Apostila Agentes Qumicos - parte 1

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    09-Jul-2015

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Agentes Qumicos1 CONSIDERAES GERAIS

Docente: Adriana Azeredo

Para o estudo dos agentes qumicos necessrio inicialmente situ-los no contexto da Segurana do Trabalho e mais especificamente na Higiene Industrial. Para o desenvolvimento de um programa de segurana necessrio a participao multidisciplinar, ou seja, de cincias que se completam visando minimizar ou eliminar a agressividade do ambiente de trabalho. Dentre essas cincias so destacadas: A Engenharia de Segurana A Medicina do Trabalho A Toxicologia A Higiene Industrial

Em um breve comentrio sobre cada uma dessas cincias pode ser citado: A ENGENHARIA DE SEGURANA o marco inicial devido ter como principal objetivo atuar no projeto e na implantao do empreendimento, visando minimizar a agressividade do ambiente de trabalho. Utiliza como ferramentas as tcnicas de Anlise de Riscos. Atua tambm na operao, atravs do reconhecimento, da avaliao e do controle dos agentes ambientais e de outras condies de riscos. O treinamento tambm uma rea de atuao importante, onde os trabalhadores so informados sobre os riscos inerentes ao trabalho e sobre as medidas preventivas necessrias. O treinamento objetiva tambm uma mudana comportamental em relao a preveno de acidentes (ao pr-ativa). Na investigao dos acidentes o principal objetivo a ser alcanado a identificao das causas e implantao das medidas corretivas para que ocorrncias similares sejam evitadas. O acompanhamento estatstico e a estruturao de um banco de dados so outros aspectos importantes da investigao dos acidentes. Generalizando, pode se dizer que a Engenharia de Segurana tem como misso: Identificar, classificar, mensurar e neutralizar os riscos, bem como, elaborar estratgias para minimizar as conseqncias de acidentes, atravs dos planos de ao para emergncias. tambm oportuno lembrar a diferena entre risco e perigo. Risco : inerente a presena de um agente ambiental (qumico, fsico, biolgico), ao local onde desenvolvida uma atividade ou a prpria atividade. Est relacionado a uma forma de energia. Perigo : a exposio ao risco. So as medidas preventivas (barreiras de segurana) que impedem ou minimizam as exposies aos riscos. Esse o principal foco da Engenharia de Segurana. A MEDICINA DO TRABALHO cumpre atividades de grande importncia. Uma dessas atividades consiste no estudo das caractersticas das tarefas a serem desenvolvidas pelos trabalhadores, coletando informaes para a elaborao dos Perfis Profissiogrficos que so importantes referncias para os exames mdicos pradmissionais. Importante destacar que a administrao moderna introduziu a multitarefa para os trabalhadores, o que torna mais extenso esse estudo.

