIAS e o sangue j oxigenado, pelas ARTRIAS.

O sistema vital ao nosso organismo, na medida em que percebemos que qualquer tecido que constitui os rgos de nosso corpo, necessita de alimentao e tambm da retirada de resduos metablicos. Do corao parte verdadeira tubovia de artrias que medida que se afastam do msculo principal do sistema, se ramificam e estreitam de dimetro, atingindo as regies mais perifricas e superficiais do corpo, j na condio de vasos capilares.

Justamente quando chega aos capilares que o sangue alimenta os tecidos do corpo humano, removendo as impurezas e retornando, pelas veias, para passar pelos pulmes. Os capilares tambm desempenham uma importante funo junto aos tecidos conjuntivos, quando sofremos um corte ou uma contuso. Clulas com propriedades coagulantes (plaquetas) atuam de imediato no caso de cortes, alm de que o plasma sangneo passado para a regio que est inflamada, sendo esta embebida, transformando-se num EDEMA.

A recuperao de tecidos lesados tambm se d graas alimentao proveniente do sangue, sem falar que o mesmo leva os leuccitos aos locais necessrios, a fim de combater bactrias e microorganismos estranhos.

SISTEMA RESPIRATRIO

composto pelos pulmes, corpos localizados na regio do trax, cada qual de um lado do corao e pelas vias areas. Juntamente com o sistema circulatrio (item acima), responsvel pelo suprimento de oxignio a todos os tecidos do corpo. O sistema protegido pelas costelas e o conjunto inteiro conhecido como caixa torxica. Esta ltima revestida por um tecido em fina pelcula, conhecido como pleura. Sua misso facilitar que os rgos do sistema deslizem suavemente um de encontro ao outro.

A tarefa principal do sistema a da respirao. Tal atividade desenvolvida principalmente pelo diafragma, membrana que se encontra abaixo da caixa torxica, constituda por tecidos musculares resistentes. O diafragma auxiliado pela atuao dos msculos abdominais (quando um est tensionado, o outro est relaxado).

O mecanismo da respirao implica na passagem do ar externo ao organismo atravs da inalao: o ar entra pelo nariz, passa pela traquia e atinge os brnquios, duas ramificaes que se derivam da traquia. Dos brnquios, o ar vai ramificando-se ainda mais, passando pelos bronquolos, at chegar aos alvolos, minsculas bolsas de ar revestidas por capilares. As paredes dos alvolos so extremamente finas, o que possibilita a passagem do ar que ali se encontra para dentro dos capilares, cujas paredes so permeveis. Assim que se d o processo de HEMATOSE (veja Slide).

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importante ao ergonomista o conhecimento de como atua o sistema respiratrio, na medida em que sabe-se que determinadas posturas prejudicam o funcionamento de tal sistema e que o modo como um trabalho pode ser organizado altera o ritmo respiratrio dos trabalhadores.Na aula seguinte sero apresentadas diferentes situaes, nas quais so detalhadas posturas adotadas pelo nosso corpo e as conseqncias adversas que se verificam nos sistemas j estudados.O mecanismo de INSPIRAO do ar merece uma considerao antomo-fisiolgica importantssima para o estudo e aplicao da Ergonomia.Ocorre que a respirao depende do aumento e da dimunuio do VOLUME da caixa torxica, estando este diretamente relacionado ao funcionamento do diafragma e ao mecanismo da INSPIRAO. Esta ltima ocorrendo, determina uma diminuio na presso interna da caixa torxica, com duas conseqncias.1) penetrao de ar pela traquia at os alvolos;2) aumento da presso da circulao venosa para o interior do lado direito do corao, com boa chegada de sangue venoso parede alveolar, em contato com ar renovado e rico em oxignio.Da concluirmos como importante para a manuteno da HEMATOSE a inspirao facilitada por uma postura correta, assunto a ser detalhado na aula a seguir.

PERGUNTAS SIMULADAS PARA A PROVA:

a - Diferencie a contrao muscular Dinmica da Esttica.b - No que consiste a Carga Hemodinmica?c - Explique a importncia do tempo de REPOUSO para os tendes.d - Como os alvolos atuam no processo de Hematose?

PARA SABER MAIS, LEIA:

LIVROS:

- FISIOLOGIA ARTICULAR - VOLUME 3 Captulo IV - A Coluna Dorsal e a Respirao Autor: I. A. KAPANDJI Disponvel na biblioteca da UNICEB - Campus Santa Ceclia

- COLEO O CORPO HUMANO Os Pulmes e a Respirao Autor: BRIAN R. WARD Editora Scipione

- BIOMECNICA - Noes Gerais Autor: LUIZ IRINEU SETTINERI Editora Livraria Atheneu - SP

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AULA 04

Anlise Postural do Corpo Humano

Na aula 01 observamos que o Ergonomista comparece indstria para analisar como um operrio trabalha, avaliando, entre outras coisas, a sua POSTURA DE TRABALHO e as ATIVIDADES MOTORAS pelo mesmo desenvolvidas. Atravs desta anlise que so identificadas diversas incompatibilidades existentes entre o posto de trabalho e os limites do corpo humano.

A postura do corpo compreendida como o arranjo relativo entre as partes que compem este corpo. A BOA postura aquela que se caracteriza pelo EQUILBRIO entre os diversos segmentos corporais estruturais (ossos e msculos, de modo geral), protegendo o organismo contra agresses e deformidades. Na BOA postura, portanto, as estruturas orgnicas desempenham suas funes de modo eficiente.

Por concluso, a M postura pode ser conceituada como aquela em que h DESEQUILBRIO entre aquelas partes do corpo e tambm na qual o relacionamento entre as estruturas ineficiente, induzindo o organismo agresses e leses diversas, localizadas ou generalizadas.

J as atividades motoras so compreendidas como os movimentos que rearranjam os segmentos corporais entre uma postura e outra, sejam tais movimentos amplos ou reduzidos.

Podemos classificar, segundo WISNER, as atividades motoras em:

- gestos de observao;- gestos de ao e- gestos de comunicao.

Os gestos de observao so aqueles utilizados para se captar informaes e sinais que chegam ao posto de trabalho. Os gestos de ao so os modos operatrios adotados pelo trabalhador neste mesmo posto. Por fim, os gestos de comunicao so compreendidos pela linguagem gestual usada pelos trabalhadores para transmitir alguma mensagem.

Repare que todos os gestos esto diretamente relacionados realizao de uma tarefa e, para que esta seja efetuada com sucesso, so adotadas posturas de trabalho e, entre estas, so desenvolvidas atividades motoras.

Exemplo:

Um operador de ponte rolante est na cabine de operao deste equipamento, a 30 metros de altura. Um trabalhador est no piso de galpo. O operador da Ponte observa o outro trabalhador, que lhe faz um sinal, para que abaixe o guincho at sobre um motor de bomba que est no piso. Interpretando este sinal, o operador posiciona o guincho na altura indicada.

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FATORES QUE INFLUEM NA ADOO DE POSTURAS

Como vimos, os gestos so adotados entre uma postura e outra para a realizao de tarefas. Mas preciso analisar PORQUE os gestos so adotados pelo trabalhador, levando-o adoo desta ou daquela postura. Vrios so os fatores que influem e, at mesmo obrigam o trabalhador adoo de posturas inadequadas, levando seu organismo agresses e leses diversas.

- Fatores relacionados natureza da tarefa.

Dependendo do tipo de tarefa, esta mais voltada atividade mental ou atividade fsica. Cada atividade implicar na adoo de posturas que correspondem natureza. Exemplos:

A- Um operador de painel que trabalha numa sala de controle, sentado, observando dezenas de mostradores, controlando vriaveis de um processo industrial. A atividade de natureza mental.

B- Um estivador que trabalha junto a uma correia transportadora de sacos de caf, no cais do porto. Seu trabalho implica em permanente movimentao e esfro fsico.

- Fatores Fsicos Ambientais.

Compreendem a quantidade de grandezas fsicas existentes no ambiente e no posto de trabalho, no qual est o trabalhador. Rudo, iluminamento, temperatura, umidade, so alguns fatores que implicam na adoo de posturas. Exemplos:

A- Um metalrgico controla a qualidade de peas produzidas numa linha de montagem e sua movimentao nesta linha, observando tais peas atravs de uma pequena abertura existente num tapume que serve de proteo. O tapume no foi previsto originalmente para a linha de produo, mas o prprio metalrgico o colocou defronte linha, pois as peas que por ali passam ainda esto incandescentes, irradiando calor em excesso, que no suportado pelo organismo humano. Neste exemplo, observa-se que o trabalhador acaba inclinando a cabea at a altura da abertura existente no tapume, a fim de obter um ngulo de viso das peas. O calor (agente fsico) implicou na colocao do tapume (Veja slide na sala de aula).

B- Um digitador trabalha sentado defronte uma mesa, operando seu micro. O CPD no qual trabalha refrigerado por sistema de ar condicionado central. Uma calha percorre a sala do CPD no sentido longitudinal, com vrias derivaes da calha central que distribuem diversas tubulaes de insuflao de ar no ambiente. Uma grelha de ar est sobre a mesa do digitador, insuflando ar frio que atinge a regio da sua coluna cervical. Inconscientemente, o digitador adota uma postura encolhida, tensionando os msculos da cintura escapular e da cervical.

- Fatores Dimensionais.

Muito comuns, os fatores dimensionais de um posto de trabalho influenciam diretamente na adoo de posturas e gestos dos trabalhadores. Referem-se ao tamanho e localizao de alavancas, botes, pedais, teclados, volantes, entre outros dispositivos de comando de mquinas e equipamentos. Tambm a presena de estruturas, degraus, passagens, influenciam na postura adotada. Exemplos:

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A- Na aula 01 j temos um timo exemplo, em relao postura adotada pela operria da linha de montagem de rdios e toca-fitas. No havia espao abaixo da bancada de trabalho, pela presena de cantoneiras, impossibilitando a colocao das pernas e ps da operria, o que a obrigou a rotacionar o tronco para um dos lados, torcendo a coluna. Para colocar painis com dispositivos eletro-eletrnicos j montados numa esteira rolante, a operria debruava seu corpo sobre caixas de plstico e estendia todo o brao. So posturas adotadas em funo das dimenses do posto e da localizao de seus diferentes componentes.

B- Um operador de Ponte Rolante debrua o tronco e a cabea por sobre o caixilho da janela localizada na cabine de controle, numa altura de 03 andares (possibilidade de queda-livre). Tal postura absurda (veja o slide) ocorre em funo da necessidade que o operador da PR tem de visualizar os equipamentos que se encontram abaixo da cabine da ponte. No exemplo, percebemos que, se o operador ficar sentado no banco existente dentro da cabine, ser impossvel enxergar as bobinas de ao que devem ser iadas pelo guincho, o que o obriga a debruar-se para fora da cabine.

C- Numa rea industrial de grande porte, com diversos pavimentos, encontram-se equipamentos com altura elevada, como tanques de estocagem (entre 15 e 20 metros) sobre os quais h motores, bombas e tubulaes que sofrem manuteno mecnica. Falhas no projeto da rea industrial possibilitam que alguns destes equipamentos sejam posicionados muito prximos a pisos, plataformas ou paredes da rea, o que implica em verdadeiros malabarismos posturais por parte dos trabalhadores. Bocas de visita de tanques e caldeiras, muitas vezes de dimetro restrito, s permitem mesmo que os mecnicos e outros profissionais de manuteno entrem no vaso por terem dimenses corporais pequenas.

- Fatores Temporais.

So de grande importncia, na medida em que j temos conscincia de que os trabalhadores so obrigados a adotar posturas absurdas e que as agresses ao organismo so ainda mais acentuadas, quanto maior for o tempo em que o corpo permanece em desequilbrio.

Se as atividades so desenvolvidas sob presso de tempo, a situao se agrava em funo da tenso nervosa qual o trabalhador se expe. Mais uma vez usaremos o exemplo da operria mencionada na AULA 01:

A- O controle da velocidade da esteira rolante que corre junto s bancadas de trabalho no da operria, sujeitando-se a mesma velocidade imposta por sua chefia. Ela sabe muito bem que se a velocidade aumentada na linha de montagem, um recado est sendo enviado todas as operrias: TRABALHEM MAIS RPIDO. Tal situao s leva muitas vezes a um descontrole emocional, pois esto sendo pressionadas a aumentar o ritmo de trabalho. Esta situao costuma fazer com que a concentrao mental das trabalhadoras aumente muito, implicando-as a aproximar o tronco e a cabea ao plano de trabalho da bancada, alterando a postura.

O mais impressionante que a operria nem ao menos se d conta de tal situao. S no final de um turno de trabalho, quando sai para almoar, por exemplo, que a operria sente a agresso postural, manifestada por fortes dores musculares e retesamento de tecidos, ligamentos, etc.

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B- Situaes parecidas tambm se verificam na seo de controle de qualidade, no final da linha de montagem de produtos. Uma esteira rolante faz com que os produtos acabados passem na frente de um inspetor, que deve observar alguns detalhes da pea, procurando defeitos. Caso haja detalhes que exigem grande acuidade visual por parte do inspetor, o mesmo acaba debruando o tronco sobre a esteira, aproximando a cabea (e os olhos) do objeto a ser inspecionado, adotando uma postura errada. Se a velocidade da esteira for incompatvel capacidade mental do inspetor, o fator temporal (tempo para identificar defeitos e rejeitar a pea) caracterizado.

O TRABALHO NA POSTURA SENTADA E NA POSTURA DE P

J est comprovado cientificamente que ambas as posturas resultam em uma srie de inconvenientes para o nosso organismo.

Quando se est de p, necessitamos considerar duas situaes distintas: de p com o corpo parado e de p com o corpo em movimento (andando, por exemplo).

DE P, COM O CORPO PARADO

Situao muito comum para vendedores e balconistas, tal postura caracteriza-se por um acmulo de sangue venoso retido junto aos tecidos dos membros inferiores, em funo de um esforo muscular esttico. Como no h movimentao, ou esta muito discreta, o sangue tem dificuldade em voltar ao corao, onde oxigenado. A dor nas pernas em tal situao comum e at mesmo a sensao de formigamento relatada.

DE P, COM O CORPO EM MOVIMENTO

Quando andamos, os msculos das pernas encontram-se em contrao e relaxamento alternados, o que facilita o fluxo de sangue e conseqnte oxigenao do mesmo. No ocorrendo acmulo de sangue venoso nos tecidos, estes no ficam entumecidos, concluindo-se que dificilmente haver dores na regio. Contudo, quando caminhamos em rampas (planos inclinados) ou em escadas, o dispndio energtico aumenta, pela necessidade que temos de equilibrar a parte do corpo que est momentaneamente sem apoio.

SENTADO

Ao contrrio do que muitos possam pensar, a postura sentada no implica num relaxamento da musculatura corporal e num trabalho mais facl e confortvel. Tais respostas apenas se verificam em condies especiais, nas quais a cadeira que se usa perfeitamente adequada s caractersticas anatmicas de seu usurio.

Normalmente as situaes vivenciadas pelos trabalhadores que ativam-se em postura sentada resulta em dores e incmodos relevantes, chegando ao ponto em que o trabalhador passa a recusar o assento e d preferncia ao trabalho em postura de p (exemplo da aula 01).

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De fato, o constante trabalho sentado promove uma flacidez no msculos abdominais, geralmente acompanhada por uma indesejvel curvatura nas costas, desde a regio dorsal at a regio lombar (coluna em C). Tal postura inclinada resulta na convergncia das costelas superiores, o que diminui a amplitude de seus movimentos. Tambm o espao onde normalmente atua o diafragma diminudo. A conseqncia ser uma respirao reduzida.

Acompanhando tais problemas, verifica-se que a postura da coluna em C, produz uma presso assimtrica nos discos intervertebrais, o que favorece a sada do lquido nutriente que embebe os tecidos do anel e do ncleo pulposo e j vimos, na AULA 02, quais as conseqncias de tal situao (degenerao acelerada da coluna vertebral).

A postura inclinada para frente (ou coluna em C) promovida geralmente quando no h encosto na cadeira ou quando este existe, mas intil, pois o trabalhador se v obrigado a deslocar o tronco para a frente, a fim de obter o alcance motor e/ou visual em relao ao plano de trabalho (um painel de controle, uma bancada, etc.).

