Anomalias Congnitas Oro Faciais - odontopreventivaufrj ? Como o desenvolvimento de um indivduo

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    09-Nov-2018

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  • Anomalias Congnitas Oro Faciais Urubatan Medeiros

    BDS, MSc, PhD, PDc

    Professor Titular do Departamento de Odontologia Preventiva e Comunitria UERJ/UFRJ

    Resumo de Aula

    Durante a vida intrauterina o feto, durante os nove meses de gestao, recebe influncias do meio ambiente, seja de forma direta ou atravs da me. Como o desenvolvimento de um indivduo um processo complexo que compreende vrias etapas, interferncias neste delicado processo podem resultar em defeitos congnitos, sendo o perodo da vida intrauterina mais propenso a interferncias, quele que compreende o intervalo da quarta a dcima segunda semana. Dentre os defeitos congnitos que podem estar presentes, as malformaes faciais, mais especificamente as fissuras ou fendas labiopalatais, so consideradas as mais comuns em todas as populaes e grupos tnicos. Todos os dias cerca de 700 crianas com fissura de lbio e /ou fenda palatina nascem no mundo, o que significa que nasce um beb com fissura a cada 2 minutos. As fendas labiopalatais podem ser consideradas como malformaes de inibio: o desenvolvimento, at ento normal, sofre localmente uma paralisao resultando em uma abertura que recebe o nome de fissura. A fissura labial e/ou palatal uma ruptura na regio de lbio e/ou palato, ocasionada pela falta de coalescncia envolvendo o processo frontonasal mediano e os processos maxilares, que so derivados do primeiro arco farngeo. Assim, para que ocorra a fissura ou fenda necessrio que ocorra uma alterao na velocidade migratria das clulas da crista neural, encarregadas de comandar o fenmeno de fuso das proeminncias faciais. Fissura de lbio e palato so geralmente divididos em dois grupos, fissura palatina e lbio leporino com ou sem fissura de palato, representando um grupo heterogneo de doenas que afetam os lbios e cavidade oral. Estes defeitos surgem em cerca de 1,7 por 1000 nascidos vivos, com variao tnica e geogrfica. H um consenso em se atribuir teoria multifatorial a responsabilidade pela ocorrncia das fendas, incluindo fatores genticos e ambientais. Dentre as causas mais citadas destacam-se: doenas durante a gravidez, uso abusivo de drogas, idade dos pais, deficincia nutricional, medicamentos anticonvulsivantes entre outras. Classificao das Fissuras Labiopalatais

  • Grupo I Pr forame Incisivo

    Unilateral Completa Incompleta

    Bilateral Completa Incompleta

    Mediana Completa Incompleta

    Grupo II Transforame Incisivo

    Unilateral Bilateral Mediana

    Grupo III Ps Forame Incisivo

    Incompleta Completa

    Grupo IV Fissuras raras de Face

    Fissuras desvinculadas do palato primrio e secundrio

    Etiologia Da face e das estruturas intrabucais consistem em uma srie complexa de eventos que envolvem extensas migraes celulares e interaes teciduais. Os processos maxilares do embrio so formados a partir do 24. dia de gestao. O crescimento do arco direito e esquerdo, tanto superior, quanto inferior ocorre na direo da linha mdia, fundindo-se ao encontrar sua contraparte anatmica. A formao do palato ocorre um pouco mais tarde, entre a 7. e 8. semana de desenvolvimento embrionrio. Fatores de Risco 1 Tipo: as mais frequentes so as fendas labiopalatais unilaterais esquerda; 2 Sexo: fendas de palato so mais prevalentes em mulheres, enquanto fendas labiopalatais so mais frequentes em homens; 3 Grupo tnico: maior prevalncia em grupos tnicos puros, sem miscigenao. A maior prevalncia encontra-se no grupo tnico amarelo. 4 Casamentos consanguneos: em populaes confinadas foi observado maior risco de nascimentos de crianas com fendas labiopalatinas; 5 Exposio radiao: observa-se maior prevalncia em mulheres expostas radiao antes ou durante a gestao; 6 Uso de drogas: drogas alucingenas ou medicamentosas utilizadas durante o perodo gestacional mostram alta prevalncia de bebs com fendas labiopalatais; 7 lcool: o uso dirio de lcool tem sido associado presena de fendas orofaciais.