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Outra atividade coordenar e desenvolver o Programa de Controle Mdico de Sade Ocupacional (PCMSO), conforme determina a Norma Regulamentadora n 7 (NR-7), cujo objetivo identificar a ocorrncia de algum distrbio orgnico resultante da atividade profissional, em uma fase inicial, possibilitando tomar as medidas necessrias para neutraliz-lo ou evitar a evoluo. O PCMSO composto dos exames admissionais, peridicos, demissionais, retorno ao trabalho, mudana de funo e complementares. A TOXICOLOGIA a cincia que estuda o efeito nocivo produzido pela interao dos agente qumico com o organismo. Em funo do nmero crescente de substncias qumicas, a toxicologia uma cincia em constante evoluo. A exposio humana pode ocorrer no trabalho, no lar e at no lazer. Este um fato preocupante, por no existirem substncias qumicas desprovidas de toxicidade. Dependendo da quantidade absorvida pelo organismo mesmo aquelas classificadas como Relativamente atxicas podem causar danos. Tudo veneno , nada veneno. A dose que diferencia um veneno de um remdio Paraselsus (1493 1541) A HIGIENE INDUSTRIAL a cincia que objetiva o reconhecimento, a avaliao e o controle dos agentes ambientais originados do ou no local de trabalho, que podem causar doena, comprometimento da sade e do bem-estar ou significante desconforto e ineficincia entre os trabalhadores ou membros da comunidade. Os riscos profissionais podem ser dividido de forma didtica em: ??? Riscos da operao: esto relacionados as mquinas, equipamentos e prticas operacionais. ??? Riscos do ambiente: esto relacionados aos agentes ambientais que estejam presentes no ambiente de trabalho. Aps estas consideraes, a Higiene Industrial pode ser situada no contexto da Segurana do Trabalho e estudada. 2 ETAPAS FUNDAMENTAIS DA HIGIENE INDUSTRIAL Na definio da Higiene Industrial podem ser identificadas 3 palavras chaves que definem as metas a serem atingidas. . RECONHECIMENTO - Processo qualitativo que tem como objetivo conhecer detalhadamente: os mtodos, os processos e as operaes. estado fsico, as caractersticas fsico-qumicas de matrias primas, produtos intermedirios, produtos finais e rejeitos, o nmero de pessoas expostas, a freqncia de exposio e o histrico de danos para a sade. . AVALIAO - Processo quantitativo que pode ser desenvolvido no ambiente ( Avaliao ambiental ) ou nos fluidos do organismo ( Avaliao biolgica ) ou em ambos. Tem por objetivos: . medir a concentrao ou a intensidade de um ou mais agentes e compar-la com referncias apropriadas. . estudar a ao individual ou combinada dos agentes no organismo. . CONTROLE - Processo preventivo que objetiva estudar e recomendar as medidas necessrias e suficientes para eliminar a exposio ou reduzi-la a um nvel cientificamente aceito.

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3 AGENTES AMBIENTAIS So divididos em 3 grupos, em funo da natureza e da forma como atuam no organismo humano : - Agentes Qumicos: vapores, gases, poeiras, fumos ,fumaas, nvoas, neblinas e lquidos. - Agentes Fsicos: rudos, vibraes, presses e temperaturas anormais, iluminao, radiaes ionizantes e no ionizantes. - Agentes Biolgicos: organismos patognicos. Este trabalho dedicado aos agentes qumicos, que so definidos como: produtos orgnicos e inorgnicos, naturais ou sintticos, que durante a fabricao, manuseio, transporte, armazenamento e uso podem dispersar-se no ar em quantidade que possa causar danos sade das pessoas expostas. 4 EXPOSIO AOS AGENTES AMBIENTAIS Importante observar que a simples presena de um agente, pode no representar perigo para a sade. A importncia da exposio est relacionada a algumas condies, tais como: O estado fsico, as caractersticas fsico-qumicas, a concentrao ou a intensidade, o tempo e a frequncia de exposio e a susceptibilidade do indivduo. Cada uma dessas condies deve ser conhecida para que seja possvel estabelecer a representatividade da exposio. 5 VIAS DE PENETRAO NO ORGANISMO Os agentes qumicos penetram no organismo humano por 3 vias. Essas vias retardam a penetrao e exercem ao seletiva. A penetrao somente ser instantnea quando atingir diretamente a corrente sangunea, como atravs de leses na pele, ou atravs de aplicao intravenosa. As propriedades fsico-qumicas dos agentes determinam a possibilidade e a via de penetrao. As vias de penetrao so: RESPIRATRIA, DRMICA (PELE) e DIGESTIVA. 5.1 - Penetrao pela via respiratria