H outra situao em que torna a postura sentada bastante incmoda. Quando no h espao para colocar as pernas abaixo do tampo de uma mesa, o indivduo obrigado a sentar com as pernas de lado, rotacionando exageradamente a coluna lombar e dorsal em relao cintura plvida. Tal postura acarreta a tenso localizada de determinados grupos musculares das costas, dificultando a oxigenao destes e causando rapidamente dores.

Quando trabalha-se sentado de frente a um balco de mesa muito alta, a coluna fica retificada, com diminuio das curvaturas naturais (lordose e cifose). Ocorre que tais curvaturas so responsveis pela sustentao do tronco e, diminudas, resultam numa contrao esttica da musculatura do dorso, que se reflete na alimentao da coluna vertebral, expulsando o lquido nutriente do interior dos discos.

NEM SENTADO, NEM DE P

muito comum observar em oficinas e em reas industriais uma postura em que o indivduo parece estar de p, mas tal a inclinao de seu tronco para a frente, que no podemos considerar tal posio como ortosttica, mas sim , no Meio do Caminho.

Esta postura inclinada, que confere o famoso formato em C coluna, implica nos problemas j citados nos itens anteriores (veja tambm a AULA 02).

RECOMENDAES PARA O TRABALHO SENTADO

Impossvel seria considerarmos que o indivduo que trabalha sentado deve preocupar-se apenas com a cadeira que usa, visto que o trabalho sentado se d em relao uma superfcie de trabalho que relaciona-se com o assento no qual est o indivduo.

Assim, as recomendaes ergonmicas no se limitam especificaes de cadeiras adequadas a tal postura, mas tambm superfcies de trabalho frente da cadeira. A relao dimensional entre os dois componentes do posto de trabalho muito importante, como veremos a seguir.

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A CADEIRA

Observaes efetuadas por profissionais de Medicina do Trabalho com funcionrios tpicos de escritrio, relatam que h diversas posturas de trabalho sentado no decorrer do dia e que no h postura padro. Tal fato facilmente justificvel na medida em que nosso organismo no suporta condies estticas, mas sim, gosta da alternncia dos movimentos. J vimos que quando o sistema muscular contrai-se e relaxa alternadamente, h uma boa vaso-irrigao dos tecidos, o que evita dores.

Portanto, quando trabalhamos sentados, no permanecemos numa nica postura, mas adotamos diversos reajustes posturais. Conclumos, assim, que a cadeira na qual estivermos sentados dever possibilitar tais ajustes, sendo flexvel, nunca fixa (a cadeira onde voc est sentado agora possui regulagens?).

Tais regulagens devem existir para que sempre que tenhamos que mudar de postura, as partes da cadeira (assento e encosto) se movimentem junto com o corpo, sustentando-o.

Exemplo: se voc estiver numa cadeira de encosto fixo, e quizer se espreguiar, jogando o tronco para trs, levantando os braos, verificar que isto impossvel, a no ser que voc jogue a cadeira para trs e caia no cho. O encosto, portanto, deve ser mvel, basculando para trs e para a frente junto com os movimentos executados pelo tronco.

Outra importante considerao refere-se ao assento da cadeira. Voc j deve ter sentado num daqueles sofs que engolem a pessoa, afundando e tendo grande dificuldade para levantar-se depois. Tambm j deve ter sentado em bancos e cadeira de madeira IN NATURA, sem qualquer tipo de revestimento ou frro. Qual das duas situaes acima a pior? - Resposta: AS DUAS !

Vejamos o sof que engole pessoas: quando nos sentamos, temos uma impresso inicial de muito confrto, pois o assento muito macio. Isto apenas um iluso que leva poucos minutos, para que logo mudemos de opinio! Ocorre que o sof em tais condies fora a coluna para uma inclinao frontal, pois se ficarmos na posio engolida, nosso tronco e a cabea ficaro arremessados para trs (olharemos para o teto!). Assim, a musculatura das costas fica em contrao esttica e j sabemos o que resulta tal contrao para nossos msculos e para a coluna.

Ao mesmo tempo, a face posterior das coxas encontra-se totalmente apoiada no assento, o que no nada bom, pois h um lento, mas progressivo, esmagamento de tecidos superficiais daquela regio, com presso exercida sobre os vasos capilares. Tal presso dificultar a circulao sangnea e os ps em breve ficaro formigando.

Vejamos agora o que ocorre com o banco de madeira. A superfcie, no sendo revestida, produz uma concentrao de presso sobre a parte inferior da cintura plvica, sobre duas tuberosidades localizadas nos squions. que todo o peso do corpo que se encontra acima da bacia passado para esta regio, sem que haja uma distribuio da carga sobre uma superfcie uniforme da face posterior das ndegas e das coxas.

Portanto, o assento da cadeira no deve ser constitudo apenas com uma tbua de madeira, nem receber um revestimento tipo almofada de sof. O ideal que a estrutura do assento seja em prancha de madeira moldada e revestida de espuma com uns 2 centmetros de espessura.

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A altura do assento deve ser regulvel, com curso de 10 cm. Sistema de amortecimento com mola ou a gs essencial.

A SUPERFCIE DE TRABALHO

Tampos de mesa, bancadas, painis de controle, pranchetas de desenho, volantes de mquinas, teclados de computadores so superfcies de trabalho que se localizam geralmente frente de assentos de trabalho.

Postos de trabalho que implicam na postura sentada so bastante comuns e inmeros apresentam inadequaes em relao anatomia do corpo humano. Caixas de supermercados, de farmcias, desenhistas, dentistas, bancrios, operrias de linhas de produo, escolhedeiras, datilgrafos, digitadores, so profissionais que se sujeitam diariamente posturas foradas quando esto sentados.

Tais posturas ocorrem porque a relao entre a cadeira na qual sentam as pessoas no est compatvel com os planos de trabalho em questo.

Exemplo: CAIXA DE BANCO

Repare que o caixa de banco costuma trabalhar muito de p, mesmo tendo sua disposio uma banqueta. que a superfcie de trabalho do caixa no se limita a um balco, mas possui uma gaveta de grandes propores, que, para ser aberta, invade o espao ocupado pelo tronco do funcionrio, caso este fique sentado na banqueta. Para ficar sentado, o caixa deve posicionar a banqueta longe do balco, para dar espao gaveta que aberta constantemente. Se ficar afastado, no alcana a registradora que est no fundo do balco. Assim, prefere ficar de p, postura na qual obtm maior mobilidade em relao ao posto de trabalho.

PERGUNTAS SIMULADAS PARA PROVA:

a- Como pode um fator fsico AMBIENTAL alterar uma postura? (d um exemplo diferente daquele da apostila!)b-D dois exemplos de fatores DIMENSIONAIS que obrigam um trabalhador a adotar posturas inadequadas (no adianta copiar da apostila!)c- A operria mencionada na aula 01 trabalha sentada, em seu posto de trabalho. Tente relatar TODOS OS PROBLEMAS POSTURAIS que ela enfrenta diariamente.d- Procure explicar qual a relao existente entre a cadeira usada por um digitador e a mesa onde est o micro que ele usa, em relao s posturas que o digitador adota em seu trabalho. Faa uso de exemplos, imaginando que o teclado est muito baixo, ou que o monitor de vdeo est muito alto, etc.

PARA SABER MAIS, LEIA: LIVROS:ANATOMIA HUMANA BSICAAutores: Jos Geraldo Dangelo Carlo Amrico FattiniEditora: Livraria Atheneu - SP Rua Jesuno Pascoal, 30 - So Paulo

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TEMAS DE SADE OCUPACIONALAutor: Hudson de Arajo CoutoEditora ERGO S/C Ltda - Disponvel na UNICEB - Santa Ceclia

GUIA PRTICO - TENOSSINOVITESAutor: Hudson de Arajo CoutoEditora ERGO S/C Ltda - Pedidos pelo tel. (031) 261-3736

ERGONOMIA - PROJETO E PRODUOAutor: Itiro LidaEditora: (veja aula 01)

LEVANTAMENTO E TRANSPORTE MANUAL DE PESOSSRIE CONSTRUO CIVILAutor: Monticuco & KopelowiczEditado pela Fundacentro

REVISTAS TCNICAS - ARTIGOS:

ENFOQUE ERGNOMICO DOS POSTOS DE TRABALHOAutor: Carlos Maurcio Duque dos SantosFonte: Revista Cipa n 143

CONSIDERAES ERGNOMICAS SOBRE O TRABALHO NO SETOR DE ACABAMENTO: Contagem e Embalagem de PapelAutora: Dirce dos SantosFonte: Revista Cipa n 147

A PREVENO DA HRNIA DE DISCO NA CONTRUO CIVILAutora: Ftima Lcia Vieira de MacedoFonte: Revista Cipa n149

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AULA 05

Posto de Trabalho

CONCEITO

Por Posto de Trabalho entendemos um local no qual um trabalhador desenvolve suas atividades. Para tanto, informaes chegam ao posto, bem como partem dele. do posto que parte a atuao do trabalhador, atravs dos elementos que constituem tal base, como os comandos pelos quais se controla uma mquina, um veculo, uma aeronave, etc.

importante, contudo, perceber que a anlise ergonmica de um posto de trabalho no se limita ao tamanho do posto ( uma cabine, uma bancada, uma mesa, etc). Tal ocorre em funo da ABRANGNCIA do posto, que pode se estender por diversas reas de atuao, que so controladas daquela base. Inmeros exemplos ilustram o mencionado acima:

Exemplo 1: Imagine uma central eltrica, integrante de uma usina hidreltrica. Na sala de controle, diversos paneis de controle permanecem 24 horas por dia atuando sobre a gerao e distribuio de energia. Da sala, controlam-se centenas de quilmetros de raio ao redor da usina e tudo que ocorre de anormal registrado nos paneis. Percebe-se, portanto, a abrangncia enorme de tal posto de trabalho.

Exemplo 2: Um operador de ponte rolante atua numa rea de uma siderrgica. Sua funo bsica controlar os guinchos da ponte, para a elevao, transporte e descarga de peas, maquinrios, etc. Interessante observar, contudo, que o operador encontra-se dentro de uma cabine elevada a aproximadamente 30 metros de altura e que a ponte movimenta-se ao longo de um galpo cujo comprimento chega a 500 metros. Toda e qualquer pea, objeto, mquina, etc.a ser transportada pela ponte estar, portanto, a pelo menos 30 metros de distncia do homem que controla tal operao. Ao analisarmos ergonomicante tal posto de trabalho, no podemos atentar apenas s caractersticas da cabine da ponte rolante. Na verdade, interessa ao ergonomista todo e qualquer detalhe presente ao longo dos 500 metros do galpo no qual atua a referida ponte, pois para l que o operador ir olhar.

Exemplo 3: Um operador de locomotiva atua na cabine de controle da mquina, que responsvel pelo deslocamento de uma composio de 60 vages. Toda e qualquer manobra efetuada pela locomotiva ser de imediato transmitida composio, sendo que h situaes nas quais o operador no consegue ver o que ocorre com os ltimos vages, pela presena de tneis, curvas, morros, entre outros obstculos.

Pelos exemplos acima, percebe-se como a anlise ergonmica no se limita mquina, ao painel, ou cabine de onde se controlam operaes, mas vasta rea de atuao controlada da base de trabalhos. Isto nos leva a um importante conceito, chamado pelos ergonomistas de SISTEMA HOMEM X MQUINA.

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O SISTEMA HOMEM X MQUINA

Em todos os exemplos acima, h uma caracterstica em comum. ALGUM est controlando o andamento das operaes. Para tanto, uma seqncia observada, um ciclo de atividades fechado de tempos em tempos, anotaes so feitas, posturas so adotadas, informaes so recebidas, processadas, interpretadas, concluses so tiradas e, caso necessrio, aes so desempenhadas, para alterar um rumo, uma trajetria, um movimento, uma determinada quantidade, etc.

Observemos uma etapa do trabalho do maquinista da locomotiva: A composio j se encontra em andamento sobre os trilhos. Na cabine, o trabalhador controla regularmente o nvel de combustvel, a velocidade, a temperatura, o nvel de leo, condio dos freios, entre outras variveis inerentes ao seu trabalho. So dados provenientes da prpria mquina que ele opera.

Mas o que no dizer a respeito do ambiente externo locomotiva? Est chovendo? A trajetria est livre frente? noite ou dia? Quais as condies de visibilidade (neblina, chuva, fumaa, etc)? Tudo isto se refere s INFORMAES. Nestas que o operador presta a ateno, pois analisando-as que consegue tomar ATITUDES (freiar, acelerar, acender faris, ligar o limpador de pra-brisa, etc).

Pois bem, o mecanismo de recebimento e emisso de informaes e atitudes conhecido como interface HOMEM X MQUINA ou SISTEMA HOMEM X MQUINA. A Ergonomia estuda tal sistema para interferir nos projetos dos postos, de forma a trabalhar com as dimenses, os formatos, as cores, a iluminao, a localizao de vidros, passagens, acessos, visibilidade, entre tantos outros fatores.

Para tanto, a Ergonomia faz uso das cincias que j foram citadas anteriormente, para conhecer os limites sensoriais do homem (espectro de cores visveis, nveis de presso sonora, tato, etc) e limites fisiolgicos e anatmicos (alcances, ngulos de confrto, fora muscular, etc.)

A Ergonomia tambm analisa e interfere na comunicao que se estabelece entre o homem e seu posto de trabalho, alterando o formato e tamanho de letras impressas em mostradores (voltmetros, ampermetros, termmetros, etc. indicadores de nvel de variveis das mais diversas), alterando ngulos, eliminando reflexos e ofuscamento, otimizando a iluminao no ambiente, encontrando a velocidade mais adequada para que uma escala se movimente, etc., etc. As reas envidraadas, que possibilitam uma viso do que ocorre externamente ao posto, tambm sofrem estudos.

A IMPORTNCIA DOS ALCANCES MOTOR E VISUAL

Por ALCANCE MOTOR entendemos que um objeto qualquer alcanado por um segmento corporal, geralmente pela mo. Quando o maquinista da locomotiva aperta um boto no painel que se encontra sua frente, est exemplificando o ALCANCE MOTOR.

Por ALCANCE VISUAL entendemos tudo aquilo que devemos ver e que, efetivamente, conseguimos ver e interpretar como informaes. Estas informaes geralmente so essenciais ao bom andamento do trabalho. Novamente, recorrendo ao exemplo do maquinista, encontramos uma situao aplicvel ao ALCANCE VISUAL, pois a trajetria da composio nos trilhos acompanhada constantemente pelo visor frontal e superior da locomotiva.

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EXERCCIO: Observe o slide apresentado em sala de aula e procure explicar qual a relao entre o ALCANCE VISUAL e o ALCANCE MOTOR do posto de trabalho da locomotiva.

Agora procure responder:

a) Por que o maquinista projeta sua cabea pela janela lateral e olha para fora?b) O que ocorre com o ALCANCE MOTOR de seu brao esquerdo quando adota tal postura?

A anlise que voc acaba de fazer caracterstica tpica do trabalho desenvolvido pela Ergonomia. sempre necessrio perguntar por que uma determinada situao de desconfrto (e at mesmo de risco) est ocorrendo e tambm as conseqncias de tal situao.

REAS DE TRABALHO E ALCANCES

As reas de trabalho de um posto implicam necessariamente em alcances (motor e/ou visual). Contudo, certos equipamentos, certos painis ou certos botes so muito mais utilizados do que outros. Claro est, portanto, que aqueles instrumentos mais utilizados devem estar mais ao alcance do trabalhador, sendo considerados prioritrios.

A localizao de tais instrumentos, regra geral, no deve implicar em alteraes posturais do trabalho, na medida do possvel. Um excelente exemplo verifica-se nos automveis, quanto ao posto do motorista. Observe que o motorista controla a trajetria do veculo sem praticamente adotar grandes mudanas posturais, permanecendo sempre sentado e com as mos deslocando-se muito discretamente entre um boto e o volante. Mesmo ao olhar para o espelho retrovisor esquerdo (externo), o motorista s rotaciona levemente a cabea.