  • Preveno das Anomalias Congnitas Primeiro Nvel Promoo da Sade O surgimento de anomalias congnitas orofaciais pode ser decorrente de fatores hereditrios ou ambientais, podendo ter atuao isolada ou em conjunto. Fatores hereditrios: casamentos consanguneos ou a presena de anomalias em um dos pais ou em ambos. Fatores ambientais: Uso imprprio ou abusivo de drogas, doenas infecciosas (sarampo, varola, rubola) no perodo gestacional, radiaes ionizantes, etc... Segundo Nvel Proteo Especfica Nada podemos fazer neste nvel visto que conhecemos os fatores de riscos e alguns aspectos etiolgicos, mas sem medidas especficas para impedir seu aparecimento. Terceiro Nvel Diagnstico Precoce e Tratamento Imediato O diagnstico precoce pode ser feito a partir de ultrassonografia, mas no possvel ainda realizar intervenes intrauterinas para resolver os casos de anomalias orofaciais. A identificao aps o nascimento deve levar a um plano de tratamento imediato com planejamento integrado de cirurgia-fonoaudiologia-odontologia. O acompanhamento psicolgico dos pais de fundamental importncia durante todo o processo. Quarto e Quinto nvel Limitao do Dano e Reabilitao O tratamento deve ser realizado por equipe multiprofissionais visando o crescimento e desenvolvimento da criana at completar 18 anos, quando se realiza os ltimos procedimentos estticos e funcionais.

    Infeces Virais na Prtica Odontolgica Na cavidade bucal existem mais de 350 espcies bacterianas como habitantes normais da microbiota e a saliva contm 43 milhes a 5,5 bilhes de bactrias por mililitro. Portanto o Cirurgio Dentista utiliza em seu consultrio grande nmero de materiais (instrumentos e equipamentos) que quando contaminados com sangue e/ou saliva devem ser obrigatoriamente esterilizados para evitar os ciclos de infeco cruzada.

  • Infeco Cruzada Profissional/Profissional Profissional/Paciente Paciente/Profissional As infeces virais so as mais graves e as de maior preocupao na prtica clnica diria. As mais importantes so: Herpes Hepatite - AIDS HERPES considerado o mais transmissvel e infeccioso em humanos. O herpes uma infeco promovida pelo vrus herpes, membro da famlia Herpesviridae. Existem 8 tipos conhecidos do vrus do herpes em humanos: vrus do herpes simples tipo 1 (HSV 1) vrus do herpes simples tipo 2 (HSV 2) vrus da varicela-zoster (VZV) citomegalovrus (HSV 5) herpesvrus humano 6 (HSV 6) herpesvrus humano 7 (HSV 7) vrus Epstein Barr (HSV 4) herpesvrus humano 8 (HSV 8) HERPES SIMPLES (HSV 1 e HSV 2) Perodo de incubao curto (2 a 12 dias). Durao da doena: em torno de 2 semanas. Forma de transmisso: contato direto com leses ou objetos contaminados (sangue); gotculas de saliva lanadas durante a fala, espirro ou tosse. Disseminao assintomtica atravs de fluidos (sangue/saliva). Pode infectar a pele, a mucosa bucal e ocular (inclusive a crnea). O atendimento a pacientes portadores de leses deve ser evitado at que a leso desaparea. HEPATITE A hepatite se caracteriza por um processo inflamatrio do fgado que leva a uma necrose hepatocelular difusa ou irregular com envolvimento de todos os lbulos . Alm disso, as hepatites virais, em especial as hepatites B e C, encontram-se entre as doenas infecciosas ocupacionais que atuam em maiores ndices de mortalidade dentre a classe odontolgica. A maior parte dos casos so anictricos (70%), apresentando sintomas semelhantes a uma sndrome gripal, ou mesmo assintomticos.