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Entende-se como via respiratria o sistema formado pelo nariz, boca, faringe, laringe, traquia, brnquios, bronquolos e alvolos pulmonares. A respirao um processo de troca gasosa nos alvolos pulmonares, com entrada de oxignio e remoo de gs carbnico do sangue. a via mais importante, por permitir que muitas substncias penetrem no organismo humano. A maioria das intoxicaes originadas da atividade profissional resultam da aspirao de substncias dispersas no ar. Essas substncias podem ficar retidas no sistema respiratrio superior (nariz, faringe, laringe, traquia e brnquios), nos pulmes, ou ainda passar atravs destes para a corrente sangunea, atingindo outras partes do organismo. Algumas caractersticas evidenciam a importncia dessa via: . A respirao um processo contnuo. Os pulmes, embora localizados no interior do trax, so rgos fisiologicamente externos, pois realizam trocas diretamente com o meio ambiente. . O pulmo tem aproximadamente 90m de superfcie total e 70m de superfcie alveolar. . A rede capilar, com fluxo sanguneo contnuo pode atingir 140m. . A quantidade de ar veiculado nos pulmes muito grande e aumenta com o esforo fsico. . Algumas substncias ficam retidas pela firme interao com o tecido pulmonar (slica, berlio, asbesto ) resultando em fibroses e alteraes malignas, outras provocam irritaes, inflamaes, manifestaes alrgicas ou ainda, passam para a corrente sangunea. 5.2 - Penetrao pela via drmica (pele)

A pele a superfcie que recobre continuamente o corpo humano, constituindo uma importante barreira para a penetrao de substncias no organismo. Poucos agentes so absorvidos em quantidades perigosas. O estado lquido o que mais predispe a absoro cutnea, principalmente as que so solveis em gorduras (lipossolveis) e possuem baixo peso molecular. Outras condies tambm influenciam a absoro, tais como: o tempo de contato, a regio (vascularizao e pilosidade) e o estado da pele. No adulto mdio, apresenta superfcie total aproximada de 1,5m. Tem importante funo no equilbrio trmico do organismo. As dermatoses so as doenas relacionadas ao trabalho de mais freqente diagnstico.

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a segunda via em importncia, para a penetrao de substncias no corpo humano. constituda por duas camadas distintas que so a epiderme e a derme. A primeira est em contato com o meio ambiente, tendo uma espessura mdia de 0,1mm. Sobre a epiderme existe uma emulso gordurosa que impede a entrada de gua e de substncias solveis em gua. Esta camada pode ter sua capacidade de proteo reduzida, quando em contato com detergentes, solventes e lcalis. Abaixo dessa emulso existe uma camada de clulas mortas (queratinizada) resistente a gua e cido que tambm danificada pelas substncias anteriormente. Na derme so encontrados os capilares, os pelos, as glandulas sebceas e sudorparas. Pelos dutos capilares podem penetrar substncias lipossolveis. As substncias quando em contato com a pele pode resultar nas conseqncias seguintes: . a camada externa impede a ao, no havendo danos. . reagir com a superfcie, causando irritao primria no local de contato (lcalis, cidos, solventes...). . penetrar na pele e combinar-se com protenas produzindo sensibilizao e aps dermatite (resinas epxicas...). . penetrar na pele e ingressar na corrente sangunea, atuando de forma sistmica ( fenol, chumbo tetra etila, mercrio, metanol...). 5.3 - Penetrao pela via digestiva Nos locais de trabalho, a via de menor importncia. A intoxicao industrial por esta via pouco comum. Entretanto pode ocorrer na presena de agentes de elevada toxicidade como, por exemplo, chumbo, arsnico, cdmio e mercrio, principalmente quando os hbitos elementares de higiene pessoal no so praticados. Deixar alimentos expostos nos locais de trabalho, se alimentar ou fumar com as mos sujas, so exemplos tpicos da possibilidade de penetrao por esta via. Outra possibilidade so as substncias retidas no muco das vias respiratrias quando engolidas. 6 CONCEITUAO DE TXICO E INTOXICAO . Txico qualquer agente que penetra no organismo, em uma concentrao capaz de provocar perturbaes funcionais ou alteraes celulares. . Intoxicao o efeito produzido por um txico. Pode ser dividida em: Aguda - Exposio curta a concentrao elevada, ou ainda por substncias que so rapidamente absorvidas pelo organismo. Crnica - Exposio repetida a pequenas concentraes, caracterizada pelo acmulo no organismo (da substncia , dos metablitos ou dos efeitos). A preocupao com a toxicidade que at a alguns anos se restringia aos efeitos agudos das substncias qumicas, ampliou-se. Atualmente so conhecidos e muito pesquisados os efeitos txicos de exposies prolongadas ou repetidas as pequenas concentraes. . Ao Txica Local - atuao diretamente na via de penetrao. Sistmica - ao seletiva em um rgo, em geral distante do local de penetrao. Para tal, necessrio o sangue como meio de transporte.