Contudo, repare na prioridade. O volante obviamente encontra-se numa excelente localizao, visto que sempre usado. J a regulagem do espelho retrovisor encontra-se um pouco mais afastada, eis que s se regula uma vez, quando se entra no automvel.

Tal exemplo nos leva a dois conceitos bastante difundidos no projeto ergnomico, ou seja, s REAS DE TRABALHO TIMA E MXIMA. A primeira j diz tudo, uma excelente localizao para controles, mostradores e instrumentos, que praticamente mantm a postura do trabalhador inalterada, sendo que este no sente qualquer desconfrto em relao aos alcances. A segunda se refere a mxima localizao possvel, que implica em deslocamentos posturais e desvios nos segmentos corporais, dentro de limites que no acarretem em leses, aplicvel apenas a instrumentos pouco utilizados. Um exemplo de localizao em reas TIMA e MXIMA demonstrado na ilustrao da Prancha n 13.

USO SEQENCIAL DE DISPOSITIVOS

At agora, voc estudou a localizao de dispositivos de comando e de informaes segundo a FREQNCIA DE USO, ou seja, aqueles muito ou pouco utilizados. Mas h um outro fator que considerado para efeito de localizao de dispositivos, que se refere SEQNCIA DE USO dos instrumentos, que vamos detalhar a seguir.

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Determinadas operaes efetuadas em reas industriais, requerem atividades complexas e que envolvem alto risco para o processo de produo. So tpicas as grandes paradas em unidades de indstrias qumicas, petroqumicas, entre outras. Enquanto a unidade est produzindo normalmente, as variveis do processo encontram-se praticamente estveis, sendo controladas com relativa facilidade.

Entretanto, nas paradas ou nas partidas destas unidades, o processo tem suas variveis alteradas durante um certo perodo (pode levar horas), no qual o controle efetuado torna-se crtico, vez que os equipamentos (bombas, compressores, caldeiras, tubulaes, etc.) esto sofrendo mudanas de temperatura, presso, vazo, voltagem, amperagem, etc.

Ora, a parada ou a partida de uma unidade deve respeitar um procedimento padronizado pela empresa, na qual uma SEQNCIA de operaes seguida, de modo a desativar ou reativar a unidade progressivamente. A seqncia de operaes acompanhada geralmente em salas de controle ou CCIs, junto a painis nos quais h sries de dispositivos de controle e de informao. importante que a localizao de tais dispositivos respeite o homomorfismo entre o acionamento seqencial de botes e alavancas e o que est ocorrendo na rea. Observe o exemplo:

Num painel que representa uma srie de bombas dgua, localizadas na extremidade oeste da fbrica, os botes que ligam e desligam tais bombas respeitam uma seqncia da esquerda para a direita, exatamente a posio relativa das bombas que devem ser primeiro desligadas, at chegar-se ltima. Isto facilita bastante o trabalho do operador da sala, pois o painel reproduz aquilo que de fato ocorre na rea externa.

ESTERETIPOS APLICADOS EM POSTOS DE TRABALHO

A relao existente entre aquilo que se manipula num painel de controle e aquilo que acontece na rea de produo est diretamente ligado a esteretipos, ou seja, ao conhecimento j adquirido pelo indivduo dos movimentos que deve fazer, pela vivncia e intuio.

Assim, inclina-se uma alavanca para a esquerda, se um fluxo de produo est sendo dirigido para este mesmo lado. Um registro girado em sentido horrio se o operador quer fechar ou interromper o fluxo. Inverses no sentido de direo ou de giro de dispositivos de controle geralmente resultam em acidentes e, no mnimo, em incmodos para o operador no instante em que deve tomar decises rpidas e adotar aes imediatas sobre o painel sob sua responsabilidade.

Exemplo: Uma srie de 5 registros localizados lado a lado e numerados numa seqncia de 1 a 5, encontra-se numa parede de uma rea industrial. Todos os registros fecham quando girados para o sentido horrio, com exceo do registro n 2, que s fecha no sentido anti-horrio. Tal situao responsvel por vazamentos e outros acidentes, pois um trabalhador pode fechar o registro n 2, quando na verdade o est abrindo!

Observe agora os slides apresentados em sala de aula e acompanhe as explicaes do professor, relacionadas ausncia de esteretipos numa cabine de ponte rolante e como foram solucionados os problemas derivados da situao apresentada.

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O REDESIGN DO POSTO DE TRABALHO

Reprojetar um posto de trabalho inadequado implica em se levantar os problemas no prprio local de trabalho, verificar a abrangncia do posto, as posturas adotadas pelo trabalhador, entre outros tantos fatores. Mas reprojetar o posto novo apenas na prancheta correr o risco de dimensionar partes daquele, sem testar se os alcances, as posturas, a visibilidade, possibilitaro realmente um trabalho mais confortvel e seguro para o seu usurio.

Assim, muito comum ao Ergonomista que antes de entregar o projeto final do novo posto, faa testes num simulador (o termo usual MOCK-UP). Neste, construdo em escala 1:1, o prprio trabalhor simular as situaes que vivencia na rotina diria de seu trabalho, criticando aquilo que julgar como ainda no plenamente solucionado.

O MOCK-UP, dependendo da riqueza de detalhes funcionais que lhe forem aplicados, servir at mesmo como treinamento prvio para os trabalhadores do posto que est sofrendo a interveno ergonmica.Observe novamente os slides projetados na sala de aula, referentes a MOCK-UPS desenvolvidos para postos de trabalho de pontes rolantes. Fotografias com MOCK-UPS de terminais de SDCDs tambm esto disponveis para as observaes dos alunos.

PERGUNDAS SIMULADAS PARA A PROVA:

a- Por que o ergonomista observa a quantidade e qualidade da iluminao presente num galpo, se est analisando uma cabine de ponte rolante que atua no mesmo galpo?b- Como pode o ALCANCE VISUAL interferir no ALCANCE MOTOR?c- O que se entende por SISTEMA HOMEM X MQUINA?d- No que influi a freqncia de uso de dispositivos localizados num painel de controle, quanto ao alcance de tais dispositivos?e- Apresente um exemplo relacionado seqncia de uso de dispositivos de informao e de controle, confrontando-a com equipamentos que se movimentam numa rea industrial.

GLOSSRIO:

HOMOMRFICO, Movimento: movimento no qual se observa que a direo e o sentido aplicada pela segmento corporal, acompanha a direo e o sentido daquilo que se controla. O volante do carro, movimentado pelas mos do indivduo que o dirige, um timo exemplo de movimento homomrfico.

PARA SABER MAIS, LEIA:

LIVROS: O QUE HOUVE DE ERRADO?Autor: TREVOR A. KLETZEditora MAKRON BOOKS-SPRua Tabapu n 1105 - So Paulo - Tel. (011) 829-8604 ERGONOMIA - Projeto e ProduoAutor: Itiro IidaEditora: Edgard Blcher LtdaDisponvel na Livraria Cultura, tel. (011) 285-4033

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Antropometria

a cincia da qual faz uso a Ergonomia, relacionada s dimenses do corpo humano e a relao que existe entre os diversos segmentos corporais. As dimenses antropomtricas esto diretamente envolvidas aos ALCANCES MOTORES de um indivduo e s POSTURAS pelo mesmo adotadas.

Quando menciona-se que a ANTROPOMETRIA estuda as dimenses do corpo humano, preciso considerar que tais dimenses so obtidas em duas situaes bastante distintas: DIMENSES ESTTICAS e DIMENSES DINMICAS.

Na ANTROPOMETRIA ESTTICA, so consideradas as dimenses do corpo quando o mesmo encontra-se em uma postura considerada NEUTRA, sem que uma atividade motora esteja sendo desenvolvida. Seria uma obteno de dados BSICOS em relao s nossas dimenses, sem grande profundidade.

J na ANTROPOMETRIA DINMICA, so consideradas as dimenses dos diversos segmentos corporais quando se encontram em MOVIMENTO, ou seja, so obtidas importantes informaes relacionadas aos ngulos utilizados pelas articulaes, os alcances dos segmentos corporais e, o principal, quais as posturas NATURAIS e CONFORTVEIS adotadas.

Percebe-se, desde j, como a ANTROPOMETRIA relaciona-se com a ANATOMIA e FISIOLOGIA.

OBJETIVOS DA ANTROPOMETRIA

Para que as dimenses dos segmentos corporais e dos ngulos entre estes segmentos so levantadas? Por que importante conhecer as diferenas dimensionais existentes entre uma populao de trabalhadores?

Vamos responder a tais questes fazendo uso, inicialmente, de um exemplo. Vamos supor que numa linha de produo, com 100 postos de trabalho, encontramos operrios e operrias. As bancadas de trabalho so fixas (sempre a mesma altura, sempre a mesma profundidade, etc.) e as cadeiras usadas so do mesmo fabricante, todas iguais.

A populao de trabalhadores, contudo, DIFERENTE. Um homem de 25 anos de idade, 1,85 de altura e 90 quilos de peso trabalha ao lado de uma mulher com 40 anos de idade, 1,52 de altura e 54 quilos de peso. Os dois devem trabalhar sentados, alcanar os mesmos objetos e mont-los. Depois, devem colocar o objeto j montado numa nica esteira que passa acima da bancada, numa altura padronizada em toda a linha de montagem.

Observando-se as duas pessoas trabalhando, imediatamente so diagnosticados vrios problemas:

- enquanto o homem no apresenta a menor dificuldade em alcanar o fundo da bancada, onde se localizam algumas peas em caixas plsticas, a mulher necessita debruar o tronco frente, esticando o brao para atingir tal regio;

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- o homem apoia facilmente os ps no piso da rea. A mulher, para conseguir tal postura, senta na ponta da cadeira, afastando a regio lombar do encosto;

- para colocar uma pea na esteira rolante, o homem levanta levemente o antebrao e alcana a esteira. Para fazer o mesmo, a mulher tem que esticar todo o brao;

- ao levantar da cadeira, o homem necessita de cuidados, pois pode bater a cabea numa estrutura de tubulaes e bandejas eltricas existentes na rea. Com a mulher isto no acontece;

- o espao existente abaixo do tampo da bancada apertado para as pernas do homem, cujos joelhos esbarram numa cantoneira. Isto no ocorre com a mulher.

- a largura do assento da cadeira, usada pelo homem, possui dimenses adequadas. A mulher, quando sentada, sente que a borda lateral do assento pressiona a face posterior das coxas e ndegas, o que lhe d uma sensao de aperto;

Obviamente os exemplos continuariam. Contudo, j esclarecem um fator dimensional importantssimo relacionado ao posto de trabalho: Os componentes do posto (cadeira, bancada, prateleiras, piso, teto, etc.) so FIXOS e isto traduzido por uma inadequao considervel em relao s dimenses corporais dos trabalhadores, eis que variveis.

Portanto, podemos concluir nossa linha de raciocnio, afirmando o seguinte:

A ANTROPOMETRIA estuda as dimenses do corpo humano e as diferenas dimensionais apresentadas por uma populao de trabalhadores, a fim de projetar POSTOS DE TRABALHO que atendam s necessidades posturais de, pelo menos 90% da populao estudada.

Da afirmativa acima, j podemos concluir que os POSTOS, para que atendam s necessidades posturais TANTO dos HOMENS, QUANTO das MULHERES, precisam de FLEXIBILIDADE em seus componentes. Esta caracterstica que atender cada necessidade postural do indivduo, segundo suas dimenses corporais.

Vejamos a situao da mulher, exemplificada acima: Por que ela senta na borda do assento da cadeira? Por que o encosto da cadeira intil? Por que ela estica todo o brao at a esteira?

Resposta: Simplesmente porque, quando a rea de produo foi projetada, no LEVOU-SE EM CONSIDERAO que a POPULAO DE TRABALHADORES apresenta DIMENSES CORPORAIS DIFERENTES, pois no existe um OPERRIO PADRO. Podemos considerar, por exemplo, que todos que trabalham na linha de montagem tm 1,75 de altura? Claro que no, e isto que verifica-se com a operria do exemplo anterior. Veja:

- a cadeira no possui regulagens da altura de assento. Uma altura padronizada foi fixada, como se o tamanho das pernas de TODOS OS OPERRIOS fsse igual. Assim, a operria, que tem pernas pequenas, se v numa situao difcil, pois a cadeira que usa foi especificada para ser usada por um HOMEM de 1,75 de altura!;

- o encosto da cadeira torna-se intil, pois a operria sente a necessidade de apoiar os ps no piso da rea, para que tenha uma movimentao mais facilitada de seu corpo. Contudo, para apoiar os ps, a operria tem que posicionar a cintura plvica mais frente, AFASTANDO A REGIO LOMBAR DO ENCOSTO, que passa a NO SER USADO (perceba, o encosto , agora, INTIL!);

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- o brao esticado por que quando a esteira ia ser implantada na rea, um HOMEM foi sentado na cadeira e pediram para que ele levantasse o antebrao at uma altura aparentemente confortvel, o que realmente ocorreu. O HOMEM achou que estava timo e a esteira foi ali posicionada. Algum perguntou a alguma MULHER se o alcance era compatvel com as suas dimenses? Certamente que no.

Mas ser que apenas esta diferena influencia o arranjo dimensional dos postos de trabalho? No, pois h outros fatores a serem considerados:

- a idade do trabalhador. Quanto mais idoso, menos mobilidade ter o corpo do indivduo, pela prpria degenerao que se verifica nos tecidos, articulaes e na prpria coluna vertebral;

- a regio onde nasceu o trabalhador. Compare um homem nascido no Sul do pas com aquele que nasceu no Nordeste e as diferenas antropomtricas ficaro bastante acentuadas;

- o poder aquisitivo do trabalhador. Quanto mais pobre, pior a alimentao e, por conseqncia da subnutrio, alteraes nas dimenses corporais so verificadas;

- a roupa usada no desenvolver dos trabalhos e os EPIs (Equipamentos de Proteo Individual). Um capacete altera a estatura do trabalhador. Uma luva dificulta os movimentos de preciso, pois diminui o tato, sem falar que o dimetro do dedo aumenta.

NGULO LIMITE E NGULO DE CONFRTO

J vimos que entre os segmentos corporais existem articulaes (punho, cotovelo, joelho, etc.) Grande a mobilidade que o organismo humano possui em funo das articulaes, mas esta mobilidade limitada pela localizao das prprias estruturas anatmicas que caracterizam as articulaes. Faamos uma experincia neste sentido:

Apoie seu antebrao sobre uma mesa, voltando a palma da mo sobre o tampo. Agora, v levantando a mo, subindo os dedos, enquanto o punho continua apoiado no tampo. Observa-se que h um limite para tal movimento, depois do qual no h como continuar, pois os tendes de extenso do punho possuem um comprimento e uma elasticidade limitados (no so de borracha!). Pois bem, j imaginou trabalhar 8 horas por dia com a mo neste NGULO LIMITE? Certamente seria impossvel, mas, acredite ou no, h trabalhadores que so torturados diariamente numa situao parecida!

Mude a posio do antebrao: agora ele continua apoiado na mesa, mas a palma da mo est virada para cima. V levantando os dedos, de modo que eles apontem para seu rosto, mas mantenha o antebrao colado ao tampo da mesa. Di, no ? Pois , outra tortura qual so submetidos muitos trabalhadores, diariamente.

Vamos piorar um pouco a situao? Mantenha o antebrao apoiado na mesa, colocando o dedo mnimo nesta e o polegar l em cima (a mo est, agora, de p). Esta uma situao em que a mo mantm um NGULO NEUTRO em relao ao punho e voc no est sentido nenhum desconfrto. Pois bem, comece a abaixar a mo, apontando todos os dedos para os seus ps. Um repuxo sentido no lado oposto do punho, na regio da cabea do rdio.

Das experincias acima, tiramos uma concluso: TODA VEZ QUE TIRAMOS UM SEGMENTO CORPORAL DE SUA POSIO NEUTRA, ALTERANDO O NGULO NO QUAL NORMALMENTE ESTE SE ENCONTRA, ALTERAMOS TAMBM O FUNCIONAMENTO DAQUELE SEGMENTO.33

A SITUAO CRTICA ocorre quando o segmento chega ao NGULO LIMITE e no pode continuar a dobrar-se sobre o outro. Perceba algo muito importante: possvel trabalhar com o segmento no NGULO LIMITE, mas tal situao torna o trabalho mais DIFCIL e PENOSO para o indivduo. O CORRETO trabalhar o mais prximo possvel do NGULO NEUTRO, que geralmente est ligado a NGULOS DE CONFRTO.