  • Outro quadro clnico que merece destaque a forma fulminante. Ocorre em menos de 1% dos casos de hepatites virais, independentemente da etiologia. A forma crnica definida como um processo inflamatrio contnuo do fgado, de etiologia varivel (TIPOS B, C e D) e com durao superior a seis meses. Chama-se de portador o indivduo que conserva o vrus (TIPOS B, C e D) por mais de seis meses. Esses indivduos podem ser sintomticos ou assintomticos. HEPATITE B provocada pelo vrus da hepatite B (HBV) que pertence a famlia Hepadnavirus e foi primariamente detectado em 1963. Os maiores ndices de infeco pelo vrus HBV em profissionais de sade encontram-se entre os cirurgies-dentistas. Entre as doenas infectocontagiosas, a Hepatite B a maior causa de mortes e interrupes da prtica de consultrio pelos dentistas. O sulco gengival um local de grande risco pela presena de sangue diante das inflamaes que a rotineiramente ocorrem. a presena frequente de sangue na saliva que a faz mais perigosa. Epidemiologicamente observamos que mais de 50% da populao mundial j foi contaminada pelo vrus da hepatite B. Estima-se algo em torno de 2 bilhes de pessoas que j entraram em contato com o vrus, 350 milhes de portadores crnicos e 50 milhes de novos casos a cada ano. Em reas com maior incidncia, 8 a 25% das pessoas carregam o vrus e de 60 a 85% j foram expostas. No Brasil, 15% da populao j foi contaminada e 1% portadora crnica. O vrus que causa a hepatite B (VHB) um vrus DNA, transmitido por sangue (transfuses, agulhas contaminadas, relao sexual, aps o parto, instrumentos cirrgicos, odontolgicos, etc.). No se adquire hepatite B atravs de talheres, pratos, beijo, abrao ou qualquer outro tipo de atividade social aonde no ocorra contato com sangue. Aps a infeco, o vrus concentra-se quase que totalmente nas clulas do fgado, aonde seu DNA far o hepatcito construir novos vrus. O vrus da hepatite B resistente, chegando a sobreviver 7 dias no ambiente externo em condies normais e com risco de, se entrar em contato com sangue atravs de picada de agulha, corte ou machucados (incluindo procedimentos de manicure com instrumentos contaminados), levar a infeco em 5 a 40% das pessoas no vacinadas.

  • A vacina para a hepatite B altamente efetiva e praticamente isenta de complicaes (pode causar apenas reaes no local da injeo). Como a hepatite B uma das principais causas de cncer de fgado no mundo, a vacinao no previne apenas a hepatite como tambm o cncer. Mais de 80 pases j adotaram a vacinao de toda a populao como estratgia de combate doena. A vacina consiste de fragmentos do antgeno da hepatite B HBsAg, suficiente para produzir anticorpos mas incapaz de transmitir doena. A dose da vacina de trs injees intramusculares, sendo a segunda aps 1-2 meses e a terceira 5 meses aps a primeira. Neste esquema, 95% produziro os anticorpos e, nestes, a proteo contra a hepatite prxima de 100%. A imunidade costuma durar pelo menos 10 anos, mas pode persistir por toda a vida, podendo ser avaliada por exame de sangue. HEPATITE C Hepatite C a inflamao do fgado causada pela infeco pelo vrus da hepatite C (HCV), transmitido atravs do contato com sangue contaminado. Essa inflamao ocorre na maioria das pessoas que adquire o vrus e, dependendo da intensidade e tempo de durao, pode levar a cirrose e cncer do fgado. Ao contrrio dos demais vrus que causam hepatite, o vrus da hepatite C no gera uma resposta imunolgica adequada no organismo, o que faz com que a infeco aguda seja menos sintomtica, mas tambm com que a maioria das pessoas que se infectam se tornem portadores de hepatite crnica, com suas consequncias a longo prazo. A transmisso da hepatite C ocorre aps o contato com sangue contaminado. Apesar de relatos recentes mostrando a presena do vrus em outras secrees (leite, saliva, urina e esperma), a quantidade do vrus parece ser pequena demais para causar infeco e no h dados que sugiram transmisso por essas vias. O vrus da hepatite C chega a sobreviver de 16 horas a 4 dias em ambientes externos. Grupos de maior risco incluem receptores de sangue, usurios de drogas endovenosas, pacientes em hemodilise (cerca de 15-45% so infectados nos EUA) e trabalhadores da rea de sade. Preveno A incidncia de hepatite C pde ser reduzida pelo rastreamento adequado de doadores de sangue nas ltimas dcadas. Atualmente, apenas 5% dos novos casos so adquiridos dessa forma. Nos dias atuais, a melhor forma de preveno reside no combate ao uso de drogas endovenosas.