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. Interferncia celular So as leses (necroses e destruio dos elementos sub-celulares) e as alteraes funcionais (permeabilidade da membrana, alteraes das aes enzimticas, alteraes no DNA e RNA). . Concentraes imediatamente perigosas para a vida e sade IPVS So caracterizadas pelas iniciais IPVS ou por IDLH ( Imediatelly Dangerous for Life and Health ). Referem-se a exposio respiratria aguda (poucos minutos) que pode resultar em danos irreversveis para o organismo ou ainda na morte ou na exposio aguda aos olhos que impea a fuga de um ambiente. 7 CLASSIFICAO DOS AGENTES QUMICOS Os agentes qumicos sero classificados: - pela forma. - pelos efeitos no organismo humano. 7.1 - Classificao pela forma Toma como referncia a forma na qual o agente se apresenta no ambiente. Os agentes que esto dispersos no ar, so os de maior importncia para a Higiene Industrial. Entretanto, os lquidos so tambm de importncia relevante. Gs - o estado fsico normal de uma substncia a 25C e 760 mmHg. Vapor - a fase gasosa de uma substncia que lquida ou slida a 25C e 760 mmHg. Principais caractersticas - facilidade de disperso no ar: . pequena densidade . grande mobilidade - possibilidade de formao de mistura inflamvel com o ar - facilidade de penetrar no corpo humano pela via respiratria. A mobilidade dos gases e vapores em um ambiente depende de algumas condies, como citado a seguir: . Ventilao - tem grande influncia na movimentao. Na ausncia de corrente de ar, a disperso ocorre por difuso, sendo mais lenta e homognea. . Densidade - gases e vapores mais leves que o ar dilui-se com facilidade. Nos mais pesados a diluio mais difcil. . Temperatura - determina a densidade do ar. Pequenos aumentos de temperatura aumentam a mobilidade dos gases ou vapores que estejam presentes. Lquidos So representados pelos solventes, lcalis, cidos, oxidantes, redutores..... Os mais usados na atividade industrial so os solventes, definidos como lquidos capazes de dissolver outras substncias. Em geral, representam o componente que se encontra em maior quantidade em uma soluo.

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. Solventes Orgnicos So constitudos por molculas que contm carbono e hidrognio em vrias configuraes e propores ( hidrocarbonetos ), podendo ainda conter oxignio, nitrognio, cloro e flor. Em geral, derivam-se do petrleo. Os hidrocarbonetos de menor peso molecular ( cadeia carbnica com at 4 tomos de carbono) so gases na temperatura e presso ambiente. A volatilidade dos solventes est relacionada ao tamanho das molculas que os compe. Os solventes muito volteis possuem uma cadeia com 5 a 8 tomos de carbono. Aqueles que contm 9 ou mais tomos de carbono so pouco volteis na temperatura e presso ambiente, no resultando em quantidade significativa de vapores. Tais solventes tiveram uma evoluo muito rpida nas ltimas dcadas, sendo amplamente usados em diversas atividades, tais como: desengraxantes, tintas, vernizes, ceras, plsticos e borrachas. Essa evoluo no foi acompanhada pelos estudos toxicolgicos e consequentemente muitos efeitos da exposio ainda no so integralmente conhecidos. Outros aspectos importantes que merecem destaque so: . os nomes comerciais e a ausncia de informaes nos rtulos. Isso resulta no uso inadequado e na exposio indevida. . muitos solventes so misturas de hidrocarbonetos, o que dificulta uma melhor avaliao. Nestes casos a toxicologia de cada um dos componentes deve ser conhecida, bem como seus efeitos.. A presena de benzeno, que um cancergeno comprovado sempre uma preocupao. Os solventes orgnicos clorados (1,1,1tricloroetano, tricloroetileno, percloroetileno...) so muito usados para remoo de gordura da superfcie de metais, visando prepar-los para o acabamento (pintura, fosfatizao, anodizao, esmaltagem...). Esses solventes so muito txicos para o fgado, podendo causar aumento de tamanho, cirrose e necrose. O tetracloreto de carbono e tetracloroetano esto entre os que apresentam maior agressividade. . Solventes Aquosos Resultam de uma mistura de gua com um produto especfico (soluto). Seu emprego em geral est relacionado a remoo de gordura, oxidao e tinta. O soluto pode ser cido, lcali, sal, oxidante, redutor e tensoativo. Os riscos apresentados por estes solventes esto relacionados em geral com a temperatura de trabalho e com o tipo de aplicao.