A antropometria precisa conhecer tal situao, de modo a fornecer informaes ao projetista de postos de trabalho. De posse de tais dados, o projetista pode evitar que as dimenses do posto obriguem ao trabalhador a dobrar as articulaes em NGULOS-LIMITE, o que gera desconfrto e muitas doenas (leses) que sero estudadas na aula 07.

O POSTO DE TRABALHO FLEXVEL

Se a empresa possui uma populao de trabalhadores muito diversificada, com variaes antropomtricas acentuadas, deve fornecer aos trabalhadores a devida FLEXIBILIDA-DE. Para tanto, mltiplas regulagens devem fazer parte dos acessrios do posto, como a cadeira, o apoio para os ps, o terminal de vdeo de um computador, a altura do teclado, entre outros.

Contudo, certos equipamentos de grande porte impossibilitam a colocao de plataformas ou superfcies de trabalho com regulagens individuais, como os grandes painis de controle. As prprias bancadas de trabalho onde correm linhas de montagem, com dezenas de metros de comprimento, tornam a produo entrecortada e dificultada, caso cada trabalhador altere a altura e a profundidade do tampo, conforme sua vontade.

Entretanto, sabe-se que uma nica medida padronizada resulta na inadequao postural de inmeros trabalhadores. O que fazer nestas situaes?

Geralmente quando o profissional de Medicina ou Segurana do Trabalho se defronta com tal realidade, opta por levantar a MDIA das dimenses antropomtricas da populao de trabalhadores, iludindo-se por um conceito muito difundido, ou seja , se adotar as medidas da MDIA, atender a maioria dos trabalhadores, o que resulta em grave erro projetual.

Tal iluso justificada em funo dos projetos que, por muito tempo, vieram do exterior e foram implantados na indstria brasileira, que os comprova em PACOTES FECHADOS. L no exterior, principalmente em pases europeus de rea geogrfica limitada e POPULAO HOMOGNEA, a MDIA ANTROPOMTRICA um hbito e corretamente aplicada em projetos.

Entretanto, tal realidade inaplicvel no BRASIL, pois j vimos as caractersticas das dimenses corporais do povo brasileiro, uma verdadeira mistura de raas. Em nosso pas, para atender s necessidades dimensionais de 90% da populao de trabalhadores, devemos aplicar as medidas MNIMAS ou MXIMAS do levantamento antropomtrico efetuado na empresa. Observe este exemplo:

Numa linha de montagem, homens e mulheres devem trabalhar em postura sentada, defronte uma bancada onde efetuam a montagem de peas. Aps um levantamento antropomtrico, as medidas dos segmentos corporais foram organizadas numa tabela. Observa-se que para o projeto da bancada em questo mais o banco adotado, foram consideradas algumas medidas mnimas e outras mximas. Isto se deve ao fato de que a populao envolvida possui indivduos com segmentos corporais grandes e os com segmentos pequenos. S que todos faro uso do posto de trabalho, portanto este ltimo precisa adequar-se toda populao e no apenas a alguns usurios.34

Como podemos observar na tabela abaixo, as medidas mnimas equivalem 5% da populao de usurios e as mximas 95%. Mas existem tabelas que tambm apresentam dados referentes media aritmtica situada entre o mnimo e o mximo. Tais dados no devem ser usados no Brasil, salvo raras excees, pois que no contemplam boa parte dos usurios.

MEDIDAS DE CRITRIO MULHERES HOMENSMEDIDAANTROPOMETRIAESTTICA (cm.) MIN. MAX. 5% 95% 5% 95% ADOTADAA. Estatura X 151,0 172,5 162,9 184,1184,1B. Altura da cabea. sentado X 80,5 91,4 84,9 96,2 96,2C. Altura dos olhos, sentadoX 68,0 78,5 73,9 84,4 68,0D. Altura dos om- brosX 53,8 63,1 56,1 65,5 53,8E. Altura do coto- velo, sentadoX 19,1 27,8 19,3 28,0 28,0F. Largura das pernasX 11,8 17,3 11,7 15,7 17,3G. Altura do as- sento (popltea)X 35,1 43,4 39,9 48,0 48,0H. Profundidade do traxX 23,8 35,7 23,3 31,8 35,7I. Comprimento do antebraoX 29,2 36,4 32,7 38,9 29,2J. Comprimento do braoX 61,6 76,2 66,2 78,7 61,6

Analisemos uma das medidas constantes na tabela, como a medida J (comprimento do brao). Adotou-se a medida mnima, para que todos os trabalhadores tivessem a profundidade do tampo da bancada adequada ao tamanho do brao, principalmente levando-se em considerao a menor dimenso (61,6 cm.).

J no caso da estatura (medida A), levou-se em considerao a medida mxima, ou seja, a populao masculina de maior estatura, para que ao levantar-se da cadeira, os indivduos mais altos no batessem a cabea no teto da rea.

Como se observa, nenhuma das medidas da tabela adotou a MDIA ANTROPOMTRICA. Outro exemplo agora observado:

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Tabela de estaturas levantadas de 256 pessoas, na qual se observa que apenas 70 possuem a mdia do grupo. As outras 186 esto fora da mdia (abaixo ou acima desta), constitundo maioria dentro do grupo. Considerar a mdia, portanto, um grande erro, pois poucos usurios sero atendidos pelo projeto.

ALTURA (X) N (F) EM P (N PESSOAS) 1,50 1 1,53 3 1,54 5 1,55 28 1,58 56 1,60 70 1,62 56 1,64 28 1,65 5 1,68 3 1,70 1 TOTAL 256

PERGUNTAS SIMULADAS PARA A PROVA:

a- O que estuda a ANTROPOMETRIA?

b- Por que usar a MDIA ANTROPOMTRICA no BRASIL um erro?

c- Quais as variveis antropomtricas que influenciam diretamente diversidade dimensional do corpo humano?

d- Como deve ser o posto de trabalho, para que atenda ao requisito principal imposto pela ANTROPOMETRIA, considerando que o usurio o trabalhor brasileiro?

e- O que implica a adoo de posturas nas quais observa-se o NGULO-LIMITE nas atividades exercidas por um trabalhador, em relao sua sade ?

GLOSSRIO

CINESIOLOGIA:cincia que estuda o movimento. O termo deriva-se de duaspalavras gregas, kinein, mover e logos, estudar.

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PARA SABER MAIS, LEIA:

LIVROS: - NOVO APARELHO PARA MEDIES ANTROMTRICAS Autor: Ricardo da Costa Serrano Editora: FUNDACENTRO Disponvel na biblioteca da UNICEB - Campus Santa Ceclia.

- PESQUISA ANTROPOMTRICA E BIOMECNICA DOS OPERRIOS DA INDSTRIA DE TRANSFORMAO - RIO DE JANEIRO - 2 VOLUMES Editora do INT - INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA Disponvel na biblioteca da UNICEB - Campus Santa Ceclia.

- CINESIOLOGIA E ANATOMIA APLICADA Autor: Philip J. Rasch Editora: GUANABARA / KOOGAN S.A.

REVISTAS TCNICAS - ARTIGOS:

Conhecer a diversidade e trabalhar com a flexibilidade:Um desafio para a ErgonomiaAutora: Leda Leal FerreiraRevista: RBSO n 71 - FUNDACENTRO

Aplicao da Antropometria na Construo CivilAutor: Pinto, J.A.Revista: RBSO n 32 - FUNDACENTRO

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AULA 07

L.E.R. - Leses por Esforos RepetitivosouL.T.C. - Leses por Traumas Cumulativos

INTRODUO

A Revoluo Industrial, fenmeno que ocorreu na virada do sculo, trouxe ao mundo contemporneo transformaes profundas que alteram por completo o estilo de vida das pessoas. Hoje impossvel viver-se sem o apoio de inmeros produtos e facilidades introduzidas pela fabricao de bens industrializados e pelas matrias-primas que os constituem.

Fenmeno similar de ocorrncia recente, vem introduzindo equipamentos e eletrodomsticos, antes apenas encontrados em escritrios, bancos e indstrias, nas residncias e pequenas lojas. Microcomputador estilo PC e aparelhos de fax invadiram as casas e hoje quase no mais necessrio sair das residncias para fazer compras ou movimentar a conta-corrente, pois o telefone e o computador nos permitem a execuo destas operaes com facilidade.

Por outro lado, a produo acelerada de bens de consumo pela indstria vem impondo um ritmo de produo nem sempre compatvel com as caractersticas psico-fisiolgicas do ser humano. Acrescentam-se ao fator acima, as tpicas condies ambientais e dimensionais do local onde se trabalha, que agridem nosso organismo.

As chamadas LERs (Leses por Esforos Repetitivos) ou LTCs (Leses por Traumas Cumulativos), que manifestam-se desde antes mesmo da poca da Revoluo Industrial, so injrias impostas ao organismo humano, principalmente manifestadas ao nvel da cintura escapular, coluna cervical e membros superiores, detalhadas a seguir.

PORQUE APARECEM AS LERs OU LTCs ?

A indstria, o comrcio e as empresas prestadoras de servios dos mais diversos ramos, orientam a produo de seus bens para um conceito de produtividade alta com o mnimo de custos possveis. Tal conceito vem diminuindo cada vez mais o nmero de trabalhadores no setor de produo, com respectivo aumento da carga de trabalho que recai sobre cada um.

Tambm a organizao do trabalho segmentou as atividades, dividindo os trabalhadores em setores distintos de produo, nos quais SEMPRE FAZEM A MESMA COISA, ou seja, no h enriquecimento e variedade das tarefas (REPETITIVIDADE).

Em tais atividades, geralmente com ciclos de trabalhos curtos, h concomitante uso de aplicao de fora isolada a determinados segmentos corporais ou articulaes, sobrecarregando tais partes do corpo. Como ciclo de trabalho curto, devemos compreender que a atividade rpida (colocar um pino na estrutura de um painel, por exemplo) mas que se REPETE MILHARES DE VEZES ao longo da jornada de trabalho e por longo tempo.

Acrescenta-se a tais fatores que, geralmente no segmento corporal no qual se concentra uma sobrecarga, h uma adoo de postura em NGULO-LIMITE (j vimos o que isto!), potencializando os problemas acima relacionados, atravs de ligamentos e tecidos que so esticados excessivamente (POSTURA INADEQUADA).

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Ressalta-se tambm o uso de ferramentas que comprimem reas isoladas do corpo, geralmente concentradas sobre tecidos moles e nervos que por ali passam, fator que contribui para o aprimoramento das leses (COMPRESSO MECNICA DE TECIDOS).

O QUE SO AS LERs OU LTCs ?

So leses que se manifestam em msculos, tendes, fscias e nervos localizados, geralmente, nos membros superiores, podendo tambm acometer a regio cervical e a cintura escapular. So derivadas do uso biomecnico incorreto de tais segmentos corporais, podendo atingir um quadro clnico grave.

COMO REAGE O ORGANISMO AO USO BIOMECNICO INCORRETO ?

A prpria estrutura osteomuscular do organismo apresenta limitaes quanto ao seu uso. Vimos na AULA 03 que uma contrao esttica de um msculo obter como reao o aparecimento de dor, conseqnte da diminuio de fluxo sangneo nas fibras musculares e da liberao de cido ltico nestas.

Dependendo do movimento a ser efetuado e do esfro que tal movimento implica, reaes indesejveis ocorrero. O uso de FORA FSICA EM EXCESSO no trabalho um dos causadores destas leses.

Exemplo:

Quando um trabalhador necessita fletir o antebrao sobre o brao, tendo uma carga na mo, faz uso de uma alavanca interpotente natural, ou seja, o ponto de apoio encontra-se na articulao do cotovelo, o brao de potncia da alavanca a insero do msculo bceps a apenas 3 cm do ponto de apoio e a resistncia representada pela carga a ser levantada. Caso a tarefa se repita de modo constante na rotina de trabalho, haver sobrecarga no tendo do bceps.

Outro fator a VELOCIDADE na qual se REPETEM os movimentos, aparentemente simples e inofencivos.

Exemplo:

Um digitador experiente faz milhares de movimentos com os dedos das mos sobre o teclado do micro, num perodo de tempo curto (15.000 toques numa hora, por exemplo). A capacidade da pessoa desenvolver tal performance derivada do treinamento constante, mas o CORPO NO EST PREPARADO para tal situao. J vimos que os tendes so de natureza VISCOELSTICA e que levam um certo tempo para voltar sua posio e elasticidade naturais, depois que submetidos a esforos. Numa velocidade to elevada, bvio est que tal relaxamento no se verifica e os tendes passam a um ESTADO PERMANENTE DE TENSO.

Em tal velocidade, tambm se iniciam problemas quanto lubrificao do corpo dos tendes em relao s paredes da bainha sinovial que os envolve. Com uma lubrificao deficiente, o tendo passa a entrar em atrito com a parede, INFLAMANDO.

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Tambm devemos considerar outra reao, que se segue naturalmente ao problema anterior. Quando um tendo se INFLAMA, a recuperao de suas clulas muito LENTA, pois tais estruturas ligamentares no so vascularizadas. Ora, se as tarefas em questo, que levaram o tendo a um estado inflamatrio, se REPETEM DIARIAMENTE, o tendo dificilmente conseguir recuperar-se.

Particularmente a nvel do cotovelo e do punho, ocorre dos nervos e tendes que por ali passam encontrarem-se em locais de espao bastante reduzido, mas que d passagem adequada a tais elementos anatmicos, CASO OS SEGMENTOS CORPORAIS EM QUESTO ESTEJAM EM POSIO NATURAL.

Portanto, voltaremos aqui a comentar a respeito dos NGULOS LIMITE, quando um segmento corporal sai da POSIO NATURAL (OU DE CONFRTO) e sofre um DESVIO, chegando a um NGULO LIMITE, ou bem prximo a este.

Exemplo:Um serralheiro que precisa furar esquadrias de alumnio, que esto dispostas num tampo de bancada, fazendo uso de uma furadeira eltrica com a pega (rea onde a mo segura a ferramenta) em gatilho. Repare no exemplo de professor, simulando tal postura e observe o DESVIO ULNAR que se verifica na regio do punho, cuja articulao est em NGULO LIMITE. Em tal postura, h estrangulamento do canal por onde passam nervos e tendes, na regio do punho.

Tarefas que obrigam o trabalhador a adotar posturas, nas quais h alta CARGA HEMODINMICA a ser vencida, resultam em LERs ou LTCs. A seguir, so detalhados alguns exemplos:

Exemplo 1:

Veja o slide. Pintores aplicam uma base face inferior de uma carroceria de nibus, mantendo os braos elevados acima da linha dos ombros, enquanto sustentam o peso da pistola de tinta. Como j se sabe, o esfro em questo implica numa drstica reduo do fluxo sangneo aos msculos da regio, resultando em isquemia e dor. A tenso muscular contribui para retezar os tendes da regio que vai desde o bceps at o msculo deltide.

Exemplo 2:

Continuemos analisando a mesma postura. Entretanto, vamos considerar a posio dos braos elevados e verificar que o msculo trapzio, para suportar o esfro ao qual est sendo submetido, ter suas fibras solicitadas em demasia, o que resulta numa leso conhecida por FIBROMIALGIA.

J a COMPRESSO DE TECIDOS LOCALIZADA produz uma leso na regio da palma da mo e nos dedos desta, que seguram firmemente uma ferramenta de trabalho, como um alicate ou uma tesoura ou, ainda, chaves-de-fenda. Ocorre em funo da concentrao de presso em pontos isolados (na dobra do dedo, entre uma falange e outra, por exemplo).