  • Protocolos de tratamento logo aps infeco (contato com sangue contaminado) no apresentaram resultados favorveis e no so recomendados. Ainda no h perspectiva a mdio prazo de uma vacina eficiente. AIDS Sndrome da Imuno Deficincia Adquirida A AIDS foi reconhecida oficialmente como entidade patolgica em 1981, pelo Center for Disease Control and Prevention rgo dos Estados Unidos que centraliza as normas e as aes relacionadas s doenas. A AIDS causada pelo vrus da imunodeficincia humana (HIV) que se transmite por meio de relaes sexuais (vaginais, orais ou anais), sangue, agulhas e seringas contaminadas e atravs da me infectada para seu filho (gravidez, parto e amamentao). Aps a contaminao, o indivduo pode passar meses ou anos de forma assintomtica. Desse modo nem todos os portadores do vrus HIV tm AIDS. medida que o vrus ataca o sistema imunolgico, comeam a aparecer os primeiros sinais e sintomas da doena. O vrus HIV no tem capacidade de se reproduzir por si prprio, por isso, age como um parasita, invadindo as clulas do hospedeiro. Ele infecta toda e qualquer clula do organismo que expresse em sua superfcie o receptor CD4, tendo porm, uma maior afinidade pelos linfcitos T, do sistema imunolgico. Desse modo, medida que o vrus HIV se replica, causa depleo das clulas T, diminuindo a resistncia orgnica contra infeces. Em 2008, o Brasil conclui o processo de nacionalizao de um teste rpido que permite detectar a presena do HIV no organismo em 15 minutos. Em 2011, o primeiro antirretroviral produzido por um laboratrio pblico brasileiro o Tenofovir entrou no mercado. Tambm em 2011, uma pesquisa dos institutos nacionais de Sade dos Estados Unidos indica que pacientes que aderem a um esquema eficaz de terapia antirretroviral reduzem em at 96% o risco de transmisso do HIV. Grupo de risco x Comportamento de risco Um grande desafio no enfrentamento da AIDS traar novas abordagens para atingir populaes mais vulnerveis ao HIV sobretudo mulheres jovens. Quando a epidemia comeou, no incio dos anos 80, a maioria dos infectados era do sexo masculino. Atualmente, a proporo, at os 23 anos de idade, de dez mulheres infectadas para cada seis homens.

  • comum o aparecimento dos primeiros sinais clnicos da AIDS na cavidade bucal. O Ministrio da Sade classifica as leses de acordo com a frequncia a que esto associadas com a infeco pelo vrus da AIDS. Leses fortemente associadas com infeco pelo HIV: Candidase Eritematosa/Pseudomembranosa Leucoplasia pilosa Sarcoma de Kaposi Linfoma No-Hodgkin Doena periodontal: Eritema gengival linear Gengivite (ulcerativa) necrosante Periodontite (ulcerativa) necrosante Preveno de Infeces Virais 1 Utilizao adequada de Equipamentos de Proteo Individual (EPI): Mscaras descartveis de dupla filtragem, culos especficos, gorro ou touca descartvel, luvas descartveis especficas para procedimentos ambulatoriais e cirrgicos, avental ou jaleco de mangas longas. 2 Controle do ambiente: aerao, temperatura, limpeza e descontaminao de bancadas e equipamentos. 3 Proteo de partes de toque dos equipamentos odontolgicos com filme de PVC. 4 Utilizao de sobreluvas de vinil para a realizao de outras tarefas durante o atendimento clnico. 5 Desinfeco e esterilizao de todo o instrumental clnico e cirrgico. Conduta frente a acidentes na clnica O profissional de sade que sofre uma exposio ocupacional deve receber ateno mdica imediata, que inclui avaliao sorolgica, aconselhamento, quimioprofilaxia (se indicada) alm de apoio psicolgico. 1 - Em caso de exposio percutnea a rea deve ser rigorosamente lavada com gua e sabo. Aps exposio em mucosas, recomenda-se a lavagem abundante com gua ou soluo salina. 2 - Avaliao do risco de contgio: Aps a lavagem da rea, o cirurgio-dentista deve procurar imediatamente um infectologista para avaliar a gravidade do acidente e o risco de transmisso do vrus. 3 - Indicao do uso de antirretrovirais: a indicao do uso profiltico de antirretrovirais se baseia na avaliao criteriosa do risco de transmisso do HIV (como visto acima) e tambm na toxicidade das medicaes. 4 - Exames: deve ser feito um acompanhamento sorolgico do profissional. O teste ELISA deve ser realizado logo aps o acidente e repetido nos perodos de 6 semanas, 12 semanas e 6 meses.

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