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As nvoas e os vapores originados na aplicao do solvente, o contato direto com a pele e mucosas no preparo e no manuseio da soluo devem ser analisados em relao aos perigos para a sade. Aerosol ou Aerodisperside

a disperso no ar de partculas slidas ou lquidas, de tamanho inferior a 100 (100 microns). . Poeiras: resultam da desagregao mecnica de um slido (lixamento, triturao, polimento, corte, exploso ). O tamanho das partculas varia amplamente (abaixo de 1 at 100 .). . Fumos: partculas slidas que resultam da condensao de vapores aps a fuso. Em geral esta condensao acompanhada de oxidao (formao de xido). As partculas tm tamanho inferior a 0,1, apresentando a tendncia para se flocularem, formando partculas maiores que ao se precipitarem tem minimizada a possibilidade de ingressar pela profundamente na via respiratria. . Fumaas: so partculas de carbono que resultam de um processo de combusto incompleta. O tamanho mdio geralmente inferior a 0,1. . Nvoas: resultam da desagregao mecnica de um lquido. As partculas podem apresentar considervel variao de tamanho. . Neblinas: resultam da condensao de vapores de lquidos. Em geral tem dimetro inferior a 0,5 . 1 micron ( ) = milionsima parte do metro Poeiras, fibras e fumos Os aerodispersides slidos podem ser classificados em funo do tamanho, da forma, da origem e do efeito.

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- Poeiras Frao Respirvel Os danos para a sade resultantes da exposio as poeiras, depende principalmente da concentrao, do tamanho, da densidade das partculas e do tempo de exposio. As partculas com tamanho inferior a 10 so as de maior importncia pela facilidade com que penetram nas vias respiratrias. poeiras inalveis - podem originar doena quando depositadas em qualquer regio das vias respiratrias; poeiras torxicas - podem originar doena quando depositadas em qualquer regio do pulmo; poeiras respirveis - podem originar doena quando depositadas na regio de troca gasosa do pulmo (alvolos). As poeiras inorgnicas que contm slica cristalina so as de maior interesse para a Higiene Industrial. Resultam de materiais existentes em grande quantidade na crosta terrestre, tais como, rochas, minrios e areias. A slica apresenta-se geralmente como dixido de silcio (SiO2), nas formas: cristalina e amorfa. A forma cristalina apresenta o maior risco, podendo causar uma grave pneumoconiose chamada de silicose, que a enfermidade pulmonar mais conhecida, relacionada ao trabalho. Exemplos: Slica amorfa: terra diatomcea, slica gel, slica fundida, slica precipitada. Slica cristalina: cristobalita, quartzo, tridimita, tripoli. O conhecimento de outras formas de slica importante devido ao fato da legislao Brasileira (portaria 3214/78, Norma Regulamentadora n 15) citar genricamente slica livre cristalina. Na indstria de refratrios por exemplo, so encontradas partculas como a tridimita e a cristobalita que so mais agressivas que o quartzo. O tamanho das partculas muito importante, pois o sistema respiratrio tem importantes barreiras de proteo, como por exemplo a regio pelfera das narinas.No entanto as partculas com dimetro inferior a 4 conseguem atravessar esse sistema de defesa. Conveniente lembrar que quanto menor for a partcula maior o risco devido ao maior tempo que ficar em suspenso. O quadro seguinte ilustra essa afirmao: Estimativa do tempo de queda em 30 cm de uma partcula de slica no ar parado dimetro () tempo (minutos)