Exemplo: Um operrio manuseia um alicate do tipo eletricista, cortando fios de motores que passam na linha de montagem de seu posto de trabalho. A atividade se repete ao longo de seu turno de trabalho. As manoplas do alicate so de ao (superfcie dura) e estreitas, o que permite que a presso exercida entre a ferramenta e a mo se concentre em pontos isolados e machuque aqueles locais.40

RESUMO FATORES QUE PROMOVEM O APARECIMENTODAS LERs ou LTCs

COUTO e colaboradores resume a 4 FATORES bsicos o aparecimento de tais leses, sendo comprovado que a conjugao de 2 ou mais fatores acelera os quadros clnicos j acima apontados. So estes:

FORA - REPETITIVIDADE - POSTURAS VICIOSAS - COMPRESSO MECNICA

Estes 4 fatores bsicos j foram explicados acima. Contudo, h outros fatores contributivos que, associados aos anteriores, agravam ainda mais a situao, como mostramos a seguir:

HORAS EXTRAS E DOBRAS DE TURNO;VIBRAO;FRIO;TENSO PROVOCADA POR FATORES ORGANIZACIONAIS;SEXO FEMININO

HORAS EXTRAS E DOBRAS DE TURNO - a exposio ocupacional aos fatores crticos listados anteriormente acentuada quanto maior for o tempo de exposio a tais fatores. Se na jornada de trabalho normal j se verificam casos de leses, o que no dizer em relao uma sobrejornada?

VIBRAO - diversas ferramentas de trabalho so pneumticas, como marteletes, esmerilhadeiras, entre outras. A vibrao produzida quando do uso de tais ferramentas acentua os outros fatores, principalmente se considerarmos que tal caracterstica implica em maior fora aplicada pela mo mesma, para que no escape, sem falar na dificuldade de fluxo sangneo naquela regio localizada do corpo (a vibrao praticamente expulsa o sangue dos capilares por ela atingidos).

FRIO - ambientes com baixa temperatura aceleram o aparecimento das leses em funo da VASOCONSTRIO perifrica (o sangue se desloca da superfcie do corpo, em direo dos rgos centrais, como o corao). Pouco irrigados, os tecidos e msculos da periferia tendem a um estado de dor e tenso, pressionando bainhas e tendes e estrangulando a passagem destes entre ossos.

TENSO PROVOCADA POR FATORES ORGANIZACIONAIS - na AULA 01, observou-se como pode a empresa pressionar psicologicamente seus funcionrios, aumentando o ritmo de trabalho, eliminando pausas de repouso,diminuindo o nmero de funcionrios numa seo, etc. Tais fatores aumentam o aparecimento de dor no corpo das pessoas, por INSATISFAO, o que resulta na eliminao da liberao de substncias analgsicas naturais, encontradas no lquido enceflico. A ausncia de pausas, nas quais poderia ocorrer uma recuperao dos tecidos mais solicitados no trabalho, acelera o processo de lesionamento de tais tecidos.

SEXO FEMININO - h uma predisposio em que as mulheres desenvolvam com mais facilidade as leses, do que os homens. Tal caracterstica est relacionada menor resistncia verificada nos msculos, ligamentos e tendes do organismo feminino, acrescida de alteraes hormonais profundas (gravidez, por exemplo) e tambm em funo da sobrejornada cumprida em casa, representada pelos afazeres domsticos.

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O USO DA ERGONOMIA COMO PREVENO DAS LERs ou LTCs

A aplicao da ERGONOMIA na organizao do trabalho e tambm diretamente na configurao dimensional dos postos de trabalho, um poderoso agente de preveno s LERs e LTCs. Quando se aplicam conceitos ergonmicos na empresa, desde o estudo de pausas para repouso, at s condies posturais do trabalhador em seu posto, estamos ADEQUANDO O TRABALHO AO TRABALHADOR, que o princpio fundamental da ERGONOMIA.

Para tanto, deve-se combater os 4 FATORES CRTICOS que desencadeiam as leses, observados anteriormente, como a seguir se detalha:

1) REDUZIR A FORA APLICADA NOS SEGMENTOS CORPORAIS

Inmeras situaes de trabalho, presentes na indstria e no comrcio, implicam na concentrao de foras em determinados grupos musculares e em reas localizadas do corpo. Algumas solues:

- usar equipamentos de guindar, ao invs de usar a fora braal;- diminuir o pso de embalagens;- revestir as manoplas de ferramentas com superfcie emborrachada e rugosa (quando lisas, as manoplas tendem a escorregar e o trabalhador passa a aplicar mais fora sobre a ferramenta);- fixar peas em bancadas com elementos mecnicos, tais como moras, sargentos e presilhas, ao invs de usar as mos;- regular molas presentes em alavancas e tambm a embreagem de empilhadeiras e outros veculos usados em depsitos;- reestudar e alterar toda a alavanca que implique em grande esforo fsico por parte do trabalhador.

2) REDUZIR A REPETITIVIDADE DOS MOVIMENTOS

Um dos principais fatores que levaram repetividade est relacionado uma NICA TAREFA, geralmente com ciclo muito curto, o que implica numa POSTURA VICIOSA e numa quantidade absurdamente alta do MESMO MOVIMENTO. Percebe-se, portanto, que a soluo est em ENRIQUECER as tarefas executadas pelo trabalhador, promovendo um RODZIO entre os trabalhadores de um setor, de modo que desenvolvam trabalhos diversificados e variados.

H outras solues que reduzem a repetio, a saber:

- mecanizar processos;- adotar pausas, para que os tecidos possam relaxar;- aproveitar as pausas para o desenvolvimento de exerccios de alongamento muscular, que favorecem a alimentao dos msculos;- eliminar a competio existente entre os trabalhadores numa linha de montagem (qual de ns vai produzir mais?), adotando mudanas na organizao do trabalho;- Respeitar o nmero limite de toques estabelecidos na NR-17.

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3) ELIMINAR AS POSTURAS VICIOSAS

, sem dvida, um dos problemas mais comuns diagnosticados nos postos de trabalho, nos quais observam-se verdadeiros malabarismos e contorcionismos por parte dos trabalhadores. As solues esto relacionadas a:

- troca do ngulo da manopla da ferramenta ou, se for o caso, de toda a ferramenta, eliminando os DESVIOS j acima comentados (DESVIO ULNAR, DESVIO RADIAL, ETC.);- Aberturas nas quais so introduzidas chapas, cartes ou peas, devem localizar-se em alturas compatveis com o segmento corporal e em ngulo de inclinao que mantenha a mo em POSIO NEUTRA em relao ao brao;-Aplicar os dados ANTROPOMTRICOS da populao de trabalhadores da empresa, aos postos de trabalho. Para tanto, j vimos que necessrio dotar o posto de flexibilidade, a fim de que as dimenses do posto possam ser reguladas de acordo com as dimenses corporais de cada trabalhador;- A adoo de pausas, nas quais a pessoa sai do posto de trabalho e caminha, faz com que a postura de trabalho mude, o que permite melhor circulao sangnea aos tecidos do corpo. a tpica situao em que o indivduo sente seu corpo desenferrujar;- Redimensionar o posto de trabalho de modo que controles (botes, pedais, manoplas, alavancas, volantes, etc.) permaneam ao alcance MOTOR e VISUAL do trabalhador, sem que este tenha que se debruar sobre os controles;- Para trabalhos na posio sentada, considerar as recomendaes antropomtricas relacionadas s dimenses e regulagens da cadeira utilizada, bem como altura da superfcie de trabalho, evitando-se os ngulos-limite e as posturas debruadas.- No permitir que os braos fiquem elevados e sem apoio;- Considerar que a iluminao do posto de trabalho no deve provocar ofuscamento, que obrigue o trabalhador a desvios posturais; tambm no permitir que o nvel de iluminamento seja baixo, o que geralmente implica em posturas debruadas sobre a superfcie de trabalho, pois a pessoa tende a aproximar o rosto daquilo que deve visualizar quando a iluminao fraca;- Eliminar as grelhas de ar condicionado que esto direcionadas sobre o corpo do funcionrio, que, em tais condies, fica encolhido, tensionando a musculatura.

4) REDUZIR A COMPRESSO MECNICA DE TECIDOS

- Mecanizar atividades que impliquem no uso permamente de ferramentas como a chave-de-fenda, adotando parafusadeiras; - Quando a chave-de-fenda torna-se indispensvel, adotar manoplas maiores, com resvestimento emborrachado;- A mesma recomendao vlida para as manoplas de tesouras e alicates;- Evitar ao mximo as atividades com o martelete pneumtico;- Atividades que impliquem o uso dos dedos ou da palma da mo, com aplicao de fora, devem ser em esquema de rodzio. O melhor, contudo, mecanizar o processo.

GLOSSRIO:

ISQUEMIA - reduo do abastecimento sangneo de um rgo, no qual observa-se queda na taxa de oxignio.

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PERGUNTAS SIMULADAS PARA A PROVA:

a- Como pode o simples uso de uma furadeira eltrica induzir o organismo LERs ou LTCs?b- Indique os 4 FATORES CRTICOS que favorecem o aparecimento das LERs ou LTCs, comentando detalhadamente a respeito de um deles.c- Por que a postura do trabalhador com os braos acima da linha dos ombros acarreta em LERs ou LTCs?d- O que uma BAINHA SINOVIAL?e- Identifique e comente a respeito de um agente fsico ambiental que agrava o quadro clnico deste tipo de leso.f- Como a aplicao de dados antropomtricos no projeto de um posto de trabalho pode contribuir para a diminuio de casos de LERs ou LTCs numa empresa?

PARA SABER MAIS, LEIA:

LIVROS:GUIA PRTICO - TENOSSINOVITESAUTOR: Hudson de Arajo CoutoEditora ERGO S/C LtdaPedidos pelo telefone (031) 261-3736

PROGRAMA DE SADE DOS TRABALHADORES - veja o Anexo 2AUTOR: Danilo Fernandes Costa e OutrosEditora HUCITECPedidos atavz da REVISTA CIPA ou na LIVRARIA CULTURA, SP - Tel. (011) 285-4033

REVISTAS TCNICAS - ARTIGOS

- LESO POR ESFOROS REPETITIVOS (L.E.R.) Autor: Chysostomo Rocha de Oliveira Revista: RBSO n 73 - FUNDACENTRO

- TENOSSINOVITE - DOENA OCUPACIONAL OU SOCIAL ? Autor: Mrcio Moreira Salles Revista: RBSO n 73 - FUNDACENTRO

- TENOSSINOVITE - A SNDROME DO EXCESSO DE USO Autor: Ruddy Csar Facci Revista: PROTEO n 06

- L.E.R - LESES POR ESFOROS REPETITIVOS Autor: Antonio Cludio Mendes Ribeiro Revista: FUNDACENTRO ATUALIDADES EM PREVENO DE ACIDENTES N 208

- LESO POR ESFORO REPETITIVO EM PROFISSIONAL DA REA DE SADE Autor: Argemiro DOliveira Jnior Revista: RBSO n 78

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- CAIXAS: SEGMENTO DE IMPACTO DA AUTOMAO BANCRIA Autor: Primo A. Brandimiller Revista: RBSO n 81 - A LTIMA DOENA DO SCULO - Tenossinovite Revista EXAME, edio 575 - Editora Abril, jan./95

- TENOSSINOVITE E TRABALHO: Anlise das CATs registradas no Municpio de So Paulo. Autor: L.E. Rocha Revista: RBSO n 70

- ERGODESIGN NO SETOR BANCRIO Autor: Carlos Maurcio Duque dos Santos Revista: CIPA n 191

- ATIVIDADE EM GRUPO COM PORTADORES DE L.E.R. Autores: Leny Sato e outrosler Revista: RBSO n 79

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AULA 08

Fadiga

A FADIGA pode ser definida, de modo bastante simples, como o CANSAO. Ocorre em decorrncia de uma sobrecarga que manifesta-se em pontos isolados do organismo, ou neste ltimo, como um todo. Ao manifestar-se a fadiga, h uma natural reduo da capacidade funcional das partes afetadas.

A manifestao da fadiga , na verdade, um sistema de defesa do organismo que nos avisa que no recomendvel for-lo. Assim, observa-se que todos os dias sentimos diferentes graus de intensidade de fadiga, nas mais diversas situaes.

Exemplo:

Permanecer sentado, numa mesma posio, por horas a fio. As dores que o corpo vai sentido so avisos relacionados m circulao sangnea, baixas taxas de Oxignio nos tecidos, alimentao deficiente da coluna vertebral, tendes, msculos e nervos tensionados, etc.

Tambm o prprio sono que diariamente sentimos no final do dia uma manifestao de defesa. O corpo nos avisa que hora de dar um tempo e descansar. Se, contudo, permanecemos acordados por necessidade (trabalhar, estudar, etc.) o corpo vai dando sinais de cansao cada vez mais intensos, pois nosso organismo sabe muito bem que, se a situao permanecer, atingiremos um estgio de EXAUSTO.

Os sinais normais de cansao (como sentir sono no final do dia) so caractersticas da FADIGA AGUDA. Contudo, sinais mais pronunciados, que demonstram desequilbrio no organismo, como dor de cabea, tontura, ardncia nos olhos, digesto difcil e azia, irritao fcil, indicam que o organismo j atingiu o estgio de FADIGA CRNICA.

Esta ltima possui uma caracterstica assustadora: geralmente derivada da exposio do organismo a condies bastante agressivas no trabalho, sendo LEVADA PARA CASA. Outro fator caracterstico da FADIGA CRNICA que os perodos de descanso aos quais o organismo submetido no so suficientes para recuper-lo. justamente por isso que a FADIGA sai do estgio AGUDO e entra no estgio CRNICO.

As manifestaes de fadiga so observadas tanto no FSICO do indivduo (dores musculares, por exemplo), quanto em seu lado PSQUICO. Ao longo da apostila, j se observaram diversas situaes nas quais estudamos as manifestaes FSICAS da fadiga. Contudo, ao aprofundar seus estudos, a Ergonomia foi percebendo que as manifestaes de fadiga MAIS GRAVES so aquelas de ordem PSQUICA.

Alterando-se as dimenses de um posto de trabalho, adequando-as s caractersticas antropomtricas de seu usurio, pode-se afirmar que se deu um grande passo para resolver os problemas de esforos acentuados, desvios em articulaes, alcances, leses, dores, entre outros. Mas os problemas de ordem PSQUICA tm origem diferente, e merecem ateno redobrada por parte da Ergonomia, como veremos a seguir.

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FADIGA PSQUICAO homem um ser complexo. Sua complexidade no est limitada ao modo como raciocina, faculdade por si s que j nos fascina e que ainda gera muitas dvidas, eis que j sabemos no ter o nosso crebro toda a sua capacidade ainda aproveitada. Mas o homem, alm de um ser pensante, um ser que possui sentimentos. Seu lado emocional influi diretamente em sua vida e a vida do homem passada em confronto direto com realidade do dia-a-dia.

As realidades vivenciadas pelo ser humano nem sempre vo de encontro s suas espectativas e, em tais situaes,o lado emocional manifesta-se em desequilbrio.

A incapacidade de tolerar e superar situaes que ultrapassam o nvel de exigncias psquicas do ser humano se traduz pela FADIGA PSQUICA. Tal estado de diminuio da capacidade funcional do homem reversvel, ou seja, se a situao vivenciada for alterada e no houver mais a necessidade de suportar uma condio adversa, o indivduo estar superando este tipo de fadiga.

Exemplo: Profissionalmente, comum encontrarmos tal situao, pois um indivduo que trabalha numa empresa que o desvaloriza como ser humano, sentindo-se desprezado, sentir a fadiga psquica de modo constante. Mudando de emprgo, encontrando uma outra empresa que o respeite e valorize, superar o estado emocional no qual se encontrava.

A fadiga psquica pode manifestar-se atravs de uma sobrecarga ou tambm pela monotonia. A primeira manifesta-se pelo ESGOTAMENTO MENTAL e, a segunda, pelo EMBOTAMENTO MENTAL.

Exemplos:

ESGOTAMENTO MENTAL

Indivduos que se sujeitam a jornadas de trabalho intensas, trabalhando em dois ou trs empregos diferentes, ou trabalhando de dia e estudando noite, sofrem sobrecarga. Observa-se em tais situaes que, medida que vai se manifestando o esgotamento mental, o indivduo no consegue nem se concentrar nos afazeres de seu trabalho diurno e nem aproveitar as aulas e lies da escola noturna. Casos graves de esgotamento mental provocam reaes violentas, tais como a incapacidade para as tarefas mais simples (quanto so 2 + 2 ? No sei, no consigo pensar!) ou crises de choro e rejeio total ao trabalho.