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As poeiras orgnicas tambm merecem ateno, pois podem determinar importantes reaes orgnicas no trabalhador. A exposio aos particulados de madeiras e de cereais pode resultar na irritao das mucosas e tecidos, em alergia, rinofaringite, conjuntivite e bronquite. A exposio a poeira do carvo mineral pode resultar em uma pneumoconiose conhecida como antracose.

- Fibras Entende-se como fibra o particulado filamentoso que possui uma caracterstica relacionada com o comprimento e o dimetro. Em geral, considera-se como mais importantes as fibras que tem a relao comprimento/ dimetro igual ou maior que 3. Alguns estudos tem demonstrado que fibras que possuem dimetro inferior a 1,5 so as mais perigosas para a sade humana. Em relao ao comprimento, acredita-se que o risco maior quando superior a 5 ., pois as fibras de comprimento menor so mais facilmente eliminadas pelo organismo. As fibras podem ser classificadas como a seguir:

A fibra mineral de maior importncia na Higiene Industrial o Amianto, tambm conhecido como Asbesto. Essas fibras apresentam propriedades importantes para a indstria, tais como: so incombustveis, isolantes eltrico e trmico, resistem a ao de cidos, lcalis e micro-organismos. H dois grupos importantes de rochas amiantferas: as serpentinas e os anfiblios. As serpentinas tem como principal variedade a crisotila, tambm conhecida como amianto branco. Corresponde a mais de 98 % do consumo mundial de amianto. Suas fibras so curvas, sedosas e menos agressivas aos pulmes. Os anfiblios so fibras duras, retas, pontiagudas e muito agressivas aos pulmes.Tem produo localizada na frica do Sul e est praticamente em desuso. Os principais utilizaes das fibras de amianto so: . fabricao de materiais de fibro-cimento (telhas, caixas d'gua, tubos,placas...) . fabricao de superfcies de atrito ( freios e embreagens ) . fabricao de tecidos incombustveis, isolantes trmicos e filtros . fabricao de juntas e papelo No Brasil, o setor de fibro-cimento responde aproximadamente por 90% do consumo