EMBOTAMENTO MENTAL

Geralmente se manifesta pelo sub-aproveitamento da capacidade profissional do indivduo, que j atingiu um determinado nvel de conhecimento e experincia, mas se v na condio de trabalhar em atividades bsicas e at mesmo braais.

uma manifestao psquica muito observada em linhas de montagem, nas quais o trabalho no possui qualquer espcie de criatividade, pois se faz sempre a mesma coisa, repetida milhares de vezes. uma situao na qual aparece uma evidente insatisfao e revolta por parte do trabalhador.

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DE ONDE DERIVA-SE A FADIGA PSQUICA ?

Claro est que a fadiga psquica no derivada apenas de situaes presentes no trabalho (origem ocupacional), mas tambm de FATORES DO CONTEXTO. Portanto, dois so os ambientes dos quais a mesma deriva-se, o que detalhado a seguir.

FATORES DE CONTEXTO (extraprofissionais)

Contexto o meio no qual o indivduo vive, ou seja, a cidade na qual mora, seu pas, sua casa, seu bairro, a conduo que pega para deslocar-se, a sociedade que o cerca e a famlia com a qual vive. Todos os problemas vivenciados neste meio so classificados como de CONTEXTO.

- salrio baixo;- condies sub-humanas de vida (alimentao, vesturio, moradia, etc.)- transporte deficiente;- ausncia de assistncia mdico-hospitalar;- falta de assistncia e orientao social;- mercado de trabalho restrito;- desajustes familiares (quem no os tm hoje em dia ?);- escndalos financeiros do gverno, como desvios de verba que seriam destinadas construo de hospitais, escolas, etc.

FATORES OCUPACIONAIS

- chefia insegura e incompetente;- protecionismo (fulano foi promovido por que sobrinho do chefe...);- perseguio e bloqueio de carreira;- falta de retrno da empresa perante os problemas levantados pelo trabalhador;- salrio incompatvel com a capacidade do indivduo;- humilhaes, baixarias, brigas entre a chefia e o subordinado;- organizao do trabalho TAYLORISTA (a ser detalhada na AULA 09);- agentes agressivos ambientais (rudo, vibrao, calor, gases e vapores txicos, entre outros);- rumores diversos (vo demitir um monte de gente! a empresa vai fechar!, vai mudar a diretoria!)

Alm dos fatores de contexto e dos ocupacionais, tambm deve-se levar em considerao que h uma PRDISPOSIO do indivduo fadiga psquica, segundo o grau de vulnerabilidade verificado na personalidade de cada um. Veja:

- alcolatras e drogados - so indivduos que claramente no conseguem se auto-afirmar, atirando-se s drogas e fugindo da realidade vivenciada no dia-a-dia;- jovens - geralmente se descontrolam frente situaes com as quais no concordam (imposies de chefia, por exemplo), revoltando-se;- indivduos experientes e de alto padro intelectual - so propensos fadiga psquica em funo das situaes que encontram no trabalho, ao lidar com pessoas inexperientes e que cometem erros bsicos;- indivduos inseguros e pessimistas - ao enfrentar qualquer problema, por mais simples que seja, tendem ao desnimo (no vou resolver isto nunca!)- indivduos tensos e ansiosos - no suportam prazos e cronogramas estabelecidos pela empresa. Decises que so de responsabilidade de terceiros provocam a fadiga, pois afetam o servio do indivduo tenso e este no tem controle da situao.

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CONSEQNCIAS DA FADIGA OCUPACIONAL SOCIEDADE E PARA A EMPRESA

O trabalhador que manifesta a fadiga crnica, geralmente psquica, acompanhada por reaes adversas que so de carter psicossomtico (gastrite, lcera, colite, dores de cabea, etc.), sente-se desmotivado para o trabalho e no raro falta ao emprego em demasia, em reaes tpicas de defesa e fuga.

A situao, em determinado momento da vida profissional do indivduo, torna-se to insuportvel, que este simplesmente no suporta mais conviver com a agresso de seu trabalho, demitindo-se.

Ocorre que os prprios fatores de contexto, que implicam na SOBREVIVNCIA do indivduo dentro da sociedade, o pressionam direta ou indiretamente para que no permanea em tal condio social (desempregado), o que torna a situao conflitante.

Se considerarmos o custo econmico derivado de tal situao, concluiremos tristemente que:

- a empresa s tem a perder, pois a produo torna-se fragmentada, h aumento no nmero de erros, acidentes e reclamaes trabalhistas, pedidos de indenizaes, turn-over , etc.

- a sociedade tambm sente os reflexos de tal situao, pois as doenas que se manifestam nos trabalhadores de modo precoce, o absentismo elevado, a demisso em massa, a crescente economia informal, entre tantos problemas sociais conhecidos, tambm bastante onerosa.

O reconhecimento, por parte da empresa, da gravidade representada pela FADIGA , pois, necessrio, para que uma poltica de reorganizao do trabalho e das condies ambientais presentes nas dependncias da mesma sejam adotadas.

Inmeros e graves problemas ainda no tm soluo e, ao que tudo indica, durante muito tempo ainda estaro presentes, pois a organizao do trabalho em determinados segmentos de produo, implica numa continuidade das situaes j diagnosticadas como de alta morbidade.

Um exemplo bastante caracterstico, que aborda a FADIGA POR CONFLITO CRONOBIOLGICO, servir para ilustrar o que estamos comentando.

REAES ADVERSAS DO ORGANISMO FRENTE AOS HORRIOS DE TRABALHO.A FADIGA POR EXPOSIO ORGANIZAO DO TRABALHOEM TURNOS ALTERNANTES DE REVEZAMENTO.

Todo organismo vivo obedece a ciclos temporais, que comandam suas funes. Com o ser humano no diferente e, dentro das 24 horas do dia, o organismo comporta-se de modo diferenciado, respeitando um CICLO, conhecido como CIRCADIANO.

Tal ciclo coordena uma srie de reaes involuntrias do organismo, ou seja, aquilo que vulgarmente chamamos de RELGIO BIOLGICO. Assim que a temperatura interna do corpo trabalha dentro de uma faixa, que chega a variar at 1,2 graus Celsius. O estado de viglia x sono tambm manifesta-se em horrios distintos, assunto que nosso objeto de anlise, a seguir.

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Nosso corpo necessita do sono para que recupere sua capacidade funcional. O sono, de sua vez, possui diferentes estgios de profundidade, nos quais a qualidade varia. Os dois estgios iniciais do sono so LEVES e muito fcil acordar quando nos encontramos em tal fase. J os dois estgios mais profundos, so do sono pesado, considerado como um sono de melhor qualidade, no qual h recuperao do organismo em funo do repouso ali obtido, tanto mental quanto fsico.

O ritmo de sono x viglia coordenado pelo centro nervoso do hipotlamo. Atinge-se o pice da vigilia por volta do horrio do meio-dia e o do sono por volta da meia-noite, momento em que nosso sistema nervoso vai desligando o organismo.

Contudo, trabalhadores que se ativam nas grandes indstrias de transformao, como petroqumicas, refinarias, siderrgicas, ou aqueles que trabalham no setor bsico de utilidades (energia eltrica, saneamento bsico, telefonia, etc.), vivenciam diferentes horrios de trabalho, revezando-se em regime de rodzio. So os chamados turnos alternantes de revezamento. Percebe-se, pois, que o organismo humano j possui um ciclo definido pelo hipotlamo, para que se desligue em horrios certos e se religue em outros, mas o regime de trabalho em turnos obriga o trabalhador a uma situao de dessincronizao destes ciclos.

Imagine a situao do trabalhador que entra no turno de zero-hora. Quando inicia suas atividades, o trabalhador deveria estar comenando a dormir, no a trabalhar ! Seu organismo procura, a todo custo, desligar-se, pois assim o quer o hipotlamo, mas no consegue em funo da situao externa vivenciada pelo indivduo, que o fora a ficar acordado.

Pode-se alegar que o trabalhador pode dormir durante o dia, o que possibilitaria sua recuperao e repouso, o que, na verdade, uma iluso. Durante o dia, o hipotlamo orienta o organismo para um estado de viglia, contrrio ao sono, portanto. Trava-se, ento, uma verdadeira luta no organismo e o resultado catastrfico: o trabalhador dorme, mas a qualidade do sono baixa, pois s se atinge o estgio de sono LEVE (no qual praticamente no se descana), com perodos entrecortados e curtos de sono PESADO, insuficientes recuperao.

H tambm fatores externos diurnos, que em muito prejudicam o sono durante o dia. O rudo caracterstico das ruas com buzinas, freadas, escapamentos furados, caminho de entrega de gs, crianas brincando, etc., acaba por acordar vrias vezes o inivduo, que passa uma condio de cochilos, totalmente diversa do sono noturno ao qual estamos acostumados, este sim repousante.

GLOSSRIO:

CIRCADIANO, CICLO: significa cerca de um dia, ou seja, equivale ao perodo aproximado de 24 horas. Do latim circa dies,

HIPOTLAMO: ncleo nervoso localizado na base do crebro, que coordena diversas funes vitais do organismo.

MORBIDADE: condio na qual um indivduo apresenta grande debilidade de fora, resultando em doena e fraqueza generalizadas.

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PERGUNTAS SIMULADAS PARA A PROVA:

a- A fadiga considerada uma reao natural do organismo. Explique porque.b- Diferencie a fadiga AGUDA da fadiga CRNICA.c- Diferencie ESGOTAMENTO MENTAL de EMBOTAMENTO MENTAL.d- O que so FATORES DO CONTEXTO ?e- Por que o sono DIURNO no possui a mesma qualidade do sono NOTURNO?

PARA SABER MAIS, LEIA:

LIVROS: TEMAS DE SADE OCUPACIONALCaptulos 3, 4 e 5Autor: Hudson de Arajo CoutoEditora ERGO S/C LtdaDisponvel na Biblioteca da UNICEB - Campus Santa Ceclia

TRABALHO EM TURNOS E NOTURNOAutora: Frida Marina Fischer e OutrosEditora: HucitecDisponvel na Biblioteca da UNICEB - Campus Santa Ceclia

REVISTAS TCNICAS - ARTIGOS:

ERGONOMIA - CARGA DE TRABALHO - FADIGA MENTALAutora: Ana Isabel Bruzzi Bezerra ParaguayFonte: Revista RBSO n 59 - FUNDACENTRO

REPERCUSSES DA FADIGA PSQUICA NO TRABALHADOR E NA EMPRESAAutor: Ivanho EspsitoFonte: RBSO n (desconhecido)Disponvel na Biblioteca da UNICEB - Campus Santa Ceclia

TRANSTORNOS MENTAIS MENORES ENTRE TRABALHADORESDE UMA USINA SIDERRGICAAutores: Luiz Henrique Borges Marclia de A. Medrado FariaFonte: RBSO n 77

SONO DE TRABALHADORES EM TURNOS ALTERNANTESAutora: Leda Leal FerreiraFonte: RBSO n 5lDisponvel na Biblioteca da UNICEB - Campus Santa CecliaA ORGANIZAO DO TRABALHO EM TURNOS E REPERCUSSES NO SONO DOS TRABALHADORES PETROQUMICOSAutores: Frida Marina Fischer e OutrosFonte: RBSO n 78

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AULA 09

Psicopatologia do Trabalho

Os mais recentes estudos no campo da Ergonomia, principalmente aqueles desenvolvidos na Frana, levam-nos ao conhecimento de uma nova abordagem a respeito da inadequao entre o homem e o trabalho: a Psicopatologia do Trabalho.

J delineada e com alguns de seus principais conceitos esboados no incio da dcada de 60, teria como expoente o incansvel mdico do trabalho, psicanalista e professor francs CHRISTOPHE DEJOURS, que atravs da publicao de diversos trabalhos, inclusive no Brasil, alterou profundamente a viso dos responsveis pela Sade Ocupacional do mundo, a partir da dcada de 80.

Dejours fundamenta seus estudos em trs conceitos bsicos:

- no SOFRIMENTO dos trabalhadores, baseado na inadequao observada entre os mesmos e as situaes vivenciadas no trabalho e, at mesmo, fora dele;

- na ORGANIZAO DO TRABALHO, ou seja, a maneira como o trabalho dividido, seja nas tarefas em si, seja na hierarquia e todas as formas de explorao usadas pelas empresas;

- nas ESTRATGIAS DE DEFESA adotadas pelos trabalhadores, justamente em funo de uma tentativa em ocultar, omitir a qualquer custo, o sofrimento obrigatoriamente vivenciado.

A Psicopatologia do Trabalho, pois, estuda o sofrimento e as formas de defesa adotadas pelos trabalhadores, frente uma organizao de trabalho imposta pelas empresas, bem como as conseqncias de tal situao para os trabalhadores, para a prpria empresa e para a sociedade como um todo.

A ABORDAGEM ERGONMICA CLSSICA

No incio, a Ergonomia procurava estudar e reprojetar produtos e postos de trabalho com um enfoque limitado anlise de agentes agressivos presentes no ambiente do prprio posto, ou seu ambiente imediato. Assim, o rudo, a poluio atmosfrica, com nvoas, fumos e poeiras txicas, as temperaturas extremas e as posturas inadequadas foram diagnosticadas pelos ergonomistas, que passariam a tentar isolar os trabalhadores de tais agentes.

Um redimensionamento de cabines, painis, dispositivos de controle e de informao, acessos, sadas, sistemas de iluminao, mobilirios, etc. foi, aos poucos, providenciado. Restava, contudo, uma indagao: ao voltar ao posto de trabalho, agora reprojetado com bases ergonmicas, o profissional surpreendia-se com a rpida perda de entusiasmo dos trabalhadores que ali trabalham. As posturas, os alcances, a visibilidade, os nveis adequados de iluminao, a cadeira nova, um plano de trabalho que respeita as dimenses antropomtricas dos operrios, nada ainda capaz de produzir profundas alteraes no comportamento destes.

Verdade que o nmero de acidentes caiu, as constantes reclamaes de dores no corpo diminuram, a produo de peas erradas j no to intensa...etc. Mesmo assim, ainda h insatisfao. A pergunta : Por que ?

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Passa, ento, a Ergonomia, para uma nova fase: a abordagem clssica considerada incompleta e ineficaz. O estudo aprofundado das relaes entre o homem e seu trabalho, principalmente nas formas como este organizado, comea a ser levantado.

A Organizao do Trabalho, para ser estudada e compreendida, necessita que o aluno conhea o Taylorismo.

O TAYLORISMO, OU ORGANIZAO CIENTFICA DO TRABALHO

A O.C.T., idealizada por Frederick Winslow Taylor, um engenheiro norte-americano (1.856 - 1.915), tinha por objetivo uma anlise cientfica da tarefa, de sorte a eliminar e evitar, a todo custo, desperdcios de tempo na execuo da mesma, por parte dos operrios. Assim, os modos de execuo, movimentos, arranjos, o tempo de execuo, o espao de trabalho e os modos operatrios foram tabulados por Taylor. Este atribua baixa produtividade observada em certas linhas de montagem como sinal de vadiagem por parte dos trabalhadores. Os acidentes do trabalho, de sua vez, eram atribudos negligncia dos mesmos.

Apesar do nome Organizao Cientfica do Trabalho, os estudos desenvolvidos por Taylor e seus atuais seguidores no devem ser considerados cientficos, pois os estudos concentraram sua ateno apenas sobre as atividades motoras dos operrios, desconsiderando as atividades de percepo e aquelas mentais. O critrio adotado visa, por conseguinte, ao aumento da produtividade negligenciando a sade dos trabalhadores, como mais adiante se comprovar.

A diviso das tarefas passa a ser tamanha, que cada operrio, individualmente, perde a viso do todo produzido, sendo submetido uma total alienao do meio e daquilo que produz. Percebe-se, tambm, que cada um d conta de si, fragmentando-se de forma camuflada a unio que deveria expressar-se num trabalho de equipe. Se o operrio C, por exemplo, produz menos que os outros colegas de uma seo, imediatamente passa a ser menosprezado pelos demais, sendo advertido e pressionado, pois ganha-se mais conforme mais se produz.

Fragmentando atividades em sub-tarefas aparentemente simples e de curta durao, Taylor e seus seguidores criaram o trabalho repetitivo, seja este desenvolvido numa linha de montagem de peas, seja nas atividades burocrtias de bancos, seguradoras, CPDs e de atendimento a pblico, como em supermercados e grandes lojas de departamento, como at hoje se observa.

Situao totalmente distinta se observava nos trabalhos desenvolvidos no sculo XIX por um arteso, nos quais tinha-se a clara noo de comeo, meio e fim, com liberdade e autonomia para se efetuar pausas, descanso, refeies, atendimento s necessidades fisiolgicas, segundo o sentimento que partia do prprio organismo do trabalhador.

As atividades, antes enriquecedoras, que permitiam a mudana, segundo a tomada de decises por iniciativa do indivduo, passam para um estado robotizado. Este, destitudo de raciocnio, despossudo de seu aparelho mental, com tempos controlados e cronometrados, produo comparada aos demais colegas, segundo a implantao do Taylorismo, despersonaliza-se. O antigo arteso, pois, desaparece.

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Taylor conseguiria, ainda, tornar mais penosa tal organizao do trabalho: o treinamento insano ao qual foram submetidos os trabalhadores, com verdadeira lavagem cerebral e adestramento, de forma a tornar a atividade em um continuum, habitual e montono, a ltima pea do quebra-cabeas que acaba por bloquear qualquer iniciativa por parte dos operrios das indstrias. Taylor chegou a compar-los a chimpanzs, treinados e obedientes, dceis e isolados.

Contudo, estava errado. O que parece correto do ponto de vista da produtividade falso do ponto de vista da sade do corpo. o prprio operrio que sabe o que compatvel com a sua sade. Mesmo que seu mtodo prprio de trabalho no seja o mais eficaz em termos de produtividade e rendimento geral, o operrio consegue encontrar o melhor rendimento de que capaz, respeitando seu equilbrio fisiolgico e mental.

COMPORTAMENTO DOS TRABALHADORES FRENTE ORGANIZAO DO TRABALHO:

Classes Sociais mais pobres:

Totalmente desestruturadas, as classes sociais que vivem em meio misria so as mais difceis de se lidar. As pessoas so desnutridas, de baixo nvel cultural, analfabetas ou semi-analfabetas, possuem noes frgeis de higiene e limpeza e relutam frente a qualquer mudana no comportamento ao qual j se encontram acostumadas. A maioria esmagadora viciada em bebidas alclicas e no fumo, o que prejudica ainda mais a sade. So tambm as mais fceis de se explorar, pois tr . O que nos parece normal sinnimo de pnico para o trabalhador humilde e pobre. Assim, fingir que tudo est bem e que no h doena alguma, ficando-se em silncio, a estratgia adotada.

Tal estratgia conhecida como IDEOLOGIA DEFENSIVA, uma reao coletiva que tem por objetivo mascarar, conter e ocultar uma ANSIEDADE particularmente grave, fundamentada em riscos reais (diretamente relacionados com a prpria sobrevivncia).

A Classe Mdia

Distinta a reao desta classe social, que passa para a estratgia de MECANISMOS INDIVIDUAIS DE DEFESA. A ansiedade acima comentada, no que diz respeito ao subproletariado que oculta a todo custo a doena, coletivamente, alm da gravidez, o prazer, o lazer, o sexo, traduz-se por um proletariado que no pode errar, no pode desaprender um ritmo, uma cadncia j adquirida sob forte presso emocional, o movimento ordenado, limitando em centmetros e em segundos, caractersticas da linha de produo. O anonimato e a solido devem ser enfrentados isoladamente e, a, percebe-se que a ideologia defensiva , agora, imcompatvel, numa guerra em que cada um seguir seu rumo.

Assim, a anlise comportamental nos leva nica sada possvel: O mecanismo de defesa individual, eis que a angstia e a ansiedade, originadas da organizao de trabalho taylorista, devem ser enfrentadas individualmente. Qualquer demonstrao de fraqueza ser utilizada contra a pessoa daquele trabalhador.

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EFEITOS DO TRABALHO REPETITIVO SOBRE A ATIVIDADE PSQUICA

Antes de Taylor, verifica-se que o arteso regulava, de sua prpria iniciativa, suas aptides intelectuais e motoras, controlando seu prprio tempo, efetuando pausas em conformidade com suas necessidades. Assim, o CORPO OBEDECIA A MENTE, reagindo com naturalidade, sendo o pensamento, de sua vez, controlado pelo APARELHO PSQUICO, responsvel pelo desejo, pela imaginao e pelo prazer. Taylor, portanto, conseguiu subtrair o estgio intermedirio (MENTE), obliterando o raciocnio, robotizando-o. As conseqncias so expressas, ento, em reaes violentas na vida psquica do indivduo, com reflexos tambm observados no corpo humano, como mais frente verificaremos.

O trabalho repetitivo traz to profundos sintomas no indivduo, que manifestaes fora da empresa e do horrio se fazem assustadoramente presentes:

EXEMPLOS: ao ouvir sinais eletrnicos no metr, telefonistas respondem automaticamente um AL estereotipado. Controladores e vigias que trabalham com Walkie-Talkies respondem cmbio e desligo. Atividades domsticas passam a ser desenvolvidas com ritmo acelerado (em alguns casos, alucinado), caracterizadas por uma ansiedade inexplicvel e fcil irritao. Motoristas dirigem como loucos, com pressa de chegar no se sabe aonde, ... mas tenho de correr .... Mesmo aos domingos, a passeio com a famlia, dirigem como estivessem atrazados para o trabalho.

O mais terrvel a se observar em tais casos que, j estando condicionados a tais situaes, a tal ritmo, os trabalhadores no conseguem se desligar do mesmo, alguns, inclusive, desenvolvendo atividades cuidadosamente controladas, em uma estratgia inconsciente de no perder o condicionamento j adquirido, para no perder a produtividade ....

Tal comportamento, por fim, vem justificar a reao de desespero experimentada pelos operadores de reas industriais que so comunicados a respeito de mudana de posto de trabalho, de um setor para o outro, mesmo que o trabalho at ento realizado seja feito num posto considerado difcil. Ocorre que o sofrimento dispendido no aprendizado das tarefas, relacionadas a um ritmo que exige esforos at que seja adquirida a prtica, estar, ento, perdido, pois o operador ter de reiniciar todo um processo bastante desgastante para sua sade fsica e, principalmente, mental.

A EXPLORAO DO SOFRIMENTO, DA ANSIEDADE E DO MEDO

Estudos desenvolvidos na Frana j comprovaram que as reaes anteriormente descritas so aproveitadas pelas empresas. Na verdade, em funo do sofrimento dos trabalhadores (que as empresas muito bem conhecem), estas acabam por apropriar-se de tal situao, convertendo-os em maior produtividade, pois o que interessa para a empresa, na verdade, a REAO derivada do sofrimento e no este em si.

Exemplo:As telefonistas desenvolvem um trabalho to automatizado que acabam tornando-se essencialmente agressivas. As frases padronizadas que so obrigadas a decorar e repetir centenas de vezes por dia, sem que possam, ao menos, modificar uma s vrgula, as irritam profundamente. Acrescente-se a tal fato a permanente viglia qual esto sujeitas durante a jornada, pois a chefia imediata seleciona, a qualquer instante, o canal de uma e de outra, aleatoriamente, para verificar se esto cumprindo fielmente ordens recebidas. Tal irritao faz com que a telefonista procure desvencilhar-se o mais rpido possvel de cada uma das ligaes dos assinantes que a consultam. Falando o mais rpido possvel, atende a telefonista ao maior nmero de ligaes.

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O medo, de sua vez, fundamentado na ignorncia relativa a variveis de um processo industrial que no de todo conhecido, aumenta o controle voluntrio efetuado por operadores de unidades fabrs, principalmente na indstria qumica, petroqumica e nas refinarias. O medo produz, ento, maior nmero de rotinas operacionais do que o previsto, tambm induzido pelo fato de grande nmero de dispositivos de informao apresentarem leituras falsas nos painis de controle das Salas, CCIs, etc.

Determinadas situaes, teoricamente previstas como uma grande evoluo nos processos industriais, provocam pnico at em operadores mais experientes: quando as diversas reas de uma unidade industrial passam a um monitoramento centralizado, tipo CCI, com automao por SDCs, por exemplo, os operadores perdem o controle sobre as variveis do sistema, pois os parmetros anteriormente utilizados se perdem por completo.

Exemplo:Como um determinado dispositivo ou uma srie destes no de leitura confivel, os operadores habituam-se a controlar as variveis do processo, aprendendo quando o mesmo est normal, por outros meios no oficiais. Assim, aprendem que o borbulhar do cloreto de vinila indica o ponto certo para dar entrada a um determidado sistema operacional, a cor de uma nvoa indica que j atingiu-se temperatura correta do produto e at mesmo passam a controlar a temperatura de bocais de fornos com o prprio tato das mos, pois ... o termmetro a cada dia marca uma temperatura ....

Se tais operadores so retirados de uma rea industrial e deslocados uma Sala de Controle distncia, passam a controlar as variveis do processo por telas de monitores, com grficos de barras e outras representaes grficas. Ocorre que tais sistemas geralmente indicam um problema QUANDO ESTE J OCORREU, situao bastante distinta da anterior, quando as variveis eram controladas por parmetros no oficiais, mas eficazes, que permitem evitar os problemas ANTES DE SUA OCORRNCIA.

No podemos esquecer tambm que inmeras unidades que passam por modificaes projetuais durante sua vida til, tm um perodo de transio, no qual so efetuadas regulagens dos equipamentos de controle de processo. Inmeros casos de incidentes e acidentes na indstria qumica (inclusive em Cubato) vm ocorrendo pelo fato de que, teoricamente, um determinado sistema deveria ter entrado em ao, quando esta ou aquela variveis se apresentassem. Contudo, na hora H, o sistema no caiu, no desligou, seguidos, geralmente, de grandes vazamentos, princpios de incndio, etc.

Portanto, a automatizao, a implantao de uma tecnologia dita de 1 Mundo, muitas vezes aumenta a carga de trabalho dos operadores, pois, quando da implantao de tais sistemas informatizados, acredita piamente a empresa em que poder reduzir drasticamente o nmero de operadores que se ativam em tal rea industrial, o que, efetivamente, se verifica. Reduz-se o nmero de pessoas e aumenta-se a carga de trabalho para aqueles que ficam na empresa. Concluso: MAIOR NMERO DE ACIDENTES, MAIOR RISCO, MAIS SOFRIMENTO.

Assim, percebe-se que a interveno ergonmica no deve ser limitada apenas s condies de trabalho encontradas nos ambientes e postos vistoriados, ou seja, ao rudo excessivo, iluminao deficiente, presena de vapores e nvoas txicas, etc. A anlise ergonmica tambm deve prever uma atuao que reflita as reaes comportamentais dos trabalhadores frente organizao do trabalho, pois sob hiptese alguma deve-se considerar que a reao do trabalhador seja padronizada, como se este fosse um rob. A organizao do trabalho, portanto, deve prever flexibilidade, em funo da variabilidade dos processos e dos prprios operadores, com suas individuais especificidades de interveno. Para tanto, necessrio se faz que a diviso do trabalho seja profundamente revista.

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PERGUNTAS SIMULADAS PARA A PROVA:

a- O que estuda a PSICOPATOLOGIA DO TRABALHO?b- Por que a abordagem clssica da Ergonomia considerada incompleta se comparada PSICOPATOLOGIA DO TRABALHO?c- Qual a grande falha do TAYLORISMO?d- Como uma empresa se aproveita do sofrimento dos trabalhadores para aumentar a produtividade? O exemplo pode ser apontado tanto em relao a indstrias quanto a empresas de prestao de servios.e- Por que a implantao de um sistema de controle automatizado, numa rea industrial de risco, pode provocar pnico nos trabalhadores?

PARA SABER MAIS, LEIA:

LIVROS:

- A LOUCURA DO TRABALHO, de Christophe Dejours - Editora Cortez, 1.992, disponvel na Biblioteca do Santa Ceclia.

- POR DENTRO DO TRABALHO - ERGONOMIA: MTODO & TCNICA Autor: ALAIN WISNER (Destaque para o APNDICE FINAL da Obra) Editora: FTB/Obor

- A INTELIGNCIA NO TRABALHO: Textos Selecionados de Ergonomia Autor: ALAIN WISNER (Destaque para o Captulo Ergonomia e Psicopatologia do Trabalho - pgs. 75 a 86) Editora: Fundacentro / Unesp - 1994

REVISTAS TCNICAS - ARTIGOS:

- POR UM NOVO CONCEITO DE SADE, Christophe Dejours, artigo da Revista Brasileira de Sade Ocupacional n 54 (Fundacentro). EXCELENTE, LEITURA OBRIGATRIA !

- FICO E REALIDADE DO TRABALHO OPERRIO, Daniellou, Laville e Teiger, artigo da Revista Brasileira de Sade Ocupacional n 68 (Fundacentro).

- SADE MENTAL E TRABALHO: DOIS ENFOQUES, de Abnoel Leal de Souza, artigo da Revista Brasileira de Sade Ocupacional n 75 (Fundacentro).

- A NEUROSE DAS TELEFONISTAS, de Le Guillant e outros, artigo da Revista Brasileira de Sade Ocupacional n 47 (Fundacentro).

- NOVAS TECNOLOGIAS, de Mauro Azevedo de Moura, artigo da Revista Brasileira de Sade Ocupacional n 79 (Fundacentro).

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AULA 10

A Ergonomia e a Segurana do TrabalhoA.C.T. - Anlise Coletiva do Trabalho

Quando se pensa ou fala em Segurana do Trabalho, comum que certas imagens muito comuns do dia-a-dia nos venham mente. Dentre estas, uma que aprendi a reconhecer dentro da indstria, com grande tristeza, quando ocorre um acidente, aquela relacionada uma pergunta: De quem a culpa?

Muitos dos procedimentos e rotinas burocratizadas dentro das grandes indstrias criaram verdadeiros paquidermes como Departamento de Segurana, setores nos quais a preocupao bsica se resume a considerar o trabalhador como indisciplinado e descuidado e, pior, nico responsvel pelos acidentes que ocorrem na empresa.

Outras infelizes constataes se relacionam j desgastada idia (mas que ainda persiste!) de que um EPI-EQUIPAMENTO DE PROTEO INDIVIDUAL tudo que um trabalhador precisa para ser considerado como protegido dos agentes agressivos existentes no ambiente de trabalho. Pior, muitos Tcnicos de Segurana transformam-se em simples olheiros, indo s reas industriais s para verificar se os operrios esto ou no usando seus EPIs, como se a profisso do Tcnico de Segurana pudesse ser resumida nisto...

Tal iluso (no h palavra melhor !) at mesmo respaldada por uma legislao trabalhista omissa e por demais desatualizada, que ainda considera que a insalubridade presente no ambiente est neutralizada pelo uso de EPIs (veja a NR-06, da Portaria 3.214/78). Inmeros so os exemplos que comprovam justamente o contrrio e fao questo de apontar alguns. Veja:

EPI - Amigo ou Vilo?