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de amianto. O percentual nesses produtos varia de 8 a 12%. O amianto foi muito utilizado na Amrica do Norte e na Europa como isolante trmico, aplicado por jateamento (spray). Essa aplicao expunha os trabalhadores a grande quantidade de fibras, variado de algumas centenas a mais de mil fibras por cm3. Por esse motivo o jateamento foi proibido em muitos pases inclusive no Brasil. - O amianto e a sade Os estudos mdicos mostram que as fibras de amianto no provocam alterao em rgos como a pele, rins e aparelho digestivo. Apenas o pulmo pode ser afetado sob determinadas condies, tais como o tamanho, o dimetro e o tipo da fibra, o tempo de exposio e a sensibilidade individual. As doenas pulmonares relacionadas com a exposio s fibras de amianto nos locais de trabalho so : asbestose, cncer e mesotelioma. - Asbestose - relacionada a exposio a concentrao elevada. As fibras alojam-se nos alvolos pulmonares e como defesa, o organismo cicatriza o alvolo, impedindo que se encha de ar. A continuidade da exposio pode tornar o pulmo fibroso e sem elasticidade. O perodo mdio de aparecimento da doena de quinze anos. - Cncer- As pesquisas mostram que o risco parece restrito aos trabalhadores com evidncia de asbestose. Mostram tambm que a ocorrncia maior nos fumantes. O perodo mdio de aparecimento de vinte anos. - Mesotelioma - uma forma rara de cncer que se desenvolve no mesotlio, que a membrana que envolve o pulmo (pleura) e o abdme (peritnio). A grande maioria dos mesoteliomas observados est relacionada a exposio s fibras do grupo dos anfiblios. No se tem conhecimento da relao com fumo. O perodo mdio de aparecimento de trinta a quarenta anos. - Outras informaes H milhes de caixas de gua de fibro-cimento . A ingesto da gua contida nesses reservatrios no representa qualquer risco para a sade. - Fumos Esto presentes nos ambientes onde h fundio de metais. A soldagem a atividade que expe ao fumo um significativo nmero de pessoas. Os fumos que resultam da soldagem so partculas muito pequenas (0,01 a 0,1) penetrando facilmente nos pulmes e alcanando os alvolos. Os metais de maior toxicidade so: chumbo, arsnico, cromo e mangans. Todos os processos de soldagem produzem fumos e gases. No prtico mudar a quantidade ou a composio dos fumos, atravs da modificao do processo ou dos consumveis (eletrodos). A representatividade da exposio funo da concentrao na zona respiratria do soldador, da composio e do tempo da exposio. A soldagem em locais abertos em geral no requer medidas especiais para a remoo dos fumos. O soldador deve ter o cuidado de posicionar-se de forma que os fumos no alcancem a sua zona de respirao. Quando o trabalho se realizar em locais com ventilao deficiente, deve ser usado a ventilao local exautora e / ou o equipamento de proteo respiratria.

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A soldagem em metais revestidos ( pintados, galvanizados, cromados, cobreados...) libera fumos muito txicos ( zinco, cdmio, cobre,chumbo...). Sempre que possvel o revestimento deve ser removido atravs de esmerilhamento. A soldagem arco eltrico prxima a solventes clorados, ( tricloroetileno, percloroetileno ...) pode resultar emisses de elevada toxicidade ( fosgnio, cloreto de hidrognio, dicloroacetil...) devido a possibildade da decomposio desses solventes pelo calor e / ou pela radiao ultra violeta. No deve ser permitido a presena desses solventes no ambiente onde for realizada a soldagem. Qualquer resduo do solvente deve ser removido do metal antes da soldagem. Na soldagem com proteo gasosa, so usados gases inertes (argnio, hlio...) e o dixido de carbono (CO2). Em locais com ventilao deficiente esses gases podem reduzir a concentrao de oxignio e resultar na asfixia do soldador. 7.2 Classificao pelos efeitos no organismo humano Toma como referncia os efeitos que produzem no organismo, ou seja, a ao fisiopatolgica: . Irritantes - So produtos que produzem uma irritao (inflamao) nos tecidos com os quais mantm contato, determinada por uma ao fsica ou qumica. Agem principalmente sobre a pele e as mucosas. A solubilidade nos fluidos aquosos do corpo humano determina onde os efeitos sero mais intensos, ou seja: Os agentes muito solveis tem ao inicial na via respiratria superior ( nariz, boca, faringe, laringe e traquia ) como exemplo destas substncias podem ser citados: cidos (HCl, H2SO4, HF) lcalis (NaOH, KOH, NH3OH), lcool. Os agentes de solubilidade mdia tem ao inicial na traquia e brnquios. O dixido de enxofre (SO2), os halognios (cloro, flor, bromo, iodo) so exemplos. Os agentes pouco solveis tem ao diretamente nos pulmes, podendo tambm passar para o sangue. So exemplos: oznio (O3), xidos de nitrognio (NOx), fosgnio e o tricloroetileno. A solubilidade nos fluidos aquosos deve, entretanto, ser usada como referncia, pois em concentraes elevadas, mesmo as substncias que so muito solveis podem atingir os pulmes, passar para a corrente sangunea e resultar em um efeito sistmico. . Asfixiantes - So produtos que impedem ou reduzem a oxigenao dos tecidos. Podem ser divididas em: . asfixiantes simples - no tem interao com o organismo, mas reduzem a concentrao de oxignio (O2) do ar. Caso essa concentrao seja inferior a 18% representa perigo imediato para a vida. So exemplos: nitrognio (N2), metano (CH4), dixido de carbono (CO2), etano (C2 H6), os gases nobres e o acetileno. . asfixiantes qumicos - interferem no transporte do O2 pelo sangue. Atuam na hemoglobina. So exemplos: o monxido de carbono (CO), o cido ciandrico (HCN), o nitrobenzeno e os ntritos. . Anestsicos ou narcticos - so produtos que atuam como depressores do Sistema Nervoso Central (SNC).Em geral so solventes orgnicos. As lipossolveis tem fcil acesso ao SNC. A lipossolubilidade diminui com o aumento do nmero de tomos de carbono na molcula. Podem ser divididos: . anestsicos primrios: agem somente no SNC. No ficam retidos no organismo. Exemplos : propano (C3H8), butano (C4H10), eteno (C2H4)... . anestsicos de ao visceral: alm da ao no SNC, causam danos s visceras (fgado, rins,...). Os hidrocarbonetos clorados so exemplos:

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tetracloreto de carbono (CCl4), tricloroetileno (C2Cl3H3), trifluormetano (CF3H)... . anestsicos de ao sobre o sistema formador de sangue: alm da ao no SNC, acumulam-se preferencialmente nos tecidos gordurosos, tais como a medula ssea e o sistema nervoso. Os hidrocarbonetos aromticos so exemplos: benzeno, tolueno, xileno, etil benzeno... . anestsicos de ao sobre o sangue e sistema circulatrio: causam alterao na hemoglobina. nitrobenzeno, nitrotolueno, anilina, toluidina... . Alergnios - so produtos que agem na estrutura das protenas provocando uma resposta imunolgica (anti-corpos). A exposio frequente causa sensibilizao. Compostos de nquel, cromo e mercrio. . Atuao no ncleo celular - atuam no (DNA), causando desordem gentica, crescimento e difuso descontrolada das clulas. Podem ser divididas em: . Mutagnicos - induz uma modificao permanente e transmissvel (mutao) nas caractersticas genticas de um ser vivo: hidroxiamina e bromouridina... . Carcinognicos - causa cncer em consequncia de exposio aguda ou crnica: benzeno, cromo hexavalente, difenilamina,benzidina... . Teratognicos - produz defeito fsico no embrio: talidomida... . Pneumoconiticos - so particulas (poeiras, fibras e fumos) que atuam no pulmo causando enfermidades crnicas que resultam de irritaes prolongadas. Fumos: ferro (siderose), estanho (estaniose) alumnio (aluminose) ....poeiras e fibras: carvo (antracose), silica (silicose), asbesto (asbestose)... BIBLIOGRAFIA - FUNDACIN MAPFRE (ITSEMAP) Manual de Higiene Industrial - FUNDACENTRO Riscos Qumicos - FUNDACENTRO Curso de Engenharia do Trabalho - CURTIS D. KLAASSEN MARY O. AMDUR JOHN DOULL Casarett and Doull's Toxicology - ACGIH Threshold limit Values for Chemical Substances and Physical Agents - NEWTON RICHA Curso de Fundamentos de Toxicologia Industrial para profissionais da rea tecnolgica - ROBERTO C.S.GOES Manual de toxicologia do refino do petrleo - DECRETO N 2.657, de 3 de julho de 1998 Promulga a Conveno n 170 da OIT, relativa segurana na utilizao de produtos qumicos no trabalho - NBR 12 563: setembro 1999 Equipamentos de proteo respiratria terminologia - NBR 14 725 julho

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