EXEMPLO 1:

Um lubrificador trabalha numa ampla rea industrial, cumprindo rotinas dirias de trabalho. Toda vez que vai rea de produo, faz uso de protetores auriculares, tipo plug. O trabalhador acredita estar protegido durante seu trabalho, mesmo em ambientes em que o rudo elevado (acima de 100 dB-A), pois est usando o EPI. Vejamos, contudo, certos detalhes: - o lubrificador trabalha manuseando graxa e leos lubrificantes, bem como com leo j queimado e sujo. Suas mos costumam estar sujas (bvio !). Ao tocar nos protetores tipo plug, resduos destes hidrocarbonetos entram no canal auditivo, o que no deveria ocorrer;

- o lubrificador no trabalha sozinho. Um mecnico e um eletricista esto na mesma rea e os trs trabalham juntos numa Casa de Bombas e Compressores. Apenas uma das bombas est parada e todas as demais encontram-se em operao. O mecnico, aos berros (adivinhe porque!), tenta, com dificuldade, se comunicar com os colegas, mas sem sucesso. Passa a adotar gestos de mmica e parcialmente compreendido. Por fim, o lubrificador desiste e retira um dos plugs, para tentar, enfim, entender o que se passa (percebeu o problema?);

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- trabalhando numa rea caracterizada por sobrecarga trmica, o lubrificador percebe que torna-se insuportvel usar os protetores auriculares por mais que alguns minutos, pois os EPIs se constituem em cmaras de conservao de calor;

- alarmes sonoros presentes na rea podem no ser percebidos pelo profissional, bem como avisos por auto-falantes, por estar usando o plugue.

EXEMPLO 2:

Um soldador faz uso de solda eltrica, reparando armaes de vigas de um galpo industrial. Necessita, pois, usar um elmo com lentes filtrantes, que protegem seus olhos de radiaes no ionizantes, provenientes da operao de soldagem. Repare nestes detalhes:

- a solda desprende fumos metlicos nos quais h agentes qumicos altamente txicos, que so inalados pelo soldador. Mesmo que este queira, fica impossibilitado de usar proteo respiratria, pois o tamanho da mscara incompatvel com o tamanho do elmo;

- Se usar um culos de lentes filtrantes, abandonando o elmo, poder usar a mscara, mas o filtro descartvel desta precisa ser trocado sempre que fica saturado, e tal condio pode ocorrer rapidamente, em funo da quantidade de poluentes no ambiente de trabalho. O almoxarifado da empresa, contudo, no recebe regularmente tais filtros;

- A falta de treinamento de segurana faz com que e soldador desconhea os riscos aos quais est exposto, o que implica no abandono da mscara, pois acaba considerando esta ltima como intil e desconfortvel. Podemos culp-lo por tomar tal atitude ?

EXEMPLO 3:

Um encanador industrial faz reparos numa tubulao que transfere cido sulfrico de um tanque para outro. Toda a rea est contaminada por gua cida e o encanador usa uma roupa de trevira, alm de luvas e botas de PVC cano longo. H dificuldade em remover uma junta da tubulao e o trabalhador faz fora sobre esta. Veja os detalhes:

- A bota de PVC em funo da presena do cido no local. Contudo, o encanador usa ferramentas pesadas (chaves combinadas, marreta, grifo), bem como manuseia equipamentos pesados (tubulaes), que dificultam sua movimentao. Ao fazer fora sobre um grifo, que est com a manopla molhada, o mesmo escorrega e cai sobre a rea dos dedos do p do trabalhador, que no esto protegidos para este risco (Risco Mecnico), mas esto protegidos em relao a um agente qumico (o cido);

- A luva de PVC em funo da presena do cido no local. Contudo, tal material no resistente a agentes mecnicos, como bordas afiadas de chapas metlicas ou superfcies desgastadas pela corroso, que so irregulares e cortantes. Durante as operaes, o encanador acaba raspando a luva numa superfcie com tal caracterstica, que se rasga, e queimado por cido.

Em todos os exemplos, observamos que a Ergonomia tem uma importante misso relacionada segurana dos trabalhadores e os EPIs que estes devem usar: a de adaptar os EPIs s atividades exercidas e aos tipos de riscos envolvidos, sem esquecer que as dimenses dos EPIs devem ser flexveis, podendo o trabalhador optar por tamanhos diferentes em funo de suas medidas corporais.

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Contudo, a Ergonomia j tem conscincia de que algumas situaes no tm soluo, como no caso do rudo ambiente, eis que o uso dos protetores auriculares bastante desconfortvel e sua eficincia discutvel. Verificamos, inclusive, que o uso de tais EPIs dificulta sobremaneira a comunicao verbal entre os trabalhadores.

A DIMENSO DOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS E A SEGURANA.

Quando uma planta industrial planejada, os Tcnicos responsveis pelo projeto dos equipamentos costumam levar em considerao as propriedades da matria-prima que circular pela planta (pode ser um produto cido, inflamvel, em estado slido, lquido, etc.), em funo das quais sero desenvolvidas chaparias, revestimentos, tanques e vlvulas, dentre tantos, com caractersticas prprias para receber tal insumo.

Como exemplo, pode-se mencionar uma planta de produo de cido (sulfrico, fosfrico, etc.). Os equipamentos so especificados e dimensionados de forma a atingir uma vida-mdia de tantos meses ou anos, ocasio em que grandes paradas so executadas para a manuteno. As dimenses tambm esto relacionadas diversas variveis presentes no processo (presso, volume, ventilao, refrigerao, temperatura, etc.).

Por ltimo, ou simplesmente no consideradas, ficam as dimenses do espao de trabalho no qual circularo e atuaro os trabalhadores, ou seja, o FATOR HUMANO rotineiramente desprezado em funo das caractersticas meramente tcnicas do processo.

Tal situao geralmente resulta em acidentes de trabalho, com perdas materiais e humanas e visveis prejuzos, no s para a empresa, mas para a sociedade como um todo.

EXEMPLOS:

Vlvulas localizadas em pipe-racks, sem plataformas e escadas de acesso. O operador da rea sobe na tubovia, e equilibra-se sobre um piso escorregadio, enquanto abre ou fecha a vlvula;

A situao pode piorar mais, se estiver chovendo;

A situao piora ainda mais se a vlvula tiver o seu registro muito alto ou muito baixo, o que aumenta o desequilbrio;

A situao ficar ainda mais grave se o registro estiver emperrado.

Outras condies adversas poderiam ser acrescentadas ao exemplo, como abrir ou fechar a vlvula numa emergncia da rea (vazamentos, incndios, exploses, etc.).

DISPOSITIVOS DE INFORMAO COM LEITURAS FALSAS

comum encontrar nas Salas de Controle das grandes reas industriais, painis que apresentam centenas de dispositivos de informao, atravs dos quais os operadores controlam o andamento do processo e o alteram, conforme as necessidades.

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Entretanto, muitas matrias-primas usadas nos processos geram resduos que se acumulam nas paredes de tubulao, vasos, reservatrios, etc., alterando o funcionamento dos dispositivos, gerando informaes com desvios, que devem ser analizadas e corrigidas pelos operadores. Isto aumenta a carga de trabalho destes ltimos, bem como gera incerteza e insegurana quanto ao funcionamento dos equipamentos.

Tal problema pode agravar-se em funo da passagem de turno, na qual h mudana das equipes de trabalhadores. Caso a equipe A tenha observado alteraes nas leituras de uma srie de dispositivos, uma destas observaes pode ser esquecida e no passada equipe B. Isto provocar leituras erradas e falsas no turno seguinte, podendo resultar em acidentes.

AUTOMAO PARCIAL DE UMA PLANTA E A REDUO DO QUADRO FUNCIONAL.

Problema bastante comum observado na ltima dcada, a reduo das equipes de trabalhadores nas unidades industriais vem acarretando condies inseguras geralmente no reconhecidas pelas empresas, que esto mais preocupadas com os custos ligados mo-de-obra. Alain Wisner, em sua mais recente obra A INTELIGNCIA NO TRABALHO, editado pela Fundacentro, destaca, no Captulo 5 - O Trabalhador diante dos Sistemas Complexos e Perigosos, excelentes exemplos de acidentes e tragdias ocorridas pela reduo drstica de operadores em plantas industriais. O item 2 - A catstrofe de Bhopal (1984), assustador...

Uma das desculpas apresentadas, nestas situaes, refere-se automao implantada em parte do processo (j abordamos tal situao na AULA 09).

A retirada de operadores da rea externa e a colocao de um nico operador (ou, no mximo, de uma dupla) defronte a painis de controle, no interior de salas tipo CCI, provoca inmeros problemas, principalmente porque, ao entramos na Sala de Controle, observamos, de incio, que tudo parece tranquilo e normal. At mesmo observa-se, rotineiramente, um operador de CCI lendo jornal, situao que muito abordada pelas chefias, que julgam tal trabalho como simples e fcil, recusando-se a constatar uma realidade bastante distinta. Chefias j entrevistadas por este professor afirmavam, de modo categrico, que ...aquele sujeito no faz nada o turno inteiro....

Estudando cuidadosamente o trabalho dirio do operador da sala, observa-se que seu controle sobre as variveis do processo que desfilam nas telas de monitores de vdeo CONSTANTE e que, a qualquer instante, o operador abandona seu jornal para atuar sobre o processo ou para acompanhar uma varivel que se dirige para uma condio de risco.

s vezes, tal situao arrasta-se por horas e muda-se o turno, mas a varivel continua a sofrer alteraes inexplicveis ( ...porque a temperatura do forno n 4 no pra de subir ? J fiz de tudo, mas ela continua subindo! ).

Uma das explicaes para tais condies de trabalho conflitantes, est relacionada complexidade do processo industrial e perda de controle, por parte dos operadores, de partes do processo que acabam se transformando em caixas-pretas.

Se o operador observa uma temperatura subindo neste ou naquele equipamento, muitas podem ser as variveis que interferem naquele ponto. O que se observa que o operador comea a usar um mtodo do tipo TENTATIVA E ERRO. (Eu comeo a reduzir a presso deste vaso aqui. Se no funciona, reduzo daquele outro e assim por diante!).

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A Ergonomia estuda tais situaes, de modo a interferir nas etapas de projeto de plantas industriais, ou na reviso daquelas j existentes, de modo a eliminar tais conflitos que resultam em sofrimento para os trabalhadores e tambm em acidentes. Trata-se de um tipo de anlise ergonmica bastante complexa e trabalhosa, pois analisar o funcionamento de uma planta industrial e a inter-relao entre seus diversos equipamentos, no fcil e rpido.

Pior convencer uma indstria que investiu, no raro, milhes de dlares em equipamentos e sistemas, de que o mesmo deve passar por modificaes (isto custa caro !), sem falar que, em muitos casos, a idia enganosa de que, implantando tais equipamentos na planta, poderia demitir um nmero X de funcionrios, ter que ser reavaliada.

COMO A ERGONOMIA LEVANTA TAIS CONFLITOS?A ANLISE COLETIVA DO TRABALHO -ACT

Muitos problemas foram apontados ao longe do curso, a maioria sendo fruto do trabalho de campo efetuado pelo prprio Autor da Apostila. Contudo, falta mencionar como as informaes so levantadas, para que os problemas sejam diagnosticados e as solues sejam buscadas. Trata-se de uma receita de bolo, que o aluno poder adotar em sua empresa.

Face s dificuldades encontradas pelos trabalhadores e tambm aos conflitos tpicos entre os diferentes cargos de uma empresa, comum que certos bloqueios ocorram quando um profissional comparece s reas e procura levantar as situaes acima exemplificadas.

Muitos dos trabalhadores temem represlias por parte da empresa e se calam, ao invs de abrir o jogo, por pior que seja a situao vivenciada no trabalho. preciso, pois, adotar-se uma estratgia de levantamento, que possibilite ao trabalhador sentir-se amparado e seguro. justamente em funo de tal dificuldade que surgiu a ACT.

A ACT um mtodo que atua como agente de ligao entre aquilo que o trabalhador sente em seu trabalho e a empresa, mas sem a interferncia interna de presses desta ltima. Basicamente, o mtodo de ACT engloba:

- O interesse da empresa em conhecer os problemas vivenciados pelos trabalhadores e o objetivo primordial de melhorar as condies do trabalho desenvolvido por estes;

- O contado com o Sindicato da classe trabalhadora envolvida (petroleiros, metalrgicos, construo civil, etc.), que facilita bastante o relacionamento entre o Ergonomista e os trabalhadores;

- Um local considerado neutro (uma universidade, por exemplo), ou seja, um local no qual o trabalhador se sinta vontade e que no tenha paredes com ouvidos;

- O anomimato dos trabalhadores garantido, para que no sintam qualquer mdo de perseguio por parte da empresa ou de chefias inescrupulosas e incompetentes (MUITO COMUM e, diga-se, j assisti cenas profundamente lamentveis e humilhantes quanto a este aspecto);

- Total liberdade para que o trabalhador possa se expressar a respeito daquilo que faz, como faz, o que gosta mais de fazer, do que no gosta, etc. certo que o especialista em Ergonomia deve acompanhar os relatos e fazer perguntas-chaves.

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Atravs da ACT que o Ergonomista consegue perceber inmeras situaes de trabalho que, sozinho, jamais captaria, mesmo comparecendo ao local de trabalho. A Dra. Leda Leal Ferreira, uma das maiores especialistas no assunto, relata que tal mtodo um verdadeiro sucesso e que enriquece sobremaneira a anlise ergonmica.

A importncia da ACT relaciona-se diretamente ao FATOR HUMANO dentro do trabalho, possibilitando empresa:

A-Tomar conscincia das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores e tomar providncias quanto aos aspectos negativos por eles levantados;

B-Descobrir que os trabalhadores, mesmo em situaes difceis e incmodas, tm orgulho de seu trabalho e gostam de trabalhar, ocasio em que so mencionados os aspectos positivos abordados pelo pessoal entrevistado.

Os aspectos positivos, por sinal, tambm possibilitam que o Setor de Medicina e Segurana do Trabalho redimensione as equipes de trabalho e faa uma readequao das funes, segundo as condies fsicas e psquicas deste ou daquele trabalhador, conforme suas capacidades.

Por exemplo, ao tomar conhecimento de atividades mais leves e fceis de serem executadas num setor da empresa, dentre um universo de atividades levantadas, o Mdico do Trabalho pode encaminhar temporariamente, para outro setor, um trabalhador que apresente incapacidades ou limitaes psico-fisiolgicas, de modo a facilitar a sua recuperao.

reas que merecem uma ateno maior do setor de Higiene do Trabalho podem ser includas num cronograma, de modo a iniciar uma srie de mudanas no ambiente de trabalho, o que antes poderia estar camuflado. Os aspectos negativos do tal viso. Desvios de funo so dectectados (um soldador que tambm acaba fazendo servios de mecnico), ou a sobrecarga de trabalho concentrada neste ou naquele setor, o que permite redimensionar a organizao do trabalho e corrigir as falhas.

muito importante que o relatrio de ACT encaminhado s chefias mantenha os nomes dos trabalhadores em segrdo, pois os problemas devem chegar ao Chefe, que aquele que tem poder para tomar providncias (e resolver o problema, claro !), mas no interessa saber quem foi que disse isto ou aquilo, pois sabemos que sempre h um fator pessoal no relacionamento entre as pessoas que trabalham numa mesma empresa. J imaginou o chefe que reconhece a existncia de um problema, mas que pode no tomar nenhuma providncia, pois ali trabalha Fulano ?

PERGUNTAS SIMULADAS PARA A PROVA:

a- Explique como a Ergonomia encara o uso de EPIs nos ambientes de trabalho agressivos.b- Explique por que, em alguns casos, o EPI torna-se intil.c- Por que a Anlise Coletiva do Trabalho funciona como uma ponte entre a empresa e os trabalhadores?d- Relacione as principais caractersticas da ACT.e- Por que na ACT so levantados tantos os aspectos positivos quanto os negativos, pelos trabalhadores?

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PARA SABER MAIS, LEIA:

LIVROS:A INTELIGNCIA NO TRABALHOAutor: Alain WisnerEditora: UNESP/FUNDACENTRO

POR DENTRO DO TRABALHO - ERGONOMIA: MTODO E TCNICAAutor: Alain WisnerEditora: FTD/OborDisponvel na Biblioteca da UNICEB

VOANDO COM OS PILOTOSAutora: Leda Leal FerreiraEditora da Fundacentro

MANUAL DE ANLISE ERGONMICAAutores: Neri dos Santos e Francisco FialhoEditora Genesis

REVISTAS TCNICAS - ARTIGOS:

ANLISE COLETIVA DO TRABALHOAutora: Leda Leal FerreiraFonte: Revista RBSO n 78 - FUNDACENTRO

NOVOS DESAFIOS PARA A ERGONOMIA:REFLEXES SOBRE A SEGURANA DO TRABALHOAutor: Tom DwyerFonte: Revista RBSO n 69

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